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Numero do processo: 18471.001366/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
O art. 65, caput, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Demonstrada a ocorrência da omissão, deve ser suprida, passando a integrar os fundamentos da decisão anteriormente proferida.
ACÓRDÃO. INOVAÇÃO.
Não é possível fundamentar a manutenção do auto de infração com base em argumentos não suscitados pela autoridade lançadora. Não há, contudo, nulidade quando o acórdão mantém o lançamento por seus fundamentos apenas acrescentando outros novos, que são o fundamento propriamente da sua manutenção.
Numero da decisão: 2202-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-002.113, de 21/11/20012, manter a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. O art. 65, caput, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Demonstrada a ocorrência da omissão, deve ser suprida, passando a integrar os fundamentos da decisão anteriormente proferida. ACÓRDÃO. INOVAÇÃO. Não é possível fundamentar a manutenção do auto de infração com base em argumentos não suscitados pela autoridade lançadora. Não há, contudo, nulidade quando o acórdão mantém o lançamento por seus fundamentos apenas acrescentando outros novos, que são o fundamento propriamente da sua manutenção.
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OMISSÃO. O art. 65, caput, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Demonstrada a ocorrência da omissão, deve ser suprida, passando a integrar os fundamentos da decisão anteriormente proferida. ACÓRDÃO. INOVAÇÃO. Não é possível fundamentar a manutenção do auto de infração com base em argumentos não suscitados pela autoridade lançadora. Não há, contudo, nulidade quando o acórdão mantém o lançamento por seus fundamentos apenas acrescentando outros novos, que são o fundamento propriamente da sua manutenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202002.113, de 21/11/20012, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 66 /2 00 6- 19 Fl. 437DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte contra acórdão proferido por este e.CARF, que negou provimento ao Recurso Voluntário. O processo já foi admitido pela Presidência desta turma, indicando como hipótese a ocorrência de omissão. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 22/11/2006 foi formalizado Auto de Infração (fls. 258/266) para constituir crédito de IRPF referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 em função da identificação de omissão de rendimentos decorrentes de vínculo empregatício, de resgate de contribuições a previdência privada e acréscimo patrimonial a descoberto. Consta também Termo de Verificação Fiscal (fl. 267/275 e docs. anexos fls. 276/281). Intimada, a Contribuinte apresentou Impugnação em 20/12/2006 (fls. 293/301 e docs. anexos fls. 302/332). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 13 29.599, de 28/05/2010 (fls. 350/356), que manteve integralmente o crédito lançado. Intimada em 11/04/2011 (fl. 358), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 362/384 e docs. anexos fls. 385/395). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2202002.113, de 21/11/20012 (fls. 399/403), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 LIVRO DIÁRIO. PARTIDAS MENSAIS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA INSUFICIÊNCIA DE VALOR PROBATÓRIO PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DE SÓCIOS A TÍTULO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A escrituração do livro em partidas mensais, feitas uma só vez ao fim de cada mês, sem que as operações de mesma natureza sejam desdobradas em livros auxiliares, ou discriminadas pelos dias de ocorrência no lançamento único que as compreende, bem como com ausência de registro da movimentação bancária, torna imprestável a escrituração para comprovar a existência de lucros isentos distribuíveis a seus sócios. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18471.001366/200619 Acórdão n.º 2202003.970 S2C2T2 Fl. 438 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Intimada em 06/08/2013 (fl. 411), a Contribuinte Embargou a decisão em 12/08/2013 (fls. 413/424), argumentando, em síntese, · Que não foram expostas as razões de decidir em relação às questões prejudiciais suscitadas no Recurso Voluntário; · Que o acórdão embargado afirmou que o Livro Diário estaria contaminado por ter sido contabilizado em partidas mensais, mas que lançamento fundamentou na falta de contabilização da conta banco; · Que o acórdão embargado é omisso em relação aos argumentos de inovação do acórdão de 1ª instância; · Que o acórdão embargado é omisso em relação à utilização de provas ilícitas, especificamente informações bancárias; · Que o acórdão embargado é omisso em relação aos argumentos para manter o lançamento em detrimento da falta de fiscalização da empresa da qual é sócia a Contribuinte, especificamente em relação à distribuição de lucros; · Que o acórdão embargado é omisso em relação à explicação da origem do numerário que fundamentou os empréstimos realizados (fundamentos do APD), se negou a existência de distribuição de lucro por meio de dinheiro em espécie; · Que o acórdão embargado é omisso em relação à autorização de produção de provas nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/1999; e · Que o acórdão embargado é omisso em relação ao argumento de que é presumida a distribuição do lucro, na proporção de 8% da receita, quando a empresa é optante pela apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Em 23/04/2015 foi proferido Despacho (fl. 435) que concordou com a Informação em Embargos (fls. 433/434), a qual, por sua vez, entendeu pela admissibilidade parcial dos Embargos, nos seguintes termos: Compulsando os autos, verifico que a embargante, em sede de recurso voluntário, suscitou a nulidade do lançamento com base na inovação da razões do lançamento pelo DRJ (fls. 373 a 374, do eprocesso); e em razão da ilegalidade da obtenção de suas informações financeiras sem prévia autorização judicial, via Requisição de Movimentação Financeira (RMF) (fls. 378 a 380, do eprocesso). Fl. 439DF CARF MF 4 Entretanto, examinandose o acórdão nº 2202.002.113, verifico que, de fato, tais matérias preliminares não foram objeto de exame pelo colegiado quando do julgamento do recurso, do que entendo pela omissão da decisão em relação a tais pontos. Por outro lado, em relação às demais alegações de omissão por parte do embargante, entendo que nesta parte o presente recurso tem mero intento de rediscutir a decisão, através do reexame da matéria sob judice. Vale ressaltar que a insatisfação do contribuinte para com o resultado do julgamento não é hipótese de cabimento que autoriza a concessão de efeitos infringentes aos embargos, o qual encontra seus limites definidos pelo art. 65 do Regimento Interno deste Conselho. Destarte, tenho que merece reforma o acórdão nº 2202.002.113, pois se verifica hipótese de omissão, consubstanciada na ausência de posicionamento da turma sobre as matérias preliminares aventadas no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos intimação em 06/08/2013 (fl. 411), terçafeira, e protocolo em 12/08/2013 (fl. 413), segundafeira e preenchem os demais requisitos. Contudo, é importante observar que o Despacho de Admissibilidade recebeu apenas parte do Embargo de Declaração, especificamente em relação à inovação do acórdão de 1º grau e à ilegalidade do acesso às informações bancárias. Os demais argumentos foram rejeitados de plano, rejeição essa que é definitiva, nos termos do art. 65, § 3º, do Anexo II ao RICARF, não retornando a pauta para reanálise. Nessa esteira, limitase o julgamento dos embargos às questões admitidas. Do acórdão da DRJ: Compulsando o Recurso Voluntário, percebese que a Contribuinte efetivamente suscita a questão da inovação do acórdão de 1ª instância. Fálo nos seguintes termos: "Como acima descrito, a Autoridade Lançadora entendeu de glosar os lucros e dividendos distribuídos em virtude dela ter desconsiderado as informações escrituradas nos livros diários da firma da qual a contribuinte era titular, pois entendeu que essas seriam imprestáveis em virtude a suposta ausência de contabilização das movimentações financeiras irregularmente constadas pela Autoridade, sem que de direito tenha ocorrido à necessária autoridação para quebra do sigilo fiscal da pessoa jurídica, o que, no mínimo, dá conta da irregularidade da suposta prova obtida e dos seus reflexos. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 18471.001366/200619 Acórdão n.º 2202003.970 S2C2T2 Fl. 439 5 Já o acórdão guerreado dá conta da suposta imprestabilidade da escrituração contábil da firma em função do julgador ter entendido que a mesma era feita em lançamentos mensais, vide item 16 do acórdão ás fls. 342, in verbis: (...) Pois bem, é fácil concluir que a negativa de admissibilidade da escrituração formulada no acórdão é de motivação diversa que a motivação aplicada pela Fiscala e que foi objeto de impugnação, (...)" fl. 373 (grifos no original) Por sua vez, relendo o acórdão embargado, percebese que não há, efetivamente, uma única linha ou mesmo oração se referindo ou analisando a matéria. Nesse caminho, há efetiva omissão que deve ser sanada. Passando, portanto, à análise do Recurso Voluntário, percebese que a Contribuinte argumenta pela nulidade do acórdão recorrido por inovar em relação aos fundamentos do lançamento. Especificamente, afirma que o lançamento desconsiderou a contabilidade da empresa por ausência de contabilização da conta banco, enquanto o acórdão recorrido fundamentou a desconsideração da contabilidade no fato de que os lançamentos eram mensais. Retornando ao acórdão Recorrido, percebese que ela fundamentou a não aceitação da escrituração da empresa por dois motivos: que os lançamentos eram contabilizados mensalmente e que era imprestável para identificar a movimentação financeira: "15 Nesse aspecto, analisandose as cópias do livro diário juntadas aos autos (fl. 132 a 218), verificase que sua escrituração foi efetuada em partidas mensais, tendo sido todos os valores a débito e a crédito lançados no último dia de cada mês, sem contabilização da movimentação financeira em banco, que, ressaltese era superior à receita bruta da empresa (fl. 244). Entendo que tal fato, conforme alega a fiscalização, torna a escrituração imprestável para comprovar a existência de lucros isentos distribuíveis a seus sócios. (...) 17. Na mesma esteira, a legislação do imposto de renda no art. 530, II, a, do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99) determina que é hipótese de arbitramento do lucro quando a escrituração é imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, sendo também mansa e pacífica a jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido" fls. 353/355 (grifo nosso). Em outras palavras, se é verdade que o acórdão recorrido trouxe à baila o argumento de que a escrituração estava viciada por ter seus lançamentos mensais e não diários, também se fundamentou na questão da ausência de escrituração da conta banco. Portanto, ainda que haja fundamento inovador no acórdão recorrido, que poderia ser corrigido, a verdade é que o acórdão ainda subsistiria, vez que também fundamentou a desconsideração da contabilidade na ausência de escrituração da conta banco, Fl. 441DF CARF MF 6 mesmo fundamento utilizado pela autoridade lançadora (fls. 272/274), como inclusive admite a Contribuinte. Portanto, é necessário sanear o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, para registrar que não há cerceamento do direito de defesa quando o acórdão recorrido mantém o lançamento pelos seus próprios fundamentos, apenas acrescentando outros. Dos dados bancários: Igualmente, compulsando o Recurso Voluntário, é possível constatar que o Contribuinte ventilou a nulidade do lançamento pelo fato de ter havido acesso indevido às informações bancárias da empresa. Mais uma vez, também é possível constatar que o acórdão recorrido se omite sobre a questão. Passando à análise da questão, percebese, entretanto, que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Fl. 442DF CARF MF Processo nº 18471.001366/200619 Acórdão n.º 2202003.970 S2C2T2 Fl. 440 7 Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão no acórdão CARF nº 2202002.113, de 21/11/20012, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 443DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901086/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 86 /2 00 8- 82 Fl. 59DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, aqui adotase o relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo. Desta feita os débitos se tornam extintos face a quitação dos mesmos, em que pese a mesma ter cometido o lapso de não efetuar o cancelamento do PER/DCOMP, pois seguimos orientações do Setor de Atendimento da SRF de que não havia necessidade de cancelar o PER/DCOMP. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa quitou este débito, desta maneira não há o que se falar em valor devido, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois este débito está pago conforme citado anteriormente, segue cópia em anexo, bem como qualquer cobrança relacionada a não utilização dos créditos como consta no Despacho Decisório. b) Em que pese a Lei 10.833, capítulo II, artigo 17, § 6º ‘A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados’. Tal Lei por subordinação não pode ferir o artigo 149 inciso IV do CTN, no sentido de promover a revisão de ofício do lançamento (confissão efetuada pela própria empresa, já que foi comprovado erro de fato, pela ausência do cancelamento do PER/DCOMP). c) Destarte requer que seja feita a revisão de ofício do Despacho Decisório, contemplando o respectivo cancelamento da PER/DCOMP e eximir a empresa de pagamento de qualquer débito oriundo da falta de cancelamento desta decl Sobreveio a decisão de primeira Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901086/200882 Acórdão n.º 3302004.648 S3C3T2 Fl. 60 3 instância (fls. 25/28), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ração. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/11/2011, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário em 15/12/2011, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. O julgamento foi convertido em diligência, perante a unidade da Receita Federal de origem juntasse aos autos o Aviso de Recebimento (AR), por meio do qual a recorrente fora cientificada da decisão de primeiro grau. A referida diligência foi prontamente cumprida, mediante a juntada aos autos do referido documento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado, mas, por falta de objeto, não deve ser conhecido. Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. Fl. 61DF CARF MF 4 A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720050/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano-calendário de 2010, até a data de apresentação da DComp nº 42060.93103.251011.1.3.02-5259, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano calendário de 2010, até a data de apresentação da DComp nº 42060.93103.251011.1.3.025259, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.211 a 1.232) interposto contra o Acórdão nº 0130.629, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1.197 a 1.203), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 05 0/ 20 13 -7 2 Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 15578.720050/201372 Resolução nº 1302000.515 S1C3T2 Fl. 1.343 2 A Manifestação de Inconformidade (fls. 891 a 989) foi apresentada contra o Parecer Seort nº 409/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 873 a 881), que não homologaram as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (DComp) n° 37467.10187.040712.1.7.020042, 30973.87441.241111.1.3.020607 e 18353.44856.201211.1.3.024810. O crédito envolvido nas referidas DComp tem por origem saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2010 (fls. 220 a 281) e alterado por meio de lançamento de ofício de que trata o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Voto Como dito, contra o Recorrente, foi lavrado Auto de Infração que alterou o crédito que deu suporte à apresentação das DComp de que trata o presente processo. Contudo, tanto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo, quanto o Acórdão que tratou da impugnação a ele e o Parecer Seort nº 409/2014 consideraram como pagos apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento do exercício. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, na DComp que discrimina o crédito(DComp nº 37467.10187.040712.1.7.020042, que retificou a de nº 42060.93103.251011.1.3.025259) e no Recurso Voluntário, a existência de parcelamentos de valores de estimativas do IRPJ. O Parecer Seort nº 409/2014 reconhece a existência de parcelamentos, desconsiderando os pagamentos a eles vinculados que foram realizados após o encerramento do exercício. A par disso, o mesmo Parecer afirma que todas as DComp apresentadas pelo Recorrente para compensar estimativas de IRPJ no anocalendário de 2010 foram consideradas como não declaradas, mas, contraditoriamente, relata que os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ, tem efeito direto na análise das DComp de que trata o presente processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) informese, dos totais de estimativas de IRPJ que compuseram o crédito informado na DComp nº 37467.10187.040712.1.7.020042, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data de apresentação da DComp nº 42060.93103.251011.1.3.025259; Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 15578.720050/201372 Resolução nº 1302000.515 S1C3T2 Fl. 1.344 3 b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de IRPJ, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Chamo a atenção para a relação de decorrência existente entre este processo e o de nº 15578.720163/201378, no âmbito de qual foi solicitada diligência de teor similar à Unidade de origem, os quais deverão ser julgados conjuntamente por este CARF. Destaco, por fim, para a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720053/201497, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003339/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O processo tem origem em Pedido de Ressarcimento ou Restituição Declaração de Compensação PER/DComp apresentado pela recorrente (fls 1), em que indicava como crédito passível de compensação o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF de cooperativas referente ao mês de Julho de 2003 e totalizando R$ 76.381,91. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 03 33 9/ 20 08 -1 0 Fl. 6915DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Resolução nº 2201000.281 S2C2T1 Fl. 6.911 2 A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul solicitou uma demanda ao Serviço Federal de Processamento de Dados Serpro, que resultou na listagem "Apuração mensal de IRRF declarados nas Dirf das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 55). Com base nisso, elaborou o resumo que se encontra na fl 89, totalizando por mês e por código os valores declarados pelas fontes pagadoras. Para o mês de julho foi identificado o valor de R$ 30.016,49 para o código 1708 e R$ 31.240,67 para o código 3280. Com base nisso, foi exarado o Despacho Decisório nº 465, da DRF/CXL (fls 90), homologando a compensação no limite do somatório desses valores R$ 61.257,16. Cientificado dessa decisão (fl 120), o contribuinte apresentou sua impugnação (fls 121) que resultou, inicialmente, na conversão do julgamento em diligência, determinada pela 5ª Turma da DRJ/POA, através do Despacho nº 11 (fls 198), para que a Delegacia de origem intimasse a reclamante a apresentar os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras dos rendimentos e, a partir deles, elaborasse relatório circunstanciado acerca do montante de crédito comprovado. A partir dos documentos fornecidos pela interessada a fiscalização elaborou o demonstrativo de fl 219, reconhecendo como comprovados para o mês de julho de 2003 os seguintes valores: R$ 19.667,93 no código 3280 e R$ 15.743,05 no código 1708. Em relação ao resultado da diligência, a empresa se manifestou argumentando que ela não havia atingido seu fim, já que teria se limitado aos valores já obtidos através das DIRFs, deixando de fora as demais retenções que foram informadas pela empresa (fls 224). A 5ª Turma da DRJ/POA exarou o Acórdão 1026.351, de 15 de julho de 2010 (fls 229), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que caberia à empresa comprovar o IRRF para que pudesse utilizálo. A ciência dessa decisão ocorreu em 06/08/2010 (fl 237) e o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente em 01/09/2010 (fls 238). Em suas razões de recorrer, alega que as faturas apresentadas à fiscalização são suficientes para comprovar seu direito ao crédito e protesta pela realização de nova perícia. Chegando a este Conselho, a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Seção entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (Resolução 2102000.077, de 10 de julho de 2012 fls 263), para que: (...) a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRfs". Em resposta a essa solicitação, foi elaborada a informação de fls 6259, datada de 15 de julho de 2013, na qual se alega deficiência nas informações prestadas pela empresa interessada e são apresentadas as seguintes conclusões: Fl. 6916DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Resolução nº 2201000.281 S2C2T1 Fl. 6.912 3 · Em análise das faturas, por amostragem, percebese que a competência a que se referem não são compatíveis com a data de emissão e/ou vencimento. Por ex: a data de emissão da fatura é anterior à data da competência. · O contribuinte utilizase do IRRF, muitas vezes, em competência posterior à apurada e, por isso, torna impossível fazer o batimento das informações do contribuinte(faturas) com o período de apuração informado no PER/DCOMP. Por ex: de acordo com a contabilidade, foi lançado na conta”IRRF a compensar Lei 8541/92”, no dia 01/03/2003 o valor de R$ 70.705,75. Se o lançamento foi efetuado no 1º dia do mês, por óbvio referese a fatos geradores do mês anterior (fevereiro). Entretanto, no PER/DCOMP nº 10667.19317.140803.1.3.057920 o contribuinte informa que essa retenção referese ao mês de abril. E assim, sucessivamente para todos os meses. O demonstrativo dos lançamentos efetuados nesta conta contábil entregue pelo próprio contribuinte e o razão da conta contábil, extraída do Contágil, comprovam o erro descrito. Além disso, fica fácil perceber este “deslocamento” do período de apuração na planilha entregue pelo contribuinte, na qual os valores declarados em DIRF estão “deslocados” em um mês em relação ao valor que o contribuinte entende correto naquele mês. · A conclusão do item anterior é corroborada pelo fato de que o total das divergências apontadas pelo contribuinte nas duas planilhas entregues corresponde exatamente ao valor deferido pela DRF para cada mês analisado, com base na DIRF. Ou seja, as fontes pagadoras declararam em DIRF num mês e o contribuinte considerou a retenção no mês seguinte. Após a elaboração dessa informação fiscal, em 26 de agosto de 2013, a empresa interessada peticiona (fls 6262) apresentando a documentação complementar, que inclui a planilha de fls 6270, na qual lista por CNPJ retenções relativas ao mês de julho de 2003, e a documentação que comprovaria essa retenção. Pelo despacho de fl 6906 o processo foi encaminhado a este Carf sem qualquer manifestação da Autoridade Fiscal quanto aos documentos que foram juntados pela interessada. De volta a este Conselho, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi ressaltado no relatório, a informação fiscal de fls 6259 mostrouse inconclusiva sob alegação de dificuldade na apuração das informações. Fl. 6917DF CARF MF Processo nº 11020.003339/200810 Resolução nº 2201000.281 S2C2T1 Fl. 6.913 4 Após essa manifestação, houve a juntada de novos documentos que não foram analisados pela fiscalização. Em análise a essa documentação, selecionei por amostragem os seguintes itens: ITEM CONTRATANTE CNPJ IRRF 13 25970 00.808.377/000171 1.128,96 85 1181 88.626.080/000136 990,91 131 50140 90.608.712/000180 1.183,18 Comparando esses itens com a Dcomp apresentada, vêse que correspondem às informações 21, 242 e 403, ou seja, integram o montante sobre o qual foi solicitada a compensação. Por outro lado, confrontandoos com as planilhas "Apuração mensal de IRRF declarados nas Dirf das fontes pagadoras em que conste como beneficiário o CNPJ 87.827.689/000100, individualizado por cód. de retenção, no anocalendário de 2003" (fls 55), não consegui identificar uma correspondência para nenhum desses itens. Em uma análise sumária, podese concluir que nenhuma dessas retenções foi considerada nos créditos homologados pela DRF. Com esses elementos, verificase haver alguma verossimilhança nas alegações da contribuinte, contudo, tendo em vista o volume de informações e o fato de que a Autoridade Fiscal não analisou os documentos juntados pela recorrente a partir da fl 6262, entendo prudente converter novamente o julgamento em diligência para que haja essa manifestação e seja por fim dado cumprimento ao que foi determinado pela Resolução 2102000.077, de 10 de julho de 2012, no seguinte sentido: Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal apure o IRRF a partir das faturas emitidas pelo recorrente, inclusive, se for o caso, compulsando a contabilização do fiscalizado e intimando as fontes pagadoras, superando a mera análise a partir dos comprovantes de rendimentos ou das DIRFs. A autoridade que presidir a diligência acima deve produzir relatório circunstanciado de suas conclusões, dando ciência ao contribuinte, para, querendo, ofertar razões adicionais, no prazo de 20 dias. Superado tal prazo, com ou sem as razões adicionais do recorrente, devolver os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 6918DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720027/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA.
O prazo para exercício do direito de repetir eventual indébito é de cinco anos, contados do pagamento indevido, nos casos de pedidos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005. Decisão do STF em regime de repercussão geral, RE 566.621/RS
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999
PASEP. VALIDADE DA MP 1.212/95
O STJ, sob o rito do recurso repetitivo, decidiu pela validade e vigência da MP 1.212/95.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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DECADÊNCIA. O prazo para exercício do direito de repetir eventual indébito é de cinco anos, contados do pagamento indevido, nos casos de pedidos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005. Decisão do STF em regime de repercussão geral, RE 566.621/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999 PASEP. VALIDADE DA MP 1.212/95 O STJ, sob o rito do recurso repetitivo, decidiu pela validade e vigência da MP 1.212/95. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 27 /2 00 7- 94 Fl. 343DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório de primeira instância: Tratase de Declarações de Compensação de fls. 01/41, transmitidas eletronicamente entre 15/12/2005 e 15/08/2006, pelas quais a contribuinte pretendeu compensar débitos de PASEP com base em supostos créditos dessa mesma contribuição originários do processo n° 13133000582/9503, no montante de R$ 2.473.542,50. A DRF em Goiânia emitiu o Despacho Decisório de fls. 104/110, não homologando a compensação dos débitos. Fundamentou que os autos de n° 13133.000582/95 03 referemse a processo de parcelamento de débitos, no qual não se verifica qualquer indébito, revelandose, assim, não serem líquidos e certos os supostos créditos pleiteados. Em conseqüência, entendeu ser cabível o lançarnento de multa isolada, qualificada à vista do intuito de fraude demonstrado pela contribuinte. Cientificada desse Despacho em 22/06/2007 (fls. 113), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2007 (fls. 117/139), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Os débitos de PASEP parcelados referentes aos períodos dezembro/1995 a fevereiro/1999 revelamse indevidos em decorrência do vácuo legislativo existente entre a publicação da Medida Provisória n° 1.212, de 1995 e a publicação da Lei n° 9.715, de 1998. As reedições de todas as Medidas Provisórias, sucessoras daquela primeira, que estabeleciam a exigência para o PIS/PASEP, foram feitas além do prazo constitucional previsto para tanto, configurandose, na realidade, estabelecimento de novas exigências tributárias, sujeitas, portanto, a novo prazo de anterioridade nonagesimal. Também a referida lei foi publicada intempestivamente; A compensação foi feita com base na legislação vigente e após estudos técnicos, que teceram fundamentos jurídicos sólidos e compatíveis com as decisões dos Tribunais; Diferentemente do afirmado no Despacho Decisório, a compensação não aludiu apenas ao processo n° 13133.000582/95 03, mas também ao de n° 13133000066/96 05; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10120.720027/200794 Acórdão n.º 3201003.094 S3C2T1 Fl. 481 3 Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de que dispõe para ingressar com pedido de repetição de indébitos é de dez anos contados do fato gerador, consoante jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; Sobre a assertiva de que o parcelamento traduz confissão dívida irrenunciável, em observância aos princípios da legalidade, do não enriquecimento ilícito, da moralidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, deve ser considerada urna “meia verdade”. Dessa forma, indevidos os débitos, não se revela legalidade do parcelamento, importando em confissão inválida. Requer a reforma da decisão, bem como a juntada dos presentes autos ao de n° 10120.002861/200792, para julgamento simultâneo, haja vista que este se refere à multa de ofício aplicada em decorrência da não homologação em tela. A DRJ/Brasília/DF decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o Despacho Decisório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Periodo de apuração: 01/01/1997 a 27/02/1999 PASEP. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PASEP passou a ser regulada pela Medida Provisória Federal nº 1.212, de 1995, a partir de março/1996. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpõe então o Recurso Voluntário, onde reapresenta as alegações da Manifestação de Inconformidade. Aduz que a decisão recorrida estaria correta se os pagamentos não tivessem sido feitos antes da Lei Complementar 118/2005, mas o foram. Acrescenta jurisprudência pertinente. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marcelo Giovain Vieira, Relator O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Duas razões, cada uma per se, impedem o provimento pedido. 1 – A questão da validade da MP 1.212/95 já restou pacificada. O Superior Tribunal de Justiça, sob o rito do recurso repetitivo, no Resp 1136210/PR, transitado em julgado em 08/03/2010, firmou a seguinte tese: “A contribuição social destinada ao Pis permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições.” Embora a tese firmada não se refira especificamente ao Pasep, o entendimento esposado supera a questão da validade da MP 1.212/95, controvertida pela recorrente. As decisões definitivas do STJ em recurso repetitivo são vinculantes para os colegiados do Carf, cf. art. 62, §2º1, do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Desse modo, não há crédito algum a reclamar, quedandose no vazio todos os outros argumentos; 2 – Ainda que houvesse crédito válido, o prazo para pedido de restituição é de 5 anos, para os pedidos feitos após a Lei Complementar 118/2005. Os pagamentos pleiteados foram efetuados no período de dezembro de 1995 a março de 1999. Ora, as Declarações de Compensação foram transmitidas eletronicamente entre 15/12/2005 e 15/08/2006, portanto, mais de cinco anos após os pagamentos, e também após a vigência da LC 118/2005. O STF, no RE 566.621/RS, sob regime de repercussão geral,.e portanto, vinculante para os colegiados do Carf, pacifica o entendimento de que, para os pedidos feitos após a vigência da LC 118/2005 (09/06/2005), o prazo para repetição de indébito é de cinco anos contados a partir do pagamento indevido. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelosconselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10120.720027/200794 Acórdão n.º 3201003.094 S3C2T1 Fl. 482 5 Fl. 347DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.724814/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado em diligência para que a unidade de origem analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário indicado em seus pedidos de ressarcimento/compensação.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 410 1 409 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.724814/201364 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.478 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de agosto de 2017 Assunto PIS/COFINS Recorrente EVIALIS DO BRASIL NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeuse por converter o presente julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado em diligência para que a unidade de origem analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário indicado em seus pedidos de ressarcimento/compensação. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 24 81 4/ 20 13 -6 4 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10480.724814/201364 Resolução nº 3301000.478 S3C3T1 Fl. 411 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, de fls. 246 e seguintes dos autos: O presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento nº 02176.83845.180708.1.1.015509, no valor de R$ 46.336,85, referente ao 2º Trimestre de 2008, e das Declarações de Compensação 11755.87439.300112.1.7.018084 e 12307.40948.300112.1.7.017382, apresentados pela empresa Eviales do Brasil Nutrição Animal Ltda – CNPJ 44.346.138/000112 (atualmente incorporada pela Invivo Nutrição e Saúde Animal Ltda CNPJ 06.066.837/000110) referente à filial 44.346.138/000970. 2. Em sua análise, a DRF/Recife indeferiu o pleito e considerou não homologada a compensação sob a justificativa de que a empresa questiona judicialmente a incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos, acondicionados em unidades com mais de dez quilogramas (atual posição TIPI 2309.10.00), que fabrica, sendo que eventual insucesso no pleito judicial iria alterar o valor a ser ressarcido, hipótese vedada pelos dispositivos legais abaixo citados: 2.1. Instrução Normativa SRF nº 900/2008: “Art. 25. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.” 2.2. Instrução Normativa SRF nº 900/2008, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 1.224, de 23.12/2011 e Instrução Normativa SRF nº 1300, de 20.11.2012, atualmente em vigor, que revogou as anteriores: “Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI.” 3. Cientificada em 15.10.2013, a interessada apresentou, tempestivamente, em 13.11.2013, manifestação de inconformidade na qual apresenta as seguintes alegações: “..... 09. Ocorre que o processo judicial em questão, ainda que, ao final, seja julgado improcedente, não tem o condão de alterar o valor do crédito solicitado. Com efeito a partir de 16 de outubro de 2003. a Impugnante buscou tutela judicial (DOC. 03) para reconhecer seu direto a não incidência do IPI sobre a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n.° 4.542/02 e posteriores alterações, em dissonância ao DecretoLei n° 400/68. 10. Por conseguinte, desde 13.04.2004, em virtude da medida liminar proferida nos autos do processo judicial, que deferiu o pedido de antecipação de tutela, a Impugnante está autorizada a não recolher o IPI na saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10480.724814/201364 Resolução nº 3301000.478 S3C3T1 Fl. 412 3 11. Ressaltase, contudo, que o objeto da discussão versada na ação judicial supracitada, qual seja, a nãoincidência do IPI na saída de embalagens com capacidade superior a 10Kg, em nada se relaciona com os créditos advindos da aquisição de insumos pela Impugnante. 12. Assim, legitima é a compensação realizada pela Impugnante, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n.°9.430/96 e artigo 34 e seguintes da Instrução Normativa SRF n.° 900/2008 vigente à época das compensações, atual redação do art. 41 e seguintes da IN SRF n.° 1.300/2012. ........... 22 . Vêse, portanto, que o objeto da ação judicial é única e exclusivamente a questão da (não) incidência do IPI na saída dos produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela mesma, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. O aludido processo judicial, portanto, NÃO trata da matéria referente a utilização dos créditos do imposto incidentes na aquisição de insumos para o processo produtivo da empresa. 23. Portanto, diferentemente do que alegado pelo Sr. Auditor Fiscal no Despacho Decisório ora combatido, o processo judicial em questão, ainda que ao final seja julgado improcedente pelo Superior Tribunal de Justiça , não tem o condão de alterar o saldo credor de IPI apurado pela Impugnante, sendo, podendo, indubitavelmente inaplicável o disposto no art. 25 da Instrução Normativa SRF n.° 900/2008 (atual art. 25 da IN SRF n.° 1.300/2012). .... 27. Ora, Nobre Julgador, a Ação Ordinária em nada poderá alterar o valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado, o crédito utilizado pela Impugnante foi derivado de aquisição de matériasprimas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n.° 9.779/99, não tendo nenhuma vinculação com a referida Ação. 28. O crédito do IPI, oriundo da aquisição (entrada) de insumos e matériasprimas, possui natureza distinta dos débitos do tributo decorrentes da venda (saída) de produtos industrializados, não podendo a fiscalização confundi las a ponto de cercear o direito constitucional assegurado ao contribuinte pelo princípio da não cumulatividade. ....... 31. É certo que, mesmo na remota hipótese da Ação Ordinária n.° 2003.61.00.0295233 ser julgada improcedente, a Secretaria da Receita Federal terá o direito de exigir os valores (débitos) de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, o que não implicará, no entanto, no saldo credor de IPI apurado pela impugnante. 32. Portanto, totalmente descabida a pretensão da Receita Federal no sentido de que a Impugnante não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois, se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. ...........” Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10480.724814/201364 Resolução nº 3301000.478 S3C3T1 Fl. 413 4 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RESSARCIMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Será vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/12/2014 (fl. 256) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 27/01/2015 Recurso Voluntário (fls. 258/331), através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que: (a) o art. 25 das Instruções Normativas n. 900/08 e 1.300/12 está expressamente relacionado à coexistência de discussão judicial ou administrativa relacionada a crédito de IPI e que possa alterar o valor a ser ressarcido; (b) no presente caso, embora a existência de ação judicial em curso possa vir a afetar o saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre, ela não se relaciona a qualquer discussão acerca de crédito pelos insumos adquiridos pela empresa; (c) logo, não restando presente um dos requisitos para aplicação do art. 25, não poderia a Administração Pública se valer de tal disposição para indeferir o pedido de ressarcimento realizado, em face da ausência de disposição legal nesse sentido, cabendo a ela tão somente a possibilidade de lavrar auto de infração sobre as saídas isentadas pela decisão judicial que se mantém provisória; (d) a decisão recorrida acaba por descumprir decisão judicial plenamente vigente (visto que o recurso pendente não é dotado de efeito suspensivo), a qual assegura à Recorrente o direito de não escriturar débitos na saída de razões de cães e gatos acima de 10kg, com todos os efeitos daí decorrentes; (e) ad argumetandum, devese (i) suspender o andamento do presente processo administrativo (inclusive o de cobrança), até o julgamento definitivo do processo judicial, não podendose imputar mora à Recorrente, visto que amparada por decisão plenamente vigente ou, no mínimo, (ii) segregar o montante "incontroverso" do saldo credor, relativo às saídas regularmente tributadas pelo imposto (vide fl. 263). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10480.724814/201364 Resolução nº 3301000.478 S3C3T1 Fl. 414 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima relatado, tratase de pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte, os quais fora indeferidos pela DRJ sob o fundamento de que, com base no art. 25 da IN n. 900/08, é vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Estava a DRJ referindose ao Proc. 2003.61.00.0295233. O contribuinte alegou em seu Recurso Voluntário interposto em 27/01/2015, resumidamente, que: (a) o art. 25 das Instruções Normativas n. 900/08 e 1.300/12 está expressamente relacionado à coexistência de discussão judicial ou administrativa relacionada a crédito de IPI e que possa alterar o valor a ser ressarcido; (b) no presente caso, embora a existência de ação judicial em curso possa vir a afetar o saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre, ela não se relaciona a qualquer discussão acerca de crédito pelos insumos adquiridos pela empresa; (c) logo, não restando presente um dos requisitos para aplicação do art. 25, não poderia a Administração Pública se valer de tal disposição para indeferir o pedido de ressarcimento realizado, em face da ausência de disposição legal nesse sentido, cabendo a ela tão somente a possibilidade de lavrar auto de infração sobre as saídas isentadas pela decisão judicial que se mantém provisória; (d) a decisão recorrida acaba por descumprir decisão judicial plenamente vigente (visto que o recurso pendente não é dotado de efeito suspensivo), a qual assegura à Recorrente o direito de não escriturar débitos na saída de razões de cães e gatos acima de 10kg, com todos os efeitos daí decorrentes; (e) ad argumetandum, devese (i) suspender o andamento do presente processo administrativo (inclusive o de cobrança), até o julgamento definitivo do processo judicial, não podendose imputar mora à Recorrente, visto que amparada por decisão plenamente vigente ou, no mínimo, (ii) segregar o montante "incontroverso" do saldo credor, relativo às saídas regularmente tributadas pelo imposto (vide fl. 263). Ocorre que, neste ínterim, o processo em questão (Proc. 2003.61.00.0295233) transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte, encontrandose atualmente em fase de execução do julgado, consoante se extrai do sítio da Justiça Federal de São Paulo. Sendo assim, considerando que o óbice apresentado pela DRJ para fins de análise do pleito de ressarcimento apresentado pelo contribuinte não mais existe, entendo que deverá a unidade de origem apreciar o mérito da presente contenda, para fins de validar ou não o montante do crédito indicado pelo contribuinte em seus pedidos de ressarcimento/compensação. Até porque, não houve até o momento apreciação acerca da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado e, por se tratar de requerimento da restituição/compensação, a análise dessas características apresentamse essenciais ao deferimento do pedido apresentado pelo contribuinte. Por oportuno, entendo que não seria o caso de considerar nula a decisão da DRJ, visto que proferida em um momento processual em que havia processo judicial discutindo a incidência de IPI em determinadas operações realizadas pela Recorrente, o qual poderia Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10480.724814/201364 Resolução nº 3301000.478 S3C3T1 Fl. 415 6 impactar os valores a serem identificados na presente contenda. Nessa contexto, no momento em que foi proferida, encontravase em consonância com o que dispunha a legislação pátria. Contudo, uma vez que este fator adotado como óbice à análise meritória não mais existe, por razões supervenientes mas relevantes à solução da presente contenda, entendo que o direito creditório do contribuinte deva ser analisado nesta oportunidade, inclusive em atenção ao princípio da verdade material. Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para fins de determinar que o processo seja baixado à unidade de origem, para que esta, diante do trânsito em julgado do Proc. nº 002952366.2003.4.03.6100, analise se o contribuinte possui direito ao crédito tributário apontado. Após o levantamento realizado, o contribuinte deverá ser intimado acerca do seu teor, para, querendo, manifestarse no prazo legal. Em seguida, os autos deverão retornar a este Conselho, para fins de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010908/2008-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006
DOCUMENTOS RETIFICADORES. ASPECTO TEMPORAL.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre a multa de ofício isolada.
Numero da decisão: 1801-000.641
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ASPECTO TEMPORAL. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre a multa de ofício isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 123DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 122 2 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 34/38 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$38.701,58 a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, março, abril, junho, outubro e novembro do anocalendário de 2005. O lançamento se fundamenta no cotejo entre os dados informados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 04/07, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fl. 09 e os pagamentos relacionados às fls. 10/19. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, art. 843 e inciso IV do parágrafo único do art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 39/43 com a exigência do crédito tributário no valor de R$15.625,74 a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, art. 843 e inciso IV do parágrafo único do art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 13/08/2008, fl. 45, a Recorrente apresentou a impugnação em 11/09/2008, fl. 46, com as alegações abaixo sintetizadas. Diz que vem solicitar a impugnação dos autos de infração: IRPJ e CSLL Proc 10.980 010908/200854 / COFINS Proc. 10.980010902/0887. Entendeuse que os referidos débitos surgiram por erro no preenchimento das seguintes declarações: DIPJ 2004 (retificada em 09/09/2008), DIPJ 2006 (retificada em 10/09/2008), DCTF – 1º e 2° Sem / 2005 (retificada em 10/09/2008), as quais, conforme citação anterior, foram retificadas, corrigindo as informações que geraram tais débitos. Seguem em anexo, cópia do recibo de entrega das declarações retificadoras. Nestes termos, pedimos o deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0630.515, de 24/02/2011, fls. 67/68: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 124DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 123 3 Ementa: MULTA ISOLADA POR NÃORECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. IRPJ E/OU CSLL. RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES APÓS A CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE PROVAS DO ERRO. Não elide o lançamento relativo à multa isolada por não recolhimento do IRPJ e/ou da CSLL devidos por estimativa a apresentação de DIPJ e de DCTFs retificadoras após a ciência do auto de infração, sem que na impugnação seja trazido qualquer elemento de prova da existência de erro nas declarações originais. Notificada em 21/03/2011, fl. 97, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15/04/2011, fls. 98/102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que discorda da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício isolada. Conclui Por todo exposto, esperase que o presente recurso seja recebido, julgado e provido, a fim de que seja anulada a r. decisão recorrida, para realização de diligência necessária à verificação dos fatos alegados pela Recorrente, ou ao menos, para que seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Cabe esclarecer que os argumentos pertinentes ao processo nº 10980.010902/200887 não serão aqui analisados, porque se trata de matéria estranha a esta lide. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios Fl. 125DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 124 4 produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente diz que apresentou documentos retificadores. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes de suspensão ou redução deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). A falta de recolhimento do imposto mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário sujeita a pessoa jurídica à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas do tributo não recolhido ou da insuficiência apurada (art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997). Neste sentido foram apurados de ofício os seguintes valores: IRPJ – AnoCalendário de 2005 Meses DIPJ R$ DCTF R$ Pagamento R$ Base de Cálculo da Multa R$ Percentual Valor da Multa R$ Janeiro 23.643,86 0,00 0,00 23.643,86 50% 11 821,93 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% Março 18.595,69 0,00 0,00 18.595,69 50% 9 297,84 Abril 61.370,68 50.359,37 52.697,07 8.673,61 50% 4 336,80 Maio 55 .994,90 0,00 52.697,07 0,00 50% 0,00 Junho 53 .255,48 0,00 46.566,58 6.688,90 50% 3 344,45 Julho 55 .605,76 53. 605,76 55. 605,76 0,00 50% 0,00 Agosto 64 .193,76 0,00 64 .193, 76 0,00 50% 0,00 Setembro 58 .686,66 0,00 58.686,66 0,00 50% 0,00 Outubro 43 .332,21 0,00 34.965,28 8.366,93 50% 4 183,46 Novembro 19 .747,05 0,00 8 . 312,85 11.434,20 50% 0,00 dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 CSLL – AnoCalendário de 2005 Meses DIPJ R$ DCTF R$ Pagamento R$ Base de Cálculo da Percentual Valor da Multa Fl. 126DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 125 5 Multa R$ R$ Janeiro 9.458,80 0,00 0,00 9.458,80 50% 4.729,40 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 Março 8.334,48 0,00 0,00 8.334,48 50% 4.167,24 Abril 35.009,63 16.348,04 21 551,42 13.458,21 50% 6.729,10 Maio 32.052,70 0,00 32 594,55 0,00 50% 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 Julho 31.821,91 31.821,91 31 821,91 0,00 50% 0,00 Agosto 36.579,63 0,00 36.579,63 0,00 50% 0,00 Setembro 33.532,70 0,00 33 532,70 0,00 50% 0,00 Outubro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 Novembro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 50% 0,00 Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da retificação da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Por seu turno o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ordena: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 33, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: Fl. 127DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 126 6 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. A entrega de DCTF e de DIPJ retificadoras, fls. 51/54, depois do início da ação fiscal não ilide o lançamento de ofício face à perda da espontaneidade pelo sujeito passivo. O Auto de Infração foi cientificado validamente à Recorrente em 13/08/2008, fl. 45. A DCTF e a DIPJ retificadoras foram apresentadas à RFB em 09/09/2008, fls. 51/54, ou seja, após o início da ação fiscal. Logo, não há que se falar em espontaneidade e por esta razão não produzem quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre a multa de ofício isolada. O Código Tributário Nacional determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art.5º [...] §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Fl. 128DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 127 7 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aplicando a legislação de regência ao presente caso, verificase que como a Recorrente não procedeu ao pagamento do crédito tributário até a data do vencimento, deve fazêlo acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisões definitivas de mérito proferidas em recursos extraordinário com repercussão geral e em recurso especial repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09/09/20091: RECURSO ESPECIAL Nº 1.111.175 SP (2009/00188256) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA RECORRENTE : SOFT SPUMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO: WALDEMAR CURY MALULY JUNIOR E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE 1 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=5338305&sReg=200900188256 &sData=20090701&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 16/04/2011. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 128 8 MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. Ainda em relação à matéria, vale transcrever os enunciados de súmulas do CARF n°s 4 e 5, as quais são de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevêem: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cabe ressaltar o crédito tributário da União constituído não pago até a data do vencimento é acrescido de juros de mora equivalentes à Selic para títulos federais. A multa de ofício isolada é uma obrigação principal. Como a obrigação não foi extinta no vencimento está correta a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre a multa de ofício isolada. Por conseguinte, não lhe cabe razão. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Fl. 130DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10980.010908/200854 Acórdão n.º 180100.641 S1TE01 Fl. 129 9 Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 131DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.945012/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 12 /2 01 3- 83 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16066.615, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.945012/201383 Acórdão n.º 3201003.048 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.906840/2006-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. ATO ADMINISTATIVO FUNDAMENTADO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE REJEITADA. Estando o despacho decisório fundamentado em parecer conclusivo, parte inseparável e incidível do citado ato administrativo, rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada pela inocorrência de vício que o pudesse macular de nulidade. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do fato gerador do débito declarado/confessado. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 0 DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 2 As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova.
Numero da decisão: 1802-001.139
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ATO ADMINISTATIVO FUNDAMENTADO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE REJEITADA. Estando o despacho decisório fundamentado em parecer conclusivo, parte inseparável e incidível do citado ato administrativo, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada pela inocorrência de vício que o pudesse macular de nulidade. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e não da data do fato gerador do débito declarado/confessado. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 2 As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausência momentânea do Conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.151/163 contra decisão da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls.139/147) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação tributária pela falta de certeza e liquidez do crédito utilizado/pleiteado. Quanto aos fatos: Em 15/09/2003, a Telemar Norte Leste S.A. formalizou pedido de restituição de crédito e declaração de compensação, por meio da transmissão do PER/DCOMP n° 16189.94941.150903.1.3.048912, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório do IRPJ estimativa recolhido a maior no valor de R$ 108.000,32, quanto ao período de apuração de agosto/1998, e de seu aproveitamento – compensação tributária com débito da Cofins, relativo ao período de apuração de agosto/2003, código de receita 2173 (fls. 04/08). O crédito pleiteado tem origem no pagamento de R$ 233.290,89 de 30/09/1998, conforme cópia do DARF de fls. 06 e 15, efetuado pela empresa de Telecomunicações do Amapá S/A, CNPJ: 05.965.421/000170 (empresa incorporada, sucedida pela TELEMAR), a título de quitação do IRPJ, apurado por estimativa ou com base em balancete de suspensão ou redução, do período de apuração de agosto/1998, código de receita 2362, no citado valor, cujo montante, inclusive, foi informado na respectiva DCTF, valor totalmente vinculado ao débito confessado, restando saldo disponível zerado (fl. 136). Entretanto, na DIPJ 1999, anocalendário 1998, Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa – mês agosto/1998 –, a contribuinte informou que apurara o imposto com base em balancete de suspensão/redução (fls.137/138): Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 2 3 • imposto apurado (alíquota de 15%): R$ 470.311,80; • (+) Adicional (10%): R$ 297.541,20; • ( ) imposto devido meses anteriores: R$ 621.258,20; • () IRRF retido por órgão público: R$ 2.491,77 • imposto a pagar: R$ 125.290,56. Para justificar o PER/DCOMP que apresentara, a contribuinte, em 18/11/2003, retificou a DCTF do 3º trimestre/1998 para se adequar à DIPJ desse ano calendário, reduzindo o IRPJ estimativa de agosto/1998 de R$ 233.290,89 para débito apurado de R$ 127.782,34, informando, ainda, compensação sem DARF de R$ 2.491,77 – retenção de IRPJ por Órgão Público, informando imposto a pagar R$ 125.290,56 (quitado pelo recolhimento de R$ 233.290,89 de 30/09/1998, conforme cópia do DARF de fls. 06 e 15), gerando, assim, o pretenso crédito pleiteado de R$ 108.000,32 (fls. 109/114). Em 10/09/2008, após conclusão de diligência fiscal, em que ficou consignado que a contribuinte não comprovara a base de cálculo da apuração do IRPJ estimativa de agosto/1998 para justificar a redução do débito pela DCTF retificadora, foi emitido Despacho Decisório de fl. 65, pela Derat RJ, indeferindo o crédito pleiteado, com base no Parecer Conclusivo n° 166/2008 (fls. 62/64), in verbis: (...) 1. O presente processo foi formalizado com o objetivo de estabelecer tratamento manual à Declaração de Compensação (DComp) n° 16189.94941.150903.1.3.048912, transmitida eletronicamente em 15/09/2003, impressa às fls. 04 a 08, alegando possuir crédito contra a Fazenda Pública, oriundo de IRPJ em razão de pagamento a maior ou indevido efetuado em 30/09/1998 pela incorporada TELECOMUNICAÇÕES DO AMAPÁ S/A, CNPJ 05.965.421/000170. 2. O débito de COFINS a ser extinto por compensação referese ao período de apuração Agosto/2003, no valor total de R$ 212.814,63 que corresponderia a atualização do crédito original de R$ 108.000,32 oriundo do DARF discriminado à fl. 06. 3. Com o objetivo de conferir certeza e liquidez necessárias à compensação pleiteada, nos moldes determinados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a DEFIS/RJO efetuou diligência, nos termos do artigo 4° da INSRF n° 600/2005. 4. Em decorrência da diligência empreendida, foram anexados ao presente processo os documentos de fls. 18 a 55, bem com o relatório da diligência às fls. 56 e 57 no qual o AuditorFiscal Diligente informou que "... o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, de que Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 4 tratam os Termos de Intimação Fiscal datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 .... O livro Diário também não está disponível." (...) 7. Por sua vez, certeza e liquidez de crédito tributário pressupõe a comprovação dos lançamentos contábeis nos moldes do disposto pelo parágrafo único do art. 195 do CTN: Os livros obrigatórios e de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. 8. Igualmente, ao tratar do tema Guarda de Documentos, estatuí a Lei n° 9.430/96 em seu art. 37 que: Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. 9. Outrossim, a necessidade de comprovação dos erros fático contábeis, pressuposto da repetição do indébito tributário, pode ser fundamentada também na disposição do art. 877 do vigente Código Civil: Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de têlo feito por erro. (...) 11. Portanto, se o crédito aqui pleiteado não pode ser comprovado mediante a apresentação da documentação pertinente, então este crédito carece da certeza e liquidez exigidas pelas normas cogentes de Direito Público que informam o instituto da compensação em sede tributária. (...) 12. Por último, mas não menos importante, mediante consulta aos sistemas da RFB à fl.61, verificase que a DCTF retificadora apresentada pelo interessado em 18/11/2003, que pretendeu diminuir o débito relativo ao IRPJ de Agosto/1998, não pode ser aceita em razão do prazo decadencial para a repetição do indébito tributário, ex vi do art. 168, inciso I, do CTN. 13. Assim, o suposto pagamento indevido ou a maior, relativo ao valor pago pelo DARF discriminado às fls. 06, foi utilizado em sua totalidade, nos termos da DCTF originalmente apresentada. 14. Portanto, não resta saldo a restituir. (...) (grifei) Cientificado do Despacho Decisório da Derat — RJ em 11/09/2008 (fl. 66), o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 69/73, em 13/10/2008, aduzindo, em síntese, que: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 3 5 que a União Federal, em preparação para a desestatização do setor de telefonia (privatização do sistema Telebrás), reestruturou o setor que era composto por 27 operadoras regionais (uma em cada Estado) e a Embratel — operadora de longa distância; que separou a telefonia fixa da móvel em Janeiro de 1998; que promoveu a cisão parcial da Telebrás em Maio de 1998, dando origem a 12 novas holdings privatizadas em 29/07/1998 em 12 leilões simultâneos na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Uma das companhias resultantes foi a Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A, embrião do que viria a ser a Telemar; que a Telecomunicações do Amapá S/A, por sua vez, junto com diversas outras empresas de telefonia estaduais, veio a ser incorporada à Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A em 02/07/2001; que, posteriormente, a razão social de Telecomunicações do Rio de Janeiro S/A foi alterada para Telemar Norte Leste S/A, dando fim ao 1° ciclo de consolidação do setor telefônico; que, como houve a incorporação das empresas adquiridas, deuse a sucessão nos direitos e deveres das empresas sucedidas; que pela incorporação das empresas adquiridas, deuse a sucessão nos direitos e deveres; que, por exemplo, a Telemar Norte Leste S/A tornouse responsável por eventuais tributos não quitados pelas empresas de telefonia estaduais incorporadas; que, pelas mesmas razões, identificando eventual pagamento indevido ou a maior, poderia utilizar esse direito creditório para pagar vencidos; que, nesse contexto, a contribuinte houve por bem refazer as bases de cálculo de anos anteriores de empresas adquiridas com o fito de identificar valores passíveis de restituição/compensação; que identificouse erro na apuração de IRPJ estimativa de agosto de 1998 da antiga Telecomunicações do Amapá S/A que realizou pagamentos em montante superior ao débito efetivamente apurado; que o crédito identificado foi integralmente utilizado no PER/DCOMP n° 16189.94941.150903.1.3.048912, recebido pelo Fisco em 15/09/2003, objeto do presente processo; que, todavia, em análise manual da declaração de compensação, o Fisco houve por bem indeferila, por duas razões: a) pelo fato da contribuinte não ter apresentado a documentação contábil necessária para comprovação dos valores apurados no balancete de suspensão/redução do imposto do período de apuração – agosto/2008; b) apresentação da DCTF retificadora após decorrido o prazo de prescrição do art. 168, I, do CTN. que, nos termos do § 1° do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento em que for notificado do lançamento; que a retificação da DCTF foi tempestiva; que para efeito de apuração do prazo extintivo para repetição do indébito, no caso dos autos, devese observar a data de apresentação do PER/DCOMP, e não da retificação da DCTF; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 6 que não é obrigação do contribuinte conservar documentos contábeis que se refiram a períodos decaídos; que a DCTF retificadora é prova suficiente para demonstrar o crédito requerido; Por fim, a contribuinte pediu: a) a juntada posterior de documentos, nos termos do art. 16, § 4º, "a" e § 5° do Decreto n° 70.235/72, que eventualmente se façam necessários, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada; b) protestou por todos os meios de prova admitidos em direito. A DRJ/Rio de Janeiro I, apreciando o litígio, por maioria de votos, denegou o direito creditório pleiteado, deixando de homologar a compensação, pelo fundamento da falta de comprovação do direito creditório pleiteado, cuja ementa do Acórdão transcrevo a seguir (fl. 139), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. No caso de pedido de restituição formulado pelo contribuinte, é dele o ônus de apresentar os documentos de sua escrituração que comprovem o alegado direito creditório. Compensação não Homologada (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 14/04/2009, conforme Termo de Ciência (fl. 148), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2009 de fls. 151/163, aduzindo em síntese: a) preliminarmente: ausência de motivação do ato administrativo – despacho decisório – que denegou o direito creditório pleiteado: que o fisco, embora realizada a diligência fiscal, não demonstrou irregularidade ou inidoneidade dos documentos fiscais apresentados (DIPJ e DCTF retificadora); homologação tácita da compensação informada: que o termo incial do prazo de cinco anos para homologação não se inicia a partir da entrega do PER/DCOMP, como pretendeu a legislação ordinária, e sim da data do fato gerador do débito compensado tal como previsto no Código Tributário Nacional; b) do ônus do fisco de comprovar a inexistência do crédito, quando decorrente da escrituração (DIPJ e DCTF retificadora); c) nos termos do § 1° do art. 147 do CTN, o contribuinte pode retificar suas declarações até o momento anterior à ciência do início de procedimento de ofício; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 4 7 d) não é obrigação do contribuinte conservar documentos contábeis que se refiram a períodos decaídos; e) decadência do direito do fisco refazer as bases de 1998; f) pedido de juntada posterior de documentos e protesto por todas as provas admitidas em direito. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do direito creditório pleiteado e denegado pela decisão recorrida, nos autos do presente processo de compensação tributária. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Preliminarmente, a recorrente suscitou vício de nulidade do despacho decisório, por ausência de motivação, quando do indeferimento do crédito requerido, uma vez que o fisco não teria demonstrado, nos autos, qualquer irregularidade ou inidoneidade dos documentos fiscais apresentados (DIPJ, DCTF e DCTF retitificadara), quanto ao pagamento a maior ou indevido, relativo ao débito do imposto estimativa mensal do período de apuração de agosto/1998. A preliminar suscitada não merece prosperar, pois não tem sustentação fáticojurídica. O art. 170 do Código Tributário Nacional, para efeito de compensação tributária, exige que o crédito apresentado, contra o fisco, tenha liquidez e certeza. Senão, vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Diversamente do alegado pela recorrente, cabe ao autor, ao peticionar, comprovar o fato constitutivo do direito que alega ter, no caso a liquidez e certeza do crédito demandado contra o fisco. A propósito, quanto ao ônus da prova, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 5 9 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) (grifei) A mera juntada de cópia do DARF de antecipação de pagamento do IRPJ estimativa do período de apuração de agosto/1998, cópia da Ficha 12 da DIPJ 1999 (ano calendário 1998) de apuração do imposto do mês de agosto/1998 com base em balancete de suspensão ou redução e a cópia de DCTF retificadora (efetuada cinco anos após o pagamento – homologação tácita do pagamento), não são provas suficientes da existência do alegado direito creditório contra o fisco. Para se comprovar fato constitutivo do direito creditório demandado, atinente a pagameno a maior ou indevido do IRPJ (pagamento antecipado a maior), devese observar, além de tudo, a legislação de apuração tributo, com respectivos documentos de suporte da escrituração, dos fatos contábeis registrados nos livros contábeis e fiscais pertinentes, e a legislação de regência da compensação tributária. A propósito, a recorrente, que é uma empresa economicamente de grande porte, no anocalendário 1998 optou pela apuração do IRPJ pelo regime do Lucro Real anual, com obrigação de fazer pagamentos antecipados do IRPJ mensalmente, por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (Lei nº 9.430/96, art. 2º e 6º), ou com base em balancetes de suspensão/redução (Lei nº 8.981/95, art. 35). Como a DCTF do 3º trimestre/1998 (relativa ao período de apuração – agosto/1998) estaria, segundo a recorrente, divorcidada dos valores apurados na DIPJ 1999 (anocalendário 1998), e tendo em vista, ainda, que o IRPJ foi apurado, mensalmente, com base em balancete de suspensão ou redução, havia dúvida fundada da autoridade administrativa da unidade de origem da RFB se o alegado pagamento a maior de estimativa mensal, relativo ao período de agosto/1998, não teria sido aproveitado já na declaração de ajuste anual no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro – data do fato gerador do imposto com base no lucro líquido do exercício ajustado pelas inclusões e exclusões – lucro real. Pois, na declaração de ajuste anual, caso o montante das antecipações de imposto por estimativa mensal ou mediante balancetes mensais de suspensão/redução do ano calendário superar o valor do imposto apurado com base no lucro real na declaração de ajuste anual, temse a apuração de saldo negativo de imposto a pagar (valor a ser restituído). Entretanto, em relação aos pagamentos do IRPJ, mensalmente, com base em balancetes de suspensão/redução quanto aos meses do anocalendário 1998, a recorrente deixou respectivas cópias aos autos, para análise, verificação, da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 10 A propósito, quanto aos balancetes de suspensão ou redução, dispõe o art.35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Embora intimada, diversas vezes, em sede de procedimento de diligência fiscal, a recorrente apresentou o livro LALUR sem os balancetes mensais de suspensão ou redução do anocalendário 1998 (fls. 20/33), e não apresentou o livro Diário do exercício 1999 (anocalendário 1998), onde esses balancetes pudessem estar elaborados ou transcritos. Por oportuno, consta do Relatório de diligência fiscal, de 25/08/2008 (fls. 56/57): (...) (1) O pedido de diligência tem por objetivo determinar a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, concernente à Estimativa do mês de agosto de 1998. (..) (3) Através dos Termos de Intimação datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 (fls. 34 e 35), foi o contribuinte, na qualidade de sucessora de Telecomunicações do Amapá S/A CNPJ 05.965.421/000170, a demonstrar com documentação hábil e idônea a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, denominadas: (...) (5) Mediante competente Termo datado de 20/08/2008 (f1. 53), foi o contribuinte intimado a responder por escrito (de imediato) se tinha condições de apresentar até o final do dia o Livro Diário do ano de 1998. (6) O contribuinte em 21/08/2008, informa que disponibilizaria os livros solicitados até 22/08/2008 (7) Até a presente data o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que demonstre a efetividade das Exclusões ao Lucro Líquido do Período, no cálculo do Imposto de Renda por Estimativa do mês de agosto de 1998, de que Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 6 11 tratam os Termos de Intimação Fiscal datados de 11/07/2008 e 21/07/2008 (foram apresentados tão somente Balancetes Analíticos referentes a dezembro de 1997, cópia da DIPJ/1998 ano base de 1997 e apenas o Razão de 1998). O Livro Diário também não está disponível. (...) O Parecer que fundamentou o despacho decisório que denegou o crédito pleiteado reportase ao narrado nesse Relatório de diligência fiscal, e ainda aduz (fls. 62/65 e 94/96). (...) 9. Outrossim, a necessidade de comprovação dos erros fático contábeis, pressuposto da repetição do indébito tributário, pode ser fundamentada também na disposição do art. 877 do vigente Código Civil: Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de têlo feito por erro. (...) 11. Portanto, se o crédito aqui pleiteado não pode ser comprovado mediante a apresentação da documentação pertinente, então este crédito carece da certeza e liquidez exigidas pelas normas cogentes de Direito Público que informam o instituto da compensação em sede tributária. Logo, diversamente do alegado pela contribuinte, o despacho decisório tem fundamentação/motivação, pois está calcado no resultado da diligência fiscal e no Parecer que o fundamentou, o qual parte inseparável, incíndível do ato administrativo – despacho decisório. Por conseguinte, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A contribuinte, preliminarmente, alegou a ocorrência de homologação tática da compensação informada ao fisco; que o termo incial do prazo de cinco anos para homologação da compensação não se inicia a partir da entrega do PER/DCOMP, como pretendeu a legislação ordinária, mas sim da ocorrência do fato gerador do débito compensado tal como previsto no Código Tributário Nacional. Não merece prosperar a tese da recorrente. Sem delongas, o termo inicial, para contagem do prazo de cinco anos para a ocorrência da homologação tácita, é a data da transmissão eletrônica do PER/DCOMP, conforme art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 12 contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) No caso, a declaração de compensação tributária foi transmitida eletronicamente – recepcionada em 15/09/2003 (fls.04/08). A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 11/09/2008 (fl. 66). Logo, transcorreu lapso temporal inferior a cinco anos, entre essas datas citadas. Por conquinte, não houve homologação tácita da compensação informada. Ademais, a questão da não ocorrência da homologação tácita já foi bem enfrentada pelo voto condutor do acórdão recorrido, cuja fundamentação adoto como razão de decidir (fls), in verbis: (...) Já para a verificação da liquidez e certeza de existência de crédito alegado por contribuintes, a restrição temporal ao poder de investigação do Fisco é a que consta do parágrafo 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ou seja, cinco anos contados da formulação do pedido pelo contribuinte. Nesse sentido, o art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, ainda que passados mais de cinco anos do fato gerador desse crédito, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. No presente caso, não havia impedimento para o fisco analisar as declarações em que o interessado disse terse formado o crédito alegado, tendo em vista que o objetivo da verificação era apenas constatar a certeza e a liquidez do direito creditório. Ademais, entendo que se quisesse o legislador restringir o prazo para exame dos fatos que geraram pleito de restituição de crédito tributário, teria incluído tal condição no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que disciplina o instituto da restituição e da compensação de tributos federais. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 7 13 Todavia, a única limitação temporal que lá consta, está no parágrafo 5° e determina que "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". No presente caso, este prazo não chegou a ser atingido, por quatro dias, é verdade. Conforme demonstrado, hão houve a alegada homologação tática, nos presentes autos. Por conseguinte, rejeito a preliminar suscitada. REVISÃO DE BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. INOCORRÊNCIA. A recorrente alegou que, em sede de processo de compensação tributária, não cabe ao fisco revisar base de cálculo de tributo sem auto de infração, e que – além de tudo – o direito de revisar já estaria decaído, cujo prazo de cinco anos tem como termo inicial a data do fato gerador do tributo. No caso, diversamente do alegado pela recorrente, não houve revisão da base de cálculo das estimativas mensais. E, também, não houve revisão da base de cálculo do IRPJ (declaração de ajuste anual). Não se pode confundir direito de lançamento tributário com direito de verificação e apuração da liquidez e certeza do crédito apresentado contra o fisco. Para glosa de custos/despesas (no procedimento de revisão de declaração ou de auditoria interna de declaração), há, sim, necessidade de auto de infração, e respeitado o prazo decadencial de cinco anos, a partir do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte ao ano que o fisco poderia lançar a exação fiscal, conforme o caso. Por outro lado, para rastreamento do crédito pleiteado, que é a situação dos autos, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, o fisco pode retroagir a análise do crédito até a data de sua origem, ou seja, até a data de sua formação. Não se restitui o que não se pagou a maior. Há necessidade, sim, do demandante comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. O pedido do pretenso crédito do anocalendário 1998 (período de apuração agosto) foi efetuado em 15/09/2003 (fls. 04/08), e a contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 11/09/2008 (fl. 66). Inexistindo homologação tácita, não há que se falar em restrição ao rastreamento do direito crédito pleiteado. Portanto, totalmente fora de propósito a alegação de decadência, pois, no caso, não houve revisão de base de cálculo do tributo (não houve glosa de custos ou despesas, nem cômputo de novas receitas tributáveis), mas tãosomente verificação, rastreamento, da origem, da formação, do crédito pleiteado. Entretanto, tal análise da liquidez e certeza do Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 14 crédito pleiteado restou frustrada, pois a contribuinte, embora intimada – várias vezes – em procedimento de diligência fiscal, deixou de comprovar a pretenso crédito que pleiteara. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A contribuinte alegou que lhe compete apenas apresentar a prova do pagamento – cópia do DARF, cópia DIPJ e cópia da DCTF retificadora, para fazer comprovação do crédito pleiteado; que cabe ao fisco, para denegar o direito creditório requerido, apontar onde estaria a inconsistência do pedido; que o fisco não apontou irregularidade na DIPJ e na DCT retificadora, e ainda teria invertido o ônus da prova. Ora, como já transcrito alhures, cabe ao autor o ônus da prova do fato constitutivo do direito pleiteado (Dec. 70.235, arts. 16 e 16 e CPC, art. 333, I). A recorrente alegou que não tem obrigação de conservar sua escrituração contábil e documentos de suporte, após o prazo decadencial. Os presentes autos não tratam de lançamento fiscal. Logo, tratase de alegação inócua. A questão aqui é diversa, o direito de repetição ou aproveitamento de crédito contra o fisco sujeitase a prazo prescricional, e enquanto não transcorrido esse prazo extintivo, e houver necessidade de comprovação dele ante resistência do fisco, a recorrente tem o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, mediante apresentação da sua escrituração contábil/fiscal, com respectivos documentos de suporte, sob pena rejeição do seu pleito. A propósito, é obrigação da recorrente conservar os livros e documentos enquanto não prescritas eventuais ações (RIR/99), art. 264, in verbis: Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2ºA legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3ºOs comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10768.906840/200663 Acórdão n.º 1802001.139 S1TE02 Fl. 8 15 Como demonstrado, com base no art. 264, “caput”, se a recorrente demandar direito ainda não prescrito de sua atividade, terá que comproválo com os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal, e respectivos documentos de suporte dos fatos contábeis lançados, registrados, em sua contabilidade. Portanto, não há que se falar em inversão do ônus da prova, pois o ônus da prova é da contribuinte (autora do pedido do crédito contra o fisco). A questão da DCTF retificadara, já está superada nos autos, pois a decisão a quo já tratou dessa matéria, nos seguintes termos (fl. 142): (...) O fato de o interessado ter retificado a DCTF mais de cinco anos após o pagamento, para reduzir o débito de IRPJ de agosto de 1998 de R$ 233.290,89 para R$ 127.782,34 (fls. 61, 113 e 136), não poderia motivar o indeferimento do pleito, porque a DIPJ original, entregue em 1999, já informava o débito no valor de R$ 127.782,33 (fl. 137/138). (...) De qualquer forma, como já demonstrado, essa questão da DCTF, se foi apresentada antes ou depois de cinco anos do pagamento do imposto do período de apuração de agosto/1998, é irrelevante para solução do litígio. A verdade é que a recorrente, como demonstrado, não comprovou a liquidez e certeza do crédito demandado. Não se restitui mera antecipação de pagamento de estimativa mensal, mas sim o saldo negativo de imposto, apurado na declaração de ajuste anual, no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro, data da acorrência do fato gerdor do imposto. Na declaração de ajuste anual, se o somatório das antecipações de imposto pagas por estimativa mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução superar o valor do imposto apurado com base no lucro líquido do exercício ajustado pelas inclusões ou exclusões, temse apuração de saldo negativo de imposto a pagar (valor a ser restituído). Entretanto, tendo opção pelo regime do Lucro Real anual para o ano calendário 1998 e estando obrigada a fazer pagamentos do imposto por antecipação por estimativa mensal ou com base em balancetes mensais de suspensão ou redução, a contribuinte não comprovou a existência desses balancetes mensais de suspensão ou redução, nem a transcrição deles no livro Diário, conforme exige o disposto no art. 35 da Lei nº 8.981/95. Tendo informado ao fisco que fizera balanços de suspensão ou redução mensais no anocalendário 1998, e sem apresentálos nos autos, há existe dúvida plausível e insuperável se o valor pleiteado, a título de crédito, já foi, ou não, aproveitado nesses balancetes de suspensão ou redução, nos messes seguintes ao periodo de apuração de agosto/1998 e na declaração de ajuste anual. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL 16 Portanto, como demonstrado, a recorrente não comprovou, com livros contábeis e fiscais e documentos hábeis e idôneos de suporte de sua escrituração contábil/fiscal, a liquidez e certeza do crédito pleiteado, conforme exige o art. 170 do CTN. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE TODAS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO INDEFERIDO. Por fim, a contribuinte pediu juntada posterior de documentos e protesto por todas as provas admitidas em direito. Pretensão descabida. A recorrente teve várias oportunidades, nos presentes autos, de produzir provas da certeza e liquidez do crédito pleiteado (durante o procedimento de diligência fiscal, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e quando da apresentação do recurso voluntário), porém não o fez. Ainda, não comprovou motivo de força maior (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º, “a”). Faculdade processual preclusa (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 4º). Portanto, pedido rejeitado. Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 15DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10680.725170/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. CONTAGEM. INÍCIO DO PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DATA DO FATO GERADOR.
O início da contagem do prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias dá-se na data da ocorrência do fato gerador quando ficar comprovada a existência de antecipação de pagamento e não for imputada ao contribuinte a prática de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada.
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA.
A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação a que está legalmente obrigado.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. MULTA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, mesmo que referente a fatos geradores anteriores à sua publicação, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2201-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso do solidário, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que davam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do devedor principal, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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CONTAGEM. INÍCIO DO PRAZO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. DATA DO FATO GERADOR. O início da contagem do prazo decadencial para lançamento das contribuições previdenciárias dáse na data da ocorrência do fato gerador quando ficar comprovada a existência de antecipação de pagamento e não for imputada ao contribuinte a prática de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação a que está legalmente obrigado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 70 /2 01 0- 22 Fl. 2853DF CARF MF 2 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. MULTA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, mesmo que referente a fatos geradores anteriores à sua publicação, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. COMPARATIVO DE MULTAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, exceto nas competências cuja obrigação principal foi atingida pela decadência, para as quais a multa ficará reduzida ao valor previsto no art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso do solidário, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que davam provimento. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do devedor principal, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários apresentados em face do Acórdão nº 02 55.416, da 6ª Turma da DRJ/BHE, que deu parcial provimento à impugnação (fls. 2550/2598) apresentada pela empresa fiscalizada ao seguinte lançamento: Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.853 3 Nº Debcad Levantamento Descrição Item 37.296.5580 L1 LA LB LF L2 LC LG L3 LH L4 LD LI L7 Dif. SAT Seg. Vida Empregados Coop. de Trabalho Subrog. Prod. Rural Contribuintes Indiv. RAT Empresa 20% + RAT Empresa 15% Empresa 2,1% + RAT Empresa 20% De acordo com o relatório fiscal do auto de infração (fls. 132/155), o levantamento relativo à diferença SAT decorre da aplicação do percentual de 3%, que seria o aplicável às empresas em cuja atividade preponderante o grau de risco seja considerado grave, sendo que a empresa teria considerado o percentual de 1%. O levantamento relativo à seguro de vida empregados foi fundamentado no fato de não haver previsão desses pagamentos nos instrumentos de negociação coletiva. Os levantamentos relativos aos pagamentos feitos às cooperativas de trabalho e subrogação da produção rural dispensam explicação e o levantamento relativo a contribuintes individuais decorre da identificação de omissão desses segurados, identificados através de pagamentos feitos a autônomos e informações constantes em DIRF. No encerramento da ação fiscal, além do lançamento acima discriminado, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em face da pessoa jurídica A Costa Empreendimentos e Participações S/A (fls. 2539/2540). Na análise da impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ/BHE houve por bem inicialmente converter o julgamento em diligência para que a fiscalização se pronunciasse sobre a repercussão dos Pareceres PGFN/CRJ nº 2.119 e 2.120, de 2011, sobre os fatos geradores "Diferença de Seguro Acidente de Trabalho" e "Seguro de Vida Empregados" (fl. 2667). Esta determinação rendeu ensejo à prolação do Relatório Fiscal Complementar (fls. 2669 e ss), no qual a fiscalização adotou o entendimento de que, havendo mais de um CNPJ, deve ser aplicado a cada um o grau de risco pertinente à atividade desenvolvida. Em razão disso, houve expressiva redução nos levantamentos influenciados por essa classificação (L1, LA, LB e LF). De forma contrária, em relação ao fato gerador "Seguro de Vida Empregados", a fiscalização opinou pela manutenção do lançamento, em função do item 2.2.4 do Relatório Fiscal original, que teria estabelecido como fundamento para o lançamento a ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Apesar disso, os levantamentos relativos a esse fato gerador também foram modificados pela alteração do índice de grau de risco utilizado (L2, LG, LC). Estas mudanças provocaram a elaboração de nova tabela para verificação da penalidade mais benigna, em função das alterações da Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2855DF CARF MF 4 Intimada do resultado dessa diligência, a empresa autuada se manifestou (fls. 2692/2697) expressando sua concordância com a redução das alíquotas do SAT/RAT e discordância quanto à manutenção do lançamento em relação ao seguro de vida em grupo. O discriminativo de fls. 2716/2742 evidencia as exclusões efetuadas e seu efeito no lançamento fiscal. A decisão da DRJ/BHE restou consubstanciada em Acórdão (fls. 2745/2758) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. Não cabe à esfera administrativa conhecer de argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. ILÍCITOS. INÍCIO DO PRAZO DECADENCIAL. Por força do §4ºdo art. 150 do CTN, a ocorrência dolo, fraude ou simulação atrai a regra do inciso I do art. 173 do CTN, ficando o termo inicial do prazo decadencial protraído para um momento posterior àquele em que o lançamento é possível, ou seja, para 1º de janeiro do ano seguinte àquele que ocorreu o fato gerador. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, não há como prosperar a argüição de nulidade. ALÍQUOTA SEGURO ACIDENTE DE TRABALHO E SEGURO DE VIDA EM GRUPO. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO EM JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a alíquota seguro acidente de trabalho e seguro de vida em grupo, em razão de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. MULTA MAIS BENÉFICA . APURAÇÃO. Na ausência de recolhimento da contribuição previdenciária cumulada com a não informação em GFIP do seu fato gerador, a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte será feita através do cotejo da soma das multas previstas nos revogados artigos 32, §5º e 35, II da Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.854 5 Lei 8.212/91, em relação à sanção pecuniária do art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações referidas nos citados dispositivos da legislação pretérita, e que, agora, na nova ordem jurídica, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE 20%. A limitação de multa ao percentual de 20% somente se aplica a débitos não incluídos em lançamentos de ofício. Pela fundamentação dessa decisão, vêse que, além dos valores cuja exclusão foi proposta pela fiscalização, foram também acolhidos os argumentos de defesa relativos ao seguro de vida em grupo, razão pela qual determinouse o cancelamento da exigência em relação aos levantamentos L2, LG e LC do CNPJ 05.017.780/000104. Foi enviado AR para a empresa autuada e a responsável solidária para ciência dessa decisão, inicialmente, em 04/06/2014 (fls. 2762/2764). Por falha na documentação que acompanhou a primeira intimação, ela foi refeita com AR de fls. 2770/2773, datados de 26/06/2014. A contribuinte apresentou seu recurso voluntário (fls. 2774/2819) através de instrumento postado em 02/07/2014, tempestivo, portanto. Nesse recurso, alega, em síntese, que: 1. Decadência: houve antecipação de pagamento e não há que se falar em intuito doloso, de forma que deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN. Como a ciência da NFLD ocorreu em 22/12/2010, só poderiam ser cobrados os valores posteriores a novembro de 2005, razão pela qual os fatos geradores relativos à subrogação do produtor rural pessoa física, Senar e contribuintes individuais estariam totalmente decaídos; 2. Não incidência da contribuição de 15% na contratação de cooperativas de trabalho; 3. A subrogação do produtor rural pessoa física não é devida tendo em vista entendimento do STF nesse sentido e por violação a diversas regras e princípios constitucionais que discrimina; 4. Impossibilidade de se aplicar concomitantemente multa de mora e multa isolada; 5. Nulidade do auto de infração por impossibilidade de entendimento de sua aplicação ininteligibilidade do Anexo VII do Relatório Fiscal. A responsável solidária também apresentou recurso voluntário (fls. 2820/2844) alegando, resumidamente, que: 1. A DRJ não se manifestou acerca da responsabilidade tributária, razão pela qual o processo deve ser devolvido para aquela instância; Fl. 2857DF CARF MF 6 2. Autonomia das pessoas jurídicas; 3. Não foi comprovado o interesse comum de modo a ensejar a responsabilidade de que trata o art. 124, I, do CTN; 4. Inaplicabilidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991, por falta de comprovação da configuração de grupo econômico; 5. Inconstitucionalidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Inicialmente, deve ser destacado que a responsável solidária, apesar de intimada em 22/12/2010 (fls. 2539/2540), não apresentou impugnação ao lançamento, razão pela qual não foi instaurada a fase litigiosa em relação a essa matéria: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Havendo preclusão do direito, não é possível conhecer do recurso voluntário interposto pela empresa A Costa Empreendimentos e Participações S/A (fls 2820/2844). Por outro lado, o recurso voluntário apresentado pela empresa autuada (2774/2814) preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Antes de adentrar nas questões suscitadas no recurso, convém delimitar a matéria que restou em litígio após a revisão empreendida pelo Relatório "Fiscal Complementar dos Autos de Infração que Integram o Comprot: 10680725.170/201022" (fls. 2669/2676) e da decisão da DRJ, que também realizou exclusões adicionais às sugeridas pela fiscalização. No Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos de fl. 2700, constam as seguintes exclusões: ESTABELECIMENTO/CNPJ LEVANTAMENTOS QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS CNPJ 05.017.780/000104 L1, L2, LA, LB, LC, LG e LF. CNPJ 05.017.780/001097 L1, LA, LB e LF CNPJ 05.017.780/001500 L1, LA, LB e LF CNPJ 05.017.780/002220 L1, LA, LB e LF CNPJ 05.017.780/002492 L1, LA, LB e LF Os levantamentos LA e LB do CNPJ de final 003111 foram mantidos e quanto a eles houve concordância por parte do sujeito passivo (fls. 2692/2698). Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.855 7 Portanto, restaram em litígio os seguintes levantamentos no CNPJ 05.017.780/000104: L3: Cooperativas de Trabalho I período do débito 01/2005 a 12/2006 L4: Subrog Prod Rural PF 2005 I período do débito 01/2005 a 12/2005 L7: Contribuintes Indiv. período do débito 01/2005 a 09/2005 LH: Cooperativas de Trabalho II período do débito 02/2005 a 07/2005 LI: Subrog Prod Rural PF 2005 II período do débito 02/2005 a 07/2005 LD: Subrog Prod Rural PF 2006 período do débito 01/2006 a 12/2006 Preliminar Decadência Alega a recorrente que as competências compreendidas entre 01/2005 e 11/2005 estariam fulminadas pela decadência, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em dezembro de 2010. Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, definindo o STF a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia o prazo decenal para constituição dos créditos previdenciários e para terceiros, a matéria passa a ser regida pelos artigos 173, inciso I, e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2859DF CARF MF 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Com respeito à forma de contagem de prazos relativos às contribuições sociais previdenciárias e às contribuições para terceiros, o Ministro da Fazenda aprovou, em 18 de agosto de 2008, o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: 49. (...) a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (...) A esses esclarecimentos deve ser adicionado o que expressa o enunciado nº 99 da Súmula de jurisprudência do CARF: Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.856 9 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Na hipótese em questão, o primeiro levantamento realizado se reportava à diferença de seguro de acidente de trabalho não declarado em GFIP. Nos itens 2.1.1 a 2.1.3 do Relatório Fiscal (fl. 134), afirmase que os lançamentos foram realizados com base nas GFIP, folhas de pagamento e escrituração contábil disponibilizadas pelo contribuinte, bem como que este realizou os recolhimentos com a alíquota de 1% e não de 3% como lhe seria exigido. Com base nisso, é possível afirmar que houve recolhimento, ainda que parcial, no período lançado. Por outro lado, embora faça menção à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais tendo em vista que foram constatados "outros fatos que, em tese, configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária" (fl. 152 item 3.14), o relatório fiscal cita a omissão de valores tributáveis e incorreções no cumprimento de obrigações acessórias, mas não há a imputação de qualquer conduta dolosa ou fraudulenta no âmbito desta autuação. Em meu entender, a existência de "outros fatos" que ensejariam a imputação de prática ilícita poderia atrair a aplicação da regra mais desfavorável de contagem do prazo decadencial apenas em relação aos fatos geradores vinculados a esses "fatos". Entretanto, pela forma como foi redigido o relatório fiscal, os fatos que deram origem aos tributos exigidos neste processo não envolvem a prática de conduta dolosa. Com efeito, não é possível decidir pelo prazo mais desfavorável ao contribuinte com base em "fatos" que não lhe é dado conhecer e discutir no processo. Da mesma forma, não se pode exigir da autoridade julgadora que adote uma posição com base em fatos que não lhe são apresentados e por isso mesmo, não lhe é possível valorar. Em vista do exposto, deve ser aplicada no caso em análise a regra do art. 150, § 4º do CTN, em razão do que o prazo decadencial de 5 anos tem sua contagem iniciada a partir do fato gerador do tributo, de forma que, ocorrida a ciência do auto de infração em 22/12/2010 (fl. 2), restariam atingidos pela decadência os seguintes levantamentos/competências: L3: Cooperativas de Trabalho I / 01/2005 a 11/2005 L4: Subrog Prod Rural PF 2005 I / 01/2005 a 11/2005 L7: Contribuintes Indiv. / 01/2005 a 09/2005 LH: Cooperativas de Trabalho II / 02/2005 a 07/2005 LI: Subrog Prod Rural PF 2005 II / 02/2005 a 07/2005 Fl. 2861DF CARF MF 10 Em consequência, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências compreendidas entre 01/2005 e 11/2005. Mérito Reconhecida a decadência parcial dos valores lançados, restam para análise os seguintes levantamentos: L3: Cooperativas de Trabalho I período do débito 12/2005 a 12/2006 L4: Subrog Prod Rural PF 2005 I período do débito 12/2005 LD: Subrog Prod Rural PF 2006 I período do débito 01/2006 a 12/2006 Cooperativas de Trabalho O fundamento legal do auto de infração ora em análise (fl. 141) é o art. 22, IV da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que tem a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (...) Ocorre que esse dispositivo teve sua constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal STF, no RE 595.838, tendo sido reconhecida sua repercussão geral, o que o submeteu a julgamento na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Lei nº 5.869, de 1973). Julgando o mérito, o STF declarou a inconstitucionalidade da norma impugnada, em acórdão cuja ementa tem a seguinte redação: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.857 11 cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A União interpôs Embargos de Declaração em face dessa decisão, buscando a modulação dos seus efeitos. Esses embargos, entretanto, foram rejeitados, conforme evidencia a ementa do acórdão: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Tendo isso em vista, e considerando a previsão contida no § 2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, pelo qual as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento administrativo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Subrogação do Produtor Rural Pessoa Física Em sua defesa, a recorrente alega que, quando do julgamento do RE 363852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural Fl. 2863DF CARF MF 12 pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20, de 1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes dessa emenda, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com a alteração promovida, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: (...)Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. (...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.858 13 contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. A Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, foi editada após a EC nº 20, de 1998. Ou seja, foi editada sob a vigência da nova redação do art. 195, I, da Constituição, com expressa previsão da receita dos empregadores como nova fonte de custeio da seguridade social. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG tem aplicabilidade limitada ao art. 25 da Lei nº 8.212 de 1991, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2005 e 2006, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212, de 1991. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256, de 2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (destacouse) Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256, de 2001. Cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212, de 1991, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, uma vez que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da Fl. 2865DF CARF MF 14 comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, §8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, §8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212, de 1991, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão em questão (RE 363.852), o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256, de 2001, e, conseqüentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Por fim, importante trazer aos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 10.256, de 2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Nessa decisão não foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o lançamento em análise, de forma que não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela recorrente, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme o seguinte enunciado da Súmula de jurisprudência do CARF: SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito ao lançamento que teve por base a subrogação do produtor rural pessoa física. Contribuintes Individuais Em que pese o reconhecimento da decadência ter excluído da exigência o levantamento relativo a contribuintes individuais, tendo em vista seus reflexos na apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória que segue regra diversa de contagem de prazo decadencial, esclareço que o recorrente não apresentou argumentos específicos de defesa quanto a esta rubrica, devendo subsistir o auto de infração relativo ao descumprimento de obrigações acessórias. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.859 15 Penalidades Ao tratar da impossibilidade de se aplicar concomitantemente multa moratória e multa isolada a recorrente faz alusão a lançamento de imposto de renda e junta decisões deste CARF acerca deste tributo e da CSLL, o que torna difícil a compreensão de seu argumento. Este item da defesa é concluído com o seguinte parágrafo: Em tais condições, é possível extrairse ilação de que o auto de infração, ao impor multa isolada, não pode subsistir, eis que, por força da imposição, concomitante, de multa no processo administrativo, haveria dupla penalidade sobre um mesmo "fato gerador". Em que pese a falta de clareza com que a questão foi posta, acreditase que, na análise da retroatividade benigna da multa em função das alterações introduzidas pela MP 449, esta matéria restará esclarecida. No tópico relativo ao erro na aplicação da multa, o recorrente faz alusão ao Anexo VII do auto de infração, acusao de ser incompreensível e pleiteia a aplicação única e exclusivamente da multa prevista no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991. Afirma que "Inexiste no Relatório Fiscal e Auto de Infração, qualquer menção à cobrança de multa por descumprimento de obrigações acessórias a justificar a aplicabilidade do art. 32 da Lei 8.212/91 e incisos e parágrafos, com a redação dada pela Lei 11.941/2009". Pelo Anexo de fls. 2677/2900, vêse que a fiscalização adotou o seguinte procedimento no cálculo da multa: 1. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 68); 2. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32, IV, §6º da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 69); 3. Calculou a multa por descumprimento de obrigação acessória com base no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991 (CFL 78); 4. Ao valor obtido pela somatória do CFL 68 e CFL 69 acrescentou a multa de 24% anteriormente prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e assim obteve a penalidade que seria aplicada antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449; 5. Ao valor da contribuição omitida, aplicou a multa de ofício de 75% e, à importância resultante deste cálculo, somou a multa CFL 78, obtendo assim a penalidade que seria aplicável após as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449. 6. Comparou o valor obtido no item 5 com o item 4 e aplicou o que seria mais benéfico ao contribuinte. Vejamos agora se esse procedimento está de acordo com o entendimento deste Conselho. Fl. 2867DF CARF MF 16 Para tanto, transcrevo trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.499: Para que possamos definir a interpretação mais adequada no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos. Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação,a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.860 17 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 2869DF CARF MF 18 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, por sua vez, prevê o que segue: Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.861 19 Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) Devem ser consideradas ainda as disposições da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, pelas quais este cálculo deverá ser refeito no momento do pagamento ou parcelamento. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 2871DF CARF MF 20 Superada essa questão, é necessário que se faça uma ressalva considerando a realidade desse processo, em que houve o reconhecimento da decadência de parte do lançamento. Nesse caso, devese adotar as providências que são discriminadas no seguinte voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no Acórdão nº 9202005.373: Para os períodos em que a obrigação principal estiver alcançada pela decadência (o que já foi reconhecido nas exações dos lançamentos de obrigação principal DEBCADs nº: 37.329.5472, 37.329.5480 e 37.329.5499), não havendo contribuição previdenciária exigível em algum período, não há se falar em somatório de multas e sua limitação a 75% nesses mesmos períodos, mas tão somente à multa por falta de informação em GFIP de valores que não ensejam a exigência de contribuições. Nesse sentido, cabe reproduzir a declaração de voto da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que didaticamente enfrenta o tema: Frente a evidente diferença entre as contagens dos prazos, temos, como regra geral o maior alcance de exclusão de fatos geradores nos AI de obrigação principal do que nos de acessória. É nesse ponto que a tese quanto ao somatório das multas para verificação do dispositivo legal mostrase frágil, devendo ser ajustada, de forma a refletir de forma mais acertada o alcance da legislação. Ou seja, para os meses em que mantido a autuação da multa pela omissão em GFIP, mas excluídos os fatos geradores da obrigação principal pela decadência, não há como fazer comparativo, posto que julgado improcedente o lançamento de ofício, o que leva a sua inexistência (pelo alcance da decadência a luz § 4º, do artigo 150, do CTN). Dessa forma, entendo mais acertado, que para os meses em que a multa pelo ausência de informação foi calcula com base em 100% da contribuição omitida, sem a manutenção da obrigação principal, deve o recálculo observar o valor contido no art. 32A, inciso I, da lei 8212/91, com redação dada pela MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, face o principio da retroatividade benigna. No caso, inaplicável o limite disposto no art. 44, I da lei 9430, conforme proposto pelo relator, posto que não há multa de ofício para se comparar. Portanto, cabe a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN ao cálculo dos períodos alcançados pela decadência do lançamento da multa, para o lançamento de obrigação acessória do DEBCAD nº 37.303.1270, porém, para os períodos em que a correspondente obrigação principal estiver alcançada pela decadência, essa multa deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, se não houver valor de obrigação principal a ser exigido, a multa por descumprimento de obrigação acessória deverá ser reduzida ao valor contido no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. Conclusão Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10680.725170/201022 Acórdão n.º 2201003.800 S2C2T1 Fl. 2.862 21 Com base no exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário apresentado pela responsável solidária, conhecer o recurso voluntário apresentado pela contribuinte e dar parcial provimento a este para: reconhecer a decadência do crédito tributário relativo à obrigação principal nas competências de 01/2005 a 11/2005, determinar a exclusão das exigências relativas aos pagamentos a Cooperativas de Trabalho e determinar que seja realizada análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica à contribuinte no momento do pagamento ou do parcelamento nos termos da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 2873DF CARF MF
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