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Numero do processo: 10783.720359/2012-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.325
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido. Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 59 /2 01 2- 32 Fl. 16893DF CARF MF Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 9303008.325 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.779, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 16894DF CARF MF Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 9303008.325 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 16895DF CARF MF Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 9303008.325 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 16896DF CARF MF Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 9303008.325 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 16897DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.102583/2004-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9101-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a ocorrência de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto vencedor, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso e, no mérito, negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a ocorrência de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto vencedor, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso e, no mérito, negava-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a ocorrência de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto vencedor, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso e, no mérito, negavalhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .1 02 58 3/ 20 04 -1 8 Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.967 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) (fls. 1.9211.930) contra o acórdão 1402001.114, da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção, de 4 de julho de 2012 (fls. 1.9001.908), o qual acolheu a decadência suscitada de ofício pelo relator, abrangendo o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999 inclusive, no que se refere às contribuições ao PIS e Cofins. A decisão restou assim ementada e decidida: Acórdão recorrido: 1402001.114, de 4 de julho de 2012 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: DECADÊNCIA PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e do PIS, extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL e à Cofins por força da Súmula nº 8 do STF. Decadência que se reconhece de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.968 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a decadência suscitada de ofício pelo relator, abrangendo o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999 inclusive, no que se refere ao PIS e à Cofins; nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Contra essa decisão a PFN opôs embargos de declaração (fls. 1.9111.914), os quais foram rejeitados nos termos do despacho 13/2012, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, de 14 de novembro de 2012 (fls. 19171918). Em seu recurso especial, a PFN sustenta que, não havendo pagamento antecipado, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I, do CTN. Destaco o seguinte trecho da peça recursal (grifamos): "Conforme restará demonstrado, o acórdão 1402001.114 merece ser reformado, eis que partiu de premissa fática equivocada no que toca à existência de pagamento parcial de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. É que, diferentemente do que restou assentado no acórdão recorrido, bem como no despacho que rejeitou os embargos de declaração, o contribuinte não declarou qualquer valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em sua DIPJ originária. Com efeito, quando se analisa a DIPJ de fls. 566/601 constatase que o contribuinte não declarou como devido qualquer valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apresentando a referida declaração zerada. Apenas em 03/12/2002 (vide fl. 602), após o início da ação fiscal, que ocorreu em 08/10/2002 (vide fl. 61), é que o contribuinte apresentou declaração retificadora (fls. 602/642), somente então informando valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quando não mais gozava de espontaneidade. Assim sendo, inexistindo informação de pagamento antecipado, fazse imperiosa a aplicação do art. 173, I, do CTN para contagem da decadência, nos termos do decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo." Para demonstrar divergência de entendimentos foram indicadas as seguintes decisões: Acórdão paradigma: CSRF/910100.460, de 3 de novembro de 2009 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Decisão Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e afastar a Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.969 4 decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Junior (substituto convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que aplicavam a contagem de prazo do artigo 150 do CTN, em face do contribuinte ter realizado a apuração do IRPJ, bem como apresentando a DIPJ sem saldo de tributo a pagar. Acórdão paradigma: CSRF/0201.308, de 12 de maio de 2003 Ementa: COFINS – AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO – PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicandose a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de ofício, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstanciase em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado. Decisão ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de inadmissibilidade, e, no mérito por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanhavam o relator pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Edison Pereira Rodrigues. A PFN observa, ademais, que no acórdão paradigma CSRF/910100.460 observouse, tal como teria ocorrido nos presentes autos, o contribuinte apresentou DIPJ zerada, o que fez atrair a regra decadencial expressa no art. 173, I, do CTN. Assim, resume que, para uma mesma situação fática, enquanto o acórdão recorrido aplicou a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, os acórdãos paradigma aplicaram a regra do art. 173, I, do CTN. O despacho de admissibilidade n. 1.400, da 4ª Câmara da Primeira Seção, proferido em 26 de abril de 2016, deu seguimento ao recurso especial do Procurador. Intimado em 4 de maio de 2016 (AR fl. 1.955), o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.970 5 Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo e atendeu aos requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida quanto à admissibilidade do recurso. Não obstante, entendo que este não merece ser conhecido, na medida em que os acórdãos paradigma apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, não se verificando a necessária similitude fática entre eles e o recorrido. Isso porque o acórdão recorrido aplicou a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da efetiva verificação sobre se houve pagamento de tributos. Já os acórdãos paradigma deslocam a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN para o artigo 173, I, do CTN, em razão de constatarem a ausência de pagamento. De fato, o acórdão recorrido entendeu que, não havendo dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial a ser aplicada seria a do artigo 150, § 4º, do CTN, tendo apenas registrado (obter dictum) que seria inaplicável o entendimento do STJ relativamente à regra do artigo 173, I, eis que o contribuinte informou na DIPJ valores devidos de tributos, o que levaria a crer que houve pagamentos, ainda que parciais. Reproduzo os relevantes trechos do acórdão recorrido (fl. 1906): "Do exposto, na inexistência de dolo fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para os impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deveria ocorrer sob as regras do parágrafo 4º, do art. 150, do CTN. Registrese que, no presente caso, o sujeito passivo informou valores devidos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; que não foram questionados pelo Fisco. Isso significa que devese considerar a existência de pagamentos desses tributos, ainda que parciais, o que implica na inaplicabilidade do entendimento do STJ relativamente à regra do inciso I, do art. 173, do CTN. Pelo exposto, com ciência da autuação em 19/08/2004, foram atingidos pela caducidade o 1º e o 2º trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e à CSLL; e os fatos geradores ocorridos até 31/07/1999, inclusive, no que se refere ao PIS e à Cofins." São vários os indicativos de que o registro sobre os pagamentos foi apenas um obter dictum, e não razões de decidir do acórdão recorrido. Nesse ponto, observo que a passagem acima é a única em que o voto do acórdão recorrido faz referência a pagamentos, sendo que em nenhum momento ele verifica se de fato houve recolhimento de tributos nos períodos em questão. Considerando que a DIPJ é apenas informativa, não sendo o instrumento que constitui o crédito tributário, temos que o fato de Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.971 6 informar valores devidos nessa declaração nada diz sobre o recolhimento de tributos. Assim, fosse o argumento sobre os pagamentos relevante para o acórdão recorrido, ele necessariamente abriria pelo menos um parágrafo para indicar se, no caso em questão, foi identificado algum documento nos autos registrando o pagamento. Também o despacho de admissibilidade dos embargos opostos contra o acórdão recorrido (fl. 1.917) interpreta o trecho do voto que registra a existência de pagamentos como obter dictum. Com efeito, os embargos foram rejeitados exatamente porque a informação trazida pela PFN de que a DIPJ 2000 original foi apresentada zerada (fl. 629 de segs) e somente após o início do procedimento fiscal é que foi retificada para informar valores devidos (fl. 664 e segs) foi tida como irrelevante para a decisão constante do acórdão recorrido. E, realmente, tal informação é irrelevante para a conclusão que a PFN quer extrair sobre se houve ou não pagamentos realizados pelo contribuinte , eis que, por ser a DIPJ meramente declaratória, tecnicamente (ou seja, em tese), é possível que o contribuinte apresente "DIPJ zerada" mesmo tendo recolhido valores de tributo no período. Dito de outra forma: fato é que, mesmo que se leve em consideração a informação trazida pela PFN em seus embargos e reiterada no recurso especial (i.e., a DIPJ original foi apresentada zerada), isso não muda a conclusão de que não há, nos autos, prova efetiva de que houve pagamento antecipado de tributos. E, mesmo assim, o acórdão recorrido decidiu pela decadência aplicando ao caso o artigo 150, § 4º, do CTN. Por tal motivo é que o despacho de admissibilidade de embargos concluiu, acertadamente, que "a inexistência do pagamento é matéria estranha à lide". Lembrando que o despacho de admissibilidade de embargos é definitivo, temos, assim, que o fato de ter ou não havido pagamento antecipado foi irrelevante para a decisão tomada pelo acórdão recorrido, que de qualquer forma entendeu pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, bastando a verificação de inexistência de dolo, fraude ou simulação. Pois bem. Os acórdãos paradigma, por outro lado, discutem situação em que a regra decadencial foi deslocada do artigo 150, § 4º, do CTN para o artigo 173, I, do CTN, exatamente em razão da verificação de que não houve pagamento antecipado. Como se percebe, não é possível aplicar a decisão tomada nos acórdãos paradigma para a situação dos autos, porque eles partem de premissas diversas: aqui, na irrelevância de ter havido pagamento antecipado e lá na necessária verificação de presença ou não de pagamento antecipado para a extração da conclusão sobre o dispositivo legal aplicável. Por essas razões é que oriento meu voto por não conhecer do recurso especial do Procurador. Mérito Como restei vencida quanto à admissibilidade do recurso especial, passo a apreciar o mérito. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.972 7 Tratase de definir, no caso de tributos sujeitos ao chamado "lançamento por homologação", se é possível deslocar a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN, para o prazo o previsto no art. 173, I, do CTN na situação em que não há dolo, fraude ou simulação, mas não há nos autos prova de pagamento de tributos (v.g., guias DARF). Ressalto que a expressão "lançamento por homologação" está entre aspas porque, na verdade, lançamento é ato privativo da administração (artigo 142 do CTN), de maneira que o contribuinte, tecnicamente, não "lança" tributos. Acontece que o lançamento não é a única forma de se constituir o crédito tributário, daí porque, no caso dos tributos sujeitos a "lançamento por homologação", eles são assim denominados porque quem constitui o crédito tributário é o próprio contribuinte, em atividade posteriormente homologada (expressa ou tacitamente) pelo Fisco. No caso de tributos sujeitos a tal sistemática, a decadência de rege, a princípio, pelo artigo 150, §4º, do CTN, que dispõe (grifamos): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em termos teóricos, a exceção mais pacífica à aplicação do artigo 150, §4º, do CTN até porque literalmente indicada no dispositivo, conforme acima destacado é a hipótese de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesta situação, não se discute que a decadência passa a ser regida pelo artigo 173, I, do CTN, contandose os 5 anos não mais do fato gerador, mas do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste sentido, o CARF aprovou a Súmula CARF nº 72 (Vinculante), com o seguinte enunciado: Súmula CARF 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.973 8 Mais controversos, todavia, são os casos em que não há tal alegação de dolo, fraude ou simulação e, mesmo assim, o Fisco pretende a aplicação do artigo 173, I, do CTN em detrimento do artigo 150, §4º. Isso ocorre, basicamente, em duas situações: (i) quando não há sequer declaração do contribuinte (isto é, quando o contribuinte não constitui o crédito tributário nem indica expressamente que não há tributo devido), e (ii) quando, independentemente de ter ou não havido declaração, o contribuinte não efetua o pagamento. A hipótese de não ter havido sequer declaração do contribuinte pode também ser colocada em outro extremo, já que a jurisprudência tem se consolidado no sentido de que, neste caso, é igualmente aplicável o artigo 173, I, do CTN, em detrimento do artigo 150, §4º. De fato, após o julgamento de reiterados recursos sobre a questão, inclusive na sistemática do recurso repetitivo (REsp 973.733/SC), o Superior Tribunal de Justiça STJ fez publicar, em dezembro de 2015, a Súmula 555, com o seguinte enunciado (grifamos): Súmula STJ 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O debate permanece, assim, para a hipótese em que houve declaração porém não ocorreu o efetivo recolhimento do tributo por parte do contribuinte. Dito de outro modo, a discussão fica, essencialmente, em definir qual é o ato sujeito à homologação do Fisco (e que portanto atrai a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN): se basta a declaração do contribuinte ou se, para além de tal declaração, é necessário que o contribuinte efetue o efetivo recolhimento do tributo em questão. Os que defendem que é necessário o efetivo recolhimento se apegam à literalidade do artigo 150 do CTN que realmente faz referência à "pagamento antecipado" para dizer que o que se homologa é apenas o pagamento efetuado pelo contribuinte. Assim, na ausência de recolhimentos, o prazo decadencial já passa a ser regido pelo artigo 173, I, do CTN. Ocorre que a sistemática de apuração de IRPJ e da CSLL e também de outros tributos como o PIS, a COFINS e o ICMS revela que há diversas situações em que, sem que tenha havido a prática de qualquer irregularidade, o contribuinte apura zero de tributo a recolher. O exemplo clássico é a apuração de prejuízo fiscal no exercício. Assim, ao levar tal sistemática em consideração, revelase no mínimo injusto se apegar à literalidade do artigo 150 do CTN para dizer que apenas os contribuintes que efetivamente realizem recolhimentos de tributo é que podem estar sujeitos ao prazo decadencial ali previsto. Em outras palavras, não há qualquer justificativa razoável seja em termos legais, seja em termos de prática de fiscalização para que o Fisco tenha prazos diferentes para fiscalizar o contribuinte que declara lucro (e assim recolhe o IRPJ correspondente) versus o contribuinte que não tem tributo a recolher por ter declarado prejuízo fiscal naquele ano calendário. Daí o entendimento de que o prazo decadencial limita temporalmente o poder dever do Fisco de examinar a declaração que o contribuinte presta sobre sua apuração de tributos, independentemente do resultado de tal cálculo ou seja, sendo indiferente se com tal Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.974 9 declaração o contribuinte efetivamente constitui crédito tributário (porque apura tributo a recolher) ou se apenas indica que não há tributo a recolher naquele períodobase. Estou com aqueles que entendem que, uma vez que o contribuinte efetua a apuração de seus tributos e apresenta ao Fisco a respectiva declaração (seja ela com ou sem tributo a recolher), o prazo decadencial se rege pela regra do artigo 150, §4º, do CTN. Por outro lado, não tendo sido apresentada tal declaração assim como no caso em que há dolo, fraude ou simulação o prazo decadencial se conta nos termos do artigo 173, I, do CTN. Passamos ao caso em questão. A PFN alega que a DIPJ 2000 (anocalendário 1999) foi apresentada no prazo (30/06/2000) (fl. 629 de segs), porém zerada, tendo sido retificada anos depois para informar valores devidos (fl. 664 e segs). Compulsando os autos, verifico também que o contribuinte apresentou as DCTFs nos prazos legalmente previstos. É o que indica o extrato de fl. 612, abaixo reproduzido: Temos, portanto, que há nos autos prova de que o contribuinte apresentou as declarações capazes de desencadear, para o Fisco, o poderdever de rever o crédito tributário ali apurado. Daí porque entendo que foi correta a conclusão do acórdão recorrido, segundo o qual o prazo decadencial deve ser contado nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Ressalto, para aqueles que discordam das premissas acima expostas, que não há nos autos cópia das DCTFs relativas ao anocalendário 1999 nem qualquer documento que ateste o efetivo recolhimento de tributos (ex. DARFs). Deixo de me pronunciar sobre de quem seria o ônus de trazer tais documentos aos autos se do Fisco ou do contribuinte ante o raciocínio acima exposto, que considera indiferente tal informação para o caso em questão. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial do Procurador e, caso vencida, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.975 10 Voto Vencedor André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante a substanciosa fundamentação apresentada pela i. Relatora, apresento divergência, tanto no exame de admissibilidade quanto no mérito. Em relação à admissibilidade, entendo que o despacho de exame de admissibilidade de efls. 1936/1940 apreciou com precisão a divergência de interpretação da legislação tributária existente entre os paradigmas e a decisão recorrida. Aplicandose o entendimento dos paradigmas, no sentido de que caberia, para verificar o prazo decadencial (regra geral do art. 173, inciso I ou no art. 150, § 4º), seguir o decidido pelo STJ no RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, verificase que se trata de racional suficiente para reformar a decisão recorrida, que aplicou a contagem prevista no art. 150, § 4º, do CTN, independente de se constatar a ocorrência de pagamento ou declaração prévia de débito. Assim sendo, voto no sentido de conhecer do recurso especial. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida diz respeito à decadência. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.976 11 declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 11080.102583/200418 Resolução nº 9101000.082 CSRFT1 Fl. 1.977 12 julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Os presentes autos tratam de apreciar a decadência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para os seguintes períodos, nos termos do voto da decisão recorrida: IRPJ e CSLL – 1º e 2º trimestres de 1999; e Pis e Cofins – fatos geradores ocorridos até 31/07/1999, inclusive. Não consta nenhuma discussão sob a perspectiva do decidido pelo Recurso Especial n.º 973.733/SC Dessa maneira, tornase imprescindível o retorno dos autos para a unidade preparadora, para que se verifique se os tributos em debate foram objeto de pagamento ou de declaração com efeito de confissão de dívida (inclusive parcelamento). Orientase pelo preenchimento de planilha nos moldes a seguir, para cada tributo e fato gerador: Tributo FG Valor objeto de confissão de dívida em declaração Tipo de declaração (DCTF, PER/DCOMP, ...) Valor pago Poderá a unidade preparadora incluir informações complementares se considerar pertinente. Voto, portanto, no sentido de determinar o retorno dos presentes autos para a para a unidade preparadora, para informar se os tributos em discussão foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do presente voto. A PGFN e a Contribuinte devem tomar ciência do resultado da diligência para se manifestar estritamente sobre seu conteúdo, e na sequência os presentes autos devem retornar para julgamento do presente Colegiado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1977DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908061/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, deve-se prestigiar os Princípios da Verdade Material e da Moralidade Administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado nas referidas informações equivocadas.
Ou seja, o mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos.
Numero da decisão: 9303-008.109
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, deve-se prestigiar os Princípios da Verdade Material e da Moralidade Administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado nas referidas informações equivocadas. Ou seja, o mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão equivocadas, pois prestadas erroneamente, devese prestigiar os Princípios da Verdade Material e da Moralidade Administrativa, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado nas referidas informações equivocadas. Ou seja, o mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 61 /2 00 9- 24 Fl. 89DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.385, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · O interessado limitouse a reiterar as razões da manifestação de inconformidade e a tecer considerações sobre a verdade material, não colacionando documentos para comprovar o invocado direito creditório; · Não obstante o contribuinte ter retificado as DCTFs somente após proferido o DespachoDecisório que negou seu pleito e não haver se desincumbindo do ônus de comprovar o erro que deu ensejo a Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.908061/200924 Acórdão n.º 9303008.109 CSRFT3 Fl. 88 3 retificação das DCTFs, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório alegado em PER/DCOMP. Em Despacho às fls. 79 a 81, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Dado ciência ao contribuinte, Contrarrazões não foram apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho às fls. 79 a 81. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide trazida em Recurso – qual seja, se há no caso vertente a necessidade de comprovação por meio de documentação contábil a ocorrência do erro na DCTF, inclusive para fins de se provar a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Em relação à essa questão, adoto as razões de decidir do acórdão recorrido – o que peço licença para transcrever parte: "[...] Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Fl. 91DF CARF MF 4 Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF. (...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.908061/200924 Acórdão n.º 9303008.109 CSRFT3 Fl. 89 5 detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...)VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adota se o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Fl. 93DF CARF MF 6 Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltase, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado." Sendo o voto irretocável, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.721968/2012-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020.
Correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) no código NCM 8529.9020 (Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. - de aparelhos das posições 85.27 ou 85.28), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO
O desembaraço aduaneiro não se reveste de homologação tácita dos dados constantes em Declaração de Importação, desde que não haja no curso daquela lançamento de ofício. Assim, eventual lançamento posterior em revisão aduaneiro não se reveste de modificação de critério jurídico.
Recurso especial da Fazenda não conhecido e recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de fevereiro/2019 e concluído na sessão do dia 19/03/2019, no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) no código NCM 8529.9020 (Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. - de aparelhos das posições 85.27 ou 85.28), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO O desembaraço aduaneiro não se reveste de homologação tácita dos dados constantes em Declaração de Importação, desde que não haja no curso daquela lançamento de ofício. Assim, eventual lançamento posterior em revisão aduaneiro não se reveste de modificação de critério jurídico. Recurso especial da Fazenda não conhecido e recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de fevereiro/2019 e concluído na sessão do dia 19/03/2019, no período da tarde. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12266.721968/201283 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303008.252 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria AUTO INFRAÇÃO II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrentes LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. de aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO O desembaraço aduaneiro não se reveste de homologação tácita dos dados constantes em Declaração de Importação, desde que não haja no curso daquela lançamento de ofício. Assim, eventual lançamento posterior em revisão aduaneiro não se reveste de modificação de critério jurídico. Recurso especial da Fazenda não conhecido e recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de fevereiro/2019 e concluído na sessão do dia 19/03/2019, no período da tarde. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 19 68 /2 01 2- 83 Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte e da Fazenda contra o Acórdão 3401.003252 (fls. 3846/3893), de 27/09/2016, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/01/2007, 09/12/2010 REVISÃO ADUANEIRA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 146 DO CTN. ARTIGO 54 DO DECRETOLEI 37/1966. INOCORRÊNCIA QUANDO NÃO HÁ LANÇAMENTO NO DESPACHO ADUANEIRO. A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 37/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da aplicação da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO PARA CONCLUSÃO E LANÇAMENTO DE TRIBUTOS. Nos lançamentos decorrentes de revisão aduaneira, o prazo para conclusão da revisão aduaneira e lançamento de tributos é de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da declaração de importação, conforme disposto no artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). CÓDIGO NCM 8529.9020. Está correta a classificação fiscal para a importação de Display de Cristal Líquido (LCD) adotada no lançamento, Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 4 3 no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. / De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), quando os produtos importados se destinam exclusiva ou principalmente aos aparelhos da posição 85.28. PENALIDADES. JUROS DE MORA. CORREÇÃO. ARTIGO 100 DO CTN. AFASTAMENTO. A existência de ato normativo de caráter geral emitido pela administração pública contemplando apenas o código NCM adotado pelo contribuinte, soluções de consulta da Receita Federal, indicando como correto o código NCM adotado pelo contribuinte e decisão administrativa em contencioso fiscal da própria Recorrente no mesmo sentido concorrem para que se reconheça a aplicação do artigo 100, inciso I, parágrafo único, do CTN, devendo ser excluídos do lançamento as penalidades e os juros de mora. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar o lançamento relativo às importações anteriores a 13/07/2007, às multas aplicadas e aos juros moratórios, nos termos do art. 100, I do CTN. Vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que afastava o lançamento pela impossibilidade de revisão aduaneira e por acolher a classificação adotada pela Recorrente. A Fazenda manejou recurso especial de divergência (fls. 3895/3905) na parte provida exclusivamente quanto à decadência, que o recorrido entendeu ser, tratando se de revisão aduaneira, o prazo para sua conclusão, ou seja, nos termos do art. 54 do DL 37/66, cinco anos contados da data do registro da declaração de importação. Assevera a Procuradoria da Fazenda Nacional, com arrimo no paradigma 9303003.852, de 17/05/2016, que sendo devido imposto de importação, mesmo em se tratando de reclassificação fiscal (caso dos autos), e não havendo qualquer antecipação de pagamento, o termo decadencial inicial é aquele disposto no art. 173, I, do CTN. Em suma, trazendo à colação o REsp 973.733, julgado no rito dos repetitivos, entende a Fazenda que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação. Com espeque nessa premissa, para a recorrente o prazo a quo para contagem da decadência seria 01/08/2008, e tendo a ciência do lançamento ocorrido em 13/07/2012, não teria havido lançamento a destempo. Assim, pede provimento para afastar a decadência. O despacho de fls. 3939/3942, entendendo que o acórdão paradigma versava "situação fática similar", admitiu o recurso especial de divergência da PFN. O contribuinte contraarrazoou o especial fazendário (fls. 4220/4237) postulando, em preliminar, o não conhecimento do recurso, sob o fundamento que o recurso especial "deve ser baseado na interpretação de uma legislação tributária específica aplicada a Fl. 4346DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 5 4 fatos idênticos", sendo que o paradigma acostado pela Fazenda (Ac. 9303003.852) sequer analisou a aplicação do art. 54 do DL 37/66 para fins de contagem do prazo decadencial, sendo "que foram esses dispositivos legais que embasaram o entendimento emanado pela r. decisão recorrida". No mérito, em síntese, pede a manutenção do recorrido, desta forma mantendose afastada a exação sobre os fatos geradores ocorridos antes de 13/07/2007. De sua feita, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência (fls. 3951/3999), em resumo suscitando divergência com relação aos seguintes itens: 1 Nulidade do lançamento 2 Observância de Laudos 3 Classificação fiscal 4 Novo critério jurídico. Aplicação retroativa . O despacho de admissibilidade de fls. 4246/4254 admitiu o recurso exclusivamente quanto à discussão acerca da "Classificação fiscal" e sobre "Novo critério jurídico. Aplicação retroativa". Agravado (fls. 4262/4278) esse despacho de admissibilidade, foi o mesmo, em 21/03/2018, rejeitado pela Presidente da CSRF (fls. 4286/4291). Em extensa petição recursal, o contribuinte, quanto aos pontos admitidos, alega: 1 Alteração do critério jurídico e sua aplicação retroativa (art. 146 do CTN). Em suma, alega que se a mercadoria importada foi desembaraçada como uma determinada classificação fiscal, não pode o Fisco, posteriormente, rever essa classificação, pois, a seu juízo, essa revisão afronta o art. 146, travestindose em novo critério jurídico. Colaciona como paradigma o aresto 3404002.294, o qual, em resumo, entendeu que a parametrização em canal amarelo (conferência documental) ou em canal vermelho (conferência documental e física) representa uma homologação por parte do Fisco, que, dessa forma, fixou um critério jurídico que vincula o importador e a administração tributária, inclusive respaldando as importações anteriores de produtos iguais. Igualmente, neste tópico, colaciona o aresto 3302002.444, entendendo que ambos os paradigmas "evidencia a similitude fática dos casos". 2 Classificação fiscal. O contribuinte importou dispositivos de cristal líquido sob o código 9013.80.10, com alíquota de II de 0%. Todavia, para o Fisco a classificação correta é a NCM 8529.90.20, aplicável de forma genérica para partes e peças exclusiva ou principalmente destinadas a aparelhos das posições 8527 ou 8528, cuja alíquota de II é de 12%. No ponto, acosta como paradigma o Ac. 30333.326. Entende que a classificação fiscal deve ser feita com base no produto no momento da importação e não levando em conta sua utilização futura, e que pelo critério da especificidade das NESH o que define a posição mais específica é a sua capacidade de designar nominalmente o bem e identificar claramente com uma descrição mais precisa do mesmo. Pontua que "o emprego posterior do bem no processo industrial após a importação não é contemplado como critério autorizador para eleição da posição mais específica". Enfim, defende a classificação por si declarada nas importações, qual seja a NCM 9013.80.10. Em contrarrazões, a Fazenda (fls. 4308/4320), em preliminar, postula o não conhecimento do especial do contribuinte quanto à matéria classificação fiscal, pois averba que "porquanto, embora se tratem de dispositivos de cristal líquido, os produtos analisados pelos Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 6 5 acórdãos confrontados não se mostram os mesmos, tendo em vista que, no caso dos autos, os produtos possuem dispositivos eletrônicos e de retroiluminação, elementos não constatados no caso apreciado pelo acórdão 30333.326". No mérito entende correta a classificação adotada pelo Fisco, a NCM 8529.90.20. Quanto à questão acerca da alteração de critério jurídico, alega ser incabível o entendimento de que o desembaraço aduaneiro representa a homologação do pagamento antecipadamente feito pelo importador, pois, consigna, "uma vez submetidos os produtos à conferência aduaneira e desembaraçados sem exigência fiscal, não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro, sendo que tal atividade não se confunde jamais com mudança de critério jurídico". Alfim, pede a Fazenda que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Em 18/03/2019, às vésperas da presente Sessão de julgamento, o contribuinte acostou a petição de fls. 4339/4343, pedindo a aplicação do art. 24 da LINDB para que seja levado em conta "o entendimento consolidado à época", pois, alega, teria a recorrente "seguido as orientações da própria administração pública". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator I OS FATOS Creio que os fatos objeto do lançamento não foram bem definidos pela decisão recorrida, o que repercutiu no recurso fazendário, mormente. A empresa autuada ao longo de 20072010 realizou importações de insumos do tipo "Displays de Cristal Líquido" utilizando, incorretamente no entendimento do Fisco, o código NCM 9013.80.10 para sua classificação. Essas importações foram feitas para o estabelecimento localizado na Zona Franca de Manaus (ZFM) sob o abrigo da suspensão dos impostos incidentes na importação com espeque no Decretolei 288/1967. Contudo, a cobrança do Imposto de Importação (II) objeto destes autos se deu no momento em que tais mercadorias foram internadas. Assim, feita a reclassificação fiscal das mercadorias descritas, foi refeito o cálculo do II, quando de suas internações (saídas da ZFM para outras áreas do país não incentivadas). Nos termos do DL 288/67, a parcela de II devida na internação tem cálculo próprio1. Assim, temse que a reclassificação fiscal de um insumo importado com alteração de alíquota impacta positiva ou negativamente no valor do II devido na sua internação da ZFM na medida em que aumenta ou diminui o somatório do II suspenso 1 II devido = QI x (100%CR) x ∑ii insumos QI = Quantidade Internada CR = Coeficiente de Redução % ∑ii insumos = Somatório de Imposto de Importação suspenso nos insumos importados utilizados na fabricação do produto final Fl. 4348DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 7 6 na equação referida. Assevera o Fisco que os displays de cristal líquido foram internados para serem utilizados na montagem de aparelhos eletrônicos que possuíam monitores embutidos. Entendeu a fiscalização que ao utilizar essa NCM, o contribuinte obrou em erro, eis que para aquela a classificação correta seria a NCM 8529.90.20, embora este tenha descrito corretamente a mercadoria nas DI como "Descrição Detalhada da Mercadoria: DISPLAY DE CRISTAL LIQUIDO LCD. **SUFRAMA**GSSG24301 (38,2X52)MM, LCF800ON. EAJ60988301”. Essa reclassificação fiscal tem diferente alíquotas. Vejase: Assim, a cobrança do II em função da reclassificação fiscal deuse quando do momento da internação desses insumos por meio da Declaração para controle de Internação (DCI), que é obrigatória nos termos do art. 2º da IN SRF 242/2002. Na DCI a empresa internadora informa as quantidades e modelos de produtos a serem internados. No momento da transmissão da declaração os tributos devidos são calculados e debitados automaticamente em sua conta corrente. Regra geral, devido à antecipação do pagamento tratase de um modelo de declaração por homologação. Para o cálculo dos valores devidos, o sistema informatizado se vale, para cada insumo utilizado, da informação das Declarações de Importação contidas nos Demonstrativos de Coeficiente de Redução eletrônicos (DCRe) transmitidos pelo próprio contribuinte. Os DCRe contêm informações de todos os insumos, nacionais ou importados, utilizados no processo de fabricação de um produto final. No caso dos insumos importados, é informado número das Declarações de Importação que serão utilizadas para o cálculo da parcela de Imposto de Importação devido na internação. Dessa forma, ao registrar uma DCI informando as quantidades de cada DCR e, a empresa está recolhendo os tributos suspensos referentes a cada insumo importado informado nesses demonstrativos, resolvendo a suspensão do pagamento dos tributos concedida no registro dessas importações (para cada insumo utilizado). Esses são os fatos, tendo a fiscalização tomado como termo inicial a data de internação constante da DCI. Como foi utilizada pelo contribuinte uma classificação fiscal com alíquota zero, entendeu o agente fiscal que não houve qualquer antecipação de pagamento, entendo então, motivadamente, ser o caso de aplicação do art. 173, I, do CTN, tendo como termo a quo a data da internação (fls. 134/136). Outro fato é que a multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, cobrada com arrimo no artigo 711 do RA/2009, foi derrubada pelo recorrido e não foi objeto de recurso. DOS RECURSOS I DA FAZENDA NACIONAL Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 8 7 Creio que nem o aresto recorrido nem a Fazenda bem elucidaram os fatos, como acima descritos. O objeto do lançamento, como relatado, foi quando do momento da internação de produtos importadas com suspensão de impostos e não quando da importação. Já o aresto paradigma colacionado pela PFN não versa sobre a mesma situação fática, pois não se trata de internação de produto da ZFM, e sim, exclusivamente, de revisão aduaneira com cobrança de imposto na data da importação. Vejase a ementa do Ac. 9303003.852. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/03/1999 a 09/07/1999 IPIIMPORTAÇÃO. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART 173, I, DO CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO ANEXO II DO RICARF/2015. SÚMULA CARF Nº 101. Não realizado o pagamento do IPIimportação antes da saída do produto estrangeiro da repartição que processou o despacho aduaneiro, o prazo que o Fisco tem para formalizar a exigência do crédito tributário é de 5 cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o desembaraço aduaneiro. Recurso Especial do Procurador Provido.” Na hipótese dos autos, a cobrança deuse no momento da internação. Portanto, a meu sentir o paragonado deveria ter como pano de fundo fático a posterior internação, pois o termo inicial do prazo decadencial seria o momento da internação e não o da importação. Assim, ante a dessemelhança fática, entendo que não deva ser conhecido o especial Fazendário. I DO CONTRIBUINTE Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que processado. Concluiu o despacho de admissibilidade do recurso do contribuinte, confirmado em agravo, o seguinte: Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em parte, apenas em relação às matérias 3 – Classificação fiscal e 4 – Novo critério jurídico. Aplicação retroativa. Portanto, essas matérias que ora estão sob nossa análise. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO No Acórdão 9303007.469, julgado em 20/09/2018, para o qual fui designado redator do voto vencedor, tive oportunidade de me alongar sobre a matéria. Fl. 4350DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 9 8 No entender do contribuinte, se o Fisco não se opôs aos cálculos apresentados no momento do despacho aduaneiro, sobre acerto jurídico ou não da classificação fiscal (NCM) apontada pelo importador, não pode, posteriormente, rever o declarado, como se naquele momento estivesse homologado tacitamente o lançamento. Divirjo desse entendimento. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações, e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é então submetida à conferência, nos termos de ato administrativo, infralegal portanto, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). Equivocada da realidade do comércio internacional hodierna a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado. E sobre escabrosas fraudes na importação, constatadas em revisão aduaneira, nos debruçamos reiteradamente em julgados desta E. Turma. Essa é a realidade no Brasil de hoje e em todos os países desenvolvidos, os quais passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, gizese, protagonista nessa discussão, em face de o crédito poder ser exigido a posteriori. Independentemente do canal de conferência atribuído pelo sistema à Declaração de Importação, a fiscalização da Unidade RFB local poderá determinar a ação fiscal pertinente quando tiver conhecimento de fato ou da existência de indícios que requeiram a verificação da mercadoria ou a aplicação de procedimentos especiais de controle aduaneiro. Conforme determina o art. 564 do Regulamento Aduaneiro, “a conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação”. Nos termos do art. 571 do Regulamento Aduaneiro, o desembaraço aduaneiro é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. No entanto, quando a Declaração de Importação for selecionada para o canal verde de conferência aduaneira e não tenha sido determinada qualquer ação fiscal relativa à mercadoria, o desembaraço será realizado automaticamente pelo sistema Siscomex, sem a intervenção de qualquer servidor. Portanto, o despacho aduaneiro é um procedimento que se inicia com o registro da Declaração de Importação e se encerra com o desembaraço aduaneiro, o qual Fl. 4351DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 10 9 consiste na autorização da Receita Federal para a entrega da mercadoria ao importador para consumo. Justamente porque o comércio internacional precisa de agilidade e por absoluta impossibilidade técnica de fiscalização completa de todas as importações quando de seu despacho, e também para fazer frente aos parâmetros internacionais de modo a inserir a economia brasileira nos padrões mundiais, é que se fez necessária a criação do instituto da revisão aduaneira. Assim, resguardase a inserção do Brasil no mercado internacional, aderindo aos parâmetros do comércio internacional de mercadorias quanto à agilidade do desembaraço das mercadorias importadas, caso dos autos, e, ao mesmo tempo, resguardase à Fazenda Nacional a possibilidade de, dentro de cinco anos do desembaraço da mercadoria, aprofundar a análise com base em uma série de fatores, justamente como o que deu azo a presente exação. Embora o instituto tenha sido criado há algum tempo, a sua existência justificase ainda mais nos dias atuais, com o crescente volume das importações, vez que apenas uma minoria das mesmas, algo menos do que 10% (dez por cento) do total, é objeto de seleção para exame pela autoridade fiscal no curso do despacho. Em verdade, a ratio desse instituto é resguardar o Poder de Polícia Aduaneiro, imbricado com o resguardo da soberania e economia nacional, com vistas a impedir que a livre concorrência, de matiz constitucional, possa ser ferida. Impende registrar que na conferência aduaneira há a confirmação do cumprimento das obrigações fiscais, e na revisão aduaneira há a verificação da regularidade do pagamento dos tributos. Então, já que estamos falando em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em quais destes procedimentos poderia ocorrer o ato de homologação expressa ou eventual lançamento de ofício supletivo? Ora, se em dois procedimentos fiscais distintos pode ser verificada a regularidade dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, temos que o ato de homologação expressa não pode ser decorrente do primeiro procedimento (conferência aduaneira), eis que o Fisco sempre terá, por expressa disposição legal, a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira, a ser realizada no decurso do prazo de cinco anos contados do registro da Declaração de Importação. Em consequência, o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador, de apuração e pagamento dos tributos incidentes na importação, ocorrerá ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, quando só então ocorrerá a homologação tácita, por decurso do lapso temporal, ou expressa, quando houver sido constituído de ofício crédito tributário por agentes do Fisco. Donde se conclui que, mesmo quando haja conferência aduaneira no curso do despacho de importação, o que não foi o caso dos autos, o ato de homologação expressa da atividade do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento de revisão aduaneira. Esta não se confunde com a revisão de ofício, pois esta pressupõe um lançamento anterior, nas hipóteses do art. 149 do CTN, e aquela não. No curso da conferência aduaneira, conforme dispõe o art. 570 do Regulamento Aduaneiro, caso se constate a necessidade de recolhimento suplementar de tributos, o AuditorFiscal formulará exigências nesse sentido ao importador, o qual poderá aceitar e recolher o montante complementar independentemente da constituição do crédito tributário (§ 2°), ou então, manifestar sua inconformidade (§ 3°), devendo a autoridade Fl. 4352DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 11 10 administrativa efetuar o lançamento supletivo de ofício, com a garantia do devido processo legal administrativo. Também na revisão aduaneira, que é procedimento mediante o qual se verifica a regularidade dos pagamentos efetuados pelo importador, poderá, por motivos óbvios, ocorrer o lançamento de ofício supletivo, inclusive, como ressalva o art. 638, § 2° do Regulamento Aduaneiro, na “constituição do crédito tributário, apurado na revisão". Portanto, a revisão aduaneira decorre de lei, strictu sensu, não se limitando ou vinculando à norma administrativa regulamentar que trata da conferência aduaneira, os chamados canais de importação. E, consequentemente, não há que se falar em homologação expressa dos tributos declarados em DI nos despachos aduaneiros, e mesmo, portanto, classificação fiscal. Em remate, a restrição do art. 146 do CTN, bem como aquelas dispostas nos arts. 145 e 149 do digesto triutário, somente são aplicáveis quando, efetivamente, houver lançamento de ofício supletivo na conferência aduaneira. Não há que se falar, por conseguinte, em modificação de critério jurídico, mormente na hipótese sob análise. Dessarte, afasto o argumento de que teria havido modificação de critério jurídico. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Como já asseverado, o contribuinte importou display de cristal líquido (LCD) nos anos de 2007 a 2010. Informa a fiscalização que a Solução de Consulta Coana 4/2010 (anexa às fls. 116/127), que motivou o lançamento, elucidou o assunto nos seguintes termos: “Tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação (“backlight”) e tampas frontal e traseira, comercialmente denominada ‘módulo LCDTFT’”, nesse relatório chamado simplesmente de “Display de Cristal Líquido (LCD)”, classificase no código 8529.90.20 da NCM. No mesmo sentido, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), ligada à presidência da República, publicou Resolução CAMEX nº 84 de 09/12/2010 (fls. 128/130, incluindo dois Extarifários para a posição 8529.90.20 referindose justamente a Displays (telas) de Cristal Líquido (LCD), corroborando a interpretação acerca de sua classificação, conforme tabela abaixo constante na referida resolução. Vejase: Fl. 4353DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 12 11 Informa o agente fiscal que essas peças (LCD) "foram utilizados na montagem de aparelhos eletrônicos que possuíam monitores embutidos". Assim, entendeu a fiscalização por reclassificar as mercadorias importadas (LCD) no código NBM 9013.80.10 para 8529.90.20. Acresce a fiscalização que no mesmo período (20072010) a maioria dessas importações (mais de 900 milhões de dólares) foi efetuada pela empresa utilizando a classificação correta no código NCM 8529.90.20, sendo que as importações de Displays de Cristal Líquido (LCD) incorretamente classificados no código 9013.80.10, objeto do auto de infração, totalizaram valor muito menor, na ordem de R$ 127.147.950,46. A relação de declarações de importação que contêm Displays de Cristal Líquido (LCD) corretamente classificados no código 8529.9020 encontrase às folhas 171 a 193. Portanto, percebese que se trata de valor relativamente pequeno se comparado ao total de Displays de Cristal Líquido (LCD) importados pela empresa no código 8529.9020. Tal fato demonstra que a empresa conhecia e utilizava a classificação correta na maioria de suas importações de painéis de LCD. Isso é fato! Enquanto a Recorrente entende como correto o código NCM 9013.80.10 da Tarifa Externa Comum (TEC) (“Dispositivos de cristais líquidos – LCD”), para o qual a alíquota do imposto de importação era, à época da importação, zero, a autoridade fiscal entende que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 8529.9020 (“Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28. de aparelhos das posições 85.27 ou 85.28”), para o qual a alíquota do imposto de importação era de 12 % (doze por cento). Por oportuno, reproduzo os NCM em litígio: Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Fl. 4354DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 13 12 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional através do Decreto n.º 435, de 27 de janeiro de 1992, apresentado a seguir, e sofrem constantes atualizações. Compreendem as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição. Tratase de material extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH. A base legal para isso foi o Decreto nº 97.409, de 23/12/1988 (DOU de 28/12/1988), que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, bem como alterações posteriores. As NESH constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Por meio de Instruções Normativas a Receita Federal do Brasil consolida o texto da NESH, incorporando todas as alterações efetuadas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) decorrentes da Recomendação do Conselho de Cooperação Aduaneira. Por serem normatizadas através dessas instruções normativas, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado são de observância obrigatória para a Administração Pública. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) da posição 9013 dizem o seguinte: “...a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura.” As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) da posição 8528 dizem o seguinte: Entre os aparelhos da presente posição, podem citarse: 1) Os monitores e projetores que não incorporem um aparelho receptor de televisão. 2) Os aparelhos receptores de televisão, incorporem ou não um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens, para a visualização de sinais (televisores). 3) Os aparelhos receptores de sinais de televisão, sem função de visualização (como os receptores de emissões de televisão retransmitidas por satélite).Os monitores, os projetores e os aparelhos receptores de televisão utilizam diferentes tecnologias, como as dos tubos de raios catódicos (CRT), cristais líquidos (LCD), dispositivos digitais de visualização por microespelhos Fl. 4355DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 14 13 (DMD),diodos orgânicos eletroluminescentes (OLED) ou o plasma, a fim de visualizar imagens. Os monitores e projetores podem ser capazes de receber uma variedade de sinais provenientes de diversas fontes. Contudo, se incorporarem um sintonizador de televisão, consideramse aparelhos receptores de televisão. B.OUTROS MONITORES QUE NÃO DOS TIPOS EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE UTILIZADOS NUM SISTEMA AUTOMÁTICO PARA PROCESSAMENTO DE DADOS DA POSIÇÃO 84.71 (Nova redação do título dada pela IN RFB 1.260/12) Este grupo compreende os monitores que são receptores ligados diretamente por cabos coaxiais à câmera de vídeo ou ao aparelho de videocassete, nos quais tenham sido suprimidos todos os circuitos de radiofreqüência. Apresentamse como aparelhos de uso profissional utilizados em centros de controle de estações de televisão ou na televisão em circuito fechado (aeroportos, estações ferroviárias, fábricas, salas de cirurgia, etc.). Estes aparelhos consistem essencialmente em dispositivos que permitem criar e defletir um ponto luminoso na tela (écran), em sincronismo com os sinais da fonte, e de um ou vários amplificadores de vídeo, que permitem variar a intensidade do ponto luminoso. Podem, além disso, ter entradas separadas para vermelho (R), verde (G) e azul (B) ou codificadas de acordo com qualquer norma (NTSC, SECAM, PAL, DMAC ou outra). Para a recepção de sinais codificados, o monitor deve estar equipado para decodificação (separação) dos sinais R, G e B. O meio normalmente utilizado para a reconstituição da imagem é o tubo catódico para visão direta ou o projetor de três tubos de raios catódicos, mas existem monitores que utilizam outros meios para chegar ao mesmo objetivo (tela (écran) de cristais líquidos, difração de raios luminosos numa película de óleo, por exemplo). Estes monitores podem ser de tubos de raios catódicos ou de tela (écran) plana, como os de cristais líquidos (LCD), de diodos eletroluminescentes (LED), de plasma. C.PROJETORES Os projetores permitem projetar numa superfície externa a imagem normalmente recebida na tela (écran) de um receptor de televisão ou de um monitor. Estes projetores podem basearse na tecnologia de tubo catódico (CRT) ou de telas (écrans) planas (por exemplo, dispositivos digitais de visualização por microespelhos (DMD), telas (écrans) de cristais líquidos (LCD) ou de plasma). D.APARELHOS RECEPTORES DE TELEVISÃO Este grupo compreende os aparelhos, concebidos ou não para incorporar um dispositivo de visualização de vídeo ou uma tela (écran), tais como: Fl. 4356DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 15 14 1) Os receptores de emissões de televisão (por via terrestre, cabo ou satélite) que não comportem dispositivo de visualização (por exemplo, tela (écran) de tubo catódico ou de cristais líquidos). Estes aparelhos servem para receber sinais e os converter num sinal que pode ser visualizado. Estes receptores podem igualmente incorporar um modem que permite ligálos à Internet. Estes receptores destinamse a ser utilizados com um aparelho de gravação ou de reprodução de vídeo, monitores, projetores ou televisores. Todavia, os dispositivos que servem apenas para isolar os sinais de televisão de alta freqüência classificamse na posição 85.29, como partes. 2) Os receptores de televisão de uso industrial, freqüentemente com transmissão por fio; estes aparelhos utilizamse, por exemplo, para a leitura à distância de mostradores de instrumentos de controle ou para observação em recintos ou locais perigosos. 3) Os receptores de televisão de qualquer tipo (de cristais líquidos (LCD), plasma, tubo catódico (CRT), etc.) utilizados nas habitações (televisores), mesmo que incorporem um receptor de radiodifusão, um gravador de vídeo, um leitor de DVD, um leitorgravador de DVD, um receptor de emissões retransmitidas por satélite, etc. (Grifo Nosso) Importante a observação final: PARTES Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção XVI), as partes dos aparelhos da presente posição classificamse na posição 85.29. A Nota 2 da Seção XVI disciplina a classificação das partes destinadas exclusiva ou principalmente a maquinas da referida Seção, que inclui a posição 85.28: 2.Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes Fl. 4357DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 16 15 destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. A posição 85.29, por sua vez, traz as partes “reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Fundamentalmente, a polêmica da classificação da tela LCDTFT reside na definição do alcance que deve ser dado ao texto da posição 90.13, ao citar “DISPOSITIVOS DE CRISTAIS LÍQUIDOS QUE NÃO CONSTITUAM ARTIGOS COMPREENDIDOS MAIS ESPECIFICAMENTE EM OUTRAS POSIÇÕES.” As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado determina expressamente a classificação fiscal do produto em questão na posição 8529. Por serem partes da posição 85.28, o código NCM adequado é o 8529.90.20 por aplicação direta da Regra 1 c/c Regra 6 das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado. A aplicação direta da Regra 1, inibe a aplicação das demais regras. • A RGI n° 1 e Nota "l.m", da Seção XVI; Não se aplica a Nota "l.m", da Seção XVI, pois o produto não é um artefato do capítulo 90. Portanto, correta a classificação adotada pelo Fisco, qual seja 8529.90.20. Outro não foi o fundamento da Solução de Consulta nº 4 da COANA, de 24/12/2010, na qual arrimouse a ação fiscal. Destaco a identificação das características do produto lançada na motivação daquela: “Devido à sua alta complexidade, as telas de LCD do tipo TFT incorporam um conjunto de circuitos eletrônicos responsáveis por controlar o processo de exibição das imagens e proceder à ativação de cada um pixels da tela mediante o acionamento dos transistores correspondentes. Tanto estes circuitos quanto o sistema de retroiluminação, constituído de uma ou mais fontes luminosas (lâmpada fluorescente ou LED), difusores (e, por vezes, circuito inversor) também fazem parte do produto em estudo, comercialmente chamado de “módulo LCDTFT”. 19. As telas de LCD do tipo TFT são utilizadas, principalmente, para a fabricação de monitores de vídeo e televisores, mas podem ser utilizadas também como insumos para a fabricação de uma grande variedade de produtos, tais como monitores de vídeo, notebooks, aparelhos receptores de televisão, telefones celulares, máquinas fotográficas, consoles de vídeo game portáteis, aparelhos de GPS, aparelhos e instrumentos médicos, de automação industrial, etc. 20. Assim, conforme mencionado pelo Interessado em sua petição, é impossível definir com exatidão o produto no qual será montada, visto que a mesma pode ser acoplada a qualquer Fl. 4358DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 17 16 aparelho capaz de fornecer um sinal de vídeo através de uma conexão adequada – em que pese o fato de que, pelo tamanho, seja possível, por exemplo, presumir que uma certa tela deva servir para um aparelho receptor de TV, o que não impede, entretanto, que se utilize esta mesma tela para a fabricação de um equipamento médico, por exemplo”. Diante disso, a solução de consulta afasta a classificação na posição 90.13, por dois motivos. Primeiro, levando em consideração a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado nº 1 da posição 90.13, a COANA entendeu que o produto em questão excederia o alcance da posição, pois, enquanto a posição se destina a “dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas”, o produto em questão contém adicionalmente “dispositivos eletrônicos” e “um dispositivo de retro iluminação (backlight)”. Vejase: “25. Portanto, se infere, da leitura destas Nesh, que o alcance da referida posição se estende apenas a dispositivos bastante limitados, e se constituem, conforme o próprio texto da posição, em artigos de ÓTICA. 26. Por outro lado, o produto em análise se configura como um dispositivo eletrônico, em vista de ter agregados uma matriz de transistores e circuitos integrados que acionam e controlam os mesmos, além de um dispositivo de retroiluminação (backlight). Desta forma, o artigo em tela excede o alcance da posição 90.13”. Segundo, por entender que os produtos em questão se destinariam exclusiva ou principalmente a uma máquina determinada, qual seja, monitores da posição 85.28, conforme as seguintes razões: “27. Outrossim, conforme mencionado anteriormente, é impossível definir com exatidão o produto final a que se destina a “tela LCDTFT”. Todavia, é inegável que a função deste produto é a exibição de imagens, e a função de exibir imagens é inerente aos monitores da posição 85.28: (...) 30. A posição 85.29, por sua vez, traz as partes “reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. 31. Por tudo que já foi dito, se infere que, de fato, as telas em estudo são reconhecidas como exclusiva ou principalmente destinados a monitores da posição 85.28, pelo fato de sua função ser intimamente ligada à de um monitor, ou seja, mostrar imagens. Certamente, tais telas podem ser utilizadas na produção de outros aparelhos, todavia tais aparelhos possuem uma função própria específica, sendo a tela empregada apenas de modo auxiliar com o intuito de possibilitar ou facilitar a sua utilização. Por exemplo, a função de um telefone celular é possibilitar a comunicação, e o uso de uma tela nesse aparelho destinase a facilitar o acesso e a navegação às funções do aparelho tais como agenda, discagem, etc. Um console de Fl. 4359DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 18 17 videogame portátil, por sua vez, é equivalente à junção de dois equipamentos, um monitor de vídeo e um console de videogame, sendo, neste caso, a tela LCDTFT parte desse “monitor”. Após adotar a posição 85.29, aplicando as regras de classificação, a COANA chegou à conclusão de que o código NCM correto seria o 8529.90.20. No mesmo sentido esta Turma decidiu no Acórdão 9303006.839, de 17/05/2018, de relatoria do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PARTES DE APARELHOS ELÉTRICO/ELETRÔNICOS DIVERSOS. TELEVISORES. MONITORES. CELULARES. MOSTRADORES DE CARACTERES. NOTA 2 "B" DA SEÇÃO XVI. APLICAÇÃO. Os dispositivos que contenham em sua estrutura mais do que uma simples camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas (de vidro ou de plástico), com ou sem condutores elétricos, e que possam ser identificados como uma parte exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição da Seção XVI classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Os dispositivos descritos no auto de infração como telas para aparelhos de televisão classificamse na NCM 8529.90.20; .... Destarte, entendo correto o código NCM adoto pela fiscalização. Por fim, em relação à petição acostada em 18/03/2019, assevero que a mesma é absolutamente preclusa, e, por tal, não está o julgador jungido a enfrentála, mas, a título de argumentação, tãosomente, reproduzo o averbado pelo Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no aresto 9303006.839, de 17/05/2018, em que a recorrente era a mesma do presente recurso. De início, rememora as ocorrências que permeiam a lide e que já são do conhecimento deste Colegiado. A existência de soluções de consulta regionais atestando a classificações adotada nas importações, processo administrativo fiscal decidido no CARF em seu favor, declarações de importação parametrizadas em canal vermelho e a alegada alteração na legislação de regulamentação do PADIS Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores. Alega a peticionária, com a recente introdução no ordenamento jurídico da Lei nº 13.655/2018, mas especificamente o disposto em seu art. 24, § único, os fatos narrados no processo devem receber outro tratamento. Veja como ela defende a questão em sua petição: Fl. 4360DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 19 18 No dia 26 de abril do presente ano, foi inserido alguns artigos à LINDB, prevendo regras sobre segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público, quanto a possibilidade de revisão de atos na esfera administrativa, judicial. Nesses termos, foi inserido o art. 24 que tem o intuito de nortear a aplicação do direito, tendo em vista a revisão de determinado ato da própria administração pública, atos que produziram efeitos jurídicos para as partes. O artigo visa aplicar o entendimento de considerar válida a conduta do agente em razão de orientações gerais da época e as situações sob a legislação vigente. Veja: (...) 15. O artigo acima, visa conceder segurança jurídica e impossibilitar a retroatividade da norma para casos constituídos sob fatos jurídicos perfeitos. Exatamente o que pretende a Recorrente com a demonstração histórica do caso ao longo de todo o seu processo administrativo. (grifos acrescidos) O teor do dispositivo legal de que trata é o seguinte. Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Com a devida vênia, não está correta a interpretação proposta ao dispositivo legal introduzido pela Lei nº 13.655/2018, acima transcrito. De plano, vêse que o texto legal referese à revisão quanto à validade de ato, processo ou norma e não genericamente, como afirmado, quanto a possibilidade de revisão de atos na esfera administrativa. É de ser perguntar. Em que momento, neste processo, estáse discutindo a validade de ato praticado por servidor público, de processo administrativo fiscal ou de norma vigente à época dos fatos? O processo que verte trata de procedimento regular, previsto em lei, de revisão aduaneira, que em nada se assemelha a um procedimento de revisão da validade dos atos praticados pela autoridade aduaneira. Os atos foram válidos, regularmente praticados, nos termos da competência que atribuída por lei a Fl. 4361DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 20 19 autoridade aduaneira, mas, também por força de lei, estão sujeitos a procedimento revisional. A ora recorrente poderia insurgirse, com base na novel legislação a que faz referência, se estivéssemos pretendendo invalidar a decisão tomada no processo administrativo fiscal nº 10860.000559/200586, acórdão nº 30333.326, que, como noticiado repetidas vezes nos autos, lhe foi favorável. Esta, sim, é definitiva, pois não houve apelo à instância superior, não há norma que preveja a revisão do ato, e o Erário não tem autorização para ingressar perante o poder judiciário. Já o caso em apreço trata de situação diametralmente oposta. Ao contrário do que sugere, a produção de efeito não se completou, justamente porque as decisões tomadas no curso do despacho aduaneiro sujeitamse à revisão. O procedimento não está baseado em mudança posterior de orientação geral. Como dito na própria petição, as soluções de consulta a que insistentemente faz referência eram regionais. A orientação geral foi dada pela COANA, muito mais tarde e nem dela depende a revisão, pois as regras de classificação fiscal aplicáveis à lide não se modificaram, como por vezes acontece. Outrossim, a recorrente não logrou êxito em demonstrar que a jurisprudência administrativa majoritária lhe era favorável, apenas que havia uma decisão que lhe era favorável. Se o processo subiu a essa instância, necessário que outras tenha dado à lei tributária interpretação divergente. Como se sabe, das circunstâncias descritas nos autos já surtiram os efeitos favoráveis à recorrente. Tivesse a empresa ingressado com uma consulta, que, tal como sugere a decisão definitiva da COANA, resultaria contrária aos seus interesses, e estaria em situação idêntica a que ora se verifica. Obrigada a recolher os tributos sem os acréscimos legais devidos. Ante tais considerações, não vislumbro nenhum prejuízo ao contribuinte ou ilegalidade que tenha sido praticada. Não se discute validade de ato levado a efeito pela Administração. DISPOSITIVO Ex positis: 1 Não conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional; e 2 Conheço e nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 4362DF CARF MF Processo nº 12266.721968/201283 Acórdão n.º 9303008.252 CSRFT3 Fl. 21 20 Fl. 4363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721766/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.746
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 76 6/ 20 15 -2 4 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16682.721766/201524 Resolução nº 3201001.746 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16682.721766/201524 Resolução nº 3201001.746 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 17613.720158/2017-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 01 58 /2 01 7- 41 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 30.562,36, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da sentença e o acordo de separação consensual homologado em juízo não fixar pensão alimentícia. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à dedução do imposto referente à pesão alimentícia paga por falta de comprovação, nos termos que segue: Contra o contribuinte identificado nos autos foi lavrada Notificação de Lançamento sobre o Imposto de Renda da Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2012, exercício 2013, fls. 31/35, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar (2904) no valor de R$ 30.562,36, multa de ofício no valor de R$ 22.921,77 e juros de mora calculados até 31/01/2017. A dedução da base de cálculo do imposto de renda apurada na declaração de ajuste do valor relativo a pensão alimentícia é permitida pela Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 8°, II, alínea “f”, reproduzido no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, como segue: (...) Posteriormente, com a edição da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007, a dedução prevista no art. 49 da IN SRF nº 15, de 2001, foi disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 867, de 8 de agosto de 2008, a qual passou a facultar a escritura pública como forma legítima para dispor sobre pensão alimentícia para fins de dedução do imposto de renda: (...) Como se vê, para a dedução da despesa em tela a legislação acima transcrita exige o efetivo pagamento da importância e que este seja a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. De acordo com a Notificação de Lançamento, foi glosado o valor de R$ 111.135,4 a titulo de pensão alimentícia judicial, face a não apresentação de sentença ou acordo judicial com determinação de pagamento de pensão. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 17613.720158/201741 Acórdão n.º 2001001.096 S2C0T1 Fl. 68 3 Às fls. 08/09, o contribuinte anexou cópias de Ofícios emitidos pela 2ª Vara de Família de Vitória, o primeiro destinado ao setor de pessoal da “S/A A GAZETA”, e o segundo destinado a “A GAZETA DO ESPÍRITO SANTO – RÁDIO E TV”, ambos datados de 11 de junho de 1997, com a ordem de que seja descontado 25% do ProLabore para fins de pagamento à Sra. Maria Alice Paoliello, a título de pensão alimentícia. Aos autos, o contribuinte anexou comprovante de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras Televisão Cachoeiro Ltda, CNPJ 31.494.693/000140 e A Gazeta do E. Santo Rd Tv Ltda, CNPJ 27.063.726/000120. Em ambos os comprovantes constam a Sra. Maria Alice Paoliello como beneficiária de pensão alimentícia, nos valores de R$ R$1.957,20 e R$ 109.178,64, respectivamente. (fls. 06/07) Ao consultarmos o CNPJ 31.494.693/000140, constatamos que se trata da TV Gazeta do Sul. Assim, o desconto em folha de pagamento não está respaldado por ação judicial, vez que o Ofício foi destina a S/A A GAZETA. Do exposto, temos que restou comprovada apenas parte da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 109.178,64, devendo ser mantidas as glosas no valor de R$ 1.957,20. (...) Por todo exposto, VOTO por julgar procedente em parte a impugnação, restando mantido imposto suplementar no valor de R$ 538,23, o qual deverá ser cobrado com os acréscimos legais devidos (multa de ofício e juros de mora). Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para reduzir o crédito tributário ao valor de R$ 538,23, mais multa e juros de mora. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A decisão da C. Turma Julgadora não levou em conta o fato de que decisões judiciais que fixam alimentos não o fazem somente em relação a uma ou outra fonte pagadora, mais sim em relação a todas. No presente caso, o Recorrente não entende como o ofício dirigido à Televisão Cachoeiro LTDA não foi anexado aos autos, pois em sua cópia/documentos da defesa o referido ofício se encontrava presente, juntamente com o dirigido às empresas A Gazeta do Espírito Santo Rádio e TV LTDA e S/A A Gazeta. Pedese vênia para juntar novamente (doc. III). Com tal proceder, retirouse direito líquido e certo do Recorrente de deduzir despesas com pensão alimentícia, sob o falso argumento de “falta de provas”. Tal decisão, como se verá adiante, fere princípios basilares do direito administrativo, bem como ofende matéria de ordem legal que regula as parcelas dedutíveis do IRPF. Fl. 69DF CARF MF 4 A conclusão a que se chega é a de que a Turma Julgadora ignorou a própria Jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se vê dos julgados colacionados abaixo: (...) Ilustres julgadores, o Recorrente apela para que V. Sas; observem o princípio d razoabilidade e proporcionalidade, ambos norteadores do exercício da administração pública, aplicados com perfeição no julgado acima transcrito, que é equiparável ao presente caso. Vejase, como se dizer razoável que para o rendimento advindo de uma empresa, o desconto de pensão alimentícia está correto, mas o mesmo desconto de outra fonte pagadora não? Isto é ilógico. Permissa vênia, não parece razoável manter o Lançamento com a glosa das deduções com despesas de pensão alimentícia descontadas na fonte pagadora “Televisão Cachoeiro LTDA”, como fez a R. Turma Julgadora, uma vez que o Recorrente demonstrou a existência dos elementos que garantem de forma irrefutável o seu direito. O Recorrente trouxe documentação farta que prova o acordo judicial e a homologação judicial da pensão alimentícia. Mesmo que essa prova somente fosse juntada nesta ocasião, o que não é efetivamente o caso, ainda assim uma mera formalidade administrativa não pode ceifar um direito líquido e certo, garantido pela legislação especial que rege a matéria. (...) Ilustres Julgadores, a finalidade da Lei é impedir deduções indevidas. Para este benefício, exigese prova da existência da relação jurídica (sentença ou acordo judicial) e a realização efetiva da despesa (retenção na fonte). Então perguntase: é razoável e proporcional manter o auto de infração, após o Recorrente demonstrar a verossimilhança de seu direito à dedução de tal despesa? A resposta é não. O Recorrente está certo de que isto não passará despercebido por V. Sas;. Quando do julgamento do presente Recurso Voluntário. Ante todo o exposto, requer o provimento do presente recurso, para o fim de se declarar o direito do Recorrente às deduções das despesas de pensão alimentícia que foram glosadas, determinandose a correção do lançamento, por ser medida da mais lídima justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Autoridade Fiscal sustenta suas afirmações com base na seguinte ocorrência apontada no Lançamento: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 17613.720158/201741 Acórdão n.º 2001001.096 S2C0T1 Fl. 69 5 A Sentença e o acordo de separação consensual homologado em juízo apresentados pelo contribuinte não fixam pensão alimentícia, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal 2013/800436098906750. Glosa do valor de R$ 111.135,84, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. A decisão da DRJ manteve parcialmente o crédito tributário em razão da denominação da fonte pagadora não coincidir exatamente com aquele constante no ofício da Juíza para a providência do desconto em folha de pagamento, nos seguintes termos: Ao consultarmos o CNPJ 31.494.693/000140, constatamos que se trata da TV Gazeta do Sul. Assim, o desconto em folha de pagamento não está respaldado por ação judicial, vez que o Ofício foi destina a S/A A GAZETA. Do exposto, temos que restou comprovada apenas parte da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 109.17864, devendo ser mantidas as glosas no valor de R$ 1.957,20. PENSÃO ALIMENTÍCIA O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 71DF CARF MF 6 II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Decreto nº 3.000/99. Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. O pagamento da pensão alimentícia foi realizado com base no cumprimento da decisão judicial que homologou o acordo no percentual de 25% dos rendimentos de todas as fontes pagadoras do Recorrente, pelo que se vê nas fls. 8, 9 e 64, por despacho da Juíza Débora Maria A. Correa da Silva, em que determina as fontes pagadoras descontar do alimentante em benefício da alimentada Senhora Maria Alice Paoliello Lindenberg o valor correspondente à pensão alimentícia. O Recorrente junto aos autos, fls. 6 e 7 os comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras A Gazeta do E. Santo Rd Tv Ltda, CNPJ 27.063.726/0001 20, com o desconto da pensão no valor de R$ 109.178,64, e Televisão Cachoeiro Ltda, CNPJ 31.494.693/000140, com o desconto da pensão no valor de R$ R$1.957,20. Em ambos os Fl. 72DF CARF MF Processo nº 17613.720158/201741 Acórdão n.º 2001001.096 S2C0T1 Fl. 70 7 comprovantes consta a Sra. Maria Alice Paoliello Lindenberg como beneficiária da pensão alimentícia. Ocorre que no Acórdão DRJ a decisão foi de aceitar o primeiro documento e rejeitar o segundo porque na consulta ao CNPJ da fonte pagadora foi constatado outra denominação. Segundo a interpretação do Agente Fazendário a confusão de denominação da empresa foi motivo suficiente para manter a glosa do valor pago a título de pensão alimentícia. Porém, os despachos da autoridade judicial foram expedidos no mesmo dia 11/06/1997, para os seguintes destinatários: ofício 329/97, para A Gazeta do Espírito Santo – Rádio e TV Ltda, fl. 8; ofício 328/97, para S/A A Gazeta, fl. 9; e ofício 327/97, para Televisão Cachoeiro Ltda, fl. 64. Todos referente ao mesmo processo nº 024960109437, da ação de separação consensual do casal. Cabe ressaltar que a decisão judicial da pensão alimentícia se dá em razão das fontes de rendimentos do alimentante sejam elas quais forem e a nominação de uma ou de outra fonte por ventura não claramente determinada não pressupõe pensar da dispensa do comprimento da obrigação alimentar. A simples troca de fonte de rendimentos não elimina a obrigação do alimentante. De qualquer forma, foram enviados para todas as três fontes os ofícios para desconto em folha de pagamento dos rendimentos do alimentante, o que torna válida a retenção por um, por outra ou por todas as fontes em que o alimentante é recebedor de rendimentos. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou elementos suficientes da existência material da pensão alimentícia homologada no judiciário e do pagamento, conforme exigidos pela legislação tributária. Neste sentido revertese o valor da glosa restante de R$ 1.957,20, sendo legítima a utilização como dedução do imposto de renda do valor integral da pensão alimentícia paga. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para extinção do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.905563/2015-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 55 63 /2 01 5- 95 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13896.905563/201595 Acórdão n.º 3201004.982 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.573, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13896.905563/201595 Acórdão n.º 3201004.982 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13896.905563/201595 Acórdão n.º 3201004.982 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900974/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.571 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 97 4/ 20 09 -2 9 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13227.900974/200929 Resolução nº 1201000.571 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 30/11/2003 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.001062/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO
Cabem embargos de declaração quando comprovado a omissão, a obscuridade e ou contradição da decisão embargada.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COFINS. AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS.
Comprovado o equívoco do Contribuinte por intermédio de DCOMP retificadora, reconhece-se o direito creditório quanto a ajustes positivos de créditos.
Embargos de Declaração parcialmente conhecidos, na parte conhecida com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para ser cancelada a glosa dos valores correspondentes aos ajustes positivos de créditos da COFINS e para reconhecer o direito creditório do Contribuinte em relação ao mês de agosto de 2005.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO Cabem embargos de declaração quando comprovado a omissão, a obscuridade e ou contradição da decisão embargada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. AJUSTES POSITIVOS DE CRÉDITOS. Comprovado o equívoco do Contribuinte por intermédio de DCOMP retificadora, reconhecese o direito creditório quanto a ajustes positivos de créditos. Embargos de Declaração parcialmente conhecidos, na parte conhecida com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para ser cancelada a glosa dos valores correspondentes aos “ajustes positivos de créditos” da COFINS e para reconhecer o direito creditório do Contribuinte em relação ao mês de agosto de 2005. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 10 62 /2 00 5- 51 Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 959 2 Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 892 a 901) interpostos pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301003.210 (fls. 839 a 863), de 21 de fevereiro de 2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que assim decidiu: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 421 a 462) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão no 0930.119 (fls. 394 a 404), de 23 de junho de 2010, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase o presente das Declarações de Compensação de débitos, no valor total de R$ 7.579.461,70, com crédito da Cofins — regime não cumulativo, relativo ao 3° trimestre de 2005, constantes dos processos relacionados às fls. 180 a 181. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 960 3 Os processos acima mencionados foram apensados ao presente processo para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 149 a 156), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero) serviços utilizados como insumos (pintura de equipamentos); encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU — Abastecimento e Tratamento de Água e ENE — Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 180 a 189, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a Cofins e considerando que foi apurado em diligência fiscal base de cálculo a maior para a referida contribuição e créditos da não cumulatividade, e ainda, que foi apurado saldo remanescente de créditos passível de compensação; DECIDO: 1) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$2.350.568,37 referente ao período de apuração julho/2005; de R$2.355.948,95 referente ao período de apuração agosto/2005 e de R$2.563.991 ,74, referente ao período de apuração setembro/2005, perfazendo o valor de R$ 7.270.509,06 (Sete milhões, duzentos e setenta mil, quinhentos e nove reais e seis centavos), dos créditos relativos a Cofins, 3° Trimestre/2005; 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996 e § 40 do art. 34 da IN RFB n°900, de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis a adequação de seus registros e de suas informações prestadas a RFB, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa e/ou reconhecimento de oficio. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 961 4 Nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972 com as alterações posteriores; do § 9° do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e do art. 66 da IN RFB n° 900, de 2008, cabe manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, dirigida à DRJ de Juiz de Fora/MG, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste despacho decisório. À Sarac, para cientificar a interessada, intimar o sujeito passivo a efetuar pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência deste despacho decisório, na forma do § 70 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 37 da IN RFB n° 900, de 2008 e adotar as demais providências a seu cargo. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 249 a 279), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) refazer o cálculo do percentual de rateio de créditos entre o mercado interno e externo (iv) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n.10650.001062/200551;13646.000194/200512;13646.000239/200559;136 46.000242/200572;13646.000253/200552;13646.000221/200557; 13646.000240/200583; 13646.000243/200517; 13646.000254/200505;13646.000234/200526;13646.000241/200528;1364 6.000249/200594;13646.000256/200596;13646.000257/200531 e 13646.000258/200585; e (v) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e ajuntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Diante do relatório acima posto, a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido do Contribuinte e manteve o ressarcimento já deferido no despacho decisório da DRF, bem como homologando parcialmente as compensações declaradas. O acórdão recorrido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 962 5 MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. O Contribuinte pleiteia (fls. 462) a reforma da decisão “(...) cancelandose as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS, determinandose a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação, bem como homologando integralmente as compensações realizadas pela recorrente, nos autos dos processos n. 10650.001062/200551;13646.000194/200512; 13646.000221/200557; 13646.000234/200526; 13646.000239/200559; 13646.000240/2005 83; 13646.000241/200528; 13646.000242/200572; 13646.000243/200517; 13646.000249/200594; 13646.000253/200552; 13646.000254/200505; 13646.000256/2005 96; 13646.000257/200531 e 13646.000258/200585”. Por intermédio da Resolução no 3101000.186 (fls. 498 a 504), da 1ª Turma Ordinária da 1º Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 11 de novembro de 2011, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. A Resolução n° 3101000.186 prescreveu o seguinte (fls. 504): 1) intime a recorrente, para trazer aos autos, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo de perito competente, que descreva o processo produtivo da empresa, e que aponte a existência, ou não, e em que medida, da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; 2) ato contínuo à juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 963 6 O Contribuinte apresenta em laudo detalhado (fls. 512 a 605), em 21 de junho de 2012, a descrição de cada etapa do processo produtivo em análise nos autos, em resposta a Intimação no 28/2012/ARF/AXA/MG. O Relatório de Diligência (fls. 635 e 636) é apresentado visando suprir as dúvidas levantadas pela Resolução do CARF supracitada e responde da seguinte forma: (...) 3 Dentre os diversos bens relacionados no Laudo, somente quatro constam do Relatório Fiscal. Um, no subitem 5.1, e três, no subitem 5.2. Portanto, a diligência se restringiu a estes bens, conforme a seguir. 4 Bens objetos da diligência: a) A bomba modelo Bek/16 vedação para gaxeta, imobilizado n° 6945, está relacionada no subitem 5.1 do Relatório Fiscal e no item 30, fls. 26, do Laudo. Conforme descrito no referido Laudo, alimenta de água a caldeira que gera vapor utilizado na produção; b) O armário alto fechado, imobilizado n° 6888, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 66, fls. 55, do Laudo. Localizase em sala de comando de operações e destinase a arquivo de manuais e outros documentos utilizados na planta industrial; c) O aparelho de ar condicionado Gree K7 4100, imobilizado no 6904, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 102, fls. 77, do Laudo. Está instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destinase a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; d) O rádio VHF mod em 2004 canais, imobilizado no 7058, está relacionado no subitem 5.2 do relatório Fiscal e no item 127, fls. 93, do Laudo. Situase em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, é instrumento de comunicação indispensável às operações da planta industrial. 5 – É o Relatório. O Contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação (fls. 640 a 647) em relação ao Relatório de Diligência alegando que a análise da fiscalização foi insuficiente, pois não verificou parte dos bens constantes no laudo de funcionalidade e objeto da glosa fiscal. O Contribuinte apresentou Requerimento (fls. 681 a 683) em 15 de abril de 2013, ao Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente da 1a Turma Ordinária, da 1a Câmara da 3a Seção, do CARF com o seguinte teor: 1. Dos fatos. Tratase de recurso voluntário interposto contra o v. acórdão n. 0930119, de 23.6.2010, proferido pela l a Turma da DRJ em Juiz de Fora — MG, que manteve integralmente o despacho decisório, de 15.3.2010, por meio do qual a fiscalização homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas pela ora requerente de créditos da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), apurada no regime Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 964 7 nãocumulativo, relativos ao quarto trimestre de 2005, com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O julgamento do recurso voluntário, em 11.11.2011, foi convertido em diligência pela la Turma Ordinária, la Câmara, da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos. Determinouse, na ocasião, a elaboração de laudo que atestasse a vinculação dos bens objeto da glosa fiscal ao processo produtivo da requerente, bem como uma análise in loco, por parte das autoridades fiscais, da validade das informações constantes do referido laudo. Devidamente intimada da Resolução, a requerente acostou o laudo aos autos, o qual apresenta com minúcias a funcionalidade de diversos itens não reconhecidos pela fiscalização. Ato continuo, promoveuse a diligência à unidade produtiva da requerente, a fim de validar as informações constantes do laudo. Não obstante a amplitude do laudo apresentado nos autos, a fiscalização constatou, erroneamente, e sem justificar seu comportamento, que apenas pequena parcela de itens glosada constava do laudo, mais precisamente quatro deles, o que a levou a limitar o objeto da diligência tão somente àqueles bens. É possível que a análise da fiscalização tenha se limitado a quatro itens, em razão de a descrição dos bens, no laudo e no relatório que acompanhou as glosas fiscais, às vezes, variar por conta de uma palavra, ou de um código na nomenclatura do bem. Ocorre que essas variantes não interferem na natureza dos bens, que é exatamente a mesma, conforme se verifica na planilha anexa (doc. 01). Seja como for, se dúvidas havia quanto à identidade dos bens, não deveria a fiscalização proceder à análise de apenas quatro deles, sem intimar a requerente a prestar esclarecimentos porventura necessários. Fato é que a requerente não pode, de modo algum, ser prejudicada em seu direito em razão da análise insuficiente promovida pela fiscalização. Nesse sentido, com o intuito de dirimir eventuais dúvidas, a requerente pede vênia para acostar aos autos laudo de funcionalidade complementar, o qual demonstra, de forma cabal, a intrínseca relação dos itens indevidamente glosados pela fiscalização ao seu processo produtivo (doc. 02). 2. Requerimento final Face ao que precede, e reportandose a tudo o mais que dos autos consta, a requerente postula o conhecimento e provimento de seu recurso, de modo que o acórdão recorrido seja reformado, reconhecendose a validade do creditamento da COFINS, bem assim o caráter indevido da inclusão dos ingressos derivados da cessão de credito de ICMS na base de cálculo daquela contribuição. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente postula a realização de nova diligência para verificação da Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 965 8 verossimilhança das informações contidas no laudo apresentado, que não foram apreciadas na diligência fiscal em foco. A 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 3a Seção do CARF emitiu, em 23 de abril de 2013, a Resolução no 3101000.271 (fls. 677 a 680) que converte, novamente, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência, requerendo que: 1) a recorrente seja intimada a apontar de maneira taxativa a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final (do qual foram extraídas as glosas a título de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, ora sub analisis) em prazo de 60 dias. 2) Ato contínuo à manifestação da recorrente em virtude do item supra, promova nova diligência fiscal in loco, para verificar de forma ampla as conclusões do laudo pericial, levando em consideração a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final e elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório de Diligência aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Em cumprimento à Resolução n° 3101000.271 o Contribuinte apresenta, em 20 de dezembro de 2013, Laudo de Funcionalidade (fls. 719 a 809) com o fito de contemplar as demonstrações e os esclarecimentos objeto da diligência fiscal. Com a apresentação por parte do Contribuinte do Laudo de Funcionalidade, a administração fiscal apresentou, em 25 de abril de 2014, o Relatório de Diligência (fls. 810 a 813) em atendimento à Resolução no 3101000.271. Por sua vez o Contribuinte apresentou manifestação em 10 de junho de 2014 (fls. 816 a 827) em face do citado Relatório de Diligência, requerendo que sejam acolhidos os fundamentos apresentados, reconhecendose o crédito postulado. Por intermédio do Despacho de Saneamento s/no proferido pela 4a Câmara, 2a Turma Ordinária (fls. 837 a 838), em 12 de outubro de 2016, o Presidente da Turma conselheiro Antonio Carlos Atulim solicitou a reunião de todos os processos com desta forma: Este processo foi sorteado nesta Turma ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no dia 25/08/2016. Em consulta efetuada no eprocesso constatase que tramitam no CARF os seguintes processos de interesse do mesmo contribuinte: 10650.001061/200514, 13646000259/200520 e 13646000261/200507. Esses três processos também versam sobre pedidos de ressarcimento da COFINS, referentes ao segundo e terceiro trimestres de 2005, cumulados com declarações de compensação. Esses processos foram sorteados ao Conselheiro Valcir Grassen (sic) no dia 17/03/2016. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 966 9 A mesma consulta ao eprocesso revelou que no SEDIS/CEGAP existe o processo no 13646.000061/201011, que alberga um auto de infração para a exigência da COFINS, resultante da recomposição da base de cálculo e da glosa dos créditos solicitados nos quatro pedidos de ressarcimento acima citados. Tendo em vista a conexão existente entre os pedidos de ressarcimento e a glosa dos créditos efetuados no âmbito do auto de infração, é imperiosa a reunião de todos os processos com base no que estabelece o art. 6o, § 1o, I do RICARF. Considerando que o Conselheiro Valcir Grassen (sic) tornouse prevento por ter recebido os processos de ressarcimento em sorteio no dia 17/03/2016, valhome do disposto no art. 17, VII, do RICARF para solicitar a correção do lapso cometido quando do sorteio deste processo ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, pois quando do retorno de diligência este processo deveria ter sido entregue ao Conselheiro Valcir Grassen em virtude da conexão. Solicito, ainda, que o processo no 13646.000061/201011, que abriga o auto de infração correspondente aos períodos abrangidos pelos pedidos de ressarcimento, também seja entregue ao Conselheiro Valcir Grassen (sic), com base no mesmo art. 6o, § 1o, I do RICARF. A decisão proferida por intermédio do Acórdão nº 3301003.210 e agora embargada, ficou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido Em 29 de maio de 2018, por intermédio de Despacho de Encaminhamento (fls. 955 e 956), requereuse, de acordo com o previsto no art. 6º do RICARF, a reunião dos processos 13646.000254/200520; 13646.000261/200507; 10650.001061/200514; Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 967 10 10650.001062/200551 e 10972.000033/200962 para que possam ser julgados pela mesma Turma na mesma Sessão. Por intermédio do Despacho de Saneamento (fls. 958), de 14 de janeiro de 2019, da Chefe da Dipro/Cojul Cleuza Takafuji, seguem os seguintes esclarecimentos: Por meio do despacho de fls. 955/956, datado de 29/05/2018, foi solicitada a reunião dos processos 13646.000254/200520, 13646.000261/200507, 10650.001061/2005 14, 10650.001062/200551 e 10972.000033/200962. No entanto, o processo foi devolvido ao Conselheiro Valcir sem verificação dos processos cuja reunião foi requerida, mediante despacho de fl. 957, nos seguintes termos: "Encaminhese ao Cons. Valcir Gassen conforme despacho de fls. 955/956". Segue abaixo a situação desses processos: 13646.000254/200520: encontrase apenso ao presente processo; 13646.000261/200507 e 10972.000033/200962: os recursos voluntários neles constantes já foram julgados. O primeiro está na DRF em Uberaba/MG e deve retornar ao CARF para apreciação do Agravo apresentado pelo contribuinte. O segundo já se encontra arquivado desde 19/09/2017; 10650.001061/200514: encaminhado ao Conselheiro Valcir, em 15/06/2018, para apreciação dos embargos do contribuinte, acolhidos parcialmente (despacho de fls. 877/883 do referido processo), mediante inclusão em pauta. A inclusão em pauta se deu em agosto/2018, tendo sido retirado dessa pauta para verificar conexão processual, conforme registro em ata; 10650.001062/200551: tratase do próprio processo. Ante o exposto, o processo deve permanecer com o Conselheiro Valcir Gassen, para inclusão em pauta juntamente com o processo 10650.001061/200514. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em face ao Acórdão nº 3301003.210 de forma tempestiva e com atendimento dos requisitos fixados na legislação, portanto, deve ser conhecido. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 968 11 A admissibilidade se deu por intermédio do Despacho em Embargos s/nº, em 11 de setembro de 2017, pelo il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. Cito trechos da admissibilidade para esclarecer a matéria objeto de embargos pelo Contribuinte (fls. 953 e 954): (...) Segundo a embargante: a) Teria ocorrido omissão no item 2.3 do voto, pois o relator negou o direito aos créditos sobre a despesa de depreciação de "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado" sem nenhuma ponderação ou referência ao laudo de funcionalidade, juntado ao processo pela defesa, no qual foi analisada a pertinência ao processo produtivo de cada um dos itens glosados pela fiscalização. Além disso, o voto também omitiu se em fundamentar a razão pela qual os itens glosados não se enquadram como "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado", presente no art. 3o, VI, da Lei no 10.8333/2003; b) O julgado também estaria eivado de contradição, uma vez que reconheceu expressamente o direito ao crédito relativo aos itens registrados no centro de custo AGU (Abastecimento e Tratamento de Água), mas no item 2.3 do voto condutor a decisão negou o crédito sobre a despesa de depreciação do "reservatório de 200 litros", do "tanque de água fresca" e outros itens diretamente relacionados ao tratamento de água no processo produtivo, mas que não estão contabilizados no centro de custos AGU; c) Não houve manifestação quanto ao item 2.3 do recurso voluntário, no qual a defesa contestou a glosa dos "ajustes positivos de crédito"; e d) O julgado incorreu em omissão e obscuridade ao analisar a questão do direito ao crédito sobre aquisições de GLP e álcool hidratado, pois invocou o RESP 1.140.723, cuja tese seria inaplicável a este caso concreto. Pois bem. Cotejando os embargos de declaração, o Acórdão embargado e o recurso voluntário, constatei a verossimilhança das alegações da embargante quanto aos vícios alegados nos itens "a" e "c" acima, que é o quanto basta para que o processo retorne ao colegiado para saneamento. Como foram admitidos dois dos quatro pontos levantados pelo embargante, a omissão da decisão a respeito do laudo de funcionalidade e do inciso VI, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (item 2.3. do acórdão) e ajustes positivos de créditos, passarseá a análise de cada um deles. Omissão da decisão a respeito do laudo de funcionalidade e do inciso VI, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (item 2.3. do acórdão) Alega o Contribuinte em seus embargos, neste ponto, que a decisão incorreu em duas omissões. Assim expressa a sua alegação quanto a primeira omissão (fls. 893 e 894): Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 969 12 Em seguida, ainda neste ponto, os embargos do Contribuinte apontam que há uma segunda omissão nestes termos (fls. 894): Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 970 13 Com a devida vênia ao entendimento do Contribuinte, bem como em relação a admissibilidade, entendo que o que se pretende em relação a esta alegada omissão é rediscutir a matéria, o que não cabe em embargos. Em consideração, salientase que na análise do processo foi verificado o laudo de funcionalidade apresentado pelo Contribuinte, bem como, as suas conclusões, e, nos debates ocorridos quando das sessões de votação, os Conselheiros tiveram a oportunidade, inclusive, considerando o laudo de funcionalidade, de discordar, tanto que em relação a votação nesse item ficou assim consignado: 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado Por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte quanto a alegada omissão acerca da interpretação do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2003 e o que se pretende é rediscutir a matéria objeto de deliberação no referido acórdão ora embargado. O voto do relator, bem como, os debates acerca da matéria e as votações pelos Conselheiros, ficaram nos limites interpretativos da legislação de regência. Tanto é assim que o relator consignou no item 2 do seu voto (2. Quanto às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição), na parte introdutória da análise Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 971 14 pormenorizada de cada item, o seu entendimento acerca da legislação e as questões interpretativas. Já no item 2.3., no encerramento de seu voto, assim fez constar: Entretanto, não vejo demonstrado nos autos de forma cabal a relação destes outros itens com o processo produtivo, uma vez que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto final da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação, negandose assim provimento ao Recurso Voluntário em relação a todos os itens com exceção do item 12 da tabela, ao qual dou provimento. Com isso considerado, voto por não conhecer dos embargos neste ponto no que tange a alegada omissão da decisão a respeito do laudo de funcionalidade e do inciso VI, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (item 2.3. do acórdão). Ajustes positivos de créditos Entende o Contribuinte que cabe embargos de declaração por omissão no que diz respeito a ajustes positivos de crédito e neste sentido foi admitido. Assim expressa o Contribuinte em seus embargos (fls. 896): Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 972 15 Percebese que o Contribuinte, em relação a essa omissão, admite que foi correto a atuação da administração fiscal no que tange aos ajustes positivos realizados nos meses de julho e setembro de 2005. Quando da interposição do Recurso Voluntário (fls. 422 a 462) é fato que foi requerido o cancelamento da glosa dos valores correspondentes aos ajustes positivos de créditos da COFINS, reconhecendose o direito creditório relativo ao mês de agosto de 2005. Neste aspecto o voto ora embargado ocorreu no vício da omissão. Com o intuito de sanar esta omissão, entendese que o Contribuinte faz jus ao direito creditório relativo ao mês de agosto de 2005, pois comprova tal fato com a DCOMP retificadora em que corrige o valor do débito correspondente à CSSL, à COFINS e ao PIS retidos na fonte. Assim, neste ponto quanto aos ajustes positivos de créditos, voto por conhecer dos embargos com efeitos infringentes para ser cancelada a glosa dos valores correspondentes aos “ajustes positivos de créditos” da COFINS para reconhecer o direito creditório do Contribuinte em relação ao mês de agosto de 2005. Conclusão Diante da legislação aplicável e os autos do processo, voto por não conhecer dos embargos no que concerne a alegada omissão da decisão a respeito do laudo de funcionalidade e do inciso VI, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (item 2.3. do acórdão), e, por conhecer quanto a omissão referente aos ajustes positivos de créditos, com efeitos infringentes neste ponto (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10650.001062/200551 Acórdão n.º 3301005.695 S3C3T1 Fl. 973 16 Fl. 974DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721795/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.759
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 79 5/ 20 15 -9 6 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721795/201596 Resolução nº 3201001.759 S3C2T1 Fl. 13 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721795/201596 Resolução nº 3201001.759 S3C2T1 Fl. 14 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
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