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Numero do processo: 19647.010753/2006-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INDÉBITO CARACTERIZADO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula Carf nº 84)
Numero da decisão: 9101-004.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INDÉBITO CARACTERIZADO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula Carf nº 84)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INDÉBITO CARACTERIZADO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula Carf nº 84) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 53 /2 00 6- 50 Fl. 210DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo de compensação, no qual o sujeito passivo, por meio de Declaração de Compensação (“DCOMP”), transmitida em 16/01/2004 (efls. 03 a 07), buscou compensar débitos próprios com créditos de suposto Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no valor de R$ 14.106,31, referente a estimativa do mês de março de 2003. O Relatório de Informação Fiscal (efls. 8 a 11) concluiu pela inexistência do direito creditório da declarante, com base no artigo 10, da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, não homologando, portanto, as compensações discriminadas no Demonstrativo presente às efls. 10 a 11. O Despacho decisório (efl. 12), de 15 de março de 2007, ratificou a conclusão do relatório anteriormente mencionado. Ciente de tal decisão em 02/04/2007 (efl.15), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/04/2007 (efls. 19 a 34), alegando que: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, pois não poderia estabelecer uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei, no caso o artigo 74, da Lei n° 9.430/1996; b) a compensação foi realizada em janeiro de 2004, quando vigia a IN SRF nº 210/02 que não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela IN SRF nº 460/04 e repetida pelo artigo 10 da IN SRF nº 600/05; c) se não fosse realizada a compensação da CSLL de janeiro de 2003 recolhida a maior, haveria saldo negativo ao final do ano; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Sob o Acórdão nº 1126.775 – 4ª Turma da DRJ/RECPE, julgado em 26 de junho de 2009 (efls. 86 a 92), a solicitação da manifestante foi indeferida. Vejase a ementa de tal decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S BRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO POR • ESTIMATIVA MENSAL IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a maior de IR ou de CSLL'a título de estimativa mensal não pode ser compensado com débitos dos meses subseqüentes, em sendo o regime de tributação pelo lucro real anual. O valor pago a maior só pode ser Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 9101004.155 CSRFT1 Fl. 210 3 utilizado na dedução do IRPJ ou d! Ca SLL'devida ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente do acórdão da DRJ em 27/08/2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 21/09/2009 (efls. 97 a 114), repisando seus argumentos. Ato contínuo, em 28/11/2011, sob o Acórdão nº 180100.600 (efls. 151 a 166), a 1ª Turma Especial deu provimento parcial ao recurso da contribuinte, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação. Acompanhese a ementa de tal decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Cientificada de tal decisão em 16/11/2011, a Procuradoria interpôs Recurso Especial em 17/11/2011 (efls. 170 a 179) alegando que valores pagos a título de estimativa não são passíveis de restituição, pois só por ocasião do ajuste anual é possível verificar se o montante recolhido por estimativa é efetivamente indevido. Para tanto, apresentou os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão Paradigma nº10517.167: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Exercício: 1998 Ementa: CSLL EXTINÇÃO POR COMPENSAÇÃO – RITO PROCEDIMENTAL INOBSERVÂNCIA Tratandose de contribuição recolhida por antecipação obrigatória, a eventual restituição do valor pago a maior do que o devido só pode ser concretizada a Fl. 212DF CARF MF 4 partir da apuração final do respectivo período base de incidência da exação, apuração essa que deve ser efetuada com fiel observância da legislação aplicável. Acórdão 19700.051: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Exercício: 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO CSLL PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados. PAF PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos as elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser inferido o pedido de realização de perícia, principalmente quando este não satisfaz os requisitos previstos na legislação. O Despacho de Admissibilidade (efls. 187 a 189) deu seguimento ao recurso, admitindo os dois acórdãos paradigmas anteriormente citados. Por fim, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões, protocoladas em 03/07/2012 (efls. 192 a 202), opondose a aplicação retroativa do artigo 10 da IN SRF nº 600/05. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19647.010753/200650 Acórdão n.º 9101004.155 CSRFT1 Fl. 211 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conforme o Despacho de Admissibilidade (efls. 187 a 189), o recurso especial da Procuradoria (efls. 170 a 179) é tempestivo e satisfaz todos os requisitos de admissibilidade. Contudo, no que pese concordar com a demonstração da divergência quanto à possibilidade de se considerar um pagamento a maior ou indevido de estimativa como indébito, fato é que tal disparidade não merece ser conhecida, por conta da existência de imperativo sumular que lhe impede o seguimento. No caso destes autos, segundo os demonstrativos das efls. 10 a 11, a recorrida procurou compensar crédito de CSLL decorrente da estimativa paga a maior referente ao período de março de 2003 com débitos de CSLL referentes a estimativa do mês de maio de 2003. Tendo sido não homologado seu pedido de compensação (efl. 12) com fundamento no artigo 10, da IN SRF nº 600/2005, o sujeito passivo veio no decorrer destes autos defendendo a inaplicabilidade de tal fundamento legal, até que no julgamento do acórdão nº 180100.521 (e fls. 137 a 152), em março de 2011, recebeu provimento. A conclusão do acórdão retromencionado é relevante justamente porque se coaduna com o enunciado da súmula Carf nº 84. Comparese: Enquanto o acórdão recorrido entendeu que: Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do ano calendário, já que independente de evento futuro e incerto. A súmula Carf nº 84 (editada em 10/12/2012), prevê que: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Ao contrário, manifestase a recorrente defendendo que o único crédito passível de compensação é o saldo negativo apurado ao final do anocalendário, uma vez que as estimativas representam mera antecipação do tributo apurado no momento do ajuste anual. Ocorre que o Regimento Interno deste Conselho, prevê em seu artigo 67, §3º, que: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) Fl. 214DF CARF MF 6 § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. E como o artigo 72 do mesmo documento dispõe que “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF”, o recurso especial da Procuradoria não pode ser conhecido por força de súmula. Destaco, por fim, que pelo não conhecimento do recurso especial da Procuradoria, mantémse o que restou decidido no acórdão recorrido, ou seja, com retorno dos autos para a unidade preparadora para que seja analisada a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900724/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 72 4/ 20 12 -9 2 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.900724/201292 Resolução nº 3402001.959 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.900724/201292 Resolução nº 3402001.959 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.900724/201292 Resolução nº 3402001.959 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720048/2016-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013, 2014
PAGAMENTO DE ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. POSSIBILIDADE. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 117 é possível a dedução dos valores pagos relativos à despesas com royalties na apuração da CSLL devida.
Numero da decisão: 1401-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013, 2014 PAGAMENTO DE ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. POSSIBILIDADE. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Em conformidade com a Súmula CARF nº 117 é possível a dedução dos valores pagos relativos à despesas com royalties na apuração da CSLL devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de votar a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 48 /2 01 6- 06 Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.040 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Tratase de Auto de Infração, de fls. 2 a 10, lavrado contra a contribuinte já qualificada nos autos, cientificado pessoalmente em 29/06/2016, que exige a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 16.052.977,83, cumulada os juros de mora pertinentes, no montante de R$ 19.940.261,47. No Auto de Infração lavrado consta: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Valor correspondente a despesa indedutivel, a titulo de royalties pagos à sócia Vale S/A, não adicionado p/ fiscalizada na apuração da base de calculo da CSLL dos anos calendários de 2013 e 2014, conforme detalhamento contido no relatório fiscal (TVF) em anexo. Destacando, por oportuno, que tal infração esta sendo lançada em processo fiscal distinto ao da ação fiscal conexa (envolvendo a CSLL dos anos de 2011 e 2012); pelos efeitos advindos do "mandado de segurança" a ela concedido em 2013 consubstanciados estes, na autorização de depósitos judiciais do montante apurado pela impetrante (fiscalizada); e nas condições de "suspensão de exigibilidade" e de " inaplicabilidade da multa de oficio" sobre valores eventualmente lançados pela autoridade fiscal. No Relatório Fiscal/Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 14 a 36, a fiscalização descreve os fatos relativos à fiscalização, que transcrevo a seguir os mais relevantes: (...) 4. Já no bojo da presente ação fiscal (2013 e 2014) foi contatada a condição de “suspensão” registrada em DCTF pela fiscalizada, frente a deposito judicial do montante por ela declarado. Tudo isso, com fulcro no mandado de segurança (MS) nº 58051.31.2013.4.01.3800, impetrado pela empresa em 2013, com sentença de mérito publicada em 03/2015. Assim, mediante depósitos da contribuição social vinculados ao referido instrumento judicial, ficara assegurada à fiscalizada a não exigência da contribuição social em tela, e ainda, o impedimento de o Fisco Federal aplicar multa de ofício sobre Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.041 3 eventual lançamento. Desse modo, a partir do exercido de janeiro de 2013, restara passível de lançamento fiscal somente valor de “principal” da CSLL que não esteja contemplado no montante depositado pela ora fiscalizada. 5. No que tange à ação judicial primeira (Ação Declaratória nº 90.0003670 4, transitada em julgado em 1993), cabe destacar que, inobstante, já ocorreram lançamentos de ofício envolvendo fiscalizações sobre exercícios fiscais antecedentes. Conforme se pode observar pelo processo fiscal nº 15504.015166/200973 (CSLL, afeta aos anoscalendários de 2004 a 2006), cujo credito lançado pela autoridade fiscal (em valor de “principal”) se vira mantido em decisão recente do CARF, através do Acórdão nº 1402001.971; de 08/12/2015. Tudo, sob o entendimento de que o transito em julgado que considerou inconstitucional o art. 2º da Lei 7.689/88, desobrigando a empresa naquela oportunidade ao recolhimento da CSLL, não tem o condão de impedir que a contribuição seja exigida em exercícios posteriores àquela decisão, desde que a exação esteja fundada numa outra relação jurídicotributária entre fisco e contribuinte decorrente de norma tributária superveniente, na qual estejam reunidos todos os elementos substanciais da hipótese de incidência da referida contribuição – conforme se depreende do texto da Lei 8.212/91. 6. Na mesma direção da decisão supra, podese citar ainda o litígio administrativo fiscal envolvendo o processo nº 10600.720.020/201318 (CSLL dos anoscalendários de 2009 e 2010); no qual o credito tributário lançado pela autoridade fiscal fora mantido em julgamento da DRJ/BHE (acórdão nº 02 54.772 2ª Turma DRJ/BHE). 7. Os documentos pertinentes analisados ao longo deste procedimento fiscal, os termos de fiscalização emitidos, as manifestações da empresa fiscalizada, e demais informações obtidas em decorrência das apurações fiscais encontramse identificados como anexos a este relatório (TVF), integrando o presente processo fiscal (eprocesso). 8. No tocante ao período abrangido por esta fiscalização, observouse que a empresa adotara o regime de Lucro Real anual para apuração do IRPJ/CSLL. (...) 13. Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fiscalizada informou possuir a Ação Declaratória n° 90.00036704, com trânsito julgado em 08/1993; por meio da qual fora declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre a contribuinte e a Fazenda Nacional, relativamente ao recolhimento da CSLL instituída pela Lei 7.689/88. Com fulcro em tal decisão a ora fiscalizada entende estar, por todo o tempo, desobrigada de apurar e recolher a CSLL sobre o lucro de suas operações. 14. Não obstante a ação judicial supra, a fiscaliza impetrara ao final de 2013 outra ação judicial; desta feita, mediante mandado de segurança Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.042 4 impetrado junto a 3ª Vara Federal da justiça federal em MG (MS nº 0058051.31.2013.4.01.3800), sob o fito de ver assegurado o direito de a proponente não ser exigida da CSLL, a partir do exercício de janeiro de 2013. Desde então, a fiscalizada passara a depositar em juízo o valor da contribuição social por ela apurada. Na mesma ação, a impetrante requereu também que fosse a parte impetrada (Delegado da RFB em Belo Horizonte) declarada impedida de promover lançamento de multa de oficio e/ou multa isolada, que envolvesse apuração da referida contribuição a partir do exercício em questão. (...) 17. Nesse contexto, foi observado ainda que, no tocante ao período fiscalizado em questão (2013 e 2014), a fiscalizada deixara de adicionar à base de cálculo da CSLL apresentada a esta fiscalização despesas “indedutíveis” decorrentes de “royalties” pagos à sócia Vale S/A. Dispêndios estes que, conforme já antecipado, foram contabilizadas pela empresa sob o título de “direitos minerários” (vide quadro demonstrativo seguinte). Sendo que tal fato tributário foi observado também em fiscalização conexa afeta ao IRPJ (2011 a 2014), também vinculada ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) em epígrafe, porém controlado em processo fiscal distinto (processo fiscal nº 10600720046/201617); notadamente pelo fato de o período fiscalizado de tais tributos envolver ações judiciais distintas. (...) 21. Já em sede de Recurso Extraordinário, houve admissão por parte do TRF1 conforme despacho de fls.85 a 87 do referido processo judicial. Porém, tal feito teve seu seguimento negado pelo Ministro do STF (Moreira Alves), conforme despacho de fls. 93, do RE 1503866. Notadamente, pelo fato de não ter sido encontrado, nos autos, cópia do acórdão do Plenário do Tribunal a quo, pelo qual teria sido declarada a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. Assim, o mérito da questão sequer chegara a ser examinado pelo STF, mesmo já existindo, nessa época, precedentes da própria CorteMaior (RE 138.28PA e RE 146.733 SP) reconhecendo a constitucionalidade da Lei 7.689/88 (exceto no referente ao artigo 8°, que remete ao períodobase de 1988) tudo, no contexto do RE 1503866 (despacho fl. 91). De tal forma, observase que o despacho judicial que negara seguimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, deveuse à falta de uma cópia de acórdão, transitado em julgado na data de 23/08/93. 22. Verificase, assim, que a forma processual prevalecera inicialmente sobre a essência/mérito da matéria em questão, não obstante a constitucionalidade da Lei 7.689/88 já ter sido decidida em precedentes do próprio STF. 23. De tal forma, a empresa contribuinte em tela julga estar amparada judicialmente (por todo e qualquer exercício) pela “desobrigatoriedade” de recolhimento da CSLL; sempre com fulcro nos termos da ação judicial nº 90.000.36704. Tendo assim se comportado até janeiro de 2013, quando Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.043 5 passara a efetivar então depósitos judiciais do montante por ela apurado, com fulcro no MS supramencionado – conforme já discorrido. 24. No que tange à ação judicial a que se agarra a empresa em tela para se desonerar do recolhimento da CSLL, há de se atentar de pronto para o fato de que a força de coisa julgada entre as partes envolvidas em tal decisão declaratória incidental quanto a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 fora juridicamente afetada por decisão posterior do STF quando a CorteMaior apreciou a questão em tela sob a via incidental por ação diversa. De tal forma foi que a Suprema Corte veio considerar constitucional a referida lei, à exceção do seu artigo 8° (conforme já antecipado), cujo efeito foi o de afastar a cobrança da CSLL somente no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988. (...) 26. No mesmo sentido, a PGFN exarara o Parecer 492/2011, posteriormente aprovado pelo Ministro da Fazenda, cujo texto dispusera, entre outros, que precedente objetivo e definitivo emanado de decisão do STF possui o condão de fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante de decisões tributárias contrárias anteriores, ainda que transitadas em julgado. 27. No mesmo parecer, consta ainda que o contribuinte que tiver decisão judicial transitada em julgado, em que houver sido declarada a inconstitucionalidade de determinado tributo e, posteriormente, o STF tiver manifestado pela constitucionalidade da mesma exação, a Fazenda Nacional pode e deve cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão da CorteMaior – o que nos remete exatamente à situação tratada no presente caso. (...) 30. Seguemse, pois, as disposições do Parecer PGFN/CRJ 492/2011, que tratam do marco para cessação dos efeitos da coisa transitada em julgado, frente a decisão posterior em contrário, por parte do STF (in verbis): (...) 31. Na mesma direção, se assenta ainda o enunciado nº 239 (Sumula 239 do STF), segundo o qual “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores” (AgRg no EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Prim. Seção, DJ 24/2/10). Ou seja, no presente caso, para que os efeitos da coisa julgada se perpetuassem, o STF haveria de ter confirmado a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL instituída pela Lei 7.689/88 o que não ocorreu, conforme já salientamos. E ainda, inexistir norma tributária superveniente àquela, que viesse validar a hipótese de incidência da contribuição em exercícios fiscais futuros. Fato último este, que a Lei 8.212/91 contraria por completo, já que a mesma estabelecera nova relação jurídico tributaria entre a Fazenda Nacional e o contribuinte, por trazer em seu texto legal todos os elementos necessários à hipótese de incidência da CSLL – conforme demonstrado adiante. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.044 6 (...) 34. A corroborar com a argumentação supra, podese invocar ainda decisão ecente (março/2016) da nossa CorteMaior, ao se manifestar favoravelmente à Fazenda Nacional (União) no julgado do RE 94297, sobre “limites da coisa julgada”. Por tal instrumento, foi enfrentada uma situação em que o contribuinte tinha a seu favor decisão judicial transitada em julgado, na qual havia sido declarada a inexistência de relação jurídicotributária sob o fundamento de inconstitucionalidade incidental de determinado tributo. E que, adiante, o mesmo tributo havia sido declarado constitucional, já sob a égide do “controle concentrado de constitucionalidade” exercido pelo STF. Por meio do referido RE, a União havia então contestado decisão do TRF5, que tinha mantido sentença em mandado de segurança, dando ganho de causa à contribuinte e declarado a inconstitucionalidade da Lei 7.689/1988. Na referida peça, a União (vencedora da causa) sustentara que a coisa julgada formada em mandado de segurança em matéria tributária não alcança os exercícios seguintes ao da impetração, arguindo, assim, a Sumula 239 do próprio STF. Na oportunidade, fora alegado ainda que a coisa julgada no campo tributário pode ser relativizada, em decorrência da superveniência de novos parâmetros normativos ou de decisão do Supremo que considere constitucional uma norma considerada inconstitucional por decisão anterior. (...) 35. Destarte, verificase não haver amparo legal no fato de o contribuinte em tela não ter declarado em DCTF e efetivado o recolhimento da CSLL afeta aos anoscalendários de 2011 e 2012. Incorrendo, a mesma, em ilícito tributário, ao negligenciar a alteração efetivada no quadro jurídico do referido tributo do que se sobressaem as decisões no âmbito do STF, ao validarem a cobrança da CSLL, outrora tida como inconstitucional. Tais decisões ocorreram, no caso, em sede de “controle difuso” (RE 138.284CE, de 1992, com ulterior Resolução baixada pelo Senado Federal, de nº 11/95); e pelos efeitos do “controle concentrado”, consoante os termos do julgado da ADIN nº 15, de relatoria do então Min. SEPÚLVEDA PERTENCE (DJU 01.08.2007). (...) 41. Ademais, cabe destacar que os tributos de trato sucessivo constituem um sistema de bases correntes, fato este impeditivo à constituição da coisa julgada, ensinamento já acolhido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial n°233662/GO (1999/00903730), onde se analisam os mesmos pontos relativos à CSLL, cujo acórdão foi assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA. EFEITOS E LIMITES. LEI 7689/88. APLICAÇÃO. 1. Pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos supervenientes à coisa julgada pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.045 7 2. Os Tribunais, de qualquer grau, podem declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, mas com efeito meramente declaratório, sem qualquer carga de executabilidade, mesmo que alcance a coisa julgada. 3. Há limites a serem impostos à segurança jurídica, em face de regras postas na Carta Maior como o de que ela, quando construída pelo direito formal, não pode se impor sobre os princípios constitucionais. 4. Recurso especial provido” (...) 51. Temse assim que os argumentos expostos ao longo deste TVF apontam nitidamente para a adequação da exigência da CSLL sobre os anos calendários em questão. Em especial, o enquadramento legal contido na Lei nº 8.212/91, cujo texto contempla a hipótese de incidência tributária da contribuição social em tela. Sendo que seus efeitos abarcam, inclusive, aqueles contribuintes que eventualmente obtiveram decisão judicial favorável transitada em julgado, sobre determinados exercícios regidos por diploma anterior, como no caso de dispositivos da Lei nº 7.689/88 – outrora tidos como inconstitucionais. Assim, a partir da vigência desta nova lei (Lei 8.212/91), não há se olvidar do recolhimento da CSLL; sob o argumento de proteção obtida em “coisa julgada”, com base em legislação anterior. Conforme demonstrado, o alcance de tal instituto restara limitado, seja pela edição de norma legal superveniente regrando inteiramente a hipótese de incidência da CSLL, seja por decisão superveniente do STF, ao considerar constitucional a então Lei instituidora de tal tributo (Lei 7.689/88) outrora havida como “inconstitucional”. Ou seja, o lançamento fiscal de exigência da CSLL que ora se opera contempla fatos geradores de exercícios posteriores à decisão passada em julgado a que se procura agarrar no tempo a empresa ora fiscalizada, sob a pretensão de se exonerar totalmente do recolhimento de tal contribuição. 52. Eis, portanto, que a CSLL que ora se exige assentase não somente aos ditames da Lei 7.689/88 (já validados pelo STF), mas também em legislação superveniente àquela, cujo conteúdo constitui fundamento legalmente apto para se exigir tal contribuição de todos os contribuintes ao alcance da hipótese de incidência nela contemplada – no que se inclui o contribuinte em tela, quanto aos exercícios ora fiscalizados. 53. Destarte, verificase que a atitude da fiscalizada em não declarar em DCTF e não recolher a CSLL incidente sobre o lucro apurado nos anos calendários de 2011 e 2012 configura ilícito tributário; tendo a empresa negligenciado a alteração efetivada no tempo, quanto ao quadro jurídico tributário desta exação. De tal forma, exigir a exação apurada em tais anos, por parte da autoridade fiscal, não configura constituição de credito tributário que estivesse sob a Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.046 8 condição de ”suspensão de exigibilidade”. Nisso, cabe acentuar que o lançamento fiscal decorrente da CSLL não recolhida nos anos de 2011 e 2012 encontrase controlado em processo fiscal distinto deste, sob o nº 10600.720049/201642. conforme já discorrido. 54. Em que pese o comportamento do contribuinte em não declarar em DCTF e recolher a CSLL nos anoscalendários de 2011 e 2012, a mesma passara a efetivar depósitos judiciais do montante apurado a partir do mês de janeiro de 2013. Isso, no âmbito de MS por ela impetrado ao final de 2013 (Mandado de Segurança nº 0058051.31.2013.4.01.3800), cuja liminar fora concedida no mesmo ano, com sentença de mérito confirmada pelo juízo de primeira instancia em 03/2015. Decisão judicial que, ao receber apelação por parte da Fazenda Nacional, encontrase (até o fechamento deste TVF) na fase de “conclusão para voto e julgamento”, no âmbito da 8ª Turma do TRF1 – conforme já discorrido. 55. No quadro seguinte, encontramse demonstrados os valores de CSLL que a empresa em tela deixara de recolher nos anoscalendários de 2011 e 2012; os quais (como dito) foram exigidos pela autoridade fiscal em processo distinto. (...) (o quadro citado consta do TVF) DA INDEDUTIBILIDADE FISCAL DAS DESPESAS COM ROYALTIES PAGOS A SÓCIO PESSOA JURÍDICA; E A FALTA DE ADIÇÃO DAS MESMAS À BASE DE CALCULO DA CSLL. Na questão das despesas pagas à empresa Vale, que é ligada à contribuinte objeto do auto de infração, transcrevo as observações mais relevantes efetuadas pela Fiscalização no TVF. (...) 56. Temos que, no decorrer da fiscalização conexa afeta ao IRPJ, a fiscalizada foi intimada (anexos) a apresentar contratos, termos aditivos, e demais documentos que suportaram o registro de expressivos valores pagos pela fiscalizada, sob a rubrica “0040640010 DIREITOS MINERÁRIOS VALE”; nos anos calendários de 2013 e 2014. (...) 59. Em 03/11/1989, a empresa S.A. Mineração da Trindade SAMITRI (na condição de cedente) celebrou contrato de transferência de Direitos Minerários para Exploração de jazidas de minério de ferro nas áreas denominadas "Alegria Centro" e "Alegria Este/Oeste" com a Samarco (na condição de cessionária) tendo a Cia. Siderúrgica BelgoMineira CSBM atuado como anuente, em virtude de ser a proprietária da área superficiais. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.047 9 60. Anteriormente, a BelgoMineira já havia cedido à SAMITRI seu direito de preferência à pesquisa e lavra de minérios nas áreas citadas, conforme escritura lavrada em 04/03/1965 mencionada na cláusula 5 do contrato. 61. O preço ajustado, a ser pago pela Samarco à SAMITRI, conforme cláusula 6 do aludido contrato, pela cessão e transferência dos direitos minerários ("Alegria Centro"), bem como pelo arrendamento e promessa de cessão e transferência dos direitos minerários ("Alegria Este/Oeste"), seria, a partir de 1994, 4% do valor que a Samarco viesse a pagar a seus acionistas a título de dividendos; tendo a obrigação, como marco final, a exaustão das duas reservas minerais em tela. 62. Diante desses fatos, concluise que Samarco efetivamente pagou à empresa Vale S.A. (incorporadora da SAMITRI) diversos valores nos anos calendário em questão, tendo como fundamento a cláusula 6 do contrato retro mencionado. 63. De tal forma, o quadro seguinte espelha os valores pagos pela empresa fiscalizada a sua sócia de capital (a empresa VALE S/A); atribuídos como sendo pagamento de “direitos minerários”, no montante apurado de R$$318.934.166,03 entre 2011 a 2014. Sendo que desta monta, R$105,8 milhões correspondem a 2013; e R$72,5 milhões, a 2014 valores que, obviamente, representaram despesas redutoras na composição do lucro líquido demonstrado pela fiscalizada (anexos). (o referido quadro está demonstrado no TVF) 64. Conforme antecipado, verificouse que, de fato, tais pagamentos se encontram registrados como despesa operacional na contabilidade da ora fiscalizada, sob a seguinte rubrica: “0040640010 –DIREITOS MINERÁRIOS – VALE”. (...) 67. De tal forma, fica claro que a natureza dos pagamentos efetuados pela Samarco à Vale S.A. tratase de royalties suportados pela empresa ora fiscalizada, tal como definidos na Lei 4.506/1964. Ao que cabe reproduzir o seu artigo 22 (alínea "b"); cujo texto dispõe expressamente que os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição e exploração de direitos tais como pesquisa e extração de recursos minerais serão classificados como "royalties". (...) 72. Não obstante a sustentação desta fiscalizada, afirmando que os pagamentos efetuados não têm a natureza de royalties, a lei fiscal soa cristalina, desde a sua edição, quando definiu o conceito de royalties – nos exatos termos do Art.22 (alínea “b”) da Lei 4.506/64. No reforço a tal conteúdo legal, alinhase ainda o Art.23 da mesma Lei, ao asseverar que todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.048 10 exploração dos direitos referidos no artigo 22 serão classificados como royalties. Mesma disposição que, através do seu inciso I, enquadra ainda como royalties as importâncias recebidas de forma periódica ou não, bem como parcelas recebidas de forma fixa ou variável, e ainda, percentagens, participações ou interesses. E assim continua a mesma lei, desta feita por meio do inciso III do Art.23, ao considerar expressamente como royalties quaisquer outras importâncias pagas (no caso, pela Samarco) ao cedente do direito (no caso, a sócia Vale S/A) pelo contrato celebrado entre as partes. Cabe, pois, reproduzir na sequência o teor do referido Art.23 (“caput” e seus incisos I e III): Art. 23. Serão classificados como aluguéis ou "royalties" todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos referidos nos artigos 21 e 22, tais como: I As importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, e as percentagens, participações ou interesses; (...) III As luvas, os prêmios, gratificações ou quaisquer outras importâncias pagas ao locador, ou cedente do direito, pelo contrato celebrado; (...) 77. Por tal entendimento e dado que as infrações apuradas sobre o IRPJ geram reflexos na determinação da base de cálculo da CSLL; temse que os valores adicionados à base de incidência do IRPJ, apurados no curso desta ação fiscal (porém, controlado em processo fiscal distinto, conforme já discorrido) hão de compor também a base de cálculo da CSLL. Assim, a falta da adição de tais valores à base de cálculo da CSLL afeta aos anos calendários de 2013 (R$105.852.446,13) e 2014 (R$72.513.974,24) configura infração tributaria incorrida pela fiscalizada, cujo enquadramento legal encontrase registrado no corpo do auto de infração respectivo, a que se integra o presente Relatório Fiscal (TVF). Após o acima descrito, a Fiscalização faz a descrição do enquadramento legal das infrações e do encerramento da ação fiscal. Impugnação. Cientificado pessoalmente do Auto de Infração, em 29/06/2016, conforme Termo de Ciência de fls. 36 a 38, o sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 502 a 584, em 28/07/2016, cujas razões descrevo, em síntese, a seguir: De acordo com as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), que acompanhou o aludido auto de infração, a Impugnante não teria recolhido a CSLL nos anosbase de 2013 e 2014, em que pese a existência de decisão favorável transitada em julgado afastando a cobrança de referida exação, em razão da exclusão supostamente indevida de despesas com aquisição de direitos minerários. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.049 11 No entanto, apesar do acerto da Fiscalização ao reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da discussão havida nos autos do Mandado de Segurança n° 58051.31.2013.4.01.3800, conforme será demonstrado nos tópicos a seguir desenvolvidos o auto de infração lavrado não merece prosperar, eis que, em resumo: • a Fiscalização exige a CSLL por entender que a decisão judicial favorável à Impugnante que transitou em julgado em 23/08/1993 não seria válida para afastar a sua cobrança entendimento que já foi afastado pelo STJ em sede de recurso repetitivo (REsp n° 1.118.893); bem como considera que despesas de compra de direitos minerários seriam royalties, e que, por terem sido pagas a sócio pessoa jurídica, seriam indedutíveis em que pese a CSRF já ter pacificado o entendimento de que o artigo 71 da Lei n° 4.506/74, parágrafo único, letra "d", só se aplica a pessoas físicas (Acórdão CSRF n° 0104.629); II. PRELIMINARMENTE II.1 Do Entendimento Pacificado no STJ sobre o Trânsito em Julgado da CSLL Recurso Repetitivo (...) A Impugnante é empresa que se dedica às atividades constantes em seu objeto social e que, com o advento da Lei n° 7.689/88, passou a ser contribuinte da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL. Por tal razão, em 25 de janeiro de 1990, a Impugnante ingressou com Ação Declaratória n° 90.00036704 em face da União visando fosse reconhecida e declarada por sentença (i) a inexistência de relação jurídicotributária entre ela e a União quanto ao recolhimento da contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88 e (ii) a ilegalidade e a inconstitucionalidade dessa exação. (...) Assim, em agosto de 1993, transitou em julgado decisão judicial em favor da Impugnante reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88 e, em consequência, afastando a exigência do respectivo tributo (CSLL). (...) Contudo, como se passará a demonstrar, a exação fiscal ora questionada não poderá prevalecer, uma vez que o Poder Judiciário, por meio de decisão transitada em julgado (Processo n° 90.00.036704 que tramitou perante a 13a Vara da Justiça Federal de Minas Gerais) já se pronunciou, entendendo inexistir relação jurídicotributária entre as partes, reconhecendo, com isso, o direito adquirido da Impugnante a não se submeter ao recolhimento da contribuição ora em questão. Conforme já mencionado anteriormente, o ponto nuclear da discussão estabelecida nos autos do presente processo administrativo reside na análise Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.050 12 da extensão dos efeitos da decisão transitada em julgado favoravelmente à Impugnante, na qual restou decidido ser inexistente a relação jurídico tributária entre ela (Impugnante) e a União Federal no que tange à CSLL instituída pela Lei n° 7.689/88. (...) Vêse, pela leitura dos trechos acima transcritos, que as conclusões dos Srs. Agentes Fiscais foram no sentido de que a decisão definitiva favorável à Impugnante, afastando a exigência da CSLL, não se aplicaria após a decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI 15. Contudo, tal entendimento não pode prevalecer. Isso porque, no momento em que transitou em julgado a decisão favorável à Impugnante nos autos da Ação Declaratória n° 90.00.036704, restou estabelecida, direta e decisivamente, a conduta a ser por ela seguida, em norma individual e concreta estabelecida pelo TRF da Ia Região Fiscal, e, como decorrência, jamais a Impugnante poderia ser punida por estar cumprindo uma decisão judicial. (...) Resta evidente, desta forma, que esta decisão, como já se afirmou, possui formalização de trânsito em julgado e não foi rescindida via ação rescisória, tendo reconhecido a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. Foi reconhecido e garantido à Impugnante, portanto, mediante a emissão de norma individual e concreta, o seu direito de não se submeter ao recolhimento da CSLL nos termos de referida legislação. Assim, diante da existência de norma individual e concreta, decorrente de decisão judicial proferida especificamente para orientar e regular a conduta da Impugnante no que se refere à CSLL, bem como diante do fato de que essa decisão transitou em julgado, resta evidente que o entendimento da Fiscalização não está em sintonia com interpretação pacificada pelo STJ devendo essa E. Turma Julgadora cancelar a presente autuação, em obediência à coisa julgada e à segurança jurídica. De fato, é necessário destacar que na sessão de julgamento realizada dia 23/03/2011, a Ia Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista no artigo 543C (recurso representativo de controvérsia), reconheceu a ilegalidade da cobrança de CSLL em face dos contribuintes que obtiveram decisões transitadas em julgado, nas quais tenha havido o reconhecimento da inconstitucionalidade material da Lei n° 7.689, de 1988. Deveras, para o Superior Tribunal de Justiça, as leis posteriores à Lei n° 7.689/88, que regulamentaram a CSLL, não podem servir de fundamento para a cobrança dessa contribuição em relação às empresas que possuem decisões favoráveis transitadas em julgado pela inconstitucionalidade do referido diploma legal, pois não introduziram real mutação em todos os Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.051 13 critérios da regramatriz de incidência tributária, motivo pelo qual deve prevalecer a coisa julgada. Citese, nesse sentido, a seguinte ementa: "(...) 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. 'Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado n° 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a 'Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores' (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rei. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10)." (RESP 1.118.893MG (2009/00111359 Min. Arnaldo Esteves Lima Dje 06/04/2011) Notese que a questão analisada pelo STJ é justamente a que suscitou dúvidas aos Sr. Agente Fiscal ao analisar o presente caso. E a conclusão, como não poderia deixar de ser, foi expressa no sentido de que "o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade". Frisese, outrossim, que a decisão mencionada transitou em julgado em 09/05/11 e a matéria julgada, como já abordado anteriormente, foi tratada em sede do rito dos recursos repetitivos (artigo 543 "C" do antigo CPC ), cujo entendimento deve ser aplicado aos demais casos análogos. Ou seja, verificase que o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar matéria idêntica à tratada no presente processo administrativo, reconheceu os limites materiais e temporais da coisa julgada, tendo decidido, por unanimidade de votos, que as alterações legislativas posteriores à Lei n° 7.689/88 referentes à CSLL não alteraram todos os critérios da regramatriz de incidência tributária, razão pela qual, ao contrário do entendimento manifestado pelo Srs. Agentes Fiscais, os efeitos da declaração de inexistência de relação jurídicotributária subsistem até a presente data para o contribuinte que tem decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, como é o caso da Impugnante. Assim, não merece prosperar a conclusão dos Srs. Agentes Fiscais no sentido de que: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.052 14 (...) Assim, o desrespeito à decisão judicial obtida pela Impugnante é totalmente equivocado, pois nega validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, o que é um absurdo, e não pode ser acatado por essa E. Turma Julgadora. (...) Sendo assim, em linha com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, requerse que essa E. Turma Julgadora reconheça a impossibilidade de se exigir CSLL da Impugnante, em atendimento à decisão proferida nos autos da ação ordinária 90.00.036704, cancelandose integralmente o crédito tributário objeto do presente processo. II.2 Da Aplicação do Artigo 62, §2°, do Atual Regimento Interno do CARF Além dos argumentos demonstrados no tópico anterior é fato que, em respeito ao princípio da economia processual, deve essa E. Turma Julgadora aplicar de plano a decisão proferida pela STJ em sede de recurso repetitivo, uma vez que ela inevitavelmente será aplicada pelo CARF em respeito à disposição estabelecida no artigo 62, §2°, do seu regimento interno atual, confirase: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016)" (g.n.) O artigo acima reproduzido representa apenas uma atualização da redação do antigo artigo 62A do regimento interno do CARF, cuja aplicação e respeito é amplamente aplicada na jurisprudência ao analisar casos análogos ao presente, verbis. (...) Portanto, considerandose que a Impugnante tem, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado, que determina expressamente a inexistência de relação jurídica entre ela e a União no que tange ao recolhimento da CSLL nos termos da Lei n° 7.689/88 e que o STJ já se manifestou em sede de recursos repetitivos no sentido de que, ainda que sobrevenham decisões do STF contrárias à referida decisão, não se pode negar a coisa julgada, requerse que a essa E. Turma Julgadora que se determine o cancelamento do auto de infração lavrado para exigência da CSLL objeto do presente Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.053 15 processo administrativo, em respeito à jurisprudência já pacífica nesse sentido. II.3 Do Parecer PGFN/CDA/CRJ 396/2013 Além da disposição estabelecida no mencionado artigo 62, §1°, II, "b" do RICARF, há que se mencionar que a própria PGFN emitiu o Parecer n° 396/2013, pelo qual estende à Receita Federal do Brasil a dispensa de cobrança de crédito tributário nas hipóteses em que a tese que dá lastro à pretensão fiscal já tenha sido afastada em julgamento realizado sob a sistemática dos recursos repetitivos. (...) Desta forma, (i) se há entendimento do STJ no sentido de que o fato do Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso; (ü) se esse entendimento foi objeto de acórdão em sede do Resp n° 1.118.893 sob a égide de recurso repetitivo, (üi) não há dúvida que, nos termos do próprio Parecer n° 396/2013 da PGFN, a Receita Federal do Brasil, mais do que dispensada, está obrigada a não exigir, sob qualquer forma e a qualquer pretexto, a CSLL de contribuintes que possuam decisão transitada em julgado, como é o caso da Impugnante. Por todos os motivos expostos, não há dúvidas de que o crédito tributário cobrado em face da Impugnante é indevido e deverá ser cancelado integralmente por essa E. Turma Julgadora. III DO DIREITO III. 1 Da Inexistência de Relação JurídicoTributária entre a Impugnante e a União em decorrência da Lei n° 7.689/88 Ainda que o auto de infração ora combatido não seja cancelado em razão das preliminares anteriormente suscitadas, o que se admite a título de mera argumentação, é de se frisar que os Srs. Agentes Fiscais agiram em clara afronta à coisa julgada, conforme se passará a demonstrar. Com efeito, conforme relatado anteriormente, a Impugnante propôs Ação Ordinária Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária (n° 90.00.036704) em face da União, no que concerne à exigência de pagar a CSLL, evidenciando, para tanto, a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. (...) No entanto, após quase 23 anos da certificação do trânsito em julgado daquela decisão, o Fisco Federal procedeu à lavratura do presente auto de infração, exigindo, da Impugnante, valores a título de CSLL supostamente devidos nos anoscalendário de 2011 e 2012.(sic) Ao assim agir, contudo, o Fisco afronta gravemente o instituto constitucional da coisa julgada, merecendo, portanto, o auto de infração em questão ser Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.054 16 integralmente cancelado por essa E. Turma Julgadora, sob pena de ser admitida incontestável violação constitucional. III.2 Sobre as Relações Jurídicas "Continuativas" e os Limites Objetivos da Coisa Julgada Para justificar o seu posicionamento e motivar a lavratura do auto de infração ora combatido, a Fiscalização afirmou no TVF que a coisa julgada poderia ser mutável nas hipóteses em surgem relações jurídicas distintas daquela que foi apreciada na decisão transitada em julgado, respaldandose, para tanto, na decisão proferida pelo STF na ADI n° 15 e no Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. (...) Ocorre, contudo, que os argumentos sustentados pela Fiscalização não podem prevalecer diante da inexistência de alteração na coisa julgada proferida em favor da Impugnante, como se demonstrará no presente tópico. Com efeito, o cerne da questão discutida no presente processo administrativo é, em primeiro lugar, a existência, no ordenamento jurídico pátrio, de norma jurídica geral e abstrata — Lei 7.689/88 — que elege a respectiva materialidade da hipótese de incidência como um evento duradouro no tempo (no caso, auferir lucro), sendo que, enquanto a empresa estiver em atividade e for lucrativa, deverá pagar a Contribuição Social sobre o Lucro. (...) Ressaltese, por oportuno, que à época da edição da Lei n° 7.689/88, que instituiu a CSLL, referida norma dispunha sobre seus cinco critérios componentes, quais sejam: material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal. (...) Desse modo, inevitável concluir que, no caso da aplicação da regra matriz de incidência tributária, cada ocorrência é única e não se repete, a cada acontecimento. Como decorrência, a incidência da Lei n° 7.689/88, faz surgir, cada vez que o contribuinte realiza a conduta abstratamente descrita na hipótese, uma única relação jurídica que, inclusive, se exaure com o pagamento para que então, no ano seguinte, novamente se operasse a positivação da norma jurídica em abstrato prevista por referida legislação, caso ocorresse a hipótese nela prevista, e, assim, surgiria nova relação jurídica independente da anterior. Com base neste raciocínio, notase, de imediato, que não há que se falar em criação de novas relações jurídicas fundamentadas em legislações posteriores no presente caso, como entenderam, equivocadamente, os Srs. Agentes Fiscais, visando relativizar a coisa julgada, pois cada relação jurídica decorrente da incidência da Lei n° 7.689/88 é única, dependente do ato do contribuinte de auferir lucro. (...) Em outros termos, a decisão que transitou em julgado favoravelmente à Impugnante paralisou a incidência da Lei n° 7.689/88 na sua totalidade, em razão de sua manifesta inconstitucionalidade, não especificando (como não poderia, por estar adstrita aos termos do pedido feito pela Impugnante) qualquer limitação temporal à validade de referida decisão. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.055 17 (...) Portanto, dúvidas não há de que, uma vez (i) tendo a Impugnante proposto ação meramente declaratória de inexistência de relação jurídica entre ela e o Fisco, no que concerne à não incidência da Lei n° 7.689/88 por máculas no ato de formação desta Lei, insurgindose, portanto, contra a hipótese de incidência em abstrato prevista na referida norma, e não contra uma cobrança determinada e precisamente identificada quanto ao valor, e em coordenadas de espaço e tempo (ato concreto), e, (ii) acolhido pelo órgão Judicial o pedido por ela pleiteada — que deve guardar exata conexão com aquele fato narrado — não poderá ocorrer, uma vez que paralisada por decisão judicial transitada em julgado, a incidência de todos os critérios formadores da Lei n° 7.689/88, não nascendo, portanto, a obrigação tributária referente à CSLL para a Impugnante. Como decorrência, não poderia o Fisco pretender exigir a CSLL que entende devida, em absoluta afronta à coisa julgada, motivo pelo qual aguarda a Impugnante que essa E. Turma Julgadora determine o cancelamento integral da autuação fiscal originária do presente processo administrativo, mantendose, assim, intacta a segurança jurídica que norteia o ordenamento jurídico brasileiro. III.3 Inocorrência de Relação Jurídica "Continuativa" e a Impossibilidade de Aplicação do Artigo 471, inciso I do Antigo Código de Processo Civil Ainda, a fim de demonstrar o equívoco de raciocínio cometido pela PGFN no Parecer citado pela Fiscalização, e evidenciar a necessidade de cancelamento da autuação ora combatida, passase a demonstrar, uma vez mais, a inexistência da relação jurídica continuativa (como mencionado anteriormente) no caso em questão. Dispõe o artigo 471 do antigo Código de Processo Civil : "Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei." (g.n.) Em primeiro lugar, há uma determinação legal expressa destinada ao órgão judicante: está impedido de decidir novamente a mesma lide, isto é, não pode apreciar objeto que já tenha sido objeto de pronunciamento por órgão judicial — e com muito maior razão por qualquer outro órgão. É o que Pontes de Miranda denomina Princípio da Preclusividade das Resoluções Judiciais, ou seja, esgotados os recursos passíveis de serem Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.056 18 interpostos pelo contribuinte, haverá a certificação do trânsito em julgado, sendo vedada nova apreciação judicial sobre a questão. Esta vedação apenas é excetuada caso uma das partes ingresse com Ação Rescisória dentro do biênio preclusivo e, ao final, obtenha uma decisão favorável acolhendo o seu pedido, o que, frisese, não ocorreu no presente caso. Tal dispositivo decorre da autoridade da coisa julgada e está respaldado pelo instituto da Ação Rescisória, único meio adequado para se analisar novamente a questão, tendo em vista a imutabilidade daquela decisão oportunamente transitada em julgado. (...) Contudo, a legislação processual civil traz exceções à mencionada imutabilidade, nas hipóteses de relações jurídicas continuativas e das que decorrerem modificação no estado de fato ou de direito. Nestas hipóteses, a parte estará autorizada a pleitear a revisão do que foi estatuído na sentença devidamente transitada em julgado. Porém, para que esta revisão esteja autorizada, em primeiro lugar, deve ser caracterizada a relação jurídica continuativa, ou seja, imperioso que o Judiciário tenha acatado no caso concreto, envolvendo a Impugnante e a União, a existência de legislação superveniente unindo as partes para o futuro, o que não é a hipótese destes autos, como demonstrado anteriormente. Em segundo lugar, deve haver uma modificação de fato ou de direito que afete aquelas relações continuadas que vão se formar ao longo do tempo, o que também não se vislumbra no caso em questão. E, por fim, em qualquer hipótese, a parte que se vê na necessidade de que seja revisto o conteúdo da sentença deverá expressamente pedir ao Juízo a revisão, e ter o seu pleito acolhido, o que também não ocorreu no presente caso. No caso da Impugnante, foi proferida decisão que determinou a paralisação da incidência integral da Lei n° 7.689/88. Isto significa que, para o futuro, relativamente à aplicação da Lei n° 7.689/88, não haveria mais o nascimento de qualquer relação jurídicotributária entre a Impugnante e o Fisco. Se assim é, não há que se falar em alteração das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes. Mas, ainda que fosse possível a caracterização de uma relação jurídica continuativa no presente caso, o que se admite apenas a título de argumentação, não ocorreu qualquer modificação de fato ou de direito que possa sustentar qualquer revisão do que foi estatuído na decisão proferida. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.057 19 Analisando o assunto em baila, a doutrina nos traz esclarecedores argumentos acerca das hipóteses em que seria possível alterar sentença definitiva já transitada em julgado, confirase: (...) Ou seja, até mesmo nos casos em que prolatada decisão superveniente no Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado (como é o caso ora debatido), contrária ao conteúdo da sentença transitada em julgado, o STF já se manifestou quanto à impossibilidade de rediscutir a coisa julgada. Nesse sentido, são os precedentes abaixo que reforçam o equívoco cometido pela Fiscalização ao pretender desconsiderar os efeitos da coisa julgada em favor da Impugnante: (...) Portanto, aplicando esse entendimento ao caso em tela, o fato da ADIn n° 15 ter reconhecido a constitucionalidade da CSLL, não gera qualquer alteração na relação jurídica protegida pela coisa julgada, pois o próprio STF já consignou "estarseá diante da coisa soberanamente julgada, Insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentenciai encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada Inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização Incidental de constitucionalidade."'(RE 884258, julgado em 07/05/2015). Assim, por todo o exposto (ausência de relação continuativa, e não alteração de fato ou direito) deverá essa E. Turma Julgadora, em obediência à coisa julgada, cancelar o auto de infração originário do presente processo administrativo. III.4 Da Legislação Superveniente e da Ausência de Alteração dos Critérios Formadores da Regra Matriz da CSLL Não fossem suficientes os argumentos até aqui expostos para se cancelar a autuação originária do presente processo administrativo, fato é que, após a edição da Lei n° 7.689/88, outros preceitos normativos vieram a tratar — de forma parcial — da Contribuição Social sobre o Lucro, pelo que não se pode admitir o entendimento da Fiscalização para a lavratura do lançamento fiscal ora combatido. (...) Confirase, neste sentido, as alterações legislativas aplicadas à CSLL, para que reste evidenciada a impossibilidade de se questionar uma decisão judicial transitada em julgado em razão de alterações legislativas supervenientes: (i) A Lei Complementar n° 70/91, trouxe apenas nova alíquota para ser agregada àqueles outros critérios já fixados pela Lei n° 7.689/88, cuja aplicação está paralisada. Teria tal fato o condão de trazer de volta aquela incidência? Claro que não. (...) Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.058 20 (ii) 0 mesmo acontece com o disposto no artigo 1º da Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, que introduziu o artigo 72, inciso III do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o qual só modificou a alíquota da Contribuição Social Sobre o Lucro, e expressamente determinou a manutenção das demais normas da Lei n° 7.689/88. (...) (iii) Da mesma forma, a Lei n° 8.981/95 também não modificou totalmente a regra matriz de incidência estabelecida na Lei n° 7.689/88. Aliás, muito pelo contrário: foi expressa em dizer que mantinha a base de cálculo da legislação anterior, ou seja, a base de cálculo (critério quantitativo) da Lei n° 7.689/88. Neste sentido, veja o que estabeleceu o seu artigo 57, caput: (...) (iv) O mesmo sucedeu em relação à Lei n° 9.065/95, que introduziu apenas algumas regras quanto à forma de apuração da base de cálculo negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, nada dizendo em relação à base de cálculo instituída pela Lei n° 7.689/88: (...) (v) Já, a Lei n° 9.249/95 somente alterou a alíquota a ser aplicável ao cálculo da CSLL, não trazendo nenhuma outra modificação com relação aos demais critérios da norma instituídos pela Lei n° 7.689/88. Tanto é assim, que com a publicação da Emenda Constitucional n° 10/1996 , foi mantida no inciso III, do artigo 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a expressão "mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988". (...) Em síntese temse que, após 1992 e até o momento da lavratura do auto de infração ora combatido, todas as alterações legislativas que sobrevieram não alteram a regramatriz de incidência da CSLL: (...) Desta feita, o fundamento legal da presente autuação fiscal é destituído de validade, já que não é possível desvincular a Lei n° 8.212/91 da Lei 7.689/88 que instituiu a CSLL, motivo pelo qual não merece prosperar o lançamento em questão. Além disso, corroborando a impossibilidade da manutenção da exigência fiscal em análise, em novembro de 1991, conforme já mencionado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região proferiu acórdão favorável à Impugnante, declarando a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88 e afastando a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, com o seu respectivo trânsito em julgado em agosto de 1993. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.059 21 Ou seja, quando do julgamento da Ação Declaratória n° 90.00036704, pelo E. TRF da 1ª Região, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 já estava vigente, e caso tivesse sido alterada a regra matriz da CSLL certamente esse ponto seria levado em consideração pelos Magistrados, nos termos do artigo 462 do antigo Código de Processo Civil vigente à época, verbisr. (...) Logo, sendo certo que a coisa julgada reconheceu a inexistência de relação jurídica entre a União e a Impugnante no que tange à exigência da CSLL, mesmo após a edição da Lei n° 8.212/91, a qual, reiterase, não foi suscitada tanto pelo juízo como pela própria Procuradoria da Fazenda nos autos da Ação Declaratória, não há fundamento que valide a pretensão da Autoridade Fiscal ao lavrar o auto de infração. (...) Deveras, a eficácia preclusiva da decisão transitada em julgado que veda a cobrança ora debatida, fica ainda mais evidente pelo fato de que por duas oportunidades, a União buscou desconstituir o trânsito em julgado sem, contudo, lograr êxito. Com efeito, ressaltese que nas referidas ações rescisórias movidas no ano de 1994 (Processo n° 94.01.127387) e 1995 (Processo n° 95.01.151948), a Lei n°8.212/91 e as leis posteriores, que no entendimento da Fiscalização sustentariam a cobrança da CSLL, as quais teriam supostamente modificado o fato gerador da CSLL, também não foram indicadas pela União como fator modificativo da coisa julgada. (v) Já, a Lei n° 9.249/95 somente alterou a alíquota a ser aplicável ao cálculo da CSLL, não trazendo nenhuma outra modificação com relação aos demais critérios da norma instituídos pela Lei n° 7.689/88. Tanto é assim, que com a publicação da Emenda Constitucional n° 10/1996 , foi mantida no inciso III, do artigo 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a expressão "mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988". (...) Em síntese temse que, após 1992 e até o momento da lavratura do auto de infração ora combatido, todas as alterações legislativas que sobrevieram não alteram a regramatriz de incidência da CSLL: (...) Desta feita, o fundamento legal da presente autuação fiscal é destituído de validade, já que não é possível desvincular a Lei n° 8.212/91 da Lei 7.689/88 que instituiu a CSLL, motivo pelo qual não merece prosperar o lançamento em questão. Além disso, corroborando a impossibilidade da manutenção da exigência fiscal em análise, em novembro de 1991, conforme já mencionado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região proferiu acórdão favorável à Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.060 22 Impugnante, declarando a inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88 e afastando a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, com o seu respectivo trânsito em julgado em agosto de 1993. Ou seja, quando do julgamento da Ação Declaratória n° 90.00036704, pelo E. TRF da 1ª Região, a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 já estava vigente, e caso tivesse sido alterada a regra matriz da CSLL certamente esse ponto seria levado em consideração pelos Magistrados, nos termos do artigo 462 do antigo Código de Processo Civil vigente à época, verbis. (...) Logo, sendo certo que a coisa julgada reconheceu a inexistência de relação jurídica entre a União e a Impugnante no que tange à exigência da CSLL, mesmo após a edição da Lei n° 8.212/91, a qual, reiterase, não foi suscitada tanto pelo juízo como pela própria Procuradoria da Fazenda nos autos da Ação Declaratória, não há fundamento que valide a pretensão da Autoridade Fiscal ao lavrar o auto de infração. (...) Deveras, a eficácia preclusiva da decisão transitada em julgado que veda a cobrança ora debatida, fica ainda mais evidente pelo fato de que por duas oportunidades, a União buscou desconstituir o trânsito em julgado sem, contudo, lograr êxito. Com efeito, ressaltese que nas referidas ações rescisórias movidas no ano e 1994 (Processo n° 94.01.127387) e 1995 (Processo n° 95.01.151948), a Lei n° 8.212/91 e as leis posteriores, que no entendimento da Fiscalização sustentariam a cobrança da CSLL, as quais teriam supostamente modificado o fato gerador da CSLL, também não foram indicadas pela União como fator modificativo da coisa julgada. Esse ponto fica evidente pelo exame das peças iniciais das mencionadas ações e dos respectivos pedidos formulados, já que a intenção da União foi apenas restabelecer os efeitos da Lei n° 7.689/88 (norma que é a matriz da CSLL até os dias de hoje) (doe. 03): (...) Portanto, a alegação da Fiscalização de que a CSLL foi "reinstituída" pela Lei n° 8.212/91 é totalmente desarrazoada e incompatível com a decisão transitada em julgado na Ação Declaratória n° 90.00036704 e pela própria ausência de êxito das ações rescisórias movidas pela União evidente eficácia preclusiva das decisões judiciais. Nesse sentido, vale destacar a jurisprudência do E. CARF que reconhece que a coisa julgada deve ser respeitada na esfera administrativa: (...) Desta forma, essa E. Turma Julgadora deverá reconhecer que a exigência ora debatida está em manifesta afronta ao instituto da coisa julgada, Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.061 23 ofendendo também os princípios da segurança jurídica e da legalidade previstos nos artigos 5o e 15011 da Constituição Federal, uma vez que a Impugnante está albergada por decisão transitada em julgado que desobrigou o recolhimento da CSLL, instituída pela Lei n° 7.689/88, mesmo após a publicação da Lei n° 8.212/91, utilizada pela Fiscalização como fundamento para a exigência e manutenção do crédito tributário. Ainda, conforme se pode concluir pela análise da evolução legislativa após o anocalendário de 1992, as alterações na CSLL possuem a mesma natureza daquelas analisadas pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial n° 1.118.893MG. Nesse sentido, o Tribunal Regional Federal da Ia Região já se pronunciou: (...) Portanto, considerandose que a decisão judicial transitada em julgado de forma favorável à Impugnante está plenamente vigente e não pode, sob pena de afronta ao princípio da segurança jurídica e à coisa julgada, ser modificada, aguardase que o lançamento fiscal ora combatido seja integralmente cancelado por essa E. Turma Julgadora, tendo em vista que a Impugnante está judicialmente garantida no seu direito de não efetuar o recolhimento da CSLL. III.5 Da Inaplicabilidade do Parecer PGFN/CRJ/N° 492/2011 Além de todos os argumentos expostos anteriormente, também é necessário que essa E. turma Julgadora reconheça que o Parecer PGFN/CPJ/N0 492/2011, citado pela Fiscalização no TVF, deve ser efetivamente afastado, uma vez que este colide com o atual posicionamento do STJ que, repitase, foi proferido sob a sistemática dos "recursos repetitivos" da controvérsia (artigo 543B do antigo CPC e artigos 1.036 a 1.041 do Novo CPC). Vejamos! Nos termos do referido Parecer, as decisões proferidas pelo Plenário do STF em controle difuso fazem cessar os efeitos da coisa julgada, independentemente da edição da competente Resolução do Senado Federal. O Parecer se fundamenta na decisão exarada nos autos da ADI n° 15/DF, de 13/06/2007, que declarou a constitucionalidade da cobrança da CSLL, a partir de 01/01/89, nos termos da Lei n° 7.689/88, autorizando, portanto, a conclusão de que devem ser mantidos autos de infração lavrados após a constituição da coisa julgada favorável aos interesses do contribuinte, desde que existente decisão em controle difuso em sentido contrário, ainda que proferida pelo Plenário do STF posteriormente à sua publicação (do Parecer). Não há dúvidas, portanto que o Parecer veicula entendimento inconstitucional e ilegal, pois, esvaziado de qualquer fundamento legal, simplesmente "nega" a observância da coisa julgada, cláusula pétrea Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.062 24 constitucional, além de colidir frontalmente com o atual posicionamento do STJ sobre o tema. Destaquese, esse é o entendimento atual e uníssono manifestado pelo CARF, como ficou claro no Acórdão n° 9101002.087 (Processo n° 10380.002485/200868), proferido em 20/01/2015 pela Ia Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para melhor elucidação dos argumentos esposados até o momento, vale ainda destacar alguns trechos do voto condutor do acórdão supra mencionado, conforme brilhantes observações do relator Conselheiro João Carlos de Lima Júnior: (...) Desta feita, em obediência à coisa julgada, cláusula pétrea constitucional, bem como ao posicionamento consolidado da Ia Seção do STJ, exarado nos autos do Recurso Especial n° 1.118.893/MG, sob a sistemática dos "recursos repetitivos" da controvérsia, deverá essa E. Turma Julgadora reconhecer a necessidade de cancelamento do crédito tributário cobrado, tendo em vista que a Impugnante está desobrigada da apuração e recolhimento da CSLL. III.6 Ad Argumentandum Da Necessidade de Sobrestamento do Processo até o Julgamento do Recurso Extraordinário n° 955.277/BA e do Recurso Extraordinário n° 949.297/CE Na remota hipótese dessa E. Turma Julgadora não entender pelo cancelamento do auto de infração lavrado, que se admite somente ad argumentandum certo é que deverá determinar o sobrestamento do presente processo até o julgamento, pelo STF, do Recurso Extraordinário n° 949.297/CE e do Recurso Extraordinário n° 955.277/BA, nos quais se reconheceu a repercussão geral da questão constitucional ora enfrentada. De fato, no Recurso Extraordinário n° 949.297/CE, relatado pelo Ministro Edson Fachin, entendeuse que o tema controvertido, a ser objeto da repercussão geral, "é o limite da coisa julgada em âmbito tributário, na hipótese de o contribuinte ter em seu favor decisão judicial transitada em julgado que declare a inexistência de relação jurídicotributária, ao fundamento de inconstitucionalidade incidental de tributo, por sua vez declarado constitucional, em momento posterior, na via do controle concentrado e abstrato de constitucionalidade exercido pelo 57F"(fls. 2 Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 949.297/CE Relator Min. Edson Fachin). Assim, dada a relevância da matéria, de índole eminentemente constitucional, os Ministros do STF reconheceram, por unanimidade, a existência de repercussão geral, nos termos da seguinte ementa: (...) Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.063 25 O reconhecimento da repercussão geral implica na suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional, nos termos do artigo 1.035, § 5o do Novo CPC . Enquanto no Recurso Extraordinário n° 949.297/CE, a análise recairá sobre os efeitos, sobre a coisa julgada, da declaração de constitucionalidade da CSLL realizada pelo STF, posteriormente, em sede de controle concentrado e abstrato de constitucionalidade (ADI n° 152/DF), no Recurso Extraordinário n° 955.277/BA, relatado pelo Ministro Roberto Barroso, reconheceuse a repercussão geral da matéria sob a perspectiva das decisões posteriores do STF, prolatadas em sede de controle difuso de constitucionalidade, verbis: (...) Assim, considerandose que a matéria aqui discutida é objeto de dois recursos extraordinários aos quais foi reconhecida a repercussão geral e que, nos termos do artigo 62, § 2o do Regimento Interno do CARF , as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em tal sistemática deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, deverá esta E. Turma Julgadora, caso não decida pela cancelamento do auto de infração lavrado, determinar o sobrestamento do presente processo até que sejam proferidas decisões definitivas de mérito no Recurso Extraordinário n° 949.297/CE e no Recurso Extraordinário n° 955.277/BA. III.7 DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS RELATIVAS À AQUISIÇÃO DE DIREITOS MINERÁRIOS No que se refere à presente infração, que gerou o crédito tributário cobrado no auto de infração discutido, a impugnante, irresignada, discorda da autuação e tenta demonstrar que não merece prosperar o entendimento dos Srs. Agentes Fiscais, que glosaram despesas de aquisição dos direitos minerários, por qualificálos como royalties e, em seguida, entender que royalties pagos a sócio pessoa jurídica localizada no Brasil seriam indedutíveis. III.7.1. Da Legislação Aplicável ao Direito Minerário Inicialmente, faz uma descrição da legislação aplicável ao direito minerário, tecendo comentários, a partir da constituição de 1946, passando pela atual carta magna, o DecretoLei nº 227 de 1967, o código de mineração, concluindo e constatando as seguintes premissas: a) Os bens minerais pertencem à União e não se confundem com a propriedade do solo; b) A concessão do direito de explorar os bens minerais pode ser outorgada a particular, sendo este proprietário do solo ou não; Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.064 26 c) O concessionário tem assegurado a si o produto da lavra; d) Caso o concessionário não seja o proprietário do solo, é assegurado a este último uma participação no resultado da lavra, como forma de compensação financeira pela extração dos minerais do solo de sua propriedade; e) A concessão outorgada pela União pode ser transferida a terceiros em caráter oneroso ou não, estando sujeita a formalidade do registro nos órgãos competentes. III.7.2. Da Natureza dos Pagamentos Realizados pela Impugnante A impugnante discorre sobre a natureza dos pagamentos realizados e que foram glosados pela fiscalização, através da qual pretende efetuar os esclarecimentos, para que, segundo ela, haja uma correta interpretação dos fatos, no que se refere à origem dos direitos minerários que foram cedidos a ela, de forma definitiva. Por se tratar de assunto específico e com a finalidade da melhor descrição possível, entendi mais conveniente reproduzir a descrição efetuada pela empresa em sua impugnação: (...) A Companhia Siderúrgica Belgo Mineira (Belo Mineira), por ser proprietária dos terrenos onde há exploração dos minérios pela Impugnante, possuía direito de preferência na exploração do solo, nos termos do já mencionado art. 153 da Constituição Federal de 1946. No ano de 1965, a Belgo Mineira cedeu à SAMITRI (atual Vale S/A) os direitos que lhe eram assegurados pelo art. 153 da Constituição Federal de 1946, para que a SAMITRI pudesse requerer, em seu próprio nome, autorização para pesquisa e lavra de minério existente em terrenos de propriedade da Belgo Mineira (conjunto de terrenos denominados como Grupamento Mineiro 057 vide Contrato de 1989, 1974, 1979, 1995 e Escrituras de 1989, does. 04, 05, 06, 07 e 09). Tal fato é também comprovado a partir da leitura da Cláusula 2 da Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Minerados da área "Alegria Centro" (doe. 06): "(...) 2) Que por escritura pública lavrada aos 04 (quatro) dias do mês de março de 1965, pelo Tabelião do 4o Ofício de Notas desta Capital, às fls. 90 a 91v, do livro de notas n° 217, a interveniente Cia Siderúrgica Belgo Mineira, cedeu à outorgante cedente S/A Mineração da Trindade, os direitos que então lhe eram assegurados pelo parágrafo 1°, do artigo 153, da Constituição Federal de 1946, de modo que a outorgante cedente pudesse requerer em seu nome a autorização de pesquisar e posteriormente, de lavrar minério de ferro, minério de manganês, minério de ferromanqanês e associados, em qualquer área da mencionada propriedade" (g.n.) Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.065 27 Como se vê, a propriedade dos terrenos permaneceu com a Belgo Mineira, tendo sido cedido para a SAMITRI o direito de requerer a autorização/concessão de exploração do minério, cujo direito de preferência era constitucionalmente assegurado ao proprietário do solo (no caso, a Belgo Mineira). Ressaltese que a Belgo Mineira, apesar de ser proprietária do terreno, nunca possuiu a concessão para a exploração propriamente dita, a qual foi requerida obtida pela SAMITRI, em seu próprio nome, em razão do contrato firmado entre as partes em 1965. Temse, desta forma, um negócio jurídico envolvendo a cessão do direito de preferência para requerer a concessão da lavra da proprietária do terreno (Belgo Mineira ou CSBM) à SAMITRI, bem como a cessão de direitos minerários e o uso e gozo da propriedade dos terrenos. A SAMITRI, após a obtenção, em seu próprio nome, da concessão de lavra para explorar os minerais localizados nas áreas pertencentes ao Grupamento Mineiro 057, celebrou com a empresa Marcona Internacional, em 1974, o acordo denominado "Projeto Samarco", para a constituição da Impugnante, por meio do qual se comprometeu a transferir à empresa que seria constituída (Samarco) os direitos de exploração de minério de ferro de duas áreas pertencentes ao Grupamento Mineiro 057, denominadas de "Germano" e "Alegria Sul" (cujo Direito de preferência foi anteriormente transferido da Belgo Mineira para a SAMITRI). Nesse contexto, em cumprimento ao referido acordo, a SAMITRI transferiu à Impugnante os direitos de exploração das áreas mencionadas acima (contratos celebrados em 1974 e 1979, doe. 04), tendo a Impugnante se obrigado a pagar os valores então devidos pela SAMITRI à Belgo Mineira. Nos contratos celebrados em 1974 e 1979 foi previsto ainda que nenhum outro valor seria devido à Belgo Mineira (proprietária dos terrenos) ou à SAMITRI (cedente dos direitos minerários). Já em 1989, a SAMITRI vendeu para a SAMARCO os direitos minerários de duas outras áreas pertencentes ao Grupamento Mineiro 057, denominadas de "Alegria Centro" e "Corpo Alegria Este/Oeste" (áreas objeto da autuação). Para tanto, em 03 de novembro de 1989 foi celebrado "Contrato de Transferência de Direitos Minerários para Exploração de jazidas de minério de ferro" entre a SAMITRI (posteriormente incorporada pela empresa Vale S.A.) e a SAMARCO (doe. 05). Nos termos do contrato mencionado no parágrafo anterior a SAMITRI , na qualidade de detentora dos direitos de exploração da reserva de minério de ferro ("Cedente") e a Impugnante, na qualidade de adquirente desses direitos ("Cessionária"), a Cedente se obriga a transferir uma reserva parcial de minério de ferro à Cessionária. A reserva, como já foi visto linhas atrás, está Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.066 28 situada em um terreno cuja superfície é de propriedade da BelgoMineira, que figura no contrato como Anuente. A Samitri (atual Vale S/A), à época, era controladora da Impugnante. Em contrapartida (cláusula 6.1.), a Impugnante deveria pagar à Samitri uma quantia calculada mediante a aplicação dos percentuais aplicados sobre o valor bruto dos dividendos distribuídos a seus acionistas, nos montantes de 3% (durante os anos de 1992 e 1993) e 4% até o término do contrato (cláusula 6.2.): "6. PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO DO ARRENDAMENTO E CESSÃO DE DIREITOS. 6.1. Além do pagamento previsto na Cláusula anterior e a partir do ano de 1992, até a exaustão das duas reservas minerais, objeto deste contrato e das escrituras retro referidas nos itens (1.2.1) e (1.2.2), a SAMARCO pagará a SAMITRI uma quantia calculada mediante a aplicação dos percentuais referidos adiante sobre o valor bruto que vier a pagar seus acionistas a título de dividendos. 6.2. Os percentuais para cálculo da quantia a ser paga pela SAMARCO serão de 3% (três por cento) durante os anos de 1992 e de 1993 e de 4% (quatro por cento) até o final do CONTRATO. (...)" Assim, foi lavrada uma Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Minerários, lavrada no Cartório do 3o Ofício de notas da cidade de Belo Horizonte, MG, às fls. 71 do livro n° 589, em 01/11/1989, onde os direitos de pesquisa e lavra foram transferidos de titularidade da SAMITRI para a Impugnante. Referida cessão foi devidamente aprovada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral ("DNPM") (doe. 10). Além disso, a Impugnante deveria pagar à proprietária do solo, Belgo Mineira, um "royalty", como indenização pelos direitos cedidos, no valor de 39% (trinta e nove por cento) do preço médio FOB da unidade de ferro do "pellet" obtido pela Impugnante em suas exportações no semestre anterior (cláusula 5 participação do proprietário do solo): "5. PARTICIPAÇÃO DO PROPRIETÁRIO DO SOLO Por escritura lavrada aos 04 (quatro) dias do mês de março de 1965, pelo Tabelião do 4o Ofício de Notas desta cidade, às fls. 90 a 91 v. Do livro de notas nº 217, a BELGOMINEIRA cedeu à SAMITRI os direitos que então lhe eram assegurados pelo parágrafo lo do artigo 153, da Constituição Federal de 1946, de modo que a SAMURI pudesse requerer em seu nome a autorização de pesquisar e, posteriormente, de lavrar minério de ferro, minério de manganês, minério de ferromanganês e associados em qualquer área da mencionada propriedade; que, segundo o disposto na cláusula 3 da mencionada escritura de cessão e transferência de direitos, a SAMITRI se obrigou a pagar à então outorgante cedente, ora interveniente, BELGO MINEIRA, como indenização pelos direitos cedidos, inclusive pelo gozo e uso da propriedade, uma importância correspondente a seis décimos (6/10), Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.067 29 do respectivo imposto único sobre minerais que houvesse recolhido sobre os minerais dali extraídos, estabelecendo ainda que a data do pagamento da referida indenização, segundo disposto na Cláusula 4 da mencionada escritura, seria em 30 (trinta) e junho e 31 (trinta e um) de dezembro de cada ano, com base nas vendas realizadas no semestre vencido, que por este CONTRATO, e em relação aos dois direitos minerários cedidos, a SAMARCO se obriga ao cumprimento das condições de pagamento, bem assim, em relação à época de sua satisfação à favor da BELGOMINEIRA, ficando por isso subrogadas na pessoa dela, SAMARCO, todas as obrigações decorrentes da retro mencionada escritura, modificandose, contudo, o critério nela estabelecido, de tal modo que o "royalty" pagável será baseado na quantidade de minério de ferro concentrado saído da mina e, para cada tonelada do referido minério concentrado, o "royalty" será igual a 39% (trinta e nove por cento) do preço médio FOB da unidade de ferro do "pellet" obtido pela SAMARCO em suas exportações de "pellet" no semestre anterior, convertido em cruzados novos à taxa de câmbio de venda do dólar norte americano do dia do pagamento do * royalty". (g.n.) Assim, de fato, em contrapartida à aquisição dos direitos de exploração das jazidas de minério de ferro, a Impugnante contraiu duas obrigações distintas: (i) Uma percentagem de 3% a 4% sobre a aquisição dos direitos minerários a ser pago à Samitri; e (ii) Um royalty de 39% sobre a valor do minério de ferro exportado à então proprietária do terreno, BelgoMineira. (...) Em 1995, a Impugnante resolveu adquirir o terreno da BelgoMineira, celebrando na ocasião um compromisso de venda e compra do imóvel onde estão situadas as áreas "Alegria Centro" e "Corpo Alegria Este/Oeste" (doe. 09). É importante ressaltar que, nos termos deste contrato, a Impugnante pagou, de forma antecipada, os royalties que eram devidos à BELGO MINEIRA pelo uso da jazida mineral: "Considerando que a PROMITENTE VENDEDORA ora se compromete a vender para a PROMISSÁRIA COMPRADORA, como de fato através deste ato vendido tem a propriedade superficiária acima descrita, resolvem as partes incluir, também, no objeto deste instrumento o compromisso de a PROMISSÁRIA COMPRADORA resgatar, antecipadamente, a obrigação assumida pela mesma de pagar o arrendamento pela exploração mineral devido à proprietária do solo PROMITENTE VENDEDORA, tendo em vista a cessão e transferência para a PROMISSÓRIA COMPRADORA dos direitos de preferência para pesquisa e lavra mineral, que foram assegurados à PROMITENTE VENDEDORA pela Constituição Federal de 1946, em seu artigo 153, parágrafo 1º, tudo isso, também em conformidade com as sub rogações efetuadas pela S.A. MINERAÇÃO DA TRINDADE SAMITRI, com a interveniência da PROMITENTE VENDEDORA, através das escrituras Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.068 30 públicas da Cessão de Direitos lavrada no cartório do Terceiro Ofício de Notas desta Capital, na data de 1711/89, fls. 71 do livro nº 589; Arrendamento e Promessa de Cessão e Transferência de Direitos Minerários, lavrada no Cartório do Terceiro Ofício de Notas desta Capital, na data de 1711/89, fls. 74 do livro no 589. Obrigase, por sua vez, a PROMISSÁRIA COMPRADORA a adquirir o referido imóvel rural/mineral e a resgatar, antecipadamente, os direitos detidos pela PROMITENTE VENDEDORA, pelo preço e condições estipulados na Cláusula seguinte: CLÁUSULA SEGUNDA PREÇO DAS OPERAÇÕES 2.1. O preço da presente promessa de compra e venda referente ao imóvel rural é de R$ 696.983,00 (seiscentos e noventa e seis mil, novecentos e oitenta e três reais) e o preço referente ao resgate antecipado do arrendamento de direitos minerários retro mencionados é de R$ 12.971.879,00 (doze milhões, novecentos e setenta e um mil, oitocentos e setenta e nove reais), pelo que ambos os objetos perfazem o valor total de R$ 13.668.862,00 (treze milhões, seiscentos e sessenta e dois reais), o qual será pago pela PROMISSÁRIA COMPRADORA, em quatro parcelas fixas e irreajustáveis, a saber: (...)" Assim, por força dessa aquisição dos direitos de superfície, operouse a extinção da obrigação pela confusão, nos termos do artigo 381 do Código Civil, introduzido pela Lei n° 10.406 de 10 de janeiro de 2002: "Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. (...) Verificase, portanto, que a Impugnante, na qualidade de proprietária do terreno, deixou de pagar os royalties à BELGOMINEIRA, porém o pagamento pela cessão dos direitos minerários continuou a ser realizado à SAMITRI. No entanto, os Srs. Agentes Fiscais entenderam que os pagamentos realizados seriam, na verdade, royalties, aplicandose a eles o tratamento tributário dispensado pelo artigo 22, "b", da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: "Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais;" Na página 19 do TVF, o Sr. Agente Fiscal concluiu que: Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.069 31 "(...)não resta dúvida a esta fiscalização que os pagamentos efetuados pela Sa marco à sócia Vale SA. tiveram como fundamento o direito de pesquisar e extrair recursos minerais das reservas de minério "Alegria Centro " e "Alegria Este/Oeste". Fundamentando suas conclusões, os Srs. Agentes Fiscais escoraramse na cláusula 7 do contrato de transferência de direitos minerários, dizendo que nenhum outro valor decorrente do contrato será devido pela Impugnante pelo gozo das concessões de lavra . Entretanto, o Sr. Fiscal não se atentou para o fato de que no contrato existia, até 1995, a previsão de pagamento de royalties à BELGOMINEIRA pelo gozo dessas concessões e, como já destacado, essa relação se extinguiu em 1995. Assim, a Cláusula 7 aplicase apenas àquela relação jurídica, e não aos pagamentos realizados à SAMITRI, que foram objeto da presente autuação. Da mesma forma, o Sr. Agente Fiscal mencionou que na cláusula oitava do contrato havia menção a "rendimentos" provenientes do aludido contrato e, novamente, equivocouse ao entender que isso seria aplicável à relação entre a Impugnante e a SAMITRI. Ocorre que, o que realmente importa para o presente caso são os valores devidos à SAMITRI previstos na Cláusula Sexta do Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989, os quais decorre, indubitavelmente, da cessão definitiva dos direitos minerários à Impugnante (cessão do título minerário), sendo improcedente a acusação fiscal. Nesse sentido, a descrição do objeto do Contrato de Cessão de Direitos Minerários celebrado em 1989 não deixa dúvidas de que o negócio jurídico é de transmissão de direitos à Impugnante: Contrato firmado em 1989: 1. OBJETO DO CONTRATO O objeto do CONTRATO é a transferência, para exploração, de uma reserva parcial, remanescente de lavra anterior, de minério de ferro hematítico de baixo teor e situada em parte bem delimitada da reserva total constituída nos decretos de lavra n. 79.592, de 26.04.77 e n. 79.638, de 02.05.77, publicados nos DOUs de 28.04.77 e 03.05.77, com referências protocolares DNPM 2.265/67 e DNPM 6.449/61, respectivamente, que foram agrupados no Grupamento Mineiro 057, de 07.07.83, conforme publicado no DOU de 07.07.83, com processo inicial DNPM 930.193 protocolado em 18.02.82, a ser lavrada para abastecimento das Instalações Industriais de propriedade da SAMARCO, denominada Concentradora de Germano, em continuação e conciliadas com as operações de aproveitamento bem conduzidas tempestivamente pela SAMITRI, tudo conforme documentação anexa comprobatória que passa a fazer parte desde CONTRATO. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.070 32 1.1 A transferência de parte dos direitos minerários de que trata o Grupamento Mineiro n. 057, de 07.07.83, é regido por este CONTRATO e o aproveitamento da reserva neles contida se fará em continuação ao plano de aproveitamento elaborado pela SAMITRI, conciliandose com as operações mineiras da SAMITRI, operadas em áreas contíguas às cedidas. original sem grifos. A escritura pública de cessão e transferência de direitos minerários (doe. 06) também é clara quanto à natureza do negócio jurídico celebrado entre a SAMITRI e a Impugnante: "Cláusula 1) Que, pela presente e na melhor forma de direito, cede e transfere à outorgada concessionária, Samarco Mineração S/A, todos os direitos que lhe foram assegurados pelo decreto 79.592, de 26 de abril de 1977, publicado no Diário Oficial da União de 28 de abri de 1977, e transcrito no livro C13I, às fls. 195E, em 23 de maio de 1977, pelo DNPM pelo qual foi autorizada a lavrar minério de ferro no local denominado Corpo Alegria Centro, propriedade rural da interveniente , Cia Siderúrgica BelgoMineira, situada no município de Mariana (MG), numa área de 490,0533 hectares, ficando, pois, assegurado à outorgada concessionária, o direito de praticar todos os atos necessários a lavra da mencionada mina (...)" (g.n.). Observese que, apesar da Escritura Pública relativa à uma das áreas (Corpo Alegria Este/Oeste") indicar que o objeto do contrato foi de promessa de cessão de direitos minerários e arrendamento da mina (doe. 07), no próprio contrato já foi previsto que a cessão passaria a ser definitiva após o desmembramento do terreno junto ao DNPM: Escritura pública de Promessa de Cessão e Transferência de Direitos Minerários da Área Corpo Alegria Este/Oeste: "Cláusula 1) Que, pela presente e na melhor forma de direito, cede e transfere à SAMARCO, os direitos de exploração, como arrendatária de uma reserva parcial, remanescente de lavra anterior, de minério de ferro hematítico de baixo teor e situada em parte bem delimitada (...). Cláusula 11) Os direitos e obrigações assumidos pelas partes neste instrumento, relativos ao arrendamento, prevalecerão até a outorga da escritura de cessão de direitos minerários e a sua respectiva averbação no Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM." Contrato firmado em 1989: "Os direitos e obrigações estabelecidos em relação ao arrendamento e promessa de cessão de direitos minerários deverão vigorar até a outorga da escritura definitiva de cessão e transferência dos direitos minerários que ocorrerá imediatamente após a homologação do desmembramento pelo Departamento Nacional da Produção Mineral DNPM," (a.n.). Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.071 33 (...) Portanto, tendo em vista que a essência do contrato firmado em 1989 é de cessão definitiva de direitos minerários, não há dúvidas de que os valores estipulados na Cláusula Sexta têm como objeto remunerar a aquisição definitiva dos direitos minerários pela Impugnante, sendo totalmente descabida a acusação fiscal. Nem se alegue que o fato de a palavra arrendamento constar no título da Cláusula Sexta "PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO ARRENDAMENTO E CESSÃO DE DIREITOS" e de a Escritura Pública relativa à área "Corpo Alegria Este/Oeste" indicar que o objeto do contrato foi de promessa de cessão de direitos minerários e arrendamento da mina (doe. 07), daria infirmaria os argumentos até aqui expostos pela Impugnante. Isso porque, o termo arrendamento somente foi utilizado para regular uma situação temporária entre as partes, relativa a uma das áreas, até que ocorresse a homologação do desmembramento de parte do terreno junto ao DNPM, sendo que, como visto acima, o próprio contrato já previa que a cessão passaria a ser definitiva após a homologação do desmembramento pelo DNPM. Além disso, o contrato firmado em 1989 e atacado pela fiscalização jamais poderia ser considerado como contrato de arrendamento. Isso porque, o contrato de arrendamento minerado possui necessariamente prazo determinado, sendo inclusive vedada a averbação perante o DNPM de contratos de arrendamento por prazo indeterminado (arts. 11 e 12 da Portaria DNPM n° 269, de 11/07/2008 ). Vale lembrar aqui que o presente contrato foi averbado pelo DNPM o que afasta, por si só a alegação de que estaríamos diante de um arrendamento. Adicionalmente a isso temse que o contrato de arrendamento minerário, além de temporário, é limitado, já que o arrendante possui prazo determinado para exploração dos recursos minerários, podendo o contrato prever, ainda, um limite de quantidade de minério a ser extraída. Por outro lado, o contrato de cessão definitiva de direitos minerários, como o que foi firmado no presente caso, prevê a exploração decorrente da transferência da titularidade do direito minerário de forma definitiva e ilimitada. E o termo ilimitada quer dizer que a exploração ocorre até exaustão da mina e decorre do exercício da titularidade do direito minerário, exatamente como ocorre no presente caso. E justamente essas características (de serem definitivos e limitados) dos contratos de cessão definitiva de direitos minerários (como se tem no presente caso) afastam o argumento dos Srs. Fiscais de que as cláusulas do contrato que fazem referência às hipóteses de rescisão (18.2 e 18.3 ), por não preverem indenização e determinarem que a Impugnante devolva os direitos minerados na hipótese de encerramento de atividades ou desistência da Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.072 34 autorização de lavra, levariam à conclusão de que os pagamentos seriam royalties. Ora, as únicas hipóteses previstas contratualmente para a rescisão do contrato com a devolução dos direitos minerários presentes nas Cláusulas 18.2 e 18.3 do contrato , seria nos casos da Impugnante encerrar suas atividades ou deixar de se dedicar às atividades de mineração, ou ainda, se a Impugnante não tivesse iniciado a exploração dos direitos de lavra até o prazo previsto (31.12.1992), o que não ocorreu no presente caso. Ademais, menciona a fiscalização que as "partes complementam e reconhecem que a cessão, o arrendamento e a promessa de cessão feitas têm como causa exclusiva e condicionante a execução do projeto de lavra". (p. 20 do TVF. Ora, o fato de um contrato de venda e compra não possuir cláusula de indenização ou, ainda, estar vinculado a uma condição suspensiva, não o descaracteriza como contrato de venda e compra. De fato, esse tipo de contrato, com condição suspensiva, possui previsão expressa no código civil, em seu artigo 509: "a venda feita a contento do comprador entendese realizada sob condição suspensiva, ainda que a coisa lhe tenha sido entregue; e não se reputará perfeita, enquanto o adquirente não manifestar seu agrado". Ainda, deve ser afastado o entendimento da Fiscalização de que os referidos pagamentos seriam royalties pelo fato da Vale S/A registrar os recebimentos desses valores em sua contabilidade na conta "451113002 Receitas com Arrendamento/"Royalties" {p. 18 do TVF). Isso porque, a nomenclatura contábil atribuída pela Vale S/A não é fator suficiente para descaracterizar a real natureza dos valores pagos pela Impugnante. E mais, os elementos dos autos aliados a todos os argumentos aqui trazidos deixam evidente que a expressão royalties na contabilidade da Vale S/A não reflete a real natureza das importâncias que foram ali contabilizadas. Portanto, o negócio jurídico firmado entre a SAMITRI (incorporada pela VALE) e a Impugnante é típico contrato de cessão de direitos minerários, pois: (i) houve a efetiva transferência da titularidade dos direitos; (ii) a exploração decorrente do título minerário ocorre até a exaustão da mina definitividade , de modo que o prazo para exploração dos direitos minerários adquiridos é indeterminado; e Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.073 35 (iii) não há previsão de devolução dos direitos de lavra (caráter irrevogável e irretratável da alienação do título minerário), a não ser em caso de extinção da Impugnante. Por fim, mesmo que se entenda que estaríamos diante de um arrendamento minerário o que se admite apenas para argumentar , o fato é que esta espécie contratual, de acordo com a legislação, não se enquadra no conceito de aluguel/arrendamento de bens de terceiros, uma vez que seria impossível a restituição da coisa no mesmo estado em que locada. Ou seja, nos termos da legislação, mesmo nos casos em que as partes celebram típico contrato de arrendamento minerário o que, repitase, não ocorreu no presente caso, mas se admite apenas para argumentar , tal contrato não equivale a uma locação de bens, mas sim a uma aquisição parcial de direitos, já que não há a restituição da coisa no estado em que entregue, característica essencial da locação. Diante disso, fica claro que os pagamentos realizados pela Impugnante à SAMITRI não são pagamentos realizados a título de royalties, de modo que sua indedutibilidade não merece ser mantida por essa E. DRJ, cancelandose o auto de infração originário do presente processo administrativo igualmente por essa razão. III.7.3. Ad Argumentandum Da Nãoaplicação da Limitação do artigo 71, "d" da Lei 4.506/64 a Royalties Pagos a Sócios Pessoas Jurídicas Prossegue, argumentando, resumidamente, que o lançamento não merece prosperar, pelo fato de que os pagamentos efetuados pela impugnante foram realizados a sócio pessoa jurídica e a limitação do artigo 71. "d" da Lei 4.506/1964, só se aplica a sócios pessoas físicas, pois o referido artigo define que não serão dedutíveis "os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes, e "seus parentes e dependentes"". Segundo a impugnantes, o art. 353 do RIR/99 incluiu, sem a devida base legal, a expressão "pessoas físicas ou jurídicas", o que lhe parece um absurdo. Descreve, então, trechos doutrinários e de julgados que confirmariam seu posicionamento de que não poderia o referido artigo do RIR/99 alterar, Decreto 3.000 de 1999, representa evidente afronta ao princípio da legalidade ao alterar a base de cálculo de um tributo, se a devida determinação legal que o sustente. Ainda que não sejam acolhidos os argumentos para afastar a cobrança em questão, o que alega apenas a título argumentativo, o presente lançamento também não merece prosperar pelo fato de que os pagamentos realizados pela Impugnante foram realizados a sócio pessoa jurídica e a limitação do artigo 71, "d", só se aplica a sócios pessoas físicas, conforme segue: (...) Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.074 36 Contudo, o artigo 71, "d", define que não serão dedutíveis "os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e "seus parentes ou dependentes". Por sua vez, o artigo 353 do RIR/99 incluiu, sem base legal, a expressão "pessoas físicas ou jurídicas", o que em princípio parece um absurdo pois não há como se admitir a existência de paternidade ou parentesco entre pessoas jurídicas, tornandose claro tratar de extrapolação dos limites legais por força de ato infra legal, o que não pode ser admitido por esta C. Turma Julgadora sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. (...) Além de tudo, segundo a impugnante, o art. 50 da Lei 8.383 de 1991 determinou que royalties pagos a sócios pessoas jurídicas, domiciliados no exterior, seriam dedutíveis, desde que averbados no INPI. Assim, caso seja aceito que royalties pagos a pessoas jurídicas no Brasil sejam indedutíveis, este ato incorreria em manifesta violação ao princípio da isonomia tributária. Portanto, no entender da impugnante, "restou claro que, no presente caso, caso se entenda estar diante de efetivo royalties pagos a pessoa jurídica, o que se alega apenas ad argumentandum, a vedação de sua dedutibilidade não merece ser mantida, devendo o auto de infração ser cancelado". III.8 Ad Argumentandum Ausência de Previsão Legal para Adição dos Royalties na Base de Cálculo da CSLL No presente item, a contribuinte argumenta a falta de base legal para a adição de quantias pagas, a título de royalties, à base de cálculo da CSLL, conforme segue: Ainda que se admita que os pagamentos realizados pela Impugnante são royalties, o que se admite apenas para argumentar, é fato que, diferentemente dos efeitos relacionados à apuração do IRPJ, não existe qualquer previsão legal para adição das quantias pagas na base de cálculo da CSLL. Deveras, é importante fazer a ressalva de que o disposto no artigo 57, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, não deve ser aplicado indistintamente à base de cálculo da CSLL. Isso por que, apesar de tal dispositivo prever que se aplicam à CSLL as mesmas regras de apuração e de pagamento do IRPJ, não devem ser alteradas as bases e as alíquotas previstas na legislação para essa contribuição social: "Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei." (grifos nossos) Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.075 37 Desse modo, diante da ausência de previsão expressa na legislação vigente acerca da necessidade de adição na base de cálculo da CSLL dos royalties pagos a sócios, ainda que essa E. Turma Julgadora entenda que os valores despendidos pela Impugnante possuem tal natureza, o que se alega ad argumentandum, tal efeito não deve ser aplicado automaticamente na apuração da CSLL, uma vez que tal medida não possui amparo legal. Por tal motivo, requerse o cancelamento do crédito tributário cobrado. III.9. Da Necessidade de Sobrestamento do Processo Administrativo Por fim, ainda que essa E. Turma Julgadora não aprecie a questão de mérito anteriormente exposta, ao argumento de existência de concomitância entre as esferas judicial e administrativa, o que se alega ad argumentandum, é de rigor o sobrestamento do presente feito até que seja proferida sentença de mérito definitiva no Mandado de Segurança n° 58051.31.2013.4.01.3800. Deveras, considerando que o Estado não pode, sob pretexto de evitar antinomia entre normas individuais e concretas editadas pelos órgãos julgadores administrativo e judicial, submeter o contribuinte ao risco de não exercer seu direito ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, o julgamento do processo administrativo concomitante deve ser sobrestado até o trânsito em julgado da decisão judicial de mérito. Com efeito, nos termos do artigo 313, inciso V, "a", do Novo Código de Processo Civil ("CPC"), suspendese o processo quando a sentença de mérito "depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente " (g. n.). De acordo com a regra acima transcrita, o Julgador deve suspender o julgamento do processo sempre que o mérito depender do encerramento de outra causa, que constitua o objeto principal do processo pendente de análise. Muito embora o Decreto n° 70.235/73, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal, não disponha expressamente acerca do sobrestamento do processo na hipótese de existir questão prejudicial a ser decidida em outros autos, a mencionada regra do CPC deve ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo. Nesse sentido, confirase o artigo 15 do Novo CPC: "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Em razão de todo o exposto, requerse, subsidiariamente, a suspensão do julgamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no Mandado de Segurança n° 58051.31.2013.4.01.3800, já que a efetiva apreciação do mérito naqueles autos é questão imprescindível para que o Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.076 38 órgão julgador administrativo possa restringir o direito ao contraditório na esfera administrativa. III. 10 CONCLUSÕES: Ao Fim, elabora suas conclusões e elabora seus pedidos, a saber: 1) A Impugnante obteve para si decisão judicial (em ação declaratória) já transitada em julgado há mais de vinte anos em que foi declarada a inexistência de relação jurídica entre ela e o Fisco Federal, no que concerne à aplicação (incidência) da Lei n° 7.689/88, sem qualquer restrição quanto a um período determinado; 2) Isto quer dizer que os efeitos decorrentes daquela decisão têm o condão de paralisar a incidência da Lei n° 7.689/88 em seus cinco critérios formadores (material, espacial, temporal, quantitativo e pessoal); 3) Daí decorre que não mais nascerá qualquer relação jurídica entre a Impugnante e o Fisco, no que concerne aos eventos vindouros; 4) A legislação superveniente não tem o condão de trazer de volta a aplicação da Lei n° 7.689/88 que restou paralisada, por conta da alteração de apenas alguns dos critérios componentes da Contribuição Social sobre o Lucro; 5) O STJ já definiu, em sede de recurso repetitivo, que ainda que o STF se manifeste posteriormente sobre o assunto, a sua decisão não tem o condão de alterar a eficácia da coisa julgada material constituída em sede de controle difuso; 6) Ainda que se entenda pela manutenção da cobrança da CSLL, as despesas relativas à aquisição de direitos minerários pela Impugnante não são royalties e, portanto, dedutíveis; 7) Ainda que fossem considerados royalties, as despesas pagas pela Impugnante foram pagas à pessoa jurídica, não se aplicando a restrição prevista no artigo 71, "d" da Lei n° 4.506/64; IV DO PEDIDO Pelo exposto, a Impugnante requer essa E Turma Julgadora o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente impugnação, seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição integral do crédito tributário exigido e o cancelamento do auto de infração originário do presente processo administrativo em razão da impossibilidade de exigência da CSLL. Caso assim não se entenda, o que se alega apenas a título argumentativo, requerse, em caráter subsidiário: Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.077 39 o sobrestamento do presente processo administrativo até o encerramento do Mandado de Segurança n° 58051.31.2013.4.01.3800; ou na hipótese de não se decidir nesse sentido, que se aguarde, ao menos, o julgamento do Recurso Extraordinário n° 955.277/BA e do Recurso Extraordinário n° 949.297/CE, mediante os quais o STF, sob a sistemática de repercussão geral, irá definir seu entendimento a respeito da suposta possibilidade de relativização da coisa julgada. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a impugnação mantendoa na íntegra. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes razões: II. PRELIMINARMENTE II.1 Do Entendimento Pacificado no Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) sobre o Trânsito em Julgado da CSLL – Recurso Repetitivo II.2 – Da Aplicação do Parágrafo 2º do Artigo 62 do Atual Regimento Interno do CARF II.3 – Do Parecer PGFN/CDA/CRJ n° 396/2013 III – DO DIREITO III.1 Da Inexistência de Relação JurídicoTributária entre a Recorrente e a União em decorrência da Lei nº 7.689/88 III.2 Sobre as Relações Jurídicas “Continuativas” e os Limites Objetivos da Coisa Julgada III.3 Inocorrência de Relação Jurídica “Continuativa” e a Impossibilidade de Aplicação do Artigo 505, inciso I, do Novo Código de Processo Civil (Artigo 471, I, do antigo Código de Processo Civil) III.4 Da Legislação Superveniente e da Ausência de Alteração dos Critérios Formadores da Regra Matriz da CSLL III.5 – Ad Argumentandum Da Necessidade de Sobrestamento do Processo até o Julgamento do Recurso Extraordinário nº 955.277/BA e do Recurso Extraordinário nº 949.297/CE III.6 Da Inaplicabilidade do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 III.7 – DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS RELATIVAS À AQUISIÇÃO DE DIREITOS MINERÁRIOS III.7.1. – Da Legislação Aplicável ao Direito Minerário III.7.2. – Da Natureza dos Pagamentos Realizados pela Recorrente III.7.3 – Ad Argumentandum Da Nãoaplicação da Limitação do artigo 71, “d” da Lei 4.506/64 a Royalties Pagos a Sócios Pessoas Jurídicas III.8 – Ad Argumentandum – Ausência de Previsão Legal para Adição dos Royalties na Base de Cálculo da CSLL III.9 Da Inaplicabilidade da Exigência dos Juros De Mora III.10 Conclusões Deixo de apresentar pormenorizadamente os trechos de fundamentos de recurso de cada ponto acima indicado tendo em vista que no relatório acima já foram apresentados todos os pontos de discordância que se encontram na relação acima e, durante a Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.078 40 apresentação do voto, transcreverei os argumentos que sejam suficientes ao entendimento das alegações de recurso. Cientificada do Recurso Especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A despeito do extenso relatório acima apresentado, em verdade a controvérsia em análise no presente recurso tornouse bem mais simples pelos motivos que iremos abaixo indicar. De início cabe destacar que todo o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte e a discussão em tela deviamse a dois pontos de discordância: O primeiro decorre da existência de ação judicial em benefício da empresa que reconheceu a inexistência de relação jurídicotributária a compelir a empresa ao pagamento da CSLL. Neste ponto as discussões prendemse à análise da possibilidade e extensão da coisa julgada e se esta pode se protrair sem limites diante de alterações legislativas posteriores no texto normativo. O segundo ponto de controvérsia a ser analisado decorria da possibilidade ou não de a indedutibilidade do pagamento de despesas com royalties, determinada no Regulamento do Imposto de Renda, estenderse à tributação da CSLL. Ocorre que, inobstante todos os argumentos colocados em discussão há de se levar em consideração que o auto de infração foi lavrado, única e exclusivamente, para a exigência da impossibilidade de dedução do valor das despesas de CSLL na apuração da CSLL dos anos de 2013 e 2014. Vejase o conteúdo do auto de infração: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Valor correspondente a despesa indedutivel, a titulo de royalties pagos à sócia Vale S/A, não adicionado p/ fiscalizada na apuração da base de calculo da CSLL dos anos calendários de 2013 e 2014, conforme detalhamento contido no relatório fiscal (TVF) em anexo. Destacando, por oportuno, que tal infração esta sendo lançada em processo fiscal distinto ao da ação fiscal conexa (envolvendo a CSLL dos anos de 2011 e 2012); pelos efeitos Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.079 41 advindos do "mandado de segurança" a ela concedido em 2013 consubstanciados estes, na autorização de depósitos judiciais do montante apurado pela impetrante (fiscalizada); e nas condições de "suspensão de exigibilidade" e de " inaplicabilidade da multa de oficio" sobre valores eventualmente lançados pela autoridade fiscal. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2013 105.852.446,12 0,00 31/12/2014 72.513.974,24 0,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2014: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art 10; alínea "d" do art. 11 ; art 15 e art 23 da Lei 8.212/91 Art 3º da Lei 7.689/88 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Assim, temos que o limite ora em análise restringese, apenas, à questão da indedutibilidade das despesas com pagamentos de royalties na apuração da CSLL devida. Por isso, a controvérsia dirimiuse a partir da edição da Súmula CARF nº 117, com efeitos vinculantes, conforme abaixo. Súmula CARF nº 117 A indedutibilidade de despesas com "royalties" prevista no art. 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei nº 4.506, de 1964, não é aplicável à apuração da CSLL. Acórdãos Precedentes: 1102001.182, de 27/08/2014; 1201002.030, de 23/02/2018; 1401000.996, de 09/07/2013; 9101002.901, de 07/06/2017; 9101003.062, de 13/09/2017 Para bem situar a razão sumulada, referida Súmula foi adotada após a edição da Instrução Normativa nº 1.700, quando a própria Receita Federal, no intuito de diminuir a litigiosidade em relação às questões de adição ao lucro do IRPJ e CSLL, apresenta o ANEXO TABELA DE ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO, no qual restou a seguinte informação relativa à dedutibilidade dos royalties. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10600.720048/201606 Acórdão n.º 1401003.309 S1C4T1 Fl. 1.080 42 Nº Assunto Descrição do Ajuste Aplica se ao IRPJ? Aplica se à CSLL? Dispositivo na IN 99 Royalties e Assistência Técnica, Científica e Administrativa O valor dos royalties e das importâncias pagas a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que forem indedutíveis nos termos: (1) dos arts. 52 e 71, caput, alínea ‘a’, e parágrafo único, alíneas ‘c’ a ‘g’, da Lei nº 4.506, de 1964; (2) do art. 50 da Lei nº 8.383, de 1991; (3) do art. 74, caput, da Lei nº 3.470, de 1958; (4) do art. 12 da Lei nº 4.131, de 1962; e (5) do art. 6º do Decreto Lei nº 1.730, de 1979. SIM NÃO Arts. 85 a 88 Assim, nada mais resta a ser analisado no presente caso. Como o auto de infração apenas tratava de indedutibilidade das despesas com Royalties na apuração da CSLL, a simples aplicação da Súmula 117 deste CARF torna a autuação insubsistente, tornando desnecessários maiores comentários. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar integralmente a autuação em razão da aplicação da Súmula CARF nº 117. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000254/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2402-006.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 02 54 /2 01 0- 88 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16007.000254/201088 Acórdão n.º 2402006.954 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202006.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário (fls. 305 a 316) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 284 a 290), onde a autoridade de piso acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela contribuinte. Conforme relatório da decisão recorrida: [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16007.000254/201088 Acórdão n.º 2402006.954 S2C4T2 Fl. 4 3 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16007.000254/201088 Acórdão n.º 2402006.954 S2C4T2 Fl. 5 4 Em razão dos argumentos expostos, a recorrente requer que seja integralmente reconhecido seu direito creditório ao IRRF discutido, de forma a ser homologada na integra a compensação declarada no PER/DCOMP, cancelandose os valores lançados. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16007.000254/201088 Acórdão n.º 2402006.954 S2C4T2 Fl. 6 5 "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Das alegações apresentadas Compulsado os autos, verificase que a recorrente reafirma perante este Conselho os mesmos argumentos apresentados à autoridade de piso, em especial, requer que se entenda como elementos de prova (espelhos de notas fiscais) documentos não previstos na legislação relacionada à matéria. Tal possiblidade, porém, esbarra no fato deste Conselho ser um órgão da Administração e, como tal, vinculado à observância estrita das normas legais e infralegais, que possuem presunção de constitucionalidade e legalidade, até que sejam revogadas ou tenham sua aplicabilidade afastada pelo poder competente. Assim, conforme exposto na decisão recorrida, uma vez editada a norma, é dever da Administração aplicála, sem questionar critérios como justiça ou injustiça de seus efeitos, especialmente no que se refere ao lançamento tributário, que sendo uma atividade plenamente vinculada, não permite à autoridade tributária aplicar juízos de valores na constituição do crédito, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Parágrafo único, do ART 142, do CTN. Art. 142. (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dito isso, por refletir o entendimento aplicado no presente voto, colacionase o seguinte trecho do acórdão recorrido: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16007.000254/201088 Acórdão n.º 2402006.954 S2C4T2 Fl. 7 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687803/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.910165/2009-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.910165/2009-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.910165/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 78 03 /2 00 9- 05 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.687803/200905 Acórdão n.º 1401003.244 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior de CSLL no qual o contribuinte pretende a utilização de crédito na compensação de débitos informados no PER/DCOMP. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DCTF) antes da inscrição em DAU do débito e que a DIPJ relativa à apuração do crédito, apresentada antes da emissão do despacho decisório do PER/DCOMP informava o valor correto do débito do período o que confirmaria a existência do pagamento a maior. Alega também nulidade por vício formal em razão de a RFB não ter analisado a DCTF retificadora apresentada. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Também foi rejeitada a nulidade aventada. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido, mas sim a DIPJ apresentada e a DCTF retificadora. Solicitou, novamente a nulidade da decisão original e do acórdão da Delegacia de Julgamento por não terem apreciado as outras declarações da empresa. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.687803/200905 Acórdão n.º 1401003.244 S1C4T1 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.242, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.910165/2009 23, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.242): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O recurso voluntário apresentado inicia com a apresentação de uma preliminar de nulidade. Como, após a análise do caso, entendo por dar provimento ao recurso, supero a preliminar aventada para reconhecer o mérito do pedido conforme abaixo. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.687803/200905 Acórdão n.º 1401003.244 S1C4T1 Fl. 5 4 indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios apresentados na DIPJ da empresa em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.687803/200905 Acórdão n.º 1401003.244 S1C4T1 Fl. 6 5 obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Consoante se demonstra da DIPJ original, relativa ao ano de 2008, apresentada pela empresa antes da prolação do despacho decisório, os valores devidos da CSLL são bem inferiores aos valores recolhidos pela empresa e informados em DCTF. Da análise da referida DIPJ, nas fichas de apuração do resultado do exercício não se verificam indícios de que houve qualquer irregularidade nas informações prestadas pela empresa. Assim, conforme acima apresentado, não é cabível o puro e simples indeferimento do pedido em função da informação apresentada em DCTF quando este mesmo contribuinte apresenta outra declaração com a demonstração completa dos valores de apuração do tributo devido que simplesmente foi ignorada quando da prolação das duas decisões. Desta forma, a despeito de a DCTF constituir em confissão de dívida da empresa, esta confissão pode ser infirmada por novas informações apresentadas pela empresa em outras declarações exigidas pelo fisco. Assim, entendo que deve ser considerado procedente o recurso a fim de que a existência de crédito relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre o valor do tributo devido informado na DIPJ da empresa e o valor efetivamente recolhido pela empresa, tendo em vista a inexistência de qualquer informação a infirmar os valores de apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ. Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970631/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do crédito a ser utilizado em compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não-homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.964373/2009-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do crédito a ser utilizado em compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não-homologação da compensação.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do crédito a ser utilizado em compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 15374.964373/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 06 31 /2 00 9- 63 Fl. 115DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativa a pagamento a maior de tributo, do qual o contribuinte pretendia a compensação com outros débitos perante a Fazenda Nacional. A Delegacia de Origem não homologou as compensações apresentadas em razão do valor recolhido em DARF estar integralmente alocado ao valor do débito informado em DCTF não existindo crédito a ser utilizado. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou impugnação alegando que por erro não realizou a retificação da DCTF, que foi apenas um erro de procedimento e que o valor da estimativa devida era menor do que a originalmente informada e que providenciou a retificação da DCTF em questão e da respectiva DIPJ. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade tendo em vista que a retificação da DCTF foi realizada após a decisão pela DRF de origem, a DIPJ retificada apresentou valor zerado do imposto devido pela inclusão de retenções na fonte, que, entretanto, não tiveram os rendimentos respectivos levados à tributação. Além disso informa que a empresa não apresentou documentação comprobatória dos valores de apuração. Cientificado, o contribuinte apresenta recurso voluntário repisando os argumentos da impugnação e solicitando que seja considerada a verdade material no caso a fim de se lhe reconhecer o crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.366, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.964373/200986 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.366): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.970631/200963 Acórdão n.º 1401003.370 S1C4T1 Fl. 3 3 O problema a ser analisado no presente processo é recorrente em razão da não retificação das DCTFs quando a empresa requer créditos relativos a pagamentos a maior. Nos diversos processos que já analisei neste Conselho a respeito do assunto tenho me pronunciado pela imposição dos princípios da Verdade Material e da Informalidade como supedâneo das falhas de procedimento cometidas pelo contribuinte. Assim, nestes casos, verificado que o contribuinte apresenta os documentos comprobatórios de seu crédito e que estes demonstram a existência deste, temos nos pronunciado no sentido de reconhecer a possibilidade de apuração do crédito de acordo com os valores informados em outras declarações apresentadas pelo contribuinte que não somente a DCTF. Invariavelmente observo nestes casos que as decisões são simplistas e não chegam à análise da composição do crédito que o contribuinte alega fazer jus. No presente caso a realidade é diversa. A Delegacia de Origem negou o crédito em face da confissão em DCTF de débito igual ao recolhido. Na manifestação o contribuinte alega que o valor do tributo devido estava incorreto e apresenta o valor que considera correto e que retificou a DCTF e a DIPJ. Ocorre, no entanto, que nada mais foi apresentado em seu benefício. A Delegacia de Julgamento, em acurado trabalho, analisou a DIPJ retificadora e informou, em sua Decisão, que as retenções na fonte informadas na retificadora não estão confirmadas integralmente nos sistemas da RFB e os valores confirmados não chegam sequer a transformar o valor do imposto devido em pagamento a maior. Além disso informa que os rendimentos relativos às retenções na fonte não foram levados à tributação, razão pela qual não podem ser utilizados os créditos das retenções na fonte. Vemos que o contribuinte traz alegações de erro mas não apresenta nenhum suporte a estas alegações. Continua clamando pela verdade material sem apresentar, ao menos, as informações de apuração que levaram à inexistência do tributo a pagar, nem os registros contábeis que possam demonstrar a exatidão de suas informações e o erro de informação da DCTF ou o acerto das informações da DIPJ retificadora. Ora, como quer o contribuinte que prevaleça a verdade material se nem ao menos realiza qualquer esforço neste sentido. A verdade material não se obtém pelas simples retificações extemporâneas de declarações. Tem de se basear em provas da existência das retenções, da tributação dos rendimentos e da consequente inexistência do imposto devido que, confrontado com o pagamento realizado origina o crédito. Quanto a isso nada apresenta o contribuinte. Fl. 117DF CARF MF 4 Desta forma não há como se lhe reconhecer o direito ao crédito pleiteado, devendo ser mantidas as decisões de Piso e da Delegacia de Julgamento que corretamente analisaram o pedido e o negaram por falta de comprovação da existência do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recuso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recuso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904580/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 80 /2 00 9- 48 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.904580/200948 Acórdão n.º 1401003.222 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DComp por meio do qual o contribuinte pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos. A Delegacia da Receita Federal indeferiu o pedido e não homologou a compensação declarada em face de o DARF indicado pelo contribuinte ter sido inteiramente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual aduziu que, sendo um consultório de odontologia, enquadraseia na regra que prevê a tributação de serviços hospitalares, com percentual de presunção do IRPJ de 8% e da CSLL de 12%, ao invés do percentual de 32% dos serviços em geral. Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados com o percentual de 32%, efetivamente recolhidos, e o montantes devidos com a aplicação do percentual mais benéfico configurariam pagamento indevido ou a maior. Esta diferença é que estaria sendo pleiteada no PER/DComp sob análise. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto, para que o débito declarado, que não foi retificado pelo contribuinte, seja desconstituído é preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. Destacou a DRJ que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, mas que este não detalhou a composição da receita auferida no período e não trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios). Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.904580/200948 Acórdão n.º 1401003.222 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.220, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904582/2009 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.220): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, o contribuinte fez longa defesa da interpretação do artigo 23 da IN SRF nº 306/2003, vigente à época dos fatos, de forma a enquadrar sua atividade consultório de odontologia como serviço hospitalar. Com isso, defendeu o direito a apurar o lucro presumido conforme a alíquota mais benéfica e não a alíquota aplicável aos serviços em geral. Contudo, esta não é a questão posta. Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de Manifestação de Inconformidade fundamentaram suas decisões na inaplicabilidade do disposto no artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 ao contribuinte. A questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e na DIPJ e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904580/200948 Acórdão n.º 1401003.222 S1C4T1 Fl. 5 4 No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que o contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que desenvolve atividades enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, toda a receita operacional auferida seja enquadrada nos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que o contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Daí a DRJ mencionar notas fiscais e relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa). Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido do contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904580/200948 Acórdão n.º 1401003.222 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726462/2017-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A prova do recebimento de rendimentos acumulados é do contribuinte, e se faz com documentação hábil e idônea. Recurso Provido.
Numero da decisão: 2002-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A prova do recebimento de rendimentos acumulados é do contribuinte, e se faz com documentação hábil e idônea. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. A prova do recebimento de rendimentos acumulados é do contribuinte, e se faz com documentação hábil e idônea. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 64 62 /2 01 7- 36 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18470.726462/201736 Acórdão n.º 2002001.038 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 30) contra decisão de primeira instância (fls. 24/27), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Trata o presente processo de lançamento efetuado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 05/13, relativa ao exercício 2013, ano calendário 2012, em nome de LEIDICLERIA GOMES DA SILVA, para cobrança de imposto de renda da pessoa física, no valor de R$7.562,12, e acréscimos legais. A alteração é decorrente da revisão da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, conforme se verifica às fls. 08 dos autos, de modo a caracterizar a(s) infração(ões) ali discriminadas. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 29/08/2017, fls. 03, afirmando, em síntese, que não concorda com a infração, pois o valor declarado referirseia a vinte e quatro meses e que levaria "os comprovantes para provar". Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, apresentando documentos que entende comprovar os rendimentos recebidos acumuladamente. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 03/07/2018 (fl. 44); Recurso protocolado em 19/07/2018 (fl. 30), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Número de meses relativo a Rendimentos Recebidos Acumuladamente indevidamente declarado – Tributação Exclusiva. Relata o Sr. AFRF, que: “Confrontando o valor de número de meses declarados, com o número de meses informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse a inexatidão de número de meses referentes a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo titular e/ou dependentes”. A r. decisão, manteve a glosa por falta de comprovação, entendendo que: “No presente caso, a contribuinte, quando da entrega de sua impugnação, não apresentou nenhum dos documentos que lhe foram solicitados quando de seu preenchimento. Limitouse a apresentar documento de identidade e outros documentos (fls. 2 e 17/20), irrelevantes para a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 18470.726462/201736 Acórdão n.º 2002001.038 S2C0T2 Fl. 4 3 comprovação do rendimento recebido acumuladamente e o número de meses a que se refere. Apesar de ter afirmado em sua impugnação que iria "levar os comprovantes para provar", não apresentou planilha extraída de processo judicial ou comprovante de rendimentos com a discriminação do número de meses a que se referem os rendimentos recebidos acumuladamente declarados. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio juntando documentos. Em sua peça de resistência, a recorrente volta a afirmar que os rendimentos recebidos acumuladamente, são relativos a 24 meses de concessão de aposentadoria por tempo de serviço. Juntou vários documentos para fazer provar suas alegações. A própria “Carta de Concessão/Memória de Cálculo”, é mais do que suficiente para dirimir a controvérsia. O referido documento relata que, a aposentadoria por tempo de serviço foi requerida em 27/10/2010, com vigência a partir de 27/10/2010. Relata ainda o referido documento, que a partir de 23/10/2012, a recorrente poderia comparecer diretamente à agência bancária indicada para receber o seu benefício, os pagamentos posteriores serão efetuados no 4º dia útil de cada mês. Nesta quadra de entendimento, são sinceras as alegações da recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000190/2005-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE TERCEIROS. UTILIZAÇÃO NO REFIS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL.
A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquirido de terceiro, no âmbito do Refis, constitui-se em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (CSLL).
AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL PARA AMORTIZAÇÃO DE JUROS E DE MULTA INCLUÍDOS NO REFIS. TRIBUTAÇÃO DO DESÁGIO. DEDUTIBILIDADE DOS JUROS E DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA
A tributação do deságio, obtido na aquisição de créditos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, empregados na amortização de multa e de juros, incluídos no Refis, não é causa atrativa da dedutibilidade dos juros e da multa mencionados, e vice-versa.
Numero da decisão: 9101-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que votou por dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE TERCEIROS. UTILIZAÇÃO NO REFIS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquirido de terceiro, no âmbito do Refis, constitui-se em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (CSLL). AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL PARA AMORTIZAÇÃO DE JUROS E DE MULTA INCLUÍDOS NO REFIS. TRIBUTAÇÃO DO DESÁGIO. DEDUTIBILIDADE DOS JUROS E DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA A tributação do deságio, obtido na aquisição de créditos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, empregados na amortização de multa e de juros, incluídos no Refis, não é causa atrativa da dedutibilidade dos juros e da multa mencionados, e vice-versa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que votou por dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 538 1 537 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13974.000190/200512 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101004.116 – 1ª Turma Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IRPJ DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS PARA SALDAR DÉBITOS NO REFIS Recorrente CONDOR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE TERCEIROS. UTILIZAÇÃO NO REFIS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquirido de terceiro, no âmbito do Refis, constituise em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (CSLL). AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL PARA AMORTIZAÇÃO DE JUROS E DE MULTA INCLUÍDOS NO REFIS. TRIBUTAÇÃO DO DESÁGIO. DEDUTIBILIDADE DOS JUROS E DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA A tributação do deságio, obtido na aquisição de créditos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, empregados na amortização de multa e de juros, incluídos no Refis, não é causa atrativa da dedutibilidade dos juros e da multa mencionados, e viceversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que votou por darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 90 /2 00 5- 12 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 539 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 478/492) interposto pela CONDOR S/A ("Contribuinte"), em face do Acórdão nº 1301001.718 (efls. 414/427), da sessão de 26 de novembro de 2014, e Acórdão de Embargos nº 1301002.014 (efls. 467/472), da sessão de 4 de maio de 2016, proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Assim foram ementados os acórdãos: (Acórdão nº 1301001.718) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE TERCEIROS. UTILIZAÇÃO NO REFIS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquirido de terceiro, no âmbito do Refis, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ e, por decorrência, também pelas contribuições sociais (CSLL). IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 540 3 final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento .Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. CSLL Quanto ao auto de infração relativo à CSLL, uma vez que decorrente da apuração do IRPJ, ou seja, com base nos mesmos pressupostos fáticos e em face das mesmas razões de defesa, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. (Acórdão nº 1301002.014) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO São cabíveis os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão embargado, consistente na falta de apreciação de relevante questão, ainda que, suprida a omissão, não se altere o resultado do julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL PARA AMORTIZAÇÃO DE JUROS E DE MULTA INCLUÍDOS NO REFIS. TRIBUTAÇÃO DO DESÁGIO. DEDUTIBILIDADE DOS JUROS E DA MULTA. IMPROCEDÊNCIA A tributação do deságio, obtido na aquisição de créditos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, empregados na amortização de multa e de juros, incluídos no Refis, não é causa atrativa da dedutibilidade dos juros e da multa mencionados, e viceversa. Tratase de lançamentos fiscais, relativos a não oferecimento de tributação de deságio apurado na aquisição junto a terceiros de créditos, para serem utilizados para saldar Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 541 4 débitos no REFIS (Lei nº 9.964, de 2000, art. 2º, § 7º, inciso I). Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e de multa isolada de estimativa mensal de CSLL (efls. 107/124, 139/147, 302/306). Foi apresentada impugnação (efls. 150/173) pela Contribuinte, que foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/Curitiba (efls. 377/386), para alterar a multa isolada de estimativa mensal de CSLL de 75% para 50%. Foi interposto recurso voluntário (efls. 390/411), que foi provido parcialmente pelo Acórdão nº 1301001.718, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, para afastar (1) os lançamentos de oficio de PIS e Cofins e (2) a multa isolada de estimativa mensal. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 438/442), aduzindo omissão na decisão embargada, que, se considerou tributável o deságio, deveria ter considerado as despesas a ele atreladas por conta da adesão ao REFIS. Os embargos foram apreciados no julgamento do Acórdão de Embargos nº 1301002.014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Foram acolhidos, por restar reconhecida a omissão na análise, e sem efeitos infringentes, por entender que a dedutibilidade dos juros e da multa moratória tratados no âmbito do REFIS seria questão independente da tributação do deságio. Foi interposto recurso especial pela Contribuinte, pretendendo devolver a matéria tributação de deságio apurado na aquisição de créditos de terceiros para saldar débitos de REFIS. Aduz que, se pretendia a autoridade tributária tributar o valor relativo ao deságio decorrente da aquisição de créditos de terceiros, por outro lado, deveria também considerar as despesas com os tributos, contribuições, multa e juros pagos via REFIS, no lucro líquido dos exercícios objeto da autuação fiscal. Entende que a tributação do deságio estaria relacionada à despesa gerada com a quitação dos tributos e encargos quando dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, se por um lado o contribuinte não lançou na conta de resultado e não levou à tributação o deságio, por outro lado também não teria lançado para o resultado e deduzido da base, o valor dos juros e da multa. Deste modo, o efeito da não tributação do deságio pode ter sido total ou parcialmente anulado. Reitera o pedido de diligência para fins de verificação do efeito fiscal de se considerar as despesas atreladas ao deságio apurado. Pede deferimento. Despacho de exame de admissibilidade de efls. 517/523 deu seguimento ao recurso. Cientificada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (efl. 525/536). Protesta pela manutenção dos lançamentos de ofício, com base nos fundamentos expedidos pela decisão da DRJ. Requer pelo não provimento do recurso especial. É o relatório. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 542 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 517/523, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 19991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. Matéria devolvida diz respeito à tributação de deságio decorrente da aquisição de créditos tributários junto a terceiros, para serem utilizados visando saldar débitos no REFIS previsto na Lei nº 9.964, de 2000. A utilização de créditos de terceiros, no caso, foi prevista no art. 2º, § 7º, inciso I: Art. 2º O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. (...) § 7º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I – compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; A autoridade fiscal, ao apreciar a contabilização da operação, elaborou a planilha demonstrativa (efl. 22): 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 543 6 Assim descreveu a autuação fiscal: A fiscalizada adquiriu créditos (Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas de CSLL) da empresa IMPÉRIO LISAMAR S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS no montante de R$2.454.655,70 com o intuito de saudar débitos consolidados (multas, de mora e/ou ofício, e juros moratórios) de sua titularidade, no Programa de Recuperação Fiscal (...). A Cessionária, às fls. 34 a 36, acordou com a Cedente, pelos créditos de R$2.454.655,70 (R$1.718.258,97 + R$736.396,70), o pagamento no montante de R$220.919,02 em duas parcelas fixas de R$110.459,51, e, pelos serviços de intermediação, prestados pela MARTINELLI ADVOGADOS, o montante de R$147.279,33 (...). Segundo constamos no livro Razão e LALUR/2000 da fiscalizada o deságio de R$2.086.457,31, respectivamente, não transitou em conta de Resultado, mas tão somente em conta do Patrimônio Líquido e não foi objeto de Adição na Apuração do Lucro Real. Logo, não foi levado à tributação do IRPJ e seus Reflexos. Entendo que não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. A aquisição de ativo financeiro com valor X por valor "X1" implica na apuração de deságio, que logo na sequência foi utilizado para adimplir obrigações com o Fisco. O acréscimo patrimonial percebido é evidente, concretizandose a hipótese prevista no art. 43 do CTN. Precisa, portanto, a tipificação da infração tributária, como omissão de receitas de natureza financeira. Transcrevo excerto do voto da decisão da DRJ, que tratou da matéria com bastante clareza. O valor do ganho com a aquisição do crédito (prejuízos fiscais de terceiros/base de cálculo negativa da CSLL) deve ser levado a resultado, procedimento não efetivado pela contribuinte, como descrito no Auto de Infração. Em nenhum momento, na legislação que regula o REFIS constou que tais valores seriam não tributáveis. Importante salientar que prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social, por si sós, não são considerados Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 544 7 receitas para fins de tributação. Para fins de apuração do tributo devido, a legislação facultou àquele que apurou prejuízo fiscal (ou base de cálculo negativa da CSLL) em um exercício, compensálo quando da apuração da base de cálculo do tributo em exercícios posteriores. É uma faculdade permitida pela legislação. Na espécie não se trata de tributar prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social adquiridos de terceiro. Tratase de tributar o ganho eventual obtido na cessão de crédito quando da aquisição de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de terceiro para liquidação de juros e multas no âmbito do REFIS. Observese que, assim como o artigo 249, do RIR71999, que trata das adições, o artigo 250, também do RIR/1999, procura mostrar que as exclusões na determinação do lucro real devem estar autorizadas/previstas na legislação. No caso, por falta de previsão legal, para a empresa que adquire prejuízos fiscais (ou base de cálculo negativa), de terceiros, o lucro que, por ventura, obtiver nessa cessão de créditos, não pode ser excluído na determinação do lucro real. A impugnante procura desfazer a tributação que lhe foi imposta, centralizando seus argumentos no sentido da inexistência de acréscimo patrimonial, nos termos em que estabelecido no artigo 43 do CTN. Obviamente que o legislador ordinário não pode prever e nem elencar na legislação tributária todas as situações verificadas, concretas, que resultem em acréscimo patrimonial, fato gerador do imposto de renda (artigo 43 do CTN). A legislação tributária não pode é afastarse das restrições estabelecidas pela Constituição Federal e pela Lei Complementar (CTN), quando dispuseram que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Em outras palavras, a lei ordinária não pode construir um conceito de acréscimo patrimonial (lucro real) que não corresponda à aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda real. Quando a empresa adquire o crédito fiscal (prejuízos fiscais e bases negativas de cálculo de CSLL) para ser utilizado no REFIS (para abatimento de multas e juros), ela está de posse de um crédito, de um ativo, de um direito, que irá, conforme a lei permitiu, lhe proporcionar reduzir suas despesas de encargos legais para com o Fisco. Isto significa que esteve de posse de recursos que ingressaram, não fisicamente, é verdade, em seu patrimônio, sendo que o que importa, no caso, é que o ingresso de valor (dinheiro ou direito) ocorreu, elemento essencial à caracterização do lucro real. Não importa, portanto, ter sido a renda (crédito, fiscal/direito) consumida integralmente (por imposição legal) no abatimento de Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 545 8 multas e juros no REFIS, até mesmo porque este consumo de renda pressupõe necessariamente a aquisição de sua disponibilidade econômica ou jurídica. Logo, a diferença (deságio) entre o valor do crédito adquirido e o preço pago constitui acréscimo patrimonial a ser oferecido à tributação^1 (...) O deságio auferido na aquisição do crédito fiscal dE terceiros constitui receita operacional do cessionário, compondo, desta forma, o seu lucro líquido. Esse crédito fiscal deve ser registrado no ativo da empresa, em contrapartida ao disponível (preço pago) e à receita auferida (deságio). Constituindo receita, esse deságio tem o efeito de aumentar o ativo do cessionário. O lucro real, por sua vez, é obtido através do lucro líquido do período ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas ou prescritas pela legislação de regência do imposto (RIR/1999, art. 247). Assim, somente autorização legalmente estabelecida é que poderia afastar a tributação da receita em análise. Entretanto, como não há comando neste sentido, correto é o feito fiscal. Aduz ainda a recorrente que, se tributável o deságio, as despesas incorridas por conta da adesão ao REFIS também deveriam ter sido também consideradas na apuração do montante tributável. Ora, colocase argumento bastante questionável. A recorrente não cumpre com suas obrigações tributárias, ao contrário da maior parte dos contribuintes. Omitese perante a sociedade. O Fisco concede uma oportunidade para a quitação das dívidas, por meio do REFIS. Oportuniza ainda a prerrogativa de se utilizar de créditos de terceiros, ou de próprios. Se a recorrente optou por se utilizar de créditos de terceiros, deve arcar com todas as consequências, inclusive, se as transações para concretizar a aquisição dos direitos concretizarem hipótese de incidência tributária. Observese que, no caso concreto, foi apurado um deságio substancial. Não há nenhum problema em se efetuar um negócio lícito entre particulares no qual um ativo de X é adquirido por "X1". Contudo, não há como se esquivar das consequências jurídicas tributárias que o fato carrega. A utilização de créditos de terceiros foi opção dada pela lei e utilizada voluntariamente pela recorrente. Estranho é entender que, como foi adquirido ativo de X por "X1", e a diferença "1" foi utilizada precisamente para quitar uma obrigação com o Fisco, então o Fisco não poderia apurar ganho. O raciocínio está distorcido. A perspectiva que se deve considerar é que a recorrente tinha dívidas com o Fisco, tanto que aderiu ao parcelamento (REFIS). E se o parcelamento conferiu opção para se utilizar de créditos de terceiros para quitar o débito, melhor ainda. E se a recorrente conseguiu quitar débitos de X junto ao Fisco adquirindo junto a terceiros créditos pelo valor de "X1", melhor ainda. O que não pode é dizer que a transação no qual viabilizou a aquisição de créditos de valor X pelo montante de "X1" não poderia ser oponível ao Fisco, porque para quitar as Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 546 9 dívidas que tinha com o próprio Fisco (!) incorreu em despesas correlacionadas com o parcelamento. Questiono: quem deu causa a tais despesas? Por acaso foi o Fisco? Foi o Fisco que se atrasou no adimplemento das obrigações tributárias? Busca a recorrente uma comunicação inexistente entre as situações. Uma coisa é o parcelamento, e outra a maneira como ela se capitalizou para adimplir as obrigações incorridas com a adesão ao REFIS. Vale dizer que a questão foi suscitada em embargos de declaração, e foi apreciada com precisão pelo Acórdão de Embargos, cujas razões transcrevo, por trazer fundamentação complementar e precisa, que adoto na integralidade: No que diz respeito à questão de fundo, entendo que a dedutibilidade dos juros e da multa moratória tratados no âmbito do REFIS é questão independente da tributação do deságio. Este surgiu de um negócio jurídico entre a Recorrente e um terceiro, enquanto os juros e a multa moratória decorreram do atraso no pagamento de obrigações tributárias. Ainda que não houvesse o negócio jurídico que deu causa ao aparecimento do deságio – a aquisição de PF e de BCN de terceira pessoa , a questão da dedutibilidade dos juros e da multa moratória subsistiria por si mesma, tanto quanto subsistiria se, em vez de deságio, fosse apurado ágio. Vale dizer, não há uma causa comum, como também não há interdependência, determinante da atração pretendida. Podese entender que a dedutibilidade dos juros e da multa moratória é uma questão de justiça. Todavia, o processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, não é uma via aberta sem regras de acesso, sem a demarcação de suas fronteiras, sem interdições à entrada de qualquer elemento. A Embargante poderia, no prazo decadencial, promover a retificação de suas declarações e escrituração para deduzir, na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, os juros e a multa moratória incidentes sobre os tributos em atraso, antes mesmo da edição da Lei nº 9.964, de 2000. Não pode fazêlo, porém, mediante o manejo do processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, que não é o meio adequado para se efetivar a retificação de declarações ou da escrituração comercial ou fiscal. O ponto de fato em comum entre a tributação do deságio e a dedutibilidade dos juros e da multa moratória é a dívida tributária que se tornou extinta com o encontro de contas entre essa dívida e o PF e a BCN. No entanto, esse ponto de fato em comum não seria fundamento suficiente para justificar, em outra senda, a título de exemplo, a invocação da dedutibilidade dos juros e da multa moratória para se tributar o deságio, se a dedutibilidade dos juros e da multa moratória fosse o objeto do recurso, e não o deságio. Pela mesma razão, não se pode admitir que a tributação do deságio é causa atrativa da dedutibilidade dos juros e da multa de mora. Essa ausência de interdependência ou de causa comum entre as mencionadas Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13974.000190/200512 Acórdão n.º 9101004.116 CSRFT1 Fl. 547 10 questões não as reúne, necessariamente, para serem contrapostas numa fórmula de um “deságio líquido”. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 546DF CARF MF
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Numero do processo: 13748.000153/2002-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, restituir o processo à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez que foi encaminhado indevidamente a este Conselho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 43 1 42 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.000153/200235 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.726 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2019 Assunto Restituição dos autos à Unidade de Origem Recorrente TANIA LUCIA CORREA ACCON Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, restituir o processo à Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil, uma vez que foi encaminhado indevidamente a este Conselho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO Tratase de impugnação/pedido de reconsideração de restituição de imposto de renda referente à declaração de ajuste anual do exercício de 2000, anocalendário 1999 (fls. 04/06), acompanhada de documentos comprobatórios do que alegou a requerente em seu pedido (fls. 07 a 32). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 48 .0 00 15 3/ 20 02 -3 5 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13748.000153/200235 Resolução nº 2402000.726 S2C4T2 Fl. 44 2 O fato gerador ocorreu no anocalendário 1999, exercício 2000, tendo o lançamento de malha sido realizado por meio de Auto de Infração emitido aos 17/01/2002 e o pedido de reconsideração sido apresentado aos 15/02/2002 (fls. 04). A cerne da discussão diz respeito a divergência entre valores declarados pela contribuinte e informados pela fonte pagadora UNIMED PETRÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO DE TRABALHO MÉDICO, CNPJ 28.806.545/000109. A contribuinte apresentou declaração registrando valores de R$ 57.977,59 e R$ 12.773,99 recebidos a título de rendimentos tributáveis e Imposto de Renda Retido na Fonte, respectivamente. O grupo de malha valor, por meio de FAR (Formulário de Alteração e Retificação), fundamentado na DIRF (Declaração de Imposto de Renda na Fonte) retificadora apresentada pela empresa UNIMED PETRÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, informando os meses trabalhados, como também o mês de rescisão do contrato de trabalho citado pela contribuinte, procedeu à alteração na declaração apresentada para os valores de R$ 64.106,31 e R$ 12.048,36 recebidos a titulo de rendimentos tributáveis e de Imposto de Renda Retido na Fonte, respectivamente, conforme fls. 25. Em resposta ao pedido de reconsideração de restituição, foi proferido o Despacho Decisório nº 12/2008 (fls. 33/34), no qual se entendeu pela intempestividade do pedido de reconsideração/impugnação da recorrente, que restou não conhecido, ao fundamento de que "a defesa apresentada pelo contribuinte foi, como visto acima, interposta intempestivamente, ou seja, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância". Entretanto, os julgadores, na oportunidade, houveram por bem analisar o lançamento de oficio e o mantiveram integralmente. Intimada do resultado do julgamento de seu pedido aos 26/02/2008 (fls. 37/38), a contribunte interpôs recurso voluntário aos 04/03/2008 (fls. 40), alegando que a intempestividade suscitada como fundamento para o não conhecimento de sua impugnação, denominada por ela como "pedido de reconsideração", teve como causa a demora do próprio Fisco em rever a sua declaração e documentos apresentados, reafirmando o equívoco relativamente às informações apresentadas pela fonte pagadora. É o relatório. VOTO Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Inicialmente, verificase que não constam do processo elementos que dêem base ao entendimento do julgado recorrido quanto a intempestividade da Impugnação/Pedido de Reconsideração apresentados pela recorrente. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13748.000153/200235 Resolução nº 2402000.726 S2C4T2 Fl. 45 3 Conforme se pode verificar na imagem abaixo reproduzida, constatase que logo a fls. 01/02 dos autos, consta informação de que o auto de infração foi emitido aos 17/01/2002 e que o pedido de reconsideração/impugnação teria tido entrada aos 13/05/2008. A fls. 04, consta o protocolo do pedido de reconsideração datado de 15/02/2002. Ou seja, sendo esta a data de apresentação do pedido de reconsideração/impugnação, conforme imagem abaixo reproduzida, não se há falar em intempestividade. Essa data de protocolo é corroborada pela própria data em que foi subscrito e assinada aquela petição, conforme se pode ver a fls. 06, cuja imagem reproduzimos abaixo: Portanto, não há dúvida quanto à tempestividade do pedido de reconsideração/impugnação, que não foi conhecido pelos julgadores de primeira instância justamente sob o fundamento de intempestividade de sua apresentação. Pois bem. Notese que que o Despacho Decisório nº 12/2008, por sua vez, emitido aos 12/08/2008 (fls. 33), mesmo considerando intempestivo o pedido de reconsideração/impugnação apresentado pela ora recorrente (sem que, conforme demonstrado, fosse ele efetivamente intempestivo), curiosamente procedeu à revisão de ofício do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13748.000153/200235 Resolução nº 2402000.726 S2C4T2 Fl. 46 4 lançamento, nos termos do art. 149 do CTN, sem, todavia, promover nele nenhuma alteração. Dessa decisão, a recorrente foi intimada por meio da intimação nº 063/2007 (fls. 37), que, também muito curiosamente, apesar de constar ter sido expedida no ano de 2007, dá conta de decisão proferida aos 12/08/2008. Essa mesma intimação é datada e assinada de 21/02/2008, ou seja, antes mesmo de que a própria decisão cuja intimação é ali determinada tivesse sido proferida. Em suma, diante de todo esse imbróglio envolvendo os atos processuais, sua localização no tempo e, principalmente, a patente tempestividade do pedido de reconsideração/impugnação protolizado pela ora recorrente perante a DRJ/Nova Iguaçú aos 15/02/2002, indevidamente considerado intempestivo, sem a devida apreciação de suas razões de defesa pela primeira instância de julgamento, entendemos que não há alternativa para este caso que não seja a sua devolução à Unidade de Origem para que sejam sanadas as irregularidades apontadas e promovida a devida apreciação e julgamento do pedido de reconsideração/impugnação da recorrente, cujo protocolo data de 15/02/2002, conforme se verifica a fls. 04, único modo, no nosso entendimento, de serem preservados o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. Desse modo, voto no sentido de que os presentes autos sejam devolvidos à Unidade de Origem da Receita Federal do Brasil para que sejam sanadas as irregularidades apontadas, com apreciação do mencionado pedido de reconsideração/impugnação apresentado pela ora recorrente, com protocolo datado de 15/02/2002 (fls. 04). (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 46DF CARF MF
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