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Numero do processo: 10983.901057/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não obsta a compensação, quando restar comprovada a existência do crédito.
Numero da decisão: 9303-006.210
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO CELESC DE SEGURIDADE SOCIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não obsta a compensação, quando restar comprovada a existência do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Fl. 188DF CARF MF 2 Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN contra o Acórdão nº 3401-001.697, de 14/02/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: Assunto: PIS Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido. Irresignada, a Recorrente suscita divergência quanto à possibilidade de retificação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF depois de proferido o Despacho Decisório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 105- 17.143. O exame de admissibilidade do recurso encontra-se às fls. 165/168. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (175/183). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, em situação que se assemelha ao tratado no acórdão recorrido, o paradigma consubstanciou entendimento divergente, como facilmente se constata de sua ementa: LIMITES DA LIDE - INOVAÇÃO - DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o inicio, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10983.901057/2008-21 Acórdão n.º 9303-006.210 CSRF-T3 Fl. 189 3 de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO - DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO - Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida. No mérito, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impede o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No caso em tela, a Câmara baixa entendeu necessária a realização de uma diligência, oportunidade em que ficou comprovada a existência do crédito vindicado. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, nego-lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 190DF CARF MF 4 Fl. 191DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001154/2001-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO.
A desistência do Recurso Voluntário e a informação de que houve o parcelamento dos débitos deve implicar no seu não conhecimento.
Numero da decisão: 3201-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. A desistência do Recurso Voluntário e a informação de que houve o parcelamento dos débitos deve implicar no seu não conhecimento.
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PARCELAMENTO. A desistência do Recurso Voluntário e a informação de que houve o parcelamento dos débitos deve implicar no seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 54 /2 00 1- 14 Fl. 527DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls 488 em face de decisão da DRJ/SP de fls. 479 que decidiu por improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 453, restando mantido o Despacho Decisório de fls. 444. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, exposto a seguir: "Trata o presente processo de pedido de compensação de crédito com débito de terceiro conforme discriminados às fls. 444, datados do ano de 2001 e 2002. Consta nos autos que a empresa detentora do crédito REFINADORA CATARINENSE S/A, CNPJ 86.151586/000100, em razão de ação judicial, cuja decisão final lhe foi desfavorável, cedeu à interessada créditos fiscais com origem em suposto crédito prêmio da cedente. A autoridade administrativa não homologou a compensação conforme fls. 444/446 motivando sua decisão na inexistência de direito creditório e na inocorrência de homologação tácita da compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. A manifestante tomou ciência da decisão em 20/03/2008, fls. 452 e, irresignada, propôs manifestação de inconformidade, em 23/04/2008, com os seguintes argumentos de defesa, em síntese. 1. insubsitência da decisão por inobservância ao devido processo legal e ao direito de petição; 2. necessidade de observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função da presença dos requisitos previstos no Código Tributário Nacional; 3. homologação tácita das declarações de compensação e a decadência do direito de constituição do crédito tributário; 4. flagrante nulidade do despacho decisório recorrido pela afronta aos critéios processuais administrativos e ao princípio da motivação; 5. pedidos de compensação realizados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança n° 2001.51.01.0063355 prevalência do princípio da segurança jurídica. É o relatório." A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido pela DRJ/SP, foi assim publicada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 EMENTA: COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. A superveniente decisão judicial que fulmina os efeitos de liminar em Mandado de Segurança autorizadora de compensação, uma vez declarada a inexistência de crédito, o indeferimento da compensação e a cobrança do débito declarado em DCTF se mostra absolutamente legítima. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 11516.001154/200114 Acórdão n.º 3201003.474 S3C2T1 Fl. 528 3 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão do contribuinte ter informado que realizou parcelamento em seu Recurso Voluntário de fls. 488 e seguintes. Sem alegações de mérito, não há como conhecer o RV, em razão do contribuinte ter desistido das alegações de mérito e informado ter parcelado integralmente os débitos tributários. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para que o Recurso Voluntário não seja conhecido. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 529DF CARF MF 4 Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.900485/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.146
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900485/200932 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.146 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente BELGO BEKAERT ARAMES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Para descrever os fatos transcrevo o relatório constante do acórdão citado: “DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 820995100 emitido eletronicamente em 18/02/09 (fls. 01), referente ao PerDcomp nº 39091.19343.110205.1.3.047033 (fls. 70/75). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PerDcomp foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CIDE – Pagamento Indevido ou a Maior, recolhido em 15/05/02 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PerDcomp. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 00 48 5/ 20 09 -3 2 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3201001.146 S3C2T1 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 04/03/09, conforme documento de fl. 02, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 14/19, em 03/04/09, alegando: que pretendia compensar um débito de CIDE no valor original de R$ 113.313,99 com o crédito de um pagamento a maior realizado através de DARF, relativo à CIDE devida no 2º trimestre de 2002. que a discussão está vinculada à compensação transmitida em 12/11/2004, através do PerDcomp 36265.91073.121104.1.3.048396, pois o crédito pleiteado seria o remanescente desta compensação que também não foi homologada. que a CIDE devida pela Belgo Bekaert Arames Ltda. Para o 2º trimestre de 2002 totalizava R$ 36.685,58, mas que foi realizado o pagamento de R$ 573.304,08, valor esse declarado equivocadamente como débito na DCTF do 2º trimestre de 2002. que formalizou a compensação após constatar o equívoco, mas que enviou a retificação da DCTF em 18/08/2008, assim, por não ter sido a DCTF 2º Trimestre/2002 retificada no momento oportuno, a Receita Federal não homologou esta primeira compensação, glosando valor de R$ 423.304,51 pelo despacho decisório emitido em 18/07/2008. que não há dúvidas quanto à veracidade das informações prestadas pela Requerente, já que o crédito pleiteado tem suporte nos documentos fiscais, tendo sido demonstrada cabalmente sua aptidão para extinguir a integralidade dos débitos. que o erro no preenchimento da DCTF não impede o reconhecimento do direito ao crédito, pois o pagamento indevido no contexto do enriquecimento sem causa, não se coaduna a consciência jurídica, que consagra a moralidade como valor supremo da sociedade, nem é razoavelmente plausível que alguém possa aumentar seu patrimônio através de ação ilícita, que cause prejuízo a terceiro. que o dever de pagar o tributo surge com a ocorrência do fato gerador, e não com a informação do débito em declaração acessória. que a obrigação tributária está vinculada ao princípio da legalidade estrita, e nasce com o aperfeiçoamento do evento fático previsto na legislação e que havendo divergência entre a ocorrência do fato gerador e a informação da DCTF, não pode simplesmente o Fisco Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3201001.146 S3C2T1 Fl. 4 3 deixar de perquirir a verdade material para cobrar tributo indevidamente, ainda que declarado, sob pena de locupletamento. que fica claro que (i) houve recolhimento a maior a titulo de CIDE; (ii) tal valor consta de DARF cujo total equivale aos dois débitos compensados; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o efetivamente apurado, representa crédito, e a DCTF foi informada equivocadamente, já tendo sido retificada e; (iv) o citado valor foi corretamente utilizado no PerDcomp objeto desta manifestação de inconformidade. que de acordo com o art. 147, §1º, do CTN, o contribuinte pode retificar a declaração eivada de erro que lhe seja prejudicial, mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificação do lançamento. que no presente caso, já foi feita a retificação da declaração fiscal entregue pela contribuinte e sendo assim, retificada a declaração, os débitos eventualmente decorrentes das inconsistências da DCTF não podem ser cobrados pelo Fisco. Cita a legislação, doutrina e acórdãos administrativos para defender o direito à compensação e reforça que erros de preenchimento não são capazes de alterar a realidade fática. Ao final, pede a procedência da Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a integralidade do seu direito creditório, bem como a insubsistência do Despacho Decisório, com a consequente homologação total da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado e protesta por todos os meios de prova admitidos no Direito, em especial os documentos em anexo juntados (contrato social, cópias da DCTF, PerDcomp, Darf e manifestação referente ao processo conexo). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0234.906 (fls. 81/91), sessão de 08/11/2011, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2002 RETIFICAÇÃO DE DCTF. POSSIBILIDADE. PRAZO. Só é possível a retificação da DCTF enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador. DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DECLARADO. Não se admite a existência de indébito tributário quando o valor recolhido encontrarse totalmente utilizado para pagamento de tributo informado em declaração que constitui confissão de dívida e não houver provas quanto a eventual erro material contido na declaração. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3201001.146 S3C2T1 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o quê não poderá ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou tempestivamente recurso voluntário, alegando, em breve síntese, o quanto segue: a) o erro de preenchimento da DCTF não é capaz de desnaturar o direito creditório da Recorrente; b) o despacho eletrônico sequer analisa as declarações em sua integralidade, e tampouco o conjunto probatório atinente à matéria, limitandose a fundamentar sua conclusão em campos específicos de cada declaração; c) há evidências robustas de que ocorreu o pagamento da CIDE maior que a devida, assim, a retificação de DCTF para ajustála à realidade do fato gerador do tributo deve ser aceita, por força do Princípio da Verdade Material. Adicionalmente, em petição de 08 de março de 2012, a Recorrente junta as soluções de consulta nºs 306, de 10 de setembro de 2004 e 57, de 07 de março de 2005, nas quais demonstra que o crédito ora pleiteado tem origem no pagamento a maior de CIDE sobre royalties de naturezas diversas, pagos antes da vigência do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.06263, de 26 de janeiro de 2001 (fls.124/146). Submetido a julgamento, em 24/09/2012, na extinta 2ª Turma Ordinária desta Câmara, os julgadores resolveram converter o julgamento em diligência, através da Resolução 3202000.071 para que, à luz da DCTF retificadora apresentada pela Recorrente, a unidade da RFB competente confirme a existência ou não dos créditos apontados pela Recorrente. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário foi admitido no julgamento convertido em diligência. Verificase que a diligência não foi cumprida pela unidade de origem, nos termos em que fora determinada. Analisando a Informação Fiscal (fls. 287/288) notase que a Unidade de Origem simplesmente apresentou seu juízo de valor acerca do tema discutido no PAF e não cumpriu o que foi determinado por este Conselho, ou seja, à luz da DCTF retificadora apresentada pela Recorrente, confirme a existência ou não dos créditos por ela apontados. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13603.900485/200932 Resolução nº 3201001.146 S3C2T1 Fl. 6 5 Além disso, a Recorrente apresentou manifestação onde apresenta uma série de documentos para comprovar a existência de seu crédito (fls. 164/285). Se fosse para entrar no mérito da possibilidade de aceitação de retificação de DCTF, este Conselho já o teria feito e não converteria o julgamento em diligência. Diante disso, proponho a conversão do julgamento em nova diligência para que, à luz da DCTF retificadora e dos documentos apresentados pela Recorrente nos autos (fls. 164/285), a unidade da RFB competente confirme a existência ou não dos créditos por ela apontados, elaborando relatório pormenorizado. Após a referida diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.002118/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS.
Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que , mediante alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, auferir ganhos de capital.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para o caso de recursos contestados pela autoridade administrativa, deve o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, presumindo-se como omissão de rendimentos aqueles não comprovados, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, aplicável para os fatos geradores ocorridos após 01/01/1997.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA DE TITULARIDADE DO "DE CUJUS". EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO ESPÓLIO DA ORIGEM DOS RECURSOS CREDITADOS EM CONTA DO FALECIDO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA.
Para efeitos da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a comprovação da origem dos recursos depositados é uma obrigação de caráter personalíssimo, a cargo exclusivo do titular da conta-corrente ou de investimento mantida junto a instituição financeira. É improcedente o lançamento tributário que considera omissão de rendimentos tributáveis quando o espólio, na pessoa do inventariante, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária da pessoa física, relativamente a ano-calendário anterior ao óbito.
Numero da decisão: 2401-005.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir os lançamentos referentes à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que , mediante alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, auferir ganhos de capital. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para o caso de recursos contestados pela autoridade administrativa, deve o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, presumindose como omissão de rendimentos aqueles não comprovados, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, aplicável para os fatos geradores ocorridos após 01/01/1997. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA DE TITULARIDADE DO "DE CUJUS". EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO ESPÓLIO DA ORIGEM DOS RECURSOS CREDITADOS EM CONTA DO FALECIDO. OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA. Para efeitos da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a comprovação da origem dos recursos depositados é uma obrigação de caráter personalíssimo, a cargo exclusivo do titular da contacorrente ou de investimento mantida junto a instituição financeira. É improcedente o lançamento tributário que considera omissão de rendimentos tributáveis quando o espólio, na pessoa do inventariante, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária da pessoa física, relativamente a anocalendário anterior ao óbito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 21 18 /2 00 2- 41 Fl. 391DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir os lançamentos referentes à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe, foi lavrado Auto de Infração (fls. 08/17), relativamente ao período do ano calendário de 1998, que determinou o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 148.698,02, onde foram constatadas as seguintes infrações: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (carnêleão); 2) Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; e 3) Omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários. Não concordando com o disposto no Auto de infração, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fls. 271/282) em 01/04/2002. Em que pese a apresentação da Impugnação, o contribuinte deixou de impugnar o mérito da infração com relação à omissão e rendimentos de pessoas físicas (carnê leão), o que foi consideração matéria não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. No mais, o contribuinte defende, em síntese, o seguinte: 1) Em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter todos os requisitos legais para a sua concretização e que a não clareza em apresentar devidamente a descrição dos fatos e sua incoerência nas atitudes e procedimentos dos agentes fiscais prejudicou a defesa; 2) No mérito, que a autoridade fiscal despreza os documentos juntados, somando números e operações que não condizem com a realidade da documentação apresentada, sendo assim, o lançamento de ofício teria sido realizado apenas com base no entendimento pessoal; e 3) Que a autoridade fiscal não conseguiu vincular as entradas de dinheiro no banco a nenhuma operação de negócio realizada pelo falecido, entendendo alguns valores apenas como o recebimento pela venda de alguns imóveis. Por meio do Acórdão nº 14.334, a 1ª Turma da DRJ/REC deu procedência ao lançamento, mantendo a exigência do valor do IRPF de R$ 80.220,62, da multa no valor de R$ 8.022,03 e juros de mora calculados conforme a legislação de regência da matéria. Recordese: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PESSOAS FÍSICAS (CARNÊ LEÃO). MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal. Fl. 393DF CARF MF 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. APURAÇÃO MENSAL. A partir do anocalendário de 1989, a apuração do imposto sobre a renda das pessoas físicas será efetuada mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose os rendimentos tributáveis provenientes de correção de notas promissórias por variação de índice de correção, recebidos de pessoas físicas, não declarados espontaneamente, e detectados de ofício. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITO Sujeitase ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiros de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova de origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não ser substituída por meras alegações. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. Lançamento Procedente” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 01/08/2008, conforme Aviso de recebimento (AR) de fls. 338. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 342/352). Em suma, o Recorrente, em síntese, apresenta seu inconformismo argumentando e pleiteando o seguinte: 1) A nulidade do auto de infração sob o argumento de que houve cerceamento do direito de defesa ao não considerar a documentação apresentada e que a decisão de primeira instância não foi bem fundamentada, bem como não há a devida clareza para o prosseguimento do presente procedimento administrativo; e Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 4 5 2) Que o lançamento de ofício teria sido aplicado com base em entendimento pessoal sem a consideração da documentação apresentada, a qual comprovaria a inexistência das infrações apresentadas pelo auto de infração; 3) Que o espólio não tinha conhecimento das operações de mando, não podendo explicar dois anos depois a após sua morte os valores de entrada e saída da conta bancária do falecido. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/10/2008 conforme Aviso de Recebimento (AR) às fls. 338, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/10/2008, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega que o presente procedimento administrativo deve ser anulado, sob o argumento de que não há a devida clareza, mas sim incoerência no auto de infração e na descrição dos fatos, o que teria prejudicado seu contraditório e ampla defesa. Este argumento não merece prosperar. Inicialmente, cumpre esclarecer que inexiste a contradição e incoerência alegada pelo Recorrente, estando expostos de forma detalhada todos os fatos ocorridos, bem como o enquadramento legal. E mais, os fatos são facilmente analisados com base na farta documentação anexa. No presente caso, este procedimento administrativo está em desfavor do espólio e não contra a viúva ou outro familiar. É sabido que enquanto não houver a decisão partilha, transitada em julgado, dos bens deixados pelo falecido, o espólio é o responsável pelo pagamento dos tributos existentes. Nesse diapasão, o auto de infração foi lavrado, repitase, contra o espólio, o qual foi devidamente notificado, além do fato de ter sido obedecida a legislação tributária vigente no ato da autuação e de estarem presente, detalhadamente, os fatos constatados. Desta forma, inexistem as alegadas nulidades suscitadas pelo Recorrente. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO 3.1. Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Em síntese, o Recorrente alega que o lançamento de ofício teria ocorrido apenas com base no entendimento pessoal da autoridade fiscalizadora, sem a consideração do documentação juntada aos autos, que teria o poder de demonstrar a inexistência das infrações presentes no auto de infração. Todavia, razão não lhe assiste. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 5 7 Ao compulsar dos autos, verificase que a decisão de primeira instância foi devidamente fundamentada, apresentando, inclusive, de forma exaustiva, a análise da documentação juntada, não sendo necessário qualquer reparo. A propósito do tema, confirase trecho do voto condutor do julgado em primeira instância administrativa: “Quanto às alegações de que houve permuta sem torna em dinheiro, para efeito de isenção, ressaltese que somente se configura a permuta se a escritura pública for de permuta o que não ocorreu no caso da alienação do apartamento 201 do Edf. Água Viva. Ressaltese também que a permuta que geraria a isenção para o contribuinte seria aquela da alienação dos apartamentos, uma vez que e esta operação que está sujeita ao ganho de capital, e não quando da aquisição dos mesmos apartamentos através de permuta por terreno. Neste primeiro momento não haveria ganho de capital, mas sim quando da alienação dos apartamentos. No que se refere ao ganho de capital, o contribuinte ainda alega que o apartamento 201 do Ed. Agua Viva foi vendido em data e valor diferentes do que aqueles considerados pela fiscalização e, para tanto, anexa cópia da escritura de compra e venda e cópia de certidão de cancelamento da promessa original de compra e venda lavrada em janeiro de 1998, as quais serão analisadas a seguir. Verificase que o documento citado pela fiscalização que deu amparo à alienação do imóvel apartamento 201, do Edifício Agua Viva, situado á Av. Bernardo Vieira de Melo, s/n, Piedade, Jaboatão dos Guararapes PE, foi a Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, conforme certidão de fls. 195 a 197. Os documentos de fls. 194 a 197 referemse à resposta à intimação da fiscalização (Termo de Intimação de fl. 192) ao Cartório de 6° Ofício de Notas (Cartório João Roma) do Recife, sendo as fls. 195 a 197 a Certidão original fenecida pelo referido Cartório à fiscalização na qual podese verificar que o tabelião público informa que revendo o seu arquivo encontrou “ESCRITURA PÚBLICA DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA", com data de 22 de janeiro de 1998, através da qual constam como promitentes vendedores o Sr. José de Carvalho Pires e sua esposa Lecy Fernandes de Carvalho Pires, e como promissários compradores o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa Ladjane Costa de Lima. A mesma Certidão de fls. 195 a 197 informa que a Promessa de Compra e Venda se rege pelas cláusulas e condições a seguir sintetizadas. Na primeira cláusula (fl. 195, verso) se encontra, entre outros, que os outorgantes promitentes vendedores são os legítimos possuidores da fração ideal correspondente ao apartamento 201 do Edifício Água Viva, situado à Av. Bernardo Vieira de Melo, s/n, Jaboatão dos Guararapes PE, “com suas características constantes da matrícula n. 39.463 do RG/ do Jaboatão dos Guararapes / PE, Cartório Eduardo Malta, sendo que, o referido apartamento é ora transferido em conformidade com o que foi contratado com o Moura Dubeux Engenharia Ltda. incluindo todos os seus direitos e obrigações" (grifei). Fl. 397DF CARF MF 8 A cláusula segunda especifica (fl. 195, verso) que "os vendedores adquiriram o imóvel objeto da presente escritura, através de escritura de constituição de condomínio civil, destinação, divisão, discriminação, assim como permuta, de instituição de convenção (...) devidamente registrado no Cartório do Registro Geral de /móveis do Jaboatão dos Guararapes, deste Estado, Cartório Eduardo Malta, conforme AV2, na matrícula n° 39.463 (...), re/ativamente ao imóvel objeto da presente transação”. (...) A quinta cláusula fixa os acréscimos a que o comprador estará sujeito pelos atrasos nos pagamentos, sendo multa de 2%"mais juros moratórios de 1% ao mês. A sexta cláusula diz que o não pagamento de duas parcelas mensais consecutivas nos seus respectivos vencimentos ou três alternadas facultará aos promitentes vendedores a rescisão da presente escritura ou, então, receber as prestações vencidas acrescidas da multa, juros de mora e despesas de cobrança, honorários advocatícios incidentes etc. A sétima cláusula especifica que “os promissários compradores entram desde iá @ posse direta do imóvel nas condições em que se encontram, a qual se tornará definitiva depois que realizado o pagamento integral do preço e lhe for outorgada a correspondente escritura definitiva de compra e venda”. (...) A cláusula décima primeira diz expressamente: “Fica eleito o Foro da situação do imóvel, com renúncia a qualquer outro, por mais especial que seja ou venha a ser, independentemente do domicílio atual ou futuro das partes contratante, para nele serem dirimidas as dúvidas ou sugestões oriundas deste instrumento" (grifei). Observase que tal certidão é via original, com todas as folhas rubricadas na frente e no verso e, possui ainda a identificação do nome da escrevente que a digitou e do tabelião público Sr. Carlos Alberto Ribeiro Roma, que a assina. O contribuinte apresentou como instrumentos de prova para suas alegações unicamente os documentos de fls. 240 a 259, os quais serão analisados a seguir. O documento de fl. 240 é tãosomente uma procuração da Sra. Lecy Fernandes de Carvalho Pires, viúva do de cujus, conferindo poderes ao Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira, CPF 010.703.71491, para, entre outros, apresentar impugnação perante a Secretaria da Receita Federal. Apenas a titulo de observação, verificase que o mesmo Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira é também o promissário comprador referido na Escritura de Promessa de Compra e Venda, conforme fls. 195 a 197. O documento de fls. 241 a 251 referese a cópia do Auto de Infração e parte do Termo de Encerramento, já anteriormente acostados às fls. 06 a 15, e 222 e 223, portanto, nada traz de novidade. Semelhantemente, o documento de fls. 252 e 253 referese a cópia de parte do Termo de Inicio da Fiscalização sobre o Espólio, o qual já havia sido acostado pela fiscalização às fls. 94 a 96, também não se referindo a nada de novo. Portanto, os únicos documentos acostados na defesa que trazem alguma informação nova são as cópias de fls. 254 a 259, especificadas abaixo. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 6 9 As cópias de fls. 254 a 256 contêm informações de que tal documento se trataria de uma “Escritura de Compra e Venda da Nuapropriedade e do Direito de Usufruto" (fl. 254), sendo os outorgantes o “Sr. José de Carvalho Pires e sua esposa", e como outorgados da nuapropriedade “Vawilson Escoperrante de Oliveira Filho e outra" e do direito de usufruto “Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa”. Consta ainda à fl. 254, para tal escritura, a data de 18.12.2000 e o valor de R$ 120.000,00 e que a mesma é de emissão do tabelião Carlos Alberto C. Paes, da Comarca de Glória de Goitá PE. Observese, de antemão, que todas as informações constantes das fls. 254 a 256, embora cópias, não possuem qualquer autenticação ou reconhecimento de firma. No verso da fl. 256 (que também é cópia) constam três carimbos, sem que, entretanto, refiramse a qualquer autenticação ou reconhecimento. Alias, em tal folha 256, verso, além de não haver qualquer autenticação, não há qualquer conteúdo para que fosse autenticado, além da informação “Digitei, subscrevo e assino. Glória do Goitá, 18 de dezembro de 2000. Em testemunho (EM BRANCO) da verdade. O Tabelião Público do Cartório Único". Consta ainda assinatura sobre o nome de Carlos Marconi Paes. Quanto aos carimbos desta folha 256, verso, observase sobre o primeiro o dizer "nua propriedade". O segundo referese a “usufruto”. Ambos contêm informação do Registro Geral de Imóveis de Jaboatão PE referentes ao imóvel de número de matrícula 47.089, e ambos ainda assinados com data de 20/12/2000. O terceiro carimbo apenas identifica o Cartório Eduardo Malta, de Jaboatão PE. Observese, entretanto, que o número de matrícula que consta para o apartamento 201, do Edifício Agua Viva, é de 39.463 e não 47.089, conforme se verifica à fl. 195, verso. Verificase que tal documento não apresenta os elementos suficientes para formação da convicção do seu valor probante já que conflitante com o conteúdo do documento original de fls. 195/197, e não possui qualquer autenticação sobre os conteúdos de nenhuma das folhas 254 (frente/verso), 255 (frente/verso) e 256 (frente/verso). Mesmo assim, é oportuno analisar o conteúdo da escritura de fls. 254 a 256 para verificarmos as divergências e/ou pontos de saliência da mesma em relação à certidão original que trata da escritura de promessa de compra e venda constante às fls. 195 a 197. a) Primeiro destacase que as partes contratantes são as mesmas nos documentos de fls. 195 a 197 e na cópia de escritura apresentada pelo impugnante de fls. 254 a 256, com exceção de que neste último documento a transação foi dividida na compra e venda da nua propriedade e do usufruto. Para a nua propriedade figuram como compradores não mais os pais Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e Ladjane Costa de Lima Oliveira, os quais ainda figuram como compradores do direito de usufruto, mas os seus filhos Vawilson Escoperrante de Oliveira Filho, nascido em 03.06.1982, e Luciana Escoperrante de Lima Oliveira, nascida em 03,07.1984, menores, conforme Código Civil em vigor à época, e assistidos neste ato pelos seus genitores, o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa, a Sra. Ladjane Costa de Lima Oliveira. Fl. 399DF CARF MF 10 b) Verificase que os compradores compraram o imóvel no qual já moravam, segundo o endereço destes na escritura de compra e venda da de fls. 254 a 256, que é o mesmo endereço do imóvel objeto da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, fls. 195 a 197, ou seja, Av. Bernardo Vieira de Melo, 768, apto. 201, Piedade, Jaboatão dos Guararapes PE. c) Embora a “nova escritura” refirase ao mesmo imóvel, apartamento 201 do Edifício Agua Viva, na Av. Bernardo Vieira de Melo, 768, em Jaboatão dos Guararapes PE, conforme fl. 255, verso, verificase que tal escritura diz tratarse do número de matrícula 39.fi3, fl. 255, verso, ou número de matrícula 47.089, conforme fl. 256, verso, quando é sabido através do documento de fl. 195, verso, se tratar, tal apartamento, do n° de matrícula 39.463; d) Enquanto no documento de fls. 195 a 197 consta o valor de R$ 350.000,00, à fl. 255, verso, consta que 0 negócio jurídico teria tido o preço de R$ 120.000,00, englobando tanto a nua propriedade (R$ 80.000,00) como o usufruto vitalício (R$ 40.000,00), sendo informado que tal valor de R$ 120.000,00 foi integralmente recebido, pelo que os vendedores dão plena quitação; e) Observese que o valor do referido imóvel na mesma escritura em que consta o valor de R$ 120.000,00, consta à fl. 256, para efeito de avaliação para incidência do imposto de transmissão, como sendo de R$ 383.561,55, dos quais R$ 255.707,70 referemse à nua propriedade e R$ 127.853,85 são referentes ao usufruto. Da análise do documento de fl. 257, frente e verso, verificase que tratarse de uma cópia de uma Certidão emitida pelo Cartório Único de Notas Wilson Luiz da Silva de São José da Coroa Grande PE, com data de 21 de março de 2002, que diz que em busca no arquivo do Cartório constatou no livro 041, folhas 46/46v, uma Escritura com o teor: “Escritura Pública de Distrato que fazem como primeiro distratante: José de Carvalho Pires e sua esposa e como segundo distratante: Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa; como segue: Saibam quantos esta Escritura Pública de Distrato virem que aos (05) cinco dias do mês de novembro do ano de mil novecentos e noventa e oito (1998), no meu Cartório..., perante mim, tabelião, compareceram partes entre si de um lado como primeiro distratante: José de Carvalho Pires, advogado... e sua esposa Lecy Fernandes de Carvalho Pires... domiciliados na Av. Beira Mar, 660, apt°. 701, em Piedade, em Jaboatão dos GuararapesPE, ora de passagem nesta cidade; e de outro lado na qualidade de segundo distratante: Vawilson Escoperrante de Oliveira, advogado... e sua esposa Ladjane Costa de Lima..., residentes à Rua Manoel Almeida Belo. n° 1373. apt°. 702. Bairro Novo, na cidade de OlindaPE, ora de passagem nesta cidade; Tendo entre si jus ajustado o seguinte: 1) Mediante Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda datada de 22 de janeiro de 1998, lavrada nas notas do 8° Oficio de Notas da Capital do RecifePE, o livro n° 163, folhas 163/164, devidamente assinada pelo primeiro distratante e pelo segundo distratante. 2) Pretendendo... celebrar... o distrato do referido contrato o que o fazem de acordo com os termos e declarações das cláusulas seguintes: a) As partes contratantes... resolvem distratar, como de fato e efetivamente distratados têm todos os atos do referido contrato; b) voltando o imóvel objeto do citado contrato, ou seja, o apartamento n° 201 (duzentos e um), integrante do Edifício Água Viva, situado à Av. Bernardo Vieira de Melo, s/n, fração esta do lote de terreno próprio denominado letra da Quadra A, do Loteamento Sítio Grande, em Piedade, município de Jaboatão dos Guararapes PE, devidamente registrado no Cartório do Registro Geral de Imóveis do Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 7 11 Jaboatão dos GuararapesPE, do Cartório Eduardo Malta, conforme AV2, na matrícula n° 39.643, folhas 92, do livro 2HL1, em 31.05.95; c) As partes ajustam... sobre o presente distrato não oneram nenhum pagamento a título de indenização...; d) e) Fica eleito o Foro da Comarca do Recife PE. como competente para as ações que se originam deste Distrato... Eu Wilson Luiz da Silva, Tabelião de Notas que digitei o presente mandado neste livro 040, folhas 46/46v..." (grifos não são do original). É oportuno destacar que embora a Escritura de Promessa de Compra e Venda (fls. 195 a 197) tenha especificado na sua cláusula décima primeira que "Fica eleito o Foro da situação do imóvel, com renúncia a qualquer outro, por mais especial que seja ou venha a ser, independentemente do domicilio atual ou futuro das partes contratantes, para nele serem dirimidas as dúvidas ousugestões oriundas deste instrumento" (grifei), e sendo o imóvel situado no município de Jaboatão dos GuararapesPE, região metropolitana do RecifePE, ainda assim verificase que os contratantes, Sr. José de Carvalho Pires e sua esposa e o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa, foram, todos, até São José da Coroa Grande PE, cerca de 100 Km do RecifePE, onde, “de passagem neste cidade", conforme descrito à fl. 257, em 05/11/1998, resolvem fazer ali, em São José da Coroa Grande, o distrato referente ao contrato anterior objeto daEscritura de Promessa dei Compra e Venda. Ora, as cláusulas dos contratos obrigam as partes contratantes, de modo que o Foro eleito para dirimir questões oriundas daquele instrumento (Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda), conforme a cláusula décima primeira (vide fl. 196, verso), foi o da situação do imóvel, no caso de Jaboatão dos GuararapesPE, “com renúncia a qualquer outro, por mais especial que seja ou venha a ser, independentemente do domicílio atual ou futuro das partes contratantes”. Ainda com relação ao documento de fl. 257 (frente e verso), verificamse alguns erros elou inconsistências, a saber: o no inicio do mesmo, diz que em busca no arquivo do Cartório constatou no livro 041, folhas 46/46v, uma Escritura Pública de Distrato com o teor transcrito naquela certidão, entretanto, ao final de tal documento (fl. 257, verso) diz que o tal livro seria o de n° 040; o Ao referirse à Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda datada de 22 de janeiro de 1998, diz que foi lavrada nas notas do 8° Ofício de Notas da Capital do RecifePE, o livro n° 163, folhas..., enquanto verificase às fls. 194 a 197, tratarse do 6° Ofício de Notas (fl. 195) e do livro 1637 (fl. 194); Ao se referir ao registro do apartamento 201, do Edifício Água Viva, no Cartório do Registro Geral de Imóveis do Jaboatão dos Guararapes PE, Cartório Eduardo Malta, diz que tal imóvel foi registrado no n° de matrícula n° 39.643, quando o n° de matricula foi 39.463, conforme fl.,195, verso. Observese ainda que o documento de fl. 257 é cópia de uma cópia autenticada pelo Cartório de São José da Coroa Grande em que dizia conferirfcom o original. Notese, porém que a cópia que consta dos autos (fl. 257) não possui autenticação. Às fls. 258 e 259 consta cópia de uma outra Escritura Pública de Compra e Venda definitiva, também sem autenticação e nem reconhecimento de firma para as assinaturas ali constantes, com data de 05/06/1998, que seria de emissão do Cartório Francisco Gomes, de Olinda PE, na qual diz que teriam comparecido perante o tabelião de um lado como outorgantes vendedores o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira, advogado, e Fl. 401DF CARF MF 12 sua esposa, Ladjane Costa de Lima, residentes e domiciliados à Rua Manoel de Almeida Belo, n° 1373, apt°. 702, Bairro Novo, OlindaPE, representados neste por seu procurador, o Sr. José de Carvalho Pires, CPF 000.774.02472, residente e domiciliado à Av. Beira Mar, n° 660, apt° 701, Bairro Piedade, Jaboatão dos Guararapes PE, “de passagem por esta cidade, conforme Procuração pública, lavrada no 6° Ofício de Notas da Comarca de RecifePE, às fls. 165, livro n° 1637OQS, em data de 22 de janeiro de 1998... e de outro lado, como outorgada compradora, Anna Maria Gonçalves dos Santos...”, CPF 297.384.15772..., “os presentes, pessoas conhecidas de mim, tabelião, e das testemunhas, pelos próprios de que trato e dou fé. E, perante essas mesmas testemunhas, pelos VENDEDORES, me foi dito, o seguinte: 1°) que eles, VENDEDORES, são senhores legítimos, proprietários e únicos possuidores, de posse mansa e pacífica, livre de ônus reais ou hipoteca, mesmo legais, inclusive impostos o que afirmam sob as penas da Lei do imóvel residencial urbano, constituído do apartamento n° 702... localizado no pavimento de cobertura do Edifício 06 de janeiro, da Rua Manoel de Almeida Belo, n° 1.373..., Bairro Novo, nesta cidade de Olinda, Estado de Pernambuco ...”.(...); 3°) Que, nessa qualidade de proprietários exclusivos do mencionado imóvel, tal como descrito e demonstrado, achamse contratados e vendemno, à COMPRADORA, pelo preço certo e previamente combinado, de R$ 110.000,00...", sendo R$ 60.000,00 à vista em moeda corrente nacional e R$ 50.000 0 numa única parcela para o dia 12/06/1998, através de uma nota promissória. (...); “5°), assim satisfeitos do preço total do negócio jurídico, transmitem à COMPRADORA todo o direito, domínio, e ação, que até esta data exerciam sobre a coisa vendida, sendo certo que a posse direta do imóvel somente será transmitida à COMPRADORA no prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados desta data..., condição que a COMPRADORA declara aceitar...(...). Eu, (“ EM BRANCO ”), Tabelião, datilografei e subscrevi, em testemunho (“ EM BRANCO ”) da verdade; dou fé”. (negrito não é do original) Observese que além de não haver a identificação do tabelião que diz que datilografou e subscreveu, tal documento não possui a assinatura do mesmo, além do que não consta a assinatura de uma das duas testemunhas. Além disso, tal cópia não possui qualquer autenticação e nem reconhecimento das assinaturas ali apostas. Quanto ao conteúdo chamanos a atenção alguns pontos de destaque, quais sejam: Desta feita o Sr. José de Carvalho Pires figura como procurador do Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa Ladjane Costa de Lima; o A data da transação (venda do apartamento 702, do Edifício 06 de janeiro, sito à Rua Manoel de Almeida Belo, n° 1373, Bairro Novo, Olinda PE) é de 05/06/1998, conforme fl. 258, enquanto o distrato da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, esta de 22/01/1998, somente teria ocorrido em 05/11/1998, conforme cópia de fl. 257. Portanto, antes de haver o distrato teria ocorrido a venda de um imóvel que constava da transação de compra e venda objeto da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, conforme fls. 195 a 197, pois o imóvel referido na cópia da Escritura Pública de Compra e Venda, definitiva, que não foi assinada pelo tabelião e nem se encontra autenticada, é o mesmo imóvel que foi dado em pagamento no valor de R$ 140.000,00 para complementar o valor total de R$ 350.000,00 da transação objeto da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, conforme fl. 196; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 8 13 ~ Ressaltese que, embora nesta escritura “definitiva” de compra e venda diga que a posse direta do imóvel se dará dentro de 30 dias da data de emissão da escritura, que foi de 05/06/98, portanto, a posse direta ocorreria em 05/07/98, verificase, entretanto, que na época da Escritura de Distrato, ou seja, em 05/11/1998, o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira ainda residia no endereço do apartamento 702, do Ed. 06 de Janeiro, ou seja, na Rua Manoel de Almeida Belo, 1373, Bairro Novo, Olinda PE, portanto, não sendo a posse direta da Sra. Anna Maria Gonçalves dos Santos, CPF 297.384.15772, mas do Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira; Observese que o documento de fls. 258 e 259, diz que os vendedores, Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa Ladjane Costa de Lima, "são senhores legítimos, proprietários e únicos possuidores, de posse mansa e pacífica...” referente ao imóvel apto. 702, sito à Rua Manoel de Almeida Belo, n° 1373, Bairro Novo, OlindaPE, enquanto que, não tendo havido o distrato da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, a despeito da validade de tal distrato, pelas considerações já feitas sobre o mesmo, temse na referida Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda que o referido imóvel “permanecerá na posse dos ora adquirentes pelo prazo de 10 (dez) meses, contados da presente data, devendo o referido prazo ser antecipado caso haja alienação do mesmo a terceiros, hipótese que os adquirentes terão o prazo de 60 (sessenta) dias para desocupar o referido apartamento...“. Deste texto depreendese que os adquirentes referidos na Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, a saber, o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa Ladjane Costa de Lima, por tratarse da aquisição do apt°. 201, do Edifício Água Viva, na Av. Bernardo Vieira de Melo, s/n, Piedade, Jaboatã dos GuararapesPE, tinham apenas a posse, por 10 meses, do apt” 702, sito à Rua Manoel de Almeida Belo, n° 1373, Bairro Novo, OlindaPE, e não mais a propriedade, tanto é assim, que no caso de alienação pelos seus novos proprietários, o Sr. José de Carvalho Pires e sua esposa a Sra. Lecy Fernandes de Carvalho Pires, o Sr. Vawilson Escoperrante de Oliveira e sua esposa Ladjane Costa de Lima teriam um prazo de 60 dias para desocupar o imóvel de Olinda. Do exposto, verificase a incongruência entre a informação de “propriedade” da “Escritura definitiva” de fls. 258 e 259 (aquela não assinada pelo tabelião) e a informação apenas de posse constante da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda. Através de consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal verificase que até o presente momento a Sra. Anna Maria Gonçalves dos Santos, CPF 297.384.15772, não declarou a aquisição do referido imóvel, aquisição esta que segundo a argumentação da defesa teria ocorrido em 05/06/1998. Ademais, devese destacar que a Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda criou obrigações imediatas, tanto é assim, que as suas cláusulas primeira, quinta e sexta estipulam obrigações decorrentes do descumprimento do contrato, referente ao apartamento "ora transferido” (cláusula primeira), tais como multa de 2% e juros e mora de 1% ao mês incidentes sobre os pagamentos em atraso (quinta cláusula), além do que o não pagamento de duas parcelas mensais consecutivas nos respectivos vencimentos ou três alternadas, constitui condição resolutiva da escritura, facultando ao vendedor a rescisão do contrato ou o recebimento de todas as prestações em atraso acrescidas de multa, juros honorários advocatícios e demais despesas para cobrança (cláusula sexta).” Fl. 403DF CARF MF 14 Nesse diapasão, ao contrário do que foi exposto pelo Recorrente, a documentação juntada aos autos não é suficiente para realizar qualquer alteração no lançamento efetuado pela fiscalização, conforme bem detalhado na decisão de primeira instância, que citou diversos documentos. 3.2 Da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários. Nos termos do artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96, que regula os fatos geradores ocorridos após 01/01/1997, são caracterizados como omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em que o titular regularmente intimado não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A legislação impôs o ônus da prova para o próprio contribuinte, o qual possui toda a documentação apta para comprovar a origem de suas movimentações financeiras. Quando o contribuinte não se desincumbe de seu ônus de comprovar a origem dos recursos lançados na conta corrente do sujeito passivo, a autoridade fiscal possui a obrigação de autuar a situação dos depósitos bancários recebidos sem a prova da origem como omissão de rendimentos. Com efeito, é de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado na declaração está sujeito à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Ocorre que, como já dito, no presente caso este procedimento administrativo está em desfavor do espólio. Assim, o ônus da comprovação da origem dos recursos depositados em conta bancária constitui uma obrigação de nítido caráter personalíssimo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) (GRIFEI) Verificase que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, contém uma presunção relativa de omissão de rendimentos tributáveis, onde condiciona a atuação fiscal ao fato do titular/contribuinte da movimentação bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o ônus da prova das movimentações bancárias em vida do contribuinte não é transmitido ao espólio, inventariante ou herdeiro, até porque é o titular aquela pessoa que possui os meios necessários para comprovar a origem dos valores que transitaram em sua conta bancária. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10480.002118/200241 Acórdão n.º 2401005.253 S2C4T1 Fl. 9 15 Nesse diapasão, caso se acolha a exigência perante terceiros a prova da origem dos depósitos bancários, estaria admitindo que o conteúdo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, permite uma presunção tributária absoluta, o que não é verdade. Na forma como conduzido o procedimento fiscal, é improcedente o lançamento tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As intimações para comprovação da origem dos valores movimentados pelo contribuinte foram direcionadas ao seu espólio, em relação a fatos geradores ocorridos antes do seu óbito, com início da ação fiscal após o falecimento do contribuinte. Desta forma, há que se reformar a decisão de primeiro grau, julgando improcedente os valores lançados a título de omissão de rendimentos por depósito bancários.. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente para, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do auto de infração os lançamentos referentes a omissão de rendimentos depósito bancários.. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720155/2014-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco.
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE
Havendo transferência de ágio da pessoa jurídica que efetivamente pagou com ágio para a pessoa jurídica que o pretende amortizar por meio de uma pessoa jurídica interposta, comumente denominada de empresa veículo, torna-se indevida a dedução da amortização do ágio, mesmo que preenchidos os requisitos formais dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, bem como os artigos 385 e 386 do RIR/99, caso não haja prova de outro motivo para a utilização dessas empresas que não seja unicamente o tributário.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência. Quanto ao mérito da exigência, em primeira votação, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar-lhe provimento integralmente quanto ao mérito da exigência. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor nessa matéria. Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por manter a multa no percentual aplicado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE Havendo transferência de ágio da pessoa jurídica que efetivamente pagou com ágio para a pessoa jurídica que o pretende amortizar por meio de uma pessoa jurídica interposta, comumente denominada de empresa veículo, tornase indevida a dedução da amortização do ágio, mesmo que preenchidos os requisitos formais dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, bem como os artigos 385 e 386 do RIR/99, caso não haja prova de outro motivo para a utilização dessas empresas que não seja unicamente o tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 55 /2 01 4- 54 Fl. 5415DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.667 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência. Quanto ao mérito da exigência, em primeira votação, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por darlhe provimento integralmente quanto ao mérito da exigência. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor nessa matéria. Em segunda votação, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por manter a multa no percentual aplicado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.668 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4344 a 4422 foram juntadas múltiplas cópias idênticas deste apelo aos autos, até fls. 5340), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 4304 a 4331) que manteve integralmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 3006 a 3062), negando provimento à Impugnação apresentada (fls. 3041 a 4269). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, acompanhadas de multa qualificada (150%), lançadas em face da empresa PROT CAP ARTIGOS PARA PROTEÇÃO INDUSTRIAL LTDA, diante da glosa de dedução de ágio percebido na alienação de suas quotas a empresas do Grupo Bunzl. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à indedutibilidade do ágio amortizado pela Recorrente, do anocalendário de 2009 ao de 2013 (originado em operação ocorrida em fevereiro de 2008), por ter sido este gerado em operação que contemplou empresas veículo, adquiridas no Brasil pelo Grupo estrangeiro Bunzl, sendo os reais adquirentes e detentores das despesas com o ágio pago as companhias inglesas Selectuser Limited e Bunzl Overseas Holdings (nº2) Limited. No completo TFV (fls. 3040 a 3062), a Fiscalização inicialmente esclarece o contexto da Ação Fiscal que deu origem às Autuações, passando a fazer uma descrição da pessoa jurídica fiscalizada, arrolando suas características societárias. Após tais considerações, passa a descrever e analisar as operações que geraram o ágio, abordando na sequência o pagamento e a amortização do ágio glosado. As operações societárias procedidas entre a Família Baldin (antigos titulares da PROT CAP) e o Grupo internacional Bunzl são resumidas da seguinte forma: Empresas envolvidas: Fl. 5417DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.669 4 Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.670 5 Posteriormente, constituindo o conteúdo acusatório do lançamento de ofício, a Autoridade Fiscal faz considerações sobre a legislação vigente à época dos fatos colhidos, tratando dos requisitos para a dedução lícita do ágio, passando a confrontálos com a postura fiscal e contábil do Contribuinte. Mencionase existir Laudo de Rentabilidade Futura, aceitandoo como válido, fazendo ao final a seguinte ponderação conclusiva: Diante destas considerações, é possível concluir, a princípio, que o ágio surgido na aquisição da PROT CAP é válido e que, supostamente, poderia ser amortizado com base em expectativa de rentabilidade futura prevista no inciso II do §2º do artigo 385 do RIR/99. Entretanto, há aspectos que invalidam a possibilidade de amortização deste ágio pela fiscalizada. (fls. 3053) Fl. 5419DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.671 6 Na sequência, fundamentando a invalidade da amortização do ágio, a Fiscalização trata da Utilização de Empresa Veículo, qual seja a Bunzl Participações Ltda, a qual, junto com outra holding, a empresa Bunzl do Brasil Participações Ltda, faria parte de planejamento tributário operado visando apenas ao aproveitamento do ágio percebido na aquisição de participação societária procedida por empresas estrangeiras. Confirase trechos que esclarecem tal acusação: A empresa Bunzl Participações Ltda. possui todas as características de uma empresa veículo, uma vez que, além de sua existência efêmera, não possui propósito negocial, tendo como única operação relevante durante seu curto período de existência a aquisição da fiscalizada com ágio, pelo valor de R$ 100 milhões, com numerário que lhe foi aportado pela inglesa Selectuser Limited (por intermédio de sua controladora, Bunzl do Brasil Participações Ltda). Tal aporte de capital teve como objetivo criar condições para que a Bunzl Participações Ltda figurasse “formalmente” como adquirente na negociação, e em seguida, transportasse o ágio para dentro do Balanço Patrimonial da fiscalizada, possibilitando sua amortização, ou seja, visando exclusivamente, ao benefício fiscal. (...) Ora, é totalmente incoerente que, para adquirir a brasileira PROT CAP, o grupo BUNZL tenha adotado como procedimento preparatório a aquisição de duas empresas brasileiras inoperantes para, logo em seguida, extinguir uma delas sob a justificativa de obtenção de “uma maior lucratividade e eficiência operacional, administrativa e financeira, bem como diminuição de custos operacionais, através da redução do número de empresas existentes”. Já não se sabia de antemão que um maior número de empresas resultaria em um maior custo operacional? Precisouse engendrar toda a reestruturação societária anteriormente descrita, para, só então, se concluir que a simplificação da estrutura societária reduziria o custo operacional do grupo? Fica patente que a utilização da Bunzl Participações Ltda serviu única e exclusivamente para transportar o ágio para o Balanço da fiscalizada e tornálo amortizável por via da incorporação. (fls. 3053 a 3055). Em acréscimo no TVF empreendeuse a tópico referente ao Real Adquirente da Participação Societária com Ágio, argumentando a Fiscalização que, na verdade, o real comprador e, logo, titular de tais despesas com o ágio percebido eram as empresas inglesas. Isso pois, o valor utilizado pela empresa holding, Bunzl Participações Ltda para o pagamento da aquisição das quotas da PROT CAP veio totalmente de integralização de capital de sua sócia, a outra holding brasileira, Bunzl do Brasil Participações Ltda, a qual, anteriormente, Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.672 7 também teve o capital social elevado e integralizado por sua sócia estrangeira Selectuser Limited. Afirma também que não havia qualquer óbice para estas companhias estrangeiras efetuaram diretamente a compra das quotas da Recorrente. Confirase algumas passagens: Podese dizer que, se a Selectuser Limited, empresa sediada no Reino Unido houvesse adquirido diretamente a brasileira PROT CAP, inviabilizada estaria a fruição da amortização do ágio, já que não se atenderia o requisito legal previsto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (reproduzidos pelo art. 386 do RIR/99) acerca da extinção dos investimentos por confusão patrimonial. Por outro lado, se a Selectuser Limited houvesse, adquirido diretamente e, em seguida, incorporado a brasileira PROT CAP, também estaria inviabilizada a fruição da amortização do ágio, porque situada a sucessora fora do alcance da legislação brasileira. Entretanto, o Grupo BUNZL optou por um outro caminho: a utilização de uma empresa veículo sediada no Brasil (Bunzl Participações Ltda), que figurasse como adquirente “formal” da participação societária da empresa PROT CAP para, logo em seguida, incorporar seu acervo pela própria empresa adquirida, visando, assim, “formalmente” as condições legais para a dedutibilidade da amortização do ágio, promovendo a extinção do investimento. (...) Na essência, o negócio constituiuse na venda das quotas da empresa brasileira PROT CAP para a empresa inglesa Selectuser, representante do grupo Bunzl. Em que pese a empresa brasileira Bunzl Participações Ltda ter figurado como compradora no contrato de compra e venda, e a empresa brasileira Bunzl do Brasil Participações Ltda, como interveniente, a real adquirente é a Selectuser. (...) Portanto, resta mais do que evidente que a empresa brasileira Bunzl Participações Ltda não foi a real adquirente das quotas da fiscalizada com ágio, e sim as inglesas Selectuser Limited e Bunzl Overseas Holdings (Nº 2) Limited, sendo que a primeira suportou sozinha o ônus da operação, conforme se depreende da 2ª Alteração Contratual da Bunzl Participações do Brasil Ltda, de 12/02/2008 (fl. 532):(...) Repisese mais uma vez, a estrangeira Selectuser Limited suportou o encargo da aquisição da PROT CAP (com ágio), Fl. 5421DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.673 8 conforme se verifica nos já citados extratos, alterações contratuais e lançamentos contábeis. Portanto, é ela que faria jus à amortização do ágio caso incorporasse sua controlada adquirida com sobrepreço. Tendo em vista que ela localizase no exterior, o que impossibilita o aproveitamento do ágio, o grupo estrangeiro engendrou um planejamento tributário com o intuito exclusivo de fazer uso indevido dos efeitos fiscais da amortização desse ágio no Brasil. Houve, na realidade, uma torpe tentativa de se ajustar à letra da lei, sem que restassem atendidos os requisitos intrínsecos do permissivo legal, o qual condiciona a dedutibilidade fiscal da amortização do ágio à extinção por incorporação, fusão ou cisão da participação da investida pela investidora que efetivamente pagou pelo ágio (ou viceversa). De forma alguma as disposições do artigo 386 do RIR/99 transformaram o potencial direto à dedução dessa despesa em um “título” transferível a quem o seu detentor desejasse. A replicação do ágio em pessoa diversa daquela que efetivamente suportou o seu pagamento, assim entendida aquela situação em que não se verifica a necessária “confusão patrimonial”, não autoriza a dedutibilidade de despesa com a sua amortização, visto que não atende às condições estabelecidas na legislação vigente. (...) Ora, o direito ao aproveitamento fiscal dos encargos de amortização do ágio surge da subsunção de situações fáticas a hipóteses previstas na legislação vigente, diga se alienação ou liquidação do investimento adquirido com ágio (regra geral do art. 391, c/c art. 426 do RIR/99) ou extinção por incorporação da participação da investida pela investidora que efetivamente pagou pelo ágio (ou viceversa), com a ocorrência da “confusão patrimonial” (regra subsidiária dos arts. 385 e 386 do RIR/99), e não a mera conveniência do contribuinte, mediante formatação de operações artificiosas como lhe aprouver. (fls. 3057 a 3059) Após a descrição completa da infração e conclusão pelo procedimento de lançamento de ofício, em diminuto tópico a Fiscalização trata da qualificação da multa de ofício, na monta de 150%, que se reproduz integralmente a seguir: Em face do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL acima caracterizada, cumpre o exame da multa de ofício aplicável ao caso em questão. A redação do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 11.488/2007, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.674 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Especial atenção deve ser dedicada ao que dispõe o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Nele citado, o art. 72 da Lei nº 4.502/64 assim define fraude: “Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” A operação engendrada pela fiscalizada, conforme já exposto, é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. (fls. 3061) Cientificado da Autuação, o Contribuinte ofereceu Impugnação, robustamente instruída (fls 3071 a 4069), trazendo as seguintes alegações: Decadência Aquisição realizada no anocalendário de 2008 7. As despesas com a amortização do ágio glosadas foram geradas na aquisição da participação societária da Impugnante pela BUNZL Part, em 18/02/2008. Logo, o reconhecimento das despesas já estaria atingido pela decadência. Inclusive é o entendimento já proferido pelo CARF. 7.1. Caso não se aceita o acima exposto, o que se admite apenas para argumentar, mesmo que fosse adotado o entendimento mais favorável ao fisco, no sentido de considerar a contagem do prazo decadencial a partir do momento da conversão do ágio em ativo diferido (incorporação da BUNZL Part, em 28/11/2008), mesmo assim já teria ocorrido a decadência. MÉRITO Fl. 5423DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.675 10 Considerações preliminares 8. A operação em exame no presente processo administrativo consistiu na aquisição, pela Bunzl Part. (sociedade brasileira integrante do Grupo Bunzl), da totalidade do capital da Requerente. Essa operação apresentou as seguintes características: (i) A transação de compra de participação societária foi realizada entre partes independentes, envolvendo grupos econômicos não relacionados. Neste ponto, vale destacar que a D. Fiscalização, em nenhum momento, alega que a operação teria sido realizada entre partes relacionadas; (ii) Houve efetivo pagamento do preço (e do ágio) firmado entre as partes, preço este incorrido por sociedade brasileira (a Bunzl Part.) em Reais para adquirir investimento em outra sociedade brasileira (a Requerente); (iii) O fundamento econômico do ágio pago a expectativa de rentabilidade futura da Requerente pela sociedade brasileira Bunzl Part estava embasado em estudo interno da Requerente e em Laudo de Avaliação preparado pela PWC, que nem sequer foi questionado pela D. Fiscalização; (iv) O valor do preço pago pela adquirente, e o valor do ágio reconhecido na contabilidade da Requerente, não foram questionados pela D. Fiscalização; (v) O ganho de capital apurado pelos vendedores (antigos quotistas da Requerente) foi submetido à tributação pelo IRPF, ocasionando recolhimento de tributos aos cofres públicos em alto valor, conforme confirmado pela D. Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal; e, por fim; (vi) A aquisição foi seguida da incorporação da sociedade adquirente (a Bunzl Part.) ao patrimônio da adquirida (a Requerente), de forma que o ágio pago (registrado na Bunzl Part.) e o seu fundamento econômico (a própria Requerente) foram consolidados em uma única pessoa jurídica. Permissão legal para a amortização do ágio 9. O ágio em questão foi gerado de acordo com a correta e racional aplicação das regras contábeis e fiscais em vigor, nos exatos termos do artigo 20 do Decretolei 1.598/77, dos artigos 7° e 8o da Lei 9.532/97, e artigos 385 e 386 do RIR/99. Não cabe, portanto, à D. Fiscalização pretender lançar quaisquer dúvidas sobre a sua legitimidade, sobretudo com base em premissas equivocadas como as que motivaram o Auto de Infração ora impugnado. 9.1. A pessoa jurídica que adquirir investimento sujeito ao método de equivalência patrimonial deve desdobrar o custo de aquisição desse investimento em: (i) valor de patrimônio líquido Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.676 11 na época da aquisição; e (ii) ágio (ou deságio) apurado na operação. 9.2. O ágio, para fins fiscais, conforme previsto no artigo 385 do RIR/99, poderá ter os seguintes fundamentos econômicos: (i) valor de mercado dos bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade (ágio mais valia); (ii) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão de resultados futuros (ágio expectativa de rentabilidade futura); e (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas (ágio intangíveis). 9.3. A Bunzl Part, ao adquirir o novo investimento, procedeu exatamente como determina o artigo 20 do Decretolei 1.598/77 e 385 do RIR/99, e desdobrou, em sua escrituração contábil e fiscal, o custo de aquisição do investimento que passou a deter na Requerente em: (¡) valor de patrimônio líquido desse investimento; e (ií) ágio. 9.4. Diante dessa justificativa econômica do ágio reconhecido pela Bunzl Part, cumpre também examinar o disposto no artigo 7o, inciso III, e artigo 8o da Lei 9.532/97 (reproduzido no artigo 386, inciso III, do RIR/99), que autorizam o procedimento adotado pela Requerente no presente caso. 9.5. Os dispositivos acima mencionados, embora tenham sido originalmente editados no contexto do Plano Nacional de Desestatização, eles são igualmente aplicáveis e válidos para incentivar operações de compra e venda de empresas entre partes privadas. O propósito negocial da utilização da Bunzl Part. pelo Grupo Bunzl 10. A utilização da Bunzl Part como adquirente do investimento também estava revestida de efetivos propósitos negociais que ultrapassam a mera economia tributária da operação. 10.1. Conforme estabelece a própria jurisprudência atual do CARF, não há qualquer ilícito quando a motivação do negócio jurídico está relacionada à obtenção de vantagem fiscal. O ilícito ocorre quando a causa do negócio jurídico (a aquisição da participação societária) está apenas ligada à obtenção de um benefício fiscal. No caso em discussão a causa do negócio jurídico foi a aquisição da Requerente pelo Grupo Bunzl, por melo da utilização da Bunzl Part. O benefício fiscal da amortização do ágio é mera consequência trazida pela própria legislação tributária em vigor. 10.2. Em segundo lugar, o Grupo Bunzl não possuía qualquer Investimento no Brasil na época dos fatos geradores ora analisados. Dessa forma, o Grupo Bunzl adquiriu no Brasil duas empresas para possibilitar o seu Ingresso no mercado brasileiro. Essas empresas tinham como função analisar possíveis investimentos no país, para posterior aquisição. Fl. 5425DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.677 12 10.3. E, ainda que não se admitissem os pontos acima destacados, o que se afirma apenas a título de argumentação, a D. Fiscalização não poderia pretender desconstituir uma operação realizada em absoluta conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações econômicas. 10.4. Sobre essa questão, cabe lembrar que a aplicação da chamada "teoria da substância econômica" passou a ser adotada pelas autoridades fiscais a partir da edição da Lei Complementar n° 104, de 10.1.2001 (LC 104/01), que alterou o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Porém, além desse dispositivo não ter sido expressamente citado pela D. Fiscalização na lavratura do presente Auto de Infração, a parte final do referido dispositivo deixa expresso que ele não é auto aplicável, mas depende de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. A infundada alegação de “empresa veículo” 11. A doutrina e jurisprudência recente têm considerado que a alegação de "empresa veículo" só é pertinente nos chamados casos de "ágio interno", em que as transações que dão origem ao ágio amortizado fiscalmente tenham sido realizadas dentro de um mesmo grupo econômico. 11.1. No direito civil brasileiro, as únicas possibilidades de desconsideração da personalidade jurídica são as hipóteses de fraude, dolo, sonegação ou conluio. Caso contrário, para todos os fins legais, inclusive fiscais, devese respeitar a personalidade jurídica das pessoas jurídicas. 11.2. Adicionalmente, destacase que uma sociedade holding pura independe da existência de empregados, ou da geração de despesas ou receitas próprias e, pela lei comercial é passível de ser criada para permitir usufruir benefício fiscal. 11.3. Assim, é possível afirmar que mesmo que a empresa tivesse sido constituída apenas para permitir um benefício fiscal, o que se admite apenas para fins argumentativos, certo é que este é também um objetivo legalmente assegurado na legislação comercial. 11.4. Aqui vale mais um comentário. A expressão "empresa veículo" utilizada na acepção de uma empresa de propósito específico não deveria causar maiores preocupações. De fato, uma empresa de propósito específico pode ser chamada de veículo, mas neste caso, sua validade e eficácia devem ser respeitadas no plano do Direito. 11.5. Notese que a Requerente não está dizendo aqui que o presente caso tem uma sociedade veículo. O que se quer deixar claro é que mesmo se fosse aceita a absurda alegação de que haveria uma sociedade veículo, isto por si só, não seria suficiente para questionar ou afastar o direito da Requerente de Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.678 13 utilizar benefício fiscal expressamente estabelecido pela legislação tributária. 11.6. Também, o prazo de duração de uma sociedade Holding não pode ser utilizado como requisito de sua validade, a teor do artigo 981, parágrafo único do Código Civil: “a atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados”. Jurisprudência CARF acerca da alegação de “empresa veículo” 12. O CARF, ao julgar casos com fatos e circunstâncias em que havia sociedades veículo (o que não ocorre no presente caso), reconheceu a legitimidade da amortização fiscal do ágio pago pelos contribuintes, desde que a transação que gerou o ágio tenha sido feita entre partes independentes, tenha havido efetivo pagamento do preço pelo comprador e que o fundamento econômico do ágio esteja baseado em avaliação (o que ocorreu no presente caso). São anexados vários acórdãos com este entendimento (doc. nº 25). A Impugnante passa a comentar cada uma das decisões do CARF mencionadas. 12.1. Este caso, portanto, jamais pode ser visto como qualquer forma de planejamento tributário abusivo, mas sim, e meramente, como a adoção de uma opção legalmente disponível no ordenamento jurídico brasileiro para a estruturação da mesma operação, sem nenhum prejuízo para o fisco brasileiro. 12.2. Diferentemente dos chamados "planejamentos tributários", nas opções fiscais, o contribuinte não se aproveita de nenhuma lacuna da lei ou da construção de diversos dispositivos para se contornar uma regra proibitiva. Da existência da Bunzl Part 13. É importante destacar que, ao contrário do que foi alegado pela D. Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, a Bunzl Part. não possuiu existência efêmera. A Bunzl Part. foi constituída em 22.11.2007, com a denominação social de Icanã. 13.1. Essa sociedade foi adquirida pelo Grupo Bunzl, em 29/1/2008, como forma de início das suas atividades no mercado brasileiro. Foi também neste momento que a esta empresa passou a ser denominada de Bunzl Part. Apenas um ano após a sua constituição, em 28/11/2008, a Bunzl Part. foi incorporada pela Requerente, com o intuito de diminuir os custos operacionais do Grupo Bunzl no Brasil. 13.2. Dessa forma, ao contrário do que foi alegado pela D. Fiscalização, a Bunzl Part. não possuiu "existência efêmera", uma vez que entre a sua constituição e a incorporação pela Requerente houve um período de praticamente um ano. MULTAS APLICADAS 14. Conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, a multa qualificada somente pode ser aplicada nos casos de Fl. 5427DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.679 14 sonegação, fraude ou conluio. Além disso, as autoridades fiscais devem trazer provas inequívocas da ocorrência desses vícios. No presente caso, a fiscalização argumenta, com base em alegações genéricas, que a operação engendrada pela Requerente é legal apenas no seu aspecto formal. A fiscalização não comprova, de forma inequívoca, o dolo na conduta da Impugnante. 14.1. Ainda que os julgadores não entendessem que houve excesso da fiscalização, o que se admite apenas para argumentar, o artigo 112 do CTN dispõe que as penalidades deverão ser interpretadas e aplicadas da maneira mais favorável ao contribuinte em casos de dúvida a respeito da capitulação legal do fato e da natureza ou das circunstâncias materiais do fato. 15. Assim, não se pode argüir simulação, fraude ou dolo; quando muito se poderia falar em "erro de proibição", pois, se é que havia qualquer ilicitude na operação examinada, o que se admite para argumentar, não havia ao menos conhecimento por parte da Requerente acerca dessa suposta ilicitude do negócio. É nesse sentido que tem decidido a jurisprudência administrativa: 15.1. O artigo 76, inciso II, alínea "a" da Lei 4.502/64 veda a aplicação de penalidades enquanto houver interpretação jurisprudencial administrativa irrecorrível dando determinada interpretação a uma situação jurídica, mesmo que o interessado não tenha sido parte no caso. 16. Por fim, importa notar que a aplicação de sanções deve sempre seguir o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, conforme o artigo 2o, parágrafo único, inciso VI, da Lei 9.784/99, que rege supletivamente o processo administrativo fiscal: 16.1. No mesmo sentido, o artigo 142 do CTN dispõe que no ato do lançamento, a Autoridade Administrativa, sendo o caso, poderá propor a aplicação da penalidade cabível. 16.2. Ora, o termo "propor" no artigo em referência deve ser entendido como a competência dada à autoridade fiscal para ponderar as situações objetivas e subjetivas da conduta praticada pelo contribuinte, de modo que possa ser feito um verdadeiro juízo de pertinência e de adequação da aplicação da penalidade, se for o caso. TAXA SELIC 17. Como se sabe, os débitos tributários exigidos pela D. Fiscalização através do Auto de Infração ora impugnado são acrescidos de multa de ofício, sendo certo que, na prática, após a lavratura do Auto de Infração, essa multa passa a ser mensalmente atualizada com base na taxa de juros SELIC. 17.1. Essa atualização é realizada pelas autoridades fiscais com amparo não na lei, mas no Parecer MF n° 28, de 2.4.1998, Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.680 15 emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT. 17.2. O artigo 61 da Lei 9.430/96, utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas, trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil. 17.3. No que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. É inclusive o entendimento exarado em decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), nos autos do Recurso Especial n° 450.422/PR. CSLL 18. Ao se referir a glosa das despesas de amortização de ágio para fins de apuração da CSLL a D. Fiscalização referese ao artigo 13, inciso III, da Lei 9.249/95. Referido dispositivo legal, entretanto, trata de despesas de amortização com bens móveis e imóveis, não tendo nenhuma relação com a amortização de ágio. 18.1. Dessa forma, erra a D. Fiscalização ao fundamentar a glosa das despesas de amortização de ágio para fins de CSLL e, portanto, esse questionamento deve ser considerado nulo, uma vez que compromete o direito de defesa da Requerente. 18.2. Assim sendo, são válidos os argumentos de fato e de direito apresentados anteriormente, que justificam a legalidade do procedimento adotado pela Requerente também para efeitos de recolhimento da CSLL. Dessa forma, tendo demostrado na presente Impugnação a improcedencia da autuação de IRPJ, tornase, também, improcedente a exigência relativa à CSLL. (fls. 4310 a 4315) Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO, que julgou totalmente procedente o lançamento, rejeitando a Impugnação apresentada. Confirase a ementa daquele v. Julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a Fl. 5429DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.681 16 data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. AMORTIZAÇÃO DE ATIVO DIFERIDO TRANSFERIDO DA CONTROLADORA (ÁGIO). INDEDUTIBILIDADE. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a amortização de ativo diferido transferido de sua controladora e originário de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura apurado em decorrência de aquisição de sua participação, por empresa do exterior por intermédio de empresa veículo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A operação consistente em constituir pessoa jurídica desprovida de atividade operacional, sem propósito negocial justificado a não ser o de servir de veículo para o recebimento de ágio e sua posterior transferência àquela que lhe deu causa, caracteriza fraude, qualificando a conduta infracional e motivando o agravamento da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés parcial, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4344 a 4422), repisando os argumentos de sua Impugnação e fazendo alusão específica aos termos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões da necessidade de sua reforma. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.682 17 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminar, a Recorrente alega a ocorrência da decadência dos créditos tributários sob exigência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, por ter a operação que deu origem ao ágio apurado (fevereiro 2008) ocorrido mais de 5 anos antes da ciência do lançamento em tela (dezembro de 2014). Traz julgados deste E. CARF suportando a sua tese de que o prazo decadencial deve ter início na data da transação. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. O objeto dessa modalidade de caducidade é a limitação temporal para a constituição do crédito tributário, a contar do nascimento da obrigação tributária, e não a prerrogativa fazendária de análise de eventos e fatos envolvidos na formação dessa obrigação, não havendo base para tal suposta vedação cronológica. A infração tributária descrita no lançamento se reveste de glosa de amortizações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2009 a 2013, supostamente culminando na redução indevida do montante das obrigações tributárias deste exato período. O fato jurídico tributário colhido pela Fiscalização não é, propriamente, as operações que deram origem a essa despesa, mas seu aproveitamento fiscal, em momento ulterior. Atualmente, existe forte corrente jurisprudencial administrativa nesse sentido, inclusive adotada por unanimidade nesta C. 2ª Turma, restando certo que se inicia a contagem do prazo decadencial a partir da dedução/amortização da despesa, podendo, livremente, o Fisco colher fatos e remeter a operações anteriores a tal ocorrência. Fl. 5431DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.683 18 Ilustrando tal posição, confirase trecho do Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Frisese que os excertos jurisprudenciais colacionados nos apelos da Recorrente são antigos e exprimem entendimento superado. Desse modo, fica afastada a ocorrência da decadência do crédito tributário sob exame. No que tange ao mérito, o processo versa sobre a glosa de aproveitamento de ágio, gerado em operação de aquisição de participação societária na qual fora empregada empresa veículo, sendo o real adquirente empresa estrangeira (ou empresas de um mesmo Grupo britânico), por ter esta financiado, integralmente, a compra através de integralização de capital em holding adquirida no Brasil. Posto isso, é necessário inicialmente esclarecer que não foram questionados e, inclusive, é atestada a regularidade em relação: a) à independência das partes envolvidas no negócio, b) à existência de pagamento e a sua monta, c) à lisura contábil da forma como o ágio foi registrado, d) à validade do Laudo de Rentabilidade Futura e e) ao recolhimento de Imposto de Renda sobre o ganho de capital percebido pelas pessoas físicas vendedoras das participações. Confirase conclusão expressa do primeiro tópico acusatório do TVF: Diante destas considerações, é possível concluir, a princípio, que o ágio surgido na aquisição da PROT CAP é válido e que, supostamente, poderia ser amortizado com base em expectativa de rentabilidade futura prevista no inciso II do §2º do artigo Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.684 19 385 do RIR/99. Entretanto, há aspectos que invalidam a possibilidade de amortização deste ágio pela fiscalizada. (fls. 3053 destacamos) Para Fiscalização, o ágio teria se tornado inválido para a dedução por parte da Recorrente pela utilização de empresas holdings, criadas em 2007 e adquiridas ainda em 2008 pelo Grupo Bunzl (que não possuía companhias no Brasil), estruturando o negócio para que uma delas, a Bunzl Participações Ltda. (Bunzl Part), figurase como o adquirente das quotas da PROT CAP, afirmando que tal empresa, além de sua existência efêmera, não possui propósito negocial, tendo como única operação relevante durante seu curto período de existência a aquisição da fiscalizada com ágio, pelo valor de R$ 100 milhões, com numerário que lhe foi aportado pela inglesa Selectuser Limited (por intermédio de sua controladora, Bunzl do Brasil Participações Ltda). Tais empresas teriam sido mero canal de trânsito dos valores aportados para a compra da PROT CAP, a fim de mascarar o verdadeiro titular do negócio, a qual seria a inglesa Selectuser Limited1, permitindo, desse modo, gozar do ágio percebido no Brasil. Assim, fica claro que a acusação fiscal resumese, precisamente, à classificação da Bunzl Participações Ltda. como empresa veículo, o que revelaria ser o detentor e titular da despesa com o ágio a pessoa jurídica estrangeira, Selectuser Limited. Assim, não teria havido a extinção por incorporação, fusão ou cisão da participação da investida pela investidora que efetivamente pagou pelo ágio (ou viceversa). Delimitada a matéria a ser agora enfrentada, cabe ressaltar que o tema amortização de ágio neste E. CARF não é recente e, atualmente, existe prolífera quantidade de autuações, já devidamente processadas e julgadas até seu exaurimento recursal. A matéria guarda certa controversa, podendo ser observado neste E. Conselho a evolução jurisprudencial do tema na última década, caminhando para uma jurisprudência menos objetiva e mais analítica das circunstâncias da geração do ágio, apresentandose um entendimento tecnicamente exigente quanto à presença de elementos validadores da amortização de tal dispêndio, extraídos da interpretação das normas tributárias que regulam a sua dedução das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. 1 Em outro ponto do TVF aponta a existência "reais adquirentes", atribuindo a titularidade da compra também à empresa Bunzl Overseas Holdings Nº 2 Limited. Fl. 5433DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.685 20 Apesar da notória repercussão dos julgados sobre o tema, existe certa disparidade quanto à fixação precisa de todos requisitos de uma operação para permitir o livre aproveitamento do ágio. Mas é plenamente seguro afirmar que se entende relevante e necessário para a verificação objetiva da formação lícita do ágio, nos moldes das prescrições do art. 385 e 386 do RIR/99, a presença dos seguintes elementos: 1) o efetivo sacrifício econômico no momento do investimento que lhe originou; 2) realizado entre partes não relacionadas; 3) arrimado em laudo válido, contemporâneo, exarado por terceiro competente e; 4) nas operações em que há a extinção de pessoa jurídica, a absorção do patrimônio da investida pela investidora (ou vice versa). Apenas um elemento daqueles acima elencados foi questionado pela Fiscalização, qual seja: a absorção patrimonial entre as empresas que realmente transacionaram, vez que, no seu entender, através de planejamento tributário, utilizando empresas sem propósito negocial, mascarouse os reais investidores estrangeiro. Ou seja, para a Autoridade Fiscal, a confusão patrimonial entre a holding nacional adquirida pelo Grupo Bunzl não bastou para o aproveitamento do ágio. Tal tema de Direito já foi enfrentado por esta C. 2ª Turma no Acórdão nº 1402.002.373, de votação unânime, publicado em 14/02/2017, podendose transportar alguns dos seus elementos decisórios para a presente demanda, como será feito a seguir. Nesse sentido, dentro da mencionada evolução de entendimento deste E. CARF, analisase mais profundamente as circunstâncias no emprego das chamadas empresas veículos e, na correta e necessária racionalização da verificação de provas e fatos envolvidos, permitese a constatação, individual e concreta, da influência de tal manobra na legalidade da formação do dispêndio em tela. Em caso que tratava de acusação muito semelhante, ilustrase claramente tal entendimento no Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.686 21 Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial e; (ii) emprego de empresa veículo. (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) Fl. 5435DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.687 22 No mesmo sentido temos também o Acórdão nº 1302.001.977, proferido pela C. de 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria da I. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich e voto vencedor o I. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, publicado em 13/10/2016 e o Acórdão nº 1301.002.111, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I Conselheiro Waldir Veiga Rocha, publicado em 19/08/2016. Este Conselheiro filiase a tal corrente, no sentido de que o mero emprego de empresas veículos, inclusive holdings criadas com o único propósito de promover aquisição de participação societária, não invalida a dedutibilidade do ágio percebido nas operações, desde que regular a sua formação e não tendo o emprego de tais empresas representado a formação de ágio novo ou elevado seu montante. O fato de seus titulares serem empresas estrangeiras é absolutamente irrelevante para dedutibilidade das despesas percebidas. A estruturação de negócios de fusões e aquisições utilizando modelos que contemplam holdings e companhias especificamente criadas para promover tais transações faz parte do corolário de livre organização empresarial, não havendo qualquer vedação legal a tal modelo, não podendo a opção societária contaminar a dedutibilidade de uma despesa que foi legitimamente formada independentemente de qual pessoa jurídica envolvida restou figurando como sua detentora, ao final de todas as etapas de execução do negócio. Agora, mesmo afastada de plano a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela mera constatação do emprego de estrutura que contemple empresas veículo, para uma melhor e mais detalhada resolução do presente feito, fazse importante aprofundarse nos elementos pelos quais a Fiscalização entendeu serem estas companhias parte de planejamento tributário ilegítimo. Quando da demonstração da suposta ausência de propósito negocial das holdings, a Fiscalização faz as seguintes conjecturas sobre tais empresas brasileiras no TVF: Em 22/11/2007 foram constituídas as empresas “Icanã Participações Ltda” e “Jutaí Participações Ltda”, citadas na etapa nº 1 do histórico constante no item 3.1 precedente. Ambas as sociedades nasceram com o objeto social de “participação em quaisquer outras sociedades como sócio, acionista ou quotista”, ou seja, holdings. As duas empresas tinham capital social de R$ 1000 (mil reais) e tinham sede à Rua Boa Vista, 254, 16º andar, sala 1607, Centro, São Paulo/SP, mesmo endereço comercial de seus sócios pessoas físicas (Alexandre Junior da Silva Nogueira, CPF 130.049.86841, Antonio Carlos Campos, CPF 859.887.15834, e Luís Alberto Guidetti, CPF 054.658.74880), que atuavam como técnicos em contabilidade, informações estas Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.688 23 constantes nos contratos constitutivos das duas empresas (fls. 514 e 817). Consultando o CPF dos três sócios nos sistemas informatizados da RFB, aparecem centenas de empresas do tipo “holding” registradas em seus nomes, com endereço à Rua Boa Vista, 254, 16º andar, sendo que eles figuram apenas nos primeiros meses nos respectivos quadros societários, do que se depreende claramente que se trata de um escritório contábil que vende “empresas de prateleira”. Assim, é possível concluir que as empresas foram constituídas sob os nomes aleatórios de “Icanã” e “Jutaí” para serem colocadas à venda em seguida. (...) A empresa Bunzl do Brasil Participações continua operando até hoje, entretanto, a Bunzl Participações deixou de existir no momento em que foi incorporada, 9 (nove) meses após sua aquisição, a fim de possibilitar “formalmente” a aplicação do dispositivo legal disposto no art. 386 do RIR/99, culminando na amortização do ágio. A empresa Bunzl Participações Ltda. possui todas as características de uma empresa veículo, uma vez que, além de sua existência efêmera, não possui propósito negocial, tendo como única operação relevante durante seu curto período de existência a aquisição da fiscalizada com ágio, pelo valor de R$ 100 milhões, com numerário que lhe foi aportado pela inglesa Selectuser Limited (por intermédio de sua controladora, Bunzl do Brasil Participações Ltda). (...) Ora, é totalmente incoerente que, para adquirir a brasileira PROT CAP, o grupo BUNZL tenha adotado como procedimento preparatório a aquisição de duas empresas brasileiras inoperantes para, logo em seguida, extinguir uma delas sob a justificativa de obtenção de “uma maior lucratividade e eficiência operacional, administrativa e financeira, bem como diminuição de custos operacionais, através da redução do número de empresas existentes”. Já não se sabia de antemão que um maior número de empresas resultaria em um maior custo operacional? Precisouse engendrar toda a reestruturação societária anteriormente descrita, para, só então, se concluir que a simplificação da estrutura societária reduziria o custo operacional do grupo? Fica patente que a utilização da Bunzl Participações Ltda serviu única e exclusivamente para transportar o ágio para o Balanço da fiscalizada e tornálo amortizável por via da incorporação. Não deixa de ser curioso, para não dizer contraditório, que a amortização do ágio, uma vez deduzida como despesa, produz como resultado justamente o efeito contrário ao declarado, ou seja, uma menor lucratividade, uma vez que reduz o lucro líquido da empresa. Fl. 5437DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.689 24 (...) A interpretação do sujeito passivo seguiu a lógica de que bastaria, a qualquer momento, formatar operações de aumento de capital em qualquer “empresa de prateleira”, mediante conferência do investimento adquirido com ágio, seguido de incorporação dessa “carcaça jurídica” pela empresa investida, para assim projetar esse ágio pago pela investidora dentro da própria empresa investida que deu causa ao seu surgimento, passando então a amortizálo na investida sob a pretensa ocorrência da hipótese prevista no art. 386, inciso III, do RIR/99 (regra subsidiária), para assim se esquivar da vedação ao aproveitamento fiscal do ágio, referida no art. 391 c/c art. 426 do RIR/99 (regra geral). (destacamos) A Fiscalização chega a apontar a determinação pelas partes envolvidas no negócio de que o contrato deveria ser redigido em língua inglesa, bem como enviar notificação à sua controladora britânica, como razão para desconsiderar o proposito negocial das holdings: No entanto, contraditoriamente, apesar de todas as partes envolvidas “formalmente” no negócio (compradora, interveniente e vendedores) serem domiciliados no Brasil, o contrato de compra e venda foi elaborado em língua inglesa. Além disso, na seção 5.01 do contrato consta a determinação de que qualquer notificação deveria ser redigida em inglês, e deveria ser encaminhada cópia para a Inglaterra (endereço que corresponde ao domicílio da Selectuser Limited), conforme se depreende do trecho abaixo reproduzido (tradução pública apresentada em 22/10/2014, fls. 344 a 460): (destacamos) Como se observa em tais trechos das acusações da Fiscalização, percebese que se atribuiu os rótulos de carcaça jurídica e empresa de prateleira às 2 holdings adquiridas pelas razões destas i) terem sido originalmente constituídas por técnicos em contabilidade, ii) possuirem capital social original de R$ 1.000,00 (e depois recebendo de seus novos titulares o aporte de mais de R$ 100.000.000,00), iii) possuírem a mesma sede iv) ter a Bunzl Participações Ltda. perdurado apenas 9 meses no Grupo (sendo incorporada pela própria PROT CAP), v) não ter efetuado nenhum outro negócio relevante antes da aquisição das quotas, vi) não serem necessárias para as operações que foram efetuadas e vii) os contrato de compra e venda das quotas efetivamente firmado e eventuais notificações serem redigidos em língua inglesa. Primeiramente, e conferindo todo o respeito ao trabalho da Autoridade Fiscal, é necessário o esclarecimento do conceito de Direito Comercial de empresas holdings, posto Fl. 5438DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.690 25 que algumas de suas características próprias, tanto práticas como jurídicas, plenamente lícitas e corriqueiras, foram utilizadas como argumento para constatação de sua suposta ausência de propósito negocial. Permitindose aqui uma tradução livre, o próprio verbo inglês to hold significa "deter", "segurar". Assim, sua própria nomenclatura já indica a sua função primordial: deter participações de outras empresas. O Prof. Modesto Carvalhosa2 define a função e as atividades das empresas criadas sob a rubrica de holding assim: A entidade econômica concentracionista, que surge das coligações e do controle de outras sociedades, encontram na holding o instrumento fundamental de sua organização. As holdings são sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando, nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (...) Tem assim a sociedade holding como característica diferencial e objetivo principal a participação relevante em uma atividade econômica de terceiros, em vez do exercício de atividade produtiva ou comercial. Possui como características principais: ter seu patrimônio formado de ações emitidas por outras companhias, exercer o controle sobre elas ou delas participar em caráter permanente, com investimento relevante no seu capital. Assim, o objeto social da holding é sempre o de participar do capital de outra sociedade, como controladora ou investidora (coligação). (destacamos) Nesse sentido, essa modalidade empresarial é o instrumento societário mais utilizado para organização e operação de grandes grupos, dado a sua simplicidade de constituição, aquisição, funcionamento e operacionalização. Assim, dentro de sua condição de companhias não operacionais, sem caráter comercial, mercantil, a acusação de possuírem as holdings mesma sede e capital social diminuto, assim como terem sido constituídas por terceiros (seja por técnicos em contabilidade 2 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. V. 4. Tomo II. São Paulo: Saraiva, 1998. pp. 14/15. Fl. 5439DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.691 26 ou qualquer outra profissão), antes da aquisição pelo Grupo estrangeiro, nada mais faz do que confirmar sua correta classificação societária e natureza jurídica de holding. Especialmente em relação a grandes grupos estrangeiros, é extremamente natural se organizarem por meio de tais figuras, principalmente em outros países, mesmo que aparentemente desnecessário. Isso porque, nos primeiros contatos com o novo mercado, é plenamente compreensível a escolha por não criar uma nova estrutura complexa, ou mesmo uma filial, que espelharia, ainda que parcialmente, por razões de políticas internas e compliance, a organização e a configuração institucional de sua matriz, representando, inclusive, um acréscimo injustificável de custos nesse momento inicial (lembrando que a Bunzl não possuía qualquer outra sociedade constituída no Brasil). E, na grande maioria das vezes, fazer o negócio diretamente (como sugerido pela Fiscalização), através de companhias operacionais estrangeiras é uma opção descartada, vez que aumentaria a complexidade e burocracia de todas as transações envolvendo o investimento adquirido no Brasil, assim como estabeleceria uma comunicação direta de riscos desse novo negócio (ainda não consolidado e testado) com empresas de outros mercados, sujeitas a cotações valorativas, avaliações para investimento e auditorias, tanto públicas como privadas. Endossando tal usualidade, a literatura doutrinaria3, dentro de uma abordagem mais prática e voltada ao empresariado, cita e confirma essa vocação das holding para investimentos internacionais: A holding pode ter o caráter de internacionalidade, isto é, manter ações de companhias que não estejam necessariamente no mesmo país. Ela se mostra importante "ponte" controladora de exportação, importação e investimentos estrangeiros. (grifamos) Eis então, sua função e propósito negocial: instrumentar a entrada de investimento estrangeiro, procedido pela aquisição integral de uma empresa do ramo de EPIs no Brasil. E tendo em vista que a aquisição da PROT CAP foi reconhecidamente o primeiro investimento feito no Brasil, tratandose de holdings claramente adquiridas para tal 3 LODI, Edna Pires. LODI, João Bosco. Holding. 4ª edição. São Paulo: Cengage Learning, 2001, p. 9. Fl. 5440DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.692 27 fim, nada mais natural, então, não terem praticado outros negócios antes da compra daquelas quotas. Corroborando tal entendimento, confirase trechos de Declaração de Voto do I. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, acompanhando o Voto Vencedor que deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, no v. Acórdão nº 1301.001.505, proferido pela C. 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, publicado em 25/02/2015: Do exame das operações realizadas, entendo que, desta feita, restou evidenciado que não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. No presente caso o Banco Societé Brasil, por meio de uma empresa controlada (Trancoso), adquirida especificamente para esse fim, adquiriu o controle da empresa Cacipar, anteriormente convencionada entre o Banco Societè e os sócios da empresa vendedora. (...) O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração do controle societário da empresa vendida. A fiscalização apontou uma série de questionamentos formais ao negócio entabulado, tais como: ausência de deliberação interna no Grupo Societé visando transferir a aquisição do investimento por meio da empresa Trancoso; ausência de notificação do vendedor, estabelecida no contrato de compra e venda, quanto à cessão de direitos; erros e inconsistências no Livro de Transferência de Ações do Banco Cacique. Entendo que não obstante tais aspectos formais não são suficientes para invalidar a conclusão de que ocorreu o pagamento de um ágio na aquisição de um participação entre partes não relacionadas. O fato de o negócio ter sido entabulado pela Banco Soceté Brasil e efetivado por meio de um empresa controlada, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Ainda que não tenha existido a notificação prévia é certo que os vendedores não se opuseram, tanto que celebraram a venda. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o Fl. 5441DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.693 28 negócio efetivamente realizado, ainda que evidentemente estruturada com vistas a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. (destacamos) Não pode haver e muito menos prevalecer a criação de uma nova obrigação, pelas Autoridades Tributárias, quanto à forma com que as empresas estrangeiras adentram o país para participar do mercado brasileiro. E uma vez aqui fixadas, seja através de holding, filiais ou promovendo joint ventures, deve ser dado o mesmo tratamento fiscal às empresas aqui constituídas e operantes, não podendo simplesmente desconsiderar suas personalidades com base em mera constatação de que seriam desnecessárias aos grupos estrangeiros, para então apontar o investidor externo como real sujeito e titular dos ônus, direitos e obrigações dessas companhias (verdadeiramente brasileiras). Se válida a lógica empregada pela Fiscalização em relação à identificação do real adquirente, toda empresa sediada no Brasil que promoveu uma aquisição, a qual se valeu anteriormente de financiamento de controladora ou coligada estrangeira, não seria titular de suas despesas, bastando apenas o Fisco regredir o necessário no tempo, até encontrar o patrocínio estrangeiro. E uma vez demonstrado que as empresas holdings, brasileiras, estavam regularmente constituídas, dentro de seus propósitos, essas, naturalmente, revestiramse de investidoras quando do dispêndio para uma aquisição societária, devidamente registrando essa sua despesa, inclusive a parcela percebida como ágio, não podendo manterse a glosa sob a alegação da falta de absorção patrimonial entre investida e investidora. Pertinente dizer que é necessária uma desmistificação da figura dos grupos investidores estrangeiros e da adoção de estratégias empresariais com estruturas societárias, consideradas engenharia complexa, como fundamentos próprios para o lançamento tributário. Fl. 5442DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.694 29 Em não havendo a demonstração precisa de como determinado ato influenciou na invalidade da formação do ágio ou a prova de sua ilicitude, tais fatos devem ser considerados como a regular prerrogativa organizacional do grupo. Em relação à suposta duração efêmera da Bunzl Participações Ltda., temse que, dentro da sua condição de holding e considerado que sua função era precisamente promover a compra das quotas da PROT CAP, o fato desta ter perdurado pouco mais de 1 ano e ficado 9 meses no Grupo Bunzl até ser incorporada, ou mesmo o pagamento efetuado a Família Baldin ter ocorrido apenas 5 dias após o aumento de capital, perde sua relevância. Em sentido contrário, se o Grupo Bunzl tivesse adquirido tal holding anos antes e adiado digase em 6 meses, o pagamento pelas quotas, de alguma forma, tal companhia ganharia maior substancia econômica? Substancia, essa, grande o bastante para validar a amortização do ágio? Qual o prazo de duração necessário para a holding ter propósito negocial? Ora, se acatado tal pensamento, estaríamos diante de um novo requisito, não só do Direito Tributário para a validação da amortização do ágio, mas também do Direito Comercial para a atribuição de personalidade jurídica a empresas holding. Tal lógica de mensurar a personalidade ou robustez negocial das empresas pela sua duração, número de operações efetuadas e fluxo financeiro deve ser aplicada com maior rigidez às empresas com objetos mercantis (comerciais, industriais e de serviços). Em relação às holdings, que, como demonstrado, têm como função operar e organizar, dentro de grupos econômicos, a detenção de participações societárias, tal raciocínio deve ser relativizado quando não, desconsiderado. Também é necessário observar que, aqui, não se trata de um processo que versa sobre lucros no exterior de coligadas e controladas ou a alegações de abuso de tratado, que têm como fundamento maior a tributação sob bases universais, no qual o Legislador, ao derrubar as limitações da territorialidade nacional, permitiu buscar os fatos jurídicos tributários ocorridos no exterior, praticados e percebidos por empresas estrangeiras. Tratase de uma glosa de ágio, percebido em operações ocorridas no Brasil, entre empresas brasileiras (sendo irrelevante o fato de suas titulares e controladoras serem empresas estrangeiras). Uma vez validamente constituída e operando dentro de seus propósitos, a companhia faz jus a todas suas prerrogativas. Fl. 5443DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.695 30 Por fim, o simples e insignificante fato de o contrato ter sido e as futuras notificações deverem ser redigido em língua inglesas não se amolda como fundamento técnico, válido, para glosa do ágio percebido na operação ou mesmo para a desconsideração da personalidade das empresas veículo, sendo plenamente isso justificável à medida que o Grupo controlador das empresas adquirente era inglês. Posto isso, a caracterização das holdings como carcaças jurídicas, desprovidas de personalidade, não se sustenta, vez que plenamente regular seu emprego, desempenhando sua natural e esperada função, dentro de estrutura empresarial e modelo de operação de investimento estrangeiro reconhecidamente comum e plenamente lícito, superandose a constatação de ausência propósito negocial e planejamento tributário ilegítimo. Diante de todo o exposto, considerase a amortização de ágio procedida pela Recorrente como plenamente lícita e válida, devem ser integralmente canceladas as Autuações, vez que fundadas nos mesmos improcedentes argumentos de invalidade pela utilização de empresa veículo e o apontamento de empresas estrangeiras como verdadeiros titulares da dessa despesa. Caso vencido em relação ao mérito, nos termos acima expostos, em relação à multa qualificada, como mencionado no relatório, sua fundamentação de aplicação foi a seguinte: A operação engendrada pela fiscalizada, conforme já exposto, é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. Como a própria justificativa do Fisco para qualificar a multa denota, não houve qualquer ato ilícito. Mas apenas a suposta intenção de reduzir carga tributária. Diferentemente daquilo defendido no TVF, tal conduta não pode ser classificada como fraudulenta, principalmente por não ter a Contribuinte violado qualquer vedação, falsificado documentos ou mesmo simulado a ocorrência negócios inexistentes. Fl. 5444DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.696 31 Sua postura estava encampada no livre exercício de seu direito e prerrogativas da iniciativa privada, devendo assim, ser afastada a qualificação da multa, reduzindo seu montante para 75%, referente à multa de ofício. Quanto à alegações da ilegalidade de incidência de juros sobre multa e aplicação da Taxa SELIC, esta C. 2ª Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende ser devida tal manobra, bem como correta eleição da taxa SELIC. O Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a Fl. 5445DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.697 32 multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar integralmente as Autuações combatidas. Caso vencido em relação mérito, voto pelo afastamento da qualificação da multa, reduzindo seu montante para 75%, referente à multa de ofício ordinária. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 5446DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.698 33 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator designado Com a máxima vênia, ouso discordar do entendimento proferido pelo Relator deste acórdão somente no tocante ao mérito da controvérsia, qual seja, a dedutibilidade da amortização do ágio pela empresa Prot Cap, ora Recorrente. O presente processo administrativo trata da glosa de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, pela indevida dedução da amortização de ágio pela empresa Prot Cap, cumulada com a qualificação da multa de ofício sob a alegação de fraude. Aqui necessário registrar que, em que pese tal tema ser uma constante neste Conselho, com vários julgados na CSRF, inclusive, sempre que o mérito da questão envolve ágio e a utilização de empresas veículos, a apreciação da matéria deve ser casuística, o que não implica dizer que cada caso deve ser considerado como único ou isolado, mas sim que as suas peculiaridades não devem ser ignoradas, principalmente se levarmos em consideração a complexidade do mundo empresarial e do Mercado na atualidade. O Termo de Verificação Fiscal inclusive ilustra este contexto à efolha 3.052, na qual colaciona entrevista (publicada no website da contribuinte em 27 de maio de 2013), do administrador Everaldo Baldin (exsócio) ao Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes (CIPA) sobre os negócios com o Grupo Bunzl. Acompanhese: “CIPA: Como uma empresa de 40 anos continua jovem? EVERALDO BALDIN: (...) Em 2004, a empresa iniciou a mudança para o prédio atual de 8.300m². Eu sempre tive a ideia de modernizar a minha companhia e foi o que fiz. Adquiri um belo prédio, reformei, pois queria levar minha empresa para o primeiro mundo e, no futuro, vendêla. Era um projeto deixar a companhia nas mãos de pessoas mais jovens, com um novo visual e também fazendo parte de um grupo grande, que é a Bunzl plc. Com o escritório pronto e moderno, pensava que se uma companhia estrangeira quisesse ingressar no mercado brasileiro, unindo a minha organização, eu a venderia. Depois de cerca de quatro anos, aconteceu o que eu previa. Em 2006, durante a Feira Internacional de Segurança e Proteção (Fisp), fomos procurados pela Bunzl, que já estava buscando negócios no Brasil com outros distribuidores. Após meses de negociação e auditorias internacionais, o negócio se concretizou. Em 15 de fevereiro de 2008, eu lembro como se fosse hoje, entreguei a minha empresa familiar para um grupo internacional e de destaque mundial. Foi verdadeiramente um projeto alcançado com sucesso. O meu objetivo era realmente esse e hoje sabemos que não é possível manter uma companhia familiar em um mundo tão competitivo. Falenos um pouco sobre a Bunzl? A Bunzl é uma empresa inglesa maravilhosa, que está presente em 23 países, com forte atuação nos Estados Unidos, Europa, Austrália, Ásia e América do Sul, abrangendo diversos segmentos, como segurança, hotelaria, higiene e Fl. 5447DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.699 34 limpeza, cuidados com a saúde, catering e especializada em distribuição. A ProtCap foi a porta de entrada da Bunzl no mercado brasileiro e, durante esses cinco anos à frente do negócio, mantivemos nossa administração e organização sem grandes mudanças e com o aval total da matriz, em Londres. A Bunzl é muito agradecida pelo modo que conseguiu ingressar no País com a ProtCap, tendo conseguido, nesses últimos cinco anos, adquirir mais cinco empresas no segmento de distribuição, incluindo operações na América do Sul. (...) E o futuro, o que espera para cinco anos de ProtCap? Eu vejo o Brasil crescendo e a ProtCap, com certeza, fazendo parte desse crescimento. Buscaremos mais qualificação, novos produtos e serviços, cobertura geográfica, melhores condições de logística para nossos clientes e um ambiente de trabalho cada vez melhor para nossos colaboradores. Com a Bunzl, a tendência é o crescimento, visto que é uma empresa muito organizada, tendo suas ações listadas entre as 100 companhias da bolsa de valores de Londres. A nova administração, a partir de abril de 2013, terá à frente, como diretor geral, Leonardo Baldin, uma pessoa jovem e moderna que, nos últimos 20 anos, foi devidamente treinada e capacitada para exercer esse cargo. Tenho absoluta certeza que esse crescimento ocorrerá. Conhecer o contexto que originou as operações societárias que originaram o ágio discutido é importante porque nos permite delinear as já mencionadas peculiaridades do caso concreto e, porque analisandose também o contexto das operações podese aferir de forma mais segura o real propósito das operações executadas pelas empresas. Disto temos que a Prot Cap, no intuito de crescimento, passou a fazer parte do Grupo Bunzl em 2008. Registro novamente aqui, de forma completa, o passoapasso dos movimentos societários que possibilitaram tal parceria e o surgimento do ágio ora analisado (TVF – efolha 3.043): Pois bem. A análise da dedução da amortização do ágio depende, num primeiro momento, da identificação entre os fatos ocorridos e sua conexão com os requisitos legais para a incidência do direito a dedução. Tais requisitos estão presentes nos artigos 385 e 386 do RIR/99, sendo que os artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 praticamente os repete. Retomese: Art.385.O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Ivalor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e IIágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. Fl. 5448DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.700 35 §1ºO valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2ºO lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): Ivalor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; IIvalor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; IIIfundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3ºO lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art.386.A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, eLei nº 9.718, de 1998, art. 10): Ideverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; IIdeverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IVdeverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1ºO valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2ºSe o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): Io ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; IIo deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 5449DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.701 36 §3ºO valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): Iserá considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; IIpoderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4ºNa hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5ºO valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6ºO disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): Io investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; IIa empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7ºSem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Do exame dos artigos retromencionados podese dizer que são requisitos para a dedução da amortização do ágio a confusão patrimonial, a independência entre as partes, o efetivo pagamento e o fundamento econômico. Notese que todos estes requisitos foram atendidos. Inclusive a fiscalização admite tal fato no TVF, à efolha 3.053: Diante destas considerações, é possível concluir, a princípio, que o ágio surgido na aquisição da PROT CAP é válido e que, supostamente poderia ser amortizado com base em expectativa de rentabilidade futura prevista no inciso II do §2º do artigo 385 do RIR/99. Entretanto, há aspectos que invalidam a possibilidade de amortização deste ágio pela fiscalizada. A partir deste momento, então, o TVF passa a abordar a questão da empresa veículo e aqui antecipo meu posicionamento de que a presente autuação recorrida tem cabimento, posto que a operação engendrada para a amortização do ágio no caso sob análise buscou exclusivamente a economia fiscal, valendose de empresa interposta, que não teve propósito negocial algum, existindo efemeramente e mais, cuja constituição demonstrouse, Fl. 5450DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.702 37 pelas provas dos autos, artificial e desnecessária se analisado o resultado final fático que toda a operação societária produziu. Esclarecese. O Termo de Verificação Fiscal, presente às efolhas 3.040 a 3.062, traz dois tópicos relevantes para a determinação da validade e eficácia da dedução do ágio amortizado pela ora fiscalizada. Tratase do tópico 4.2 denominado “Da Utilização de Empresa Veículo”, localizada à efolha 3.053 e do tópico 4.3, denominado “Da Real Adquirente da Participação Societária com Ágio”, localizado à efolha 3.055. Nesta parte do TVF a fiscalização toca no cerne da questão essencial para a solução da controvérsia quanto à amortização do ágio. Isto porque, a apurada e objetiva análise feita pela fiscalização nos permite concluir se a amortização foi lícita e legítima ou não. No primeiro tópico mencionado (4.2), fica bem clara a utilização de métodos desnecessários e despropositados com o objetivo de crescimento alegado pela Recorrente. Isto porque, segundo a fiscalização, em 22/11/2007 foram constituídas as empresas “Icanã Participações Ltda” e “Jutaí Participações Ltda”, holdings. Estas empresas tinham capital social de R$ 1000 (mil reais) e tinham sede à Rua Boa Vista, 254, 16º andar, sala 1607, Centro, São Paulo/SP, mesmo endereço comercial de seus sócios pessoas físicas (Alexandre Junior da Silva Nogueira, CPF 130.049.86841, Antonio Carlos Campos, CPF 859.887.15834, e Luís Alberto Guidetti, CPF 054.658.74880), que atuavam como técnicos em contabilidade, informações estas constantes nos contratos constitutivos das duas empresas (fls. 514 e 817). A fiscalização consultou o CPF dos três sócios nos sistemas informatizados da RFB, e identificou centenas de empresas do tipo “holding” registradas em seus nomes, no mesmo endereço das empresas Icanã e Jutaí. Observou também a fiscalização que os sócios figuram apenas nos primeiros meses nos quadros societários destas empresas e concluiu tratarse de um escritório contábil que vende “empresas de prateleira”. Na sequência, efolha 3.053, o TVF traz a seguinte informação: Em fevereiro de 2008, o grupo BUNZL necessitava de duas empresas para operacionalizar um planejamento tributário que viabilizasse o benefício fiscal de amortização tributária do ágio decorrente da aquisição da PROT CAP e, então, recorreram a um escritório contábil e adquiriram as duas empresas recém constituídas, adotando como primeiro procedimento a alteração de suas razões sociais para Bunzl Participações Ltda e Bunzl do Brasil Participações Ltda. A empresa Bunzl do Brasil Participações continua operando até hoje, entretanto, a Bunzl Participações deixou de existir no momento em que foi incorporada, 9 (nove) meses após sua aquisição, a fim de possibilitar “formalmente” a aplicação do dispositivo legal disposto no art. 386 do RIR/99, culminando na amortização do ágio. A empresa Bunzl Participações Ltda. possui todas as características de uma empresa veículo, uma vez que, além de sua existência efêmera, não possui propósito negocial, tendo como única operação relevante durante seu curto Fl. 5451DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.703 38 período de existência a aquisição da fiscalizada com ágio, pelo valor de R$ 100 milhões, com numerário que lhe foi aportado pela inglesa Selectuser Limited (por intermédio de sua controladora, Bunzl do Brasil Participações Ltda). (...) Observandose mais uma vez o Balanço Patrimonial da Bunzl Participações 2008, imediatamente anterior à sua extinção por incorporação da fiscalizada, verificase que seu ativo consistia, basicamente, do investimento de 100% das quotas da Prot Cap (R$ 23 milhões) e do ágio decorrente de sua aquisição (R$ 75 milhões), sendo o total de seu Balanço Patrimonial correspondente aos R$ 103 milhões aportados pela inglesa Selectuser Limited conforme extrato bancário já reproduzido. Vejamos novamente: Não faz qualquer sentido societário ou econômico (exceto aferir vantagem tributária) a utilização de uma empresa com o único propósito de aumento de capital para, em seguida, a mesma ser extinta por meio de incorporação, com apenas 12 (doze) meses de existência, sem que qualquer outra operação relevante fosse realizada. Resta claro que o propósito das operações foi exclusivamente tributário, para gerar despesa dedutível na própria empresa adquirida com ágio (PROT CAP). Ademais, ainda que a duração da empresa não fosse efêmera e que se comprovasse uma suposta capacidade operacional, o simples fato de ter se prestado ao papel descrito a caracteriza como empresa veículo, tendo a Bunzl Participações Ltda. A função na ‘condução’ do ágio entre empresas ligadas de forma a permitir sua apropriação como despesa dedutível. As observações acima respondem a indagação lançada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, efolha 5.011, parágrafo 211, que abaixo reproduzo: Aqui tem um aspecto curioso. Imaginese que Bunzl Part. deixasse de apresentar uma DCTF ou outra obrigação acessória. O que aconteceria? As autoridades fiscais lavrariam autos de infração com pesadas multas. E aí fica uma questão: se a empresa é boa e válida para fins societários, regulatórios de Banco Central, perante terceiros para abrir conta bancária, assinar contratos e fazer pagamentos, sendo também válida e boa para fins de apresentação de todas as obrigações acessórias previstas na legislação tributária, porque ela nção seria boa e válida para ser adquirente do investimento? Porque só para esta função e somente perante a Receita Federal do Brasil é que a Bunzl Part. não existiria e não produziria efeitos? Não existe uma resposta convincente para esta questão. Ato contínuo, outra incoerência trazida pela fiscalização atemse ao Protocolo de Incorporação e Justificação, de 28 de novembro de 2008 (efolhas 240241), referente a incorporação da Bunzl Participações Ltda pela Prot Cap. Nele há previsão expressa de que um dos motivos para a incorporação é a redução do número de empresas existentes, bem como uma maior lucratividade e diminuição de custos operacionais. Fl. 5452DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.704 39 Este é justamente o ponto de incoerência para o fisco e admito, na visão deste julgador também, posto que previsível – do ponto de vista contábil e fiscal – o maior custo operacional com a aquisição de duas empresas com a posterior extinção de uma delas, num curto espaço de tempo. Há de se concordar com a posição do fisco de que a utilização da Bunzl Participações Ltda teve o objetivo exclusivo de transportar o ágio para o Balanço da Prot Cap, a fim de tornálo amortizável com a incorporação daquela. Criar as empresas veiculo para viabilizar a utilização do ágio para, em seguida, justificar a operação para "enxugar" o grupo empresarial eliminando as mesmas empresas criadas, chega a ser ofensivo à inteligencia da fiscalização, com máxima vênia. Melhor seria dizer a verdade, que o objetivo foi a economia tributária e sustentar o ocorrido sob argumentos que refletissem a realidade. Não estou aqui dizendo que outros motivos necessariamente reverteriam a opinião dessa turma, mas o argumento de defesa utilizado depõe contra o próprio contribuinte. Quanto ao tópico 4.3 do TVF, a linha de raciocínio apresentada pela fiscalização demonstra que a real adquirente da participação societária com o ágio foi a Selectuser Limited e que, portanto, ela é quem deveria ter amortizado o ágio, não a Prot Cap. Contudo, como a empresa é estrangeira, não poderia valerse da legislação brasileira para amortizar o ágio originado, por exemplo, da compra da Prot Cap (real intenção constatada pelo Fisco). Assim, o Grupo BUNZL utilizou uma empresa veículo, a Bunzl Participações Ltda para adquirir participação societária da Prot Cap e, na sequência, incorporar seu acervo ao da empresa adquirida (Prot Cap), preenchendo formalmente os requisitos legais para deduzir a amortização do ágio. Vejase (TVF efolha 3.055): 4.3 – Da Real Adquirente da Participação Societária com Ágio Podese dizer que, se a Selectuser Limited, empresa sediada no Reino Unido houvesse adquirido diretamente a brasileira PROT CAP, inviabilizada estaria a fruição da amortização do ágio, já que não se atenderia o requisito legal previsto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (reproduzidos pelo art. 386 do RIR/99) acerca da extinção dos investimentos por confusão patrimonial. Por outro lado, se a Selectuser Limited houvesse, adquirido diretamente e, em seguida, incorporado a brasileira PROT CAP, também estaria inviabilizada a fruição da amortização do ágio, porque situada a sucessora fora do alcance da legislação brasileira. Entretanto, o Grupo BUNZL optou por um outro caminho: a utilização de empresa veículo sediada no Brasil (Bunzl Participações Ltda), que figurasse como adquirente “formal” da participação societária da empresa PROT CAP para, logo em seguida, incorporar seu acervo pela própria empresa adquirida, visando, assim, “formalmente” as condições legais para a dedutibilidade da amortização do ágio, promovendo a extinção do investimento. Assim, verificase claramente que toda a engenharia societária realizada conforme quadros demonstrativos do item 1 precedente seria dispensável se o intuito fosse outro que não o da economia tributária, já que na verdade, a operação que de fato se pretendia era a que resultou na situação atual (quadro 6 do item 3 acima), qual seja, grupo BUNZL detém diretamente 100% das quotas da PROT CAP. Não existia qualquer impedimento para que o pagamento dos R$ 100 milhões pela aquisição da PROT CAP fosse realizado diretamente pela Selectuser Limited para a Fl. 5453DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.705 40 família Baldin. Mas, com a internalização dos recursos utilizando uma intermediária brasileira formalizada como a “pagadora”, o ágio de cerca de $75 milhões ficou reconhecido no Brasil, na Bunzl Participações Ltda, e, sem seguida, foi incorporado pela própria empresa adquirida PROT CAP. O que o grupo inglês fez foi procurar tirar vantagem de uma dedutibilidade tributária concedida pela legislação brasileira, forçando um enquadramento legal inexistente. Bastava adquirir uma holding no Brasil para internalizar os recursos, não duas. A segunda holding foi adquirida como pretexto para, se auferir indevidamente economia tributária. Ainda, aproveitando outro ponto abordado pelo TVF e, também, pelo Conselheiro Relator, relativo ao fato de o contrato de compra e venda ter sido elaborado em língua inglesa e de conter, inclusive, previsão expressa no mesmo instrumento para que qualquer notificação seja redigida em inglês, devendo ser encaminhada cópia para a Inglaterra (para o endereço da Selectuser Limited), entendo aqui, que tal apontamento registrado pela fiscalização complementa a conclusão de que a real adquirente e interessada na amortização do ágio foi a Selectuser Limited, e não a Bunzl Participações Ltda, o que, por sua vez, revela novamente a utilização desta última apenas para o propósito de redução da carga tributária referente ao IRPJ e a CSLL. Prova mais cabal de que quem suportou, na realidade, o ônus da operação societária em tela, foi a Selectuser Limited, está presente no TVF, à efolha 3.057, na qual se apresenta parte da 2º Alteração Contratual da Bunzl Participações do Brasil Ltda. Vejase: ““1. Resolvem os sócios, de comum acordo, aumentar o capital social da Sociedade em R$ 103.499.000,00 (cento e três milhões e quatrocentos e noventa e nove mil reais), passando este de R$ 1.000,00 (mil reais) para R$ 103.500.000,00 (cento e três milhões e quinhentos mil reais), mediante emissão de 103.499.000 (cento e três milhões e quatrocentos e noventa e nove mil) novas quotas de R$ 1,00 (um real) cada uma, em tudo idênticas às anteriormente existentes. Com a expressa anuência do sócio BUNZL OVERSEAS HOLDINGS (Nº 2) LIMITED, o aumento de capital acima deliberado é, neste ato, integralmente subscrito pelo sócio SELECTUSER LIMITED. 2. O capital ora aumentado é neste ato totalmente integralizado em moeda corrente nacional mediante capitalização da remessa efetuada pelo sócio SELECTUSER LIMITED, no valor de US$ 58.897.171,80 (cinqüenta e oito milhões e oitocentos e noventa e sete mil, cento e setenta e um dólares e oitenta centavos), equivalentes a R$ 103.500.000,00 (cento e três milhões e quinhentos mil reais), conforme a taxa cambial de 1,7573, evidenciada no Contrato de Câmbio nº 08/009216 de 11.2.2008. 3. Ato contínuo os sócios integralizam a parcela do capital social por eles possuída e até então não integralizada, no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), em moeda corrente nacional. Dos R$ 1.000,00 (um mil reais) ora integralizados, R$ 999,00 (novecentos e noventa e nove reais) correspondem ao valor integralizado pelo sócio SELECTUSER LIMITED por conta própria, e R$ 1,00 (um real) correspondente ao valor integralizado pelo sócio SELECTUSER LIMITED por conta e ordem do sócio BUNZL OVERSEAS HOLDINGS (Nº 2) LIMITED, que será posteriormente objeto de acerto de contas com compensação de débitos e créditos entre ambos, sem qualquer Fl. 5454DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.706 41 participação da Sociedade, uma vez que o capital social passa a estar totalmente integralizado.” (grifo nosso)” Mais uma vez, correto o fundamento da autuação, presente à efolha 3.059, do TVF, ao dispor que: De forma alguma as disposições do artigo 386 do RIR/99 transformaram o potencial direto à dedução dessa despesa em um “título” transferível a quem o seu detentor desejasse. A replicação do ágio em pessoa diversa daquela que efetivamente suportou o seu pagamento, assim entendida aquela situação em que não se verifica a necessária “confusão patrimonial”, não autoriza a dedutibilidade de despesa com a sua amortização, visto que não atende às condições estabelecidas na legislação vigente. (...) Assim, concluise que, embora a operação de aquisição da PROT CAP pelo grupo internacional BUNZL tenha de fato existido, foi efetuado negócio jurídico artificial no momento em que este mesmo grupo internacional adquiriu duas empresas brasileiras recém constituídas e inoperantes, atribuiu o nome de sua marca às duas (Bunzl Participações e Bunzl do Brasil Participações) e, ato contínuo, transferiu capital para que uma delas adquirisse diretamente as cotas da empresa alvo (PROT CAP), ocultando o real negócio jurídico praticado pela empresa estrangeira. A internalização do ágio pago pela Selectuser Limited (com recursos que ela transferiu, por meio da Bunzl Participações do Brasil Ltda, para que a Bunzl Participações Ltda adquirisse formalmente a PROT CAP com ágio) não tem amparo na legislação nacional, na medida em que o ágio decorrente da aquisição de participação societária haveria de ser contabilizado na sociedade adquirente daquelas quotas, e não em uma domiciliada no Brasil. Do até aqui exposto, necessário repisar a observação tecida no Acórdão de Impugnação, efolha 4.322, de que no que pese todos os atos societários terem se desenvolvido formalmente de maneira correta, isto não significa que os efeitos oriundos deles estejam em harmonia com o ordenamento jurídico. Reproduzo, inclusive, a exemplar lição de Marco Aurélio Greco, utilizada na decisão de primeira instância para corroborar tal posicionamento (efolha 4.3234.324): É preciso distinguir entre critérios ligados à existência do direito e critérios ligados ao seu uso. A doutrina até aqui se preocupou com os primeiros, bem identificando os requisitos da existência do direito. Cabe agora examinar se há limites ligados ao plano do exercício desse direito, e se existirem (como é minha opinião), quais as conseqüências que advirão na hipótese de os limites serem ultrapassados e se estes efeitos consistem na ilegalidade do ato, ou então, na ineficácia fiscal dos atos realizados no exercício desse direito, independentemente de haver ilegalidade ou ilicitude de conduta. Fl. 5455DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.707 42 Neste passo, tem pertinência o tema do ‘abuso do direito’, categoria construída para inibir práticas que, embora possam encontrarse no âmbito da licitude (se o ordenamento positivo assim tratar o abuso), implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, (i) seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, (ii) seja pela sua distorção funcional, por implicar inibir a eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem uma razão suficiente que a justifique. De qualquer modo, seja o ato abusivo considerado lícito ou ilícito a conseqüência perante o Fisco será sempre a sua inoponibilidade e de seus efeitos. (Grifo meu) É realmente lamentável constatar que a legislação tributária brasileira não contém critérios objetivos para permitir ou proibir expressamente operações dessa natureza (comumente denominadas como Elisão Fiscal abusiva ou elusão fiscal), gerando evidente insegurança jurídica nos contribuintes. Mas, o fato é que, a utilização da teoria do abuso de direito e dos negócios jurídicos indiretos não é apenas uma forte tendência na aplicação do direito tributário no Brasil e a meu ver irreversível , mas em todo o mundo. A inclusão do parágrafo único do artigo 116 do CTN em 2001, por exemplo, mesmo inaplicável, por aguardar até hoje regulamentação, causou uma evidente ruptura no sistema tributário brasileiro. A partir das discussões surgidas em torno de seu sentido e alcance, a aplicação da lei em relação aos planejamentos tributários sofreu mudança radical. Diante desse cenário preocupante é preciso, na medida do possível, ordenar situações semelhantes e decidir de maneira relativamente uniforme, justamente para por outro caminho voltar a proporcionar relativa segurança jurídica aos contribuintes, transparência e coerência nas decisões envolvendo planejamentos tributários complexos. Tratando as situações iguais de forma igual, obviamente observando as desigualdades peculiares a cada caso, além de segurança e previsibilidade, garantimos justiça fiscal. Feita essa ressalva, na esteira de precedentes semelhantes deste colegiado, e da câmara baixa que integro, entender que a utilização de empresas veículo com a simples aquisição de participação com ágio é motivo suficiente para autorizar o uso de sociedades sem substância econômica com vistas a obter a amortização do ágio pela simples reavaliação de seu patrimônio, significa, desconsiderar o requisito previsto no art. 7° da Lei 9.532/97, de que haja a legítima absorção do patrimônio. Registro contudo que, tal abuso de direito não se confunde com fraude, conluio ou simulação. Tanto é assim que neste julgamento acompanhei o relator no sentido de afastar a qualificação da multa de oficio, incorretamente atribuída ao contribuinte no caso concreto. Pautandose, então, em tal perspectiva e diante de todo o exposto até o momento, atestase não haver razão a contribuinte quando em seu Recurso Voluntário, parágrafo 137 (efolha 4.990) afirma ter sido a dedução da amortização do ágio mera consequência do início das atividades do Grupo Bunzl no Brasil. Isto porque, como já Fl. 5456DF CARF MF Processo nº 16561.720155/201454 Acórdão n.º 1402002.826 S1C4T2 Fl. 1.708 43 registrado anteriormente, para entrar no mercado brasileiro, ou seja, para adquirir a Prot Cap, não era necessária a desenvoltura de todas as operações societárias engendradas, mas apenas a compra direta da Prot Cap pela real interessada, Selectuser Limited. Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, mantendo os créditos tributários de IRPJ e CSLL constituídos no presente processo. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei. Fl. 5457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726073/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES.
Constatado que há omissões no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007.
Não cabe ao colegiado re-julgar matéria já debatida por ocasião do julgamento do Acórdão embargado (multa isolada), mesmo que não corresponda ao entendimento mais atual da Turma Julgadora, sob pena de subverter a razão de existir dos Embargos Declaratórios, que não se prestam a Recurso da parte inconformada com o resultado obtido.
Numero da decisão: 1402-002.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e acrescentar as razões pelas quais o relator afastou a multa isolada incidente sobre os fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2008. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza que votou para que o mérito da questão fosse novamente apreciado pela turma. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissões no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tal vício. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. Não cabe ao colegiado rejulgar matéria já debatida por ocasião do julgamento do Acórdão embargado (multa isolada), mesmo que não corresponda ao entendimento mais atual da Turma Julgadora, sob pena de subverter a razão de existir dos Embargos Declaratórios, que não se prestam a Recurso da parte inconformada com o resultado obtido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão e acrescentar as razões pelas quais o relator afastou a multa isolada incidente sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza que votou para que o mérito da questão fosse novamente apreciado pela turma. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 73 /2 01 3- 15 Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.720 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.721 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por FAZENDA NACIONAL. Transcrevo os termos da informação em embargos prestadas pelo Cons. Fernando Brasil e acatadas pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento quando da admissão parcial dos embargos: Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 4.1154.116) em face do acórdão nº 1402001.954 julgado na sessão de 25 de março de 2015. O processo foi encaminhado digitalmente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 02 de julho de 2015, uma quintafeira (fl. 4.114). Nos termos do art. 79, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015 os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF com o término do prazo de 30 (trinta) dias contado da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN por meio digital. Portanto, o 30º dia a ser considerado como data de intimação da PGFN foi o dia 1º de agosto de 2015, um sábado. Logo, o primeiro dia de contagem do prazo de cinco dias para oposição dos embargos foi o dia 03 de agosto de 2015 (segundafeira). Os embargos foram opostos em 13 de julho de 2015 (fl. 4.117), portanto, manifestamente tempestivos. A matéria objeto de embargos foi a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e a multa de ofício. Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão seria omisso pois a e. Turma não teria se manifestado sobre os efeitos da mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. No entender da Embargante, após o advento da Medida Provisória nº 351/2007, as bases de cálculo das multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. É o relatório. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS A proposta de admissão dos embargos foi a mim distribuída por sorteio em razão de o relator do acórdão embargado não mais compor os quadros do CARF (§ 5º do art. 49 do Anexo II do RICARF/2015). Pois bem, assim dispõe o art. 65 do Anexo II do RICARF/2009 vigente à época da oposição dos embargos: Fl. 4136DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.722 4 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] Conforme relatado, os embargos são manifestamente tempestivos. Compulsando o acórdão embargado, de fato, assiste razão à Embargante. Embora o lançamento diga respeito a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007 e 2008, quando já vigia a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 dada pela nº 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória nº 351/2007), o voto condutor do aresto somente aborda a cominação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com base na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (citase e transcrevese, inclusive, o caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96, § 1º, incisos IV e V, que foram, inclusive, revogados pela Lei nº 11.488/2007). Desse modo, as alegações da Embargante mostramse corretas, devendo o colegiado se manifestar sobre a omissão constatada. PROPOSTA Desse modo, constatada a ocorrência da omissão apontada pela Embargante, entendo esses devam ser ADMITIDOS, uma vez que as alegações da Embargante mostramse procedentes. Isso posto, proponho ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF que os embargos opostos pela FAZENDA NACIONAL sejam ADMITIDOS, devendo o colegiado suprir a omissão apontada. É o relatório. Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.723 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já foram parcialmente admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção. 2 DA OMISSÃO Conforme já relatado, os embargos dizem respeito à cominação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Embora o lançamento diga respeito a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008, quando já vigia a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 dada pela nº 11.488/2007 (conversão da Medida Provisória nº 351/2007), o voto condutor do aresto somente teria abordado a cominação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com base na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (citase e transcrevese, inclusive, o caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96, § 1º, incisos IV e V, que foram, inclusive, revogados pela Lei nº 11.488/2007). Embora eu não tenha participado do julgamento em questão, os autos foram redistribuídos, cabendo a mim o relato desses embargos em razão de o relator original não mais compor o colegiado (Relator original exCons. Paulo Cortez; Relator ad hoc ex. Cons. Frederico Alencar; Relator original destes Embargos Cons. Fernando Brasil). Passo a analisar a suposta omissão apontada. Em razão da infração principal, a autuada deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Para fins de contextualização, é preciso separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. DAS MULTAS ISOLADAS ATÉ O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Fl. 4138DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.724 6 Considerandose que a Medida Provisória nº 351/2007 que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 – foi editada em 22 de janeiro de 2007 (e posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), as multas isoladas cujos recolhimentos deveriam ter sido realizados antes de tal data devem ser exoneradas. No caso concreto, a exigência diz respeito aos anoscalendário de 2007 e 2008 ou seja, a fatos geradores ocorreram todos após o advento da MP nº 351/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 a que se refere Súmula CARF nº 105. DAS MULTAS ISOLADAS APÓS O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. No caso concreto, tratandose de fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] Segundo o entendimento da embargante, não se aplica o entendimento que culminou na Súmula CARF nº 105, após o ano calendário 2006, tal qual no caso concreto, pois as multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vincularseiam a infrações de natureza distinta. Contextualizada a questão, passo a examinar o teor dos embargos e do acórdão que lhe deu origem. Preliminarmente, saliento minha posição pessoal, já conhecida no âmbito dos meus pares, de que a não aplicação da Súmula aos períodos posteriores a 2006 se daria pelo Fl. 4139DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.725 7 fato de que os precedentes são, de fato, anteriores a vigência da nova redação da Lei 9.430/96. Contudo, entendo que a concomitância da multa isolada com a multa de oficio persiste, independentemente da referida Súmula, mesmo após a alteração legislativa. Todavia, examinando atentamente o acórdão embargado, percebo que o tema foi sim efetivamente tratado por ocasião do julgamento, ao contrário do que alega a embargante, e constatado pela Presidência da Turma, alicerçada no parecer prévio do Cons. relator original desses embargos. Em mais de uma oportunidade o relator do acórdão embargado (Cons. Frederico Alencar) menciona o artigo 44 da Lei 9.430/96 em sua nova redação ou a contrário senso em sua redação original (fls. 40964104), mesmo sem ter mencionado expressamente que sua redação nova (ou não original) teria sido dada pela MP 351 (e/ou respectiva Lei de conversão). Porém, reconheço que esta constatação sozinha não seria suficiente para afastar de plano a omissão mencionada, isto é, o Relator do primeiro julgamento pecou em não detalhar seu entendimento com menção expressa de qual seria precisamente a nova legislação. Contudo, basta para mim o fato de ter sido consignado no acórdão embargado que o assunto foi efetivamente debatido pela turma, visto que os Conselheiros Fernando Brasil e Leonardo Couto divergiram do restante da Turma quanto ao afastamento da multa isolada no caso concreto. Vejase o teor do acórdão: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício e acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. No mérito, dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos para cancelar integralmente a exigência referente aos itens 2 e 3 do auto de infração. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto acompanharam pelas conclusões. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto apresentará declaração de votos; e: ii) por maioria de votos, para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto que votaram por manter a exigência dessa multa para o anocalendário de 2008." (grifei) Vejase que não foi mencionado o ano de 2007 pois, também segundo o texto do mesmo acórdão, quanto a este período, operouse a decadência do direito de lançar, o que por si só justifica não ter sido objeto de discussão de fato ou de direito em relação à multa isolada ou qualquer outro tema neste ano em especial. É conhecido o posicionamento dos dois conselheiros divergentes, no sentido de que, com a legislação nova, não ser aplica o entendimento que vinha prevalecendo até 2006, pelo afastamento da multa isolada. Conhecido também o posicionamento oposto, na época, exarado em diversas ocasiões pelo Ilustre Cons. Frederico de Alencar, que só admitia a aplicação da multa isolada sobre o que fosse excedente em termos de base de calculo. Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 10980.726073/201315 Acórdão n.º 1402002.848 S1C4T2 Fl. 1.726 8 Em outras palavras: o então relator, à época, apenas admitia a incidência da multa isolada caso o valor desta superasse o valor imposto a título de multa de ofício relativamente ao mesmo anocalendário, o que não é o caso. Esta discussão sequer foi tratada no processo. Saliento aqui que não pretendo fazer prevalecer, por via transversa, meu entendimento já mencionado quanto ao tema (multa isolada). Caminho apenas no sentido de entender que mesmo sendo defeituosa a fundamentação do voto do relator, como bem apontado pela Embargante, não há o que ser reparado quanto ao mérito da decisão final. Caso contrário, ou seja, mesmo reconhecida a omissão fundamentação, não podemos agora, posteriormente ao julgamento do Recurso Voluntário, julgar o tema novamente, pois acabaríamos por adotar ao caso concreto o entendimento atual da Turma, o que, salvo melhor juízo, não me parece adequado, visto que a turma originaria discutiu e decidiu sobre isso, o que impõe nosso respeito e acatamento, concordando ou não com a solução dada à época. Isso posto, voto por acolher os embargos para reconhecer a omissão apontada, sem efeitos infringentes, para esclarecer que o posicionamento majoritário da Turma, na composição à exata época do julgamento, não admitia a aplicação de multa isolada cumulada com multa de oficio, reratificandose pois, o acórdão 1402001.954, especialmente em relação a aplicação do artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (exigência das multas isoladas). É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 4141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.012837/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos do processo 10314.002037/2007-77. Vencida a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos do processo 10314.002037/2007-77. Vencida a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos do processo 10314.002037/200777. Vencida a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 12 83 7/ 20 08 -8 7 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10314.012837/200887 Resolução nº 3402001.211 S3C4T2 Fl. 352 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo sobre a cobrança de pena de perdimento comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), no montante de R$ 2.442.883,64, consubstanciada no auto de infração em questão. A empresa sofreu fiscalização conforme o procedimento especial da Instrução Normativa SRF n. 228/02, a qual resultou na Representação fiscal para Fins de Inaptidão, acarretando, ainda, a sujeição ao perdimento das mercadorias importadas desde o início do período fiscalizado (01/01/2004), uma vez que a autoridade fiscal entendeu ter ocorrido a interposição fraudulenta de terceiros. Nesse sentido, a Fiscalização afirma que a empresa não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos que demonstre o financiamento de suas importações, o que configura a presunção legal tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 e, por consequência, implica na incidência da pena de perdimento. Devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias passiveis de perdimento, foi aplicado o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976 para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. O sujeito passivo, apresentou impugnação (fls. 25 à 30) instaurando a fase litigiosa do procedimento, apresentando sua defesa tanto com relação a tópicos preliminares, como ao mérito da autuação. Sobre esse último, em síntese, afirmou que as alegações da autoridade fiscal foram feitas a base de indícios e suposições, além de apresentar documentos concretos contestando as alegações feitas pelo Fisco. Brada que tais documentos não podem ser colocados à margem e simplesmente ignorados, visto que foram os mesmos apresentados quando do registro das Declarações de Importação. Em julgamento datado de 15 de dezembro de 2015, a DRJ São Paulo/SP negou provimento à impugnação do sujeito passivo (Acórdão 16070.663), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/10/2008 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. A incidência do artigo 33 da Lei 11.488/2007 é específica para a prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros onde o Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10314.012837/200887 Resolução nº 3402001.211 S3C4T2 Fl. 353 3 importador de fato (SUJEITO PASSIVO OCULTO / REAL COMPRADOR) está identificado. Irresignado, o sujeito passivo recorre a este Conselho (fls. 98 a 118), apresentando os seguintes argumentos: i) não foi cumprido, in casu, o procedimento especial regido pela IN 228/2002 (expedição de mandado de procedimento fiscal e termos de intimação para a comprovação de origem e disponibilidade dos recursos financeiros). Na realidade, a Recorrente nunca fora intimada para apresentar qualquer documento à Fiscalização a respeito de sua capacidade econômico/financeira; ii) a autuação é genérica, despida de elementos concretos ou qualquer prova para fundar a presunção fraudulenta que foi imputada à Recorrente, o que a torna nula, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e do artigo 142 do CTN. Nesse mesmo sentido, alega que o lançamento tributário foi lavrado sem motivação, impedindo o amplo direito de defesa por parte da Contribuinte; iii) que pela leitura do auto de infração, não resta claro se a autoridade entendeu se houve interposição fraudulenta presumida ou provada, o que também o macularia pelo vício de nulidade; iv) porém, partindose do pressuposto que a conduta verificada seria a interposição fraudulenta presumida, coloca a jurisprudência do CARF entende que o Fisco deve trazer sólidos indícios de que o importador não tinha capacidade financeira para as operações verificadas, cabendo aos contribuinte o ônus de objetálos. Entretanto, como posto no item i, não foi apresentado nenhum indício pela fiscalização sobre a incapacidade financeira da Recorrente; v) por fim, afirma que os valores das importações eram baixíssimos, de modo que é despida de lógica a afirmação de que a Recorrente não teria capacidade para efetuálas, além do que, se fosse o caso de sancionála pela prática de ocultação de terceiros no comércio exterior, seria por meio a aplicação da multa de 10% por cessão de nome (artigo 33 da Lei n. 11.488/2007), e não pela pena de perdimento convertida em multa, como pretende a Fiscalização. É o relatório. Resolução Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne Após a leitura do voto da I. Conselheira Relatora no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, ousei em divergir por entender necessária a juntada aos presentes autos da cópia integral do processo n.º 10314.002037/200777. Como bem apontado pela Relatora no voto por ela elaborado e lido em sessão, como se depreende do Auto de infração (efls 4/5) e do Termo de Descrição dos fatos e fundamento legal (efls. 6/19), no presente caso foi imputada à empresa Recorrente a prática de interposição fraudulenta presumida (efls 10), com base no artigo 23, §2º do Decreto 1.455/76. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10314.012837/200887 Resolução nº 3402001.211 S3C4T2 Fl. 354 4 Todo o procedimento fiscal se respaldou nas conclusões alcançadas no processo n.º 10314.002037/200777, como indicado às efls 19: "Em 27/11/2006, foi iniciado um procedimento de fiscalização especial contra "a empresa, em virtude de indícios de incompatibilidade de volume transacionado com sua a capacidade econômicofinanceira. Finda a fiscalização, de forma sumária, em virtude do não atendimento intimação após os 60 dias de prazo, previsto no art. 10 da IN/SRF no 228/02, foi formulada uma representação fiscal, nos termos do artigo 45, da IN RFB 568/05, com proposta de que a inscanrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da empresa BRASIER BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDAEPP, CNPJ 00.350.143/000123, fosse declarada inapta desde 01/01/2004; representação, esta, formalizada pelo processo no 10314.002037/200777." (efl. 19 grifei) Contudo, nenhum documento correspondente ao referido processo administrativo foram acostados aos presentes autos. Por conseguinte para avaliar a validade da autuação fiscal e das informações indicadas no Termo de Descrição dos fatos e fundamento legal, com todo respeito ao entendimento trazido pela I. Relatora, entendi necessária a conversão do julgamento em diligência para que sejam acostados aos autos a cópia integral do processo n.º 10314.002037/200777, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado em sessão. Nesse sentido, convertese o julgamento em diligência para que sejam acostados aos autos cópia interal do processo n.º 10314.002037/200777. Em seguida, antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias quanto aos documentos apresentados. É como foi proposta a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Conselheira Fl. 354DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727597/2009-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 75 97 /2 00 9- 50 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10580.727597/200950 Acórdão n.º 9202006.387 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008639/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 86 39 /2 00 9- 11 Fl. 188DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Como bem apontado pelo Acórdão recorrido, presente feito tem origem em pedido de restituição (fl. 01), efetivado em 04/05/2009, relativo a crédito da Contribuição ao PIS/PASEP, abrangendo o período de 10/1995 a 02/1999. Constam também dos autos declarações de compensação relativo ao suposto direito creditório. A autoridade fiscal de origem indeferiu o pleito e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação, por meio do despacho de fls. 80/83, tendo em vista o escoamento do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento indevido ou maior que o devido, para o pedido da restituição do indébito. Ou seja, foi considerado que o direito da contribuinte estava decaído. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 88/109), alegando, em síntese, que: i) os valores foram recolhidos indevidamente em virtude de interpretação e aplicação de critérios de fato e/ou de direito, considerando que o art. 15 da MP n° 1.212/95 e suas reedições e o art. 18 da Lei n° 9.715/98 terem sido declarados inconstitucionais pelo STF; ii) assim, os recolhimentos ao PASEP efetuados entre 10/1995 e 02/1999 seriam indevidos; iii) não se pode falar em extinção do direito de restituição, visto que o STJ decidiu que para tributos lançados por homologação aplicase a tese dos "cinco mais cinco" anos, bem como pelo fato de a Resolução n. 10/2005 dever ser considerada como dies a quo para os pedidos de restituição; iv) por fim defende que o Pasep não é tributo regido pelo Código Tributário Nacional, mas sim pela Lei n. 8.212 de 1991, aplicandose o art 95 do Decreto n. 4.524 para a contagem do prazo em questão. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Recife/PE (fls 123 a 133), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Periodo de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999 PIS PASEP. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIALO O prazo para pleitear a restituição de tributos relativos a valores pagos a maior ou indevidamente, inclusive com relação aos tributos lançados por homologação, é de 5 anos contados da data do pagamento. QUESTÕES PRELIMINARES As questões preliminares são julgadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA A compensação, nos termo do art. 70 do CTN, só pode ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. Manifestação de inconformidade improcedente. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.008639/200911 Acórdão n.º 3402004.923 S3C4T2 Fl. 112 3 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 150 a 173, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Igualmente alega nulidade do acórdão a quo e, paralelamente, questão prejudicial, referente à vinculação do presente processo com aquele de n. 19647.003774/200881. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificada do julgamento a quo em 12 de dezembro de 2011 (segundafeira), conforme AR de fls 138, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário 12 de janeiro de 2012 (quintafeira), ou seja, um dia após expirado o prazo para tal. O documento (cópia da intimação do julgamento da DRJ com carimbo de recebimento interno da Prefeitura em 13/12/2011) apresentado pela Contribuinte (fls 177) não altera tal conclusão, à medida que, conforme os dizeres do artigo 23, inciso II e §2º inciso II do Decreto n. 70.235/72, é data do recebimento da intimação via postal que se inicia a contagem do prazo. Pois bem. O próprio Decreto n. 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo o contribuinte apresentado Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, de modo que não pode ser conhecido. Entretanto, conforme se depreende do relato acima o presente caso trata da ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, seria o caso de se admitir a sua análise, como já vem perfilhando a jurisprudência deste Conselho (Acórdãos 1402002.083 e 3402003.988). Ocorre que tal providência não pode ser tomada no presente caso concreto. Isto porque, segundo a informação posta no despacho decisório de fls 80 bem como alegações da própria Municipalidade recorrente em sua peça recursal , há elementos comuns entre o presente processo e os Processos n. 19647.005884/200591 e 19647.003774/200881. Aparentemente, pedidos de restituição utilizando os mesmo créditos foram formalizados nos três processos. Assim, caso não fosse intempestivo o presente recurso voluntário, seria o caso de baixar o processo administrativo em diligência para verificar a relação entre os três processos, bem como o andamento dos dois que não estão sob os cuidados dessa relatora. Fl. 190DF CARF MF 4 Contudo, como já realçado, o recurso voluntário é intempestivo, o que torna impossível qualquer outra providência in casu, além do seu simples não conhecimento. Dispositivo Ex positis, voto no sentido não conhecer do recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000212/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2004 A 30/09/2004 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 12 /2 00 8- 51 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000212/200851 Acórdão n.º 3201003.354 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.913, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 16349.000212/200851 Acórdão n.º 3201003.354 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
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