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Numero do processo: 16682.906108/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.041
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 08 /2 01 2- 68 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14058.652. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de COFINS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de COFINS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de COFINS; (v) tendo havido a redução do débito de COFINS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de COFINS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16682.906108/201268 Acórdão n.º 3201005.041 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.003246/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007.
O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente PARÁ AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 46 /2 00 7- 61 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10850.003246/200761 Acórdão n.º 3201004.877 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP, que manteve o Despacho Decisório da DRF/São José do Rio Preto e, consequentemente, não reconheceu o crédito de pleiteado. O processo teve início com pedido de restituição de Cofins, vinculado a compensação. Segundo informado pelo contribuinte, o direito creditório decorre de pagamento efetuado a maior, mediante compensação efetuada anteriormente, que se mostrou indevida em razão de o STF ter julgado inconstitucional a cobrança da contribuição sobre receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/SP, nos termos do Acórdão 14054.900, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não existe a possibilidade jurídica do pedido de restituição de compensação indevida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificada da decisão acima, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, ser perfeitamente possível a restituição de débitos extintos pela via da compensação (compensação tratada no processo 13804.000953/200153, devidamente homologada), e que apresentou documentos (planilha e balancete) que comprovam os valores indevidamente compensados em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei 9.718/1998. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10850.003246/200761 Acórdão n.º 3201004.877 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.871, de 28/01/2019, proferido no julgamento do processo 10850.003238/200714, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.871): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A decisão de primeira instância manteve o entendimento do Despacho Decisório que negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62 A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. O segundo entendimento do despacho decisório, mantido em primeira instância e que deve ser enfrentado, tratou da não equivalência da compensação indevida ao pagamento indevido. Contudo, diversos precedentes deste conselho registraram o entendimento de que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10850.003246/200761 Acórdão n.º 3201004.877 S3C2T1 Fl. 5 4 A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, exposto parcialmente a seguir: "20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10850.003246/200761 Acórdão n.º 3201004.877 S3C2T1 Fl. 6 5 LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN." Diante do exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726657/2017-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES.
O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei.
ISENÇÃO. AUXÍLIO-DOENÇA.
Os rendimentos relativos ao auxílio-doença, desde que se refiram a benefício de natureza previdenciária, efetivamente custeados pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada estão isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.
Numero da decisão: 2002-000.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei. ISENÇÃO. AUXÍLIO-DOENÇA. Os rendimentos relativos ao auxílio-doença, desde que se refiram a benefício de natureza previdenciária, efetivamente custeados pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada estão isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente GRACA MARIA DOS SANTOS NOGUEIRA E SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei. ISENÇÃO. AUXÍLIODOENÇA. Os rendimentos relativos ao auxíliodoença, desde que se refiram a benefício de natureza previdenciária, efetivamente custeados pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada estão isentos do imposto sobre a renda da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 57 /2 01 7- 27 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 206 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 34/37), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. Essa alteração implicou redução do imposto a restituir de R$45.332,49 para R$166,14. Tal notificação decorreu resultando na apuração de Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, no valor de R$233.253,14. Impugnação Cientificada à contribuinte em 26/7/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 15/8/2017, à fl. 3/13 dos autos. A contribuinte voltou a se manifestar em 10/8/2017 (fls. 44/53) e em 5/9/2017 (fls. 57/60). As defesas apresentadas foram assim sintetizadas na decisão a quo: 1. o direito à restituição do IR pleiteado devese à decisão judicial proferida pela Vara de Acidente de Trabalho, com efeitos retroativos a 30/07/2011, pela qual se reconheceu a existência de doença ocupacional e o dever do INSS instituir o auxíliodoença acidentário; 2. restabelecido o auxíliodoença acidentário, com efeitos retroativos a 30/07/2011, o INSS realizou nova perícia médica na contribuinte e resolveu converter o auxíliodoença acidentário em aposentadoria por invalidez acidentária, em 08/03/2017; 3. sabese que são isentos de desconto e IRPF os rendimentos recebidos por pessoas físicas a título de indenização por acidente de trabalho, os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrente de invalidez permanente do participante, os proventos de aposentadoria percebidos pelo portador de moléstia profissional e os rendimentos decorrentes de auxíliodoença, nos termos do art. 6º, IV,VII XIV da Lei 7.713/1988, do art. 48, da Lei n º8.541/1992 e do art. 6º , da Instrução Normativa SRF nº 1500/2014; 4. a partir de 1999 foi acometida por diversas doenças diagnosticadas por laudos médicos; inclusive, em face de forte stress, contraiu depressão e sentiu o agravamento da lesão por esforço repetitivo –LER ( doc. em anexo); 5. diante das diversas doenças, restoulhe afastarse das suas atividades laborais, mediante percepção do benefício previdenciário ordinário, em 01/02/2010, quando o Instituto Nacional de Previdência Social ( INSS) reconheceu a Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 207 3 incapacidade para o trabalho em decorrência da existência das doenças , ressaltando que não foi auxíliodoença acidentário, o que foi convertido pela via judicial posteriormente; 6. autoridades médicas, em abril e maio de 2011, concluíram e reconheceram que a autuada era portadora de doença ocupacional e que deveria ser afastada do serviço por CAT – Comunicado de Acidente de Trabalho; 7. ocorre que, em 29/07/2011, a perita do INSS mandou cessar o benefício previdenciário, reconheceu no mesmo laudo sua incapacidade para o trabalho e determinou o retorno às atividades laborais ( doc. em anexo); 8. mas, por meio de ação proposta em 15/08/2011, que tramitou na Vara de Acidente de Trabalho – Salvador –BA, o juízo reconheceu, em 30/09/2013, a existência de doença ocupacional e proferiu a DECISÃO LIMINAR concessiva de tutela antecipada, determinando a implantação de auxíliodoença acidentário a seu favor; 9. em 28/10/2014, o juízo da Vara de Acidente de Trabalho proferiu sentença determinando a concessão do benefício previdenciário de auxíliodoença acidentário e o pagamento da verba apurada, de todos os valores devidos e não pagos, tudo retroativamente desde 30/07/2011; 10. após diversas etapas de luta processual, o auxíliodoença acidentário foi, de fato, implementado junto ao INSS em 08/11/2016 e resolveu converter tal auxílio em aposentadoria por invalidez acidentária, em 08/03/2017; 11. assim, a partir do trânsito em julgado da ação de acidente de trabalho em 11/12/2015, nasceu para a autora a pretensão de obter a restituição do IRPF, iniciandose o prazo prescricional de 05 (cinco) anos; 12. desta forma, protocolizou processos administrativos junto à SRF como alegado no item 1; 13. seu pedido foi indeferido junto à Receita Federal do Brasil, sob o argumento de que não fora apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos termos do art. 6º, §§ 4º e5º, da Instrução Normativa SRF nº 1.500, de 29/10/2014, e do art. 30, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995; 14. contudo, a exigência de laudo pericial na forma prevista não pode inviabilizar o direito da contribuinte quando os entes públicos dificultarem a própria produção da prova, caso em que outros meios de prova serão utilizados; 15. a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é enfática ao dizer que a forma prevista do laudo médico não constitui único meio de prova da situação que enseja a isenção tributária; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 208 4 16. existem nos autos diversos laudos periciais, exames e relatórios médicos, decisões administrativas do INSS e decisão judicial da Vara de Acidente de Trabalho reconhecendo a natureza ocupacional da moléstia; 17. reclama que o direito previsto em lei não pode ser afastado pela criação de obstáculos meramente burocráticos, eis que o requerimento da autora está lastreado em prova documental robusta quanto à natureza ocupacional da moléstia; 18. cita a Súmula nº 43 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que trata da isenção ora pleiteada; 19. nos termos do art. 165, I, do Código Tributário Nacional, havendo decisão judicial que reconheceu, com efeitos retroativos, a existência de moléstia ocupacional, constituise o direito do contribuinte à repetição do indébito tributário; 20. para fins de aplicação da isenção ora pretendida, importa apenas a prova da moléstia ocupacional relacionada ao rendimento em questão, sendo inadmissível a interpretação restritiva; 21. definitivamente, a forma prevista do laudo médico não constitui único meio de prova da situação que enseja a isenção ora pleiteada; 22. para corroborar o seu entendimento, cita ementas e Súmulas do Supremo Tribunal de Justiça; 23. se reporta à juridicidade administrativa que impõe à autoridade administrativa a reverência à hierarquia das normas jurídicas, interpretando e aplicando o direito conforme a Constituição e à jurisprudência dos Tribunais Superiores; 24. especificamente sobre a isenção do IRPF aos portadores de moléstia , a PGFN já emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 701/2016, reforçando o reconhecimento da jurisprudência pacífica do STJ sobre a matéria; 25. afirma que não se operou a prescrição da pretensão da autora sequer em relação à restituição do IRPF do exercício 2011; 26. de acordo com o seu entendimento, sua pretensão somente nasceu quando se reconheceu ser juridicamente indevido o tributo, isto é , somente com o trânsito em julgado da decisão judicial; 27. conseqüentemente, entende que o início do prazo prescricional somente poderia ocorre após o trânsito em julgado da decisão definitiva, pois o referido prazo estava impedido de fluir; 28. ante todo o exposto, requer: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 209 5 28.1. o provimento da impugnação, para reconhecer a natureza ocupacional da moléstia, com efeitos retroativos a 30/07/2011, nos exercícios de 2011,2012, 2013,2014,2015 e 2016; 28.2.a produção de provas pelos meios admitidos em direito; 28.3.que todas as publicações sejam feitas em nome do advogado Ricardo Maurício Nogueira e Silva, OAB/BA 30.235, sob pena de nulidade. Posteriormente, em 05/09/2017 (fls. 57/58), a autuada acostou ao presente uma petição, esclarecendo que: 1.instaurou procedimentos administrativos com a finalidade de obter a restituição do imposto de renda pessoa física , relativos a 2011,2012,2013,2014,2015 e 2016; 2.o direito à restituição devese à decisão judicial proferida pela Vara de Acidente de Trabalho, com efeitos retroativos a 30/07/2011, pela qual foi reconhecida a existência de doença ocupacional e o dever de o INSS instituir o auxíliodoença acidentário; 3.em 11/12/2015, ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial, quando nasceu a pretensão da contribuinte à restituição e o início do prazo prescricional; 4.assim, em 08/03/2017, mediante nova perícia, o INSS resolveu converter o auxíliodoença acidentário em aposentadoria por invalidez acidentária, em 08/06/2017; 5.está anexando novo laudo pericial , incluindo o número da matrícula e registro do Dr. Carlos José Doria Adan Cordeiro e que ele atende na unidade Multicentro de Saúde Professor Bezerra Lopes – Liberdade; 6.apesar de o laudo pericial do supracitado médico ser datado de 16/08/2017, o Dr. Doria reconhece por meio de provas documentais que a contribuinte é portadora de moléstia profissional desde 07/2011 e, ainda, que, exames apresentados comprovam que ela permanece com a moléstia profissional até a presente data; 7.argúi que os documentos ora apresentados já foram juntados ao presente quando do protocolo inicial; 8. por fim, pugna pela procedência do pedido de restituição que incidiu sobre os rendimentos relacionados à moléstia ocupacional, tais como auxílio doença e aposentadoria por invalidez acidentária, nos anos de 2011,2012,2013,2014,2015, e 2016. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente (fls. 62/70). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 210 6 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/12/2017 (fl. 78), o contribuinte, em 17/1/2018 (fl. 82), apresentou recurso voluntário, às fls. 82/95, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão de primeira instância seria inconstitucional, porque ofendeu a separação de poderes e o princípio da justicialidade, ao excluir da sua análise o sentido jurisprudencial, perpetuando o arbítrio e o abuso de poder. a autoridade administrativa deveria interpretar e aplicar o direito conforme a Constituição e a jurisprudência dos Tribunais Superiores. acerca do tema moléstia grave, a PGFN teria emitido o Parecer PGFN/CRJ nº 701/2016. a decisão atacada seria ilegal, porque teria ofendido o artigo 6º, §§4º e 5º, da IN RFB nº 1.500, de 2014, e o artigo 30, da Lei nº 9.250, de 1995, que consignam a necessidade de apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, não se justificando a exigência de laudo emitido pelo INSS. a SRF não poderia inviabilizar seu direito diante das provas existentes nos autos, citando jurisprudência do STJ no sentido de que o laudo médico não constitui o único meio de prova do direito à isenção. teria tido reconhecido seu direito em outros quatro diferentes procedimentos administrativos, relativos aos exercícios de 2014, 2015 e 2016. ainda que ciente da existência dos demais processos, a autoridade julgadora indeferiu seu pleito, o que, na sua visão ofenderia o princípio constitucional da isonomia. teria trabalhado por 32 anos junto ao grupo econômico da COELBA e COBER, contribuindo para o INSS. a partir de 1999, teria passado a sentir fortes dores no braço, punhos e mãos, tendo sido diagnosticada posteriormente com diversas doenças, as quais lista (fl.86). teria sido acometida de outras doenças nos anos de 2009 e 2010. teria se afastado do trabalho e passado a receber auxíliodoença em 1/2/2010, tendo o INSS reconhecido sua incapacidade para o trabalho. Ressalta que, num primeiro momento, teria sido estabelecido o pagamento do auxíliodoença ordinário, posteriormente convertido em auxíliodoença acidentário, pela via judicial. em 6/4/2011, a médica do trabalho do empregador teria reconhecido sua incapacidade para o trabalho, devido à existência de doença ocupacional. em 7/5/2011, médico dos Serviços Especializados em Neurologia e Neurocirurgia teria concluído que a contribuinte deveria ser afastada do serviço por Comunicado de Acidente de Trabalho CAT. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 211 7 em 29/7/2011, o pagamento do benefício teria sido suspenso após perícia realizada no INSS. teria ajuizado a ação nº 035465829.2013.805.0001, em face do INSS, para reverter essa situação. em 30/9/2013, teria obtido decisão liminar favorável, determinando a implantação do auxíliodoença acidentário, o que só teria se efetivado em 8/11/2016. em 28/10/2014, teria sido proferida sentença, confirmando seu direito e determinando a concessão do benefício previdenciário desde 30/7/2011. o INSS teria interposto recurso de apelação, recebido no efeito devolutivo, para o qual teria sido negado provimento por unanimidade pelo Tribunal de Justiça da Bahia, com trânsito em julgado em 11/12/2015. isto posto, o auxíliodoença teria sido restabelecido, com efeitos retroativos a 30/7/2011. após a realização de nova perícia, o INSS teria convertido o auxíliodoença acidentário em aposentadoria por invalidez acidentária, em 8/3/2017. seu direito à restituição do IRPF teria nascido a partir do trânsito em julgado da ação de acidente de trabalho, em 11/12/2015. seu pedido teria sido indeferido neste processo pela falta de apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. existiria nos autos prova cabal da natureza ocupacional da moléstia. ainda assim, teria juntado laudo emitido por médico do serviço público oficial. a decisão de primeira instância teria modificado e inovado o entendimento para manter o indeferimento de seu pleito, ao consignar que, para comprovação de doença profissional, o laudo a ser apresentado deve ser elaborado pela perícia médica do INSS, sem apontar fundamento legal. a SRF não poderia inviabilizar seu direito diante das proas reunidas nos autos, voltando a citar a jurisprudência do STJ. seriam isentos do IR os rendimentos percebidos por pessoas físicas a título de indenização por acidente de trabalho, os seguros recebidos de entidades de previdência provada decorrente de invalidez permanente do participante, os proventos de aposentadoria percebidos pelo portador de moléstia profissional e os rendimentos decorrentes de auxílio doença. Diligência Em 26/9/2018, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2002000.039 (fls.97/105): Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 212 8 Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a recorrente a apresentar: 1 comprovantes de rendimentos, relativos ao anocalendário 2012, das fontes pagadoras Faelba Fundação Coelba de Previdência Complementar, Coelba Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia e INSS, de forma a demonstrar a natureza dos rendimentos recebidos. 2 documentos atinentes à ação judicial nº 035465829.2013.805.0001 (petição inicial, todas as decisões proferidas, alvarás eventualmente expedidos). Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (Relator) que votou contra a realização da diligência. Em atendimento, a recorrente juntou documentos de fls.122/201, quais sejam: petição (fls.122/125). comprovantes de rendimentos (fls.127/129). documentos emitidos pelo INSS (fls.130/136). laudos e relatórios médicos (fls.137/143). documentos relativos à ação ajuizada pela recorrente em face do INSS (fls. 144/201). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos auferidos pela recorrente de três fontes pagadoras: Faelba Fundação Coelba de Previdência Complementar, Coelba Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia e INSS (fl.35). Na Declaração de Ajuste sobre a qual recaiu a autuação, ela informouos no quadro "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", na linha relativa a "Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço" (fl.18). A autuação consigna a ausência de laudo médico oficial e ainda que benefícios de auxílio doença não gozariam de isenção. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 213 9 Em relação à falta de laudo, junto a sua impugnação, a contribuinte juntou o laudo médico oficial de fl.59, consignando ser ela portadora de moléstia profissional desde 07/2011. O julgamento foi convertido em diligência, tendo sido juntados atinentes à natureza dos rendimentos (fls. 127/129). Sobre o auxíliodoença, segue legislação aplicável, bem como orientação contida no Manual de Perguntas e Respostas do IRPF 2013, editado pela RFB: Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 48. Ficam isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de seguro desemprego, auxílionatalidade, auxíliodoença, auxíliofuneral e auxílioacidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. (Redação dada pela lei nº 9.250, de 1995)” Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR) “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XLII os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de segurodesemprego, auxílionatalidade, auxílio doença, auxíliofuneral e auxílioacidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada (Lei nº 8.541, de 1992, art. 48, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 27); (...)” Manual de Perguntas e Respostas IRPF 2013 AUXÍLIOS E COMPLEMENTAÇÃO PREVIDENCIÁRIA 231 — São tributáveis os valores ressarcidos ou pagos pelas empresas a título de complementação de rendimento, tais como segurodesemprego, auxíliocreche, auxíliodoença, auxílio funeral, auxílio préescolar, gratificações por quebra de caixa, indenização adicional por acidente de trabalho etc.? Sim. Esses valores são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste. São isentos apenas os rendimentos pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ainda que pagos pelo empregador por força de convênios com órgãos previdenciários, e pelas entidades de previdência privada, decorrentes de segurodesemprego, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10580.726657/201727 Acórdão n.º 2002000.847 S2C0T2 Fl. 214 10 auxílionatalidade, auxíliodoença, auxíliofuneral e auxílio acidente. Entretanto, no caso de verbas recebidas a título de auxílio creche pelos trabalhadores até o limite de cinco anos de idade de seus filhos, a fonte pagadora está desobrigada de reter o tributo devido pelo contribuinte e a RFB não constituirá os respectivos créditos tributários, tendo em vista o Ato Declaratório PGFN nº 13, de 20 de dezembro de 2011. ( Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 48, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 27; art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/1999, art. 39, XLII; e item 9 do Parecer PGFN/PGA/Nº 2683/2008, de 28 de novembro de 2008) Ressalto que o Parecer PGFN/CRJ nº 701/2016, citado no recurso, trata da exigência da comprovação da contemporaneidade dos sintomas ou da recidiva da enfermidade, não se aplicando ao caso desses autos. Diante dos documentos juntados, entendo restar devidamente comprovado que os rendimentos tidos por omitidos pela contribuinte estão isentos do IR, sendo de se cancelar a autuação. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001488/2009-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
Numero da decisão: 9202-007.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
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CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, sendo que estes últimos podem se configurar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como de outras informações constantes dos autos, foi possível à Fiscalização a caracterização de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 88 /2 00 9- 45 Fl. 359DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório No presente processo, encontrase em julgamento o Debcad 37.204.6037, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados empregados e trabalhadores avulsos, incidentes sobre o valor a eles pago a título de remuneração, no período de 11/2005 a 04/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 22 a 37. Em sessão plenária de 14/05/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.606 (efls. 237 a 252), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari." Intimada da decisão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial (e fls. 253). Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 360 3 Cientificada do acórdão em 14/01/2015 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 337), a Responsável Solidária Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda interpôs, em 29/01/2015 (carimbo de efls. 263), o Recurso Especial de efls. 263 a 335, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão da caracterização do grupo econômico e, por consequência, a responsabilidade solidária. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 14/08/2015 (efls. 341 a 346). Em seu apelo, a Responsável Solidária alega: o próprio Ministério Público do Trabalho chancela a relação havida entre Proactiva e Armiplan, ratificando que não há aqui terceirização indevida; a decisão recorrida parte de uma busca "por analogia" da definição de grupo econômico que se dá na Consolidação das Leis do Trabalho, em particular no seu artigo 2°, § 2°, os supostos elementos necessários à caracterização do que seria esse "grupo econômico"; ocorre que essa analogia jamais poderia ter sido realizada, a uma, porque há sim parâmetros normativos aos quais está adstrita a autoridade julgadora e, a duas, porque o dispositivo da CLT invocado pela decisão recorrida, por disposição expressa de seu próprio texto, somente pode ser aplicado para fins de determinação da relação de emprego e não para fins tributários; com efeito, existe sim definição de grupo econômico que deveria pautar o entendimento da autoridade julgadora que não a CLT, esta que é inaplicável à espécie; assim, devese entender por grupo econômico, para os fins de solidariedade tratados neste caso, duas ou mais empresas que estão sob direção, controle ou administração comum, conforme preceituam as Instruções Normativas INSS/DC n° 100/2003 e MPS/SRP n° 3/2005; e a prova de que a Armiplan não tem qualquer direção ou administração própria não foi, de maneira alguma, trazida pela Fiscalização ou pela decisão recorrida; por mais desorganizada que fosse a empresa Armiplan e sua contabilidade e por mais que se possa eventualmente questionar a sua lisura fiscal e mesmo trabalhista, jamais se demonstrou haver ali qualquer insurgência administrativa, diretiva ou de controle por parte da empresa Proactiva; como se demonstrou, o monitoramento da Proactiva se dava em relação à execução de alguns dos serviços em seu aterro sanitário, tratandose, portanto, de um monitoramento no nível de execução, o mais baixo possível, longe de poder ser considerado nível administrativo, diretivo ou de controle; de fato, dentro da Armiplan quem recolhia os tributos ou não os recolhia quem pagava salários, quem contratava e demitia, quem distribuía ou não lucros, quem optava ou não por prestar serviços a uma ou outra empresa (ou mesmo a manterse como uma prestadora de serviços direcionada, dada a especificidade do seu mercado de atuação) eram Fl. 361DF CARF MF 4 exclusivamente seus sócios/administradores, de sorte que não há compartilhamento de direção, administração ou coisa que o valha; essa questão, aliás, já foi superada pelas próprias instâncias competentes da Justiça do Trabalho, como já se demonstrou, assim como já foi superada anteriormente, por ocasião de outros desdobramentos do MPF que deu origem ao caso vertente; a questão do controle oferece ainda menos dificuldades, já que não há qualquer vínculo societário entre as referidas empresas; não há como sustentar que a Proacvtiva tenha tido interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador das exações objeto deste recurso; como bem pontua o voto vencido do acórdão recorrido, assim como o acórdão paradigma e a uníssona jurisprudência do STJ, não é qualquer interesse que enseja a caracterização da solidariedade, sendo necessário um interesse qualificado, jurídico; o que se exige é que o sujeito passivo por solidariedade também tenha, concretamente, praticado o fato gerador; é simplesmente impossível vincular juridicamente a recorrente à prática do fato gerador das Contribuições em apreço, uma vez que, como se viu, esta não pagou os funcionários da empresa Armiplan; a própria Justiça do Trabalho em inúmeras vezes já decidiu, como se comprovou neste caso, que a Proactiva não é empregadora dos funcionários da empresa Armiplan; vale rememorar também que houve a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério do Trabalho, pelo qual se acordou que a Proactiva contrataria alguns dos funcionários da Armiplan a partir do ano de 2008; tratase aí de um reconhecimento, pelo próprio Ministério Público do Trabalho, de que não havia relação de trabalho (subordinação, habitualidade e pessoalidade) e, portanto, de que não se tratava de um grupo econômico, nos termos do art. 2°, § 2 °, da CLT, entre os funcionários da Armiplan e a Proactiva à época dos créditos tributários exigidos; dessa forma, não se pode pretender qualquer efetivo interesse comum da Proactiva na prática do fato gerador em exame, o qual foi praticado única e exclusivamente pela Armiplan, de forma isolada. Ao final, a recorrente pede que seja conhecido e provido o recurso, cancelandose o lançamento na parte que atribui responsabilidade solidária. O processo foi encaminhado à PGFN em 12/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.346 do processo principal) e, em 26/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.359 do processo principal), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 347 a 358, contendo os seguintes argumentos: o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, é suficiente para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 361 5 notase que o citado artigo, que cuida da responsabilidade solidária das empresas de um grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social, referese a uma solidariedade prevista em lei, logo não depende de demonstração de qualquer interesse comum; da leitura do art. 2º, §2º, da CLT, exigese, como condição elementar para existência de grupo econômico, o controle central de uma das empresas sobre as demais e esse mesmo entendimento se extrai da IN nº 03/2005, do INSS; frisase que não se exige o revestimento por determinada modalidade societária (holding, consórcio, pool, etc), bastando provas que evidenciem os elementos de integração interempresarial; já na leitura do art. 265, da Lei de Sociedades Anônimas, basta a combinação de esforços entre as empresas para que aufiram objetivos comuns, ou participem do empreendimento comum; diante disso podemos firmar o convencimento de que, para caracterizar grupo econômico, é necessário haver a conjugação dos seguintes elementos: composição de entidades estruturadas como empresas; e que, entre elas, haja um nexo relacional; no tocante a esse último requisito, uns entendem que essa relação deve ser ordem hierárquica, mas há quem entenda que, para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja administradora da outra ou que possua grau hierárquico ascendente, sendo suficiente uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos, que é o entendimento moderno; a situação sob análise atende a todas essas definições dadas, como se verifica nos inúmeros fatos levantados pela fiscalização; diante dos fatos relatados, verificase que essas empresas encontramse sob gestão comum e que, entre elas, existe uma relação interempresarial, pois os negócios são conduzidos tendo em vista interesses desse grupo, e não os de cada uma das diversas sociedades, o que torna essa separação societária de índole apenas formal; portanto, resta caracterizada a formação do grupo econômico de fato e a consequente responsabilização solidária de todas as empresas dele integrantes. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Responsável Solidária é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.204.6037, referente às Contribuições Previdenciárias não descontadas pela empresa, devidas pelos segurados empregados e trabalhadores avulsos, incidentes sobre o valor a eles pago a título de remuneração, no período de 11/2005 a 04/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 21 a 36. Fl. 363DF CARF MF 6 No acórdão recorrido, entendeuse que estaria caracterizado Grupo Econômico entre as empresas Armiplan (principal) e Proactiva (solidária). A Responsável Solidária, por sua vez, visa rediscutir a questão da caracterização de Grupo Econômico e, por consequência, a responsabilidade solidária. Quanto à caracterização do Grupo Econômico, a Fiscalização demonstrou à exaustão o entrelaçamento entre as empresas Armiplan e Proactiva, concluindo por tratarse efetivamente de Grupo Econômico de fato, inclusive porque, na prática, a Proactica caracterizavase como a única empregadora. Nesse sentido o voto vencedor do acórdão bem resumiu os fatos que apontam para esta conclusão: "Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. (...) O conjunto de provas contido no processo deixa claro a existência do grupo econômico, como por exemplo: · a declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos (fls. 57 a 59 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMPLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; · a declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos (fl. 38 do Anexo I do processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA localizado no município de Biguaçu/SC; que, malgrado seja empregado registrado da PROACTIVA, gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA quanto da ARMIPLAN; que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 362 7 · a declaração prestada pelo Sr. Armelindo Ramos (fls. 94/94v do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), procurador formalmente investido de poderes para administrar a gerir a ARMIPLAN (cópia de procuração de fl. 41 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), na qual aduz que a sua função no aterro é de encarregado do pessoal; que a PROACTIVA emprestou R$ 60.000,00 a ARMIPLAN em 2005 para pagar o IRRF dos funcionário desta; e que a PROACTIVA, visando manter a ARMIPLAN em atividade, já a ajudou e quitou dividas dela. · a constatação de que a ARMIPLAN, a partir do início de 2005, prestou serviços unicamente a PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas fiscais reproduzidas as fls. 416 a 454 dos autos e as fls. 281 a 316 do Anexo I do presente processo (11516.001487/200909); · a constatação de que a ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço, a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA, · a constatação de que, há vários anos, todos o trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC (folhas de pagamento de fls. 476 a 857); · a declaração, pelo Sr. Miguel Ramos Filho (fl. 23 do Anexo I do presente processo 11516.001487/ 200909), que figura nas folhas de pagamento elaboradas em nome da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, de que tem como verdadeira incumbência laboral o controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículos e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; · o capital social previsto no documento de constituição da ARMIPLAN é irrisório (R$ 5.000,00) e de que esta não detém a propriedade/posse formal de nenhum equipamento/máquina necessário à prestação de serviços de terraplanagem. CONCLUSÃO Pelas razões legais e fáticas acima expostas, entendo correta a sujeição passiva solidária da empresa Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda." (destaques no original) Assim, a despeito dos argumentos contidos no Recurso Especial, restou comprovado que as empresas Armiplan e Proactiva compõem Grupo Econômico de fato, já que, na prática, a primeira é dirigida e controlada pela segunda. Com efeito, é a Proactiva que assegura o suporte administrativo, patrimonial e econômico para que a Armiplan exerça suas atividades. E as atividades exercidas por ambas as empresas no aterro sanitário de propriedade Fl. 365DF CARF MF 8 da Proactiva, localizado em Biguaçu/SC, constituem na verdade um único empreendimento, como bem pontuou a decisão de Primeira Instância. Assentado que as empresas Armiplan e Proactiva constituem Grupo Econômico de fato, resta analisar as consequências desta conclusão, no que tange à responsabilidade solidária da Proactiva, que é o tema central do apelo. O art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, assim estabelece: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;" O CTN, por sua vez, dispõe em seu art. 124: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Assim, a conjugação dos dispositivos acima destacados conduz à conclusão no sentido de que, constatada a existência do Grupo Econômico, formal ou informal (de fato), as empresas dele integrantes respondem solidariamente pelas obrigações previdenciárias, independentemente de verificação acerca do atendimento ao inciso I, do art. 124, do CTN. Nesse sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 363 9 1. Não havendo no acórdão omissão, contradição ou obscuridade capaz de ensejar o acolhimento da medida integrativa, tal não é servil para forçar a reforma do julgado nesta instância extraordinária. Com efeito, afigurase despicienda, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a refutação da totalidade dos argumentos trazidos pela parte, com a citação explícita de todos os dispositivos infraconstitucionais que aquela entender pertinentes ao desate da lide. 2. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não constitui cerceamento de defesa o indeferimento da produção de prova testemunhal e pericial quando o magistrado julgar suficientemente instruída a demanda, esbarrando no óbice da Súmula n. 7 do STJ a revisão do contexto fáticoprobatórios dos autos para aferir se o acervo probatório é ou não satisfatório. Precedentes. 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. 5. "O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito" (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08). 6. A Corte a quo, soberana no delineamento das circunstâncias fáticas, observou que, apesar de denominadas como diárias e ajuda de custo, as verbas eram pagas de forma habitual, em valores fixos e expressivos, aos mesmos empregados e sem que Fl. 367DF CARF MF 10 fosse comprovada a execução dos serviços a que elas se destinavam ou a realização de viagens, "simplesmente para aumentar a sua remuneração". Correta, pois, a conclusão pela natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária. 7. "Os honorários advocatícios devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte" (Súmula n. 306 do STJ). 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1144884/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011)" (grifei) Voto "As recorrentes afirmam que, para a formação de grupo de atividade econômica, é necessário que "uma ou mais empresas, cada uma com sua personalidade jurídica própria, estejam sob a direção, controle ou administração de outra" (eSTJ fl. 412 grifo original). (...) Inicialmente, cumpre destacar que o caso em apreço versa sobre a solidariedade estipulada no inc. II do art. 124 do CTN, ou seja, quando há pessoa expressamente designada por lei. A lei invocada pela origem para a aplicação dessa regra foi o art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, segundo o qual "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei" (grifei). Dessarte, não se aplica no caso concreto a jurisprudência desta Corte de que inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do “interesse comum”, tendo em vista que essa locução interesse comum é oriunda no inc. I do art. 124 do CTN e não do inc. II, sob análise (v., por todos, o REsp 1001450/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 27.3.2008). Desta forma, neste caso, à luz do art. 124, inc. II, do CTN e do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, basta aferir se, a partir do contexto fáticoprobatório dos autos, há elementos suficientes para caracterizar a existência de "empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza", para, em caso positivo, concluir pela existência da solidariedade. (...) Diante da expressividade dos fatos apresentados no acórdão, penso que não há como rejeitarse a existência de um mesmo grupo econômico, até porque a legislação de custeio da Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 364 11 previdência social não é restritiva quanto à sua configuração, ao permitir que tal grupo seja de qualquer natureza. Apesar de ser possível, em tese, socorrerse da Lei das Sociedades Anônimas (art. 265 da Lei n. 6.404/76) para buscar algum significado para a expressão grupo econômico, é preciso ter em mente que lá se trata da regulamentação de grupo de sociedades formalmente constituído. Assim, não é adequada a restrição da aplicação do art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91 ao caso concreto, pretendida pelas recorrentes, pois o citado dispositivo referese a empresas integrantes de grupo econômico, qualquer que seja a sua natureza, ou seja, de modo amplo a abarcar situações de informalidade. (...) In casu, verificase que o sóciogerente de uma das empresas tem poderes para praticar atos de gerência em relação às demais, fato esse que demonstra, sem dúvidas, a existência de um controle único sobre as três recorrentes que atende ao escopo legal de responsabilização do grupo econômico de qualquer natureza. Ganha relevo essa tese quando se depreende que, além do comando ser centralizado na pessoa do sóciogerente de uma das empresas recorrentes, os funcionários da três eram compartilhados, de molde a justificar a existência de solidariedade quanto ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço das três empresas. Nesse sentido, a doutrina se manifesta pela possibilidade da caracterização de grupo econômico, a despeito da ausência de formalidade em sua constituição, quando existir uma unidade gerencial em relação às empresas integrantes." (grifei) Ainda que a responsabilidade solidária fosse condicionada ao atendimento do art. 124, inciso I, do CTN o que se admite apenas para argumentar a situação tratada no presente processo permite concluir pela existência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, pelo fato de a empresa Proactiva ser, de fato, a principal empregadora, inclusive com transferência de funcionários da Armiplan, além da questão do empreendimento conjunto no aterro sanitário de Biguaçu/SC. No mesmo sentido do entendimento ora esposado, trago à colação o Acórdão nº 2401004.131, de 16/02/2016, da lavra da Ilustre Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa: Ementa "GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 369DF CARF MF 12 Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns. A partir do exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas, é possível, à fiscalização, a caracterização de formação de grupo econômico de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do inciso IX, art. 30, da Lei n° 8.212/91. (...)" Voto "Incontroverso, que para a caracterização e identificação de 'grupo econômico', importa, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico' da forma da Lei n° 6.404/76). E neste contexto constatandose a ocorrência de 'confusão patrimonial' entre empresas podese, inclusive, admitir que a responsabilidade tributária por solidariedade possa também se dar com fundamento no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional ('interesse comum no fato gerador'), já que se estaria verdadeiramente diante da circunstância em que o patrimônio poderia ser considerado como se fosse 'único' ( 'caixa único ') e, por consequência, as obrigações (inclusive tributárias), podem ser atribuídas a todos os integrantes, diretos ou indiretos, do 'grupo'. Nesse sentido, a comprovação da prática de simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do 'abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial' (art. 50, Código Civil) ou 'atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN), justifica plenamente o procedimento de considerálas como pertencentes às mesmas pessoas e, portanto, passíveis de responsabilização, independentemente dos seus quadros societários formais ou aparentes. Assim, a possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre integrantes de um 'grupo econômico', seja ela 'de direito' ou 'de fato' tem fundamento nos incisos I e II do artigo 124 do Código Tributário Nacional (por expressa determinação legal), que nos leva ao inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/1991, nos casos em que se constata a 'confusão patrimonial' (interesse comum no fato gerador). Finalmente, vale destacar que a responsabilidade solidária de integrantes de 'grupo econômico' não representa inovação, pois Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 9202007.680 CSRFT2 Fl. 365 13 a própria CLT — Consolidação das Leis do Trabalho (DecretoLei 5.452/1943) a prevê, sem fazer qualquer distinção entre 'grupo econômico de fato ou de direito'. Com efeito: Art. 2 ( .. ). § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Feitas essas considerações, que demonstram cabalmente a viabilidade legal da existência de 'grupo econômico de fato' (além dos grupos econômicos formalmente constituídos), e a consequente possibilidade da responsabilização tributária por solidariedade entre os seus integrantes e respectivos dirigentes." Com efeito, no presente caso, o Termo de Sujeição Passiva anexo ao Relatório Fiscal ocupouse de também demonstrar a responsabilidade solidária, pelo ângulo do art. 124, inciso I. Confirase: "Realização conjunta, pela PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA e o sujeito passivo fiscalizado, das situações que configuraram os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas na ação fiscal. 26. No contexto acima detalhado, ao utilizarse de uma simulação para interpor a empresa fiscalizada como braço empresarial para a contratação de trabalhadores para o aterro sanitário de sua propriedade a PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA na prática remunerou indiretamente estes trabalhadores, repassando através de depósitos bancários os valores necessários ao pagamento dos mesmos, vindo a compor com a ARMIPLAN ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA o mesmo pólo da relação capital x trabalho mantida com esta mãodeobra e participando, assim, da situação jurídica que deu azo à ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias cuja responsabilidade solidária se está atribuindo com o presente Termo, qual seja, a de remunerar os trabalhadores em questão, segurados do Regime Geral de Previdência Social RGPS. 27. Pelo que entende a fiscalização que no caso em tela inequivocadamente ocorreu a condição do 'interesse comum na situação que constitua o fato gerador' na forma como tanto a doutrina quanto o judiciário têm dito ser necessário que se implemente para a atribuição da responsabilidade solidária com base no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, com a realização da situação configuradora do fato gerador da obrigação tributaria principal pelo sujeito passivo contribuinte em concorrência com aquele ao qual se está a atribuir a responsabilidade solidária. Fl. 371DF CARF MF 14 28. Argumento em que se embasa a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB para, também com base no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional — CTN, atribuir à empresa PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração n° 37.204.6029, 37.204.6037, 37.204.6053, 37.204.6061 e 37.204.6088 lavrados em desfavor do contribuinte ARMIPLAN — ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela pela responsável solidária Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.732598/2017-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO
Cabe restabelecer as importâncias glosadas, com relação aos pagamentos realizados pelo declarante, relativos a si próprio e de seus dependentes, que estiverem devidamente comprovados através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO Cabe restabelecer as importâncias glosadas, com relação aos pagamentos realizados pelo declarante, relativos a si próprio e de seus dependentes, que estiverem devidamente comprovados através de documentação hábil e idônea.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 25 98 /2 01 7- 17 Fl. 65DF CARF MF 2 2012, que lhe exige o recolhimento de imposto suplementar de R$ 1.700,24, a ser acrescido de juros e multa. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas de instrução no valor de R$ 6.182,70, por falta de comprovação – não apresentou a documentação respectiva exigida O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação na qual alega que se tratar de despesas de instrução dos dependentes Natália Araújo Rocha, CPF: 034.284.66128, e Gabriel Araújo da Rocha, CPF: 052.215.411 57. Solicita prioridade com base no art. 69A, da Lei nº 9.784/99. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual, ano calendário 2012, despesas de instrução relativas ao Sistema Educacional Brasileiro Ltda, CNPJ 56.012.628/000196 para aos dependentes Natália Araújo Rocha e Gabriel Araújo da Rocha. Trouxe aos autos o Extrato de Pagamento de Mensalidade emitido no ano de 2017 pelo Sistema Educacional Brasileiro Ltda, CNPJ 56.012.628/000196, o qual demonstra a dedução despesa de instrução com a dependente Natália Araújo Rocha no valor de no valor R$ 10.538,22, anobase 2012. Portanto, acatase a dedução de instrução no valor de R$ 3.091,35, respeitando o limite anual individual. Quanto à despesa de instrução relativa ao Sistema Educacional Brasileiro Ltda do dependente Gabriel Araújo da Rocha, o contribuinte não apresentou nenhum documento emitido por este estabelecimento de ensino. Notase que o documento de fl. 06, emitido pelo Centro Educacional Dimensão, relativo à anuidade escolar de Gabriel Araújo da Rocha, não se refere a estabelecimento de ensino, pois o CNAE é o 68.10202 aluguel de imóveis próprios, bem como não foi informado na Declaração de Ajuste Anual. Em sede de Recurso Voluntário, junta o Recorrente a documentação necessária para evidenciar que seu filho e dependente Gabriel Araújo foi aluno do CED Centro Educacional Dimensão, onde foi pago a título de despesa com instrução o valor de R$4.992,00, conforme anexo financeiro. Ocorre que a escola passou por alterações contratuais e alterou a atividade por meio da 11 e 12 alteração contratual e consolidação, o que não era de conhecimento do Recorrente. Mas , verificando o ocorrido, juntou toda a documentação para comprovar o quanto alegado e pede reconhecimento, pois, da dedutibilidade da despesa com instrução. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas com instrução Como salientado pela DRJ, a previsão de dedução com despesa de instrução encontrase no art. 8o., inciso II, alínea “b” da Lei 9.250/95:. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10166.732598/201717 Acórdão n.º 2001001.180 S2C0T1 Fl. 3 3 Lei 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 2.159 70, de 2001) Verificamos, ao longo do processo, que a despesa de instrução relativa ao Sistema Educacional Brasileiro Ltda do dependente Gabriel Araújo da Rocha, foi devidamente comprovada. Vale dizer, em sede de Recurso Voluntário, explica o Contribuinte que a escola passou por alterações contratuais e alterou a atividade por meio da 11 e 12 alteração contratual e consolidação, o que não era de conhecimento do Recorrente. Mas, verificando o ocorrido, juntou toda a documentação para comprovar o quanto alegado e pede reconhecimento, pois, da dedutibilidade da despesa com instrução. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 67DF CARF MF 4 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental juntada aos autos pelo Recorrente, especialmente em sede de Recurso Voluntário, entendo que deve ser DADO provimento ao Recurso Voluntário para ser acatada a despesa com instrução, relativa a Gabriel Araújo da Rocha, nascido em 22/02/199, dependente e filho do contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a despesa com instrução, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10166.732598/201717 Acórdão n.º 2001001.180 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002159/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
SALDO NEGATIVO IRPJ - IRRF - COMPROVAÇÃO
Estando demonstrado, via diligência realizada, que não existe crédito tributário a ser cobrado, tendo em vista o desfecho de outros processos administrativos e judiciais que impactavam no Auto de Infração, este deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1302-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado,
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.214 1 1.213 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.002159/200709 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.423 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria Saldo Negativo Recorrente Banco Itaú BBA S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO IRPJ IRRF COMPROVAÇÃO Estando demonstrado, via diligência realizada, que não existe crédito tributário a ser cobrado, tendo em vista o desfecho de outros processos administrativos e judiciais que impactavam no Auto de Infração, este deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 59 /2 00 7- 09 Fl. 1214DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração lavrado em face do ora Recorrente, Banco Itaú BBA S.A., no qual foram constituídos créditos tributários da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativos ao anocalendário de 2003, em face de suposta compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. Vejase, neste sentido, o que constou do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo I (SP), quando relata a acusação fiscal: Em 10 de outubro de 2007, pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal, o contribuinte foi intimado a manifestarse sobre a exatidão das bases de utilização de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL levantadas, assim como sobre o saldo do crédito de CSLL, decorrente de base de cálculo negativa ate 31/12/1998, no valor de R$ 8.477.093,45, em 31/12/2003. Em resposta, o contribuinte apresenta demonstrativos, relacionado as compensações de oficio de base de cálculo negativa de CSLL e de prejuízo fiscais efetuadas, relacionando as aos processos administrativos lavrados e a situação atual dos mesmos. Além do mais, informa que as compensações de oficio não foram consideradas em sua base de cálculo já que os autos estão sendo questionados administrativamente ou judicialmente. HISTÓRICO DAS COMPENSAÇÕS (sic) DE OFÍCIO DE PREJUÍZO BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL EFETUADAS: Em 27 de março de 2000, nos autos do processo administrativo n°16327.000555/0028, a fiscalização constatou que o contribuinte amparado por liminar em mandado de segurança no processo n°93.03.114.7278, junto ao TRF da 8° Região, deixou de adicionar aos lucros líquidos dos respectivos meses/anoscalendário de 1994 a 1998, para efeito de determinação do lucro real, o montante dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Foi lavrado o competente auto de infração, com exigibilidade suspensa, sendo o contribuinte intimado a proceder às alterações em seus controles a fim de excluir do valor do prejuízo fiscal apurados, os valores discriminados à folha 163. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS QUE GERARAM COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL NO ANOCALENDÁRIO DE 2003: Os valores tributáveis de IRPJ e de CSLL, originados por compensações indevidas de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL estão descritos nos demonstrativos, constantes do ANEXO II. O valor tributável de IRPJ é de R$ 121.147.312,63; e o da CSLL soma o montante de R$ 147.113.890, 72, sendo composto por R$ 147.000.178,12 (compensação excedeu o saldo de base de cálculo negativa); de R$ 113.712, 60, de excesso de recuperação de crédito, que convertido para saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% compõe um saldo de base de cálculo negativa de CSLL a 18% de R$ 631.736, 67. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Acórdão n.º 1302003.423 S1C3T2 Fl. 1.215 3 DO LANÇAMENTO: Para constar e surtir todos os efeitos de ordem legal, lavramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL DE DRPJ e CSLL, do BANCO ITAÚ BBA S/A (CNPJ: 31.516.198/000194), ANOCALENDÁRIO DE 2003, relativo à infração COMPENSAÇÕES INDEVIDAS DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CALCULO NEGATIVA DE CSLL), no sucessor e responsável tributário BANCO ITA Ú BBA S/A (CNPJ: 17.298.092/000130), como parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO, em três vias de igual teor, uma das quais fica em poder do autuado. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/12/2007 foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 154 a 158), no montante de R$ 30.581.005,79 (fl.03), (...) Não concordando com a autuação que foi lavrada em seu desfavor, o Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, na qual alegou, em síntese, (i) cerceamento do direito de defesa, (ii) inaplicabilidade da multa de ofício; (iii) impossibilidade de aplicação de multa de ofício ao sucessor (iv) inaplicabilidade da taxa SELIC; (v) a nãoincidência de juros sobre as multas de ofício, dentre outros argumentos. Contudo, aquela DRJ entendeu por bem negar provimento ao apelo do Recorrente. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Pelo arrazoado da impugnação verificase que a requerente tem pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados e, assim, rejeitase a preliminar de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Não comprovada a vigência de medida liminar em Mandado de Segurança ou Medida Cautelar, por ocasião do lançamento, aplicase multa de oficio. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DE SUCESSOR. O sucessor responde pelo pagamento da multa de oficio e dos juros de mora aplicados à sucedida antes ou depois da incorporação. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 1216DF CARF MF 4 A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa. Em um primeiro momento, quando da distribuição dos autos para julgamento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verificouse que o julgamento do presente feito dependeria da conclusão de dois processos administrativos correlatos (processos nº's 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412). Por isso, entendeuse pelo sobrestamento do julgamento até que houvesse o desfecho dos dois referidos processos. Sendo aqueles processos definitivamente julgados, os autos retornaram a este Conselho para julgamento, sendo distribuídos a conselheira que não faz mais parte deste colegiado. Contudo, nos termos da Resolução de fls. 1.079 a 1.090, a maioria do colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal esclarecesse alguns pontos, em especial o desfecho dos processos que afetariam de alguma forma a discussão travada no presente processo administrativo. Sendo cumprida a diligência realiza, nos termos da Informação Fiscal de fls. 1.194 a 1.196, os autos retornaram ao CARF e foram distribuídos, via sorteio, a este relator para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE. A tempestividade do apelo foi analisada quando da houve a conversão do julgamento em diligência e não há dúvidas que o Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DO RELATÓRIO FISCAL. Como relatado acima, a discussão posta no presente procedimento administrativo se refere, em síntese, suposta compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL referente ao anocalendário de 2003. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Acórdão n.º 1302003.423 S1C3T2 Fl. 1.216 5 Como a discussão posta tinha correlação direta com mais dois processos administrativos do contribuinte, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência, oportunidade na qual foram requeridas as seguintes informações da autoridade fiscal: a) informe se já houve o trânsito em julgado material do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, fls. 390; b) informe, se positiva a resposta à letra "a" acima, qual o valor do saldo de base negativa de CSLL passível de compensação em 31/12/2003, após as recomposições deste saldo decorrentes das decisões administrativas prolatadas nos autos dos PAFs nºs. 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412 e da decisão judicial prolatada nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168; c) se negativa a resposta da letra "a" acima, mantenha os autos na Unidade de Origem até que haja o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0035168, para então cumprir o disposto no item "b"; d) informe se o eventual saldo de base negativa disponível em 31/12/2003, apurado conforme letra "a" ou "b" acima, foi utilizado espontaneamente pelo recorrente em compensações ou em parcelamentos em períodos posteriores a 2003; e) dê ciência ao recorrente do relatório final de diligência, concedendolhe o prazo de 30 dias para se manifestar nos autos; f) retorne, após cumprido o acima disposto, os autos a este Colegiado, para prosseguimento do feito. Em cumprimento ao que restou decido por este Conselho, a Delegacia da Receita Federal, após intimar o contribuinte a apresentar documentos e esclarecimentos, elaborou relatório fiscal, no qual concluiu que, com o término dos processos administrativos de nº 16327.001311/200213 e 16327.001177/200412 e o encerramento do Mandado de Segurança de nº 2003.61.00.0035168, "não há saldo de crédito tributário a ser cobrado no presente processo administrativo." Veja o que constou daquele relatório: RESPOSTAS AOS QUESTIONAMENTOS DO CARF: a) Conforme Consulta Processual efetuada no site da Justiça Federal de São Paulo, os autos do MS nº 2003.61.00.003516 8 encontramse em situação de “BAIXA – FINDO” , desde 22/12/2015. Estágio atual dos processos administrativos 16327.001.311/200213 e 16327.001.177/200412: è 16327.001.311/200213: Foi proferida decisão definitiva na esfera administrativa que reconheceu a decadência do direito do Fisco cobrar IRPJ e CSLL sobre os resultados apurados no ano de 1996 e a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos contra a sociedade Exportadora do Sul Ltda. A parcela da autuação mantida, referente à dedutibilidade dos juros de mora incorridos sobre os tributos Fl. 1218DF CARF MF 6 com exigibilidade suspensa por medida judicial foi paga à vista com os benefícios da Lei nº 11.941/09. Encerrado em 02/12/2014. è 16327.001177/200412: Em 23/05/2016 foi encerrado este processo, em virtude de decisão transitada em julgado no mandado de segurança nº 2003.61.00.0035168, com o subsequente levantamento dos depósitos judiciais, que suspendiam a exigibilidade dos débitos lançados. Neste processo foram compensados de ofício, os seguintes valores: R$ 13.817.249,62 (BC NEG de CSLL do próprio período) e R$ 133.182.928,70 (BC NEG de CSLL de períodos anteriores), os quais devem retornar ao contribuinte. b) Após recomposição dos “Saldos de Base de Cálculo Negativa de CSLL e de Créditos de CSLL decorrentes da MP 1807/99” concluise que não há saldo de crédito tributário a ser cobrado no presente processo administrativo. O “Saldo de Crédito de CSLL decorrente da MP nº 1807/99” remanescente de R$ 1.881.607,59, apurado após implementação das decisões administrativas, já foi integralmente compensado pelo contribuinte até a data de sua incorporação pelo BANCO ITAU BBA (17.298.092/000130) no anocalendário de 2004. Esta fiscalização não procederá alterações no e SAPLI, visto a inscrição do contribuinte BANCO ITAU BBA S.A no CNPJ:31.516.198/ 0001 94 encontrarse na condição de “baixada”, em decorrência da incorporação pelo BANCO ITAÚ BBA S.A (CNPJ: 17.298.092/000130), e o valor de saldo de base de cálculo negativa de CSLL ter sido integralmente compensado em 31/12/2003, e o saldo de Crédito de CSLL decorrente da MP nº 1.807/99 remanescente apurado em 31/12/2003 ter sido integralmente compensado na data da incorporação em 2004. De forma que não há valor de crédito tributário remanescente a cobrar, nem direito de crédito de CSLL – MP nº 1807/99 a ser transferido ao incorporador. (destacouse) Como se observa das conclusões da autoridade fiscal, com o desfecho dos processos administrativos e do Mandado de Segurança, o crédito tributário constituído no Auto de Infração em análise foi inteiramente extinto, não havendo "valor de crédito tributário remanescente a cobrar". Há de se ressaltar, por fim, tendo em vista a manifestação da fiscalização, pela ausência de "crédito de CSLL – MP nº 1807/99 a ser transferido ao incorporador", que o próprio Recorrente afirmou na resposta de fls. 1.191 a 1.193, que "não houve transferência de prejuízo fiscal, base de cálculo negativa de CSLL e crédito de CSLL MP nº 1807/99 ao sucessor na incorporação ocorrida em 31/10/2004." Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para, reformandose o acórdão recorrido, para cancelar, na integralidade, o Auto de Infração combatido pelo Recorrente. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 16327.002159/200709 Acórdão n.º 1302003.423 S1C3T2 Fl. 1.217 7 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 1220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.902069/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.902062/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 69 /2 00 9- 95 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13830.902069/200995 Acórdão n.º 1402003.729 S1C4T2 Fl. 3 2 Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de COFINS (código de receita 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcornp (...), ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega, em síntese, que: a) na DIPJ anobase de 2004, a Recorrente apurou crédito fiscal suficiente a embasar os pedidos de compensação; b) os créditos originaram recolhimento a maior, já que as estimativas recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto superaram o valor devido do exercício, no montante de (...), no ano calendário de 2004; c) a utilização do saldo recolhido a maior para compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima. Ao final, requer a homologação da declaração de compensação apresentada por embasarse em crédito legitimo. A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de pagamento indevido ou a maior de estimativa no próprio mês e o segundo fundamento é pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou a alegação de que o direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5). É o relatório. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13830.902069/200995 Acórdão n.º 1402003.729 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.720, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13830.902062/2009 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.720): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação ter sido pautado na impossibilidade de se compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês, contrariando a Súmula CARF 84, o principal motivo utilizado para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que não integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o Livro Razão que demonstra apenas a escrituração das Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13830.902069/200995 Acórdão n.º 1402003.729 S1C4T2 Fl. 5 4 antecipações, para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas o Livro Razão não é suficiente para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo", que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e do tributo devido. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior da estimativa teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.902724/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Numero da decisão: 1402-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.902722/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.902722/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 27 24 /2 00 9- 00 Fl. 133DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação do débito declarado em Declaração de Compensação Segundo o Despacho Decisório, foi encontrado pagamento com as características do DARF discriminado no PER/Dcomp, mas integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp. A DRJ de origem detectou o erro que deu origem a retificação. O mencionado erro consiste na aplicação do coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL sobre as receitas de prestação de serviços ali informadas: Para o cálculo da CSLL confessada na DCTF, e paga, foi utilizado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), enquanto que para a apuração da CSLL informada na DIPJ/2005 foi aplicado o percentual de 12% (doze por cento). Examinando as informações constantes da DIPJ verificase que a razão da divergência relatada acima o contrato social prevê que o objetivo da empresa é “o transporte rodoviário de cargas intermunicipal e interestadual, logística e armazéns gerais”. Desta forma, para o julgamento do direito creditório pleiteado, um dos aspectos a serem analisados é a natureza dos serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ Diante da situação acima descrita, a DRJ encaminhou processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, a fim de que fosse realizada diligência no sentido de intimar a Contribuinte a apresentar a documentação comprobatória (notas fiscais e eventuais contratos) referente à receita auferida. Em resposta à intimação, o contribuinte junto o livro de registro de saídas escriturado, exclusivamente, com "conhecimento de transporte rodoviário de cargas" para comprovar a origem da receita auferida. Insatisfeita com a documentação trazida pelo contribuinte, a DRJ promoveu a reintimação na qual requer que o contribuinte faça a juntada das notas fiscais e eventuais contratos relativos aos serviços prestados. Em resposta a contribuinte informa que "com relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, do mencionado período, estes foram guardados pelo períodos de 5 anos, conforme determina norma específica expedida pela Receita Federal do Brasil (RFB), sendo que os dados destes documentos, hoje e agora, estão totalmente apagados, ou seja, não tem a mínima condição de se fazer nenhuma leitura dos dados constantes nesses documentos, pelo fato de terem mais de 12 anos da sua expedição, visto que foram emitidos em "formulário continuo autocopiativo" devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual; porém, todos esses documentos foram devidamente escriturados nos competentes Registros de Saída, os quais já foram apresentados a essa autoridade fazendária federal." Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10530.902724/200900 Acórdão n.º 1402003.675 S1C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Manifestação de Inconformidade Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no reitera as alegações já suscitadas quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.673, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.902722/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.673): Conforme decidido pelo colegiado, discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, por entender que os documentos juntados pela recorrente não são suficientes para comprovação do direito creditório pleiteado. A recorrente alega que "a receita foi comprovada, sim, por meio do Livro de Registro de Saídas, legalmente escriturado, exclusivamente, com “conhecimentos de transporte rodoviário de cargas”, o que comprova que a origem da receita auferida, por esta contribuinte, foi, exclusivamente, do transporte rodoviário de cargas; aliás, está confirmado no próprio relatório do aludido acórdão que a contribuinte apresentou a comprovação da receita por meio do citado Livro de Registro de Saídas." Informa que quanto aos conhecimentos de transportes, "estes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, uma vez que eram documentos preenchidos, na época da sua expedição, em papel autocopiativo “formulário contínuo”, devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual, porém tais documentos (conhecimentos de transporte rodoviário de cargas) foram guardados em boa ordem por todo período decadencial, sendo solicitado a sua apresentação quase 10 (dez) anos após a sua expedição, razão pela qual não foi possível fazer leitura do conteúdo dos mencionados conhecimentos de transporte;" Esclarece que "no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR (cópia anexa), Contestação, com essas mesmas características, foi Fl. 135DF CARF MF 4 acolhida, ou seja, julgada como procedente, o que demonstra que todos os atos praticados por esta contribuinte foram feitos, estritamente, com bases em preceitos legais, tanto no citado Processo, bem como neste, objeto desse nosso Recurso Voluntário." Verificase que conforme previsto no objeto social da recorrente atividades que podem estar submetidas a diferentes coeficientes de determinação da base de cálculo, portanto fazse necessário a comprovação da natureza do serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. Entendeuse que ambas as declarações (DCTF e DIPJ) são preenchidas pela própria recorrente e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Por conseguinte, a simples alegação de que o valor correto do débito é aquele informado na DIPJ não é suficiente para comprovar o erro no preenchimento da DCTF original, sem apoio nos registros e documentos contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. A recorrente não trouxe provas lastreadas em sua escrituração contábil e fiscal (completa ou simplificada), notas fiscais de receita emitidas, e eventuais contratos, a fim de se verificar o montante e a natureza das receitas submetidas à tributação, e ratificar o indébito pleiteado. Notase que a recorrente apresentou apenas o livro Registro de Saídas, que não se presta para o objetivo almejado, e mesmo reintimada deixou de apresentar a documentação requerida. Caberia à recorrente apresentar dos conhecimentos de transportes e eventuais contratos que comprovassem os registros do Livro de Saídas. Quanto à alegação de que o conhecimentos de transportes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, caberia à recorrente mantêlos conservados enquanto não prescritos eventuais ação que lhes sejam pertinentes, conforme determina o artigo 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n.º 486, de 1969, art. 4º) Tendo em vista a não apresentação da documentação que permitisse o conhecimento da natureza das receitas oferecidas à tributação no 1º trimestre de 2004, e possibilitasse comprovar o alegado pagamento indevido, verificase que o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Ressaltase que a decisão no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR não vincula o julgamento do presente recurso pelo colegiado. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10530.902724/200900 Acórdão n.º 1402003.675 S1C4T2 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003292/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RMFs AUTORIZADAS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS A ILIDIR A PRESUNÇÃO LEGAL.
Deve ser mantido o lançamento fundado em presunção de omissão de receitas atinente a depósitos bancários não oferecidos à tributação, à míngua de provas produzidas pelo sujeito passivo que tenham o condão de afastar a presunção legal.
Numero da decisão: 1101-000.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RMFs AUTORIZADAS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS A ILIDIR A PRESUNÇÃO LEGAL. Deve ser mantido o lançamento fundado em presunção de omissão de receitas atinente a depósitos bancários não oferecidos à tributação, à míngua de provas produzidas pelo sujeito passivo que tenham o condão de afastar a presunção legal.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RMFs AUTORIZADAS PELO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS A ILIDIR A PRESUNÇÃO LEGAL. Deve ser mantido o lançamento fundado em presunção de omissão de receitas atinente a depósitos bancários não oferecidos à tributação, à míngua de provas produzidas pelo sujeito passivo que tenham o condão de afastar a presunção legal. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 32 92 /2 01 0- 49 Fl. 5985DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. Relatório Tratase de auditoria fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 03.1.01.002008006071, concernente aos anoscalendário 2004 e 2005. O processo versa sobre lançamento tributário, em face do contribuinte acima identificado, consubstanciado nos autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fis. 2303/2328), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2329/2339), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 2340/2350) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls. 2351/2374), todos com fatos geradores ocorridos nos anos de 2004 e 2005. O montante do crédito tributário exigido é de R$2.417.263,71, já computados os juros moratórios e a multa de oficio (150%). Por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 34), a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os seguintes documentos: 1 – Livros Contábeis: Diário, Razão e/ou Caixa, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005; 2 — Apresentar relação nominal de todas as contascorrentes de depósitos bancários mantidas pelo sujeito passivo em instituições financeiras no BRASIL e/ou EXTERIOR, INCLUSIVE, as relativas a outros INVESTIMENTOS, cuja movimentação financeira deuse no transcorrer dos anos calendário de 2004 e 2005. Outrossim, informamos ao INTIMADO, que a presente relação DEVERA se fazer acompanhar de seus correspondentes EXTRATOS BANCÁRIOS. Em resposta a intimação, a contribuinte apresenta os seguintes documentos, e pede, ainda, dilação do prazo para apresentação dos demais extratos bancários. São os documentos apresentados: 1. Relatório de repasse para cliente ano 2004 e 2005. 2. Extrato de conta corrente 218300300002409 ano 2004 e 2005., 3. Extrato de conta corrente Banco do Brasil ano 2004 e 2005. 4. Extrato de conta corrente Banco Itaú ano 2004 e 2005. 5. Livro Razão N°2 e 3 ano 2004 e 2005. 6. Livro Diário N°2 e 3 ano 2004 e 2005. A contribuinte é novamente intimada, para que apresentasse os documentos faltantes, a que responde autorizando expressamente à Receita Federal do Brasil a obtenção dos extratos bancários junto às instituições financeiras, nas quais a contribuinte mantém conta corrente. Da análise dos documentos encaminhados pelas instituições financeiras, é lavrado termo, cientificado em 24/11/2008, intimando o sujeito passivo a apresentar os Fl. 5986DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003292/201049 Acórdão n.º 1101000.946 S1C1T1 Fl. 3 3 esclarecimentos vinculados às inúmeras operações de créditos bancários arroladas nos DEMONSTRATIVOS I a VI , que constam dos autos deste processo. Em resposta à intimação a contribuinte presta esclarecimentos sobre a origem dos valores indicados pelo Fiscal, que conclui o seguinte: “Em resposta ao termo de intimação citado no item 3, retro, o sujeito passivo inicialmente argumenta que os valores creditados em suas contas, são oriundos dos pagamentos de clientes INADIMPLENTES dos bancos, para a qual presta serviços de cobrança e posteriormente apresenta um demonstrativo em que relaciona de forma sintética sua movimentação financeira As fls. 1175/1176 , sem contudo apresentar individualmente a origem dos créditos bancários objeto da referenciada intimação. Tal fato, portanto, não contempla os esclarecimentos solicitados, haja vista que os períodos abrangidos pela intimação em referência — Demonstrativos I a VI , indicam que as informações sejam individualizadas e mensais janeiro de 2004 a dezembro de 2005 , o que nos leva a concluir pela não comprovação efetiva e idônea, de sua real movimentação financeira (créditos).” Ainda conclui o ilustre Fiscal: “Concluise ante o exposto que parte da movimentação financeira do sujeito passivo, arrolada nos DEMONSTRATIVOS I a VI, anexos ao Termo transcrito no item 3, precedente, é proveniente de sua ATIVIDADE OPERACIONAL e recebidos a títulos de HONORÁRIOS pelos serviços prestados a seus inúmeros CLIENTES, no transcorrer dos anoscalendário de 2004 e 2005, conforme relatado pelo sujeito passivo, quando da entrega dos demonstrativos As fls. 1232/1836 — item 9 e analisados nos item 15 e seus subitens 15.1 a 15.7, precedentes. Portanto, é de se considerar como OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE, a diferença positiva existente entre os valores classificados como honorários nos DEMONSTRATIVOS I e 1.1; II e HA, 11.2, 11.3, 11.4, 11.5; III; IV; V e V.1, V.2 e VI, consolidados nos DEMONSTRATIVO VII e VIII, após deduzidos dos valores de receita bruta, que serviram de base para o IRPJ, COFINS, PIS e CSLL, declarados em suas DCTF's, relativas aos períodos transcorridos nos anoscalendário de 2004 e 2005 — DEMONSTRATIVO IX , As fls. 2149/2151, e das compensações das retenções na fonte (IRFON) do IRPJ, COFINS, PIS e CSLL, EFETIVADAS pelas fontes pagadoras, conforme determinado na legislação pertinente, junto ao estabelecimento MATRIZ e suas estabelecimentos FILIAIS, cujos valores retidos foram informados em suas correspondentes DIRF's — DEMOSTRATI VOS X, XI, XII, XIII, XIV, XV e XVI , As fls. 2152/2250, conforme determinado nos artigos 287, 288, 518, 519 e 528 do Decreto n° 3.000 (RIR199), de 26/03/99, combinado com os artigos 25, 26 e 42 da Lei n° 9.430/96 e artigo 24 da Lei n° 9.249/95 e demais legislações pertinentes ao PIS, COFINS e Fl. 5987DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 CSLL, citadas nos autos de infração que este Termo de Verificação e Constatação Fiscal e seus DEMONSTRATIVO I a XVI, discriminados abaixo e demais documentos, em anexo, serão partes integrantes.” Em sede de impugnação (fls. 3400/3401), a ora Recorrente alega: Por demais expressivo o valor cobrado pelo zeloso fiscal autuante, que a empresa contestante ora refuta, por desconhecer o levantamento, onde o Auditor fazendário colheu valores já devidamente declarados e pagos dos períodos de 2004 a 2005, apresentados em seu auto de infração, como omissão de Receitas, colhendo as notas fiscais, cobrando honorários e despesas reembolsáveis, conforme relatório do tomador de serviços (Bancos), confrontando com as Notas Fiscais emitidas pelo prestador de serviços (Empresa Autuada,). Alega a suplicante, que, devido o nosso ramo de atividade ser bastante rotativo, houve desencontro de informações Bancos X Clientes, deixando assim algumas divergências em sua movimentação Fiscal/Contábil, omitindo valores, porem, não na sua totalidade. No que diz respeito aos pagamentos dos tributos relativos aos períodos fiscalizados dos anos de 2004 e 2005, segue documentação dos DARF's pagos juntamente com as declarações de informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, (DOCS ANEXO) Esclarecimentos Adicionais na apuração da Receita: Apuração determinada pelo agente fiscal ano 2004: RS 3.848.835,25 () Notas Fiscais emitidas e pagas pelo Banco e tributadas ano 2004: R$ 795.934,40 Apuração determinada pelo agente fiscal ano 2005: R$ 3.136.673,30 () Notas Fiscais emitidas e pagas pelo Banco e tributadas ano 2005: R$ 969.375,89. Como Amostragem segue também, relatório dos Bancos Mercedes Benz do Brasil SA e o Banco Daimler Chrysler Incorporado ao Banco Mercedes Benz do Brasil SA, e os créditos bancários do Banco Brades co SA, e o relatório de reembolso de despesas pagas antecipadas(Banco Honda), outro processo de amostragem é. o relatório do Banco BCN SA, BRA DESCO BCN LEASING ARREND MERC SA, Banco HONDA SA, Banco FINASA BMC SA, e Banco FINASASA, relatando a retenção do IR (Imposto de Renda) (DOCS ANEXO) Solicitamos a fineza para a redução da multa, conforme art.44, inciso II, da lei 9430/96. Fl. 5988DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003292/201049 Acórdão n.º 1101000.946 S1C1T1 Fl. 4 5 Diante das razões expostas, esta empresa envidou todos os esforços para a localização de mais subsídios para a elaboração dum relatório mais abrangente, não logrando êxito no exíguo tempo de 30 (trinta) dias que lhe foi concedido, foram localizados partes dos documentos solicitados aos Bancos. A DRJ deu parcial provimento à impugnação para excluir do lançamento de IRPJ aqueles atinentes a retenções de imposto na fonte desconsideradas pelo fiscal. De mais, decidiu o acórdão 0819.068, da 4ª Turma da DRJ/Fortaleza, que não restaram comprovadas as alegações da contribuinte de os depósitos em suas contas correntes consubstanciarem valores creditados em decorrência de sua atividade de cobrança, pertencentes a terceiros; classificando, então, como receitas omitidas a diferença entre os depósitos e as receitas declaradas. A decisão da DRJ expressouse da seguinte maneira: Da omissão de receitas 7. A base legal do procedimento fiscalizatório determina que se caracterizam como omissão de receita os valores creditados em contacorrente mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, devendo a demonstração da natureza desses depósitos ser efetuada de modo individualizado (artigo 42, caput e § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996). Regularmente intimado, o sujeito passivo aduziu documentos onde demonstrou que parcela dos depósitos bancários seria referente a honorários. Dessa forma, a autoridade fiscal computou esses honorários e os créditos bancários sem origem comprovada na base de cálculo dos tributos ora em julgamento. 8. Tendo sido lançado por omissão de receitas, o contribuinte reconheceu que parte dela seria procedente. Para tanto, anexou demonstrativos em que apresenta sua versão para as receitas auferidas (fl. 3408) e efetua calculo do imposto de renda (fl. 3407). 9. Quanto as receitas auferidas, a planilha de fl. 3408 consolidou os demonstrativos de fls. 3409/3510, mas foram produzidos pelo próprio sujeito passivo ou não possuem indicação da autoria. O contribuinte, dessa forma, não logrou êxito na comprovação da inexistência de omissão de receita, mediante a anexação de provas, instrumentos contratuais e notas fiscais que militassem em seu favor, tendo apenas mencionado o número de algumas dessas notas. Portanto, as referidas planilhas não conseguem convencer quanto aos fatos nela indicados. 10. Quanto aos créditos bancários sem origem comprovada, o impugnante deveria ter aduzido ter demonstrado que tais depósitos não possuíam natureza jurídica de receita ou que tais Fl. 5989DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 valores, apesar de configurarem receitas, já haviam sido tributados previamente. 11. Outrossim, como a análise deve ser feita individualizadamente, descabe a entrega de relatórios por amostragem, junto com a impugnação, momento processual em que o contribuinte deveria se desincumbir completamente de seu encargo probatório (artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972), salvo as exceções legais. 12. 0 interessado alegou que não teve sucesso em apresentar outros elementos que demonstrassem suas alegações, devido ao exíguo tempo de trinta dias que lhe foi concedido. Ocorre que, desde 24/11/2008, por meio do Termo de fls. 29/30, a Fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a natureza dos depósitos bancários de suas diversas contascorrentes, tendoo cientificado do auto de infração apenas em 26/03/2010 (fl. 2255). Portanto, mesmo considerando que a norma estipulou trinta dias como prazo suficiente para a impugnação, no caso concreto o sujeito passivo teve um ano e quatro meses para elaborar explicações e produzir provas em favor de sua argumentação, de modo a demonstrar a inocorrência de omissão de receita. Como não o fez, assiste razão ao Fisco no lançamento. Em relação aos comprovantes anuais de rendimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 3511/3536), o contribuinte possui interesse jurídico em questionar se os tributos retidos foram computados pela autoridade fiscal que, no TVCF, destacou em seu item 16 (fl. 2340) que tais valores foram extraídos dos demonstrativos de fls. 2152/2250 (Dossiê integrado— Dirf) Da multa de oficio de 150% 16. A autoridade fiscal fundamentou a aplicação da multa de oficio de 150% devido à prática continuada, pelo autuado, no transcorrer dos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, de transgressões fiscais relativas a omissão de receita, na forma do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Em sua peça impugnatória, o contribuinte requereu a redução da referida multa, sem, todavia, apresentar, de modo articulado, argumentos e provas em favor de sua pretensão. Nesse passo, considerase tal matéria não controvertida, na forma do artigo 16, inciso 111, do Decreto n° 70.235, de 1972. Dos lançamentos reflexos 17. Quanto aos demais lançamentos, aplicase mutatis mutandis o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre eles. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que alega, preliminarmente, estar eivado de vício insanável o Auto de Infração, porque se fundamenta em Mandado de Procedimento Fiscal em que não constam nome, telefone e endereço do chefe da AFRFB, e que tais dados seriam necessários e imprescindíveis para a autuação do Fiscal, porque sua Fl. 5990DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003292/201049 Acórdão n.º 1101000.946 S1C1T1 Fl. 5 7 ausência macula o ato administrativo plenamente vinculado que é o lançamento fiscal. A vinculação do ato administrativo também é alegado como razão da nulidade do Auto, porque o MPF foi autorizado para a fiscalização dos anos 2004 e 2005, sendo que foi objeto da auditoria o ano 2003, que não estaria albergado pelo MPF. Também alega a nulidade do Auto de Infração por ausência de documentos informados pela AFRFB que deveriam instruir o auto de infração. Alega ainda ter ocorrido a decadência do direito de lançar pelo Fisco em relação aos anos 2003 e 2004, porque haveria decorrido o lustro em que se permite o lançamento. No mérito, alega que a DRJ havia se omitido na análise de várias notas fiscais que comprovariam que os valores depositados seriam de terceiros, recebidos em decorrência da atividade de cobrança realizada pela Recorrente. A Recorrente havia juntado em impugnação notas fiscais por amostragem, e a DRJ não aceitou sob a alegação de que deveriam ser provados individualmente cada depósito não identificado. A contribuinte traz aos autos, então, uma pletora de notas fiscais, por ela emitidas contra as instituições financeiras que tomaram seus serviços, além de alguns demonstrativos, por ela mesmo confeccionados. Com tais elementos, entende cabalmente demonstrado que os valores depositados seriam atinentes aos serviços de cobrança – e, pois, pertencentes a terceiros –, que motivaram a emissão das notas fiscais contra os bancos tomadores. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo (fls. 3581 e 3582), razão pela qual dele tomo conhecimento. Não devem ser atacadas as genéricas preliminares de nulidade suscitadas pelo contribuinte. Com efeito, o documento de fls. 2 contém os elementos que o sujeito passivo julga faltantes, de modo que inexistentes os vícios suscitados levianamente pelo contribuinte. Não há que se falar, ainda, em decadência, eis que o caso em vergaste, ao contrário do que salienta abstratamente o Recorrente, unicamente envolve os anoscalendários 2004 e 2005, sendo que o lançamento de ofício em apreço envolveu a aplicação de penalidade qualificada, que, consoante será demonstrado, deverá prevalecer. Com a manutenção da multa de 150%, o prazo decadencial é inequivocamente regido pelo art. 173 do Código Tributário Nacional, de modo que não há que se falar em decadência, dada que o contribuinte tomou ciência da autuação antes do término do ano de 2010. Fl. 5991DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 No mérito, entendo que o Recurso Voluntário há de ser desprovido. Deveras, o lançamento aqui analisado, calcado em presunção de omissão de receitas, foi lavrado pelo fato de que a movimentação bancária da ora Recorrente não era compatível com as receitas que oferecia à tributação. Intimada a esclarecer a razão de ser de tais depósitos em sua conta bancária, assim como o porquê de não terem sido oferecidas à tributação, o contribuinte asseverou que exerce a atividade de cobranças de títulos vencidos de instituições financeiras, de modo que lhe seriam creditados valores que, em verdade, não lhe pertenciam, mas sim às instituições financeiras tomadoras de serviços, a quem essas quantias eram posteriormente repassadas. Em primeiro lugar, é importante considerar que o contribuinte admitiu que parte dos valores correspondiam a honorários recebidos por tais serviços, somas essas que não foram oferecidas à tributação. Em relação aos valores de origem não identificada pelo sujeito passivo, o contribuinte visa a infirmar a presunção de omissão de receitas a partir de notas fiscais por ele emitidas contra as instituições financeiras, além de borderôs em que relaciona custos atinentes a tais atividades que seriam repassados aos tomadores. Tem razão a Colenda DRJ recorrida. Com efeito, o contribuinte não trouxe aos autos nada que pudesse associar as bastantes notas fiscais emitidas contra as instituições financeiras e os depósitos realizados em sua conta. De fato, os valores das ditas notas fiscais obviamente não correspondem aos valores depositados, eis que as Notas Fiscais apenas encerram os valores atinentes aos honorários recebidos pelo sujeito passivo – que hialinamente são receitas próprias e devem ser oferecidas à tributação –, ao passo que, de acordo com a argumentação expendida pelo próprio contribuinte, os depósitos correspondem aos valores dos títulos atrasados de terceiros – é dizer, de seus clientes –, obtidos através de sua atividade de cobrança. Ora, numa situação como a vertente, deveria o sujeito passivo ter comprovado que cada um dos depósitos feitos em sua conta era acompanhado de respectiva remessa ao correlato titular, prova com a qual se demonstraria que sua conta recebia créditos que não correspondiam a receitas operacionais. Diversamente, o contribuinte limitase a trazer aos autos tais notas fiscais, além de levantamento de todo unilaterais, notas fiscais essas que não se associam às montas que lhe eram creditadas. Novamente, numa situação como a vertente, a prova a ser realizada pelo sujeito passivo para ilidir a presunção legal deveria estar relacionada a lançamentos a débito em sua conta corrente, lançamentos esses feitos basicamente pari passu com os respectivos créditos. Desse ônus, contudo, não se desincumbiu o contribuinte, não havendo que se falar no acolhimento do vertente Recurso Voluntário. Salientese que o sujeito passivo não se irresigna, em sede de Recurso Voluntário, contra a aplicação da multa qualificada – sendo que, digase de passagem, o Fl. 5992DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.003292/201049 Acórdão n.º 1101000.946 S1C1T1 Fl. 6 9 próprio contribuinte admite que, pelo menos em parte, omitiu receitas. Inexiste litígio quanto ao ponto, portanto, razão pela qual essa pena há de ser mantida. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 5993DF CARF MF Impresso em 09/10/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10380.725186/2017-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO.
A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação.
PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO.
Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo.
Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura.
FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES - FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP.
No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelando-se, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial.
DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO.
Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, deve-se desconsiderar os fundos de investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO.
Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiar-se de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, deve-se qualificar a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio.
Numero da decisão: 2301-005.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa.
(assinado digitalmente)
Antônio Savio Nastureles - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. (assinado digitalmente) Antônio Savio Nastureles - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto
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GANHO DE CAPITAL. TERMO DE INÍCIO. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, pelo que não se encontra decaído o lançamento fiscal cientificado ao contribuinte antes do prazo quinquenal, com termo de início na data do efetivo recebimento dos recursos alusivos à alienação. PEDIDO DE NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FUNDO DE INVESTIMENTO PERTENCENTE A GRUPO EMPRESARIAL. DESCONSIDERAÇÃO. Com a desconsideração de fundo de investimento, tal entidade não se torna inválida ou inexistente, porém fica suspensa a eficácia de sua formação quanto a determinado(s) ato(s) praticado(s) pelo fundo. Nesse passo, a desconsideração do fundo de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação de tal fundo, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando o fundo de investimento da citada estrutura. FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES FIP. FINALIDADE. EMPRESAS OPERACIONAIS PREVIAMENTE CONTROLADAS PELO GRUPO EMPRESARIAL ANTES DA CRIAÇÃO DO FIP. DESNECESSIDADE. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O fundo de investimento em participações tem como finalidade precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do FIP. No caso de FIP criado para gerir empresas operacionais previamente controladas pelo grupo empresarial, os ganhos esperados pelos cotistas do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 86 /2 01 7- 96 Fl. 1850DF CARF MF 2 FIP seriam os mesmos que obteriam se mantivessem diretamente o controle das empresas, revelandose, assim a desnecessidade de tal FIP e sua falta de propósito negocial. DESCONSIDERAÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Comprovada a interposição de fundos de investimento, com o fim exclusivo de usufruir da isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na venda de sociedade formalmente controlada por tais entidades, devese desconsiderar os fundos de investimento, de modo a cobrar o tributo dos cotistas desses fundos, proprietários últimos das ações da sociedade vendida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE FUNDOS DE INVESTIMENTO. Identificado o dolo do agente na interposição de fundos de investimento entre seus cotistas e a companhia operacional vendida, para beneficiarse de isenção de imposto de renda sobre o ganho de capital na mencionada venda, devese qualificar a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o afastamento da aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que a autoridade julgadora administrativa não tem competência para afastar o dispositivo legal que determina a cobrança de multa de ofício, no percentual de 150% sobre o imposto devido, nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro Wesley Rocha que dava provimento e o conselheiro Thiago Duca Amoni que dava parcial provimento para afastar a qualificação da multa. (assinado digitalmente) Antônio Savio Nastureles Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente), sendo que Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.799 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado em face do não recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF) com fatos geradores ocorridos em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015, 07/10/2016. Além do imposto estão sendo cobrados na presente autuação, juros e multa qualificada de 150%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/32), houve omissão de ganho de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos e a presente autuação foi lavrada com os seguintes fundamentos: Foram realizadas fiscalizações junto a pessoas físicas, membros do mesmo grupo familiar, que eram sócias da empresa holding TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, CNPJ n° 02.806.215/000120. O grupo familiar utilizou um planejamento tributário abusivo, com a criação, sem propósitos negociais, de fundos de investimento, com o intuito de se eximir do pagamento do imposto devido sobre ganho de capital na venda da empresa YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A, CNPJ n° 15.209.980/000104, uma das empresas pertencentes à holding. O grupo extinguiu a empresa holding após transferir suas participações societárias para o TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP), CNPJ n° 14.769.978/000127, como forma de integralização das cotas deste, que por sua vez teve suas cotas transferidas para o ALVORADA FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (ALVORADA FIM) CNPJ n° 15.091.732/000101, também para fins de integralização das cotas do último. As operações societárias foram realizadas quase que concomitantemente à venda da empresa fabricante de bebidas YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A e a soma dos valores não recolhidos ultrapassa os cem milhões de reais. Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. Foram, então, efetuados os lançamentos dos valores não recolhidos à Fazenda Pública desconsiderandose as operações societárias efetuadas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso a este conselho onde alega em síntese: Fl. 1852DF CARF MF 4 Nulidade do lançamento fiscal devido a erro na identificação do sujeito passivo uma vez que a pessoa física jamais foi proprietária direta das participações societárias alienadas. Nulidade do lançamento fiscal devido a decadência do direito de lançar com base no art. 150, § 4° do CTN levandose em consideração que o CADE aprovou a operação de compra e venda das participações acionárias em 25/05/2012 e notificação da presente autuação ocorreu somente em 13/07/2017. Afirma que a criação do TELLES FIP, bem como dos demais Fundos de Investimentos criados pelo Grupo TELLES fez parte de um processo de reestruturação iniciado em 1998, decorrente de um planejamento societário e sucessório. O objetivo central desse processo de reestruturação foi prover aos membros da família Telles uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família. Defende que os fundos de investimentos são ferramentas cada vez mais utilizadas, não só no Brasil,mas em todo o mundo, para gerir investimentos de forma geral., não só investimentos novos. Cita como exemplo o fundo FIPDibra que criado em 2006 fez oferta pública no mesmo ano de parte significativa das ações representativas do capital social da M. Dias Branco, não resultando em nenhuma sanção à família Dias Branco ou qualquer outra instituição ou empresa, agindo corretamente o fisco neste caso. Descreve todo procedimento realizado em ordem cronológica, desde 1998 quando se deu início ao processo de planejamento estratégico das empresas. Que a integralização da TELLES FIP foi realizada dentro da legislação vigente, inclusive com pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital antecipadamente, assim, devese compensar o imposto pago nos valores de R$22.066.198,00 e R$4.349.999,61 com o imposto lançado. Em relação à multa qualificada, afirma que indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. Consoante o princípio da vedação ao confisco, o RE 523471 admite como razoável apenas penalidades cujo valor não ultrapasse o limite de 30% do crédito tributário. No presente caso estamos falando de 5 (cinco) vezes esse limite. Requer o provimento do recurso considerando improcedente a autuação ou, alternativamente que, caso mantida, seja considerado o recolhimento do imposto efetuado quando da constituição da TELLES FIP. Requer ainda a retirada da qualificação da multa e que a multa seja reduzida aos limites estipulados pelo STF. Colaciona documentos de 01 a 23. É o relatório Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.800 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos do recorrente no sentido de que teria realizado um planejamento tributário que estaria legalmente amparado, entendo não procederem suas alegações. Do que se depreende do Termo de Verificação Fiscal, em especial no contido nas efls. 26 a 29, a fiscalização demonstrou claramente a as irregularidades ocorridas no procedimento adotado pelo recorrente e seus irmãos caracterizandose pela ausência do propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A, alterando os elementos constitutivos da obrigação tributária, com intuito de isentarse do recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital. Além do TVF, a decisão de primeira instância detalhou de forma minuciosa as razões pelas quais a autuação deve ser mantida. . Tendo em vistas que o recurso sob análise repetiu todas as alegações constantes da impugnação e por concordar plenamente com a decisão de primeira instância, peço vênia para transcrever o voto nela contido, nos termos do art. 57, III, § 3º do Regimento Interno do CARF. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 10. Quanto a esse tópico, o contribuinte argumentou que: (...) Entretanto, mesmo que se considere, apenas por amor ao debate e por segurança jurídica, a desconsideração intencionada pela fiscalização, o ganho de capital em comento deveria ser apropriado à empresa Agropaulo Agroindustrial S/A. (AGROPAULO), proprietária inicial das ações da Ypióca Bebidas, jamais às pessoas físicas, membros da família TELLES, entre eles o Impugnante, senão vejamos: [p. 4 da impugnação] (...) (...) Tal ganho de capital foi realizado pela AGROPAULO, ou na pior das hipóteses, pela TELLES PARTICIPAÇÕES, afinal com a desconsideração da integralização dos Fundos, todos os atos por eles realizados após a sua criação, também devem ser desconsiderados. Dessa forma, considerando a inexistência dos fundos, como quer crer a fiscalização, e, por conseguinte, a inexistência dos atos societários praticados após a criação de tais fundos, a estrutura do Grupo TELLES para fins de determinação do ganho de capital ocorrido, deve ser considerada aquela existente antes da criação do TELLES FIP, demonstrado na Fig. 1, acima, que ora se reproduz: Fl. 1854DF CARF MF 6 (...) Pela estrutura acima, os ativos vendidos à CINTER (imóveis, maquinários, equipamentos, estoques, as marcas de bebidas, inclusive a marca ‘Ypióca’) e utilizados para a criação da YPIÓCA BEBIDAS eram de propriedade da AGROPAULO. [p. 8/9 da impugnação] 11. Falece conceitualmente a argumentação do administrado. Explicase. 12. A ineficácia que se pretende configurar ao desconsiderar os fundos de investimentos é a relativa, uma vez que deve alcançar somente o negócio jurídico que for ineficaz para algumas pessoas (na espécie, o Fisco), devendo ser necessariamente eficaz para outras. Noutras palavras, a ineficácia relativa não pode ser confundida com a invalidade. Na invalidade, o ato é dotado de eficácia até o momento em que for efetivamente desconstituído, podendo se dar, inclusive, com efeitos ex tunc; enquanto que, na ineficácia relativa, o ato produz efeitos limitados perante terceiros, ou seja, o ato é válido, mas apenas sua eficácia subjetiva é limitada. 2 13. Com a desconsideração dos fundos de investimento, o TELLES FIP e o ALVORADA FIM não se tornaram inválidos ou inexistentes, porém ficou suspensa a eficácia de sua formação especificamente no episódio da venda da totalidade das ações pertencentes à YPIÓCA BEBIDAS. 14. Repitase ainda que, apesar da desconsideração dos fundos de investimento, nela não se discute a nulidade da citada venda, que se considera integralmente válida. 15. Nesse passo, a desconsideração dos fundos de investimentos não faz retroagir a estrutura societária do grupo empresarial para o momento anterior à criação dos mencionados fundos, pelo que o fato gerador do tributo deve ser analisado (inclusive quanto à identificação do sujeito passivo) na data de sua efetiva ocorrência, apenas retirando os fundos de investimento da citada estrutura. Desconsiderar um fundo de investimento significa apenas extirpar o falso manto interposto com a sua constituição, imputandose aos cotistas a titularidade pelo ato jurídico praticado. Como inicialmente foi desconsiderado o TELLES FIP, a venda por ele praticada foi imputada ao seu cotista único (ALVORADA FIM). Como, ato contínuo, o ALVORADA FIM também foi desconsiderado, a venda foi imputada aos seus cotistas, é dizer, aos membros da família Telles (pessoas físicas). 16. O contribuinte também aduziu os Acórdãos n° 1201000.484, 9101 002.536 e 140100.377, todos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. De plano, destaquese que as decisões administrativas não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois somente se aplicam sobre a questão ali analisada e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 17. Apenas para argumentar (“ad argumentandum tantum”), especificamente no caso relatado no Acórdão n° 1201000.484, com a cisão da sociedade “A”, uma das sociedades resultantes foi “B”, que optou pelo lucro presumido. 3 Segundo o Carf, como a “abusividade” no planejamento tributário está localizada na indevida opção da sociedade “B” pelo lucro presumido, e não no ato de cisão, deveria a autoridade lançadora ter autuado “B”, mas lançou em “A”, pelo que o colegiado do Carf entendeu no sentido da ilegitimidade passiva. Assim, tal julgado não possui qualquer correlação com o presente processo, pois, na espécie, o ato abusivo é de natureza totalmente distinta, consistindo na Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.801 7 formação de fundos que foram desconsiderados, de modo a gerar a imputação do imposto de renda na pessoa física dos cotistas. Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 18. No Acórdão n° 9101002.536, entendese que é ilegítima a incidência de imposto de renda retido na fonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n° 9.430/1996, art. 61), no caso de comprovação no sentido de que os recursos utilizados pelo contribuinte para o mencionado pagamento jamais lhe pertenceram de fato. Conforme se percebe, tratase de situação fática frontalmente diversa da examinada neste processo, que envolveu a desconsideração de fundos de investimento. Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 19. Quanto ao Acórdão n° 140100.377, tratase de situação referente a exclusão de responsabilidade de sócios, ou seja, ilegitimidade passiva de responsável (arts. 121, parágrafo único, II, e 135 do CTN) na exigência de IRPJ; ao passo que, no presente processo, está se imputando a cobrança de IRPF diretamente ao contribuinte (art. 121, parágrafo único, I, do CTN). Logo, inaplicável o julgado do Carf no caso concreto. 20. Resumindo, concluise que o fato gerador relativo ao ganho de capital deve ser analisado na data de sua realização e, nessa data, é que deve ser identificado o contribuinte do imposto de renda, considerandose, suspensa, apenas em relação à venda da YPIÓCA BEBIDAS, a eficácia da constituição dos fundos de investimento. Consequentemente, devese manter a identificação do sujeito passivo nas pessoas físicas dos cotistas do ALVORADA FIM, entre eles, o contribuinte ora autuado. DA ALEGAÇÃO de ILEGITIMIDADE PASSIVA POR SEREM OS ALIENANTES NUSPRÓPRIETÁRIOS Em primeiro lugar cumpre esclarecer que ganho de capital não é fruto. Este no caso em apreço é caracterizado pelo pagamento de dividendos. O Código Civil em seu art. 1.394, 1395 e 1396 assim dispõem: Art. 1.394. O usufrutuário tem direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos. Art. 1.395. Quando o usufruto recai em títulos de crédito, o usufrutuário tem direito a perceber os frutos e a cobrar as respectivas dívidas. Parágrafo único. Cobradas as dívidas, o usufrutuário aplicará, de imediato, a importância em títulos da mesma natureza, ou em títulos da dívida pública federal, com cláusula de atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos Art. 1.396. Salvo direito adquirido por outrem, o usufrutuário faz seus os frutos naturais, pendentes ao começar o usufruto, sem encargo de pagar as despesas de produção. •Parágrafo único. Os frutos naturais, pendentes ao tempo em que cessa o usufruto, pertencem ao dono, também sem compensação das despesas. Fl. 1856DF CARF MF 8 Pois bem, qual é o tratamento tributário no caso de alienação do usufruto e da nua propriedade a terceiro em uma mesma operação? Até 9 de janeiro de 2003, nos termos do art. 717 do Código Civil de 1916, o usufruto só pode ser alienado ao proprietário da coisa. A partir de 10 de janeiro de 2003, nos termos do art.1.393 do Código Civil de 2002, não se pode transferir o usufruto por alienação. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, o usufrutuário e o nuproprietário sujeitamse à apuração do ganho de capital. O usufrutuário deve apurar o ganho de capital relativo à alienação do usufruto e o proprietário (ex nuproprietário), o ganho de capital relativo à alienação do bem. Vejamos o PN Cosit nº 4, de 1995: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA Alienação ou Cessão de Direitos do Usufruto O ganho de capital apurado na cessão de direitos, por alienação, do usufruto está sujeito à tributação na pessoa física do usufrutuário. As importâncias recebidas pela cessão do exercício do usufruto são consideradas como aluguéis e tributadas como tal. Tratandose de cessão a título gratuito, constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel cujo usufruto foi cedido gratuitamente, podendo ser considerado o valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU ou da Declaração do Imposto Territorial Rural ITR, observado o disposto no inciso IX do art. 40 do RIR/94. Dúvidas são levantadas a respeito do tratamento fiscal a ser dispensado nos casos de alienação ou cessão de direitos do usufruto. 2. Inicialmente, cabe lembrar que o Código Civil assim determina: "Art. 717 O usufruto só se pode transferir, por alienação, ao proprietário da coisa; mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso". "Art. 724 O usufrutuário pode usufruir em pessoa, ou mediante arrendamento, o prédio ..................". 3. Com fundamento nos preceitos acima expendidos, verificam se duas situações a serem analisadas: I a alienação, que só pode ter como adquirente aquele que detém a nuapropriedade; e II a cessão de exercício do usufruto, que pode ser a título gratuito ou oneroso, e realizada com terceiros. ALIENAÇÃO 4. O art. 798 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11/01/94 (RIR/94), dispõe que está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.802 9 5. O conceito de alienação encontrase veiculado no art. 799 do RIR/94, o qual determina que "... na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins". 5.1 O art. 801 do RIR/94, com a alteração introduzida pelo art. 23 da Lei nº 8.981/95, dispõe que, na apuração do ganho de capital, serão excluídos: a) as transferências "causa mortis" e as doações em adiantamento da legítima; e b) o ganho de capital auferido na alienação de bens ou direitos, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a 25.000,00 UFIR. Apuração do Ganho de Capital 6. No que se refere ao tópico em questão, o § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c o § 7º do art. 2º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, base legal do art. 812 do RIR/94 e art. 22 da Lei nº 8.981/95, dispõe que o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor da cessão do direito e o custo de aquisição atualizado monetariamente com base na variação da UFIR. Valor de alienação 7. Segundo o disposto no art. 802 do RIR/94, considerase valor de alienação: I o preço efetivo da venda ou da cessão de direitos; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro. Valor de aquisição 8. Para os direitos existentes em 31 de dezembro de 1991, considerase custo de aquisição o valor de mercado, nessa data, convertido em quantidade de UFIR pelo valor desta no mês de janeiro de 1992, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (art. 805 do RIR/94). Tratandose de direitos adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1992, o custo será o valor de aquisição convertido em quantidade de UFIR, pelo valor desta: I no mês de aquisição, no período de janeiro/92 a dezembro/94; II no trimestre de aquisição, a partir de janeiro/95. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição dos direitos será (art. 809 do RIR/94): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; III o valor corrente, na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Quando se tratar de direito do usufruto Fl. 1858DF CARF MF 10 decorrente de doação em adiantamento da legítima, o doador deverá fazer constar do instrumento público de doação o valor correspondente ao usufruto e mantêlo em sua declaração de bens ou direitos. Na sua ausência poderá ser considerado como custo de aquisição o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão, relativo ao usufruto. 9. Ocorrendo a transmissão do usufruto e da nua propriedade concomitantemente, isto é, em uma mesma operação, tendo como adquirente um terceiro, o usufrutuário e o nuproprietário ficam sujeitos à apuração do ganho de capital, na forma do item 6, observado o disposto na letra "b" do subitem 5.1. 10. No caso de desistência do usufruto a favor do nu proprietário, o usufrutuário deverá proceder à apuração do ganho de capital, excluídos os casos citados no subitem 5.1. CESSÃO DO EXERCÍCIO DO USUFRUTO 11. Analisando os arts. 717 e 724 do Código Civil, transcritos no item 1, verificase que na concessão do exercício do usufruto, não ocorre propriamente a transferência do usufruto (art. 717), mas, sim, a cessão do direito de usar e fruir as utilidades do bem sobre o qual recai o usufruto. Assim sendo, não se materializa, na espécie, qualquer transmissão de direito, mas sim permissão para o uso desse direito. 11.1. Não ocorrendo transmissão não há que se falar em apuração do ganho de capital pelo cedente do direito. Portanto, as importâncias recebidas pelo cedente, periodicamente ou não, fixas ou variáveis, serão consideradas como aluguel ou arrendamento, conforme determina o art. 50 do RIR/94. 11.2. Tratandose de cessão a título gratuito, constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cujo usufruto foi cedido gratuitamente, podendo, entretanto, ser adotado o valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, convertido em UFIR pelo valor desta no 1º trimestre do respectivo anocalendário, exceto quando ocupado pelo próprio usufrutuário ou para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau (art. 50, § 1º do RIR/94). 11.2.1. No caso de imóvel rural, constitui rendimento tributável na declaração de rendimentos o equivalente a dez por cento do valor venal (terra nua) ou o valor constante da Declaração do Imposto Territorial Rural ITR. 12. Analisando os dispositivos transcritos, concluise que: a) ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital, excluídos os casos citados no subitem 5.1; b) ocorrendo a cessão do exercício do usufruto a título oneroso, o cedente (usufrutuário) deverá considerar como aluguel ou arrendamento as importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, pela celebração do contrato (art. 50 do RIR/94); Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.803 11 c) tratandose de cessão do exercício do usufruto a título gratuito, o cedente (usufrutuário) deverá considerar como rendimento tributável na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal do imóvel, podendo ser adotado o valor constante da guia do IPTU ou da declaração do ITR, observado o disposto no inciso IX do art. 40 do RIR/94 (art. 50, § 1º do RIR/94). DA DECADÊNCIA 21. Sobre esse tema, o impugnante alegou que: a) Às fls. 6 do TVF o Fisco assim se posicionou: ‘Segundo Relatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE, que aprovou a venda, a operação ocorreu em 25 de maio de 2012’. Ora se a venda ocorreu em 25/05/2012 e a Notificação do Auto de Infração somente ocorreu em 13/07/2017, vêse, nesse caso, a presença clássica da Decadência, na forma do parágrafo 4º, do artigo 150 do CTN. O Fisco afirma, as fls. 3 do TVF, que: ‘O imposto de renda referente aos respectivos ganhos de capital decorrentes dessa operação foi recolhido pelos contribuintes acima (Anexo 4)’. Examinando os referidos DARFs. constatase que tais recolhimentos ocorreram em janeiro de 2012. b) Tendo o Fisco desconsiderado o ato jurídico decorrente da criação do TELLES FIP, obviamente o imposto de renda recolhido sobre o ganho de capital, naquela data, obrigatoriamente, deve representar parte do recolhimento do IRRF devido na operação de compra e venda de participações acionárias, conforme apuração dos ganhos de capital. Assim sendo, tendo sido recolhido o IR em 27 de janeiro de 2012, e tendo a venda, formalmente, se concretizado em 25/05/2012, o fato gerador do tributo deve ser o dies a quo da contagem do prazo decadencial (25/05/2012). A Fazenda Pública tem cinco anos para exercer o direito de revisar ou constituir crédito da tributação do Imposto de Renda sobre ganho de capital se houve pagamento, mesmo que parcial, sendo que o início do prazo é a data da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. c) Tentando fugir da decadência, o Fisco, as fls. 6 do TVF busca se agarrar em Relatório do TELLES FIP e assim se posiciona: “De acordo com o item 5 do Relatório ‘Demonstrações Contábeis Período de 29 de dezembro de 2011 (inicio das atividades) a 30 de setembro de 2012’ do TELLES FIP, a venda se concretizou em 09 de agosto de 2012 pelo valor de R$ 902.017.655,20, (...)”. Com isso o Fisco quer fazer crer que a transação ocorreu em 09 de agosto de 2012, baseandose no mencionado relatório de Demonstrações Contábeis. 22. Para fins de contagem do prazo decadencial, a data da venda é irrelevante porque o Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, mais especificamente sobre os ganhos de capital, não obedece ao regime de competência. 23. É que a incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, ou seja, o fato gerador somente se aperfeiçoa por ocasião da efetiva percepção dos rendimentos, na forma do art. 21, § 1°, da Lei n° 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Fl. 1860DF CARF MF 12 (...)§ 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. 24. Em se tratando de alienações a prazo, a tributação sobre os ganhos de capital também está sujeita ao regime de caixa, na forma do art. 21 da Lei n° 7.713/1988: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. 25. Na espécie, a data mais antiga de recebimento de recursos alusivos à venda de ações da YPIÓCA BEBIDAS aconteceu em 09/08/2012 (p. 7/8 e 20 do TVF, com as planilhas ali demonstradas). Como não transcorreu o lapso quinquenal do lançamento fiscal cientificado ao administrado em 14/07/2017 (fl. 1107), não resta decaído o débito tributário lançado. 26. Outrossim, a jurisprudência colacionada pelo administrado – especialmente o REsp 973.733 – não lhe socorre, pois, ainda que obedecendo ao art. 150, § 4°, do CTN, o cerne da questão diz respeito à fixação do termo inicial da decadência. O impugnante entendeu que tal termo seria em 25/05/2012, em atenção ao regime de competência, que, conforme visto, é inaplicável ao caso. 27. Apenas para argumentar (“ad argumentandum tantum”), o termo de início da decadência sucedeu em 01/01/2013, pois não se poderia aplicar a regra geral do art. 150, § 4°, do CTN, tendo em vista que: a) inexistiu pagamento antecipado do IRPF sobre ganho de capital [consoante tópico “DO CÁLCULO DO IR SOBRE GANHO DE CAPITAL (COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO)”, infra]; b) houve incidência de dolo do contribuinte [consoante tópico “DA MULTA QUALIFICADA”, infra]. Logo, o caso deveria sofrer os efeitos da regra especial do art. 173, I, do CTN, para o qual o termo inicial só ocorre no início do exercício seguinte (01/01/2013). 28. Ainda para mera argumentação (“ad argumentandum tantum”), firmese que, no trecho aludido pelo impugnante (parágrafo 21, item “a”, retro), a autoridade lançadora estava explicitamente citando o Relatório do Cade, cujo entendimento se deu no sentido da ocorrência da venda da YPIÓCA BEBIDAS em 25/05/2012. Tal excerto, portanto, não expressa o juízo do auditor fiscal. 29. Em tempo, na p. 6 do TVF, nas Demonstrações Contábeis do próprio TELLES FIP consta que a mencionada venda se deu em 09/08/2012. Portanto, não foi o Fisco que intentou fazer crer que a transação aconteceu nessa data, mas o fundo pertencente, em última análise, aos membros da família Telles. Caso o impugnante entenda que a venda ocorreu em outra data, deveria ter trazido provas aos autos nesse sentido, mas não o fez. 30. Em resumo, conforme parágrafos 25 e 27 (supra), aplicandose, respectivamente, o art. 150, § 4°, do CTN ou o art. 173, I, do mesmo Código, inexistiu caducidade do direito de lançar. No caso em questão, em face do dolo/simulação, a regra a ser aplicada é a o art. 173, I até mesmo por não ter havido antecipação. Ou seja, também não merece prosperar a alegação da recorrente trazida da tribuna com relação a extinção da Holding como data a ser considerada para fins de contagem de prazo decadencial. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.804 13 DO MÉRITO DO PROPÓSITO NEGOCIAL 32. Para facilitar o entendimento, vejase graficamente a estrutura dos negócios da família Telles em 1998, segundo o próprio contribuinte: 33. Com a criação do Fundo TELLES FIP, em dezembro/2011, tal estrutura passou a revelar a seguinte forma: 34. Ainda consoante peça impugnatória, depois da criação do ALVORADA FIM e da YPIÓCA BEBIDAS, ambos em fevereiro/2012, o Grupo TELLES passou a ter a seguinte representação: Fl. 1862DF CARF MF 14 35. Frisese que, a grosso modo, a YPIÓCA BEBIDAS (acima representada) é que foi vendida para o grupo DIAGEO/CINTER e tal venda foi objeto do ganho de capital ora analisado. 36. Fazendo um resumo do TVF, a autoridade lançadora utilizou os seguintes fatos e argumentos para fundamentar a desconsideração dos fundos de investimento (TELLES FIP e ALVORADA FIM): a) Em 11/05/2012 a empresa AGROPAULO sofreu cisão parcial, vertendo parte do seu capital, compreendido pelas participações societárias nas empresas YPIÓCA BEBIDAS (apenas elementos do ativo, com ações ordinárias no valor de R$ 62.453.300,00), YPLASTIC e IPARK para a empresa TELLES PARTICIPAÇÕES (p. 6 do TVF). b) Em 12/05/2012 foi decidido em Assembleia Geral a dissolução da empresa TELLES PARTICIPAÇÕES. Com a dissolução da companhia, a YPIÓCA BEBIDAS passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP (p. 6 do TVF). c) Em 23/05/2012, a Assembleia Geral do TELLES FIP aprovou a venda da totalidade das ações da YPIÓCA BEBIDAS para a empresa CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 60.699.865/000110 (p. 6 do TVF). d) Sendo o fundo de investimento uma reunião de recursos para aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.805 15 quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas (p. 18 do TVF). e) As negociações com vistas à venda da YPIÓCA BEBIDAS, como é usual nesse tipo de operação, já vinham ocorrendo há bastante tempo, antes mesmo da constituição do TELLES FIP e do ALVORADA FIM (p. 19 do TVF). f) Estranhamente, o Sr. Everardo Ferreira Telles recebeu, conforme deliberações da Assembléia do TELLES FIP, de 23/05/2012, plenos poderes para a concretização do negócio quais sejam: estabelecer o preço da venda e quaisquer outras cláusulas ou condições do negócio e assinar quaisquer documentos necessários para o seu implemento (p. 6 do TVF). g) Em 22/02/2012, foi constituído o ALVORADA FIM (p. 3 do TVF). h) Em 23/04/2012, por decisão em Assembleia Geral, os cotistas do TELLES FIP utilizaram todas as suas cotas para a integralização das cotas do ALVORADA FIM. Desse modo, o ALVORADA FIM passou a deter com exclusividade 100% das cotas do TELLES FIP (fundo exclusivo) (p. 4 do TVF). i) Os ganhos decorrentes da venda da YPIÓCA BEBIDAS foram recebidos inicialmente pelo TELLES FIP, que seria o proprietário das ações, e esses recursos foram repassados a título de amortização para o ALVORADA FIM, único cotista do TELLES FIP. Em ambos os casos, por se tratar de fundos de investimento, não haveria incidência de imposto, seja sobre ganho de capital, seja sobre rendimentos do fundo decorrentes da operação de venda da empresa (p. 15 do TVF). j) A prevalecer a pretensão dos contribuintes, dada essa configuração, a única possibilidade de haver a incidência imediata do imposto seria se o ALVORADA FIM amortizasse cotas em favor dos seus cotistas, os membros do grupo familiar TELLES, o que, até o momento em que se escreveu este TVF, não ocorreu (p. 15 do TVF). k) O ALVORADA FIM utilizou os recursos recebidos em várias aplicações, em outros fundos que, por sua vez, os aplicaram na aquisição de cotas de outros fundos e em variados tipos de ativos (Anexo 33). Aliás, o que justificaria a criação do ALVORADA FIM e a transferência para este Fundo da totalidade das cotas do TELLES FIP seria exatamente, além do afastamento da Fl. 1864DF CARF MF 16 exigência do imposto de renda sobre os ganhos decorrentes da alienação da YPIÓCA BEBIDAS, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos (p. 15 do TVF). l) É que, se o produto da venda da YPIÓCA BEBIDAS permanecesse no TELLES FIP, este teria que aplicálo predominantemente (90%) na aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, conforme artigo 6° c/c artigo 2° da Instrução n° 391/2003, da Comissão de Valores Mobiliários CVM (p. 16 do TVF). 37. As alíneas de “a” até “f” do parágrafo anterior estão relacionadas especificamente ao TELLES FIP; e, de “g” até “l”, referemse ao ALVORADA FIM. 38. O impugnante afirmou que a criação do TELLES FIP fez parte de um processo de reestruturação, cujo objetivo central foi “prover aos membros da família TELLES uma gestão profissional de suas empresas operacionais, assim como manter distante, dessas empresas, eventuais divergências pessoais entre os membros da família”. Não convence tal alegação, pois: a) A finalidade central de um fundo de investimento em participações FIP, segundo o art. 2º da Instrução CVM nº 391/2003, se realiza por meio da aquisição de ações e de outros títulos e valores mobiliários. Como ninguém tem como objetivo adquirir algo que previamente já estava sob seu domínio, o objetivo precípuo do TELLES FIP deveria ser a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos (representados, na espécie, por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial antes da criação do FIP), demonstrandose, assim, a falta de propósito negocial do TELLES FIP. O argumento acima está em consonância com o fundamento fiscal disposto no parágrafo 36, item “d” (retro). b) Antes da criação do TELLES FIP, o Grupo Telles era administrado por meio de holding4 (TELLES PARTICIPAÇÕES) que, por isso, já cumpria esse papel de interface administrativa entre os membros da famílias TELLES e as empresas operacionais, além da possibilidade de gestão profissional de tais empresas. Assim, não convencem as alegadas vantagens, aduzidas pelo impugnante, em alterar o tipo de controladora das empresas operacionais, saindo de um modelo de holding para o modelo de FIP. 39. Quanto à “governança corporativa” citada pelo impugnante como sendo um dos objetivos que levaram à criação do TELLES FIP, de plano, trazse seu conceito segundo a CVM: “Governança corporativa é o conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, tais como investidores, empregados e credores, facilitando o acesso ao capital. A análise das práticas de governança corporativa aplicada ao mercado de capitais envolve, principalmente: transparência, equidade de tratamento dos acionistas e prestação de contas”. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.806 17 40. E consoante MURAKAMI, a atuação eficiente de holding em um grupo empresarial já permite a operacionalização de governança corporativa: Da mesma forma, define o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa: Governança Corporativa é o sistema pelo qual as sociedades são dirigidas e monitoradas, envolvendo os relacionamentos entre acionistas, conselho de administração, diretoria, auditoria independente e conselho fiscal. O objetivo das práticas de governança corporativa é a criação e operacionalização de um conjunto de mecanismos que visam a fazer com que as decisões sejam tomadas de forma a otimizar o desempenho de longo prazo das empresas. RIBEIRO complementa o termo, ao afirmar que a governança corporativa, além de indicar um sistema de gestão das sociedades, “privilegia a probidade, a transparência, a ampliação e a compatibilização dos direitos daqueles que se relacionam com a companhia”. Como se vê, tratase de um sistema de governo e gestão de empresa, cujas práticas serão consideradas boas ou más dependendo do resultado que delas possam acontecer. No entanto, no caso das empresas familiares, o problema da governança corporativa adquire características mais complexas, em razão da influência emocional existente. Além dos eventuais conflitos que pode ocorrer entre os executivos, conselheiros e acionistas/quotistas, nas empresas familiares, como já visto, existem os relacionamentos entre familiares, com sentimentos envolvidos e a possibilidade de problemas na sucessão e transição de gerações. Assim, as boas práticas de governança corporativa no âmbito da empresa familiar devem situar as relações no campo de separação entre propriedade e gestão e, também, na seara das relações entre a família, o patrimônio societário e a empresa. Mais que isso, elas também devem ter por finalidade a proteção e o bem da empresa familiar, abrigando, desse modo, o interesse de todo e qualquer componente que se relacione com a sociedade empresária (controladores, administradores, stakeholders, etc.). Neste sentido, ressaltam BERNHOEFT e GALLO: Para alguns dos empresários, e especialmente os conselheiros independentes, o comentário foi enfático no sentido de afirmar que a contribuição da governança para a empresa familiar tem o mesmo peso que teria para qualquer outro tipo de empresa. Significa a necessidade de respeitar os interesses dos diferentes públicos com que a empresa se relaciona, conferindolhes o peso e a relevância que são merecedores. Certamente para a continuidade da empresa familiar tudo isto tem uma maior importância ainda. Nunca é demais lembrar que quem cria empregos, gera riqueza e lucros é a empresa. Portanto, a Fl. 1866DF CARF MF 18 governança deve funcionar como um instrumento ativo e crítico na geração e agregação de valor para todos os envolvidos. Inclusive os acionistas. O planejamento sucessório através da holding familiar age dessa forma, haja vista a ideia da perpetuidade do empreendimento e, como já visto, da separação da família e da gestão corporativa, demonstrando o real interesse dos que detém o poder decisório. Além de permitir a manutenção do bloco de poder familiar, a holding funciona como um sistema que permite a conservação das brigas familiares dentro da própria família, sem que contamine a gestão da empresa, protegendo, de certa forma, o interesse de todos com que se envolve. Assim dispõe o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa: A falta do planejamento de sucessão destrói o valor das organizações, pondo em risco sua credibilidade perante o mercado e demais partes interessadas. [...] Empresas são feitas de pessoas. Nessa perspectiva, a clareza com relação a quem vai continuar o negócio, de que forma e segundo qual filosofia, preocupa investidores, colaboradores, clientes e parceiros. O planejamento da sucessão é, por conseguinte, importante porque torna clara a intenção dos acionistas com relação ao seu negócio, tendo em vista o conjunto de expectativas – tanto de dentro, quanto de fora da organização. [...]Um processo de planejamento de sucessão objetivo, abrangente e contínuo, além de ser uma boa prática de governança corporativa, comunica às diversas partes interessadas (stakeholders), a importância que a organização atribui à continuidade dos negócios. É através desse processo que a empresa promove uma coerência entre sua visão de futuro e a ação empresarial e transmite uma mensagem clara, para investidores e colaboradores, sobre o ciclo de continuidade da liderança. Dessa forma, o planejamento sucessório através da holding familiar pode ser considerado uma prática de governança corporativa, pois além de proteger o interesse dos familiares, ao manter o bloco do controle das decisões, ele, também, conserva o interesse de todos, na busca da perpetuidade e na separação dos problemas familiares da empresa. 41. Logo, como a atuação efetiva da TELLES PARTICIPAÇÕES (holding) já permitiria a prática de governança corporativa, mais uma vez não convence o fundamento, aduzido pelo impugnante, em alterar o tipo de controladora das empresas operacionais, saindo de um modelo de holding para o modelo de FIP. 42. Outrossim, o contribuinte afirmou: “não é porque a Ypióca estava sendo assediada por algumas empresas, que o Grupo TELLES estaria certo do fechamento de algum negócio, e por tal motivo idealizaria um ‘planejamento tributário ilícito’”; “em abril de 2012, portanto, após a criação dos fundos de investimentos mencionados pela fiscalização, as negociações com a DIAGEO foram dadas como encerradas”. Entendese pela irrelevância de tais argumentos pois, em cada negócio efetivado pelo TELLES FIP, inclusive quanto à venda da YPIÓCA BEBIDAS, deveria o impugnante demonstrar (e não o fez!) que a citada companhia operacional teria o aspecto de um investimento novo, configurando assim em parte integrante do propósito negocial do TELLES FIP que, dessa forma, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.807 19 43. Destaquese que a Assembleia Geral do TELLES FIP promoveu alteração de seu Regulamento, em 23/04/2012, com o seguinte teor: DELIBERAÇÕES: Os Cotistas deliberaram, por unanimidade, com base na pauta acima aprovar todas as seguintes alterações no Regulamento do Fundo. (...)f) Alterar o Artigo 30 para esclarecer que o Comitê Gestor e de Investimento não tem competência exclusiva e não necessita, nem deve deliberar sobre assuntos que já tenham sido objeto de deliberação por parte da Assembléia Geral de Cotistas. g) Alterar o Artigo 17 para acrescentar um texto final ao Parágrafo Terceiro desse artigo para deixar claro que, especialmente no caso de ativos vinculados a garantias dadas ao comprador de ativo desinvestido, conforme previsto na alínea c) do Inciso II do parágrafo 3° do Artigo 6°A da Instrução CVM 391, o valor desse tipo de ativo deverá ser somado aos ativos fins do Fundo, não implicando, portanto, em desenquadramento da carteira. h) Alterar o Parágrafo Quarto ao Artigo 31 para acrescentar que os deveres e prerrogativas do Comitê Gestor e de Investimento, enquanto não eleito o Comitê pela Assembléia Geral, serão exercidas pelo maior cotista do Fundo ou usufrutuário da maior quantidade de cotas, que seja detentor dos direitos sobre mais de 50% das cotas emitidas; cotista que poderá receber procuração do Fundo para representálo perante as companhias investidas. 44. Apenas como reforço argumentativo (“ad argumentandum tantum”), apesar de a venda da YPIÓCA BEBIDAS não estar finalizada, as alterações acima promovidas no Regulamento revelam toda a preparação/preocupação para a citada venda, mediante: a) limitação da competência do Comitê Gestor e de Investimento (art. 30); b) explicação sobre os cálculos alusivos a desenquadramento da carteira, na forma do art. 6ºA, § 3º, II, “c”, da Instrução CVM nº 391/2003 (art. 17, § 3º); c) inclusão de competência do maior cotista do Fundo ou usufrutuário da maior quantidade de cotas acima de 50% para receber procuração do Fundo para representálo perante as companhias investidas (art. 31, § 4º). 45. O impugnante também asseverou: “(...) desde abril de 2007, (...) que o Grupo TELLES vem utilizandose de fundo de investimento exclusivo (sem participação de outras pessoas físicas ou jurídicas, que não as do Grupo TELLES), em sua organização. Fundos esses que poderiam ter sido utilizados para albergar as empresas operacionais do Grupo, bastando simplesmente alterar seu regulamento perante a CVM. Será que, se o Grupo Telles tivesse utilizado o fundo de investimento criado em 2007 também seria considerado pelo Fisco como parte de um ‘planejamento tributário ilícito’? É evidente que não!”. Repitase aqui o que já foi dito retro, ou seja, se a venda da YPIÓCA BEBIDAS tivesse se dado por meio de outro fundo de investimento, o contribuinte teria, da mesma forma, o ônus de demonstrar que a YPIÓCA BEBIDAS teria o aspecto de um investimento novo, configurandose assim como parte integrante do propósito negocial de determinado fundo de investimento que, só assim, encontrarseia apto para obter a isenção de imposto de renda sobre eventual ganho de capital. Caso contrário, esse fundo também seria desconsiderado para apuração de tal imposto. Fl. 1868DF CARF MF 20 46. O administrado também alegou que inúmeras outras empresas globais, além da DIAGEO, procuraram o Grupo TELLES, desde janeiro/2008, objetivando adquirir o negócio YPIÓCA (p. 25/26 da impugnação e vide docs. 07 a 10, e parte do doc. 11 relativo à PERNOD RICARD, anexos à impugnação), apesar de não terem concretizado a compra. De tal premissa não decorre nenhuma conclusão no sentido de que houve ou não planejamento tributário ilícito, mas daí se infere apenas que existia, no máximo, a possibilidade de ocorrência da citada venda. Nada mais! Portanto, com a exceção do acordo de confidencialidade com a DIAGEO (parcela do doc. 11 anexo à impugnação), os demais documentos relativos ao assédio de empresas globais em nada interferem no lançamento fiscal ora analisado. 47. Salientese aqui que, como a própria CVM prevê a formação de um fundo exclusivo, 7 a premissa fiscal de que os fundos de investimento têm “o objetivo de promover a aplicação coletiva de recursos” não foi utilizada no presente Voto como fundamento, pelo que não será analisada a contestação do contribuinte sobre esse tema. 48. No que tange à alegação do impugnante no sentido de que “um fundo de investimento em participações (FIP) é um mecanismo legal, (...), que permite ao investidor diversificar as aplicações de recursos financeiros”, tratase de argumento que milita em favor da autoridade lançadora, já que no caso ora examinado o Grupo TELLES usou o TELLES FIP para controlar sociedades que eram previamente controladas pelo citado Grupo, e não para diversificar investimentos em empresas alheias. 49. Quanto aos Acórdãos do Carf nº 3402001.908, 10421.729 e 101 94.127, cujas ementas foram aduzidas pelo impugnante, salientese, mais uma vez, que as decisões administrativas não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois somente se aplicam sobre a questão ali analisada e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. 50. Apenas para argumentar, nos Acórdãos acima, o respectivo colegiado se posicionou contra o lançamento fiscal, tendo por premissa, data venia, um certo apego ao formalismo. Todavia, deve o aplicador da legislação tributária se aprofundar nos aspectos substanciais da relação Estado versus contribuinte, sob a luz de princípios subjetivados, tais como, isonomia, capacidade contributiva e função social da propriedade, todos reforçados pela Constituição da República de 1988. Como premissa, adotase a tese de que o direito individual de autoorganizarse e a liberdade de iniciativa, como qualquer direito individual, não possuem caráter absoluto, já que são podados quando o exercício desse direito gera dano social. Logo, mergulhando no aspecto substancial da relação Estadocontribuinte, deve prevalecer a seguinte tese fiscal: “Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas”. Noutro dizer, se o Grupo TELLES promoveu a existência de uma entidade interposta entre as empresas e seus acionistas/cotistas, tal ato se conforma ao conceito de simulação, que vem a ser a violação da lei exigida pelos mencionados Acórdãos. 51. O contribuinte aduziu em sua defesa as normas da Constituição da República de 1988 – CR/1988, relativas aos valores sociais da livre iniciativa (art. 1º, IV), à livre concorrência (art. 170, IV), ao princípio da legalidade (art. 5º, II), à garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII). Todavia, essa mesma Constituição traz também valores opostos àqueles, como o objetivo de construir uma sociedade solidária (art. 3º, I), a função social da Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.808 21 propriedade (art. 5º, XXIII, e art. 170, III) e o princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º). 52. O impugnante também perguntou: “(...) que planejamento tributário ilícito é este, no qual o contribuinte paga R$22.066.198,00 de imposto de renda, a título de ganho de capital, sem que, à época do pagamento, não havia nenhuma venda confirmada?”. Ora, o citado pagamento referese a imposto de renda incidente sobre ganho de capital, em dezembro/ 2011, alusivo à alienação das ações da TELLES PARTICIPAÇÕES para o TELLES FIP (transferência para integralização das cotas do fundo – fls. 216/219), aqui denominado como evento 1. Portanto, tratase de tema estranho à presente lide que se limita a examinar o ganho de capital sobre a venda de ações de outra sociedade (YPIÓCA BEBIDAS), aqui denominado como evento 2. Para fins de exercício argumentativo, se houvesse correlação entre o imposto pago em referência ao evento 1 e o imposto pago em referência ao evento 2, verificase que os membros da família TELLES pagaram R$22.066.198,00 (= R$3.152.314,00 x 7 filhos) pelo evento 1, ao passo que, nos lançamentos ora em julgamento, foi formalizado a quantia principal de R$114.071.898,71 (= R$16.295.985,53 x 7 filhos). Aí residiria o planejamento tributário: uma economia com tributos no expressivo valor de R$92.005.700,71 (= R$114.071.898,71 – R$22.066.198,00). 53. Aduzse ainda mais um argumento acessório (“ad argumentandum tantum”) nos parágrafos 54 a 57 (infra). 54. As etapas do ciclo de investimentos de um fundo são: a) captação de recursos; b) identificação de oportunidades; c) seleção, estruturação e acompanhamento de investimentos; d) desinvestimentos. 55. Consoante entrevista em 15/10/2012 do próprio Sr. Everardo Ferreira Telles, usufrutuário vitalício das ações do Grupo Empresarial TELLES, destacase que: a negociação para a venda da YPIÓCA BEBIDAS começou no início do ano de 2011; a negociação foi longa e difícil, como não poderia deixar de sêla, tendo em vista os inúmeros detalhes de uma venda desse porte. 9 56. Acompanhando a peça impugnatória, o administrado aduziu acordo de confidencialidade firmado por DIAGEO, Ypióca Agroindustrial Ltda (neste voto denominado por AGROPAULO) e outras empresas do Grupo TELLES, celebrado em 22/12/2010 (parcela do doc. 11 anexo à impugnação). Esse acordo é o primeiro documento assinado entre o potencial comprador e o vendedor, por meio do qual os envolvidos na potencial transação se comprometem a manter em sigilo todas as informações sobre a negociação e dados obtidos da outra parte durante o período dessas tratativas. 10 57. Portanto, como a Assembléia Geral do TELLES FIP decidiu pela venda da YPIÓCA BEBIDAS apenas em 23/05/2012, a negociação se estendeu, no mínimo, pelo período de 18 meses. Já a YPIÓCA BEBIDAS somente passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP em 12/05/2012, onze dias antes da citada Assembleia. Por via de consequência, das etapas de um ciclo de investimento (consoante parágrafo 54, retro), o TELLES FIP só teria atuado, em tese, na etapa final relativa ao “desinvestimento” (venda da YPIÓCA BEBIDAS). Aqui se utilizou a expressão “em tese” porque, mesmo nessa última fase, o Sr. Everardo Ferreira Telles recebeu, conforme deliberações da Assembleia Geral do TELLES FIP, de 23/05/2012, plenos poderes para a concretização do negócio, quais sejam: estabelecer o preço da venda e quaisquer outras cláusulas ou condições do negócio e assinar quaisquer documentos necessários para o seu implemento. Em outras palavras, a existência do TELLES Fl. 1870DF CARF MF 22 FIP – e de seus profissionais de mercado – se mostrou inteiramente desnecessária em todas as etapas do ciclo de investimentos na YPIÓCA BEBIDAS, somente emergindo o referido fundo no momento de obter indevidamente a isenção do ganho de capital ora analisado. Daí o estranhamento causado na autoridade lançadora, conforme p. 6 do TVF, o que não foi compreendido pelo impugnante. 58. Quanto à desconsideração do ALVORADA FIM, devese manter a ineficácia desse fundo na venda da YPIÓCA BEBIDAS, em harmonia com o parágrafo 36, item “k” (retro), isto é, o objetivo da interposição do ALVORADA FIM foi, além da isenção do imposto sobre o ganho de capital na venda da YPIÓCA BEBIDAS, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos que um fundo de investimento multimercado tem em cotejo com o fundo de investimento em participações. 59. Em relação aos contratos com a Fundação Dom Cabral (docs. 03 e 04 anexos à impugnação) e ao documento intitulado “Estrutura de Governança – Situação Futura” (doc. 05 anexo à impugnação), tratase de elementos que, respectivamente, ocorreram em 2013 (docs. 03 e 04) ou criaram expectativa para o período posterior a 07/08/2017, data da impugnação (doc. 05), e, portanto, não influenciaram na venda da YPIÓCA BEBIDAS ocorrida em 2012. 60. Quanto às notícias publicadas em 12/04/2012 e 03/05/2012 (docs. 06 e 14 anexos à impugnação), é normal que o processo de negociação de venda de companhia do porte da YPIÓCA BEBIDAS envolva idas e vindas, desistências e retomadas das tratativas. Nesse contexto, resta claro que a definitividade da venda só ficou demarcada com a assinatura do Contrato de Compra e Venda de Ações em 25/05/2012 (Anexo 24 do TVF) e do Aditamento e Consolidação do Contrato de Compra e Venda de Ações em 03/08/2012 (Anexo 25 do TVF). Porém, tendo em vista o porte da YPIÓCA BEBIDAS, o acordo de confidencialidade firmado com a DIAGEO em 22/12/2010 (parcela do doc. 11 anexo à impugnação) e a quantidade de empresas globais interessadas na YPIÓCA BEBIDAS, é razoável e plausível que o Grupo TELLES tenha se preparado juridicamente para a hipótese de a venda se tornar realidade, atos preparatórios esses que restaram demonstrados conforme visto nos parágrafos 33, 34, 36, 43 e 56 (retro). 61. Mantêmse, pois, as infrações descritas pela autoridade fiscal. DO CÁLCULO DO IR SOBRE GANHO DE CAPITAL (COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO) (...) 63. De plano, destaquese que a YPIÓCA BEBIDAS, objeto do ganho de capital ora sob exame, só foi criada em 29/02/2012 (dois meses depois do ganho de capital ocorrido em dezembro/2011). 64. O fato alegado pelo contribuinte ocorreu em 30/12/2011 e o objeto do ganho de capital incidiu na alienação de ações da TELLES PARTICIPAÇÕES. Já os fatos tributários ora analisados ocorreram em 09/08/2012, 21/02/2013, 09/11/2015 e 07/10/2016 e consistem em ganhos de capital na alienação de ações da YPIÓCA BEBIDAS. Destarte, os elementos material e temporal dos fatos geradores são distintos. 65. Demais disso, a YPIÓCA BEBIDAS resultou da segregação de atividades da Ypióca Agroindustrial S/A (futura AGROPAULO). Essa última sociedade, bem como Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.809 23 NATURÁGUA, FIEL, BOTICÁRIO, HALLEY e PECEM, são empresas operacionais que, na época, eram controladas pela TELLES PARTICIPAÇÕES e foram objeto da avaliação (efetuada pela PAX Corretora de Valores e Câmbio S/A) que serviu de base para o ganho de capital ocorrido em dezembro/2011. Assim, resta plausível que o custo de aquisição das ações vendidas da YPIÓCA BEBIDAS (R$62.453.300,00), em agosto/2012, tenha nele embutido a valorização calculada por ocasião do evento de dezembro/2011. De qualquer sorte, o impugnante sequer se esforçou para demonstrar – mediante escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o evento de dezembro/2011 foi influenciado, pelo menos em parte, por fatos imputáveis futuramente à YPIÓCA BEBIDAS (que só foi criada em fevereiro/2012); tampouco quantificou essa parte. Portanto, denegase o pleito do administrado para excluir, do imposto lançado, o tributo pago sobre ganho de capital ocorrido em 30/12/2011. 66. Em seguida, o impugnante argumentou que: E mais, entre a data de constituição dos fundos TELLES FIP e ALVORADA FIM e a data de hoje, ocorreram amortizações no ALVORADA FIM pelas pessoas físicas, o que ensejou o recolhimento de imposto de renda sobre ganho de capital, na forma da legislação vigente, no valor total de R$4.349.999,61 (quatro milhões, trezentos e quarenta e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos), conforme extratos de movimentação (Doc. 13). 67. Não se acolhem os alegados pagamentos de imposto de renda, tendo em vista suposta amortização de cotas do ALVORADA FIM (doc. 13 anexo à impugnação), pois: a) O impugnante não explicitou o fundamento fático que determinou a alegada amortização de cotas, tampouco a norma do Regulamento que embasou sua realização. Como o ALVORADA FIM detém o controle do TELLES FIP (que, por seu turno, controla diversas empresas operacionais, tais como, AGROPAULO, NATURÁGUA, PECÉM, HALLEY, CEARÁMIRIM, YPETRO, YPLASTIC e IPARK), os rendimentos conferidos aos cotistas podem ter como fundamento quaisquer desses ativos (sociedades operacionais). E mais importante: o impugnante não demonstrou – por meio de escrituração contábil devidamente suportada por documentos – que o fundamento da amortização de cotas do ALVORADA FIM seria a venda das ações da YPIÓCA BEBIDAS. b) O impugnante aduziu meros “extratos de conta depósito”, sem qualquer formalidade, tampouco assinatura. Nesse passo, não demonstrou sequer que houve efetivamente amortização de cotas do ALVORADA FIM. c) No caso dos impostos pagos referentes aos Srs. EVERARDO FERREIRA TELLES e MARIA HELOISA FERREIRA DE MELO, como se trata de pessoas que não se encontram como contribuintes 11 (art. 121, parágrafo único, I, do CTN) em nenhum dos processos ora analisados em conjunto, tal matéria é estranha ao presente feito. DA MULTA QUALIFICADA 68. Contra a qualificação da multa para o percentual de 150% sobre o imposto devido, o contribuinte alegou que: Fl. 1872DF CARF MF 24 a) Foram duas as razões que levaram o Fisco a concluir pela aplicação da qualificação da multa, a saber: i) reduzido espaço de tempo entre a criação do TELLES FIP e a venda da Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A (seis meses); e ii) matéria dos jornais "O Valor" e "O Povo", datados de 28/05/2012; 29/05/2012; e 15/10/2012, onde o Sr. Everardo Ferreira Telles, controlador do Grupo Telles informa, que o negócio com a Diageo estava em andamento desde o ano anterior (2011). b) Entretanto, o Fisco deixou de mencionar que em 12/04/2012, o mesmo Sr. Everardo declarou a imprensa que o negócio que estava em andamento com a Diageo foi cancelado, pois as empresas não conseguiram chegar a um acordo em relação aos valores da negociação. Vejam que a data desta divulgação à imprensa foi anterior àquelas publicações mencionadas pelo Fisco. Isto prova que qualquer negócio só está fechado após contrato assinado e dinheiro depositado na conta bancária. E como visto e comprovado nesta Impugnação, foram inúmeras as tentativas de negociação que o Grupo Telles conviveu ao longo de muitos anos, sem, contudo ter negociado qualquer ativo. c) Da mesma maneira não houve qualquer citação por parte do Fisco, de que o Grupo Telles em 2007 criou o Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento Multimercado Crédito Privado Halley (FUNDO HALLEY) e em 2009 criou o Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento de Ações Telles Exclusivo (FUNDO TELLES EXCLUSIVO). Ou seja, a criação de fundos é parte indissociável do planejamento societário/sucessório que vem sendo implantado desde 1998 e ainda não foi concluído. E mais, a cessão dos direitos acionários levados para o TELLES FIP, criado em dezembro de 2011, poderiam ter sido levados para quaisquer dos dois fundos existentes, criados em 2007 e 2009, bastando para tanto alterar o Regulamento dos ditos fundos junto a CVM. Se isso tivesse ocorrido, o Fisco não poderia dizer que o TELLES FIP foi criado especificamente para receber as ações da Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A. E o Grupo Telles só não fez isso, para não mexer na estrutura de Fundos concebida no planejamento societário. Cabe aqui um questionamento: Por que o Fisco omitiu a existência desses dois Fundos criados em 2007 e 2009? Esses fatos são mais do que suficientes para afastar qualquer interpretação de fraude, dolo ou simulação. d) Importante ressaltar que desde 2008 a Ypióca vem recebendo visitas de grandes grupos internacionais da área de bebidas (Pernod Ricard, Campari, Distell e Diageo) na busca de algum tipo de negociação, tais como: participação acionária, joint venture, etc. Tal fato se prova através da publicação no jornal ‘Brasil Econômico’ do dia 03/05/12 que traz como manchete o seguinte: ‘Diageo, Campari e Pernod Richar disputam a Ypióca’ e das propostas dos bancos de investimento UBS, BTG PACTUAL, CREDIT SUISSE, (Does. 06 a 11). Como se vê, a Ypióca foi assediada ao longo de muitos anos pelas maiores empresas do mundo no segmento de bebidas. e) A aplicação da multa qualificada pelo d. Fiscal baseouse, como dito em tópicos anteriores, na alegação, da existência de sonegação, fraude e simulação, uma vez que ‘(...) o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária(...)’ (fls. 20 do TVF). f) No presente caso, analisando os elementos contidos nos autos e em especial as duas únicas razões apresentadas pelo Fisco no TVF, não há prova alguma de dolo por parte do Impugnante, apenas indícios e presunções indicados no referido relatório da fiscalização. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.810 25 g) É notório que quem alega ilícito está obrigado a provar o alegado. É o ônus da prova. Tratase de norma elementar de Direito, que não necessita de maiores explicações ou comentários. h) [Aduziu os Acórdãos Carf n° 9101002.823, 1301002.158, 9202 003.832, 9101001.980 e 1803000.346 em seu favor]. i) Indícios podem autorizar, quando muito, a presunção, mas não no presente caso. As presunções somente são admitidas quando previstas em lei. Em direito, a guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc, não se presumem, devem ficar sobejamente comprovados, estreme de qualquer dúvida, o que não encontramos nos autos. 69. Diferentemente do que apontou o contribuinte, a autoridade lançadora não se resumiu àqueles dois fundamentos citados no item “a” do parágrafo anterior. De modo contraditório, o próprio impugnante indicou que a fundamentação para a multa qualificada encontrase em “tópicos anteriores”, consoante item “e’ do parágrafo anterior. 70. Também a autoridade fiscal aponta para tópicos antecedentes ao da “qualificação da multa aplicada”, consoante seu trecho inicial (p. 20 do TVF): Conforme demonstrado ao longo deste termo, em relação à infração acima, o contribuinte promoveu e se beneficiou de um planejamento tributário abusivo, cujo objetivo foi alterar maliciosamente as características essenciais da obrigação tributária decorrente da compra e venda de ações representativas de sua participação societária na empresa Ypióca Agroindustrial de Bebidas S/A. 71. Em suma, os fundamentos anotados pela autoridade lançadora no TVF são: a) Por conta do planejamento tributário abusivo, a venda das ações da YPIÓCA AGROINDUSTRIAL DE BEBIDAS S/A realizouse, então, artificial e formalmente, através do TELLES FIP, com o que se pretendeu afastar a incidência do imposto de renda devido sobre o ganho de capital obtido. [p. 2 do TVF] b) Ora, sendo um fundo de investimento uma reunião de recursos (...) para a aplicação em diversos ativos e, no caso específico do Fundo de Investimento em Participações, em ações de companhias das quais o fundo deve participar da gestão, qual a finalidade de se integralizar as quotas de um fundo recémcriado com ações de empresa das quais os próprios cotistas do fundo eram os proprietários? Se o objetivo de um investimento é a aplicação de recursos para a obtenção de um ganho com esses investimentos, que ganhos os cotistas do TELLES FIP esperariam obter com o Fundo que não obteriam se mantivessem diretamente o controle das ações das empresas? Qual o propósito negocial, então, de se integralizar as quotas do fundo com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS S/A? Nenhum. O Fundo, neste caso, se apresenta como mero ente interposto entre as empresas e os seus acionistas/cotistas. [p. 18 do TVF] c) O ALVORADA FIM utilizou os recursos recebidos em várias aplicações, em outros fundos que, por sua vez, os aplicaram na aquisição de cotas de outros fundos e em variados tipos de ativos (Anexo 33). Aliás, o que justificaria a criação do ALVORADA FIM e a transferência para este Fundo da totalidade das cotas do TELLES FIP seria exatamente, além do afastamento da exigência do imposto de renda sobre os ganhos decorrentes da alienação da Ypióca Agropecuária de Bebidas S/A, a ampliação das possibilidades de escolha de ativos para a aplicação dos recursos. d) Do acima exposto, estando caracterizada a ausência de propósito negocial na integralização das cotas do TELLES FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (TELLES FIP) com as ações da TELLES PARTICIPAÇÕES Fl. 1874DF CARF MF 26 E NEGÓCIOS S/A, desnudase o real propósito da operação, qual seja, alterar os elementos constitutivos da obrigação tributária, mais particularmente o sujeito passivo, que passaria a ser o Fundo, o qual, a prevalecer a pretensão dos contribuintes, e como já referido anteriormente, estaria isento do imposto de renda sobre o ganho de capital. [p. 19 do TVF] 72. Simulação é a realização de atos ou negócios jurídicos por meio de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. 73. Na espécie, constatase que a descrição fiscal dos fatos se subsume perfeitamente ao conceito de simulação, pois os atos aparentes disseram respeito à formalização do TELLES FIP e ALVORADA FIM, entidades interpostas entre as sociedades operacionais e seus acionistas/cotistas (membros da família Telles); ao passo que a vontade que se queria materializar consistiu na economia com tributos (TELLES FIP), bem como na ampliação das possibilidades de escolha de ativos para aplicação de recursos (ALVORADA FIM). 74. Para se demonstrar o dolo do contribuinte, há que se perquirir os elementos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Tais elementos estão assim demonstrados: a) Como qualquer fundo de investimento em participações, o TELLES FIP deveria ter como função precípua a realização de investimentos novos, e não a gestão profissional de investimentos antigos, assim representados por empresas operacionais que já pertenciam àquele grupo empresarial, antes da criação do TELLES FIP. b) A YPIÓCA BEBIDAS passou a pertencer diretamente ao TELLES FIP, depois da cisão parcial da AGROPAULO (11/05/2012) e da dissolução da TELLES PARTICIPAÇÕES (12/05/2012), e assim, evitouse deliberadamente, às vésperas da Assembleia Geral do TELES FIP de 23/05/2012, que a YPIÓCA BEBIDAS pertencesse diretamente à AGROPAULO ou à TELLES PARTICIPAÇÕES. Essa concatenação de atos societários concentrados em período curto teve como objetivo tornar isenta a venda da YPIÓCA BEBIDAS, com evidente economia de custos tributários. c) A concentração de poderes nas mãos do Sr. Everardo Ferreira Telles para a concretização do negócio da venda da YPIÓCA BEBIDAS, demonstrandose, mais uma vez, a desnecessidade do TELLES FIP. 75. Caracterizado que a forma jurídica adotada (leiase: fundos de investimento) não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes”. 76. No item “d” do parágrafo 71 (retro), a autoridade fiscal descreveu o ato ilícito cometido como sendo a alteração dos elementos constitutivos da obrigação tributária (elementos do fato gerador), especialmente o contribuinte do tributo devido. Tal ato se coaduna com as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, pois o Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.811 27 impugnante, ao interpor artificialmente dois fundos de investimentos entre ele e a YPIÓCA BEBIDAS, promoveu ação dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador de imposto de renda sobre ganho de capital na venda daquela companhia, haja vista que os verdadeiros contribuintes desse tributo eram os cotistas do ALVORADA FIM (membros da família Telles, entre eles, o ora impugnante). 77. Mantémse, pois, a multa qualificada. DA NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA QUALIFICADA 78. O impugnante argumentou que a multa tem natureza confiscatória, ao ferir o art. 150, IV, da Constituição da República de 1988, pois transborda todos os limites da razoabilidade. 79. Tal multa, contudo, foi aplicada com fulcro no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. Sendo o lançamento atividade plenamente vinculada (arts. 3º e 142, parágrafo único, do CTN), não pode a autoridade julgadora administrativa, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de cumprir a legislação tributária. 80. Além disso, de acordo com o art. 26A, caput, do Decreto nº 70.235/1972, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuandose a hipótese de declaração de inconstitucionalidade de tal ato normativo por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972). 81. O contribuinte também aduziu o Ag. Reg. no RE 754.554, no sentido de que o princípio da vedação ao confisco seria aplicável não só aos tributos, mas também às multas fiscais. O referido precedente do STF é inaplicável na espécie, pois: a) tratase de julgado da lavra da 2ª Turma da Suprema Corte, e não de seu plenário, configurando, portanto, decisão não vinculante para a Administração Judicante (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972); b) mesmo que fosse de observância obrigatória, não restou caracterizado, no caso concreto, o efeito confiscatório da multa de 150% sobre o imposto devido; c) mesmo que fosse de observância obrigatória, o caso julgado pelo STF diz respeito a multa cobrada pelo Estado de Goiás, ou seja, ali a Suprema Corte não decidiu sobre a constitucionalidade da normas que embasaram a aplicação da penalidade ora sob exame (art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996). 82. O impugnante também arguiu em seu favor o Ag. Reg. no RE 523.471, no sentido de que, consoante o princípio da vedação ao confisco, a multa não poderia ultrapassar o percentual de 30%. O mencionado precedente do STF é inaplicável na espécie, pois: a) tratase de julgado da lavra da 2ª Turma da Suprema Corte, e não de seu plenário, configurando, portanto, decisão não vinculante para a Administração Judicante (art. 26A, § 6°, I, do Decreto nº 70.235/1972); b) o caso julgado pelo STF diz respeito à multa de mora, paga espontaneamente por mero inadimplemento no recolhimento de tributos; ao passo que a matéria aqui tratada se refere à multa de ofício, exigida mediante lançamento de ofício, na hipótese de falta de lançamento por homologação; c) mesmo que fosse de observância obrigatória, o caso julgado pelo STF diz respeito a multa previdenciária, ou seja, ali a Suprema Corte não decidiu sobre a constitucionalidade da normas que embasaram a aplicação da penalidade ora sob exame (art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996). Fl. 1876DF CARF MF 28 83. Por fim, o administrado aduziu lição doutrinária de Sacha Calmon Navarro Coelho (p. 38 da impugnação), mas em tal excerto não se encontra a opinião do autor sobre qual seria o percentual máximo de multa que, ultrapassado, tornaria a penalidade confiscatória. 84. Esclareçase, por fim que em relação à multa de ofício qualificada aplicada na forma do art. 44, I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996, corre no STF recurso extraordinário que decidirá sobre a eficácia confiscatória de tal penalidade, sob o rito da repercussão geral, consoante RE 736.090 RG. Enquanto não houver o julgamento desse tema pela Suprema Corte, descabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão sobre constitucionalidade de lei, que autoriza, por enquanto, a cobrança de multa de ofício qualificada no percentual ali indicado. Resumindo os argumentos acima esposados, podemos concluir como correta a atuação fiscal. Em suma temos que os atos praticados pela recorrente demonstraram claramente a intenção verdadeira de desviarse do propósito negocial dos Fundos e não atender às finalidades alegadas pelos contribuintes. Ora, observase que num curtíssimo prazo ocorreram várias operações alterando totalmente a estrutura societária do grupo originário, com ação paralela visando a criação de um grupo econômico com o único objetivo de · 14.12.2011, criouse o fundo Telles Fundo de Investimento em Participações (TELLES FIP). · 29.12.2011, integralizaramse as cotas do TELLES FIP com ações da holding do Grupo Telles, a Telles Participações e Negócios S.A. (TELLES PARTICIPAÇÕES), efls. 108 e ss. O valor das ações integralizadas perfez R$ 410.689.100,00 segundo laudo de avaliação elaborado por PAX Corretora de Valores e Câmbio S.A. · 22.02.2012 foi constituído o Telles Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, o qual, após duas mudanças de denominação, passou a ser designado Alvorada Fundo de Investimentos Multimercado Investimento no Exterior (ALVORADA FIM). · 23.04.2012 as quotas do ALVORADA FIM foram integralizadas com quotas do TELLES FIP. Enquanto isso, as sociedades componentes do grupo sofreram as seguintes modificações: · 02.01.2012, Ypióca Agroindustrial Ltda, controlada pela TELLES PARTICIPAÇÕES, transformase em sociedade por ações. · 29.02.2012, foi criada a Ypióca Agroindustrial de Bebidas Ltda (YPIOCA BEBIDAS), tendo como sócios Everardo Ferreira Telles e Ypióca Industrial S/A. · 20.03.2012, foi alterado o contrato social para registrar o aumento de capital na YPIOCA BEBIDAS, o qual foi integralizado por Ypióca Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10380.725186/201796 Acórdão n.º 2301005.931 S2C3T1 Fl. 1.812 29 Industrial S/A mediante entrega de bens. O capital social passou a ser de R$ 17.906.000,00 · 30.04.2012, TELLES PARTICIPAÇÕES sofreu cisão parcial e o acervo foi vertido para Ypióca Agroindustrial S/A, agora denominada Agropaulo Agroindustrial S/A (AGROPAULO), sua controlada. Na mesma data, o capital social da YPIOCA BEBIDAS foi aumentado para R$ 62.453.300,00, integralmente subscrito por AGROPAULO e integralizado com bens. · 04.05.2012, YPIOCA BEBIDIS foi transformada em sociedade por ações. · 10.05.2012, o regulamento do TELLES FIP foi alterado quanto aos critérios de definição da carteira de investimentos do Fundo. Especificamente quanto à YPIOCA BEBIDAS a avaliação seria feita pelo método da avaliação econômica (Anexo 17). · 11.05.2012, a sociedade AGROPAULO foi cindida parcialmente. O capital cindido correspondia às participações na sociedade YPIOCA BEBIDAS, além daquelas nas sociedades YPARK e YPLASTIC. Todas as parcelas cindidas foram vertidas em favor de TELLES PARTICIPAÇÕES, sua controladora. · 12.05.2012, a Assembléia Geral da holding TELLES PARTICIPAÇÔES deliberou por sua dissolução. Em consequência, os ativos detidos pela sociedade passaram à titularidade do seu único sócio, o TELLES FIP. · 23.05.2012, a Assembleia Geral do TELLES FIP aprovou a venda da totalidade adas ações da YPIOCA BEBDIDAS para a CINTER. · 25.05.2012, foi assinado contrato de compra e venda e em 03.08.2012 foi assinado aditivo ao contrato de compra e venda. · 09.08.2012, fechamento do negócio. Verificase, pois, que os atos jurídicos formalizados, foram materializados com o fim único de livrar as partes de uma tributação específica, tendo a Fiscalização apurado diversos indícios que levaram à conclusão de que a recorrente formulou planejamento fiscal abusivo no conjunto de operação que resultou na aquisição da YPIOCA BEBIDAS pela CINTER. Em caso semelhante assim restou decidido no CARF: Acórdão n. 2402006.696: No caso em concreto, resta evidenciado da leitura dos autos,(...),que a conduta do Recorrente incorreu no uso abusivo das formas jurídicas de direito privado com o objetivo de reduzir a apuração do ganho de capital nas operações de alienação em tela, utilizandose de artifício consubstanciado na alienação das Fl. 1878DF CARF MF 30 ações das companhias eólicas para o fundo de investimento SALUSFIP(empresaveículo), sem qualquer propósito negocial, apenas para transferir a tributação do ganho de capital da pessoa física para a pessoa jurídica com a consequente postergação indevida do recolhimento de imposto de renda sobre ele incidente, caracterizandose, no meu entender, hipótese clara de dissimulação a atrair a incidência do art.116, parágrafo único, do CTN c/c o art.167 da Lein.10.406/2002(CódigoCivil), e não de ato ilícito nos termos do art.187 do Código Civil, como preconiza a decisão a quo. Ante ao exposto; Voto no Sentido de Rejeitar as preliminares e no mérito Negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa r Fl. 1879DF CARF MF
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