Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5658056 #
Numero do processo: 10980.001682/2005-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL, os quais relatam-se a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 – Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em 30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no ano-calendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000. Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação. Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi “inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa”. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 – Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil – Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba - PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container. Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido. Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita. Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo. Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ. Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples. Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas: a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado; b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes; c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba – PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida – informada pela interessada – e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindo-lhe o prazo de impugnação. Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte. DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 – Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais – Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225. Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada. Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem. Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal. Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero. Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei. Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada. Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do ano-calendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento. No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento. Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anos-calendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa. Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega. Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado. Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anos-calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais. Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%. Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela. Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas. Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue: Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial; No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; Quanto à decadência da contribuições, rege-se por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos; No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido; Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Por fim, a multa qualificada caracterizar-se-á ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos; Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente. Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596). DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 1103-00.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Ano-calendário: 2003 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar. PRELIMINAR DE NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente. PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA Aperfeiçoou-se a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de ter-se dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS - MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautou-se nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta. Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. PIS E COFINS – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência. PIS E COFINS – MULTA QUALIFICADA - DECADÊNCIA Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa. Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93. Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação. Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere-se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada. Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96. Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000. Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum. Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas. Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo. Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103-A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte. Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas. Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99. Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil. No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99. Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte. Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontra-se derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98. Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade. Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços. Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido. Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas. Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (e-processo), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontra-se omissa e contraditória. Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração. Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596. Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas. Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício). Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea “a”, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%. Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindo-a a um dos incisos desse Ato. Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra-se omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a conceder-lhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados. É o relatório. Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Primeira Câmara

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10980.001682/2005-58

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5387694

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1103-000.143

nome_arquivo_s : Decisao_10980001682200558.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA

nome_arquivo_pdf_s : 10980001682200558_5387694.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014

id : 5658056

ano_sessao_s : 2014

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL, os quais relatam-se a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 – Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em 30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no ano-calendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000. Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação. Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi “inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa”. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 – Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil – Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba - PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container. Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido. Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita. Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo. Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ. Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples. Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas: a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado; b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes; c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba – PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida – informada pela interessada – e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindo-lhe o prazo de impugnação. Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte. DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 – Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais – Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225. Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada. Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem. Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal. Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero. Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei. Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada. Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do ano-calendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento. No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento. Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anos-calendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa. Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega. Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado. Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anos-calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais. Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%. Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela. Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas. Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue: Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial; No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; Quanto à decadência da contribuições, rege-se por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos; No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido; Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Por fim, a multa qualificada caracterizar-se-á ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos; Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente. Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596). DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 1103-00.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Ano-calendário: 2003 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar. PRELIMINAR DE NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente. PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA Aperfeiçoou-se a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de ter-se dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS - MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautou-se nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta. Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. PIS E COFINS – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência. PIS E COFINS – MULTA QUALIFICADA - DECADÊNCIA Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa. Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93. Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação. Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere-se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada. Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96. Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000. Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum. Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas. Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo. Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103-A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte. Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas. Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99. Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil. No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99. Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte. Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontra-se derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98. Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade. Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços. Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido. Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas. Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (e-processo), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontra-se omissa e contraditória. Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração. Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596. Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas. Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício). Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea “a”, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%. Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindo-a a um dos incisos desse Ato. Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra-se omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a conceder-lhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados. É o relatório. Voto

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:53 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252742701056

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T3  Fl. 1.386          1 1.385  S1­C1T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.001682/2005­58  Recurso nº            Embargos  Resolução nº  1103­000.143  –  1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária  Data  7 de maio de 2014  Assunto  IRPJ, CSL, PIS e COFINS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  J W. W. SERVIÇOS DE CONCRETO LTDA.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.   (assinado digitalmente)  Aloysio José Percínio da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata,  Eduardo  Martins  Neiva  Monteiro,  André  Mendes  de Moura,  Fábio  Nieves  Barreira,  Breno  Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 68 2/ 20 05 -5 8 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.387            2 Relatório  DO LANÇAMENTO   Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada,  foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ, Contribuição  para o Programa de  Integração Social  ­ PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social  ­  Cofins  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSL,  os  quais  relatam­se  a  seguir.  Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ   O  Auto  de  Infração  do  IRPJ  (fls.  472  a  485)  exige  o  recolhimento  de  R$  302.287,85  de  imposto,  R$  453.431,73  de  multa  de  ofício  prevista  no  art.  44,  II,  da  Lei  9.430/96, além dos encargos legais.  A  exigência  resulta  do  arbitramento  do  lucro  que  se  faz  em  virtude  de  que  a  contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou  de  cumprir  as  obrigações  acessórias  relativas  a  sua  determinação,  em  relação  aos  seguintes  fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III,  da  Lei  8.981/95  e  art.  530,  III,  do RIR/1999  – Decreto  3.000/1999,  e  a  base  de  cálculo  foi  apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de  origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e  537, do RIR/1999.  Contribuição para o Programa de Integração Social ­ PIS   O  Auto  de  Infração  do  PIS  (fls.  486  a  496)  exige  o  recolhimento  de  R$  95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei  7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais.  A exigência resulta da omissão de receita ­ apuração reflexa ­ caracterizada por  depósitos bancários não  contabilizados  e de origem não comprovada  ­ enquadramento  legal:  arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da  Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98.  Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins  O  Auto  de  Infração  da  Cofins  (fls.  497  a  507)  exige  o  recolhimento  de  R$  441.993,33 de  contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista  no  art.  10,  parágrafo  único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais.  A exigência resulta da omissão de receita ­ apuração reflexa ­ caracterizada por  depósitos bancários não  contabilizados  e de origem não comprovada  ­ enquadramento  legal:  art.  1º,  da  Lei  Complementar  70/91;  art.  24,  §  2º,  da  Lei  9.249/95;  arts.  2º,  3º  e  8º,  a  Lei  9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações  da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições.  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSL   Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.388            3 O  Auto  de  Infração  da  CSL  (fls.  508  a  519)  exige  o  recolhimento  de  R$  167.992,59 de  contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no  art.  44,  II,  da Lei  9.430/96, além dos encargos legais.  A exigência resulta da omissão de receita ­ apuração reflexa ­ caracterizada por  depósitos bancários não  contabilizados  e de origem não comprovada  ­ enquadramento  legal:  art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da  Medida  Provisória  1.807/99  e  reedições,  com  alterações  do  art.  6º  da  Medida  Provisória  1.858/99 e reedições.    DA IMPUGNAÇÃO  Cientificada  em  28/02/2005,  a  interessada  apresentou  tempestivamente,  em  30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese.  Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os  fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as  contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo  expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN.  Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido,  com  fatos  geradores  trimestrais,  o que não altera com a  imposição  feita pela  fiscalização do  lucro  arbitrado,  que  segue  a  mesma  regra.  Que  os  fatos  geradores  se  encerram  em  março,  junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam  ser revisados os ocorridos no ano­calendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por  ter  fato  gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro  de 2000.  Argúi a nulidade do  lançamento pela indevida opção pelo  lucro arbitrado feita  pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que  pela  legislação  de  regência  preenchia  todos  os  requisitos  por  tal  tributação.  Assim,  se  eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de  tributação.  Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas,  pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi  “inexistência  de  escrituração  contábil  ou  Livro  Caixa”.  Que  a  alegação  tem  a  ver  com  a  afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444  – Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil – Divisão Policial da Capital,  da Cidade de Curitiba ­ PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais  em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container.  Complementa,  que  a  destruição  dos  livros  e  documentos  fiscais  dos  anos  de  1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de  ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a  opção pela forma de tributação com base no lucro presumido.  Alega  que  o  lançamento  é  nulo  em  razão  da  adoção  pela  fiscalização  de  sistemática  inadequada,  considerando  como  omissão  de  receitas  a  totalidade  dos  valores  Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.389            4 levados  a  crédito  das  contas  bancárias,  por  ofensa  ao  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996,  sem  considerar  o  seu  §  3º  que  determina  que  os  créditos  devem  ser  analisados  individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras  contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer  foram  considerados  os  valores  relativos  a  créditos  de  descontos  de  duplicatas,  de  cheques  devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita.  Reclama  de  cerceamento  ao  direito  de  defesa  pela  retenção,  pela  fiscalização,  dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa.  Que está solicitando cópia  integral do processo para que possa obter os documentos que não  possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas  peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma  conexão  entre  os  fatos  mencionados  na  exigência  fiscal  e  os  documentos  constantes  do  processo.  Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa  qualificada  de  150%.  A  descrição  dos  fatos  que  levaram  o  agente  fiscal  a  tal  conclusão  é  descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei  nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela  diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ.  Diz,  que  a  jurisprudência  administrativa  e  judicial  tem  afastado  a  multa  qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja  ela presunção legal ou presunção simples.  Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para  as providências a seguir discriminadas:  a)  que  o  arbitramento  do  lucro  foi  efetuado  no  percentual  de  9,6%  referente  à  venda  de mercadorias,  tendo  por  base  exclusivamente  às  receitas  omitidas  resultantes  dos  depósitos  bancários  e  ainda  compensando os  valores apurados  com base nas  receitas declaradas,  que não foram tributadas pelo lucro arbitrado;  b) que as  receitas  informadas pela  interessada são exclusivamente de  prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no  percentual a elas correspondentes;  c)  que  a  mesma  sorte  deve  ter  a  receita  omitida,  salvo  prova  da  execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art.  18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº  8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba – PR, para a correta  apuração  do  lucro  arbitrado,  inclusive  especificando  e  tributando  separadamente a receita bruta conhecida – informada pela interessada  –  e  a  receita  omitida,  reintimando  a  interessada  e  reabrindo­lhe  o  prazo de impugnação.  Consta  às  fls.  543  a  546 Termo de Verificação  Fiscal Complementar,  em que  descreve a Segregação da Receita da Contribuinte.    DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR   Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.390            5 Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562  para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa  de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996.  A  exigência  resulta  do  arbitramento  do  lucro  que  se  faz  em  virtude  de  que  a  contribuinte,  sujeito  a  tributação  com  base  no  Lucro  Presumido,  não  possui  escrituração  na  forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161,  tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 –  Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de  receita caracterizada  por  depósitos  bancários  não  contabilizados  e  de  origem  não  comprovada  –  enquadramento  legal:  arts.  27,  I  e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts.  532 e 537, do RIR/1999,  e pela Receitas  Operacionais – Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de  fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999.    DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR   Por  não  ter  sido  encontrada  em  seu  domicílio  fiscal,  constante  do  cadastro  da  Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl.  564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em  06/09/2005  na  Portaria  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Curitiba,  e  apresentou  a  impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225.  Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada.  Que a  fiscalização,  sob  o  argumento  de que  no  primeiro  auto  de  infração  não  foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de  cálculos  distintas  entre  o  primeiro  e  o  segundo  lançamento,  capitulando  a  infração  em  dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo  lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por  depósitos bancários sem comprovação de origem.  Transcrevendo o art. 145 e  incisos do CTN, alega, que o primeiro  lançamento  foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não  poderia  ter  sido  alterado  antes  do  julgamento  da  impugnação  interposta.  Que  a  presente  exigência  só pode  estar  estribada no  art.145,  inc.  III,  do CTN, que  trata  da autorização para  alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o  amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal.  Aduz  que  a  fiscalização  aplicou  a  multa  qualificada  de  150%,  nos  anos­ calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em  virtude  de  existência  de  depósitos  bancários  sem  comprovação  de  origem  e  apresentação  de  declaração com valor zero.  Sustenta que a  apresentação da DIPJ não  tem qualquer  implicação com o  fato  gerador  da  obrigação  principal  e,  tendo  em  vista  que  os  artigos  71,  72  e  73,  da  Lei  nº  4.502/1964,  dizem  respeito  à  ocorrência  do  fato  gerador,  o  simples  descumprimento  de  obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada  apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é  motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a  Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.391            6 reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há  necessidade de disposição expressa em lei.  Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto,  representa  uma  presunção  sobre  presunção,  posto  que  os  artigos  71,  72  e  73,  da  Lei  nº  4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está  vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não  tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem  sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em  presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada.  Levanta preliminar de decadência de  constituição do crédito  tributário  relativo  aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre  do  ano­calendário  de  1999  e,  nos  casos  de  contribuições  com  fato  gerador mensal,  os  fatos  geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento  por  homologação  porque  cabe  ao  sujeito  passivo  calcular  o  imposto  e  recolher  nos  prazos  legais,  independentemente  de  qualquer  intimação  da  autoridade  administrativa  e  de  que  não  tenha efetuado qualquer recolhimento.  No  mérito  reitera,  inicialmente,  os  argumentos  expendidos  na  impugnação  apresentada para o primeiro lançamento.  Aduz  que  o  arbitramento  de  lucro  com  base  na  receita  bruta  decorreu  da  inexistência de  livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro  conforme  devidamente  informado  nas  Declarações  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anos­calendário, e que a hipótese dos autos é de  falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa.  Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações  prestadas  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  onde  está  devidamente  registrada  a  escrituração  do  livro Caixa. Que conforme  relatado  no Boletim de  Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa  foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega.  Reclama que  a  autoridade  lançadora  reconheceu  que  a  destruição  dos  livros  e  documentos  fiscais  dos  anos  de  1999  a  2001  ocorreu  depois  de  terem  sido  apresentas  as  declarações  de  rendimentos,  e  que,  portanto,  a  opção  pelo  lucro  presumido  foi  definitiva  e  inexistindo  prova  da  imprestabilidade  das  declarações  apresentadas,  não  é  licito  ao  fisco  desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado.  Argúi  que  o  art.  24  da  Lei  nº  9.249/1995  é  taxativa  e  não  comporta  outra  interpretação  quando  determina  que  verificada  a  omissão  de  receita,  a  autoridade  tributária  determinará  o  valor  do  imposto  e  adicional  a  serem  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão.  Alega,  a  interessada,  que  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa  é  a  de  fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado  as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai  misturando  os  ingredientes  no  trajeto  até  o  local  da  obra.  Que  as  notas  fiscais  anexadas  comprovam  as  compras  de  matéria  prima  e  a  DIPJ  regularmente  apresentadas  nos  anos­ calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não  Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.392            7 permitem  a  suspeita  levantada  pela  autoridade  fiscal  no  sentido  de  que  a  autuada  seja  uma  empresa prestadora exclusiva de serviços gerais.  Argumenta que o preenchimento do  formulário  anexado as  fls.  425 a 442 deu  em  virtude  do  cumprimento  de  normas  que  regem  a  tributação  pelo  ICMS  –  Imposto  sobre  Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a  legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub  empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação  com  base  no  lucro  real  e,  por  exclusão,  pode  optar  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento  de materiais  a  sua  atividade  enquadra na  hipótese  previsto  no Ato Declaratório  (Normativo)  COSIT  nº  06/1997,  não  podendo  subsistir  dúvida  de  que  tinha  direito  à  opção  pelo  lucro  presumido com a aplicação do coeficiente de 8%.  Questiona  o  levantamento  feito  pela  fiscalização  que  teria  cometido  inúmeros  erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre  agências bancárias,  créditos de  títulos,  liquidação de  cobrança. Que  foram somados  todos os  créditos,  inclusive  de  valores  inferiores  a  R$  12.000,00,  individualmente,  descumprindo  o  disposto  no  art.  42,  §  3º,  II,  da  Lei  nº  9.430/1996,  representando  dupla  tributação  de  uma  mesma parcela.  Diz,  que  os  créditos  decorrentes  de  transferências  de  outras  contas  da  própria  pessoa  jurídica  sequer  deveria  ser  objeto  de  intimação  para  comprovação  posto  que  a  lei  de  regência  já  manda  que  não  sejam  considerados.  Que  os  créditos  de  títulos  e  liquidação  de  cobrança  têm  origem  nas  duplicatas  vinculada  as  Notas  Fiscais  de  Prestação  de  Serviços,  correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que,  salvo  prova  em  contrário,  as  duplicatas  cobradas  não  podem  ser  consideradas  como  receitas  omitidas ou não comprovadas.  Aduz  que  devem  ser  expurgados  os  valores  que  a  própria  fiscalização  identificou  as  respectivas  origens  (elabora  demonstrativo),  e  que  o  montante  de  depósitos  bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29,  bem  como  as  bases  de  cálculos  das  parcelas  declaradas  na DIPJ  que  já  foram  regularmente  tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos  de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35.    DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO   Em  24/08/2006,  acordou  a  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos,  rejeitar as preliminares argüidas, sendo a  primeira do  lançamento  complementar  e  a  segunda da decadência. No  tocante  ao mérito  em  discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75%  para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o  percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue:  Em  referência  ao  lançamento  complementar,  se  constatadas  incorreções  e  inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo  lançamento  em  complemento  ao  principal  desde  que  o  procedimento  tenha  sido  realizado  dentro do prazo decadencial;  Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.393            8 No  tocante  à  preliminar  de  decadência,  inexistindo  pagamento,  tem  o  fisco,  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário,  que  poderá  ser  exercido  no  lapso  de  cinco  anos  contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser  efetuado;  Quanto  à  decadência  da  contribuições,  rege­se  por  lei  específica  (Lei  nº  8.212/1991)  em  obediência  ao  disposto  no  parágrafo  4º,  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos;  No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de  apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou  o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido;  Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu  art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para  os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação  hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações;  Por  fim, a multa qualificada caracterizar­se­á ao momento da comprovação do  contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos;  Portanto,  resta  decidido  que  será  mantido  os  valores  de  R$  544.702,70  e  R$  899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59,  de  Cofins,  R$  61.585,58  e  R$  106.407,11  de  CSL,  bem  como  as  multas  de  75%,  para  o  primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente.  Em  18/12/2006,  a  contribuinte  toma  conhecimento  da  referida  decisão  supracitada.  Em  10/01/2007,  interpõe  recurso  em  face  da  decisão  da  DRJ,  em  que  fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a  596).    DO ACÓRDÃO DO CARF   Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª  Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº  1103­00.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência  de  IRPJ e CSL,  inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para  reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as  receitas declaradas,  referentes aos  fatos geradores ocorridos  entre  julho de 1999 a  janeiro de  2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita:  Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL   Ano­calendário: 2003   Ementa:   PRELIMINAR DE NULIDADE   Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos  preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação  Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.394            9 da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo  órgão  julgador  a  quo,  que  igualmente  determinou  a  reabertura  de  prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi  realizada  pela  autoridade  da  chamada  administração  ativa  (e  não  judicante),  que  detém  competência  exclusiva  para  o  lançamento,  resultando da verificação lançamento complementar.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  –  OMISSÃO  DE  RECEITAS  POR  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA   A  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  para  ser  empregada,  reclama  a  análise  individualizada  dos  créditos,  com  expurgo  de  créditos  que  deliberadamente  não  indicam  receitas,  e  o  contribuinte  deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos  recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos  ou  pressupostos  presentes  para  a  aplicação  da  hipótese  legal  presuntiva  de  omissão  de  receitas,  com  expurgo  de  créditos  de  descontos  de  duplicatas,  de  estornos,  de  redução  de  saldo  devedor  CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente.  PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA   Aperfeiçoou­se a decadência do lançamento de créditos tributários de  IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres  do ano­calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS  sobre  receitas  declaradas,  relativos  aos  fatos  geradores  de  julho  de  1999  a  janeiro  de  2000,  conforme  o  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  cuja  aplicação  independe  de  ter­se  dado  algum  pagamento,  conforme  orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes  e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO  –  ARGAMASSA,  PREPARADO  EM  BETONEIRAS ­ MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO   O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até  a  obra,  constitui  atividade  de  construção  civil  por  empreitada:  é  prestação  de  serviços.  O  ADN  COSIT  6/97  considera  tal  atividade  sujeita  à  alíquota  geral  de  8%  para  a  presunção  de  lucro.  O  ato  concreto do lançamento pautou­se nessa alíquota para arbitrar o lucro  ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota  de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao  coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada  pelo art. 146 do CTN. Por outro  lado, aceitar o  lançamento original,  ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é  endossar  interpretação  que  fere  o  princípio  da  legalidade,  pois  o  lançamento original não se sustenta.  Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo  que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da  multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas.  PIS  E  COFINS  –  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RECEITAS  POR  DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA   Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção  legal  de  omissão  de  receitas.  De  outra  parte,  a  contribuinte  não  Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.395            10 apresentara  nenhuma  prova  a  derruir  a  presunção  de  omissão  de  receitas.  Também,  na  ausência  de  escrituração  contábil,  caberia  à  recorrente  carrear  elementos  para  indicação  de  que  as  receitas  declaradas  estariam  contidas  nas  receitas  omitidas.  Nenhuma  contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência.  PIS E COFINS – MULTA QUALIFICADA ­ DECADÊNCIA   Em  geral,  a  omissão  de  receitas  constatada  com  uso  da  presunção  legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta  infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada  caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva  de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear  sequer um documento,  hábil  ou  indiciário,  a  fulminar ou ao menos a  pôr  em  dúvida  alguma  das  receitas  omitidas,  militam  contra  a  insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta  infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela  presença de dolo na conduta adversa.  Como  conseqüência,  não  há  decadência  do  lançamento  lastreado  na  omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS.  Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar,  pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos  artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93.  Nesse  sentido,  afirmou  que  os  artigos  retromencionados  não  foram  feridos,  porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que  possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de  1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação  de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação.  Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere­ se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese  legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada.   Isso  porque,  além de  a  fiscalização  ter  intimado  a  contribuinte  a  comprovar  a  origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir,  por  meio  da  análise  de  extratos  de  conta  de  depósito  da  contribuinte,  que  a  fiscalização  promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido  os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96.  Reconheceu a preliminar de decadência do  lançamento dos créditos  tributários  de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano­calendário  de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos  fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000.  Nesse  sentido,  apontou  que  tal  reconhecimento  decorreu  do  fato  de  a Câmara  incumbida  para  julgar  o  presente  feito,  entender  que  o  artigo  150,  §  4º,  do  CTN  deve  ser  aplicado mesmo quando não houver pagamento algum.   Distinguiu  o  lançamento  fundado  na  omissão  de  receitas,  do  fundado  nas  receitas declaradas.  Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.396            11 Apontou  que,  no  que  tange  os  suportes  fáticos  em  comento,  a  decadência  já  havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo.  Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103­A da CF e o artigo  2º,  caput  e  §  1º  da  Lei  11.417/06,  reconhecem  que  o  prazo  decadencial  previsto  no  artigo  150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo  45 da Lei 8.212/91.  Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de  contraprova do contribuinte.  Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois  a  contribuinte  não  apresentou  nenhuma  contraprova  que  demonstrasse  ou  indicasse  que  as  receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas.  Aduziu  que  o  lançamento  de  IRPJ  e  de  CSL  foi  feito  com  base  no  lucro  arbitrado  sobre  as  receitas  presumidamente  omitidas,  pois  a  contribuinte  não  apresentou  sua  escrituração  contábil,  não  indicando,  desse  modo,  que  essa  se  sujeita  ao  regime  de  lucro  presumido. Nesse sentido,  transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e  530, III, do RIR/99.  Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a  aplicabilidade da  hipótese  de  arbitramento  do  lucro,  e  que  há  a  omissão  de  receitas  presumida  por  depósitos  bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil.  No  que  tange  a  alegação  da  contribuinte  de  que  ela  não  apresentou  a  escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a  fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias  previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99.  Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida  levado a efeito pela contribuinte.  Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não  está revogado, mas que o seu inciso II encontra­se derrogado em virtude do artigo 14 da Lei  9.718/98.  Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto  até  a  obra,  constitui  atividade  de  construção  civil  por  empreitada  e,  conseqüentemente,  prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.  Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato  Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32,  II, da  IN SRF 480/04. De acordo  com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício  material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que  aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade.  Apontou  que  os  vícios  supramencionados  decorreram,  principalmente,  do  fato  de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não  possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista  para a prestação de serviços.  Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.397            12 Afirmou que,  nos  termos  do  artigo  146  do CTN,  o  lançamento  complementar  não  pode  prosperar,  pois  esse  traz  a  mudança  do  critério  jurídico,  quer  seja  como  erro  de  direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido.   Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as  receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as  receitas presumidamente omitidas.  Com  relação  à  multa  qualificada  e  a  decadência  referentes  ao  PIS  e  Cofins  relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como  há  dados  suficientes  para  da  contribuinte  foi  feita  com  dolo,  a  multa  qualificada  deve  ser  mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência.     DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO   Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a  1383 (e­processo), arguindo, em síntese, o que segue.  Primeiramente,  afirmou  que  a  decisão  embargada  encontra­se  omissa  e  contraditória.  Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o  recurso voluntário  preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo,  ser  considerado  inexistente  e,  conseqüentemente,  não  conhecido,  já  que  esse  vício  é  insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.  Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser  considerados  como  assinatura  para  o  fim  de  preencher  os  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso.  Isso  porque,  além  de  não  estar  presente  nos  autos  procuração  ou  instrumento  que  confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos  juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações  societárias/administrativas  posteriores  que  retiram  os  poderes  de  representação  do  Sr.  Jorge,  bem como a revogação da procuração.  Nesse  sentido,  acentuou  que  outro  fator  que  faz  com  que  os  referidos  sinais  gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato  de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem  como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596.  Atestou que  a decisão  recorrida  é omissa,  pois  essa não analisou o  recurso de  ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150%  para 75% em relação às receitas declaradas.   Nesse  sentido,  registrou  que  a  decisão  recorrida  não  observou  o  disposto  no  Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ  e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais  e  conclusão,  bem como,  fazer  referencia,  de  forma  expressa,  a  todos  os  recursos  interpostos  (voluntários ou de ofício).  Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.398            13 Entendeu  que,  com  relação  aos  elementos  probatórios  presentes  nos  autos,  a  decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  é  possível  concluir  que  a  fiscalização  não  fundamentou  o  lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não  enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea “a”, do referido ADN, para  arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%.  Nesse  sentido,  apontou  que  a  ADN  retromencionada  não  prevê  a  atividade  exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma  interpretação  sobre  a  atividade  realizada  pelo  contribuinte  subsumindo­a  a  um  dos  incisos  desse Ato.  Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos  bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal.  Consignou  que,  tendo  em  vista  que  a  fiscalização  não  fundamentou  o  lançamento original na ADN 06/97 e não  afirmou que a atividade exercida pela contribuinte  não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra­se omissa, pois essa não indicou os  elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos  do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina.  Por  fim,  requereu  o  recebimento  e  acolhimento  do  presente  embargos  de  declaração, de forma a conceder­lhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados.    É o relatório.  Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.399            14 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata   O recurso é tempestivo (fls. 1343 e 1346).  A embargante alega omissão e contradição no acórdão embargado.  Há  potencialidade  de  omissão  e  de  contradição  no  referido  acórdão,  de modo  que conheço dos embargos.  A Procuradora da Fazenda Nacional argui inexistência do recurso voluntário por  não haver a assinatura nele. Diz que os sinais apontados nas folhas do recurso não podem ser  tido como assinatura, pois:  a) não  foi acostado ao  recurso  instrumento que confira poderes a  Jorge  Luiz  Figueiredo  Ramos;  b)  os  sinais  gráficos  são  diferentes  da  assinatura  da  citada  pessoa no termo de fl. 1.327.  De fato, constata­se a falta de assinatura do recurso voluntário.  Porém, em face do art. 13 ou do art. 37, do CPC, a falta de assinatura é sanável,  máxime  no  processo  administrativo  fiscal,  em  que  o  rigor  ao  formalismo  não  é medida  que  com ele se afina. E é sabido que, nas instâncias ordinárias do processo judicial, a ausência de  assinatura é defeito perfeitamente sanável.   Cito o REsp abaixo de 2013, com transcrição da ementa:  EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL  E  ADMINISTRATIVO  ­  RECURSO  ESPECIAL ­ AUSÊNCIA DE ASSINATURA NA PETIÇÃO RECURSAL  ­  INSTÂNCIAS  ORDINÁRIAS  ­  VÍCIO  SANÁVEL  ­  RETORNO DOS  AUTOS  À  ORIGEM  ­  PRECEDENTES.  1.  Ao  contrário  do  efeito  produzido  na  instância  extraordinária,  a  falta  de  assinatura  do  advogado nos recursos interpostos nas instâncias instâncias ordinárias  é um vício sanável, em consonância com o teor do que dispõe o art. 13  do CPC, aplicável analogicamente à  irregularidade da representação  postulatória, devendo ser concedido prazo razoável para o suprimento  de  tal  irregularidade.  Precedentes.  2.  Recurso  especial  provido  para  determinar o retornos dos autos ao Tribunal de origem para que seja  oportunizada  a  regularização  da  assinatura  do  patrono  na  petição  recursal  dirigida  àquele  instância  ordinária.  (RESP  1.398.134­SC,  2013/0266087­9,  MINISTRA  ELIANA  CALMON,  STJ  ­  SEGUNDA  TURMA, DATA DE JULGAMENTO 5/11/2013, DJe: 13/11/2013)  As alegações da Procuradora quanto à falta de instrumento para representação e  ao apontamento sobre os sinais gráficos não têm sentido.  Jorge Luiz Figueiredo Ramos que assina a fl. 1327 é sócio­admininistrador da J.  W. W. Serviços de Concreto Ltda., como se vê das fls. 449 a 454. É a mesma assinatura que  consta,  por  ex.,  na  fl.  363  no  recebimento  de  intimação  para  se  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários  individualizados,  nas  informações  prestadas  ao  fiscal  na  fl.  438,  na  resposta  à  referida  intimação  na  fl.  443,  no  recebimento  do  TVF  na  fl.  470,  na  primeira  impugnação na fl. 535.   Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/2005­58  Resolução nº  1103­000.143  S1­C1T3  Fl. 1.400            15 No TVF, o autuante diz que o entrega ao representante do contribuinte. Então,  quem recebeu o TVF e os autos de infração não tem poderes de representação do autuado? Irá  se dizer que os autos de infração são inválidos?  Veja­se  que  as  rubricas  constantes  no  recurso  voluntário  (fls.  1297  a  1324)  apontam para coincidência com as que figuram na segunda impugnação (fls. a 596), em face do  lançamento  complementar  efetuado.  Quem  assina  a  segunda  impugnação  é  o  procurador  constituído pela contribuinte, o dr. Kazuki Shiobara (fls. 596 e 597). Quem assina a procuração  é Jorge Luiz Figueiredo Ramos (fl. 597).  Óbvio,  portanto,  que  as  rubricas  não  apontam  para  Jorge  Luiz  Figueiredo  Ramos. O que se nota é que o procurador constituído pela contribuinte, dr. Kazuki Shiobara,  que  rubricou  e  assinou  a  segunda  impugnação,  é  quem  aparentemente  rubricou  o  recurso  voluntário. E esqueceu de assiná­lo.  Enfim,  entendo  que  cabe  o  saneamento  da  falta  cometida,  de  modo  que  proponho baixar o presente julgamento em diligência:  a) intimando­se a contribuinte, para que o recurso voluntário (que foi rubricado)  seja  assinado  pelo  rubricador  procurador  por  ela  constituído,  o  qual  assinou  e  rubricou  a  segunda  impugnação,  conforme  procuração  de  fls.  596  e  597,  no  prazo  de  trinta  dias  (por  aplicação analógica do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/11);  b) após, os autos do processo devem retornar a este órgão julgador.    É o meu voto.    Sala das Sessões, em 7 de maio de 2014   (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

score : 1.0
5731279 #
Numero do processo: 10218.000011/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM. Demonstrada a individualização dos créditos bancários e a regular intimação do contribuinte para comprovação da origem desses créditos, caracteriza-se omissão de receita se o contribuinte não se manifesta.
Numero da decisão: 1302-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos e conferir-lhes efeitos modificativos, para dar provimento ao recurso de ofício nos pontos relativos aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201311

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM. Demonstrada a individualização dos créditos bancários e a regular intimação do contribuinte para comprovação da origem desses créditos, caracteriza-se omissão de receita se o contribuinte não se manifesta.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10218.000011/2008-63

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5400253

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1302-001.241

nome_arquivo_s : Decisao_10218000011200863.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO

nome_arquivo_pdf_s : 10218000011200863_5400253.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos e conferir-lhes efeitos modificativos, para dar provimento ao recurso de ofício nos pontos relativos aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.

dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013

id : 5731279

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:15 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252767866880

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 4.333          1 4.332  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10218.000011/2008­63  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1302­001.241  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de novembro de 2013  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  FRIGOXIN COMERCIAL LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Exercício: 2003  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM.   Demonstrada a individualização dos créditos bancários e a regular intimação  do  contribuinte  para  comprovação  da origem desses  créditos,  caracteriza­se  omissão de receita se o contribuinte não se manifesta.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  acolher  os  embargos e conferir­lhes efeitos modificativos, para dar provimento ao  recurso de ofício nos  pontos relativos aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Junior  (Presidente),  Marcio  Rodrigo  Frizzo,  Waldir  Veiga  Rocha,  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 11 /2 00 8- 63 Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2 Relatório    Trata­se de embargos de declaração.  Na  origem  foi  lavrado  auto  de  infração  em  razão  da  suposta  omissão  de  receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 12.429.847,18),  CSLL (R$ 6.272.805,98), PIS (R$ 217.728,84) e COFINS (R$ 395.870,84) (fl. 778), incluindo  multa e juros de mora.  Em  resumo,  o  AFRFB  convenceu­se  pela  ocorrência  omissão  de  receitas  (depósitos bancários de origem não comprovada) e despesas não comprovadas. Foi declarada a  responsabilidade solidária de Adílio Gusson.  Cientificada  do  lançamento  em  15/01/2008,  a  contribuinte  apresentou  impugnação em 14/02/2008 (fl.814), atacando o crédito tributário alegando (i) cerceamento de  defesa,  (ii)  da  inexistência  de  interposição  fraudulenta  de  sócios,  (iii)  iliquidez  do  crédito  tributário e improcedência das infrações e (iv) do descabimento da multa qualificada.   Ao seu  turno, a DRJ determinou a  realização de diligências  (fl. 963), o que  foi  atendido  pela  autoridade  de  origem  (fl.  4276  e  ss.).  Na  sequência,  os  autos  foram  devolvidos  para  a  DRJ,  que  julgou  procedente  a  impugnação,  como  se  denota  da  sementa  adiante transcrita (fl. 4295):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ.   Ano­calendário: 2003.   OMISSÃO  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  MEIOS  HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas,  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  impõe à Administração Tributária a obrigação de  individualizar  os  créditos  bancários  cuja  origem  deixou  de  ser  comprovada pelo contribuinte.  FATO  GERADOR.  BASE  TEMPORAL.  ERRO  DE  IDENTIFICAÇÃO.  É  improcedente  o  lançamento,  por  erro  de  identificação  do  fato  gerador,  que  não  observa  o  critério  temporal de apuração da base de cálculo do tributo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO – CSLL.   Ano­calendário: 2003.   Ementa:  FATO  GERADOR.  BASE  TEMPORAL.  ERRO  DE  IDENTIFICAÇÃO.  É  improcedente  o  lançamento,  por  erro  de  identificação  do  fato  gerador,  que  não  observa  o  critério  temporal de apuração da base de cálculo do tributo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS.   Ano­calendário: 2003.   Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10218.000011/2008­63  Acórdão n.º 1302­001.241  S1­C3T2  Fl. 4.334          3 Ementa:  OMISSÃO  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção  legal de omissão de  receitas,  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  impõe à Administração Tributária a obrigação de  individualizar  os  créditos  bancários  cuja  origem  deixou  de  ser  comprovada pelo contribuinte.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.   Ano­calendário: 2003.   Ementa:  OMISSÃO  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção  legal de omissão de  receitas,  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  impõe à Administração Tributária a obrigação de  individualizar  os  créditos  bancários  cuja  origem  deixou  de  ser  comprovada pelo contribuinte.  Impugnação Procedente  Crédito Tributário Exonerado  Em face da exoneração do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício  (art. 34, Dec. 70.235/72 c.c. Portaria MF n. 3/2008), o qual foi apreciado por esta Turma, que  assim se manifestou:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ.   Exercício: 2003.   OMISSÃO  DE  RECEITAS.  INTIMAÇÃO  COM  INDIVIDUALIZAÇÃO  DOS  VALORES.  VALIDADE.  A  presunção  de  omissão  de  receita  por  depósitos  bancários  sem  origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique  quais  valores estão sendo questionados pela  fiscalização, daí a  necessidade  de  individualização.  No  caso  dos  autos,  a  individualização  ocorreu  por  intimação  detalhada,  fato  que  torna o lançamento válido.  IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro  na  identificação do critério  temporal do  fato gerador por parte  da  autoridade  administrativa  gera  a  nulidade  do  lançamento  tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  foi  intimada  da  decisão  supra  em  20/06/2013.  Na  data  de  24/06/2013,  apresentou  Embargos  de  Declaração,  sustentando  o  seguinte, em suma:  Esse  eg.  Colegiado  resolveu  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  em  que  pese  tenha  considerado  que  houve,  nos  termos  preconizados  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96,  a  correta  individualização dos créditos bancários, assim como a intimação  do  contribuinte  para  manifestar­se  sobre  os  depósitos,  o  que  tornaria o lançamento válido.  Fl. 4335DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 Pois bem. A omissão/contradição observada nos presentes autos  diz respeito aos autos de infração do PIS e da COFINS. É que,  tendo o Colegiado concluído pela caracterização da infração de  omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários  de  origem não  comprovada,  dever­se­ia manter,  ao menos,  os  autos  de  infração  reflexos  do  PIS  e  da COFINS,  eis  que,  no  que  toca  a  tais  tributos,  não  houve  erro  na  identificação  do  critério temporal. Isto é, o citado vício observado em relação ao  IRPJ e à CSLL não  se estende ao PIS e à COFINS,  os quais  têm  fato  gerador  mensal,  como  corretamente  identificou  a  autoridade fiscal (fls. 768/782).(grifo não original)  Nesse  contexto,  tem­se,  s.m.j.  que,  de  acordo  com  o  raciocínio  desenvolvido  pela  própria  Turma,  o  correto  resultado  do  julgamento  seria  dar  provimento  parcial  ao  recurso  de  ofício  para  restabelecer  as  exigências  de  PIS  e  COFINS.  (grifo  não  original)  É o relatório.    Fl. 4336DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10218.000011/2008­63  Acórdão n.º 1302­001.241  S1­C3T2  Fl. 4.335          5   Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo  Os Embargos de Declaração são tempestivos e apresentam todos os requisitos  de admissibilidade, então deles conheço.  Consoante dito no relatório, duas foram as questões analisadas pela DRJ: (i)  ausência de individualização de depósitos bancários cuja origem o AFRFB pretendia conhecer,  fato que prejudicava o IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e a Cofins; (ii) equívoco na escolha do período  de  apuração  do  IRPJ  e  CSLL.  Analisando  estes  temas,  a  DRJ  deu  provimento  aos  dois  argumentos da contribuinte.  Esta Turma reformou o primeiro argumento, uma vez que consta nos autos a  efetiva individualização dos depósitos bancários. Já quanto ao segundo argumento (período de  apuração),  o  entendimento  da  DRJ  foi  mantido.  Ou  seja,  manteve  a  anulação  do  crédito  tributário em razão da equivocada identificação do critério temporal.  Ocorre  que  a  apuração mensal  realizada  pelo  AFRFB  apenas  prejudicou  a  constituição  dos  créditos  de  IRPJ  e CSLL,  e não  o PIS  e  a COFINS,  que  têm  sua  apuração  mensal. Em que pese tal situação, fez­se constar no acórdão que a decisão aplicada ao IRPJ e  CSLL se estenderia ao PIS e à Cofins.  Esta  é  a  razão  dos  embargos  de  declaração,  o  qual  conheço,  e  dou  efeito  modificativos,  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  de  ofício  e  reestabelecer  o  créditos  tributários relativos ao PIS e COFINS, porém fica mantida a exoneração de IRPJ e CSLL.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Marcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                                Fl. 4337DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

score : 1.0
5731224 #
Numero do processo: 10166.721569/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008 AIOP DEBCAD nº 37.319.504-4 (Patronal) 37.319.505-2 (Segurados) 37.319.506-0 (Terceiros) AIOA DEBCAD nº 37.319.507-9 (CFL - 30) 37.319.508-7 (CFL - 34) 37.319.509-5 (CFL - 35) 37.319.510-9 (CFL - 38) 37.319.511-7 (CFL - 59) 37.319.512-5 (CFL - 22) 37.319.513-3 (CFL - 68) NORMAS GERAIS. DILIGÊNCIAS JULGADOR PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRONUNCIAMENTO FISCAL. INTRODUÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS E PROVAS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. APERFEIÇOAMENTO. Nos casos em que há elaboração de Informação Fiscal, a partir de determinação de diligência da autoridade julgadora de primeira instância, com o objetivo de apresentar novos fundamentos, elementos de prova e outros esclarecimentos, com a finalidade de aperfeiçoar o lançamento, considera-se como constituído o crédito tributário na dada da ciência pelo sujeito passivo do resultado de aludida diligência. No caso em tela houve realização de três diligências, sendo certo que somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito se deu somente após a intimação da última diligência realizada pela fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo-se cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. Em observância à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, constatando-se a ocorrência de antecipação de pagamento, verificada com base em informações da própria autoridade lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no bojo do voto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. PESSOAS JURÍDICAS UNIPESSOAIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. SÓCIO. VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO EM MESMO PERÍODO COM A RECORRENTE. LANÇAMENTO DEVIDO. São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. No presente caso, segundo o Fisco, pessoas jurídicas prestavam serviço à empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com vínculo empregatício formalizado, registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Portanto, nesse caso, a relação como segurado empregado já estava formalizada e presente na verdade material dos fatos jurídicos, motivo da negativa de provimento ao recurso, nesta questão. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, bem como outros descumprimentos de obrigações acessórias, pertinentes/vinculados à inobservância da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA E/OU IMPROCEDÊNCIA EM PARTE. NÃO ACOLHIMENTO. MULTA FIXA. Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como se constata no caso vertente. Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de co-responsáveis tem natureza tão simples e meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF 88) Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em considerar como data de ciência do lançamento a data da ciência da última diligência, 20/12/2013, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em definir a data da ciência como a data original de ciência do lançamento; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN, em autuações conexas a existência de obrigações principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; c) em dar provimento ao recurso, no mérito, nas questões de caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as penalidades descritas nos autos de infração, em face de inobservância de obrigações tributárias acessórias, decorrentes da caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do lançamento com fatos geradores relacionados a pagamentos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, para manter as penalidades descritas nos autos de infração, em relação às multas referentes aos valores pagos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de aplicar a súmula CARF 88 (CORESP, RepLeg e Vínculos), nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, nas preliminares, nos lançamentos referentes a obrigações tributárias principais, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2008, anteriores a 12/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos pagamentos para pessoas jurídicas em que segurados - com vínculo de emprego devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais, segundo a legislação - eram seus proprietários, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento desta questão; b) em negar provimento ao Recurso, para manter as multas aplicadas, nas obrigações tributárias principais e acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em, nas exigências de obrigações principais, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, e, nas exigências de obrigações acessória referente a GFIP (debcad: 37.319.513-3), aplicar ao cálculo da multa por esta obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso sejam mais benéficas à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral Lívia Queiroz (PGFN) e Anísio Madureira, OAB:8088/DF (sujeito passivo). Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201411

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10166.721569/2011-34

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5400198

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2301-004.222

nome_arquivo_s : Decisao_10166721569201134.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 10166721569201134_5400198.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em considerar como data de ciência do lançamento a data da ciência da última diligência, 20/12/2013, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em definir a data da ciência como a data original de ciência do lançamento; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN, em autuações conexas a existência de obrigações principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; c) em dar provimento ao recurso, no mérito, nas questões de caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as penalidades descritas nos autos de infração, em face de inobservância de obrigações tributárias acessórias, decorrentes da caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do lançamento com fatos geradores relacionados a pagamentos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, para manter as penalidades descritas nos autos de infração, em relação às multas referentes aos valores pagos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de aplicar a súmula CARF 88 (CORESP, RepLeg e Vínculos), nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, nas preliminares, nos lançamentos referentes a obrigações tributárias principais, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2008, anteriores a 12/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos pagamentos para pessoas jurídicas em que segurados - com vínculo de emprego devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais, segundo a legislação - eram seus proprietários, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento desta questão; b) em negar provimento ao Recurso, para manter as multas aplicadas, nas obrigações tributárias principais e acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em, nas exigências de obrigações principais, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, e, nas exigências de obrigações acessória referente a GFIP (debcad: 37.319.513-3), aplicar ao cálculo da multa por esta obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso sejam mais benéficas à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral Lívia Queiroz (PGFN) e Anísio Madureira, OAB:8088/DF (sujeito passivo). Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior.

dt_sessao_tdt : Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014

id : 5731224

ano_sessao_s : 2014

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008 AIOP DEBCAD nº 37.319.504-4 (Patronal) 37.319.505-2 (Segurados) 37.319.506-0 (Terceiros) AIOA DEBCAD nº 37.319.507-9 (CFL - 30) 37.319.508-7 (CFL - 34) 37.319.509-5 (CFL - 35) 37.319.510-9 (CFL - 38) 37.319.511-7 (CFL - 59) 37.319.512-5 (CFL - 22) 37.319.513-3 (CFL - 68) NORMAS GERAIS. DILIGÊNCIAS JULGADOR PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRONUNCIAMENTO FISCAL. INTRODUÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS E PROVAS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. APERFEIÇOAMENTO. Nos casos em que há elaboração de Informação Fiscal, a partir de determinação de diligência da autoridade julgadora de primeira instância, com o objetivo de apresentar novos fundamentos, elementos de prova e outros esclarecimentos, com a finalidade de aperfeiçoar o lançamento, considera-se como constituído o crédito tributário na dada da ciência pelo sujeito passivo do resultado de aludida diligência. No caso em tela houve realização de três diligências, sendo certo que somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito se deu somente após a intimação da última diligência realizada pela fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo-se cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. Em observância à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, constatando-se a ocorrência de antecipação de pagamento, verificada com base em informações da própria autoridade lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no bojo do voto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. PESSOAS JURÍDICAS UNIPESSOAIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. SÓCIO. VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO EM MESMO PERÍODO COM A RECORRENTE. LANÇAMENTO DEVIDO. São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. No presente caso, segundo o Fisco, pessoas jurídicas prestavam serviço à empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com vínculo empregatício formalizado, registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Portanto, nesse caso, a relação como segurado empregado já estava formalizada e presente na verdade material dos fatos jurídicos, motivo da negativa de provimento ao recurso, nesta questão. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, bem como outros descumprimentos de obrigações acessórias, pertinentes/vinculados à inobservância da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA E/OU IMPROCEDÊNCIA EM PARTE. NÃO ACOLHIMENTO. MULTA FIXA. Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como se constata no caso vertente. Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de co-responsáveis tem natureza tão simples e meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF 88) Recurso Voluntário Provido em Parte.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:13 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252826587136

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 69; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.721569/2011­34  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­004.222  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de novembro de 2014  Matéria  Contribuição Previdenciária  Recorrente  INDRA BRASIL SOLUCOES E SERVICOS TECNOLOGICOS SA e   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008  AIOP DEBCAD nº 37.319.504­4 (Patronal)  37.319.505­2 (Segurados)  37.319.506­0 (Terceiros)  AIOA DEBCAD nº 37.319.507­9 (CFL ­ 30)  37.319.508­7 (CFL ­ 34)  37.319.509­5 (CFL ­ 35)  37.319.510­9 (CFL ­ 38)  37.319.511­7 (CFL ­ 59)  37.319.512­5 (CFL ­ 22)  37.319.513­3 (CFL ­ 68)  NORMAS  GERAIS.  DILIGÊNCIAS  JULGADOR  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  PRONUNCIAMENTO  FISCAL.  INTRODUÇÃO  DE  NOVOS  FUNDAMENTOS  E  PROVAS.  CIÊNCIA  DO  LANÇAMENTO. APERFEIÇOAMENTO.  Nos  casos  em  que  há  elaboração  de  Informação  Fiscal,  a  partir  de  determinação  de  diligência  da  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  com  o  objetivo  de  apresentar  novos  fundamentos,  elementos  de  prova  e  outros  esclarecimentos,  com  a  finalidade  de  aperfeiçoar  o  lançamento,  considera­se  como  constituído  o  crédito  tributário  na  dada  da  ciência  pelo  sujeito passivo do resultado de aludida diligência.  No  caso  em  tela  houve  realização  de  três  diligências,  sendo  certo  que  somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o  lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 69 /2 01 1- 34 Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   2 se  deu  somente  após  a  intimação  da  última  diligência  realizada  pela  fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO  DE  VÍNCULO  PACTUADO.  PESSOAS  JURÍDICAS  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  A  simples  acusação  fiscal,  estribada  na  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  consequente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita  demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não  é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a  deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I,  do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  o  qual  oferece  guarida  a  aludido procedimento,  exige  tão  somente  a demonstração  da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o  que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da  simulação,  que  poderá  ou  não  vir  a  ser  demonstrada,  não  implicando,  necessariamente,  que  um  fato  conduz  a  outro,  sem  que  ocorra  um  aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a  legislação  de  regência  gera  dúvidas  quanto  à  legitimidade  da  conduta  da  autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo­se cogitar,  inclusive, em mera interpretação equivocada da norma.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  DECADÊNCIA.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  OCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  ARTIGO  150,  §  4°,  CTN.  Em  observância  à  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  manifestada  em  sede  de  Recurso  Repetitivo,  portanto,  de  observância  obrigatória por este Colegiado, constatando­se a ocorrência de antecipação de  pagamento,  verificada  com  base  em  informações  da  própria  autoridade  lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4°,  do  Código  Tributário  Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no  bojo do voto.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando­ se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória,  onde  o  contribuinte  omitiu  informações  e/ou  documentos  solicitados  pela  fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para  a  constituição  do  crédito  previdenciário  é  de  05  (cinco)  anos  contados  do  primeiro dia do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  termos  do  173,  inciso  I,  do Código Tributário Nacional,  tendo em vista a declaração da  inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº  8.212/91,  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  nos  autos  dos RE’s  nºs  556664,  559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº  08, disciplinando a matéria.  Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 3          3 SALÁRIO  INDIRETO.  PRÊMIO.  GRATIFICAÇÃO  AJUSTADA.  INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da  CLT,  integra o  salário de contribuição,  a  totalidade dos  rendimentos pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título  aos  segurados  empregados,  objetivando  retribuir  o  trabalho,  inclusive  àqueles  recebidos  a  título  de  prêmio, na forma de gratificação ajustada.  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  DESCONSIDERAÇÃO  PERSONALIDADE  JURÍDICA  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  AUSÊNCIA  DEMONSTRAÇÃO  REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA.  IMPROCEDÊNCIA DO  LANÇAMENTO.  De acordo  com  o  artigo  229,  §  2º,  do Regulamento  da Previdência Social­ RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e  comprovada  a  efetiva  existência  dos  elementos  constituintes  da  relação  empregatícia  entre  o  suposto  “tomador  de  serviços”  e  os  “prestadores  de  serviços”,  poderá  o  Auditor  Fiscal  caracterizar  o  contribuinte  individual  como  segurado  empregado,  ou  mesmo  promover  a  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  considerando  seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.  No  caso  dos  autos,  da  análise  das  razões  da  fiscalização,  conjugada  com  a  documentação  trazida  à  colação,  não  restou  comprovada/demonstrada  a  existência dos requisitos da relação  laboral entre a autuada e os sócios e/ou  funcionários  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  que  tiveram  a  personalidade  jurídica  desconsiderada,  ou  seja,  não  ocorrendo  a  perfeita  subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento.  Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização  de  segurado  empregado,  quando  o  fisco  não  consegue  se  desincumbir  do  ônus  de  comprovar  a  ocorrência  cumulativa  da  pessoalidade,  onerosidade,  subordinação e não eventualidade.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL,  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADO  COMO  EMPREGADO.  PESSOAS  JURÍDICAS  UNIPESSOAIS  PRESTADORAS  DE  SERVIÇO.  SÓCIO.  VÍNCULO  FORMAL  DE  EMPREGO  EM  MESMO  PERÍODO  COM  A  RECORRENTE.  LANÇAMENTO DEVIDO.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social,  como  empregado,  as  pessoas  físicas que prestam serviço de natureza  urbana ou  rural  à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante  remuneração,  inclusive como diretor empregado.  No  presente  caso,  segundo  o  Fisco,  pessoas  jurídicas  prestavam  serviço  à  empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em  cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com  vínculo  empregatício  formalizado,  registro  em  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência Social (CTPS).  Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   4 Portanto,  nesse  caso,  a  relação  como  segurado  empregado  já  estava  formalizada  e  presente  na  verdade  material  dos  fatos  jurídicos,  motivo  da  negativa de provimento ao recurso, nesta questão.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTE  DE  LANÇAMENTO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  JULGADO  IMPROCEDENTE.  AUTUAÇÃO  REFLEXA.  OBSERVÂNCIA  DECISÃO.  É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência  de  informação  em  GFIP  de  fatos  geradores  lançados  em  Autuação  Fiscal,  bem  como  outros  descumprimentos  de  obrigações  acessórias,  pertinentes/vinculados  à  inobservância  da  obrigação  principal,  declarada  improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o  que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente.  NORMAS  GERAIS.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  PRINCIPAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  MULTAS.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE  JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.  Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a  lei aplica­ se  a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao  tempo da sua prática.  No  caso,  para  aplicação  da  regra  expressa  no  CTN,  deve­se  comparar  as  penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s)  pela  nova  legislação,  procedimento  já  efetuado  pelo  Fisco,  que  motiva  a  negativa de provimento ao recurso, nesta questão.  NORMAS  GERAIS.  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENÉFICA.  ATO  NÃO  DEFINITIVAMENTE  JULGADO. GFIP.  Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica­se  a ato ou fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente julgado, quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao  tempo  da sua prática.  Na  superveniência  de  legislação  que  estabeleça  novos  critérios  para  a  apuração  da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  faz­se  necessário  verificar  se  a  sistemática  atual  é mais  favorável  ao  contribuinte  que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de  provimento ao recurso, nesta questão.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DECADÊNCIA  E/OU  IMPROCEDÊNCIA  EM  PARTE.  NÃO  ACOLHIMENTO.  MULTA  FIXA.  Rejeita­se  a  preliminar  de  decadência  no  caso  de  Auto  de  Infração  cuja  existência  de  uma  única  inobservância  de  obrigação  acessória  enseja  a  manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já  tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar  a  penalidade  aplicada,  por  ser  fixa,  como  se  constata  no  caso  vertente.  Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 4          5 Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao  mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal.  EXCLUSÃO  DOS  REPRESENTANTES  LEGAIS  DA  RELAÇÃO  DE  CO­RESPONSÁVEIS   Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de co­responsáveis tem natureza  tão  simples e meramente  informativa, não comportando discussão na esfera  administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às  pessoas  ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa. (Súmula CARF 88)  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  acordam  os  membros  do  colegiado: I) Por maioria de votos: a) em considerar como data de ciência do lançamento a data  da  ciência  da  última  diligência,  20/12/2013,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em definir a  data da ciência como a data original de ciência do lançamento; b) em dar provimento parcial ao  recurso,  nas  preliminares,  nas  autuações  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial  expressa  no  I,  Art.  173  do  CTN,  as  contribuições apuradas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, nos  termos do voto  do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a  regra  expressa  no  Art.  150  do  CTN,  em  autuações  conexas  a  existência  de  obrigações  principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; c) em dar provimento ao recurso,  no mérito, nas questões de caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto  do  Relator.  Vencido  o  Conselheiro  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  que  votou  em  negar  provimento ao recurso, nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as  penalidades descritas nos autos de infração, em face de inobservância de obrigações tributárias  acessórias, decorrentes da caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto  do  Relator.  Vencido  o  Conselheiro  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  que  votou  em  negar  provimento ao recurso, nesta questão;  II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento  ao  recurso,  na  questão  do  lançamento  com  fatos  geradores  relacionados  a  pagamentos  por  cartão  premiação,  nos  termos  do  voto  do Relator;  b)  em  negar  provimento  ao  recurso,  para  manter  as  penalidades  descritas  nos  autos  de  infração,  em  relação  às  multas  referentes  aos  valores  pagos  por  cartão  premiação,  nos  termos  do  voto  do  Relator;  c)  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  a  fim de aplicar a  súmula CARF 88  (CORESP, RepLeg e Vínculos), nos  termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, nas preliminares, nos lançamentos  referentes  a  obrigações  tributárias  principais,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência  11/2008, anteriores a 12/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao  recurso, nas demais alegações da  recorrente, nos  termos do voto do Relator;  III) Por voto de  qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos pagamentos para pessoas jurídicas em que  segurados  ­  com  vínculo  de  emprego  devidamente  formalizado  com  o  sujeito  passivo,  em  períodos  idênticos  e  integrais,  segundo a  legislação  ­  eram  seus proprietários,  nos  termos do  voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira  dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento desta questão; b) em  negar  provimento  ao  Recurso,  para  manter  as  multas  aplicadas,  nas  obrigações  tributárias  Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   6 principais  e  acessórias,  nos  termos  do  voto  do  Redator.  Vencidos  os  Conselheiros  Wilson  Antonio  de  Souza Correa, Natanael Vieira  dos  Santos  e Manoel Coelho Arruda  Júnior,  que  votaram em, nas exigências de obrigações principais, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei  nº 9.430/1996, e, nas exigências de obrigações acessória referente a GFIP (debcad: 37.319.513­ 3), aplicar ao cálculo da multa por esta obrigação acessória o art. 32­A, da Lei 8.212/91, caso  sejam mais benéficas à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral Lívia Queiroz  (PGFN) e Anísio Madureira, OAB:8088/DF (sujeito passivo).  Marcelo Oliveira – Presidente e Redator  (assinado digitalmente)  Wilson Antonio de Souza Correa ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  Cleberson  Alex  Friess,  Wilson  Antonio  de  Souza  Corrêa,  Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior.   Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 5          7 Relatório  Trata­se  de  contribuições  previdenciárias  cota  patronal,  parte  de  segurados,  bem  como  as  contribuições  relativas  ao  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e  ainda  constituem  parte  do  crédito  previdenciário as contribuições sociais destinadas às outras entidades componentes do Fundo  de Previdência e Assistência Social ­ FPAS 515 (INCRA, SALÁRIO­EDUCAÇÃO, SENAC,  SESC e SEBRAE), não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e  Informações  à  Previdência  Social)  e  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  que  prestaram serviços à Recorrente.  Destacou a Fiscalização que englobam créditos previdenciários relativos a i)  pagamentos  de  remunerações  por  intermédio  de  cartões  eletrônicos  e  ii)  pagamentos  de  remunerações a segurados empregados, com a utilização de empresas.  O  sujeito  passivo  possuíaa  razão  social  de  POLITEC  TECNOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S/A,  passando,  após,  para  INDRA  BRASIL  SOLUÇÕES  E  SERVIÇOS  TECNOLÓGICOS S/A.  Na ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração de obrigações  principais:  Auto de Infração sob nº 37.319.504­4, referente as contribuições  previdenciárias patronais  incidentes  sobre  remunerações pagas  a segurados que prestaram serviços à empresa;  Auto de Infração sob nº 37.319.505­2, referente as contribuições  previdenciárias  de  segurados  incidentes  sobre  remunerações  pagas;   Auto de Infração sob nº 37.319.506­0, referente as contribuições  sociais  destinadas  a  outras  entidades  ou  fundos  e  incidentes  sobre remunerações pagas.  Referente  às  obrigações  acessórias,  foram  lavrados  os  seguintes  Autos  de  Infração:  AI 37.319.507­9 CFL 30 – Não preparar folha de pagamento de  acordo com os padrões estabelecidos;  AI  37.319.508­7  CFL  34  –  Não  lançar  em  títulos  próprios  na  contabilidade;  AI 37.319.509­5 CFL 35 – Não fornecer informações solicitadas;  AI 37.319.510­9 CFL 38 – Não apresentar documentos;  AI  37.319.511­7  CFL  59  –  Não  arrecadar  mediante  desconto  contribuições devidas pelos segurados;  Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   8 AI 37.319.512­5 CFL 22 – Apresentar  folha de pagamentos em  meio digital com omissão ou incorreção de informações;  AI  37.319.513­3  CFL  68  –  Entregar  GFIP  com  informações  omissas ou incorretas.  Quanto aos pagamentos através de remuneração indireta por meio de cartões  eletrônico, diz a Fiscalização que, dentre os documentos solicitados e apresentados destacam­ se:  i)  Folhas  de  pagamento  e  Contabilidade  em  meio  digital;  ii)  Contratos  de  prestação  de  serviços e notas fiscais da empresa INCENTIVE HOUSE S.A.; iii) arquivo digital contendo a  relação  discriminada  dos  valores  pagos,  por  segurado  e  competência,  relativos  às  notas  fiscais/faturas emitidas pela INCENTIVE HOUSE.  Analisando  a  documentação  verificou  a  Fiscalização  que  a  Recorrente  não  declarou  remunerações,  nem  recolheu  contribuições  incidentes  sobre  verbas  pagas  a  trabalhadores que lhe prestaram serviços.  Verificou­se  que  dos  contratos  celebrados  entre  a  Recorrente  e  a  INCENTIVE HOUSE, destacou a Fiscalização a seguinte Cláusula:  2. Obrigações da INCENTIVE HOUSE:  (...)   Disponibilizar  os  recursos  alocados  pela  CLIENTE,  para  pagamento dos  prêmios por ele concedidos(...).  3. Obrigações do CLIENTE:  (...)   Pagar  à  INCENTIVE  HOUSE:  (...)  os  valores  a  serem  disponibilizados nos  cartões e/ou impressos nos bônus (...)  Assim, restou cristalino para Fiscalização que caberia à Recorrente informar  os  valores  e  os  beneficiários  de  prêmios/bônus/cartões  eletrônicos,  e  caberia  à  INCENTIVE  HOUSE fornecer os cartões magnéticos com os valores requisitados pela Recorrente, chamada  no contrato de CLIENTE.  Desta forma, afigurou­se que os usuários/beneficiários/segurados empregados  eram remunerados mediante a utilização de cartões magnéticos.  A  Recorrente  foi  intimada  a  apresentar  a  relação  de  beneficiários  dos  contratos supracitados. Entretanto, essa documentação não  foi apresentada à fiscalização. Tal  fato ensejou a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigações acessórias.  Da análise dos Livros Razão, das Folhas de Pagamento e das GFIP entregues  pela Recorrente, observou­se que os valores pagos por intermédio do bônus/cartões eletrônicos  previstos  nos  contratos  celebrados  com  a  INCENTIVE HOUSE  não  constam  das  folhas  de  pagamento, nem das GFIP apresentadas pela Recorrente.   Ressalta o Relatório Fiscal que as notas fiscais/faturas emitidas pela empresa  INCENTIVE  HOUSE  foram  contabilizadas  em  diversas  contas.  Dentre  elas  destacam­se:  Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 6          9 310000254  e  311201253  –  ABONO  SALARIAL,  310305128  –  SERVICOS  PREST.P/PESSOA  JURID.;  e  210109998  ­  FORNECEDORES  DE  SERVIÇOS,  mas  a  Recorrente  não  declarou  em  GFIP  as  remunerações  mensais,  pagas  por  intermédio  da  INCENTIVE HOUSE.  Como  as  remunerações  pagas  aos  segurados  que  prestaram  serviços  à  Recorrente  são  consideradas  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  e  como  não  houve apresentação da documentação solicitada em sua totalidade, fez­se necessária a aferição  indireta  de  valores  devidos  pela  empresa  relativos  a  remunerações  pagas  por  intermédio  de  bônus/cartões eletrônicos.  Para  realizar  a  aferição  foram  considerados  os  valores  constantes  dos  Relatórios  em  anexo,  abatidos  os  valores  das  “comissões/intermediações”  pelos  serviços  prestados pela INCENTIVE HOUSE S/A.  Para  fins  de  enquadramento,  os  beneficiários  dos  cartões  eletrônicos  foram  considerados  segurados  obrigatórios  (empregados).  As  remunerações  aferidas  levam  em  consideração as datas de emissão das notas fiscais emitidas pela INCENTIVE HOUSE.  QUANTO  AS  REMUNERAÇÕES  ATRAVÉS  DE  PESSOAS  JURÍDICAS, dentre os documentos requeridos as  i)  folha de pagamento e contabilidade em  meio  digital;  ii)  contrato  social  e  alterações;  iii)  regulamento  de  benefícios  concedidos  aos  trabalhadores;  iv)  relação de pagamentos  efetuados  a  fornecedores  em meio digital;  v) notas  fiscais  e;  vi)  contratos  celebrados  com  pessoas  físicas  e  jurídicas,  diz  a  Fiscalização  que  a  Recorrente  simulou  contratos,  com  empresas  de  empregados  e  com  “Pessoas  Jurídicas”,  no  intuito de burlar as legislações trabalhista, previdenciária e tributária.  Analisando os vários documentos obtidos durante a fiscalização e também da  documentação  apresentada  pela  Recorrente  e  por  empresas  diligenciadas,  verificou  a  Fiscalização que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre  fatos geradores relacionados a remunerações pagas a trabalhadores, por pessoas jurídicas.   Registra  ainda  à Fiscalização  que  a Recorrente  causou  embaraço  à  ação  da  fiscalização ao  tentar  impedir  a correta verificação dos  tributos devidos pela  empresa,  sendo  necessário,  face ao não atendimento de parte das solicitações da  fiscalização, a  realização de  diligências, efetuadas junto à Justiça do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho e junto a  diversas pessoas jurídicas e físicas.  Acusa a Fiscalização que a Recorrente efetuou: 1) a criação de empresas; 2)  simulação de negócios e contratos; 3) participou da criação do INSTITUTO OMNIS, entidade  isenta que foi utilizada para contratar trabalhadores por intermédio de empresas desses mesmos  trabalhadores (PJ unipessoais); 4) deu guarida para a criação da TELECOOP, cooperativa que  foi  utilizada  para  intermediar mão  de  obra  que  prestava  serviços  à Recorrente;  5)  utilizou  a  CORPSERVICE,  outra  cooperativa,  para  também  remunerar  trabalhadores;  6)  contratou  a  empresa  VERTICE/MI  MANAGEMENT  para  servir  como  uma  mera  pagadora  de  remunerações  a  trabalhadores;  7)  utilizou  uma  empresa  que  incorporou,  a  POLICS,  para  também  efetuar  pagamentos  a  trabalhadores;  8)  criou  sistemas  para  controlar  trabalhadores  equivocadamente enquadrados sob a forma de “cooperados” ou de “Pessoas Jurídicas”; dentre  outros.  Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   10 Da  criação  da  TELECOOP,  diz  a  Fiscalização  que  em  diversos  depoimentos  e  reclamatórias  trabalhistas,  trabalhadores  alegam  que  foram  contratados  para  prestar  serviços  à  Recorrente  por  intermédio  de  cooperativas,  dentre  elas,  a  TELECOOP  –  COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE TELEMÁTICA.  Diz  que  muitos  documentos  trabalhistas  demonstram  que  a  Justiça  do  Trabalho  também  reconheceu  que  a  Recorrente  mascarava  relações  de  emprego  com  a  utilização de contratos firmados com cooperativas.  Alega a Fiscalização que a Recorrente deu guarida à criação da TELECOOP.  A Assembleia Geral de Constituição dessa cooperativa ocorreu nas instalações da Recorrente,  empresa  cujos  sócios  eram  idênticos  aos  da  POLITEC  e  aos  da  POLITEC  INCORPORADORA LTDA.  Dos  documentos  demonstraram  ainda  que  a  TELECOOP  funcionou  no  mesmo  endereço  da  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  e  da  POLITEC  INCORPORADORA  LTDA.,  num  imóvel  que  pertencia  à  POLITEC.  Dados  das  DIPJ  (Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica)  de  diversos  anos,  de  cartões  de  CNPJ,  de  Atas  da  TELECOOP,  de  matrículas  de  imóveis  e  do  Boletim  de  Subscrição, constantes desses anexos, confirmam tal informação.  Impende  salientar  que,  conforme  informações  constantes  de  sistemas  da  Previdência Social e da RFB, membros  fundadores da TELECOOP eram empregados ou ex­ empregados da POLITEC.  Ressalta­se que o Grupo POLITEC foi responsável por cerca de 90% de toda  a receita da TELECOOP no período de 2000 a 2008. Destaca­se ainda que a cooperativa em  comento declarou ausência de movimento em suas atividades nas GFIP (Guia de Recolhimento  do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social) que apresentou a partir de meados  de 2007, logo após o encerramento de sua prestação de serviços para a POLITEC.   Conforme  documentos  anexos,  o  contrato  celebrado  entre  a  POLITEC  e  a  TELECOOP  foi  rescindido  oficialmente  em  12/2006,  embora  essa  cooperativa  ainda  tenha  apresentado receita de serviços prestados à POLITEC no ano de 2007.   Cumpre  salientar  ainda  que,  da  análise  das  informações  constantes  dos  sistemas da Previdência Social e da RFB, a POLITEC consta como responsável pelo envio das  informações relacionadas às GFIP da TELECOOP.  De acordo com a documentação entregue pela TELECOOP, observa­se que,  no  período  objeto  da  fiscalização,  mais  de  550  trabalhadores  prestaram  serviços  mensais  à  POLITEC por intermédio da TELECOOP.  As  evidências,  diz  a  Fiscalização,  demonstram  que  o  Grupo  POLITEC  auxiliou na  criação da TELECOOP,  ao dar guarida para  suas  atividades,  e  indicam que esta  cooperativa  foi  criada  com  o  intuito  de  prestar  serviços  à  própria  POLITEC.  Desse  modo,  consoante  o  disposto  em  diversas  reclamatórias  trabalhistas,  a  POLITEC,  por  intermédio  da  TELECOOP,  mascarava  relações  de  emprego  e  se  eximia  do  correto  cumprimento  de  obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias.  Com  a  CORPSERVICE,  para  ocultar  vínculos  empregatícios,  diz  a  Fiscalização  que  da  análise  da  documentação  obtida  foi  possível  verificar  que  a  POLITEC  buscou  mascarar  relações  de  emprego  mediante  a  celebração  de  contrato  com  outra  cooperativa, a CORPSERVICE – COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA.  Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 7          11 A  documentação  constante  da  ação  civil  pública  impetrada  pelo  MINISTÉRIO  PÚBLICO  DO  TRABALHO  DA  10ª  REGIÃO  descreve  minuciosamente  ilegalidades  e  fraudes  perpetradas  pela  POLITEC  com  a  utilização  da  TELECOOP  e  da  CORPSERVICE.  Da  análise  da  documentação  entregue  pela  POLITEC  à  fiscalização  e  dos  documentos,  percebe­se  que  a  POLITEC  subcontratou  a  CORPSERVICE  para  executar  serviços de digitalização de documentos pertinentes  ao  contrato  celebrado entre o Consórcio  DIGIWARE,  do  qual  a  POLITEC  constava  como  empresa  líder,  e  o  TRIBUNAL  DE  JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS – TJDFT. O  tipo de  serviço objeto  deste contrato pressupunha a existência de vínculo empregatício.  Veja o que reza o contrato:  Cláusula Quarta – Das Obrigações do Contratado (...)  (...)  II – Responsabilizar­se integralmente pelos serviços contratados  (...)  executando­os sob sua inteira e exclusiva responsabilidade.  (...)  6.4  –  O  deslocamento  dos  empregados  para  o  local  de  realização  dos  serviços  será  de  inteira  responsabilidade  do  CONTRATADO.  O  contrato  em  comento  previa  horários  para  execução  dos  serviços  e  o  TJDFT informou que havia um Gerente da POLITEC responsável pela execução dos trabalhos  junto  ao  TJDF,  implicando  assim  em  trabalhos  sob  subordinação  e  com  controle  de  horas  indicam  pessoalidade,  subordinação  e  relação  de  emprego,  diferentemente  com  a  relação  de  trabalho cooperado.  Desta  forma,  além de demonstrar o vínculo de  emprego, há  também de  ser  dito que a Recorrente gerenciou a contratação de mão de obra relativa a esse contrato.  A  Fiscalização  reúne  alguns  trechos  de  depoimentos  de  cooperados/empregados, para comprovar o que já dizia o contrato, segundo ela.  Juntou Acórdão e Sentença trabalhista onde foi movida contra a cooperativa  em tela, onde segundo a decisão ela comercializava mão de obra de forma ilegal e, por isso, foi  condenada a se abster de contratar ou fornecer trabalhadores.  A  fiscalização  também  apurou  a  existência  de  trabalhadores  que  prestaram  serviços para a TELECOOP e, posteriormente, passaram a prestar serviços à CORPSERVICE.  Tais  fatos  indicam  que  as  ingerências  da  POLITEC  na  TELECOOP  se  estenderam  a  trabalhadores  que  foram  contratados  para  prestar  serviços  à  POLITEC  por  intermédio  da  CORPSERVICE.  DA CRIAÇÃO DO  INSTITUTO OMNIS E DE SUA RELAÇÃO COM A  POLITEC  E  COM A  TELECOOP  é  possível  de  se  ver,  segundo  a  Fiscalização,  conforme  Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   12 documentação, o  INSTITUTO OMNIS, após  reunião  realizada nas  instalações da POLITEC,  foi  criado  em  08/2004  por  seus  membros  fundadores:  a  POLITEC  LTDA.,  a  POLIMED  LTDA. e a RAA PROCESSAMENTO DE DADOS.  Cumpre  observar  que  a  POLITEC  e  a  POLIMED  possuíam  os  mesmos  sócios (Carlos Alberto Barros de Castro, Hélio Santos Oliveira e Newton Carlos de Alarcão) e  que a RAA PROCESSAMENTO DE DADOS possuía como sócios Rafael Freire de Alarcão e  Alexandre Freire de Alarcão, parentes do Sr. Newton Carlos de Alarcão. Mister dizer ainda que  o Sr. Alexandre Freire de Alarcão, conforme documentos também trabalhava para a POLITEC.  Salienta  a  Fiscalização  que  sócios  da  POLITEC  foram  designados  para  os  cargos de Presidente e Vice­Presidente do Conselho de Administração e para o Conselho Fiscal  do instituto em comento.  Dos documentos, diz a Fiscalização que eles também revelam que, no ano de  2005, os membros  fundadores do  INSTITUTO OMNIS  indicaram o Sr.  Irani Dutra Siqueira  para  ser  Diretor  Geral  e  Presidente  do  Conselho  de  Administração,  o  Sr.  Denis  Dutra  para  Diretor de Negócios/Marketing e Diretor de Pesquisa/Desenvolvimento e o Sr. José Eugênio de  Carvalho  para  o  cargo  de  Vice­Presidente  do  Conselho  de  Administração,  sendo  que  este  último  participou  da  Fundação  da  TELECOOP,  atuou  como  Diretor  Comercial  dessa  cooperativa desde sua criação e também assina como testemunha do contrato de prestação de  serviços celebrado entre a POLITEC e a CORPSERVICE.  Revela  a  Fiscalização  que  outro  membro  fundador  da  TELECOOP,  o  Sr.  Elmo  de  Deus  Prado,  atuou  como  Diretor  Administrativo/Financeiro  dessa  cooperativa  e,  igualmente,  ex­funcionário  da  POLITEC,  também  passou  a  ocupar  cargos  importantes  no  INSTITUTO OMINIS, no qual foi designado para o cargo de Gerente Administrativo.  Há  também  o  fato  de  os  Srs.  Irani  Dutra  Siqueira  e  Denis  Dutra  assinam  como  testemunhas  da  constituição  da  POLICS  GESTÃO  E  TECNOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO, empresa constituída e incorporada pelo grupo POLITEC.  Para  a  Fiscalização,  as  ingerências  da  POLITEC  no  INSTITUTO OMINIS  também  podem  ser  verificadas  mediante  análise  dos  Estatutos  e  de  documentos,  onde,  consoante  o  disposto  nesses  documentos,  o  Conselho  de  Administração  do  INSTITUTO  OMINIS,  formado  pelo  Presidente  e  Vice­  Presidente,  deveria  ser  “formado  por  pessoas  físicas,  indicadas,  exclusivamente,  pelos  sócios  Fundadores  e  aprovados  pela  Assembléia  Geral”. Tais documentos também demonstram que o Sr. Hiraclis Nicolaidis Junior, que estava  investido no cargo de Diretor de Tecnologia da POLITEC em períodos objeto da fiscalização,  também desempenhava,  concomitantemente,  funções  de  relevo  no  INSTITUTO OMNIS,  eis  que  foi Membro do Conselho Técnico Científico no período de 2005 a 2008 e,  em 2009,  se  tornou Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento.  Vale mencionar que, embora conste nos referidos estatutos que “os membros  do Conselho de Administração não perceberão qualquer remuneração do INSTITUTO OMNIS  por  suas  atividades  e  atribuições”,  verificou­se,  mediante  análise  da  documentação,  que  o  Grupo POLITEC  remunerava  o  presidente  desse  instituto,  o Sr.  Irani Dutra  de Siqueira,  por  intermédio  da  empresa  que  este  abriu  em  seu  nome  no mesmo mês  no  qual  o  INSTITUTO  OMNIS foi criado, a I S CONSULTORIA & TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO  Cumpre notar que nenhum trabalhador, além do próprio Irani Dutra Siqueira,  prestou serviços à I S CONSULTORIA no período de 2004 a 2008. Ademais, desde a criação  da I S CONSULTORIA & TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO até o ano de 2008,  todas as  Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 8          13 notas fiscais desta empresa tinham como destinatário o Grupo POLITEC. De 2004 a agosto de  2006,  as  notas  fiscais  mensais  e  sequenciais  tinham  como  destinatário  a  POLITEC  e,  de  setembro  de  2006  a  2008,  as  notas  fiscais  tinham  como  destinatário  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES, empresa também pertencente ao Grupo POLITEC.  Para a Fiscalização houve agressão ao que dispõe a Lei nº 9.532/1997, pois as  entidades isentas constituídas sob a forma de associação civil, caso do INSTITUTO OMNIS,  não devem remunerar seus dirigentes. Nesse contexto, os fatos apurados durante a fiscalização  indicam  que  o  grupo  POLITEC  e  o  instituto  em  questão  buscaram  fraudar  o  disposto  no  normativo retro mencionado para se beneficiar de isenções tributárias.  Destaca a Fiscalização que o  INSTITUTO OMNIS  informou à Fiscalização  que mais  de 390  empresas  prestaram  serviços  à POLITEC por  intermédio  desse  instituto  no  período  de  01/2006  a  10/2008  e  que  não  dispunha  “dos  registros  dos  profissionais  que  prestaram serviços no contrato celebrado entre a Politec e o Instituto. E, neste sentido, destaca  a Fiscalização que constatou que eram empresas unipessoais.  Finalizando,  a  Fiscalização  diz  que  o  contrato  de  prestação  de  serviços  celebrado  entre  este  instituto  e  a  POLITEC  previa  o  pagamento  por  hora  efetivamente  trabalhada e também previa que o INSTITUTO OMNIS apresentasse mensalmente a relação de  profissionais que haviam prestado serviços à POLITEC, razão pela qual deveria o instituto em  tela ter a relação desses profissionais.  Assim,  conclui  a  Fiscalização  que  o  INSTITUTO  OMNIS  foi  criado  e  utilizado  pelo  Grupo  POLITEC  para  atuar  como  um mero  intermediador  no  pagamento  de  serviços  prestados  por  trabalhadores  à  POLITEC  e  para  fazer  com  que  a  POLITEC  se  beneficiasse das isenções tributárias deste instituto, que se auto intitula uma entidade sem fins  lucrativos, mas que aufere uma receita volumosa advinda, em tese, da prestação de serviços de  desenvolvimento de sistemas.  Diz  ainda  a  Fiscalização  que  houve  a  UTILIZAÇÃO  DA  VÉRTICE/  MI  MANAGEMENT PARA MASCARAR RELAÇÕES EMPREGATÍCIAS, eis que, a partir de  novembro de 2007 esta  associação passou a denominar­se VÉRTICE ­ SOCIEDADE CIVIL  DE PROFISSIONAIS ASSOCIADOS com o mesmo CNPJ, que goza de isenções tributárias e  é cadastrada no Ministério da Justiça como uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de  Interesse Público.  Continua a Fiscalização, a VÉRTICE/MI é uma associação que atuava como  intermediária  no  pagamento  de  serviços  prestados  e  embora  arrecadava  milhões,  tem  um  escritório modesto e com poucos empregados.  Ressalta  a  Fiscalização  que  os  profissionais  que  prestaram  serviços  à  POLITEC por intermédio da VÉRTICE/MI não foram declarados em GFIP, nem em DIRF por  nenhuma dessas duas empresas.  De acordo com a documentação entregue pela VERTICE, há de ser visto que  no  período  objeto  da  fiscalização,  mais  de  100  trabalhadores  prestaram  serviços  mensais  à  POLITEC por intermédio da VÉRTICE/MI.  Conclui  a  Fiscalização  que  diante  do  contrato  celebrado  entre  a  POLITEC  (CONTRATANTE)  e  a  VERTICE/MI  (CONTRATADA)  previa  a  prestação  de  serviços  de  Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   14 Consultoria  em  Tecnologia  da  Informação  e  desenvolvimento  de  sistemas.  Ora,  se  a  VERTICE/MI possuía uma diminuta estrutura numa pequena sala comercial com no máximo  três empregados declarados por mês em GFIP no período em comento e prestou serviços de  milhões de reais para a POLITEC, resta claro que essa OSCIP funcionava como intermediária  no pagamento de serviços prestados por trabalhadores que laboravam para a POLITEC.  O contrato supracitado previa a apresentação de Ordens de Fornecimento de  Serviços.  A  VERTICE/MI  foi  devidamente  intimada  a  apresentar  essas  Ordens  de  Fornecimento dos Serviços e os Relatórios de Atividades relacionados às notas fiscais emitidas  e, entretanto, não os apresentou. As evidências obtidas no decorrer da fiscalização e descritas  neste  relatório  indicam  que  quem  detinha  o  controle  das  atividades  realizadas  e  das  horas  trabalhadas era a POLITEC.  Cumpre observar que, conforme disposto nos documentos anexos (AN1FISC  28, AN1DPJ 21  e  22),  a VERTICE  informou os  valores  pagos mensalmente  a  cada um  dos  trabalhadores  que  estavam  lotados  na  POLITEC.  As  notas  fiscais  emitidas  pela  VERTICE  destinadas  à  POLITEC  (AN1DPJ  23)  também  discriminam  trabalhadores  que  prestaram  serviços  mensais  à  POLITEC.  Cabe  ressaltar  que  tais  notas  fiscais  eram  emitidas  por  trabalhador  que  prestava  serviço  à  POLITEC,  o  que  realça  o  aspecto  relacionado  à  pessoalidade na prestação desses serviços.  Nesse  contexto,  conclui  a  Fiscalização  que  a  POLITEC  pagava  seus  trabalhadores  por  intermédio  da  VERTICE/MI.  A VERTICE/MI MANAGEMENT  figurava  como mera intermediadora no pagamento de serviços prestados por trabalhadores à POLITEC.  Assim, restou para Fiscalização comprovado a relação contratual de trabalho  entre a Politec e os trabalhadores.  Outra empresa foi criada, segundo a Fiscalização, com vinculo à Politec, ou  seja, a POLICS GESTÃO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, que  tinha como sócios as  empresas  a)  POLITEC PARTICIPAÇÕES  (sendo os mesmos  sócios  da Politec)  ;  b)  FAMA  CONSULTORIA EM TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA., e ; c) e ALEX KOHLITZ  INTERNATIONAL CONSULTORIA EM TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA.  Além de os  sócios da Politec Participações serem os mesmos da Politec, as  outras duas empresas, sócias da Polics, foram criadas no mês anterior à criação da Polics.  O proprietário da FAMA CONSULTORIA era o  senhor Flávio Augusto de  Maia, trabalhador que foi empregado da POLITEC de 01/2006 a 08/2007 e se tornou diretor da  POLITEC  também  em  2008. No  ato  de  constituição  da  POLICS  figuram  como  diretores  os  sócios  de  cada  uma  dessas  empresas:  Newton  Carlos  de  Alarcão,  Carlos  Alberto  Barros  de  Castro, Hélio santos Oliveira, Alexander Wilhelm Albert Schmitz Kohlitz e Flávio Augusto de  Maia;  e  como  testemunhas:  Irani  Dutra  Siqueira  e  Denis  Dutra,  diretores  do  INSTITUTO  OMNIS.  Em janeiro de 2008, somente a Politec Participações e a Politec passaram a  serem sócias da Polics, que foi incorporada pela Politec em 2009. Mas, a fiscalização, através  da documentação dos autos e dos sistemas da RFB e da Previdência Social, afirma que que a  POLITEC já havia começado a utilizar a POLICS como mera intermediária no pagamento de  trabalhadores antes de sua incorporação.  Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 9          15 A  Fiscalização  constatou  ainda  que  a  Recorrente  efetuou  pagamento  a  diretores seus e de seu vice­presidente, através de empresas destes, sendo que estas empresas  tinham como funcionários somente estes.  E mais  que  isto,  segundo  a  Fiscalização,  no  caso  do  vice­presidente,  o  Sr.  Flavio Marques  somente  figura  formalmente  como Vice­Presidente  da POLITEC a  partir  de  04/2007, mas já exercia cargos de importância na POLITEC em anos anteriores, porquanto já  assinava como Vice­Presidente desta empresa no ano de 2006 e, em 2002, já tinha o poder de  autorizar a contratação de trabalhadores.   Ademais,  a  Fiscalização  observou  que  na  empresa  do  Srº  Flávio  há  notas  fiscais sequenciais emitidas a favor da Recorrente, e considerando que o mesmo já trabalhava  para a POLITEC, não haveria razão para esta empresa lhe pagar remunerações complementares  por  intermédio  da  empresa  desse  trabalhador.  Tais  fatos  indicam  que  a  SPIRIT  INFORMÁTICA foi utilizada para efetuar pagamentos não declarados em GFIP ao Sr. Flávio  Marques. Desse modo,  a POLITEC  também se  esquivava de  suas obrigações,  não declarava  corretamente tributos devidos e mascarava relações trabalhistas.  A  empresa  Ramos  de  Camargo  Consultoria  SC  Ltda.,  tinha  como  sócio  administrador  o  Senhor  Leonardo  Ramos  de  Camargo,  empregado  da  Politec  na  função  de  Consultor e exerceu atividades relativas a Gerente de Área e a Analista de Sistemas nos anos  2006 e 2007.  Esta  empresa  também  celebrou  contrato  de  prestação  de  serviço  com  a  Politec,  sem  justificativa,  eis  que  Sr.  Leonardo  Ramos  de  Camargo  já  era  subordinado  à  POLITEC  por  intermédio  de  seu  contrato  de  trabalho  e  não  havia  necessidade  de  esse  empregado  prestar  serviços  a  seu  próprio  empregador  por  intermédio  de  uma  empresa  interposta, cujo responsável era esse mesmo trabalhador.  Foram  realizadas  várias  outras  diligências  a  empresas  de  vários  outros  empregados,  cujos  quais  constituíram  empresas  para  prestar  serviços  à  Politec,  levando  a  Fiscalização concluir que estas empresas eram somente de faixadas, para contribuir com a ação  fraudulenta da Recorrente.  Analisando  as  NOTAS  FISCAIS,  a  FOLHA  DE  PAGAMENTOS,  a  CONTABILIDADE  e  os  CONTRATOS  DE  EMPRESAS  DE  TRABALHADORES  QUE  PRESTARAM SERVIÇOS À POLITEC, verificou a Fiscalização que as firmas de empregados  dessa empresa emitiram notas fiscais mensais e sequenciais para a própria POLITEC.  Verificou  ainda  que  várias  destas  empresas  possuíam  o  mesmo  endereço,  numa localidade no interior, onde um destes ‘funcionários/prestadores de serviços”, informou  que  abriu  a  firma porque  foi  obrigado  pela Politec,  e  naquela  localidade  ficava mais  barato,  onde um contador realizou todo o serviço de regularização de maneira mais pratica e cômoda.  Há  diversas  outras  empresas,  sediadas  em  várias  partes  do  país,  também  unipessoais, que emitiram notas fiscais mensais e seqüenciais para a POLITEC e que também  estavam  situadas  num  mesmo  endereço.  A  título  de  ilustração,  informa  algumas  dessas  localidades.  Desta  forma,  constatou a Fiscalização que houve a comprovação da  fraude,  eis  que:  i)  Elaborava  folha  de  pagamentos  para  “Pessoas  Jurídicas”;  ii)  considerava  que  Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   16 pagamentos  efetuados  a  “Pessoas  Jurídicas”  eram, de  fato,  remunerações/salários;  ii) Pagava  diretamente Pessoas Jurídicas que “em tese” estavam vinculadas ao INSTITUTO OMINIS; iv)  Pagava remunerações de empresas “quarteirizadas” e também de outras empresas constituídas  sob a forma de “Pessoas Jurídicas”.   A  Fiscalização  observou  também  que  a  Recorrente  não  diferenciava  o  tratamento usual e contábil entre pessoas jurídicas, cooperados e empregados, reservando a eles  o mesmo tratamento. E, neste caminho, de forma indiscriminada disponibilizava PLANOS DE  SAÚDE,  PLANOS  ODONTOLÓGICOS,  SEGUROS  DE  VIDA,  PROGRAMAS  DE  PARTICIPAÇÃO  NOS  RESULTADOS,  DENTRE  OUTROS  BENEFÍCIOS  A  “PESSOAS  JURÍDICAS” E “COOPERADOS”, como se empregados fossem.  Verificou  a  Fiscalização  que,  independentemente  de  ser  empregado,  pessoa  jurídica,  unipessoal  ou  cooperado  a  Fiscalizava  o  horário  de  trabalho  destes  profissionais,  remetendo a subordinação e a pessoalidade, além da dependência financeira.  Juntou a Fiscalização termo de compromisso firmado pela POLITEC com a  seção  de  fiscalização  do  trabalho,  da  superintendência  regional  do  trabalho  e  emprego,  no  Estado  de  São  Paulo,  onde,  em  tese,  a  POLITEC  reconheceu  a  contratação  irregular  de  trabalhadores, e essas evidências também comprovam a existência de fraude e simulação nos  negócios celebrados entre a POLITEC e trabalhadores que lhes prestavam serviços.  Segundo  a  Fiscalização,  representando  a  Seguridade  Social,  parte  previdenciária,  a  Fiscalização  do  trabalho,  em  várias  oportunidades  reconheceu  a  fraude  trabalhista e juntou documentos para provar o que alega. E neles demonstra que a Fiscalização  do trabalho no estado de São Paulo constatou a existência de mais de 670 empresas unipessoais  que  prestavam  serviços  à POLITEC  e  discriminou  os  empregados  que  prestavam  serviços  à  POLITEC e suas respectivas empresas, que eram utilizadas para mascarar a verdadeira relação  de emprego entre esses trabalhadores e a POLITEC.   No Relatório  Fiscal  a  Fiscalização menciona  o  termo  de  ajuste  de  conduta  celebrado entre a Recorrente e o Ministério Público do Trabalho da 10a Região corroborando a  irregularidade trabalhista da Recorrente.  Traz,  também  depoimentos  trabalhistas  que  demonstram  o  tudo  antes  alegado, e, por fim diz que a própria Recorrente reconhece perante o Judiciário estas fraudes.  Para  fiscalização  houve  ainda  a  simulação  de  negócio  jurídico  com  fim  de  obter vantagem para sí, fraudando a legislação trabalhista e previdenciária.  Diante  da  ação  realizada  pela  Recorrente  aplicou  as  obrigações  acessórias  impostas por lei e fez a relação de co­responsáveis.  Em 20 de junho de 2011 tomou ciência do lançamento e no dia 19 de julho de  2011 aviou sua impugnação, com suas razões.  Diante  da  afirmação  da  Recorrente  que  a  fiscalização  anexou  um  grande  volume de peças aos autos, bem como o trabalho fiscal demorou mais de 15 (quinze) meses, o  que demonstrou que o prazo de 30 dias para a defesa  era  insuficiente para  se obter  todos os  elementos  para  a  impugnação,  bem  como  da  necessidade  de  diligenciar  junto  a  várias  empresas,  repartições  e  pessoas  em  relação  a  dados  constantes  do  processo  fiscal  para  confirmar  a  existência  dos  fatos  apontados,  e  em  respeito  a  verdade  material,  a  Unidade  Preparadora baixou em diligência para o fim de o Auditor Fiscal autuante as analise e apresente  Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 10          17 parecer conclusivo quanto à procedência das alegações; e, caso fosse necessária a alteração do  crédito lançado, efetuasse a devida planilha de retificação, dando vista, após, ao Recorrente.  O processo,  após  a diligência determinada  retornou a Unidade Preparadora,  cuja qual julgou necessidade de novos esclarecimentos, o que repetiu por mais três vezes.  Após  a  realização  de  cada  diligência,  era  intimado  a  Recorrente  oportunizando a interposição de nova impugnação, até que em 15 de abril de 2014 foi exarada  decisão de piso, julgando procedente em parte o lançamento, excluindo os valores descontados  dos segurados (DEBCAD 37.319.505­2).  Em 23 de maio de 2014 tomou conhecimento da decisão de piso e no dia 24  de  junho  do mesmo  ano  aviou  o  presente  remédio  recursivo,  agora  com  nova  denominação  social, sendo Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, onde sustenta:   i.  Tempestividade;  ii.  Resume a Lide;  iii.  Descreve o seu RO;  iv.  Sintetiza a decisão recorrida;  v.  Fala da procedência parcial da defesa;  vi.  Descreve os demais autos de infração, remanescentes, cujos quais não  foram superados na decisão singular;  vii.  Tece considerações sobre si;  viii.  Diz que  sempre  teve um grande número de  empregados  contratados  pelo regime celetista;  ix.  Que contratava pj’s para prestarem serviços em instituições e órgãos,  cujos quais haviam contratados celebrados;  x.  Que com estas pj’s não havia relação de vínculo empregatício;  xi.  Diz  que  sua  tributação  é  pelo  faturamento,  razão  pela  qual  o  lançamento perdeu o sentido, eis que este procedimento não altera os  pagamentos de tributos;  xii.  Alega  que  ao  pj’s  a  prestarem­lhes  serviços  possuíam  ‘know  how’  especializado, tornando­os pessoas diferenciadas;  xiii.  Que os fatos alegados pela fiscalização são distorcidos da realidade e  que implicam em lançamento indevido;  xiv.  Que o Relatório Fiscal, em que pese o zelo na confecção não possui  elementos suficientes assazes que os sutenta;  xv.  Que acudiu todas as exigências da Fiscalização;  Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   18 xvi.  Que a verdade material se atém no processo, ou seja, que só existe no  mundo jurídico aquilo que está no processo;  xvii.  A permissão do trabalho terceirizado por pessoa jurídica;  xviii.  Que inexiste a burla à  legislação trabalhista e previdenciária descrita  pela fiscalização;  xix.  Arbitramento  –  presunção  de  base  de  cálculo  x  presunção  de  fato  gerador – Impossibilidade;  xx.  Diz  que  a  base  das  autuações  das  Obrigações  Principais  tiveram  a  mesma origem,  ou  seja,  os  pagamentos  à  pessoas  jurídicas  como  se  fossem empregados;  xxi.  Que a DRJ mandou proceder três diligências à Fiscalização com o fito  de viabilizar o lançamento;  xxii.  A Decadência em razão da diligência fiscal – decadência do auto de  infração;  xxiii.  Da falta de demonstração do vínculo de emprego;  xxiv.  Afronta a sentença judicial;  xxv.  A força da sentença trabalhista;  xxvi.  Vínculo empregatício é condição necessária para a tributação;  xxvii.  Da competência do Auditor e da Justiça do Trabalho;  xxviii.  Das Ações trabalhistas e da competência da Justiça do trabalho;  xxix.  A força da arbitragem;  xxx.  Das pessoas que nunca prestaram serviços para Recorrente;  xxxi.  A não desconsideração das pessoas jurídicas;  xxxii.  Os contribuintes individuais;  xxxiii.  A Súmula 331 do TST;  xxxiv.  As contradições do procedimento fiscal;  xxxv.  A impugnação das matérias do Relatório Fiscal;  xxxvi.  O Cartão Incentive House;  xxxvii. As supostas empresas interpostas;  xxxviii.  O suposto esquema de intermediação de mão de obra;  xxxix.  Da Telecoop;  Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 11          19 xl.  Da Cooperserv;  xli.  Do Instituto Omnis;  xlii.  Dos documentos sobre o Instituto Omnis;  xliii.  Vértice/MIManagement nas relações empregatícias;  xliv.  Das diligências na Vértice/MI;  xlv.  Da Polics;  xlvi.  Do pagamento dos Diretores;  xlvii.  Do pagamento de um vice presidente;  xlviii.  Da diligência na empresa de um dos gerentes;  xlix.  Das diligências as empresas que prestaram serviço à Politec;  l.  A suposta conversão de empregados em empresas;  li.  Dos contratos com os empregados;  lii.  A Fiscalização do Trabalho;  liii.  A nota Fiscal de empregados;  liv.  As pessoas jurídicas situadas no mesmo estabelecimento;  lv.  Os lançamentos contábeis;  lvi.  A  suposta  igualdade  entre  celetista  e  pessoas  jurídicas  e  o  termo  colaboradores;  lvii.  Os supostos benefícios;  lviii.  O controle de horas e de atividades;  lix.  O controle de emissão de notas fiscais;  lx.  O supostos relatórios de atividades;  lxi.  Os documentos da suposta simulação;  lxii.  Os contratos com tomadores de serviços;  lxiii.  O termo de compromisso com a fiscalização – DRT;  lxiv.  A suposta constatação de fraude pela DRT;  lxv.  O acordo com o MPT;  Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   20 lxvi.  Não houve simulação com interpostas pessoas;  lxvii.  Não houve reconhecimento pela Politec;  lxviii.  Não houve embaraço à fiscalização;  lxix.  Da aferição indireta;  lxx.   Da conclusão fiscal;  lxxi.  A base de cálculo do lançamento;  lxxii.  A multa de mora e de ofício;  lxxiii.  Da revogação da multa de mora;  lxxiv.  Da multa de mora (artigo 35) e multa de lançamento de ofício (artigo  35­A);  lxxv.  Auto de Infração – AIOA 37.310.507­9;  lxxvi.  Auto de Infração – AIOA 37.310.509­5;  lxxvii.  Auto de Infração – AIOA 37.310.510­9;  lxxviii. Auto de Infração – AIOA 37.310.511­7;  lxxix.  Dispositivo legal da multa aplicada;  lxxx.  Auto de Infração – AIOA 37.310.512­5;  lxxxi.  Auto de Infração – AIOA 37.310.513­3;  lxxxii.  Dispositivo da multa aplicada;  lxxxiii. Dispositivos legais da gradação da multa aplicada;  lxxxiv. Fundamentos comuns dos AIOA’s;  lxxxv.  O lançamento decorrente;  lxxxvi. Os outros AIOA’s;  lxxxvii.  Fatos decorrentes do mesmo procedimento fiscal;  lxxxviii.  O  lançamento  principal  foi  extraído  da  contabilidade  da  Recorrente;  lxxxix. A infração continuada;  xc.  A tributação de responsabilidade solidária dos sócios/acionistas;  Cientificada  do  Recurso  Voluntário,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  apresentou  contrarrazões,  às  fls.  1.560/1.604,  corroborando  as  razões  de  fato  e  de  direito  da  pretensão  fiscal,  na  forma  inscrita  no  Relatório  Fiscal,  procurando,  ainda,  rechaçar  as  argumentações da contribuinte.  Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 12          21 É a síntese do necessário.   Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   22 Voto Vencido  Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator.  O  presente  Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  acode  as  demais  exigências  processuais, razão pela qual dele conheço.  Passo análise das suas razões.  Conforme  se  extrai  dos  autos,  em  face  da  contribuinte  foram  lavrados  lançamentos  fiscais,  pertinentes  ao  descumprimento  de  obrigações  acessórias  e  principais,  referentes  às  contribuições  sociais  devidas  pela  empresa  ao  INSS,  incidentes  sobre  a  remuneração dos segurados empregados, assim caracterizados os sócios e demais funcionários  das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica  fora desconsiderada pela fiscalização, bem como sobre valores pagos por intermédio de cartões  a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/2006 a 10/2008, conforme Relatório  Fiscal,  às  fls.  204/318,  consubstanciados  nos  seguintes  Autos  de  Infração  e  respectivos  levantamentos:  1)  AIOP  n°  37.319.504­4  –  Contribuições  Sociais  relativas  à  parte  da  empresa  e  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho;  2) AIOP n° 37.319.505­2  ­ Contribuições Sociais  concernentes  à parte dos  segurados;  3) AIOP n° 37.319.506­0 – Contribuições Sociais relativas à parte destinada  a Terceiros;  4) AIOC  n°  37.319.507­9  – Auto  de  Infração  Código  30  –  lavrado  nos  termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS,  por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os  segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, deixando  de incluir as remunerações dos segurados empregados (salário indireto – prêmio de incentivo),  ensejando  a  aplicação  da  multa  com  fulcro  nos  artigos  283,  inciso  I,  alínea  “a”,  e  373,  do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99;  5) AIOAC n° 37.319.508­7 – Auto de Infração Código 34 –  lavrado com  fulcro no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II e §§ 13 a 17, do RPS,  por  ter  deixado  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  ensejando  a  aplicação da multa nos termos dos artigos 283, inciso II, alínea “a”, e 373, do Regulamento da  Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99;  6) AIOAC n° 37.319.509­5 – Auto de Infração Código 35 –  lavrado com  arrimo no artigo 32,  inciso  III, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225,  inciso III, do RPS, por  ter  deixado de apresentar  à  fiscalização os documentos  solicitados mediante Termo de  Início de  Procedimento Fiscal  ­ TIPF e Termos de  Intimação Fiscal – TIF’s,  ensejando a aplicação da  multa com base nos artigos 283,  inciso  II, alínea “b”, e 373, do Regulamento da Previdência  Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99;  Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 13          23 7) AIOC  n°  37.319.510­9  – Auto  de  Infração Código  38  –  lavrado  com  lastro no artigo 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 232, do RPS, em razão de a contribuinte  ter  deixado  de  apresentar  parte  dos  documentos  solicitados  pela  fiscalização  mediante  respectivo termo, o que ensejou a aplicação da multa arrimada nos artigos 283, inciso II, alínea  “j”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99;  8) AIOC  n°  37.319.511­7  – Auto  de  Infração Código  59  –  lavrado  com  fundamento no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, por ter deixado de arrecadar  as  contribuições  previdenciárias  devidas,  mediante  desconto  das  respectivas  remunerações  pagas ou creditadas aos segurados empregados a seu serviço, com aplicação de multa amparada  nos artigos 283,  inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado  pelo Decreto 3.048/99;  9) AIOAC n° 37.319.512­5 – Auto de Infração Código 22 –  lavrado com  fulcro  no  artigo  11,  caput,  e  §§  3o  e  4o,  da  Lei  nº  8.218/91,  na  redação  dada  pela Medida  Provisória n° 2.158­35/2001, por ter apresentado informações em meio digital com omissões,  apesar  de  utilizar  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios  e  atividades econômicas ou financeiras, ensejando a aplicação nos termos do artigo 12, inciso II,  e parágrafo único, da Lei n° 8.218/1991;  10) AIOA  n°  37.319.513­3  – Auto  de  Infração  Código  68  –  Multa  por  descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da  Lei nº 8.212/91, por  ter  apresentado GFIP’s  com omissões  e/ou  incorreções  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  aplicando­se  a  penalidade  prevista nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo  Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91;  DA EFETIVA DATA DO APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO  – DILIGÊNCIAS – RELATÓRIO/INFORMAÇÃO FISCAL COMPLEMENTAR  Como se verifica do processo, interposta impugnação, a 5a Turma da DRJ em  Brasília/DF,  entendeu  por  bem  elaborar  Despacho  n°  86,  de  fls.  1.024/1.062,  datado  de  06/12/2011,  transcrevendo  parte  das  alegações  inaugurais  da  contribuinte,  determinando  o  retorno dos autos à fiscalização para analisar tais argumentações, procedendo retificações que  entender devidas.  Em atendimento à diligência supra, a autoridade fazendária autuante elaborou  Despacho  de  fl.  1.067,  suscitando  que  a  julgadora  de  primeira  instância  não  apresentou  qualquer  questionamento  passível  de  elucidação,  reiterando  que  anexou  aos  autos  toda  documentação pertinente, razão pela qual determinou o retorno à DRJ para julgamento.  Ainda  inconformada  com  os  esclarecimentos  prestados  pela  fiscalização,  a  julgadora  de piso  determinou,  novamente,  fosse  o  processo  baixado  em diligência, mediante  Despacho n° 05, de 07/02/2012, às fls. 1.068/1.091, colacionando inúmeros questionamentos,  arguindo e requerendo, em síntese, o que segue:  “[...]  Embora o lançamento fiscal goze da presunção de legitimidade,  não desobriga o auditor­fiscal de demonstrar os fatos ocorridos,  as provas e de evidenciar a relação lógica entre os elementos de  convicção  e  a  conclusão  advinda  deles,  sob  pena  de  nulidade  Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   24 material do lançamento, ante a falta de comprovação de um dos  seus elementos essenciais: o fato gerador do crédito (art. 142 do  CTN e arts. 10 e 11 do PAF – Decreto 70.235/72).  A simples  informação de que existe um Termo de Anexo Físico  não  substitui  os  próprios  anexos,  até  porque,  como  é  do  conhecimento  da  DIFIS,  se  existem  documentos  que  não  são  imprimíveis  ou  que  não  possam  ser  digitalizados,  como:  CD,  disquetes, plantas no formato autocad, objetos físicos, etc..., deve  ser  criado  um  processo  físico,  que  deverá  ser  movimentado  juntamente  com  o  processo  digital,  caso  seja  necessário.  O  julgamento do crédito é um desses casos.   [...]   ante  as  alegações  acima  expostas  solicita­se  que  seja  encaminhado a esta DRJ, o Anexo Físico onde estão os anexos  citados  no  Relatório  Fiscal,  bem  como  a  relação  nominal  dos  segurados  caracterizados  empregados,  com  as  respectivas  atividades  por  eles  desenvolvidas  e  que  os  caracterizam  como  empregados, nos termos do art. 3º da CLT, conforme citado no  Anexo  1  –  ÍNDICE  DE  DOCUMENTOS  (fl.  319).  Inclusive,  nesse mesmo Anexo Físico devem estar  inclusos os documentos  apresentados pela Impugnante.  [...]  Questiona­se: procedem as alegações do  contribuinte quanto à  contratação  de  serviços  especializados? Em caso  positivo  deve  ser efetuada a devida planilha de retificação.  [...]  Questiona­se:  procedem  as  alegações  do  contribuinte  quanto  serviços  com  know­how  especializado?  Em  caso  positivo,  e  se  necessário,  deve  ser  efetuada  a  devida  planilha  de  retificação.  [...]”  Em  resposta  à  diligência  supra,  a  fiscalização  mediante  Despacho  de  fl.  1.092, novamente, deixou de se manifestar a respeito das indagações da autoridade julgadora  de primeira instância, fazendo acostar aos autos, porém, a documentação requerida, repisando  entender  necessário  análise  preliminar  de  tais  documentos  por  parte  dos  julgadores  de  piso,  ressaltando que, persistindo dúvidas, estão à disposição para eventuais esclarecimentos.  Ato  contínuo, mais  uma vez,  a  ilustre  autoridade  julgadora  recorrida  achou  por bem converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução n° 451, de 04/10/2013,  às  fls.  1.096/1.148,  52  (cinqüenta  e  duas)  folhas,  elencando  os  fatos  que  permeiam  o  lançamento e, em síntese, as alegações de defesa da contribuinte, explicitando e requerendo o  que segue:  “[...]  DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Em  06  de  dezembro  de  2011,  o  processo  foi  enviado  a  fiscalização  com  solicitação  de  esclarecimentos  e  anexação  da  relação nominal dos segurados caracterizados empregados, com  as  respectivas  atividades  por  eles  desenvolvidas  e  que  os  Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 14          25 caracterizam como empregados,  nos  termos do art. 3º  da CLT,  conforme  cita  no  Anexo  1  –  ÍNDICE  DE  DOCUMENTOS  (fl.  319).  Os  autos  retornaram  a  essa  DRJ  sem  a  realização  da  diligência  solicitada,  com  a  argumentação  de  que  os  anexos  citados  no  relatório  fiscal  constam  de  um  processo  físico,  conforme  previsto  e  orientado  pelo  Manual  do  e­processo  e  Termos de Inclusão de Anexo Físico.  Em  07  de  fevereiro  de  2012,  foi  enviada  por  esta  DRJ  –  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  à  fiscalização  solicitação dos elementos de prova constantes do Anexo Físico,  uma  vez  que  são  essenciais  para  o  julgamento  do  crédito  lançado.  Em  27  de  março  de  2012  a  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil – Brasília encaminhou a esta DRJ o processo  físico  nº  10166.722931/2011­94,  cujo  conteúdo  são  arquivos  digitais  que  constituem  os  anexos  aos  débitos  do  processo  10166.721569/2011­34.  [...]  NOVA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Em análise ao processo  físico com os CDs da  fiscalização e os  apresentados  pela  impugnante,  verificamos  que  a  empresa  apresenta:  1 – Declarações das seguintes pessoas, de que nunca prestaram  serviços à POLITEC: [...]  Em consulta ao sistema GFIPWEB e ao CNIS, verificamos que o  Sr. Sebastião Tomaz de Souza Filho  foi empregado da empresa  INDRA  BRASIL  SOLUÇÕES  E  SERVIÇOS  TECNOLÓGICOS  S/A  –  CNPJ  01.645.738/0002­50,  no  período  de  23/05/2000  a  01/09/2008.  Os  trabalhadores Alessandra Alcântara Lopes  de Faria, Maria  Miranda de Figueiredo Lago e Sebastião Tomaz de Souza Filho,  constam  no  Levantamento  P1  –  caracterização  de  empregados  com  remunerações  pagas  por  intermédio  de  pessoas  jurídicas,  sendo que os demais trabalhadores relacionados acima constam  no  Levantamento  O1  –  caracterização  de  empregados  constituídos PJ pagos por intermédio do Instituto OMNIS.  Diante  destas  informações,  solicitamos  ao  Auditor  Fiscal  autuante  verificar  a  veracidade  das  declarações  desses  segurados  e,  se  for  o  caso,  elaborar  planilha  de  retificação  desses levantamentos.  Outra  verificação  é  que  houve  caracterização  de  segurados  empregados que recebiam pró­labore das empresas constituídas,  tendo  sido  recolhido  contribuições  previdenciárias  patronais  e  de segurados sobre estes valores.  Dessa  forma,  solicitamos  verificar  se  estes  valores  foram  considerados no cálculo da contribuição dos segurados e, se for  Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   26 o  caso,  elaborar  planilha  das  retificações  dos  respectivos  levantamentos.  Estes  são  os  questionamentos  que  apresentamos.  Os  esclarecimentos quanto aos demais pontos serão efetuados com  análise dos Anexos, constantes do processo físico. [...]”  Em  observância  ao  determinado  acima,  a  fiscalização  elaborou  Informação  Fiscal,  às  fls.  1.150/1.154,  esclarecendo  parte  dos  questionamentos  pretendidos  pelos  julgadores  de  primeira  instância,  trazendo  à  colação  novas  razões  e  elementos  tendentes  a  manter a exigência fiscal, com pequenas retificações.  Como se observa, muito embora  a autoridade  lançadora não  tenha atendido  totalmente os questionamentos formulados nas diligências acima, especialmente em relação a  necessidade de haver a devida comprovação dos requisitos do vínculo laboral, o que trataremos  adiante, trouxe à colação novos argumentos e elementos de prova com intuito de aperfeiçoar o  lançamento.  Percebe­se, assim, que o lançamento somente se aperfeiçoou com o resultado  da  última  diligência  fiscal.  Constata­se,  ainda,  estarmos  diante  de  03  (três)  diligências  requeridas pelos  julgadores de primeira  instância procurando basicamente entender as  razões  da  exigência  fiscal,  notadamente  em  face  de  se  escorar  no  procedimento  do  arbitramento  e  caracterização de segurados empregados.  Ora, se o  julgador de primeira instância somente  teve condições de analisar  os autos após determinar 03 (três) diligências, igualmente, a contribuinte somente teve plenas  condições  de  se  defender  nesta  última  oportunidade,  o  que  nos  leva  a  concluir  que  o  lançamento somente se apresentou perfeito e acabado após tais incidentes processuais.  A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando  seja adotado como momento da efetiva lavratura do lançamento a data da ciência de resultados  de  diligências  que  tem  por  objeto  aperfeiçoar  o  Relatório  inicial,  como  se  verificado  do  Acórdão n° 2401­003.075, com os seguintes ementa e trechos do voto:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2006  LANÇAMENTO  INSUBSISTENTE  LAVRATURA  DE  RELATÓRIO  FISCAL  SUBSTITUTIVO  PRAZO  DECADENCIAL.  Não  contendo  o  lançamento  original  os  requisitos  mínimos  de  validade,  por  falta  de  motivação  e  descrição  precisa  do  fato  gerador,  sendo  elaborado  Relatório  Fiscal  Substitutivo  com  o  objetivo  de  sanar  tais  vícios,  o  prazo  decadencial  deve  ser  contado da data da notificação do contribuinte da  lavratura do  Relatório  Fiscal  Substitutivo,  e  não  da  notificação  do  lançamento original.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO  DO  LANÇAMENTO  E  DESCRIÇÃO  PRECISA  DOS  FATOS  GERADORES.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR  VÍCIO MATERIAL.  Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 15          27 A  falta  de  indicação  precisa  dos  fatos  que  motivaram  o  lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado,  fulminam o lançamento do nulidade, por vício material.  Processo Anulado.  [...]  Voto Vencedor  [...]  Diante da imprestabilidade do relatório fiscal original, o qual foi  efetivamente  substituído  por  novo  relatório  fiscal,  por  expressa  determinação  do  órgão  julgador  de  primeira  instância,  não  se  pode  admitir  que  o  lançamento  original,  cuja  ciência  do  contribuinte  ocorreu  em  22/12/2006,  seja  instrumento  hábil  a  cessar o transcurso do prazo decadencial.  Ora, não pode a Receita Federal valer­se de atos de lançamento  inválidos,  que  não  contém  os  mínimos  elementos  para  possibilitar  ao  contribuinte  a  exata  compreensão  da  cobrança  contra  si  perpetrada,  para  fazer  cessar  contra  si  o  prazo  decadencial que fulmina o crédito tributário.  Se  isso  fosse  possível,  as  autoridades  fiscais  estariam  autorizadas  a  lavrar,  nas  proximidades  do  prazo  decadencial,  autos  de  infração  desprovidos  de  seus  fundamentos  básicos  de  validade,  apenas  para  resguardar  o  seu  direito  à  futura  cobrança,  confiantes  na  determinação  por  parte  dos  órgãos  julgadores  da  elaboração  de  relatórios  fiscais  substitutivos,  razões  complementares,  esclarecimentos  adicionais,  etc,  com  vistas a sanar os vícios da autuação original.  Em casos  como  este,  o  contribuinte  ficaria  sujeito  a  ter  que  se  defender de autuações “aperfeiçoadas” mais de cinco anos após  o  decurso  do  prazo  decadencial,  mesmo  sendo  a  autuação  original  imprestável  para  a  devida  e  regular  constituição  do  crédito tributário.  Embora  a  decisão  de  primeira  instância,  que  determinou  a  conversão  do  feito  em  diligência,  já  deixe  clara  a  nulidade  material  do  lançamento  original,  não  é  demais  destacar  que  o  relatório  fiscal  nada  diz  sobre  a  origem  do  crédito  lançado  –  decorre de mero batimento GFIP x GPS? Decorre de batimento  folha x GFIP x contabilidade, já que nele consta a informação de  que  a  folha  de  pagamentos  e  contabilidade  foram  analisadas?  Quais  os  contribuintes  individuais  que  foram  objeto  da  autuação?  Entendo que em situações como a dos presentes autos, em que o  lançamento original é totalmente imprestável e não subsistiria de  per si, motivando a determinação por parte do órgão julgador de  primeira  instância  da  lavratura  de  verdadeiro  lançamento  substitutivo, o prazo decadencial deve ser contado tomando por  base a data da notificação do  lançamento  substitutivo,  e não a  Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   28 data da notificação do  lançamento original. [...]” (Processo n°  14485.001968/2007­47)  Outro  não  foi  o  entendimento  do  nobre  Conselheiro  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  nos  autos do processo n° 18471.001502/2008­32 – Acórdão n°  2401­003.621,  como  segue:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2002  PRONUNCIAMENTO  FISCAL.  INTRODUÇÃO  DE  NOVOS  FUNDAMENTOS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO.  Nos  casos  em  que  há  elaboração  de  Informação  Fiscal  com  o  objetivo  de  apresentar  novos  fundamentos  ao  lançamento,  considera­se  como  constituídoo  crédito  tributário  na  dada  da  ciência pelo sujeito passivo da novamotivação.  CONTRIBUIÇÕES  PARA  A  SEGURIDADE  SOCIAL.PRAZO  DECADENCIAL.  A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de  créditorelativo às contribuições para a Seguridade Social segue  a sistemática do Código Tributário Nacional.  Recurso Voluntário Provido.” (grifos nosso)  É  exatamente  o  que  se  verifica  nos  presentes  autos,  onde,  repita­se,  a  autoridade julgadora de primeira instância teve que converter o julgamento em diligência em  03 (três) oportunidades para ter condições de analisar e julgar, após os esclarecimentos e novos  elementos trazidos à colação pela fiscalização.  Ora,  não  se  pode  admitir  à  fiscalização  trazer  novos  elementos  de  prova  e  esclarecimentos  que  corroborem  a  exigência  fiscal  e  sejam  determinantes  para  seu  entendimento, sem que se considere que somente neste momento o lançamento encontrar­se­á  passível  de  produzir  efeitos  no mundo  jurídico,  especialmente  tratando­se  de  procedimentos  excepcionais de arbitramento, onde se inverte o ônus da prova ao contribuinte, e caracterização  de segurados empregados, onde a fiscalização deve comprovar a existência dos pressupostos da  relação empregatícia.  Admitir  tal  conduta,  representa  possibilitar  ao  agente  fiscal  lançar  de  qualquer modo, sobretudo com a finalidade de “escapar” do prazo decadencial e no decorrer do  processo  administrativo  fiscal  retificar,  corroborar,  fundamentar  e/ou  motivar  o  ato  administrativo, estabelecendo uma absoluta insegurança jurídica. Assim, o remédio para evitar  tais imperfeições jurídicas é exatamente considerar o lançamento aperfeiçoado somente após as  essas manifestações intempestivas da fiscalização, quando chamada para tanto pelo julgador de  primeira instância. No caso vertente, tivessem os autos de infração condições de entendimento  na  forma  lançada originalmente, a  julgador de piso não  teria convertido o  julgamento em 03  oportunidades para esclarecimentos  e,  pior,  para  que  fosse demonstrada a ocorrência do  fato  gerador, representando um evidente novo lançamento.  Neste sentido, é de fácil conclusão que o lançamento somente se apresentou  perfeito e acabado, ou seja, se aperfeiçoou, após as diligências determinadas pelos julgadores  de primeira instância, devendo ser admitida a data da ciência do resultado da última diligência,  Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 16          29 Informação  Fiscal  de  fls.  1.150/1.154,  ocorrida  em  20/12/2013,  conforme  Ar,  de  fl.  1.232,  como efetivo momento da lavratura dos Autos de Infração.  DA FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO – NÃO CARACTERIZAÇÃO  Ultrapassada  a  questão  da  efetiva  data  da  ciência  dos  Autos  de  Infração,  termo final do prazo decadencial,  impõe­se analisar a eventual ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação  na  conduta  adotada  pela  contribuinte,  de maneira  a  determinar  qual  o  dispositivo  legal a ser utilizado para fins da decadência, artigo 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN.  Em suas alegações de recurso, aduz a contribuinte inexistir comprovação de  ocorrência  de  fraude  ou  simulação  nos  atos  praticados  pela  recorrente,  sobretudo  quando  a  edição da Lei n° 11.196/2005 contemplou a possibilidade e licitude da prestação, por pessoas  jurídicas,  de  serviços  intelectuais,  em  caráter  personalíssimo  ou  não,  com  ou  sem  a  designação de quaisquer obrigações a sócios da sociedade prestadora de serviços, o que veio  a  ser  corroborado  nos  autos  da  Ação  Civil  Pública  movida  pelo  Ministério  Público  do  Trabalho, onde  fora  reconhecida a possbilidade de contratação por meio de pessoa  jurídica  nos casos de serviços de know­how.  Por  sua  vez,  como  acima  explicitado,  o  julgador  recorrido,  defendeu  ter  havido fraude na contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas, com a  finalidade de sonegar verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal, na  linha da  Ação Civil Pública do Ministério Público do Trabalho, o que, inclusive, ensejou à fiscalização  que culminou com o presente lançamento, entendimento que ousamos divergir, pelas razões de  fato e de direito a seguir esposadas.  No  âmbito  das  contribuições  previdenciárias,  anteriormente  administradas  pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em  caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do  dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de  Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria.  Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia  o  artigo  45  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  contemplava  o  prazo  decadencial  de  10  (dez)  anos,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento  e/ou  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em  Receita Federal  do Brasil  (“Super Receita”),  as  contribuições previdenciárias passaram a  ser  administradas  pela  RFB  que,  em  curto  lapso  temporal,  compatibilizou  os  procedimentos  fiscalizatórios  e,  por  conseguinte,  de  constituição  de  créditos  tributários,  estabelecendo,  igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à  Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009.  Diante desses  fatos, com a declaração da  inconstitucionalidade do artigo 45  da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência  de  competência  para  julgamento  das  contribuições  previdenciárias  do  CRPS  para  o  CARF,  passou  a  ser  de  extrema  importância  a  comprovação  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  para  efeito  de  aplicação  do  prazo  decadencial,  do  artigo  150,  §  4,  ou  artigo  173,  inciso I, do CTN.  Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   30 Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão,  cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim  prescrevem:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as  figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue:  “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  Consoante  se  infere  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  impõe­se  à  autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação  de regência em casos de  imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime),  que somente poderá ser  levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do  crime  (dolo,  fraude  ou  simulação),  devendo,  ainda,  relatar  todos  os  fatos  de  forma  pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo  atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou  simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  da  intenção  pré­determinada  do  contribuinte,  demonstrada  de  modo  concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento do tributo devido.  Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 17          31 Este  entendimento,  aliás,  encontra­se  sedimentado  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  conforme  se  extrai  dos  julgados  com  suas  ementas abaixo transcritas:  “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode  ser presumida ou  alicerçada  em  indícios.  A  penalidade  qualificada  somente  é  admissível  quando  factualmente  constatada  as  hipóteses  de  fraude,  dolo  ou  simulação.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 108­07.561, Sessão de 16/10/2003)  (grifamos)  “ MULTA QUALIFICADA  – NÃO CARACTERIZAÇÃO  –  Não  tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da  fraude  ou  da  simulação,  descabe  a  qualificação  da  penalidade  de  ofício  agravada.”  (2ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 102­45.625, Sessão de 21/08/2002)  “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE  – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a  multa  agravada  quando  presentes  os  fatos  caracterizadores  de  evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da  Lei n° 4.502/64, fazendo­se a sua redução ao percentual normal  de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem  à  infrações  apuradas  por  presunção.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108­07.356, Sessão de  16/04/2003) (grifamos)  Em  decorrência  da  jurisprudência  uníssona  nesse  sentido,  o  então  1º  Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado,  editando a Súmula nº 14, determinando que:   “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.”  Assim,  impende  analisar  os  autos  detidamente  de  maneira  a  elucidar  se  o  fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou  simular a hipótese de incidência da obrigação tributária.  Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às  alterações  na  legislação  acima mencionadas,  não  se  exigir  tal  comprovação  não  é  capaz  de  sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou simulação.  Com  efeito,  cabe/caberia  à  autoridade  lançadora  demonstrar  de  forma  pormenorizada  suas  razões  no  sentido  de  que  a  contribuinte  agiu  com  dolo,  fraude  ou  simulação, para efeito da conclusão/comprovação do, suposto e em tese, crime arquitetado pela  autuada.  Pretender atribuir um,  suposto e em  tese,  crime ao contribuinte  em sede de  primeira  ou  segunda  instância,  sem  que  a  própria  autoridade  lançadora  tivesse  imputado  tal  conduta à autuada, comprovando e fundamentando suas conclusões, objetivando oportunizar a  ampla defesa e contraditório da empresa em relação a este tema, além de representar supressão  Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   32 de  instância,  fere  de morte  o  princípio  do  devido  processo  legal.  Estar­se­ia  imputando  um  crime ao contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse.  In  casu,  o  fato  de  constar  do  Relatório  Fiscal  da  Autuação  as  razões  que  levaram  à  fiscalização  a  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços, caracterizando os  respectivos  sócios e/ou  funcionários  como segurados empregados  da autuada não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado  ao contribuinte.  A  Egrégia  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da  mesma natureza, nos seguintes termos:  “[...]  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO ­ PESSOAS  JURÍDICAS  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  A  simples  procedência  de  notificação  fiscal,  estribada  na  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  consequente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de  sonegar  tributos,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  de  maneira  a  deslocar  o  prazo  decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do  Código  Tributário  Nacional.  Ademais,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento da Previdência Social­RPS, aprovado pelo Decreto  nº  3.048/99,  o  qual  oferece  guarida  a  aludido  procedimento,  exige  tão  somente  a  demonstração  da  existência  dos  requisitos  do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada  dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser  demonstrada,  não  implicando,  necessariamente,  que  um  fato  conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação  à  imputação  do  crime  fiscal.”  (Acórdão  n°  9202­01.127  –  Processo n° 16095.000604/2007­69, Sessão de 19/10/2010)  Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é  que  a  autoridade  lançadora  somente  trouxe  à  colação  os  argumentos  a  propósito  da  suposta  fraude,  dolo  ou  simulação  praticados  pela  contribuinte  para  tratar  do  própro  mérito  da  demanda.  Igualmente,  o  fato  de  o Ministério  Público  do  Trabalho,  a  partir  de  Ação  Civil Pública, ter manifestado entendimento no sentido da existência de fraude em contratos de  trabalho, isoladamente, não tem o condão de comprovar nos autos do processo administrativo  fiscal, a existência de dolo, fraude ou simulação, sem que a fiscalização tenha se aprofundado  na questão, com maiores elementos e esclarecimentos.  Partindo  dessa  premissa,  o  simples  fato  da  pretensa  procedência  do  lançamento  em  relação  ao  mérito,  SE  FOSSE  O  CASO,  legitimando  a  desconsideração  procedida pela autoridade lançadora, a partir da comprovação dos requisitos do vínculo laboral,  não implica dizer necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação. Mesmo  porque o  dispositivo  legal  que  contempla  tal  procedimento,  qual  seja,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  exige  Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 18          33 exclusivamente  a  comprovação  dos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  inscritos  no  artigo  12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação.  Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e  necessariamente  a  verificação  da  demonstração  da  existência  de  tais  requisitos  (do  vínculo  empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou  não.  Dessa  forma,  repita­se, o  fato de se considerar procedente o  lançamento, se  for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e consequente caracterização  de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo  ou  fraude  comprovados.  Impõe­se,  assim,  um  aprofundamento  maior  no  tema  por  parte  do  fiscal autuante ao pretender  imputar  tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além  dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada.  No  caso  sob  análise,  não  vislumbramos  a  demonstração  da  ocorrência  do  crime de simulação, com a segurança que o caso exige.  Mesmo porque, a prática adotada pela contribuinte é recorrente em empresas  que  prestam  serviços  em  sua  seara,  contratando,  para  prestação  de  serviços  dessa  natureza,  pessoas  jurídicas,  como  a  própria  legislação  de  regência  admite  (vide  abaixo),  e  fora  reconhecida nos autos da Ação Civil Pública retromencionada.  Pretender  vincular  uma  conduta  a  outra  (desconsideração  de  personalidade  jurídica  com  a  caracterização  de  segurados  empregados  e  crime  de  simulação)  implicará  considerar a existência de simulação em todo lançamento julgado procedente, em que houver  referido  procedimento,  olvidando­se  que  o  fundamento  legal  que  o  justifica  nada  fala  sobre  simulação, não exigindo a sua comprovação para justificá­lo.  A  rigor,  podemos  traçar  um  paralelo  entre  essa  situação  com  a  simples  constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do Primeiro Conselho  de Contribuintes  já  firmou  o  entendimento  que,  isoladamente,  não  se  presta  a  caracterizar  a  conduta dolosa do contribuinte.  Em  outras  palavras,  tal  qual  no  caso  de  simples  omissão  de  receitas/rendimentos, a simples demonstração da existência dos pressupostos da relação laboral  entre  os  prestadores  de  serviços  e  a  contribuinte,  ainda  que  a  partir  da  desconsideração  do  vínculo  pactuado  e  da  personalidade  jurídica  de  empresas,  se  fosse  o  caso,  por  si  só,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  de  maneira  a  ensejar  o  deslocamento do prazo  decadencial  do  artigo 150, § 4,  para o  artigo 173,  inciso  I,  do CTN,  como se vislumbra na hipótese dos autos.  Não fosse assim, teríamos que considerar dolosa, fraudulenta ou simulatória a  conduta do contribuinte toda vez que houver o procedimento de caracterização de prestadores  de serviços como segurados empregados, o que, em nosso entender, não representa a intenção  do  legislador  ao  impor  a  comprovação  daquelas  condutas  para  efeito  da  demonstração  do  crime.  Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é  que  a  própria  Lei  n°  11.196/2005  contempla  a  possibilidade  de  prestação  de  serviços  de  natureza  intelectual/especializada,  dentre  outras,  mediante  pessoa  jurídica.  Assim,  Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   34 independentemente da comprovação efetiva da prestação de serviços nesta modalidade, é certo  que  a  própria  legislação  de  regência  possibilita  inúmeras  interpretações  quanto  à  forma  de  contratação de prestadores de serviços.  Neste  sentido,  a  mera  interpretação  equivocada  da  contribuinte  quanto  à  aplicabilidade da norma legal não pode ensejar a imputação de simulação, arrimada em crime  de sonegação fiscal, sem que a fiscalização se aprofunde na matéria, demonstrando cabalmente  a conduta dolosa da empresa com maiores elementos e esclarecimentos, não se prestando para  tanto  a  justificativa  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  daquelas  prestadoras  de  serviços.  No  caso  vertente,  inobstante  o  esforço  do  julgador  recorrido,  não  podemos  afirmar com a devida certeza ter a contribuinte agido de maneira simulatória, mesmo porque o  fiscal autuante nada inferiu a este respeito para caracterizar o crime, sendo defeso a esta Corte  Administrativa inovar o lançamento com o fito de imputar crime em sede de segunda instância,  sem que  tenha  havido  o  devido  aprofundamento  para  este  fim  no  decorrer de  todo  processo  administrativo, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade  da conduta da  autuada nos  termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo­se cogitar,  inclusive, em mera interpretação equivocada da norma.  Por fim, como abaixo restará demonstrado, sequer entendemos que no mérito  o  lançamento,  na parte  da  caracterização  dos  segurados  empregados,  deve  ser mantido,  pela  falta de comprovação da efetiva existência dos pressupostos da relação laboral, o que reforça a  tese na ausência de dolo, fraude ou simulação, tendente a deslocar o prazo decadencial.  DA DECADÊNCIA – LANÇAMENTO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS  ­ AIOP’S N°s 37.319.504­4; 37.319.505­2; 37.319.506­0  Uma vez definido o termo final para o prazo decadencial, bem como afastada  a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, cabe analisar a aplicabilidade dos artigos 150, § 4°,  ou 173, inciso I, do CTN, diante da ocorrência ou não de antecipação de pagamento, na linha  da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Preliminarmente,  requer  a  contribuinte  seja  acolhida  a  decadência  da  exigência fiscal, com base no artigo 150, § 4°, do CTN, adotando como termo final do prazo  decadencial a data da ciência do resultado da última diligência fiscal, oportunidade em que o  lançamento  teria  sido  devidamente  aperfeiçoado;  entendimento  que  compartilhamos  pelas  razões acima delineadas.  Mais  precisamente,  pugna  pelo  acolhimento  da  decadência  em  relação  ao  período de 01/2006 a 12/2008, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN,  inferindo ter havido  pagamentos em relação às remunerações convencionais, admitidas pela empresa.  Como se observa, após a decretação da inconstitucionalidade dos artigos 45 e  46 da Lei n° 8.212/91, nos autos do Recurso Extraordinário n° 560626, aprovando­se a Súmula  STF  n°  08,  houve  um  esvaziamento  quanto  à  discussão  em  relação  a  adoção  do  prazo  decadencial.  Isto  porque,  a  discussão  centrou­se  tão  somente  nos  prazos  previstos  nos  artigos  150,  §  4°,  ou  173,  inciso  I,  do  CTN,  diante  da  natureza  dos  tributos,  sujeitos  ao  lançamento por homologação, havendo ou não necessidade de antecipação de pagamento para  tal conclusão.  Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 19          35 Aludida  questão  veio  a  ser  aclarada  pelo  Superior Tribunal  de  Justiça,  nos  autos Resp n° 973.733/SC, na  indumentária de Recurso Repetitivo,  portanto,  de observância  obrigatória por este Colegiado, nos termos do RICARF, de onde se concluiu que a adoção do  prazo  previsto  no  artigo  150,  §  4°,  do  CTN,  depende  da  ocorrência  de  antecipação  de  pagamento, senão vejamos:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   36 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Assim, restando decidido pelo STJ que nos lançamentos por homologação a  antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nosso exame  limitou­se a constatar ou não a sua ocorrência.  Na  hipótese  dos  autos,  tratando­se  de  lançamento  de  diferença  de  contribuições  incidentes,  em  parte,  sobre  salário  indireto,  prêmios  de  incentivo,  onde  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  o  salário  admtido  pela  empresa,  é  de  se  reconhecer  a  antecipação  de  pagamento,  na  esteira,  inclusive, da Súmula CARF n° 99, que assim estabelece:  “Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.”  A própria autoridade lançadora em seu Relatório Fiscal, item 247, de fl. 293,  deixou  claro  que  foram  constatados  recolhimentos  mediante  GPS  apresentadas  pela  contribuinte, os quais não foram aproveitados por se tratar de procedimento específico de fatos  geradores não considerados pela autuada, a partir da desconsideração da personalidade jurídica  de  empresas prestadoras de  serviços,  com a  caracterização dos  respectivos  funcionários  e/ou  sócios como segurados empregados da recorrente, senão vejamos:  “247. Constatou­se, assim, que o sujeito passivo em tela deixou  de recolher em sua totalidade as contribuições sociais incidentes  sobre  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  que  lhe  prestaram  serviços.  As  Guias  de  Pagamento  da  Previdência Social (GPS) recolhidas pela POLITEC não foram  utilizadas  na  presente  fiscalização,  porquanto  o  contribuinte  não  considerava  que  as  verbas  em  questão  eram  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  não  as  declarou  em  GFIP.  Vale  mencionar  também  que,  para  o  cálculo  da  contribuição  dos  segurados,  a  fiscalização  levou  em  Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 20          37 consideração  as  remunerações  de  trabalhadores  já  declaradas  em GFIP  pela  POLITEC,  observados  os  limites  e  as  faixas  de  contribuição;  pois,  conforme  dito  anteriormente,  havia  trabalhadores que, além de receberem salários na qualidade de  segurados  empregados,  também  recebiam  remunerações  complementares  não  declaradas  em  GFIP  por  intermédio  de  suas próprias empresas. [...]” (grifos nossos)  Assim, deve­se adotar os preceitos constantes do artigo 150, § 4°, para fins da  contagem do prazo decadencial, diante da constatação evidente de antecipação de pagamento,  razão  pela  qual  admitindo­se  como  apefeiçoado  o  lançamento  em  20/12/2003  (AR  de  fl.  1.232), data da ciência da Informação Fiscal, de fls. 1.150/1.154, a exigência fiscal pertinente  ao Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal (AIOP’S N°s 37.319.504­4;  37.319.505­2; 37.319.506­0) encontra­se  totalmente  fulminada pela decadência, uma vez que  os fatos geradores ocorreram no período de 01/01/2006 a 31/10/2008, fora, portanto, do prazo  decadencial  estabelecido  no  dispositivo  legal  retro,  impondo  seja  decretada  a  improcedência  total de referidos lançamentos.  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  –  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Igualmente,  para  os  autos  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do  artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173,  inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido.  Não  obstante  a  grande  discussão  que  permeia  a  questão,  a  jurisprudência  administrativa, inclusive com decisões reiteradas da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, já firmou entendimento no sentido de que tratando­se de autos de infração decorrentes  de descumprimento de obrigações acessórias – erro/omissão de informações e/ou documentos  ao INSS ­ , caracterizando lançamento de ofício, impõe­se a aplicação do artigo 173, inciso I,  do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela  é de se admitir a contagem do prazo decadencial nos termos daquele dispositivo legal.  Mesmo porque, uma vez estabelecido pelo STJ a necessidade de ocorrência  de antecipação de pagamento para fins de adoção do prazo decadencial, não se poderia cogitar  em recolhimentos nos casos de penalidade em face da inobservância de obrigações acessórias,  o que atrai os preceitos do artigo 173, inciso I, do CTN, para casos dessa natureza.  Assim, considerando a data da ciência do lançamento em 20/12/2003 (AR de  fl.  1.232),  como  acima  explicitado,  há  de  se  acolher  a  decadência  do  período  de  01/2006  a  11/2007, ensejando a decretação da improcedência parcial dos Autos de Infração referentes aos  descumprimento de obrigações acessórias (AIOC n° 37.319.507­9; AIOAC n° 37.319.508­7;  AIOAC  n°  37.319.509­5;  AIOC  n°  37.319.510­9;  AIOC  n°  37.319.511­7;  AIOAC  n°  37.319.512­5; AIOA n° 37.319.513­3).  No entanto, há que se registrar que aludida decadência não tem o condão de  modificar  as  multas  aplicadas  nos Autos  de  Infração  sob  nos  37.319.507­9;  37.319.508­7;  37.319.509­5  ,  37.319.510­9, 37.319.511­7  e 37.319.512­5,  os quais  contemplam multa  fixa,  uma  vez,  em  resumo,  ter  deixado  de  preparar  folha  de  pagamento  como  determinado  na  legislação, não ter registrado fatos contábeis em títulos próprios da contabilidade, ter deixado  Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   38 de apresentar a  totalidade dos esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização,  ter  deixado  de  exibir  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  além  de  deixar  de  arrecadar  a  totalidade das contribuições devidas por segurado e ter deixado de apresentar seus arquivos em  meio digital, relativamente a períodos já fulminados pela decadência, bem como outros fora do  prazo decadencial encimado (01/2006 a 11/2007).  Dessa  forma,  tratando­se de autos de  infração cuja existência de uma única  inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação, da penalidade, em sua  integralidade, o fato de parte do período já ter sido alcançado pela decadência, não é capaz de  afastar  a  penalidade  aplicada,  como  se  vislumbra  nos  casos  vertentes,  razão  pela  qual  a  decadência acolhida acima não projeta efeitos para estes autos de infração citados.  Por outro lado, quanto ao Auto de Infração sob no 37.319.513­3 (não incluir  nas  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  a  Previdência Social – GFIP, nas competências de janeiro/2006 a outubro/2008, todos os dados  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  discriminados  no  relatório  fiscal),  a  procedência  é  parcial,  pois  a  multa  é  variável  e  os  fatos  ocorreram  no  período de 01/2006 a 10/2008, devendo ser excluídos os valores de cálculo compreendidos nas  competências  01/2006  a  11/2007,  pela  aplicação  da  regra  do  art.  173,  I,  do  CTN,  como  decidido acima.  Com o  fito de melhor aclarar os efeitos da decisão acima,  relativamente ao  prazo  decadencial  a  ser  acolhido  nos  autos  de  infração  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  elencados  no  relatório  fiscal  (VII  ­  DAS  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS),  em  relação ao período de 01/2006 a 11/2007, nos termos do art. 173, I, do CTN, em suma, assim se  projeto aludida decisão para casa AI:  i.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.507­9:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade  é  fixa  e  os  fatos  ocorreram  no  período  de  01/2006 a 10/2008, não decadente;  ii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.508­7:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade  é  fixa  e  os  fatos  ocorreram  no  período  de  2006 a 2008, não decadente;  iii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.509­5:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade  é  fixa  e  os  fatos  ocorreram  até  a  competência 12/2007, não decadente;  iv.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.510­9:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período  de  apuração  da  ação  fiscal,  01/2006  a  10/2008,  não  decadente;  v.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.511­7:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período  de  apuração  da  ação  fiscal,  01/2006  a  10/2008,  não  decadente;  Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 21          39 vi.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.512­5:  mantém  a  integralidade  da  multa,  porquanto  a  penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período  de  apuração  da  ação  fiscal,  01/2006  a  10/2008,  não  decadente;  vii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.513­3:  Impõe­se reduzir, parcialmente, a multa, uma vez que a  penalidade é variável e os  fatos ocorreram no período  de  01/2006  a  10/2008,  devendo  ser  excluídos  os  valores  de  cálculo  compreendidos  nas  competências  01/2006  a  11/2007,  em  face  da  aplicação  da  regra do  art. 173, I, do CTN, como decidido acima.  Assim, no que tange a questão da aplicação da regra decadencial do art. 173,  I  do  CTN,  nas  autuações  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  deve  ser  dado  provimento  parcial  ao  recurso,  somente produzindo  efeitos  na multa  aplicada  no AUTO DE  INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.513­3, como explicitado acima.  MÉRITO  Muito embora a exigência fiscal referente às obrigações principais encontra­ se  totalmente  maculada/extinta  em  face  da  decadência,  como  demonstrado  alhures,  ainda  assim, impõe­se adentrar ao mérito da demanda,  tendo em vista que as penalidades aplicadas  nos Autos de Infração pertinentes às obrigações acessórias, vinculadas à sua maioria aos fatos  geradores  lançados,  não  foram  totalmente  alcançadas  pelo  prazo  decadencial,  diante  da  aplicabilidade do artigo 173, inciso I, do CTN.  Não bastasse isso, a análise das questões de mérito (pagamentos a segurados  empregados  por  cartões  premiação  (A1)  e  caracterização  de  segurados  como  segurados  empregados da recorrente  (A2)) da demanda é salutar e pode ser necessária/determinante, na  hipótese desta Colenda Turma não vir a compartilhar com o entendimento deste Relator no que  tange ao prazo decadencial e a efetiva data do aperfeiçoamento do lançamento, razão pela qual  passamos a analisar aludidas questões.  A1)  DOS  VALORES  PAGOS  A  TÍTULO  DE  PRÊMIOS  –  LEVANTAMENTOS R1 E R2  De  conformidade  com  o Relatório  Fiscal,  o  presente  crédito  previdenciário  fora  apurado  com  base  nos  valores  nominais  constantes  das  Notas  Fiscais  e  Faturas  de  Prestação  de  Serviço  emitidas  pela  empresa  INCENTIVE  HOUSE  LTDA.,  descontadas  as  importâncias pertinentes às comissões, devidamente elencadas naquele anexo, as quais  foram  apresentadas  pela  contribuinte  durante  a  ação  fiscal  e  confrontadas  com  os  lançamentos  contábeis do período ­ Livros Diários e Folhas de Pagamento, dentre outros.  Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte pagava referidos Prêmios  aos  segurados  empregados  através  da  empresa  supramencionada,  que  forneciam  os  cartões  eletrônicos  utilizados  no  recebimento  dos  prêmios,  na  forma  de  compras  ou  em  saques  em  espécie nas instituições conveniadas.  Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   40 Como  a  empresa  deixou  de  ofertar  à  fiscalização  parte  dos  documentos  solicitados,  especialmente  a  relação  dos  beneficiários  dos  contratos  supracitados,  o  crédito  tributário  fora  constituído  por  aferição  indireta,  com  base  nos  valores  constantes  das  notas  fiscais, como acima explicitado.  Em  suas  razões  de  recurso,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  aduzindo  para  tanto  que  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  Prêmios  de  Incentivo,  por meio  da  empresa  Incentive House S/A,  não  podem  ser  admitidos  como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista lhes faltar os requisitos  necessários à caracterização da remuneração, notadamente a habitualidade.  Sustenta que o artigo 28, § 9º, item 7, da Lei nº 8.212/91, oferece proteção ao  pleito  da  recorrente,  impondo  seja  reconhecida  a  improcedência  do  lançamento  fiscal,  excluindo­se  a  tributação  de  referidas  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados,  sobretudo quando concedidas por mera liberalidade.  Sem razão à contribuinte!  Antes de se aprofundar no tema em discussão, imperioso destacar o disposto  nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, senão vejamos:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de  isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte  deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer  a contribuinte.  Ocorre  que,  via  de  regra,  as  importâncias  que  não  integram  o  salário  de  contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando  do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência  do lançamento na forma requerida pela recorrente.  Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas  pagas  aos  segurados  empregados  na  forma  de  prêmios  (gratificação  ajustada),  teríamos  que  interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com  a legislação tributária, como acima demonstrado.  Com  efeito,  nos  termos  do  artigo  28,  §  9º,  não  integram  o  salário  de  contribuição  as  importâncias  recebidas  pelo  empregado  ali  elencadas,  sendo  defeso  a  interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão  aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância  ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN.  Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 22          41 Ademais,  observa­se  que  a  própria  contribuinte  considera  tais  verbas  como  prêmios,  ou  seja,  uma  vantagem,  sendo  cediço  na  legislação  que  disciplina  a  matéria  e  jurisprudência administrativa que valores recebidos a título de prêmios são considerados como  salário de contribuição, como segue:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005  Ementa:  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  ­  REMUNERAÇÃO.  INCENTIVE  HOUSE.  PARCELA  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO  CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE.  A  verba  paga  pela  empresa  aos  segurados  por  intermédio  de  programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A.  é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando  no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para  não haver  incidência é mister previsão legal nesse sentido,  sob  pena de afronta aos princípios da  legalidade  e da  isonomia. O  contribuinte  inadimplente  tem  que  arcar  com  o  ônus  de  sua  mora, ou seja, os  juros e a multa legalmente previstos. Recurso  Voluntário  Negado.”  (Sexta  Câmara  do  Segundo  Conselho  –  Recurso  nº  141822,  Acórdão  nº  206­00286,  Sessão  de  11/12/2007)  “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC –  SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC.  Os  prêmios  ou  bonificações  vinculados  a  fatores  de  ordem  pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem  a  condição  estipulada  terão  natureza  salarial  e  integrarão  o  salário­de­contribuição,  de  acordo  com  art.  28,  I,  da  Lei  8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento  da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de  05 de maio de 1999.  [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004)  A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que  os  prêmios  decorrentes  de  um  trabalho  prestado,  observadas  as  condições  estipuladas,  terão  natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição.  Registre­se, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve  advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os  funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do  prêmio, qual seja, a eficiência nos  trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na  hipótese de incidência das contribuições previdenciárias.  Mister elucidar,  ainda,  que,  tratando­se de prêmios,  não há que se  falar  em  habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador  para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos  é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis:  Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   42 “Art.  457.  Compreendem­se  na  remuneração  do  empregado,  para  todos  os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço,  as gorjetas que receber.  §  1º  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também,  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos  pelo  empregador.” (grifamos)  Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos,  não resta dúvida que os valores recebidos pelos funcionários a título de prêmio devem integrar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  uma  vez  que  considerados  salário  de  contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de  salário  de  contribuição,  inscrito  nos  artigos  22,  inciso  I,  c/c  artigo  28,  inciso  I,  da  Lei  nº  8.212/91, que assim prescrevem:  “Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de trabalho ou sentença normativa.  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos)  Nessa  toada,  tendo  a  contribuinte  concedido  a  seus  segurados  empregados  gratificação  ajustada  (Prêmios),  não  há  que  se  falar  em  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referidas  verbas,  por  se  caracterizarem  como  salário  de  contribuição,  impondo a manutenção do feito.  A2) DA CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS  De acordo com o Relatório Fiscal, a r. autoridade  lançadora achou por bem  desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os  respectivos  sócios  e  demais  funcionários  como  segurados  empregados  da  autuada,  tendo  em  vista  que do  exame da  documentação  apresentada pela  contribuinte verificou­se  a  existência  dos  requisitos  do  vínculo  empregatício  entre  àqueles  e  a  recorrente,  inscritos  no  artigo  12,  Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 23          43 inciso  I,  alínea  “a”,  da Lei nº 8.212/91, quais  sejam,  a não  eventualidade,  a  subordinação,  a  pessoalidade e a onerosidade.  A fiscalização adotou como fundamento à sua empreitada, em suma, afora os  argumentos  já  explicitados  no  Relatório  acima,  os  seguintes  argumentos  constantes  do  Relatório Fiscal, in verbis:  “33) DA CONCLUSÃO  242.  Conclui­se  que  o  contribuinte  em  tela  montou  uma  vasta  estrutura  para  efetivar  o  pagamento  de  remunerações  a  trabalhadores  com a  utilização  de  empresas  interpostas.  Todas  as evidências obtidas demonstram que o sujeito passivo simulou  negócios  jurídicos  para  reduzir  encargos,  uma  vez  que  o  montante  de  tributos  efetivamente  pagos  com  a  utilização  de  empresas  interpostas  é  inferior  ao  montante  devido  se  as  remunerações  tivessem  sido  corretamente  declaradas.  Assim,  empresas foram usadas para efetuar pagamentos não declarados  em GFIP pelo sujeito passivo.  243.  Nesse  contexto,  a  POLITEC  se  utilizou,  dentre  outros,  de  cooperativas,  como  a  TELECOOP  e  a  CORPSERVICE,  do  INSTITUTO  OMNIS,  da  VÉRTICE/MI  MANAGEMENT,  da  POLICS e de centenas de “Pessoas Jurídicas” unipessoais para  se  esquivar  do  correto  cumprimento  de  suas  obrigações.  O  processo  de  ”pejotização”  da  força  de  trabalho  (simulação  e  transformação  de  empregados  em  Pessoas  Jurídicas  unipessoais) também foi amplamente usado pela POLITEC para  camuflar relações trabalhistas.  244.  Assim,  o  contribuinte  em  comento  reduzia  o  montante  de  tributos  declarados,  mascarava  relações  de  emprego,  simulava  contratos,  cerceava  direitos  trabalhistas  e  previdenciários,  não  declarava corretamente contribuições devidas e não as recolhia  aos  cofres  públicos.  Adverte­se,  portanto,  que  a  POLITEC  empregava  diversos  artifícios  para  fraudar  as  legislações  trabalhista, previdenciária e tributária.  245.  No  caso  em  tela,  a  simulação  de  negócios  jurídicos  efetuados  pelo  sujeito  passivo  com  empresas  interpostas  e  a  constatação  por  parte  da  fiscalização  de  que  prestações  de  serviços não foram efetuadas por empresas contratadas, mas por  pessoas  físicas  e  sócios  de  firmas  sem  empregados  declarados  em  GFIP,  teve  como  conseqüência  a  caracterização  de  trabalhadores como empregados.  246. Portanto, como não há legislação que isente a POLITEC da  incidência  de  contribuições  sociais  sobre  verbas  objeto  da  presente  autuação,  as  remunerações  pagas  a  segurados  que  prestaram  serviços  ao  sujeito  passivo  em  questão  foram  determinadas  conforme  anexos  (AN1FISC  11  a  36),  se  incorporam aos salário­de­contribuição e são consideradas fatos  geradores de contribuições sociais.  Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   44 247. Constatou­se, assim, que o sujeito passivo em tela deixou de  recolher  em  sua  totalidade  as  contribuições  sociais  incidentes  sobre  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  que  lhe  prestaram  serviços.  As  Guias  de  Pagamento  da  Previdência Social  (GPS)  recolhidas pela POLITEC não  foram  utilizadas na presente fiscalização, porquanto o contribuinte não  considerava que as verbas em questão eram fatos geradores de  contribuições previdenciárias e não as declarou em GFIP. Vale  mencionar  também  que,  para  o  cálculo  da  contribuição  dos  segurados,  a  fiscalização  levou  em  consideração  as  remunerações  de  trabalhadores  já  declaradas  em  GFIP  pela  POLITEC,  observados  os  limites  e  as  faixas  de  contribuição;  pois,  conforme  dito  anteriormente,  havia  trabalhadores  que,  além  de  receberem  salários  na  qualidade  de  segurados  empregados,  também  recebiam  remunerações  complementares  não  declaradas  em  GFIP  por  intermédio  de  suas  próprias  empresas.  248. Nesse contexto, os salários­de­contribuição (remunerações)  foram  determinados  pela  fiscalização  tendo  como  base  dentre  outros,  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  e  por  empresas  diligenciadas,  representam  osfatos  geradores  deste  procedimento  fiscal  e  estão  devidamente  discriminados  no  relatório “RL – Relatório de Lançamentos” e nas planilhas dos  anexos AN1FISC 11 a 36.  249.  O  valor  discriminado  do  débito  apurado  corresponde,  assim, em cada competência, ao montante das contribuições não  declaradas  em  GFIP  e  incidentes  sobre  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  que  prestaram  serviços  à  POLITEC.  Tais  informações  também  encontram­se  discriminadas  no  relatório  DD  –  Discriminativo  Analítico  do  Débito em anexo.  Cabe destacar ainda que os  levantamentos que respaldaram os  fatos  geradores  da  presente  ação  fiscal  estão  devidamente  discriminados em itens subseqüentes deste relatório.”  Em seu recurso, a contribuinte se opõe a caracterização dos funcionários e/ou  sócios  das  empresas  prestadoras  de  serviços  como  seus  segurados  empregados,  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica,  aduzindo  para  tanto  inexistir  a  comprovação  dos  elementos do vínculo empregatício.  Suscita que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente subjetivo,  deixando de  lado  a  realidade dos  fatos,  os  quais  não  comprovam a  existência dos  requisitos  autorizadores  da  descaracterização  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços.  Alega que a Receita Federal não detém competência para reconhecer vínculo  empregatício, especialmente quando procedido com base na desconsideração de personalidade  jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho.  A fazer prevalecer seu entendimento, a recorrente refuta as razões de decidir  do  julgador  de  piso,  notadamente  em  relação  aos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  inscritos  no  artigo  12,  inciso  I,  da  Lei  nº  8.212/91,  concluindo  inexistir  tais  requisitos  na  prestação de  serviços por parte dos  funcionários  e/ou sócios das pessoas  jurídicas constantes  dos autos.  Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 24          45 Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado  a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio  do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº  3.048/1999,  impôs  ao Auditor  Fiscal  a  obrigação  de  considerar  os  contribuintes  individuais  (autônomos)  ou  outros  prestadores  de  serviços  como  segurados  empregados,  quando  verificados os requisitos legais, in verbis:   “Art. 229.  [...]  § 2º ­ Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inc.  I  «caput»  do  art.9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.”  Verifica­se do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob  qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade  jurídica  de empresas, quando verificados os requisitos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal  na presente demanda.  Esse  procedimento  também  encontra  respaldo  no  Parecer/MPAS/CJ  nº  1652/99  c/c  Parecer/MPAS/CJ  nº  299/95,  os  quais  apesar  de  não  mais  vincularem  este  Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas:   “EMENTA  PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO  –  DESCARACTERIZAÇÃO  DE  MICROEMPRESÁRIOS.  1.  A  descaracterização  de  microempresários,  pessoas  físicas,  em  empregados  é  perfeitamente  possível  se  verificada  a  existência  dos  elementos  constituintes  da  relação  empregatícia  entre  o  suposto “tomador  de  serviços” e  o  tido “microempresário”. 2.  Parecer  pelo  não  conhecimento  da  avocatória.  Precedente  Parecer/CJ nº 330/1995.”  “EMENTA  Débito  previdenciário.  Avocatória.  Segurados  empregados  indevidamente  caracterizados  como  autônomos.  Procedente  a  NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão  nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos  da  Previdência  Social,  que  decidiu  contrariamente  a  esse  entendimento.”  Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”,  da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem:  “Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas?  I – como empregado:  Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   46 a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;”  “Art. 3º. Considera­se empregado toda pessoa física que prestar  serviços  de  natureza  não  eventual  a  empregador,  sob  a  dependência deste e mediante salário.”  Assim,  constatados  todos  os  requisitos  necessários  à  caracterização  do  vínculo  laboral  entre  o  suposto  tomador  de  serviços  com  os  tidos  prestadores  de  serviços  (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os  dispositivos  legais  encimados,  tem  a  obrigação  de  caracterizar  como  segurado  empregado  qualquer  trabalhador  que  preste  serviço  ao  contribuinte  nestas  condições,  fazendo  incidir,  conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas  em favor daqueles.  No entanto, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal  da Autuação  tais  requisitos,  quais  sejam,  subordinação,  pessoalidade,  remuneração  e  não  eventualidade.  Deve,  em  verdade,  deixar  explicitamente  comprovada  a  existência  dos  pressupostos  legais  do  vínculo  empregatício,  sob  pena  de  improcedência  do  lançamento  por  ausência  de  comprovação  do  fato  gerador  do  tributo,  e  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos:  “Art. 37. Constatado o atraso  total ou parcial no recolhimento  de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos)  No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a  competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa  atividade  o  fiscal  autuante  descreva  e  comprove  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  lançado, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Na hipótese dos autos, em que pese o substancioso trabalho fiscal em relação  à  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  elencadas  no  processo,  a  ilustre  autoridade  lançadora,  ao  promover  a  caracterização  dos  funcionários  das  pessoas  jurídicas  desconsideradas  como  segurados  empregados  da  autuada,  não  logrou  motivar  o  presente  lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar e comprovar, na  forma  que  o  caso  exige,  os  requisitos  legais  necessários  à  configuração  do  vínculo  empregatício, acima mencionado.  Ora,  muito  embora  o  fiscal  autuante  lance  inúmeras  assertivas  quanto  à  vinculação  das  empresas  desconsideradas,  para  fins  previdenciários,  trazendo  à  colação  histórico  e  quadro  societário  de  algumas  dessas  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços,  Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 25          47 procurando justificar a exigência fiscal, não fora feliz no que diz respeito à demonstração da  existência  dos  requisitos  do  vínculo  empregatício  entre  a  contratante  (recorrente)  e  os  contratados.  Como se verifica do Relatório Fiscal, é certo que o procedimento eleito pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento  encontra  amparo  no  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, in verbis:   “226. De fato, não há como desconhecer o vínculo empregatício  entre  o  sujeito  passivo  e  trabalhadores  que  lhe  prestaram  serviços,  mesmo  que  tais  serviços  estejam  mascarados  sob  o  rótulo de “serviços prestados por pessoas jurídicas”. Ressalta­se  que tal situação está incrustada em diversos níveis da empresa:  desde a vice­presidência  e a diretoria, perpassando por  cargos  de gerência e de analistas de sistemas.  227. Nesse ínterim, merece destaque o disposto no parágrafo 2º,  Art. 229, do Decreto 3.048/99:  “§ 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.” (grios nossos)  Neste sentido, adotando­se como fundamento precípuo dos Autos de Infração  o  dispositivo  legal  retro,  antes  mesmo  da  demonstração  da  vinculação  entre  as  pessoas  jurídicas, é condição indispensável à validade do lançamento a comprovação dos pressupostos  da relação laboral entre a contratante e os tidos como prestadores de serviços.  In casu, com mais razão a fiscalização deverá comprovar a ocorrência do fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  exigidas,  tendo  em vista  tratar­se de  procedimento  excepcional  de  desconsideração  de  personalidade  jurídica  e,  conseqüente,  caracterização  de  segurados  empregados.  Aliás,  o  artigo  37  da  Lei  nº  8.212/91,  supratranscrito,  com  mais  especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do  débito constituído.  Repita­se, para que tal procedimento tenha validade e esteja em consonância  com a legislação de regência, não é suficiente a alegação genérica da autoridade administrativa  de  que  constatou  a  existência  dos  pressupostos  da  relação  de  emprego,  devendo  haver  comprovação da existência efetiva do vínculo laboral, abordando cada requisito necessário para  tanto,  de maneira  individualizada  ou  por  tipo  de  trabalho  desenvolvido  pelos  prestadores  de  serviços.  Ora, os  atos  administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei nº  9.784/99,  que  regulamenta  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis:  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   48 Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal de forma destrinçada  a  demonstração  da  efetiva  existência  dos  requisitos  necessários  à  caracterização  dos  trabalhadores das pessoas  jurídicas desconsideradas como segurados empregados da autuada,  corroborado  com  quadro  contendo  nome  de  todos  os  prestadores  de  serviços  tidos  como  empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o  exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de incorrer em cerceamento do  direito de defesa. Mais não é o que se verifica no presente caso.  Na  hipótese  dos  autos,  ao  promover  o  lançamento  levando  a  efeito  a  caracterização dos prestadores de serviços (na condição de pessoas jurídicas) como segurados  empregados,  o  ilustre  fiscal  autuante,  em  seu  Relatório  Fiscal,  simplesmente  inferiu  ter  efetuado  tal  enquadramento,  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  daquelas  empresas, sem conquanto demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento,  maculando o lançamento em comento.  É  fato  que  o  nobre  fiscal  autuante  elaborou  substancioso  Relatório  Fiscal  procurando  justificar a pretensão do Fisco,  sobretudo  trazendo à colação o histórico de parte  das  empresas  desconsideradas  e  o modus  operandi de  parte  das  contratações. No  entanto,  o  mais importante não logrou a fiscalização a demonstrar, a efetiva existência dos requisitos do  vínculo empregatício.  Aliás,  a  própria  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  converteu  o  julgamento em diligência em 03 (três) oportunidades solicitando à  fiscalização, dentre outras  providências,  fosse  comprovada  a  constatação  dos  pressupostos  da  relação  laboral,  como  se  extrai do trecho do primeiro Despacho de Diligência, de fls. 1.061 (1.065 da digitalização), nos  seguintes termos:  “DA DILIGÊNCIA FISCAL  Tendo  em  vista  as  alegações  da  Impugnante,  bem  como  a  documentação anexada aos autos e, em obediência ao princípio  da verdade material,  sugiro sejam estes baixados em diligência  para  que  o  Auditor  Fiscal  autuante  as  analise  e  apresente  parecer conclusivo quanto à procedência das alegações; e, caso  seja necessária a alteração do crédito  lançado, efetue a devida  planilha de retificação.  Deve o Auditor, também, anexar aos autos os anexos que cita no  Relatório  Fiscal,  bem  como  a  relação  nominal  dos  segurados  caracterizados  empregados,  com  as  respectivas  atividades  por  eles desenvolvidas e que os caracterizam como empregados, nos  termos do art. 3º da CLT, conforme cita no Anexo 1 – ÍNDICE  DE DOCUMENTOS (fl. 319).” (grifos nossos)  Aludida  providência  fora  reiterada  pela  nova  Diligência  determinada  pela  autoridade  julgadora  de  piso,  Despacho  n°  05/2012,  de  fls.  1.067/1.090,  além  de  solicitar  outros esclarecimentos, igualmente, quanto à caracterização dos segurados empregados.  Aliás, observa­se dos autos que, muito embora a autoridade lançadora tenha  trazido ao processo novos elementos e motivos tendentes a manutenção do feito, em nenhuma  resposta  às  03  (três)  diligências  requeridas  atendeu  a  solicitação  do  julgador  de  primeira  instância  no  que  tange  a  efetiva  demonstração  da  existência  dos  requisitos  da  relação  empregatícia.  Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 26          49 A reforçar essa tese, não se tem conhecimento nem mesmo quais os serviços  que  eram  prestados  pelas  empresas  desconsideradas,  cujos  sócios  e/ou  funcionários  foram  caracterizados como segurados empregados da recorrente.  Veja  que  a  norma  legal  que  ampara  o  lançamento,  ao  possibilitar  o  procedimento  da  caracterização  de  segurados  empregados  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  exige  a  demonstração  dos  pressupostos  do  vínculo  empregatício. Ou  seja,  não  estamos  diante  de  uma  presunção  legal,  onde basta a fiscalização inferir o que verificou invertendo o ônus da prova ao contribuinte. É  preciso que haja a subsunção do fato a norma e, neste sentido, a mera indicação dos prestadores  de serviços, sem que tenha havido um aprofundamento nos exame dos fatos e sem demonstrar  as  características  legais  que  definem  o  segurado  como  empregado,  não  tem  o  condão  de  suportar a exigência fiscal.  Impende esclarecer que não entendemos que o simples fato da existência de  Acórdão em sede de Ação Civil  Pública,  ou mesmo de  a  contribuinte  ter  firmado Termo de  Ajustamento de Conduta – TAC e/ou Acordo com o Ministério Público do Trabalho, por si só,  teria o condão de ensejar a configuração da relação laboral entre a autuada e os prestadores de  serviços, de maneira a afastar a necessidade de o fiscal de desincumbir do ônus de comprovar a  ocorrência dos fatos geradores.  Isto  porque,  referidos  Acórdão,  TAC  e/ou  Acordo,  podem  ter  levado  em  consideração outras situações fáticas e jurídicas com reflexo em diversas searas do direito, não  representando,  em  nosso  entendimento,  em  evidente  confissão  de  que  os  prestadores  de  serviços em comento, de fato, são segurados empregados, ao contrário do que restou assentado  pela autoridade lançadora, que adotou tais fatos para suportar o lançamento.  Igualmente,  eventuais  processos  trabalhistas  trazidos  à  colação  pela  fiscalização  para  amparar  a  pretensão  fiscal,  isoladamente,  não  se  prestam  a  tal  finalidade,  caracterizando tão somente como mais um indício da conduta atribuída à contribuinte. Mesmo  porque, a recorrente também faz referência a outras reclamações em que não fora reconhecido  o vínculo empregatício.  Cabe, com certeza, ao fiscal autuante motivar e comprovar a existência dos  pressupostos  da  relação  empregatícia  entre  os  prestadores  de  serviços  e  a  contratante,  ora  recorrente,  não  bastando  para  tanto  adotar,  exclusivamente,  os  ditames  do  Termo  de  Ajustamento  de  Conduta  –  TAC/Acordo  firmado  com  o  Ministério  Público  do  Trabalho,  decisões judiciais isoladas, etc, sob análise ou mesmo reclamatórias trabalhistas isoladas, para  refletir/projetar toda a situação jurídica à totalidade das empresas contratadas.  Em tempo, não é demais lembrar que na Sentença exarada nos autos da Ação  Civil  Pública,  processo  n°  01145.2009.011.10.00­3,  promovida  pelo  Ministério  Público  do  Trabalho,  em  trâmite perante  a  11a Vara  do Trabalho  da 10a Região,  restou  definido,  dentre  outras determinações, que a contribuinte deveria:  PARTE TRANSCRITA NO ITEM 191 DO RELATÓRIO FISCAL:  1)  ABSTER­SE  de  contratar  trabalhadores  por  interposta  pessoa, física ou jurídica, inclusive cooperativas, para execução  de  serviços  ligados  à  sua  atividade­fim,  ou  mesmo  em  se  tratando  de  atividade­meio,  quando  houver  subordinação  e  Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   50 pessoalidade, salvo as hipóteses previstas na Lei no 6.019/1974,  sob pena de multa de (...);  2) ABSTER­SE de operacionalizar, constituir, exigir ou facilitar  por  qualquer  meio,  a  constituição  de  pessoas  jurídicas  como  expediente apto a  frustar a aplicação da legislação trabalhista,  sob pena de aplicação de multa de (...);,  3)  REGISTRAR  e  ANOTAR  a  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência Social (CTPS) de seus empregados, anotando a data  de início da prestação de serviços, bem como demais condições  de  trabalho,  incluindo  a  remuneração  efetivamente  recebida,  tudo na  forma dos artigos 29  e 41 da CLT,  sob pena de multa  (...);(Grifamos)  PARTE TRANSCRITA NO RECURSO VOLUNTÁRIO  “[...]  Parágrafo único. Não constitui  violação à obrigação  fixada no  caput, a contratação de  serviços que apresentem um know­how  especializado,  e  cujos  serviços  sejam  prestados  com  efetiva  autonomia e ausência de subordinação jurídica pelo contratado,  ainda que com pessoalidade.” (grifos nossos)  Como se constata,  a  fiscalização  somente  transcreveu no Relatório Fiscal  a  primeira  parte  do  Acordo  firmado  com  o  MPT,  que  na  verdade  é  uma  sentença  judicial  naqueles  autos, DEIXANDO  DE  FAZER  REFERÊNCIA  AO  PARÁGRAFO  PRIMEIRO  ACIMA CITADO, o qual possibilitava a prestação de serviços especializados mediante pessoas  jurídicas.  Aliás,  para  afastar  qualquer  insurgimento  da  contribuinte  contra  o  procedimento escorando o pleito em tal determinação, o fiscal autuante fez questão de afirmar  no Relatório Fiscal, item 194, que:  “[...]  194. Cumpre observar que acordos celebrados entre a POLITEC  e  empresas  de  seus  funcionários,  ou  entre  a  POLITEC  e  empresas  interpostas,  com  o  intuito  de  burlar  as  legislações  tributária,  previdenciária  e  trabalhista,  embora  tenham  sido  realizados com a anuência de trabalhadores, não podem alterar  ou  extinguir  definições  instituídas  por  Legislação  Federal,  especificamente  quando  se  trata  de  determinar  fatos  geradores  de  obrigações  tributárias.  Os  acordos  firmados  entre  a  POLITEC  e  o  Ministério  Público  do  Trabalho,  de  maneira  similar,  não  têm  poderes  para  isentar  a  POLITEC  do  cumprimento  de  obrigações  previdenciárias.  Dessa  forma,  as  disposições  dos  acordos  efetuados  entre  essas  partes  não  vinculam terceiros estranhos ao negócio  realizado, entre eles a  Previdência  Social  e  a  RFB,  razão  pela  qual  devem  incidir  tributos sobre as verbas pagas a trabalhadores com a utilização  de empresas interpostas. [...]” (grifos nossos)  Daí  porque  afastar  todas  as  argumentações  da  fiscalização  arrimadas  nos  Acordos com o Ministério Público do Trabalho ou decisões exaradas nos autos de Ação Civil  Pública  ou  reclamatórias  trabalhistas,  porquanto  a  própria  autoridade  fiscal  ressalvou  que  Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 27          51 aludidos acordos não tem o condão de vincular ou surtir efeito na relação entre a empresa e o  Fisco.  Assim,  não  se  pode  assimilar  parte  dos  acordos,  que  melhor  aprouver  a  pretensão  fiscal,  e  esquecer  de  outras  determinações  que  sustentam  o  pleito  da  contribuinte.  Neste sentido, cai por terra toda fundamentação da fiscalização escorada em tais processos e/ou  acordos, reforçando a tese de que deveria ter se aprofundado no exame da questão, procedendo  a  devida  subsunção  dos  fatos  à  norma,  comprovando  a  efetiva  existência  dos  requisitos  do  vínculo empregatício.  No  meu  sentir,  para  que  o  se  considere  cumprido  o  encargo  da  Auditoria  quanto à demonstração dos pressupostos da relação empregatícia, deveria constar no Relatório  Fiscal, para cada um dos segurados arrolados, ou pelo menos para cada grupo de segurados que  exerciam  a mesma  função  na  empresa  tomadora,  a  análise  da  presença  dos  pressupostos  da  relação  de  emprego.  A  fiscalização,  ao  contrário,  sequer  informa  quais  os  serviços  eram  prestados, ou se o faz, é por demais superficial.  A  mera  citação  de  que  houve  a  pessoalidade,  não  eventualidade,  subordinação  e  onerosidade  não  é  satisfatória. Necessário  que  se  demonstre  a  ocorrência  de  cada  um  desses  pressupostos,  os  quais,  quando  presentes  cumulativamente,  autorizam  a  caracterização da relação de emprego.  Analisando o Relatório Fiscal, não há o desejado detalhamento dos requisitos  de  vínculo  empregatício.  Corroborando  esse  entendimento,  o  órgão  de  primeira  instância  determinou diligências neste sentido em três oportunidades, como acima já explicitado.  No meu  entendimento,  afastadas  as  alegações  pertinentes  aos  acordos  e/ou  sentenças  nos  autos  da  Ação  Civil  Pública,  o  fato  de  haver  exclusividade  na  prestação  de  serviços,  repetição  de  valores  pagos  às  empresas,  a  contratação  em  atividades  fins  da  contratante e outras observações seriam somente indícios de existência de vínculo de emprego,  os quais em conjunto com outros elementos que pudessem avalizar à conclusão pela ocorrência  dos requisitos da relação empregatícia, justificariam a caracterização dos sócios das prestadoras  como segurados empregados da tomadora, o que não ocorrera na hipótese sob análise.  A jurisprudência administrativa oferece proteção a esse entendimento, como  se verifica dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADO  EMPREGADO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO,  DE  FORMA  CUMULATIVA,  DOS  REQUISITOS  NECESSÁRIOS  À  CONFIGURAÇÃO  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  IMPROCEDÊNCIA  DO  LANÇAMENTO.  Deve  ser  declarado  improcedente  o  lançamento  decorrente  de  caracterização  de  segurado  empregado,  quando  o  fisco  não  consegue  se  desincumbir  do  ônus  de  comprovar  a  ocorrência  cumulativa  da  pessoalidade,  onerosidade,  subordinação  e  não  eventualidade.  Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   52 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005  PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE  PAGAMENTO  OU  IMPOSSIBILIDADE  DE  SE  VERIFICAR  ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.  Constatando­se  antecipação  de  recolhimento  ou  quando,  com  base nos autos, não há como a se concluir  sobre essa questão,  deve­se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4.  do art. 150 do CTN.  Recurso Voluntário Provido” (Processo n° 36624.011921/2006­ 10 – Acórdão n° 2401­002.375 – Sessão de 18/04/2012 – Relator  Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo)  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2003  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  ­  DÉBITO  NORMAL  ­  SEGURADOS  EMPREGADOS  ­  CARACTERIZAÇÃO  DEFICIENTE ­ LANÇAMENTO ARBITRADO.  Para  que  o  crédito  tributário  seja  constituído  com  base  na  caracterização  de  segurado  empregado,  é  necessário  que  os  elementos  caracterizadores  do  vínculo  empregatício  fiquem  devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.  A falta da exposição clara e precisa dos elementos citados acima  dificulta  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  do  sujeito  passivo,  retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma  futura  execução  fiscal.  A  inviabilidade  do  saneamento  do  vício  enseja  a  anulação  do  crédito. Ocorrência  de  vício  de  natureza  material. Processo Anulado.” (Processo n° 16095.000315/2007­ 60 – Acórdão n° 206­01815­ Sessão de 04/02/2009 – Relatora  Conselheira Bernadete de Oliveira Barros)  “Assunto:  Contribuições  Sociais  PrevidenciáriasPeríodo  de  apuração:  01/12/2004  a  31/12/2004Ementa:  CUSTEIO  ­  PREVIDENCIÁRIO  ­  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADO  EMPREGADO  ­  PRESSUPOSTOS  DA  RELAÇÃO  DE  EMPREGO ­ COMPROVAÇÃO.  1­ Tendo o lançamento observado a regra contida no art. 37 da  Lei nº 8212/91, não há que se falar em nulidade por cerceamento  de  defesa.Preliminar  de  nulidade  rejeitada.2­ A  caracterização  de  segurados  como  empregados  pela  fiscalização  está  condicionada  à  plena  demonstração  pela  auditoria  fiscal  dos  pressupostos  da  relação  de  emprego.Recurso  Voluntário  Provido.”  (Sexta  Câmara  do  Segundo  Conselho,  Recurso  nº  141.489  –  Acórdão  nº  206­00310,  Sessão  de  12/12/2007)  (grifamos)  Como  circunstanciadamente  demonstrado  alhures,  é  exatamente  o  que  se  verifica  nos  caso  dos  autos,  onde  a  fiscalização,  em  suma,  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  comprovar  cabalmente  e precisamente  a  existência dos  requisitos  da  relação  laboral  entre os  prestadores de serviços com a tomadora, ora recorrente, indicando/listando os nomes, serviços,  Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 28          53 empresas, ou mesmo por grupo de trabalho/serviços, ou seja, procedendo a efetiva subsunção  do  fato  à  norma,  impondo  seja  decretada  a  improcedência  dos  levantamentos  pertinentes  à  aludida caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade  jurídica das contratadas.  Em síntese, relativamente ao mérito, assim é de se admitir os efeitos do voto:  No  que  tange  aos  pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  mediante cartão premiação (A1), afora o período já alcançado pela decadência, é de se manter  os lançamentos por descumprimento de obrigações principais e as penalidades pertinentes aos  descumprimentos de obrigações acessórias.  Em  outra  via,  quanto  à  questão  de  mérito  pertinente  as  caracterizações  de  prestadores  de  serviços,  mediante  PJ,  como  segurados  empregados  da  recorrente  (A2),  igualmente,  afora  o  período  já  abarcado  pelo  prazo  decadencial,  deve  ser  decretada  a  improcedência  integral  dos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigações  principais  e  as  penalidades concernentes à inobservância de obrigações acessórias.  Dessa  forma,  as  conseqüências,  conforme  o  relatório  fiscal,  da  definição  sobre esses importantes pontos do mérito (pagamentos a segurados empregados da recorrente  mediante cartão premiação e caracterização de prestadores de serviços, por meio de PJ, como  segurados empregados da recorrente), são:  i.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.504­4,  obrigação  principal,  patronal,  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO,  nos  termos  do  voto,  mantendo­se  as  exigências  relativas  aos pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  mediante  cartão  premiação,  excluindo­se  as  exigências  pertinentes  a  caracterização de prestadores de serviços, por meio de  PJ, como segurados empregados da recorrente;  ii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.505­2,  obrigação  principal,  segurados,  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO,  nos  termos  do  voto,  mantendo­se  as  exigências  relativas  aos pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  mediante  cartão  premiação,  excluindo­se  as  exigências  pertinentes  a  caracterização de prestadores de serviços, por meio de  PJ, como segurados empregados da recorrente;;  iii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.506­0,  obrigação  principal,  terceiros,  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO,  nos  termos  do  voto,  mantendo­se  as  exigências  relativas  aos pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  mediante  cartão  premiação,  excluindo­se  as  exigências  pertinentes  a  caracterização de prestadores de serviços, por meio de  PJ, como segurados empregados da recorrente;  Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   54 iv.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.507­9:  obrigação  acessória,  CFL30,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade  da  multa,  nos  termos  do  voto,  por  se  tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a  pagamentos a segurados empregados da recorrente por  cartão premiação;  v.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.508­7:  obrigação  acessória,  CFL34,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade  da  multa,  nos  termos  do  voto,  por  se  tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a  pagamentos a segurados empregados da recorrente por  cartão premiação;  vi.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.509­5:  obrigação  acessória,  CFL35,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade  da  multa,  nos  termos  do  voto,  por  se  tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a  pagamentos a segurados empregados da recorrente por  cartão premiação;  vii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.510­9:  obrigação  acessória,  CFL38,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade da multa, nos  termos do voto, porquanto  a  penalidade  é  fixa,  havendo  fatos  que  não  guardam  relação de causa e efeito com as obrigações principais  e,  portanto,  independem da  resolução  das  questões  de  mérito,  por  ter  deixado  de  exibir  documentos  solicitados pela Fiscalização;  viii.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.511­7:  obrigação  acessória,  CFL59,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade  da  multa,  nos  termos  do  voto,  por  se  tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a  pagamentos a segurados empregados da recorrente por  cartão premiação;  ix.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.512­5:  obrigação  acessória,  CFL22,  NEGADO  PROVIMENTO  AO  RECURSO,  mantendo  a  integralidade  da  multa,  nos  termos  do  voto,  por  se  tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a  pagamentos a segurados empregados da recorrente por  cartão premiação;  x.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DEBCAD  Nº  31.319.513­3:  obrigação  acessória,  CFL68,  PROVIMENTO  PARCIAL AO RECURSO, nos termos do voto, por se  Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 29          55 tratar  de  multa  variável,  devendo  ser  mantida  a  penalidade  referente  aos  pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  por  cartão  premiação,  excluindo­se  a  multa  pertinente  a  caracterização  de  prestadores de  serviços, mediante PJ,  como  segurados  empregados da recorrente.  DO  RECÁLCULO  DA  MULTA  DOS  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  37.319.504­4, 37.319.505­2, 37.319.506­0 (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL)  Como se verifica do Relatório Fiscal, a fiscalização entendeu por bem aplicar  a multa de conformidade com o que estatui a atual  lei em vigor, ou seja, a que aplica a pena  menos severa ao contribuinte.  Igualmente,  há de  se  registrar que o dispositivo  legal da multa  aplicada  foi  alterado  pela  Lei  11.941,  de  27  de  maio  de  2009,  merecendo  verificar  a  questão  relativa  à  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25  de outubro de 1966.  Na esteira das novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava  a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual  incide na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo  106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, se  mais benéfica ao contribuinte, limitando­se, portanto, a 20%.  DO RECÁLCULO DA MULTA DO AUTO DE INFRAÇÃO 37.319.513­ 3 (AI 68)  Em suas alegações recursais, requer, ainda, a contribuinte seja determinado o  recálculo  da  multa  do  AI68  com  base  no  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/91,  por  se  tratar  de  penalidade mais  benéfica  contemplada  por  legislação  posterior  ao  lançamento  fiscal,  a  qual  deve retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos, em observância aos preceitos do artigo  106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.  Novamente,  inobstante  a  fundamentação  do Acórdão  recorrido,  o  pleito  da  contribuinte merece acolhimento.  A respeito do  tema, o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes dissertou com  maestria na  resolução da contenda, concluindo pela aplicação dos ditames contidos no artigo  32­A da Lei n° 8.212/91, para fins de recálculo da multa sob análise, nos seguintes termos:  “ [...]  Multa aplicada  Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   56 É  direito  da  recorrente  a  retroatividade  benéfica  prevista  no  artigo  106  do Código  Tributário Nacional  e  em  face  da  regra  trazida  pelo  artigo  26  da  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009  que  introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo,  então, ao  seu  exame,  sobretudo para  explicar porque não deve  ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996.  Seguem transcrições:  [...]  Podemos  identificar  nas  regras  do  artigo  32­A  os  seguintes  elementos:  a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre  tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social – GFIP;  b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após  o  prazo  legal,  corrigi­la  ou  suprir  omissões  antes  de  algum  procedimento de ofício que resultaria em autuação;  c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta  de  entrega/entrega  após  o  prazo  legal  e  nos  casos  de  informações  incorretas/omitidas;  sendo  no  primeiro  caso,  limitada a vinte por cento da contribuição;  d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação  ao recolhimento da contribuição previdenciária;  e) reduções da multa considerando  ter sido a correção da falta  ou  supressão  da  omissão  antes  ou  após  o  prazo  fixado  em  intimação; e  f) fixação de valores mínimos de multa.  Inicialmente,  esclarece­se  que  a  mesma  lei  revogou  as  regras  anteriores  que  tratavam  da  aplicação  da  multa  considerando  cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número  de segurados da empresa:  Art. 79. Ficam revogados:  I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35,  os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º  do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do  art.  80,  o  art.  81,  os  §§  1º,  2º,  3º,  5º,  6º  e  7º  do  art.  89  e  o  parágrafo  único  do  art.  93  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991;  Para  início  de  trabalho,  como de  costume,  deve­se  examinar  a  natureza  da  multa  aplicada  com  relação  à  GFIP,  sejam  nos  casos  de  “falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”.  No inciso II do artigo 32­A em comento o legislador manteve a  desvinculação  que  já  havia  entre  as  obrigações  do  sujeito  passivo:  acessória,  quanto  à  declaração  em  GFIP  e  principal,  quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida:  Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 30          57 II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.  Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado  o  pagamento  de  cem  por  cento  das  contribuições  previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo.  Comparando  com  o  artigo  44  da  Lei  n°  9.430,  de  27/12/1996,  que  trata  das  multas  quando  do  lançamento  de  ofício  dos  tributos  federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As  multas nele previstas  incidem em razão da  falta de pagamento  ou,  quando  sujeito  a  declaração,  pela  falta  ou  inexatidão  da  declaração, aplicando­se apenas ao valor que não foi declarado  e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o  seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de  R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora  tenha  efetuado  o  pagamento/recolhimento  integral  dos  R$  100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada?  Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$  80.000,00?  Incidiria  a  multa  de  75%  (considerando  a  inexistência de  fraude)  sobre a diferença de R$ 20.000,00.  Isto  porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição  do  crédito  pelo  fisco,  isto  é,  de  ofício  através  do  lançamento.  Caso  todo  o  valor  de  R$  100.000,00  houvesse  sido  declarado,  ainda  que  não  pagos,  a  DCTF  já  teria  constituiria  o  crédito  tributário sem necessidade de autuação.  A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o  pagamento. Ainda  que  não  existam diferenças  de  contribuições  previdenciárias  a  serem  pagas,  estará  o  contribuinte  sujeito  à  multa  do  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991.  Seguem  transcrições:  LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996.  Dispõe  sobre  a  legislação  tributária  federal,  as  contribuições  para a seguridade social, o processo administrativo de consulta  e dá outras providências.  ...  Seção V  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  ...  Multas de Lançamento de Ofício  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   58 do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.   A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do  caso  da  multa  prevista  no  artigo  32­A,  em  que  independentemente do pagamento/recolhimento da  contribuição  previdenciária,  o  que  se  pretende  é  que,  o  quanto  antes  (daí  a  gradação  em  razão  do  decurso  do  tempo),  o  sujeito  passivo  preste  as  informações  à  Previdência  Social,  sobretudo  os  salários de contribuição percebidos pelos  segurados. São essas  informações  que  viabilizam  a  concessão  dos  benefícios  previdenciários.  Quando  o  sujeito  passivo  é  intimado  para  entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já  tem conhecimento da  infração e,  portanto,  já poderia autuá­lo,  mas  isso  não  resolveria  um  problema  extrafiscal:  as  bases  de  dados  da  Previdência  Social  não  seriam  alimentadas  com  as  informações  corretas  e  necessárias  para  a  concessão  dos  benefícios previdenciários.  Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do  artigo  44  aos  processos  instaurados  em  razão  de  infrações  cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração  e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além  das  razões  já  expostas,  deve­se  observar  o  Princípio  da  Especificidade  ­  a  norma  especial  prevalece  sobre  a  geral:  o  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/1991  traz  regra  aplicável  especificamente  à  GFIP,  portanto  deve  prevalecer  sobre  as  regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas  as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e  responsáveis  tributários.  Pela  mesma  razão,  também  não  se  aplica o artigo 43 da mesma lei:  Auto de Infração sem Tributo  Art.43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Em  síntese,  para  aplicação  de  multas  pelas  infrações  relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do  artigo 32­A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a  matéria.  É  irrelevante  para  tanto  se  houve  ou  não  pagamento/recolhimento  e,  nos  casos  que  tenha  sido  lavrada  NFLD  (período  em  que  não  era  a  GFIP  suficiente  para  a  constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor  nela lançado.  Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 31          59 E,  aproveitando  para  tratar  também  dessas  NFLD  lavradas  anteriormente  à  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009,  não  vejo  como  lhes  aplicar  o  artigo  35­A,  que  fez  com  que  se  estendesse  às  contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da  Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é  vedado;  nem  tampouco  a  nova  redação  do  artigo  35.  Os  dispositivos  legais  não  são  interpretados  em  fragmentos,  mas  dentro  de  um  conjunto  que  lhe  dê  unidade  e  sentido.  As  disposições  gerais  nos  artigos  44  e  61  são  apenas  partes  do  sistema  de  cobrança  de  tributos  instaurado  pela  Lei  n°  9.430/1996.  Quando  da  falta  de  pagamento/recolhimento  de  tributos  são  cobradas,  além  do  principal  e  juros  moratórios,  valores  relativos  às  penalidades  pecuniárias,  que  podem  ser  a  multa  de  mora,  quando  embora  a  destempo  tenha  o  sujeito  passivo  realizado  o  pagamento/recolhimento  antes  do  procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o  lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies  são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei.  [...]  Retomando  os  autos  de  infração  de  GFIP  lavrados  anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que  parece  ser  o  mais  controvertido:  o  sujeito  passivo  deixou  de  realizar  o  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  (para  tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de  contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco?  Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que  seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela  decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo  44  por  lhe  ser  mais  prejudicial),  sem  prejuízo  da multa  no  AI  pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade  por  infração  de  obrigação  acessória  ou  instrumental  para  a  concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas  possuem motivos  e  finalidades próprias que não se confundem,  portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem.  Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para  ajustá­lo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32­ A  da  Lei  n°  8.212/1991. Nada mais  que  a  aplicação  do  artigo  106, inciso II, alínea “c” do CTN:  [...]  De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega  da  GFIP,  a  multa  não  pode  exceder  a  20%  da  contribuição  previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez  ocorrências:  Art. 32­A. (...):  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   60 que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no auto­de­ infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por  exemplo,  quando a  empresa  possui  pouquíssimos  segurados,  já  que a multa era proporcional ao número de segurados), não há  como se falar em retroatividade.  Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do  §2° do artigo 32­A:  § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.  Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é  aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a  falta.  Essa  possibilidade  já  existia  antes  da  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação  pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a  atenuação no caso de correção da infração.  E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho,  os  sujeitos  passivos  autuados,  embora  pudessem  fazê­lo,  não  corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a  redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo,  portanto,  desnecessária  nova  intimação  para  a  correção  da  falta,  oportunidade  já  oferecida,  mas  que  não  interessou  ao  autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°:  Art.291.Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo para impugnação.  §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir  a  falta,  dentro  do  prazo  de  impugnação,  ainda  que  não  contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não  tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.  ...  CAPÍTULO VI ­ DA GRADAÇÃO DAS MULTAS  Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma:  ...  Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 32          61 V  ­  na  ocorrência  da  circunstância  atenuante  no  art.  291,  a  multa será atenuada em cinqüenta por cento.  Retornando  à  aplicação  do  artigo  32A  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991,  devem  ser  comparadas  as  duas multas,  a  aplicada  pela  fiscalização com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212,  de  24/07/1991,  prevalecendo  a  menor..  [...]”  (Processo  n°  19740.000646/200817 – Acórdão n°  2402­004.143 –  Sessão  de  16/07/2014)  É  exatamente  o  que  se  constata  na  hipótese  dos  autos,  devendo  haver  a  separação das multas aplicadas por descumprimento de obrigações principais e acessórias, de  maneira que o recálculo da penalidade observe as suas próprias especificidades e, no caso dos  autos,  tratando­se de auto de infração por deixar de informar a  totalidade dos fatos geradores  das  contribuições  previdenciárias  em GFIP,  devem  ser  observados  os  preceitos  inscritos  no  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/91  no  recálculo  da multa,  se mais  benéfico  ao  contribuinte,  na  linha do exposto na jurisprudência acima transcrita.  DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS  Por derradeiro, pretende a contribuinte seja afastada a responsabilização dos  sócios/diretores  da  empresa  fiscalizada  em  relação  ao  crédito  tributário  ora  lançado,  sustentando,  em  síntese,  que  não  se  fizeram  presentes  os  pressupostos  legais  para  tal  responsabilidade, entendimento que ousamos divergir.  A  rigor,  no  recurso  voluntário  a  contribuinte  basicamente  repisa  os  argumentos  aduzidos  em  sede  de  impugnação,  os  quais  foram  devidamente  afastados  pelo  julgador  de  piso,  razão  pela  qual  peço  vênia  para  transcrever  parte  da  decisão  recorrida  e  adotar como razões de decidir, in verbis:  “[...]  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  A  impugnante  alega  que  a  autoridade  lançadora  procura  responsabilizar  os  sócios  de  forma  totalmente  ilegal/irregular,  sem observar  as  normas  que  regulamentam esse  procedimento.  Afirma que não ocorreram quaisquer das hipóteses previstas em  lei para que o sócio possa ser responsabilizado pelo crédito.  Em que  pese  os  argumentos  acima postos,  não  assiste  razão  a  impugnante.  De  acordo  com  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  (fls.  199  a  203),  a  fiscalização  constatou  que  restou  caracterizada  a  sujeição  passiva  solidária  dos  sócios  Newton  Carlos de Alarcão, CPF 003.886.881­49, Carlos Alberto Barros  de  Castro,  CPF  026.463.071­87,  Hélio  Santos  Oliveira,  CPF  076.211.911­04,  POLITEC  INCORPORADORA  LTDA.,  CNPJ05.311.165/0001­06  e  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  LTDA., CNPJ 00.722.991/0001­16, conforme veremos adiante.  A POLITEC LTDA.  (CNPJ 01.645.738/0001­79)  foi  constituída  em  30/06/1970.  Em  02/04/2007,  essa  empresa  se  transformou  numa  sociedade  anônima  fechada,  manteve  o  mesmo  CNPJ  e  Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   62 passou  a  ser  intitulada  de  POLITEC  TECNOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO S.A.  O quadro  societário  da POLITEC,  antes  de  sua  transformação  para S.A. era assim composto: [...]  Após  sua  transformação para  sociedade  anônima,  o Sr. Carlos  Alberto  Barros  de  Castro,  o  Sr.  Hélio  Santos  Oliveira,  o  Sr.  Newton  Carlos  de  Alarcão  e  a  Politec  Participações  Ltda.  continuaram  como  acionistas  da  POLITEC  TECNOLOGIA DA  INFORMAÇÃO  S.A.  Cumpre mencionar  que  as  pessoas  físicas  supracitadas  passaram  a  fazerparte  do  Conselho  de  Administração  da  POLITEC  TECOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S/A, a partirde 04/02/2007 e, posteriormente, também ocuparam  cargos diretivos nessa empresa. [...]  Nesse  contexto,  há  que  se  destacar  também  que,  conforme  documentos  do  Anexo  da  fiscalização  (AN1FISC  6),  o  quadro  societário  da  POLITEC  INCORPORADORA  LTDA.  (CNPJ  05.311.165/0001­06)  é  idêntico  ao  quadro  mencionado  acima.  As  atividades  econômicas  desempenhadas  por  essa  empresa  contemplam:  compra,  venda  e  aluguel  de  imóveis  próprios  e  incorporação de empreendimentos imobiliários.[...]  Por  sua  vez,  de  acordo  com  a  documentação  anexa  (AN1FISC  5),  a  atividade  econômica  principal  da  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  (CNPJ  00.722.991/0001­16)  envolve  sua  atuação  como  "Holdings  de  instituições  não­financeiras"  e  sua  composição  societária  encontra­se  discriminada  a  seguir:  [...]  A  fiscalização  percebeu,  assim,  a  existência  de  um  quadro  societário  comum  entre  a  POLITEC  TECOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S/A,  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  e  a  POLITEC  INCORPORADORA.  Não  somente  a  composição  societária  dessas  empresas  demonstra  a  estreita  relação  entre  elas,  a  contabilidade  da  POLITEC  TECOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S/A  traz  diversas  evidências  dessa  relação.  A  título  de  ilustração,  os  lançamentos  contábeis  em  anexo  (AN1FISC  7),  nos  quais  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  é  denominada  de  POLIPAR,  revelam  a  existência  entre  essas  empresas  de:  administrações  compartilhadas;  transferência  de  aeronaves; distribuições de  lucros; pagamentos de despesas de  impressão  de  encartes,  farmácia,  aluguéis,  condomínios  e  seguros; dentre outros.  Os  documentos  dos  anexos  AN1FISC  5,  6,  8  e  41,  além  de  demonstrarem  a existência  de  contratos de mútuo  para  reforço  de caixa entre a POLITEC e a POLITEC INCORPORADORA e  entre  a  POLITEC  e  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES,  também  demonstram  que  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  e  a  POLITEC  INCORPORADORA tiveram suas sedes localizadas num mesmo  endereço comercial. Conforme anexo AN1FISC 111, a POLITEC  admite a existência do um grupo econômico.  Assim, a  fiscalização se viu obrigada a considerar a POLITEC  TECOLOGIA  DA  INFORMAÇÃO  S/A,  a  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  e  a  POLITEC  INCORPORADORA  como  integrantes  do  mesmo  grupo  econômico.  As  evidências  obtidas  Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 33          63 no  decorrer  da  ação  fiscal  e  descritas  no  relatório  fiscal  em  anexo demonstram que o Grupo POLITEC auxiliou na criação  de  empresas  que  foram  utilizadas  para  mascarar  relações  empregatícias, dentre as quais estão a POLICS e a TELECOOP.  [...]  Diante  do  exposto,  restou  caracterizada  a  sujeição  passiva  solidária  da  POLITEC  INCORPORADORA  LTDA.  (CNPJ  05.311.165/0001­06),  da  POLITEC  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  (CNPJ  00.722.991/0001­16),  do  Sr.  Carlos  Alberto  Barros  de  Castro  (CPF:  026.463.071­87),  do  Sr.  Hélio  Santos  Oliveira  (CPF:  076.211.911­04)  e  do  Sr.  Newton  Carlos  de  Alarcão  (CPF: 003.886.881­49).  Conclui­se,  dessa  forma,  que  a  responsabilidade  solidária  se  aplica  aos  autos  de  infração  DEBCADs  nºs.  37.319.504­4  e  37.319.505­2.  Portanto, agiu com acerto a fiscalização, ao imputar a sujeição  passiva aossócios administradores da POLITEC, pelos  créditos  lançados,  tendo  em  vista  que  a  conduta  de  forma  que  tal  fato  caracteriza  infração  à  lei,  portanto,  se  enquadra  na  norma  contida no incisoIII, do art. 135, do Código Tributário Nacional:  [...]”  No que concerne aos demais argumentos da contribuinte contra a exigência  fiscal, mister  registrar  que  se  encontram  prejudicados  em  face  das  soluções,  procedência  ou  não,  dadas  às  demandas,  conforme  acima  demonstrado,  ou  mesmo  já  foram  devidamente  rechaçados pela decisão de primeira instância.  EXCLUSÃO  DOS  REPRESENTANTES  LEGAIS  DA  RELAÇÃO  DE  CO­RESPONSÁVEIS   Como é de conhecimento dos julgadores deste Colegiado, em que pesem as  alegações  da  contribuinte  contra  aludida  providência,  o  anexo  CORESP  tem  finalidade  meramente informativa, conforme já sumulado pelo CARF, cuja decisão tomo como voto.  Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.  Desta  feita,  em não havendo prejuízo para os  relacionados naquele anexo e  não  havendo  possibilidade  de  abertura  à  discussão  administrativa,  não  há  de  ser  revelada  qualquer indignação, dando para sua procedência como pela improcedência.      Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   64 CONCLUSÃO  Ante  ao  exposto,  VOTO NO  SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO  VOLUNTÁRIO, para DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, com a finalidade de:  i.  Dar  provimento  ao  recurso,  para  definir  a  data  de  ciência do lançamento em 20/12/2013, como consta no  voto;  ii.  Dar  provimento  ao  recurso,  por  acolher  a  decadência  total  dos  créditos  consubstanciados  nos  Autos  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  principal  (AIOP’S  N°s  37.319.504­4;  37.319.505­2;  37.319.506­0),  pela  regra  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  afastando  qualquer  imputação  de  dolo,  fraude  ou  simulação;  iii.  Dar  provimento  parcial  ao  recurso,  por  acolher  a  decadência parcial,  pela  regra do  art.  173,  I,  do CTN,  para  excluir  valores  constantes  do  cálculo  da  multa  relação ao período de 01/2006  a 11/2007,  no Auto de  Infração  lavrado  em  face  da  inobservância  de  obrigação acessória (AIOA: 37.319.513­3);  iv.  Dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nos  Autos  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  principal  (AIOP’S  N°s  37.319.504­4;  37.319.505­2;  37.319.506­0), nos termos do voto, com a manutenção  das  exigências  relativas  a  pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  por  cartão  premiação,  excluindo  tão  somente  as  exigências  concernentes  a  caracterização de prestadores de serviços, mediante PJ,  como segurados empregados da autuada;  v.  Dar  provimento  parcial  ao  recurso,  em  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  (AIOA  N°  37.319.513­3),  nos  termos  do  voto,  mantendo­se as penalidades referentes aos pagamentos  a  segurados  empregados  da  recorrente  por  cartão  premiação,  excluindo­se  tão  somente  os  valores  relativos  à  caracterização  de  prestadores  de  serviços,  mediante PJ, como segurados empregados da autuada;  vi.  Dar  provimento  ao  recurso,  para,  nos  AIOP’S  N°s  37.319.504­4;  37.319.505­2;  37.319.506­0,  limitar  a  multa de mora em 20%, nos termos do artigo 61 da Lei  9.430/96, se mais benéfica a contribuinte;  vii.  Dar  provimento  ao  recurso,  para,  no  AIOA  N°  37.319.513­3,  aplicar  os  preceitos  inscritos  no  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/91,  no  recálculo  da  multa,  se  mais benéfico a contribuinte;  Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 34          65 viii.  Negar  provimento  ao  recurso,  para  manter  a  responsabilidade dos sócios, como consta do voto;  ix.  Negar provimento ao recurso para deixar destacado que  a  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”,  o  “Relatório  de  Representantes  Legais  –  RepLeg”  e  a  “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos ao auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às  pessoas  ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa;  e;  x.  Negar  provimento  aos  pontos  em  que  se  insurgiu  a  recorrente.  É como voto.  Wilson Antonio de Souza Correa – Relator.  (assinado digitalmente)  Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   66   Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado,  Com  todo  respeito  ao  excelso  relator,  divirjo  de  suas  conclusões  e,  conseqüentemente,  nego  provimento  ao  recurso  do  sujeito  passivo  somente  nos  seguintes  pontos, com a apresentação do devido voto vencedor, conforme decidido pelo colegiado:  Não concordo com o relator, em primeiro lugar, na questão da caracterização  de  segurados  empregados,  quando  pessoas  jurídicas  em  que  segurados  ­  com  vínculo  de  emprego  devidamente  formalizado  com  o  sujeito  passivo,  em  períodos  idênticos  e  integrais,  segundo a legislação ­ eram seus proprietários.  Em  outro  ponto,  também  não  concordo  com  o  relator  sobre  alteração  das  multas  aplicadas,  nas  obrigações  tributárias  principais  e  acessórias,  devido  ao  Fisco  já  ter  verificado  a  aplicabilidade  das  determinações  do  Art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), com as multas sendo calculadas de forma correta.  No primeiro ponto, caracterização de segurados empregados, concordei com  o relator no seu voto em quase todas as situações.  Realmente,  conforme  informa  e  fundamenta  o  lançamento,  no  Relatório  Fiscal  (RF),  a  legislação  permite  e  determina  que  o  Fisco  descaracterize  vínculos  previdenciários  e  os  caracterize  como  segurado  empregado,  desde  que  as  premissas  que  o  configurem  como  tal  estejam  presentes  e  sejam  demonstradas  e  provadas  pela  acusação  da  fiscalização.  Decreto 3.048/1999:  Art.  229.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  é  o  órgão  competente para:  ...  § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inciso  I  do  caput  do  art.  9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.  ...  Art.  9º  São  segurados  obrigatórios  da  previdência  social  as  seguintes pessoas físicas:  I ­ como empregado:  a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  a  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;  Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 35          67 Portanto  e  para  tanto,  o  Fisco  deve  verificar,  demonstrar  e  provar  que  o  serviço era:  1.  Prestado de forma pessoal;  2.  Prestado por pessoa física;  3.  Prestado na área urbana ou rural;  4.  Prestado  para  empresa  (conforme  definição  que  consta  na  legislação  previdenciária);  5.  De natureza não eventual, em relação à atividade da empresa;  6.  Prestado  em  regime  de  subordinação,  ressalte­se  que  a  subordinação  citada é a jurídica, pois até um contribuinte individual deve subordinação  de data, local, horário, etc;  7.  Oneroso, mediante remuneração; e  8.  Prestado inclusive como diretor empregado.    Assim,  como  demonstrado  de  forma  sintética,  acima,  o  trabalho  de  desconsiderar o vínculo pactuado é extremamente complexo, difícil, pois a acusação é obrigada  a  comprovar  ­  de  forma  individual,  por  segurado,  ou  por  grupo  de  segurados  que  prestam  serviço em idênticas condições – extensa lista de características.  Como demonstram  a  série  de  indagações  ­  diretas  ou  indiretas,  feitas  pelas  diligências  solicitadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  (DRJ), em  um  “debate”,  entre  acusador  e  julgador,  que  deixa  dúvidas  sobre  a  certeza  do  lançamento  e  sobre  a  legitimidade  dessa  “troca  de  idéias”,  em  respeito  ao  devido  processo  legal  e  ao  contraditório, motivos de ter votado pela definição da ciência do lançamento somente quando o  sujeito passivo foi cientificado da última diligência – concordei, como a maioria do colegiado,  com  o  relator  que  não  estão  comprovados  os  requisitos  para  a  desconsideração  do  vínculo  pactuado entre sujeito passivo e pessoas que lhe prestaram serviço em boa parte dos casos, mas  divirjo,  com  todo  respeito,  do  relator,  nos  casos  em  que  os  serviços  foram  prestados  por  pessoas  jurídicas  em  que  segurados  ­  com  vínculo  de  emprego,  em  cargos  de  direção  e  gerência, devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais (8  horas de trabalho), segundo a legislação ­ eram seus proprietários.  Em  nosso  entender,  o  Fisco  não  necessita  comprovar  os  requisitos  de  segurado empregado,  listados acima, a  fim de desconsiderar o vínculo, quando o  trabalhador  presta  serviço  em  período  integral,  oito  horas,  como  empregado,  com  registro  de  emprego  devidamente formalizado, em períodos idênticos.  Esses requisitos já estão presentes no vínculo formalizado.  Entendo o fundamento dos demais integrantes do colegiado, que divergiram  do meu voto, de que as relações de serviço, principalmente na área de sistemas de informação,  são  distintas  e  que  podem  ocorrer,  sim,  tais  situações, mas,  por  ora,  não  verifico  como  um  Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA   68 segurado empregado, com registro devidamente formalizado, trabalhando em período idêntico  e  integral,  oito  horas,  ocupando  cargo  de  gerência  e/ou  direção,  possa,  ao  mesmo  tempo,  prestar  serviços por  empresas  em que é o único  sócio  e não  ser considerado como  segurado  empregado.  Portanto, nesse sentido, por  todos motivos expostos, conforme RF, voto em  manter  nos  autos  as  exigências  constantes  dos  itens  09,  010  e  011  do  RF,  relativas  aos  segurados  Hiraclis  Nicolaidis  Júnior;  Marcos  Vinicius  Pinheiro  Dib;  Flavio  Marques;  e  Leonardo Ramos de Camargo.    Quanto às multas aplicadas, o Código Tributário Nacional (CTN) determina  medida quanto à a retroatividade da legislação.  CTN:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  ...  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Para  o  nobre  relator  e  para  os  demais  colegas,  a  fiscalização  –  como  no  presente  caso  –  aplicou  a  regra  do  CTN,  acima,  mas  o  fez  de  forma  equivocada,  pois  nos  lançamentos  referentes  aos  descumprimentos  de  obrigação  principal  deveria  ter  aplicado  a  penalidade  com  alíquota  máxima  de  vinte  por  cento,  como  determina  o  Art.  61,  da  Lei  9.430/1996.  Já  no  caso  de  aplicação  de  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  relativa  a  GFIP,  como  informa  o  relator,  a  fiscalização  deveria  ter  aplicado  a  penalidade constante do Art. 32­A, da Lei 8.212/1991.  Discordo das duas interpretações.  O que, em nosso entender, é determinado pelo CTN é que se deve comparar  como o Fisco aplicava as penalidades antes e comparar como o Fisco aplica as penalidades no  momento, após a alteração legislativa.  Essa  medida  já  foi  feita,  como  demonstra  o  item  307  do  RF,  de  maneira  correta.  Portanto, voto em manter a forma de aplicação das multas, penalidades, pelos  motivos expostos.        Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/2011­34  Acórdão n.º 2301­004.222  S2­C3T1  Fl. 36          69   CONCLUSÃO:  Pelo  exposto,  voto  em  conhecer  e  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  acompanhando o voto do nobre Relator em todos seus pontos, com exceção de:  1.  Manter no lançamento as contribuições previdenciárias  oriundas  dos  pagamentos  feitos  a  Hiraclis  Nicolaidis  Júnior; Marcos Vinicius Pinheiro Dib; Flavio Marques;  e Leonardo Ramos de Camargo, pelos motivos do voto;  e   2.  Manter  as  penalidades,  multas,  aplicadas,  nos  termos  do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                  Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

score : 1.0
5684983 #
Numero do processo: 10314.000055/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/12/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/12/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10314.000055/2010-10

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5393289

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-006.556

nome_arquivo_s : Decisao_10314000055201010.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 10314000055201010_5393289.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014

id : 5684983

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252866433024

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 277          1 276  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.000055/2010­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.556  –  3ª Turma Especial   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  II/IPI­IMPORTAÇÃO ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 14/12/2009  MATÉRIA  SUBMETIDA  AO  JUDICIÁRIO.  RENÚNCIA  ÀS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 14/12/2009  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  SUB  JUDICE.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENIR A DECADÊNCIA.   É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para  constituir  crédito  tributário  cuja  exigibilidade  encontrava­se  suspensa  por  força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve  permanecer  com  a  exigibilidade  suspensa  enquanto  não  modificados  os  efeitos da medida judicial.  JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.  LEGALIDADE.  Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir  decadência  declaram  a mora  e  o dies  a  quo  da  sua  contagem,  para  fins  da  incidência  no  ato  da  sua  cobrança,  se  e  quando  se  erguer  a  eficácia  do  lançamento com o desprovimento da ação judicial.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 00 55 /2 01 0- 10 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração,  em  não  conhecer  do  recurso,  quanto  à  matéria  submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado,  Belchior Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.  Relatório  O  presente  processo  é  constituído  de  autos  de  infração,  lavrado  para  exigência  de  crédito  tributário  referente  a  Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  Cofins­Importação  e  PIS­Importação,  incidentes  sobre  a  importação  de  equipamentos  de  procedência  estrangeira  destinados,  conforme  declarado  pela  Interessada,  à  utilização nas atividades essenciais da entidade.  Conforme  a  descrição  dos  fatos,  os  desembaraços  das  Declarações  de  Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação,  em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.028971­7, aviado na 22ª  Vara  Federal  de  São  Paulo,  em  que  foi  determinado  que  se  procedesse  ao  desembaraço  aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica.  O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico­ tributária  que  a  obrigue  a  recolher  impostos  e  contribuições  sociais  federais  devidos  na  importação,  tendo  como  fundamento  a  imunidade  de  que  goza  em  relação  aos  impostos  e  isenção às contribuições.  Houve  decisão  favorável  ao  deferimento  de  tutela  antecipada,  e,  posteriormente,  a  confirmação  por  meio  de  sentença,  sem  decisão  definitiva  transitada  em  julgado até a data das  autuações. Ante  este provimento,  os  autos de  infração  foram  lavrados  com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até  a decisão final.  Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que:  a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do  crédito  tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de  infrações por parte do  contribuinte,  não  se  trata  o  caso  de  aplicação  de  penalidade,  decorrendo  disso  que  o  instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento;  b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de  fato que autorizariam a sua imposição;  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/2010­10  Acórdão n.º 3803­006.556  S3­TE03  Fl. 278          3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido  declarada  de  utilidade  pública  federal,  fazendo  jus,  portanto,  à  imunidade  prevista  na  Constituição Federal;  d)  o  Ato  Declaratório  n°  9/06  do  Procurador  Geral  da  Fazenda  Nacional  reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão;  Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que:  a) a  interessada  indicou  ­ na declaração de  importação ­ não haver valor de  crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade  Aduaneira;  b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto  que  sob  a  ótica  da  Fazenda  a  interessada  deixou  de  recolher,  por  ocasião  do  registro  da  declaração de importação, os tributos em questão;  c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência  do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto  de  Infração  ou  Notificação  de  Lançamento;  visto  que  a  redação  do  dispositivo  legal  não  permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização;  d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto  de  Infração  assegura maior  benefício  ao  exercício  do  direito  de  defesa  e  do  contraditório  à  Interessada,  pois  este  instrumento  possui  não  apenas  a Disposição  Legal  Infringida,  mas  a  Descrição do Fato;  Quanto ao mérito:  a)  da  incidência  dos  tributos  na  importação,  em  face  de  imunidade  ­  não  conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em  renúncia às instâncias administrativas.  b)  da  incidência  dos  juros  de mora  no  lançamento  ­  sustentou  que mesmo  inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal  prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte.  Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem  exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes  até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 14/12/2009  AÇÃO  JUDICIAL.  EFEITOS.  LANÇAMENTO  DESTINADO  A  PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL.  A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o  dever  da  autoridade  administrativa  de  constituir  o  crédito  tributário.  A  propositura  de  qualquer  ação  judicial  anterior,  concomitante ou posterior a procedimento  fiscal,  com o mesmo  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 objeto  da  autuação,  importa  em  renúncia  ou  desistência  à  apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a  matéria divergente terá prosseguimento normal.  Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou  recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Preliminar  de  Nulidade  ­  Auto  de  Infração  como  meio  inadequado  à  constituição do crédito tributário  A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em  virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento,  uma  vez  que  o  crédito  constituído  encontra­se  com  a  exigibilidade  suspensa,  não  tendo  cometido  qualquer  infração  à  legislação.  Vista  unicamente  sob  o  seu  ângulo,  tem  razão  a  Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada  pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004.   Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia  em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são  os  eventos  que  motivaram  a  constituição  do  crédito  tributário.  Neste  prisma,  o  campo  Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário  como  do  fato  jurídico  da  ocorrência  da  infração  consistente  na  falta  de  recolhimento,  ao  desamparo da imunidade invocada.   001 ­ IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE ­ II  001  ­  IMPORTAÇÃO  NÃO  AMPARADA  POR  IMUNIDADE  ­  IPI  001  ­  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DA  COFINS ­ IMPORTAÇÃO ­ DI  001  ­  FALTA/INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DO  PIS/PASEP ­ IMPORTAÇÃO ­ DI  0  importador  submeteu  a  despacho  aduaneiro  de  importação,  pleiteando  IMUNIDADE  TRIBUTARIA  para  o  Imposto  de  Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e  para  as  contribuições  sociais  (PIS  e  COFINS)  incidentes  na  importação  das  mercadorias  descritas  e  amparadas  pelas  declarações  de  importação  no  09/0233039­4  e  10/1264240­4  (anexo I).  Cumpre  observar  que  a  alegada  imunidade  abrange apenas  os  impostos  sobre  patrimônio,  renda  e  serviços  das  entidades  previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/2010­10  Acórdão n.º 3803­006.556  S3­TE03  Fl. 279          5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na  alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que  remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de  tributos.  Esta  definição,  por  sua  vez,  é  tratada  pelo  Código  Tributário  Nacional  (aprovado  pela  Lei  no  5.172/66  e  recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III.  [...]  Além  de  todo  o  exposto  acerca  da  não  extensão  da  imunidade  constitucional,  o  importador  ao  pleitear  a  imunidade  dos  tributos  não  apresentou,  no  curso  do  despacho,  documentação  que  atestasse  o  cumprimento  dos  requisitos  necessários  para  obtenção da  renuncia  fiscal  dos  tributos bem  como Certificado  de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta  seu  caráter  de  assistência  social,  pleiteando  a  liberação  das  mercadorias com base na ação  judicial preventiva supracitada.  Portanto,  entende  esta  fiscalização  que  o  beneficio  fiscal  da  imunidade não pode ser concedido à autuada.  [...]  A multa prevista no art. 44,  inciso I da Lei no 9.430/96 não foi  aplicada  em  cumprimento  ao  disposto  no  §  1º  do  artigo  63  do  mesmo  dispositivo  Legal  (a  Decisão  Judicial  suspendeu  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  em  29/11/2004,  anterior  ao  registro das DI's).  O  registro  do  fato  jurídico  tributário  implicou  no  lançamento,  que  corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro.  O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito ­  que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação  judicial  aviada  sob  o  nº  2004.61.00.028971­7[1].  Assim,  não  obstante  descrita  a  infração,  o  Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade.  Dado  o  contorno  sob  o  qual  se  lavra Auto  de  Infração  para  prevenção  de  decadência ­ quando sua materialidade encontra­se em discussão na esfera judicial e presente a  infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira ­, pode­se  sustentar que este  instrumento não é  impróprio para a constituição do crédito  tributário, pelo  fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento.  Este  entendimento  encontra­se  bem  ajustado  ao  que  dispõe  o  art.  9º  do  Decreto  nº  70.235/72,  que  não  distingue  os  usos  do  Auto  de  Infração  e  da Notificação  de  Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis:  Art.  9o  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos)                                                              1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96.  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato,  ausente das exigências para a Notificação de Lançamento,  ao  tempo em que o  seu  inciso  III  aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição  de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do notificado;  II ­ o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou  impugnação;  III ­ a disposição legal infringida, se for o caso;  IV  ­  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Parágrafo  único.  Prescinde  de  assinatura  a  notificação  de  lançamento emitida por processo eletrônico.  A doutrina,  por  sua  vez,  apenas  identifica  o  uso  indistinto  de  um  ou  outro  instrumento  de  que  as  Administrações  Tributárias  tem  se  servido  para  introduzir  suas  imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins:  "O  auto  de  infração,  no  âmbito  da  Receita  Federal  e  a  Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  (NFLD), utilizada  pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de  documentos  fiscais  elaborados  pela  Administração  para  corporificar atos de  imposição. O auto de infração ou a NFLD  frequentemente  engloba  no  mesmo  suporte  físico  vários  atos  impositivos  referentes  a  diversas  relações  jurídicas,  ora  não  sancionatórias,  como  o  lançamento,  ou  relações  jurídicas  sancionatórias, como aplicação de multa por   Paulo  de  Barros  Carvalho,  na  mesma  vertente,  noticia  o  uso  do  auto  de  infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade:  Em  súmula,  dois  atos  administrativos,  ambos  introdutores  de  norma  individual  e  concreta  no  ordenamento  positivo:  um,  de  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/2010­10  Acórdão n.º 3803­006.556  S3­TE03  Fl. 280          7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é  fato  lícito e o  consequente  uma  relação  jurídica  de  tributo;  outro,  o  auto  de  infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição  de  um  delito  e,  no  consequente,  a  instituição  de  liame  jurídico  sancionatório,  cujo  conteúdo  da  prestação  tanto  pode  ser  um  valor  pecuniário  (multa)  como  uma  conduta  de  fazer  ou  não  fazer.  Tudo  seria  simples,  realmente,  se  o  auto  de  infração  apenas  conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e  concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob  a epígrafe "auto de infração", deparamo­nos com dois atos: um  de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de  penalidade,  pela  circunstância  de  o  sujeito  passivo  não  ter  recolhido, em  tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda.  Dá­se a  conjunção, num único  instrumento material,  sugerindo  até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser  normas  jurídicas  distintas  postas  por  expedientes  que,  por  motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo  suporte físico.  Pela  frequência  com  que  ocorrem  essas  conjunções,  falam  alguns,  em  "auto  de  infração"  em  sentido  largo  (dois  atos  no  mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar  a  peça  portadora  de  norma  individual  e  concreta  de  aplicação  de penalidade a quem cometeu ilícito tributário.  A  lição  acima  destaca  a  natureza  distinta  dos  atos  administrativos  do  lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos  e,  via  de  regra,  postos  no  mesmo  instrumento  de  constituição  das  exigências,  o  Auto  de  Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização  da  relação  jurídica  tributária  tendente  a  prevenir  decadência,  mesmo  que  inexista  a  penalidade.  Pelo exposto, rejeito a preliminar.  Mérito  Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade  Trava­se  no  processo  judicial  nº  2004.61.00.028971­7  discussão  sobre  a  in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos ­  tais como os lançados no presente Auto de Infração ­, que não estejam classificados no rol dos  impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos.  Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que  este debate não pode ser  travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que  aqui  se  der  ou  negar  tornar­se­á  sem  efeito  ante  decisão  superveniente  em  rumo  diverso  no  aludido  processo.  Logo,  de  raso,  deve­se  aplicar  a  Súmula  CARF  nº  1,  eis  que  presente  a  conexão de matérias[2].                                                              2   Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer  modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 Da incidência dos juros de mora no lançamento  Cabe  lembrar  que  o  presente  processo  é  dependente  da  ação  nº  2004.61.00.028971­7.  O  provimento  judicial  definitivo,  a  seu  tempo,  deitará  por  terra  este  processo.  Alternativamente,  o  desprovimento  referenderá  a  incidência  prevenida,  suscitará  a  mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com  amparo  do  art.  61,  §  3º,  cujo  lapso  de  tempo  de  sua  aplicação  estender­se­á  até  o  mês  do  pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para  prevenir decadência, os  juros podem ser  incluídos no  lançamento, sem o caráter de ser valor  fixo, como o são o principal e a multa.   Demais  disso,  considero  que  os  juros  não  estão  constituídos  na  data  e  na  linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que  ao estarem presentes em todo e qualquer  lançamento representam o conteúdo declaratório da  mora  até  o  momento  em  que  não  haja  impugnação,  para  fins  da  incidência  futura,  na  conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o  lançamento,  seja  com  o  trânsito  em  julgado  do  desprovimento  do  pedido  em  ação  judicial  ou  com  a  definitividade da decisão em processo administrativo.   Os  juros  não  estão  a  incidir  (no  que  entendo  ser  o melhor  sentido  jurídico  deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é  definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sê­lo somente quando, em tempo  futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse  diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a  quo  do  intervalo  de  tempo  até  o mês  do  pagamento,  na ocasião  da  cobrança.  Se  se pudesse  dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência  protraindo­se no tempo até a quitação do crédito tributário?   Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento,  em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra,  não representa prejuízo algum à Recorrente.  Pedido de intimação no endereço do advogado  Quanto  a  este  pedido,  no  rito  do  Processo  Administrativo  Fiscal  não  há  respaldo  legal  para  que  a  Administração  Tributária  efetue  as  intimações  na  pessoa  e  no  domicílio  do  advogado  constituído  pelo  contribuinte.  Este  entendimento  é  assente  nos  julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  O  princípio  do  informalismo  é  próprio  do  processo  administrativo,  e  nesse  pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação  por  advogado.  Em  observância  das  disposições  do  art.  art.  23  do  Decreto  nº  70.235/72,  as  intimações  devem  ser  feitas  diretamente  ao  administrado,  em  seu  domicílio  tributário,  não  implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;                                                                                                                                                                                            sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do  processo judicial.  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/2010­10  Acórdão n.º 3803­006.556  S3­TE03  Fl. 281          9 II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;  III ­ por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo.  [...]  § 2° Considera­se feita a intimação:  I  ­  na  data  da  ciência  do  intimado  ou  da  declaração  de  quem  fizer a intimação, se pessoal;  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição da intimação;   III ­ se por meio eletrônico:   a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante  de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;   b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  se  ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou  c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado  pelo sujeito passivo;  IV ­ 15  (quinze) dias após a publicação do edital,  se este  for o  meio utilizado.   § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste  artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.   § 4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo:   I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração tributária; e   II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.   § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  a administração tributária informar­lhe­á as normas e condições  de sua utilização e manutenção.   § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas  em ato da administração tributária. [grifos aqui]  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração;  por  não  conhecer  do  recurso,  quanto  à matéria  submetida  à  apreciação  do  Judiciário,  e  por  negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento.  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

score : 1.0
5670644 #
Numero do processo: 10920.909574/2012-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201401

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10920.909574/2012-69

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5390714

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-002.726

nome_arquivo_s : Decisao_10920909574201269.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI

nome_arquivo_pdf_s : 10920909574201269_5390714.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014

id : 5670644

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252874821632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.909574/2012­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.726  –  1ª Turma Especial   Sessão de  29 de janeiro de 2014  Matéria  PER ELETRÔNICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  FRANCO­BACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Não caracteriza pagamento de  tributo  indevido ou a maior,  se o pagamento  consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil  como  utilizado  integralmente  para  quitar  débito  informado  em  DCTF  e  a  contribuinte não prova  com documentos  e  livros  fiscais  e contábeis  erro  na  DCTF.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.  A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam  seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo  fiscal.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  Conselheiro  Sidney  Eduardo  Stahl  votou  pelas  conclusões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 74 /2 01 2- 69 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sergio  Celani,  Marcos  Antônio  Borges,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.    Relatório  O  processo  iniciou­se  com  Pedido  de  Restituição­PER,  apresentado  pela  contribuinte, ora recorrente.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Joinvile,  SC,  indeferiu  o  pedido,  com  fundamento  em  que  o  valor  recolhido  por  DARF,  indicado  como  origem  do  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional,  havia  sido  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada.  A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os  créditos pleiteados referir­se­iam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  cujo  acórdão  possui  a  seguinte  ementa:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2006  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR.  COMPROVAÇÃO  DA  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO. REQUISITO.  A  certeza  e  liquidez  do  crédito  é  requisito  essencial  para  o  deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo  pagamento indevido ou a maior que o devido.”  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 4          3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera  que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e  pede  que  seja  afastada  esta  exigência  e  enfrentados  os  argumentos  apresentados  na  manifestação de inconformidade.  Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição,  mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação.  Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF  retificadora.    Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  para julgamento nesta turma especial.  Sobre a nulidade da decisão de primeira instância.  No  acórdão  recorrido,  a  DRJ/Florianópolis  decidiu  com  base  no  entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido  ou  a  maior,  logo,  não  há  que  se  falar  em  crédito  líquido  e  certo  e,  por  isso,  correto  o  indeferimento do pedido de restituição.  Está  claro,  desde  o  despacho  decisório,  que  a  contribuinte  não  comprovou  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  pois  o  pagamento  informado  no  pedido  de  restituição referiu­se a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido.  Não  apresentadas  provas  em  contrário,  os  valores  informados  na  DCTF  devem ser considerados verdadeiros.  Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto,  conforme se vê adiante.  No  voto  condutor  do  acórdão  da  unidade  de  primeira  instância,  afirmou­se  que apenas com a  retificação da DCTF a  contribuinte  teria crédito contra a Fazenda e que a  retificação  somente  produziria  efeitos  em  relação  a  pedido  de  restituição  apresentado  posteriormente a ela.  Apesar  de  este  entendimento  divergir  do  que  entendem  várias  turmas  do  CARF, que  admitem que  a  retificação da DCTF pode  surtir  efeitos  em  relação  a pedidos de  restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser  anulada.  Ainda que se entenda prescindível a  retificação da DCTF, o  fundamento de  que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 5          4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida  estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa.  Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza  O  processo  se  iniciou  com  pedido  de  restituição  da  contribuinte,  no  qual  informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep.  A RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  da  contribuinte,  referente  a  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, é  instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando  crédito disponível a ser restituído.  Com base nisto, o pedido foi indeferido.  O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de  25/10/66 (CTN).  Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o  DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum.  Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte  tem  direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo  indevido ou maior que o devido;  erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  reforma,  anulação  revogação  ou  rescisão  de  decisão condenatória.  Caberia  à  interessada  provar  o  direito  à  restituição,  à  luz  do  art.  333  do  Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus  da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito.  Até  o  momento  do  protocolo  do  recurso  voluntário,  a  contribuinte  não  apresentou  documentos  que  comprovassem  erro  na  DCTF,  nem  comprovou  ocorrência  de  alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam  apresentação destes documentos em momento posterior. Cito.  “Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  –  os motivos  de  fato  e de  direito em que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 6          5 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.”  Ao  contrário  da  decisão  recorrida,  várias  decisões  proferidas  pelo  CARF  admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório.  Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF  retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e  dos documentos fiscais e contábeis.  Apenas  assim  se  pode  afirmar  que o  crédito  pleiteado  existe  e  é dotado  de  certeza e liquidez.  Veja­se  a  ementa  do  acórdão  3801­00.190,  de  22/05/2012,  relatado  pelo  Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar  a origem do direito de crédito:  “Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 31/12/2002  COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA  DO DESPACHO DECISÓRIO.  A  simples  retificação  de  DCTF  não  é  elemento  de  prova  suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.  A  compensação  não  pode  ser  homologada  quando  o  sujeito  passivo não comprova a origem de seu direito creditório.  Recurso Voluntário Negado.”  Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo  entendimento  os  Acórdãos  3802­001.290,  de  25/09/2012,  relatado  pelo  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  e  3802­001.593,  de  27/02/2013,  relatado  pelo  Conselheiro  Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes:  Acórdão nº 3802­001.290:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA  FASE  RECURSAL.  DECISÃO  NÃO  HOMOLOGATÓRIA  MANTIDA.  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 7          6 Na  ausência  da  comprovação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  utilizado  no  procedimento  compensatório,  deve  ser  mantida  a  decisão recorrida que não homologou a compensação declarada  pelo mesmo motivo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  PROCESSO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  ENTREGA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  REDUÇÃO  DO  DÉBITO  ORIGINAL.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.  Uma  vez  iniciado  o  processo  de  compensação,  a  redução  do  valor  débito  informada na DCTF  retificadora,  entregue  após  a  emissão  e  ciência  do  Despacho  Decisório,  somente  será  admitida,  para  fim  de  comprovação  da  origem  do  crédito  compensado,  se  ficar  provado  nos  autos,  por  meio  de  documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração  do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.  NULIDADE.  DECISÃO  DE  PRIMEIRO  GRAU.  ANÁLISE  DE  NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO  HOMOLOGAÇÃO DA  COMPENSAÇÃO  POR  INEXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO.  ALTERAÇÃO  DA  MOTIVAÇÃO  DO  DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.  Não  é  passível  de  nulidade,  por  mudança  de  motivação,  a  decisão  de  primeiro  grau  que  rejeita  novo  argumento  defesa  suscitado  na manifestação  de  inconformidade  e  mantém  a  não  homologação  da  compensação  declarada,  por  da  ausência  de  comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no  contestado Despacho Decisório.  DILIGÊNCIA.  REALIZAÇÃO  PARA  JUNTADA  DE  PROVA  DOCUMENTAL  EM  PODER  DO  REQUERENTE.  DESNECESSIDADE.  Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova  documental  em  poder  do  próprio  requerente  que,  sem  a  demonstração  de  qualquer  impedimento,  não  foi  carreada  aos  autos  nas  duas  oportunidades  em  que  exercitado  o  direito  de  defesa.  Recurso Voluntário Negado..  Acórdão nº 3802­001.593:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 30/09/2004  COMPENSAÇÃO  COM  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  DEPOIS  DE  PROFERIDO  DESPACHO  DECISÓRIO  NÃO  HOMOLOGANDO  PER/DECOMP.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 8          7 DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  ORIGINAL.  INADMISSIBILIDADE  DA  COMPENSAÇÃO  EM  VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA  DO CRÉDITO ADUZIDO.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos  ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a  teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.  Uma  vez  intimada  da  não  homologação  de  seu  pedido  de  compensação,  a  interessada  somente  poderá  reduzir  débito  declarado  em  DCTF  se  apresentar  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.  A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado  impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública  mediante compensação.  Recurso a que se nega provimento.”  A  2ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção  de  Julgamento  tem  o  mesmo  entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402­001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é:  “Assunto: Contribuição de  Intervenção no Domínio Econômico  – CIDE  Data do fato gerador: 15/07/2005  NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL.  Em  sendo  verificado  que  tanto  o  ato  de  indeferimento  da  compensação  quanto  a  decisão  recorrida  apresentam  os  fundamentos  legais  que  sustentam  a  prolação  do  ato  administrativo,  não  ocasionando  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte,  não  há  que  se  decretar  a  nulidade  da  decisão  administrativa.  Igualmente  não  incorre  em  nulidade  a  decisão  que  deixa  de  intimar  o  contribuinte  a  apresentar  seus  próprios  documentos  contábeis  e  fiscais  para  comprovar  fato  que sustenta seu direito ao indébito tributário.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  PROVA  DA  EXISTÊNCIA,  SUFICIÊNCIA  E  LEGITIMIDADE  DO  CRÉDITO.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.  Não  se  homologa  a  compensação  pleiteada  pelo  contribuinte  quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos  e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado  na  compensação  tenha  sido  efetuado  indevidamente  ou  em  valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF  como prova do suposto indébito.”  O  direito  de  crédito  deve  ser  provado  e  apenas  créditos  líquidos  e  certos  podem ser compensados.  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/2012­69  Acórdão n.º 3801­002.726  S3­TE01  Fl. 9          8 Isto  vale  tanto  para  compensação  com  débitos  do  contribuinte  quanto  para  restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido.  Não  é  possível  restituir  valor  referente  a pagamento  de  tributo  indevido  ou  maior que devido se este valor não é líquido e certo.  No presente caso, não há prova de que houve pagamento  indevido, nem de  que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre  valores de ICMS.  Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da  contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS.  Conclusão  Pelo  exposto,  tendo  em  vista  não  ter  sido  provado  pagamento  de  tributo  indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo­se  o  despacho  decisório  que  não  reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator                                Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5661465 #
Numero do processo: 15374.940133/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo da Cofins devida. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Antônio Lisboa Cardoso - Relator Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo da Cofins devida. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 15374.940133/2008-13

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5388909

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3301-002.230

nome_arquivo_s : Decisao_15374940133200813.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : Antônio Lisboa Cardoso

nome_arquivo_pdf_s : 15374940133200813_5388909.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Antônio Lisboa Cardoso - Relator Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014

id : 5661465

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252879015936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 124          1 123  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.940133/2008­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.230  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  PERDCOMP ­ Cofins  Recorrente  TELEMAR NORTE LESTE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/10/2000  COFINS.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO.  ART.  170  DO  CTN.  Nos  termos  do  art.  170  do  CTN,  para  a  homologação  de  compensação  o  contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos  do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega.  No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus  assentamentos contábeis e  fiscais  suficientes para demonstrar a efetiva base  de cálculo da Cofins devida.   Recurso Voluntário Negado  Direito Creditório Não Reconhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de  Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do  voto  do  redator.  Vencidos  os  Conselheiros  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Fábia  Regina  Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro  Andrada Márcio Canuto Natal.  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente  Antônio Lisboa Cardoso ­ Relator  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Redator designado.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 01 33 /2 00 8- 13 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 125          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de  Moraes,  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Andrada  Marcio  Canuto  Natal  (redator),  Fábia  Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 126          3 Relatório  Consta  dos  autos  que  a  TELEMAR  NORTE  LESTE  S.A,  ora  Recorrente,  formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº  06254.41279.091006.1.7.040321,  em  09/10/2006,  de  crédito  referente  a  valor  que  teria  sido  recolhido a maior ou indevidamente, em 17/11/2000, a título de COFINS, atinente ao período  de apuração 10/2000, com débito da Contribuição para CSLL, referente ao período de apuração  10/2004, no valor de R$ 27.331,74.  A  autoridade  administrativa  com  jurisdição  sobre  o  declarante  deferiu  parcialmente  a  restituição  e  homologou  as  compensações  até  onde  o  valor  do  crédito  as  suportou (Despacho Decisório nº 808245916), porque o pagamento aventado foi parcialmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  restando  saldo  disponível  inferior  ao  crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificada, a  Interessada,  inconformada,  ingressou, em 19/12/2008, com a  manifestação de inconformidade de fls. 11 a 16, na qual alega, em síntese, para o que importa  ao deslinde da questão, que:  1) Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação apresentada  pela  Requerente,  na  qual  se  compensou  débito  de  CSLL  de  10/2004,  no  valor  histórico de 16.123,97, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de  COFINS (10/2000).  2) A  questão  discutida  neste  processo  está  retratada  em DCTF  retificadora,  recepcionada pela RFB, referente ao 4° trimestre de 2000, entregue pela requerente.  3) Na DCTF, o  contribuinte deve  fazer  constar  informações  relativas a  seus  débitos  apurados,  bem  como  aos  créditos  a  eles  vinculados.  Com  sua  entrega,  o  FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii)  se o valor do débito é maior do que o valor do crédito  ­  tributo em aberto;  (iii) se  existem mais créditos vinculados do que débitos apurados­crédito disponível.  4)  No  presente  caso,  a  simples  análise  da  DCTF  retificadora  demonstra  de  forma clara a existência de crédito disponível à compensação.  5) Para o período de  apuração em questão  (10/2000),  foi apurado débito de  COFINS, no valor de R$ 1.269.642,76. Como forma de pagamento foi parcialmente  vinculado um DARF com valor pago de principal de R$ 1.272.171,36. Dessa forma,  como  o  valor  total  do  DARF  remanescente  é  de  R$  1.280.567,69  tendo  sido  utilizado  apenas  R$  1.269.642,76,  configura­se  direito  creditório  decorrente  de  pagamento a maior o valor de R$ 10.924,93.  6) Logo, conforme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificadora com  a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência parcial  do crédito e a regularidade da compensação.  11)  A  despeito  da  demonstração  parcial  do  crédito  realizada  acima,  a  Requerente realizou apuração de suas bases tributáveis para o período em questão,  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 127          4 tendo  encontrado  o  valor  de  Cofins  a  pagar  de  R$  1.264.931,12,  inferior  ao  declarado em DCTF.  Prosseguindo  na  apuração,  afirma  verificar­se  a  existência  de  crédito  disponível no valor de R$16.123,97, exatamente o valor utilizado.  19) Com base no exposto, fica claro que (i) o montante de R$ 16.123,97 foi  recolhido a maior, a título de Cofins; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$  1.280.567,69,  (iii)  a  diferença  entre  o  valor  recolhido  e  o  apurado,  representa  crédito, passível de utilização pela Requerente;  (v) o citado valor  foi corretamente  utilizado na Dcomp objeto desta manifestação de inconformidade.  20) Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente  manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do  Despacho Decisório, com a conseqüente homologação da compensação declarada e  extinção do débito fiscal nela compensado, até o limite do crédito demonstrado.  A  Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  improcedente  através  do  Acórdão no 1329.001 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 27 de abril de 2010,  fls. 57/60, cuja ementa  vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.  O contribuinte deve  instruir a peça  impugnatória  com  todos os  documentos  comprobatórios  de  suas  alegações,  sob  pena  de  preclusão,  exceto  em  situações  específicas  previstas  na  legislação pertinente.  MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM  PROVAS.  Cabe  ao  contribuinte  no  momento  da  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  trazer  ao  julgado  todos  os  dados  e  documentos  que  entende  comprovadores  dos  fatos  que  alega.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Por  força  da  não  homologação,  a  Receita  Federal  está  a  exigir  débito  da  CSLL/Estimativa,  referente  ao  período  de  apuração  de  outubro  de  2004  valor  atualizado  de  R$47.808,36  (valor  para  pagamento  até  28.11.08),  assim  decomposto:  ­R$  27.303,45  (principal); R$ 5.460,69 (multa) e R$ 15.044,20 (juros).  Conforme  consta  do  despacho  exarado  pela  DEMAC/RJO/DIORT,  de  fls.  123,  a  contribuinte  foi  cientificada  do Acórdão  nº  13­29.001  –  4ª  Turma  da DRJ/  RJ2  (fls.  57/60)  no  dia  09/06/2010  (fl.  64),  interpondo  em  09/07/2010  o  recurso  voluntário  de  fls.  65/104, em síntese, reiterando os argumentos constantes de sua impugnação.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 128          5 Por fim, consta que a colenda 3ª Turma Especial declinou da competência em  razão do valor em litígio ultrapassar o limite de alçada da competência das turmas especiais.  É o relatório.  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 129          6 Voto Vencido  Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  encontra­se  revestido  das  demais  formalidades  legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido.  Conforme  relatado,  trata­se  de  analisar  o  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento/Declaração  de  Compensação  PER/DCOMP  nº  06254.41279.091006.1.7.040321,  em  09/10/2006,  de  crédito  referente  a  valor  que  teria  sido  recolhido a maior ou indevidamente, em 17/11/2000, a título de COFINS, atinente ao período  de apuração 10/2000, com débito da Contribuição para CSLL, referente ao período de apuração  10/2004, no valor de R$ 27.331,74.  Constando ainda que foi transmitida ainda, DCTF retificadora, recepcionada  pela RFB, referente ao 4° trimestre de 2000, recepcionada pela RFB em 05/04/2005 (doc. –07,  fls. 62/63), isto é, antes do despacho decisório, que se deu em 24/11/2008 (fl. 13).  A jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) já pacificou o  entendimento quanto à equiparação dos efeitos da declaração retificadora, desde que antes do  início do procedimento fiscal, à declaração originalmente apresentada, senão vejamos o aresto  a seguir reproduzido:  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MENOR.  RECOLHIMENTO  DA  DIFERENÇA  EM  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA  ANTERIORMENTE  A  QUALQUER  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OCORRÊNCIA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  MORATÓRIA.  CABIMENTO.  PRESCRIÇÃO.  PRAZO.  LC  118/2005.  INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO.  (REsp  889.271/RJ,  Rel.  Ministro  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2010, DJe 01/07/2010)  Desta  forma,  não  há  necessidade  de  juntada  de  documentos  destinados  a  comprovar o crédito pleiteado, vez que, o DARF, no valor total é de R$1.280.567,69 (doc. 6,  fls. 61), suficiente para comprovar que houve um pagamento a maior de R$ 16.123,97, valor  idêntico ao utilizado na declaração de compensação em questão.  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso.  Sala das Sessões, em 25 de março de 2014    Antônio Lisboa Cardoso  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 130          7 Voto Vencedor  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.  Com todo o respeito ao voto do ilustre conselheiro Antônio Lisboa Cardoso,  mas com os fatos narrados e os elementos trazidos ao presente processo, não podemos chegar  às mesmas conclusões, para provimento do recurso voluntário.  O  contribuinte  afirma  que  tem  direito  a  créditos  de  Cofins  decorrente  de  pagamento a maior, porém não trouxe ao processo nenhum elemento de prova a consubstanciar  este direito. Abaixo um breve resumo dos fatos, na seqüência dos acontecimentos:  1)  O  contribuinte  efetuou  em  17/11/2000  pagamento  de  DARF  relativo  à  Cofins  do  fato  gerador  10/2000  no  valor  de  R$  1.280.567,69.  Apresentou  DCTF  do  4º  trimestre/2000 consignando valor  a pagar da Cofins no montante de R$ 1.278.022,40. Nesta  situação  ficou  com  saldo  credor  de  R$  2.545,29.  Destes,  a  quantia  de  R$  2.528,60,  foram  utilizados  para  compensar  débitos  no  PERDCOMP  nº  02723.16120.101103.1.7.04­1410.  Assim  sobraram  R$  16,69  que  foram  utilizados  para  a  homologação  parcial  dos  débitos  do  presente processo;  2)  Por  meio  do  PERDCOMP  nº  06254.41279.091006.1.7.04­0321,  deste  processo, apresentado em 09/10/2006, retificadora, o contribuinte pretendia compensar débitos  da CSLL  do  fato  gerador  10/2004  no  valor  de R$  27.331,74.  Para  tanto  apresenta  que  teria  créditos  decorrentes  do DARF  pago  da Cofins  de R$  1.280.567,69.  Porém,  como  vimos  no  item anterior restou deste pagamento somente a quantia de R$ 16,69 a serem utilizados nesta  compensação;  3) Em 05/04/2005 apresenta DCTF retificadora do 4º trimestre/2000, na qual  consigna que o valor total do débito de Cofins de outubro/2000 é de R$ 1.269.642,76. Ou seja,  reduziu o valor da Cofins devida para este fato gerador em R$ 8.379,64;   4) Em 24/11/2008 a DERAT/RJ emite o Despacho Decisório, por meio do  qual homologa parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido que  foi no valor de R$ 16,69.   O contribuinte não concordou com referido despacho decisório e apresentou  manifestação  de  inconformidade  na  qual  afirma  que  o  seu  direito  pode  ser  verificado  do  simples confronto entre a DCTF retificadora e o valor do pagamento efetuado. Mais a frente,  afirma que “a Recorrente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação  do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito”.  Para  a  demonstração  da  base  de  cálculo  e  do  valor  da Cofins  efetivamente  devida  em outubro/2000,  bastaria  ao  contribuinte  ter  apresentado  cópia  do  demonstrativo  de  apuração,  bem  como  de  seus  registros  contábeis  que  deram  suporte  à  elaboração  do  demonstrativo.  A  decisão  recorrida  agiu  corretamente  ao  indeferir  a  homologação  da  compensação,  diante  da  falta  da  apresentação  de  elementos  comprobatórios  que  demonstrassem de forma  inequívoca a base de cálculo e o efetivo valor devido da Cofins no  citado período de apuração. Como muito bem lembrado por aquela decisão, nos processos de  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 131          8 restituição/compensação  o  ônus  de  demonstrar  o  seu  direito  é  do  contribuinte  (art.  333  do  CPC). Teve duas oportunidades de fazê­lo e não fez.  Não  se  trata  aqui  de  considerar  válida  ou  não  a  DCTF  retificadora  apresentada pelo  contribuinte. Mesmo  considerando­a válida  como  entende o  relator  em  seu  voto, não há como retirar dela conclusões que pudessem levar à existência do direito creditório  em favor do contribuinte.  Oportuno ressaltar que no recurso voluntário, o contribuinte apresentou novas  informações a respeito da motivação que levou ao erro da informação de valores em sua DCTF  e também no PERDCOMP. Segundo ele:  (...)  Tal  crédito,  como  se  demonstrará  em  seguida,  adveio  da  identificação,  por  parte da Recorrente, de erro na apuração da base de cálculo da Cofins de outubro de  2000,  considerando­se  que  na  DCTF  original  foram  incluídas,  indevidamente,  as  receitas  relativas  à  cobrança  dos  serviços  de  telefonia  suspensos  em  função  da  inadimplência  dos  respectivos  usuários  por  prazo  superior  a  90  (noventa)  dias,  o  que, foi contabilizado na rubrica de "4ª conta".  (...)  Sob  esse  contexto,  considerando  o  valor  total  suportado  anteriormente  pela  Recorrente  para  a  extinção  do  débito  da  Cofins  de  outubro  de  2000  de  R$  R$  1.287.446,14 (hum milhão, duzentos e oitenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e  seis  reais e quatorze centavos) em detrimento do valor efetivamente devido de R$  1.269.642,76 (hum milhão, duzentos e sessenta e nove mil, seiscentos e quarenta e  dois  reais  e  setenta  e  seis  centavos),  verificou­se  o  crédito  de  R$  17.803,38  (dezessete mil, oitocentos e três reais e trinta e oito centavos), do qual foi utilizado o  montante de R$ 16.123,97 (dezesseis mil, cento e vinte e três reais e noventa e sete  centavos) para a compensação que ora se discute.   (...)  O  conteúdo  da  aludida  "4ª  conta"  refere­se  a  valores  classificados  como  receitas pela Fiscalização, que, contudo, não se caracterizam como tal, por advir de  cobranças realizadas em nome dos usuários devidamente invalidadas/canceladas em  face da inexistência da correspondente prestação de serviço por parte da Recorrente.  (...)  Porém esta matéria não foi analisada pela decisão recorrida, por não ter sido  apresentada na manifestação de inconformidade. Trata­se sem dúvida de matéria preclusa nos  termos  do  art.  17  do  Decreto  nº  70.235/72.  Entretanto,  mesmo  admitindo  adentrar  nesta  questão,  em  nome  da  verdade  material,  é  de  ressaltar  novamente  que  não  há  no  processo  nenhuma prova material de que houve pagamento a maior ou indevido relativo ao fato gerador  de outubro/2000.  Nos termos do art. 170 do CTN, para se autorizar a compensação é necessária  a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Como informado acima,  não é o caso dos presentes autos.  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/2008­13  Acórdão n.º 3301­002.230  S3­C3T1  Fl. 132          9 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(grifei)  (...)  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado.                      Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

score : 1.0
5709366 #
Numero do processo: 10925.907256/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10925.907256/2009-18

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5398115

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1803-002.431

nome_arquivo_s : Decisao_10925907256200918.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES

nome_arquivo_pdf_s : 10925907256200918_5398115.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5709366

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252882161664

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 82          1 81  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.907256/2009­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.431  –  3ª Turma Especial   Sessão de  21 de outubro de 2014  Matéria  CSLL ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2004  COMPENSAÇÃO  DE  DÉBITOS  COM  CRÉDITOS  DE  ESTIMATIVAS  APURADAS.  IMPOSSIBILIDADE.  COMPENSAÇÃO  DE  DÉBITOS  COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.  Não  é  possível  a  compensação  de  débitos  com  créditos  de  estimativas  apuradas,  sendo admissível, porém, a sua  compensação com saldo negativo  apurado no ano­calendário correspondente àquelas estimativas.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 56 /2 00 9- 18 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 83          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Fernando  Ferreira  Castellani,  Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.    Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 84          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido:  Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo,  a  autoridade  competente  não  homologou  a  compensação  pretendida  pela  Contribuinte  acima  identificada,  formalizada  por  meio  de  Declaração  de  Compensação  (DComp),  na  qual  foi  indicado,  como  crédito  do  tipo  “Pagamento  Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita  referente a estimativa mensal.  De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o  pagamento indicado na DComp encontrar­se integralmente utilizado na quitação de  débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características.  Irresignada,  a  Contribuinte  apresenta  Manifestação  de  Inconformidade,  na  qual  informa que  apresentou  a  respectiva DComp  indicando,  como  crédito,  o  tipo  “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo  de compensação de SALDO NEGATIVO”.  Por outro  lado, no  restante de  sua petição, a Contribuinte dá a entender que  detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf  indicado na DComp.   Inclusive, em demonstrativo elaborado para  fundamentar a existência de seu  direito, referindo­se ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica  o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”.  2.  A decisão da instância a quo foi assim fundamentada:  A  manifestação  de  inconformidade  é  tempestiva  e  preenche  os  demais  requisitos de admissibilidade, razão pela qual pode­se dela conhecer.  Conforme  relatado,  a  declaração  de  compensação  sob  exame  não  foi  homologada,  em  razão  da  inexistência  do  direito  creditório  pleiteado  pela  Contribuinte.  De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito  refere­se a estimativa mensal,  e encontra­se  integralmente utilizado na extinção de  débito com idênticas características.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  a  Contribuinte  primeiro  informa  que  apresentou  a  respectiva  DComp,  indicando,  como  crédito,  o  tipo  “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo  de  compensação  de  SALDO NEGATIVO”.  Depois,  defende  que  possui  o  direito  creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf  indicado  na  DComp.  Inclusive,  em  demonstrativo  elaborado  para  fundamentar  a  existência de seu direito, referindo­se ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a  Contribuinte  indica  o  seguinte:  “Valor  DEVIDO  a  ser  Retificado  na  DCTF:  R$  0,00”.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 85          4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de  jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao  saldo  negativo  que  teria  sido  apurado  no  respectivo  ano­calendário.  Em  outras  palavras,  o  saldo  negativo  apurado  pela  Contribuinte  não  constitui  o  objeto  do  presente litígio.  Na  verdade,  o  cerne  do  litígio  é  outro.  Ao  que  tudo  indica,  a  Contribuinte  apurou saldo negativo no ano­calendário em referência e, ao invés de utilizá­lo como  crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um  pagamento  a  título  de  estimativa,  devidamente  declarada  em  DCTF,  que  teria  contribuído para formar o referido saldo negativo.  Muito  embora  possa  ter  contribuído  com  a  formação  do  saldo  negativo,  a  estimativa  mensal  apurada,  conforme  disposição  legal,  não  constitui  pagamento  indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito  em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional.  Sabe­se que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática  legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro  Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do ano­calendário,  a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente  será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então  se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o ano­calendário, a pessoa jurídica  deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo  negativo  a  restituir, do valor do  tributo devido pode deduzir os valores  recolhidos  antecipadamente, a título de estimativa.  Portanto, se, ao final do ano­calendário, a Contribuinte apurou saldo negativo,  é  este  valor  que  pode  ser  utilizado  como  crédito  em  compensação,  e  não  as  antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano.  Ademais, se, ao final do ano­calendário, a Contribuinte apurou saldo negativo,  não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de  estimativa  e,  consequentemente,  “liberar”  o Darf  ao  qual  estiver  vinculado,  como  parece  ser  o  entendimento  da Contribuinte.  Em  verdade,  tendo  sido  regularmente  apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra  a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela  Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal.  De se reiterar que, se, ao final do ano­calendário, a Contribuinte apurou saldo  negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente  Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121:  Art.  4º  Os  saldos  negativos  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto  de restituição, nas seguintes hipóteses:  I  –  de  apuração  anual,  a  partir  do  mês  de  janeiro  do  ano­calendário  subsequente ao do encerramento do período de apuração;  [...]                                                              1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002,  na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de  dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 86          5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o crédito decorrente  de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  administrados  pela  RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto  nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos.  § 1º A compensação de que  trata o caput  será efetuada pelo sujeito passivo  mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do  programa  PER/DCOMP  ou,  na  impossibilidade  de  sua  utilização,  mediante  a  apresentação  à  RFB  do  formulário  Declaração  de  Compensação  constante  do  Anexo  VII,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios  do  direito  creditório.  §  2º  A  compensação  declarada  à  RFB  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.  [...]  Portanto,  como  na  DComp  sob  exame  a  Contribuinte  não  utilizou  direito  creditório  passível  de  compensação,  mostra­se  correta  a  conclusão  do  Despacho  Decisório atacado, razão pela qual não há como reformá­lo.  Ante  o  exposto,  é  de  se  considerar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade apresentada pela Interessada.  3.  Devidamente  cientificada  da  referida  decisão,  a  tempo,  apresenta  a  interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese:  a)  que  o  débito  de  estimativa,  objeto  de  compensação  não  homologada,  deverá ser considerado na formação do saldo negativo;  b)  que  o  entendimento  da  Receita  Federal  –  de  glosar  o  saldo  negativo  quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não  homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário;   c)  que  o  contribuinte  terminaria  pagando  duas  vezes  o  mesmo  débito;  mediante  a  redução  do  saldo  negativo  e  pela  via  da  execução  fiscal  (cobrança  do  débito  de  estimativa  objeto  da  compensação  não  homologada);  d)  que,  no  mérito,  existindo,  sim,  saldo  negativo  a  ser  compensado,  o  contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo  fiscal,  de  um  tributo  já  declarado  e  compensado  por  erro  de  fato  do  mesmo,  declarado  em  PER/DComp  incorreta,  sem  a  possibilidade  de  retificar  a  mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da  compensação do débito compensado; e  e)  que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente  o  débito  compensado  não  homologado  na  PER/DComp,  aplicando­se  a  decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL.  Em mesa para julgamento.  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 87          6 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  4.  Concorda­se  inteiramente  com  a  decisão  recorrida,  quando  esta  afirma  que  (destaque do original):  Muito  embora  possa  ter  contribuído  com  a  formação  do  saldo  negativo,  a  estimativa  mensal  apurada,  conforme  disposição  legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido,  de  modo  que  não  pode  ser  utilizada  como  crédito  em  compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional.  [...].  Portanto, se, ao final do ano­calendário, a Contribuinte apurou  saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito  em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas  que o compuseram, efetuadas ao longo do ano.  [...].  De se reiterar que, se, ao final do ano­calendário, a Contribuinte  apurou  saldo  negativo,  este,  sim,  pode  ser  objeto  de  compensação,  conforme  estabelece  a  vigente  Instrução  Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012:  [...].  5.  É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas  apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano­ calendário correspondente àquelas estimativas.  6.  Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação  requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo  apurado no respectivo ano­calendário.  7.  Já  com  relação  à  preocupação  externada  pela  Recorrente,  em  seu  Recurso  Voluntário,  as  estimativas  não  pagas,  mas  compensadas,  se  não  homologada  a  respectiva  compensação,  serão  objeto  de  cobrança  na  correspondente  DComp,  não  cabendo  a  glosa  dessas  estimativas  na  apuração  do  imposto  a  pagar  ou  do  saldo  negativo  apurado  na  DIPJ,  conforme  entendimento  já  externado,  tanto  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB), quanto pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN):  Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006:  Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão  cobrados  com base  em Dcomp,  e,  por  conseguinte,  não  cabe a  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/2009­18  Acórdão n.º 1803­002.431  S1­TE03  Fl. 88          7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do  saldo negativo apurado na DIPJ.  Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014:  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ.  Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo  lucro  real  anual. Apuração mensal dos  tributos  por  estimativa.  Lei  no  9.430,  de  27.12.1996.  Não  pagamento  das  antecipações  mensais.  Inclusão  destas  em  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  não  homologada  pelo  Fisco.  Conversão  das  estimativas  em  tributo  após  ajuste  anual.  Possibilidade  de  cobrança.   Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO,  para  que  a  repartição  de  origem  reexamine  a  compensação  requerida,  devendo,  para  tanto,  considerar,  como  direito  creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo ano­calendário.  Deve  ser  observada  a  eventual  existência  de  outros  processos  nos  quais  o  direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0
5648279 #
Numero do processo: 10111.000333/2006-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/03/2006 Ementa:: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201409

ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/03/2006 Ementa:: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10111.000333/2006-39

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5385766

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-004.293

nome_arquivo_s : Decisao_10111000333200639.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL

nome_arquivo_pdf_s : 10111000333200639_5385766.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014

id : 5648279

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252885307392

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 531          1 530  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10111.000333/2006­39  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­004.293  –  1ª Turma Especial   Sessão de  17 de setembro de 2014  Matéria  Auto de Infração  Recorrente  AUTOTRAC COMERCIO E TELECOMUNICAÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 21/03/2006  Ementa::  AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer  do  recurso  em  razão  da  concomitância.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o Dr.Rafael  de  Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.   (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 33 /2 00 6- 39 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 532          2 Relatório  Tratam­se  de  autos  de  infração  referentes  à  multa  específica  pelo  erro  na  classificação fiscal do equipamento descrito a seguir e às diferenças de tributos incidentes na  importação (IPI, COFINS e PIS) decorrentes desse erro.  Conforme consta no campo descrição dos  fatos e enquadramento  legal dos  autos de infração o motivo do lançamento é o seguinte:  O  contribuinte,  quando  do  registro  da  Declaração  de  Importação,  classificou  a  mercadoria  em  tela  na  NCM  8525.20.13.  Entretanto,  considerando  o  Ato  Declaratório  Interpretativo  n.º  22,  de  20/08/2004,  e  levando­se  em  conta  também o Acórdão da 1ª Turma da DRJ n.º 6607, de 23/04/2004,  a  correta  classificação  na  NCM  para  a  mercadoria  em  tela  é  8526.91.00.  Portanto,  considerando  o  erro  na  classificação  fiscal,  cobra­se  multa  de  1%  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria, de acordo com o artigo 84 da MP 2458­35/2001. A  essa multa não se aplica a redução prevista no artigo 6° da Lei  8.218, de 29 de agosto de 1991, conforme previsto no artigo 81,  inciso IV, da Lei n° 10.833/2003.  Em  sua  impugnação  a  Recorrente  aponta  que  o  auto  é  nulo  porque  não  contém a devida descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência, contrariando assim  o disposto nos incisos III e IV, respectivamente, do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972.  No  tocante  ao mérito,  a  impugnante  aduz  que  o  equipamento  importado  é  utilizado  exclusivamente  integrado  a  um  sistema denominado OmniSAT,  tendo  como  função  propiciar o envio e recebimento de mensagens de texto entre a administração de uma empresa  ou entidade e seus veículos e considerando as  regras do sistema harmonizado a classificação  adotada  está  correta,  ou  seja,  a  impugnante  informa que  seguiu  as  orientações  constantes  na  Seção XVI da NCM, em especial as Notas 3, 4 e 5, que dispõem sobre a classificação fiscal de  combinação de máquinas  e define o que deve  ser considerado como  tal. Conclui que,  diante  dessas regras e tendo em vista as características técnicas e a destinação funcional da máquina  importada, está correta a classificação fiscal utilizada: 8525.20.13.  Para reforçar seu entendimento, a impugnante apresenta a definição dada pela  Agência  Nacional  de  Telecomunicações  –  ANATEL  aos  serviços  vinculados  ao MCT,  bem  como as exigências feitas por esse órgão no tocante à homologação e ao funcionamento desse  equipamento, inclusive o recolhimento da Taxa de Fiscalização de Instalação – TFI e da Taxa  de  Fiscalização  de  Funcionamento  –  TFF.  Sustenta  que  essas  circunstâncias  são  suficientes  para afastar qualquer dúvida acerca da inaplicabilidade de norma legal direcionada à atividade  de  radionavegação,  que  não  é  mencionada  em  seu  Estatuto  Social,  nem  nos  atos  que  autorizaram a prestação dos referidos serviços.  Para comprovar suas afirmações a  impugnante juntou laudo técnico emitido  pela Universidade de Brasília  (UnB), que  traz  informações que confirmam o enquadramento  tarifário adotado pelo importador.  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 533          3 Apresentada a impugnação a DRJ converteu o julgamento em diligência para  os  fins  de  ser  averiguada  uma  possível  concomitância  e  para  complementar  as  informações  existentes, com base nas seguintes determinações:  a)  providenciar  cópia  da  petição  inicial  e  das  decisões  já  proferidas,  relativas  aos  processos  judiciais  supra  indicados  –  MS nº  2004.34.00.0066088  e AO nº  005392661.2010.4.01.3400  (caso  a  Unidade  não  disponha  desses  documentos,  verificar  a  possibilidade de obtê­los junto à PFN);  b) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que  a  autoridade  preparadora  entenda  necessários  ou  relevantes  à  instrução destes autos e ao consequente julgamento da presente  lide; e  c)  cientificar  o  sujeito  passivo  da  presente Resolução  e  de  seu  resultado,  bem  como  do  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  se  manifestar.  A  autoridade  preparadora  adotou  as  providências  solicitadas  e  elaborou  Informação Fiscal com cerca de 70 páginas na qual reitera os argumentos já apresentados pela  fiscalização e traz ainda alguns esclarecimentos adicionais, especialmente sobre a definição da  função principal desempenhada pelo MCT e sobre as regras de classificação fiscal aplicáveis ao  caso.  A  impugnante  tomou  ciência  da  diligência  e  de  seu  resultado  e  apresentou  sua  manifestação  sobre  esses  procedimentos  apontando  que  as  ações  relacionadas  não  se  referem à classificação, mas apenas o direito ao desembaraço do equipamento importado sem  óbices das autoridades aduaneira; que os novos elementos trazidos pela fiscalização não devem  ser levados em consideração, por sua juntada tardia, contrariando assim ao disposto no art. 16,  §  4o,  do  Decreto  no  70.235/1972  e  art.  57,  §  4o,  do  Decreto  no  7.574/2011.  Embora  tais  dispositivos  sejam  dirigidos  à  impugnação,  seu  conteúdo  se  aplica  com  maior  razão  à  fiscalização, tendo em vista o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN); que a  matéria ora discutida foi objeto de análise por parte do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF), antigo Conselho de Contribuintes, e pela Câmera Superior de Recursos Fiscais  (CSRF). Ambos decidiram em favor da impugnante. Posteriormente, em face de quatro novas  autuações,  o  CARF  deu  provimento,  novamente  à  unanimidade  e  no  mérito,  aos  recursos  voluntários no 143.883;; 143.902;; 143.903 e 143.905 (processos no 10111.000538/2004­52;;  10111.000427/2004­46;;  10111.000462/2004­65  e 10111.000547/ 2004­47,  respectivamente).  Portanto,  uma  vez  que  o  tema  já  foi  apreciado  pela  instância  máxima  do  contencioso  administrativo, espera­se a aplicação de referidos precedentes à hipótese dos presentes autos,  de forma a respeitar a segurança jurídica; e, que a Solução de Consulta SRRF/9ª RF nº 361, de  2006,  trata de equipamento distinto do MCT, motivo pelo qual não se presta para justificar a  manutenção da autuação.  A DRJ manteve o auto com base na seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 16/09/2005  INÉPCIA  DO  LANÇAMENTO.  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  É  válido  o  lançamento  cuja  descrição  das  ocorrências  e  enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 534          4 pelo  autuado,  mormente  quando  a  realização  de  diligência  oportuniza dirimir eventuais dúvidas.  DILIGÊNCIA.  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS  ANTERIORES  AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.  Quando  da  realização  de  diligência,  é  admissível  que  a  fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em  causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento.  DOCUMENTO  GRAFADO  EM  IDIOMA  ESTRANGEIRO.  AUSÊNCIA  DE  TRADUÇÃO  JURAMENTADA.  ADMISSIBILIDADE.  A ausência de  tradução juramentada de documento grafado em  idioma  estrangeiro  não  impede  sua  utilização  nos  autos,  desde  que  fique  demonstrada  a  ausência  de  prejuízo  para  as  partes  envolvidas.  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 16/09/2005  TERMINAL  MÓVEL  DE  COMUNICAÇÃO  DO  SISTEMA  OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  O  Terminal  Móvel  de  Comunicação  do  Sistema  OmniSAT  se  enquadra  no  código  8526.91.00  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  pois  se  trata  de  uma  combinação  de  máquinas  cuja  função  principal  é  desempenhada  pelo  receptor  GPS  nele  inserido,  que  fornece  as  informações  necessárias  para  a  supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado.  ERRO  NA  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  PRODUTO  IMPORTADO.  MULTA  ESPECÍFICA.  DIFERENÇAS  DE  TRIBUTOS.  O  erro  na  classificação  fiscal  de  mercadoria  importada  configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da  cobrança de ofício das MP nº 2.200­2 de 24/08/2001 diferenças  de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Apresentou  a  Recorrente  a  presente  manifestação  de  inconformidade  com  base nos mesmos argumentos anteriormente apontados.  Após a indicação do presente processo para a pauta a recorrente informou a  existência de concomitância com a Ação Ordinária n.º 0047878­47.2014.4.01.3400 em curso  perante  a  Justiça  Federal  de  Brasília  para  discutir  o  mérito  dessa  e  das  demais  autuações,  havendo  inclusive  obtido  liminar  favorável  determinando  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos tributários.  É o que importa relatar.  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 535          5 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto  dele tomo conhecimento.  Conforme  informação  trazida  pela  própria  Recorrente  em  sede  de  Recurso  Voluntário, há a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação  Judicial n.º 0047878­47.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília.  Naquele  processo  foi  deferida  tutela  antecipada  que  tem  o  seguinte  teor,  conforme consta do site1 do tribunal:  Trata­se de pedido de antecipação de tutela em ação sob o rito  ordinário,  ajuizada  por  AUTOTRAC  COMÉRCIO  E  TELECOMUNICAÇÕES  S.A.,  em  face  da  UNIÃO  (FAZENDA  NACIONAL),  objetivando  que  a  ré  se  abstenha  de  qualquer  prática  tendente  a  interromper  ou  suspender  o  despacho,  o  desembaraço  aduaneiros  ou  a  liberação  do  equipamento  denominado Terminal Móvel de Comunicação ­ MCT, importado  pela Autora, ao fundamento de que a classificação fiscal correta  seria  a  de  aparelho  de  radionavegação,  objeto  da  posição  8526.91.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul – MCT, bem  como  seja  determinado  que  a  Ré  se  abstenha  de  adotar  quaisquer atos de cobrança.  Como  pedido  sucessivo,  requer  seja  obstado  a  prática  de  quaisquer  atos  de  cobrança,  ao  menos  relativamente  às  penalidades,  notadamente  a  multa  do  IPI  supostamente  recolhidos a menor.   Relata que o NCT é um equipamento que permite a comunicação  entre  os  ocupantes  do  veículo  e  a  central  de  gestão  da  frota,  normalmente a sede da empresa proprietária dos veículos.  Narra  que  sempre  classificou,  em  suas  importações,  o  equipamento na posição relativa à comunicação, mas vem sendo  autuada  pela  exigência  da  adoção  da  classificação  fiscal  do  equipamento  na  posição  de  radionavegação,  com  a  respectiva  cobrança  da  diferença  dos  produtos  devidos  daí  decorrentes,  bem como das penalidades aplicadas.  Juntamente com a inicial vieram os documentos de fls. 57/2.090.  É o relatório. Decido.                                                              1  file:///C:/Documents%20and%20Settings/hp/Meus%20documentos/Downloads/55896167f38310b927333f5c2a6e 6b52.pdf  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 536          6 O deferimento da  tutela antecipada  requer prova  inequívoca, a  ponto  de  convencer  o  juiz  da  verossimilhança  das  alegações,  risco  de  dano  irreparável,  ou  de  difícil  reparação,  caso  não  concedida no início do processo, nos termos do art. 273 do CPC.   De  início,  constato  que  o  pedido  relativo  à  abstenção  de  qualquer  prática  tendente  a  interromper  ou  suspender  o  despacho,  o  desembaraço  aduaneiros  ou  a  liberação  do  equipamento  denominado  Terminal  Móvel  de  Comunicação  –  MCT, já foi apreciado no Processo nº 53926­61.2010.4.01.3400,  que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária  (fls.701/762),  conforme  reconhecido  pela  própria  Autora,  à  fl.  51.  Assim,  houve  confirmação  em  sentença  da  tutela  antecipada  deferida em sede de agravo de instrumento, sendo que os autos  foram remetidos ao TRF 1ª Região, para análise do recurso da  União (Fazenda Nacional), conforme movimentação processual.  Em  relação  ao  pedido  de  abstenção  relativa  aos  atos  de  cobrança,  tais  como  negativa  de  expedição  de  regularidade  fiscal,  inclusão  da  empresa  no  CADIN  e  ajuizamento  de  Execuções  Fiscais  dos  débitos  passados  e  futuros,  verifico  ser  imprescindível a análise do acervo probatório colacionado pela  Autora  acerca  da  classificação  fiscal  do  MCT,  se  trata  de  equipamento de comunicação ou de radionavegação.  Nesse aspecto, a Autora demonstra que o referido equipamento  já  foi  classificado  como  de  comunicação  pelo  Conselho  de  Contribuintes,  em acórdãos confirmados pela Câmara Superior  de Recursos Fiscais,  reconhecendo que a classificação adotada  pelo Fisco é incorreta (fls. 93/254).  No mesmo sentido vão os Laudos Periciais da Universidade de  Brasília  e  do  Instituto  Nacional  de  Tecnologia  –  INT  (fls.  256/284  e  286/313),  bem  como  as  Soluções  de  Consulta  da  Receita Federal juntadas às fls. 315 e 317 e mesmo o Manual do  Usuário juntado à fl.87.  Vislumbro, portanto,  a  verossimilhança das alegações da parte  Autora.  Comprovado  também o presente o perigo da demora,  tendo em  vista  os  prejuízos  e  constrangimentos  decorrentes  dos  débitos  decorrentes da classificação fiscal.  Ante  o  exposto,  DEFIRO  EM  PARTE  O  PEDIDO  DE  ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para suspender a  exigibilidade  do  crédito  tributário  decorrentes  da  não  adoção  pela  Autora  da  classificação  fiscal  do  MCT  na  posição  de  aparelho  de  radionavegação,  objeto  da  posição  8526.91.00  da  NCM  e  determinar  à  Ré  que  se  abstenha  de  adotar  quaisquer  atos  de  cobrança,  tais  como  negativa  de  expedição  de  regularidade  fiscal,  inclusão  da  empresa  no  CADIN  e  ajuizamento de Execuções Fiscais dos respectivos débitos.  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 537          7 Para  tanto,  deverá  haver  substituição  da  referida  posição  pela  8525.20.13,  referente  à  Resolução  Camex  nº  42/01;  e  8517.62.71, referente às Resoluções Camex nº 43/06 e 94/11.  Prejudicada  análise,  nesse  momento  processual,  do  pedido  de  abster a suspensão do despacho, do desembaraço aduaneiro ou  a  liberação  do  equipamento,  pois  já  foram  concedidas  no  Processo  nº  53926­61.2010.4.01.3400,  que  tramitou  perante  a  17ª Vara Federal desta Seção Judiciária.  Intime­se,  nos  termos  do  requerido  no  item  a.4,  à  fl.  53  Após,  cite­se.  Brasília (DF), 31 de julho de 2014.   CRISTIANE  PEDERZOLLI  RENTZSCH  Juíza  Federal  em  auxílio à 16ª Vara da SJDF  Evidente que tal demanda tem o mesmo objeto do presente processo.  Nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos  o  acesso  ao  Poder  Judiciário  para  defesa  de  seus  direitos,  sendo  que  as  decisões  judiciais  transitadas  em  julgado  se  revestem  do  caráter  de  definitividade  e  de  imutabilidade,  sendo,  portanto, a ultima ratio na solução de conflitos.  Submetida  determinada  matéria  à  apreciação  do  Poder  Judiciário,  cuja  decisão  se  reveste do  caráter definitivo  e  imutável prevalecendo na ordem  jurídica,  qualquer  outra discussão paralela mostra­se inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a  decisão judicial.  O  tema não merece maiores  digressões  e  já  se  encontra  sumulado  (Súmula  CARF n° 1), que tem o seguinte teor:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a  matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo  colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator                Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/2006­39  Acórdão n.º 3801­004.293  S3­TE01  Fl. 538          8                 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5709453 #
Numero do processo: 35366.001551/2004-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 08/10/2002 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201411

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 08/10/2002 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Embargos Acolhidos.

turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 35366.001551/2004-68

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5398185

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2803-003.789

nome_arquivo_s : Decisao_35366001551200468.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 35366001551200468_5398185.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014

id : 5709453

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252889501696

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 168          1 167  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  35366.001551/2004­68  Recurso nº  35.366.001551200468   Embargos  Acórdão nº  2803­003.789  –  3ª Turma Especial   Sessão de  04 de novembro de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SÃO PAULO TRANSPORTE S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 08/10/2002  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO  ACESSÓRIA.  APRESENTAÇÃO  DE  GFIP  COM  INFORMAÇÕES  INEXATAS  NOS  DADOS  NÃO  RELACIONADOS  AOS  FATOS  GERADORES  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA  MULTA.  1.  A  apresentação  de  GFIP  com  erro  de  preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  Código  FPAS, enseja infração aos artigos 32,  inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e  284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social.  2.  As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n  º 449 de  2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  beneficiam  o  infrator.  Foi  acrescentado o art. 32­A a Lei n º 8.212.  3.  Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica­se a ato ou  fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe  de  defini­lo  como  infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;  c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que  a prevista na  lei  vigente  ao  tempo da  sua prática.  Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.        Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos  da  Fazenda Nacional  e  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 15 51 /2 00 4- 68 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     2 Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32­A da Lei  nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar­se de situação mais  benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do  Código Tributário Nacional ­ CTN.     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente       (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior,  Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.    Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/2004­68  Acórdão n.º 2803­003.789  S2­TE03  Fl. 169          3 Relatório    Trata­se de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do  contribuinte  acima  identificado,  tendo  em  vista  que  a  empresa  apresentou GFIP/GRFP  com  informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores  de contribuições previdenciárias, nos  termos do art. 32,  IV, parágrafo 6º, da Lei nº 8.212, de  1991.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A  impugnação  foi  julgada  em  25  de  fevereiro  de  2003  e  ementada  nos  seguintes termos:    AUTO  DE  INFRAÇÃO.  APRESENTAR  GFIP  COM  INFORMAÇÕES  INEXATAS.  DIFERENÇA  DE  ALÍQUOTA DE SAT.  1.  Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas  nos  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  constitui  infração  à  legislação  previdenciária,  nos  termos  do  artigo  32,  inciso  IV e § 6º, da Lei nº 8.212/91.  2.  A  empresa,  embora  tenha  adorado  o  código  correto  para o Cadastro Nacional de atividade Econômica de risco  grave, aplica a alíquota correspondente ao risco leve.  AUTUAÇÃO PROCEDENTE    Em 31 de março de 2003, a empresa apresentou recurso voluntário.    O  INSS  apresentou  contrarrazões  (fl.  97),  alegando  que  no  recurso  não  há  nenhum fato novo ou documento trazido ao processo, devendo ser mantida a decisão, tendo­se  como  contrarrazões  do  recurso  os  argumentos  ali  aduzidos.  O  processo  foi  encaminhado  a  então 2ª CaJ do CRPS.    No julgamento realizado em 13/08/2003, os membros do CRPS baixaram os  autos  em  diligência,  na  forma  do  voto  divergente  do  Relator  ad  hoc  representante  das  Empresas Antônio Correa Júnior.    Em 10 de novembro de 2004, de acordo com a Decisão 0000424 da 2ª Caj do  CRPS, os autos foram convertidos novamente em diligência.    Em  razão  dos  incidentes  ocorridos,  notadamente  no  que  diz  respeito  ao  acórdão que anulou, por vício formal, a NFLD nº 35.418.543­8, a SRP apresentou Pedido de  Revisão, que foi julgado pela 2ª CaJ, em 18 de abril de 2006, sendo que os membros daquele  colegiado  votaram  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a  SRP  observe  a  regra do § 4º do art. 60 do RICRPS. Depois, disto, retornem os autos para a 2ª CaJ.    Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     4 No  dia  23  de  agosto  de  2013  a DERAT/SP  emitiu  despacho  nos  seguintes  termos: 1) O contribuinte foi cientificado do Despacho da EQREC, bem como da abertura de  prazo de 10 (dez) dias para manifestação, conforme AR às fls. 130. 2) Não houve manifestação  dentro do prazo legal. 3) diante do acima exposto, sugerimos o encaminhamento do processo  ao CARF, para providências cabíveis.    É o relatório.    Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/2004­68  Acórdão n.º 2803­003.789  S2­TE03  Fl. 170          5   Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior       O  recurso  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais  requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.    Este Colegiado tem processado os pedidos de revisão, previstos no regimento  interno  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  –  CRPS,  como  Embargos  de  Declaração,  visando  assim  a  regular  continuidade  do  contencioso  administrativo  fiscal.  Precedente 35366.002907/2004­81 – 1ª Turma Ordinária da 2ª. Seção.  Destarte,  o  pedido  de  revisão  de  Acórdão  da  SRP  será  analisado  como  embargos.    Como bem explicitado  pela  autoridade  administrativa  lançadora,  a  empresa  apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não  relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.     A apresentação de GFIP com informações inexatas no campo FPAS constitui  nítida infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 6º da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada  pela Lei n.º 9.528/97, in verbis:    Art. 32. A empresa é também obrigada a:    (...)    IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro  Social,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse do INSS. (grifou­se)    O artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto  n.º 3.048/99, traz no seu inciso IV, que a empresa é obrigada a prestar ao Instituto Nacional do  Seguro Social, por  intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  na  forma  por  ele  estabelecida,  dados  cadastrais,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse do Instituto.     O parágrafo 6º, do já citado artigo 32, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, diz que a  apresentação de documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores  sujeitará  o  infrator  à  pena  administrativa  de  cinco  por  cento  do  valor  mínimo  previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada  aos valores previstos no § 4º, do mesmo artigo. O artigo 92, da Lei n.º 8.212/91, estabelece o  valor mínimo  a  ser  tomado  como  base  e  que  vem  sendo  atualizado  pelas  Portarias  emitidas  pelo Ministério da Previdência e Assistência Social.   Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA     6    Todavia, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449  de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art.  32­A a Lei n º 8.212, in verbis:    Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput do  art.  32  desta  Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la ou a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:     I  ­ de R$ 20,00  (vinte  reais) para cada grupo de 10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e     II  ­  de  2%  (dois  por  cento)  ao mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas,  ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega  da  declaração  ou  entrega  após  o  prazo,  limitada  a  20%  (vinte por cento), observada o disposto no § 3o deste artigo.    § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II  do caput deste artigo, será considerado como termo inicial  o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da  declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou,  no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto  de infração ou da notificação de lançamento.     § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas  serão reduzidas:     I ­ à metade, quando a declaração for apresentada após o  prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou     II  ­  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.     § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:     I  ­ R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária; e     II ­ R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.    Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica­se a ato ou fato  pretérito, tratando­se de ato não definitivamente julgado:     a)  Quando deixe de defini­lo como infração;    Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/2004­68  Acórdão n.º 2803­003.789  S2­TE03  Fl. 171          7 b)  Quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação ou  omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta  de pagamento de tributo;     c)  Quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente ao tempo da sua prática.    In  casu,  portanto,  aplicar­se­á  a  regra  do  art.  106,  inciso  II,  alínea  “c”  do  Código Tributário Nacional ­ CTN.      CONCLUSÃO.    Pelo exposto, voto em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar parcial  provimento ao  recurso do contribuinte. Contudo, a multa deve ser calculada considerando as  disposições do inciso I do art. 32­A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09),  tendo em vista tratar­se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir  da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

score : 1.0
5652389 #
Numero do processo: 10935.720192/2013-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão-de-obra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ - Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201409

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão-de-obra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ - Recurso Repetitivo).

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10935.720192/2013-18

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5387032

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1803-002.357

nome_arquivo_s : Decisao_10935720192201318.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES

nome_arquivo_pdf_s : 10935720192201318_5387032.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.

dt_sessao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014

id : 5652389

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252893696000

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2323; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 1.766          1 1.765  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.720192/2013­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.357  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de setembro de 2014  Matéria  IRPJ E OUTROS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  BALCÃO SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA. ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2009, 2010  DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (STJ  ­  Recurso  Repetitivo).  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2009, 2010  EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO­ DE­OBRA TEMPORÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.  As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime  do  lucro  presumido  não  podem  excluir  da  base  de  cálculo  das  referidas  exações  os  valores  recebidos  pelas  empresas  prestadoras  de  serviços  de  locação  de  mão­de­obra  temporária,  a  título  de  pagamento  de  salários  e  encargos  sociais  dos  trabalhadores  temporários,  tendo  em  vista  que  não  há  previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar  dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp  963196/PR,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 08/02/2011).  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2009, 2010  EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO­ DE­OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 01 92 /2 01 3- 18 Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.767          2 A  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  independentemente  do  regime  normativo  aplicável  (Leis Complementares  7/70  e  70/91  ou Leis  ordinárias  10.637/2002  e  10.833/2003),  abrange  os  valores  recebidos  pelas  empresas  prestadoras de serviços de  locação de mão­de­obra  temporária (regidas pela  Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a  título de pagamento de salários e  encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ ­ Recurso Repetitivo).  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2009, 2010  EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO­ DE­OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO.  A  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  independentemente  do  regime  normativo  aplicável  (Leis Complementares  7/70  e  70/91  ou Leis  ordinárias  10.637/2002  e  10.833/2003),  abrange  os  valores  recebidos  pelas  empresas  prestadoras de serviços de  locação de mão­de­obra  temporária (regidas pela  Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a  título de pagamento de salários e  encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ ­ Recurso Repetitivo).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio  Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.    Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.768          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 1.723 a 1.730):  BALCÃO  SERVIÇOS  TEMPORÁRIOS  LTDA.  ­  ME  (contribuinte  ­  autuada),  com  fulcro  no  art.  15  do  Decreto  nº  70.235  de  1972  (PAF),  apresenta  impugnação à exigência tributária consubstanciada no presente processo.  Trata­se  de  autos  de  infração,  fls.  1428  e  seguintes,  relativos  ao  IRPJ  e  Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), no valor  total de R$ 634.115,76 (inclusos multa  de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até jan/2013).  I) DA AUTUAÇÃO  Consoante  Termo  de  Verificação  de  Infração  Fiscal,  às  fls.  1413/1417,  a  Fiscalização constatou que:  “(...)  1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS  A fiscalização foi motivada em função da receita declarada à Receita Federal  pelo sujeito passivo apresentar divergências com as DIRF’s apresentadas pelos seus  clientes, que dava conta que os valores eram os seguintes:     O Ramo de atividade da fiscalizada é “Prestação de Serviços Temporários”,  conforme contrato social e suas alterações, Fls. 007 a 033.  Em 23 de maio de 2012, demos início à ação fiscal através do termo de início  de  procedimento  fiscal,  do  qual  tomou  ciência  pessoal  a  Sócia Administradora,  a  senhora Maria  Irma Napolitano,  inscrita no CPF sob nº 048.043.148­54,  fls. 002 e  003.  O  sujeito  passivo  optou  pela  tributação,  para  os  períodos  fiscalizados,  pelo  regime de Lucro presumido, conforme declarações apresentadas à Receita Federal,  (fls. 034 a 080).  O  sujeito  passivo  não  apresentou  as  declarações  “DACON”,  conforme  demonstrado nas folhas 159.  2­ ANÁLISE DOS DADOS   2.1 Receitas não Declaradas   De posse dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, fls. 004 a 006 e  das DIRF’s  apresentadas  pelos  seus  clientes,  que  foram  extraídas  dos  sistemas  da  Receita  Federal,  (fls.  081  a  158)  e  as  Declarações  de  imposto  de  renda  pessoa  Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.769          4 jurídica  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  fls.  034  a  080,  fizemos  o  confronto  dos  dados onde constatamos que houve receitas registradas nos livros fiscais e contábeis  do  sujeito  passivo  (Fls.  160  a  1354)  e  não  declaradas,  conforme  demonstrado  abaixo:  (...)  Na  constituição  do  crédito  tributário,  foi  considerado  o  imposto  de  renda  retido na fonte, conforme demonstrado abaixo, valores esses que foram extraídos das  DIRF’s apresentadas pelos seus clientes (fls. 081 a 158).  (...)  Em  decorrência  da  infração  constatada  no  período  fiscalizado,  deve  ser  lavrado  Auto  de  Infração,  para  constituição  do  crédito  tributário  e  início  do  procedimento de cobrança do débito original com os respectivos acréscimos legais e  penalidades inerentes.  3 – DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL  Damos por  encerrada,  a presente  ação  fiscal,  que  se  restringiu  ao  exame da  regularidade  fiscal  na  apuração  das  receitas  não  declaradas  ocorrida  nos  anos­ calendários de 2008 e 2009,  ressalvado o direito da Fazenda Nacional de instaurar  novos  procedimentos  fiscais  e  constituir  os  respectivos  créditos  tributários,  caso  sejam detectados, posteriormente, valores tributáveis a qualquer título, não apurados  neste procedimento.  (...) Grifei.  II) DA IMPUGNAÇÃO  A Contribuinte  foi  cientificada  na  pessoa  de  sua  sócia  administradora,  Sra.  Maria Irmã Napolitano, em 25/1/2013 (fl. 1417, in fine).  Em  22/2/2013,  a  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  1495  e  seguintes, alegando que:  “(...)  2. Da divergência entre as DIRF's  O fisco alega que a fiscalização foi motivada em função das divergências dos  valores  apresentados  pela  fiscalizada  e  pelas  DIRF’s  apresentadas  pelos  seus  clientes.  O  procedimento  fiscal,  tendo  constatado  divergências,  deveria,  sim,  ter  apurado  a  veracidade  dos  impostos,  tendo  em  vista  que  toda  a  documentação  contábil solicitada foi devidamente entregue, e encontra­se perfeitamente de acordo  com a legislação, mais não foi isso que ocorreu.  O  Sr.  Auditor­fiscal  simplesmente  desconsiderou  toda  a  contabilidade  da  fiscalizada e arbitrou os valores que entendia como corretos, ou seja, extraídos das  DIRF's apresentadas pelos clientes da fiscalizada.  O Sr. Auditor­fiscal entregou à fiscalizada, alguns resumos de cálculos, sem a  devida  numeração  processual,  que  anexamos  cópia  à  defesa  (fls  e  )  (sic),  onde  consta:  Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.770          5 “O  contribuinte  não  emitiu  notas  fiscais,  caracterizando omissão  de  receitas  da atividade, conforme relatório fiscal em anexo.” (grifo nosso).  Tal afirmação é absurda e inverídica.  O fisco teve acesso a todas as notas fiscais emitidas nos anos de 2008 e 2009 e  todas as notas fiscais foram emitidas e contabilizadas pela fiscalizada.  A  contabilidade  da  fiscalizada  estava  devidamente  escriturada  nos  livros  fiscais,  devendo  ser  considerado  totalmente  improcedente  o Termo de Verificação  Fiscal em tela, assim como todos os lançamentos decorrentes do mesmo.  (...)  3) Da receita da fiscalizada:  Para deixarmos bem claro qual a receita bruta da empresa fiscalizada, que tem  como ramo de atividade a prestação de serviços temporários, temos que, par e passo  entender o que determina a Lei n° 6.019/74 e o Decreto n° 74.841/74.  (...)  A atividade exercida pela fiscalizada ­ prestação de serviços temporários  ­ é  uma atividade especialíssima e deve ser analisada com cuidado pelo fisco, para que  não ocorram injustiças que levem à falência total dessa atividade.  Tendo  em  vista  as  especificações  legais  da  modalidade  de  contrato  ­  a  prestação de serviços temporários estabelece um tripé de relações entre a empresa de  trabalho  temporário  e  a  empresa  cliente,  a  empresa  prestadora  de  serviços  e  o  trabalhador temporário e entre o trabalhador temporário e a empresa cliente.  a) Ou seja, para atender à necessidade transitória de acréscimo extraordinário  de  serviços ou  substituição de mão de obra,  a  empresa  cliente deve  contratar uma  empresa prestadora de serviços.  b)  A  prestadora  de  serviços  precisa  contratar,  remunerar  e  assistir  os  trabalhadores temporários, para atender à necessidade da empresa cliente, na forma  da lei, respeitando inclusive a base salarial da empresa cliente.  c)  O  trabalhador  temporário  será  remunerado  e  assistido  pela  empresa  de  trabalho  temporário,  garantindo  os mesmos  direitos  dos  trabalhadores  da  empresa  cliente a este, e o mesmo prestará serviços no estabelecimento da empresa cliente.  Tanto na Lei n° 6.019/74 como no Decreto n° 73.841/74, fica clara a forma de  contratação,  assim  como  a  forma  de  escrituração  contábil  a  ser  adotada  pela  fiscalizada, fato esse comprovado pelo Sr. Auditor­fiscal, quando da verificação dos  livros contábeis da mesma.  Cada  empresa  cliente  tem  sua  folha  de  pagamento  elaborada  de  específica,  respeitando rigorosamente os salários da CCT ­ Convenção Coletiva de Trabalho de  cada trabalhador temporário em cada empresa cliente, estando tudo contabilizado de  forma claríssima, salários, encargos e taxa administrativa.  Para todas as empresas clientes, são emitidas notas fiscais especificando essas  mesmas verbas, sendo que, quando a empresa cliente repassa à empresa de trabalho  temporário  os  valores  constantes  na  nota  fiscal  ­  salários,  encargos  e  taxa  administrativa, essa se encarrega de repassar as verbas aos trabalhadores temporários  Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.771          6 e encargos, recebendo para si os valores de taxa administrativa, que é a sua receita  bruta.  Tributar sobre as verbas de simples repasse é simplesmente  levar à extinção  todas as empresas cuja atividade seja a prestação de serviços temporários.  (...)  Quando  falamos da não  incidência dos  IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP  sobre  os  valores  de  salários  e  encargos,  não  se  trata  de  deduzir  nenhuma  despesa  administrativa  da  empresa  prestadora  de  serviços  temporários.  Todas  as  despesas  administrativas da  empresa prestadora de  serviços  temporários  serão deduzidas do  seu faturamento, ou seja, da taxa administrativa.  Os  valores  de  salários  dos  trabalhadores  temporários  e  respectivos  encargos  dessa contratação são essenciais à atividade da empresa prestadora de serviços, ou  seja,  são  insumos  para  a  existência  da  atividade  de  prestação  de  serviços  temporários.  (...)  É  da  taxa  administrativa  que  a  fiscalizada  recebe  de  seus  clientes  que  irá  descontar suas despesas com os seus funcionários internos, de aluguel, material de  escritório, água, luz, telefone, enfim, do seu faturamento ­ taxa administrativa é que  serão  abatidas  suas  despesas  administrativas,  assim  como,  do  valor  da  taxa  administrativa  deve  ser  a  incidência  dos  impostos  e  taxas  de  que  trata  o  presente  termo.  4) Da igualdade tributária:  É  preciso  ainda,  considerar  o  princípio  constitucional  da  isonomia  ou  igualdade tributária, previsto no artigo 150, II, da Constituição Federal:  (...)  Sendo permitido às empresas de propaganda e publicidade excluir da base de  cálculo  dos  impostos  os  valores  pagos  diretamente  ou  repassados  a  empresas  de  rádio,  televisão, jornais e  revistas, a empresa de  trabalho  temporário pode  também  excluir  da  base  de  cálculo  os  salários  dos  trabalhadores  temporários  e  respectivos  encargos.  Em ambos os ramos de atividade, apesar de diferentes na finalidade ­ tanto as  empresas  de  propaganda  e  publicidade  como  as  empresas  prestadoras  de  serviços  temporários, pela peculiaridade de suas atividades têm valores que são simplesmente  repassados ao outros, que não integram o seu faturamento bruto.  Art. 172  ­ A  lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por  despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:  IV ­ a considerações de equidade, em relação com as características pessoais  ou materiais do caso;  No  caso  das  empresas  de  propaganda  e  publicidade  ­  os  valores  que  são  destinados aos veículos de comunicação (rádio, televisão, jornais e revistas), no caso  das  empresas  prestadoras  de  serviços  temporários,  os  salários  dos  trabalhadores  temporários e encargos incidentes.  Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.772          7 Visando o cumprimento da  lei de forma  igualitária, o  fisco deve considerar,  para  efeitos  de  base  de  cálculo  dos  impostos  devidos  pela  fiscalizada,  única  e  exclusivamente, a taxa administrativa recebida por esta.  5) Da falta de apresentação da DACON   A fiscalizada, de fato, não havia apresentado a DACON do período 2009, fato  esse que resta sanado com a apresentação feita em 14 de fevereiro de 2013 (doc. n°  01, composto de 56 folhas numeradas de 01/56 a 56/56).  Observe­se  que,  em  caso  de  não  apresentação  da  DACON,  a  legislação  determina  que  a  pessoa  jurídica  ficará  sujeita  a  multa  e  que  será  intimada  a  apresentar a DACON no prazo estipulado pela RFB.  (...)  No  caso  em  tela,  o  fisco  não  intimou  a  fiscalizada  para  apresentação  da  DACON, simplesmente usou como argumento a  falta de entrega da DACON para  efetuar lançamentos de impostos de forma totalmente equivocada.  A  fiscalizada,  tendo  errado  em  não  apresentar  a  DACON,  poderia  sim  ser  punida  com  o  pagamento  de  multa  conforme  legislação,  mas  o  fisco,  tendo  verificado que sua escrituração contábil estava perfeita, em momento algum poderia  ter desconsiderado a  contabilidade  e  simplesmente  ter  efetuado os  lançamentos da  forma utilizada, ou seja, levando em consideração as DIRF’s apresentadas pelos seus  clientes.  Neste  ato,  mesmo  não  tendo  sido  notificada  pelo  fisco  a  apresentar  as  DACON, a fiscalizada junta cópia das DACON entregues, juntamente com a cópia  da DIRF (doc n° 02, composto de 48 folhas numeradas de 01/48 a 48/48) com os  reais  valores  devidos  pela  fiscalizada  referente  ao  ano  de  2009.  Junta  cópia  dos  DARF quitados de todos os valores devidos no ano de 2009 (doc. 03, composto de  12 folhas numeradas 01/12 a 12/12).  A  fiscalizada  deixa  de  apresentar  os  DACON  e  fazer  os  recolhimentos  referentes ao período do ano de 2008, pois os mesmos encontram­se prescritos.  6) Do ramo de atividade da fiscalizada:  É  incontroverso  o  ramo  de  atividade  da  fiscalizada  “Prestação  de  Serviços  Temporários”, conforme documentos apresentados e devidamente fiscalizados pelo  Sr. Auditor­Fiscal.  Portanto, incontroverso que a fiscalizada precisa seguir o estabelecido na Lei  6.019/74 e Decreto n° 73.871/74 para o desempenho de suas atividades,  inclusive,  com  penalidades  de  fechamento  da  empresa,  em  caso  de  desobediência  dessa  legislação específica.  (...)  7) Do Termo de Verificação Fiscal:  A  fiscalizada  recebeu  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  forma  irregular,  incompleto,  sem  numeração  de  folhas,  fato  esse  que,  por  si  só,  já  desconstitui  as  formalidades legais do Termo.  Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.773          8 A fiscalizada não  teve acesso ao processo na  integra e  teve dificuldades em  identificar do que realmente se tratam as citações do termo recebido, como podemos  verificar nas únicas folhas numeradas que não deixam dúvidas ­ Folhas 01 a 05 do  Termo de Verificação Fiscal:  Observe­se que na folha 02 de 05 do termo, no segundo parágrafo, consta que:  “Em  23  de  maio  de  2012,  demos  início  à  ação  fiscal  através  do  termo  de  início de procedimento fiscal. Fls. 001 e 002”. Na própria folha 2 do termo existe a  referência de que a folha 2 do termo é outro documento diverso daquele.  Ainda, no item “2.1 Receitas não Declaradas”:  “De posse dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, Fls. 003 a 005  e das...”. As folhas 03 a 05 que tivemos acesso nos autos referem­se ao Termo de  Verificação Fiscal propriamente dito, outras tantas citações de fls. 003 a 079, de fls.  159 a 1353 de fls. 080 a 157, também são documentos que a fiscalizada não recebeu  do fisco, localizando, sim, pelos documentos contábeis e pela realidade dos fatos, os  argumentos para apresentar nesta defesa.  Para que o lançamento do crédito tributário seja válido, faz­se necessário que  este  tenha  observado  todas  as  normas  e  procedimentos  previstos  na  legislação  tributária, o que não ocorreu neste caso.  Observamos que recebemos apenas parte do processo do fisco, muitas folhas  sequer sem a devida numeração, que, nesse ato, anexamos cópia à defesa (doc n° 04,  composto por 79  folhas numeradas de 01/79 a 79/79), o mesmo alega que o fisco  alega que (sic):  “O contribuinte não emitiu notas fiscais, caracterizando omissão de receitas  da atividade, conforme relatório fiscal em anexo, (grifo nosso).  Tal alegação é simplesmente absurda!  O  Sr.  Auditor­fiscal  solicitou  e  recebeu  todas  as  notas  fiscais  emitidas  no  período  fiscalizado.  Todos  os  valores  constantes  nas  notas  fiscais  emitidas  foram  contabilizados e constam,  item por  item, escriturados nos  livros contábeis  também  fiscalizados.  Essa  alegação  de  não  emissão  de  nota  fiscal  consta  mais  de  uma  vez  nos  documentos não numerados e recebidos do fisco, mas essa alegação infundada pode  ser facilmente derrubada pelo fato de que o Sr. Auditor­fiscal teve acesso a todas as  notas  emitidas,  que  todas  as  notas  emitidas  foram  escrituradas  e  contabilizadas  e  pelo valor da declaração de imposto de renda apresentada.  (...)  As formalidades legais não foram atendidas, devendo, por si só, o  termo ser  desconsiderado pelo fisco.  8) Da duração da fiscalização e da forma do procedimento adotada:  A fiscalização durou mais de 8 meses ­ 23 de maio de 2012 a 25 de janeiro de  2013,  a  lei  estabelece  que  o  prazo  de  duração  é  de  até  120  dias,  podendo  ser  prorrogado de acordo com as justificativas estabelecidas na lei por mais 60 dias.  (...)  Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.774          9 Mesmo,  tendo  extrapolado  o  tempo  normal  da  fiscalização,  o  Sr.  Auditor­ fiscal, simplesmente desconsiderou todos os documentos contábeis da fiscalizada.  O  Sr.  Auditor­fiscal  efetuou  lançamentos  totalmente  improcedentes.  É  exatamente neste ponto ­ FORMAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ­ que incorre em  erro o Fisco Federal.  Levando­se em consideração a natureza jurídica da atividade das Empresas de  Trabalho Temporário, qual seja, “prestação de serviços temporários”, cristalino que  os valores repassados para o pagamento da remuneração e encargos dos empregados  cedidos  às  tomadoras  de  serviços,  não  podem  ser  considerados  como  seu  faturamento, para fins de tributação do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS.  Conforme dispõe o artigo 4º da Lei n° 6.019/74, tem como objetivo “colocar à  disposição  de  outras  empresas,  temporariamente,  trabalhadores,  devidamente  qualificados, por elas remunerados e assistidos”, esta reveste­se de natureza especial,  tratando­se  de  mera  intermediadora  entre  a  empresa  tomadora  e  o  trabalhador  temporário.  Portanto, tão somente os valores inerentes às “taxas de administração” é que  podem  constituir  seu  REAL  FATURAMENTO,  passível  de  incidência  do  IRPJ,  CSLL, PIS e da COFINS,  sendo de  rigor  a  exclusão dos valores  repassados pelas  tomadoras de serviços para o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas.  (...)  Ademais,  além  de  patente  ofensa  ao  artigo  110  do  Código  Tributário  Nacional, o Fisco Federal, ao incluir na base de cálculo os valores aqui discutidos,  acaba por extrapolar a capacidade contributiva das empresas de locação de mão­de­ obra temporária, bem como atentar contra o Princípio do Não­Confisco, na medida  em  que  “mascara”,  como  receitas  tributáveis,  valores  de  terceiros  que  são  meramente  repassados  para  o  pagamento  dos  funcionários  e  seus  encargos,  para  assim, tornarem­se passíveis de tributação.  Observa­se,  ainda,  que  as notas  fiscais  emitidas  a  título de  adiantamento de  salário  com  vencimentos  entre  os  dias  15  a  20  de  cada mês,  são  compensadas de  forma integral quando do fechamento do mês, e sequer essa compensação foi feita  pelo fisco (doc n° 05, composto por 4 folhas numeradas de 01/04 a 04/04). Nesses  mesmos  documentos,  comprovamos  a  emissão  do  repasse  da  1ª  parcela  do  13°  salário  no mês  de  novembro,  descontado  no mês  de  dezembro  e  não  compensado  pelo fisco.  Nesses  mesmos  documentos,  observamos,  também,  que  o  valor  do  vale  transporte, comprado pela fiscalizada para ser fornecido ao trabalhador temporário, é  simplesmente  repassado  à  empresa  cliente.  Na  forma  de  tributação  adotada  pelo  fisco,  a  fiscalizada  está  sendo  tributada  sobre  esse  valor,  ou  seja,  está  havendo  a  tributação sobre o fornecimento do vale transporte, o que é plenamente proibido pela  legislação.  Portanto,  falece  ao  Fisco  Federal  o  direito  de  ingressar  indevidamente  no  patrimônio das empresas de locação de mão­de­obra, incluindo, na base de cálculo  do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS, todas as receitas auferidas (salários e encargos  trabalhistas),  sendo  devidos  tais  tributos  tão  somente  sobre  a  “taxa  de  agenciamento”.  9) Da prescrição:  Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.775          10 Grande parte dos valores objeto deste termo, além de estarem apontados com  valores errados, conforme exaustivamente demonstrado nesta defesa, encontram­se  prescritos.  Art. 150, em seu § 4° do CTN:  “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  este  prazo  sem  que  a  fazenda  tenha  se  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto  o  crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”  (...)  10) Da aplicação de multas, juros e correções:  O Sr. Auditor fiscal aponta nos cálculos multa de 75% sobre o valor do débito  apurado por este.  Primeiramente,  os  débitos  apurados  estão  totalmente  equivocados,  portanto  todos os valores que foram apurados a partir destes, são totalmente indevidos.  Por  consequência,  os  valores  apontados  a  título  de multa,  juros  e  correções  são totalmente indevidos.  Caso o fisco considere que a fiscalizada ainda tenha que efetuar o pagamento  de algum imposto referente ao período de 2008 e 2009, o que não espera, a mesma  requer que os valores das multas, juros e correções sejam apurados de acordo com a  lei mais benéfica.  (...)  Sem sombra de dúvidas que inexiste qualquer relação lógica de causa e efeito,  considerando­se  os  valores  absurdos  aplicados  a  título  de  punição  em  relação  ao  pretenso  ato  ilícito,  gerando  um  verdadeiro  confisco  sobre  o  patrimônio  do  contribuinte, subtraindo do mesmo o seu direito, garantido no próprio Regulamento  do Imposto de Renda, de pagar a diferença com os encargos de mora previstos para  os  recolhimentos  espontâneos,  e  tudo  isto  sem  se  falar  ainda  em  seu  direito  de  recolher  sem  nenhuma  penalidade,  se  considerados  os  preceitos  do  art.  138  do  Código Tributário Nacional, já consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça.  11) Dos pedidos:  Certos de que não existe interesse ao fisco a punição extrema da fiscalizada,  certos de o fisco, assim como todos os demais órgãos governamentais têm interesse  no  desenvolvimento  do  nosso  País,  com  maior  geração  de  empregos,  e  que  as  empresas  prestadoras  de  serviços  temporários  fazem  parte  dessa  geração  de  empregos,  tanto  que  somente  a  fiscalizada  já  empregou  mais  de  60.000  pessoas  somente  na  cidade  de  Cascavel,  nesses  24  anos  de  existência,  o  fisco,  com  toda  certeza, irá analisar com mais atenção a especialidade da fiscalizada requer:  Que  seja  declarada  a  nulidade  total  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  em  virtude dos erros materiais apresentados;  A produção de perícia contábil, caso o fisco entenda necessário.  A prescrição quinquenal de todo o ano de 2008;  Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.776          11 Que sejam refeitos todo e qualquer cálculo dos impostos sobre o valor da taxa  administrativa,  caso  algum  período  ainda  não  quitado  pela  fiscalizada  seja  considerado como devido, o que não se espera;  O reconhecimento da quitação  integral dos valores devidos do ano de 2009,  conforme DACON, DCTF e DARFs apresentadas;  A  redução  de multas,  juros  e  correções  da  forma mais  benéfica  e  direito  a  pedido de parcelamento, caso algum débito ainda seja considerado como devido.  Clama por justiça!  (...)”.  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.722):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008, 2009  LANÇAMENTO. ALEGAÇÕES DE NULIDADE.  Verificado  que  a  fiscalização  cumpriu  os  requisitos  formais  e  materiais  estabelecidos pelas normas  legais de  regência, não há que se  falar em nulidade da  autuação.  IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. LUCRO PRESUMIDO. DECADÊNCIA. FORMA  DE CONTAGEM.  Constatada  a  falta  de  pagamentos,  o  prazo  decadencial  nos  tributos  por  homologação é de 5 (cinco) anos, contados do 1º dia do ano­calendário seguinte.  IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E REFLEXOS (CSLL,  PIS, COFINS). LOCAÇÃO DE MÃO­DE­OBRA. LUCRO PRESUMIDO. BASE  DE CÁLCULO.  A sistemática de  tributação pelo  lucro presumido é opção da empresa. Uma  vez adotada, a base de cálculo dos tributos é apurada a partir do faturamento, assim  entendido  o  valor  cobrado  e  recebido  dos  clientes,  sendo  vedada  a  subtração  dos  valores pagos a título de salário e encargos sociais da mão­de­obra.  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.  Para  a  aplicação  da  multa  no  patamar  de  75%,  basta  a  constatação,  em  procedimento de ofício, de  infração à  legislação  tributária, da qual  resulte  falta de  recolhimento do tributo.  JUROS DE MORA À TAXA SELIC  O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, principal e multa  de  oficio,  é  acrescido  de  juros  de  mora  à  taxa  Selic,  seja  qual  for  o  motivo  determinante da falta, por expressa determinação legal.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.777          12 3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  12/09/2013  (fls.  1.743),  a  tempo,  em  10/10/2013,  apresenta  a  interessada  Recurso  de  fls.  1.745  a  1.763,  nele  reiterando  os  argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes:  a)  que,  na  sentença,  houve  uma  grande  confusão,  pelos  relatores,  entre  a  forma  de  tributação  adotada  pela  empresa  e  a  base  de  cálculo  dos  impostos (receita bruta);  b)  que,  independente da forma de  tributação adotada pelas empresas,  lucro  presumido ou lucro real, o que está em questão, nesse processo, é a forma  adotada para o lançamento fiscal;  c)  que toda tributação deve ser feita sobre o valor que as empresas ganham,  ou seja, pelo valor da receita bruta da empresa;  d)  que,  no  caso  em  tela,  a  fiscalização  fez  os  lançamentos  dos  impostos  sobre  tudo  o  que  estava  descrito  nas  notas  fiscais  da  empresa,  valores  esses  de  simples  repasse,  que  não  fazem  parte  da  receita  bruta  da  empresa;  e)  que,  se  existe  previsão  legal  para  a  exclusão  dos  valores  em  que  o  vendedor de bens ou prestador de serviços seja mero depositário, por que  a  empresa  de  trabalho  temporário  deve  ser  penalizada  e  não  ter  esse  direito?  f)  que,  se  todas  as  empresas  de  publicidade  têm o  direito  de  descontar  da  base de cálculo de  seus  impostos o valor que é  simplesmente  repassado  do cliente para a empresa de jornal, rádio ou televisão, por que a empresa  de  trabalho  temporário  não  pode  descontar  da  base  de  cálculo  de  seus  impostos  o  valor  dos  salários  e  impostos  que  são  simplesmente  repassados aos trabalhadores, ao FGTS e ao INSS?   g)  que o mesmo ocorre com as empresas de venda de imóveis, seus impostos  são  calculados  sobre  a  sua  comissão  de  venda,  e  não  sobre  o  valor  do  imóvel mais a comissão, o que levaria à inviabilidade das imobiliárias;  h)  que isso é, no mínimo, injusto;  i)  que deve existir equidade, igualdade tributária, sob pena da inviabilidade  do ramo de atividade da Recorrente;  j)  que a receita tributável da empresa independe do tipo de adoção ­ Lucro  Real ou Lucro Arbitrado – é, sim, a receita bruta da empresa que, no caso  das  empresas  do  ramo  de  prestação  de  serviços  temporários  é,  única  e  exclusivamente, a taxa administrativa;  k)  que,  na  sentença,  existe  a  concordância  de  que  a  Recorrente  recebeu  o  Termo de Verificação Fiscal de forma irregular;  l)  que a Recorrente recebeu um documento incompleto, sem que o processo  tivesse sido formalizado;  Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.778          13 m)  que, pelas falhas apresentadas no procedimento fiscal, pelas dificuldades  criadas  pelas  falhas  apresentadas  para  apresentação  da  defesa,  requer  a  nulidade  total  do  presente Auto  de  Infração  e  do Termo de Verificação  Fiscal;  n)  que  as  formalidade  legais  não  foram  atendidas,  devendo,  por  si  só,  o  termo ser desconsiderado pelo fisco;  o)  que, na sentença,  temos a confirmação de que a fiscalização durou mais  de  8  meses,  alegando  não  haver  irregularidades  nas  prorrogações  do  Mandado de Procedimento Fiscal; e  p)  que, em momento algum, comprovou qualquer pedido de prorrogação e,  mesmo tendo tido todo esse tempo com todos os documentos solicitados  para  a  realização  da  fiscalização,  simplesmente  desconsiderou  todos  os  documentos contábeis da fiscalizada.  Em mesa para julgamento.  Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.779          14 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  Recursos repetitivos (STJ)  4.  Dispõe  o  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (RI­CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com  as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de  2010 (grifou­se):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  5.  Relativamente  à  questão  da  decadência  do  lançamento  do  crédito  tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática  de Recursos Repetitivos (art. 543­C do CPC):  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.780          15 2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  “Decadência  e  Prescrição  no Direito  Tributário”,  3ª  ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado”  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  “Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro”,  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  “Direito  Tributário  Brasileiro”,  10ª  ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de  Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  [...].  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)  6.  Não procede  a  preliminar de  decadência  arguida,  uma vez  que  se  constata  não ter a Recorrente efetuado qualquer pagamento relativamente ao ano­calendário de 2008.  7.  Aplicando­se,  pois,  o  disposto  no  art.  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário  Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a contagem do prazo decadencial se  iniciou em 01/01/2009 (primeiro a terceiro trimestres de 2008) e 01/01/2010 (quarto trimestre  de 2008), encerrando­se, respectivamente, em 31/12/2013 e 31/12/2014, sendo que a lavratura  dos autos de infração ocorreu em 25/01/2013, ou seja, antes do término desses prazos.  8.  Relativamente à questão da base de cálculo das empresas prestadoras de  serviço  de  locação  de  mão­de­obra  temporária  (Lei  nº  6.019,  de  1974),  é  o  seguinte  o  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  na  sistemática  de  Recursos  Repetitivos  (art. 543­C do CPC):  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  DESTINADAS  AO  CUSTEIO  DA  Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.781          16 SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  “FATURAMENTO”  E  “RECEITA  BRUTA”.  LEIS  COMPLEMENTARES  7/70  E  70/91  E  LEIS  ORDINÁRIAS  9.718/98,  10.637/02  E  10.833/03.  DEFINIÇÃO  DE  FATURAMENTO  QUE  OBSERVA  REGIMES  NORMATIVOS  DIVERSOS.  EMPRESAS  PRESTADORAS  DE  SERVIÇO  DE  LOCAÇÃO DE MÃO­DE­OBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74).  VALORES DESTINADOS AO  PAGAMENTO DE  SALÁRIOS  E  DEMAIS  ENCARGOS  TRABALHISTAS  DOS  TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE  CÁLCULO.  1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do  regime normativo aplicável  (Leis Complementares 7/70 e 70/91  ou  Leis  ordinárias  10.637/2002  e  10.833/2003),  abrange  os  valores  recebidos  pelas  empresas  prestadoras  de  serviços  de  locação de mão­de­obra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e  pelo  Decreto  73.841/74),  a  título  de  pagamento  de  salários  e  encargos sociais dos trabalhadores temporários.  2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp  847.641/RS, perfilhou o entendimento no sentido de que:  [...].   3. Deveras, a definição de  faturamento mensal/receita bruta, à  luz  das  Leis  Complementares  7/70  e  70/91,  abrange,  além  das  receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de  serviços,  a  soma  das  receitas  oriundas  do  exercício  das  atividades  empresariais,  concepção  que  se  perpetuou  com  a  declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei  9.718/98  (Precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  assentaram  a  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rel.  Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005,  DJ 15.08.2006; RE 585.235 RG­QO, Rel. Ministro Cezar Peluso,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  10.09.2008,  DJe­227  DIVULG  27.11.2008  PUBLIC  28.11.2008;  e  RE  527.602,  Rel.  Ministro  Eros  Grau  Rel.  p/  Acórdão  Ministro  Marco  Aurélio,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  05.08.2009,  DJe­213  DIVULG  12.11.2009  PUBLIC 13.11.2009).  4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e  da COFINS,  promovida  pelas Leis  10.637/2002 e  10.833/2003,  os  valores  recebidos  a  título  de  pagamento  de  salários  e  encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumem­se na  novel  concepção  de  faturamento  mensal  (total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil).  5. Consequentemente,  a definição de  faturamento/receita bruta,  no  que  concerne  às  empresas  prestadoras  de  serviço  de  fornecimento  de  mão­de­obra  temporária  (regidas  pela  Lei  6.019/74),  engloba  a  totalidade  do  preço  do  serviço  prestado,  nele  incluídos  os  encargos  trabalhistas  e  previdenciários  dos  Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.782          17 trabalhadores  para  tanto  contratados,  que  constituem  custos  suportados na atividade empresarial.  6.  In  casu,  cuida­se  de  empresa  prestadora  de  serviços  de  locação de mão­de­obra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e  pelo  Decreto  73.841/74,  consoante  assentado  no  acórdão  regional),  razão  pela  qual,  independentemente  do  regime  normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento  de  salários  e  encargos  sociais  dos  trabalhadores  temporários  não  podem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  [...].  8.  Recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  provido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.  (REsp  1141065/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010)  9.  Especificamente, em se tratando do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)  e  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL), menciona­se  o  seguinte  aresto  do  mesmo STJ:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535.  INEXISTÊNCIA  DE  INDICAÇÃO  DE  VÍCIO  NO  ACÓRDÃO  RECORRIDO.  MERAS  CONSIDERAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284  DO  STF,  POR  ANALOGIA.  CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. EMPRESA PRESTADORA  DE  SERVIÇOS.  MÃO  DE  OBRA  TEMPORÁRIA.  BASE  DE  CÁLCULO. SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. INCIDÊNCIA.  PRECEDENTE  EM  RECURSO  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELO REGIME DO  LUCRO  PRESUMIDO.  DEDUÇÃO  DE  SALÁRIOS  E  ENCARGOS  SOCIAIS.  DESCABIMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  MISCIGENAÇÃO  ENTRE  REGIMES  DE  APURAÇÃO  DISTINTOS.  [...].  2.  Esta  Corte  consolidou  o  entendimento  de  que  os  valores  recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de  mão  de  obra  temporária,  a  título  de  pagamento  de  salários  e  encargos  sociais  dos  trabalhadores  temporários,  integram  a  base de cálculo do PIS e da Cofins.  3. Precedente: REsp 1141065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira  Seção, DJe 1.2.2010,  julgado pela sistemática do art. 543­C do  CPC e da Res. STJ n. 8/08.  4.  As  empresas  optantes  pela  tributação  relativa  ao  IRPJ  e  à  CSLL  pelo  regime  do  lucro  presumido  não  podem  excluir  da  base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas  empresas  prestadoras  de  serviços  de  locação  de  mão­de­obra  temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais  Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.783          18 dos  trabalhadores  temporários,  tendo  em  vista  que  não  há  previsão  legal  dessas  deduções.  Entender  de  modo  contrário  seria  miscigenar  dois  regimes  distintos  (lucro  real  e  lucro  presumido), ao arrepio da lei.  5. Precedentes: AgRg nos EDcl no AgRg no Ag nº 1.105.816/PR,  Rel.  Min. Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em 2.12.2010; REsp 971.066/SC, Rel. Min. Denise Arruda, Rel.  p/  Acórdão  Min.  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  DJe  18.8.2010;  REsp  1179448/RS,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJe  6.5.2010;  REsp  1088802/RS,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon, Segunda Turma, DJe 7.12.2009.  6.  Recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  provido  e  recurso  especial  do  Sindicato  das Empresas Contábeis  Assessoramento  Perícias Informações e Pesquisas de Londrina não provido.  (REsp  963196/PR,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe  08/02/2011)  10.  Correta a base de cálculo apontada pela fiscalização.  11.  Com  relação  às  demais  alegações  da  Recorrente,  limito­me  a  transcrever  excertos da decisão recorrida, com os quais concordo integralmente (fls. 1.733 a 1.735):  Divergência nas DIRF – Declarações de Imposto de Renda na  Fonte apresentadas pelos clientes da empresa.  A contribuinte alega que a fiscalização calcou­se nas DIRF para  apurar as bases de cálculos tributadas. Todavia essa afirmação  destoa  do  que  realmente  foi  feito  e  registrado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  no  qual  está  asseverado  que:  “constatamos que houve  receitas  registradas nos  livros  fiscais  e  contábeis do sujeito passivo,  (fls. 160 a 1354) e não declaradas  (...)”   As DIRF dos clientes foi apenas o ponto de partida do trabalho  fiscal,  que  confrontou  os  pagamentos  efetuados  pelos  clientes  com  os  valores  declarados  pelo  contribuinte  para  constatar  as  omissões.  Os valores mensais da receita bruta da empresa, base de cálculo  do  Lucro  Presumido  e  das  Contribuições  foi  apurado  a  partir  dos  registros  contábeis  e  notas  fiscais  fornecidos  durante  a  auditoria  fiscal,  cujos  valores  estão  compilados  no  TVF  em  detalhado demonstrativo à fl. 1415.  O  trabalho  fiscal  está  correto,  tanto  que  subtraiu  da  exigência  todos  os  valores  retidos  na  fonte  pelos  clientes  da  autuada,  conforme DIRF  de  fls.  81  a  158,  compiladas  no  quadro  de  fl.  1416.  A  impugnante  afirma,  ainda  que  “Sr. Auditor­fiscal  entregou  a  fiscalizada, alguns resumos de cálculos, sem a devida numeração  processual, que anexamos cópia a defesa (fls e ), onde consta: ...  Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.784          19 "O contribuinte não emitiu notas fiscais, caracterizando omissão  de receitas da atividade conforme relatório fiscal em anexo. (...)”.  De fato, constatei esse equívoco no termo de descrição dos fatos  do  auto  de  infração,  vide  fl.  1421,  ocorre  que  o  aludido  termo  reporta  expressamente  ao  Relatório  Fiscal  (Termo  de  Verificação), que também foi entregue à sócia administradora da  empresa,  mediante  ciência  pessoal  (fl.  1418),  no  qual  consta  textualmente que as notas fiscais foram emitidas e escrituradas,  porém,  os  tributos  devidos  não  foram  declarados  tampouco  recolhidos.  Supero  esse  erro  formal,  com  fulcro  no  art.  59  do Decreto  nº  70.235/1972  (PAF)  haja  vista  que  não  trouxe  prejuízo  ao  contribuinte, estando esclarecido nos autos.  [...].  Alegações  de  Irregularidades  Termo  de  Verificação  Fiscal  ­  TVF   A  impugnante  alega  que  o  TVF  contém  vícios,  haja  vista  que  deixou  de  consta  a  numeração  de  folhas,  pelo  que  deve  ser  desconsiderado.  De  fato,  a  via  do  TVF  recebida  pelo  contribuinte  não  está  numerada,  haja  vista  que  o  documento  foi  lavrado  antes  da  formalização do processo.  Todavia,  os  autos  devidamente  formalizados  e  numerados  ficaram à disposição do contribuinte por 30 dias após a ciência  do auto de infração, suprindo essa deficiência.  E mais,  o TVF  está  completíssimo,  trazendo demonstrativo  dos  valores mensais das bases de cálculo – receita bruta auferida ­,  o  que  permitiu  ao  contribuinte  confrontar  com  seus  registros  contábeis.  Logo,  caso  houvesse  erro,  bastava  a  impugnante  apontá­lo  em sua defesa, mas  isso não  foi  feito,  pois  tais  erros  inexistem.  Estou  plenamente  convencido  de  que  o  Auto  de  Infração  e  o  Termo  de  Verificação  fiscal  foram  lavrados  com  plena  observância do art. 142 do CTN, bem como do art. 10 do PAF,  pelo  que  não  restou  configurado  cerceamento  do  direito  de  defesa do contribuinte.  Da  duração  da  fiscalização  e  da  forma  do  procedimento  adotada   A  impugnante  questiona  o  fato  de  a  auditoria  fiscal  ter  transcorrido  por  8  meses  (maio/2012  a  janeiro/2013).  Isso  de  fato  ocorreu,  todavia  não  há  qualquer  irregularidade  nas  prorrogações  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  que  se  justifica  plenamente,  considerando  que  o  contribuinte  simplesmente nada declarou à Receita Federal no ano de 2008.  Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.785          20 Ao  contrário  do  que  reafirma  a  contribuinte,  todos  os  documentos da empresa foram analisados e considerados, sendo  que,  na  formação  da  base  de  cálculo,  a  Fiscalização  apurou  corretamente a receita bruta da empresa, tal qual estabelecem as  normas legais em vigor.  [...].  12.  Acrescento, apenas, que, se existiram erros na indicação de adiantamentos de  salário ou de 13º salário, tais erros devem ser debitados, unicamente, à ora Recorrente, uma vez  que o lançamento fiscal se baseou, exclusivamente, “nas receitas registradas nos livros fiscais e  contábeis do sujeito passivo” (fls. 1.414), conforme demonstrativo de fls. 1.415.  13.  Acrescento,  ainda,  que o Mandado de Procedimento Fiscal  (MPF)  foi,  sim,  devidamente prorrogado, conforme se observa das seguintes telas de consulta:      Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/2013­18  Acórdão n.º 1803­002.357  S1­TE03  Fl. 1.786          21 Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0