Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,974)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,574)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,372)
- Primeira Turma Ordinária (15,338)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,847)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,948)
- Terceira Câmara (64,562)
- Segunda Câmara (53,095)
- Primeira Câmara (17,704)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,724)
- Segunda Seção de Julgamen (111,224)
- Primeira Seção de Julgame (73,663)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,303)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 19311.720138/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
Afasta-se o vínculo de responsabilidade quando o motivo explicitado pelo autuante para a responsabilização solidária não restar devidamente comprovado nos autos.
Numero da decisão: 2201-004.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário formalizado pelo responsável solidário BOULDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA., para afastar seu vínculo de responsabilidade.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Afasta-se o vínculo de responsabilidade quando o motivo explicitado pelo autuante para a responsabilização solidária não restar devidamente comprovado nos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19311.720138/2015-38
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898155
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.624
nome_arquivo_s : Decisao_19311720138201538.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 19311720138201538_5898155.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário formalizado pelo responsável solidário BOULDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA., para afastar seu vínculo de responsabilidade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7411570
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870776594432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1428; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 6.772 1 6.771 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720138/201538 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.624 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente COOPERNORPI COOPERATIVA AGRICOLA DO NORTE PIONEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Afastase o vínculo de responsabilidade quando o motivo explicitado pelo autuante para a responsabilização solidária não restar devidamente comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário formalizado pelo responsável solidário BOULDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA., para afastar seu vínculo de responsabilidade. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 38 /2 01 5- 38 Fl. 6778DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.773 2 Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 6694/6724, interposto exclusivamente pelo responsável solidário BOLDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÃO LTDA., contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG de fls. 6669/6679, que julgou por não conhecer as impugnações apresentadas por Coopernorpi Cooperativa Agrícola do Norte Pioneiro e Antônio Honorato Bergano e julgou improcedente as impugnações as apresentadas por Walter Aparecido de Souza e Boulder Engenharia e Participação Ltda, mantendo integralmente o crédito tributário consubstanciado no auto de infração de fls. 275/567, relativo as competências de 01/2011 a 12/2011. O auto de infração é relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2,0%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo do sujeito passivo na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL); e também relativo às contribuições previdenciárias devidas sobre o pagamento efetuado a segurados contribuintes individuais (Lei n. 8.212/1991, art. 22, III) ambas totalizando o valor histórico de R$ 25.854.662,44 (vinte e cinco milhões, oitocentos e cinquenta e quatro mil seiscentos e sessenta e dois reais e quarenta e quatro centavos) já incluído a multa qualificada de 150% por suposta ocorrência das infrações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/1964 e juros de mora; Conforme o Relatório Fiscal (fls. 569/588), tratouse de procedimento fiscal iniciado tomando como base, principalmente, as informações colhidas durante o Procedimento Criminal do processo nº 001192887.2012.403.6181, referentes ao IPL nº 0028/201211, da delegacia de repressão a crimes financeiros. Também nos termos do relatório fiscal, a apuração foi feita nos seguintes termos: Fl. 6779DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.774 3 Por sua vez, também nos termos do Relatório Fiscal, constatouse a existência de grupo econômico formando pelas pessoas físicas Antônio Honorato Bergado e Walter Aparecido de Souza e pelas empresas Atibaia Comércio, Exportação e Importação LTDA (CNPJ 00.397.686/000104), Rota Oeste Construtora LTDA. (CNPJ 07.162.378/0001 30), Atibaia Agribusines e Energética do Nordeste LTDA (CNPJ 09.413.206/000118), Boulder Engenharia e Participações LTDA. (CNPJ 09.413.206/000118) e Ask Construção e Incorporação LTDA (CNPJ 01.452.679/000112). A autoridade fiscalizadora entendeu pela caracterização do grupo econômico, com base nos seguintes argumentos: Fl. 6780DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.775 4 Fl. 6781DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.776 5 Da Impugnação Em face do auto de infração, foram apresentadas impugnações pela Coopernorpi (fls. 1202/1230) e pelos responsáveis solidários Walter Aparecido de Souza (fls. 1157 /1201), Antônio Honorato Bergamo (fls. 6298/6344) e Boulder Engenharia e Participação Ltda. (fls. 6347/6621). Ante a clareza e precisão didática do resumo das Impugnações elaboradas pela Delegacia da Receita Previdenciária em Belo Horizonte/MG, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “O contribuinte principal e os responsáveis solidários foram notificados do Auto de Infração, porém somente o devedor principal e os responsáveis solidários Walter Aparecido de Souza, Antônio Honorato Bergano e Boulder Engenharia e Participação Ltda, apresentaram impugnações. As defesas foram juntadas às fls. 1157 a, 1201, 1202 a 1230, 6298 a 6345 e 6347 a 6621. Consoante despacho de fls. 6633, as impugnações da COOPERNORPI e Walter Aparecido de Souza, apresentadas em 17/08/2015 e 14/08/2015, são tempestivas, visto que foram notificados em 16/07/2015 e 17/07/2015, respectivamente. Já as impugnações de Antônio Honorato Bergamo e Boulder Engenharia e Participação Ltda, apresentadas em 28/08/2015 e 21/08/2015, respectivamente, são intempestivas, pois foram notificados em 16/07/2015. Fl. 6782DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.777 6 A COOPERNORPI COOPERATIVA AGRÍCOLA DO NORTE PIONEIRO, em sua defesa diz ser a mesma tempestiva, faz esclarecimentos prévios, relata os fatos, e aduz os argumentos a seguir, resumidos em apertada síntese, fundamentados em legislação e jurisprudências: Que o procedimento fiscal não cumpriu condição necessária para a identificação do sujeito passivo, sendo patente a nulidade em sua formação, nulidade esta que compromete todo o trabalho fiscal realizado. Que há ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois a fiscalização, em momento algum, apresentou a motivação para a imputação da responsabilidade entre as pessoas jurídicas identificadas. Que não existe, no caso, responsabilidade solidária por "interesse comum" prevista no art. 124, I, do CTN, o que demonstra a improcedência da autuação. Que inexiste justificativa para aplicação da multa nos valores estipulados, devendo ser reduzida para o mínimo legal, em virtude da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização, dolo, simulação ou fraude. Requer: 1) nulidade do procedimento fiscal, ante a nulidade apresentada na identificação do sujeito passivo diante da equivocada formação de grupo econômico; ou alternativamente, em menor extensão, diminuir a multa aplicada;. 2) a intimação para que possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos de fato perante as autoridades julgadoras. O WALTER APARECIDO DE SOUZA, em sua defesa diz ser a mesma tempestiva, faz esclarecimentos prévios, relata os fatos, aduz os argumentos a seguir, resumidos em apertada síntese, fundamentados em legislações, doutrinas e jurisprudências. Que o procedimento fiscal não cumpriu condição necessária para a imputação de responsabilidade tributária do impugnante, qual seja, a imputação da ocorrência de infração cometida com dolo, fraude ou simulação. Que há ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois a fiscalização, em momento algum, apresentou a motivação para a imputação da responsabilidade do impugnante. Que não existe, no caso, responsabilidade solidária por "interesse comum " prevista no art. 124, I, do CTN, de modo que deve ser excluída a responsabilidade do impugnante. Que não há se falar em responsabilização solidária única e tão somente por formação de alegado grupo econômico. Que inexiste, nos autos, responsabilidade de terceiros prevista no art. 135 do CTN, ante a não comprovação do ato doloso, bem como pela natureza pessoal da responsabilização. Fl. 6783DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.778 7 Que inexiste justificativa para aplicação da multa nos valores estipulados, devendo ser reduzida para o mínimo legal, em virtude da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização, dolo, simulação ou fraude. Quanto ao mérito da autuação fiscal, ratifica todas as alegações constantes na impugnação apresentada pela Coopernorpi Cooperativa Agrícola do Norte Pioneiro. Requer: 1) exclusão da responsabilidade tributária do impugnante; ou ao menos, em menor extensão, a diminuição da a multa aplicada; 2) a intimação para que possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos de fato perante as autoridades julgadoras. O ANTÔNIO HONORATO BERGANO em sua defesa faz esclarecimentos prévios, relata os fatos, aduz os argumentos a seguir, resumidos em apertada síntese, fundamentados em legislação e jurisprudências. Que o procedimento fiscal não cumpriu condição necessária para a imputação de responsabilidade tributária do impugnante, qual seja, a imputação da ocorrência de infração cometida com dolo, fraude ou simulação. Que há ofensa ao art. 142 do Código Tributário Nacional, pois a fiscalização, em momento algum, apresentou a motivação para a imputação da responsabilidade do impugnante. Que não existe, no caso, responsabilidade solidária por "interesse comum" prevista no art. 124, I, do CTN, de modo que deve ser excluída a responsabilidade do impugnante. Que não há se falar em responsabilização solidária única e tão somente por formação de alegado grupo econômico. Que inexiste, nos autos, responsabilidade de terceiros prevista no art. 135 do CTN, ante a não comprovação do ato doloso, bem como pela natureza pessoal da responsabilização. Que inexiste justificativa para aplicação da multa nos valores estipulados, devendo ser reduzida para o mínimo legal, em virtude da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização, dolo, simulação ou fraude. Requer: 1) exclusão da responsabilidade tributária do impugnante; ou ao menos, em menor extensão, a diminuição da a multa aplicada; 2) a intimação para que possa exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive mediante defesa oral das razões e apresentação de esclarecimentos de fato perante as autoridades julgadoras. A BOULDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, em sua defesa faz um sumário da autuação e da realidade dos fatos, e aduz os argumentos a seguir, relatados em síntese, fundamentados em legislações, doutrinas e jurisprudências. Em Fl. 6784DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.779 8 que pese o contido no auto de infração e respectivo relatório fiscal, não possui qualquer relação jurídica com a cooperativa fiscalizada, tampouco com as pessoas físicas que seriam os sócios de fato dessa sociedade, bem como com as empresas que formariam um suposto grupo econômico de fato a legitimar a sua inclusão no pólo passivo da obrigação tributária objeto do processo administrativo. Que a relação jurídica estabelecida entre BOULDER e UMUARAMA, desconstituída judicialmente, em hipótese alguma legitima a inclusão da primeira no pólo passivo da obrigação tributária como integrante do grupo econômico de fato, como responsável solidária, ante a própria natureza do contrato entre as mesmas celebrado. Qualquer obrigação tributária atribuída a UMUARAMA, seja ou não como integrante do referido grupo econômico de fato, jamais poderá influir na relação jurídica estabelecida com BOULDER, inclusive alcançando bens de terceiros. A simples existência de interesse econômico, de resto inexistente, não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos por uma ou outra empresa. Não há nenhum interesse da impugnante na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Que afigurase manifestamente nulo e ilegal o termo de arrolamento de bens imóveis pertencentes a terceiros, um patrimônio afetado em conformidade com os artigos 31A e 31 B, da Lei n° 4.591/64. Requer: o imediato cancelamento do arrolamento de bens e direitos n° 19311.720134/201550, pelas razões expostas, comprovadas pela farta prova documental; 2 seja julgada improcedente a ação fiscal, para o fim de ser excluída da obrigação tributária de que tratam os autos de infração objetos do presente processo administrativo fiscal. Em petição protocolizada em 16/05/16, juntada ás fls.6646 a 6649, requer o reconhecimento da tempestividade da impugnação, tendo em vista que houve reabertura do prazo para apresentação de defesa em razão dos documentos recebidos em 22/07/2015. . Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, às fls. 6669/6679, dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 6785DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.780 9 IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. Fica prejudica a apreciação da impugnação interposta, quando regularmente intimado o contribuinte não regulariza sua representação no processo. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições previdenciárias, devidas à Seguridade Social, nos termos do disposto no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovada a omissão de fatos geradores e/ou a realização de atos simulados feitos no intuito de evitar o pagamento de tributos, impõese a aplicação da multa qualificada de 150% na forma da legislação tributária. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para se manifestar a respeito de controvérsias relacionadas ao Termo de Arrolamento de Bens. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. SUSTENTAÇÃO ORAL. No âmbito das Delegacias de Julgamento não há previsão legal para apresentação de sustentação oral. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Preliminarmente, entendeu a DRJ pelo não conhecimento da impugnação da COOPERNORPI ante a ausência de regularização processual e pelo não conhecimento da impugnação de Antônio Honorato por intempestividade. No mérito, rebateu todos os argumentos elencados pelos responsáveis solidários. Dos Recursos Voluntários Fl. 6786DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.781 10 Apenas a responsável solidária BOLDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, apresentou recurso voluntário. Tanto o contribuinte principal quanto os demais responsáveis solidários não apresentaram recurso da decisão da DRJ. A RECORRENTE foi intimada da decisão da DRJ em 13/10/2016, conforme AR de fls. 6738, e apresentou recurso voluntário de fls. 6694/6724 na data de 14/11/2016, conforme termo de juntada de fls. 6688. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE praticamente reitera o alegado em sua Impugnação, pleiteando a reforma do acórdão recorrido para que a mesma “seja excluída do polo passivo da obrigação tributária objeto do presente processo, já que não manteve relações jurídicas nem tão pouco participou, concorreu ou teve qualquer interesse com o fato gerador das contribuições sociais ora reclamadas”. Afirma que a decisão recorrida se pautou única e exclusivamente no Relatório Fiscal que, no seu item 5.4.14, faz menção a uma "troca de emails entre Ana Paula, Ricardo e Bergamo", e a uma planilha da empresa UMUARAMA, com a suposta indicação da transferência de valores para a empresa BOULDER (documentos esses juntados às fls. 852/855). No entanto, a RECORRENTE alega que a COOPERNORPI, a UMUARAMA e o Sr. Bergamo não exerciam, nem nunca exerceram poder de comando ou controle sobre as operações da BOULDER, e não há prova nos autos do presente processo que infirme essa assertiva, portanto, não é o caso de atribuir responsabilidade solidária à RECORRENTE. Afirma que apresentou documentação comprobatória de suas alegações às fls. 6371/6590. Ademais, alega que: “Como anteriormente relatado, a relação da Recorrente BOULDER com a UMUARAMA e com o Sr. Bergamo, na qualidade de fiador e garantidor desta última, era exclusivamente mercantil, relacionada ao empreendimento incorporado pela BOULDER na cidade de VotorantimSP, relação esta constituída mediante a SCP. A Recorrente desconhecia as operações da UMUARAMA, do Sr. Bergamo, ou das demais sociedades, em que este participava ou atuava, direta ou indiretamente. A Boulder não tinha qualquer relação de "subordinação empresarial, patrimonial ou gerencial" em relação a UMUARAMA, ao Sr. Bergamo ou a qualquer outra empresa a eles relacionada. A Recorrente exercia sua atividade de incorporação imobiliária, de forma autônoma e independente, não se sujeitando a qualquer orientação, supervisão ou determinação de quem quer que seja. As decisões da Recorrente BOULDER eram praticadas exclusivamente pelos seus sócios e administradores, na defesa dos interesses sociais da Sociedade e, logo, evidente a absoluta inexistência de abuso de poder da direção do grupo. (...) Fl. 6787DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.782 11 Nesse contexto, destacase que a Recorrente não tinha relação ou vinculação societária ou mercantil com a COOPERNOPI, com a UMUARAMA, ou com o Sr. BERGAMO, senão a relação mercantil, acordada através de uma SCP (Fls. 6389/6400), onde a Recorrente obrigavase a investir os recursos recebidos pela sociedade UMUARAMA no empreendimento imobiliário por ela administrado, desenvolvido na Cidade de Votorantim SP, e distribuir a ela "UMUARAMA" o resultado financeiro desse empreendimento, proporcional ao valor por ela investido. Assim, o Sr. Bergamo e a UMUARAMA, nos termos do contrato particular firmado e do artigo 991 do Código Civil, não controlavam, comandavam ou administravam os negócios sociais da Recorrente, conforme instrumento de constituição de SCP (Fls. 6389/6400). Por outro lado, não houve, na prática, qualquer desvio em relação ao acordado no instrumento mencionado, ou seja, a verdade formal e material são idênticas, a Recorrente desenvolveu e ainda desenvolve seu empreendimento imobiliário, sob seu nome, sob o comando exclusivo de seus sócios administradores, Ricardo e Luciano, sob única e exclusiva responsabilidade destes. A prova da absoluta independência e autonomia da Recorrente na gestão de seus negócios sociais é evidenciada quando ocorre a inadimplência da UMUARAMA no cumprimento de suas obrigações contratuais e a Recorrente, prontamente, notifica a referida empresa para que purgasse sua mora e adimplisse suas obrigações contratuais, conforme notificação acostada (Doc. 01). Nesse contexto, e como já minuciosamente destacado no histórico preliminar acima, em 02/12/2013 a "Umuarama" ajuizou ação de rescisão contratual e indenização em face da Recorrente BOULDER, que foi julgada improcedente em primeiro grau e, posteriormente, solucionada com resolução de mérito, conforme sentença homologada em juízo em 29/01/2015, em que as partes acordaram em extinguir a SCP, e por conta dessa extinção a Recorrente BOULDER pagou os haveres em relação aos valores investidos pela "Umuarama" no empreendimento, através de pagamento de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) em dinheiro e o compromisso da Recorrente em transferir à propriedade de 10 (dez) unidades autônomas condominiais em construção, conforme se verifica nos documentos juntados às fls. 6401/6487. Pois bem, especificamente às fls. 852 a 855, na tentativa frustrada de demonstrar a identidade de interesses entre a Recorrente e o Sr. Bergamo, ou uma identidade de comando, como preferir, a Autoridade Fiscal junta email trocado entre o sócio da Recorrente BOLDER, o Sr. Ricardo e o Sr. Bergamo. (...) Fl. 6788DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.783 12 Enfim, como se depreende dos documentos de fls. 6401/6487 é inequívoco que todo o investimento realizado pela sócia investidora UMUARAMA na SCP constituída foi devolvido a ela em dinheiro e na forma de dação em pagamento de 10 (dez) unidades condominiais, conforme se verifica no processo n°403006942.2013.8.26.0114. Ademais, importante lembrar que a UMUARAMA não era a única investidora da BOULDER nos empreendimentos sob a sua responsabilidade. A Recorrente possuía, além da relação de investimento com a UMUARAMA que durou durante os anos de 2011 a 2013, outros investidores em sociedades em conta de participação. Exemplo disso, como ressaltado antes, foi a constituição de uma Sociedade em Conta de Participação com a MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S.A, que perdurou durante o período de 2008 a 2014, uma das maiores incorporadoras do país no programa Minha Casa Minha Vida, que a exemplo da UMUARAMA, atuava como sócia investidora em empreendimento administrados pela Recorrente, conforme demonstrado no instrumento de SCP anexo (fls. 6488/6495). Assim, com o devido respeito, não há qualquer sentido lógico em se sustentar que com a simples relação de investimento de uma sociedade em outra há necessariamente um nexo que permita concluir por uma relação de subordinação ou comando de uma por outra, permitindo responsabilizar uma em relação às obrigações assumidas por outra.” Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO O Recurso Voluntário apresentado apenas questiona a responsabilidade solidária da RECORRENTE, por discordar do entendimento da autoridade fiscalizadora de efetiva comprovação do grupo econômico. Nada alegando, no mérito, sobre a constituição do crédito tributário, bem como dos encargos legais a ele acrescidos. Fl. 6789DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.784 13 Da Responsabilidade solidária – Do Grupo Econômico de Fato Em síntese, alega a RECORRENTE que não integra o grupo econômico de fato apontado pela fiscalização, pois: (i) A relação com a sociedade Umuarama era puramente mercantil, constituída através de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), conforme comprova as fls. 6389/6400. Também comprovam o caráter mercantil da sociedade o fato da RECORRENTE ter notificado extrajudicialmente em 1º/3/2013 a UMARAMA para que honre seus compromissos financeiros e que em 2/12/2013 propôs contra a UMARAMA ação judicial de rescisão contratual e indenização, fatos não compatíveis com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. (ii) Não há unidade de comando empresarial, tampouco abuso de poder de direção. (iii) A movimentação de recursos financeiros entre as empresas é decorrente da atividade econômica, em especial do acordo firmado para extinguir a SCP, que implicou no pagamento de R$ 500.000,00 e no compromisso da RECORRENTE de transferir à propriedade de 10 unidades autônomas condominiais em construção, conforme comprovado pelas fls 6401/6487. (iv) Não havia , por parte do suposto Líder do Grupo Econômico, Sr. Bergano, controle, comando ou administração de negócios mercantis da RECORRENTE. (v) Que a RECORRENTE participa usualmente de SCP para angariar investimentos, mas que isso não implica em formação de grupo econômico. (vi) Que nos termos do entendimento do STJ, e do art. 124 do CTN, a autoridade fiscalizadora deveria ter comprovado como a RECORRENTE contribuiu com a ocorrência e ocultação do fato gerador da obrigação tributária, o que não ocorreu nos presentes autos. Conforme o relatório fiscal (569/588), a responsabilidade da Empresa Boulder Engenharia e Participação foi inferida tomando como base troca de emails entre Ana Paula, Ricardo e Bergamo e a planilha da empresa Umuarana indicando a transferência de valores, conforme anexo 21, contendo apenas 4 páginas. (fls. 695/698). Ora, os emails indicados pela autoridade fiscalizadora, de fato, apenas indicam uma transferência de Recursos, nada mais. Vêse que a autoridade lançadora não faz qualquer prova, tampouco apresenta argumentos que atestem a existência do grupo econômico e a correlação do RECORRENTE com os fatos geradores objeto de lançamento, nem sequer alega a existência de unidade de gestão e direção, do quadro societário e do aproveitamento nos resultados. Fl. 6790DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.785 14 Percebese, portanto, que a autoridade fiscalizadora conceituou o grupo econômico tomando como base fatos extremamente circunstanciais sem juntar prova de suas alegações. Pela análise dos autos verificase tratarse de empresas distintas, com personalidades jurídicas próprias, sem qualquer relação de coordenação ou cooperação, cuja relação se deu, exclusivamente através de uma SCP, regularmente constituída conforme comprova o instrumento de fls. 6390/6399. O fisco procura desqualificar a independência das empresas com base em uma simples troca de emails e movimentações de valores. Ora, se existe uma SCP voltada para um investimento em comum, é obvio que existirá movimentação de valores entre as empresas participantes. Ademais, é fato totalmente incompatível com a existência de grupo econômico a propositura de ação judicial de rescisão contratual e indenização por danos morais e materiais, proposta pela RECORRENTE em face da UMUARAMA, sob o nº 4030069 42.2013.8.26.0114. Para comprovar efetivamente a existência de grupo econômico entre as empresas, a fiscalização deveria ter discriminado de forma clara a sua composição societária e indicar quem controla quem, qual sócio praticou ou participou na prática do fato gerador da contribuição previdenciária, sob pena de violação art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 e 124, I e II do CTN. Entendo que o art. 30, IX da Lei 8.212/91 deve ser aplicado em conjunto com o artigo 124, II do CTN conforme o caso e devidamente comprovado a relação do artigo 124 do CTN, ao caso concreto, ou seja, tratase de ônus da fiscalização descrever de qual forma os responsáveis solidários do grupo econômico praticaram o fato gerador do tributo lançado e, aquelas situações específicas, verificarse a existência de um ou mais contribuintes que, ante a constatação fática, formem grupo econômico e, primordialmente, se beneficiem da situação ensejadora do lançamento. Neste sentido, inclusive, é a jurisprudência sedimentada do E. STJ em sua 1ª Seção, a respeito da matéria, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. Fl. 6791DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.786 15 (EREsp 834.044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) Importante esclarecer que a fiscalização que culminou no auto de infração sob análise também originou outros dois processos: nº 19311.720122/201525 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); e nº 19311.720123/201570 (IRRF). Em ambos os processos acima, também foi imputada a responsabilidade solidária à RECORRENTE. Contudo, ao analisar o pleito e a documentação acostada nos dois processos acima citados, a 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG afastou a responsabilidade solidária da empresa RECORRENTE e a excluiu do polo passivo dos processos, conforme documentos apresentados sob a forma de arquivos não paginável (fl. 6748). Os acórdãos nº 0271.909 e 0271.910, ambos da 3ª Turma da DRJ/BHE, proferidos respectivamente nos processos nº 19311.720122/201525 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e nº 19311.720123/201570 (IRRF), possuem a seguinte ementa: No voto de ambos os processos, a autoridade julgadora concluiu o seguinte: Fl. 6792DF CARF MF Processo nº 19311.720138/201538 Acórdão n.º 2201004.624 S2C2T1 Fl. 6.787 16 Portanto, tendo em vista o tudo acima exposto e, inclusive, o reconhecimento da não responsabilização solidária da RECORRENTE em lançamentos que tiveram como origem a mesma fiscalização que foi fonte da presente autuação, entendo que está devidamente demonstrado que a RECORRENTE não integra o grupo econômico formado pela contribuinte principal. Assim, diante das razões acima, dou provimento ao recurso voluntário para afastar o vínculo de responsabilidade da BOULDER ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA. no presente lançamento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 6793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000300/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
Ciente a fiscalização, durante o procedimento fiscal, que a pessoa jurídica foi extinta, havendo inclusive entregue declaração de rendimentos de encerramento de atividades e apresentado Distrato Social registrado na JUCESP, deve a fiscalização identificar corretamente o responsável tributário pelos tributos devidos por aquela, sob pena de nulidade dos lançamentos tributários, por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, em dar provimento aos recursos voluntários, para anular os autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo,
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Ciente a fiscalização, durante o procedimento fiscal, que a pessoa jurídica foi extinta, havendo inclusive entregue declaração de rendimentos de encerramento de atividades e apresentado Distrato Social registrado na JUCESP, deve a fiscalização identificar corretamente o responsável tributário pelos tributos devidos por aquela, sob pena de nulidade dos lançamentos tributários, por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000300/2008-97
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5900886
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.345
nome_arquivo_s : Decisao_10932000300200897.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10932000300200897_5900886.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, em dar provimento aos recursos voluntários, para anular os autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo, (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7419927
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870788128768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2.578 1 2.577 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000300/200897 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.345 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria IRPJ e reflexos Recorrentes FERGALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Ciente a fiscalização, durante o procedimento fiscal, que a pessoa jurídica foi extinta, havendo inclusive entregue declaração de rendimentos de encerramento de atividades e apresentado Distrato Social registrado na JUCESP, deve a fiscalização identificar corretamente o responsável tributário pelos tributos devidos por aquela, sob pena de nulidade dos lançamentos tributários, por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, em dar provimento aos recursos voluntários, para anular os autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo, (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 00 /2 00 8- 97 Fl. 2578DF CARF MF 2 Relatório FERGALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e os responsáveis solidários MAURÍCIO ALAYON e MARCELO ALAYON recorrem a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14 23.075, sessão de 08 de abril de 2009, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por MAIORIA DE VOTOS decidiu manter no pólo passivo da medida fiscal impugnada as pessoas físicas consideradas pelo autuante como sujeitos passivos solidários, e, por UNANIMIDADE DE VOTOS, rejeitar as demais preliminares arguidas, e, no mérito, por julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo o IRPJ no valor de R$ 1.282.410,67, a CSLL no valor de R$ 622.940,32, o PIS no valor de R$ 154.703,61 e a COFINS no valor de R$ 714.016,89, acrescidos de multa de oficio de 150% e juros de mora conforme lançados, nos termos do relatório e voto, partes integrantes deste acórdão. Vencido o julgador Paulo Regis Venter, que votou por excluir do pólo passivo da medida fiscal impugnada as pessoas fisicas consideradas pelo autuante como sujeitos passivos solidários, nos termos de sua declaração de voto. Em virtude do valor total exonerado (tributo +multa de ofício) ser superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, houve recurso de ofício pela DRJ. O CARF, por intermédio da extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1202 000.253, de 27 de agosto de 2014. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, completandoo ao final: Tratase de recursos de oficio e voluntário, interpostos, respectivamente, pela 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Ribeirão Preto e pela empresa Fergalplast Indústria e Comércio LIda. e dois de seus sócios (Sr. Maurício Alayon fls. 2239/2282 e Marcelo Alayon 2328/2371). O recurso de ofício interposto em face do Acórdão nº 1423.075, proferido em 08 de abril de 2009, pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, acostado aos autos às fls. 2181/2216, foi motivado por ter o julgamento singular exonerado a então impugnante do agravamento da multa de ofício e acatado a comprovação da origem de alguns depósitos bancários tributados como omissão de receitas, conforme consignado às fls. 2210/2212. Diante dessa decisão, apresentaram os julgadores, no resguardo do principio do duplo grau de jurisdição, o competente recurso ex officio de fls. 2184. Os recursos voluntários interpostos pela empresa Fergalplast Indústria e Comércio Ltda. e dois de seus sócios (Sr. Maurício Alayon fls. 2239/2282 e Marcelo Alayon 2328/2371) dizem respeito ao remanescente do lançamento, autos de infração do IRPJ, fls. 1896/1904, PIS, fls. 1905/1912, COFINS, fls. Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.579 3 1913/1920, e CSLL, fls. 1921/1928, por ter a fiscalização constatado irregularidades no anocalendário de 2003. Assim, por facilitar o entendimento da controvérsia adoto o Relatório do v. Acórdão de primeira instância: "Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls.1886/1928, relativos ao ano calendário de 2003, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, apurado pelo lucro arbitrado, no valor de 1.324.811,66 (fl. 1896); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de 642.020,76 (fi. 1921), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de 767.018,13 (fI.1913) e Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de 166.187,21 (fi. 1905 , acrescidos de juros de R$ 11.515.747,18 (fl. 5). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1886/1895, foram lançados IRPJ e CSLL pelo lucro arbitrado, bem como demais tributos reflexos, em relação às receitas conhecidas, declaradas pelo contribuinte em DlPJ e por ter sido apurada omissão de receitas referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal teve origem em documentos encaminhados pela COFIS, recebidos de autoridades judiciárias e policiais, decorrentes da CPI do Banestado, aos quais demonstraram movimentação de valores no exterior à margem do mercado financeiro formal. No início da ação fiscal, o AFRFB constatou que a empresa havia mudado de endereço, sem, contudo, informar tal fato à Receita Federal, situação esta corroborada por informação fiscal decorrente de diligência fiscal anterior MPFD 08119002006007574 em que foi constatada a iminente mudança de endereço do contribuinte (fls. 85/86). A fiscalização contatou representante da empresa, constante no MPFD citado, que manifestou não mais representar a empresa, informando à fiscalização o novo representante (procuração de fl.90/91), que teve ciência do início da ação fiscal (19/01/07) no serviço de fiscalização da DRF (fl. 88 a 99), sendo intimado a apresentar escrituração e comprovar recursos financeiros movimentados no exterior. Tendo em vista que o contribuinte não se encontrava no exercício regular de suas atividades no endereço informado à Receita Federal, este foi cientificado da constatação e intimado a regularizar seu endereço no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), não sendo esta atendida pela fiscalizada. Fl. 2580DF CARF MF 4 Diante do não atendimento das intimações pela fiscalizada e de não se encontrar no exercício regular de suas atividades no endereço informado à Receita Federal, a Autoridade Fiscal intimou e reintimou os sócios da empresa, nos respectivos domicílios fiscais eleitos pelos contribuintes no cadastro de pessoas físicas (CPF). Não obtendo respostas às intimações, foram solicitados Requisições de Movimentação Financeira RMF, junto às instituições financeiras em que o contribuinte mantinha vínculos. Da análise dos extratos bancários recebidos, foi confeccionado relatório contendo a movimentação financeira do contribuinte e novamente intimados os sócios que haviam recebido as intimações anteriores. Destaca a fiscalização que, em relação ao sócio João José de Sousa, a intimação foi encaminhada para seu novo domicílio fiscal, conforme constatado em pesquisa ao cadastro de pessoas físicas (CPF). As intimações foram infrutíferas, sendo informado aos correios que o sócio João José de Sousa "mudouse" e o sócio Maurício Alayon "recusouse a receber a intimação". Destarte, foi expedida intimação por edital, solicítando o comparecimento do contribuinte para comprovar a origem dos créditos e depósitos efetuados nas diversas contascorrentes bancárias por ele mantidas. Recebendo novos extratos bancários, foi a fiscalizada reintimada por edital a prestar esclarecimentos, nada apresentando à Autoridade Fiscal. Diante do relato acima e da não apresentação da escrituração contábil e fiscal, ficou a contribuinte sujeita à tributação pelo lucro arbitrado. Através da declaração de informações econômicofiscais da pessoa jurídica, foi levantada a receita bruta conhecida do contribuinte, tributando pela alíquota de 9,6% no lucro arbitrado. Do levantamento dos valores creditados e depositados nas contascorrentes do contribuinte, foram subtraídos os valores da receita conhecida (DIPJ) e apurada a omissão de receita, sendo esta, da mesma forma, tributada pelo lucro arbitrado. Discorre a Autoridade Fiscal quanto aos levantamentos de IRRF e IPI, entretanto, por não serem objetos do presente processo, deixo de relatálos. Entendendo o Auditor que a conduta do contribuinte de efetuar remessa ao exterior sem o conhecimento do Banco Central e ainda sem registro em sua movimentação financeira, bem como, por todo demonstrado na apuração da omissão de receita evitou que a autoridade fiscal tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador e desta firma deixou de pagar os tributos devidos, configurando fraude nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64 e crime contra ordem previsto nos artigos I° e 2° da Lei nº 8.137/90. Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.580 5 Destarte, aplicou multa qualificada de 150% e agravada pela não prestação de esclarecimentos, nos termos do art. 959 do RIRl99, computando alíquota de 225%. O Auditor caracterizou a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 do CTN em relação aos sócios da fiscalizada, tendo em vista a constatação de que o sujeito passivo registrou perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006, durante a ação fiscal e que o mesmo deixou de atender reiteradas intimações. O termo de sujeiçao passiva solidária e autos de infração lavrados foram encaminhados para os contribuintes via correio, sendo recebidos nos domicílios tributário dos sócios João José de Sousa e Maurício Alayon, bem como, cientificados por edital afixado em 15/09/2008. Cientificada do lançamento em 30/09/2008, através de ciencia por edital, a interessada, por seu advogado e procurador, ingressou, em 22/10/2008, com peça impugnatória de fls. 207312124 e documentação anexa de fls. 2125/2141, sendo esta referente a demonstrativos em forma de planilhas, relativos a créditos decorrentes de empréstimos e transferências (fls. 2125/2137), documentação pessoal do advogado (fi. 2138), cópia de balancetes (fls.2139/2141). Consta nos autos processuais, na fl. 1942, procuração da impugnante ao advogado signatário da impugnação, alegando e pedindo, em suma: I Cerceamento de defesa. Falta de intimação de procurador regularmente constituído nos autos e intimação de pessoa diversa do contribuinte, de seus representantes legais ou de seu procurador. Nulidade do auto de infração. Requer anulação por vício formal do lançamento, por entender não cumpridas a formalidades aplicadas ao ato. Houve erro na constatação de que a empresa estava em situação irregular, pois mantinha procurador nos autos (fls. 89,90 e 100). Houve cerceamento de defesa do contribuinte, seja pelo fato de o Auditor Fiscal não respeitar os poderes de que estavam investidos os mandatários e por ter intimado o contribuinte em endereço diverso daquele eleito como domicílio fiscal e em pessoas diversas e estranhas a seu quadro social. 2 Descompasso entre lançamento e motivação do MPF. Alega que o lançamento foi em descompasso com a autorização obtida pelo MPF, pois o próprio Auditor informa que a fiscalização se deu para verificar remessas de valores ao exterior sendo ampliada a fiscalização para outros motivos. Questiona a ciência por edital do MPF emitido em agosto e 2008, sendo conhecido pelo AFRFB o endereço do procurador do contribuinte. Fl. 2582DF CARF MF 6 3 Há decadência no período anterior a outubro de 2003, por entender nã caracterizado o dolo. 4 Vício de legalidade da quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário se faz inconstitucional porque o art. 6° da C 105/01 não foi recepcionado pela Constituição Federal. A quebra do sigilo bancário se faz ilegal, porque não há Lei Ordinária. Há ilegalidade no procedimento de quebra do sigilo bancário, porque a Autoridade Fiscal não observou os requisitos regulamentares, especialmente pelo fato de não haver intimação precedente ao contribuinte para que o mesmo apresentasse sua movimentação financeira. 5 Inexistência de receita omitida. Há erro na determinação da base de cálculo da receita bruta, pois créditos decorrentes de empréstimos e decorrentes de transferências do mesmo titular foram lançados como receita operacional e na verdade representam recursos de terceiros. 6 Não era possível o arbitramento do lucro, vez que não se verificam, in casu, as hipóteses legais autorizadoras (incisos do art. 530 do RIR). A base de cálculo do IRPJ e CSLL deve ser apurada excluindose da receita bruta o montante de IPI lançado. Deve ser excluído o ICMS pago por substituição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL porque não constituído para os tributos decorrentes da autuação. 7 Base de cálculo das contribuições PIS e Cofins A base de cálculo do PIS e da COFINS não é receita bruta, mas sim o faturamento, entendido como o resultado da venda de mercadorias e prestação de serviços, consoante entendimento já exarado pelo STF. Deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não é receita própria da impugnante, mas de terceiros. 8 Inexistência de transferência ao exterior. Não há provas nos autos de remessa de recursos ao exterior por parte da impugnante. 9 Inexistência de débito do IPI. 10 Inexistência de fraude e da erronea aplicação da multa. A multa não poderia ter sido aplicada no percentual de 225% sobre o valor do tributo, eis que não se verifica o dolo, tampouco o intuito de fraude na conduta da impugnante e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no sentido de que a mera omissão de receita é falta simples e não enseja a aplicação da multa qualificada. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.581 7 Não há prova nos autos de prátíca de qualquer ato fraudulento pelo contribuinte, tão pouco de que tenha retardado a fiscalização, portanto a multa punitiva fora fixada em excesso diante da ausência dos requisitos do agravamento da multa. 11 Requer a produção de prova pericial, apresentando quesitos e indicando perito. 12 Requer que as intimações dos presentes autos sejam realizadas na pessoa dos procuradores constituídos nos autos. O sócio Marcelo Alayon, ingressou, em 23/10/2008, com peça impugnatória de fls. 1949/1999 e 2002/2009 e documentação anexa de fls.20 I0/20 11, sendo esta referente a procuração e documentação pessoal do advogado, alegando e pedindo, em suma: 1 Que é ilegal a atribuição de responsabilidade aos sócios da Fergalplast, pois não há fato provado nos autos que demonstre o beneficio auferido pelos sócios, tão pouco há acusação formal da hipótese legal em que se funda a acusação. Discorre que o registro de distrato social na junta comercial não é suficiente para atribuir responsabilidade solidária aos sócios. Solicita a exclusão dos sócios, Marcelo Alayon, Maurício Alayon, João José Sousa, Carlos Henrique Mendes da Silva, do pólo passivo do presente processo administrativo, dada a inexistência para fundamento fático para a responsabilização solidária dos sócios. 2 Inexistência de transferência ao exterior. Não há provas nos autos de remessa de recursos ao exterior por parte da impugnante, e mesmo se aceito a hipótese de remessas para o exterior, a responsabilidade pelo recolhimento do imposto ficaria a cargo do beneficiário que poderia ser conhecido nos documentos apresentados em inglês nos autos. 3 Todas demais alegações são idênticas ao já relatado em relação à impugnação apresentada pela fiscalizada. O sócio Mauricio Alayon, ingressou, em 23/10/2008, com peça impugnatória de fls. 2012/2070 e documentação anexa de fls. 2071/2072, sendo esta referente à procuração e documentação pessoal do advogado, apresentando alegações idênticas às já relatadas em relação impugnação apresentada pelo sócio Marcelo Alayon." Em 08/04/09 foi prolatado o Acórdão nº 1423.075, da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, fls. 2181/2216, que considerou procedente em parte o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSo.A JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DEPÓSITO. BANCÁRIO. OMISSÃO. DE RECEITA. Fl. 2584DF CARF MF 8 Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO. LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. Transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO. DE RECEITA. EXCLUSÃO. DO. IPI RELATIVO A RECEITAS OMITIDAS. DESCABIMENTO Não deve o IPI calculado sobre a receita omitida ser excluído da base de cálculo do IRPJ e reflexos, se o lançamento é fundado em omissão de receitas por falta de comprovação da origem de depósitos bancários. ARBITRAMENTO. DE LUCRO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SO.CIAL CO.FINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. DO.ICMS IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO. PARA O PIS/PASEP Ano calendário 2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. DO. ICMS IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS ASSUNTO.: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. MPF. Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.582 9 É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Existindo no processo os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador e constatandose a inexistência de matéria que necessite da opinião de perito para ser decidida, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. So.LIDARIEDADE PASSIVA. INTERESSE Co.MUM DESIGNAÇÃO. LEGAL. Nos termos do art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as pessoas expressamente designadas por lei. SOLIDARIEDADE PASSIVA. PROCEDIMENTO. COBRANÇA E EXECUÇÃO A qualificação dos responsáveis pelo crédito tributário é inerente aos procedimentos de cobrança e execução do débito, caracterizandose como questão subsidiária no julgamento administrativo, cujo foco é a constituição do crédito tributário. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO IRPJ CSLL. PIS. COFINS. O. direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. MULTA AGRAVADA. Fl. 2586DF CARF MF 10 O. agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio somente se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Lançamento Procedente em Parte ". Cientificados, a empresa e dois de seus sócios (Maurício e Marcelo Alayon), ainda irresignados com a decisão, apresentaram seus competentes recursos voluntários protocolados conjuntamente em 03/07/09 (fls. 2238/2282, fls. 2286/2324 e fls. 2328/2371), em cujo arrazoado reprisam os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, além de postular pela devolução do prazo em decorrência de lhes terem sido negado acesso aos autos por conta de suposta irregularidade no instrumento de procuração (no caso substabelecimento). Em sessão de julgamento datada de 03/10/2012, restou determinado o sobrestamento do presente recurso nos moldes do Artigo 62A do RICARF, uma vez que a matéria relativa à constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial encontravase em análise pelo Supremo Tribunal Federal STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 601.314, com repercussão geral devidamente reconhecida. Todavia, com o advento da Portaria do Ministério da Fazenda nº 545, que revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II do RICARF, os presentes autos deixaram de ser sobrestados e, oportunamente, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. A então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento em diligência para que possam ser esclarecidas as matérias de fato abaixo discriminadas: I Do Suposto Erro na Identificação do Sujeito Passivo Matéria de Ordem Pública Preliminarmente, ponto de primordial importãncia à análise do caso em tela referese à sujeição passiva indicada pela D. Autoridade Fiscal. Conforme se observa dos autos, o presente Auto de Infração de fIs. I896/1928 foi lavrado em face da empresa Fergalplast, com solidariedade passiva dos Senhores Maurício Alayon, Marcelo Alayon, João José de Souza e Carlos Henrique Mendes da Silva (FIs. 1930/1939). A despeito de tal fato, alerta o contribuinte em seus Memoriais de Julgamento para uma suposta irregularidade que deveria ser conhecida por tratarse de matéria de ordem pública. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.583 11 Segundo o contribuinte, a fiscalização que deu origem ao Processo Administrativo ora em discussão iniciouse em 17.01.2007. Entretanto, neste período, o Contribuinte já não mais operava, uma vez que teria encerrado suas atividades por meio de Distrato Social datado de 24.11.2006 e registrado na JUCESP em 01.12.2006. Como se sabe, a questão de erro na sujeição passiva é, de fato, matéria de ordem pública, que implica, inclusive, em questão de nulidade. Por tal razão, tal matéria pode ser alegada pelas partes a qualquer tempo ou, até mesmo, reconhecida pelo julgador de ofício. Assim, não vislumbro qualquer prejuízo no fato de o contribuinte apenas neste momento alegar tal tópico como base de sua defesa, mesmo não o tendo feito em suas peças anteriores. Com base no exposto, aprofundome na questão. Conforme se verifica às FIs. 2164, o Contribuinte apresentou em 01.12.2006 DIPJ relativa ao anocalendário de 2006 (DIPJ/2006), com a devida notificacão de evento de extinção de atividades. Entretanto, não localizei nos autos o mencionado distrato social datado de 24.11.2006 e supostamente registrado na JUCESP em 01.12.2006. Há, contudo, indícios de sua veracidade, uma vez que a própria Autoridade Fiscal o cita às fls. 2194. Vejamos: "Acrescentese que o sujeito passivo registrou, perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006, sob o número de documento 320.899/068, deixando claro o encerramento de atividade da fiscalizada quando do comparecimento pelo Auditor no domicílio fiscal do contribuinte. " Entendase que a falta deste documento acostado aos autos não implica na impossibilidade deste ser requerido ou oferecido para análise, uma vez que aparenta essencial importância ao deslinde da presente controvérsia. Há que se entender que o Processo Administrativo Fiscal Federal é, por sua natureza, regido pelo princípio da verdade material, no sentido de que se busca descobrir se o fato gerador realmente ocorreu e as situações reais envolvidas. Este, inclusive, já é posicionamento pacífico deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: "PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTARIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da Fl. 2588DF CARF MF 12 instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material. que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o (ato gerador. pois o que está em jogo é a legalidade da tributacão. O importante é saber se o (ato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento ". (Ac. 10318789 3~Câmara I" C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3" Turma, Acórdão n° 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/Il/2004.) Por tais razões, é imperioso compreender a verdadeira situação da empresa ora indicada no polo passivo. Se comprovada sua normal e regular dissolução, constatase uma verdadeira nulidade no lançamento, razão pela qual não poderia prosperar o presente Auto de infração. Neste sentido: "Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2007. Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICACÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURíDICA EXTINTA. Tendo a empresa dado baixa na junta comercial, através de ata de assembleia que a declarava como pessoa jurídica extinta, deve ser anulado o lançamento efetuado em face de referida empresa extinta". (Acórdão nº.1202000.807. Proc. nº 11052.000661/201026) Entretanto, caso se verifique que o encerramento da empresa não ocorreu nos moldes legais (OU apenas posteriormente ao início do procedimento fiscal) então não há que se falar na alegada nulidade. Considerando que não dispomos nos autos de documentos suficientes para comprovar o alegado de forma inequívoca, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que sejam apuradas pela unidade de origem as alegações trazidas pelo contribuinte em sede de Memoriais, respondendose aos presentes quesitos: A empresa indicada no polo passivo do presente Processo Administrativo encontrase extinta e sem atividades desde 01.12.2006? Em caso afirmativo, esta extinção se deu nos moldes legais e com o devido registro e comunicação à Junta Comercial do Estado e à Receita Federal do Brasil? Quaisquer outras questões que a D. Autoridade Fiscal entenda por bem esclarecer. Após a realização da mencionada diligência com a apresentação de esclarecimentos em face dos quesitos levantados, deverá a unidade de origem apresentar relatório conclusivo ao sujeito passivo, que terá o prazo de 30 dias para se manifestar acerca do referido relatório, apresentando, Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.584 13 inclusive, cópia do alegado Distrato Social datado de 24.11.2006 e registrado na JUCESP em 01.12.2006. Ato contínuo, retornem os autos conclusos a este E. Conselho para o julgamento do caso. Cumprida a diligência requerida, com a juntada do "Distrato Social" de fls. 2.561/2.565 e da "Informação Fiscal" de fls. 2.555/2.556, que trouxe os seguintes esclarecimentos, verbis: Fl. 2590DF CARF MF 14 A recorrente e os sujeitos passivos solidários tiveram, por sua vez, ciência da da "Informação Fiscal" ao norte mencionada e permaneceram silentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Inicialmente é necessário verificar os pressupostos de admissibilidade do recurso de ofício, que está previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. O valor a ser fixado para o recurso de oficio está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Apesar da Portaria MF 63/2017 ter sido publicada em 10 de fevereiro de 2017, por tratarse de matéria processual, entendo ser a regra de aplicação para todos os casos ainda pendentes de .julgamento. No caso em tela, o valor exonerado pela autoridade a quo, atingiu a soma de R$ 2.489.943,89 (efls. 2.327), inferior ao limite previsto na Portaria MF 63/2017. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Quanto aos recursos voluntários interpostos pela contribuinte e pelos responsáveis solidários MAURÍCIO ALAYON e MARCELO ALAYON, devem ser conhecidos na sua integralidade por serem tempestivos e atender os demais requisitos de admissibilidade. Cabe examinar a questão prejudicial da ilegitimidade passiva, dada a impossibilidade de se constituir o crédito tributário em face de pessoa jurídica extinta antes do início da lavratura do auto de infração. Urge registrar que o lançamento foi efetuado em 30/09/2008 (15 dias depois de afixado o Edital de efls. 2.051), quando o Distrato Social da sociedade é datado de 24.11.2006 e registrado na JUCESP em 01.12.2006 (efls. 2.561/2.565). Apesar da diligência não localizar o pedido de baixa do CNPJ do contribuinte nos sistemas da RFB, o voto condutor da decisão de piso é claro ao constatar o encerramento de atividade do sujeito passivo quando da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal em 19/01/2007 (efls. 90/91), verbis: Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.585 15 Acrescentese que o sujeito passivo registrou, perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006 sob o número de documento 320.899/068, deixando claro o encerramento de atividade da fiscalizada quando do comparecimento pelo Auditor no domicílio fiscal do contribuinte (17/01/2007). Corrobora, ainda, que a fiscalizada apresentou DIPJ relativa ao anocalendário de 2006, com evento de extinção de atividade na data de 01/12/2006 (fi. 2.164), conforme o distrato social acima referido. Abaixo, trago a colação, os documentos ao norte mencionados, ou seja, o extrato da DIPJ/2006 (situação especial de extinção) e o Distrato Social registrado na JUCESP: Fl. 2592DF CARF MF 16 Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.586 17 Fl. 2594DF CARF MF 18 Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.587 19 Do exame dos autos se constata que o Fisco identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, a pessoa jurídica FERGALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. E, ainda, que essa pessoa jurídica já se encontrava extinta desde momento anterior ao do lançamento, anterior mesmo ao do início do procedimento de fiscalização. Com a extinção por liquidação voluntária, cessa a personalidade jurídica daquela tida por contribuinte no lançamento ora discutido, o qual não pode, assim, subsistir. A jurisprudência majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e também deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a qual concordo, é de que pessoa jurídica extinta não pode figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, conforme ilustram as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovada a extinção da pessoa jurídica, eis que carreado aos autos documento relativo à dissolução e ao arquivamento do correspondente distrato social, revelase incabível a formalização de exigência tributária em seu nome, dado que a pessoa jurídica extinta, sendo inexistente no mundo jurídico, não pode compor o pólo passivo da referida obrigação. (Acórdão 1301001.062, Sessão de 02/10/2012) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 2596DF CARF MF 20 A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. (Acórdão 1301000.753, Sessão de 23/11/2011) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A PESSOA JURÍDICA JÁ LIQUIDADA A liquidação definitiva da pessoa jurídica importa em sua retirada do mundo jurídico, daí decorrendo a impossibilidade de serlhe imputada responsabilidade. Extinta a pessoa jurídica, a exigência de créditos tributários não satisfeitos no procedimento de liquidação dever ser dirigida aos sócios, nos termos do que dispõe o art. 134, VII, do Código Tributário Nacional. É nulo o lançamento dirigido a pessoa jurídica extinta, por erro na identificação do sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento. (Acórdão 9101002.042, Sessão de 09/10/2014) Ressalto, por oportuno que, no caso concreto, a extinção da pessoa jurídica se deu mediante o registro de seu "Distrato Social" na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, em 01/12/2006 (fls. 2.561/2.565), antes do início do procedimento fiscal (em 19/01/2007, cf. Termo de Início da Ação Fiscal à efls. 90/91) e da lavratura dos autos de infração em 30/09/2008 (15 dias depois de afixado o Edital de efls. 2.051). Também não vislumbro qualquer tentativa de ocultação dos fatos por parte do representante da pessoa jurídica já então extinta, visto que a DIPJ/2006 apresentada na situação especial de extinção de atividades e o "Distrato Social" registrado na JUCESP eram do conhecimento da Fiscalização por ocasião do lançamento, sendo o Distrato expressamente citado nos Termos de Sujeição Passiva Solidária (efls. 2.041 e seguintes) e no voto condutor da decisão de piso. O Fisco, ao que parece, não deu qualquer importância a essa circunstância e simplesmente a ignorou, como se inexistente ou ineficaz fosse. O fato de exsócios da pessoa jurídica, no caso MAURÍCIO ALAYON e MARCELO ALAYON, não atenderem as intimações da fiscalização não é condição suficiente para guindar essas pessoas à sujeito passivo das obrigações tributárias contraídas por aquela, sem qualquer construção jurídica e fatídica para estabelecer a responsabilidade tributária. Sequer a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária pertinente com a indicação dos elementos que os tornariam responsáveis pelos tributos devidos pela empresa dissolvida. Abaixo reproduzo a justificativa da fiscalização para lavrar os Termos de Sujeição Passiva Solidária dos exsócios da pessoa jurídica extinta, verbis: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tendo constatado que o sujeito passivo acima identificado registrou, perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Distrato Social datado de 24/11/2006, no dia 01/12/2006 sob o número de documento 320.899/068, durante a ação fiscal que foi aberta sob o n.° 08119002006008775 com continuidade no MPF n.° 08119002008009132 e que o mesmo deixou de atender reiteradas intimações, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n g 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10932.000300/200897 Acórdão n.º 1201002.345 S1C2T1 Fl. 2.588 21 A afirmação do autuante de que o registro do "Distrato Social" ocorreu durante a ação fiscal não procede, uma vez que, como vimos, o início do procedimento fiscal ocorreu em 19/01/2007, com a ciência do sujeito passivo do Termo de Início da Ação Fiscal. Dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) sobre os elementos materiais indispensáveis à realização do ato do lançamento de tributos pela autoridade administrativa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso , propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) Este vício material na formação do lançamento tributário, erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, por expressa violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, acima reproduzido, maculao de forma insanável tornando insubsistente os lançamentos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao período ora sob julgamento. Pelo exposto, VOTO em dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 2598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15453.000833/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. LANÇAMENTO PARA COBRANÇA DE RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IRPF.
É nulo por vício formal o lançamento cuja descrição dos fatos não foi devidamente apontada pela autoridade competente.
Hipótese em que se discute lançamento para cobrança de restituição de IRPF cujo pagamento tornou-se indevido em razão da posterior apresentação de declaração retificadora pelo contribuinte que levou a alteração do montante do imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 9202-007.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. LANÇAMENTO PARA COBRANÇA DE RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IRPF. É nulo por vício formal o lançamento cuja descrição dos fatos não foi devidamente apontada pela autoridade competente. Hipótese em que se discute lançamento para cobrança de restituição de IRPF cujo pagamento tornou-se indevido em razão da posterior apresentação de declaração retificadora pelo contribuinte que levou a alteração do montante do imposto apurado no ajuste anual.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15453.000833/2009-66
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898147
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.105
nome_arquivo_s : Decisao_15453000833200966.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15453000833200966_5898147.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7411439
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870794420224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 110 1 109 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15453.000833/200966 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.105 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARCOS ANTONIO CARDOSO DOS SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS. LANÇAMENTO PARA COBRANÇA DE RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IRPF. É nulo por vício formal o lançamento cuja descrição dos fatos não foi devidamente apontada pela autoridade competente. Hipótese em que se discute lançamento para cobrança de restituição de IRPF cujo pagamento tornouse indevido em razão da posterior apresentação de declaração retificadora pelo contribuinte que levou a alteração do montante do imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 45 3. 00 08 33 /2 00 9- 66 Fl. 110DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Conforme se depreende da notificação de lançamento e da decisão da Delegacia de Julgamento, tratase de lançamento para cobrança de imposto de renda haja vista a constatação de restituição indevida paga ao Contribuinte no ano de 2009. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, anulou o lançamento por vício material haja vista a ausência de descrição do fato e da matéria tributável o que levou ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O acórdão nº 2402004.905 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 NORMAS GERAIS. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR, AUSÊNCIA. VÍCIO NO LANÇAMENTO. MATERIAL. São nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. A ausência de clareza na descrição do fato gerador e na matéria tributável impede que o contribuinte exerça, de forma plena, seus direito à defesa, o que caracteriza vício. O vício constante na descrição do fato gerador é de natureza material, pois se refere ao objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Citando como paradigmas os acórdãos 230200.386 e 240100.018 defende a recorrente que o vício caracterizado pela descrição deficiente do fato gerador é vício de natureza formal. A divergência é assim resumida: Entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos confrontados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido deu provimento do recurso voluntário para anular o lançamento tributário por vício material, como se o motivo da autuação nunca tivesse existido, os acórdãos paradigmas entenderam que tais vícios na caracterização do fato gerador acarretam a nulidade do lançamento por vício meramente formal. Os acórdãos paradigmas entenderam que, não obstante a descrição deficiente dos fatos caracterize nulidade, ela possui Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15453.000833/200966 Acórdão n.º 9202007.105 CSRFT2 Fl. 111 3 natureza meramente formal, tendo vista o desrespeito ao inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Cientificado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, ratificando o despacho de fls. 98/103, dele conheço. No mérito, como destacado no relatório, o discussão restringese a definição acerca da natureza do vício apontada pela decisão recorrida, se material ou formal. No entendimento do Colegiado a quo a total ausência de descrição do fato que ensejou o lançamento e a total ausência do apontamento da matéria tributável são vícios materiais no sentido em que geraram cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Vale mencionar que estamos diante de lançamento para cobrança de IRPF haja vista restituição indevida recebida pelo Contribuinte. Na decisão da DRJ a situação fática foi didaticamente resumida: Foram entregues pelo Contribuinte três DIRPF distintas: a original, entregue em 22/04/2008 (fls. 49/53); a primeira retificadora, entregue em 27/01/2009 (fls. 55/59); e a última retificadora, entregue em 10/09/2009 (fls. 17/21). Na primeira DIRPF Retificadora foi apurado o saldo de imposto a restituir de R$ 305,16 e esse valor foi restituído ao Contribuinte. Assim, considerando que na última DIRPF Retificadora foi apurado pelo próprio Contribuinte o saldo de imposto a pagar de R$ 695,58, foi apurada através da Notificação de Lançamento a Restituição Indevida a Devolver de R$ 305,16. Ressaltese que a diferença no cálculo do imposto devido existente entre as duas DIRPF retificadoras entregues pelo Contribuinte decorreu da inclusão, na DIRPF entregue em 10/09/2009, de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Campos & Santos Consultoria e Projetos de Engenharia Ltda, que não haviam sido informados pelo Contribuinte na DIRPF anterior. Temos então, no caso concreto, que a cobrança do imposto foi gerada em razão das diferentes declarações retificadoras apresentadas pelo contribuinte, em especial pela apresentação da terceira declaração onde foram apresentados novos valores tributáveis. Ou seja, foi a própria ação do contribuinte que motivou a cobrança da 'devolução' do valor que lhe havia sido originalmente restituído. Fl. 112DF CARF MF 4 Acredito que por essa razão a 'notificação' tenha sido tão sucinta quanto à descrição dos fatos, afinal esses já eram de conhecimento do contribuinte. Citado documento, indicando a declaração retificadora entregue em 10/09/2009 e a declaração anterior de 27/01/2009, assim dispôs: "Fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), nos arts. 835, §§ 1º e 2º, e 839 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), e nos arts. 9°, caput, 11 e 23, caput, III e §2º, III do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações dadas pelos art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997 e art. 113 da Lei nº 11.196, de 2005, notificado a recolher no prazo de trinta dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$305,16, correspondente â restituição recebida indevidamente que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima." Neste cenário, inicialmente, me manifestaria pela ausência de nulidade, pois não vislumbro aqui qualquer vício nos elementos intrínsecos do lançamento. Entretanto, diante da matéria devolvida a este Colegiado, para definição da natureza do vício se formal ou material devo analisar a questão sob o foco da existência de erro na norma utilizada para construção do lançamento, melhor dizendo, se a ausência da descrição do fato maculou a norma introduzida desobedecendo os critérios da regra matriz prevista no dispositivo legal aplicável. Havendo essa hipótese, estaremos diante de vício material. Tal entendimento se baseia nas lições do Professor Paulo de Barros Carvalho o qual já foi utilizado nesta Câmara Superior no Acórdão 9202004.329 da lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior o qual peço vênia para transcrever: Quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Cãmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15453.000833/200966 Acórdão n.º 9202007.105 CSRFT2 Fl. 112 5 direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzi la. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regra matriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (... ) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" No presente caso, embora tenha havido uma precária descrição dos fatos, pelos elementos envolvidos (declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte) tal vício não assume uma dimensão suficiente a ponto de macular o critério material da hipótese de incidência do tributo em sua essência. A autoridade competente delimitou de forma satisfatória todos os elementos que compõem a regra matriz do IRPF, ocorrendo apenas uma impropriedade formal quando da redução a termo destes elementos. Diante do exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para anular o lançamento por vício formal. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 114DF CARF MF 6 Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.724350/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é competente para pronunciar-se quanto a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
OMISSÃO DE RECEITA. EMISSÃO DE BOLETOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS.
Configura-se omissão de receita a não contabilização de valores recebidos a título de suposta cessão de crédito, não comprovada, quando verifica-se que o boleto bancário foi emitido pela impugnante, o transporte das mercadorias também foi realizado por ela e os e-mails de contato das operações indicam tratar-se, a vendedora, da impugnante.
GLOSA DE CUSTOS DO PRODUTOS VENDIDOS
A não comprovação do efetivo pagamento das compras contabilizadas enseja a glosa de custos dos produtos vendidos.
QUALIFICADA - SONEGAÇÃO - DOLO - CARACTERIZAÇÃO.
Cabível a imposição da multa de ofício QUALIFICADA quando os fatos verificados nos autos demonstrem a intenção do sujeito passivo de praticar a conduta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo.
Numero da decisão: 1401-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. LIDE. NÃO CONHECIMENTO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é competente para pronunciar-se quanto a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. OMISSÃO DE RECEITA. EMISSÃO DE BOLETOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS. Configura-se omissão de receita a não contabilização de valores recebidos a título de suposta cessão de crédito, não comprovada, quando verifica-se que o boleto bancário foi emitido pela impugnante, o transporte das mercadorias também foi realizado por ela e os e-mails de contato das operações indicam tratar-se, a vendedora, da impugnante. GLOSA DE CUSTOS DO PRODUTOS VENDIDOS A não comprovação do efetivo pagamento das compras contabilizadas enseja a glosa de custos dos produtos vendidos. QUALIFICADA - SONEGAÇÃO - DOLO - CARACTERIZAÇÃO. Cabível a imposição da multa de ofício QUALIFICADA quando os fatos verificados nos autos demonstrem a intenção do sujeito passivo de praticar a conduta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10920.724350/2015-21
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897622
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.827
nome_arquivo_s : Decisao_10920724350201521.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10920724350201521_5897622.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7409378
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870809100288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.135 1 1.134 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.724350/201521 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.827 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente VITRALSUL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. LIDE. NÃO CONHECIMENTO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não é competente para pronunciarse quanto a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. OMISSÃO DE RECEITA. EMISSÃO DE BOLETOS BANCÁRIOS E RECEBIMENTO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS. Configurase omissão de receita a não contabilização de valores recebidos a título de suposta cessão de crédito, não comprovada, quando verificase que o boleto bancário foi emitido pela impugnante, o transporte das mercadorias também foi realizado por ela e os emails de contato das operações indicam tratarse, a vendedora, da impugnante. GLOSA DE CUSTOS DO PRODUTOS VENDIDOS A não comprovação do efetivo pagamento das compras contabilizadas enseja a glosa de custos dos produtos vendidos. QUALIFICADA SONEGAÇÃO DOLO CARACTERIZAÇÃO. Cabível a imposição da multa de ofício QUALIFICADA quando os fatos verificados nos autos demonstrem a intenção do sujeito passivo de praticar a conduta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos da CSLL, PIS e COFINS uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, salvo em relação à matéria específica de cada tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 43 50 /2 01 5- 21 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.136 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração constantes das fls. 02 a 63, que exigem, respectivamente, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, a Contribuição sobre o lucro líquido – CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o Pis/Pasep, no montante a seguir demonstrado, em relação aos anoscalendário de 2010 e 2011: Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.137 3 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, conforme consta do Termo de Verific4ção Fiscal (fls. 64 a 82), a Autoridade Autuante apurou as seguintes infrações tributárias: OMISSÃO DE RECEITAS PELA VENDA DE MERCADORIAS e CUSTOS DE PRODUTOS VENDIDOS NÃO COMPROVADOS. A primeira infração teve, como reflexos, os tributos CSLL, PIS e Cofins. A fiscalização da impugnante decorreu de procedimento de diligência fiscal realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Porto Alegre e que objetivou esclarecer, entre outros pontos, a relação entre a impugnante e a empresa IL VETRO, já que aquele Serviço de Fiscalização constatara que a empresa MOVEIS K1 LTDA apresentara demonstrativo relativo a compras feitas da IL VETRO, cujos pagamentos das notas fiscais tiveram como favorecido a impugnante. Em atendimento à diligência, a impugnante respondera que manteve relação comercial com a empresa IL VETRO DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, ora vendendo ora adquirindo vidros e espelhos, e que os pagamentos recebidos por ela referiamse a Duplicatas endossadas em favor dela para quitação de operações comerciais realizadas entre as duas empresas, em conformidade com os arts. 910 a 926 da Lei nº 10.426, de 10/01/2002 Código Civil. Os documentos levantados a partir da referida diligência fiscal foram encaminhados à DRF Joinville, que instaurou procedimento de fiscalização na impugnante, o qual teve início em 11 de novembro de 2014 (fl 813 a 818). Em relação às infrações apuradas, a Autoridade Autuante constatou que “as notas fiscais emitidas pela IL VETRO relativas à venda de mercadorias à MÓVEIS K1 foram pagas diretamente à VITRALSUL (por boleto bancário em seu nome ou em sua conta bancária), as operações comerciais foram tratadas com funcionária da VITRALSUL e as mercadorias foram transportadas pela própria empresa fiscalizada.” Registrou que “a alegação da VITRALSUL de que os recebimentos dos valores das vendas da IL VETRO à MÓVEIS K1 se deu em razão de operações comerciais entre a VITRALSUL e a IL VETRO não foi comprovada por documentos hábeis e idôneos, e a contabilidade não registra tais operações.” Concluiu que as vendas foram realizadas pela impugnante à MÓVEIS K1, mas as notas fiscais foram emitidas pela pessoa jurídica IL VETRO deixando, a impugnante, de oferecêlas à tributação. Dessa forma, formalizou a infração de omissão de receitas pela venda de mercadorias. A Autoridade Autuante considerou que “as circunstâncias narradas acima evidenciam, de forma inequívoca, que a empresa VITRALSUL LTDA, ao impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes à totalidade do seu faturamento, cometeu não só infração fiscal, mas crime de sonegação fiscal, conforme definido pelo art. 71 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, sendo por isso Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.138 4 aplicada, sobre os valores do tributo e das contribuições apurados com base na receita omitida, a multa qualificada de 150%, estatuída no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007.” Além da referida infração, a Autoridade Autuante glosou custos de produtos vendidos não comprovados. A motivação do lançamento decorreu da não comprovação dos pagamentos dos principais fornecedores de insumos extraídos da escrituração contábil da fiscalizada (SPED – 07/2010 a 12/2011) e dos arquivos eletrônicos fornecidos pela contribuinte relativos ao período de 01/2010 a 06/2010. Ademais, a autoridade autuante realizou diligências nos fornecedores: Sul Planalto Comércio e Indústria de Vidros, CNPJ n° 12.089.213/000110; Dober Indústria e Comércio de Vidros Ltda, CNPJ n° 11.132.283/000141 e Global Glass Indústria de Vidros e Espelhos e Serviços Ltda, CNPJ n° 13.099.229/000177, emitentes das notas fiscais relacionadas nos Anexos I e II do termo de início de fiscalização e 1 e 2 do termo de intimação de 13 de março de 2015. Ocorre que: As correspondências enviadas por via postal para o endereço constante dos cadastros da Receita Federal às empresas Sul Planalto e Dober retornaram à DRF/Joinville com informação da agência dos Correios de que o primeiro é desconhecido e o segundo se mudou. Dentro do prazo prorrogado, a Global Glass encaminhou cópias das notas fiscais emitidas de vendas à Vitralsul e alegou que os documentos solicitados e a contabilidade do período solicitado não foram localizados na sede da empresa e que, devido a mudança de endereço em 15 de fevereiro de 2013, os documentos anteriores foram extraviados. Por esses motivos, a Autoridade Autuante efetuou a glosa dos valores das compras não comprovadas pela impugnante e que integraram o Custo dos Produtos Vendidos nos anoscalendário de 2010 e 2011. A Autoridade Autuante identificou, ainda, divergência entre os valores do prejuízo fiscal anteriores a 2010 constantes do Lalur (R$ 7.053.640,38) e dos sistemas da Receita Federal e DIPJ anteriores (R$ 3.376.765,31). Após resposta à intimação, constatou que a impugnante havia escriturado no LALUR o valor do prejuízo acumulado contábil quando o correto seria o prejuízo fiscal, correspondente ao lucro ou prejuízo contábil ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, nos termos do art. 247 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Em decorrência, a Autoridade Autuante considerou, em 2010, como prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social de anos anteriores o valor de R$ R$ 3.376.765,31 e realizou a compensação de 30% sobre o resultado apurado em razão das infrações lançadas, de acordo com os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995 c/c arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, reajustando o saldo para o exercício seguinte, no qual também se apurou infrações. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.139 5 A Autoridade Autuante considerou que os fatos narrados no item 3.1 do TVF configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1°, inciso I, da Lei n° 8.137/90 e formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, em atendimento ao disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182, de 29 de julho de 2011, através do Processo n° 10920.724354/201518. Ademais, em razão da existência de débitos de responsabilidade do sujeito passivo em montante superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), que excede a 30 % (trinta por cento) do seu patrimônio conhecido, foi elaborado Termo de Arrolamento de Bens, com base na IN/RFB n° 1.565/2015, formalizado no processo n° 10920.724353/201565. Os autos de infração foram lavrados em 25/11/2015 e a sua ciência ocorreu de forma pessoal em 02/12/2015. Irresignada com o lançamento, a pessoa jurídica apresentou impugnação (fls 767 a 797), no dia 30 de dezembro de 2015, alegando, em síntese: Que não há que se falar em omissão de receita da Vitralsul Ltda uma vez que fora comprovada sua relação comercial com a Il Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda, bem como a motivação dos pagamentos efetuados pela Moveis K1 Ltda., qual seja, o endosso de duplicadas pela IL Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda em favor da impugnante. Transcreve Súmula n° 509 do STJ, a qual isenta de responsabilidade o Contribuinte em relação às Notas Fiscais emitidas por seus parceiros comerciais. Vejase: É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. Quanto à glosa de custos, a impugnação se restringiu aos seguintes trechos: Outra grave contrariedade apresentada na peça fiscal ora impugnada é o critério utilizado para descaracterizar como licitas as Notas Fiscais emitidas pela Il Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda. Depreendese que por não se dar por satisfeito com os documentos apresentados pelo Contribuinte, o auditor fiscal glosou tais notas fiscais. Ora se fosse o Contribuinte intimado a presentar documentos não fiscais sobre a totalidade de suas aquisições, as mesmas seriam todas declaradas inidôneas, o que é um enorme absurdo. No que se refere ao acerto no saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, argumenta que a informação fora fornecida pelo Contribuinte à RFB através de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) e por isso a fiscalização não poderia alterar a “forma de tributação do Contribuinte”. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.140 6 Sobre a qualificação da multa de ofício, alega que o percentual aplicado de 150% tem caráter confiscatório e contraria o art. 150, IV, da Constituição Federal. Ademais, ofende o princípio da capacidade contributiva de que trata o art. 113, §§ 1º e 3º do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência judicial no sentido de que a multa deve ser razoável, atender ao princípio da proporcionalidade e de que o princípio constitucional de vedação do confisco, inobstante diga respeito aos tributos, deve ser observado quando da aplicação de penas pelo descumprimento da obrigação tributária. Alega, ainda, que não há razão para ser duramente penalizado e inclusive ser representado criminalmente e defende que a representação fiscal para fins penais não deve prosperar. Pede que os autos de infração sejam julgados totalmente improcedentes. A 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte, em sessão realizada no dia 11 de abril de 2016, converteu o processo em diligência, por meio da Resolução nº 2.001.961 (fls. 801 a 806), para: 1 Anexar ao processo o comprovante de ciência pessoal do auto de infração; 2 – Anexar ao processo o Termo de Início da Fiscalização; 3 – Anexar ao processo os documentos apresentados pela fiscalizada, em atendimento à intimação fiscal, intitulados “Comunicação de Cessão de Crédito” e demonstrativo relacionando as notas fiscais emitidas pela IL VETRO à MOVEIS K1 com as notas fiscais de vendas emitidas pela VITRALSUL à IL VETRO; 4 Anexar os comprovantes que indicam o registro dos lançamentos na conta contábil 100017/1.1.02.001.001, indicada pela fiscalizada, informando a natureza da referida conta; 5 – Anexar os documentos/livros analisados pela Autoridade Autuante e que a levaram à conclusão de que “Todas as duplicatas que a VITRALSUL afirma que foram endossadas pela IL VETRO não se encontram escrituradas”; 6 – Informar ou intimar a impugnante a esclarecer a natureza das contas contábeis listadas na Planilha 01 – Lançamentos contábeis das notas relacionadas no “Demonstrativo VITRALSUL/IL VETRO” (fls. 613 a 643); 7 – Considerando que na planilha referida no item anterior consta nos seus históricos a operação de desconto de duplicatas, intimar a impugnante a comprovar a efetividade desse desconto; Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.141 7 A diligência fiscal foi atendida, conforme documentos de fls. 808 a 1068 e Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1069 a 1076, que tomou conhecimento deste último no dia 25/01/2017, conforme fls. 1077. Não consta dos autos apresentação de novas razões ao Relatório de Diligência Fiscal, pela interessada. Final da transcrição do relatório da Decisão de Piso. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento proferiu decisão julgando improcedente a impugnação e mantendo a autuação em todos os seus termos. Cientificada da decisão da Delegacia de Julgamento a empresa apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Glosa de despesas das notas fiscais da empresa Il Vetro. Alega que possui relação a muitos anos com a referida empresa, realizando compras e vendas em valores vultosos. Que a cessão de duplicatas de uma empresa para outra é ato comercial comum e que ocorria com frenquencia. Que não pode o fisco glosar estas despesas desconsiderando as notas fiscais, duplicatas e movimentação financeira a elas relativas. Qualificação da multa. Entende que o percentual aplicado é confiscatório. Não adentra na questão dos motivos que fundamentaram a qualificação. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. De início devemos destacar que os argumentos e fundamentos de fato e de direito apresentados pelo recorrente em sua peça são, em suas razões, idênticos aos apresentados na impugnação do lançamento. Assim, verificamos na decisão atacada se as razões da impugnação haviam sido corretamente analisadas. Em razão das razões até certo ponto coerentes em sua tese, entendemos que deveria ser bem analisada a decisão da delegacia de julgamento a fim de verificar se os argumentos do recorrente haviam sido profunda e adequadamente analisados. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.142 8 Qual nossa surpresa ao deparamos com aresto apresentado com fatos muito bem analisados e melhor ainda fundamentados. Nesta decisão ficou plenamente demonstrado que o contribuinte apenas apresentou razões acerca da necessidade de cancelamento das glosas das omissões em relação às relações com a empresa El Vitro, em nada apresentando de fundamentos relativos às relações comerciais e razões de cancelamento das demais empresas. Assim, bem agiu a Delegacia de Julgamento ao considerar não impugnada a matéria em relação a estas outras empresas e detendose na análise dos argumentos contra as omissões relativas às relações com a empresa Il Vetro. Bastante robusta a análise ao demonstrar, de acordo com as informações trazidas ao processo pela fiscalização de que a empresa Il Vetro, em verdade não funcionava; Que ficou demonstrado que os emails eletrônicos utilizados nas relações com outras empresas eram, em verdade, da própria recorrente; Que a cessão de créditos não foi revestida das mínimas formalidades legais; Que não havia a contabilização das receitas destes ingressos e que não havia coincidência dos valores das vendas realizadas com as duplicatas cedidas. Também em relação à qualificação da multa, restando demonstrado que as ações praticadas pelo recorrente foram bastantes para demonstrar o intuito doloso em omitir da fiscalização tributária as receitas provenientes de empresa constituída para o único fim de evitar o pagamento dos tributos devidos. Pelo acima apresentado e, ainda, que os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalvese apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.143 9 Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos apresentados em sede recursal a desconstituir a decisão de Piso. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, tanto quanto às omissões de receitas, quando à qualificação da multa passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação ao presente recurso. Passo a transcrever a decisão de Piso na íntegra. 1 – Da Tempestividade A pessoa jurídica foi cientificada, pessoalmente, dos Autos de Infração e Termo de Encerramento Total do Procedimento Fiscal em 02/12/2015 (fls 808 e 809) e apresentou impugnação em 30/12/2015, conforme fl. 767. Aplicandose as regras processuais ao caso concreto, arts. 5º, 15 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, constatase que a impugnação é tempestiva e dela tomase conhecimento. Passase, portanto, à análise das demais questões. 2 – Da matéria não impugnada Os Autos de Infração formalizaram as infrações de omissão de receita de venda e serviços e de custos dos bens e/ou serviços prestados não comprovados. Com relação à glosa de custos dos bens e/ou serviços prestados, a Autoridade Autuante verificou que o custo dos produtos vendidos foi composto por valores de matériaprima e de devoluções de compras e levantou os principais fornecedores de insumos da impugnante, constatando que as compras não foram comprovadas. Para apurar os valores a serem glosados, a Autoridade Autuante elaborou uma tabela onde identificou os valores das compras que integraram o CPV por fornecedor, quais sejam, Il Vetro do Brasil, Sul Planalto Comércio e Indústria de Vidros, Dober Indústria e Comércio de Vidros, Global Glass Indústria de Vidros e Espelhos e Serviços, a partir da qual apurou a glosa de custos. A impugnação sobre a referida infração se restringiu apenas ao seguinte trecho: Outra grave contrariedade apresentada na peça fiscal ora impugnada é o critério utilizado para descaracterizar com (sic) licitas as Notas Fiscais emitidas pela Il Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda. Depreendese que por não se dar por satisfeito com os documentos apresentados pelo Contribuinte, o auditor fiscal glosou tais notas fiscais. Ora se fosse o Contribuinte intimado a presentar (sic) documentos não fiscais sobre a totalidade de suas aquisições, as mesmas seriam todas declaradas inidôneas, o que é um enorme absurdo. Ademais, nos anexos 1 e 2 da impugnação, apresentou “Totais ICMS por Fornecedor/Cliente saída” da IL Vetro do Brasil, omitindose em relação à suposta comprovação das compras em relação aos demais fornecedores. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.144 10 De acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em decorrência, consolidase administrativamente o crédito tributário correspondente. Assim, considerase não impugnada a glosa de custos em relação aos seguintes fornecedores: Dober Indústria e Comércio de Vidros, Global Glass Indústria de Vidros e Espelhos e Serviços e Sul Planalto Comércio e Indústria de Vidros. Os respectivos valores de IRPJ e de CSLL foram calculados conforme demonstrado no próximo item. 3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada 3.1 – Cálculo do CPV impugnado e não impugnado 3.2 – Cálculo do IRPJ/CSLL impugnados e não impugnados – AC 2010 Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.145 11 3.3 – Cálculo do IRPJ/CSLL impugnados e não impugnados AC 2011 Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.146 12 3.4 – Consolidação do IRPJ e da CSLL impugnados e não impugnados 3.5 – Demonstração da Cofins/PIS impugnados Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.147 13 Com relação ao PIS e à Cofins, todos os valores lançados foram contestados, conforme segue. Cofins: PIS: 4 – Do mérito 4.1 – Da correta apuração das infrações tributárias 4.1.1 – Da omissão de receitas pela venda de mercadorias Quanto à infração de omissão de receitas de vendas, a impugnante alega, essencialmente, que comprovou sua relação comercial com a IL Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda, bem como a motivação dos pagamentos efetuados pela Moveis K1 Ltda. à ela, os quais decorreram de endosso de duplicadas pela IL Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda em favor dela. Alega, ainda, que o endosso de duplicatas é prática comum, que fora comprovado pela Vitralsul nos Documentos de Comunicação de Cessão de Crédito e que a fiscalização parece não ter conhecimento de tratarse de documento mercantil amplamente utilizado entre as pessoas jurídicas que mantêm relação comercial. No entanto, conforme relatado pela Autoridade Autuante, nos documentos “Comunicação de Cessão de Crédito” (fls. 840 a 893), que teriam sido encaminhados pela IL VETRO à MOVEIS K1 informando a respeito do endosso das duplicatas e autorizando o pagamento à VITRALSUL, não constam a identificação do responsável pela assinatura pela IL VETRO e nem a data da emissão e por isso não foram aceitos pela Autoridade Autuante. De fato, analisandose tais documentos, confirmase que não há identificação do responsável pela assinatura e tampouco a data da emissão. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.148 14 A cessão de crédito, via de regra, resulta da declaração de vontade entre cedente (credor que transfere seu crédito, ou seja, a empresa IL VETRO) e cessionário (terceiro a quem os direitos são transmitidos e que investese de sua titularidade, ou seja, VITRALSUL). É, portanto, convencional e não exige, via de regra, forma especial para valer entre as partes. No entanto, para valer entre terceiros, o art. 288 do Código Civil faz algumas exigências, vejase: Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do§ 1odo art. 654. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1oO instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 2oO terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Ademais, para que os efeitos de tais transações transcendam as partes contratantes, operem erga omnes e sejam oponíveis a terceiros, é condição indispensável que sejam lançados no Registro de Títulos e Documentos, a teor do que prescreve a Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973): Art. 128. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; (...) Art. 130. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (...) 9º os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. No mesmo sentido, dispõe o art. 221 do Código Civil, in verbis: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Diante do direito posto, a cessão de crédito só tem eficácia perante terceiros se atender aos requisitos mencionados. A autuada, por outro lado, em sede de impugnação, nada anexou aos autos que comprovasse os requisitos necessários da eficácia da cessão de crédito, conforme determina o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Mas essa não é a única irregularidade. Ainda que se admitisse que o recebimento dos valores decorreu de cessão de crédito isso, por si só, não afastaria a omissão de receitas. A impugnante, na verdade, não comprovou que os valores recebidos por ela, decorrentes de relações comerciais com a IL VETRO, foram contabilizados. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.149 15 Nesse contexto, é de se ressaltar que a impugnante foi intimada a apresentar: cópias das duplicatas endossadas pela empresa IL VETRO em seu favor; demonstrativo contendo informação do número da nota fiscal, data de emissão e valor, correspondentes às operações comerciais entre a IMPUGNANTE e a IL VETRO, que deram causa aos pagamentos efetuados àquela pela MÓVEIS K1; bem como a indicar os códigos e as discriminações das contas contábeis em que foram efetuados os lançamentos correspondentes a essas operações. Em resposta, conforme relatado pela Autoridade Autuante, apresentou documentos intitulados “Comunicação de Cessão de Crédito” (fls. 840 a 886), demonstrativo relacionando as notas fiscais emitidas pela IL VETRO à MOVEIS K1 com as notas fiscais de vendas emitidas pela VITRALSUL à IL VETRO (fls. 887 a 893) e indicou a conta contábil 100017/1.1.02.001.001 como registro dos lançamentos correspondentes. Quanto à referida conta, em resposta à diligência fiscal (fl. 1071), a Autoridade Fiscal esclareceu que, “na verdade a conta indicada pelo contribuinte em sua resposta ao Termo de Início, fls. 813/839, é a de numero (sic) 100037/1.1.02.001.001 (Cliente Il Vetro do Brasil Ind. Com de Vidros e Metais Ltda), e tratase de uma conta do Ativo, conforme plano de contas as fls. 1020/1027:” A Autoridade Autuante registrou, no TVF (fls. 73 e 74), que os documentos relacionados no "Demonstrativo VITRALSUL/IL VETRO Compensação Cessão de Crédito", apresentado pela contribuinte, “não guardam correspondência em datas e valores, não estão de acordo com a escrituração contábil e que todas as duplicatas que a VITRALSUL afirma que foram endossadas pela IL VETRO não se encontram escrituradas. Na planilha 1 (fls. 613 a 643), foram relacionados os lançamentos contábeis das notas fiscais emitidas pela VITRALSUL, que constam do referido demonstrativo, e seus respectivos pagamentos. Porém, tais notas não foram quitadas com os "Créditos Cedidos pela IL VETRO", conforme alegado pela contribuinte. Nesse cenário, a Autoridade Autuante, a título exemplificativo, utilizou a Nota Fiscal nº 8439 emitida pela VITRALSUL que foi relacionada pela contribuinte com as duplicatas nº 27, 104 e 124 referentes às notas fiscais de vendas da IL VETRO de mesmos números. Vejase a análise realizada por ela e ratificada neste julgamento: As duplicatas n° 27, 104 e 124 relativas às notas fiscais emitidas pela IL VETRO foram pagas em 08, 12 e 25 de abril de 2010, que não correspondem às datas de vencimentos relacionadas. A Nota Fiscal n° 8.439 foi escriturada na contabilidade da fiscalizada conforme os seguintes lançamentos, não condizentes com o demonstrativo apresentado: Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.150 16 Como se verifica, a impugnante não negou que os valores foram por elas recebidos, pelo contrário, afirmou que o foram em razão de cessão de crédito. Porém, conforme já enfrentado, é ineficaz perante terceiros. Por outro lado, ao atender à intimação fiscal para que relacionasse as notas fiscais emitidas pela Vitral Sul (operação de venda da Vitral Sul para a Il Vetro do Brasil) com as notas fiscais emitidas pela Il Vetro (operação de venda da Il Vetro para a móveis K1), a impugnante relacionou notas fiscais cujas datas de vencimento não coincidem entre si. Vejase que a Nota Fiscal n° 8.439, gerou uma duplicata para pagamento parcelado. Dessa forma, o valor correspondente da nota foi registrado como direito a receber (conta 1.1.02.001.100037 – Il Vetro do Brasil Ind. Com de Vidros e Metais Ltda). No mesmo dia, 27/01/2010, a duplicata foi descontada (conta 1.1.02.001.4891). Nos dias 26/02/2010, 28/03/2010, 27/04/2010 e 27/05/2010, datas de vencimento das duplicatas, foram dadas as baixas nos respectivos direitos. ( Lançamentos na conta 1.1.02.001.100037 – fls. 894 a 1019 e lançamentos contábeis das notas relacionadas no “Demonstrativo VitralSul/Il Vetro” – fls. 613 a 643) Por outro lado, as duplicatas n° 27, 104 e 124 relativas às notas fiscais emitidas pela IL VETRO foram pagas em 08, 12 e 25 de abril de 2010, que não correspondem às datas de vencimentos relacionadas (fl. 814 e 815). Dessa forma, a impugnante não conseguiu comprovar que os pagamentos realizados pela Móveis K1 eram decorrentes de cessão de crédito. Ademais, a Autoridade Autuante intimou a empresa PARTISUL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ Nº 07.501.044/000144, proprietária dos veículos utilizados no transporte dos produtos vendidos relativos às notas fiscais emitidas pela IL VETRO de vendas à MÓVEIS K1, cujos pagamentos foram efetuados à VITRALSUL, a apresentar cópias dos conhecimentos de frete, dos correspondentes comprovantes de pagamentos e documentos de alienação e aquisição dos veículos. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.151 17 A resposta foi no sentido de que nunca atuou no transporte de cargas e/ou fretes, que não transportou para as empresas relacionadas nos anexos da intimação e que os veículos estavam arrendados à Vitral Ltda na ocasião da emissão das notas fiscais. Intimada a apresentar os conhecimentos de frete e respectivos comprovantes de pagamentos correspondentes às notas fiscais de vendas da IL VETRO à MÓVEIS K1, a VITRALSUL afirma que: “não presta serviços de transporte de cargas, tendo locado os veículos mencionados para uso no transporte de suas mercadorias. Quanto ao transporte das notas fiscais relacionadas acreditamos que eventuais e transportadas por veículo arrendado para nós, por solicitação a IL VETRO, em virtude de ficar no caminho e nosso veículo voltar vazio e/ou com embalagens reutilizáveis na maior parte das viagens”. Além disso, a empresa MÓVEIS K1, em resposta à intimação para informar o motivo pelo qual os pagamentos pelos produtos adquiridos foram realizados à VITRALSUL e não à IL VETRO, esclareceu que adotou esse procedimetno por solicitação do seu contato comercial com a empresa IL VETRO (a Sra. Graziela), que atendia pelo endereço eletrônico: pedidosvitralsul@gmail.com ou vitralsul@hotmail, e que efetuava o pagamento dos boletos conforme lhes eram enviados. Vejase que os email que a empresa IL VETRO utilizada pelo seu comercial, correspondiam ao email que identificam a impugnante. Ademais, os boletos eram enviados à MÓVEIS K1 pela IL VETRO e já com a impugnante como cedente, ou seja, não se trata de cessão de crédito, conforme alegado. Ainda, a Autoridade Autuante consignou que em ação fiscalizatória, tanto a empresa IL VETRO DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, quanto as pessoas físicas integrantes do quadro societário não foram encontrados nos endereços cadastrais da Receita Federal, sendo, por esse motivo, a inscrição no CNPJ considerada inapta. Destarte, não há dúvidas que houve omissão de receitas das vendas efetuadas à empresa MÓVEIS K1 LTDA relativamente às notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica IL VETRO deixando, desta forma, de submeter estes valores ao crivo da tributação. 4.1.2 – Da glosa de custos de produtos vendidos Quanto a essa matéria, a impugnante apenas pontua que: Outra grave contrariedade apresentada na peça fiscal ora impugnada é o critério utilizado para descaracterizar com (sic) licitas as Notas Fiscais emitidas pela Il Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda. Depreendese que por não se dar por satisfeito com os documentos apresentados pelo Contribuinte, o auditor fiscal glosou tais notas fiscais. Ora se fosse o Contribuinte intimado a presentar (sic) documentos não fiscais sobre a totalidade de suas aquisições, as mesmas seriam todas declaradas inidôneas, o que é um enorme absurdo. Nos anexos 1 e 2 da impugnação, apresentou “Totais ICMS por Fornecedor/Cliente saída” da IL Vetro do Brasil, omitindose em relação aos demais fornecedores. Conforme TVF e demais documentos do processo, a impugnante foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamentos realizados aos seus principais fornecedores de insumos. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.152 18 A intimação e reintimação não foram atendidas por ela, o qual informou que os comprovantes foram extraviados. Dessa forma, a Autoridade Autuante realizou diligências nas empresas Sul Planalto Comércio e Indústria de Vidros (fl. 313), Dober Indústria e Comércio de Vidros Ltda (fl. 402) e Global Glass Indústria de Vidros e Espelhos e Serviços Ltda (fl. 316), fornecedores da impugnante e que constaram no histórico da conta 1.1.08.001.504 – Matéria Prima. As diligências objetivaram obter informações relativas às vendas de mercadorias e/ou aos serviços prestados à impugnada, bem como cópias dos comprovantes dos correspondentes recebimentos. “As correspondências enviadas por via postal para o endereço constante dos cadastros da Receita Federal às empresas Sul Planalto e Dober retornaram à DRF/Joinville com informação da agência dos Correios de que o primeiro é desconhecido e o segundo se mudou.” A “Global Glass encaminhou relação e cópias das notas fiscais emitidas de vendas à Vitralsul ( fls. 328 a 401) e alegou que os documentos solicitados e a contabilidade do período solicitado não foram localizados na sede da empresa e que, devido a mudança de endereço em 15 de fevereiro de 2013, os documentos anteriores foram extraviados.” Não apresentou, portanto, cópias dos comprovantes dos recebimentos das vendas/serviços prestados à impugnante. A empresa IL VETRO, que também constava da relação de fornecedores (fl. 409; fls. 666 a 679 e 706 a 717) não foi encontrada no seu endereço cadastral, sendo, por esse motivo, a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) considerada INAPTA (fl. 312). As pessoas físicas que constavam do seu quadro societário também não foram encontrados nos endereços cadastrais da Receita Federal. Portanto, o que a Autoridade Autuante constatou é que os documentos comprobatórios do pagamento dos insumos adquiridos não foram apresentados pela impugnante e tampouco pelos fornecedores diligenciados. A contabilidade integra a função administrativa de controle, tem como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigatório em documentação hábil e idônea. Assim, cabe à pessoa jurídica a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão. A teor do art. 264 do RIR, de 1999, é dever do contribuinte conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os documentos comprobatórios de sua escrituração. No caso de extravio, deterioração ou destruição de livros ou documentos, a pessoa jurídica deverá adotar providências para a exteriorização do fato.Vejase: Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1ºOcorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2ºA legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.153 19 §3ºOs comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Ademais, a determinação do Lucro Real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, a teor do art. 276 do RIR, de 1999, de maneira que a não comprovação dos valores que compõem o custo implica na sua glosa. Destarte, a impugnante não logrou comprovar nem durante o procedimento fiscal e tampouco na impugnação os custos que foram glosados pela Autoridade Autuante, razão pela qual não merece reparos o lançamento tributário que formalizou a glosa de custos, já que não foram comprovados. 4.1.3 – Do ajuste no saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL Quanto ao ajuste no saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, a impugnante simplesmente alega que entregou DIPJ/2010 com a informação de saldo anterior de prejuízos acumulados de R$ 7.053.640,38 e que não poderia a Fiscalização alterar a forma de tributação do Contribuinte apenas para desqualificar e multar. Ocorre que, conforme pontuado pela Autoridade Autuante no TVF, identificou se uma divergência na forma de tributação do Lucro Real, ou seja, a DIPJ relativa ao AC 2010 foi apresentada com opção pelo Lucro Real com apuração do IRPJ e da CSLL trimestral, ao passo que o Lalur registra apuração anual do Lucro Real, em 31 de dezembro de 2010. Ademais, foram constatadas discrepâncias entre os valores escriturados no LALUR (R$ 7.053.640,38) e nos sistemas da Receita Federal (R$ 3.376.765,31). Em razão da divergência, o contribuinte foi intimado a justificar tais divergências e apresentar, se fosse o caso, o Lalur relativo aos períodos anteriores a 2010, bem como documentação comprobatória dos valores dos prejuízos escriturados, bem como a esclarecer qual o período de apuração do Lucro Real adotado no AC 2010. A resposta foi a cópia do balanço patrimonial de 01/01/2009 a 31/12/2009 com saldo final de prejuízos acumulados igual a R$ 7.053.640,38 e apuração anual. A Autoridade Autuante consignou no TVF que a impugnante escriturara no LALUR o valor do prejuízo acumulado contábil enquanto o correto seria o prejuízo fiscal, razão pela qual adotou como saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de anos anteriores o valor de R$ 3.376.765,31, constantes dos sistemas da Receita Federal. Vejase que a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal para o ajuste no saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo da CSLL está correto, pois foi amparado pelos demonstrativos do Sistema Sapli, constante das fls. 748 a 760. Tal sistema é alimentado pelas informações prestadas nas DIPJ e por lançamentos e decisões que afetem os referidos saldos. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.154 20 Ademais, é sabido que o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CLSS não se confunde com o prejuízo contábil, de maneira que a justificativa apresentada pela impugnante não comprova a regularidade dos saldos constantes do Lalur. Tanto durante o procedimento fiscal quanto em sede de impugnação a impugnante não apresentou justificativa plausível para a divergência apurada pela Autoridade Autuante e tampouco apresentou a documentação comprobatória. Dessa forma, não tendo a impugnante comprovado a sua alegação e, por outro lado, tendo a Autoridade Autuante evidenciado o erro incorrido pela impugnante, é de se concluir que estão corretos os ajustes realizados no saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa utilizado na apuração do crédito tributário formalizado. 4.2 – Da correta qualificação da multa de ofício A Autoridade Autuante qualificou a multa de ofício em razão de ter considerado que a impugnante “ao impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes à totalidade do seu faturamento, cometeu não só infração fiscal, mas crime de sonegação fiscal, conforme definido pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (...)”. A sonegação foi caracteriza pelo recebimento créditos supostamente cedidos, sem eficácia para terceiros, pela empresa IL VETRO, a qual foi declarada inapta. Os produtos decorrentes das vendas da referida empresa e que geraram os créditos foram transportados pela impugnada e os créditos recebidos não foram contabilizados pela impugnante. Ademais, a Autoridade Autuante juntou aos autos diversos elementos que indicam que a impugnante agiu de forma a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes à totalidade do seu faturamento, cometendo crime de sonegação fiscal. Nesse contexto, registrou que em ação fiscalizatória, a empresa Il Vetro do Brasil Importação e Exportação Ltda, CNPJ n° 10.855.178/000178, não foi encontrada no seu endereço cadastral, sendo, por esse motivo, a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) considerada INAPTA (fl. 312). As pessoas físicas que constavam do seu quadro societário também não foram encontrados nos endereços cadastrais da Receita Federal. Além disso, a autoridade autuante observou que nos DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) emitidos pela Il Vetro do Brasil Importação e Comércio, cujo destinatário era a empresa “Móveis Kappersberg Ltda”, fls. 111 a 156, constam as placas dos veículos utilizados para transporte: MGB7464, MGG5696, MGW7252, MHM1814 e MHY 0052. Registrou que tais veículos são de propriedade da Partisul Participações Ltda, a qual foi diligenciada pela autoridade autuante (fls. 405 a 410) para apresentar cópias dos conhecimentos de transporte e dos respectivos comprovantes de recebimentos dos valores referentes às notas fiscais relacionadas na intimação fiscal e dos documentos de aquisição e alienação dos veículos. A diligenciada esclareceu que nunca havia atuado no transporte de cargas e que os veículos se encontravam arrendados à impugnante, comprovando com cópias dos contratos de locação e de alienação dos veículos. (fls 411 a 470). Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.155 21 É de registrar, ainda, que a empresa Móveis K1 em resposta à intimação da DRF/Porto Alegre informou que os pagamentos das notas fiscais emitidas pela IL VETRO foram pagos à impugnante por solicitação do seu contato comercial com a empresa IL VETRO, que atendia pelo endereço eletrônico: pedidosvitralsul@gmail.com ou vitralsul@hotmail.com, ou seja, endereço eletrônico com a identificação da impugnante. O que se verifica, portanto, é que a impugnante realizou os transportes dos produtos que teriam sido vendidos pela IL VETRO. Porém, intimada a apresentar cópias dos conhecimentos de transporte das mercadorias emitidas pela IL VETRO relativas à vendas à Móveis Kappesberg Ltda, cujos pagamentos foram efetuados à Vitral, simplesmente respondeu que não presta serviços de transporte, que a locação dos veículos ocorreu para uso no transporte de suas mercadorias e que acredita que o transporte de mercadorias da IL VETRO, pela impugnante, tenha ocorrido em “virtude de ficar no caminho e nosso veículo voltar vazio e/ou com embalagens reutilizáveis na maior parte viagens”. Ora, essa justificativa não passa de mera alegação desacompanhada de elementos de provas que possam evidenciar o fato, que nem mesmo foi afirmado pela impugnante, mas simplesmente aventado. Por outro lado, a realidade apresentada nos autos do processo é que a impugnada recebeu créditos cujo titular era a empresa IL Vetro, a comunicação de cessão de crédito que pretendeu justificar esse recebimento não se revestiu dos requisitos necessários para ter eficácia perante terceiros, a Il Vetro foi declarada inapta e o transporte dos produtos constantes das notas fiscais e cujos pagamentos foram efetuados à Vitral foram realizados pela impugnante. Quanto à alegação de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, cumpre esclarecer que a vedação ao confisco estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por ser inconstitucional. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, e não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrarse na hipótese prevista pela norma. Com efeito, nos termos do artigo 97, inciso VI, do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não cabe, portanto, à autoridade administrativa apreciar argumentos que negam validade a dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento normativo. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.156 22 Destarte, quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabem, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Diante do exposto, advindo de lei a cobrança da multa de ofício e não podendo a Autoridade Administrativa de julgamento reduzila e nem alterála sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de ofício sobre os valores devidos. 5 – Do não conhecimento da alegação quanto à improcedência da RFFP Quanto à alegação de que a Representação Fiscal para Fins Penais não deve ter curso, esclareçase que esta se consubstancia em mera “notitia criminis”, isto é, estáse noticiando que alguém praticou, em tese, determinado crime. Cumpre ao Ministério Público efetuar ou não a pertinente denúncia (na contingência do trânsito em julgado de decisão administrativa mantenedora do crédito) que será aceita ou não pelo Juiz. Em sendo aceita, instaurase a pertinente ação penal. É nessa área que o querelado terá a oportunidade de se defender, considerando o princípio do devido processo legal. No caso de ilícitos criminais tributários, em tese cometidos, o AuditorFiscal tem o dever funcional de proceder a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), para posterior envio ao órgão competente, como o ora verificado, cuja providência consta disciplinada na legislação, que aqui se reproduz: Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010: Art. 1º. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) deverá formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. (...) Art. 4º.A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, definidos nos arts. 168A e 337A do Código Penal, será formalizada e protocolizada em até 10 (dez) dias contados da data da constituição do crédito tributário. (...) Art. 5 º Os autos da representação, ou seu arquivo digital, serão remetidos pelo Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal ao órgão do MPF competente para promover a ação penal, no prazo de 10 (dez) dias contados da data: (Redação dada pela Portaria RFB nº 3.182, de 29 de julho de 2011) I do encerramento do prazo legal para cobrança amigável, depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal, sem que tenha havido o correspondente pagamento; II da exclusão da pessoa física ou jurídica do parcelamento do crédito tributário; III da lavratura de auto de infração ou da expedição de notificação de lançamento de que não resulte exigência de crédito tributário. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.157 23 Parágrafo único. Na hipótese do inciso I, deverá ser juntada aos autos da representação cópia da respectiva decisão administrativa, acrescida do despacho do Delegado ou InspetorChefe da unidade de controle do processo administrativo fiscal e da informação da data da decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal. De acordo com os dispositivos normativos retro transcritos, temse que a RFFP somente será encaminhada ao Ministério Público após o trânsito em julgado da decisão administrativa, não havendo óbice para a sua formalização no decorrer da ação fiscal, deixandose para proceder ao encaminhamento da mesma no momento oportuno. Assim, não cabe à autoridade administrativa julgadora apreciar se a Representação Fiscal para Fins Penais deve ou não ter curso, pois tal análise excederia à competência deste órgão julgador, a qual encontrase delimitada nos termos da Lei n.º 11.457/2007 e no artigo 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n.º 203, de 14/05/2012. A propósito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) também já se manifestou a respeito da sua incompetência para apreciar questões relativas à RFFP, por meio de sua Súmula n.º 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Diante do exposto, não se conhece da alegação de que a RFFP não deve ter curso. 6 – Da conclusão Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de considerar, IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO para: MANTER totalmente a exigência impugnada do IRPJ, no valor de R$ 2.741.111,17, consoante quadros demonstrativos do item “3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada/3.4 – Consolidação do IRPJ e da CSLL impugnados e não impugnados”, acrescida das multas de ofício aplicadas e juros de mora cabíveis, na forma da lei. MANTER totalmente a exigência impugnada da CSLL, no valor de R$ 986.800,03, consoante quadros demonstrativos do item “3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada/3.4 – Consolidação do IRPJ e da CSLL impugnados e não impugnados”, acrescida das multas de ofício aplicadas e juros de mora cabíveis, na forma da lei. MANTER totalmente a exigência da Cofins, no valor de R$ 68.828,84, consoante quadro demonstrativo do item “3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada/3.5 – Demonstração da Cofins/PIS impugnados”, acrescida da multa de ofício de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. MANTER totalmente a exigência do PIS, no valor de R$ 14.943,11, consoante quadro demonstrativo do item “3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada/3.5 – Demonstração da Cofins/PIS impugnados”, acrescida da multa de ofício de 150% e juros de mora cabíveis, na forma da lei. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10920.724350/201521 Acórdão n.º 1401002.827 S1C4T1 Fl. 1.158 24 Quanto à matéria nãolitigiosa que corresponde ao principal de IRPJ e da CSLL nos valores de R$ 1.644.990,37 e R$ 606.916,65, respectivamente, (conforme discriminados no item “3 – Cálculos da matéria impugnada e não impugnada/3.4 – Consolidação do IRPJ e da CSLL impugnados e não impugnados”), acrescidos das multas aplicadas e do percentual atualizado de juros de mora, incumbe ao órgão responsável pelo preparo e seguimento do presente processo adotar as medidas que se fizerem necessárias, à luz do art. 21,§1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Final da Transcrição da Decisão de Piso. Expostos os fundamentos de fato e de direito utilizados pela Delegacia de Julgamento para considerar improcedente a impugnação e, levandose em consideração que o recurso voluntário não trouxe inovação na matéria argumentativa, acolho as razões de decidir expostas da Decisão de Piso conforme acima transcrita e, em conclusão, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário manejado. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900250/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900250/2008-91
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914139
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.176
nome_arquivo_s : Decisao_10865900250200891.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10865900250200891_5914139.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7449560
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870819586048
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-09-30T10:41:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-09-30T10:41:38Z; Last-Modified: 2018-09-30T10:41:38Z; dcterms:modified: 2018-09-30T10:41:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:acf23970-0f42-4c92-bf53-ae962f4369a9; Last-Save-Date: 2018-09-30T10:41:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-09-30T10:41:38Z; meta:save-date: 2018-09-30T10:41:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-09-30T10:41:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-09-30T10:41:38Z; created: 2018-09-30T10:41:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-09-30T10:41:38Z; pdf:charsPerPage: 1277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-09-30T10:41:38Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900250/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.176 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 50 /2 00 8- 91 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900250/200891 Acórdão n.º 3401005.176 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 19023.45787.150404.1.3.04 3904 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 03/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 02/2003, arrecadado na data de 14/03/2003. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 24/04/2008 (efls.9), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia dos DARFs que refletem o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10865.900250/200891 Acórdão n.º 3401005.176 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 42 a 55) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Março/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.4): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.900250/200891 Acórdão n.º 3401005.176 S3C4T1 Fl. 5 4 Pela inexistência nos Sistemas da Receita Federal dos dados do DARF indicado, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Intimação (efls.8) para que o contribuinte comparecesse à Unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição e apresentasse o(s) DARF(s) original(is) no prazo estipulado. Cientificado o contribuinte, da intimação, por “AR”, na data de 31/07/2006, não houve resposta, vindo, esse fato, ser esclarecido na manifestação de inconformidade (e fls.15 a 17), com a juntada de cópia de dois DARFs: P.A. Pagamento Código Valor R$ Multa Juros Total 1º 28/02/2003 14/03/2003 8109 1.263,12 ‐ ‐ 1.263,12 2º 28/02/2003 30/05/2003 6912 1.943,28 388,65 55,77 2.387,70 3.206,40 388,65 55,77 3.650,82 A Contribuinte alega com base na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar também, que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Ainda, do voto do acórdão recorrido, se extrai que a DCTF apresentada ao fisco, constante dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal corresponde exatamente ao montante dos valores principais recolhidos por meio de DARF e o DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, para o período de apuração 02/2003 não reflete àqueles demonstrados no “resumo” acostado aos autos. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900250/200891 Acórdão n.º 3401005.176 S3C4T1 Fl. 6 5 Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900428/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.900428/2014-19
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5916098
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.708
nome_arquivo_s : Decisao_10850900428201419.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10850900428201419_5916098.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7466587
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870823780352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900428/201419 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.708 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente SISTEMA FACIL TAMBORE 8 VILLAGGIO SPE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 8/ 20 14 -1 9 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10850.900428/201419 Resolução nº 1402000.708 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720439/2015-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2014 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.720439/2015-34
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911773
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.696
nome_arquivo_s : Decisao_10120720439201534.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10120720439201534_5911773.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7439050
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870829023232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720439/201534 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.696 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente TOCA CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 FALTA DE INTIMAÇÃO VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 04 39 /2 01 5- 34 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10120.720439/201534 Acórdão n.º 1401002.696 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a saldo negativo de IRPJ no 1º trimestre de 2013, nos valores de R$ 6.643,50 e R$ 4.758,82, transmitida através do PER/Dcomp nº 30371.52505.180613.1.3.024053 e 04095.54693.180613.1.3.026450. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentado em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10120.720439/201534 Acórdão n.º 1401002.696 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.687, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10120.728985/2013 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.687): O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10120.720439/201534 Acórdão n.º 1401002.696 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10120.720439/201534 Acórdão n.º 1401002.696 S1C4T1 Fl. 6 5 de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000349/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000349/2009-97
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898672
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.897
nome_arquivo_s : Decisao_16349000349200997.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16349000349200997_5898672.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7413541
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870878306304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000349/200997 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.897 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 49 /2 00 9- 97 Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.576, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16349.000349/200997 Acórdão n.º 3401004.897 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.724186/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO EM RELAÇÃO AO ACÓRDÃO
Verificado que o acórdão espelha fielmente o quanto decidido pelo Colegiado e que a parte dispositiva do voto condutor não reflete o entendimento consignado, cabe acolher os embargos da Procuradoria, sem efeitos infrigentes, para retificar a parte dispositiva do acórdão.
Numero da decisão: 1302-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO EM RELAÇÃO AO ACÓRDÃO Verificado que o acórdão espelha fielmente o quanto decidido pelo Colegiado e que a parte dispositiva do voto condutor não reflete o entendimento consignado, cabe acolher os embargos da Procuradoria, sem efeitos infrigentes, para retificar a parte dispositiva do acórdão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.724186/2013-83
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5913590
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.075
nome_arquivo_s : Decisao_13971724186201383.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13971724186201383_5913590.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7446730
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870887743488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.724186/201383 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302003.075 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIVERÊNCIA ENTRE PARTE DISPOSITIVA E VOTO Embargante MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. (CONTRIBUINTE), CLÁUDIA OLIVEIRA PERES LESKOVAR BORELLI, ZILA MEIRE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. PARTE DISPOSITIVA DO ACÓRDÃO EM RELAÇÃO AO ACÓRDÃO Verificado que o acórdão espelha fielmente o quanto decidido pelo Colegiado e que a parte dispositiva do voto condutor não reflete o entendimento consignado, cabe acolher os embargos da Procuradoria, sem efeitos infrigentes, para retificar a parte dispositiva do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 41 86 /2 01 3- 83 Fl. 10540DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302003.075 S1C3T2 Fl. 3 2 Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto sob o fundamento de que haveria contradição entre parte do voto e a respectiva dispositiva do voto, relativamente ao Acórdão de Recurso Voluntário nr.1302002.305, de 24/07/2017, desta 2a. Turma Ordinária, 3a. Câmara, 1a. Seção. O Despacho de Admissibilidade s/nr., de 18/06/2018, assim verificou: Os Embargos de Declaração, tempestivamente interpostos, foram recebidos nos termos do art. 64, inciso I, do Anexo II da Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF/2015). 2. O Embargante alega contradição, em face do Acórdão n° 1302 002.305, de 24 de julho de 2017, proferido por este Colegiado, sob o seguinte fundamento: Enquanto o voto vencedor deu provimento aos recursos apenas para afastar as responsabilidades solidárias, negando provimento a todas as demais matérias, o dispositivo dá provimento no tocante às adições não computadas no lucro real. 3. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. 4. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (destaques do original): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o recurso da responsável solidária Cláudia Oliveira Peres; por voto de qualidade, em manter a desconsideração da opção pelo lucro presumido, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. O Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho não votou nesta matéria, uma vez que substituiu o conselheiro Alberto no colegiado e este já havia proferido o voto, nos termos regimentais. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real contratos governamentais dos anos 2005, 2006 e 2007; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à não adição de Brindes, Doações e Bonificações ao Lalur, tendo o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votado pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos em negar provimento Fl. 10541DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302003.075 S1C3T2 Fl. 4 3 ao recurso quanto à exclusão do Lalur das despesas com Pis e Cofins; os Conselheiros Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Gustavo Fonseca Guimarães votaram pelas conclusões do relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo e a manutenção da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues; por unanimidade de votos em manter a incidência de juros sobre a multa; e, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Sérgio Luiz Janikiam e Jannivaldo Marques Santos, vencidos os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões do relator. [...]. Da Conclusão sobre os Recursos Voluntários Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Jannivaldo e Sérgio Luiz e manter as demais conclusões da DRJ, com relação à empresa contribuinte. Do Recurso de Ofício [...]. Verificase, portanto, que tais conclusões estão em consonância com as respectivas finalizações deste voto. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 5. Como visto, ao mesmo tempo em que a decisão embargada afirma que o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real contratos governamentais dos anos 2005, 2006 e 2007 e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Sérgio Luiz Janikiam e Jannivaldo Marques Santos, o relator do voto condutor afirma ter votado por afastar a responsabilidade solidária dos sócios Jannivaldo e Sérgio Luiz e manter as demais conclusões da DRJ, com relação à empresa contribuinte. 6. Com fundamento nas razões expendidas, ADMITO os Embargos de Declaração interpostos. Encaminhese ao Conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator), para relatar os embargos, ora admitidos. Fl. 10542DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302003.075 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os Embargos de Declaração foram admitidos nos termos do Despacho de Admissibilidade. A embargante apresentou as seguintes alegações para demonstrar a ocorrência de contradição entre passagem do voto e a respectiva parte dispositiva: De acordo com a conclusão do acórdão ora embargado (Ac. 1302002.305), foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Jannivaldo e Sérgio Luiz. Cumpre salientar que essa conclusão encontrase em consonância com os termos do voto do acórdão. No entanto, não é isso que retrata o dispositivo do acórdão ora embargado. Vejase: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o recurso da responsável solidária Cláudia Oliveira Peres; por voto de qualidade, em manter a desconsideração da opção pelo lucro presumido, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. O Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho não votou nesta matéria, uma vez que substituiu o conselheiro Alberto no colegiado e este já havia proferido o voto, nos termos regimentais. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real contratos governamentais dos anos 2005,2006 e 2007; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à não adição de Brindes, Doações e Bonificações ao Lalur, tendo o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votado pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à exclusão do Lalur das despesas com Pis e Cofins; os Conselheiros Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Gustavo Fonseca Guimarães votaram pelas conclusões do relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo e a manutenção da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues; por unanimidade de votos em manter a incidência de juros sobre a multa; e, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Sérgio Luiz Janikiam e Jannivaldo Marques Santos, vencidos os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões do relator." Verificase, assim, uma contradição entre o trecho acima em destaque no sentido de dar provimento parcial quanto às adições não computadas no lucro real dos anos de 2005 a 2007 e a conclusão do acórdão, que negou provimento ao recurso nesse ponto. Fl. 10543DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302003.075 S1C3T2 Fl. 6 5 Portanto, se verifica de imediato a contradição entre a conclusão e fundamentos do voto vencedor e o dispositivo. Enquanto o voto vencedor deu provimento aos recursos apenas para afastar as responsabilidades solidárias, negando provimento a todas as demais matérias, o dispositivo dá provimento no tocante às adições não computadas no lucro real. Assim, o aresto embargado merece ser sanado, no que tange à contradição apontada. Na forma consignada no Despacho de Admissibilidade, enquanto o voto vencedor deu provimento aos recursos apenas para afastar as responsabilidades solidárias, negando provimento a todas as demais matérias, o dispositivo dá provimento no tocante às adições não computadas no lucro real. Verificamos que realmente houve a citada contradição, conforme destacado no próprio Despacho de Admissibilidade. Assim, cumpre retificar a referida passagem do acórdão para que passe a constar a seguinte redação, ficando, assim ratificados os termos do acórdão por espelhar, fielmente, o quanto decidido pelo Colegiado: [...]. Da Conclusão sobre os Recursos Voluntários Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Jannivaldo e Sérgio Luiz e dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real, relativas aos citados contratos governamentais dos anos 2005, 2006 e 2007. Por todo o exposto voto por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 10544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000029/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. FUNDAMENTAÇÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração devem ser acolhidos somente para aclarar vícios contidos no voto, em que podem ter faltado elementos harmônicos com o dispositivo, voto e conclusão, e que constou erro material. Em faltando elementos para o seu acolhimento, devem ser rejeitados.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, ratificando o Acórdão nº 2301-003.449, de 16/04/2013.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Reginaldo Paixão Emos, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. FUNDAMENTAÇÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos somente para aclarar vícios contidos no voto, em que podem ter faltado elementos harmônicos com o dispositivo, voto e conclusão, e que constou erro material. Em faltando elementos para o seu acolhimento, devem ser rejeitados. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11330.000029/2007-51
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911733
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.551
nome_arquivo_s : Decisao_11330000029200751.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000029200751_5911733.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, ratificando o Acórdão nº 2301-003.449, de 16/04/2013. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Reginaldo Paixão Emos, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7438771
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870910812160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000029/200751 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.551 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍNICA DE ULTRASSONOGRAFIA MEIER LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. FUNDAMENTAÇÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos somente para aclarar vícios contidos no voto, em que podem ter faltado elementos harmônicos com o dispositivo, voto e conclusão, e que constou erro material. Em faltando elementos para o seu acolhimento, devem ser rejeitados. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, ratificando o Acórdão nº 2301003.449, de 16/04/2013. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 29 /2 00 7- 51 Fl. 207DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Reginaldo Paixão Emos, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional contra Acórdão de Recurso Voluntário n.º 2301003.449, de 16.04.2013, proferido pelo colegiado da 1ª Turma da, 3ª Câmara, da 2ª Seção, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, tendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 RECURSO DE OFÍCIO. EQUIVOCOS COMETIDOS NO LANÇAMENTO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL PARA SUSTENTAÇÃO DO CRÉDITO. Uma vez verificado erros na autuação fiscal que venha a prejudicar o lançamento do crédito previdenciário, há que se determinar a retificação dos valores cobrados. A fundamentação legal contida no presente lançamento não contempla o saláriodecontribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal. Houve equivoco, também, ao serem deduzidos do lançamento os valores constantes de Guias Previdenciárias recolhidas referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa. Recurso de Ofício Negado". A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração apontando omissão no acórdão proferido, uma vez que, conforme despacho de admissibilidade, "o r. acórdão prolatado que adotou o entendimento de ocorrência de deficiência na fundamentação legal do lançamento, excluindo do lançamento os valores referentes aos contribuintes individuais, não apontou qual vício, se formal e ou material. Dito isso, a Embargante requer sejam os presentes embargos de declaração acolhidos para apontar e sanar a omissão, se a deficiência do lançamento é vício formal ou material. É o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos apresentados são tempestivos. Assim, ficando restrito às matérias conhecidas na decisão de recebimento dos embargos opostos pelas partes, passo a analisálos. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11330.000029/200751 Acórdão n.º 2301005.551 S2C3T1 Fl. 3 3 Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Segundo a Fazenda, o acórdão teria deficiência na fundamentação legal (omissão), conforme aduz em seus embargos: "Esse eg. Colegiado resolveu negar provimento ao recurso de ofício, adotando o entendimento esposado pela DRJ (fls. 150/157) no sentido de excluir do lançamento os valores atinentes aos contribuintes individuais, por vício relativo à deficiência na fundamentação legal. Ocorre que não restou registrado no acórdão o entendimento da Turma julgadora acerca do tipo de vício que macula o auto de infração, isto é, se o equívoco na capitulação legal gera defeito de natureza formal ou material. Registrese que tal distinção é de extrema relevância, pois os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, i. e., não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados. Por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original. Na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Fl. 209DF CARF MF 4 Com intuito de trazer claridade à dúvida, e analisando o Acórdão recorrido, verifico que houve a interpretação de que o Lançamento possuía vício material, senão vejamos o voto do relator, que basicamente se baseou no voto da DRJ de origem: 5. O Colegiado de primeira instância decidiu exonerar parte do lançamento por entender que houve erro na constituição do crédito, por falta de base legal. Entendeu ainda que, houve equivoco ao serem deduzidos os valores constantes de GPS recolhidas, referente à parte descontada dos segurados, haja vista esta rubrica não fazer parte do lançamento, gerando um crédito a maior à empresa. Transcrevo parte do voto (f.157), que retificou parte do lançamento: '20. Independentemente das razões apresentadas na defesa, foi constatado equívoco, no presente crédito, nas competências 01/2000, a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002 a 06/2002 e 08/2002, na filial CNPJ 29.187.895/000105 e nas competências 02/2000 a 06/2000, 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001 e 01/2002 a 04/2002, na filial CNPJ 29.187.895/000288, com a inclusão do salário de contribuição dos administradores e dos prestadores de serviços, no salário de contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, gerando uma apuração a maior, conforme relatórios DAD Discriminativo Analítico do Débito (fls. 04/21) e RL Relatório de Lançamentos (fls. 36/46)'. Assim, uma vez que a fundamentação legal contida na presente NFLD não contempla o salário de contribuição dos contribuintes individuais, estes fatos geradores não podem persistir no lançamento, por falta de base legal". 6. Dessa forma, acompanho na íntegra a decisão de primeira instância uma vez que o crédito exonerado se deu em decorrência de equívocos cometidos pela própria fiscalização, de maneira que o total do débito há de ser retificado para que não pairem ilegalidades no lançamento fiscal a ser suportado pelo contribuinte". Notase que, busca a embargante somente ter entendimento sobre qual vício (fundamento) baseou o julgado anterior, se foi sobre a matéria ou a forma, e com isso, não há como atribuir efeitos infringentes aos embargos, uma vez que nem é objeto do próprio pedido, que na verdade quer ter uma compreensão ampla da fundamentação. Entretanto, em análise conjunta das decisões, apesar das dúvidas serem internas (sobre a decisão em si), não se estendendo para as demais peças do processo, não vislumbro caso de acolhimento dos embargos. Nesse sentido, verifico que a decisão anulou o auto de infração sob o aspecto da matéria em si, e não por aspecto formal, guiada pela decisão de primeira instância, conforme se transcrevo parte dela (fl. 161): "7. Inicialmente, cumpre observar que a NFLD é clara ao indicar no relatório denominado "Fundamentos Legais do Débito", os atos normativos (em sentido lato) que perfazem o substrato jurídico do lançamento, razão pela qual não se vislumbra cerceamento de defesa, neste particular. Acrescente se, ainda, que os princípios constitucionais do contraditório, da Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11330.000029/200751 Acórdão n.º 2301005.551 S2C3T1 Fl. 4 5 ampla defesa e do devido processo legal foram integralmente preservados. 8. O lançamento cumpriu todos os seus requisitos a partir do momento em que o fato gerador é explicitado, a base de cálculo é quantificada, a fundamentação legal é elencada, as alíquotas são definidas e o período é discriminado. Tudo em conformidade com o artigo 37, da Lei 8.212/1991, que tem contornos de norma procedimental e, portanto, com aplicação imediata. Lá estão os requisitos essenciais de uma NFLD. Em que pese os esforços expendidos pela impugnante em seu arrazoado, os mesmos não têm o condão de ilidir in totum o procedimento fiscal, pelas razões que serão melhor expostas adiante. Analisando Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 3 seguintes), relatório fiscal (fls. 76 e seguintes do eprocesso), e decisão DRJ de origem de fls (fls. 160 e seguintes) o erro do lançamento comporta a própria base de cálculo, sendo ele material. Ademais, a decisão de primeira instância julgou procedente em parte o presente lançamento, ou seja, ainda há parte do crédito a ser exigido, retirando somente o que foi de objeto de erro no lançamento. Portanto, diante da decisão de segunda instância proferida, e guerreada, onde valeuse grande parte do embasamento da decisão a quo, o erro é material e não comportaria mais remontar novo lançamento, e sim retificar para seguir cobrando o valor remanescente devido. Ainda, importa em registrar que a contribuinte foi também intimada para apresentar recurso voluntário da decisão, conforme resolução proferida nas fls. 180 e seguintes do eprocesso, e que quedouse inerte, precluindo seu direito de recorrer. Assim, verifico que não há vício no voto anterior, uma vez que dá para entender que houve erro material no lançamento, e que a cobrança deve seguir sobre o valor remanescente, uma vez que parte do crédito fiscal permanece sob exigibilidade. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por não acolher os embargos da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
