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Numero do processo: 19647.001011/2008-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte e de seus dependentes, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-001.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$28.760,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente LUIS CORDEIRO DE BARROS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte e de seus dependentes, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$28.760,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 10 11 /2 00 8- 03 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 176 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 98/104), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$4.598,11 para saldo de imposto a pagar de R$20.092,00. A notificação noticia deduções indevidas com dependentes, de previdência privada e de despesas médicas e com instrução, consignando, que, intimado, o contribuinte não teria atendido à intimação. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 21/1/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 23/1/2008, às fls. 4/92 dos autos, no qual o contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória das deduções declaradas, requerendo a retificação de duas despesas. Ressalta que não teria recebido qualquer intimação. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls. 118/127): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. Somente pode ser considerado como dependente, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, quando restarem comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, as condições estabelecidas na legislação. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis do imposto apurado na declaração de ajuste anual os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes comprovados, até o limite anual individual de R$ 1.998,00. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 177 3 relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no Pais, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer integralmente a dedução com dependentes e com previdência privada e parcialmente as deduções de despesas médicas e com instrução. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 14/10/2008 (fl. 131), o contribuinte, em 11/11/2008 (fl. 172), apresentou recurso voluntário, às fls. 134/170, no qual alega, em apertado resumo, que: não seria legal a exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, por meio de cheques nominais ou extratos bancários. inexistiria lei que obrigasse os contribuintes a efetuar pagamentos sob determinada forma em detrimento de outra. no tocante aos recibos emitidos por Heitor Casado, o fato de a data estar sobreposta não invalidaria os recibos. Explica que os recibos teriam sido impressos previamente consignando o ano de 2004 pela pessoa jurídica da qual o profissional faz parte. O profissional teria se colocado à disposição para emitir novos recibos. Também não seria empecilho o fato do profissional não ser médico. No tocante aos profissionais Charles Souza e Ana Carvalho, seriam relativos a serviços prestados a ele próprio, não sendo despesas cobertas pelo seu plano. A profissional Valdira Vanderlei teria realizado tratamento na dependente Katarina. Os serviços da profissional Karina teriam sido prestados à dependente e realizados em domicílio, tratandose de escolha conferida aos contribuintes. Os serviços de Lucélia Cavalcante e de Rosa Agra teriam sido prestados à dependente Ercide. Estaria anexando laudo médicos que justificariam esses tratamentos. Os serviços de Maria Gomes teriam sido prestados às dependentes Katarina e Amanda. a escolha dos profissionais teria se dado por conveniência, não podendo ser questionada por análise subjetiva da autoridade fiscal. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 178 4 os recibos juntados preencheriam os requisitos legais, sendo perfeitamente válidos, assim como as declarações do IR dos profissionais. a decisão recorrida estaria impondo exigências não previstas na legislação de regência. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide O recorrente não recorreu da manutenção da glosa parcial das despesas com instrução, não cabendo análise da matéria por este colegiado. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Passo a análise das despesas médicas glosadas e dos documentos comprobatórios correspondentes. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 179 5 A decisão recorrida manteve as glosas, consignando: Karina Dias R$4.200,00 18. Os recibos de fl. 53 a 55, emitidos por Karina Andrade Dias, informam o valor total de R$ 4.200,00, relativo a sessões de fonoaudiologia domiciliar para melhoria de impostação vocal (sem especificar o paciente) e a sessões de fonoaudiologia domiciliar para tratamento de distúrbio de aprendizagem em Amanda Barros, indicando que oito sessões teria custado o valor de R$ 560,00 e nove sessões o valor de R$ 630,00. Observase que nos recibos de fl. 56 não foi indicado o beneficiário do tratamento e em nenhum recibo foram indicadas as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceito como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. Ademais, o tratamento fonoaudiológico domiciliar é indicado apenas em casos excepcionais, em que haja dificuldade de locomoção do paciente, o que não resta comprovado no presente caso Valdira Venderlei R$2.000,00 17. O recibo de fl. 52, emitido por Valdira de O. Vanderlei, informa o valor de R$ 2.000,00, recebido do contribuinte, referente a tratamento odontológico. Observase que o recibo não informa em quem o tratamento foi realizado, além de não especificar que tipo de tratamento foi realizado. Ademais, não foi anexado orçamento detalhando os valores dos serviços realizados e nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, a referida despesa não pode ser aceita para fins de dedução do imposto de renda, em virtude de seu comprovante ter sido emitido em desacordo com a legislação acima transcrita, que exige especificação e comprovação do pagamento, e gerar dúvidas quanto ao real beneficiário dos serviços. Lucélia Dias R$6.240,00 19. Os recibos de fls. 56 a 60, emitidos por Lucélia A. Dias Cavalcante, informam o valor total de R$ 6.240,00, relativo ao tratamento de fisioterapia motora domiciliar de Ercide S. de Barros (recibos de fls. 57 e 58) e a sessões de fisioterapia motora domiciliar para tratamento de lombalgia, sem especificar o paciente (recibos de fls. 59 e 60), indicando que nove sessões teria custado o valor de R$ 540,00 e oito sessões o valor de R$ 480,00, porem não foi indicado o beneficiário do tratamento (recibos de fls. 59 e 60), nem as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 180 6 aceito como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. Ademais, o tratamento fisioterápico domiciliar é indicado apenas em casos excepcionais, em que haja dificuldade de locomoção do paciente, o que não resta comprovado no presente caso. Rosa Agra R$4.320,00 20. Os recibos de fls. 71 a 76, emitidos por Rosa Maria Marques Agra, informam o valor total de R$ 4.320,00, relativo a sessões tratamento domiciliar de terapia ocupacional motora da Sra. Ercide Salustiana de Barros, sendo cada recibo no valor de R$ 360,00, relativo ao pagamento de quatro sessões. Porém, não foram indicadas as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Ademais, causa estranheza que o valor tenha sido exatamente o mesmo em todos os meses do ano, considerando que há meses com número de semanas diferentes, além de que eventualmente pode ocorrer algum impedimento ao atendimento por parte do prestador ou do paciente. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. Maria Lúcia Gomes R$7.100,00 21. Os recibos de fls. 77 a 82, emitidos por Maria Lúcia M. Gomes, informam o valor total de R$ 4.700,00, recebido do contribuinte, referente a tratamento odontopediátrico de Katarina C. de Barros, incluindo prevenção e dentisteria e a tratamento odontológico de Amanda C. de Barros, incluindo dentisteria e ortodontia. Observase que não foi anexado orçamento detalhando os valores dos serviços realizados e nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, a referida despesa não pode ser aceita para fins de dedução do imposto de renda, em virtude de seu comprovante ter sido emitido em desacordo com a legislação acima transcrita que exige especificação e comprovação do pagamento. Ana Moura R$4.800,00 16. Os recibos de fls. 46 a 51, emitidos por Ana Elizabeth Santos Carvalho de Moura, informam o valor total de R$ 4.800,00, relativo a tratamento psicoterapêutico realizado no contribuinte, sendo cada recibo no valor de RS 400,00, relativo ao pagamento de quatro sessões. Porém, não foram indicadas as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 181 7 cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Ademais, causa estranheza que o valor tenha sido exatamente o mesmo em todos os meses do ano, considerando que há meses com número de semanas diferentes, além de que eventualmente pode ocorrer algum impedimento ao atendimento por pane do prestador ou do paciente. Portanto, não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. José Heitor Casado R$5.200,00 12. Os recibos de fls. 36 a 41, emitidos por Heitor Casado, informam o valor total de R$ 5.200,00, recebidos do contribuinte, referente a sessões de acupuntura, não tendo sido indicada a quantidade de sessões, o valor de cada sessão, nem as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Ademais, observase que nos recibos já havia sido impresso o ano 2004, sendo retificado para 2003, contendo indícios de que os recibos não foram emitidos nas datas indicadas, e, sim, posteriormente ao ano de 2003, tendo em vista não haver explicação para que o prestador de serviço houvesse providenciado a impressão do talão de recibos em janeiro de 2003 (fl. 36), com data impressa de 2004. 13. Acrescentese que os recibos de fls. 36 a 41 não são suficientes para a comprovação pretendida, pois os gastos com acupuntura somente serão admitidos como despesas médicas se o tratamento for realizado por profissional quando for possuidor do título ou certificado a ele correspondente, devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina, entendimento esse corroborado pelo art. 4° da Resolução do Conselho Federal de Medicina n° 1.634, de 11 de abril de 2002, que reconhece a Acupuntura como especialidade médica. No presente caso, não foi apresentado o título ou certificado registrado no Conselho Federal de Medicina, conforme previsto na Resolução supracitada. 14. Portanto, os recibos relativos à acupuntura não podem ser aceitos como comprovantes de despesas médicas, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento, além da comprovação da habilitação para realizar o tratamento. Charles de Souza R$3.000,00 15. Os recibos de fls. 43 a 45, emitidos por Charles F. de Souza, informam o valor total de R$ 3.000,00, relativo a sessões de Reeducação Postural Global RPG, indicando que dez sessões teria custado o valor de R$ 500,00, porém não foi indicado o beneficiário do tratamento, nem as datas da realização das sessões, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 182 8 efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Portanto, não podem ser aceito como comprovantes de despesas médicas os referidos documentos, por terem sido emitidos em desacordo com a legislação supratranscrita, que exige especificação e comprovação do pagamento. Venho manifestando entendimento de que os recibos não têm valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Entretanto, no caso destes autos, o contribuinte não foi instado a fazer a comprovação quanto ao efetivo pagamento dessas despesas. Veja que, não tendo sido atendida a intimação no curso da ação fiscal, poderia a autoridade julgadora de primeira instância proceder a essa intimação, para requisitar elementos complementares ao sujeito passivo, de forma a formar sua convicção acerca dessas despesas. No entanto, não o fez. Dessa feita, entendo que, no caso, os recibos emitidos devem ser acatados como provas das despesas declaradas, desde que revestidos das formalidades exigidas pela legislação tributária. Também não entendo devida a restrição apontada na decisão recorrida quanto ao tratamento domiciliar (paciente com dificuldade de locomoção). É certo que a legislação exige a especificação do endereço do profissional, o que não é afastado pela realização de tratamento domiciliar, mas não há impedimento ou qualquer outra exigência para que seja acatado o tratamento domiciliar. Ressalto que a autoridade julgadora não apontou a falta de indicação do endereço do profissional como justificativa para manutenção das glosas. No tocante à especificação do beneficiário, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 23 da RFB, publicada no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil em 10 de Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 183 9 fevereiro de 2014, dispõe que, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico ter sido emitido em nome do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal foram constatados razoáveis indícios de irregularidades, o que não foi apontado expressamente na decisão. Isto posto, entendo que devem ser restabelecidas as deduções das despesas a seguir especificadas: Charles de Souza R$2.500,00 (fls. 46/48). Destaco que um dos recibos de fl. 47 data de 2004, não podendo ser acatado como dedutível no anocalendário 2003. Ana Moura R$4.800,00 (fls.49/54) Valdira Vanderlei R$2.000,00 (fl.55) Karina Dias R$4.200,00 (fls. 56/58) Lucélia Dias R$6.240,00 (fls.59/63). Rosa Agra R$4.320,00 (fls.74/79) Maria Lúcia Gomes R$4.700,00 (fls.80/85). Embora tenha declarado o montante de R$7.100,00, os recibos apresentados comprovam o montante de R$4.700,00, sendo este o valor a ser restabelecido. Entretanto, quanto aos pagamentos ao profissional Heitor Casado, a glosa mostrase devida. Os recibos em tela constam de fls. 39/44. Como já apontado, entendo que a manutenção da glosa da despesa por falta de comprovação do seu efetivo pagamento, sem que tenha havido intimação para esse fim, é indevida. Também entendo que é indevida a exigência do registro do profissional no conselho de medicina, visto que a acupuntura não se trata de atividade executada privativamente por médico. No caso, o profissional é fisioterapeuta, o que permitiria a dedução da despesa correspondente. Entretanto, como consignado na decisão recorrida, os recibos estão rasurados na data de sua emissão, não podendo ser acatados, visto que se trata de requisito formal essencial para verificação de sua dedutibilidade no ano sob análise. Em seu recurso, o contribuinte não buscou sanar tal falha, limitandose a alegar que o profissional se dispôs a emitir novos recibos. Cumpre lembrar que o momento oportuno para apresentação das provas pela parte é por ocasião de sua defesa. Acrescentese que o ônus da prova no caso das deduções é do contribuinte. Se, por um lado, a legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos de despesas médicas próprias e dos dependentes, incorridos durante o ano calendário, por outro, exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preenchem todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19647.001011/200803 Acórdão n.º 2002001.088 S2C0T2 Fl. 184 10 Dessa feita, correta a manutenção da glosa das despesas realizadas com esse profissional. Portanto, deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no montante de R$28.760,00, conforme acima especificado. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$28.760,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000035/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
São dedutíveis na declaração de imposto de renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do artigo 8º, II, "f" da Lei nº 9.250 de 1995.
Numero da decisão: 2201-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
1.0 = *:*
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São dedutíveis na declaração de imposto de renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do artigo 8º, II, "f" da Lei nº 9.250 de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 39/42) interposto contra decisão no acórdão nº 01-15.850 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL), em sessão de 16 de dezembro de 2009 (fls. 31/34) a qual julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário formalizado na notificação de lançamento - Imposto de Renda de Pessoa Física, lavrada em 27/11/2006 (fls. 23/26), decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, com ciência do contribuinte em 7/12/2006, conforme AR de fl. 22. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo no montante de R$ 15.171,60, já inclusos juros de mora (calculado até 30/11/2006) e multa de ofício de 75% refere-se à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 34.320,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 00 35 /2 00 7- 61 Fl. 46DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.187 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10215.000035/2007-61 Na notificação de lançamento consta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 23): "Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 - RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 34.320,00 deduzido indevidamente a titulo de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8°, inciso II, alínea “f” da Lei n° 9.250/95; arts. 73, 78 e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 - RIR/99 e arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001." Cientificado do lançamento em 7/12/2006 (fl. 22), o contribuinte apresentou impugnação de fls. 2/5, em 3/1/2007, acompanhada de documentação (fls. 6/27). A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário foi mantido pela 5ª Turma da DRJ/BEL, nos termos do voto contido no acórdão nº 01-15.850, em sessão de 16 de dezembro de 2009 (fls. 31/34), constando a informação na ementa do julgado: "Em razão do valor do crédito tributário impugnado, a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004, dispensa a edição da ementa relativa ao presente julgado." Devidamente intimado da decisão da DRJ em 17/2/2010, conforme cópia do AR de fl. 37, o contribuinte apresentou o recurso voluntário em 3/3/2010 (fls. 39/42). Este recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. Nas razões do recurso o contribuinte, em síntese, alega que a decisão da DRJ encontra-se obscura, quanto à verdade material, já que o Recorrente acostou na impugnação todos os comprovantes efetivamente pagos e que foram desprezados pelos julgadores. Admite erro parcial, uma vez que por ocasião da separação foi determinado pela justiça o pagamento de 8 salários mínimos mensais, sendo 3 salários para a ex-esposa e 5 para o sustento dos dois filhos menores. Afirma que durante o período foi pago o valor de R$ 23.873,29, ocasionando uma diferença entre a sentença e o pagamento efetivamente realizado de R$ 10.477,00. Reconhece que o valor apurado para ser recolhido deve ser de R$ 1.057,00 e não R$ 15.171,60, já que a autoridade fiscal não levou em consideração o valor da pensão paga de R$ 23.873,29 e glosou o valor de R$ 34.320,00. Fl. 47DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.187 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10215.000035/2007-61 Observa-se que no recurso interposto o contribuinte reiterou os argumentos da impugnação, reconhecendo do crédito tributário a parcela incontroversa de R$ 1.057,00. Com efeito, nesse ponto o recurso não será conhecido, por ofensa ao disposto no artigo 17 c/c artigo 33 ambos do Decreto nº 70.235 de 1972 1 . O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no artigo 4º, inciso II e artigo 8º, inciso II, alínea “f” da Lei nº 9.250 de 1995, regulamentados no artigo 78 do Decreto nº 3.000, de 1999 - RIR/1999, vigente à época dos fatos, como segue: "Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. 1 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 48DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.187 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10215.000035/2007-61 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)." No ano-calendário de 2004 o contribuinte pleiteou na declaração de ajuste anual o valor de R$ 34.320,00 a título de pagamento de pensão alimentícia judicial que foi inteiramente glosado, por falta de atendimento da intimação para fins de comprovação e justificação da dedução, de acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração (fl. 24). A manutenção da glosa realizada foi motivada da seguinte forma no acórdão nº 01-15.850 - 5ª Turma da DRJ/BEL (fls. 31/34), a seguir transcrito: "(...) Ou seja, pode o contribuinte lançar mão da pensão alimentícia judicial na apuração do imposto sobre a renda. Todavia, note-se, como tal compreende-se aquela paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim, para combater o lançamento, carreia o contribuinte aos autos: decisão judicial de fl. 05, petição de fls. 06/09, e comprovantes de pagamento de fls. l3/19 e 26. Entretanto, referidos documentos não são capazes de ilidir o lançamento. É que, como já visto, têm os pagamentos de se dar em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. E a petição apresentada, que parece pretender o contribuinte seja acolhida como acordo, não resta homologada, ao menos não há prova alguma neste sentido. Aliás, nem assinada a peça se encontra. Outrossim, a decisão judicial carreada aos autos somente cuida da conversão em divórcio da separação consensual. Não decide acerca de eventual pensão alimentícia, motivo pelo qual não há como associá-la aos pagamentos eventualmente realizados." Na ocasião foram apresentadas cópias dos seguintes documentos: decisão no autos de conversão de separação consensual em divórcio, datada de 29/5/2000 (fl. 6); requerimento de separação judicial por mútuo consentimento datado de 4/11/1998, com carimbo de protocolo do poder judiciário da Comarca de Santarém em 11/11/1998 (fls. 7/10); Darfs código receita 0211 (fls. 11/13) e comprovantes de depósitos em nome de Meire Rosa de Moura (fls. 14/20 e 27). Ocorre que novamente com o recurso voluntário o contribuinte deixou de apresentar a cópia da decisão ou acordo homologado judicialmente determinando o ônus do pagamento da pensão alimentícia, limitando-se a alegar que a decisão encontra-se obscura, quanto à verdade material e que os comprovantes de depósitos apresentados não foram considerados pelos julgadores de primeira instância. Assim, no exame da documentação acostada ao processo, verifica-se que o Recorrente não apresentou elementos probantes da existência material da pensão alimentícia Fl. 49DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.187 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10215.000035/2007-61 judicial declarada, não se desincumbindo desta forma de seu ônus probatório, nos termos do artigo 373, I da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (CPC). Portanto não merece reparo a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900074/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REINTEGRA.
A pessoa jurídica produtora que efetue exportação dos bens manufaturados classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI constantes do Anexo ao Decreto nº 7.633/2011 poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.
Numero da decisão: 3301-006.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REINTEGRA. A pessoa jurídica produtora que efetue exportação dos bens manufaturados classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI constantes do Anexo ao Decreto nº 7.633/2011 poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-04T13:07:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-04T13:07:41Z; Last-Modified: 2019-07-04T13:07:41Z; dcterms:modified: 2019-07-04T13:07:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-04T13:07:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-04T13:07:41Z; meta:save-date: 2019-07-04T13:07:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-04T13:07:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-04T13:07:41Z; created: 2019-07-04T13:07:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-07-04T13:07:41Z; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-04T13:07:41Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.900074/2016-11 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301-006.458 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrente ESTALEIRO ATLÂNTICO SUL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. REINTEGRA. A pessoa jurídica produtora que efetue exportação dos bens manufaturados classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI constantes do Anexo ao Decreto nº 7.633/2011 poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 16-74.274 - 22ª Turma da DRJ/SPO, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 112311921, por intermédio do qual foi indeferido o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP nº 33592.81953.080713.1.1.17-0980 e não homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs 38027.30132.091215.1.3.17-9240 e 24038.55911.130116.1.3.17-0125. Em 20/09/2018, foram apensados aos presentes autos os Processos Administrativos nºs 10480.900297/2016-89 e 10480.900298/2016-23, que controlam os débitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 74 /2 01 6- 11 Fl. 248DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 objeto das Declarações de Compensação nºs. 38027.30132.091215.1.3.17-9240 e 24038.55911.130116.1.3.17-0125, respectivamente. Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância, ao qual farei os devidos acréscimos. Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação das compensações solicitadas no presente processo no montante de R$ 21.259.067,70, todo fundado no suposto crédito do REINTEGRA referente ao 1º trimestre do ano-calendário de 2012 (fl.02). Enquadramento legal citado: “Art. 1º a 3º da Lei nº 12.546, de 2011, Decreto nº 7.633, de 2011, e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012”. O crédito refere-se ao PER/DCOMP 33592.81953.080713.1.1.17-0980. O Despacho Decisório apontou as seguintes inconsistências: •Nota Fiscal não confirmada; •Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal válida. A contribuinte cientificada em 17/02/2016 (fl.22) apresentou manifestação de inconformidade de fls.23/34 em 18/03/2016 contestando a decisão administrativa com os seguintes argumentos: a) o ato de não homologação das compensações está amparado exclusivamente em requisito formal; c) a Manifestante logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, que o valor do crédito informado no pedido de ressarcimento está correto; d) estando no rol de uma das maiores contribuintes no Estado, a Manifestante sempre diligenciou no sentido de cumprir suas obrigações perante o Poder Público. e) em que pese à confirmação de validade das Notas Fiscais, todas as NF-e podem ter suas chaves de acesso confirmadas no site da SEFAZ RS, através do link http://www.sefaz.rs.gov.br/NFE/NFE-COM.aspx, ou no Portal Nacional da NF-e, através do link http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/órincióal.aspx, menu "Serviços / Consultar NF-e completa". Estando a NF-e autorizada pela SEFAZ, pode-se inferir que a Chave de Acsso é válida. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão cuja ementa consta a seguir reproduzida: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2012 REINTEGRA. DIREITO CREDITÓRIO. Constituem crédito a compensar ou restituir os valores de custos tributários federais residuais existentes em cadeias de produção de bens manufaturados, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, em que apresenta argumentos a serem analisados, juntamente com documentos que supostamente Fl. 249DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 validam seu direito creditório, pugnado, ao final, pelo provimento do recurso, nos seguintes termos: IV — DO PEDIDO Por todo o exposto, aplicando-se os princípios da razoabilidade e da eficiência e da verdade material, espera e confia o Recorrente seja conhecido e provido o presente recurso a fim de que seja reformada, in totum, o Acórdão n° 16-74.274, proferida pela 22a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência (art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1972), a fim de que a conformidade e correção dos registros constantes da documentação comprobatória do direito ao crédito, apresentada pelo Recorrente, especialmente, em sua resposta ao Termo de Intimação, sejam devidamente apreciados pelo Colegiado de origem, sem prejuízo da eventual apresentação de outros documentos contábeis e fiscais que se julgue necessário. Em 01/06/2017, a Recorrente ingressa com petição nos autos para requerer prioridade de julgamento, em razão do transcurso do prazo de 30 (trinta) dias para decisão do recurso estipulado pelo art. 59, §1º, da Lei nº 9.784, de 29/01/1.999. Inicialmente, os autos foram distribuídos à Primeira Seção de Julgamento deste Colegiado, a qual declinou da competência para julgamento do recurso em favor desta Terceira Seção, conforme Acórdão nº 1301-002.860, de 15/03/2018. Em 28/05/2019, foi promovida a juntada de Mandado de Intimação oriundo da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, cuja finalidade é dar cumprimento à sentença que concedeu a segurança nos autos do Mandado de Segurança nº 1009199- 82.2019.4.01.3400/DF, nos seguintes termos: Ante o exposto, concedo a segurança requerida pela impetrante, para determinar A. autoridade impetrada que promova os atos processuais legais para o julgamento do Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo Administrativo Fiscal n. 10480.900074/2016-11, no prazo máximo de 30 (trinta) dias. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Inicialmente, cumpre transcrever a legislação que embasa o pedido de ressarcimento, referente ao Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra). Esse Regime surgiu no corpo da Medida Provisória nº 540, de 02/09/2011, convertida na Lei nº 12.546, de 14/12/2011, nos seguintes termos: Art. 1º É instituído o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes nas suas cadeias de produção. Fl. 250DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 Art. 2º No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica produtora que efetue exportação de bens manufaturados no País poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário federal existente na sua cadeia de produção. § 1º O valor será calculado mediante a aplicação de percentual estabelecido pelo Poder Executivo sobre a receita decorrente da exportação de bens produzidos pela pessoa jurídica referida nocaput. § 2º O Poder Executivo poderá fixar o percentual de que trata o § 1º entre zero e 3% (três por cento), bem como poderá diferenciar o percentual aplicável por setor econômico e tipo de atividade exercida. § 3º Para os efeitos deste artigo, considera-se bem manufaturado no País aquele: I – classificado em código da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, relacionado em ato do Poder Executivo; e II – cujo custo dos insumos importados não ultrapasse o limite percentual do preço de exportação, conforme definido em relação discriminada por tipo de bem, constante do ato referido no inciso I deste parágrafo. § 4º A pessoa jurídica utilizará o valor apurado para: I – efetuar compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II – solicitar seu ressarcimento em espécie, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 5º Para os fins deste artigo, considera-se exportação a venda direta ao exterior ou à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A regulamentação do Regime veio com o Decreto nº 7.633, de 01/12/2011, com o seguinte teor, na parte que interessa ao presente caso: Art. 1º Este Decreto regulamenta o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras - REINTEGRA, instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, e que tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas suas cadeias de produção. Art. 2º No âmbito do REINTEGRA, a pessoa jurídica produtora que efetue exportação dos bens manufaturados classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI constantes do Anexo a este Decreto poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção. § 1º O valor será calculado mediante a aplicação do percentual de três por cento sobre a receita decorrente da exportação de bens produzidos pela pessoa jurídica referida no caput . § 2º Para fins do § 1º , entende-se como receita decorrente da exportação: I - o valor da mercadoria no local de embarque, no caso de exportação direta; ou [...] Amparada pelas normas citadas, a Recorrente transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 33592.81953.080713.1.1.17-0980, relativo ao 1º Trimestre de 2012, no qual pleiteou o crédito de R$ 21.259.067,70, cuja base de cálculo montou R$ 708.635.590,17, composta pelos valores de 08 (oito) Notas Fiscais de Exportação Direta, a seguir discriminadas: CNPJ EMITENTE SÉRIE / SUBSÉRIE Nº DA NF DATA DE SAÍDA VALOR TOTAL NF VALOR BC REINTEGRA Fl. 251DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 CNPJ EMITENTE SÉRIE / SUBSÉRIE Nº DA NF DATA DE SAÍDA VALOR TOTAL NF VALOR BC REINTEGRA 07.699.082/0005-87 890 000751451 31/01/2012 99.999.999,00 99.999.999,00 07.699.082/0005-87 890 000751539 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751557 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751588 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751595 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751608 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751631 31/01/2012 90.000.000,00 90.000.000,00 07.699.082/0005-87 890 000751640 31/01/2012 68.635.591,17 68.635.591,17 TOTAL 708.635.590,17 708.635.590,17 No entanto, por intermédio do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 112311921, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, bem como foram não homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMPs vinculados ao pedido de ressarcimento, de nºs 38027.30132.091215.1.3.17-9240 e 24038.55911.130116.1.3.17-0125. De acordo com o citado Despacho Decisório, as inconsistências identificadas pelo Fisco no curso da análise do pedido que motivaram o indeferimento do pleito foram: - Nota Fiscal não confirmada; e - Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal válida Neste ponto, ressalte-se que o Despacho Decisório limita-se a essas duas inconsistências como motivadoras da decisão contrária ao pleito da Recorrente. Não há, no referido Despacho, outro elemento ensejador do indeferimento do pedido. Portanto, para o Fisco, trata-se de não cumprimento de requisitos formais observados na análise do pedido. Assim, passo a analisar as duas inconsistências em comento - as quais, em meu entender, guardam relação entre si, sendo a segunda totalmente dependente da primeira - origem da lide posta nestes autos, em conjunto com os correspondentes argumentos trazidos pela Recorrente. O Despacho Decisório Eletrônico, após análise automática do direito creditório, concluiu o seguinte: a) Nota Fiscal não confirmada - Nota fiscal eletrônica não localizada ou não disponível na base de dados da Receita Federal não se constitui em documento hábil para comprovar a exportação dos produtos nela discriminados; e b) Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal válida - Verificar em "Demonstração do cálculo Direito Creditório". Notas fiscais válidas para comprovação de crédito do Reintegra são aquelas localizadas na base de dados da Receita Federal do Brasil, que não estejam canceladas, indicando operação de exportação ocorrida dentro do trimestre-calendário do crédito e Fl. 252DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 comprovando operação de exportação dos produtos discriminados no pedido de ressarcimento. Nas Notas Fiscais válidas para comprovação do direito ao crédito do Reintegra informadas no PER/DCOMP não constam os produtos abaixo identificados, incluídos na ficha "Bens Exportados": Código NCM do Produto 8905.20.00 A Recorrente, objetivando comprovar seu direito creditório, apresentou aos autos as 08 (oito) notas fiscais já elencadas acima. Segundo a Recorrente, ditos documentos relacionam-se a uma única operação de exportação, de valor significativo (R$ 708.635.590,17) e que, pelo fato de o sistema de Nota Fiscal Eletrônica da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, à época, não comportar mais de 13 (treze) dígitos é que a operação, apenas formalmente, foi desmembrada em 08 (oito) notas fiscais, comprovada pela referência nas demais notas que, na verdade, são meros desdobramentos da primeira, de nº 000751451. Ainda, esclarece ela que, anteriormente à emissão do Despacho Decisório, recebeu o Termo de Intimação Nº de Rastreamento 094850437, em que foram apontadas as mesmas inconsistências em comento. Ao responder à intimação, a Recorrente teceu as seguintes informações: a) os documentos que instruem o processo (notas fiscais, DANFE’S, registro e na declaração de exportação), contêm a discriminação das mercadorias exportadas, através da indicação expressa do seu NCM/SH (código 8905.20.00); b) a formalização da exportação, por questões contratuais, ocorreu através de sua filial, situada no Estado do Rio Grande do Sul, com o CNPJ nº 07.699.082/0005- 87; c) devido ao caráter excepcional da operação e por se tratar de notas fiscais eventuais, o estabelecimento filial solicitou à SEFAZ/RS a emissão das notas fiscais eletrônicas avulsas, nos termos da legislação de regência; d) a versão 5.0 do programa PER/DCOMP, vigente por ocasião protocolo de seu Pedido de Restituição/Ressarcimento (em 08/07/2013), não continha campo específico para a informação da chave de acesso da notas fiscais eletrônicas, exigência que se tornou obrigatória somente com a aprovação da versão 6.0 do programa, pela Receita Federal, válido a partir de 01/02/2014; Ainda, na mesma ocasião, a Recorrente forneceu os números das chaves de acesso das notas fiscais que lastreiam o crédito postulado, o que, possibilitaria a verificação de sua validade jurídica. Assiste-lhe razão. Todas as 08 (oito) notas fiscais encontram-se na situação "Autorizada" perante o Portal da Nota Fiscal Eletrônica, às fls. 195-226. São, portanto, válidas e aptas a comprovar a operação nelas indicada (exportação). Na primeira Nota Fiscal (751451) consta a descrição do produto exportado, qual seja: "Casco inferior lower hull próprio para plataforma LHP, semi-submersível, destinado a produção de petróleo", bem como sua NCM (89052000). Nas demais notas fiscais, embora não Fl. 253DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 haja a repetição da descrição do produto, há a menção de tratar-se de complemento de preço referente à Nota Fiscal nº 751451 e os demais campos apresentam-se adequadamente preenchidos, inclusive o referente ao código NCM. Ressalte-se que a aludida NCM encontra-se dentre as elencadas pelo Anexo do Decreto nº 7.633, de 2.011, aptas ao benefício do Regime, conforme exposto a seguir: ANEXO bens manufaturados classificados nos códigos da TIPI CÓDIGO DA TIPI CÓDIGOS DA TIPI EXCETUADOS LIMITE PERCENTUAL DOS INSUMOS IMPORTADOS 89 8908.00.00 40 Quanto ao complemento de preço, motivo que levou a Recorrente a emitir 08 (oito) notas fiscais em vez de 01 (uma), embora plausível sua justificativa de que o sistema do órgão fazendário estadual, à época dos fatos, não alcançava o limite de dígitos necessários para informar o valor integral da operação, entendo que tal fato não traz qualquer prejuízo à comprovação da operação, visto que todas as notas são documentos fiscais válidos e encontram- se vinculadas mediante as informações em seu corpo. No que diz respeito à falta de retificação do PER/DCOMP objeto do pedido de ressarcimento para inclusão das chaves de acesso das citadas notas fiscais, importa esclarecer que, após ser cientificada do Termo de Intimação Nº de Rastreamento 094850437, emitido em 11/11/2014, dando conhecimento das inconsistências em apreço, a Recorrente apresentou, dentro do termo aprazado, os esclarecimentos necessários quanto à sua impossibilidade, em especial por terem sido os documentos fiscais emitidos diretamente pelo órgão fazendário estadual. A resposta ao Termo de Intimação Nº de Rastreamento 094850437, juntamente com os documentos que lhe deram suporte, passaram a consubstanciar o Dossiê de Atendimento nº 10100.002964/1214-01, que, no entanto, não teve qualquer tratamento por parte do Fisco. Vejamos trechos da resposta da Recorrente: [...] este r. órgão emitiu o Termo de Intimação em 11/11/2014, número do rastreamento 094850437 (Doc. 04), indicando que foram verificadas inconsistências no Pedido de Ressarcimento apresentado, especificamente sobre as (a) Notas Fiscais não confirmadas, e indicando que o (b) Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal válida. Sendo requerida a retificação do Pedido de Ressarcimento, PERD/COMP, conforme informações complementares ao Termo de Intimação (Doc. 05), visando acrescentar em novo PER/DCOMP os números das chaves de acesso das Notas Fiscais, pois na versão do programa cujo Pedido de Ressarcimento original foi enviado para Receita Federal não havia campo para essa informação, exigência que se tornou obrigatória a partir da nova Versão 6.0 do programa, implementada a partir de 01/02/2014. Entretanto, a Manifestante emitiu as DANFE's — Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica (Doc. 06) referente à Exportação citada no referido Termo de Intimação a partir de sua filial na cidade de Rio Grande, Estado do Rio Grande do Sul, sob registro no CNPJ nº 01.699.082/0005-87, local onde a embarcação foi concluída e Exportada. Fl. 254DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 A filial constituída pela Manifestante na Cidade de Rio Grande teve finalidade específica para atendimento ao Cliente e realização dessa Exportação. Por essa razão, as Notas Fiscais de vendas emitidas naquela Filial foram eventuais, e devido o caráter excepcional foram emitidas Notas Fiscais Avulsas através do Sitio da Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, cuja série 890. Por definição, as NF-e Avulsas são emitidas usando a certificação digital da SEFAZ e consequentemente contém o CNPJ da SEFAZ preenchido na chave de acesso. Contudo, o CNPJ do estabelecimento emitente é informado no corpo da Nota Fiscal. Por tal razão, a Manifestante ficou impossibilitada em atender o Termo de Intimação e sanar as pendências através do envio de Pedido de Ressarcimento PERDCOMP retificador, devido o programa realizar validação no número da Chave de Acesso da Nota Fiscal, com o CNPJ do estabelecimento emitente, e nesse caso resulta em inconsistência na validação do referido campo, não permitindo a transmissão do PERDCOMP retificado para Secretaria da Receita Federal. Decerto, se os esclarecimentos prestados pela Recorrente tivessem sido adequadamente analisados pela unidade de origem, não estaríamos nos defrontando, agora, com a presente lide, visto que as suas principais argumentações de defesa constam lá reproduzidas e, portanto, apresentadas ao Fisco anteriormente à prolação do Despacho Decisório Eletrônico destes autos. Com os esclarecimentos acima, restam insubsistentes os motivos do Despacho Decisório, mantido pela decisão de primeira instância, a qual deve ser reformada. Antes, porém, de concluir meu voto, peço a vênia para tecer algumas considerações sobre a decisão de piso. A análise efetuada pelo órgão julgador a quo sobre os documentos apresentados pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade resultou nas seguintes observações: As Notas Fiscais de fls.64/71 não apresentam a descrição de qual seria a mercadoria objeto da transação apenas fazendo alusão a “Venda de Mercadorias de produtos do estabelecimento sob regime de drawback”. Não há citação da NCM bem como de qualquer informação a respeito da mercadoria transacionada; Os extratos do Sistema Siscomex de fls.72/75 não discriminam quais transações estão relacionadas às notas fiscais de fls.64/71; Os valores informados nos Registros de Exportação não conferem com os documentos ora apresentados; O Comprovante de Exportação de fl.76 apenas cita a relação das notas fiscais, as quais não fornecem quaisquer informação de qual mercadoria, de fato, foi objeto de exportação; O extrato da Declaração de Despacho de Exportação de fls. 77/79 não fornece detalhes a respeito da mercadoria exportada bem como não há identificação de que as notas fiscais apresentadas estão relacionadas com a transação ora discutida nos autos; A interessada não apresentou demonstrativo de cálculo do direito creditório bem como qualquer documentação complementar (escrita fiscal), a qual respalde a existência do alegado direito creditório; Por fim, não há qualquer documento comprobatório, o qual vincule as notas fiscais apresentadas nos autos com os produtos informados nas declarações de exportação e respectivos registros de exportação. Fl. 255DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 Primeiramente, é importante frisar que a análise acima extrapolou a efetuada no Despacho Decisório, objeto da lide. Mesmo extrapolando o objeto da lide, essas observações/análises não se sustentam, pelos seguintes motivos: DRJ Relator As Notas Fiscais de fls.64/71 não apresentam a descrição de qual seria a mercadoria objeto da transação apenas fazendo alusão a “Venda de Mercadorias de produtos do estabelecimento sob regime de drawback”. Não há citação da NCM bem como de qualquer informação a respeito da mercadoria transacionada; A Nota Fiscal nº 751451 apresenta a descrição da mercadoria. As demais fazem alusão àquela, por se tratar de uma única operação em que houve emissão de 08 (oito) Notas Fiscais por deficiência do sistema informatizado do órgão fazendário estadual. A NCM consta indicada em todas as Notas, em seu devido campo. Os extratos do Sistema Siscomex de fls.72/75 não discriminam quais transações estão relacionadas às notas fiscais de fls.64/71; Os extratos dizem respeito ao Registro de Exportação (RE) nº 12/0049647-001, usado para a exportação do produto. Portanto, por ser vinculado à Declaração de Exportação (DE) nº 2120120878/5, devem ser tratados/lidos em conjunto. Nele (RE) estão expostas diversas informações, dentre outras: a) exportador; b) importador estrangeiro; c) código de enquadramento da operação; e d) descrição da mercadoria. Enquanto no DE estão expostas as notas fiscais de fls. 64/71. Os valores informados nos Registros de Exportação não conferem com os documentos ora apresentados. O valor não confere porque está em dólar. Basta converter para real na data operação (USD 404.888.350,00 x 1,7502 = R$ 708.635.590,17). O Comprovante de Exportação de fl.76 apenas cita a relação das notas fiscais, as quais não fornecem quaisquer informação de qual mercadoria, de fato, foi objeto de exportação; O Comprovante de Exportação é um documento sintético com os dados e registros vinculados à operação de exportação. Embora relacione as notas fiscais, não será ele o responsável por expor o conteúdo dessas notas. O extrato da Declaração de Despacho de Exportação de fls. 77/79 não fornece detalhes a respeito da mercadoria exportada bem como não há identificação de que as notas fiscais apresentadas estão relacionadas com a transação ora discutida nos autos Como informado anteriormente, o DE e o correspondente RE devem ser lidos em conjunto, pois ambos estão vinculados à mesma operação de exportação. A descrição da mercadoria consta do RE, as notas fiscais, do DE. O conteúdo das notas pode ser visualizado no Portal da Nota Fiscal Eletrônica. A interessada não apresentou demonstrativo de cálculo do direito creditório bem como qualquer documentação complementar (escrita fiscal), a qual respalde a existência do alegado direito creditório; O demonstrativo de cálculo do direito creditório faz parte do PER/DCOMP 33592.81953.080713.1.1.17-0980. Documentos complementares (escrita fiscal) não haviam sido exigidos até então à Recorrente. Por fim, não há qualquer documento comprobatório, o qual vincule as notas fiscais apresentadas nos autos com os produtos O RE e DE estão vinculados, conforme Comprovante de Exportação à fl. 76. O produto está descrito no RE e as notas fiscais estão Fl. 256DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.458 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.900074/2016-11 DRJ Relator informados nas declarações de exportação e respectivos registros de exportação elencadas no DE. Consoante tais esclarecimentos, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, por restar comprovado que as inconsistências expostas no Despacho Decisório destes autos são insubsistentes, devendo, assim, ser reformada a decisão de piso que o manteve. Por óbvio, fica prejudicado o pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência, em razão do mérito favorável à Recorrente. Diante de todo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002177/2008-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68.
O adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável; como tal, sujeitando-se à incidência do IRPF, porquanto as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício.
SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2003-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68. O adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável; como tal, sujeitandose à incidência do IRPF, porquanto as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício. SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 21 77 /2 00 8- 53 Fl. 40DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de restabelecer valor a restituir afastado mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento O valor da restituição do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, apurado no exercício de 2006, anobase de 2005, foi reduzido de R$ 2.326,50 para R$ 666,94, em face da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 7.646,40 (fls. 05/08). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese (fls. 02/03): 1. o valor tido por omitido se refere a rendimentos não tributáveis, correspondentes ao adicional por tempo de serviço; 2. mencionada quantia foi informada como rendimento tributável pela fonte pagadora de forma indevida; 3.requer, como preliminar, a desconsideração da informação prestada pela fonte pagadora, já que tais rendimentos são não tributáveis; 4. no mérito, afirma que a Lei nº 8.852, de 1994, art. 1º, inciso III, alínea "n", ampara o direito requerido. Julgamento de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação por falta de amparo legal, conforme abaixo (fls. 29/33): 1. o artigo 1° da Lei 8.852/94 apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração, nada se referindo a isenção ou não incidência tributária; 2. as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, argumentando exatamente aquilo que foi questionado na Impugnação (fls. 35/36). É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13736.002177/200853 Acórdão n.º 2003000.104 S2C0T3 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 23/01/2009 (fls. 38), e a Peça recursal foi recebida na mesma data (fls. 35), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Mérito Consoante visto no Relatório, a lide está em saber se há ou não incidência de IRPF sobre o adicional por tempo de serviço pago a ocupante, entre outros, de cargo, emprego ou função pública. Por conseguinte, a presente problemática será enfrentada na cronologia a seguir: (i) primeiramente, vaise caracterizar a "isenção" tributária (CF, de 1988, art. 150, § 6º, e CTN, de 1966, art. 111, inciso III); (ii) na sequência, vem a contextualização da Lei nº 8.852/94; e (iii) finalizando, tratarseá da tributação, em si, do IRPF (Lei nº 7.713, de 1988 e Decreto nº 3.000, de 1999). Como se há verificar, a conformação da exclusão do crédito tributário mediante outorga de isenção é condicionada a que sua concessão ocorra por lei específica, a qual deverá ser interpretada literalmente. Confirmase: 1. CF, de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias [...] [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção,[...] só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição [...] (grifo nosso) 2. CTN, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (grifo nosso) [...] II outorga de isenção; Fl. 42DF CARF MF 4 Avançando ao ponto seguinte, é pertinente se compreender de que modo a alínea "n" do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 1994, está inserida no ordenamento jurídico brasileiro. Nestes termos: Lei nº 8.852, de 1994: Ementa: Dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal [...]. (grifo nosso) Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (grifo nosso) [...] III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens,[...], sendo excluídas: [...] n) adicional por tempo de serviço Art. 3º O limite máximo de remuneração, para os efeitos do inciso XI do art. 37 da Constituição Federal, corresponde aos valores percebidos, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal. (grifo nosso) Ainda no mesmo raciocínio, cabe ver o que diz o comando constitucional regulado por aludida Lei (arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da CF, de 1988). Nestes termos: Art. 37. A administração pública direta e indireta [...] obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes [...], não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite [...]; (grifo nosso) XII os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal [...] § 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará [...]: Posta assim a questão, consoante os preceitos transcritos anteriormente, sintetizase, abaixo, as razões por que reportada Lei foi editada, como também a extensão da matéria por ela regulada em seu art. 1º, inciso III: Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13736.002177/200853 Acórdão n.º 2003000.104 S2C0T3 Fl. 42 5 1. regular mandamentos constitucionais que cuidam de política e limites de remuneração para os ocupantes, entre outros, de cargos, funções e empregos públicos da administração direta autárquica e fundacional; 2. exclusivamente para os efeitos que lhes são próprios, define vencimento básico (art. 1º, inciso I), vencimento (art. 1º, inciso II) e remuneração (art. 1º, inciso III); 3. não faz menção à matéria "isenção tributária" nem ao IRPF. Superada a contextualização da Lei nº 8.852, de 1994, evoluímos no tema indo ao modo como se apresentam as normas que tratam da tributação, em si, do IRPF (Lei nº 7.713, de 1988 e Decreto nº 3.000, de 1999). Em tal perspectiva, a Lei nº 7.713, de 1988, assevera, em síntese, que dito imposto incidirá sobre a totalidade do rendimento auferido (art. 3º, § 1º, regulado pelos arts. 37 e 38 do Decreto nº 3.000, de 1999), exceto aqueles cuja isenção está legalmente prevista (quarenta e sete espécies), aí não se incluindo o adicional por tempo de serviço pago a ocupante de cargo, emprego ou função pública. Confirmase: Lei nº 7.713, de 1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Fl. 44DF CARF MF 6 Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: I a ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); [...] XLVII os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a quatro mil, cento e quarenta e três reais e cinqüenta centavos para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, respectivamente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 8º). Refutando mais contundentemente a pretensão do recorrente, junto com o adicional por tempo de serviço, citado inciso III da Lei nº 8.852, de 1994, igualmente exclui da remuneração, entre outros, o 13º salário (alínea "f") e os adicionais de férias e noturno (alíneas "j" e "m" respectivamente), todos notoriamente rendimentos tributáveis. Ademais, inconcebível se pensar de modo distinto, admitindo, por um lado, a suposta isenção de tais verbas quando auferidas por ocupantes de cargo, emprego ou função pública; porém; por outro, impingindo tributação a tais rendimentos se recebidos pelos demais trabalhadores brasileiros, já que a Constituição proíbe tratamento desigual entre os iguais e igual entre os desiguais, via princípio da isonomia tributária. Confirmase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...], nos termos seguintes: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos Como visto, considerando que a tributação do IRPF independe da denominação dos rendimentos, bastando o contribuinte auferir os benefícios por qualquer forma e seja qual for o título a eles atribuído, mencionado adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável. Outrossim, as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício. Assim entendido, incide IRPF sobre o adicional por tempo de serviço recebido pelo recorrente, pois a Lei n° 8.852/94 não cuida da matéria isenção tributária nem do tributo IRPF. Além do mais, fosse o caso, ainda teria de ser respeitada a limitação imposta pela interpretação literal exigida para dito benefício fiscal. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13736.002177/200853 Acórdão n.º 2003000.104 S2C0T3 Fl. 43 7 Nesse sentido, apropriado registrar ser esse o entendimento deste Conselho e do STJ responsável por uniformizar a interpretação da lei federal, solucionando definitivamente os litígios civis e criminais, exceto quando a contenda envolva matéria constitucional ou da justiça especializada. Confirmase: REsp 1339596, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 15/10/2012: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. RMS 23970 / ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21/10/2010: TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE GRATIFICAÇÃO NATALINA, ADICIONAL DE ASSIDUIDADE, ABONO E ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. 1. A controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre as seguintes importâncias devidas ao impetrante, ora recorrente, na condição de servidor aposentado no cargo de escrivão [...]: a) décimoterceiro salário; b) gratificação ou adicional de assiduidade, decorrente da opção do servidor por não gozar as fériasprêmio; c) abono; d) gratificação ou adicional por tempo de serviço. 2. Em conformidade com o § 1º do art. 43 do CTN, incluído pela Lei Complementar 104/2001, e o § 4º do art. 3º da Lei 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando [...] . Portanto, o abono, o décimoterceiro salário, o adicional de assiduidade (decorrente da opção do servidor por não gozar as férias prêmio), e o adicional por tempo de serviço estão sujeitos ao imposto de renda, visto que configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção. Especificamente em relação ao décimoterceiro salário, também denominado gratificação natalina, a incidência do imposto de renda sobre o seu pagamento está reafirmada nos arts. 26 da Lei 7.713/88 e 16 da Lei 8.134/90. 3. Recurso ordinário não provido. (grifo nosso) SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 46DF CARF MF 8 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto, restando mantidas a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 7.646,40. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004911/2004-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS - STJ.
O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN).
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9303-008.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS - STJ. O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 62, § 2 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS STJ. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 49 11 /2 00 4- 01 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 412 2 conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, então vigente, em face do Acórdão nº 340100.174, proferido em 14/08/2009, na parte que declarou a decadência de parcela do lançamento, por aplicação da Súmula Vinculante nº 8, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, mesmo ante a ausência de recolhimentos no período, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. PIS E COFINS. AUTUAÇÕES E IMPUGNAÇÕES SEPARADAS. JULGAMENTO CONJUNTO. NECESSIDADE. Inexiste vício ou ilegalidade no julgamento conjunto de impugnações interpostas em autuações distintas de PIS e Cofins, Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 413 3 que conforme a Portaria SRF n° 6.129/95 devem ser objeto de um único processo administrativo quando as exigências têm como base nos mesmos elementos de prova e não são decorrentes do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A par do entendimento do Supremo Tribunal Federal, de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão re amentada pelo art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91, foi revog4 t citamente pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. CONSECTÁRIOS LEGAIS. EVASÃO. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autoriza o lançamento de oficio, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA N°3. Nos termos da Súmula n° 3/2007, do Segundo Conselho de Contribuintes, é legítimo o emprego da taxa Selic como juros moratórios. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1999 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. PIS E COFINS. AUTUAÇÕES E IMPUGNAÇÕES SEPARADAS. JULGAMENTO CONJUNTO. NECESSIDADE. Inexiste vício ou ilegalidade no julgamento conjunto de impugnações interpostas em autuações distintas de PIS e Cofins, Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 414 4 que conforme a Portaria SRF n° 6.129/95 devem ser objeto de um único processo administrativo quando as exigências têm como base nos mesmos elementos de prova e não são decorrentes do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A par do entendimento do Supremo Tribunal Federal, de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91, foi revogada tacitamente pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. CONSECTÁRIOS LEGAIS. EVASÃO. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autoriza o lançamento de oficio, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA N°3. Nos termos da Súmula n° 3/2007, do Segundo Conselho de Contribuintes, é legítimo o emprego da taxa Selic como juros moratórios. Recurso provido em parte. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados. Não conformada com tal decisão, a recorrente suscita divergência jurisprudencial, referente a decadência da parcela do lançamento, por aplicação da Súmula Vinculante nº 8, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, mesmo ante a ausência de recolhimentos no período. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 396/398. No essencial é o Relatório. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 415 5 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata de Autos de Infração de fls. 91/102 e 219/230, relativos, respectivamente, ao PIS Faturamento e á COFINS, ambos decorrentes, segunda a fiscalização, de valores não declarados e não recolhidos, nos períodos de apuração compreendidos entre 07/1999 a 05/2004. Com efeito, o Colegiado recorrido, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores entre 07/1999 a 11/1999, na linha da súmula nº 08 do STF. Alega a Fazenda Nacional, que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, ou não sendo escorreito esse recolhimento, o prazo decadencial para a constituição do respectivo credito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN. Prima facie, os Autos de Infração são relativos aos períodos de apuração compreendidos entre 07/1999 e 05/2004 e as ciências ocorreram em 15/12/2004. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173,I do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 416 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 417 7 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Assim, de um exame meticuloso junto aos autos, não localizei antecipação de pagamento, portanto aplicase a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no artigo 173, I do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 323, de 2015, tem o seguinte comando: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, o dies a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, previsto no artigo 173, I do CTN, será o primeiro do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde, no presente caso, ao primeiro dia do ano de 1998, findandose o prazo decadencial em 31/12/2002. Como a notificação da Contribuinte acerca do auto de infração deuse em 21/12/2002, não há que se cogitar em decadência. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, afasto a decadência declarada no acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10280.004911/200401 Acórdão n.º 9303008.805 CSRFT3 Fl. 418 8 Fl. 418DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.901011/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.265
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 10 11 /2 01 4- 04 Fl. 114DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10865.901011/201404 Acórdão n.º 3401006.265 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 116DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10865.901011/201404 Acórdão n.º 3401006.265 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000775/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO.
Cumpre ao impugnante instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa precluindo o direito de o fazê-lo em outro momento processual.
IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
É permitida a dedução na declaração de ajuste anual do valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo.
Numero da decisão: 2201-005.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO. Cumpre ao impugnante instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa precluindo o direito de o fazê-lo em outro momento processual. IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. É permitida a dedução na declaração de ajuste anual do valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 37/38) interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ em Santa Maria/RS (fls. 40/42) a qual julgou procedente em parte o lançamento formalizado no auto de infração - Imposto de Renda de Pessoa Física, lavrado em 4/8/2005 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 07 75 /2 00 5- 29 Fl. 46DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.186 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13770.000775/2005-29 5/12), decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2001, ano-calendário de 2000. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo refere-se às infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida à título de previdência oficial, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, que resultou em imposto suplementar de R$ 738,04. No auto de infração constam as seguintes descrições dos fatos e enquadramento legal (fls. 6/8): "ALTERAÇÕES EFETUADAS SEM VERIFICAÇÃO DE INCIDÊNCIA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO **ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA ** FOI CONSIDERADO O RENDIMENTO (R$ 47.431,52) CONSTANTE NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS E NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE - DIRF, APRESENTADAS À SRF POR CÂMARA MUNICIPAL DE SERRA. DEMONSTRATIVO DAS INFRAÇÕES: DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. FOI CONSIDERADO O VALOR DE R$ 3.563,56 CONSTANTE NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS APRESENTADO À SRF POR CÂMARA MUNICIPAL DE SERRA. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 8. 1NCISO II, ALÍNEA "D" DA LEI 9.250/95. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE(S). A DEPENDENTE KATIA REGINA BARRETO ZAROWNI APRESENTOU DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PRÓPRIA. DEDUÇÃO SEM AMPARO LEGAL. O VALOR REFERENTE A DEDUÇÃO FOI GLOSADO. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 8, INCISO II, ALÍNEA "C" E ART. 35 DA LEI 9.250/95; ART. 37 DA IN SRF 25/96. DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. FOI CONS1DERADA A DEDUÇÃO REFERENTE AS DESPESAS COM INSTRUÇÃO DO CONTRIBUINTE (RS 1.575,00) DESCONTADA A TAXA DE MATERIAL, CONFORME DOCUMENTOS APRESENTADOS. FOI CONS1DERADA A DEDUÇÃO LIMITE DE R$ 1.700,00 RELAT1VA AS DESPESAS COM 1NSTRUÇÃO_DA DEPENDENTE MELINA BARRETO ZAROWNY CONFORME DOCUMENTOS APRESENTADOS. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 8, INCISO II,. ALÍNEA "D" E PARÁGRAFO 3 DA LEI 9.250/95; ARTS. 37 A 40 DA IN SRF 25/96. Fl. 47DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.186 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13770.000775/2005-29 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. VALOR DECLARADO PELO CONTRIBUINTE: RS 7.674,72; MENOS VALOR INFORMADO NO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS E NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE - DIRF APRESENTADA À SRF POR CÂMARA MUNICIPAL DE SERRA: R$ 4.I85.43 = VALOR GLOSADO: R$ 3.489,29. ENQUADRAMENTO LEGAL: ART. 12. INCISO V DA LEI 9.250/95." Cientificado do lançamento em 18/10/2005, conforme AR de fl 27, o contribuinte apresentou em 17/11/2005, impugnação parcial ao lançamento em relação às seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, dedução indevida à título de previdência oficial e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte (fl. 2). Quando da apreciação do caso, em sessão de 29 de julho de 2008, a 2ª Turma da DRJ de Santa Maria/RS, julgou o lançamento procedente em parte, conforme ementa do acórdão nº 18-9.3643 - 2ª Turma da DRJ/STM a seguir reproduzida (fls. 40/42): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário: 2000 IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DEDUÇÕES. O contribuinte tem direito às deduções legais devidamente comprovadas. Lançamento Procedente em Parte" Devidamente intimado da decisão da DRJ em 9/9/2008, conforme cópia do AR de fl. 36, o contribuinte apresentou o recurso voluntário em 9/10/2008, conforme carimbo constante no envelope (fls. 43/44), acompanhado de documentos (fls. 39/42). Este recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. O contribuinte insurge-se contra a decisão da DRJ/STM afirmando que no montante de R$ 8.229,39 dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica está incluída a parcela relativa ao 13º salário, uma vez que o valor total é composto de R$ 633,03 (valor mensal) x 13, sendo os valores pagos referentes aos meses de janeiro a dezembro e a parcela do 13º Fl. 48DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.186 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13770.000775/2005-29 salário. Em relação ao imposto de renda retido na fonte informou que o valor correto e por ele considerado é de R$ 4.674,74. Alegou estar providenciando os documentos de prova que serão anexados ao processo a posteriori. No tocante a este último ponto cumpre destacar que nos termos do disposto no artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 19721, o momento processual para a apresentação da prova documental é na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, conforme texto reproduzido abaixo: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5 o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6 o Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 7º Na hipótese do inciso V, o sujeito passivo poderá impugnar os aspectos formais do lançamento, erro de valores, base de cálculo e acréscimos legais, desde que não sejam objeto da ação judicial. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Rejeitada 1 Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Fl. 49DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1602.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1602.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1602.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/75.htm#art5 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Resolu%C3%A7%C3%A3o/Atodeccn/atompv75.htm Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.186 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13770.000775/2005-29 § 8º Poderá ser exigida a apresentação de impugnação e de recurso em meio digital, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Rejeitada" De acordo com os documentos acostados aos presentes autos, ou seja, relatório anual da ficha financeira por funcionários - Câmara Municipal da Serra (fls. 13/14), declaração emitida pela Câmara Municipal da Serra - Estado do Espírito Santo (fl. 15), comprovante anual de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte - ano-calendário 2000 emitido pela referida fonte pagadora (fl. 16) e Dirf retificadora ano-calendário 2000 (fl. 21/22) apurou-se o que segue: Mês Rendimento IRRF Doc. Fl. nº Tributável Sujeito à Tributação Exclusiva Total Jan/2000 4.621,04 0,00 4.621,04 765,98 13 Fev/2000 3.465,78 0,00 3.465,78 448,28 Mar/2000 3.465,78 0,00 3.465,78 448,28 Abr/2000 3.465,78 0,00 3.465,78 448,28 Mai/2000 1.848,39 0,00 1.848,39 47,98 (A) Subtotal 16.866,77 0,00 16.866,77 2.158,80 Rescisão - Mai/2000 13º Salário Proporcional 0,00 1.444,08 1.444,08 477,41 1/3 férias 481,36 0,00 481,36 Férias Proporcional 1.444,08 0,00 1.444,08 (B) Total Rescisão Mai/2000 1.925,44 1.444,08 3.369,52 (C) Subtotal (A + B) 18.792,21 1.444,08 20.236,29 2.636,21 Mai/2000 1.155,26 0,00 1.155,26 - 14 Jun/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Jul/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Ago/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Set/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Out/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Nov/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 Dez/2000 2.475,56 0,00 2.475,56 203,20 (D) Subtotal 18.484,18 0,00 18.484,18 1.422,40 Rescisão - Dez/2000 1/3 Férias 481,36 0,00 481,36 126,82 Férias Proporcional 1.444,08 0,00 1.444,08 (E) Total Rescisão Dez/2000 1.925,44 0,00 1.925,44 (F) Subtotal (D + E) 20.409,62 0,00 20.409,62 1.549,22 (G) Total AC 2000 (C + F) 39.201,83 1.444,08 40.645,91 4.185,43 (H) Gratificação Comissão Licitação 8.229,39 0,00 8.229,39 0,00 15 (I) Total dos Rendimentos (G + H) 47.431,22 1.444,08 48.875,30 4.185,43 (J) Dirf Retificadora - 26/7/2005 47.431,522 0,00 47.431,52 4.185,43 21/22 (H) Comprov. Rend. Pagos e IRRF 47.431,52 2.350,79 4.185,43 16 2 A diferença de R$ 0,30 corresponde ao valor dos rendimentos informados no mês de novembro/2000 na Dirf retificadora entregue em 26/7/2005 (fls. 21/22), provavelmente em decorrência de erro de digitação. Fl. 50DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/75.htm#art5 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/75.htm#art5 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Resolu%C3%A7%C3%A3o/Atodeccn/atompv75.htm Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.186 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13770.000775/2005-29 Conforme observado no quadro acima elaborado à partir de documentos apresentados pelo Recorrente, no ano-calendário de 2000 o montante dos rendimentos tributáveis auferidos da Câmara Municipal da Serra foi de R$ 47.431,52, com IRRF de R$ 4.185,43, constantes nos seguintes documentos: Relatório Anual da Ficha Financeira por Funcionários (fls. 14/15) acrescido do valor na Declaração emitida pela Câmara Municipal da Serra (fl. 15); Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do Ano- calendário de 2000 (fl. 16) e na Dirf Retificadora (fls. 21/22). Além dos documentos relacionados acima, o contribuinte não apresentou outros capazes de comprovar as alegações de que no valor de R$ 8.229,39 está incluída parcela referente ao 13º salário, não se desincumbindo do seu ônus probatório nos termos do disposto no artigo 373 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). Também não lhe assiste razão a afirmação de ser o valor correto do IRRF de R$ 4.674,72. Tal valor foi apontado na Dirf original entregue pela fonte pagadora com informação de rendimentos no montante de R$ 49.649,65 (fl. 19), ressaltando que tal Dirf foi retificada em 26/7/2005, na qual foram alterados os valores dos rendimentos para R$ 47.431,52 e IRRF para R$ 4.185,43 (fls. 21/22), valores estes constantes no comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda retido na fonte (fl. 16). Deve-se deixar registrado que, nos termos do disposto no artigo 12, V da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, a seguir reproduzido, o contribuinte pode deduzir na declaração de ajuste anual o valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo: "Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...)" Assim, do exame da documentação acostada ao processo não merece reparo o acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto em epígrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910661/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2012
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.637
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 61 /2 01 6- 94 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910661/201694 Acórdão n.º 3402006.637 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.941723/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 17 23 /2 01 1- 51 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 135DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.410 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941723/2011-51 Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720053/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 05 3/ 20 12 -9 2 Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 3 2 Tratase de processo de exclusão do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF n º 095, de 05 de dezembro de 2012, fls. 3.339, retificado com a mesma numeração em 26 de fevereiro de 2013, por ter sido constituído por interposta pessoa e o fato de seus sócios serem administradores ou equiparados de outra pessoa jurídica com fins lucrativos que auferiu receita bruta global que ultrapassa o limite estabelecido na legislação, conforme previsto no artigo 3º, inciso II, § 4º, inciso V, e no artigo 29, inciso IV, da Lei Complementar n° 123, de 2006, em concordância com a Representação Fiscal constante do presente processo às fls. 3.280 a 3.333. A Fiscalização, no decorrer dos trabalhos efetuados na contribuinte GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP, verificou que a mesma na condição de optante pelo Simples Nacional presta serviços para a empresa EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA (CNPJ nº 45.164.753/000170), estabelecida na Avenida Nasser Marão, 1951 – Parque Industrial, Município de Votuporanga – SP. De acordo com a Representação Fiscal, as empresas acima citadas utilizaram meios irregulares com o objetivo exclusivo de não recolherem os tributos da forma e montantes previstos e determinados em Lei, constatados tais fatos através da análise dos documentos disponibilizados e, em pesquisa nos sistemas internos da Receita Federal e visita ao domicílio fiscal da fiscalizada. A Fiscalização informa que a abertura da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP ocorreu por procuradores e atuais sócios da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o intuito de camuflar a real prestação de serviços por pessoas físicas em industrialização de produtos fabricados pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, bem como a execução de serviços de consertos, reparos e adaptações para terceiros provenientes de operações comerciais por ela realizados. Em seguida, afirmou restar comprovado que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda contabilizando como sendo seus os custos e despesas desta última conforme abaixo relacionados: a) Telefone; b) Assistência médica aos trabalhadores; c) Assistência odontológica aos trabalhadores; d) Uniformes para os trabalhadores; e) Equipamentos de Proteção Individual utilizados pelos trabalhadores; f) Materiais de Higiene e Limpeza; g) Materiais intermediários utilizados na execução dos serviços; h) Honorários médicos relativos a serviços de exames admissionais e demissionais dos trabalhadores. Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 4 3 Relata que além dos itens relacionados acima, a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda arcou com o suporte financeiro através de adiantamentos pontuais, para que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP viesse honrar seus compromissos junto aos trabalhadores a ela vinculados inclusive os decorrentes dos encargos sociais e demais custos. Aponta que a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda forneceu, ainda, as máquinas e equipamentos pertencentes ao seu Ativo Permanente indispensáveis na execução dos serviços e no desenvolvimento da atividade econômica. As empresas utilizavam inclusive a mesma caixa postal nº 105, conforme consta no cabeçalho das notas fiscais da empresa Galego Implementos para Transportes (documentos de fls. 2457 a 2459) e no rodapé dos documentos de fls. 2463 e 2465, que correspondem à empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Aduz a Auditoria que os serviços executados pela empresa Galego Implementos foram realizados de forma exclusiva para atender aos interesses da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Assim, entende que a pessoa jurídica Galego Implementos para Transportes Ltda EPP foi constituída de forma a disfarçar a existência de sua verdadeira atividade, isto porque os documentos juntados no processo nº 16004.720053/201292 apontam que a empresa Galego Implementos para o Transporte Ltda EPP, optante pelo Simples Nacional, não assumiu o risco de sua atividade econômica, sendo, portanto, subordinada a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda tanto em sua administração quanto em seu custeio, não estando assim em consonância com o artigo 15 da Lei nº 8.212 de 24/07/1991. Destaca que as provas colacionadas ao processo demonstram que, em vez da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda incluir em sua própria folha de pagamento todos os funcionários que trabalham para ela, decidiu financiar/custear outra pessoa jurídica sob o regime tributário do Simples Nacional para prestar os mesmos serviços subordinados a ela. Por fim, conclui a Auditoria Fiscal que o conjunto de elementos e documentos juntados ao presente processo constituem provas irrefutáveis quanto aos atos praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias patronais e que a empresa GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA EPP foi constituída por interposta pessoa, tendo como sócia de fato a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda com o objetivo de usufruir do beneficio tributário pelo não pagamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. Em aditamento à Representação Fiscal (fls. 3.414/3.419) a Fiscalização acrescenta que a documentação juntada aos autos (procurações e alterações contratuais) demonstram que os sócios da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda são administradores da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, cuja receita bruta global é superior ao previsto no inciso II do caput do artigo 3º da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Haja vista mais uma hipótese de exclusão em que se enquadra a empresa, propôs a fiscalização a reforma do ato Declaratório Original. Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 5 4 Às fls. 3.420/3.423, a autoridade administrativa competente optou por retificar o Despacho Decisório anterior atribuindolhe a mesma numeração e acrescentandolhe a fundamentação legal decorrente do citado aditamento. Cientificado em 10/12/2012 (fls. 3.340) do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012, o contribuinte apresentou em 08/01/2013 (fls. 3.354/3.3690), Manifestação de Inconformidade da Exclusão do SIMPLES NACIONAL, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelo motivo mencionado pela fiscalização de que a empresa, optante pelo Simples Nacional, teria sido constituída por interposta pessoa, com enquadramento previsto no inciso IV do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 14.12.2006. Em síntese, argumenta o que segue: (i) O ato de exclusão é nulo por falta de motivação, pois os argumentos dispostos no Despacho Decisório não têm relação com a realidade dos fatos; (ii) Que houve equívoco da fiscalização que apesar do tempo e da farta documentação apresentada não conseguiu entender que GALEGO IMPLEMENTOS e EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA são empresas distintas e administradas por pessoas diferentes; (iii) Alega que a afirmação pela fiscalização de que o Sr. Florindo Rodrigues e o Sr. José Antonio C. Rodrigues na época da formação da empresa Galego Implementos são as pessoas que administravam a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues é uma inverdade. São irmãos que apenas assinavam pela empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda em virtude do seu pai, verdadeiro administrador da empresa, ter sido acometido de Doença de Parkinson e assim estar impedido de assinar (“somente assinar”) documentos; (iv) Sustenta que o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, compulsoriamente, por herança, após o falecimento de seu pai em 2011. Nesse momento, conforme prevê a legislação, a Galego Implementos deixou o sistema do Simples e passou a apurar o lucro tributável pelo regime de Lucro Presumido (cópia do recibo da DIPJ anexo doc. n° 3); (v) Admite que o imóvel situado na Avenida Emilio Arroyo Hernandes n° 2373 descrito no Despacho Decisório SAORT n° 136/2012, é de propriedade das três pessoas citadas, sócios da empresa Galego Implementos e que não foi ainda transferido para a pessoa jurídica por questões burocráticas, haja vista que o imóvel ainda não está regularizado junto à Prefeitura Municipal local e que sua aquisição adveio de arrematação em leilão de uma massa falida. Assim entende que pelo imóvel pertencer aos três sócios não haveria necessidade de cobrar aluguel. (vi) Considera normal os suportes financeiros prestados pela Equipamentos Rodrigues para a Galego Implementos e reputa inadequada a abordagem sobre o assunto contida no já citado despacho decisório. (vii) Em relação às informações fiscais de que a Equipamentos Rodrigues cedeu para a Galego suas máquinas e equipamentos para a consecução do seu objetivo e que custeou as despesas e os custos, inclusive detendo o controle da folha de pagamento dos seus Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 6 5 trabalhadores; e mais, que a empresa Galego presta serviços de forma exclusiva para atender os interesses da empresa Equipamentos Rodrigues, admite que de fato, o cliente "Equipamentos Rodrigues" adiantou numerário para a empresa Galego Implementos, fornecedora de serviços e cedeu em comodato algumas máquinas e equipamentos para que essa atingisse seus objetivos sociais. Considera isso normal e de ocorrência frequente nos mais variados ramos sendo uma relação que não pode ser ignorada. O cliente fornece condições para obter com rapidez e precisão o produto ou serviço encomendado. (viii) Afirma que a empresa Galego Implementos quita sua folha de pagamento através de depósito no Bradesco, diretamente na conta dos seus empregados (exemplo cópia em anexo doc. n° 4) e seus custos e despesas (incluindo a folha de pagamento) são suportados pela receita auferida e declarada, conforme pode ser observado nos Balanços Patrimoniais elaborados pela Dafon Assessoria Contábil (doc. n° 5). (ix) 2.7. Afirma também não ser verdade que sua prestação de serviço é feita exclusivamente para a "Equipamentos Rodrigues". Destaca que o Auditor não se deu ao trabalho de apurar os fatos de maneira clara e precisa. O exame da vasta documentação colocada à sua disposição foi superficial e tendencioso, ficando muito mais fácil afirmar o que lhe convém, ainda que sem prova, do que aprofundar as investigações que retratam a verdade. Basta então, agora, verificar a planilha com a relação dos clientes nos anos 2008 a 2010 e cópia de algumas notas fiscais emitidas pela manifestante para comprovar o que aqui é afirmado, (doc. 6). (x) Cita jurisprudências para corroborar a sua tese. Cientificado por via postal em 07/03/2013 do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/SJR/SAORT nº 095 retificado e do Despacho Decisório DRF/SJR/SAORT nº 136/2012 retificado, conforme AR à fl. 3.425, o contribuinte apresentou em 08/04/2013, aditamento a Manifestação de Inconformidade da Exclusão do Simples Nacional, fls. 3.431/3.453, onde contesta a exclusão do Simples Nacional pelos motivos mencionados pela fiscalização, praticamente repetindo as alegações anteriormente apresentadas. Observa que diferentemente da primeira representação fiscal que fundamentava a exclusão do Simples na suposta constituição da empresa por interpostas pessoas, esta segunda representação fiscal (aditada) tem como fundamento a suposição de que os sócios de outra empresa (Equipamentos Rodrigues) são os administradores da empresa excluída (Galego). Considera assim que houve vício material no ato administrativo retificado e não vício formal como quer fazer acreditar a autoridade fiscal, devendo ser declarada nula de início a exclusão da contribuinte do Simples. Estranha o fato da manifestação de inconformidade oferecida contra o primeiro ato declaratório de exclusão, não ter sido apreciada, como também não foram analisados os argumentos e provas apresentados com o objetivo de esclarecer os fatos como realmente ocorreram e impedir a exclusão da empresa do Simples Nacional. Supõe que os argumentos apresentados em sua inconformidade foram utilizados pela fiscalização para retificar o ato administrativo. Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 7 6 Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e o cancelamento por consequência do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, afastando todos os seus efeitos e que seja determinado o arquivamento do presente processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0829.406 da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.737/3.745, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve a exclusão da empresa do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado de 26/02/2013. Ato contínuo, a mesma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou o Acórdão de Impugnação nº 0829.406 (mesma numeração do Acórdão de Manifestação) da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.746/3.768, que julgou: a) Por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter a sujeição passiva solidária; b) Por maioria de votos, manter integralmente o crédito tributário.Vencido o julgador Daniel Sobral de Almeida Braga, que votou pela exclusão de ofício da qualificação da multa, visto que a auditoria não teria se dado ao trabalho de enquadrar juridicamente a conduta descrita, imputando genericamente a ocorrência ou de sonegação ou de fraude ou de conluio, o que ofenderia o amplo direito de defesa da contribuinte. Notese que referido Acórdão surge em razão do fato de que, após o cancelamento do Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/SRJ n° 095 retificado, como consequência foi lavrado Auto de Infração cujo lançamento referese à contribuições previdenciárias da parte patronal e multas, tendo como base de cálculo os valores declarados em GFIP, cujas contribuições estão fundamentadas no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexos ao citado Auto de Infração, envolvendo competências de 01/2009 a 12/2010, inclusive 13º salário, consolidado em 10/04/2013. Tal lançamento resultou, segundo o relatório fiscal da exclusão do Simples Nacional da empresa em epígrafe, conforme ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2012 e ADE/SAORT/DRF/SRJ 095/2013 – retificado. A Fiscalização esclareceu que para apuração do crédito tributário tomou como base os valores de remunerações declaradas pelo contribuinte constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram extraídas do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil– RFB e encontramse anexas ao presente processo. Considerou ainda como fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas e declaradas na GFIP, em consonância com o artigo 28 da Lei n.8212/91, cujos valores encontramse relacionados no Relatório Fiscal, fl.3.548 e no Relatório de Lançamentos, fls.3.542/3.545. Para o cálculo das contribuições devidas informa que aplicou as alíquotas previstas no Art. 22 da Lei 8.212/91. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 8 7 Relata ainda a Auditoria que os sujeitos passivos solidários foram informados quanto aos fatos que ensejaram a imputação da responsabilidade solidária e intimados a se manifestar quanto a apresentação de documentação hábil e idônea que ilidisse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 27/12/2012. Informa que na resposta protocolada em 22/01/2013, os responsáveis solidários não apresentaram documento, alegando apenas não existir responsabilidade solidária. Diante do exposto a Auditoria lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da pessoa Jurídica Equipamentos Rodrigues Ltda, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária na pessoa dos sócios Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues Da análise do quadro societário das empresas listadas a Auditoria reconheceu a solidariedade entre as empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, consoante os dispositivos legais a seguir relacionados: artigo 2.° da CLT; inciso IX do artigo 30 da Lei do Custeio da Previdência Social n.° 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação alterada pela Lei n.8.620/93; artigo 121, incisos I e II; artigo 124; artigo 128 e inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional; artigo 265, parágrafo primeiro e segundo e artigo 267da Lei n. 6.404, de 15/12/1976, artigo 17 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, Revogada pela lei n.12.529, de 30 de novembro de 2011, artigo 33 da Lei nº 12.529/2011 e artigo 222 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.3.048/1999. Informou ainda a fiscalização que o presente crédito tributário foi lançado em nome de Galego Implementos para Transportes Ltda EPP "E OUTROS", tendo em vista que a documentação apreendida no estabelecimento da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e os documentos apresentados na ação fiscal demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, juntamente com outras pessoas jurídicas formam um grupo econômico de fato. Aduziu que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados na Representação Fiscal e juntados ao presente processo administrativo (nº 16004.720053/201292). Assim, com fulcro nos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN a Auditoria Fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls 3.562/3.613, onde fundamenta a responsabilidade solidária dos sócios pela identificação do interesse comum no fato gerador com base nos documentos e constatações evidenciadas durante a ação fiscal que fazem parte do presente processo e que demonstram claramente, a administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros, ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, conduta que traduz a simulação da contratação de empregados pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. posto que custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda, constituída por interpostas pessoas (procuradores da Equipamentos Rodoviários Rodrigues) como optante do SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Por fim, informa a fiscalização que em decorrência da conduta infracionária descrita acima conforme previsto nos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64, aplicou a multa de ofício em dobro no percentual de 150% (75% x 2) a partir da competência 01/2009 com Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 9 8 fundamento no Art. 44, inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, e considerou ser irrelevante distinguir se tal conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio já que demonstra infração a tipos definidos na citada Lei. Inconformada com as decisões exaradas pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário contra os dois Acórdãos às fls. 3.784/3.806. Ou seja, verificase que nos presentes autos há competência concorrente da Primeira Seção (para julgamento do Recurso Voluntário protocolado em face do Acórdão de Manifestação de Inconformidade) e da Segunda Seção (para julgamento do Recurso Voluntário protocolado em face do Acórdão de Impugnação). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência. Da análise do presente feito, verificase que, embora o presente processo, verse sobre a exigência de contribuições previdenciárias da parte patronal e multas cominativas, apuradas em decorrência de exclusão da impugnante do Simples Nacional tendo como base de cálculo os valores declarados em GFIP, cujas contribuições estão fundamentadas no Relatório Fiscal e no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexos ao citado Auto de Infração. Também encontrase em curso nos presentes autos (processo administrativo digital nº 16004.720053/201292), O PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES, acompanhado de todos os documentos probatórios dos fatos que serviram de base para emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N.095, 26/02/2013, os quais estão pendentes de julgamento o Recurso impetrado em face do acórdão de Manifestação de Inconformidade Nestes termos, em respeito ao disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, incisos IV e V do artigo 2º, aprovado pela da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, alterado pela Portaria nº 152, de 03 de maio de 2016, temse que a competência para julgamento do recurso voluntário, referente ao procedimento de exclusão do Simples Nacional, pertence à Primeira Seção. Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 16004.720053/201292 Resolução nº 2401000.735 S2C4T1 Fl. 10 9 Assim, verifico a necessidade de converter o feito em diligência, com o objetivo de encaminhar os presentes autos para a 1ª Seção para que efetue o julgamento do Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão de Manifestação nº 0829.406 – proferido pela 6ª Turma da DRJ/FOR – fls. 3.737/3.745, que manteve a exclusão da empresa recorrente – GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES – do Sistema Simples Nacional, em conformidade com o Ato Declaratório Executivo SAORT/DRF/STR nº 095 retificado, de 26/02/2013, tendo em vista o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, Portaria nº 343/2015, que determina a competência da Primeira Seção de Julgamento para apreciação de recursos contra exclusão do Simples Nacional, como se verifica: Art. 2º À 1ª(primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...]V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); Após, notificar a empresa sobre o resultado do julgamento e após o trânsito em julgado, restituir os autos para este Colegiado, para que também em face da competência regimental, possa realizar o julgamento do Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de Impugnação às – Fls. 3.746/3.768. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3904DF CARF MF
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