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5555497 #
Numero do processo: 10283.005992/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS, devida pelas pessoas jurídicas, é o faturamento mensal correspondente à receita bruta, assim entendida, a totalidade das receitas auferidas por elas. ICMS INCLUÍDO NO FATURAMENTO O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) por constituir parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços faturados integra a base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Negado A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado.
Numero da decisão: 3301-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 ICMS INCLUÍDO NO FATURAMENTO  O  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  (ICMS)  por  constituir  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos serviços faturados integra a base de cálculo do PIS.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Mônica  Elisa  de  Lima,  José  Adão  Vitorino  de  Morais,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  DRJ  em Belém  (PA)  que  julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que  indeferiu  pedido  de  restituição  de  indébitos  tributários  e  não  homologou  as  compensações  declaradas nas Dcomp, objeto deste processo administrativo.  A DRF  em Manaus  indeferiu  o  pedido  de  restituição  e  não  homologou  as  compensações  declaradas  sob  o  fundamento  de  prescrição  do  direito  de  a  recorrente  repetir/compensar o crédito financeiro declarado nas Dcomp e que o ICMS faturado integra a  base de  cálculo do PIS  e da Cofins,  conforme Parecer/Despacho Decisório  às  fls.  165/176 e  complementar às fls. 291/301.  Inconformada com aquele despacho, a recorrente protocolou manifestação de  inconformidade,  alegando,  em  síntese,  a  inocorrência  da  decadência  de  seu  direito  à  repetição/compensação dos valores decorrentes dos pagamentos efetuados em datas anteriores  a  cinco anos  contados da  transmissão dos Per/Dcomp, defendendo a  contagem pela  tese dos  “cinco mais cinco” e que o  ICMS faturado,  tanto nos  termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998  (regime  cumulativo),  e/  ou  das  Leis  nº  10.637,  de  30/12/2002,  e  nº  10.833,  de  29/12/2003  (regime  não­cumulativo),  não  integra  o  faturamento  da  pessoa  jurídica  por  não  constituir  própria. Trata­se de valor que apenas  transita pela sua contabilidade e seu caixa. Assim, não  pode  suportar  a  incidência  do  PIS  sobre  seu  valor  que  apenas  transita  por  seus  cofres  em  direção aos cofres públicos.  Fl. 918DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 463          3 Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme acórdão nº 01­14.936, datado de 25/08/2009, às  fls. 399/406, sob as  seguintes ementas:  “PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  PRAZO  PARA  PLEITEAR RESTITUIÇÃO.  O prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou  indevidamente  a  título  de  tributos  e  contribuições,  inclusive  aqueles  submetidos  à  sistemática  do  lançamento  por  homologação,  é  de  cinco  anos  contados  da  data  do  efetivo  pagamento.  BASE DE CÁLCULO. ICMS.  O  ICMS  integra  a  base  de  cálculo  a  ser  tributada  pelas  contribuições PIS  e Cofins,  inexistindo previsão  legal para  sua  exclusão.”  Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.  411/431),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  se  reconheça  seu  direito  à  repetição/compensação  dos  valores  reclamados  e  se  determine  a  homologação  das  compensações declaradas, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação  de  inconformidade, ou seja,  a  inocorrência da decadência/prescrição quinquenal de parte dos  valores reclamados/declarados, defendendo a contagem pela tese dos “cinco mais cinco”, e, no  mérito, que o ICMS faturado não integra a base de cálculo do PIS por não constituir receita da  pessoa jurídica e sim receita pública.  Para  fundamentar  seu  recurso,  expendeu  extenso  arrazoado  sobre:  a)  a  legitimidade da restituição da contribuição ao PIS relativa a  todo o período pleiteado; e, b) o  conceito  de  receita  e  faturamento  da  pessoa  jurídica  e  sua  incompatibilidade  com  o  valor  atinente  ao  ICMS  integrante  do  valor  das  vendas  e  os  limites  materiais  e  subjetivos  da  incidência;  concluindo,  ao  final,  que,  no  presente  caso,  como  se  trata  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  prescricional  do  direito  de  se  repetir/compensar  possíveis  valores  pagos  indevidamente  deve  ser  feita  pela  tese dos  “cinco  mais cinco”, e, no mérito, que o ICMS faturado não integra o faturamento da pessoa jurídica  por não  constituir  receita própria desta  e  sim de  terceiro,  e,  portanto,  não  compõe a base de  cálculo do PIS, nos termos da CF/1988, art. 195, I, “a”.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Ainda, que os valores  reclamados  constituíssem  indébitos  tributários,  o que  não é o caso, na data de protocolo/transmissão do Per/Dcomp, em discussão, em 04/10/2007, o  Fl. 919DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 direito de a  recorrente  repetir/compensar parte deles, ou seja, os decorrentes dos pagamentos  efetuados até 03/10/2002, inclusive, já havia prescrito.  A  prescrição  do  direito  de  se  repetir/compensar  indébitos  tributários  está  regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe:  “Art.  165. O  sujeito  passivo  tem direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  […].  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipóteses  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;  […].”  Assim, nos termos deste dispositivo legal, o prazo de cinco anos para apurar a  prescrição do direito à repetição/compensação de indébitos  tributários, no caso de pagamento  indevido e/ ou a maior, deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário.  A tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça  (STJ), em face da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, somente se  aplica para os processos protocolados até a data de 9 de junho de 2005.  O RICARF art. 62­A, assim dispõe:  “Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  [...].”  Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao RE  nº 566.221 interposto pela União Federal contra a decisão que reconheceu que a LC nº 118, de  09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, e que o prazo qüinqüenal para repetir  indébitos  decorrentes  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  que  até  então,  segundo o STJ, era de 10 (dez) anos, cinco para a extinção tácita e mais cinco para a repetição,  tese dos “cinco mais cinco”, sacramentou­se o entendimento de que a  tese somente se aplica  aos processos protocolados antes da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho  de 2006.  Dessa forma, também por força do disposto no art. 62­A do RICARF, adoto a  decisão  do  STF,  no  referido  RE,  para  reconhecer  a  prescrição  do  direito  de  a  recorrente  Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 464          5 repetir/compensar os indébitos reclamados e utilizados nas Dcomp em discussão, decorrentes  de pagamentos efetuados ate 03 de outubro de 2002.  Remanesce,  todavia,  a  discussão  quanto  aos  supostos  indébitos  decorrentes  dos pagamentos efetuados a partir de 04 de outubro de 2002 a 20 de julho de 2007.  A recorrente alega pagamentos a maior pelo fato de não ter excluído da base  de cálculo da contribuição o valor do ICMS faturado. Segundo seu entendimento, o valor deste  imposto não integra o faturamento da pessoa jurídica por não constituir receita própria e sim de  terceiro, e, portanto, não comporia a base de cálculo do PIS, nos termos da CF/1988, art. 195, I,   Ao  contrário  do  seu  entendimento,  o  ICMS  faturado  compõe  a  receita  operacional bruta da pessoa jurídica e, portanto, integra o seu faturamento, nos termos da Lei  nº  9.718,  de  27/11/1998,  que  trata  do  regime  cumulativo  do  PIS,  e  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo desta contribuição, assim dispondo:  ­ Lei nº 9.718, de 1998:  “Art.  2º  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  §1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas.  §2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido computados como receita;  III  ­  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6 V  ­  a  receita  decorrente  da  transferência  onerosa,  a  outros  contribuintes  do  ICMS,  de  créditos  de  ICMS  originados  de  operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do §  1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de  1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008)  [...].  ­ Lei nº 10.637, de 30/12/2002:  “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  §3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  II ­ (VETADO)  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  IV ­ de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21  de  julho  de  2000,  no  10.147,  de  21  de  dezembro  de  2000,  e  no  10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à  incidência monofásica da contribuição;  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI  ­  não  operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  imobilizado.  Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e  sessenta e cinco centésimos por cento).  Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 465          7 [...]”.  Ora,  segundo  todos  os  dispositivos  legais  transcritos,  a  base  de  cálculo  da  contribuição para o PIS é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido o total de  suas receitas independentemente de suas naturezas e classificação contábil adotada, deduzidos  os  valores  expressamente  discriminados.  A  exclusão  do  valor  do  ICMS  faturado  não  foi  contemplada.  O ICMS faturado, incluso no preço das mercadorias vendidas e dos serviços  prestados, integra o faturamento das pessoas jurídicas. Não há dispositivo legal que permita a  exclusão do valor desse tributo da base de cálculo da contribuição para o PIS.   É  pertinente  registrar  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  sumulou  o  entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmula nº 68).  Também, a título de esclarecimento, cabe informar que a constitucionalidade  da  Cofins  sobre  o  faturamento  foi  expressamente  declarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF), na ADC nº 1, de 1º de dezembro de 1993, cuja ementa é a seguinte:  “AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  ARTIGOS 1, 2, 9  (EM PARTE), 10 E 13  (EM PARTE) DA LEI  COMPLEMENTAR  N.  70,  DE  30.12.91.  COFINS.  ­  A  DELIMITAÇÃO DO OBJETO DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE  CONSTITUCIONALIDADE  NÃO  SE  ADSTRINGE  AOS  LIMITES  DO  OBJETO  FIXADO  PELO  AUTOR,  MAS  ESTES  ESTÃO  SUJEITOS  AOS  LINDES  DA  CONTROVÉRSIA  JUDICIAL  QUE  O  AUTOR  TEM  QUE  DEMONSTRAR.  ­  IMPROCEDÊNCIA  DAS  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91 (COFINS).  AÇÃO  QUE  SE  CONHECE  EM  PARTE,  E  NELA  SE  JULGA  PROCEDENTE,  PARA  DECLARAR­SE,  COM  OS  EFEITOS  PREVISTOS  NO  PARÁGRAFO  2º  DO  ARTIGO  102  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL,  NA  REDAÇÃO  DA  EMENDA  CONSTITUCIONAL  N.  3,  DE  1993,  A  CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1, 2. E 10, BEM  COMO  DAS  EXPRESSÕES  "A  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  FATURAMENTO DE QUE  TRATA  ESTA  LEI  NÃO  EXTINGUE  AS  ATUAIS  FONTES  DE  CUSTEIO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  "CONTIDAS  NO  ARTIGO  9,  E  DAS  EXPRESSÕES  "ESTA  LEI  COMPLEMENTAR  ENTRA  EM  VIGOR  NA  DATA  DE  SUA  PUBLICAÇÃO,  PRODUZINDO  EFEITOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SEGUINTE  NOS  NOVENTA  DIAS  POSTERIORES,  AQUELA  PUBLICAÇÃO,..."CONSTANTES DO ARTIGO 13, TODOS DA  LEI  COMPLEMENTAR  N°  70,  DE  30  DE  DEZEMBRO  DE  1991.”  Como o PIS tem a mesma base de cálculo da Cofins, aplica­se também a ele,  esse entendimento do STF.  Assim,  demonstrado  que  os  valores  reclamados  pela  recorrente  resultaram  exclusivamente de sua equivocada interpretação de que a contribuição para o PIS seria devida e  Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8 apurada deduzindo­se de sua base de cálculo o valor do ICMS faturado, não há que se falar em  recolhimentos  a maior  e muito menos  em  indébitos  tributários  passíveis  de  restituição  e/  ou  compensação.  Quanto  à  compensação  de  créditos  financeiros  contra  a  Fazenda Nacional,  mediante a apresentação de Per/Dcomp, bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a  Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe:  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados”.  §2º A  compensação declarada à  Secretaria  da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  [...].  §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados.  §7º  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o  sujeito passivo e  intimá­lo a  efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato  que  não a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.  [...].  Conforme se verifica deste dispositivo legal, a homologação de compensação  de débitos fiscais, mediante a apresentação de Per/Dcomp, depende da certeza e  liquidez dos  créditos financeiros declarados.  No  presente  caso,  conforme  demonstrado,  inexistem  créditos  financeiros  declarados nas Dcomp.  Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais                Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 466          9                 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 35404.000015/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 30/09/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. TERMO INICIAL E PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Conforme o art. 62-A, do RICARF, esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das Contribuições Previdenciárias, formalizados após a vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para o Contribuinte pleitear restituição é de cinco anos, contados do pagamento indevido. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 7          1 6  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  35404.000015/2007­94  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.161  –  2ª Turma   Sessão de  06 de maio de 2014  Matéria  Contribuições Previdenciárias ­ Exercício de Cargo Eletivo  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOSÉ LUIZ PEREIRA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1998 a 30/09/2004  RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. TERMO INICIAL E PRAZO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ARTIGO 62­A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.  Conforme o art. 62­A, do RICARF, esta Corte Administrativa está vinculada  às  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas  pelo  STF,  bem  como  àquelas  proferidas  pelo  STJ  em  Recurso  Especial  repetitivo.  Assim,  conforme  entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como  aquele  esposado  pelo  STJ  no  julgamento  do  REsp  nº  1.002.932,  para  os  pedidos  de  restituição  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  como  é  o  caso  das  Contribuições  Previdenciárias,  formalizados  após  a  vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, o  prazo  para  o Contribuinte  pleitear  restituição  é  de  cinco  anos,  contados  do  pagamento indevido.  Recurso especial provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 4. 00 00 15 /2 00 7- 94 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2   (Assinado digitalmente)  Otacilio Dantas Cartaxo ­ Presidente     (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  EDITADO EM: 20/05/2014  Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo  (Presidente),  Luiz Eduardo  de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan  Junior  (suplente  convocado),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio  Freire.  Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.  Relatório  Trata­se  de  pedido  de  restituição,  protocolado  em  29/12/2006,  de  Contribuições  Previdenciárias  cobradas  pelo  exercício  de  mandato  eletivo,  referentes  ao  período de apuração de 02/1998 a 09/2004, quando o Contribuinte ocupou o cargo de vereador,  contribuições estas que foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal.  Conforme  o  Parecer  SAORT  n°  10820/240/2008,  de  16/04/2008  (fls.  90  a  96), exarado pela DRF em Araçatuba/SP, o pedido teve o seguinte tratamento:  ­  Contribuições  relativas  ao  período  de  02/1998  a  11/1998  –  não  houve  desconto, tampouco recolhimento;  ­ Contribuições relativas ao período de 12/1998 a 07/2001 – houve desconto,  porém foi aplicada a prescrição;    ­  Contribuições  relativas  ao  período  de  08/2001  a  05/2003  –  houve  o  desconto, mas não o recolhimento;  ­ Contribuições relativas ao período de 06/2003 a 09/2004 – direito creditório  reconhecido.  A conclusão do parecer é a seguinte:  “Isto posto, proponho:  O  DEFERIMENTO  parcial  do  pedido,  a  fim  de  restituir  ao  requerente  os  valores  retidos  nas  competências  06/2003  a  18/09/2004, na importância original de R$ 868,82 (oitocentos e  sessenta  e  oito  e  oitenta  e  dois  centavos),  ressalvada  a  compensação  com  eventuais  débitos  apurados  em  desfavor  dessa  pessoa,  a  ser  verificada  conforme  o  disposto  no  do  art.  216 da IN/MPS/SRP n° 03/2005.”  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 8          3 Da decisão acima foi aberto ao Contribuinte o direito a Recurso Voluntário  ao Conselho de Contribuintes, que converteu o respectivo julgamento em Diligência (fls. 175 a  177), por meio da qual confirmou­se haver recolhimentos suficiente à restituição, relativamente  a pagamentos efetuados de 04/09/2001 a 10/06/2003 (fls. 215/216).  Em  sessão  plenária  de  27/04/2010,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  nº  156.283, prolatando­se o Acórdão nº 2401­01.171 (fls. 221 a 225), assim ementado:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1998 a 18/09/2004  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AGENTES  POLÍTICOS.  INCONSTITUCIONALIDADE.  RESOLUÇÃO  SENATORIAL.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PRESCRIÇÃO.  PRAZO.  Tratando­se  de  pedido  de  restituição  de  contribuições  previdenciárias exigidas com base no artigo 12,  inciso I, alínea  "h",  da  Lei  n°  8.212/91,  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n" 351.717­1/PR, o  termo  a  quo do  prazo  prescricional  de  05  (cinco)  anos  para  o  pleito da  contribuinte  é  a data  da  publicação da Resolução do  Senado  Federal  n°  26,  de  22/06/2005,  que  atribuiu  efeito  erga  omnes  à  decisão  da  Suprema  Corte,  suspendendo  a  execução  daquele dispositivo legal.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.”  A decisão foi assim registrada:  “ACORDAM os membros da 4a Câmara  / 1a Turma Ordinária  da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em  dar provimento parcial ao  recurso para reconhecer o direito à  restituição das contribuições  relativas ao período de 12/1998 a  05/2003.”  Cientificada  do  acórdão  em  31/05/2010  (fls.  226),  a  Fazenda  Nacional  interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 229 a 287, visando rediscutir a questão do  termo inicial e prazo para pleitear a restituição de pagamento indevido.  Ao Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  o Despacho  nº  2400­ 263/2010, de 31/08/2010 (fls. 289 a 291).  No apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese:  ­  de  fato,  o  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso  do  prazo de cinco anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência  dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN;  ­ assim, ao contrário do quanto sustentado pelo acórdão impugnado, o direito  subjetivo do contribuinte à restituição do indébito surgiu desde o pagamento dos valores tidos  por indevidos, nos termos dos artigos 165, I, 168, I e 156, I, todos do CTN;  ­  com  efeito,  para  o  Código  Tributário  Nacional,  a  causa  do  recolhimento  indevido é irrelevante;  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 ­ assim, fixado o dies a quo da prescrição como a data da extinção do crédito  tributário,  no  caso  o  pagamento,  não  pode  o  intérprete  se  furtar  de  tal  orientação,  nem  tampouco  criar  outros  termos  iniciais  não  previstos  no  CTN,  a  exemplo  da  Resolução  do  Senado Federal que ordenar a revogação de norma declarada inconstitucional ou até mesmo da  declaração de inconstitucionalidade pelo STF;  ­  com  o  advento  da  Lei  Complementar  nº  118,  de  2005,  sepultou­se,  definitivamente, a controvérsia sobre o tema, sendo, a partir de então, indefensável considerar  como dies a quo outra circunstância que não o pagamento antecipado;  ­  saliente­se  que  o  art.  3º  do  dispositivo  legal  em  comento  se  aplica,  inclusive,  a  ato ou  fato  pretérito,  pois,  nos  termos do  art.  106,  inciso  I,  do CTN,  trata­se de  norma expressamente interpretativa;  ­ é de rigor, diante do exposto, a aplicação do diploma legal em comento ao  presente  feito  para  se  considerar  que  o  termo  inicial  da  decadência  é  o  pagamento  indevido  (cita doutrina de Leandro Paulsen e posicionamento do STJ);  ­ o posicionamento adotado no STJ já se encontra pacificado naquela Corte, e  foi  inclusive  reiterado  pelo  voto  condutor  do  eminente Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  no  REsp 747.091/SC:  "Considerou­se  ser  irrelevante,  para  efeito  da  contagem  do  prazo  prescricional,  a  causa  do  recolhimento  indevido  (v.g.,  pagamento  a maior  ou  declaração  de  inconstitucionalidade  do  tributo pelo Supremo), eliminando­se a anterior distinção entre  repetição  de  tributos  cuja  cobrança  foi  declarada  em  controle  concentrado  e  em  controle  difuso,  com  ou  sem  edição  de  resolução pelo Senado Federal (...)".  ­ a decisão recorrida respaldou­se em posicionamento superado no âmbito do  Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de  inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo prescricional para a repetição do indébito;  ­ interpretação diversa resultaria em insegurança jurídica sobrelevada, eis que  tornaria indefinido o termo inicial do prazo decadencial do pedido de restituição;  ­  ora,  se  o  termo  inicial  do  prazo  fosse  indefinido,  possibilitar­se­ia  ao  contribuinte pleitear a devolução de indébitos tributários no momento em que quisesse, mesmo  que os pagamentos tivessem ocorrido 20, 30 anos atrás;  ­  é  justamente  para  evitar  esse  tipo  de  situação  que  o  legislador  impõe  um  prazo para o exercício de direitos,  extinguindo os que não  foram pleiteados em  tempo hábil,  pois a segurança nas relações entre as pessoas é um valor caro ao sistema jurídico;  ­  sem as normas que extinguem direitos pelo decurso de prazo,  as  relações  jurídicas não teriam fim, o que é absolutamente impróprio à vida em sociedade;  ­  nessa  esteira,  caberia  ao  contribuinte  pleitear  a  repetição  do  indébito  tributário em tempo hábil, mas não o fez;   ­ recorde­se que o Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999,  editado pela Secretaria da Receita Federal, é expresso ao dispor que o direito à restituição do  tributo pago indevidamente extingue­se após o transcurso de cinco anos, contados da data da  extinção do crédito tributário;  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 9          5 ­ por conseguinte, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe  ao  sujeito  passivo  requerer  a  sua  restituição  no  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  do  pagamento indevido, consoante disposto nos artigos 3º da LC 118, de 2005, 168 e 165 do CTN.  Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, declarando­se a  decadência do direito de pleitear a  restituição do  indébito  tributário decorrente de valores da  Contribuição Previdenciária incidente sobre a remuneração dos agentes políticos.  Cientificado  do  acórdão,  do  Recurso  Especial  e  do  despacho  que  lhe  deu  seguimento em 07/10/2010, o Contribuinte ofereceu, em 28/10/2010, as Contra­Razões de fls.  294 a 301.  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.   As Contra­Razões foram oferecidas intempestivamente, portanto não podem  ser conhecidas.  Trata­se  de  pedido  de  restituição,  protocolado  em  29/12/2006,  de  Contribuições  Previdenciárias  cobradas  pelo  exercício  de  mandato  eletivo,  referentes  aos  períodos  de  apuração  de  02/1998  a  09/2004,  quando  o  Contribuinte  ocupou  o  cargo  de  vereador, contribuições estas que foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal  Federal.  Conforme  o  artigo  62­A,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas  de mérito  proferidas  pelo  STF,  bem  como  aquelas  proferidas  pelo  STJ  em  sede  de Recurso  Especial repetitivo.  No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF  no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com  efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental.  O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo  para  o  contribuinte  pleitear  restituição/compensação  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação (como é o caso das Contribuições Previdenciárias), para os pedidos protocolados  a partir da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, é de cinco  anos, contados do pagamento indevido. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim  ementado:   “DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A LC 118/05, embora  tenha se autoproclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à Justiça.  Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se,  no mais, a eficácia da norma, permite  se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo  de  5  anos  tão  somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  Aplicação do art. 543­B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.” (grifei)  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 10          7 Assim, no  caso  em apreço,  como o Contribuinte protocolou  seu pedido  em  29/12/2006,  aplica­se  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  do  pagamento  indevido.  Como  os  valores  objeto  do  presente  Recurso  Especial,  cujo  direito  à  restituição  foi  reconhecido  pelo  acórdão  recorrido,  se  referem  aos  períodos  de  12/1998  a  05/2003,  constata­se  que  o  Contribuinte somente faz jus à restituição dos valores referentes aos períodos de apuração de  12/2001 (recolhimento em 01/2002) em diante, a saber:  ­ período de 12/2001 a 05/2003 – reconhecido no acórdão recorrido;  ­ período de 06/2003 a 09/2004 – já reconhecido pela DRF Araçatuba/SP.  Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  Recurso  Especial,  interposto  pela  Fazenda Nacional,  para  reconhecer  a decadência  relativamente  aos  períodos  de  apuração  até  11/2001, cujo recolhimento foi efetuado em 10/12/2001 (quadro de fls. 215).    (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 15504.021486/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. SÚMULA CARF N° 99. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Para efeito da aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, há que se considerar a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais como um todo, não a fatiando por rubricas, entendimento consagrado pela Súmula CARF n° 99. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontra-se escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, deve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantê-lo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES. PREMISSA EQUIVOCADA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Relativamente aos segurados empregados, somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, restando demonstrada/comprovada a existência de Convenção Coletiva de Trabalho amparando o pagamento de referida verba, exclusiva pretensa ilegalidade sustentada pela fiscalização, é de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR concedida aos segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NATUREZA EVENTUAL. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em Convenções Coletivas de Trabalho, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º 6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. A Constituição, nos termos do art. 7º, inciso XI, erige a participação nos lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração. O art. 7º, inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de Fábio Zambitte Ibrahim, em artigo intitulado "A participação nos lucros e resultados das empresas e sua imunidade previdenciária". O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão em que se discutia se era possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com a edição da lei prevista para regulamentá-lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE 398284). Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica-se que as garantias inseridas em seus incisos, em verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido leciona Gilmar Ferreira Mendes, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade - Estudos de Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata-se que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício. Não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no lucro da companhia para diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício. O fato de a assembléia geral - que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento (art. 121 da Lei n° 6.404, de 1976) - deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Adentrando-se na esfera contábil verifica-se que a demonstração do resultado do exercício discriminará - antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190, que inclui a participação dos administradores. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de participação nos lucros subsumem-se ao conceito de remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial parcialmente provido.
Numero da decisão: 9202-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à decadência, ao PLR relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à participação estatutária de diretores. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator-Designado EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. SÚMULA CARF N° 99. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Para efeito da aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, há que se considerar a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais como um todo, não a fatiando por rubricas, entendimento consagrado pela Súmula CARF n° 99. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontra-se escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, deve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantê-lo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES. PREMISSA EQUIVOCADA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Relativamente aos segurados empregados, somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, restando demonstrada/comprovada a existência de Convenção Coletiva de Trabalho amparando o pagamento de referida verba, exclusiva pretensa ilegalidade sustentada pela fiscalização, é de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR concedida aos segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NATUREZA EVENTUAL. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em Convenções Coletivas de Trabalho, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º 6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. A Constituição, nos termos do art. 7º, inciso XI, erige a participação nos lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração. O art. 7º, inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de Fábio Zambitte Ibrahim, em artigo intitulado "A participação nos lucros e resultados das empresas e sua imunidade previdenciária". O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão em que se discutia se era possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com a edição da lei prevista para regulamentá-lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE 398284). Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica-se que as garantias inseridas em seus incisos, em verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido leciona Gilmar Ferreira Mendes, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade - Estudos de Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata-se que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício. Não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no lucro da companhia para diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício. O fato de a assembléia geral - que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento (art. 121 da Lei n° 6.404, de 1976) - deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Adentrando-se na esfera contábil verifica-se que a demonstração do resultado do exercício discriminará - antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190, que inclui a participação dos administradores. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de participação nos lucros subsumem-se ao conceito de remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial parcialmente provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   2 fundamento utilizado pela  autoridade  lançadora  ao promover o  lançamento,  deve  ser  declarada  a  improcedência  do  feito,  sendo  defeso  ao  Fisco  e/ou  julgador mantê­lo a partir de novos critérios  jurídicos  lançados no curso do  processo administrativo fiscal.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA ­ PLR.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS  PARTES.  PREMISSA  EQUIVOCADA.  IMPROCEDÊNCIA  LANÇAMENTO.  A Participação nos Lucros e Resultados  ­ PLR concedida pela empresa  aos  seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho  de  produtividade,  não  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  por  força  do  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  CF,  sobretudo  por  não  se  revestir  da  natureza  salarial,  estando  ausentes  os  requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.  Relativamente  aos  segurados  empregados,  somente  nas  hipóteses  em que  o  pagamento  da  verba  intitulada  de  PLR  não  observar  os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação  específica  ­  artigo  28,  §  9º,  alínea  “j”,  da  Lei  nº  8.212/91­, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.  In  casu,  restando  demonstrada/comprovada  a  existência  de  Convenção  Coletiva  de Trabalho  amparando  o  pagamento  de  referida  verba,  exclusiva  pretensa  ilegalidade  sustentada  pela  fiscalização,  é  de  se  reconhecer  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  PLR  concedida  aos  segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  VERBAS  PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO  COLETIVA  DE  TRABALHO.  NATUREZA  EVENTUAL.  JURISPRUDÊNCIA  UNÍSSONA  DO  STJ.  PARECER  E  ATO  DECLARATÓRIO  PROCURADORIA.  APLICABILIDADE.  ECONOMIA  PROCESSUAL.  De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial,  especialmente  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  corroborada  pelo  Parecer  PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores  concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos  do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º  6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA.  A  Constituição,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XI,  erige  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  à  categoria  de  direito  social  fundamental  dos  trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração.  O art. 7º,  inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da  participação  dos  lucros  ou  resultados,  gerou  uma  imunidade  no  que  diz  respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de  Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.536          3 Fábio  Zambitte  Ibrahim,  em  artigo  intitulado  "A  participação  nos  lucros  e  resultados das empresas e sua imunidade previdenciária".  O Supremo Tribunal  Federal  ao  apreciar  questão  em que  se  discutia  se  era  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  parcelas  pagas  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  entre  a  vigência  da  Constituição  Federal  e  a Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo  art.  7°, XI,  da Constituição  Federal  somente  começou  com  a  edição  da  lei  prevista para  regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994  (RE 398284).  Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF  "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à  melhoria  de  sua  condição  social",  que  diz  respeito  aos  chamados  direitos  sociais do trabalhador, verifica­se que as garantias inseridas em seus incisos,  em  verdade,  definem  a  estrutura  básica  do  modelo  jurídico  decorrente  de  relação  de  emprego.  Neste  sentido  leciona  Gilmar  Ferreira  Mendes,  in  Direitos  Fundamentais  e  Controle  de  Constitucionalidade  ­  Estudos  de  Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012.  A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata­se  que  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  que  resulta  da  conversão  da MP  nº  794,  de  1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  como  instrumento  de  integração  entre  o  capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o,  inciso XI, da Constituição, de  forma expressa demonstra que a participação  nos  lucros  ou  resultados  é  inerente  aos  trabalhadores  com  vínculo  empregatício.  Não  considero  que  o  art.  152  e  seus  parágrafos  da  Lei  n°  6.404,  de  1976  tenham  o  condão  de  regulamentar  a  imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  prevista  no  art.  7º,  inciso  XI  da  CF.  Justamente  porque  o  dispositivo  regula  parcelas  de  participação  no  lucro  da  companhia  para  diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  prevista  no  art.  7º,  inciso  XI  da  CF,  é  destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício.  O fato de a assembléia geral ­ que tem poderes para decidir todos os negócios  relativos  ao  objeto  da  companhia  e  tomar  as  resoluções  que  julgar  convenientes  à  sua  defesa  e desenvolvimento  (art.  121  da Lei  n°  6.404,  de  1976) ­ deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários  não  tem  o  condão  de  desnaturar  a  relação  jurídica  laboral  existente  entre  empresa  e  prestador  de  serviço  sem  vínculo  empregatício,  tampouco  a  natureza remuneratória da verba paga.  Adentrando­se na esfera contábil verifica­se que a demonstração do resultado  do exercício discriminará  ­ antes da apuração do  lucro do exercício e o seu  montante  por  ação  do  capital  social  (art.  187  da  Lei  n°  6.404,  de  1976)  e,  ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do  exercício é o  resultado do exercício que  remanescer depois de deduzidas as  participações  de  que  trata  o  artigo  190,  que  inclui  a  participação  dos  administradores.  Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   4 As  verbas  pagas  pela  empresa  aos  seus  diretores  estatutários  a  título  de  participação nos lucros subsumem­se ao conceito de remuneração, portanto,  sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias.  Recurso especial parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso quanto à decadência, ao PLR relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único.  Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à participação estatutária de  diretores.  Vencidos  os  Conselheiros  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  (Relator),  Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan  Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro  Elias  Sampaio  Freire.  Votou  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão.    (Assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator    (Assinado digitalmente)  Elias Sampaio Freire – Redator­Designado  EDITADO EM: 14/05/2013  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (Presidente  em  exercício), Gustavo Lian Haddad,  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan  Junior  (suplente  convocado),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  BANCO MERCANTIL  DO  BRASIL  SA,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe,  teve contra  si  lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  ­ NFLD,  em 19/12/2008,  exigindo­lhe  crédito  tributário  referente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  e  não  recolhidas pela notificada, concernentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.537          5 contribuintes individuais (diretoria executiva), assim consideradas as importâncias concedidas  a  título de Participação nos Lucros e Resultados, Abono Único e Previdência Complementar,  em relação ao período de 01/2003 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls.  893/905,  e  demais  documentos  que  instruem  o  processo,  consubstanciadas  nos  seguintes  levantamentos:  1)  ABU  ­  ABONO  ÚNICO  ­  01/2003  a  09/2006  ­  Valores  pagos  ou  creditados pela empresa a seus empregados a título de ABONO, de acordo com as Convenções  Coletivas do Trabalho ­ CCT de 2002/2003 assinada em 19/09/2002, CCT 2003/2004 assinada  em 10/10/2003, e CCT 2005/2006 assinada em 17/10/2005, contemplando a concessão de Um  ABONO ÚNICO para os empregados nos valores de R$ 1.200,00  (2002/2003); R$ 1.500,00  (2003/2004) e R$ 1.700,00 (2005/2006), a ser pago até 10 (dez) dias úteis da data de assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho.  Segundo  a  fiscalização,  somente  não  incidiriam  contribuições previdenciárias sobre tais verbas se estivessem previstas em lei;  2) PL1 e PL2 ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS ­  02/2003 a 10/2006 ­ Importâncias concedidas a título de PLR aos segurados empregados, em  desconformidade com a legislação de regência, mais precisamente a Lei n° 10.101/2000, artigo  2°, diante da pretensa ausência de negociação entre a empresa e  seus empregados através de  comissão eleita entre as partes ou acordo/convenção coletiva;  3)  PLE  ­  PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA  ­  08/2006  ­  Pagamentos  realizados  aos  diretores  executivos,  sem  encontrar  esteio  na Lei  n°  10.101/2000,  integrando,  portanto, o salário de contribuição;  4) PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DIRETORES EXECUTIVOS ­  PP6 e PP9 ­ período de 01/2003 a 12/2006;  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão  nº  02­26.717/2010,  às  fls.  2.892/2.908,  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  em  referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 30/11/2011, por maioria de votos,  achou  por  bem  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  DA  CONTRIBUINTE,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos  no  Acórdão  nº  2302­ 01.438, sintetizados na seguinte ementa:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006  Ementa:  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL. CINCO ANOS.  TERMO A QUO.  AUSÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO  SOBRE  AS  RUBRICAS  LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.  O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,  Súmula Vinculante de n  º 8,  no  julgamento proferido  em 12 de  junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da  Lei n º 8.212 de 1991.  Não  tendo  havido  pagamento  antecipado  sobre  as  rubricas  lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art.  173, inciso I do CTN.  Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   6 INCONSTITUCIONALIDADE.  IMPOSSIBILIDADE  DE  CONHECIMENTO  DA  ALEGAÇÃO  PELA  ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  PARCELA  INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI  ESPECÍFICA.  A norma constitucional que exclui a participação nos lucros da  incidência de contribuições é de eficácia limitada.  Caso  a  parcela  seja  paga  em  desacordo  com  a  lei  específica,  incidirá contribuição sobre os valores pagos.”  Irresignada,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  às  fls.  3.276/3.308,  com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­ CARF,  procurando demonstrar  a  insubsistência  do Acórdão  recorrido,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal, insurge­se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimentos levados a  efeito  por  outras  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos/CARF  a  respeito  das  mesmas  matérias,  conforme  se  extrai  dos Acórdãos  paradigmas  trazidos  à  colação,  impondo  seja  conhecido  o  recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas.  Relativamente  ao  prazo  decadencial,  assevera  que  os  Acórdãos  n°s  9202­ 02.079 e 9202­00.503 acolheram o prazo decadencial  inscrito no artigo 150, § 4°, do Código  Tributário  Nacional,  em  detrimento  daquele  previsto  no  artigo  173,  inciso  I,  do  mesmo  Diploma Legal, em face da constatação de antecipação de pagamentos no caso de lançamento  de  salário  indireto,  devendo  ser  considerado  o  salário  como  um  todo  e  não  por  rubrica,  ao  contrário do assentado no decisório combatido.  Suscita  ser equivocada a  tese de  inexistência de antecipação de pagamento,  uma  vez  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as verbas  remuneratórias  convencionais –  salário direto,  na  linha,  inclusive,  que  restou  consignado  no  voto  divergente  constante  do  Acórdão  de  primeira  instância,  impondo seja adotado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN, rechaçando os  fatos geradores ocorridos até 12/2003 (inclusive).  No que tange aos pagamentos realizados aos segurados empregados a  título  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  infere  que  o  Acórdão  guerreado  malferiu  o  entendimento  consubstanciado  nos  Acórdãos  paradigmas  n°s  2402­002.883  e  9303­002.046  (Alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento)  e  205­01.228  e  205­01.171  (possibilidade  adoção da lucratividade como meta a ser cumprida).  Quanto  à  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento,  assevera  que  a  inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das contribuições previdenciárias  se  deu  em  razão  da  suposta  contrariedade  ao  artigo  2°  da  Lei  n°  10.101/2000,  diante  da  Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.538          7 pretensa ausência de negociação entre a empresa e seus empregados através de comissão eleita  entre as partes ou acordo/convenção coletiva.  No entanto, defende que, uma vez comprovada a existência de Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância, corroborado pelo Acórdão recorrido, entendeu por bem alterar o motivo da autuação,  para  considerar  que  em  tais  instrumentos  não  haveria  qualquer  critério  dependente  do  trabalho, como programas de metas e resultados a serem cumpridos.  Sustenta  não  ser  correta  a  conclusão  que  somente  na  impugnação  a  contribuinte fez acostar aos autos as Convenções Coletivas de Trabalho, lastro dos pagamentos  das  PLR’s,  consoante  se  constata  do  documento  intitulado  de  “Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  comprovando  a  entrega  de  aludida  documentação  em  18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da notificação, o que demonstra que a  autoridade lançadora não teve o devido cuidado ao analisar os elementos de prova apresentados  pela autuada no decorrer da ação fiscal.  A corroborar esse entendimento, alega que no  item 4 do Relatório Fiscal, o  próprio  fiscal  autuante  contraria o motivo da autuação ao  reconhecer que  “Serviram de base  para  o  lançamento  [...]”  as  Convenções  Coletivas  do  Trabalho  e  Balanços  Patrimoniais  apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos Digitais – SVA”.  Escora seu pleito no Acórdão n° 2402­002.883, ora adotado como paradigma,  exarado  nos  autos  de  processo  de  interesse  de  empresa  do  mesmo  grupo  econômico  (MERCANTIL  FINANCEIRA  SA),  baseando­se  nos  mesmos  fatos  utilizados  no  presente  lançamento,  o  que  comprova  a  similitude  fática  dos  decisórios  confrontados,  porém,  com  conclusões divergentes.  Destarte,  explicita  que  no Acórdão  paradigma,  a  2a  Turma Ordinária  da  4a  Câmara da 2a SJ do CARF, analisando fatos idênticos aos da presente demanda, entendeu por  bem  rechaçar  a  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento  procedido  pelo  julgador  de  primeira  instância,  considerando,  exclusivamente,  que  a  exigência  fiscal  fora  constituída  em  razão  da  suposta  ausência  de negociação  entre  as  partes,  argumento  que  fora malferido  pela  contribuinte em suas razões recursais, ensejando a decretação da improcedência do feito, o que  se requer nestes autos.  Com  mais  especificidade,  destaca  que  a  Turma  que  prolatou  o  Acórdão  paradigma concluiu que “constituído o  lançamento com base em premissa equivocada, há o  desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício  material”,  entendimento  que  deverá  prevalecer  no  caso  sob  análise,  que  repousa  sobre  os  mesmos fatos.  Ainda em defesa de sua tese, se afastada a argumentação acima, suscita que o  Acórdão  recorrido  contrariou  também os  paradigmas  n°s  205­01.228  e  205­01.171,  os  quais  admitem  a  lucratividade  como  meta  a  ser  alcançada  para  fins  de  pagamento  da  PLR,  ressaltando que a legislação de regência não prevê a exigência de requisitos a serem cumpridos  individualmente, ou melhor, somente faculta o estabelecimento de metas de produtividade.  Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   8 Em relação aos valores pagos  aos  segurados empregados  a  título de Abono  Único, lastreado em Convenções Coletivas de Trabalho, argui que o entendimento estampado  na  decisão  recorrida  divergiu  daquele  inscrito  no  Acórdão  n°  2402­002.883,  que  adotou  os  preceitos  do  Parecer  PGFN/CRJ  n°  2.114/2011  e  Ato  Declaratório  PGFN  n°  16/2011,  que  afasta  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  quando  pagas  em  conformidade com determinação de CCT’s, como aqui se vislumbra, mormente em face da sua  natureza não remuneratória.  Relativamente  à  Participação  nos  Lucros  Estatutária  paga  aos  diretores  contribuintes individuais, defende que o entendimento levado a efeito no decisório combatido  contrariou  a  conclusão  adotada  no Acórdão  paradigma  n°  2402­002.883,  que  admitiu  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  esses  valores,  considerando  que  a  sua  previsão  encontra­se  no  §  1°,  do  artigo  152,  da  Lei  n°  6.404/76  (Lei  das  Sociedades  Anônimas).  A  fazer  prevalecer  seu  entendimento,  assevera  que  as  importâncias  com  natureza  remuneratória  concedidas  aos  diretores  estatutários  da  empresa  encontram­se  previstos no caput do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976.  Em  outra  via,  aduz  que  a  Participação  nos  lucros  de  tais  diretores  é  uma  possibilidade (e não uma obrigação) inscrita no § 1° do dispositivo legal retro, dependente de  deliberação  da  Assembléia  Geral  de  Acionistas,  contabilizada  de  modo  a  reduzir  o  lucro  acumulado,  em  conta  de  patrimônio  líquido,  concluindo  que  tal  pagamento  não  decorre  da  empresa,  mas,  sim,  de  seus  acionistas,  estabelecendo­se  uma  relação  Acionistas  x  Diretores/Administradores,  e  não  “Empregador  x  Empregado”,  afastando,  portanto,  a  sua  natureza de remuneração.  Ressalta,  ainda,  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  um  direito  garantido  constitucionalmente  aos  trabalhadores,  nos  termos  do  artigo  7°,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, que somente exige sejam cumpridos os requisitos estabelecidos em lei, in  casu, a Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 152.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da  2a  SJ  do  CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Contribuinte,  sob  o  argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras  decisões  exaradas  pelas  demais  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos  de  Contribuintes/CARF  a  propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° 2300­129/2013, às fls. 3.501/3.506.  Instada  a  se manifestar  a propósito  do Recurso Especial  da Contribuinte,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  suas  contrarrazões,  às  fls.  3.512/3.528,  corroborando  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  do Acórdão  guerreado,  em  defesa  de  sua  manutenção.  É o Relatório.  Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.539          9   Voto Vencido  Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre  Presidente  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  as divergências  suscitadas pela  contribuinte,  conheço do Recurso Especial  e passo  à  análise das razões recursais.  Consoante  se positiva dos elementos que  instruem o processo, notadamente  Relatório  Fiscal  da Notificação,  no  presente  lançamento  exige­se  diferença  de  contribuições  previdenciárias concernentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (diretoria  executiva),  assim  consideradas  as  importâncias  concedidas  a  título  de  Participação nos Lucros e Resultados, Abono Único e Previdência Complementar, em relação  ao período de 01/2003 a 12/2006.  De  início,  convém  ressaltar  que  as  especificidades  de  cada  verba,  seja  em  relação aos motivos da autuação ou mesmo as divergências arguidas,  serão contempladas de  maneira apartada nos tópicos abaixo listados, senão vejamos.  DECADÊNCIA  Ao  analisar  a  demanda,  a  Turma  recorrida  entendeu  por  bem  manter  a  integralidade da exigência fiscal, rejeitando a preliminar de decadência com base no artigo 173,  inciso  I, do Código Tributário Nacional, em detrimento aos preceitos do artigo 150, § 4°, do  mesmo Diploma Legal, considerando para tanto que as rubricas que compõem o salário devem  ser examinadas separadamente, razão do insurgimento da contribuinte.  Inconformada,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  aduzindo,  em  síntese, que as  razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência,  especialmente o artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência  deste  Colegiado  e  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  a  propósito  da  matéria,  impondo  o  conhecimento da peça recursal.  A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado  nos  Acórdãos  n°s  9202­02.079  e  9202­00.503,  ora  adotados  como  paradigmas,  oferece  proteção  ao  pleito  da  contribuinte,  uma  vez  que  acolheram  o  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento daquele previsto no artigo 173,  inciso I, do mesmo Diploma Legal, em face da constatação de antecipação de pagamentos no  caso de lançamento de salário indireto, devendo ser considerado o salário como um todo e não  por rubrica, ao contrário do assentado no decisório combatido.  Suscita  ser equivocada a  tese de  inexistência de antecipação de pagamento,  uma  vez  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as verbas  remuneratórias  convencionais –  salário direto,  na  linha,  inclusive,  Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   10 que  restou  consignado  no  voto  divergente  constante  do  Acórdão  de  primeira  instância,  impondo seja adotado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN, rechaçando os  fatos geradores ocorridos até 12/2003.  Conforme se infere dos autos, conclui­se que o insurgimento da contribuinte  merece  acolhimento,  por  espelhar  a  melhor  interpretação  a  propósito  do  tema,  encontrando  guarida  na  farta  e  mansa  jurisprudência  administrativa  e  judicial,  como  passaremos  a  demonstrar.  O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações,  senão vejamos.  O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10  (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue:  “Art.  45  –  O  direito  da  Seguridade  Social  apurar  e  constituir  seus créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados:  I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito  poderia ter sido constituído;  [...]”  Por  outro  lado,  o  Código  Tributário  Nacional  em  seu  artigo  173,  caput,  e  inciso  I,  determina  que  o  prazo  para  se  constituir  crédito  tributário  é  de  05  (cinco)  anos,  contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis:  “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  –  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  [...]”  Com  mais  especificidade,  o  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  contempla  a  decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos:  “Art. 150 ­ O lançamento por homologação, que ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  [...]  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles  deve  prevalecer  para  as  contribuições  previdenciárias,  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.  Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.540          11 Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal  Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de  votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que  aprovou  a  Súmula  Vinculante  nº  08,  abaixo  transcrita,  rechaçando  de  uma  vez  por  todas  a  pretensão do Fisco:  “Súmula  nº  08:  São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário.”  Registre­se,  ainda,  que  na  mesma  Sessão  Plenária,  o  STF  achou  por  bem  modular  os  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade  em  comento,  estabelecendo,  em  suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição  judicial  ou  administrativo  formulado  posteriormente  à  11/06/2008,  concedendo,  por  conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido  objeto de execução fiscal.  Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo  decadencial  para  as  contribuições  previdenciárias,  após  a  aprovação/edição  da  Súmula  Vinculante  nº  08,  passou  a  se  limitar  a  aplicação  dos  artigos  150,  §  4º,  ou  173,  inciso  I,  do  Código Tributário Nacional.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento  por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada  seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a natureza do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento  compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o  artigo  150,  §  4º,  do  Código  Tributário,  o  qual  somente  não  prevalecerá  nas  hipóteses  de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   12 Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do  Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada  a ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação, o  certo  é que  a partir  da  alteração do Regimento  Interno do CARF (artigo 62­A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste  Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ  tomadas por  recurso repetitivo,  razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do  dispositivo  legal  retro  depende da  existência  de  recolhimentos  do mesmo  tributo  no  período  Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.541          13 objeto do  lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n°  973.733/SC, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   14 Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento nas  contribuições previdenciárias,  sobretudo em  face das diversas  modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  In  casu,  porém,  despiciendas maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de  pagamento, por trata­se de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração reconhecida  (salário normal),  fato relevante para a aplicação do  instituto,  nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar.  Aliás, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão realizada  em  09/12/2013,  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  determinando  que  tratando­se  de  tributação  sobre  salário  indireto,  impõe­se  à  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150, § 4º, do CTN, como se verifica da Súmula CARF n° 99, aprovada naquela oportunidade,  com o seguinte Enunciado:  “Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.”  Observa­se, que a hipótese  tratada nos autos é exatamente aquela em que a  Súmula  encimada  se  aplica,  eis  que  o  Acórdão  recorrido  rechaçou  a  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150,  §  4°,  do CTN,  por  considerar  cada  rubrica  integrante  do  salário de contribuição separadamente e não a remuneração como um todo, entendimento que  restou definitivamente afastado pela Súmula retro.  Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.542          15 Mais a mais, a própria autoridade lançadora deixou bem claro nos itens 2 e 4  do Relatório  Fiscal,  de  fls.  893/905,  que  os  valores  constantes  do  presente  AI  resultam  das  diferenças apuradas pela fiscalização, bem como que serviram de base para o lançamento as  GPS,  além  de  outros  documentos,  o  que  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  pagamentos  parciais realizados pela contribuinte.  Assim,  é  de  se  restabelecer  a  ordem  legal  no  sentido  de  adotar  o  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional,  em  face  do  recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas.  Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  em  19/12/2008, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da Notificação, a  exigência  fiscal  resta  parcialmente  fulminada  pela  decadência,  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  11/2003,  os  quais  se  encontram  fora  do  prazo  decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial  do feito.  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  –  LEVANTAMENTOS PL1 e PL2  Depreende­se do Relatório Fiscal da Notificação, mais precisamente no item  2.2,  às  fls.  896/898,  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  por  bem  tributar  as  importâncias  concedidas  a  título de PLR aos  segurados  empregados,  aduzindo que malferiu o disposto no  artigo 2o da Lei n° 10.101/2000, em face das seguintes constatações, in verbis:  “[...]    Notadamente o seu artigo 2° traz a obrigatoriedade de que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou  através de acordo/convenção coletiva.  No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos  a  seus  empregados  sem  comprovar  a  realização  desta  negociação,  apesar  de  ter  sido  intimada  para  tal  conforme  TIPF datado de 11/11/2008.  Esta ausência de negociação prévia com os trabalhadores  tornou a rubrica comum de todas as demais constantes da folha  de pagamento – FOPAG, sem caracterizá­la com a especificade  exigida pelo particular dispositivo legal supra mencionado [...]”  (grifamos)  Interposta a impugnação, oportunidade em que a contribuinte reiterou que a  PLR  fora  paga  com  lastro  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  ainda  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância  afastou  a  pretensão  da  então  impugnante assim fundamentando:  “[...]  A  defesa  afirma  que  conforme  comprovam  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  anexas,  o  pagamento  da  verba  PLR  decorreu  da  prévia  negociação  entre  a  empresa  e  os  empregados,  de  que  trata  o  art.  2°  da  Lei  10.101/2000.  Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   16 Acrescenta  que  nas  citadas  CCT  estão  estabelecidos  todos  os  critérios  necessário  a  tal  finalidade,  em  claro  atendimento  ao  disposto na Lei 10.101/2000.  Entretanto, as Convenções Coletivas juntadas demonstram  que no caso concreto o pagamento a titulo de "participação dos  empregados nos lucros ou resultados" é efetuado sem qualquer  critério  dependente  do  trabalho,  como  programas  de metas  e  resultados a  serem cumpridos. Os valores são fixos e  iguais a  todos os empregados, o que demonstra que não foi observado a  Lei 10.101/2000, nos incisos I e II do § 1° do seu art. 2o, e nem  tem  as  características  próprias  da  rubrica  denominada  "participação  nos  lucros  e  resultados.  Trata­se,  portanto,  de  pagamento  extra  de  salário.  Assim,  a  comentada  rubrica  se  enquadra no conceito de  salário de  contribuição, não estando  nas  hipóteses  liberadas  da  tributação pelo  contempladas  no  §  9° do artigo 28 da Lei 8.212/91. [...]” (grifamos)  Na  mesma  linha  de  entendimento,  o  Acórdão  recorrido  manteve  a  integralidade do lançamento, sob o manto das conclusões abaixo transcritas:  “[...]  Quanto à participação nos lucros previstas nas convenções  coletivas  de  fls.  2.162  a  2.192  as  mesmas  não  atendem  ao  comando legal previsto no art. 2º da Lei 10.101. As regras claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  à  possibilidade  de  os  trabalhadores  conhecerem  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  quanto  irão  receber  a  depender  do  lucro  auferido  pelo  empregador  se  os  objetivos  forem  cumpridos.  Apesar  de  terem  sido  objeto  de  convenção  coletiva,  não  há  disciplina  quanto  à  forma  de  recebimento,  os  requisitos  que  devem  ser  atendidos  pelos  empregados.  No  caso,  o  pagamento  seria  devido  a  todos  os  empregados,  conforme  a  admissão  dentro  ou  anterior  ao  exercício,  se  dentro  do  exercício  o  pagamento  seria  proporcional. Desse modo, a parcela tem eminentemente cunho  salarial, pois para ter acesso basta ter  trabalhado na empresa,  independentemente de  ter atuado ou colaborado para geração  de  lucros.  Conforme  previsto  no  art.  3º  da  Lei  10.101  a  participação  nos  lucros  não  pode  ser  utilizada  como  substituição ou complemento da remuneração.  [...]  Não  procede  o  argumento  recursal  de  que  teria  havido  inovação no critério do lançamento. O relatório foi expresso ao  consignar que não foram apresentados durante a ação fiscal os  documentos  relativos  ao  acordo  ou  convenção  coletiva,  conforme fl. 896. Somente durante o processo administrativo é  que  foram  apresentadas  as  convenções,  e  desse  modo,  em  respeito  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa,  os  documentos  foram  analisados  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  concluiu  que  não  foram  atendidas  as  exigências  legais.[...]” (grifamos)  Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.543          17 Decorre  daí  o  insurgimento  da  contribuinte,  alegando  que  o  entendimento  acima  esposado  malferiu  a  conclusão  consubstanciada  nos  Acórdãos  paradigmas  n°s  2402­ 002.883 e 9303­002.046.  Melhor elucidando, assevera que a inclusão dos valores pagos a título de PLR  na base de cálculo das contribuições previdenciárias se deu em razão da suposta contrariedade  ao artigo 2° da Lei n° 10.101/2000, diante da pretensa ausência de negociação entre a empresa  e seus empregados através de comissão eleita entre as partes ou acordo/convenção coletiva.  Entrementes, defende que, uma vez comprovada a existência de Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância, corroborado pelo Acórdão recorrido, entendeu por bem alterar o motivo da autuação,  para  considerar  que  em  tais  instrumentos  não  haveria  qualquer  critério  dependente  do  trabalho, como programas de metas e resultados a serem cumpridos.  Sustenta  não  ser  correta  a  conclusão  que  somente  na  impugnação  a  contribuinte fez acostar aos autos as Convenções Coletivas de Trabalho, lastro dos pagamentos  das  PLR’s,  consoante  se  constata  do  documento  intitulado  de  “Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  comprovando  a  entrega  de  aludida  documentação  em  18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da notificação, o que demonstra que a  autoridade lançadora não teve o devido cuidado ao analisar os elementos de prova apresentados  pela autuada no decorrer da ação fiscal.  A  fazer  prevalecer  esse  entendimento,  alega  que  no  item  4  do  Relatório  Fiscal, o próprio fiscal autuante contraria o motivo da autuação ao reconhecer que “Serviram  de base para o lançamento [...]” as Convenções Coletivas do Trabalho e Balanços Patrimoniais  apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos Digitais – SVA”.  Escora  sua  irresignação  no  Acórdão  n°  2402­002.883,  ora  adotado  como  paradigma, exarado nos autos de processo de interesse de empresa do mesmo grupo econômico  (MERCANTIL  FINANCEIRA  SA),  baseando­se  nos  mesmos  fatos  utilizados  no  presente  lançamento,  o  que  comprova  a  similitude  fática  dos  decisórios  confrontados,  porém,  com  conclusões divergentes.  Destarte,  explicita  que  no Acórdão  paradigma,  a  2a  Turma Ordinária  da  4a  Câmara da 2a SJ do CARF, analisando fatos idênticos aos da presente demanda, entendeu por  bem  rechaçar  a  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento  procedido  pelo  julgador  de  primeira  instância,  considerando,  exclusivamente,  que  a  exigência  fiscal  fora  constituída  em  razão  da  suposta  ausência  de negociação  entre  as  partes,  argumento  que  fora malferido  pela  contribuinte em suas razões recursais, ensejando a decretação da improcedência do feito, o que  se requer nestes autos.  Com  mais  especificidade,  destaca  que  a  Turma  que  prolatou  o  Acórdão  paradigma concluiu que “constituído o  lançamento com base em premissa equivocada, há o  desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício  material”,  entendimento  que  deverá  prevalecer  no  caso  sob  análise,  que  repousa  sobre  os  mesmos fatos.  Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   18 Mais uma vez, conforme se  infere dos autos,  conclui­se que a pretensão da  contribuinte merece acolhimento, na linha do que restou assentado no Acórdão paradigma n°  2402­002.883, que analisou caso idêntico ao presente, inclusive, relativo à empresa do mesmo  grupo econômico, como segue.  De  início,  impende  rechaçar  o  entendimento  encampado  pelo  nobre  Conselheiro subscritor do voto condutor do Acórdão recorrido, de que a contribuinte somente  teria trazido à colação as Convenções Coletivas de Trabalho junto à impugnação, de maneira a  melhor aclarar as situações fáticas que envolvem a demanda.  Destarte, da simples análise dos autos, conclui­se que a contribuinte, de fato,  apresentou à fiscalização as Convenções Coletivas de Trabalho que lastrearam o pagamento da  Participação de Lucros e Resultados. É o que se extrai do documento intitulado de “Sistema de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  demonstrando  que  a  autuada  ofertou  à  fiscalização referidos documentos em 18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da  notificação,  ao  contrário  do  que  restou  assentado  nos  Acórdãos  de  primeira  e  segunda  instância.  Não bastasse isso, outros dois fatos comprovam o alegado pela contribuinte.  A um, a própria autoridade  lançadora deixa consignado no  item 4 do Relatório Fiscal, de  fl.  901, a seguinte informação, verbis:  “[...]  Serviram  de  base  para  o  lançamento  fiscal  os  seguintes  documentos:  • Guias da Previdência Social — GPS;  • GFIP's;  • Lançamentos Contábeis, Folhas de Pagamento, Estatuto Social  e Atas de  Eleição  da  Diretoria,  Convenções  Coletivas  do  Trabalho  e  Balanços  Patrimoniais  apresentados  em  meio  digital,  autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e Autenticação  de Arquivos Digitais — SVA.  [...]”  (grifamos)  A dois, somente como adendo, no item 8 do Relatório Fiscal da Notificação,  de fl. 904, constam todos os lançamentos que foram realizados em face da contribuinte, após o  encerramento da ação fiscal, assim listados:  DEBCAD    ASSUNTO        LEVANTAMENTO  37.199.546­9    Contribuição da Empresa e SAT  ABU, PL1, PL2, PLE, PP6 e PP9  37.199.550­7    Contribuições dos Segurados   ABU, PL1 e PL2  37.199.555­8    Depósito Judicial MS [...]    DEJ  Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.544          19 37.211.016­9  AI CFL 78­ Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos  geradores.  Do  exame  as  autuações/notificações  fiscais  formalizadas  contra  a  contribuinte, acima listadas, não se vislumbra o Auto de Infração (Código 38), com fulcro no  artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do RPS, diante da  constatação  de  descumprimento  de  obrigação  acessória,  mais  precisamente  deixar  de  apresentar documentos e/ou informações solicitados pela fiscalização.  Conclui­se,  portanto,  que  a  contribuinte  apresentou  toda  a  documentação  solicitada pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, uma vez que, se assim não fosse,  teria  sido autuada por descumprimento à obrigação acessória objeto do Auto de Infração Código 38,  como acima explicitado.  Diante desse cenário, torna­se evidente que a recorrente ofertou à fiscalização  as Convenções Coletivas de Trabalho que deram azo ao pagamento da Participação de Lucros e  Resultados  aos  seus  segurados  empregados,  o  que  rechaça,  além  do  argumento  fiscal,  as  conclusões adotadas nos Acórdãos recorrido e de primeira instância.  Na hipótese vertente,  como se observa, uma vez constatada a  incorreção na  premissa adotada pelo agente lançador ao lavrar a notificação, o julgador de primeira instância  inovou os fundamentos do lançamento, adentrando aos aspectos substanciais das Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  as  negando  validade,  no  entanto,  diante  da  suposta  ausência  de  programa  de metas  e  resultados,  o  que  afrontaria  o  artigo  2°,  §  1o,  incisos  I  e  II,  da  Lei  n°  10.101/2000.  E  pior,  além  da  inovação  procedida  pelo  julgador  de  primeira  instância,  o  nobre Conselheiro Relator do Acórdão recorrido, corroborou àquela tese, e ainda acrescentou  que o Programa de PLR da empresa também contrariou o artigo 3° da Lei n° 10.101/2000, o  que fragiliza ainda mais o lançamento e as decisões pretéritas.  Como se verifica, as autoridades julgadoras de primeira e segunda instância,  com  o  fito  de  manter  débito  eivado  de  vícios,  mudaram  o  critério  jurídico  da  apuração  do  crédito tributário, o que é repudiado pelo nosso ordenamento jurídico, consoante se infere do  artigo 146 do Código Tributário Nacional, que estabelece o seguinte:  “Art.146  ­  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente à sua introdução.”  O eminente doutrinador Hugo de Brito Machado, ao conceituar “mudança de  critério jurídico”, assim preleciona:  “[...]  Também  há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa,  tendo  adotado  uma  entre  várias  alternativas  expressamente  admitidas  pela  lei,  na  feitura  do  lançamento,  mediante  a  escolha  de  outra  das  alternativas  admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário  em  valor  diverso,  geralmente  mais  elevado.”  (Hugo  de  Brito  Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   20 Machado,  Curso  de  Direito  Tributário,  12a  Edição,  Malheiros,  1997, p. 123)  No  mesmo  sentido,  muito  valiosa  a  lição  de  Ricardo  Lobo  Torres,  nos  seguintes termos:  “ A autoridade administrativa, depois de efetivado o lançamento,  não  pode  alterá­lo,  de  ofício,  sob  o  argumento  de  que  a  interpretação jurídica adotada não era a correta, a melhor ou a  mais  justa.  [...]”  (TORRES,  Ricardo  Lobo.  Anulação  de  incentivos fiscais – efeitos no tempo. RDDT 121/127, out/05)  Outro não é o posicionamento deste Colegiado, ao decretar a  insubsistência  de lançamentos quando promovidos com mudança de critério jurídico, como segue:  “[...]  NULIDADE  POR  NÃO  LAVRATURA  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO  COMPLEMENTAR  ­  Não  é  de  se  anular  o  procedimento de diligência que não resulte em Auto de Infração  Complementar.  Pode  a  autoridade  autuante  diante  de  novos  fatos  apurados  reformular  os  demonstrativos  desde  que  não  caracterize mudança de critério jurídico. [...]”(4ª Câmara do 1º  Conselho, Recurso nº 119.941 – Acórdão nº 104­19212, Sessão  de 26/02/2003) (grifamos)  Ademais,  o  lançamento  –  atividade  vinculada  que  constitui  o  crédito  tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente  arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar­ se em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação.  O  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ao  atribuir  a  competência  privativa do  lançamento a autoridade administrativa,  igualmente, exige que nessa atividade o  fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador e os elementos que serviram  de base à autuação, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como  segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei  n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública  Federal, devem ser motivados, sob pena de insubsistência, in verbis:  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Constata­se  dos  dispositivos  legais  encimados,  para  que  o  lançamento  encontre  sustentáculo  nas  normas  jurídicas  e,  conseqüentemente,  tenha  validade,  deverá  o  fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e  determinar a matéria  tributável  (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa,  especialmente  no  Relatório  Fiscal  da  Notificação,  ou  erro  nessa  conduta,  macula  o  Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.545          21 procedimento  fiscal,  não  podendo  o  fiscal  autuante  ou  mesmo  as  autoridades  julgadoras  procurar sanear o lançamento após a sua realização, sob pena de mudança de critério jurídico  do ato administrativo, o que é vedado como acima demonstrado.  Em outras palavras, é defeso ao julgador ou outra autoridade fazendária, no  decorrer  do  processo  administrativo  fiscal,  ou  seja,  após  realizado  o  lançamento,  procurar  saneá­lo diante da constatação de o ato administrativo ter partido de uma premissa equivocada,  com o evidente intuito de “salvar” o débito.  O que deve ser objeto de apreciação pelos julgadores administrativos são os  fatos  utilizados  pela  autoridade  lançadora  ao  promover  o  lançamento,  in  casu,  constante  do  Relatório Fiscal da Notificação. São exatamente esses fatos aduzidos pelo fiscal autuante, que  impugnados,  estabelecem  a  lide  a  ser  examinada,  não  podendo  haver  inovação  quanto  aos  fundamentos do lançamento no decorrer do processo administrativo fiscal.  Na  esteira  desse  entendimento,  conclui­se  que  a  conduta  dos  julgadores  recorridos  afronta  a  legislação  de  regência  e,  bem  assim,  a  segurança  jurídica  do  ato  administrativo,  atribuindo  incertezas  ao  lançamento,  o  que  é  repudiado  pela  legislação  tributária,  a  qual  exige  certeza  e  liquidez  no  crédito  tributário,  para  efeito  de  inscrição  em  dívida ativa.  A  rigor,  restou  mais  do  que  evidente  nos  autos  que  o  lançamento  (literalmente) ocorrera diante da suposta ausência de negociação da Participação nos Lucros e  Resultados entre as partes.   “[...]    Notadamente o seu artigo 2° traz a obrigatoriedade de que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou  através de acordo/convenção coletiva.  No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos  a  seus  empregados  sem  comprovar  a  realização  desta  negociação,  apesar  de  ter  sido  intimada  para  tal  conforme  TIPF datado de 11/11/2008.  Esta ausência de negociação prévia com os trabalhadores  tornou a rubrica comum de todas as demais constantes da folha  de pagamento – FOPAG, sem caracterizá­la com a especificade  exigida pelo particular dispositivo legal supra mencionado [...]”  (Relatório Fiscal da Notificação, mais precisamente no item 2.2,  às fls. 896/898 )(grifamos)  Ato  contínuo,  em  virtude  da  comprovação  por  parte  da  contribuinte  da  existência de Convenções Coletivas de Trabalho, apresentadas no decorrer da ação fiscal, diga­ se de passagem, os  julgadores de primeira e  segunda  instância  inovaram o  lançamento,  para  considerar  outros  aspectos/requisitos  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultado,  em  clara  mudança de critério jurídico do lançamento, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio.  Neste  contexto,  é  de  se  afastar  as  inovações  no  lançamento  procedidas  pelas autoridades  julgadoras de primeira e  segunda  instância, de maneira a reconhecer  Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   22 que a desconsideração dos valores pagos a título de PLR ocorrera tão somente por conta  da suposta ausência de negociação entre as partes.  Assim,  uma  vez  comprovado  nos  autos  que  tais  pagamentos  encontraram  respaldo  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  como  fora  reconhecido  pelos  próprios  julgadores  pretéritos,  é  de  se  decretar  a  improcedência  do  feito,  relativamente  aos  levantamentos PL1 e PL2.  Dessa  forma,  acolhida  a  pretensão  da  contribuinte  relativamente  a  inovação/mudança  do  critério  jurídico  do  lançamento,  resta  prejudicada  a  análise da  terceira  divergência suscitada pela recorrente, relativamente à possibilidade de adoção da lucratividade  como meta ao pagamento da PLR, razão pela qual deixaremos de abordar tal questão.  DO ABONO ÚNICO  De  acordo  com  os  autos,  o  fiscal  autuante  lançou  contribuições  previdenciárias sobre os valores pagos ou creditados pela empresa a seus empregados a título  de ABONO, nos termos das Convenções Coletivas do Trabalho ­ CCT de 2002/2003 assinada  em  19/09/2002,  CCT  2003/2004  assinada  em  10/10/2003,  e  CCT  2005/2006  assinada  em  17/10/2005,  contemplando  a  concessão  de  Um  ABONO  ÚNICO  para  os  empregados  nos  valores de R$ 1.200,00 (2002/2003); R$ 1.500,00 (2003/2004) e R$ 1.700,00 (2005/2006), a  ser  pago  até  10  (dez)  dias  úteis  da  data  de  assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho.  Segundo a fiscalização, somente não incidiriam contribuições previdenciárias sobre tais verbas  se estivessem previstas em lei, o que veio a ser ratificado pela Turma recorrida.  Irresignada,  a  contribuinte  argui  que  o  entendimento  estampado  na  decisão  recorrida divergiu daquele  inscrito no Acórdão n° 2402­002.883, que  adotou os preceitos do  Parecer PGFN/CRJ n° 2.114 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, que afasta a incidência de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  quando  pagas  em  conformidade  com  determinação  de  CCT’s,  como  aqui  se  vislumbra,  mormente  em  face  da  sua  natureza  não  remuneratória.  Novamente,  merece  acolhimento  o  pleito  da  contribuinte,  por  espelhar  a  melhor  interpretação  a  respeito  do  tema,  sobretudo  quando  arrimada  em  atos  da  própria  Procuradoria da Fazenda Nacional, senão vejamos.  Afora  vasta  discussão  a  propósito  da  matéria,  deixaremos  de  abordar  a  legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba,  uma vez que o Superior Tribunal de  Justiça vem,  reiteradamente,  afastando qualquer dúvida  quanto  ao  tema,  reconhecendo  a  sua  natureza  indenizatória,  conquanto  que  concedido  com  esteio em Convenção Coletiva de Trabalho.  Aliás,  acolhendo  a  jurisprudência  uníssona  no  âmbito  do  STJ,  a  própria  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  se  manifestou  no  sentido  da  não  incidência  de  contribuições previdenciárias sobre o Abono Único previsto em CCT’s, em vista da evidente  natureza  não  habitual  de  referida  verba,  nos  termos  do  artigo  28,  §  9°,  alínea  “e”,  item  7,  pacificada  no  âmbito  do  Judiciário.  É  o  que  se  extrai  do  Parecer PGFN/CRJ/N°  2114/2011,  com vistas a subsidiar emissão de Ato Declaratório da PGFN, assim ementado:  “Tributário.  Contribuição  previdenciária.  Abono  único.  Não  incidência.  Jurisprudência  pacífica  do  Egrégio  Superior  Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho  de  2002,  e  do  Decreto  nº  2.346,  de  10  de  outubro  de  1997.  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  autorizada  a  não  Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.546          23 contestar,  a  não  interpor  recursos  e  a  desistir  dos  já  interpostos.”  Na mesma linha de raciocínio, acolhendo o Parecer encimado, fora publicado  Ato  Declaratório  n°  16/2011,  da  lavra  da  ilustre  Procuradora  Geral  da  Fazenda  Nacional,  dispensando  a  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência dos já interpostos, contemplando a discussão quanto à incidência de contribuições  previdenciárias sobre o abono único, senão vejamos:  “    ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2114  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  09/12/2011  ,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento relevante:  “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o  abono  único,  previsto  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  desvinculado  do  salário  e  pago  sem  habitualidade,  não  há  incidência de contribuição previdenciária”.  JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp  nº  1.125.381/SP  (DJe  29/4/2010),  REsp  nº  840.328/MG  (DJ  25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO  Procuradora­Geral da Fazenda Nacional.”  Na  esteira  da  jurisprudência  uníssona  dos  Tribunais  Superiores,  uma  vez  reconhecida  à  natureza  eventual  do  Abono  Único  pago  pela  empresa  aos  segurados  empregados,  com  esteio  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  desvinculado  do  salário,  inclusive com reconhecimento formal da falta de interesse de agir da Procuradoria da Fazenda  Nacional (sujeito ativo da relação tributária) nos casos que contemplem referida questão, não  se  pode  cogitar  na  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  o  que  se  vislumbra  na  hipótese  dos  autos,  impondo  seja  julgado  improcedente  a  exigência  fiscal  em  comento, em relação ao Levantamento ABU.  DA PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA ­ PLE  Por  derradeiro,  o  fiscal  autuante  entendeu  como  integrante  do  salário  de  contribuição, os pagamentos realizados aos diretores executivos, sem encontrar esteio na Lei n°  10.101/2000. Em suma, sustentou o fiscal autuante que:  “[...]  Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   24 O  pagamento  a  titulo  de  PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA  foi  feito unicamente em 08/2006 no valor de R$ 25.000,00  (vinte e  cinco  mil  reais)  a  cada  diretor,  totalizando  R$  275.000,00  (Duzentos e setenta e cinco mil reais), não existindo disposição  legal  que  a  exima  de  integrar  o  salário­de­contribuição  para  todos os efeitos. [...]”  Aludido  entendimento  veio  a  ser  ratificado  pela  Turma  recorrida,  nos  seguintes termos:  “[..]  Ao contrário do afirmado pela recorrente, a verba paga aos  diretores  estatutários  possui  natureza  remuneratória.  A  Lei  n  6.404  não  regula  a  participação  nos  lucros  e  resultados.  Conforme já afirmado, a PLR somente foi regulamentada após a  Constituição Federal  de  1988.  A  verba  paga  não  remunerou  o  capital  investido  na  sociedade,  logo  remunerou  efetivamente  o  trabalho executado pelos diretores. [...]”  Por  seu  turno,  assevera  a  recorrente que o  entendimento  levado a  efeito  no  decisório combatido contrariou a conclusão adotada no Acórdão paradigma n° 2402­002.883,  que  admitiu  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  esses  valores,  considerando que a sua previsão encontra­se no § 1°, do artigo 152, da Lei n° 6.404/76 (Lei das  Sociedades Anônimas).  A  fazer  prevalecer  seu  entendimento,  assevera  que  as  importâncias  com  natureza  remuneratória  concedidas  aos  diretores  estatutários  da  empresa  encontram­se  prescritos no caput do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976.  Em  outra  via,  aduz  que  a  Participação  nos  lucros  de  tais  diretores  é  uma  possibilidade (e não uma obrigação) prevista no § 1° do dispositivo legal retro, dependente de  deliberação  da  Assembléia  Geral  de  Acionistas,  contabilizada  de  modo  a  reduzir  o  lucro  acumulado,  em  conta  de  patrimônio  líquido,  concluindo  que  tal  pagamento  não  decorre  da  empresa,  mas,  sim,  de  seus  acionistas,  estabelecendo­se  uma  relação  Acionistas  x  Diretores/Administradores,  e  não  “Empregador  x  Empregado”,  afastando,  portanto,  a  sua  natureza de remuneração.  Ressalta,  ainda,  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  um  direito  garantido  constitucionalmente  aos  trabalhadores,  nos  termos  do  artigo  7°,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, que somente exige sejam cumpridos os requisitos estabelecidos em lei, in  casu, a Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 152.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  utilizadas  pela  autoridade lançadora e julgador recorrido em defesa da manutenção do feito, melhor sorte não  socorre o Fisco, igualmente, quanto a esta matéria, como passaremos a demonstrar.  De  início,  com  o  objetivo  de  melhor  aclarar  a  demanda  posta  nos  autos,  cumpre trazer a lume a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como  alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos:  A  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  7º,  inciso  XI,  instituiu  a  Participação dos trabalhadores nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração  entre capital e  trabalho e ganho de produtividade, desvinculando­a expressamente da base de  cálculo das contribuições previdenciárias, como segue:  Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.547          25 “Art.  7º São direitos dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  [...]  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;” (grifamos)  Por  seu  turno,  no  que  tange  aos  segurados  empregados,  a  legislação  tributária  ao  regulamentar  a  matéria,  impôs  algumas  condições  para  que  as  importâncias  concedidas  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  não  integrassem  o  salário  de  contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua:  “Art. 28. [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  lei:  [...]  j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  a  lei  específica.”  (grifos  nossos)  Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº  794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte:  “Art.  2º  Toda  empresa  deverá  convencionar  com  seus  empregados,  mediante  negociação  coletiva,  a  forma  de  participação destes em seus lucros ou resultados.  Parágrafo  único.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão constar  regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  a)  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b)  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art.  3º A participação de que  trata o artigo 2º não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou  previdenciário.  [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre.  Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   26 [...]”  Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, vigente à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  trazendo  em  seu  bojo  algumas  inovações,  notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos:  “Art.  2º A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:   I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;   II ­ convenção ou acordo coletivo.   §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;   II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.   §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade funcional dos trabalhadores.  [...]  Art.3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.   [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  de  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.   [...]”  Em  suma,  extrai­se  da  evolução  da  legislação  específica  relativa  à  participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos  requisitos  para  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Para  o  período  até  29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente  a 30/06/1998, além da  exigência acima, passou a  ser proibido o pagamento de mais de duas  parcelas no mesmo ano civil.  Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.548          27 No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo  2º,  as  disposições  legais  continuaram  praticamente  as  mesmas,  exigindo  regras  claras  e  objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento.  Atualmente,  a  Lei  n°  10.101/2000  se  apresenta  com  algumas  alterações  introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de  contemplar  em  razão de  não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido  Diploma Legal.  Assim,  para  aqueles  julgadores/doutrinadores  e  afins  que  entendem  ser  a  Participação nos Lucros e Resultados destinada tão somente aos segurados empregados, a sua  regulamentação  acabaria  nas  alterações  introduzidas  na  Lei  n°  10.101/2000  pela  Lei  n°  12.832/2013, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da contribuinte, mormente por não  admitirem tais disposições legais à concessão de tal verba aos contribuintes individuais.  Não  compartilhamos,  porém,  com  tal  conclusão.  Isto  porque,  o  artigo  7º,  inciso XI, da CF, estabeleceu que a Participação nos Lucros e Resultados da empresa, como  forma  de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho  de  produtividade,  é  um  direito  dos  TRABALHADORES, conforme definido em lei.  Em  relação  aos  contribuintes  individuais,  em  nosso  entendimento,  a  lei  exigida no comando constitucional encimado é a Lei n° 6.404/1976, que em seu artigo 152 e  parágrafos, assim prescreve:  “Art.  152.  A  assembléia­geral  fixará  o  montante  global  ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação,  tendo  em  conta  suas  responsabilidades,  o  tempo  dedicado  às  suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor  dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório  em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode  atribuir  aos  administradores  participação  no  lucro  da  companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração  anual  dos  administradores  nem  0,1  (um  décimo)  dos  lucros  (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor.  §  2º  Os  administradores  somente  farão  jus  à  participação  nos  lucros do exercício social em relação ao qual  for atribuído aos  acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202.”  Evidente,  portanto,  que  a  Lei  n°  6.404/1976  contempla  a  possibilidade  de  pagamento  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  aos  administradores  da  empresa  (contribuintes  individuais),  atendendo,  ainda,  o  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  Constituição  Federal.  Melhor  elucidando,  conclui­se  que  a  Lei  das  SA  fora  devidamente  recepcionada pela Carta Magna.  Ora,  cumpre  registrar  que  a  Constituição  Federal,  bem  como  a  legislação  infraconstitucional,  não  têm  palavras  vãs,  previstas  em  seu  bojo  sem  que  tivesse  sido  devidamente analisada e destinada a um fim predefinido.  Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   28 In  casu,  estabelecendo  o  legislador  constituinte  como  destinatários  da  participação nos lucros e resultados da empresa OS TRABALHADORES pretendeu incluir não  só  os  segurados  empregados,  mas  também  os  contribuintes  individuais  que  contribuíram/contribuem para o atingimento dos objetivos definidos pela empresa.  Pretendesse  o  legislador  constituinte  limitar  o  alcance  da  Participação  nos  Lucros e Resultados aos segurados empregados teria feito de maneira literal no bojo da norma  constitucional  retromencionada.  Ao  contrário,  a  única  limitação/requisito  ali  inserido  foi  à  exigência de os demais pressupostos estarem definidos em  lei, o que é atendido no caso dos  contribuintes individuais (diretores/administradores) pela Lei n° 6.404/76.  Mais a mais, a própria essência da verba nos faz concluir pela possibilidade  de  concessão  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais,  uma  vez  se  destinar  à  integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade.  Ora,  admitir  que  somente  os  segurados  empregados  tenham  direito  ao  recebimento  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  implica  dizer  que  os  administradores/diretores  contribuintes  individuais  não  trabalham  de maneira  a  contribuírem  com o ganho de produtividade da empresa.  Destarte,  a  teor  dos  preceitos  inscritos  na  legislação  encimada,  constata­se  que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis  que  desvinculada  da  tributação  das  contribuições  previdenciárias  por  força  da  Constituição  Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta.  Entrementes,  não  é  a  simples  denominação  atribuída  pela  empresa  à  verba  concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora  exigidos.  Em  verdade,  o  que  importa  é  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados,  independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua  efetivamente  a  natureza  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  indispensável  se  faz  à  conjugação  dos  pressupostos  legais  inscritos  na  MP  nº  794/1994  e  reedições,  c/c  Lei  nº  10.101/2000, e Lei n° 6.404/1976, dependendo do período fiscalizado ou o beneficiário.  Nessa  esteira  de  entendimento,  é  de  fácil  conclusão  que  as  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  intituladas  de  PLR  somente  sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos  legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas,  tão somente, quando assim não restar caracterizada.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  de  tal  verba,  sendo defeso,  igualmente,  a  atribuição de  requisitos/condições que não  estejam  contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades,  sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de  afronta ao Princípio da Legalidade.  Por  outro  lado,  convém  frisar  que  tratando­se  de  imunidade,  os  pagamentos  a  título  de  PLR  não  devem  observância  aos  rigores  interpretativos  insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de  isenção,  com  necessária  interpretação  restritiva  da  norma.  Ao  contrário,  no  caso  de  imunidade,  a  doutrina  e  jurisprudência  consolidaram  entendimento  de  que  a  interpretação da norma constitucional poderá  ser mais abrangente,  de maneira a  fazer  Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.549          29 prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais  verbas,  o  que  não  implica  dizer  que  a  PLR  não  deve  observância  ao  regramento  específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena.  Observe  que  tratando­se  de  uma  verdadeira  imunidade,  a  interpretação  da  legislação de regência não pode amesquinhar a  intenção do legislador constituinte no sentido  de  possibilitar  o  pagamento  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  aos  trabalhadores,  aí  entendidos  os  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  como  forma  de  integração  entre capital e trabalho.  A  rigor,  aqueles  que  se  posicionam  pela  impossibilidade  de  pagamento  de  PLR  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais  assim  o  fazem  basicamente  por  concluírem  que  o  termo  trabalhadores  constante  da  disposição  constitucional  acima  não  os  abarca, ou mesmo por supostamente não haver lei específica tratando da matéria.  Com  as  devidas  vênias,  os  dois  argumentos  são  falíveis. O primeiro,  como  acima  explicitado,  é  facilmente  rechaçado  diante  da  própria  literalidade  da  norma  constitucional.  Ora,  trabalhadores  não  se  limita  a  referir­se  a  segurados  empregados.  Acrescenta­se  à  essa  conclusão  o  fato  de  estarmos  diante  de  uma  imunidade,  onde  a  interpretação  das  normas  que  regem  a  questão  não  pode  ser  mitigada,  mas,  sim,  alargada,  mormente objetivando atender o seu fim precípuo, qual seja, integração entre capital e trabalho.  Ora, a própria Lei n° 8.212/91, que estabelece a organização da Seguridade  Social e institui o seu Plano de Custeio, traz em seu bojo o termo trabalhadores como aqueles  (segurados empregados e contribuintes individuais) que ajudarão no seu financiamento, como  se extrai dos artigos 10 e 11, como segue:  Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  do  art.  195  da  Constituição Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes  da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de  contribuições sociais.   “Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social  é composto das seguintes receitas:   I ­ receitas da União;   II ­ receitas das contribuições sociais;   III ­ receitas de outras fontes.   Parágrafo único. Constituem contribuições sociais:  a)  as  das  empresas,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  segurados  a  seu  serviço;  (Vide  art.  104  da  lei  nº  11.196, de 2005)   b) as dos empregadores domésticos;   c)  as  dos  trabalhadores,  incidentes  sobre  o  seu  salário­de­ contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005)  d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro;   Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   30 e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.”  Partindo dessas premissas, se a própria Lei do Custeio da Seguridade Social  (Lei n° 8.212/91) determina que parte de seu financiamento se dará pelas receitas advindas das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  o  salário  de  contribuição  dos  trabalhadores,  contemplando, portanto, os segurados empregados e contribuintes individuais, não faz qualquer  sentido  se  interpretar  o  mesmo  termo  (trabalhadores)  constante  do  artigo  7º,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, de forma diversa, limitada.  No mesmo sentido, não merece acolhimento o entendimento da inexistência  de  lei  específica  tratando da PLR dos  administradores/diretores  contribuintes  individuais,  eis  que  a  Lei  n°  6.404/1976  é  expressa/literal  ao  contemplar  aludida  verba  em  seu  artigo  152.  Aliás,  nem  se  diga  que  referida  lei,  por  ser  anterior  a Constituição  Federal  de  1998,  não  se  prestaria à “legislar”  sobre o assunto. Essa conclusão põe a  termo o  instituto da  recepção da  norma  pela  Constituição  Federal,  que  pretérita  a  esta,  mas  compatível,  o  que  se  constata  facilmente no caso vertente.  A  propósito  da  matéria,  o  ilustre  Ministro  Gilmar  Mendes  é  por  demais  enfático ao afirmar:  “[...]  Por  isso  se  entende  que  aquelas  normas  anteriores  à  Constituição,  que  são  com  ela  compatíveis  no  seu  conteúdo,  continuam em vigor. Diz­se que, nesse  caso, opera o  fenômeno  da  recepção,  que  corresponde  a  uma  revalidação  das  normas  que  não  desafiam,  materialmente,  a  nova  Constituição.  [...]”  (MENDES, Gilmar Ferreira, Curso de Direito Constitucional, 4ª  ed. Ed. Saraiva, São Paulo, 2008. p. 257)  Nessa  toada,  é  de  fácil  conclusão  que  a  Lei  n°  6.404/76  fora  recepcionada  pela Constituição Federal, mesmo porque ainda vigente,  e as  suas disposições que  tratam da  PLR  para  os  administradores/diretores  contribuintes  individuais  são  compatíveis  com  o  preceito constitucional inscrito no artigo 7º, inciso XI, da CF.  Na  hipótese  dos  autos,  a  ilustre  autoridade  lançadora  achou  por  bem  considerar  como  remuneração  os  pagamentos  efetuados  pela  empresa  aos  contribuintes  individuais a título de Participação nos Lucros e Resultados, utilizando como fundamento à sua  empreitada a pretensa ausência de lei específica dispondo sobre a verba.  Assim, a simples conclusão acima aventada, no sentido da aplicabilidade da  Lei  n°  6.404/76,  para  fins  de  regulamentação  da  PLR  aos  diretores/administradores  contribuintes individuais, seria capaz de macular a exigência fiscal.  Isto porque, partindo dessa premissa, o fiscal autuante deixou de adentrar aos  aspectos substanciais de aludidos pagamentos com a finalidade de verificar se observaram os  preceitos  da  Lei  das  SA,  limitando  a  análise  da  demanda  como  questão  de  direito,  com  sua  tese, em nosso entendimento, rechaçada acima.  Não bastasse isso, adentrando­se ao aspecto contábil e da natureza de aludido  pagamento, cumpre trazer à baila os substanciosos fundamentos de fato e de direito constantes  do Acórdão n° 2402­002.883, ora adotado como paradigma, da lavra do eminente Conselheiro  Nereu Miguel Ribeiro Domingues, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como  razões de decidir:  Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.550          31 “[...]  A  Recorrente  sustenta  também  que  a  participação  estatutária  dos  diretores  não  possui  feição  remuneratória,  devendo  ser  excluída  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Como  pode  se  verificar  no  item  2.3  do  relatório  fiscal  (fl.  38),  houve  a  distribuição  de  lucros  aos  diretores  estatutários,  haja  vista que  é uma sociedade anônima, nos  termos da Lei nº  6.404/76.  Cabe pontuar, primeiramente, que a Lei nº 6.404/76 trata os  diretores da mesma  forma que os administradores,  tal  como se  verifica em seu art. 145, in verbis:  "Art.  145.  As  normas  relativas  a  requisitos,  impedimentos,  investidura,  remuneração,  deveres  e  responsabilidade  dos  administradores aplicam­se a conselheiros e diretores."  As  regras  relativas  à  participação  desta  classe  de  trabalhadores  estão  claramente  previstas  no  art.  152  da Lei  n.  6.404/76, que assim dispõe:  [...]  Analisando as regras expostas acima, tem­se que, por ser a  assembleia geral que delibera sobre a concessão de participação  aos diretores estatutários, está­se diante de uma relação jurídica  firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”.  Nesse  sentido,  destaca­se  que  a  participação dos  diretores  estatutários  é  contabilizada  em  conta  do  patrimônio  líquido,  mediante redução do lucro acumulado, e não paga pela empresa  em si (por meio de escrituração em conta de resultado).  Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28  da  Lei  nº  8.212/91,  pois  os  valores  recebidos  pelos  diretores  estatutários não se inserem na relação jurídica “Empregador x  Empregado”,  não  havendo  que  se  falar  na  incidência  das  contribuições previdenciárias.  Em  vista  disso,  é  mister  que  seja  excluído  do  presente  lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os  pagamentos  realizados  a  título  de  “PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE [...]”  Na esteira desse entendimento, é de se afastar a  incidência de contribuições  previdenciárias  sobre  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  pagos  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais,  seja  em  razão  de  possibilidade  de  sua  concessão  com  esteio  na  Lei  n°  6.404/76,  ou  mesmo  diante  da  ausência  de  vinculação  do  pagamento entre Empregado x Empregador, mas, sim, decorrente da relação entre Acionistas x  Diretores/Administradores, afastando a natureza remuneratória de aludida verba.  Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   32   Por  todo  o  exposto,  estando  o  Acórdão  guerreado  em  dissonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO  ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DAR­LHE PROVIMENTO,  acolhendo a preliminar de  decadência  parcial  do  crédito  previdenciário,  até  a  competência  11/2003,  afastando,  ainda,  a  incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos funcionários a título de  Abono  Único  (ABU),  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PL1  e  PL2  –  segurados  empregados)  e  (PLE  – Diretores/Administradores  contribuintes  individuais),  pelas  razões  de  fato e de direito acima esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira  Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.551          33   Voto Vencedor  Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado  Ouso  divergir  do  ilustre  conselheiro  relator  exclusivamente  no  que  diz  respeito  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  efetuados  a  diretores estatutários a título de participação nos lucros.  A  Constituição,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XI,  erige  a  participação  nos  lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o  benefício da remuneração, in verbis:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  ...  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  Como  se  vê,  o  art.  7º,  inciso  XI,  da  CF,  ao  dispor  sobre  os  direitos  fundamentais  sociais  do  trabalhador,  assegura  a  "participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada da remuneração".   Neste  sentido,  aliás,  a  lição  doutrinária  de  Arnaldo  Sussekind  e  outros.  Instituições de Direito do Trabalho. ED. Ltr. 17 ed. Vol 1, pág. 458/459):   "A  participação  nos  lucros  da  empresa  constitui  método  de  remuneração  complementar  do  empregado,  com  o  qual  se  lhe  garante uma parcela dos lucros auferidos pelo empreendimento  econômico  do  qual  participa.  Por  isso  mesmo,  no  direito  comparado, e também, na doutrina brasileira, prevalece a teoria  que a conceitua como prestação aleatória de natureza salarial;  mas, em face do estatuído pelo art. 7º, XI da nova Constituição,  essa  participação  não  mais  constitui  salário  no  sistema  legal  brasileiro.  A participação nos  lucros da  empresa não  se  confunde  com os  prêmios  arbitrariamente  outorgados  pelo  empregador,  porquanto  ela  decorre  de  imposição  legal,  convenção  ou  acórdão coletivo e, bem assim do regulamento da empresa ou de  ajuste contratual, sendo devida desde que realizada a condição  prevista  para  a  geração  do  direito  do  empregado.  Como  bem  acentua  Nélio  Reis,  a  participação  nos  lucros  da  empresa  é  perfeitamente  compatível  com  o  contrato  de  trabalho.  Se  a  relação  de  emprego  está  configurada  pela  coexistência  dos  elementos que a caracterizam, a participação do empregado nos  lucros  da  empresa  não  transforma  o  contrato  de  trabalho  em  contrato  de  sociedade,  nem  o  converte  em  contrato  misto.  A  Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   34 participação; neste caso, nada mais será do que uma condição,  imposta  por  lei,  negociação  coletiva  ou acordo  entre  as  partes  contratantes, integrantes do próprio contrato de trabalho."   A Constituição Federal, conforme Adalberto Martins e Hélio Augusto Pedroso  Cavalcanti  (in Elementos de Direito  Individual  do Trabalho.  Porto Alegre. Síntese,  2000, p. 85)  “não se limitou a incluir a participação nos lucros no rol de direitos dos empregados. Houve,  também, a preocupação no sentido de que a participação nos  lucros ficasse desvinculada da  remuneração  do  empregado”,  e  ainda  acrescentou  o  termo  resultado,  passando  assim  a  ser  participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas.  O art. 7º,  inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da  participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de  contribuições  previdenciárias.  Neste  sentido  lição  de  Fábio  Zambitte  Ibrahim,  em  artigo  intitulado  "A  participação  nos  lucros  e  resultados  das  empresas  e  sua  imunidade  previdenciária":  "Apesar da importância e desenvolvimento atual do tema, há um  aspecto  ainda  precariamente  desenvolvido,  que  diz  res­peito  à  incidência  da  contribuição  previdenciária.  De  modo  geral,  adota­se  a  dispensa  da  tributação  como  mero  favor  legal,  ignorando que  a  previsão constitucional,  ao  excluir a  natureza  salarial  das  participações  nos  lucros  e  resultados,  gera  uma  imunidade.  2.  A  INTRIBUTABILIDADE  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS E RESULTADOS  A  redação  do  art.  7º,  XI  da  Constituição,  com  muita  clareza,  prevê,  como  direito  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  a  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração.  Ou  seja,  sem  maiores  esforços  hermenêuticos,  nota­se  a  peremptória  vontade  do  constituinte  em  elidir  a  natureza  salarial  de  tais  valores,  impondo,  em  âmbito  constitucional, a já conhecida distinção entre os rendimentos do  trabalho e do capital.   Apesar de o preceito prever a necessidade de lei, como se verá,  isso  não  elide  a  natureza  imunizante  do  dispositivo  nem  exclui  sua  eficácia,  como  amplamente  reconhecido  pela  doutrina  contemporânea e, mais recentemente, pelo STF.  O  7º,  XI  da  constituição  traz  imunidade  em  prol  das  participações nos  lucros e resultados, especialmente no que diz  respeito  à  incidência  previdenciária.  Ao  elidir  a  natureza  salarial,  há,  implicitamente,  o  afastamento  de  qualquer  contribuição para financiamento da previdência social.   Trata­se de imunidade, pois é norma constitucional que limita as  possibilidades  de  imposição  securitária,  delineando  o  campo  impositivo  genericamente  fixado  na  Constituição.  É  uma  regra  negativa de competência tributária.  (...)  É,  portanto,  imunidade  específica,  subjetiva  e  condicionada.  Subjetiva  pela  titularidade  do  direito  a  trabalhadores  Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.552          35 empregados e avulsos; condicionada por carecer de atendimento  a requisitos fixados em lei.   A  maior  e  mais  importante  questão  é  sobre  a  natureza  condicionada da imunidade. É certo que a lei não poderá reduzir  o alcance ou mudar o  sentido do preceito constitucional. Ao se  demandar  lei  visando  a  consolidação  de  critérios  para  a  aplicação das normas de intributabilidade das participações nos  lucros  e  resultados,  não  se  está,  como  possa  parecer,  condicionando  o  gozo  do  preceito  constitucional  aos  anseios  e  paixões do legislador ordinário, mas somente delegando a este,  em  limitada  margem  de  ação,  o  estabelecimento  de  requisitos  formais da matéria."  A regulamentação deste dispositivo constitucional começou em 1994, através  de Medidas  Provisórias,  num  total  de  77  reedições,  até  o  surgimento  da  Lei  nº  10.101,  de  19/12/2000. Confira­se a evolução legislativa da matéria:  ­ Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994 ­ Reedições.  ­ MP nº 860, 915, 955, 980, 1006, 1.029, 1.051, 1.077, 1.104, 1.136, 1.169,  1.204, 1.239, 1.276, 1.315, 1.355, 1.397, 1.439, 1.487.  ­ MP nº 1.487­20, e reedições.  ­ MP nº 1.539, e reedições.  ­ MP nº 1.539­27, e reedições.  ­ MP nº 1.619­39, de 12 de dezembro de 1997, e reedições.  ­ MP nº 1.698­46, de 30 de junho de 1998, e reedições.  ­ MP nº 1.769­52, de 14 de dezembro de 1998, e reedições.  ­ MP nº 1.878­59, de 29 de junho de 1999, e reedições.  ­ MP nº 1.982­65, de 10 de dezembro de 1999, e reedições.  ­ Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000.  Por relevante, saliento que O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão  em  que  se  discutia  se  era  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  parcelas  pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal  e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o  exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com  a edição da lei prevista para regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE  398284, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe­ 241 DIVULG 18­12­2008 PUBLIC 19­12­2008 EMENT VOL­02346­09 PP­02087 RTJ VOL­ 00208­03 PP­01221):  "Participação  nos  lucros.  Art.  7°,  XI,  da Constituição Federal.  Necessidade de lei para o exercício desse direito.  Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   36 1.  O  exercício  do  direito  assegurado  pelo  art.  7°,  XI,  da  Constituição  Federal  começa  com  a  edição  da  lei  prevista  no  dispositivo  para  regulamentá­lo,  diante  da  imperativa  necessidade de integração.  2.  Com  isso,  possível  a  cobrança  das  contribuições  previdenciárias  até  a  data  em  que  entrou  em  vigor  a  regulamentação do dispositivo.  3. Recurso extraordinário conhecido e provido."  No mesmo  sentido  o RE 380636,  em que mais  uma vez  concluiu­se  que  a  participação nos lucros somente pode ser considerada "desvinculada da remuneração" (art. 7º,  XI,  da  Constituição  Federal)  após  a  edição  da  citada  Medida  Provisória  nº  794,  de  1994,  entendendo ser possível a cobrança de contribuição previdenciária antes da regulamentação do  dispositivo constitucional, pois integrava a remuneração:  "DECISÃO:  Trata­se de recurso extraordinário fundado no art. 102, III, "a",  da  Constituição  Federal,  contra  acórdão  assim  ementado  (fl.  82):  "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  ­ PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  ­  NATUREZA  NÃO  SALARIAL  ­  INCIDÊNCIA  ­  IMPOSSIBILIDADE ­ RECURSO DESPROVIDO.  1  ­  A  interpretação  sistemática  da  Constituição  e  a  própria  legislação superveniente que regulamentou seu art. 7o, XI, levam  à conclusão de que a parcela paga a título de participação nos  lucros  da  empresa  não  possui  caráter  salarial,  sendo  inadmissível a incidência de contribuição previdenciária.   2 ­ Apelação desprovida." Alega­se violação ao artigo 7o, XI, da  Carta Magna.  Sustenta­se  que  a  eficácia  do  citado  dispositivo  constitucional  somente  ocorreu  a  partir  da  edição  da  Medida  Provisória no 794, de 29 de dezembro de 1994.   O  Subprocurador­Geral  da  República,  Dr.  Eitel  Santiago  de  Brito  Pereira,  manifestou­se  pelo  provimento  do  recurso  extraordinário,  em  parecer  no  qual  restou  assentado  (fl.  111/112):  "[...].  A  tese  esposada  no  decisório  combatido  diverge  da  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Confira­se,  a  propósito, a seguinte decisão do Ministro Eros Grau:   '...Cuida­se  de  ação  anulatória  em  que  o  Banco  do  Brasil  insurge­se contra a exigência da cobrança de crédito tributário  (contribuições previdenciárias),  incidentes sobre a participação  dos empregados nos lucros da empresa, no período de fevereiro  e setembro de 1993 e março de 1994.  2.  O  juízo  de  primeira  instância  julgou  procedente  o  pedido  formulado na inicial e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região  negou  provimento  ao  recurso  de  apelação  apresentado  pela  autarquia  federal, por entender que o preceito do artigo 7º, XI,  da  Constituição  do  Brasil,  que  assegura  a  participação  dos  empregados  nos  lucros  da  empresa,  desvinculada  da  Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.553          37 remuneração, é norma que contém eficácia plena e imediata, vez  que a  lei que vier a  ser editada para disciplinar a matéria não  poderá vincular o produto da participação dos empregados nos  lucros à remuneração desses (fl. 209).  3.  Contra  essa  decisão  foi  interposto  o  presente  recurso  extraordinário  em  que  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  sustenta a violação do disposto no artigo 7º, XI, da Constituição,  uma  vez  que  o  preceito  que  assegura  a  participação  dos  empregados  no  lucro  das  empresas  não  é  norma  de  eficácia  limitada  e,  conseqüentemente,  não  prescinde  da  edição  de  lei  que  venha  implementar  a  concretização  do  seu  comando  normativo,  o  que  somente  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória n. 794, de 29.12.1994.   4. Procedem as alegações da recorrente. Conforme se infere dos  votos proferidos no Mandado de Injunção 102­PE, Plenário, DJ  de  25.10.2002,  Redator  para  o  acórdão  o  Ministro  Carlos  Velloso, somente com a superveniência da Medida Provisória n.  794,  sucessivamente  reeditada,  foram  implementadas  as  condições  indispensáveis  ao  exercício  do  direito  dos  trabalhadores no lucro das empresas. Dessa maneira, embora o  inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos  empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que  essa parcela ­­­ participação nos lucros ­­­ é algo desvinculado  da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei  disciplinadora  que  definisse  o  modo  e  os  limites  de  sua  participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer  para  fins  tributários,  quer  para  fins  de  incidência  de  contribuição previdenciária...'."  De fato, nos termos do entendimento firmado por esta Corte no  julgamento  do  Mandado  de  Injunção  102,  Plenário,  Redator  para  o  acórdão  Carlos  Velloso,  DJ  25.10.02,  é  de  se  concluir  que  a  regulamentação  do  art.  7o,  XI,  da Constituição  somente  ocorreu  com a  edição  da Medida  Provisória  no  794,  de  1994,  que  implementou  o  direito  dos  trabalhadores  na  participação  nos lucros da empresa.   Desse  modo,  a  participação  nos  lucros  somente  pode  ser  considerada  "desvinculada  da  remuneração"  (art.  7o,  XI,  da  Constituição  Federal)  após  a  edição  da  citada  Medida  Provisória.  Portanto,  verifica­se  ser  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  antes  da  regulamentação  do  dispositivo constitucional, pois  integrava a remuneração. Nesse  sentido,  monocraticamente,  o  RE  351.506,  Rel.  Eros Grau, DJ  04.03.05.  Assim, conheço e dou provimento ao recurso extraordinário (art.  557,  §  1o­A,  do  CPC)  para  reconhecer  a  exigência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  parcela  paga  a  título  de  participação nos lucros da empresa no período anterior à edição  da Medida Provisória no 794, de 1994. Publique­se. Brasília, 13  de outubro de 2005. Ministro GILMAR MENDES Relator  Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   38 (RE  380636,  Relator(a):  Min.  GILMAR  MENDES,  Decisão  Proferida  pelo(a)  Ministro(a)  GILMAR  MENDES,  julgado  em  13/10/2005, publicado em DJ 24/10/2005 PP­00057)"   Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF  "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua  condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica­se que  as  garantias  inseridas  em  seus  incisos,  em  verdade,  definem  a  estrutura  básica  do  modelo  jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido  leciona Gilmar Ferreira Mendes,  in  Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade ­ Estudos de Direito Constitucional,  4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012:  "6.1.3.1. Dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais   A  Constituição  contempla  um  leque  bastante  diferenciado  de  normas referentes aos chamados direitos sociais do trabalhador.  Não são poucas as disposições que regulam as bases da relação  contratual  e  fixam  o  estatuto  básico  do  vínculo  empregatício,  conferindo destaque para situações especiais.   É  notório  que  a  Constituição  procurou  estabelecer  limites  ao  poder de conformação do legislador e dos próprios contratantes  na conformação do contrato de trabalho."  A lei a que se refere o dispositivo constitucional,  também, é referida na Lei  de  Custeio  da  previdência  Social,  pelo  art.  28,  §  9º,  alínea  j,  da  Lei  nº  8.212/91,  que  expressamente exclui a participação nos lucros ou resultados da empresa da base de cálculo das  contribuições previdenciárias, quando paga de acordo com a lei específica, in verbis:  "Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  (...)".  A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata­se  que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições,  ao  regulamentar  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  como  instrumento de  integração entre o capital  e o  trabalho e como  incentivo à produtividade, nos  termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação  nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício:  "Art.2oA  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  (...)  Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.554          39 Art.3oA  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade."  (grifei)  Assim  sendo,  há  de  se  concluir  que:  i)  a  imunidade  de  contribuições  previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada aos trabalhadores com vínculo  empregatício; e ii) o exercício do gozo da imunidade de contribuições previdenciárias, prevista  no art. 7º, inciso XI da CF, somente se efetivou com a edição da lei mencionada no dispositivo  para regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994.  O art. 152 e parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 disciplina a participação no  lucro atribuída a administradores, nos seguintes termos:  “Art.  152.  A  assembléia­geral  fixará  o  montante  global  ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação,  tendo  em  conta  suas  responsabilidades,  o  tempo  dedicado  às  suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor  dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório  em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode  atribuir  aos  administradores  participação  no  lucro  da  companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração  anual  dos  administradores  nem  0,1  (um  décimo)  dos  lucros  (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor.  §  2º  Os  administradores  somente  farão  jus  à  participação  nos  lucros do exercício social em relação ao qual  for atribuído aos  acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202.”  Entretanto, não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de  1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista  no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no  lucro  da  companhia  para  diretores  sem  vínculo  empregatício  e,  conforme  já  concluímos,  a  imunidade de contribuições previdenciárias,  prevista no  art.  7º,  inciso XI da CF,  é destinada  somente aos trabalhadores com vínculo empregatício.  Outrossim,  também  não  compartilho  do  entendimento  de  que  deva  ser  afastada  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  pagos  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais  em  decorrência  do  entendimento de que há ausência de vinculação do pagamento entre Empregado x Empregador,  mas, sim, decorrente da relação entre Acionistas x Diretores/Administradores.  A  Constituição  Federal,  sobre  o  financiamento  da  Previdência  Social,  preceitua, que dente outras fontes, a seguridade social será financiada por contribuições sociais  do trabalhador e dos demais segurados da previdência social e do empregador, da empresa e da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   40 rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício (art. 195, I, “a” e II)  Por seu turno, o legislador elegeu a remuneração como elemento nuclear na  definição  do  elemento  quantitativo  do  fato  gerador  das  contribuições  sociais  previdenciárias  (art. 22, I, II e III da Lei nº 8.212/91).  Especificamente,  com  relação a hipótese de  incidência,  constitucionalmente  prevista,  incidentes sobre os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste serviço sem vínculo empregatício, temos sua previsão legal  insculpida no art. 22, III e 28, III da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos.  "Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Incluído  pela Lei nº 9.876, de 1999). "   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)."   Note­se  que  a  incidência  restringir­se­á  às  hipóteses  nas  quais  as  parcelas  pagas  ou  creditadas  destinem­se  a  retribuir  o  trabalho  Portanto,  a  incidência  tributária  das  contribuições  sociais  previdenciárias  está  restrita  as  importâncias  destinadas  a  retribuir  o  trabalho, ou seja, que venham a caracterizar­se como remuneração.  No  presente  caso  resta  evidente  que  o  pagamento  realizado  a  título  de  participação  nos  lucros  a  diretores  estatutários  decorre  da  prestação  de  serviço  sem  vínculo  empregatício, inserido no conceito de remuneração.  O fato de a assembléia geral ­ que tem poderes para decidir todos os negócios  relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e  desenvolvimento  (art.  121  da  Lei  n°  6.404,  de  1976)  ­  deliberar  sobre  a  concessão  de  participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral  existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza  remuneratória da verba paga.  Ademais, adentrando­se na esfera contábil verifica­se que a demonstração do  resultado do exercício discriminará ­ antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante  por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191  da  Lei  n°  6.404,  de  1976,  o  lucro  líquido  do  exercício  é  o  resultado  do  exercício  que  remanescer  depois  de  deduzidas  as  participações  de  que  trata  o  artigo  190,  que  inclui  a  participação dos administradores, in verbis:  "Art.  187.  A  demonstração  do  resultado  do  exercício  discriminará:  Fl. 3734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.555          41  I  ­  a  receita  bruta  das  vendas  e  serviços,  as  deduções  das  vendas, os abatimentos e os impostos;   II  ­  a  receita  líquida  das  vendas  e  serviços,  o  custo  das  mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;   III  ­  as  despesas  com  as  vendas,  as  despesas  financeiras,  deduzidas  das  receitas,  as  despesas  gerais  e  administrativas,  e  outras despesas operacionais;   IV ­ o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não  operacionais  e o  saldo da conta de correção monetária  (artigo  185, § 3º);  IV ­ o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não  operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995)   IV­o  lucro  ou  prejuízo  operacional,  as  outras  receitas  e  as  outras despesas; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449,  de 2008)   IV  –  o  lucro  ou  prejuízo  operacional,  as  outras  receitas  e  as  outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)   V ­ o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a  provisão para o imposto;   VI  ­  as  participações  de  debêntures,  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias,  e  as  contribuições para  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados;   VI  –  as  participações  de  debêntures,  de  empregados  e  administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem como despesa;  (Redação  dada pela Lei nº 11.638,de 2007)   VI­as participações de debêntures, empregados, administradores  e  partes  beneficiárias,  mesmo  na  forma  de  instrumentos  financeiros,  e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem  como  despesa;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)   VI  –  as  participações  de  debêntures,  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias,  mesmo  na  forma  de  instrumentos  financeiros,  e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem como despesa;  (Redação dada pela Lei nº 11.941,  de 2009)   VII ­ o  lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante  por ação do capital social.  (...)  Fl. 3735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   42 Participações  Art.  190.  As  participações  estatutárias  de  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias  serão  determinadas,  sucessivamente  e  nessa  ordem,  com  base  nos  lucros  que  remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente  calculada.   Parágrafo único. Aplica­se ao pagamento das participações dos  administradores  e  das  partes  beneficiárias  o  disposto  nos  parágrafos do artigo 201.  Lucro Líquido   Art.  191. Lucro  líquido do exercício  é o  resultado do exercício  que  remanescer  depois  de  deduzidas  as  participações  de  que  trata o artigo 190."  Destarte,  há  de  se  concluir  que  as  verbas  pagas  pela  empresa  aos  seus  diretores  estatutários  a  título  de  participação  nos  lucros  subsumem­se  ao  conceito  de  remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias.  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte, para declarar a decadência argüida e afastar  a  tributação sobre as parcelas PLR  relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único, mantendo­se incólume a tributação sobre as parcelas  pagas a título de participação nos lucros aos diretores estatutários.    (Assinado digitalmente)  Elias Sampaio Freire                      Fl. 3736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 11080.918359/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 3          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 4          3    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª.  Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  sendo  indeferida a restituição pleiteada.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:    “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade  contra  Despacho Decisório  emitido  eletronicamente  pela  DRF  de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela  empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência  de valores de indébito.  Inconformada, insurge­se alegando que foi solicitada restituição  da  contribuição  porque  houve  a  tributação  sobre  receitas  financeiras,  conforme  declarado  em  DACON,  na  ficha  demais  receitas  e  na  ficha  contribuição  a  pagar,  refletindo  na  DCTF  mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos  financeiros do período.  Estas  receitas  financeiras  não  seriam  componentes  da  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS  ou  Cofins)  cumulativa,  pois  o  art.79,  inciso  XII  da  Lei  11.941,  de  27/05/2009,  com  efeito  a  partir de sua publicação, excluiu­as do conceito de faturamento  (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da  contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.”    A manifestação  de  inconformidade,  embora  denominada  de  “impugnação”,  foi  conhecida  pela  DRJ  de  origem,  sendo  julgada  improcedente.  O  acórdão  da  DRJ/POA  possui a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS.  A comprovação de  liquidez e certeza do crédito solicitado, nos  termos  do  art.165  e  170  do  Código  Tributário  Nacional,  é  obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar,  de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina  o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil.  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 5          4   Inconformada com a  improcedência da  impugnação, a contribuinte interpôs,  recurso  a  qual  denominou  de  “Impugnação”,  onde  em  suas  razões,  requer  seja  concedido  o  pedido de  restituição. Apresenta  junto com o  recurso os  seguintes documentos para provar o  seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período.  É o sucinto relatório.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    O  recurso voluntário,  embora denominado pela  recorrente de “impugnação”  foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade.  Portanto, dele conheço, aplicando­se ao caso o princípio da fungibilidade recursal.    A  recorrente  alega  suas  razões  já  expostas  na  manifestação  de  inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais  sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período.    Analisando­se  os  documentos  juntados,  verifica­se  na  DACON  do  período  que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao  considerado  como  “receita  financeira  (aplicações  financeiras)”,  conforme  Demonstrativo  de  cálculo da PIS.    Ainda,  ao  realizar  a  análise  dos  rendimentos  obtidos  pela  recorrente  no  período,  através  dos  extratos  de movimentação  bancária  anexados  aos  autos,  verifica­se  que  aqueles  são  idênticos  ao  declarados  na  DACON  e  no  Demonstrativo  de  cálculo,  havendo  portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que  somadas coincidem com o valor a restituir.    Assim,  tem­se  que  a  recorrente  traz  prova  suficiente  para  comprovar  o  seu  direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados  em  recurso  voluntário  devem  ser  recebidos  como  prova  do  alegado,  inclusive  conforme  determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.     Necessário  ainda  destacar  que  o  pedido  de  restituição  elaborado  pela  contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal,  quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º  da  Lei  9.718,  sendo  possível,  consoante  restou  decidido  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (Acórdão  9303­002.763,  3ª.  Turma,  sessão  de  21  de  janeiro  de  2014),  sua  aplicação  pelas autoridades  julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela  decisão do STF, consoante disposição do art. 26­A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art.  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 7          6 26 da Lei 11.941. Registra­se ainda que a norma  tida como inconstitucional pelo STF já  foi,  inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.    É  importante  consignar  que  compete  a  autoridade  administrativa,  com base  na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.     Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada para  reconhecer o direito à  restituição dos pagamentos a maior da  contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da  Lei nº 9.718/1998.    É assim que voto.    Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 10680.726869/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas,  Mônica  Elisa  de  Lima,  José  Adão  Vitorino  de  Morais,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  DRJ  em  Belo  Horizonte  (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho  decisório que não homologou a compensação dos débitos tributários declarados na Declaração  de Compensação  (Dcomp)  nº  39731.77768.310807.1.3.04­0040,  às  fls.  35/40,  transmitida  na  data de 31/08/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior do  PIS não cumulativo, efetuado em 15/07/2004.  A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado,  tendo  em  vista  que  o  valor  constante  do  DARF  indicado  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outros  débitos,  não  restando  saldo  disponível  para  a  compensação  declarada,  conforme Despacho Decisório às fls. 32, datado de 07/10/2009.  Intimada  daquele  despacho,  a  recorrente  interpôs  manifestação  de  inconformidade,  insistindo  na  homologação  da  compensação,  alegando,  em  síntese,  a  ocorrência da denúncia espontânea para os débitos declarados e compensados, o que afasta a  incidência de multa de mora.  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente, conforme Acórdão nº 02­46.467, datado de 29/07/2013, às fls. 231/236, sob as  seguintes ementas:  “COMPENSAÇÃO.  MULTA  DE  MORA.  TRIBUTOS  DA  MESMA ESPÉCIE.  O  aproveitamento  do  pagamento  a  maior  de  um  débito  para  extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz  por  compensação,  incidindo,  portanto,  os  acréscimos  legais  devidos na compensação após o vencimento do débito.  COMPENSAÇÃO.  MULTA  DE  MORA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  Não  se  considera  ocorrida  a  denúncia  espontânea,  quando  o  contribuinte  compensa  o  débito  mediante  apresentação  de  DCOMP.”  Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (242/251),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  se  homologue  a  compensação  declarada  alegando,  em  síntese,  “que  os  débitos  foram  quitados,  ainda  que  em  atraso,  na modalidade  compensação, mas nos exatos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, operando­se  a Denúncia Espontânea da suposta infração, o que afasta a exigência da multa, qualquer que  seja,  devendo  o  tributo  ser  recolhido  apenas  com  acréscimo  dos  juros  de  mora,  como  foi  efetivamente efetuado”.  É o relatório.    Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.726869/2011­91  Acórdão n.º 3301­002.214  S3­C3T1  Fl. 275          3 Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Ao  contrário  do  alegado  pela  recorrente,  em  seu  recurso  voluntário  às  fls.  243, a Delegacia de Julgamento não reconheceu o crédito financeiro declarado na Per/Dcomp,  tanto é que não a homologou.  A  não  homologação  da  Dcomp  teve  como  fundamento  a  inexistência  do  crédito  financeiro  declarado  e  não  a  imputação  de  multa  de  mora  aos  débitos  declarados,  conforme entendimento da recorrente.  De  acordo  com  o  despacho  decisório,  o  valor  indicado  no  DARF  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  do  próprio  PIS  (6912)  referente  à  competência  de  junho  de  2004  e  débito  declarado  na  Dcomp  nº  29874.70340.171104.1.3.04.3748,  não  remanescendo valor algum passível de compensação.  Como,  nesta  fase  recursal,  a  recorrente  restringiu  sua  discordância  à  imputação  de  multa  de  mora  sobre  débitos  declarados,  sob  o  argumento  de  que  ocorreu  a  denúncia  espontânea,  nos  termos do CTN,  art.  138,  a  apreciação e  julgamento desta matéria  ficou  prejudicada  porque,  conforme  demonstrado  e  provado  nos  autos,  a  autoridade  administrativa  não  homologou  a Dcomp  em  discussão  sob  o  fundamento  de  inexistência  do  crédito financeiro utilizado e não por imputação de multa de mora.  Também, como não houve compensação, não há que se falar em imputação  de  multa  de  mora.  Esta  somente  será  exigida,  na  liquidação  efetiva  dos  débitos,  mediante  pagamento ou compensação com crédito financeiro líquido e certo contra a Fazenda Nacional.  A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996,  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro  utilizado.  No  presente  caso,  conforme  demonstrado  no  despacho  decisório,  inexiste  o  crédito  financeiro  declarado  na  Dcomp.  A  recorrente,  em  seu  recurso  voluntário,  não  contestou  aquela  alegação,  se  limitando a invocar a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos  declarados.  Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão.  Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator              Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4                   Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10980.013463/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, o próprio Fisco, na autuação, atesta a existência de recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN.
Numero da decisão: 9202-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente)) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10980.013463/2005­11  Recurso nº  171.183   Voluntário  Acórdão nº  9202­003.140  –  2ª Turma   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN)  Recorrida  SIDNEI OSMAR TARGINO DE AZEVEDO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2000  IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE  PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  REGIDO  PELO  §  4°,  ART.  150,  DO  CTN.  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.  Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa  no  CTN  a  ser  utilizada  deve  ser  a  prevista  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  conforme  inteligência da determinação do Art. 62­A, do Regimento  Interno  do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.  No  presente  caso,  o  próprio  Fisco,  na  autuação,  atesta  a  existência  de  recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no §  4º, Art. 150, do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.               AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 34 63 /2 00 5- 11 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2   (assinado digitalmente))  Marcos Aurélio Pereira Valadão  Presidente        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (Presidente  em  exercício),  Rycardo  Henrique  Magalhaes  de  Oliveira,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo,  Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.          Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  0134,  interposto  pela  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  (PGFN)  contra  acórdão,  fls.  0119,  que  decidiu  dar  provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguntes termos:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2000  DECADÊNCIA ­ Nos casos de lançamento por homologação, o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0  fato  gerador  do  IRPF,  tratando­se  de  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual,  se  perfaz  em  31  de  dezembro  de  cada  ano­ calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito  tributário  é  atingido  pela  decadência  após  cinco  anos  da  ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40 do CTN).  Preliminar de decadência acolhida.  Recurso provido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  acolher  a  argüição  de  decadência  suscitada  pelo  Recorrente,  para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o  crédito tributário em questão.  Em síntese, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial expressa  no CTN deve ser aplicada ao lançamento.  Em  seu  recurso  especial  a  PGFN  alega,  em  síntese,  que,  ao  contrário  do  acórdão recorrido, deve ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN,  pois não há recolhimentos a homologar, solicitanDo, ao final, acolhimento e provimento de seu  recurso.  Por despacho, fls. 0145, deu­se seguimento ao recurso especial.  O  sujeito  passivo  –  devidamente  intimado –  apresentou  suas  contra  razões,  fls. 0152, defendendo, em síntese, que a decisão recorrida seja mantida.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  –  recurso  tempestivo  e  divergência confirmada e não reformada ­ conheço do Recurso Especial e passo à análise de  suas razões recursais.  O cerne da questão  sobre  a decadência  é  a discussão  sobre qual das  regras  decadenciais,  presentes  no  CTN,  aplicar­se­á,  a  expressa  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  como  decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN.  Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois  não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento.  Creio que já temos resposta sobre esta dúvida.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  através  de  alteração  promovida  pela  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que  “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62­A  do anexo II).  No  que  diz  respeito  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  temos  o  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0),  julgado  em  12  de  agosto  de  2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que  teve o Acórdão submetido ao regime do artigo  543­C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL  .ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 4          5 julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC  definiu  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     6 Cabe  destacar  que  na  análise  dos  autos  encontramos  valores  recolhidos  no  período que importa para a definição da regra, fls. 015  Portanto,  deve  ser  aplicada  ao  caso  a  regra  esculpida  no  §  4º, Art.  150  do  CTN, conforme decidido no acórdão recorrido.  CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Em face do exposto, é de se concluir que, no caso concreto, o fato gerador do  imposto em questão teria se dado em 31 de dezembro do ano­calendário de 1999.  Nesse contexto, tem­se que o interessado tomou ciência do Auto de Infração  questionado quando já havia se expirado o prazo decadencial relativo à declaração do exercício  financeiro de 2000 (ano­calendário 1999), haja vista que a data limite do interstício decadencial  ocorreu  em  31/12/2004  e  a  regular  ciência  da  exação  contestada  só  se  deu  em  05/10/2005,  conforme, fls. 084.  CONCLUSÃO:   Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre  PGFN, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                            Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 5          7     Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10660.905862/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 164          1 163  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.905862/2011­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.024  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de abril de 2014  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE  MOTORES DO BRASIL LTDA.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não  infirmada com documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 62 /2 01 1- 71 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 165          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à  decisão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  (PER)  referente  a  crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$  18.392,76.  Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a  restituição  pleiteada,  pelo  fato  de  que  o  pagamento  declarado  no  PER  já  havia  sido  integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da  restituição  pleiteada,  alegando  que  o  indébito  reclamado  decorria  do  reconhecimento  pelo  Supremo Tribunal Federal  (STF) da  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo  da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  Reportando­se  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  moralidade  administrativa,  requereu  a  realização  de  diligências  e  perícias,  para  fins  de  se  confirmar  o  crédito pleiteado.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos  societários  e  de  representação,  assim  como  cópias  do  despacho  decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada.  A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando  sua  decisão  (i)  na  inaplicabilidade,  no  presente  caso,  da  decisão  exarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  em  sede  de  recurso  extraordinário,  (ii)  na  incompetência  da  Administração  tributária para  se manifestar  sobre ofensa  a princípios  constitucionais,  (iii)  na  ausência  de  eficácia  normativa  da  doutrina  e  da  jurisprudência  administrativa  e  judicial  colacionadas  na  peça  recursal,  (iv)  na  ausência  de  nulidade  no  despacho  decisório  e  (v)  na  desnecessidade de realização de diligências e perícias.  Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso,  não  foram  trazidos  ao  processo,  quaisquer  elementos  que  viessem  a  comprovar  o  direito  alegado  e  mais,  a  legislação  tributária,  determina  que  juntamente  com  a  manifestação  de  inconformidade  devem  ser  apresentadas  as  provas  que  fundamentem  de  modo  concreto  e  veemente  a  discordância  da  contribuinte  do  entendimento  adotado  pela  administração,  precluindo seu direito de fazê­lo em outro momento processual”.  Cientificado  do  acórdão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  em  23  de  dezembro  de  2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  e  de  deferimento  integral  da  restituição,  repisando os mesmos argumentos de defesa.  Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria  ter  avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados  esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que  teve­se por configurado cerceamento do seu direito de defesa.  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 166          3 Ressaltou,  também,  que  a  inobservância  da  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  acerca  do  alargamento  da  base  de  cálculo  da  contribuição  promovido  pela  Lei  nº  9.718,  de  1998,  “representa  inegável  afronta  à Constituição  Federal  e  negativa  de  prestação  administrativa”.  Junto  ao  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos societários e de representação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido  pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a  outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG.  De  início,  registre­se  que,  para  se  apreciarem  pleitos  da  espécie,  não  basta  que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que  os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total  inviabilidade da apreciação do pedido.  Não  há  dúvidas  que  este  Colegiado,  por  força  do  contido  no  art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  encontra­se  obrigado  a  reproduzir  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC),  mas  desde  que  comprovada,  com  documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo  apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional.  No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos  autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada,  documentos  esses  insuficientes  à  comprovação  do  indébito,  dado  que  desacompanhados  de  qualquer elemento da escrituração contábil­fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim,  consistentes em prova hábil e idônea.  Destaque­se que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira  instância  administrativa,  não  são  identificadas  as  outras  receitas,  além  do  faturamento,  que  teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal.  Para  decidir  acerca  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento,  em  razão  da  inconstitucionalidade do  art.  3º,  §  1º,  da Lei  nº  9.718,  de  1988,  este Colegiado  necessita,  além  de  conhecer  os  valores  envolvidos  nas  operações  mercantis,  como  o  faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na  contabilidade da pessoa jurídica.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 167          4 Em  processos  da  espécie  ao  ora  analisado,  a  falta  da  devida  instrução  dos  autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem,  dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de  efetiva  existência  do  direito  creditório  pleiteado,  isso  em  conformidade  com  os  princípios  constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação  da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37,  caput, da Constituição Federal de 1988.  Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, nos  casos da espécie ao ora analisado, a prova encontra­se  em poder do próprio  sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo  a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus  da prova.  Mesmo depois de  ter sido alertado pelo  julgador administrativo de primeira  instância  acerca  da  necessidade  de  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  crédito  pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância.  Bastaria  que  o  interessado  tivesse  trazido  aos  autos  cópias  da  escrituração  contábil­fiscal abrangendo o período sob análise, observando­se as formalidades exigidas pela  legislação  tributária,  para  que  se  tivesse  por  configurado  o  início  de  prova  requerido  para  justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado.  Uma  simples  planilha  elaborada  pelo  próprio  interessado  não  supre  a  necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados.  A  não  apresentação  de  provas  dos  fatos  apontados  encontra­se  em  total  desacordo com a disciplina do art. 16,  inciso  III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 168          5 Em  conformidade  com  o  excerto  supra,  tem­se  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento,  devendo  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  amparada  em  informações  declaradas  pelo  próprio  sujeito  passivo,  presentes  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  informações  essas  não  infirmadas  com  documentação  hábil  e  idônea.  Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso, em razão da  ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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5508462 #
Numero do processo: 13830.720776/2012-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 332          1 331  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13830.720776/2012­61  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2403­002.407  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  MUNICÍPIO DE FLORINEA ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ RECURSO INTEMPESTIVO  É  definitiva  a  decisão  de  primeira  instância  quando  não  interposto  recurso  voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Freitas  Souza  Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo  Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 07 76 /2 01 2- 61 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   2     Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – PREFEITURA  MUNICIPAL  DE  FLORINEA  contra  Acórdão  nº  14­40.106  ­  7ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto  ­  SP,  que  julgou  procedente  a  autuação  por  descumprimento  de  obrigações  principais  AIOP  nº  37.307.642­8  e  AIOP  nº  37.307.643­6.  Conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  i)  AIOP/DEBCAD  nº  37.307.642­8:  Constitutivo  de  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  quota  correspondente  à  parcela  patronal,  decorrente  de  glosas  de  compensações  efetuadas  pelo  contribuinte  por  estarem  em  desacordo com a legislação de regência, importando em crédito  na monta  de  R$  356.859,83  (Trezentos  e  cinqüenta  e  seis  mil,  oitocentos  e  cinqüenta  e  nova  reais  e  oitenta  e  três  centavos),  valor  consolidado  em  22/03/2012  composto  pelo  valor  atualizado  das  contribuições  suprimidas  e  devidas,  corrigido  pelos juros e pela multa de mora  ii)  AIOP/DEBCAD  nº  37.307.643­6:  Constitutivo  de  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  quota  correspondente  à  parcela  patronal,  decorrente  de  glosas  de  compensações  efetuadas  pelo  contribuinte  por  estarem  em  desacordo com a legislação de regência, importando em crédito  na  monta  de  R$  147.870,65  (Cento  e  quarenta  e  sete  mil,  oitocentos  e  setenta  reais  e  sessenta  e  cinco  centavos),  valor  consolidado em 22/03/2012 composto pelo valor atualizado das  contribuições suprimidas e devidas, corrigido pelos juros e pela  multa de mora;  Em relação ao lançamento fiscal, informa o Relatório da decisão de primeira  instância:  De  acordo  com  o  relato  fiscal,  o  contribuinte  realizou  compensações  em  suas  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  –  GFIPs  sobre  os  recolhimentos  decorrentes  de  pagamentos  efetuados  aos  detentores de mandatos eletivos na vigência da Lei nº 9.506/97  (01 de  fevereiro de 1998 a 18 de  setembro de 2004), “... cujos  créditos  estão  sob  discussão  judicial,  com  suspensão  da  exigibilidade,  estando  o  sujeito  passivo  amparado  somente  por  sentença favorável de primeira  instância  (...),  restando pendente  de  julgamento  o  recurso  do  apelante,  e  portanto,ainda  sem  transito em julgado”.  No  entanto,  a  fiscalização  detectou  desconformidades  com  as  normas específicas que autorizam a compensação, de sorte que  constituiu  nos  mencionados  autos  as  contribuições  suprimidas  (quota patronal) pelas glosas das  compensações  efetuadas com  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/2012­61  Acórdão n.º 2403­002.407  S2­C4T3  Fl. 333          3 incorreções, sendo o primeiro Auto atinente às compensações da  contribuição  patronal  e  o  segundo  das  compensações  das  contribuições  dos  segurados.  Tais  lançamentos  estão  constituídos em levantamentos distintos  (papéis de  trabalho) de  maneira a contemplar o sujeito passivo com a penalidade mais  favorável,  em  homenagem  ao  art.  106,  II,  ‘c’  do  CTN  e  em  atenção à mudança havida no ordenamento jurídico introduzida  pela MP 449/2008.  As  desconformidades  encontradas  dão­nos  conta  de  que:  i)  o  contribuinte não providenciou a prévia e integral retificação das  GFIPs  nas  quais  as  remunerações  dos  agentes  eletivos  foram  inicialmente informadas;  ii) os valores pleiteados encontravam­ se  parcialmente  prescritos,  considerando­se  o  prazo  de  cinco  anos  a  contar  do  pagamento  indevido:  tendo  em  vista  o  início  das compensações na competência 08/2007 (vencimento da GPS  em  10/09/2007)  estariam  prescritos  todos  os  créditos  decorrentes de recolhimentos indevidos promovidos até 08/2002.  Conclui  o  relato  fiscal  dizendo  que  qualquer  outro  prazo  prescricional diferente desse somente poderá ser utilizado após o  transito em julgado de decisão judicial que lhe reconhecesse tal  direito.  Nesse  compasso,  o  lançamento  foi  efetuado  para  prevenir a decadência, uma vez que o contribuinte possui ação  judicial  ­  Processo  Judicial  nº  2007.61.08.004269­3  –  protocolizado  em 10/05/2007  junto  à Justiça Federal  de Bauru  (SP),  amparado  por  sentença  favorável  de  primeira  instância,  restando  pendente  de  julgamento  o  recurso  do  apelante,  portanto, sem transito em julgado, conforme já dito.  A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento  ­ AR às fls. 200.  O período  objeto  do AIOP,  conforme  o Relatório  Fiscal,  é  de  08/2007  a  12/2007.  A Recorrente  apresentou  impugnação  tempestiva,  conforme  o Relatório  da decisão de primeira instância:  O  contribuinte  apresentou  impugnação  na  qual  contesta  o  lançamento  fiscal  estribado  nos  seguintes  argumentos,  em  síntese:  i)  Preliminarmente,  afirma  a  existência  de  processo  judicial  tratando da matéria de maneira a suspender o eventual crédito  tributário;  ii) No mérito, argüi a inconstitucionalidade da contribuição em  testilha,  reconhecido  pelo  STF  e  cuja  norma  foi  retirada  do  ordenamento  jurídico por Resolução do Senado Federal, sendo  pacífico o seu direito à compensação dos valores recolhidos;  iii) Acresce que os Municípios são as pessoas jurídicas de direito  interno aptas para o exercício desses direitos, tanto dos tributos  recolhidos pelas Prefeituras quanto pelas Câmaras Municipais;  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   4 iv) Reafirma a inconstitucionalidade do dispositivo que sustentou  as  contribuições,  reconhecida  inclusive  administrativamente  –  cita o Ato Declaratório do Executivo nº 60/2005, a Portaria nº  133 e a Instrução Normativa nº 15, ambas de 2006.  Novamente,  entende  que  a  responsabilidade  encontra­se  delegada  ao  ente  federativo  –Município  –  para  proceder  às  compensações  dos  recolhimentos  havidos  tanto  na  Prefeitura  quanto na Câmara Municipal.  v) Ataca a limitação percentual imposta pela Lei nº 9.129/95 de  30%  sobre  os  recolhimentos  de  cada  competência  e  quaisquer  outras  exigências  que  não  sejam  os  de  créditos  resultantes  de  pagamentos indevidos ou a maior e que tais pagamentos tenham  sido  efetuados  a  títulos  de  tributos  da mesma  espécie;  entende  que  “  ...  o  direito  à  compensação  em  tela  está  legalmente  estabelecido  sem  condicionamento  nenhum,  pode  pois,  o  contribuinte exercitá­lo, sejam quais forem as datas de apuração  dos  créditos  e  independente  do  pedido  à  autoridade  administrativa ...”.  vi)  Defende  o  prazo  prescricional  decenal  conforme  jurisprudência  dominante  do  STF  (tese  dos  5  +  5)  para  o  contribuinte efetuar a compensação ou repetir o indébito, mesmo  após a LC nº 118/05 que alterou o art. 168 do CTN.  vii)  Defende  que  sejam  adicionados  ao  crédito  todos  os  acréscimos legais permitidos.  viii)  Afirma  que  a  IN  nº  15/06  extrapolou  de  sua  competência  criando  exigências  e  restrições  que  a  Lei  não  comporta,  que  deverão ser ignoradas.  ix)  Acrescenta  que  os  valores  descontados  dos  segurados  têm  natureza alimentar, de maneira que a não devolução dos valores  recolhidos  implica  em  enriquecimento  ilícito,  devendo  o  Município  efetuar  a  compensação  e  devolução  desses  valores  aos  ocupantes  de  cargos  eletivos. No mesmo  sentido,  análise a  responsabilidade  do  servidor  público  para  afirmar  ferida  a  moralidade administrativa caso o ente federativo se abstenha ou  procrastine  a  referida  compensação,  prejudicando  os  requerentes (exercentes de mandatos eletivos).  x) Diz que os créditos foram apurados com base em relação de  salários e recolhimentos fornecidos pela Câmara Municipal que  foram  atualizados  de  acordo  com  os  critérios  adotados  pelo  INSS, conforme pasta I – Dos Cálculos;  já as  leis que regem a  matéria  foram  colacionadas  na  pasta  II  –  Da  fundamentação  jurídica,  bem  como  a  documentação  exigida  pela  IN  nº  15  compõe a Pasta III.  xi)  Argumenta  com  a  ocorrência  da  denúncia  espontânea  –  hipótese prevista no art. 138 do CTN – de maneira a não incidir  a multa de mora e os juros no crédito constituído.  xii) Os valores atinentes a diferenças no  recolhimento do RAT,  tem­se  que  a  Câmara  Municipal  não  poderá  ser  considerada  como de  risco médio, uma vez que não  tem nenhuma atividade  no  quadro  de  funcionários  que  assim  o  justifique;  também,  foi  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/2012­61  Acórdão n.º 2403­002.407  S2­C4T3  Fl. 334          5 cobrado  integralmente  da  Câmara,  quando  o  deveria  ser  do  Município.  xiii) Alega  inconstitucional a  taxa SELIC,  fato que determina a  iliquidez do crédito.  xiv) Afirma confiscatória a multa impingida, sendo a negação da  gradação  da  penalidade,  do  princípio  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade.  Posto nesses argumentos, requer a nulidade do lançamento e a  improcedência do Auto de infração.  A Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando procedente a  autuação, nos termos do Acórdão nº 14­40.106 ­ 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto ­ SP, Ementa a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007   PREVIDENCIÁRIO.  COMPENSAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO.  A  compensação,  na  legislação  tributária  e  previdenciária,  é  procedimento  facultativo  pelo  qual  o  sujeito  passivo  pode  se  ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindo­os das  contribuições  devidas  à  Previdência  Social,  reservando­se  ao  sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar  os valores indevidamente compensados.  Corresponde  à  hipótese  de  compensação  indevida  aquela  formulada  em  desacordo  com  as  normas  que  disciplinam  a  matéria.  RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO.  O prazo para o contribuinte pleitear a restituição ou compensar­ se  do  tributo  ou  contribuição  pago  indevidamente  ou  em  valor  maior  que  o  devido,  inclusive  na  hipótese  de  o  pagamento  ter  sido  efetuado  com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  ação  declaratória  ou  em  recurso  extraordinário,  extingue­se  após  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contado  da  data  da  extinção do crédito tributário.  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO  E  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA.  LANÇAMENTO  PARA  PREVENÇÃO  DA  DECADÊNCIA.  A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer  modalidade processual, antes ou posteriormente ao  lançamento  com  o  mesmo  objeto  de  demanda  administrativa,  importa  em  renúncia  ou  desistência  de  eventual  recurso  interposto  em  via  administrativa.  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   6 Quando  diferentes  os  objetos  do  processo  judicial  do  processo  administrativo este último terá prosseguimento normal no que se  relaciona à matéria diferenciada.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS. INCONSTITUCIONALIDADE.  É  vedado  ao  julgador  administrativo  afastar  a  aplicação  de  norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades.    Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Acórdão   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  considerar  IMPROCEDENTE  a  impugnação  apresentada  e  manter  integralmente  os  lançamentos  aqui  constituídos,  conforme  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Cientifique­se o Contribuinte do  teor do presente Acórdão, nos  termos da legislação vigente.  Sala de Sessões, em 30 de janeiro de 2013.  O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi  cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 14­40.106 ­ 7ª Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto  ­ SP conforme a  Intimação nº  015/2013, às fls. 314.  Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 317:  PROCESSO: 13830.720.776/2012­61   INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA   CNPJ: 44.493.575/0001­69  TERMO DE PEREMPÇÃO   Transcorrido  o  prazo  regulamentar  de  30(trinta) dias  previsto  no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não  tendo o  interessado  apresentado  recurso  voluntário  à  instância  superior  contra  a  decisão  da  autoridade  de  primeira  instância,  lavra­se  este  Termo de Perempção na forma da legislação vigente.  Esgotado  o  prazo  da  cobrança  amigável  sem  que  tenha  sido  cumprida  a  exigência  fiscal,  o  processo  será  encaminhado  à  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  para  cobrança  executiva,  nos  termos  do  §  3º,  do  art.  21,  do  Decreto  nº  70.235/72.  Assis, 03 de abril de 2013.    Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/2012­61  Acórdão n.º 2403­002.407  S2­C4T3  Fl. 335          7 Foi  interposto  Recurso  Voluntário,  em  23.04.2013,  às  fls.  318,  onde  a  Recorrente  reitera  o  aduzido  em  sede  de  Impugnação  e  combate  a  decisão  de  primeira  instância, em apertada síntese:  (i)  No  processo  judicial  nº  2007.61.08.004269­3,  que  tramita  pelo  r.  Juízo  da  Justiça  federal  de  Bauru,  foi  concedida  segurança  obstando  a  cobrança  dos  créditos  que  são  objeto  destes  autos,  e  referido  processo  se  encontra  em  fase  recursal  perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região.  (ii) Da prescrição  (iii) Da cobrança da multa e juros  (iv) Da cobrança do RAT  (v) Da multa confiscatória    A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao  CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de  Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas:  DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO   Tendo  em  vista Recurso Voluntário  intempestivo  apresentado  pelo  contribuinte  (ciência  pessoal  às  fls.314),  propomos,  nos  termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do  presente  processo  à  GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF  em  Receber  Processo/Triagem/Complementação  para  apreciação  e  prosseguimento.  DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013      É o Relatório.      Fl. 338DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   8     Voto             Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator      PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    Na  verificação  dos  requisitos  de  admissibilidade,  deve­se  analisar  a  tempestividade do Recurso Voluntário.  A ciência do AIOP ocorreu em 28.03.2012, conforme Aviso de Recebimento  ­ AR às fls. 200.  O período  objeto  do AIOP,  conforme  o Relatório  Fiscal,  é  de  08/2007  a  12/2007.  A Recorrente  apresentou  impugnação  tempestiva,  conforme  o Relatório  da decisão de primeira instância.  A Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando procedente a  autuação, nos termos do Acórdão nº 14­40.106 ­ 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto ­ SP,  O Prefeito do Município de Florínea (Dr. Rodrigo Siqueira da Silva) foi  cientificado pessoalmente em 28.02.2013 do Acórdão nº 14­40.106 ­ 7ª Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto  ­ SP conforme a  Intimação nº  015/2013, às fls. 314,  Foi lavrado em 03.04.2013 Termo de Perempção, às fls. 317:    PROCESSO: 13830.720.776/2012­61   INTERESSADO: FLORÍNEA PREFEITURA   CNPJ: 44.493.575/0001­69  TERMO DE PEREMPÇÃO   Transcorrido  o  prazo  regulamentar  de  30(trinta) dias  previsto  no art. 33, do Decreto nº 70.235/72 e não  tendo o  interessado  apresentado  recurso  voluntário  à  instância  superior  contra  a  decisão  da  autoridade  de  primeira  instância,  lavra­se  este  Termo de Perempção na forma da legislação vigente.  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13830.720776/2012­61  Acórdão n.º 2403­002.407  S2­C4T3  Fl. 336          9 Esgotado  o  prazo  da  cobrança  amigável  sem  que  tenha  sido  cumprida  a  exigência  fiscal,  o  processo  será  encaminhado  à  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  para  cobrança  executiva,  nos  termos  do  §  3º,  do  art.  21,  do  Decreto  nº  70.235/72.  Assis, 03 de abril de 2013.    Foi  interposto  Recurso  Voluntário,  em  23.04.2013,  às  fls.  318,  onde  a  Recorrente  reitera  o  aduzido  em  sede  de  Impugnação  e  combate  a  decisão  de  primeira  instância.  A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao  CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de  Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas:    DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO   Tendo  em  vista Recurso Voluntário  intempestivo  apresentado  pelo  contribuinte  (ciência  pessoal  às  fls.314),  propomos,  nos  termos do art. 35 do Decreto nº 70.235/72, o encaminhamento do  presente  processo  à  GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF  em  Receber  Processo/Triagem/Complementação  para  apreciação  e  prosseguimento.  DATA DE EMISSÃO : 23/04/2013    Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente, cientificada do Acórdão  nº 14­40.106 ­ 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão  Preto  ­  SP  em 28.02.2013,  interpôs Recurso Voluntário  apenas  em  23.04.2013, portanto  após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.    Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e,  dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento.    Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   10   CONCLUSÃO      Voto  pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário  em  face  de  sua intempestividade.        É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro                                   Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10215.000112/2006-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PEDIDO DE PARCELAMENTO DO DÉBITO. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A existência de pedido de parcelamento implica confissão de dívida e configura renúncia do direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  de  fl.  75  a  81,  exigindo  o  recolhimento do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, relativamente ao  ano  calendário  de  2001,  em  face  da  constatação  de  rendimentos  declarados  indevidamente  como  isentos  e  não  tributáveis  auferidos  por  portador  de  moléstia  grave,  por  falta  de  comprovação da isenção.  Examinando  a  impugnação  apresentada,  a  DRJ  em  Belo  Horizonte  (MG)  julgou  procedente  em parte  o  lançamento,  proferindo  o Acórdão  no  01­11.370,  fls.  86  a  90,  reconheceu  a  isenção  pleiteada  pelo  contribuinte  somente  em  relação  ao  à  aposentadoria  recebida Instituto Nacional do Seguro Social, pois o contribuinte não logrou provar que todos  os seus rendimentos decorrem de aposentadoria, reforma e pensão.  Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 23/07/2008 (vide AR de  fl. 94), o contribuinte apresentou, em 31/07/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 95 a 101,  no qual transcreve grande parte da legislação sobre a isenção dos rendimentos recebidos pelos  portadores  de  moléstia  grave,  alegando,  basicamente,  que  não  foi  observado  o  benefício  concedido por lei.  Por meio da Resolução nº 2202­00.258, de 10/07/2012, a 2ª Turma Ordinária,  da 2ª Câmara, fls. 127 a 130, converteu o julgamento do presente processo em diligência “para  que  a  autoridade  preparadora  intime  o  contribuinte  a  comprovar  que  os  rendimentos  recebidos da CAPAF e Superint.  do Sist. Penal do Estado,  cuja  tributação  foi mantida pela  decisão recorrida, são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão”.  Em atendimento, a DRF em Santarém/PA encaminhou o Termo de Intimação  nº  108/2013,  datado  de  25/07/2013,  para  o  domicílio  tributário  do  contribuinte,  intimando­o  nos  termos  solicitados  pela  citada  Resolução,  fls.  133.  Em  resposta,  protocolizada  em  20/08/2013,  fls.  fls.  189,  o  contribuinte  informa  que  os  documentos  solicitados  foram  apresentados no início da fiscalização. Informa também que, em pesquisa junto ao sistema da  RFB,  o  processo  não  foi  identificado,  fato  que,  presume  o  contribuinte,  ter  sido  extinto  por  pagamento  ou  em  parcelamento,  correspondente  à  Lei  nº  11.941.  Diante  disso,  requer  “pesquisa de profundidade para localizar o processo e do resultado informar ao peticionário  para tomar decisão”.  A  autoridade  preparadora,  em  despacho  proferido  às  fls.  185/186,  informa  que:  “Os  extratos  às  fls.  141/184  demonstram  que  o  presente  processo foi consolidado no Parcelamento da Lei 11.941/09 por  meio da prestação de informações necessárias à consolidação do  contribuinte em 19 de maio de 2011, no sítio da Receita Federal  do Brasil – RFB, nos  termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB  nº 2, de 3 de fevereiro de 2011.  O  contribuinte  manifestou­se  pela  inclusão  da  totalidade  dos  débitos da PGFN e RFB em 7 de junho de 2010 (fl. 149).  Essa Portaria, em seu art. 13, reabriu o prazo para a desistência  de  impugnação  ou  de  recurso  administrativo  ou  judicial  até  o  último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da  respectiva  modalidade  de  parcelamento  ou  da  conclusão  da  consolidação  de  que  trata  o  art.  28  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB n.º 6, de 22 de julho de 2009.  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10215.000112/2006­01  Acórdão n.º 2802­002.938  S2­TE02  Fl. 195          3 Essa  Portaria  também  previu,  em  seu  art.  13,  §  3º,  a  possibilidade  de  a  autoridade  administrativa  dispensar  as  exigências  contidas  no  caput  e  no  §  3º  do  art.  13  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  n.º  6,  de  22  de  julho  de  2009,  quando  o  sujeito passivo efetuar a seleção do débito na forma do § 1º do  art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro  de 2011.  (...)”  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo;  porém,  há  que  se  examinar  o  preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972 e na Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações posteriores,  que aprovou o Regimento Interno do CARF.  Do exame dos elementos que integram os presentes autos constata­se que, de  acordo com o despacho de fls. 139 e 185, o sistema de dados da Secretaria da Receita Federal  do Brasil indica que presente processo está incluído no parcelamento da Lei 11.941, de 2009.  Também de acordo com esses mesmos despachos, o contribuinte em 28/11/2009 manifestou­se  pela inclusão da totalidade de seus débitos existente RFB nessa modalidade de parcelamento.   A  existência  do  parcelamento  implica  confissão  de  dívida  e  configura  renúncia do direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, consoante  estabelecem os §§ 2º e 3º do art. 78, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF.  Diante  do  exposto,  voto  por  NÃO  CONHECER  do  recurso  voluntário  interposto pelo contribuinte.  (assinado digitalmente)  Jaci de Assis Junior                              Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 11060.000553/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO. O descumprimento de condição imposta pela lei complementar para o gozo de imunidade legitima a suspensão do benefício fiscal e a lavratura de autos de infração para cobrança dos tributos devidos. SUPERFATURAMENTO. GLOSA DE DESPESA COM A CONTRATAÇÃO DE EMPRESA TERCEIRIZADA. Configurada a hipótese de superfaturamento, correta a glosa efetuada pela fiscalização em razão da falta de comprovação dos custos de serviços prestados pelas empresas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a conduta dolosa do agente restar comprovada nos autos. RESPONSABILIDADE SOLIÁRIA. 124 CTN. INTERESSE COMUM NÃO CONFIGURADO. Interesse comum deve ser entendido como interesse jurídico e se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. As considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicam-se aos demais tributos no que for pertinente. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica, quando não for identificado o seu beneficiário, aplicando-se também aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1402-001.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos apresentados pelos coobrigados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que davam provimento parcial para cancelar a autuação do IRRF. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ.
Nome do relator: CARLOS PELA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2.531          1 2.530  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.000553/2010­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.351  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de abril de 2013  Matéria  IRPJ   Recorrente  FUNDAÇÃO EDUCACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO E  APERFEIÇOAMENTO DO ENSINO ­ FUNDAE  Recorrida  5ª Turma da DRJ/POA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2007  PERÍCIA. DESNECESSIDADE.   A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de  conhecimentos  especializados,  sendo  desnecessária,  portanto,  quando  tais  fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de  livros e documentos contábeis e fiscais.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  IMUNIDADE. SUSPENSÃO. AUTOS DE INFRAÇÃO.   O descumprimento de condição  imposta pela  lei complementar para o gozo  de imunidade legitima a suspensão do benefício fiscal e a lavratura de autos  de infração para cobrança dos tributos devidos.  SUPERFATURAMENTO.  GLOSA  DE  DESPESA  COM  A  CONTRATAÇÃO DE EMPRESA TERCEIRIZADA.   Configurada  a  hipótese  de  superfaturamento,  correta  a  glosa  efetuada  pela  fiscalização  em  razão  da  falta  de  comprovação  dos  custos  de  serviços  prestados pelas empresas.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.   Cabível  a  exigência  da  multa  qualificada  de  150%,  prevista  no  artigo  44,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  afeta  às  condutas  de  sonegação,  fraude  e  conluio, quando a conduta dolosa do agente restar comprovada nos autos.  RESPONSABILIDADE  SOLIÁRIA.  124  CTN.  INTERESSE  COMUM  NÃO CONFIGURADO.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 05 53 /2 01 0- 54 Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.532          2 Interesse comum deve ser entendido como interesse jurídico e se caracteriza  pela  existência  de  direitos  e  deveres  iguais  entre  pessoas  que  ocupam  o  mesmo pólo da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.   As  considerações  e  resultados  aplicáveis  ao  IRPJ  aplicam­se  aos  demais  tributos no que for pertinente.  IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM  CAUSA.  A lei prevê a tributação exclusiva na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre  a base reajustada decorrente de todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica,  quando  não  for  identificado  o  seu  beneficiário,  aplicando­se  também  aos  recursos entregues a terceiros ou sócios, acionista ou titular, contabilizado ou  não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos  apresentados pelos coobrigados. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário  da pessoa jurídica. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de  Oliveira  que  davam  provimento  parcial  para  cancelar  a  autuação  do  IRRF.  Designado  o  Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor.     (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto – Presidente     (assinado digitalmente)  Carlos Pelá – Relator    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator designado  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes LEONARDO  DE ANDRADE COUTO  (Presidente),  FREDERICO  AUGUSTO  GOMES DE ALENCAR,  FERNANDO  BRASIL  DE  OLIVEIRA  PINTO,  MOISES  GIACOMELLI  NUNES  DA  SILVA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, CARLOS PELÁ.    Relatório  A  contribuinte  (FUNDAE)  é  uma  entidade  jurídica  de  direito  privado,  de  apoio  às  atividades  de  ensino,  pesquisa  e  extensão  da Universidade  Federal  de  Santa Maria  (UFSM), tendo apresentado DIPJ’s Exercícios 2006 a 2009 como imune de IRPJ e desobrigada  de apuração da CSLL.  Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.533          3 O processo trata de ato declaratório de suspensão de sua imunidade tributária  (fls.  953)  e  da  lavratura  de  autos  de  infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  e  IRRF  (fls.  1350/1577),  cumulados  de  juros  e  multa  de  ofício  agravada  (150%),  calculados  sob  a  sistemática do Lucro Real trimestral e referentes a fatos geradores dos anos­calendário de 2005  a 2009.   Os autos de infração foram acompanhados dos Termos de Sujeição Passiva  Solidária  em  nome  das  pessoas  físicas:  Helvio  Debus  Oliveira  Souza,  Ipojucan  Seffrin  Custódio, Rubem Höher e José Antonio Fernandes (fls. 1579/1586).  O presente processo administrativo tem suas raízes em trabalho conjunto de  investigação promovido pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Polícia  Federal e Secretaria da Receita Federal do Brasil em operação denominada “Rodin”.   Os investigadores constataram diversos ilícitos penais, cíveis e tributários, os  quais  teriam  como  modelo  e  foco  central  uma  fraude  envolvendo  a  autarquia  gaúcha  Departamento  Estadual  de  Trânsito  (DETRAN/RS),  a Universidade  Federal  de  Santa Maria  (UFSM)  e  duas  fundações  vinculadas  à  universidade:  a  Fundação  de Apoio  à  Tecnologia  e  Ciência (FATEC, ou Fateciens) e a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento  e  o  Aperfeiçoamento  da  Educação  e  da  Cultura  (FUNDAE).  Segundo  registrado,  o  DETRAN/RS contratava as  fundações mediante  suposta dispensa de  licitação  amparada pelo  art. 24, XIII, da Lei nº. 8666/93 e no artigo 1º da Lei nº. 8958/94.  Os  fatos  ocorridos  encontram­se  pormenorizados  no  Relatório  Fiscal  relacionado  ao  ato  declaratório  de  suspensão  de  imunidade  tributária  (fls.  920/952),  no  Relatório de Fiscalização integrante do Termo de Notificação Fiscal de suspensão do beneficio  de  imunidade  tributária,  cientificado  a  FUNDAE  em  16/03/2010  e  anexados  às  fls.  9/104  destes autos e no relatório fiscal relacionado aos autos de infração de fls. 1355/ 1411.  Destaco,  que  em  26/05/2008,  a  Juíza  Federal  Simone  Barbisna  aceitou  a  denúncia encaminhada em 15/05/2008 pelo MPF, sendo que 40 dos 44 suspeitos se tornaram  réus  pela  prática  dos  crimes  de  formação  de  quadrilha,  corrupção  passiva,  corrupção  ativa,  falsidade ideológica, extorsão, peculato, desvio e supressão de documento (artigos 288, caput,  317, 333, 299, 158, § 1º, 312, caput  e 305, caput do Código Penal), dos  crimes de  indevida  dispensa de licitação e locupletamento em dispensa de licitação (artigos 89, caput e parágrafo  único  da  Lei  nº.  8.666/93)  e  crimes  contra  a  ordem  tributária  (artigos  1º  e  2°  da  Lei  nº.  8.137/90).  DA APURAÇÃO FISCAL  A partir daqui, por razões de economia processual, adoto o relatório da DRJ  que,  invocando  trechos  do  relatório  da  decisão  que  recebeu  a  denúncia  da  operação  Rodin,  resume de forma suficiente o apurado nas extensas investigações, fiscalizações e impugnações:  (...). A fiscalização entendeu que a contratação da Fundae pelo  Detran/RS teria ocorrido com burla à legislação (fl. 925):  A  dispensa  de  licitação  promovida  pelo  artigo  1º  da  Lei  nº.  8.958/94,  nos  termos  do  artigo  24,  inciso  XIII  da  Lei  nº.  8.666/93,  veio  no  sentido  de  viabilizar  a  mobilização  mais  facilitada de recursos públicos e privados destinados ao fomento  e ao financiamento das atividades de pesquisa, ensino e extensão  Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.534          4 junto  às  universidades,  regra  que  jamais  poderia  ser  interpretada  de maneira  aberta,  de modo  a  albergar  situações  fáticas não decorrentes, estritamente, das precípuas modalidades  de “ensino, pesquisa e extensão”.  Entretanto,  através  de  um  ajuste  prévio,  pessoas  com  grande  influência  política  (lobistas)  conseguiram  fazer  com  que  o  DETRAN/RS  contratasse  a  FATEC  e  a  FUNDAE  para  a  execução  de  serviços  diversos,  cuja  realização  acabou  sendo  atribuída a terceiros, aos quais era repassada em torno de 40%  da  remuneração percebida, uma vez que no preço dos  serviços  eram embutidos, além do próprio serviço, a “remuneração” dos  lobistas,  pela  obtenção  do  contrato,  bem  como  a  “propina”  destinada a corromper funcionários públicos.  Segundo documentos juntados ao processo – inclusive a decisão  judicial que recebeu denúncia contra diversas pessoas, na ação  penal  nº.  2007.71.02.0078728,  promovida  junto  à  3ª  Vara  da  Justiça  Federal  de  Santa  Maria  (fls.  436/449)  –,  a  Fundae  subcontratava com terceiros a realização de diversas atividades,  a quem repassava expressiva parcela da remuneração recebida,  em  contrapartida  de  serviços  reputados  como  pífios,  a  indicar  superfaturamento.  Tais  repasses  beneficiavam  os  responsáveis  pela  contratação  (titulares  ou  responsáveis  pelos  órgãos  públicos)  e  pela  subcontratação  (integrantes  das  fundações  de  apoio), além dos lobistas que conseguiam captar os negócios.  Os  terceiros subcontratados eram sociedades empresariais, que  receberam a alcunha de sistemistas. Destacam­se entre eles:  1. Pensant Consultores Ltda.;  2. IGPL – Inteligência Em Gestão Pública Ltda.;  3. Doctus Consultores Ltda.;  4. GCPLAN – Gestão, Capacitação e Planejamento Ltda.;  5. Nachtigall Luz Advogados Associados;  6. S3 Contabilidade Consultoria e Assessoria Ltda.;  7. Casa Editorial Ltda.;  8. Barrionuevo Gestão de Imagem Ltda.;  9. Carlos Rosa Advogados Associados; e  10. Fadel Advogados Associados.  A  decisão  que  recebeu  a  denúncia  contém  relato  conciso  e  elucidativo  a  respeito  das operações  relativas  aos  contratos  de  prestação  de  serviço  da  Fatec  e  da  Fundae  para  o Detran/RS  (fls. 435/449). Dela se extrai:  A  presente  ação  penal,  resultado  da  denominada  "Operação  Rodin",  tem  como  foco  central  supostos  ilícitos  penais  Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.535          5 verificados no âmbito das relações contratuais entabuladas entre  a  FATEC,  e  posteriormente  a  FUNDAE  ambas  fundações  de  apoio  à  UFSM,  e  o  DETRAN/RS,  para  fins  de  prestação  de  serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção  veicular no Estado do Rio Grande do Sul.  As  condutas  ilícitas  verificadas  giram  em  torno  de  uma  fraude  central,  qual  seja  a  da  contratação,  por  órgãos  públicos,  mediante  dispensa  de  licitação,  das  Fundações  de  Apoio  vinculadas  a  Universidade  Federal  de  Santa  Maria,  supostamente  amparada  no  art.  24,  XIII,  da  Lei  8.666,  para  a  realização  de  atividades  diversas,  cuja  realização,  todavia,  é  incumbida a terceiros, aos quais se repassa praticamente toda a  remuneração  percebida  (muitas  vezes  valores  expressivos,  em  contrapartida  por  serviços  pífios,  a  indicar  superfaturamento),  repasse  este  que  beneficia  financeiramente,  de  forma  direta  ou  indireta, os próprios responsáveis pela contratação (titulares ou  responsáveis  pelos  órgãos  públicos)  e  subcontratação  (integrantes  das  Fundações  de  Apoio)  e,  ainda,  lobistas  que  conseguem obter o contrato.  Em  outras  palavras,  ocorre  um  ajuste  prévio,  no  qual  pessoas  com grande influência política (lobistas) conseguem obter junto  a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para  prestação de determinados serviços.  Contratadas,  sem  licitação,  as  Fundações  subcontratam  empresas  e  pessoas  para  realização  dos  serviços,  superfaturados,  de  forma  a  beneficiar,  primeiramente,  os  próprios  lobistas,  e,  ainda,  também  os  dirigentes  do  órgão  contratador e das fundações.  É evidente o mecanismo de burla à regra geral de licitação para  as  contratações  a  serem  estabelecidas  pelo  Poder  Público,  especialmente  quando  se  vê  a  criação  de  mecanismos  de  triangulação do dinheiro público obtido nas relações contratuais  em  questão  de  forma  a  acabar  nas  mãos  dos  próprios  responsáveis  pela mesma. Verifica­se  que  o  "lobby"  se  vale  do  recurso  à  reputação  da  Universidade  Federal  de  Santa Maria  (UFSM),  irradiada  sobre  suas  Fundações  de  Apoio,  para  obtenção dos contratos públicos, em cujo preço são embutidos,  além do valor do próprio serviço, a "remuneração" dos lobistas,  pela  obtenção  do  contrato,  e,  em  muitas  situações,  o  superfaturamento,  também  destinado  a  corromper  funcionários  públicos.  Nota­se, por outro  lado, que após a contratação das  fundações  de apoio, e direcionamento da atividade para a subcontratação e  empresas  privadas,  poucas  eram  as  atividades  por  estas  desempenhadas,  não  obstante  absorvessem  parcela  substancial  dos  recursos.  Há  fortes  indícios  de  que  ditas  empresas  destinavam  os  recursos  para  a  manutenção  do  esquema  criminoso, com pagamento de valores a título de "propina" para  servidores  públicos  estaduais  e  federais  responsáveis  pela  efetivação  e  operacionalização  do  esquema,  no  âmbito  do  Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.536          6 DETRAN/RS  e  da  Universidade  Federal  de  Santa Maria,  bem  como  para  o  locupletamento  ilícito  dos  demais  envolvidos.  Registra­se,  ainda,  a  grande  ingerência  das  empresas  subcontratadas  dentro  das  próprias  Fundações  de  Apoio,  revelando­se nítida sobreposição de interesses privados sobre o  interesse  público,  chegando  mesmo  a  ditar  a  forma  de  sua  contratação e os valores de sua remuneração.  A  partir  de  tal  ilicitude  central  (crimes  contra  licitações),  diversas outras se irradiam, tangenciando especialmente crimes  contra a administração pública e contra o patrimônio.  A primeira fase da operação do esquema inicia­se, assim, com a  contratação,  sem  licitação,  da  Fatec  para  a  prestação  de  serviços ao Detran/RS.  Conforme  deflui  dos  autos,  até  o  ano  de  2003,  o  Detran  Rio  Grande  do  Sul  efetuava  seus  exames  por  intermédio  da  Fundação  Getúlio  Vargas  (FGV),  contratada  para  prestar  serviços  de  "exames  práticos  e  teóricos  de  direção  veicular".  Todavia,  mesmo  na  iminência  do  término  do  contrato,  e  dispondo de tempo suficiente para licitar o serviços, a autarquia,  na  época  presidida  por  Carlos  Ubiratan  dos  Santos,  e  tendo  como diretor administrativo­financeiro Hermínio Gomes Júnior,  deixou  de  efetivar  o  devido  procedimento  licitatório.  Foi  contratada, então, sem licitação (com base no art. 24, IV, da Lei  8.666/93  “casos  de  emergência  ou  calamidade  pública”),  a  Fatec  (hoje  Fateciens),  fundação  de  apoio  à  UFSM,  em  cuja  administração  a  Reitoria  de  tal  instituição  universitária  tinha  grande  relevo,  especialmente  por  intermédio  de  seu  Reitor,  na  época Paulo Jorge Sarkis.   Obtido  o  contrato,  assume  como  seu  coordenador,  na  FATEC,  Dario de Almeida Trevisan, que desenvolveu o projeto intitulado  “Trabalhando  pela  Vida”,  junto  à  UFSM,  que  dá  suporte  ao  Projeto Detran.  Esgotado o prazo para a contratação emergencial, de 180 dias,  foi firmado novo contrato entre o DETRAN e a FATEC, também  com dispensa de  licitação, desta vez amparada no art. 24, XIII  da  Lei  8.666,  que  a  possibilita  quando  em  favor  de  instituição  brasileira incumbida regimental e estatutariamente da pesquisa,  do ensino, ou do desenvolvimento institucional.  Constam nos autos elementos que indicam que, por detrás dessa  contratação, estaria desenhada a seguinte situação:  1)  A  família  Fernandes  (sob  a  liderança  de  José  Antônio  Fernandes, diretamente assessorado por seus filhos Ferdinando  Francisco  Fernandes,  além  da  participação  ativa  de  sua  nora  Denise  Nachtigall  Luz,  esposa  de  Ferdinando,  e  ciência  e  participação  de  sua  filha  Francene  Fernandes,  de  sua  esposa  Lenir  Beatriz  da  Luz  Fernandes),  valendo­se  de  seus  contatos  políticos,  oferecia  vantagem  ilícita  a  gestores  públicos  responsáveis pela contratação de serviços mediante dispensa de  Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.537          7 licitação, com a condição de que a contratação se realizasse em  favor da fundação de apoio à UFSM.  2) Os  contatos  iniciais,  para  tanto,  deram­se com Lair Antônio  Ferst,  empresário  lobista  que  tinha  grande  poder  junto  ao  DETRAN/RS,  por  conta  de  sua  vinculação  a  seu  diretor­ presidente, Carlos Ubiratan dos Santos. Lair  também mantinha  vinculação com Carlos Dahlem da Rosa.   3) A proposta de contratação, nos moldes relatados, envolvia a  subcontratação dos serviços das empresas vinculadas, direta ou  indiretamente,  aos  envolvidos  (que  faziam  parte  da  estrutura  criminosa).  4) A  atividade  contava  com  a  participação  do  então Reitor  da  Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Jorge Sarkis, que  apresentava a  instituição como parceira da Fatec na prestação  dos  serviços,  a  garantir­lhe  assim  credibilidade  técnica  para  a  contratação.  5) À  frente da participação da Fatec, situava­se  seu Secretário  Executivo,  Silvestre  Selhorst,  que  mantinha  vinculação  de  amizade  com  Paulo  Jorge  Sarkis  e  José  Antônio  Fernandes,  contando  com  o  apoio  dos  servidores  públicos  da  UFSM  que  atuaram, no período, como presidentes e diretores da fundação,  Ronaldo Etchechury Morales e Luís Carlos de Pelegrini.  Estabelecido  o  modus  operandi,  a  efetivação  do  esquema  criminoso, iniciada em meados do ano de 2003, teria envolvido a  oferta,  por  José  Antônio  Fernandes,  unido  a  Lair  Ferst,  de  vantagem  ilícita  a  Paulo  Jorge  Sarkis  e  Dario  Trevisan  de  Almeida, para que praticassem atos administrativos necessários  a que a UFSM pudesse dar suporte e participar da contratação  da  Fatec  pelo  Detran.  Em  seguimento,  prometeram  vantagem  indevida  a  Carlos  Ubiratan  dos  Santos  e  Hermínio  Gomes  Júnior, para a obtenção da contratação.   Contratada  a  Fatec,  em  julho  de  2003,  a  fundação  terceirizou  boa  parte  da  execução  do  Projeto,  subcontratando  quatro  empresas chamadas sistemistas, que juntas perceberam em torno  de 40% dos valores brutos obtidos no contrato entabulado com o  Detran, quais sejam:  1)  A  empresa  Pensant  Consultores,  pertencente  à  família  Fernandes,  tendo  como  sócios  José  Antônio  Fernandes  e  seus  filhos  Ferdinando  Fernandes  e  Fernando  Fernandes.  Percebia  9,59% dos recursos.  2) A  empresa Rio del Sur,  que  tem como  sócias,  dentre outros,  Rosana Cristina Ferst e Cenira Maria Ferst Ferreira,  irmãs de  Lair Ferst. Percebia 9,45% dos recursos.  3)  A  empresa  Newmark  Tecnologia  da  Informação,  Logística  Marketing  que  tem  dentre  seus  sócios  Elci  Terezinha  Ferst,  irmão  de  Lair  Ferst,  e  Alfredo  Pinto  Telles,  seu  cunhado  (companheiro de Elci). Percebia 13,77% dos recursos.  Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.538          8 4) A empresa Carlos Rosa Advogados Associados, que tem como  sócio Carlos Dahlem da Rosa, e que tinha vinculação com Luiz  Paulo  R.  Germano  (conhecido  como  Buti),  dentre  outros  (escritório  de  advocacia  e  pessoas  que,  como  indicam  os  documentos  e  áudios,  mantinham  grande  vinculação  com  o  antigo diretor do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos). Percebia  5,67%  dos  recursos.  A  despeito,  todavia,  da  contratação  das  sistemistas para execução do contrato, sua efetiva operação foi  atribuída  à  Universidade  Federal  de  Santa  Maria  (UFSM),  instituição com estrutura para suportar adequadamente o objeto  do contrato.  De fato, a Fatec contratou a UFSM para, por intermédio de um  projeto  institucional,  vinculado  à  Reitoria,  fornecer  o  suporte  necessário para a  realização de atividades que o Detran havia  exigido  na  contratação  (conforme  dois  contratos,  contemporâneos  ao  primeiro  contrato  emergencial  do  Detran  com a Fatec, em julho de 2003, e ao segundo, em dezembro de  2003).  Relevante sinalar que valores expressivos foram revertidos, pela  FATEC, às empresas sistemistas. Segundo dados fornecidos pela  Receita Federal, entre os anos de 2002 a 2006, os valores foram  os seguintes:  SISTEMISTA ­ REPASSE R$  NEW MARK TECNOLOGIA ­ 10.083.905,75  PENSANT ­ 8.996.867,12  RIO DEL SUR ENGENHARIA ­ 8.241.975,67  CARLOS ROSA ADVOGADOS ­ 4.146.626,67  Valores  similares  são  apontados  pela  Informação  Técnica  MP/TC  nº  74,  onde  constam  tabelas  descritivas  dos  valores  pagos pela Fatec às sistemistas.   Cabe destacar:  1)  que  todas  as  empresas  sistemistas  tiveram  uma  expressiva  participação nos recursos vinculados à contratação em questão,  sendo  que  entre  2003  e  2006  receberam,  em  conjunto,  R$  31  milhões.  2) a UFSM teria gastos, entre 01/2005 e 12/2008, da ordem de  R$ 953.664,00 para desenvolver o projeto em questão, portanto  valores  extremamente menores  que  os  percebidos  pelas  quatro  sistemistas.  3) nada obstante tendo recebido muito menos que as sistemistas,  as  atribuições  da  UFSM  eram  sobremaneira  mais  importantes  que as das primeiras (já que os serviços destas, de consultoria e  supervisão, eram acessórios).  Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.539          9 Afigura­se, pois, extremamente alta a probabilidade de que tais  empresas somente tenham sido contratadas pela FATEC para a  "execução" do Projeto DETRAN para alimentar um esquema de  pagamentos  aos  lobistas  (família  Fernandes  e  Lair  Ferst)  e,  ainda,  de  propinas  (pela  via  do  escritório  de  advocacia  com  vínculos com o então presidente do DETRAN, Carlos Ubiratan, e  ainda  por  triangulação  de  valores  cruzando  por  empresa  sistemista).  Nessa linha, segundo o Ministério Público Federal:  1)  Os  cerca  de  10%  destinados  à  Pensant  Consultores  Ltda.  seriam  destinados  ao  pagamento  de  José  Antônio  Fernandes  e  seus  familiares,  Ferdinando  Francisco  Fernandes,  Denise  Nachtigall  Luz,  Fernando  Fernandes,  Francene  Fabrícia  Fernandes Pedrozo e Lenir Beatriz da Luz Fernandes, bem como  ao  pagamento  de  vantagens  indevidas  a  servidores  públicos  integrantes  do  quadro  da  UFSM,  especialmente  Paulo  Jorge  Sarkis.  Nesse  sentido,  constatou­se  a  contratação  de  empresas  da  família  do  então  Reitor  da  UFSM,  Paulo  Jorge  Sarkis,  pela  Pensant. Foi contratada a empresa de sua esposa e filhos (Sarkis  Engenharia  Estrutural),  para  a  qual  a  Pensant  repassou,  nos  anos  de  2004  e  2005,  cerca  de  R$  74.000,00.  Ademais,  outra  empresa  da  família  Sarkis  também  vem  possivelmente  sendo  beneficiária  do  esquema,  recebendo  recursos  diretamente  da  FATEC, qual seja a World Travel Turismo Ltda.  2) Os cerca de 6% destinados ao escritório de advocacia Carlos  Rosa  Advogados  Associados  destinava­se  ao  estabelecimento  e  manutenção da estrutura de distribuição de propina, tendo como  contrapartida o enriquecimento ilícito de seu titular.  3)  Os  cerca  de  10%  destinados  à  Rio  Del  Sur  Auditoria  e  Consultoria  Ltda.,  teria  visado,  precipuamente,  à  remuneração  indevida  de  Lair  Ferst  e  seus  familiares  (Alfredo  Pinto  Telles,  Elci  Teresinha  Ferst,  Rosana  Cristina  Ferst  e  Cenira  Maria  Ferst Ferreira).  4)  Os  cerca  de  14%  destinados  à  Newmark  Tecnologia  da  Informação, Logística e Marketing Ltda. teriam como destino o  pagamento  de  "propina"  para  os  dirigentes  do  Detran/RS,  Carlos Ubiratan dos Santos e Hermínio Gomes Jr.  Nesse  sentido,  importante  frisar  que  indícios  constantes  nos  autos  indicam  a  possibilidade  de  que,  para  percepção  dos  valores, os dois dirigentes tenham criado empresas titularizadas  por "laranjas", ambas contratadas pela Newmark Tecnologia da  Informação, Logística e Marketing Ltda.:  a)  Carlos  Ubiratan  dos  Santos  teria  se  valido  da  empresa  NT  Pereira, cuja titular fictícia é Nilza Terezinha Pereira, amiga da  família,  mas  efetivamente  administrada  por  Patrícia  Jonara  Bado  dos  Santos,  esposa  de  Ubiratan.  Diversos  elementos  indicam  que,  na  realidade,  a  empresa  seria  de  Patrícia  e  de  Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.540          10 Carlos  Ubiratan,  existindo  somente  em  proveito  dos  mesmos.  Para  sua criação,  teriam  tido participação Lair Ferst  e Marco  Aurélio  da  Rosa  Trevizani,  técnico  contábil  que  prestava  serviços para as empresas da família Ferst e que também o fazia  para a NT Pereira.  b)  Hermínio  Gomes  Júnior  teria  se  valido  da  empresa  P.L.S.  Azevedo,  cujo  titular  fictício  é Pedro Luís  Saraiva  de Azevedo,  cunhado  de  Hermínio.  Também  aqui,  para  a  constituição  da  empresa,  teriam  obrado  Lair  Ferst  e  Marco  Aurélio  da  Rosa  Trevizani.  A "propina" seria, assim, repassada por meio de tais empresas,  cuja propriedade, de fato, seria dos dirigentes do Detran, acima  mencionados.  Em  seguimento,  as  firmas  individuais  NT  Pereira  e  P.L.S.  Azevedo, juntamente com a Newmark Tecnologia e com Alfredo  Pinto  Telles  (cunhado  de Lair  Ferst),  constituíram  a Newmark  Serviço  da  Inteligência  e  Informação  Ltda.,  supostamente  para  evitar a tributação incidente sobre a "propina", que a partir de  então dar­se­ia a título de "distribuição de lucros aos sócios".  Veja­se, a  respeito,  o  episódio  em que a NT Pereira,  em 2006,  efetivou  um  empréstimo,  sem  garantias,  a Carlos Ubiratan  dos  Santos, no valor de R$ 500.000,00. Ao que tudo indica, o valor  seria referente ao pagamento de propina com valores obtidos no  contrato DETRAN, que teriam circulado por intermédio de uma  das  empresas  sistemistas,  a  New  Mark  Tecnologia  da  Informação  e  Marketing,  seguindo  por  empresa­irmã,  a  New  Mark  Serviços,  cujos  lucros  foram  distribuídos  à  NT  Pereira,  chegando finalmente às mãos do servidor público.  Ao  longo  dos  três  anos  de  contratação  da  Fatec  pelo  Detran,  outras  empresas,  vinculadas  às  mesmas  pessoas,  foram  sendo  inseridas  no  esquema,  supostamente  por  força  de  novas  exigências de vantagens indevidas formuladas por José Antônio  Fernandes para a Fatec e para o coordenador do projeto Detran  na  UFSM,  Dario  Trevisan  de  Almeida.  O  percentual  originariamente  destinado  aos  subcontratados,  na  ordem  de  40%,  assim,  foi  sendo  gradualmente  ampliado,  com  o  que  a  parcela  destinada  à  efetiva  operacionalização  do  contrato  foi  minguando, dificultando a efetiva prestação dos serviços.  Foram subcontratadas outras 5 empresas:  1) escritório de advocacia de Régis Arnoldo Ferreti, do qual era  integrante  Denise  Nachtigall  Luz  (esposa  de  Ferdinando  Fernandes).  Régis  faleceu  em  2006,  com  o  que  o  contrato  foi  sucedido  por  Denise  Nachtigall  Luz,  passando  a  ser  de  responsabilidade  do  escritório  de  advocacia  Nachtigall  Luz  Advogados  Associados,  com  remuneração  mensal  de  R$  12.000,00.  2)  IGPL,  vinculada  à  família  Fernandes,  recebendo  R$  80.000,00 mensais.  Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.541          11 3)  GETPLAN,  também  vinculada  à  família  Fernandes,  recebendo R$ 10.000,00 mensais.  4)  Doctus  Consultores,  integrada  por  Rubem Höher  e  por  seu  filho, Ricardo Höher, recebendo mensalmente R$ 10.000,00 para  serviços de auditoria interna e contábil no projeto. Neste ponto,  é  de  ser  ressaltado  que  a  empresa  Rio  Del  Sur  já  era  supostamente  responsável  por  tais  atividades.  Outrossim,  a  Doctus Consultores também recebeu valores da própria Rio Del  Sur  pelos  mesmos  serviços,  como  indicam  notas  fiscais  de  prestação de serviços apreendidas na mesma.  Em meados de 2005, teriam iniciado divergências no grupo, por  conta  da  suposta  inoperância  das  empresas  vinculadas  à  Lair  Ferst  na prestação dos  serviços,  pelo que a  família Fernandes,  com grande peso no desenvolvimento do "Projeto Detran",  deu  início à  represálias  em face do primeiro,  que  só não  teria  sido  excluído  do  esquema  em  razão  de  "cláusulas  contratuais  restritivas e de sua amizade com Carlos Ubiratan dos Santos".  Em  decorrência  disso,  tem  início  a  segunda  fase  do  esquema  criminoso, a partir do ano de 2007, quando ocorre mudança na  Diretoria do Detran, com a saída de Carlos Ubiratan dos Santos  e  a  designação  de  Flávio  Vaz  Netto  para  o  posto  máximo  na  autarquia. Com  isso,  tornou­se viável a pretendida exclusão de  Lair Ferst.  Com a assunção da Direção do Detran/RS por Flávio Vaz Netto,  José  Antônio  Fernandes  e  seus  familiares  (especialmente  Ferdinando Francisco Fernandes, Fernando Fernandes e Denise  Nachtigall Luz), bem como Luiz Paulo Rosek Germano e Carlos  Dahlem  da  Rosa  mantiveram  contato  com  este,  no  intuito  de  indicar  a  necessidade  de  excluir  a  Rio  Del  Sur  e  a  Newmark  Tecnologia  da  Informação,  Logística  e  Marketing  Ltda.  –  as  empresas vinculadas a Lair Ferst – do contrato.  Não  havendo  possibilidade  de  rescisão  do  contrato  entre  tais  empresas  e  a  Fatec,  a  opção  foi  a  de  romper  o  contrato  originário,  firmado  entre  o  Detran  e  a  Fatec.  A  FATEC  argumentou, em face do DETRAN, ter havido aumento no custo  para  prestação  dos  serviços,  postulando  então  aumento  da  remuneração,  que  é  negada por  "falta  de  fundamentação". Ato  contínuo,  o  contrato  foi  encerrado  e,  já  no  dia  seguinte  é  contratada a outra Fundação de Apoio à Universidade Federal  de  Santa  Maria,  qual  seja  a  FUNDAE,  que  supostamente  poderia  prestar  o  serviço  por  preço  menor,  por  se  tratar  de  entidade filantrópica. Curiosamente, porém, a FUNDAE firmou  contrato  com  a  FATEC,  para  que  esta  continuasse  a  prestar  parte desse serviços.  Na  FATEC,  seguiu  coordenando  o  projeto  Dario  Trevisan  de  Almeida,  com  o  apoio  de  Silvestre  Selhorst  e  Luiz  Carlos  de  Pellegrini, como indicam os áudios.  A  família  Fernandes,  juntamente  com  Paulo  Jorge  Sarkis,  já  estariam  preparando  a  Fundae  para  ser  intermediária  de  Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.542          12 contratos  públicos  que  conseguissem  celebrar,  especialmente  a  partir  do  momento  em  que  o  segundo  deixou  a  condição  de  Reitor  da  UFSM,  perdendo  assim  seu  poder  de  influência  na  Fatec.  No  desenrolar  de  tal  intento,  teriam  sido  corrompidos  os  servidores públicos  federais Dario Trevisan de Almeida,  e Luiz  Carlos de Pellegrini.   O esquema, a partir de então, teria assumido nova configuração.  De  um  lado,  Flávio  Vaz  Netto  passa  a  agir,  na  condição  de  Diretor­Presidente do Detran/RS, dando início ao procedimento  administrativo  e,  por  fim,  efetivamente  contratando  a  nova  fundação,  o  que  teria  feito,  conforme  indícios  nos  autos,  em  contrapartida  de  recursos  ilícitos  que  lhe  eram  entregues  em  dinheiro (“propina” que seria entregue, em uma “mala preta”,  por  intermédio  de  Rubem  Höher,  e  com  intermediação  de  Antônio  Dornéu  Cardoso  Maciel,  conforme  elementos  probatórios constantes nos autos).   De  outro,  contratada  pelo  DETRAN  a  FUNDAE  (fls.  4048  apenso  III),  esta  assume  a  responsabilidade  gerencial  pelo  projeto,  sendo  assim  distribuídos  os  recursos  mensalmente  repassados pela autarquia:  a) 33,90% para a Fundae, por conta da contratação de todos os  examinadores de trânsito que antes tinham vínculo empregatício  com a Fatec;  b)  26,1%  para  a  Fatec  (incluindo  a  parcela  institucional  da  UFSM);  c) 40% restantes, exatamente o mesmo percentual anteriormente  destinado  às  empresas  sistemistas.  Para  apropriação  de  tais  valores, foram contratados serviços de diversas empresas, quase  todas vinculadas a José Antônio Fernandes e seus familiares, ou  pessoas de sua confiança.  Assume  a  condução  do  projeto,  na  fundação,  Rubem  Höher,  sendo então excluídas as empresas vinculadas a Lair Ferst (New  Mark e Rio Del Sur).  O  novo  quadro  de  sistemistas  passa  a  ser  composto  pelas  seguintes empresas:  1.  Pensant  Consultores  Ltda.  recebia  14%  sobre  o  valor  do  contrato  Detran/Fundae,  para  supervisão  e  auditoria  operacional,  e  auditoria  de  soluções  de  tecnologia  da  informação e comunicação.  2.  IGPL  contratada  para:  a)  desenvolvimento  de  software  (até  agosto de 2007 o contrato era com a Fatec), por R$ 60.000,00  mensais;  b)  infraestrutura  ao  projeto  Ensinando  para  a  Vida,  por  R$  105.000,000  mensais;  c)  arquivos  e  gestão  de  documentos, por R$ 15.000,00 mensais.  Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.543          13 3.  Nachtigall  Luz  Advogados  Associados  contratada  com  honorários  de  R$  66.000,00  mensais  para  prestar  serviços  de  "assessoria jurídica".  4.  GCPLAN  contratada  para  gestão  de  recursos  humanos,  cm  remuneração de R$ 75.000,00 mensais.  5.  S3 Contabilidade Consultoria  e  Assessoria  Ltda.  contratada  para atividade de assessoria contábil, fiscal, serviço de registro  e de pessoal, por R$ 40.000,00 mensais.  6. Doctus Consultores contratada para “coordenação­gerência e  auditoria de documentos”, por R$ 88.000,00 mensais.  Além  disso,  a  Fatec  manteve,  até  agosto  de  2007,  relações  contratuais com três das antigas sistemistas:  Carlos Rosa Advogados Associados;  Nachtigall Luz Advogados Associados;  IGPL.  As  duas  últimas  empresas  recebiam  honorários  tanto  da Fatec  como da Fundae.  Outrossim, constatam­se,  também, pagamentos à empresa Casa  Editorial, também controlada pela família Fernandes.  Há,  nos  autos,  elementos  (especialmente  e­mails  interceptados)  que  indicam  que  não  haveria  sinalização  sobre  que  espécie  de  serviços as empresas acima apontadas efetivamente prestariam,  embora auferissem já valores expressivos mensalmente.   Por  outro  lado,  há  probabilidade  de  que  haveria  participação  percentual,  de  cada  uma  dessas  empresas,  na  manutenção  do  esquema  criminoso,  com  valores  destinados  ao  pagamento  da  “propina”, como acima  já mencionado, entregue diretamente a  Flávio Vaz Netto e/ou Antônio Dornéu Cardoso Maciel.  Num  terceiro  momento,  todavia,  aparentemente  em  razão  da  representação do Ministério Público Especial junto ao Tribunal  de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, bem como por conta  das  investigações  acerca  do  funcionamento  das  fundações,  e  sobre os contratos em questão, por parte do Ministério Público  Federal  em  Santa  Maria,  como  indicam  as  interceptações  telefônicas  e  telemáticas,  os  investigados  demonstraram  preocupação  com  o  esquema,  passando  a  tentar  conferir­lhe  maior  aparência  de  licitude.  Foram  realizadas  reuniões,  com  novas  adequações  contratuais  e,  mesmo,  trocas  de  linhas  telefônicas  (dada  a  preocupação  flagrante  com  escutas).  Diversos envolvidos estariam presentes em tais reuniões.  Parece, a partir de então, ajustar­se um afastamento  formal da  FATEC com a  família Fernandes. Foram, assim rescindidos os  contratos  firmados  pela  FATEC  com  a  IGPL  e  a  Nachtigall,  assim como com a Carlos Dahlem da Rosa. A IGPL firma novo  Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.544          14 contrato  com  a  Fundae,  e  a  Fatec  contratou  os  serviços  de  Höher  Cioccari  Advogados  S/A,  e  da  Pakt  Excelência  em  Projetos S/C.  Para  tanto,  a  empresa  Pakt  é  constituída,  tendo  como  sócios  formais  ex­funcionários  da  própria  Fatec  e,  aparentemente,  como sócio de fato, Dario Trevisan de Almeida cujas sócias são  funcionárias  da  FATEC.  A  Pakt,  aparentemente,  assumiu  as  funções  das  IGPL.  Grave,  no  caso,  é  que  Luciana  Carneiro  é  Secretária  Executiva  do  projeto  Detran  na  FATEC,  sendo  exatamente quem  faz a  solicitação para que a  fundação rompa  com  a  IGPL,  em  relação  aos  mesmos  serviços  que,  posteriormente,  sua  própria  empresa  vai  prestar  (conforme  emails  interceptados).  Aliás,  para  conferir  aparência  de  legalidade aos fatos, há indícios de que formalmente, depois do  fato,  outra  funcionária  passou  à  condição  de  Secretária  Executiva.  A Pakt passaria a receber R$ 131.000,00 mensais, supostamente  para  que  seus  sócios  cumprissem  as  mesmas  funções  que  anteriormente  tinham  como  funcionários  da  Fatec,  recebendo  remunerações  não  superiores  a  R$  5.000,00  mensais.  Há  indícios  de  que  a  empresa  seja  de  "fachada",  para  repasse  de  valores para Dario Trevisan de Almeida.  Por  outro  lado,  do  escritório  de  advocacia  que  teria  sido  contratado pela FATEC para prestação de serviços vinculada ao  contrato  DETRAN,  o  Höher  &  Cioccari  Advogados,  é  sócio  Rafael Höher, também filho de Rubem Höher.  Contratada por R$ 110.000,00 mensais, há possibilidade de que  a Höher & Cioccari Advogados tenha sido contratada para ser  utilizada  por  Rubem  Höher  para  justificar  a  celebração  do  contrato  de  onde  provinham  os  recursos  para  pagamento  de  “propinas”.  Outrossim,  elementos  indiciários  obtidos  pela  interceptação  telemática parecem apontar para que toda a documentação para  contratação  da  Pakt,  bem  assim  como  também  a  possível  contratação  da  Hoher  &  Cioccari  Advogados,  tenha  sido  elaborada  na  própria  FATEC,  em  uma  espécie  de  simulação/forja de documentos inexistentes.  Em  suma,  também  nessa  nova  configuração,  a  despeito  da  tentativa  de  conferir­lhe  aparência  de  licitude,  restam  verossimilhantes  as  irregularidades,  que,  inclusive,  avançam:  entram  no  esquema  outros  funcionários  da  FATEC,  agora  subcontratada, para auferirem benefícios financeiros do projeto  DETRAN,  que  conduzem  na  própria  fundação,  e  também,  de  outro  lado,  entra  no  esquema  novo  escritório  de  parente  do  coordenador do projeto junto à FUNDAE, Rubem Höher.  Em 16/3/10, a fiscalização da DRF Santa Maria expediu termo de notificação  fiscal  e  relatório  de  fiscalização  (fls.  01/50),  por  meio  dos  quais  descreve  as  irregularidades  praticadas  pela  contribuinte  que  ensejariam  suspensão  da  imunidade  Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.545          15 tributária  nos  períodos  relativos  de  2005  a  2009.  Sustenta  que  a  fundação  teria  descumprido  os  requisitos  legais  previstos  no  art.  150, VI,  c,  da  Constituição  Federal,  para o gozo da imunidade, conforme resumido a seguir: (....).  Em  documento  datado  de  15/4/10,  a  interessada  apresentou  alegações  e  provas (fls. 575/634), conforme previsto no art. 32, § 2º, da Lei 9.430/96.  Em  29/6/10,  a  DRF  Santa  Maria  expediu  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/STM  74,  pelo  qual  suspendeu  o  benefício  da  imunidade  tributária  da  Fundae  relativamente  ao  período  de  jan/2005  a  dez/2009,  por  inobservância  das  disposições  contidas no art. 14, I, II e III, combinado com o art. 9º, IV, c, do CTN e do art. 12, caput e  § 3º, da Lei 9.532/97 (fl. 657). O ato baseou­se em relatório da fiscalização, de mesma  data (fls. 640/656), e foi cientificado à fundação no dia posterior (fl. 657).  Em 30/7/10,  a Fundae  impugna o  ato  declaratório  executivo  (fls. 663/696),  pedindo  o  restabelecimento  da  imunidade  tributária  e  defendendo  a  inexistência  de  motivos fáticos e legais para sua suspensão. Eis um resumo de seus argumentos:  a)  a  autoridade  administrativa  ultrapassou  os  limites  da  legalidade  e  desconsiderou  a  natureza  vinculada  da  atividade  fiscalizatória,  utilizando­se  de  juízo  permeado de avaliações subjetivas e confundindo fatos ao trazer informações relativas à  Fatec e induzir uma suposta ligação entre as fundações;  b)  a  juíza  federal  Simone  Barbisan  Fortes  concluiu  pela  inexistência  de  conduta  típica  em  relação  à  Fundae  e  pela  inocência  do  seu  presidente Mario  Franco  Gaiger; portanto, inexistem elementos que justifiquem as imputações e o juízo de valor,  trazidos pelos autuantes;   c) o ato declaratório de suspensão da imunidade é ilegal, pois foi fundado em  critérios subjetivos e meios de prova inidôneos ou insuficientes;  d) a impugnante é associação civil sem fins lucrativos cujo objeto social está  voltado  à  assistência  social  e  à  educação,  sendo  ambas  atividades  contempladas  pela  imunidade tipificada no art. 195, § 7º, da Constituição Federal;  e) os objetivos institucionais da Fundae, previstos no art. 1º do seu estatuto,  não proíbem a prestação de serviços para o setor público e/ou privado, mesmo em caráter  permanente e sem qualquer tipo de discriminação;  f)  o  estatuto  da  fundação  não  exige  que  as  atividades  desenvolvidas  sejam  gratuitas,  até  porque  a  remuneração  na  prestação  de  serviços  é  forma  de  obtenção  de  recursos financeiros necessários para o desenvolvimento das finalidades institucionais;  g)  a  jurisprudência  vem  caminhando  no  sentido  de  permitir  que  a  receita  obtida  com  o  desenvolvimento  de  atividades  econômicas  ou  mesmo  a  exploração  do  patrimônio  próprio, mesmo  que  não  vinculados  a  suas  finalidades  institucionais,  sejam  albergados  pelo  benefício  da  imunidade,  desde  que  os  rendimentos  se  destinassem  a  viabilizar e custear a consecução das finalidades institucionais;  Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.546          16 h)  não  prospera  a  justificativa  da  suspensão  da  imunidade  a  partir  de  uma  premissa  que  é  resultado  de  uma  confusão  conceitual  e  interpretativa  em  torno  dos  institutos da imunidade e isenção;  i) a aplicação das regras da imunidade exige interpretação ampliativa – não se  pode justificar a suspensão do benefício invocando pura e simplesmente a interpretação  literal prevista pelo art. 111 do CTN, válida para isenções;  j) a  imunidade tributária de entidade de  fins não  lucrativos não pressupõe a  ausência de atividade econômica ou de remuneração dos serviços prestados, mas que os  resultados  positivos  auferidos  no  desempenhos  de  suas  finalidades  essenciais  não  se  destinem à distribuição de lucros;  k)  a  exigência  do  art.  3º,  VI,  do  Decreto  2.536/98  (hoje  revogado  pelo  Decreto  7.237/10)  ultrapassa  os  limites  da  legalidade  pois  somente  a  lei  complementar  pode estabelecer requisitos para o gozo do direito subjetivo à imunidade;  l)  a  Constituição  remete  à  lei  ordinária  a  fixação  de  normas  sobre  a  constituição  e  o  funcionamento  da  entidade  educacional  ou  assistencial;  à  lei  complementar,  os  lindes  da  imunidade  tributária  quando  suscetíveis  de  disciplina  infraconstitucional;  m)  a  tentativa  de  se  fixar  limitações  à  imunidade  por  meio  de  legislação  infraconstitucional já foi objeto de manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), que  determinou,  em medida  cautelar,  a  suspensão da vigência do § 1º  e  a  alínea  f  do § 2º,  ambos do art. 12, do caput do art. 13 e do art. 14 da Lei 9.532/97, até a decisão final da  ação direta de  inconstitucionalidade – ADI 1802, proposta pela Confederação Nacional  de Saúde – Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNS);  n) em relação ao período cuja suspensão se pretende, a Fundae era portadora  de  Certificado  de  Entidade Beneficente  de  Assistência  Social  (Cebas),  concedido  pelo  Conselho Nacional  de  Assistência  Social,  com  validade  até  setembro  de  2009,  não  há  como desconsiderar seus efeitos enquanto ele não for anulado pelo órgão competente;  o) a suspensão da imunidade fixada no ato declaratório deve estar assentada  em situações objetivas, tipificadas em lei, as quais não podem ser alargadas por meio de  presunções, ficções ou meros indícios;  p)  a  autoridade  administrativa  não  fez  prova  de  pagamentos  sem  causa,  de  modo que não é possível afirmar que a impugnante tivesse deixado de aplicar as receitas  decorrentes das atividades econômicas desenvolvidas nos seus objetivos institucionais;  q) não há ilegalidade na terceirização de serviços (art. 129 da Lei 11.196/05);  r) eventual irregularidade quanto às regras do certame licitatório, assim como  questionamentos sobre a presença ou não de cessão de mão de obra ou sobre o valor dos  serviços prestados devem ser resolvidos em instância própria, mas não podem determinar  a suspensão do benefício da imunidade, sob a alegação de falta de aplicação das receitas  decorrentes das atividades econômicas desenvolvidas nos seus objetivos institucionais;  Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.547          17 s) a autoridade administrativa não levou em conta que os serviços prestados  para o Detran/RS e para o Projovem foram desenvolvidos anteriormente pela Fundação  Carlos Chagas e pela Fatec com custos superiores;  t) a autoridade administrativa não  fez prova de  irregularidades contábeis no  pagamento  das  empresas  sistemistas, muito menos  de  que  os  serviços  deixaram  de  ser  prestados;  u) não houve cessão de mão de obra: a autoridade administrativa confunde a  atividade  econômica  desenvolvida  pela  Fatec,  que  permite  auferir  os  recursos  para  o  cumprimento  das  finalidades  institucionais,  com  a  atividade  institucional  –  razão  que  justifica sua própria existência;  v)  o  art.  12,  §  3º,  da  Lei  9.532/97  não  impõe  impedimento  à  obtenção  de  superávit, desde que sejam revertidos aos objetivos institucionais da entidade;  w) o  legislador  estabeleceu  que  os  recursos  auferidos  pela  entidade  fossem  aplicados  integralmente  nos  seus  objetivos  institucionais,  mas  não  impôs  que  fossem  revertidos  ainda  no mesmo  exercício  –  os  relatórios  e  as  demonstrações  contábeis,  em  especial as do exercício de 2009, evidenciam que as receitas das atividades institucionais  foram mantidas em conta “reserva de aplicação em filantropia” (fls. 727/744);  x) não foram apresentadas provas relativas à suposta utilização de notas frias  e os argumentos pertinentes,  trazidos pela autoridade administrativa, não  têm  lastro em  prova convincente; e  y)  eventual  irregularidade  administrativa  na  concessão  do  empréstimo  à  Pensant não tem o condão de representar desrespeito às exigências do art. 14, incisos I e  II, do CTN, pois o mútuo foi devidamente registrado nos assentos contábeis.  Na  mesma  peça,  a  Fundae  pede  a  realização  de  perícia  para  que  seja  verificado:  a)  se  a  contabilidade  da  interessada  permitiria  concluir  que  as  empresas  sistemistas deixaram de prestar os serviços para os quais foram contratadas, b) se houve  superfaturamento,  e  c)  se  os  registros  contábeis  são  idôneos  a  respeito  da  reserva  para  aplicação em filantropia.  A  fiscalizada  optou  pela  tributação  do  IRPJ  e da CSLL  com base  no  lucro  real trimestral em relação aos anos­calendário 2005 a 2009 (fls. 658/659, 761 e 765/769).  Os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF, acompanhados do  relatório de fiscalização, foram lavrados em 9/12/10 (fls. 916/1032). Os lançamentos de  IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são exigidos por insuficiência de recolhimentos/declaração e o  de  IRRF  por  falta  de  recolhimento  sobre  pagamentos  sem  causa  ou  de  operações  não  comprovadas.  A  fiscalização  identificou  a  existência  de  fraude  nas  ações  dos  sujeitos  passivos e, por isso, lavrou os autos de infração com a multa de 150%.  Em  13/12/10,  os  autos  de  infração  foram  cientificados  à  Fundae  (fls.  917,  990, 995, 1007 e 1017) e, em 16/12/10, José Antonio Fernandes, Rubem Höher, Helvio  Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.548          18 Debus  Oliveira  Souza  e  Ipojucan  Seffrin  Custódio  foram  intimados  dos  termos  de  sujeição solidária passiva (fls. 1034/1037 e 1043/1046).  A  imputação  da  responsabilidade  aos  terceiros  corresponde  ao  período  de  7/10/05 (data da assinatura do contrato entre a Fundae e a Prefeitura Municipal de Porto  Alegre para a execução do programa Projovem) a 6/11/07 (data em que foi deflagrada a  fase ostensiva da operação Rodin). Deveu­se a suposto  interesse comum nos resultados  econômicos  advindos  dos  ilícitos  fiscais  cometidos  pela  fundação:  José  Fernandes,  atuando  como  lobista  e  principal  operador  do  núcleo  Pensant;  os  demais,  por  serem  prepostos de José Fernandes e sócios de empresas sistemistas.  Em sua defesa quanto à autuação, apresentada em 11/1/11 (fls. 1047/1089), a  Fundae  pede  a  improcedência  dos  autos  de  infração.  Repisa  os  argumentos  da  impugnação à suspensão da imunidade e acrescenta, em síntese:  a) a glosa das deduções dos custos dos serviços contratados pela impugnante  deve  ser  afastada,  uma  vez  que  não  foi  comprovado  que  os  custos  correspondam  a  pagamentos  sem  causa  ou  a  preços  superfaturados  e,  ao  contrário,  os  serviços  foram  efetivamente prestados, conforme prova documental;  b) a prestação de  serviços  é de difícil  evidenciação, uma vez que se exaure  após  a  consumação  –  devem  ser  avaliadas  circunstâncias  materiais  e  formais  que  evidenciam se houve ou não a operação que justificou os pagamentos realizados;  c)  a  execução  dos  serviços  dos  projetos  Projovem  e  Detran/RS  foi  devidamente  formalizada  por  meio  de  contratos,  que  estabelecem  as  condições  para  prestação, bem como especificam os serviços subcontratados;  d)  os  serviços  subcontratados  foram  necessários  à  execução  dos  projetos  ajustados,  tendo em vista o elevado volume de trabalhos a serem executados,  tais como  captação de  recursos,  supervisão  e  auditoria operacional,  desenvolvimento de  software,  gerenciamento  de  arquivos,  gerência  de  documentos,  gestão  de  recursos  humanos,  assessoria jurídica e contábil e gestão de imagem;  e) os valores dos serviços cobrados pelas empresas contratadas correspondem  aos  desembolsos  financeiros  da  impugnante,  que  foram  devidamente  registrados  pela  contabilidade e utilizados na apuração dos tributos;  f)  é  necessária  a  revisão  dos  percentuais  aplicados  na  apuração  do  superfaturamento, cujos valores contabilizados foram desconsiderados, apesar de não ter  sido desqualificada a escrita;  g)  não  há  demonstração  nos  autos  de  que  o  arbitramento  dos  valores  dos  serviços  praticados  no  âmbito  do  Projovem  decorresse  da  comparação  com  o  valor  de  serviços  semelhantes  praticados  no  mercado;  há  somente  comparação  com  valores  praticados em épocas diferentes, com complexidade e volumes de trabalho diferenciados;  h) não se pode comparar os valores obtidos nos projetos Projovem Gravataí e  Viamão com o de Porto Alegre, pois aqueles apresentam volume de trabalho inferior ao  deste;  Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.549          19 i)  não  havendo  prova  de  que  os  serviços  não  tenham  sido  prestados,  não  incorreu  hipótese  do  artigo  61,  §  1º  ,  da  Lei  8.981/95  (não  incide  IRRF  à  alíquota  de  35%);  j)  os  pagamentos  às  empresas  contratadas  foram  efetuados  a  beneficiários  devidamente identificados e decorrem de serviços efetivamente prestados;  k) o IRRF deve ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL;  l)  a  impugnante  tem  o  direito  à  isenção  de  COFINS  sobre  as  receitas  dos  serviços  prestados,  inclusive  relacionadas  aos  projetos  Projovem  e  Detran/RS,  com  fundamento nos arts. 13 e 14, X, da Medida Provisória 2.158/01, combinados com o art.  15 da Lei 9.532/97, independentemente da restrição imposta pelo art. 47, § 2º, da IN/SRF  247/02, que extrapolou os limites legais;  m) a qualificação da multa de ofício não se justifica diante da inexistência de  conduta dolosa praticada pela impugnante, tipificada nas hipóteses dos artigos 71, 72 e 73  da Lei 4.502/64;  n) as  condutas  criminosas  investigadas pela operação Rodin não podem ser  atribuídas à impugnante; e  o)  os  cálculos  dos  tributos  apresentados  no  relatório  fiscal  devem  ser  revisados, conforme divergências identificadas no estudo feito pela Perfectum Auditoria  Independente.  A  contribuinte  também  postula  nesta  impugnação  a  realização  de  perícia  técnica. Os  quesitos  apresentados  são  praticamente  coincidentes  com os  formulados  na  impugnação à suspensão da imunidade, com o acréscimo de item visando à identificação  dos  critérios  adotados  para  apurar  o  percentual  de  superfaturamento  de  84,06%  nos  projetos do Projovem e verificação do fundamento legal para a aplicação desses critérios.  Helvio  Debus  Oliveira  Souza  apresentou  sua  impugnação  em  18/1/11  (fls.  1215/1218).  Alega  que  o  termo  de  sujeição  passiva  solidária  foi  recebido  por  sua  secretária em 16/12/10, mas que tomou ciência somente em 20/12/10, quando retornou de  ausência.  Faz  um  breve  histórico  sobre  sua  ligação  com  a  Fundae,  contrapõe­se  às  acusações  impostas  em  relação aos  contratos  firmados pela  fundação para prestação de  serviços  ao  Projovem  e  ao  Detran/RS  e  defende­se  das  imputações  relativas  a  superfaturamento e honorários, contidas no relatório fiscal. Por fim, pugna pela exclusão  da sujeição passiva solidária.  Ipojucan  Seffrin  Custódio  apresentou  sua  impugnação  em  17/1/11  (fls.  1220/1224),  pedindo  seja  afastado  do  polo  passivo  da obrigação  tributária. Relata  suas  experiências  como  administrador  na  iniciativa  privada  e  pública,  suas  atividades  na  CGPLAN e sua situação econômico­financeira, que, segundo sustenta, não lhe permitiria  participar ou colaborar  com o “esquema” de apropriação de  recursos públicos.  Informa  que  trabalhava  para  viabilizar  os  trabalhos  de  área  operacional,  cuidando  da  seleção  e  contratação  de  profissionais  e  locação  de  ambientes. Defende  também que  não  haveria  razão  para  a  sua  inclusão  como  devedor  solidário,  pois  não  era  sócio  majoritário  da  empresa GCPLAN e não exercia atividades de administração/gerência da empresa: suas  Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.550          20 tarefas  eram  unicamente  técnicas,  sem  nenhum  poder  decisório  ou  influência  sobre  as  contratações entre FUNDAE e empresas prestadoras de serviços.  Rubem  Höher  apresentou  sua  impugnação  em  18/1/11,  afirmando  tê­la  entregue  na  forma  legal  e  em  tempo  hábil  (fls.  1239/1246).  Pede  a  exclusão  de  sua  inscrição  no  termo  de  sujeição  solidária  porque  não  teria  sido  provado  que  tivesse  interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal, já que,  em  síntese,  não  teve  função  diretiva  institucional  na  Fundae  –  mas  tão  somente  a  coordenação  administrativa  da  execução  do  contrato  com  o  Detran  –  e  porque  sua  prestação de serviços à fundação restringiu­se ao período de junho a outubro de 2007.  José  Antonio  Fernandes  apresentou  sua  impugnação  em  17/1/11  (fls.  1248/1266).  Defende  sua  exclusão  como  sujeito  passivo  solidário  pelos  argumentos  a  seguir sintetizados:  a)  é  necessário  que  o  processo  administrativo  fiscal  seja  suspenso  até  o  trânsito  em  julgado  da  ação  penal,  pois  ambos  utilizaram  os  mesmos  elementos  e  fundamentos,  resultantes  de  investigação  conjunta  e  integrada  da  Polícia  Judiciária  da  União,  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  do  Ministério  Público  estadual,  mediante autorização judicial;  b) o  termo de sujeição passiva solidária é um claro pré­julgamento, quando  na verdade tais afirmações são oriundas de uma mera investigação que não possui outra  finalidade senão buscar informações para a propositura de uma ação penal;  c) a defesa na esfera administrativa poderá ser utilizada antecipadamente pelo  próprio Ministério Público Federal,  em uma  total  inversão  do  procedimento  processual  penal;  d)  o  princípio  da  independência  das  instâncias  administrativas  e  penal  foi  ignorado pela própria Delegacia da Receita Federal, na medida em que buscou elementos  no processo criminal, reconhecidamente obtidos junto à Polícia Federal;  e) o  termo de sujeição passiva solidária fundamentou­se em afirmações que  poderão ser desconsideradas quando do julgamento do processo criminal;  f)  o  procedimento  é  nulo  por  atingir,  por  via  transversa,  o  devido  processo  legal e o princípio da motivação dos atos administrativos: para a construção de eventual  solidariedade  e  do  consequente  crédito  tributário,  foram  buscados  elementos  que  estão  sendo discutidos no processo penal;  g) a DRF parte de afirmações colhidas sem o crivo do contraditório, da ampla  defesa e do devido processo legal – instrumentos constitucionais a serem observados em  todo e qualquer processo administrativo ou judicial;  h)  os  autuantes  extrapolam  ao  tecerem  afirmações  de  forma  conclusiva,  quando  estas  pendem  de  julgamento,  com  a  finalidade  de  buscarem  uma  inexistente  solidariedade passiva;  Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.551          21 i)  princípios  e  garantias  constitucionais  foram  feridos,  porquanto  a  Fundae  pôde exercer ampla defesa administrativa por dois anos e ele somente pôde se manifestar  sobre a solidariedade nos autos de infração no prazo exíguo de trinta dias;  j) inexiste a solidariedade tributária passiva pois:  • o impugnante jamais exerceu cargo diretivo ou com poder de mando junto à Fundae;  • a relação entre a Fundae e a Pensant era estritamente contratual, bilateral, de prestação  de  serviços  e  nenhum  benefício  eventualmente  auferido  por  aquela  em  razão  do  não  pagamento de tributos pode ser estendido a esta;  • houve procedimento fiscalizatório na Pensant entre março de 2008 e maio de 2009 e do  qual não foram constatadas irregularidades;  •  o  manifestante  ou  a  empresa  Pensant  não  receberam  oportunidade  para  prestar  esclarecimentos no procedimento fiscal; e  • a Pensant não tinha outro interesse a não ser o de receber pelo valor dos serviços que  foram prestados;  k) o processo administrativo não pode abreviar ou restringir a possibilidade  do exercício da mais ampla defesa e do contraditório, em estrita observância ao devido  processo legal.  José  Fernandes  requer  ainda  que  lhe  seja  facultada  a  produção  de  prova  pericial  e  documental,  no  intuito  de  preservar­lhe  a  ampla  defesa.  Apresenta  quesitos,  indica  perito  e  anexa  documento  intitulado  Aspectos  teórico  técnicos  na  prestação  de  serviços com fornecimento de conhecimentos especializados (fls. 1269/1310).    DA DECISÃO DA DRJ    Conforme  relatado  acima,  a  pessoa  jurídica  impugnou  o  ato  declaratório  executivo (fls. 960/993) e o auto de infração às (fls.1602/1644) e da mesma foram, fizeram os  sujeitos  passivos  solidários  Helvio  Debus  Oliveira  Souza  (fls.  1771/1774),  Ipojucan  Seffrin  Custódio  (fls.  1776/  1780),  Rubem  Höher  (fls.  1797/1804)  e  José  Antonio  Fernandes  (fls.  1806/1824). As razões de defesa estão detalhadas no relatório da DRJ transcrito acima.  A  5ª  Turma  da  DRJ/POA  (fls.  1889/1952),  afastou  as  preliminares  de  nulidade,  indeferiu  os  pedidos  de  perícia  e  diligência  e,  no  mérito,  negou  provimento  à  impugnação  da  contribuinte  sobre  a  suspensão  da  imunidade  e  deu  parcial  provimento  à  impugnação da contribuinte aos autos de infração, reduzindo o IRPJ devido. Quanto às defesas  dos sujeitos passivos solidários, a turma não conheceu as impugnações apresentadas por Helvio  Debus Oliveira Souza e Rubem Höher e negou provimento às  impugnações apresentadas por  Ipojucan Seffrin Custódio e José Antonio Fernandes.     DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS    Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.552          22 Irresignada  com  o  resultado  do  julgamento,  a  pessoa  jurídica  apresentou  recurso  voluntário  tempestivo  às  fls.  2330/2420  repisando  os  argumentos  de  sua  peça  impugnatória  e  combatendo  o  entendimento  do  julgador  a  quo.  Da  mesma  forma  fizeram,  tempestivamente,  os  sujeitos  passivos  José  Antonio  Fernandes  (fls.  2428/2502)  e  Ipojucan  Seffrin Custódio (fls. 2523/2527).  É o Relatório.  Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.553          23 Voto Vencido  Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator  Os recursos voluntários atendem a todos os pressupostos de admissibilidade e  deles tomo conhecimento.  Recurso Voluntário da Pessoa Jurídica  Perícia  Em  resposta  à  intimação  de  13/10/2009,  a  Recorrente  informou  que  os  serviços  foram  prestados,  mas  que  a  Fundação  não  tem  como  mensurar  ou  quantificar  tais  serviços,  com  exceção  dos  serviços  prestados  pela  empresa  S3,  de  acordo  com  o  cálculo  baseado na tabela de honorários do SESCON/RS.  No entanto, em suas peças de defesa, repisa os pedidos de realização de prova  pericial,  com  intuito de avaliar a  efetiva ocorrência dos  serviços prestados, bem assim como  inocorrência de pagamentos superfaturados.  Tenho me posicionado  no  sentido  de  que  a  perícia  é  cabível  apenas  para  a  averiguação  de  fatos  que  dependem  de  conhecimentos  especializados  para  serem  demonstrados,  sendo  desnecessária  quando  os  fatos  puderem  ser  comprovados  documentalmente, como no caso de apresentação de relatórios, livros e documentos contábeis e  fiscais.  Sendo assim, deveria a Recorrente  ter  trazido aos autos os documentos que  entende serem comprobatórios de que os serviços contratados das empresas sistemistas foram  efetivamente contratados e que não houve superfaturamento.  Da suspensão da imunidade tributária  Inicialmente, sobre o tema da imunidade tributária aplicável às entidades de  assistência social, transcrevo o esclarecedor relatório fiscal (fls. 10/15):  A imunidade das instituições de educação e de assistência social  está  prevista  no  artigo  150,  VI,  alínea  "e"  da  CF/88,  o  qual  dispõe  que,  sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado A Unido, aos Estados, ao Distrito Federal  e  aos Municípios,  instituir  impostos  sobre  o  patrimônio,  renda  ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das  entidade  sindicais  dos  trabalhadores,  das  instituições  de  educação e de assistência social, sem fins  lucrativos, atendidos  os requisitos da lei.  Preliminarmente, verificamos que  imunidade disposta no artigo  150, VI, alínea "c" da CF/88, com as limitações previstas no seu  §  4°,  não  é  absoluta,  uma  vez  que  somente  abrange  impostos  (não  se aplica a  taxas,  contribuições  sociais ou de melhoria)  e  Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.554          24 está  condicionada  a  determinados  requisitos  impostos  pela  própria  CF/88,  quais  sejam:  somente  abriga  o  patrimônio,  renda  ou  serviços,  e  desde  que  relacionados  com  as  FINALIDADES  ESSENCIAIS  da  instituição;  as  instituições  não  devem  ter  fins  lucrativos;  devem  ser  atendidos  os  REQUISITOS DA LEI.  Neste aspecto, instaura­se o debate sobre a questão de ser esta  matéria  regulada  por  lei  ordinária  ou  lei  complementar.  Não  obstante, pelo menos quanto aos requisitos estabelecidos em lei  complementar,  não  há  dúvidas  quanto  à  necessidade  de  as  instituições  de  educação  e  de  assistência  social  cumpri­los,  os  quais encontram­se dispostos no artigo 9°, § 1° da Lei n°. 5.172,  de  25/10/66  (Código Tributário Nacional  ­ CTN,  recepcionado  como lei complementar pela Carta Constitucional de 1967), qual  seja, a atribuição, por lei, às entidades imunes, da condição de  responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e a lido  dispensa da prática de atos,  previstos em lei  assecuratórios do  cumprimento de obrigações tributárias por terceiros, bem como  os REQUISITOS dispostos no artigo 14, incisos I a III do mesmo  CTN, quais sejam:  I ­ não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de  suas  rendas,  a  qualquer  titulo  (Redação  dada  pela  Lei  Complementar d. 104, de 10/01/2001);  II  ­  aplicarem  integralmente,  no  país,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;  III  ­  manterem  escrituração  de  suas  receitas  e,  despesas  em  livros  revestidos  de  formalidades  capazes  de  assegurar  sua  exatidão.  Por sua vez, o artigo 12, caput da Lei nº. 9.532, de 10/12/1997,  dispõe  que,  para  efeito  do  disposto  no  artigo  150,  inciso  VI,  alínea  "c"  da  CF/88,  considera­se  IMUNE  a  instituição  de  educação ou de assistência social que preste os serviços para os  quais  houver  sido  instituída  e  os  coloque  à  disposição  da  população em geral, em caráter complementar As atividades do  Estado, sem fins lucrativos.  Para o gozo da imunidade, as  instituições de assistência social,  tais como a FUNDAE, estão obrigadas a atender aos seguintes  REQUISITOS, dispostos no artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "h" da  Lei nº. 9.532/97:  a)  não  remunerar,  por  qualquer  forma,  seus  dirigentes  pelos  serviços prestados;  b)  aplicar  integralmente  seus  recursos  na  manutenção  e  desenvolvimento dos seus objetivos sociais;  c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em  livros  revestidos  das  formalidades  que  assegurem  a  respectiva  exatidão;  Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.555          25 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado  da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de  suas  receitas  e  a  efetivação  de  suas  despesas,  bem  assim  a  realização de quaisquer outros atos ou operações que Venham a  modificar sua situação patrimonial;  e)  apresentar,  anualmente,  Declaração  de  Rendimentos,  em  conformidade  com  o  disposto  em  ato  da  Secretaria  da Receita  Federal;  f)  recolher  os  tributos  retidos  sobre  os  rendimentos  por  elas  pagos ou  creditados  e a  contribuição para a  seguridade  social  relativa  aos  empregados,  bem  assim  Cumprir  as  obrigações  acessórias daí decorrentes;  g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição  que  atenda  As  condições  para  gozo  da  imunidade,  no  caso  de  incorporação,  fusão,  cisão  ou  de  encerramento  de  suas  atividades, ou a órgão público;  h) outros requisitos estabelecido em lei específica, relacionados  com, o funcionamento das entidades a que se refere este artigo.  Como se vê, a restrição à remuneração A diretoria as entidades  imunes  disposta  no  artigo  12,  §  2°,  alínea  "a"  da  Lei  •n°.  9.532/97  não  constava  do  CTN.  Entretanto,  o  descumprimento  de  tal  requisito  pode  ser  considerado  como,  uma  distribuição  disfarçada de lucros, em afronta ao disposto no artigo 14, inciso  I do CTN. Por sua vez, os requisitos previstos no artigo 12, § 2°,  alíneas  "h"  e 10 "c" da Lei n°.  9.532/97 não  trazem  inovações  em relação ao disposto no CTN.  O artigo 12, § 3° da Lei d. 9.532/97, com a redação dada pela  Lei nº. 9.718, de 27/11/1998, dispõe que considera­se entidade  SEM  FINS  LUCRATIVOS  a  que  NÃO  APRESENTE  SUPERAVIT  em  suas  contas  ou,  caso  o  apresente  em  determinado  exercício,  destine  referido  resultado,  INTEGRALMENTE, à manutenção e ao desenvolvimento dos  seus objetivos sociais.   O  artigo  13  da  Lei  n°.  9.532/97  dispõe  que  sem  prejuízo  das  demais  penalidades  previstas  na  lei,  a  Secretaria  da  Receita  Federal suspenderá o gozo da imunidade e da isenção a que se  referem os artigos 12 e 15, relativamente aos anos­calendários  em  que  a  pessoa  jurídica  houver  praticado  ou,  por  qualquer  forma,  houver  contribuído  para  a  prática  de  ato  que  constitua  infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no  caso  de  informar  ou  declarar  falsamente,  omitir  ou  simular  o  recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer  forma cooperar para que  terceiro  sonegue  tributos ou pratique  ilícitos fiscais. Por sua vez, o artigo 14 dispõe que à suspensão  do gozo da imunidade aplica­se o disposto no .artigo 32 da Lei  nº. 9.430, de 27/12/96.  Fl. 2555DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.556          26 Finalmente, o artigo 15, § 3° dispõe que às  instituições  isentas  aplicam­se as disposições do artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e  § 3° e dos artigos 13 e 14 da Lei n°. 9532/97.  (...). Como o artigo 146, inciso II da CF/88 dispõe que cabe à lei  complementar regular as limitações constitucionais ao poder de  tributar  e  como  a  Lei  Ordinária  n°.  9.532/97  trata,  em  seus  artigos 12 a 14, de requisitos  impostos e da suspensão do gozo  da IMUNIDADE TRIBUTARIA das instituições de educação ou  de  assistência  social  sem  fins  lucrativos,  nos  termos  do  artigo  150, inciso VI, alínea "c" da CF/88, o STF, através da ADIn n ° .  1.802­3, entendeu que, por se tratar de limitação constitucional  ao poder de tributar, a demarcação do objeto formal e material  da  imunidade  das  referidas  instituições  é  matéria  afeita  à  lei  complementar, tendo declarado a INCONSTITUCIONALIDADE  FORMAL da alínea "f' do § 2° do artigo 12, o caput do artigo 13  e  o  artigo  14,  bem  como  a  inconstitucionalidade  formal  e  material do § 1 ° do artigo 12 da Lei Ordinária n°. 9.532/97.   A  Ementa  da  ADIn  n°.  1.802­3  esclarece  que  o  que  a  CF/88  remete  à  lei  ordinária  é  a  fixação  de  normas  sobre  a  constituição e o funcionamento da entidade imune. Entretanto, o  que  diz  respeito  aos  lindes  (limites)  da  imunidade,  quando  suscetíveis  de  disciplina  infraconstitucional,  devem  ser  reservados à lei complementar. A luz desse critério distintivo, o  artigo 12 e § 2°, salvo a alínea "f" e o § 3°, bem como o artigo  13,  parágrafo  único  da  Lei  nº.  9.532/97  foram  considerados  como INCÓLUMES à inconstitucionalidade formal argüida.  A  Ementa  do  Acórdão  103­21076  do  1°  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda  (1°  CC  do  MF),  publicado no DOU de 28/11/2002, dispõe que a ADIn nº. 1.802­ 3, que suspendeu liminarmente a vigência de dispositivos da Lei  nº. 9.532/97, tem eficácia tão­somente à suspensão da imunidade  que  trata  o  artigo  32  da  Lei  nº  9.430/96,  não  tendo  aplicabilidade ao instituto da isenção de tributos e contribuições  federais. Por sua vez, os relatórios dos votos dos Acórdãos 101­ 94657 e 101­95343 do 1° CC do MF, em sessões realizadas em  12/08/2004  e  25/01/2006  que  tiveram  como  relatora  a  Conselheira  SANDRA MARIA  FARONI,  dispõem  que  há  quem  entenda que o alcance da suspensão da eficácia do artigo 14 da  Lei  nº.  9.532/97  não  se  refere  à  adoção  do  procedimento  nele  previsto,  mas  em  aplicar  o  procedimento  nos  casos  de  descumprimento dos requisitos para a imunidade acrescentados  pela mesma lei e suspensos pelo STF.  Entretanto,  como  as  interpretações  acima  apresentadas  ainda  não são pacificas no âmbito do 1° CC do MF, entendemos que a  suspensão  da  vigência  de  dispositivos  da  Lei  nº.  9.532/97  operada pela ADIn no. 1.802­3 tem eficácia tanto, em relação à  suspensão  da  imunidade  quanto  em  relação  à  suspensão  da  isenção,  e  que  também  não  há  como  flexibilizar  a  suspensão  imposta pelo STF.  Fl. 2556DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.557          27 (...).Apesar de o  rito para a  suspensão da  imunidade  tributária  previsto  no  artigo  32  da  Lei  nº.  9.430/96  referir­se  única  e  exclusivamente aos requisitos previstos na CF/88 e no CTN, o §  10 do referido artigo dispõe que os procedimentos estabelecidos  nos §§ ao 9º aplicam­se, também, às hipóteses de suspensão de  isenções  condicionadas,  quando  a  entidade  beneficiária  estiver  descumprindo  as  condições  ou  requisitos  impostos  pela  legislação  de  regência,  qual  seja,  a  própria  Lei  nº.  9.532/97,  ficando, assim, suprida a suspensão da vigência do artigo 14 da  Lei n °. 9.532/97 pela ADIN n°. 1.802.  Esclarecemos que o artigo 32, §§ 1º ao 10° da Lei nº 9.430/96  não  estabelece  limitações  ao  poder  de  tributar,  mas,  tão­ somente,  discorre  sobre  procedimento  de  natureza  administrativa.  Neste  caso,  não  há  necessidade  de  lei  complementar  para  regular  a  questão,  bastando  uma  lei  ordinária,  no  caso,  a  própria  Lei  n°.  9.430/96,  uma  vez  que  a  essência  instrumental  das  normas,  sem  direta  ligação  com  o  campo tratado na imunidade das entidades, está livre da reserva  complementar.  Ademais,  a  inconstitucionalidade  do  referido  artigo não foi argüida na ADIn nº. 1.802­3.  Finalmente, salientamos que a Lei nº. 9.532/97 constitui­se na lei  isentiva  de  que  trata  o  artigo  176  do  CTN  relativamente  às  instituições  de  caráter  filantrópico,  recreativo,  cultural  e  cientifico e as associações civis, e a aplicabilidade de seu artigo  15, c/c o artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° não foi afetada  pela ADIN nº. 1.802, estando EM PLENO VIGOR.  O  artigo  195,  §  7°  da  CF/88  dispõe  que  são  isentas  de  contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências  estabelecidas  em lei.  Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº. 8.212, de 24/07/1991, dispõe  que  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  (EBAS)  que  atenda  aos  requisitos  dispostos  em  seus  incisos  I  a  V,  cumulativamente,  fica  isenta  da  contribuição  previdenciária  a  cargo  das  empresas,  de  que  trata  o  artigo  22,  bem  corno  das  contribuições  sociais  de  que  tratam  o  artigo  23  da  referida  Lei.(...). (grifou­se).  A  partir  da  legislação  citada  no  trecho  acima,  passo  a  analisar  o  presente  caso.  Os fatos ocorridos que levaram a fiscalização à expedir o ato declaratório de  suspensão da  imunidade  tributária da Contribuinte encontram­se pormenorizados no relatório  fiscal  às  fls.  920/952 e  fls.  9/104,  e  foram caracterizados pela  fiscalização como  infração  ao  artigo 14, incisos I, II e III do CTN, c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN, com redação  dada  pela  Lei  Complementar  104/01,  e  o  artigo  12,  caput  e  §  3°  da  Lei  n°.  9.532/97,  com  redação dada pela Lei nº. 9.718/98.  Em resumo, tais fatos destacados pela fiscalização são:  Fl. 2557DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.558          28 1) A  FUNDAE  celebrou  em  16/04/2007  o Contrato  de  nº.  09/2007  com  o  DETRAN/RS, bem como celebrou em 02/04/2007 contrato com a FATEC para a prestação de  serviços  relacionados  aos  exames  práticos  e  teóricos  de  direção  veicular  no  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul  no  período  de  15/05/2007  a  14/11/2009,  o  que  implicou  na  execução  de  atividades de natureza econômico­financeira desvirtuadas de seu objeto  social, em desacordo  com o disposto no artigo 12, capuz da Lei n°. 9.532/97 e no artigo 14, inciso II do CTN;  2)  A  FUNDAE  efetuou  pagamentos  às  empresas  sistemistas  BARRIONUEVO,  DOCTUS,  FADEL,  GCPLAN,  IGPL,  NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3  para a execução do contrato com o DETRAN/RS, que não foram suportados por documentos  hábeis que confirmassem a sua destinação aos fins da entidade, tendo deixado de comprovar a  aplicação  integral  de  seus  recursos  na  manutenção  e  desenvolvimento  dos  seus  objetivos  sociais no período de 06/2007 a 10/2007, em desacordo com o disposto no artigo 14, inciso II  do CTN;  3)  A  FUNDAE  efetuou  pagamentos  às  empresas  sistemistas  BARRIONUEVO,  CARLOS  ROSA,  CASA  EDITORIAL,  FADEL,  GCPLAN,  IGPL,  NACHTIGALL, PENSANT e S3 para a execução do PROJOVEM, que não foram suportados  por documentos hábeis que confirmassem a sua destinação aos fins de entidade, tendo deixado  de comprovar a aplicação integral de seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus  objetivos sociais no período de 11/2005 a 06/2008, em desacordo com o disposto no artigo 14,  inciso II do CTN;  4) A  FUNDAE  efetuou  cessão­de­mão  de  obra  como  atividade  principal  e  permanente à Prefeitura Municipal de Porto Alegre ­ RS para a execução do PROJOVEM no  período de 11/2005 a 06/2008, em desacordo com o disposto no Parecer MPS n°. 3.272104 e  no artigo 12, caput da Lei n°. 9.532/97.  5)  A  FUNDAE  apresentou  em  31/12/2008  um  superávit  líquido  de  R$  5.051.991,40  e  um  saldo  de.  caixa  e  equivalentes  de R$  7.970.719,54,  bem  como  concedeu  gratuidades  no  ano­calendário  de  2008,  as  quais  representaram  apenas  6,63%  (4,71%,  se  considerado  o  regime  de  competência)  da  gratuidade mínima de  20%,  em  desacordo  com  o  disposto no artigo 14, inciso II c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN e no artigo 12, § 3°  da Lei n°. 9.532/97, com redação dada pela Lei n °. 9.718/98;  6) A FUNDAE destinou  parcela  ínfima  dos  recursos  da  instituição  às  suas  finalidades  essenciais,  em  desacordo  com  o  disposto  no  artigo  150,  inciso VI,  alínea  "c"  da  CF/88 e no artigo 14, inciso II, c/c o artigo 9°, inciso IV; alínea "c" do CTN;  7) A FUNDAE terceirizou as suas ações de assistência social, tendo deixado  de aplicar seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, em desacordo com o  disposto no artigo 14, inciso II, c/c o artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN;  8)  A  FUNDAE  utilizou  os  valores  contabilizados  a  débito  das  contas  de  resultado de custos e despesas representativas de folha do pagamento, FGTS, Vales Transporte  e PIS relativos aos contratos mantidos com as Prefeituras Municipais de Porto Alegre, Viamão  e Gravataí  ­ RS para  a execução da PROJOVEM no cálculo das gratuidades concedidas nos  anos­calendário de  2005 a 2007,  em desacordo  com o disposto no  artigo 14,  inciso  II,  c/c o  artigo 9°, inciso IV, alínea "c" do CTN;  Fl. 2558DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.559          29 9)  A  FUNDAE  contabilizou  notas  fiscais  frias  no  período  de  11/2005  a  06/2008, tendo deixado de manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros  revestidos  das  formalidades  que  assegurassem  a  respectiva  exatidão,  em  desacordo  com  o  artigo 14, inciso III do CTN;  10)  A  FUNDAE  concedeu  empréstimo  gratuito  à  empresa  PENSANT,  em  desacordo com o disposto no artigo 14,  incisos I e  II c/c o artigo 9°,  inciso IV, alínea "c" do  CTN.  Merece  razão  a  fiscalização  quando  afirma  que  as  atividades  descritas  no  contrato da Recorrente com o DETRAN/RS não estão de acordo com os objetivos sociais da  Fundação, constantes do artigo 1°, § 2° de seu estatuto (fl. 128/138), já que seu objetivo básico,  conforme  disposto  no  artigo  1°,  alíneas  “a”  a  “n”  é  a  promoção  e  o  desenvolvimento  da  educação  e  da  cultura,  ações  de  cidadania,  geração  de  renda  e  inclusão  social,  atividades  incompatíveis  com  as  obrigações  contratuais  da  Recorrente  perante  o  DETRAN/RS,  tão  somente  vinculadas  à  prestação  de  serviços  relacionados  aos  exames  práticos  e  teóricos  de  direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul.  A leitura que a direção da Recorrente fez do artigo 1º, § 2°, afirmando tratar­ se  de  promoção  de  estudos,  pesquisas  e  prestação  de  serviços  para  entidades  públicas  e  privadas, não pode jamais ser feita de forma estanque ao que está disposto no artigo 1 °, alíneas  “a” a “n” do estatuto social da Fundação, que aponta seus objetivos principais, quais sejam a  promoção e o desenvolvimento da educação e da cultura, ações de cidadania, geração de renda  e  inclusão  social,  sob  o  risco  de  ser  extrapolado  seu  objeto  social,  o  que  de  fato  acabou  acontecendo, quando a Fundação assinou em 16/04/2007 o contrato com o DETRAN/RS.  A  Solução  de  Divergência  COSIT  nº.  9  de  16/07/03  admite  que  as  associações  civis  sem  fins  lucrativos  executem  atividades  comerciais  ou  econômicas  sem  a  perda do gozo da isenção do IRPJ e da CSLL, desde que atendam aos requisitos do artigo 15, §  3 °, c/c § artigo 12, § 2° e o artigo 13,  todos da Lei nº. 9.532/97, e desde que seus atos não  extrapolem aos objetivos definidos  em estatuto  social,  não  concorram com organizações que  não gozem do mesmo beneficio e que, quando apurarem superávit em suas contas, observem o  disposto no artigo 12, § 3° da referida Lei.  Ora, a prestação de serviços  relacionados aos exames práticos e  teóricos de  direção veicular para o DETRAN/RS claramente extrapolou os objetivos definidos no artigo 1º,  alíneas “a” a “n” do estatuto social da Fundação. Além disso, está claro que a prestação de tais  serviços poderia  ser  realizada por quaisquer empresas privadas, mediante processo  licitatório  regular,  evidenciando violação  ao  princípio  constitucional  da  livre  concorrência,  disposto  no  artigo 170, inciso IV da Constituição Federal de 1988.  Assim,  conclui­se  que  a  Recorrente  executou,  no  período  de  06/2007  a  10/2009,  atividades  de  natureza  econômico­financeira  desvirtuadas  de  seu  objeto  social,  em  desacordo com o disposto no artigo 12, caput da Lei nº. 9.532/97 e no artigo 14, inciso II do  CTN, o que implica na suspensão do beneficio da imunidade tributária nos anos­calendário de  2007 a 2009.  Outro ponto, dentre os enumerados pela fiscalização, que merece relevo para  o deslinde da controvérsia é aquele relativo ao empréstimo gratuito realizado pela Recorrente à  Pensant. Sobre o tema, conclui a fiscalização que (fl.78):  Fl. 2559DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.560          30 Intimada em 30/09/2009 a  esclarecer os  fatos acima  relatados,  bem  como  a  apresentar  o  contrato  de  mútuo  firmado  em  04/04/2007  com  a  empresa  PENSANT  (fls.  263  a  278),  a  FUNDAE  informou  em 13/10/2009 que  trata­se  de  contrato  de  mútuo,  concedido  pela  Fundação  à  empresa  PENSANT,  que  restou  inadimplido,  tendo informado  também que não  localizou  a copia do referido contrato, o qual deve estar na documentação  apreendida pela Policia Federal (fls. 279 a 289).   0  contrato de mútuo entre a FUNDAE  (mutuante)  e a  empresa  PENSANT (mutuaria), datado de 03/04/2007, foi localizado por  essa fiscalização dentre os 25 DVDs entregues em face do Oficio  à  Cláusula  Segunda  dispõe  que  o  prazo  do  contrato  de mútuo  deveria  ser  de  180  dias,  a  partir  da  assinatura  do mesmo,  em  03/04/2007,  ou  seja,  deveria  ter  validade  até  30/09/2007,  enquanto que a Cláusula Quarta dispõe que o não cumprimento  por  parte  da mutuária  implicaria  na  rescisão  do  contrato,  não  dispondo sobre quaisquer cobrança de juros, o que o caracteriza  como empréstimo gratuito (fls. 574).  Entendemos  que  a  FUNDAE  poderia  ter  compensado  suas  obrigações  perante  a  empresa  PENSANT,  quanto  aos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pela  mesma  à  Fundação,  com  seu  direito em relação ao empréstimo concedido. Entretanto, tal fato  não ocorreu, apesar de a FUNDAE ter pago, o montante de R$  1.429.637,07  no  período  de  19/06/2007  a  11/10/2007  pelos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pela  empresa PENSANT no  âmbito do contrato com o DETRAN/RS, de acordo com o Anexo  1 (fls. 38 e 39).  Se levarmos em conta seu momento e forma de concessão, onde  não houve, por parte do tomador do empréstimo, a obrigação do  pagamento de  juros e sequer do valor principal, podemos dizer  que o mesmo constituiu um "prêmio" à empresa PENSANT pela  obtenção do contrato entre a FUNDAE e o DETRAN/RS, o que  demonstra  que  a  referida Fundação  deixou  de  atender  tanto  o  disposto no inciso I do artigo 14 do CTN quanto o disposto em  seu inciso II, os quais estabelecem que para o gozo de imunidade  fiscal, as instituições de assistência social lido podem distribuir  qualquer  parcela  de  seu  patrimônio  ou  de  suas  rendas,  a  qualquer titulo, bem como devem aplicar integralmente, no país,  os  seus  recursos  na  manutenção  dos­  seus  objetivos  institucionais, o que implica na perda do beneficio da imunidade  tributária no ano­calendário de 2007.  Corroboro o entendimento, uma vez que o empréstimo não foi quitado, nem  compensado, e não há provas de qualquer tipo de cobrança por parte da Recorrente.  Com  efeito,  a  distribuição  de  parcela  gratuita  de  seu  patrimônio  à  Pensant  denota  infração  expressa  ao  inciso  I  do  artigo  14  do  CTN,  justificando  a  suspensão  da  imunidade tributária da Recorrente.  Não bastasse isso, corroboro a assertiva fiscal no sentido de que a atividade  de  prestação  de  serviços  mediante  cessão­de­mão  de  obra  exercida  pela  FUNDAE,  como  Fl. 2560DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.561          31 atividade  principal  e  não  pontual,  em  desobediência  às  orientações  do  Parecer  MPS  n°.  3.272/04,  representou  um  desvio  de  finalidade,  tendo  a  Fundação  infringido  o  disposto  no  artigo 12, caput da Lei n°. 9.532/97, justificando a suspensão de sua imunidade tributária nos  anos­calendário de 2005 a 2008.  De  outro  giro,  considero  incorreta  a manutenção  do  superávit  em  conta  de  patrimônio liquido "Reserva p/ Filantropia ­ Gratuidades a Conceder" (código 2920301), pois,  conforme  redação do artigo 14,  inciso  II  do CTN,  faz­se necessária a aplicação  INTEGRAL  dos recursos da entidade imune na manutenção dos seus objetivos institucionais, e, conforme  conceito de entidade sem fins lucrativos, disposto no artigo 12, § 3º da Lei n°. 9.532/97 (com  redação dada pela Lei n °. 9.718/98), a entidade não pode apresentar superávit em suas contas  e, caso o apresente em determinado exercício, deve destinar o referido resultado, integralmente  à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.  Acrescente­se,  por  oportuno,  que,  conforme  exposto  no  relatório  fiscal,  “através de um ajuste prévio, pessoas com grande  influência política  (lobistas) conseguiram  fazer com que o DETRAN/RS contratasse a FATEC e a FUNDAE para a execução de serviços  diversos,  cuja  realização  acabou  sendo  atribuída  a  terceiros,  aos  quais  era  repassada  em  torno de 40% da remuneração percebida, uma vez que no preço dos serviços eram embutidos,  além do próprio serviço, a “remuneração” dos lobistas, pela obtenção do contrato, bem corno  a “propina” destinada a corromper funcionários públicos” (fl. 22).  A análise das questões relacionadas à legalidade do contrato firmado entre a  Recorrente,  o  DETRAN  e  o  Projovem,  a  manutenção  do  esquema  criminoso  mediante  pagamento  de  propina  pelas  empresas  sistemistas  à  terceiros,  a  influência  do  lobista  José  Fernandes  e  seus prepostos  junto  à Recorrente  e demais  empresas  envolvidas no  esquema,  a  exigência de propina por funcionários público do DETRAN para direcionamento da licitação,  dentre outras não mencionas, não competem à esse órgão julgador ou são menos importantes  do ponto de vista fiscal, razão pela qual não serão abordadas.  Da mesma  forma,  a  absolvição da  conduta da Recorrente no  juízo  criminal  (penal) não afasta a hipótese de infração à legislação tributária.  Portanto, mantenho a suspensão da imunidade da tributária da Recorrente.  Dos autos de infração lavrados  Sobre o tema, alega a Recorrente, em breve síntese, que a glosa das deduções  dos custos dos serviços contratados das empresas sistemistas não deve ser afastado, uma vez  que não restou comprovado que os custos dos serviços estavam superfaturados.  Nesse ponto, discordo da Recorrente.  Sobre o tema, transcrevo trecho do relatório fiscal (fls.42/47):  3.2.8.  Superfaturamento  apurado  por  essa  fiscalização  quanto  aos  pagamentos  efetuados  pela FUNDAE em  face  dos  serviços  que teriam sido prestados pelas empresas sistemistas no âmbito  do contrato com o DETRAN/RS   Anexo 1 (fls. 38 e 39) apresenta a relação de NFs emitidas pelas  empresas  sistemistas  BARRIONUEVO,  Doctus,  FADEL,  Fl. 2561DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.562          32 GCPLAN,  IGPL,  NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3,  subcontratadas  pela  FUNDAE  para  a  execução  dos  serviços  prestados ao DETRAN/RS no período de 06/2007 a 10/2007.  As  cópias  de  algumas  das  NFs  emitidas  pelas  empresas  sistemistas, bem como as cópias de NFs emitidas pela FUNDAE  e  FATEC  e  o  demonstrativo  de  composição  de  custo  com  o  Projeto DETRAN/RS são apresentadas à fls. 548 a 563.   Dos  montantes  brutos  de  R$  3.619.198,53  e  R$  1.381.824,24  apresentados  no  Anexo  1  (fls.  38  e  39)  e  contabilizados  pela  FUNDAE a débito das contas de resultado "Serviços Prestados  por PJs ­ Cto. Detran" e "Serviços Prestados por PJs  (códigos  4110706  e  4210125)  nos  períodos  de  06/2007  a  10/2007  e  01/2008  a  10/2009,  respectivamente,  somente  .o  montante  R$  305.191,43 refere­se a serviços que teriam sido prestados pelas  empresas  sistemistas após 06/11/2007, quando  foi deflagrada a  Operação  RODIN,  mesmo  assim  por  apenas  urna  empresa,  a  empresa S3.  De  acordo  com  análise  efetuada  por  essa  fiscalização  nos  arquivos  digitais  de  lançamentos  contábeis  entregues  em  10/08/2009,  11/11/2009  e  28/01/2010,  verificamos  que  a  FUNDAE,  contabilizou,  no  período  de  01/2008  a  10/2009,  o  montante  bruto  de  R$  21.331.036,64  a  débito  das  contas  de  resultado de custos e despesas acima mencionadas.  Desse  total, R$ 19.133.020,54  foram contabilizados quanto aos  serviços  prestados  pela  FATEC  (26,1%  da  fatura  do  DETRAN/RS, de acordo com o contrato de 02/04/2007) e pelas  empresas  BLATI'ES  ADVOGADOS  ASSOCIADOS,  CNPJ  II°.  04.549.552/0001­04,  NORTE  REBELO  ADVOGADOS  ASSOCIADOS,  CNPJ  n°.  04.470.350/0001­72,  PERFECTUM  AUDITORIA INDEPENDENTE S/S, CNPJ n°. 01.681.852/0004­ 54,  KARIN  A.  RIBEIRO  &  CIA  LTDA.,  CNPJ  n°.  03.595.966/0001­07,  CRS  COMUNICAÇÃO  INTEGRADA  LTDA., CNPJ nº. 04.240.314/0001­12 e S3, nos montantes de R$  17.751.196,30, R$ 405.000,00, R$ 540,000,00, R$ 82.964,81, R$  9.668,00, R$ 9.000,00 e R$ 335.191,43, respectivamente.  Ou seja, para cumprir as suas obrigações contratuais perante o  DETRAN/RS, a FUNDAE deixou de contabilizar os serviços que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas,  tendo  contabilizado  apenas  os  serviços  de  consultoria  e  assessoria  técnica  e  operacional  em  relação  ao  Contrato  com  o  DETRAN/RS,  prestados  pela  FATEC,  serviços  de  assessoria  jurídica,  prestados  pelos  escritórios  de  advocacia  BLATIES  e  NORTE REBELO, serviços de auditoria contábil, prestados pela  PERFECTUM,  serviços  de  comunicação  social  e  de  arquivo  e  controle  de  documentos,  prestados  pelas  empresas  CRS  e  KARIN, e serviços de contabilidade, prestados pela S3.  Mesmo  assim,  os  serviços  de  contabilidade,  que  antes  de  deflagrada  a  Operação  RODIN  eram  contratados  juntos  à  S3  por R$ 40.000,00 mensais, passaram a ser prestados pela mesma  Fl. 2562DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.563          33 empresa  por  R$  15.000,00  mensais,  no  período  de  01/2008  a  10/2009, de acordo com o Anexo 1 (fls. 38 e 39).  Em 30/09/2009, intimamos a FUNDAE a demonstrar para quais  empresas  foram  atribuídos,  após  06/11/2007,  os  serviços  que  teriam  sido  subcontratados  as  empresas  BARRIONUEVO,  CARLOS  ROSA,  CASA  EDITORIAL,  DOCTUS,  FADEL,  GCPLAN,  IGPL,  NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3  antes  de  deflagrada  a  fase  ostensiva  da  Operação  RODIN,  bem  como  apresentar  documentação  comprobat6ria  relativamente  aos  novos fornecedores de serviços (fls. 263 a 278).  Em  13/10/2009,  a  FUNDAE  apresentou  planilha  excel  com  a  relação de pagamentos efetuados pelos serviços que teriam sido  prestados  pelas  empresas  acima mencionadas  relativamente  às  obrigações, contratuais perante o DETRAN/RS (fls. 279 a 307).   A  FUNDAE  também  informou  em  13/10/2009  que  a  mesma  necessitou  subcontratar  outras  empresas  para  atender  a  demanda  dos  serviços,  tendo  também  aumentado  seu  quadro  funcional, bem como informou que após 06/11/2007, o Conselho  da  Fundação  reuniu­se  em  diversas  oportunidades  para  a  definição do tratamento que seria dado às empresas que vinham  até aquela data prestando serviços, uma vez que quase todas as  empresas  sistemistas  tiveram  os  serviços  descontinuados,  com  notificação de rescisão contratual, com exceção da empresa S3,  quando  foi  proposta  uma  readequação  de  honorários,  face  a  situação  instável  pela  qual  a  Fundação  passava,  a  qual  foi  aceita  pela  empresa  S3,  tendo  sido  elaborado  um  aditivo  contratual  com  vigência  retroativa  aos  serviços  prestados  a  partir de 01/10/2007 até 31/12/2009 (fls. 279 a 289).  Adicionalmente,  a  FUNDAE  informou  em  13/10/2009  que  os  serviços jurídicos de consultoria, advocacia geral e trabalhista,  antes  prestados  pela  empresa NACHTIGALL,  foram assumidos  pelas  empresas  BLAITES  ADVOGADOS  ASSOCIADOS  e  NORTE  REBELO  ADVOGADOS  ASSOCIADOS,  esta  última  com  serviços  especializados  na  área  de  direito  administrativo  (fls. 279 a 289).  Os  serviços  de  comunicação  social,  antes  prestados  pela  empresa BARRIONUEVO,  foram assumidos  pela  empresa CRS  COMUNICAÇÃO  INTEGRADA,  enquanto  que  os  serviços  de  arquivo e controle de documentos, antes prestados pela empresa  IGPL,  foram  substituídos  pelo  projeto  da  empresa  K.ARIN  A.  RIBEIRO & CIA, com implementação e manutenção do sistema  através de contratação da arquivologista LÍDIA NASCIMENTO  DE  LIMA  GUILHERME,  CPF  999.766.250­49,  apoiada  por  outros funcionários administrativos.  Os  serviços  de  auditoria,  de  controles  internos  de  contratos,  projetos  e  convênios  de  legislação  trabalhista  e  de  contabilidade,  antes  prestados  pela  empresa  DOCTUS  e  PENSANT,  foram  assumidos  pela  empresa  PERFECTUM  AUDITORIA  INDEPENDENTE,  enquanto  que  o  serviço  de  Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.564          34 coordenação do contrato com o DETRAN/RS,  também prestado  pela  empresa  DOCTUS,  foi  assumido  pela  contratação  da  psicóloga ALINE BAUMER, CPF n°. 888.376.530­34.  Finalmente, a FUNDAE  informou em 13/10/2009 que o serviço  de supervisão externa e controle de qualidade e  segurança nos  procedimentos  do  trabalho  de  examinadores  de  trânsito,  antes  prestados  pela  empresa PENSANT,  passou  a  ser  efetuado  pela  contratação  do  Sr.  FRANCISCO  JOSÉ  WENDLING,  CPF  n°.  330.193.800­06,  enquanto  que  os  serviços  de  recrutamento  e  seleção  de  pessoal,  antes  prestados  pela  empresa  GCPLAN,  passaram  a  ser  feitos  por  duas  psicólogas,  contratadas  com  e  sem vinculo empregatício (fls. 279 a 289).  De  acordo  com  contato  telefônico  (55  3028­4002) mantido  em  30/10/2009 com o Sr. HÉLVIO DEBUS OLIVEIRA SOUZA, CPF  n °. 387.636.210­53, ex­Secretário Executivo da FUNDAE e ex­ sócio  da  empresa  S3,  as  duas  psicólogas  mencionadas  na  Resposta  de  13/10/2009  seriam  as  Sras  ALINE  BAUMER  e  FERNANDA ALTERMANN BATISTA, CPF no. 937.870.140­04.   Em  consulta  ao  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  (CNIS) e ao Sistema de Guias do Fundo de Garantia do Tempo  de  Serviço  e  Informação  à  Previdência  Social  (GFIP),  verificamos  que  ALINE  BAUMER,  FRANCISCO  JOSÉ  WENDLING  e  LÍDIA  NASCIMENTO DE  LIMA GUILHERME  constam  como  trabalhadores  com  vínculo  empregatício  relativamente  à  FUNDAE,  com  datas  de  admissão  em  01/04/2008,  02/02/2009  e  01/04/2009,  tendo  recebido  remuneração de R$ 63.904,75, R$  22.850,00  e R$ 7.800,00  no  período  de  01/2008  a  10/2009,  enquanto  que  FERNANDA  ALTERMANN BATISTA consta como trabalhadora sem vinculo  empregatício, tendo prestado serviços à FUNDAE nos meses de  02/2009  e  05/2009  a  08/2009  e  10/2009  pelo  montante  de  R$  4.625,00 (fls. 571 a 573), o que resultou no total de R$ 99.179,75  de  serviços  subcontratados  a  tais  pessoas  físicas  para  a  execução dos serviços ao DETRAN/RS no período de 01/2008 a  10/2009.  O Anexo  2  (fls.  39,  verso  e  40) apresenta o  confronto  entre  as  médias mensais de valores pagos pela FUNDAE pelos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas  BARRIONUEVO,  DOCTUS,  FADEL,  GCPLAN,  IGPL,  NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3  no  âmbito  do  contrato  com  o  DETRAN/RS,  e  os  valores  pagos  aos  novos  prestadores  de  serviços,  às  pessoas  jurídicas  BLAT1ES,  NORTE  REBELO,  PERFECTUM,  KARIN  A.  RIBEIRO  e  CRS,  além  da  própria  empresa S3, no período após 06/11/2007, bem como as pessoas  físicas  ALINE  BAUMER,  FRANCISCO  JOSÉ  WENDLING,  LÍDIA  NASCIMENTO DE  LIMA GUILHERME  e  FERNANDA  ALTERMANN BATISTA.  O Anexo 2  (fls.  39,  verso e.  40) apresenta  também o  confronto  entre  as  médias  mensais  de  valores  pagos  pela  ­FUNDAE  às  empresas  sistemistas  e  aos  novos  prestadores  de  serviços  Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.565          35 considerando­se  o  tipo  de  serviço,  de  Auditoria,  de  controles  internos  de  contratos,  projetos  e  convênios,  de  legislação  trabalhista e de contabilidade, de supervisão externa e controle  de  qualidade  e  segurança  nos  procedimentos  do  trabalho  de  examinadores de trânsito (1), serviços de arquivo e controle de  documentos  (2),  serviços  de  comunicação  social  (3),  serviços  jurídicos  de  consultoria,  Advocacia  geral  e  trabalhista  (4)  e  serviços de contabilidade (5).  De acordo com o primeiro critério, sem considerar­se o tipo de  serviços,  obtivemos  médias  mensais  de  valores  pagos  às  empresas sistemistas e aos novos prestadores de serviços de R$  723.839,71  e  R$  61.708,50  por  períodos,  de  05  e  24  meses,  respectivamente,  considerando­se  o  regime  de  caixa,  o  que  demonstra  que  a  FUNDAE  pagou  aos  novos  prestadores  de  serviços  apenas  8,53%  do  valor  que  era  anteriormente  pago  pelos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas,  o  que  resultou  em  um  percentual  de  superfaturamento  de  91,47%,  com  um  valor  total  superfaturado de R$ 3.310.656,03.  De  acordo  com  o  segundo  critério,  considerando­se  os  cinco  tipos de serviços, verificamos que a FUNDAE pagou aos novos  prestadores  de  serviços  1,68%,  0,41%,  37,50%,  52,77%  e  34,92%  dos  valores  que  eram  anteriormente  pagos  pelos  mesmos cinco tipos de serviços que teriam sido prestados pelas  empresas  sistemistas,  o  que  resultou  em  percentuais  de  superfaturamento  de  98,32%,  99,59%,  62,50%,  47,23%  e  65,08%, com o mesmo valor total superfaturado obtido a partir  do primeiro critério.  Tal fato demonstra que o percentual obtido a partir do primeiro  critério  serve  como  parâmetro  para  dimensionarmos  em  91,47%  o  superfaturamento  ocorrido,  nos  pagamentos  efetuados  pela FUNDAE quanto  aos  serviços  que  teriam sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas  no  âmbito  do  contrato  com o DETRAN/RS.  O percentual de superfaturamento médio de 91,47% obtido por  essa fiscalização no Anexo 2 (fls. 39, verso e 40) aproxima­se do  percentual de superfaturamento médio de 84,08% obtido a partir  da Informação Técnica MPE/TCE nº. 0075/2007, elaborada em  17/10/2007 pelo Ministério Público de Contas do Estado do Rio  Grande  do  Sul,  quanto  à  subcontratação  das  empresas  sistemistas CARLOS ROSA, NEWMARK, PENSANT e RIO DEL  SUR pela FATEC (fls. 538, verso e 539).   E continua para dizer que da mesma forma ocorreu quanto ao Projovem (fl.  58):  No Item 3.2.7 do presente Relatório de Fiscalização, utilizamos o  critério  de  quantificarmos  subcontratação  efetuada  pela  FUNDAE para a execução do contrato com o DETRAN/RS antes  e após a deflagração da fase ostensiva da Operação RODIN, em  Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.566          36 06/11/2007,  no  sentido  de  apurarmos  o  superfaturamento  ocorrido  quanto  aos  pagamentos  efetuados  pela  Fundação  em  face  dos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas.  O mesmo critério pode ser utilizado no âmbito do PROJOVEM,  uma  vez  que  a  FUNDAE,  apesar  de  ter  encerrado  os  serviços  prestados  à  Prefeitura  Municipal  de  Porto  Alegre  ­  RS  em  11/2007,  manteve  os  serviços  prestados  As  Prefeituras  Municipais de Viamão e Gravataí  ­ RS até 06/2008 e 11/2008,  respectivamente.  Se antes de deflagrada a Operação RODIN a FUNDAE utilizava  fartamente  os  serviços  subcontratados  às  empresas  sistemistas  BARRIONUEVO, CARLOS ROSA, CASA EDITORIAL, FADEL,  GCPLAN,  ­IGPL,  NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3  para  a  execução  do  PROJOVEM  junto  às  Prefeituras  Municipais  de  Porto  Alegre,  Viamão  e  Gravataí  ­  RS,  após  06/11/2007  a  Fundação passou a subcontratar apenas as empresas sistemistas  GCPLAN e S3, como mostra o Anexo 3 (fls. 41 e 42).  Neste aspecto,  o Anexo 5  (fls.  43,  verso) apresenta o  confronto  entre as médias mensais de valores pagos pela FUNDAE pelos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas  GCPLAN, NACHTIGALL,  PENSANT  e  S3  para  a  execução  do  PROJOVEM  junto  As  Prefeituras  Municipais  de  Viamão  e  Gravataí  ­  RS  no  período  antes  de  06/11/2007,  e  os  valores  pagos  às  empresas  sistemistas GCPLAN  e  S3  no  período  após  06/11/2007.  De  acordo  com  o  Anexo  5  (fls.  43,  verso),  obtivemos  médias  mensais de  valores pagos às  empresas  sistemistas antes  e após  06/11/2007 de R$ 39.995,45 e R$ 6.375,00 por períodos de 11 e  06 meses (antes) e 08 meses (após), considerando­se o regime de  caixa,  o  que  demonstra  que  a  FUNDAE  pagou  às  empresas  sistemistas  GCPLAN  e  S3  apenas  15,94%  do  valor  que  era  anteriormente  pago  pelos  serviços  ­que  teriam  sido  prestados  pelas  empresas  sistemistas  para  a  execução  do  PROJOVEM  junto As Prefeituras Municipais de Viamão e Gravataí — RS, o  que resultou em um percentual de superfaturamento de S4,06%,  com um valor total superfaturado de R$ 275.466,88.  O percentual de superfaturamento médio de 84,06% obtido por  essa  fiscalização  no  Anexo  5  (fls.  43,  verso)  é  idêntico  ao  percentual de superfaturamento médio de 84,08% obtido a partir  da Informação Técnica MPE/TCE n o. 0075/2007, elaborada em  17/10/2007 pelo Ministério Público de Contas do Estado do Rio  Grande  do  Sul,  quanto  A­  subcontratação  das  empresas  sistemistas CARLOS ROSA, NEWMARK, PENSANT e RIO DEL  SUR  pela  FATEC  para  a  execução  dos  Contratos  34/2003  e  70/2003 com o DETRAN/RS (fls. 538, verso e 539).  Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.567          37 Nesse passo, correta a glosa efetuada pela  fiscalização em razão da falta de  comprovação  dos  custos  de  serviços  prestados  pelas  empresas  sistemistas  no  período  de  29/11/2005 a 12/06/2008 no âmbito dos Projetos PROJOVEM e DETRAN/RS.  IRRF  Nesse  ponto  a Recorrente  alega  que  sendo  ilegal  ou  não  a  contratação  dos  serviços das empresas sistemistas, fato é que ela firmou os compromissos com o PROJOVEM  e  com  o  DETRAN  e,  apesar  de  supostos  interesses  de  terceiros,  estranhos  à  prestação  dos  serviços,  a  entidade  desenvolveu  os  trabalhos  a  que  se  propôs,  utilizando  o  serviço  das  empresas subcontratadas.   Ressalta  que  (i)  não  há  prova  nos  autos  de  que  não  ocorreu  a  efetiva  prestação dos  serviços pela  empresas  sistemistas,  que  (ii)  a  prova da  efetiva contratação das  empresas  sistemistas  está  nos  autos,  (iii)  a  prova  de  que  os  serviços  foram  efetivamente  prestados poderá ser obtida em procedimento pericial. Nada obstante, a DRJ preferiu concluir  com  base  em  provas  indiciárias  e  invocando  situações  fáticas  de  contratos  e  operações  realizadas pela FATEC que não envolvem a entidade.  Assim,  estaria  claro  que  os  pagamentos  foram  realizados  às  empresas  sistemistas em virtude dos serviços contratados e efetivamente prestados, razão pela qual, não  se pode admitir o lançamento de IRRF decorrente do suposto pagamento sem causa.  Nesse ponto, merece razão a Recorrente.  Ainda  que  existam  irregularidades  nos  procedimentos  licitatórios,  que  os  pagamentos  tenham  sido  superfatudrados  e  que  tenha  ocorrido  o  envolvimento  de  terceiros  com  obtenção  de  vantagens  ilícitas,  os  pagamentos  efetuados  pela  Recorrente  às  empresas  sistemistas, a princípio, são referentes aos serviços contratados.  É  certo  que  a  Recorrente  não  fez  provas  de  que  a  prestação  de  serviços  efetivamente  ocorreu. No  entanto,  os  contratos  existem  e  os  pagamentos  estão  devidamente  registrados em sua contabilidade.   Tais serviços são, em resumo, a execução dos serviços dos projetos Projovem  e DETRAN/RS,  formalizados  em  contrato  que  estabelecem  as  condições  para  a  prestação  e  especificam  os  serviços  subcontratados,  tais  como  supervisão  e  auditoria  operacional,  desenvolvimento se software, gerenciamento de arquivos, gerência de documentos, gestão de  recursos humanos, assessoria jurídica, contábil, etc.  Além do que, antes disso, cabia à fiscalização comprovar que a prestação de  serviços não existiu, o que não foi feito.  A  fiscalização  pressupõe,  a  partir  do  depoimento  de  Rubem  Höher  (fl.  933/934) que os serviços não teriam sido realizados pelas empresas sistemistas, uma vez que a  maior  parte  dos  recursos  pagos  pela  Recorrente  à  tais  empresas  foi  utilizado  “quase  integralmente” para o pagamento de propinas.  Sobre  a  fiscalização  não  ter  comprovado  a  prestação  de  serviço,  narra  o  relatório  fiscal  que:  “a  FUNDAE equivocou­se,  uma vez  que  foi  a direção  atual  da FATEC  quem  informou  em  30/06/2008,  em  decorrência  de  ação  fiscal  iniciada  em  25/01/2008,  em  Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.568          38 cumprimento  ao MPF  Fiscalização  n°.  1010300.2008.00045;  que  não  há  documentação  que  especifique  a  natureza  serviços  prestados  pelas  empresas  sistemistas,  que  a mesma  não  tem  conhecimento de que tenha havido efetiva prestação de serviços mensuráveis ou necessários ou  sequer  úteis,  tendo  utilizado  nas  alegações  entregues  em  25/08/2008  o  termo  "serviços  de  papel"  como  referência  ao  escoamento  de  milhões  de  reais  para  o  bolso  de  particulares,  mediante condutas penalmente  típicas e  civilmente  ilícitas, portanto, nulas de pleno direito e  incapazes de gerar efeitos fiscais contra a Fundação” (fls.941).  Com efeito,  entendo que o depoimento de Rubem Höher  e  a declaração da  FATEC não são suficientes para presumir que nenhum serviço foi prestado por nenhuma das  empresas sistemistas e que os pagamentos não tinham causa.  E,  ainda nesse  contexto,  entendo que  a  evidência  de  superfaturamento,  não  interfere no fato de que a causa do pagamento está identificada. O fato de o pagamento ter sido  superfaturado não implica na desconsideração de sua causa.   Assim, afasto o lançamento de IRRF em sua totalidade.  Da multa qualificada  A Lei nº 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício,  majorando­a de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha  sido  imbuída de  sonegação e/ou  fraude,  remetendo às  configurações hipotéticas de ambas as  figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes:  Lei nº 9.430/96  Art.  44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)    Lei nº 4.502/64  Art  .  71.  Sonegação  é  tôda  ação ou  omissão  dolosa  tendente a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.569          39 II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.   Como  se  percebe,  o  conluio  não  chega  a  ser  uma  terceira  hipótese  qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que  haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  (físicas ou jurídicas).  Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando  a  autoridade  fiscal  identificar  e  comprovar  a ocorrência de  sonegação  e/ou  fraude. E  apenas  pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o  preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64.  Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando­ se as características  textuais das definições  empreendidas pelos artigos 71 e 72,  temos que a  sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas.  Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal  deve  identificar  e  comprovar  a  ocorrência  da  conduta  dolosa  do  sujeito  passivo.  Noutra  palavras, exige­se convicção de que o sujeito passivo cometeu a conduta dolosa de sonegação  e/ou fraude, por meio de um conjunto probatório suficiente.  No  presente  caso,  uma  vez  que  (i)  foi  utilizada  a  estrutura  formal  da  FUNDAE  como  entidade  imune  para  a  prática  de  atos  econômicos  destinados  a  desviar  recursos  de  entidades  públicas  e  repassá­los  a  terceiros,  sem  o  pagamento  de  impostos  (ii)  restou demonstrada a prática de superfaturamento; e (ii) que os contratos foram firmados com o  propósito  de  desviar  recursos  do  poder  público,  sem  qualquer  fundamento  econômico  ou  capacidade  para  a  prestação  dos  serviços  contratados,  conjunto  probatório  suficiente  para  a  comprovação de que a Recorrente agiu efetiva e dolosamente com sonegação e/ou fraude em  relação às receitas que cobrava.  Logo, é de se manter a multa qualificada.  Recurso  Voluntário  dos  sujeitos  passivos  responsabilizados  solidariamente com base no artigo 124 do CTN.   Inicialmente,  esclareça­se,  nesse  ponto,  que  a  solidariedade  imputada  aos  senhores  Helvio  Debus  Oliveira  Souza,  Ipojucan  Seffrin  Custódio,  Rubem  Höher  e  José  Antonio  Fernandes  teve  como  fundamento,  tão  somente,  o  artigo  124,  inciso  I  e  parágrafo  único do CTN. Assim, não há imputação de responsabilidade com fulcro no artigo 135 do CTN  como afirmou a decisão recorrida.  Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.570          40 A partir daí, temos que, para a materialização da solidariedade tributária com  escopo  no  artigo  124,  I,  do  CTN,  é  preciso  existir  interesse  comum  entre  os  obrigados  solidários.   A doutrina critica o dispositivo pela vagueza da expressão “interesse comum”  e converge no entendimento de que essa norma exclui do seu âmbito de incidência as hipóteses  de negócios jurídicos em que os interesses são contrapostos, tais como a compra e venda, etc.  Assim,  a  maioria  dos  autores  entende  que  o  interesse  comum  é  fator  decorrente da conduta lícita de ser co­partícipe da realização do fato gerador tributário; ou seja,  a  solidariedade  tributária  fundada  no  art.  124,  I  do CTN  só  seria  possível  entre  sujeitos  que  figurem no mesmo pólo da relação obrigacional.  Nesse contexto, o dispositivo deverá ser aplicado aos casos em que o mesmo  fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa. Havendo mais de uma pessoa  enquadrada na  definição  legal  de  contribuinte  (art.  121, parágrafo único,  I),  determina o  art.  124,  I  que  sejam  eles  solidariamente  obrigados  pela  dívida  tributária,  independentemente  de  disposição expressa de lei.  Também  importa  ressaltar  que,  esse  interesse  comum  deve  ser  entendido  como  um  interesse  jurídico,  não  sendo  relevantes  para  gerar  a  solidariedade  tributária  os  interesses de ordem econômica, moral ou social.  Em  suma,  esse  interesse  comum,  entendido  como  interesse  jurídico,  se  caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo pólo  da relação jurídica que consistiu o fato gerador do tributo.   Vale  citar  a  doutrina  de Paulo  de Barros Carvalho,  corroborando o  que  foi  dito até aqui:  (...)  o  interesse  comum  dos  participantes  no  acontecimento  factual não representa um dado satisfatório para a definição do  vínculo  da  solidariedade.  Em  nenhuma  dessas  circunstâncias  cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do  fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo  inc.  I do art. 124 do Código. Vale,  sim, para situações em que  não  haja  bilateralidade  no  seio  do  fato  tributado,  como,  por  exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas  são  proprietárias  do  mesmo  imóvel.  Tratando­se,  porém,  de  ocorrências  em  que  o  fato  se  consubstancie  pela  presença  de  pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a  solidariedade vai  instalar­se  entre os  sujeitos  que  estiverem no  mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido  pela  lei para receber o  impacto jurídico da exação. É o que se  dá no  imposto de  transmissão de imóveis, quando dois ou mais  são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais  forem  os comerciantes vendedores; no ISS,  toda vez que dois ou mais  sujeitos  prestarem  um  único  serviço  ao  mesmo  tomador.  (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário Ed.  Saraiva, 8ª edição, 1996, p. 220)  Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.571          41 Nesse contexto, o interesse financeiro de um terceiro em relação à prática de  um fato gerador tributário por parte da pessoa jurídica não faz dele um obrigado solidário pelos  tributos.  A  prática  de  atos  jurídicos  que  são  também  fatos  geradores  de  tributos  interessam  apenas  economicamente  aos  sócios­administradores  das  pessoas  jurídicas  e,  não  havendo interesse jurídico, não deve haver a imputação de responsabilidade solidária.  Com  efeito,  no  caso  dos  autos,  os  sujeitos  passivos  responsabilizados  solidariamente não podem ser caracterizados como realizadores do fato gerador tributário, visto  que eles não possuem interesse jurídico no fato gerador.   Nesse  contexto,  o  crédito  tributário  poderá  ser  exigido  apenas  dos  sócios  e  administradores que  tiverem praticado atos com excesso de poderes,  infração de  lei, contrato  social ou estatutos, nos termos do artigo 135, III do CTN.  Incorreta,  portanto,  a  solidariedade  passiva  estendida  a  tais  pessoas  físicas,  com base no art. 124,  I do CTN. A responsabilidade de tais pessoas pelas conseqüências dos  atos  apurados  na  operação  Rodin  devem  ser  apuradas  na  Ação  Penal  Pública  nº.  2007.71.02.007872­8, uma vez que desinteressantes ao presente lançamento fiscal.  Finalmente, as considerações e resultados aplicáveis ao IRPJ aplicam­se aos  demais tributos no que for pertinente.  Conclusão  Em razão do exposto, voto pela procedência parcial do  recurso apresentado  pela  contribuinte  pessoa  jurídica  e  pela  procedência  total  dos  recursos  apresentados  pelos  sujeitos passivos solidários.    (assinado digitalmente)  Carlos Pelá, relator  Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.572          42 Voto Vencedor  Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado  Com  a  devida  vênia,  ouso  discordar  do  i.Conselheiro  relator  quanto  ao  lançamento consubstanciado no auto de infração de IRRF.  Resume­se a lide.  Alega a Recorrente ter firmado os compromissos com o PROJOVEM e com  o DETRAN e que efetivamente desenvolveu os trabalhos a que se propôs, utilizando o serviço  das empresas subcontratadas.   Ressalta que não há prova nos autos de que não ocorreu a efetiva prestação  dos  serviços  pela  empresas  sistemistas  e  que  a  DRJ  preferiu  concluir  com  base  em  provas  indiciárias pela manutenção do lançamento.  Entende  restar  claro  que  os  pagamentos  foram  realizados  às  empresas  sistemistas em virtude dos serviços contratados e efetivamente prestados, pelo que conclui por  inadmissível o lançamento de IRRF decorrente do suposto pagamento sem causa.  Da análise dos autos é possível afirmar que, em que pesem a existência dos  contratos e dos registros dos pagamentos em sua contabilidade, a Recorrente não fez provas de  que a prestação de serviços efetivamente ocorreu.   Ademais,  não  há  como  se  exigir  prova  negativa,  isto  é,  de  que  inexiste  a  efetiva prestação de serviços, por parte do fisco.   Entendo,  nesse  sentido,  que  a  fiscalização  bem  andou  ao  considerar  comprovada  a  inexistência  da  prestação  dos  serviços  com  base  em  um  feixe  consistente  de  provas indiciárias.  Sobre o  tema,  a decisão  recorrida  colaciona  farta doutrina  e  jurisprudência,  destacando­se  o  vencedor  do  acórdão  nº  CSRF/0102.743,  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais, que toma por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, in verbis.  Indícios  de  omissão  de  receitas  é  que  não  faltam. A  propósito,  como  relembra  o  preclaro  mestre  Hely  Lopes  Meirelles,  o  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  já  decidiu  que  “indícios  vários  e  concordantes  são  prova”,  com  o  que,  de  plano,  este  relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 52/140  apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro.  São Paulo, Malheiros, 22ª ed., 1997, p. 97.)  Nesse sentido, concordo com o decidido no aresto atacado de que “o fato de  as provas para a constatação de que houve pagamento sem causa aos sistemistas fundarem­se  em  presunções  ou  indícios  não  geraria  qualquer  problema”,  já  que  tais  indícios,  ou  fatos  conhecidos, são as bases para caracterização da prova.   Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.573          43 Bastaria  à  fiscalização,  portanto,  demonstrar  de  forma  inequívoca  os  fatos  ocorridos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração.  Tudo  isso  foi  feito. Veja­se,  a  seguir,  excertos  da  análise  da  execução  dos  contratos com o Detran/RS e do Projovem, levado a efeito na decisão recorrida.  5.2.1 Execução do contrato com o Detran/RS  O contrato celebrado com o Detran/RS registra como objeto a aplicação dos  exames teóricos e práticos necessários à obtenção da carteira nacional de habilitação  para condução de veículos automotores (fls. 125/133).  O contrato com Detran/RS adquire  relevo no campo  tributário  relativamente  aos elementos fáticos que demonstram o descumprimento das condições legais para  o gozo da imunidade tributária, para a verificação da incidência do imposto de renda  na  fonte  sobre  os  valores  transferidos  às  sistemistas  e  eventual  fraude  tributária  cometida.  Os  pagamentos  sem  causa  na  execução  do  contrato  com  o  Detran/RS  são  demonstrados  cabalmente  nas  planilhas  elaboradas  pela  DRF  Santa  Maria,  comparando  os  custos  dos  serviços  prestados  por  terceiros  antes  e  depois  de  deflagrada  a  operação  Rodin,  cujo  marco  ocorreu  em  6/11/07  (fls.  38/40).  A  significativa redução nos custos dos serviços prestados evidencia o superfaturamento  praticado com as sistemistas na ordem de 91,47%.  A  prova  da  existência  do  superfaturamento  passa  também  por  todo  um  contexto de participação irregular da Fundae em dispensa de licitação do Detran/RS,  conforme  os  critérios  estabelecidos  pelos  tribunais  de  conta,  principais  órgãos  de  controle  das  contas  estatais  e  responsáveis  pelas  diretrizes  e  orientações  quanto  à  contratação pública.  O Tribunal de Contas da União já assentou jurisprudência no sentido de que a  dispensa de licitação exige, dentre outros requisitos, que a contratada seja capaz de  executar o objeto contratual com estrutura própria e de acordo com sua competência  e que os objetos licitados relacionem­se claramente com a natureza e os objetivos da  instituição. Eis alguns excertos de decisões nesse sentido:  [...]  Evidencia­se, pois, a irregularidade da participação da Fundae na dispensa do  processo licitatório do Detran/RS.  Antes mesmo de assinado o contrato com o Detran/RS, a Fundae formalizou  contratos  com  as  empresas  sistemistas,  prevendo  terceirização  de  serviços.  Tal  procedimento é incompatível com a dispensa da licitação.  [...]  A fundação sustenta que a irregularidade em processo licitatório e as questões  envolvendo  a  cessão  de mão de  obra  ou  valores  dos  serviços  prestados  seriam de  apreciação da esfera judicial e não poderiam afetar a imunidade tributária. Engana­ se.  Essas  ocorrências  foram  suficientemente  demonstradas  no  processo,  como  depoimentos  à  Polícia  Federal,  escutas  telefônicas  autorizadas  judicialmente  e  entrevistas concedidas à imprensa. Todo esse conjunto compõe a prova indiciária da  utilização da entidade para fins diversos daqueles previstos para titular de imunidade  Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.574          44 tributária,  inclusive  propiciando  distribuição  irregular  de  rendas  próprias  ou  aplicação de recursos em fins diversos dos estabelecidos estatutariamente.  Há  evidências  suficientes  no  processo  para  se  concluir  que  os  serviços  prestados  pelos  sistemistas  não  ocorreram  de  fato  ou,  se  ocorreram,  geraram  resultados pífios e desconexos com os preços praticados. Não houve comprovação  de sua efetividade.  O  esquema  da  participação  de  sistemistas  no  contrato  da  Fatec  com  o  Detran/RS  se  repete  na  execução  do  contrato  da  Fundae  com  o  mesmo  órgão  público, sendo, inclusive, coincidentes vários agentes. A semelhança da sistemática  permite que sejam estendidas à operação da Fundae as constatações registradas nas  informações técnicas do Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do  Sul, ao detalhar sobre os relatórios de serviços de quatro sistemistas no contrato da  Fatec,  revelando  que  os  acordos  produziram  remunerações  irreais,  abusivas  e  desproporcionais e demonstrando que (fls. 530/536):  · o contrato da Fatec com a Pensant Consultores previa a prestação de  serviços técnicos de supervisão e gerência das obrigações decorrentes  do  contrato  firmado  entre  o Detran/RS  e  a  Fatec, mas  os  relatórios  mensais  do  fornecimento  dos  serviços,  que  consistiam  basicamente  em  reprodução  das  informações  contidas  nos  relatórios  de  outros  sistemistas  e  da  equipe  da  Fatec  responsável  pela  aplicação  dos  exames,  sequer  correspondiam  efetivamente  ao  objeto  contratual;  sequer  foram  utilizados  como  ferramentas  de  apoio  à  gestão  (fls.  531/533);  · o contrato da Fatec com a Carlos Rosa Advogados previa a prestação  de  consultoria  jurídica  nas  relações  decorrentes  do  contrato  firmado  entre o Detran/RS e  a Fatec;  entretanto,  os  relatórios dos  serviços  e  atividades  prestados  praticamente  não  tinham  respaldo  em  documentação (fls. 535/536);  · o  contrato  da  Fatec  com  a  Rio  del  Sur  –  Auditoria  e  Consultoria  previa  a  prestação  de  auditoria  das  obrigações  e  procedimentos  decorrentes do contrato firmado entre o Detran/RS e a Fatec revelou  remuneração  elevadíssima  considerando  que  consistia  basicamente  em serviços contábeis (fls. 530/531);  · o  contrato  da  Fatec  com  a  Newmark  –  Tecnologia  da  Informação,  Logística  e  Marketing  previa  a  prestação  de  serviços  técnicos  especializados de apoio às atividades de inteligência no âmbito dos o  objetivo  de  obter  e  analisar  informações  para  garantir  integridade  e  segurança no desenvolvimento dos  trabalhos de  aplicação de provas  práticas  para  a  obtenção  da  Carteira  Nacional  de  Habilitação  para  condução de veículos  automotores no Estado do Rio Grande do Sul  de  acordo  com  o  contrato  firmado  entre  o  Detran/RS  e  a  Fatec;  inexplicavelmente  sequer  previa  a  periodicidade  da  realização  dos  trabalhos,  que  ficavam  a  critério  exclusivo  da  prestadora  (fls.  533/535).  As mesmas  informações  do Ministério  Público  de  Contas  comentam  que  a  Pensant  questionou  os  serviços  das  outras  três  sistemistas  em  seus  relatórios  (fl.  532).  Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.575          45 Registrou  a  insuficiência  de  informações  prestadas  pela  Carlos  Rosa  Advogados,  concernentes  aos meses  de  jan/07  a mar/07,  e  propôs  a  requisição de  novo  relatório,  com  as  atividades  efetivamente  desenvolvidas  e  acompanhado  da  documentação  comprobatória.  Afirmou  também  que  em  determinado  período  não  houve o cumprimento integral dos objetos relativos aos contratos da Rio del Sur e da  Newmark, recomendando a retenção integral do valores a serem pagos.  Do exposto, conclui­se pela existência de pagamentos sem causa às empresas  sistemistas em razão da execução do contrato com o Detran/RS, no ano­calendário  2007.  5.2.2 Execução do contrato do Projovem  O  Programa  Nacional  de  Inclusão  de  Jovens  (Projovem)  é  financiado  por  recursos  do Fundo Nacional  de Desenvolvimento  da Educação  e  tem por  objetivo  promover a formação básica, a qualificação profissional e o envolvimento em ação  comunitária  de  jovens  com  idade  de  18  a  24  anos,  com  foco  na  elevação  da  escolaridade (fls. 364/375). A Fundae foi contratada pelas prefeituras municipais de  Porto Alegre, Viamão e Gravataí para a execução do Projovem no âmbito de  seus  municípios.  A impugnante alega que não haveria provas do superfaturamento na execução  do  Projovem.  Sugere  falta  de  base  legal  quanto  aos  critérios  utilizados  para  quantificar  o  superfaturamento,  dizendo,  inclusive,  que  os  custos  do  Projovem  de  Porto  Alegre  não  poderiam  ser  comparados  com  os  de  Gravataí  e  Viamão,  pois  aqueles  representariam  volume  de  trabalho  inferior  aos  destes.  Sustenta  que  teria  reduzido o volume dos serviços no período posterior ao  início da operação Rodin,  podendo ter obtido custos menores em vista da desmobilização decorrente do final  próximo dos contratos.  O comparativo dos custos dos serviços prestados por terceiros antes e depois  de deflagrada a operação Rodin, baseado nos dados contábeis, é a prova básica dos  pagamentos sem causa. Os valores estão demonstrados em planilhas elaboradas pela  DRF  Santa  Maria  (fls.  41/43).  A  significativa  redução  nos  custos  dos  serviços  prestados evidencia o superfaturamento praticado na ordem de 84,06%.  Há  muitas  coincidências  entre  a  prestação  de  serviços  ao  Detran/  RS  e  a  prestação  para  o  Projovem,  as  quais  constituem  indícios  do  superfaturamento  no  Projovem  assim  como  se  revelaram  na  execução  do  contrato  com  o  Detran/RS.  Destacam­se entre elas: a associação do mesmo time de sistemistas, a participação  dos mesmos  lobistas  e  a  surpreendente  redução  dos  custos  depois  de  deflagrada  a  operação Rodin.  A legislação não estabelece um método para quantificar superfaturamento.  O critério utilizado pelos  autuantes  seguiu o padrão  adotado para o  caso do  Detran/RS. É razoável e adota ponderações lógicas e racionais.  A  DRF  Santa Maria  utilizou  somente  os  dados  do  Projovem  de  Viamão  e  Gravataí para  indicar o  índice de  superfaturamento no Projovem uma vez que não  foi possível efetuar comparação entre os pagamentos de subcontratação anteriores e  posteriores ao advento da operação Rodin no caso do Projovem de Porto Alegre – o  contrato  encerrou  antes. O  percentual  utilizado  supriu  a  lacuna  e  sua  utilização  é  sensata. Parece, inclusive, mais benéfica à contribuinte, como se vê a seguir.  Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11060.000553/2010­54  Acórdão n.º 1402­001.351  S1­C4T2  Fl. 2.576          46 A tabela que demonstra  a  relação entre  as  despesas  com subcontratação e o  faturamento da Fundae no Projovem (anexo 4, fl. 43) evidencia uma média mensal  de  receitas  próxima  a  R$  842 mil  no  Projovem  de  Porto  Alegre  (considerando  2  meses em 2005, 12 em 2006 e 10 em 2007), enquanto a média mensal das despesas  com  as  sistemistas  aproxima­se  de  R$  195  mil  (23%).  Já  o  faturamento  médio  mensal no Projovem de Viamão (R$ 100 mil) e Gravataí (R$ 106 mil) alcança R$  206 mil e as despesas com as sistemistas até o início da operação Rodin, R$ 34 mil  (17%). Contata­se que os percentuais de desembolso para os sistemistas em relação  ao total faturado no Projovem Porto Alegre é maior que o dos demais.  Nesse  sentido,  até  seria  racional  supor­se  que  o  superfaturamento  no  Projovem de Porto Alegre seria maior.  Percebe­se  também  que,  para  a  execução  do  Projovem  de  Porto  Alegre,  participa um número maior de sistemistas: dez empresas, sendo quase todas citadas  na ação penal como beneficiárias dos desvios no Detran/RS (fls. 41/42). Já no caso  do  Projovem  de  Viamão  e  Gravataí,  enquanto  quatro  terceirizadas  teriam  supostamente  produzido  serviços  antes  do  início  da  operação  Rodin,  apenas  duas  terceirizadas  teriam sido capazes de executar a mesma espécie de  serviços depois.  Aqui mais um indício de que o superfaturamento de Porto Alegre pudesse ser maior.  Segundo o brocardo jurídico de que os pactos devem ser respeitados (“pacta  sunt  servanda”),  não  faz  sentido  a  alegação  da  contribuinte  de  que  a  redução  do  volume  de  serviços  foi  motivada  pela  redução  dos  custos  no  Projovem  após  o  advento  da  operação  Rodin,  já  que  os  acordos  com  as  prefeituras  de  Viamão  e  Gravataí  ainda  estavam  pendentes  e  deveriam  ser  cumpridos  conforme  o  estabelecido.  A  desmobilização  não  poderia  ser  o  motivo  para  renegociação  dos  valores.  Conclui­se pela existência de pagamentos sem causa às empresas sistemistas,  vinculados à execução do Projovem de Porto Alegre, Viamão e Gravataí, nos anos­ calendários 2005 a 2008.  (destaquei.).  De todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário também quanto a  esse tópico, relativo ao lançamento de IRRF, o qual mantenho na íntegra.    (assinado digitalmente)  Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado                Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE A LENCAR, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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