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Numero do processo: 11330.000238/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/01/2005
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sumula 88 do CARF.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento parcial ao recurso, a 11 fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sumula 88 do CARF. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). 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Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase da NFLD nº 35.791.2594, a qual exige diferença de contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, apuradas mediante o cotejo dos valores declarados em GFIP e aqueles pagos em GPS. Devidamente intimada a Recorrente apresentou impugnação alegando, basicamente: (i) que os diretores relacionados não são corresponsáveis pelos débitos da empresa; ii) as supostas divergências não levaram em consideração pagamentos efetuados pela empresa. Diante da documentação anexada pela empresa na impugnação, foi determinada a realização de diligência, a qual, ao final, culminou com a revisão de diversas competências, conforme DADR de fls 551 a 563. A instância a quo julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo a decadência quinquenal do artigo 150, § 4º do CTN e, sendo que em relação às demais competências foram consideradas as retificações procedidas em diligência fiscal. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual sustenta que aos diretores não pode ser arrolados lista de corresponsáveis pelo débito, bem como que a diligência fiscal não se atentou para o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000238/200702 Acórdão n.º 2301003.608 S2C3T1 Fl. 1.205 3 O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Inclusão dos sócios como coresponsáveis pelo crédito tributário Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Aplicase ao caso, portanto, a Súmula CARF nº 88, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos apenas como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, não atribuindo a responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas. Acolho, portanto, essa alegação. Mérito No tocante ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Verificase dos autos que a diligência fiscal determinada não se ateve apenas aos documentos apresentados pela empresa em sede de impugnação, mas também buscou nos sistemas informatizados do Fisco eventuais pagamentos efetuados de modo verificar a correção dos valores exigidos. A conclusão da citada diligência é evidente nesse sentido: “Por todo o exposto e a fim de não haver nenhum tipo de cobrança indevida, na presente NFLD, houve por bem à fiscalização RETIFICAR, onde a empresa provou a inexistência de divergências, através da juntada dos documentos de fls. 150 a 443, bem como corretas as contribuições recolhidas em GPS equivalentes àquelas declaradas no relatório CNIS Resumo Mensal, quando divergentes do relatório CCORGFIP, além da retificação do valor liquido em GPS para o estabelecimento matriz (000111) competência 12/2000, tudo em conformidade com os anexos de fls. 452 a 520” Ademais, pelo que se apura dos autos, todos os pagamentos comprovados mediante a juntada das guias em sede de impugnação, bem como aqueles verificados em Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 sistema informatizado foram deduzidos do lançamento original, o que culminou com o DADR de fls. 551 a 563. Logo, nada a alterar na decisão a quo nesse sentido. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: i) em relação à lista de corresponsáveis esclarecer que não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos da Súmula CARF 88; e ii) aplicar a retroatividade do artigo 106 do CTN de modo que a multa deverá ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000238/200702 Acórdão n.º 2301003.608 S2C3T1 Fl. 1.206 5 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.012845/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores.
RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores. RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 84 1 83 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.012845/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.158 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ELSE FRIDA ESCHER DE BRITO GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores. RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 28 45 /2 00 9- 81 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 85 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 56/67) interposto em 11 de julho de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 39/46), do qual a Recorrente teve ciência em 13 de junho de 2012 (fls. 53/54), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 09/12, lavrada em 30 de novembro de 2009, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho, verificada no anocalendário de 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica previsto na Lei nº 10.559/2002. MULTA DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE. Tendo o contribuinte efetuado espontaneamente o recolhimento do imposto apurado, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possuem como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 39). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 56/67), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a parte remanescente do lançamento. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 86 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de discussão acerca do reconhecimento de isenção do IRPF sobre a pensão de 50% que a interessada percebe pelo óbito de seu esposo, exfuncionário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, o qual foi declarado anistiado político post mortem pela Resolução n° 008/03, de 14 de fevereiro de 2003, da Comissão Especial da Anistia, da Secretaria de Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás, instituída pela Lei n° 14.067, de 26 de dezembro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 5.563, de 8 de março de 2002, conforme Processo n° 140670253. Pois bem, a Lei nº 10.559, de 13/11/02, ao regulamentar o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabeleceu o Regime do Anistiado Político, garantindo diversos direitos, dentre estes o direito à reparação econômica de caráter indenizatório: “Art. 1o. O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: (...) II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o. e 5o. do art. 8o. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Melhor detalhando o referido inciso II do artigo 1º, temos o artigo 3º da referida lei, dispondo genericamente sobre a referida reparação econômica de caráter indenizatório, o artigo 4º tratando da reparação em prestação única e os artigos 5º ao 8º disciplinando a reparação em prestação mensal e continuada. É dentro desse capítulo da lei que se situa o artigo 9º, que prevê a não incidência da contribuição previdenciária e do imposto de renda sobre os valores pagos a título de reparação econômica de caráter indenizatório (prestação única ou mensal e continuada): “Art. 9o. Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda.” Assim, verificase que a isenção aplicase exclusivamente aos proventos e pensões excepcionais, recebidos em decorrência do reconhecimento da condição de anistiado político. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 87 4 Realmente, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a Lei n. 10.559/02 estabeleceu, em seu art. 19, o pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela legislação em referência: “Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Parágrafo único. Os recursos necessários ao pagamento das reparações econômicas de caráter indenizatório terão rubrica própria no Orçamento Geral da União e serão determinados pelo Ministério da Justiça, com destinação específica para civis (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) e militares (Ministério da Defesa).” E, nesse sentido, firmou o entendimento de que os anistiados políticos, civis ou militares, anteriores à Lei n.º 10.559/2002 têm direito ao benefício fiscal previsto no art. 9º, parágrafo único da referida lei, em relação ao pagamento de aposentadoria/pensão excepcional, cujo dispositivo fora regulamentado pelo Decreto nº 4.897/2003 (A título exemplificativo, entre outros: STJ, MS 15.461/DF, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010; STJ, MS 10.894/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 20/04/2010). No mesmo sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo, consoante se depreende dos seguintes julgados: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados no § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.531, j. em 14/04/2011) * * * “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 88 5 daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.600, j. em 13/05/2011) * * * “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004. PENSÃO MILITAR. ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, a isenção do IRPF dos anistiados políticos independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça.” (CARF 2a. Seção, 1a. Turma Especial, Acórdão 280101.344, j. em 07/02/2011) Corrobora com este entendimento o parecer da AGU assim ementado: “PARECER Nº AGU/PBB01/2008 PROCESSO: 00400.007148/200828 INTERESSADOS: ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Ministério da Defesa. ASSUNTO: Divergência de interpretação quanto ao alcance da isenção de imposto de renda concedida aos anistiados políticos, nos termos dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/2002, regulamentada pelo Decreto n.º 4.897/2003. Ementa: Inteligência dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/02, regulamentada pelo Decreto nº 4.897/03. Incidência das isenções do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos proventos e pensões excepcionais que vêm sendo pagos aos anistiados políticos da Lei nº 6.683/79 e da EC 26/85, a partir de 29/08/2002.” Todavia, na hipótese dos autos não se trata de discussão acerca da incidência tributária sobre a reparação econômica única ou em prestação mensal e continuada ou, ainda, de pensão de já anistiado político nos termos da Lei n.º 6.683/79 e da EC 26/85. Nos presentes autos pretende a Recorrente o reconhecimento de isenção tributária incidente sobre a aposentadoria por invalidez obtida por seu cônjuge, sem qualquer relação com a condição de anistiado, e que atualmente é recebida pela Recorrente em razão do falecimento daquele. Tal fato pode ser depreendido com nitidez do Parecer da Procuradoria Geral da Assembléia Legislativa de Goiás acostado aos autos do Processo 10120.010732/200941 (também julgado nesta data), no qual se afirma que: “No caso especifico ora analisado, o exservidor desta Casa, Haroldo de Brito Guimarães foi anistiado post mortem, e em razão disso foi atribuída à sua sucessora legal, ora Requerente, pela Resolução n° 008/03, uma pensão especial no valor de R$ 6.000,00, e sobre a qual não incide os descontos de imposto de renda e contribuição previdenciária, nos termos das Leis suso referidas. No entanto, recebe ainda, o valor de 50% da pensão referente aos proventos de seu falecido Marido, no valor de RS 7.765,83 (contracheque junto doc. 08), aposentado como servidor público, pois o mesmo era Procurador Jurídico da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás.(...) Seus proventos normais de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 89 6 aposentadoria são de origem estatutária e não se enquadram no conceito de reparação econômica de caráter indenizatório, mas sim de verba remuneratória, e está sujeita à incidência normal de imposto de renda e contribuição previdenciária.” (fl. 22) No mesmo sentido, o próprio recurso voluntário contém afirmação no sentido de que: “A pensão que percebe é por morte, desvinculada de qualquer caráter indenizatório ou reparação econômica, nos termos da lei antiga e da lei nova” (fl. 60/61). E, em relação à matéria específica, entendo que a Lei da Anistia apenas reconheceu a não tributação, pelo seu caráter indenizatório, dos valores recebidos em razão do reconhecimento da condição de anistiado, ou seja, dos valores recebidos a título de reparação econômica (seja em prestação única seja em prestação mensal e continuada) ou aos já anistiados políticos nos termos das outras Leis de Anistia. Aliás, a esse respeito, cabível até mesmo a discussão se se trataria de isenção concedida por parte do legislador ou se aplicável o fenômeno da não incidência pura e simples. Por outro lado, no tocante às aposentadorias regularmente concedidas e sem qualquer vinculação à condição de anistiado não vislumbro na referida Lei nº 10.559, de 13/11/02 (especialmente nos artigos 1º, II, e 3º a 9º) a previsão legal de que estas aposentadorias seriam, agora sim, isentas. E a despeito de a aposentadoria/pensão excepcional de anistiado se aproximar, no seu regime jurídico, aos benefícios previdenciários, eles não se confundem, pois possuem pressupostos diversos, quais sejam, a perseguição política no primeiro caso e o risco social no segundo. A Constituição da República é expressa ao exigir lei em sentido formal e material para conceder isenção de tributo instituído por lei, in verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” Portanto, entendo que a isenção (ou não incidência) que atinge a reparação econômica de natureza indenizatória percebida pelo anistiado político não pode ser estendida à aposentadoria regularmente concedida nos termos do regulamento geral de previdência, sem relação com a condição de anistiado, por ausência de previsão legal para tanto. Ademais, ainda que assim não fosse, percebese que a Lei n.º 10.559/2002 restringiu a isenção aos próprios anistiados que possuem o direito à reparação econômica de caráter indenizatório, ou seja, a isenção somente se aplica aos valores “pagos a anistiados políticos”, não se transferindo o benefício fiscal , portanto, aos seus dependentes "no caso de falecimento do anistiado político". Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 90 7 Realmente, apesar de existir o direito à transferência do direito à reparação econômica aos dependentes, verificase que o artigo 13 da Lei n.º 10.559/2002 não prevê a isenção dos valores recebidos por transferência: “Art. 13. No caso de falecimento do anistiado político, o direito à reparação econômica transferese aos seus dependentes, observados os critérios fixados nos regimes jurídicos dos servidores civis e militares da União.” No mesmo sentido, o Decreto n.º 4.897, de 25 de novembro de 2003, que veio regulamentar o parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, também menciona a isenção somente dos valores pagos “a anistiados políticos”, não mencionando os sucessores: “Art. 1º. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei n.º 10.559, de 13 de novembro de 2002. 1º. O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.” Portanto, a isenção fiscal é aplicável tão somente para os valores pagos diretamente ao anistiado político (tendo em vista possuírem nítido caráter indenizatório, em razão dos prejuízos causados à pessoa do anistiado), isenção esta que perde o sentido quando se transfere a reparação econômica aos dependentes. No tocante à alegação de suposto bis in idem em razão dos rendimentos já terem sido tributados na fonte, fato é que a Recorrente em sua declaração efetivamente utilizou o total de R$ 11.198,92, a título de Imposto de Renda na Fonte Antecipação, para reduzir a sua base tributável (fls. 13 e 18 dos autos). E, no cálculo do lançamento tributário, também foi respeitada a dedução integral do referido Imposto Retido na Fonte Antecipação no valor de R$ 11.198,92, não tendo sido, portanto, glosado qualquer valor a título de imposto pago, para o cálculo do imposto devido (fl. 12). Nesse sentido, não se verificou a alegada dupla imposição sobre os rendimentos percebidos pela Recorrente, relembrandose, outrossim, que já foi considerado, na primeira instância, o recolhimento do tributo realizado pela Recorrente. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012845/200981 Acórdão n.º 2101002.158 S2C1T1 Fl. 91 8 Por fim, alega a Recorrente que a Receita Federal não teria legitimidade para a cobrança do imposto de renda ora discutido, em razão do quanto disposto no artigo 157, I da Constituição. Vejase a redação do referido dispositivo: “Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;” Data venia, como cediço, o aludido dispositivo não tem o significado pretendido pela Recorrente, uma vez que a repartição das receitas tributárias não se confunde, em hipótese alguma, com o exercício da competência tributária, sendo essas duas formas distintas utilizadas pelo Constituinte para garantir a autonomia e o recebimento de recursos pelos entes da Federação. Nesse sentido, cumpre salientar que o referido dispositivo está na Seção “DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS” exatamente por tratar da necessidade de repartição posterior das receitas arrecadadas pela União com os Estados e o Distrito Federal. E, para que exista referida partilha de receitas, pressupõese, logicamente, que em momento anterior ocorra a arrecadação do imposto por parte desta. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10640.720401/2012-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009
MULTA. QUALIFICAÇÃO.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.330
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso voluntário da solidária Cintia Furtado Barreiros, face de sua intempestividade. Por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelos demais recorrentes, para dar provimento parcial ao recurso, para determinar a inaplicabilidade da qualificação da multa por sonegação, fraude ou conluio, mantendo o agravamento por não atendimento da fiscalização no percentual de 50% incidente sobre o patamar de 75%, resultando no percentual de 112,5%.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 MULTA. QUALIFICAÇÃO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso voluntário da solidária Cintia Furtado Barreiros, face de sua intempestividade. Por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelos demais recorrentes, para dar provimento parcial ao recurso, para determinar a inaplicabilidade da qualificação da multa por sonegação, fraude ou conluio, mantendo o agravamento por não atendimento da fiscalização no percentual de 50% incidente sobre o patamar de 75%, resultando no percentual de 112,5%. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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QUALIFICAÇÃO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 04 01 /2 01 2- 40 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso voluntário da solidária Cintia Furtado Barreiros, face de sua intempestividade. Por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários interpostos pelos demais recorrentes, para dar provimento parcial ao recurso, para determinar a inaplicabilidade da qualificação da multa por sonegação, fraude ou conluio, mantendo o agravamento por não atendimento da fiscalização no percentual de 50% incidente sobre o patamar de 75%, resultando no percentual de 112,5%. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de recursos voluntários, interpostos em face do Acórdão n. 09 41.865, fls. 658/671, que julgou improcedente a impugnação apresentada, para manter o crédito tributário constituído no DEBCAD 51.005.1553 – Patronal, fl. 17, no importe de R$ 1.558.654,82 (um milhão quinhentos e cinqüenta e oito mil seiscentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e dois centavos) e no DEBCAD 51.005.1561 – Terceiros, fl. 25, no valor de R$ 427.208,24 (quatrocentos e vinte e sete mil duzentos e oito reais e vinte e quatro centavos). A Autoridade Fiscal informa que os fatos geradores informados em GFIP nas competências de 01/2009 a 05/2009 foram substituídas pela empresa, por novas, com número reduzido de segurado (01 por competência), não expressando a totalidade de segurados empregados à disposição do sujeito passivo, da mesma para com os contribuintes individuais. Segundo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, a empresa informou nas GFIPs, ser optante pelo SIMPLES, quando, na verdade, não poderia ser considerada como enquadrada no regime simplificado, por exercer atividade vedada à opção, conforme o disposto no inciso XII do artigo 17 da LC n. 123/2006, qual seja, cessão ou locação de mãodeobra. Para tanto, foi lavrado o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO CAT/DRF/JFA N. 003, de 03 de fevereiro de 2012, excluindo a empresa do SIMPLES, com efeitos desde 01/07/2007, fl.286. Cumpre destacar que conforme informado pela DRJ, na fl. 667, não houve manifestação de inconformidade por parte do sujeito passivo, tendo sido efetuada a intimação por intermédio de edital afixado em 15/02/2012, no saguão da Delegacia da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora e desafixado em 02/04/2012. Além do lançamento dos valores não pagos a título de contribuições previdenciárias, parte patronal e terceiros, foi efetuada a glosa de SalárioFamília e Salário Maternidade, em razão de a empresa não ter apresentado provas. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 02/14: 4. DO FATO GERADOR: Analisada a documentação as Contribuições Previdenciárias aqui autuadas e devidas pela Empresa, tiveram como FATO GERADOR: 4.1. OBRIGACAO PRINCIPAL (NAO INFORMADO EM GFIP) A remuneração paga, devida ou creditada aos Segurados Empregados (categoria 1) informadas em GFIP nas competências de 01.2009 a 05.2009; tais declarações foram substituídas pela Empresa por novas, com numero reduzido de segurado (01 por competência) e que não expressam a totalidade de Segurados Empregados a disposição do sujeito passivo (vide, em anexo, contratos de prestação de serviços do período e o QUADRO III – RELACAO DE SEGURADOS GFIP 062009 – Fl. 822DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 onde podemos verificar a existência de Segurados Empregados com data de admissão anterior e no período do credito constituído). Nas GFIP's com validade perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, a Empresa informa que e OPTANTE PELO SIMPLES – vide QUADRO II – AFERICAO DE SALARIO DE CONTRIBUICAO; 4.1.2. GLOSA DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O pagamento e/ou credito de remunerações a Contribuinte Individual (categoria 11) informadas em GFIP nas competências de 01.2009 a 05.2009, tais declarações foram substituídas pela Empresa por novas, com numero reduzido de segurado (01 por competência) e que não expressam a totalidade de Segurados a disposição do sujeito passivo . Nas GFIP's com validade perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, a Empresa informa que e OPTANTE PELO SIMPLES – vide QUADRO II – AFERICAO DE SALARIO DE CONTRIBUICAO; 4.1.3. GLOSA DE SALARIOFAMILIA e SALARIO MATERNIDADE: Toda documentação solicitada através do TIPF e demais Termos não foi apresentada pela Empresa – inclusive toda aquela relativa ao SalárioFamília e Salário Maternidade, dando origem a glosa da referida dedução. A não apresentação da documentação solicitada deu origem ao Auto de Infração Debcad No 51.005.1529 – Processo 10640 720.366/201269 – Período: 06.2009 a 12.2010; NOTA: ATRAVES DO ATO DECLARATORIO EXECUTIVO SACAT/DRF/JFA No 003, DE 03 DE FEVEREIRO DE 2012 – PROCESSO COMPROT No 10640.720.149/201279 – A EMPRESA FOI EXCLUIDA DO SIMPLES NACIONAL A PARTIR DE 1 DE JULHO DE 2.007– vide documento em anexo. 5. INFORMACOES PARA APURACAO DO DEBITO: 5.1. E no Discriminativo do Debito – DD que informamos todas as características que compõem o levantamento, que e o conjunto de informações que serviram para apurar o debito de contribuição previdenciária devida pela Empresa. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de calculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, saláriomaternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado. Nas fls. 237/278, há Relatório Fiscal com data de 06/10/2011, decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal 071030020110646, da Delegacia da Receita Federal (DRF) em Nova Iguaçu que conclui que os verdadeiros donos da empresa são o Sr. Josemar da Silva e seu grupo. Afirma que foram firmados vários contratos por ele e que somam milhões de reais e, no entanto, apenas parcela desses valores são declarados. Foram arrolados como solidários, fls. 15/16, o Sr. Josemar da Silva, sócio de fato, e os sócios de direito: Leandro Pinto da Silva, Janet Maria Pinto da Silva, Simone Aparecida da Silva, Jeverson da Silva e Cíntia Furtado Barreiros. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 4 5 Além dos fatos acima, o AFRFB, aplicou multa por lançamento de ofício no patamar de 75%, tendo qualificadoa para 150% por ter ocorrido em tese sonegação de contribuição previdenciária e posteriormente para 225% por ter havido sonegação de informações em GFIP, art. 44, parágrafo 1º e 2º da Lei n. 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Em face da autuação fiscal, a empresa apresentou impugnação nas fls. 532/558 e o responsável solidário Josemar da Silva, também o fez, nas fls. 561/574. DA DECISÃO DA DRJ Em análise aos argumentos da então impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, julgou, na sessão de 04 de dezembro de 2012, o Acórdão n. 0941.865, fls. 658/671, pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito lançado, em decisão que restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2009 a 31/05/2009 TEMPESTIVIDADE. COMPETÊNCIA. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SOLIDARIEDADE. PROVA DOCUMENTAL. Não se conhece da impugnação de sujeito passivo solidário apresentada a destempo. A competência para instauração de ação fiscal é da unidade que circunscriciona o domicílio fiscal do sujeito passivo, mas os procedimentos de lançamento são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa. A exclusão do Simples Nacional, por vedação decorrente de objeto social, efetivada de acordo com as normas procedimentais próprias, não prejudica o lançamento dela decorrente. A sujeição passiva solidária decorre da determinação legal e deve ser assim aplicada, demonstrados os liames seus requisitos. A possibilidade da apresentação de prova documental extemporânea deve ser demonstrada oportunamente à sua juntada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignado, o contribuinte solidário Josemar da Silva, interpôs Recurso Voluntário, fls. 724/736, alegando, em síntese, a ilegitimidade passiva do suposto sócio de fato, a tempestividade da impugnação, inexistência de sociedade de fato. A sócia Cíntia Furtado Barreiros também recorreu, fls. 797/800, alegando que jamais participou ativamente da sociedade, que seu ingresso foi com 16 anos para poder trabalhar na empresa, tendo sido induzida em erro por alguém de nome Pablo. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 A empresa STAR SEGUR ENGENHARIA, intimada, conforme fls. 686, recorreu da decisão de primeira instância, conforme documento de fls. 695/721, alegando a nulidade da autuação por nulidade na notificação do processo relativo a sua exclusão do SIMPLES. É o relatório. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 801, e fl. 817, o Recurso Voluntário interposto por Josemar da Silva é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade, assim como o da empresa STAR SEGUR ENGENHARIA LTDAME. Portanto, deles tomo conhecimento. Quanto ao Recurso Voluntário apresentado por Cintia Furtado Barreiros, este é intempestivo. A recorrente teve ciência do Acórdão de impugnação em 13 de fevereiro de 2013, fl. 694, tendo protocolado o recurso apenas em 02 de abril de 2013, via postal, fl. 795, ultrapassando o prazo legal. Portanto, dele não tomo conhecimento. DA NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Quanto a suposta alegação de nulidade de notificação no processo de representação para exclusão do SIMPLES, esta há de ser afastada. Conforme já relatado acima, para exclusão da empresa do SIMPLES foi lavrado o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO CAT/DRF/JFA N. 003, de 03 de fevereiro de 2012, com efeitos desde 01/07/2007, fl. 213. Conforme informado pela DRJ, na fl. 1042, não houve manifestação de inconformidade por parte do sujeito passivo nos autos do processo 10640.720149/201279, tendo sido efetuada a intimação por intermédio de edital afixado em 15/02/2012, no saguão da Delegacia da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora e desafixado em 02/04/2012. O processo de representação fiscal para exclusão da empresa do SIMPLES, foi numerado sob o n. 10640.720149/201279. O processo encontrase sem movimentação, com as seguintes movimentações, conforme se percebe do sistema COMPROT: 27/4/2012 Movimentação 3 10412 SEC CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRFJFAMG SEC TECNOLOGIA DA INFORMACAODRFJFAMG 25/1/2012 Movimentação 2 10035 SEC FISCALIZACAODRF JUIZ DE FORAMG SEC CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRFJFAMG 24/1/2012 Primeira Distribuição 1 0 PROTOCOLODRFJUIZ FORAMG SEC FISCALIZACAODRFJUIZ DE FORAMG Diversas foram as tentativas da fiscalização para intimar a empresa acerca do Início do Procedimento Fiscal, para tanto, citase os seguintes documentos: a) TIAF, fls. 29/32, para o endereço informado pelo contribuinte, situado em Areal, onde não foi encontrada a empresa; b) O mesmo termo foi enviado para a “filial” em juiz de fora, fl. 33, recebido e sem resposta; c) Foram analisados os endereços do contribuinte a partir de suas alterações contratuais na JUCESP, conforme fls. 35/133; d) a fiscalização diligenciou perante a filial em juiz de fora e viu que ali era realizada a atividade da empresa, em Juiz de Fora, intimando a Fl. 826DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 empresa através do Termo de Intimação I, fl. 134, sem resposta; e) A fiscalização reintimou o contribuinte através do Termo de Intimação II de fl. 137, também sem resposta; f) A DRF lavrou edital de intimação da empresa, afixandoo em 16/08/2011 e desafixandoo em 31/08/2011, permanecendose a mesma situação; g) por fim, a DRF lavrou o Termo de Intimação III, fl 142, para intimação do contribuinte para apresentação de documentos assim como para ser cientificado de sua exclusão do SIMPLES e ante a ineficácia da intimação pessoal, a realizou via edital, constante na fl. 144. O Decreto n. 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que a intimação do contribuinte se dê por edital apenas na hipótese em que resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I e II do art. 23, in verbis Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Diversas foram as tentativas dos Auditores Fiscais de localizar a empresa para intimação acerca do Início do Procedimento Fiscal, bem como suas repercussões, no entanto, todas as tentativas foram frustradas. Cabe ao contribuinte manter atualizado os seus dados perante os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não apenas alegar têlo feito em junta comercial. Nesse sentido, segue abaixo trecho de julgado deste conselho que bem externa o entendimento, in verbis: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 6 9 Não há o que se falar em nulidade da intimação, quando ficou demonstrado nos autos que a intimação do contribuinte se deu por edital em razão da impossibilidade de citálo pessoalmente ou por via postal. (...)(CARF. Processo 11030.001060/200360, Data da Sessão 16/08/2007, Relator(a): Nanci Gama; Nº Acórdão 30334656) Ante o exposto, não há que se falar em qualquer nulidade. DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO O Sr. Josemar da Silva também discorre também acerca da tempestividade da impugnação apresentada. Quanto à tempestividade, entendo que não merece correição o acórdão da Delegacia Regional de Julgamento, uma vez que, conforme documento apontado pelo relator, o recorrente foi cientificado do lançamento em 5/5/2012, por via postal, no endereço por ele indicado, qual seja, Galeria dos Previdenciários, n. 18, Sala 304, Centro, CEP 36013190, Juiz de Fora – MG, apresentando impugnação apenas em 8/6/2012, portanto, intempestiva. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO DE FATO O recorrente Josemar da Silva, afirma que é parte ilegítima a figurar no pólo passivo da presente demanda, uma vez que ele não é sócio de fato da empresa, conforme quer a autoridade fiscal, que assim o enquadrou, na forma do art. 124, I e do art. 135, II e III. Afirma que jamais teve qualquer vínculo com a empresa investigada, que é na verdade apenas um prestador de serviços jurídicos à empresa, bem como que determinada Delegacia de Polícia Federal realizou em 17/11/2011 a operação Trucatto, culminando em medida cautelar de busca e apreensão de documentos, efetuada tanto na residência, quanto no escritório do requerido e também no imóvel locado onde a STAR SEGUR prestava serviços de teleatendimento à própria Receita Federal. Tal fato traria o impedimento no exercício do direito de defesa. Todos os fundamentos para caracterizar o Sr. Josemar da Silva como sócio de fato da empresa estão relacionados no Relatório Fiscal constante nas fls. 237/278, para tanto, arrolase abaixo alguns trechos do documento fiscal que fundamentam sua conclusão: O referido JOSEMAR já foi diversas vezes fiscalizado por esta casa (tanto na parte fazendária, quanto na parte previdenciária; mesmo quando elas ainda não caminhavam juntas, antes de ocorrer a fusão dos fiscos). Conforme vários relatórios e outros documentos anexos, vêse que o referido cidadão é mestre em abrir empresas de fachada, sempre representadas por interpostas pessoas conhecidas como “laranjas”. Um de seus ardis é a constante mudança de domicílio fiscal (das empresas, dos “laranjas” e dele mesmo), para dificultar a ação dos fiscos e outros órgãos, que constantemente estão em seu encalço; como Receita Federal; Em uma fiscalização empreendida nesta delegacia, foi efetuado um RELATÓRIO FISCAL, lavrado em 03/06/2008, assinado pelos AuditoresFiscais Alvano Carvalho Lemos, Rodolfo MeijasCortez Politano e Eduardo Batista de Oliveira. As autoridade produziram um longo relato sobre o Sr. Josemar e suas empresas Fl. 828DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 encabeçadas por “laranjas”, dentre elas, a Star Segur, que ora fiscalizamos. Reproduzimos, litteris, o que foi abordado sobre a empresa em tela; Outra prova de que o Sr. JOSEMAR DA SILVA é a pessoa por trás de várias empresas é um julgamento da 2ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, processo 01421 200903603008, no qual a empresa fiscalizada foi ré. O Juiz do Trabalho Vander Zambeli Vale exarou sentença em 03/11/2010, condenando a empresa. Reproduzimos parcialmente, a seguir, a recomendação do magistrado ao final do documentos: (...). A partir das alterações contratuais a auditoria analisou as entradas e saídas das pessoas dos quadros societários e todos estão ligados ao Sr. Josemar da Silva, conforme os seguintes trechos: Contrato Social Célia Aparecida Scheffer: Nossos Comentários: sócia Célia Aparecida – Ela é apontada no relatório mencionado no item 4.1. como sendo interposta pessoa (laranja) em outras empresas ligadas a JOSEMAR DA SILVA. Esteve registrada na Star Segur como funcionária entre 03/03/2009 a 17/12/2009. 1ª Alteração Contratual – Mudança de endereço para o mesmo de outras empresas ligadas a JOSEMAR DA SILVA; 2ª Alteração Contratual – Saída da Sócia Simone e entrada do Sr. Gilber da Silva, majoritário e com poderes para gerência. O Sr. Gilber é irmão do Sr. Josemar. 3ª Alteração Contratual – Entrada da Sra. Maria Alaídes de Oliveira Pereira, mãe do Sr. Josemar e do Sr. Gilber da Silva; 4ª Alteração Contratual – Saída do Sr. Gilber e da Sra. Maria Alaídes e entrada do Sr. Leandro Ferreira Rodrigues, ambos sem capacidade econômico financeira para integralizar o capital escriturado; 5ª Alteração Contratual – Houve apenas alteração do objeto, generalizando os serviços; 6ª Alteração Contratual – Saída do Sócio Leandro e ingresso do Sócio Gilson Estefani que não possui capacidade econômica financeira para tanto, bem como por ter seu CPF ligado ao Partido da Mobilização Nacional – PMN, o mesmo do Sr. Josemar da Silva, bem como por ser interposta pessoa em outras empresas ligadas ao Sr. Josemar da Silva; 7ª Alteração Contratual – saída do Sr. Gilson e entrada do Sr. José Cláudio Rodrigues, que é procurador do Sr. Josemar da Silva perante a RFB e candidato a viceprefeito do município de Juiz de Foram na chapa do Sr. Josemar da Silva, além de ser sócio da empresa Viena indústria e Comércio Expot e Import de Grãos e Cereais Ltda; além disse ele, bem como o Sr. Josemar, ambos advogados, atuaram juntos numa representação formulada junto ao TCU para favorecer a Star Segur contra o Ibama; 8ª Alteração Contratual – mudança de um sócio, do capital e da gerência que passou a ser gerida pela nova sócia Cíntia Furtado Barreiros, que à época era menor de idade, o que caracterizaria o crime de corrupção de menores; 9ª Alteração Contratual – Saída da senhora Célia Aparecida e entrada da Sra. Janete Maria Pinto da Silva que é exesposa do Sr. Josemar da Silva e está fortemente ligada aos negócios do exmarido; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 7 11 10ª Alteração Contratual – a empresa muda de sede para São Paulo/SP, no entanto, apenas ficticiamente, uma vez que no endereço informado não funciona nem funcionou a empresa, endereço este que seria usado sistematicamente pelo Sr. Josemar da Silva para que suas empresas fujam do Fisco em Juiz de Fora, o que se reforça pelo fato de os contratos celebrados pela empresa manterem o endereço de Juiz de Fora; 11ª Alteração Contratual – A empresa retorna a Juiz de Fora e o Sr. Leandro Pinto da Silva volta aos quadros como sócio gerente, que é filho do Sr. Josemar e que à época era menor de idade; 12ª Alteração Contratual – passa a integrar o quadro societário o Sr. Jeverson da Silva, irmão do Sr. Josemar da Silva, o qual não possui rendimentos nem patrimônio compatíveis com o aporte de capital; 13ª Alteração Contratual – Sem mudanças significativas; entrada de novo sócio majoritário que não declarou o fato à fiscalização; 14ª Alteração Contratual – Saída de dois sócios, permanecendo apenas Leandro Pinto da Silva e Simone Aparecida Coimbra; o capital foi aumentado em mais de seis milhões de reais e houve mudança fictícia da sede Além das alterações contratuais, a fiscalização percebeu que todos os documentos eram autenticados e registrados no mesmo cartório, em um município não pertencente à juiz de fora, mas sim, no município de Belmiro Braga. Em fiscalização anterior foram encontradas procurações em que as interpostas pessoas conferiam poderes especiais, inclusive representação das pessoas jurídicas junto às instituições financeiras às pessoas mais próximas do Sr. Josemar, inclusive, a ele, o que leva a conclusão de que o Sr. JOSEMAR DA SILVA e seus companheiros eram os donos dos empreendimentos. Também verificaram que o proprietário do Imóvel em que funciona a Star Segur, está registrado em nome do Sr. Josemar da Silva, desde o ano de 1986, o qual o recorrente afirma ter sido seu escritório profissional a longa data e, atualmente, sido alugado à empresa. Por todas as razões acima arroladas, concluise pela presença dos requisitos do art. 124, I e art. 135 do Código Tributário Nacional. DA MULTA APLICADA O fiscal aplicou a multa de 75% conforme o disposto no art. 35A da Lei 8.212/91, em virtude da alteração advinda da Lei 11.941/09, em razão de o período fiscalizado ser posterior à sua entrada em vigor. No entanto, não aplicoua apenas de forma simples, agravandoa e qualificandoa, elevandoa ao patamar de 225%. O fiscal bem relata os motivos que o levaram a exasperar a multa , conforme o Relatório Fiscal, fls. 02/14, in verbis: 9.8.1 Multa Aplicada – Competências 01.2009 a 13/2010 9.8.1.1. Multa aplicada de 75% A partir da competência 12/2008, pelas infrações de não recolher e de não declarar ou declarar com omissões/incorreções, a multa de ofício do Auto de Fl. 830DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Infração de Obrigação Principal é de 75% sobre o valor das contribuições devidas e não declaradas nem recolhidas. 9.8.1.2. A multa de ofício pode ser, ainda, agravada e qualificada com base no parágrafo 1º e 2º do art. 44 da Lei n. 9.430/96; 9.8.1.3. A Multa é agravada se o Sujeito Passivo deixar de atender intimação para prestar esclarecimentos, sem prejuízo, da emissão de Auto de Infração pelo descumprimento das obrigações acessórias. A Empresa – conforme vimos – deixou de apresentar todos os documentos solicitados nos TIPF e demais Termos – vide item 4.1.2; 9.8.1.4. Portanto, nas competências 01.2009 a 13.2010 a MULTA FOI AGRAVADA EM 50%; 9.8.1.5. Além da AGRAVADA a MULTA DE OFÍCIO foi, também, QUALIFICADA – de 75% para 150%, por ter ocorrido – em tese – SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, pelas seguintes razões: 9.8.1.5.1. A empresa, conforme, podemos constatar através da leitura do Relatório Fiscal que da suporte ao pedido de Exclusão de Ofício do Simples Nacional e do Relatório Fiscal para Troca de Domicílio Tributário – ambos em anexo, constituise por interpostas pessoas e quando do seu ingresso no Regime do Simples Nacional, esbarrava em vedação prevista no artigo 12 da Resolução CGSN n. 004, de 2007. Ocorre que o objetivo de fazerse valer da opção pelo SIMPLES NACIONAL, mesmo sendo expressamente, vedada por Lei, era de “suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária”. Naqueles Relatórios Fiscais há uma longa descrição das artimanhas adotadas pela Empresa com o fim primeiro de escapar da Ação Fiscal. Existia, assim, uma ação deliberada de, ao declarar em GFIP sua opção pelo SIMPLES NACIONAL, reduzir a Contribuição Previdenciária Patronal, adotando tal prática como conduta reiterada para obtenção de êxito. Essa conduta está prevista no art. 337A, III, do Código Penal: Constitui crime o fato de: “Suprimir ou reduzir contribuição previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: ... III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias 9.8.1.5.2. Nas competências de 01.2009 a 05.2009 – constou na GFIP do Sujeito Passivo tão somente as remunerações dos segurados empregados Kelly Aparecida Rodrigues – NIT: 13096882346 (de 01 a 04.2009) e Letícia Fernandes Reis Fonseca – NIT: 13486299343 (em 05.2009). Todos os segurados relacionados no QUADRO II – AFERIÇÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO – em anexo – e que serviu como base para a constituição do crédito tributário que deu origem ao Fl. 831DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 8 13 processo COMPROT n. 10640720.401/201240, foram omitidos na declaração prestada à Previdência Social (GFIP). 9.8.1.6 – A Multa foi, portanto, AGRAVADA e QUALIFICADA: 225% (art. 44, parágrafo 1º e 2º, da Lei n. 9.430/1996) Quanto ao agravamento em 50% em razão do não atendimento das intimações para prestação de esclarecimentos, conforme o art. 44, parágrafo 1º e 2º da Lei 9.430/96, entendo que foi aplicado de maneira correta, conforme todas as intimações da empresa para prestação dos esclarecimentos necessários, as quais não foram atendidas, acima já expostas. No entanto, não vislumbro a qualificação por sonegação de contribuição previdenciária. Para apuração do débito, a fiscalização examinou os atos de constituição e suas alterações, GFIPs e GPS, não houve sequer aferição indireta no presente caso. Para tanto, necessário se faz trazer à colação os textos normativos que embasaram a majoração da alíquota da punição: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Abaixo seguem os artigos da Lei 4.502/64: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 832DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A partir da análise do caso concreto, e dos fundamentos expedidos pelo fiscal, entendo que não lhe assiste razão. O erro ocorrido não é suficiente a dar causa à qualificação da multa com fundamento nos artigos 71 e seguintes da Lei 4.502/64, pelo só fato de a empresa ter informado que estava amparada pelo SIMPLES, quando na verdade sua atividade era vedada por se tratar de cessão de mão de obra. Os fatos descritos mostram que o contribuinte agiu de forma transparente quanto a sua contabilidade e suas obrigações acessórias. A empresa foi constituída de fato e de direito, a contabilidade estava à disposição da fiscalização, os fatos geradores foram informados, a GFIP foi devidamente preenchida. O fato de o estarse diante de um sócio de fato que realizou diversas mudanças de para beneficiarse não está abarcado pelos dispositivos legais acima. A Star Segur contratou com a administração pública, inclusive a RFB, exerceu o serviço e não se utilizou de outras empresas para impossibilitar sua responsabilidade ou mesmo, sequer, esvaziou seus cofres para eventual execução, ante as informações prestadas pela autoridade autuante. Nesse sentido vejase o que leciona a doutrina: Não podemos ignorar, também, que existem situações impeditivas da qualificação da conduta fraudulenta do contribuinte. Ou seja, ainda que haja provas da fraude, existem contraprovas suficientes a descaracterizála. Vislumbramos esta situação quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. (DIAS, Karem Jureidini. A prova da Fraude. A prova no processo tributário. NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). São Paulo: Dialética, 2010, p. 331.) Nesse mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de Fl. 833DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10640.720401/201240 Acórdão n.º 2403002.330 S2C4T3 Fl. 9 15 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (...) (CARF. Primeira Seção. Processo 16561.000222/200872. Sessão de 21/10/2011. Relator(a) Antonio José Praga de Souza, Acórdão 1402000.802) **************************************************** (...) SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.Primeiro Conselho de Contribuinte, Processo 11080.009150/200494, Sessão de 23/04/2008, Relatora Heloísa Guarita Souza, Acórdão 10423129) Abaixo segue caso bastante similar ao tratado nos autos, tendo o primeiro conselho de contribuintes entendido que não havia razão em manter a majoração da multa, in verbis. (...) MULTA DE OFÍCO QUAIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa, da qual o contribuinte era sócio, e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal, pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo 10680.013122/200610. Sessão de 05/03/2008. Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa. Acórdão 10423042) Portanto, não subsistem motivos para a qualificação da multa. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 CONCLUSÃO Do exposto, não conheço do recurso voluntário da solidária Cintia Furtado Barreiros, face sua intempestividade. Conheço do recurso voluntário interposto pelos demais recorrentes, para dar parcial provimento ao recurso, a fim de determinar a inaplicabilidade da qualificação da multa por sonegação, fraude ou conluio. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10166.908063/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3302-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 63 /2 00 9- 13 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS e Cofins em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisório a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp no 310.56053.180706.1.3.046119, transmitida eletronicamente em 18/07/2006, com base em suposto crédito de Pis oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Pis a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Após analisar as razões de impugnação, a 4ª Turma da Delegacia da Receita de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão no 0347.839 o qual seguiu assim ementado: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908063/200913 Acórdão n.º 3302002.387 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. Conforme aviso de recebimento – AR – de fls. 25, a Impugnante foi intimada do acórdão de primeira instância administrativa em 28/05/2012 e apresentou recurso voluntário em 28/06/2012, por meio do qual reiterou suas razões de impugnações. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso não atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual não o conheço. Conforme se verifica da análise das datas apresentadas no relatório supracitado (intimação da decisão da DRJ em 28/05/12 e a apresentação do RV 28/06/12), o recurso voluntário apresentado é intempestivo e, portanto não pode ser conhecido. O contribuinte tomou ciência do Acórdão no 0347.839 (fls. 19/22), da DRJ de Brasília por meio de Aviso de Recebimento anexado às fls. 25, no qual consta como data de recebimento 28 de maio de 2012, data esta confirmada pelos correios através do carimbo de entrega. Contudo, compulsando os autos administrativos, verificase que o recurso foi protocolizado em 28/06/2012, conforme se verifica à fls. 27. De efeito, o art. 33 do Decreto no 70.235/72 dispõe , verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do mesmo diploma legal, verbis: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, tendo em vista que o dia 28/05/2012, foi uma segundafeira, a contagem do prazo teve seu início no dia 29/05/2012, primeiro dia subseqüente de expediente normal, terçafeira, expirando em 30 dias, no dia 27/06/2012, uma quartafeira, dia útil. O recurso apenas foi apresentado dia 28/06/12, quintafeira. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: "Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)” MS 24.274 AgR Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tornou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto no 70.235/72, verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908063/200913 Acórdão n.º 3302002.387 S3C3T2 Fl. 12 5 Tendo em vista a intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual NÃO O CONHEÇO, deixando, portanto, de analisar o mérito. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10950.903001/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 30 01 /2 01 1- 93 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903001/201193 Acórdão n.º 3803005.127 S3TE03 Fl. 98 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/12/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903001/201193 Acórdão n.º 3803005.127 S3TE03 Fl. 99 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903001/201193 Acórdão n.º 3803005.127 S3TE03 Fl. 100 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903001/201193 Acórdão n.º 3803005.127 S3TE03 Fl. 101 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10660.900590/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega de declaração de compensação, o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, a partir da edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003.
Recurso Voluntário desprovido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 1402-001.500
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega de declaração de compensação, o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, a partir da edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003. Recurso Voluntário desprovido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega de declaração de compensação, o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, a partir da edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003. Recurso Voluntário desprovido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 05 90 /2 00 8- 18 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10660.900590/200818 Acórdão n.º 1402001.500 S1C4T2 Fl. 3 2 Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de PER/DCOMP 17361.37058.090804.1.7.020600 (fl. 63/71) não homologado pela DRFVarginha/MG, que pretendia compensar crédito de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2000, com débitos (i) de IRPJ, períodos de apuração agosto/2003 (principal R$ 40.561,84), outubro/2003 (R$ 22.570,00), novembro/2003 (R$ 337.205,03) e dezembro/2003 (R$ 714.906,48); e (ii) de CSLL, períodos de apuração fevereiro/2003 (R$ 9.637,87) e dezembro/2003 (R$100.000,00). A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01/25), na qual alega, preliminarmente, erro de direito na fundamentação e ofensa aos princípios da legalidade e da motivação dos atos administrativos. No mérito, sustenta que os débitos do PER/DCOMP em discussão (17361.37058.090804.1.7.020600), já foram objeto de compensação da seguinte forma: (i) débitos de IRPJ: através das compensações declaradas no PER/DCOMP 33409.85318.240505.1.3.029280 e nos processos administrativos 13807.003659/200505 e 13807.003663/200565; (ii) débitos de CSLL: já foram objeto de compensação no PER/DCOMP 37504.78567.240505.1.3.038392, 20477.69125.24050.51303.1088 e nos processos administrativos nº. 13807003661/200576 (crédito de saldo negativo de 1999 objeto de PAEX); razão pela qual a presente declaração de compensação deve ser cancelada. A 2ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado (fls. 78/80), uma vez que os débitos declarados na declaração de compensação em análise não teriam sido extintos por compensação em outras declarações e/ou processos. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fl. 84 e seguintes) alegando, em resumo, que o débito de IRPJ no valor de R$ 2.879.176,97, apurado em 31/12/2003, declarado na DIPJ 2004, p.11, ficha 12A, teria sido extinto da seguinte forma: 1) O valor de R$ 1.244.842,84 fora extinto através do PER/DCOMP 33409.85318.240505.1.3.029280. O crédito aproveitado no referido PER/DCOMP seria decorrente de Saldo Negativo de IRPJ que, com as devidas correções, teria chegado ao valor de R$ 1.747.883,83. Acrescenta, que a DRJ/JFA não contesta tal crédito e que o mesmo estaria devidamente declarado na DIPJ 2003 (anocalendário 2002), p.11, no valor de R$ 1.223.874,59, ficha 12 A, item 18. 2) Em relação aos débitos de IRPJ no valor de R$ 1.563.531,60 alega que este teria sido compensado no processo administrativo 13807.003659/200505, ainda pendente de julgamento. 3) Em relação aos débitos de IRPJ no valor de R$ 70.802,53, alega que este teria sido compensado no processo administrativo 13807.003663/200565, ainda pendente de julgamento. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10660.900590/200818 Acórdão n.º 1402001.500 S1C4T2 Fl. 4 3 A contribuinte anexa os seguintes documentos para comprovar suas alegações: 1) DIPJ 2003 Retificadora (fls. 87/149), na qual é apurado o saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.223.874,59 e base negativa de CSLL no valor de R$ 611.031,52; 2) DIPJ 2004 (fls. 150/227), na qual foi informado como devido o total de R$ 2.879.176,97 a título de IRPJ pago por estimativa e de R$ 1.065.763,61 a título de CSLL paga por estimativa; 3) Cópia do PER/DCOMP 33409.85318.240505.1.3.029280 (fl. 37/43 e 228/234), que declara a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 1.223.665,52, com débito de IRPJ de Dez/03 no valor de R$ 1.244.842,84 (principal); 4) Cópias de peças do processo administrativo 13807.003663/200565 (fl. 235/244), que discute e indefere a homologação da compensação de crédito de COFINS não cumulativa, com débitos de IRPJ dos períodos de apuração dezembro/2000 (R$ 59.064,44), dezembro/2001 (R$ 640.875,03) e dezembro/2003 (R$ 70.802,53); (fl.269/413 manifestação de inconformidade, fl. 414/427 – manifestação, fl. 428/431 Intimação e carta cobrança, fl.432/453 Acórdão 0930.537 proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA que indefere a manifestação de inconformidade, fl. 454/514 Recurso Voluntário ao CARF); 5) Despacho de revisão no processo 13807.008158/200426 (fl. 245/268), que trata de pedido de desistência de parcelamento; 6) Cópias de peças do processo administrativo 13807.003659/200505, que discute e não homologa a compensação do crédito de COFINS nãocumulativa referente ao período de apuração de setembro/2004, no valor da R$ 2.400.729,63, com débitos de IRPJ (código 2362), respectivamente, no valor de R$ 1,563.631,60 e R$ 195.297, dos períodos de apuração de Dez/2003 e Dez/2004; (fl. 26 – Declaração de Compensação, fl. 515/524 Intimação e Despacho Decisório da DRF/VarginhaMG, fl. 525/682 Manifestação de Inconformidade); 7) Cópias de peças do processo administrativo 13807.003661/200576, que discute e não homologa a compensação tributária realizada no dia 27/05/2005, na qual se reportava ao ano calendário de 1999, informando crédito de CSLL; (fl. 683/688 Acórdão 16 21.031 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPOI que indefere a manifestação de inconformidade, fl. 689/7719 Recurso Voluntário ao CARF); 8) Cópia do PER/DCOMP 37504.78567.240505.1.3.038392, que compensa crédito de saldo negativo do anocalendário 2000, no valor de R$ 120.191,06, com débito de CSLL de Dez/03 no valor de R$ 176.258,92 (fl. 720/725); 9) Cópia do PER/DCOMP 20477.69125.240505.1.3.031088, que compensa saldo negativo do anocalendário 2001, no valor de R$ 312.658,18, com débito de CSLL de Dez/03, no valor de R$ 394.222,91, e de Dez/04 no valor de R$ 25.801,23 (fl. 726/731); 10) Cópias de peças do processo administrativo 13807.003.660/200521 que discute a compensação de crédito de base negativa de CSLL de 1998 com débito de CSLL de Dez/03 no valor de R$ 426.118,43 (fl. 29/30 e 732/739 Declaração de Compensação, fl. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10660.900590/200818 Acórdão n.º 1402001.500 S1C4T2 Fl. 5 4 740/748 DIPJ 1999, fl. 749/755 Despacho Decisório que não homologa a compensação, fl. 756/788 Manifestação de Inconformidade, fl. 789/795 Acórdão 1621.030 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPOI que não homologa a compensação, fl. 796/808 Recurso Voluntário ao CARF). 11) Documento de fl. 50 que menciona o pagamento de débito de CSLL de Dez/03, no valor de principal R$ 69.163,35, referente ao processo 18208.736820/200757, pago em parcelamento (PAEX). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Inicialmente, sublinhese que a Recorrente não contesta a afirmação de que o crédito informado no PER/DCOMP em discussão (17361.37058.090804.1.7.020600) é insuficiente para a quitação dos débitos ali declarados. Nesse ponto, a Recorrente limitase a dizer que tais débitos já foram objeto de pagamento via compensação em outros PER/DCOMP’s e/ou processos administrativos. Para comprovar suas alegações a Recorrente apresenta os documentos de fls. 87/808. Em síntese, a partir do conteúdo dos documentos apresentados, é possível concluir que: 1) No PER/DCOMP 17361.37058.090804.1.7.020600 foi declarada compensação de crédito de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com débitos de IRPJ dos períodos de apuração agosto/2003 (R$ 40.561,84), outubro/2003 (R$ 22.570,00), novembro/2003 (R$ 337.205,03) e dezembro/2003 (R$ 714.906,48) e de CSLL dos períodos de apuração fevereiro/2003 (R$ 89.637,87) e dezembro/2003 (R$100.000,00); 2) No PER/DCOMP 33409.85318.240505.1.3.029280 (em análise no processo administrativo nº. 10660.720.728/200988) foi declarada a compensação de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 com o débito de IRPJ de dezembro/2003 (R$ 1.244.842,84); 3) No processo administrativo 13807.003659/200505 constam os débitos de IRPJ de dezembro/2003 (R$ 1.563.531,60) e dezembro/2004 (R$ 195.297,56); Fl. 953DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10660.900590/200818 Acórdão n.º 1402001.500 S1C4T2 Fl. 6 5 4) No processo administrativo 13807.003663/200565 constam os débitos de IRPJ de dezembro/2000 (R$ 59.064,44), dezembro/2001 (R$ 640.875,03) e dezembro/2003 (R$ 70.802,53); 5) No processo 13807.003660/200521, consta débito de CSLL de dezembro/2003 (R$ 426.118,43); 6) No PER/DCOMP 37504.78567.240505.1.3.038392 foi declarada a compensação de crédito de Saldo Negativo de CSLL (anocalendário 2000), com débito de CSLL de dezembro/2003 (R$ 176.258,92); 7) No PER/DCOMP 20477.69125.240505.1.3.031088 foi declarada compensação de crédito de Saldo Negativo de CSLL (anocalendário 2001), com débito de CSLL de dezembro/2003 (R$ 394.222,91) e dezembro/2004 (R$ 25.801,23). Com efeito, concluise dos documentos apresentados que os débitos em cobrança relativos à IRPJ dos períodos de apuração agosto/2003 (R$ 40.561,84), outubro/2003 (R$ 22.570,00), novembro/2003 (R$ 337.205,03) e relativos à CSLL do período de apuração fevereiro/2003 (R$ 89.637,87) não foram declarados em outras PER/DCOMPs ou estão sendo discutidos em outros processos administrativos, razão pela qual deve ser mantida a presente cobrança. Já os débitos em cobrança relativos ao IRPJ e à CSLL dos períodos de apuração dezembro/2003 (R$ 714.906,48 e R$100.000,00, respectivamente), foram declarados para compensação diversas vezes. Contudo, nesse ponto, mesmo a nova declaração de compensação não socorre a Recorrente, tendo em vista o disposto no § 3º do art. 74 da Lei nº. 9.430/96. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ..... § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ...... Fl. 954DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 10660.900590/200818 Acórdão n.º 1402001.500 S1C4T2 Fl. 7 6 V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Destaquese que o referido dispositivo está em vigor desde a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003, que foi convertida na Lei nº. 10.833, de 2003; ou seja, antes que fossem protocoladas todas as declarações de compensação comentadas. Portanto, não merece acolhida o argumento da Recorrente no sentido de que tais débitos teriam sido extintos por compensação em outras declarações e/ou processos. Posto isso, nego provimento ao recurso voluntário para manter as exigências fiscais, tendo em vista a não homologação do PER/DCOMP 17361.37058.090804.1.7.020600. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 955DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10980.919633/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES.
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa.
OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA. EFEITOS.
Restando demonstrado que a empresa fornecedora foi incluída no Simples por opção indevida, que não efetuou recolhimentos de tributos pela sua sistemática e que foi excluída com efeitos retroativos, afasta-se o impedimento de creditamento do IPI em relação às notas fiscais de sua emissão.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.348
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Elisa de Lima acompanhou o relator pelas conclusões..
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator
Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA. EFEITOS. Restando demonstrado que a empresa fornecedora foi incluída no Simples por opção indevida, que não efetuou recolhimentos de tributos pela sua sistemática e que foi excluída com efeitos retroativos, afasta-se o impedimento de creditamento do IPI em relação às notas fiscais de sua emissão. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Visto, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Elisa de Lima acompanhou o relator pelas conclusões.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 146 1 145 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.919633/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.348 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente LANDIS+GYR EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA. EFEITOS. Restando demonstrado que a empresa fornecedora foi incluída no Simples por opção indevida, que não efetuou recolhimentos de tributos pela sua sistemática e que foi excluída com efeitos retroativos, afastase o impedimento de creditamento do IPI em relação às notas fiscais de sua emissão. Recurso Voluntário Provido em Parte Visto, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Elisa de Lima acompanhou o relator pelas conclusões.. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 96 33 /2 00 9- 05 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.919633/200905 Acórdão n.º 3302002.348 S3C3T2 Fl. 147 2 Participaram da presente decisão os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 109 a 114), apresentado em 18 de junho de 2012, contra o Acórdão n. 1434.927, de 17 de agosto de 2011, que considerou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade da Interessada em relação a declarações de compensação de ressarcimento de IPI. O acórdão de primeira instância assim relatou o litígio: Em 09/06/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 01 (cópia) que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 363.754,19 referente ao 3º trimestrecalendário de 2004, reconheceu a parcela de R$ 266.284,89, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada em PER/DCOMP. O processo em apreciação tem protocolo de 21/05/2009. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal R$ 97.469,30, multa R$ 19.493,85, juros R$ 60.565,69. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encontram às fls. 20/22. A requerente, inconformada com a decisão administrativa, apresentou, em 30/06/2009, após ciência em 19/06/2009 conforme “histórico da(s) comunicação(ões)” de fl. 04, a manifestação de inconformidade de fls. 23/26, subscrita pelos representantes legais que constam da alteração de contrato social de fls. 72/93, em que, em síntese, reclama que há erro no sistema de análise de crédito quanto aos números de CNPJ 09.241.605/000149, 38.777.215/000196 e 54.421.037/000112, pois as respectivas empresas foram cadastradas no CNPJ em datas anteriores ao período em questão; a nota fiscal nº 474 foi emitida para dar suporte a retorno de material em remessa para testes, sendo a empresa emitente mera prestadora de serviços; quanto à empresa fornecedora de CNPJ nº 04.136.406/0001 57, houve retificação de optante pelo SIMPLES para Lucro Presumido em 24/04/2008. Por fim, demonstrada a insubsistência das glosas, requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento dos débitos. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.919633/200905 Acórdão n.º 3302002.348 S3C3T2 Fl. 148 3 São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte No recurso, a Interessada alegou que as duas empresas em relação às quais os créditos não foram considerados, Vietro Service Encomendas Ltda. e Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda., não seriam optantes do Simples Nacional. Ocorre, Excelência, que nem a Vietro Service Encomendas Ltda. nem tampouco a Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda. são optantes pelo Simples Nacional, conforme se observa no extrato de consulta de optantes, extraído através do endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal.(Doc.03) Ademais, a Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda, encaminhou a ora Recorrente o despacho em anexo, onde a Secretaria da Receita Federal do Brasil, Agência de Duque de Caxias, explica que o contribuinte fez a opção ao simples por equívoco em 09/11/2000, uma vez que desde o anocalendário de 2001 a empresa apresentou Declaração de IRPJ pelo lucro real, que em 2000 e de 2002 a 2008 apresentou Declaração de IRPJ pelo lucro presumido, inclusive, efetuando, por tais razões, o recolhimento de seus tributos em desacordo com a sistemática do simples. Desta forma, conclui o fiscal de Duque de Caxias em autorizar a exclusão do contribuinte do simples, inclusive, determinando que os efeitos desta exclusão sejam considerados desde a constituição da empresa em 09/11/2000. (Doc. 04) Portanto, Eméritos Julgadores, não restam dúvidas de que merece reforma o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, a fim de que seja afastada/cancelada a presente exigência fiscal, uma vez que são passives de utilização os créditos de IPI destacados nas notas fiscais emitidas pelas empresas Vietro Service Encomendas Ltda. e Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda., uma vez que restou comprovado que elas não são optantes pelo regime de arrecadação denominado Simples Nacional. O processo foi distribuído para relatar. É o relatório. Voto Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.919633/200905 Acórdão n.º 3302002.348 S3C3T2 Fl. 149 4 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz aos demais requisitos de admissibilidade, devendose dele tomar conhecimento. Analisando a documentação apresentada, verificase que a Recorrente apresentou os extratos do Simples Nacional de efls. 138 e 139. Ademais, apresentou os documentos de efls. 140 a 142, que trataram da exclusão retroativa do Simples da empresa Coil Tech Caxias Produtos Elétricos. Em relação à primeira empresa, Vietro Service Encomendas Ltda., o extrato do Simples Nacional informa o seguinte (Disponível em <http://www8.receita.fazenda.gov.br/ simplesnacional/aplicacoes.aspx?id=21>, Consulta em 10 out 2013.): Identificação do Contribuinte CNPJ :03.426.856/000111 Nome Empresarial: VIETRO SERVICE ENCOMENDAS LTDA ME Situação Atual Situação no Simples Nacional: NÃO optante pelo Simples Nacional Situação no SIMEI: NÃO optante pelo SIMEI Períodos Anteriores Opções pelo Simples Nacional em Períodos Anteriores: Não Existem Opções pelo SIMEI em Períodos Anteriores: Não Existem Agendamentos (Simples Nacional) Agendamentos no Simples Nacional: Não Existem Eventos Futuros (Simples Nacional) Eventos Futuros no Simples Nacional: Não Existem Entretanto, o sistema acima apenas diz respeito ao Simples Nacional e não ao Simples Federal. O Simples Federal vigorou até 30 de junho de 2007, quando passou a vigorar o Simples Nacional. Mas até a data acima mencionada, vigorou a Lei n. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, do qual a empresa era optante, como comprovado pela decisão de primeira instância, que demonstrou haver a empresa apresentado as declarações do Simples entre 1999 e 2007. Outro fator relevante é que o crédito em questão referese à entrada de mercadoria que retornou após a realização de testes e, portanto, não se refere a aquisição de insumos, conforme prova a Nota Fiscal nº 000474, de emissão da própria recorrente. Nestas condições, não há previsão legal para o ressarcimento deste crédito. Em relação à segunda empresa, Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda., valeriam as mesmas conclusões, mas os documentos apresentados às fls. 140 a 142 comprovaram que a empresa foi excluída retroativamente do Simples, ao contrário do que concluiu o acórdão de primeira instância. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.919633/200905 Acórdão n.º 3302002.348 S3C3T2 Fl. 150 5 Vale ressaltar que a exclusão havia sido apurada pelo acórdão, que concluiu as datas “09/11/2000” e “08/10/2010” representariam as datas pretendidas e efetivas da exclusão. Entretanto, referemse tais datas à da exclusão retroativa e à da efetivação da exclusão no sistema (processamento). Considerando que seria inadmissível que a empresa ficasse dez anos no Simples por engano e, ao mesmo tempo, houvesse recolhido o IPI pela sistemática regular, não se faz necessária prova adicional à produzida pela Interessada nas efls. 140 a 142, para concluirse que a opção foi, de fato, indevida e que as declarações apresentadas e os recolhimentos efetuados pela empresa no período não foram as do Simples. Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito relativo às notas fiscais da empresa Coil Tech Caxias Produtos Elétricos Ltda. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720031/2011-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que no AIOP nº 37.311-388-9 e no AIOP Nº 37.311-389-7 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008,inclusive, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 31 /2 01 1- 28 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que no AIOP nº 37.3113889 e no AIOP Nº 37.3113897 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008,inclusive, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 232 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA contra Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente a autuação por descumprimento de: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. (iii) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.311.3900, CFL 78 com valor consolidado de R$ 4.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os Autos de Infração referemse a lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre parcelas legais integrantes da remuneração dos segurados empregados e de contribuintes individuais a serviço da empresa, bem como percentual de 15% sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), além de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. O Relatório Fiscal relaciona os fatos geradores apurados: 1.2.1 As contribuições lançadas têm como fatos geradores as remunerações pagas, devidas e/ou creditadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais a serviço da empresa além de notas fiscais de serviço emitidas por cooperativa de trabalho no decorrer do período fiscalizado. 1.2.2 A empresa apresentou no período de apuração do débito, 04/2008 a 11/2009, Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com código de FPAS FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL 639, correspondente a ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (isenta da contribuição previdenciária patronal artigo 55 da Lei n° 8212/91). Ao utilizar o código referente ao FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL FPAS 639 na GFIP o contribuinte deixou de declarar e recolher a cota Patronal da contribuição previdenciária prevista no artigo 22 da lei 8.212/91. 1.2.3 A entidade, no entanto, não comprovou ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 (CEBAS) emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), conforme determinado na Lei 8.212/91: " Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;".... 1.2.4 A empresa faz parte do quadro associativo da Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas GeraisAFEESMIG que congrega todas as Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais. Esta associação ingressou com Mandado de Segurança Coletivo (processo n° 2008.38.00.0123783) perante a Justiça Federal de 1o Grau, visando que seja determinado a autoridade coatora que se abstenha de exigir que as entidades filiadas à impetrante se submetam às exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91, ou seja, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais (ART. 195, § 7o, CF 88) para as suas filiadas. A liminar foi deferida em 09.05.2008, porém em 01.03.2010 foi proferida e publicada sentença que Denega Segurança e torna sem efeito a decisão liminar proferida nos Autos do referido Mandado de Segurança. Posteriormente foi interposto pela Impetrante Agravo de Instrumento n° 004084475.2010.4.1.000MG (Processo originário n° 001214591.2008.4.1.3800 perante o Tribunal Regional Federal da Ia Região, onde a decisão proferida e publicada em 30/07/2010 negou seguimento ao recurso interposto. 1.2.5 Desta forma não havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias Patronais e destinadas a outras Entidades (Terceiros) apuramos estas contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa constantes de folhas de pagamento/GFIP, bem como sobre valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativa de Trabalho com enquadramento no FPAS 574 (ESTABELECIMENTO DE ENSINO (inclusive Fundação). Em relação à obrigação acessória, o Relatório Fiscal informa que as GFIP informadas das competências de 04/2008 a 11/2008 foram declaradas com erro no campo relativo ao FPAS, uma vez que foi informado o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), quando deveria ter sido informado o código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino): 2, Incorreções ou omissões de Dados da GFIP: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 233 5 A empresa transmitiu as GFIP das competências 04/08 a 11/08 com erro no campo relativo ao FPAS, ou seja ao invés de transmitilas com código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino) foram transmitidas com o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social). Ainda, informa o Relatório Fiscal que as GFIP das competências 04/2008 a 11/2008 foram enviadas em 03/2009, após a edição da Medida Provisória n° 449/2008 de 03.12.2008, conforme verificado em consulta ao sistema informatizado GFIPWEB. Neste diapasão, em relação ao AIOA 37.311.3900, CFL 78 o Relatório Fiscal dispõe que, considerando que não ocorreram circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, aplicouse a multa prevista no artigo 32A, inciso II, combinado com o § 3°, II do mesmo artigo, da Lei 8.212/91 (Redação dada pela Lei 11.941), no valor de R$ 4.000,00. Quanto à aplicação dos acréscimos legais nas autuações de obrigação principal, o Relatório Fiscal informa que se aplicou a legislação em vigor, significando que a multa de ofício (75%) foi aplicada após a competência 12/2008, inclusive, e que a multa moratória foi aplicada até a competência 11/2008, inclusive. A Recorrente teve ciência das autuações em 24.03.2011, conforme fls. 03. O período objeto do auto de infração: (i) para os AIOP, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 04/2008 a 11/2009. (ii) Para o AIOA CFL 78 conforme o Anexo do relatório Fiscal às fls. 58, é de 04/2008 a 11/2008. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: (i) Afirma que os Autos de Infração e o Termo de Arrolamento de bens e direitos integrantes deste processo referemse a período sub judice, amparado por decisão judicial, tendo sido precipitada a instauração de auditoria e a lavratura dos autos de infração, em desrespeito aos princípios constitucionais garantidos na Carta Magna, destacado o art. 5°, LV. (ii) Sustenta que "nos autos de infração há excesso de exação, na modalidade configurada pela aplicação além dos acréscimos legais multa e juros, mais as multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, aplicandose inclusive sanções criadas em legislação sancionada posteriormente, conforme demonstrado no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal." (iii) Impugna todos os fundamentos legais da aplicação da multa de 75% e dos acréscimos legais incidentes sobre a multa, referente ao código 701 (Falta de pagamento, de declaração, declaração inexata). Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 (iv) Discorre acerca da natureza dos juros e da multa e denuncia a incidência, nos autos de infração em epígrafe, de juros sobre multa, afirmando não haver previsão legal para tal incidência, o que caracteriza ofensa ao principio da legalidade. (v) Diz padecer de amparo a pretensão da autoridade autuante relativa à aplicação da MP 449, de 2008, em razão do amparo constitucional, do excesso de exação e da não observância da exegese do art. 112 do Código Tributário Nacional. (vi) Requer, ao fim, a improcedência do processo, em razão de os períodos apurados nos autos de infração estarem sub judice, pelo desrespeito aos direitos e garantias fundamentais da impugnante e pela aplicação de excesso de exação. (vii) Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente documental, revisão pericial contábil e outras. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009 DEBCAD 37.311.3889 CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2009 DEBCAD 37.311.3897 CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos, nos termos da legislação tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/11/2008 DEBCAD 37.311.3900 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com incorreções ou omissões. ISENÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 234 7 Deve ser lavrada a autuação cabível se não há decisão judicial que determine a isenção do contribuinte do recolhimento das contribuições previdenciárias e do cumprimento das obrigações acessórias a elas relativas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5A Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 4 de agosto de 2011. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, resumidamente: (i) Cerceamento do direito de defesa indeferimento de perícia requisitada para recálculo do débito em planilha descritiva de juros e multa aplicados; (ii) Violação a princípios constitucionais Os Autos de Infração e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos referemse a período SUB JUDICE, amparado por decisão judicial; (iii) Há excesso de exação pela aplicação, além dos acréscimos legais multa e juros, das multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, inclusive com sanções criadas em legislação sancionada posteriormente. (iv) Há incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (v) Requer reexame do cálculo e das taxas utilizadas para se comprovar em demonstrativo analítico discriminado competência a competência se houve ou não excesso de exação; (vi) Requer, alternativamente, que os períodos apurados nos autos de infração que se encontravam até março de 2010 sob o amparo judicial, sejam atualizados somente pela taxa de juros do período e tenha a remissão da multa de ofício aplicada, uma vez que ainda se apresenta Subjudice no T R F l a Região, devido à recente decisão que deu provimento ao Agravo Regimental apresentado Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 235 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE ITUIUTABA contra Acórdão nº 3936.202 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, que julgou procedente a autuação por descumprimento de: (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. (iii) Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.311.3900, CFL 78 com valor consolidado de R$ 4.000,00. Conforme o Relatório Fiscal, os Autos de Infração referemse a lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 236 11 incidentes sobre parcelas legais integrantes da remuneração dos segurados empregados e de contribuintes individuais a serviço da empresa, bem como percentual de 15% sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), além de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP e AIOA que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. RDA Relatório de Documentos Apresentados d. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); g. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 237 13 Analisandose os AIOPs e o AIOA, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) Cerceamento do direito de defesa indeferimento de perícia requisitada para recálculo do débito em planilha descritiva de juros e multa aplicados; (iv) Há incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício. (v) Requer reexame do cálculo e das taxas utilizadas para se comprovar em demonstrativo analítico discriminado competência a competência se houve ou não excesso de exação; Analisemos os itens (i), (iv) e (v) conjuntamente.. A argumentação da Recorrente no item (i) está centrada na violação do direito de defesa porque a Recorrida indeferiu o pedido de perícia feito, conforme a decisão da primeira instância às fls. 193: Ainda, a perícia proposta pelo impugnante deve ser considerada desnecessária, por prescindível para o deslinde do presente julgamento. Isso porque a realização de diligência e ou perícia pressupõe a existência de fatos a serem esclarecidos e que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Ora, a Recorrida considerou que o pedido de perícia era desnecessário pois os autos trazem elementos suficientes para que se decida a matéria, nos termos do art. 18, Decreto 70.235/1972: Decreto 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Em relação aos tópicos (iv) e (v), temse que os acréscimos legais foram aplicados com fulcro na legislação de regência, conforme se depreende do Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 17 a 18, na qual no item 701 (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, na redação pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, combinado com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996) foram aplicados tão somente em relação às competências de 12/2008 a 11/2009, as quais são posteriores à edição da referida MP n° 449/2008. Vejamos o Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 17 a 18, na qual aparece a fundamentação legal utilizada pela AuditoriaFiscal para a aplicação dos acréscimos legais: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 04/2008 a 11/2008 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 238 15 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Observase que há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Ademais, em relação aos tópicos (iv) e (v) anotese que a Recorrida elaborou um quadro explicativo a comprovar que os juros aplicados não incidem sobre o valor da multa, mas tão só sobre o valor líquido das rubricas (ou seja, o valor original do crédito apurado) constantes dos levantamentos, conforme se constata do quadro às fls. 193: Equivocase a o impugnante ao afirmar a existência de incidência de juros sobre multa. Isso porque podese observar nos relatórios Discriminativos do Débito dos AI 37.311.3889 e 37.311.3897 que os juros, em cada competência, foram calculados sobre o valor original do crédito apurado. Exemplificativamente, podese verificar que, na competência 04/2008 do AI 37.311.3889, os juros incidem sobre o valor TOTAL LÍQUIDO, da forma abaixo discriminada, em observância à legislação referida: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 239 17 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Violação a princípios constitucionais Os Autos de Infração e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos referemse a período SUB JUDICE, amparado por decisão judicial; (vi) Requer, alternativamente, que os períodos apurados nos autos de infração que se encontravam até março de 2010 sob o amparo judicial, sejam atualizados somente pela taxa de juros do período e tenha a remissão da multa de ofício aplicada, uma vez que ainda se apresenta Subjudice no T R F l a Região, devido à recente decisão que deu provimento ao Agravo Regimental apresentado Analisemos os tópicos (ii) e (vi) conjuntamente.. Em relação à violação de princípios constitucionais, já analisamos no item (A). Em relação ao ingresso na via judicial, vejase o Relatório Fiscal às fls. 37: A empresa faz parte do quadro associativo da Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais AFEESMIG que congrega todas as Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais. Esta associação ingressou com Mandado de Segurança Coletivo (processo n° 2008.38.00.012378¬ 3) perante a Justiça Federal de 1° Grau, visando que seja determinado a autoridade coatora que se abstenha de exigir que as entidades filiadas à impetrante se submetam às exigências do artigo 55 da Lei 8.212/91, ou seja, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais (ART. 195, § 7o , CF 88) para as suas filiadas. A liminar foi deferida em 09.05.2008, porém em 01.03.2010 foi proferida e publicada sentença que Denega Segurança e torna sem efeito a decisão liminar proferida nos Autos do referido Mandado de Segurança. Posteriormente foi interposto pela Impetrante Agravo de Instrumento n° 0040844 75.2010.4.1.000MG (Processo originário n° 0012145¬ 91.2008.4.1.3800 perante o Tribunal Regional Federal da Ia Região, onde a decisão proferida e publicada em 30/07/2010 negou seguimento ao recurso interposto. Ora, a autora do Mandado de Segurança (Processo nº 2008.38.00.0123783, 11ª Vara Federal em Belo Horizonte MG) é a Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior de Minas Gerais AFEESMIG e não a Recorrente que, por ser filiada à Associação, temla como substituta processual. Ademais, o Relatório Fiscal, às fls. 37, esclarece que não houve decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 1.2.5 Desta forma não havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias Patronais e destinadas a outras Entidades (Terceiros) apuramos estas contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa constantes de folhas de pagamento/GFIP, bem como sobre valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de Cooperativa de Trabalho com enquadramento no FPAS 574 (ESTABELECIMENTO DE ENSINO (inclusive Fundação). Logo, em relação ao item (vi), correta a autuação fiscal posto que não havia medida judicial, ou mesmo amparo na legislação tributária, que amparasse o pleito da Recorrente no sentido de se atualizar somente pela Taxa de Juros o crédito até a competência 03/2010. Em todo caso, na execução do presente processo administrativofiscal, a Unidade da Receita Federal do Brasil verifica se há algum mandamento judicial que possa impactar tal execução. De todo o exposto, ao prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Há excesso de exação pela aplicação, além dos acréscimos legais multa e juros, das multas de ofício por descumprimento de obrigações acessórias, inclusive com sanções criadas em legislação sancionada posteriormente. Analisemos o item (iii). Os acréscimos legais foram aplicados com fulcro na legislação de regência, conforme se depreende do Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, às fls. 17 e 18, na qual no item 701 (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, na redação pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, combinado com o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996) foram aplicados tão somente em relação às competências de 12/2008 a 11/2009, as quais são posteriores à edição da referida MP n° 449/2008: Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 240 19 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQÜENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 04/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, ¨a¨, ¨b¨, ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 5. e art. 61, parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS SUBSEQÜENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 602.08 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, A Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQÜENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MÊS DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 11/2009 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Diante do exposto, considerandose que a AuditoriaFiscal aplicou os acréscimos legais em conformidade com a legislação pertinente, não prospera a argumentação da Recorrente de excesso de exação. Ainda, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora. Considero plenamente correto o procedimento da AuditoriaFiscal que, a partir da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, analisou as alterações advindas na Lei 8.212/1991 no tocante ao cálculo dos acréscimos legais sob a ótica do art. 106, II, c, CTN, para aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Ainda assim, em relação à obrigação acessória, considero correta a autuação fiscal e mantenho a decisão de primeira instância posto que o Relatório Fiscal informa que as GFIP informadas das competências de 04/2008 a 11/2008 foram declaradas com erro no campo relativo ao FPAS, uma vez que foi informado o código FPAS 639 (Entidade Beneficente de Assistência Social), quando deveria ter sido informado o código FPAS 574 (Estabelecimentos de Ensino). De forma que houve infração à Lei n° 8.212/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, com a multa sendo aplicada com fundamento na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§ 2º e 3º, incluídos Lei n° 11.941/2009, considerandose o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", CTN. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720031/201128 Acórdão n.º 2403002.276 S2C4T3 Fl. 241 21 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte, até a competência 11/2008, inclusive: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. (i) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3889, parte Empresa com valor consolidado de R$ 4.172.657,35. (ii) Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.311.3897, parte Terceiros com valor consolidado de R$ 890.837,04. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que no AIOP nº. 37.311.3889 e no AIOP nº. 37.311.3897 se recalcule a multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13896.722988/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgado em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora.
(assinado digitalmente)
Plinio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Glosa de despesas com ágio Recorrente SARA LEE CAFÉS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgado em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora. (assinado digitalmente) Plinio Rodrigues Lima – Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 98 8/ 20 11 -3 7 Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário em face dos lançamentos de IRPJ e CSLL decorrentes das seguintes infrações, apuradas ano calendário 2006, conforme descrição contida nos respectivos autos de infração: 001 OMISSÃO DE RECEITAS ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADOS Omissão de Receita caracterizada pelas irregularidades constatadas, conforme Termo de Verificação Fiscal, em que após efetivada a venda e procedida a entrega da mercadoria o comprador retorna a nota fiscal emitida pela Sara Lee, sob os mais diversos argumentos, não emitindo nota fiscal de devolução. Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. 002 OMISSÃO DE RECEITAS ICMS INCIDENTE SOBRE VENDAS Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela dedução de ICMS em valor superior ao valor destacado nas notas fiscais emitidas no ano calendário de 2006 ( Vide Termo de Verificação Fiscal ). Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. 003 AMORTIZAÇÃO VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS No ano calendário de 2005, contribuinte foi submetido à fiscalização, que promoveu constituição de crédito tributário através do processo no. 16175.000476/200500, em decorrência de glosa de dedutibilidade de despesa de agio de investimento, lançada nos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Inconformado, o contribuinte impetrou impugnação ao lançamento, endereçada à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas.SP. Apreciado o mérito da impugnação, a Delegacia de Julgamento, por unanimidade manteve o lançamento do crédito tributário. Não conformado o contribuinte impetrou recurso voluntário à Primeira Câmara do Primeiro Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ( CARF ), que em decisão, por unanimidade, dá provimento ao recurso impetrado pelo contribuinte. No exercício de sua competência a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, ainda em fase de julgamento. Através da intimação no. 902/2011, ( fls. )contribuinte foi intimado a fazer prova do pagamento e natureza do agio de investimento lançado como despesa dedutível no ano calendário de 2006. Atendendo intimação o contribuinte apresentou uma serie de documentos, inclusive cópia da decisão proferida pelo CARF, que dá provimento ao recurso apresentado, esclarecendo que o ágio de 2006 é uma perna daquele pago em 2000 e objeto de autuação. Em razão do recurso especial, produzir efeito devolutivo,suspendendo a decisão e a constituição definitiva do crédito, em razão da necessidade de se dar garantia ou proteção do crédito tributário em face da decadência, prestes a ocorrer em 31 de dezembro de 2011, lavrase o presente auto de infração, cuja execução/fica suspensa até decisão definitiva daquela corte administrativa. Fl. 5266DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 4 3 Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§ 2o e 4°, e 325,do RIR/99 . 004 – PROVISÕES PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Valor apurado conforme planilhas de fls 126 a 127 e Termo de Verificação Enquadramento Legal: Art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, com as alterações do art. 14, da 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99. Também fazem parte do recurso o PISnãocumulativo e a Cofins não cumulativa lançados reflexamente, em relação à infração 001, sob os mesmos fundamentos fáticos. Os pedidos sintetizados na impugnação bem demonstram os questionamentos do contribuinte, pelo que são reproduzidos abaixo: (i) a presente Impugnação é tempestiva e, portanto, deve ser integralmente apreciada; (ii) preliminarmente, devese reconhecer que o Auto de Infração não se encontra revestido das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária, sobretudo com relação à descrição dos fatos e à sua motivação, deforma que deve ser integralmente cancelado, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72; (iii) com relação ao item 1 do Auto de Infração (omissão de receitas – estorno de vendas), a Requerente tem como plenamente demonstrado que o questionamento feito pela D. Fiscalização decorre de uma interpretação equivocada dos fatos ocorridos no anocalendário de 2006. Na verdade, não houve "devolução de mercadorias", como presumido pela D. Fiscalização. O que efetivamente ocorreu no presente caso foi o "retorno de mercadorias", hipótese distinta da devolução, em que não há recebimento de produtos, pelo destinatário, nem o registro dessas mercadorias em seus Livros Fiscais; (iv) nesse sentido, a documentação colacionada pela Requerente apenas corrobora as suas afirmações no sentido de que não houve o recebimento, pelos destinatários respectivos, de mercadorias objeto das notas fiscais de retorno emitidas pela Requerente, além do que, tais destinatários, sequer registraram essas mercadorias em seus Livros Fiscais. Assim, restaria desqualificada a exigência feita pela D. Fiscalização de que os respectivos compradores estariam obrigados a emitir Notas Fiscais de devolução, em substituição às Notas Fiscais de retorno emitidas pela própria Requerente; (v) ademais, ao pretender tributar valores decorrentes de vendas não concretizadas, a D. Fiscalização estaria violando diretamente o disposto no artigo 280 do RIR/99, segundo o qual a receita líquida de vendas e serviços deve ser diminuída das receitas canceladas. No mesmo sentido, relativamente ao PIS e à COFINS, está o artigo 3º, §2°, da Lei 9.718/98; (vi) a Requerente tem também como plenamente demonstrada a improcedência dos questionamentos feitos pela D. Fiscalização a Fl. 5267DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 5 4 respeito de sua documentação fiscal (notadamente as Notas Fiscais de retorno), uma vez que todos os documentos por ela emitidos preenchem as formalidades legais previstas tanto na legislação fiscal federal quanto estadual, não tendo sido em momento algum, aliás, questionadas pelas DD. Autoridades Administrativas Estaduais; (vii) conforme amplamente aceito pela jurisprudência, a mera presunção de omissão de receitas sem a sua cabal comprovação não é suficiente para sustentar a exigência fiscal. Assim, não resta dúvida que o débito tributado apurado em relação à suposta omissão de receitas não deve prevalecer, devendo ser anulado; (viii) por fim, as hipóteses relacionadas a omissão de receita são tratadas pela legislação fiscal como presunções relativas, de forma que, uma vez demonstrada a correção dos procedimentos adotados pelo contribuinte por meio de provas documentais, devese proceder ao imediato cancelamento da exigência fiscal; (ix) no presente caso, a Requerente apresentou diversos documentos (notas fiscais de entrada e de saída, bem como guias de entrega e declarações fornecidas por alguns de seus clientes) comprovando a não entrega de mercadorias no ano de 2006, de forma que, nos termos 923 e 924 do RIR/99, caberia à D. Fiscalização apresentar documentos para contrapor as afirmações feitas pela Requerente; (x) ad argumentandum, caso se entenda que os fundamentos fáticos e legais apresentados pela Requerente para demonstrar a insubsistência do item 1 do Auto de Infração não sejam suficientes o bastante, requer se desde já a realização de diligência, possibilitando, assim, que a Requerente exerça o seu direito de ampla defesa e do contraditório; (xi) com relação ao item 2 do Auto de Infração (omissão de receitas – ICMS sobre vendas), a Requerente demonstrou que as parcelas questionadas pela D.Fiscalização decorrem de ajustes relacionados às seguintes parcelas: (a) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos; (b) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Requerente em outros estados; e (c) o ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias (item 1 do Auto de Infração); (xii) os itens (a) e (b) do item acima, apesar de devidamente registrados na contabilidade da Requerente, não foram considerados pela D. Fiscalização na análise do caso; (xiii) o item (c), por sua vez, está intimamente relacionado ao item 1 do presente Auto de Infração, de modo que os argumentos acima expostos apontam para sua procedência; (xiv) com relação ao item 3 do Auto de Infração (amortização de despesas de ágio), a Requerente demonstrou que a exigência nele consubstanciada está diretamente relacionada ao resultado final do Processo Administrativo n° 16175.000476/200500, que ainda se encontra pendente de julgamento pela CSRF; Fl. 5268DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 6 5 (xv) como nesse processo administrativo o CARF já proferiu — por unanimidade de votos —, decisão favorável à Requerente, reconhecendo o seu direito de amortizar, para fins fiscais, os valores apurados no anocalendário de 2000 a título de ágio, deve ser imediatamente reconhecida a improcedência do lançamento efetuado pela D. Fiscalização; (xvi) ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar– os argumentos de fato e de direito aduzidos no Processo Administrativo n° 16175.000476/200500 devem ser aqui considerados como se tivessem sido integralmente repetidos nesta Impugnação. Ademais, este caso deve ser apreciado após o julgamento do Processo Administrativo n° 16175.000476/200500, ou, ao menos, em conjunto com ele. Constatada a inexistência de infração no processo original, resulta a improcedência da presente autuação; (xvii) no mérito relacionado a esse item do Auto de Infração, a Requerente demonstrou que os valores de ágio apurados pela Requerente que passaram a ser amortizados para fins fiscais à razão de 1/84 decorrem da mera aplicação das disposições contidas na legislação fiscal em vigor, conforme já expressamente reconhecido pelo CARF e por Parecer emitido por Ricardo Mariz de Oliveira; (xviii) uma vez que o lançamento foi efetuado com a execução suspensa, para evitar a decadência, não deve ser aplicada a multa de ofício de 75% sobre os valores questionados pela D. Fiscalização a título de despesas de amortização de ágio, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96 e de diversos precedentes proferidos pelo CARF; (xix) com relação ao item 4 do Auto de Infração (nãoadição de provisões ao Lucro Real), a Requerente demonstrou o completo descabimento e a inconsistência da metodologia empregada pela D. Fiscalização para apurar o que, a seu ver, teria sido indevidamente excluído do Lucro Real pela Requerente quando da apuração do seu Lucro Real do anocalendário de 2006; (xx) ademais, os valores informados pela Requerente em sua DIPJ de 2006 se encontram contabilizados com a observância das disposições legais aplicáveis, de modo que, nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99, fariam prova a seu favor, transferindo, assim, o ônus da prova para a D. Fiscalização, que, por sua vez, nada apresentou para refutar as informações prestadas pela Requerente; (xxi) ainda que assim não se entendesse, ressaltase que os erros incorridos pela D. Fiscalização em relação a esse item da autuação, por si só, já justificariam que a Requerente pleiteie, desde já, pela determinação da baixa do presente processo administrativo em diligência para realização de perícia contábil, que tenha por escopo examinar com maior exatidão os valores apontados pela D. Fiscalização como supostamente devidos pela Requerente; (xxii) conforme demonstrado acima, não foi comprovada qualquer omissão de receita, razão pela qual, cancelada a exigência principal, deverão ser também canceladas as exigências reflexas, relativas à CSL, ao PIS e à COFINS; Fl. 5269DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 7 6 (xxiii) na forma em que aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, na medida em que além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou má fé, o valor exigido a título de multa punitiva é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida; (xxiv) mesmo que se considerasse válida a exigência fiscal em debate, o que se admite a título meramente argumentativo, deveria ao menos ser cancelada a juros à taxa Selic (sobre o principal e sobre a multa), posto que inconstitucional. 183. À luz de tudo o quanto acima exposto, a Requerente pleiteia o acolhimento integral da presente Impugnação e o imediato cancelamento da totalidade do Auto de Infração em tela, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. 184. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. 185. Ademais, para a realização das perícias ora pleiteadas, a Requerente indica aqui como perito, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/02 (sic), o Sr. Fernando Viana de Oliveira Filho, brasileiro, Contador com CRC n° 1SP215836 SP e o Sr. Mauro Stacchini Júnior, brasileiro, Contador com CRC n° 1SP117498, ambos com escritório na Rua Amália de Noronha, n° 402, Ed.Actual, São Paulo SP, CEP 05410010, para acompanhar a perícia contábil.” Analisando tais questionamentos, a turma julgadora de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art.16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 5270DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 8 7 Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Conexão Processual. Glosa de Despesa de Amortização de Ágio. Dada a relação de causa e efeito entre processos administrativos, adaptase a presente decisão àquela já prolatada anteriormente nos autos do processo nº 16175.000476/200500. Decadência. Glosa de Despesa de Amortização de Ágio. Só há de se cogitar da fluência do prazo decadencial a partir da realização da despesa, quando o tributo tornase exigível, ou seja, a partir da data em que o lançamento é juridicamente possível. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei nº 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 Estorno de Vendas Não Comprovado. Caracteriza omissão de receita o estorno de vendas não comprovado. ICMS sobre Vendas. Verificada a dedução de despesa de ICMS em valor maior que o contabilizado nos livros fiscais, correta é a adição do valor da diferença correspondente na determinação do lucro real. Incorporação. Ágio. Amortização. Pressuposto para lançar a amortização de ágio como despesa dedutível, no âmbito do IRPJ, é a pessoa jurídica, que absorver o patrimônio de outra em virtude de incorporação, ter na incorporada participação societária que ela, incorporadora, haja adquirido com ágio, não se prestando a título de aquisição o recebimento de bens/direitos em devolução de participação societária que a investidora detinha em uma terceira pessoa jurídica. Mais, se há desconexão entre a anotação contábil e a realidade que pretende registrar, com reflexo sobre o lucro líquido, impõese, também, o ajuste da base de cálculo da CSLL. Provisões. Constatado ajuste a menor na determinação do lucro real, relativo à despesa de provisão indedutível, correta a adição do valor que deixou de ser computado. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à Fl. 5271DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 9 8 administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. No tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora está fundamentada por expressa determinação legal. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 16/07/2012 (conforme AR, fl.3746), apresentou recurso voluntário ao CARF em 14/08/2012 (fls.3474 e ss.), em que, preliminarmente, sustenta (i) a tempestividade do recurso; (ii) a invalidade da decisão de primeira instância, por falta de apreciação das provas acostadas na impugnação, as quais correspondiam a, aproximadamente, 15% do valor questionado pela autoridade fiscal; (iii) o cerceamento do seu direito de defesa, pela necessidade de realização de diligência e perícia técnica, para analisar todos os documentos relativos às operações questionadas, com base nos quesitos apresentados na impugnação; (iv) a necessidade de cancelamento do auto de infração por ausência de motivação clara e precisa da autuação. No mérito, aponta os motivos sintetizados abaixo para a reforma da decisão recorrida. Sobre o Item 1) omissão de receitas – estorno de vendas: Descreve as três situações em que não houve a concretização da operação de venda, não havendo que se falar em omissão de receitas: cancelamento da NF, devolução de venda, retorno de venda. Segundo ela, foram questionadas: (i) Notas Fiscais de retorno em que todas as formalidades previstas na legislação são devidamente preenchidas: para esse item, apresenta relação complementar de NF de retorno, que representam mais 20% do total questionado, além dos 15% apresentados na impugnação. (ii) Notas Fiscais de retorno sem as formalidades previstas na legislação alega que apresentou com a impugnação: declarações emitidas por alguns dos clientes da Recorrente, atestando que não houve recebimento de mercadorias relacionadas nas notas fiscais questionadas pela D. Fiscalização, nem o respectivo registro desses produtos em seus livros de entrada (docs. nºs 147 a 149 da Impugnação); e Fl. 5272DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 10 9 cópias das 5ªs vias das Notas Fiscais de Saída (Comprovantes de Entrada) das seguintes Notas Fiscais emitidas pela Recorrente: 150873; 148659; 000782; 148778; 152800; 150790; 150787; 150788; 148776; 148687; 148307; 148805; 148760; 151268; 151295; 151203; 069263; 068416; 0553755; 074811; e 150787 (docs. nºs 150 a 170 da Impugnação), que demonstram não haver quaisquer indícios apostos pelo comprador (carimbos, assinaturas) atestando o recebimento das mercadorias. Acrescenta com o recurso voluntário: Telas do sistema SAP da Recorrente, que demonstram variações positivas em seus registros de pedidos, decorrentes do cancelamento de vendas questionadas pela D. Fiscalização (does. n°s 235 a 263); Conhecimentos de Transporte demonstrando que as mercadorias supostamente consideradas pela D. Fiscalização como entregues aos compradores retornaram ao estabelecimento da Recorrente (does. n°s 264 a 269); e Cópias autenticadas das laS vias das Notas Fiscais de Saída que, caso as operações a que se referem tivessem sido efetivamente concretizadas como alegado pela D. Fiscalização, deveriam ter sido mantidas pelos clientes da recorrente (docs. nºs 270 a 611). Aduz que apresentou, com o recurso voluntário, o valor de R$ 9.337.545,24, representando 19,93% do valor total autuado (R$ 46.857.598,70) e com a impugnação havia apresentado R$ 1.705.335,30 (3,64% do total), totalizando R$ 11.042.880,54 (27,57% do valor autuado). Sobre as vendas “canceladas” antes mesmo de qualquer remessa das mercadorias pela Recorrente, alega que a legislação do IRPJ e da CSLL “apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Recorrente, no sentido de excluir tais valores de seu lucro real tributável”, conforme o disposto no artigo 280 do RIR/99. Sobre o Item 2) omissão de receitas – ICMS sobre vendas: aduz que as diferenças decorrem de: (i) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente, no valor de R$ 2.459.958,63; (ii) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente em outros estados, no valor de R$ 2.142.543,53; e (iii) ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias, no valor de R$ 4.061.020,27. Sobre o Item 3) glosa de despesas de amortização de ágio, aponta que a validade das deduções de despesas de ágio incorridas está diretamente relacionada à conclusão do processo administrativo nº 16175.000476/200500, considerando que o julgamento do processo principal faz coisa julgada no processo reflexo, em razão da estreita relação de causa e efeito existente. Fl. 5273DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 11 10 Quanto a esse item, ainda sustenta a decadência, considerando que, estando “originalmente registrados pela Recorrente no anocalendário de 2000, não caberia à D. Fiscalização pretender questionar, no anocalendário de 2011, as atos jurídicos relativos à formação do ágio, em razão do total transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para esse fim, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN” Sobre o Item 4) não adição de provisões ao Lucro Real: aponta que, na realidade, em relação às provisões, havia: (i) saldo de abertura, em 1.1.2006, com o valor de R$ 20.314.473,75; (ii) exclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, estornos ou baixas, que totalizaram R$ 167.279.441,41. Esse valor, ressaltese,correspondia a exclusões tanto de valores constituídos em anos anteriores (e,portanto, que estavam incluídos no saldo de abertura acima), como também de valores que foram constituídos no próprio anocalendário de 2006; (iii) inclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, novas provisões constituídas em 2006, totalizando R$ 169.250.158,18; e (iv) saldo de fechamento, em 31.12.2006, ao valor final de R$ 22.285.190.52. Diante disso, sustenta que o cálculo correto relativamente à referida conta de provisões no anocalendário de 2006 deveria ser feito da seguinte forma: “(i) – (ii) + (iii) = (iv)”, não havendo sentido na afirmação da decisão recorrida de que teria constituído provisões num total de R$ 148.935.684,43 no mesmo ano. Pede o cancelamento das exigências reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Por fim, aponta a inadequação da multa e juros aplicados, em função: a) da abusividade da multa de ofício aplicada; b) da inaplicabilidade da multa de ofício em relação ao item 3 do auto de infração; c) da impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 5274DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 12 11 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. PRELIMINARES Nulidade da decisão recorrida Segundo a recorrente, deve ser declarada a invalidade da decisão de primeira instância, por falta de apreciação das provas acostadas na impugnação, as quais correspondiam a, aproximadamente, 15% do valor questionado pela autoridade fiscal. Sem razão. O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado. Assim, o julgador deve analisar os fatos litigiosos à luz da legislação pertinente e justificar suas razões de decidir. Foi o que fez o julgador de piso. Após destacar que a impugnante, ora recorrente, havia apresentado as notas fiscais que justificariam sua tese utilizando um critério de amostragem, a autoridade julgadora analisou os documentos e descreveu os dados coletados para fins de justificar suas conclusões, como se vê do trecho abaixo reproduzido: Vejase, a título de exemplo, os dados abaixo, extraídos da documentação fornecida na impugnação (fls. 2841/3264): [...] Notase, do quadro acima, que um lote de mercadoria destinado a entrega dentro do mesmo município (cidade de São Paulo) levou vinte dias para reingressar ao estabelecimento do fornecedor (NF saída nº 146767, de 30/03/2006; NF entrada nº 007914, de 19/04/2006), o que é completamente injustificável na modalidade de retorno, na qual, repisese, a mercadoria sequer é recebida pelo comprador. Ainda, observase, do quadro acima, a existência do reingresso da mercadoria no estabelecimento do fornecedor antes mesmo da própria “recusa” dada pelo comprador (NF entrada nº 007912, de 19/04/2006; recusa datada de 02/05/2006 e relativa à NF saída nº 147000, de 31/03/2006). Diante disso, é evidente que não houve a “falta de apreciação das provas acostadas na impugnação”, mas apenas a conclusão de que os documentos não serviram para comprovar a tese da defesa. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão. Cerceamento do direito de defesa A recorrente alega o cerceamento, apontando a necessidade de realização de diligência e perícia técnica para analisar todos os documentos relativos às operações questionadas, com base nos quesitos apresentados na impugnação. Pede a análise de sua documentação relativa às vendas não concretizadas, haja vista que, segundo ela, “além de ter incorrido em graves equívocos na compreensão dos fatos e do direito a eles aplicáveis, as DD. Autoridades Fiscalizadoras lavraram a presente exigência com base em presunções e tendo como base um critério de amostragem das notas fiscais de retorno emitidas pela Recorrente”. Fl. 5275DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 13 12 Também questiona a “contabilização de contas de provisões”, visto que teria explicado “de forma detalhada e didática a correta metodologia para apuração dos valores informados em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”). Entretando, a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância ignora completamente essa explicação, aparada por farta demonstração contábil colacionada pela Recorrente nos autos do presente processo administrativo”. Por decorrer daquela primeira alegação (nulidade da decisão), a alegação de cerceamento do direito de defesa também não deve prosperar. Como observado anteriormente, o julgador de primeira instância analisou a documentação juntada aos autos e formou sua convicção, motivando devidamente a decisão. O eventual cabimento de diligência deverá ser decidido pelo colegiado, caso seja considerado útil para fins de formação de convicção pelo julgador de segunda instância. Rejeitase a preliminar. Nulidade do auto de infração A recorrente sustenta, ainda, a necessidade de cancelamento do auto de infração por falta de motivação clara e precisa da autuação, apontando, in verbis: 42.Logo de início, observase que um dos pontos em que se funda a presente autuação diz respeito à suposta omissão de receitas. Contudo, ao consultar o Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração ora impugnado,notase que a D. Fiscalização, questiona a emissão, pela Recorrente, de notas fiscais de "retorno" quando, a seu ver, deveriam ter sido emitidas notas fiscais de"devolução", sendo que para fundamentar tal exigência, faz referências apenas à legislação que rege o IPI e o ICMS. Ora, o que se pode presumir da análise do Auto de Infração, portanto, é que a presente autuação, no que diz respeito à alegação de omissão de receita, se resume tãosomente ao suposto descumprimento de uma obrigação acessória (suposta falta de emissão de notas fiscais de "devolução" ou suposta emissão indevida de notas de "retorno"). 43. Mais adiante, ao questionar supostas provisões constituídas pela Recorrente, a D. Fiscalização limitase a transcrever inúmeros artigos do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), sem, contudo, descrever precisamente as provisões supostamente deduzidas de forma indevida pela Recorrente. Além disso, a D. Fiscalização sequer aponta de forma clara a base de cálculo adotada para o lançamento de ofício em relação a esse item. A declaração de nulidade de um ato administrativo existente no mundo jurídico exige a violação de um de seus requisitos de validade ou eficácia. O auto de infração deve preencher os requisitos previstos no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, Fl. 5276DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 14 13 calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No processo administrativo tributário, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A alegação da recorrente implica na possibilidade de afetar seu direito de defesa em relação à imputação de determinada infração. Todavia, no caso concreto, verificase que os autos de infração trazem a exata descrição do fato gerador, assim como o modo de determinação da matéria tributável e do tributo devido. A recorrente demonstra que bem compreendeu as acusações fiscais, tanto que trouxe para o processo todos os argumentos e provas destinados a refutálas. Inexiste, assim, motivo de nulidade dos autos de infração. Rejeitase a preliminar. MÉRITO Após superadas as preliminares, contudo, verificase a impossibilidade de julgamento do mérito neste momento. Em relação ao primeiro item (omissão de receitas – estorno de vendas), a fiscalização apurou diferença entre os valores de receitas lançados na contabilidade e os montantes declarados na DIPJ, contestando diversas Notas Fiscais de retorno emitidas após a nãoconcretização das vendas nelas registradas, consoante alegação da defesa. Segundo a recorrente, estaria equivocado o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que, uma vez emitida a nota fiscal de venda, os respectivos compradores supostamente teriam recebido as mercadorias e deveriam passar a emitir notas fiscais de Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 15 14 devolução para que as vendas pudessem ser consideradas como nãoconcretizadas e, com base nesse entendimento, ter considerado a receita omitida. Conforme o Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos de infração, foi feita a conciliação dos livros de apuração do IPI e do ICMS com os valores declarados em DIPJ, observada a nomenclatura dos Códigos Fiscais de Operação (CFOP), apurandose diferença de receita, cujo montante não foi contestado pela contribuinte, que alegou se referir a estorno contábil de receita operacional de retorno de mercadoria não entregue ou recebida pelos compradores. Conforme o relatório fiscal, a recorrente foi intimada: Intimado a fazer prova do retorno das mercadorias não entregues, inicialmente o contribuinte apresentou um punhado de cópias de notas fiscais de saída por vendas de mercadorias e um punhado de notas fiscais de entrada de mercadorias, de sua própria emissão, da série única. Em face da fragilidade da prova e considerando a legislação fiscal em vigor, que regula a emissão de nota fiscal de entrada de mercadoria e as motivações que caracterizam e justificam juridicamente o retorno de mercadoria não entregue, o contribuinte foi solicitado a apresentar o jogo completo da nota fiscal de venda, a justificativa subscrita pelo motorista do caminhão que retorna com a mercadoria; e se for o caso a justificativa do comprador para não receber a mercadoria. Considerando o disposto nos arts. 323 e 359 do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002) e após destacar os diversos motivos registrados nas notas fiscais para o suposto retorno (“falta de pedido, apesar do pedido ter sido identificado na nota fiscal de venda”, “diferença de preço”, “falta de espaço para armazenagem”, “entrega próxima ao prazo de validade da mercadoria”), assim concluiu a autoridade fiscal: Nas hipóteses, todos os compradores estavam obrigados a emissão da nota fiscal de devolução. A emissão da nota fiscal de devolução, por obrigação legal, proporciona segurança jurídica às operações de venda e devolução. A falta da nota fiscal de devolução, conforme já destacado, pode majorar custo e ressarcimento dos impostos lançados nas de venda. Em seguida, descreveu: Recebidas as notas fiscais, processamos em planilha. Na primeira coluna transcrevemos a nota fiscal de venda. Na segunda coluna a nota fiscal de entrada, emitida pela Sara Lee (fls. 2137 a 2140). As notas fiscais de retorno totalizaram a importância de R$ 39.087.901,24 e o ICMS a importância de R$ 3.066.975,41. Ao se analisar as notas fiscais, fica provado que o comprador recebe as mercadorias. No verso da primeira via da nota fiscal de venda, uma semana, duas ou meses depois, são consignadas várias observações para justificar o retorno e não recebimento das mercadorias compradas. Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 16 15 Conforme a segunda coluna da planilha (fls. 2137 a 2140), que recebe a transcrição das notas fiscais de entrada, estas são emitidas pela Sara Lee dias depois da emissão da nota fiscal de venda. Vejase a observação da DRJ: Já a Fiscalização entendeu pela obrigatoriedade da emissão de nota fiscal de devolução pelo destinatário da mercadoria, porque teriam sido por ele recebidas, conclusão alcançada dado o lapso de tempo transcorrido nas anotações no verso da nota fiscal de venda e a data de emissão da nota fiscal de entrada das mercadorias no estabelecimento do remetente, que em raríssimas vezes apresentou o jogo completo da nota fiscal de venda, quando intimado. A decisão recorrida manteve a autuação e a recorrente, em seu recurso voluntário, questiona o fato do julgador ter considerado que a documentação por ela apresentada preenche todos os requisitos legais e que as notas fiscais apresentadas na impugnação demonstram que as mercadorias foram efetivamente retornadas, mas concluiu que “os correspondentes documentos não se revelam contemporâneos e verdadeiros quanto ao fato que pretendem comprovar”. Destaquese que a decisão recorrida ainda observou: Acrescentese que a pessoa jurídica fiscalizada informou na sua DIPJ/2007, anocalendário 2006, como Vendas Canceladas, Devoluções e Descontos Incondicionais o total de R$ 9.197.204,42 (linha 08 da Ficha 06 A), valor este o que foi referendado pela própria contribuinte quando intimada a comprovar a quantia assim lançada na declaração, conforme resposta ao Termo de Intimação DRF/BRE/SEORT nº 377/2011, constante de fls. 62, não se justificando, portanto, a alegação trazida por ora da impugnação, de que a diferença apurada pelo Fisco, de R$ 46.857.598,70, em muito superior ao valor declarado, também se reportaria a venda cancelada (retorno). Enquanto a devolução pressupõe o recebimento e a entrada da mercadoria no estabelecimento do destinatário, no retorno, a mercadoria não chega a entrar fisicamente (nem contabilmente) no estabelecimento do destinatário, que recusa o recebimento no ato da entrega. Sobre a emissão de notas fiscais, compete ao contribuinte do IPI observar as regras constantes do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos (Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), especialmente em seus arts.169 e 173 e 323, 333, 339, 342 e 359. Assim, formalmente, no caso de devolução, deve haver o comprovante de recebimento das mercadorias pelo comprador, em canhoto destacável, junto à 1ª via da nota fiscal de saída (venda). Já no caso de retorno, no verso da 1ª via da nota fiscal de saída (venda), deverá constar a justificativa para o não recebimento da mercadoria, subscrita pelo transportador ou pelo comprador. Considerandose a distinção entre devolução (tese da fiscalização) e retorno (tese da recorrente), temse a necessidade de verificação da operação que efetivamente ocorreu no caso concreto. Cabe referir que a decisão recorrida consignou: Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 17 16 Compulsandose os documentos constantes dos autos, apresentados na defesa por amostragem (fls. 2841/3290), registrese que alguns deles se encontram ilegíveis. Das cópias legíveis, notase, na 1ª via das notas fiscais de saída, a justificativa para a recusa das mercadorias (no verso), além de carimbo de passagem pelo Fisco Estadual em alguns dos documentos; e nas notas fiscais de entrada observase a identificação das notas fiscais originais, no campo destinado a Informações Complementares, mostrandose preenchido, portanto, o requisito formal dos documentos fiscais apresentados. De fato, ao compulsar os autos, verificase que diversas notas fiscais apresentadas contêm a informação da recusa do recebimento no verso, na maior parte das vezes, por “desacordo com pedido” ou “falta de pedido”. A recorrente, uma vez intimada a “justificar e comprovar a diferença de R$ 39.861.876,87, entre o total de Receitas com vendas de produção própria para o mercado interno registradas nos Livros Fiscais de Saídas e apresentadas nas linhas 2 e 3 da ficha 6A da DIPJ”, em resposta, datada de 13/09/2011 (fls.20392106), esclareceu que: O saldo de R$ 863.770.931,85, apresentado na DIPJ, é composto pelas contabilizações de receitas com vendas para o mercado interno e receitas destinadas a Zona Franca de Manaus, reduzidas pelo IPI. O saldo de R$ 906.632.808,72 dos livros fiscais de saídas é composto pelas receitas com vendas para o mercado interno reduzidas do IPI. A receita destinada a Zona Franca de Manaus é apresentada separadamente nos livros fiscais, mas é contabilizada e apresentada na DIPJ como vendas para o mercado interno, aumentando a diferença apresentada na intimação em R$ 5.375.099,25, para R$ 45.236.960,78. Segundo ela, a diferença seria composta principalmente por: Notas Fiscais contabilizadas como vendas para o mercado interno, mas registradas nos livros de saídas com CFOPs de vendas para o mercado externo, disponibilizadas na visita de 13 de setembro de 2011; Notas Fiscais de retorno de mercadorias, que são contabilizadas reduzindo as receitas com vendas para o mercado interno, porém são registradas nos Livros Fiscais de Entradas, conforme relação do Anexo II. A recorrente ainda esclareceu que foram disponibilizadas na visita de 13 de setembro de 2011 as cópias das 1ªs vias das Notas Fiscais de Saída e de Entrada, e que, após, foram disponibilizadas as vias originais das Notas Fiscais de Saída e Retorno (incluindo as emitidas após 15 dias da emissão da NF de saída) e apresentou, em anexo ao recurso voluntário, a “relação de Notas Fiscais de Retorno, com correspondente Nota Fiscal de Origem”, totalizando R$ 47.387.138,35. Diante disso, constatase que, a par da documentação juntada aos autos, teriam sido disponibilizadas à autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, todas as notas fiscais que justificariam a diferença apontada. Nesse caso, verificandose a plausibilidade da argumentação da recorrente, bem como a disponibilização das notas fiscais desde o início do procedimento fiscal, cabe, Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 13896.722988/201137 Resolução nº 1202000.204 S1C2T2 Fl. 18 17 neste momento, em busca da verdade material, converter o julgamento em diligência para confirmar o efetivo retorno das mercadorias consoante as notas fiscais juntadas aos autos. Nesse caso, as notas fiscais de retorno ainda podem comprovar a parcela do ICMS destacado, conforme alegado pela recorrente, influenciando na apuração da infração 2. Em relação a autuação referente a parcela de provisões não adicionadas ao Lucro Real (item 4 da autuação), também se faz necessário esclarecer qual o efetiva valor de provisão não dedutível no período, consideradas as alegações da recorrente sobre (i) saldo de abertura, em 1.1.2006, com o valor de R$ 20.314.473,75; (ii) exclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, estornos ou baixas, que totalizaram R$ 167.279.441,41. Esse valor, ressaltese,correspondia a exclusões tanto de valores constituídos em anos anteriores (e,portanto, que estavam incluídos no saldo de abertura acima), como também de valores que foram constituídos no próprio anocalendário de 2006; (iii) inclusões, ao longo desse mesmo anocalendário, ou seja, novas provisões constituídas em 2006, totalizando R$ 169.250.158,18; e (iv) saldo de fechamento, em 31.12.2006, ao valor final de R$ 22.285.190.52. Assim, deve ser convertido o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: (1) em relação ao item 1 da autuação, verifique, dentre as notas apresentadas até a fase recursal, quais aquelas que efetivamente comprovam o retorno da mercadoria e elabore um demonstrativo contendo, ao menos, o número da nota e a data de emissão; (2) em relação ao item 2 da autuação, verifique o montante do ICMS destacado nas Notas Fiscais de retorno de mercadorias devidamente comprovadas, conforme o item anterior; (3) ainda em relação ao item 2 da autuação, confronte com os livros fiscais as justificativas das diferenças apresentadas pela recorrente sobre: (i) ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente, no valor de R$ 2.459.958,63 e (ii) diferenciais de alíquotas de ICMS incidente nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente em outros estados, no valor de R$ 2.142.543,53; (3) em relação ao item 4 da autuação, apure o efetivo valor de provisão não dedutível no período, demonstrando sua composição; (4) apresente relatório conclusivo sobre as verificações determinadas; (5) intime a recorrente do resultado da diligência para que, caso deseje, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias; (6) devolva os autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 15504.000158/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos. em ratificar a decisão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior, Léo Meireles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. Embargos Acolhidos.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, há prova de que houve individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos. em ratificar a decisão, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 01 58 /2 00 8- 41 Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Amilcar Barca Teixeira Junior, Léo Meireles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.000158/200841 Acórdão n.º 2301003.649 S2C3T1 Fl. 3.614 3 Relatório Tratase de Embargos interpostos pela Recorrente que assim relatamos no despacho de admissibilidade: Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Recorrente contra Acórdão, fls. cujo voto vencedor negou provimento ao recurso na parte relativa ao Seguro de Vida em grupo com a seguinte motivação: Não há prova nos autos de que o seguro de vida não tenha individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, o que impede de aplicarmos o conteúdo do Parecer da PGFN. Não sendo cumprido tal requisito e não constando o seguro de vida em acordo coletivo em todo o período, revelase correta a inclusão de tais pagamentos na base de cálculo da contribuição previdenciária. A Embargante aponta que houve omissão/obscuridade na decisão no tocante a análise de provas que correspondem ao Doc. 07, pois este demonstraria que não existe o valor individualizado do montante que beneficia cada um dos empregados. Cita a cláusula 5 da Apólice 93.1.110.702 na parte em que esta fala em capital segurado de 30(trinta)vezes o salário mensal do empregado. Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois apontamos falta de provas nos autos e a embargante aponta objetivamente que existem provas que tratam da questão guerreada. Em face da omissão, os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma. É o relatório. Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Tendo os Embargos sido acolhidos pelo Presidente da Turma, cabenos apreciar o mérito deste. De fato, conforme apontou a embargante, nossa análise não considerou a existência dos documentos do Doc. 07 e devemos sanar tal omissão. No entanto, ao observamos o conteúdo do referido documento permanecemos com a conclusão de que não podemos aplicar as conclusões do Parecer PGFN 2.119/2001, pois há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados. A própria embargante aponta que nas cláusulas das apólices existe a especificação do capital segurado de cada empregado no montante de 30(trinta)vezes o respectivo salário. De fato, nas fls. 1895 encontramos o dispositivo contratual que comprova a existência de capital segurado individualizado, o que impede a aplicação das conclusões do referido Parecer. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E NEGAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a ratificar o dispositivo do acórdão quanto ao seguro de vida. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MAURO JOSE SILVA
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