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Numero do processo: 10380.727463/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
Ementa:
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS DE IRPJ.Os lançamentos para exigência de PIS/Pasep e Cofins, que têm origem em mesmos elementos de prova do lançamento de IRPJ, se inserem na competência do julgamento da Primeira Seção do CARF, de acordo com o inciso IV do artigo 2º do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: Relator
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LANÇAMENTOS REFLEXOS DE IRPJ.Os lançamentos para exigência de PIS/Pasep e Cofins, que têm origem em mesmos elementos de prova do lançamento de IRPJ, se inserem na competência do julgamento da Primeira Seção do CARF, de acordo com o inciso IV do artigo 2º do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 74 63 /2 01 4- 52 Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.536 2 Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e à Cofins. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcreve se relatório do acórdão de primeira instância: "Tratase o processo de Auto de Infração de Contribuição para o PIS e Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2011, que exige o recolhimento de R$ 3.824.956,51 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até setembro/2014) de PIS e R$ 17.617.981,48 (contribuição + multa de ofício + juros calculados até setembro/2014) de COFINS. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 22/32, extraímos os seguintes excertos: "Tratase de ação fiscal levada a efeito na empresa DAKOTA NORDESTE S/A, CNPJ Nº 00.465.813/000157, cuja atividade principal é a industrialização e comercialização de calçados. Em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal Nº 03.1.01.002013012076, o procedimento se referiu à verificação do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E CIDE, correspondentes ao período de janeiro a dezembro/2011. A empresa DAKOTA NORDESTE S.A, recebeu no ano calendário de 2011, a título de subvenção do ICMS no Estado do Ceará , o valor de R$112.870.252,77. Pelo fato do contribuinte considerar o referido valor como subvenção para investimento, este valor transitou pelo resultado do exercício e, posteriormente, foi registrado nas exclusões do cálculo do Lucro Real, em consonância com a legislação acima citada, não tendo sido, portanto, oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, conforme se verifica no Livro de Apuração do Lucro Real do contribuinte, em anexo, nem tampouco incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. A subvenção oferecida pelo Estado do Ceará à DAKOTA NORDESTE S.A, se dá por meio de contrato de mútuo entre, originalmente, o Banco do Estado do Ceará S/A – BEC (posteriormente o Banco Bradesco SA) e DAKOTA NORDESTE S.A, com interveniência do Governo do Estado do Ceará, e funciona, grosso modo, da seguinte maneira: o BEC empresta parte (essa parte é alterada de acordo com os aditivos, variando de 75% a 99%) do valor recolhido a título de ICMS mensalmente pelo mutuário, no caso a DAKOTA NORDESTE S.A. Posteriormente, o Estado do Ceará, se verificada a adimplência das condições, depositará junto ao mutuante o valor do empréstimo, de tal forma que a mutuária terá o empréstimo quitado, não restando nenhuma dívida junto ao Estado do Ceará. Tratase, portanto, de um contrato de empréstimo periódico de garantia fidejussória, onde o Estado do Ceará é o fiador. Nessa esteira, não há como duvidar que a subvenção concedida pelo Estado do Ceará à fiscalizada é meramente subvenção para custeio, haja vista não haver qualquer vinculação contratual a Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.537 3 investimentos de implantação ou expansão, ao contrário, pelo que vimos no contrato de mutuo, a destinação da subvenção é para o capital de giro da empresa. Frisase ainda que, da leitura do contrato, Termo de Acordo e do Protocolo de Intenções, verificouse não haver qualquer cláusula que evidencie a intenção do subvencionador, no caso o Governo do Estado do Ceará, de que os recursos oriundos da subvenção concedida sejam destinados à investimentos." Regularmente intimada, com ciência postal em 8 de setembro de 2014, AR à fl. 562, a interessada apresentou, em 2 de outubro de 2014, a impugnação de fls. 606/636. Preliminarmente a impugnante faz uma explanação da sua função social nas cidades em que passou a atuar no Estado do Ceará. Afirma que as unidades fabris foram instaladas visando promover o seu desenvolvimento, mediante a assinatura de quatro convênios com o Governo do Estado. Apresenta, em seguida, dados do IBGE, que evidenciam a modificação substancial do perfil econômico, social e cultural, nas cidades, após a instalação das fábricas da Autuada e afirma: “Tais dados também são importantes para que se compreenda o conceito de incentivo para investimento, tendo em vista que o principal investimento realizado pela autora foi humano, foi destinar seus recursos e seu trabalho para contratar mais de 9 mil empregados, fator de extremo relevo e justifica a razão para a atração de indústrias de uso intensivo de mãodeobra” Cita atos da ADENE/SUDENE. Defende que os incentivos fiscais estão em conformidade com o art. 3o da Constituição Federal, que traça os objetivos fundamentais da República. Passa a discorrer, então sobre o incentivo fiscal recebido do Estado do Ceará. Discorre também, sobre as condições para implementação dos benefícios e do montante dos benefícios recebidos. Posteriormente, afirma que não há, nos autos de infração e no relatório fiscal, clara e expressa fundamentação fática e jurídica sobre os motivos que levaram a fiscalização a lavratura dos autos de infração, o que acarreta a nulidade destes por falta do requisito da motivação. Discorda da utilização do mesmo relatório fiscal do processo 10380.727.457/201403, porque tanto a motivação quanto as informações são diversas entre os tributos lançados. A seguir, traz a razões que entende para a improcedência dos Autos de Infração. Defende a inexistência de receita passível de incidência de PIS/PASEP e COFINS, primeiramente, em relação a natureza jurídica da subvenção. Afirma: A tributação não pode incidir Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.538 4 sobre uma base superior às reais manifestações de capacidade econômica da empresa; não se tratando de nenhuma das hipóteses previstas na legislação, incabível a incidência de PIS/PASEP e COFINS. Em seguida, argumenta a existência de reiteradas decisões proferidas pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que declaram como sendo à base de cálculo do PIS e da COFINS somente as receitas advindas da compra e venda de mercadorias e da prestação de serviços. Defende a impossibilidade de incidência de multa aplicada com base no inciso III, art.100 e art. 146 do Código Tributário Nacional. Carreia aos autos decisões administrativas e judiciais. E por fim requer: (1) preliminarmente, reconheçam a nulidade dos autos de infração em virtude da sua falta de motivação, conforme exposto no item III; (2) caso ultrapassada a preliminar arguida, no mérito, julguem a manifestação de inconformidade procedente, de modo a julgar improcedente o auto de infração combatido e, conseqüentemente afastar a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre os valores recebidos pela Autuada a título de subvenções do Governo do Estado do Ceará. É o relatório." A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0130.678, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTOASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MÚTUO. INCENTIVO FINANCEIRO. DESTINAÇÃO. CAPITAL DE GIRO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Incentivo financeiro consistente na desobrigação de adimplir parte de valor mutuado por ente governamental e aproveitado como capital de giro da mutuaria, é considerado, subvenção para custeio, integrando o resultado operacional da pessoa jurídica. BOA FÉ DO CONTRIBUINTE. De acordo com o disposto no art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. MULTA DE OFÍCIO.PERCENTUAL. LEGALIDADE. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.539 5 O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua redução em âmbito administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MÚTUO. INCENTIVO FINANCEIRO. DESTINAÇÃO. CAPITAL DE GIRO. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Incentivo financeiro consistente na desobrigação de adimplir parte de valor mutuado por ente governamental e aproveitado como capital de giro da mutuaria, é considerado, subvenção para custeio, integrando o resultado operacional da pessoa jurídica. BOA FÉ DO CONTRIBUINTE. De acordo com o disposto no art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. MULTA DE OFÍCIO.PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua redução em âmbito administrativo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATOS ADMINISTRATIVOS VINCULADOS. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Descabe a alegação de falta de motivação para a lavratura de auto de infração quando as autoridades fiscais o fizeram indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamentaram os lançamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 1. Nulidade do acórdão proferido pela DRJ, por falta de motivação, pois não se manifestou sobre razões alegadas em recurso: utilização dos valores como subvenção para investimento, utilização para aumento de capital, critérios para caracterização da subvenção de investimento, inexistência de receitas passíveis de incidência de PIS/Cofins; 2. As subvenções recebidas caracterizamse como subvenções para investimento e não para custeio como acusou a fiscalização; 3. Os valores recebidos a título de subvenções não caracterizamse como receitas; Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.540 6 4. A inexistência de utilização dos valores recebidos como capital de giro, mas para aumento de capital social, investimentos no parque industrial e investimentos sociais; 5. A necessidade de observação das decisões proferidas pelo CARF, de acordo com o artigo 100, III do CTN; 6. A necessidade de afastamento da multa de ofício aplicada, em razão das decisões proferidas pelo CARF afastando a incidência do PIS e Cofins sobre Por seu turno, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, argumentando que: 1. O Auto de Infração é válido, não havendo vício em sua fundamentação, nem verificação de qualquer prejuízo à recorrente; 2. A jurisprudência administrativa não constitui prática reiterada da Administração, pois consiste em atuação reiterada da Administração na aplicação da legislação tributária para um determinado contribuinte ou grupo de contribuintes; 3. A subvenção para investimento exige as seguintes características: a intenção do Poder Público de destinálas para a implantação ou ampliação do empreendimento; a aplicação efetiva e específica, pelo beneficiário, nos investimentos previstos, não bastando apenas o animus de subvencionar para investimento; a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza, automaticamente, a sua classificação como subvenção de investimento; e o beneficiário ser titular do empreendimento econômico. 4. A subvenção no caso concreto possui a natureza de custeio, pois os recursos são destinados à composição do capital de giro da sociedade mutuária, sem vinculação a qualquer investimento; 5. As subvenções para custeio são receitas tributáveis nos termos dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme no Termo de Verificação Fiscal, o procedimento fiscal se referiu à verificação de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e CIDE, no período de janeiro a dezembro de 2011, em conformidade com o MPF nº 03.1.01.002013012076. O encerramento da ação fiscal culminou na lavratura de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, não como reflexos, mas separadamente em autos distintos. Os Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.541 7 Autos de Infração de IRPJ e CSLL foram lavrados no processo nº 10380.727457/201403, o qual foi julgado em 06/04/2016 pela Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento. As quatro autuações versaram sobre os mesmos elementos fáticos e jurídicos, inclusive um único Termo de Verificação Fiscal embasou os dois processos administrativos fiscais, que trataram do julgamento de subvenções recebidas pela recorrente do Estado do Ceará, relativas a diferimento de ICMS, de acordo com a Lei nº 10.367/1979 (que criou o Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará FDI), e o Decreto Estadual nº 29.183/2008 (que consolidou e regulamentou a legislação do FDI). Nesta situação, entendo que os processos são reflexos, nos termos que dispõe o inciso III do artigo 6º1 do Anexo II do RICARF, se inserindo na competência da Primeira Seção de Julgamento, de acordo com a nova redação do inciso IV do artigo 2º do referido anexo, dada pela Portaria MF nº 152/2016, abaixo transcrito: Art. 2º. À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10380.727463/201452 Acórdão n.º 3302003.259 S3C3T2 Fl. 1.542 8 Diante do exposto, voto para declinar a competência de julgamento para a Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1542DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907120/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.810
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 12 0/ 20 12 -5 7 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10882.907120/201257 Resolução nº 3402001.810 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10882.907120/201257 Resolução nº 3402001.810 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10882.907120/201257 Resolução nº 3402001.810 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10882.907120/201257 Resolução nº 3402001.810 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720123/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.037
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 12 3/ 20 12 -8 0 Fl. 1394DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o presente processo de auto de infração de PIS e de COFINS não cumulativos, em razão da glosa em pedidos de ressarcimento referentes a bens e serviços que a fiscalização entende não se referirem a insumos. A autoridade administrativa não acatou o método de apropriação de crédito dos insumos pretendido pela contribuinte, bem como apontou irregularidades na apuração de crédito decorrente da depreciação do imobilizado e quanto ao crédito presumido. A interessada foi cientificada e apresentou a impugnação, alegando em síntese: Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no §12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou grande parte dos créditos levantados pelo contribuinte, de modo a deixar a descoberto uma enorme quantidade de receitas da pessoa jurídica a ser tributada a uma alíquota de 9,25%, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente. Cita decisão do CARF no sentido de reconhecer como insumo todo e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa. Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Que no processo produtivo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que deve ser aplicada a legislação do IRPJ para fins de reconhecer os insumos que autorizam a apropriação dos créditos de PIS/COFINS, considerando todos os custos e despesas vinculadas ao processo produtivo da defendente. Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 4 3 Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornaremse usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 5 4 A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita nãocumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitandose o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo as glosas dos créditos: Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3301001.026, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15868.20081/201287, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301001.026): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. A atividadefim da empresa é a industrialização da cana de açúcar, resultando como bens produzidos e destinados à venda, o açúcar bruto e o álcool. Informou a fiscalização que, em análise às informações constantes nos relatórios e arquivos digitais com a descrição de bens e serviços que serviram de base para cálculo de créditos das contribuições, em consulta ao CNPJ dos fornecedores e no exame por amostragem das notas fiscais, constatou que há bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, pois não teriam sido utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar e álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Dentre tais bens e/ou serviços que não se enquadram no conceito de insumo, segundo a autoridade fiscal, há despesas incorridas com maquinário agrícola, com caminhões, com plantio e colheita de cana de açúcar. Sendo a atividadefim da empresa voltada para a produção de álcool e açúcar, não haveria que se falar, na área agrícola, de fabricação de produto ou de bens que participem diretamente na produção de bens destinados a venda. Foram também considerados como insumos pelo sujeito passivo, outros bens e/ou serviços não Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 7 6 aplicados diretamente no processo industrial de fabricação dos produtos açúcar e álcool. Os bens e/ou serviços que não se enquadram no conceito de insumo, apontados pela fiscalização, são: partes, peças e/ou serviços para manutenção de caminhões, tratores, máquinas/equipamentos agrícolas, ônibus, veículos, reboques, aquisição/reforma de pneus. gastos com imobilizações, tais como serviços de construção civil, serviços de montagens industriais, elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil e/ou manutenção de edifícios (areia, cimento, tinta, etc.). despesas com serviços agrícolas diversos: com terraplanagem, análise de solo, colheita mecanizada de cana, com fornecedores cuja atividade principal, conforme CNPJ, é a prestação de serviços agrícolas de preparação de terreno, cultivo e colheita. gastos com transporte de pessoas. despesas diversas referentes a serviços de conservação de estradas, a roupas de uso profissional, serviços de despachantes/documentos de exportação, serviços de assessoria, fornecedores cuja atividade principal é a locação de outros meios de transporte, a manutenção da rede de rádio, a locação de equipamentos diversos e outras. Tais gastos não atenderiam ao critério para a caracterização de insumos, porque não se dão no âmbito do processo industrial dos produtos destinados a venda, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do açúcar e do álcool. A Recorrente descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. É equivocado o entendimento fiscal de que os gastos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 8 7 Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. Ademais, sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. Frete A fiscalização glosou as despesas com fretes que teriam sido pagos a pessoas físicas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3°, §3°, da Lei n° 10.833/2003. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (veículos, motos, microônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, pulverizadores, reboques etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, III, da Lei n° 10.837/2002, e art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 9 8 AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pelo contribuinte. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 10 9 Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 11 10 A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canade açúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver as despesas incorridas e ora pleiteadas como insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 15868.720123/201280 Resolução nº 3301001.037 S3C3T1 Fl. 12 11 Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime a Recorrente para: i) trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3 intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indicar os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720512/2011-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/03/2011
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.346
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 05 12 /2 01 1- 10 Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.720512/201110 Acórdão n.º 9303008.346 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302003.628, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: (...) EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e contradição, requerendo que seja reconhecida a ausência de vinculação à Cosit e que a Turma decida se aplica a jurisprudência do CARF acerca da aplicação da multa em retificação extemporânea ou, inaugurando divergência, exponha os motivos pelos quais inova no entendimento sobre a matéria. Em Despacho, os embargos foram rejeitados. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O CARF não se submete aos posicionamentos da Cosit; Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.720512/201110 Acórdão n.º 9303008.346 CSRFT3 Fl. 4 3 · Por uma questão de segurança jurídica, entendese que as soluções de consulta da Cosit vinculam as partes consulentes, que foram orientadas pela RFB em casos concretos e, por isso, não podem ser surpreendidas com posicionamentos inovadores no futuro; Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de reformar o acórdão recorrido para que seja restabelecido o acórdão proferido pela DRJ, mantendose a multa aplicada. Foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo com discussões relativas às seguintes matérias: · Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit; · Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido; · As Soluções de Consulta e as Soluções de Divergências editadas pela Cosit, sob a luz da IN 1396/13 têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que as aplicar, independentemente der se o consulente; · Devese reconhecer a manifesta inaplicabilidade da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 sobre meras retificações de informações que tinham sido tempestivamente prestadas no SISCARGA; · Ademais, aplicase a denúncia espontânea na seara aduaneira – art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.720512/201110 Acórdão n.º 9303008.346 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.343, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.720013/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.343): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à primeira matéria trazida em recurso, qual seja “Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit”, entendo que não devo conhecer dessa parte, pois não há divergência entre os arestos. Eis a ementa da recorrida (Destaques meus) na parte que interessa: “[...] EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.[...]” E a ementa do acórdão nº 3301002.880 indicado como paradigma: “Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DA COSIT. EFEITOS. A Solução de Consulta da Cosit tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.720512/201110 Acórdão n.º 9303008.346 CSRFT3 Fl. 6 5 Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa de categoria econômica ou profissional.” Não há divergência alguma entre os arestos. Sendo assim, não conheço o recurso em relação à primeira matéria. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, “Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo”, recordase a ementa do acórdão recorrido: “[...] RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.” Depreendendose da leitura do voto e da ementa, vêse que o Colegiado adotou a Solução de Consulta na elaboração essa ementa, pois entendeu ser ela vinculante até mesmo aos órgãos julgadores. Considerando que a primeira matéria não foi conhecida, essa segunda matéria está totalmente vinculada à primeira, o que cabe a essa conselheira não conhecer o Recurso Especial em relação à essa segunda. Ademais, vêse que os acórdãos indicados como paradigma os acórdãos 3101001.621 e 3101001.622 nem se referem à Solução de Consulta, que foi considerada vinculante aos órgãos julgadores no presente caso. Data máxima vênia, apenas expresso que entendo que tal solução pode ser vinculante perante a Receita Federal, nos termos do art. 9º da IN 1396/13, mas não aos julgadores do CARF. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.720512/201110 Acórdão n.º 9303008.346 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.909390/2009-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE EM NOME DE EMPRESAS INCORPORADAS APÓS A INCORPORAÇÃO.
Cabe à interessada comprovar o crédito que alega possuir, correspondente a retenção na fonte em nome de empresas incorporadas supostamente efetuada após a incorporação.
Numero da decisão: 1003-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE EM NOME DE EMPRESAS INCORPORADAS APÓS A INCORPORAÇÃO. Cabe à interessada comprovar o crédito que alega possuir, correspondente a retenção na fonte em nome de empresas incorporadas supostamente efetuada após a incorporação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE EM NOME DE EMPRESAS INCORPORADAS APÓS A INCORPORAÇÃO. Cabe à interessada comprovar o crédito que alega possuir, correspondente a retenção na fonte em nome de empresas incorporadas supostamente efetuada após a incorporação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 93 90 /2 00 9- 42 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.909390/200942 Acórdão n.º 1003000.478 S1C0T3 Fl. 165 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 84/86) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 19, que homologou parcialmente a compensação constante da DCOMP 25778.54531.140307.1.7.026640 e não homologou a DCOMP 19136.31771.140307.1.7.029741, de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, informado na DCOMP 12988.96341.240206.1.3.024953 (folhas 02/16). Na manifestação de inconformidade (folha 27), a contribuinte alegou que não foram considerados créditos de empresas incorporadas em 29/03/2005. No acórdão de primeira instância é informado que as empresas incorporadas pela manifestante apresentaram DIPJ para o período de 01/01/2005 a 28/03/2005 e na apuração do IRPJ devido usaram o IRRF retido no período. A recorrente, às folhas 92/96, alega, em síntese: I Que é correta a análise do acórdão recorrido, pois só faz sentido averiguar créditos das incorporadas existentes anteriormente à incorporação; contudo, identificou "diversas operações sujeitas à IRRF que certamente foram informadas em DIRF a essa autoridade fazendária e nas quais os informes contaram os CNPJ's das incorporadas mesmo após a incorporação, ou seja, a partir de abril/2005", relacionando tais operações nas planilhas às folhas 97/99; II Que "sequer se faz necessária a juntada de qualquer documento relativo às informadas operações por ser verossímil o registro das mesmas no sistema interno dessa Receita Federal"; III Que "caso viesse a Recorrente a documentar as operações cujos créditos foram utilizados na compensação, teria que documentar individualmente um a um, providência que não lhe pareceu fazer sentido, considerando que as informações relacionadas aos impostos retidos são regularmente prestadas à Receita Federal pela fonte retentora dos mesmos"; IV Que "não sendo razoável que a Recorrente seja penalizada por erro de terceiro", caso necessário "seja o julgamento do presente feito convertido em diligência". Foram anexados às folhas 104/164 documentos relativos a outro processo administrativo, sem nenhuma menção que os relacione com o presente. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10675.909390/200942 Acórdão n.º 1003000.478 S1C0T3 Fl. 166 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O RIR/99, vigente à época das compensações em questão, em seu art. 526, estabelecia o que segue: CAPÍTULO III DEDUÇÕES DO IMPOSTO Art. 526. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido no período de apuração, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 51, parágrafo único, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 10).(grifei) Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte ou pago seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto a pagar relativo aos períodos de apuração subseqüentes. É uma faculdade da contribuinte, portanto, deduzir de seu imposto devido o imposto pago ou retido na fonte, evidentemente relativo às receitas que integraram a respectiva base de cálculo. Não se trata, portanto, de direito potestativo, mas de uma opção da contribuinte sujeita a condições, em especial a de comprovar a ocorrência dos fatos geradores que lhe dão azo. No presente caso, a contribuinte, nas Declarações de Compensação, não relaciona os créditos que passa a desejar utilizar em sede de manifestação de inconformidade, que alega corresponderem a créditos de empresas incorporadas em 29/03/2005. No recurso voluntário, alega que tais créditos de empresas incorporadas foram informados em DIRF em nome destas incorporadas pelas fontes pagadoras, mas não traz qualquer comprovação do alegado por acreditar desnecessário comprovar o que deve estar registrado nos sistemas internos da Receita Federal. Estabelece o art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72, o que segue: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10675.909390/200942 Acórdão n.º 1003000.478 S1C0T3 Fl. 167 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (grifei) A contribuinte, portanto, deve apresentar na impugnação, ou manifestação de inconformidade, a prova de suas alegações, precluindo seu direito a menos da ocorrência das hipóteses elencadas no dispositivo transcrito. Em nome do princípio da verdade material, ainda seria possível aceitar provas juntadas em sede de recurso voluntário, mas o fato é que a recorrente optou expressamente em não trazêlas aos autos. A alegada informação das retenções em DIRF por parte das fontes pagadoras não constituiria prova suficiente das alegações, pela sua natureza de mera declaração. Seria fundamental a juntada de documentação comprobatória das operações correspondentes ao alegado por parte da recorrente, bem como, eventualmente, a circularização de tais documentos com aqueles emitidos pelas fontes pagadoras. Tendo contribuinte optado por não proceder a este esforço probatório para comprovar seu alegado direito, não parece cabível, nesta segunda instância, movimentar a máquina pública para devolver o processo à Receita Federal, consultar seus sistemas internos, intimar a própria recorrente a apresentar os documentos que optou por não apresentar e, eventualmente, circularizar as informações com as fontes pagadoras. A interessada teve oportunidade e tempo mais que suficiente para fazêlo, ao menos em parte, e não o fez. Optou, portanto, por não comprovar suas alegações tardias acerca de um direito que, tempestivamente, optou por não exercer. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000088/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ART. 62-A DO RICARF. SOBRESTAMENTO. REQUISITOS.
O Regimento Interno do CARF so admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo principio constitucional da celeridade processual. 0 sobrestamento indevido de processo no CARF pode levar h prescrição de ação penal vinculada ao lançamento.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. VALOR
TRIBUTÁVEL. AJUSTES FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. A tributação
incide sobre resultados passíveis de disponibilização, os quais não são afetados por ajustes fiscais que estão previstos na legislação brasileira apenas em relação a lucros apurados por empresas brasileiras. TRIBUTOS INCIDENTES NO PAÍS DE ORIGEM. Os tributos pagos pela pessoa jurídica no pais de origem, em razão dos lucros apurados, reduzem o lucro contábil passível de disponibilização.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio
proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em
REJEITAR as arguições de nulidade; 2) por maioria de votos, em REJEITAR a proposta de sobrestamento, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 3) relativamente à determinação da base de cálculo, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário,
divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso para reconhecer a nulidade; 4)
relativamente à dedução do imposto pago no exterior, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida
Guerreiro; 5) relativamente aos juros de mora sobre a multa de oficio, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 ART. 62-A DO RICARF. SOBRESTAMENTO. REQUISITOS. O Regimento Interno do CARF so admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo principio constitucional da celeridade processual. 0 sobrestamento indevido de processo no CARF pode levar h prescrição de ação penal vinculada ao lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. VALOR TRIBUTÁVEL. AJUSTES FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. A tributação incide sobre resultados passíveis de disponibilização, os quais não são afetados por ajustes fiscais que estão previstos na legislação brasileira apenas em relação a lucros apurados por empresas brasileiras. TRIBUTOS INCIDENTES NO PAÍS DE ORIGEM. Os tributos pagos pela pessoa jurídica no pais de origem, em razão dos lucros apurados, reduzem o lucro contábil passível de disponibilização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade; 2) por maioria de votos, em REJEITAR a proposta de sobrestamento, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 3) relativamente à determinação da base de cálculo, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso para reconhecer a nulidade; 4) relativamente à dedução do imposto pago no exterior, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 5) relativamente aos juros de mora sobre a multa de oficio, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
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SOBRESTAMENTO. REQUISITOS. O Regimento Interno do CARF so admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo principio constitucional da celeridade processual. 0 sobrestamento indevido de processo no CARF pode levar h prescrição de ação penal vinculada ao lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. VALOR TRIBUTÁVEL. AJUSTES FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. A tributação incide sobre resultados passíveis de disponibilização, os quais não são afetados por ajustes fiscais que estão previstos na legislação brasileira apenas em relação a lucros apurados por empresas brasileiras. TRIBUTOS INCIDENTES NO PAÍS DE ORIGEM. Os tributos pagos pela pessoa jurídica no pais de origem, em razão dos lucros apurados, reduzem o lucro contábil passível de disponibilização. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 3 Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade; 2) por maioria de votos, em REJEITAR a proposta de sobrestamento, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, designando-se para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 3) relativamente à determinação da base de cálculo, por voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso para reconhecer a nulidade; 4) relativamente à dedução do imposto pago no exterior, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 5) relativamente aos juros de mora sobre a multa de oficio, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. VALMA SECA DE MENEZES - Presidente. EDELI PEREIRA BESSA - Relatora CARLOS EDUARDI E ALMEIDA GUERREIRO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. 2 Processo n° 16643.000088/2009-81 51-CI TI Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 4 Relatório TAM S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 21/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 9.762.205,44. O lançamento decorre da glosa de despesas com royalties relativas aos anos- calendário 2005 a 2007, consideradas desnecessárias, na medida em que pagas pelo uso de marca surgida com a própria empresa e em beneficio dos próprios sócios da empresa, donos da licenciante (TAM Millar Taxi Aéreo, Representação, Marcas e Patentes S/A, optante pelo lucro presumido) e das licenciadas. Também foi adicionado à base tributável de 2006 o lucro auferido por controlada no exterior, tomando-se o valor correspondente ao lucro real, com adição de eventuais provisões indedutiveis segundo a legislação brasileira, no caso, provisões para devedores duvidosos e para perdas fiscais, e realização de reserva de reavaliação. Demonstrativo contido à fl. 317 evidencia o valor tributável após estes ajustes e dedução de prejuízos acumulados. Houve reversão do prejuízo fiscal apurado em 2005, ensejando também a glosa dos correspondentes valores compensados no ano-calendário 2006. Em impugnação, a interessada argüiu a nulidade do lançamento pertinente à tributação de lucros auferidos por intermédio de controlada no exterior, dada a descrição inadequada dos fatos e falta do seu relacionamento com os dispositivos legais aplicáveis, além de equívocos na quantifica cão da matéria tributável que a tornam imprestável. No mérito, defendeu a impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSLL sobre lucros ainda não disponibilizados, bem como a necessidade de compensação de imposto pago no Paraguai. Relativamente à glosa de despesas de royalties, afirmou descabida a discussão acerca da necessidade da despesa, pois esta apenas se submete aos requisitos de dedutibilidade específicos do art. 352 do RIR/99. Argumentou que a Fiscalização não pode questionar a conveniência da estrutura adotada decorre de decisão gerencial estratégica do conglomerado econômico do qual a impugnante faz parte, e que as marcas TAM são direitos devidamente registrados em nome de outra empresa, razão pela qual seu uso somente é possível mediante cessão de direitos. Discordou da aplicação do art. 353, inciso I do RIR199, pois a TAM Millor não é sócia da autuada, além de referido dispositivo não possuir fundamento legal, estando a restrição limitada a sócios pessoas fisicas. Reportou a jurisprudência administrativa neste sentido, e correlacionou esta ilegalidade com a verificada no âmbito da distribuição disfarçada de lucros. Por fim, discordou da extensão dos efeitos desta glosa à CSLL, por ausência de determinação legal especifica. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos, afastando a glosa relativa às despesas de royalties, por não admitir a extensão interpretativa adotada pela Fiscalização, bem como a consequente glosa de compensação de prejuízos fiscais em 2006. Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 5 exoneração do crédito tributário foi definitiva, porque inferior ao limite fixado para seu reexame necessário. No que tange à tributação de lucros auferidos por intermédio de controlada no exterior, a Turma Julgadora: 1) afastou as argüições de nulidade do lançamento; 2) declarou-se vinculada aos dispositivos legais que determinam esta tributação; 3) reconheceu que a tributação incide sobre o lucro contábil antes de descontado o tributo pago no pais, mas que a base de cálculo adotada pela Fiscalização acabou sendo inferior ao lucro liquido contábil; 4) rejeitou os documentos apresentados como prova do imposto de renda pago no pais de origem, por aparentarem apenas declaração, e não recolhimentos, além de não estarem traduzidos por tradutor juramentado, nem reconhecidos pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais de origem. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/04/2011 (fl. 502), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/05/2011 (fls. 521/561), no qual, inicialmente, reafirma a nulidade do lançamento, na medida em que a descrição dos fatos e respectivos enquadramentos legais, constantes do termo de encerramento de fiscaliza cão e dos autos de infração, são imprecisos e não permitem a exata compreensão das acusações fiscais, em evidente prejuízo ao direito de defesa do recorrente. Assevera que teve que adivinhar determinados fatos e a respectiva infração imputada pela fiscalização, assim não exercendo seu pleno direito de defesa. Diz que as disposições legais arroladas pela Fiscalização não foram relacionadas com a situação da recorrente, e que a planilha que instrui o lançamento contém várias informações sem maiores esclarecimentos a respeito, inclusive contendo equívocos relacionados à quantificação da matéria tributária, e identificados pelo próprio acórdão recorrido. Não teria sido informada a data considerada para fins de aplicação da taxa de câmbio, nem indicada a razão social da controlada cujos lucros foram tributados. A autoridade julgadora de 1a instância teria reconhecido o erro da Fiscalização em reputar tributável o lucro auferido no exterior ajustado por adições e exclusões determinadas pela lei brasileira, mas manteve o lançamento na medida em que a base tributável mostrou-se aquém do efetivamente devido. Assevera que o procedimento utilizado pelo Sr. AFRFB não tem base legal e vicia por completo o lançamento, pois a matéria tributável foi quantificada indevidamente pela fiscalização, tornando o trabalho fiscal imprestável. Acrescenta que a legislação brasileira, ao determinar o oferecimento destes lucros por meio do método de equivalência patrimonial, implicitamente reconhece que os cálculos são feitos a partir do balanço patrimonial ou balancete de verificacão da sociedade investida, inexistindo qualquer previsão de ajuste desses valores. Discorda da referência feita ao art. 25, §2°, inciso I da Lei n° 9.249/95, pois esse dispositivo apenas regulamenta a forma de comprovação dos lucros auferidos no exterior, mas não trata da sua apuração, e questiona a eficácia extraterritorial atribuida à legislação brasileira, asseverando que não há previsão dos ajustes pretendidos na legislação paraguaia. Cita acórdão deste Conselho em abono ao seu entendimento. Aponta erro na conclusão da autoridade julgadora, que não observou a dedução de prejuízos anteriores promovida pela autoridade lançadora, que reduziria a base tributável de R$ 14.908.998,19 para R$ 11.109.614,18. A decisão comparou o lucro contábil sem ajustes de 2006 e sem desconto de prejuízos, com o lucro ajustado por adições e exclusõeñ Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 6 previstas na legislação brasileira em 2006 já liquido de prejuízos de períodos anteriores, de forma que não procede de forma alguma a conclusão da DRJ. De toda sorte, observa que o favorecimento da contribuinte é irrelevante para o desfecho da questão, pois restou evidente a precariedade do lançamento, por interpretação equivocada na quantificação da matéria tributável e evidente erro na valoração da exigência, o que a torna imprestável. Cita acórdão deste Conselho declarando nula exigência que não se conforma à realidade fática e et respectiva legislação de regência, invoca o art. 142 do CTN e pede o cancelamento da autuação. Na seqüência, defende a impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSL sobre lucros ainda não disponibilizados. Argumenta que o art. 74 da Medida Provisória n. 2158-35 não pode ser aplicado ao caso dos autos, sob pena de afronta ao principio da legalidade, ao qual as autoridades administrativas devem obediência, haja vista a contrariedade daquele dispositivo legal ao art. 43 do Código Tributário Nacional, que define o conteúdo mínimo para incidência do IRPJ e da CSL. Apresenta seu entendimento em extenso arrazoado, e assevera ser dever do julgador administrativo, nos termos do art. 2°, parágrafo único, da Lei n. 9.784, de 29.14.1999, emitir julgamentos com base no principio da legalidade, impondo-se a verificação da validade do art. 74 à luz do art. 43 do Código Tributário Nacional Estrutura sua tese em cinco pontos fundamentais: 1) conceito de patrimônio; 2) necessária disponibilidade de renda; 3) necessidade de ato jurídico praticado pela investida no exterior, de distribuição dos seus lucros (ou de parte deles) para a sua investidora no Brasil; 4) a interpretação do MEP como mero critério econômico de avaliação de investimentos para fins contábeis; e 5) as hipóteses de disponibilidade decorrentes do art. 10 da Lei n° 9.537/97. Conclui que o art. 74 da Medida Provisória n. 2.158-35 atropela todo o ordenamento jurídico, em evidente abuso no poder de legislar, com fins exclusivamente arrecadatórios. Defende, ainda, a compensação do imposto pago no exterior, apontando erros na interpretação da prova trazida em impugnação, que se prestaria a demonstrar a composição do imposto pago no exterior e a declaração dos respectivos valores ao fisco paraguaio, mediante apresentação dos próprios documentos de arrecadação de tal imposto. Ressalta que a autoridade julgadora não poderia se furtar a tal exame, mormente se a Fiscalização desprezou o direito da recorrente a compensação de tal imposto, sem mencionar ou emitir qualquer juizo de valor sobre este direito. Cita acórdão deste Conselho apontando o dever da DRJ retificar erros da fiscalização, de não compensar prejuízos fiscais, e anota que não cumprindo o dever presente nestes autos, a autoridade julgadora acabou incorrendo em nulidade, ao deixar de apreciar todos os elementos de prova carreados aos autos. Assevera que o exame não foi realizado, ante a afirmação lacônica de que eles não pareciam corresponder a valores efetivamente recolhidos, invoca o principio da verdade material, transcreve ementas de julgados administrativos neste sentido e ressalva a declaração de nulidade da decisão recorrida na medida em que a causa está madura para pronto julgamento de seu mérito, inclusive em favor da recorrente. Isto também porque o art. 16, §2° da Lei n° 9.430/96 dispensou as exigências contidas no §2° do art. 26 da Lei n° que quando a prova do pagamento se façapor meio do documento de arrecadação que f r apresentado, como já reconhecido em acórdão deste Conselho. Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 7 Cita também acórdão deste Conselho que admitiu a dedução do imposto ante a demonstração da efetividade das operações, inclusive por lançamentos contábeis, demonstrando que o ordenamento jurídico não tolera forrnalismos excessivos. Por fim, opõe-se à aplicação de juros sobre a multa de oficio, defendendo que inexiste previsão legal para tanto, e reportando-se à jurisprudência administrativa favorável sua tese. 6 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 8 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente aponta vários aspectos que ensejariam nulidade do lançamento, inicialmente mencionando que a descrição dos fatos e fundamentos legais são imprecisos e não permitem a exata compreensão das acusações fiscais. Afirma que teve que adivinhar determinados fatos e a respectiva infração imputada pela fiscalização, complementando que as disposições legais arroladas pelo autuante não foram relacionadas com a situação da recorrente. Disse que os cálculos foram apresentados sem maiores esclarecimentos, inclusive contendo equívocos relacionados à quantificação da matéria tributária. Ademais, não teria sido informada a data considerada para fins de aplicação da taxa de câmbio, nem indicada a razão social da controlada cujos lucros foram tributados. Verifica-se nos autos que, intimada a demonstrar, dentre outros aspectos, as participações empresariais no exterior, dos anos-calendário de 2003, inclusive, em diante e demonstrativo de Lucros ou Prejuízos dessas entidades, para aquele mesmo período, assim como demonstrações financeiras (conta contábil a conta contábil) dessas entidades, na respectiva moeda original e tradução, informando critérios de conversão para R$ (Reais) das referidas demonstrações financeiras com detalhamento da metodologia utilizada, e comprovando o oferecimento de lucros do exterior a tributação, bem como os pagamentos de imposto de renda no exterior utilizado para deduzir o valor do tributo devido no Brasil, ou que tenham ficado pendentes para futuro aproveitamento (fls. 04/06 e 10/12), a contribuinte informou que (fls. 19/22): • Somente possuía participação empresaria de 94,98% na Companhia Transportes Aéreos Del Mercosur (MERCOSUR), com sede em Assunção no Paraguai, adquirida em 18/09/2003; • O demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados da MERCOSUR, bem como mapa de mutação do patrimônio liquido do ano-calendário de 2003 até 2007, em guaranis, integraria do "doc. 03" (fls. 141/146); • As demonstrações financeiras da MERCOSUR dos anos-calendário de 2003 a 2007, encerradas em 31 de dezembro de cada ano, consularizadas e notarizadas em moeda original, integrariam o "doc. 04" (fls. 100/110); • A tradução e conversão das demonstrações financeiras para reais seriam elaboradas com data-base de 30 de novembro de cada ano, com fins específicos de apuração e registro de equivalência patrimonial e consolidação de demonstrações financeiras, conforme "doc. 05" (fls. 111/140); 7 Processo n° 16643.000088/2009-81 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 9 • A MERCOSUR acumulara prejuízo contábil de 2003 a 2005, e em 2006 e 2007 os lucros superaram os prejuízos acumulados, mas como não houve pagamentos ou créditos de dividendos, não houve lucro auferido no exterior oferecido à tributação; • Os documentos comprobatórios dos pagamentos do imposto de renda no exterior integrariam o "doc. 12", mas seriam apresentados outros elementos até 30/06/2009. De toda sorte, não houve dedução do imposto devido no Brasil, em decorrência de não ter havido oferecimento de lucros do exterior a tributação. fl. 100, que capeia o conjunto de documentos referentes As demonstrações financeiras da MERCOSUR dos anos-calendário de 2003 a 2007, há anotação manuscrita, provavelmente feita pela Fiscalização, de valores associados As datas de 31/12/2003 (0,0004928), 31/12/2004 (0,0004367), 31/12/2005 (0,0003837), 31/12/2006 (0,0004135) e 31/12/2007 (0,0003753). Nos demonstrativos que compõe o "doc. 05" (fls. 112/140), anotações manuscritas ao final das conversões de itens patrimoniais de guaranis para reais evidenciam outros valores em novembro/2003 (0,0004916), novembro/2004 (0,0004607, 0,00054523, 0,0004094, 0,0004523), novembro/2005 (0,0003706 e 0,0004429), novembro/2006 (0,0004134 e 0,004128) e novembro/2007 (0,0003868 a 0,0003871, 0,0003588, 0,0004166 e outros). Com base nestas informações, embora apresentando cálculos dos resultados apurados pela investida no exterior de 2003 a 2007, a autoridade lançadora formalizou a exigência, apenas, relativamente a lucros que teriam sido auferidos no ano-calendário 2006, no valor de R$ 14.908.998,19. Diante deste contexto, não se justifica a arguição de nulidade fundada no fato de que não foi indicada a razão social da controlada cujos lucros foram tributados. Como visto, a contribuinte informou possuir, apenas, participação empresaria de 94,98% na Companhia Transportes Aéreos Del Mercosur (MERCOSUR), com sede em Assunção no Paraguai, e relativamente a esta controlada prestou as informações auditadas pela Fiscalização. Quanto A. alegada imprecisão da descrição dos fatos e fundamentos legais, tem-se que o Termo de Verificação Fiscal foi estruturado de modo a, primeiramente, abordar o entendimento da Fiscalização a respeito da tributação de rendimentos auferidos no exterior (fl. 315). Neste sentido, a Fiscalização explicitou a evolução da legislação tributária em razão da Lei n° 9.249/95, da Instrução Normativa SRF no 38/96, da Lei n° 9.532/97 e, por fim, do art. 74, caput e parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, concluindo que: Fica claro que os lucros deveriam ser oferecidos à tributação pela disponibilização nos termos do art. I° da Lei n° 9.532/97. Para que não ficassem eternamente como lucros acumulados na controlada, a Medida Provisória em pauta tratou de fazer uma quebra, ou seja, até 2001 os lucros obrigatoriamente teriam que ser oferecidos a tributação no ano calendário de 2002, e do ano calendário de 2002 em diante, obrigatoriamente ser oferecidos no ano calendário de auferimento. Na seqüência, com vistas a definir a taxa de conversão da moeda, a autoridade fiscal reportou-se A. alteração do CTN promovida pela Lei Complementar n° 104/2001, observou que desde a Lei n° 9.532/97 o momento do fato gerador passou a ser data de auferimento do lucro pela disponibilização, de modo que a conversão deve ocorrer na data da disponibilização, inclusive em observância ao art. 143 do CTN. 7(7 8 Processo n° 16643.000088/2009-81 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 FL 10 Por fim, apresentou seus argumentos para concluir que a tributação deve incidir sobre o lucro real da investida, aduzindo que a Lei no 9.249/95 impõe a demonstração dos lucros auferidos no exterior segundo as normas brasileiras, devendo ser promovidos ajustes em razão da natureza do objeto desta legislação, que, no caso, é tributário. Acrescentou que a legislação em vários momentos reporta-se a adições e exclusões, e que os art. 4 °, §3° , e 7° , ambos da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, bem como o §2 ° do art. 1 0 da Lei n° 9.532/97 seriam provas em favor de seu entendimento. Por fim, indicou que deveriam ser adicionadas ao lucro contábil as provisões para devedores duvidosos, provisão para perdas fiscais e realização de reserva de reavaliação. Depois de anotar que os fundamentos mencionados eram aplicáveis, também, à CSLL, a autoridade lançadora detalhou os ajustes praticados a partir do lucro apurado antes do Imposto de Renda, para se chegar aos resultados tributados: LUCROS AJUSTADOS EM GUARANIS saldo 2003 -51.315.036.150 conversdo em reais LAIR 33.308.440.725 AJUSTE PDD -4.374.621.861 AJUSTE PDD 4.634.721.327 PROV CONT FISCAIS 5.200.000.000 MVOTO 04 38.758.540.191 38.768.540.191 SALDO 04 -12.556.495.959 LAIR 5.090.681.368 AJUSTE PDD -4.634.721.32 AJUSTE PDD 3.297.942.159 PROV CONT F1SCAIS 10.643.170.719 PROV CONT FISCAIS -5.200.000.000 MOVTO 05 9.197.072.919 9.197.072.919 SALDO 05 -3.359.423.040 LAIR 39.783.179.301 AJUSTE PDD -3.297.942.159 AJUSTE PDD 3.314.694.177 PROV CONT FISCAIS -10.643.170.719 PROV CONT FISCAIS 9.596.487.80. DEPR REAV 661.793.000 MOVTO 06 39.415.041,406 39.415.041.40. SALDO 06 36.055.618.366 0,0004135 14.908.998,19 LAIR 22.009.679.877 AJUSTE PDD -3.314.694.177 AJUSTE PDD 3.003.499.395 PROV CONT FISCAIS -9.596.487.80. PROV CONT FISCAIS 11.231.958.977 DEPR REA V -661.793.000 DEPR REAV 996.314.000 MOVTO 07 23.668.477.266 23.668.477.26. 0,0003753 8.882.779,52 SALDO 07 59.724.095.632 23.791.777,71 Nota-se que os valores utilizados para conversão do lucro ajustado em guaranis para reais são aqueles anotados de forma manuscrita à fl. 100: 31/12/2006 (0,0004135) e 31/12/2007 (0,0003753). No sitio do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br ) 60 o valor de R$ 0,0004135 está informado como taxa de venda para a moeda do Paraguai o 9 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 11 último dia útil de 2006 (29/12/2006), e da mesma forma o valor de R$ 0,0003753 para 31/12/2007. Considerando a argumentação fiscal no sentido de que a conversão dos lucros para reais deveria se verificar no momento do fato gerador, conclui-se que há coerência entre a argumentação e os valores utilizados. Quanto à falta de motivação direta para utilização daqueles valores na conversão, na medida em que se tratam de informações públicas, não se pode afirmar que tal omissão vicia o lançamento. Com referência aos demais valores, é possível estabelecer sua correspondência com os seguintes elementos dos autos: • Saldo de prejuízos em 2003, no valor de 51.315.036.150 guaranis: saldo inicial em 2004 de resultados acumulados informado no patrimônio liquido integrante do Balanço comparativo de 2004 e 2003 (fl. 103); • Lucro antes do imposto de renda no valor de 33.308.440.725 guaranis, em 2004: valor informado a titulo de ganancias antes del impuesto a la renta no demonstrativo Estado de Resultados de 2004 (fl. 103, verso); • Ajustes de PDD nos valor de -4.374.621.861 e 4.634.721.327 guaranis, em 2004: valores informados para os anos de 2003 e 2004, respectivamente, corno redutores de créditos a receber no Balance General de 2004 (fl. 101), sendo que o valor relativo a 2003 está também informado na tradução das demonstrações financeiras de dezembro/2003 sob o titulo Prevision Gestion de Cobro (fl. 112) • PROV CONT FISCAIS no valor de 5.200.000.000 guaranis, em 2004: valor informado no grupo de Otros passivos no Balance General de 2004 (fl. 103) e na tradução das demonstrações financeiras de 30/11/2004, sob o titulo provisões para contingências fiscais (fl. 122); • Lucro antes do imposto de renda no valor de 5.090.681.368 guaranis, ern 2005: valor informado a titulo de ganancias antes del impuesto a la renta no demonstrativo Estado de Resultados de 2005(fl. 106); • Ajustes de PDD nos valor de —4.634.721.327 e 3.297.942.159 guaranis, em 2005: valores informados para os anos de 2004 e 2005, respectivamente, como redutores de créditos a receber no Balance General de 2005 (fl. 105); • PROV CONT FISCAIS nos valores de -5.200.000.000 e 10.643.170.719 guaranis, em 2005: valores informado no grupo de Otros passivos no Balance General de 2005, nas colunas 2004 e 2005, respectivamente (fl. 106); ▪ Lucro antes do imposto de renda no valor de 39.783.179.301 guaranis, em 2006: valor informado a titulo de ganancias antes del 10 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 12 impuesto a la renta no demonstrativo Estado de Resultados de 2006 (fl. 108); 6 Ajustes de PDD nos valor de —3.297.942.159 e 3.314.694.177 guaranis, em 2006: valores informados para os anos de 2005 e 2006, respectivamente, como redutores de créditos a receber no Balance General de 2006 (fl. 107); • PROV CONT FISCAIS nos valores de -10.643.170.719 e 9.596.487.806 guaranis, em 2006: valores informado no grupo de Otros passivos no Balance General de 2006, nas colunas 2005 e 2006, respectivamente (fl. 108, verso); • DEPR REAV no valor de 661.793.000 guaranis, em 2006: valor informado na tradução das demonstrações financeiras de 30/11/2006, sob o titulo Depreciação Acumulado Reavaliação Imóveis (fl. 132). Aqui, também, os apontamentos da autoridade lançadora são coerentes com os argumentos abordados preliminarmente no Termo de Verificação Fiscal, e os valores considerados em seu demonstrativo têm respaldo nos documentos apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal. Inadmissível, portanto, a existência de impedimento à exata compreensão das acusações ,fiscais, mormente tendo em conta que a Fiscalização valeu-se, exclusivamente, de elementos fornecidos pela autuada em razão de intimação especifica para aferição dos lucros que, auferidos no exterior, estariam sujeitos à tributação no Brasil. E certo que a acusação não foi construída por meio da exposição de um silogismo perfeito, mas nem por isso é possível afirmar que as disposições legais arroladas pela Fiscalização nab foram relacionadas com a situação da recorrente. Os fundamentos legais apontados guardam perfeita relação com a conclusão fiscal, ainda que a abordagem do direito e dos fatos tenham sido feitas separadamente, uma da outra. Estão atendidas, portanto, as exigências do Decreto n° 70.235/72, no que tange à exposição dos fundamentos do lançamento: Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. (negrejou-se) No mais, a regularidade dos cálculos e a validade da conclusão fiscal são aspectos que dizem respeito ao mérito da exigência e serão, adiante, apreciados. Ademais, como visto, os ajustes procedidos ao lucro contábil estão especificados, de modo que 11 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 13 interpretação distinta da adotada pela autoridade lançadora resultaria, tão so, no ajuste da base de cálculo do lançamento, não sendo suficiente para tornar o trabalho fiscal imprestável. Por estas razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. Antes de passar â. apreciação do mérito, importa registrar o entendimento desta Relatora, minoritário nesta Turma de Julgamento, em favor do sobrestamento do presente julgamento, em razão do que dispõe o art. 62-A, §1 ° do Anexo II do Regimento Interno do CARF, depois da alteração promovida por meio da Portaria MF n° 586/2010. Verifica-se no sitio do Supremo Tribunal Federal que o art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, fundamento legal da presente exigência, teve sua validade questionada por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIn n° 2.588, cujo julgamento encontra-se suspenso desde 17/08/2011, para colher o voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Contudo, em decisão publicada em 02/05/2012, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria, no âmbito do Recurso Extraordinário n° 611.586 e, embora o reconhecimento de repercussão geral no processo não enseje, automaticamente, o sobrestamento de recursos extraordinários com fundamento ern idêntica controvérsia, houve decisão nos autos do Recurso Extraordinário n° 574.975, na qual o Ministro Ricardo Lewandowski assim firmou: Trata-se de recurso extraordinário em que se discute a constitucionalidade do caput e do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória 2.158-35/2001. O Plenário desta Corte, em 20/8/2008, ao apreciar Questão de Ordem suscitada no RE 540.410/RS, Rel. MM. Cezar Peluso, decidiu estender a aplicação do art. 543-B do Código de Processo Civil aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário, ainda que interpostos contra acórdãos publicados antes de 3 de maio de 2007. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 611.586-RG/PR, Rel. MM. Joaquim Barbosa). Isso posto, afasto o sobrestamento de fi. 250 e determino, coin fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTE, a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543-B do CPC, visto que neste apelo extremo discute-se questão que será apreciada no RE 611.586-RG/PR. Considerando que interpretações exteriorizadas em recentes decisões do Supremo Tribunal Federal acerca de seu Regimento Interno não permitem mais cogitar de sobrestamento de julgamento de recursos extraordinários no STF sem devolução dos autos para que os Tribunais de origem lá mantenham sobrestados os processos, há sobrestamento do julgamento dos recursos administrativos quando o Supremo Tribunal Federal determinar o sobrestamento do julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Evidenciado que o procedimento previsto no art. 543-B do Código de Processo Civil está sendo observado pelo Supremo Tribunal Federal relativamente A, questão constitucional aqui em debate, e considerando que os autos do Recurso Extraordinário n° 611.586 estão conclusos ao Relator, aguardando julgamento, o presente voto é no SOBRESTAR a apreciação do recurso voluntário presente nestes autos. 0-0 12 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT1 Acórddo n.° 1101-000.845 Fl. 14 Na medida em que a Turma não acolhe esta proposta de sobrestamento, passa-se ao exame do mérito da exigência. Inicialmente no que se refere h impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSL sobre lucros ainda não disponibilizados, por ofensa ao principio da legalidade, em face do art. 43 do Código Tributário Nacional, cumpre observar que o art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 foi editado depois de promovidas as necessárias alterações no Código Tributário Nacional, que passou a assim dispor: Art. 43. 0 imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § .1' A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) § 2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dal-6 sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) A lei, até então, determinava a tributação dos lucros auferidos por intermédio de investidas no exterior em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (art. 1 0 , caput, da Lei n° 9.532/97), fixando como momento do fato gerador, além da distribuição efetiva dos lucros, outras circunstâncias nas quais fosse possível presumir esta distribuição. 0 art. 74 da Medida Provisória n°2.158-35/2001, por sua vez, não criou uma nova incidência tributária, mas apenas alterou o critério temporal da hipótese de incidência estabelecida desde a Lei n° 9.249/95, relativamente à distribuição de lucros auferidos no exterior, ao determinar que ela se completaria na data do balanço no qual tiverem sido apurados aqueles lucros. A norma em questão não alterou os contornos gerais da incidência: lucros auferidos no exterior e disponibilizados à controladora ou coligada; apenas estabeleceu uma ficção quanta ao momento de distribuição dos lucros. De outro lado, se esta alteração do Código Tributário Nacional ou a ficção estabelecida no art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 são incompatíveis com o conceito de renda ou de lucro, materialidades constitucionalmente previstas para incidência do IRPJ e da CSLL, não se pode olvidar que o CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF n° 2). Quanto aos ajustes feitos pela Fiscalização, sob a justificativa de que a tributação, no Brasil, deveria incidir sobre o lucro real da investida, correto o entendimento fixado pela autoridade julgadora de l a instância: a própria IN n°213, de 2002, já reproduzida, deixa claro, no sç' 7° do art. 1°, bem como no art. 6°, e seus parágrafos, que o montante a ser adicionado ao lucro liquido será considerado pelo seu valor antes de descontado o tributo pago no pais de origem, o qual corresponde ao resultado informado em balanço, e não ao lucro real ou a base de cálculo ajustada, como entendeu o autuante. 13 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 15 Os dispositivos referidos estão assim redigidos: Art. 1° Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos et incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), na forma da legislação especifica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. ,sç 1° Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. [--.1 sç 4° Os lucros de que trata este artigo serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente ã sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. sS: 5° Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo pat's, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no sç 5° do art. 4° desta Instrução Normativa. [...] § 7' Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no pais de origem. {...] Art. 6° As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do pais de seu domicilio. [-.-] sç 3' A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomando-se por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do pais onde estiver domiciliado a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada. Toda a legislação que antecede o art. 74 da Medida Provisória n° 2.158- 35/2001 trata, apenas, da disponibilizaçAo de lucros auferidos por filiais, S'UCLIKSYliS ou controladas, no exterior. 0 art. 25, §3 °, inciso I da Lei n° 9.249/95 diz textualmente que os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balancetes levantados pela coligada no curso do período-base da pessoa jurídica, ao passo que o §2°, inciso I desse mesmo dispositivo, ao exigir que as investidas demonstrem a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira, busca apenas compatibilizar o lucro passível de distribuição, ou se o contábil, com as normas brasileiras. 14 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI -C IT1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 16 As referências a adições e exclusões presentes na lei, mencionadas pela Fiscalização, dizem respeito à forma de cômputo destes resultados no lucro tributável da empresa brasileira, e não guardam qualquer relação com a apuração de tributos pela investida no exterior. Ademais, a lei reporta-se apenas a demonstrações financeiras e balanços, os quais, por natureza, decorrem, apenas, de registros contábeis, e prestam-se a representar as alterações no patrimônio da investida, as quais não se confundem com o lucro considerado tributável, que muito pode se distanciar do montante passível de disponibilização por incorporar efeitos de isenções de resultados, indedutibilidade de dispêndios, postergações e antecipações de receitas ou despesas. Inclusive, a possibilidade de dedução dos prejuízos antes da apuração do valor tributável, considerado disponibilizado, assemelha-se à determinação incorporada à nossa legislação societária, que veda a distribuição do lucro antes de deduzidos os prejuízos acumulados de períodos anteriores. É o que consta da Lei n° 6.404/76: Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Por esta razão o art. 4 °, §3° da Instrução Normativa SRF n° 213/2002 expressamente declara que nesta compensação de prejuízos não se aplica o limite de 30% previsto no art. 15 da Lei n° 9.065/95, pertinente apenas na apuração do lucro tributável, e no Brasil. Cabe, assim, a recomposição da base tributável, excluindo os ajustes ao lucro contábil promovidos pela autoridade lançadora. Ao assim proceder, disse a autoridade julgadora de l a instância: Entretanto, os ajustes efetuados pelo autuante redundarani em redução do montante objeto do auto de infração, já que, em 31/12/2006 foi apurado um lucro líquido no total, em guaranis, de 39.783.179.301,00 (fl. 110) e, após os ajustes, foi lançado como base tributável o montante de 36.055.618.366,00 guaranis, correspondente a R$14.908.998,19 07. 317), devendo ser mantido o valor tributável lançado, em função da impossibilidade de agravamento da exigência pelo órgão julgador. Todavia, os julgadores de 1a instância não observaram que a apuração fiscal teve em conta, também, os ajustes feitos nos anos-calendário 2004 e 2005, que elevaram o lucro apurado, compensado com os prejuízos acumulados até 2003. Em 2004 e 2005, a exclusão dos ajustes resulta em redução dos lucros apurados e, por conseqüência, em disponibilização de parte dos prejuízos com eles compensados, que pode ser, assim, utilizado para reduzir o lucro de 2006, e a base tributável adotada no lançamento, de R$ 14.908.998,19 para R$ 11.109.614,18. Veja-se: LUCROS AJUSTADOS EM GUARANIS saldo 2003 LAIR MVOTO 04 -51.315.036.150 33.308.440.725 33.308.440.725 33.308.440.725 conversão em reais — 15 Processo Acórdão n° 16643.000088/2009-81 n.° 1101-000.845 SALDO 04 -18.006.595.425 SI -C IT I Fl. 17 LAIR 5.090.681.368 MOVTO 05 5.090.681.368 5.090.681.368 SALDO 05 -12.915.914.057 LAIR 39.783.179.301 MOVTO 06 39.783.179.301 39.783.179.301 SALDO 06 26.867.265.244 0,0004135 11.109.614,18 Aduz a recorrente que esta interpretação equivocada na quantificação da matéria tributável deixa evidente a precariedade do lançamento, por evidente erro na valoração da exigência, o que a torna imprestável. Por esta razão novamente pede a declaração de nulidade do lançamento, citando jurisprudência neste sentido. Como já dito, na medida em que a autoridade lançadora descreveu os fatos que motivavam a exigência e especificou os elementos que integrariam a determinação da base tributável, atendendo as exigências do art. 10 do Decreto n° 70.235/72, a discordância em relação a estes ajustes, mormente tendo em conta que eles estão especificados no lançamento, conduz a mero reajustamento da base de cálculo, que pode ser promovida em julgamento com a exoneração do crédito tributário correspondente, sem qualquer inovação que enseje cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. A abordagem do Acórdão n° 203-10.576, citado pela recorrente, baseia-se no Parecer COSIT n° 09/99, o qual, em essência, demonstra que há outras causas de nulidade do lançamento além daquela tratada no art. 59 do Decreto n° 70.235/72 (incompetência do agente). Admite-se o entendimento, ali expresso, de que um ato exteriorizado por uma forma absolutamente irregular, especialmente no que tange à descrição dos fatos e fundamentação legal, não pode ser considerado válido apenas por ter sido lavrado por autoridade competente. Porém, no presente caso, a autoridade lançadora limitou-se a fazer ajustes ao lucro contábil, antes de submetê-lo à tributação prevista em lei, os quais podem ser afastados sem qualquer ingerência na forma de apuração do crédito tributário ou em sua periodicidade, como foi o caso concreto analisado no acórdão referenciado pela defesa. A matéria que se reputa tributável — o lucro contábil — foi identificada pela autoridade lançadora, que o distinguiu dos ajustes feitos para apurar o lucro considerado tributável, permitindo a recomposição da base de cálculo do lançamento durante o contencioso administrativo. Distinto também se mostra o caso tratado no acórdão n° 1402-00.538, invocado em memoriais. Ali, declarou-se a nulidade do lançamento ao se constatar que a glosa de prejuízos e bases negativas compensados em indevidamente resultara de precário procedimento fiscal assim consubstanciado: Compulsando os autos até o termo de encerramento de ação fiscal, o processo conta corn apenas 44 páginas. Não '16 termo de inicio de ação fiscal ou qualquer intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos, tudo foi feito coin base nas informações internas da RFB, porém não foi juntada urna imica cópia de DIPJ. [..-] Ora, a toda evidência os demonstrativos dos sistemas da Receita Federal de controle de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, tomados como parte integrante do auto de infração, não possuem notas explicativas suficiente adequadas para esclarecer a origem dos valores. 16 Processo n° 16643.000088/2009-81 81-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.845 Ft. 18 A Fiscalização deveria ter juntado além dos demonstrativos do Sapli as DIPJ, autos de infração e demais decisões que embasarani seus cálculos e, principalmente, demonstrar adequadamente a origem das divergências encontradas. Já nos outros dois acórdãos mencionados em memoriais, o contexto foi o seguinte: 1) Acórdão n° 105-17.373: houve arbitramento de resultado auferido em contrato especifico ante a omissão da contribuinte em prestar tais informações, e a Câmara, cancelou integralmente a exigência por discordar dos critérios da Fiscalização para este arbitramento, único item na apuração da base tributável; 2) Acórdão n° 108-08.865: houve incompatibilidade entre o coeficiente de determinação do lucro presumido e a base de cálculo sobre a qual ele foi aplicada, adotando-se premissas distintas para a definição destes itens do calculo do lucro tributável. Nenhuma das hipóteses aventadas pela recorrente, portanto, apresenta o detalhamento da apuração da base tributável questionada nestes autos, hábil a permitir sua reconstituição apenas com a exclusão dos itens indevidamente nela computados. Assim, não prospera a arguição de nulidade, sendo pertinente, apenas, a redução da base imponivel relativamente ao período autuado. Por estas razões, relativamente à apuração da base tributável, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para rejeitar a argüição de nulidade do lançamento e reduzir a base tributável R$ 11.109.614,18. Quanto ao imposto pago no exterior, tem razão a recorrente quando menciona que a Fiscalização desprezou seu direito à compensação de tal imposto, sem mencionar ou emitir qualquer juizo de valor sobre este direito. Corno antes dito, a Fiscalização intimou a contribuinte a apresentar a comprovação dos pagamentos de imposto de renda no exterior utilizado para deduzir o valor do tributo devido no Brasil, ou que tenham ficado pendentes para futuro aproveitamento (fls. 04/06 e 10/12). Contudo, mesmo discordando da conduta da contribuinte de não oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior, e assim também não deduzir o imposto de renda comprovado por meio dos elementos que integrariam o "doc. 12" de sua resposta à intimação, a autoridade lançadora não apresentou qualquer objeção à dedução destes valores, bem como não desconstituiu os elementos que lhe foram apresentados. Não há, nos autos, um conjunto de documentos capeado sob a indicação "doc. 12", mas a contribuinte expressamente afirma na resposta à intimação de fl. 21, o que segue: 8. Em atendimento ao Item "A13" do Termo de Intimação, a Intimada apresenta os documentos comprobatórios dos pagamentos do imposto de renda no exterior (doc. 12), devidamente notarizados e consularizados. Os comprovantes de recolhimento do "Impuesto a la Renta Exterior" e "Impuesto a la Renta Presunto", cujas cópias anexadas são extraídas dos controles da controlada, serão entregues ate 30 de junho de 2009, pois a Intimada aguarda receber referida documentação legalizada do exterior. certo que referida resposta foi recebida sem conferencia do conteúdo, como atesta o carimbo de II. 19, mas o segundo Termo de Intimação n° 2, lavrado após o recebimento 17 Processo no 16643.000088/2009-81 SI-CI T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 19 daquela resposta, e mesmo o Termo de Verificação Fiscal, não veiculam qualquer objeção ao que foi afirmado pela contribuinte fiscalizada. Os elementos trazidos pela recorrente em sua impugnação revelam uma coerência interna, mas apresentam algumas divergências em relação às informações inicialmente juntadas pela autoridade lançadora. As fls. 384/445 são compostas de reprodução digital de cópias autenticadas de guias de apuração de imposto de renda paraguaio, que correspondem à síntese contida d fl. 383. Nesta, a contribuinte descreve as apurações mensais de imposto devido que, confrontado com retenções e pagamentos, resultam em saldo a recuperar ou a pagar, os quais coincidem com os informados nas guias antes referidas. Todavia, os totais anuais de imposto devido, indicados no documento de fl. 383, somente coincidem com as informações apresentadas d. Fiscalização relativamente aos anos-calendário de 2004 e 2007, para os quais constam, respectivamente, às fl. 102 e 110, os montantes devidos de 166.999.321 e 1.069.558.664 guaranis no régimen presunto. Nos demais períodos, a informação a este mesmo titulo, contida nas demonstrações financeiras apresentadas à Fiscalização, não coincidem com os valores indicados nas guias de apuração juntadas com impugnação, conforme a seguir demonstrado: Período Proc. Fiscal fls. Impugnação 115.826.993 2003 N/C - 2004 166.999.321 102 166.999.321 2005 1.108.515.513 106 1.661.967.382 2006 2.096.616.444 108 1.128.362.738 2007 1.069.558.664 110 1.069.558.665 Desnecessário, porém, questionar qual valor deveria prevalecer, bem como aferir a regularidade formal da prova apresentada em impugnação, pois, como já se disse, adota-se aqui, como premissa, que o art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 trata de incidência tributária sobre dividendos, ou seja, lucros fictamente disponibilizados, razão pela qual a base de cálculo a ser adotada, em tais circunstâncias, é necessariamente o lucro contábil, cabendo complementar que este deve ser considerado reduzido dos tributos devidos pela pessoa jurídica no pais de origem, de modo a apresentar apenas o montante passível de disponibilização. Esta conclusão está fundamentada em análise exposta no voto condutor do Acórdão n° 1101-00.365, no qual estava em debate a aplicação de Tratado para evitar dupla tributação, fumado entre Brasil e o Estado no qual estava localizada a controlada que auferira os lucros tributados naqueles autos. Relevante, ainda, verificar se a sistemática adotada pelos Estados Contratantes para neutralizar os efeitos da dupla tributação gera repercussões na presente exigência. Para maior clareza, os dispositivos aplicáveis são novamente reproduzidos: [..-1 Nestes termos, a regra fixada entre os Estados Contratantes é a tributação dos dividendos no Estado onde se situa o beneficiário destes rendimentos. Contudo, corn determinados limites, admite-se também a tributação no Estado de que é residente a sociedade que paga os dividendos. Para evitar a dupla tributação, adota-se a 18 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 20 técnica do crédito indireto, ou seja, a dedução do imposto exigível pelo outro Estado Contratante. Ou seja, apurado o tributo devido sobre os dividendos disponibilizados a empresa brasileira, deve-se deduzir uma importância igual ao imposto sobre o rendimento pago nesse outro Estado, até o limite da fração do imposto sobre os rendimentos, calculado antes da dedução. Todavia, como expresso no item 5 do Artigo 10" da Convenção, ao Estado português foi vedado tributar, como dividendos pagos, os lucros não distribuídos. Assim, na medida em que a presente exigência se deu por ficção de disponibilização, em 2002, de lucros apurados pela controlada de 2000 a 2002, não há porque se cogitar de imposto que, exigível ou pago em Portugal, fbsse passível de dedução dos tributos aqui lançados. [.-.] Tal contexto, em verdade, revela uma lacuna no acordo estabelecido entre os Estados brasileiro e português: ao vedar a tributação de lucros não distribuídos apenas no Estado no qual eles são apurados, não se cogitou da incidência tributária no Estado no qua! se situam os sócios — até porque esta ficção só foi trazida posteriormente, pela Medida Provisória n° 2.158-35/2001 —, e assim não foi prevista uma técnica para neutralizar os efeitos de uma posterior exigência tributária por parte do Estado português, quando da efetiva distribuição dos lucros. 0 crédito indireto somente foi estabelecido para as hipóteses nas quais a incidência tributária, por parte do Estado português, antecedesse a incidência tributária no Estado brasileiro, ou com ela fosse concomitante. Em conseqüência, se ern momento futuro, verificar-se a efetiva disponibilização dos dividendos, e confirmar-se a exigibilidade de tributo pelo Estado português em face da controladora, será preciso definir quais as repercussões do tributo antecipadamente exigido pelo Estado brasileiro. [..-] Contudo, importa ainda determinar se está correta a interpretação de que os lucros fictamente disponibilizados equivalem aqueles apurados pela controlada antes da incidência de tributos no pais de sua sede. Recorde-se que a dedução destes impostos constituiu infração especifica imputada a fiscalizada no ano-calendário 2002, consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal àfl. 380: [...] Como se vê, para fundamentar a incidência sobre o valor dos lucros antes de descontado o tributo pago no pais de origem, a autoridade lançadora vale-se de dispositivo inserido no art. 1", §7" da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, que trata de incidência distinta daquela versada nestes autos, objeto do art. 2" do referido ato normativo: Art. V Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), na forma da legislação especifica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. sç 72 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pogo no pais e origem. 1 9 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 21 [...1 Art. 22 Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § ]2 No caso de encerramento do processo de liquidação da empresa no Brasil, os recursos correspondentes aos lucros auferidos no exterior, por intermédio de suas filiais, sucursais, controladas e coligadas, ainda não tributados no Brasil, serão considerados disponibilizados na data do balanço de encerramento, devendo, nessa mesma data, serem computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 22 No caso de encerramento de atividades da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliadas no exterior, os lucros auferidos por seu intermédio, ainda não tributados no Brasil, serão considerados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do respectivo ano- calendário ou na data do encerramento das atividades da empresa no Brasil. § 32 Os lucros ainda não tributados no Brasil, auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliadas no exterior, cujo patrimônio for absorvido por pessoa jurídica sediada no Brasil, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, serão computados para fins determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano- calendário do evento. § 42 No caso de cisão, total ou parcial, a responsabilidade da cindida e de cada sucessora será proporcional aos valores do patrimônio liquido remanescente e absorvidos. § 52 Ocorrendo a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil, apurados até a data do evento, serão considerados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário do respectivo evento. § 62 Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser considerados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da alienante no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que ocorrer a alienação. § 72 Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização prevista nesta instrução Normativa. Somente se poderia cogitar da tributação integral do lucro apurado pela controlada se a incidência se verificasse sobre o próprio lucro. Contudo, por tudo até aqui exposto, o IRPJ e a CSLL incidem sobre os lucros fictamente disponibilizados, ficção esta que opera quanto ao momento da disponibilização, e não surte efeitos sobre a materialidade do fato gerador, a qual permanece limitada ao montante passível de distribuição, ou seja, ao valor liquido após dedução dos tributos incidentes sobre o lucro no pais de origem. 20 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. "Y) Possivelmente quando o ato normativo tratou do cômputo de lucros, rendimentos e ganhos de capital pelo valor antes de descontado o tributo pago no pais de origem, cogitava-se da incidência de tributo sobre o próprio rendimento a ser oferecido a tributação no Brasil, cuja compensação, inclusive, foi expressamente trazida no art. 14 da mesma Instrução Normativa. Certamente os tributos incidentes sobre os lucros da controlada não estão contemplados nesta previsão de dedução, e assim também não integram o montante a ser oferecido a tributação na forma do art. 74 da Medida Provisória n°2.158-35/2001. Ainda, nesta sessão de julgamento, respondendo questionamento especifico de outra contribuinte em litígio semelhante, esta Relatora assim complementou em voto que integra o Acórdão n° 1101-000.836: Ocorre que o fato de a legislação não ser expressa quanto ao procedimento a ser adotado em caso de incidência tributária posterior sobre os dividendos efetivamente distribuídos não significa que inexista solução prática para a questão, mas apenas que ela deverá ser construída por meio da interpretação. No presente caso, di: o parágrafo 5 do Artigo 23 da Convenção firmada entre Brasil e Poises Baixos que o Brasil deve permitir como dedução do imposto de renda devido pela empresa brasileira um valor igual ao imposto de renda pago na Holanda, mas limitado A parcela do imposto que seria devido antes da inclusão do crédito correspondente aos rendimentos que podem ser tributados na Holanda. Se no período de apuração no qual os dividendos fictamente disponibilizados são tributáveis esta dedução não é possível, ela deverá ser viabilizada no moment() em que disponibilização efetiva e a correspondente tributação no exterior ocorrer, observando como limite o imposto que foi devido no momento da inclusão do crédito correspondente aos dividendos fictos. Ou seja, o Estado brasileiro deve suportar o ônus deste crédito em favor da autuada a partir do momento em que ele seja constituído, e até o limite definido em razão dos parâmetros presentes no momento em que os dividendos são submetidos a tributação. Esclareça-se que, em tais condições, o limite temporal previsto no art. 1°, §4 0 da Lei n° 9.532/97 somente poderia ser cogitado a partir da incidência tributária sobre Os rendimentos no exterior. A recorrente reportou-se a este aspecto em memoriais, e a referida lei assim estabelece: Art. 1° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001) § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: I- I § 4' Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano-calendari subseqüente ao de sua apuração. b..] 21 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CITI Acórddo n.° 1101 -000.845 Fl. 23 Contudo, outro era o contexto legal para tributação de lucros no exterior, que aquela época vinculava a incidência, no Brasil, a disponibilização efetiva ou presumida de lucros pela controlada ou coligada no exterior, ao contrário da disponibilização ficta vigente a época dos períodos fiscalizados. Diante daquelas premissas, a lei estabelece um prazo para que o beneficiário, ciente do crédito, dele faça uso em até dois anos-calendário. Evidente, portanto, que este prazo não ocorre enquanto a possibilidade de creditamento não existe. E, a semelhança do caso concreto analisado no Acórdão n° 1101-00.365, nestes autos também não há noticia de que esta incidência sobre a disponibilização efetiva de dividendos tenha ocorrido, de modo que inexiste qualquer repercussão deste fato na presente exigência, o que torna este Órgão julgador incompetente para decidir antecipadamente a questão. Pertinente ainda observar que a conclusão aqui adotada não representa desrespeito interpretação de boa fé exigida pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, da qual o Brasil é signatário (Decreto n° 7.030/2009), como aventa a recorrente em seus memoriais. Se eni algum momento foi atribuído ao termo "dividendos" sentido totalmente alheio ao comum, isto se deu corn a edição da Medida Provisória n°2.158-35/2001, que firmou a disponibilização ficta dos lucros auferidos no exterior. Estando assim expresso no texto legal, a possibilidade da incidência tributária aqui veiculada, seu cabimento exsurge do conteúdo do acordo firmado entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos, que não vedou expressamente esta tributação. Logo, qualquer critica ao sentido atribuído ao termo "dividendos" deve ser fella ao legislador, não cabendo a este Conselho Administrativo decidir sobre a validade da norma legal que fundamenta a exigência. E, neste sentido, vê-se nas demonstrações financeiras apresentadas à Fiscalização que, além do imposto alegado pela interessada — acerca do qual verificam-se as divergências antes apontadas — há outras provisões de imposto sobre a renda, que reduzem o resultado do período de modo que o valor acumulado no patrimônio liquido ao final de cada ano-calendário é assim demonstrado: Ano Demonstração do Resultado Balanço Lucro Liquido Impuesto a la renta Fls. Resultado do Exercício Fls. Exterior Presunto Normal 2004 33.308.440.725 2.665.819.352 179.784.746 - 103-v 30.462.836.627 103 2005 5.090.681.368 1.506.967.284 1.108.515.513 - 106 2.475.198.571 106 2006 39.783.179.301 2.678.952.461 2.096.616.444 315.213.196 108 34.692.397.200 108 Por todo o exposto, ante a premissa de que a incidência aqui em debate se verifica sobre lucros fictamente disponibilizados em razão de determinação legal, somente há, nos autos, substrato fático que autoriza tomar como base tributável o valor liquido do resultado do exercício, agregado ao patrimônio liquido, ao final do ano-calendário 2006, depois de o prejuízo acumulado em 2003 ter consumido os resultados líquidos dos períodos subseqüentes como a seguir demonstrado: If 22 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI-CITI Acórdão n.° 110E-000.845 Fl. 24 LUCROS AJUSTADOS EM GUARANIS saldo 2003 -51.315.036.150 conversão em reais LAIR 30.462.836.627 MVOTO 04 30.462.836.627 30.462.836.627 SALDO 04 -20.852.199.523 LAIR 2.475.198.571 MOVTO 05 2.475.198.571 2.475.198.571 SALDO 05 -18.377.000.952 LAIR 34.692.397.200 MOVTO 06 34.692.397.200 34.692.397.200 SALDO 06 16.315.396.248 0,0004135 6.746.416,35 Importante observar que a recorrente chega a argüir a nulidade da decisão recorrida, por deixar de apreciar todos os elementos de prova carreados aos autos. Na verdade, porém, as provas foram apreciadas, mas sob premissas legais das quais a interessada discorda. Assim, o debate passa a ser de mérito, inexistindo omissão que pudesse ensejar a nulidade argUida, que deve ser, assim, rejeitada. Quanto à regularidade da prova apresentada, como já dito, torna-se desnecessária a análise, ante as premissas adotadas para a incidência tributária aqui em debate. A autoridade julgadora de l a instancia invocou o requisito fixado no art. 26, §2 ° da Lei n° 9.249/95 ( "... o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto), ao passo que a recorrente afirma estar dispensada desta exigência em razão do art. 16, §2°, inciso II da Lei n° 9.430/96 ("... quando comprovar que a legislação do pais de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado"). Ademais, na medida ern que a interpretação aqui fixada enseja, em relação à base de cálculo antes apurada neste mesmo voto (R$ 11.109.614,18), a desconstituição de base de cálculo equivalente a R$ 4.363.197,83, e por conseqUência de crédito tributário principal correspondente a R$ 1.483.487,26 (consideradas as aliquotas de 15% de IRPJ, 10% de adicional de IRPJ e 9% de CSLL), a pretensão da recorrente é indiretamente atendida, na medida em que a dedução pretendida, a titulo de imposto de renda devido de 2003 a 2006, segundo a conversão em reais apresentada A. fl. 383, totalizaria R$ 1.262.597,06. Assim, relativamente A. dedução do imposto pago no exterior, o presente voto acaba por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas para reduzir a base tributável a R$ 6.746.416,35. Por fim, quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio, os argumentos da recorrente são rejeitados com fundamento nas razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Camara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão n° 9101-00.539: Coin a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, - o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. 23 Processo n° 16643.000088/2009-81 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 25 Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendê-los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Dai, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. 0 art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pogo integralmente no seu - vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimpleniento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "6 o vinculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Converte-se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN. [.-.] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1"). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agrega-se a multa de oficio, tomando-se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pogo do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. 24 Processo n° 16643.000088/2009-81 Sl-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 26 Os juros tnoratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatoria, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladatnente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 0 art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de - tributos e contribuições, alcança os débitos ern geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n°9.430, de 1996, art. 61). § 1 ° A multa de que trata este artigo sera calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 - previsto para o pagamento do imposto ate o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, § 1°). § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 2°). § 3 0 A multa de mora prevista neste artigo não ser á aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de oficio passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/04-00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. 0 crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "Sao devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir deposito no montante integral." 25 tt. ED LI PEREIRA BESSA — Relatora Processo n° 16643.000088/2009-81 Si -Cl Ti Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 27 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca-se na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para coin a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem-se a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572-8 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) brgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão-somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em divida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos taxa Selic. Assim, superadas as preliminares arguidas pela recorrente e aqui suscitadas, este voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a base tributável, no ano-calendário 2006, ao montante de R$ 6.746.416,35. 26 Processo n° 16643.000088/2009-81 SI -C IT I Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 28 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 0 art. 62-A, § 10 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF (Portaria MF n° 256/2009), estabelece o seguinte: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. (nossos grifos) § 2° 0 sobrestamento de que trata o § I° será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes. Conforme o texto do RICARF, para que o julgamento de recurso fique sobrestado no CARF, é preciso que o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Portanto, não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral (sistemática do artigo 543-B do CPC). Isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. E preciso ato especifico do STF sobrestando o julgamento da matéria no próprio STF, para que seja possível o sobrestamento do julgamento no CARF. Além disso, o processo administrativo é pautado pelo principio da celeridade processual, previsto no inciso LXXVIII do art. 5 0 da Constituição. Deste modo, o sobrestamento do julgamento no CARF só é possível nos exatos termos estabelecidos no RICARF, não havendo espaço para interpretação que desborde da letra do dispositivo. Ademais, diversos processos em julgamento no CARF estão vinculados a representações fiscais para fins penais, que só serão encaminhadas para o Ministério Público Federal após a decisão definitiva da administração que mantenha a exigência. Portanto, o sobrestamento de processos em julgamento no CARF pode levar à rescrição da ação penal. 27 Processo ri0 16643.000088/2009-81 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.845 Fl. 29 Dessarte, a interpretação proposta pela Relatora ultrapassa e letra do regimento interno e pode levar a um prejuízo do interesse público referente à celeridade processual e à punição penal. Por tais razões, voto por não sobrestar o julgamento do presente processo, eis que não estão presentes as circunstâncias exigidas no art. 62-A do RICARF. Sessão, 6 de dezembro de 2012. CARLOS EDUARDO D ALMEIDA GUERREIRO - REDATOR 28
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Numero do processo: 10783.720360/2012-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.326
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 60 /2 01 2- 67 Fl. 16915DF CARF MF Processo nº 10783.720360/201267 Acórdão n.º 9303008.326 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.780, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 16916DF CARF MF Processo nº 10783.720360/201267 Acórdão n.º 9303008.326 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 16917DF CARF MF Processo nº 10783.720360/201267 Acórdão n.º 9303008.326 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 16918DF CARF MF Processo nº 10783.720360/201267 Acórdão n.º 9303008.326 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 16919DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907107/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.798
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 10 7/ 20 12 -0 6 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.907107/201206 Resolução nº 3402001.798 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.907107/201206 Resolução nº 3402001.798 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.907107/201206 Resolução nº 3402001.798 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.907107/201206 Resolução nº 3402001.798 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.906135/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.048
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 35 /2 01 2- 31 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14059.010. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de COFINS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de COFINS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de COFINS; (v) tendo havido a redução do débito de COFINS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de COFINS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 406DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 408DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16682.906135/201231 Acórdão n.º 3201005.048 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920619/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2006
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.267
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 06 19 /2 01 2- 41 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02065.558, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920619/201241 Acórdão n.º 3402006.267 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 102DF CARF MF
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