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Numero do processo: 15586.720009/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 09 /2 01 2- 16 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.521 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.521 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 601DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 602DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000407/2007-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 04 07 /2 00 7- 43 Fl. 318DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual exigese complementação de contribuições previdenciárias incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados constantes nas Folhas de Pagamento e regularmente declarados em GFIP. Após o trâmite processual, a 3a Câmara / 2a Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar, com base no art. 150, §4º do CTN a decadência de parte do lançamento. O acórdão 230200.593 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/05/2006 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN. DECADENCIA PARCIAL. Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n 0 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de CoResponsávcis CORESP não tem o condão de inserilos no pólo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário/' cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16370.000407/200743 Acórdão n.º 9202007.574 CSRFT2 Fl. 3 3 e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de Todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, o contraditório e a ampla defesa do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a análise de constitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE Não fere as normas jurídicas que disciplinam o custeio da Seguridade Social a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas a destempo. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial o qual foi recebido, nos termos do despacho de efls. 299/300, para rediscussão acerca da abrangência da decadência. Segundo a Recorrente para exame da ocorrência de pagamento antecipado para fins de atração da regra do art. 150, §4º do CTN afigurase obvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto do lançamento, e não daqueles afetos a outros fatos. São citados como paradigmas os acórdãos 20501.257 e 230100.158. Sem contrarrazões do Contribuinte. Às efls. 304/305 é juntada informação acerca da inclusão do débito objeto do presente lançamento no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso preenche os requisitos legais, razão pela qual, deve ser conhecido. Em que pese o objeto do recurso envolver a discussão acerca da caracterização de pagamento parcial do tributo para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN, com o reconhecimento da decadência parcial do lançamento, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Fl. 320DF CARF MF 4 Conforme descrito no relatório e afirmado pela Delegacia de Receita Federal de Londrina/PR, o débito abrangido por este processo foi incluído no programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Às efls. 304/305 são juntados extratos do sistema da Receita Federal do Brasil que comprovam a inclusão, entre outros, do DEBCAD nº 35.890.2142 no referido parcelamento. Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno que possui a seguinte redação: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Neste cenário, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário haja vista adesão do Contribuinte ao programa especial de parcelamento de débitos federais. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16370.000407/200743 Acórdão n.º 9202007.574 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 322DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.906858/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE.
A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004.
IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO.
A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
Numero da decisão: 3201-005.102
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários.
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
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ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários. (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 68 58 /2 01 1- 88 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratam os autos de PER/DCOMP enviada pela contribuinte, pleiteando compensação que restou não homologada face a inexistência de crédito disponível, conforme consta do Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado dessa decisão, o sujeito passivo apresentou, manifestação de inconformidade, onde alega que estaria sujeito à suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período, conforme dispõe a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 9º. Apresenta cópia de documentos no intuito de demonstrar suas alegações, incluindo DARF, DCTF original e retificadora, Dacon, DCOMP, Demonstrativo da base de cálculo das contribuições, balancetes contábil, notas fiscais, declaração e legislação. Ao final, requer que seja feita a revisão da situação e julgada totalmente procedente a Manifestação de Inconformidade, de forma que seja homologada integralmente a compensação declarada. Protesta, ainda, pela apresentação e/ou juntada de qualquer documentação adicional eventualmente julgada necessária. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 03068.673. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma, alegando que a) DRJ apenas limitase a reproduzir os argumentos da fiscalização; b) aplicabilidade do art. 9º, da Lei 10.925/04 e afastada a aplicação da IN 660/06; c) alegações que também o direito estaria assegurado pela Lei 10925/04 e LC 95/98; Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.093, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10983.902950/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.093): Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 3 "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. A DRJ negou provimento por ausência de demonstração do direito, vejamos: Da análise documental, verificase, de plano, que não consta das Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte, relativas aos produtos adquiridos pela empresa Realengo Alimentos Ltda (CNPJ 07.032.688/000130), menção à expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, não se reconhece a aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 ao presente caso, tendo em vista o não preenchimento de, pelo menos, um dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660, de 2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925, de 2004). Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ainda, apesar da IN SRF 660/06, ter sido publicada apenas em 25/07/06 e as notas fiscais anterior a essa data, a DRJ apontou que o art. 11 determinou retroação do efeito a partir de 04 abril de 2006, vejamos: Primeiramente, deve ser destacado que o direito creditório em discussão se refere ao período de apuração 30/06/2006 e a IN SRF nº 660, de 2006, foi publicada em 17 de julho de 2006, o que poderia levar à conclusão equivocada de que os termos e condições disciplinados nessa Instrução Normativa não se aplicariam ao caso em concreto. No entanto, verificase que, para as disposições relativas à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, os efeitos são produzidos a partir de 4 de abril de 2006, nos termos do inciso I do art. 11 da própria IN SRF nº 660, de 2006. Desse modo, a contribuinte estava obrigada a cumprir todos os termos e condições disciplinados nesta Instrução Normativa para usufruir do benefício da suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período. Contudo, verificase que a instrução normativa afrontou o poder de legislar, regulamento fato passado, nesse sentido: EMENTA:TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS. COFINS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. LEI Nº 10.925/2004. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 660/2006. 1. O art. 9º da Lei 10.925/2004, que dispõe sobre a Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 4 suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários, é norma de eficácia contida, condicionandose sua aplicabilidade à regulamentação. 2. A Instrução Normativa nº 660, ao determinar como termo "a quo" para produção de seus efeitos a data da publicação da Instrução nº 636, por ela revogada, não só extrapolou o poder delegado na lei de regência da matéria, como alterou a substância desta, incorrendo, por tal razão, em ofensa ao princípio da legalidade. (TRF4, AC 5020843 92.2018.4.04.9999, PRIMEIRA TURMA, Relator ROGER RAUPP RIOS, juntado aos autos em 30/01/2019) Com isso é de reconhecer a ilegalidade da aplicação do art. 11 da IN SRF 660/06, que não poderia retroagir a data anterior da publicação, ferindo assim o devido processo legislativo. Restando prejudicado os demais argumentos. No entanto, devem ser cumpridos os requisitos formais estabelecidos pela IN SRF 636/06 para os fatos geradores a partir da sua vigência. O voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade preparadora ultrapassada a questão art. 11, IN SRF 660/06 relativamente as vendas realizadas anteriormente a sua publicação, para que faça analise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão do art. 11, da IN SRF 660/06 relativamente às vendas realizadas anteriormente a sua publicação, faça análise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903615/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 61 5/ 20 12 -1 3 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 448 2 Tratase do despacho decisório, que resultou da diligência efetuada para apuração da legitimidade do pedido objeto do presente processo, e também do pedido relativo ao 1º trimestre de 2007: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Campinas (fl. 241), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou PER/DCOMP, no valor de R$ 1.601.549,78, referente ao saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. A DRF em Campinas, indeferiu o direito creditório e exigiu os débitos não homologados: principal – R$ 1.170.980,32; multa –R$ 234.196,06; e juros – R$ 555.395,95. Segundo consta na informação fiscal de fls. 244/245, foi lavrado auto de infração (cópia às fls. 246/278), que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente extinção do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Conforme relatado, foi constatada falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome da contribuinte, identificando esses produtos. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10830.725456/201217. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/48, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; o presente processo deve ser suspenso até o efetivo julgamento do auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; após a improcedência do auto de infração, o despacho decisório deve ser reformado. Por fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade de forma a suspenderse a exigibilidade do crédito tributário e impedirse a inscrição em divida ativa dos créditos tributários ora discutidos. Em 12/03/2014, a 12ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1449.171, de relatoria do AuditorFiscal João Francisco Sampaio Garcia, que entendeu, por unanimidade de votos, declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 449 3 definitivo o Despacho Decisório e improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Insurgese a recorrente contra a glosa de crédito objeto de pedidos de ressarcimento/compensação baseados no cálculo do saldo credor de IPI referente à PER/DCOMP, no valor de R$ 1.601.549,78, referente ao saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. Ocorre que o presente processo apresenta vinculação com o Processo Administrativo nº 10830.725465/201217, não havendo notícia nos presentes autos de decisão definitiva, conforme se extrai do seguinte trecho: Inicialmente, em relação à requerida suspensão da exigibilidade dos débitos relacionados nas compensações declaradas, isso já se deu pela apresentação da manifestação de inconformidade que instaurou a presente lide, de acordo com o § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e artigo 151III do CTN. Cabe informar que a suspensão da exigibilidade não se estende a possíveis valores excedentes ao total do crédito pleiteado. Além disto, a suspensão da exigibilidade, após o presente julgamento, estará condicionada à apresentação de recurso ao CARF. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 450 4 Por outro lado, não há previsão legal para a suspensão de exigibilidade dos débitos declarados em função de pendência de julgamento do auto de infração objeto de outro processo. A impugnação apresentada naquele processo tem o condão de suspender somente a exigibilidade do crédito tributário constituído pela lavratura do auto de infração. De qualquer forma, cabe salientar que o referido auto de infração, processo nº 10830.725456/201217, já foi julgado em 05/12/2012, Acórdão nº 1439.465, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, não havendo óbice para o julgamento de 1ª instância do presente processo. (...) A contribuinte transmitiu declarações de compensação com base em saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. A DRF em Campinas indeferiu o pedido porque constatou falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações. Em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, não teria sobrado saldo credor a ser ressarcido. Assim, o julgamento deste processo depende do julgamento do auto de infração. O auto de infração foi lavrado e formalizado no processo nº 10830.725456/201217, que, como já discorrido foi julgado pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO em 05/12/2012, Acórdão nº 14 39.465. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Proceder à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 451 5 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 451DF CARF MF
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Numero do processo: 10821.000205/2008-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA. DECADÊNCIA. ANÁLISE DO ART. 173, I DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Se o acórdão recorrido considera como relevante para fins de aplicação da regra contida no art. 173, I do CTN apenas a existência de dolo penalizado com multa qualificada ao passo que o acórdão paradigma adota como elemento determinante a ausência de pagamento antecipado, resta presente a similitude fática e a divergência jurisprudencial que justificam o conhecimento do recurso.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Tendo havido declaração e efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN.
A prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%.
Numero da decisão: 9101-004.006
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, LIvia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA. DECADÊNCIA. ANÁLISE DO ART. 173, I DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Se o acórdão recorrido considera como relevante para fins de aplicação da regra contida no art. 173, I do CTN apenas a existência de dolo penalizado com multa qualificada ao passo que o acórdão paradigma adota como elemento determinante a ausência de pagamento antecipado, resta presente a similitude fática e a divergência jurisprudencial que justificam o conhecimento do recurso. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Tendo havido declaração e efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. A prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 02 05 /2 00 8- 41 Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.391 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, LIvia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) (fls. 21982203) contra o acórdão 120100.205 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, de 11 de dezembro de 2009 (fls. 2.1642.193), o qual reconheceu a decadência em relação aos créditos exigidos com multa de 75% relativos às contribuições ao PIS e Cofins dos meses de janeiro a março de 2003 e ao IRPJ e à CSLL do primeiro trimestre do mesmo ano. A decisão recebeu as seguinte ementa e decisão: Acórdão recorrido: 120100.205, de 11 de dezembro de 2009 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa. NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.392 3 o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. EXCLUSÃO DO SIMPLES LANÇAMENTO a autoridade fiscal tem competência para promover o lançamento de crédito tributário segundo o regime geral de tributação das pessoas jurídicas, ainda que o ato de exclusão do Simples Federal não seja definitivo no âmbito administrativo. NULIDADE ERRO DE ENQUADRAMENTO erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da regramatriz tributária. MULTA QUALIFICADA são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. DECADÊNCIA a prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o , do CTN, em relação às infrações, cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos foram punidos com patamar sancionador majorado. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS deve ser afastada a autuação atinente à omissão' de receita presumida a partir de depósitos bancários não comprovados relativamente àqueles que, pela verificação dos extratos bancários, podese constatar corresponderem a empréstimos concedidos em razão de descontos comerciais. ARBITRAMENTO o arbitramento é medida extrema. Não é todo vício de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. SELIC Conforme dicção da Súmula I o CC n° 4: "A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a preliminar de decadência em relação aos créditos exigidos com multa de 75% relativos ao PIS e à Cofins dos meses de janeiro a março de 2003 e ao IRPJ e à CSLL do primeiro trimestre do mesmo ano. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que não a acolhia porque entende que, uma vez caracterizado o intuito doloso, o prazo decadencial para constituir o crédito tributo é o mesmo para todas as infrações. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Pelo voto de qualidade, manter a exigência relativa ao anocalendário de 2003, pelo lucro real trimestral, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Régis Magalhães Soares Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.393 4 Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho, que cancelavam a exigência por ausência de arbitramento do lucro. Quanto às demais matérias de defesa, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso com o fito de excluir os depósitos relativos a "Operações Desconto Orpag" da receita omitida por presunção calcada em depósitos bancários não comprovados, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe e Régis Magalhães Soares Queiroz que reduziam a multa qualificada ao patamar de 75%, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Procuradora da Fazenda Nacional tomou ciência desse acórdão em 19 de outubro de 2010 (fl. 2.194), tendo apresentado recurso especial em 21 de outubro de 2010 (fls. 2.1982.203), portanto tempestivamente. A PFN alega divergência jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado no acórdão recorrido para a decadência do direito de lançar tributo sujeito a homologação nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. Para demonstrar divergência foi indicada como paradigma a seguinte decisão: Acórdão paradigma 230100.253, de 6 de maio de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTR1BU1ÇAO. No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, manter os demais valores lançados, vencidos os Conselheiros relator, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam não Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.394 5 incidir em contribuições previdenciárias independentemente da inscrição no PAT. Apresentará o voto divergente vencedor o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. O despacho de admissibilidade 120000.268, da 2ª Câmara da 1ª Seção, proferido em 28 de dezembro de 2010, deu seguimento ao recurso especial do Procurador. O contribuinte foi intimado do acórdão recorrido e do recurso especial do Procurador em 6 de abril de 2011 (AR fl. 2.245), tendo apresentado contrarrazões em 20 de abril de 2011 (fls. 2.2462.263). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo. Não obstante, entendo que este não merece ser conhecido, na medida em que o acórdão paradigma apresentado não se presta a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, não se verificando a necessária similitude fática entre ele e o recorrido. De fato, o voto condutor do acórdão recorrido concluiu pela aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, para a contagem do prazo decadencial no caso dos tributos cobrados com multa de ofício, aplicando a regra do artigo 173, I, para os casos que tiveram multa qualificada. É o que se depreende do trecho a seguir reproduzido (grifamos): Decadência Segundo o entendimento dominante deste Colegiado, o imposto sobre a renda, bem como a CSLL, o PIS e a Cofins são lançados segundo a modalidade "por homologação". Dessarte, a regra relativa ao decurso temporal para o Fisco constituir o crédito tributário está prevista no § 4 O do art. 150 do CTN: (...) Como a ciência do lançamento foi promovida apenas em 05/04/2008, foram alcançados pelo prazo extintivo os meses de janeiro a março de 2003 relativamente ao PIS e à Cofins e o primeiro trimestre do mesmo ano para o IRPJ e a CSLL, mas apenas quanto aos créditos em relação aos quais a multa não foi qualificada. Há, porém, para os mesmos períodos, créditos com sanção pecuniária qualificada pelo elemento doloso da conduta delitiva. Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.395 6 Em relação a eles, o marco inicial do prazo extintivo não é disciplinado pelo §4 do art. 150, mas sim pela regra estampada no art. 173 da mesma codificação, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nesse caso, não são alcançados pelo lapso extintivo caso seja mantido o entendimento da decisão recorrida acerca da qualificadora, o que passamos a enfrentar. Multa qualificada A multa só foi qualificada no patamar de 150% quanto aos valores lançados no anocalendário de 2003 e relativos à omissão de recebimentos de cartão de crédito. Quanto à omissão presumida de receita por depósito bancário não comprovado e aos créditos lançados nos anoscalendário de 2004 e 2005 por divergência entre valores escriturados e declarados, foi imposta a sanção pecuniária no patamar de 75%. Pelo relatório fiscal, a maior parte dos valores recebidos por meio de administradoras de cartão de crédito e débito não foram escriturados, nem foram emitidas as respectivas notas fiscais (fato constatado por meio da seqüência das notas escrituradas). Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados (o total omitido foi de R$ 2.137.140,34, ao passo que o declarado somou R$ 1.046.986,56), o número de operações omitidas, na casa de centenas, levame à convicção de que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. Em razão disso, considero correta a caracterização dolosa da conduta e, portanto, a aplicação de patamar majorado da sanção punitiva. De igual sorte, quanto a tais valores, deve ser aplicada a regra da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e não a do § 4 do art. 150. Isso implica dizer, em complementação ao tema da decadência, que nenhum dos créditos sancionados pela multa de 150% foi alcançado pelo lapso extintivo. Como se percebe, o acórdão recorrido não se pronunciou sobre a existência ou não de recolhimento dos tributos, sendo suficiente, para sua análise, a verificação de dolo para concluir ou pela aplicação seja da regra decadencial do artigo 150, §4º (na sua ausência) ou do artigo 173, I (na sua presença). Por sua vez, o acórdão paradigma indicado conclui que, no caso de lançamento de ofício, quando não há recolhimento antecipado o prazo decadencial é contado pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. Notase, assim, que o ponto apontado pela PFN como divergente entre o acórdão recorrido e o paradigma sequer foi tratado no acórdão recorrido, inexistindo qualquer divergência ou mesmo relação entre eles. Dito de outra forma, não é possível afirmar que o acórdão apontado como paradigma diverge do acórdão recorrido porque eles partem de situações fáticas diversas: neste, Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.396 7 a inexistência de prova quanto ao dolo foi suficiente para a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN e, naquele, foi necessário, ademais, prova do pagamento do tributo. Neste sentido, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial do procurador. Mérito Como restei vencida quanto à admissibilidade do recurso especial, passo a apreciar o mérito. Tratase de definir, no caso de tributos sujeitos ao chamado "lançamento por homologação", se é possível deslocar a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN, para o prazo é o previsto no art. 173, I, do CTN na situação em que não há dolo, fraude ou simulação, mas não há nos autos prova de pagamento de tributos (v.g. guias DARF). Ressalto que a expressão "lançamento por homologação" está entre aspas porque, na verdade, lançamento é ato privativo da administração (artigo 142 do CTN), de maneira que o contribuinte, tecnicamente, não "lança" tributos. Acontece que o lançamento não é a única forma de se constituir o crédito tributário, daí porque, no caso dos tributos sujeitos a "lançamento por homologação", eles são assim denominados porque quem constitui o crédito tributário é o próprio contribuinte. No caso de tributos sujeitos a tal sistemática, a decadência de rege, a princípio, pelo artigo 150, §4º, do CTN, que dispõe (grifamos): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.397 8 Em termos teóricos, a exceção mais pacífica à aplicação do artigo 150, §4º, do CTN até porque literalmente indicada no dispositivo, conforme acima destacado é a hipótese de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesta situação, não se discute que a decadência passa a ser regida pelo artigo 173, I, do CTN, contandose os 5 anos não mais do fato gerador, mas do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste sentido, o CARF aprovou a Súmula CARF nº 72 (Vinculante), com o seguinte enunciado: Súmula CARF 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Mais controversos, todavia, são os casos em que não há tal alegação de dolo, fraude ou simulação e, mesmo assim, o Fisco pretende a aplicação do artigo 173, I, do CTN em detrimento do artigo 150, §4º. Isso ocorre, basicamente, em duas situações: (i) quando não há sequer declaração do contribuinte (isto é, quando o contribuinte não constitui o crédito tributário nem indica expressamente que não há tributo devido), e (ii) quando, independentemente de ter ou não havido declaração, o contribuinte não efetua o pagamento. A hipótese de não ter havido sequer declaração do contribuinte pode também ser colocada em outro extremo, já que a jurisprudência tem se consolidado no sentido de que, neste caso, é igualmente aplicável o artigo 173, I, do CTN em detrimento do artigo 150, §4º. De fato, após o julgamento de reiterados recursos sobre a questão, inclusive na sistemática do recurso repetitivo (REsp 973.733/SC), o Superior Tribunal de Justiça STJ fez publicar, em dezembro de 2015, a Súmula 555, com o seguinte enunciado (grifamos): Súmula STJ 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O debate permanece, assim, para a hipótese em que houve declaração porém não ocorreu o efetivo recolhimento do tributo por parte do contribuinte. Dito de outro modo, a discussão fica, essencialmente, em definir qual é o ato sujeito à homologação do Fisco (e que portanto atrai a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN): se basta a declaração do contribuinte ou se, para além de tal declaração, é necessário que o contribuinte efetue o efetivo recolhimento do tributo em questão. Os que defendem que é necessário o efetivo recolhimento se apegam à literalidade do artigo 150 do CTN que realmente faz referência à "pagamento antecipado" para dizer que o que se homologa é apenas o pagamento efetuado pelo contribuinte. Assim, na ausência de recolhimentos, o prazo decadencial já passa a ser regido pelo artigo 173, I, do CTN. Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.398 9 Ocorre que a sistemática de apuração de IRPJ e da CSLL e também de outros tributos como o PIS, a COFINS e o ICMS revela que há diversas situações em que, sem que tenha havido a prática de qualquer irregularidade, o contribuinte apura zero de tributo a recolher. O exemplo clássico é a apuração de prejuízo fiscal no exercício. Assim, ao levar tal sistemática em consideração, revelase no mínimo injusto se apegar à literalidade do artigo 150 do CTN para dizer que apenas os contribuintes que efetivamente realizem recolhimentos de tributo é que podem estar sujeitos ao prazo decadencial ali previsto. Em outras palavras, não há qualquer justificativa razoável seja em termos legais, seja em termos de prática de fiscalização para que o Fisco tenha prazos diferentes para fiscalizar o contribuinte que declara lucro (e assim recolhe o IRPJ correspondente) versus o contribuinte que não tem tributo a recolher por ter declarado prejuízo fiscal naquele ano calendário. Daí o entendimento de que o prazo decadencial limita temporalmente o poderdever do Fisco de examinar a declaração que o contribuinte presta sobre sua apuração de tributos, independentemente do resultado de tal cálculo ou seja, sendo indiferente se com tal declaração o contribuinte efetivamente constitui crédito tributário (porque apura tributo a recolher) ou se apenas indica que não há tributo a recolher naquele períodobase. Estou com aqueles que entendem que, uma vez que o contribuinte efetua a apuração de seus tributos e apresenta ao Fisco a respectiva declaração (seja ela com ou sem tributo a recolher), o prazo decadencial se rege pela regra do artigo 150, §4º, do CTN. Por outro lado, não tendo sido apresentada tal declaração assim como no caso em que há dolo, fraude ou simulação o prazo decadencial se conta nos termos do artigo 173, I, do CTN. Passamos ao caso em questão. Tratase de lançamento de tributos no regime do lucro real em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES. Compulsando os autos, verifico que a própria autoridade fiscal, quando lavrou o auto de infração, reconheceu a necessidade de exclusão dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES, excluindo o quanto pago da cobrança lavrada. Assim se verifica do termo de verificação fiscal, quando afirma "Aduzase que os valores de IRPJ e CSLL pagos pela sistemática do Simples foram descontados dos valores apurados por esta Fiscalização como devidos na forma de apuração pelo Lucro Real." (fl. 1.727). Também é o que se depreende para o PIS e COFINS conforme demonstrativo de fl. 1.774, preparado pela fiscalização: Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.399 10 De se notar, ademais, que a contribuinte apresentou a declaração relativa ao Simples, como afirma a própria fiscalização no TVF (fl. 1.724): "...a Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2004 Simples informa receita bruta anual de,R$ 1.046.986,56 (vide fls. 1.402 a 1.411), em consonância com a escrituração dos Livros Diário, Razão e LALÜR (cópias às fls. 1.264 a 1.363) apresentados em resposta ao Termo Ciência, Constatação e Intimação Fiscal datado de 05/07/2007. Também há coincidência do valor declarado com as notas fiscais emitidas no período (fls. 344 a 913)." Assim, verificado que houve não apenas declaração mas efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. De se notar que a prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%. Assim, compreendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial do Procurador e, caso vencida, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.400 11 Voto Vencedor Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Não obstante o brilhantismo do voto da ilustre Relatora, ouso divergir no tangente ao Conhecimento. Em apertada síntese, entende a Relatora que a divergência entre acórdão o acórdão recorrido e o paradigma não fora devidamente demonstrada pela Recorrente, vez que o acórdão recorrido aplicou entendimento de que somente seria aplicável a regra decadencial do art. 173, I do CTN para os créditos em relação aos quais fora aplicada multa qualificada de 150% em razão de conduta dolosa do contribuinte, ao passo que o acórdão paradigma leva em consideração a ausência de pagamento antecipado. Assim, não há similitude fática, segundo a Relatora. È neste ponto que divirjo. Isso porque, como bem apontado no Recurso Especial da PGFN, o acórdão recorrido entendeu ser irrelevante o fato de ter havido ou não recolhimento antecipado do tributo para fins de aplicação do art. 173, I do CTN, tendo considerado como determinante o fato de ter sido apurada conduta dolosa do contribuinte com a conseqüente aplicação da multa qualificada. Já o acórdão paradigma, em conclusão diametralmente oposta, considerou como elemento condutor da aplicação do art.173, I do CTN a inexistência de pagamento antecipado. Estamos diante da análise de mesmo norma art. 173, I do CTN e situação semelhante configurada pela ausência de recolhimento antecipado do tributo, tendo havido divergência de entendimento entre o recorrido (que manteve a aplicação do art. 150, §4º, do CTN) e o paradigma que manteve a aplicação do art. 173, I do CTN. A presença de elemento adicional no acórdão recorrido (conduta dolosa/multa qualificada) que inexiste no paradigma não anula o elemento comum entre ambos recorrido e paradigma que é a ausência do pagamento antecipado do tributo. Assim, presentes os requisitos necessários para admissão do Recurso Especial que são a similitude fática e divergência jurisprudencial, entendo que o Recurso Especial deve ser conhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.401 12 Fl. 2401DF CARF MF
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Numero do processo: 13822.000119/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.046
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 22 .0 00 11 9/ 20 05 -7 3 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 612 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da nãocumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP, conforme dados abaixo: Crédito: Cofins não cumulativo Período de apuração: 1º trimestre de 2005 Valor pleiteado: R$ 186.564,64 AUTO DE INFRAÇÃO fls. 364 Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado, o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindose a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 613 3 diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime nãocumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados às receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime nãocumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 614 4 para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, “Copa, cozinha e limpeza”, “Gêneros Alimentícios”, “Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns à receita sujeita ao regime nãocumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita a legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas e equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, microônibus, caminhões, etc., contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei n° 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; d) bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, mão alimentadora, etc. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 615 5 Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON) Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. Conclusão do Auto de Infração Com base nas verificações efetuadas, a fiscalização elaborou demonstrativo de cálculo para a apuração correta do crédito da contribuição do período de apuração referenciado, a que o contribuinte tem direito, que montou ao valor de R$ 129.217,13. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO fls. 378 e 389 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 129.217,13, como direito creditório do interessado passível de compensação. Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE fls. 417 Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000012/201091 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 616 6 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros, pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da Cana de Açúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 617 7 Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja visto o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Do pedido Requer o recebimento da manifestação de inconformidade e que a mesma seja julgada procedente, protestando pela produção de todos os meios de prova, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da Defendente. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 618 8 A 5ª Turma da DRJ/RPO, no Acórdão n° 1436.180, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS nãocumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 619 9 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. a) Material Intermediário Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que, da análise da Planilha 01 (Mat. Intermediário Serv. Manutenção) e das notas fiscais nela relacionadas, constatouse que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 620 10 Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados a despesas com manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus etc. e, portanto, relacionados ao transporte de matériaprima, pessoal, e/ou produtos, caracterizando despesa de transporte e não insumo. Foram encontrados gastos com serviços de terraplanagem, aquisições de diversos produtos, tais como pás, portas, chapas de madeira; etc. A Recorrente, por sua vez, aduz que as suas atividades vão do plantio de canadeaçúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. Descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e álcool e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. É equivocado o entendimento fiscal de que os gatos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que a Planilha 02 (Mat. Interm. Serv. Manutenção Industrial), em geral, referese a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não teriam sido diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadrariam no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos e tratores, máquinas agrícolas, com chapas de madeirite, esquadrias de madeira, vergalhão e barras de aço. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 621 11 A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. a.3) Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no artigo 3°, §3° da Lei n° 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização considerou como passíveis de creditamento apenas os fretes que ocorreram para transporte de insumos. Por conseguinte, glosou os demais. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Conforme tal planilha, a base de cálculo dos créditos foi apurada com base nos valores correspondentes a 1/48 ou 1/24 do valor de aquisição do bem. Então, a autoridade fiscal constatou que nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: na proporção de 1/24, valores referentes a bens adquiridos antes de 01/10/2004, contrariando o art. 2°, § 2°, da Lei n° 11.051/04; na proporção de 1/48, valores referentes a bens adquiridos antes de 01/05/2004, e valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (tais como prédios, tubos de concreto, aparelhos, veículos), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art.3°, §14, da Lei n° 10.833/03; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 622 12 bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, como por exemplo, aparelhos de ar condicionado, refrigerador 380 lts, rádio motorola, conjunto irrigação, veículos, tratores etc., contrariando a art. 3°, VI e §1°, III, da Lei n° 10.833/03. Diante disso, a fiscalização elaborou planilha, na qual ficou consignado os motivos das glosas, bem como que a maior parte delas se deu em função da exclusão de bens cujas datas de aquisição não estão compreendidas no período permitido pela legislação. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Há duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. Outros créditos a descontar Neste tópico, a fiscalização indica que nos arquivos magnéticos denominados Outros Créditos, apresentados pelo contribuinte, os valores da linha 22 do DACON são referentes a créditos da Cofins apurados sobre o valor do frete pago a pessoas físicas. Dessa forma, tal despesa não geraria direito a crédito das contribuições, pois, conforme Lei n° 10.833/03, art. 3°, c/c art. 15, inciso II; apenas o frete pago a pessoas jurídicas enseja tal direito. Defende a empresa que frete utilizado na operação de venda do produto pode ser objeto de crédito para fins de compensação, mesmo que prestado por pessoa física. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 623 13 Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 624 14 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 625 15 c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas. e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte, manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.007156/2003-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998
Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF.
A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN.
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ).
Numero da decisão: 3201-005.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de mora sobre o débito pago em atraso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998 Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF. A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ).
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998 Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF. A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de mora sobre o débito pago em atraso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 71 56 /2 00 3- 28 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 197 2 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 12089232: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 29 e ss, através do qual fora consubstanciada exigência relativa à contribuição ao programa de integração social (PIS), ano calendário 1998, no valor de RS 47 820,31, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento, realizado eletronicamente, fundouse na inexistência e/ou insuficiência de pagamentos informados em DCTF. O enquadramento legal é o que consta do auto de infração. Cientificada do lançamento, em 11/08/2003 (fls. 155), a interessada interpôs, em 08/09/2003, a impugnação de fls. 03 e ss, alegando, em síntese, que extinguiu os débitos exigidos por compensação, em parte parcelados, em parte pagos com atraso. Para o segundo caso, defendeuse contra a cobrança da multa moratória, alegando espontaneidade fundada no artigo 138 do CTN. Recebida a impugnação, o lançamento foi revisto de ofício (fls. 154), concluindo a autoridade preparadora pelo não parcelamento de débito autuado no pp. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro, por intermédio da 15ª Turma, no Acórdão nº 12089232, sessão de 05/07/2017, julgou improcedente a impugnação, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 Ementa: PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovados o não pagamento ou o pagamento a menor de tributo, revelase cabível a exigência de ofício. DARF. PAGAMENTO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 198 3 Aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se prestando para o afastamento dessa pela penalidade a tese da espontaneidade prevista no artigo 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que seja cancelado o auto de infração, afastandose a exigência do crédito tributário. Insiste nas matérias arguidas em impugnação: 1. A improcedência da autuação fiscal por impossibilidade de haver lançamento de ofício de débitos regularmente declarados em DCTF; 2. A responsabilidade por infração é ilidida pela denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN; e 3. A extinção do débito do período 09/1998 por intermédio de parcelamento em nome da sucessora. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo da contribuinte em face do auto de infração lavrado para a exigência de PIS do período 1998, acrescido de multa de ofício e juros de mora, declarado em DCTF cujo pagamento não foi confirmado em procedimento de auditoria eletrônica. Na impugnação, a contribuinte afirma que extinguiu o débito por meio de compensação, com pagamento em atraso, e em parcelamento. Alega a espontaneidade da extinção do crédito tributário o que implica a inexigibilidade da multa de mora incidente sobre a parcela compensada a destempo. Sustenta a decisão da DRJ que não fora identificado parcelamento do débito permanecendo inadimplido. Quanto à multa de mora, o pagamento em atraso exige sua cobrança. Exigência em auto de infração de saldo declarado em DCTF Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 199 4 Depreendese dos autos que o lançamento teve origem na ausência de pagamento de saldo devedor de PIS informado em DCTF. A contribuinte contesta a possibilidade de exigência em auto de infração de valores declarados em DCTF, uma vez que a informação tem a natureza de confissão de dívida, cujo atributo impõe providências para a inscrição em dívida ativa. Com razão a contribuinte. A exigência em auto de infração de débito confessado em DCTF deve ser afastada para que não ocorra a exigência em duplicidade. A confissão do débito por meio de Declaração, foi tratado no art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretária da Receita Federal. § 1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito. O Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 118/1984, delegou a competência ao Secretário da Receita Federal para eliminar ou instituir obrigações acessórias, relativas a tributos federais que, com base nessa competência, editou a Instrução Normativa SRF 077/1998, cujo art. 1º definiu que os débitos tributários da declaração do ITR e da DCTF, seriam possíveis de execução por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidas na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União. Posteriormente, sobreveio a IN SRF nº 14/2000, que alterou as declarações possíveis de inscrição em Dívida Ativa da União, alterando as declarações que constituem em dívida mantendo, porém, a DCTF como instrumento hábil. Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 200 5 Apenas os débitos apurados nos procedimentos de auditoria decorrentes de verificação dos dados informados em DCTF é que seriam lançados em auto de infração. Em outras palavras, o lançamento seria de rigor na hipótese de apurar diferenças entre o confessado em DCTF em confronto com outros documentos (DIPJ, Dacon) ou Livros, consoante a legislação vigente à época IN SRF nºs. 45/98 e 77/98. Dada essa condição, os saldos a pagar dos tributos federais informados na DCTF, induvidosamente, não são passíveis de lançamento de ofício, pois a declaração/confissão dos saldos dos débitos, inequivocamente, constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. Extinção do débito do período 09/1998 por intermédio de parcelamento em nome da sucessora O débito de PIS (código 8109) apurado no 3º Trimestre de 1998 e declarado como quitado no processo de parcelamento nº 13807002.239/9821, mas não confirmado pela Fiscalização, é o demonstrado no auto de infração (fl. 31): A recorrente afirma que o processo de parcelamento, que encontrase totalmente quitado, foi formalizado no CNPJ nº 51.468.791/000110, da pessoa jurídica Ripasa S A Celulose e Papel, adquirente. Os extratos de folhas 151 e 152, nada obstante à informação fiscal de folha 154, confirmam as alegações no tocante à quitação do débito de PIS relativo a setembro/1998 no valor de R$ 47.820,31. A Ripasa S A Celulose e Papel, CNPJ nº 51.468.791/000110, de fato é a adquirente por incorporação da ora recorrente e teve o processo de parcelamento encerrado por quitação, no qual consta o débito de PIS (cód. 8109) do PA 09/1998 quitado, consoante as informações prestadas desde sua impugnação. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 201 6 Afastamento da multa de mora (art. 138, CTN) em pagamento em atraso Consta dos autos o pagamento extemporâneo do débito do período de apuração dezembro/1998 para o qual a contribuinte alega beneficiarse do instituto da denúncia espontânea em razão de sua confissão em DCTF e inexistência de procedimento fiscal. O STJ, em sede de recurso repetitivo, confirma que a denúncia espontânea não se opera nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação declarados e não pagos no vencimento, conforme o julgado: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 202 7 CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 203 8 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, diante de uma confissão de dívida e com o pagamento extemporâneo do débito, entendo aplicável o enunciado da Súmula nº 360 do STJ no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para manter a multa de mora sobre o débito pago em atraso. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721479/2012-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
ADESÃO AO PERT. RENÚNCIA EXPRESSA À DISCUSSÃO NO PROCESSO DECORRENTE. REFLEXO NO PROCESSO PRINCIPAL.
Tendo o sujeito passivo informado a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em relação aos débitos exigidos por meio de auto de infração em processo reflexo, no qual se discutia o montante do tributo devido, no processo vinculado resta ratificar a decisão de primeira instância, uma vez que inexiste outro argumento válido no recurso voluntário.
Numero da decisão: 3002-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 ADESÃO AO PERT. RENÚNCIA EXPRESSA À DISCUSSÃO NO PROCESSO DECORRENTE. REFLEXO NO PROCESSO PRINCIPAL. Tendo o sujeito passivo informado a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em relação aos débitos exigidos por meio de auto de infração em processo reflexo, no qual se discutia o montante do tributo devido, no processo vinculado resta ratificar a decisão de primeira instância, uma vez que inexiste outro argumento válido no recurso voluntário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 518 1 517 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.721479/201261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.626 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI. COMPENSAÇÃO. Recorrente EMBRASA EMBALAGENS MICRONDULADAS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 ADESÃO AO PERT. RENÚNCIA EXPRESSA À DISCUSSÃO NO PROCESSO DECORRENTE. REFLEXO NO PROCESSO PRINCIPAL. Tendo o sujeito passivo informado a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em relação aos débitos exigidos por meio de auto de infração em processo reflexo, no qual se discutia o montante do tributo devido, no processo vinculado resta ratificar a decisão de primeira instância, uma vez que inexiste outro argumento válido no recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI no valor de R$ 58.600,08, relativo ao 4º trimestre/2010 (fls. 2 a 52), cumulado com declaração de compensação de débitos de PIS/Pasep no montante de R$ 42.402,04 (fls. 341 a 343). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 14 79 /2 01 2- 61 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 519 2 Para fins de apuração do direito creditório, a Delegacia da Receita Federal em Recife (DRF/Recife) abriu procedimento fiscal relativo ao período de apuração que se inicia no 2º trimestre/2008 e vai até o 1º trimestre/2011 – o contribuinte havia formalizado diversos pedidos de ressarcimento e de compensação, entre eles este que se analisa. Desse procedimento fiscal resultou um auto de infração e a decisão sobre os pedidos de ressarcimento/compensação. O auto de infração foi lavrado em decorrência da constatação de utilização indevida do instituto da suspensão (notas fiscais de saída sem o lançamento do IPI), alcançando o lançamento o valor de R$ 409.927,53 – processo nº 10480.721441/201299 (fls. 405 a 428). Foi também determinada a reconstituição da escrita fiscal. Em relação ao PER de que trata o presente processo, a DRF/Recife concluiu que o contribuinte não fazia jus à totalidade do que requereu como crédito (fls. 331 a 338), reconhecendo o direito creditório de apenas R$ 44.052,32, suficientes para homologar integralmente a compensação, e autorizou o ressarcimento de R$ 1.650,27 (fls. 345 a 350). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que parte do que havia sido compensado eram débitos parcelados ou que estavam com a exigibilidade suspensa, pois foram exigidos no auto de infração que foi impugnado; que não havia débito em aberto, pois a exigência de multa de mora era descabida, uma vez ter ocorrido a denúncia espontânea; e que o montante encontrado pela Fazenda decorria da utilização ilegal da imputação proporcional. Entendia que, se cancelada a multa moratória, os créditos seriam suficientes para quitar todos os débitos (fls. 364 a 368). Em relação à manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) proferiu o Acórdão nº 1046.871 (fls. 452 a 455), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que os créditos de IPI destinamse prioritariamente à dedução dos débitos; que a IN RFB nº 900/2008, veda o ressarcimento a contribuinte que tenha processo administrativo ou judicial em curso cujo resultado possa alterar o valor a ser ressarcido; e que foi solicitada a compensação de débitos já vencidos, sobre os quais incidem acréscimos legais, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 520 3 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Não se toma conhecimento de manifestação de inconformidade contra a compensação de ofício de ressarcimento de crédito de IPI. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos já vencidos, cabível a imputação de multa e juros sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a recorrente alega, preliminarmente, que deveria ser considerado o resultado final do julgamento do processo relativo ao auto de infração, para que não haja cobrança em duplicidade ou decisões divergentes e, em relação ao mérito, retoma o argumento de ilegalidade da imputação proporcional, concluindo com o pedido para que se reconheça o direito creditório ou para que este processo seja sobrestado até definitivamente julgado o processo nº 10480.721441/201299 (fls. 465 a 474). Em sessão realizada por este Colegiado, decidiuse pelo sobrestamento até a decisão definitiva em relação ao auto de infração, uma vez que lá estavam sendo discutidas as conclusões da fiscalização que embasaram o Despacho Decisório do presente processo, e agora os autos retornam para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Do retorno do sobrestamento na unidade de origem, extraímos dois fatos relevantes em relação ao processo nº 10480.721441/2012: no novo julgamento realizado pela DRJ foi confirmada a decisão adotada no primeiro julgamento e o litígio foi extinto porque o contribuinte aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017. Assim, reproduzo do processo nº 10480.721441/2012 a reconstituição da escrita do IPI resultante dos ajustes realizados pela DRJ, após o cancelamento de parte da exigência fiscal: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 521 4 Na tabela acima, vêse que na linha pertinente ao período do PER deste processo (4º trimestre/2010), o saldo credor de R$ 44.052,32 ficou inalterado, quando comparado com o que consta do Despacho Decisório deste processo, demonstrando que não cabe razão ao contribuinte. Cabe ainda apontar que, excluídas as alegações relativas ao resultado obtido pela fiscalização, uma vez que o contribuinte desistiu dessa discussão, os demais argumentos do Recurso Voluntário são inaplicáveis, pois referemse à multa moratória indevida e à ilegalidade da imputação proporcional. Na Dcomp destes autos, o próprio contribuinte incluiu os acréscimos moratórios para os débitos compensados em atraso, dando a entender que o argumento foi copiado de alguma outra peça recursal, sem relação com os fatos destes autos. O motivo para a redução no valor a ser ressarcido não reside na aplicação dos acréscimos moratórios devidos, mas na redução do direito creditório. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, confirmando a decisão de reconhecer o direito creditório no valor de R$ 44.052,32, homologar integralmente a compensação (R$ 42.402,04) e reconhecer o direito ao ressarcimento do saldo remanescente no valor original de R$ 1.650,27. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 522 5 Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908971/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO.
Iniciando-se o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação.
Numero da decisão: 3401-005.927
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. Iniciando-se o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. Iniciandose o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 71 /2 01 2- 78 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 163 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 81 e seguintes) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra o Despacho Decisório que não reconheceu créditos da contribuição para o PIS, referente ao período de 2008. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório A recorrente declarou no PER/DCOMP a existência de crédito referente a pagamento indevido de PIS, Porém, a fiscalização emitiu Despacho Decisório não reconhecendo sua existência, nos seguintes termos: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 401,25. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 19/11/2012 (fl.10 ), e interpôs impugnação, em 17.12.2012 (fls.11 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: (...) cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. (...) possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 164 3 Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. (fl. 74) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0359.426 (fls 72 e seguintes), exarado pela 4ª Turma da DRJ/BSB, em 20.02.2014, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 10.04.2014 (fl.79), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, repetindo as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, juntando documentos que viessem a comprovar o seu pleito creditório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 165 4 Da Resolução 3401001.352 Em 20.03.2018, essa Turma proferiu a Resolução 3401001.352 (fls 143 e seguintes), sob a relatoria do exconselheiro Robson José Bayerl, nos termos abaixo: Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 166 5 · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Os autos foram baixados para cumprimento da diligência e, sendo emitida a Informação Fiscal, pela delegacia da RFB em Fortaleza/CE (fls 150 e seguintes), nos seguintes termos: 4. Desta forma, verificase que, apesar de o crédito estar vinculado as DCOMP's acima, ele ainda não foi utilizado, visto que, encontrase em lide. 5. Após realização de cálculo constatouse que o crédito pleiteado pelo contribuinte é suficiente para quitar a compensação ora analisada, bem como, para quitar a DCOMP 20352.46346.270812.1.3.045361, vejamos no quadro abaixo: (...) 6. Por fim, cumpre registrar, que o contribuinte emitiu as Declarações Retificadoras antes da emissão do Despacho Decisório eletrônico de não homologação, haja vista que o mesmo foi emitido em 05/11/2012 e as Declarações foram retificadas em Julho e Agosto do mesmo ano. 7. Ante o exposto, concluise pela procedência do pleito do contribuinte, se fazendo necessária a homologação da DCOMP ora analisada. (...) Assim, com a conclusão da diligência proposta, os autos retornaram ao CARF e foram sorteados a mim, em razão de o antigo relator não mais compor esse colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 167 6 Do Mérito Toda a compreensão do mérito do presente processo fora perfeitamente escrutinada pelo antigo relator que, acertadamente, entendeu que: (a) A mera retificação das DCTF´s não possuem o condão de comprovar o direito creditório; (b) A despeito de o Recorrente não haver apresentado os documentos que fundamentaram o suposto pagamento indevido de PIS no momento da impugnação, é razoável entender que, diante do despacho decisório eletrônico, não fora possível conceber que somente a DCTF retificadora não teria o condão de comproválo, o que ficou apenas claro na leitura da decisão que não deu provimento à sua Manifestação de Inconformidade; (c) Por isso mesmo, entendemos, à época, que a disponibilização de documentos que ambicionassem a sua comprovação quando do Recurso Voluntário, o que foi feito, supririam a carência probatória que estava inicialmente desenhada, devendo ser objeto de análise pela unidade de origem a fim de verificar sua suficiência. Assim, reitero minha concordância com os fundamentos da Resolução que aceitaram a documentação apresentada no Recurso Voluntário e, diante do resultado da diligencia, que averiguou ser plausível o valor pleiteado, não resta a mim senão apenas acolher o seu resultado. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe provimento, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 168 7 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724241/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros.
DEPÓSITO PARCIAL EM JUÍZO. DEPÓSITO ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA.
O depósito parcial até a data de vencimento do tributo afasta a multa de oficio sobre a parcela depositada em juízo, mantendo-se porém, no caso concreto, a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário remanescente do auto de infração.
Numero da decisão: 2401-006.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa lançada sobre a parcela dos valores depositados em juízo. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à multa, o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido em primeira votação o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente THEOLINA STREB FRAÇÃO (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindose no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. DEPÓSITO PARCIAL EM JUÍZO. DEPÓSITO ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA. O depósito parcial até a data de vencimento do tributo afasta a multa de oficio sobre a parcela depositada em juízo, mantendose porém, no caso concreto, a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário remanescente do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa lançada sobre a parcela dos valores depositados em juízo. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à multa, o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido em primeira votação o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 42 41 /2 01 1- 11 Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 616 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e , no mérito, julgou procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração, cientificado pessoalmente à inventariante (fls. 175; e Certidão de Óbito, fls. 12), no valor principal de R$ 8.506.309,40, acrescido de multa de 10% e juros de mora, decorre da omissão de ganho de capital na alienação de participação societária na empresa Expresso Mercúrio S/A à TNT Brasil Participações TWO Ltda. ocorrida em 09/01/2007. Do Relatório Fiscal (fls.181/218), em síntese, extraíse que: a) O contribuinte negociou participação societária pelo valor bruto de R$ 94.245.865,00, sendo o valor líquido de R$ 87.665.579,00 pela diferença denominada “parcela retida para contrato de fiança”. Em 28/02/2007, foi recolhido R$ 3.295.268,52 e em 28/06/2007 R$ 439.869,49, a título de imposto de renda sobre ganho de capital. b) No Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS, junto à 2a Vara da Justiça Federal em Santa Maria, o contribuinte postulou a isenção do art. artigo 4o do Decretolei n° 1.510, de 1976, para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983, depositando judicialmente R$ 8.347.977,49. c) A empresa Expresso Mercúrio S/A distribuiu bonificações em ações, durante o período de 1970 a 2005, tanto na forma de novas ações (grande maioria), como pela capitalização de lucros e reservas sem emissão de novas ações ou modificação do valor nominal destas, conforme faculta o artigo 169,§ 1º da Lei nº 6.404/1976. d) Na planilha de Movimentação das Ações ON para apuração do ganho de capital, elaborada pelo sujeito passivo (Movim. Ações ON, Quadro n° 02, Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 617 3 fls. 17/34, as bonificações adquiridas, pela incorporação de reservas diversas e/ou reservas de lucros (estas, somente a partir de 1997) foram rateadas proporcionalmente às aquisições/subscrições (incluindo as bonificações já rateadas anteriormente) pertencentes ao sujeito passivo até 31/12/1983 e após o referido período, ou seja, a partir de 01/01/1984. As bonificações distribuídas anteriormente à aquisição de 2.213 ações em 25/03/1986 (Ia aquisição/compra de ações após 31/12/1983) foram totalmente alocadas no saldo de ações adquiridas até 31/12/1983. Já as bonificações distribuídas a partir de 25/03/1986 foram rateadas proporcionalmente à participação existente até 31/12/1983 (considerando inclusive bonificações distribuídas após este período) e a partir de 01/01/1984, somandose aos respectivos saldos de ações, existentes em 31/12/1983 e após 01/01/1984, para compor a nova base de cálculo do rateio referente à próxima distribuição de bonificação e assim sucessivamente, ou seja, as bonificações foram rateadas considerando as datas e quantidades de ações originariamente adquiridas/subscritas acrescidas, ainda, dos rateios das bonificações anteriores. e) A forma de apuração das bonificações em ações (rateio proporcional à data de aquisição das ações Movim. e Trib. das Ações Vendidas, Quadros n° 01 e 02, fls. 14/34), foi justificada pela alegação de as bonificações em ações distribuídas a partir de 1984 devem ser consideradas como adquiridas em data anterior a 31/12/1983, para efeito de apuração do ganho de capital auferido na venda das ações em 2007, em face do art. 169 da Lei 6.404/1976 e de as bonificações terem natureza acessória em relação às ações que lhe deram origem e, portanto, derivadas destas. f) Para haver isenção, mesmo em relação às ações adquiridas pela distribuição de bonificações em período anterior a 31/12/1983, deve ser observado o prazo de 05 anos na propriedade do contribuinte durante a vigência do Decretolei n° 1.510/1976. Ou seja, o recebimento das ações bonificadas (aquisição de ações via bonificação) deve ter ocorrido até 31/12/1983, de modo a permitir o transcurso de cinco anos de propriedade sem alienação até a revogação da isenção, uma vez a que a Lei n° 7.713/88 passou a viger a partir de 1701/1989, na forma do art. 104, III, do CTN. g) Dessa forma, o sujeito passivo, utilizando os artigos 1o a 5o do Decretolei n° 1.510/1976, bem como o artigo 5o da Portaria Ministerial MF n° 454 de 25/08/1977 e o Parecer Normativo CST n° 68 de 23/09/1977 todos já revogados pela Lei n° 7.713/1988 como regras de apuração do imposto de renda sobre ganho de capital auferido em 2007 com a alienação das ações da Expresso Mercúrio, apurou incorretamente um custo total de aquisição das ações no valor de RS 10.745.995,58, conforme planilha apresentada (Movim. e Trib. das Ações Vendidas, Quadros n° 01 e 02, em anexo), sendo RS 7.420.172,00 (percentual de 66,65%) referente a ações possuídas até 31/12/1983, incluindo o saldo de bonificações rateadas de forma incorreta, cuja venda foi considerada isenta de IR pelo sujeito passivo, pois seriam possuídas até 31/12/1983 segundo seus critérios. Apurou, também, RS 3.325.823,58 (percentual de 33,35%) de custo das Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 618 4 ações adquiridas a partir de 01/01/1984, tendo considerado a venda destas ações como tributável pelo imposto de renda, estando incluído nesta parcela o valor de R$ 702.056,68, referente ao custo das ações cujo valor de venda foi retido para contrato de fiança, conforme Contrato de Compra e Venda, e cujo ganho de capital correspondente foi diferido até o futuro recebimento do valor. h) Com base na Lei nº 7.718/1988, pertinente às alienações ocorridas a partir de 01/01/1989, o valor de transmissão é o total da alienação constante na cláusula 2.1 e anexo 2.2 do Contrato de Compra e Venda (fls. 46 e 122) realizado sem qualquer dedução e que importou no valor bruto de R$ 94.245.865,00, tendo o sujeito passivo recebido efetivamente, até o momento da autuação, o valor de RS 87.665.579,00. A diferença, ainda não recebida pelo sujeito passivo, no valor de RS 6.580.286,00, referese à parcela retida para contrato de fiança bancária em favor do comprador, conforme cláusula 7.7 do Contrato de Compra e Venda e conforme informação prestada pelo mesmo em resposta às intimações. Em maio de 2007, o contribuinte recebeu o valor de R$ 2.932.463,31 a título de “Valor de Ajuste de Preço de Aquisição”, tendo apurado ganho de capital em separado da parcela principal e recolhido o correspondente imposto de renda (R$ 439.869,49), sem deduzir qualquer parcela da base de cálculo a título de custo de aquisição. Assim, essa parcela não integra o presente lançamento. i) Com base na legislação que a rege a forma de apuração do custo de aquisição das participações societárias ( arts. 128/131 do RIR /1999 e arts. 7º e 16 da IN SRF nº 84/2001, apurase um custo de aquisição no valor de R$ 9.663.072,66, conforme explicitado as fls. 206/213. Mas, o contribuinte havia apurado como custo de aquisição o valor de R$ 10.745.995,58, sendo R$ 7.420.172,00, referente à participação societária possuída até 31/12/1983 e R$ 3.325.823,58 referente à participação societária a partir de 01/01/1984, sendo R$ 702.056,68 deste valor referente ao custo de aquisição da parcela retida, com ganho de capital diferido. Na sistemática de apuração do ganho de capital adotada pelo sujeito passivo, 66,65% do ganho de capital havido na venda foi considerado isento devido ao fato de ter utilizado legislação já revogada (conforme já exposto) na qual faz o rateio das ações novas, distribuídas por incorporação de lucros e reservas, em possuídas até 1983 e a partir de 1984, sendo inexistente a base legal que autorizaria tal procedimento. j) Elaborouse também uma tabela de apuração do ganho de capital e do imposto de renda devido considerando o acaso de o contribuinte obter sucesso no Mandado de Segurança Para a alienação das ações adquiridas até 1983, a fiscalização considerou apenas 0,873% do ganho de capital deste período isento no caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, já o sujeito passivo apurou que 66,65% do ganho de capital seria isento. A diferença reside na forma de apuração do ganho de capital mediante o referido rateio, distribuindo as ações recebidas em bonificação, por incorporação de reservas de lucros e/ou reservas diversas, em possuídas Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 619 5 até 1983 e em adquiridas a partir de 1984, mesmo tendo adquirido tais ações a partir de 1984. k) Uma vez que o imposto de renda apurado como ainda devido pela fiscalização (R$ 8.506.309,40) é superior ao montante do depósito judicial, não se aplica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no inciso II do art. 151 do CTN. Além disso, o depósito judicial efetuado pelo sujeito passivo referese ao Mandado de Segurança impetrado judicialmente, no qual pleiteia a isenção do capital sobre a venda somente de ações adquiridas até 31/12/1983, sem entrar no mérito do cálculo do número de ações e do custo de aquisição das ações adquiridas antes de 31/12/1983, ao passo que o presente Auto de Infração referese à totalidade das ações vendidas, adquiridas antes de 31/12/1983 e, notadamente, após 01/01/1984, e também se refere ao cálculo do custo de aquisição e do número de ações adquiridas antes e após 31/12/1983. Portanto, não cabe considerar o referido depósito judicial como referente ao presente Auto de Infração, já que os objetos do Mandado de Segurança e do Auto de Infração não são exatamente os mesmos. l) Foi aplicada multa de mora no percentual de 10%, incidente sobre o imposto de renda devido pelo espólio. Por meio de procurador regularmente habilitado pela inventariante (fls.283), o contribuinte impugna (fls. 236/281), tempestivamente (fls.316), o auto de infração, em síntese, alegando: a) Nulidade do lançamento fiscal pela inclusão das ações albergadas pela isenção. Reconhecido o direito pelo STJ, ao apurar um custo médio ponderado, incluindo as ações consideradas isentas, a apuração do imposto de renda devido restou integralmente comprometida, não sendo possível simplesmente se excluir a parcela devida a título de imposto de renda relativo ao ganho de capital sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. Cita jurisprudência. b) Nulidade do lançamento fiscal Suspensão da exigibilidade e princípio da unicidade da jurisdição. O valor depositado de R$ 8.347.977,49 é integral, pois a Fiscalização aponta R$ 110.773,56 como na alienação de ações adquiridas antes de 31/12/1983. c) Isenção prevista no Decreto Lei nº 1.510/1976. Embora a questão tenha sido levada ao Judiciário, apresenta razões para afastar o entendimento da fiscalização. Logo, a participação societária do impugnante havida em período anterior à entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que tenham permanecido em seu patrimônio por um período mínimo de cinco anos, ou seja, tenham em 31 de dezembro de 1988, cinco anos ou mais, está ao abrigo da isenção, uma vez que nessa data nasceu o direito subjetivo do impugnante à fruição da isenção. Cita doutrina e jurisprudência. d) Tratamento conferido as bonificações. Bonificação não é nova ação. O aumento do capital se dá por troca entre contas do balanço patrimonial, sem qualquer desembolso por parte do acionista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não há aumento do patrimônio da empresa ou do acionista, ambos continuam absolutamente iguais. O aumento de capital pode se dar de duas formas: alteração do valor nominal das ações ou distribuição de bonificações. Não há qualquer diferença entre essas duas opções. A nova Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 620 6 quantidade de ações que o impugnante passou a deter com a distribuição das ações bonificadas representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. O remanejamento contábil não importa uma transferência de lucros para o acionista, mas sim uma transferência de lucros para conta de capital, em que o acionista mantém a mesma participação, em que pese, no caso das ações bonificadas, representada por um número maior de ações, com o mesmo valor patrimonial. As ações recebidas em bonificação são mera expansão das ações originárias, ou seja, são, “filhotes” das chamadas “ações mães” e podem ser consideradas ações subscritas, pois não há ingresso de recursos ao capital da companhia pelo acionista. Como não há necessidade de norma regulamentadora do rateio das bonificações, a revogação da legislação que trata da matéria não influencia o auto de infração que estaria incorreto. e) Impossibilidade de aplicação de multa e juros de mora sobre o valor do depósito judicial. Por entender incorreto o critério de cálculo utilizado pelo Impugnante, a fiscalização elaborou apuração do imposto de renda e encontrou o valor devido de R$ 8.506.309,40 enquanto o depósito judicial foi realizado no montante de R$ 8.347.977,49. A jurisprudência admite a aplicação de multa e juros somente sobre a diferença encontrada entre o valor lançado e o valor depositado judicialmente. Como o depósito foi realizado dentro do prazo previsto para o pagamento do imposto e muito antes do auto de infração, sobre o seu montante não poderiam ser exigidos os juros, pelo simples fato de que não se caracteriza a mora no caso concreto. O Acórdão DRJ/POA n° 1037.022 (fls. 317/319) não conheceu da impugnação por concomitância de ação judicial. Anulado pelo Acórdão n° 2401004.518 (fls.508/514), foi emitido o Acórdão n° 1058.796 do qual, em síntese, se extrai: a) Delimitação. Devem ser analisadas as questões não constantes do processo judicial nº 2007.71.02.0014672. b) Nulidades. O Auto de infração atende a todos os requisitos legais, não havendo qualquer nulidade prevista no rol exaustivo do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Além disso, não há nulidade na forma de apuração da base de incidência do IRPF visto que o ganho isento não altera a forma de apuração da base de incidência do IRPF, ou seja, não modifica o custo de aquisição cuja forma de apuração foi definida pelo art. 16 da Instrução Normativa nº 84/2001 e artigo 130 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Em outras palavras, o custo de aquisição não se altera com o benefício da isenção. Ao determinar que não incidiria o imposto nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, o DecretoLei nº 1.510/1976 não afastou a existência de lucro/ganho de capital na operação, apenas considerou isento de tributação. Por fim, o depósito do montante integral não impede o lançamento (CTN, art. 142) e não estamos diante de uma situação em que o depósito tenha sido efetuado em montante integral, pois como o próprio contribuinte reconhece em sua impugnação existe uma diferença no montante de R$ 158.331,91, entre o valor apurado como devido pelo fisco e o depositado judicialmente pelo contribuinte. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 621 7 c) Jurisprudência. As decisões administrativas e judiciais trazidas pelo impugnante têm efeitos meramente ilustrativos para terceiros estranhos às suas partes, não estando relacionadas no art 100 do CTN. d) Objeto da Ação Judicial. Na ação judicial impetrada ( petição inicial fls. 91 e seguintes), o autuado pleiteou que as ações adquiridas ou subscritas por ele em período anterior a entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que tivessem permanecido no seu patrimônio por um período de cinco anos, ou seja, as que em 31/12/1988 já estivessem há cinco anos ou mais no seu patrimônio, teriam adquirido o direito à isenção do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação das ações. O Superior Tribunal de Justiça reconheceu seu direito à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital apurado na alienação das participações societárias adquiridas no período anterior a 31 de dezembro de 1983 (fls.384/419). Deve ser cancelado o lançamento do ganho de capital apurado sobre as ações alienadas que já se encontravam a mais de cinco anos no patrimônio da contribuinte, quando houve a revogação da norma isentiva, ou seja, 31 de dezembro de 1988. Contudo, as bonificações e participações societárias adquiridas a partir de 01/01/1984 não estão albergadas pela ação judicial, visto que essa só se aplica às aquisições efetivadas até 31/12/1983, posto que a norma foi revogada pela Lei nº 7.713/88 e as aquisições posteriores não cumpriram os requisitos dos cincos anos exigidos para isenção pela norma revogada. e) Bonificações decorrentes da incorporação de reservas e lucros. A fiscalização considerou as bonificações posteriores a 31/12/1983 como ações novas, descrevendo de forma detalhada no item 4 do Relatório Fiscal (efls. 190/205) os critérios e o embasamento legal que utilizou para calcular o ganho de capital, definindo o custo de aquisição das participações societárias por período, demonstrando que agiu rigorosamente dentro da previsão legal. Os argumentos do contribuinte já foram desqualificados Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN quando dispensou os procuradores de recorrer das decisões judiciais favoráveis aos contribuintes referente ao ganho de capital na alienação de participações societárias possuídas pelo contribuinte a cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei nº 7.713/88 com base no Art. 2º, incisos V, VII e §§ 3º e 8º da Portaria PGFN nº 502/2016. Observese que tal fato foi reconhecido em ação judicial impetrada por sócio do contribuinte (MS nº 2007.71.02.0014684/RS), como segue: “Neste contexto, a importância a ser devolvida deverá cingirse apenas ao imposto incidente sobre o lucro auferido decorrente de alienações de participação societária, não compreendendo neste conceito a distribuição de bonificações sob forma de novas ações.” f) Alegação de inexistência de acréscimo patrimonial. Defende o impugnante que as ações recebidas em bonificação são gratuitas e que, ao contrário do aumento por subscrição particular, o aumento do capital previsto no artigo 169 da Lei nº 6.404/76, decorre de mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do acionista ou ingresso de valores (bens) na empresa. Disto, conclui que não há aumento Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 622 8 do patrimônio individual do acionista ou da empresa. Contudo, a bonificação aumenta o capital individual porque decorre de um aumento do capital social por incorporação do resultado da empresa, decorrente do lucro ou de outras reservas do patrimônio líquido. A fiscalização identifica nas efolhas 195 e 196, através do livro de registro de ações nominativas da Empresa Mercúrio que não havia diluição do valor patrimonial a cada bonificação distribuída, mas que o valor nominal da ação permanecia inalterado e, portanto, aumentando o patrimônio pessoal dos acionistas pelo aumento na quantidade de ações distribuídas. Explica a fiscalização que não se está diante de um desdobramento ou grupamento de ações que não alteram o patrimônio do contribuinte, diferentemente da bonificação decorrente da incorporação de reservas ao capital social, visto que neste caso não há alteração do valor nominal da ação, mas o aumento do capital social distribuído por meio de bonificações recebidas pelos sócios em ações. O contribuinte confunde os conceitos de desdobramento ou agrupamento de ações com bonificação. As bonificações dependem da incorporação das reservas e/ou lucros acumulados ao capital social o que foi demonstrado pela fiscalização no Relatório de Fiscalização. A premissa do contribuinte de que as ações distribuídas a titulo de bonificação não representam aumento do capital social não pode ser aceita visto que a incorporação das reservas aumenta o capital social da empresa. Tal aumento é repassado aos acionistas através da distribuição de ações sob forma de bonificação no montante das reservas ou lucros e na proporção acionária de cada um, não alterando a participação dos sócios na sociedade, mas aumentando o patrimônio individual de cada um. g) Da forma de apuração do ganho de capital. Verificou a Fiscalização pela análise da planilha de apuração do ganho de capital elaborada pelo contribuinte que a regra utilizada para considerar a distribuição/rateio das bonificações no saldo de ações adquiridas até 1983 e a partir de 1984 é idêntica ao preconizado pelo art. 5º do decretolei nº 1.510/1976, bem como pelo art. 5º da Portaria Ministerial MF nº 454, de 25/08/1977, e pelo Parecer Normativo CST nº 68, de 23/09/1977. Tal pressuposto não pode prevalecer visto que tanto a Portaria quanto o Parecer Normativo são atos interpretativos e aplicados na vigência do DecretoLei nº 1.510/76, revogados pela Lei nº 7.713/88. Para apuração do custo de aquisição deve ser aplicado o disposto nas normas vigentes na data de alienação (09/01/2007): IN SRF nº 84/2001 e RIR/1999. Assim, a fiscalização definiu dois períodos de apuração e utilizou a Instrução Normativa nº 84/2001 e o RIR/1999 para apurar os valores lançados a partir de 01/01/1984. Tais valores correspondem ao ganho de capital de R$ 78.677.186,14 e ao IRPF (15%) de R$ 11.801.577,92 dos quais foi recolhido o valor de R$ 3.295.268,52 e, portanto, devido o imposto de R$ 8.506.309,40 g1) O contribuinte diverge dos cálculos, alegando que houve um equivoco por parte da fiscalização que considerou as bonificações como ações novas quando, segundo o impugnante, devem receber o mesmo tratamento das ações adquiridas até 31/12/1983 por ter origem naquelas. Disto, conclui que as bonificações, mesmos que posteriores a 31/12/1983, estão isentas do Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 623 9 IRPF e que as mesmas não representam aumento do patrimônio dos sócios ou da sociedade mas mera troca de contas no balanço patrimonial da empresa. Sustenta que para ocorrer aumento do capital é necessário desembolso por parte do acionista e o ingresso de bens ou valores na empresa, fato que não ocorre nas bonificações através de ações que são recebidas pelos acionistas gratuitamente. Assim, o autuado atribuiu maior percentual do ganho de capital às ações adquiridas até 31/12/1983 visto que considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas após esta data, estariam isentas por terem origem naquelas que estavam sob o manto da isenção. O notificado utilizou a proporção das ações existentes antes de 31/12/1983 para definir a proporção das bonificações isentas de tributação no ganho de capital alegando estar amparado pelo Art. 169 da Lei nº 6.404/76 e que as mesmas não representam aumento patrimonial do titular das ações. g2) De fato, o artigo 5º do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1º, também revogado pela Lei nº 7.713/1988. Já a Portaria MF nº 454/1977 e o Parecer Normativo CST nº 68/1977, atos normativos de caráter interpretativo, tinham o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo das mesmas na apuração do ganho de capital, especialmente em relação ao artigo 5º do Decretolei nº 1.510/1976. Este artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1º do mesmo Decretolei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem e válidos enquanto não revogados pela Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 01 de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações está regrado pelos §§ 3º e 4º do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988, bem como pelo o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995. Logo, não há razão legal para ratear as bonificações adquiridas posterior a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultou na distribuição das ações a titulo de bonificação. Além disso, o reconhecimento do direito adquirido a isenção na alienação de participação societária, somente alcança as ações ou quotas, adquiridas por qualquer modo ou bonificações, até 31/12/1983. h) Multa e Juros de Mora. O crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa somente foi lançado após o falecimento do contribuinte (25/09/2010), sendo imputada a multa de mora prevista no art. 964, I, "b" do RIR/1999, no percentual de 10% e não de 75%. O depósito judicial foi efetivado nos autos da ação judicial em que se discutiu o direito à isenção sobre o ganho de capital apurado sobre a alienação de ações que já compusessem o seu patrimônio a cinco anos ou mais na data da entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que revogou referida isenção. Portanto, o depósito referese apenas ao ganho de capital apurado sobre a alienação dessas ações, ou seja, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 624 10 R$ 110.773,56, conforme apontado pela fiscalização. O restante do auto de infração referese ao ganho de capital apurado na alienação de ações que foram adicionadas ao patrimônio do contribuinte a partir de 01/01/1984, portanto não albergadas pela isenção pleiteada. É pacífico na jurisprudência que cabe ao fisco estabelecer o quantum que torna o depósito integral. Assim, para que o depósito seja considerado integral, ele deve espelhar o montante que o Fisco entende ser o valor devido e não o foi no caso concreto. Portanto, não há que se falar em exclusão da multa e dos juros de mora aplicados no lançamento. i) Procedência Parcial da impugnação. Destarte, rejeitandose as preliminares de nulidade, por incabíveis, no mérito, julgase procedente em parte a impugnação, cancelando o Imposto de Renda Pessoa Física sobre o ganho de capital no valor de R$ 110.773,56 e acréscimo correspondentes, referente às ações e bonificações adquiridas até 31/12/1983, devido ao transito em julgado do mandado de segurança nº 2007.71.0202.001467 2/RS que reconheceu a isenção do imposto sobre tais participações e mantendo o imposto de R$ 8.395.535,84 acrescido de multa de mora e juros de mora referente ao ganho de capital na alienação da participação societária do contribuinte decorrente das ações adquiridas sob qualquer forma, inclusive a título de bonificação, a partir de 01/01/1984. Intimado em 25/05/2017 (fls. 551), o contribuinte interpôs em 16/06/2015 (fls. 555) recurso voluntário (fls. 555/600), em síntese, alegando: a) Preliminar de Nulidade da totalidade do lançamento fiscal pela inclusão das ações albergadas pela isenção. O Acórdão parte da premissa de a apuração do ganho de capital ter suporte normativo na legislação vigente na ocorrência do fato gerador, data de alienação, tendo se limitado a repetir a fundamentação constante do relatório da fiscalização, a respaldar o critério da média ponderada adotado na elaboração da planilha de custo de aquisição. Mas, a fiscalização não considerou o direito adquirido à isenção sobre as ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983 reconhecido pelo STJ ao recorrente no Mandado de Segurança n° 2007.71.02.0014672. Logo, não pode subsistir a média ponderada unitária, pois as ações abrangidas pela isenção não podem compor o cálculo do custo médio, sob pena de desvirtuamento do próprio ganho de capital e consequente imposto de renda exigido. Nesse contexto, deve ser aplicado o Parecer Normativo CST n° 68, de 1977, o qual reconhece que as ações e suas respectivas bonificações, cujo ganho de capital seja isento, não serão computadas na apuração daquelas ações e suas correspondentes bonificações no cálculo do ganho de capital tributável. O Acórdão não adotou essa solução computando ações/bonificações que cumpriram a condição para isenção na apuração do ganho de capital daquela parcela de participação societária tributável. Não basta excluir a parcela devida a título de IRPF relativo ao ganho sobre as ações adquiridas até 31/12/1983, eis que a nulidade decorre da incorreta apuração do custo médio ponderado com inclusão de ações alcançadas pela isenção. A inclusão de ações isentas no custo médio altera indevidamente a média e compromete o ganho apurado, não sendo possível apenas a declaração de nulidade parcial por estar equivoca a premissa de Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 625 11 cálculo adotada, conforme jurisprudência de caso muito semelhante (Apelação Cível n° 2001.04.01.0804448/RS). b) Tratamento conferido as bonificações. Fiscalização e DRJ levantam argumentos dissociados das premissas básicas do direito societário e tributário, em evidente afronta ao art. 110 do CTN. O conceito de bonificação adotado pela fiscalização foi retirado de página da Bovespa e merece total reprovação, sendo para iniciantes. Para se saber se a ação bonificada pode ser considerada como ação nova, há que se verificar se houve ingresso de recursos do acionista para o recebimento da mesma e, em face do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976, as ações decorrentes da capitalização de lucros ou reservas são meras extensões das já possuídas, em nada alterando o patrimônio do acionista ou da empresa, sendo recebidas gratuitamente, sem qualquer desembolso do acionista ou ingresso de bens ou valores na empresa, a significar mera troca entre contas do balanço patrimonial. Logo, há simples remanejamento contábil e não subscrição de nova ação, não havendo diferença entre a emissão de uma nova ação ou aumento do valor nominal de já possuída, como autoriza o art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976. A nova quantidade de ações pelo recebimento das bonificações representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. Como a reserva encontrase dentro do patrimônio líquido da sociedade, por si só, já faz parte do patrimônio do acionista. A distribuição das ações em bonificação não altera o patrimônio do acionista, na medida em que as ações em bonificação não são adquiridas por subscrição e, dessa forma, não representam ingresso de capital na companhia. Se não houvesse a bonificação, mas liquidação da sociedade, o acionista participaria da reserva de lucros ou de outras de acordo com o percentual correspondente de suas ações. Fiscalização e acórdão se omitem em reconhecer que o aumento do capital social pode ocorrer sem distribuição de ações em bonificação, o que é suficiente para cancelar integralmente o auto de infração. O aumento do patrimônio líquido, ocorrido em um exercício anterior apenas fez com que a participação societária do acionista alcançasse um valor patrimonial maior naquele momento, pois como visto, independente da deliberação acerca do destino a ser dado à conta de reserva, as ações do acionista se valorizaram em função dos bons resultados havidos na companhia. Tal valorização posteriormente transformada em uma distribuição de ações em bonificação em nada altera o valor patrimonial das ações préexistentes, ou seja, o patrimônio é o mesmo, porém, dividido por um número maior de ações, em sendo distribuídas ações em face desta capitalização. Portanto, o remanejamento contábil não importa uma transferência de lucros para o acionista, mas sim uma transferência de lucros para conta capital, em que o acionista mantém a mesma participação, em que pese, no caso das ações bonificadas, representada por um número maior de ações, com o mesmo valor patrimonial. Além disso, as ações bonificadas são meras extensões das preexistentes, uma simples expansão nominal das ações originárias. Não são frutos ou rendas, mas acréscimo ou desdobramento do seu valor, a ele aderindo e formando uma só unidade, ou seja, são produto. Por fim, no Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 626 12 caso de ações sem valor nominal pode haver aumento de capital, sem modificação do número de ações e sem modificação do seu valor nominal. c) Da forma de rateio das ações bonificadas. Segundo a fiscalização a legislação advinda da Lei n° 7.713, de 1988, e também na Lei n° 9,245, de 1995, não há qualquer comando para se distribuir/ratear as bonificações de acordo com as datas das aquisições ou subscrições a que se referem, diferentemente do tratamento do revogado Decretolei n° 1.510, de 1976. Assim, para a fiscalização, no atual regime, as bonificações seriam consideradas novas ações, distribuídas mediante incorporação de lucros ou reservas, cujo custo de aquisição deve ser considerado em função da origem da reserva que resultou na distribuição destas ações ou nos lucros acumulados. Contudo, a natureza das bonificações é única, não podendo ser alterada pela lei tributária. O fato de não haver mais norma específica não significa que as bonificações devam ser tratadas como se fossem novas ações subscritas. Não prospera a alegação de que o rateio empreendido pelo recorrente se pautou em normas revogadas, eis que tal afirmativa desconsidera a decisão judicial que reconheceu, de modo definitivo, a isenção do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976. Logo, se o Judiciário reconheceu o direito à isenção do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976, a apuração do benefício deve ser implementada com base nas normas deles decorrentes (Portaria Ministerial MF nº 454, de 25/08/1977, e pelo Parecer Normativo CST nº 68, de 23/09/1977), sendo inaplicável qualquer regra posterior. Nesse particular, não há dúvida da aplicação do art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1.976, in verbis: Art 5o Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1o deste Decreto lei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. c1) Impõese, portanto, em compreender e interpretar a norma de isenção de acordo com a natureza da ação recebida, não havendo como se exigir o cumprimento da condição de permanecer com a ação cinco anos, eis que as ações recebidas em bonificação são extensão das já existentes, correspondendo ao mesmo patrimônio apenas alterado em valor (Lei n° 6404, de 1976, art. 169). Não há como se adquirir o que já se adquiriu, na medida em que aumentar ou número de ações ou o seu valor não altera a participação e o patrimônio do acionista. Por isso, o art. 4°, d, do Decreto lei n° 1.510, de 1976, empregou o termo participação (= aquisição de ações), sendo que recebimento de bonificações não se confunde com subscrição ou aquisição, posto que nenhuma participação seria acrescida à já existente. E mesmo que se entenda inaplicável o art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, a incorporação de reservas não configura alteração do patrimônio preexistente, em face do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976, a exigir o rateio das novas ações de acordo com as que lhes deram origem por serem mero produto das já existentes. Logo, o auto de infração deve ser cancelado, eis que toda sua apuração encontrase equivocada por considerar as bonificações como se novas ações fossem. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 627 13 d) Impossibilidade de aplicação de multa e juros de mora sobre o valor do depósito judicial. Segundo a fiscalização, o montante depositado judicialmente não foi integral, havendo diferença a menor de R$ 158.331,91, a autorizar a aplicação da multa de mora no percentual de 10% (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 49). Diante da jurisprudência administrativa, mesmo o depósito parcial suspende a exigibilidade do crédito e afasta a multa de ofício na exata proporção dos depósitos efetuados. Além disso a importância depositada encontrase disponível ao uso pela Fazenda Nacional (Lei n° 9.703, de 1998, art. 1°). Os valores foram depositados no prazo para pagamento do imposto e antes do auto de infração, não havendo mora e nem sendo o caso da incidência de juros. O exercício regular do direito de ação não pode ser penalizado, devendo o art. 49 do Decretolei n° 5.8454, de 1973 ser aplicado apenas à parcela não depositada. e) Pede o conhecimento do recurso e a reforma do Acórdão, a fim de acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, o cancelamento do Auto de Infração ou o afastamento da multa e juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Delimitação. Nos termos do Acórdão n° 2401004.518, de 21 de setembro de 2016 (fls. 508/514), o presente colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu a existência de concomitância parcial entre o Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS e o presente processo administrativo, anulando o Acórdão DRJ/POA n° 1037.022 (fls. 317/319). Do voto do Conselheiro Relator, Cleberson Alex Friess, extraise: Concomitância entre processos administrativo e judicial 9. Ao analisar os autos, verifico que a decisão de piso precipitouse ao reconhecer a concomitância integral entre processo administrativo e processo judicial, concluindo equivocadamente pela existência de renúncia à instância administrativa por parte da impugnante devido à interposição do Mandado de Segurança n° 2007.71.02.0014672. no qual se discutia a tributação sobre as participações societárias. 10. Com efeito, extraise de forma clara no relatório fiscal que a discussão neste processo administrativo vai além da discussão judicial, conforme se constata nos excertos abaixo colados (fls. 183/183 e 214): (...) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 628 14 Em função do ganho de capital auferido na operação, o sujeito passivo e outros acionistas impetraram Mandado de Segurança sob o n° 2007.71.0202.0014672/RS (em anexo) junto à 2' Vara da Justiça Federal cm Santa Maria visando o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital ocorrido na alienação de ações da empresa Expresso Mercúrio S.A., pleiteando o benefício para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983. (...) Conforme constatação, não foi objeto do MS a discussão sobre as bonificações em ações recebidas (em forma de novas ações distribuídas pela empresa) após 31/12/1983 estarem também ao abrigo da isenção prevista no artigo 4o do Decretolei n° 1.510/76, visto que estas constituem boa parte das ações pertencentes ao sujeito passivo, fato que alterará profundamente o resultado do ganho de capital apurado pelo sujeito passivo, conforme será demonstrado mais adiante. (...) Considerando que o sujeito passivo impetrou Mandado de Segurança junto à Justiça Federal visando o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital ocorrido na alienação de ações da empresa Expresso Mercúrio S.A., pleiteando o benefício para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983, considerando que atualmente encontrase pendente de julgamento no STJ o agravo em recurso especial, c considerando, ainda, que pode transitar em julgado a ação concedendo a segurança requerida pelo sujeito passivo, será apresentado o cálculo da apuração do ganho de capital na alienação das ações de forma separada, até 31/12/1983 e a partir de 01/01/1984, ressaltandose que apenas com o intuito de separar os ganhos de capital ocorridos nos dois períodos para facilitar o entendimento caso o sujeito passivo obtenha êxito na referida ação judicial. Com isso, ficaria demonstrada a parcela do ganho de capital auferida com a alienação da participação societária adquirida até 1983, que, porventura, seja declarada, pelo Poder Judiciário, isenta em função do possível reconhecimento do direito adquirido. (...) 11. O debate a respeito da incidência da tributação sobre o ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias adquiridas a partir do ano de 1984, segundo consta no relatório fiscal, não foi submetido ao crivo do Poder Judiciário. De igual maneira, a discussão judicial não comporta a forma de cálculo da apuração do ganho de capital, que envolve a avaliação das ações decorrentes de bonificações adquiridas pela incorporação de reservas do capital social. 12. A ausência de perfeita identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, no que se refere a causa de pedir e ao pedido, é confirmada mediante o confronto do lançamento fiscal com as cópias das peças do processo judicial colacionadas aos autos, tais como inicial e acórdãos (fls. 91/98 e 286/303). 13. De modo tal que as matérias não submetidas a apreciação do Judiciário deveriam ter sido conhecidas pela instância julgadora "a quo", visto que o processo administrativo fiscal terá seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 629 15 judicialmente, na hipótese que contenha objeto mais abrangente do que o judicial. 14. A omissão do julgador na apreciação das matérias deduzidas pelo sujeito passivo, diversas daquelas levadas ao Poder Judiciário, configura negativa de prestação jurisdicional, o que sugere a necessidade do retomo dos autos para a instância "a quo" se pronunciar quanto às questões preliminares e de mérito correspondentes. 15. Por outro lado, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveita a declaração de nulidade do ato administrativo, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato (art. 59, § 3o, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 16. Entretanto, ainda que em avaliação não exauriente, a questão de fundo não sinaliza para uma decisão integralmente favorável à recorrente. Logo, um pronunciamento no atual estágio processual dos autos implicaria afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal. 17. Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra seja proferida, apreciando, dessa vez, as matérias não submetidas ao Poder Judiciário. Portanto, como já decidido pelo presente colegiado, o debate a respeito da incidência da tributação sobre o ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias adquiridas a partir do ano de 1984 não foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, não tendo havido discussão judicial acerca da forma de cálculo da apuração do ganho de capital, que envolve a avaliação das ações decorrentes de bonificações adquiridas pela incorporação de reservas do capital social. A seguir, passo a analisar as matérias não objeto do Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS. Nulidade. Segundo o recorrente, ao adotar a média ponderada na apuração do custo de aquisição, conforme legislação vigente ao tempo do fato gerador, e não a sistemática do Parecer Normativo n° 69, de 1977, a fiscalização acabou por incluir ações alcançadas pela isenção no cálculo do custo médio, a desconsiderar o direito adquirido à isenção reconhecido no Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS. Não bastaria a simples declaração de nulidade parcial, eis que não bastaria a simples exclusão do IRPF relativo ao ganho sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. Invocando jurisprudência não vinculante, postula a integral nulidade do lançamento. No caso concreto, como bem destacou o Acórdão de piso, a forma de cálculo do custo demanda a adoção da média ponderada mesmo com o reconhecimento do benefício da isenção, eis que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, ao determinar que não incidiria o imposto nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, não afastou a existência de lucro/ganho de capital na operação, o considerando isento de tributação. Não se pode presumir que "as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente" (presunção veiculada no art. 5° do DecretoLei nº 1.510, de 1976 = regra UEPS e não a da média ponderada) em razão de a Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 630 16 alienação, no caso concreto, ter ocorrido em 2007 sob a égide da lei nova (último dia de vigência do referido art. 5° foi 31/12/1988), a ensejar a adoção para a alienação efetivada em 2007 da média ponderada (Lei n° 7.713, de 1988, art. 16, § 2°) e não da regra de que a última participação adquirida deva ser a primeira a ser tida como alienada (CTN, art. 144). Notese que o art. 5° do DecretoLei nº 1.510, de 1976, determinava a presunção de custo zero para as bonificações e a fiscalização considerou o custo zero, ainda que invocando o art. 130, § 2°, do RIR/99. No lançamento foram incluídas as ações com isenção, contudo a própria fiscalização apresentou cálculo considerando a hipótese de sucesso no Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS, tendo o Acórdão de piso cancelado parte do lançamento justamente para assegurar a observância da decisão judicial transitada em julgado. Não havendo nulidade a ser declarada, afastase a preliminar. Tratamento conferido às bonificações e forma de rateio. Para o recorrente, mesmo com a revogação do Decretolei n° 1.510, de 1976, o direito tributário (CTN, art. 110) deve observar a natureza jurídica da bonificação enquanto mera extensão das ações já possuídas (Lei n° 6.404, de 1976, art. 169) e que em nada modifica o patrimônio do acionista ou da empresa (mera troca entre contas do balanço patrimonial; mera expansão nominal das ações originárias; sem ingresso de recursos do acionista; manutenção da participação percentual; patrimônio é sempre o mesmo, ainda que valorizado pelos bons resultados; mero desdobramento do valor). Além disso, por serem meras extensões, não seria exigível a permanência por cinco anos, sendo que por isso o Decretolei teria empregado o termo participações. Acrescenta ainda que a ausência na nova legislação da norma expressa anteriormente veiculada no art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, não afastaria a incidência da Portaria MF nº 454, de 1977, e do Parecer Normativo CST nº 68, de 1977, possibilitando a distribuição/rateio das bonificações a considerar as datas das aquisições ou subscrições, ainda mais quando reconhecido judicialmente o direito adquirido do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976. Logo, a autuação deveria ser cancelada, pois todo o lançamento estaria equivocado ao considerar bonificações como se ações novas fossem. Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindose no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Como bem destacou o Acórdão de piso, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN ao dispensar os procuradores de recorrer quando dispensou os procuradores de recorrer das decisões judiciais favoráveis aos contribuintes referente ao ganho de capital na alienação de participações societárias possuídas pelo contribuinte a cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei nº 7.713/88, com base nos art. 2º, incisos V, VII e §§ 3º e 8º da Portaria PGFN nº 502/2016, explicitou: u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 631 17 Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em rigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no DecretoLei n° 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratandose, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação á qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.0025230, Segunda Turma, Relator Otavio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4a Região. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Adoto, como razão de decidir, o entendimento acima transcrito. Acrescente se ainda que toda a argumentação do recorrente centrase na consideração de que, como o lucro ou a reserva encontramse dentro do patrimônio líquido da sociedade, eles já integrariam o patrimônio do sócio/acionista. Logo, argumenta que a bonificação não alteraria o patrimônio do sócio/acionista, havendo mera reclassificação contábil, ou seja, mera expansão nominal das ações originárias com desdobramento do valor, sem ingresso de recursos do acionista e com manutenção da participação percentual, sendo o patrimônio sempre o mesmo, ainda que valorizado pelos bons resultados. Os lucros ou a reserva de lucros, contudo, não integram o patrimônio jurídico do sócio/acionista, estando na esfera patrimonial da pessoa jurídica enquanto não houver deliberação social pela distribuição de lucros/reservas ou pelo aumento de capital. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 632 18 Da mesma forma, os prejuízos ou prejuízos acumulados enquanto tal dizem respeito à esfera patrimonial da sociedade, não podendo o sócio/acionista sem a devida deliberação social considerar que ações/quotas integrantes do seu patrimônio tenham seu valor nominal reduzido ou mesmo que parte das ações/quotas estejam canceladas pelo simples fato de a sociedade ter incorrido em perdas irreparáveis. Destarte, a incorporação ao capital social dos lucros e/ou reservas de lucros, com ou sem emissão de novas quotas/ações, implica para o sócio/acionista em acréscimo patrimonial aplicado na aquisição das novas quotas/ações ou no aumento do valor nominal de quotas/ações já possuídas ou em aumento do valor investido em companhia com ações sem valor nominal e sem aumento do número de ações, a abranger as três hipóteses do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976. Há efetiva transferência do patrimônio da empresa para o patrimônio pessoal do quotista/acionista quando ações/quotas são subscritas por incorporação de reservas de lucros ou lucros ao capital social, uma vez que a subscrição poderia ser realizada pelo próprio quotista/acionista e, entretanto, é empreendida com recursos gerados pela própria empresa, a resultar no aumento do patrimônio pessoal do sócio acionista com riqueza nova advinda da sociedade. O fato de a participação societária permanecer percentualmente inalterada é irrelevante para a caracterização do acréscimo patrimonial, eis que há riqueza nova incorporada ao patrimônio pessoal do sócio/acionista advinda dos resultados da sociedade alcançados em períodos anteriores, a representar a bonificação ao mesmo tempo uma renda do capital e um novo investimento, não se sustentando a alegação de ofensa ao art. 110 do CTN. As quotas/ações originais, antes da realização da bonificação (que pode ser inclusive em dinheiro) são tão somente base de cálculo do número de ações bonificadas a que fará jus o quotista/acionista beneficiário. Destarte, ainda que as bonificações decorram das quotas/ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte ou que seriam meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Sendo as bonificações quotas/ações novas, ou seja, um efetivo acréscimo patrimonial, não há que se falar em distribuição/rateio das bonificações de acordo com as datas das aquisições ou subscrições, ainda mais ante a impossibilidade de se observar o prazo de 5 anos. Além disso, com o advento do art. 16, §§ 3° e 4° da Lei n° 7.713, de 1988, cessa na esfera tributária a interpretação (Portaria MF nº 454, de 1977, e do Parecer Normativo CST nº 68, de 1977) de as bonificações terem caráter acessório, adotada sob a égide do art. 5° do DecretoLei n° 1.510, de 1976 (CTN, art. 109). A rigor, o art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, tratava da apuração do custo de aquisição e não da configuração da isenção. Esse, contudo, não tem sido o entendimento do STJ (REsp 1.443.516/RS e AgInt nos EDcl no REsp 1.449.496/RS). Logo, ainda que se considere que o disposto no art. 5º do DecretoLei 1.510, de 1976, só pode ser adotado como fundamento para isentar do Imposto de Renda o ganho de capital relativo às bonificações representativas do aumento de capital social por incorporação de lucros e reservas enquanto tal ato normativo encontravase vigente; o recorrente, no caso concreto, não comprovou haver ofensa ao direito adquirido pela tributação de ganho de capital por bonificação resultante de lucros ou reservas de lucros ocorrida até 31/12/1988, último dia de Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 633 19 vigência do DecretoLei 1.510, de 1976. Isso porque, tanto a planilha do recorrente como a da fiscalização discriminam reservas diversas e não reservas de lucros. Na tabela da fiscalização (fls. 212 e 219/220), a primeira bonificação a partir de lucros ou reserva de lucros se dá em 05/05/1990 e na tabela do recorrente (fls. 18/374) em 05/04/1997. Logo, o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o fato impeditivo (isenção) do lançamento (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, II; e Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II). Pelos motivos expostos, não prosperam todas as alegações do recorrente acerca do tratamento conferido às bonificações e acerca da forma de rateio das ações bonificadas. Multa e juros. O depósito judicial não foi no montante integral, logo cabível o lançamento com incidência da multa de 10% e dos juros de mora. Não se trata de penalizar o exercício do direito de ação, mas de se aplicar a legislação de regência para a qual é irrelevante que o depositado esteve à disposição da Fazenda Nacional. A jurisprudência administrativa ampara o presente entendimento, conforme revela a seguinte decisão: Acórdão nº 3301004.485, de 22/03/2018 (...) MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se dá com o depósito do seu montante parcial. Se a tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide multa de ofício. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redação do voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (...)Voto Vencedor Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho: Com a devido vênia, divirjo do excelente voto da Relatora nos pontos e pelas razões expostas a seguir. O art. 151, II, do CTN determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em havendo "o depósito do seu montante integral", o que não ocorreu. Se tal exigibilidade Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 634 20 não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide a multa de ofício prevista no art. 44,1, da Lei n° 9.430/1996. O art. 161 do mesmo CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". Também o art. 61, caput e § 3o, da Lei n° 9.430/1996 determina a incidência dos juros de mora quando houver débitos de tributos ou contribuições administrados pela RFB não pagos no prazo da legislação. A Súmula CARF n° 5 determina a incidência dos juros moratórios "sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral", sendo que, no caso, este foi parcial. Assim, não tendo sido integrais os depósitos, subsistem integralmente o multa de ofício e os juros de mora aplicados. Portanto, nesses pontos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Isso posto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar da sua conclusão sobre a incidência de multa sobre os valores depositados em juízo, assim como dos fundamentos para a manutenção dos juros de mora. Em síntese, por intermédio da ação de segurança sob o n° 2007.71.0202.0014672/RS, a contribuinte postulou a isenção do art. 4o do Decretolei n° 1.510, de 1976, para o fim de reconhecer como isento o ganho de capital auferido pela alienação da participação societária havida, por qualquer forma, até 31/12/1983, realizando depósitos em juízo dentro do prazo previsto para o pagamento do imposto de renda e antes do auto de infração. Com base na legislação de regência, em especial a Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de impostos e contribuições federais, o depósito efetivado até a data de vencimento do tributo satisfaz integralmente o crédito tributário até o valor por ele coberto, quando é repassado à Conta Única do Tesouro Nacional, ficando disponível para o credor enquanto perdurar a ação judicial, pelo que não é razoável configurar a mora. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 635 21 A multa é uma penalidade, uma sanção pelo atraso no cumprimento da obrigação tributária. O depósito do tributo em juízo é um direito subjetivo do contribuinte, cuja aplicação de penalidade pelo exercício de uma prerrogativa não se justifica, sob pena de obstaculizálo. Além disso, a partir do depósito do montante não há que se falar em mora à época do lançamento de ofício, visto que o sujeito passivo realizou o adimplemento da obrigação tributária no prazo legal. Com efeito, ocorreu o cumprimento da obrigação tributária, de uma forma alternativa, é verdade, porém autorizada pela legislador, ainda que se considere que o depósito não configura um pagamento definitivo, na medida em que a relação jurídicotributária aguarda uma definição do órgão judicial ou administrativo, não resultando, por tal razão, na imediata extinção do crédito tributário (art. 156, VI, do Código Tributário Nacional). É dever assinalar que o depósito parcial do imposto de renda, até a data de vencimento do tributo, como ora se cuida, também asseguraria sobre o valor depositado a não incidência dos juros de mora. Contudo, por ocasião da sustentação oral, o patrono do recorrente esclareceu que o valor do depósito havia sido integralmente devolvido, após o encerramento da lide, considerando que o tratamento tributário às bonificações de ações adquiridas a partir do ano de 1984 e a forma de rateio para fins de apuração do ganho de capital não foram matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário. Assim sendo, pressupõese a devolução do depósito acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, o que torna inviável a dispensa dos juros de mora sobre o crédito tributário não pago (art. 1º, § 3º, inciso I, c/c art. 2ºA, § 2º, da Lei nº 9.703, de 1998). Ressalto, por fim, que a decisão de piso cancelou parte do lançamento justamente para assegurar a observância da decisão judicial transitada em julgado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a imposição da multa de 10% sobre a parcela do imposto de renda depositada em juízo. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 635DF CARF MF
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