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Numero do processo: 10283.720400/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR.
São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos às remessas de recursos para o exterior.
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DO EXERCÍCIO ANTERIOR
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores declarados na declaração de bens e/ou comprovados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2401-006.722
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos às remessas de recursos para o exterior. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DO EXERCÍCIO ANTERIOR Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores declarados na declaração de bens e/ou comprovados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 00 /2 00 7- 44 Fl. 326DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720400/2007-44 O presente lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos em decorrência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto-APD no ano-calendário de 2002, conforme demonstrativo de cálculo às e-fls.205.. Impugnada a exigência fiscal pelo contribuinte que alegou, em apertada síntese: a) violação dos princípios da legalidade e da segurança jurídica, tendo em vista a ocorrência da decadência quanto aos fatos geradores dos meses de fevereiro, setembro, outubro e novembro de 2002, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 03/09/2007; b) que o lançamento foi efetuado com base em remessa ao exterior, mas que a autoridade fiscal não detinha provas robustas que essa remessa foi feita pelo contribuinte, já que não consta sua assinatura nas respectivas ordens de pagamento; c) que as provas não estão em vernáculo, em prejuízo a seu direito de ampla defesa, acarretando a nulidade do lançamento; d) que a fiscalização cometeu erro no cálculo do APD uma vez que não contabilizou os lucros e dividendos recebidos pelo contribuinte nos meses apurados. Por sua vez, o órgão julgador a quo manteve a exigência nos termos a seguir resumidos: a) não houve decadência posto o fato gerador complexivo do imposto de renda que, no caso, ocorre em 31/12/2002, portanto a decadência somente ocorreria após 31/12/2007. Tendo a ciência ocorrido em 03/09/2007, não há que se falar em decadência; b) que a apuração do imposto de renda se dá em bases mensais conforme a lei 7713/88 determina, sem prejuízo do ajuste anual conforme a lei 8134/90; c) que o contribuinte não conseguiu comprovar a antecipação dos lucros e dividendos, constando apenas o registro na contabilidade dessa antecipação em 31/12/2002, razão pela qual não alcança o APD apurado nos meses de fevereiro, setembro, outubro e novembro de 2002; d) que as hipóteses de nulidade do lançamento estão previstas no art. 10 do Decreto 70.235/72, o que não foi o caso do presente lançamento uma vez que consta a descrição detalhada do fato gerador bem como o seu devido enquadramento legal, não havendo prejuízo ao direito de defesa do contribuinte tanto que este demonstra de forma inequívoca o pleno conhecimento do processo fiscal; e) que as provas relativas às remessas ao exterior são numerosas, compreendendo Representação Fiscal n° 297/05 (fls. 58/71); Laudo de Exame Econômico-Financeiro n° 1243/04 e 1244/04 - (fls. 51/57 e 72/107), mídia eletrônica examinada pela Polícia Federal, de onde foram obtidos os dados de transferência bancária (fls. 52/71); f) que o próprio contribuinte, em seus esclarecimentos, alega que as citadas transações tiveram como finalidade pagamento de dividas a fornecedores no exterior, despesas com i-móvel no exterior e a origem dos recursos seria de lucros remanescentes de sua fuma individual, A. DE JESUS LOURENÇO, CNPJ n° 84.126.069/0001-56, de onde se conclui que ao contrário do que alega em sua impugnação, o sujeito passivo assumiu a autoria da movimentação financeira de remessas/origem do exterior, mediante declaração escrita, às fls. 112/116. Fl. 327DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720400/2007-44 Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 301 a 317), tentando comprovar, nos termos a seguir resumidos, a origem de recursos não considerados pela fiscalização: a) alega erro no lançamento pela desconsideração dos rendimentos recebidos pelo cônjuge; b) alega que a autoridade fiscal não considerou os lucros e dividendos nos meses em que foram recebidos, no caso, março, junho e novembro e não dezembro de 2002 como foi considerado; c) alega nulidade em razão da decadência, já que os fatos geradores são mensais e a ciência somente se deu 03/09/2007, portanto já transcorrido o prazo de 5 anos previsto no art. 150, § 4º do CTN; d) discorre sobre a supremacia constitucional e a importância dos princípios da segurança jurídica e da legalidade, para fundamentar o reconhecimento da decadência; e) cita jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes com intuito de demonstrar a proibição de lançamentos com base em depósitos bancários; f) alega erro no levantamento da evolução patrimonial em exercícios anteriores que terminam por afetar resultado do exercício objeto do presente lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente apresenta seu Recurso Voluntário (e-fls.301 a 317) em 26/03/2010, não constando, no entanto, a data em que foi cientificado da r. decisão em debate. No entanto, considerando que a expedição da intimação ocorreu em 23/02/2010, conforme despacho às e-fls. 325, considero, portanto, TEMPESTIVO, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Da decadência Quanto à alegação da nulidade em razão da decadência, já que os fatos geradores são mensais e a ciência somente se deu 03/09/2007, portanto já transcorrido o prazo de 5 anos previsto no art. 150, § 4º do CTN, o recorrente repisa os argumentos da impugnação que já foram rebatidos na decisão de piso, cujos termos adiro integralmente. Há que se recordar que a Lei n° 7.713, de 23 de dezembro de 1988, instituiu a apuração mensal do imposto e, com a edição da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, essa apuração mensal passou a ser feita por antecipação, com o fato gerador do imposto sendo complexivo, isto é, o montante real devido somente viria a ser conhecido na declaração de ajuste, após as deduções a que o contribuinte fizesse jus. Fl. 328DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720400/2007-44 Sobre fato gerador do imposto, cumpre transcrever lição de Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, 3' edição, Editora Saraiva (págs. 251 e 252): i t “O fato gerador do tributo designa-se periódico quando sua realização se põe ao longo de um espaço de tempo. Não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim ao longo de um período de tempo do qual se valorizam 'n' fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. E tipicamente o caso do imposto sobre a renda periodicamente apurada, à vista dos fatos (ingressos financeiros, despesas, etc.) que, no seu conjunto, realizam o fato gerador. Em imagem de que já nos socorremos noutra ocasião, o fato gerador periódico é um acontecimento que se desenrola ao longo de um lapso de tempo, tal qual uma peça de teatro, em relação à qual não se pode afirmar que ocorra no fim do último ato; ela se completa nesse instante, mas ocorre ao longo do tempo, sendo inegável o relevo das várias situações desenvolvidas durante o espetáculo para a contextura da peça (.)" Sendo complexivo o fato gerador do imposto de renda, o mesmo ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Do mérito Com relação aos argumentos de mérito do recorrente, tem-se que: a) quanto à alegação de erro no lançamento pela desconsideração dos rendimentos recebidos pelo cônjuge, não assiste razão ao recorrente. Verificando-se o demonstrativo de apuração do APD às e-fls.205, tem-se claro nas linhas A-03 e A-04 o valor correspondente aos rendimentos do cônjuge, conforme, inclusive menciona a autoridade fiscal às notas das e-fls.206; b) quanto à alegação de que a autoridade fiscal não considerou os lucros e dividendos no valor de R$ 161.860,24, nos meses em que foram recebidos, no caso, março, junho e novembro e não dezembro de 2002 como foi considerado, a documentação anexada pelo contribuinte não comprova o alegado, se limitando a apresentar uma cópia de folha do razão analítico onde consta o valor mencionado como saldo na conta de antecipação de lucros, tendo sido encerrada a conta a crédito desse valor em 31/12/2002; A tributação do APD está especificada no Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), arts. 55, XIII, 806 e 807 que remete à legislação específica indicada nas respectivas normas, in verbis: “Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 7.713/88, art. 3°); [...] XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. [...] Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86. Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. (Lei n° 4.069/1962, art. 51, § 1°). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar Fl. 329DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.722 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.720400/2007-44 que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Lei n° 4.069/1962, art. 52)” Na hipótese, a autoridade fiscal demonstrou que houve um crescimento patrimonial do contribuinte em descompasso com as rendas/proventos obtidos no mesmo período, o que enseja a presunção de omissão de rendimentos. Constatou-se que o contribuinte era ordenante da remessa de divisas ao exterior utilizando-se de contas mantidas no JP Morgan Chase Bank pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Tais valores eram mantidos à revelia do Sistema Financeiro Nacional. A autoridade fiscal realizou um Demonstrativo de Evolução Patrimonial, apurado pelo método do fluxo de caixa, de acordo com planilhas mensais, a fim de demonstrar a existência de saldo a descoberto no ano-calendário 2002. c) quanto à alegação de erro no levantamento da evolução patrimonial em exercícios anteriores que terminam por afetar resultado do exercício objeto do presente lançamento, a existência de sobras de anos anteriores não se prestam a comprovar acréscimo patrimonial no período seguinte, salvo se essa disponibilidade tiver sido declarada. De outra forma será considerada como renda consumida. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000036/2006-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula CARF nº 26)
Numero da decisão: 2401-006.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção em lei de omissão de rendimentos tributáveis autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado pela autoridade fiscal, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a procedência e natureza dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 36 /2 00 6- 30 Fl. 257DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.837 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000036/2006-30 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), por meio do Acórdão nº 01-12.636, de 02/12/2008, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo a exigência do crédito tributário (fls. 232/237): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente Extrai-se do Termo de Constatação Fiscal que foi lavrado auto de infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício, relativamente aos anos-calendário de 2003 e 2004, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme planilha integrante do lançamento fiscal (fls. 10/20 e 26/36). O contribuinte foi cientificado da autuação em 29/12/2006 e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 216 e 223/226). Intimado por via postal em 21/01/2009 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 18/02/2009, no qual repisa os argumentos de fato e de direito da sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 238/241 e 243/252): (i) movimentação financeira não é renda, sendo distintos os fatos geradores do imposto de renda e da contribuição sobre movimentação financeira; (ii) por si só, os depósitos bancários não representam disponibilidade econômica de rendimentos, pois necessária a identificação de sinais exteriores de riqueza, além da comprovação de nexo causal entre os depósitos e dispêndios efetuados pelo contribuinte; e (iii) o auto de infração é insubsistente, devendo ser cancelado o débito fiscal. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.837 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000036/2006-30 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Com base no cotejo entre impugnação e recurso voluntário verifica-se que o recorrente deixou de apresentar novas razões de defesa perante a segunda instância, consistindo o recurso voluntário mera repetição das alegações já devidamente esmiuçadas pelo acórdão recorrido. Pois bem. Em primeiro lugar, não há que se falar em lançamento tributário efetuado por terceiros. As informações decorrentes de dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) são hábeis e idôneas para subsidiar o auto de infração relativo ao imposto de renda da pessoa física. Os valores de retenção e recolhimento da CPMF pelas instituições bancárias foram utilizados apenas para fins de instauração do procedimento fiscal no contribuinte, não estando a base de cálculo do lançamento respaldada na estimativa da movimentação bancária calculada a partir da contribuição social recolhida no período. Com efeito, o crédito tributário está fundamentado nos próprios extratos bancários referentes às contas de titularidade da pessoa física, os quais foram disponibilizados pelo contribuinte após intimado pela autoridade fiscal. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, autorizou o uso de informações da CPMF para a instauração de procedimento administrativo e subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos: Art. 11 (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (...) Fl. 259DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.837 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000036/2006-30 Além do mais o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou sobre o tema a súmula nº 35, assim vazada: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Por sua vez, afirma o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza e/ou acréscimo patrimonial para o titular da conta bancária. Entretanto, cuida-se de alegações de defesa que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) O contribuinte foi autuado com base na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos nela creditados. Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirem-se rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. Fl. 260DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.837 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000036/2006-30 A Lei nº 9.430, de 1996, revogou o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico exigia-se a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário ficou dispensado de demonstrar, a partir dos fatos geradores do ano de 1997, a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte. Para o lançamento tributário com base nesse dispositivo de lei nem mesmo há necessidade de descortinar a origem do crédito bancário na obtenção de riqueza nova pelo titular da conta ou mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Confira-se, nessa linha de entendimento, o enunciado sumulado nº 26 deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No caso em apreço, o recorrente fez a opção por um discurso retórico no sentido de que os valores a crédito em sua contas no Banco Bradesco S/A e Banco Banespa S/A podem ter origem em transferências de outras contas e/ou aplicações da própria pessoa física e operações de descontos e/ou empréstimos, o que não constitui riqueza nova, sem, contudo, apresentar sinais de veracidade de suas alegações, mediante substrato em documentação hábil e idônea. Conforme bem asseverou a decisão de piso, previamente à lavratura do auto de infração a autoridade fiscal efetuou as devidas conciliações bancárias, com exclusão de aplicações financeiras e empréstimos, estornos de cheques devolvidos, entre outros, sempre que o agente fazendário identificou a que título os créditos foram realizados nas contas bancárias do contribuinte. Fl. 261DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.837 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18088.000036/2006-30 Uma vez intimado a comprovar a origem dos depósitos/créditos remanescentes, o fiscalizado deixou de apontar de forma individualizada os equívocos do procedimento fiscal, através de correlação em datas e valores, afirmando que não dispunha de documentação suficiente para comprovar a origem e as importâncias creditadas e/ou depositadas nas suas contas bancárias (fls. 200/201). Em suma, a pessoa física autuada deixou de trazer elementos de prova da procedência e da natureza dos valores que transitaram por suas contas bancárias, discriminados pelo agente fiscal como de origem não comprovada, de maneira tal a identificá-los como decorrentes de renda já oferecida à tributação do imposto de renda, na forma da lei, ou como rendimentos isentos de tributação e/ou não tributáveis. Não merece reforma, portanto, a decisão de piso que manteve intacto o lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934492/2008-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO DEVIDAMENTE CONTESTADO VIA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO QUE DEVE SER CONHECIDO E APRECIADO PELA DRJ
Tendo a recorrente contestado o despacho decisório em manifestação de inconformidade, inclusive pedindo a sua reforma e homologação das compensações, deve a Delegacia de Julgamento analisar o mérito do recurso, sob pena de cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1002-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte.
Ailton Neves da Silva- Presidente.
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO DEVIDAMENTE CONTESTADO VIA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO QUE DEVE SER CONHECIDO E APRECIADO PELA DRJ Tendo a recorrente contestado o despacho decisório em manifestação de inconformidade, inclusive pedindo a sua reforma e homologação das compensações, deve a Delegacia de Julgamento analisar o mérito do recurso, sob pena de cerceamento do direito de defesa.
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ATO ADMINISTRATIVO DEVIDAMENTE CONTESTADO VIA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO QUE DEVE SER CONHECIDO E APRECIADO PELA DRJ Tendo a recorrente contestado o despacho decisório em manifestação de inconformidade, inclusive pedindo a sua reforma e homologação das compensações, deve a Delegacia de Julgamento analisar o mérito do recurso, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte. Ailton Neves da Silva- Presidente. Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 61/65), protocolado por Dudalina S.A., que se insurge contra acórdão nº 1049.077 (e-fls. 48) da 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre RS, o qual não conheceu da manifestação de inconformidade (e-fls. 12/45) pois a recorrente não teria discordado dos fundamentos do despacho decisório, visto ter retificado a DCTF após a ciência da decisão (despacho decisório) de não homologação das compensações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 44 92 /2 00 8- 90 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.824 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.934492/2008-90 Deste modo, decidiu a DRJ que se houve alteração da situação de fato (débito declarado DCTF), a recorrente acabou por concordar com os fundamentos da decisão, inexistindo litígio a ser apreciado: "A contribuinte não ataca os fundamentos do Despacho Decisório que não lhe reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação por ela efetuada. No intento de ser reconhecido seu direito creditório, alterou a questão de fato conhecida pelo despacho decisório, consistente nos dados declarados na DCTF na qual confessou os débitos objeto da apreciação pelo Órgão a quo. Assim procedendo, expressou tacitamente concordância com o Despacho Decisório, expedido em face da situação fática e jurídica existente antes da entrega da DCTF retificadora." Em seu Recurso Voluntário, alega a recorrente que o acórdão combatido parte de premissa equivocada, pois não expressou concordância com o teor do despacho decisório ao retificar a DCTF. Justifica que retificou a DCTF visto que considerou que as informações estavam incorretas nesta declaração original: "O despacho decisório desconhece a manifestação de inconformidade apresentada sob o argumento de que a ora Recorrente “expressou tacitamente concordância com o Despacho Decisório, expedido em face da situação fática e jurídica existentes antes da entrega da DCTF retificadora.” 7. Ocorre que a decisão parte de uma premissa equivocada, visto que a Recorrente não concordou com o despacho prolatado e sim, apenas retificou a DCTF que constava informações incorretas." Quanto ao crédito, afirma que houve apuração a maior de IRRF do mês de fevereiro de 2004: "Analisando a DCTF do período, especificamente as fichas referentes ao mês de fevereiro de 2004, a Recorrente constatou que efetivamente houve a apuração a maior do IRRF incidente sobre o calculado. No caso, a DCTF aponta uma primeira apuração na primeira semana de fevereiro de 2004, no qual se tem um débito de R$ 29.984,10, e em uma segunda ocasião, na terceira semana do mês, no valor de R$ 34.118,32. 12. O equívoco é evidente, pois o IRRF (cód. 0561) é apurado uma única vez, incidindo sobre todos os rendimentos decorrentes dos trabalhos assalariados pagos ou créditos no mês imediatamente anterior, e o seu recolhimento é efetuado em cota única, vedado inclusive o seu parcelamento, por se tratar de valor retido na fonte. E no caso, comprovada a dupla apuração do mesmo imposto e o seu recolhimento através de DARF, é evidente a existência do crédito, donde o erro cometido no despacho decisório impugnado." Prossegue em sua peça recursal discorrendo sobre a possibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório de não homologação da compensação: "17. Importante ressaltar que a retificação da DCTF foi feita dentro do prazo para tal, tendo em vista que a legislação não limita a possibilidade de o sujeito passivo retificar a DCTF em função da expedição de despacho decisório. Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.824 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.934492/2008-90 18. E ainda: “Se os dados da DCTF retificada estavam ou não incorretos, com erro material, tal questão cabe à análise do mérito. Contudo, o não conhecimento da manifestação de inconformidade impede a possibilidade de a contribuinte demonstrar a higidez do seu crédito e obter a homologação almejada (principal propósito da manifestação de inconformidade)”. Conclui sua petição pugnando pelo conhecimento do Recurso Voluntário para que os autos retornem à DRJ para apreciação da manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Rafael Zedral Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Entendo assistir razão à recorrente. Verifico que a petição juntada às e-fls. 12/14 é um recurso administrativo, que a legislação nomeou como "manifestação de inconformidade". A recorrente não apenas assim intitula sua peça, como também manifesta expressamente a sua inconformidade com o teor do despacho decisório de e-fls. 02. Nos parágrafos 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade, a recorrente relata ter cometido equívoco na informação do débito de IRRF em DCTF, e tal equívoco teria provocado o indeferimento do crédito pleiteado: "5. Dai a origem do equivoco: ainda que indevido, porque inexistente débito relativo a uma segunda apuração, a divida foi informada em DCTF. Diante de um débito lançado na declaração, o pagamento indevido acabou apropriado, gerando a conclusão de que o crédito era inexistente. 6. A fim de retificar a informação, a Contribuinte já providenciou a retificação da respectiva DCTF, conforme comprova o respectivo recibo em anexo no. 17.37.06.11.28-91." No parágrafo 7, afirma a recorrente: 7. De qualquer forma, resta evidente a existência do crédito informado na DCOMP, e, face o preenchimento dos seus demais requisitos legais, ela deve ser homologada. Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.824 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.934492/2008-90 Ao final, pede para que seu recurso seja conhecido e a compensação seja homologada: 8. ANTE O EXPOSTO, requer seja conhecida e integralmente provida a presente manifestação de inconformidade e, por conseguinte, seja homologada a DCOMP 09463.96327.090704.1.3.04-4533, apresentada pela Contribuinte. Portanto, resta claro que na sua manifestação de inconformidade a recorrente insurgiu-se contra o despacho decisório, afirmando que este despacho foi fundado numa premissa que entende equivocada (valor do débito em DCTF) e por este motivo, retificou a DCTF. Importante observar o trecho abaixo transcrito do voto do julgador Nei Simões Pires Gallois (e-fls. 51/53), ao qual declaro aqui minha concordância: O despacho decisório recorrido baseou-se nos fatos como eles estavam apresentados na DCTF. Em princípio, não lhe caberiam críticas; mas a revisão se faz necessária se foi suportado em elementos materiais incorretos, como faz supor a contribuinte. Se os dados da DCTF retificada estavam ou não incorretos, com erro material, tal questão cabe à análise do mérito. Contudo, o não conhecimento da manifestação de inconformidade impede a possibilidade de a contribuinte demonstrar a higidez do seu crédito e obter a homologação almejada (principal propósito da manifestação de inconformidade). Diferentemente do entendimento majoritário do acórdão, entendo que a contribuinte ataca o despacho decisório e procura demonstrar que a motivação do ato administrativo teve fundamento em informações supostamente incorretas. A retificação da DCTF nem sempre implica alteração na materialidade dos fatos; no caso, serviria para demonstrar que os fatos originais estariam mal retratados na DCTF retificada. Não é cabível neste momento processual a análise quanto ao mérito da manifestação de inconformidade, se há ou não indébito, se é válida ou não a retificação da DCTF, mas apenas a constatação de que a recorrente manifestou-se contrariamente ao despacho decisório, apresentou seus argumentos e documentos. DISPOSITIVO. Diante do exposto, conheço do recurso Voluntário para dar-lhe provimento, no sentido de declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte. É como voto. Rafael Zedral – Relator Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.824 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.934492/2008-90 Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.724403/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A prática reiterada de não declarar ao fisco valores de receitas efetivamente auferidas constitui procedimento doloso tendente à fraude e à sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada.
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido.
Numero da decisão: 1301-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática reiterada de não declarar ao fisco valores de receitas efetivamente auferidas constitui procedimento doloso tendente à fraude e à sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 44 03 /2 01 4- 49 Fl. 534DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório ABENÇOADA TRANSPORTES RODOVIÁRIOS EIRELI-ME, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) - DRJ/REC (fls. 471 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Do Lançamento Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL, no regime do lucro arbitrado, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 2.235.418,69, relativos ao ano-calendário de 2010 e 2011, com multa de ofício qualificada de 150%, acrescidos de juros de mora, em razão de apuração incorreta de IRPJ e CSLL, e insuficiência de recolhimento. Segundo o Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, (fls. 319/324), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: O contribuinte regularmente intimado através do Termo de Início de Fiscalização e outras intimações não apresentou a escrituração nem tampouco os documentos que justificassem as operações da empresa, nem o livro Caixa. Tal prática é incompatível com a apuração do imposto de renda pelo lucro presumido requerido pela impugnante, sendo o único critério apropriado o arbitramento, nos termos do inciso III do art. 530 do RIR/99 Em decorrência da absoluta falta de apresentação, após intimação, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa nas condições já referidas, a autoridade fiscal cumpriu seu dever de ofício de constituir o crédito tributário mediante o arbitramento do lucro, com base na legislação tributária anteriormente transcrita. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls.378 e ss, que aduziu os seguintes argumentos: NULIDADE DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - não foi concedida vista dos documentos apresentados pelas Secretarias da Fazenda dos estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo caracterizando cerceamento do direito de defesa e violando o art. 5º da Constituição Federal, incisos LIV e LV e art. 59 c/c art. 12, inciso II do Decreto nº 7.574/2011e art. 59 d, inciso II do Decreto nº 70.235/1972; Fl. 535DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 - não foi identificada na capitulação a legalidade e motivos da majoração da multa de ofício; - pelas razões, requer a anulação do Auto de Infração. DA FALTA DE CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO - não há na intimação dos Autos de Infração a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; - não há fundamentos para aplicação de multa de 150% uma vez que houve tão somente falta de recolhimento de tributos o que requer multa de 75%, art. 44, inciso I; - requer nulidade do Auto de Infração. NO MÉRITO INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO - não cabe sequer multa de 75% porque a contribuinte forneceu subsídios à fiscalização e declarou suas receitas para os fiscos estaduais, transcreve súmulas do CARF nº 14 e nº 25, fls. 388/389, sobre qualificação de multas; - a multa aplicada, pelo seu montante, afeta a segurança jurídica da relação tributária e afronta os princípios da Administração Pública, art. 2º da Lei 9.784/1999; - requer a improcedência da multa de ofício. INAPLICABILIDADE DO LUCRO ARBITRADO - não cabe a tributação com base no lucro arbitrado porque não houve opção pelo lucro real e o faturamento da empresa está dentro do limite do lucro presumido que é mais favorável ao contribuinte; - não há nos autos a indicação de qual das condutas descritas no art. 530 e incisos do RIR/1999, incorreu a autuada; - pede, com base no art. 112 do CTN, aplicação da interpretação mais favorável, no caso de aplicação de penalidades. INVIABILIDADE DO ARROLAMENTO DE BENS - nos termos do art. 2º, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 1.171/2011, o arrolamento dos bens só deve acontecer quando a obrigação tributária do sujeito passivo for acima de R$ 2.000.000,00 e, no caso, a soma aritimética do IRPJ e CSLL corresponde a R$ 803.850,77, o que torna ilegal o arrolamento. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - o caso não comporta qualquer das hipóteses do art. 1º, incisos I e II e art. 2º, inciso I da Lei nº 8.137/1991; - transcreve a Súmula Vinculante do STF nº 24, fl. 395, não se tipifica crime contra a ordem tributária antes da definitividade do lançamento tributário; Fl. 536DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 - portanto, a suspensão do processo deve acontecer de imediato sob pena de descumprimento da Súmula do STF. DO PEDIDO - requer nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa e ausência de imputação de dispositivo legal; - improcedência da qualificação da multa e da aplicação da multa do ofício; - não aplicação da majoração de 20% exclusiva do lucro arbitrado e possibilidade de tributação pelo lucro presumido; - revogação do arrolamento de bens; - suspensão do processo de Representação Fiscal para Fins Penais; - requer todos os meios admitidos em direito para provar os fatos em especial juntada de novos documentos, diligências e perícias técnicas.( não formulado) Em julgamento realizado em 30 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/REC, considerou improcedente a Impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 11-49.735 assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática reiterada de não declarar ao fisco valores de receitas efetivamente auferidas constitui procedimento doloso tendente à fraude e à sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de optante pelo regime de lucro presumido. Fl. 537DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010, 2011 ARROLAMENTO DE BENS. ATRIBUIÇÕES DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO. REGIMENTO INTERNO. A apreciação de questionamento acerca de arrolamento de bens é alheia às atribuições das Delegacias de Julgamento da RFB fixadas em Regimento Interno. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 491 e ss, onde reforça os argumentos apresentados em sede de Impugnação e pede a improcedência do lançamento: - Preliminares de Nulidade - Cerceamento de defesa; - Falta de Capitulação Legal do fato; - Mérito: - Inaplicabilidade da Multa de Ofício no Caso em questão; - Inaplicabilidade do Lucro Arbitrado; - Invalidade do Arrolamento de Bens; - Representação Fiscal para Fins Penais; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 20/03/2019. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Fl. 538DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 A contribuinte foi autuada, para o recolhimento de IRPJ e CSLL, no regime do lucro arbitrado, em razão de apuração incorreta dos tributo e insuficiência de recolhimento, relativo ao período de 2010 e 2011, totalizando o crédito tributário de R$2.235.418,69, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. A DRJ considerou parcialmente improcedente a impugnação apresentada e manteve integralmente o crédito tributário. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/REC, e intimada ao recolhimento dos débitos em 10/04/2015, conforme AR, à fl. 489, e apresentou recurso voluntário no dia 07/05/2015. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Preliminar de Nulidade - Cerceamento de Defesa/Falta de capitulação legal Alega a recorrente que durante o período da fiscalização a autoridade solicitou documentos unilateralmente, contudo não concebeu vista para a recorrente obtivesse ciência dos documentos apresentados pela Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, bem como informações prestadas pela Junta Comercial do Estado de Goiás. Tal alegação não merece prosperar, conforme se observa do Termo de Constatação nº 06, de fls. 198, ela foi devidamente intimada a esclarecer as divergências que decorreram dos Ofícios enviados às Secretarias da Fazendo dos diversos estados. Inclusive, apresentou resposta às fls. 210 e ss, onde apenas questiona a aplicação da alíquota de 9,6%, afirmando ser o lucro presumido o mais favorável. Ademais, com relação ao princípio do contraditório, após o lançamento, teve ela oportunidade de apresentar defesa, analisar todos os documentos, nos 30 dias que lhe são dados, nos termos do Decreto 70.235/72. Inclusive analisar esses documentos enviados pelas Fazendas Estaduais, que nada mais são do que informações enviadas pela própria recorrente, mas omitidas para o Fisco Federal, uma vez que a DCTFs e DIPJs respectivas apresentadas estavam todas zeradas, quando apresentadas e sem pagamento de nenhum tributo. Com relação à alegação de falta de capitulação legal, também não há o que se admitir. Basta verificar o Auto de Infração na parte onde se lê Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que se verifica todo o embasamento legal, inclusive para a aplicação da multa qualificada de 150%. Assim, não entendo ter havido cerceamento de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: Fl. 539DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, deixo de conhecer das preliminares argüidas. Do mérito Da multa qualificada No lançamento, a multa foi majorada, aplicando-se 150%, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 exige, para sua aplicação, que a conduta do contribuinte ou de terceiro seja dolosa, praticada com o intuito de suprimir, no todo ou em parte, o tributo, mediante sonegação, fraude ou conluio (artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964). Conforme se verifica do TVF, a razão da qualificação foi a atitude dolosa do contribuinte, já que ciente do faturamento que a empresa possuía, e devidamente escriturada nos livros de apuração de ICMS/Sped Fiscal e prestada à SEFAZ/MG não informou a receita bruta auferida para o Fisco Federal, já que informava em DIPJ e DCTF valores zerados. Em 2010 auferiu receita de vendas de R$11.101.744,91 e em 2011 R$13.376.725,42. Ou seja por dois anos informou corretamente valores para os Fiscos Estaduais e outros para o Fisco Federal, atitude totalmente dolosa e que demanda a aplicação da multa majorada. Não estamos falando de mero equívoco ou erro pontual. Não cabe também a alegação da recorrente de que assumiu quando respondeu à fiscalização de que não havia recolhido nenhum tributo. O ato dolosa está lá atrás quando não informou corretamente os valores no evidente intuito sonegatório. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 540DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplica-se, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide Decreto-Lei nº 34, de 1966) (Grifou-se.) Assim, de se manter a multa qualificada. Do Lucro Arbitrado Conforme se verifica do TVF, das intimações e reintimações efetuadas, a recorrente que se encontrava no lucro presumido, não apresentou o Livro Caixa, dessa forma, não restou outra via à fiscalização que não o arbitramento do lucro. Assim, nos termos do art. 530, III do RIR, que autoriza do arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ................................................................................................................................... III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; No caso concreto, a tributação se deu sobre receita bruta conhecida, informada pela própria contribuinte no livro de Apuração do ICMS, e que não foi objeto de contestação em sua peça de defesa. Corretos, portanto, o arbitramento e a apuração do IRPJ e da CSLL na forma da autuação. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I ). Assim o valor de 20% acrescido na alíquota base, também de acordo com os termos da lei. Fl. 541DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-003.992 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.724403/2014-49 Arrolamento de Bens e Representação para fins penais As alegações relacioinadas ao arrolamento de bens e a respresentação para fins penais não cabem discussão neste Colegiado. Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Súmula CARF nº 109 O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 542DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720059/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem elabore informação fiscal apontando, de forma individualizada, a data da apresentação das declarações que ensejaram a autuação, a fim de que seja aferido o preenchimento do requisito contido na parte final do art. 49 da Lei nº 13.097/15, sendo, ao final, facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem elabore informação fiscal apontando, de forma individualizada, a data da apresentação das declarações que ensejaram a autuação, a fim de que seja aferido o preenchimento do requisito contido na parte final do art. 49 da Lei nº 13.097/15, sendo, ao final, facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela VITAPET COMERCIAL INDUSTRIAL EXPORTADORA LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a multa, aplicada com base no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 05 9/ 20 14 -8 9 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15940.720059/201489 Resolução nº 2202000.876 S2C2T2 Fl. 263 2 força do descumprimento de obrigações acessórias (informações incorretas ou omissão de informações – CFL 78) nas GFIPs emitidas no período de 01/09/2009 a 31/12/2011. Transcrevo as sucintas razões declinadas que levaram à manutenção da cobrança: De início, a impugnante fala que procedeu à correção das falhas apontadas pela fiscalização, o que ensejaria o afastamento da multa aplicada. Isso é um equívoco, vez que, iniciado o procedimento fiscal, a autuação é cabível, considerando que ocorre a perda da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, bem como não mais existe a possibilidade de atenuação e/ou relevação após a revogação do artigo 291, e parágrafos, do Decreto 3.048, de 06/05/1999, pelo Decreto 6.727, de 12/01/2009. No mais, ainda que a empresa tivesse procedido qualquer correção durante o procedimento fiscal a se aplicar a redução de 25% (vinte e cinco por cento) prevista no inciso II do § 2º do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, em nada alteraria a multa aplicada, porque ela deve observar o valor mínimo de R$ 500,00, por competência, segundo o inciso II do § 3º do também artigo 32A, e no caso de ocorrência de fatos geradores de contribuição. Em relação ao valor mínimo de multa, outro engano da impugnante, pois o citado § 3º não se refere a apenas aos casos em que houver falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, mas a todo o artigo 32A (deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do artigo 32 da Lei nº 8.212 no prazo fixado ou apresentar com incorreções ou omissões), sendo que, do contrário, não haveria o § 3º, mas um complemento do inciso II do art. 32A, que trata da multa no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo. E, ainda, as reduções previstas no § 2º do artigo 32A não seriam com a observância do § 3º, conforme se verifica na redação do § 2º: § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: Correto, portanto, a aplicação da multa em seu valor mínimo nos termos do inciso II do § 3º do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Não havendo, pois, nenhuma incorreção na multa aplicada, não se acata o pedido de nulidade e/ou de improcedência do Auto de Infração de nº 51.048.8439. (f. 234; sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 16/06/2015, recurso voluntário (f. 240/258), requerendo, preliminarmente, i) a concessão de anistia, nos termos da Lei nº 13.907/15; ii) fosse afastada a multa aplicada, ao argumento de que teria corrigido as falhas apontadas pela fiscalização; iii) a nulidade do auto de infração, ante a capitulação equivocada da multa; bem como iv) fosse reduzida as multas de mora, de ofício e isolada, eis que “(...) os débitos apurados pela fiscalização foram incluídos no REFIS previsto na Lei nº 11.941/2009 (...)” (f. 246). Quanto ao mérito, replicou as mesmas matérias arguidas em sede preliminar, para, ao final, requerer a extinção do lançamento ou, em caráter subsidiário, a redução do valor das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15940.720059/201489 Resolução nº 2202000.876 S2C2T2 Fl. 264 3 Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme bem narra a recorrente, em 19 de janeiro de 2015, foi publicada a Lei nº 13.097, cujo art. 49 determinou que ficariam (...) anistiadas as multas previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata oinciso IV docaputdo art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (sublinhas deste voto) Apesar de pleitear a “aplicação da referida lei, declarando extinta a exigência fiscal” (f. 243), reconhece que a benesse fiscal é condicionada à apresentação da GFIP até o último dia do mês subsequente ao prazo previsto para a entrega. Entretanto, não apresenta demonstra, na evidente tentativa de que seja considerada entregue dentro do prazo previsto a totalidade das GFIPs, quais os valores que poderiam ser albergados pela anistia. Às f. 54/149 destes autos foram acostadas todas as GFIPs do período autuado e, no relatório fiscal do processo de nº 15940.720050/201478, julgado por esta mesma eg. Turma, nesta data, que trata da obrigação principal e multa isolada, foi acostado o seguinte quadro (f. 58): Notese que, em colisão à tese suscitada, a maior parte das GFIPs não foram apresentadas no último dia do mês subsequente à entrega – salvo, a partir da análise do quadro, a de competências 12 e 13/2009, que demonstra a plausibilidade, ainda que parcial, do pleito. Por essa razão, proponho seja o julgamento convertido em diligência para que a unidade de origem elabore informação fiscal apontando, de forma individualizada, a data da apresentação das declarações que ensejaram a autuação, a fim de que seja aferido o Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15940.720059/201489 Resolução nº 2202000.876 S2C2T2 Fl. 265 4 preenchimento do requisito contido na parte final do art. 49 da Lei nº 13.097/15, sendo, ao final, facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado. Após, retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902533/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2009
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.533
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2009 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902533/201410 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.533 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente DUROLINE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2009 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 25 33 /2 01 4- 10 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11020.902533/201410 Acórdão n.º 3401006.533 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 250DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720222/2014-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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É correto o lançamento mediante auto de infração dos valores de IRRF informados em DIRF e não pagos ou não declarados em DCTF, sobre os quais devem incidir multa de ofício e juros. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO. Nos casos de falta de pagamento, o tributo lançado de ofício será acompanhado, em regra, de multa de 75% (setenta e cinco por cento), calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo não recolhido. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 02 22 /2 01 4- 11 Fl. 80DF CARF MF 2 José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 07 35.827, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que considerou improcedente a impugnação contra o auto de infração lavrado contra a ora recorrente. Transcrevo, a seguir, parcialmente, o relatório: 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A autoridade autuante relatou no Termo de Verificação Fiscal os seguintes fatos (fls. 34 a 38): • No curso dos trabalhos de fiscalização de revisão da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, dos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011 – Malha DIRF X DARF, verificouse a ausência de pagamentos/compensações de IRRF cód. 0561 e a falta de declaração dos valores em DCTF; • O contribuinte foi intimado, mas sua resposta não apresentou os esclarecimentos para as divergências apontadas pela Fiscalização; • Em face da constatação de que o sujeito passivo não recolheu o montante informado nas DIRF e nem declarou os valores em DCTF, lavrouse o auto de infração de IRRF sobre Rendimentos do Trabalho Assalariado (cód. 0561), acrescidos de multa de 75% e juros de mora; • Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, pela ocorrência,em tese, de crime contra a ordem tributária, e Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do sócio Iduir Antônio Ribeiro, administrador da empresa no período objeto da autuação, nos termos do art. 128 do CTN e do art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979. 2. DA IMPUGNAÇÃO A autuada e o sócio Iduir Antônio Ribeiro apresentaram uma impugnação conjuntamente (fls. 44 a 49), aduzindo, em síntese, que: • A autuação deveria ser desconstituída, pois a multa exigida seria exorbitante e confiscatória; • A Constituição Federal, através do art. 150, inciso IV, instituiu o princípio do não confisco quando da cobrança de tributos; • Que a conduta descrita no auto de infração seria um inadimplemento e não de infração, propriamente dita, pois a impugnante teria realizado todas as declarações de imposto de renda, e que apenas não teve condições financeiras de honrar seu compromisso; • O lançamento fiscal teria sido direcionado à pessoa física do sócio da empresa devedora e, no caso dos autos, não comportaria qualquer tipo de situação Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13971.720222/201411 Acórdão n.º 1001001.383 S1C0T1 Fl. 3 3 hábil a ensejar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa devedora e consequente sujeição passiva do indigitado sócio; • Não existiriam motivos para a atribuição desta responsabilidade tributária à pessoa física do referido sócio. Por fim, requerse a exclusão da pessoa física do sócio do pólo passivo do lançamento e o cancelamento da notificação fiscal, emitindose outra sem a imposição da multa de ofício ora combatida. Cientificada em 17/11/2014 (fl 70), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 24/12/2010 (fl 71). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72. Assim, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente reitera as informações constantes de sua impugnação. A seguir, resumo: · multa aplicada tem caráter confiscatório (cita a Constituição Federal e jurisprudência mão vinculante), afirma que houve inadimplemento e não de infração propriamente dita; · o lançamento foi direcionado à pessoa física do sócio. Afirma que este caso não comporta qualquer tipo de situação hábil a ensejar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa e cita o CPC art. 592, cita jurisprudência não vinculante, o art. 596, do CPC e o art. 50 do C.C. (que tratam de desconsideração e/ou abuso de personalidade jurídica); e, · culmina pedindo o cancelamento do lançamento e a exclusão da pessoa física do sócio. A DRJ, proferiu a sua decisão, no meu entendimento, de modo correto. Baseado neste entendimento, portanto, peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF: Observese que enquanto os valores declarados em DCTF, PER/DCOMP ou parcelamentos dispensam lançamento de ofício, pelo fato de os débitos neles declarados serem considerados como confissão de dívida, o mesmo não ocorre com os valores constantes da DIRF, devido ao seu caráter meramente informativo. Está correto, portanto, o lançamento das referidas diferenças de IRRF mediante o auto de infração. Ao contrário do alegado na impugnação, o lançamento foi realizado em nome da pessoa jurídica, sendo lavrado também o Termo de Sujeição Passiva Solidária em Fl. 82DF CARF MF 4 nome do sócio administrador na época dos fatos. Não houve, portanto, desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica devedora. ... Observese que foi solidariamente responsabilizado o sócio Iduir Antônio Ribeiro que exercia a administração da sociedade quando da ocorrência da infração de lei, qual seja: deixar de recolher aos cofres públicos os valores retidos a título de IRRF – código 0561 (Rendimento do Trabalho Assalariado). Não se trata, pois, de simples inadimplemento, mas sim de grave descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário reiteradamente em vários períodos o imposto retido dos trabalhadores. Não há como negar aqui a ocorrência da infração de lei a legitimar a responsabilização do administrador com base no art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979, e art. 128 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), que dispõem: ... O ilícito, aliás, é suscetível de outras consequências. Tanto é assim que, nos termos do art. 1º e do art. 2º, II, da Lei 8.137, de 1990, constitui crime contra a ordem tributária deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos. Cabe esclarecer que o ato ilícito ensejador da responsabilidade tributária do administrador pode ser tanto culposo quanto doloso. Aliás, nem mesmo é imprescindível que o administrador, para fins de responsabilização tributária, tenha praticado diretamente o ato ilícito, sendo suficiente que apenas o tenha tolerado, quando em condição de interferir para evitar a sua ocorrência. É bastante para a configuração da responsabilidade a prova de que, encontrandose na administração da sociedade à época do descumprimento da obrigação tributária, possuía poder para decidir pagar ou não os tributos devidos. Portanto, não assiste razão aos impugnantes, pois, nos termos do retro citado art. 8º do DecretoLei nº 1.736, de 1979, são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte, restringindose a responsabilidade dessas pessoas ao período da respectiva administração, gestão ou representação. Contra a aplicação das penalidades pecuniárias aplicadas pela autoridade fiscal, os impugnantes somente apresentam alegações no sentido de demonstrar seu efeito confiscatório. Inicialmente observese que o valor da multa de ofício lançada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, é de 75% sobre o imposto não recolhido e não declarado, e não de 50%, conforme mencionado na impugnação. Os interessados entendem que a multa seria exorbitante e teria caráter confiscatório, e que isso seria vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Em atenção aos argumentos aduzidos pelos impugnantes, cumpre apenas dizer que as penalidades exigidas pela autoridade fiscal decorrem de expressa previsão legal. A Lei nº 9.430, de 1996, assim estabelece: ... Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13971.720222/201411 Acórdão n.º 1001001.383 S1C0T1 Fl. 4 5 Quanto às alegações acima mencionadas de violação a princípios constitucionais, há que se consignar que os julgadores da esfera administrativa não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. ... Sobre o assunto, assim se posicionou o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS DO MINISTÉRIO DA FAZENDA CARF, no enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU nº 244, p. 71, Seção I, do dia 22 de dezembro de 2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, uma vez verificada em concreto a hipótese abstratamente prevista na lei, não há como se afastar a aplicação da multa de ofício. Assim, nego provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720579/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
Ementa:
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 40 DA LEI 10.865/2004.
Se em relação à operação de aquisição não foi aplicada a suspensão da incidência, por falta de emissão de declaração pelo comprador ao vendedor e informação da suspensão na nota fiscal, tal operação encontra-se sujeita à regular incidência da contribuição, de maneira que tem o vendedor de recolher a contribuição sobre a receita daquela operação e tem o comprador de tratar a operação de aquisição como hipótese ordinária de creditamento, na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Numero da decisão: 3302-007.528
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso afastar as glosas dos créditos decorrentes das operações de aquisição, espelhadas nas notas fiscais elencadas no item 05 da diligência fiscal, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 40 DA LEI 10.865/2004. Se em relação à operação de aquisição não foi aplicada a suspensão da incidência, por falta de emissão de declaração pelo comprador ao vendedor e informação da suspensão na nota fiscal, tal operação encontra-se sujeita à regular incidência da contribuição, de maneira que tem o vendedor de recolher a contribuição sobre a receita daquela operação e tem o comprador de tratar a operação de aquisição como hipótese ordinária de creditamento, na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso afastar as glosas dos créditos decorrentes das operações de aquisição, espelhadas nas notas fiscais elencadas no item 05 da diligência fiscal, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 05 79 /2 00 8- 42 Fl. 188DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3803-000.633, de 11 de novembro de 2014, in verbis: Trata-se de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Recife/PE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte para se defender contra o despacho decisório da repartição de origem que reconhecera apenas em parte o crédito pleiteado, relativo a Pedido de Ressarcimento da contribuição para o PIS, do 2º trimestre de 2005, no valor de R$ 39.032,91, decorrente de exportação. A repartição de origem, por meio de despacho decisório englobando todos os pedidos formulados pelo contribuinte relativamente a todos os trimestres de 2005, procedeu à glosa de parte do crédito pleiteado, em razão do fato de que parte das pessoas jurídicas fornecedoras de insumos (camarão), devidamente intimada, informou que os produtos vendidos ao contribuinte, sem lançamento da contribuição, ora foram comercializados com suspensão da contribuição social (com base no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004), ora com a isenção prevista no Decreto-lei nº 1.248, de 1972, ora por se tratar de mercadoria destinada à exportação. O contribuinte havia obtido, com efeitos a partir de 8/4/2005, o Registro para Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora, com suspensão da contribuição para o PIS e da Cofins nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, previsto no art. 40 da Lei 10.865, de 2004. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do total do direito creditório pleiteado, bem como a disponibilização da parcela do crédito já deferida, alegando, após prestar esclarecimentos sobre a formulação em duplicidade dos pedidos, que das 21 pessoas jurídicas fornecedoras, apenas 14 apresentaram declarações (Dacon), na maioria informando a suspensão de PIS/Pasep e Cofins, por se tratar de mercadorias destinadas à exportação, sendo que nenhuma delas apresentou Memorando de Exportação ou outro documento comprobatório da referida operação. Segundo o então Manifestante, a fiscalização solicitara das fornecedoras a apresentação de declaração e documentos comprobatórios, sendo que a maioria não atendeu o pedido, em razão do quê não se poderia ter presumido que tais fornecedoras haviam vendido as mercadorias sem a incidência de PIS e Cofins, como concluído no item 51 do Despacho Decisório, conclusão essa em total afronta aos princípios processuais da ampla defesa e do devido processo legal. Ressaltou, ainda, o Manifestante, que o ato declaratório, de nº 017/2005, em que lhe fora reconhecida a condição de pessoa jurídica preponderantemente exportadora, fora exarado somente em 05/04/2005, sendo que, de acordo com o quadro resumo anexado, mais de 70% das exportações haviam ocorrido antes dessa data, inexistindo, então, a condição ensejadora da suspensão das contribuições. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PJ PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. FORMAL HABILITAÇÃO. A partir do ADE nº 017, exarado pela DRF/Natal, publicado em 08/04/2005, a ora manifestante foi formalmente habilitada como PJ preponderantemente exportadora, nos Fl. 189DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 termos do art. 40 da Lei 10.865, de 2004, tornando-se desde então beneficiária do regime de suspensão das contribuições PIS/PASEP e COFINS. REGIME DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. PARTE DAS MERCADORIAS EXPORTADAS. Ocorrida a exportação, extingue-se a suspensão, aperfeiçoando- se a não incidência na aquisição das mercadorias exportadas, e não haverá mais que se recolher ao erário a contribuição cuja incidência estava antes apenas suspensa. Exportadas as mercadorias adquiridas com suspensão da incidência do PIS/PASEP, inclusive no caso de ter sido a aquisição isenta, confirma-se o benefício atribuído à PJ habilitada como preponderantemente exportadora, de adquirir MP, PI e ME, sem incidência das contribuições, mas evidentemente não haverá para ela nenhum direito de crédito de PIS/PASEP, consoante com os termos delineados expressamente na lei de regência. REGIME DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. PARTE DAS MERCADORIAS VENDIDAS NO MERCADO INTERNO. Quando sejam vendidas no território nacional as mercadorias adquiridas sob o manto da suspensão da incidência das contribuições, extingue-se o regime de suspensão da incidência, obrigando-se a PJ adquirente, habilitada como preponderantemente exportadora, a recolher as contribuições cujas incidências estavam até então suspensas, acrescidas de juros de mora e de multa de ofício no presente caso. Evidentemente, nessa situação, trata-se de operações que não suscitam nenhum direito creditório para a interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente No voto condutor do acórdão da DRJ Recife/PE, após as ponderações acerca da apresentação em duplicidade dos pedidos de ressarcimento, em papel e por meio eletrônico, constaram as seguintes constatações: a) em relação a este processo, referente ao 2º trimestre de 2005, o contribuinte se encontrava habilitado à fruição do benefício da suspensão a partir 8/4/2005; b) a conclusão da fiscalização não se trata de presunção, “mas de decisão fruto de análise fática e documental expostas no Relatório Fiscal e transcritas no despacho decisório recorrido, a partir de documentos e declarações fornecidos, pela ora manifestante e por suas fornecedoras, em resposta às intimações fiscais realizadas”; c) nos termos do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens e serviços não sujeitos a pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; d) nos termos do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuição não incide sobre exportação de mercadorias para o exterior e nem sobre venda a comercial exportadora para o fim específico de exportação; e) a fornecedora deveria ter sido informada pelo adquirente da mercadoria acerca da aplicação do regime de suspensão condicionada desde 8/4/2005, e deveria esta ter-lhe informado o nº do ADE de sua habilitação, já publicado no DOU, além do dispositivo legal que lhe servia de fundamento, qual seja o art. 8º da IN SRF 466/04; f) “ocorrida a exportação aperfeiçoa-se a não incidência na aquisição das mercadorias oportunamente exportadas, não havendo mais que se recolher ao erário a contribuição cuja incidência estava antes apenas suspensa” (...), “mas, evidentemente, não haverá para ela nenhum crédito de PIS/PASEP, consoante com os termos delineados expressamente no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.637/2002, c/a redação dada pela Lei 10.865/2004”; h) “submetidas à incidência, foram identificadas as operações realizadas no curso do ano 2005 com as empresas Caribe Camarões Produção Comércio Exportação Ltda, Fl. 190DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 Formosa Maricultura Ltda, Equamar Aquicultura Ltda, Tropical Camarões Ltda e JM Nasser dos Santos – ME, conforme apurado pela fiscalização nas diligências efetuadas, e exposto no despacho decisório, itens 52b, 56 e 57, às fls.20/21, após a análise documental realizada”. Cientificado da decisão em 13/11/2012, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 13/12/2012 (trata-se da data em que o recurso foi autenticado digitalmente no e- processo) e reiterou seu pedido de reconhecimento integral do crédito, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando: a) “do exame inicial do pedido do crédito, quando foi analisada a documentação da empresa, a regularidade da documentação e a pertinência do pedido, ficou demonstrado que todo o produto adquirido foi exportado e que, em principio, a empresa tinha o direito ao crédito pleiteado”; b) “quanto aos créditos discutidos no presente processo, referente ao 4º Trim./2005 (sic), a recorrente estava devidamente habilitada como pessoa jurídica preponderantemente exportadora, nos termos do art. 40 da Lei n.º 10.865/2004, regulamentado pelo IN/SRF n.º466/2004”; c) “a suspensão na incidência de PIS/COFINS não é obrigatória, podendo, qualquer das partes, optar pela tributação normal”; d) “a maioria das empresas vendedoras não pagou o PIS e COFINS incidentes sobre suas vendas, erroneamente respaldadas na Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001”, sendo que “essa norma não abarcava as vendas feitas pelas empresas produtoras de camarão a CIDA, pois essa adquiria o produto para processamento e posterior exportação”. (...) “Na verdade, as empresas vendedoras deram interpretação errada quanto a incidência de PIS e COFINS dos seus produtos destinados a CIDA” e, por outro lado, “a CIDA não tinha como saber a forma que as empresas estavam tributando seus produtos, pois não há nas notas fiscais, qualquer informação sobre PIS e COFINS”; e) “Respeitando os ditames legais, deveria ter sido cobrado o tributo devido da empresa vendedora, pois a essa não cabia alegar ignorância a lei, conforme bem frisado pela decisão recorrida”. Além disso, “ser o produto destinado a exportação, não significa que não há incidência do PIS e COFINS, conforme supôs as empresas vendedoras”; f) duas empresas informaram que não recolheram as contribuições sob a falsa premissa de que as vendas de produtos destinados à exportação seriam isentas, com base na Medida Provisório nº 2.158-35/2001, o que não guarda nenhuma relação com o regime de suspensão previsto no art. 40 da Lei 10.865/2004, regulamentada pela IN/SRF n.º466/2004; g) a informação constante das notas fiscais relativa à destinação ao exterior das mercadorias comercializadas pelas referidas empresas se refere ao ICMS e não às contribuições sociais, não havendo qualquer referência à suspensão das contribuições; h) o valor das contribuições embutido no preço de venda dos produtos deveria ter sido reduzido do valor total, o que não ocorreu; i) “Não há qualquer prova que os valores tenham sido reduzidos do preço de venda a CIDA”, não havendo, ainda, “qualquer prova que evidencie que a CIDA tinha conhecimento de que as empresas vendedoras estavam equivocadamente se valendo de uma interpretação errada de outra norma”. O julgamento foi convertido em diligência para que fossem esclarecidas as seguintes questões, tomando por base as notas fiscais que sustentavam o pedido de ressarcimento: 1) Quais as aquisições realizadas pela CIDA não teve nenhum carimbo ou anotação manual mencionando se tratarem de mercadoria/produto destinados à exportação; Fl. 191DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 2) Quais as aquisições realizadas pela CIDA não estão identificadas com o CFOP próprio de vendas com fim específico de exportação; 3) Quais as aquisições realizadas pela CIDA não estão identificadas com o regime de suspensão na forma do artigo 40 da Lei 10865/2004 e quais outras, porventura, estão; 4) A CIDA se enquadra como empresa comercial exportadora, nos termos do Decreto-Lei nº 1.248/72?; 5) quantificar as identificações descritas nos itens 1, 2 e 3, através de planilha, contendo no mínimo, quatro colunas, indicando o nome e CNPJ do fornecedor; o valor total da nota fiscal; o correspondente crédito a PIS e por último o correspondente crédito de COFINS; A Delegacia da Receita Federal de Natal realizou a diligência requerida e emitiu o relatório de e-fls. 150/163. A recorrente apresentou suas considerações acerca do resultado da diligência fiscal, e-fls. 168/174. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. A discussão que permeia os autos diz respeito à hipótese de suspensão da incidência do Pis e da Cofins prevista no art. 40 da Lei nº 10.865/2004, cuja redação na época dos fatos era a seguinte: Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) § 1º Para fins do disposto no caput deste artigo, considera-se pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano-calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 80% (oitenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 2º Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão "Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. § 3º A suspensão das contribuições não impede a manutenção e a utilização dos créditos pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 4º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I - atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II - declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. § 5º A pessoa jurídica que, após adquirir matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com o benefício da suspensão de que trata este artigo, der-lhes destinação diversa de exportação, fica obrigada a recolher as contribuições não pagas Fl. 192DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 pelo fornecedor, acrescidas de juros e multa de mora, ou de ofício, conforme o caso, contados a partir da data da aquisição. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). A redação vigente apenas sofreu a alteração do texto do § 1º e a inclusão dos §§ 6º a 9º: § 1º Para fins do disposto no caput, considera-se pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano- calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido igual ou superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) ................. § 6º As disposições deste artigo aplicam-se à Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e à Cofins-Importação incidentes sobre os produtos de que trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) § 6ºA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) I - matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II - produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6ºA deste artigo, o frete deverá referir-se ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 8º O disposto no inciso II do § 6ºA deste artigo aplica-se também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). § 9º Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destina-se à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). Esta hipótese legal de suspensão encontrava-se regulamentada, na época, pela IN 466/2004, a qual estabelecia, como primeiro requisito, a obrigatoriedade de prévia habilitação da empresa adquirente: Da Habilitação Obrigatoriedade Art.2º A suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será concedida somente à pessoa jurídica previamente habilitada pela Secretaria da Receita Federal (SRF). Parágrafo único. A habilitação poderá ser cancelada a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas estabelecidas para o regime. No caso concreto, o Ato Declaratório Executivo nº 17, em 05 de abril de 2005, habilitou a recorrente para fazer jus à suspensão. Pela leitura do acórdão recorrido, a ratio decidendi teve por base as seguintes premissas: Fl. 193DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 a) nos termos do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens e serviços não sujeitos a pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; b) nos termos do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuição não incide sobre exportação de mercadorias para o exterior e nem sobre venda a comercial exportadora para o fim específico de exportação; c) a fornecedora deveria ter sido informada pelo adquirente da mercadoria acerca da aplicação do regime de suspensão condicionada desde 8/4/2005, e deveria esta ter-lhe informado o nº do ADE de sua habilitação, já publicado no DOU, além do dispositivo legal que lhe servia de fundamento, qual seja o art. 8º da IN SRF 466/04; d) “ocorrida a exportação aperfeiçoa-se a não incidência na aquisição das mercadorias oportunamente exportadas, não havendo mais que se recolher ao erário a contribuição cuja incidência estava antes apenas suspensa” (...), “mas, evidentemente, não haverá para ela nenhum crédito de PIS/PASEP, consoante com os termos delineados expressamente no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.637/2002, c/a redação dada pela Lei 10.865/2004”; Acontece que após análise dos autos, em especial o relatório de diligência fiscal (e-fls. 150/163), entendo que nenhuma dessas premissas elencadas são aplicáveis ao caso concreto, senão vejamos: Primeiro ponto a destacar é que não há nos autos qualquer declaração da CIDA enviada aos seus fornecedores sobre a aptidão para comprar os insumos com a suspensão prevista no art. 40 da Lei nº 10.865/2004. Como também não há provas de que foram negociadas as mercadorias com suspensão. Esse pequeno detalhe alteraria a política de preço das mercadorias. Na diligência fiscal, foi perguntado à Unidade de Origem se a recorrente CIDA se enquadrava como empresa comercial exportadora, nos termos do Decreto-Lei nº 1.248/72. A Unidade de Origem, após consulta ao sítio eletrônico do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/empresa- comercial-exportadoratrading-company), afirmou peremptoriamente que a recorrente não se encontrava na lista de empresas comerciais exportadoras habilitadas. O relatório de diligência fiscal atestou não haver registro nas notas fiscais relativo a suspensão de PIS e Cofins, conforme determina a legislação. Completou a informação, elaborando planilha onde foram identificadas: 1) as notas fiscais das aquisições realizadas pela CIDA em que não há carimbo ou anotação manual mencionando se tratarem de mercadoria/produto destinados à exportação; 2) as notas fiscais das aquisições em que o CFOP não é próprio de vendas com fim específico de exportação; e 3) as notas fiscais das aquisições em que não ouve identificação da utilização do regime de suspensão na forma do artigo 40 da Lei 10.865/2004. Diante desse quadro, é lícito concluir que mesmo a contribuinte estando habilitada diante da Receita Federal do Brasil para efetuar aquisições com suspensão prevista no art. 40 da Lei nº 10.865/2004, não há provas de que as saídas dos produtos de seus fornecedores se deram Fl. 194DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.528 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.720579/2008-42 com suspensão. Logo, as operações permaneceram sujeitas à regular incidência das contribuições. A implicação forçosa da regular incidência das contribuições é de que o vendedor deveria ter recolhido as contribuições sobre as receitas daquelas vendas. E, pela mesma razão, o contribuinte adquirente tem de tratar as operações de aquisição como hipótese ordinária de creditamento, na forma do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. Quanto à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins não-cumulativos, entendo que não há amparo legal, muito pelo contrário, a Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais nela previstos, assim dispondo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplica-se à contribuição para o P1S/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Diante de todo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar as glosas dos créditos decorrentes das operações de aquisição, espelhadas nas notas fiscais elencadas no item 05 da diligência fiscal de e-fls. 150/163. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.912978/2006-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja analisada a declaração de compensação, considerando o crédito como o saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente) Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja analisada a declaração de compensação, considerando o crédito como o saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Zedral Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente) Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 384/393) contra Acórdão da DRJ (efls. 376/379) que não reconheceu crédito informado na PER/DCOMP 07980.11161.141003.1.3.04 7103, o qual havia sido objeto de despacho decisório de efls. 07. A referida PER/DCOMP pretendeu compensar débitos administrados pela RFB com crédito decorrente de pagamento indevido recolhido via DARF no valor de R$ 7.891,72, data de arrecadação 10/04/2002, e de código de receita 8045. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 12 97 8/ 20 06 -1 3 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10880.912978/200613 Resolução nº 1002000.095 S1C0T2 Fl. 399 2 Alega a recorrente, em seu recurso Voluntário e na manifestação de inconformidade que houve erro material no preenchimento da PER/DCOMP no tocante ao tipo de crédito. Seria Saldo negativo ao invés de pagamento indevido. A Delegacia de Julgamento decidiu pelo indeferimento do pedido pois não caberia à DRJ inovar no pedido, alterando para saldo negativo uma PER/DCOMP de pagamento indevido: 6 Tendo em vista que o pedido inicial da interessada requeria a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte por ter havido pagamento indevido ou a maior, entendo não ser cabível neste mesmo procedimento inovar o pedido, transmutandoo para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano calendário: 2002 PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITORIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Solicitação Indeferida Inconformada, apresenta Recurso Voluntário pelo qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Alega que a soma de todo IRRF pago é de R$ 448.957,16 e que este valor corresponderia ao Saldo Negativo de IRPJ, visto ter apresentado prejuízo fiscal e não ter qualquer outro pagamento de IRPJ no período. Afirma ter cometido erro de preenchimento na PER/DCOMP, pois deveria ter optado por "Saldo Negativo" e não "Pagamento Indevido ou a maior": Assim, resumidamente, ao apresentar a presente DComp, a Recorrente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de • receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação compensação pleiteada Conclui pedindo a reforma do Acórdão combatido, reconhecendo o erro material, ou, alternativamente, seja determinada diligência para fins de determinação do crédito: 40. Uma vez apensados, pede e espera a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso, pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, para o fim de que seja reformada integralmente a r. decisão de primeira instância, homologandose as compensações efetuadas e, conseqüentemente, cancelandose o valor exigido. 41. Caso, contudo, os Imos. Srs. Julgados entendam ser previamente necessária à confirmação do saldo negativo de IRPJ de 2002, requerse a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade competente, a partir da documentação Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10880.912978/200613 Resolução nº 1002000.095 S1C0T2 Fl. 400 3 já anexa aos autos da manifestação de inconformidade apresentada, comprove de uma vez por todas a existência do crédito, tal como informado. É o relatório VOTO Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO DIREITO CREDITÓRIO Entendo que o processo não se encontra em condições de ser julgado, necessitando que se realize diligência à unidade de origem. É possível ver a verossimilhança das alegações da recorrente, de que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP. A própria sistemática de recolhimento deste tributo também pode ter contribuído com o equívoco da recorrente. No caso das agências de publicidade, quando recebe as verbas de anunciantes, realiza uma "retenção" na fonte, ainda que retenção não se trate em verdade, mas sim uma simples antecipação do devido do seu IRPJ. O anunciante, obedecendo a legislação ainda deve informar a retenção na fonte que a agência de publicidade realizou. Instrução Normativa SRF nº 123, de 1992: Art. 1º A base de cálculo do Imposto de Renda de que trata o art. 53, inciso II da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, é o valor das importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. Art. 2º Não integram a base de cálculo as importâncias repassadas pelas agências de propaganda a empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("outdoor"), cinema e revistas, nem os descontos por antecipação de pagamento. Parágrafo único O anunciante e a agência de propaganda são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Art. 3º O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo dia da quinzena subsequente à de ocorrência do fato gerador. § 1º A agência de propaganda efetuará o recolhimento do imposto utilizando um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, preenchido em duas vias, englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração. § 2º O valor do imposto será convertido em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no primeiro dia útil subsequente ao de ocorrência do fato gerador. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10880.912978/200613 Resolução nº 1002000.095 S1C0T2 Fl. 401 4 § 3º O valor em cruzeiros do imposto a pagar será determinado mediante a multiplicação da sua quantidade em UFIR pelo valor da UFIR diária na data do pagamento. Art. 4º A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até o dia 15 de fevereiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. Parágrafo único As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na fonte DIRF Anual do anunciante. Art. 5º A dedutibilidade, pelo anunciante, das despesas de propaganda, segundo o regime de competência, está sujeita às disposições do art. 247 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/80). Art. 6º A agência de propaganda deverá informar o valor do imposto na Declaração de Contribuintes e Tributos Federais DCTF. Art. 7º O Imposto de Renda na fonte poderá ser deduzido do imposto apurado mensalmente na forma do art. 38 da Lei nº 8.383, de 1991, assim como do imposto estimado em cada mês, caso a agência de propaganda tenha optado pela faculdade prevista nos arts. 39, 86 ou 87 da mesma lei. Art. 8º Esta Instrução Normativa aplicase aos fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1993. Como se vê, é uma sistemática propícia a erros. Quanto ao crédito em si, há compatibilidade entre as alegação da recorrente e os documentos juntados. Afirma a contribuinte que a totalidade das retenções na fonte sob o código 8045 somam R$ 448.957,61. De fato, verificase que na DIPJ, ficha 48, são informadas retenções na fonte no valor total de R$ 499.811,83. A ficha 12 da DIPJ não indica valor devido de IRPJ, em função do prejuízo fiscal declarado na ficha 09 (efls. 54). É compreensível a conclusão de quem analisa isoladamente cada PER/DCOMP que a recorrente transmitiu e concluiu não haver saldo de pagamentos. De fato não há saldo de pagamentos, pois a recorrente não pretendeu repetir os recolhimentos efetuados mas sim aproveitar o saldo negativo de IRPJ que entende possuir. Chegamos a essa conclusão ao analisar os argumentos da recorrente, que são condizentes com os documentos que junta ao processo. Há julgados neste Conselhos, inclusive recentes, reconhecendo o erro no preenchimento da declaração de compensação, admitindo a apuração de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido: Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10880.912978/200613 Resolução nº 1002000.095 S1C0T2 Fl. 402 5 negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. (Acórdão 1401003.211 de 19/03/2019) LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. DILIGÊNCIA (Acórdão 1802 002.534 de 05/05/2015) Portanto, estão presentes os elementos suficientes para que a Unidade de Origem possa analisar a declaração de compensação considerando o crédito de saldo negativo de IRPJ. Nesse contexto, entendo pela necessidade realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Unidade de Origem: 1. Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo do IRPJ para o anocalendário de 2002, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; 2. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; 3. Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; 4. Após as verificações acima e apurar a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Importante esclarecer que, como já informado, houve a transmissão de vários PER/DCOMPS, um para cada recolhimento de retenção na fonte, ainda que a intenção da recorrente tenha sido de aproveitar saldo negativo de IRPJ. Assim, a análise do crédito de saldo negativo deve observar o disposto nos autos dos processos nº 10880.912968/200670, 10880.912969/200614, 10880.912974/200627, 10880.912975/200671, 10880.912976/200616, 10880.912979/200650, 10880.912990/200610, 10880.912991/200664, 10880.913014/200684. Devese também atentar para os processos julgados pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF (nº 10880.912964/200691 e os processos a ele apensados: nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/200641 e 10880.912987/200604). Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10880.912978/200613 Resolução nº 1002000.095 S1C0T2 Fl. 403 6 A análise deve observar não só os recolhimentos referidos nos processos acima, como também, em se verificando a existência de saldo negativo de IRPJ, que se aproprie os débitos declarados na declarações de compensação. Do procedimento de diligência, inclusive do parecer referido no parágrafo anterior, cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referidadiligência,sendodesconsideradasmanifestaçõesdeoutraespécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte,o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma Extraordinária da 1ªSeção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento É como voto. Conselheiro Rafael Zedral Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720463/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.212
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, com o objetivo de que o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS, vinculado a declaração de compensação, que não restou integralmente reconhecido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, defendendo direito a percepção da integralidade dos créditos pleiteados. Discorre sobre o conceito de insumos e defende reversão das glosas efetuadas, essencialmente por entender que todos integram seu processo produtivo. A DRJ competente julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão nº 14-075.398. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 20 46 3/ 20 10 -7 0 Fl. 8272DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.212 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720463/2010-70 Irresignada com o não reconhecimento integral de seu pedido, a recorrente apresentou Recurso Voluntário reforçando os argumentos da manifestação de inconformidade e contestando, de forma específica, a decisão de primeira instância, glosa por glosa. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- 002.197, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.720433/2010-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.197):. “Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, veio de encontro à posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, tem aplicação obrigatória. Entre outros dispositivos legais, o Art. 16.º, §6.º e o Art. 29.º do Decreto 70.235/72, Art. 2.º caput, inciso XII e Art. 38.º e 64.º da Lei 9.784/99 e Art. 112.º, 113.º, 142.º e 149.º do CTN permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, vota-se no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a Fl. 8273DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.212 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720463/2010-70 interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que : - o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, oportunidade em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Em razão do volume de itens glosados, destaca-se que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Fl. 8274DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.212 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.720463/2010-70 Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza. Fl. 8275DF CARF MF
score : 1.0
