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Numero do processo: 13044.000430/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício apresentado no âmbito da DRJ/SP em face do Acórdão 1650.500 24 ª Turma da DRJ/SP1, de fls. 10322 dos autos, que julgou procedente a Impugnação de fls. 6890 e 8588 e cancelou integralmente o lançamento consubstanciado no TVF de fls. 6845 e AI de II de fls. 3 e AI de IPI de fls. 7091. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 44 .0 00 43 0/ 20 08 -2 2 Fl. 10384DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.385 2 Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o mesmo relatório exposto na decisão de primeira instância, para a fiel leitura dos fatos e matérias submetidas ao presente litígio administrativo fiscal: "Trata o presente processo de auto de infração formalizado para exigência do Imposto sobre a Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de multa de ofício e juros de mora, em decorrência da glosa dos benefícios fiscais de redução do II e suspensão do IPI, relativamente às mercadorias admitidas no RECOF e despachadas para consumo, no período de janeiro a dezembro de 2006, perfazendo o valor total do crédito tributário R$ 7.992.813,75. A fiscalização reconhece que a interessada está habilitada pela SECEX e RFB a importar partes e peças de veículos automotivos utilizandose, entre outros, dos seguintes benefícios: (i) redução de 40% do II, prevista pela Lei 10.182/01; (ii) suspensão do IPI, prevista pela Lei 9.826/99; (iii) suspensão dos tributos, como beneficiária do RECOF Automotivo. Entende, porém, que a fruição dos benefícios fiscais pela empresa beneficiária, em relação à mesma mercadoria, à luz da legislação de regência de cada regime aduaneiro mencionado, não deve ocorrer de maneira simultânea, vez que se trata de regimes aduaneiros distintos. A empresa, portanto, deve optar, como montadora de veículos automotivos, quando da importação das mercadorias acima citadas (autopeças), por um dos benefícios fiscais mencionados, e submeterse às regras próprias impostas pelo regime escolhido, sujeitandose à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivaram a concessão, vez que se trata de benefícios fiscais vinculados à qualidade do importador e à destinação dos bens. De acordo com as Leis 10.182/01 e 9.826/99, cuja interpretação literal é determinada pelo art. 111 do CTN, temse como condição para fruição dos benefícios fiscais que as mercadorias importadas, através de despacho de admissão (Declaração de Admissão DA) ou consumo (Declaração de Importação DI), sejam destinadas ao processo produtivo do estabelecimento industrial, após o desembaraço aduaneiro. Segundo o fisco, tratase de fatos econômicos futuros (eventos futuros e incertos) e não pretéritos, ou seja, a operação de industrialização deve ocorrer posteriormente ao desembaraço das mercadorias alcançadas pelos respectivos benefícios. Nestes casos, as habilitações ou autorizações concedidas conferem direitos na importação destas mercadorias, mas sob condição resolutória de que sejam empregadas nas finalidades previstas. A fiscalização também reconhece que, nos termos do § 1° do art. 372 do Decreto 4.543/02, não há vedação para o despacho para consumo de insumos (autopeças), oriundos do RECOF, com aplicação da redução do II, prevista na Lei 10.182/01 ou suspensão do IPI, prevista na Lei 9.826/99, desde que mantidas as finalidades que motivaram a suspensão. Fl. 10385DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.386 3 Observa que, na vigência do RECOF, o estabelecimento beneficiário poderá promover 02 (dois) tipos de importação, para efeito de cálculo do II, em momentos distintos, nos termos estabelecidos no art. 73, inciso I, parágrafo único do Decreto 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) c/c artigo 1° e 2° da IN SRF 680/06: a primeira, a título nãodefinitivo, para admissão das mercadorias importadas no regime, com suspensão da exigibilidade dos tributos, mediante declaração de admissão (DA); a segunda, de extinção do regime, a título definitivo, para consumo das mercadorias destinadas ao mercado interno, através de despacho para consumo (DI), tipo “saída de entreposto industrial”, mediante o pagamento dos tributos suspensos. Aponta, portanto, a possibilidade de ocorrência de 02 (dois) fatos geradores, em relação ao II: o primeiro, na data de admissão das mercadorias no regime (data de registro da DA); o segundo, na data de registro da DI de despacho para consumo. Acrescenta, ainda, que quando a empresa realiza venda ao mercado local de mercadorias importadas ao amparo do RECOF, ocorre um terceiro fato gerador (IPI), que antecede o segundo fato gerador do II (despacho para consumo): "na saída do estabelecimento industrial”, incidindo o IPI sobre a operação de venda, através de destaque/lançamento do imposto na respectiva nota fiscal de venda. E, nos termos do art. 37 da IN 417/04, infere o fisco que o registro da DI, do tipo “saída de entreposto industrial”, além de extinguir o RECOF, caracteriza uma importação destinada ao mercado interno e não ao processo produtivo do estabelecimento beneficiário. Essa conclusão é confirmada pelas informações do Relatório de Nacionalização de Componentes, emitido pelo sistema RECOF SYS, em que se apurou que a maior parte das mercadorias nacionalizadas já havia sido industrializada no regime RECOF, não sendo viável, por óbvio, uma nova industrialização. Tais relatórios demonstram que não houve uma nova destinação de mercadorias ao processo produtivo da empresa, inclusive sua manutenção no processo produtivo para industrialização posterior, vez que as mercadorias estrangeiras naquele momento, ou seja, na data de registro da DI para despacho para consumo, não existiam fisicamente como insumos nos estoques do estabelecimento beneficiário. Isto porque ou foram revendidas no mercado interno sem nenhuma industrialização, ou foram vendidas após serem incorporadas aos produtos resultantes do processo de industrialização: veículos automotivos ou motores. Nesse sentido, pelo fato de posteriormente ao desembaraço aduaneiro dessas mercadorias não ter havido sua destinação para o processo produtivo da empresa, concluiu o fisco que não foram observados os requisitos previstos pelas Leis 9.826/99 e 10.182/01, sendo indevida a fruição dos respectivos benefícios fiscais. Observa, ademais, com base nos dados extraídos do Siscomex, que a maior parte dos despachos de importação analisados, decorrentes das saídas de mercadorias do entreposto industrial, foi registrada sem a utilização do regime suspensivo do IPI, ocorrendo seu pagamento integral. Entende que essa conduta tratase de confissão espontânea do Fl. 10386DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.387 4 descumprimento de uma das condições do regime suspensivo do RECOF (pela não realização da industrialização e/ou exportação), demonstrando igualmente que não assiste razão para o pagamento do II com redução fiscal. Considerando, assim, que as mercadorias estrangeiras inicialmente admitidas no RECOF e submetidas a despacho de importação do tipo “saída de entreposto industrial”, não foram destinadas ao processo produtivo da empresa beneficiária, após o respectivo desembaraço aduaneiro, deixando de ser observada destinação prevista nas legislações específicas; o fisco procedeu à glosa dos benefícios fiscais de redução do II e suspensão do IPI. Por conseguinte, estão sendo exigidos os impostos que deixaram de ser recolhidos na importação, com acréscimo de juros de mora e multa de oficio, calculados da data do registro da DI. O crédito tributário resultante foi constituído em 05 (cinco) autos de infração parciais que tratam da mesma matéria, tendo em vista a limitação do sistema emissor de autos de infração, sendo protocolados respectivamente sob os números 13044.000430/200822, 13044.000431/2008/200877, 13044.000432/200811, 13044.000433/200866 e 13044.000434/200819. Cientificada do lançamento em 07/05/2009 (fls. 04 e 4.521), a interessada apresentou impugnação em 08/06/2009, juntada às fls. 6.890 e seguintes, alegando em síntese que: a) nos termos dos artigos 2° e 50, inciso II, da Lei n° 9.784/99 e art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração padece de vício insanável, em razão de deficiência na motivação e incongruência lógica, impedindo uma concreta percepção das razões que norteiam o entendimento fiscal, o que representa ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Cita doutrina e jurisprudência para referendar o alegado; b) observa que, enquanto os autos de infração do II e IPI fundamentam a autuação no fato de que a impugnante não faria jus aos benefícios de suspensão e redução previstos na legislação respectiva, porque os bens importados não teriam cumprido o requisito da destinação para seu processo industrial; no Termo de Verificação Fiscal que supostamente é o que lastreia o Auto de Infração – a fundamentação e a motivação se alteram; c) enumera pontualmente as máculas do Termo de Verificação Fiscal que viciam o auto de infração, conforme resumimos: (i) consignouse que a impugnante teria de optar por um dos benefícios (pág. 2), o que foi negado parágrafos adiante; (ii) ora o fisco conceitua os benefícios fiscais de suspensão do IPI e redução do II como regimes aduaneiros especiais, ora como regimes comuns de importação; (iii) o fisco assume que deve interpretar os benefícios fiscais pela sua literalidade, em atenção ao art. 111 do CTN, mas atribui aos dispositivos legais uma hermenêutica contrária à boa lógica, forjando argumentos intangíveis; (iv) distorce o conceito de importação para restringilo tão somente ao despacho para consumo, quando se dá, de fato, no despacho de admissão; (v) conclui que existem dois fatos geradores do IPI, quando os dispositivos legais dispõem sobre apenas um fato gerador; (vi) afirma, sem qualquer fundamento legal, que o despacho para consumo afasta a destinação ao processo produtivo, como se aquele tivesse o condão de anular a industrialização sofrida pelas peças antes da nacionalização dos veículos, tornando, na prática, impossível a utilização dos benefícios Fl. 10387DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.388 5 de redução do II e suspensão do IPI, sobre um bem admitido no RECOF; d) no mérito, alega inexistir qualquer vedação na legislação do RECOF e na Lei n° 10.182/01, que impeça o aproveitamento do beneficio fiscal de redução do II, até mesmo porque tal vedação contraria o próprio espírito da legislação aplicável ao caso, bem como, as respostas em processo de consulta exaradas pela Administração Tributária; e) comenta o histórico da legislação que disciplina o RECOF e junta planilha obtida junto ao sistema RECOF SYS que, analisada em conjunto com as notas fiscais dos produtos e com as DI, demonstra que todo o procedimento adotado pela impugnante foi realizado de forma legítima; f) traça uma retrospectiva histórica acerca do mercado automobilístico e da política governamental, concluindo que a redução do II representa medida imperiosa de proteção às montadoras estabelecidas no território nacional. Salienta o caráter extrafiscal do II e conclui que a inaplicabilidade do benefício fiscal, em razão da existência do RECOF, depõe contra a própria essência desse imposto e viola o princípio da igualdade tributária. Cita doutrina a respeito; g) observa que a Lei 10.182/01 não condiciona a redução do II ao momento do recolhimento do tributo. Não se exige que o pagamento seja feito no momento da entrada do produto no território nacional, ou no primeiro despacho aduaneiro relativo à operação, tampouco no prazo de 30 dias após o despacho aduaneiro. A única condicionante ao gozo do beneficio consiste na comprovação de que os produtos desonerados sejam efetivamente utilizados no processo produtivo, pois somente nessa hipótese é que se atingirá a diminuição do valor do produto final produzido no Brasil; h) é vedada à Administração Pública afastar determinado benefício fiscal criando condições não previstas em lei para a fruição de vantagens que, conforme largamente comprovado, foram estrategicamente pensadas pelo legislador e se justificam dentro da política de comércio exterior adotada pelo Brasil; i) considerando que o gozo do benefício da redução do II, estabelecido na Lei nº 10.182/01, está condicionado à utilização dos bens importados no processo produtivo da empresa, demonstra o adimplemento desta condição (utilizando como exemplo a peça “aerofólio traseiro”) com base nos dados extraídos do RECOF SYS e demais documentos que junta (docs. 5 a 8); j) embora as autoridades fiscais afirmem a todo o tempo que a importação somente se dá quando do despacho para consumo, a legislação pátria jamais estabelece tal premissa. Ao contrário, todos os atos normativos correlatos ao tema abarcam igualmente o despacho de admissão como formalização da importação de um produto para o Brasil, ainda que não seja de forma definitiva; k) a RFB, por meio de seus braços funcionais já teve a oportunidade de se manifestar no sentido de ser possível a utilização concomitante dos benefícios fiscais do RECOF e de leis específicas, consoante a Solução de Consulta Cosit nº 5, de 15/02/2008 (doc. 4) e Soluções de Consulta Disit 8ªRF nºs. 325/04 e 326/04 (doc. 3); l) a alteração do critério jurídico concernente à nova interpretação (mais restritiva) do art. 5° da Lei n° 10.182/01 e art. 5º da Lei nº 9.826/99 e sua aplicação retroativa ferem o direito adquirido, o principio constitucional da segurança jurídica art. Fl. 10388DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.389 6 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal; art. 146, do CTN, e art. 2°, inciso XIII, da Lei no 9.784/99. Cita doutrina e jurisprudência a respeito; m) requer, alternativamente, a exclusão da cobrança de juros de mora e multa, a teor do disposto no art. 100 do CTN, uma vez que a conduta da impugnante estava devidamente respaldada pela Solução de Consulta COSIT nº 05/2008 e pelas Soluções de Consulta DISIT/SRRFB/8 nºs 325/2004 e 326/2004. Cita doutrina e jurisprudência a respeito; n) havendo qualquer dúvida acerca da destinação das peças importadas, entende que a própria DRF poderá demonstrar a existência dessa destinação, no termos do art. 37 da Lei nº. 9.784/99, com base na análise dos dados contidos no RECOF SYS. Todavia, caso assim não se entenda, requer a realização de perícia para a comprovação citada, pelo que indica perito e formula quesitos; o) requer, ao final, o cancelamento integral do auto de infração em razão da nulidade do lançamento e, caso sejam ultrapassadas as razões preliminares, seja reconhecida a improcedência do lançamento. Sucessiva e alternativamente, requer o afastamento da cobrança de multa, na forma do art. 100 do CTN. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. É o relatório." A decisão da Delegacia de Julgamento, que julgou procedente a impugnação apresentada, foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECOF. DESPACHO PARA CONSUMO. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO II. SUSPENSÃO DO IPI. APLICABILIDADE. REQUISITOS. As mercadorias admitidas no RECOF, e posteriormente destinadas para consumo no mercado interno, não perdem o direito ao gozo dos benefícios fiscais de redução do II e suspensão do IPI, uma vez cumpridos os requisitos previstos pelas Leis 10.182/01 e 9.826/99, respectivamente. O requisito legal atinente à destinação dos bens para o processo produtivo do estabelecimento industrial adquirente não condiciona que referido emprego deva ser dar somente após o desembaraço aduaneiro decorrente do despacho para consumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A Solução de Consulta vincula a Administração Pública em relação ao consulente. Não pode a fiscalização exigir do contribuinte procedimento diverso daquele que esteja em conformidade com orientação recebida em processo de consulta. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado." Fl. 10389DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.390 7 O Recurso Voluntário apresentado, ainda que sem objeto, reforçou as razões de decidir utilizadas na decisão de primeira instância, que cancelou o lançamento. Após, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o objeto principal de discussão parece ser diferente do objeto julgado na decisão de primeira instância, porque a lide principal não existe sobre o momento em que o RECOF pode ser utilizado/aplicado, mas sim sobre o fato do contribuinte não ter exportado as mercadorias que industrializou com peças importadas, é o que diz o seguinte trecho conclusivo do TVF de fls. 6845: Para melhor compreensão da lide que foi tratada no julgamento de primeira instância, transcrevese alguns trechos selecionados neste julgamento: "A fiscalização, de outro lado, não contesta que as mercadorias admitidas no RECOF foram, em sua maior parte, objeto de industrialização. Observa, ao revés, ser condição para fruição dos benefícios fiscais que as mercadorias importadas através de despacho de admissão (DA) ou consumo (DI) sejam destinadas ao processo produtivo do estabelecimento industrial, após o desembaraço aduaneiro. ... Logo, considerando que as mercadorias admitidas no RECOF e posteriormente despachadas para consumo por meio do registro de DI não foram destinadas à industrialização após seu desembaraço, mas Fl. 10390DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.391 8 sim ao mercado interno, entendeu o fisco que a destinação legal não foi observada. ... Todavia, consoante as razões expendidas pela autoridade fiscal, depreendese que o desembaraço aduaneiro a ser considerado no caso é aquele decorrente do registro da Declaração de Importação para consumo. Por esse motivo, o fato de as mercadorias serem destinadas ao mercado interno e não a novo processo de industrialização implicaria o inadimplemento das condições insertas na legislação específica. ... Trazendo o normativo acima para o caso específico da impugnante, verificamos que o benefício de redução do imposto é concedido tanto em função (i) do fato gerador objetivamente considerado (importação de partes, peças, componentes (...), destinados aos processos produtivos das montadoras e fabricantes de veículos e autopeças (...), necessários à produção de veículos); (ii) como em função dos aspectos pessoais de seu destinatário (empresa montadora e fabricante de veículos e autopeças que tenha habilitação específica no Siscomex, concedida em face do cumprimento dos requisitos previstos pelos incisos do parágrafo único do art. 6º). Considerando que a fiscalização reconhece que a empresa estava devidamente habilitada para usufruir do benefício de redução do II em relação às mercadorias importadas objeto de autuação, cumprenos analisar apenas a condição atinente à destinação dos bens. ... Concluímos, assim, em consonância com as razões acima expendidas, que a Lei nº 10.182/01 não autoriza uma interpretação mais estrita acerca do momento em que os insumos importados devem ser empregados no processo produtivo, inexistindo base legal para se interpretar que somente o emprego ocorrido após o desembaraço aduaneiro referente ao despacho para consumo autorizaria a fruição do benefício. Portanto, o fato de as mercadorias importadas terem sido destinadas à processo de industrialização quando de sua admissão no regime especial do RECOF implica se considere adimplida a condição atinente à destinação dos bens prevista na Lei nº 10.182/01." Ora, o lançamento não trata somente sobre a remessa do produto à uma nova industrialização após o desembaraço aduaneiro, mas sim do cumprimento ou não à obrigatoriedade de exportar a maioria das mercadorias produzidas com peças importadas. Parte da doutrina confirma a linha adotada pelo lançamento, a exemplo o exposto pelo autor Rodrigo Luz em seu livro "Comércio Internacional e Legislação Aduaneira", ao tratar do RECOF. Fl. 10391DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.392 9 O autor inicia o capítulo sobre o RECOF com a reprodução do art. 2.º da IN 757/2007, que define exatamente o ponto que resta controevrso nos autos, artigo reproduzido a seguir: "Art. 2º O Recof permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno." Acontece que a IN 417/2004, aplicável ao presente caso, porque vigente à época dos fatos, determinou o seguinte: "Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação." Apesar de parecer uma sutil diferença, a obrigatoriedade de exportar possuía relevância expressa com melhor clareza nesta instrução normativa anterior, na medida em que, como também confirmado pelo autor Rodrigo Luz, mencionado acima, somente parte das mercadorias pode ser destinada às vendas no mercado interno e, sobre esta parte, os tributos devem ser recolhidos. É exatamente esta a apuração apresentada no presente lançamento de oficio, que aponta o não recolhimento dos tributos nas vendas ao mercado interno e aponta o descumprimento do RECOF em razão de não existirem as obrigatórias exportações. A instrução normativa n.º 417/2004, definiu os requisitos para a continuidade da habilitação das empresas no RECOF, conforme exposto em seu Art. 6.º: "Compromisso para Habilitação da Empresa Industrial Art. 6º Para a habilitação ao regime, a empresa industrial interessada deverá, ainda, assumir os compromissos de: I exportar produtos industrializados, com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, no valor mínimo anual equivalente a: a) US$ 10.000.000,00 (dez milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as indústrias referidas nas alíneas " c" e " d" do inciso I do § 1º do art. 2º ; e b) US$ 20.000.000,00 (vinte milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as demais indústrias; e II aplicar anualmente pelo menos 80% (oitenta por cento) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime na produção dos bens que industrialize. § 1º Para atendimento dos compromissos referidos no caput, serão computadas as operações realizadas a partir da data do desembaraço aduaneiro da primeira declaração de importação (DI) de mercadorias para admissão no regime. § 2º Os compromissos de exportação referidos no inciso I ficam reduzidos em cinqüenta por cento no primeiro ano da habilitação da empresa industrial. Fl. 10392DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.393 10 § 3º Na apuração dos montantes previsto no inciso I do caput: I será considerada a exportação ao preço constante da respectiva declaração de exportação; II serão subtraídos os valores correspondentes às importações de mercadorias admitidas em outros regimes aduaneiros vinculados a compromissos de exportação e utilizadas nos produtos exportados; III não serão considerados os valores correspondentes à: a) exportação ou reexportação dos produtos usados referidos nos incisos II e IV do § 4º do art. 2º; e b) exportação de partes e peças no mesmo estado em que foram importadas; e IV serão computados os valores relativos às exportações efetuadas ao amparo de todas as modalidades para as quais está habilitada a empresa, na hipótese de empresa industrial habilitada a mais de uma modalidade do regime. § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: I de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas no regime, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 5º O percentual previsto no inciso II do caput: I ficará reduzido a: a) 75% (setenta e cinco por cento), se a empresa exportar, no ano, produtos industrializados com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, em valor superior a US$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de dólares dos Estados Unidos da América); e b) 70% (setenta por cento), se a empresa exportar, no ano, produtos industrializados com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, em valor superior a US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares dos Estados Unidos da América); e II terá o seu cumprimento apurado: a) com base no valor aduaneiro das mercadorias admitidas no regime; e b) desconsiderandose os valores das operações dos incisos II e IV do § 4º do art. 2º. § 6º Na hipótese de habilitação em mais de uma modalidade de Recof, o compromisso de que trata o inciso I do caput corresponderá ao maior entre as modalidades da habilitação. " Não obstante o contribuinte ter o direito a outros benefícios fiscais do setor automotivo, como os utilizados e previstos na Lei 10.182/01 e Lei 9826/99, se a empresa deixou de cumprir com os requisitos do RECOF, deixou de possuir o direito aos benefícios deste regime, em específico. Nesse contexto, votase pela conversão do presente processo em diligência, para que: 1 a autoridade de origem apresente relatório que aponte de forma discriminada, individualizada e explique exatamente, com relação a cada operação: Fl. 10393DF CARF MF Processo nº 13044.000430/200822 Resolução nº 3201001.386 S3C2T1 Fl. 10.394 11 se o contribuinte cumpriu ou não com as determinações do Art. 6.º da instrução normativa n.º 417/2004, reproduzida acima; se cumpriu os requisitos das outras leis utilizadas: lei 9826/99 (suspensão do IPI) e Lei 10182/01 (redução de 40%); se houve recolhimento e se os recolhimentos teriam implicação na apuração do valor lançado (demonstrar o devido ajuste no valor lançado se necessário); se houveram exportações. Se sim, quais. 2 após a análise técnica acima, a autoridade de origem deve demonstrar se o presente lançamento tratou ou não, de forma específica e individualizada, do descumprimento dos mencionados requisitos, de forma que possa ser possível concluir em julgamento se o lançamento deve proceder ou não; 3 o contribuinte deve ser intimado do relatório fiscal e deve se manifestar. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 10394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932214/2009-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 18/01/2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente FGVTN BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/01/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 22 14 /2 00 9- 51 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 152 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 37527.84546.200508.1.3.040922 (fl. 44/53), transmitido em 20/05/2008, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A partir desse ponto, transcrevo relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 37527.84546.200508.1.3.040922, por meio da qual a contribuinte em epígrafe utilizouse de crédito no montante de R$ 15.287,74, relativo ao DARF de Cofins, 5856, recolhido em 20/12/2007, do período de apuração de 30/11/2007, no valor total de R$ 168.368,89, para extinguir os débito relacionados na fl. 4 do processo. Em 07/10/2009 foi emitido Despacho Decisório de não homologação da compensação pelo fato de o DARF discriminado na Dcomp estar integralmente utilizado para extinção de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, em 18/11/2009, na qual alega, em síntese, que ofereceu indevidamente determinadas receitas à tributação, que totalizaram o montante de R$ 201.154,42, a saber: 1) receitas financeiras (R$ 188.419,28); 2) receitas de vendas de sucatas metálicas (R$ 11.079,00) e 3) receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus (R$ 1.656,14). Relativamente ao primeiro item, aduz que “no mês de novembro de 2007, auferiu receitas financeiras decorrentes de juros recebidos de clientes e variações cambiais ativas”. Tais receitas, entende a Manifestante, são tributadas à alíquota zero. Porém, por erro, as incluiu na base de cálculo da Cofins, conforme pode se verificar no “Anexo VIII —Memórias de Cálculo — Base de Débitos — Novembro de 2007”. No tocante ao segundo item, a Interessada argumenta que produz volumes expressivos de sucatas, resíduos e aparas de alumínio, ferro e outras materiais, que são vendidos a empresas Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 153 3 recicladoras. Entende que as receitas geradas pela venda de sucatas registradas na conta contábil 30004 (Venda de Sucatas), demonstrada no “Anexo VII —Balancete de Verificação — parcial novembro/ 07)”, estavam sujeitas à tributação da Cofins até março de 2006, quando entrou em vigor as disposições do art. 48 da Lei n° 11.196/2005, suspendendo a incidência das contribuições sobre estas receitas. Diz que em novembro de 2007 as receitas auferidas no mercado interno somaram R$ 4.796.756,01, enquanto as receitas de vendas de sucatas totalizaram R$ 11.079,00. A soma das duas rubricas totaliza R$ 4.807.835,01, valor que pode ser visualizado, sob o título de Receitas de Vendas/Revendas, no anexo VIII. Entende ainda que o balancete de verificação parcial de novembro de 2007 (anexo VII) e as memórias de cálculo (anexo VIII) demonstram, indubitavelmente, a indevida inclusão das receitas de vendas de sucatas na base de cálculo da Cofins. Por fim, quanto ao item 3, a Contribuinte afirma que “efetua operações de vendas de mercadorias destinadas à industrialização ou consumo, para clientes localizados na Zona Franca de Manaus, registrando contabilmente estas operações de venda na rubrica de Receitas de Vendas no Mercado Interno.” Alega ainda que o art. 2o, da Lei n° 10.996/2004, estabeleceu a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desta. Não obstante, argumenta que ofereceu indevidamente à tributação tais receitas. Em resumo, assevera que tem o seguinte direito creditório: Para demonstrar o direito alegado, anexa os seguintes documentos: procuração; cópia do contrato social; Dcomp n° 37527.84546.200508.1.3.040922; Dacon e DCTF de novembro/2007; comprovantes de recolhimento de Cofins de novembro/2007; balancetes de verificação de novembro/2007; memória de cálculo base de débitos novembro/ 2007; demonstrativo das receitas indevidamente tributadas e despacho decisório. Pede justiça, a homologação da compensação declarada e a suspensão da exigibilidade dos débitos." Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 154 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/12/2007 PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada da escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente a demonstrar que determinadas receitas foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 141/148), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando em sua defesa que as provas apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade são suficientes para comprovar a existência de seu direito e, ainda, expôs as teses da verdade material e de que o dever de provar incumbiria ao Fisco, Não juntou mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 155 5 Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 156 6 Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias da DCTF e da DACON, dos DARF´s, balancetes de verificação, demonstrativo de receitas tributadas indevidamente e de uma memória de cálculo. Mesmo que considerássemos que tais documentos se constituem prova, ainda assim, seu valor probatório seria tênue e, por isso mesmo, não afastariam a necessidade de apresentação de outros documentos, que também comprovassem o crédito de forma mais Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.932214/200951 Acórdão n.º 3002000.351 S3C0T2 Fl. 157 7 robusta. Repisese que não foram apresentados nenhum documento contábil ou fiscal nem mesmo no Voluntário. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901420/2016-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS.
Se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ na parcela correspondente às estimativas mensais cujas compensações foram homologadas, ainda que a matéria seja objeto de discussão administrativa sem decisão definitiva proferida pela C. Câmara Superior.
Numero da decisão: 1402-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no importe de R$ 373.237.709,47 e homologar as compensações até o limite deste crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella. Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS. Se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ na parcela correspondente às estimativas mensais cujas compensações foram homologadas, ainda que a matéria seja objeto de discussão administrativa sem decisão definitiva proferida pela C. Câmara Superior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no importe de R$ 373.237.709,47 e homologar as compensações até o limite deste crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella. Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 14 20 /2 01 6- 38 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 451 2 Relatório Adoto o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido: DO DESPACHO DECISÓRIO Este processo trata de pedido de restituição de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2013 no valor original de R$1.268.013.897,75 cumulado com declarações de compensação desse crédito com diversos débitos, tendo sido transmitidos os Per/Dcomp abaixo discriminados: [...] lista dos PER/DCOMPs (pag. 2 do relatório do acórdão recorrido). O crédito pleiteado foi demonstrado no Per/Dcomp 26810.66637.010415.1.7.021802 (fls. 269 a 370), sendo composto por IRRF no montante de R$509.326.360,03 e estimativas compensadas com saldos negativos de período anteriores no total de R$935.924.744,92. Por meio do despacho decisório de nº de rastreamento 115359818 (fls. 117 a 133), a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB reconheceu a parcela de R$894.776.188,28 do crédito pleiteado e homologou as compensações declaradas até o limite desse crédito. Face à insuficiência de crédito, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 17141.18425.120614.1.3.023500 e não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP de números 03349.01929.191214.1.3.028037,38605.87683.060115.1.7.02 5195,12156.68126.140115.1.3.025065,25639.35437.190115.1 .3.026727,28577.65225.120215.1.3.020276e15070.61469.010 415.1.7.026023. No detalhamento do crédito, verificase que o reconhecimento parcial do crédito pleiteado decorreu da não confirmação das parcelas abaixo discriminadas: Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 452 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho decisório por via postal em 15/06/2016 (fls. 249), a contribuinte apresentou, em 11/07/2016, a manifestação de inconformidade de fls. 4 a 22, acompanhada dos documentos de fls. 23 a 247. Alega que as parcelas não confirmadas das estimativas (março a junho de 2013) já são objeto de cobrança no processo administrativo nº 16327.903462/201441, que se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF aguardando julgamento de recurso voluntário. Sustenta que, com a homologação das referidas compensações ou com o eventual pagamento dos débitos exigidos, restará convalidado integralmente o saldo negativo questionado neste processo, de forma que sua desconsideração, em qualquer hipótese, implica cobrança em duplicidade. A manifestante alega que a Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006 deixa claro o entendimento da RFB no sentido de que não cabe efetuar a glosa, na apuração de saldo negativo de IRPJ, de estimativas objetos de compensações não homologadas. Argumenta que a não homologação de compensação de estimativas jamais poderia ser invocada para negar o saldo negativo indicado nos presentes autos, pois o efeito da não homologação daquelas compensações é a cobrança do débito declarado, como previsto nos §§7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96; o que já está sendo feito no processo administrativo nº 16327.903462/201441. A manifestante sustenta que, qualquer que seja a solução final naquele processo, seu direito à compensação integral dos débitos declarados neste processo permanece intacto. Argumenta que “se for mantida na esfera administrativa a decisão que não homologou as compensações, os débitos relativos àquelas estimativas se tornarão integralmente Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 453 4 exigíveis, produzindo o pagamento com multa e juros de mora o mesmo efeito de seu pagamento na data do vencimento, o que conduz à sua aceitação para apuração do saldo negativo indicado no presente feito. Já se for reconhecido o direito ao crédito pleiteado nos autos daquele processo administrativo, restarão também homologadas as compensações das estimativas em questão e portanto, do mesmo modo, inalterado o saldo negativo referente a tal valor.” Alega que a Autoridade Administrativa não pode simultaneamente exigir naquele processo administrativo o pagamento das estimativas cujas compensações não foram homologadas e negar, nos presentes autos, o saldo negativo que resulta justamente daquelas antecipações, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. Cita decisões do CARF, da DRJ/SPO e da Deinf que corroboram seu entendimento. Ante o exposto, conclui que, independentemente da decisão final relativa àquele processo administrativo, é inconteste seu direito de ter reconhecido integralmente seu saldo negativo formado por tais estimativas compensadas. Caso não seja acolhido o argumento acima exposto, o que admite apenas para argumentar, alega a impugnante que, ao menos, deve ser sobrestado o presente feito até que seja proferida decisão final no processo administrativo nº 16327.903462/201441. Alega ser manifesta a prejudicialidade entre os processos, devendo o presente feito ser sobrestado nos termos do art. 12 da Portaria Carf nº 34/2015 e do art. 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cita decisões do Carf que corroboram seu entendimento. Portaria Carf nº 34/2015: “Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafó único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora.“ Código de Processo Civil: “Art. 265 Suspendese o processo: IV quando a sentença de mérito: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 454 5 a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração de existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente;” Ante o exposto, reitera a necessidade de, ao menos, ser sobrestado o presente feito até decisão final no processo administrativo nº 16327.903462/201441, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economia processual, tendo em vista a relação de prejudicialidade e dependência entre os processos, ou então de se suspender a exigibilidade do suposto crédito tributário até julgamento final daquele processo, sob pena de cobrança indevida. A impugnante ressalta que o art. 165 do Código Tributário Nacional assegura o direito do sujeito passivo de reaver os valores indevidamente pagos a título de tributo. Alega que “a não restituição dos valores que efetivamente foram recolhidos a maior ofende o artigo 37 da Constituição Federal, que elege a moralidade e a legalidade como princípios que norteiam a administração pública, os artigos 5°, II e 150, I, da Constituição Federal e 97 do Código Tributário Nacional, que albergam o princípio da legalidade, e os artigos 964 do antigo Código Civil e 876/884 do atual, que vedam o locupletamento sem causa.” Por todo o exposto, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório e reconhecer seu direito à restituição do saldo negativo pleiteado, suficiente a fazer face às compensações declaradas, que devem, consequentemente, ser homologadas. O v. acórdão recorrido que manteve os termos do r. Despacho Decisório, registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. Não se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ na parcela correspondente às estimativas mensais cujas compensações não foram homologadas, ainda que a matéria seja objeto de discussão administrativa, pois as antecipações mensais, ainda que obrigatórias, não são dotadas de liquidez e certeza, atributos necessários ao crédito passível de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 455 6 Anocalendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 456 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, é necessário estabelecer a matéria a ser analisada e julgada por esta C. Turma Ordinário em sede de Recurso Voluntário. Conforme muito bem apontado no v. acórdão recorrido, o credito de R$ 1.268.013.897,75, foi reconhecido parcialmente pelo r. Despacho Decisório no montante de R$ 894.776.188,28, homologando as compensações requeridas até o limite deste valor reconhecido. Face à insuficiência de crédito, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 17141.18425.120614.1.3.023500 e não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP de números 03349.01929.191214.1.3.028037,38605.87683.060115.1.7.025195,12156.68126.140115.1.3.02506 5, 25639.35437.190115.1.3.026727, 28577.65225.120215.1.3.020276 e 15070.61469.010415.1.7.026023. Outro ponto importante que também foi ressaltado no v. acórdão recorrido, é que a parcela não confirmada de IRRF (código de receita 5706) no valor de R$ 177.237.207,20 não faz parte da lide, visto que não entrou na composição de saldo negativo de IRPJ do período do anocalendário de 2013, escriturado na DIPJ/2014. A Recorrente escriturou a título de IRRF no PER/DCOMP 26810.66637.010415.1.7.021802 o valor de R$ 509.326.360,03 e na DIPJ/2014 o valor de R$ 332.089.152,80. A diferença entre a declaração no PER/COMP e na DIPJ é de R$ 177.237.207,20 (R$ 509.326.360,03 R$ 332.089.152,8 = R$ 177.232.207,20) é exatamente a parcela de R$ 177. 237.207,20 que não foi reconhecida no r. Despacho Decisório por ter sido utilizada para a compensação de IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio. Portanto, no presente caso, o valor de R$177.237.207,20, embora conste do despacho decisório como parcela não confirmada de IRRF, não é objeto do litígio, visto que não compôs o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2013 demonstrado na Ficha 12B da DIPJ 2014, cuja restituição/compensação se pleiteia neste processo. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 457 8 Para não deixar dúvida, colaciono a parte do v. acórdão recorrido que tratou sobre este assunto. DO DIREITO CREDITÓRIO Inicialmente, cabe esclarecer que a parcela não confirmada de IRRF (código de receita 5706), no montante de R$177.237.207,20, não faz parte da presente lide, visto que não entrou na composição do saldo negativo de IRPJ do período. Esclarecendo melhor: na Ficha 12B da DIPJ 2014 (fls. 374), a composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2013 foi assim demonstrada: [...] Quadro que demonstra a apuração do IR. Por sua vez, no Per/Dcomp 26810.66637.010415.1.7.021802, foram declaradas as seguintes parcelas de composição de saldo negativo: R$509.326.360,03 de IRRF e R$935.924.744,92 de estimativas. A diferença entre os valores declarados de IRRF no Per/Dcomp e na DIPJ (R$509.326.360,03 – R$332.089.152,83 = R$177.237.207,20) corresponde exatamente à parcela não confirmada por ter sido utilizada para compensação de IRRF incidente sobre juros sobre o capital próprio. Portanto, no presente caso, o valor de R$177.237.207,20, embora conste do despacho decisório como parcela não confirmada de IRRF, não é objeto de litígio, visto que não compôs o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2013 demonstrado na Ficha 12B da DIPJ 2014, cuja restituição/compensação se pleiteia neste processo. Conforme consignado no relatório, não foi reconhecida a parcela de R$373.237.709,47 do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2013, relativa a estimativas de março a junho, cujas compensações não foram homologadas Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 458 9 Conforme o quadro acima, restou a ser analisado em sede de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo, a parcela do saldo negativo não reconhecido no importe de R$ R$ 373.237.709,47, que é composto pelas compensações de estimativas que foram apuradas e compensadas nos meses de março à junho do anocalendário de 2013. (Observação: no mês de março a compensação foi reconhecida parcialmente, conforme o quadro acima). Essas compensações de estimativas que compõe o saldo negativo de IRPJ ora discutido neste processo, são objeto de DCOMPs (abaixo indicadas) em litígio administrativo em outro processo de nº 16327.903462/201441, no qual já foi proferida decisão definitiva pela C. Câmara Superior. Sendo assim, a autoridade administrativa, seguida pela DRJ, decidiu não reconhecer e não homologar as compensações feitas com o saldo negativo de IRPJ discutido neste processo em epígrafe, referente a parcela das compensações das estimavas objeto do outro processo nº 16327.903462/201441, por entender que sem a decisão definitiva a ser proferida no outro processo os créditos referentes a estas estimativas carecem de certeza e liquidez, não podendo serem aceitas para compor o saldo negativo de IRPJ objeto desta lide. No processo nº 16327.903462/201441, foram vinculadas ao pedido de restituição as DCOMPs abaixo indicadas, dentre as quais constam os processos de compensações das estimativas dos meses de março a junho de 2013, escriturados na PER/DCOMP (fls.98/99 da PER/DCOMP) que compuseram o saldo negativo de IRPJ analisado neste processo. Entretanto, esta C. 2 Turma Ordinária, da 4 Câmara, da 1 Seção proferiu v. acórdão nos autos do processo 16327.903462/201441, julgando totalmente procedente o Recurso Voluntário da contribuinte, reconhecendo o crédito relativo as compensações com as estimativas, inclusive a dos meses de março à junho de 2013 que compuseram o saldo negativo de IRPJ discutido neste processo em epígrafe. Resumidamente, o v. acórdão proferido nos autos do processo 16327.903462/201441, reconheceu o crédito com base no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, eis que restou comprovado que a Recorrente tinha garantido o débito com Segura Fiança nos Embargos a Execução nº 000771589.2015.4.03.6130 opostos face Execução Fiscal nº 000601663.2015.4.03.6130. Vejamos a ementa do julgado proferido por esta C. Turma nos autos do processo 16327.903462/201441: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 459 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IPRJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. IRPJ. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR. Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos autos que os lucros auferidos por filial localizada em pais com tributação favorecida foi tributado pela sua matriz no Brasil, deve se reconhecer o crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à empresa no exterior. Para deixa mais claro, colaciono a parte do voto vencedor em relação a esta matéria relativa a compensação das estimativas, bem como a parte dispositiva do voto. A primeira diz respeito a pagamentos de estimativa de IRPJ que compuseram a apuração do saldo negativo desse tributo no ano calendário de 2011, porém não foram confirmadas pelas instâncias administrativas que nos antecederam. Referemse a pagamentos de estimativa dos períodos de apuração de julho, agosto e outubro de 2011 e que teriam sido quitados pela Recorrente mediante compensação com crédito apurado no processo administrativo nº 16327.000190/201183. Ocorre, que tal compensação não foi homologada por completo no âmbito do referido processo administrativo, razão pela qual, tanto a DEINF/SP quanto a DRJ/REC desconsideraram os respectivos valores para efeito de composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2011. O processo administrativo nº 16327.000190/201183 encontrase definitivamente julgado na esfera administrativa, com solução desfavorável à Recorrente. Os débitos objeto de compensação no referido processo, incluindo as estimativas a que se refere este feito, ora em análise, foram inscritos em dívida ativa e estão sendo objeto de cobrança executiva na Justiça Federal de Osasco, em São Paulo. O processo de execução recebeu o nº 000601663.2015.4.03.6130, já os respectivos embargos receberam o nº 000771589.2015.4.03.6130. Assim, a controvérsia a ser analisada resumese à decisão acerca da possibilidade de se considerar, para efeito de Fl. 459DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 460 11 apuração de saldo negativo de IRPJ, as estimativas pagas via compensação não homologada em outro processo, mas já objeto de cobrança judicial, via execução fiscal. Confesso que não me sinto totalmente confortável em admitir tal situação, haja vista que, na prática, as estimativas que estão a compor o saldo negativo do IRPJ não foram pagas, carecendo o respectivo crédito de liquidez e certeza quanto à sua realização. Entretanto, no caso em tela, verifico que nos autos dos Embargos à Execução nº 000771589.2015.4.03.6130, os débitos estão garantidos por seguro oferecido pela Recorrente ao Juízo (v. efls. 1.633/1.651). Em seu despacho, o juiz recebeu os embargos à execução e lhe conferiu efeito suspensivo, haja vista a garantia total do feito (v. efls. 1.660). Portanto, ao término da execução fiscal, as estimativas poderão vir a ser consideradas quitadas (por homologação judicial), em caso de sucesso por parte da Recorrente, ou, a contrário senso, serão extintas por pagamento, ainda que mediante a liquidação do seguro garantia que guarnece o processo executivo. Essa solução também previne qualquer tipo de tumulto processual, na medida que a resolvese este processo independentemente do resultado advindo da execução fiscal. Somente por esses motivos as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. No mesmo sentido deste entendimento, colacionamos abaixo duas recentes decisões proferidas pelo CARF. A primeira, cujo Acórdão recebeu o nº 1402002.330, foi emanada desta mesma Turma, em 04 de outubro de 2016, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. A segunda, proferida em 23 de novembro de 2016, recebeu o nº 9101002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Acórdão nº 1402002.330: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 461 12 Acórdão nº 9101002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº 18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 462 13 Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 2006. Da mesma forma, é este o entendimento desta CSRF, conforme se observa a seguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTO COMPENSAÇÃO CABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP 135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº 18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 1658/2011 e 193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de, verbis: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores Fl. 462DF CARF MF Processo nº 16327.901420/201638 Acórdão n.º 1402003.287 S1C4T2 Fl. 463 14 devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Segue a parte dispositiva do voto vencedor em relação a esta matéria. Por todo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer tão somente o direito creditório relativo aos pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo nº 16327.000190/201183, no importe de R$1.046.307.902,84 (Hum milhão, quarenta e seis milhões, trezentos e sete mil, novecentos e dois Reais e oitenta e quatro centavos). Sendo assim, tendo em vista que as compensações relativas as estimativas dos meses de março a junho de 2013, indicados no PER/DCOMP de numero 26810.66637.010415.1.7.021802 que compuseram o crédito de saldo negativo de IRPJ foram homologadas por esta C. Turma Ordinária em sede de Recurso Voluntário nos autos do processo nº 16327.903462/201441, não resta alternativa senão reconhecer o direito creditório no importe de R$ 373.237.709,47 e homologar as compensações até o limite deste crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.720606/2012-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 06 /2 01 2- 50 Fl. 168DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 21.539,96, por não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.491,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13876.720606/201250 Acórdão n.º 2001000.597 S2C0T1 Fl. 3 3 despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 17.421,18, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasilia, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Fl. 170DF CARF MF 4 Preliminar Suposta decadência Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13876.720606/201250 Acórdão n.º 2001000.597 S2C0T1 Fl. 4 5 (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas manifestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 172DF CARF MF 6 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 21.539,96). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13876.720606/201250 Acórdão n.º 2001000.597 S2C0T1 Fl. 5 7 A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 174DF CARF MF 8 Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13876.720606/201250 Acórdão n.º 2001000.597 S2C0T1 Fl. 6 9 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Fl. 176DF CARF MF 10 Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.725053/2014-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, não tem este Conselho competência para pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1002-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício do contribuinte do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA VEDADA À ANÁLISE DO CARF. De acordo com a Súmula CARF nº 02, não tem este Conselho competência para pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 53 /2 01 4- 11 Fl. 52DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO nº 81/2014 (fls. 06), que excluiu o contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/06/2012, por ter sido constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme apurado pela fiscalização, incorrendo na situação excludente prevista na Lei Complementar nº 123/2006, art. 29, inciso VII. Consoante documentos extraídos do processo administrativo nº 10521.720294/201397 (fls. 02/04), cuidavase de 51 maços de cigarros de origem estrangeira que estavam expostos à venda sem prova de sua regular importação. Tendo sido autuado o contribuinte e, posteriormente, com a lavratura de Termo de Revelia e Pena de Perdimento (fls. 05) naquele processo, concluiuse pela exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Notificado da exclusão em 30/12/2014 (AR às fls. 08), o interessado apresentou, em 23/01/2015, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/12 alegando, em síntese: § que os cigarros apreendidos, em quantidades e valores insignificantes, destinavamse ao consumo próprio da empresária e de seu marido e não estavam sendo objeto de comercialização; a reclamante, portanto, não cometeu a infração apontada; § que quitou a multa de R$ 102,00 relativa às mercadorias apreendidas e supôs que, a partir de então, estaria encerrada a questão; § que, conforme os valores relacionados às fls. 11 (item 2 da manifestação), a exclusão retroativa do Simples Nacional implicará em grande custo financeiro à empresa (diferenças de tributos a recolher, multas, juros, etc.), uma punição desproporcional, “temerosa e preconceituosa”, que se baseia em presunção de um fato que ainda não foi objeto de decisão transitada em julgado no processo criminal; Fl. 53DF CARF MF Processo nº 11065.725053/201411 Acórdão n.º 1002000.330 S1C0T2 Fl. 3 3 § que a punição poderia inviabilizar o seu pequeno comércio, de onde a empresária obtém o seu sustento e o de sua família. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 1671.482, de 31 de março de 2016 (efl. 23), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. EXCLUSÃO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional, consoante expressa previsão legal. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual apresenta os argumentos e fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados (grifos do original). Alega que "A microempresa recorrente, no dia 19/06/2012, por meio de operação da Polícia Civil teve apreendido, na sede do seu estabelecimento no endereço supracitado, a insignificante e irrisória quantidade de 51 maços de cigarros, os quais, após verificação dos agentes policiais constatouse serem de provável origem estrangeira, fato que ate então era de total desconhecimento da proprietária do pequeno bazar, Sra. Silvana de Oliveira, e que ainda deverá ser objeto de perícia especifica em processo judicial ainda não realizada." e que, em decorrência disso, "foi lavrado o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, da Inspetoria da Receita Federal em Porto Alegre, n° 1015400/65/2013 Processo 10521.720294/201397, onde, a empresa foi intimada a manifestarse no que tange as mercadorias apreendidas." Registra que "ainda carece, na esfera da justiça federal, o processo da prévia apreciação do caso; da verificação da existência ou não da tipicidade de suposto ilícito; bem como, de toda a instrução do processo, onde, então serão assegurados os direitos constitucionais basilares do contraditório, da ampla defesa, antes do julgamento sobre a procedência ou não dá denúncia encaminhada pela Polícia Civil." Sustenta que "a mercadoria apreendida não era voltada para a comercialização, fato, que se depreende pelo fato mesmo após buscas dos agentes policiais ser absolutamente insignificante e incompatível a quantidade localizada com a quantidade que seria necessária esperada para caso esta fosse destinada a comercialização ao público.", mas que, na decisão da DRJ/SPO, "foi desconsiderado tal alegação de não comercialização, limitandose, os nobres julgados a alegar que é dever do comerciante zelar pela boa procedência e respectiva documentação de suas mercadorias, bem como, as normas do regime tributário simplificado." Argumenta que "a exclusão de retroativa do Simples Nacional não pode deixar de ser considerada uma PENA EXCESSIVA, não havendo qualquer motivo para não se entender nesse sentido. Ademais, PENALIDADE, da forma que foi aplicada de forma RETROATIVA tornase lesiva e excessivamente onerosa ao estabelecimento, o qual, como já Fl. 54DF CARF MF 4 demonstrado em recurso anterior, resultar no pagamento de diferença de tributos que são superiores a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), valor que é infinitamente superior a todo o estoque do pequeno bazar que sequer atinge a monta de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)!!!" Aduz que "o bom histórico da empresa, comprova que tal fato se tratou de um evento fortuito e não condizente com o comportamento da empresa, e se houver a necessidade de punição a mesma o que se acredita não irá ocorrer — está deve ser feita com efeitos ex nunc, permitindo que a mesma possa se reestruturar a uma nova carga tributária." Conclui seu arrazoado evocando a aplicação ao presente caso dos Princípios da Insignificância, da Proporcionalidade, da Presunção de Inocência e da Dignidade Humana. Ao final, requer a reforma da decisão prolatada na Instância de Origem e a manutenção da empresa no regime do simples nacional. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De acordo com o Ato Declaratório Executivo SEORT/DRF/NHO n° 81/2014 (efls. 13), o Recorrente foi excluído do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/06/2012, em virtude da definitividade da aplicação da pena de perdimento a que se refere o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal constante do processo administrativo nº 10521.720294/201397. Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base normativa em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples Nacional: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I (...) (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I (...) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11065.725053/201411 Acórdão n.º 1002000.330 S1C0T2 Fl. 4 5 IV a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1º) a)(...) (...) f) comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Como se observa, ao contribuinte foi aplicada a pena de perdimento em razão de ter comercializado mercadorias objeto de contrabando e descaminho, ilícito apurado no processo administrativo nº 10521.720294/201397. Compulsando os autos, constato que a aplicação da pena de perdimento em caráter definitivo derivou da não apresentação de impugnação do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal constante do processo administrativo nº 10521.720294/201397, caracterizando a revelia do sujeito passivo, nos termos do artigo 774, § 1º do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 (grifos nossos): Art. 774. As infrações a que se aplique a pena de perdimento serão apuradas mediante processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão e, se for o caso, de termo de guarda fiscal (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 27, caput). § 1o Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de vinte dias implica revelia (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 27, § 1º). Em suas razões de defesa, o Recorrente argumenta, em suma, que a quantidade de maços de cigarro apreendida, objeto do Processo nº 10521.720294/201397, foi insignificante e não era voltada a comercialização, mas a consumo próprio e que, por isso, a exclusão retroativa do Simples Nacional revelouse numa pena excessivamente onerosa, devendo produzir efeitos "ex tunc". Em que pese o inconformismo do Recorrente, não lhe assiste razão. Isso porque, à exemplo do que dispõe o artigo 344 do Código de Processo Civil 1 CPC, a caracterização de revelia gera presunção de fato incontroverso em desfavor do contribuinte (comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho), descabendolhe, por isso, a rediscussão do mérito processual em qualquer outra instância recursal, até porque há previsão normativa de que o julgamento do processo de perdimento é 1 Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumirseão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. Fl. 56DF CARF MF 6 feito em instância única2 pelos Delegados e Inspetores da Receita Federal do Brasil3 no exercício de competência delegada. Mesmo que a legislação permitisse a apresentação de recurso na situação aventada, só caberia a discussão do mérito da decisão no bojo do processo nº 10521.720294/201397, porque é nele que estão registrados os fatos e os fundamentos que caracterizaram o ilícito ora contestado pelo Recorrente e aplicada à pena de perdimento, e, ainda assim, desde que apresentada prova inequívoca de violação de matéria de ordem pública, passível de evocação a qualquer tempo e grau de jurisdição, o que efetivamente não ocorre nos presentes autos, residindo boa parte do inconformismo do Recorrente em alegações de caráter pessoal e genérico. Nesse contexto, caberia a este julgador, tão somente, aferir se causa da exclusão do Simples Nacional revelada no processo nº 10521.720294/201397 amoldase à hipótese prevista no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de modo a conferir ou não legitimidade jurídica à exclusão. A esse respeito, considero correta a exclusão do contribuinte do Simples Nacional e hígido o fundamento que lhe deu origem, constante do Ato Declaratório Executivo SEORT/DRF/NHO n° 81/2014, por ocorrência de revelia e aplicação definitiva da pena de perdimento nos autos do processo nº 10521.720294/201397, o que comprova legalmente a comercialização de mercadoria objeto de contrabando e descaminho pelo contribuinte. Com relação à argüição do Recorrente de que existe processo judicial sobre a matéria discutida nos autos, corroboro com o entendimento exarado no Acórdão de Impugnação e constante do trecho abaixo transcrito, o qual, desde já, adoto como razões de decidir, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e §3º do art. 57, do RICARF: Com relação ao citado processo criminal, o contribuinte apenas apresenta a cópia da capa dos autos, às fls. 15, não sendo possível determinar em que medida uma eventual decisão proferida naquele processo poderia repercutir no presente caso. Sendo assim, e enquanto não houver determinação judicial em contrário, o presente processo administrativo de exclusão do Simples Nacional há de prosseguir normalmente, em homenagem ao princípio da oficialidade que norteia o Processo Administrativo Fiscal (PAF) regulado pelo Decreto nº 70.235/72. 2 Art. 774. As infrações a que se aplique a pena de perdimento serão apuradas mediante processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão e, se for o caso, de termo de guarda fiscal (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 27, caput). § 1o (...) (...) § 6o Após o preparo, o processo será submetido à decisão do Ministro de Estado da Fazenda, em instância única (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 27, § 4º) 3 Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: I (...) (...) IV aplicar pena de perdimento de mercadorias e valores; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.725053/201411 Acórdão n.º 1002000.330 S1C0T2 Fl. 5 7 Não há reparos a fazer no trecho extraído do Acórdão de Impugnação. Aduzo que a esfera de julgamento administrativo tem independência com relação à esfera penal e que não há previsão legal para sobrestamento da pena de perdimento até que ocorra o desfecho do processo criminal, mas previsão em sentido contrário, isto é, que admite o prosseguimento do processo administrativo de perdimento independentemente do curso do processo penal, a qual consta do § 3o do artigo 774 do Regulamento Aduaneiro e do parágrafo único do artigo 26 do DecretoLei nº 1.455/76: Decreto nº 6.759/2009 Art. 774. As infrações a que se aplique a pena de perdimento serão apuradas mediante processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão e, se for o caso, de termo de guarda fiscal (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 27, caput). § 1o (...) (...) § 3o A revelia do autuado, declarada pela autoridade preparadora, implica o envio do processo à autoridade competente, para imediata aplicação da pena de perdimento, ficando a mercadoria correspondente disponível para destinação, nos termos dos arts. 803 a 806. DecretoLei nº 1.455/76 Art 26. As mercadorias de importação proibida na forma da legislação específica em vigor serão apreendidas, liminarmente, em nome e ordem do Ministro da Fazenda. Parágrafo único. Independentemente do curso de processo criminal, as mercadorias a que se refere este artigo poderão ser alienadas ou destinadas na forma deste Decretolei. Também a pretensão do Recorrente de aplicar o princípio da insignificância para afastar sua exclusão do Simples Nacional não encontra amparo na legislação reguladora deste sistema, por ser de aplicação restrita ao âmbito do direito penal e por não ter essa medida (exclusão) caráter de pena, mas de ato de ofício praticado por agente público no exercício regular de atividade vinculada à Lei, diante da constatação de descumprimento ou violação dos requisitos obrigatórios legalmente previstos para adesão/permanência naquele sistema de tributação optativo e simplificado. Inviável, portanto, a aplicação do princípio da insignificância para o fim de afastar a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, o qual só é admitido no campo administrativotributário nos casos legalmente previstos. Do mesmo modo, improcede a postulação do Recorrente de querer atribuir efeitos ex nunc à sua exclusão do Simples Nacional, eis que o inciso IV do artigo 76 da Fl. 58DF CARF MF 8 Resolução CGSN n° 94/2011 determina claramente o momento a partir do qual operase o efeito da exclusão na hipótese de que cuida os autos, motivo pelo qual volto a reproduzilo (grifos nossos): Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I (...) (...) IV a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1º) a) (...) (...) f) comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; Uma vez que as mercadorias foram apreendidas no endereço sede do estabelecimento autuado em 19/06/2012 (efls. 03) a exclusão do contribuinte do Simples Nacional produziu efeitos a partir de 01/06/2012, estando em consonância com a legislação acima citada. De outra parte, as alegações de violação a Princípios constitucionais levantadas pelo Recorrente não podem ser analisadas por este colegiado, eis que a súmula CARF nº 02 não reconhece competência a este Conselho para pronunciamento sobre essa matéria: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, comprovado nos autos que o contribuinte infringiu o inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, ao comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, concluise que a sua exclusão do Simples Nacional foi efetuada de acordo com a legislação em vigor à época dos fatos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000870/2007-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA.
0 imposto sobre a renda é lançado segundo a modalidade por homologação.
Independentemente da realização de pagamento parcial, mas ressalvada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é regido segundo as regras próprias dessa modalidade. 0 mesmo entendimento deve ser adotado quanto As contribuições.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Por se constituir em presunção legal de omissão de receitas os depósitos e demais créditos realizados em conta corrente bancária de titularidade da contribuinte devem ter sua origem por esta provada.
Numero da decisão: 1201-000.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para afastar a exigência de 1RPJ e CSLL relativamente ao 20 trimestre de 2002 e, em relação ao PIS e a COFINS, para afastar a exigência relativa ao mês de julho de 2002. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto (Relator), que não acolhia a preliminar de decadência. Designado o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. 0 imposto sobre a renda é lançado segundo a modalidade por homologação. Independentemente da realização de pagamento parcial, mas ressalvada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial é regido segundo as regras próprias dessa modalidade. 0 mesmo entendimento deve ser adotado quanto As contribuições. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Por se constituir em presunção legal de omissão de receitas os depósitos e demais créditos realizados em conta corrente bancária de titularidade da contribuinte devem ter sua origem por esta provada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para afastar a exigência de 1RPJ e CSLL relativamente ao 20 trimestre de 2002 e, em relação ao PIS e a COFINS, para afastar a exigência relativa ao mês de julho de 2002. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto (Relator), que não acolhia a preliminar de decadência. Designado o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redação do voto vencedor. 4/ocriq:en,e; (!s..,incar) ciiirctirciente) Claudemir Rodrigues Malaquias - Presidente Awoo,3ado cl:g ■ Nlmonle en I/2'1 i ; .n; MA!-ZOF:Z O CUT3i, Ni: Ac)smoc.)0a c7 :111!)::: ,nic: 2:.V 1 i 120 U p LP.UDE MR 1-?C/DF1::.;U?DS A:;;:irodo 03/11r2011 Per ADOLM DOS SANE() Dcii:;,YA1 Y ti L3 Nf3 Autt5ii,;.(laiS 1 11:,,P,i,MNIV.11-11i51?.1':.'f(1 ..- .9..) .e.""erkNE DA SILVA ALVES NUNES Impresso ern 16/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO IN CARP MF FL 696 , DF CARF MI; H. 508 (LI(I(.7 iii;iC (e.‘,s(!r PsZ(1(1 (ligliahlIC;11e) Marcelo Cuba Netto - Relator (dcwitmento cissittefflo 1ig1tc4tnUi(e) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes—Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antônio Cerios Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto com base no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. No termo de constatação de fis. 159/160, a autoridade fiscal relata, em resumo, o seguinte: a) em pesquisa aos sistemas de informação mantidos pela RFB veri ficou-se que a contribuinte, apesar de haver declarado receita bruta nula em suas DIPJs relativas aos anos- calendários de 2002 e 2003, promoveu expressiva movimentação financeira em suas contas correntes bancárias; b) intimada e reintimada para tanto, a fiscalizada deixou de apresentar os livros de sua escrituração comercial e fiscal, bem como os documentos que lhe dariam suporte. Foram apresentados, tão-somente, os extratos das contas correntes bancárias dos anos de 2002 e 2003; c) intimada, então, a comprovar a origem dos recursos creditados naquelas contas correntes, a contribuinte não logrou êxito em fazê-lo, razão pela qual, com base no art. 287 do RIR199, presumiu-se que tais valores provinham de receitas omitidas; d) em virtude das infrações apuradas foram lavrados os autos de infração do IRPJ, com base no lucro arbitrado, da contribuição para o PIS, da Cofins e da CSLL. A DRJ de origem decidiu pela procedência parcial do lançamento (fls. 644/653), reconhecendo a decadência do IRPJ e da CSLL relativamente ao 1° trimestre de 2002, bem como a decadência da contribuição para o PIS e da Cofins referente aos meses de janeiro a junho do ano de 2002. Ademais, excluiu da omissão de receita apurada os cheques devolvidos e as transferências entre contas correntes de titularidade da própria pessoa jurídica. Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 663/678) pedindo, preliminarmente, a declaração de nulidade do lançamento e, no mérito, o cancelamento da exigência, sob as alegações examinadas ao longo do voto. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. I) Da Admissibilidade do Recurso Autenticado digitalmente 1.11110:3 , ': 1/2011 por NE1 ; O, Az):51 lado C•g:tii:; -nePic em 1 ii2:;•11 p or CLAUIJENIE N(.11.1HIGLES tt:gul • uri :e 1.:7 G5/111201 1 ptu GUILI. ■ ;;;;.,;.: ADOLFO DOS SANTO Do§„tY47,n-("iti,ti9 ,10..0434S -69,1 1.qt.tAikl; 2 AutfinitaS I URCAlli.FR;Id(Niqilitlif,l'INE DA S{LVA AVES NUNES impresso em 1611112012 or ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF GAM: MP DF CAM' MP Processo n° 18471.000870/2007-82 Acórdão n.° 1201-00.525 n dr cs, 0 '6 FL 697 Fl 509 S I -C2T1 Fl. 694 0 recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto n° 70.235/72 e, portanto, dele deve-se tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Nulidade do Lançamento Pede a recorrente seja declarada a nulidade do lançamento, sob o argumento de ter havido cerceamento do direito de defesa, pois jamais se negou a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo entregue espontaneamente os extratos bancários, conforme confessado pela fiscalização. Diz ainda ter havido precipitação do auditor fiscal ao tributar a totalidade dos depósitos bancários, impedindo que a autuada apresentasse a documentação necessária, numa atitude clara e insofismável de cerceamento do direito de defesa. Ocorre que, o fato de a contribuinte haver colaborado com a fiscalização, apresentando os extratos bancários e prestando as informações solicitadas, não impede seja lavrado auto de infração com base naqueles mesmos elementos. A colaboração é dever do sujeito passivo, sendo que em caso de embaraço à fiscalização a autoridade poderá adotar, conforme o caso, os procedimentos previstos nos arts. 195, II, 916, 919, 920 e 922, todos do RIR/99. No que toca à origem dos recursos creditados em suas contas correntes bancárias, deve-se observar que a contribuinte foi intimada em 11/07/2007 (fl. 110) a apresentar os documentos necessários a sua comprovação, sendo que até 11/08/2007, data da ciência aos autos de infração, não se havia se manifestado sobre o assunto. Some-se a isso o fato de não haver apresentado junto à impugnação qualquer elemento tendente a comprovação dos aludidos depósitos. Por fim, deve-se dizer que a auditoria fiscal rege-se pelo principio inquisitório, não possuindo o sujeito passivo, naquela fase do procedimento, direito à defesa, motivo pelo qual é incabível falar-se em seu cerceamento. 0 direito à ampla defesa e ao contraditório surge apenas com a impugnação ao lançamento, ato que inaugura a fase litigiosa do procedimento. Somente os atos processuais praticados a partir de então podem propriamente ser objeto de declaração de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a teor do art. 59, 11, • in fine, do Decreto n° 70.235/72. 3) Da Alegação de Decadência Pede a recorrente seja acolhido o voto vencido do relator da decisão de primeiro grau, na parte em que reconhece a decadência dos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até julho de 2002, nos moldes do art. 150, § 4°, do CTN. Pelo exame da decisão recorrida é possível verificar que o relator do voto vencido promoveu a contagem do prazo decadencial com base no art. 150, § 4°, do c -rN, não havendo se pronunciado sobre a existência, ou não, de pagamentos parciais dos tributos e contribuições lançados (fl. 648). Já o redator designado para proferir o voto vencedor constatou a inexistência dos ditos pagamentos, razão pela qual aplicou o art. 173, 1, do CTN na contagem do prazo decadencial (fl. 653). Trata-se, aqui, da já antiga controvérsia doutrinária e jurisprudencial acerca do termo a quo do prazo decadencial qüinqüenal dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. AutentIcado dq1eiinto cm 03111/2011 o O r.;1)'3A Nt.: I IC. AKiw,a;lo er; 20/11/2011 p CLAUDEMIR RODIRiGUES zhn 0:11 V2011 pc: C.UfUENME TOOLF(..) DOS SANTO DoÇN:.nitMC'i,q891 .43.1:1"Aint,t1141R &3411:gigi,1 155: 2 iu 8c2f'0»,,TA I, 3 Ad'E.MaLFRIiP,WqRsj AN i.,0i?If.diVbf"'U''',54,,k 7- DA SILVA ALVES NUNES Impresso em 16/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO DF (.'ARFMF Fl. 69 DJ CAM' Nil' FL 510 Antes de adentrar no âmbito da controvérsia acima mencionada, é importante esclarecer duas situações em que ela não se estabelece: (i) quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que não há dúvida de que termo inicial será sempre o previsto no art. 173 do CTN; (ii) quando haja pagamento parcial do tributo, caso em que é pacifico o entendimento de que o termo a quo será sempre o estabelecido no art. 150, § 4°, do CTN, exceto na hipótese descrita em (i) acima. O imbroglio jurídico se dá na hipótese em que não existe comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nem tampouco há pagamento do tributo. Nessa situação existem ao menos quatro teses, a saber: (i) o termo inicial é o estabelecido no art. 150, § 4°, c/c o art. 173, ambos do CTN (tese do cinco mais cinco para lançar); (ii) o termo inicial é aquele estampado no art. 173 do CTN; (iii) o termo inicial é o previsto no art. 150, § 4°, do CTN; (iv) o termo inicial é o estabelecido no art. 150, § 4°, do ci-N, desde que, realizada a "atividade" de determinação da base de cálculo, não haja tributo devido. Pois bem, ao apreciar o REsp n° 973.733/SC, o qual, em razão da multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, foi submetido ao procedimento de que cuida o art. 543-C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção do STJ prolatou acórdão com a seguinte ementa (DJe de 18/09/2009): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sS' 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. • I. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado ern 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fax, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no éimbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potes/ativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de San/i, "Decadéncia e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Aulermai<lo dr 1almente em 03/1112()11 ?.:or ■ ‘ 1,ARCELO el.)13A NE-110. Apado ooti3 em 2911112011 p or CLAUDEM1R RODRIGUES MALA.CU,AS, Asoiro.':o d 1;7;e s 09111/2011 por ag..; IS1- 1,1VIC ADOLFO DOS SANTO 4 AuFgraa,R.169 ■ ;2jiallaild4),%;'"1 ViSrliklIft.)f :Mife:NE DA SILVA ALVES NUNES Impresso em 16/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO Dr' GARY' NW , DI: ('ARL' MI: Processo 18471.00087012007-82 Acórdão n.° 1201-00.525 • seguinte: 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amara, "Direito Tributário Brasileiro", 10° ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Grifamos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por sua vez, o art. 62-A do Regimento Interno do CARF estabelece a o Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça ern matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. FL 699 I I 1_ SI -C2T1 - Fl. 695 Não ha dúvida de que o art. 62-A do RICARF instituiu a vinculaedo das decisões deste Colegiado aos precedentes do STF e do STJ que tenham sido exarados, respectivamente, nos termos dos arts. 543-B (repercussão geral) e 543-C (recursos repetitivos) do CPC. Resta saber, todavia, se a decisão prolatada pelo STJ nos autos do citado REsp n° 973.733/SC 6, de fato, urn precedente para a decisão a ser tomada nos autos do presente processo. Noutros termos, é imprescindível determinar se aquele caso é "igual" ao aqui examinado, pois, do contrário, sera absurdo exigir que a decisão tomada pelo STJ seja Av leoca.i0 (1,0 :1 ¡ :1-4o.0 ern 0311112011 por MARCLELO NET TO. A6;.r.ftlodo t/iWP om 21)1 p (.0 AUDI:MIR As•At<1.;:o em 00 1 1120 1 ' por GU i.t1(311.VE: ADOEFO DOS SANTO DeaReksil l:Oi2OtiqqkO;V:6(ffir'r,O,,Vo`1 2V ,', IVA;,ç,;49eCrkiANt61 - ,̀3 AAiiiiIK-WveNhiSalt,kw:9-tyiyiM)10 DA SILVA ALVES NUNES Iteluesso em 161-1112V 2 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM E3RANCO DF GARF ME DI' CAR!' Ml 1.1F-`-- /00 • , 112 6‘C6 "reproduzida" pelo CARF. E os dois casos serão iguais se, e somente se, a lide objeto da decisão do STJ for a mesma sob apreciação aqui. Pois bem, em que pese o ilustre Ministro Relator haver tecido extensos comentários sobre as diversas teses defendidas pela doutrina e pela jurisprudência acerca do termo inicial do prazo decadencial, é possível concluir que a questão controvertida objeto do REsp n° 973.733/SC resumia-se em determinar se a Fazenda Nacional possuía, ou não, direito a constituir credito tributáxio relativo a contribuição previdencidria devida pelo Estado de Santa Catarina no prazo de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que verificada a homologação tácita prevista no art. 150, § 4 0, do CIN(tese do cinco mais cinco pra lonçar). Veja, a propósito, o trecho conclusivo do voto: Outrossim, inipende assinalar que o 'Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previslos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3' ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de San/i, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3 ° ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Grifamos) In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. Des torte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECI4L Tal afirmação é corroborada pelo que consta da decisão monocrática exarada pelo próprio Ministro Relator, quando submeteu o julgamento do citado REsp ao procedimento do art. 543-C do CPC (recursos repetitivos), verbis: O presente recurso especial versa a questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses ern que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (discussão acerca da possibilidade de aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do CM), (Grifamos) Deveras, há multiplicidade de recursos a respeito dessa matéria, por isso que submeto o seu julgamento como "recurso representativo da controvérsia", sujeito ao procedimento do c P3n1eiC on 0.íii/2C1 por MA' ,,I2Fi O CUP., N71 TO A,-,€;1:edc o; sptaven:e on 29/11/2011 p er AUtitrM:R rz:L;L:NICLJES rV.ALAOL:: dig ,!;iime,-11: et n ;;5/11f2011 par ADOLFC., DC'S SANTO ALARCWS*,Vlit-;',0TeldWI?6-St,i2 Ktli-ff,=1.:7LE DA SILVA ALVES NUNES Impresso em 16/11/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM ORANDO 6 DF GARF MI? • DI: CARE' NW Processo n° 18471.000870/2007-82 Acórdão n.° 1201 -00.525 FL 701 ;lJ.5l3 ci 7 SI -C2T1 FL 696 artigo 543-C, do CPC, afetando-o a Primeira Seção (artigo 2°, ..sS' 1°, da Resolução n.° 08, de 07.08.2008, do STJ). E para não restar dúvida sobre o objeto da lide nos autos do REsp 973.733/SC, transcreve-se a seguir parte da ementa ao acórdão recorrido, exarado pelo TRF da 4' Região no,Imbito do processo n° 2004.72.00.005106-8/SC: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. LEGITIMIDADE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Consoante já decidiu esta Corte e o STJ, o advogado não tem legitimidade para recorrer no processo de conhecimento quanto aos honorários advocaticios. Assim, correta a interposição do recurso pela empresa embarganie. 2. Corte já reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91. 3. As normas dos artigos 150, § 4. 0 e 173 do CTN não são de aplicação cufnulativa ou concorrente. 4. Decorridos mais de cinco anos enfre a data do fato gerador mais recente e a nolificação fiscal, implie-se o reconhecimento da decadência. (Grifamos) • Por outro lado, a lide sob julgamento no presente processo administrativo tem como objeto, entre outras coisas, determinar se a absoluta falta de pagamento, pela contribuinte, dos tributos por ela devidos, implica, ou não, o deslocamento da contagem do prazo decadencial da regra prevista no art. 150 do CTN para aquela estabelecida no art. 173 do mesmo diploma legal. Portanto, aqui não esta em discussão a assim chamada tese do cinco mais cinco para lançar, objeto da decisão no REsp n° 973.733/SC. Entretanto, como já observado anteriormente, o ilustre Ministro Relator do mencionado REsp teceu em seu voto comentários sobre as muitas teses acerca do termo inicial do prazo decadencial, inclusive quanto ã inaplicabilidade do art. 150, § 4°, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Ocorre que, segundo a doutrina dos precedentes, tudo o que consta do julgado, e não se revele estritamente necessário à justificação da decisão tomada, é considerado °biter dictum, não possuindo, portanto, efeito vinculante em relação a decisões futuras. Ainda de acordo com a mesma doutrina, o efeito vinculante dos precedentes limita-se à ratio decidendi, ou seja, as razões que levaram o órgão jurisdicional a tomar sua decisão (sobre a doutrina dos precedentes vide, entre muitos outros autores estrangeiros, Frederick Schauer, in "Thinking Like a Lawyer — A New Introduction to Legal Reasoning". No Brasil, entre os poucos trabalhos sobre o assunto destacam-se as obras de Luiz Guilherme Marinoni, in "Precedentes Obrigatórios", e Patricia Perrone Campos Mello, in Precedentes - Desenvolvimento Judicial do Direito no Constitucionalismo Contemporâneo) No caso tratado no REsp n° 973.733/SC, a Primeira Seção do STJ, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A ratio decidendi para a tomada daquela decisão está contida no trecho do voto do relator onde considera "inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, ss- 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal". Todas as demais considerações sobre prazo decadencial contidas Aut(nto.:acio ri ul ierU urn 03 , 1 'i%011 pi) CU3F-, NE. i 10. cm 29/11/2011 p or CI Atil".}E':vilk DRUS tvi;\.! N.UlA, diglo: ■ virA; e!r■ 05/11/1:)11 pur GL!'1..1-g-L, :E ADOLFO DOS SANTO 7 Doi M411 tly,s§0909 P(A-- iA9PAY2 1B ERNE DA SILVA ALVES NUNES trnprusso em 1611112012 por ANDREA F:i1NANDES GARCA - VERSO EM DRANCO Fl. 02 Fl 5. 14 • C 11 DF (ARI: MF DF CAR!' NV naquele julgado, por não justificarem a decisão tomada, devem ser tidas como obiter dictum, e portanto não vinculam decisões futuras. Dessa forma, uma vez que a decisão proferida pelo STJ no âmbito do REsp n° 973.733/SC não é um precedente para o caso que ora estamos a apreciar, entendo que os membros da Turma estão livres para julgar segundo suas próprias convicções. No caso sob exame, o fato gerador mais antigo do IRPJ e da CSLL ocorreu no 2° trimestre de 2002 (a decisão de 10 grau já havia afastado a exigência do IRPJ e da CSLL do 1° trimestre dc 2002). Quanto A contribuição para o PIS e à Cofins, o fato gerador mais antigo ocorreu em julho de 2002 (a decisão de 10 grau já havia afastado a exigência do PIS e da Corms dos meses de janeiro a junho de 2002). Como não houve pagamento desses tributos e contribuices, entendo que a regra que regula o prazo decadencial é a prevista no art. 173, 1, do CTN, e não a estampada no art. 1 50, § 40, do Codex. Isso posto, como a ciência ao lançamento ocorreu em 10/08/2007, é de se concluir que o crédito tributário em discussão não foi alcançado pela decadência. • 4) Dos Créditos em Conta Corrente Bancária Afirma a defendente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96, base legal do lançamento ora contestado, contraria a doutrina ao estabelecer presunção de omissão de receita fundada depósitos bancários de origem não comprovada, pois não há correlação lógica entre o fato indicidrio (depósitos bancários de origem não comprovada) e o fato que se deseja provar (omissão de receita). Quanto a isso ha, que se dizer que, embora seja digna de atenção por parte dos operadores do direito, a doutrina não se reveste em fonte do direito tributário brasileiro, dai porque não tem o condão de afastar a presunção criada pelo legislador. Alega também a recorrente que o lançamento fundado tão-somente em depósitos bancários vai de encontro a remansoso posicionamento jurisprudencial e à sumula n° 182 do extinto TRF, que assim prescreve: Súmula TFR n°182 (DJ 07/10/1985) • Lançamento - Imposto de Renda - Extratos ou Depósitos Bancários - Legitimidade É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Ocorre que mais recentemente, em face do advento do citado art. 42 da Lei n° 9.430/96, bem como da Lei Complementar n° 105/2001, a jurisprudência tanto administrativa quanto judicial vem admitindo o lançamento tributário lastreado somente em depósitos bancários de origem não comprovada, havendo o STJ, inclusive, afastado a aplicação da Sómula n° 182 do extinto TRF, conforme ementa ao REsp 792.812/RJ (Die 02/04/2007), a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOST() DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA I 82/TFR. (.) Atizenticodoeigs rlairrolito em 03i111211 MA"-:C.ELO DUEA NET O. Assalz41;.) ,..¡::'ilimersto ore 20111 12011 p AUDFMIR ;ROCRI:3L1,-:S VALA)AS, ApU7r.Ide or 12011 pot' GUI;,:)EC:ME ADUFO DOS SANTO Doift).;/.61 .1 iS i.(M9iP,,MF1 1.G:i3"'ic.-!;1";1J/41',t -ii: ; 12`1,Sr-L t . 9(544N1>il;i1j1,° a AuldiR166 1}iiP(iitORN Eli rAtiNE DA SILVA ALVES NUNES Impresso em 167 1 1/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM LIRANDO DF (.71. RIF MF , CARF MF Processo n°18471.000870/2007-82 Acórd5o n.° 1201-00.525 SI-C2T1 Fl. 697 -,„ o 10. A szimula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: (.) 6-) Diz ainda a autuada que o Fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar a efetiva ocorrência de omissão de receita. Também aqui não assiste razão à recorrente. Ao estabelecer uma presunção legal, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 atribuiu ao Fisco apenas o ônus de provar o fato indiciário, qual seja, a existência de créditos em conta corrente bancária de origem não comprovada. Sendo relativa a presunção, cabe ao contribuinte apresentar os elementos comprobatórios da origem daqueles créditos, o que, no caso, não foi feito. Por fim, argumenta a interessada que o auditor cometeu os seguintes equívocos na apuração do créditos em conta corrente: (i) não considerou as transferências da conta mantida no Banco do Brasil para a do Sudameris, conforme planilha e extratos anexados h impugnação; (ii) não excluiu os cheques devolvidos, conforme planilhas anexadas; (iii) incluiu, além dos depósitos, os descontos bancários, ou seja, os adiantamentos de crédito concedidos pelos bancos para compor o capital de giro da empresa, acarretando assim duplicidade de valores na composição da base de cálculo da receita omitida. Os cheques devolvidos e as transferências entre contas de titularidade da contribuinte já haviam sido integralmente excluídos pelo órgão de primeiro grau (vide demonstrativos 12.1 e 13.1, respectivamente às fls. 650 e 651), logo, não mais há litígio sobre a matéria. • No que tange aos descontos bancários, observe-se que em tal operação o correntista recebe de seus clientes cheques pré-datados ou duplicatas por vendas a prazo realizadas e, em seguida, cede tais títulos h instituição financeira mediante endosso. A instituição financeira, por sua vez, adianta ao correntista o valor de face daqueles títulos, descontados os juros antecipados bem como comissões e despesas bancárias. Ora, se as operações de desconto recaírem sobre duplicatas, não há que se falar em duplicidade, já que aqueles títulos não são passíveis de depósito direto em conta corrente bancária. Por outro lado, se o objeto do desconto for cheque pré-datado, será ele depositado na conta corrente de titularidade da instituição financeira endossatária, e não da contribuinte, afastando também a hipótese de duplicidade. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Marcelo Cuba Nett° Voto Vencedor leodo ii qi no etri 0317 112') + 1 CtiriP, NET 10. Ass;nclo cha . tolri;ci:le em 20/M2011 p (is CLALIDEMik ROUR;GUES MALAQ's"+,", A:;rocio 1.ms Q3(11.+23: 1 por GOILHEK+,1a A30L1- O DOS SANTO Do.'uNi6ni;\11gniFI2S8g:!4:aMr14 tS6t'Iloi:inUP'IV;11.T,29eC iria.i; T:1-C' AILMVAlairr3Rtlei 4?-ii1( cilii "K;lif:;laS. DA SILVA ALVES NUNES esso em 161 11(2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO FL 703 Fl. 515 9 DF (;"(ARF ME Fl. 704 OF CAR1' MF FL 516 . Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator designado. Sempre divergi da posição de que, no caso de tributos lançados sob a modalidade "por homologação", seria condição para a aplicação do prazo estampado no art. 150, § 4° do CTN, a realização de pagamento parcial do tributo. Sao duas as principais razões da minha divergência. A primeira diz respeito à própria característica do instituto da decadência de não estar submetido a vicissitudes fáticas para a sua definição e aplicação. Enquanto, para a aferição da prescrição, é necessário verificar as diversas hipóteses em que este prazo pode ter sido suspenso ou interrompido, o mesmo não ocorre em relação à decadência, cujo lapso temporal se inicia e se encerra de forma inapelável. E a razão disso 6 simples. Como a decadência é assunto de ordem pública, passível de ser reconhecida de oficio pela autoridade administrativa e pela judicial, o legislador estabeleceu regras de fácil aplicação sem a necessidade de maiores perquirições sobre questões de ordem fática, como a realização ou não de pagamento. Uma vez adotada essa posição, em julgamentos que no reapreciam matérias de fato, como o recurso especial ao STJ, essa questão de ordem pública flea prejudicada, o que é um contra-senso. A segunda razão da minha discordância esta calcada na isonomia. Por que alguém que paga parcialmente alguns poucos centavos de uma divida que pode chegar a milhões deveria se submeter a um regime favorável dispensado igualmente Aqueles que pagam a quase integralidade do valor, enquanto os que deixam de pagar se submetem a um regime menos favorável? Essa interpretação não fomentaria o cumprimento da ordem jurídica, mas sim a sua burla intencional. Por essas duas razões, entendo que a decadência para os tributos lançados por homologação deve se submeter à regra ditada pelo art. 150, § 4°, do CTN. Havia alterado anteriormente essa minha posição por considerar que estava submetido a uma decisão do STJ em recurso repetitivo. Todavia, depois de travar contato com o brilhante voto do ilustre relator, constatei meu equivoco, uma vez que a questão não esta abarcada pelo conteúdo vinculante. Por causa disso, retorno ao meu posicionamento anterior. Por todo o exposto, voto preliminarmente a decadência para afastar a exigência de 1RPJ e CSLL relativamente ao 2° trimestre de 2002, bem como o PIS e a COFINS do mês de julho de 2002. tcrocrpnento cligil,ihncpae) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Atamticadt) 03ti ,,!2;‘, 1 0.):- gARQ,E; 0 CLI".:1A 2',;! I 1/2011 p GLAUULM:R S-{00P1GUES r.ALACYJEAS, em 05/11P2M1: pcx ADOL1- 0 DOS 5AN1 O O Au Ut'afá ‘8, Oa' is;iai3 Pt.71' 1̀1)acri:IK'il. 4Es DA SILVA ALVES NUNES Impresso ern 16/11/2012 pot ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO lo
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Numero do processo: 10980.726446/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 46 /2 01 1- 96 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.036. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726446/201196 Acórdão n.º 3302005.898 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.721265/2016-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/06/2012, 12/07/2012, 13/07/2012, 16/07/2012, 17/07/2012, 22/08/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO
Presume-se a interposição fraudulenta, quando o importador de direito não comprova a origem lícita dos recursos utilizados para a realização das importações.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Os sócios administradores devem ser solidariamente responsabilizados pelos créditos e obrigações tributárias, em razão de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, nos termos do art. 134 a 135 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3301-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen, que davam provimento para excluir os responsáveis solidários. Designado para o voto vencedor quanto aos responsáveis solidários a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Redatora do Voto Vencedor
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/06/2012, 12/07/2012, 13/07/2012, 16/07/2012, 17/07/2012, 22/08/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO Presume-se a interposição fraudulenta, quando o importador de direito não comprova a origem lícita dos recursos utilizados para a realização das importações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. Os sócios administradores devem ser solidariamente responsabilizados pelos créditos e obrigações tributárias, em razão de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, nos termos do art. 134 a 135 do Código Tributário Nacional.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO Presumese a interposição fraudulenta, quando o importador de direito não comprova a origem lícita dos recursos utilizados para a realização das importações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. Os sócios administradores devem ser solidariamente responsabilizados pelos créditos e obrigações tributárias, em razão de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, nos termos do art. 134 a 135 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen, que davam provimento para excluir os responsáveis solidários. Designado para o voto vencedor quanto aos responsáveis solidários a Conselheira Liziane Angelotti Meira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 12 65 /2 01 6- 13 Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.312 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Redatora do Voto Vencedor Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor total de R$ 2.643.717,00 pela impossibilidade de sua apreensão, face a entrega a consumo. Fundamento Legal (fl.06): Arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §§ 1° e 6º do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. As mercadorias (bobinas de aço), objeto das Declarações de Importação (DI), as quais apresentavam o sujeito passivo como importador por conta própria, foram submetidas a Procedimento de Fiscalização em Revisão Aduaneira que, entre outras ações, buscou verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, conforme documentos e esclarecimentos constantes do Relatório Fiscal anexo ao presente Auto de Infração. Todavia, ao final de tais ações, restaram caracterizadas, a não comprovação da origem dos recursos, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias. O presente Auto de Infração contempla as Declarações de Importação (DI) abaixo indicadas: Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.313 3 As DIs indicadas na Figura 2 foram registradas pela filial 0002 situada em CuritibaPR da empresa “FRENTE OESTE” na modalidade importação por conta própria (quando o importador assume o risco do negócio e faz a aquisição das mercadorias no exterior, arca com os custos referentes à importação e vende as mercadorias no mercado interno a quem quiser, ou seja, não existe um comprador nacional prédeterminado a ser declarado na qualidade de adquirente da mercadoria importada). É interessante frisar que pelas operações efetuadas pela interessada, fica evidente que a importação foi efetuada visando ocultar a venda da mercadoria pela empresa “DAEWOO INTERNATIONAL CORP” para a empresa “SÃO PAULO CENTRO DE PROC. DE AÇO”, ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Referido fato fica evidenciado pelo de a embalagem da mercadoria importada através da DI nº 12/15504766 uma etiqueta com a indicação do nome do possível adquirente oculto: “METALÚRGICA QUASAR”. Esta, por sua vez, é controlada pela empresa “BLUESTAR PARTICIPAÇÕES LTDA” em 2012. Entre a relação de participações societárias da empresa “BLUE STAR PARTICIPAÇÕES” está a “SÃO PAULO CENTRO DE PROC. DE AÇO” (fl.47) do Grupo DAEWOO INTERNATIONAL CORP (fl.48). E como não havia a possibilidade de apreensão da mercadoria, vem a Lei 10.833/03, em seu art. 73, determinar a instauração de processo para aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro para mercadoria consumida ou não localizada. Intimada da exação em tela em 04/07/2016 (fl.1.075), a autuada e seu sócio apresentaram impugnações em 01/08/2016 (fls.1.096/1.116, 1.119/1.181 e , alegando, em síntese, que a multa não é cabível em razão de: O presente Auto de Infração é nulo, pois a infração imputada à impugnante baseouse em meras presunções de interposição fraudulenta; Apenas a autoridade fiscal da jurisdição do estabelecimento matriz teria a competência para iniciar o procedimento de fiscalização aduaneira; A competência para aplicar a pena de perdimento é do Ministro da Fazenda ou por autoridade mediante a delegação de tal poder que no presente caso seria os Delegados e/ou Inspetores da RFB e não o AuditorFiscal, o qual extrapolou o mandamento legal; O processo de perdimento deve ser submetido ao Delegado e/ou Inspetor da RFB para apreciação não bastando apenas a atuação da autoridade fiscal, o qual não é a autoridade competente para referido ato; No caso do perdimento, caso a mercadoria fosse consumida deverseia extinguir o processo de perdimento e se inaugurar novo PAF para a lavratura de Auto de Infração no valor total das mercadorias importadas, o que não ocorreu no presente caso (art.73 da Lei nº 10.833/02); Os recursos para as importações de bobinas de aço são provenientes da empresa Huvispan Indústria e Comércio, a qual não possui vinculação com a impugnante, lastreados em contratos de mútuo e cujas transferências foram devidamente efetuadas para as operações; Pena a ser aplicada ao presente caso seria a de multa (art.33 da Lei nº 11.488/07) e não a pena de perdimento, pois no presente caso, a impugnante não seria a real adquirente da mercadoria; Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.314 4 Não cabe a pena de perdimento uma vez que não houve dano ao Erário Público bem como ausência de dolo nas operações efetuadas pela interessada, devendo a penalidade ser relevada; Não houve a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária dos sócios gerentes, o qual caracteriza cerceamento de defesa e enseja a nulidade do presente Auto de Infração; Ausente na presente autuação a individualização dos atos supostamente contrários aos mandamentos legais; Ausente a motivação, imprescindível a qualquer ato administrativo, para a imputação dos sócios como responsáveis solidários; A presunção defendida pela autoridade fiscal para a imputação da responsabilidade solidária é ilegal, pois não obedeceu ao princípio da verdade material; Não se aplica ao presente caso a hipótese do art.124, I, do CTN (interesse comum) uma vez que não foi comprovado o benefício auferidos pelos imputados no presente Auto de Infração." A DRJ em São Paulo julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 16 77.035, de 05/04/17, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/06/2012, 12/07/2012, 13/07/2012, 16/07/2012, 17/07/2012, 22/08/2012 DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Restando comprovada a interposição fraudulenta, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 23, do Decretolei 1.455/1976, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias ou com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformados, o contribuinte principal, FRENTE OESTE COMÉRCIO LTDA., e os responsáveis solidários “DAVID DO HYUNG KIM” (CPF 435.850.80812), “GRACE HEE YEON KIM” (CPF 435.850.67808), “YOUNG HEE KIM” (CPF 010.457.11870) e “JE IK CHOI” (CPF 228.653.32888) interpuseram recurso voluntário, em que repetem os argumentos contidos nas impugnações e, no caso dos solidários, adicionam o tópico "III RAZÕES DE REFORMA", assim sumariado pelos recorrentes (fl. 1.269): "(. . .) Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.315 5 105. Assim, em resumo: 106. Os recorrentes estão sendo penalizados por uma importação realizada em 2012, na qual se constatou a presença de uma etiqueta, em uma mercadoria, em nome de uma empresa estranha aos registros existentes no despacho aduaneiro. 107. Intimouse a Recorrente Frente Oeste, que provou que os recursos eram provenientes da Huvispan, sua empresairmã, pertencente ao mesmo grupo econômico, após vasto acervo probatório juntado ao processo administrativo. 108. A Receita Federal Do Brasil aceitou todas as alegações da Recorrente Frente Oeste, nada tendo a se opor aos contratos de mútuo que estavam devidamente contabilizados, aduzindo, inclusive, inexistir qualquer elemento que vinculasse a Frente Oeste à METALÚRGICA QUASAR. 109. A única ressalva realizada, era a relação entre Frente Oeste e Huvispan, motivo pelo qual o processo foi encaminhado para a zona secundária. 110. Ao chegar nesse novo local de fiscalização, requereuse uma série de documentos que já haviam sido objeto de apreciação da primeira fiscalização, muito embora inexista nenhum despacho ou decisão proferida por Superintendente, Inspetor Chefe, ou Delegado da RFB, o que torna todo o procedimento, nulo de pleno direito. 111. Assim, ao apresentar, novamente, uma série de documentos (inclusive extratos bancários), a fiscalização reviu sua decisão, e entendeu pela existência de fraude e conluio com os possíveis adquirentes daquela mercadoria, o que fez a Recorrente Frente Oeste mergulhar em uma série de problemas em suas atividades rotineiras, parametrizandoa de forma automática no canal cinza, suspendendo seu radar e CNPJ, e lavrando auto de infração de mais de R$ 2.000.000,00 contra todos os seus sócios, muito embora, se verdadeira a tese do fisco, estariam sujeitos à aplicação de uma multa de 10% sobre o valor aduaneiro. 112. Realizase a impugnação, e temse a decisão em comento, que não considerou absolutamente nada do que foi apresentado nos autos, merecendo ser reformada, pelos motivos acima elencados, razão pela qual o presente recurso merece ser conhecido, e no mérito, provido. (. . .)" É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Os recursos voluntários do contribuinte e dos responsáveis solidários preenchem os requisitos legais de admissibilidade e devem ser conhecidos. Tratase de auto de infração, para cobrança da pena de perdimento, em razão de a recorrente não ter comprovado a origem dos recursos empregados nas importações listadas Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.316 6 no relatório interposição fraudulenta presumida, prevista no § 6° do art. 689 do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro). RECURSO VOLUNTÁRIO DA FRENTE OESTE COMÉRCIO LTDA. "3.1. AUTORIDADE FISCAL COMPETENTE DOMICÍLIO FISCAL ART. 3º, DA IN/SRF nº 228/2002 DA FILIAL INATIVA LOCALIZADA NA RUA CÂNDIDO DE ABREU, 427, CURITIBA – DA MATRIZ LOCALIZADA NA RUA ALMIRANTE BARROSO, 377, SÃO PAULO" Aduz que o auto de infração é nulo, porque foi lavrado por autoridade incompetente. O agente fiscal responsável estava lotado em Curitiba (PR), onde se localiza uma das filiais da recorrente. Todavia, com base no art. 3° da IN SRF n° 228 /02, a autoridade competente para tanto era o titular da unidade da SRF da jurisdição onde se encontrava a matriz, na Rua Almirante Barroso, 377 São Paulo SP. A recorrente não mencionou qualquer atitude da fiscalização ou ocorrência de qualquer espécie que pudesse ter prejudicado seu direito ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório. Portanto, não há o que possa dar causa à nulidade do ato administrativo. E, para encerrar a questão, menciono a Súmula CARF n° 27: "É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo." Assim, nego provimento aos argumentos. "3.2. DA INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL QUE LAVROU O AUTO DE INFRAÇÃO CONVERTENDO EM MULTA PECUNIÁRIA UMA PENA DE PERDIMENTO QUE SEQUER FOI DECRETADA PELA AUTORIDADE COMPETENTE – VIOLAÇÃO DO ART. 224, VI, DA PORTARIA MF Nº 203/2012 E ART.73 DA LEI Nº 10.833/02, ART. 689, § 3º DO REGULAMENTO ADUANEIRO." Alega que o auditor fiscal não tinha competência para converter a pena de perdimento em pena pecuniária, a qual é reservada aos Delegados e InspetoresChefes (inciso IV do art. 238 da Portaria MF n° 259/01 e inciso VI do art. 224 da Portaria MF n° 203/12). Adicionalmente, que uma vez verificado que a mercadoria já havia sido consumida, terseia de extinguir o processo administrativo e instaurado um novo (art. 73 da Lei n° 10.833/03) para cobrança da multa pecuniária. Deveras, há tais previsões legais nas citadas Portarias do Ministério da Fazenda. Mas, definitivamente, o fato de o auto de infração ter sido lavrado por auditor fiscal e não pelo Delegado ou InspetorChefe não tem o condão de maculálo a ponto de torná lo nulo, notadamente quando, como no caso em tela, foi devidamente motivado, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos (caput do art. 50 da Lei n° 9.784/99). Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.317 7 Ademais, o dispositivo legal que determina a conversão da pena de perdimento em multa pecuniária requer apenas que, para tanto, seja constatada a impossibilidade de ser apreendida a mercadoria: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida” (g.n.) Quanto à necessidade de instauração de processo específico para a cobrança da pena de perdimento, vejamos o art. 73 da Lei n° 10.833/03, no qual baseouse a recorrente: "Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União." O objetivo da norma pareceme claro. Se houver processo específico para apreensão da mercadoria e este é o objetivo precípuo da norma, que é de controle aduaneiro e a apreensão do produto não se mostra possível, este há de ser extinto. E que nasça outro, apenas para a cobrança da multa pecuniária. Porém, se, desde o início do procedimento fiscal, é de conhecimento da autoridade que não seria possível a aplicação da pena de perdimento, não resta dúvida de que deve lançar diretamente a multa. À luz dos princípios que regem o processo administrativo fiscal, esculpidos no art. 2° da Lei n° 9.784/99, notadamente, os do interesse público e eficiência, nada seria mais Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.318 8 reprovável do que constituir um processo de apreensão, passando por todas as etapas de julgamento, para que fosse declarado extinto, por perda de objeto, e, então, constituído um novo. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos. "3.3. DA ORIGEM LÍCITA DOS VALORES UTILIZADOS PELA RECORRENTE PARA PROCEDER À IMPORTAÇÃO – CONTRATOS DE MÚTUO COM TERCEIROS SEM VINCULAÇÃO COM O ADQUIRENTE DA MERCADORIA NO MERCADO INTERNO" A recorrente afirma que os recursos utilizados para cursar as importações eram lícitos, pois provenientes de mútuos contratados com a empresa Huvispan Indústria e Comércio de Fios Ltda.. E que os contratos e comprovantes de transferência bancária constam nos autos (fls. 197 a 252). Aduz que a movimentação financeira dela e da citada pessoa jurídica foi objeto de revisão por parte do Fisco, em sede do processo n° 12709.720535/201254, do qual reproduziu o seguinte excerto (fls. 203 e 204): “(...), o que se observou foi um constante fluxo econômico procedente da empresa Huvispan Ind. E Com. De Fios Ltda; 2 Que em perseguição à origem dos recursos utilizados para operações no comércio exterior, por parte da interessada, notase que a empresa Huvispan, acima citada, apresentou contabilidade onde constam lançamentos relativos a mútuos em favor da importadora, tendo aparente capacidade econômica para tais desembolsos; (...) Assim, no decorrer do citado procedimento em zona primária, não foi possível apontar elementos que se mostrassem suficientes no sentido de formar convicção quanto à existência de conduta que caracterizasse fraude.” De fato, há cópias nos autos de parte do citado processo administrativo (fls. 89 e seguintes), em que foi examinada a importação efetuada por meio da DI n° 12/15504766. E, para fins de comprovação da origem dos recursos, foram apresentados contratos de mútuo, extratos bancários e comprovantes de transferência de recursos, referentes aos meses de junho e julho de 2012. Contudo, o citado processo n° 12709.720535/201254 foi extinto, porém com recomendação que fosse aberto, em zona secundária, exame mais extenso, como se verifica no trecho "Informação Fiscal" (fls. 203 e 204): (. . .) Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.319 9 Foi então iniciado o procedimento fiscal em zona secundária, do qual são objetos as DI listadas no relatório, entre as quais, a citada DI n° 12/15504766. O contribuinte foi intimado por meio do "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2015084 – DEMANDA SAPEA Nº 2013022", endereçado à filial de Curitiba (PR). Conforme já discutido em tópico anterior, esta intimação não logrou êxito. Foi emitida nova intimação, "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2016001 – DEMANDA SAPEA Nº 2013022" (fls. 359 a 368), endereçada à matriz da recorrente, onde foi tomada ciência. Foram requeridas diversas informações e relativas a um período maior do que o do processo n° 12709.720535/201254, que abrangeu apenas junho a setembro de 2012 (fl. 186 e 187 "TERMO DE INTIMAÇÃO Nº 161/2012 SAPEA/IRF/CTA"). Destaco, as seguintes (fl. 365 e 366): "(. . .) Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.320 10 Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.321 11 Apesar de terem sido concedidas dilações de prazo, a recorrente atendeu apenas parcialmente ao "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2016001 – DEMANDA SAPEA Nº 2013022" (fls. 359 a 368). Com efeito, não foram providas à fiscalização as informações requeridas por meio dos itens 12 ao 15 acima reproduzidos, cruciais para a comprovação dos recursos utilizados para a conclusão das importações sob exame. Diante desta situação, a fiscalização encerrou o procedimento fiscal (fls. 80 e 81), lavrando auto de infração, fundado na presunção da ocorrência de interposição fraudulenta, por falta de comprovação da origem lícita dos recursos empregados nas importações, nos termos do § 2° e inciso V do caput do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76: "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (. . .) Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.322 12 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (. . .) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" Não há qualquer dúvida: em função de não ter atendido à citada intimação, está autorizada a autoridade fiscal a presumir que foi cometida a infração capitulada no dispositivo legal acima. Correto o procedimento fiscal. "3.4. DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE PARA FIGURAR NO PÓLO PASSIVO DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO – FALTA DE PREVISÃO LEGAL – ADQUIRENTE DA MERCADORIA CESSÃO DE NOME – PENALIDADE – ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 – MULTA" Argumenta que, se foi acusada de ter ocultado o real importador, deveria ter sido apenada pela "cessão do nome" (art. 33 da Lei n° 11.488/07), cuja multa é inferior (10% do valor da operação acobertada). Não procede o argumento. A penalidade pela "cessão de nome" aplicase apenas nos casos de interposição fraudulenta comprovada, em que há identificação dos reais importadores, o que não ocorreu no presente caso: "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." (g.n.) Neste sentido, reproduzo ementas de alguns julgados do CARF: MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA A multa do artigo 33 da Lei 11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida por conta da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados constante do § 2º do artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976 à qual continuase aplicando a inaptidão da inscrição no CNPJ. Recurso Voluntário Provido. (Processo Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.323 13 10907.721142/201204, Data da Sessão 18/03/2015, Relator SIDNEY EDUARDO STAHL, Acórdão 3301002.638) INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei n° 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002. (Processo 11128.009683/200814, Data da Sessão 29/01/2018, Relator ROSALDO TREVISAN, Acórdão 3401004.351). "IV DA RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO" Alega que a pena de perdimento somente se justifica, quando há dano ao erário e intuito de burlar o Fisco, o que não houve, no caso em discussão. Assim, com base nos artigos 736 e 737 do Regulamento Aduaneiro c/c o art. 67 da MP n° 2.15835/01, deveria ser relevada a pena de perdimento e aplicada a de 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Não é atribuição deste Colegiado relevar penalidades pecuniárias, cujo lançamento se deu com base em legislação plenamente em vigor. Nego provimento. "V CONCLUSÃO" Neste tópico, além de um resumo de todo o recurso voluntário, contesta a penalidade aplicada, reputandoa excessiva, com fundamento nos princípios da tipicidade, razoabilidade, proporcionalidade e interpretação restritiva, que regem as normas penais. E reitera que fez prova da origem dos recursos mútuos com a Huvispan. Conforme anteriormente exposto, a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária, foi aplicada, porque, diferentemente do que alega, a recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos aplicados nas operações de importação, uma vez que não respondeu plenamente ao "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2016001 – DEMANDA SAPEA Nº 2013022" (fls. 359 a 368). Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.324 14 E não compete ao CARF deixar de aplicar penalidade, capitulada em dispositivo legal plenamente em vigor § 2° e inciso V do caput do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76 , em razão de princípios gerais do direito. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS A peça de defesa dos responsáveis solidários contesta a aplicação da pena de perdimento propriamente dita, e a responsabilização solidária. Enfrentarei de forma breve somente os argumentos que visam o cancelamento/declaração de nulidade do lançamento, contidos no tópico "III RAZÕES DA REFORMA", pois reputo que a higidez do auto de infração já foi por demais demonstrada. No referido tópico, argumenta que as importações foram efetuadas com recursos da Huvispan, o que não representa nenhuma ilicitude, ainda que não se tenha identificado pagamentos. Que a RFB emitiu parecer (fl. 301), consignando que não apurara fraude e que decidira por efetuar o desembaraço aduaneiro. Desta forma, o presente processo consiste, na verdade, em uma reabertura de uma fiscalização, o que somente é possível por ordem escrita do Delegado ou Inspetor, nos termos das Leis n° 2.354/54 e 3.470/58. Portanto, devem ser desconsiderados como provas ou indícios de prova todos os documentos solicitados na zona secundária. Conforme exposto anteriormente, presumiuse a interposição fraudulenta, porque não foi plenamente atendido o "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2016 001 – DEMANDA SAPEA Nº 2013022" (fls. 359 a 368). Os documentos apresentados, em sede do processo n° 12709.720535/2012 54, representavam tão somente uma pequena parte do que fora requerido no âmbito do presente processo e definitivamente não eram suficientes para comprovar a origem dos recursos. Ademais, não procede a alegação de que houve reabertura de período já fiscalizado e cuja conclusão fora plenamente satisfatória. Muito pelo contrário. Na "Informação Fiscal" (fls. 203 e 204, excerto acima reproduzido), o agente fiscal identificou indícios de irregularidades e recomendou a extensão da revisão, porém em zona secundária, para que fosse efetuada de forma mais detalhada. Cumpre ainda salientar que o presente exame abrangeu quinze DI, enquanto que o anterior, apenas uma. Portanto, não procedem os argumentos que têm como objetivo afastar o lançamento da multa. Contudo, no que concerne à atribuição da responsabilidade solidária, assiste razão aos recorrentes, quando pleiteiam que seja declarada a ilegitimidade passiva das pessoas físicas que à época figuravam como sóciosadministradores da FRENTE OESTE COMÉRCIO LTDA.. Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.325 15 Nos itens 7.1 e 7.2 do Relatório Fiscal (fls. 86 a 88), a fiscalização discorre sobre a atribuição da responsabilidade solidária, invocando os seguintes dispositivos do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09): "CAPÍTULO V DOS CONTRIBUINTES E DOS RESPONSÁVEIS Art. 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 1º): (. . .) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; (. . .) Art. 106. É responsável solidário: (. . .) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “c”, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 12); IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 2006, art. 12); (. . .) VII qualquer outra pessoa que a lei assim designar. § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 80; e Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 1o): I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora: a) por conta e ordem de terceiro; ou b) que adquira mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador, do adquirente ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.326 16 deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III do caput e no § 1o (Lei no 10.637, de 2002, art. 27). (. . .) § 5o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea “b” do inciso I do § 1o presumese por conta e ordem de terceiros (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 2o)." Em seguida, para a responsabilização pessoal dos sócios, traz os artigos 134 ao 136 do CTN: "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." (grifo do autor)" Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.327 17 Verificase que, para a responsabilização pessoal dos sóciosadmnistradores pelas infrações, o agente fiscal recorreu ao inciso III do art. 135 do CTN, o que, a meu ver, não é adequado. A infração autuada é de natureza aduaneira e não tributária multa decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadoria importada mediante interposição fraudulenta presumida, capitulada no § 2° e inciso V do caput do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76. Tratase de a exigência derivada do direito aduaneiro, um regime jurídico próprio, o que exigiria que a responsabilização solidária tivesse sido capitulada no artigo 94 c/c o inciso I do art. 95 do Decretolei n° 37/66 e nos artigos 673 e 674 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09), a saber: " Decretolei n° 37/66 CAPÍTULO I Infrações " Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (. . .)" "Regulamento Aduaneiro Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95): Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.328 18 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (. . .)" Neste sentido, vale mencionar trecho da ementa do Acórdão nº 3402 005.287, de 22/05/18: "INFRAÇÃO ADUANEIRA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. RESPONSABILIDADE DO OCULTADO. INDEVIDA IMPUTAÇÃO DE DISPOSITIVOS DO CTN. ERRO DE DIREITO. Em se tratando de sanção estritamente aduaneira (pena de perdimento convertida em multa), as normas que devem reger eventual responsabilização do ocultado são aquelas capituladas nos art. 95, inciso I do Decretolei nº 37/66 e art. 603, inciso I do Regulamento Aduaneiro, mas jamais dispositivo do CTN (art. 124, inciso I). Erro de direito configurado." Portanto, entendo que houve erro na subsunção do fato à norma jurídica, sendo improcedente a atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. DAVID DO HYUNG KIM (CPF 435.850.80812), à Sra. GRACE HEE YEON KIM (CPF 435.850.67808), ao Sr. YOUNG HEE KIM (CPF 010.457.11870) e ao Sr. JE IK CHOI (CPF 228.653.32888). CONCLUSÃO Dou provimento parcial, mantendo o crédito tributário, porém excluindo a responsabilidade solidária das seguintes pessoas físicas: Sr. DAVID DO HYUNG KIM (CPF 435.850.80812), à Sra. GRACE HEE YEON KIM (CPF 435.850.67808), ao Sr. YOUNG HEE KIM (CPF 010.457.11870) e ao Sr. JE IK CHOI (CPF 228.653.32888). É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Voto Vencedor Conselheira Liziane Angelotti Meira Redatora Designada Questionase, no Recurso Voluntário, a aplicação da pena de perdimento e a responsabilização solidária. Argumentase que as importações foram efetuadas com recursos da Huvispan, o que não representa nenhuma ilicitude, ainda que não se tenha identificado pagamentos. Afirmase que consiste, o presente processo, em uma reabertura de uma fiscalização, o que somente é possível por ordem escrita do Delegado ou Inspetor, nos termos das Leis n° 2.354/54 e 3.470/58 e que, consequentemente, devem ser desconsiderados como provas ou indícios de prova todos os documentos solicitados na zona secundária. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.329 19 Conforme observouse no voto do Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, presumiuse a interposição fraudulenta porque não foi plenamente atendido o "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL SAPEA Nº 2016001 – DEMANDA SAPEA Nº 2013 022" (fls. 359 a 368); os documentos apresentados, em sede do processo n° 12709.720535/201254, representavam tão somente uma pequena parte do que fora requerido no âmbito do presente processo e definitivamente não eram suficientes para comprovar a origem dos recursos. Assim, concluise, no mesmo sentido do voto do Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira que não procede a alegação de que houve reabertura de período já fiscalizado e cuja conclusão fora plenamente satisfatória. Na "Informação Fiscal" (fls. 203 e 204, excerto acima reproduzido), o agente fiscal identificou indícios de irregularidades e recomendou a extensão da revisão, porém em zona secundária, para que fosse efetuada de forma mais detalhada. Cumpre ainda salientar que o presente exame abrangeu quinze DI, enquanto que o anterior, apenas uma. Assim, não procedem os argumentos que têm como objetivo afastar o lançamento da multa. A discordância deste VOTO VENCEDOR se concentra na atribuição da responsabilidade solidária às pessoas físicas que, à época, figuravam como sócios administradores da FRENTE OESTE COMÉRCIO LTDA. A fiscalização, para a responsabilização pessoal dos sócios, respaldouse nos artigos 134 a 136 do Código Tributário Nacional: "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 15165.721265/201613 Acórdão n.º 3301005.023 S3C3T1 Fl. 1.330 20 I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." (grifo do autor)" Entendeu o Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira que a infração autuada é de natureza aduaneira (e não tributária) por ser multa decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadoria importada mediante interposição fraudulenta presumida, capitulada no § 2° e inciso V do caput do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76 e concluiu, o eminente Conselheiro, que houve capitulação legal incorreta. Cumpre anotar que o Direito Aduaneiro e o Tributário possuem inúmeras interseções, institutos do Direito Tributário, como lançamento, sujeito ativo, sujeito passivo, responsabilidade tributária, multa de ofício e tantos outros são utilizados na tributação e fiscalização do comércio internacional. Na verdade, ao mesmo tempo em que a autoridade fiscal verifica aspectos aduaneiros, realiza também a fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior (imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, etc) e muitas das infrações previstas na legislação ofendem simultaneamente o controle aduaneiro e fiscal. No caso em pauta, tratase de uma infração com presunção legal de dano ao erário, dano que não se limita a questões aduaneiras, inclui a arrecadação tributária. Dessarte, as disposições do artigo 23, V, do Decreto 1.455/visam à identificação pelo Fisco do sujeito passivo, a fim de poder responsabilizálo posteriormente pelos tributos e também por infrações (tributárias ou aduaneiras). Esse artigo tem por escopo a proteção da arrecadação tributária e não pode ser classificado como simplesmente uma multa aduaneira. Portanto, não se vislumbra nenhuma incorreção na capitulação legal efetuada no Auto de Infração. Ao contrário, tratase de uma previsão legal específica para responsabilização de sócio, gerente, mandatário, diretor, representante. Ou seja, os artigos do CTN utilizados no Auto de Infração se enquadram melhor ao fato do que a letra do artigo 95 do DecretoLei 37/1966. Dessa forma, concluise pela procedência da atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. DAVID DO HYUNG KIM (CPF 435.850.80812), à Sra. GRACE HEE YEON KIM (CPF 435.850.67808), ao Sr. YOUNG HEE KIM (CPF 010.457.11870) e ao Sr. JE IK CHOI (CPF 228.653.32888). Propõese, portanto, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 1330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928044/2009-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido.
SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF.
Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratar-se de matéria de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF- retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação -Per/Dcomp-, em face da decadência do referido direito.
Constatando-se, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer tem-se notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O processo administrativo fiscal federal não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do patrono do contribuinte, tampouco o Ricarf apresenta regramento nesse sentido. SUSTENTAÇÃO ORAL. TURMAS EXTRAORDINÁRIAS. REGRAMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Se o contribuinte deixa de atentar para os requisitos inerentes ao pedido de sustentação oral, resta impossibilitada a hipótese de atendimento do pleito formulado às Turmas Extraordinárias do Carf. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. Embora tenha o contribuinte deixado de tratar em seu recurso voluntário sobre a decadência em face a homologação tácita do crédito tributário declarado em DCTF, esta matéria poderá ser reapreciada pelo Carf, visto tratarse de matéria de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 80 44 /2 00 9- 38 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 208 2 facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado e depois de transcorrido cinco anos para pleito da restituição não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp, em face da decadência do referido direito. Constatandose, conforme evidencia a documentação acostada, inclusive, no recurso voluntário, que sequer temse notícia que o contribuinte apresentou, ainda que a destempo, DCTF retificadora para tal finalidade, resta impossibilitada a restituição do crédito que alega possuir quando da apresentação de Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.269, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 02789.01695.080705.1.7.049224. Da síntese dos fatos Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 209 3 Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 42 a 50), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 02789.01695.080705.1.7.049224), na data de 08/07/05 (página 1 PER/DCOMP), pela qual pretende quitar os débitos de PIS 69121 e COFINS 58561, referente à competência de jun05, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 14/11/2003, no valor de R$ 10.905,08 (código de receita: 6912). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 9, datado de 20/04/09, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. 3. Cientificada, em 28/04/09, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 10, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 11 a 13, tempestivamente, conforme fls. 41, com a juntada de documentos de fls. 14 a 40, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. O valor do crédito compensado existe, é legítimo e válido, uma vez que deriva de apuração constante no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), referente ao ano calendário 2003/4º trimestre (out). 3.2. Ademais, informa que, por lapso, deixou de apresentar a devida retificação da DCTF respectiva, para proceder a alteração do campo débito apurado do valor informado de R$ 19.477,06, para o quanto entendido correto, correspondente a R$ 8.571,98. 3.3. Diante do quanto alegado, no intuito de regularizar o crédito defendido, comprometese a retificar a DCTF em questão requerendo, para tanto, o prazo de 45 dias úteis. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 Ementa: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 210 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 139/2012" (efl. 51) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 52), conheceu do teor do acórdão vergastado em 26.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 24.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 53 a 203). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário, identificando, também, os documentos nele juntados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição ao PIS, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 desde o ano de 2003, está sujeito à incidência da contribuição ao PIS determinada sobre a sistemática não cumulativa, conforme prevê a Lei 10.637 de 2002, estando obrigado, portanto, à apuração mensal de débitos e créditos relativamente a tal contribuição; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 211 5 2 apesar de o regime não cumulativo do PIS ter sido estabelecido a partir de dezembro de 2002, foi somente no ano de 2004 que passouse, segundo a IN SRF 387 de 2004, a exigir a entrega do Dacon relativamente aos quatro trimestres do ano de 2003; 3 somente após revisar seus procedimentos para entrega do Dacon respectivo é que constatou que valor do PIS devido para o período era inferior àquele originalmente declarado em DCTF; 4 por equívoco não retificou a respectiva DCTF, de modo que o valor pago indevidamente naquele período constaria nas bases de dados da RFB como devido; 5 na Ficha 04 da mencionada Dacon, declarou a composição da base de cálculo dos créditos que apurou, os quais se lastrearam na aquisição de bens utilizados como insumos, nas despesas com energia elétrica, com aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e com financiamentos de empréstimos, além dos encargos com depreciação; 6 os mencionados créditos decorrentes das aquisições de insumos referiam se às compras de produtos para industrialização, industrializações efetuadas por encomenda para si e aquisições de material de uso consumo realizadas no período, conforme consta das notas fiscais selecionadas por amostragem, ora anexadas, do Resumo de CFOP do Livro Registro de Entrada e do arquivo do Sintegra do período (Docs. 09, 10 e 11); 7 referidos documentos comprovam a legitimidade dos créditos que apurou, pois que os bens adquiridos foram e aplicados em seu processo produtivo, enquadrandose no conceito de insumo, à exceção dos materiais de uso e consumo, que optou por efetuar o pagamento com a inclusão da multa e dos juros, conforme Darf (Doc. 12); 8 quanto às despesas com energia elétrica, na época apropriava apenas os créditos relativos à produção, conforme razão contábil, pagas conforme o valor constante na respectiva nota fiscal e escrituradas no LRE (Docs. 13/14); 9 quanto às despesas com aluguéis, tais valores são também legítimos, líquidos e certos por decorrerem de pagamento a pessoa jurídica, pela locação do prédio no qual desempenha suas atividades, conforme demonstra o respectivo contrato, bem como sua contabilidade (Docs. 15/16); 10 os créditos de despesas de financiamento se encontram devidamente comprovados pelos documentos que à época deram azo às operações de arrendamento mercantil, conforme se depreende do razão contábil da conta relacionada (Doc. 17); 11 os créditos com os encargos de depreciação do ativo imobilizado foram calculados e regularmente contabilizados (Docs. 18/19); 12 os documentos ora juntados não se tratam de novas provas, pois tratamse de meros detalhamentos do crédito já demonstrado na manifestação de inconformidade, com a apresentação do Dacon. Não obstante, mencionese que o Carf já se manifestou pela possibilidade de juntada de provas em fase recursal, por aplicação do principio da verdade material, ao qual o processo administrativo está intrinsecamente subsumido; 13 a jurisprudência no âmbito administrativo garante que o crédito pago indevidamente pelo contribuinte seja compensado. Cita legislação e jurisprudência; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 212 6 14 o mero erro formal, consubstanciado na não retificação da DCTF à época não descaracterizar o direito material legalmente atribuído, devendolhe ser garantida a recuperação, mediante compensação, dos valores pagos a maior em virtude do não cômputo dos créditos legais; 15 as declarações a que está obrigada a apresentar, como, por exemplo, a DCTF, DIPJ, etc., nada mais são do que obrigações acessórias mediante as quais o contribuinte declara as suas informações econômicofiscais. Assim, a falta ou a incorreção do preenchimento do formulário não tem o condão de criar ou extinguir direitos, já que tal nada mais é que um meio para o Fisco "agilizar" o procedimento fiscalizatório; 16 é pacifica a jurisprudência do Carf em admitir que a verdade material deve prevalecer em detrimento da formal quando há erro de preenchimento em DCTF, ainda mais que referido equívoco não causou prejuízo ao Erário Público. 17 acaso necessário, solicita a conversão do julgamento em diligência para que se comprove a existência da totalidade do crédito pleiteado. Formula quesitos a serem respondidos pelas autoridades fiscais; 18 seja intimada, na pessoa de seu procurador/patrono, para fins de realizar sustentação oral. Diante do alegado, requer o provimento do recurso e consequente deferimento do direito creditório pleiteado, homologandose a compensação realizada extinguindo respectivo crédito tributário. Juntamente com a presente peça recursal, o contribuinte apresenta: DOC. 01 Cópia autenticada do Contrato Social e alterações posteriores; DOC. 02 Cópia autenticada do instrumento de procuração pública; DOC. 03 Cópia autenticada do documento do Representante Legal; DOC. 04 DARF de recolhimento da Contribuição para o PIS (8109); DOC. 05 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); DOC. 06 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON); DOC. 07 PERD/DCOMP; DOC. 08 Memória de cálculo do crédito de PIS; DOC. 09 Notas fiscais de aquisição de insumos; DOC. 10 Resumo de CFOP do Livro Registro de Entradas (LRE); DOC. 11 Arquivo do SINTEGRA relativo As entradas de insumos; DOC. 12 DARF de recolhimento do valor inconteste; DOC. 13 Razão contábil da conta de despesas com energia elétrica; DOC. 14 Nota fiscal de aquisição de energia elétrica; DOC. 15 Contrato de locação de bem imóvel firmado com pessoa jurídica; DOC. 16 Razão contábil da conta de despesas com aluguel; DOC. 17 Razão contábil da conta de arrendamento mercantil; DOC. 18 Memória de cálculo de encargos de depreciação; e DOC. 19 Razões contábeis das contas de encargos de depreciação. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 06.01.2014 (efl. 196), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 213 7 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 24.02.2012, depois da ciência ocorrida em 26.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do crédito tributário informado e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da intimação ao patrono Registrese que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte para fins de sustentação oral. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativo tributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Ricarf. Razão pela qual, nego a solicitação. Da sustentação oral Quanto a sustentação oral pretendida perante as turmas extraordinárias convém esclarecer que o artigo 61A do Anexo II do Ricarf, inserido pela Portaria MF 329 de Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 214 8 04.07.2017, dispõe que referido pleito seja realizado dentro de um prazo regulamentar e mediante apresentação de requerimento próprio, cuja aceitação "implica a retirada do processo para inclusão em pauta de sessão não virtual". Logo, inexistindo, nos autos referido requerimento, resta descumprido o regramento estatuído pela norma de regência. Razão pela qual não provejo o pedido. Da matéria de ordem pública Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratarse de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade, ainda que seja para confirmar o que decidiu o colegiado a quo. Da fundamentação Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que o valor do crédito compensado deriva de apuração constante no Dacon, mas que, por lapso, deixou de apresentar a DCTF retificadora respectiva para alterar o valor incorretamente informado no campo débito, uma vez que o correto correspondente a uma importância menor que aquela; tanto que, embora não o fazendo, comprometeuse a retificar a DCTF em questão no intuito de regularizar o crédito indicado no Per/Dcomp. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 215 9 Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "Do Crédito em Análise", que reproduzo, verbis: Voto (...) 5. Ademais, cumpre suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo Sujeito Passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do PER/DCOMP, se presta a formalizar a compensação e, por consequência, a extinção dos débitos compensados, sob condição resolutória de sua posterior homologação pela Administração Fiscal. Assim, as informações sobre a origem do direto de crédito e do débito compensado, de inteira responsabilidade do Contribuinte, devem estar conformes, sob o risco de o declarante ver seu procedimento não homologado. 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos PIS 69121 e COFINS 58561, competência jun05, e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do suposto pagamento Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 216 10 indevido e, por conseguinte, do reclamado crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. O ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante atinente ao indigitado DARF, vez que integralmente utilizado para quitar o débito correspondente, declarado por intermédio da DCTF, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria Interessada à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Destaquese, ademais, que as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. Do Crédito em Análise 8. O Contribuinte contesta o Despacho Decisório DD que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação acostou aos autos cópias de DACON que suportaria o crédito que alega possuir e, ainda, solicita prazo para entrega da DCTF Retificadora. 8.1. Primeiramente, é de ser ressaltado que não é suficiente, para os fins pretendidos pela Requerente, a apresentação de DACON Retificador, nos casos em que as informações de débitos restaram inferiores àqueles confessados em DCTF. Permanece a necessidade de o Contribuinte comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos em questão. 8.2. À guisa de complementação, deve ser observado que há grande distinção, mormente no tocante aos efeitos jurídicos, entre as informações prestadas por intermédio da DCTF e do DACON, vez que, enquanto a primeira, consoante predito, revelase como instrumento de constituição de crédito tributário, o segundo desempenha papel meramente informativo, cujo intuito é o de corroborar ou complementar informações de interesse da Administração Tributária. 8.2.1. Ademais, a própria legislação tributária prevê a necessidade de o Contribuinte apresentar DCTF retificadora Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 217 11 sempre que eventual retificação do DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF anterior. É o que se verifica desde a publicação da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22/12/2005, que assim dispôs: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) 8.2.2. Tal comando normativo permanece vigente até o momento, tendo sido convalido nas instruções normativas posteriores. 8.3. Insta mencionar, neste ponto, tomandose por base as previsões estampadas nos atos normativos que regulam o procedimento de retificação de declarações, conforme o atualmente disposto no inciso II, do § 2º, do art. 9º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, que seria ineficaz qualquer retificação de DCTF após a ciência de início de procedimento administrativo, consubstanciado na não homologação da compensação expressa pelo combatido DD, nos moldes da previsão constante no art. 142 do CTN, especialmente no tocante à matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido. Transcrevese os termos da citada instrução normativa: § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: [...] II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (original sem destaques) 8.4. De outro giro, deve ser observado que a análise em apreço, mormente quanto ao alegado crédito da Manifestante, perpassa questão que envolve lançamento na modalidade por homologação, vez que a Insurgente apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 8.5. Neste ponto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 218 12 Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento. (...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 8.6. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 8.7. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento”, como muitos doutrinadores intitulam esta modalidade, sem entender ferido o art. 142 do CTN. 8.8. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos reputados devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento” no caso em tela. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 219 13 8.9. Em adição e reforço, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84), quando regularmente apresentada, tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em dívida ativa do débito denunciado pelo Contribuinte, caso não pago, consoante pacífico entendimento das mais altas cortes do país. Desta sorte, o indigitado documento encerra instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. 8.10. Em decorrência do predito, de acordo com o vaticinado no § 1º, do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação daquele. 8.11. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerandose homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 8.12. Neste ponto, não é despiciendo relembrar que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 8.13. No caso vertente há de ser ressaltado que se aprecia tributo referente ao período de apuração findado em 31/10/03, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 8.14. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 31/10/08, o crédito tributário em testilha foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 8.15. Ademais, emerge do quanto articulado que houve a homologação dos tributos com relação aos quais, e na exata medida em que, o contribuinte, por intermédio da DCTF em epígrafe, dimensionou e informou a ocorrência do fato gerador tendo efetuado, inclusive, o correspondente pagamento. 8.16. Assim, tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 8.17. Em adição a tudo quanto articulado, apenas ad argumentandum, fossem superadas as questões já enfrentadas, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 220 14 insta mencionar que é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante vaticina o art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 8.18. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), razão pela qual se revelou apático quanto ao direito creditício que ora sustenta deter em face da Fazenda Pública. 8.19. Tão logo teve conhecimento dos fatos capazes de alterar a apuração do tributo que ora alega ter pagado indevidamente, a Manifestante tinha por obrigação dar conhecimento da nova apuração, fatos constitutivos do direito creditório que erige deter, à Administração Tributária pelos meios próprios existentes para tanto DCTF Retificadora. 8.20. Em não o fazendo, frente à relação jurídicotributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 8.21. No presente caso, mutatis mutandis, tratase da decadência do direito de o Contribuinte modificar fato gerador, ou um de seus aspectos, como o valorativo, de crédito/obrigação tributária já extinta, que se consubstanciaria na gênese do alegado direito de crédito. 8.22. A inércia da Insurgente, aliada ao transcurso temporal, culminou na imutabilidade da situação jurídica sub examine extinção do crédito tributário autolançado declarado por intermédio da DCTF. 8.23. Consoante o sistema jurídico pátrio, as obrigações nasceram para serem extintas. Ocorrida a extinção, cogitarse da possibilidade de reversão de seus efeitos traria grande instabilidade jurídicosocial e, ademais, conspiraria contra os princípios gerais de direito. (...) Da questão material, em complemento aos termos da decisão recorrida Conforme reafirmado, o despacho decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pelo recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignado, o recorrente alega que apresentou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon informando os supostos verdadeiros débitos correspondentes ao exercício em questão, mas que, por lapso, deixou de apresentar a devida DCTF retificadora. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 221 15 Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, no seu prazo devido, foi apresentado o Dacon original, referente ao período de apuração do tributo em questão. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostrase incompatível o que fora declarado no referido Dacon. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta informado no Dacon original, e sem ter retificado a DCTF original, o recorrente apresentou o Per/Dcomp pleiteando, em face do suposto saldo credor, a compensação em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Porém, mesmo após ter sido cientificada do despacho decisório, o recorrente, frisese, embora tenha manifestado a intenção de retificar a DCTF original, a fim de semelhar as informações contidas no Dacon, pelo que depreendese destes autos, tal intento não se concretizou. Logo, no caso que se examina, não há dúvidas que o recorrente não retificou sua DCTF original. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pelo Dacon, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído, pois, assim como a DIPJ, o Dacon tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratório/constitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido objeto de retificação, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ainda que o recorrente pretendesse efetuar a retificação da DCTF original, resta evidente o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Da conclusão Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.928044/200938 Acórdão n.º 3001000.475 S3C0T1 Fl. 222 16 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar os pedidos de diligência, de intimação dos patronos e de sustentação oral e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.003386/2004-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1002-000.375
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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MARTINEZ & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 33 86 /2 00 4- 41 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13811.003386/200441 Acórdão n.º 1002000.375 S1C0T2 Fl. 42 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (DRJ/SPOI) mediante o Acórdão n.º 1611.480, de 07/11/06 (efls. 20 a 22). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Por meio do Auto de Infração de fl. 03, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.700,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º, 2°, 3° e 4º trimestre do ano calendário de 2001. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 70 da MP n° 18/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 e 02, na qual alega, em síntese, o seguinte: que se trata de uma empresa de pequeno porte, lutando com grande dificuldade para se manter em atividade e cumprir com todas as obrigações tributárias e em especial as obrigações acessórias; que o Auto de Infração corresponde quase a um faturamento mensal da empresa; que em virtude da alteração na legislação, a partir de 1999, não ficou claro no texto legal, para que as empresas com débitos tributários inferior a R$ 10.000,00 fossem obrigadas a entrega das DCTF(s); que as DCTF(s) foram apresentadas espontaneamente, sem causar prejuízo de qualquer espécie tanto legal como tributário; que diante dos fatos acima descritos. Requer, seja o Auto de Infração "RELEVADO EM TODOS OS SEUS TERMOS", por cumprida todas as exigências legais, por terem todos os tributos sidos integralmente recolhidos em seus respectivos vencimentos. Tendolhe sido desfavorável a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, apontando, em essência, as mesmas alegações da impugnação. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13811.003386/200441 Acórdão n.º 1002000.375 S1C0T2 Fl. 43 3 Cabe registrar que o recorrente elenca todas suas alegações sob o título "PRELIMINARES", no entanto, todas correspondem a aspectos de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. O recorrente não se insurge quanto ao fato de ter havido efetivamente o atraso nas entregas das DCTFs, e a de que não há contestação, no recurso, quanto à legislação que prevê a multa por atraso ou falta de entrega de DCTF — o recorrente somente questiona aspectos legais ligados à obrigatoriedade da entrega, diante da singularidade da qual afirma revestirse. A legislação em vigor à época dos fatos nos faz concluir contrariamente ao que aponta o recorrente, com relação à existência de imprecisão nos dispositivos aplicáveis. Vejamos abaixo os textos normativos que envolvem as circunstâncias relevantes do caso concreto: IN SRF n.º 126/98: (...) Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF Nº 28, de 05 de março de 1998; Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13811.003386/200441 Acórdão n.º 1002000.375 S1C0T2 Fl. 44 4 IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. (...) IN SRF n.º 255/2002. (...) Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais); III as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas desde o início do anocalendário a que se referirem as DCTF, relativamente às declarações correspondentes aos trimestres em que se mantiverem inativas; IV os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas; V os consórcios constituídos na forma dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VI os fundos em condomínio e os clubes de investimento que não se enquadrem no disposto no art. 2º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. (...) A leitura dos trechos acima não denota quaisquer dúvidas a respeito de quem estava dispensado da apresentação de DCTF, o que põe por terra a pretensão do recorrente de submeter o atraso na entrega das DCTFs, em que incorreu, a um contexto de ambiguidade imposto por regras inconsistentes ou duvidosas. E não deixa dúvidas acerca de que o limite de dez mil reais se aplicava a pessoas jurídicas imunes e isentas, tão somente, o que não era o caso do recorrente. Assim, de fato, como já mencionado no acórdão recorrido, o efeito direto da transparência e ausência de contrastes ou inexatidões no texto normativo é a regência dos fatos pelo que determina o art. 3.º do DL n.º 4.657/42: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Noutra linha, o recorrente assinala que o fato de que não lhe ser permitido aderir ao SIMPLES, porque sua atividade não é admitida pela Lei, seria motivo suficiente para se concluir que estava dispensado de apresentar DCTFs. Nada mais equivocado. A lei (Lei n.º 9.317/96) limita a adesão ao SIMPLES visando aos interesses públicos que justificaram a criação desta metodologia simplificada de apuração e pagamento de tributos, não havendo qualquer referência na citada lei que remeta o Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13811.003386/200441 Acórdão n.º 1002000.375 S1C0T2 Fl. 45 5 raciocínio para que se interprete que todos aqueles que não possam se enquadrar em tal modalidade simplificada não precisem entregar DCTFs. Inclusive porque isso dispensaria a totalidade dos contribuintes de tal obrigação acessória, o que, em concreto, significaria revogar o dispositivo legal que instituiu a obrigatoriedade de apresentação de DCTF. Os aspectos ligados aos fatos de o recorrente ter providenciado voluntariamente a entrega das declarações em atraso, sem ter sido intimado para isso, e não ter incorrido em reincidência posteriormente, não correspondem a qualquer hipótese legal de dispensa do cumprimento da obrigação acessória em questão. E, se há alguma intenção afeta à sugestão da caracterização da entrega voluntária como a denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN, ainda que não haja essa fundamentação no recurso, se houvesse, caberia observar o que determina a Súmula CARF n.º 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto às alegações de que não agiu com má fé ou dolo, e que por jamais ter recebido um auto de infração configurarse o caráter primário que justificaria perdão pelo julgador, importa lembrar que o fato que acarreta a aplicação da multa não se submete à análise de existência ou não de dolo ou má fé, e o artigo 180 do CTN, que trata de anistia, exige que esta seja implementada por lei, não podendo a autoridade administrativa afastarse dessa reserva legal. Por fim, a conjuntura econômica do sujeito passivo ao tempo da infração não se encontra amparada por lei como parâmetro a ser considerado no momento do lançamento tributário ou do julgamento administrativo, tampouco a alegada impossibilidade de quitação do montante, por ser vultoso, pode influir na atividade administrativa vinculada e obrigatória do lançamento, ou na atividade julgadora, que também se baliza pelo princípio da legalidade. Se há previsão legal para a sanção cominada, dispensável é também a verificação se teria havido ou não prejuízo para a Fazenda Pública. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega das DCTFs, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 45DF CARF MF
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