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Numero do processo: 10980.001682/2005-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Relatório
DO LANÇAMENTO
Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL, os quais relatam-se a seguir.
Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ
O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais.
A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999.
Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS
O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais.
A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98.
Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins
O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais.
A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL
O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais.
A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições.
DA IMPUGNAÇÃO
Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em 30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese.
Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN.
Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no ano-calendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000.
Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação.
Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba - PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container.
Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido.
Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita.
Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo.
Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ.
Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples.
Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas:
a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado;
b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes;
c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida informada pela interessada e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindo-lhe o prazo de impugnação.
Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte.
DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR
Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996.
A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999.
DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR
Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225.
Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada.
Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem.
Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal.
Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero.
Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei.
Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada.
Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do ano-calendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento.
No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento.
Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anos-calendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa.
Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega.
Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado.
Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão.
Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anos-calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais.
Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%.
Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela.
Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas.
Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35.
DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO
Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue:
Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial;
No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado;
Quanto à decadência da contribuições, rege-se por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos;
No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido;
Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações;
Por fim, a multa qualificada caracterizar-se-á ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos;
Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente.
Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596).
DO ACÓRDÃO DO CARF
Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 1103-00.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita:
Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE
Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar.
PRELIMINAR DE NULIDADE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente.
PRELIMINAR DE MÉRITO DECADÊNCIA
Aperfeiçoou-se a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de ter-se dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
ARBITRAMENTO DO LUCRO ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS - MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO
O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautou-se nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta.
Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas.
PIS E COFINS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência.
PIS E COFINS MULTA QUALIFICADA - DECADÊNCIA
Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa.
Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS.
Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93.
Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação.
Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere-se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada.
Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96.
Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000.
Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum.
Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas.
Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo.
Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103-A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91.
Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte.
Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas.
Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99.
Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil.
No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99.
Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte.
Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontra-se derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98.
Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade.
Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços.
Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido.
Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas.
Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência.
DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (e-processo), arguindo, em síntese, o que segue.
Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontra-se omissa e contraditória.
Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência.
Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração.
Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596.
Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas.
Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício).
Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea a, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%.
Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindo-a a um dos incisos desse Ato.
Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal.
Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra-se omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina.
Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a conceder-lhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL, os quais relatam-se a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSL O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita - apuração reflexa - caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada - enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em 30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no ano-calendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000. Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação. Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba - PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container. Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido. Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita. Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo. Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ. Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples. Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas: a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado; b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes; c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida informada pela interessada e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindo-lhe o prazo de impugnação. Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte. DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225. Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada. Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem. Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal. Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos-calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero. Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei. Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada. Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do ano-calendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento. No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento. Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anos-calendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa. Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega. Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado. Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anos-calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais. Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%. Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela. Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas. Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue: Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial; No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; Quanto à decadência da contribuições, rege-se por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos; No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido; Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Por fim, a multa qualificada caracterizar-se-á ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos; Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente. Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596). DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 1103-00.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Ano-calendário: 2003 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar. PRELIMINAR DE NULIDADE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente. PRELIMINAR DE MÉRITO DECADÊNCIA Aperfeiçoou-se a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de ter-se dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ARBITRAMENTO DO LUCRO ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS - MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautou-se nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta. Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. PIS E COFINS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência. PIS E COFINS MULTA QUALIFICADA - DECADÊNCIA Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa. Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93. Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação. Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere-se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada. Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96. Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000. Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum. Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas. Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo. Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103-A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte. Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas. Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99. Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil. No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99. Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte. Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontra-se derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98. Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade. Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços. Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido. Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas. Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (e-processo), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontra-se omissa e contraditória. Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração. Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596. Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas. Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício). Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea a, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%. Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindo-a a um dos incisos desse Ato. Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontra-se omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a conceder-lhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados. É o relatório. Voto
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W. SERVIÇOS DE CONCRETO LTDA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 68 2/ 20 05 -5 8 Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.387 2 Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSL, os quais relatamse a seguir. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 472 a 485) exige o recolhimento de R$ 302.287,85 de imposto, R$ 453.431,73 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, em relação aos seguintes fatos: Inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa, tendo como base legal o art. 47, III, da Lei 8.981/95 e art. 530, III, do RIR/1999 – Decreto 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 486 a 496) exige o recolhimento de R$ 95.765,09 de contribuição, R$ 143.647,53 de multa de ofício prevista no art. 86, § 1º, da Lei 7.450/85; art. 2º da Lei 7.683/1988; e art. 44, II, da Lei 9.430/1996, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: arts. 1º e 3º, da Lei Complementar 7/70, art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95, arts. 2º, I, 8º, I e 9º, da Lei 9.715/98, e arts. 2º e 3º, da Lei 9.718/98. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins O Auto de Infração da Cofins (fls. 497 a 507) exige o recolhimento de R$ 441.993,33 de contribuição, R$ 662.989,89 de multa de ofício prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91; e art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: art. 1º, da Lei Complementar 70/91; art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95; arts. 2º, 3º e 8º, a Lei 9.718/98, com as alterações da Media Provisória 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSL Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.388 3 O Auto de Infração da CSL (fls. 508 a 519) exige o recolhimento de R$ 167.992,59 de contribuição, R$ 251.988,86 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, além dos encargos legais. A exigência resulta da omissão de receita apuração reflexa caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei 7.689/88, arts. 19 e 24, da Lei 9.249/1995, art. 29, da Lei 9.430/96, art. 6º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições, com alterações do art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 28/02/2005, a interessada apresentou tempestivamente, em 30/03/2005, a impugnação de fls. 524 a 533, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente levanta a preliminar de decadência do crédito constituído, para os fatos geradores do ano de 1.999, já que o imposto de renda das pessoas jurídicas, bem como as contribuições do PIS, Cofins e CSL, comportam lançamento por homologação, e que o prazo expira passados 05 anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN. Complementa, que a tributação dos seus resultados baseava no lucro presumido, com fatos geradores trimestrais, o que não altera com a imposição feita pela fiscalização do lucro arbitrado, que segue a mesma regra. Que os fatos geradores se encerram em março, junho, setembro e outubro de cada ano, e que relativamente ao IRPJ e CSL não mais poderiam ser revisados os ocorridos no anocalendário de 1999. Quanto ao Pis e a Cofins, por ter fato gerador mensal já ocorreu a homologação tácita relativo aos meses de janeiro de 1999 a janeiro de 2000. Argúi a nulidade do lançamento pela indevida opção pelo lucro arbitrado feita pela fiscalização sem obediência a opção da empresa pelo lucro presumido, em razão de que pela legislação de regência preenchia todos os requisitos por tal tributação. Assim, se eventualmente fosse apurado omissão de receita, não poderia ter sido alterado a modalidade de tributação. Aduz, a fiscalização não afirmou com precisão o motivo do arbitramento, mas, pelo que se depreende do que consta da folha de continuação do auto de infração o motivo foi “inexistência de escrituração contábil ou Livro Caixa”. Que a alegação tem a ver com a afirmativa contida no Termo de Verificação Fiscal, do boletim de ocorrência nº 00095/2002444 – Comunicação Não Delituosa do Departamento da Polícia Civil – Divisão Policial da Capital, da Cidade de Curitiba PR, no qual é comunicado a perda de documentos contábeis e fiscais em função de chuva uma vez que os mesmos estavam em um container. Complementa, que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentadas as declarações de rendimentos ou de ajuste do imposto de renda, o que torna definitiva a opção, sendo de se acolher como válida a opção pela forma de tributação com base no lucro presumido. Alega que o lançamento é nulo em razão da adoção pela fiscalização de sistemática inadequada, considerando como omissão de receitas a totalidade dos valores Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.389 4 levados a crédito das contas bancárias, por ofensa ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, sem considerar o seu § 3º que determina que os créditos devem ser analisados individualizadamente, e que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Que não houve o expurgo necessário, nem sequer foram considerados os valores relativos a créditos de descontos de duplicatas, de cheques devolvidos e outros assemelhados que não podem representar qualquer forma de receita. Reclama de cerceamento ao direito de defesa pela retenção, pela fiscalização, dos extratos bancários sem deixar cópia com a empresa, que necessita delas para sua defesa. Que está solicitando cópia integral do processo para que possa obter os documentos que não possui para elaborar com eficiência sua defesa, bem como para suprir as indicações feitas nas peças fiscais que menciona simplesmente fls., sem indicar qual folha corresponde, visando uma conexão entre os fatos mencionados na exigência fiscal e os documentos constantes do processo. Argumenta que a fiscalização equivocou ao entender que seria aplicável a multa qualificada de 150%. A descrição dos fatos que levaram o agente fiscal a tal conclusão é descaracterizada para tal, tanto que ao fazer a qualificação adotou três artigos diferentes da Lei nº 4.502/1964, citando os artigos 71, 72 e 73. Que houve declaração inexata, caracterizada pela diferença entre os valores das operações e os valores informados na DIRPJ. Diz, que a jurisprudência administrativa e judicial tem afastado a multa qualificada nos casos de lançamentos em que a omissão de receita decorre de presunção, seja ela presunção legal ou presunção simples. Conforme Despacho de fl. 537 retornou o processo a delegacia de origem para as providências a seguir discriminadas: a) que o arbitramento do lucro foi efetuado no percentual de 9,6% referente à venda de mercadorias, tendo por base exclusivamente às receitas omitidas resultantes dos depósitos bancários e ainda compensando os valores apurados com base nas receitas declaradas, que não foram tributadas pelo lucro arbitrado; b) que as receitas informadas pela interessada são exclusivamente de prestação de serviços, devendo o arbitramento do lucro ser efetuado no percentual a elas correspondentes; c) que a mesma sorte deve ter a receita omitida, salvo prova da execução preponderante de atividade comercial e d) o disposto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993, retorne ao Sefis da DRF em Curitiba – PR, para a correta apuração do lucro arbitrado, inclusive especificando e tributando separadamente a receita bruta conhecida – informada pela interessada – e a receita omitida, reintimando a interessada e reabrindolhe o prazo de impugnação. Consta às fls. 543 a 546 Termo de Verificação Fiscal Complementar, em que descreve a Segregação da Receita da Contribuinte. DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.390 5 Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração Complementar de fls. 547 a 562 para o IRPJ que exige o montante de R$ 1.142.133,62 de imposto, R$ 1.713.200,41 de multa de ofício prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996. A exigência resulta do arbitramento do lucro que se faz em virtude de que a contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Presumido, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fato este, por ele declarado conforme docs. Fls. 160 e 161, tendo como enquadramento legal o art. 47, I, da Lei nº 8.981/1995 e art. 530, I, do RIR/1999 – Decreto nº 3.000/1999, e a base de cálculo foi apurada pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada – enquadramento legal: arts. 27, I e 42, da Lei nº 9.430/1996 e arts. 532 e 537, do RIR/1999, e pela Receitas Operacionais – Prestação de Serviços Gerais, valor apurado conforme declarado na planilha de fls. 423 a 438, com infração ao art. 532 do RIR/1999. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Por não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal, quando procurada para ciência pessoal, conforme relatado à fl. 564, a contribuinte foi cientificada do lançamento pelo edital nº 53/2005 (fls. 566), afixado em 06/09/2005 na Portaria da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, e apresentou a impugnação de fls. 573 a 596, instruída com os documentos de fls. 597/1225. Em síntese, são as razões alegadas pela autuada na impugnação apresentada. Que a fiscalização, sob o argumento de que no primeiro auto de infração não foram segregadas as receitas declaradas pela contribuinte e receitas omitidas, adotou bases de cálculos distintas entre o primeiro e o segundo lançamento, capitulando a infração em dispositivos legais distintos, não se tratando de lançamento complementar, mas sim um novo lançamento sobre o mesmo fato gerador relacionado com omissão de receita caracterizado por depósitos bancários sem comprovação de origem. Transcrevendo o art. 145 e incisos do CTN, alega, que o primeiro lançamento foi regularmente cientificado ao sujeito passivo e, tendo sido impugnado o lançamento este não poderia ter sido alterado antes do julgamento da impugnação interposta. Que a presente exigência só pode estar estribada no art.145, inc. III, do CTN, que trata da autorização para alteração do primeiro lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, com o amparo no art. 149, IX, do mesmo dispositivo legal. Aduz que a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, nos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, por entender que estaria caracterizado o intuito de fraude em virtude de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem e apresentação de declaração com valor zero. Sustenta que a apresentação da DIPJ não tem qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal e, tendo em vista que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, dizem respeito à ocorrência do fato gerador, o simples descumprimento de obrigação acessória não pode ser conceituado como evidente intuito de fraude. Que a alegada apresentação da declaração de rendimentos ou DIPJ com valor menor ou até sem valor não é motivo suficiente para presumir a ocorrência de dolo, fraude ou conluio, porquanto, para que a Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.391 6 reincidência possa ser caracterizada como agravante ou intenção de esconder o fato gerador, há necessidade de disposição expressa em lei. Complementa que adoção de qualquer outro entendimento diferente do exposto, representa uma presunção sobre presunção, posto que os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, não deixa qualquer margem a dúvida de que a sonegação, fraude ou conluio está vinculado, única e exclusivamente, à ocorrência do fato gerador da obrigação principal e não tem qualquer relação com descumprimento de obrigações acessórias. Que a jurisprudência tem sido trilhada no sentido de que, nos casos de exigência de tributos e contribuições fundadas em presunções, não comporta a aplicação de multa qualificada. Levanta preliminar de decadência de constituição do crédito tributário relativo aos tributos e contribuições, com fato gerador trimestral, correspondente aos 1º e 2º trimestre do anocalendário de 1999 e, nos casos de contribuições com fato gerador mensal, os fatos geradores ocorridos até dia 31 de agosto de 1999, aduzindo tratar de modalidade de lançamento por homologação porque cabe ao sujeito passivo calcular o imposto e recolher nos prazos legais, independentemente de qualquer intimação da autoridade administrativa e de que não tenha efetuado qualquer recolhimento. No mérito reitera, inicialmente, os argumentos expendidos na impugnação apresentada para o primeiro lançamento. Aduz que o arbitramento de lucro com base na receita bruta decorreu da inexistência de livro Caixa e de escrituração contábil, mas, que sempre escriturou o primeiro conforme devidamente informado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica apresentadas nos respectivos anoscalendário, e que a hipótese dos autos é de falta de entrega e não a inexistência do livro Caixa. Complementa que a fiscalização não poderia deixar de examinar as informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica onde está devidamente registrada a escrituração do livro Caixa. Que conforme relatado no Boletim de Ocorrência expedido pela Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná, o livro Caixa foi inteiramente danificado, impossibilitando a sua entrega. Reclama que a autoridade lançadora reconheceu que a destruição dos livros e documentos fiscais dos anos de 1999 a 2001 ocorreu depois de terem sido apresentas as declarações de rendimentos, e que, portanto, a opção pelo lucro presumido foi definitiva e inexistindo prova da imprestabilidade das declarações apresentadas, não é licito ao fisco desprezar a opção e impor a tributação com base no lucro arbitrado. Argúi que o art. 24 da Lei nº 9.249/1995 é taxativa e não comporta outra interpretação quando determina que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Alega, a interessada, que a atividade desenvolvida pela empresa é a de fornecimento de argamassa para concreto nas obras de construção civil, adquirindo no mercado as matérias primas, que são colocadas em caminhões próprios chamados de betoneira que vai misturando os ingredientes no trajeto até o local da obra. Que as notas fiscais anexadas comprovam as compras de matéria prima e a DIPJ regularmente apresentadas nos anos calendário de 2000 e 2001 registram as aquisições daquelas mercadorias. Que esses dados não Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.392 7 permitem a suspeita levantada pela autoridade fiscal no sentido de que a autuada seja uma empresa prestadora exclusiva de serviços gerais. Argumenta que o preenchimento do formulário anexado as fls. 425 a 442 deu em virtude do cumprimento de normas que regem a tributação pelo ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, entretanto, para fins de opção pelo lucro presumido, a legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica determina que se o empreiteiro ou sub empreiteiro de construção civil entrar com qualquer mercadoria, não está obrigada à tributação com base no lucro real e, por exclusão, pode optar pela tributação com base no lucro presumido. Que em se tratando de uma pessoa jurídica que presta serviços com o fornecimento de materiais a sua atividade enquadra na hipótese previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 06/1997, não podendo subsistir dúvida de que tinha direito à opção pelo lucro presumido com a aplicação do coeficiente de 8%. Questiona o levantamento feito pela fiscalização que teria cometido inúmeros erros na apuração da base de cálculo, indicando valores que tem origem em transferências entre agências bancárias, créditos de títulos, liquidação de cobrança. Que foram somados todos os créditos, inclusive de valores inferiores a R$ 12.000,00, individualmente, descumprindo o disposto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, representando dupla tributação de uma mesma parcela. Diz, que os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica sequer deveria ser objeto de intimação para comprovação posto que a lei de regência já manda que não sejam considerados. Que os créditos de títulos e liquidação de cobrança têm origem nas duplicatas vinculada as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, correspondentes as vendas não realizadas no período ou na data do crédito de cobrança. Que, salvo prova em contrário, as duplicatas cobradas não podem ser consideradas como receitas omitidas ou não comprovadas. Aduz que devem ser expurgados os valores que a própria fiscalização identificou as respectivas origens (elabora demonstrativo), e que o montante de depósitos bancários não comprovados devem ser reduzidos de R$ 15.734.614,32 para R$ 2.858.854,29, bem como as bases de cálculos das parcelas declaradas na DIPJ que já foram regularmente tributadas e que estão devidamente atestados pela autoridade fiscalizadora nos Demonstrativos de Apuração de Crédito Tributário anexos aos Autos de Infração, totalizando R$ 495.083,35. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 24/08/2006, acordou a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas, sendo a primeira do lançamento complementar e a segunda da decadência. No tocante ao mérito em discussão julgou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de 150% para 75% para as receitas declaradas e determinou os valores de IRPJ, PIS, Cofins e de CSL, definindo o percentual de multa para os respectivos valores, conforme segue: Em referência ao lançamento complementar, se constatadas incorreções e inexatidões em exames posteriores ao lançamento principal, é legitimo ao fisco efetuar o novo lançamento em complemento ao principal desde que o procedimento tenha sido realizado dentro do prazo decadencial; Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.393 8 No tocante à preliminar de decadência, inexistindo pagamento, tem o fisco, o direito de constituir o crédito tributário, que poderá ser exercido no lapso de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; Quanto à decadência da contribuições, regese por lei específica (Lei nº 8.212/1991) em obediência ao disposto no parágrafo 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional. O prazo decadencial das é de 10 anos; No que tange o arbitramento do lucro, esta sujeito o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido; Omissas as receitas, é autorizado ao fisco, com fulcro na Lei 9.430/1996, em seu art. 42, presumir a omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Por fim, a multa qualificada caracterizarseá ao momento da comprovação do contribuinte que, intencionalmente, deixar de recolher os tributos; Portanto, resta decidido que será mantido os valores de R$ 544.702,70 e R$ 899.718,76, de IRPJ, R$ 34.436,73 e R$ 61.328,36, de PIS, R$ 158.938,74 e R$ 283.054,59, de Cofins, R$ 61.585,58 e R$ 106.407,11 de CSL, bem como as multas de 75%, para o primeiro valor e 150%, para segundo valor de cada tributo, respectivamente. Em 18/12/2006, a contribuinte toma conhecimento da referida decisão supracitada. Em 10/01/2007, interpõe recurso em face da decisão da DRJ, em que fundamentalmente reitera as alegações expostas em sua impugnação complementar (fls. 573 a 596). DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 1/2/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão nº 110300.030, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigência de IRPJ e CSL, inclusive multa qualificada relativa a eles e, por unanimidade de votos, para reconhecer a decadência dos lançamentos dos créditos tributários de PIS e de Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme entendimento sintetizado após a ementa transcrita: Assunto: Auto de Infração IRPJ/CSL Anocalendário: 2003 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE Inexiste ofensa aos arts. 145 e 149, VIII ou IX, do CTN, e tampouco aos preceitos do diploma processual administrativo fiscal. A determinação Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.394 9 da verificação, mediante conversão em diligência, foi consignada pelo órgão julgador a quo, que igualmente determinou a reabertura de prazo para impugnação, mediante prévia intimação. E a verificação foi realizada pela autoridade da chamada administração ativa (e não judicante), que detém competência exclusiva para o lançamento, resultando da verificação lançamento complementar. PRELIMINAR DE NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA A presunção legal de omissão de receitas, para ser empregada, reclama a análise individualizada dos créditos, com expurgo de créditos que deliberadamente não indicam receitas, e o contribuinte deve ser prévia e regularmente intimado à comprovação da origem dos recursos creditados, mediante documentação hábil e idônea. Requisitos ou pressupostos presentes para a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas, com expurgo de créditos de descontos de duplicatas, de estornos, de redução de saldo devedor CPMF, que não representam receitas. Nulidade inexistente. PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA Aperfeiçoouse a decadência do lançamento de créditos tributários de IRPJ e CSL sobre receitas declaradas, referentes aos 3º e 4ª trimestres do anocalendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e COFINS sobre receitas declaradas, relativos aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000, conforme o art. 150, § 4º, do CTN, cuja aplicação independe de terse dado algum pagamento, conforme orientação dominante da jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ARBITRAMENTO DO LUCRO – ARGAMASSA, PREPARADO EM BETONEIRAS MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO O fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada: é prestação de serviços. O ADN COSIT 6/97 considera tal atividade sujeita à alíquota geral de 8% para a presunção de lucro. O ato concreto do lançamento pautouse nessa alíquota para arbitrar o lucro ao coeficiente de 9,6%. O lançamento complementar utilizou a alíquota de 32%, prevista para prestação de serviços, para arbitrar o lucro ao coeficiente de 38,4%. Houve mudança de critério jurídico, interditada pelo art. 146 do CTN. Por outro lado, aceitar o lançamento original, ao argumento de ser o arbitramento menos gravoso ao contribuinte, é endossar interpretação que fere o princípio da legalidade, pois o lançamento original não se sustenta. Fulminado o lançamento de IRPJ e de CSL por vício material, de modo que resultam prejudicadas, em relação a esses tributos, as questões da multa qualificada e da decadência quanto às receitas omitidas. PIS E COFINS – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Não houve insuficiência ou deficiência do suporte fático da presunção legal de omissão de receitas. De outra parte, a contribuinte não Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.395 10 apresentara nenhuma prova a derruir a presunção de omissão de receitas. Também, na ausência de escrituração contábil, caberia à recorrente carrear elementos para indicação de que as receitas declaradas estariam contidas nas receitas omitidas. Nenhuma contraprova trouxe a contribuinte aos autos. Manutenção da exigência. PIS E COFINS – MULTA QUALIFICADA DECADÊNCIA Em geral, a omissão de receitas constatada com uso da presunção legal é insuficiente para se evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Mas o geral deve ter acomodação à especifidade de cada caso concreto. A prática reiterada por anos a fio da conduta presuntiva de omissão de receitas, associada ao fato de a contribuinte não carrear sequer um documento, hábil ou indiciário, a fulminar ou ao menos a pôr em dúvida alguma das receitas omitidas, militam contra a insuficiência de dados para evidenciar o concurso de dolo na conduta infracional. Ou seja, há dados de fato suficientes para se concluir pela presença de dolo na conduta adversa. Como conseqüência, não há decadência do lançamento lastreado na omissão de receitas, sobre créditos tributários de PIS e COFINS. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento complementar, pois entendeu que não houve ofensa aos artigos 145 e 149, VIII e IX, do CTN, bem como dos artigos 15, parágrafo único, e 18, § 3º, do Decreto 70.235/72, alterados pela Lei 8.748/93. Nesse sentido, afirmou que os artigos retromencionados não foram feridos, porque, além de a verificação feita pela fiscalização ter sido realizada por autoridade fiscal que possui competência exclusiva para o lançamento, essa foi determinada pelo órgão julgador de 1º grau, o qual impôs a intimação prévia da reabertura do prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, a contar do aperfeiçoamento dessa verificação. Com relação à outra causa de nulidade apontada pela contribuinte, a qual refere se a não observação, por parte da fiscalização, dos requisitos necessários para aplicar a hipótese legal de presunção de receitas, consignou que essa também deve ser rejeitada. Isso porque, além de a fiscalização ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos ou créditos em questão, o que não foi feito por ela, é possível concluir, por meio da análise de extratos de conta de depósito da contribuinte, que a fiscalização promoveu o saneamento dos valores que não constituem receitas tendo, desse modo, cumprido os requisitos necessários à aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96. Reconheceu a preliminar de decadência do lançamento dos créditos tributários de IRPJ e CSL sobre as receitas declaradas, relativos aos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 1999, e dos créditos tributários de PIS e Cofins sobre as receitas declaradas, referentes aos fatos geradores de julho de 1999 a janeiro de 2000. Nesse sentido, apontou que tal reconhecimento decorreu do fato de a Câmara incumbida para julgar o presente feito, entender que o artigo 150, § 4º, do CTN deve ser aplicado mesmo quando não houver pagamento algum. Distinguiu o lançamento fundado na omissão de receitas, do fundado nas receitas declaradas. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.396 11 Apontou que, no que tange os suportes fáticos em comento, a decadência já havia operado antes do lançamento primitivo ter sido levado a termo. Acentuou que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, o artigo 103A da CF e o artigo 2º, caput e § 1º da Lei 11.417/06, reconhecem que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§4º, do CTN, deve ser aplicado à CSL, PIS e Cofins, em detrimento do previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91. Registrou que a presunção legal de omissão de rendimentos é afastada diante de contraprova do contribuinte. Negou provimento ao recurso com relação à omissão de receitas presumida, pois a contribuinte não apresentou nenhuma contraprova que demonstrasse ou indicasse que as receitas declaradas estavam contidas nas receitas omitidas. Aduziu que o lançamento de IRPJ e de CSL foi feito com base no lucro arbitrado sobre as receitas presumidamente omitidas, pois a contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, não indicando, desse modo, que essa se sujeita ao regime de lucro presumido. Nesse sentido, transcreveu o artigo 24, caput, da Lei 9.249/95 e os artigos 527 e 530, III, do RIR/99. Constatou que não há custos e despesas capazes de afastar a aplicabilidade da hipótese de arbitramento do lucro, e que há a omissão de receitas presumida por depósitos bancários de origem incomprovada e com ausência de escrituração contábil. No que tange a alegação da contribuinte de que ela não apresentou a escrituração contábil porque essa está danificada, afirmou que, nesse caso, não é possível que a fiscalização reconstitua a escrituração, e que a contribuinte poderia ter adotado as providencias previstas no § 1º e comprovado o previsto no § 2º, ambos do artigo 264 do RIR/99. Aduziu que é irrefutável o arbitramento do lucro com base em receita conhecida levado a efeito pela contribuinte. Colacionou o Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, e apontou que esse não está revogado, mas que o seu inciso II encontrase derrogado em virtude do artigo 14 da Lei 9.718/98. Esclareceu que o fornecimento de argamassa, preparado em betoneiras no trajeto até a obra, constitui atividade de construção civil por empreitada e, conseqüentemente, prestação de serviço. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Realizou a análise de jurisprudências, doutrinas, do artigo 146 do CTN, do Ato Declaratório Normativo COSIT 06/97, dos artigos 2º e 32, II, da IN SRF 480/04. De acordo com essa análise, consignou que os lançamentos de IRPJ e da CSL então fulminados por vício material, estando assim também prejudicados seus consectários. Quanto a isso, esclareceu que aceitar o lançamento original significa ferir o princípio da legalidade. Apontou que os vícios supramencionados decorreram, principalmente, do fato de a contribuinte exercer a atividade de prestação de serviço, fazendo com que o seu lucro não possa ser arbitrado com base na alíquota de 8%, mas sim pautado na alíquota de 32% prevista para a prestação de serviços. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.397 12 Afirmou que, nos termos do artigo 146 do CTN, o lançamento complementar não pode prosperar, pois esse traz a mudança do critério jurídico, quer seja como erro de direito, quer se repute como mudança de um critério válido para outro também válido. Negou provimento ao recurso no que tange a exigência de PIS e Cofins sobre as receitas, porque o lançamento desses tributos não foi feita por arbitramento, mas sim sobre as receitas presumidamente omitidas. Com relação à multa qualificada e a decadência referentes ao PIS e Cofins relativas à omissão de receitas, consignou que, nos temos do artigo 71 da Lei 4.502/62, como há dados suficientes para da contribuinte foi feita com dolo, a multa qualificada deve ser mantida, bem como não deve ser reconhecida a preliminar de decadência. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Intimada, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, de fls. 1371 a 1383 (eprocesso), arguindo, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que a decisão embargada encontrase omissa e contraditória. Consignou que, apesar de a decisão recorrida afirmar que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade, esse não foi assinado, devendo, desse modo, ser considerado inexistente e, conseqüentemente, não conhecido, já que esse vício é insuscetível de saneamento posterior. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Apontou que os sinais presentes nas folhas do recurso voluntário não podem ser considerados como assinatura para o fim de preencher os requisitos de admissibilidade do recurso. Isso porque, além de não estar presente nos autos procuração ou instrumento que confere poderes de representação ao Sr. Jorge Luiz Figueiredo Ramos, eventuais documentos juntados aos autos posteriormente não preencheriam essa lacuna, já que pode haver alterações societárias/administrativas posteriores que retiram os poderes de representação do Sr. Jorge, bem como a revogação da procuração. Nesse sentido, acentuou que outro fator que faz com que os referidos sinais gráficos não sejam tidos como assinatura para os fins supramencionados, corresponde ao fato de esses sinais serem diferentes da assinatura do Sr. Jorge oposta no Termo de fl. 1.327, bem como das assinaturas presentes nas fls. 533 e 596. Atestou que a decisão recorrida é omissa, pois essa não analisou o recurso de ofício interposto pela DRJ de Curitiba, o qual reduziu o percentual de multa de oficio de 150% para 75% em relação às receitas declaradas. Nesse sentido, registrou que a decisão recorrida não observou o disposto no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99, pois esses determinam que o acórdão proferido pela DRJ e pelo CARF deve conter um relatório que traz o resumo do processo, seus fundamentos legais e conclusão, bem como, fazer referencia, de forma expressa, a todos os recursos interpostos (voluntários ou de ofício). Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.398 13 Entendeu que, com relação aos elementos probatórios presentes nos autos, a decisão embargada é contraditória, pois, de acordo com a análise dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, é possível concluir que a fiscalização não fundamentou o lançamento original no Ato Declaratório Normativo COSIT 06/1997, bem como que ela não enquadrou a atividade exercida pela contribuinte no inciso I, alínea “a”, do referido ADN, para arbitrar o lucro com aplicação de 9,6%. Nesse sentido, apontou que a ADN retromencionada não prevê a atividade exercida de fato pela contribuinte em seus incisos, podendo apenas a fiscalização realizar uma interpretação sobre a atividade realizada pelo contribuinte subsumindoa a um dos incisos desse Ato. Aduziu que o percentual de 9,6% foi aplicado devido à apuração de depósitos bancários de origem não comprovada durante a ação fiscal. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização não fundamentou o lançamento original na ADN 06/97 e não afirmou que a atividade exercida pela contribuinte não era prestação de serviços, a decisão recorrida encontrase omissa, pois essa não indicou os elementos que fundamentam a sua conclusão acerca da mudança de critério jurídico nos termos do artigo 146 do CTN. Quanto a isso, colacionou doutrina. Por fim, requereu o recebimento e acolhimento do presente embargos de declaração, de forma a concederlhes efeitos infringentes, sanando os vícios apontados. É o relatório. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.399 14 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo (fls. 1343 e 1346). A embargante alega omissão e contradição no acórdão embargado. Há potencialidade de omissão e de contradição no referido acórdão, de modo que conheço dos embargos. A Procuradora da Fazenda Nacional argui inexistência do recurso voluntário por não haver a assinatura nele. Diz que os sinais apontados nas folhas do recurso não podem ser tido como assinatura, pois: a) não foi acostado ao recurso instrumento que confira poderes a Jorge Luiz Figueiredo Ramos; b) os sinais gráficos são diferentes da assinatura da citada pessoa no termo de fl. 1.327. De fato, constatase a falta de assinatura do recurso voluntário. Porém, em face do art. 13 ou do art. 37, do CPC, a falta de assinatura é sanável, máxime no processo administrativo fiscal, em que o rigor ao formalismo não é medida que com ele se afina. E é sabido que, nas instâncias ordinárias do processo judicial, a ausência de assinatura é defeito perfeitamente sanável. Cito o REsp abaixo de 2013, com transcrição da ementa: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE ASSINATURA NA PETIÇÃO RECURSAL INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS VÍCIO SANÁVEL RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PRECEDENTES. 1. Ao contrário do efeito produzido na instância extraordinária, a falta de assinatura do advogado nos recursos interpostos nas instâncias instâncias ordinárias é um vício sanável, em consonância com o teor do que dispõe o art. 13 do CPC, aplicável analogicamente à irregularidade da representação postulatória, devendo ser concedido prazo razoável para o suprimento de tal irregularidade. Precedentes. 2. Recurso especial provido para determinar o retornos dos autos ao Tribunal de origem para que seja oportunizada a regularização da assinatura do patrono na petição recursal dirigida àquele instância ordinária. (RESP 1.398.134SC, 2013/02660879, MINISTRA ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, DATA DE JULGAMENTO 5/11/2013, DJe: 13/11/2013) As alegações da Procuradora quanto à falta de instrumento para representação e ao apontamento sobre os sinais gráficos não têm sentido. Jorge Luiz Figueiredo Ramos que assina a fl. 1327 é sócioadmininistrador da J. W. W. Serviços de Concreto Ltda., como se vê das fls. 449 a 454. É a mesma assinatura que consta, por ex., na fl. 363 no recebimento de intimação para se comprovar a origem dos depósitos bancários individualizados, nas informações prestadas ao fiscal na fl. 438, na resposta à referida intimação na fl. 443, no recebimento do TVF na fl. 470, na primeira impugnação na fl. 535. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.001682/200558 Resolução nº 1103000.143 S1C1T3 Fl. 1.400 15 No TVF, o autuante diz que o entrega ao representante do contribuinte. Então, quem recebeu o TVF e os autos de infração não tem poderes de representação do autuado? Irá se dizer que os autos de infração são inválidos? Vejase que as rubricas constantes no recurso voluntário (fls. 1297 a 1324) apontam para coincidência com as que figuram na segunda impugnação (fls. a 596), em face do lançamento complementar efetuado. Quem assina a segunda impugnação é o procurador constituído pela contribuinte, o dr. Kazuki Shiobara (fls. 596 e 597). Quem assina a procuração é Jorge Luiz Figueiredo Ramos (fl. 597). Óbvio, portanto, que as rubricas não apontam para Jorge Luiz Figueiredo Ramos. O que se nota é que o procurador constituído pela contribuinte, dr. Kazuki Shiobara, que rubricou e assinou a segunda impugnação, é quem aparentemente rubricou o recurso voluntário. E esqueceu de assinálo. Enfim, entendo que cabe o saneamento da falta cometida, de modo que proponho baixar o presente julgamento em diligência: a) intimandose a contribuinte, para que o recurso voluntário (que foi rubricado) seja assinado pelo rubricador procurador por ela constituído, o qual assinou e rubricou a segunda impugnação, conforme procuração de fls. 596 e 597, no prazo de trinta dias (por aplicação analógica do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/11); b) após, os autos do processo devem retornar a este órgão julgador. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10218.000011/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM.
Demonstrada a individualização dos créditos bancários e a regular intimação do contribuinte para comprovação da origem desses créditos, caracteriza-se omissão de receita se o contribuinte não se manifesta.
Numero da decisão: 1302-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos e conferir-lhes efeitos modificativos, para dar provimento ao recurso de ofício nos pontos relativos aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE SUA ORIGEM. Demonstrada a individualização dos créditos bancários e a regular intimação do contribuinte para comprovação da origem desses créditos, caracterizase omissão de receita se o contribuinte não se manifesta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos e conferirlhes efeitos modificativos, para dar provimento ao recurso de ofício nos pontos relativos aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 11 /2 00 8- 63 Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de embargos de declaração. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 12.429.847,18), CSLL (R$ 6.272.805,98), PIS (R$ 217.728,84) e COFINS (R$ 395.870,84) (fl. 778), incluindo multa e juros de mora. Em resumo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada) e despesas não comprovadas. Foi declarada a responsabilidade solidária de Adílio Gusson. Cientificada do lançamento em 15/01/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 14/02/2008 (fl.814), atacando o crédito tributário alegando (i) cerceamento de defesa, (ii) da inexistência de interposição fraudulenta de sócios, (iii) iliquidez do crédito tributário e improcedência das infrações e (iv) do descabimento da multa qualificada. Ao seu turno, a DRJ determinou a realização de diligências (fl. 963), o que foi atendido pela autoridade de origem (fl. 4276 e ss.). Na sequência, os autos foram devolvidos para a DRJ, que julgou procedente a impugnação, como se denota da sementa adiante transcrita (fl. 4295): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2003. OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Anocalendário: 2003. Ementa: FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Anocalendário: 2003. Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.241 S1C3T2 Fl. 4.334 3 Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Anocalendário: 2003. Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face da exoneração do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício (art. 34, Dec. 70.235/72 c.c. Portaria MF n. 3/2008), o qual foi apreciado por esta Turma, que assim se manifestou: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ. Exercício: 2003. OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalização, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido. IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada da decisão supra em 20/06/2013. Na data de 24/06/2013, apresentou Embargos de Declaração, sustentando o seguinte, em suma: Esse eg. Colegiado resolveu negar provimento ao recurso de ofício, em que pese tenha considerado que houve, nos termos preconizados pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, a correta individualização dos créditos bancários, assim como a intimação do contribuinte para manifestarse sobre os depósitos, o que tornaria o lançamento válido. Fl. 4335DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Pois bem. A omissão/contradição observada nos presentes autos diz respeito aos autos de infração do PIS e da COFINS. É que, tendo o Colegiado concluído pela caracterização da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, deverseia manter, ao menos, os autos de infração reflexos do PIS e da COFINS, eis que, no que toca a tais tributos, não houve erro na identificação do critério temporal. Isto é, o citado vício observado em relação ao IRPJ e à CSLL não se estende ao PIS e à COFINS, os quais têm fato gerador mensal, como corretamente identificou a autoridade fiscal (fls. 768/782).(grifo não original) Nesse contexto, temse, s.m.j. que, de acordo com o raciocínio desenvolvido pela própria Turma, o correto resultado do julgamento seria dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as exigências de PIS e COFINS. (grifo não original) É o relatório. Fl. 4336DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.241 S1C3T2 Fl. 4.335 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Os Embargos de Declaração são tempestivos e apresentam todos os requisitos de admissibilidade, então deles conheço. Consoante dito no relatório, duas foram as questões analisadas pela DRJ: (i) ausência de individualização de depósitos bancários cuja origem o AFRFB pretendia conhecer, fato que prejudicava o IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e a Cofins; (ii) equívoco na escolha do período de apuração do IRPJ e CSLL. Analisando estes temas, a DRJ deu provimento aos dois argumentos da contribuinte. Esta Turma reformou o primeiro argumento, uma vez que consta nos autos a efetiva individualização dos depósitos bancários. Já quanto ao segundo argumento (período de apuração), o entendimento da DRJ foi mantido. Ou seja, manteve a anulação do crédito tributário em razão da equivocada identificação do critério temporal. Ocorre que a apuração mensal realizada pelo AFRFB apenas prejudicou a constituição dos créditos de IRPJ e CSLL, e não o PIS e a COFINS, que têm sua apuração mensal. Em que pese tal situação, fezse constar no acórdão que a decisão aplicada ao IRPJ e CSLL se estenderia ao PIS e à Cofins. Esta é a razão dos embargos de declaração, o qual conheço, e dou efeito modificativos, para dar provimento parcial ao recurso de ofício e reestabelecer o créditos tributários relativos ao PIS e COFINS, porém fica mantida a exoneração de IRPJ e CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4337DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 23/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.721569/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008
AIOP DEBCAD nº 37.319.504-4 (Patronal)
37.319.505-2 (Segurados)
37.319.506-0 (Terceiros)
AIOA DEBCAD nº 37.319.507-9 (CFL - 30)
37.319.508-7 (CFL - 34)
37.319.509-5 (CFL - 35)
37.319.510-9 (CFL - 38)
37.319.511-7 (CFL - 59)
37.319.512-5 (CFL - 22)
37.319.513-3 (CFL - 68)
NORMAS GERAIS. DILIGÊNCIAS JULGADOR PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRONUNCIAMENTO FISCAL. INTRODUÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS E PROVAS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. APERFEIÇOAMENTO.
Nos casos em que há elaboração de Informação Fiscal, a partir de determinação de diligência da autoridade julgadora de primeira instância, com o objetivo de apresentar novos fundamentos, elementos de prova e outros esclarecimentos, com a finalidade de aperfeiçoar o lançamento, considera-se como constituído o crédito tributário na dada da ciência pelo sujeito passivo do resultado de aludida diligência.
No caso em tela houve realização de três diligências, sendo certo que somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito se deu somente após a intimação da última diligência realizada pela fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo-se cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN.
Em observância à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, constatando-se a ocorrência de antecipação de pagamento, verificada com base em informações da própria autoridade lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no bojo do voto.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.
No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento.
Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. PESSOAS JURÍDICAS UNIPESSOAIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. SÓCIO. VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO EM MESMO PERÍODO COM A RECORRENTE. LANÇAMENTO DEVIDO.
São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.
No presente caso, segundo o Fisco, pessoas jurídicas prestavam serviço à empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com vínculo empregatício formalizado, registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
Portanto, nesse caso, a relação como segurado empregado já estava formalizada e presente na verdade material dos fatos jurídicos, motivo da negativa de provimento ao recurso, nesta questão.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, bem como outros descumprimentos de obrigações acessórias, pertinentes/vinculados à inobservância da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA E/OU IMPROCEDÊNCIA EM PARTE. NÃO ACOLHIMENTO. MULTA FIXA.
Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como se constata no caso vertente. Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de co-responsáveis tem natureza tão simples e meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF 88)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em considerar como data de ciência do lançamento a data da ciência da última diligência, 20/12/2013, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em definir a data da ciência como a data original de ciência do lançamento; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN, em autuações conexas a existência de obrigações principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; c) em dar provimento ao recurso, no mérito, nas questões de caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as penalidades descritas nos autos de infração, em face de inobservância de obrigações tributárias acessórias, decorrentes da caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do lançamento com fatos geradores relacionados a pagamentos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, para manter as penalidades descritas nos autos de infração, em relação às multas referentes aos valores pagos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de aplicar a súmula CARF 88 (CORESP, RepLeg e Vínculos), nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, nas preliminares, nos lançamentos referentes a obrigações tributárias principais, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2008, anteriores a 12/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos pagamentos para pessoas jurídicas em que segurados - com vínculo de emprego devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais, segundo a legislação - eram seus proprietários, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento desta questão; b) em negar provimento ao Recurso, para manter as multas aplicadas, nas obrigações tributárias principais e acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em, nas exigências de obrigações principais, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, e, nas exigências de obrigações acessória referente a GFIP (debcad: 37.319.513-3), aplicar ao cálculo da multa por esta obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso sejam mais benéficas à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral Lívia Queiroz (PGFN) e Anísio Madureira, OAB:8088/DF (sujeito passivo).
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Correa - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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No caso em tela houve realização de três diligências, sendo certo que somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito se deu somente após a intimação da última diligência realizada pela fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendo-se cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. Em observância à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, constatando-se a ocorrência de antecipação de pagamento, verificada com base em informações da própria autoridade lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no bojo do voto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. PESSOAS JURÍDICAS UNIPESSOAIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. SÓCIO. VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO EM MESMO PERÍODO COM A RECORRENTE. LANÇAMENTO DEVIDO. São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. No presente caso, segundo o Fisco, pessoas jurídicas prestavam serviço à empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com vínculo empregatício formalizado, registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Portanto, nesse caso, a relação como segurado empregado já estava formalizada e presente na verdade material dos fatos jurídicos, motivo da negativa de provimento ao recurso, nesta questão. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, bem como outros descumprimentos de obrigações acessórias, pertinentes/vinculados à inobservância da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA E/OU IMPROCEDÊNCIA EM PARTE. NÃO ACOLHIMENTO. MULTA FIXA. Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como se constata no caso vertente. Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de co-responsáveis tem natureza tão simples e meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF 88) Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DILIGÊNCIAS JULGADOR PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRONUNCIAMENTO FISCAL. INTRODUÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS E PROVAS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. APERFEIÇOAMENTO. Nos casos em que há elaboração de Informação Fiscal, a partir de determinação de diligência da autoridade julgadora de primeira instância, com o objetivo de apresentar novos fundamentos, elementos de prova e outros esclarecimentos, com a finalidade de aperfeiçoar o lançamento, considerase como constituído o crédito tributário na dada da ciência pelo sujeito passivo do resultado de aludida diligência. No caso em tela houve realização de três diligências, sendo certo que somente a última, com cerca de 50 (cinqüenta) folhas, é que tornou perfeito o lançamento. Razão pela qual considero que a data da consolidação do débito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 69 /2 01 1- 34 Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 se deu somente após a intimação da última diligência realizada pela fiscalização, ou seja, no dia 20 de dezembro de 2013. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que sequer fora observado no caso dos autos, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendose cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. Em observância à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, constatandose a ocorrência de antecipação de pagamento, verificada com base em informações da própria autoridade lançadora, é de se contar o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, o que se vislumbra na hipótese vertente, conforme demonstrado no bojo do voto. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência dominante neste Colegiado, tratando se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 3 3 SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL, CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO COMO EMPREGADO. PESSOAS JURÍDICAS UNIPESSOAIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. SÓCIO. VÍNCULO FORMAL DE EMPREGO EM MESMO PERÍODO COM A RECORRENTE. LANÇAMENTO DEVIDO. São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. No presente caso, segundo o Fisco, pessoas jurídicas prestavam serviço à empresa e seu sócio já era segurado empregado que lhe prestava serviço, em cargos de direção e/ou gerência, em período integral, ao mesmo tempo e com vínculo empregatício formalizado, registro em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Portanto, nesse caso, a relação como segurado empregado já estava formalizada e presente na verdade material dos fatos jurídicos, motivo da negativa de provimento ao recurso, nesta questão. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. É de se excluir, proporcionalmente, a multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, bem como outros descumprimentos de obrigações acessórias, pertinentes/vinculados à inobservância da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra, em parte, na hipótese vertente. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior, procedimento já efetuado pelo Fisco, que motiva a negativa de provimento ao recurso, nesta questão. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA E/OU IMPROCEDÊNCIA EM PARTE. NÃO ACOLHIMENTO. MULTA FIXA. Rejeitase a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como se constata no caso vertente. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 4 5 Entendimento que se presta a manter a penalidade, igualmente, em relação ao mérito, ainda que afastada parte da exigência fiscal. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS Como dito pela Súmula CARF 88, a relação de coresponsáveis tem natureza tão simples e meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa recursiva, eis que os anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF 88) Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em considerar como data de ciência do lançamento a data da ciência da última diligência, 20/12/2013, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em definir a data da ciência como a data original de ciência do lançamento; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2007, anteriores a 12/2007, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que votou em aplicar a regra expressa no Art. 150 do CTN, em autuações conexas a existência de obrigações principais, em que foi aplicada a mesma regra decadencial; c) em dar provimento ao recurso, no mérito, nas questões de caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as penalidades descritas nos autos de infração, em face de inobservância de obrigações tributárias acessórias, decorrentes da caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso, nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão do lançamento com fatos geradores relacionados a pagamentos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, para manter as penalidades descritas nos autos de infração, em relação às multas referentes aos valores pagos por cartão premiação, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de aplicar a súmula CARF 88 (CORESP, RepLeg e Vínculos), nos termos do voto do Relator; d) em dar provimento ao recurso, nas preliminares, nos lançamentos referentes a obrigações tributárias principais, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2008, anteriores a 12/2008, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos pagamentos para pessoas jurídicas em que segurados com vínculo de emprego devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais, segundo a legislação eram seus proprietários, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram pelo provimento desta questão; b) em negar provimento ao Recurso, para manter as multas aplicadas, nas obrigações tributárias Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 principais e acessórias, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em, nas exigências de obrigações principais, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, e, nas exigências de obrigações acessória referente a GFIP (debcad: 37.319.513 3), aplicar ao cálculo da multa por esta obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso sejam mais benéficas à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral Lívia Queiroz (PGFN) e Anísio Madureira, OAB:8088/DF (sujeito passivo). Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 5 7 Relatório Tratase de contribuições previdenciárias cota patronal, parte de segurados, bem como as contribuições relativas ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e ainda constituem parte do crédito previdenciário as contribuições sociais destinadas às outras entidades componentes do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS 515 (INCRA, SALÁRIOEDUCAÇÃO, SENAC, SESC e SEBRAE), não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social) e incidentes sobre remunerações pagas a segurados que prestaram serviços à Recorrente. Destacou a Fiscalização que englobam créditos previdenciários relativos a i) pagamentos de remunerações por intermédio de cartões eletrônicos e ii) pagamentos de remunerações a segurados empregados, com a utilização de empresas. O sujeito passivo possuíaa razão social de POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A, passando, após, para INDRA BRASIL SOLUÇÕES E SERVIÇOS TECNOLÓGICOS S/A. Na ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração de obrigações principais: Auto de Infração sob nº 37.319.5044, referente as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas a segurados que prestaram serviços à empresa; Auto de Infração sob nº 37.319.5052, referente as contribuições previdenciárias de segurados incidentes sobre remunerações pagas; Auto de Infração sob nº 37.319.5060, referente as contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos e incidentes sobre remunerações pagas. Referente às obrigações acessórias, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: AI 37.319.5079 CFL 30 – Não preparar folha de pagamento de acordo com os padrões estabelecidos; AI 37.319.5087 CFL 34 – Não lançar em títulos próprios na contabilidade; AI 37.319.5095 CFL 35 – Não fornecer informações solicitadas; AI 37.319.5109 CFL 38 – Não apresentar documentos; AI 37.319.5117 CFL 59 – Não arrecadar mediante desconto contribuições devidas pelos segurados; Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 AI 37.319.5125 CFL 22 – Apresentar folha de pagamentos em meio digital com omissão ou incorreção de informações; AI 37.319.5133 CFL 68 – Entregar GFIP com informações omissas ou incorretas. Quanto aos pagamentos através de remuneração indireta por meio de cartões eletrônico, diz a Fiscalização que, dentre os documentos solicitados e apresentados destacam se: i) Folhas de pagamento e Contabilidade em meio digital; ii) Contratos de prestação de serviços e notas fiscais da empresa INCENTIVE HOUSE S.A.; iii) arquivo digital contendo a relação discriminada dos valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas fiscais/faturas emitidas pela INCENTIVE HOUSE. Analisando a documentação verificou a Fiscalização que a Recorrente não declarou remunerações, nem recolheu contribuições incidentes sobre verbas pagas a trabalhadores que lhe prestaram serviços. Verificouse que dos contratos celebrados entre a Recorrente e a INCENTIVE HOUSE, destacou a Fiscalização a seguinte Cláusula: 2. Obrigações da INCENTIVE HOUSE: (...) Disponibilizar os recursos alocados pela CLIENTE, para pagamento dos prêmios por ele concedidos(...). 3. Obrigações do CLIENTE: (...) Pagar à INCENTIVE HOUSE: (...) os valores a serem disponibilizados nos cartões e/ou impressos nos bônus (...) Assim, restou cristalino para Fiscalização que caberia à Recorrente informar os valores e os beneficiários de prêmios/bônus/cartões eletrônicos, e caberia à INCENTIVE HOUSE fornecer os cartões magnéticos com os valores requisitados pela Recorrente, chamada no contrato de CLIENTE. Desta forma, afigurouse que os usuários/beneficiários/segurados empregados eram remunerados mediante a utilização de cartões magnéticos. A Recorrente foi intimada a apresentar a relação de beneficiários dos contratos supracitados. Entretanto, essa documentação não foi apresentada à fiscalização. Tal fato ensejou a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigações acessórias. Da análise dos Livros Razão, das Folhas de Pagamento e das GFIP entregues pela Recorrente, observouse que os valores pagos por intermédio do bônus/cartões eletrônicos previstos nos contratos celebrados com a INCENTIVE HOUSE não constam das folhas de pagamento, nem das GFIP apresentadas pela Recorrente. Ressalta o Relatório Fiscal que as notas fiscais/faturas emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE foram contabilizadas em diversas contas. Dentre elas destacamse: Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 6 9 310000254 e 311201253 – ABONO SALARIAL, 310305128 – SERVICOS PREST.P/PESSOA JURID.; e 210109998 FORNECEDORES DE SERVIÇOS, mas a Recorrente não declarou em GFIP as remunerações mensais, pagas por intermédio da INCENTIVE HOUSE. Como as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à Recorrente são consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias, e como não houve apresentação da documentação solicitada em sua totalidade, fezse necessária a aferição indireta de valores devidos pela empresa relativos a remunerações pagas por intermédio de bônus/cartões eletrônicos. Para realizar a aferição foram considerados os valores constantes dos Relatórios em anexo, abatidos os valores das “comissões/intermediações” pelos serviços prestados pela INCENTIVE HOUSE S/A. Para fins de enquadramento, os beneficiários dos cartões eletrônicos foram considerados segurados obrigatórios (empregados). As remunerações aferidas levam em consideração as datas de emissão das notas fiscais emitidas pela INCENTIVE HOUSE. QUANTO AS REMUNERAÇÕES ATRAVÉS DE PESSOAS JURÍDICAS, dentre os documentos requeridos as i) folha de pagamento e contabilidade em meio digital; ii) contrato social e alterações; iii) regulamento de benefícios concedidos aos trabalhadores; iv) relação de pagamentos efetuados a fornecedores em meio digital; v) notas fiscais e; vi) contratos celebrados com pessoas físicas e jurídicas, diz a Fiscalização que a Recorrente simulou contratos, com empresas de empregados e com “Pessoas Jurídicas”, no intuito de burlar as legislações trabalhista, previdenciária e tributária. Analisando os vários documentos obtidos durante a fiscalização e também da documentação apresentada pela Recorrente e por empresas diligenciadas, verificou a Fiscalização que não houve declaração em GFIP, nem incidência de contribuições sociais sobre fatos geradores relacionados a remunerações pagas a trabalhadores, por pessoas jurídicas. Registra ainda à Fiscalização que a Recorrente causou embaraço à ação da fiscalização ao tentar impedir a correta verificação dos tributos devidos pela empresa, sendo necessário, face ao não atendimento de parte das solicitações da fiscalização, a realização de diligências, efetuadas junto à Justiça do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho e junto a diversas pessoas jurídicas e físicas. Acusa a Fiscalização que a Recorrente efetuou: 1) a criação de empresas; 2) simulação de negócios e contratos; 3) participou da criação do INSTITUTO OMNIS, entidade isenta que foi utilizada para contratar trabalhadores por intermédio de empresas desses mesmos trabalhadores (PJ unipessoais); 4) deu guarida para a criação da TELECOOP, cooperativa que foi utilizada para intermediar mão de obra que prestava serviços à Recorrente; 5) utilizou a CORPSERVICE, outra cooperativa, para também remunerar trabalhadores; 6) contratou a empresa VERTICE/MI MANAGEMENT para servir como uma mera pagadora de remunerações a trabalhadores; 7) utilizou uma empresa que incorporou, a POLICS, para também efetuar pagamentos a trabalhadores; 8) criou sistemas para controlar trabalhadores equivocadamente enquadrados sob a forma de “cooperados” ou de “Pessoas Jurídicas”; dentre outros. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 Da criação da TELECOOP, diz a Fiscalização que em diversos depoimentos e reclamatórias trabalhistas, trabalhadores alegam que foram contratados para prestar serviços à Recorrente por intermédio de cooperativas, dentre elas, a TELECOOP – COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS DE TELEMÁTICA. Diz que muitos documentos trabalhistas demonstram que a Justiça do Trabalho também reconheceu que a Recorrente mascarava relações de emprego com a utilização de contratos firmados com cooperativas. Alega a Fiscalização que a Recorrente deu guarida à criação da TELECOOP. A Assembleia Geral de Constituição dessa cooperativa ocorreu nas instalações da Recorrente, empresa cujos sócios eram idênticos aos da POLITEC e aos da POLITEC INCORPORADORA LTDA. Dos documentos demonstraram ainda que a TELECOOP funcionou no mesmo endereço da POLITEC PARTICIPAÇÕES LTDA. e da POLITEC INCORPORADORA LTDA., num imóvel que pertencia à POLITEC. Dados das DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) de diversos anos, de cartões de CNPJ, de Atas da TELECOOP, de matrículas de imóveis e do Boletim de Subscrição, constantes desses anexos, confirmam tal informação. Impende salientar que, conforme informações constantes de sistemas da Previdência Social e da RFB, membros fundadores da TELECOOP eram empregados ou ex empregados da POLITEC. Ressaltase que o Grupo POLITEC foi responsável por cerca de 90% de toda a receita da TELECOOP no período de 2000 a 2008. Destacase ainda que a cooperativa em comento declarou ausência de movimento em suas atividades nas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social) que apresentou a partir de meados de 2007, logo após o encerramento de sua prestação de serviços para a POLITEC. Conforme documentos anexos, o contrato celebrado entre a POLITEC e a TELECOOP foi rescindido oficialmente em 12/2006, embora essa cooperativa ainda tenha apresentado receita de serviços prestados à POLITEC no ano de 2007. Cumpre salientar ainda que, da análise das informações constantes dos sistemas da Previdência Social e da RFB, a POLITEC consta como responsável pelo envio das informações relacionadas às GFIP da TELECOOP. De acordo com a documentação entregue pela TELECOOP, observase que, no período objeto da fiscalização, mais de 550 trabalhadores prestaram serviços mensais à POLITEC por intermédio da TELECOOP. As evidências, diz a Fiscalização, demonstram que o Grupo POLITEC auxiliou na criação da TELECOOP, ao dar guarida para suas atividades, e indicam que esta cooperativa foi criada com o intuito de prestar serviços à própria POLITEC. Desse modo, consoante o disposto em diversas reclamatórias trabalhistas, a POLITEC, por intermédio da TELECOOP, mascarava relações de emprego e se eximia do correto cumprimento de obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias. Com a CORPSERVICE, para ocultar vínculos empregatícios, diz a Fiscalização que da análise da documentação obtida foi possível verificar que a POLITEC buscou mascarar relações de emprego mediante a celebração de contrato com outra cooperativa, a CORPSERVICE – COOPERATIVA DE SERVIÇOS LTDA. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 7 11 A documentação constante da ação civil pública impetrada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 10ª REGIÃO descreve minuciosamente ilegalidades e fraudes perpetradas pela POLITEC com a utilização da TELECOOP e da CORPSERVICE. Da análise da documentação entregue pela POLITEC à fiscalização e dos documentos, percebese que a POLITEC subcontratou a CORPSERVICE para executar serviços de digitalização de documentos pertinentes ao contrato celebrado entre o Consórcio DIGIWARE, do qual a POLITEC constava como empresa líder, e o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS – TJDFT. O tipo de serviço objeto deste contrato pressupunha a existência de vínculo empregatício. Veja o que reza o contrato: Cláusula Quarta – Das Obrigações do Contratado (...) (...) II – Responsabilizarse integralmente pelos serviços contratados (...) executandoos sob sua inteira e exclusiva responsabilidade. (...) 6.4 – O deslocamento dos empregados para o local de realização dos serviços será de inteira responsabilidade do CONTRATADO. O contrato em comento previa horários para execução dos serviços e o TJDFT informou que havia um Gerente da POLITEC responsável pela execução dos trabalhos junto ao TJDF, implicando assim em trabalhos sob subordinação e com controle de horas indicam pessoalidade, subordinação e relação de emprego, diferentemente com a relação de trabalho cooperado. Desta forma, além de demonstrar o vínculo de emprego, há também de ser dito que a Recorrente gerenciou a contratação de mão de obra relativa a esse contrato. A Fiscalização reúne alguns trechos de depoimentos de cooperados/empregados, para comprovar o que já dizia o contrato, segundo ela. Juntou Acórdão e Sentença trabalhista onde foi movida contra a cooperativa em tela, onde segundo a decisão ela comercializava mão de obra de forma ilegal e, por isso, foi condenada a se abster de contratar ou fornecer trabalhadores. A fiscalização também apurou a existência de trabalhadores que prestaram serviços para a TELECOOP e, posteriormente, passaram a prestar serviços à CORPSERVICE. Tais fatos indicam que as ingerências da POLITEC na TELECOOP se estenderam a trabalhadores que foram contratados para prestar serviços à POLITEC por intermédio da CORPSERVICE. DA CRIAÇÃO DO INSTITUTO OMNIS E DE SUA RELAÇÃO COM A POLITEC E COM A TELECOOP é possível de se ver, segundo a Fiscalização, conforme Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 documentação, o INSTITUTO OMNIS, após reunião realizada nas instalações da POLITEC, foi criado em 08/2004 por seus membros fundadores: a POLITEC LTDA., a POLIMED LTDA. e a RAA PROCESSAMENTO DE DADOS. Cumpre observar que a POLITEC e a POLIMED possuíam os mesmos sócios (Carlos Alberto Barros de Castro, Hélio Santos Oliveira e Newton Carlos de Alarcão) e que a RAA PROCESSAMENTO DE DADOS possuía como sócios Rafael Freire de Alarcão e Alexandre Freire de Alarcão, parentes do Sr. Newton Carlos de Alarcão. Mister dizer ainda que o Sr. Alexandre Freire de Alarcão, conforme documentos também trabalhava para a POLITEC. Salienta a Fiscalização que sócios da POLITEC foram designados para os cargos de Presidente e VicePresidente do Conselho de Administração e para o Conselho Fiscal do instituto em comento. Dos documentos, diz a Fiscalização que eles também revelam que, no ano de 2005, os membros fundadores do INSTITUTO OMNIS indicaram o Sr. Irani Dutra Siqueira para ser Diretor Geral e Presidente do Conselho de Administração, o Sr. Denis Dutra para Diretor de Negócios/Marketing e Diretor de Pesquisa/Desenvolvimento e o Sr. José Eugênio de Carvalho para o cargo de VicePresidente do Conselho de Administração, sendo que este último participou da Fundação da TELECOOP, atuou como Diretor Comercial dessa cooperativa desde sua criação e também assina como testemunha do contrato de prestação de serviços celebrado entre a POLITEC e a CORPSERVICE. Revela a Fiscalização que outro membro fundador da TELECOOP, o Sr. Elmo de Deus Prado, atuou como Diretor Administrativo/Financeiro dessa cooperativa e, igualmente, exfuncionário da POLITEC, também passou a ocupar cargos importantes no INSTITUTO OMINIS, no qual foi designado para o cargo de Gerente Administrativo. Há também o fato de os Srs. Irani Dutra Siqueira e Denis Dutra assinam como testemunhas da constituição da POLICS GESTÃO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, empresa constituída e incorporada pelo grupo POLITEC. Para a Fiscalização, as ingerências da POLITEC no INSTITUTO OMINIS também podem ser verificadas mediante análise dos Estatutos e de documentos, onde, consoante o disposto nesses documentos, o Conselho de Administração do INSTITUTO OMINIS, formado pelo Presidente e Vice Presidente, deveria ser “formado por pessoas físicas, indicadas, exclusivamente, pelos sócios Fundadores e aprovados pela Assembléia Geral”. Tais documentos também demonstram que o Sr. Hiraclis Nicolaidis Junior, que estava investido no cargo de Diretor de Tecnologia da POLITEC em períodos objeto da fiscalização, também desempenhava, concomitantemente, funções de relevo no INSTITUTO OMNIS, eis que foi Membro do Conselho Técnico Científico no período de 2005 a 2008 e, em 2009, se tornou Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento. Vale mencionar que, embora conste nos referidos estatutos que “os membros do Conselho de Administração não perceberão qualquer remuneração do INSTITUTO OMNIS por suas atividades e atribuições”, verificouse, mediante análise da documentação, que o Grupo POLITEC remunerava o presidente desse instituto, o Sr. Irani Dutra de Siqueira, por intermédio da empresa que este abriu em seu nome no mesmo mês no qual o INSTITUTO OMNIS foi criado, a I S CONSULTORIA & TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Cumpre notar que nenhum trabalhador, além do próprio Irani Dutra Siqueira, prestou serviços à I S CONSULTORIA no período de 2004 a 2008. Ademais, desde a criação da I S CONSULTORIA & TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO até o ano de 2008, todas as Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 8 13 notas fiscais desta empresa tinham como destinatário o Grupo POLITEC. De 2004 a agosto de 2006, as notas fiscais mensais e sequenciais tinham como destinatário a POLITEC e, de setembro de 2006 a 2008, as notas fiscais tinham como destinatário a POLITEC PARTICIPAÇÕES, empresa também pertencente ao Grupo POLITEC. Para a Fiscalização houve agressão ao que dispõe a Lei nº 9.532/1997, pois as entidades isentas constituídas sob a forma de associação civil, caso do INSTITUTO OMNIS, não devem remunerar seus dirigentes. Nesse contexto, os fatos apurados durante a fiscalização indicam que o grupo POLITEC e o instituto em questão buscaram fraudar o disposto no normativo retro mencionado para se beneficiar de isenções tributárias. Destaca a Fiscalização que o INSTITUTO OMNIS informou à Fiscalização que mais de 390 empresas prestaram serviços à POLITEC por intermédio desse instituto no período de 01/2006 a 10/2008 e que não dispunha “dos registros dos profissionais que prestaram serviços no contrato celebrado entre a Politec e o Instituto. E, neste sentido, destaca a Fiscalização que constatou que eram empresas unipessoais. Finalizando, a Fiscalização diz que o contrato de prestação de serviços celebrado entre este instituto e a POLITEC previa o pagamento por hora efetivamente trabalhada e também previa que o INSTITUTO OMNIS apresentasse mensalmente a relação de profissionais que haviam prestado serviços à POLITEC, razão pela qual deveria o instituto em tela ter a relação desses profissionais. Assim, conclui a Fiscalização que o INSTITUTO OMNIS foi criado e utilizado pelo Grupo POLITEC para atuar como um mero intermediador no pagamento de serviços prestados por trabalhadores à POLITEC e para fazer com que a POLITEC se beneficiasse das isenções tributárias deste instituto, que se auto intitula uma entidade sem fins lucrativos, mas que aufere uma receita volumosa advinda, em tese, da prestação de serviços de desenvolvimento de sistemas. Diz ainda a Fiscalização que houve a UTILIZAÇÃO DA VÉRTICE/ MI MANAGEMENT PARA MASCARAR RELAÇÕES EMPREGATÍCIAS, eis que, a partir de novembro de 2007 esta associação passou a denominarse VÉRTICE SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSIONAIS ASSOCIADOS com o mesmo CNPJ, que goza de isenções tributárias e é cadastrada no Ministério da Justiça como uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Continua a Fiscalização, a VÉRTICE/MI é uma associação que atuava como intermediária no pagamento de serviços prestados e embora arrecadava milhões, tem um escritório modesto e com poucos empregados. Ressalta a Fiscalização que os profissionais que prestaram serviços à POLITEC por intermédio da VÉRTICE/MI não foram declarados em GFIP, nem em DIRF por nenhuma dessas duas empresas. De acordo com a documentação entregue pela VERTICE, há de ser visto que no período objeto da fiscalização, mais de 100 trabalhadores prestaram serviços mensais à POLITEC por intermédio da VÉRTICE/MI. Conclui a Fiscalização que diante do contrato celebrado entre a POLITEC (CONTRATANTE) e a VERTICE/MI (CONTRATADA) previa a prestação de serviços de Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 14 Consultoria em Tecnologia da Informação e desenvolvimento de sistemas. Ora, se a VERTICE/MI possuía uma diminuta estrutura numa pequena sala comercial com no máximo três empregados declarados por mês em GFIP no período em comento e prestou serviços de milhões de reais para a POLITEC, resta claro que essa OSCIP funcionava como intermediária no pagamento de serviços prestados por trabalhadores que laboravam para a POLITEC. O contrato supracitado previa a apresentação de Ordens de Fornecimento de Serviços. A VERTICE/MI foi devidamente intimada a apresentar essas Ordens de Fornecimento dos Serviços e os Relatórios de Atividades relacionados às notas fiscais emitidas e, entretanto, não os apresentou. As evidências obtidas no decorrer da fiscalização e descritas neste relatório indicam que quem detinha o controle das atividades realizadas e das horas trabalhadas era a POLITEC. Cumpre observar que, conforme disposto nos documentos anexos (AN1FISC 28, AN1DPJ 21 e 22), a VERTICE informou os valores pagos mensalmente a cada um dos trabalhadores que estavam lotados na POLITEC. As notas fiscais emitidas pela VERTICE destinadas à POLITEC (AN1DPJ 23) também discriminam trabalhadores que prestaram serviços mensais à POLITEC. Cabe ressaltar que tais notas fiscais eram emitidas por trabalhador que prestava serviço à POLITEC, o que realça o aspecto relacionado à pessoalidade na prestação desses serviços. Nesse contexto, conclui a Fiscalização que a POLITEC pagava seus trabalhadores por intermédio da VERTICE/MI. A VERTICE/MI MANAGEMENT figurava como mera intermediadora no pagamento de serviços prestados por trabalhadores à POLITEC. Assim, restou para Fiscalização comprovado a relação contratual de trabalho entre a Politec e os trabalhadores. Outra empresa foi criada, segundo a Fiscalização, com vinculo à Politec, ou seja, a POLICS GESTÃO E TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, que tinha como sócios as empresas a) POLITEC PARTICIPAÇÕES (sendo os mesmos sócios da Politec) ; b) FAMA CONSULTORIA EM TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA., e ; c) e ALEX KOHLITZ INTERNATIONAL CONSULTORIA EM TECNOLOGIA E PARTICIPAÇÕES LTDA. Além de os sócios da Politec Participações serem os mesmos da Politec, as outras duas empresas, sócias da Polics, foram criadas no mês anterior à criação da Polics. O proprietário da FAMA CONSULTORIA era o senhor Flávio Augusto de Maia, trabalhador que foi empregado da POLITEC de 01/2006 a 08/2007 e se tornou diretor da POLITEC também em 2008. No ato de constituição da POLICS figuram como diretores os sócios de cada uma dessas empresas: Newton Carlos de Alarcão, Carlos Alberto Barros de Castro, Hélio santos Oliveira, Alexander Wilhelm Albert Schmitz Kohlitz e Flávio Augusto de Maia; e como testemunhas: Irani Dutra Siqueira e Denis Dutra, diretores do INSTITUTO OMNIS. Em janeiro de 2008, somente a Politec Participações e a Politec passaram a serem sócias da Polics, que foi incorporada pela Politec em 2009. Mas, a fiscalização, através da documentação dos autos e dos sistemas da RFB e da Previdência Social, afirma que que a POLITEC já havia começado a utilizar a POLICS como mera intermediária no pagamento de trabalhadores antes de sua incorporação. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 9 15 A Fiscalização constatou ainda que a Recorrente efetuou pagamento a diretores seus e de seu vicepresidente, através de empresas destes, sendo que estas empresas tinham como funcionários somente estes. E mais que isto, segundo a Fiscalização, no caso do vicepresidente, o Sr. Flavio Marques somente figura formalmente como VicePresidente da POLITEC a partir de 04/2007, mas já exercia cargos de importância na POLITEC em anos anteriores, porquanto já assinava como VicePresidente desta empresa no ano de 2006 e, em 2002, já tinha o poder de autorizar a contratação de trabalhadores. Ademais, a Fiscalização observou que na empresa do Srº Flávio há notas fiscais sequenciais emitidas a favor da Recorrente, e considerando que o mesmo já trabalhava para a POLITEC, não haveria razão para esta empresa lhe pagar remunerações complementares por intermédio da empresa desse trabalhador. Tais fatos indicam que a SPIRIT INFORMÁTICA foi utilizada para efetuar pagamentos não declarados em GFIP ao Sr. Flávio Marques. Desse modo, a POLITEC também se esquivava de suas obrigações, não declarava corretamente tributos devidos e mascarava relações trabalhistas. A empresa Ramos de Camargo Consultoria SC Ltda., tinha como sócio administrador o Senhor Leonardo Ramos de Camargo, empregado da Politec na função de Consultor e exerceu atividades relativas a Gerente de Área e a Analista de Sistemas nos anos 2006 e 2007. Esta empresa também celebrou contrato de prestação de serviço com a Politec, sem justificativa, eis que Sr. Leonardo Ramos de Camargo já era subordinado à POLITEC por intermédio de seu contrato de trabalho e não havia necessidade de esse empregado prestar serviços a seu próprio empregador por intermédio de uma empresa interposta, cujo responsável era esse mesmo trabalhador. Foram realizadas várias outras diligências a empresas de vários outros empregados, cujos quais constituíram empresas para prestar serviços à Politec, levando a Fiscalização concluir que estas empresas eram somente de faixadas, para contribuir com a ação fraudulenta da Recorrente. Analisando as NOTAS FISCAIS, a FOLHA DE PAGAMENTOS, a CONTABILIDADE e os CONTRATOS DE EMPRESAS DE TRABALHADORES QUE PRESTARAM SERVIÇOS À POLITEC, verificou a Fiscalização que as firmas de empregados dessa empresa emitiram notas fiscais mensais e sequenciais para a própria POLITEC. Verificou ainda que várias destas empresas possuíam o mesmo endereço, numa localidade no interior, onde um destes ‘funcionários/prestadores de serviços”, informou que abriu a firma porque foi obrigado pela Politec, e naquela localidade ficava mais barato, onde um contador realizou todo o serviço de regularização de maneira mais pratica e cômoda. Há diversas outras empresas, sediadas em várias partes do país, também unipessoais, que emitiram notas fiscais mensais e seqüenciais para a POLITEC e que também estavam situadas num mesmo endereço. A título de ilustração, informa algumas dessas localidades. Desta forma, constatou a Fiscalização que houve a comprovação da fraude, eis que: i) Elaborava folha de pagamentos para “Pessoas Jurídicas”; ii) considerava que Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 16 pagamentos efetuados a “Pessoas Jurídicas” eram, de fato, remunerações/salários; ii) Pagava diretamente Pessoas Jurídicas que “em tese” estavam vinculadas ao INSTITUTO OMINIS; iv) Pagava remunerações de empresas “quarteirizadas” e também de outras empresas constituídas sob a forma de “Pessoas Jurídicas”. A Fiscalização observou também que a Recorrente não diferenciava o tratamento usual e contábil entre pessoas jurídicas, cooperados e empregados, reservando a eles o mesmo tratamento. E, neste caminho, de forma indiscriminada disponibilizava PLANOS DE SAÚDE, PLANOS ODONTOLÓGICOS, SEGUROS DE VIDA, PROGRAMAS DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, DENTRE OUTROS BENEFÍCIOS A “PESSOAS JURÍDICAS” E “COOPERADOS”, como se empregados fossem. Verificou a Fiscalização que, independentemente de ser empregado, pessoa jurídica, unipessoal ou cooperado a Fiscalizava o horário de trabalho destes profissionais, remetendo a subordinação e a pessoalidade, além da dependência financeira. Juntou a Fiscalização termo de compromisso firmado pela POLITEC com a seção de fiscalização do trabalho, da superintendência regional do trabalho e emprego, no Estado de São Paulo, onde, em tese, a POLITEC reconheceu a contratação irregular de trabalhadores, e essas evidências também comprovam a existência de fraude e simulação nos negócios celebrados entre a POLITEC e trabalhadores que lhes prestavam serviços. Segundo a Fiscalização, representando a Seguridade Social, parte previdenciária, a Fiscalização do trabalho, em várias oportunidades reconheceu a fraude trabalhista e juntou documentos para provar o que alega. E neles demonstra que a Fiscalização do trabalho no estado de São Paulo constatou a existência de mais de 670 empresas unipessoais que prestavam serviços à POLITEC e discriminou os empregados que prestavam serviços à POLITEC e suas respectivas empresas, que eram utilizadas para mascarar a verdadeira relação de emprego entre esses trabalhadores e a POLITEC. No Relatório Fiscal a Fiscalização menciona o termo de ajuste de conduta celebrado entre a Recorrente e o Ministério Público do Trabalho da 10a Região corroborando a irregularidade trabalhista da Recorrente. Traz, também depoimentos trabalhistas que demonstram o tudo antes alegado, e, por fim diz que a própria Recorrente reconhece perante o Judiciário estas fraudes. Para fiscalização houve ainda a simulação de negócio jurídico com fim de obter vantagem para sí, fraudando a legislação trabalhista e previdenciária. Diante da ação realizada pela Recorrente aplicou as obrigações acessórias impostas por lei e fez a relação de coresponsáveis. Em 20 de junho de 2011 tomou ciência do lançamento e no dia 19 de julho de 2011 aviou sua impugnação, com suas razões. Diante da afirmação da Recorrente que a fiscalização anexou um grande volume de peças aos autos, bem como o trabalho fiscal demorou mais de 15 (quinze) meses, o que demonstrou que o prazo de 30 dias para a defesa era insuficiente para se obter todos os elementos para a impugnação, bem como da necessidade de diligenciar junto a várias empresas, repartições e pessoas em relação a dados constantes do processo fiscal para confirmar a existência dos fatos apontados, e em respeito a verdade material, a Unidade Preparadora baixou em diligência para o fim de o Auditor Fiscal autuante as analise e apresente Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 10 17 parecer conclusivo quanto à procedência das alegações; e, caso fosse necessária a alteração do crédito lançado, efetuasse a devida planilha de retificação, dando vista, após, ao Recorrente. O processo, após a diligência determinada retornou a Unidade Preparadora, cuja qual julgou necessidade de novos esclarecimentos, o que repetiu por mais três vezes. Após a realização de cada diligência, era intimado a Recorrente oportunizando a interposição de nova impugnação, até que em 15 de abril de 2014 foi exarada decisão de piso, julgando procedente em parte o lançamento, excluindo os valores descontados dos segurados (DEBCAD 37.319.5052). Em 23 de maio de 2014 tomou conhecimento da decisão de piso e no dia 24 de junho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo, agora com nova denominação social, sendo Indra Brasil Soluções e Serviços Tecnológicos S/A, onde sustenta: i. Tempestividade; ii. Resume a Lide; iii. Descreve o seu RO; iv. Sintetiza a decisão recorrida; v. Fala da procedência parcial da defesa; vi. Descreve os demais autos de infração, remanescentes, cujos quais não foram superados na decisão singular; vii. Tece considerações sobre si; viii. Diz que sempre teve um grande número de empregados contratados pelo regime celetista; ix. Que contratava pj’s para prestarem serviços em instituições e órgãos, cujos quais haviam contratados celebrados; x. Que com estas pj’s não havia relação de vínculo empregatício; xi. Diz que sua tributação é pelo faturamento, razão pela qual o lançamento perdeu o sentido, eis que este procedimento não altera os pagamentos de tributos; xii. Alega que ao pj’s a prestaremlhes serviços possuíam ‘know how’ especializado, tornandoos pessoas diferenciadas; xiii. Que os fatos alegados pela fiscalização são distorcidos da realidade e que implicam em lançamento indevido; xiv. Que o Relatório Fiscal, em que pese o zelo na confecção não possui elementos suficientes assazes que os sutenta; xv. Que acudiu todas as exigências da Fiscalização; Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 18 xvi. Que a verdade material se atém no processo, ou seja, que só existe no mundo jurídico aquilo que está no processo; xvii. A permissão do trabalho terceirizado por pessoa jurídica; xviii. Que inexiste a burla à legislação trabalhista e previdenciária descrita pela fiscalização; xix. Arbitramento – presunção de base de cálculo x presunção de fato gerador – Impossibilidade; xx. Diz que a base das autuações das Obrigações Principais tiveram a mesma origem, ou seja, os pagamentos à pessoas jurídicas como se fossem empregados; xxi. Que a DRJ mandou proceder três diligências à Fiscalização com o fito de viabilizar o lançamento; xxii. A Decadência em razão da diligência fiscal – decadência do auto de infração; xxiii. Da falta de demonstração do vínculo de emprego; xxiv. Afronta a sentença judicial; xxv. A força da sentença trabalhista; xxvi. Vínculo empregatício é condição necessária para a tributação; xxvii. Da competência do Auditor e da Justiça do Trabalho; xxviii. Das Ações trabalhistas e da competência da Justiça do trabalho; xxix. A força da arbitragem; xxx. Das pessoas que nunca prestaram serviços para Recorrente; xxxi. A não desconsideração das pessoas jurídicas; xxxii. Os contribuintes individuais; xxxiii. A Súmula 331 do TST; xxxiv. As contradições do procedimento fiscal; xxxv. A impugnação das matérias do Relatório Fiscal; xxxvi. O Cartão Incentive House; xxxvii. As supostas empresas interpostas; xxxviii. O suposto esquema de intermediação de mão de obra; xxxix. Da Telecoop; Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 11 19 xl. Da Cooperserv; xli. Do Instituto Omnis; xlii. Dos documentos sobre o Instituto Omnis; xliii. Vértice/MIManagement nas relações empregatícias; xliv. Das diligências na Vértice/MI; xlv. Da Polics; xlvi. Do pagamento dos Diretores; xlvii. Do pagamento de um vice presidente; xlviii. Da diligência na empresa de um dos gerentes; xlix. Das diligências as empresas que prestaram serviço à Politec; l. A suposta conversão de empregados em empresas; li. Dos contratos com os empregados; lii. A Fiscalização do Trabalho; liii. A nota Fiscal de empregados; liv. As pessoas jurídicas situadas no mesmo estabelecimento; lv. Os lançamentos contábeis; lvi. A suposta igualdade entre celetista e pessoas jurídicas e o termo colaboradores; lvii. Os supostos benefícios; lviii. O controle de horas e de atividades; lix. O controle de emissão de notas fiscais; lx. O supostos relatórios de atividades; lxi. Os documentos da suposta simulação; lxii. Os contratos com tomadores de serviços; lxiii. O termo de compromisso com a fiscalização – DRT; lxiv. A suposta constatação de fraude pela DRT; lxv. O acordo com o MPT; Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 20 lxvi. Não houve simulação com interpostas pessoas; lxvii. Não houve reconhecimento pela Politec; lxviii. Não houve embaraço à fiscalização; lxix. Da aferição indireta; lxx. Da conclusão fiscal; lxxi. A base de cálculo do lançamento; lxxii. A multa de mora e de ofício; lxxiii. Da revogação da multa de mora; lxxiv. Da multa de mora (artigo 35) e multa de lançamento de ofício (artigo 35A); lxxv. Auto de Infração – AIOA 37.310.5079; lxxvi. Auto de Infração – AIOA 37.310.5095; lxxvii. Auto de Infração – AIOA 37.310.5109; lxxviii. Auto de Infração – AIOA 37.310.5117; lxxix. Dispositivo legal da multa aplicada; lxxx. Auto de Infração – AIOA 37.310.5125; lxxxi. Auto de Infração – AIOA 37.310.5133; lxxxii. Dispositivo da multa aplicada; lxxxiii. Dispositivos legais da gradação da multa aplicada; lxxxiv. Fundamentos comuns dos AIOA’s; lxxxv. O lançamento decorrente; lxxxvi. Os outros AIOA’s; lxxxvii. Fatos decorrentes do mesmo procedimento fiscal; lxxxviii. O lançamento principal foi extraído da contabilidade da Recorrente; lxxxix. A infração continuada; xc. A tributação de responsabilidade solidária dos sócios/acionistas; Cientificada do Recurso Voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, às fls. 1.560/1.604, corroborando as razões de fato e de direito da pretensão fiscal, na forma inscrita no Relatório Fiscal, procurando, ainda, rechaçar as argumentações da contribuinte. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 12 21 É a síntese do necessário. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 22 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e acode as demais exigências processuais, razão pela qual dele conheço. Passo análise das suas razões. Conforme se extrai dos autos, em face da contribuinte foram lavrados lançamentos fiscais, pertinentes ao descumprimento de obrigações acessórias e principais, referentes às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, assim caracterizados os sócios e demais funcionários das empresas prestadoras de serviços elencadas/listadas nos autos, cuja personalidade jurídica fora desconsiderada pela fiscalização, bem como sobre valores pagos por intermédio de cartões a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/2006 a 10/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 204/318, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração e respectivos levantamentos: 1) AIOP n° 37.319.5044 – Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 2) AIOP n° 37.319.5052 Contribuições Sociais concernentes à parte dos segurados; 3) AIOP n° 37.319.5060 – Contribuições Sociais relativas à parte destinada a Terceiros; 4) AIOC n° 37.319.5079 – Auto de Infração Código 30 – lavrado nos termos do artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso I, parágrafo 9º, do RPS, por não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, deixando de incluir as remunerações dos segurados empregados (salário indireto – prêmio de incentivo), ensejando a aplicação da multa com fulcro nos artigos 283, inciso I, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; 5) AIOAC n° 37.319.5087 – Auto de Infração Código 34 – lavrado com fulcro no artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II e §§ 13 a 17, do RPS, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ensejando a aplicação da multa nos termos dos artigos 283, inciso II, alínea “a”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; 6) AIOAC n° 37.319.5095 – Auto de Infração Código 35 – lavrado com arrimo no artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso III, do RPS, por ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e Termos de Intimação Fiscal – TIF’s, ensejando a aplicação da multa com base nos artigos 283, inciso II, alínea “b”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 13 23 7) AIOC n° 37.319.5109 – Auto de Infração Código 38 – lavrado com lastro no artigo 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 232, do RPS, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar parte dos documentos solicitados pela fiscalização mediante respectivo termo, o que ensejou a aplicação da multa arrimada nos artigos 283, inciso II, alínea “j”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; 8) AIOC n° 37.319.5117 – Auto de Infração Código 59 – lavrado com fundamento no artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas, mediante desconto das respectivas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a seu serviço, com aplicação de multa amparada nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99; 9) AIOAC n° 37.319.5125 – Auto de Infração Código 22 – lavrado com fulcro no artigo 11, caput, e §§ 3o e 4o, da Lei nº 8.218/91, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835/2001, por ter apresentado informações em meio digital com omissões, apesar de utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, ensejando a aplicação nos termos do artigo 12, inciso II, e parágrafo único, da Lei n° 8.218/1991; 10) AIOA n° 37.319.5133 – Auto de Infração Código 68 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com omissões e/ou incorreções correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, aplicandose a penalidade prevista nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91; DA EFETIVA DATA DO APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO – DILIGÊNCIAS – RELATÓRIO/INFORMAÇÃO FISCAL COMPLEMENTAR Como se verifica do processo, interposta impugnação, a 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, entendeu por bem elaborar Despacho n° 86, de fls. 1.024/1.062, datado de 06/12/2011, transcrevendo parte das alegações inaugurais da contribuinte, determinando o retorno dos autos à fiscalização para analisar tais argumentações, procedendo retificações que entender devidas. Em atendimento à diligência supra, a autoridade fazendária autuante elaborou Despacho de fl. 1.067, suscitando que a julgadora de primeira instância não apresentou qualquer questionamento passível de elucidação, reiterando que anexou aos autos toda documentação pertinente, razão pela qual determinou o retorno à DRJ para julgamento. Ainda inconformada com os esclarecimentos prestados pela fiscalização, a julgadora de piso determinou, novamente, fosse o processo baixado em diligência, mediante Despacho n° 05, de 07/02/2012, às fls. 1.068/1.091, colacionando inúmeros questionamentos, arguindo e requerendo, em síntese, o que segue: “[...] Embora o lançamento fiscal goze da presunção de legitimidade, não desobriga o auditorfiscal de demonstrar os fatos ocorridos, as provas e de evidenciar a relação lógica entre os elementos de convicção e a conclusão advinda deles, sob pena de nulidade Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 24 material do lançamento, ante a falta de comprovação de um dos seus elementos essenciais: o fato gerador do crédito (art. 142 do CTN e arts. 10 e 11 do PAF – Decreto 70.235/72). A simples informação de que existe um Termo de Anexo Físico não substitui os próprios anexos, até porque, como é do conhecimento da DIFIS, se existem documentos que não são imprimíveis ou que não possam ser digitalizados, como: CD, disquetes, plantas no formato autocad, objetos físicos, etc..., deve ser criado um processo físico, que deverá ser movimentado juntamente com o processo digital, caso seja necessário. O julgamento do crédito é um desses casos. [...] ante as alegações acima expostas solicitase que seja encaminhado a esta DRJ, o Anexo Físico onde estão os anexos citados no Relatório Fiscal, bem como a relação nominal dos segurados caracterizados empregados, com as respectivas atividades por eles desenvolvidas e que os caracterizam como empregados, nos termos do art. 3º da CLT, conforme citado no Anexo 1 – ÍNDICE DE DOCUMENTOS (fl. 319). Inclusive, nesse mesmo Anexo Físico devem estar inclusos os documentos apresentados pela Impugnante. [...] Questionase: procedem as alegações do contribuinte quanto à contratação de serviços especializados? Em caso positivo deve ser efetuada a devida planilha de retificação. [...] Questionase: procedem as alegações do contribuinte quanto serviços com knowhow especializado? Em caso positivo, e se necessário, deve ser efetuada a devida planilha de retificação. [...]” Em resposta à diligência supra, a fiscalização mediante Despacho de fl. 1.092, novamente, deixou de se manifestar a respeito das indagações da autoridade julgadora de primeira instância, fazendo acostar aos autos, porém, a documentação requerida, repisando entender necessário análise preliminar de tais documentos por parte dos julgadores de piso, ressaltando que, persistindo dúvidas, estão à disposição para eventuais esclarecimentos. Ato contínuo, mais uma vez, a ilustre autoridade julgadora recorrida achou por bem converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução n° 451, de 04/10/2013, às fls. 1.096/1.148, 52 (cinqüenta e duas) folhas, elencando os fatos que permeiam o lançamento e, em síntese, as alegações de defesa da contribuinte, explicitando e requerendo o que segue: “[...] DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Em 06 de dezembro de 2011, o processo foi enviado a fiscalização com solicitação de esclarecimentos e anexação da relação nominal dos segurados caracterizados empregados, com as respectivas atividades por eles desenvolvidas e que os Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 14 25 caracterizam como empregados, nos termos do art. 3º da CLT, conforme cita no Anexo 1 – ÍNDICE DE DOCUMENTOS (fl. 319). Os autos retornaram a essa DRJ sem a realização da diligência solicitada, com a argumentação de que os anexos citados no relatório fiscal constam de um processo físico, conforme previsto e orientado pelo Manual do eprocesso e Termos de Inclusão de Anexo Físico. Em 07 de fevereiro de 2012, foi enviada por esta DRJ – Delegacia da Receita Federal de Julgamento à fiscalização solicitação dos elementos de prova constantes do Anexo Físico, uma vez que são essenciais para o julgamento do crédito lançado. Em 27 de março de 2012 a Delegacia da Receita Federal do Brasil – Brasília encaminhou a esta DRJ o processo físico nº 10166.722931/201194, cujo conteúdo são arquivos digitais que constituem os anexos aos débitos do processo 10166.721569/201134. [...] NOVA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Em análise ao processo físico com os CDs da fiscalização e os apresentados pela impugnante, verificamos que a empresa apresenta: 1 – Declarações das seguintes pessoas, de que nunca prestaram serviços à POLITEC: [...] Em consulta ao sistema GFIPWEB e ao CNIS, verificamos que o Sr. Sebastião Tomaz de Souza Filho foi empregado da empresa INDRA BRASIL SOLUÇÕES E SERVIÇOS TECNOLÓGICOS S/A – CNPJ 01.645.738/000250, no período de 23/05/2000 a 01/09/2008. Os trabalhadores Alessandra Alcântara Lopes de Faria, Maria Miranda de Figueiredo Lago e Sebastião Tomaz de Souza Filho, constam no Levantamento P1 – caracterização de empregados com remunerações pagas por intermédio de pessoas jurídicas, sendo que os demais trabalhadores relacionados acima constam no Levantamento O1 – caracterização de empregados constituídos PJ pagos por intermédio do Instituto OMNIS. Diante destas informações, solicitamos ao Auditor Fiscal autuante verificar a veracidade das declarações desses segurados e, se for o caso, elaborar planilha de retificação desses levantamentos. Outra verificação é que houve caracterização de segurados empregados que recebiam prólabore das empresas constituídas, tendo sido recolhido contribuições previdenciárias patronais e de segurados sobre estes valores. Dessa forma, solicitamos verificar se estes valores foram considerados no cálculo da contribuição dos segurados e, se for Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 26 o caso, elaborar planilha das retificações dos respectivos levantamentos. Estes são os questionamentos que apresentamos. Os esclarecimentos quanto aos demais pontos serão efetuados com análise dos Anexos, constantes do processo físico. [...]” Em observância ao determinado acima, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 1.150/1.154, esclarecendo parte dos questionamentos pretendidos pelos julgadores de primeira instância, trazendo à colação novas razões e elementos tendentes a manter a exigência fiscal, com pequenas retificações. Como se observa, muito embora a autoridade lançadora não tenha atendido totalmente os questionamentos formulados nas diligências acima, especialmente em relação a necessidade de haver a devida comprovação dos requisitos do vínculo laboral, o que trataremos adiante, trouxe à colação novos argumentos e elementos de prova com intuito de aperfeiçoar o lançamento. Percebese, assim, que o lançamento somente se aperfeiçoou com o resultado da última diligência fiscal. Constatase, ainda, estarmos diante de 03 (três) diligências requeridas pelos julgadores de primeira instância procurando basicamente entender as razões da exigência fiscal, notadamente em face de se escorar no procedimento do arbitramento e caracterização de segurados empregados. Ora, se o julgador de primeira instância somente teve condições de analisar os autos após determinar 03 (três) diligências, igualmente, a contribuinte somente teve plenas condições de se defender nesta última oportunidade, o que nos leva a concluir que o lançamento somente se apresentou perfeito e acabado após tais incidentes processuais. A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando seja adotado como momento da efetiva lavratura do lançamento a data da ciência de resultados de diligências que tem por objeto aperfeiçoar o Relatório inicial, como se verificado do Acórdão n° 2401003.075, com os seguintes ementa e trechos do voto: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2006 LANÇAMENTO INSUBSISTENTE LAVRATURA DE RELATÓRIO FISCAL SUBSTITUTIVO PRAZO DECADENCIAL. Não contendo o lançamento original os requisitos mínimos de validade, por falta de motivação e descrição precisa do fato gerador, sendo elaborado Relatório Fiscal Substitutivo com o objetivo de sanar tais vícios, o prazo decadencial deve ser contado da data da notificação do contribuinte da lavratura do Relatório Fiscal Substitutivo, e não da notificação do lançamento original. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 15 27 A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento do nulidade, por vício material. Processo Anulado. [...] Voto Vencedor [...] Diante da imprestabilidade do relatório fiscal original, o qual foi efetivamente substituído por novo relatório fiscal, por expressa determinação do órgão julgador de primeira instância, não se pode admitir que o lançamento original, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 22/12/2006, seja instrumento hábil a cessar o transcurso do prazo decadencial. Ora, não pode a Receita Federal valerse de atos de lançamento inválidos, que não contém os mínimos elementos para possibilitar ao contribuinte a exata compreensão da cobrança contra si perpetrada, para fazer cessar contra si o prazo decadencial que fulmina o crédito tributário. Se isso fosse possível, as autoridades fiscais estariam autorizadas a lavrar, nas proximidades do prazo decadencial, autos de infração desprovidos de seus fundamentos básicos de validade, apenas para resguardar o seu direito à futura cobrança, confiantes na determinação por parte dos órgãos julgadores da elaboração de relatórios fiscais substitutivos, razões complementares, esclarecimentos adicionais, etc, com vistas a sanar os vícios da autuação original. Em casos como este, o contribuinte ficaria sujeito a ter que se defender de autuações “aperfeiçoadas” mais de cinco anos após o decurso do prazo decadencial, mesmo sendo a autuação original imprestável para a devida e regular constituição do crédito tributário. Embora a decisão de primeira instância, que determinou a conversão do feito em diligência, já deixe clara a nulidade material do lançamento original, não é demais destacar que o relatório fiscal nada diz sobre a origem do crédito lançado – decorre de mero batimento GFIP x GPS? Decorre de batimento folha x GFIP x contabilidade, já que nele consta a informação de que a folha de pagamentos e contabilidade foram analisadas? Quais os contribuintes individuais que foram objeto da autuação? Entendo que em situações como a dos presentes autos, em que o lançamento original é totalmente imprestável e não subsistiria de per si, motivando a determinação por parte do órgão julgador de primeira instância da lavratura de verdadeiro lançamento substitutivo, o prazo decadencial deve ser contado tomando por base a data da notificação do lançamento substitutivo, e não a Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 28 data da notificação do lançamento original. [...]” (Processo n° 14485.001968/200747) Outro não foi o entendimento do nobre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, nos autos do processo n° 18471.001502/200832 – Acórdão n° 2401003.621, como segue: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2002 PRONUNCIAMENTO FISCAL. INTRODUÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. Nos casos em que há elaboração de Informação Fiscal com o objetivo de apresentar novos fundamentos ao lançamento, considerase como constituídoo crédito tributário na dada da ciência pelo sujeito passivo da novamotivação. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de créditorelativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” (grifos nosso) É exatamente o que se verifica nos presentes autos, onde, repitase, a autoridade julgadora de primeira instância teve que converter o julgamento em diligência em 03 (três) oportunidades para ter condições de analisar e julgar, após os esclarecimentos e novos elementos trazidos à colação pela fiscalização. Ora, não se pode admitir à fiscalização trazer novos elementos de prova e esclarecimentos que corroborem a exigência fiscal e sejam determinantes para seu entendimento, sem que se considere que somente neste momento o lançamento encontrarseá passível de produzir efeitos no mundo jurídico, especialmente tratandose de procedimentos excepcionais de arbitramento, onde se inverte o ônus da prova ao contribuinte, e caracterização de segurados empregados, onde a fiscalização deve comprovar a existência dos pressupostos da relação empregatícia. Admitir tal conduta, representa possibilitar ao agente fiscal lançar de qualquer modo, sobretudo com a finalidade de “escapar” do prazo decadencial e no decorrer do processo administrativo fiscal retificar, corroborar, fundamentar e/ou motivar o ato administrativo, estabelecendo uma absoluta insegurança jurídica. Assim, o remédio para evitar tais imperfeições jurídicas é exatamente considerar o lançamento aperfeiçoado somente após as essas manifestações intempestivas da fiscalização, quando chamada para tanto pelo julgador de primeira instância. No caso vertente, tivessem os autos de infração condições de entendimento na forma lançada originalmente, a julgador de piso não teria convertido o julgamento em 03 oportunidades para esclarecimentos e, pior, para que fosse demonstrada a ocorrência do fato gerador, representando um evidente novo lançamento. Neste sentido, é de fácil conclusão que o lançamento somente se apresentou perfeito e acabado, ou seja, se aperfeiçoou, após as diligências determinadas pelos julgadores de primeira instância, devendo ser admitida a data da ciência do resultado da última diligência, Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 16 29 Informação Fiscal de fls. 1.150/1.154, ocorrida em 20/12/2013, conforme Ar, de fl. 1.232, como efetivo momento da lavratura dos Autos de Infração. DA FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO – NÃO CARACTERIZAÇÃO Ultrapassada a questão da efetiva data da ciência dos Autos de Infração, termo final do prazo decadencial, impõese analisar a eventual ocorrência de dolo, fraude ou simulação na conduta adotada pela contribuinte, de maneira a determinar qual o dispositivo legal a ser utilizado para fins da decadência, artigo 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN. Em suas alegações de recurso, aduz a contribuinte inexistir comprovação de ocorrência de fraude ou simulação nos atos praticados pela recorrente, sobretudo quando a edição da Lei n° 11.196/2005 contemplou a possibilidade e licitude da prestação, por pessoas jurídicas, de serviços intelectuais, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios da sociedade prestadora de serviços, o que veio a ser corroborado nos autos da Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Trabalho, onde fora reconhecida a possbilidade de contratação por meio de pessoa jurídica nos casos de serviços de knowhow. Por sua vez, como acima explicitado, o julgador recorrido, defendeu ter havido fraude na contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas, com a finalidade de sonegar verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal, na linha da Ação Civil Pública do Ministério Público do Trabalho, o que, inclusive, ensejou à fiscalização que culminou com o presente lançamento, entendimento que ousamos divergir, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 30 Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime), que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 17 31 Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às alterações na legislação acima mencionadas, não se exigir tal comprovação não é capaz de sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou simulação. Com efeito, cabe/caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do, suposto e em tese, crime arquitetado pela autuada. Pretender atribuir um, suposto e em tese, crime ao contribuinte em sede de primeira ou segunda instância, sem que a própria autoridade lançadora tivesse imputado tal conduta à autuada, comprovando e fundamentando suas conclusões, objetivando oportunizar a ampla defesa e contraditório da empresa em relação a este tema, além de representar supressão Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 32 de instância, fere de morte o princípio do devido processo legal. Estarseia imputando um crime ao contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse. In casu, o fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que levaram à fiscalização a desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e/ou funcionários como segurados empregados da autuada não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte. A Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da mesma natureza, nos seguintes termos: “[...] NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de notificação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a consequente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal.” (Acórdão n° 920201.127 – Processo n° 16095.000604/200769, Sessão de 19/10/2010) Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é que a autoridade lançadora somente trouxe à colação os argumentos a propósito da suposta fraude, dolo ou simulação praticados pela contribuinte para tratar do própro mérito da demanda. Igualmente, o fato de o Ministério Público do Trabalho, a partir de Ação Civil Pública, ter manifestado entendimento no sentido da existência de fraude em contratos de trabalho, isoladamente, não tem o condão de comprovar nos autos do processo administrativo fiscal, a existência de dolo, fraude ou simulação, sem que a fiscalização tenha se aprofundado na questão, com maiores elementos e esclarecimentos. Partindo dessa premissa, o simples fato da pretensa procedência do lançamento em relação ao mérito, SE FOSSE O CASO, legitimando a desconsideração procedida pela autoridade lançadora, a partir da comprovação dos requisitos do vínculo laboral, não implica dizer necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação. Mesmo porque o dispositivo legal que contempla tal procedimento, qual seja, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, exige Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 18 33 exclusivamente a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e necessariamente a verificação da demonstração da existência de tais requisitos (do vínculo empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou não. Dessa forma, repitase, o fato de se considerar procedente o lançamento, se for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e consequente caracterização de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo ou fraude comprovados. Impõese, assim, um aprofundamento maior no tema por parte do fiscal autuante ao pretender imputar tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada. No caso sob análise, não vislumbramos a demonstração da ocorrência do crime de simulação, com a segurança que o caso exige. Mesmo porque, a prática adotada pela contribuinte é recorrente em empresas que prestam serviços em sua seara, contratando, para prestação de serviços dessa natureza, pessoas jurídicas, como a própria legislação de regência admite (vide abaixo), e fora reconhecida nos autos da Ação Civil Pública retromencionada. Pretender vincular uma conduta a outra (desconsideração de personalidade jurídica com a caracterização de segurados empregados e crime de simulação) implicará considerar a existência de simulação em todo lançamento julgado procedente, em que houver referido procedimento, olvidandose que o fundamento legal que o justifica nada fala sobre simulação, não exigindo a sua comprovação para justificálo. A rigor, podemos traçar um paralelo entre essa situação com a simples constatação de omissão de receitas/rendimentos, em que a Sumula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento que, isoladamente, não se presta a caracterizar a conduta dolosa do contribuinte. Em outras palavras, tal qual no caso de simples omissão de receitas/rendimentos, a simples demonstração da existência dos pressupostos da relação laboral entre os prestadores de serviços e a contribuinte, ainda que a partir da desconsideração do vínculo pactuado e da personalidade jurídica de empresas, se fosse o caso, por si só, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, de maneira a ensejar o deslocamento do prazo decadencial do artigo 150, § 4, para o artigo 173, inciso I, do CTN, como se vislumbra na hipótese dos autos. Não fosse assim, teríamos que considerar dolosa, fraudulenta ou simulatória a conduta do contribuinte toda vez que houver o procedimento de caracterização de prestadores de serviços como segurados empregados, o que, em nosso entender, não representa a intenção do legislador ao impor a comprovação daquelas condutas para efeito da demonstração do crime. Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é que a própria Lei n° 11.196/2005 contempla a possibilidade de prestação de serviços de natureza intelectual/especializada, dentre outras, mediante pessoa jurídica. Assim, Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 34 independentemente da comprovação efetiva da prestação de serviços nesta modalidade, é certo que a própria legislação de regência possibilita inúmeras interpretações quanto à forma de contratação de prestadores de serviços. Neste sentido, a mera interpretação equivocada da contribuinte quanto à aplicabilidade da norma legal não pode ensejar a imputação de simulação, arrimada em crime de sonegação fiscal, sem que a fiscalização se aprofunde na matéria, demonstrando cabalmente a conduta dolosa da empresa com maiores elementos e esclarecimentos, não se prestando para tanto a justificativa da desconsideração da personalidade jurídica daquelas prestadoras de serviços. No caso vertente, inobstante o esforço do julgador recorrido, não podemos afirmar com a devida certeza ter a contribuinte agido de maneira simulatória, mesmo porque o fiscal autuante nada inferiu a este respeito para caracterizar o crime, sendo defeso a esta Corte Administrativa inovar o lançamento com o fito de imputar crime em sede de segunda instância, sem que tenha havido o devido aprofundamento para este fim no decorrer de todo processo administrativo, mormente quando a legislação de regência gera dúvidas quanto à legitimidade da conduta da autuada nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, podendose cogitar, inclusive, em mera interpretação equivocada da norma. Por fim, como abaixo restará demonstrado, sequer entendemos que no mérito o lançamento, na parte da caracterização dos segurados empregados, deve ser mantido, pela falta de comprovação da efetiva existência dos pressupostos da relação laboral, o que reforça a tese na ausência de dolo, fraude ou simulação, tendente a deslocar o prazo decadencial. DA DECADÊNCIA – LANÇAMENTO OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS AIOP’S N°s 37.319.5044; 37.319.5052; 37.319.5060 Uma vez definido o termo final para o prazo decadencial, bem como afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, cabe analisar a aplicabilidade dos artigos 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN, diante da ocorrência ou não de antecipação de pagamento, na linha da jurisprudência dos Tribunais Superiores. Preliminarmente, requer a contribuinte seja acolhida a decadência da exigência fiscal, com base no artigo 150, § 4°, do CTN, adotando como termo final do prazo decadencial a data da ciência do resultado da última diligência fiscal, oportunidade em que o lançamento teria sido devidamente aperfeiçoado; entendimento que compartilhamos pelas razões acima delineadas. Mais precisamente, pugna pelo acolhimento da decadência em relação ao período de 01/2006 a 12/2008, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, inferindo ter havido pagamentos em relação às remunerações convencionais, admitidas pela empresa. Como se observa, após a decretação da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, nos autos do Recurso Extraordinário n° 560626, aprovandose a Súmula STF n° 08, houve um esvaziamento quanto à discussão em relação a adoção do prazo decadencial. Isto porque, a discussão centrouse tão somente nos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN, diante da natureza dos tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, havendo ou não necessidade de antecipação de pagamento para tal conclusão. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 19 35 Aludida questão veio a ser aclarada pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos Resp n° 973.733/SC, na indumentária de Recurso Repetitivo, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, nos termos do RICARF, de onde se concluiu que a adoção do prazo previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, depende da ocorrência de antecipação de pagamento, senão vejamos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 36 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, restando decidido pelo STJ que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nosso exame limitouse a constatar ou não a sua ocorrência. Na hipótese dos autos, tratandose de lançamento de diferença de contribuições incidentes, em parte, sobre salário indireto, prêmios de incentivo, onde a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário admtido pela empresa, é de se reconhecer a antecipação de pagamento, na esteira, inclusive, da Súmula CARF n° 99, que assim estabelece: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” A própria autoridade lançadora em seu Relatório Fiscal, item 247, de fl. 293, deixou claro que foram constatados recolhimentos mediante GPS apresentadas pela contribuinte, os quais não foram aproveitados por se tratar de procedimento específico de fatos geradores não considerados pela autuada, a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços, com a caracterização dos respectivos funcionários e/ou sócios como segurados empregados da recorrente, senão vejamos: “247. Constatouse, assim, que o sujeito passivo em tela deixou de recolher em sua totalidade as contribuições sociais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que lhe prestaram serviços. As Guias de Pagamento da Previdência Social (GPS) recolhidas pela POLITEC não foram utilizadas na presente fiscalização, porquanto o contribuinte não considerava que as verbas em questão eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e não as declarou em GFIP. Vale mencionar também que, para o cálculo da contribuição dos segurados, a fiscalização levou em Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 20 37 consideração as remunerações de trabalhadores já declaradas em GFIP pela POLITEC, observados os limites e as faixas de contribuição; pois, conforme dito anteriormente, havia trabalhadores que, além de receberem salários na qualidade de segurados empregados, também recebiam remunerações complementares não declaradas em GFIP por intermédio de suas próprias empresas. [...]” (grifos nossos) Assim, devese adotar os preceitos constantes do artigo 150, § 4°, para fins da contagem do prazo decadencial, diante da constatação evidente de antecipação de pagamento, razão pela qual admitindose como apefeiçoado o lançamento em 20/12/2003 (AR de fl. 1.232), data da ciência da Informação Fiscal, de fls. 1.150/1.154, a exigência fiscal pertinente ao Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal (AIOP’S N°s 37.319.5044; 37.319.5052; 37.319.5060) encontrase totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram no período de 01/01/2006 a 31/10/2008, fora, portanto, do prazo decadencial estabelecido no dispositivo legal retro, impondo seja decretada a improcedência total de referidos lançamentos. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Igualmente, para os autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao prazo inscrito no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma legal, na forma decidida no Acórdão recorrido. Não obstante a grande discussão que permeia a questão, a jurisprudência administrativa, inclusive com decisões reiteradas da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já firmou entendimento no sentido de que tratandose de autos de infração decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias – erro/omissão de informações e/ou documentos ao INSS , caracterizando lançamento de ofício, impõese a aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, independentemente da espécie de infração incorrida, razão pela é de se admitir a contagem do prazo decadencial nos termos daquele dispositivo legal. Mesmo porque, uma vez estabelecido pelo STJ a necessidade de ocorrência de antecipação de pagamento para fins de adoção do prazo decadencial, não se poderia cogitar em recolhimentos nos casos de penalidade em face da inobservância de obrigações acessórias, o que atrai os preceitos do artigo 173, inciso I, do CTN, para casos dessa natureza. Assim, considerando a data da ciência do lançamento em 20/12/2003 (AR de fl. 1.232), como acima explicitado, há de se acolher a decadência do período de 01/2006 a 11/2007, ensejando a decretação da improcedência parcial dos Autos de Infração referentes aos descumprimento de obrigações acessórias (AIOC n° 37.319.5079; AIOAC n° 37.319.5087; AIOAC n° 37.319.5095; AIOC n° 37.319.5109; AIOC n° 37.319.5117; AIOAC n° 37.319.5125; AIOA n° 37.319.5133). No entanto, há que se registrar que aludida decadência não tem o condão de modificar as multas aplicadas nos Autos de Infração sob nos 37.319.5079; 37.319.5087; 37.319.5095 , 37.319.5109, 37.319.5117 e 37.319.5125, os quais contemplam multa fixa, uma vez, em resumo, ter deixado de preparar folha de pagamento como determinado na legislação, não ter registrado fatos contábeis em títulos próprios da contabilidade, ter deixado Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 38 de apresentar a totalidade dos esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização, ter deixado de exibir documentos solicitados pela fiscalização, além de deixar de arrecadar a totalidade das contribuições devidas por segurado e ter deixado de apresentar seus arquivos em meio digital, relativamente a períodos já fulminados pela decadência, bem como outros fora do prazo decadencial encimado (01/2006 a 11/2007). Dessa forma, tratandose de autos de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação, da penalidade, em sua integralidade, o fato de parte do período já ter sido alcançado pela decadência, não é capaz de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra nos casos vertentes, razão pela qual a decadência acolhida acima não projeta efeitos para estes autos de infração citados. Por outro lado, quanto ao Auto de Infração sob no 37.319.5133 (não incluir nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, nas competências de janeiro/2006 a outubro/2008, todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias discriminados no relatório fiscal), a procedência é parcial, pois a multa é variável e os fatos ocorreram no período de 01/2006 a 10/2008, devendo ser excluídos os valores de cálculo compreendidos nas competências 01/2006 a 11/2007, pela aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, como decidido acima. Com o fito de melhor aclarar os efeitos da decisão acima, relativamente ao prazo decadencial a ser acolhido nos autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias, elencados no relatório fiscal (VII DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS), em relação ao período de 01/2006 a 11/2007, nos termos do art. 173, I, do CTN, em suma, assim se projeto aludida decisão para casa AI: i. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5079: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram no período de 01/2006 a 10/2008, não decadente; ii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5087: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram no período de 2006 a 2008, não decadente; iii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5095: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram até a competência 12/2007, não decadente; iv. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5109: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período de apuração da ação fiscal, 01/2006 a 10/2008, não decadente; v. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5117: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período de apuração da ação fiscal, 01/2006 a 10/2008, não decadente; Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 21 39 vi. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5125: mantém a integralidade da multa, porquanto a penalidade é fixa e os fatos ocorreram em todo período de apuração da ação fiscal, 01/2006 a 10/2008, não decadente; vii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5133: Impõese reduzir, parcialmente, a multa, uma vez que a penalidade é variável e os fatos ocorreram no período de 01/2006 a 10/2008, devendo ser excluídos os valores de cálculo compreendidos nas competências 01/2006 a 11/2007, em face da aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, como decidido acima. Assim, no que tange a questão da aplicação da regra decadencial do art. 173, I do CTN, nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, deve ser dado provimento parcial ao recurso, somente produzindo efeitos na multa aplicada no AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5133, como explicitado acima. MÉRITO Muito embora a exigência fiscal referente às obrigações principais encontra se totalmente maculada/extinta em face da decadência, como demonstrado alhures, ainda assim, impõese adentrar ao mérito da demanda, tendo em vista que as penalidades aplicadas nos Autos de Infração pertinentes às obrigações acessórias, vinculadas à sua maioria aos fatos geradores lançados, não foram totalmente alcançadas pelo prazo decadencial, diante da aplicabilidade do artigo 173, inciso I, do CTN. Não bastasse isso, a análise das questões de mérito (pagamentos a segurados empregados por cartões premiação (A1) e caracterização de segurados como segurados empregados da recorrente (A2)) da demanda é salutar e pode ser necessária/determinante, na hipótese desta Colenda Turma não vir a compartilhar com o entendimento deste Relator no que tange ao prazo decadencial e a efetiva data do aperfeiçoamento do lançamento, razão pela qual passamos a analisar aludidas questões. A1) DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PRÊMIOS – LEVANTAMENTOS R1 E R2 De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE LTDA., descontadas as importâncias pertinentes às comissões, devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período Livros Diários e Folhas de Pagamento, dentre outros. Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte pagava referidos Prêmios aos segurados empregados através da empresa supramencionada, que forneciam os cartões eletrônicos utilizados no recebimento dos prêmios, na forma de compras ou em saques em espécie nas instituições conveniadas. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 40 Como a empresa deixou de ofertar à fiscalização parte dos documentos solicitados, especialmente a relação dos beneficiários dos contratos supracitados, o crédito tributário fora constituído por aferição indireta, com base nos valores constantes das notas fiscais, como acima explicitado. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, aduzindo para tanto que os valores pagos aos segurados empregados a título de Prêmios de Incentivo, por meio da empresa Incentive House S/A, não podem ser admitidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista lhes faltar os requisitos necessários à caracterização da remuneração, notadamente a habitualidade. Sustenta que o artigo 28, § 9º, item 7, da Lei nº 8.212/91, oferece proteção ao pleito da recorrente, impondo seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, excluindose a tributação de referidas importâncias pagas aos segurados empregados, sobretudo quando concedidas por mera liberalidade. Sem razão à contribuinte! Antes de se aprofundar no tema em discussão, imperioso destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, senão vejamos: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Ocorre que, via de regra, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 22 41 Ademais, observase que a própria contribuinte considera tais verbas como prêmios, ou seja, uma vantagem, sendo cediço na legislação que disciplina a matéria e jurisprudência administrativa que valores recebidos a título de prêmios são considerados como salário de contribuição, como segue: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição. Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Mister elucidar, ainda, que, tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 42 “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos funcionários a título de prêmio devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. A2) DA CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADOS EMPREGADOS De acordo com o Relatório Fiscal, a r. autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e demais funcionários como segurados empregados da autuada, tendo em vista que do exame da documentação apresentada pela contribuinte verificouse a existência dos requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e a recorrente, inscritos no artigo 12, Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 23 43 inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade. A fiscalização adotou como fundamento à sua empreitada, em suma, afora os argumentos já explicitados no Relatório acima, os seguintes argumentos constantes do Relatório Fiscal, in verbis: “33) DA CONCLUSÃO 242. Concluise que o contribuinte em tela montou uma vasta estrutura para efetivar o pagamento de remunerações a trabalhadores com a utilização de empresas interpostas. Todas as evidências obtidas demonstram que o sujeito passivo simulou negócios jurídicos para reduzir encargos, uma vez que o montante de tributos efetivamente pagos com a utilização de empresas interpostas é inferior ao montante devido se as remunerações tivessem sido corretamente declaradas. Assim, empresas foram usadas para efetuar pagamentos não declarados em GFIP pelo sujeito passivo. 243. Nesse contexto, a POLITEC se utilizou, dentre outros, de cooperativas, como a TELECOOP e a CORPSERVICE, do INSTITUTO OMNIS, da VÉRTICE/MI MANAGEMENT, da POLICS e de centenas de “Pessoas Jurídicas” unipessoais para se esquivar do correto cumprimento de suas obrigações. O processo de ”pejotização” da força de trabalho (simulação e transformação de empregados em Pessoas Jurídicas unipessoais) também foi amplamente usado pela POLITEC para camuflar relações trabalhistas. 244. Assim, o contribuinte em comento reduzia o montante de tributos declarados, mascarava relações de emprego, simulava contratos, cerceava direitos trabalhistas e previdenciários, não declarava corretamente contribuições devidas e não as recolhia aos cofres públicos. Advertese, portanto, que a POLITEC empregava diversos artifícios para fraudar as legislações trabalhista, previdenciária e tributária. 245. No caso em tela, a simulação de negócios jurídicos efetuados pelo sujeito passivo com empresas interpostas e a constatação por parte da fiscalização de que prestações de serviços não foram efetuadas por empresas contratadas, mas por pessoas físicas e sócios de firmas sem empregados declarados em GFIP, teve como conseqüência a caracterização de trabalhadores como empregados. 246. Portanto, como não há legislação que isente a POLITEC da incidência de contribuições sociais sobre verbas objeto da presente autuação, as remunerações pagas a segurados que prestaram serviços ao sujeito passivo em questão foram determinadas conforme anexos (AN1FISC 11 a 36), se incorporam aos saláriodecontribuição e são consideradas fatos geradores de contribuições sociais. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 44 247. Constatouse, assim, que o sujeito passivo em tela deixou de recolher em sua totalidade as contribuições sociais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que lhe prestaram serviços. As Guias de Pagamento da Previdência Social (GPS) recolhidas pela POLITEC não foram utilizadas na presente fiscalização, porquanto o contribuinte não considerava que as verbas em questão eram fatos geradores de contribuições previdenciárias e não as declarou em GFIP. Vale mencionar também que, para o cálculo da contribuição dos segurados, a fiscalização levou em consideração as remunerações de trabalhadores já declaradas em GFIP pela POLITEC, observados os limites e as faixas de contribuição; pois, conforme dito anteriormente, havia trabalhadores que, além de receberem salários na qualidade de segurados empregados, também recebiam remunerações complementares não declaradas em GFIP por intermédio de suas próprias empresas. 248. Nesse contexto, os saláriosdecontribuição (remunerações) foram determinados pela fiscalização tendo como base dentre outros, documentos apresentados pelo contribuinte e por empresas diligenciadas, representam osfatos geradores deste procedimento fiscal e estão devidamente discriminados no relatório “RL – Relatório de Lançamentos” e nas planilhas dos anexos AN1FISC 11 a 36. 249. O valor discriminado do débito apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições não declaradas em GFIP e incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados que prestaram serviços à POLITEC. Tais informações também encontramse discriminadas no relatório DD – Discriminativo Analítico do Débito em anexo. Cabe destacar ainda que os levantamentos que respaldaram os fatos geradores da presente ação fiscal estão devidamente discriminados em itens subseqüentes deste relatório.” Em seu recurso, a contribuinte se opõe a caracterização dos funcionários e/ou sócios das empresas prestadoras de serviços como seus segurados empregados, a partir da desconsideração da personalidade jurídica, aduzindo para tanto inexistir a comprovação dos elementos do vínculo empregatício. Suscita que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente subjetivo, deixando de lado a realidade dos fatos, os quais não comprovam a existência dos requisitos autorizadores da descaracterização da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Alega que a Receita Federal não detém competência para reconhecer vínculo empregatício, especialmente quando procedido com base na desconsideração de personalidade jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho. A fazer prevalecer seu entendimento, a recorrente refuta as razões de decidir do julgador de piso, notadamente em relação aos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, da Lei nº 8.212/91, concluindo inexistir tais requisitos na prestação de serviços por parte dos funcionários e/ou sócios das pessoas jurídicas constantes dos autos. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 24 45 Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando verificados os requisitos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não mais vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO – DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário”. 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ nº 330/1995.” “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 46 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. No entanto, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Autuação tais requisitos, quais sejam, subordinação, pessoalidade, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Na hipótese dos autos, em que pese o substancioso trabalho fiscal em relação à desconsideração da personalidade jurídica das empresas elencadas no processo, a ilustre autoridade lançadora, ao promover a caracterização dos funcionários das pessoas jurídicas desconsideradas como segurados empregados da autuada, não logrou motivar o presente lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar e comprovar, na forma que o caso exige, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima mencionado. Ora, muito embora o fiscal autuante lance inúmeras assertivas quanto à vinculação das empresas desconsideradas, para fins previdenciários, trazendo à colação histórico e quadro societário de algumas dessas pessoas jurídicas prestadoras de serviços, Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 25 47 procurando justificar a exigência fiscal, não fora feliz no que diz respeito à demonstração da existência dos requisitos do vínculo empregatício entre a contratante (recorrente) e os contratados. Como se verifica do Relatório Fiscal, é certo que o procedimento eleito pela fiscalização ao promover o lançamento encontra amparo no 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, in verbis: “226. De fato, não há como desconhecer o vínculo empregatício entre o sujeito passivo e trabalhadores que lhe prestaram serviços, mesmo que tais serviços estejam mascarados sob o rótulo de “serviços prestados por pessoas jurídicas”. Ressaltase que tal situação está incrustada em diversos níveis da empresa: desde a vicepresidência e a diretoria, perpassando por cargos de gerência e de analistas de sistemas. 227. Nesse ínterim, merece destaque o disposto no parágrafo 2º, Art. 229, do Decreto 3.048/99: “§ 2º. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” (grios nossos) Neste sentido, adotandose como fundamento precípuo dos Autos de Infração o dispositivo legal retro, antes mesmo da demonstração da vinculação entre as pessoas jurídicas, é condição indispensável à validade do lançamento a comprovação dos pressupostos da relação laboral entre a contratante e os tidos como prestadores de serviços. In casu, com mais razão a fiscalização deverá comprovar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas, tendo em vista tratarse de procedimento excepcional de desconsideração de personalidade jurídica e, conseqüente, caracterização de segurados empregados. Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, supratranscrito, com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído. Repitase, para que tal procedimento tenha validade e esteja em consonância com a legislação de regência, não é suficiente a alegação genérica da autoridade administrativa de que constatou a existência dos pressupostos da relação de emprego, devendo haver comprovação da existência efetiva do vínculo laboral, abordando cada requisito necessário para tanto, de maneira individualizada ou por tipo de trabalho desenvolvido pelos prestadores de serviços. Ora, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 48 Em outras palavras, deveria constar do Relatório Fiscal de forma destrinçada a demonstração da efetiva existência dos requisitos necessários à caracterização dos trabalhadores das pessoas jurídicas desconsideradas como segurados empregados da autuada, corroborado com quadro contendo nome de todos os prestadores de serviços tidos como empregados da recorrente e respectivos serviços desenvolvidos, possibilitando a contribuinte o exercício pleno da ampla defesa e do contraditório, sob pena de incorrer em cerceamento do direito de defesa. Mais não é o que se verifica no presente caso. Na hipótese dos autos, ao promover o lançamento levando a efeito a caracterização dos prestadores de serviços (na condição de pessoas jurídicas) como segurados empregados, o ilustre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, simplesmente inferiu ter efetuado tal enquadramento, a partir da desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas, sem conquanto demonstrar/comprovar de forma pormenorizada seu entendimento, maculando o lançamento em comento. É fato que o nobre fiscal autuante elaborou substancioso Relatório Fiscal procurando justificar a pretensão do Fisco, sobretudo trazendo à colação o histórico de parte das empresas desconsideradas e o modus operandi de parte das contratações. No entanto, o mais importante não logrou a fiscalização a demonstrar, a efetiva existência dos requisitos do vínculo empregatício. Aliás, a própria autoridade julgadora de primeira instância converteu o julgamento em diligência em 03 (três) oportunidades solicitando à fiscalização, dentre outras providências, fosse comprovada a constatação dos pressupostos da relação laboral, como se extrai do trecho do primeiro Despacho de Diligência, de fls. 1.061 (1.065 da digitalização), nos seguintes termos: “DA DILIGÊNCIA FISCAL Tendo em vista as alegações da Impugnante, bem como a documentação anexada aos autos e, em obediência ao princípio da verdade material, sugiro sejam estes baixados em diligência para que o Auditor Fiscal autuante as analise e apresente parecer conclusivo quanto à procedência das alegações; e, caso seja necessária a alteração do crédito lançado, efetue a devida planilha de retificação. Deve o Auditor, também, anexar aos autos os anexos que cita no Relatório Fiscal, bem como a relação nominal dos segurados caracterizados empregados, com as respectivas atividades por eles desenvolvidas e que os caracterizam como empregados, nos termos do art. 3º da CLT, conforme cita no Anexo 1 – ÍNDICE DE DOCUMENTOS (fl. 319).” (grifos nossos) Aludida providência fora reiterada pela nova Diligência determinada pela autoridade julgadora de piso, Despacho n° 05/2012, de fls. 1.067/1.090, além de solicitar outros esclarecimentos, igualmente, quanto à caracterização dos segurados empregados. Aliás, observase dos autos que, muito embora a autoridade lançadora tenha trazido ao processo novos elementos e motivos tendentes a manutenção do feito, em nenhuma resposta às 03 (três) diligências requeridas atendeu a solicitação do julgador de primeira instância no que tange a efetiva demonstração da existência dos requisitos da relação empregatícia. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 26 49 A reforçar essa tese, não se tem conhecimento nem mesmo quais os serviços que eram prestados pelas empresas desconsideradas, cujos sócios e/ou funcionários foram caracterizados como segurados empregados da recorrente. Veja que a norma legal que ampara o lançamento, ao possibilitar o procedimento da caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, exige a demonstração dos pressupostos do vínculo empregatício. Ou seja, não estamos diante de uma presunção legal, onde basta a fiscalização inferir o que verificou invertendo o ônus da prova ao contribuinte. É preciso que haja a subsunção do fato a norma e, neste sentido, a mera indicação dos prestadores de serviços, sem que tenha havido um aprofundamento nos exame dos fatos e sem demonstrar as características legais que definem o segurado como empregado, não tem o condão de suportar a exigência fiscal. Impende esclarecer que não entendemos que o simples fato da existência de Acórdão em sede de Ação Civil Pública, ou mesmo de a contribuinte ter firmado Termo de Ajustamento de Conduta – TAC e/ou Acordo com o Ministério Público do Trabalho, por si só, teria o condão de ensejar a configuração da relação laboral entre a autuada e os prestadores de serviços, de maneira a afastar a necessidade de o fiscal de desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência dos fatos geradores. Isto porque, referidos Acórdão, TAC e/ou Acordo, podem ter levado em consideração outras situações fáticas e jurídicas com reflexo em diversas searas do direito, não representando, em nosso entendimento, em evidente confissão de que os prestadores de serviços em comento, de fato, são segurados empregados, ao contrário do que restou assentado pela autoridade lançadora, que adotou tais fatos para suportar o lançamento. Igualmente, eventuais processos trabalhistas trazidos à colação pela fiscalização para amparar a pretensão fiscal, isoladamente, não se prestam a tal finalidade, caracterizando tão somente como mais um indício da conduta atribuída à contribuinte. Mesmo porque, a recorrente também faz referência a outras reclamações em que não fora reconhecido o vínculo empregatício. Cabe, com certeza, ao fiscal autuante motivar e comprovar a existência dos pressupostos da relação empregatícia entre os prestadores de serviços e a contratante, ora recorrente, não bastando para tanto adotar, exclusivamente, os ditames do Termo de Ajustamento de Conduta – TAC/Acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho, decisões judiciais isoladas, etc, sob análise ou mesmo reclamatórias trabalhistas isoladas, para refletir/projetar toda a situação jurídica à totalidade das empresas contratadas. Em tempo, não é demais lembrar que na Sentença exarada nos autos da Ação Civil Pública, processo n° 01145.2009.011.10.003, promovida pelo Ministério Público do Trabalho, em trâmite perante a 11a Vara do Trabalho da 10a Região, restou definido, dentre outras determinações, que a contribuinte deveria: PARTE TRANSCRITA NO ITEM 191 DO RELATÓRIO FISCAL: 1) ABSTERSE de contratar trabalhadores por interposta pessoa, física ou jurídica, inclusive cooperativas, para execução de serviços ligados à sua atividadefim, ou mesmo em se tratando de atividademeio, quando houver subordinação e Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 50 pessoalidade, salvo as hipóteses previstas na Lei no 6.019/1974, sob pena de multa de (...); 2) ABSTERSE de operacionalizar, constituir, exigir ou facilitar por qualquer meio, a constituição de pessoas jurídicas como expediente apto a frustar a aplicação da legislação trabalhista, sob pena de aplicação de multa de (...);, 3) REGISTRAR e ANOTAR a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) de seus empregados, anotando a data de início da prestação de serviços, bem como demais condições de trabalho, incluindo a remuneração efetivamente recebida, tudo na forma dos artigos 29 e 41 da CLT, sob pena de multa (...);(Grifamos) PARTE TRANSCRITA NO RECURSO VOLUNTÁRIO “[...] Parágrafo único. Não constitui violação à obrigação fixada no caput, a contratação de serviços que apresentem um knowhow especializado, e cujos serviços sejam prestados com efetiva autonomia e ausência de subordinação jurídica pelo contratado, ainda que com pessoalidade.” (grifos nossos) Como se constata, a fiscalização somente transcreveu no Relatório Fiscal a primeira parte do Acordo firmado com o MPT, que na verdade é uma sentença judicial naqueles autos, DEIXANDO DE FAZER REFERÊNCIA AO PARÁGRAFO PRIMEIRO ACIMA CITADO, o qual possibilitava a prestação de serviços especializados mediante pessoas jurídicas. Aliás, para afastar qualquer insurgimento da contribuinte contra o procedimento escorando o pleito em tal determinação, o fiscal autuante fez questão de afirmar no Relatório Fiscal, item 194, que: “[...] 194. Cumpre observar que acordos celebrados entre a POLITEC e empresas de seus funcionários, ou entre a POLITEC e empresas interpostas, com o intuito de burlar as legislações tributária, previdenciária e trabalhista, embora tenham sido realizados com a anuência de trabalhadores, não podem alterar ou extinguir definições instituídas por Legislação Federal, especificamente quando se trata de determinar fatos geradores de obrigações tributárias. Os acordos firmados entre a POLITEC e o Ministério Público do Trabalho, de maneira similar, não têm poderes para isentar a POLITEC do cumprimento de obrigações previdenciárias. Dessa forma, as disposições dos acordos efetuados entre essas partes não vinculam terceiros estranhos ao negócio realizado, entre eles a Previdência Social e a RFB, razão pela qual devem incidir tributos sobre as verbas pagas a trabalhadores com a utilização de empresas interpostas. [...]” (grifos nossos) Daí porque afastar todas as argumentações da fiscalização arrimadas nos Acordos com o Ministério Público do Trabalho ou decisões exaradas nos autos de Ação Civil Pública ou reclamatórias trabalhistas, porquanto a própria autoridade fiscal ressalvou que Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 27 51 aludidos acordos não tem o condão de vincular ou surtir efeito na relação entre a empresa e o Fisco. Assim, não se pode assimilar parte dos acordos, que melhor aprouver a pretensão fiscal, e esquecer de outras determinações que sustentam o pleito da contribuinte. Neste sentido, cai por terra toda fundamentação da fiscalização escorada em tais processos e/ou acordos, reforçando a tese de que deveria ter se aprofundado no exame da questão, procedendo a devida subsunção dos fatos à norma, comprovando a efetiva existência dos requisitos do vínculo empregatício. No meu sentir, para que o se considere cumprido o encargo da Auditoria quanto à demonstração dos pressupostos da relação empregatícia, deveria constar no Relatório Fiscal, para cada um dos segurados arrolados, ou pelo menos para cada grupo de segurados que exerciam a mesma função na empresa tomadora, a análise da presença dos pressupostos da relação de emprego. A fiscalização, ao contrário, sequer informa quais os serviços eram prestados, ou se o faz, é por demais superficial. A mera citação de que houve a pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade não é satisfatória. Necessário que se demonstre a ocorrência de cada um desses pressupostos, os quais, quando presentes cumulativamente, autorizam a caracterização da relação de emprego. Analisando o Relatório Fiscal, não há o desejado detalhamento dos requisitos de vínculo empregatício. Corroborando esse entendimento, o órgão de primeira instância determinou diligências neste sentido em três oportunidades, como acima já explicitado. No meu entendimento, afastadas as alegações pertinentes aos acordos e/ou sentenças nos autos da Ação Civil Pública, o fato de haver exclusividade na prestação de serviços, repetição de valores pagos às empresas, a contratação em atividades fins da contratante e outras observações seriam somente indícios de existência de vínculo de emprego, os quais em conjunto com outros elementos que pudessem avalizar à conclusão pela ocorrência dos requisitos da relação empregatícia, justificariam a caracterização dos sócios das prestadoras como segurados empregados da tomadora, o que não ocorrera na hipótese sob análise. A jurisprudência administrativa oferece proteção a esse entendimento, como se verifica dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. FALTA DE COMPROVAÇÃO, DE FORMA CUMULATIVA, DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONFIGURAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 52 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido” (Processo n° 36624.011921/2006 10 – Acórdão n° 2401002.375 – Sessão de 18/04/2012 – Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DÉBITO NORMAL SEGURADOS EMPREGADOS CARACTERIZAÇÃO DEFICIENTE LANÇAMENTO ARBITRADO. Para que o crédito tributário seja constituído com base na caracterização de segurado empregado, é necessário que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício fiquem devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. A falta da exposição clara e precisa dos elementos citados acima dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do crédito. Ocorrência de vício de natureza material. Processo Anulado.” (Processo n° 16095.000315/2007 60 – Acórdão n° 20601815 Sessão de 04/02/2009 – Relatora Conselheira Bernadete de Oliveira Barros) “Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004Ementa: CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO COMPROVAÇÃO. 1 Tendo o lançamento observado a regra contida no art. 37 da Lei nº 8212/91, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa.Preliminar de nulidade rejeitada.2 A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego.Recurso Voluntário Provido.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 141.489 – Acórdão nº 20600310, Sessão de 12/12/2007) (grifamos) Como circunstanciadamente demonstrado alhures, é exatamente o que se verifica nos caso dos autos, onde a fiscalização, em suma, não se desincumbiu do ônus de comprovar cabalmente e precisamente a existência dos requisitos da relação laboral entre os prestadores de serviços com a tomadora, ora recorrente, indicando/listando os nomes, serviços, Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 28 53 empresas, ou mesmo por grupo de trabalho/serviços, ou seja, procedendo a efetiva subsunção do fato à norma, impondo seja decretada a improcedência dos levantamentos pertinentes à aludida caracterização de segurados empregados a partir da desconsideração da personalidade jurídica das contratadas. Em síntese, relativamente ao mérito, assim é de se admitir os efeitos do voto: No que tange aos pagamentos a segurados empregados da recorrente mediante cartão premiação (A1), afora o período já alcançado pela decadência, é de se manter os lançamentos por descumprimento de obrigações principais e as penalidades pertinentes aos descumprimentos de obrigações acessórias. Em outra via, quanto à questão de mérito pertinente as caracterizações de prestadores de serviços, mediante PJ, como segurados empregados da recorrente (A2), igualmente, afora o período já abarcado pelo prazo decadencial, deve ser decretada a improcedência integral dos lançamentos por descumprimento de obrigações principais e as penalidades concernentes à inobservância de obrigações acessórias. Dessa forma, as conseqüências, conforme o relatório fiscal, da definição sobre esses importantes pontos do mérito (pagamentos a segurados empregados da recorrente mediante cartão premiação e caracterização de prestadores de serviços, por meio de PJ, como segurados empregados da recorrente), são: i. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5044, obrigação principal, patronal, PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, nos termos do voto, mantendose as exigências relativas aos pagamentos a segurados empregados da recorrente mediante cartão premiação, excluindose as exigências pertinentes a caracterização de prestadores de serviços, por meio de PJ, como segurados empregados da recorrente; ii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5052, obrigação principal, segurados, PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, nos termos do voto, mantendose as exigências relativas aos pagamentos a segurados empregados da recorrente mediante cartão premiação, excluindose as exigências pertinentes a caracterização de prestadores de serviços, por meio de PJ, como segurados empregados da recorrente;; iii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5060, obrigação principal, terceiros, PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, nos termos do voto, mantendose as exigências relativas aos pagamentos a segurados empregados da recorrente mediante cartão premiação, excluindose as exigências pertinentes a caracterização de prestadores de serviços, por meio de PJ, como segurados empregados da recorrente; Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 54 iv. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5079: obrigação acessória, CFL30, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, por se tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação; v. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5087: obrigação acessória, CFL34, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, por se tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação; vi. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5095: obrigação acessória, CFL35, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, por se tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação; vii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5109: obrigação acessória, CFL38, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, porquanto a penalidade é fixa, havendo fatos que não guardam relação de causa e efeito com as obrigações principais e, portanto, independem da resolução das questões de mérito, por ter deixado de exibir documentos solicitados pela Fiscalização; viii. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5117: obrigação acessória, CFL59, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, por se tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação; ix. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5125: obrigação acessória, CFL22, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO, mantendo a integralidade da multa, nos termos do voto, por se tratar de penalidade fixa, havendo fatos relacionados a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação; x. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD Nº 31.319.5133: obrigação acessória, CFL68, PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, nos termos do voto, por se Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 29 55 tratar de multa variável, devendo ser mantida a penalidade referente aos pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação, excluindose a multa pertinente a caracterização de prestadores de serviços, mediante PJ, como segurados empregados da recorrente. DO RECÁLCULO DA MULTA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 37.319.5044, 37.319.5052, 37.319.5060 (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL) Como se verifica do Relatório Fiscal, a fiscalização entendeu por bem aplicar a multa de conformidade com o que estatui a atual lei em vigor, ou seja, a que aplica a pena menos severa ao contribuinte. Igualmente, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Na esteira das novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em princípio, houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte, limitandose, portanto, a 20%. DO RECÁLCULO DA MULTA DO AUTO DE INFRAÇÃO 37.319.513 3 (AI 68) Em suas alegações recursais, requer, ainda, a contribuinte seja determinado o recálculo da multa do AI68 com base no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, por se tratar de penalidade mais benéfica contemplada por legislação posterior ao lançamento fiscal, a qual deve retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos, em observância aos preceitos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Novamente, inobstante a fundamentação do Acórdão recorrido, o pleito da contribuinte merece acolhimento. A respeito do tema, o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes dissertou com maestria na resolução da contenda, concluindo pela aplicação dos ditames contidos no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, para fins de recálculo da multa sob análise, nos seguintes termos: “ [...] Multa aplicada Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 56 É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: [...] Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 30 57 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 58 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 31 59 E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32 A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 60 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autode infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 32 61 V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor.. [...]” (Processo n° 19740.000646/200817 – Acórdão n° 2402004.143 – Sessão de 16/07/2014) É exatamente o que se constata na hipótese dos autos, devendo haver a separação das multas aplicadas por descumprimento de obrigações principais e acessórias, de maneira que o recálculo da penalidade observe as suas próprias especificidades e, no caso dos autos, tratandose de auto de infração por deixar de informar a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP, devem ser observados os preceitos inscritos no artigo 32A da Lei n° 8.212/91 no recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, na linha do exposto na jurisprudência acima transcrita. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Por derradeiro, pretende a contribuinte seja afastada a responsabilização dos sócios/diretores da empresa fiscalizada em relação ao crédito tributário ora lançado, sustentando, em síntese, que não se fizeram presentes os pressupostos legais para tal responsabilidade, entendimento que ousamos divergir. A rigor, no recurso voluntário a contribuinte basicamente repisa os argumentos aduzidos em sede de impugnação, os quais foram devidamente afastados pelo julgador de piso, razão pela qual peço vênia para transcrever parte da decisão recorrida e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A impugnante alega que a autoridade lançadora procura responsabilizar os sócios de forma totalmente ilegal/irregular, sem observar as normas que regulamentam esse procedimento. Afirma que não ocorreram quaisquer das hipóteses previstas em lei para que o sócio possa ser responsabilizado pelo crédito. Em que pese os argumentos acima postos, não assiste razão a impugnante. De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 199 a 203), a fiscalização constatou que restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos sócios Newton Carlos de Alarcão, CPF 003.886.88149, Carlos Alberto Barros de Castro, CPF 026.463.07187, Hélio Santos Oliveira, CPF 076.211.91104, POLITEC INCORPORADORA LTDA., CNPJ05.311.165/000106 e POLITEC PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 00.722.991/000116, conforme veremos adiante. A POLITEC LTDA. (CNPJ 01.645.738/000179) foi constituída em 30/06/1970. Em 02/04/2007, essa empresa se transformou numa sociedade anônima fechada, manteve o mesmo CNPJ e Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 62 passou a ser intitulada de POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S.A. O quadro societário da POLITEC, antes de sua transformação para S.A. era assim composto: [...] Após sua transformação para sociedade anônima, o Sr. Carlos Alberto Barros de Castro, o Sr. Hélio Santos Oliveira, o Sr. Newton Carlos de Alarcão e a Politec Participações Ltda. continuaram como acionistas da POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S.A. Cumpre mencionar que as pessoas físicas supracitadas passaram a fazerparte do Conselho de Administração da POLITEC TECOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A, a partirde 04/02/2007 e, posteriormente, também ocuparam cargos diretivos nessa empresa. [...] Nesse contexto, há que se destacar também que, conforme documentos do Anexo da fiscalização (AN1FISC 6), o quadro societário da POLITEC INCORPORADORA LTDA. (CNPJ 05.311.165/000106) é idêntico ao quadro mencionado acima. As atividades econômicas desempenhadas por essa empresa contemplam: compra, venda e aluguel de imóveis próprios e incorporação de empreendimentos imobiliários.[...] Por sua vez, de acordo com a documentação anexa (AN1FISC 5), a atividade econômica principal da POLITEC PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 00.722.991/000116) envolve sua atuação como "Holdings de instituições nãofinanceiras" e sua composição societária encontrase discriminada a seguir: [...] A fiscalização percebeu, assim, a existência de um quadro societário comum entre a POLITEC TECOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A, a POLITEC PARTICIPAÇÕES e a POLITEC INCORPORADORA. Não somente a composição societária dessas empresas demonstra a estreita relação entre elas, a contabilidade da POLITEC TECOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A traz diversas evidências dessa relação. A título de ilustração, os lançamentos contábeis em anexo (AN1FISC 7), nos quais a POLITEC PARTICIPAÇÕES é denominada de POLIPAR, revelam a existência entre essas empresas de: administrações compartilhadas; transferência de aeronaves; distribuições de lucros; pagamentos de despesas de impressão de encartes, farmácia, aluguéis, condomínios e seguros; dentre outros. Os documentos dos anexos AN1FISC 5, 6, 8 e 41, além de demonstrarem a existência de contratos de mútuo para reforço de caixa entre a POLITEC e a POLITEC INCORPORADORA e entre a POLITEC e a POLITEC PARTICIPAÇÕES, também demonstram que a POLITEC PARTICIPAÇÕES e a POLITEC INCORPORADORA tiveram suas sedes localizadas num mesmo endereço comercial. Conforme anexo AN1FISC 111, a POLITEC admite a existência do um grupo econômico. Assim, a fiscalização se viu obrigada a considerar a POLITEC TECOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A, a POLITEC PARTICIPAÇÕES e a POLITEC INCORPORADORA como integrantes do mesmo grupo econômico. As evidências obtidas Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 33 63 no decorrer da ação fiscal e descritas no relatório fiscal em anexo demonstram que o Grupo POLITEC auxiliou na criação de empresas que foram utilizadas para mascarar relações empregatícias, dentre as quais estão a POLICS e a TELECOOP. [...] Diante do exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária da POLITEC INCORPORADORA LTDA. (CNPJ 05.311.165/000106), da POLITEC PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 00.722.991/000116), do Sr. Carlos Alberto Barros de Castro (CPF: 026.463.07187), do Sr. Hélio Santos Oliveira (CPF: 076.211.91104) e do Sr. Newton Carlos de Alarcão (CPF: 003.886.88149). Concluise, dessa forma, que a responsabilidade solidária se aplica aos autos de infração DEBCADs nºs. 37.319.5044 e 37.319.5052. Portanto, agiu com acerto a fiscalização, ao imputar a sujeição passiva aossócios administradores da POLITEC, pelos créditos lançados, tendo em vista que a conduta de forma que tal fato caracteriza infração à lei, portanto, se enquadra na norma contida no incisoIII, do art. 135, do Código Tributário Nacional: [...]” No que concerne aos demais argumentos da contribuinte contra a exigência fiscal, mister registrar que se encontram prejudicados em face das soluções, procedência ou não, dadas às demandas, conforme acima demonstrado, ou mesmo já foram devidamente rechaçados pela decisão de primeira instância. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS Como é de conhecimento dos julgadores deste Colegiado, em que pesem as alegações da contribuinte contra aludida providência, o anexo CORESP tem finalidade meramente informativa, conforme já sumulado pelo CARF, cuja decisão tomo como voto. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desta feita, em não havendo prejuízo para os relacionados naquele anexo e não havendo possibilidade de abertura à discussão administrativa, não há de ser revelada qualquer indignação, dando para sua procedência como pela improcedência. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 64 CONCLUSÃO Ante ao exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, com a finalidade de: i. Dar provimento ao recurso, para definir a data de ciência do lançamento em 20/12/2013, como consta no voto; ii. Dar provimento ao recurso, por acolher a decadência total dos créditos consubstanciados nos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal (AIOP’S N°s 37.319.5044; 37.319.5052; 37.319.5060), pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, afastando qualquer imputação de dolo, fraude ou simulação; iii. Dar provimento parcial ao recurso, por acolher a decadência parcial, pela regra do art. 173, I, do CTN, para excluir valores constantes do cálculo da multa relação ao período de 01/2006 a 11/2007, no Auto de Infração lavrado em face da inobservância de obrigação acessória (AIOA: 37.319.5133); iv. Dar provimento parcial ao recurso, nos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal (AIOP’S N°s 37.319.5044; 37.319.5052; 37.319.5060), nos termos do voto, com a manutenção das exigências relativas a pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação, excluindo tão somente as exigências concernentes a caracterização de prestadores de serviços, mediante PJ, como segurados empregados da autuada; v. Dar provimento parcial ao recurso, em Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória (AIOA N° 37.319.5133), nos termos do voto, mantendose as penalidades referentes aos pagamentos a segurados empregados da recorrente por cartão premiação, excluindose tão somente os valores relativos à caracterização de prestadores de serviços, mediante PJ, como segurados empregados da autuada; vi. Dar provimento ao recurso, para, nos AIOP’S N°s 37.319.5044; 37.319.5052; 37.319.5060, limitar a multa de mora em 20%, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96, se mais benéfica a contribuinte; vii. Dar provimento ao recurso, para, no AIOA N° 37.319.5133, aplicar os preceitos inscritos no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, no recálculo da multa, se mais benéfico a contribuinte; Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 34 65 viii. Negar provimento ao recurso, para manter a responsabilidade dos sócios, como consta do voto; ix. Negar provimento ao recurso para deixar destacado que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; e; x. Negar provimento aos pontos em que se insurgiu a recorrente. É como voto. Wilson Antonio de Souza Correa – Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 66 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado, Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de suas conclusões e, conseqüentemente, nego provimento ao recurso do sujeito passivo somente nos seguintes pontos, com a apresentação do devido voto vencedor, conforme decidido pelo colegiado: Não concordo com o relator, em primeiro lugar, na questão da caracterização de segurados empregados, quando pessoas jurídicas em que segurados com vínculo de emprego devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais, segundo a legislação eram seus proprietários. Em outro ponto, também não concordo com o relator sobre alteração das multas aplicadas, nas obrigações tributárias principais e acessórias, devido ao Fisco já ter verificado a aplicabilidade das determinações do Art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), com as multas sendo calculadas de forma correta. No primeiro ponto, caracterização de segurados empregados, concordei com o relator no seu voto em quase todas as situações. Realmente, conforme informa e fundamenta o lançamento, no Relatório Fiscal (RF), a legislação permite e determina que o Fisco descaracterize vínculos previdenciários e os caracterize como segurado empregado, desde que as premissas que o configurem como tal estejam presentes e sejam demonstradas e provadas pela acusação da fiscalização. Decreto 3.048/1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 35 67 Portanto e para tanto, o Fisco deve verificar, demonstrar e provar que o serviço era: 1. Prestado de forma pessoal; 2. Prestado por pessoa física; 3. Prestado na área urbana ou rural; 4. Prestado para empresa (conforme definição que consta na legislação previdenciária); 5. De natureza não eventual, em relação à atividade da empresa; 6. Prestado em regime de subordinação, ressaltese que a subordinação citada é a jurídica, pois até um contribuinte individual deve subordinação de data, local, horário, etc; 7. Oneroso, mediante remuneração; e 8. Prestado inclusive como diretor empregado. Assim, como demonstrado de forma sintética, acima, o trabalho de desconsiderar o vínculo pactuado é extremamente complexo, difícil, pois a acusação é obrigada a comprovar de forma individual, por segurado, ou por grupo de segurados que prestam serviço em idênticas condições – extensa lista de características. Como demonstram a série de indagações diretas ou indiretas, feitas pelas diligências solicitadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), em um “debate”, entre acusador e julgador, que deixa dúvidas sobre a certeza do lançamento e sobre a legitimidade dessa “troca de idéias”, em respeito ao devido processo legal e ao contraditório, motivos de ter votado pela definição da ciência do lançamento somente quando o sujeito passivo foi cientificado da última diligência – concordei, como a maioria do colegiado, com o relator que não estão comprovados os requisitos para a desconsideração do vínculo pactuado entre sujeito passivo e pessoas que lhe prestaram serviço em boa parte dos casos, mas divirjo, com todo respeito, do relator, nos casos em que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas em que segurados com vínculo de emprego, em cargos de direção e gerência, devidamente formalizado com o sujeito passivo, em períodos idênticos e integrais (8 horas de trabalho), segundo a legislação eram seus proprietários. Em nosso entender, o Fisco não necessita comprovar os requisitos de segurado empregado, listados acima, a fim de desconsiderar o vínculo, quando o trabalhador presta serviço em período integral, oito horas, como empregado, com registro de emprego devidamente formalizado, em períodos idênticos. Esses requisitos já estão presentes no vínculo formalizado. Entendo o fundamento dos demais integrantes do colegiado, que divergiram do meu voto, de que as relações de serviço, principalmente na área de sistemas de informação, são distintas e que podem ocorrer, sim, tais situações, mas, por ora, não verifico como um Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 68 segurado empregado, com registro devidamente formalizado, trabalhando em período idêntico e integral, oito horas, ocupando cargo de gerência e/ou direção, possa, ao mesmo tempo, prestar serviços por empresas em que é o único sócio e não ser considerado como segurado empregado. Portanto, nesse sentido, por todos motivos expostos, conforme RF, voto em manter nos autos as exigências constantes dos itens 09, 010 e 011 do RF, relativas aos segurados Hiraclis Nicolaidis Júnior; Marcos Vinicius Pinheiro Dib; Flavio Marques; e Leonardo Ramos de Camargo. Quanto às multas aplicadas, o Código Tributário Nacional (CTN) determina medida quanto à a retroatividade da legislação. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para o nobre relator e para os demais colegas, a fiscalização – como no presente caso – aplicou a regra do CTN, acima, mas o fez de forma equivocada, pois nos lançamentos referentes aos descumprimentos de obrigação principal deveria ter aplicado a penalidade com alíquota máxima de vinte por cento, como determina o Art. 61, da Lei 9.430/1996. Já no caso de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória relativa a GFIP, como informa o relator, a fiscalização deveria ter aplicado a penalidade constante do Art. 32A, da Lei 8.212/1991. Discordo das duas interpretações. O que, em nosso entender, é determinado pelo CTN é que se deve comparar como o Fisco aplicava as penalidades antes e comparar como o Fisco aplica as penalidades no momento, após a alteração legislativa. Essa medida já foi feita, como demonstra o item 307 do RF, de maneira correta. Portanto, voto em manter a forma de aplicação das multas, penalidades, pelos motivos expostos. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 10166.721569/201134 Acórdão n.º 2301004.222 S2C3T1 Fl. 36 69 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em conhecer e dar provimento parcial ao recurso, acompanhando o voto do nobre Relator em todos seus pontos, com exceção de: 1. Manter no lançamento as contribuições previdenciárias oriundas dos pagamentos feitos a Hiraclis Nicolaidis Júnior; Marcos Vinicius Pinheiro Dib; Flavio Marques; e Leonardo Ramos de Camargo, pelos motivos do voto; e 2. Manter as penalidades, multas, aplicadas, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Numero do processo: 10314.000055/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/12/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/12/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/12/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 00 55 /2 01 0- 10 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/201010 Acórdão n.º 3803006.556 S3TE03 Fl. 278 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/12/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/201010 Acórdão n.º 3803006.556 S3TE03 Fl. 279 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/201010 Acórdão n.º 3803006.556 S3TE03 Fl. 280 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.000055/201010 Acórdão n.º 3803006.556 S3TE03 Fl. 281 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909574/2012-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 74 /2 01 2- 69 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909574/201269 Acórdão n.º 3801002.726 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.940133/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN.
Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo da Cofins devida.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo da Cofins devida. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Nos termos do art. 333 do CPC, o contribuinte tem o ônus de provar o direito que alega. No caso, bastaria a apresentação de demonstrativos juntamente com os seus assentamentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a efetiva base de cálculo da Cofins devida. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 01 33 /2 00 8- 13 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 125 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 126 3 Relatório Consta dos autos que a TELEMAR NORTE LESTE S.A, ora Recorrente, formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 06254.41279.091006.1.7.040321, em 09/10/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 17/11/2000, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 10/2000, com débito da Contribuição para CSLL, referente ao período de apuração 10/2004, no valor de R$ 27.331,74. A autoridade administrativa com jurisdição sobre o declarante deferiu parcialmente a restituição e homologou as compensações até onde o valor do crédito as suportou (Despacho Decisório nº 808245916), porque o pagamento aventado foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 19/12/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 16, na qual alega, em síntese, para o que importa ao deslinde da questão, que: 1) Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação apresentada pela Requerente, na qual se compensou débito de CSLL de 10/2004, no valor histórico de 16.123,97, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS (10/2000). 2) A questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB, referente ao 4° trimestre de 2000, entregue pela requerente. 3) Na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível. 4) No presente caso, a simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. 5) Para o período de apuração em questão (10/2000), foi apurado débito de COFINS, no valor de R$ 1.269.642,76. Como forma de pagamento foi parcialmente vinculado um DARF com valor pago de principal de R$ 1.272.171,36. Dessa forma, como o valor total do DARF remanescente é de R$ 1.280.567,69 tendo sido utilizado apenas R$ 1.269.642,76, configurase direito creditório decorrente de pagamento a maior o valor de R$ 10.924,93. 6) Logo, conforme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificadora com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência parcial do crédito e a regularidade da compensação. 11) A despeito da demonstração parcial do crédito realizada acima, a Requerente realizou apuração de suas bases tributáveis para o período em questão, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 127 4 tendo encontrado o valor de Cofins a pagar de R$ 1.264.931,12, inferior ao declarado em DCTF. Prosseguindo na apuração, afirma verificarse a existência de crédito disponível no valor de R$16.123,97, exatamente o valor utilizado. 19) Com base no exposto, fica claro que (i) o montante de R$ 16.123,97 foi recolhido a maior, a título de Cofins; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$ 1.280.567,69, (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (v) o citado valor foi corretamente utilizado na Dcomp objeto desta manifestação de inconformidade. 20) Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado, até o limite do crédito demonstrado. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente através do Acórdão no 1329.001 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 27 de abril de 2010, fls. 57/60, cuja ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por força da não homologação, a Receita Federal está a exigir débito da CSLL/Estimativa, referente ao período de apuração de outubro de 2004 valor atualizado de R$47.808,36 (valor para pagamento até 28.11.08), assim decomposto: R$ 27.303,45 (principal); R$ 5.460,69 (multa) e R$ 15.044,20 (juros). Conforme consta do despacho exarado pela DEMAC/RJO/DIORT, de fls. 123, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 1329.001 – 4ª Turma da DRJ/ RJ2 (fls. 57/60) no dia 09/06/2010 (fl. 64), interpondo em 09/07/2010 o recurso voluntário de fls. 65/104, em síntese, reiterando os argumentos constantes de sua impugnação. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 128 5 Por fim, consta que a colenda 3ª Turma Especial declinou da competência em razão do valor em litígio ultrapassar o limite de alçada da competência das turmas especiais. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 129 6 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de analisar o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 06254.41279.091006.1.7.040321, em 09/10/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 17/11/2000, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 10/2000, com débito da Contribuição para CSLL, referente ao período de apuração 10/2004, no valor de R$ 27.331,74. Constando ainda que foi transmitida ainda, DCTF retificadora, recepcionada pela RFB, referente ao 4° trimestre de 2000, recepcionada pela RFB em 05/04/2005 (doc. –07, fls. 62/63), isto é, antes do despacho decisório, que se deu em 24/11/2008 (fl. 13). A jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) já pacificou o entendimento quanto à equiparação dos efeitos da declaração retificadora, desde que antes do início do procedimento fiscal, à declaração originalmente apresentada, senão vejamos o aresto a seguir reproduzido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. RECOLHIMENTO DA DIFERENÇA EM DECLARAÇÃO RETIFICADORA ANTERIORMENTE A QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. (REsp 889.271/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2010, DJe 01/07/2010) Desta forma, não há necessidade de juntada de documentos destinados a comprovar o crédito pleiteado, vez que, o DARF, no valor total é de R$1.280.567,69 (doc. 6, fls. 61), suficiente para comprovar que houve um pagamento a maior de R$ 16.123,97, valor idêntico ao utilizado na declaração de compensação em questão. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 130 7 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Com todo o respeito ao voto do ilustre conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, mas com os fatos narrados e os elementos trazidos ao presente processo, não podemos chegar às mesmas conclusões, para provimento do recurso voluntário. O contribuinte afirma que tem direito a créditos de Cofins decorrente de pagamento a maior, porém não trouxe ao processo nenhum elemento de prova a consubstanciar este direito. Abaixo um breve resumo dos fatos, na seqüência dos acontecimentos: 1) O contribuinte efetuou em 17/11/2000 pagamento de DARF relativo à Cofins do fato gerador 10/2000 no valor de R$ 1.280.567,69. Apresentou DCTF do 4º trimestre/2000 consignando valor a pagar da Cofins no montante de R$ 1.278.022,40. Nesta situação ficou com saldo credor de R$ 2.545,29. Destes, a quantia de R$ 2.528,60, foram utilizados para compensar débitos no PERDCOMP nº 02723.16120.101103.1.7.041410. Assim sobraram R$ 16,69 que foram utilizados para a homologação parcial dos débitos do presente processo; 2) Por meio do PERDCOMP nº 06254.41279.091006.1.7.040321, deste processo, apresentado em 09/10/2006, retificadora, o contribuinte pretendia compensar débitos da CSLL do fato gerador 10/2004 no valor de R$ 27.331,74. Para tanto apresenta que teria créditos decorrentes do DARF pago da Cofins de R$ 1.280.567,69. Porém, como vimos no item anterior restou deste pagamento somente a quantia de R$ 16,69 a serem utilizados nesta compensação; 3) Em 05/04/2005 apresenta DCTF retificadora do 4º trimestre/2000, na qual consigna que o valor total do débito de Cofins de outubro/2000 é de R$ 1.269.642,76. Ou seja, reduziu o valor da Cofins devida para este fato gerador em R$ 8.379,64; 4) Em 24/11/2008 a DERAT/RJ emite o Despacho Decisório, por meio do qual homologa parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido que foi no valor de R$ 16,69. O contribuinte não concordou com referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade na qual afirma que o seu direito pode ser verificado do simples confronto entre a DCTF retificadora e o valor do pagamento efetuado. Mais a frente, afirma que “a Recorrente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito”. Para a demonstração da base de cálculo e do valor da Cofins efetivamente devida em outubro/2000, bastaria ao contribuinte ter apresentado cópia do demonstrativo de apuração, bem como de seus registros contábeis que deram suporte à elaboração do demonstrativo. A decisão recorrida agiu corretamente ao indeferir a homologação da compensação, diante da falta da apresentação de elementos comprobatórios que demonstrassem de forma inequívoca a base de cálculo e o efetivo valor devido da Cofins no citado período de apuração. Como muito bem lembrado por aquela decisão, nos processos de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 131 8 restituição/compensação o ônus de demonstrar o seu direito é do contribuinte (art. 333 do CPC). Teve duas oportunidades de fazêlo e não fez. Não se trata aqui de considerar válida ou não a DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte. Mesmo considerandoa válida como entende o relator em seu voto, não há como retirar dela conclusões que pudessem levar à existência do direito creditório em favor do contribuinte. Oportuno ressaltar que no recurso voluntário, o contribuinte apresentou novas informações a respeito da motivação que levou ao erro da informação de valores em sua DCTF e também no PERDCOMP. Segundo ele: (...) Tal crédito, como se demonstrará em seguida, adveio da identificação, por parte da Recorrente, de erro na apuração da base de cálculo da Cofins de outubro de 2000, considerandose que na DCTF original foram incluídas, indevidamente, as receitas relativas à cobrança dos serviços de telefonia suspensos em função da inadimplência dos respectivos usuários por prazo superior a 90 (noventa) dias, o que, foi contabilizado na rubrica de "4ª conta". (...) Sob esse contexto, considerando o valor total suportado anteriormente pela Recorrente para a extinção do débito da Cofins de outubro de 2000 de R$ R$ 1.287.446,14 (hum milhão, duzentos e oitenta e sete mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e quatorze centavos) em detrimento do valor efetivamente devido de R$ 1.269.642,76 (hum milhão, duzentos e sessenta e nove mil, seiscentos e quarenta e dois reais e setenta e seis centavos), verificouse o crédito de R$ 17.803,38 (dezessete mil, oitocentos e três reais e trinta e oito centavos), do qual foi utilizado o montante de R$ 16.123,97 (dezesseis mil, cento e vinte e três reais e noventa e sete centavos) para a compensação que ora se discute. (...) O conteúdo da aludida "4ª conta" referese a valores classificados como receitas pela Fiscalização, que, contudo, não se caracterizam como tal, por advir de cobranças realizadas em nome dos usuários devidamente invalidadas/canceladas em face da inexistência da correspondente prestação de serviço por parte da Recorrente. (...) Porém esta matéria não foi analisada pela decisão recorrida, por não ter sido apresentada na manifestação de inconformidade. Tratase sem dúvida de matéria preclusa nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, mesmo admitindo adentrar nesta questão, em nome da verdade material, é de ressaltar novamente que não há no processo nenhuma prova material de que houve pagamento a maior ou indevido relativo ao fato gerador de outubro/2000. Nos termos do art. 170 do CTN, para se autorizar a compensação é necessária a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Como informado acima, não é o caso dos presentes autos. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15374.940133/200813 Acórdão n.º 3301002.230 S3C3T1 Fl. 132 9 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(grifei) (...) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 25/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10925.907256/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 82 1 81 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.907256/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.431 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 56 /2 00 9- 18 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 83 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 84 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 85 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 86 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 87 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.907256/200918 Acórdão n.º 1803002.431 S1TE03 Fl. 88 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10111.000333/2006-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 21/03/2006
Ementa::
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 21/03/2006 Ementa:: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/03/2006 Ementa:: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 33 /2 00 6- 39 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 532 2 Relatório Tratamse de autos de infração referentes à multa específica pelo erro na classificação fiscal do equipamento descrito a seguir e às diferenças de tributos incidentes na importação (IPI, COFINS e PIS) decorrentes desse erro. Conforme consta no campo descrição dos fatos e enquadramento legal dos autos de infração o motivo do lançamento é o seguinte: O contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo n.º 22, de 20/08/2004, e levandose em conta também o Acórdão da 1ª Turma da DRJ n.º 6607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando o erro na classificação fiscal, cobrase multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o artigo 84 da MP 245835/2001. A essa multa não se aplica a redução prevista no artigo 6° da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, conforme previsto no artigo 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Em sua impugnação a Recorrente aponta que o auto é nulo porque não contém a devida descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência, contrariando assim o disposto nos incisos III e IV, respectivamente, do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972. No tocante ao mérito, a impugnante aduz que o equipamento importado é utilizado exclusivamente integrado a um sistema denominado OmniSAT, tendo como função propiciar o envio e recebimento de mensagens de texto entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veículos e considerando as regras do sistema harmonizado a classificação adotada está correta, ou seja, a impugnante informa que seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial as Notas 3, 4 e 5, que dispõem sobre a classificação fiscal de combinação de máquinas e define o que deve ser considerado como tal. Conclui que, diante dessas regras e tendo em vista as características técnicas e a destinação funcional da máquina importada, está correta a classificação fiscal utilizada: 8525.20.13. Para reforçar seu entendimento, a impugnante apresenta a definição dada pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL aos serviços vinculados ao MCT, bem como as exigências feitas por esse órgão no tocante à homologação e ao funcionamento desse equipamento, inclusive o recolhimento da Taxa de Fiscalização de Instalação – TFI e da Taxa de Fiscalização de Funcionamento – TFF. Sustenta que essas circunstâncias são suficientes para afastar qualquer dúvida acerca da inaplicabilidade de norma legal direcionada à atividade de radionavegação, que não é mencionada em seu Estatuto Social, nem nos atos que autorizaram a prestação dos referidos serviços. Para comprovar suas afirmações a impugnante juntou laudo técnico emitido pela Universidade de Brasília (UnB), que traz informações que confirmam o enquadramento tarifário adotado pelo importador. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 533 3 Apresentada a impugnação a DRJ converteu o julgamento em diligência para os fins de ser averiguada uma possível concomitância e para complementar as informações existentes, com base nas seguintes determinações: a) providenciar cópia da petição inicial e das decisões já proferidas, relativas aos processos judiciais supra indicados – MS nº 2004.34.00.0066088 e AO nº 005392661.2010.4.01.3400 (caso a Unidade não disponha desses documentos, verificar a possibilidade de obtêlos junto à PFN); b) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao consequente julgamento da presente lide; e c) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. A autoridade preparadora adotou as providências solicitadas e elaborou Informação Fiscal com cerca de 70 páginas na qual reitera os argumentos já apresentados pela fiscalização e traz ainda alguns esclarecimentos adicionais, especialmente sobre a definição da função principal desempenhada pelo MCT e sobre as regras de classificação fiscal aplicáveis ao caso. A impugnante tomou ciência da diligência e de seu resultado e apresentou sua manifestação sobre esses procedimentos apontando que as ações relacionadas não se referem à classificação, mas apenas o direito ao desembaraço do equipamento importado sem óbices das autoridades aduaneira; que os novos elementos trazidos pela fiscalização não devem ser levados em consideração, por sua juntada tardia, contrariando assim ao disposto no art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 e art. 57, § 4o, do Decreto no 7.574/2011. Embora tais dispositivos sejam dirigidos à impugnação, seu conteúdo se aplica com maior razão à fiscalização, tendo em vista o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN); que a matéria ora discutida foi objeto de análise por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), antigo Conselho de Contribuintes, e pela Câmera Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Ambos decidiram em favor da impugnante. Posteriormente, em face de quatro novas autuações, o CARF deu provimento, novamente à unanimidade e no mérito, aos recursos voluntários no 143.883;; 143.902;; 143.903 e 143.905 (processos no 10111.000538/200452;; 10111.000427/200446;; 10111.000462/200465 e 10111.000547/ 200447, respectivamente). Portanto, uma vez que o tema já foi apreciado pela instância máxima do contencioso administrativo, esperase a aplicação de referidos precedentes à hipótese dos presentes autos, de forma a respeitar a segurança jurídica; e, que a Solução de Consulta SRRF/9ª RF nº 361, de 2006, trata de equipamento distinto do MCT, motivo pelo qual não se presta para justificar a manutenção da autuação. A DRJ manteve o auto com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2005 INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos Fl. 534DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 534 4 pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/09/2005 TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das MP nº 2.2002 de 24/08/2001 diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresentou a Recorrente a presente manifestação de inconformidade com base nos mesmos argumentos anteriormente apontados. Após a indicação do presente processo para a pauta a recorrente informou a existência de concomitância com a Ação Ordinária n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília para discutir o mérito dessa e das demais autuações, havendo inclusive obtido liminar favorável determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. É o que importa relatar. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 535 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme informação trazida pela própria Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação Judicial n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília. Naquele processo foi deferida tutela antecipada que tem o seguinte teor, conforme consta do site1 do tribunal: Tratase de pedido de antecipação de tutela em ação sob o rito ordinário, ajuizada por AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S.A., em face da UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando que a ré se abstenha de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação MCT, importado pela Autora, ao fundamento de que a classificação fiscal correta seria a de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul – MCT, bem como seja determinado que a Ré se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança. Como pedido sucessivo, requer seja obstado a prática de quaisquer atos de cobrança, ao menos relativamente às penalidades, notadamente a multa do IPI supostamente recolhidos a menor. Relata que o NCT é um equipamento que permite a comunicação entre os ocupantes do veículo e a central de gestão da frota, normalmente a sede da empresa proprietária dos veículos. Narra que sempre classificou, em suas importações, o equipamento na posição relativa à comunicação, mas vem sendo autuada pela exigência da adoção da classificação fiscal do equipamento na posição de radionavegação, com a respectiva cobrança da diferença dos produtos devidos daí decorrentes, bem como das penalidades aplicadas. Juntamente com a inicial vieram os documentos de fls. 57/2.090. É o relatório. Decido. 1 file:///C:/Documents%20and%20Settings/hp/Meus%20documentos/Downloads/55896167f38310b927333f5c2a6e 6b52.pdf Fl. 536DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 536 6 O deferimento da tutela antecipada requer prova inequívoca, a ponto de convencer o juiz da verossimilhança das alegações, risco de dano irreparável, ou de difícil reparação, caso não concedida no início do processo, nos termos do art. 273 do CPC. De início, constato que o pedido relativo à abstenção de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação – MCT, já foi apreciado no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária (fls.701/762), conforme reconhecido pela própria Autora, à fl. 51. Assim, houve confirmação em sentença da tutela antecipada deferida em sede de agravo de instrumento, sendo que os autos foram remetidos ao TRF 1ª Região, para análise do recurso da União (Fazenda Nacional), conforme movimentação processual. Em relação ao pedido de abstenção relativa aos atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos débitos passados e futuros, verifico ser imprescindível a análise do acervo probatório colacionado pela Autora acerca da classificação fiscal do MCT, se trata de equipamento de comunicação ou de radionavegação. Nesse aspecto, a Autora demonstra que o referido equipamento já foi classificado como de comunicação pelo Conselho de Contribuintes, em acórdãos confirmados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendo que a classificação adotada pelo Fisco é incorreta (fls. 93/254). No mesmo sentido vão os Laudos Periciais da Universidade de Brasília e do Instituto Nacional de Tecnologia – INT (fls. 256/284 e 286/313), bem como as Soluções de Consulta da Receita Federal juntadas às fls. 315 e 317 e mesmo o Manual do Usuário juntado à fl.87. Vislumbro, portanto, a verossimilhança das alegações da parte Autora. Comprovado também o presente o perigo da demora, tendo em vista os prejuízos e constrangimentos decorrentes dos débitos decorrentes da classificação fiscal. Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para suspender a exigibilidade do crédito tributário decorrentes da não adoção pela Autora da classificação fiscal do MCT na posição de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00 da NCM e determinar à Ré que se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos respectivos débitos. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 537 7 Para tanto, deverá haver substituição da referida posição pela 8525.20.13, referente à Resolução Camex nº 42/01; e 8517.62.71, referente às Resoluções Camex nº 43/06 e 94/11. Prejudicada análise, nesse momento processual, do pedido de abster a suspensão do despacho, do desembaraço aduaneiro ou a liberação do equipamento, pois já foram concedidas no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária. Intimese, nos termos do requerido no item a.4, à fl. 53 Após, citese. Brasília (DF), 31 de julho de 2014. CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH Juíza Federal em auxílio à 16ª Vara da SJDF Evidente que tal demanda tem o mesmo objeto do presente processo. Nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), que tem o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000333/200639 Acórdão n.º 3801004.293 S3TE01 Fl. 538 8 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 35366.001551/2004-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 08/10/2002
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. 1. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. 2. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212. 3. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 6. 00 15 51 /2 00 4- 68 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/200468 Acórdão n.º 2803003.789 S2TE03 Fl. 169 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, IV, parágrafo 6º, da Lei nº 8.212, de 1991. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de fevereiro de 2003 e ementada nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA DE SAT. 1. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas nos dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, nos termos do artigo 32, inciso IV e § 6º, da Lei nº 8.212/91. 2. A empresa, embora tenha adorado o código correto para o Cadastro Nacional de atividade Econômica de risco grave, aplica a alíquota correspondente ao risco leve. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Em 31 de março de 2003, a empresa apresentou recurso voluntário. O INSS apresentou contrarrazões (fl. 97), alegando que no recurso não há nenhum fato novo ou documento trazido ao processo, devendo ser mantida a decisão, tendose como contrarrazões do recurso os argumentos ali aduzidos. O processo foi encaminhado a então 2ª CaJ do CRPS. No julgamento realizado em 13/08/2003, os membros do CRPS baixaram os autos em diligência, na forma do voto divergente do Relator ad hoc representante das Empresas Antônio Correa Júnior. Em 10 de novembro de 2004, de acordo com a Decisão 0000424 da 2ª Caj do CRPS, os autos foram convertidos novamente em diligência. Em razão dos incidentes ocorridos, notadamente no que diz respeito ao acórdão que anulou, por vício formal, a NFLD nº 35.418.5438, a SRP apresentou Pedido de Revisão, que foi julgado pela 2ª CaJ, em 18 de abril de 2006, sendo que os membros daquele colegiado votaram pela conversão do julgamento em diligência, para que a SRP observe a regra do § 4º do art. 60 do RICRPS. Depois, disto, retornem os autos para a 2ª CaJ. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 No dia 23 de agosto de 2013 a DERAT/SP emitiu despacho nos seguintes termos: 1) O contribuinte foi cientificado do Despacho da EQREC, bem como da abertura de prazo de 10 (dez) dias para manifestação, conforme AR às fls. 130. 2) Não houve manifestação dentro do prazo legal. 3) diante do acima exposto, sugerimos o encaminhamento do processo ao CARF, para providências cabíveis. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/200468 Acórdão n.º 2803003.789 S2TE03 Fl. 170 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior O recurso é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Este Colegiado tem processado os pedidos de revisão, previstos no regimento interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, como Embargos de Declaração, visando assim a regular continuidade do contencioso administrativo fiscal. Precedente 35366.002907/200481 – 1ª Turma Ordinária da 2ª. Seção. Destarte, o pedido de revisão de Acórdão da SRP será analisado como embargos. Como bem explicitado pela autoridade administrativa lançadora, a empresa apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A apresentação de GFIP com informações inexatas no campo FPAS constitui nítida infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 6º da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 9.528/97, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio de documento a ser definido em regulamento dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (grifouse) O artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, traz no seu inciso IV, que a empresa é obrigada a prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do Instituto. O parágrafo 6º, do já citado artigo 32, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, diz que a apresentação de documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º, do mesmo artigo. O artigo 92, da Lei n.º 8.212/91, estabelece o valor mínimo a ser tomado como base e que vem sendo atualizado pelas Portarias emitidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Todavia, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observada o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) Quando deixe de definilo como infração; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35366.001551/200468 Acórdão n.º 2803003.789 S2TE03 Fl. 171 7 b) Quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) Quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. In casu, portanto, aplicarseá a regra do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto em acolher os embargos da Fazenda Nacional e dar parcial provimento ao recurso do contribuinte. Contudo, a multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10935.720192/2013-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2009, 2010
EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão-de-obra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ - Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009, 2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DEOBRA TEMPORÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp 963196/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 08/02/2011). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DEOBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 01 92 /2 01 3- 18 Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.767 2 A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ Recurso Repetitivo). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2009, 2010 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DEOBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (STJ Recurso Repetitivo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.768 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.723 a 1.730): BALCÃO SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA. ME (contribuinte autuada), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta impugnação à exigência tributária consubstanciada no presente processo. Tratase de autos de infração, fls. 1428 e seguintes, relativos ao IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), no valor total de R$ 634.115,76 (inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até jan/2013). I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Verificação de Infração Fiscal, às fls. 1413/1417, a Fiscalização constatou que: “(...) 1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS A fiscalização foi motivada em função da receita declarada à Receita Federal pelo sujeito passivo apresentar divergências com as DIRF’s apresentadas pelos seus clientes, que dava conta que os valores eram os seguintes: O Ramo de atividade da fiscalizada é “Prestação de Serviços Temporários”, conforme contrato social e suas alterações, Fls. 007 a 033. Em 23 de maio de 2012, demos início à ação fiscal através do termo de início de procedimento fiscal, do qual tomou ciência pessoal a Sócia Administradora, a senhora Maria Irma Napolitano, inscrita no CPF sob nº 048.043.14854, fls. 002 e 003. O sujeito passivo optou pela tributação, para os períodos fiscalizados, pelo regime de Lucro presumido, conforme declarações apresentadas à Receita Federal, (fls. 034 a 080). O sujeito passivo não apresentou as declarações “DACON”, conforme demonstrado nas folhas 159. 2 ANÁLISE DOS DADOS 2.1 Receitas não Declaradas De posse dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, fls. 004 a 006 e das DIRF’s apresentadas pelos seus clientes, que foram extraídas dos sistemas da Receita Federal, (fls. 081 a 158) e as Declarações de imposto de renda pessoa Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.769 4 jurídica apresentada pelo sujeito passivo, fls. 034 a 080, fizemos o confronto dos dados onde constatamos que houve receitas registradas nos livros fiscais e contábeis do sujeito passivo (Fls. 160 a 1354) e não declaradas, conforme demonstrado abaixo: (...) Na constituição do crédito tributário, foi considerado o imposto de renda retido na fonte, conforme demonstrado abaixo, valores esses que foram extraídos das DIRF’s apresentadas pelos seus clientes (fls. 081 a 158). (...) Em decorrência da infração constatada no período fiscalizado, deve ser lavrado Auto de Infração, para constituição do crédito tributário e início do procedimento de cobrança do débito original com os respectivos acréscimos legais e penalidades inerentes. 3 – DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Damos por encerrada, a presente ação fiscal, que se restringiu ao exame da regularidade fiscal na apuração das receitas não declaradas ocorrida nos anos calendários de 2008 e 2009, ressalvado o direito da Fazenda Nacional de instaurar novos procedimentos fiscais e constituir os respectivos créditos tributários, caso sejam detectados, posteriormente, valores tributáveis a qualquer título, não apurados neste procedimento. (...) Grifei. II) DA IMPUGNAÇÃO A Contribuinte foi cientificada na pessoa de sua sócia administradora, Sra. Maria Irmã Napolitano, em 25/1/2013 (fl. 1417, in fine). Em 22/2/2013, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1495 e seguintes, alegando que: “(...) 2. Da divergência entre as DIRF's O fisco alega que a fiscalização foi motivada em função das divergências dos valores apresentados pela fiscalizada e pelas DIRF’s apresentadas pelos seus clientes. O procedimento fiscal, tendo constatado divergências, deveria, sim, ter apurado a veracidade dos impostos, tendo em vista que toda a documentação contábil solicitada foi devidamente entregue, e encontrase perfeitamente de acordo com a legislação, mais não foi isso que ocorreu. O Sr. Auditorfiscal simplesmente desconsiderou toda a contabilidade da fiscalizada e arbitrou os valores que entendia como corretos, ou seja, extraídos das DIRF's apresentadas pelos clientes da fiscalizada. O Sr. Auditorfiscal entregou à fiscalizada, alguns resumos de cálculos, sem a devida numeração processual, que anexamos cópia à defesa (fls e ) (sic), onde consta: Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.770 5 “O contribuinte não emitiu notas fiscais, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório fiscal em anexo.” (grifo nosso). Tal afirmação é absurda e inverídica. O fisco teve acesso a todas as notas fiscais emitidas nos anos de 2008 e 2009 e todas as notas fiscais foram emitidas e contabilizadas pela fiscalizada. A contabilidade da fiscalizada estava devidamente escriturada nos livros fiscais, devendo ser considerado totalmente improcedente o Termo de Verificação Fiscal em tela, assim como todos os lançamentos decorrentes do mesmo. (...) 3) Da receita da fiscalizada: Para deixarmos bem claro qual a receita bruta da empresa fiscalizada, que tem como ramo de atividade a prestação de serviços temporários, temos que, par e passo entender o que determina a Lei n° 6.019/74 e o Decreto n° 74.841/74. (...) A atividade exercida pela fiscalizada prestação de serviços temporários é uma atividade especialíssima e deve ser analisada com cuidado pelo fisco, para que não ocorram injustiças que levem à falência total dessa atividade. Tendo em vista as especificações legais da modalidade de contrato a prestação de serviços temporários estabelece um tripé de relações entre a empresa de trabalho temporário e a empresa cliente, a empresa prestadora de serviços e o trabalhador temporário e entre o trabalhador temporário e a empresa cliente. a) Ou seja, para atender à necessidade transitória de acréscimo extraordinário de serviços ou substituição de mão de obra, a empresa cliente deve contratar uma empresa prestadora de serviços. b) A prestadora de serviços precisa contratar, remunerar e assistir os trabalhadores temporários, para atender à necessidade da empresa cliente, na forma da lei, respeitando inclusive a base salarial da empresa cliente. c) O trabalhador temporário será remunerado e assistido pela empresa de trabalho temporário, garantindo os mesmos direitos dos trabalhadores da empresa cliente a este, e o mesmo prestará serviços no estabelecimento da empresa cliente. Tanto na Lei n° 6.019/74 como no Decreto n° 73.841/74, fica clara a forma de contratação, assim como a forma de escrituração contábil a ser adotada pela fiscalizada, fato esse comprovado pelo Sr. Auditorfiscal, quando da verificação dos livros contábeis da mesma. Cada empresa cliente tem sua folha de pagamento elaborada de específica, respeitando rigorosamente os salários da CCT Convenção Coletiva de Trabalho de cada trabalhador temporário em cada empresa cliente, estando tudo contabilizado de forma claríssima, salários, encargos e taxa administrativa. Para todas as empresas clientes, são emitidas notas fiscais especificando essas mesmas verbas, sendo que, quando a empresa cliente repassa à empresa de trabalho temporário os valores constantes na nota fiscal salários, encargos e taxa administrativa, essa se encarrega de repassar as verbas aos trabalhadores temporários Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.771 6 e encargos, recebendo para si os valores de taxa administrativa, que é a sua receita bruta. Tributar sobre as verbas de simples repasse é simplesmente levar à extinção todas as empresas cuja atividade seja a prestação de serviços temporários. (...) Quando falamos da não incidência dos IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP sobre os valores de salários e encargos, não se trata de deduzir nenhuma despesa administrativa da empresa prestadora de serviços temporários. Todas as despesas administrativas da empresa prestadora de serviços temporários serão deduzidas do seu faturamento, ou seja, da taxa administrativa. Os valores de salários dos trabalhadores temporários e respectivos encargos dessa contratação são essenciais à atividade da empresa prestadora de serviços, ou seja, são insumos para a existência da atividade de prestação de serviços temporários. (...) É da taxa administrativa que a fiscalizada recebe de seus clientes que irá descontar suas despesas com os seus funcionários internos, de aluguel, material de escritório, água, luz, telefone, enfim, do seu faturamento taxa administrativa é que serão abatidas suas despesas administrativas, assim como, do valor da taxa administrativa deve ser a incidência dos impostos e taxas de que trata o presente termo. 4) Da igualdade tributária: É preciso ainda, considerar o princípio constitucional da isonomia ou igualdade tributária, previsto no artigo 150, II, da Constituição Federal: (...) Sendo permitido às empresas de propaganda e publicidade excluir da base de cálculo dos impostos os valores pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, a empresa de trabalho temporário pode também excluir da base de cálculo os salários dos trabalhadores temporários e respectivos encargos. Em ambos os ramos de atividade, apesar de diferentes na finalidade tanto as empresas de propaganda e publicidade como as empresas prestadoras de serviços temporários, pela peculiaridade de suas atividades têm valores que são simplesmente repassados ao outros, que não integram o seu faturamento bruto. Art. 172 A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: IV a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; No caso das empresas de propaganda e publicidade os valores que são destinados aos veículos de comunicação (rádio, televisão, jornais e revistas), no caso das empresas prestadoras de serviços temporários, os salários dos trabalhadores temporários e encargos incidentes. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.772 7 Visando o cumprimento da lei de forma igualitária, o fisco deve considerar, para efeitos de base de cálculo dos impostos devidos pela fiscalizada, única e exclusivamente, a taxa administrativa recebida por esta. 5) Da falta de apresentação da DACON A fiscalizada, de fato, não havia apresentado a DACON do período 2009, fato esse que resta sanado com a apresentação feita em 14 de fevereiro de 2013 (doc. n° 01, composto de 56 folhas numeradas de 01/56 a 56/56). Observese que, em caso de não apresentação da DACON, a legislação determina que a pessoa jurídica ficará sujeita a multa e que será intimada a apresentar a DACON no prazo estipulado pela RFB. (...) No caso em tela, o fisco não intimou a fiscalizada para apresentação da DACON, simplesmente usou como argumento a falta de entrega da DACON para efetuar lançamentos de impostos de forma totalmente equivocada. A fiscalizada, tendo errado em não apresentar a DACON, poderia sim ser punida com o pagamento de multa conforme legislação, mas o fisco, tendo verificado que sua escrituração contábil estava perfeita, em momento algum poderia ter desconsiderado a contabilidade e simplesmente ter efetuado os lançamentos da forma utilizada, ou seja, levando em consideração as DIRF’s apresentadas pelos seus clientes. Neste ato, mesmo não tendo sido notificada pelo fisco a apresentar as DACON, a fiscalizada junta cópia das DACON entregues, juntamente com a cópia da DIRF (doc n° 02, composto de 48 folhas numeradas de 01/48 a 48/48) com os reais valores devidos pela fiscalizada referente ao ano de 2009. Junta cópia dos DARF quitados de todos os valores devidos no ano de 2009 (doc. 03, composto de 12 folhas numeradas 01/12 a 12/12). A fiscalizada deixa de apresentar os DACON e fazer os recolhimentos referentes ao período do ano de 2008, pois os mesmos encontramse prescritos. 6) Do ramo de atividade da fiscalizada: É incontroverso o ramo de atividade da fiscalizada “Prestação de Serviços Temporários”, conforme documentos apresentados e devidamente fiscalizados pelo Sr. AuditorFiscal. Portanto, incontroverso que a fiscalizada precisa seguir o estabelecido na Lei 6.019/74 e Decreto n° 73.871/74 para o desempenho de suas atividades, inclusive, com penalidades de fechamento da empresa, em caso de desobediência dessa legislação específica. (...) 7) Do Termo de Verificação Fiscal: A fiscalizada recebeu o Termo de Verificação Fiscal de forma irregular, incompleto, sem numeração de folhas, fato esse que, por si só, já desconstitui as formalidades legais do Termo. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.773 8 A fiscalizada não teve acesso ao processo na integra e teve dificuldades em identificar do que realmente se tratam as citações do termo recebido, como podemos verificar nas únicas folhas numeradas que não deixam dúvidas Folhas 01 a 05 do Termo de Verificação Fiscal: Observese que na folha 02 de 05 do termo, no segundo parágrafo, consta que: “Em 23 de maio de 2012, demos início à ação fiscal através do termo de início de procedimento fiscal. Fls. 001 e 002”. Na própria folha 2 do termo existe a referência de que a folha 2 do termo é outro documento diverso daquele. Ainda, no item “2.1 Receitas não Declaradas”: “De posse dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, Fls. 003 a 005 e das...”. As folhas 03 a 05 que tivemos acesso nos autos referemse ao Termo de Verificação Fiscal propriamente dito, outras tantas citações de fls. 003 a 079, de fls. 159 a 1353 de fls. 080 a 157, também são documentos que a fiscalizada não recebeu do fisco, localizando, sim, pelos documentos contábeis e pela realidade dos fatos, os argumentos para apresentar nesta defesa. Para que o lançamento do crédito tributário seja válido, fazse necessário que este tenha observado todas as normas e procedimentos previstos na legislação tributária, o que não ocorreu neste caso. Observamos que recebemos apenas parte do processo do fisco, muitas folhas sequer sem a devida numeração, que, nesse ato, anexamos cópia à defesa (doc n° 04, composto por 79 folhas numeradas de 01/79 a 79/79), o mesmo alega que o fisco alega que (sic): “O contribuinte não emitiu notas fiscais, caracterizando omissão de receitas da atividade, conforme relatório fiscal em anexo, (grifo nosso). Tal alegação é simplesmente absurda! O Sr. Auditorfiscal solicitou e recebeu todas as notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Todos os valores constantes nas notas fiscais emitidas foram contabilizados e constam, item por item, escriturados nos livros contábeis também fiscalizados. Essa alegação de não emissão de nota fiscal consta mais de uma vez nos documentos não numerados e recebidos do fisco, mas essa alegação infundada pode ser facilmente derrubada pelo fato de que o Sr. Auditorfiscal teve acesso a todas as notas emitidas, que todas as notas emitidas foram escrituradas e contabilizadas e pelo valor da declaração de imposto de renda apresentada. (...) As formalidades legais não foram atendidas, devendo, por si só, o termo ser desconsiderado pelo fisco. 8) Da duração da fiscalização e da forma do procedimento adotada: A fiscalização durou mais de 8 meses 23 de maio de 2012 a 25 de janeiro de 2013, a lei estabelece que o prazo de duração é de até 120 dias, podendo ser prorrogado de acordo com as justificativas estabelecidas na lei por mais 60 dias. (...) Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.774 9 Mesmo, tendo extrapolado o tempo normal da fiscalização, o Sr. Auditor fiscal, simplesmente desconsiderou todos os documentos contábeis da fiscalizada. O Sr. Auditorfiscal efetuou lançamentos totalmente improcedentes. É exatamente neste ponto FORMAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO que incorre em erro o Fisco Federal. Levandose em consideração a natureza jurídica da atividade das Empresas de Trabalho Temporário, qual seja, “prestação de serviços temporários”, cristalino que os valores repassados para o pagamento da remuneração e encargos dos empregados cedidos às tomadoras de serviços, não podem ser considerados como seu faturamento, para fins de tributação do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS. Conforme dispõe o artigo 4º da Lei n° 6.019/74, tem como objetivo “colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos”, esta revestese de natureza especial, tratandose de mera intermediadora entre a empresa tomadora e o trabalhador temporário. Portanto, tão somente os valores inerentes às “taxas de administração” é que podem constituir seu REAL FATURAMENTO, passível de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS, sendo de rigor a exclusão dos valores repassados pelas tomadoras de serviços para o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas. (...) Ademais, além de patente ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional, o Fisco Federal, ao incluir na base de cálculo os valores aqui discutidos, acaba por extrapolar a capacidade contributiva das empresas de locação de mãode obra temporária, bem como atentar contra o Princípio do NãoConfisco, na medida em que “mascara”, como receitas tributáveis, valores de terceiros que são meramente repassados para o pagamento dos funcionários e seus encargos, para assim, tornaremse passíveis de tributação. Observase, ainda, que as notas fiscais emitidas a título de adiantamento de salário com vencimentos entre os dias 15 a 20 de cada mês, são compensadas de forma integral quando do fechamento do mês, e sequer essa compensação foi feita pelo fisco (doc n° 05, composto por 4 folhas numeradas de 01/04 a 04/04). Nesses mesmos documentos, comprovamos a emissão do repasse da 1ª parcela do 13° salário no mês de novembro, descontado no mês de dezembro e não compensado pelo fisco. Nesses mesmos documentos, observamos, também, que o valor do vale transporte, comprado pela fiscalizada para ser fornecido ao trabalhador temporário, é simplesmente repassado à empresa cliente. Na forma de tributação adotada pelo fisco, a fiscalizada está sendo tributada sobre esse valor, ou seja, está havendo a tributação sobre o fornecimento do vale transporte, o que é plenamente proibido pela legislação. Portanto, falece ao Fisco Federal o direito de ingressar indevidamente no patrimônio das empresas de locação de mãodeobra, incluindo, na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS, todas as receitas auferidas (salários e encargos trabalhistas), sendo devidos tais tributos tão somente sobre a “taxa de agenciamento”. 9) Da prescrição: Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.775 10 Grande parte dos valores objeto deste termo, além de estarem apontados com valores errados, conforme exaustivamente demonstrado nesta defesa, encontramse prescritos. Art. 150, em seu § 4° do CTN: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a fazenda tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (...) 10) Da aplicação de multas, juros e correções: O Sr. Auditor fiscal aponta nos cálculos multa de 75% sobre o valor do débito apurado por este. Primeiramente, os débitos apurados estão totalmente equivocados, portanto todos os valores que foram apurados a partir destes, são totalmente indevidos. Por consequência, os valores apontados a título de multa, juros e correções são totalmente indevidos. Caso o fisco considere que a fiscalizada ainda tenha que efetuar o pagamento de algum imposto referente ao período de 2008 e 2009, o que não espera, a mesma requer que os valores das multas, juros e correções sejam apurados de acordo com a lei mais benéfica. (...) Sem sombra de dúvidas que inexiste qualquer relação lógica de causa e efeito, considerandose os valores absurdos aplicados a título de punição em relação ao pretenso ato ilícito, gerando um verdadeiro confisco sobre o patrimônio do contribuinte, subtraindo do mesmo o seu direito, garantido no próprio Regulamento do Imposto de Renda, de pagar a diferença com os encargos de mora previstos para os recolhimentos espontâneos, e tudo isto sem se falar ainda em seu direito de recolher sem nenhuma penalidade, se considerados os preceitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, já consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça. 11) Dos pedidos: Certos de que não existe interesse ao fisco a punição extrema da fiscalizada, certos de o fisco, assim como todos os demais órgãos governamentais têm interesse no desenvolvimento do nosso País, com maior geração de empregos, e que as empresas prestadoras de serviços temporários fazem parte dessa geração de empregos, tanto que somente a fiscalizada já empregou mais de 60.000 pessoas somente na cidade de Cascavel, nesses 24 anos de existência, o fisco, com toda certeza, irá analisar com mais atenção a especialidade da fiscalizada requer: Que seja declarada a nulidade total do Termo de Verificação Fiscal, em virtude dos erros materiais apresentados; A produção de perícia contábil, caso o fisco entenda necessário. A prescrição quinquenal de todo o ano de 2008; Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.776 11 Que sejam refeitos todo e qualquer cálculo dos impostos sobre o valor da taxa administrativa, caso algum período ainda não quitado pela fiscalizada seja considerado como devido, o que não se espera; O reconhecimento da quitação integral dos valores devidos do ano de 2009, conforme DACON, DCTF e DARFs apresentadas; A redução de multas, juros e correções da forma mais benéfica e direito a pedido de parcelamento, caso algum débito ainda seja considerado como devido. Clama por justiça! (...)”. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.722): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Verificado que a fiscalização cumpriu os requisitos formais e materiais estabelecidos pelas normas legais de regência, não há que se falar em nulidade da autuação. IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. LUCRO PRESUMIDO. DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. Constatada a falta de pagamentos, o prazo decadencial nos tributos por homologação é de 5 (cinco) anos, contados do 1º dia do anocalendário seguinte. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) E REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS). LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. A sistemática de tributação pelo lucro presumido é opção da empresa. Uma vez adotada, a base de cálculo dos tributos é apurada a partir do faturamento, assim entendido o valor cobrado e recebido dos clientes, sendo vedada a subtração dos valores pagos a título de salário e encargos sociais da mãodeobra. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Para a aplicação da multa no patamar de 75%, basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo. JUROS DE MORA À TAXA SELIC O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, principal e multa de oficio, é acrescido de juros de mora à taxa Selic, seja qual for o motivo determinante da falta, por expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.777 12 3. Cientificada da referida decisão em 12/09/2013 (fls. 1.743), a tempo, em 10/10/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.745 a 1.763, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, na sentença, houve uma grande confusão, pelos relatores, entre a forma de tributação adotada pela empresa e a base de cálculo dos impostos (receita bruta); b) que, independente da forma de tributação adotada pelas empresas, lucro presumido ou lucro real, o que está em questão, nesse processo, é a forma adotada para o lançamento fiscal; c) que toda tributação deve ser feita sobre o valor que as empresas ganham, ou seja, pelo valor da receita bruta da empresa; d) que, no caso em tela, a fiscalização fez os lançamentos dos impostos sobre tudo o que estava descrito nas notas fiscais da empresa, valores esses de simples repasse, que não fazem parte da receita bruta da empresa; e) que, se existe previsão legal para a exclusão dos valores em que o vendedor de bens ou prestador de serviços seja mero depositário, por que a empresa de trabalho temporário deve ser penalizada e não ter esse direito? f) que, se todas as empresas de publicidade têm o direito de descontar da base de cálculo de seus impostos o valor que é simplesmente repassado do cliente para a empresa de jornal, rádio ou televisão, por que a empresa de trabalho temporário não pode descontar da base de cálculo de seus impostos o valor dos salários e impostos que são simplesmente repassados aos trabalhadores, ao FGTS e ao INSS? g) que o mesmo ocorre com as empresas de venda de imóveis, seus impostos são calculados sobre a sua comissão de venda, e não sobre o valor do imóvel mais a comissão, o que levaria à inviabilidade das imobiliárias; h) que isso é, no mínimo, injusto; i) que deve existir equidade, igualdade tributária, sob pena da inviabilidade do ramo de atividade da Recorrente; j) que a receita tributável da empresa independe do tipo de adoção Lucro Real ou Lucro Arbitrado – é, sim, a receita bruta da empresa que, no caso das empresas do ramo de prestação de serviços temporários é, única e exclusivamente, a taxa administrativa; k) que, na sentença, existe a concordância de que a Recorrente recebeu o Termo de Verificação Fiscal de forma irregular; l) que a Recorrente recebeu um documento incompleto, sem que o processo tivesse sido formalizado; Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.778 13 m) que, pelas falhas apresentadas no procedimento fiscal, pelas dificuldades criadas pelas falhas apresentadas para apresentação da defesa, requer a nulidade total do presente Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal; n) que as formalidade legais não foram atendidas, devendo, por si só, o termo ser desconsiderado pelo fisco; o) que, na sentença, temos a confirmação de que a fiscalização durou mais de 8 meses, alegando não haver irregularidades nas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal; e p) que, em momento algum, comprovou qualquer pedido de prorrogação e, mesmo tendo tido todo esse tempo com todos os documentos solicitados para a realização da fiscalização, simplesmente desconsiderou todos os documentos contábeis da fiscalizada. Em mesa para julgamento. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.779 14 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Recursos repetitivos (STJ) 4. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 5. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.780 15 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 6. Não procede a preliminar de decadência arguida, uma vez que se constata não ter a Recorrente efetuado qualquer pagamento relativamente ao anocalendário de 2008. 7. Aplicandose, pois, o disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a contagem do prazo decadencial se iniciou em 01/01/2009 (primeiro a terceiro trimestres de 2008) e 01/01/2010 (quarto trimestre de 2008), encerrandose, respectivamente, em 31/12/2013 e 31/12/2014, sendo que a lavratura dos autos de infração ocorreu em 25/01/2013, ou seja, antes do término desses prazos. 8. Relativamente à questão da base de cálculo das empresas prestadoras de serviço de locação de mãodeobra temporária (Lei nº 6.019, de 1974), é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.781 16 SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. “FATURAMENTO” E “RECEITA BRUTA”. LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 70/91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 847.641/RS, perfilhou o entendimento no sentido de que: [...]. 3. Deveras, a definição de faturamento mensal/receita bruta, à luz das Leis Complementares 7/70 e 70/91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 5. Consequentemente, a definição de faturamento/receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.782 17 trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. [...]. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1141065/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) 9. Especificamente, em se tratando do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), mencionase o seguinte aresto do mesmo STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTE EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. DESCABIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE MISCIGENAÇÃO ENTRE REGIMES DE APURAÇÃO DISTINTOS. [...]. 2. Esta Corte consolidou o entendimento de que os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. 3. Precedente: REsp 1141065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1.2.2010, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08. 4. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.783 18 dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. 5. Precedentes: AgRg nos EDcl no AgRg no Ag nº 1.105.816/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010; REsp 971.066/SC, Rel. Min. Denise Arruda, Rel. p/ Acórdão Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 18.8.2010; REsp 1179448/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 6.5.2010; REsp 1088802/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 7.12.2009. 6. Recurso especial da Fazenda Nacional provido e recurso especial do Sindicato das Empresas Contábeis Assessoramento Perícias Informações e Pesquisas de Londrina não provido. (REsp 963196/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 08/02/2011) 10. Correta a base de cálculo apontada pela fiscalização. 11. Com relação às demais alegações da Recorrente, limitome a transcrever excertos da decisão recorrida, com os quais concordo integralmente (fls. 1.733 a 1.735): Divergência nas DIRF – Declarações de Imposto de Renda na Fonte apresentadas pelos clientes da empresa. A contribuinte alega que a fiscalização calcouse nas DIRF para apurar as bases de cálculos tributadas. Todavia essa afirmação destoa do que realmente foi feito e registrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), no qual está asseverado que: “constatamos que houve receitas registradas nos livros fiscais e contábeis do sujeito passivo, (fls. 160 a 1354) e não declaradas (...)” As DIRF dos clientes foi apenas o ponto de partida do trabalho fiscal, que confrontou os pagamentos efetuados pelos clientes com os valores declarados pelo contribuinte para constatar as omissões. Os valores mensais da receita bruta da empresa, base de cálculo do Lucro Presumido e das Contribuições foi apurado a partir dos registros contábeis e notas fiscais fornecidos durante a auditoria fiscal, cujos valores estão compilados no TVF em detalhado demonstrativo à fl. 1415. O trabalho fiscal está correto, tanto que subtraiu da exigência todos os valores retidos na fonte pelos clientes da autuada, conforme DIRF de fls. 81 a 158, compiladas no quadro de fl. 1416. A impugnante afirma, ainda que “Sr. Auditorfiscal entregou a fiscalizada, alguns resumos de cálculos, sem a devida numeração processual, que anexamos cópia a defesa (fls e ), onde consta: ... Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.784 19 "O contribuinte não emitiu notas fiscais, caracterizando omissão de receitas da atividade conforme relatório fiscal em anexo. (...)”. De fato, constatei esse equívoco no termo de descrição dos fatos do auto de infração, vide fl. 1421, ocorre que o aludido termo reporta expressamente ao Relatório Fiscal (Termo de Verificação), que também foi entregue à sócia administradora da empresa, mediante ciência pessoal (fl. 1418), no qual consta textualmente que as notas fiscais foram emitidas e escrituradas, porém, os tributos devidos não foram declarados tampouco recolhidos. Supero esse erro formal, com fulcro no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF) haja vista que não trouxe prejuízo ao contribuinte, estando esclarecido nos autos. [...]. Alegações de Irregularidades Termo de Verificação Fiscal TVF A impugnante alega que o TVF contém vícios, haja vista que deixou de consta a numeração de folhas, pelo que deve ser desconsiderado. De fato, a via do TVF recebida pelo contribuinte não está numerada, haja vista que o documento foi lavrado antes da formalização do processo. Todavia, os autos devidamente formalizados e numerados ficaram à disposição do contribuinte por 30 dias após a ciência do auto de infração, suprindo essa deficiência. E mais, o TVF está completíssimo, trazendo demonstrativo dos valores mensais das bases de cálculo – receita bruta auferida , o que permitiu ao contribuinte confrontar com seus registros contábeis. Logo, caso houvesse erro, bastava a impugnante apontálo em sua defesa, mas isso não foi feito, pois tais erros inexistem. Estou plenamente convencido de que o Auto de Infração e o Termo de Verificação fiscal foram lavrados com plena observância do art. 142 do CTN, bem como do art. 10 do PAF, pelo que não restou configurado cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Da duração da fiscalização e da forma do procedimento adotada A impugnante questiona o fato de a auditoria fiscal ter transcorrido por 8 meses (maio/2012 a janeiro/2013). Isso de fato ocorreu, todavia não há qualquer irregularidade nas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, que se justifica plenamente, considerando que o contribuinte simplesmente nada declarou à Receita Federal no ano de 2008. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.785 20 Ao contrário do que reafirma a contribuinte, todos os documentos da empresa foram analisados e considerados, sendo que, na formação da base de cálculo, a Fiscalização apurou corretamente a receita bruta da empresa, tal qual estabelecem as normas legais em vigor. [...]. 12. Acrescento, apenas, que, se existiram erros na indicação de adiantamentos de salário ou de 13º salário, tais erros devem ser debitados, unicamente, à ora Recorrente, uma vez que o lançamento fiscal se baseou, exclusivamente, “nas receitas registradas nos livros fiscais e contábeis do sujeito passivo” (fls. 1.414), conforme demonstrativo de fls. 1.415. 13. Acrescento, ainda, que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi, sim, devidamente prorrogado, conforme se observa das seguintes telas de consulta: Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.720192/201318 Acórdão n.º 1803002.357 S1TE03 Fl. 1.786 21 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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