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Numero do processo: 13877.000126/00-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
Ementa:
RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cômputo da receita operacional bruta de todos os estabelecimento da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por eles exercida.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ART. 62ª DO RICARF. RESP 993.164/MG
Consoante art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no âmbito do CARF, razão porque devem ser admitidas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, por força do que decidido no REsp 993.164/MG.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. CONTATO DIRETO COM O PRODUTO EM FABRICAÇÃO. NECESSIDADE.
É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive com edição de súmula, no sentido que os insumos, para que possam se qualificar como material intermediário, devem ser consumidos, de alguma forma, por contato direto com o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19).
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62ª DO RICARF.
Nos termos do REsp 1.035.847/RS, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito de ressarcimento é passível de atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento e termo final a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie.
Numero da decisão: 3401-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. fez sustentação oral pela recorrente Drª Fabiana Carsoni OAB/SP n.º 246.569.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Ementa: RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cômputo da receita operacional bruta de todos os estabelecimento da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por eles exercida. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ART. 62ª DO RICARF. RESP 993.164/MG Consoante art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no âmbito do CARF, razão porque devem ser admitidas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, por força do que decidido no REsp 993.164/MG. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. CONTATO DIRETO COM O PRODUTO EM FABRICAÇÃO. NECESSIDADE. É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive com edição de súmula, no sentido que os insumos, para que possam se qualificar como material intermediário, devem ser consumidos, de alguma forma, por contato direto com o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19). RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62ª DO RICARF. Nos termos do REsp 1.035.847/RS, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito de ressarcimento é passível de atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento e termo final a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie.
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A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cômputo da receita operacional bruta de todos os estabelecimento da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por eles exercida. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ART. 62ª DO RICARF. RESP 993.164/MG Consoante art. 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no âmbito do CARF, razão porque devem ser admitidas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, por força do que decidido no REsp 993.164/MG. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. CONTATO DIRETO COM O PRODUTO EM FABRICAÇÃO. NECESSIDADE. É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive com edição de súmula, no sentido que os insumos, para que possam se qualificar como material intermediário, devem ser consumidos, de alguma forma, por contato direto com o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 01 26 /0 0- 54 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62ª DO RICARF. Nos termos do REsp 1.035.847/RS, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do recurso repetitivo, o crédito de ressarcimento é passível de atualização monetária, tendo como termo inicial para sua fluência a formalização do requerimento e termo final a data de sua efetiva utilização, seja pela compensação, seja pela liquidação em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. fez sustentação oral pela recorrente Drª Fabiana Carsoni OAB/SP n.º 246.569. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Bernardo Leite de Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 1ª trimestre de 2000. O Relatório Fiscal (fls. 263 e ss) esclarece que o montante pleiteado (R$ 2.495.432,45) foi apurado de forma centralizada e distribuído proporcionalmente entre as unidades fabris, que solicitaram individualmente o ressarcimento das parcelas que lhes couberam, no âmbito do presente processo, bem como dos processos 13804.002112/200261, 10675.001547/00, 13520.000234/0094 e 13164.000097/0094, a ele apensados. Este processo se refere à parcela vinculada ao estabelecimento de CNPJ nº 60.498.706/007836. A autoridade competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo – DERAT – deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 1º trimestre de 2000 e homologou compensações até o limite do crédito apurado. (Parecer da Divisão de Orientação e Análise Tributária que fundamenta o Despacho Decisório, nas fls. 274 a 282). As glosas praticadas decorreram das seguintes inclusões indevidas na base de cálculo do benefício: · Aquisições de matériasprimas de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS (cooperativas e pessoas físicas); · Aquisições não admitidas: combustíveis e lubrificantes, água, energia elétrica, telefonia e outros. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13877.000126/0054 Acórdão n.º 3401002.747 S3C4T1 Fl. 3 3 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual argumentou, consoante resumo constante do voto condutor do Acórdão de 1ª Instância, que aqui reproduzo: .. inicialmente que além das glosas, a redução do valor do incentivo decorre de majoração indevida da Receita Operacional Bruta de R$ 348.774.264,10 para R$ 548.503.368,65, sem que a Fiscalização tenha apresentado justificativa para tanto, fato que afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, e implica em nulidade do despacho decisório. Quanto ao mérito, ataca a exclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas com fundamento no art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa SRF (à época) nº 23, de 1997, alegando que esse ato, assim como os que o seguiram, estaria limitando o alcance da Lei nº 9.363, de 1996, cujo art. 2º contém determinação genérica, no sentido que a totalidade dos insumos seja computada no cálculo do crédito presumido de IPI, desde que consumidos em processo de industrialização de produtos exportados, sem vedar o creditamento em questão. Cita precedentes do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, e dos tribunais judiciais superiores que vão ao encontro de seu entendimento e prossegue argumentando que embora pessoas físicas e cooperados não sejam obrigados ao recolhimento de PIS e Cofins, são contribuintes de fato em relação aos insumos que vendem, os quais sofreram a incidência em cascata destas, legitimando também o direito ao crédito presumido. E desde a edição da Medida Provisória 905/95, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei 9.363/96, não haveria mais qualquer ato normativo exigindo a comprovação de pagamento das aludidas contribuições, a exemplo do que ocorria com a revogada Medida Provisória 674/94, art. 5º. Com respeito às glosa de aquisições de energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha alega que se trata de produtos intermediários, conforme a legislação do IPI, e que embora não integrando o produto final, são utilizados no processo de industrialização. Cita precedentes judiciais no sentido de reconhecer o direito ao crédito presumido, nesses casos. Prossegue ratificando o argumento de que a fiscalização teria alterado sem qualquer justificativa o percentual Receita de Exportação/Receita Bruta Total, para apuração da base de cálculo do benefício. Esclarece que tendo em vista a determinação de apuração centralizada na matriz, trazida pelo art. 15 da Lei nº 9.779, de 1999, no seu cálculo considerou apenas a receita operacional e as aquisições de insumos dos seus estabelecimentos produtores exportadores, que se beneficiam do crédito presumido do IPI, preservando assim a lógica de apuração deste, que não foi modificada, seja por ato normativo de regulamentação da Lei nº 9.363, de 1996, seja pela alteração desta pela Lei nº 9.779, de 1996. Isto porque a Lei n° 9.363/96 possibilitava às empresas optarem pela apuração do crédito presumido de IPI de forma centralizada no estabelecimento matriz, ou de forma descentralizada em cada estabelecimento produtor exportador, o que não alteraria seu valor. Conclui que desse modo os valores da receita operacional bruta dos Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 estabelecimentos não exportadores, bem como os insumos por eles adquiridos, não poderiam ser computados, seja na apuração centralizada ou descentralizada, sob pena de distorção do cálculo. Afirma que seria ilegal a inclusão dos valores correspondentes às receitas auferidas por estabelecimentos não exportadores na apuração do percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Por fim, protesta pela aplicação da Taxa Selic na correção do crédito a ser ressarcido, a fim de recompor seu valor inicial, bem como por medida de isonomia, tendo em vista que os débitos para com a União sofrem esse acréscimo. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre teceu as seguintes considerações e conclusões: · Afastou a preliminar de nulidade por não ter visto ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, e que “ também não resulta em nulidade o procedimento adotado pela DRF em Jundiaí na apuração da Receita Operacional Bruta, e que não se verificou prejuízo à defesa, tanto que a seguir, ao atacar o mérito, o contribuinte contesta o cálculo da fiscalização, não só demonstrando que este foi suficiente para o conhecimento dos motivos que levaram o fisco a alterar o valor da receita bruta acumulada como também apontando objetivamente seus pontos de discordância que dizem respeito, em síntese, à aplicação da legislação de regência mencionada no Despacho Decisório e parecer que o fundamentou”. · “..que foi correta a exclusão, no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às aquisições de produtos de cooperativas de produtores e de pessoas físicas, porque tais aquisições não sofreram o ônus das contribuições do PIS/PASEP e da Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir.” · “ ... que os gastos com aquisição de energia elétrica, com combustíveis e com outros produtos que não revestem a condição de insumos (MP e PI), como tal conceituados pela legislação do IPI, não podem ser computados nos cálculos desse benefício fiscal.” · “ ... que a centralização do cálculo do crédito presumido de IPI, implica no cômputo da receita operacional bruta segundo o montante apurado pela pessoa jurídica, independentemente de quantos sejam os estabelecimentos produtores que a integrem e do tipo de atividade que exercer, além daquela propriamente de industrialização.” · “O interessado também não tem direito à atualização do crédito pleiteado, pela taxa de juros Selic, simplesmente porque não existe previsão legal nesse sentido.” · “ ... que não elidem a aplicação do entendimento antes referido os precedentes judiciais e administrativos trazidos pelo contribuinte, cuja aplicação restringese às partes dos processos em que foram proferidos, não tendo efeito erga omnes. Ademais, o julgador administrativo encontrase estritamente vinculada à observância das normas legais e regulamentares, bem assim o entendimento da RFB expresso em atos normativos, por força do disposto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 116, III, e no art. 7º, inc. V da Portaria MF nº 341, de 2011.” Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13877.000126/0054 Acórdão n.º 3401002.747 S3C4T1 Fl. 4 5 O Acórdão n. 1044.825, proferido em 28/06/2013 pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Incabível a decretação de nulidade do despacho decisório quando nele estão expressas as informações necessárias e suficientes para justificar as determinações nele contidas. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. 1. O valor das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas e cooperativas, sem a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não se computa no cálculo do crédito presumido. 2. Também não se incluem, no cálculo do benefício, os gastos com energia elétrica, combustíveis, água, telefonia e outros produtos, ainda que consumidos pelo estabelecimento industrial, que não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, únicos insumos admitidos pela lei. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cômputo da receita operacional bruta de todos os estabelecimento da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por eles exercida. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de atualização monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressa com Recurso Voluntário contra essa decisão de 1º grau e nela repisa exatamente cada uma das alegações constantes da Manifestação de Inconformidade, razão porque deixo de as repetir resumidamente neste relatório. A recorrente, entretanto, acrescentou em seu Recurso Voluntário as seguintes informações: · O Superior Tribunal de Justiça, com a decisão proferida no RESP 993.164/MG, com Relator o Ministro Luiz Fux, em 17/12/2010, com efeito submetido ao regime do artigo 543C do CPC, declarou ilegal a restrição contida na IN SRF n. 23/1997, que impedia o cômputo, na base de cálculo do crédito presumido, de aquisições de nãocontribuintes do PIS e da COFINS; e também reconheceu o direito à atualização do crédito presumido pela taxa de juros SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Considero que o recurso é tempestivo e que foram atendidos os quesitos de admissibilidade. A legislação que disciplina o modo de determinação dos benefícios aqui discutidos prescreve a centralização do cálculo do crédito presumido e isso significa que a determinação da receita operacional bruta deve incluir todo o montante apurado pela pessoa jurídica, abarcando todos os seus estabelecimentos e atividades. Essa é a orientação contida na alteração do art. 2º da Lei n. 9.363, de 1996 – obrigatoriedade de apuração do crédito presumido centralizado na matriz – e corresponde ao artigo 15 da Lei n. 9.779, de 1999. Por essa razão, concluo que não pode prosperar a petição da recorrente para questionar o modo de apuração adotado pela fiscalização e mantida pela Delegacia de Julgamento. O entendimento firmado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que, em sede de recurso repetitivo, julgou a matéria em discussão também neste processo administrativo, por intermédio do REsp 993.164/MG, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13877.000126/0054 Acórdão n.º 3401002.747 S3C4T1 Fl. 5 7 óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) Considerando que o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, textualmente prevê a observância, por parte de suas Turmas julgadoras, dos precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça julgados sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, respectivamente, a repercussão geral e o julgamento de recursos repetitivo, concluise que não podem ser mantidas as glosas dos valores correspondentes às aquisições de produtos de cooperativas de produtores e de pessoas físicas, feitas pela Unidade preparadora e mantidas pela decisão a quo. Entretanto, com relação à glosa de insumos que não se alteram em função da ação exercida sobre o produto em fabricação, que seriam, segundo o contribuinte, água, energia elétrica, combustíveis, telefonia e outros, entendo que ela deve ser mantida, nas bases e motivos estabelecidos pela decisão recorrida. O entendimento corrente neste Conselho Administrativo é que a qualificação de determinado insumo como produto intermediário exige o seu desgaste, consumo ou perda das propriedades por contato direto com o produto em fabricação. Nesse sentido, a súmula atinente à energia elétrica e combustíveis, com verbete: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Notese que a razão para denegação destes insumos reside na ausência do contato direto com o produto em fabricação. Pelo mesmo critério deve ser analisar os outros insumos listados pelo contribuinte; sendo assim, justificase que seja mantida a glosa dos gastos com água, telefonia e outros. Quanto à atualização monetária, razão concorre a recorrente. Ao tema se aplica o que prevê o art. 62A do RICARF com o entendimento constante de decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça com potencial de repercussão geral, como, por exemplo, o do RE 653.342, de lavra da Min. Carmem Lúcia, que reproduzo excerto: “1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 “TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE SOCIEDADES COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO FORMADA INCLUSIVE PELO FATURAMENTO RESULTANTE DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO PELO IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO EM CASO DE NEGATIVA ADMINISTRATIVA OU ATRASO INJUSTIFICADO NO DEFERIMENTO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL DA ATUALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC EM RELAÇÃO AOS CRÉDITOS PRESUMIDOS OUTORGADOS NAS VIAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAL. VERBA HONORÁRIA. ART. 20 DO CPC .1. A Lei 9.363/96 permite que na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI seja incluída as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e pessoas físicas, as quais não estão sujeitas ao pagamento da COFINS e da contribuição ao PIS. (....) Pela jurisprudência do Supremo Tribunal, é devida correção monetária dos créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI se houver resistência ilegítima da Fazenda Pública à sua utilização pelo contribuinte. Também reproduzo excerto de decisão do Superior Tribunal de Justiça que, através do REsp 1.035.847, julgado em 25/11/2009 sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, com trânsito em julgado em 10/03/2010, assim se manifestou: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.” Sendo assim, entendo que deve ser admitida a atualização do valor a ser ressarcido pela taxa selic, tendo como data de inicio da atualização a do protocolo do pedido, pois até então a Fazenda Nacional não estaria em mora, pois somente depois de então configurarseia obstáculo no reconhecimento do direito, até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação. Recurso provido em parte. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13877.000126/0054 Acórdão n.º 3401002.747 S3C4T1 Fl. 6 9 Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 16327.721758/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO.
Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos.
DIRETORES. FILIAL. MATRIZ.
Descabe aceitar a alegação de que alguns dos diretores da empresa autuada também eram diretores da filial localizada no exterior quando desacompanhada de provas irrefutáveis neste sentido, mormente quando a a autuação baseia-se em informação prestada pela própria recorrente e por esta corroborada em suas peças recursais.
Numero da decisão: 1402-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. DIRETORES. FILIAL. MATRIZ. Descabe aceitar a alegação de que alguns dos diretores da empresa autuada também eram diretores da filial localizada no exterior quando desacompanhada de provas irrefutáveis neste sentido, mormente quando a a autuação baseia-se em informação prestada pela própria recorrente e por esta corroborada em suas peças recursais.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não cabe alegar nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, quando o auto de infração encontrase formalizado com observância aos ditames dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e devidamente cientificado ao contribuinte, tendo este recebido cópias do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, que descrevem claramente os fatos apurados no curso do procedimento fiscal, as conclusões e o embasamento legal para as normas consideradas infringidas; observandose, ainda, que todo o procedimento fiscal foi acompanhado por um dos diretores da empresa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 FILIAL. EXTERIOR. REPERCUSSÃO. RESULTADO NA MATRIZ. Não cabe alegar fiscalização de pessoa jurídica situada no exterior em lançamento fiscal efetuado na matriz localizada em território nacional, quando o lucro líquido da filial situada no exterior e informado na DIPJ repercute no resultado da matriz. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. DIRETORES. FILIAL. MATRIZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 58 /2 01 1- 01 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 954 2 Descabe aceitar a alegação de que alguns dos diretores da empresa autuada também eram diretores da filial localizada no exterior quando desacompanhada de provas irrefutáveis neste sentido, mormente quando a a autuação baseiase em informação prestada pela própria recorrente e por esta corroborada em suas peças recursais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 955 3 Relatório BANCO VOTORANTIM S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1640.512 da 10ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo/SPI, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura do auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 6770) e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (fls. 7679), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto Art. 247, 249, I, 250, III, 251 e § único, 299, 303 e 510 do RIR/99 7.633.103,84 Juros de Mora (calculados até 30/11/2011) Art. 28 c/c Art.6º, §2º da Lei nº 9.430/96 3.490.409,44 Multa proporcional Art. 44, I da Lei nº 9.430/96 e Art. 44, I da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo Art. 14 da Lei nº 11.488/2007 5.724.827,87 Total 16.848.341,15 Demonstrativo da CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art. 2º e §§, da Lei 7.689/88; Art. 1º da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96; Art. 37 da Lei 10.637/02; Art. 58 da Lei 8.981/95 e art. 16 da Lei 9.065/95 2.747.917,38 Juros de Mora (calculados até 30/11/2011) Art. 28 c/c Art.6º, §2º da Lei nº 9.430/96 1.256.547,39 Multa proporcional Art. 44, I da Lei nº 9.430/96 e Art. 44, I da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo Art. 14 da Lei nº 11.488/2007 2.060.938,03 Total 6.065.402,80 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 956 4 DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 6266), o Banco Votorantim S/A informou em suas DIPJs, dos anoscalendário 2006 a 2008, as seguintes participações no exterior: a) Banco Votorantim Securities INC, empresa controlada com sede nos EUA, com participação de 100% do capital; b) Votorantim Bank Limited, empresa coligada com sede nas Ilhas Bahamas, com participação do capital de 4,03%; c) Filial com a mesma raiz de CNPJ, em Nassau, Ilhas Bahamas, CNPJ 59.588.111/000456. Observa a autoridade fiscal que, conforme preceitua a Instrução Normativa SRF n° 213 de 07/10/2002 , quando se tratar de sucursal ou filial, os lucros serão integralmente adicionados ao lucro líquido, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil e, proporcionalmente à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. E que nas fichas 35, das DIPJs em questão, o contribuinte apurou o resultado do período na controlada, coligada e em sua filial; nas fichas 09B adicionou o resultado na linha 04 Lucros Disponibilizados no Exterior, para determinação do Lucro Real e nas Fichas 17 adicionou o resultado na linha 5 Lucros Disponibilizados no Exterior, para cálculo da CSLL devida. Constatou a fiscalização que nas Atas de Assembléia de 31/07/2006; 28/09/2006; 28/06/2007 e 28/12/2007 e na Ata de Reunião de Diretoria do Banco Votorantim realizada 29/12/2006, foram aprovados pelos acionistas do Banco Votorantim, gratificar seus diretores estatutários através da filial localizada em Nassau. O contribuinte foi intimado a discriminar a composição dos honorários e gratificações atribuídas aos administradores no período fiscalizado; a apresentar os registros contábeis das gratificações pagas aos administradores e/ou empregados através da agência Nassau, identificando os beneficiários; a apresentar a relação dos empregados beneficiários das gratificações pagas através da agência Nassau. A autoridade autuante conciliou as respostas apresentadas pelo contribuinte com as declarações prestadas nos sistemas informatizados da RFB, tendo constatado os fatos abaixo: 1. As gratificações pagas a diretores estatutários no período fiscalizado através de folhas de pagamento, ocorreram somente no anocalendário 2008, nos meses de 03/2008 e 09/2008, conforme descrito: período R$ mar/08 4.419.000,00 set/08 9.058.000,00 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 957 5 total 13.477.000,00 Sobre estas gratificações incidiram contribuições previdenciárias, e estas despesas foram consideradas pela empresa como não dedutíveis, em conformidade com o Regulamento do Imposto de Renda (RIR). 2. As gratificações ou bônus pagos a diretores estatutários através da filial, situada em Nassau, são as seguintes: período R$ ago/06 7.156.174,23 set/06 2.980.000,00 mar/07 *12.801.500,00 ago/07 6.326.000,00 fev/08 **4.049.576,00 * Pagamento referente à despesa apropriada em dezembro/2006, conforme Ata de Reunião de Diretoria de 29/12/2006 e registros contábeis da filial de Nassau. ** Pagamento referente à despesa apropriada em dezembro/2007, conforme Ata da Assembléia Geral de 28/12/2007 e registros contábeis da filial de Nassau. Valor total considerado para o anocalendário 2006: R$22.937.674,23 Valor total considerado para o anocalendário 2007: R$10.375.576,00 Sobre estas gratificações não incidiram contribuições previdenciárias e, estas despesas, pagas através da filial situada em Nassau, diminuíram o IRPJ e a CSLL a pagar da empresa, pois compuseram as despesas na apuração do resultado da filial. 3. Os diretores estatutários beneficiários destas gratificações no exterior foram eleitos através das Assembléias da CIA que determinam suas remunerações fixas e variáveis. Estes diretores são residentes no Brasil. As despesas de seus honorários são totalmente contabilizadas no Brasil, competindo a estes a administração e a gestão dos negócios sociais da empresa como um todo. Nos anos 2006 e 2007, somente as remunerações fixas dos administradores transitaram pelas folhas de pagamento. A remuneração variável pelo resultado atingido foi pago somente pela filial localizada em Nassau, apesar do Lucro Líquido do Banco Votorantim no Brasil ser expressivamente maior do que o desta filial no exterior, conforme valores do quadro abaixo, declarados nas DIPJs do contribuinte: Lucro líquido do período ano Brasil R$ filial Nassau R$ Fl. 957DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 958 6 2006 645.253.807,78 98.316.072,81 2007 1.163.689.038,86 40.026.196,17 4. Portanto, sobre as gratificações pagas a diretores estatutários, seja pela matriz ou pela filial da empresa, atribuídas pela Assembléia da CIA, deve haver adição ao Lucro Líquido para efeito de apuração do IR e CSLL, conforme artigos 249, inciso I e 303 do RIR/99 e artigo 28 da Lei 9430/96. As bases de cálculo utilizadas foram os Bônus ou Gratificações atribuídos aos diretores estatutários identificados pelo contribuinte, conciliados com os registros contábeis da filial no exterior. A autoridade fiscal lançou, ainda, o crédito tributário referente à compensação indevida de prejuízo fiscal apurado no ano calendário 2007, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições previstas pela legislação do Imposto de Renda, conforme relatório Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas, anexos ao processo. Destaca o auditor que a fiscalização foi acompanhada pelo Sr. Celso Marques de Oliveira, diretor estatutário, a quem foram prestados todos os esclarecimentos em relação à origem e natureza do crédito tributário, bem como os referentes aos procedimentos da fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado das autuações, em 16/12/2011 e apresentou, em 17/01/2012, a impugnação de fls. 117156, acompanhada dos documentos de fls. 157741. Posteriormente, em 04/04/2012, apresentou a petição dirigida ao Sr. Delegado da DEINF/SP, às fls.743747, acompanhada dos documentos de fls. 748793. As alegações se resumem a seguir. PRELIMINARMENTE Da insubsistência do lançamento por fundarse em presunções Argumenta a defesa que os AIs devem ser declarados nulos, pois estão assentados em meras presunções, sem comprovação de suas alegações e tendo a autoridade fiscal simplesmente considerado inexistente o Banco Votorantim/Nassau, que integra o conglomerado econômico do impugnante. Aduz o interessado que o autuante o acusa de ter efetuado o pagamento de gratificações a seus diretores por meio do Banco Votorantim/Nassau, o que acarretaria diminuição do lucro a ser contabilizado pelo contribuinte, sem, contudo, citar um dispositivo legal sequer que teria sido infringido in casu. Alega que a descrição lógica e comprovada dos fatos é elemento essencial do auto de infração, sem o qual é impossível conhecerse os limites da Fl. 958DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 959 7 acusação e seus motivos. Deveria a autoridade fiscal demonstrar a efetiva ocorrência do evento reputado tributável, bem como apontar a previsão legal. Já que não haveria sequer uma causa, tampouco motivação para a presente autuação, os AIs estariam baseados em simples presunções, as quais podem ser simples ou legais. Argumenta o impugnante que o AI não invocou como fundamentos legais, os relativos à presunção legal, restando a hipótese no campo das presunções simples (não legais), não admitidas por nosso ordenamento jurídico. E que, se o Fisco não comprova a ocorrência do fato gerador do tributo, nem mesmo por meio de indícios (que deve ter nexo de causalidade com o fato gerador), é dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Aduz o interessado que a autoridade fiscal presumiu que os pagamentos efetuados por Banco Votorantim/Nassau seriam dedutíveis da base de cálculo no exterior, bem como presumiu que todos os beneficiários daqueles valores seriam efetivamente diretores estatutários e/ou administradores do impugnante. Nem todos os beneficiários das gratificações fazem parte da administração do impugnante, bem como, efetivamente são diretores do Banco Votorantim/Nassau. Assim, o auto de infração sequer está baseado em fato que se relaciona aos efeitos do não pagamento dos tributos. Afirma que a instauração do presente procedimento fiscal é arbitrária e ilegal, já que baseado exclusivamente na presunção de que houve ato ilícito supostamente praticado pelo impugnante. Da ilegal inversão do ônus da prova Alega o requerente que a autoridade fiscal pretende inverter o ônus da prova no presente caso, ao não comprovar suas alegações e impor ao impugnante o ônus de demonstrar que não se enquadra nas presunções alegadas, ou seja, fazer prova negativa. Que incumbe à fiscalização o ônus de provar a impossibilidade de pagamento de gratificações por meio do Banco Votorantim/Nassau e que a fiscalização deveria ter instruído os AIs com documentos e outros elementos de prova idôneos e suficientes para comprovar, cabalmente, esses atos tidos como ilícitos. Da preterição do direito de defesa acarretada pela insubsistência dos AIs Afirma o impugnante que o exercício da ampla defesa pressupõe o pleno e irrestrito conhecimento da acusação contra si formulada. O direito de defesa restaria praticamente eliminado, na medida em que não é possível identificar a motivação do AI, e, portanto, a textura das acusações contra as quais havia de se defender. Questiona como o impugnante poderia se defender sem saber a causa e os reais motivos que levaram a autoridade fiscal a efetuar o lançamento. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 960 8 DO MÉRITO Da violação ao princípio da territorialidade. Competência tributária Segundo o impugnante compete à União instituir tributos apenas àqueles sujeitos que estão à sua jurisdição, não podendo fiscalizar e muito menos tributar pessoas jurídicas localizadas fora do território nacional. Que a edição da Lei n° 9.249/95 representou o fim do princípio da territorialidade e deu início à aplicação do conceito da universalidade da renda, segundo o qual a tributação da pessoa jurídica passou a alcançar a renda produzida no Brasil e no exterior. Que o § 6o do artigo 1o, da Instrução Normativa n° 213/02, determina que os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Aduz o impugnante que a legislação tributária permite, exclusivamente para fins de IRPJ e CSLL, a tributação universal da renda, sendo que o resultado consolidado das filiais como é o presente caso deverá ser adicionado à base de cálculo daqueles tributos. De acordo com o contribuinte, o Fisco não tem competência para fiscalizar, tampouco exigir exação tributária de pessoa jurídica localizada fora do território nacional, i.e., em Nassau. O que foi permitido é exclusivamente o reconhecimento das receitas auferidas por filial localizada no exterior. Que os pagamentos aqui tratados foram realizados por Banco Votorantim/Nassau, e, portanto, não há que se adicionar tais valores na base de cálculo do IRPJ e CSLL do impugnante. Da efetividade do Banco Votorantim/ Nassau: Razão básica a evitar sua desconsideração. Alega o contribuinte que foi comprovada não só a efetividade da atuação do Banco Votorantim/Nassau no conglomerado do impugnante, como evidenciado que os pagamentos das gratificações originaramse de fato e de direito daquela filial, destinandose a reconhecer os trabalhos executados pelos beneficiários (empregados e diretores) nas diversas negociações e operações levadas à efeito pela filial em prol do conglomerado. Que no período de 2006 a 2008, foi deliberado o pagamento de gratificações aos seus diretores, muitos dos quais diretores e/ou funcionários do impugnante, por meio de sua filial em Nassau, tendo em vista o incremento nos resultados apurados no exterior. Aduz o interessado que alguns dos beneficiários das gratificações são diretores da própria filial no exterior, inclusive, foram aprovados por Ata de Assembleia registrada no Banco Central de Bahamas. Que com relação a esses beneficiários, não há que se discutir a legalidade do pagamento de gratificações pela filial em Nassau, uma vez que esta autoridade fiscal não tem competência para fiscalizar tal pagamento, muito menos exigir algum tributo decorrente dele. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 961 9 E que, quanto aos diretores e funcionários do impugnante, estes, indiretamente, contribuíram para a formação do lucro daquela filial. E foi por esse motivo que a filial resolveu gratificálos. Afirma que para ilustrar a participação dos beneficiários das gratificações nas operações de Banco Votorantim/Nassau, os recursos captados pela mesma no exterior teriam transitado pela conta do impugnante, que, por sua vez, os utilizaria no mercado de varejo operações de financiamento, empréstimos etc), conforme demonstrariam os balanços. Que os diretores beneficiários das gratificações tem responsabilidade civil sobre a filial de Nassau, participando diretamente em sua atividade social, motivo pelo qual é plenamente viável o pagamento de gratificações. Alega que o fato de o Lucro Líquido da impugnante ser maior do que o da filial no exterior também não é um impeditivo para que a filial estrangeira realize o pagamento das gratificações a funcionários que lhe prestaram serviços, uma vez que esta auferiu lucro suficiente para suportar tais pagamentos. Sustenta que a autoridade fiscal está desconsiderando o negócio jurídico (atas de assembléia realizadas, contrato de câmbio, etc). E que, as atas de assembleia que definiram os pagamentos das gratificações pelo Banco Votorantim/Nassau são perfeitamente existentes, válidas e eficazes e não podem serem ignoradas, uma vez que produziram efeitos no mundo jurídico. Do necessário ajuste da base de cálculo Afirma o contribuinte que somente poderiam ser adicionados, à base de cálculo do IRPJ e CSLL, os pagamentos realizados aos diretores estatutários do impugnante, devendo ser excluídos os pagamentos efetuados aos diretores celetistas e funcionários do impugnante, eis que configuram despesas operacionais. Que caso se considere a tese da autoridade fiscal correta, há que se levantar a existência de recolhimento de imposto pago por Banco Votorantim/Nassau, a fim de deduzilo da base de cálculo do IRPJ do período, conforme manda o artigo 26, da Lei n° 9.249/95. Ressalta que, qualquer adição determinada ao IRPJ por indedutibilidade de despesas, não implica em igual adição na base de cálculo da CSLL, eis que ausente norma legal que assim determine. Que nos termos do art. 2o da Lei n° 7.689/88, a base de cálculo da CSLL na sistemática do Lucro Real consiste no Lucro Líquido ajustado pelas adições determinadas, às exclusões admitidas e compensações de base de cálculo negativa até o limite definido em legislação específica, vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores. Que a legislação pertinente não determina a adição à base de cálculo da CSLL de valor considerado indedutível para fins de IRPJ. E que improcede a arguição fiscal de que as regras aplicáveis à formação da base de cálculo do IRPJ devem ser exatamente as mesmas para formação da base de cálculo da CSLL. Argumenta que o lucro líquido (base de cálculo da CSLL) corresponde ao resultado do exercício antes da provisão para o IRPJ, derivando do resultado positivo obtido após o confronto entre as receitas e os custos e as despesas incorridas ou pagas. Do basilar princípio da legalidade Fl. 961DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 962 10 Aduz o interessado que ao deixar de amparar o lançamento da CSLL em analogia à sistemática de apuração do IRPJ por suposta ausência de adição de despesa, a autoridade fiscal vilipendiou o Princípio da Legalidade, cuja aplicação in casu é obrigatória conforme preceitua o art. 2° da Lei n° 9.784, de 29/01/99. Que a tipicidade determina que todos os elementos para a conformação do tributo devam vir estabelecidos em lei, indicandose exaustivamente todos os aspectos necessários da hipótese de incidência tributária que se visa a exigir. Que em respeito ao princípio da estrita legalidade, não se deve admitir a adição procedida pela fiscalização à base de cálculo da CSLL, pois inexiste expressa previsão legal para tanto. Da indevida aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício O contribuinte requer, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a referida multa de ofício, pois a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece de base legal, já que o §3o do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. Alega que os débitos a que se refere o §3o são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Aqueles não podem ser confundidos com as multas (penalidade), pois têm causas diversas, conforme dispõe o artigo 3o do CTN. Que ao utilizar a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", a Lei n° 9.430/96 estaria se referindo a débitos não lançados, visto que normatiza a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Corroborando este entendimento, o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente: Concluiu o impugnante que, a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do § único, do artigo 43, da Lei n° 9.430/96. E que, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verificarase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. Na petição apresentada, em 04/04/2012, às fls. 743747, o contribuinte ratificou as alegações já apresentadas na impugnação, alegando ter acostado documentos societários das empresas do grupo econômico. A decisão recorrida julgou improcedente a improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 963 11 LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. Tendo em vista que a autuação referente à compensação indevida do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, do ano calendário 2007, não foi expressamente impugnada pelo contribuinte, considerase definitivamente constituído o lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não cabe alegar nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, quando o auto de infração encontrase formalizado com observância aos ditames dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e devidamente cientificado ao contribuinte, tendo este recebido cópias do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, que descrevem claramente os fatos apurados no curso do procedimento fiscal, as conclusões e o embasamento legal para as normas consideradas infringidas; observandose, ainda, que todo o procedimento fiscal foi acompanhado por um dos diretores da empresa. PRELIMINAR. NULIDADE. PRESUNÇÃO. Comprovado nos autos que o lançamento não foi fundamentado em presunção, não cabe alegar sua nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 FILIAL. EXTERIOR. REPERCUSSÃO. RESULTADO NA MATRIZ. Não cabe alegar fiscalização de pessoa jurídica situada no exterior em lançamento fiscal efetuado na matriz localizada em território nacional, quando o lucro líquido da filial situada no exterior e informado na DIPJ repercute no resultado da matriz. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. DIRETORES. FILIAL. MATRIZ. Descabe aceitar a alegação de que alguns dos diretores da empresa autuada também eram diretores da filial localizada no exterior quando desacompanhada de provas irrefutáveis neste sentido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 964 12 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Intimada da decisão em 01 de novembro de 2012 (fl. 825), a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário de fls. 827864 em 04 de dezembro de 2012. Inicialmente, alega que a autuação baseiase única e exclusivamente na suposta ausência de adição de despesas com gratificações pagas a seus administradores por meio de sua filial em Nassau, estranhando a ausência de qualquer discussão a respeito de eventual planejamento fiscal, tampouco sobre sua ilicitude. Nesse cenário, esclarece que não se admitiria qualquer alteração no critério jurídico do lançamento em sede de julgamento da lide administrativa, sob pena de afronta ao art. 146 do CTN. Preliminarmente, ataca a decisão da DRJ a respeito de suas conclusões quanto à definitividade do lançamento no que toca à glosa de compensações. Isso porque, a seu entender, tratandose de infração decorrente da própria exigência principal, não havendo que se falar ausência de lide sobre a matéria. Ressalta que a fiscalização, ao recompor seu lucro real e compensar de ofício os prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores que possuía à data da ocorrência do fato gerador, acabou por detectar ausência de recolhimentos de IRPJ e CSLL em períodos subsequentes em face da insuficiência de saldos fiscais de períodos anteriores para a compensação levada a efeito pela Recorrente. Frisa que, cancelandose a exigência principal, por decorrência, cancelarseia também a exigência decorrente, o que implica ausência de definitividade da totalidade do crédito tributário exigido de ofício. No mérito, ataca a decisão de primeira instância ao não reconhecer a aplicação do princípio da territorialidade, permitindo a aplicação de normas fiscais aplicáveis às pessoas jurídicas estabelecidas no Brasil para determinar o lucro fiscal de empresa situada no exterior. No mais, repisa os argumentos entabulados em sede de impugnação, requerendo ainda a compensação do imposto pago pela filial Nassau, nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249/95. Ressaltase que por meio do despacho de fls. 918919, a unidade de origem reconhece que não há definitividade de qualquer parcela do crédito tributário exigido de ofício, o que implica, portanto, ausência de lide a esse respeito. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 927943. Em resumo, reafirma a correição da decisão recorrida, concluindo ainda que o pagamento de dívidas da Recorrente por sua filial demonstra que tal parcela era lucro a ela disponibilizado, devendo compor o lucro real do período. Aduz ainda sobre a validade da glosa de despesa necessária para fins de determinação da base de cálculo de CSLL, bem como sobre a legalidade da incidência de juros de mora, com base na taxa Selic, à multa de ofício cominada. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 965 13 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. O litígio repousa basicamente em torno da possibilidade, ou não, de a fiscalização aplicar a legislação tributária nacional para fins de quantificação do lucro tributável apurado por filial da Recorrente sediada no exterior, lucro esse a ser adicionado ao lucro real da Recorrente, nos termos da legislação vigente. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Em primeiro lugar porque a despesa questionada pela autoridade fiscal diz respeito, de forma inequívoca e incontroversa, a gratificações pagas pela filial em Nassau a administradores da Recorrente, que efetivamente residem e administram a Recorrente no Brasil. Destaco, a esse respeito, as considerações tecidas pela PGFN em suas contrarrazões: De fato, as atas das assembleias comprovam a situação narrada pela fiscalização. Como exemplo, temse a assembleia geral extraordinária realizada em 31 de julho de 2006. Na ocasião, o Banco deliberou sobre a remuneração de seus diretores da seguinte forma: Foi deliberado fixar a remuneração mensal dos Diretores, a título de honorários, para o período compreendido entre julho e dezembro de 2006, no valor de R$ 1.167.500,00 (um milhão, cento e sessenta e sete mil e quinhentos reais) por mês, a serem distribuídos conforme os Diretores deliberarem entre si, bem como o pagamento de gratificação extraordinária até o montante de R$ 7.550.000,00 (sete milhões, quinhentos e cinquenta mil reais), incluindo aquele a ser feito pela agência da Sociedade localizada em Nassau, a ser realizado até 31 de agosto de 2006. De acordo com a decisão societária, os diretores receberiam gratificações extraordinárias no montante de até sete milhões, quinhentos e cinquenta mil reais, já englobando os honorários que seriam pagos pela filial em Nassau. Porém, não obstante constar em ata que pelo menos parte do pagamento seria realizado diretamente pelo Banco, ao final, a remuneração foi paga integralmente pela filial no exterior. Em outra ocasião, fica ainda mais clara a intenção de se remunerar os diretores que atuam no Banco Votorantim apenas por intermédio da empresa em Nassau. Constou na ata de reunião de diretoria realizada em 29 de dezembro de 2006 o seguinte: foi aprovado provisionar o pagamento de gratificação aos funcionários e colaboradores do Banco Votorantim S.A e controladas no valor de até R$ 14.200.000,00 (quatorze milhões e duzentos mil Fl. 965DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 966 14 reais), a ser efetuado até 31 de março de 2007 pela agência da Sociedade localizada em Nassau. Já na ata de 28 de setembro de 2006, deliberouse que em virtude de incremento nos resultados apurados na agência desta Instituição localizada em Nassau, no corrente exercício, foi aprovada a gratificação extraordinária para a Diretoria até o valor total de R$ 2.980.000,00 (dois milhões, novecentos e oitenta mil reais), a ser paga pela referida agência até 31 de outubro de 2006. A deliberação confirma que a gratificação atingiu diretores da matriz brasileira, em razão da administração do grupo empresarial. Contudo, nos anos de 2006 e 2007 somente as remunerações fixas transitaram pela folha de pagamento. Quanto à parcela variável, o pagamento por meio de folha, com a respectiva tributação, ocorreu em apenas duas oportunidades: 03/2008 e 09/2008. Os demais (agosto/2006, setembro/2006, março/2007, agosto/2007 e fevereiro/2008, totalizando R$ 33.313.250,23) foram todos realizados pela agência no exterior, sem tributação. Frisese, que com exceção dos questionamentos tecidos pela Recorrente em relação a erro na quantificação dos valores em questão (parte dos pagamentos teria sido feito a não administradores), os demais fatos são incontroversos. Nesse cenário, a teor do que dispõe o art. 303 do Regulamento do Imposto de Renda (cuja base legal são o art. 45, § 3º, da Lei nº 4.506, de 1964, e o art. 58, parágrafo único, do DecretoLei nº 1.598, de 1977), transcrito a seguir, tais despesas efetivamente são indedutíveis e deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo de IRPJ e CSLL: Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei n° 4.506, de 1964, art. 45, §3°, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). A discussão a respeito do ajuste do lucro da filial, embora de fato seja controversa com base na legislação vigente, inclusive no que tange às instruções normativas citadas pela Recorrente, mostrase de menor importância no contexto do caso concreto, uma vez que as despesas em discussão são, sem sombra de dúvidas, despesas da própria Recorrente. Argumenta a Recorrente que não houve qualquer acusação de simulação, fraude ou utilização de empresa veículo, tampouco indagação sobre a existência de fato de sua filial em Nassau. De fato, o termo de verificação fiscal lavrado não aborda tais questões, mas, sem sombra de dúvidas, aponta de modo cristalino que as despesas contabilizadas na filial Nassau referiamse a obrigações da Recorrente. Entendo ser esse o ponto fulcral da exigência, o que me levar a confirmar a ocorrência da infração, não havendo que se falar em alteração do critério jurídico da exigência. Desse modo, resta caracterizada a infração. Passo a análise da base de cálculo do lançamento, pedido subsidiário da Recorrente. Alega a Recorrente que os valores considerados no lançamento englobam gratificações pagas também a seus funcionários e a seus diretores celetistas, não havendo qualquer óbice para que tais valores pudessem reduzir o lucro real apurado. Aduz ainda que no montante considerado há desembolsos realizados para pagamento de diretores da própria filial Fl. 966DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 967 15 Nassau e que a conclusão da decisão recorrida está equivocada ao associar que todo o valor de gratificação pago se deu em favor de seus diretores no Brasil à aprovação dos pagamentos de gratificações em Assembleia da Recorrente. Argumenta que a decisão da Assembleia aplicase também à filial, uma vez que tal unidade é desprovida de personalidade jurídica própria, carecendo de autonomia em relação às diretrizes gerenciais da Recorrente, matriz do conglomerado. Nesse aspecto, e também em relação à exigência de CSLL, entendo perfeitas as considerações da decisão recorrida, e, tendo em vista a inexistência de novos elementos ou argumentos que possam alterar tal decisão, e, para evitar tautologia, adoto as razões de decidir de tal aresto, transcrevendoos a seguir, conforme possibilita o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99: No entanto, em que pese a atual legislação determinar a tributação dos lucros auferidos por intermédio de filiais no exterior, no presente caso, a fiscalização constatou que as despesas pagas a título destas gratificações, pela filial situada em Nassau, diminuíram o IRPJ e a CSLL a pagar da empresa matriz, uma vez que compuseram as despesas na apuração do resultado da filial, conforme demonstram as fichas das DIPJs 2007 a 2009 (fls. 1022). Assim, a ficha 35 Participações no Exterior, indica o lucro líquido do período de apuração da filial, já deduzido das despesas de gratificações pagas. Este lucro líquido foi adicionado na linha 07 (Lucros disponibilizados no Exterior) da ficha 09B Demonstração do Lucro Real e na linha 08 (Lucros disponibilizados no Exterior) da ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Consequentemente, houve repercussão na apuração final do lucro real e da base de cálculo da CSLL do impugnante. Destarte, uma vez que a despesa da filial repercutiu diretamente na apuração dos resultados na empresa autuada, não há que se falar em fiscalização de pessoa jurídica situada no exterior e sim de fiscalização da empresa matriz situada no Brasil. Argumenta o interessado que a deliberação para o pagamento de gratificações aos diretores, por meio de sua filial em Nassau, ocorreu tendo em vista o incremento nos resultados apurados no exterior. E, apresenta o demonstrativo (fl.136) a seguir reproduzido, afirmando que os pagamentos discriminados foram aprovados em favor dos Diretores e Funcionários da impugnante. Ata de Assembléia Data dos Gratificações pagas a Gratificações pagas a Doc. e de Diretoria pagamentos Diretores da Impugnante Funcionários da Impugnante 31/07/2006 ago/06 R$7.156.174,23 3 28/09/2006 set/06 R$2.980.000,00 4 29/12/2006 mar/07 R$12.801.500,00 R$752.500,00 5 28/06/2007 ago/07 R$6.326.000,00 R$115.000,00 6 28/12/2007 fev/08 R$4.049.576,00 7 Notese que os valores acima, constantes da coluna “Gratificações pagas a Diretores da impugnante” são exatamente os mesmos considerados pela autoridade autuante, como base de cálculo para a autuação (item 2.7.2 do TVF). Fl. 967DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 968 16 Ou seja, a partir do demonstrativo acima, elaborado pelo próprio interessado, constatase que as gratificações foram pagas aos diretores da empresa autuada, Banco Votorantim S.A. Contudo, a seguir, o impugnante apresenta outro demonstrativo discriminando os “beneficiários” que teriam recebido as gratificações da filial de Nassau, no demonstrativo denominado “Relação Diretores e Funcionários beneficiários das gratificações pagas através da Votorantim Branch (Agência Nassau)”. Neste demonstrativo (fl. 137) são relacionados os valores pagos, por período, aos seguintes beneficiários: Diretores Banco/Branch Diretores BV Financeira/Branch Diretores Asset/Branch Diretores Corretora/Branch Funcionários Banco/Branch Foram nominados os seguintes funcionários: Marcelo Augusto de Castro: Superintendente de Câmbio; Marta Cibella Knecht: Superintende Jurídico; Nelson Jorge de Freitas: Superintende de Contabilidade; Ronaldo Jose Iser: Superintende de Recursos Materiais; Marco Lockmann: Maneger of development business, Rute Megumi Wada: Comaneger of development business. Observase que estes funcionários são os mesmos já citados pelo contribuinte em resposta apresentada à fiscalização (fl. 61) ao Termo de Intimação Fiscal de fl.58, e que as gratificações pagas a estes funcionários não foram objeto da presente autuação. Vejase que não foram apresentadas quaisquer justificativas em relação aos demais beneficiários, os quais seriam diretores de outras empresas. Como se vê, não consta o nome empresarial completo ou o CNPJ de cada empresa. Poderia suporse que a denominação “Diretores Banco/Branch” indicaria a filial de Nassau ou o próprio Banco. A denominação “Diretores BV Financeira/Branch” parece referir se à BV Financeira S/A – Crédito, Financiamento e Investimento, cujas demonstrações financeiras foram anexadas aos autos (fls. 487 639). Igualmente, a denominação “Diretores Corretora/Branch” sugere tratarse de Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, em razão dos documentos anexos às fls. 317486. No entanto, observase que estas empresas pertencem ao grupo empresarial Votorantim, mas não são filiais da empresa autuada, Banco Votorantim S.A. Não há documentação nos autos, relativa à “Asset/Branch”. Desta forma, a alegação da defesa de que “no período de 2006 a 2008, foi deliberado o pagamento de gratificações aos seus diretores, muitos dos quais Fl. 968DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 969 17 diretores e/ou funcionários da Impugnante, por meio de sua filial em Nassau, tendo em vista o incremento nos resultados apurados no exterior” – sublinhei (item 64 da Impugnação), mostrase inconclusiva. Ressaltese que a deliberação para o pagamento de gratificações aos diretores foi realizada por meio de Atas da Assembleia Geral Extraordinária e de Ata de Reunião de Diretoria realizadas pelo próprio Banco Votorantim S.A, CNPJ 59.588.111/000103 (fls. 2428) e devidamente registradas na JUCESP. Portanto, inferese que a deliberação de pagamento de gratificações diz respeito aos diretores do próprio Banco Votorantim, não havendo respaldo para alegação de gratificação de diretores de outras empresas do grupo. Na petição de fls. 743747, apresentada a destempo, o contribuinte alterou a redação do parágrafo da impugnação acima transcrito para: “no período de 2006 a 2008, foi deliberado o pagamento de gratificações aos seus diretores (i.e., diretores da filial), alguns dos quais diretores e/ou funcionários da Impugnante” sublinhei (fl.745). Desta vez, o contribuinte alega que a deliberação para o pagamento de gratificações teria sido feita em relação aos diretores da filial e que alguns destes diretores seriam também diretores do autuado. Neste ponto, cabe transcrever os seguintes trechos das Atas de Assembleia e de Reunião, em questão: Ata da Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 31/07/2006 (fl. 24) 5.DELIBERAÇÕES – Foi deliberado fixar a remuneração mensal dos Diretores, a título de honorários, para o período compreendido entre julho e dezembro de 2006, no valor de R$1.167.500,00 (...) por mês, a serem distribuídos conforme os Diretores deliberarem entre si, bem como o pagamento de gratificação extraordinária até o montante de R$7.550.000,00 (...) incluindo aquele a ser feito pela agência da Sociedade localizada em Nassau, a ser realizado até 31 de agosto de 2006. Ata da Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 28/09/2006 (fl. 25) 5.DELIBERAÇÕES – Em virtude do incremento nos resultados apurados na agência desta instituição localizada em Nassau, no corrente exercício, foi aprovada a gratificação extraordinária para a Diretoria até o valor total de R$2.980.000,00(...), a ser paga pela referida agência até 31 de outubro de 2006. Ata da Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 28/06/2007 (fl. 27) 5.DELIBERAÇÕES – Foi aprovada a gratificação extraordinária para os Diretores e colaboradores do Banco Votorantim agência Nassau, no valor de até R$6.500.000,00 (...) Fl. 969DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 970 18 gratificação essa deliberada em virtude do incremento nos resultados apurados naquela agência no corrente exercício, a ser paga pela referida agência até 30 de agosto de 2007. Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 28/12/2007 (fl. 28) 5.DELIBERAÇÕES – Foi aprovada a gratificação extraordinária para os Diretores e colaboradores do Banco Votorantim agência Nassau, no valor de até R$4.500.000,00 (...) gratificação essa deliberada em virtude do incremento nos resultados apurados naquela agência exercício social que se encerra em 31 de dezembro de 2007, a ser paga pela referida agência até 29 de fevereiro de 2008. Ata de Reunião de Diretoria, realizada em 29/12/2008 (fl. 26) 5.DELIBERAÇÕES – Foi aprovado provisionar o pagamento de gratificação aos funcionários e colaboradores do Banco Votorantim S.A e controladas no valor de até R$14.200.000,00 (...), a ser efetuado até 31/03/2007 pela agência da Sociedade localizada em Nassau. Da leitura acima, verificase que apenas duas Atas fazem referência à agência Nassau, sendo que as demais referemse à diretores e colaboradores de forma genérica, o que denota a necessidade de documentos adicionais comprobatórios. O impugnante apresentou, juntamente com a impugnação, documentos de identificação, representação, atas de assembléia e estatutos, além dos seguintes documentos: Demonstrações Contábeis ou Financeiras do período de 2004 a 2008, de Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, elaborado por KPMG Auditores Independentes (fls. 316486); Demonstrações Financeiras do período de 2005 a 2008, de BV Financeira S/A – Crédito, Financiamento e Investimento, elaborado por KPMG Auditores Independentes (fls. 487 639); Financial Statements at December 31, 2006 and Report of Independent Auditors, texto em inglês, do Banco Votorantim S/A – Nassau Branch, elaborado por PriceWaterHouseCoopers (fls. 640741). Conforme já visto, as demonstrações financeiras das empresas do grupo Votorantim não são capazes de fazer prova a favor do contribuinte, na presente autuação, a qual diz respeito à glosa de gratificações pagas aos diretores e administradores do contribuinte, por meio de sua filial. Em relação ao relatório elaborado para a filial de Nassau, por auditores independentes, cabe destacar que para terem sua validade reconhecida, Fl. 970DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 971 19 documentos em língua estrangeira devem preencher os requisitos do art. 224 do Código Civil de 2002, dos arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148, da Lei nº 6.015/1973, e do art. 18 do Decreto n° 13.609/1943, a seguir transcritos, com amparo no art.13 da Constituição Federal: Constituição Federal Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Código Civil Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Código de Processo Civil Art. 156 – Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso do vernáculo. Art. 157 – Só poderá ser juntado aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei nº 6.015, de 31/12/1973 Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: 6º. todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. Decreto n° 13.609/1943 Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou Fl. 971DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 972 20 entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento. À luz dos diplomas legais retromencionados, inferese que a legislação impõe uma série de condições para que documentos e, mais especificamente no caso em comento, provas documentais redigidas em idioma estrangeiro, tenham validade no Brasil e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal. Destarte, concluise que as provas documentais apresentadas não foram hábeis e suficientes para comprovar as alegações apresentadas. Ademais, verificase clara contradição entre a justificativa apresentada na impugnação e a alegação apresentada na petição, sobre quais diretores seriam os reais beneficiários das gratificações. Alega o contribuinte que estaria comprovada a efetividade da atuação do Banco Votorantim/Nassau no conglomerado do impugnante. No entanto, constatase que não há, nos autos, nenhuma comprovação neste sentido. Em relação à justificativa, apresentada pelo contribuinte, de que o pagamento de gratificações aos diretores teria se dado em razão do incremento nos resultados apurados em Nassau, poderia ser viável para o anocalendário 2006, pois constam lucros disponibilizados no valor de R$98.316.072,81 (fl.10) comparativamente aos lucros disponibilizados no ano anterior, no valor de R$451.505,98 (fl.795). No entanto, confrontandose os resultados do anocalendário 2006 com os de 2007 (lucros disponibilizados de R$40.026.196,17 (fl.14), verificase um decréscimo de mais de 50%. Portanto, a justificativa apresentada, por si só, não se mostra razoável. E, ainda, o argumento do impugnante, de que os pagamentos das gratificações destinaramse a reconhecer os trabalhos executados pelos beneficiários nas diversas negociações e operações levadas à efeito pela filial em prol do conglomerado, carece de comprovação documental. Caso alguns dos diretores do autuado tenham recebido as gratificações por acumularem também esta função na filial de Nassau como aduz a defesa, deveriam ter sido apresentados documentos e registros contábeis que comprovem o alegado. Notese que foi apresentado, juntamente com a petição entregue extemporaneamente, o documento denominado “Banco Votorantim S.A. – Certificate of Incumbency” (fl. 748), datado de 31/12/2008, em língua estrangeira. Outro documento semelhante, datado de 29/12/2006, consta à fl. 749. Quanto aos documentos, há a ressalva feita anteriormente, acerca da validade dos documentos apresentados em idioma estrangeiro. Ademais, não consta nenhum registro, dos documentos em questão, junto aos órgãos oficiais de Bahamas, conforme alegado. Assim, a afirmação do impugnante, de que os diretores da filial foram aprovados por Ata de Assembléia registrada no Banco Central de Bahamas, não encontra qualquer respaldo documental. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 973 21 Quanto à alegação de que os recursos captados pelo Banco Votorantim/Nassau no exterior teriam transitado pela conta do impugnante, que por sua vez, os teria utilizado no mercado de varejo operações de financiamento, empréstimos etc, conforme demonstrariam os balanços, verificase que nada consta dos autos. Cabe dizer que a empresa deve instruir sua defesa com os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, a seguir transcrito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (destacouse) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (...) Sobre a apresentação de provas, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez (“Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”, Ed. Dialética, SP, 2010, pág. 214) lecionam que: No processo administrativo fiscal federal temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes. Os contribuintes não têm o dever de produzir provas em sua defesa, tão só o ônus. Não o atendendo, não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. O sujeito passivo pode simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, recaindo sobre o agente fiscal o ônus da prova desses fatos, porque o julgador só terá esses elementos de comprovação para concluir pela procedência da exigência (art. 209 do CPC). Por outro lado, se a defesa alegar Fl. 973DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 974 22 outro fato que evidencie a inexistência do fato constitutivo, recai sobre ela o ônus da prova. Da mesma forma, se apresentar uma exceção baseada em fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda, deverá também provar o alegado.(destacouse) Tal entendimento é assente no Conselho de Contribuintes, conforme decisões a seguir: ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de recurso devem ser acompanhadas de provas que as corroborem. Alegar sem provar equivale a não alegar, quanto aos efeitos no processo. (Acórdão 10196880, de 14/08/2008) ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. INACEITAÇÃO. Nos estritos termos do Decreto 70.235/72 impende ao recorrente apresentar as provas do que alega, não podendo o julgador acatar alegações que delas não se façam acompanhar. (Acórdão 20402265, de 27/03/2007) ÔNUS DA PROVA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. (Acórdão 10515987, de 20/09/2006) Portanto, o contribuinte não apresentou os documentos hábeis e idôneos aptos a respaldar eventual alteração da base de cálculo lançada. Sustenta, ainda, o impugnante que a legislação pertinente não determina a adição à base de cálculo da CSLL, de valor considerado indedutível para fins de IRPJ, sendo improcedente a arguição fiscal de que as regras aplicáveis à formação da base de cálculo do IRPJ devem ser exatamente as mesmas para formação da base de cálculo da CSLL. Neste item, a fiscalização fundamenta o lançamento para a CSLL com base no art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 57 da Lei nº 8.981/1995: Lei nº 9.430/1996 Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Lei nº 8.981/1995 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 975 23 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifos acrescidos) Cabe, ainda, transcrever o art. 1º da IN SRF nº 213/2002, a qual dispõe especificamente sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no país: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. (...) § 4º Os lucros de que trata este artigo serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. § 5º Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do art. 4º desta Instrução Normativa. § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 976 24 § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. § 8º Os rendimentos e os ganhos de capital, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas no exterior, integrarão os resultados da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e as perdas reconhecidas nesses resultados são indedutíveis e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. (grifos acrescidos) Desta forma, de acordo com as normas citadas, encontrase legítima a autuação também para a CSLL. Ainda a respeito da base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, bem como em relação aos membros da diretoria, convém reforçar que a própria peça recursal da recorrente, em sua página 19, item 60, aponta o montante de gratificações paga aos seus diretores, montante este utilizado como base para a exigência fiscal. Assim sendo, não lhes assiste razão em sua irresignação. DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 977 25 Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) Fl. 977DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 978 26 A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer Fl. 978DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 979 27 o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 980 28 OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721758/201101 Acórdão n.º 1402001.866 S1C4T2 Fl. 981 29 Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 981DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11020.002241/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2006 a 30/11/2007
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
A legislação que regula a compensação é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ.
Numero da decisão: 3403-003.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação que regula a compensação é a vigente à data do “encontro de contas” entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 22 41 /2 00 8- 37 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Logo ao início (fls. 2 a 5)1, se esclarece que a formalização do presente processo de cartacobrança se deve à declaração de débitos de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS em DCTF (períodos de apuração de fevereiro de 2006 a novembro de 2007) como compensados com crédito reconhecido no mandado de segurança no 2000.71.07.0075510, compensação essa que foi efetuada sem declaração específica, nos moldes do art. 66 da Lei no 8.383/1991 (“autocompensação”, com informação somente em DCTF). Narra o fisco que, de acordo com o processo de acompanhamento judicial (processo administrativo no 11020.000282/200112), na ação judicial (mandado de segurança) se demanda: (a) a declaração de inconstitucionalidade da majoração de alíquota da COFINS de 2 para 3% efetuada pela Lei no 9.718/1998; (b) a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo efetuada pelo § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998; e (c) a declaração de que, mantida a majoração de alíquota da COFINS, seja mantido o direito de compensação, conforme §§ 1o e 4o do art. 8o da Lei no 9.718/1998, com a declaração de inconstitucionalidade da MP no 1.85810/1999 e reedições, assegurado o direito de transporte para exercícios futuros, com acréscimo à Taxa SELIC; e (d) direito de excluir da base de cálculo das contribuições as receitas computadas em suas demonstrações contábeis e transferidas a outras pessoas jurídicas, nos termos do § 3o do art. 2o, III, da Lei no 9.718/1998, afastando a incidência da MP no 1.99118/2000 e suas reedições e o Ato Declaratório SRF no 56/2000. O pedido de concessão liminar no processo judicial foi indeferido, sendo concedida em primeira instância unicamente o afastamento do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (alargamento da base de cálculo). O TRF da 4a Região deu provimento à apelação e à remessa especial (reconhecendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998), negando provimento ao recurso da impetrante. Inconformada, a empresa apresentou recurso extraordinário no qual, além das matérias já relacionadas, acrescenta que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo da COFINS por não integrar o conceito de faturamento. Em 23/02/2006 foi proferida decisão pelo STF reconhecendo parcialmente o recurso no que se refere ao alargamento da base de cálculo (porque declarada a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998). O trânsito em julgado ocorreu em 09/06/2006. Como o período abrangido pela decisão judicial, para a COFINS, é de fevereiro de 1999 (entrada em vigor do dispositivo declarado inconstitucional) a janeiro de 2004 (entrada em vigor da sistemática não cumulativa para a contribuição, com a Lei no 10.833/2003), foram apuradas pelo fisco as bases de cálculo após o provimento judicial, a partir de dados constantes de escrituração e declarações da própria empresa (Razão, DIPJ e DACON). Verificouse, assim, que o crédito é suficiente apenas para extinguir parte dos débitos das contribuições de outubro de 2001. Ademais, as compensações efetuadas a partir de outubro de 2002 (invocando como fundamento o art. 66 da Lei no 8.383/1991) não atenderam aos requisitos previstos na legislação que rege a matéria: art. 74, §§ 1o e 2o da Lei no 9.430/1996 (na redação dada pela MP no 66/2002, convertida na Lei no 10.637/2002, e disciplinada pela IN SRF no 210/2002). Cientificada da cartacobrança em 15/05/2008 (cf. AR de fl. 161), a empresa apresenta, em 23/05/2008, o documento de fls. 162 a 239, intitulado “recurso administrativo”, e endereçado ao Delegado da DRJ de Caxias do Sul /RS, no qual sustenta 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.002241/200837 Acórdão n.º 3403003.472 S3C4T3 Fl. 471 3 que: (a) nas DCTF estão as informações necessárias para o fisco verificar a legalidade das compensações efetuadas, não havendo lei obrigando a empresa a fazer a compensação de forma diversa à escolhida; (b) a autoridade administrativa deixou de homologar as compensações de forma indevida, pois o pedido de compensação teve amparo em decisão judicial (ainda de primeira instância); (c) a legislação que rege as contribuições é aquela vigente no momento em que são efetuados os recolhimentos indevidos/a maior; (d) como se trata de compensação não homologada, deveria ser aberto rito para manifestação de inconformidade, e não de apresentação de recurso de acordo com a Lei no 9.784/1999 (indicando que além do “recurso administrativo” protocolizaria posteriormente sua manifestação de inconformidade); (e) a Lei Complementar no 104/2001 não estava vigente ao tempo em que foram originados os créditos, sendo inaplicável ao caso em análise também pelo fato de ser mais específico que o CTN o comando do art. 12 da Lei no 1.553/1951; (f) a decisão invoca como fundamento apenas as Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que não prevêem a necessidade de trânsito em julgado da ação para que sejam efetuadas as compensações; (g) as leis ordinárias não podem contrariar leis complementares, sob pena de afronta ao “princípio da hierarquia das leis constitucionalmente previsto; e (h) as IN SRF que regulam a compensação são ilegais. No mais, volve a discutir as matérias já submetidas à apreciação judicial (inclusive no que se refere àquela apresentada em sede recursal, sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS) e solicita que as compensações sejam homologadas e as intimações dirigidas ao endereço do procurador. Negada a reconsideração da decisão (fls. 247 a 249), a matéria é submetida à Superintendência da RFB na 10a Região Fiscal, seguindo o rito da Lei no 9.784/1999. Em 16/09/2008 o Superintendente da RFB na 10a Região Fiscal analisa o “recurso administrativo”, emitindo o despacho de fls. 261 a 265, no qual entende que: (a) o rito aplicável ao caso é efetivamente o da Lei no 9.784/1999 (por inexistência de previsão de recurso específico); (b) a compensação tributária é regida pela legislação em vigor na data em que é efetivamente realizada (data do encontro entre débito e crédito), na linha do que entende o STJ, sendo assim improcedentes as alegações de que não havia lei regulando a matéria (pois havia: o art. 74 da Lei no 9.430/1996); (c) é correta a afirmação da fiscalização de que a empresa obteve judicialmente tão somente a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, sendo insuficientes os créditos decorrentes da decisão judicial para efetuar as compensações que desejou realizar administrativamente; e (d) tais créditos assegurados em juízo somente foram suficientes para extinguir parte dos débitos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP de outubro de 2001, sendo os demais débitos informados em DCTF simplesmente objeto de cobrança direta (e não de lançamento tributário), por se tratarem de débitos confessados, conforme § 1o do art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984. Com fundamento em tal entendimento, o Superintendente nega provimento ao recurso, registrando que “a decisão é definitiva na esfera administrativa”. Cientificada da decisão do Superintendente em 26/09/2008 (cf. AR de fl. 266), a empresa apresenta documento intitulado de “recurso voluntário”, dirigido ao “Presidente da __ Câmara do Conselho de Contribuintes/MF” em 20/10/2008 (fls. 271 a 353), demandando a reforma da decisão do Superintendente, por contraria a legislação que rege a matéria e o “princípio do duplo grau de jurisdição”. No mais, reprisa os argumentos expostos na primeira peça recursal. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 A unidade local então informa à empresa (despacho de fl. 354, com ciência em 30/10/2008, cf. AR de fl. 355) de que não foi considerado o documento apresentado, tendo em vista que já foi proferida decisão administrativa definitiva no processo. Diante de decisão judicial obtida em 06/04/2009 (cópia da sentença proferida no MS no 2009.71.07.0000057/RS às fls. 356 a 361), determinando o recebimento e o processamento dos recursos interpostos pela impetrante como se manifestação de inconformidade fossem, com o subsequente cabimento de eventual interposição de recurso voluntário, suspendendo a exigibilidade dos créditos até os julgamento de tais recursos, o processo foi enviado à DRJ , para julgamento, tendo aquele órgão (fls. 374/375) encaminhado o processo em diligência à unidade preparadora para juntada de cópia da petição inicial da ação no 2009.71.07.0000057/RS (o que se leva a cabo às fls. 376 a 406). Em 25/02/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 409 a 419), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade (e pelo não conhecimento na parte já submetida à apreciação do Poder Judiciário), sob os fundamentos de que: (a) a compensação tributária é regida pela legislação em vigor na data em que é efetivamente realizada (data do encontro entre débito e crédito), na linha do que entende o STJ e do que entendeu o Superintendente da 10a RF, sendo assim improcedentes as alegações de que não havia lei regulando a matéria (pois havia: o art. 74 da Lei no 9.430/1996); (b) não havia suspensão dos débitos da recorrente, como esta informava em DCTF, atribuindo a suspensão ao processo judicial, estando correta a decisão da unidade de simplesmente efetuar a cobrança dos débitos confessados em DCTF, diante do fato de terem sido negadas em juízo todas as demandas de mérito agora reapresentadas administrativamente (à exceção da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, já tomada em conta na cobrança); e (c) não houve lançamento tributário, ou invocação ao art. 170A do CTN pelo fisco. Cientificada da decisão de piso em 19/03/2010 (cf. AR de fl. 421), a empresa apresenta recurso voluntário em 19/04/2010 (fls. 446 a 452), no qual sustenta que: (a) a legislação aplicável é aquela da época dos recolhimentos indevidos; e (b) é cabível a compensação efetuada com base no art. 66 da Lei no 8.383/1991. Na sessão de setembro de 2014 o processo foi a mim sorteado, tendo em vista que o relator anterior não mais fazia parte do colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade (tendo sua apreciação sido determinada em juízo2) e, portanto, dele se toma conhecimento. Restam contenciosos apenas dois temas: o aspecto cronológico/temporal da legislação aplicável à compensação e o cabimento da compensação nos moldes do art. 66 da Lei no 8.383/1991. 2 Decisão confirmada pelo STJ em 01/11/2012, com registro de baixa definitiva de ofício na mesma data, que corresponde à última movimentação do processo, conforme consulta efetuada no sítio web do TRF da 4a Região (Disponível em: <www2.trf4.jus.br>. Acesso em 24.nov.2014). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.002241/200837 Acórdão n.º 3403003.472 S3C4T3 Fl. 472 5 Sobre o primeiro tema, cabe recordar que o STJ já definiu a questão da aplicação no tempo da legislação sobre compensação, na sistemática dos recursos repetitivos, ao analisar a possibilidade de superveniência de regra restritiva à compensação (especificamente a do art. 170A do CTN): “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” 3 (grifos nossos) Aliás, o Ministro relator do processo aproveita o voto para esclarecer o que alguns vinham interpretando como mudança de entendimento da corte no que se refere à aplicação temporal dos critérios para compensação. Por isso, vale transcrever abaixo significativo excerto do voto do relator em tal processo: “É certo que o suporte fático que dá ensejo à compensação tributária é a efetiva existência de débitos e créditos recíprocos entre o contribuinte e a Fazenda, a significar que, inexistindo um desses pilares, não nasce o direito de compensar. Daí a acertada conclusão de que a lei que regula a compensação é a vigente à data do "encontro de contas", entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ (v.g.: EResp 977.083, 1ª Seção, Min. Castro Meira, DJe 10.05.10; EDcl no Resp 1126369, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJe de 22.06.10; AgRg no REsp 1089940, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJe de 04/05/09). É importante não confundir esse entendimento com o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção, a partir do Eresp 488.452 (Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 07.06.04), precedente que, às vezes, é interpretado como tendo afirmado que a lei aplicável à compensação é a da data da propositura da ação. Não foi isso o que lá se decidiu, até porque, para promover a compensação tributária, não se exige o ajuizamento de ação. O que se decidiu, na oportunidade, após ficar historiada a evolução legislativa ocorrida nos anos anteriores tratando da matéria de compensação tributária, foi, conforme registrou a ementa, simplesmente que: 3 REsp 1.164.452MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, julgado em 25.ago.2010. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 "6. É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias". Em outras palavras, o que se disse é que não se poderia julgar aquela causa, então em fase de embargos infringentes, à luz do direito superveniente à propositura da demanda. De modo algum se negou a tese de que a lei aplicável à compensação é a vigente à data do encontro de contas. Pelo contrário, tal tese foi, na oportunidade, explicitamente afirmada no item 4 do voto que proferi como relator. Mais: embora julgando improcedente o pedido, ficou expressamente consignada a possibilidade da realização da compensação à luz das normas (que não as da data da propositura da ação) vigentes quando da efetiva realização da compensação (ou seja, do encontro de contas). Assim, improcedente a argumentação da recorrente no sentido da aplicabilidade da legislação vigente à época do recolhimento indevido ou a maior. Tal entendimento já foi inclusive externado de forma unânime por esta Terceira Turma nos Acórdãos no 3403001.745 e no 3403001.746. Sobre a possibilidade de compensação com base no art. 66 da Lei no 8.383/1991, já restou suficientemente esclarecido nos julgamentos anteriores (Superintendência e DRJ) que não sobrevive ilesa à previsão expressa em lei posterior (inaugurada com a Medida Provisória no 66/2002) de nova forma de apresentação de compensação: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...)” (grifo nosso) Ademais, ressaltese que o fisco reconheceu o crédito assegurado judicialmente (tomando em conta no cômputo do valor cobrado todo o crédito reconhecido em juízo, decorrente da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998). Diante do exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.002241/200837 Acórdão n.º 3403003.472 S3C4T3 Fl. 473 7 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13888.000374/2003-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
CSLL. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.
Numero da decisão: 1302-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Alberto Pinto Souza Junior. Esteve ausente momentâneamente o Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 569 1 568 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.000374/200390 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.641 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente AGROPECUÁRIA SANTA HELENA DE BROTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 CSLL. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Alberto Pinto Souza Junior. Esteve ausente momentâneamente o Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 74 /2 00 3- 90 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de auto de infração de CSLL, relativa ao 3° e 4° semestres do ano calendário de 1997, em virtude da apuração de compensação indevida da base de cálculo negativa de períodosbase anteriores na apuração da CSLL. Tendo sido improficua a tentativa de intimação por via postal, em razão do retorno com a indicação de endereço insuficiente, fls. 52 e 53, efetivouse a ciência do Auto de Infração por EDITAL, fl. 57 (afixado em 14/03/2003 e desafixado em 31/03/2003). Lavrouse o Termo de Revelia, em 23/04/2004, de fl. 60, e procedimentos de cobrança, de fls. 62 e 63. A impugnação foi subscrita pelos sócios intempestivamente em 14/06/2004, com a alegação de que por ser uma empresa que explora exclusivamente a atividade rural, pode compensar os lucros apurados com a totalidade dos prejuízos de anos anteriores, para o cálculo da CSLL. A contribuinte argumentou que, apesar de seu endereço estar informado corretamente no cadastro da Receita Federal, somente teve conhecimento do auto de infração em 23/05/2004, quando tentou emitir uma Certidão Negativa de Débitos. Salientou que, durante o período em que o processo seguiu sem o seu conhecimento, foram emitidas diversas certidões negativas de débitos. Em, 21/06/2006, pelo Acórdão n° 1413.002, os membros da 3º Turma da DRJ/Ribeirao Preto, por unanimidade de votos, não conheceram da impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal INTIMAÇÃO POR EDITAL — Sendo improficua a tentativa de intimação por via postal, é válida a intimação por edital, razão pela qual considerase o contribuinte devidamente cientificado do seu conteúdo. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA — Não se conhece da impugnação apresentada intempestivamente". A Contribuinte tomou ciência do acórdão em 12/09/2006 e apresentou recurso voluntário em 06/10/2006, alegando em síntese o seguinte: que a impugnação não conhecida pela DRJ por ser intempestiva, foi recebida naquele endereço constante do cadastro da Receita Federal. aduz que, por exercer atividade rural, não se submete ao limite de 30% em relação à cormpensação da base negativa da CSLL conforme decisões do Conselho de Contribuintes e também do Informativo de Perguntas e Respostas da Receita Federal. que apresententou reclamação e recurso hierárquico contra a carta cobrança, por entender haver violação de dever funcional. O Recurso Hierárquico não foi conhecido pela SRRF/8a RF. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 1302001.641 S1C3T2 Fl. 570 3 A 2ª Turma Ordinária da 3ª Camara do CARF, pelo Acórdão nº 130200.113, decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer de oficio a decadência do lançamento, conforme ementa a seguir: DECADÊNCIA. Reconhecese de oficio a decadência por tratarse de matéria de ordem pública. Ressaltou o ilustre PresidenteRelator Marcos Mello em seu voto, o seguinte: “No entanto, entendo que no caso concreto devese analisar a questão da ciência sobre a visão da razoabilidade. Consta o endereço cadastral da recorrente como sendo: Fazenda Santa Maria da Fabrica s/n, KM 17, est. Municipal Zona Rural, Brotas , CEP 17380000, mas também consta a Caixa Postal 00018015900000. Diante do retorno do AR de fls. 55 com a informação do correio de endereço insuficiente, deveria a autoridade fiscal, com os dados constantes dos sistemas informatizados da SRFB reenviar a correspondência com o complemento do endereço. Entretanto, observo que o lançamento quando realizado (28/02/2003), mesmo sem ter sido dada ciência do mesmo, já tinha sido fulminado pela decadência, tendo em vista que os fatos geradores ocorreram em 30/09/1997 e 31/12/1997. Diante do exposto, reconheço de oficio a decadência do lançamento objeto dos presentes autos.” A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial em face do referido acórdão, alegando o seguinte: que entendimento jurisprudencial em que se fundamenta o presente recurso, e que foi recentemente firmado pelo STJ, é no sentido de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN e não pelo art. 150, § 4º. dessa forma, na esteira da jurisprudência firmada pelo STJ, o entendimento firmado no acórdão recorrido contraria o disposto em lei, não havendo falar em decurso do prazo decadencial para a dministração pública proceder ao lançamento. para o fato gerador ocorrido em 31/12/1997, o prazo decadencial começou a correr em 01/01/1999 (primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), expirando em 31/12/2003. Ora, se o lançamento data de 28/02/2003, não há falar em decadência. O Presidente da 2ª TO da 3ª Câmara, em 01/12/2010, pelo despacho nº 259/2010, deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e determinou a intimação da Interessada. Cientificada em 23/02/2011, contribuinte apresentou suas contrarrazões em 09/03/2011, sustentando a inépcia do recurso especial pela não configuração do paradigma. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 A 1ª Turma da CSRF, pelo Acórdão nº 9101001.951, por unanimidade de votos deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62ª DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62ª do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CSLL DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Concluiu a relatora o seu voto da seguinte maneira: “Voltando ao presente caso, ao compulsar os autos não verifiquei qualquer existência de pagamento parcial do tributo em comento. Sendo assim, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Verifico que o Recurso Especial da d. Procuradoria requer seja afastada a decadência apenas para o fato gerador de 31/12/1997 (4º trimestre), mas não para o período de 30/09/1997 (3º trimestre), ao passo que a decadência foi acolhida para ambos os períodos pela decisão recorrida. Temse, de qualquer modo, que para o fato gerador de 30/09/1997 (3º trimestre), o termo inicial seria 01/01/1998, enquanto que o termo final seria 31/12/2002, estando de fato decaído o lançamento. Para o fato gerador que data de 31.12.1997, o prazo decadencial iniciouse 01/01/1999, encerrandose em 31/12/2003. Assim, seja considerando o lançamento em 28/02/2003 (data da lavratura do auto de infração, conforme considerou a decisão recorrida), seja considerando o edital de 14/03/2003 (fls. 57), verificase que não há que se falar em decadência para a CSLL referente ao quarto trimestre de 1997. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para aplicar o dies a quo do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, determinando que os autos retornem à Turma a quo para julgamento das demais questões de mérito alegadas pelo contribuinte, que ainda não foram enfrentadas.” É o relatório. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.000374/200390 Acórdão n.º 1302001.641 S1C3T2 Fl. 571 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Como bem ressaltou o ilustre relator Marcos Mello, no caso concreto devese analisar a questão da ciência sobre a visão da razoabilidade. Consta o endereço cadastral da recorrente como sendo: Fazenda Santa Maria da Fabrica s/n, KM 17, est. Municipal Zona Rural, Brotas , CEP 17380000, mas também consta a Caixa Postal 00018015900000. Diante do retorno do AR de fls. 55 com a informação do correio de endereço insuficiente, deveria a autoridade fiscal, com os dados constantes dos sistemas informatizados da SRFB reenviar a correspondência com o complemento do endereço e não partir para uma publicação por meio de edital. Verificase nos autos que a autoridade fiscal não exauriu os meios possíveis para alcançar a Recorrente, e de pronto optou pela notificação via edital, o qual deveria ser o último recurso utilizado para tanto. Verificase também pelas informações contidas nos autos, bem como pelas demais correspondências enviadas e recebidas pela Recorrente, que não era dificil estabelecer contato e comunicação com a Recorrente. Sendo assim, adimito a impugnação como tempestiva e passo a analisar sobre a inicdência ou não da CSLL no presente caso, exclusivamente sobre a exigência relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 1997, pela não aplicação do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais previsto nos arts. 42 e 58, da Lei n° 8.981/95, para as empresas que explorem atividades rurais. O CARF já decidiu em reiteradas oportunidades de forma a dar amparo a pretensão da Recorrente ao ponto de que tal questão não mais admite discussão na instância administrativa, eis que a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 53, de observância obrigatória pelos membros do CARF, “in verbis”: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722049/2013-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE.
Não demonstrando cabalmente o auditor fiscal os motivos que o levaram a desconsiderar a inclusão da contribuinte no simples, não há como manter o lançamento efetuado.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fabio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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MOTIVAÇÃO. NECESSIDADE. Não demonstrando cabalmente o auditor fiscal os motivos que o levaram a desconsiderar a inclusão da contribuinte no simples, não há como manter o lançamento efetuado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fabio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 20 49 /2 01 3- 56 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PRO JURIS INTITUTO DE ESTUDOS E PREPARAÇÃO JURIDICAS S/C LTDAEPP, em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário exigido. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de auto de infração referente ao AI DEBCAD nº 51.043.6838, englobando às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte devida pela empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. AI DEBCAD nº 51.043.6846, integrando às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos. Segundo relatório fiscal, o contribuinte não era optante pelo Sistema Simples nos períodos de 2009 a 2010. Consta ainda, que a opção pelo SIMPLES ocorreu a partir de 01/01/2011. Entretanto, o contribuinte declarou por meio de GFIP o período de 01/2009 a 12/2010 como se optante fosse, deixando de declarar e recolher as contribuições patronais devidas nesse período. Após devidamente intimado do lançamento em 27/06/2013 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva fls. 166/179. No entanto, a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção, o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Intimado da decisão da instância a quo em 27/03/2014, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 213, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls. 215/234, alegando em síntese: a) falta de materialização de pendência impeditiva ao ingresso no Simples Nacional permitido por decisão administrativa, após apresentação de impugnação, processo administrativo nº 11516.004898/200948; b) que o pedido de inclusão no Simples para o anocalendário de 2009, foi deferido com efeitos retroativos a 01/01/2009, condicionado a inexistência de pendências em outras esferas, não obstante a empresa ter feito novo pedido autorizado a partir de 01/01/2011; c) sustenta que há erros constantes nos relatórios de situação da empresa no Simples Nacional (ff. 56/60), emitidos em 17/06/2013, é possível Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722049/201356 Acórdão n.º 2803003.878 S2TE03 Fl. 239 3 perceber inconsistências de diversas ordens, provavelmente fruto da falta de atualização do sistema com eventos posteriores; d) alega que a Certidão Negativa de Débitos Municipais emitida em 18/05/2009 e vigente até 16/08/2009, também demonstra o erro no detalhamento da solicitação 00.03.04.91.34 de 17/02/2009; e) que uma análise conjunta com os relatórios da situação da empresa no Simples Nacional, especialmente o detalhamento da solicitação 00.03.66.09.31, feita em 27/01/2010, para o anocalendário de 2010, verifica se que não havia pendência municipal àquela época, mas apenas pendência cadastral junto à Receita Federal; f) por fim, que a autoridade julgadora indeferiu o apensamento dos autos do processo nº 11516.004898/200948 ao presente, por não se encontrar entre as hipóteses descritas na Portaria RFB nº 666/08. Contudo, a questão deve ser revista em grau de recurso pois se trata de regra de ordem geral, trazida no art. 265, IV, “a”, do CPC, e aplicável também aos processos administrativos. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 . Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Ausência de Motivação Como é cediço, para que se certifique a validade do ato de lançamento, não basta que este tenha sido celebrado mediante a conjugação de elementos tidos como substanciais. É imprescindível que seus requisitos estejam em perfeita consonância às prescrições legais. A mera conjugação existencial dos elementos, em expediente recebido pela comunidade jurídica com a presunção de validade, já não basta para sustentar o ato que ingressa nesse intervalo de teste. Para ser confirmado, ratificandose aquilo que somente fora tido por presumido, há de suportar o confronto decisivo. Caso contrário, será juridicamente desconstituído ou modificado para atender às determinações que o subordinam. Com supedâneo em tais premissas, tenho para mim que o ato administrativo de lançamento não poderá subsistir, devendo ser anulado, quando lhe faltar qualquer um dos pressupostos estruturais do ato jurídico administrativo, digase, nos termos da teoria tradicional, quando maculado de vícios (i) o motivo (pressuposto); ou (ii) o agente competente; ou (iii) a forma; ou (iv) o conteúdo (objeto); ou mesmo (v) a finalidade. Nesses termos, será nulo o lançamento embasado em evento tributário inexistente ou se o sujeito passivo indicado for diferente daquele que deveria integrar a obrigação tributária, pois são vícios profundos, que comprometem visceralmente o ato. O fato produtor do ato administrativo de lançamento tributário é fato jurídico que dá suporte linguístico à norma de lançamento tributário. Nesta, temos dois elementos: (i) a motivação ou antecedente normativo (elemento objetivo) e o (ii) crédito tributário formalizado ou consequente normativo. A motivação é o antecedente suficiente do consequente da norma administrativa do lançamento. Funciona como descritor do motivo do ato, que é fato jurídico. Implica declarar, além do (i) motivo do ato (fato jurídico), o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal. Os destinatários do ato administrativo de lançamento têm o direito de saber por que ele foi praticado, isto é, que fundamentos o justificam. Neste sentido, sublinha Celso Antônio Bandeira de Mello que “uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorrerem e o justificarem” . A Teoria dos Motivos Determinantes ou – no nosso entender, mais precisamente – a Teoria da Motivação Determinante, vem confirmar a tese de que a motivação é elemento essencial da norma administrativa. Se a motivação é adequada à realidade do fato e do direito, então a norma é válida. Porém, se faltar a motivação, ou esta for falsa, isto é, não corresponder à realidade do motivo do ato, ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.722049/201356 Acórdão n.º 2803003.878 S2TE03 Fl. 240 5 com a prescrição da norma (conteúdo), consequentemente, por ausência de antecedente normativo, a norma é invalidável. A motivação do ato administrativo de lançamento ou antecedente é a descrição da ocorrência do fato jurídico tributário normativamente provada segundo as regras em direito admitidas. Sem esta, o direito submerge em obscuro universo kafkiano. O liame que possibilita a consecução do princípio da legalidade nos atos administrativos é exatamente a motivação do ato. A força impositiva da obrigação de pagar o crédito tributário decorre desse elemento, que se lastreia na prova da realização do fato e na subsunção à hipótese da norma jurídica tributária. A motivação é, portanto, o elo entre o prescritor do atonorma e o prescritor da regramatriz de incidência, que torna viável a efetivação e o controle da legalidade dos atos administrativos. Assim, não paira dúvida de que há a necessidade da autoridade fiscal motivar o lançamento efetuado. Conforme se observa do próprio relatório fiscal, a contribuinte obteve sua inscrição no Simples Federal 01.01.2011, sendo que no Processo nº 11516.004898/200948 a Receita Federal do Brasil deferiu a inclusão do contribuinte no Simples Nacional com efeitos a partir de 01.01.2009, desde que, não houvesse pendências nas demais esferas. Neste sentido o contribuinte formulou o pedido de inscrição junto à Prefeitura de Florianópolis, o que, até a lavratura do auto não havia sido apreciado. Ocorre que o fiscal baseou a não inclusão do contribuinte no sistema benéfico pela resposta dada ao TIPF, o que, no meu entender, não é motivação suficiente para a lavratura do auto de infração. Ademais, a própria contribuinte trouxe Certidão Negativas de Débitos da Prefeitura de Florianópolis do ano de 2009 (fls. 183), demonstrando que não havia qualquer pendência junto ao Município em questão. Destarte, analisando o Relatório Fiscal observase que mera informação da contribuinte que aguardava o pedido da Prefeitura não enseja no não enquadramento da contribuinte no Simples, sendo que deveria a fiscalização ter buscado outros argumentos sólidos que justificar a autuação. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para no mérito darlhe provimento, afastando a incidência das contribuições previdenciárias lançadas. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 18088.000189/2009-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.828
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 89 /2 00 9- 20 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000189/200920 Acórdão n.º 2403002.828 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1427.228 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, com a seguinte ementa: CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Receita Federal do Brasil, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. TAXA DE JUROS. APLICAÇÃO DA SELIC. E válida a taxa de juros cobrada pela SELIC por ser amparada pelo artigo 34 da lei n° 8.212/91. MULTA APLICADA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É válida a multa de mora aplicada em consonância com a legislação previdenciária vigente no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de auto de infração de obrigação principal lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, no montante de R$15.365,73 incluindo a contribuição devida pela empresa aos terceiros (INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE E Salário Educação) no período de 01/2006 a 12/2006. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Constitui fato gerador do crédito ora lançado, a remuneração paga, devida ou creditada pela empresa aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo a base de cálculo obtida por critérios de aferição indireta, com o permissivo legal do artigo 33, §§3° e 6° da Lei n° 8.212/91 já que, como demonstrado no relatório fiscal de fls. 15/37, a escrituração contábil da empresa não registrava a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, a empresa foi intimada, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar à fiscalização sua escrituração contábil. Por se tratar de empresa optante pelo lucro presumido, a autuada fez jus à opção estabelecida no §l6 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, apresentando o livro Caixa. Entretanto, relata a autoridade fiscal que da análise do livro Caixa, foram identificadas diversas inconsistências, tais como: · Foi identificada uma Guia da Previdência Social GPS no montante de R$408,26, de 12/2005 e recolhida em 02/01/2006, a qual não consta nos registros contábeis; · Outra GPS identificada, no montante de R$835,12, de 01/2006 e recolhida em 02/02/2006, foi escriturada somente a quantia de R$301,81, referente ao campo “terceiros”; · Foram identificadas várias GPS registradas a crédito no livro Caixa, com código de recolhimento 2631, cuja obrigatoriedade de recolhimento compete à empresa contratante; · Duas GPS no valor de R$59,90 constam no livro Caixa em 03/11/2006 e não constam no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil; · Inexistência, na competência 02/2006, de gasto com folha de pagamento no livro Caixa, sendo apresentada a folha de pagamento com movimentação; · Foram identificados 42 DARF recolhidos e que não constam no Caixa da empresa; · Observouse que o documento contábil apresentava saldo credor de 02/03/2006 a 20/07/2006 e de 07/08/2006 a 29/10/2006. Tendo em vista as inconsistências mencionadas acima, a autoridade fiscal solicitou à autuada a apresentação de comprovante de movimentação financeira, sendo, então, disponibilizados extratos bancários, os quais demonstraram a existência de diversos lançamentos nas contas do Banco do Brasil e Itaú não apropriados no livro Caixa, bem como a existência de lançamentos no Caixa, que não constam nos extratos bancários. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000189/200920 Acórdão n.º 2403002.828 S2C4T3 Fl. 4 5 Assim, foi aferida a. contribuição devida pela empresa, considerando como base de cálculo 40% do valor constante nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa, conforme planilha anexada às fls. 27/28. Foram, ainda, considerados fatos geradores de contribuição previdenciária os repasses identificados nos extratos bancários fornecidos pela autuada a pessoas físicas, inclusive aos sócios da empresa. IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, a nulidade da autuação, argumentando que o fisco não poderia utilizar o livro caixa para justificar a autuação e em seguida o desconsiderar com base na ilação de que não foi apresentado o livro diário. Entende que a autuação levada a efeito por mera presunção não atende os critérios jurídicos que autorizam a utilização da técnica da aferição indireta. Aduz ausência de coerência e lógica da autoridade fiscal ao admitir a escrituração do livro Caixa para em seguida, desconsiderá la e promover a autuação com base nesse mesmo livro. Em relação às inconsistências verificadas pela fiscalização junto ao livro Caixa, aduz: Não haver qualquer inconsistência nos lançamentos a crédito na conta caixa, em relação às guias de recolhimento (GPS) com código 2631. Que em relação à retenção, a relação obrigacional se instalou entre o fisco federal e o responsável tributário. Em relação às 42 DARF recolhidas e que não constam no livro Caixa, afirma que incumbiria à fiscalização requerer maiores esclarecimentos, pois poderia concluir que os recursos para recolhimento das guias teriam sido obtidos por meio de mútuo feneratício. Que os demais fatos narrados constituem simples inconsistências e erros materiais perfeitamente ajustáveis. Que a fiscalização deveria observar que o objeto social da empresa revela que a mesma tem oscilação de faturamento, não podendo esse fato ser considerado incongruência. Insurgese, ainda, contra o enquadramento dos senhores Wilson Roberto Ribeiro, Odair José P. Santos e Renato Augusto de Oliveira como empregados da empresa. Aduz que às contribuições sociais aplicase o regime tributário, devendo, portanto, observar a disposição contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, afirma que o conceito de empregado e empregador está inserido no direito do trabalho, não cabendo à Lei n° 8.212/91 redefinir esses conceitos. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Além disso, afirma que o INSS não possui respaldo legal para decidir sobre relações de emprego, quanto mais para enquadrar determinado trabalhador como empregado ou não, atribuição, essa que é constitucionalmente atribuída à Justiça do Trabalho. Afirma que o fisco apenas iniciou sua investigação como forma de contraposição ao pedido administrativo de restituição apresentado pelo contribuinte. Que essa situação impacta diretamente a garantia constitucional prevista no princípio da moralidade. Que, existindo crédito, deveria ser efetuadas as compensações e somente sobre a diferença incidiria juros e multa. Alega que a forma como a autoridade administrativa realizou o lançamento, não demonstrou de forma cabal a ocorrência do fato Jurídico tributário fato gerador. Argumenta que os motivos expostos pela autoridade fiscal para afastar as justificações apresentadas pela autuada, em relação aos equívocos identificados nos lançamentos 286, 279 e 215 do livro Caixa não são Plausíveis, que não é possível aferir pelo livro Caixa eventual situação superavitária ou deficitária. E que não se oportunizou ao contribuinte o direito de apresentar demais documentos e livros contábeis. Menciona que a autoridade fiscal deveria demonstrar a ocorrência de cada fato jurídico tributário que no seu entender tivesse ocorrido. Contudo, em nenhum momento o auditor fiscal procurou demonstrar a subsunção do conceito do fato ao da norma, deixando de apresentar todos os elementos que integram o suposto fato jurídico tributário. Pugna pela nulidade do lançamento. Insurgese, a impugnante, contra o fato do agente fiscal ter inicialmente admitido o livro Caixa para em seguida desconsiderálo, mesmo se valido do mesmo para pretensamente apresentar comparativos entre o livro e as contas bancárias. Insurgese, ainda, contra a multa aplicada no presente auto de infração. Argumenta, inicialmente, que a multa foi aplicada por entender, a fiscalização, que o contribuinte teria deixado de recolher corretamente o tributo, relativamente às verbas de sucumbência. Porém, que o repasse de verbas aos advogados constitui fato irrelevante para o direito e por essa razão, não constitui fato gerador do tributo pretendido. Que não sendo devida a contribuição, não há porque subsistir a multa. Além disso, afirma que o percentual da multa aplicada é elevado. Menciona a Lei n° 9.298/96, a qual, em seu artigo 52, limita a aplicação da multa a 2%, requerendo a sua aplicação por analogia, em respeito ao princípio da isonomia. Argumenta, ainda, ser ilegal a utilização da taxa Selic para o débito. Entende que a Lei n° 9.065/95, que recepcionou a Medida Provisória n° 947/95, não pode ser aplicada por afrontar diversos princípios constitucionais, entre eles o da legalidade tributária, da anterioridade e da indelegabilidade de competência tributária. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000189/200920 Acórdão n.º 2403002.828 S2C4T3 Fl. 5 7 Que o princípio da legalidade inserto no artigo 150, I da Constituição Federal não admite a majoração de tributos por meio de medida provisória. Que não há previsão legal do que seja a taxa Selic, já que a lei apenas manda que ela seja aplicada, sem indicar percentual, delegando, indevidamente, seu cálculo a ato governamental, seguindo as oscilações do mercado financeiro. Aduz, assim, que o vício se dá devido à inexistência de lei instituindo, definindo e dizendo como deve ser calculada a taxa Selic. Além disso, menciona que em interpretação dada ao artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional, concluise que é permitido à lei ordinária somente fixar percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no Código Tributário, que é de 1% ao mês. Menciona, ainda, o artigo 193, §3° da Constituição Federal, a ditar que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. Requer, finalmente, seja recebida e integralmente provida e acolhida a impugnação apresentada, acatando as razões expostas, reconhecendo a nulidade da autuação guerreada, como forma de justiça. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · valores indicados pela fiscalização como recebidos por Ricardo Merussi Neiva, sócio da recorrente, sob a titulação de “retirada de lucro” não são passíveis de inclusão na base de cálculo de que se valeu o Senhor Auditor para a lavratura da autuação; · a Egrégia 8ª Turma, ao analisar as questões postas sob sua análise, deixou de reconhecer, de forma surpreendente, que a inclusão dos valores pagos, comprovadamente, sob a titulação de “retirada de lucro” não ensejam a incidência do encargo previdenciário pretendido pelo Fisco; · a indevida inclusão na base de cálculo apurada, defeituosamente, pela fiscalização, do quantum considerado não recolhido impõe a invalidação total do procedimento e, em conseqüência, a total nulidade do procedimento fiscal administrativo. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Em fase de recurso, questionase que valores recebidos por Ricardo Merussi Neiva, sócio da recorrente, sob a titulação de “retirada de lucro” não são passíveis de inclusão na base de cálculo e que tal inclusão macula a totalidade do crédito lançado. Tal questionamento não procede pelo simples fato de este lançamento não conter a citada tributação. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18088.000189/200920 Acórdão n.º 2403002.828 S2C4T3 Fl. 6 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900248/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.350
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Waldir Rocha e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 10855.900020/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 20 /2 00 8- 41 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900020/200841 Acórdão n.º 1102001.262 S1C1T2 Fl. 505 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900020/200841 Acórdão n.º 1102001.262 S1C1T2 Fl. 506 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10950.724428/2011-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO.
Considera-se fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972.
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração efetuada no Auto de Infração o montante de R$ 67.106,00 correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO. Considera-se fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração efetuada no Auto de Infração o montante de R$ 67.106,00 correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO. Considerase fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, data venia, negar aplicação da lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 28 /2 01 1- 27 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 929 2 Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração efetuada no Auto de Infração o montante de R$ 67.106,00 correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Em desfavor da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anos calendário de 2006 a 2009, exercícios, respectivamente, de 2007 a 2010, onde foi exigido o total de R$ 107.297,71 a título de imposto, acrescido de multas proporcionais nos percentuais de 75% e 150%, para infrações distintas, no importe de R$ 90.194,99, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo (fl. 748 e ss), em resumo, que: a ação foi iniciada 17/06/2011 a partir das respostas apresentadas pela Contribuinte a Termo de Diligência prévia; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 930 3 ciente do Termo de Início de Fiscalização a Contribuinte apresentou pedidos de prorrogação de prazo para atendimento que ensejaram reintimações diante de respostas parciais; através de Intimação Fiscal a contribuinte fora intimada também a apresentar os extratos de suas contas correntes bancárias no Bradesco e Banco do Brasil. Decorrido o prazo estabelecido e não tendo atendido, houve a expedição de requisições de movimentação financeira, com fundamento na Lei Complementar nº 105, de 2001 (fls. 198, 356 e 754); Analisadas as informações e os documentos apresentados e aqueles obtidos diretamente pela Fiscalização, constatouse as seguintes irregularidades, conforme se depreende do Termo de Constatação e Auto de Infração: 1 Omissão de Rendimentos de Aluguel recebidos de Pessoas Físicas, sujeitos a Carnê Leão 01/2008 a 04/2008 e 01/2009 a 12/2009, aplicada multa de 75% caracterizada pelo não oferecimento à tributação, conforme demonstrado em planilha elaborada pela Fiscalização; 2 Omissão de rendimentos tributáveis Aluguel de imóvel urbano a Pessoa Jurídica 12/2008 e 12/2009, aplicada multa de 75% caracterizada pelo não oferecimento à tributação, conforme demonstrado em planilha elaborada pela Fiscalização. 3 Omissão de rendimento tributável decorrente da cessão gratuita de imóvel a terceiro não parente de 1º grau caracterizada pela omissão de rendimento tributável, na Declaração, no valor de 10% do valor do imóvel. Descrito o imóvel e a pessoa beneficiada. Anos Calendário de 2008 e 2009 , aplicada multa de 75%; 4 Ganho de Capital na alienação de Bens a prazo 09/2006 a 12/2009 caracterizada pela alienação de vários bens, onde se apurou o ganho de capital, sendo que a Fiscalização entendeu que em algumas vendas, considerando a situação, estava demonstrado o evidente intuito de fraudar o Fisco (fl. 763) e aplicou a multa qualificada de 150% 5 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme demonstrativo elaborado pela Fiscalização. 01/2008 a 12/2008 aplicada multa de 75%. 6 Multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão, em 2008 e 2009, no percentual de 50%. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, na folha 808. A Impugnação foi parcial, referindose apenas a algumas das infrações acima descritas, tendo inclusive anexado o Pedido de folha 896, onde requer "o desmembramento do processo" e o parcelamento de parte do crédito tributário exigido. Em suma, verifico que a contribuinte manifestouse expressamente contra a constatação de omissão de rendimentos de aluguel recebidos de PF; omissão de rendimentos de aluguel recebidos de PJ, e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cujo origem foi reputada como não comprovada. A manifestação da contribuinte foi analisada pela DRJ em Curitiba/PR que, em suma, assim dispôs: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 931 4 a contribuinte concluiu que grande parte dos valores depositados em suas contas bancárias tem origem comprovada e não são passíveis de tributação. Por isso, requereu a declaração de improcedência do Auto de Infração. Por se tratar de impugnação parcial, a Delegacia da Receita Federal de origem transferiu a parte não impugnada do crédito tributário para o processo nº 10950.724910/201167. A parte impugnada do crédito tributário, objeto do presente processo, passou a ser de apenas R$ 86.887,87. demonstra, em quadros, os valores declarados como recebidos de PF/PJ, nos anos de 2008 e 2009 e os valores apurados pela Fiscalização, para encontrar, de fato, diferenças. Esclarece que houve declarações originais que foram posteriormente retificadas, sendo essas últimas as consideradas, para efeito de tributação; em relação aos depósitos bancários, esclarece que a Impugnação diz que vários deles referemse a valores correspondentes aos aluguéis de imóveis. Lista os depósitos controversos e que conclui que a Impugnante não demonstrou a relação entre eles e os aluguéis recebidos. Entende que deveriam ser especificados os depositantes/locatários, para cada crédito. Além disso diz que os valores não correspondem ao aluguel mensal de nenhum dos imóveis. para justificar outros depósitos, a contribuinte diz que vendera quotas da empresa Abrassol a Luiz Badziack. Verifica no Contrato o valor da venda e a forma de pagamento estabelecida, para concluir que não coincidem com as datas e valores dos depósitos e também que não se comprova que foram feitos por Luiz Badziack. em relação a alguns "docs. Devolvidos", que também lista, entendeu que o histórico bancário entendeu que o lançamento deveria ser revisto, excluindose os referidos valores, que importam em R$ 700,00. em relação a depósitos efetuados pela empresa M. A Faleiros, a contribuinte alegou que correspondiam a "devolução de valores pela não entrega de imóveis". Concluiu o Julgador, em face da documentação apresentada que "estava evidente" que os pagamentos foram efetuados a título de aluguel e, sendo assim, como não foram declarados, o lançamento não merecia reparos pois os "referidos depósitos constituem rendimentos tributáveis omitidos pela contribuinte". em relação a depósitos que corresponderiam a resgates de poupança, entendeu que a Contribuinte não comprovara suas alegações, a partir da análise dos extratos de poupança no Banco Bradesco; alguns depósitos seriam oriundos da venda de um apartamento. Constatou que as datas e valores eram aproximados daqueles previstos para pagamento da primeira parcela da venda do imóvel, mas que não se comprovara que foram feitos pelo comprador João Carlos Bortolanza; diz que para o TED no valor de R$ 37.890,00, efetuado em 14/02/2008, a contribuinte justificara como "pagamento a fornecedores", mas que se trata de uma origem e não de uma aplicação de recursos, o que deixou a explicação sem sentido; por fim, em relação ao lançamento de "depósito no valor de R$ 1.000,00, em 14/04/2008", verificou nos extratos não existir nenhum registro, entendendo que deveria ser excluído do cálculo do Auto de Infração. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 932 5 Decidiuse então pela procedência parcial da impugnação, apenas para excluir o total de R$ 1.700,00 em relação aos depósitos bancários considerados como omissão de rendimentos. Cientificado dessa decisão em 09/04/2012, conforme AR na folha 915, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/05/2012, com protocolo na folha 916. Em sede de recurso, manifesta assim sua inconformidade: apresentou Contratos de aluguel para demonstrar que os recebia de diversas fontes que, por sua vez, nem sempre pagavam os valores integralmente ou na data pactuada, o que fez com que a DRJ considerasse não comprovados os depósitos por considerar insuficientes suas provas; em relação às vendas de quotas da empresa Abrassol, apresentou também "toda a documentação". O Fisco poderia aprofundar sua investigação mas não o fez. A venda deuse com informalidade e o contrato não foi cumprido, baseandose o negócio em uma relação de confiança entre comprador e vendedor; em relação à omissão de aluguéis recebidos de PJ, especificamente em relação aos pagamentos efetuados por M.A Faleiros, diz que no Contrato estava previsto que se a Construtora não entregasse o prédio no tempo combinado, deveria pagar à compradora o valor de R$ 500,00 como compensação mensal. Não se tratam portanto de aluguéis, uma vez que o prédio sequer tinha condições físicas e legais de ser habitado; os valores resgatados da conta poupança constam do extrato de sua conta do Banco do Brasil, com a rubrica própria. São resgates automáticos, para "gastos cotidianos". quanto aos depósitos decorrentes da venda de um apartamento, não foram aceitos porque não havia a identificação do depositante. Se o próprio Fisco admite que há verossimilhança entre as datas e valores depositados com o negócio citado, a negativa está adstrita a formalismos exagerados. em relação aos TED de R$ 37.890,00, esclarece que o depósito foi efetuado pela dona da Imobiliária que intermediou o seu negócio com o Sr. João Carlos Bortolanza, de compravenda de um apartamento, que já foi tributado. Anexa documentos. Em conclusão, diz que "a cobrança da grande maioria dos valores pretendidos pelo Fisco é incabível" e PEDE, então, que "os lançamentos sejam julgados indevidos."(sublinhei) É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 933 6 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). À vista da sua conclusão, que busquei destacar no Relatório, o Recurso, assim como a Impugnação, foi parcial, e trataremos apenas daquelas matérias que foram expressamente mencionadas pela Recorrente, considerando as demais fora do litígio, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. Assim, não verifico que a Recorrente tenha contradito o disposto pela Turma Julgadora no Acórdão recorrido, na parte do lançamento que se refere à omissão de rendimentos tributáveis recebidos a título de aluguéis de pessoas físicas e jurídicas. Nos tópicos primeiro e terceiro da peça recursal, cujos títulos podem dar idéia errada, o que quer dizer é que parte dos depósitos bancários considerados como não justificados, têm origem no pagamento de aluguéis e, assim, estarseia tributando valores duas vezes, sob argumentos diferentes. Na fase recursal, devese recorrer daquilo que restou decidido pela 1ª instância, mas, à guisa de exemplo, o Recurso nada contradiz o Acórdão recorrido, sobre o fato da Fiscalização ter considerado a omissão de R$ 15.304,20 recebidos como aluguéis pagos pela Cooperativa Central Oeste Catarinense, em 2008, ou as diferenças entre os valores declarados e os recebidos de pessoas físicas, também a título de aluguéis, em 2008 e 2009, conforme quadros elaborados na folha 905 (Voto do Acórdão recorrido). Na Impugnação a Contribuinte dissera que "já declarara" os rendimentos de alugueis recebidos de pessoas jurídicas, mas a Autoridade Julgadora esclareceu que foram entregues declarações retificadoras, como se pode observar das cópias constantes das folhas 25 e 33, onde não se declarou o rendimento supracitado como exemplo, recebido da empresa Cooperativa Central Oeste Catarinense, nem os outros reputados omitidos, em 2008 e 2009. O Recurso concentrase, então, em justificar parte dos depósitos bancários considerados como omissão de rendimentos, aí sim tratandoos expressa e especificamente. PRELIMINAR. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar 105 de 2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 934 7 RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) A ementa pareceme clara ao estabelecer que a Corte Suprema deverá decidir, especificamente, sobre a possibilidade legal, estabelecida pela Lei Complementar nº 105 de 2001, de que informações sobre movimentações bancárias dos contribuintes sejam fornecidas pelas instituições financeiras “diretamente ao Fisco”. Essa é a questão. Foi, inclusive, atribuída ao tema a repercussão geral, tendo o Tribunal, em outras ocasiões, determinado o sobrestamento do julgamento de recursos que versem sobre o mesmo, como se pode observar a seguir: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Fl. 934DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 935 8 Observo que não obstante a decisão do Pretório Excelso tomada no julgamento do RE nº 389.808, datada de dezembro de 2010, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o próprio MinistroRelator, em 03/11/2011, determinou a devolução de autos que tratam do mesmo assunto ao Tribunal de origem para que se aguarde o julgamento do RE nº 601.314/SP, que concluiu pela repercussão geral do tema. Assim, em nosso sistema jurídico, as leis presumemse válidas e constitucionais, até declaração do Poder Judiciário em contrário. Não há decisão definitiva do STF dizendo da inconstitucionalidade de dispositivos da LC 105 de 2001, que autorizem o fornecimento de informações bancárias dos contribuintes “diretamente ao Fisco”, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores. Sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, a meu ver, negar aplicação da lei, que requer apenas que haja procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e confere à autoridade administrativa a consideração sobre a imprescindibilidade do exame dos dados, como foi aqui o caso. LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto aos argumentos que erigem o sigilo bancário ao patamar constitucional, para se conciliar, em interpretação conforme a Constituição, sua garantia com as necessidades e deveres do Fisco, concluindose que somente com ordem judicial o dispositivo da Lei Complementar nº 105, de 2001, seria aplicável, destacase excerto do Voto do Ministro Sepúlveda Pertence, quando do julgamento, pelo STF, do MS 21.729, DJ 19/10/2001: “O sigilo bancário só existe no Direito brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de “intimidade” protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a ‘comunicação de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. Reportome, no caso, brevitatis causao, a um primoroso estudo a respeito do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior. Em princípio, por isso, se admitiria que a lei autorizasse autoridades administrativas, com função investigatória e sobretudo o Ministério Público, a obter dados relativos a operações bancárias”. (apud CASSONE, Vitório. Sigilo Bancário: Critério de Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p. 84) A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para Fl. 935DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 936 9 constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Fl. 936DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 937 10 Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Além disso, é claro o caput do dispositivo legal, abaixo transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 937DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 938 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegar que "a grande maioria" os depósitos têm origem comprovada, não seria suficiente para ilidir in totum o lançamento, como parece pretender a recorrente, em seu pedido. Então vejamos: a) quanto a “alguns depósitos” serem provenientes de alugueis, genericamente, em datas e valores que não podem ser verificados a partir do cotejo entre os extratos bancários e os contratos de aluguel, porque “a realidade não corresponde ao pactuado e documentado”, e foram pagos em valores “menores” e em datas diversas, não é possível, pelas razões acima expostas, que se os exclua; b) em relação à venda de quotas da Abrassol a Luiz Badziack, veja que não se está duvidando de que tenha ocorrido. O que não se pode admitir é que alguns depósitos, efetuados em 2008, em valores de R$ 1.000,00, R$ 3.000,00 e R$ 11.000,00 sejam correspondentes a tal operação, ocorrida em 2006, que previa o pagamento em 3 quotas, uma de R$ 50.000,00 e duas de R$ 30.000,00, em datas de 2006 e 2007. Noto que a Fiscalização, no demonstrativo de depósitos “não justificados”, folha 723, inclusive apontou que um desses valores havia sido depositado pela própria Abrassol e que a DRJ completou que “nenhum documento foi apresentado que demonstre que o adquirente das quotas sociais – Luiz Badziack – tenha sido o autor dos depósitos”(fl. 908). Em sede recursal, a Recorrente também não apresentou nenhum documento que pudesse alterar tais constatações, além de explicações sobre a informalidade de negócio efetuado que teria sido pautado em “coleguismo”. A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é peculiar e traz para o Contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos. Assim, depósitos para os quais não haja registro documental, ao menos com razoável correspondência de datas e valores, findam por serem considerados como omissão de rendimentos. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 939 12 Repito que, em relação à operação de vendas de quotas da empresa, não existe correspondência de datas, valores tampouco se demonstrou que o depositante fosse o adquirente. c) em relação aos depósitos que seriam correspondentes a “aluguéis” pagos pela empresa M.A Faleiros, a recorrente traz novas explicações. No contrato particular de compromisso de compra e venda, celebrado em 20 de fevereiro de 2008, cuja cópia se encontra na fl. 837, verifico que houve a venda de unidade imobiliária em construção pela M.A Faleiros Empreendimentos Imobiliários, tendo como adquirente Felipe Franco. Na cláusula 05.01 consta que “o prazo para entrega” seria “31 de dezembro de 2008, sendo admitida tolerância de 60 (sessenta dias úteis)...”. Existe a cláusula 05.03 que diz que se a obra não fosse concluída no prazo, após decorrida a tolerância, o Alienante pagaria ao Promissário Comprador “a título de pena convencional, a quantia equivalente a 1% do preço reajustado...”, que foi de R$ 50.000,00. (grifei/sublinhei) A Recorrente diz então que os valores de R$ 500,00 reais, um de R$ 1.000,00 e outro de R$ 1.500,00, efetuados entre 20 de março e 22 de dezembro de 2008, seriam referentes a esta sobredita “pena convencional”, pela não conclusão da obra e entrega das chaves no prazo fixado. Ora, os depósitos foram todos efetuados antes de estar vencido o prazo para a conclusão da obra e não podem ser justificados como “compensação” pela não entrega da unidade pronta e acabada. Na realidade, existe uma outra cláusula, definida nas “ESTIPULAÇÕES FINAIS”, de número 11.01, onde consta que a Promitente Vendedora pagaria, no prazo de 30 dias após a quitação do Contrato, em favor do Comprador, “a título de aluguel”, através de depósito na conta de Terezinha Marilete Magnanti, R$ 500,00 mensais, “até a entrega das chaves...”. Ou seja, os valores depositados, em 2008, não foram uma compensação por eventual atraso na obra, mas de fato um rendimento pelo investimento feito, quando da compra da Unidade imobiliária, paga “em moeda corrente, através de transferência eletrônica...no ato de celebração do Contrato”, conforme Cláusula 03.01. A denominação que se dê ao rendimento é irrelevante, sendo necessário observar sua natureza. O próprio recurso reconhece este raciocínio. Vejamos que ao investir R$ 50.000,00 na compra de uma unidade imobiliária ainda em construção, a Compradora já recebeu, conforme pactuado, o rendimento mensal de R$ 500,00, pelo seu investimento. Esse rendimento é tributável. Esses valores não foram incluídos como “omissão de rendimentos de aluguel” na apuração fiscal, mesmo porque, na fase que antecedeu o lançamento tributário, não foi apresentada essa aqui tratada justificativa à Fiscalização, que reputou os depósitos como “não comprovados”, como se observa na resposta á Intimação Fiscal encaminhada em 20 de setembro de 2011, fl. 409 e ss. e no Demonstrativo Fiscal de fl. 718 e ss. Assim, não poderia a Fiscalização tratalos como “omissão de rendimentos” decorrentes do negócio (investimento) imobiliário. Aplicouse a presunção legal. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 940 13 A justificativa explicando sobre o Contrato firmado com a M. A. Faleiros só veio aos autos na fase impugnatória e a DRJ entendeu, destacando essa Claúsula 11.01 supracitada, que se tratavam de rendimentos de alugueis. De qualquer forma, são rendimentos tributáveis, e a denominação que se dê a eles não altera sua natureza, para fins de tributação. Como destacado, ao contrário do que alude a Recorrente, não se trata de uma “compensação” por descumprimento contratual, uma vez que o prazo para conclusão da obra sequer estava vencido, quando foram feitos os depósitos em questão. Tratase enfim, de rendimento pago pela construtora, calculado sobre investimento feito na unidade imobiliária. d) quantos a depósitos que seriam decorrentes de “saques de poupança”, tanto a Fiscalização quanto a DRJ identificaram que nos extratos a origem seria “poupança”, e isso está claro, nas cópias que constam das folhas 203 em diante. Assim, não há que se reputar como “origem não comprovada”. A justificativa para a não aceitação da comprovação foi que nos extratos da conta poupança da contribuinte não se encontrou tais lançamentos. Caberia à Fiscalização, no caso, diligenciar junto à Instituição Financeira para perquirir sobre a origem do depósito, mas não, como optou, reputálo como origem não comprovada. Assim, entendo que existe um equívoco no lançamento, uma vez que a própria análise do extrato permitia o questionamento sobre a origem, que foi “de plano” reputada como “não comprovada”. Entendo que devam ser cancelados os lançamentos sobre depósitos que foram reputados “não comprovados” pela Fiscalização, no valor de R$ 8.000,00 (04/2008); R$ 5.000,00 (05/2008) e R$ 850,00 (09/2008). e) quanto a depósitos que seriam decorrentes da venda de um apartamento, diferentemente do disposto no item b), supra, quando da venda de quotas da Abrassol, a própria Autoridade Julgadora recorrida admite que existe uma razoável coincidência de datas e valores entre o contrato de compra e venda, no pagamento de parcela combinada, e os depósitos. A justificativa de que a Contribuinte não comprovou que os depósitos foram feitos pelo comprador, João Carlos Bortolanza, a meu ver redunda em excesso de formalismo, à vista da apresentação do Contrato, cuja cópia consta na folha 834. Inclusive, a Fiscalização reputou como “comprovada” a origem do depósito em cheque no valor de R$ 47.300,00, no dia 14/02/2008, como “recebido de João Carlos Bortolanza pela venda do apartamento...”, e do depósito no valor de R$ 16.000,00, em 18/02/2008, baseandose na cópia do mesmo contrato particular, como se pode observar no “Demonstrativo...” de folha 719. Assim, dou razão às razões expendidas pela Recorrente no item V da sua manifestação recursal e entendo que devam ser cancelados os lançamentos sobre os depósitos no valor de R$ 15.366,00, no mês 03/2008. f) por fim, existe manifestação expressa no recurso em relação a uma transferência eletrônica (TED) no valor de R$ 37.890,00, no dia 14/02/2008. A Contribuinte primeiramente havia apresentado uma explicação de que se tratava de "pagamento para a compra de Kit Net M. A Faleiro". Esclarecida pela Fiscalização Fl. 940DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 941 14 e pela DRJ de que não se buscava justificativas para seus dispêndios e sim para os créditos em suas contas correntes, em sede de recurso, segundo aduz "após diligenciar novamente junto ao Banco do Brasil", trouxe novas informações. Justifica o referido crédito como parte do pagamento pela venda do mesmo imóvel tratado no item e), acima, a João Carlos Bortolanza, sendo que conforme demonstra o comprovante acostado à folha 922, a transferência foi efetuada por Lusiane Maria Paludo, que observo ter assinado o contrato na qualidade de testemunha e que a Recorrente afirma tratarse da dona da imobiliária que intermediou o negócio. De qualquer forma, está registrada a participação dela no contrato e o valor a ser pago inicialmente pelo adquirente era de R$ 150.000,00, já tendo sido admitidos pela Fiscalização, como comprovados, outros créditos assim justificados. O valor do TED em comento está dentro dos valores a serem pagos pelo adquirente do imóvel, as datas são razoavelmente coincidentes, a transferência foi efetuada por pessoa envolvida no negócio e que também, naturalmente, deva ter descontado percentual a título de comissão pela intermediação. Verifico então que existe relação verossimilhante entre a alegação da origem do depósito, em datas e valores, e a operação de compravenda. Entendo então que deva ser cancelada a parte do lançamento referente ao valor de R$ 37.890,00, no mês 02/2008. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para considerar comprovados depósitos no montante de R$ 67.106,00, no ano de 2008, que correspondem a: R$ 37.890,00, no mês 02/2008; R$ 15.366,00, no mês 03/2008; de R$ 8.000,00 (04/2008); R$ 5.000,00 (05/2008) e R$ 850,00 (09/2008), devendo ser excluídos da apuração efetuada no Auto de Infração, correspondente a "depósitos bancários de origem não comprovada" (fl. 801/2). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 941DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13855.002829/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.002829/200712 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2102000.144 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de julho de 2013 Assunto Sobrestamento do Julgamento de recurso voluntário Recorrente ONILTON BAPTISTA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 26 a 33: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05 a 07, referente ao anocalendário de 2004, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 27.622,08, sendo R$ 13.154,00 a título de imposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .0 02 82 9/ 20 07 -1 2 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.002829/200712 Resolução nº 2102000.144 S2C1T2 Fl. 3 2 suplementar, R$ 9.865,50, de multa de ofício, e R$ 4.602,58, de juros de mora, calculados até 28/09/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05, anverso e verso) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Enquadramento Legal: arts. I o a 3 o e §§, 8o e 9 o da Lei n° 7.713/1988; arts. I o a 3 o da Lei n° 8.134/1990; arts. 5o, 6o e 33 da Lei n° 9.250/1995; arts. I o e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 e 841, inciso II, do Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999; compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/1995; arts. 7o , §§ I o e 2o , 87, inciso IV, § 2o , e 841, inciso II, do RIR/1999. O interessado foi cientificado em 27/09/2007 e apresentou, em 23/10/2007, a impugnação de fls. 01 a 04. Alega que os rendimentos considerados como omitidos foram recebidos acumuladamente, em decorrência de ação judicial. Entende que o imposto deveria ser calculado considerando o recebimento de aposentadoria "mês a mês", o que resultaria em isenção total do imposto, diante dos valores mensais recebidos. Requer a exclusão do valor correspondente a 15% (quinze por cento) dos rendimentos, que teria sido pago a título de honorários advocatícios. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, julgando improcedente a impugnação e por exonerar, de ofício, a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, relativamente ao crédito tributário decorrente da dedução indevida de IRRF, passando a incidir a multa de mora sobre o referido crédito. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.40 a 42, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Conforme fls 26 do Acórdão recorrido e fls. 18 e seguintes do Acordo judicial, constatase que o crédito tributário decorre de omissão de rendimentos cuja base de cálculo são rendimentos recebidos acumuladamente. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.002829/200712 Resolução nº 2102000.144 S2C1T2 Fl. 4 3 as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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