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Numero do processo: 10840.000944/2003-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento,por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 00 94 4/ 20 03 -0 8 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 631 2 O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 2º trimestre de 2000 e no valor de R$ 75.108,43, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 149/150, com base na Informação Fiscal de fls. 143/147, indeferiu o pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, não homologou as compensações. Em síntese, os motivos expostos para o indeferimento do pedido de ressarcimento foram os seguintes: 1. Quanto ao custo das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, foram incluídos indevidamente pela contribuinte, no montante das aquisições de insumos, os seguintes valores: a) custo de canadeaçúcar adquirida de Produtores Rurais (Pessoas Físicas), não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS; b) IPI incidente sobre as Notas Fiscais de compras; c) custo de insumos adquiridos de Cooperativas de Produtores; d) aquisições de serviços aplicados na produção, porém não incluídos nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; e) RS 143.702,26 que corresponderia ao valor do estoque final de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos, que teria sido excluído na apuração do benefício relativo ao ano de 1998. A contribuinte cometeu o mesmo erro quanto ao valor excluído na apuração relativa ao quarto trimestre de 2000 (R$ 111.980,24), pois excluiu da base de cálculo do benefício o valor dos insumos em estoque em 31/12/2000 e não o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos; f) apuração incorreta da quantidade de matérias matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos) utilizados na produção, pois não considerou os estoques iniciais e finais do período; apenas computou os valores das aquisições, em desacordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 3o da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997; 2. Quanto ao valor da Receita de Exportação: a) a empresa não efetuou exportações diretas no ano calendário de 2000, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas Cargill Agrícola S/A, CNPJ 60.498.706/000904 e SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ n° 00.308.337/0001 60, não enquadradas como Empresas Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decretolei nº 1.248/72, mas sim uma empresa comercial exportadora comum. A legislação em vigor do benefício no referido período contemplou as exportações diretas e as efetuadas por empresa comercial exportadora, definida no Decretolei n° 1.248/72; b ) f oram incluídos, indevidamente, no valor das exportações, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do benefício, pois são contabilizados como Receitas Operacionais; Fl. 631DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 632 3 3. Quanto à Receita Operacional Bruta: o montante da receita foi ajustado tendo em vista que os valores das Exportações sofreram modificações; 4. Quanto à atualização monetária dos valores solicitados com a utilização dos juros Selic, não há qualquer previsão legal para a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos; 5. Com base nos valores da receitas, estoques, custos, etc, calculados nos demonstrativos de fls. 90/141, procedese à apuração do benefício acumulado no 2o trimestre do ano 2000 através do "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO ANO DE 2000", de fl. 142, onde se pode verificar que o valor do crédito presumido apurado pelo Fisco é igual a zero. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 157/173, instruída com os documentos de fls. 174/341, alegando, em resumo, o que segue: a) Por mais que a autoridade administrativa por seu despacho decisório insista na exclusão dos valores de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas bem como adquiridos de cooperativas, na base de cálculo do beneficio do crédito presumido, temse que a legislação é clara quanto possibilidade da sua inclusão, não cabendo ao interprete restringir onde o legislador o fez. Aliás, não é demais rememorar que a IN SRF nº 23/97, mais especificamente seu artigo 2º, parágrafo 2º, nunca veio a regulamentar o art. 1º da Lei n° 9.363/96, haja visto que inexiste na referida norma última citada qualquer restrição ao benefício do crédito presumido. É importante ainda destacar que é entendimento pacífico da possibilidade do benefício do crédito presumido, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é o que se verifica em diversas ementas do 2a Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; b) O valor de R$ 143.702,26 que corresponderia ao valor de matérias primas, produtos intermediários e de materiais de embalagens, valor esse glosado pelos fundamentos da informação fiscal, não reflete em nada sobre o resultado do crédito de ressarcimento do benefício fiscal, posto que mesmo excluindo esse valor da base de cálculo do crédito presumido de IPI, verificarseá que o valor do crédito presumido resta inalterado. Por outro lado, ao inverso dos fundamentos apresentado pela informação fiscal, a impugnante provou e demonstrou à fiscalização que o valor de R$ 143.702,26, permaneceu em estoques na data de 31/12/2000, conforme se verifica da memória de cálculo juntada (doc. I); c) Inversamente do que fundamenta a informação fiscal, a impugnante atendeu a legislação quando excluiu do valor do benefício o valor de R$ 111.980,24. Aliás, tal informação resta comprovada conforme se verifica de resposta apresentada à fiscalização em 15/01/2008, sendo, inclusive, citado à época o amparo legal, mais especificamente a IN SRF n° 490/2004. Assim, Fl. 632DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 633 4 não há em que se falar em comprometimento de toda apuração do crédito presumido; d) No que se refere à impossibilidade da inclusão na base de cálculo do benefício os valores dos produtos exportados pelas empresas Cargill Agrícola S.A, CNPJ 60.498.706/000904 e SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/000160, comercializados pela impugnante, em que pese fundamentação apresentada pela informação fiscal, é de ser visto que outras empresas que não estejam especificamente dentro dos requisitos previstos pelo art. 2o do Decreto n° 1.248/72, de fato, podem realizar operações de exportação equiparadas as Trading Company, bastando que realizem operações mercantis de exportação e que estejam inscritas no SISCOMEX, até porque se assim não fosse não haveria necessidade da Lei Complementar 87/96, mais especificamente em seu art. 3º, parágrafo único, inciso I, prever que equiparam operações de exportação as comercializações de mercadorias destinadas ao exterior por empresas comerciais exportadoras, inclusive Trading; e) Não há em que se falar em exclusão dos valores relativos à variação cambial, porquanto como propriamente dito pela informação fiscal, a impugnante emitiu Nota Fiscal de complemento de vendas para o mercado externo, tratamse, assim, de venda a comercial exportadora, não deixando tais valores de serem complementos dos valores das mercadorias exportadas; f) Quanto à correção monetária dos valores relativos ao beneficio fiscal, não há que discordar quanto à reposição de seu valor, haja visto que tal entendimento já se encontra sedimentado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como pode ser verificado nos seguintes acórdãos: CSRF 0202.212, CSRF 0201.626 e CSRF 0201.688. g) Ao final, conclui que inexiste qualquer justificativa jurídica para manutenção do Despacho Decisório, sendo imperiosa a declaração de homologação dos valores compensados, mormente pelas provas dos autos pelas quais demonstram as exportações dos produtos pelas empresas exportadoras e ser remansosa a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto inclusão de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas bem como cooperativas no cálculo do benefício. Em 28/08/2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu a Resolução nº 1.638, de fls. 350/353, baixando o processo em diligência fiscal para que a Delegacia de origem verificasse se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97 (“Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”). Em caso de comprovação do fim específico de exportação Fl. 633DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 634 5 das vendas para a empresa comercial exportadora, revisasse o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2000, acatando como receita de exportação os valores comprovados. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou Informação Fiscal de fls. 577/580, concluindo que a empresa Viralcool “não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou os documentos anexados ao arquivo não paginável de fl. 584, encaminhando relatórios de controle de entradas, da empresa Cargill Agrícola S.A., e cópia das notas fiscais que comprovariam que os produtos vendidos foram realmente remetidos diretamente para as empresas comerciais exportadoras. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1454.789, de 18/11/2014, proferida pelos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 635 6 O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, devese adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n° 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi procedente em parte para acatar a possibilidade do cômputo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas na base do crédito presumido do IPI, no entanto, negar o direito ao benefício, pois o valor das exportações no período com direito ao beneficio é igual a zero, Assim, mantémse, a decisão do despacho decisório em indeferir o pedido de ressarcimento e, consequentemente, não homologar as compensações declaradas, conforme conclusão do voto. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta que finalizadas as diligências e informações fiscais, apresentou arquivos anexados ao arquivo não paginável, da mesma forma, apresentou relatórios de controles de estoque e notas fiscais para comprovar que as mercadorias foram remetidas diretamente para as empresas comercias exportadoras. Expõe, pois, a recorrente, em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas. Ressalta que comprovou, dessa forma, as exportações, através dos diversos documentos, dentre eles, cópias digitalizadas dos contratos de venda para exportação firmados com empresas comerciais exportadoras (cópias magnéticas anexadas no doc. de fl. 559) e resposta do contribuinte ( cópias magnéticas no doc. de fl.584). O processo foi distribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 636 7 VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 2º trimestre de 2000 no valor de R$ 75.108,43, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. Através do Despacho Decisório de fls. 149/150, com base na Informação Fiscal de fls. 143/147, indeferiuse o pedido de ressarcimento e, consequentemente, não se homologou as compensações. Através da Resolução de n° 1.638, de 28/08/2012, provocada pela própria DRJ/RPO, o processo baixou em diligência, para que, nos termos abaixo: § 2° Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, deverá ser revisado o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2000, acatando como receita de exportação os valores comprovados. Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada do resultado da diligência, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste. Em resposta, às efls. 577/580, consta a informação fiscal (em 10/07/2014) que: 5.Relação das notas fiscais de venda para entrega futura contendo as informações solicitadas (fls. 360/363); 5.2. Cópias da notas fiscais de venda para entrega futura e de “outras saídas” e/ou “simples remessa” correspondentes (anexamos ao processo, às fls. 364/552, apenas as cópias das notas fiscais cujos produtos foram remetidos para os estabelecimentos não caracterizados como recintos alfandegados); 5.3. Cópias dos memorandos de exportação e Bill of Lading (BL). 6. A contribuinte encaminhou também ao Fisco, por meio do documento de fls. 553, planilha contendo os dados das notas fiscais de remessa para o recinto alfandegado (fls. 554/558) e cópias digitalizadas dos contratos de venda para exportação, firmados com as empresa comerciais exportadoras (arquivos magnéticos anexados ao documento de fls. 559). Fl. 636DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 637 8 7. A planilha das notas fiscais de remessa para o recinto alfandegado apresentada pela VIRALCOOL, inserida às fls. 554/558, contém os valores das receitas de exportação inseridas no cálculo do crédito presumido de IPI. Verificamos que os montantes utilizados na apuração da contribuinte foram extraídos das Notas Fiscais emitidas de Venda Para Entrega Futura, cujos dados estão transcritos abaixo. (quadro) 8. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 364/552) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 9. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de documento para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas entregues ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos comprobatórios do efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. 10. Entretanto, como se trata de um processo com direito à ampla defesa, devemos contar com a possibilidade de a contribuinte apresentar referidos documentos em sua manifestação à DRJ, após tomar ciência desta Informação Fiscal. 11. Assim sendo, efetuamos verificações fiscais na documentação apresentada pela contribuinte e verificamos que os dados relativos ao local de entrega, contidos na planilha elaborada pela empresa, transcritos no item 7 acima, coincidem com as anotações contidas no corpo dos documentos fiscais de venda para entrega futura e das remessas correspondentes. 12. Por outro lado, independentemente da comprovação do ingresso nos estabelecimentos elencados pela VIRALCOOL em seus demonstrativos, efetuamos pesquisas e coletas de informações junto à DIANA da Superintendência da 8ª Região Fiscal (SP) (vide os documentos inseridos às folhas 560/576), para se constatar se os estabelecimentos identificados nas notas fiscais de remessas de produtos (descritos na planilha inserida no item 7) eram, à época das respectivas exportações, recintos alfandegados. 13. Constatamos, assim, que os estabelecimentos Terminal Cargill Agrícola S/A, de CNPJ 60.498.706/016150, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, se caracterizavam como recintos alfandegados à época dos fatos geradores contemplados neste processo. 14. Entretanto, não foi encontrada nas relações de recintos alfandegados a empresa CNAGA Comp. Nacional Arm. Gerais Alfandegados, de CNPJ 71.040.653/001467, que não pode, consequentemente, ser considerado como tal. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10840.000944/200308 Resolução nº 3201000.621 S3C2T1 Fl. 638 9 15. Desta forma, em caso de a VIRALCOOL apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso nos estabelecimentos das empresas Terminal Cargill Agrícola S/A, de CNPJ 60.498.706/016150, e Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/000223, entendemos que as informações contidas nesta Informação Fiscal são suficientes para se revisar o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2000, acatando como receita de exportação os valores efetivamente comprovados. Observei que o contribuinte foi cientificado em 17/07/2014, a se manifestar sobre o resultado da Informação Fiscal. Em resposta, a empresa apresentou o documento anexado ao arquivo não paginável de fl. 584 (documento recebido em 02/10/2014 e o mesmo contém muitas páginas, denominado como resposta do contribuinte). Diante desses fatos relatados acima, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para a unidade de origem: informar se o documento de efl. 584 (arquivo magnético) já foi analisado, bem como considerado na informação fiscal; em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprovase, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao afirmar em que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais;e prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. Após a efetivação da diligência, cientifique o contribuinte dos fatos da mesma, se quiser se manifestar, no prazo de 30 dias e retornem os autos para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 638DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/02/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15504.003086/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos, que encaminhavam pela declaração de nulidade do lançamento por vício material.
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos, que encaminhavam pela declaração de nulidade do lançamento por vício material. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 30 86 /2 01 1- 90 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 31.960,09, relativo ao anocalendário 2007. O lançamento (fls. 30/33) foi realizado com esteio no art. 56 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988), e decorreu da constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial no montante de R$ 92.002,73, havendo sido deduzidos honorários advocatícios pagos na cifra de R$ 30.000,00. Em sede de impugnação (fls. 2/20), a contribuinte aduziu, em síntese, que o valor em questão é atinente a diferenças de beneficio de aposentadoria recebidas acumuladamente como consequência de ação judicial movida contra o INSS. Portanto, observados os períodos a que se referem, conforme entendimento pacificado dos tribunais superiores, e consagrado no art. 12A da Lei 7.713/1988, art. 12A, não se apura imposto devido. Devese considerar, ainda, que os juros e atualizações monetárias recebidos em decorrência daquela ação possuem natureza indenizatória, não se sujeitando à incidência do imposto de renda. A instância recorrida manteve o lançamento, sumarizando seu entendimento no acórdão assim ementado: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 sujeitamse à tributação na declaração de ajuste anual correspondente, somandoos aos demais rendimentos auferidos no período. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/5/2013, repisando, em linhas gerais, as razões da impugnação e demandando, ao final, fosse extinto o crédito tributário, ou sucessivamente, que ele fosse recalculado em bases mensais, extirpandose ainda os juros sobre a multa e sobre o valor original. É o relatório. Voto Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.003086/201190 Acórdão n.º 2402004.930 S2C4T2 Fl. 133 3 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Reza o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.003086/201190 Acórdão n.º 2402004.930 S2C4T2 Fl. 134 5 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido realizado o cálculo do imposto de renda consideradas as tabelas e alíquotas relativas aos períodos a que se referiam as parcelas devidas, mas sim as do anocalendário em que foram efetivamente percebidos os valores em questão. E, havendo sido reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual o imposto incide no mês do recebimento sobre o total de rendimentos, verificase incompatibilidade do lançamento com tal prescrição, afligindo tanto o Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.003086/201190 Acórdão n.º 2402004.930 S2C4T2 Fl. 135 7 aspecto temporal quanto o quantitativo da regramatriz de incidência tributária, em violação ao caput do art. 142 do Código Tributário Nacional Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16561.000192/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. PERDAS. HEDGE. COMPROVAÇÃO.
Tendo a Recorrida comprovado que as perdas por ela suportadas são dedutíveis, por decorrem de operações financeiras realizadas no mercado interno (BM&F e CETIP) e no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) com finalidade de cobertura (hedge), exonera-se a exigência correspondente.
GANHOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Tendo a Recorrida comprovado que os ganhos auferidos em operações financeiras realizadas no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) foram oferecidos à tributação, exonera-se a exigência correspondente.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. PERDAS. HEDGE. COMPROVAÇÃO. Tendo a Recorrida comprovado que as perdas por ela suportadas são dedutíveis, por decorrem de operações financeiras realizadas no mercado interno (BM&F e CETIP) e no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) com finalidade de cobertura (hedge), exonerase a exigência correspondente. GANHOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Tendo a Recorrida comprovado que os ganhos auferidos em operações financeiras realizadas no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) foram oferecidos à tributação, exonerase a exigência correspondente. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 92 /2 00 8- 02 Fl. 19940DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.940 2 LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 19941DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.941 3 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício (fl.19919) interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo DRJ/SP (fls.19874/19919) que decidiu cancelar totalmente o Auto de Infração de fls.622/643 e Termo de Verificação Fiscal fls.644/651. O Auto de Infração exige créditos relativos a lançamentos indevidos de despesas provenientes de perdas incorridas no mercado de renda variável no Brasil e no Exterior, dos anos calendários 2003 e 2004. Por oportuno, reproduzo o relatório então adotado v. acórdão recorrido, complementandoo ao final. Em 18/04/2008, a contribuinte foi intimada a informar, dentre outras coisas, sobre a decomposição, detalhamento e explicação sobre variações ocorridas na linha 33 Perdas Incorridas Mercado de Renda Variável, exceto Day Trade e na linha 36 Outras Despesas Financeiras, da Ficha 06, das DIPJ 2004 e 2005 (anoscalendário de 2003 e 2004), bem como apresentar os razões e as contrapartidas das contas envolvidas. A contribuinte apresentou em 09/05/2008 a decomposição e indicação das contas envolvidas e, em 09/06/2008, os razões e contrapartidas. Em 02/07/2008, a contribuinte foi intimada a informar sobre a natureza das contas decompostas e a explicação da reclassificação do valor de R$ 8.084.114,84, conforme resposta dada ao item 1 da intimação anterior, bem como se todas as operações foram hedges e as documentações necessárias para a comprovação do hedge. A empresa solicitou prorrogação do prazo, em 24/07/2008, por mais dez dias, sendo prontamente deferida, porém a documentação somente foi apresentada em 11/08/2008. Em 03/09/2008, a contribuinte foi intimada a apresentar planilha de cálculo que comprovasse alguns valores constantes do item 1 da intimação de 02/07/2008, devidamente conciliados com o restante da documentação apresentada e anexação das cópias dos contratos/documentos que embasassem esses valores, bem como foi reiterada a solicitação sobre alguns valores e para especificar as respostas dadas pela empresa, de forma genérica, na intimação anterior. Do hedge – operações internas A contribuinte apresentou uma planilha (fl. 312) especificando quais operações foram hedges, swaps e assunção de dívidas. As Perdas Incorridas no Mercado de Renda Variável (linha 33 Ficha 06) podem ser ocasionadas por swap ou hedge. A palavra "swap" significa troca ou permuta e designa uma operação na qual as partes trocam o fluxo financeiro de uma operação sem trocar o principal. É um instrumento de troca de riscos envolvendo direitos ou obrigações. Existem vários tipos de swap, sendo que, no mercado internacional, os tipos mais comuns são os swaps de taxas de juros e o de moedas estrangeiras conversíveis. Fl. 19942DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.942 4 As perdas ocorridas em operações de swap não podem ser compensadas com os ganhos auferidos nas operações no mercado de renda variável, conforme estabelece o § 6º do artigo 756 do RIR/99. Entretanto, as perdas ocorridas em operações de swap poderão ser reconhecidas, desde que estejam registradas nos termos da legislação vigente, conforme assevera o artigo 74, § 3º, da Lei nº 8.981/95. A contribuinte não comprovou e não documentou que as perdas incorridas em operações de swap foram registradas e contratadas de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. Portanto, as perdas não são dedutíveis, conforme determina o artigo 32, § 4o, da IN SRF nº 25/2001. O hedge pode ser definido como uma operação que tem por objetivo gerenciar o risco de determinada operação relacionada com obrigações ou direitos decorrentes da atividade da empresa, utilizando instrumentos do mercado financeiro. É um instrumento de proteção de direitos e obrigações da pessoa jurídica quando o objeto do contrato negociado estiver relacionado com a atividade operacional da empresa, conforme § 1º do artigo 77 da Lei nº 8.981/95. A IN SRF nº 25/2001, no seu artigo 35, § 2º, também delimita o hedge, estabelecendo as condições. As operações de hedge acompanham o tratamento tributário do ativo/passivo hedgeado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no artigo 18.3 do Ofício Circular CVM nº 1/2004, aponta uma série de requisitos restritivos não excludentes para uma operação de hedge ser contabilizada, observando as melhores práticas internacionais, e estabelece a regra geral para contabilização e o tratamento contábil a ser observado na operação de hedge. A CVM determina a necessidade de divulgação em nota explicativa de instrumentos financeiros, in casu, nas operações de hedge, de acordo com o artigo 21.6 do Ofício Circular CVM nº 1/2005. A empresa não evidenciou as operações de hedge nas notas explicativas de suas Demonstrações Financeiras publicadas no Diário Oficial Empresarial (fl. 19), nos anos calendário de 2003 e 2004. Examinando os documentos fornecidos pela empresa (fls. 21/618), a fiscalização verificou que as operações realizadas nos mercados futuros no Brasil não foram devidamente comprovadas pela contribuinte, como operações de cobertura. Portanto não podem ser caracterizadas como operações de hedge, para efeito de apuração do lucro real, sendo que os prejuízos (perdas) não serão dedutíveis. A fiscalização apresenta, à fl. 650, tabela com as operações realizadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros e CETIP (Central de Custódia e Liquidação de Títulos), no período de 2003 e 2004 (conforme resposta dada pela contribuinte fls. 208/213 e 312), a seguir sintetizada: [...] Como a contribuinte não comprovou e não documentou, que os valores constantes da tabela acima foram provenientes de operações de cobertura (hedge), realizadas nos mercados futuros do Brasil, essas despesas financeiras não são dedutíveis. Portanto, devem ser glosadas e adicionadas na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL e objeto de lançamento tributário. Fl. 19943DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.943 5 Do hedge – operações no exterior As operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente pela empresa brasileira em bolsas no exterior sujeitamse à aplicação do disposto no artigo 396 do RIR/99. O artigo 17 da Lei nº 9.430/96 discorre sobre as operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsas no exterior. Examinando os documentos fornecidos pela empresa (fls. 21/618), a fiscalização verificou que as operações realizadas nos mercados futuros no exterior não foram devidamente comprovadas pela contribuinte como de cobertura. Portanto não podem ser caracterizadas como operações de hedge, para efeito de apuração do lucro real, sendo que os lucros serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis, conforme observa o artigo 396, § 2º, do RIR/99. Analisando os documentos fornecidos pela contribuinte, a fiscalização verificou, primeiramente, que a contribuinte não realizou diretamente as operações nas bolsas no exterior, sendo que essas operações foram intermediadas pela empresa integrante do grupo econômico chamada Cargill Investor Services. Em segundo lugar, essas operações realizadas não foram devidamente comprovadas pela contribuinte como de cobertura (hedge). A fiscalização apresenta, à fl. 651, tabela com as operações realizadas em bolsas no exterior, no período de 2003 e 2004 (conforme resposta dada pela contribuinte fls. 208/213 e 312), a seguir sintetizada: [...]” DO AGRAVAMENTO DA MULTA: Segundo a fiscalização, como o Recorrido não atendeu, até o momento da autuação, ao item 03 da Intimação nº 09, de 02/07/2008 e aos itens 01 a 03 da Intimação nº 10, de 03/09/2008, estará sujeito à aplicação da multa de ofício no percentual de 112,5%, nos termos do artigo 44, inciso I, parágrafo 2 da Lei 9.430/96. IMPUGNAÇÃO E PETIÇÕES: Em seguia, após a notificação, a Recorrida apresentou impugnação fls. 665/748, alegando preliminares (1) de cerceamento de defesa por não ter tido acesso aos autos, (2) nulidade do Auto de Infração por incompetência funcional do Agente Autuante e (3) erro na autuação devido ao Agente Fiscal ter lançado em duplicidade os valores referentes a conta 791.101.018 no valor de R$ 4.558.705,23. Em 13/02/2009, a impugnante apresentou a petição de fls. 15860/15861, retificando a numeração de alguns documentos mencionados na impugnação. Em 17/03/2009, a impugnante apresentou a petição de fls. 15864/15867, juntando (1) documentos que visavam comprovar a contratação da empresa Cargill Investor Services para a realização das operações de hedge no exterior (doc.11, fls.15891/15929); e (2) documentos na língua portuguesa relativos a documentos apresentados em inglês na impugnação. Fl. 19944DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.944 6 Em 12/03/2010, a impugnante apresentou a petição de fls. 15992/16052, juntando relatório produzido pela empresa KPMG Tax Advisors Ltda., sintetizado às fls. 15994/16052. Devido a impugnação e os documentos juntados aos autos, a Delegacia de Julgamento decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade autuante se manifestasse sobre os seguintes pontos (fls. 15987/15991): " A análise da documentação apresentada por amostragem sobre as operações de hedge no exterior, pois a desconsideração total das operações não parece ser razoável em virtude da documentação apresentada. Se necessário, que a empresa seja intimada a apresentar mais documentos, concedendolhe prazo suficiente, pois, conforme se observa dos documentos apresentados de apenas três operações de hedge e demonstrativos de despesas de apenas um mês de cada operação, o volume de documentos e enorme. Após o exame dos documentos, deverá ser revisto o lançamento fiscal, considerando a documentação apresentada e os erros de lançamento em duplicata, valores grafados incorretamente (item 7.1) e da consideração de receitas auferidas e tributadas, como se fossem despesas, que foram glosadas, e lançadas nos autos de infração. Verificar ainda a existência de prejuízos de IRPJ e base negativa da CSLL compensáveis, relativos tanto aos anoscalendário fiscalizados, como de períodos anteriores e efetuar a compensação se for o caso. " Em atendimento ao solicitado por esta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o relatório de fls. 17746/17755, desconsiderando os documentos entregues após a apresentação da impugnação e informando que a Recorrida não conseguiu comprovar as operações com Hedge. Aduz que examinando "os documentos apresentados na impugnação pela empresa (fls. 749/15859), a fiscalização verificou que houve duplicidade de lançamento referente à conta 791.101.018, no valor de R$ 4.558.705,23 e que o valor de R$ 5.773.373,95 foi grafado erroneamente, sendo que o valor correto a ser considerado é R$ 5.733.373,95." Da mesma forma, em relação as receitas como despesas, os "valores de R$ 162.000,00, R$ 9.440.245,18, R$ 768.709,60 e R$ 2.287.111,00 foram considerados de forma equivocada pela fiscalização, que foi induzida ao erro pelos quadros apresentado pela contribuinte às fls. 212/213 e 312. " E discorda de todas as outras alegações apresentadas na impugnação da Recorrida, clamando pela manutenção do Auto de Infração. Conclui as fls.26/27 do v. acórdão, apresentando tabelas que demonstram a base de calculo do imposto a ser mantida. A Recorrida se manifesta as fls. 17759/17812 repisando os argumentos expostos na impugnação, clamando que os documentos apresentados após a impugnação sejam acolhidos como prova e postula o cancelamento do Auto de Infração. Em seguida, após se manifestar sobre a diligência, apresenta duas petições de fls. 19823/19825 e 19851/19852, juntando documentos por meio de DVDs. Fl. 19945DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.945 7 Em seguida, após a análise dos fatos e documentos acostados aos autos, foi proferido v. acórdão fls. 19874/19919 cancelando o Auto de Infração, com a seguinte ementa e conclusão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais incabível falar em nulidade do Auto de Infração. MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. PERDAS. HEDGE. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado que as perdas por ela suportadas são dedutíveis, por decorrem de operações financeiras realizadas no mercado interno (BM&F e CETIP) e no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) com finalidade de cobertura (hedge), exonerase a exigência correspondente. GANHOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado que os ganhos auferidos em operações financeiras realizadas no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) foram oferecidos à tributação, exonerase a exigência correspondente. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova." O voto constante no v. acórdão da decisão " a quo" afastou as preliminares arguidas pela Recorrida em sua impugnação e no mérito entendeu que a contribuinte teria comprovado que de fato os valores glosados se referiam a operações de hedge e que por isso as perdas são dedutíveis. Da mesma forma, entendeu o D. Julgador de 1 Instância que os ganhos referentes a operações financeiras realizadas no exterior foram oferecidos a tributação, devendo também ser cancelada esta exigência fls. 42/44 do v. acórdão. Por fim, tendo em vista o total cancelamento do Auto de Infração, deixou de analisar as demais alegações produzidas na defesa inicial da Recorrida, abaixo descritas: "∙ Falta de base legal para o lançamento da CSLL; ∙ Não observância do artigo 772 do RIR/99; ∙ Desconsideração de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL no lançamento relativo ao anocalendário de 2004; e ∙ Improcedência da multa agravada de 112,5%. " A D. Procuradoria e a Recorrida não se manifestaram nos autos acerca do Recurso de Oficio o qual passo a votar. Fl. 19946DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.946 8 É o relatório. Fl. 19947DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.947 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 644/651, o Auto de Infração glosou os créditos de acordo com os seguintes pontos: 1 A Recorrida não teria comprovado que as perdas por ela suportadas são dedutíveis por decorrem de operações financeiras realizadas no mercado interno (BM&F e CETIP) e no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago) com finalidade de cobertura (hedge) (por isso não poderia deduzir as perdas). 2 Que a Recorrida não realizou diretamente as operações nas bolsas no exterior, sendo que essas operações foram intermediadas pela empresa integrante do grupo econômico chamada Cargill Investor Services. 3 Por conseqüência das duas primeiras a Recorrida não teria comprovado o adequado oferecimento a tributação dos ganhos auferidos em operações financeiras realizadas no exterior (bolsas de valores de Nova York e Chicago). Em relação ao primeiro e mais importante ponto, de que a Recorrida não teria comprovado as operações de hedge, não assiste razão a fiscalização, eis que conforme alegado na impugnação fls.717/744 e nas petições posteriores que juntaram documentos (fls. 15992/16052 fls. 19823/19825 fls.19851/19852), restou comprovado que se tratavam de operações de cobertura (hedge) relacionadas com as atividades operacionais da contribuinte. Vejamos a parte do v. acórdão recorrido que especifica as provas para decidir pela comprovação do hedge. Em sua impugnação, a contribuinte detalha, às fls. 717/744, algumas operações nas bolsas de valores de Chicago (unidade de soja) e Nova York (unidades de cacau e de açúcar) e no mercado interno (BM&F e CETIP) e junta aos autos os documentos correspondentes, comprovando tratarse de operações de cobertura (hedge), intrinsecamente relacionadas com suas atividades operacionais. Em que pese tratarse de uma pequena amostragem, o que foi demonstrado e comprovado pela contribuinte na impugnação já seria suficiente para evidenciar a improcedência do entendimento da fiscalização de que as perdas decorrentes dessas transações seriam indedutíveis, pois não estariam caracterizadas como hedge. Ocorre que a contribuinte, decidida a demonstrar cabalmente suas alegações, não se contenta com a comprovação feita por amostragem. Assim, apresenta, após a impugnação, em 12/03/2010, a petição de fls. 15992/16052, juntando relatório produzido pela empresa KPMG Tax Advisors Ltda., sintetizado às fls. 15994/16052, que reforça suas alegações. Esse mesmo relatório foi novamente juntado aos autos pela contribuinte ao se manifestar sobre o resultado da diligência efetuada pela fiscalização. E mais. Fl. 19948DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.948 10 A contribuinte apresenta, posteriormente, a documentação relativa a todas as operações questionadas pela fiscalização. Em petição datada de 30/12/2013 (fls.19823/19825), apresenta parte da documentação (por meio de um DVD), que foi copiada no dossiê nº 10010.030473/061459 e juntada aos autos. Em petição datada de 29/01/2014 (fls. 19851/19852), apresenta o restante da documentação (por meio de um outro DVD), que foi copiada no dossiê nº 10010.024934/011431 e também juntada aos autos. Assim, conforme apontado no trecho acima colacionado do v. acórdão "a quo", a Recorrida apresentou documentação que demonstrou que as operações efetuadas no Brasil e no exterior tinham o único fito de hedge, consoante o artigo 77, inciso V, da Lei n° 8981/95 e o relatório de renomada empresa de auditoria, concluindo que as operações foram executadas para fins de cobertura. Em relação ao segundo ponto que fundamentou a lavratura do auto de infração de que a Recorrida não realizou diretamente as operações nas bolsas no exterior, sendo que foram intermediadas pela empresa integrante do grupo econômico chamada Cargill Investor Services, vejamos. Como bem argumenta a impugnante em sua defesa, as operações no exterior, tal como acontece com aquelas realizadas pelas pessoas jurídicas dentro do território nacional, somente podem ser realizadas mediante instituição financeira regularmente constituída e autorizada a operar em tais mercados. Assim, para que uma empresa possa atuar nas bolsas de Nova York e Chicago, é necessário que se contrate um agente corretor. Por tal motivo, a Recorrida recorreu à empresa pertencente ao seu grupo econômico, a Cargill Investor Services CIS, legalmente constituída e sediada nos EUA para atuar como seu agente corretor. A prova de que a Cargill Investor Services CIS era uma agente corretora mandatária para atuar em nome da Recorrida, veio aos autos com a petição de fls.15864/15867 que juntou documentos que comprovam a contratação da CIS sob tal condição, fls.15891/15929. (anexos no volume 76 dos autos, doc.11 com demarcação antiga de fls.15149/15182). Ou seja, restou comprovado nos autos que a Cargil Investor Services CIS não intermediou as operações como pensa a Fiscalização, mas apenas atuou como agente corretor na qualidade de mandatária da Recorrida, para que esta ultima pudesse operar nas bolsas de Nova York e Chicago. Ocorre que, como a fiscalização não analisou os documentos juntados aos autos após a impugnação, concluiu que a Recorrida não teria comprovado que a empresa Cargill Investor Services CIS era um agente corretor regularmente constituído e autorizado a operar nas bolsas de valores de Nova York e Chicago como seu mandatário (procurador). Desta feita, conforme restou comprovado, a empresa Cargil Investor Services tinha o papel de mandatária (Agente Corretora) da Recorrida para que esta ultima pudesse atuar nas Bolsas de Nova York e Chicago, sendo certo que não foi parte integrante da operação como entendeu a Fiscalização. Fl. 19949DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.949 11 Desta forma, como a Recorrida apresentou documentação aos autos que demonstrou que as operações efetuadas no Brasil e no exterior tinham o único fito de hedge, consoante o artigo 77, inciso V, da Lei n° 8981/95 e comprovou que o papel da CIS, era de agente corretor (mandatário) e não parte da operação, não resta dúvida de que se pode deduzir as perdas nas operações financeiras. Tal entendimento, corrobora com a jurisprudência deste E. CARF, a qual, a título de exemplo transcrevo a ementa do v. acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara Julgadora da 1ª Seção, que tratou de autuação muito parecida. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 PERDAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. HEDGE. São plenamente dedutíveis na determinação do lucro real as perdas verificadas pela pessoa jurídica em aplicações financeiras em bolsa e em swap quando tais aplicações tiverem como finalidade o hedge." (Processo n. º 15956.000362/200844) Por ultimo, o terceiro ponto relativo a acusação fiscal de que a Recorrida não teria comprovado o adequado oferecimento a tributação dos ganhos auferidos em operações financeiras realizadas no exterior (bolsas de Nova York e Chicago). Vejamos. Não esta dúvida de que a não comprovação do correto oferecimento dos ganhos auferidos nas operações financeiras a tributação, surgiu por consequência dos dois primeiros pontos acima analisados. Ocorre que, após a juntada de documentos aos autos pela Recorrida, os dois pontos acima indicados que balizaram o entendimento do Agente Fiscal para lavrar o auto de infração foram superados, sendo que a dedutibilidade das perdas questionadas restaram legitimas e por consequência, também restou comprovado o devido oferecimento a tributação dos ganhos auferidos nas operações financeiras. Assim, em relação aos ganhos auferidos pela Recorrente, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido como razão de decidir, transcrevendo os excertos de interesse conforme faculta o artigo 50 da Lei nº 9.784/99. "Analisase, neste item, a seguinte matéria tributável. [...] Da receita no valor de R$ 255.387,88 (conta 791.101.018, anocalendário 2003) A contribuinte lançou na Ficha 06A da DIPJ/2004 (anocalendário 2003), linha 33, a título de perdas no mercado de renda variável, o montante de R$ 321.958.301,97 (fl. 619). Conforme alegado pela impugnante, e comprovado nos autos (Livro Razão, fls.813/828), o supracitado valor decorre da soma das seguintes contas de despesa: [...] Por sua vez, o saldo de R$ 187.754.964,03, da conta 791.101.018 (na qual consta como contabilizado o valor em discussão), foi composto pelo saldo das seguinte subcontas: Fl. 19950DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.950 12 [...] Conforme Livro Razão (fl. 828), o saldo da subconta 220008999.791101.018 (R$ 784.929,30) decorre de débitos (despesas) no total de R$ 14.707.034,88 diminuído de créditos (receitas) no total de R$ 13.922.105,58, que inclui o montante em litígio, de R$ 255.387,88 (débitos de R$ 12.644.002,33 e créditos de R$ 12.899.390,21). Em síntese, a receita de R$ 255.387,88 compôs (reduziu, como lançamento a crédito) o saldo da subconta de despesa 220008999.791.101.018 (R$784.929,30), que compõe o saldo da conta contábil 791.101.018 (R$ 187.754.954,03), que, por sua vez, compõe o valor lançado na Ficha 06A da DIPJ/2004, linha 33, a título de perdas no mercado de renda variável, no montante de R$ 321.958.301,97. Ou seja, a receita de R$ 255.387,88 foi oferecida à tributação, como redutora de conta de despesa. No relatório da diligência, a fiscalização, argumenta que o referido valor não poderia reduzir o saldo final da subconta 220008999.791101.018, pois, por não haver sido comprovado que se tratava de operações de hedge, devese observar § 2º do artigo 396 do RIR/99, que dispõe que “No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis”. Não procede tal alegação, primeiramente porque as operações em questão foram todas consideradas como de cobertura (hedge). Ademais, o supracitado § 2º do artigo 396 do RIR/99 trata dos “resultados líquidos, positivos ou negativos” (caput do artigo 386 do RIR/99), do confronto de ganhos e perdas, e não de cada operação separadamente. Desse modo, concluise que o valor de R$ 255.387,88 (anocalendário 2003) deve ser excluído da tributação. Das receitas nos valores de R$ 336.182,42 (conta 791.101.013) e R$ 9.585.380,73 (conta 791.101.018), relativas ao anocalendário 2004) A contribuinte lançou na Ficha 06A da DIPJ/2005 (anocalendário 2004), linha 33, a título de perdas no mercado de renda variável, o montante de R$ 10.659.985,38 (fl. 621). Conforme alegado pela impugnante, e comprovado nos autos (Livro Razão, fls. 833/846), o supracitado valor decorre da soma das seguintes contas de resultado: [...] Com relação à receita de R$ 336.182,42 (conta 791.101.013), verificase que ela compôs o saldo da conta 791101.013 (receita de R$ 135.524,34), que abrange as seguintes sub contas: [...] Em síntese, a receita de R$ 336.182,42 corresponde ao saldo (credor) da subconta 220008999.791101.013 (débitos de R$ 2.627.094,41 e créditos de R$ 2.963.276,83), que compôs (reduziu, como lançamento a crédito) o saldo da conta 791101.013 (receita de R$ 135.524,34), que, por sua vez, compôs (reduziu, como lançamento a crédito) o valor lançado na Ficha 06A da DIPJ/2005, linha 33, a título de perdas no mercado de renda variável, no montante de R$ 10.659.985,38. Ou seja, a receita de R$ 336.182,42 foi oferecida à tributação, como redutora de conta de despesa. Fl. 19951DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16561.000192/200802 Acórdão n.º 1402002.115 S1C4T2 Fl. 19.951 13 Com relação à receita de R$ 9.585.380,73 (conta 791.101.018), verificase ela compôs o saldo da conta 791101.018 (despesa de R$ 2.377.977,37), que abrange as seguintes sub contas: [...] Em síntese, a receita de R$ 9.585.380,73 corresponde ao saldo (credor) da subconta 171008999.791.101.018, que compôs (reduziu, como lançamento a crédito) o saldo da conta 791.101.018 (R$ 2.377.977,37), que, por sua vez, compõe o valor lançado na Ficha 06A da DIPJ/2005, linha 33, a título de perdas no mercado de renda variável, no montante de R$ 10.659.985,38. Ou seja, a receita de R$ 9.585.380,73 foi oferecida à tributação, como redutora de conta de despesa. No relatório da diligência, a fiscalização, argumenta que os valores de R$ 336.182,42 e R$ 9.585.380,73 não poderiam reduzir o saldo final das subcontas 220008999.791101.103 e 171008999.791101.018, respectivamente, pois, por não haver sido comprovado que se tratava de operações de hedge, devese observar § 2º do artigo 396 do RIR/99. Não procede tal alegação, pois, conforme já mencionado na nossa análise quanto à tributação da receita no valor de R$ 255.387,88 (conta 791.101.018, anocalendário 2003): ∙ as operações em questão foram todas consideradas como de cobertura (hedge); e ∙ o § 2º do artigo 396 do RIR/99 trata dos “resultados líquidos, positivos ou negativos” (caput do artigo 386 do RIR/99), do confronto de ganhos e perdas, e não de cada operação separadamente. Desse modo, concluise que os valores de R$ 336.182,42 e R$ 9.585.380,73, relativos ao anocalendário 2004, devem ser excluídos da tributação." Ante o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Oficio e voto no sentido de negar provimento, mantendo a decisão “a quo” em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 19952DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 10168.003918/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO. REGULARIZAÇÃO.
Constatado erro na formalização do acórdão, os embargos são acolhidos para corrigir a inexatidão material mediante transcrição integral das manifestações apresentadas por ocasião do julgamento dos processos principal e apenso.
Numero da decisão: 1302-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. CONSTATAÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO. REGULARIZAÇÃO. Constatado erro na formalização do acórdão, os embargos são acolhidos para corrigir a inexatidão material mediante transcrição integral das manifestações apresentadas por ocasião do julgamento dos processos principal e apenso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 8. 00 39 18 /2 00 7- 36 Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 11 de março de 2014 a extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento julgou recurso voluntário interposto nestes autos e no processo apenso nº 10166.720300/201050. A decisão, conduzida em parte por voto de lavra desta Conselheira, está formalizada no Acórdão nº 1101001.055, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RITO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARTIDOS POLÍTICOS. ART. 32, §9°, DA LEI 9.430/96. INAPLICABILIDADE A AUTOS DE INFRAÇÃO COMPLEMENTARES. O preceito em voga versa exclusivamente sobre as autuações imediatamente lavradas após a Suspensão de Imunidade, não se aplicando a autuações complementares, que podem ser confeccionadas enquanto não escoado o correlato prazo decadencial. RITO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARTIDOS POLÍTICOS. MEDIDA CAUTELAR NA ADI 1.802. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO NO RITO PREVISTO NO ART. 32 DA LEI 9.430/96. Ao proferir a medida cautelar que suspendeu a eficácia dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n 9.532/1997 (ADI 1.802DF), o STF não suspendeu a eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que versa sobre o rito para a suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. RAZÕES ADITIVAS PARA INFORMAR PRETENSA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DO ART. 32 DA LEI 9.430/96. FATO NOVO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO. A uma, a liminar concedida na ADI n. 1802 que alegadamente apenas chegou ao conhecimento da Recorrente em dezembro de 2007 foi deferida pelo I. STF em 27 de agosto de 1998, é dizer, praticamente 10 (dez) anos antes. Para além disso, a questão da ineficácia do art. 32 da Lei 9.430/96 foi analisada, de modo que impensável qualquer prejuízo no exercício da defesa. NORMA SUPERVENIENTE. CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE. EFEITOS TEMPORAIS. IRRETROATIVIDADE. A inclusão do §11 do art. 32 da Lei n°9.430/1996, pela Lei n° 11.941/2009, que se constitui em condição de procedibilidade para o início de procedimento tendente à Suspensão da Imunidade de partido político, não acarreta a necessidade de preenchimento dessa condição para os procedimentos já iniciados, à míngua de expressa disposição legal. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FATOS. CONDIÇÕES DESCUMPRIDAS. A contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, a não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas e a pessoas jurídicas e a não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados materializam o descumprimento dos requisitos insertos no §1° do art. 9o e nos incisos I, II e III do art. 14, ambos do CTN, condições necessárias, no que tange aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, para que o partido político pudesse usufruir da imunidade constitucional condicionada, prevista na alínea "c", inciso VI, do art. 150 da Lei Maior. Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 4 3 RECURSOS RECEBIDOS. PAGAMENTOS EFETUADOS. OPERAÇÕES NÃO CONTABILIZADAS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Operações envolvendo o recebimento, por parte do partido político, da quantia de R$700.000,00, e a utilização do correspondente recurso para o pagamento a prestador de serviços advocatícios não foram contabilizadas, o que revela inquestionável inobservância do requisito inserto no inciso III do art. 14 do CTN, indispensável para a fruição do gozo da imunidade tributária pelo partido político. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS OU DOS PRODUTOS FORNECIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. DISTRIBUIÇÃO DE PARCELA DO PATRIMÔNIO OU RENDAS. APLICAÇÃO NÃO INTEGRAL DOS RECURSOS NA MANUTENÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Utilização, pelo partido político, de notas fiscais inidôneas, a falta de comprovação da prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos e a falta de comprovação da efetiva realização dos correspondentes pagamentos consubstanciam descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN, que imprescindivelmente devem estar preenchidos para a fruição do gozo da imunidade tributária. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. FORNECEDORES. PRESTADORES DE SERVIÇOS. IRRF. NÃO RETENÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, em razão de serviços prestados ou produtos fornecidos, sem a devida retenção do imposto de renda nos termos da legislação vigente, caracterizam descumprimento ao requisito constante do §1° do art. 9° c/c §1o do art. 14, do CTN, necessária para a manutenção da imunidade tributária. Suspensão da Imunidade Tributária Mantida. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CSLL, PIS E COFINS. PORTARIA RFB 4.066/2007. EXEGESE NORMATIVA. MANUTENÇÃO. Devem ser mantidos integralmente os lançamentos de multa isolada pela falta de retenção de CSLL, PIS e COFINS, reiterando que a multa isolada por falta de retenção de IRF não integra o objeto litigioso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, serão estes considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOA FÍSICA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. NÃO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DOS PRAZOS PARA APRESENTAÇÃO DAS CORRELATAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE DA PESSOA FÍSICA. INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Apesar de o Partido Político em causa efetivamente não ter procedido à retenção e ao recolhimento no Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos a advogado que lhe prestou serviços, a fonte Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 5 4 pagadora não responde pelo tributo em causa se os correlatos créditos tributários foram lançados após o prazo para apresentação das declarações de ajuste anual atinentes aos exercícios em que os pagamentos foram realizados. Inteligência do Parecer Normativo n. 1, de 24 de setembro de 2002. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. GLOSA DE DESPESA NA APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. INCIDÊNCIA DE IRPJ. COMPATIBILIDADE. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, impõe conseqüências à fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbe de seu dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, de modo a permitir a confirmação da regular tributação de eventual rendimento auferido por aquele beneficiário. Nada impede que este mesmo pagamento, quando contabilizado como despesa, seja também glosado na apuração do lucro tributável e resulte na exigência de imposto da mesma pessoa jurídica, mas na condição de contribuinte. MULTAS ISOLADAS. JUROS ISOLADOS. COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇAS A MAIOR COM MULTAS PELA FALTA DE RETENÇÃO DE CSLL, PIS E COFINS. APROVEITAMENTO. Não compete ao julgador administrativo reconhecer, de oficio, créditos decorrentes de recolhimento a maior, devendo o sujeito passivo proceder à compensação dos débitos exigidos de oficio com os valores recolhidos a maior em períodos anteriores mediante a utilização do instrumento próprio criado para essa finalidade, qual seja, o PER/DCOMP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSAS DE DESPESAS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Tendo sido demonstrada, de maneira contundente, a utilização de notas fiscais inidôneas, cujos beneficiários não foram identificados ou a causa dos pagamentos não foi esclarecida, resta plena subsunção ao artigo 304 do RIR/99, vez que se constituem em despesas não dedutíveis, razão pela qual devem ser glosadas e adicionadas ao lucro líquido do período de apuração correspondente. DOLO. MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. Não deve prosperar a multa de ofício qualificada se a autoridade autuante não se desincumbiu do ônus de demonstrar a ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e/ou 73 da Lei n. 4.502/64. In casu, apesar de ser inquestionavelmente rechaçável o sistemático emprego de Notas Fiscais inidôneas, não se verifica a presença do dolo específico que autoriza a qualificação da penalidade de ofício. DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Se o sujeito passivo nada declara por se considerar fora do campo de incidência da norma tributária, não corre contra o Fisco o prazo de homologação tácita, e o lançamento pode ser efetuado em até 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (anocalendário 2004). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ISENÇÃO DA CSLL. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS. INAPLICABILIDADE. A hipótese de outorga de isenção, cuja interpretação deve ser literal, prevista no § 1°, art. 15, da Lei n° 9.532/97, não se aplica aos Partidos Políticos, por ausência de previsão legal para equiparação das associações civis Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 6 5 com agremiações partidárias. Manutenção do lançamento de CSLL, sem multa qualificada. Em 10/07/2014 os autos foram remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 11/08/2014 opôs embargos, tempestivamente (fls. 2669/2670), apontando contradição no julgado porque, segundo o item 2.6 do acórdão, o Colegiado teria dado provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL, porém o voto do Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, vencedor nesta parte, afirmou a manutenção dos lançamentos de IRPJ e CSLL, com a desqualificação da multa de ofício. Assim, o voto condutor do julgado teria sido por manter os lançamentos de IRPJ e CSLL, e não reduzilos. Antes de ser cientificado da decisão, o sujeito passivo também se manifestou nos autos por meio da petição juntada às fls. 2674/2676, requerendo sua apreciação conjunta com os embargos apresentados pela Fazenda Nacional, e apontando que houve omissão no voto do Conselheiro Relator acerca das razões de decidir vinculadas ao processo nº 10166.720300/201050. No exame de admissibilidade dos embargos, descrito às fls. 2677/2682, constatouse que: Por meio do acórdão embargado, o Colegiado apreciou litígios formados nos processos administrativos nº 10168.003918/200736 e 10166.720300/201050 em razão de recursos voluntários interpostos pela autuada contra decisões de 1ª instância que mantiveram parcialmente as exigências ali formalizadas. Os processos administrativos foram apensados neste Conselho (fl. 2547 do processo principal e fl. 2501 do processo apenso nº 10166.720300/201050). Em ambos houve formalização de exigências de IRPJ e CSLL, mas no processo administrativo nº 10166.720300/201050 as infrações foram apuradas em segundo exame do exercício antes fiscalizado motivado por indícios de omissão de receitas identificados por ocasião da impugnação apresentada no processo administrativo nº 10168.003918/200736. A decisão do acórdão embargado está assim redigida: Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente ao processo nº 10168.003918/200736: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade por violação ao § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ineficácia do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de cerceamento ao direito de defesa; 1.4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade com fundamento no §11 do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade; 1.6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas por falta de retenção de CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS; 1.7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IRRF retido e não recolhido, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.8) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Joselaine Boeira Zatorre, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRPJ e CSLL; e, 1.10) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e, 2) relativamente ao processo nº 10166.720300/201050: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 7 6 nulidade por violação ao § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ineficácia do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de cerceamento ao direito de defesa; 2.4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade com fundamento no §11 do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.5) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2.6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. O item 2.6, nestes termos, reportase a matéria decidida em face do recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10166.720300/2010 50. Ocorre que o voto integrado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior ao acórdão embargado somente trouxe as razões apresentadas em face do recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10168.003918/2007 36. A confirmar esta constatação, basta observar que nenhuma referência existe, ali, acerca da decadência arguida pela recorrente, ponto no qual o Conselheiro Relator restou vencido e está abordado no voto vencedor de lavra desta Conselheira. Aliás, sequer o relatório do processo apenso foi integrado ao acórdão final, possivelmente porque, depois de ter apresentado cada processo em documentos separado na sessão de julgamento, o Conselheiro Relator deixou de reunilos no acórdão único proferido depois da mencionada apensação. Em verdade, portanto, não há contradição no acórdão embargado, e sim inexatidão material devida a lapso manifesto, mas que também demanda correção, na forma do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Por tais razões, os embargos foram admitidos e distribuídos para relatoria desta Conselheira, com fundamento no art. 65, §2o, no art. 66, §2º, e no art. 49, §6º, todos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, houve mera inexatidão material no momento da formalização do acórdão, vez que o Conselheiro Relator, possivelmente olvidandose da prévia apensação, a estes autos, dos autos do processo administrativo nº 10166.720300/201050, deixou de agregar ao relatório e ao voto do acórdão embargado o relato e as razões apresentadas em face da exigência formalizada nos autos do processo apenso. Assim, para correção da inexatidão material devida a lapso manifesto, reproduzse nos tópicos subsequentes os relatórios e votos apresentados na sessão de julgamento de 11 de março de 2014, correspondentes ao litígio constituído no processo principal nº 10168.003918/200736 e no processo apenso nº 10166.720300/201050, evidenciandose ao final de cada grupo a correspondência dos votos com a decisão do Colegiado e com a ementa exposta no acórdão embargado. RELATÓRIO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10168.003918/200736 Por fielmente descrever a discussão encerrada nos autos, adoto o Relatório da v. decisão recorrida, em que se lê, litteris: “I. Quanto à Suspensão da Imunidade Tributária 1.1 — Notificação de Suspensão de Imunidade O partido político identificado no preâmbulo foi cientificado em 24/10/2007 do Termo de Notificação Fiscal lavrado às fls. 01/70, nos termos dos §§1° e 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, tendo em vista a constatação da ocorrência de fatos determinantes para a suspensão do beneficio de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, assim descritos, em síntese: a) contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, nos anos de 2002, 2003 e 2004, caracterizando infringência aos incisos I, II e III do art. 14 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), na medida em que não foram aplicados integralmente os recursos financeiros para os objetivos institucionais, foram distribuídas partes das rendas e foi apresentada escrituração que não reflete, com exatidão, a totalidade dos atos praticados. b) não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas nos anos de 2001, 2002 e 2003 e a pessoas jurídicas nos anos de 2003 e 2004, em relação aos quais deveria ter feito a retenção e o recolhimento do imposto, infringindo o §1o do art. 9° do CTN; Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 9 8 c) não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados, nos anos de 2003 e 2004, em desacordo com o disposto no inciso 111 do art. 14 do CTN. 1.2 — Contestação à Notificação de Suspensão de Imunidade Em 23/11/2007, dentro do prazo prescrito no § 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, o partido político ofereceu a defesa acostada as fls. 1364/1405, para contestar o citado Termo de Notificação Fiscal. Discorreu o impugnante, a principio, sobre a personalidade jurídica do partido político e a administração nos termos do seu estatuto. Disserta sobre a legislação tributável aplicável ao caso para consolidar entendimento de que não houve nenhuma desobediência aos requisitos legais, e, portanto, não haveria que se falar em suspensão de imunidade tributária. No que concerne a distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou rendas, a qualquer titulo, a defesa alegou que não houve descumprimento da legislação, pois o partido mantém seus livros contábeis em dia e jamais deixou de prestar contas perante a justiça eleitoral. As notas fiscais em questão não poderiam ser tidas como inidôneas, vez que foram regularmente preenchidas, possuem inscritos a razão social, o número do CNPJ e o número da AIDF, por isso o partido jamais duvidou de sua idoneidade. Ademais, o partido não tinha condições de verificar a condição do emissor da nota fiscal, se uma empresa inativa ou inapta. 0 pagamento efetuado pelos serviços constantes da nota fiscal foi de boa fé, sendo que em nenhum momento restou mencionado, no relatório fiscal, existência de dolo específico ou culpa por qualquer ato praticado pelos dirigentes do partido. Por outro lado, ainda que se restasse comprovada a prática de ilícito, caberia investigar os verdadeiros responsáveis, sob a égide dos artigos 135, 135 e 137 do CTN, vez que a responsabilidade será pessoal do agente quando ocorrer um ato de infração à lei que gere uma obrigação tributária, ou seja, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e praticados por terceiro. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Ainda, a nova redação dada ao inciso I do art. 14 do CTN seria inconstitucional, vez que se trata de inovação imposta pelo legislador ordinário visando restringir o âmbito de abrangência das entidades albergadas pela imunidade tributária, fato inconcebível, tendo em vista os objetivos sociais que a norteiam. Em se tratando da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, aduziu a defesa que apesar de estar comprovada a negociação celebrada entre o expresidente do partido, Pedro Corrêa, e o advogado Paulo Goyaz, no valor de R$700.000,00, tal negociação foi uma operação particular, e por isso não foi registrada. Enfim, quanto a retenção de tributos na fonte, o partido político recolheu, em 22/11/2007, com multa e juros isolados o imposto de renda que deveria ter sido retido sobre os pagamentos feitos a pessoas físicas nos anos de 2001, 2002 e 2003 e a pessoas jurídicas nos anos de 2003 e 2004. 1.3 — Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 10 9 A contestação de fls. 1364/1405 oferecida pelo partido político foi apreciada pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília, cujo Despacho Decisório as fls. 1425/1484 reconheceu a procedência da Notificação Fiscal de fls. 01/70, e por consequência, decidiu suspender a imunidade tributária exercida pelo Partido Progressista, e determinou a expedição do Ato Declaratório Executivo. Inicialmente, discorreu a autoridade tributária sobre a base legal que ampara a imunidade tributária dos partidos políticos e os procedimentos fiscalizatórios previstos para verificar o cumprimento das condições necessárias para o gozo do beneficio. Em seguida, o Despacho Decisório tratou dos fatos levantados pela Fiscalização que ensejaram a emissão do Termo de Notificação Fiscal, quais sejam, a utilização de notas fiscais inidôneas, a falta de retenção e recolhimento do IRRF e a falta de escrituração contábil de recebimentos e pagamentos. Da análise dos fatos arguidos e das provas apresentadas pelo partido político, a autoridade tributária considerou improcedentes as alegações da defesa, concluindo que restou demonstrada a utilização de notas fiscais falsas, seguida pela falta de comprovação da prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos e a falta de comprovação dos pagamentos. Também entendeu que não foram retidos na fonte, nos termos da legislação que dispõe sobre a imunidade, os tributos federais sobre rendimentos pagos a pessoas físicas nos anoscalendário de 2001 a 2003 e sobre os pagamentos a pessoas jurídicas nos anoscalendário de 2003 e 2004. Por fim, concluiu também que não foram escrituradas receitas nem despesas, decorrentes do recebimento de RS700.000,00 por parte de João Cláudio de Carvalho Genu e o pagamento das despesas ao advogado Paulo Goyaz, advogado atuando em interesse do Deputado Federal Ronivon Santiago. O partido político foi cientificado da decisão proferida pelo Despacho Decisório em 21/12/2008, ocasião em que informou que estava amparado por medida liminar no Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0433323, impetrado na Justiça Federal, acostado aos autos As fls. 1492/1494. Valeuse o partido político do remédio constitucional, tendo em vista que, após o recebimento da Notificação Fiscal de fls. 01/70 em 24/10/2007, foi intimado, em ato continuo, a consolidar, no prazo de vinte dias, o resultado financeiro dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, pela sistemática do Lucro Real Trimestral, por meio do "Termo de Intimação Fiscal Nr. 008" (fls. 1700) cientificado em 06/11/2007 e "Termo de Intimação Fiscal Nr. 009" (fls. 1706), cujo recebimento deuse por via postal em 07/12/2007, antes de ser proferida decisão que trataria da suspensão da imunidade. Esclarece o Mandado de Segurança que "Sem que seja declarada a suspensão da imunidade, não faz sentido exigir obrigação tributária acessória de tributo imune (112E1)", e, assim sendo, defere em parte o pedido liminar, para o fim de suspender o "TIF/008 (Doc. 2) e o TIF/009 (Doc. 04), reconhecendose o direito do impugnante de somente vir a ser obrigado pelos Impetrados a prestar as obrigações tributárias acessórias previstas no referido termo a partir do vigésimo dia da ciência de eventual Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade Tributaria do Partido, expedida pela autoridade competente da SRF, nos termos da Lei n° 9.430/96". Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 11 10 Por fim, por meio do documento de fls. 1708/1709, o partido político apresentou, em 11/01/2008, as demonstrações de resultado, às fls. 1710/1721, conforme orientações dispostas nos Termos de Intimação Fiscal n° 008 e 009. Apresentou ainda a defesa a petição de fls. 1485/1487, em 14/12/2007, documento denominado "Razões Aditivas", no qual discorre sobre o julgamento da ADI 1802, ocasião em que o STF suspendeu a vigência de artigos da Lei n° 9.532/97, que tratavam da imunidade das instituições de educação ou de assistência social, por entender que tal suspensão teria repercussão para as demais entidades imunes no que tange A aplicação do rito previsto no artigo 32 da Lei no 9.430/1996, o que eivaria de nulidade o Termo de Notificação de fls. 01/70 e por conseqüência tornaria insubsistente a suspensão da imunidade tributária. A Divisão de Orientação e Análise Tributária — Diort, da DRF/Brasilia, por meio da Informação de fls. 1489, esclareceu que, tendo a ciência do Termo de Notificação Fiscal sido dada em 24/10/2007, caberia oferecimento de defesa no prazo de trinta dias, nos termos do § 2° do artigo 32 da Lei no 9.430/1996. Nesse sentido, a petição de fls. 1485/1487, oferecida apenas em 14/12/2007, foi intempestiva, razão pela qual "os documentos as fls. 1485/1487 não foram considerados na análise dos fatos para efeitos de expedição do ato suspensivo da imunidade". 1.4 — Impugnação ao Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade Tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo n° 134, publicado no DOU em 21/12/2007, e tomado ciência do Despacho Decisório em 21/12/2007, o interessado, seguindo norma disposta no §6o , inc. 1, art. 32 da Lei n° 9.430/1996, apresentou impugnação de fls. 1722/1743 e anexos, no dia 22/01/2008. As alegações estão sintetizadas a seguir. Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.532/1997, que dispõe que "à suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, As entidades imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o princípio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 12 11 A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção à referida petição. Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (i) o Despacho anexado pela DRF/Brasilia comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (ii) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida em qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo n° 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia a Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, às fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao senhor Paulo Goyaz, vez que foi um negócio particular entre dirigentes do Partido à época da operação com esta pessoa. Assim, corno a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Ressaltese que os órgãos Institucionais incumbidos da investigação de ilícitos (STF, Ministério Público, Policia Federal) prosseguem suas investigações contra as pessoas físicas, possíveis agentes dos ilícitos, e não contra o Partido. A Receita Federal vem demonstrando falta de empenho na busca de verdade material que envolve os fatos. Tanto que, na falta de comprovação efetiva da participação do Partido nos episódios, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Razões de Mérito. Recebimento dos R$700.000,00 utilizados em pagamentos a Paulo Goyaz. A Fiscalização fundase em vários depoimentos orais para acusar o Partido Progressista de ter recebido a importância de R$700.000,00 sem registrar o ingresso desses recursos e sua Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 13 12 utilização para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz. Ainda, diz a Fiscalização que foram anexadas aos autos as "Declarações de Ajuste Anual dos Exercícios de 2004 e 2005 (anoscalendário de 2003 e 2004) de Paulo Alves da Silva, CPF 291.925.52072 (Paulo Goyaz). O Partido, pessoa jurídica distinta das pessoas de seus dirigentes, volta a negar que tenha recebido os R$700.000,00, bem como volta a negar que tenha utilizado tais recursos para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz, por isso não fez retenção de IRF e não apresentou as DIRF referentes a tais pagamentos. Os depoimentos revelam apenas que houve um negócio particular entre os dirigentes do Partido e o Sr. Paulo Goyaz. A Fiscalização incumbiuse de apresentar a versão do sr. Paulo Goyaz, cujas declarações informando o recebimento no montante de R$964.300,00, equivalente ao valor de R$700.000,00 reajustado conforme o art. 20 da IN SRF n° 15/2001, são retificadoras, elaboradas e apresentadas em data posterior ao início do processo de investigação dos fatos. Tal constatação compromete a qualidade da prova. Deveria, nesse contexto, ter a Fiscalização anexado cópias da declarações retificadas, para que se pudesse apurar qual o objeto da retificação, sendo que, fosse demonstrado que a retificação teve como objetivo incluir os rendimentos ditos como recebidos do Partido, a prova seria imprestável, vez que constituída após o inicio do processo de investigação desse fato. Contudo, omitiuse a Receita Federal quanto a esta providência. Registrese ainda que a Fiscalização fundase em depoimento de Va1mir Campos Crepaldi prestado em 16/09/2005, no dia subseqüente ao dia da retificação das declarações de Paulo Goyaz. O sr. Valmir Campos Crepaldi, funcionário de tesouraria do partido político, informou que o sr. Paulo Goyaz, ao receber os recursos, entregava recibo de pagamento de autônomo (RPA) em valor superior ao do numerário entregue, para demonstrar que o valor do RPA correspondia a um valor líquido reajustado, considerando as normas de retenção de imposto de renda na fonte. Por sua vez, no dia anterior, 15/09/2005, o sr. Paulo Goyaz apresentara declarações retificadoras em que os valores declarados estavam reajustados nos termos do art. 20 da IN SRF n° 15/2001. A Fiscalização valeuse tanto do depoimento de Valmir Crepaldi quanto das declarações de Paulo Goyaz, sem cogitar na hipótese de que a "coincidência" seja resultado de algum prévio concerto. Paradoxalmente, a própria Receita Federal demonstra falta de confiança nas declarações de Paulo Goyaz, vez que ainda não restituíra o "imposto a restituir" apurado, conforme demonstram documentos anexos. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) foram utilizadas perífrases para insinuar que teria havido falta de recolhimento de imposto de renda supostamente retido na fonte. Na "conclusão", A Fiscalização limitase a arrematar o assunto em parcas três últimas linhas, "iii) Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos não contabilizados, infração relatada no titulo IV.3 — FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEBIMENTOS E PAGAMENTOS". Do exame de tal conclusão, indagase se isso quer dizer que houve a retenção, ou que deveria ter havido a retenção, ou seja, não há clareza do Fisco na acusação. O TVF não apresenta o item 53, 'iv', passando diretamente para o item 53, 'v', cuja expressão "... e Imposto de Renda Retido na Fonte e não recolhido sobre pagamentos não contabilizados", reportase ao caso do Paulo Goyaz. Partese, então, do pressuposto que o item 53, 'iv', conteria Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 14 13 uma "conclusão" inequívoca, fundamentada em circunstâncias inquestionáveis demonstradas no titulo "IV.3" do TVF, de que houve a retenção do IRF. No entanto, o titulo "IV.3" do TVF, com exceção do item 51 (que trata das "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz), não se reporta em ponto algum à questão da retenção do IRF. Por outro lado, demonstrou se que as "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz não reúnem condições de serem tidas como comprovação de suposta infração praticada pelo Partido, a menos que a Receita Federal tivesse demonstrado que o objeto da retificação das declarações não consistiu na inclusão dos rendimentos atribuídos ao Partido. Finalmente, cabe registrar, com base no exposto, que os "depoimentos", em que se fundam as acusações tecidas contra o Partido, não podem merecer o crédito absoluto que lhes confere a Fiscalização da Receita Federal. Razões de Mérito. Pagamentos efetuados com base em notas fiscais consideradas irregulares. O Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base em documentos tidos como irregulares, e por isso reitera as razões já expostas na Contestação do TNF. Não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado à responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter lRF sobre pagamentos dessa natureza. Razões de Mérito. Pagamentos a pessoas fisicas e jurídicas sem retenção de IRF. Ao contestar o TNF, o Impugnante reconheceu que não efetuou pagamentos a pessoas físicas e jurídicas pela remuneração de serviços prestados sem fazer a retenção do imposto de renda devido na fontes, e por isso efetuou o pagamento dos "encargos legais" cabíveis, de acordo com orientação do Parecer Normativo COSIT n° 01/2002. O Partido visava, com Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 15 14 esse procedimento, extinguir a sanção administrativa aplicável, qual seja, a suspensão da imunidade tributária, tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 83 da Lei no 9.430/1996. Para surpresa do impugnante, o gesto do Partido foi tomado como prova de infração, tendo sido utilizada para fundamentar a expedição do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade. Tratase de procedimento que implica em ato de desobediência ao disposto no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, de forma a acarretar a nulidade do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade, vez que ato administrativo ilegal não pode produzir efeitos jurídicos. Pedido Final. Pelas razões expostas, pedese que seja cancelado o Ato Declaratório Executivo n° 134, publicado no DOU de 21/12/2007, e como conseqüência sejam anulados os autos de infração lavrados em função da quebra da imunidade partidária do impugnante. II. Quanto aos Lançamentos de Oficio Em face da expedição do Ato Declaratório Executivo n° 134, de 20/12/2007, que suspendeu a imunidade do Partido Progressista para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, foi intimado o partido político a apresentar a consolidação do resultado financeiro para cada um dos respectivos períodos, adotando a sistemática do Lucro Real Trimestral, indicando as bases de cálculo utilizadas e explicitando as adições e exclusões consideradas, para que o resultado apurado fosse tomado como base para a apuração do IRPJ devido. Em 11/01/2008, o partido político encaminhou o documento de fls. 1708/1709 acompanhado das demonstrações de resultado às fls. 1710/1721. Nesse contexto, inicialmente, foram lavrados pela autoridade fiscal, sete Autos de Infração, que o presente relatório separa em dois grupos, sendo que no primeiro a ciência do sujeito passivo deuse em 21/12/2007, listados no Quadro 01, e no segundo em 24/01/2008, conforme Quadro 02: GRUPO 1 Item Data da Lavratura Data da Ciência do Suj. Passivo Descrição Fls dos Autos Termo de Verificação Fiscal fls Crédito Tributário (R$) 1 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte do PIS 1603/1610 1527/1602 3.588,03 2 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte da CSLL 1611/1618 1527/1602 5.520,00 3 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte da Cofins 1619/1626 1527/1602 16.560,05 4 21/12/2007 21/12/2007 Imposto de Renda Retido na Fonte e Multa Isolada pela Não Retenção na Fonte do IRRF 1627/1694 1527/1602 5.316.434,91 Quadro 01 – Listagem dos Autos de Infração com ciência do sujeito passivo em 21/12/2007 Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 16 15 GRUPO 2 Item Data da Lavratura Data da Ciência do Suj. Passivo Descrição Fls dos Autos Termo de Verificação Fiscal – fls Crédito Tributário (R$) 5 22/01/2008 24/01/2008 Contribuição Social s/ Lucro Líquido – Falta de Recolhimento pela Suspensão da Imunidade 1927/1935 1868/1925 91.349,47 6 22/01/2008 24/01/2008 Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Pagamentos Sem Causa, Pagamentos a Beneficiário Não Identificados e Falta de Recolhimento pela Suspensão da Imunidade 1936/1951 e 1962/1963 1868/1925 1.120.062,00 7 22/01/2008 24/01/2008 Contribuição Social s/Lucro Líquido – Pagamentos Sem Causa e Pagamentos a Beneficiário Não Identificados 1952/1963 1868/1925 346.392,77 Quadro 02 – Listagem dos Autos de Infração com ciência do sujeito passivo em 24/01/2008 O crédito tributário lançado de oficio, relativo aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, no valor de R$6.899.907,23, encontrase assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – PIS (fls. 1603/1610) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 3.588,03 R$ 3.588,03 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – CSLL (fls. 1611/1618) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 5.520,00 R$ 5.520,00 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 17 16 Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – COFINS (fls. 1619/1626) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 16.560,05 R$ 16.560,05 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 1627/1694) Imposto Juros de Mora (calculados até 30/11/2007) Multa Proporcional Multa Exigida Isoladamente Juros de Mora Exigidos Isoladamente Total R$ 1.708.635,37 R$ 1.009.319,24 R$ 2.562.952,66 R$ 32.420,68 R$ 3.106,96 R$ 5.316.434,91 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Trabalho Sem Vínculo de Emprego – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Trabalho Sem Vínculo de Emprego * 2003, 2004 Arts. 620, 628, 629, 630, 641 a 644 e 646, do RIR/99, c/c art. 1o da Lei no 9.887/1999 Outros Rendimentos – Beneficiário Não Identificado – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Pagamentos a Beneficiário Não Identificado * 2002, 2003, 2004 Art. 674 do RIR/99 Outros Rendimentos – Pagamentos Sem Causa/Operação Não Comprovada – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada * 2002, 2003, 2004 Art. 674, §1o do RIR/99 Multas Isoladas – Falta de Retenção ou Recolhimento do IRRF 2003, 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Juros Isolados – Falta/Atraso na Retenção ou Recolhimento do IRRF 2003, 2004 Art. 61, §3o, da Lei no 9.430/1996 * Multa Qualificada de 150% Obs.: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração da Contribuição Social s/ Lucro Líquido (fls. 1927/1935) Contribuição Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 40.890,13 R$ 19.791,75 R$ 30.667,59 R$ 91.349,47 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Falta de Recolhimento da CSLL 2003, 2004 Art. 2o e §§, da Lei no 7.689/88; Art. 28 da Lei no 9.430/96; Art. 37 da Lei no 10.637/02 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 18 17 Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 1936/1951 e 1962/1963) Imposto Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 392.348,68 R$ 215.378,11 R$ 512.335,21 R$ 1.120.062,00 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Pagamentos Sem Causa * 2002, 2003, 2004 Art. 249, inc. I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99 Pagamentos a Beneficiários Não Identificados * 2002, 2003, 2004 Art. 249, inc. I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99 Falta de Recolhimento/Declaração do imposto de Renda – Suspensão da Imunidade – Insuficiência de Recolhimento 2003, 2004 Art. 172, 228 e parágrafo único e art. 841, inc. I, III e IV, do RIR/99 * Multa Qualificada de 150% Obs.: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 Auto de Infração da Contribuição Social s/ Lucro Líquido (fls. 1952/1963) Contribuição Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 112.739,39 R$ 64.544,31 R$ 169.109,07 R$ 346.392,77 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Falta de Recolhimento da CSLL * 2002, 2003, 2004 Art. 2o e §§, da Lei no 7.689/88; Art. 19 da Lei no 9.249/95; Art. 1o da Lei no 9.316/96 e Art. 28 da Lei no 9.430/96; Art. 6o da MP no 1.858/99 e reedições; Art. 37 da Lei no 10.637/02 * Multa Qualificada de 150% Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 11.1 — Impugnação aos Autos de Infração do Grupo 01 Para os lançamentos do Grupo 01, listados no Quadro 01, em que tomou ciência no dia 21/12/2007, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1752/1790 e correspondentes anexos, em 22/01/2008 (carimbo de recepção às fls. 1752). Apoiado nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.532/1997, que dispõe que "a suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, As entidades Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 19 18 imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o princípio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção à referida petição. Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (1) o Despacho anexado pela DRF/Brasília comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (h) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida em qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo n° 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia à Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, às fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao .senhor Paulo Goyaz, vez que foi um negócio particular entre dirigentes do Partido, A. época da operação com esta pessoa. Assim, como a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Ressaltese que os órgãos institucionais incubidos da investigação de ilícitos (STF, Ministério Público, Policia Federal) prosseguem suas investigações contra as pessoas físicas, possíveis agentes dos ilícitos, e não contra o Partido. A Receita Federal vem demonstrando falta de empenho na busca de verdade material que envolve os fatos. Tanto que, na falta de comprovação efetiva da participação do Partido nos episódios, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 20 19 imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Razões Preliminares. A nulidade dos autos referentes a COFINS, PIS e CSLL por falta de MPF. O MPF é prérequisito à abertura do procedimento fiscal, ao estabelecer limites exatos da atuação dos auditores fiscais, sendo que sua inobservância torna nulos de pleno direito os atos praticados, ainda que respeitada a competência genérica disposta no art. 142 do CTN. Pelo que consta nos autos, não houve expedição de MPF especifico para fiscalização de COFINS, PIS E CSLL, portanto são nulos os correspondentes autos de infração lavrados para cobrança de multa isolada. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Item 001. A Fiscalização fundase em vários depoimentos orais para acusar o Partido Progressista de ter recebido a importância de R$700.000,00 sem registrar o ingresso desses recursos e sua utilização para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz. Ainda, diz a Fiscalização que foram anexadas aos autos as "Declarações de Ajuste Anual dos Exercícios de 2004 e 2005 (anos calendário de 2003 e 2004) de Paulo Alves da Silva, CPF 291.925.52072 (Paulo Goyaz). O Partido, pessoa jurídica distinta das pessoas de seus dirigentes, volta a negar que tenha recebido os R$700.000,00, bem como volta a negar que tenha utilizado tais recursos para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz, por isso não fez retenção de IRF e não apresentou as DIRF referentes a tais pagamentos. Os depoimentos revelam apenas que houve um negócio particular entre os dirigentes do Partido e o sr. Paulo Goyaz. A Fiscalização incumbiuse de apresentar a versão do sr. Paulo Goyaz, cujas declarações informando o recebimento no montante de R$964.300,00, equivalente ao valor de R$700.000,00 reajustado conforme o art. 20 da IN SRF n° 15/2001, são retificadoras, elaboradas e apresentadas em data posterior ao inicio do processo de investigação dos fatos. Tal constatação compromete a qualidade da prova. Deveria, nesse contexto, ter a Fiscalização anexado cópias da declarações retificadas, para que se pudesse apurar qual o objeto da retificação, sendo que, fosse demonstrado que a retificação teve como objetivo incluir os rendimentos ditos como recebidos do Partido, a prova seria imprestável, vez que constituída após o inicio do processo de investigação desse fato. Contudo, omitiuse a Receita Federal quanto a esta providência. Registrese ainda que a Fiscalização fundase em depoimento de Valmir Campos Crepaldi prestado em 16/09/2005, no dia subseqüente ao dia da retificação das declarações de Paulo Goyaz. O sr. Valmir Campos Crepaldi, funcionário de tesouraria do partido politico, informou que o Sr. Paulo Goyaz, ao receber os recursos, entregava recibo de pagamento de autônomo (RPA) em valor superior ao do numerário entregue, para demonstrar que o valor do RPA correspondia a um valor liquido reajustado, considerando as normas de retenção de imposto de renda na fonte. Por sua vez, no dia anterior, 15/09/2005, o Sr. Paulo Goyaz apresentara declarações Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 21 20 retificadoras em que os valores declarados estavam reajustados nos termos do art. 20 da IN SRF n° 15/2001. A Fiscalização valeuse tanto do depoimento de Valmir Crepaldi quanto das declarações de Paulo Goyaz, sem cogitar na hipótese de que a "coincidência" seja resultado de algum prévio concerto. Paradoxalmente, a própria Receita Federal demonstra falta de confiança nas declarações de Paulo Goyaz, vez que ainda não restituíra o "imposto a restituir" apurado, conforme demonstram documentos anexos. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) foram utilizadas perífrases para insinuar que teria havido falta de recolhimento de imposto de renda supostamente retido na fonte. Na "conclusão", A Fiscalização limitase a arrematar o assunto em parcas três últimas linhas, "iii) Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos não contabilizados, infração relatada no titulo IV.3 — FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEBIMENTOS E PAGAMENTOS". Do exame de tal conclusão, indagase se isso quer dizer que houve a retenção, ou que deveria ter havido a retenção, ou seja, não há clareza do Fisco na acusação. O TVF não apresenta o item 53, 'iv', passando diretamente para o item 53, IV, cuja expressão "... e Imposto de Renda Retido na Fonte e não recolhido sobre pagamentos não contabilizados", reportase ao caso do Paulo Goyaz. Partese, então, do pressuposto que o item 53, 'iv', conteria uma "conclusão" inequívoca, fundamentada em circunstâncias inquestionáveis demonstradas no titulo "IV.3" do TVF, de que houve a retenção do IRF. No entanto, o titulo "1V.3" do TVF, com exceção do item 51 (que trata das "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz), não se reporta em ponto algum à questão da retenção do IRF. Por outro lado, demonstrou se que as "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz não reúnem condições de serem tidas como comprovação de suposta infração praticada pelo Partido, a menos que a Receita Federal tivesse demonstrado que o objeto da retificação das declarações não consistiu na inclusão dos rendimentos atribuídos ao Partido. Finalmente, cabe registrar, com base no exposto, que os "depoimentos", em que se fundam as acusações tecidas contra o Partido, não podem merecer o crédito absoluto que lhes confere a Fiscalização da Receita Federal. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Item 002 e 003. Tratase de lançamento para cobrança de IRF, à aliquota de 35%, incidente sobre bases reajustadas referentes a pagamentos: (a) considerados como feitos a "beneficiários não identificados" ou (b) considerados como feitos "sem comprovação da causa ou operação", feitos, uns e outros, com base em notas fiscais consideradas irregulares. O Impugnante demonstrou com clareza, na contestação contra o TNF de 24/10/2007, que o Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base em documentos tidos como irregulares. Em relação aos lançamentos feitos no item 003 do Auto de Infração, não há qualquer justificativa no TVF nem no AI, e portanto, não há como saber sobre a que se referem os lançamentos: Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 22 21 Auto de Infração Fato Gerador Valor Tributável – R$ item 003 04.03.2002 800,00 item 003 12.03.2002 1.230,77 item 003 22.03.2002 1.095,38 Por sua vez, para os lançamentos indicados na tabela a seguir, não há qualquer referência desses valores no Quadro 06 do TVF, portanto, não se sabe a que se referem: Auto de Infração Fato Gerador Valor Tributável – R$ item 003 06.06.2002 17.692,31 item 003 24.06.2002 46.153,85 item 003 30.07.2002 2.307,69 item 003 02.09.2002 2.153,85 item 003 03.09.2002 7.076,92 item 003 16.09.2002 7.076,92 item 003 01.10.2002 4.615,38 item 003 03.10.2002 10.615,38 item 003 19.10.2002 2.769,23 item 003 28.10.2002 4.615,38 item 003 28.11.2002 14.000,00 item 003 16.12.2002 6.746,15 Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 12/02/2003, no valor tributável de R$21.190,77, há os seguintes enganos: o Quadro 05 registra a NF 651 como se fosse de R$13.774,00, valor ajustado para R$21.190,77; por sua vez, o AI consigna, para o dia 12/02/2003, como base do lRF de 35%, o valor de R$21.190,77; ocorre que a NF 651, emitida em 12/02/03, é de R$3.000,00, e não de R$13.774,00. Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 31/03/2004, embora o valor tributável tenha sido consignado por R$44.516,39, o valor da soma das notas fiscais consignadas no Quadro 05 do TVF, para o dia 31/03/2004, é de R$44.615,39. Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 27/05/2004, constatase que foi incluído, no Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 23 22 valor tributável de R$32.726,15, a importância de R$5.076,72, que se refere ao valor ajustado de R$3.300,00 que foi atribuído à Nota 334 de "Gráfica União Unido Artes Gráficas", consignada na última linha da folha 68 do TVF. Ocorre que essa Nota 334. (72.619.455) é de 26/02/04, tem o valor de R$6.566,00, e já constara, na ordem devida, na mesma folha 68 do TVF. Não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado à responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter IRF sobre pagamentos dessa natureza. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Multa de 150%. Contestase neste tópico a imposição da multa de 150%, em relação aos itens 001, 002 e 003 do AI. Não se vê no AI nenhuma referência ao motivo do lançamento da multa qualificada de 150%. A Fiscalização, em alusão a "fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007", invoca, como suporte legal para lançamento da multa de 150%, o "art. 44, II, da Lei n° 9.430/96". Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fundamse na existência de dolo, no qual se deve demonstrar a intenção do agente de "impedir ou retardar" a ocorrência de fatos geradores tributários para reduzir imposto ou evitar seu pagamento, ou o conhecimento de fatos geradores por parte de autoridades fazendárias. Nos casos sob exame, não haveria motivo algum para que o partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos descritos no TVF. Se o Partido tivesse feito pagamentos com base em notas fiscais irregulares, teria sido por qualquer outro motivo que não o de impedir ou ocultar a ocorrência de fato gerador. Se o Partido tivesse a intenção de evitar esse tributo, bastaria que fizesse os pagamentos com base em notas regulares. Não cabe, portanto, falar em dolo tributário, já que a substância deste consiste no propósito de evitar imposto e não no propósito de pagar imposto. Portanto, não há sustentação lógica na suposição de que o Partido teria praticado infração fiscal dolosa. Ainda que houvesse indícios de envolvimento de dirigentes do Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 24 23 Partido, só se poderia imputar crime doloso ao Partido com base em comprovação de que o Partido, por si mesmo, teria agido com dolo, no seu próprio interesse. Só se pode punir o agente de crime doloso com base na comprovação do dolo por parte do agente e não com base na presunção formada a partir de procedimentos indiciários praticados por terceiros, entendimento corroborado por doutrina e Acórdão 20177608 do Conselho de Contribuintes. Finalmente, há erro técnico de concepção na definição da multa qualificada, se a multa é calculada sobre o valor de imposto incidente sobre a base tributável reajustada, em razão das circunstâncias previstas no art. 674 do RIR/99, não se pode dizer que a parcela correspondente ao reajuste da base constitua pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. Essa parcela resulta, meramente, de simples ficção legal. Em conseqüência, a parcela do imposto resultante do valor acrescido, por ficção legal, ao "valor liquido efetivamente pago", não pode estar sujeito à multa de 150%. Falase, com pertinência, no cancelamento da multa lançada, em razão do erro no critério jurídico do lançamento, e não em redução do percentual da multa a 75%, que seria o percentual do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Seria até admissível pensar no ajuste da multa qualificada, de 150% (75% mais 75%) para 75%, caso pudesse ter sido invocado, como fundamento legal da imposição fiscal, o disposto no § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Mas, isso também não seria possível, visto que a mudança só se aplica a partir da eficácia da Lei n° 11.488/2007. Nesse caso, reiterase pedido de simples cancelamento da multa de 150%. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF Itens 004 e 005 — Multa e Juros Isolados. Tratase de lançamento de multa isolada pela falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, discriminados nos Quadros 07 e 08 do TVF. Demonstrada, na Contestação do TNF, a inocência do Partido tanto em relação ao episódio das notas irregulares, como em relação ao episódio dos R$700.000,00, restava a acusação da falta de retenção de IR sobre pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, razão pela qual resolveu o contribuinte liquidar os encargos legais devidos pela falha. Visava, com esse procedimento, extinguir a sanção administrativa aplicável ao caso, qual seja, a suspensão de imunidade tributária, tendo em vista a previsão legal de extinção de punibilidade constante do parágrafo único do art. 83 da Lei no 9.430/96. Contudo, para surpresa do Impugnante, tal gesto foi tomado como prova da infração, que foi utilizada para fundamentar a expedição do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade. Causou também surpresa a atitude fiscal de proceder ao lançamento de "encargos" já liquidados. Há diferenças entre os encargos legais pagos pela contribuinte e os lançados pela Fiscalização. Em relação aos pagamentos, o Impugnante considerou a multa de 50% do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, em razão do principio "benigna amplianda", ao passo que a Fiscalização considerou a multa de 75% do art. 9 0 da Lei n° 10.426/2002. Com relação aos pagamentos feitos só a pessoas jurídicas, a Fiscalização considerou "Períodos Trimestrais", em que as taxas de juros aplicáveis resultam menores, ao passo que o Impugnante considerou "Períodos Anuais". Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 25 24 Com relação aos pagamentos feitos só a pessoas físicas, o Impugnante computou a incidência de IRF nos pagamentos efetuados em 2002, ao passo que a Fiscalização não o fez, e no cálculo de juros referentes ao imposto vencido em 05/02/2003, a autoridade fiscal considerou a taxa de 23,92%, quando o correto seria 22,09%. Seja como for, pagouse um montante de "encargos" no valor global de R$61.438,43, quando o valor global dos "encargos" lançados foi de R$35.527,64, assim, o Impugnante é credor da diferença, no valor de R$25.910,79. Razões de Mérito. Auto de Infração relativos a "multas isoladas" de PIS, COFINS E CSLL. No que tange ao Imposto de Renda, o Impugnante reconheceu que deixou de fazer a retenção do referido imposto (IRF), em relação aos mesmos pagamentos sobre os quais há, também, obrigação de se fazer a retenção na fonte de PIS, COFINS E CSLL. Por esta razão, em vez de pedir restituição da importância de R$25.910,79, da qual é credor, conforme já demonstrado nesta Impugnação, ao Partido parece razoável que esse crédito possa ser compensado com o débito de R$25.668,03, que corresponde a soma das "multas isoladas" dos três autos ora examinados, a despeito do vicio formal que padecem. Do Pedido Final. Por todas as razões expostas, requer o Impugnante o provimento da Impugnação, com a desconstituição do crédito tributário lançado e o cancelamento dos autos de infração contestados, seja por conta dos vícios de nulidade ou das improcedências expostas nas razões de mérito, tendo em vista o disposto no § 3° do art. 59 do PAF. Em 23/01/2008, a defesa encaminhou documento de fls. 1819/1820, no qual informa que, por problema técnico decorrente da transmissão 'online, do texto, para ser impresso em local diferente daquele em que foi redigido, todas as palavras negritadas' minúsculas escritas com 'c' foram impressas com a 'a cedilhado' no lugar do `C. Nesse sentido, sugere o requerente que a impugnação protocolada em 22/01/2008 seja substituída por novo documento, corrigido, acostado aos autos as fls. 1821/1861. Em seguida, o impugnante encaminhou, em 24/01/2008, petição de razões aditivas à impugnação 1752/1790, acostada as fls. 1863/1864, para requerer inclusão dos documentos de fls. 1865/1667. Tratase de expediente encaminhado ao Secretário de Receita Federal, no qual a defesa solicita esclarecimentos sobre as declarações retificadoras apresentadas por Paulo Goyaz, que serviram como comprovação do lançamento fiscal de IRRF. Requereu a peticionária (a) fosse a esclarecido qual foi, precisamente, o objeto das retificações das declarações apresentadas por Paulo Goyaz; (b) fossem esclarecidas as razões pelas quais não foi ainda, devolvido ao declarante o "imposto a restituir" apurado nas referidas declarações; (c) fosse esclarecida a origem dos 700 mil reais e a forma como foram pagos, bem como a destinação que lhes deu o Senhor Paulo Goyaz, se foram depositados em conta corrente ou não. H.2 — Impugnação aos Autos de Infração do Grupo 02 Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 26 25 Para os lançamentos do Grupo 02, listados no Quadro 02, em que tomou ciência no dia 24/01/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1966/1996 e correspondentes anexos, em 21/02/2008 (carimbo de recepção as fls. 1966). Apoiado nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.53211997, que dispõe que "a suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, às entidades imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o principio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção A. referida petição. Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (i) o Despacho anexado pela DRF/Brasflia comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (ii) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida ern qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo no 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia à Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, as fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao senhor Paulo Goyaz, vez que Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 27 26 foi um negócio particular entre dirigentes do Partido, d. época da operação com esta pessoa. Assim, como a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Após examinar o TVF que acompanhou os autos de infração lavrados em 21/12/2007, o ,Partido tomou conhecimento de informações novas sobre o episódio de R$700.000,00, que deram motivo à apresentação do expediente de fls. 2000/2002. O expediente informa que as declarações retificadoras de Paulo Goyaz, onde consta que o declarante recebeu do Partido, nos anos de 2003 e 2004, o valor de R$964.360, com retenção de IRF de R$264.352,84, foram apresentadas em 15/09/2005, ou seja, após o inicio da investigação dos fatos que se pretende comprovar. Tal situação compromete a qualidade da prova, sendo que a proximidade da retificação das declarações com as datas dos depoimentos transcritos no TVF poderá ter facilitado acertos entre o declarante e os depoentes. Por outro lado, fica a Receita Federal exposta a uma incoerência, vez que confia nas declarações para lavrar auto de infração contra o Partido mas não confia para devolver a Paulo Goyaz o "imposto a restituir" apurado. Por isso, requer o Partido que seja esclarecido qual foi o objeto das retificações, que sejam esclarecidas as razões pelas quais não foi, ainda, devolvido o "imposto a restituir" apurado nas devidas declarações e que sejam esclarecidas a origem dos R$700.000,00 e a forma como foram pagos e a sua destinação. Diante do expediente apresentado, a Receita Federal entendeu finalmente que, a despeito da acusação feita no TNF de 24/10/2007, o Partido não recebeu a importância de R$700.000,00 do "mensalão", tanto é assim que nos autos de infração ora impugnados a Fiscalização não inclui nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, à guisa de "omissão de receitas", a importância de R$700.000,00. Ou seja, a não inclusão dos R$700.000,00, como "omissão de receitas" nos lançamentos fiscais, consistem em reconhecimento da própria Receita Federal de que o Partido não cometeu a infração que lhe foi imputada. Por sua vez, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Em resumo, demonstrada a inexistência de infração fiscal, por parte do Partido, no caso dos pagamentos efetuados com base em notas fiscais consideradas irregulares, bem como no episódio dos R$700.000,00, que teriam sido recebidos pelo Partidos para serem pagos ao sr. Paulo Goyaz, e extinta a punibilidade, com o pagamento dos encargos legais, da nãoretenção de IRF sobre pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas, não remanescia motivo algum para a cassação da imunidade do Partido. Assim, resultam nulos o Despacho Decisório, o Ato Declaratório Executivo n° 134 de 21/12/2007 e por consequência os autos de infração lavrados em razão da suspensão da imunidade tributária do Partido. Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 28 27 Razões de Mérito. Auto de Infração referente ao IRPJ — itens 001 e 002. Tratase do IRPJ sobre os valores considerados como "pagamentos sem causa" ou "pagamentos a beneficiários não identificados", sob a alegação de se tratar de pagamentos feitos com base em notas fiscais irregulares, com multa qualificada de 150%. O impugnante já demonstrou que o Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base nas tais notas fiscais consideradas irregulares. Cumpriria à Fiscalização, na busca da verdade material, identificar os agentes das infrações de forma que se lhes fossem aplicadas as normas previstas nos art. 135 e 137 do CTN. Porém, admitindose "ad argumentandum" que se pudesse constituir exigência fiscal contra o Partido, não caberia jamais lançamento de IRPJ ou de CSLL, visto que, dos fatos descritos no TVF, não decorreu qualquer aumento patrimonial para o Partido, que pudesse subsumirse à definição legal de fato gerador do Imposto de Renda e CSLL estabelecida no art. 43 do CTN. 0 Código adotou o conceito de renda acréscimo, ou seja, sem acréscimo patrimonial não há renda, nem proventos. Não há lógica na presunção fiscal de que, se houve saída de recursos do patrimônio do Partido (pelos pagam tos efetuados), teria havido acréscimo no patrimônio do Partido, a ponto de justificarse a imposição de que trata o art. 43 do CTN, na verdade houve "decréscimo patrimonial". Por sua vez, não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado A. responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter IRF sobre pagamentos dessa natureza. Dessa forma, inexistentes as infrações decorrentes dos pagamentos efetuados com base nas notas fiscais tidas como inidôneas e inexistente qualquer acréscimo patrimonial em proveito do Partido, não podem subsistir os lançamentos dos itens 001 e 002 do AI referente ao IRPJ bem como o primeiro auto relativo à CSLL. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 29 28 Razões de Mérito. Auto de Infração referente ao IRPJ — item 003. Tratase de lançamento de lRPJ sobre os valores informados nas Demonstrações de Resultado apresentadas pelo Partido, com multa de 75%. A apresentação das Demonstrações de Resultado não representa qualquer reconhecimento do Partido de que seja devedor das importâncias de IRPJ calculadas nessas demonstrações, só se fez a apuração do IRPJ em obediência ao Termo de Intimação Fiscal n° 008. A Fiscalização parece concordar com esta versão do Impugnante, de que o cálculo dos valores do MPJ não constitui "declaração de IRPJ", visto que a multa lançada, em relação ao item 003 do AI, foi de 75%, e não a de 20% que seria cabível no caso de "tributo declarado". Contudo, o Partido contesta a exigência fiscal constituída, porque se reputa no pleno gozo da imunidade tributária, pelas razões de nulidade já apresentadas. Apenas para argumentar, ainda que cabível a tributação do IRPJ, o procedimento fiscal apresentaria erro material, visto que a Fiscalização deixou de compensar "resultados negativos" apurados no primeiro trimestre de 2003, no valor de R$182.684,18. Tal valor deveria ter sido compensado no segundo trimestre de 2003, conforme critérios adotados pela Fiscalização e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Evidentemente essa ponderação é apresentada "ad argumentandum tantum". Razões de Mérito. Autos de Infração referentes à CSLL. Tendo sido os lançamentos de CSLL decorrentes dos mesmos fatos que deram origem aos de IRPJ, invocamse na contestação dos lançamentos de CSLL as mesmas razões apresentadas na contestação dos lançamentos de IRPJ. Razões de Mérito. Razões de Impugnar Especificas da CSLL. Os partidos políticos, na condição de associações civis sem fins lucrativos, não estão sujeitos à CSLL. Mesmo que estivesse suspensa da imunidade tributária do Partido, não estaria ele sujeito ao pagamento de CSLL, visto que a legislação básica de instituição do tributo não alcança as pessoas jurídicas sem fins lucrativos. A Lei no 7.689/88, ao instituir a CSLL, dirigese apenas às pessoas jurídicas que têm por objetivo social a "obtenção de lucro". Tanto é assim que os partidos políticos, com ou sem imunidade, devem apurar seus "resultados" segundo as normas ditadas pelo Tribunal Superior Eleitoral TSE, e não, segundo a "legislação comercial". Além disso, sendo os partidos políticos "associações civis que prestam os serviços para os quais são instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos", aplicaselhes a isenção de CSLL prevista no "caput" do art. 15 da lei n° 9.532/97, combinado com o respectivo § 1o. Finalmente, a própria Receita Federal endossa tal entendimento, ao editar Ato Declaratório Normativo CST no 17 de 30/11/2990 (DOU de 04/12/1990), dirigido especificamente às "pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos". Ressalvese que a expressão "fundações, associações e sindicatos" que consta na norma é meramente explicativa. Razões de Mérito. Auto de Infração do IRPJ e CSLL — Multa de 150%. Contestase neste tópico a imposição da multa de 150%, em relação aos itens 001 e 002 do AI de TRPJ, e aos dois primeiros itens do primeiro AI da Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 30 29 CSLL. Não se vê no AI nenhuma referência ao motivo do lançamento da multa qualificada de 150%. A Fiscalização, em alusão a "fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007", invoca, como suporte legal para lançamento da multa de 150%, o "art. 44, II, da Lei n° 9.430/96". Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fundamse na existência de dolo, no qual se deve demonstrar a intenção do agente de "impedir ou retardar" a ocorrência de fatos geradores tributários para reduzir imposto ou evitar seu pagamento, ou o conhecimento de fatos geradores por parte de autoridades fazendárias. Nos casos sob exame, não haveria motivo algum para que o partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos descritos no TVF2. Apenas para argumentar, se o Partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos do TVF2, não teria sido com o propósito de reduzir "resultados contábeis" que pudessem resultar em menores bases de incidência do IRPJ e da CSLL, simplesmente porque, no gozo dos benefícios da imunidade tributária, o Partido não estaria sujeito ao pagamento de IRPJ nem de CSLL. Portanto, não ha sustentação lógica na suposição de que o Partido teria praticado infração fiscal dolosa. Ainda que houvesse indícios de envolvimento de dirigentes do Partido, só se poderia imputar,crime doloso ao Partido com base em comprovação de que o Partido, por si mesmo, teria agido com dolo, no seu próprio interesse. Só se pode punir o agente de crime doloso com base na comprovação do dolo por parte do agente e não com base na presunção formada a partir de procedimentos indiciários praticados por terceiros, entendimento corroborado por doutrina e Acórdão 20177608 do Conselho de Contribuintes. Não havendo comprovação de conduta dolosa do impugnante, há erro no fundamento jurídico do lançamento da multa, não podendo subsistir a exigência de multa qualificada de 150%. Falase, com pertinência, no cancelamento da multa lançada, em razão do erro no critério jurídico do lançamento, e não em redução do percentual da multa a 75%, que seria o percentual do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Seria até admissível pensar no ajuste da multa qualificada, de 150% (75% mais 75%) para 75%, caso pudesse ter sido invocado, como fundamento legal da imposição fiscal, o disposto no § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Mas, isso também não seria possível, visto que a mudança só se aplica a partir da eficácia da Lei n° 11.488/2007. Nesse caso, reiterase pedido de simples cancelamento da multa de 150%. Do Pedido Final. Por todas as razões expostas, requer o Impugnante o provimento da Impugnação, com a desconstituição do crédito tributário lançado e o cancelamento dos autos de infração contestados, seja por conta dos vícios de nulidade ou das improcedências expostas nas razões de mérito, tendo em vista o disposto no § 3° do art. 59 do PAF. 11.3 — Despacho da DRJBrasilia. Em 1010612009, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), encaminhou Despacho de fls. 2027/2029 à unidade preparadora, em razão de situação exposta no fragmento transcrito a seguir: "Uma das motivações para que fosse declarada a suspensão da imunidade foi a não contabilização do ingresso de recursos nos anoscalendário de Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 31 30 2003 e 2004. Tratase do montante de R$700.000,00, recebido pelo Partido, conforme consta no Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios". Por sua vez, o advogado Paulo Goyaz, nas Declarações do Imposto de Renda as fls. 1501/1510, acusou que recebeu do Partido Progressista o montante de R$964.360,00, dos quais R$264.352,84 foram retidos na fonte. Tendo a Fiscalização constatado que o Partido, na condição de responsável tributário pelo imposto devido pelo contribuinte, reteve, mas não recolheu o IRRF, efetuou o lançamento de ofício conforme fls. 1670 do Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Contudo, o ingresso do montante de R$700.000,00 também poderia produzir efeitos na apuração do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica. O impugnante, na peça de defesa as fls. 1979, alega que '(..) o Partido não recebeu a importância de 700 mil reais do chamado esquema "mensalão". Tanto é assim que, nos autos de infração ora impugnados, a Fiscalização não inclui nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a guisa de 'omissão de receitas', a importância de 700 mil reais'. Em principio, o fato de o recurso de R$700.000,00 não ter sido contabilizado pelo Partido, poderia se caracterizar como omissão de receitas, desde que não houvesse nenhuma contrapartida para tal ingresso, e mais, tal despesa deveria ser dedutível. Nesse sentido, proponho que este processo seja devolvido ao órgão preparador, para a Fiscalização atestar que não se concretizou a hipótese para o lançamento de omissão de receitas pelo fato de ter considerado o pagamento de R$700.000,00 destinado ao sr. Paulo Goyaz como uma despesa dedutível. Por sua vez, caso a Fiscalização entenda que não houve nenhuma contrapartida para o ingresso do recurso de R$700.000,00, cabe a lavratura de auto de infração complementar, nos termos do ,§ 3o , art. 18, do Decreto n° 70.235/1972 (PAF). A resposta da unidade preparadora deve ser cientificado ao Partido, abrindose o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação sobre a questão." 11.4 — Petição de Razões Aditivas is Impugnações ao Ato Declaratório Executivo n° 134, de 2007 e aos Autos de Infração do Grupo 01 e do Grupo 02. Apresentou a defesa petição de fls. 2031/2035 em 19/06/2009, para dispor sobre "Razões Aditivas" as impugnações de fls. 1722/1743 (em face do Ato Declaratório Executivo n° 134, de 2007), de fls. 1752/1790 (em face dos Autos de Infração do Grupo 01) e fls. 1966/1996 (em face dos Autos de Infração do Grupo 02). Discorreu sobre o art. 73 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que alterou o art. 32 da Lei n° 9.430/1996, acrescentandolhe os §§ 11 e 12, sendo que, o disposto no § 11 informa que "somente se inicia o procedimento que visa a suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após transito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas Justiça Eleitoral". Nesse sentido, sendo o § 11 dispositivo de natureza processual, dotado de efeito retroativo, na prática, deixaria de definir como infração ato ou fato praticado, por partido político, em anocalendário cujas contas tivessem sido aprovadas pelo TSE. Nesse contexto, mesmo já tendo ocorrido lançamento fiscal, desde que se tratasse de "ato não definitivamente julgado", Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 32 31 o acréscimo do § 11 ao art.32 da Lei n° 9.430/1996 caracterizarseia como "fato novo", ou "fato não conhecido", caso em que se autorizaria a "revisão" do lançamento, nos termos do art. 149, inciso VIII, do CTN. E, considerandose que o citado § 11 deixaria de definir como infração fiscal ato ou fato praticado nos termos propostos transcritos anteriormente, a revisão do lançamento fiscal já efetuado haveria que se fundamentar nas disposições do art. 106, II, 'a', do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Portanto, no caso em tela, mesmo antes de se consumar o processo de suspensão de imunidade tributária, as contas relativas aos anos de 2002, 2003 e 2004 do Partido Progressista já tinham sido aprovadas pelo TSE. Nesse sentido, os atos e fatos imputados como infrações não teriam mais condições de subsistir como infrações, já que os referidos autos de infração não se encontravam, ainda, definitivamente julgados. Logo, caberia o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 134/2007 e dos lançamentos fiscais decorrentes. 11.5 —Autos de Infração Complementares. IRPJ. CSLL. Tendo em vista o Despacho do tópico H.3 , emitiu o Delegado da Receita Federal do Brasil de Brasília, em 08/12/2009, a "AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE SEGUNDO EXAME EM RELAÇÃO A EXERCÍCIO JÁ FISCALIZADO", as fls. 2250. Ilustra o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2267: "2. A falta de escrituração de pagamentos permite deduzir que os recursos foram retirados de fundos não contabilizados sendo supridos por receitas anteriormente omitidas. Neste caso, segundo os autos, constatouse um pagamento de trabalho sem vinculo empregatício não contabilizado. Portanto, não há contrapartida a receita, tampouco dedutível da base de cálculo do IRPJ. 3. Na hipótese de não se encontrar motivos para a exclusão da receita supracitada, determinase o lavramento de auto de infração complementar." Nesse contexto, foram lavrados, em 15/12/2009, os Autos de Infração Complementares do IRPJ e da CSLL, atinentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$1.043.669,82. Contudo, conforme esclarece o Termo de Encaminhamento de fls. 2314/2315, os Autos de Infração Complementares do IRPJ e da CSLL foram formalizados em outro processo administrativo, de n° 10166.720300/2010 50. No presente processo, encontramse, apenas para referência, as cópias dos precitados Autos de Infração as fls. 2251/2266 e da correspondente impugnação apresentada pelo contribuinte as fls. 2276/2308, que será Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 33 32 apreciada por ocasião do julgamento do processo administrativo n° 10166.720300/201050. É o relatório.” (fls. 23962417; grifos no original) A douta instância recorrida deu parcial provimento às Impugnações, sendo que manteve a Suspensão da Imunidade da agremiação partidária e corrigiu erros materiais no lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte de tributação exclusiva – alíquota de 35% (trinta e cinco por cento). Para além disso, a r. decisão recorrida unicamente permitiu a compensação de resultados negativos auferidos em períodos anteriores aos aqui controvertidos e alocou recolhimentos de multa isolada pela falta de retenção de IRRF e de correlatos juros isolados de IRRF efetuados pelo Partido Progressista, não tendo havido a interposição de Recurso de Ofício em virtude do montante das exonerações levadas a efeito, sendo que esse decisum restou assim ementado, litteris: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RITO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARTIDOS POLÍTICOS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 12, 13 E 14 DA LEI N° 9.532, DE 1997. A inconstitucionalidade formal dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n 9.532, de 1997, declarada na ADI 1.802DF, em medida cautelar, não implica em nenhuma repercussão ao rito do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável aos partidos políticos, previsto para a suspensão da imunidade tributária condicionada de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. NORMA SUPERVENIENTE. DIREITO MATERIAL. EFEITOS TEMPORAIS. IRRETROATIVIDADE. A inclusão do § 11 do art. 32 da Lei n°9.430/1996, pela Lei n° 11.941, de 2009, que se constitui em requisito necessário para fruição do gozo de imunidade tributária condicionada, limitação constitucional ao poder de tributar, norma de direito material, produz efeitos que não retroagem e não repercutem nos atos praticados pelo partido político anteriores à edição da norma, mantendo intacto o suporte fático que motivou a expedição do Ato Declaratório Executivo n° 134 e a lavratura dos autos de infração decorrentes. PETIÇÃO. FASE INQUISITÓRIA. DEFESA PRÉVIA. FASE CONTENCIOSA. IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em litígio antes da emissão de ato declaratório suspensivo da imunidade tributária condicionada. As alegações e provas necessárias a serem apresentadas nos termos do § 2° do art. 32 da Lei n° 9.430/1996 consistem em defesa prévia, oportunidade de a entidade beneficiária se manifestar sobre a suspensão da imunidade tributária condicionada, no decorrer de fase inquisitória. Uma vez expedido o ato declaratório suspensivo, e, se apresentada impugnação, prevista no § 6°, inciso I, do art. 32 da Lei no 9.430/1996, instaurase a fase contenciosa, amparada pela garantia constitucional do contraditório e ampla defesa. Nesse sentido, petição intempestiva, fora do prazo previsto para a apresentação de defesa prévia, no decorrer da fase inquisitória, não deve ser admitida. Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 34 33 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FATOS. CONDIÇÕES DESCUMPRIDAS. A contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, a não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas e a pessoas jurídicas e a não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados, acarretaram no descumprimento dos requisitos dispostos no § I° do art. 90 e nos incisos I, II e III do art. 14, ambos do CTN, condições necessárias, no que tange aos anos calendário de 2003 e 2004, para que o partido político pudesse usufruir da imunidade constitucional condicionada, prevista na alínea "c", inciso VI, do art. 150 da Lei Maior. RECURSOS RECEBIDOS. PAGAMENTOS EFETUADOS. OPERAÇÕES NÃO CONTABILIZADAS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Operações envolvendo o recebimento, por parte do partido político, da quantia de R$700.000,00, e a utilização do correspondente recurso para o pagamento a prestador de serviços advocatícios, não foram contabilizadas, incorrendo em flagrante infringência à norma disposta no inciso III do art. 14 do CTN, requisito indispensável para a fruição do gozo da imunidade tributária condicionada pelo partido político. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS OU DOS PRODUTOS FORNECIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. DISTRIBUIÇÃO DE PARCELA DO PATRIMÔNIO OU RENDAS. APLICAÇÃO NÃO INTEGRAL DOS RECURSOS NA MANUTENÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Utilização, pelo partido político, de notas fiscais inidôneas, a falta de comprovação da prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos, descritos nas aludidas notas fiscais e a falta de comprovação da efetiva realização dos pagamentos referentes as notas fiscais, ou seja, se foram, de fato, efetuados ou não, consistem em ocorrências que implicam no descumprimento dos incisos I, II e III, do art. 14, do CTN, requisitos necessários para a fruição do gozo da imunidade tributária condicionada pelo partido político. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. FORNECEDORES. PRESTADORES DE SERVIÇOS. IRRF. NÃO RETENÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, em razão de serviços prestados ou produtos fornecidos, sem a devida retenção do imposto de renda nos termos da legislação vigente, caracterizam descumprimento a condição disposta no § 1°, do art. 9°, c/c o § 1o do art. 14, do CTN, necessária para a manutenção da imunidade tributária condicionada pelo partido político. Suspensão da Imunidade Tributária Mantida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 35 34 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, serão estes considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. NÃO RECOLHIMENTO. O partido político, ao efetuar pagamentos não contabilizados a advogado, a titulo de serviços prestados por pessoa física sem vinculo de emprego, procedeu com a retenção do tributo, mas não com o devido recolhimento, razão pela qual cabe o lançamento de oficio de IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Demonstrado nos autos, com provas contundentes e robustas, a ocorrência de pagamentos utilizando notas fiscais inidôneas, efetuados a pessoas jurídicas, em situações no qual o beneficiário não foi identificado ou a causa não foi comprovada, resta caracterizada subsunção a norma prevista no art. 674, do RIR/99, caput e § 1°. INEXATIDÃO MATERIAL. QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Equivoco na quantificação da base de cálculo do crédito tributário consiste em inexatidão material que, caso devidamente comprovada, pode ser sanável de oficio pelo próprio julgador, mediante revisão de lançamento fiscal. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Operações utilizando notas fiscais inidôneas, a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos, descritos nas aludidas notas fiscais, a falta de comprovação da realização dos pagamentos referentes as notas fiscais, ou seja, se foram, de fato, efetuados ou não, e não contabilização de ingressos e saídas de recursos, utilizados no pagamento de serviços advocatícios, demonstram uma série de condutas ilícitas, planejadas e ordenadas, uma a uma, visando, deliberadamente, ocultar os rendimentos auferidos sujeitos A. tributação federal, restando caracterizada a conduta dolosa praticada pelo partido político e a conseqüente qualificação da multa do lançamento de oficio. MULTAS ISOLADAS. JUROS ISOLADOS. COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇAS A MAIOR. APROVEITAMENTO. Não compete ao julgador administrativo reconhecer, de oficio, créditos decorrentes de recolhimento a maior, devendo o sujeito passivo proceder a compensação dos débitos exigidos de oficio com os valores recolhidos a maior em períodos anteriores, mediante a utilização do instrumento próprio criado para essa finalidade, qual seja, o PER/DCOMP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 36 35 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSAS DE DESPESAS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Tendo sido demonstrada, de maneira contundente, a utilização de notas fiscais inidôneas, cujos beneficiários não foram identificados ou a causa dos pagamentos não foi esclarecida, resta plena subsunção ao artigo 304 do RIR/99, vez que se constituem em despesas não dedutíveis, razão pela qual devem ser glosadas e adicionadas ao lucro liquido do período de apuração correspondente. SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. APROVEITAMENTO. LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. LIMITE DE 30%. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado observandose o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento com o lucro líquido ajustado, resultado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Operações utilizando notas fiscais inidôneas, a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos, descritos nas aludidas notas fiscais, a falta de comprovação da realização dos pagamentos referentes as notas fiscais, ou seja, se foram, de fato, efetuados ou não, e não contabilização de ingressos e saídas de recursos, utilizados no pagamento de serviços advocatícios, demonstram uma série de condutas ilícitas, planejadas e ordenadas, uma a uma, visando, deliberadamente, ocultar os rendimentos auferidos sujeitos à tributação federal, restando caracterizada a conduta dolosa praticada pelo partido político e a conseqüente qualificação da multa do lançamento de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ISENÇÃO DA CSLL. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS. INAPLICABILIDADE. A hipótese de outorga de isenção, cuja interpretação deve ser literal, prevista no § 1°, art. 15, da Lei n° 9.532/97, não se aplica aos Partidos Políticos, por ausência de previsão legal para equiparação das associações civis com agremiações partidárias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fls. 23912395; grifos no original) O Partido tomou ciência dessa decisão em 18.6.2010 (fl. 2474), sendo que, em seu Recurso Voluntário – manejado em 13.7.2010 (fl. 2478) –, o Partido deduz basicamente as mesmas razões que apresentara por ocasiões das postulações anteriores. Para além disso, foi deduzido um único argumento suplementar, em que o Partido pleiteia a cassação da decisão recorrida em virtude de suposta infringência ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430, dispositivo esse que tem a seguinte redação, verbis: § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 37 36 É o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10168.003918/200736 Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo – ciência da decisão recorrida em 18.6.2010 (fl. 2474) e prática do ato processual em 13.7.2010 (fl. 2478) –, de modo que dele tomo conhecimento. Tendo em vista que se discute a Suspensão da Imunidade do partido político em causa e também autos de infrações lavrados em decorrência da perda da imunidade, a análise do feito será realizada de forma separada, até porque eventual julgamento no sentido da manutenção da Imunidade da agremiação política afetaria irremediavelmente a sorte das conexas autuações. Frisese, por essencial, que tanto a Suspensão da Imunidade quanto os autos de infração aqui controvertidos cingemse aos anoscalendários 2002, 2003 e 2004. Nada obstante, examinarei primeiramente as preliminares deduzidas pelo Recorrente, sendo relevante que, ab initio, nos debrucemos sobre alegado vício procedimental apontado no Recurso Voluntário, que, segundo o Recorrente, determinaria a cassação do acórdão recorrido. Da alegada violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96 Aduz o Recorrente que a r. decisão recorrida deveria ser fulminada – com a remessa dos autos à instância a qua para prolação de novo aresto – em virtude de suposta violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96, preceito legal esse que reza, litteris: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. A ofensa a esse dispositivo decorreria do fato de que, após a expedição do Ato Declaratório n. 134 – que suspendeu a imunidade do partido político – e da lavratura dos autos de infração encerrados neste processo, foram lavrados Autos de Infração complementares, que repousam às fls. 2324 e seguintes e que estão encerrados no Processo Administrativo n. 10166.720300/201050. A impugnação apresentada pelo Partido em face das autuações discutidas no referido Processo Administrativo n. 10166.720300/201050 – feito em que interposto Recurso Voluntário, que também será apreciado nesta assentada – não foram apreciadas pela r. decisão Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 38 37 recorrida, de modo que essa falta de exame conjunto consubstanciaria a ofensa ao dispositivo supratranscrito. Sem razão o Recorrente. Deveras, me parece que o preceito em voga versa exclusivamente sobre as autuações imediatamente lavradas após a Suspensão de Imunidade, não se aplicando a autuações complementares, que podem ser confeccionadas enquanto não escoado o correlato prazo decadencial. Com efeito, raciocínio em sentido contrário esbarraria no Direito Fundamental à razoável duração do processo, encartado no inciso LXXVIII do art. 5o da Carta Magna pátria. De fato, o entendimento no sentido de que o referido §9o também se aplica aos eventuais e incertos autos de infração complementares determinaria a postergação do exame da Suspensão da Imunidade e das autuações imediatamente lavradas após a perda da imunidade até o momento em que os períodos examinados fossem acometidos pela operação da decadência, o que é absurdo. Despiciendo dizer que interpretações que conduzam ao absurdo merecem pronto rechaço, é regra hermenêutica basilar. Frisese que na Impugnação (fls. 2348 e ss.) manejada contra os Autos de Infração encerrados no Processo Administrativo n. 10166.720300/201050, o Partido deduz argumento no sentido da decadência em relação a fatos gerados lá controvertidos. Ou seja, caso a agremiação política tenha razão quanto à decadência do Direito de o Fisco constituir os créditos tributários lançados nas autuações complementares, a procedência do argumento aqui examinado significaria que a DRJ deveria – para que pudesse proceder ao exame das impugnações à Suspensão de Imunidade e às autuações imediatamente lavradas após o Ato Declaratório n. 134 – postergar sua análise para além do transcurso dos respectivos prazos decadenciais, o que releva o descabimento do argumento. Não há que se falar, pois, em violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96. Da pretensa falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 O Recorrente argumenta que o art. 32 da Lei n. 9.430/96 estaria desprovido de eficácia, sendo que a falta de aptidão para produção de efeitos desse dispositivo decorreria do julgamento da Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1802, em que o Excelso Pretório proclamou a suspensão da eficácia do art. 14 da Lei n. 9.532/97. Novamente, o Recorrente não tem razão. De fato, a Lei n. 9.532/97 não traz qualquer preceito que tenha que ver com partidos políticos, sendo que seu art. 12 – visceralmente ligado ao citado art. 14 – é expresso ao tratar de instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída ou os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Diversamente, o Partido Político em causa assevera que, verbis: Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 39 38 74. Nesse contexto, prosseguia o recorrente nas suas impugnações, a Receita Federal vêse impedida de suspender, com base no art. 32 da Lei 9.430/96, a imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social. Dai, concluía o recorrente que, estando suspensa a eficácia do art. 14 da Lei 9.532, está suspensa a eficácia do art. 32 da Lei 9.430/96. 75. Dessa forma, o STF, ao suspender a vigência do art. 14 da Lei 9.532/97, na realidade, sustou a aplicação do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei 9.430/96. Em suma, suspendeu se a eficácia do art. 32 da Lei 9.430/96. 76. O recorrente chamou a atenção, nas peças impugnatórias, que, embora os arts. 12 a 14 da Lei 9.532/97 refiramse às instituições de educação ou de assistência social, a suspensão da vigência do art. 14, que resulta na suspensão do art. 32 da Lei 9.430/96, estendese, pelo principio da isonomia, a todas as entidades mencionadas na alínea 'c' do inciso VI do art. 150 da Constituição de 1988, entre as quais citamse os partidos politicos. (fl. 2498; grifos no original) A pretendida falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 por arrastamento, decorrente da suspensão da eficácia do art. 14 da Lei n. 9.532/97, não há de prevalecer. De fato, o Supremo Tribunal jamais determinou a falta de eficácia do citado art. 32 da Lei n. 9.430/96, sendo que a controvérsia encerrada na ADI n. 1802 jamais envolveu o controle de constitucionalidade desse preceito legal. Com efeito, é preciso dizer que o próprio Supremo Tribunal já se manifestou no sentido de que a ADI n. 1802 não envolvia o art. 32 da Lei n. 9.430/96, circunstância essa apreendida com muita propriedade pela r. decisão recorrida, que dirimiu com perfeição a questão processual em testilha nos seguintes termos, litteris: Por fim, para sepultar qualquer divergência, registrese que o partido político também recorreu ao STF, ao propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Med. Liminar) n° 42019, para questionar o art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, ocasião em que suscitou a hipótese de conexão com a citada ADI n° 1.8023, conforme se depreende da leitura a seguir, em texto localizado no endereço eletrônico http ://www.stf.jus.br/portal/peticaolnicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1 =1802&processo=4021: "Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal: O Partido Progressista PP propõe ação direta, com pedido de medida cautelar, na qual questiona a constitucionalidade do disposto no artigo 032, §§ 001° ao 010, da Lei n°9430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente sustenta que os preceitos de que se trata colidem com o disposto no artigo 146, inciso 0II, da Constituição do Brasil. Afirma que a presente ação direta seria conexa à ADI n° 1802, na medida em que discute a adequação de lei ordinária para regular matéria que trata de limitações ao poder de tributar. Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 40 39 Submeto à consideração de Vossa Excelência eventual necessidade de redistribuição, por prevenção, ao Ministro Menezes Direito. Brasília, 13 de agosto de 2008 Ministro Eros Grau Relator" (grifei) Por sua vez, o Presidente do STF à época do feito, Ministro Gilmar Mendes, não encampou a tese do requerente: "O Ministro Eros Grau encaminhou a presente ação direta de inconstitucionalidade para apreciação da hipótese de prevenção, suscitada pelo requerente, em relação a ADI 1.802 (fl. 180). Sobre a questão, a Secretaria Judiciária da Corte informou (fl. 182): A Secretaria Judiciária aponta a necessidade de distribuição por prevenção quando uma ação ajuizada posteriormente questiona o mesmo ato normativo, parcial ou integralmente, de uma ação direta já em trâmite nesta Corte. Considerando que a presente Ação Direta de Inconstitucionalidade questiona o artigo 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.802 tem como dispositivo legal impugnado os artigos 12, 13 e 14 da Lei Federal n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, não foi apontada a prevenção neste caso. Conforme a jurisprudência da Corte, o relator de determinada ação direta de inconstitucionalidade está prevento para as ADIs posteriores que tenham por objeto o mesmo ato normativo. Nesse sentido: ADIQO 807, Relator Sepúlveda Pertence, DJ 13.2.2004, que possui a seguinte ementa: EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade: identidade do objeto. A preclusão da negativa de ingresso do Governador do Estado no processo da ADIn proposta por outrem contra lei do seu Estado não elide a sua legitimação para propor nova ação direta com o mesmo objeto, distribuída por prevenção ao relator da anteriormente ajuizada. No presente caso, como salientado pela Secretaria Judiciária, as normas impugnadas nesta ADI e na ADI 1.802 são distintas. Assim, não configurada a hipótese de prevenção, determino a devolução deste feito ao gabinete do Ministro Eros Grau." (grifei) Brasilia, 26 de agosto de 2008. Ministro GILMAR MENDES Presidente" (grifei) (fls. 24202421; sem grifos no original) O que causa espécie, portanto, é que o próprio Partido Progressista já fora esclarecido pelo Excelso Pretório de que a controvérsia encartada na ADI n. 1802 não englobava o art. 32 da Lei n. 9430/96, e mesmo assim deduz o vertente argumento, com o fito exclusivo de tumultuar o trâmite do vertente processo administrativo. Destarte, à míngua de decisão do Supremo Tribunal que especificamente suspenda a eficácia do art. 32 da Lei n. 9430/96, não há que se falar que esse dispositivo não tenha aptidão para a produção de efeitos. Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 41 40 Da alegada falta de apreciação de razões de defesa Em relação a essa preliminar, temse que a autoridade fiscal, na esteira do §1o do art. 32 da Lei n. 9.430/96, lavrou o Termo de Notificação Fiscal de fls. 272, ocasião em que foi dada ao Partido a oportunidade de apresentar defesa em 30 (trinta) dias. Ocorre que, após a apresentação desse arrazoado e praticamente dois meses depois da lavratura do citado Termo de Notificação, o Partido houve por bem apresentar Razões Aditivas, que efetivamente não foram apreciadas pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília por ocasião da análise levada a cabo nos termos do §3o do discutido art. 32. Alega o Partido que, verbis: 99. Tão logo tomou conhecimento de que a eficácia do art. 32 da Lei 9.430 tinha sido suspensa em decorrência da liminar concedida na ADI 1808 (rectius: ADI 1802), o Partido ingressou, em 14.12.2007, com a petição de Razões Aditivas de fls. 1485/1487, argüindo a nulidade do Termo de Notificação Fiscal TNF (fls. 01/70), porque baseado em dispositivo legal desprovido de eficácia. (fls. 25012502) Bem se vê que o objeto das malsinadas Razões Aditivas consiste exclusivamente no argumento que restou afastado no tópico anterior. É induvidoso que não há que se falar em nulidade. Em primeiro lugar, é preciso dizer que a liminar concedida na ADI n. 1802 – que alegadamente apenas chegou ao conhecimento da Recorrente em fins de 2007 – foi deferida pelo Excelso Pretório em 27 de agosto de 1998, é dizer, praticamente 10 (dez) anos antes. Logo, é certo que não se cuida de fato novo, mas de fato que já era de pleno conhecimento do operadores do Direito ao tempo da apresentação das razões vestibulares, e se o Partido apenas em fins de 2007 tomou ciência de questão resolvida uma década antes, apenas a essa entidade pode ser atribuída qualquer culpa pelo desconhecimento. Outrossim, eu poderia asseverar que as ditas Razões Aditivas teriam sido acometidas pela preclusão consumativa, o que não encerraria qualquer atecnia, muito pelo contrário. Nada obstante, não há dúvidas de que a questão acerca da falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 – que é o argumento deduzido nas Razões Aditivas que não foram apreciadas pelo Delegado da DRF de Brasília – foi novamente suscitada tanto na Impugnação à Suspensão de Imunidade quanto no vertente Recurso Voluntário, sendo foram submetidas a exame tanto na instância a qua quanto no presente Voto, de modo que impensável qualquer prejuízo no exercício de defesa. Não deve ser acolhida, portanto, a preliminar em vergaste. Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 42 41 Do §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 Ainda em sede de preliminar, o Partido Progressista alega que o §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96, dispositivo esse inserido pela Lei n. 11.941/2009, teria alterado o procedimento de Suspensão de Imunidade de partido político, criando condição nova para a decretação das Suspensões de Imunidade. De acordo com o Partido, essa nova condição aplicarseia ao caso concreto, sendo que o seu não preenchimento na hipótese dos autos determinaria automaticamente o cancelamento do procedimento que culminou com a Suspensão da Imunidade da agremiação. O citado §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 foi inserido pelo art. 73 da Lei n. 11.941/2009, sendo que referido parágrafo tem a seguinte redação, verbis: § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. Importante asseverar que, de fato, o Tribunal Superior Eleitoral julgou regulares as contas do Partido Progressista nos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, na esteira das Resoluções acostadas às fls. 2097 e seguintes. Assim, aos olhos do Partido Progressista, não teria sido preenchida a condição a que alude esse dispositivo, do que decorreria a imperiosa fulminação da Suspensão de Imunidade em causa, tendo em vista que essa condição retroagiria em benefício do Recorrente na esteira do art. 106 do Código Tributário Nacional. Analisando o teor desse preceito legal, percebese que não tem razão o Partido Progressista, de modo que devem ser mantidas as conclusões da r. decisão recorrida, mas unicamente as suas conclusões, ante o inequívoco erro perpetrado pela instância a qua para fundamentar o não acolhimento desse argumento da agremiação política. Com efeito, não há dúvidas de que o referido §11 institui hialina condição de procedibilidade para o procedimento tendente à Suspensão de Imunidade de partido político. Nessa senda, é certo que, após o advento da Lei n. 11.941/2009, todos os procedimentos que visem à suspensão da imunidade de um partido político imprescindem do prévio julgamento do Tribunal Superior Eleitoral acerca da irregularidade da prestação de contas das agremiações políticas, de modo que esse prévio pronunciamento desse Tribunal Superior é conditio sine qua non para o começo de um procedimento com esse desiderato. A toda evidência, não se trata de norma material, não se trata de preceito que defina ou deixe de definir infração alguma. Tratase, unicamente, de condição estabelecida para o início do procedimento que vise à Suspensão de Imunidade, mas, à míngua de preceito que expressamente afirme a necessidade do preenchimento de dita condição para os procedimentos já iniciados, não se pode dizer que esses – os procedimentos já iniciados – possam ser fulminados por condição instituída posteriormente ao seu início, no curso do seu desenvolvimento. Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 43 42 É que, à falta desse preceito que expressamente determine a imperiosidade do preenchimento da nova condição pelos procedimentos já iniciados, verificase que essa condição é meramente de procedibilidade, não havendo que se falar em condição de prosseguibilidade. Realmente, o emprego desses conceitos comumente utilizados no Processo Penal mostrase altamente pertinente e esclarecedor para a elucidação da questão submetida ao crivo desse Colegiado – sendo importantíssimo asseverar que, também aqui, se está diante de procedimento tendente à aplicação de sanção, apesar de se cuidar de sanção de outro jaez. Assim sendo, permitome lançar mão de um exemplo da seara processual penal para facilitar a escorreita apreensão do que se está a dizer. Exemplo típico de condição de procedibilidade é a necessidade de representação do ofendido para o aforamento de ação penal pública condicionada. Pois bem. A Lei n. 9.099/1995 – que, além de outras providências, dispôs sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais – estabeleceu, em seu art. 88, que dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. Não há dúvidas de que se trata de condição de procedibilidade, de modo que, com o advento da Lei n. 9.099/1995, as ações penais com vistas à apuração e à reparação dos delitos de lesões corporais leves e lesões corporais culposas necessariamente dependeriam da representação a que alude o citado art. 88. Indagase: qual o impacto desse novo preceito em relação às ações penais que tratavam desses crimes e que foram aforadas antes da edição e vigência da Lei n. 9.099/1995? Não há dúvidas de que esse exemplo é adequado como luva para a questão que ora deve ser resolvida por esse Colegiado. E a resposta para o questionamento que eu trouxe a lume no parágrafo anterior inquestionavelmente seria: NENHUM IMPACTO, mas isso na premissa de que o artigo 88 da Lei n. 9.099/95 não estivesse associado a nenhum outro preceito de lei que tratasse especificamente da necessidade de preenchimento da referida e nova condição de procedibilidade aos processos já iniciados. Ocorre que, para além do art. 88, o legislador também fez editar o art. 91 do mesmo diploma legal, em que se lê, litteris: Art. 91. Nos casos em que esta Lei passa a exigir representação para a propositura da ação penal pública, o ofendido ou seu representante legal será intimado para oferecêla no prazo de trinta dias, sob pena de decadência. Esse é o preceito de lei que determinou a necessidade do preenchimento da condição para os casos já iniciados. Tratase, portanto, de condição de prosseguibilidade para a continuação de uma ação penal iniciada antes do advento da Lei n. 9.099/95 e que versasse sobre os delitos Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 44 43 indicados no art. 88, ação essa que obviamente não contava com a prévia e, a partir de então, imprescindível representação do ofendido. Semelhante dispositivo – que especificamente tratasse da necessidade de preenchimento do requisito inserto no §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 aos procedimentos tendentes à Suspensão de Imunidade já iniciados – não existe, de modo que não há que se falar que a intenção do legislador era fazer com que os procedimentos já iniciados tivessem que observar a condição que veio à balha com a Lei n. 11.941/2009. Pretender inquinar de viciado um procedimento pelo não preenchimento de uma condição que não existia ao tempo do seu início é impensável. Frisese que, por mais que ostente natureza processual – de modo que aplicável imediatamente aos processos em curso –, o preceito legal em causa não tem o condão de macular atos perfeitos e acabados antes do seu advento – tais como o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho que não acatou as razões opostas à Notificação Fiscal, assim como o próprio Ato Declaratório n. 134, atos esses praticados no anocalendário 2007, muito tempo antes da edição da Lei n. 11.941/2009. Mutatis mutandis, o acolhimento do argumento do Recorrente determinaria que, exemplificativamente, os Recursos Extraordinários interpostos antes da criação do requisito da Repercussão Geral não pudessem ser conhecidos ou não tivessem seguimento, justamente pelo não preenchimento do novo requisito de admissibilidade. Não deve ser acolhida, portanto, a vertente preliminar. Da Suspensão da Imunidade Realizada a análise quanto às preliminares suscitadas, devese, portanto, passar ao exame do mérito da Suspensão da Imunidade do Partido Progressista. A autoridade fiscal concluiu pela Suspensão da Imunidade da agremiação política em apreço – suspensão essa que, importante frisar, limitase aos anoscalendários 2002, 2003 e 2004 – por alegada falta do preenchimento dos requisitos para o gozo de imunidade, requisitos esses insertos nos seguintes dispositivos (negritados) do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 45 44 social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. É preciso consignar que o procedimento tendente à Suspensão de Imunidade do Partido Progressista teve início em função dos fatos noticiados na CPMI dos Correios do Congresso Nacional, que foi instaurada para a apuração da existência do amplamente noticiado Mensalão do Partido dos Trabalhadores. Em decorrência desses fatos noticiados, a Coordenação Geral de Fiscalização propôs ao Secretário da Receita Federal a constituição de Equipe Especial de Fiscalização para a verificação de eventuais descumprimentos dos requisitos necessários à fruição da imunidade, e foi a partir dos trabalhos desenvolvidos por essa Equipe que se chegou à Suspensão da Imunidade aqui controvertida. Os trabalhos fiscais desenvolvidos por dita Equipe culminaram com as seguintes acusações dirigidas ao Partido Progressista, que foram bem sintetizadas pelo Relatório da r. decisão recorrida, verbis: a) contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, nos anos de 2002, 2003 e 2004, caracterizando infringência aos incisos I, II e III do art. 14 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), na medida em que não foram aplicados integralmente os recursos financeiros para os objetivos institucionais, foram distribuídas partes das rendas e foi apresentada escrituração que não reflete, com exatidão, a totalidade dos atos praticados. Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 46 45 b) não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas nos anos de 2001, 2002 e 2003 e a pessoas jurídicas nos anos de 2003 e 2004, em relação aos quais deveria ter feito a retenção e o recolhimento do imposto, infringindo o § 1o do art. 9° do CTN; c) não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados, nos anos de 2003 e 2004, em desacordo com o disposto no inciso III do art. 14 do CTN. (fl. 2396) Para fins didáticos, cada uma dessas acusações será tratada em separado nas linhas seguintes. Do emprego e da contabilização de Notas Fiscais Inidôneas Acerca da discutida utilização de Notas Fiscais inidôneas, o Termo de Notificação Fiscal (fls. 272) teceu as seguintes considerações, verbis: 22. Grande número de empresas, registradas na escrituração do Partido como recebedoras de pagamentos por conta de suposto fornecimento de mercadorias e/ ou prestação de serviços, constam no cadastro da Receita Federal na condição de inativas, omissas ou inaptas. 23. Várias empresas com endereço, denominação e quadro social distintos, apresentaram notas fiscais preenchidas com grafia idêntica e outras com evidência de terem sido datilografadas pela mesma máquina. No caso de grafia idêntica observamos a utilização de três tipos de letra, para fins do presente relatório, denominamos de: Letra "A", Letra "B" e Letra "C". Abaixo demonstramos a quantidade de notas fiscais preenchidas com cada tipo de letra ou datilografia idênticas e a quantidade de empresas envolvidas em cada situação: Quadro n° 01. Demonstrativo dos Tipos de Letra TIPOS DE LETRA/DATILOGRAFIA QUANTIDADE DE NOTAS FISCAIS QUANTIDADE DE EMPRESAS Letra “A” 149 34 Letra “B” 28 12 Letra “C” 8 7 Mesma Datilografia 94 27 24. Ressaltamos que no caso das notas fiscais de diversas empresas preenchidas com a mesma grafia, isto é, preenchidas pela mesma pessoa, ou então, datilografadas pela mesma máquina, a irregularidade está no fato de que as notas fiscais são preenchidas por pessoas ligadas às empresas (sócios, funcionários...) ou datilografadas em máquinas da própria empresa. Assim constituise em suspeita de irregularidade que, p. ex., uma mesma pessoa esteja ligada a 34 empresas como no caso das notas preenchidas com a "Letra A" , como também que notas de 27 empresas tenham sido datilografadas pela mesma máquina. Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 47 46 25. No corpo de diversas notas fiscais, emitidas por empresas diferentes, observamos assinaturas idênticas atestando o recebimento dos valores. Identificamos a utilização de 04 (quatro) assinaturas, para fins do presente relatório, numeramos de 1, 2, 3 e 4. TIPO DE ASSINATURA QUANTIDADE DE NOTAS FISCAIS QUANTIDADE DE EMPRESAS Assinatura “1” 21 12 Assinatura “2” 93 28 Assinatura “3” 18 14 Assinatura “4” 44 22 26. A exemplo da forma de preenchimento das notas fiscais antes comentada, o recebimento de valores é atestado por pessoas ligadas as empresas (sócios, funcionários, procuradores...). Assim a irregularidade está no fato de que, p. ex., uma mesma pessoa esteja ligada a 28 (vinte e oito) empresas, como no caso das notas com a assinatura n° 2. 27. Notas fiscais de duas empresas possuíam o mesmo número da Autorização para Impressão de Documentos Fiscais — AIDF. Notas fiscais de duas outras empresas registravam o mesmo CNPJ. 28. Na quase totalidade das notas fiscais, que apresentavam as irregularidades acima descritas, a saída de recursos, supostamente utilizados para os pagamentos, foi operacionalizada por documentos nos quais dirigentes do partido autorizavam portador, não identificado, a efetuar o saque do valor no banco ou então os pagamentos foram efetuados por caixa. 29. Diante de tal situação, solicitamos a Coordenação Geral de Fiscalização que oficiasse a Secretaria da Fazenda do Distrito Federal, para informar se as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais – AIDF que constam das notas fiscais, foram de fato fornecidas para as empresas que delas se utilizaram. A sede de todas empresas envolvidas era Distrito Federal. 30. Pela análise das informações prestadas pela Secretaria da Fazenda do Distrito Federal (fl. 166 a 176), observamos que das 49 AIDF, utilizadas pelas 40 empresas analisadas: i) 19 eram falsas; ii) 20 apesar de serem verdadeiras, foram fornecidas para outras empresas, e não para as que delas se utilizaram; iii) Outras 10 também verdadeiras, foram utilizadas por empresas com dados cadastrais idênticos aos das empresas para as quais tinham sido fornecidas, no entanto destas 10: a) 07 foram utilizadas por empresas inexistentes que utilizaram dados cadastrais de empresas verdadeiras para confecção de notas fiscais; b) 03 foram usadas pelas empresas para as quais tinham sido fornecidas. 31. Das quarenta empresas, que tinham notas fiscais com uma ou mais irregularidades das descritas, trinta e sete foram intimadas a apresentar os talonários Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 48 47 de notas fiscais emitidas no mesmo período em que o partido contabilizou as despesas com base nas mesmas, sendo que: i) Treze não foram encontradas pelo serviço de correio, as correspondências retomaram com as observações de "desconhecido" ou "mudouse"; ii) Três apesar de receberem as correspondências não responderam. Nestes casos, comparecemos pessoalmente aos locais que constam como sendo seus endereços. No local de duas encontramos outras empresas e não aquelas que constam como recebedoras de pagamentos do Partido, no local que consta como endereço da terceira encontramos uma sala fechada; iii) Cinco responderam as intimações negando terem emitido notas fiscais no período; iv) Treze apresentaram notas fiscais emitidas no mesmo período das apresentadas pelo partido, porém essas notas não coincidem com as apresentadas pelo partido (diferem data de emissão, cliente, valor, numeração, leiaute, etc); v) Três empresas apresentaram notas fiscais que são as mesmas apresentadas pelo partido. 32. Selecionamos algumas notas, em regra uma por empresa que apresentava uma das irregularidades, quais sejam mesma letra (A, B, C), mesma datilografia, ou assinaturas idênticas (1, 2, 3, 4) e encaminhamos ao Departamento de Policia Federal para que procedesse uma perícia. Foram submetidas à perícia 118 notas fiscais e 03 documentos avulsos (vide fls. 177 a 184). 33. Com relação às notas fiscais preenchidas com as letras (A, B e C) e as datilografadas a conclusão da perícia (fls. 186 a 209) foi que: i) Das quarenta e nove notas fiscais de trinta e quatro empresas diferentes preenchidas com a "Letra A", com exceção de uma, todas as demais foram preenchidas com o mesmo punho; ii) Todas as dezessete notas fiscais de quatorze empresas diferentes preenchidas com a "Letra B", foram preenchidas com o mesmo punho; iii) Todas as cinco notas fiscais de cinco empresas diferentes preenchidas com a "Letra C", foram preenchidas com o mesmo punho. 34. Com relação as quarenta e sete notas fiscais datilografadas, emitidas por vinte e oito empresas diferentes, os peritos assim se pronunciaram: "Foram constatadas convergências entre as características gerais dos tipos indicando que as notas fiscais podem ter sido datilografadas com a mesma máquina, entretanto não foram evidenciados defeitos individualizadores que permitissem afirmar de forma categórica que elas se originaram de uma única máquina". Os peritos também afirmaram que "foram observadas convergências entre as características gerais das fontes, seus feitios, tamanhos, espaçamentos mecânicos e em alguns detalhes microscópicos indicando que as impressões datilográficas podem ter se originado da mesma máquina. Entretanto, todas essas características podem ocorrer em mais de uma máquina que use fontes provenientes de um mesmo fabricante (peculiaridades originadas, por exemplo, do processo de fundição dos tipos), sendo portanto consideradas características de classe e não de um individuo". Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 49 48 35. A conjugação das conclusões dos peritos, relativas às notas fiscais datilografadas com as relativas às assinaturas constantes em várias notas fiscais datilografadas e também em notas fiscais manuscritas atestando o recebimento dos pagamentos das mesmas, nos permite concluir que as notas fiscais foram datilografadas pela mesma máquina, como a seguir explicitado. 36. Foram apresentadas à perícia quarenta e sete notas fiscais datilografadas, de vinte e oito empresas diferentes, sem nenhuma ligação entre elas. Assim para admitirmos que as notas não foram datilografadas pela mesma máquina, teríamos que admitir que cada uma das vinte e oito empresas tenha utilizado uma máquina de datilografia adquirida do mesmo fabricante e que todas as máquinas tenham sido submetidas, por exemplo, ao mesmo processo de fundição dos tipos. 37. Das quarenta e sete notas fiscais datilografadas submetidas a perícia, trinta e duas notas de vinte empresas diferentes, tiveram o recebimento dos valores atestado por uma das assinaturas "1", "2" ou "3", as quais segundo conclusão da perícia, a seguir comentada, foram firmadas pelo mesmo punho. Assim para aceitarmos que as essas trinta e duas notas não foram datilografadas pela mesma máquina, teríamos que aceitar que após datilografadas por máquinas diferentes porém adquiridas do mesmo fabricante e submetidas, por exemplo, ao mesmo processo de fundição dos tipos, ainda tenham sido levadas a mesma pessoa para que ela atestasse o recebimento dos valores correspondentes. 38. Com relação as assinaturas (1, 2, 3 e 4) utilizadas para atestar o recebimento dos valores constantes nas notas fiscais a perícia (fls. 186 a 209) concluiu que: i) Todas as quinze notas fiscais de doze empresas, com a assinatura identificada com o número "1", foram assinadas pelo mesmo punho; ii) Todas as trinta e cinco notas fiscais de vinte e seis empresas, com a assinatura identificada com o número "2", foram assinadas pelo mesmo punho; iii) Todas as dezenove notas fiscais de treze empresas, com a assinatura identificada com o número "3", foram assinadas pelo mesmo punho; iv) Todas as assinaturas atestando o recebimento dos valores, classificadas com número "1", "2" e "3" foram assinadas pelo mesmo punho; 39. Com relação a assinatura de número 4, os peritos afirmaram: "Foram constatadas convergências morfogenéticas entre as rubricas de recebimento, identificadas com o número "4", indicando que elas podem ter se originado do mesmo punho. Entretanto dada a simplicidade das representações gráficas e dos poucos elementos de análise por elas oferecidos, não foi possível concluir de forma categórica nesse caso." 40. A conjugação das conclusões dos peritos relativas as assinaturas identificadas com o número "4" com outras conclusões da mesma perícia, nos permite concluir que elas foram firmadas pela mesma pessoa, pois das notas dezessete notas de dezessete empresas diferentes com a assinatura n° 4, sete foram preenchidas com letra "A". Assim para admitirmos que as notas com a assinatura n° 4 não foram assinadas pela mesma pessoa, teríamos que admitir que cada uma das sete notas preenchidas com a letra "A", que como concluiu a perícia foram preenchidas pela mesma pessoa, tenham sido, depois de preenchidas, levadas para outras sete pessoas diferentes para que atestassem o seu recebimento. Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 50 49 41. No termo de Intimação Fiscal Nr. 004, de 26 de abril de 2006, o partido foi intimado a apresentar documentos que identificassem as pessoas que efetivamente sacaram, das contas bancárias, os recursos para pagamento das notas fiscais constantes em demonstrativo anexo ao citado termo (fls. 104 e 115). 42. Em resposta preliminar ao Termo de Intimação Nr. 004, na data de 22 de maio de 2006 (fls. 116 e 117), o partido informou: que em 2001, 2002 e 2003, não detinha talonário de cheques razão porque os pagamentos eram feitos diretamente na tesouraria do Partido e o suprimento de caixa era realizado por meio de saques ao portador efetuados, em sua maioria, por funcionários do partido; b) que em função de demanda judicial que sustentava com uma empresa, advindo decisões judiciais que determinavam o bloqueio das contas para garantir o pagamento do montante requerido pela empresa, restava ao partido a iniciativa do saque total da conta do Fundo Partidário, no dia do crédito, para fazer face as despesas de manutenção dos compromissos; c) que requereu primeiro verbalmente e depois por escrito, às agencias bancárias, o fornecimento da relação dos saques efetuados bem como a identificação dos sacadores, informou que os bancos solicitaram prorrogação do prazo de 30 e 60 dias; d) esclareceu que a relação estreita entre os valores sacados, os nomes dos sacadores e os documentos que comprovem o repasse dos recursos, só será possível quando tiver todos os documentos em mãos, para confronto. 43. Na data de 25 de julho de 2006, em complemento ao atendimento anterior (fls. 126 a 136, o partido: a) informou que conforme já expresso na resposta anterior, nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, não possuía talonário de cheques, razão pela qual os pagamentos eram feitos na tesouraria do partido e o suprimento de caixa era realizado por meio de ordens bancárias, sendo que os saques para tal fim eram feitos pelos funcionários do partido, munidos de ordens assinadas pelo Presidente e Tesoureiro Geral; apresentou parte dos documentos que autorizavam os saques. Dos documentos apresentados apenas dois permitem identificar os tomadores, que são os cheques do Banco do Brasil de n° 104.689, de 11/12/2001, no valor de R$ 120.000,00 e n° 104691, de 06/06/2002, no valor de R$ 11.500,00, ambos tem como tomador a empresa CONSEX — CONSULTORIA E REPRESENTAÇÕES (fls. 122 a 125). Os demais documentos são ordens de pagamento ao portador e não identificam os sacadores dos recursos. 44. O partido informou ainda que, como forma alternativa, foram feitos alguns contatos com fornecedores visando obter declaração de quitação das notas fiscais apontadas nas planilhas, porém tal providencia se tornou infrutífera. 45. A análise do restante dos documentos solicitados não permite a identificação dos sacadores. Assim resta a afirmativa do partido que informa que os saques foram realizados por seus funcionários. O documento de fl. 135, apresentado junto com documentos bancários da Caixa Econômica Federal, embora não tenha sido assinado e esteja rasurado, aponta no sentido de que apenas funcionários devidamente autorizados poderiam efetuar tais saques. Salientese que não restou Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 51 50 comprovado, em nenhum momento, que os valores foram efetivamente repassados as empresas que teriam prestado serviços e/ ou fornecido mercadorias ao partido. 46. A seguir descrevemos o resultados da análise dos documentos referentes às 40 (quarenta) empresas envolvidas nas irregularidades antes comentadas. Para cada empresa elaboramos um demonstrativo semelhante ao abaixo (dados hipotéticos): Quadro no 03. Exemplo Nr. NF DATA DA N. FISCAL VALOR FORMA DE PREENCHIMENTO FORMA DE PAGAMENTO OBSERVAÇÕES 001 00/00/2002 1.000,00 Letra A Saque ao portador Perícia No 000 – Assinatura no 1 002 00/00/2002 2.000,00 Letra A Por Caixa Assinatura no 2 003 00/00/2003 3.000,00 Letra B Saque ao portador Perícia No 00 – Assinatura no 4 004 00/00/2003 4.000,00 Letra C Saque ao portador Perícia No 000 – Assinatura no 2 005 00/00/2004 5.000,00 Datilografada Saque ao portador Perícia No 00 – Assinatura no 3 006 00/00/2004 6.000,00 Datilografada Por Caixa Assinatura no 4 47. A coluna FORMA DE PREENCHIMENTO registra o tipo de letra utilizado no preenchimento da nota fiscal (A, B ou C) ou se a nota foi datilografada pela mesma máquina, assim: a) quando na coluna aparecer o registro "Letra A", significa que a nota faz parte de um grupo 149 notas fiscais de 34 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial (fls. 186 a 209) foram preenchidas pela mesma pessoa; b) quando na coluna aparecer o registro "Letra B", significa que a nota faz parte de um grupo 30 notas fiscais de 14 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial foram preenchidas pela mesma pessoa; c) quando na coluna aparecer o registro "Letra C", significa que a nota faz parte de um grupo 8 notas fiscais de 7 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial foram preenchidas pela mesma pessoa; d) Quando na coluna aparecer o registro "Datilografada", significa que a nota faz parte de um grupo 96 notas de 28 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial podem ter sido datilografadas pela mesma máquina. Sobre as notas fiscais datilografadas vide conclusão desta fiscalização nos itens. 35 a 37, do presente relatório. 48. A coluna OBSERVAÇÕES registra a assinatura utilizada para atestar o recebimento do valor da nota fiscal (1, 2, 3 ou 4) e também se a nota foi submetida à perícia. Assim: a) quando na coluna aparecer o registro "Assinatura n° 1, Assinatura n° 2 ou Assinatura n° 3", significa que a nota faz parte de um grupo 123 notas fiscais de 31 Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 52 51 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial (fl. 186 a 209) as assinaturas que atestam o recebimento dos valores foram firmadas pela mesma pessoa; b) quando na coluna aparecer o registro "Assinatura 4", significa que a nota faz parte de um grupo 40 notas de 22 empresas diferentes, que conforme Laudo Pericial as assinaturas que atestam o recebimento dos valores podem ter sido firmadas pela mesma pessoa. Sobre a assinatura n° 4 vide conclusão desta fiscalização nos itens. 39 e 40, do presente relatório. c) quando na coluna OBSERVAÇÕES aparecer o registro de Perícia n° 000, significa que a nota fiscal foi submetida à perícia, p. ex. o registro Perícia n° 001, corresponde a nota fiscal de número de ordem 001 da relação dos documentos enviados para perícia (vide fls. 179 a 183).” (fls. 8 a 17; sem grifos no original) O Termo de Notificação Fiscal prossegue tratando minuciosamente das irregularidades atinentes às Notas Fiscais emitidas por cada uma das empresas pretensamente emitentes dos documentos fiscais em apreço. Deve ser louvado o trabalho fiscal em análise, sendo que as considerações deduzidas pelo Partido Progressista nem mesmo minimamente infirmam as conclusões das autoridades fiscais. Com efeito, restou absolutamente demonstrado que o Partido Progressista lançou mão de Notas Fiscais inidôneas para a contabilização de saídas de recursos. Ora, a partir do trabalho fiscal – subsidiado por Perícia do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (fls. 193217) e pelas informações oferecidas pela Secretaria de Fazenda do Distrito Federal acerca da impropriedade ínsitas às Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais atreladas às Notas Fiscais sub examen –, resta estreme de dúvidas que os documentos utilizados para justificar as vultosas saídas de recursos estão eivados de inafastável inidoneidade. Nesse quadro, é certo que o Partido Progressista não observou, durante o período aqui controvertido, o requisito inserto no inciso I do art. 14 do Código Tributário Nacional, de modo que procede a Suspensão de Imunidade pelo não preenchimento dessa condição ao gozo da imunidade. Realmente, uma vez que, a partir do trabalho fiscal, se demonstrou que os valores pretensamente utilizados para o pagamento das discutidas Notas Fiscais não tiveram o destino que se depreende dos documentos fiscais, não há como dizer que o Partido Político em causa não distribuiu parcelas do seu patrimônio e de suas rendas. Salientese que as saídas de recursos deramse, no mais das vezes, através de ordens de pagamentos ao portador, assinadas pelo Presidente do Partido à época dos fatos ou por seu Tesoureiro, inexistindo qualquer comprovação de que os valores teriam sido remetidos às empresas que emitiram as Notas Fiscais inidôneas. Ademais, as considerações do Partido para infirmar essas assertivas são verdadeiramente evasivas, consistindo basicamente em (i) afirmações no sentido de que não teria como aferir a idoneidade e a situação fiscal das empresas emitentes das Notas Fiscais e (ii) em assertivas no sentido de que, se realmente houve emprego de documentos inidôneos, tais eventos seriam de responsabilidade exclusiva das pessoas físicas que dirigiam o Partido à época, e não teriam que ver com a entidade da agremiação política. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 53 52 Em relação à primeira das considerações, é preciso dizer que os tomadores de serviços têm, sim, a responsabilidade de verificar a situação fiscal das empresas fornecedoras ao tempo da tomada dos serviços e/ou da aquisição de mercadorias. E, no caso dos autos, é certo que há Notas Fiscais de empresas que sequer existiram, com a utilização de CNPJs de sociedades diversas; ainda, a mor parte das Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais é falsa. Nos casos em que as empresas fornecedoras efetivamente existiam e nos quais as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais eram verdadeiras, deparase com situação ainda mais grave: de fato, as diligências realizadas nessas empresas demonstraram que as Notas Fiscais que efetivamente tinham sido emitidas pelas sociedades não se confundiam com as Notas Fiscais apresentadas pela agremiação política, sendo diversos os clientes, valores e bens/serviços fornecidos. Todo o exame do processo dá conta, em verdade, de um sistemático uso de Notas Fiscais falsas para dar lastro a vultosas saídas de recursos do Partido Progressista, recursos esses que, infelizmente, eram originários das cotas do Fundo Partidário atribuídas ao Partido. Quanto ao argumento de que essas saídas fraudulentas de recursos seriam de responsabilidade das pessoas físicas envolvidas, melhor sorte não colhe o Recorrente. De fato, o acolhimento dessa argumentação significaria, ao fim e ao cabo, a completa irresponsabilidade de qualquer pessoa jurídica em relação a qualquer tipo de evento, tendo em vista que uma pessoa jurídica apenas pode praticar atos por intermédio de seus dirigentes e prepostos. Ora, as ordens de pagamento ao portador aqui controvertidas foram assinadas pelo alto escalão do Partido Político, por seu Presidente e por seu SecretárioGeral, eleitos nos termos do Estatuto da agremiação partidária. E assim, não tendo o partido demonstrado qual o destino dos valores sacados para o pagamento das Notas Fiscais em testilha, outra conclusão não é possível senão a de que o Partido Político efetiva e subrepticiamente distribuiu seu patrimônio e suas rendas no período aqui controvertido, de modo que não é merecedor da imunidade de impostos assegurada aos partidos políticos nos termos do art. 150, VI, “c” da Constituição Federal. Para além disso, é certo que a incerteza quanto ao destino dos valores também redunda em inobservância do inciso II do art. 14 do CTN, tendo em vista que não é possível que se constate o emprego dos recursos na manutenção dos objetivos institucionais da agremiação política, o que só vem a corroborar o acerto da conclusão no sentido da imperiosa Suspensão da Imunidade do Partido Progressista entre os anoscalendários 2002 e 2004. Da falta de retenção e de recolhimento do IRRF em relação a pagamentos a pessoas físicas e jurídicas Igualmente, é certo que o Partido Progressista descumpriu o requisito à imunidade inserto no §1o do art. 9o do Código Tributário Nacional, outra razão pela qual deve ser mantida a Suspensão de Imunidade em destaque. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 54 53 É preciso dizer que, quanto ao ponto em destaque, o próprio Partido confessa que não procedeu às retenções que deveria realizar, tanto que, quando de sua Impugnação à Suspensão de Imunidade, efetuou tardiamente os correlatos recolhimentos, acrescidos de multa e encargos moratórios. Com vistas a defender a manutenção da sua Imunidade, invoca unicamente o parágrafo único do art. 83 da Lei n. 9.430/96 – na redação que vigia antes da MP 497/2010 –, que remete ao art. 34 da Lei n. 9.249/95, preceito legal esse que reza, litteris: Art. 34. Extinguese a punibilidade dos crimes definidos na Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e na Lei no 4.729, de 14 de julho de 1965, quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Esse dispositivo não se aplica à hipótese em vergaste, tendo em vista que, aqui, não existe controvérsia acerca de crimes contra a ordem tributária. Com efeito, a discussão aqui empreendida tem que ver unicamente com o preenchimento dos requisitos à imunidade dispensada aos partidos políticos, requisitos esses constantes do Código Tributário Nacional, que desfruta do status de Lei Complementar. Em relação a esses requisitos, é importantíssimo asseverar que devem eles ser preenchidos pela entidade que se vale da imunidade de forma continuada, não sendo suficiente que, após o hialino descumprimento da condição, possa a correlata entidade vir a sanar a falta de observância do requisito, de modo a fazer com que a inobservância inicial desapareça do mundo jurídico. Salientese que os recolhimentos dos valores que deveriam ter sido retidos pelo Partido Político apenas tiveram lugar após a instauração do procedimento tendente à Suspensão da sua Imunidade, é dizer, apenas após a constatação, pelas autoridades fiscais, do descumprimento do requisito inserto no §1o do art. 9o do CTN. Destarte, revelase inafastável que o Partido Progressista deixou de proceder a retenções que lhe competiam, em manifesta inobservância ao citado §1o do art. 9o, outra razão pela qual não é merecedor da Imunidade encartada no art. 150, VI, “c” da CF/88 nos anoscalendários 2002, 2003 e 2004. Da não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados em 2003 e 2004 Em relação aos recursos discutidos neste tópico – que não teriam sido contabilizados pelo Partido Progressista, nem por ocasião do seu ingresso e nem por ocasião de sua saída –, temse que eles estão inseridos, não pairam mais dúvidas sobre isso, no contexto do malfadado Mensalão do Partido dos Trabalhadores, episódio desagradável que marcou desastrosamente a história recente do país. Depreendese do Termo de Notificação Fiscal que o Partido Progressista deixou de contabilizar a cifra de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), valores esses que teriam sido recebidos pela agremiação política no bojo do Mensalão petista e que teriam sido utilizados para o pagamento dos honorários advocatícios do advogado Paulo Goyaz, que prestou serviços advocatícios em defesa do Sr. Ronivon Santiago, parlamentar da legenda do Estado do Acre. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 55 54 Com efeito, o Termo de Notificação Fiscal tece as seguintes assertivas em relação a esse ponto, litteris: 55. No Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios", constam as seguintes anotações relativas a declarações do ExPresidente do Partido Progressista Sr. Pedro Correa e de João Cláudio de Carvalho Genu: Declarações do Deputado Federal PEDRO CORRÊA perante o Conselho de Ética (fl. 1279 E 1280): "(...) João Cláudio Genu, que na Policia Federal fez, disse que eu autorizei sua ida ao Banco Rural, ele era, em 2003, Assessor Parlamentar do gabinete do Deputado José Janene, e, hoje, ele está lotado na Liderança do partido, cujo Líder é o Deputado José Janene. E ele foi portador da quantia de 700 mil reais, sacados da seguinte maneira: 2 vezes ele foi ao Banco Rural, agência do shopping center de Brasília, e uma vez no Hotel Grand Bittar, no valor de 100 mil. Das primeiras vezes, foram duas de 300 mil e uma de 100 mil, que ele recebeu das mãos da Sra. Simone Vasconcelos. Os recursos foram repassados integralmente para o advogado Paulo Goyaz"(...)". Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios" Volume I — Pág. 790. "(...) O partido autorizou o Deputado Janene conseguiu os recursos. E o que tinha de informação era que o PT, num momento próximo, faria então essa doação e contabilizaria isso. Como não foi feita essa contabilização, nós nunca contabilizamos esse recurso, porque o recurso não teve, não tinha doador.(...)" Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios" Volume I — Pág. 791. Declarações de JOÃO CLÁUDIO DE CARVALHO GENO na acareação realizada na CPMI da Compra de Votos (fl. 1272): "(...) Eu reconheço a quantia de R$ 700 mil, sempre recebida por intermédio da dona Simone.(...)" Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios" Volume I — Pág. 783. 56. Além das declarações acima constantes do Relatório Final da CPMI "dos Correios", outras declarações foram prestadas por dirigentes e por funcionários do Partido Progressista em depoimentos a Policia Federal, como a seguir será transcrito: Declarações de JOÃO CLÁUDIO DE CARVALHO GENO prestadas em 29 de julho de 2005, no Edifício Sede do Departamento de Policia Federal em Brasilia/DF (IPL N° 2245STFSTF) — fls. 1286 a 1291): "(...) Que realmente recebeu quantias em dinheiro a pedido da Direção do Partido Progressista. Que tais recebimentos eram realizados conforme orientação do Tesoureiro do Partido Progressista, de nome BARBOSA; (...) Que na verdade não sabe dizer se BARBOSA é tesoureiro ou somente trabalha na tesouraria; (...) Que ao receber a orientação de BARBOSA o declarante confirmava com os Deputados Federais JOSÉ JANENE e Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 56 55 PEDRO CORREIA a procedência do pedido de BARBOSA; Que somente ia receber o dinheiro após a confirmação expressa de PEDRO CORREIA ou JOSE JANENE;(...)" . Declarações de PEDRO DA SILVA CORRÊA DE OLIVEIRA ANDRADE NETO prestadas em 27 de setembro de 2005, na cidade de Brasília DF, na QL.14, conjunto 05, casa 17, Lago Sul (INQUÉRITO n° 22454/140STF) — fls 1292 a 1295: "(...) Que tem conhecimento que JOÃO CLÁUDIO GENÚ entregou duas parcelas de R$ 300.000,00 ao chefe da assessoria jurídica do Partido Progressista, Sr. VALMOR JAVARINA, e uma parcela de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao funcionário da Tesouraria do Partido Progressista, Sr. VALMIR CREPALDI; Que o total dos recursos transferidos do Partido dos Trabalhadores para o Partido Progressista alcançou o montante de R$ 700.000,00 (Setecentos Mil Reais); Que a totalidade destes recursos foram repassados ao Dr. PAULO GOYAZ advogado de Ronivon Santiago; Que confirma que os R$ 700.000 (Setecentos Mil Reais) não foram contabilizados pelo Partido Progressista.(...)". Declarações de JOSÉ MOHAMEDE JANENE prestadas em 13 de setembro de 2005, na Coordenação de Assuntos Internos da CorregedoriaGeral da Policia Federal, Edifício Sede do Departamento de Policia Federal em Brasília/DF (fls. 1296 a 1302): "(...) Que realmente autorizou GENU a se dirigir à sede do BANCO RURAL em Brasília/DF para efetuar o recebimento, cujo valor desconhecia; Que também determinou que GENU levasse o valor a ser recebido diretamente para à sede do PP; Que GENU entregou o valor recebido, salvo engano, no departamento Jurídico; Que não sabe declinar o nome do servidor do departamento jurídico do PP que recebeu os valores por GENU; Que GENU contou ao DECLARANTE que deixou na sede do PP a quantia de R$ 300 mil; Que GENU informou ao DECLARANTE que, ao receber o valor de R$ 300 mil, assinou o recibo correspondente; Que já havia a decisão da Executiva Nacional do Partido Progressista de que os recursos repassados pelo Partido dos Trabalhadores seriam destinados exclusivamente para o pagamento dos honorários advocatícios de Dr. PAULO GOYAZ, advogado que atuou nas ações envolvendo o Deputado Federal RONIVON SANTIAGO; Que os R$ 300 mil recebidos por GENU foram entregues em espécie nas mãos do Dr. PAULO GOYAZ, que compareceu na sede do PP; QUE ainda no mês de setembro de 2003 o Partido dos Trabalhadores comunicou ao Partido Progressista da disponibilidade de outra parcela dos valores destinados; QUE da mesma forma GENU foi incumbido de se dirigir ao local informado pelo Partido dos Trabalhadores e receber a nova quantia, cujo valor não foi informado; QUE GENU efetuou outro saque de R$ 300 mil na Agência Brasília do BANCO RURAL e entregou a quantia na sede do Partido Progressista; QUE antes de receber o segundo saque GENU buscou nova autorização do DECLARANTE; QUE os recursos obtidos por GENU neste segundo saque também foram entregues na sua totalidade ao advogado DR. PAULO GOYAZ, que se dirigiu à sede do PP para receber o Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 57 56 valor em espécie; QUE em janeiro de 2004 o Partido Progressista recebeu nova comunicação de disponibilização de recursos do PT; QUE pelo que sabe dizer, GENU foi a Agência Brasília do Banco Rural receber o outro repasse, quando então foi informado de que deveria se dirigir a um hotel, de cujo nome não se recorda, para receber a quantia disponibilizada; QUE somente ao chegar no hotel GENU teria tido conhecimento de que estavam disponíveis R$ 100 mil; (..) QUE O Partido Progressista possui em seus arquivos os recibos fornecidos pelo advogado DR. PAULO GOYAS; (...)". Declarações de VALMIR CAMPOS CREPALDI prestadas em 16 de setembro de 2005, na Coordenação de Assuntos Internos da Corregedoria Geral da Polícia Federal, Edifício Sede do Departamento de Polícia Federal em Brasília/DF (fls. 1303 a 1306): "QUE é auxiliar da tesouraria do Partido Progressista há aproximadamente 04 (quatro) anos; (..) QUE é subordinado ao Presidente do Partido Progressista, Deputado Federal PEDRO CORRÊA, ao tesoureiro Deputado LEODEGAR TISCOSKI e ao secretáriogeral Dr. BENEDITO DOMINGOS; QUE em setembro de 2003 foi chamado pelo Dr. VALMOR GIAVARINA para que comparecesse à presidência do Partido Progressista, localizada no 17o andar do Anexo I do Senado Federal; QUE ao chegar no local e DR. VALMOR pediu ao DECLARANTE que se dirigisse para a sala de reuniões; (...) QUE passados alguns minutos o DR. VALMOR adentrou a sala de reuniões, sendo que logo em seguida também chegou o DR. PAULO GOYAZ; QUE presenciou quando VALMOR retirou de sua maleta três envelopes pardos que foram entregues ao advogado PAULO GOYAZ; QUE PAULO GOYAZ abriu os envelopes, quando então o DECLARANTE viu que no interior destes havia várias notas de dinheiro; (..) QUE VALMOR falou para PAULO GOYAZ que nos envelopes havia o total de R$ 300 mil; (..) QUE PAULO GOYAZ apenas contou os maços dos 3 pacotes de dinheiro e entregou o recibo de pagamento de autônomo (RPA) ao DECLARANTE; QUE passados aproximadamente 8 dias o DR. VALMOR ligou novamente para o DECLARANTE pedindo que comparecesse novamente à sede da presidência do Partido Progressista; QUE da mesma forma relatada anteriormente, dirigiuse para a sala de reuniões quando então compareceu ao local o advogado PAULO GOYAZ; QUE o DR. VALMOR repassou para o advogado PAULO GOYAZ 3 envelopes contendo dinheiro; QUE pegou o recibo de pagamento de autônomo (RPA) fornecido por PAULO GOYAZ no valor aproximado de R$ 400 mil e se retirou da sala; QUE acredita que na verdade foi entregue a PAULO GOYAZ o valor de R$ 300 mil, pois havia 3 envelopes de dinheiro; (..) QUE o dinheiro repassado pelo DR. VALMOR ao advogado PAULO GOYAZ não passou pela tesouraria do Partido Progressista ou foi contabilizado; (..) QUE na primeira quinzena de janeiro de 2004 recebeu urna ligação do Deputado Federal JOSÉ JANENE na Tesouraria do Partido Progressista, tendo o mesmo solicitado ao DECLARANTE que se dirigisse à presidência do partido, para receber uma encomenda de JOÃO CLÁUDIO GENU; QUE tal encomenda seria destinada ao DR. PAULO GOYAZ; (..) QUE foi até a presidência do Partido Progressista no 17o andar do Anexo I do Senado Federal e recebeu das mãos de GENU um envelope fechado de cor parda; (...) QUE fez tal entrega ao Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 58 57 DR. PAULO GOYAZ no mesmo dia em que recebeu o envelope das mãos de GENU; (..) QUE DR. PAULO GOYAZ abriu o envelope e conferiu que em seu interior havia R$ 100 mil tendo entregue um recibo para o DECLARANTE, em valor superior ao numerário recebido; QUE este recibo era um RPA — Recibo de Pagamento de Autônomo,(...)" 57. Os documentos de fls. 1307 a 1317), demonstram que os dois saques de R$ 300.000,00, foram de fato efetuados por João Cláudio Genu, na agência do Banco Rural em Brasília/DF. 58. O relatado nos parágrafos 55 a 57 evidencia: a) que JOÃO CLAUDIO DE CARVALHO GENÚ, autorizado pela Direção Nacional do Partido Progressista, recebeu no ano de 2003 na agência do Shopping Brasília do Banco Rural dois pagamentos de R$ 300 mil cada; e, no ano de 2004, um pagamento no valor de R$ 100 mil recebido no Hotel Grand Bittar em Brasília — DF, diretamente das mãos da Sr. Simone Vasconcelos; b) que após receber tais valores GENU os repassou a funcionários do Diretório Nacional do PP: para Valmor Giavarina — R$ 600 mil e para Valmir Campos Crepaldi — R$ 100 mil, os quais repassaram os valores ao advogado Paulo Goyaz, como pagamento de serviços advocatícios; c) que na data das operações, tanto os recebimentos dos valores como os pagamentos não foram registrados na contabilidade do Partido Progressista. 59. Intimado (fls. 161 a 164) a se pronunciar sobre os recebimentos e pagamentos o Partido em sua resposta (fl. 165), declarou que: "não recebeu, não contabilizou, não tinha conhecimento e nem autorizou a transferência de valores entre as partes citadas e em conseqüência inexiste em seu departamento contábil qualquer recibo — RPA — que ateste a entrega ou recebimento dos valores ao advogado mencionado sobretudo quando este não detinha vinculo contratual com o Partido, sendo de responsabilidade individual a prática de qualquer ato quando não autorizado pelos Órgãos de Direção e seus dirigentes". A declaração de Partido Progressista negando qualquer responsabilidade na operação não pode ser aceita, pois, os depoimentos transcritos nos parágrafos 55 e 56 e os documentos mencionados no parágrafo 57 não deixam dúvidas que a operação realmente existiu e foi executada com conhecimento e autorização de destacados dirigentes do partido, inclusive o seu Presidente Nacional na época dos fatos. (fls. 6570; sem grifos no original) A análise dos elementos constantes do vertente Processo Administrativo põe à mostra as estranhas desse malsinado e amplamente divulgado esquema de corrupção conhecido como o Mensalão. Com efeito, é relevantíssimo trazer à balha, para que se tenha mais clareza do que se está a aduzir, os seguintes trechos do Relatório da CPMI dos Correios, em que se lê, verbis: Relativamente aos recursos recebidos por João Cláudio Genu, o Deputado Pedro Côrrea prestou os seguintes esclarecimentos perante o Conselho de Ética: Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 59 58 O SR. DEPUTADO PEDRO CORRÊA — [...] João Cláudio Genu, que na Policia Federal fez, disse que eu autorizei sua ida ao Banco Rural, ele era, em 2003, Assessor Parlamentar do gabinete do Deputado Jose Janene, e, hoje, ele está lotado na Liderança do partido, cujo Líder é o Deputado José Janene. E ele foi portador da quantia de 700 mil reais, sacados da seguinte maneira: 2 vezes ele foi ao Banco Rural, agência do shopping center de Brasília, e uma vez no Hotel Grand Bittar, no valor de 100 mil. Das primeiras vezes, foram duas vezes de 300 mil e uma de 100 mil, que ele recebeu, das mãos da Sra. Simone Vasconcelos. Os recursos: foram repassados integralmente para o advogado Paulo Goyaz. [...] O SR. DEPUTADO PEDRO CORRÊA Aí, o partido não tinha como tirar isso do fundo partidário. Foi, então, quando o Deputado Janene procurou os recursos de outra fonte, para que pudessem. ser pagos esses honorários, já que o Deputado Ronivon Santiago não tinha como desembolsar esses recursos. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR Mas essa outra fonte... O SR. DEPUTADO PEDRO CORRE .A. Ele tinha procurado a executiva do partido dizendo que ia perder o mandato, então, não tinha como pagar os honorários do advogado. O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR Essa fonte derivou das boas relações que o PP, pelo menos no nível da sua direção nacional, da maior parte da sua bancada, passou a ter com o PT e com esses repasses do Banco Rural. . O SR. DEPUTADO PEDRO CORRÊA Eu diria que o PT tinha responsabilidade com essas ações embora o PT nunca assumisse isso. Mas, na verdade, todo mundo sabia, os Deputados diziam isso, os advogados também, que essas ações estavam todas sendo patrocinadas pelo PT, lá no Acre. O SR. DEPUTADO CARLOS SAMPAIO Então, o partido teria autorizado o Deputado Janene a buscar o dinheiro sem origem? O SR. DEPUTADO PEDRO CORRÊA – O partido autorizou. O Deputado Arlene conseguiu os recursos. E o que tinha de informação era que o PT, num momento próximo, faria então essa doação e contabilizaria isso. Como não foi feita essa contabilização, nós nunca contabilizamos esse recurso, porque o recurso não teve, não tinha o doador. Assenta o relatório do Deputado Gustavo Fruet, "em relação ao Partido dos Trabalhadores pagar advogado para o Deputado Ronivon em casusas em que este partido era autor das demandas “o Deputado Pedro Corrêa informou que, pelo fato de o Partido Progressista votar com o Governo, não era justo que o Partido dos Trabalhadores fosse massacrar o Partido Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 60 59 Progressista no Estado do Acre”. Tal afirmação também se colhe do depoimento do deputado: O SR. DEPUTADO PEDRO CORRÊA – Numa convivência entre os nossos partidos no Estado do Acre. Não era justo, Deputado, que estivéssemos aqui apoiando as ações do Governo do Presidente Lula, e lá o PT massacrasse os nossos companheiros . Na defesa escrita disse o advogado: No inicio do Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva diversas reuniões foram realizadas entre a cúpula do Partido Progressista e do Partido dos Trabalhadores visando formalizar aliança para formação da base de sustentação do Governo Federal. Em que pese o acordo estivesse sendo realizado em nível nacional, no Estado do Acre uma forte disputa regional existia o Partido dos 'Trabalhadores e o Partido Progressista, impedindo alguns entendimentos [..] Entre as diversas negociações políticas havidas com o Partido dos Trabalhadores, restou acertado que este ajudaria no pagamento de tal encargo, já que muitas das ações teriam sido geradas pelo embate político havido com o próprio Partido dos Trabalhadores em nível regional. Sobre essa estranha composição política e o comportamento do Deputado Pedro Correa, assim se manifestou o relator do processo de cassação, Deputado Gustavo Fruet: Inicialmente, peço vênia aos colegas deste Conselho para registrar a minha perplexidade com a supracitada tese da defesa. Vejam Vossas Excelências com que realidade inusitada nos deparamos. De um lado, temos o Partido dos Trabalhadores do Acre a questionar a lisura que deve pautar os pleitos eleitorais e, de outro lado, temos o Partido dos Trabalhadores Nacional, movido por propósitos outros, fornecendo recursos para que o Partido Progressista pudesse defenderse das acusações feitas pelo Partido dos Trabalhadores do Acre. Em suma, estamos diante de uma situação, no mínimo, surpreendente, pois o mesmo partido político que, no âmbito estadual, num primeiro momento, denuncia fraudes eleitorais, fornece, no âmbito nacional, recursos financeiros para defender os supostos fraudadores. [...] Portanto, é inegável que, apesar da doação ter sido feita 'ao partido e não ao representado', como salientou a defesa do Deputado em seu aditamento, essa não contabilização da doação nas contas do partido, por si só, já demonstra a obscuridade que pautou essa relação havida entre o Partido Progressista e o Partido dos Trabalhadores [...] Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 61 60 Portanto, também essa união espúria está evidenciar que os repasses feitos pelo Partido dos Trabalhadores ao Partido Progressista, de fato, fizeram parte da negociação que possibilitou o ingresso ou a permanência deste último na base aliada. No presente caso, restou provado que o Deputado Pedro Corrêa, como dirigente maior do Partido Progressista, exigiu, como parte da negociação que culminaria com o ingresso de seu partido na base aliada, que o Partido dos Trabalhadores efetuasse repasses de recursos ao seu partido. Apesar de o Representado, num dado momento de sua oitiva, contrariando o que disse nesse mesmo depoimento, ter alegado que essa negociação não ocorreu, o certo é que se acolhêssemos tal negativa, ainda assim, vislumbraríamos indignidade em sua conduta, pois, se não condicionou seu ingresso à base aliada aos recursos que recebeu, inegável que o Representado, minimamente, valeuse do fato de o seu partido pertencer à base governista para, dentre outras coisas, autorizar que sua agremiação solicitasse ao Partido dos Trabalhadores recursos para a defesa de um seu Parlamentar, sem efetuar o registro das quantias recebidas. Na esteira dos documentos que repousam às fls. 1307 a 1317, percebese que a origem dos controvertidos R$ 700.000,00 foi a conta bancária que a sociedade empresária SMP&B, de titularidade do conhecido Sr. MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA, mantinha na agência do Banco Rural sita no Brasília Shopping. Não há dúvidas, também, que o emprego dos valores deuse para o pagamento do advogado Paulo Goyaz, que representou o então Deputado Federal Ronivon Santiago em uma pletora de ações eleitorais em que era Réu. É importante salientar que nem o Dr. Paulo Goyaz e nem o parlamentar Ronivon Santiago foram réus na Ação Penal n. 470, que ficou conhecida como o julgamento do Mensalão. Por sua vez, tanto o Deputado Pedro Corrêa quanto o Sr. João Cláudio Genú não apenas foram Réus como foram condenados na referida Ação Penal, ambos pelos delitos de Corrupção Passiva e Lavagem de Dinheiro, sendo que foram absolvidos do crime de formação de quadrilha. Frisese que, em relação ao Sr. João Cláudio Genu, a pena do crime de corrupção passiva prescreveu, sendo que pendem de julgamento definitivo Embargos Infringentes opostos contra a condenação pelo crime de lavagem de dinheiro. Salientese que os fatos aqui controvertidos e narrados nos supratranscritos trechos do Relatório da CPMI dos Correios também foram determinantes para que esses Réus fossem condenados, o que se depreende da leitura do extenso acórdão da AP n. 470, em que há expressa menção aos eventos aqui controvertidos. Já o Deputado José Janene, outro Réu no processo do Mensalão, veio a óbito durante a tramitação do processo do Mensalão, o que obviamente acarretou a extinção da Ação Penal quanto aos delitos que lhe eram imputados. Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 62 61 Parece inquestionável que os recursos em questão foram empregados em favor do Partido Progressista, de modo que completamente descabidas as assertivas do Recorrente no sentido de que se trataria de culpa exclusiva das pessoas físicas envolvidas. Com efeito, os malsinados R$ 700.000,00 foram usados para o pagamento de honorários advocatícios de causídico que buscava a manutenção do mandato de um Deputado da legenda, sendo que todos os depoimentos são concordes no sentido de que essa destinação teria sido aprovada pelo Diretório Nacional do Partido Progressista, não se cuidando de deliberação pessoal do seu então Presidente, justamente o Deputado Pedro Corrêa. E, depois de todos os acontecimentos tão amplamente noticiados, parece despiciendo declinar a razão pela qual o Partido dos Trabalhadores, através da citada empresa do Sr. Marcos Valério, forneceu recursos ao Partido Progressista. Verdadeiramente, entendo que as assertivas do Partido quanto à exclusiva responsabilidade das pessoas físicas envolvidas chegam mesmo a ser ofensivas à inteligência do julgador. Deveras, para além de todas as assertivas já colacionadas, peço vênia para transcrever o seguinte depoimento que o então Presidente do PP, o Deputado Pedro Corrêa, prestou no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Congresso Nacional, litteris: O SR. DEPUTADO CARLOS SAMPAIO Com relação especificamente à (sic) esse recurso — V.Exa. já afirmou, e eu só gostaria que reiterasse aqui —, como minha última indagação, Pedro Corrêa, e agradecendo a atenção de V.Exa., realmente, então, não houve esse registro da entrada de um partido para o outro? Em segundo lugar, V.Exa., como Presidente do partido, sabia que, em havendo essa oficialização, na verdade a legislação veda a doação de um partido para outro? O SR. DEPUTADO PEDRO CORREA Não, eu não tinha conhecimento de que a legislação veda — acho que até hoje eu não sei —, mas evidentemente que seria examinado pelo Departamento Jurídico do partido. Eu sou médico. Embora eu, esses anos todos aqui, tenha aprendido muita coisa sobre legislação, conheça bem em relação a projeto, mas não sabia disso. E não foi contabilizado, porque, na verdade, eu não tinha como contabilizar. E não depositamos na nossa conta porque, se fosse depositado, certamente a Justiça tinha tomado. E ai não resolveria nem o problema do Dr. Paulo Goyaz nem o do Deputado Ronivon. E volto a dizer, Deputado Carlos Sampaio: eu não recebi vantagem nem para mim nem para o Deputado Ronivon Santiago, Eu fui autorizado pelo meu partido. Quer dizer, eu fui autorizado não, a Executiva foi autorizada. Eu não era Presidente ainda do partido, eu era o Segundo Vice, mas participava da administração do partido. E nós fomos autorizados a conseguir recursos para pagar o Deputado, os advogados, os honorários do Deputado Ronivon Santiago. Tanto do Deputado Ronivon Santiago como do Deputado Narciso Mendes. (fls. 22942295; sem grifos no original) Destarte, é inquestionável que os recursos aqui controvertidos não foram contabilizados pelo Partido Progressista – nem por ocasião do seu ingresso e nem por ocasião da versão ao Dr. Paulo Goyaz –, sendo também indiscutível que as quantias foram utilizadas Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 63 62 em favor da agremiação política – para o pagamento de honorários advocatícios a causídico que buscava manter o mandato de parlamentar dessa legenda. Salientese que, após a instauração do vertente procedimento, o Dr. Paulo Goyaz retificou as suas Declarações de Impostos de Renda de Pessoa Física para inserir os valores recebidos – inseriu os rendimentos brutos atinentes à quantia líquida de R$ 700.000,00 –, sendo que os RPAs fornecidos ao Partido por ocasião dos recebimentos indica essa agremiação como a responsável pelos pagamentos (fls. 21442146). Por todo o exposto, por mais essa razão deve ser mantida a Suspensão da Imunidade do Partido Progressista, não restando a menor dúvida quanto à não escrituração de ingressos e saídas de recursos nos anoscalendários 2003 e 2004, de modo que não foi observado o requisito inserto no inciso III do art. 14 do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez que, nos termos das razões declinadas acima, deve ser mantida a Suspensão da Imunidade do Partido Progressista em relação aos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, é mister que se passe ao exame das autuações lavradas em decorrência, à exceção dos Autos de Infração que repousam às fls. 2324 e seguintes, que estão encerrados no Processo Administrativo n. 10166.720300/201050. Dos lançamentos de multa isolada pela falta de retenção e recolhimento de IRRF, CSLL, PIS e COFINS Em relação às autuações em causa, que fazem parte daquilo que a douta instância a qua houve por bem denominar de lançamentos do Grupo 1, temse que a sua resolução é bastante simplória. É preciso consignar que também integra o Grupo 1 a autuação em que se exige o (i) Imposto de Renda Retido na Fonte por tributação exclusiva – pagamentos a beneficiários não identificados e pagamentos sem causa, que são os pagamentos levados a cabo com esteio nas discutidas Notas Fiscais Inidôneas –, assim como o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os mencionados R$ 700.000,00 entregues ao Sr. Paulo Goyaz. Tais frações da Autuação de IRRF serão examinadas posteriormente, o que se dá com vistas a facilitar a exposição aqui empreendida. Acerca do lançamento de multa e juros isolados pela falta de retenção e recolhimento de IRRF, é certo que não há nada a prover, tendo em vista que, apesar de a r. DRJ ter mantido a exação correspondente, os valores recolhidos pelo sujeito passivo foram alocados para fazer face às cobranças, o que se depreende do seguinte trecho da r. decisão recorrida, litteris: Os recolhimentos efetuados de multa isolada de IRRF, de R$51.089,43, e de juros isolados de IRRF, de R$32.420,68, devem ser alocados aos correspondentes créditos tributários de multa isolada de IRRF e de juros isolados de IRRF constituídos no lançamento de oficio e mantidos no presente voto. (fl. 2464) Para além de tais recolhimentos serem superiores às exações – tendo em vista que o Partido levou em conta, no seu cálculo, as retenções que deveriam ter sido realizadas no anocalendário de 2001, que não foram objeto de lançamento –, as seguintes assertivas insertas Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 64 63 no Recurso Voluntário são conclusivas quanto às matérias que deixaram de integrar o objeto do litígio após o manejo da irresignação sub examen, verbis: 58. Assim, este Recurso Voluntário deixa de tratar das matérias favorecidas com os provimentos da autoridade julgadora de primeira instância, relativamente aos seguintes pontos: a) erros cometidos pela Fiscalização no auto de infração lavrado em 21.12.07, referente ao IRF, de que tratam os itens 109/113 da Impugnação de fls. 1752/1790, corrigidos pela autoridade julgadora, conforme itens IV.6 e VI.ii do voto (fls. 2381/2384 e 2398/2399); b) falta de compensação de prejuízos fiscais, de que tratam os itens 73, 74 e 78.c da impugnação de fls. 1966/1996, sanada pela autoridade julgadora, conforme item V.6 do voto (fls. 2394/2395); c) apropriação, aos débitos de multa isolada e de juros isolados de IRF, lançados no auto de infração de 21.12.07, dos recolhimentos de R$ 51.089,43 e de R$ 32.420,68, de que tratam os itens 156 e 161/170 da impugnação de fls. 1752/1790, determinada pela autoridade julgadora, conforme itens IV.8 e VI.iv do voto (fls. 2388/2390 e 2398/2399); d) compensação do excesso de recolhimentos feitos a titulo de multa e de juros isolados de IRF, de que tratam os itens 171/174 da impugnação de fls. 1752/1790, com os débitos de multas isoladas de PIS, de Cofins e de CSLL lançados nos autos de infração de 21.12.07, face à orientação da autoridade julgadora, de se fazêla mediante PERD/COMP, consignada na ementa do Ac. 0337.022 (fl. 2321) e nas ponderações apresentadas no item IV.8 do voto (fl. 2390). Nada obstante, apesar das assertivas transcritas na alínea “d” acima – no sentido de que o sujeito passivo deixaria de tratar do pleito de compensação do excesso de recolhimento de multa e juros isolados de IRF com as multas isoladas pela não retenção de PIS, COFINS e CSLL, o Recorrente volta a tratar do tema em linhas subsequentes da mesma irresignação, alegando basicamente que certamente passaria por problemas por ocasião da transmissão da competente PER/DCOMP, ante a eventual incerteza quanto ao volume dos débitos. A citada incerteza derivaria do fato de que, à fl. 2473, existe comunicado do Chefe do SECOJ/DRJ/BSA no sentido de que não foi possível informar o resultado do julgamento no sistema SIEF, tendo em vista a necessidade de alocar os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, conforme determinado no Acórdão às fls. 2.399. Não merece acolhida a pretensão do Partido Progressista. Com efeito, apesar de as considerações do Chefe do SECOJ/DRJ/BSA efetivamente não serem compreensíveis a essa relatoria – não consigo vislumbrar o porquê de a informação do resultado do julgamento não ter sido postergada até que fossem alocados os recolhimentos efetuados pela agremiação política, bem como qual o prejuízo que decorreria dessa postergação –, temse que o procedimento atinente à compensação de créditos tributários tem regramento próprio, de modo que extrapola os lindes de um feito como o vertente. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 65 64 De fato, a apresentação de uma Declaração de Compensação pode ensejar um contencioso administrativo que não se contém num julgamento de auto de infração, sendo que seria absolutamente inapropriado que esse órgão julgador determinasse a convolação do vertente procedimento em um processo cujo objeto fosse uma compensação. Com efeito, uma pletora de incidentes processuais pode ter lugar no seio de um procedimento de restituição/compensação, razão pela qual tanto o legislador quanto a Receita Federal trouxeram a lume normas que tratam do tema em minúcia, de modo que a pretensão do Partido Político de fazer valer o seu alegado indébito deve ser realizada em sede própria, que se não confunde com o rito processual de que aqui se cuida. Para além disso, o Partido Político apenas traz singelas considerações no sentido de que os lançamentos de multa isolada pela falta de retenção de CSLL, PIS e COFINS deveriam ser cancelados pela falta de Mandado de Procedimento Fiscal específico para tais tributos. Quanto a esse ponto, limitome a transcrever as razões da douta instância recorrida, que, aludindo à Portaria RFB n. 4.066 de 2 de maio de 2007, assim afastou o argumento em testilha, verbis: Decorre da exegese da norma que, em relação ao IRRF contido no MPF, na hipótese em que também se configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos nos procedimentos de fiscalização, independentemente de menção expressa. Nesse sentido, agiu corretamente a autoridade fiscal ao proceder com a fiscalização da CSLL, do PIS e da Cofins, assim como do IRRF, que resultou na imputação da multa isolada referente à falta de retenção na fonte dos pagamentos efetuados a pessoas físicas e jurídicas que prestaram serviços ao requerente. ao requerente. Registrese que o conteúdo dos comandos normativos transcritos, relativos ao MPF, permaneceu por ocasião da edição da Portaria RFB n° 11.371, de 12/12/2007, que revogou a anterior. (fl. 2451) Destarte, voto no sentido da manutenção integral dos lançamentos de multa isolada pela falta de retenção de CSLL, PIS e COFINS, e reitero que a multa isolada por falta de retenção de IRF não integra o objeto litigioso. Da cobrança de IRRF – a parcela incidente sobre os R$ 700.000,00 vertidos ao Dr. Paulo Goyaz Em relação a essa fração do lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte, percebese claramente que ela jamais poderia prosperar. Com efeito, os valores pagos à pessoa física do Dr. Paulo Goyaz consubstanciam rendimentos sujeitos à retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte mediante a aplicação de alíquotas progressivas, na esteira do art. 620 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 66 65 Na esteira do §3o do mesmo art. 620 do RIR/99, os valores que o Partido Progressista deveria ter retido por ocasião dos pagamentos feitos ao Dr. Paulo Goyaz deveriam reduzir o montante de imposto devido nos termos da respectiva Declaração de Pessoa Física. É certo que o imposto em causa não foi retido e também não foi recolhido, sendo que já se disse que, após a instauração do vertente procedimento com vistas à Suspensão da Imunidade do Partido Progressista, o Dr. Paulo Goyaz retificou suas declarações de Pessoa Física para fazer constar os rendimentos brutos, recebidos em fins de 2003 e em janeiro de 2004, atinentes à quantia líquida de R$ 700.000,00. Nada obstante, uma vez que os créditos tributários correspondentes ao Imposto de Renda que deveria ter sido retido por ocasião desses pagamentos à pessoa física foram constituídos após o prazo para a entrega das respectivas Declarações de Ajuste da pessoa física, é certo que a cobrança dirigida à fonte pagadora jamais poderia prosperar, eis que essa não mais responde por esse tributo, na esteira do disposto no Parecer Normativo n. 01, de 24 de setembro de 2002, em que se lê, verbis: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Em estrita consonância com o entendimento aqui propugnado, trago à balha o seguinte recentíssimo precedente, proferido pela Egrégia 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, cuja ementa restou assim redigida, litteris: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. No caso de imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, de há muito vem sendo discutido até onde vai a responsabilidade da fonte pagadora, nos casos de não retenção. Isto é, até quando se pode exigir da fonte pagadora o imposto que deixou de ser retido. Findo o ano calendário em que se deu o pagamento e, mais ainda, transcorrido o prazo para entrega da declaração de rendimentos do beneficiário, não há que perdurar a responsabilidade atribuída à fonte pagadora. Isto porque se trata de situação em que o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora fica afastada, ou seja, o encerramento do ano calendário afasta a responsabilidade da fonte pagadora, passando a surgir a obrigação do legítimo sujeito passivo contribuinte – o beneficiário do rendimento. (Acórdão n. 9202002.858; Processo Administrativo n. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 67 66 10805.000494/200371; Cons. Rel. Elias Sampaio Freire; j. 10 de setembro de 2013; votação unânime; sem grifos no original) Destarte, improcedentes, neste ponto, as autuações. Do IRRF – tributação exclusiva – Pagamentos a beneficiários não identificados e pagamentos sem causa – Notas Fiscais inidôneas Também não merece prevalecer a cobrança em apreço, apesar de que, à primeira vista, pareciam estar presentes os pressupostos da exação ora examinada. Deveras, o tributo aqui exigido recai sobre as Notas Fiscais inidôneas discutidas linhas acima, à alíquota de 35% e incidente sobre as cifras resultantes do competente reajustamento da base de cálculo. É certo que a autoridade autuante segregou com bastante acurácia aquelas Notas Fiscais que ensejariam o IRF por pagamento sem causa (§1o do art. 674 do RIR/99) daquelas que engendrariam o IRF por pagamento a beneficiário não identificado (caput do art. 674 do RIR/99), sendo que os escassos equívocos existentes no lançamento foram expurgados pela r. decisão recorrida. Contudo, uma vez que as mesmíssimas Notas Fiscais inidôneas aqui controvertidas serviram de base de cálculo para a cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – glosa de despesas que será discutida a seguir –, não entendo possível a convivência entre as duas exigências, por manifesto bis in idem. Nesse quadro, tenho que não pode prosperar a cobrança da exação mais gravosa, que é justamente a vertente, sendo que esse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já manifestou esse mesmíssimo entendimento em reiteradas oportunidades, de que é exemplo o seguinte julgado, verbis: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 1999 IRRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°. 8981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão n. 04 01.094; Processo n. 19515.000085/200496; Cons. Rel. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; j. 3.11.2008; sem grifos no original) Não se sustentam, portanto, as cobranças de IRRF em causa. Dos lançamentos de IRPJ e CSLL Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 68 67 No que tange aos lançamentos em vergaste, temse que as autuações têm dois fundamentos diversos, quais sejam: i) a falta de recolhimento em relação ao resultado positivo apurado nas demonstrações trazidas à balha pelo próprio Partido Progressista; e ii) a falta de recolhimento derivada das glosas que as autoridades fiscais levaram a efeito das despesas atreladas às discutidas Notas Fiscais inidôneas. Quanto a esse segundo ponto, entendo que não devem ser acolhidas as razões suscitadas pelo Partido Progressista. Realmente, consoante dito quando se enfrentou o tema dessas notas na parte desse voto em que apreciada a questão da Suspensão da Imunidade da agremiação partidária, o Partido limitase a afirmar a sua irresponsabilidade pelo emprego das notas, asseverando que essa responsabilidade seria exclusivamente das pessoas físicas que tomaram parte nos respectivos eventos. Inexistindo, portanto, demonstração da efetividade dos serviços prestados e dos fornecimentos de mercadorias, assim como ausentes os comprovantes de pagamentos a esses fornecedores, devem ser glosadas as respectivas despesas, sendo procedentes os lançamentos que recaem sobre dita base. A mesma sorte devem ter os lançamentos atinentes ao primeiro dos tópicos, que se revela como uma mera decorrência da decretação da Suspensão da Imunidade do partido político, Suspensão essa integralmente mantida pelo presente voto. As demonstrações de resultado dos trimestres dos anos 2002 a 2004 encontramse aos fls. 17481759 e as autuações refletem tais bases. Frisese que os partidos políticos não integram o rol das entidades isentas a que alude o art. 15 da Lei n. 9.532/97, sendo importante consignar que, ainda que prevalecesse o entendimento em sentido contrário, essa isenção apenas importaria na fulminação do lançamento de CSLL atinente ao primeiro dos tópicos aqui discutidos – contribuição sobre o resultado positivo auferido pelo próprio partido –, eis que é certo que a fração remanescente não tem que ver com a persecução dos objetivos da instituição. Pelo exposto, dou pela manutenção dos lançamentos de IRPJ e CSLL, do que decorre a necessidade de averiguação da procedência da qualificação da multa de ofício que foi aplicada quanto às glosas das Notas Fiscais Inidôneas. Da multa qualificada No que tange aos lançamentos de IRPJ e CSLL, temse que o respectivo Termo de Verificação Fiscal não poderia ser mais lacônico no que tange à demonstração de materialização das hipóteses insertas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 para fins de qualificação da multa de ofício que foi aplicada. Com efeito, é preciso dizer que a multa qualificada apenas recaiu sobre essa fração dos lançamentos – de modo que foi aplicada multa no patamar de 75% sobre os tributos incidentes sobre os resultados apurados nos demonstrativos elaborados pelo Próprio Partido. Após transcrever os longos trechos do Termo de Notificação Fiscal em que se demonstra inequivocamente o emprego das Notas Fiscais inidôneas, o Termo de Verificação Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 69 68 Fiscal que se liga às autuações em causa – que repousa às fls. 1929 a 1987 – tece as seguintes brevíssimas considerações, litteris: iii) Relativamente a infração de glosa das despesas por Pagamentos sem Causa e a Beneficiário não Identificado, o lançamento foi efetuado com a multa qualificada de 150%, por ficar evidente o intuito de fraude. (fl. 1986) Não penso que essa fundamentação seja suficiente para a aplicação da multa de ofício qualificada. Com efeito, entendo que o preenchimento dos pressupostos para a qualificação da multa de ofício devem ser demonstrados à saciedade pelas autoridades fiscais, não bastando para tanto o emprego de uma afirmação que, aos olhos da autoridade fiscal, dê conta de a fraude ser evidente. Ademais, entendo que deve ser demonstrado um dolo muitíssimo específico para que seja possível a qualificação das penalidades de ofício, a saber, a intenção deliberada de suprimir ou reduzir o pagamento de tributos, de ocultar a ocorrência de fato gerador. Verdadeiramente, apesar de entender absolutamente condenáveis os expedientes do Partido Progressista no que tange à utilização das citadas Notas Fiscais inidôneas, entendo que a agremiação partidária jamais agiu com vistas a ocultar a ocorrência de fatos geradores ou a fugir ao pagamento de tributos; creio mesmo que o Partido, através de seus dirigentes, jamais verdadeiramente trabalhou com a possibilidade de perder a Suspensão da Imunidade partidária, de modo que não consigo vislumbrar a presença de uma das hipóteses que autorizam a majoração da penalidade de ofício. E, num contexto em que o Termo de Verificação Fiscal não poderia ser mais deficiente com vistas à demonstração da ocorrência dessas hipóteses, a visualização da sua materialização tornase verdadeiramente impossível, não havendo outra alternativa senão acolher o Recurso Voluntário para que seja desqualificada a multa de ofício que recaiu sobre as aqui discutidas frações dos lançamentos de IRPJ e CSLL, de modo que a penalidade deve retornar ao seu patamar de 75%. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de: Manter a Suspensão da Imunidade do Partido Progressista nos anos calendários 2002, 2003 e 2004; Manter os lançamentos de multa isolada pela falta de retenção de CSLL, PIS e COFINS; Cancelar os lançamentos de IRRF; Manter os lançamentos de IRPJ e CSLL, com a desqualificação da multa de ofício que foi aplicada sobre a fração dos lançamentos atinente às Notas Fiscais Inidôneas (Pagamentos sem causa e a beneficiários não identificados). É como voto. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 70 69 VOTO VENCEDOR NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10168.003918/200736 Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Relativamente ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10168.003918/200736, o I. Relator restou vencido no ponto em que dava provimento ao recurso voluntário para excluir as exigências de IRRF decorrentes da constatação de pagamentos a beneficiários não identificados e pagamentos sem causa. Em seu entendimento, como tais pagamentos estão vinculados a glosas de despesas, que ensejaram exigência de IRPJ, haveria manifesto bis in idem. No presente caso, porém, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, dada a suspensão de sua imunidade e a apuração de lucro com a glosa das despesas vinculadas àqueles pagamentos. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Considerando que, nos termos do voto do I. Relator, os beneficiários e a causa dos pagamentos subsistiram incomprovados, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF calculadas sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, formalizadas nos autos do processo administrativo nº 10168.003918/200736. DECLARAÇÃO DE VOTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10168.003918/200736 Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A presente declaração de voto prestase a esclarecer alguns pontos nos quais acompanhei o I. Relator em seus votos, ou em suas conclusões. Inicialmente no que se refere ao processo administrativo nº 10168.003918/200736, acompanhei o I. Relator por suas conclusões ao DAR PROVIMENTO Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 71 70 ao recurso voluntário relativamente à exigência de IRRF retido e não recolhido, porque não entendi, como o I. Relator, ser certo que o imposto em causa não foi retido e também não foi recolhido, mas apenas que não houve prova da retenção. As evidências presentes nos autos são no sentido de que o pagamento de R$ 700.000,00 teria, de fato, ocorrido, com a intermediação de diversos integrantes do Partido Progressista, inclusive a infirmar a alegação de que se trataria de uma operação particular. De outro lado, o Partido Progressista afirma que não promoveu a retenção, e a única evidência em contrário seria a declaração de rendimentos retificada por Paulo Goyaz depois do início do procedimento fiscal, na qual o mencionado rendimento apresentase reajustado no montante de R$ 964.300,00. Há referência, também, a Recibo de Pagamento de Autônomo (RPA), da mesma forma emitido por aquele beneficiário. De outro lado, as provas em favor da existência do pagamento de R$ 700.000,00 detalham seu pagamento em duas parcelas de R$ 300.000,00 e outra de R$ 100.000,00, e não noticiam qualquer ajustamento que pudesse resultar no montante total declarado pelo beneficiário. Por sua vez, a recorrente alega que a restituição decorrente da retificação de declaração promovida por Paulo Goyaz não teria sido paga pela Receita Federal, a demonstrar a desconfiança da instituição em face dos valores declarados. Frente a tal contexto, cumpriria à Fiscalização, ao menos, exigir do beneficiário a prova de que a contratação dos serviços teria totalizado R$ 964.300,00, e não R$ 700.000,00, como sempre mencionado em todos os elementos reunidos na investigação. Não é possível admitir como prova suficiente da retenção apenas os registros produzidos exclusivamente pelo beneficiário que, em princípio, tem interesse no aproveitamento do tributo que deveria terlhe sido retido. Ainda na apreciação do litígio formado no processo administrativo nº 10168.003918/200736, também acompanhei o I. Relator ao DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade. Em que pese a extensa abordagem na decisão recorrida acerca das constatações fiscais que ensejaram a suspensão da imunidade do partido político, não consigo alcançar a mesma conclusão ali exposta: Diante desse contexto, mostrase indiscutível o intuito doloso do partido político, evidenciado pelo farto encadeamento de eventos demonstrados, todos visando afastar a norma jurídica de incidência tributária. Isto porque entendo que o intuito de fraude deve ser aquele expresso nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 e, por sua vez, todas as condutas ali descritas estão estipuladas em face daqueles que praticam fatos geradores de obrigações tributárias, ou determinam o montante do tributo a ser pago em razão destas. Por sua vez, no presente caso, os atos dolosos foram praticados pelos integrantes do partido político, sob o manto de sua imunidade, e em tais condições não é possível inferir a associação direta de suas condutas com os créditos tributários que passaram a ser devidos depois da suspensão da imunidade, e em razão dela. Em outras palavras, as condutas intencionalmente praticadas pelos representantes do partido político ensejaram a suspensão de sua imunidade, validamente promovida, e a partir desta providência devem ser apurados os fatos jurídicos tributários como se praticados por quaisquer pessoas jurídicas alcançadas pela norma tributária, mostrandose válidas, também, as exigências fiscais daí decorrentes. Mas para imputação da multa qualificada entendo necessária a demonstração de que as condutas buscaram suprimir ou reduzir os tributos lançados. Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 72 71 De outro lado, é possível cogitar como esta correlação seria estabelecida, especialmente no que tange às exigências de IRRF. Porém, constatase no Termo de Verificação de fls. 1527/1602 que o empenho da autoridade fiscal concentrouse na descrição dos fatos constatados, na imprestabilidade e até falsidade das notas fiscais escrituradas, e em momento algum dirigiuse à intenção daqueles que produziram e escrituraram tais operações. Ao final, a exigência de IRRF resulta de presunção legal e a qualificação da penalidade é exposta nos seguintes termos: v) Relativamente as infrações de Imposto de Renda Exclusivo na Fonte Imposto de Renda Retido na Fonte e não recolhido sobre pagamentos não contabilizados o lançamento foi efetuado com a multa qualificada de 150%, por ficar evidente o intuito de fraude. Por sua vez, neste momento do litígio não é mais possível agregar tal motivação ao lançamento sem prejuízo ao direito de defesa do autuado. Imperiosa, assim, a redução da penalidade ao patamar de 75% em todas as exigências remanescentes. DECISÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10168.003918/200736 Estas as razões, portanto, que suportaram a decisão do Colegiado embargado frente ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10168.003918/200736, assim exposta no Acórdão nº 1101001.055: Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente ao processo nº 10168.003918/200736: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade por violação ao § 9o do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ineficácia do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de cerceamento ao direito de defesa; 1.4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade com fundamento no §11 do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 1.5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade; 1.6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas por falta de retenção de CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS; 1.7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IRRF retido e não recolhido, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.8) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Joselaine Boeira Zatorre, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.9) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRPJ e CSLL; e, 1.10) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; [...] A ementa desta parte do julgado está regularmente exposta no Acórdão embargado, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 73 72 RITO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARTIDOS POLÍTICOS. ART. 32, §9°, DA LEI 9.430/96. INAPLICABILIDADE A AUTOS DE INFRAÇÃO COMPLEMENTARES. O preceito em voga versa exclusivamente sobre as autuações imediatamente lavradas após a Suspensão de Imunidade, não se aplicando a autuações complementares, que podem ser confeccionadas enquanto não escoado o correlato prazo decadencial. RITO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PARTIDOS POLÍTICOS. MEDIDA CAUTELAR NA ADI 1.802. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO NO RITO PREVISTO NO ART. 32 DA LEI 9.430/96. Ao proferir a medida cautelar que suspendeu a eficácia dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n 9.532/1997 (ADI 1.802DF), o STF não suspendeu a eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que versa sobre o rito para a suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. RAZÕES ADITIVAS PARA INFORMAR PRETENSA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DO ART. 32 DA LEI 9.430/96. FATO NOVO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO. A uma, a liminar concedida na ADI n. 1802 que alegadamente apenas chegou ao conhecimento da Recorrente em dezembro de 2007 foi deferida pelo I. STF em 27 de agosto de 1998, é dizer, praticamente 10 (dez) anos antes. Para além disso, a questão da ineficácia do art. 32 da Lei 9.430/96 foi analisada, de modo que impensável qualquer prejuízo no exercício da defesa. NORMA SUPERVENIENTE. CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE. EFEITOS TEMPORAIS. IRRETROATIVIDADE. A inclusão do §11 do art. 32 da Lei n°9.430/1996, pela Lei n° 11.941/2009, que se constitui em condição de procedibilidade para o início de procedimento tendente à Suspensão da Imunidade de partido político, não acarreta a necessidade de preenchimento dessa condição para os procedimentos já iniciados, à míngua de expressa disposição legal. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FATOS. CONDIÇÕES DESCUMPRIDAS. A contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, a não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas e a pessoas jurídicas e a não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados materializam o descumprimento dos requisitos insertos no §1° do art. 9o e nos incisos I, II e III do art. 14, ambos do CTN, condições necessárias, no que tange aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, para que o partido político pudesse usufruir da imunidade constitucional condicionada, prevista na alínea "c", inciso VI, do art. 150 da Lei Maior. RECURSOS RECEBIDOS. PAGAMENTOS EFETUADOS. OPERAÇÕES NÃO CONTABILIZADAS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Operações envolvendo o recebimento, por parte do partido político, da quantia de R$700.000,00, e a utilização do correspondente recurso para o pagamento a prestador de serviços advocatícios não foram Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 74 73 contabilizadas, o que revela inquestionável inobservância do requisito inserto no inciso III do art. 14 do CTN, indispensável para a fruição do gozo da imunidade tributária pelo partido político. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS OU DOS PRODUTOS FORNECIDOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. DISTRIBUIÇÃO DE PARCELA DO PATRIMÔNIO OU RENDAS. APLICAÇÃO NÃO INTEGRAL DOS RECURSOS NA MANUTENÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Utilização, pelo partido político, de notas fiscais inidôneas, a falta de comprovação da prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos e a falta de comprovação da efetiva realização dos correspondentes pagamentos consubstanciam descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN, que imprescindivelmente devem estar preenchidos para a fruição do gozo da imunidade tributária. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. FORNECEDORES. PRESTADORES DE SERVIÇOS. IRRF. NÃO RETENÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. Pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, em razão de serviços prestados ou produtos fornecidos, sem a devida retenção do imposto de renda nos termos da legislação vigente, caracterizam descumprimento ao requisito constante do §1° do art. 9° c/c §1o do art. 14, do CTN, necessária para a manutenção da imunidade tributária. Suspensão da Imunidade Tributária Mantida. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CSLL, PIS E COFINS. PORTARIA RFB 4.066/2007. EXEGESE NORMATIVA. MANUTENÇÃO. Devem ser mantidos integralmente os lançamentos de multa isolada pela falta de retenção de CSLL, PIS e COFINS, reiterando que a multa isolada por falta de retenção de IRF não integra o objeto litigioso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, serão estes considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. PAGAMENTOS EFETUADOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOA FÍSICA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. NÃO RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO APÓS O TÉRMINO DOS PRAZOS PARA APRESENTAÇÃO DAS CORRELATAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE DA PESSOA FÍSICA. INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Apesar de o Partido Político em causa Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 75 74 efetivamente não ter procedido à retenção e ao recolhimento no Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos a advogado que lhe prestou serviços, a fonte pagadora não responde pelo tributo em causa se os correlatos créditos tributários foram lançados após o prazo para apresentação das declarações de ajuste anual atinentes aos exercícios em que os pagamentos foram realizados. Inteligência do Parecer Normativo n. 1, de 24 de setembro de 2002. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. GLOSA DE DESPESA NA APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. INCIDÊNCIA DE IRPJ. COMPATIBILIDADE. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, impõe conseqüências à fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbe de seu dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, de modo a permitir a confirmação da regular tributação de eventual rendimento auferido por aquele beneficiário. Nada impede que este mesmo pagamento, quando contabilizado como despesa, seja também glosado na apuração do lucro tributável e resulte na exigência de imposto da mesma pessoa jurídica, mas na condição de contribuinte. MULTAS ISOLADAS. JUROS ISOLADOS. COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇAS A MAIOR COM MULTAS PELA FALTA DE RETENÇÃO DE CSLL, PIS E COFINS. APROVEITAMENTO. Não compete ao julgador administrativo reconhecer, de oficio, créditos decorrentes de recolhimento a maior, devendo o sujeito passivo proceder à compensação dos débitos exigidos de oficio com os valores recolhidos a maior em períodos anteriores mediante a utilização do instrumento próprio criado para essa finalidade, qual seja, o PER/DCOMP. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSAS DE DESPESAS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Tendo sido demonstrada, de maneira contundente, a utilização de notas fiscais inidôneas, cujos beneficiários não foram identificados ou a causa dos pagamentos não foi esclarecida, resta plena subsunção ao artigo 304 do RIR/99, vez que se constituem em despesas não dedutíveis, razão pela qual devem ser glosadas e adicionadas ao lucro liquido do período de apuração correspondente. DOLO. MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. Não deve prosperar a multa de ofício qualificada se a autoridade autuante não se desincumbiu do ônus de demonstrar a ocorrência das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e/ou 73 da Lei n. 4.502/64. In casu, apesar de ser inquestionavelmente rechaçável o sistemático emprego de Notas Fiscais inidôneas, não se verifica a presença do dolo específico que autoriza a qualificação da penalidade de ofício. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 76 75 ISENÇÃO DA CSLL. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS. INAPLICABILIDADE. A hipótese de outorga de isenção, cuja interpretação deve ser literal, prevista no § 1°, art. 15, da Lei n° 9.532/97, não se aplica aos Partidos Políticos, por ausência de previsão legal para equiparação das associações civis com agremiações partidárias. Manutenção do lançamento de CSLL, sem multa qualificada. RELATÓRIO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10166.720300/201050 Tratase de Autos de Infração complementares de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL atinentes aos anoscalendários 2003 e 2004. Os lançamentos em vergaste decorrem do procedimento que culminou com a Suspensão de Imunidade do Partido Progressista, suspensão essa que é discutida nos autos do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736, feito esse ligado visceralmente ao vertente e no qual também estão encerrados lançamentos de ofício para exigência de créditos tributários. Por bem resumir toda a controvérsia que culminou com a lavratura das autuações em análise, permitome transcrever o Relatório elaborado pela DRJ de Brasília por ocasião do julgamento das Impugnações insertas no referido Processo Administrativo n. 10168.003918/200736, verbis: “I. Quanto à Suspensão da Imunidade Tributária 1.1 — Notificação de Suspensão de Imunidade O partido político identificado no preâmbulo foi cientificado em 24/10/2007 do Termo de Notificação Fiscal lavrado às fls. 01/70, nos termos dos §§1° e 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, tendo em vista a constatação da ocorrência de fatos determinantes para a suspensão do beneficio de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, assim descritos, em síntese: a) contabilização de saídas de recursos do patrimônio do partido político embasadas em notas fiscais inidôneas, nos anos de 2002, 2003 e 2004, caracterizando infringência aos incisos I, II e III do art. 14 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), na medida em que não foram aplicados integralmente os recursos financeiros para os objetivos institucionais, foram distribuídas partes das rendas e foi apresentada escrituração que não reflete, com exatidão, a totalidade dos atos praticados. b) não retenção e não recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a pessoas físicas nos anos de 2001, 2002 e 2003 e a pessoas jurídicas nos anos de 2003 e 2004, em relação aos quais deveria ter feito a retenção e o recolhimento do imposto, infringindo o §1o do art. 9° do CTN; c) não contabilização de recursos recebidos e de pagamentos efetuados, nos anos de 2003 e 2004, em desacordo com o disposto no inciso 111 do art. 14 do CTN. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 77 76 1.2 — Contestação à Notificação de Suspensão de Imunidade Em 23/11/2007, dentro do prazo prescrito no § 2° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, o partido político ofereceu a defesa acostada as fls. 1364/1405, para contestar o citado Termo de Notificação Fiscal. Discorreu o impugnante, a principio, sobre a personalidade jurídica do partido político e a administração nos termos do seu estatuto. Disserta sobre a legislação tributável aplicável ao caso para consolidar entendimento de que não houve nenhuma desobediência aos requisitos legais, e, portanto, não haveria que se falar em suspensão de imunidade tributária. No que concerne a distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou rendas, a qualquer titulo, a defesa alegou que não houve descumprimento da legislação, pois o partido mantém seus livros contábeis em dia e jamais deixou de prestar contas perante a justiça eleitoral. As notas fiscais em questão não poderiam ser tidas como inidôneas, vez que foram regularmente preenchidas, possuem inscritos a razão social, o número do CNPJ e o número da AIDF, por isso o partido jamais duvidou de sua idoneidade. Ademais, o partido não tinha condições de verificar a condição do emissor da nota fiscal, se uma empresa inativa ou inapta. 0 pagamento efetuado pelos serviços constantes da nota fiscal foi de boa fé, sendo que em nenhum momento restou mencionado, no relatório fiscal, existência de dolo específico ou culpa por qualquer ato praticado pelos dirigentes do partido. Por outro lado, ainda que se restasse comprovada a prática de ilícito, caberia investigar os verdadeiros responsáveis, sob a égide dos artigos 135, 135 e 137 do CTN, vez que a responsabilidade será pessoal do agente quando ocorrer um ato de infração à lei que gere uma obrigação tributária, ou seja, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e praticados por terceiro. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Ainda, a nova redação dada ao inciso I do art. 14 do CTN seria inconstitucional, vez que se trata de inovação imposta pelo legislador ordinário visando restringir o âmbito de abrangência das entidades albergadas pela imunidade tributária, fato inconcebível, tendo em vista os objetivos sociais que a norteiam. Em se tratando da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, aduziu a defesa que apesar de estar comprovada a negociação celebrada entre o expresidente do partido, Pedro Corrêa, e o advogado Paulo Goyaz, no valor de R$700.000,00, tal negociação foi uma operação particular, e por isso não foi registrada. Enfim, quanto a retenção de tributos na fonte, o partido político recolheu, em 22/11/2007, com multa e juros isolados o imposto de renda que deveria ter sido retido sobre os pagamentos feitos a pessoas físicas nos anos de 2001, 2002 e 2003 e a pessoas jurídicas nos anos de 2003 e 2004. 1.3 — Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade A contestação de fls. 1364/1405 oferecida pelo partido político foi apreciada pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília, cujo Despacho Decisório as fls. 1425/1484 reconheceu a procedência da Notificação Fiscal de fls. 01/70, e por consequência, decidiu suspender a Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 78 77 imunidade tributária exercida pelo Partido Progressista, e determinou a expedição do Ato Declaratório Executivo. Inicialmente, discorreu a autoridade tributária sobre a base legal que ampara a imunidade tributária dos partidos políticos e os procedimentos fiscalizatórios previstos para verificar o cumprimento das condições necessárias para o gozo do beneficio. Em seguida, o Despacho Decisório tratou dos fatos levantados pela Fiscalização que ensejaram a emissão do Termo de Notificação Fiscal, quais sejam, a utilização de notas fiscais inidôneas, a falta de retenção e recolhimento do IRRF e a falta de escrituração contábil de recebimentos e pagamentos. Da análise dos fatos arguidos e das provas apresentadas pelo partido político, a autoridade tributária considerou improcedentes as alegações da defesa, concluindo que restou demonstrada a utilização de notas fiscais falsas, seguida pela falta de comprovação da prestação dos serviços ou fornecimentos dos produtos e a falta de comprovação dos pagamentos. Também entendeu que não foram retidos na fonte, nos termos da legislação que dispõe sobre a imunidade, os tributos federais sobre rendimentos pagos a pessoas físicas nos anoscalendário de 2001 a 2003 e sobre os pagamentos a pessoas jurídicas nos anoscalendário de 2003 e 2004. Por fim, concluiu também que não foram escrituradas receitas nem despesas, decorrentes do recebimento de RS700.000,00 por parte de João Cláudio de Carvalho Genu e o pagamento das despesas ao advogado Paulo Goyaz, advogado atuando em interesse do Deputado Federal Ronivon Santiago. O partido político foi cientificado da decisão proferida pelo Despacho Decisório em 21/12/2008, ocasião em que informou que estava amparado por medida liminar no Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0433323, impetrado na Justiça Federal, acostado aos autos As fls. 1492/1494. Valeuse o partido político do remédio constitucional, tendo em vista que, após o recebimento da Notificação Fiscal de fls. 01/70 em 24/10/2007, foi intimado, em ato continuo, a consolidar, no prazo de vinte dias, o resultado financeiro dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, pela sistemática do Lucro Real Trimestral, por meio do "Termo de Intimação Fiscal Nr. 008" (fls. 1700) cientificado em 06/11/2007 e "Termo de Intimação Fiscal Nr. 009" (fls. 1706), cujo recebimento deuse por via postal em 07/12/2007, antes de ser proferida decisão que trataria da suspensão da imunidade. Esclarece o Mandado de Segurança que "Sem que seja declarada a suspensão da imunidade, não faz sentido exigir obrigação tributária acessória de tributo imune (112E1)", e, assim sendo, defere em parte o pedido liminar, para o fim de suspender o "TIF/008 (Doc. 2) e o TIF/009 (Doc. 04), reconhecendose o direito do impugnante de somente vir a ser obrigado pelos Impetrados a prestar as obrigações tributárias acessórias previstas no referido termo a partir do vigésimo dia da ciência de eventual Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade Tributaria do Partido, expedida pela autoridade competente da SRF, nos termos da Lei n° 9.430/96". Por fim, por meio do documento de fls. 1708/1709, o partido político apresentou, em 11/01/2008, as demonstrações de resultado, às fls. 1710/1721, conforme orientações dispostas nos Termos de Intimação Fiscal n° 008 e 009. Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 79 78 Apresentou ainda a defesa a petição de fls. 1485/1487, em 14/12/2007, documento denominado "Razões Aditivas", no qual discorre sobre o julgamento da ADI 1802, ocasião em que o STF suspendeu a vigência de artigos da Lei n° 9.532/97, que tratavam da imunidade das instituições de educação ou de assistência social, por entender que tal suspensão teria repercussão para as demais entidades imunes no que tange A aplicação do rito previsto no artigo 32 da Lei no 9.430/1996, o que eivaria de nulidade o Termo de Notificação de fls. 01/70 e por conseqüência tornaria insubsistente a suspensão da imunidade tributária. A Divisão de Orientação e Análise Tributária — Diort, da DRF/Brasilia, por meio da Informação de fls. 1489, esclareceu que, tendo a ciência do Termo de Notificação Fiscal sido dada em 24/10/2007, caberia oferecimento de defesa no prazo de trinta dias, nos termos do § 2° do artigo 32 da Lei no 9.430/1996. Nesse sentido, a petição de fls. 1485/1487, oferecida apenas em 14/12/2007, foi intempestiva, razão pela qual "os documentos as fls. 1485/1487 não foram considerados na análise dos fatos para efeitos de expedição do ato suspensivo da imunidade". 1.4 — Impugnação ao Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade Tendo sido expedido o Ato Declaratório Executivo n° 134, publicado no DOU em 21/12/2007, e tomado ciência do Despacho Decisório em 21/12/2007, o interessado, seguindo norma disposta no §6o , inc. 1, art. 32 da Lei n° 9.430/1996, apresentou impugnação de fls. 1722/1743 e anexos, no dia 22/01/2008. As alegações estão sintetizadas a seguir. Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.532/1997, que dispõe que "à suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, As entidades imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o princípio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção à referida petição. Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 80 79 Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (i) o Despacho anexado pela DRF/Brasilia comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (ii) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida em qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo n° 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia a Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, às fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao senhor Paulo Goyaz, vez que foi um negócio particular entre dirigentes do Partido à época da operação com esta pessoa. Assim, corno a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Ressaltese que os órgãos Institucionais incumbidos da investigação de ilícitos (STF, Ministério Público, Policia Federal) prosseguem suas investigações contra as pessoas físicas, possíveis agentes dos ilícitos, e não contra o Partido. A Receita Federal vem demonstrando falta de empenho na busca de verdade material que envolve os fatos. Tanto que, na falta de comprovação efetiva da participação do Partido nos episódios, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Razões de Mérito. Recebimento dos R$700.000,00 utilizados em pagamentos a Paulo Goyaz. A Fiscalização fundase em vários depoimentos orais para acusar o Partido Progressista de ter recebido a importância de R$700.000,00 sem registrar o ingresso desses recursos e sua utilização para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz. Ainda, diz a Fiscalização que foram anexadas aos autos as "Declarações de Ajuste Anual dos Exercícios de 2004 e 2005 (anoscalendário de 2003 e 2004) de Paulo Alves da Silva, CPF 291.925.52072 (Paulo Goyaz). O Partido, pessoa Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 81 80 jurídica distinta das pessoas de seus dirigentes, volta a negar que tenha recebido os R$700.000,00, bem como volta a negar que tenha utilizado tais recursos para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz, por isso não fez retenção de IRF e não apresentou as DIRF referentes a tais pagamentos. Os depoimentos revelam apenas que houve um negócio particular entre os dirigentes do Partido e o Sr. Paulo Goyaz. A Fiscalização incumbiuse de apresentar a versão do sr. Paulo Goyaz, cujas declarações informando o recebimento no montante de R$964.300,00, equivalente ao valor de R$700.000,00 reajustado conforme o art. 20 da IN SRF n° 15/2001, são retificadoras, elaboradas e apresentadas em data posterior ao início do processo de investigação dos fatos. Tal constatação compromete a qualidade da prova. Deveria, nesse contexto, ter a Fiscalização anexado cópias da declarações retificadas, para que se pudesse apurar qual o objeto da retificação, sendo que, fosse demonstrado que a retificação teve como objetivo incluir os rendimentos ditos como recebidos do Partido, a prova seria imprestável, vez que constituída após o inicio do processo de investigação desse fato. Contudo, omitiuse a Receita Federal quanto a esta providência. Registrese ainda que a Fiscalização fundase em depoimento de Va1mir Campos Crepaldi prestado em 16/09/2005, no dia subseqüente ao dia da retificação das declarações de Paulo Goyaz. O sr. Valmir Campos Crepaldi, funcionário de tesouraria do partido político, informou que o sr. Paulo Goyaz, ao receber os recursos, entregava recibo de pagamento de autônomo (RPA) em valor superior ao do numerário entregue, para demonstrar que o valor do RPA correspondia a um valor líquido reajustado, considerando as normas de retenção de imposto de renda na fonte. Por sua vez, no dia anterior, 15/09/2005, o sr. Paulo Goyaz apresentara declarações retificadoras em que os valores declarados estavam reajustados nos termos do art. 20 da IN SRF n° 15/2001. A Fiscalização valeuse tanto do depoimento de Valmir Crepaldi quanto das declarações de Paulo Goyaz, sem cogitar na hipótese de que a "coincidência" seja resultado de algum prévio concerto. Paradoxalmente, a própria Receita Federal demonstra falta de confiança nas declarações de Paulo Goyaz, vez que ainda não restituíra o "imposto a restituir" apurado, conforme demonstram documentos anexos. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) foram utilizadas perífrases para insinuar que teria havido falta de recolhimento de imposto de renda supostamente retido na fonte. Na "conclusão", A Fiscalização limitase a arrematar o assunto em parcas três últimas linhas, "iii) Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos não contabilizados, infração relatada no titulo IV.3 — FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEBIMENTOS E PAGAMENTOS". Do exame de tal conclusão, indagase se isso quer dizer que houve a retenção, ou que deveria ter havido a retenção, ou seja, não há clareza do Fisco na acusação. O TVF não apresenta o item 53, 'iv', passando diretamente para o item 53, 'v', cuja expressão "... e Imposto de Renda Retido na Fonte e não recolhido sobre pagamentos não contabilizados", reportase ao caso do Paulo Goyaz. Partese, então, do pressuposto que o item 53, 'iv', conteria uma "conclusão" inequívoca, fundamentada em circunstâncias inquestionáveis demonstradas no titulo "IV.3" do TVF, de que houve a retenção do IRF. No entanto, o titulo "IV.3" do TVF, com exceção do item 51 (que trata das "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz), não se reporta Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 82 81 em ponto algum à questão da retenção do IRF. Por outro lado, demonstrou se que as "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz não reúnem condições de serem tidas como comprovação de suposta infração praticada pelo Partido, a menos que a Receita Federal tivesse demonstrado que o objeto da retificação das declarações não consistiu na inclusão dos rendimentos atribuídos ao Partido. Finalmente, cabe registrar, com base no exposto, que os "depoimentos", em que se fundam as acusações tecidas contra o Partido, não podem merecer o crédito absoluto que lhes confere a Fiscalização da Receita Federal. Razões de Mérito. Pagamentos efetuados com base em notas fiscais consideradas irregulares. O Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base em documentos tidos como irregulares, e por isso reitera as razões já expostas na Contestação do TNF. Não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado à responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter lRF sobre pagamentos dessa natureza. Razões de Mérito. Pagamentos a pessoas fisicas e jurídicas sem retenção de IRF. Ao contestar o TNF, o Impugnante reconheceu que não efetuou pagamentos a pessoas físicas e jurídicas pela remuneração de serviços prestados sem fazer a retenção do imposto de renda devido na fontes, e por isso efetuou o pagamento dos "encargos legais" cabíveis, de acordo com orientação do Parecer Normativo COSIT n° 01/2002. O Partido visava, com esse procedimento, extinguir a sanção administrativa aplicável, qual seja, a suspensão da imunidade tributária, tendo em vista o disposto no parágrafo único do art. 83 da Lei no 9.430/1996. Para surpresa do impugnante, o gesto do Partido foi tomado como prova de infração, tendo sido utilizada para Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 83 82 fundamentar a expedição do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade. Tratase de procedimento que implica em ato de desobediência ao disposto no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, de forma a acarretar a nulidade do Ato Declaratório de Suspensão da Imunidade, vez que ato administrativo ilegal não pode produzir efeitos jurídicos. Pedido Final. Pelas razões expostas, pedese que seja cancelado o Ato Declaratório Executivo n° 134, publicado no DOU de 21/12/2007, e como conseqüência sejam anulados os autos de infração lavrados em função da quebra da imunidade partidária do impugnante. II. Quanto aos Lançamentos de Oficio Em face da expedição do Ato Declaratório Executivo n° 134, de 20/12/2007, que suspendeu a imunidade do Partido Progressista para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, foi intimado o partido político a apresentar a consolidação do resultado financeiro para cada um dos respectivos períodos, adotando a sistemática do Lucro Real Trimestral, indicando as bases de cálculo utilizadas e explicitando as adições e exclusões consideradas, para que o resultado apurado fosse tomado como base para a apuração do IRPJ devido. Em 11/01/2008, o partido político encaminhou o documento de fls. 1708/1709 acompanhado das demonstrações de resultado às fls. 1710/1721. Nesse contexto, inicialmente, foram lavrados pela autoridade fiscal, sete Autos de Infração, que o presente relatório separa em dois grupos, sendo que no primeiro a ciência do sujeito passivo deuse em 21/12/2007, listados no Quadro 01, e no segundo em 24/01/2008, conforme Quadro 02: GRUPO 1 Item Data da Lavratura Data da Ciência do Suj. Passivo Descrição Fls dos Autos Termo de Verificação Fiscal fls Crédito Tributário (R$) 1 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte do PIS 1603/1610 1527/1602 3.588,03 2 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte da CSLL 1611/1618 1527/1602 5.520,00 3 21/12/2007 21/12/2007 Multa Isolada pela Não na Fonte da Cofins 1619/1626 1527/1602 16.560,05 4 21/12/2007 21/12/2007 Imposto de Renda Retido na Fonte e Multa Isolada pela Não Retenção na Fonte do IRRF 1627/1694 1527/1602 5.316.434,91 Quadro 01 – Listagem dos Autos de Infração com ciência do sujeito passivo em 21/12/2007 GRUPO 2 Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 84 83 Item Data da Lavratura Data da Ciência do Suj. Passivo Descrição Fls dos Autos Termo de Verificação Fiscal – fls Crédito Tributário (R$) 5 22/01/2008 24/01/2008 Contribuição Social s/ Lucro Líquido – Falta de Recolhimento pela Suspensão da Imunidade 1927/1935 1868/1925 91.349,47 6 22/01/2008 24/01/2008 Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Pagamentos Sem Causa, Pagamentos a Beneficiário Não Identificados e Falta de Recolhimento pela Suspensão da Imunidade 1936/1951 e 1962/1963 1868/1925 1.120.062,00 7 22/01/2008 24/01/2008 Contribuição Social s/Lucro Líquido – Pagamentos Sem Causa e Pagamentos a Beneficiário Não Identificados 1952/1963 1868/1925 346.392,77 Quadro 02 – Listagem dos Autos de Infração com ciência do sujeito passivo em 24/01/2008 O crédito tributário lançado de oficio, relativo aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, no valor de R$6.899.907,23, encontrase assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – PIS (fls. 1603/1610) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 3.588,03 R$ 3.588,03 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – CSLL (fls. 1611/1618) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 5.520,00 R$ 5.520,00 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração – Multa Isolada – Retenção na Fonte – COFINS (fls. 1619/1626) Multa Exigida Isoladamente Total R$ 16.560,05 R$ 16.560,05 Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 85 84 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Multas Isoladas – Retenções na Fonte 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 1627/1694) Imposto Juros de Mora (calculados até 30/11/2007) Multa Proporcional Multa Exigida Isoladamente Juros de Mora Exigidos Isoladamente Total R$ 1.708.635,37 R$ 1.009.319,24 R$ 2.562.952,66 R$ 32.420,68 R$ 3.106,96 R$ 5.316.434,91 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Trabalho Sem Vínculo de Emprego – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Trabalho Sem Vínculo de Emprego * 2003, 2004 Arts. 620, 628, 629, 630, 641 a 644 e 646, do RIR/99, c/c art. 1o da Lei no 9.887/1999 Outros Rendimentos – Beneficiário Não Identificado – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Pagamentos a Beneficiário Não Identificado * 2002, 2003, 2004 Art. 674 do RIR/99 Outros Rendimentos – Pagamentos Sem Causa/Operação Não Comprovada – Falta de Recolhimento do Imposto de Renda na Fonte Sobre Pagamentos Sem Causa ou de Operação Não Comprovada * 2002, 2003, 2004 Art. 674, §1o do RIR/99 Multas Isoladas – Falta de Retenção ou Recolhimento do IRRF 2003, 2004 Art. 9o da Lei no 10.426/2002 Juros Isolados – Falta/Atraso na Retenção ou Recolhimento do IRRF 2003, 2004 Art. 61, §3o, da Lei no 9.430/1996 * Multa Qualificada de 150% Obs.: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1527/1602 Auto de Infração da Contribuição Social s/ Lucro Líquido (fls. 1927/1935) Contribuição Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 40.890,13 R$ 19.791,75 R$ 30.667,59 R$ 91.349,47 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Falta de Recolhimento da CSLL 2003, 2004 Art. 2o e §§, da Lei no 7.689/88; Art. 28 da Lei no 9.430/96; Art. 37 da Lei no 10.637/02 Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 1936/1951 e 1962/1963) Imposto Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 392.348,68 R$ 215.378,11 R$ 512.335,21 R$ 1.120.062,00 Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 86 85 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Pagamentos Sem Causa * 2002, 2003, 2004 Art. 249, inc. I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99 Pagamentos a Beneficiários Não Identificados * 2002, 2003, 2004 Art. 249, inc. I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, do RIR/99 Falta de Recolhimento/Declaração do imposto de Renda – Suspensão da Imunidade – Insuficiência de Recolhimento 2003, 2004 Art. 172, 228 e parágrafo único e art. 841, inc. I, III e IV, do RIR/99 * Multa Qualificada de 150% Obs.: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 Auto de Infração da Contribuição Social s/ Lucro Líquido (fls. 1952/1963) Contribuição Juros de Mora (calculados até 28/12/2007) Multa Proporcional Total R$ 112.739,39 R$ 64.544,31 R$ 169.109,07 R$ 346.392,77 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Falta de Recolhimento da CSLL * 2002, 2003, 2004 Art. 2o e §§, da Lei no 7.689/88; Art. 19 da Lei no 9.249/95; Art. 1o da Lei no 9.316/96 e Art. 28 da Lei no 9.430/96; Art. 6o da MP no 1.858/99 e reedições; Art. 37 da Lei no 10.637/02 * Multa Qualificada de 150% Obs: Auto de Infração acompanhado do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1868/1925 11.1 — Impugnação aos Autos de Infração do Grupo 01 Para os lançamentos do Grupo 01, listados no Quadro 01, em que tomou ciência no dia 21/12/2007, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1752/1790 e correspondentes anexos, em 22/01/2008 (carimbo de recepção às fls. 1752). Apoiado nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.532/1997, que dispõe que "a suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, As entidades imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o princípio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 87 86 A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção à referida petição. Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (1) o Despacho anexado pela DRF/Brasília comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (h) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida em qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo n° 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia à Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, às fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao .senhor Paulo Goyaz, vez que foi um negócio particular entre dirigentes do Partido, A. época da operação com esta pessoa. Assim, como a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Ressaltese que os órgãos institucionais incubidos da investigação de ilícitos (STF, Ministério Público, Policia Federal) prosseguem suas investigações contra as pessoas físicas, possíveis agentes dos ilícitos, e não contra o Partido. A Receita Federal vem demonstrando falta de empenho na busca de verdade material que envolve os fatos. Tanto que, na falta de comprovação efetiva da participação do Partido nos episódios, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 88 87 tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Razões Preliminares. A nulidade dos autos referentes a COFINS, PIS e CSLL por falta de MPF. O MPF é prérequisito à abertura do procedimento fiscal, ao estabelecer limites exatos da atuação dos auditores fiscais, sendo que sua inobservância torna nulos de pleno direito os atos praticados, ainda que respeitada a competência genérica disposta no art. 142 do CTN. Pelo que consta nos autos, não houve expedição de MPF especifico para fiscalização de COFINS, PIS E CSLL, portanto são nulos os correspondentes autos de infração lavrados para cobrança de multa isolada. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Item 001. A Fiscalização fundase em vários depoimentos orais para acusar o Partido Progressista de ter recebido a importância de R$700.000,00 sem registrar o ingresso desses recursos e sua utilização para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz. Ainda, diz a Fiscalização que foram anexadas aos autos as "Declarações de Ajuste Anual dos Exercícios de 2004 e 2005 (anos calendário de 2003 e 2004) de Paulo Alves da Silva, CPF 291.925.52072 (Paulo Goyaz). O Partido, pessoa jurídica distinta das pessoas de seus dirigentes, volta a negar que tenha recebido os R$700.000,00, bem como volta a negar que tenha utilizado tais recursos para efetuar pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz, por isso não fez retenção de IRF e não apresentou as DIRF referentes a tais pagamentos. Os depoimentos revelam apenas que houve um negócio particular entre os dirigentes do Partido e o sr. Paulo Goyaz. A Fiscalização incumbiuse de apresentar a versão do sr. Paulo Goyaz, cujas declarações informando o recebimento no montante de R$964.300,00, equivalente ao valor de R$700.000,00 reajustado conforme o art. 20 da IN SRF n° 15/2001, são retificadoras, elaboradas e apresentadas em data posterior ao inicio do processo de investigação dos fatos. Tal constatação compromete a qualidade da prova. Deveria, nesse contexto, ter a Fiscalização anexado cópias da declarações retificadas, para que se pudesse apurar qual o objeto da retificação, sendo que, fosse demonstrado que a retificação teve como objetivo incluir os rendimentos ditos como recebidos do Partido, a prova seria imprestável, vez que constituída após o inicio do processo de investigação desse fato. Contudo, omitiuse a Receita Federal quanto a esta providência. Registrese ainda que a Fiscalização fundase em depoimento de Valmir Campos Crepaldi prestado em 16/09/2005, no dia subseqüente ao dia da retificação das declarações de Paulo Goyaz. O sr. Valmir Campos Crepaldi, funcionário de tesouraria do partido politico, informou que o Sr. Paulo Goyaz, ao receber os recursos, entregava recibo de pagamento de autônomo (RPA) em valor superior ao do numerário entregue, para demonstrar que o valor do RPA correspondia a um valor liquido reajustado, considerando as normas de retenção de imposto de renda na fonte. Por sua vez, no dia anterior, 15/09/2005, o Sr. Paulo Goyaz apresentara declarações retificadoras em que os valores declarados estavam reajustados nos termos do art. 20 da IN SRF n° 15/2001. A Fiscalização valeuse tanto do depoimento de Valmir Crepaldi quanto das declarações de Paulo Goyaz, sem cogitar na hipótese de que a "coincidência" seja resultado de algum prévio concerto. Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 89 88 Paradoxalmente, a própria Receita Federal demonstra falta de confiança nas declarações de Paulo Goyaz, vez que ainda não restituíra o "imposto a restituir" apurado, conforme demonstram documentos anexos. No Termo de Verificação Fiscal (TVF) foram utilizadas perífrases para insinuar que teria havido falta de recolhimento de imposto de renda supostamente retido na fonte. Na "conclusão", A Fiscalização limitase a arrematar o assunto em parcas três últimas linhas, "iii) Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os pagamentos não contabilizados, infração relatada no titulo IV.3 — FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEBIMENTOS E PAGAMENTOS". Do exame de tal conclusão, indagase se isso quer dizer que houve a retenção, ou que deveria ter havido a retenção, ou seja, não há clareza do Fisco na acusação. O TVF não apresenta o item 53, 'iv', passando diretamente para o item 53, IV, cuja expressão "... e Imposto de Renda Retido na Fonte e não recolhido sobre pagamentos não contabilizados", reportase ao caso do Paulo Goyaz. Partese, então, do pressuposto que o item 53, 'iv', conteria uma "conclusão" inequívoca, fundamentada em circunstâncias inquestionáveis demonstradas no titulo "IV.3" do TVF, de que houve a retenção do IRF. No entanto, o titulo "1V.3" do TVF, com exceção do item 51 (que trata das "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz), não se reporta em ponto algum à questão da retenção do IRF. Por outro lado, demonstrou se que as "declarações retificadoras" de Paulo Goyaz não reúnem condições de serem tidas como comprovação de suposta infração praticada pelo Partido, a menos que a Receita Federal tivesse demonstrado que o objeto da retificação das declarações não consistiu na inclusão dos rendimentos atribuídos ao Partido. Finalmente, cabe registrar, com base no exposto, que os "depoimentos", em que se fundam as acusações tecidas contra o Partido, não podem merecer o crédito absoluto que lhes confere a Fiscalização da Receita Federal. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Item 002 e 003. Tratase de lançamento para cobrança de IRF, à aliquota de 35%, incidente sobre bases reajustadas referentes a pagamentos: (a) considerados como feitos a "beneficiários não identificados" ou (b) considerados como feitos "sem comprovação da causa ou operação", feitos, uns e outros, com base em notas fiscais consideradas irregulares. O Impugnante demonstrou com clareza, na contestação contra o TNF de 24/10/2007, que o Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base em documentos tidos como irregulares. Em relação aos lançamentos feitos no item 003 do Auto de Infração, não há qualquer justificativa no TVF nem no AI, e portanto, não há como saber sobre a que se referem os lançamentos: Auto de Infração Fato Gerador Valor Tributável – R$ item 003 04.03.2002 800,00 item 003 12.03.2002 1.230,77 Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 90 89 item 003 22.03.2002 1.095,38 Por sua vez, para os lançamentos indicados na tabela a seguir, não há qualquer referência desses valores no Quadro 06 do TVF, portanto, não se sabe a que se referem: Auto de Infração Fato Gerador Valor Tributável – R$ item 003 06.06.2002 17.692,31 item 003 24.06.2002 46.153,85 item 003 30.07.2002 2.307,69 item 003 02.09.2002 2.153,85 item 003 03.09.2002 7.076,92 item 003 16.09.2002 7.076,92 item 003 01.10.2002 4.615,38 item 003 03.10.2002 10.615,38 item 003 19.10.2002 2.769,23 item 003 28.10.2002 4.615,38 item 003 28.11.2002 14.000,00 item 003 16.12.2002 6.746,15 Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 12/02/2003, no valor tributável de R$21.190,77, há os seguintes enganos: o Quadro 05 registra a NF 651 como se fosse de R$13.774,00, valor ajustado para R$21.190,77; por sua vez, o AI consigna, para o dia 12/02/2003, como base do lRF de 35%, o valor de R$21.190,77; ocorre que a NF 651, emitida em 12/02/03, é de R$3.000,00, e não de R$13.774,00. Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 31/03/2004, embora o valor tributável tenha sido consignado por R$44.516,39, o valor da soma das notas fiscais consignadas no Quadro 05 do TVF, para o dia 31/03/2004, é de R$44.615,39. Em relação ao lançamento feito no item 002 do AI, para o fato gerador de 27/05/2004, constatase que foi incluído, no valor tributável de R$32.726,15, a importância de R$5.076,72, que se refere ao valor ajustado de R$3.300,00 que foi atribuído à Nota 334 de "Gráfica União Unido Artes Gráficas", consignada na última linha da folha 68 do TVF. Ocorre que essa Nota 334. (72.619.455) é de 26/02/04, tem o valor de R$6.566,00, e já constara, na ordem devida, na mesma folha 68 do TVF. Não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 91 90 inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado à responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter IRF sobre pagamentos dessa natureza. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF — Multa de 150%. Contestase neste tópico a imposição da multa de 150%, em relação aos itens 001, 002 e 003 do AI. Não se vê no AI nenhuma referência ao motivo do lançamento da multa qualificada de 150%. A Fiscalização, em alusão a "fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007", invoca, como suporte legal para lançamento da multa de 150%, o "art. 44, II, da Lei n° 9.430/96". Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fundamse na existência de dolo, no qual se deve demonstrar a intenção do agente de "impedir ou retardar" a ocorrência de fatos geradores tributários para reduzir imposto ou evitar seu pagamento, ou o conhecimento de fatos geradores por parte de autoridades fazendárias. Nos casos sob exame, não haveria motivo algum para que o partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos descritos no TVF. Se o Partido tivesse feito pagamentos com base em notas fiscais irregulares, teria sido por qualquer outro motivo que não o de impedir ou ocultar a ocorrência de fato gerador. Se o Partido tivesse a intenção de evitar esse tributo, bastaria que fizesse os pagamentos com base em notas regulares. Não cabe, portanto, falar em dolo tributário, já que a substância deste consiste no propósito de evitar imposto e não no propósito de pagar imposto. Portanto, não há sustentação lógica na suposição de que o Partido teria praticado infração fiscal dolosa. Ainda que houvesse indícios de envolvimento de dirigentes do Partido, só se poderia imputar crime doloso ao Partido com base em comprovação de que o Partido, por si mesmo, teria agido com dolo, no seu próprio interesse. Só se pode punir o agente de crime doloso com base na comprovação do dolo por parte do agente e não com base na presunção formada a partir de procedimentos indiciários praticados por terceiros, entendimento corroborado por doutrina e Acórdão 20177608 do Conselho Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 92 91 de Contribuintes. Finalmente, há erro técnico de concepção na definição da multa qualificada, se a multa é calculada sobre o valor de imposto incidente sobre a base tributável reajustada, em razão das circunstâncias previstas no art. 674 do RIR/99, não se pode dizer que a parcela correspondente ao reajuste da base constitua pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. Essa parcela resulta, meramente, de simples ficção legal. Em conseqüência, a parcela do imposto resultante do valor acrescido, por ficção legal, ao "valor liquido efetivamente pago", não pode estar sujeito à multa de 150%. Falase, com pertinência, no cancelamento da multa lançada, em razão do erro no critério jurídico do lançamento, e não em redução do percentual da multa a 75%, que seria o percentual do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Seria até admissível pensar no ajuste da multa qualificada, de 150% (75% mais 75%) para 75%, caso pudesse ter sido invocado, como fundamento legal da imposição fiscal, o disposto no § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Mas, isso também não seria possível, visto que a mudança só se aplica a partir da eficácia da Lei n° 11.488/2007. Nesse caso, reiterase pedido de simples cancelamento da multa de 150%. Razões de Mérito. Auto de Infração IRF Itens 004 e 005 — Multa e Juros Isolados. Tratase de lançamento de multa isolada pela falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, discriminados nos Quadros 07 e 08 do TVF. Demonstrada, na Contestação do TNF, a inocência do Partido tanto em relação ao episódio das notas irregulares, como em relação ao episódio dos R$700.000,00, restava a acusação da falta de retenção de IR sobre pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, razão pela qual resolveu o contribuinte liquidar os encargos legais devidos pela falha. Visava, com esse procedimento, extinguir a sanção administrativa aplicável ao caso, qual seja, a suspensão de imunidade tributária, tendo em vista a previsão legal de extinção de punibilidade constante do parágrafo único do art. 83 da Lei no 9.430/96. Contudo, para surpresa do Impugnante, tal gesto foi tomado como prova da infração, que foi utilizada para fundamentar a expedição do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade. Causou também surpresa a atitude fiscal de proceder ao lançamento de "encargos" já liquidados. Há diferenças entre os encargos legais pagos pela contribuinte e os lançados pela Fiscalização. Em relação aos pagamentos, o Impugnante considerou a multa de 50% do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, em razão do principio "benigna amplianda", ao passo que a Fiscalização considerou a multa de 75% do art. 9 0 da Lei n° 10.426/2002. Com relação aos pagamentos feitos só a pessoas jurídicas, a Fiscalização considerou "Períodos Trimestrais", em que as taxas de juros aplicáveis resultam menores, ao passo que o Impugnante considerou "Períodos Anuais". Com relação aos pagamentos feitos só a pessoas físicas, o Impugnante computou a incidência de IRF nos pagamentos efetuados em 2002, ao passo que a Fiscalização não o fez, e no cálculo de juros referentes ao imposto vencido em 05/02/2003, a autoridade fiscal considerou a taxa de 23,92%, quando o correto seria 22,09%. Seja como for, pagouse um montante de "encargos" no valor global de R$61.438,43, quando o valor global dos Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 93 92 "encargos" lançados foi de R$35.527,64, assim, o Impugnante é credor da diferença, no valor de R$25.910,79. Razões de Mérito. Auto de Infração relativos a "multas isoladas" de PIS, COFINS E CSLL. No que tange ao Imposto de Renda, o Impugnante reconheceu que deixou de fazer a retenção do referido imposto (IRF), em relação aos mesmos pagamentos sobre os quais há, também, obrigação de se fazer a retenção na fonte de PIS, COFINS E CSLL. Por esta razão, em vez de pedir restituição da importância de R$25.910,79, da qual é credor, conforme já demonstrado nesta Impugnação, ao Partido parece razoável que esse crédito possa ser compensado com o débito de R$25.668,03, que corresponde a soma das "multas isoladas" dos três autos ora examinados, a despeito do vicio formal que padecem. Do Pedido Final. Por todas as razões expostas, requer o Impugnante o provimento da Impugnação, com a desconstituição do crédito tributário lançado e o cancelamento dos autos de infração contestados, seja por conta dos vícios de nulidade ou das improcedências expostas nas razões de mérito, tendo em vista o disposto no § 3° do art. 59 do PAF. Em 23/01/2008, a defesa encaminhou documento de fls. 1819/1820, no qual informa que, por problema técnico decorrente da transmissão 'online, do texto, para ser impresso em local diferente daquele em que foi redigido, todas as palavras negritadas' minúsculas escritas com 'c' foram impressas com a 'a cedilhado' no lugar do `C. Nesse sentido, sugere o requerente que a impugnação protocolada em 22/01/2008 seja substituída por novo documento, corrigido, acostado aos autos as fls. 1821/1861. Em seguida, o impugnante encaminhou, em 24/01/2008, petição de razões aditivas à impugnação 1752/1790, acostada as fls. 1863/1864, para requerer inclusão dos documentos de fls. 1865/1667. Tratase de expediente encaminhado ao Secretário de Receita Federal, no qual a defesa solicita esclarecimentos sobre as declarações retificadoras apresentadas por Paulo Goyaz, que serviram como comprovação do lançamento fiscal de IRRF. Requereu a peticionária (a) fosse a esclarecido qual foi, precisamente, o objeto das retificações das declarações apresentadas por Paulo Goyaz; (b) fossem esclarecidas as razões pelas quais não foi ainda, devolvido ao declarante o "imposto a restituir" apurado nas referidas declarações; (c) fosse esclarecida a origem dos 700 mil reais e a forma como foram pagos, bem como a destinação que lhes deu o Senhor Paulo Goyaz, se foram depositados em conta corrente ou não. H.2 — Impugnação aos Autos de Infração do Grupo 02 Para os lançamentos do Grupo 02, listados no Quadro 02, em que tomou ciência no dia 24/01/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1966/1996 e correspondentes anexos, em 21/02/2008 (carimbo de recepção as fls. 1966). Apoiado nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: Razões Preliminares. A falta de eficácia do art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ao tempo de expedição do Ato Declaratório Executivo 134, o art. 32 da Lei Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 94 93 n° 9.430/1996 padecia de restrição na sua eficácia, em decorrência da medida cautelar concedida na ADI 1802, no qual o STF suspendeu, até o julgamento final da referida ADI, a vigência do art. 14 da Lei n° 9.53211997, que dispõe que "a suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996". Portanto, o STF, ao suspender a vigência deste artigo, pretendeu sustar, até a decisão final da ADI 1802, a aplicação, às entidades imunes, do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996. Ainda que o art. 14 da Lei n° 9.532/1997 trate especificadamente da imunidade das instituições de educação ou assistência social, o principio da isonomia requer que a suspensão produza efeitos para todas as entidades mencionadas na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/1998. A própria Lei n° 9.868/1999 dota a medida cautelar concedida em ADI com o atributo da "eficácia contra todos". Por estas razões, é nulo o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho Decisório e o Ato Declaratório Executivo n° 134. Razões Preliminares. A falta de exame de razões da defesa. A apresentação de Petição de Razões Aditivas, protocolada na DRFBrasília em 14/12/2007, não foi apreciada pela autoridade fiscal, sob alegação de intempestividade. Nesse contexto, o "Despacho Decisório" em que se decidiu pela suspensão da imunidade não fez nenhuma menção A. referida petição. Restam, portanto, dois defeitos insanáveis, (i) o Despacho anexado pela DRF/Brasflia comunicando sobre a intempestividade foi expedido sem a necessária "motivação", por autoridade incompetente, assinado por André Soares Brandão e (ii) a nulidade de ato administrativo pode ser arguida ern qualquer fase do processo, não cabendo alegar tempestividade neste caso. Assim, o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 134 é nulo, em razão do disposto no art. 59, inc. II, do Decreto n°70.235/1972 (PAF). Tal nulidade repercute no Ato Declaratório Executivo no 134, em razão do disposto no §1° do art. 59 do PAF, por analogia, ao amparo do art. 108, inc. I, e §1° do CTN. Razões Preliminares. A nulidade de natureza material. O Partido Progressista demonstrou que o Partido, em si, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve envolvimento nos pagamentos tidos como feitos com base em notas irregulares. O Partido abriu Comissão de Sindicância para apurar os fatos, consoante fls. 28/29. Por sua vez, caberia à Fiscalização apurar a verdade material subjacente ao episódio, para identificar os responsáveis por eventuais ilícitos, para aplicar os arts. 135 e 137 do CTN. O Partido demonstrou, as fls. 31/40, que não teve participação no episódio dos R$700.000,00 destinados a pagamentos ao senhor Paulo Goyaz, vez que foi um negócio particular entre dirigentes do Partido, d. época da operação com esta pessoa. Assim, como a quantia não foi entregue ao Partido, não houve sua contabilização. Após examinar o TVF que acompanhou os autos de infração lavrados em 21/12/2007, o ,Partido tomou conhecimento de informações novas sobre o episódio de R$700.000,00, que deram motivo à apresentação do expediente de fls. 2000/2002. O expediente informa que as declarações retificadoras de Paulo Goyaz, onde consta que o declarante Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 95 94 recebeu do Partido, nos anos de 2003 e 2004, o valor de R$964.360, com retenção de IRF de R$264.352,84, foram apresentadas em 15/09/2005, ou seja, após o inicio da investigação dos fatos que se pretende comprovar. Tal situação compromete a qualidade da prova, sendo que a proximidade da retificação das declarações com as datas dos depoimentos transcritos no TVF poderá ter facilitado acertos entre o declarante e os depoentes. Por outro lado, fica a Receita Federal exposta a uma incoerência, vez que confia nas declarações para lavrar auto de infração contra o Partido mas não confia para devolver a Paulo Goyaz o "imposto a restituir" apurado. Por isso, requer o Partido que seja esclarecido qual foi o objeto das retificações, que sejam esclarecidas as razões pelas quais não foi, ainda, devolvido o "imposto a restituir" apurado nas devidas declarações e que sejam esclarecidas a origem dos R$700.000,00 e a forma como foram pagos e a sua destinação. Diante do expediente apresentado, a Receita Federal entendeu finalmente que, a despeito da acusação feita no TNF de 24/10/2007, o Partido não recebeu a importância de R$700.000,00 do "mensalão", tanto é assim que nos autos de infração ora impugnados a Fiscalização não inclui nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, à guisa de "omissão de receitas", a importância de R$700.000,00. Ou seja, a não inclusão dos R$700.000,00, como "omissão de receitas" nos lançamentos fiscais, consistem em reconhecimento da própria Receita Federal de que o Partido não cometeu a infração que lhe foi imputada. Por sua vez, a autoridade administrativa regozijase com o fato de o Partido, reconhecendo a falta de retenção de imposto de renda sobre pagamentos efetuados, tenha pago os encargos legais correspondentes, tomando esse gesto como prova de infração cometida, suficiente, por si só, para justificar a suspensão da imunidade. Contudo, considerando que a suspensão da imunidade tributária de que trata o art. 32 da Lei n° 9.430/1996 tem natureza de sanção fiscal, o Partido efetuou o pagamento dos encargos devidos, para valerse da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 83 da Lei n° 9.430/1996, que remete ao art. 34 da Lei n° 9.249/95, no qual se esclarece que resta extinta a punibilidade quando o agente promove o pagamento do tributo ou da contribuição social, inclusive acessórios, antes do recebimento da denúncia. Em resumo, demonstrada a inexistência de infração fiscal, por parte do Partido, no caso dos pagamentos efetuados com base em notas fiscais consideradas irregulares, bem como no episódio dos R$700.000,00, que teriam sido recebidos pelo Partidos para serem pagos ao sr. Paulo Goyaz, e extinta a punibilidade, com o pagamento dos encargos legais, da nãoretenção de IRF sobre pagamentos feitos a pessoas físicas e jurídicas, não remanescia motivo algum para a cassação da imunidade do Partido. Assim, resultam nulos o Despacho Decisório, o Ato Declaratório Executivo n° 134 de 21/12/2007 e por consequência os autos de infração lavrados em razão da suspensão da imunidade tributária do Partido. Razões de Mérito. Auto de Infração referente ao IRPJ — itens 001 e 002. Tratase do IRPJ sobre os valores considerados como "pagamentos sem causa" ou "pagamentos a beneficiários não identificados", sob a alegação de se tratar de pagamentos feitos com base em notas fiscais irregulares, com multa qualificada de 150%. O impugnante já demonstrou que o Partido, como pessoa jurídica distinta das pessoas físicas de seus dirigentes, não teve qualquer envolvimento no episódio dos pagamentos feitos com base nas tais Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 96 95 notas fiscais consideradas irregulares. Cumpriria à Fiscalização, na busca da verdade material, identificar os agentes das infrações de forma que se lhes fossem aplicadas as normas previstas nos art. 135 e 137 do CTN. Porém, admitindose "ad argumentandum" que se pudesse constituir exigência fiscal contra o Partido, não caberia jamais lançamento de IRPJ ou de CSLL, visto que, dos fatos descritos no TVF, não decorreu qualquer aumento patrimonial para o Partido, que pudesse subsumirse à definição legal de fato gerador do Imposto de Renda e CSLL estabelecida no art. 43 do CTN. 0 Código adotou o conceito de renda acréscimo, ou seja, sem acréscimo patrimonial não há renda, nem proventos. Não há lógica na presunção fiscal de que, se houve saída de recursos do patrimônio do Partido (pelos pagam tos efetuados), teria havido acréscimo no patrimônio do Partido, a ponto de justificarse a imposição de que trata o art. 43 do CTN, na verdade houve "decréscimo patrimonial". Por sua vez, não há como o Partido, ao receber uma nota fiscal, verificar se a empresa é inativa ou inapta, se o documento fiscal é inidôneo, ou comparar as caligrafias das diversas notas que recebe. Não houve máfé do Partido no pagamento das notas fiscais levantadas pela Fiscalização, portanto não há dolo. E fundamental que o agente tenha cometido o dolo, o ânimo ou a intenção de cometer o ilícito, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála e que, não havendo indícios de que o agente tenha agido dolosamente, tornase atípica a conduta. Sequer restou apurada a existência de culpa por parte de qualquer dos dirigentes do Partido. Assim, não pode o Partido Progressista ter sua imunidade tributária suspensa por atos que não são comprovadamente inidôneos e, ainda, praticados por terceiros. As notas fiscais tidas por inidôneas não são documentos hábeis, nem tampouco podem servir de comprovação inconteste de que houvera distribuição dos recursos aos deputados, ou aos seus dirigentes, ou a qualquer outra pessoa. Não obstante, ainda que restasse comprovada a prática de ilícito, cabe investigar os verdadeiros responsáveis, devendose observar os arts. 137 e 135 do CTN. Nesse sentido, a Comissão Executiva Nacional do partido político designou uma Comissão de Sindicância para apurar as alegações e eventual responsabilidade. Não se pode dizer que em razão dos pagamentos efetuados com base nas notas inquinadas de irregulares, o Partido tenha deixado de observar qualquer dos requisitos previstos nos três incisos do art. 14 do CTN nem que tenha se furtado A. responsabilidade prevista no §1° do art. 9° do citado código, de reter imposto de renda na fonte sobre referidos pagamentos, vez que não há previsão legal de reter IRF sobre pagamentos dessa natureza. Dessa forma, inexistentes as infrações decorrentes dos pagamentos efetuados com base nas notas fiscais tidas como inidôneas e inexistente qualquer acréscimo patrimonial em proveito do Partido, não podem subsistir os lançamentos dos itens 001 e 002 do AI referente ao IRPJ bem como o primeiro auto relativo à CSLL. Razões de Mérito. Auto de Infração referente ao IRPJ — item 003. Tratase de lançamento de lRPJ sobre os valores informados nas Demonstrações de Resultado apresentadas pelo Partido, com multa de 75%. A apresentação das Demonstrações de Resultado não representa qualquer reconhecimento do Partido de que seja devedor das importâncias de IRPJ calculadas nessas demonstrações, só se fez a apuração do IRPJ em obediência ao Termo de Intimação Fiscal n° 008. A Fiscalização parece Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 97 96 concordar com esta versão do Impugnante, de que o cálculo dos valores do MPJ não constitui "declaração de IRPJ", visto que a multa lançada, em relação ao item 003 do AI, foi de 75%, e não a de 20% que seria cabível no caso de "tributo declarado". Contudo, o Partido contesta a exigência fiscal constituída, porque se reputa no pleno gozo da imunidade tributária, pelas razões de nulidade já apresentadas. Apenas para argumentar, ainda que cabível a tributação do IRPJ, o procedimento fiscal apresentaria erro material, visto que a Fiscalização deixou de compensar "resultados negativos" apurados no primeiro trimestre de 2003, no valor de R$182.684,18. Tal valor deveria ter sido compensado no segundo trimestre de 2003, conforme critérios adotados pela Fiscalização e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Evidentemente essa ponderação é apresentada "ad argumentandum tantum". Razões de Mérito. Autos de Infração referentes à CSLL. Tendo sido os lançamentos de CSLL decorrentes dos mesmos fatos que deram origem aos de IRPJ, invocamse na contestação dos lançamentos de CSLL as mesmas razões apresentadas na contestação dos lançamentos de IRPJ. Razões de Mérito. Razões de Impugnar Especificas da CSLL. Os partidos políticos, na condição de associações civis sem fins lucrativos, não estão sujeitos à CSLL. Mesmo que estivesse suspensa da imunidade tributária do Partido, não estaria ele sujeito ao pagamento de CSLL, visto que a legislação básica de instituição do tributo não alcança as pessoas jurídicas sem fins lucrativos. A Lei no 7.689/88, ao instituir a CSLL, dirigese apenas às pessoas jurídicas que têm por objetivo social a "obtenção de lucro". Tanto é assim que os partidos políticos, com ou sem imunidade, devem apurar seus "resultados" segundo as normas ditadas pelo Tribunal Superior Eleitoral TSE, e não, segundo a "legislação comercial". Além disso, sendo os partidos políticos "associações civis que prestam os serviços para os quais são instituídas e os colocam à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos", aplicaselhes a isenção de CSLL prevista no "caput" do art. 15 da lei n° 9.532/97, combinado com o respectivo § 1o. Finalmente, a própria Receita Federal endossa tal entendimento, ao editar Ato Declaratório Normativo CST no 17 de 30/11/2990 (DOU de 04/12/1990), dirigido especificamente às "pessoas jurídicas que desenvolvam atividades sem fins lucrativos". Ressalvese que a expressão "fundações, associações e sindicatos" que consta na norma é meramente explicativa. Razões de Mérito. Auto de Infração do IRPJ e CSLL — Multa de 150%. Contestase neste tópico a imposição da multa de 150%, em relação aos itens 001 e 002 do AI de TRPJ, e aos dois primeiros itens do primeiro AI da CSLL. Não se vê no AI nenhuma referência ao motivo do lançamento da multa qualificada de 150%. A Fiscalização, em alusão a "fatos geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007", invoca, como suporte legal para lançamento da multa de 150%, o "art. 44, II, da Lei n° 9.430/96". Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fundamse na existência de dolo, no qual se deve demonstrar a intenção do agente de "impedir ou retardar" a ocorrência de Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 98 97 fatos geradores tributários para reduzir imposto ou evitar seu pagamento, ou o conhecimento de fatos geradores por parte de autoridades fazendárias. Nos casos sob exame, não haveria motivo algum para que o partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos descritos no TVF2. Apenas para argumentar, se o Partido tivesse tido algum envolvimento nos fatos do TVF2, não teria sido com o propósito de reduzir "resultados contábeis" que pudessem resultar em menores bases de incidência do IRPJ e da CSLL, simplesmente porque, no gozo dos benefícios da imunidade tributária, o Partido não estaria sujeito ao pagamento de IRPJ nem de CSLL. Portanto, não ha sustentação lógica na suposição de que o Partido teria praticado infração fiscal dolosa. Ainda que houvesse indícios de envolvimento de dirigentes do Partido, só se poderia imputar,crime doloso ao Partido com base em comprovação de que o Partido, por si mesmo, teria agido com dolo, no seu próprio interesse. Só se pode punir o agente de crime doloso com base na comprovação do dolo por parte do agente e não com base na presunção formada a partir de procedimentos indiciários praticados por terceiros, entendimento corroborado por doutrina e Acórdão 20177608 do Conselho de Contribuintes. Não havendo comprovação de conduta dolosa do impugnante, há erro no fundamento jurídico do lançamento da multa, não podendo subsistir a exigência de multa qualificada de 150%. Falase, com pertinência, no cancelamento da multa lançada, em razão do erro no critério jurídico do lançamento, e não em redução do percentual da multa a 75%, que seria o percentual do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. Seria até admissível pensar no ajuste da multa qualificada, de 150% (75% mais 75%) para 75%, caso pudesse ter sido invocado, como fundamento legal da imposição fiscal, o disposto no § 10 do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Mas, isso também não seria possível, visto que a mudança só se aplica a partir da eficácia da Lei n° 11.488/2007. Nesse caso, reiterase pedido de simples cancelamento da multa de 150%. Do Pedido Final. Por todas as razões expostas, requer o Impugnante o provimento da Impugnação, com a desconstituição do crédito tributário lançado e o cancelamento dos autos de infração contestados, seja por conta dos vícios de nulidade ou das improcedências expostas nas razões de mérito, tendo em vista o disposto no § 3° do art. 59 do PAF. 11.3 — Despacho da DRJBrasilia. Em 10/06/2009, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), encaminhou Despacho de fls. 2027/2029 à unidade preparadora, em razão de situação exposta no fragmento transcrito a seguir: "Uma das motivações para que fosse declarada a suspensão da imunidade foi a não contabilização do ingresso de recursos nos anoscalendário de 2003 e 2004. Tratase do montante de R$700.000,00, recebido pelo Partido, conforme consta no Relatório Final dos Trabalhos da CPMI "dos Correios". Por sua vez, o advogado Paulo Goyaz, nas Declarações do Imposto de Renda as fls. 1501/1510, acusou que recebeu do Partido Progressista o montante de R$964.360,00, dos quais R$264.352,84 foram retidos na fonte. Tendo a Fiscalização constatado que o Partido, na condição de responsável Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 99 98 tributário pelo imposto devido pelo contribuinte, reteve, mas não recolheu o IRRF, efetuou o lançamento de ofício conforme fls. 1670 do Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Contudo, o ingresso do montante de R$700.000,00 também poderia produzir efeitos na apuração do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica. O impugnante, na peça de defesa as fls. 1979, alega que '(..) o Partido não recebeu a importância de 700 mil reais do chamado esquema "mensalão". Tanto é assim que, nos autos de infração ora impugnados, a Fiscalização não inclui nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a guisa de 'omissão de receitas', a importância de 700 mil reais'. Em principio, o fato de o recurso de R$700.000,00 não ter sido contabilizado pelo Partido, poderia se caracterizar como omissão de receitas, desde que não houvesse nenhuma contrapartida para tal ingresso, e mais, tal despesa deveria ser dedutível. Nesse sentido, proponho que este processo seja devolvido ao órgão preparador, para a Fiscalização atestar que não se concretizou a hipótese para o lançamento de omissão de receitas pelo fato de ter considerado o pagamento de R$700.000,00 destinado ao sr. Paulo Goyaz como uma despesa dedutível. Por sua vez, caso a Fiscalização entenda que não houve nenhuma contrapartida para o ingresso do recurso de R$700.000,00, cabe a lavratura de auto de infração complementar, nos termos do ,§ 3o , art. 18, do Decreto n° 70.235/1972 (PAF). A resposta da unidade preparadora deve ser cientificado ao Partido, abrindose o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação sobre a questão." 11.4 — Petição de Razões Aditivas is Impugnações ao Ato Declaratório Executivo n° 134, de 2007 e aos Autos de Infração do Grupo 01 e do Grupo 02. Apresentou a defesa petição de fls. 2031/2035 em 19/06/2009, para dispor sobre "Razões Aditivas" as impugnações de fls. 1722/1743 (em face do Ato Declaratório Executivo n° 134, de 2007), de fls. 1752/1790 (em face dos Autos de Infração do Grupo 01) e fls. 1966/1996 (em face dos Autos de Infração do Grupo 02). Discorreu sobre o art. 73 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que alterou o art. 32 da Lei n° 9.430/1996, acrescentandolhe os §§ 11 e 12, sendo que, o disposto no § 11 informa que "somente se inicia o procedimento que visa a suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após transito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas Justiça Eleitoral". Nesse sentido, sendo o § 11 dispositivo de natureza processual, dotado de efeito retroativo, na prática, deixaria de definir como infração ato ou fato praticado, por partido político, em anocalendário cujas contas tivessem sido aprovadas pelo TSE. Nesse contexto, mesmo já tendo ocorrido lançamento fiscal, desde que se tratasse de "ato não definitivamente julgado", o acréscimo do § 11 ao art.32 da Lei n° 9.430/1996 caracterizarseia como "fato novo", ou "fato não conhecido", caso em que se autorizaria a "revisão" do lançamento, nos termos do art. 149, inciso VIII, do CTN. E, considerandose que o citado § 11 deixaria de definir como infração fiscal ato ou fato praticado nos termos propostos transcritos anteriormente, a revisão do Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 100 99 lançamento fiscal já efetuado haveria que se fundamentar nas disposições do art. 106, II, 'a', do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Portanto, no caso em tela, mesmo antes de se consumar o processo de suspensão de imunidade tributária, as contas relativas aos anos de 2002, 2003 e 2004 do Partido Progressista já tinham sido aprovadas pelo TSE. Nesse sentido, os atos e fatos imputados como infrações não teriam mais condições de subsistir como infrações, já que os referidos autos de infração não se encontravam, ainda, definitivamente julgados. Logo, caberia o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 134/2007 e dos lançamentos fiscais decorrentes. 11.5 —Autos de Infração Complementares. IRPJ. CSLL. Tendo em vista o Despacho do tópico H.3 , emitiu o Delegado da Receita Federal do Brasil de Brasília, em 08/12/2009, a "AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE SEGUNDO EXAME EM RELAÇÃO A EXERCÍCIO JÁ FISCALIZADO", as fls. 2250. Ilustra o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2267: "2. A falta de escrituração de pagamentos permite deduzir que os recursos foram retirados de fundos não contabilizados sendo supridos por receitas anteriormente omitidas. Neste caso, segundo os autos, constatouse um pagamento de trabalho sem vinculo empregatício não contabilizado. Portanto, não há contrapartida a receita, tampouco dedutível da base de cálculo do IRPJ. 3. Na hipótese de não se encontrar motivos para a exclusão da receita supracitada, determinase o lavramento de auto de infração complementar." Nesse contexto, foram lavrados, em 15/12/2009, os Autos de Infração Complementares do IRPJ e da CSLL, atinentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$1.043.669,82. Contudo, conforme esclarece o Termo de Encaminhamento de fls. 2314/2315, os Autos de Infração Complementares do IRPJ e da CSLL foram formalizados em outro processo administrativo, de n° 10166.720300/2010 50. No presente processo, encontramse, apenas para referência, as cópias dos precitados Autos de Infração as fls. 2251/2266 e da correspondente impugnação apresentada pelo contribuinte as fls. 2276/2308, que será apreciada por ocasião do julgamento do processo administrativo n° 10166.720300/201050. É o relatório.” (fls. 23962417 do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736; grifos no original) Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 101 100 Os Autos de Infração em análise são justamente esses autos complementares citados ao final do relatório transcrito. A base de cálculo para os lançamentos de IRPJ e CSLL em apreço corresponde às importâncias brutas dos não contabilizados pagamentos líquidos de R$ 700.000,00 efetuados pelo Partido Progressista ao advogado Paulo Goyaz. Com o reajustamento dessas cifras líquidas, chegouse ao montante de R$ 964.360,00, sendo que R$ 827.010,00 (equivalente à quantia líquida de R$ 600.000,00) reportamse ao 3o trimestre de 2003, ao passo que os R$ 137.350,00 (equivalente à quantia líquida de R$ 100.000,00) referemse ao 1o trimestre de 2004. O sujeito passivo teve ciência das autuações em 17 de dezembro de 2009, sendo que o conciso Termo de Verificação Fiscal a que se ligam os lançamentos tem o seguinte teor, verbis: 1. Tratase de Requisição de Diligência da 2a Turma da DRJ/BSB, conforme despacho à fls. 2.027 a 2.029, para que seja analisada possível contrapartida dedutível do recurso não contabilizado usado como base de cálculo para infração de no 01do auto de infração de IRRF a fl. 1670. 2. A falta de escrituração de pagamento permite deduzir que os recursos foram retirados de fundos não contabilizados sendo supridos por receitas anteriormente omitidas. Neste caso, segundo os autos, constatouse um pagamento de trabalho sem vínculo empregatício não contabilizado. Portanto, não há contrapartida à receita, tampouco dedutível da base de cálculo do IRPJ. 3. Não hipótese de não se encontrar motivos para a exclusão da receita supracitada, determinase o lavramento do auto de infração complementar. 4. Em 08.12.2009 foi pedida, e autorizada, Autorização para Realização de Segundo Exame em relação a Exercício Já Fiscalizado e em 14.12.2009 foi expedido MPF no 01.1.01.002009025127. 5. Tendo em vista que o auto de infração original foi agravado e sendo a receita fruto do mesmo objeto, também se usa multa de 150%, conforme comprovação de dolo ou fraude estipulada à época, observado o § 4o, do art. 150, do CTN. 6. Assim, não obstante as argumentações e coleta de provas nos termos de verificação fiscal de fls. 1.527 a 1.602 e 1.868 a 1.925, tais como depoimentos, cópias de cheques e de extratos bancários e declarações de imposto de renda de pessoa física dos envolvidos, incluemse as receitas pagas a Paulo “Goyaz” Alves da Silva, que constitui base de cálculo de IRPJ e reflexos, objeto da emissão (sic) de receitas constantes neste auto de infração. 7. Isto é, apenas complementase o auto de infração de fls. 1.930 a 1.964 conforme se recomenda, incluindo as receitas de setembro de 2003 no valor de R$ 827.010,00 (oitocentos e vinte e sete mil e dez reais), referente ao pagamento de trabalho sem vínculo empregatício no valor líquido de R$ Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 102 101 600.000,00 (seiscentos mil reais), e as de janeiro de 2004 no valor de R$ 137.350,00 (cento e trinta e sete mil, trezentos e cinqüenta reais) referente ao pagamento de trabalho sem vínculo empregatício no valor líquido de R$ 100.000,00 (cem mil reais), conforme citadas nos autos, a fim de constituir base de cálculo de IRPJ e reflexos em consonância com o reajuste da base pelo valor líquido. 8. Com o presente auto de infração encerrase a ação fiscal. (fl. 2345) Devidamente cientificado em 17 de dezembro de 2009 (fl. 2348), o Partido apresentou competente Impugnação, em que deduziu basicamente os mesmos argumentos trazidos à balha por ocasião das postulações apresentadas nos autos do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736. De novo, afirma que os créditos tributários aqui controvertidos estariam acometidos pela decadência, além de que a consideração de que teria havido omissão de receitas em virtude dos pagamentos não contabilizados decorreria de mera presunção, que não poderia prevalecer. Outrossim, sustenta que a constituição dos créditos tributário em testilha esbarraria no princípio do ne reformatio in pejus, eis que a autoridade fiscal teria se valido das razões insertas nas postulações que apresentara no seio do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736 para chegar à constituição dos créditos tributários aqui controvertidos. A douta DRJ/BSB deu provimento parcial à Impugnação, reconhecendo a decadência em relação aos fatos geradores havidos no anocalendário de 2003 – pagamentos líquidos de R$ 600.000,00, que determinaram a base de cálculo reajustada no importe de R$ 827.010,00 –, sendo que esse r. decisum restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DILIGÊNCIAS. DE OFÍCIO. INDÍCIOS. NECESSIDADE. RESULTADO. AUTOS DE INFRAÇÃO COMPLEMENTARES. É prerrogativa da autoridade julgadora determinar, de ofício, diligências, quando entendêla necessária para firmar sua convicção e compor a lide, tendo em vista a constatação de indícios de infração. Por sua vez, em se concretizando a hipótese de incidência prevista na norma tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar lançamento de ofício, atividade administrativa obrigatória e vinculada. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Operações referentes à não contabilização de ingressos e saídas de recursos, utilizados no pagamento de serviços advocatícios, demonstram uma série de condutas ilícitas, planejadas e ordenadas, uma a uma, visando, deliberadamente, ocultar os rendimentos auferidos sujeitos à tributação federal, restando caracterizada a conduta dolosa praticada pelo partido político e a conseqüente qualificação da multa do lançamento de ofício. DOLO. DECADÊNCIA. ANOCALENDÁRIO 2002. I Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplicase o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150. II O lançamento de ofício relativo ao terceiro trimestre de 2003, cujo fato gerador se consumou em 30/09/2003, poderia ter sido efetuado ainda no Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 103 102 decorrer do ano de 2003. Tendo sido o primeiro dia do exercício seguinte 1º de janeiro de 2004, o prazo decadencial completouse em 31/12/2008. III O lançamento de ofício relativo ao primeiro trimestre de 2004, cujo fato gerador se consumou em 31/03/2004, poderia ter sido efetuado ainda no decorrer do ano de 2004. Tendo sido o primeiro dia do exercício seguinte 1º de janeiro de 2005, o prazo decadencial completouse em 31/12/2009. III Tendo sido o lançamento notificado em 17/12/2009, resta atingido pela decadência aquele cujo fato gerador consumouse em 30/09/2003. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos revelase, há tempos, matéria exaustivamente discutida na administração tributária, mostrandose eficaz na tarefa de proporcionar ao Fisco as evidências necessárias da ocorrência dos fatos geradores previstos em norma, razão pela qual consiste em presunção legal tratada pelo art. 281 do RIR/99. REFORMATIO IN PEJUS. A proibição do reformatio in pejus aplicase exclusivamente aos recursos, ou seja, aos julgamentos de segunda instância. Ocorre nas situações em que o recorrente, ao pleitear revisão de decisão prolatada, não poderá ser surpreendido por novo pronunciamento que lhe agrave o resultado advindo sentença recorrida. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. (fls. 23952396) Intimado desse acórdão em 7 de julho de 2010 (fl. 2439), o Recorrente interpôs o vertente Recurso Voluntário (fls. 24432488) em 28 de julho de 2010, no qual repisa as considerações anteriormente deduzidas. É o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO RELATOR NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10166.720300/201050 Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. É preciso salientar que a r. decisão recorrida entendeu decaídos os créditos tributários atinentes a fatos geradores havidos no anocalendário de 2003, sendo que essa matéria, por não ter sido objeto de Recurso de Ofício, não foi devolvida a esse Colegiado. Destarte, a controvérsia submetida a esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais gravita em torno das exigências de IRPJ e CSLL atinentes ao ano calendário de 2004, cuja base de cálculo equivale à quantia de R$ 137.350,00 – reajustamento do pagamento líquido efetuado ao Dr. Paulo Goyaz no montante de R$ 100.000,00. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 104 103 O contribuinte suscita, no vertente Recurso Voluntário, as mesmas preliminares deduzidas no Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo n. 10168.003938/200736, razão pela qual permitome lançar mão das razões que assentei por ocasião do voto que apresentei para a solução daquela irresignação, verbis: “ Da alegada violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96 Aduz o Recorrente que a r. decisão recorrida deveria ser fulminada – com a remessa dos autos à instância a qua para prolação de novo aresto – em virtude de suposta violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96, preceito legal esse que reza, litteris: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. A ofensa a esse dispositivo decorreria do fato de que, após a expedição do Ato Declaratório n. 134 – que suspendeu a imunidade do partido político – e da lavratura dos autos de infração encerrados neste processo, foram lavrados Autos de Infração complementares, que repousam às fls. 2324 e seguintes e que estão encerrados no Processo Administrativo n. 10166.720300/201050. A impugnação apresentada pelo Partido em face das autuações discutidas no referido Processo Administrativo n. 10166.720300/201050 – feito em que interposto Recurso Voluntário, que também será apreciado nesta assentada – não foram apreciadas pela r. decisão recorrida, de modo que essa falta de exame conjunto consubstanciaria a ofensa ao dispositivo supratranscrito. Sem razão o Recorrente. Deveras, me parece que o preceito em voga versa exclusivamente sobre as autuações imediatamente lavradas após a Suspensão de Imunidade, não se aplicando a autuações complementares, que podem ser confeccionadas enquanto não escoado o correlato prazo decadencial. Com efeito, raciocínio em sentido contrário esbarraria no Direito Fundamental à razoável duração do processo, encartado no inciso LXXVIII do art. 5o da Carta Magna pátria. De fato, o entendimento no sentido de que o referido §9o também se aplica aos eventuais e incertos autos de infração complementares determinaria a postergação do exame da Suspensão da Imunidade e das autuações imediatamente lavradas após a perda da imunidade até o momento em que os períodos examinados fossem acometidos pela operação da decadência, o que é absurdo. Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 105 104 Despiciendo dizer que interpretações que conduzam ao absurdo merecem pronto rechaço, tratase de regra hermenêutica basilar. Frisese que na Impugnação (fls. 2348 e ss.) manejada contra os Autos de Infração encerrados no Processo Administrativo n. 10166.720300/201050, o Partido deduz argumento no sentido da decadência em relação a fatos gerados lá controvertidos. Ou seja, caso a agremiação política tenha razão quanto à decadência do Direito de o Fisco constituir os créditos tributários lançados nas autuações complementares, a procedência do argumento aqui examinado significaria que a DRJ deveria – para que pudesse proceder ao exame das impugnações à Suspensão de Imunidade e às autuações imediatamente lavradas após o Ato Declaratório n. 134 – postergar sua análise para além do transcurso dos respectivos prazos decadenciais, o que releva o descabimento do argumento. Não há que se falar, pois, em violação ao §9o do art. 32 da Lei n. 9.430/96. Da pretensa falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 O Recorrente argumenta que o art. 32 da Lei n. 9.430/96 estaria desprovido de eficácia, sendo que a falta de aptidão para produção de efeitos desse dispositivo decorreria do julgamento da Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1802, em que o Excelso Pretório proclamou a suspensão da eficácia do art. 14 da Lei n. 9.532/97. Novamente, o Recorrente não tem razão. De fato, a Lei n. 9.532/97 não traz qualquer preceito que tenha que ver com partidos políticos, sendo que seu art. 12 – visceralmente ligado ao citado art. 14 – é expresso ao tratar de instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída ou os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Diversamente, o Partido Político em causa assevera que, verbis: 74. Nesse contexto, prosseguia o recorrente nas suas impugnações, a Receita Federal vêse impedida de suspender, com base no art. 32 da Lei 9.430/96, a imunidade tributária das instituições de educação ou de assistência social. Dai, concluía o recorrente que, estando suspensa a eficácia do art. 14 da Lei 9.532, está suspensa a eficácia do art. 32 da Lei 9.430/96. 75. Dessa forma, o STF, ao suspender a vigência do art. 14 da Lei 9.532/97, na realidade, sustou a aplicação do procedimento de suspensão da imunidade tributária regulado pelo art. 32 da Lei 9.430/96. Em suma, suspendeu se a eficácia do art. 32 da Lei 9.430/96. 76. O recorrente chamou a atenção, nas peças impugnatórias, que, embora os arts. 12 a 14 da Lei 9.532/97 refiramse às instituições de educação ou de assistência social, a suspensão da vigência do art. 14, que resulta na Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 106 105 suspensão do art. 32 da Lei 9.430/96, estendese, pelo principio da isonomia, a todas as entidades mencionadas na alínea 'c' do inciso VI do art. 150 da Constituição de 1988, entre as quais citamse os partidos politicos. (fl. 2498; grifos no original) A pretendida falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 por arrastamento, decorrente da suspensão da eficácia do art. 14 da Lei n. 9.532/97, não há de prevalecer. De fato, o Supremo Tribunal jamais determinou a falta de eficácia do citado art. 32 da Lei n. 9.430/96, sendo que a controvérsia encerrada na ADI n. 1802 jamais envolveu o controle de constitucionalidade desse preceito legal. Com efeito, é preciso dizer que o próprio Supremo Tribunal já se manifestou no sentido de que a ADI n. 1802 não envolvia o art. 32 da Lei n. 9.430/96, circunstância essa apreendida com muita propriedade pela r. decisão recorrida, que dirimiu com perfeição a questão processual em testilha nos seguintes termos, litteris: Por fim, para sepultar qualquer divergência, registrese que o partido político também recorreu ao STF, ao propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Med. Liminar) n° 42019, para questionar o art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, ocasião em que suscitou a hipótese de conexão com a citada ADI n° 1.8023, conforme se depreende da leitura a seguir, em texto localizado no endereço eletrônico http ://www.stf.jus.br/portal/peticaolnicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1 =1802&processo=4021: "Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal: O Partido Progressista PP propõe ação direta, com pedido de medida cautelar, na qual questiona a constitucionalidade do disposto no artigo 032, §§ 001° ao 010, da Lei n°9430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente sustenta que os preceitos de que se trata colidem com o disposto no artigo 146, inciso 0II, da Constituição do Brasil. Afirma que a presente ação direta seria conexa à ADI n° 1802, na medida em que discute a adequação de lei ordinária para regular matéria que trata de limitações ao poder de tributar. Submeto à consideração de Vossa Excelência eventual necessidade de redistribuição, por prevenção, ao Ministro Menezes Direito. Brasília, 13 de agosto de 2008 Ministro Eros Grau Relator" (grifei) Por sua vez, o Presidente do STF à época do feito, Ministro Gilmar Mendes, não encampou a tese do requerente: "O Ministro Eros Grau encaminhou a presente ação direta de inconstitucionalidade para apreciação da hipótese de prevenção, suscitada pelo requerente, em relação a ADI 1.802 (fl. 180). Sobre a questão, a Secretaria Judiciária da Corte informou (fl. 182): A Secretaria Judiciária Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 107 106 aponta a necessidade de distribuição por prevenção quando uma ação ajuizada posteriormente questiona o mesmo ato normativo, parcial ou integralmente, de uma ação direta já em trâmite nesta Corte. Considerando que a presente Ação Direta de Inconstitucionalidade questiona o artigo 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.802 tem como dispositivo legal impugnado os artigos 12, 13 e 14 da Lei Federal n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, não foi apontada a prevenção neste caso. Conforme a jurisprudência da Corte, o relator de determinada ação direta de inconstitucionalidade está prevento para as ADIs posteriores que tenham por objeto o mesmo ato normativo. Nesse sentido: ADIQO 807, Relator Sepúlveda Pertence, DJ 13.2.2004, que possui a seguinte ementa: EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade: identidade do objeto. A preclusão da negativa de ingresso do Governador do Estado no processo da ADIn proposta por outrem contra lei do seu Estado não elide a sua legitimação para propor nova ação direta com o mesmo objeto, distribuída por prevenção ao relator da anteriormente ajuizada. No presente caso, como salientado pela Secretaria Judiciária, as normas impugnadas nesta ADI e na ADI 1.802 são distintas. Assim, não configurada a hipótese de prevenção, determino a devolução deste feito ao gabinete do Ministro Eros Grau." (grifei) Brasilia, 26 de agosto de 2008. Ministro GILMAR MENDES Presidente" (grifei) (fls. 24202421; sem grifos no original) O que causa espécie, portanto, é que o próprio Partido Progressista já fora esclarecido pelo Excelso Pretório de que a controvérsia encartada na ADI n. 1802 não englobava o art. 32 da Lei n. 9430/96, e mesmo assim deduz o vertente argumento, com o fito exclusivo de tumultuar o trâmite do vertente processo administrativo. Destarte, à míngua de decisão do Supremo Tribunal que especificamente suspenda a eficácia do art. 32 da Lei n. 9430/96, não há que se falar que esse dispositivo não tenha aptidão para a produção de efeitos. Da alegada falta de apreciação de razões de defesa Em relação a essa preliminar, temse que a autoridade fiscal, na esteira do §1o do art. 32 da Lei n. 9.430/96, lavrou o Termo de Notificação Fiscal de fls. 272, ocasião em que foi dada ao Partido a oportunidade de apresentar defesa em 30 (trinta) dias. Ocorre que, após a apresentação desse arrazoado e praticamente dois meses depois da lavratura do citado Termo de Notificação, o Partido houve por bem apresentar Razões Aditivas, que efetivamente não foram apreciadas pelo titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília por ocasião da análise levada a cabo nos termos do §3o do discutido art. 32. Alega o Partido que, verbis: Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 108 107 99. Tão logo tomou conhecimento de que a eficácia do art. 32 da Lei 9.430 tinha sido suspensa em decorrência da liminar concedida na ADI 1808 (rectius: ADI 1802), o Partido ingressou, em 14.12.2007, com a petição de Razões Aditivas de fls. 1485/1487, argüindo a nulidade do Termo de Notificação Fiscal TNF (fls. 01/70), porque baseado em dispositivo legal desprovido de eficácia. (fls. 25012502) Bem se vê que o objeto das malsinadas Razões Aditivas consiste exclusivamente no argumento que restou afastado no tópico anterior. É induvidoso que não há que se falar em nulidade. Em primeiro lugar, é preciso dizer que a liminar concedida na ADI n. 1802 – que alegadamente apenas chegou ao conhecimento da Recorrente em fins de 2007 – foi deferida pelo Excelso Pretório em 27 de agosto de 1998, é dizer, praticamente 10 (dez) anos antes. Logo, é certo que não se cuida de fato novo, mas de fato que já era de pleno conhecimento do operadores do Direito ao tempo da apresentação das razões vestibulares, e se o Partido apenas em fins de 2007 tomou ciência de questão resolvida uma década antes, apenas a essa entidade pode ser atribuída qualquer culpa pelo desconhecimento. Outrossim, eu poderia asseverar que as ditas Razões Aditivas teriam sido acometidas pela preclusão consumativa, o que não encerraria qualquer atecnia, muito pelo contrário. Nada obstante, não há dúvidas de que a questão acerca da falta de eficácia do art. 32 da Lei n. 9.430/96 – que é o argumento deduzido nas Razões Aditivas que não foram apreciadas pelo Delegado da DRF de Brasília – foi novamente suscitada tanto na Impugnação à Suspensão de Imunidade quanto no vertente Recurso Voluntário, sendo foram submetidas a exame tanto na instância a qua quanto no presente Voto, de modo que impensável qualquer prejuízo no exercício de defesa. Não deve ser acolhida, portanto, a preliminar em vergaste. Do §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 Ainda em sede de preliminar, o Partido Progressista alega que o §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96, dispositivo esse inserido pela Lei n. 11.941/2009, teria alterado o procedimento de Suspensão de Imunidade de partido político, criando condição nova para a decretação das Suspensões de Imunidade. De acordo com o Partido, essa nova condição aplicarseia ao caso concreto, sendo que o seu não preenchimento na hipótese dos autos determinaria automaticamente o cancelamento do procedimento que culminou com a Suspensão da Imunidade da agremiação. O citado §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 foi inserido pelo art. 73 da Lei n. 11.941/2009, sendo que referido parágrafo tem a seguinte redação, verbis: Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 109 108 § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. Importante asseverar que, de fato, o Tribunal Superior Eleitoral julgou regulares as contas do Partido Progressista nos anoscalendários 2002, 2003 e 2004, na esteira das Resoluções acostadas às fls. 2097 e seguintes. Assim, aos olhos do Partido Progressista, não teria sido preenchida a condição a que alude esse dispositivo, do que decorreria a imperiosa fulminação da Suspensão de Imunidade em causa, tendo em vista que essa condição retroagiria em benefício do Recorrente na esteira do art. 106 do Código Tributário Nacional. Analisando o teor desse preceito legal, percebese que não tem razão o Partido Progressista, de modo que devem ser mantidas as conclusões da r. decisão recorrida, mas unicamente as suas conclusões, ante o inequívoco erro perpetrado pela instância a qua para fundamentar o não acolhimento desse argumento da agremiação política. Com efeito, não há dúvidas de que o referido §11 institui hialina condição de procedibilidade para o procedimento tendente à Suspensão de Imunidade de partido político. Nessa senda, é certo que, após o advento da Lei n. 11/941/2009, todos os procedimentos que visem à suspensão da imunidade de um partido político imprescindem do prévio julgamento do Tribunal Superior Eleitoral acerca da irregularidade da prestação de contas das agremiações políticas, de modo que esse prévio pronunciamento desse Tribunal Superior é conditio sine qua non para o começo de um procedimento com esse desiderato. A toda evidência, não se trata de norma material, não se trata de preceito que defina ou deixe de definir infração alguma. Tratase, unicamente, de condição estabelecida para o início do procedimento que vise à Suspensão de Imunidade, mas, à míngua de preceito que expressamente afirme a necessidade do preenchimento de dita condição para os procedimentos já iniciados, não se pode dizer que esses – os procedimentos já iniciados – possam ser fulminados por condição instituída posteriormente ao seu início, no curso do seu desenvolvimento. É que, à falta desse preceito que expressamente determine a imperiosidade do preenchimento da nova condição pelos procedimentos já iniciados, verifica se que essa condição é meramente de procedibilidade, não havendo que se falar em condição de prosseguibilidade. Realmente, o emprego desses conceitos comumente utilizados no Processo Penal mostrase altamente pertinente e esclarecedor para a elucidação da questão submetida ao crivo desse Colegiado – sendo importantíssimo asseverar que, também aqui, se está diante de procedimento tendente à aplicação de sanção, apesar de se cuidar de sanção de outro jaez. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 110 109 Assim sendo, permitome lançar mão de um exemplo da seara processual penal para facilitar a escorreita apreensão do que se está a dizer. Exemplo típico de condição de procedibilidade é a necessidade de representação do ofendido para o aforamento de ação penal pública condicionada. Pois bem. A Lei n. 9.099/1995 – que, além de outras providências, dispôs sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais – estabeleceu, em seu art. 88, que dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. Não há dúvidas de que se trata de condição de procedibilidade, de modo que, com o advento da Lei n. 9.099/1995, as ações penais com vistas à apuração e à reparação dos delitos de lesões corporais leves e lesões corporais culposas necessariamente dependeriam da representação a que alude o citado art. 88. Indagase: qual o impacto desse novo preceito em relação às ações penais que tratavam desses crimes e que foram aforadas antes da edição e vigência da Lei n. 9.099/1995? Não há dúvidas de que esse exemplo é adequado como luva para a questão que ora deve ser resolvida por esse Colegiado. E a resposta para o questionamento que eu trouxe a lume no parágrafo anterior inquestionavelmente seria: NENHUM IMPACTO, mas isso na premissa de que o artigo 88 da Lei n. 9.099/95 não estivesse associado a nenhum outro preceito de lei que tratasse especificamente da necessidade de preenchimento da referida e nova condição de procedibilidade aos processos já iniciados. Ocorre que, para além do art. 88, o legislador também fez editar o art. 91 do mesmo diploma legal, em que se lê, litteris: Art. 91. Nos casos em que esta Lei passa a exigir representação para a propositura da ação penal pública, o ofendido ou seu representante legal será intimado para oferecêla no prazo de trinta dias, sob pena de decadência. Esse é o preceito de lei que determinou a necessidade do preenchimento da condição para os casos já iniciados. Tratase, portanto, de condição de prosseguibilidade para a continuação de uma ação penal iniciada antes do advento da Lei n. 9.099/95 e que versasse sobre os delitos indicados no art. 88, ação essa que obviamente não contava com a prévia e, a partir de então, imprescindível representação do ofendido. Semelhante dispositivo – que especificamente tratasse da necessidade de preenchimento do requisito inserto no §11 do art. 32 da Lei n. 9.430/96 aos procedimentos tendentes à Suspensão de Imunidade já iniciados – não existe, de modo que não há que se falar que a intenção do legislador era fazer com Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 111 110 que os procedimentos já iniciados tivessem que observar a condição que veio à balha com a Lei n. 11.941/2009. Pretender inquinar de viciado um procedimento pelo não preenchimento de uma condição que não existia ao tempo do seu início é impensável. Frisese que, por mais que ostente natureza processual – de modo que aplicável imediatamente aos processos em curso –, o preceito legal em causa não tem o condão de macular atos perfeitos e acabados antes do seu advento – tais como o Termo de Notificação Fiscal, o Despacho que não acatou as razões opostas à Notificação Fiscal, assim como o próprio Ato Declaratório n. 134, atos esses praticados no anocalendário 2007, muito tempo antes da edição da Lei n. 11.941/2009. Mutatis mutandis, o acolhimento do argumento do Recorrente determinaria que, exemplificativamente, os Recursos Extraordinários interpostos antes da criação do requisito da Repercussão Geral não pudessem ser conhecidos ou não tivessem seguimento, justamente pelo não preenchimento do novo requisito de admissibilidade. Não deve ser acolhida, portanto, a vertente preliminar. ” Não devem ser acolhidas, portanto, as discutidas preliminares deduzidas pelo sujeito passivo. Em relação à preliminar relacionada à pretensa ocorrência de reformatio in pejus, temse que o ora Recorrente alega que a autoridade fiscal teria se valido das razões insertas nas postulações que apresentara no seio do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736 para chegar à constituição dos créditos tributários aqui controvertidos. Sem razão o contribuinte. Com efeito, os Autos de Infração em testilha decorreram de requisição de diligência determinada pela autoridade preparadora da DRJ/BSB, de modo que descabidas as assertivas no sentido de que os lançamentos decorreram das suas postulações. Para além disso, temse que a vedação à reformatio in pejus tem lindes muito bem definidos, sendo que o seu locus proprio tem que ver com a impossibilidade de a situação jurídica do recorrente ser rebaixada em virtude da apreciação do recurso por ele manejado, situação essa que não se confunde com a vertente. Decadência Afastadas as preliminares, é mister que se passe ao exame da alegada decadência do direito do Fisco de constituir créditos tributários atinentes ao 1o trimestre de 2004, tendo em vista que o Partido tomou ciência das vertentes autuações em 17 de dezembro de 2009. Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 112 111 Entendo que, in casu, deve ser reconhecida a decadência quanto aos créditos tributários em testilha, cujo fato gerador fincase no último dia do 1o trimestre do ano calendário de 2004. Com efeito, a ciência dos lançamentos em vergaste teve lugar mais de cinco anos após a ocorrência dos respectivos fatos geradores de IRPJ e CSLL, sendo de rigor o cômputo do lapso decadencial nos termos do §4o do art. 150 do Código Tributário Nacional. De fato, não há que se falar na aplicação do art. 173 do CTN no caso concreto, e isso a despeito da inexistência de pagamento parcial antecipado. Deveras, exigirse o pagamento antecipado para fins de aplicação do §4o do art. 150 do CTN no caso em destaque revelarseia absurdo, tendo em vista que, ao tempo em que o sujeito passivo alegadamente deveria proceder ao lançamento por homologação – com a realização do controvertido pagamento antecipado –, ele sequer estava sujeito a tal obrigação, uma vez que a Suspensão da sua Imunidade apenas ocorreu anos depois. Frisese que o entendimento aqui externado em nada contraria o quanto decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça por ocasião do Recurso Especial Repetitivo n. 973.733. A toda evidência, esse julgado jamais se reportou à peculiar situação em causa, cujo pano de fundo é a Suspensão de Imunidade de partido político, sendo que me parece inafastável que aquele precedente apenas pode regular os casos em que o pagamento antecipado deveria e poderia ocorrer a tempo e modo, situação essa completamente distinta da que aqui se cuida. Não pode, pois, o pagamento antecipado ser tido como determinante para a averiguação da aplicação do §4o do art. 150 ou do art. 173, ambos do CTN, para fins de cômputo do prazo decadencial. O mesmo não pode ser dito, contudo, em relação ao fator dolo e fraude, que determinaram a aplicação da multa qualificada de 150% sobre as exigências em vergaste. Ocorre que não vejo presentes os pressupostos para a qualificação da multa no caso em apreço. Com efeito, as únicas considerações existentes no vertente Termo de Verificação Fiscal para fundamentar a aplicação da multa qualificada são as seguintes, litteris: 5. Tendo em vista que o auto de infração original foi agravado e sendo a receita fruto do mesmo objeto, também se usa multa de 150%, conforme comprovação de dolo ou fraude estipulada à época, observado o § 4o, do art. 150, do CTN. (fl. 2345) Não penso que essa fundamentação seja suficiente para a aplicação da multa de ofício qualificada, não é suficiente para a demonstração da ocorrência das condutas a que aludem os arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. Com efeito, entendo que o preenchimento dos pressupostos para a qualificação da multa de ofício devem ser demonstrados à saciedade pelas autoridades fiscais, Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 113 112 não bastando para tanto o emprego de uma afirmação que, aos olhos da autoridade fiscal, dê conta de a fraude ser evidente. Ademais, entendo que deve ser demonstrado um dolo muitíssimo específico para que seja possível a qualificação das penalidades de ofício, a saber, a intenção deliberada de suprimir ou reduzir o pagamento de tributos, de ocultar a ocorrência de fato gerador. Verdadeiramente, apesar de entender absolutamente condenáveis os expedientes do Partido Progressista no que tange ao recebimento dos malsinados R$ 700.000,00 do Partido dos Trabalhadores – e no que tange à não contabilização desses ingressos e das ulteriores destinações –, entendo que a agremiação partidária jamais agiu com vistas a ocultar a ocorrência de fatos geradores ou a fugir ao pagamento de tributos; creio mesmo que o Partido, através de seus dirigentes, jamais verdadeiramente trabalhou com a possibilidade de perder a Suspensão da Imunidade partidária, de modo que não consigo vislumbrar a presença de uma das hipóteses insertas na referida Lei n. 4.502/64. E, num contexto em que o Termo de Verificação Fiscal não poderia ser mais deficiente com vistas à demonstração da ocorrência dessas hipóteses, a visualização da sua materialização tornase verdadeiramente impossível. Assim, não havendo que se falar em dolo, fraude ou simulação, é de rigor a aplicação do §4o do art. 150 do CTN, e daí decorre a imperiosidade do reconhecimento da decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários atinentes ao 1o trimestre de 2004. Do Mérito Caso não seja acolhida a decadência pronunciada no tópico precedente, penso que os lançamentos em vergaste devem prevalecer, mas apenas em parte. Com efeito, é certo que o Partido Progressista não contabilizou os pagamentos ao Sr. Paulo Goyaz que perfazem a importância de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais), de modo que é certo que tais pagamentos foram efetuados com recursos à margem da contabilidade da agremiação política, devendo se constituir em base de cálculo para o IRPJ e para a CSLL. Nada obstante, entendo que as exigências apenas podem recair sobre as importâncias líquidas em causa – especificamente, sobre a quantia de R$ 100.000,00, paga ao citado advogado em janeiro de 2004 –, tendo em vista que a fração remanescente é fruto da mais inafastável presunção, e assim não pode prevalecer. Realmente, os elementos constantes dos autos dão conta que apenas a quantia de R$ 100.000,00 efetivamente transitou pela agremiação política em apreço, valores esses que foram recebidos pelo Sr. João Cláudio Genu diretamente das mãos da Sra. Simone Vasconcellos, na esteira dos bastantes e concordes depoimentos prestados. A cifra de R$ 137.350,00 apenas emergiu pelo fato de que, após a instauração do procedimento que culminou com a formação do Processo Administrativo n. 10168.003918/200736, o Sr. Paulo Goyaz houve por bem retificar sua declaração de pessoa física do anocalendário 2004 para nela inserir referida cifra, correspondente à quantia líquida de R$ 100.000,00. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 114 113 Ora, entendo que a cifra de R$ 137.350,00 jamais circulou, jamais foi paga pelo Partido dos Trabalhadores ao Partido Progressista, mas unicamente a quantia de R$ 100.000,00, que, na esteira dos uníssonos depoimentos colhidos tanto durante a CPMI dos Correios quanto perante a Polícia Federal, foi vertida ao Sr. João Cláudio Genu pela Sra. Simone Vasconcellos no Hotel Grand Bittar. Em não sendo reconhecida, portanto, a decadência do direito de o Fisco constituir os créditos tributários em testilha, deve o Recurso Voluntário ser parcialmente acolhido, de modo que a base de cálculo das exações em apreço seja reduzida ao patamar de R$ 100.000,00. Frisese que os partidos políticos não integram o rol das entidades isentas a que alude o art. 15 da Lei n. 9.532/97. A impossibilidade da manutenção da multa de ofício qualificada já foi discutida no tópico atinente à decadência e o lançamento de CSLL é mera decorrência do lançamento de IRPJ. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, ante a hialina operação da decadência quanto aos créditos tributários em análise. É como voto. VOTO VENCEDOR NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10166.720300/201050 Conselheira EDELI PEREIRA BESSA [...] Ainda, relativamente ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10166.720300/201050, o I. Relator restou vencido na parte em que acolhia a argüição de decadência do direito de o Fisco constituir, em 2009, créditos tributários referentes ao 1o trimestre de 2004. Argumentou, para tanto, que a despeito de inexistir pagamento parcial antecipado, a contagem do prazo decadencial deveria observar o disposto no art. 150, §4o do CTN, na medida em que o sujeito passivo não estava obrigado a tanto naquela época, vez que a suspensão da imunidade somente ocorreu anos depois. Todavia, é justamente porque o sujeito passivo não estava obrigado a tais pagamentos que não se pode cogitar de qualquer conduta que pudesse deflagrar o prazo de não homologação de sua apuração na forma do mencionado art. 150 do CTN. Não se verificou, por parte do sujeito passivo, qualquer conduta no sentido da constituição de obrigações tributárias pertinentes ao período de apuração mencionado que exigisse o exame fiscal no prazo que a lei estipula. Inadmissível, assim, que estivesse correndo contra o Fisco o prazo de homologação tácita de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, na forma do §4o do art. 150 do CTN. Em tais condições, o único prazo que corre contra o Fisco é aquele genericamente estipulado no art. 173, inciso I, do CTN para os lançamentos de ofício, ou seja, para formalização de exigências frente à total omissão do sujeito passivo, até porque a entidade Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 115 114 somente passa a revestir esta condição a partir do procedimento fiscal que enseja a suspensão de sua imunidade. Portanto, o prazo decadencial teria início a partir do 1o dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado e, ainda que se admita que tal providência era possível a partir do encerramento do 1o trimestre de 2004, a contagem do prazo decadencial somente teria início em 01/01/2005, evidenciando válidos até mesmo os lançamentos complementares cientificados em 17/12/2009, antes de expirado o prazo de 5 (cinco) anos contados a partir daquela data inicial. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a arguição de decadência apresentada nos autos do processo administrativo nº 10166.720300/201050. DECLARAÇÃO DE VOTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10166.720300/201050 Conselheira EDELI PEREIRA BESSA [...] Por fim, relativamente ao processo administrativo nº 10166.720300/201050, acompanhei o I. Relator na parte em que ele deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL ali formalizadas, mas votei pelas conclusões porque, em razão das ressalvas inicialmente postas nesta declaração de voto, entendo, apenas, que não há prova da retenção de imposto na fonte em razão dos pagamentos em favor do Sr. Paulo Goyaz. Logo, não há prova de pagamento da parcela de R$ 37.350,00, de modo a autorizar a presunção de omissão de receitas a partir de pagamentos não contabilizados. É como voto. DECISÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10166.720300/201050 Estas as razões, portanto, que suportaram a decisão do Colegiado embargado frente ao recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10166.720300/201050, assim exposta no Acórdão nº 1101001.055: Acordam os membros do colegiado em: [...] 2) relativamente ao processo nº 10166.720300/201050: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade por violação ao § 9o do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.2) por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de ineficácia do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.3) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de cerceamento ao direito de defesa; 2.4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade com fundamento no §11 do art. 32 da Lei nº 9.430/96; 2.5) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de decadência, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2.6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL, votando pelas Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10168.003918/200736 Acórdão n.º 1302001.719 S1C3T2 Fl. 116 115 conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. A ementa desta parte do julgado está parcialmente representada na transcrição anterior, e é complementada, apenas, pela referência à decadência, como exposto no Acórdão embargado, nos seguintes termos: DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Se o sujeito passivo nada declara por se considerar fora do campo de incidência da norma tributária, não corre contra o Fisco o prazo de homologação tácita, e o lançamento pode ser efetuado em até 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (anocalendário 2004). CONCLUSÃO Frente ao exposto, o presente voto é no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para corrigir a inexatidão material apontada, com a transcrição das manifestações apresentadas por ocasião do julgamento dos processos administrativos nº 10168.003918/200736 e 10166.720300/201050. Esclareçase, por fim, que na petição de fls. 2674/2676 o sujeito passivo também trouxe referências a outras omissões acerca de seus questionamentos dirigidos contra a multa qualificada aplicada sobre os valores lançados no processo administrativo nº 10166.720300/201050 e contra o próprio mérito da exigência ali formalizada, contudo, dado o alcance da inexatidão material acima demonstrada, o cabimento destas alegações deverá ser reavaliado pelo interessado frente às manifestações aqui transcritas e, caso ainda pertinentes, reapresentadas em efetivos embargos. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10830.002163/96-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1994
IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO.
A verba denominada ajuda de custo está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destina-se a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município.
Numero da decisão: 2301-004.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior
Presidente e Relator
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
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RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO. A verba denominada ajuda de custo está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destinase a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 21 63 /9 6- 97 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0431.393, exarado pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal (DRJ) em Campo Grande (fls. 155 a 158 numeração dos autos eletrônicos). Em 26/02/1996 foi emitida notificação de lançamento (fl. 18), exigindo saldo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) de 4.510,97 UFIR e pagamento de restituição indevida de IRRF de 1.535,44 UFIR, referentes ao exercício 1995, anocalendário 1994. A ciência dessa notificação ocorreu em 09/04/1996 (fl. 50). Em 08/05/1996, a interessada impugnou (fl. 11) a notificação de lançamento, alegando que as verbas recebidas a título de ajuda de custo proposta na “carta de transferência” (decorrente de sua remoção de cidade, determinada por sua empregadora) seriam valores isentos do imposto de renda, de acordo com observação do quadro 3 do Manual da Declaração de Ajuste Anual – Pessoa Física do ano de 1995, art. 40 do RIR e Pareceres Normativos CST 36, de 1978 e COSIT 1, de 1994. Em 13/08/1997, a Decisão 11.175/01/GD/2990/97, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, declarou nula a notificação de lançamento impugnada, restabelecendo os valores declarados pela contribuinte (fls. 97 e 98). Em 07/02/2000, a interessada protocolizou pedido de retificação de sua declaração de rendimentos de pessoa física – DIRPF/95, com a finalidade de excluir do quadro “rendimento tributável” os valores relativos ao “plano de demissão voluntária” (PDV) e o “auxíliotransferência” (fl. 107). Juntou aos autos declaração retificadora, sem atesto de sua recepção (fls. 108 a 117) Em 04/12/2001, o Despacho Decisório DRF/CPS/SEORT (fls. 128 a 131), (a) deferiu o pedido para que seja restabelecida a declaração original, em decorrência de Decisão 11.175/01/GD/2990/97, de 13/08/1997, da DRJ/Campinas, que declarou nula a notificação de lançamento, “devendo também ser providenciado o cancelamento da cobrança em razão de lançamento de oficio” e (b) indeferiu o pedido de retificação da DIRPF/95, em face da decadência do direito de pleiteála. Dessa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 137 a 151). Em 24/10/2003, a DRJ em Campo Grande, pelo Acórdão DRJ/CGE 2843, decidiu por não conhecer da manifestação de inconformidade, por (a) a retificação de DIRPF, nas hipóteses admitidas, prescinde de autorização da autoridade administrativa e (b) não existir competência às DRJs para apreciar manifestação de inconformidade de indeferimento de pedido de retificação de DIRPF (fls. 155 a 158). Em 22/02/2006, o antigo 1º Conselho de Contribuintes (CC), pelo Acórdão 10247.376, negou provimento ao recurso voluntário, acolhendo a decadência do direito à retificação da DIRPF (fls. 186 a 191). Em 29/11/2011, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), pelo Acórdão 9202001905, deu provimento ao recurso interposto pela contribuinte, afastando a decadência do direito da interessada de retificar a DIRPF (fls. 253 a 260). Em 18/09/2012, pelo Despacho Seort/DRF/CPS/SP 587 (fls. 270 a 273), (a) foi reconhecido como isento e retirado da base tributável o valor de R$9.982,00 (16.887,15 UFIR), correspondente à “indenização espontânea” e (b) não foi reconhecida a isenção das verbas relativas à ajuda de transferência, em razão da inexistência de comprovação de seus requisitos, ou seja, de que a ajuda de custo seja destinada a atender as despesas com transporte, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 2301004.491 S2C3T1 Fl. 334 3 frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, na remoção de um município para outro. Como consequência, do valor a restituir de R$1.535,42, constante de sua declaração retificadora, passouse a valor a pagar de R$18,99. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que houve a efetiva transferência de município e recebimento da ajuda de custo e que essa não pode ser incluída na base de cálculo do imposto de renda por expressa determinação legal. Em 09/04/2013, a DRJ em Campo Grande julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelo já citado Acórdão 0431.393, o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1994 MUDANÇA DE DOMICÍLIO PARA OUTRO MUNICÍPIO. AJUDA DE CUSTO. ISENÇÃO. Os valores isentos do imposto de renda no caso de mudança de domicílio são os relativos à ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência dessa decisão ocorreu em 15/05/2013 (aviso de recebimento EBCT, fl. 297). Em 29/05/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 299 a 306), afirmandose, em síntese: 1. ser incontroversa a sua mudança de domicílio e estar comprovado que recebeu ajuda de custo para arcar com as despesas necessárias para seu deslocamento e instalação; 2. tais verbas sempre têm caráter indenizatório expressamente consignado pela legislação, e não há nenhum indício de que as verbas pagas pela empresa tenham outra natureza que não a de custeio da mudança de domicílio. 3. a isenção é reconhecida pelo art. 6º, XX, da Lei 7713, de 1988, a qual deve ser interpretada literalmente e para a qual a única condição para o gozo da isenção pé a transferência de domicílio, não havendo falar em comprovação dos gastos; Requereu a reforma da decisão atacada, declarando a existência do direito à restituição do Imposto de Renda decorrente da incidência indevida sobre a ajuda de custo em consequência da remoção de um município para o outro. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. A questão a ser dirimida por este colegiado diz respeito a subsunção, ou não, da “ajuda de custo por transferência definitiva”, recebida pela contribuinte por ocasião de sua transferência definitiva, de acordo com os termos das “condições da transferência definitiva” (fls. 20 a 24), à norma isentiva carreada no art. 6º, inciso XX, da Lei 7.713, de 1988, que possui a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XX ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. De acordo com a recorrente, para que ocorra a referida subsunção, basta que tenha havido a transferência de domicílio, o que, no caso, é fato incontroverso. Discordamos de tal entendimento: a isenção destinase às verbas recebidas a título de ajuda de custo é para atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro. Ou seja, para a isenção da ajuda de custo não basta a transferência de domicílio do contribuinte, é preciso que tais verbas sejam destinadas a custear despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares. Nesse sentido é a jurisprudência do CARF: IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO. A verba denominada Ajuda de Custo está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destinase a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. (Acórdão: 2201002.055, relator: Eduardo Tadeu Farah ) AJUDA DE CUSTO. RENDIMENTOS ISENTOS. REQUISITOS. Independente da denominação das verbas pagas, a ajuda de custo será considerada como rendimento isento e não tributável se comprovado que se destina a atender despesas com Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10830.002163/9697 Acórdão n.º 2301004.491 S2C3T1 Fl. 335 5 transporte, frete e locomoção do contribuinte e de sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. (Acórdão: 2102001.947, Redatora ad hoc: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti ) No presente caso, por sua transferência a contribuinte recebeu as verbas discriminada nas “condições da transferência definitiva” (fls. 20 a 24), a saber: 1 – adicional de término e instalação de residência: “para cobrir despesas gerais com a antiga e/ou nova residências, tais como: limpeza, pintura e outros não especificados”; 2 – ajuda de custo espontânea por transferência definitiva: “com o objetivo de minimizar o transtorno e qualquer espécie de prejuízos que a transferência definitiva possa acarretar”; 3 – transporte de móveis e objetos pessoais: para reembolsar “despesas com embalagens, engradamento e transporte de móveis, utensílios roupas e bens pessoais”; 4 – transporte de automóveis: “despesas de transporte de até 2 automóveis próprios”; 5 – cancelamento de contrato de locação: “indenização devida em virtude de rescisão antecipada do contrato de locação em seu local de origem”; 6 – empréstimo – adiantamento para a venda de imóvel no local de origem; 7 – aluguel de imóvel no destino: a fonte pagadora “serve como fiadora nos contratos de locação no local de destino”; 8 – viagem de transferência – pagamento “de despesas de locomoção e de seus dependentes do local de origem ao novo local de trabalho, a saber: passagens (...), diárias de hotel, alimentação, táxi e lavanderia; 9 – licença para mudança; 10 – reembolso de despesas escolares. As verbas sob exame nesse recurso voluntário estão discriminadas na fl. 95, a saber: adicional de instalação e ajuda de transferência, no total de 4.960, 85 Ufir. Ora, como visto na discriminação das verbas, o (1) adicional de instalação visa a “cobrir despesas gerais com a antiga e/ou nova residências, tais como: limpeza, pintura e outros não especificados”, enquanto a (2) ajuda de transferência objetiva “minimizar o transtorno e qualquer espécie de prejuízos que a transferência definitiva possa acarretar”. Tais verbas nã se relacionam com o transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, que são abarcados nos itens 3, 4 e 8 das condições da “transferência definitiva”. Não tendo restado comprovado o caráter indenizatório das verbas sob exame, voto pelo desprovimento do recurso voluntário. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto, portanto, por não tomar conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11968.000284/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 08/01/2003, 24/01/2003
IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior, infração punível com a pena de perdimento, cabendo a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS.
A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de excluir do lançamento, as DIs que foram registradas fora do período abrangido pelo procedimento da IN SRF nº 228/2002.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior, infração punível com a pena de perdimento, cabendo a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de excluir do lançamento, as DIs que foram registradas fora do período abrangido pelo procedimento da IN SRF nº 228/2002. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 02 84 /2 00 4- 64 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0817.075, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela AGUALUPE Comércio de Alimentos Ltda. (doravante denominada de AGUALUPE), em acórdão assim ementado (fls. 251/264): Assumo: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/O1/2003, 24/01/2003 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior se a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. Considerase dano ao Erário a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 01/09, constituído para cobrança da multa prevista no art. 23, inc V, § 3° do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no montante de RS 190.427,22, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, por meio das Declarações de Importação (DI) n° 03/00160105 e 03/0067395 l, que, sujeitas à pena de perdimento, não foram localizadas ou foram consumidas: Art. 23 Consideramse dano ao erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 287 3 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com apena de perdimento das mercadorias. § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3° A pena prevista no § 1° convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Da autuação Na descrição dos fatos, aqui sintetizada, as autoridades administrativas informam que a instauração do procedimento especial, previsto na Instrução Normativa (IN) SRF n° 228, de 21 de outubro de 2002, foi motivada pela existência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada pelo contribuinte, nos termos do art. 1°, da mesma norma, e visou apurar a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias importadas, assim como a origem dos recursos aplicados nessas operações. A empresa Agualupe Comércio de Alimentos Ltda (Agualupe) foi intimada a apresentar a documentação que comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos empregados nas operações de comércio exterior realizadas no período de novembro de 2001 a janeiro de 2003. Reclamouse, ainda, o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, munido de documentação que atestasse o efetivo funcionamento da empresa e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias. O Relatório Final de Fiscalização (fls. 60/77), elaborado pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia), da Alfândega do Porto de Recife, parte integrante do presente auto, analisa minuciosamente a documentação apresentada pela Agualupe, aborda aspectos relativos à sua existência e ao seu funcionamento, bem como da capacidade econômicofinanceira da empresa e seus sócios e traça um perfil do importador desde a sua constituição até a ocorrência das operações de comércio exterior que culminaram com a fiscalização em questão. Os autuantes aduzem que, seguindo na análise realizada pelo Sefia, os indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômico financeira evidenciada pelo contribuinte tomaramse provas reais na medida em que a empresa não comprovou a origem dos recursos empregados nas operações de comercio exterior, nem mesmo aqueles usados na constituição da empresa. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 E, afirmam que como bem explanado no já referenciado relatório, os sócios, sob cuja direção a empresa passou a atuar no ramo de comercialização de produtos importados, não demonstraram a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos utilizados na aquisição das cotas do capital social. Ademais, restou evidenciada a incapacidade econômicofinanceira da empresa para realizar suas atividades comerciais, entre elas suas operações de importação. Informam que por meio do Parecer Sarat n° 009/2003 (fls. 83/111),formalizado no processo n° 10480016975/200228, foi concluído o procedimento especial, com proposta para a declaração de inaptidão do contribuinte junto ao CNPJ, proposta que foi acatada pela Administração (fls. 112/1 19). Noticiam que, antes da conclusão do procedimento especial de fiscalização, em atenção a liminar concedida no MS n° 2003.83.00.0113191 da 6” Vara Federal [sic] (fls.33/39) as mercadorias a que se referem as DI n° 03/00160105 e 03/00673951, objeto deste auto de infração, foram liberadas e entregues ao importador sem a prestação de garantia. Os fiscais registram que o procedimento especial foi concluído com a presunção legal de interposição fraudulenta, nos ternos do art. 23, inc. V e § 2°, do Decretolei n° 1.455/76, com redação dada pela MP n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637/02 e que, essa conclusão, plenamente demonstrada no já citado Relatório Final de Fiscalização, de fls. 60/77, da Alfândega do Porto de Recife, e' base para a autuação proposta neste processo. Asseveram, ainda, que decorre da mesma presunção a pena de perdimento e que, ocorrida a comercialização das mercadorias (fls. 41/43), aplicase ao importador a multa equivalente ao valor aduaneiro, nos temos do art. 23, inc. V, §§ 1° e 3°, do mesmo decretolei. Finalizando, informam que o valor aduaneiro é composto pelo valor das mercadorias (Incotermi FOB), acrescido do custo do transporte intencional (frete) e da despesa com capatazia, esta declarada pelo próprio importador no campo de Informações Complementares da DI. Da impugnação Tendo sido frustradas as tentativas de dar conhecimento do auto de infração por meio de Aviso de Recebimento, conforme documentos de fls. 120/123, o interessado foi cientificado, em 08/06/04, por meio do edital de fl. 124 e apresentou, em 01/07/04, a impugnação de fls. 126/135, onde alega, em resumo, que: a empresa, através de medida judicial, liberou parte das mercadorias altamente perecíveis que se encontravam no Porto de Suape em condições precárias de armazenamento, sem a prestação de garantia, tendo em vista que todos os impostos incidentes achavamse pagos e, ainda, que a Presidência do TRF da 5ª Região afastou a presunção de interposição fraudulenta de terceiros, conforme liminar já anexada ao processo, baseandose para tanto na documentação acostada pela empresa; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 288 5 a liberação do restante das mercadorias referentes à DI n° 03/00673951 se deu em 28/03/03, também através de ordem judicial, contudo, após o vencimento da sua validade (27/03/03). Assim, constatouse a sua deterioração, vez que ficaram sob sol e chuva no Pátio do Porto de Suape, conforme laudo do Ministério da Agricultura anexado. Portanto, quanto a essa mercadoria não houve comercialização ante a sua imprestabilidade para consumo humano; passado mais de um ano de fiscalização, a Inspetora da Alfândega do Porto do Recife proferiu decisão no sentido de declarar inapto o CNPJ da Impugnante por suposta interposição fraudulenta de pessoas e incapacidade operacional. Dessa decisão, a Impugnante apresentou recurso ao Superintendente Regional da Receita Federal, autoridade imediatamente superior àquela que proferira a decisão, posto haver erros grosseiros no corpo do decisum, que por si só desnaturam tanto a alegada interposição de terceiros quanto a incapacidade operacional; sem o devido enfrentamento das questões levantadas, o Superintendente Adjunto da 4ª Região Fiscal negouse a dar seguimento ao recurso da parte interessada, barrando a revisão da decisão pela instância superior e, conseqüentemente, contrariando o sagrado direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório; V a aplicação de multa no caso em comento é indevida, porquanto indevida também o é a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa, da qual decorre. E isso é facilmente verificável, a par das erronias encontradas no processo administrativo que decidiu a questão; a declaração de inaptidão do CNPJ da Impugnante fundase na premissa de que a empresa em questão não teria comprovado a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, bem assim que não existiria de fato, ante a falta de capacidade operacional e falta de patrimônio; não observou a julgadora [se refere à Inspetora da Alfândega do Porto de Recife, autoridade administrativa que declarou a inaptidão] que a empresa comprovou, ao longo desses nove meses de investigação, o seu real funcionamento, fornecendo todos os documentos que lhe foram solicitados e, inclusive, justificando o retardamento na entrega, quando ocorrido. Por outro lado, abriu espontaneamente o seu sigilo bancário fornecendo cópias dos seus extratos de conta corrente para comprovar que se utilizou de uma factoring e de adiantamento de clientes para obter os recursos necessários à importação. Logo, restou demonstrada a origem e a disponibilidade dos recursos utilizados nas importações; a Recorrente ostenta contrato de administração financeira com a Valor Factoring (conforme documentação entregue) e fez da mesma forma a entrega da listagem de seus clientes; O alegado baixo consumo de energia da empresa de modo algum caracteriza a incapacidade operacional da empresa, Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 posto que ficou mais do que comprovado que os serviços são terceirizados e não são desenvolvidos na sede da impugnante; outro equívoco grosseiro diz respeito à alegação de que "houve montagem, vez que a cronologia do arquivamento na JUCEPE não teria observado a ordem natural dos fatos", pois os carimbos de registro da JUCEPE comprovam a seqüência normal dos arquivamentos; portanto os "fortes indícios"' em que se baseou a fiscalização para propor a declaração de inaptidão do contribuinte não passam de mera especulação desprovida de razoabilidade. Ao passo em que a conduta da fiscalização agride sobremaneira, entre outros, o princípio administrativo da verdade material. Por essas razões, é que foi pedido o periciamento em todos os documentos fiscais e contábeis da empresa que foi negado sob o fundamento de que não se teria demonstrado a sua finalidade, o que não é verdade, posto que a perícia foi requerida para se comprovar que a empresa existia e existe de fato e de direito; por essas razoes é que a empresa fez impetrar Mandado de Segurança Perante a Justiça Federal, Processado sob o n° 2004.83.00.0127698 para proteger o seu direito líquido e certo de ver apreciado o recurso interposto por uma autoridade superior a que proferiu a decisão e também, para garantir o direito à produção de prova pericial, essencial para o deslinde da questão; a decisão de inaptidão do CNPJ, e a conseqüente pena de perdimento das mercadorias, não pode prosperar, posto tratar se de penalidade demasiadamente gravosa, que só pode ser levada a termo, com provas concretas e inequívocas, do cometimento do fato delituoso e de sua autoria. Isso, atentese, após instaurado um contraditório amplo, inclusive, com a produção da prova pericial requerida. O que está em jogo é a vida de uma empresa, é a paralisação de uma atividade econômica, que traz divisas para o País, que gera empregos e recolhe tributos; a fiscalização aduaneira extrapolou o seu poder de policia. Tenta fazer de "bode expiatório" uma empresa idônea, que existe de fato e de direito e que sempre pagou suas obrigações tributárias em dia, conforme expressam as Certidões Negativas de Débitos, já anexadas, que comprovam não haver evasão fiscal; o que se percebe, na decisão em tela, é um emaranhado de acusações infundadas, baseadas única e exclusivamente na leitura e na interpretação pessoal que o fiscal fez da realidade fática. Isso, sem sequer considerar toda a documentação que a empresa vem enviando ao Fisco, durante esses nove meses de fiscalização; o fato de sua empresa não ostentar uma grande estrutura física e de preferir trabalhar com mão de obra terceirizada, também não são indícios de empresa filtro. Não há impeço na legislação pátria, para tanto. E se não há vedação legal, a empresa tem o direito de administrar o seu negócio do jeito que melhor lhe aprouver; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 289 7 ao contrário, quanto ao administrador público, o seu agir deve ser estritamente pautado na Lei (Princípio da Legalidade) e na impessoalidade, sendolhe defeso qualquer ato de discricionariedade, em favor ou contra o administrado, principalmente, quando não tem nenhuma prova do que foi alegado; a Agualupe não pode responder ou ser responsabilizada por quaisquer irregularidades, acaso cometidas pelas empresas elencadas no decísum; a pena de perdimento imputada à defendente, somente tem aplicabilidade nos casos em que há dano ao Erário, essa é a dicção do § 1°, do art. 23 do DecretoLei no 1.455/76, com a nova redação da Lei n° 10.637/02. Portanto, o dano efetivo aos cofres públicos é' condição sine qua non, para a aplicação da pena de perdimento, conforme entendimento firmado por nossos tribunais, segundo os julgados que se colaciona; no caso em tela não houve dano ao Erário, não houve falta de recolhimento de impostos ou pagamento a menor. Muito menos, ocultação de mercadorias, ou quaisquer outros artifícios dolosos, com o fim de não se pagar tributo devido ou de burlar a lei tributária, cada operação de importação estava, como de fato está, acobertada com o pagamento dos tributos incidentes e com o pagamento das respectivas taxas de armazenagem, conforme comprovam os documentos entregues à fiscalização aduaneira. Por fim, o impugnante aduz que “Por essas razoes é que o auto de infração, ora impugnado, e a cobrança respectiva não devem prosperar, ante o que se requer desde já a sua anulação ou, alternativamente, a suspensão do processo administrativo até final decisão do judiciário acerca da questão”. Do pedido de diligência Em 24/03/05, foram solicitadas à unidade preparadora medidas saneadoras do processo, por meio do Pedido de Diligência DRJ/FOR n° 128, nos termos ali consignados (fls. 221/222), tendo em vista que o relator então designado, em análise à peça impugnatória, constatou que (...) a assinatura aposta na folha 135, não se consegue identificar a quem a mesma pertence, tampouco se corresponde a um dos outorgados constantes do instrumento procuratório de folha 136. Sob tal assinatura consta unicamente a indicação, do que parece ser a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, ou seja, “OAB/PE: 13.458”. Da mesma forma, não constam no processo quaisquer documentos (RG, etc.) que identifique o signatário. A diligência foi profícua, trazendo aos autos os documentos de fls. 229/233. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Finalizando o relatório, consignese que não há registros de que tenha sido aberto processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Como se vê, tratase o presente processo do Auto de Infração (fls. 02/10), constituído para cobrança da multa prevista no art. 23, inc V, § 3° do DecretoLei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, por meio das Declarações de Importação (DI) n°s 03/00160105 e 03/0067395l, que, sujeitas à pena de perdimento, não foram localizadas ou foram consumidas. No Relatório de Fiscalização (fls. 65/82 do eprocesso), elaborado pela Fiscalização Aduaneira da Alfândega do Porto de Recife, que é parte integrante do presente auto, analisa minuciosamente a documentação apresentada pela AGUALUPE, abordando aspectos relativos à sua existência e ao seu funcionamento, bem como da capacidade econômicofinanceira da empresa e do seus sócios. Traça ainda, um perfil importador desde a sua constituição até a ocorrência das operações de comércio exterior que culminaram com o procedimento em questão. O auto de infração que cominou com a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em razão de prática de interposição fraudulenta em operação de importação, caracterizado de forma presumida, conforme o disposto no art. 23, § 2°, do DL nº 1.455, de 1976. A Recorrente, selecionado para fiscalização nos moldes do procedimento especial previsto na IN SRF nº 228/2002, não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados pela empresa no comércio exterior, conforme restou consignado no processo relativo à Representação Administrativa para Fins de Declaração de Inaptidão no CNPJ PAF nº 10480.0l6975/200228, proposta que foi acatada pela Administração Tributária, conforme cópia em anexo às fls. 88/120. A Recorrente, cientificada da referida decisão da DRJ em 09/06/2010 (fl. 267), apresentou em 09/07/2010 (fl. 275) o presente recurso voluntário de fls. 275/281, com as alegações abaixo sintetizadas: 1) Da inocorrência de Interposição Fraudulenta de Terceiros. a) aduz que, por intermédio de decisão judicial, o recurso referente ao PAF n° 10480016975/200228, em que se apura a suposta interposição fraudulenta de terceiros e o cancelamento do CNPJ da empresa, voltou a tramitar na repartição competente e seguiu para apreciação da autoridade imediatamente superior. Assim, conforme informação obtida no sítio da RFB (Sistema Comprot), nesta data, o processo se encontra em "andamento"; b) que desta forma, tratase, por óbvio, de situação de prejudicialidade que interfere sobremaneira no presente processo, em que se converteu a pena de perdimento em multa pecuniária, posto que a suposta interposição fraudulenta ainda vai ser apreciada em grau de recurso hierárquico. Portanto, a aplicação de multa no caso em comento é indevida, porquanto indevida também é a Declaração de Inaptidão do CNPJ da empresa, da qual decorre; c) ressalta o princípio da presunção de inocência, desdobramento do princípio do devido processo legal, previsto no art. 5°, inciso LVII da CF, que dispõe: “ninguém será considerado culpada até o trânsito em julgada da sentença penal condenatória". 2) Inocorrência de dano ao Erário Público Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 290 9 a) alega que não houve dano ao Erário, posto que foi sobejamente demonstrado no processo que a empresa pagou todos os impostos e taxas incidentes na operação de importação. Não se olvidando que o perdimento de bens tem por finalidade a reparação de eventual dano causado ao Estado pelo contribuinte. Cita Jurisprudência de Tribunais superiores. 3) Não houve comercialização das mercadorias apreendidas e liberadas por decisão judicial a) a decisão parte da premissa equivocada de que as mercadorias teriam sido comercializadas (destinada) como ração para animal. Para chegar a essa conclusão o julgador baseouse apenas no Laudo de Inspeção anexado aos autos. Há erro na premissa adotada, pois é necessário atentar para o fato de que a empresa impetrou Mandado de Segurança para liberar as mercadorias e obviamente comercializálas para fazer face aos seus compromissos. Ocorre que a ordem para liberação só veio a ser cumprida após a data de vencimento das mesmas e, apesar da tentativa de comercializálas no mercado, a empresa não logrou êxito. Não restou alternativa à Recorrente a não ser mandar incinerar as mercadorias; b) dessa forma, a empresa se viu apenada por duas vezes, uma, quando teve suas mercadorias apreendidas e a outra, quando por conta da demora na conclusão do processo administrativo, essas mercadorias perderam a validade para comercialização. 4) Da impossibilidade de conversão automática da pena de perdimento em multa. a) a pena de perdimento decretada em desfavor da Recorrente foi automaticamente convertida em multa, o que também não se admite, sobretudo em razão da vigência da Lei nº 10.833/2003, por intermédio da qual passouse a exigir a formalização de lançamento de oficio (auto de infração) para a cobrança da referida penalidade; b) ocorre que a Lei acima referida, exige que a multa decorrente dessa conversão ocorra mediante lançamento próprio e que o auto de infração seja processado e julgado, com a observância estrita das regras do Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, sem a observância das formalidades instituídas na Lei, o referido Auto de Infração não deve prosperar, razão pela qual a Decisão em tela e a respectiva cobrança devem ser anuladas; c) caso pudesse ser cobrada tal multa, ainda assim, o percentual aplicado deveria ter sido aquele definido no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. Ante ao acima exposto, requer a reforma total da decisão recorrida, julgando se improcedente o auto de infração e a consequente conversão da pena de perdimento em multa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Da admissibilidade do recurso Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 A Recorrente foi intimada da Decisão recorrida em 10/06/2010 (fls. 267), interpondo recurso tempestivo em 09/07/2010 (fls. 275). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode e deve ser conhecido. I) Preliminar processos judiciais Verificase que existem dois processos judiciais vinculados aos fatos tratados no presente Auto de Infração, quais sejam, o nº 2002.05.00.0323419 (processo originário 2002.83.00.0190247, fls. 38/44) e o n° 2004.83.00.0127698 (fls. 174/195). Desta forma, considerando o teor do Parecer Normativo Cosit, da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB n° 07, de 22 de agosto de 2014, uma questão preliminar a ser enfrentada diz respeito à verificação da ocorrência ou não de renúncia parcial ou total às instâncias administrativas. Então vamos aos objetos dos respectivos processos judiciais. Consta que o primeiro processo judicial se refere a Mandado de Segurança ajuizado com o fim de garantir “o direito liquido e certo ao desembaraço aduaneiro de bens legalmente importados”. O objeto, portanto, é diferente do que aqui se analisa, conforme pode ser verificado nos documentos de fls. 38/44. Por outro giro, no segundo processo judicial, a empresa, inconformada com a decisão administrativa que declarou a Inaptidão do CNPJ, pretende garantir com o Mandado de Segurança, o que considera ser seu direito liquido e certo, de ver o seu recurso apreciado por uma autoridade competente e superior a que praticou o ato, como também o de produzir as provas que se fizerem necessárias para o deslinde da questão, sobretudo, periciais, oportunidade que lhe foi negada no curso do processo administrativo n° 10480.016975/2002 28. Confirase a petição de fls. 174/195. Desta forma concluise que não há identidade de objetos entre os dois processos judiciais acima e, portanto, este processo de Auto de Infração, deve seguir o seu curso normal de julgamento neste CARF. Ressaltese ainda que, tal matéria também será tratada quando da análise da questão do mérito. II – Quanto ao Mérito 1) Da Interposição Fraudulenta de Terceiros. a) Do processo de inaptidão do CNPJ A Recorrente alega que, por intermédio de decisão judicial, o recurso referente ao PAF n° 10480016975/200228 (que trata da Inaptidão do CNPJ da empresa), voltou a tramitar na repartição competente e seguiu para apreciação da autoridade imediatamente superior. Ressalta que conforme informação obtida no sítio da RFB (sistema Comprot), o processo ainda se encontra em andamento e portanto, tratarseia, por óbvio, de situação de prejudicialidade que interferiria sobremaneira no presente processo, alegando o princípio do devido processo legal, previsto no art. 5°, inciso LVII da CF, que assim dispõe: “ninguém será considerado culpada até o trânsito em julgada da sentença penal condenatória". Fl. 295DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 291 11 Pois bem. Em primeiro plano, releva dizer que o procedimento fiscal previsto na IN SRF n° 228, de 2002, não tem os contornos de um processo fiscal, uma vez que é fase inquisitória e precedente a possível lavratura de auto de infração e/ou declaração de inaptidão de CNPJ, estes dois atos administrativos sim, diversos e autônomos, cada qual possibilitando a existência de um processo administrativo stricto sensu, na medida em que contêm sanções, e como tal, devem seguir ritos próprios, que observem os postulados do contraditório e da ampla defesa. Quanto às questões abordadas sobre a declaração de inaptidão do CNPJ da empresa, não cabe a este Conselho (CARF) manifestarse, uma vez que não existe tal competência determinada pelo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Entretanto, cumpre, apenas como medida de boa ordem, transcrever o que preceitua o art. 11 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 228/2002: "Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: 1 ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2a do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ)." Sobre o dispositivo reproduzido, duas observações são necessárias. Primeira: "concluído" o procedimento "aplicarseá" a pena de perdimento nas hipóteses citadas (incisos I e II). Isto quer dizer que aplicação do perdimento (e a sua eventual conversão em multa, na hipótese de mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida) prescinde de qualquer outro ato além da conclusão do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, instituído pela IN SRF nº 228/2002. Segunda: será instaurado "ainda", também, o procedimento com vistas à inaptidão da inscrição da empresa no CNPJ (à época dos fatos, nos termos dos art. 37 a 39, da IN SRF n° 200, de 13 de setembro de 2002). A expressão "ainda" não está ali por acaso. Ela significa que, além do processo de perdimento, será promovido igualmente o processo de Inaptidão. Logo, o processo de inaptidão é paralelo ao processo de perdimento e não fundamento deste último. Resumindo, os processos de Perdimento e de Declaração de Inaptidão do CNPJ têm uma origem comum, qual seja o procedimento especial no qual se constata a Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 ocultação do verdadeiro responsável pelas operações ou a interposição fraudulenta, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, todavia são autônomos entre si. Enfim, o término do processo de inaptidão não é pressuposto para o início do processo de perdimento. Um independe do outro. Descabida, portanto, a pretensão de condicionar a caracterização da infração à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. Assim, a análise da questão do mérito nestes autos, deve restringirse à aplicação da multa por conversão do perdimento (face à impossibilidade de localização das mercadorias importadas) e, consequentemente, às argumentações da Recorrente diretamente relacionadas ao objeto destes autos. b) Da interposição fraudulenta Como pode se ver, a autuação foi lastreada na aplicação da presunção prevista no art. 23, inc. V, § 2°, do DL 1.455/76 que preceitua: “Presumese interposição na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. Verificase, no curso da ação fiscal, o conteúdo do minucioso Relatório Final de Fiscalização (fls. 65/82), peça pertencente originalmente ao PAF nº 10480.016975/200228, que se encontra anexada a estes autos e que integra o presente Auto de Infração, onde ficou caracterizada, inequivocamente, a inexistência de fato da empresa, pois foi constatada a ausência de patrimônio e a sua total incapacidade operacional para a realização do seu objeto, sendo que, na verdade, o que ocorria era a cessão de seu nome a terceiros para a realização das operações, o que formou a convicção do Fisco para o lançamento da multa em comento. Se, por um lado, a inexistência de fato da empresa ficou plenamente caracterizada, por outro, a Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem disponibilidade, ou se fosse o caso, a transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, fato que, por si só, permissivo da aplicação da presunção legal utilizada na autuação. Voltando os olhos para a questão central deste contencioso, que vem a ser a existência, ou não, da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, imputada pela fiscalização à recorrente, mediante a colação de provas que sustentam a presunção legal estatuída no art. 23 do DL n° 1.455/76, notase que a recorrente, em momento algum das suas peças de defesa, conseguiu, com os documentos que apresentou, demonstrar sequer a integralização de seu capital social, apresentando informações contraditórias sobre a origem e o momento dessa integralização, conforme pode ser observado no já referenciado Relatório Final de Fiscalização às fls. 79/80. Na mesma toada, não explicou o fato de que, sem a mínima estrutura física e com capital social de apenas R$ 50.000,00, realizou transações comerciais internacionais, no período de novembro de 2001 a janeiro de 2003 (apenas quinze meses) de R$ 1.764.233,00 (num volume base CFR, ou seja, considerando apenas o custo e o frete das mercadorias importadas, abstraindose dos custos associados ao manuseio e armazenagem portuários e transporte interno das mesmas). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 292 13 Procurando justificar a origem dos recursos, explica que as transações comerciais efetuado pela recorrente, onde alega, conforme declaração, que se utilizou de uma Factoring e de adiantamentos de clientes para obter os recursos necessários à importação. A empresa de Factoring a que ele se refere, é a Valor Factoring Fomento Mercantil S/A, CNPJ nº 03.449.218/000116, que, do mesmo modo que a AGUALUPE e outras identificadas pela fiscalização, pertence a um grupo de fato dirigido pelo Sr. Luiz de França Miranda Cunha Filho, CPF n° 103.606.38449 (fl. 73). Vejase os seguintes trechos extraídos das fls. 79/80, do Relatório do Fisco: “(...) Os recursos para pagamento dos contratos de câmbio associados às três primeiras importações de Agualupe foram registrados em sua contabilidade como provenientes de empréstimos obtidos junto à Valor Factoring (...). Uma análise mais detalhada dos elementos documentais obtidos pela fiscalização levanos à conclusão que Valor Factoring não possui existência material própria, existindo apenas formalmente e integrando o grupo de empresas que se interpõem à pessoa do Sr. Luiz de França. Valor Factoring é, formalmente, uma sociedade anônima, cuja participação social resumese a duas pessoas: Valéria Maria Maranhão Cunha (irmã do sr. Luiz de França), com 1 % e Cruz de Malta Serviços Ltda ME, com 99% (Dossiê RADAR, fls. 170/172)” (...). É cediço que empresas de fomento mercantil (Factoring), por não possuírem natureza de instituição financeiras, não podem atuar concedendo empréstimos pecuniários a terceiros. E, reforçando o acima exposto, vejase trecho extraído do Acórdão recorrido às fl. 263: (...) O interessado também não trouxe aos autos provas dos alegados adiantamentos de clientes. E mesmo que o tivesse feito, convém ressaltar que por força do art. 27, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 “a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n” 2.15835, de 24 de agosto de 2001”. Assim, as operações efetivadas com recursos de terceiros não podem ser ditas como "próprias", como foram formalmente declaradas à RFB as que aqui se analisa. O fato é que a recorrente tinha duas formas para importar suas mercadorias: por conta e ordem de terceiros ou por sua própria conta e risco, sendo que a sua opção foi pela segunda forma, e nesse contexto devia fazêlo com seus próprios recursos, sob pena de operar às margens da legislação aplicável. Com as presunções legais insertas no art. 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, basta a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações para que o fisco caracterize a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior. E foi exatamente isso que aconteceu, ou seja, o fisco instaurou procedimento especial na recorrente e lastreou sua imputação em fatos que comprovam a carência de recursos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 próprios da recorrente para operar. Infelizmente, até o momento a recorrente não conseguiu fazer prova em contrário; ao contrário, praticamente confessou a falta de origem de recursos, ao reconhecer que as operações só eram possíveis com os recursos de outra pessoa jurídica, e notese que mesmo os terceiros, nas importações por conta e ordem de terceiro, precisam comprovar a origem dos seus recursos. Assim é que alegar o recebimento de adiantamentos de clientes não é comprovar origem de recursos econômicofinanceiros. Constatase, desse modo, que a Recorrente não consegue comprovar a origem dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior, consubstanciadas através das Declarações de Importação. Portanto, devese ser mantida a caracterização da interposição fraudulenta por presunção, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sendo lícita a cominação da pena substitutiva do perdimento, nos termos do § 3º, face à impossibilidade de localização das mercadorias importadas. 2) Do dano ao Erário Público A recorrente aduz que não houve dano ao Erário, posto que foi sobejamente demonstrado no processo que a empresa pagou todos os impostos e taxas incidentes na operação de importação. Não podemos esquecer que o perdimento de bens tem por finalidade a reparação de eventual dano causado ao Estado pelo contribuinte. Não é por outro motivo que na legislação infraconstitucional (art. 23 do Decretolei nº 1.455/76), especialmente em seu parágrafo primeiro, consta expressamente a previsão da aplicação de pena de perdimento, quando das infrações tipificadas nos incisos, resulte dano ao erário público. De acordo com o art. 23, V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, na redação da Lei nº 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” A caracterização do dano ao Erário, decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial, quando fez vir a mercadoria do exterior, é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 293 15 de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificados na Lei nº 9.613/1998. Além disso, ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, a ocultação proporciona a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando a evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação: “Art. 23. [...] § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” Com base nesse dispositivo, alguns julgados do CARF têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida. Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, a multa substitutiva ao importador ostensivo. 3) Da comercialização das mercadorias liberadas por decisão judicial Alega a Recorrente que a decisão parte da premissa equivocada de que as mercadorias teriam sido comercializadas como ração de animal. Para chegar a essa conclusão o julgador baseouse apenas no Laudo de Inspeção anexado aos autos. Há erro na premissa adotada, pois é necessário atentar para o fato de que a empresa impetrou Mandado de Segurança para liberar as mercadorias e obviamente comercializálas para fazer face aos seus compromissos. Ocorre que a ordem para liberação só veio a ser cumprida após a data de Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 vencimento das mesmas e, apesar da tentativa de comercializálas no mercado, a empresa não logrou êxito. Não restou alternativa à Recorrente a não ser mandar incinerar as mercadorias. Dessa forma, a empresa se viu apenada por duas vezes, uma, quando teve suas mercadorias apreendidas e a outra, quando por conta da demora na conclusão do processo administrativo, essas mercadorias perderam a validade para comercialização. Primeiramente, esclareçase que as mercadorias em questão, se tratam de farinha de trigo e que se diga que os referidos laudos de inspeção do Ministério da Agricultura, anexados nas fls. 155/159, se referem somente a 45.000 kg da mercadoria, de um total de 112.500 kg importados por meio da DI nº 03/00673951. No texto legal, § 3º, do art. 23 do DL nº 1.455/76, temos que: § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” (grifamos). Verificase no referido Laudo do MA, que a farinha de trigo fosse usada como componente de ração animal, “alternativa viável e evitando possibilidades de danos humanos através da ingestão do mencionado produto”. Observese, ademais, que em resposta ao Termo de Intimação n° 47/2003 de fl. 40, por meio do qual o interessado era intimado a apresentar as mercadorias importadas, ele afirmou que as havia comercializado, sem nenhuma ressalva. Vejase o trecho abaixo retirado da fl. 43: 4. O que diz, o Exmo. Desembargador, em seu decisum é que a decisão não obstaculiza a regular fiscalização por parte do Fisco.Contudo, em momento algum, se vê, na decisão, qualquer determinação no sentido de que a empresa não poderia dispor de suas mercadorias regularmente importadas. Fosse assim, a liminar não teria razão de ser, posto que o pedido de liberação se deu justamente para que a empresa pudesse comercializar as suas mercadorias antes de vencido o prazo de validade das mesmas. 5. Dessa feita, resta claro que a empresa agiu conforme determinação judicial, comercializando as mercadorias importadas referidas nas D1s e que foram objeto de concessão de liminar nos autos do Agravo de Instrumento 47092PE. Embora a Recorrente alegue que a ordem para liberação só veio a ser cumprida após a data de vencimento das mesmas e, apesar da tentativa de comercializálas no mercado, a empresa não logrou êxito e com isso não restou alternativa à Recorrente a não ser mandar incinerar as mercadorias, percebase que a Recorrente, não apresentou provas aos autos de que o produto não tenha sido consumido ou comercializado. A imprestabilidade para consumo humano não significa que ele não tenha sido utilizado nos fins propostos pelo Ministério da Agricultura (venda para consumo animal). Desse modo, não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, tendo em vista que a mesma não foi apresentada mesmo após intimação específica neste sentido (Termo de Intimação nº 47/2003 fl. 40), nem foi indicado para quem a mesma teria sido revendida. Porém às fl. 48, no item 5 da resposta ao referido Termo, confirma que comercializou as mercadorias: “(...) “5. Dessa feita, resta claro que a empresa Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11968.000284/200464 Acórdão n.º 3402002.952 S3C4T2 Fl. 294 17 agiu conforme determinação judicial, comercializando as mercadorias importadas referidas nas Dls e que foram objeto de concessão de liminar nos autos do Agravo de Instrumento 47092 PE”. Agindo desta forma, o importador está sujeito à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme prescrito no DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º. 4) Da conversão automática da pena de perdimento em multa. A recorrente argumenta em seu recurso que a pena de perdimento decretada em seu favor foi automaticamente convertida em multa, o que também não se admite, sobretudo em razão da vigência da Lei nº 10.833/2003, por intermédio da qual passouse a exigir a formalização de lançamento de oficio próprio (auto de infração) para a cobrança da referida penalidade, e que seja processado e julgado, com a observância estrita das regras do Decreto nº 70.235/72. E, caso pudesse ser cobrada tal multa, ainda assim, o percentual aplicado deveria ter sido aquele definido no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, face a retroatividade benigna. Não assiste razão a Recorrente, pois a penalidade foi aplicada mediante a lavratura do Auto de Infração que se discute nesses autos. O Auto de Infração foi lavrado em observância estrita das regras do Decreto nº 70.235/72 e no presente caso, notase que não houve a desconsideração dos documentos que demonstrariam a alegada capacidade econômicofinanceira do Recorrente. Estes foram adequadamente examinados. Porém, a decisão recorrida concluiu que os mesmos seriam insuficientes para infirmar a fundamentação do auto de infração. Ao decidir nesse sentido, expondo as razões de seu convencimento, o acórdão recorrido atendeu à exigência de fundamentação, ainda que o julgamento tenha sido contrário à pretensão da Recorrente. Quanto a aludida aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, face retroatividade benigna, em razão da diversidade de objetividade jurídica das infrações, ao contrário do que foi alegado pela Recorrente, não afastaria a possibilidade da cominação cumulativa da multa substitutiva. A objetividade jurídica dos preceitos é completamente distinta. A multa do art. 33 da citada Lei, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afastaria a caracterização do bisinidem. Se fosse o caso de vigência da referida Lei à época dos fatos, as multas, por conseguinte, deveriam ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do DecretoLei nº 37/66, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida. Ambas, portanto, aplicarseiam cumulativamente, consoante interpretação igualmente adotada no seguinte julgado da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado.” (Acórdão nº 310200.662 3ª S. 1ª C. 2ª TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. 24/05/2010). Conclusão Pelo todo exposto, votase, assim, pelo conhecimento do recurso voluntário e pelo seu integral desprovimento, mantendose integralmente o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 303DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 22/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10932.720190/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
MULTA QUALIFICADA.
Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42, I, do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recurso de ofício e NÃO CONHECER o recurso voluntário em razão de intempestividade.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. MULTA QUALIFICADA. Descabe a exasperação da penalidade na situação em que não foram aportados aos autos elementos capazes de criar a convicção de que os tributos que deixaram de ser recolhidos à Fazenda Pública decorreram de conduta dolosa por parte do fiscalizado. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42, I, do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 90 /2 01 3- 41 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 304 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recurso de ofício e NÃO CONHECER o recurso voluntário em razão de intempestividade. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 305 3 Relatório BOIANAIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. A citada 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, por sua vez, tendo exonerado a contribuinte de parte do crédito tributário constituído, recorre de ofício com lastro na disposições da Portaria MF nº 03, de 2008. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anos calendário de 2007 e 2008, formalizadas a partir do arbitramento do lucro. Na autuação, foi aplicada multa qualificada de 150%. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 88/102), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que o processo de exigência do IPI (10932.720191/201395) resultou da mesma infração que deu origem ao presente processo, motivo pelo qual deveria ser feito o seu apensamento a este processo para julgamento simultâneo; que deveria ser declarada a nulidade dos autos de infração, em razão da decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário com relação ao ano calendário de 2007 e aos três primeiros trimestres de 2008, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN); que teria havido cerceamento do direito de defesa; que encontrase em Recuperação Judicial desde 1999, razão pela qual os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao período fiscalizado estão constantemente sob verificação de diversos órgãos públicos ou credores, o que impossibilitou que fossem colocados à disposição do Fisco; que, quando intimado, solicitou prorrogação do prazo por mais quinze dias para apresentação da documentação solicitada e esse pedido foi negado; que seria incabível o arbitramento; que estava anexando um CD contendo o Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas de mercadorias, Apuração de IPI e Inventário referentes a 2007 e 2008; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 306 4 que estaria disponibilizando os mesmos livros em papel, juntamente com os documentos contábeis e fiscais que dão suporte a eles; que a multa de 150% foi aplicada sob o fundamento de que estaria caracterizada a fraude na escrituração contábil, mas que tal argumentação não poderia prosperar, pois a fraude precisa ser comprovada nos autos, o que não ocorreu no presente caso; que a autoridade tributária apenas identificou a falta de apresentação da documentação solicitada, o que poderia ser sanado com a concessão da prorrogação de prazo solicitada; que não houve recusa na apresentação da documentação solicitada em virtude de estar em recuperação judicial; que protestava por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, bem assim pela realização de diligências que poderiam comprovar a existência dos registros contábeis e fiscais e da documentação que dá suporte aos lançamentos contábeis. A referida 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1451.478, de 26 de junho de 2014, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação da escrituração à autoridade fiscal autoriza o arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. A eventual posterior disponibilidade da documentação, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 307 5 DECADÊNCIA. IRPJ. PIS. COFINS. CSLL O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Reduzse a multa de ofício para 75%, quando ausentes as hipóteses ensejadoras de sua qualificação. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 267/281, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 308 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anos calendário de 2007 e 2008, formalizadas a partir do arbitramento do lucro, tendo sido aplicada multa qualificada de 150%. A autoridade julgadora de primeira instância, exonerando o sujeito passivo de crédito tributário superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, recorreu de ofício. Conheço do recurso necessário, eis que atendidos os requisitos para a sua admissibilidade. As matérias objeto do recurso de ofício são as seguintes: i) extinção, por decadência, dos lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2007; ii) extinção, por decadência, dos lançamentos relativos ao PIS e à COFINS do período de 01/01/2007 até 30/11/2007; iii) redução da penalidade aplicada de 150% para 75%. No que diz respeito à caducidade do direito de o Fisco promover o lançamento tributário, relativamente ao IRPJ e CSLL dos três primeiros trimestres de 2007, e do PIS e COFINS, dos fatos geradores ocorridos até novembro de 2007, verifico que a contagem do prazo correspondente, muito embora estejamos diante tributos e contribuições submetidos ao denominado lançamento por homologação (art. 150 do Código Tributário Nacional), tomou por base as disposições do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. A questão da aplicação das disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional frente a pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça e às regras regimentais em vigor, foram brilhantemente enfrentadas pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha, motivo pelo qual peço licença para reproduzir o pronunciamento do citado Conselheiro. [...] A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 309 7 faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 310 8 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 311 9 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Embora entenda que a aplicação das disposições estabelecidas pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional esteja condicionada à realização da atividade ali prevista, sendo ela o objeto da homologação e não o pagamento, em virtude do comando regimental, curvome ao entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça nos julgados antes transcritos. Nessa linha, cabe averiguar se encontramse presentes elementos autorizadores da aplicação, para fins de decadência, das disposições do já citado parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Assegura a autoridade julgadora de primeira instância que, relativamente ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS, a contribuinte autuada não promoveu recolhimentos. Inaplicável, pois, as disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, haja vista o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça. Assim, considerando que os lançamentos tributários foram efetivados em 27 de dezembro de 2013, conforme registros às fls. 45, 65, 74 e 82, de fato, no que diz respeito aos fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2007, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, a autoridade autuante não dispunha mais do direito para constituir os créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL, vez que neste caso a data limite para tal era 31 de dezembro de 2012. No que tange ao PIS e à COFINS, de igual forma, os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2007, observado o disposto no já citado inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, também teve como data limite o dia 31 de dezembro de 2008. Portanto, correta a decisão de primeira instância ao exonerar a autuada dos créditos tributários correspondentes aos fatos geradores de IRPJ e CSLL dos três primeiros trimestres de 2007,e do PIS e da COFINS ocorridos até 30 de novembro de 2007. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 312 10 Quanto à redução da multa qualificada, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/15 limitase a registrar: Em decorrência da falta de apresentação de Livros e documentos contábeis e fiscais que foram intimados e reintimados durante a ação fiscal, efetuamos o arbitramento do lucro e lavramos Autos de Infração de IRPJ e Reflexos de CSLL, PIS, COFINS e IPI, com o agravamento da multa, conforme enquadramento legal detalhado nos Autos de Infração e Demonstrativos Anexos. A decisão de primeiro grau, por sua vez, consigna: A contribuinte alega que a multa aplicada é incabível, pois não ficou comprovada a ocorrência de fraude. A aplicação da referida multa teve como fundamento o art. 44, I, e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Dispõe referido artigo: ... Como se percebe, para aplicação dessa multa é indispensável comprovar tratarse de casos de intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: ... Verificase que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública. No presente caso, o fisco aplicou a multa de 150% pela falta de apresentação de documentos e livros contábeis e fiscais. Essa conduta não se enquadra nas hipóteses prescritas nos artigos transcritos. Não vislumbro a ocorrência da ação deliberada para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou para impedir a ocorrência do fato gerador ou ainda para modificarlhe as características essenciais. Registrese que citada conduta foi motivo do arbitramento do lucro da empresa e a contribuinte não pode ser penalizada com agravamento da penalidade exatamente porque materializou o fundamento da exação. Dessa forma, há que se enquadrar a multa de ofício no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007), que prevê o percentual base de 75%. Irretocável o pronunciamento feito em primeira instância, eis que ausente, nas peças acusatórias, indício de qualquer natureza capaz de caracterizar como dolosa a conduta adotada pela fiscalizada. À evidência, como bem ressalta o ato decisório de primeiro grau, a falta de apresentação da escrituração não pode, por si só, servir de fundamento para a exasperação da penalidade. Nego, pois, provimento ao recurso de ofício. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10932.720190/201341 Acórdão n.º 1301001.884 S1C3T1 Fl. 313 11 Relativamente ao RECURSO VOLUNTÁRIO, o despacho de encaminhamento do presente processo a esta instância julgadora assinala que ele foi protocolado fora do prazo legal, ou seja, é intempetivo. De fato, a Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo encaminhou intimação à contribuinte para fins de ciência da citada decisão (fls. 263), e, de acordo com o aviso de recebimento de fls. 264, tal fato (a ciência) ocorreu em 10 de julho de 2014, uma quintafeira. O Recurso Voluntário, todavia, foi protocolado neste Conselho Administrativo em 12 de agosto de 2014, uma terçafeira, quando a data limite era o dia 11 de agosto de 2014, segundafeira. Consoante as disposições constantes do Decreto nº 70.235, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... Diante do exposto, deixo de conhecer o recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo previsto na lei processual. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e NÃO CONHECER o recurso voluntário, em face da sua intempestividade. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10580.729951/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ACIDENTES DE SERVIÇO E MOLÉSTIA.
Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os rendimentos oriundos dos proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e fibrose cística (mucoviscidose).
A concessão das isenções só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
No presente caos, a documentação refere-se a data posterior do que se está exigindo, motivo da negativa do provimento do recurso.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ACIDENTES DE SERVIÇO E MOLÉSTIA. Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os rendimentos oriundos dos proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e fibrose cística (mucoviscidose). A concessão das isenções só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caos, a documentação referese a data posterior do que se está exigindo, motivo da negativa do provimento do recurso. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 99 51 /2 01 3- 67 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.729951/201367 Acórdão n.º 2402004.993 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. PLEITO DE ISENÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE PROVENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA CONTRAÍDA EM ANO CALENDÁRIO POSTERIOR AO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE DE ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, com base na existência de moléstia grave, só poderá ser concedida em função da comprovação da emissão de laudo pericial por parte do serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e/ou dos Municípios, reconhecendo ser o beneficiário dos proventos portador de moléstia grave prevista na legislação vigente à época da percepção desses proventos. Uma vez que o laudo médico pericial constante dos autos reconheceu a moléstia grave do contribuinte a partir de 13/01/2.012, data essa relativa ao ano calendário 2.012, posterior ao ano calendário 2.010, correspondente à declaração de ajuste anual em análise, fica prejudicado o pleito de isenção de tributação dos proventos de aposentadoria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os julgadores da Décima Sétima Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, em JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), como bem relatado na decisão a quo: "O lançamento em foco apurou omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$ Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 56.973,50 (fls. 10, 13, 19 e 20), calculando, ao final, imposto suplementar de R$ 10.329,14, multa de ofício de R$ 7.746,85 e juros de mora de R$ 2.308,56, calculados até 31/10/2.013." Salienta a fiscalização: "Não foi apresentado Laudo emitido por serviÇo médico oficial, para comprovação da condição de portador de moléstia grave. Não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, com ciÊncia em 23/08/2013. Fonte Pagadora: FUNDACAO PETROS: Rendimento Tributável R$62.196,64 () Previd Petros R$4.614,54 () Despesas Médicas conf DIMED R$608,60 (=) Vl a declarar R$56.973,50." Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que a configuram. Em 11/10/2013 foi dada ciência ao recorrente do lançamento. Contra o lançamento, em 22/10/2013, 0 recorrente apresentou impugnação, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: "Na impugnação apresentada em 22/10/2.013, às fls. 3 e 4, o contribuinte requer a improcedência da cobrança do crédito tributário em tela, alegando, em síntese, que os rendimentos de R$ 56.973,50 são isentos de tributação porque os documentos enviados à Receita Federal comprovam ser ele, Impugnante, portador de câncer de próstata e cardiopatia grave e ter 75 anos de idade, tendo sido requerido ao INSS o Laudo Pericial conforme documentação em anexo. Afirma, ainda, que os rendimentos considerados omitidos correspondem a aplicação em CDB e sofrem tributação exclusiva na fonte. Para comprovar suas alegações e embasar seu pleito, anexa os documentos de fls. 1, 5 e 6." A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 20/03/2014, o recorrente foi cientificada da decisão. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 22/03/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Todos rendimentos foram declarados, tanto oriundos de CDB, quanto os de aposentadoria; 2. É sabido que os rendimentos de aposentadoria são isentos para os portadores de moléstias graves, ou então os maiores de 65 anos; 3. Desde 2010 o recorrente já fazia tratamento contra o câncer de próstata; 4. O exame realizado em 01/2012 apenas confirmou a doença, já detectada em exames sanguíneos; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.729951/201367 Acórdão n.º 2402004.993 S2C4T2 Fl. 4 5 5. Por isso, pede aos julgadores para terem a lógica razoável para entender que em 2010 o recorrente já possuía a doença; 6. Pede a não aplicação de multas; 7. Termina solicitando a procedência dos pedidos formulados. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o litígio referese a data em que o portador de moléstia grave começa a usufruir da isenção. Como é cediço, a Administração Tributária segue regras, oriundas da legislação, que definem a questão. Lei nº 9.250/1.995 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” ... Instrução Normativa SRF nº 25/1.996: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: ... XII os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e fibrose cística (mucoviscidose); ... § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.729951/201367 Acórdão n.º 2402004.993 S2C4T2 Fl. 5 7 a) do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma. Destaquese que o Atestado Médico, o Exame Anatomopatológico e o Laudo Médico Pericial emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social são de 18/11/2.013, reconhecendo a moléstia grave do contribuinte (neoplasia maligna) a partir de 13/01/2.012, data essa relativa ao ano calendário 2.012, posterior ao ano calendário 2.010, correspondente à declaração de ajuste anual em análise, ficando prejudicado, destarte, o pleito de isenção de tributação dos proventos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte. Quanto ao argumento de isenção de IRPF a partir dos 65 anos, não há como retificar sua declaração, a não ser por pedido para a autoridade preparadora, delegacia, que analisará as declarações e decidirá se há direito a restituir ao contribuinte Decreto 3000/19999: Art. 39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); Quanto às multas, sua aplicação é determinação legal e não há previsão legal para sua redução. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19515.001912/2003-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO.
Comprovada a origem dos depósitos bancários durante o procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados se encontram fora do campo da incidência do imposto de renda ou que já foram submetidos à tributação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários durante o procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados se encontram fora do campo da incidência do imposto de renda ou que já foram submetidos à tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 12 /2 00 3- 88 Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que sintetiza os fatos até a decisão de primeira instância. Edson Gomes Pereira da Silva, acima identificado, foi autuado (Auto de Infração e demonstrativos às f. 101 a 109), tendo em vista a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada em todos os meses do anocalendário 1998. Pelo mesmo Auto de Infração foram exigidas multas isoladas pelo não recolhimento do “CarnêLeão”, nos mesmos meses. O lançamento resultou em R$ 145.361,36 de imposto, R$ 109.021,02 de multa proporcional (75%), R$ 101.985,53 de juros de mora calculados até 30 de abril de 2003 e R$ 106.793,43 de multas isoladas, totalizando R$ 463.161,34 de crédito tributário. A descrição e o enquadramento quanto à infração, multa e juros constam às f. 104,107 e 108. O procedimento teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal (f. 01). Foi emitido o Termo de Inicio de Fiscalização (f. 03), pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários e declaração de rendimentos, relativos ao ano de 1998. A ciência foi pessoal em 11 de setembro de 2002. Às f. 04 e 05 foi anexada a Declaração de Ajuste Anual Simplificada/ 1999, ano calendário 1998. A resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização consta às f. 10. Foram juntadas aos autos cópias de extratos bancários da conta n. 166775, agência 0622, Banco Itaú S/A (f. 19 a 74). Houve Termo de Reintimação (f. 75) para que fossem apresentados os extratos das demais contas. Também foi emitido Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal (f. 76). A ciência quanto a ambos deuse em 8 de novembro de 2002. Pelo Termo de Ciência e de Solicitação de Esclarecimentos (f. 77 e anexo às f. 78 a 87), o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação da origem dos Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001912/200388 Acórdão n.º 2202003.171 S2C2T2 Fl. 2.183 3 depósitos ocorridos na conta cujos extratos estão juntados aos autos, conforme tabela anexa, cujo montante resultou em R$ 533.495,86. O contribuinte tomou ciência (pessoal) do termo e da tabela em 29 de novembro de 2002. Houve reintimação para o mesmo fim (f. 88). Em 10 de fevereiro de 2003 foi apresentado o requerimento e a declaração de f. 90 e 91. Nestas, ficou consignado que os valores depositados devem ser havidos como mera movimentação financeira, não sendo portanto fato gerador de tributo. Os créditos tiveram origem em empréstimos da própria instituição financeira e entrada de valores de clientes. Deixou de apresentar comprovantes em face do sigilo bancário e profissional. Foram emitidos mais dois termos de prosseguimento de Ação Fiscal (f. 93 e 94), cuja ciência do contribuinte ocorreu em 25 de fevereiro de 2003 e 28 de abril de 2003. Houve a lavratura, então, do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração, cuja ciência pessoal o contribuinte teve ein 26 de maio de 2003 (f. 96 a 109). Em 25 de junho de 2003, foi protocolada a impugnação (f 111 a 116 e anexos às f. 117 a 137), na qual o contribuinte aduz, em apertada síntese, que: a) são reiteradas as considerações anteriores, sendo requerida a análise quanto à quebra do sigilo bancário e profissional; b) em 1998, em torno de R$ 250.000,00 entraram em sua conta a título de empréstimos do Banco Itaú S/A; c) em todos os processos que funciona, paga grande quantidade de valores a título de custeio, e que, do valor entrado, oriundo de acordos judiciais e à vezes de sentenças, deduz de 20% a 30% de honorários advocatícios, isso quando não divide com outros advogados parceiros, pagando o restante aos clientes; d) de 70% a 80% dos valores recebidos são direcionados aos clientes e que os 20% a 30% de honorários são utilizados para manutenção dos processos que geraram tais honorários e de todos os demais que ainda não tiveram resultado, não sendo utilizados como renda consumida, conforme comprovam os extratos do “site” do TJSP, sendo que os da Justiça do Trabalho serão apresentados oportunamente em razão de indisponibilidade momentânea do “site” próprio; e) de fato, os valores da movimentação bancária em 1998 não passou de mera movimentação financeira decorrente de empréstimos e valores de clientes, sem a efetiva constituição de seu montante em renda auferida; f) simples movimentação financeira não é fato gerador de tributo, não implicando a movimentação bancária em obtenção de renda, tendo ocorrido no período, variação patrimonial negativa; g) não houve nenhum gasto incompatível com os valores declarados ou sinais exteriores de riqueza; h) de acordo com a Constituição Federal e a lei, renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, que geram um acréscimo patrimonial, conforme doutrina e jurisprudência colacionadas; i) os conceitos de renda e receita não se confundem. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 O contribuinte requer, ao final, a análise das preliminares argüidas e o cancelamento do imposto arbitrado e das multas correspondentes. A competência para o julgamento foi transferida pela Portaria SRF n. 104/2007, sendo os autos remetidos a esta DRJ/CGE. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE julgou a impugnação procedente em parte, reduzindo a multa isolada para o percentual de 50%. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. É defeso em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade das leis em vigor, cabendo o seu fiel cumprimento. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SIGILO BANCÁRIO E PROFISSIONAL. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n. 105/2001. Não há violação ao sigilo profissional no caso de prestação de informações sobre rendimentos de advogados. PRESUNÇÕES LEGAIS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/96 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como receita omitida, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A comprovação da origem dos créditos bancários há de ser efetuada mediante documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, não bastando a mera alegação desacompanhada de tais provas. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna de lei, exonerase parcialmente a multa isolada lançada. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão em 19/08/2008, por via postal (A.R. à fl. 163), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 17/09/2008 (fls. 165 a 179), no qual apresenta os seguintes argumentos, em resumo: o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários não condiz com o direito interpretado pelos tribunais nem com a súmula 182 do extinto TFR; não basta a simples presunção legal de que os depósitos bancários constituem renda tributável, devendo ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos; durante o ano de 1998, em torno de R$ 250.000,00 foram movimentados a título de empréstimo do Banco Itaú S/A; Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001912/200388 Acórdão n.º 2202003.171 S2C2T2 Fl. 2.184 5 paga grande quantidade de valores a título de custeio, e que, do valor entrado, oriundo de acordos judiciais e à vezes de sentenças, deduz de 20% a 30% de honorários advocatícios, isso quando não divide com outros advogados parceiros, pagando o restante aos clientes; de 70% a 80% dos valores recebidos são direcionados aos clientes e que os 20% a 30% de honorários são utilizados para manutenção dos processos que geraram tais honorários; os valores da movimentação bancária em 1998 não passaram de mera movimentação financeira decorrente de empréstimos e valores de clientes, sem a efetiva constituição de seu montante em renda auferida; não teve nenhum gasto incompatível com os valores declarados e não possui sinais exteriores de riqueza. Anexou ao recurso diversos documentos visando à comprovação de suas alegações, tais como cópias de acordos trabalhistas, recibos dos clientes e relação de entradas e saídas de valores referentes às ações judiciais (fls. 180 a 2.179). Ao final, requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Recorrente alega que a decisão recorrida não acolheu os precedentes desse Conselho que afastam as autuações com base em extratos bancários sem que seja demonstrado o nexo de casualidade entre cada depósito e o fato que o levou a ocorrer, assim como não foram comprovados sinais exteriores de riqueza. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Quanto à alegação do Recorrente de que os depósitos bancários, por si só, não representam rendimentos, pois não caracterizam sinais exteriores de riqueza, não há dúvida de que essa tese já está superada. Essa argumentação não se sustenta desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. Ressaltese que as decisões judiciais colacionadas pelo Recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430/96, com base em leis já revogadas. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001912/200388 Acórdão n.º 2202003.171 S2C2T2 Fl. 2.185 7 O Recorrente afirma que durante o ano de 1998, em torno de R$ 250.000,00 foram movimentados a título de empréstimo do Banco Itaú S/A. No entanto, ele não logrou comprovar a alegação, não tendo apontado quais créditos seria decorrentes desse empréstimo nem apresentado documentos coincidentes em datas e valores que demonstrassem a afirmação. Em relação às verbas de honorários, verificase que o Contribuinte alegou durante a ação fiscal que deixava de apresentar os comprovantes da origem da movimentação bancária em função do sigilo bancário e profissional (fl. 90). Por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, o Recorrente veio com as alegações de que os valores creditados eram decorrentes de acordos judiciais e às vezes de sentenças, sendo deduzidos de 20% a 30% de honorários advocatícios e o restante pago aos seus clientes, tendo apresentado uma grande quantidade de documentos junto ao recurso voluntário. A jurisprudência deste Conselho vem entendendo que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, cabe ao contribuinte identificar a origem dos depósitos bancários. Nessa linha de entendimento, caberia à autoridade fiscal, após a identificação da origem dos depósitos bancários, intimar os depositantes para que estes indicassem a causa ou a razão da transação. A partir daí, se fosse o caso, submeteria os valores creditados às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Após a fase da autuação, sem que houvesse a comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deveria sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se ele comprovasse, inequivocamente, que os depósitos bancários têm origem em fatos que se encontram fora do campo da incidência do imposto de renda ou que já foram submetidos à tributação. A razão desse raciocínio reside na possibilidade de a comprovação da origem somente na fase contenciosa tornar inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, posto que os contribuintes poderiam aguardar a autuação e, por ocasião do contencioso administrativo, afastar a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação, escapando, dessa forma, dos efeitos da reclassificação dos rendimentos, pois, certamente, a decadência já teria fulminado a pretensão de lançamento pelo Fisco. Nesse sentido os seguintes precedentes: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MOMENTO. Comprovada a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberá à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Por outro lado, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis. (Acórdão nº 2801003.840, 1ª Turma Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Especial da 2ª Seção de Julgamento. de 2 de dezembro de 2014. Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida). COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA HIGIDEZ DA OMISSÃO DE. RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS, Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art, 42 da Lei n° 9.4.30/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2', da Lei n" 9,430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. (Acórdão nº 340100.029, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, de 5 de março de 2009. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos). COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008. Rel. Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Redator designado: Giovanni Christian Nunes Campos). No presente caso, observase que o Fiscalizado não apresentou nenhuma comprovação durante a ação fiscal. Muito pelo contrário, alegou sigilo bancário e profissional para não prestar esclarecimentos sobre a origem dos créditos em suas contas bancárias. Essa atitude impossibilitou a Fiscalização de apurar a razão das transações financeiras, restandolhe a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001912/200388 Acórdão n.º 2202003.171 S2C2T2 Fl. 2.186 9 Notese que o Contribuinte apresentou declaração de ajuste anual simplificada (fls. 4/5), na qual declarou apenas R$ 13.500,00 de rendimentos tributáveis, não tendo declarado significativa parte de seus rendimentos, conforme se depreende pelas suas próprias alegações de recurso. Portanto, o Recorrente não comprovou que os créditos bancários tiveram origem em fatos que se encontram fora do campo da incidência do imposto de renda ou que já foram submetidos à tributação. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o Recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10166.728779/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2009
CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração.
NULIDADE - AUTUAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência.
MULTA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.
Como determina a Lei 8.212/1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
Numero da decisão: 2301-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; b) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, por ausência de dolo, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que votou em manter a multa isolada, pela presença do dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira.
Fez sustentação oral: DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEICULOS S/A
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo
Relatora ad hoc na data da formalização
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO (Relator), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2009 CONHECIMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração. NULIDADE - AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Como determina a Lei 8.212/1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; b) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, por ausência de dolo, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que votou em manter a multa isolada, pela presença do dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral: DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEICULOS S/A (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO (Relator), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso voluntário quando a parte, devidamente intimada, deixa de apresentar impugnação ao auto de infração. NULIDADE AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. MULTA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91, incluindo a penalidade. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Como determina a Lei 8.212/1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 79 /2 01 1- 53 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 2 Para a incidência da multa isolada prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/91, há a exigência expressa de que se comprove a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, de sorte que a mera alegação de ilegitimidade da compensação realizada não é suficiente para a subsunção do tipo infracional. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 854 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso voluntário, na questão da glosa de compensação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento ao recurso, devido ao decidido em ação judicial; b) em dar provimento ao recurso, na questão da multa isolada, por ausência de dolo, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, que votou em manter a multa isolada, pela presença do dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Fez sustentação oral: DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEICULOS S/A (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO (Relator), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 4 Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase da lavratura de Autos de Infração nºs 37.359.6693 e 37.359.6707, os quais exigem as contribuições previdenciárias compensadas pela empresa nos períodos de 01/2008 a 12/2008 e 03/2007 a 12/2007. Segundo o relatório fiscal a autuada apresentou Escrituras Públicas que se referem a operações realizadas entre a DISBRAVE e a empresa Servport Serviços, Participações e Administração de Bens Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 07.665.976/000122, por meio de Escrituras Públicas de Cessão de Direitos Creditórios, emitida pelo 4º Tabelionato de Notas de Curitiba. Também foi apresentada Escritura Pública de operação similar realizada entre a DISBRAVE e a empresa Investiplan Agroindustrial, Importação e Exportação, inscrita no CNPJ sob nº 02.843.245/0000106. Nas escrituras firmadas com a empresa Servport Serviços Participações e Administração de Bens Ltda esta declara que é detentora de direitos creditórios junto ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS originários de sentença transitada em julgado nos autos do processo nº 94.00493690, cuja autora é a empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários LTDA. Na escritura pública referente à operação com a INVESTPLAN esta declara que é detentora da quantia de R$ 87.000.000,00 em direitos creditórios adquiridos em 20/09/2006 por meio de Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, também originários do processo nº 94.00493690. A fiscalização acrescenta que não consta, pelo menos nos extratos disponíveis no sítio do Tribunal Regional Federal, referentes aos processos de nº 94.00493690 e de nº 65.2006.4.02.5101, o nome das empresas Servport Serviços Participações e Administração de Bens LTDA e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S.A. como detentoras de direitos creditórios em face da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda. e que, também, a DISBRAVE não apresentou à fiscalização documentos que comprovassem tal situação. A fiscalização, ao reconhecer a existência de grupo econômico, lavrou Termo de Sujeição Passiva entre as empresas que dele compõe dando ciência a todas do citado Termo, bem como das autuações lavradas. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando, em breve síntese, o seguinte: nulidade da autuação por não descrever a infração de forma clara e precisa; a solidariedade não se aplica à multa; à Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda (autora do Fl. 767DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 855 5 processo nº 94.00493690) foi conferido o direito de negociar livremente seus créditos; que a compensação foi legítima; não pode haver multa isolada concomitante à multa de ofício. A DRJ em Brasília manteve integralmente o auto de infração, o que motivou a interposição de recurso voluntário, o qual repisa os argumentos suscitados anteriormente. É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 6 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Conhecimento Conheço do recurso voluntário apresentado pela Distribuidora Brasília de Veículos, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. Não conheço os demais recursos voluntários apresentados, eis que as recorrentes, quando devidamente intimadas da autuação deixaram de apresentar as respectivas impugnações, não se instaurando assim a fase litigiosa do processo administrativo, ex vi do artigo 14 do Decreto 70.235/72. Preliminarmente Segundo consta dos autos a fiscalização glosou os valores compensados em GFIP, haja vista considerar que os créditos apurados pela autuada careciam de liquidez e certeza, circunstâncias essas que estão evidenciadas no Relatório Fiscal. Em suma o presente lançamento apurou o fato tributável dentro do que determina a legislação de regência, identificando o contribuinte e dandolhe plena ciência da infração apurada. O direito à ampla defesa e, ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foram maculados em razão do lançamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ademais, foram cumpridos todos os requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, verbis: “Art. 11. 'A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 769DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 856 7 IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, nó caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10.12.1997)” Diante dessas considerações, rejeito a alegação de nulidade da autuação fiscal. Multa aplicada ao grupo econômico Como visto acima, a fiscalização reconheceu a existência de grupo econômico entre a recorrente e as demais empresas do grupo, quais sejam, Disbrave Combustíveis Ltda., Disbrave Administradora de Bens Imóveis Ltda., Disbrave Serviços Financeiros Ltda.e Disbrave Locadora de Veículos Ltda. A recorrente alega que as demais empresas do grupo, em que pese a solidariedade reconhecida, não poderiam responder pela multa aplicada na autuação. Segundo o relatório fiscal e os fundamentos legais do débito a solidariedade ora fixada tem fundamento no artigo 124, inciso II do CTN, cuja redação é a seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Para o caso concreto a Lei nº 8.212/91, em especial o seu artigo 30 inciso IX, descreve a solidariedade em razão da existência de grupo econômico, verbis: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;” Fl. 770DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 8 De acordo com a legislação a solidariedade implica em responsabilidade por todas as obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91, incluindose, portanto, não somente o valor da contribuição, mas também da penalidade aplicada. Assim, sem razão o recurso nesse aspecto. Mérito As demais alegações recursais confundemse com o mérito propriamente dito, isto é, a existência e validade dos créditos utilizados em GFIP para liquidar, mediante compensação, débitos relativos às contribuições previdenciárias devidas no período apurado pelo Fisco. Extraise desses autos que o crédito utilizado para a compensação decorre de escrituras públicas de cessão de crédito firmadas entre a recorrente e as empresas Servport Serviços e Participações e Administração de Bens Ltda e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S/A, sendo estas as cedentes e a recorrente cessionária. O citado crédito decorreria de ação judicial nº 94.00493690 movida pela empresa Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, na qual se discute a ilegitimidade de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a administradores e avulsos. De plano notase que as cedentes do crédito utilizado nas compensações não figuram no pólo ativo do processo judicial, cujas escrituras públicas apontam como respectiva origem. A recorrente anexa aos autos decisão judicial a qual liberaria a autora (Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda) a negociar livremente os créditos oriundos da decisão judicial. Contudo, não apresentou quaisquer documentos que comprovassem que as cedentes possuíam, de fato, o direito a estes créditos. Ou seja, não há prova nesses autos que comprovem a legitimidade jurídica das empresas Servport Serviços e Participações e Administração de Bens Ltda e Investplan Agroindustrial Importação e Exportação S/A a obtenção prévia desses créditos. Outra questão a ser considerada diz respeito à liquidez e certeza dos créditos. Segundo a sentença transitada em julgado naqueles autos a autora deveria promover a liquidação dos valores por meio de arbitramento. Ademais, no curso do processo dúvidas surgiram acerca da legitimidade do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. em firmar cessões de crédito, tanto que o DD. Juízo em que trâmite a ação judicial aqui em comento determinou a suspensão dos autos até que essa questão fosse definida, haja vista que pendia disputa judicial sobre os poderes do representante. Resolvida a questão acerca do representante legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda, foi proferida a seguinte decisão judicial: BOLETIM: 2013000056 (Página 90, Diário Eletrônico da JFRJ. TRF2 de 07/02/2013) FICAM INTIMADAS AS PARTES E SEUS ADVOGADOS DAS SENTENÇAS/DECISÕES/DESPACHOS NOS AUTOS ABAIXO RELACIONADOS PROFERIDOS PELO MM. JUIZ FEDERAL ALFREDO DE ALMEIDA LOPES 1001 ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA Fl. 771DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 857 9 1 000874065.2006.4.02.5101 (2006.51.01.0087400) SERVPORT SERVICOS MARITIMOS E PORTUARIOS LTDA (ADVOGADO: FABIOLA CARVALHO FERREIRA BORGES.) x UNIAO FEDERAL (ADVOGADO: SERGIO MAURICIO DA BOAMORTE. PROCDOR: MARCOS DA SILVA COUTO.) 1)Fls.1288/1292. Conforme acórdão proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nos autos das apelações cíveis nº 2008.001.45473 2008.001.45442, 2008.001.45413 e 45460, ( fls.7219/7236 do Proc. nº 94.00493690), que deverão ser trasladadas para estes autos, restou decidido que o legítimo representante da Autora, Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda é o Sr. Haylton Bassini. Portanto, mister se faz que a parte Autora indique objetivamente quais as cessões que não foram firmadas pelos legítimos proprietários apontando em quais folhas as mesmas se encontram juntadas. Atendido, procedase ao desentranhamento das mesmas juntandose por linha para posterior devolução aos cessionários, mediante recibo nos autos. Quanto às cessões que foram firmadas pelos legítimos representantes da empresa, deverão também ser desentranhadas e apensadas por linha em volume em como já determinado às fls. 372, para evitar tumulto processual. 2)Conforme se depreende do título judicial a liquidação deverá ser feita na modalidade de arbitramento, razão pela qual, não se tendo até o momento elementos que comprovem que a Autora é detentora de créditos a compensar perante o Fisco, não há que se cogitar em convalidar ou ratificar as operações de cessões. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 1300/1301 informa que a empresa autora já não detinha mais crédito junto ao INSS desde 01/03/2000. (fonte: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/50681772/trf2judjfrj070220 13pg90/pdfView, em 10/07/2013, às 10:45) Duas importantes informações extraemse da decisão judicial: i) houve cessões de crédito firmadas entre a autora Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda e outras empresas por quem não detinha poderes para representála; ii) até a data da decisão supra (10/07/2013) não havia nos autos elementos que comprovavam que a Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda detinha créditos a compensar com o Fisco; e iii) A Procuradoria da Fazenda Nacional informava que não havia mais crédito desde 01/03/2000. Todos esses elementos comprometem a liquidez e certeza dos créditos inseridos em GFIP pela recorrente, haja vista que está em xeque a sua existência inclusive em relação à parte que moveu originariamente a ação judicial 94.00493690, quanto mais, segundo a decisão judicial acima, a validade das cessões de créditos efetuadas, eis que verificouse a inexistência de poderes de representação legal da Servport Serviços Marítimos e Portuários Ltda. Multa Por fim a recorrente alega que a multa isolada é indevida, pois não há vícios nos negócios realizados pela Impugnante nem existiu má fé por parte da empresa. Além disso, questiona também o fato de que a fiscalização aplicou a multa isolada com fundamento no Fl. 772DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 10 art.89, §10, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei n. 11.941/2009, e a multa ofício no art. 35, inc. I, II e III, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99, alegando cumulatividade. Como se verifica no presente processo foi aplicada a multa isolada prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, haja a vista a comprovação na falsidade da declaração apresentada em decorrência da compensação, uma vez que sabidamente: i) transacionou cessão de crédito com pessoas jurídicas diversas da autora da ação judicial; ii) a sentença determinava que os créditos deveriam ser apurados por meio de arbitramento, o que até momento recente, conforme decisão judicial, não havia sido levado a efeito; iii) não há decisão judicial reconhecendo a legitimidade da cessão dos créditos e, com isso, a possibilidade da recorrente assumir o ingresso no pólo ativo da ação judicial, a teor do artigo 567, inciso II, do Código de Processo Civil. O artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe sobre a aplicação de multa na glosa de compensação: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art.44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Segundo o citado dispositivo legal a penalidade a ser aplicada quando houver a glosa de compensação será a multa de mora, porém quando houver prova da falsidade de informações a multa será isolada. Ou seja, uma penalidade não convive com a outra. Ou bem não houve falsidade (multa de mora) ou qualificase a falsidade e aplicase multa isolada, conforme a redação dada pela Lei 11.941/09. No caso dos autos a fiscalização respeitou o espaço intertemporal da MP 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, isto é, após a edição da citada legislação aplicou apenas a multa isolada e para momentos anteriores efetuou comparativo somando a multa de mora e de declaração em GFIP. Logo não há concomitância entre as multas isoladas e moratórias. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário apenas da empresa Distribuidora Brasília de Veículos Ltda., rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 858 11 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 774DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à questão da manutenção da exigência da multa isolada, por falsidade na compensação. A punição por inserir dados falsos em declaração, com o objetivo de compensar débitos existentes, surgiu, na legislação previdenciária, por nova determinação constante da Lei 11.941, de maio de 2009, que alterou a Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se COMPROVE FALSIDADE da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Destaquese bem, pois importante, que a lei determina que a multa será aplicada somente quando se comprove a falsidade. Claro que cabe a comprovação pela nobre fiscalização, que é quem acusa e aplica a penalidade. Nesse sentido, consta do relatório fiscal (RF) os motivos para a aplicação da multa, conforme transcrito abaixo: "DA MULTA ISOLADA POR DECLARAÇÃO INDEVIDA DE COMPENSAÇÕES 40. O sujeito passivo, ao fazer inserir em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura, EM TESE, em conduta ilegal do mesmo. Desta forma, a postura do autuado amoldase perfeitamente a situação prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (D.O.U. de 30 de novembro de 1964). Com efeito, ali se diz: Fl. 775DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 859 13 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifamos) 41. Pelo exposto, constatouse que o contribuinte prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira e, por conseqüência, falsa. E o mesmo não pode sequer alegar que desconhece, ou desconhecia, a vedação de utilização de supostos créditos, posto que a ninguém é dado alegar desconhecer a Lei para se eximir do cumprimento da respectiva obrigação. Desse modo, comprovado que a GFIP entregue pela empresa veiculou uma informação sabidamente falsa e que a Lei nº 8.212/1991, com a nova redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, comina pena de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor das contribuições que se informou ter compensado, independentemente da exigência do próprio tributo com os acréscimos moratórios, lançado a título de multa isolada, nos termos do parágrafo 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/1991, c/c Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (D.O.U., de 30 de dezembro de 1996), in verbis: Lei nº 8.212/1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifamos) 42. Portanto, na presente fiscalização foram aplicadas, tanto a multa mais benéfica, quanto a multa de 150%, conforme especificado no anexo VI. 43. Para melhor organização dos trabalhos, a multa isolada foi catalogada no seguinte levantamento: MI – Multa Isolada" Fl. 776DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 14 Primeiramente, com todo respeito, cabe esclarecer que a multa aplicada não ocorre em caso de declaração indevida, como diz o título da narrativa da fiscalização, mas sim de declaração falsa, que são situações totalmente diversas. Segundo o dicionário Michaelis há a seguinte diferenciação entre os dois termos: indevido in.de.vi.do adj (in+devido) 1 Que não é devido. 2 Inconveniente. 3 Que não é merecido; imerecido. 4 Que não é próprio; impróprio. falso fal.so adj (lat falsu) 1 Oposto à verdade. 2 Inexato. 3 Infundado. 4 Errado. 5 Em que há mentira, fingimento, deslealdade: Juramento falso. 6 Que segue mau caminho, má direção. 7 Que não está composto segundo as regras da arte. 8 Acrescentase ao nome de coisas que semelham outras. 9 Falsificado (dinheiro). 10 Fingido, disfarçado, simulado: Ataque falso; mala de fundo falso; porta falsa. 11 Fabricado para abrir uma fechadura ilicitamente: Chave falsa. 12 Difícil, embaraçoso: Posição falsa. 13 Impropriamente chamado assim por causa da semelhança enganadora com a coisa desse nome: Cobracoral falsa. 14 Que dá apenas a aparência da coisa real: Falsa nervura. sm 1 O que não é verdadeiro. 2 Pessoa de má fé. 3 Esconso, em casa ou móvel, para esconder coisas. adv Falsamente: Jurar falso. Em falso: sem firmeza; errando o passo, a pancada, o alvo. É de conhecimento comum que afirmar que a opinião, afirmação, posição de uma pessoa é indevida é muito diferente de que afirmar que a opinião, afirmação, posição de uma pessoa é falsa. Com todo respeito, também não concordamos com o fundamento de que falsidade sempre equivalerá, como descrito no relato fiscal, quando há prestação de informação que não era verdadeira e, por conseqüência, falsa. Como também não concordamos com a analogia de que a falsidade se comprova posto quê a ninguém é dado alegar desconhecer a Lei para se eximir do cumprimento da respectiva obrigação. Para a exigência de multa tão elevada, 150%, há a necessidade de comprovação de que a empresa agiu com máfé, dolosamente, a fim de prejudicar o erário, com subterfúgio, o que, no nosso entender, não está comprovado. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 10166.728779/201153 Acórdão n.º 2301004.189 S2C3T1 Fl. 860 15 Essa é a posição do nobre conselheiro André Luis Marsico Lombardi, no acórdão 2302003.374, conforme transcrito abaixo: "A leitura atenta dos textos legais acima transcritos indicam que há a previsão de duas penalidades pecuniárias para a compensação indevida de contribuições previdenciárias: (i) a multa de mora de 20%; e (ii) a multa isolada de 150%. Ocorre que, para a aplicação da primeira (multa de mora), a legislação exige apenas à apuração de compensação efetuada de forma indevida. Quanto à segunda (multa isolada), consta que tem cabimento “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Se a lei não tem palavras inúteis (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 251), quanto mais orações inteiras. É verdade que, por força do que dispõe o artigo 136 do CTN, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável”, ou seja, independe de dolo. Todavia, quanto à multa isolada, parece haver disposição em contrário, pois há a condicionante de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Para a compensação ser considerada indevida, ou a declaração que deu origem era falsa ou se tornou falsa. Destarte, sempre haverá falsidade, de sorte que não haveria razão para o legislador condicionar a sua aplicação à comprovação da falsidade despretensiosa. Assim, a única maneira de justificar, do ponto de vista jurídico, a existência da condicionante “quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, é invocar a intencionalidade do agente. Ademais, não parece que se possa cogitar de comprovação de uma falsidade sem o elemento subjetivo, pois a própria falsidade, no vernáculo, tem definições que implicam em intencionalidade: s.f. (Do lat. Falsitas, falsitatis). 1. Propriedade do que é falso. – 2. Mentira, calúnia. – 3. Hipocrisia; perfídia. – 4. Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade. (Grande dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Larousse cultural, 1999, p. 420) Isso sem falar que, ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 16 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Portanto, a exigência do dolo, além de ser interpretação que busca dar coerência ao arcabouço normativa, indubitavelmente, revelase como a mais benéfica ou favorável ao infrator. Podese afirmar, do quanto exposto até aqui, que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, é indispensável que esteja demonstrada a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." Portanto, pelos fundamentos expostos no RF, na item próprio para fundamentar a aplicação da multa isolada, não demonstrarem, comprovarem a existência de falsidade, voto em excluir a multa isolada, nos termos acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Fl. 779DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO
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