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Numero do processo: 12686.000149/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
null
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS NÃO FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF).
O acesso da Administração Tributária às informações bancárias do sujeito passivo junto às instituições financeiras deve ser efetuado mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). A ausência dessa requisição nos autos ou de documento equivalente, mesmo após diligência nesse sentido, macula o lançamento de IRRF, efetuado com base em extratos bancários que não foram fornecidos pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS NÃO FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DA REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). O acesso da Administração Tributária às informações bancárias do sujeito passivo junto às instituições financeiras deve ser efetuado mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). A ausência dessa requisição nos autos ou de documento equivalente, mesmo após diligência nesse sentido, macula o lançamento de IRRF, efetuado com base em extratos bancários que não foram fornecidos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 6. 00 01 49 /2 00 4- 48 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 565 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada por meio da Resolução nº 2102 000.183, da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção (fls. 532/537), que assim relatou os fatos: O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão DRJ/BEL n° 0120.885, de 28/02/2011 (fls. 473/485), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e manteve integralmente o crédito tributário lançado, cientificado ao sujeito passivo em 28/12/2004, sob a acusação da empresa ter efetuado pagamento a beneficiário não identificado, pagamento efetuado sem comprovação da operação ou sua causa, no período de 25/08/1998 a 30/12/1999. A Descrição dos Fatos no Auto de Infração (fls. 13 a 23) informa que a empresa Navegação Atlântico é beneficiária de colaboração financeira por parte da SUDAM, e foi intimada a identificar os beneficiários, a operação ou a causa das saídas de numerários realizados através de movimentação bancária no Banco da Amazônia S/A. O início da fiscalização em 21 de julho de 2003, no qual solicitados os livros comerciais e fiscais, havendo a contribuinte efetuado vários pedidos de prorrogação de prazo para o atendimento. A empresa apresentou um registro de ocorrência com data de 27 de março de 2004, no Departamento de Polícia da Capital do Amapá, sobre o rompimento do Canal da Mendonça Junior por força de um forte temporal em 17 de outubro de 2003, fato que teria ocasionado a perda e extravio de livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais e outros documentos que ficaram completamente inutilizados ou perdidos. Com base nesse fato, a empresa não atendeu os pedidos de esclarecimentos efetuados pela fiscalização. Convém esclarecer que em sessão de 04/08/2005 a DRJ/BEL proferiu o Acórdão n° 4.665, no qual declara a nulidade, por vicio formal, do lançamento, em decorrência da falta de ciência ao sujeito passivo do MPFC que estendia a fiscalização ao IRRF. Por acatar a preliminar de nulidade, o julgamento deixou de abordar as questões de mérito aludidas na impugnação, e recorreu de oficio ao Primeiro Conselho de Contribuintes face ao montante da exoneração do crédito tributário (fl. 380/385). O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BEL bem como do recurso de oficio em 22/08/2005, sendo instado a aguardar o resultado do julgamento (fl. 390). Em sessão de 21/09/2006, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em sede de recurso de oficio, exarou o Acórdão 10247.907, divergindo do fundamento utilizado pela DRJ/BEL. Contudo, reconheceu a decadência do crédito tributário referente aos fatos geradores (pagamentos) ocorridos até 28/12/1999 (fls. 394/408). Fl. 566DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 566 3 Em 28/08/2007 a PFN interpôs RECURSO ESPECIAL contra a preliminar de decadência reconhecida de oficio pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 412/419). Em 22/04/2008 o contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN, defendendo a decadência de parte do crédito tributário (fls. 424/426) e recurso voluntário contra o Acórdão 10247.907 do Primeiro Conselho, contestando a validade do MPFC, defendendo o Acórdão da DRJ/BEL que o considerou nulo e reiterando as alegações da impugnação que ainda não foram julgadas (fls. 427/437). Em 20/04/2009 a PFN apresenta as suas contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, pugnando pela manutenção da validade do MPFC e do lançamento decorrente (fls. 443/450). Em 12/04/2010 o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n°. 920200.637, manteve o entendimento do Primeiro Conselho defendido pela PFN, no sentido considerar válido o MPFC, inexistindo causa de nulidade do lançamento. Com isso, nega provimento ao recurso voluntário do contribuinte e julga prejudicada a análise do Recurso Especial da PFN, naquele momento, já que levanta questões ainda não apreciadas pelo juízo a quo (DRJ/BEL), devendo o Recurso Especial continuar retido nos autos para eventual análise em momento posterior pelo CARF (fls. 452/454). Em 28/05/2010 a PFN opõe EMBARGOS DE DECLARAÇÃO contra o Acórdão do CARF, considerandoo omisso na medida em que não apreciou a questão da decadência combatida no Recurso Especial (fls. 457/458), que interfere diretamente na matéria a ser analisada pela primeira instância, tornandose questão prejudicial e que merece julgamento imediato, antes do retorno para julgamento das demais matérias. Em 16/08/2010 o CARF emite Despacho em Embargos aduzindo que não houve omissão, e sim uma decisão consciente de que o Recurso deve ficar retido nos autos para eventual análise posterior, tendo em vista que ainda falta o julgamento das matérias não apreciadas pelo juízo a quo (DRJ/BEL). Em novo julgamento a DRJ/BEL proferiu o Acórdão n° 0120.885, de 28/02/2011 (fls. 473/485), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e manteve integralmente o crédito tributário lançado, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998, 1999 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. E vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Fl. 567DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 567 4 Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, urna lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU POR OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA É legitimo o lançamento decorrente da constatação de diminuição do saldo de caixa, sem a devida comprovação da operação ou causa dos pagamentos, e o decorrente da não apresentação de documentação consistente relacionada a negócio jurídico inexistente. Em seu apelo ao CARF (fls. 488/500), a recorrente reitera as mesmas questões suscitados em sede impugnação Alega que a Autoridade Administrativa baseia seu levantamento em planilhas por ela mesma elaborada, a partir de dados constantes de cópias de extratos bancários, sem autenticidade, uma vez que somente as fls. 38, 98 e 140 o próprio Auditor Fiscal "autentica" com os dizeres "confere com cópias oriundas do BASA". Tais cópias não foram obtidas da empresa autuada, nem há comprovação de que foram e como foram elas obtidas do BASA. Não há, nestes autos, sequer Requisição de Movimentação Financeira — RMF, quanto mais a necessária motivação para tal solicitação (Decreto n° 3.274/01, artigo 4°, § 1°). Argúi a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 28/12/1999, conforme já decidido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 10247.907, de 21/9/2006 (fls. 394/408), que reconheceu a decadência do direito de lançar o crédito em relação aos fatos geradores ocorridos até 28/12/1999, tendo em vista a ciência do lançamento em 28/12/2004. Entende que a possibilidade de interposição de recurso especial contra decisão que der provimento a recurso de oficio somente surgiu com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 446/2009 no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, não se aplicando, portanto, ao Acórdão n° 10247.907, de 21/09/2006. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 568 5 Reitera que o imposto de renda retido na fonte amoldase à hipótese do lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Argumenta que não existem documentos hábeis, idôneos e coincidentes que confirmem os dados que a Autoridade Administrativa utilizou em suas planilhas. As cópias de extratos, não sendo documentos autênticos, nem mesmo cópias devidamente autenticadas, inclusive sem comprovação de sua origem (de quem e como foram obtidas), não se prestam como prova contra a autuada, nos termos do art. 9º do Decreto n° 70.235/72. Reitera que não possuía, no período de fiscalização, e ainda não possui, extratos bancários autênticos ou autenticados para poder confirmar, ou não, se os dados constantes das Planilhas, apresentadas pela Autoridade Administrativa, estão corretos. Os livros e documentos contábeis e fiscais, inclusive notas fiscais, não mais foram encontrados após forte temporal, em 17/10/2003, com alagamento de todo o centro comercial e proximidades, atingindo a sede, escritório, loja e depósitos da empresa autuada, conforme Certidão da Ocorrência Policial de n° 1169/04 que se encontra As fls. 29 e 53. Tal fato foi publicado no Diário do Estado do Amapá e comunicado e ao Órgão do Registro do Comércio do Amapá (Anexo II da impugnação), bem como à Secretaria da Receita Federal (fls. 28/29 e 52/53). Entende que sem condições de identificar os beneficiários dos alegados pagamentos ou para comprovar as centenas de operações ou justificar a sua causa, deveria a fiscalização ter optado pelo arbitramento do lucro, como fizera com outra empresa do mesmo grupo econômico. Na tentativa de esclarecer os fatos, mesmo sem o acesso ao material (Livros e Documentos, inclusive extratos bancários), apresentou a planilha e comprovantes que compõe o Anexo III da impugnação. Aduz que qualquer débito de conta corrente ou de conta caixa, por si só, é insuficiente para caracterizar a existência de operação de pagamento, objeto de tributação nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/95. Entende o recorrente que o Auto de Infração ao não suprir a lacuna com a descrição minudente do fato gerador e da base de calculo, deixando de esclarecer a ligação entre os débitos de conta corrente e os pagamentos, cerceou o seu direito de defesa, pois a movimentação bancária pode se referir a operações de saque bancário para reforço de caixa, de transferência entre contas bancárias da própria empresa, de amortização de dividas com fornecedores, de adiantamento a fornecedores, de pagamento de empréstimos, dentre outras. Por fim, relativamente às informações de movimentação bancária, listadas no art. 5°, § 1°, da LC nº 105/01, obteníveis através da RMF, instituída pelo art. 4°, § 1°, do Decreto n° 3.274/01, que regulamentou o art. 6º da mesma LC nº 105/01— acesso administrativo à movimentação financeira, somente é admissível após a vigência da mesma Lei Complementar n° 105, de 10.01.2001 e do citado Decreto, dada a flagrante irretroatividade da LC no 105/01 e da Lei nº 10.174, de 09/01/2001 e nos exatos limites, termos e condições fixados naquele Decreto. Tal não se verifica no caso presente, conforme se observa pelo Termo de Inicio de Ação Fiscal, pelos Termos de Intimação e pelo Relatório de Fiscalização, coletandose primeiramente informações gerais e os próprios extratos bancários, e, somente depois, instalandose o processo administrativo. (...) Fl. 569DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 569 6 Ao analisar os argumentos do contribuinte, a extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, converteu o julgamento em diligência, sob os seguintes fundamentos: Compulsandose os autos, verificase que a fiscalização não juntou ao processo a Requisição de Movimentação Financeira (RMF) dirigido ao Banco da Amazônia S/A, sendo certo que tal documento e respectivo relatório que o motivou devem estar nos arquivos da repartição fiscal. Se não foi expedida a RMF, a fiscalização deve esclarecer a forma como teve acesso aos extratos bancários, juntando aos autos os elementos de prova relativos à sua obtenção. Em face ao exposto, proponha a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a repartição fiscal de origem proceda a juntada aos autos dos documentos relativos à obtenção dos extratos bancários. Em resposta à diligência, a autoridade fiscal informa, às fls. 549, que localizou em seus sistemas a emissão de dois registros de emissão de Requisição de Movimentação Financeira (nº 2003.00052, de 24/12/2003; e nº 2004.00019, de 08/10/2004). Mas não encontrou os documentos ou suas cópias. Menciona ainda que diligenciou ao Banco da Amazônia S/A (BASA), conforme documentos anexos (fls. 543/548), e obteve a resposta de que nada encontraram em sua base de dados, a respeito do contribuinte, senão proposta cadastral de abertura de conta, realizada no período de 06/11/1998 e encerrada em 11/07/2006 (fls. 540). Informa, por fim, que não foram encontrados documentos que comprovem a forma de obtenção dos estratos bancários da empresa Navegação Atlântico S/A, perante o BASA. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Cumpre registrar que a numeração das folhas mencionadas nesta decisão se refere ao processo já digitalizado. Apenas nas transcrições de trechos das peças contidas nos autos é que se manteve a numeração original. A presente autuação, que exige Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não conhecido, teve como ponto de partida as movimentações bancárias constantes em cópias de extratos do Banco da Amazônia S/A (BASA) (fls. 41/54 e 101/159), compiladas pela auditoria nas planilhas de fls. 37/40 e 57/100. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 570 7 O contribuinte alega que a autoridade administrativa baseou seu levantamento em planilhas por ela mesma elaboradas, a partir de dados constantes de cópias de extratos bancários, sem autenticidade. Afirma que tais cópias não foram obtidas da empresa autuada nem há comprovação de sua origem (de quem e como foram obtidas) e que não se prestam como prova contra a autuada, nos termos do art. 9º, do Decreto nº 70.235/72. Aduz que não há nos autos sequer a Requisição de Movimentação Financeira (RMF), e tampouco a necessária motivação para tal solicitação, consoante determina artigo 4°, § 1°, do Decreto n° 3.724/01. Ao analisar os argumentos na impugnação quanto à inexistência do fato gerador, em razão das cópias dos extratos não serem autênticas e não terem comprovação de origem (de quem e como foram obtidas), a DRJ , assim se pronunciou às fls. 507/508: 2 PROVA DA EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. ÔNUS DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO É bem verdade que o ônus da prova é de quem alega, e que no caso a fiscalização deveria provar que houve os pagamentos que ora imputa sob a alíquota de 35%, mas esta prova está demonstrada na relação de cheques e depósitos que a fiscalização solicitou ao contribuinte que apresentasse seus beneficiários ou a causa dos mesmos. A prova está caracterizada na veracidade da relação apresentada pelo fisco, como sendo do impugnante, a propósito, cabe outra observação: " a movimentação bancária da qual a fiscalização solicitou explanação, é da própria impugnante, está a seu dispor em suas próprias contas bancárias ( fls. 54/97)" [planilhas elaboradas pela fiscalização] E quanto a argumentação, abaixo, de que os Extratos Bancários trazidos, como provas, pela Fiscalização não são hábeis e idôneos não tem sentido, pois o Contribuinte apresenta em sua defesa planilhas, de fls. 340 a 370, nas quais os reconhece e tenta justificar os destinos dos débitos efetuados em suas contas correntes. O acesso da autoridade fiscal aos dados de movimentação financeira dos contribuintes pode ser feita por meio de solicitação direta ao contribuinte, uma vez que é permitido à Administração Tributária requerer do sujeito passivo qualquer documento necessário ao desenvolvimento da auditoria (art. 911, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Entretanto, isso não ocorreu nestes autos. Observase que no Termo de Início de Fiscalização, de 21/07/2003 (fls. 30), o contribuinte foi intimado a apresentar apenas livros diário e razão (os quais não foram apresentados). E na Intimação Fiscal seguinte, de 17/12/2004 (fls. 35), a fiscalização já dispunha das informações bancárias e intimou o recorrente a informar os beneficiários e a comprovar as operações indicadas nas planilhas elaboradas com base nos extratos bancários, assim mencionando: (...) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 571 8 Com base nas planilhas anexadas que contém os movimentos de saída das contas bancárias, movimentos a débito, e que foram obtidos dos extratos bancários das contas correntes da Navegação Atlântico S.A. cujas cópias estamos também anexando, intimamos a fiscalizada a nos informar os itens seguintes: (...)". Também é permitido à Administração Tributária requisitar os extratos de movimentação bancária do contribuinte às instituições financeiras quando as intimações feitas ao sujeito passivo não são suficientemente atendidas e o exame dos dados bancários são indispensáveis para a consecução dos trabalhos fiscais. Para tanto, é necessário que haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal e que seja emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos moldes do Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, que regulamentou o art. 6º, da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, conforme trechos abaixo: Lei Complementar nº 105/2001: (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (...) Decreto nº 3.724/2001: Art. 1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 1º, §§ 1º e 2º, da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. Art. 2º A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação original) Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Fl. 572DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 572 9 do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB serão executados por ocupante do cargo efetivo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e terão início mediante expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal TDPF, conforme procedimento a ser estabelecido em ato do Secretário da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). (...) Art. 3o Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: Art. 3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). (...) Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF. (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; Fl. 573DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 573 10 II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2o A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do procedimento fiscal. (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) (...) § 3o O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. § 3º O sujeito passivo poderá atender a intimação a que se refere o § 2º por meio de: (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) I autorização expressa do acesso direto às informações sobre movimentação financeira por parte da autoridade fiscal; ou (Incluído pelo Decreto nº 8.303, de 2014) II apresentação das informações sobre movimentação financeira, hipótese em que responde por sua veracidade e integridade, observada a legislação penal aplicável. (Incluído pelo Decreto nº 8.303, de 2014) (...) Como se vê, a autoridade tributária somente pode ter acesso às informações bancárias do contribuinte junto à instituição financeira mediante a requisição desses dados ou a autorização do sujeito passivo nesse sentido. No caso dos autos, conforme já se tratou, os documentos bancários não foram fornecidos pelo contribuinte; e também não consta autorização da recorrente nesse sentido. Há informações no processo de que os documentos bancários do contribuinte foram fornecidos pelo Banco da Amazônia S/A, como, por exemplo: no relatório fiscal, às fls. 22 ("(...) através dos documentos fornecidos agora em dezembro de 2004 pelo BASA"); nas anotações efetuadas pelo auditor nas cópias de extratos às fls. 101, 114 e 143 ("conferem com cópias vindas dos BASA"; e nas cópias de cheques às fls. 182, 186, 189, 192, 195, 198 e 201 ("Documento obtido junto ao BASA"). Contudo, não consta no processo a cópia da RMF por meio da qual foram solicitadas as informações bancárias do contribuinte ao Banco da Amazônia S/A. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 12686.000149/200448 Acórdão n.º 2202003.622 S2C2T2 Fl. 574 11 O auditor responsável pela diligência (veiculada pela Resolução de fls. 532/537) informou, às fls. 549, que embora haja registros nos sistemas da Receita Federal de emissão de RMF (nº 2003.00052 e nº 2004.00019), esses documentos não foram localizados (nem mesmo após diligência junto ao BASA) e que também não foram encontrados outros documentos que comprovem a forma de obtenção dos extratos bancários do contribuinte perante o referido Banco. Assim, diante do exposto e em face da legislação que rege a matéria, é necessário reconhecer que, mesmo após a diligência realizada, falta nos autos documento essencial para comprovar a obtenção dos dados bancários do sujeito passivo junto ao Banco da Amazônia S/A, qual seja, a RMF (ou documento equivalente), como exige o § 1º, do art. 4º, do Decreto nº 3.724/2001, transcrito acima. Tal situação macula o lançamento efetuado com base nesses extratos bancários. Dessa forma, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 575DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.722516/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Numero da decisão: 3201-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 25 16 /2 01 1- 00 Fl. 434DF CARF MF 2 Referese o presente processo a pedido de ressarcimento PIS/PASEP, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 570.331,82. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10925.722516/201100 Acórdão n.º 3201002.624 S3C2T1 Fl. 94 3 de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material. É o relatório. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Fl. 436DF CARF MF 4 Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10925.722516/201100 Acórdão n.º 3201002.624 S3C2T1 Fl. 95 5 deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...] Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém Fl. 438DF CARF MF 6 listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratar se de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10925.722516/201100 Acórdão n.º 3201002.624 S3C2T1 Fl. 96 7 Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3 456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3 456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de Fl. 440DF CARF MF 8 não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/201218 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. Tendo retornado o processo à essa turma de julgamento para apreciação do recurso voluntário, a Recorrente alegou que não teria sido oportunizada a manifestação em relação à informação fiscal. Novamente baixado o processo em diligência, para que fosse dada ciência à Recorrente da informação fiscal, tendo essa se manifestado no sentido de que: É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10925.722516/201100 Acórdão n.º 3201002.624 S3C2T1 Fl. 97 9 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, rechaçase o argumento de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia, pois, como bem pontuado na decisão recorrida, foram concedidas diversas oportunidade para que a Recorrente comprovasse seu direito creditório, sem que se valesse de uma sequer. Observese que não se trata de acatar o pedido de perícia formulado, pelo fato de que a perícia pressupõe a necessidade de conhecimentos técnicos específicos para a análise documental, porém, tratase o caso em tela de pura e simples ausência de prova das alegações. Destarte, conforme consta dos autos, a Recorrente foi intimada para a comprovação da procedência de seu crédito, com a concessão de duas prorrogações para apresentação dos documentos, sendo que da intimação fiscal para o despacho decisório, transcorreramse mais de 108 dias. Esses fatos já seriam suficientes para descaracterizar um eventual cerceamento do direito de defesa, não obstante, novamente, em sede de recurso voluntário, foi concedida uma nova oportunidade para a apresentação de documentos, de maneira que deve ser rejeitada preliminar. Adentrandose no mérito da questão, verificase que a diligência resultou improfícua para os fins para o qual foi concedida, isto é, remanesceu incomprovado o direito creditório, pois a despeito da juntada de diversos DVDs, nenhum deles veiculou as informações necessárias para estribar o pedido de ressarcimento em tela, conforme minudente relatório fiscal, o qual se transcreveu no presente voto. Observese que mesmo o laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, que ilustra o processo produtivo da Recorrente com riqueza de detalhes, é estéril em face da inexistência da comprovação dos créditos, impossibilitando uma eventual vinculação entre as informações. Em se tratando de pedido de ressarcimento, é certo, apenas a documentação contábil completa trazida pela Recorrente, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, seria hábil a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. Deve ser feita a observação de que com o advento no novo Código de Processo Civil, nos parágrafos do art.373, alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em seu art.333), o anterior código processual. Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Fl. 442DF CARF MF 10 direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório era objetivo. Contudo, os parágrafos do mencionado dispositivo, trazem hipótese em que a regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão devidamente fundamentada. Nesse contexto, e, considerandose a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, por inexistir dispositivo específico aplicável ao processo administrativo, conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos à jurisdição administrativa. Contudo, o caso concreto apresentado, não dá brecha à inversão do ônus probatório. A Recorrente restringiuse, em seu recurso voluntário, a tecer ilações genéricas sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como do volume expressivo de suas operações, que a impediriam de comprovar tempestivamente o seu direito subjetivo. Contudo, a hipótese é de ausência de comprovação e o volume de sas operações deve ser diretamente proporcional à sua capacidade de manter estrutura administrativa suficiente para lhe amparar juridicamente, em face do deverpoder do Fisco verificar o fundamento do crédito. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, restituição ou ressarcimento, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao deverpoder da Administração, de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10925.722516/201100 Acórdão n.º 3201002.624 S3C2T1 Fl. 98 11 maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do princípio da verdade material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, dos juros sobre multa, constitucionalidade da SELIC, como bem posto na decisão recorrida, é discussão que não é pertinente ao caso em tela, cujo objeto é a nãohomologação de pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 444DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.721254/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996.
4. Precedentes do CARF e do STJ.
5. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF nº 17).
RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS NÃO CONSIDERADOS. INFORMAÇÃO FISCAL SUPLEMENTAR. CABIMENTO.
1. A decisão recorrida não deve ser reformada, pois apenas acolheu a informação fiscal suplementar feita pela autoridade lançadora, a qual reconheceu a existência de recolhimentos não considerados quando do lançamento inicial e propôs a sua retificação.
2. Se a própria autoridade lançadora reconheceu o equívoco, corrigindo o lançamento nesse tocante, não compete à autoridade julgadora (seja a DRJ, seja o CARF) proceder de modo diverso, sobretudo para majorar a imputação fiscal.
CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. ATIVIDADES ECONÔMICAS AUTÔNOMAS.
O art. 201-B do Regulamento da Previdência não exige a caracterização da atividade econômica autônoma, mas apenas estabelece que a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria não se altera pelo fato de ela eventualmente exercê-la.
DEPÓSITOS JUDICIAIS E MERCADORIAS REVENDIDAS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. INFORMAÇÃO FISCAL.
1. A autoridade autuante, de forma categórica, afirmou que os montantes depositados "devem ser considerados e deduzidos do lançamento".
2. Tratando-se, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, não poderia a DRJ, na qualidade de órgão de julgamento, proceder de forma diferente, mormente para alterar a retificação proposta pela autoridade competente.
3. Igualmente de forma categórica, a autoridade autuante asseverou que "devem ser excluídas da base-de-cálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/77" a título de devolução de mercadorias, não cabendo à autoridade julgadora concluir em sentido diverso.
CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. MERCADORIAS REVENDIDAS. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
1. Este Conselho não tem competência para declarar a ilegalidade do Decreto regulamentar, vez que o art. 62 do seu Regimento Interno expressamente estabelece ser vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. IPI E ICMS/ST. EXCLUSÃO.
O IPI e o ICMS/ST não integram a receita bruta de que trata o art. 22A da Lei 8.212/1991 e o art. 201-A do Regulamento da Previdência Social.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. OPERAÇÕES RELATIVAS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CONTRIBUIÇÕES NÃO SUBSTITUTIVAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO.
1. A autoridade fiscal se baseou nos próprios demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético, os quais retrataram a existência de receitas com serviços prestados.
2. Diante da negativa da empresa, em prestar os esclarecimentos necessários, a autoridade procedeu à aferição indireta, a fim de apurar a remuneração da mão de obra distinta daquela utilizada na atividade agroindustrial.
3. Não há nulidade a ser declarada.
4. O sujeito passivo não se dignou de apresentar qualquer prova que pudesse infirmar as conclusões do relatório fiscal.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-005.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a nulidade suscitada. No mérito, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) abater os depósitos judiciais; b) excluir da base de cálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/377 a título de devolução de vendas de mercadorias; e c) excluir da base de cálculo do lançamento o IPI e o ICMS/ST constantes do levantamento de fls. 1483/1486. Vencidos Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho, quanto ao abatimento dos depósitos judiciais, e Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho, quanto à exclusão do IPI e ICMS/ST. Votou pelas conclusões Mário Pereira de Pinho Filho quanto à exclusão da revenda de mercadorias da base de cálculo. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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POSSIBILIDADE. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. 5. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF nº 17). RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS NÃO CONSIDERADOS. INFORMAÇÃO FISCAL SUPLEMENTAR. CABIMENTO. 1. A decisão recorrida não deve ser reformada, pois apenas acolheu a informação fiscal suplementar feita pela autoridade lançadora, a qual reconheceu a existência de recolhimentos não considerados quando do lançamento inicial e propôs a sua retificação. 2. Se a própria autoridade lançadora reconheceu o equívoco, corrigindo o lançamento nesse tocante, não compete à autoridade julgadora (seja a DRJ, seja o CARF) proceder de modo diverso, sobretudo para majorar a imputação fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 12 54 /2 01 2- 01 Fl. 1525DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. ATIVIDADES ECONÔMICAS AUTÔNOMAS. O art. 201B do Regulamento da Previdência não exige a caracterização da atividade econômica autônoma, mas apenas estabelece que a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria não se altera pelo fato de ela eventualmente exercêla. DEPÓSITOS JUDICIAIS E MERCADORIAS REVENDIDAS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. INFORMAÇÃO FISCAL. 1. A autoridade autuante, de forma categórica, afirmou que os montantes depositados "devem ser considerados e deduzidos do lançamento". 2. Tratandose, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, não poderia a DRJ, na qualidade de órgão de julgamento, proceder de forma diferente, mormente para alterar a retificação proposta pela autoridade competente. 3. Igualmente de forma categórica, a autoridade autuante asseverou que "devem ser excluídas da basedecálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/77" a título de devolução de mercadorias, não cabendo à autoridade julgadora concluir em sentido diverso. CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. MERCADORIAS REVENDIDAS. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. 1. Este Conselho não tem competência para declarar a ilegalidade do Decreto regulamentar, vez que o art. 62 do seu Regimento Interno expressamente estabelece ser vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES SUBSTITUTIVAS DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. RECEITA BRUTA. IPI E ICMS/ST. EXCLUSÃO. O IPI e o ICMS/ST não integram a receita bruta de que trata o art. 22A da Lei 8.212/1991 e o art. 201A do Regulamento da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELA AGROINDÚSTRIA. OPERAÇÕES RELATIVAS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CONTRIBUIÇÕES NÃO SUBSTITUTIVAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. 1. A autoridade fiscal se baseou nos próprios demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético, os quais retrataram a existência de receitas com serviços prestados. 2. Diante da negativa da empresa, em prestar os esclarecimentos necessários, a autoridade procedeu à aferição indireta, a fim de apurar a remuneração da mão de obra distinta daquela utilizada na atividade agroindustrial. 3. Não há nulidade a ser declarada. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 3 3 4. O sujeito passivo não se dignou de apresentar qualquer prova que pudesse infirmar as conclusões do relatório fiscal. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário, para afastar a nulidade suscitada. No mérito, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) abater os depósitos judiciais; b) excluir da base de cálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/377 a título de devolução de vendas de mercadorias; e c) excluir da base de cálculo do lançamento o IPI e o ICMS/ST constantes do levantamento de fls. 1483/1486. Vencidos Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho, quanto ao abatimento dos depósitos judiciais, e Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho, quanto à exclusão do IPI e ICMS/ST. Votou pelas conclusões Mário Pereira de Pinho Filho quanto à exclusão da revenda de mercadorias da base de cálculo. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1527DF CARF MF 4 Relatório Tratase dos Autos de Infração abaixo relacionados: 1. Debcad nº 51.003.5469, no qual são exigidas as contribuições substitutivas devidas pelas agroindústrias, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, inclusive GILRAT, abrangendo, ainda, a receita obtida com a revenda de mercadorias; 2. Debcad nº 51.003.5477, no qual são exigidas as contribuições substitutivas destinadas ao SENAR, incidentes sobre aquela mesma base de cálculo; 3. Debcad nº 51.003.5485, no qual são exigidas as contribuições não substitutivas devidas à seguridade social, inclusive GILRAT, parte da empresa, tendo em vista a existência de operações relativas à prestação de serviços a terceiros; 4. Debcad nº 51.016.4960, no qual são exigidas as contribuições não substitutivas destinadas as outras entidades ou fundos, tendo em vista a existência de operações relativas à prestação de serviços a terceiros. Os autos já foram relatados neste Colegiado, conforme Resolução de fls. 1383/1386: [...] Relatório Fiscal às fls. 37/53. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 211/231 (e documentos de fls. 232/645), que restou julgada procedente em parte nos termos do acórdão de fls. 662682 sob os seguintes fundamentos: 1. Inexigíveis os Autos de Infração n° 51.003.5469 e 51.003.5477 em razão da concomitância com a ação declaratória n° 2833245.2010.4.01.3400 no que se refere a comercialização da produção rural, suspendendose os atos executórios até o encerramento do processo judicial; 2. As receitas decorrentes de revenda de mercadoria estão contempladas pelo art. 22A da Lei n° 8.212/91, pois subsumese ao conceito de produção aquilo que a empresa agroindustrial aufere em razão do exercício de outras atividades autônomas; 3. Equivocada a diligência fiscal realizada no sentido de que deveriam ser excluídos da autuação os valores relativos à devolução de mercadorias e depósitos judiciais, pois os depósitos judiciais realizados têm o condão de garantir o juízo daquela ação e não constitui créditos tributários e, ainda, quanto à devolução de mercadorias, os valores estão incluídos no conceito de receita bruta; Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 4 5 4. Não há possibilidade de exclusão dos valores relativos a IPI e ICMS uma vez que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para a respectiva demonstração; 5. Necessária a redução das exigências em decorrência do cancelamento das multas de ofício e de mora por se tratar de lançamento apenas para evitar a decadência; 6. Reduzir as exigências dos AI n° 51.003.5469 e 51.003.5477 em razão da comprovação de pagamento pela Recorrente de parte dos créditos tributários via GPS; 7. Manter integralmente os créditos constituídos pelos Ais 51.003.5485 e 51.016.4960, pois procedente o entendimento da fiscalização quanto à prestação de serviços sujeitos à tributação por contribuições sobre a folha; 8. Recorrente de ofício em razão de a exoneração parcial do crédito ser superior ao limite estabelecido. Ciente do resultado do julgamento (fls.723), a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 735/794 segundo o qual: 1. Os autos de infração nºs 51.003.5469 e 51.003.5477 são nulos, uma vez que foram lavrados com base na acusação de que a atividade de revenda de mercadorias, pela Recorrente, teria sido desenvolvida “de forma contínua, habitual e envolvendo valores expressivos”. Assim, a Fiscalização não comprovou que tal atividade teria sido desenvolvida de forma autônoma, em contrariedade à legislação aplicável; 2. Não há dúvida de que a Fiscalização adotou critérios equivocados para examinar os fatos do caso e, com efeito, deixou de comprovar os requisitos essenciais para caracterização da atividade econômica como autônoma. Trata se de procedimento que contraria o artigo 142 do CTN, o que implica a nulidade dos autos de infração; 3. A decisão da DRJ deve ser reformada, pois, na improvável hipótese de a ação declaratória ser julgada improcedente, os depósitos judiciais realizados pela Recorrente serão convertidos em renda e, ao mesmo tempo, estarão sendo exigidos através desses lançamentos, ocasionando cobrança em duplicidade; 4. O Decreto nº 3.048/1999 inova, no art. 201B, sem fundamento legal, ao prever que a contribuição substitutiva incidiria sobre as receitas auferidas pela agroindústria na exploração de atividade econômica autônoma (em relação à produção rural); 5. A própria Instrução Normativa nº 03/2005, art. 66, III, alínea “e”, prevê com clareza que o fato gerador dessa contribuição referese à “comercialização da produção rural”, assim como o art.52, III, alínea “e” da IN nº 971/2009, que tem idêntico conteúdo. Portanto, é indevida a exigência da contribuição sobre a revenda de mercadorias; Fl. 1529DF CARF MF 6 6. A própria Fiscalização reconheceu ser indevida a exigência da contribuição sobre os valores relativos à devolução de mercadorias à fl. 590; 7. De acordo com o Acórdão da DRJ, é incontroversa a não incidência da contribuição em questão sobre o IPI e o ICMSST (o que está em conformidade com o Parecer Normativo de nº 3/2012). No entanto, por suposta ausência de prova da incidência equivocada, a DRJ manifestou o entendimento no sentido de que não seria possível autorizar a exclusão dos valores relativos ao IPI e ao ICMS, conforme pleiteado pela Recorrente; 8. Os autos de infração nºs 51.003.5485 e 51.016.4960 são nulos, na medida em que a Fiscalização, contrariando o art. 142 do CTN, não comprovou a suposta prestação de serviços pela Recorrente; 9. Portanto, não tendo ocorrido prestação de serviços, são inaplicáveis o art. 22A, §2º, da Lei nº 8.212/1991, o arts. 250, §§ 2º e 7º, da IN n. 03/2005, e o art. 175, §2º, IV da IN nº 971/2009, devendo todos os lançamentos constituídos sob a falsa premissa de “prestação de serviços” serem julgados improcedentes; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. Em sessão realizada em março de 2015, verificouse que foram juntados documentos após a interposição do Recurso Voluntário (fls. 862/1398), que não foram apreciados pela Fiscalização e que, em tese, poderiam alterar o resultado do julgamento. Assim, considerando as alegações da Recorrente para excluir os valores referentes ao IPI e ao ICMS/ST da base de cálculo da contribuição incidente sobre as operações objeto da autuação, bem como os documentos por ela acostados, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização se manifestasse sobre os referidos documentos, verificando se o IPI e o ICMS/ST estão incluídos na referida base de cálculo. Em atendimento à diligência, a Delegacia elaborou a "INFORMAÇÃO FISCAL" de fls. 1479/1486, na qual (i) asseverou que os valores destacados a título de IPI e ICMS devem estar incluídos na base de cálculo, já que no lançamento foram utilizados os valores contábeis relacionados à receita bruta; (ii) evidenciou, através de demonstrativos, os valores mensais atinentes a tais tributos, a fim de serem eventualmente excluídos do lançamento. O sujeito passivo não foi intimado do teor da citada informação fiscal, mas, tendo obtido cópia dos autos em 18 de maio de 2016 (fl. 1493), não apresentou qualquer manifestação. É o relatório. Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$1.000.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por sua vez, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, igualmente, ser conhecido. 2 Recurso de ofício A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e recorreu de ofício a este Conselho no seguinte tocante (fl. 663): A procedência parcial diz respeito aos AutosdeInfração DEBCAD nº 51.003.5469 e 51.003.5477 que terão a multa de ofício excluída, suas basesdecálculo alteradas e o valor devido modificado, bem como restarem sobrestados até o deslinde da ação judicial pertinente. 2.1 DO LANÇAMENTO PREVENTIVO E DA MULTA DE OFÍCIO Segundo a decisão recorrida, não resta dúvidas de que o objeto da ação judicial é o mesmo do lançamento, sendo de rigor a lavratura para prevenir a decadência. Já a multa de ofício deveria ser afastada em função do art. 63 da Lei 9.430/1996. Ainda, a autuação deveria ser sobrestada até o julgamento da ação judicial. A decisão não deve ser reformada neste ponto. Este Colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: Fl. 1531DF CARF MF 8 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento: Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 6 9 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. [...] (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) .... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). Fl. 1533DF CARF MF 10 [...] (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Do teor da citada súmula, bem como do caput do art. 63 acima transcrito, ainda se depreende que não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência. No presente caso, a administração fazendária somente foi informada da existência da ação judicial depois de efetuado o lançamento (vide itens 4 e 4.1 do informe fiscal suplementar de fl. 588), razão pela qual a DRJ, com acerto, asseverou que "a lavratura para prevenir a decadência é de rigor" e que "a multa de ofício estaria afastada por força daquele preceptivo legal" (art. 63 da Lei 9.430). Sendo assim, negase provimento ao recurso de ofício neste tópico. 2.2 DA RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Nos itens 3.1.2 e 3.1.3, a DRJ determinou a retificação parcial do crédito tributário, tendo em vista a alegada existência de GPSs não consideradas quando do lançamento fiscal. É o que se passa a analisar nos dois tópicos seguintes. 2.2.1 DAS GPS RELATIVAS AOS RECOLHIMENTOS DE TERCEIROS Assim se manifestou a DRJ quanto aos recolhimentos de terceiros (fls. 675/676): Em outra linha de defesa, traz o Impugnante algumas GPS relativas a recolhimentos destinados ao SENAR não consideradas quando da original ação fiscal. Tais documentos foram apreciados pela fiscalização no bojo da mesma Diligência Fiscal proposta por este Relator, e encontrou guarida no item 7 do Informe Fiscal suplementar, quando consignou “(...) necessário acolhimento, eis que realmente não foram considerados, em que pese terem sido efetuados antes do lançamento fiscal (...)” . Nessa linha identificou as GPS e, a partir do valor recolhido, deduziu a basedecálculo que lhe valeu o recolhimento, em elaboradas planilhas fiscais. Vejase que, diferentemente da planilha produzida pelo contribuinte, que identificou o valor base à alíquota de 2,85% (correspondente à contribuição patronal – 2,5% + 0,1% e a de terceiros – 0,25%), a fiscalização tomouas, apenas, como contribuições de terceiros, Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 7 11 vez que estão identificados com código de recolhimento específico para terceiros (2615). A exceção é o recolhimento das fls. 260 que, este sim, engloba as duas contribuições sob o manto de GPS específica (2607), o qual tomamos, abaixo, apenas pela contribuição ao SENAR. Como se vê, a DRJ acolheu a informação fiscal suplementar e igualmente considerou os códigos de recolhimentos informados pela própria recorrente (2615 = SENAR ou 2607 = Comercialização da Produção Rural CNPJ). Em relação à GPS da competência 05/2009 (fl. 260), como ela está identificada com o código genérico "Comercialização da Produção Rural CNPJ", abrangendo, pois, a contribuição patronal + GILRAT + SENAR, a DRJ computou, para o pagamento ao SENAR, apenas a parcela a ela relativa, deduzindose o montante remanescente, atinente à parcela patronal + GILRAT, do lançamento atinente a tais rubricas, conforme se verá no tópico seguinte. A esse respeito, a decisão não deve ser reformada, pois, de forma correta, apenas acolheu a informação fiscal suplementar feita pela própria autoridade lançadora, a qual reconheceu a existência de recolhimentos não considerados quando do lançamento inicial e propôs a sua retificação. Se a própria autoridade lançadora reconheceu o equívoco, corrigindo o lançamento nesse tocante, não compete à autoridade julgadora (seja a DRJ, seja o CARF) proceder de modo diverso, sobretudo para majorar a imputação fiscal. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. Logo, negase provimento ao recurso de ofício. 2.2.2 DA GPS RELATIVA AO RECOLHIMENTO PATRONAL NÃO CONSIDERADA Eis o que entendeu a DRJ a respeito do recolhimento patronal não considerado inicialmente: Consta dos autos, às fls. 260, GPS com recolhimento, também, atinente à contribuição substitutiva da empresa, recolhida em 10/09/2008 e não considerada pela fiscalização para abatimento do crédito tributário lançado em face do contribuinte, que deve repercutir agora em seu favor. O valor recolhido atinente à parte patronal é de R$ 226.944,45 e, considerandose uma alíquota de 2,6% (patronal + SAT), reportase à uma basedecálculo de R$ 8.730.555,76, que deve ser abatida do valor lançado na competência 05/2009. Assim, naquela competência o valor devido ficaria assim retificado da seguinte maneira: [...] A fim de facilitar o exame deste ponto controvertido, segue imagem da GPS: Fl. 1535DF CARF MF 12 Como se vê, o valor relativo à cota patronal é realmente de R$ 226.944,45, constitutiva também do GILRAT, de tal forma que se reporta à base de cálculo mencionada pelo acórdão a quo. Destarte, a DRJ acolheu a informação fiscal suplementar e igualmente considerou o recolhimento informado pela própria recorrente para a competência em questão, nada havendo a ser reformado nesse tocante. Portanto, também aqui, negase provimento ao recurso de ofício. 3 Do recurso voluntário 3.1 DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO NºS 51.003.5469 E 51.003.5477 Em sede de recurso voluntário, a recorrente alega que os Autos de Infração nºs 51.003.5469 e 51.003.5477 são nulos, vez que os motivos apresentados pelo agente fiscal não condiziriam com a realidade. No seu entender, o agente fiscal teria lançado crédito tributário sobre receitas de revendas de mercadorias, mas não teria apresentado provas de que tal atividade teria sido desenvolvida de forma autônoma, como exigiria a norma. Segundo o art. 201B do Regulamento da Previdência Social, as agroindústrias estão sujeitas às contribuições substitutivas, ainda que explorem, também, outras atividades econômicas autônomas, nos mesmos ou em estabelecimentos distintos, hipótese em que as contribuições incidirão sobre o valor da receita bruta delas decorrentes. Para fins de interpretação, transcrevese o dispositivo: Art.201B. Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 8 13 Como se vê, a norma estabelece que aplicase a contribuição substitutiva, ainda que a agroindústria explore outra atividade econômica autônoma. O uso da conjunção subordinativa concessiva "ainda que" indica que o verbo da oração principal ("aplicase") aceita uma concessão, admitindo uma contradição, um fato que seria inesperado, ou uma quebra de expectativa. Noutro giro, a conjunção concessiva introduz uma oração que expressa uma ideia que normalmente seria contrária a da principal, sem, contudo, impedir a sua realização. O fato inesperado admitido pela norma é a aplicação da contribuição substitutiva também para as atividades econômicas autônomas, as quais, a rigor, estariam sujeitas às contribuições sobre os totais das remunerações. Com viés fortemente interpretativo, a norma deixa claro que as contribuições atinentes a tais atividades autônomas têm como base de cálculo a receita bruta, e não as remunerações pagas. Se as atividades econômicas não fossem autônomas, com maior razão a base de cálculo continuaria sendo aquela aplicável à agroindústria. Nesse contexto, entendese que o art. 201B não exige a caracterização da atividade econômica autônoma, mas apenas estabelece que a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria não se altera pelo fato de ela eventualmente exercêla. Por tal razão, igualmente se entende que o agente fiscal não teve a intenção de fazer tal caracterização, mas apenas de demonstrar a aplicabilidade das contribuições substitutivas para as receitas provenientes da revenda de mercadorias. Nessa toada, negase provimento ao recurso neste ponto, não havendo qualquer nulidade a ser declarada. 3.2 DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS A recorrente alega que os valores dos depósitos judiciais devem ser excluídos do lançamento, conforme reconhecido em sede de diligência, devendo ser reformada a decisão recorrida. Analisandose a informação fiscal de fls. 587/594, verificase que a autoridade autuante assim se manifestou: 5.3 Em relação aos depósitos judiciais, é certo que se referem a recolhimentos parciais relacionados às contribuições exigidas nos autos (exceto os decorrentes da prestação de serviços). Dessa forma, entendo que devem ser considerados e deduzidos do lançamento. Observese ainda, que os depósitos são insuficientes para liquidação da exigência, fato que será demonstrado posteriormente. Como se pode observar, a autoridade autuante, de forma categórica, afirmou que os montantes depositados "devem ser considerados e deduzidos do lançamento". Tratandose, pois, de retificação determinada pela autoridade que tem competência privativa para lançar, não poderia a DRJ, na qualidade de órgão de julgamento, Fl. 1537DF CARF MF 14 proceder de forma diferente, mormente para alterar a retificação proposta pela autoridade competente. Isto é, se a própria autoridade lançadora reconheceu eventual equívoco, corrigindo o lançamento nesse tocante, não compete à autoridade julgadora (seja a DRJ, seja o CARF) agir de modo diverso, sobretudo para majorar a imputação fiscal determinada por aquela. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. Da mesma forma, a autoridade lançadora não pode modificar o lançamento já retificado depois da decisão da DRJ, pois isso infringiria o princípio do devido processo legal. Logo, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para excluir os valores dos depósitos judiciais do lançamento. 3.3 DAS MERCADORIAS REVENDIDAS Nesse particular, a recorrente tece considerações sobre a base de cálculo definida pelo art. 201B do Regulamento da Previdência Social, que, no seu entender, teria inovado ao estabelecer a incidência das contribuições sobre a receita bruta proveniente de atividades estranhas à atividade rural. Ocorre que, a despeito do bem fundamentado recurso, entendese que este Conselho não tem competência para declarar a ilegalidade do Decreto regulamentar, vez que o art. 62 do seu Regimento Interno expressamente estabelece ser vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Como sabido, ainda, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, ex vi de sua Súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Nessa toada, fica mantida a incidência das contribuições, na forma lançada pelo agente fiscal, por força do art. 201B retro mencionado, negandose provimento ao recurso nesse quesito. 3.4 DA DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS A recorrente alega que foi acertada a conclusão da autoridade fiscal, em sede de diligência, de reconhecer a exclusão da base de cálculo dos valores atinentes a devolução de mercadorias. Sobre essa questão, a autoridade autuante assim se manifestou (vide fl. 590): Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 9 15 6. Por sua vez, em relação “...aos valores apontados pelo contribuinte como decorrentes de devolução de vendas de mercadorias...”, informo que realmente não foram considerados, face ausência de informações nos demonstrativos do contribuinte, bem como na DIPJ, ficha 64 – Informações Previdenciárias. Todavia, em consulta a contabilidade constatei as devoluções de mercadorias. Assim, devem ser excluídas da basedecálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/77. Também aqui, a autoridade autuante, de forma categórica, afirmou que "devem ser excluídas da basedecálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/77". Em sendo assim, e como dito anteriormente, a DRJ não poderia ter adotado procedimento diverso. Lembrese: autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. Logo, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/377 a título de devolução de vendas de mercadorias. 3.5 DO IPI E ICMS/ST Alega a recorrente ser inaceitável incluir na base de cálculo das contribuições parcelas relativas ao IPI e ICMS/ST, tendo em vista não integrarem a receita bruta decorrente da comercialização da produção. Conforme relatado, nos Autos de Infração Debcad nº 51.003.5469 e Debcad nº 51.003.5477 são exigidas as contribuições substitutivas devidas pelas agroindústrias, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, inclusive a receita obtida com a receita de revenda de mercadorias. Considerando as alegações da Recorrente, bem como os documentos por ela acostados, resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização se manifestasse sobre os referidos documentos, verificando se o IPI e o ICMS/ST estariam incluídos na referida base de cálculo. Em atendimento à diligência, a Delegacia elaborou a "INFORMAÇÃO FISCAL" de fls. 1479/1486, na qual (i) asseverou que os valores destacados a título de IPI e ICMS devem estar incluídos na base de cálculo, já que no lançamento foram utilizados os valores contábeis relacionados à receita bruta; (ii) evidenciou, através de demonstrativos, os valores mensais atinentes a tais tributos, a fim de serem eventualmente excluídos do lançamento. Ocorre que o art. 22A da Lei 8212/1991 e o art. 201A do Regulamento da Previdência Social não tem um conceito próprio de receita bruta, mas apenas a estabelece como base de cálculo das contribuições substitutivas devidas pelas agroindústrias. Vejase: Fl. 1539DF CARF MF 16 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). .... Art.201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) É necessário, portanto, extrair o sentido e o alcance da expressão receita bruta, a fim de verificar se o IPI e o ICMS/ST a integram ou não. A Lei 9.715/1998, que dispõe sobre o PIS/PASEP, em seu art. 3º, preleciona que "considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia". O parágrafo único desse dispositivo, de forma expressa, preceitua que "na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário". Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único.Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A legislação do imposto de renda a que se referiu a Lei 9.715/1998, por sua vez, prevê que a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia, não se Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 10 17 incluindo os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor ou prestador seja mero depositário. É elucidativo, nesse contexto, transcrever o art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, com a redação da Lei 4.506/1964 e do DL 1598/1977: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (destacouse) Da mesma forma, a alínea "a" do parágrafo único do art. 2º da LC 70/1991 determina que o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal, não integra a receita bruta. O item 2 da Instrução Normativa SRF nº 51/1978 é igualmente expresso ao estipular a não inclusão dos impostos não cumulativos cobrados do comprador ou contratante: 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (Imposto sobre Produtos Industrializados e Imposto Único sobre Minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto nãocumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. Por fim, o Decreto 7.828/2012, que regulamentou as contribuições substitutivas de que trata a Lei 12.546/2011, que têm a mesma base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria, foi expresso ao estabelecer que poderão ser excluídos da base o IPI e o ICMS/ST. Vejase: Art. 5º Para fins do disposto nos arts. 2º e 3º: I a receita bruta deve ser considerada sem o ajuste de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; e II na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita, poderão ser excluídos: [...] c) o IPI, quando incluído na receita bruta; e d) o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 1541DF CARF MF 18 Logo, entendese que o IPI e o ICMS/ST não integram a receita bruta de que trata o art. 22A da Lei 8.212/1991 e art. 201A do Regulamento da Previdência Social. Mutatis mutandis, acrescentase à presente fundamentação a conclusão contida no Parecer Normativo Cosit nº 3/2012: A receita bruta que constitui a base de cálculo da contribuição substitutiva a que se referem os arts. 7º a 9º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, compreende: a receita decorrente da venda de bens nas operações de conta própria; a receita decorrente da prestação de serviços; e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Podem ser excluídos da mencionada receita bruta: a receita bruta de exportações; as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando incluído na receita bruta; e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Logo, deve ser dado provimento ao recurso nesse particular, a fim de serem excluídos do lançamento o IPI e o ICMS/ST constantes do levantamento de fls. 1483/1486. 3.6 DAS GPS APRESENTADAS E RECONHECIDAS PELA DRJ A recorrente assevera que o recolhimento relativo à competência 04/2009 deve ser considerado no montante de R$ 3267,39, e não de R$ 1241,60, vez que este corresponderia a acréscimos legais. Para fins de análise, segue imagem da guia de recolhimento: Como se vê, tratase de recolhimento sob o código 2615, correspondente ao SENAR, no montante principal de R$ 3.267,39. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 11 19 À primeira vista, pode parecer que a recorrente tem razão, mas o fato é que a DRJ julgou pela exclusão da base de cálculo do valor de R$ 1.306.965,00, que corresponde exatamente ao valor recolhido a título de principal (R$ 1.306.965,00 x 0,25% = R$ 3.267,39), razão pela qual o recurso não deve ser provido nesse item. A recorrente ainda afirma que o recolhimento relativo à competência 05/2009 (fl. 260), no montante de R$ 226.994,25 (cota patronal + SAT / 2,5% + 0,1%) e de R$ 21.826,39 (terceiros), corresponde a uma base de cálculo de R$ 8.730.555,76, como descrito à fl. 591 da diligência, de forma que a decisão a quo estaria equivocada por ter afirmado que R$ 189.911,19 seria referente ao INSS e R$ 7.596,44 ao SAT., Ocorre que a DRJ decidiu exatamente como argumenta a recorrente. Vejase (vide fl. 678): O valor recolhido atinente à parte patronal é de R$ 226.944,45 e, considerandose uma alíquota de 2,6% (patronal + SAT), reportase à uma basedecálculo de R$ 8.730.555,76, que deve ser abatida do valor lançado na competência 05/2009. As quantias mencionadas como devidas a título de cota patronal e respectivo adicional, nos montantes respectivos de R$ 189.911,19 e R$ 7.596,44, já consideram a base de cálculo retificada, conforme quadro demonstrativo elaborado pelo julgador a quo. Vejase: Logo, negase provimento ao recurso voluntário neste ponto. É importante esclarecer, apenas, que a autoridade executora do julgado deverá levar em consideração os valores de exclusão da base de cálculo, conforme mencionado neste tópico. 3.7 DO LANÇAMENTO SOBRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Em seu recurso, a contribuinte questiona os Autos de Infração Debcad´s nº 51.003.5485 e 51.016.4960, nos quais são exigidas as contribuições não substitutivas devidas à seguridade social, adicional GILRAT e contribuições destinadas as outras entidades ou fundos, tendo em vista a existência de operações relativas à prestação de serviços a terceiros. A recorrente sustenta sua tese nos seguintes pontos: 3.7.1 Da Preliminar de Vício Material Em preliminar, o sujeito passivo afirma que a autoridade fiscal apenas alegou a existência de prestação de serviços, sem ter feito a efetiva comprovação dessa circunstância, o que implicaria nulidade do lançamento, por violação ao art. 142 do CTN e ao art. 9º do Decreto 70.235/1972. Fl. 1543DF CARF MF 20 Todavia, o Relatório Fiscal, em seu item 9.2, fl. 48, apresenta a seguinte afirmação: 9.2 No entanto, em atendimento a fiscalização, como já informado, apresentou em meio magnético, vários demonstrativos que apresentaram também, receitas com serviços prestados, as quais serviram de base para a aferição indireta da remuneração, em conformidade com as Instruções Normativas SRP nº 03, de 14 de julho de 2005 e a partir de 13/11/2009, a Instrução Normativa RFB nº 971. Como se vê, a autoridade fiscal se baseou nos próprios demonstrativos apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético, os quais retrataram a existência de receitas com serviços prestados. A existência desses demonstrativos, a propósito, não foi negada pela recorrente. A contrario sensu, a própria recorrente, em sede de impugnação, confirmou a sua existência. Vejase (v. fl. 227): Não foi solicitado pelo fisco contratos, ou melhor, detalhamento do que são os chamados "serviços" constantes no "Demonstrativo das Receitas com Serviços". E, diante da negativa da empresa, em prestar os esclarecimentos necessários, a autoridade procedeu à aferição indireta, a fim de apurar a remuneração da mão de obra distinta daquela utilizada na atividade agroindustrial. É elucidativo, nesse contexto, transcrever os seguintes itens do Relatório Fiscal (fl. 50): 9.5 Diante do exposto, indagamos também a empresa, via os TIPF, entre outros, se houve tributação, em relação às contribuições previdenciárias, sobre as receitas com serviços prestados e se houve folha de pagamento específica. 9.6 No entanto, nas petições de esclarecimentos apresentadas, é certo que não respondeu às indagações. 9.7 Face o relatado, não restam dúvidas de que não recolheu as contribuições incidentes sobre os serviços prestados, eis que não emitiu folhas de pagamento e recolhimentos vinculados. Assim, forçoso a aplicação das disposições da Lei 8.212/91, "verbis": [...] 9.8 Tratando de aferição indireta, que no caso se objetiva apurar mãodeobra distinta daquela utilizada na atividade de produção agroindustrial, informase o que as diretrizes também foram estabelecidas na Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005 (a partir de 13/11/2009, a IN RFB nº 971), destacandose: [...] Vale acrescentar, ainda, o seguinte trecho da decisão recorrida, que passa a integrar o presente acórdão como razão de decidir (v. fl. 679): Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 12 21 Consoante acima já relatado, o sujeito passivo tem, entre os objetivos sociais definidos em seu Estatuto Social, a prestação de serviços para terceiros. No entanto, tendo sido formalmente intimado a identificar as incidências tributárias específicas atinentes ao feito bem como acerca das folhas de pagamento específicas, abstevese de responder, de sorte que os débitos tributários foram constituídos pela técnica da aferição indireta das basesdecálculo, estas tomadas das informações prestadas pelo próprio contribuinte acerca das receitas com os serviços prestados, às quais se aplicou o percentual equivalente à mão deobra embutida em notas fiscais de serviços prestados, consoante preconizado nas normatizações de regência (remuneração correspondente a 20 ou 40%, conforme o serviço prestado de acordo com as informações do contribuinte). Logo, não houve qualquer infringência aos dispositivos suscitados pela recorrente, negandose provimento ao recurso nesse particular. 3.7.2 Da Inexistência de Prestação de Serviços A contribuinte assevera que "ainda se a autoridade fiscal quisesse comprovar a ocorrência de prestação de serviço, não conseguiria, pois esta não ocorreu". Muito embora a contribuinte, em sede de impugnação, não tenha negado a existência de prestação de serviços com a mesma ênfase demonstrada em grau recursal, o que conduziria ao não conhecimento do recurso, ex vi dos arts. 14 e 17 do Decreto 70.235/1972, fato é que tangenciou essa questão, razão pela qual se analisa o mérito recursal. De toda forma, e no mérito, o recurso também deve ser desprovido. Como dito acima, a autoridade fiscal se baseou nos próprios demonstrativos apresentados pela recorrente em meio magnético, os quais teriam retratado a existência de receitas com serviços prestados. A existência desses demonstrativos não foi negada pela recorrente, a qual confirmou a sua existência à fl. 227. Diante da negativa da parte, em prestar os esclarecimentos necessários, a autoridade procedeu à aferição indireta, a fim de apurar a remuneração da mão de obra distinta daquela utilizada na atividade agroindustrial. Na impugnação e no recurso, o sujeito passivo não se dignou de apresentar qualquer prova que pudesse infirmar as conclusões do relatório fiscal, valendo transcrever, outrossim, as seguintes conclusões do acórdão recorrido, que passam a integrar este acórdão como razões de decidir: É o que temos aqui. Instado a manifestarse acerca das rendas auferidas em prestação de serviços, o contribuinte forneceu planilha identificando seus valores por competência e por unidade prestadora. Ocorre que não foi capaz de fornecer as folhas de pagamento específicas, tampouco os recolhimentos pertinentes, de sorte que outra alternativa não havia à fiscalização que não tomarse os valores informados, inclusive Fl. 1545DF CARF MF 22 discriminados pelo tipo dos serviços prestados, e constituílos com base de incidência tributária nos percentuais preconizados na normatização de regência. [...] Ora, diz ele, e se os serviços foram prestados em parceria, ou em propriedades arrendadas, ou mesmo para empresas do mesmo grupo econômico? Ocorre que tais assertivas encontramse desprovidas de quaisquer documentos que lhes emprestem validade, nenhum contrato é apresentado, nenhuma nota fiscal ou fatura, nenhuma menção às planilhas por ele formuladas em que discrimina as rendas relacionadas aos serviços, como se compuseram e de que maneira seriam afetadas. Ora, em sede do contencioso administrativo tais argüições são vazias, porquanto desprovidas de quaisquer documentos que as embase. Vale aqui, antigo brocardo jurídico que diz que alegar e não provar é mesmo que não alegar, em consonância com a inversão do ônus da prova preconizada no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, que dá sustentabilidade ao feito, vejase: [...] Havendo, portanto, recusa ou sonegação de apresentação de documentos e informações atinentes aos serviços prestados, a Autoridade Fiscal arbitrou os valores devidos com base nas informações planilhadas prestadas pelo próprio sujeito passivo. Caberia a ele, portanto, infirmar a base tributária em fatos e relacionálos às próprias planilhas, de maneira a demonstrar a incidência excessiva do lançamento fiscal. Em não o fazendo, impossível concordar com o postulado. Por fim, no arremate de suas alegações, digase que os serviços prestados nos termos da LC nº 116/2003 afetam os contribuintes ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, não servindo de parâmetro para as contribuições sociais aqui constituídas, de competência da União. Logo, negase provimento ao recurso nesse particular. 3.8 DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Em arremate, a recorrente postula a conversão do julgamento em diligência, mormente para determinar os valores de revenda, de IPI e do ICMS/ST. Os valores de revenda estão demonstrados à fl. 43 do Relatório Fiscal, não havendo necessidade de diligência. Já os montantes destacados a título de IPI e ICMS/ST foram evidenciados às fls. 1483/1486 da informação fiscal, por força de diligência já determinada por este egrégio Conselho, não sendo necessário nova determinação nesse sentido. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 13 23 (i) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; (ii) CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para (ii.a) excluir os valores dos depósitos judiciais do lançamento; (ii.b) excluir da base de cálculo os valores informados no demonstrativo de fls. 370 e 372/377 a título de devolução de vendas de mercadorias; (ii.c) excluir da base de cálculo do lançamento o IPI e o ICMS/ST constantes do levantamento de fls. 1483/1486; (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1547DF CARF MF 24 Declaração de Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Consoante se extrai da narrativa feita no relatório do presente acórdão, o caso que ora se analisa envolve lançamentos efetuados em face de empresa agroindustrial os quais se referem a contribuições destinadas à Previdência Social e ao Serviço Nacional de aprendizagem Rural – SENAR, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produção rural (Debcad nº 51.003.5469 e nº 51.003.5477) e sobre a folha de salários (Debcad nº 51.003.5485 e nº 51.016.4960). Embora esteja de acordo com boa parte das entendimentos exarados no voto do Relator, penso que as conclusões relacionadas às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização da produção agroindustrial, destinadas à Previdência Social e ao Senar, veiculadas nos itens denominados “Dos Depósitos Judiciais” e “Do IPI E ICMS/ST”, não representam a melhor interpretação da legislação acerca de tais matérias, razão pela qual, peço vênia para delas dissentir. Dos Depósitos Judiciais Com relação a essa matéria, a recorrente alega que os valores dos depósitos judiciais devem ser excluídos do lançamento, conforme reconhecido em sede de diligência, devendo ser reformada a decisão recorrida. Examinandose a informação fiscal de fls. 587/594, constatase que a autoridade autuante apresentou a seguinte manifestação a respeito do tema: 5.3 Em relação aos depósitos judiciais, é certo que se referem a recolhimentos parciais relacionados às contribuições exigidas nos autos (exceto os decorrentes da prestação de serviços). Dessa forma, entendo que devem ser considerados e deduzidos do lançamento. Observese ainda, que os depósitos são insuficientes para liquidação da exigência, fato que será demonstrado posteriormente. Com base no juízo manifestado pelo órgão preparador quanto à dedução dos depósitos judiciais da base de cálculo do lançamento, entendeu o i. Relator que a fiscalização teria retificado o auto de infração no uso de sua competência privativa prevista no art. 142 do CTN e que, por essa razão, “não poderia a DRJ, na qualidade de órgão de julgamento, proceder de forma diferente, mormente para alterar a retificação proposta pela autoridade competente”. Assim, deuse provimento ao recurso voluntário para excluir os valores dos depósitos judiciais do lançamento. A despeito disso, não vejo motivos para que as considerações manifestadas pela fiscalização sobre tal hipótese tenham o condão de vincular os órgãos de julgamento Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 14 25 administrativos. Não houve no caso, a meu ver, uma retificação do lançamento, mas tão somente a emissão de opinião que pode ou não ser acatada pelas instâncias de julgadoras, a seu juízo. Por outro lado, consoante abordado no acórdão recorrido, os depósitos judiciais se prestam a suspender a exigibilidade do crédito tributário, não lhe conferindo o Código Tributário Nacional ou qualquer norma de natureza tributária, o poder de inibir a atividade do lançamento. Em razão disso, considero acertada a decisão exarada no acórdão da DRJ/RPO, cujos trechos mais relevantes em relação a esse tema se reproduz a seguir: Atinente aos depósitos judiciais, eles possuem o condão, apenas, de suspender a exigibilidade do crédito tributário quando efetuado em seu montante integral, ex vi do art. 151, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Como corolário desse fato, temos a decorrente lavratura da autuação pertinente, que visará a prevenção da decadência tributária, sem a exigência de multas. [...] Por outro lado tais depósitos apenas são garantidores do juízo, de maneira a demonstrar a solvabilidade e a intenção não procrastinatória da lide, ao mesmo tempo em que livra o demandante de encargos ou obrigações resultantes de sua cobrança, não podendo ser considerados, a priori, como modalidades extintivas, status que adquirirão apenas ao final do processo com a conversão em renda em favor da Fazenda Pública, caso o deslinde da ação tenha sido desfavorável ao Impetrante. Tal é o disposto no art. 156, VI, do CTN, de sorte que agiu com acerto a fiscalização, originalmente, ao lançar o crédito tributário pertinente sem o abatimento desses valores, situação que mantemos no presente julgado. Digase, ainda que redundante, que caso o contribuinte logre êxito em sua demanda judicial os mesmos depósitos poderão e deverão ser levantados a seu favor. Caso perca, os depósitos serão levantados em favor da Fazenda Nacional e abaterão o crédito tributário proporcionalmente. Isto posto, com relação ao abatimento dos depósitos judiciais do valor do crédito tributário, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Do IPI e ICMS Quanto à exclusão do IPI e do ICMS da base de cálculo da contribuição incidente sobre a receita bruta das agroindústrias, penso que a análise dessa hipótese deve considerar disposições normativas que regem a matéria, em especial o art. 22A da Lei nº 8.212/1991, e os arts. 201A e 201B do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que dispõem: Fl. 1549DF CARF MF 26 LEI Nº 8.212/91 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1º (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3º Na hipótese do § 2º, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 4º O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 64 a 70, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 15 27 dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entendese por receita bruta o valor total da receita proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 2º O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 201 e 202, obrigandose a empresa a elaborar folha de salários e registros contábeis distintos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 3º Na hipótese do § 2º, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros não integram a base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 4º O disposto neste artigo não se aplica: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura; e(Incluído pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pelo Decreto nº 4.862, de 2003) § 5º Aplicase o disposto no inciso II do § 4º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pelo Decreto nº 4.862, de 2003) Art. 201B. Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) À luz do art. 22A da Lei 8212/1991 e do art. 201A do Regulamento da Previdência Social, entendeu o i.Relator que referidos dispositivos não encerram um conceito próprio de receita bruta, mas apenas a estabelecem que essa receita constituise como base de cálculo das contribuições substitutivas devidas pelas agroindústrias. Com o intuito de extrair o sentido e o alcance da expressão receita bruta, a fim de verificar se o IPI e o ICMS/ST integram ou não a base de cálculo da contribuição Fl. 1551DF CARF MF 28 substitutiva em questão, achou por bem o i. Relator buscar o conceito de receita bruta em outras normas de natureza tributária. De acordo com o voto: A Lei 9.715/1998, que dispõe sobre o PIS/PASEP, em seu art. 3º, preleciona que "considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia". O parágrafo único desse dispositivo, de forma expressa, preceitua que "na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário". Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único.Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A legislação do imposto de renda a que se referiu a Lei 9.715/1998, por sua vez, prevê que a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia, não se incluindo os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor ou prestador seja mero depositário. É elucidativo, nesse contexto, transcrever o art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, com a redação da Lei 4.506/1964 e do DL 1598/1977: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (destacouse) Da mesma forma, a alínea "a" do parágrafo único do art. 2º da LC 70/1991 determina que o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal, não integra a receita bruta. O item 2 da Instrução Normativa SRF nº 51/1978 é igualmente expresso ao estipular a não inclusão dos impostos não cumulativos cobrados do comprador ou contratante: 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (Imposto sobre Produtos Industrializados e Imposto Único sobre Minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto nãocumulativo é aquele em que se abate, Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 16 29 em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. Por fim, o Decreto 7.828/2012, que regulamentou as contribuições substitutivas de que trata a Lei 12.546/2011, que têm a mesma base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria, foi expresso ao estabelecer que poderão ser excluídos da base o IPI e o ICMS/ST. Vejase: Art. 5º Para fins do disposto nos arts. 2º e 3º: I a receita bruta deve ser considerada sem o ajuste de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; e II na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita, poderão ser excluídos: [...] c) o IPI, quando incluído na receita bruta; e d) o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Logo, entendese que o IPI e o ICMS/ST não integram a receita bruta de que trata o art. 22A da Lei 8.212/1991 e art. 201A do Regulamento da Previdência Social. Mutatis mutandis, acrescentase à presente fundamentação a conclusão contida no Parecer Normativo Cosit nº 3/2012: A receita bruta que constitui a base de cálculo da contribuição substitutiva a que se referem os arts. 7º a 9º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, compreende: a receita decorrente da venda de bens nas operações de conta própria; a receita decorrente da prestação de serviços; e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Podem ser excluídos da mencionada receita bruta: a receita bruta de exportações; as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando incluído na receita bruta; e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Logo, deve ser dado provimento ao recurso nesse particular, a fim de serem excluídos do lançamento o IPI e o ICMS/ST constantes do levantamento de fls. 1483/1486. Também não vejo como concordar com as conclusões extraídas do voto vencedor em relação a essa matéria. De se observar que tanto o art. 22A da Lei nº 8.212/1991 quanto os arts. 201A e 201B do Regulamento da Previdência Social estabelecem que a base de cálculo das contribuições substitutivas destinadas à Previdência Social e ao SENAR compreendem toda a Fl. 1553DF CARF MF 30 receita bruta advinda da comercialização da produção da agroindústria, incluindo aquelas i) provenientes da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não; e ii) decorrentes de atividade econômica autônoma, desenvolvida no mesmo ou em estabelecimento distinto. Ora, quisesse o legislador excluir os citados tributos (IPI e ICMS) da base de cálculo da contribuição sobre a receita bruta das agroindústrias teria introduzido previsão expressa para tanto na lei instituidora da exação. Assim, não há como assentir que a lei previdenciária ou o seu regulamento teriam deixado qualquer vácuo com relação à conceituação de receita bruta, diferentemente disso, a opção feita pelo legislador foi no sentido de tributar toda essa receita, sem dela excluir IPI ou ICMS. Quanto aos fundamentos legais trazidos a baila no voto vencedor para auxiliar no conceito de receita bruta, temse que o art. 3º da Lei nº 9.715/98, que dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, restringe a aplicação do conceito que veicula às disposições contidas no inciso I de seu art. 2º, ou seja, não se pode estender tal definição, de forma indiscriminada, a normas instituidoras de tributos diversos. Além disso, a contribuição para o PIS/PASEP incide sobre o faturamento enquanto que as contribuições substitutivas das agroindústrias recaem sobre a recita bruta de tais empresas. E mais, a sistemática de apuração da contribuição prevista na Lei nº 9.715/98 em nada se assemelha com aquela prevista no art. 22A da Lei nº 8.212/1991. Do mesmo modo, não me parece razoável pegar de empréstimo a conceituação contida na legislação do imposto de renda com intuído de lhe ampliar o alcance de modo a constringir a base de incidência das contribuições objeto do presente lançamento. O mesmo se pode dizer da Lei Complementar nº 70/1191 e da Lei nº 12.546/2011 (regulamentada pelo Decreto nº 7.828/2012). Em ambos os casos os conceito de receita bruta têm o alcance limitado a dispositivos constantes de tais normativos. Especificamente com relação às contribuições previstas nos arts. 7º a 9º da Lei nº 12.546/2011, importa acrescentar que, embora tratem de contribuições previdenciárias também incidentes sobre a receita bruta, referidos dispositivos em momento algum indicam que o IPI e o ICMS não constituem parcela integrante da receita bruta. Ao revés disso, o § 7º do art. 9º reconhece os citados tributos como parcelas integrantes da receita bruta e possibilitam sua exclusão da base de cálculo daquela contribuição. Senão vejamos: Art. 9º [...] § 7º Para efeito da determinação da base de cálculo, podem ser excluídos da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos [...] III o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, se incluído na receita bruta; e IV o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10880.721254/201201 Acórdão n.º 2402005.595 S2C4T2 Fl. 17 31 [...] Assim, entendo que também se deva NEGAR PROVIMENTO ao recurso no que respeita à exclusão do IPI, do ICMS da base de cálculo da contribuição incidentes sobre a receita bruta das agroindústrias, eis que inexiste previsão legal nesse sentido e as normas suscitadas pelo i. Relator não tem aplicabilidade em relação ao tributo que ora se analisa. É o voto. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720004/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL.
Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida ou reconhecida pelo contribuinte deve ser mantida e o crédito tributário correspondente ser consolidado e exigido.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Na falta de comprovação da obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia por ordem emanada de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, é indedutível a despesa declarada sob esse título.
Numero da decisão: 2201-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira- Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 12/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida ou reconhecida pelo contribuinte deve ser mantida e o crédito tributário correspondente ser consolidado e exigido. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Na falta de comprovação da obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia por ordem emanada de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, é indedutível a despesa declarada sob esse título.
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DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida ou reconhecida pelo contribuinte deve ser mantida e o crédito tributário correspondente ser consolidado e exigido. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO. DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Na falta de comprovação da obrigatoriedade de pagamento de pensão alimentícia por ordem emanada de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, é indedutível a despesa declarada sob esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 00 04 /2 01 4- 10 Fl. 96DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJCampo GrandeMS que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve parte do crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2011/947699683943475 (fls. 25/32) decorrente do trabalho de malhafina na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2011, anocalendário 2010, do Recorrente, exigindo imposto suplementar no valor de R$ 14.061,15, com multa de ofício no percentual de 75% (R$ 10.545,86); e juros de mora (R$ 3.256,56). O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor tributável de R$ 41.420,00 (fls. 27). Dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 9.711,45 (fls. 28). O Recorrente apresentou Impugnação tempestiva (fls. 02/03), esclarecendo que: i) quanto à despesa com pensão alimentícia judicial, reconhece que a Carta de Sentença judicial deixou de quantificar o valor da pensão alimentícia para sua excônjuge e o filho do casal, Leandro Teixeira de Oliveira. Em razão disso, acordaram verbalmente o pagamento da pensão para ambos, o que tem sido feito regular e ininterruptamente. Juntou extrato emitido pelo plano de saúde, com a descriminação dos pagamentos mensais efetuados, correspondentes ao seu próprio seguro (fls. 04), bem como declarações particulares de recebimento de valores relativos à pensão alimentícia, assinados pela sua excônjuge e o filho do casal (fls. 07/08); ii) quanto às despesas médicas, por desconhecimento da legislação, declarou como dedutível toda a despesa com pagamento de plano de saúde para todos os seus familiares (pai e três filhos), no valor de R$ 9.013,03, mas reconhece que deveria ter apenas declarado o valor relativo a ele e a sua filha declarada como dependente, no valor total de R$ 3.973,23. A Impugnação foi julgada parcialmente procedente, para: i) restabelecer parte da dedução de despesa médica (R$ 1.394,08), que corresponde efetivamente aos valores dispendidos exclusivamente com o Recorrente e sua filha dependente (fls. 47), mantendo a Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13749.720004/201410 Acórdão n.º 2201003.534 S2C2T1 Fl. 97 3 glosa residual das despesas médicas declaradas; e ii) manter integralmente a glosa relativa à pensão alimentícia, conforme assim ementado pela DRJCampo GrandeMS: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Para ter o direito a dedução de pensão alimentícia, deve ser esta obrigação comprovada por intermédio de Decisão Judicial ou por Escritura Pública, e o efetivo pagamento por meio de provas documentais. DESPESAS MÉDICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas é aceita mediante documentação hábil e idônea, acompanhada de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/04/2014 (fls.55), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 09/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 71/72), deixando de contestar a decisão da DRJ quanto à manutenção de parte da glosa de despesas médicas, mas contestou a manutenção da glosa de pensão alimentícia, reafirmando a legitimidade da sua dedução, além de esclarecer que: i) a obrigatoriedade do pagamento da pensão decorre de determinação judicial proferida no processo nº 46.843/1979, que tramitou na 6ª Vara de Família do Rio de JaneiroRJ, a qual encontrase arquivada e, em razão disso, requer que este Conselho determine a devolução do processo para a realização de diligência que deverá lhe proporcionar o prazo de 60 dias para a apresentação da sentença homologatória de prestação de alimentos. Juntou cópia do pedido de desarquivamento do processo judicial (fls. 73); ii) em 2010, depositou mensalmente a quantia de R$ 1.660,00 na conta bancária da sua ex cônjuge, de nº 665.7990, mantida na agência nº 02887 do Banco do Brasil. Juntou extratos bancários (fls. 76/88); iii) por determinação legal (CC, 1.707), ao seu filho é vedada a renúncia dos alimentos; iv) requer a conversão do julgamento em diligência para apresentar sentença homologada no processo nº 46.843/1979, que tramitou na 6ª Vara de Família do Rio de JaneiroRJ. Ao final, requer a desconsideração da glosa de pensão alimentícia e o provimento do recurso. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 98DF CARF MF 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Dedução de Despesa Médica MATÉRIA NÃO IMPUGNADA O Recorrente não contestou os fundamentos da decisão de primeira instância que manteve parte da glosa de despesas médicas e, por conseguinte, do crédito tributário correspondente. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente objeto de contestação, na forma adiante: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” O silêncio do Recorrente quando do seu recurso, a respeito da manutenção de parte da glosa de despesas médicas mantida e do seu crédito tributário consequente, leva ao reconhecimento e à consolidação administrativa de ambos. Assim, o recurso voluntário interposto é parcial e, portanto, a glosa de despesas médicas deverá ser mantida, bem como ser exigido o crédito tributário correspondente à matéria não recorrida. Dedução de Pensão Alimentícia A legislação do imposto de renda, em especial a Lei nº 9.250/95, permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF. Porém, estabelece expressamente requisitos, limitações e formas determinadas para sua legitimidade, conforme adiante: “Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;” No presente caso, o Recorrente juntou apenas a Carta de Sentença acostada às fls. 06, que comprova sua separação judicial consensual de sua excônjuge. No entanto, não demonstra a fixação de alimentos em favor desta última e do filho do casal. Por mais que se possa confirmar a transferência de valores entre a conta bancária do Recorrente e da sua excônjuge no período fiscalizado, mediante análise dos extratos bancários juntados às fls. 77/88, não se pode afirmar que estes ocorreram por obrigação emanada do Poder Judiciário a título de pensão alimentícia, haja vista inexistir decisão judicial ou acordo homologado em juízo que determinasse que o Recorrente provesse alimentos à sua excônjuge e ao filho do casal. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13749.720004/201410 Acórdão n.º 2201003.534 S2C2T1 Fl. 98 5 Este fato é até mesmo confirmado e reconhecido pelo Recorrente em sua impugnação (fls. 02), ao afirmar que: “Em relação à glosa referente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, informo que o valor registrado corresponde à realidade. A separação judicial do meu casamento com Carmem Lucia Teixeira da Silva foi consensual, decretada em 17 de setembro de 1979, averbada em 10 de outubro de 1979 (documentos anexos). Na Carta de Sentença, todavia, não existe o registro de valor a ser pago com pensão alimentícia para a exesposa e o filho do casal, Leandro Teixeira de Oliveira. Ficou acordado verbalmente o pagamento da pensão para ambos e isto tem sido feito regular e ininterruptamente, É sabido que em nosso país a falta de pagamento de pensão alimentícia é passível de detenção e, graças a Deus, eu nunca sofri tal punição, por cumprir religiosamente o que foi acordado. Foram anexadas duas declarações assinadas pelos beneficiários da pensão, comprovando a veracidade deste fato. (...) (grifos nossos) Dessa forma, nego o pedido de conversão deste julgamento em diligência. Assim, considerando o que foi exposto, voto por confirmar a decisão de primeira instância para manter a glosa da despesa com pensão alimentícia e o crédito tributário vinculado. Dedução de Pensão Alimentícia paga ao Filho Por mais que já se tenha demonstrado a ausência de requisito legal autorizador para a dedução de despesa com pensão alimentícia, qual seja a falta de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente que tenha determinado a obrigatoriedade de pagamento de pensão por parte do Recorrente à sua excônjuge e filho, cabe esclarecer que, caso houvesse determinação judicial, os valores destinados ao filho do casal não foram devidamente comprovados na medida em que ausentes documentos que comprovassem a real transferência financeira de valores entre ambos. Vejamos. O Direito de Família estabelece duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do poder familiar, sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade (CC, Art. 1.566, IV). A segunda, proveniente da relação de parentesco, referese aos parentes que não possuem condições de prover a sua própria subsistência (CC, Arts. 1.694, 1.695 e 1.701). Já a legislação do imposto de renda, em especial a Lei nº 9.250/95, permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF e estabelece expressamente requisitos, limitações e formas expressas para sua legitimidade, conforme adiante: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive Fl. 100DF CARF MF 6 a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Da interpretação conjunta das normas de Família e Tributária, temse que o direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família da base de cálculo do IR está condicionado à comprovação dos seguintes requisitos: 1) existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Alimentante a pagar pensão; 2) ocorrência do pagamento, suportado pelo Alimentante; Nesse contexto, os valores declarados como pagos pelo Recorrente ao seu filho são considerados mera "liberalidade" do pagador, pois não atendem aos requisitos legais expressamente dispostos pela legislação tributária para a sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda, conforme explicado. Em razão disso, entendo indedutíveis os valores pagos ao filho maior de idade a título de pensão alimentícia. Portanto, voto por confirmar a decisão de primeira instância neste ponto, para manter a glosa das despesas declaradas a título de pensão alimentícia pagas ao filho e, assim, manter o crédito tributário vinculado. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para confirmar a decisão de primeira instância e manter a glosa de pensão alimentícia em sua integralidade. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001521/2006-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999.
Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Tanto na ocorrência do fato gerador anual de CSLL em 31/12/2001, quanto na apuração da estimativa de CSLL referente ao mês de janeiro/2001, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida.
ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO.
Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostra-se desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostra-se razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anos-calendário anteriores a 2007.
Numero da decisão: 9101-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Tanto na ocorrência do fato gerador anual de CSLL em 31/12/2001, quanto na apuração da estimativa de CSLL referente ao mês de janeiro/2001, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. ENTENDIMENTO SUMULAR. MULTA ISOLADA SOBRE INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 2007. APLICAÇÃO DE OFÍCIO PELA CÂMARA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 21 /2 00 6- 14 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 514 2 SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. PRESCINDIBILIDADE DE RETORNO DOS AUTOS PARA A TURMA A QUO. Considerando que o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância, e diante da possibilidade de aplicação de súmula do CARF pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, mostrase desnecessário o retorno dos autos para a turma a quo apreciar estritamente matéria sumulada. A instância anterior obrigatoriamente teria que aplicar o mesmo entendimento sumular e a decisão não poderia ser objeto de recurso especial. Procedimento de retorno aos autos teria como único efeito o prolongamento desnecessário do processo, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e economicidade. Nesse contexto, mostrase razoável aplicar de ofício a Súmula nº 105 do CARF para afastar as exações relativas a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais, que tratam de anoscalendário anteriores a 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento quanto à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio na sessão de 13/12/2016) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por maioria de votos, acordam em aplicar a Súmula CARF nº 105, de ofício, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator), que entendeu pela não aplicação da súmula. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento. Julgamento iniciado na sessão de 17/08/2016, teve continuidade em 13/12/2016 e foi concluído em 14/03/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Fl. 514DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 515 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre procedimento de compensação de base de cálculo negativa de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL apurada por empresa sucedida. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.893, de 06/11/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras coisas, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de admitir procedimento de compensação por ela realizado, utilizando base de cálculo negativa de CSLL apurada por empresa sucedida. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando não se verifica enquadramento nas hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, por falta de demonstração de prejuízo à defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. Improcedente a glosa da compensação efetuada naquele sentido. MULTA ISOLADA. Uma vez cancelada a glosa de compensações da base negativa da CSLL, fica sem efeito o lançamento da multa isolada, por estrita conexão causal para tanto, posto que restabelecida a situação fiscal sem recomposição da referida base de cálculo por estimativas mensais da aludida contribuição. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 516 4 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL em caso análogo, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes chegou a conclusão inteiramente oposta em relação ao acórdão recorrido: Acórdão nº 10323404 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 2001 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. a fim de melhor aclarar a divergência jurisprudencial ora invocada, fazse necessária a transcrição de excertos do paradigma, de forma a demonstrar os pontos semelhantes das questões fáticas analisadas e a interpretação jurídica divergente (transcrição contida no recurso); restou plenamente demonstrada a similitude das molduras fáticas dos casos objetos de julgamento pelo acórdão recorrido e os paradigmas; mesmo diante de contexto no qual o autuado promoveu incorporação de outra pessoa jurídica em data anterior ao advento da MP nº 1.8586 de 29/06/1999 e publicada em 30/06/1999 (no caso concreto, a incorporação ocorreu em 04/1999), ainda assim, os órgãos prolatores dos paradigmas entenderam que cabia a proibição de que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, pois a compensação ocorreu em momento posterior ao advento da MP citada; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO a regra disposta no artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995, só permite exclusões ou compensações previstas na legislação da Contribuição Social. Como não há previsão legal para a empresa compensar base de cálculo negativa e/ou prejuízos fiscais de empresa incorporada, referido dispositivo foi indiscutivelmente infringido pelo contribuinte; por força do comando contido no artigo 57 da Lei nº 8.981, de 1995, aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n9 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive, no que se refere ao disposto no artigo 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alteração introduzidas por lei; Fl. 516DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 517 5 antes mesmo da edição da Medida Provisória nº 1.8586/99, já existia dispositivo que se reportava ao impedimento de uma pessoa jurídica sucessora por incorporação, de compensar prejuízos fiscais da sucedida (artigo 509 do RIR/94, aprovado pelo Decreto nº. 1.041/91 e 514 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 33 do DecretoLei nº 2.341/97); ainda sobre a impossibilidade da empresa sucessora por incorporação de compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, cabe destacar, por encampar a melhor exegese da matéria, as preciosas considerações da DRJ em Fortaleza nos autos nº 10380.008934/200539, verbis: II Do Mérito. 1. Da Ausência de Normatização da Matéria Até a Edição da MP nº 1.8566, de 1999. Após discorrer sobre o disciplinamento legal da base de cálculo da CSLL, em sua versão original e a posterior autorização para a compensação das bases de cálculo negativas de períodos anteriores, e traçar um paralelo com as regras de compensação dos prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do IRPJ, o autor do feito fez constar do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, a seguinte conclusão: "O acima exposto demonstra ilustrativamente que, em qualquer caso, os ajustes para fins de apuração da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões ou compensações) necessitam estar expressamente previstos na lei tributária. Se a lei prevê a base de cálculo da CSLL como sendo o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda com (os) ajustes expressamente nela indicados, ela impede qualquer ajuste da referida base de cálculo que não esteja previsto de maneira expressa na lei. Diversamente do que ocorre em outros ramos de direito, o mero fato de não existir lei que obste determinado ajuste base de cálculo de um tributo, não implica que este ajuste seja autorizado. Aqui vigora justamente o contrário, a lei tributária é que, ao disciplinar a base de cálculo de determinado tributo, autoriza os ajustes (adições, exclusões ou compensações) que devem ser observados tanto pelos contribuintes, quanto pelo Fisco". O raciocínio desenvolvido pela autoridade autuante nada tem de absurdo, que não mereça ser levada em consideração, no dizer da Impugnante. Ao contrário, é todo ele calcado na legitima interpretação do direito aplicável aos fatos de natureza tributária, o que constitui uma das atividades do Auditor Fiscal, no desenvolvimento de seu mister constitucional de verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes administrados. E, nesse sentido, não ocorreu qualquer violação ao comando contido no inciso II, do artigo 5º, da CF/88, posto que não se trata de exigir um comportamento do contribuinte não previsto em lei; no caso, havia no ordenamento jurídico uma norma que conceituava a base de cálculo da CSLL, a qual não previa a compensação de bases negativas apuradas por empresas sucedidas, e que, por principio, obrigava o sujeito passivo à sua observância. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 518 6 Isso explica o fato de que, ate a edição da Lei no 8.383, de 1991, inexistia previsão legal para que as pessoas jurídicas pudessem compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores, na determinação da base de cálculo da CSLL e, ainda que alguns contribuintes tenham buscado este alegado direito nas esferas administrativa e judicial, a jurisprudência é amplamente majoritária no sentido de que tal compensação somente se tornou possível a partir dos períodos de apuração posteriores â publicação do aludido diploma legal, não se acatando a retroatividade de sua aplicação. Uma primeira ilação podese tirar da assertiva acima, qual seja a de que, não obstante inexistir norma que vedasse a compensação de que se cuida, a mesma não era possível, em face de a legislação posta à época não assegurar, expressamente, aquele pretenso direito, embora, já há algum tempo, fosse facultada a compensação de prejuízos fiscais na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas. Aplicavase, portanto, a base imponível prevista no artigo 2º, da Lei n° 7.689, de 1988, que não admitia compensações de quaisquer espécies. O mesmo dispositivo legal que passou a disciplinar a compensação da base de cálculo negativa da CSLL (artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991), previu em seu "caput", uma regra genérica, já consagrada em diplomas legais editados posteriormente (Leis n° 8.541, de 1992, artigo 38; e 8.981/1995, artigo 57, entre outros), de que "aplicamse a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Poderseia invocar tal regra para concluir que, como o artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, proibia a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcançaria a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, ern período anterior à sua extensão, pelo artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, pela ausência de disciplinamento próprio do instituto. Em razão disso, naquele período, o regramento da base imponível aqui tratada passaria a ser feito pela aplicação do artigo 2Q, da Lei n2 7.689, de 1988, combinado com o disposto no parágrafo único, do artigo 44, da Lei n° 8.383, de 1991, mas com a ressalva da norma contida no artigo 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987, aplicável à CSLL por força dos dispositivos legais citados em parágrafo precedente. Assim, a norma contida no artigo 20, da MP n° 1.8586, de 1999, teria apenas o caráter expletivo (como, aliás, lhe qualificou a Defendente, provavelmente por equivoco, considerando o teor da impugnação). Nesse contexto, e relevante trazer â baila o pronunciamento do Ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ern seu votovista prolatado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.0846 PARANÁ, em sua assertiva de que "Não é incomum, no âmbito das normas tributárias, a tipificação de condutas de modo detalhado e, às vezes, redundante. 0 propósito é claro: evitar as controvérsias quanto à subsunção ou não de determinadas condutas à norma." Não obstante esse entendimento não se coadunar com a jurisprudência dominante na instância ad quem de acordo com os julgados trazidos à colação na peça impugnatória como bem acentuou a autoridade autuante, constitui fato indiscutível que inexistia na legislação que rege a base de Fl. 518DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 519 7 cálculo da CSLL, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora, que viesse a ser modificada com a edição da MP n° 1.8586, de 1999, como implicitamente alega a Defendente, ao invocar o principio da segurança jurídica e o da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições para a seguridade social, nos termos do artigo 195, §6°, da CF/88, que passaremos a analisar. 2. Do Principio da Anterioridade Nonagesimal Aplicável à Norma Contida no Artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999. De inicio, é de se esclarecer que a base negativa da CSLL glosada no procedimento fiscal reportouse ao anocalendário de 2000, período para o qual a Autuada optou pela apuração anual do IRPJ e da contribuição social; e que aquela base negativa foi apurada no balanço de encerramento para fins de incorporação da sociedade que a controlava, fato ocorrido em 27/09/1999, tendo sido a Medida Provisória n° 1.8586, editada em 29/06/1999. O argumento da defesa é no sentido de que, aplicandose o prazo nonagesimal previsto no artigo 195, § 6°, da CF/88, a contribuição para a seguridade social somente pode ser exigida após o transcurso de noventa dias da publicação da lei que a houver instituído ou modificado; assim, a eficácia da norma aqui tratada somente se daria a partir do dia 28/09/1999, portanto, em data posterior a transformação societária ocorrida, não obstaculizando, dessa forma, o aproveitamento da base negativa da CSLL apurada pela empresa sucedida, sob pena de violação ao principio da segurança jurídica. Como não se trata de instituição de uma nova contribuição social, resta verificarmos se a norma em comento provocou uma modificação de uma contribuição social preexistente (no caso, a CSLL), para concluirmos pela procedência da alegação. Já foi dito neste voto que, do meu ponto de vista, aquela norma possui natureza expletiva, tendo sido editada apenas para "evitar as controvérsias quanto À subsunção ou não de determinadas condutas à norma", para usar as palavras do Ministro Cezar Peluso, do STF. Ainda que assim não fosse, verifiquemos se a CSLL restou modificada, com a edição da norma, considerandose os elementos constitutivos da correspondente obrigação tributária, a teor do que prescrevem o CTN e a lei instituidora da exação (Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações posteriores). Compulsandose a legislação citada, concluise, facilmente, que a regra contida no artigo 20, da MP nº 1.8586, de 1999, não modificou quaisquer daqueles elementos, permanecendo inalterados a hipótese de incidência ou o fato gerador da obrigação, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a alÍquota aplicável; nem ao menos foram alterados os prazos de vencimento da contribuição. Em razão disso tornase forçoso reconhecer que, também sob esse prisma, a regra constitucional não impede a eficácia imediata da norma, mesmo porque, como já vimos, a pretensa modificação na base de cálculo da CSLL que restaria onerada pela vedação motivadora da glosa não se efetivou Fl. 519DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 520 8 pelo simples fato de o seu conceito legal jamais haver contemplado compensação de que se cuida, na redação original da sua lei instituidora, quer nas alterações que lhe seguiram. Por todo o exposto, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do feito suscitadas pelo sujeito passivo e, no mérito, considerar procedente o lançamento. É o meu voto. em adendo à argumentação acima expendida, notese que, ainda que se entenda pela incidência do art. 20 da Medida Provisória nº 18586/199 somente em relação às incorporações realizadas posteriormente à sua vigência, não assiste razão ao sujeito passivo, pois o sistema de apuração dos impostos e contribuições, mesmo antes da expressa proibição legal, já não comportava a compensação dos prejuízos fiscais, nem das bases negativas da CSLL apurados pela empresa sucedida na incorporação; assim como a empresa incorporada, os seus prejuízos fiscais e bases negativas desaparecem, tendo em vista o ajuste contábil e fiscal realizado durante o processo, quando há absorção do patrimônio de uma empresa pela outra. Logo, durante a operação societária em foco, já há a consideração de toda contabilidade da pessoa jurídica sucedida, pois é o seu patrimônio liquido que é vertido para a incorporadora, não havendo dúvidas quanto à repercussão dos prejuízos fiscais e das bases negativas na formação do acervo patrimonial da empresa resultante da incorporação; noutra linha de argumentação, cabe registrar que merece reforma o acórdão hostilizado, também porque o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL; a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. Se as bases negativas da incorporada foram compensadas pela incorporadora após 1999, aplicase a Medida Provisória n° 18586/1999 à hipótese. Este é o caso dos autos, onde se verifica que o autuado realizou a compensação indevida quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória, que fundamentou a autuação questionada pelo contribuinte. Portanto, está correta a glosa efetuada pela fiscalização, que agiu dentro dos ditames legais; logo, sob qualquer ótica de argumentação, não merece reparo a autuação realizada pela fiscalização, que considerou indevida a compensação efetivada pela incorporadora em relação às bases negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apuradas pela empresa incorporada: em resumo: a) inexistia na legislação que regia a base de cálculo da CSLL, à época, norma expressa que autorizasse a compensação de bases negativas de sociedade sucedida por parte da incorporadora; b) o artigo 44 da Lei n° 8.383, de 1991, previu em seu caput, que "aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988), as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (...)". Podese invocar Fl. 520DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 521 9 tal regra para concluir que, como o artigo 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, proíbe a compensação de prejuízos fiscais da sociedade incorporada, pela pessoa jurídica sucessora, tal vedação alcança a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL; c) o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/1999 disciplina a compensação tributária fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL. Logo, a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. No caso dos autos, o autuado realizou a compensação indevida no ano calendário de 2000, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória; d) o artigo 20 da MP n° 1.8586, de 1999, deve ser aplicado ao caso desde a data de sua publicação, em 30/06/1999, alcançando a incorporação em tela (27/09/1999), pois a regra constitucional não impede a eficácia imediata da norma, tendo em vista que a norma sob análise não modificou quaisquer dos elementos da obrigação tributária, permanecendo inalterados a hipótese de incidência ou o fato gerador da obrigação, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a alíquota aplicável; nem ao menos foram alterados os prazos de vencimento da contribuição. A pretensa modificação na base de cálculo da CSLL que restaria onerada pela vedação motivadora da glosa não se efetivou pelo simples fato de o seu conceito legal jamais haver contemplado a compensação de que se cuida, quer na redação original da sua lei instituidora, quer nas alterações que lhe seguiram. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.033, de 12/05/2014, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigma, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluise pela improcedência da glosa da compensação efetuada, pois até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992 enquanto o acórdão paradigma 149798 concluiu pela impossibilidade da pessoa jurídica sucessora por incorporação compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada, nos termos do art. 20 da Medida Provisória nº 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória nº 2.15825, de 2001. Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a questão discutida nos autos. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 522 10 Em 21/10/2014, a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 03/11/2014 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO o acórdão recorrido, acertadamente, acolheu a tese da ora Recorrida sob a ótica da possibilidade de compensação da base negativa de empresas incorporadas antes do advento da MP 18586/1999, seguindo a baila de inúmeras decisões desse Egrégio Conselho; insta destacar, que, o marco inicial para discussão da matéria é a data da incorporação que ensejou o aproveitamento da base negativa de CSLL das empresas incorporadas. E, conforme documentos colacionados nos autos, o evento especial de incorporação ocorreu em 28 de abril de 1999, ou seja, ANTES do advento da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999, vigente 90 (noventa) dias após a sua edição, que vedou a compensação de bases de cálculo negativas, geradas a partir de 1992, em casos de sucessão; o que não pode ser ignorado é que até a edição da Medida Provisória n° 185806, de 29 de junho de 1999, inexistia previsão legal que impedisse o aproveitamento, pelas empresas incorporadoras, da base de cálculo negativa da Contribuição Social das companhias incorporadas; somente com a publicação da citada Medida Provisória 18586 é que passou a haver norma jurídica estendendo o tratamento já previsto para o Imposto de Renda; em obediência ao disposto no § 6º do artigo 195 da Constituição Federal, a regra prevista no artigo 20 da MP 18586 somente produziu efeitos a partir de 1º de outubro de 1999. Equivale dizer que todos os atos jurídicos praticados até a entrada em vigor do artigo 20, fez com que as empresas incorporadoras tivessem o direito de promover o aproveitamento da base de cálculo negativa da CSLL da sucedida; entendimento diverso afronta os mais basilares princípios do ordenamento jurídico, tais como (i) o direito adquirido, (ii) a segurança jurídica, (iii) da legalidade, (iv) da irretroatividade da legislação tributária, entre outros postulados e regras; não se pode olvidar que a Lei 6.404/76 (Lei das S/A), em seu art. 227, dispõe que no evento especial de incorporação, a pessoa jurídica incorporadora sucede TODOS os direitos e obrigações da sucedida; ao ser analisado o artigo alhures, ficou mais que comprovado que com o ato de incorporação, a incorporadora assume os direitos e obrigações das empresas incorporadas. Isso leva a crer que se a empresa incorporada tiver direitos, esses passarão para a incorporadora, já se ela tiver deveres, também serão sucedidos pela incorporadora; a Ata de reunião que deliberou sobre a incorporação das citadas empresas foi realizada em 28 de abril de 1999, já a Medida Provisória 18586 somente passou a produzir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999, ou seja, os dispositivos da referida MP não poderiam retroagir e prejudicar o direito adquirido; Fl. 522DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 523 11 em abril de 1999 a Recorrida adquiriu o direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL da empresa sucedida, porquanto a norma que extirpou do ordenamento jurídico veio à lume somente em junho de 1999, quando a Recorrida já havia incorporado ao seu acervo patrimonial o lídimo direito à utilização; importante registrar que a matéria prequestionada pelo acórdão paradigma diz respeito apenas e tão somente à inexistência de norma proibitiva para que a contribuinte exercesse esse direito de utilizar a base de cálculo negativa de CSLL de empresa incorporada, sem adentrar na questão suscitada pela I. PGFN de que o caso deve ser apreciado sob a ótica da data da compensação e não a data da incorporação; nada mais equivocado, pois, conforme adiante se demonstrará, o direito à compensação da base negativa de CSLL nasceu com a incorporação da empresa sucedida (IBA NE), sendo irrelevante para o caso em apreço se no momento da compensação, postergada em razão da trava dos 30% (trinta por cento), havia norma vedando a sua utilização; este o atual posicionamento deste Egrégio Colegiado, inclusive, com posicionamento favorável ao Contribuinte pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PAF. NÃO CONHECIMENTO do Recurso Especial por ausência de paradigma tendo em vista que as razões de decidir do acórdão recorrido e do acórdão paradigma são as mesmas. COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO. Até o advento da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, inexistia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida a partir de janeiro de 1992. (CSRF 1ª Turma Proc. 10909.003921/200658 9101001.764 Sessão de 15.10.2013) o acórdão paradigma citado pela PGFN já foi objeto de enfrentamento nesse E. Conselho, sendo prolatada decisão pela 1ª Turma da CSRF, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional perante o Processo n° 10380.008934/200539. Isso significa que a matéria discutida nos autos é a mesma que já foi enfrentada nesta Câmara Superior, pois, como mencionado, o acórdão paradigma utilizado naquele outro caso é o mesmo que está sendo utilizado neste caso; o Processo 10380.008934/200539, distribuído à CSRF, foi de relataria do Conselheiro Dr. Valmir Sandri, e a decisão prolatada, muito bem fundamentada, não encontrou óbices na tese defendida pela Recorrida, mantendose a decisão em sua íntegra, comprovando a identidade da divergência com os presentes autos, conforme se infere do voto do I. Relator: "(...) Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara, invocando como paradigma o acórdão nº 10323.404 (...) (...) Logo, não encontrei, quer no acórdão paradigma, quer nas considerações da Douta PGFN, qualquer argumento convincente no sentido de alterar a consagrada jurisprudência amplamente dominante deste tribunal administrativo, razão porque, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (...)" Fl. 523DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 524 12 aliás, são inúmeros os julgados do antigo Conselho de Contribuintes que asseguram o direito à utilização da base negativa de CSLL de empresa sucedida, apurada a partir de janeiro de 1992, dede que o evento especial de incorporação tenha ocorrido ANTES da MP 1.8588/1999 (ementas transcritas); com acerto o entendimento exarado na atual composição do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes, tanto que encontra amparo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE LUCRO LÍQUIDO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS REFERENTES A BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO, PORÉM, NESSA PARTE, DESPROVIDO. (...) Decidiu com acerto o Tribunal de origem ao adotar o seguinte entendimento: "A proibição da compensação dos prejuízos fiscais pela sucessora (por incorporação, cisão ou fusão), existente para o IRPJ (art. 33 do DL 2.341/87), somente deve ser aplicada à CSLL após a edição da MP 1.8586, de 30 de agosto de 1999, que expressamente estende a referida vedação à contribuição. No presente caso, os processos de incorporação e de cisão ocorreram, respectivamente, em abril de 1999 e em 1997, e não foram atingidos pela nova restrição ao aproveitamento dos créditos de base de calado negativa da CSLL que passou a viger em novembro de 1999." Recurso especial parcialmente conhecido, porém, nessa extensão, desprovido. (REsp 949.117/RS, Rei. Min. DENISE ARRUDA, DJe: 11/12/2009) desta forma, em que pese os argumento expostos pelo Ilustre Procurador da Fazenda Nacional, o r. acórdão recorrido não merece reparos, pois se coaduna com a jurisprudência da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça; requer a recorrida a esta colenda CSRF que se digne em manter integralmente o Acórdão nº 1202000.893, negando provimento ao recurso especial aqui combatido. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 525 13 Voto Vencido Voto Vencido em relação à apreciação de ofício Voto Vencedor quanto ao restante Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a contribuinte promoveu em 31/12/2001 a compensação de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Essa base negativa, no valor de R$ 14.029.664,00, adveio de outras empresas, que foram incorporadas no mês de abril/1999, o que motivou a glosa da compensação pela fiscalização. A glosa da compensação de base negativa resultou na reversão total do saldo negativo de CSLL que havia sido apurado pela contribuinte em 31/12/2001, restando ainda um débito de CSLL em aberto no ajuste anual, no valor de R$ 844.858,78, que está sendo exigido no lançamento que é objeto dos presentes autos. Além disso, a autuação fiscal constante do presente processo abrangeu também a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de CSLL referente ao mês de janeiro/2001. É que na apuração da estimativa de CSLL de janeiro/2001, a contribuinte realizou a mesma compensação de base negativa que ela fez depois no ajuste anual, deduzindo da base de cálculo mensal os R$ 14.029.664,00 correspondentes às bases de cálculo negativas de CSLL oriundas das empresas incorporadas em abril de 1999. A glosa dessa compensação feita no mês de janeiro/2001 resultou na falta de recolhimento da estimativa mensal do referido período, no valor de R$ 1.401.417,92, sobre o qual incidiu a multa isolada de 75%. O acórdão recorrido admitiu o procedimento de compensação em que se utilizou base de cálculo negativa de CSLL advinda de empresas sucedidas/incorporadas, e cancelou tanto a exigência de CSLL no ajuste, quanto a multa isolada sobre a estimativa de janeiro/2001. Na fase de recurso voluntário, a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF também julgou os processos nºs 19515.003484/200417 e 19515.003475/200507, que tratavam da mesma compensação de base negativa de CSLL, mas relativamente aos anoscalendário anteriores, 1999 e 2000, respectivamente. Esses dois processos também estão sendo julgados nesta mesma sessão da CSRF. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 526 14 Em seu recurso especial, a PGFN busca reverter o acórdão recorrido que consta dos presentes autos, defendendo o trabalho fiscal, no que toca à glosa da referida compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, que, no caso destes autos, repercute igualmente tanto na CSLL apurada no ajuste anual (em 31/12/2001), quanto na multa isolada sobre a CSLL/Estimativa de janeiro/2001. É que no anocalendário 2001, diferentemente do que ocorreu no ano calendário 2000, a diferença na estimativa mensal decorreu da glosa da mesma compensação de base negativa de CSLL (advinda de empresa sucedida/incorporada) que foi feita no ajuste anual. Já no anocalendário 2000, a diferença nas estimativas mensais decorreu de glosa de compensação das estimativas com "saldo negativo de CSLL" do ano anterior (1999), que mostrouse insuficiente para tanto. Quanto à glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, compartilho do mesmo entendimento manifestado no voto vencido contido no acórdão recorrido, da lavra da conselheira relatora Viviane Vidal Wagner, cujos fundamentos transcrevo: [...] Como relatado, tendo sido verificada a compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL, em 31/12/1999, no valor de R$18.286.248,45, pela sucessora Indústria de Bebidas Antarctica do NorteNordeste S/A, consideradas as base de cálculo negativa de períodos anteriores de pessoas jurídicas sucedidas por incorporação, efetuouse, em procedimento de ofício, a redução do saldo de CSLL a compensar ou a restituir, de R$6.165.610,06 para R$3.926.201,38. Considerandose que a sistemática de tributação adotada pela sucedida no ano calendário de 2000 foi o lucro real anual, por certo que o fato gerador da CSLL denominado "fato gerador complexivo", só se aperfeiçoou em 31 de dezembro do anocalendário de 1999. Na data da apuração da base de cálculo da CSLL vigia a Medida Provisória n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, dispondo: Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. De fato, como bem observou a DRJ, é indiferente ao deslinde do caso se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99, pois a legislação apenas explicitou a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 527 15 Embora o ato de incorporação tenha ocorrido em abril de 1999, logo, antes da edição da medida provisória em comento, a compensação ocorreu em dezembro de 1999, quando já vigente a norma proibitiva. Nesse caso, sequer se faz necessário adentrar na discussão a respeito da existência ou não, antes da norma proibitiva, de impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida. Adotase como razão de decidir a fundamentação contida no voto do ilustre conselheiro Antônio Bezerra Neto, proferido no acórdão unânime nº 1401 00262, de 09/07/2010, acompanhadas por esta relatora enquanto no exercício da presidência da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, consoante trecho abaixo transcrito: O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5ª Turma da DRJRecife, através do Acórdão nº 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Ano calendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/ 99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que a legislação apenas explicitou uma proibição apurada pela incorporada que já era ínsita ao ordenamento. É que a necessidade de vedação do art. 33 do Decreto lei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, como para a CSLL nunca foi Fl. 527DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 528 16 concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. O art. 44 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.º 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decreto lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ........................................ § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. ....” O parágrafo 5º acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda Fl. 528DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 529 17 que tal proibição só viesse a constar expressamente no art. 33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria, O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n.° 1.8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes. De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do fato gerador, tanto do IRPJ, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui Fl. 529DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 530 18 sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela recorrente em relação à direito adquirido e irretroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No caso dos autos, a situação é exatamente a mesma daquele processo. No momento da compensação, era plenamente vigente a norma proibitiva. Diante disso, a compensação não pode ser homologada e resta prejudicada a apreciação da juntada de documentos após o recurso. Neste ponto, portanto, votase por negar provimento ao recurso. Da Multa Isolada por falta de recolhimento de CSLL [...] Viviane Vidal Wagner Ainda em relação a essa segunda linha de argumentação que está acima transcrita, ou seja, de que a vedação legal se dá no momento da compensação e não da apuração da base negativa pela empresa sucedida (e nem no momento da incorporação desta), e de que no momento da compensação a norma proibitiva era plenamente vigente, transcrevo os fundamentos contidos no voto que orientou o Acórdão nº 180200.750, de 15/12/2010, proferido no processo nº 19515.003268/200463 pelo conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa: [...] A questão a ser examinada é se realmente a restrição introduzida pela MP nº 1.8586, de 30/06/99, proibindo a compensação, na sucessora, da base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 531 19 O texto legal apresenta o seguinte conteúdo: MP nº 1.8586, de 30 de junho de 1999 Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987 Art. 32. (...) Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Em relação ao caso concreto, não há dúvidas de que a incorporação ocorreu antes da vigência da referida MP, e que, portanto, a base negativa da sucedida passou a fazer parte do patrimônio da incorporadora antes também da vigência da norma restritiva. Isso não implica dizer, entretanto, que o prejuízo fiscal ou a base negativa acumulados no patrimônio de uma determinada empresa gere direito adquirido à compensação futura destes valores. Tanto é assim, que, ao analisar o estabelecimento da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento (RE 344.944 e 545.308). Ainda de acordo com o STF, no que toca à compensação de prejuízos de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do imposto de renda, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Nestes termos, a limitação introduzida pela Lei 8.981/1995, a chamada trava de 30%, mesmo alcançando prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores à sua vigência, foi considerada constitucional. Nos julgados acima referidos, o STF concluiu que a lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal, e que o abatimento de prejuízos, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Penso que todas essas considerações vêm no sentido de afirmar o princípio da independência entre os exercícios, com o qual me alio, posto que ainda não vi Doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 532 20 Retomando ao caso concreto, cabe observar que na data de ocorrência do fato gerador anual da CSLL 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586. Nesta data, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de sucedida. Conclusão diferente eu chegaria se a compensação tivesse ocorrido nos anos anteriores, mas para a compensação realizada em 31/12/1999 não vislumbro qualquer problema atinente à retroatividade, na mesma linha do entendimento firmado pelo STF, conforme acima mencionado. Quanto ao argumento de que a base negativa não era mais da sucedida, porque havia sido incorporada ao patrimônio da sucessora antes da referida MP, considero que a expressão prejuízo fiscal ou base negativa “da sucedida” deve ser compreendida como prejuízo fiscal ou base negativa “advindos da sucedida”, uma vez que no momento da compensação, em quaisquer hipóteses, o prejuízo fiscal ou a base negativa é sempre da incorporadora, e não mais da sucedida. Basta verificar que se a incorporação tivesse ocorrido p/ ex. em 2001 (portanto já na vigência da norma restritiva em questão), com compensações realizadas nos anos subseqüentes, a questão seria exatamente a mesma. Ou seja, no momento da compensação a base negativa não seria mais “da sucedida”, mas sim da incorporadora, e assim a incidência da norma em questão estaria completamente inviabilizada. O que deve ficar claro é que a norma introduzida pela MP 1.8586/1999 não buscou atingir o fenômeno das incorporações, do ponto de vista societário, no sentido de desconstituir/alterar qualquer evento já ocorrido, ou modificar a característica dos eventos dessa natureza a serem realizados no futuro. As incorporações continuaram sendo regulamentadas pela lei societária, e as incorporadoras continuaram sucedendo as incorporadas em todos os direitos e obrigações, havendo da mesma forma a extinção daquelas últimas. Nesse contexto, os prejuízos, como item patrimonial, também continuaram sendo transferidos à sucessora, e não é o fato de terem sido incorporados antes ou depois da MP que lhes daria ou não o condão de gerar algum direito adquirido. Mais uma vez, como já decidiu o STF, não há direito adquirido à compensação de prejuízos, e o mesmo pode ser dito em relação à base negativa de CSLL. O escopo da MP 1.8586/1999 foi apenas de, no campo tributário, restringir a possibilidade de compensação de base negativa, especificamente quanto esta foi adquirida por sucessão (nos casos lá mencionados), e quanto a isso não vejo qualquer razão para distinguir incorporações ocorridas antes ou depois da MP. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. José de Oliveira Ferraz Corrêa Em resumo, os fundamentos contidos nos votos acima transcritos levam às seguintes conclusões: Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 533 21 1 antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria; 2 mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. São esses os fundamentos que acolho neste voto, para fins de considerar correta a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas. Quanto à multa isolada por falta de recolhimento da estimativa mensal de CSLL referente ao mês de janeiro/2001, penso que não é o caso de simplesmente restabelecer a multa por decorrência direta do que restou decidido em relação à matéria anterior. O problema é que as matéria suscitadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, relativamente à multa isolada, embora tenham sido abordadas pelo voto vencido da conselheira relatora, não chegaram a ser examinadas pelo colegiado, porque o voto vencedor solucionou toda a controvérsia com o julgamento apenas da primeira matéria. É que ao se admitir a compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas (que, no caso dos presentes autos, influenciou diretamente tanto o ajuste anual, em 31/12/2001, quanto a estimativa de janeiro/2001), tornouse desnecessário qualquer exame/debate, pelo colegiado, sobre as questões específicas da multa isolada por falta da estimativa de janeiro/2001. A análise do voto vencedor sobre a multa isolada, que foi objeto de aprovação pelo colegiado, se resume ao seguinte aspecto: [...] Neste sentido, no que se refere ao item multa isolada, uma vez reconhecida a validade e legitimidade da compensação da CSSL e afastandose a glosa realizada pela autoridade fiscal, deixa de existir a recomposição por períodos do saldo da referida contribuição social, razão pela qual, a acusação de falta de recolhimento das estimativas mensais, com aplicação da multa isolada, resta igualmente atingida pela inexigibilidade real e jurídica, uma vez restabelecida a compensação como de direito. Mas há questões que foram argüidas em sede de recurso voluntário, relativamente à multa isolada, cujo exame ficou prejudicado naquela fase processual, em razão do que restou decidido para a primeira matéria do recurso. Com efeito, o voto vencedor (e o colegiado que o aprovou) não precisou empreender nenhum exame sobre a argumentação contida no voto vencido da conselheira relatora sob o tópico intitulado "Da Multa Isolada por falta de recolhimento de CSLL". Assim, uma vez restabelecida a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, deverá haver julgamento das questões específicas que abrangem a multa isolada por falta de estimativa mensal, fazendose necessário o retorno dos autos à Turma a quo, para essa finalidade. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 534 22 Desse modo, voto no sentido de: DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de considerar correta a glosa da compensação de base negativa advinda de empresas sucedidas/incorporadas, tanto em relação ao ajuste anual, quanto em relação à apuração da estimativa de janeiro/2001; e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto à exigência de multa isolada por falta da estimativa mensal de CSLL referente ao mês de janeiro/2001. Quanto a apreciar de ofício concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício, tema que surgiu durante as discussões do julgamento e que fiquei vencido sozinho, já que a turma optou por aplicar de ofício a Súmula CARF nº 105, o meu voto é no seguinte sentido: não deve ser feita essa apreciação em homenagem ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, bem como ao caput e § 1º do art. 1013 do Código de Processo Civil de 2015. Decreto nº 70.235/1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Lei nº 13.105/2015: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. E esse é o caso. O que o sujeito passivo trouxe na impugnação quanto à multa isolada foram alegações referentes à decadência e à retroatividade benigna, mas nada relativo à concomitância, tanto que sobre isso nada constou no acórdão da DRJ (fls. 169 a 181). Tampouco o Recurso Voluntário (fls. 221 a 250) trouxe essa tese de defesa, vide especialmente as fls. 242 a 250, que tratam da multa isolada, onde não se podem encontrar alegações sobre concomitância. É como voto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 535 23 Voto Vencedor Voto Vencedor em relação à apreciação de ofício Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado Rendo homenagens ao relator, pelo voto objetivo e preciso. Minha divergência é uma questão de ordem processual. A princípio, a orientação seria no sentido de promover o retorno dos presentes autos à turma a quo, para apreciação, de ofício, da concomitância de multa isolada por insuficiência de estimativa mensal e a multa de ofício. Há, por outro lado, aspecto que considero relevante sobre a matéria. Como se trata de autuação fiscal relativa a anocalendário anterior a 2007, a concomitância da multa de ofício com a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais já foi tratada na Súmula CARF nº 105, aplicável aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Questiono qual seria a efetividade de se retornar os autos, para que o turma a quo se pronuncie sobre matéria que já se encontra sumulada. Consumarseia um prolongamento injustificado do contencioso administrativo fiscal, com prejuízo evidente para as partes e para a sociedade. Reconheço que, num aspecto estritamente processual, o caminho seria o retorno dos autos para a câmara baixa, até porque se pode dizer que a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não teria sido objeto de divergência, requisito necessário para ser devolvida para este Colegiado1. Inclusive, em outras oportunidades no qual a matéria "concomitância entre multa de ofício e multa isolada sobre estimativas mensais" não havia sido apreciada, foi processado o retorno à turma a quo, mas, nesses casos, além da matéria sumulada, haviam outras matérias que deveriam ser julgadas, e que não eram objeto de súmula. Assim, como os 1 RICARF, Anexo II, Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.001521/200614 Acórdão n.º 9101002.587 CSRFT1 Fl. 536 24 autos retornariam, de qualquer maneira, para a câmara baixa, em razão das outras matérias, a aplicação da súmula de ofício não teria efeitos práticos. Por outro lado, diante da situação posta, no qual remanesce exclusivamente matéria sumulada, entendo que a interpretação da norma processual pode ser relativizada. Isso porque o valor tutelado pelo retorno dos autos para a turma a quo é a supressão de instância. E, no presente caso, sendo a matéria sumulada, o valor supressão de instância tornase superado. Isso porque o retorno dos autos para a instância anterior implicaria na obrigatória aplicação do entendimento sumular, e tal decisão não poderia ser objeto de recurso especial, conforme inciso III do §12 do art. 67 do Anexo II do RICARF. O retorno dos autos, nesse contexto, só provocaria um prolongamento desnecessário na tramitação dos autos, em colisão com os princípios da eficiência, celeridade e da economicidade. Por isso, entendo que não há óbice para que se possa, de ofício, aplicar a Súmula nº 105, e afastar a exigência relativa a multa isolada sobre insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721123/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 10925.722517/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Numero da decisão: 3201-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cléber Magalhães, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 25 17 /2 01 1- 46 Fl. 435DF CARF MF 2 Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 3o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10925.722517/201146 Acórdão n.º 3201002.625 S3C2T1 Fl. 94 3 de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da Fl. 437DF CARF MF 4 contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito de se defender desta decisão. Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a verdade material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10925.722517/201146 Acórdão n.º 3201002.625 S3C2T1 Fl. 95 5 O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...] Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratar se de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação Fl. 439DF CARF MF 6 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10925.722517/201146 Acórdão n.º 3201002.625 S3C2T1 Fl. 96 7 Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3 456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3 456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos Fl. 441DF CARF MF 8 tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/201218 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. Tendo retornado o processo à essa turma de julgamento para apreciação do recurso voluntário, a Recorrente alegou que não teria sido oportunizada a manifestação em relação à informação fiscal. Novamente baixado o processo em diligência, para que fosse dada ciência à Recorrente da informação fiscal, tendo essa se manifestado no sentido de que: É o relatório. Voto Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10925.722517/201146 Acórdão n.º 3201002.625 S3C2T1 Fl. 97 9 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, rechaçase o argumento de nulidade por cerceamento do direito de defesa, em razão do indeferimento do pedido de realização de perícia, pois, como bem pontuado na decisão recorrida, foram concedidas diversas oportunidade para que a Recorrente comprovasse seu direito creditório, sem que se valesse de uma sequer. Observese que não se trata de acatar o pedido de perícia formulado, pelo fato de que a perícia pressupõe a necessidade de conhecimentos técnicos específicos para a análise documental, porém, tratase o caso em tela de pura e simples ausência de prova das alegações. Destarte, conforme consta dos autos, a Recorrente foi intimada para a comprovação da procedência de seu crédito, com a concessão de duas prorrogações para apresentação dos documentos, sendo que da intimação fiscal para o despacho decisório, transcorreramse mais de 108 dias. Esses fatos já seriam suficientes para descaracterizar um eventual cerceamento do direito de defesa, não obstante, novamente, em sede de recurso voluntário, foi concedida uma nova oportunidade para a apresentação de documentos, de maneira que deve ser rejeitada preliminar. Adentrandose no mérito da questão, verificase que a diligência resultou improfícua para os fins para o qual foi concedida, isto é, remanesceu incomprovado o direito creditório, pois a despeito da juntada de diversos DVDs, nenhum deles veiculou as informações necessárias para estribar o pedido de ressarcimento em tela, conforme minudente relatório fiscal, o qual se transcreveu no presente voto. Observese que mesmo o laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, que ilustra o processo produtivo da Recorrente com riqueza de detalhes, é estéril em face da inexistência da comprovação dos créditos, impossibilitando uma eventual vinculação entre as informações. Em se tratando de pedido de ressarcimento, é certo, apenas a documentação contábil completa trazida pela Recorrente, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, seria hábil a fazer com que o princípio da verdade material laborasse a seu favor. Deve ser feita a observação de que com o advento no novo Código de Processo Civil, nos parágrafos do art.373, alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em seu art.333), o anterior código processual. Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório era objetivo. Contudo, os parágrafos do mencionado dispositivo, trazem hipótese em que a regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte Fl. 443DF CARF MF 10 tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão devidamente fundamentada. Nesse contexto, e, considerandose a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, por inexistir dispositivo específico aplicável ao processo administrativo, conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos à jurisdição administrativa. Contudo, o caso concreto apresentado, não dá brecha à inversão do ônus probatório. A Recorrente restringiuse, em seu recurso voluntário, a tecer ilações genéricas sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como do volume expressivo de suas operações, que a impediriam de comprovar tempestivamente o seu direito subjetivo. Contudo, a hipótese é de ausência de comprovação e o volume de sas operações deve ser diretamente proporcional à sua capacidade de manter estrutura administrativa suficiente para lhe amparar juridicamente, em face do deverpoder do Fisco verificar o fundamento do crédito. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, restituição ou ressarcimento, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao deverpoder da Administração, de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do princípio da verdade material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10925.722517/201146 Acórdão n.º 3201002.625 S3C2T1 Fl. 98 11 provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Finalmente, em relação à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, dos juros sobre multa, constitucionalidade da SELIC, como bem posto na decisão recorrida, é discussão que não é pertinente ao caso em tela, cujo objeto é a nãohomologação de pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000536/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
O artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido.
ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA.
É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão".
Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.
Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir:
Súmula CARF n° 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato.
REMUNERAÇÃO INDIRETA -
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre valores pagos aos seus empregados, relativos a salário-utilidade.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
INDENIZAÇÃO
As rubricas intituladas "Indenização" e "Indenização Especial", pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial
ABONO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS
E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Numero da decisão: 2301-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; c) em negar provimento ao recurso, na questão do salário maternidade, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; c) em não conhecer dos documentos apresentados na fase recursal, já em julgamento, sobre o salário maternidade, nos termos do voto da Relatora. Vencidos Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em conhecer dos documentos; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Andréa Brose Adolfo redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão". Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 36 /2 01 0- 97 Fl. 1649DF CARF MF 2 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF n° 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. REMUNERAÇÃO INDIRETA A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre valores pagos aos seus empregados, relativos a salárioutilidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas "Indenização" e "Indenização Especial", pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial ABONO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; c) em negar provimento ao recurso, na questão do salário maternidade, nos termos do Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 3 3 voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; c) em não conhecer dos documentos apresentados na fase recursal, já em julgamento, sobre o salário maternidade, nos termos do voto da Relatora. Vencidos Damião Cordeiro de Moraes e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em conhecer dos documentos; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 1651DF CARF MF 4 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 430, vol III), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas "Indenizações" e "Indenização Especial" (levantamentos I1, P e P1), "Abono Indenizatório" (lev H), "PLR" (lev T) e "Insuficiência de Saldo" (levantamentos C eC1). Integram ainda o AI as glosas de compensação de salário maternidade, sem a devida comprovação do direito ao benefício mediante apresentação da documentação pertinente (levantamentos G e G1), bem como as contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a pessoas físicas enquadradas como segurados empregados pela fiscalização (levantamentos E e E1). O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PLR em desacordo com a Lei 10.101/2000, pois inexistiram regras claras e objetivas, mecanismos de aferição, periodicidade e período de vigência, entre outros listados. A autoridade autuante explica que, em respeito ao art 106, inciso II, alina"c" do CTN, da confrontação da aplicação da legislação da época dos fatos geradores com as alterações sofridas através da MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, verificouse que a legislação vigente à época é mais benéfica à empresa nos meses de 05/2007 e 11/2007, tendo sido lavrado AI 68 e, para as demais competências, aplicouse a multa atual, mais benéfica, de 75%. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0533.966, da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 892, vol. V), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário, excluindo os levantamentos C, C1, por entender tratarse de parcelas isentas, e E e E1, ao argumento de que não restou caracterizado o vínculo empregatício entre a empresa e os seguranças que lhe prestaram serviços. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.128, vol. XVIII), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 4 5 Preliminarmente, requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal, para se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. No mérito, faz breve síntese da legislação que rege a matéria, frisando que nem todo valor pago ao trabalhador integra a base de cálculo do tributo, mas apenas as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, não se constituindo em remuneração valores pagos pela empresa que ostentem natureza indenizatória, ou verbas que apresentem um caráter assistencial. Sustenta que qualquer importância recebida pelo trabalhador que não encontre uma vinculação direta com o trabalho prestado não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entende que a NFLD é nula em razão da não comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores da contribuição, e que a decisão recorrida pretendeu justificar a ação ilegal em dispositivos não aplicáveis ao caso, que não justificam a inversão pretendida de ônus da prova. Assevera que a simples identificação de rubricas em folha de pagamento como "férias indenizadas" e "abono indenizatório" não justifica a imposição tributária , sendo o lançamento discutido temerário e desprovido de fundamento legal, e lista princípios jurídicos envolvidos na matéria procedimental administrativa. Aduz que a Auditora Fiscal buscou constituir o crédito pelo critério arbitrário da exclusão, presumindo simplesmente que como os valores não foram lançados sob a rubrica "Férias Indenizadas" então teriam natureza salarial, e insiste na assertiva de que caberia à autoridade autuante o exame da natureza dos lançamentos efetuados, sendo descabida a presunção de que todos os pagamentos efetuados aos empregados listados nas planilhas "Indenização" e "Indenização Especial" corresponderiam à remuneração.. Entende que caberia à fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, mediante demonstração clara e objetiva de que tais verbas se enquadram no conceito de salário de contribuição, caracterizada pela habitualidade do seu pagamento, destacando que não há qualquer indício de habitualidade na concessão dos valores pagos pela recorrente, sendo que os pagamentos em tela configuramse em verdadeiras gratificações/indenizações eventuais dos seus beneficiários. Conclui que, não havendo previsão contratual e/ou habitualidade no pagamento de determinado valor ou na concessão de determinada utilidade ao empregado, não restará configurada a natureza salarial dessa prestação, e transcreve o item "7", da alínea "d", do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, para tentar demonstrar a não incidência de contribuições sobre verbas recebidas a título de gratificações não eventuais. Reafirma o direito ao salário maternidade, assegurado pela CF, e o de a empresa compensar, com as contribuições previdenciárias, o saláriomaternidade por ela pago,questionando a decisão recorrida quando pretende inverter o ônus da prova, defendendo que cabe à fiscalização comprovar os fatos jurídicos tributários sobre os quais pretende exigir tributo. Insiste na ausência de caráter remuneratório da PLR, e reitera que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo Fl. 1653DF CARF MF 6 coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Alega natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Finaliza requerendo que sejam acolhidas as suas razões, para dar integral provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado integralmente o Auto de Infração que originou o presente processo. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração listados, a fim de se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. Porém, os autos cujos objetos tratam de matérias conexas foram apensados, e serão julgados conjuntamente. Contudo, os processos que tratam de matéria cuja análise independe da apreciação do mérito do presente recurso, podem ser julgados em separado, pois o resultado de um não interfere no outro. É o caso, por exemplo, dos lançamentos da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços, ou da contribuição incidente sobre fretes e serviços prestados por contribuintes individuais. Tais matérias não tem relação com os presentes autos, que tratam de contribuição incidente sobre verbas pagas pela empresa a segurados empregados, consideradas remuneratórias pela fiscalização. Portanto, apenas as matérias conexas serão analisadas em conjunto. Dessa forma, passo à análise do mérito, registrando o que se segue. Verificase que a recorrente não nega que tenha realizado os pagamentos apontados pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que as verbas pagas não possuem natureza salarial e não integram o salário de contribuição. Porém, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Fl. 1655DF CARF MF 8 Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Cumpre observar que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é "...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês..." (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, o seguinte: §11 . Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza "salárioutilidade" e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Na doutrina, há várias correntes; porém, a que tem maior aplicação determina que a regra geral é que, se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio ou for fornecida gratuitamente, então integrará o salário para todos os efeitos legais. A CF menciona "os ganhos habituais", ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, sejam eles em dinheiro ou utilidades. E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou o pagamento de verbas denominadas "Indenização" e "Indenização Especial". Apesar de intimada por meio de TIF, a recorrente não esclareceu a origem de tais pagamentos, se limitando a informar que tratamse de férias indenizadas. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 6 9 Ocorre que a autoridade lançadora verificou, e comprovou nos autos, que as férias indenizadas são pagas em título próprio, sob rubrica de mesmo nome, constante das folhas de pagamento. Ademais, a empresa não comprovou suas afirmações. Não apresentou, à fiscalização, elementos que demonstrassem que os pagamentos em comento se referiam a férias indenizadas. Assim, constatase que a empresa paga verbas intituladas "Indenização" e "Indenização Especial", não esclarece a que se refere tais pagamentos, e defende que cabe à fiscalização comprovar que tais verbas não seriam indenizatórias. Porém, entendo que cabe à recorrente, e não à fiscalização, comprovar suas alegações, ou seja, que as rubricas em tela são de cunho indenizatório. Contudo, não o fez, insistindo em afirmar apenas que não há habitualidade no pagamento, e que esses pagamentos se configuram em gratificações/indenizações. Todavia, conforme exposto acima, gratificação é remuneração, e deve integrar o salário de contribuição. Cumpre ressaltar que o conceito de indenização pressupõe a reparação de um dano sofrido pelo trabalhador. No caso em tela, a recorrente não comprovou a existência desse dano. Assim, resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de "Indenização" e "Indenização Especial" em favor dos seus segurados empregados não se trata de reparação de um dano, ou de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber tais quantias. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. A recorrente cita o art 28, § 9o, "e", "7", para tentar demonstrar que tais valores não podem integrar a base cálculo da contribuição previdenciária, por serem pagamentos eventuais. Contudo, constatase que a recorrente não comprovou que estamos diante de um pagamento eventual, já que não esclareceu a origem desses pagamentos. Ela precisaria demonstrar a que se referem essas rubricas, uma vez que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Fl. 1657DF CARF MF 10 Por todo o exposto, e como a recorrente não comprovou tratarse de ganho eventual, entendo que tais rubricas devam integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Com relação ao salário maternidade, a recorrente tenta demonstrar que tal benefício é assegurado pela CF, como também é garantido à empresa compensar, com as contribuições previdenciárias, o saláriomaternidade por ela pago. Entretanto, em nenhum momento a fiscalização ou o acórdão recorrido negou o direito ao benefício citado, ou o de a empresa compensar o salário maternidade pago à sua segurada empregada. 0 que a fiscalização deixou claro é que a autuada não apresentou toda a documentação prevista nos normativos legais que tratam da matéria, necessária à comprovação do direito. Portanto, a fiscalização agiu em observância aos ditames legais ao proceder à glosa total da dedução efetuada pela recorrente a título de salário maternidade, constante das folhas de pagamento, pois a recorrente não apresentou toda a documentação pertinente, solicitada por meio de TIF. Quanto ao PLR, a recorrente tenta demonstrar ausência de caráter remuneratório da referida verba, alegando que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Porém, a fiscalização verificou que o PLR da empresa não estabelece critérios a serem cumpridos, como também observou a ausência de regras claras e objetivas na fixação dos direitos da participação. De fato, da leitura do acordo coletivo (fls. 558), verificase que não há estabelecimento de critérios ou metas a serem cumpridas, sendo que os valores pagos a título de PLR foram previamente estabelecidos. A Lei 10.101/00 estabelece que: Art.2° (...) § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 1 índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente . (grifei) Dessa forma, a empresa descumpriu o disposto no parágrafo primeiro do citado dispositivo legal, ao deixar de fazer constar, no acordo pactuado, regras claras e Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 7 11 objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão recorrida não inovou quanto aos critérios estabelecidos na lei, pois o Relator do acórdão combatido deixou claro que o débito seria mantido pois a empresa não observou o § 1°, transcrito acima. Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea "j", do § 9°, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei n° 10.101/99, a referida verba, paga pela autuada em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. A recorrente alega, ainda, natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório n° 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2114 /2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária", Assim, como o pagamento em tela se enquadra no conceito de abono único, pois era pago apenas uma vez, e estava previsto em acordo coletivo, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada "Abono Indenizatório", por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi pago sem habitualidade. Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que deva ser dado provimento ao recurso, pelo fato de o Seguro de Vida em Grupo não integrar o salário de contribuição. A recorrente inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Contudo, tal questionamento não foi trazido perante a primeira instância administrativa, tendo sido feito somente em sede recursal. Fl. 1659DF CARF MF 12 O Decreto 70.235/72 é claro ao estabelecer que "Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" E a recorrente não comprovou a ocorrência das hipóteses contidas no § 4°, do art. 16, do mesmo normativo legal, que determina que: Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, considerando que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do referido Decreto, transcrito acima, entendo que não deva ser conhecida a parte do recurso que trata de tal matéria. Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão". Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF n° 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Com relação à multa, esta Relatora não desconhece que a maioria dos membros deste Colegiado retroagem a norma para aplicar a multa de mora mais benéfica, observando o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei n° 9.430/1996. Contudo, tal matéria não foi trazida no recurso voluntário e, por entender que não se trata de matéria de ordem pública, não há que conhecêla de ofício. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 8 13 VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no mérito, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO INDENIZATÓRIO. É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 1661DF CARF MF 14 Voto Vencedor Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, redator original para o voto vencedor, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Peço vênia a i. Conselheira Relatora, mas divirjo quanto ao não conhecimento da matéria suscitada pela Recorrente, qual seja, ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida. Em contraponto ao decidido pela i. Relatora, entendo que o artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dito isso, conheço da matéria suscitada. Quanto ao mérito da questão, acompanho o entendimento da i. Relatora: [...] Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão ". Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 13864.000536/201097 Acórdão n.º 2301003.743 S2C3T1 Fl. 9 15 Súmula CARF n° 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. É como voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Fl. 1663DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000506/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/05/2007
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 05 06 /2 00 7- 08Fl. 826DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 07/06558329, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10111.000506/200708 Acórdão n.º 3401003.510 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.297, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 828DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10111.000506/200708 Acórdão n.º 3401003.510 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 830DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001543/2002-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁÁRRIIOO
Exercício: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DECLARAÇÃO DE
INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ).
ERRO DE PREENCHIMENTO, Tratando-se de erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, revela-se totalmente precipitada a decisão da DR.F de origem de não homologar as compensações pleiteadas, sem, antes, intimar a contribuinte a esclarecer os dados daquela declaração..
Numero da decisão: 1803-000.557
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁÁRRIIOO Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ). ERRO DE PREENCHIMENTO, Tratando-se de erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, revela-se totalmente precipitada a decisão da DR.F de origem de não homologar as compensações pleiteadas, sem, antes, intimar a contribuinte a esclarecer os dados daquela declaração..
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:59:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:59:41Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:59:42Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:59:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7d2d7cf7-c04d-43ea-ab81-14e63d5e93e1; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:59:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:59:42Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:59:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:59:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:59:41Z; created: 2010-11-18T18:59:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-11-18T18:59:41Z; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:59:41Z | Conteúdo => Dr (ARI . ' ME H 1 Si-I E03 Fi 251 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13886001543/2002-48 Recurso n" 173,279 Voluntário Acórdão n" 1803-00.557 — 3" Turma Especial Sessão de 6 de agosto de 2010 Matéria IRP1 - DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente IRMÃOS PARAZZI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOÁRIO Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ). ERRO DE PREENCHIMENTO, Tratando-se de erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, revela-se totalmente precipitada a decisão da DR.F de origem de não homologar as compensações pleiteadas, sem, antes, intimar a contribuinte a esclarecer os dados daquela declaração.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes - Presidente Sérgio Rodrigues Mendes - Relator 30 SEI 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. 1:Ad y 1-E.PH.:..11:,-; ;,..1 AL.delltwack) ;.: r Dl CARI' H 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 202 e 203): Trata-se de Manifestação de hiconfirmidade interposta em face de Despacho Decisório em que firam apreciadas as Declarações de Compensação de fls. 01, 62, 74, 83, 92, 102 e 136 a 139, protocolizadas em 2.5/11/2002, 18/12/2002, 26/03/2003, 28/04/2003, 30/01/2003, 27/02/2003 e 29/05/2003, por intermédio das quais a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Saldos Negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRP.I) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, ambos do ano- calendário de 2001, nos valores de R$ 46.473,07 e R$ 38 .555,93, respc,,.ctivamente. Os processos administrativos de a' 13886 001668/2002-78, 13886..000351/2003-0.3, 13886.000476/2003-25, 13886 0001.20/200.3-91 e 13886 000236/2003-21 firam anexados ao presente, por conter declarações de compensação vinculadas ao crédito sob exame. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado efetuada pela DRF Limeira/SP no Despacho Decisório de fls. 140/141, por intermédio do qual a autoridade competente não reconheceu qualquer- direito creditó rio a título de saldo negativo de IRPI e de CSLL, ambos do ano-calendário de 2001, o que resultou na não-homologação das declarações de compensação vinculadas ao presente processo, sob o jimdamento de que, naquele ano- calendário, a contribuinte não apurou saldo negativo de 1RPJ (fl. 132), nem de CSLL (fls. 133/135). Cientificada do Despacho Decisório, em 14/11/2007 (/1 14.5), a contribuinte ingressou, em 27/11/2007, com a manifestação de inconformidad e de fls. 146/147, na qual alega, em síntese, que, após o recebimento da Intimação/AME/877/2007 (ll 144), .foi constatado que ocorreu um erro de preenchimento da ficha 12.4 da DIPI/2002. Assim, em 21/11/2007, a contribuinte apresentou DIP,I retilicadora, confirme recibo de 11 147. Após apresentação da manifestação de inconfbrmidade, em 17/12/2007, a Agência da Receita Federal do Brasil em Americana intimou a interessada para apresentação de cópia completa da D1PJ 2002 retificadora, apresentada em 21/11/2007, bem como explicações demonstrando as alterações efetuadas pela contribuinte Em atendimento, a requerente ingressou com a resposta e documentos de lls.149/196 A Agência da Receita Federal do Brasil em Americana proferiu o despacho de 197. Em 1.5/02/2008, adveio o despacho de fl 198, encaminhando os autos à DRJ em Ribeirão Preto/SP, para prosseguimento. V. 1 MrE•DE'S ENE l'ERREE Aule.:nfic:meriu ft; ErniWto 2 1.)1 . LAR 1 . N11 . 1. 1 3 Processo n" 13886.001543/2002-48 SI -1E03 Acórchlo n " 1803-00,557 F1 252 A decisão da instância a quo foi assim ementada (fis. 201 e 202): ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - ANO-CALENDÁRIO: 2001 SALDO NEGATIVO PROVA DO INDÉBITO O reconhecimento de direito creditório a titula de saldo negativo de IRRI reclama eletividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano-calendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido ASSUNTO.. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL ANO-CALENDÁRIO: 2001 SALDO NEGATIVO PROVA DO INDÉBITO O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que reler ido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro liquido devida nos per iodos posteriores àquele abrangido no pedido. ASSUNTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO-CALENDÁRIO.. 2001 APRESENTAÇÃO DE PROVAS Sob pena de preclusão temporal, o 1110111e1710 processual para o oferecimento da manifestação de incoidbrmidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modUicar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 21/10/2008 (AR. de fls, 207-verso), a tempo, em 03/11/2008, apresenta a interessada Recurso de fls.. 208, instruído com os documentos de .fls. 209 a 246, nele argumentando da seguinte forma: IRMÃOS PARAZZI LTDA, sociedade estabelecido na Avenida Sóbalo Ronsini, n° 497, Centro, em Santa Bárbara D'Oeste - SP, CNPJ ri' 56 724.115/0001-83, vem, por meio desta, apresentar Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, com o objetivo de comprovar o saldo negativo de IRPJ e CSLL eln. . 1.0, 3 eilte.-„aa,qno- ca I nflá Apnes da,entan .dos• uL EMWe -;:n) 33 Devido 2.245,41 1.347,25 1 : 1. A clarfs de CSLL, código de receita 2484, competência janeiro/2001 e fevereiro/2001, cópia do LALUR do mesmo ano e cópia do Livro Diário n° 25/2001, onde constam os lançamentos contábeis das respectivos valores que fazem parte do saldo negativo Apresentamos, ainda, cópia do livro n° 26/2002 e 27/2003, onde constam os referidos débitos compensados com este .saldo negativo de IRPI e CSLL. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do recurso., Constou do Despacho Decisório de fls, 140 e 141, lavrado em outubro de 2007, a seguinte fundamentação: O contribuinte pretende utilizar o saldo negativo de IRP,1 e de CAL, que teriam sido apurados no ano-calendário de 2001 para compensação. No entanto, naquele ano-calendário o contribuinte não apurou saldo negativo nem de 1RPJ (77. 132) nem ck CSLL (Jls, 133 a 13.5), mas IRRI e MJ, apagar Logo, não há crédito em favor do contribuinte Do superficial exame da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2002, de fls. 9 a 55, em especial dos demonstrativos de fls. 16 a 20 (IRPJ) e 21 a 25 (CRI), nota-se, claramente, a existência de erro de preenchimento no que se refere à apuração do IRPJ e da CUL. a pagar, como segue: Estima. 1RPJ Estirn. CSLL janeiro 3 921,07 3 364,49 fevereiro 3 791,75 3 158,08 março 4 041,88 3 428,81 abril 4 560,53 3 688,84 maio 277374 2719,17 junho 2 750,81 2 73),02 julho 3 505,27 3 196,86 agosto 3 807,65 3 377,29 setembro 3 317,10 2756,37 outubro 5091,95 4048,21 novembro 4 212,47 3 548,9.3 dezembro 4.698,85 3.884,11 Pago 46.473,07 39.903,18 rIrriCr:Arri rárrt y: r:rr-rr 2r"Crir..W-:.?0 I rro i :;E:S10 RoD•úrirr'. isr:rr!Oof.2010 por ';':::EI_Err,1E-: FE1,1':',1"r1v-Irr rr2; C.rir;»,ErS AP ' ;iiticr acio I i)r POKM1{;=,U;:=S Erni! idC1 4 1)1 C.A N.11 li 5 Processo o" 13886,001543/2002-48 Acórdiio o." 1803-00.557 SI-TE03 Fl 253 A restituir 44.227,66 38.555,93 Assim, a autoridade fiscal, verificando que a interessada, conquanto tivesse informado, na ficha própria, os pagamentos por estimativa, ao preencher os dados constantes da ficha destinada ao ajuste anual do imposto de renda e da CSLL, não levou em conta o imposto de renda e a contribuição recolhidos por estimativa, deveria tê-los considerado ou, ao menos, intimado a requerente a prestar informações, Tratando-se, pois, de erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, revela-se totalmente precipitada a decisão da DR.F . de origem, de não homologar as compensações pleiteadas, sem, antes, intimar a contribuinte a esclarecer os dados daquela declaração. Dever-se-ia, talvez, debitar esse procedimento reprovável da DRE à proximidade do final do prazo para a homologação tácita (art. 74, § 5', da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, É como voto. Sérgio Rodrigues Mendes ; H' rà;',.:0;i:L'i0 vir SELEI-.:L I1lI Ii IÍ I() [ror U.,(.)L11:.?.[(;;;U{S 5 Emw(} MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO —QUARTA CÂMARA Processo n° : 13886001543200248 Interessado : IRMÃOS PARAZZI LTDA. Acórdão n° : 1803-00557 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009. Brasília, .5 O 2,u,0 `1 (çx).)u-' -49:),_ • • aristeia e Sousa kodrigeitiir2 Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; com Recurso Especial; I: I com Embargos de Declaração.
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