Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,202)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,251)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,808)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,693)
- Segunda Turma Ordinária d (15,666)
- Segunda Turma Ordinária d (14,180)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,226)
- Segunda Turma Ordinária d (12,209)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,266)
- Quarta Câmara (83,707)
- Terceira Câmara (65,729)
- Segunda Câmara (54,282)
- Primeira Câmara (18,795)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,479)
- Segunda Seção de Julgamen (112,370)
- Primeira Seção de Julgame (74,807)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,896)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,675)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,599)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,199)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,980)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10530.900242/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2004
IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA.
A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário.
Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 2301-006.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA. A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10530.900242/2009-15
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6042583
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.128
nome_arquivo_s : Decisao_10530900242200915.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 10530900242200915_6042583.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7844477
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301836419072
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T13:36:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T13:36:48Z; Last-Modified: 2019-07-30T13:36:48Z; dcterms:modified: 2019-07-30T13:36:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T13:36:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T13:36:48Z; meta:save-date: 2019-07-30T13:36:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T13:36:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T13:36:48Z; created: 2019-07-30T13:36:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-30T13:36:48Z; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T13:36:48Z | Conteúdo => SS22--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10530.900242/2009-15 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2301-006.128 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 04 de junho de 2019 RReeccoorrrreennttee TERMOBAHIA S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA. A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009- 12, paradigma ao qual foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 02 42 /2 00 9- 15 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.128 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900242/2009-15 Relatório Trata-se de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP indicada no referido despacho. O motivo da não homologação da compensação foi o não reconhecimento do direito creditório a que estava vinculada. A interessada foi cientificada do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) em contraprestação a serviços tomados pela requerente, efetuou remessa de capital para empresas sediadas fora do País. Em decorrência, reteve e recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF sob a operação, mas de forma majorada, pois aplicou uma alíquota de 25%, quando esta tinha sido reduzida para 15%, nos termos do art. 2°-A da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada pelo art. 7° da Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001; b) sob tal operação era devida Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE a uma alíquota de 10%, nos ternos do art. 2°, §§ 2° e 4°, da Lei n° 10.680, de 2000, com a redação dada pelo art. 6° da Lei 10.332, de 2001. Entretanto, por equívoco na apuração dos tributos, deixou de recolher os valores devidos a título de CIDE, e recolheu de forma majorada IRRF à alíquota de 25%, conforme já exposto na alínea anterior; c) ao perceber o equívoco cometido, efetuou a transmissão de PER/DCOMP, no qual utilizou o valor do IRRF pago a maior para compensar os valores devidos a título de CIDE. Procedeu, também, a retificação da DCTF, incluindo o débito relativo à CIDE, mas deixou de reduzir o valor correspondente ao IRRF, o que levou a administração tributária a não visualizar o direito creditório; d) acostou aos autos toda a documentação comprobatória dos fatos alegados, e requer que seja reformado o despacho decisório para que seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação; e e) subsidiariamente, caso a decisão seja no sentido de que alíquota aplicável do IRRF era a de 25%, requer que seja reconhecido, também, a inexistência de débitos de CIDE. A DRJ/SDR considerou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que a fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em seu recurso voluntário a recorrente acrescenta as seguintes alegações acerca de sua legitimidade para pleitear o crédito tributário: a) Antes de adentrar no exame da questão principal, é indispensável uma breve exposição de como eram feitos os pagamentos relativos ao contrato de prestação de serviço entre a recorrente e a empresa estrangeira. b) Em razão das remessas dos valores serem efetuadas a países com os quais o Brasil não possuía acordo de tributação, o cálculo do imposto era feita Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.128 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900242/2009-15 através do “Gross Up", ou seja, a importância remetida era considerada como líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. c) Assim, em um exemplo hipotético, sobre uma fatura equivalente a R$ 100,00, não se calculava R$ 25,00 (25%) de imposto de Renda a ser retido, estipulava-se o valor da fatura para fins de retenção como sendo R$ 100/(1-0,25), resultando no valor de R$ 133,33. Sobre este valor aplicavam-se os 25%, resultando em R$ 33,33 de IR a ser retido, mantendo-se o valor da remessa ao beneficiário em R$ 100,00. d) Tal operação era realizada com vistas a evitar a bitributação internacional. A Termobahia S/A assumia o encargo financeiro relativo ao imposto sobre a renda brasileiro, ficando a empresa contratada com o dever de suportar o encargo relativo ao imposto sobre a renda do seu respectivo país. e) Em uma análise mais acurada, percebe-se que além do dever de efetuar a retenção e o repasse do IRRF, todo o ônus financeiro do respectivo tributo também ficou a cargo da Termobahia S/A. f) Através dos documentos acostados aos autos, facilmente se verifica que importância remetida era considerada como liquida, havendo um reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. Veja-se que entre a recorrente e a empresa contratada foi estipulado valor menor do que aquele sujeito à incidência do IRRF. g) Conforme de depreende do DARF e do comprovante de depósito acostado aos presentes-autos, o valor pago a título de IRRF é superior a 25% do valor líquido remetido. Veja-se que houve o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre qual recaiu o tributo. h) Vale lembrar que a prática do “Gross up" é plenamente admitida pelo Ordenamento Jurídico pátrio. O art. 59 do diploma normativo que dispõe sobre a legislação de rendas e proventos de qualquer natureza, Lei 4.154/62, possibilita que a fonte pagadora assuma o ônus do imposto devido pelo beneficiado. Para tanto, deve-se considerar a importância remetida como líquida, cabendo o reajustamento do rendimento bruto, sobre o qual recairá o tributo. i) Nesta linha, calculado o valor do tributo através do “Gross Up", resta indiscutível que o encargo financeiro do IRRF foi assumido pela Termobahia S/A, cabendo a esta pleiteara sua repetição. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2301-006.104, de 04/06/2019, Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.128 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900242/2009-15 proferido no julgamento do processo nº 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 2301- 006.104): O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Cumpre destacar que é possível a fonte pagadora assumir o encargo financeiro do recolhimento o valor do Imposto de Renda na Fonte, obrigando-se à recomposição do montante da tributação incidente (gross up). Ou seja, a metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. Se, por exemplo, no contrato está previsto o preço de R$ 100,00 para que seja possível reter os 15% do valor do IRRF devido preservando o valor original, é preciso considerar que esses R$ 100,00 são apenas 85% do valor, sob pena de ver-se modificado o preço transacionado, senão vejamos: Se simplesmente se aplica a alíquota de 15% sobre o valor de R$ 100,00 considerando que o valor total do Imposto integra a renda, a transação passa a ser de R$ 115,00. Só que, daí, se o valor do negócio é de R$ 115,00 aplicando-se a alíquota de 15%, chega-se a um Imposto de R$ 17,15. Inicialmente, entendi que haveria uma dúvida sanada pela fiscalização: se no cálculo do IRRF houve efetivamente a adoção do critério conhecido como “gross up”, no qual o valor do tributo devido está dentro do valor contratado, ou seja, se o imposto de renda que incide sobre o total da renda, no qual o cálculo deve ser feito de tal sorte que, após deduzido o valor do Imposto, a renda permaneça sendo aquela avençada. Ocorre que, tratam-se de pedidos de compensação de suposto crédito de IRRF incidente sobre remessas ao exterior com a CIDE. O crédito decorreria da diferença de alíquota em face do que consta da Lei nº 10.168/2000. Ocorre que, na hipótese de existir a diferença de alíquota alegada (essa hipótese deverá ser objeto de análise pela instância anterior), a compensação somente poderia ser deferida se o contribuinte, responsável pela retenção, comprovasse ter suportado o ônus do tributo ou, do contrário, comprovar ter restituído o valor ao contratado, de quem teria retido indevidamente. Ciente disso, o recorrente esclareceu que dentre os vários contratos feitos pela Termobahia, há alguns em que ela assumiu integralmente o ônus tributário e, em outros, o ônus ficou a cargo do contratado. Analisando o presente processo, que foi indicado como paradigma, percebe-se que o valor da remessa (USD 120.652,00) correspondeu a R$ 375.348,37. Fazendo o cálculo "por dentro" à Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.128 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900242/2009-15 alíquota de 25%, resulta em uma base de cálculo de R$ 500.423,01 e um IRRF de R$ 125.074,64. O valor recolhido foi de R$ 125.103,61. Ou seja, pelo que consta dos autos, parece-me que, pelo menos no caso do processo paradigma, o contribuinte seria parte legítima para pleitear porque assumiu integralmente o ônus tributário. Nesse caso, o processo deveria retornar à primeira instância para análise do alegado direito creditório, já que o acórdão a quo não avançou nessa análise por entender que a parte não era legítima para pleitear o indébito. Contudo, tal argumento foi analisado pelo órgão julgador de primeira instância se o contribuinte comprovou que fez a retenção do valor e devolveu ao contratado a quantia retida a maior. O contribuinte alegou que arcou com o ônus tributário, mas, nesse caso, teria que demonstrar haver recolhido o IRRF na alíquota de 25% (que ele alega ser incorreta, pois o devido seria 15%), mas não juntou o contrato onde alega que esse ônus lhe caberia e por isso a decisão guerreada entendeu por sua ilegitimidade para pleitear a compensação dos supostos créditos. Ante ao exposto, Voto no sentido de Negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente feito, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, tendo em vista que também neste processo o recorrente não juntou aos autos o contrato celebrado com o prestador do serviço. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914009/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Dezembro de 2001; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 1074 efetivamente se refere a esta parcela; e (iii) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.914009/2009-11
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6044694
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-001.845
nome_arquivo_s : Decisao_10980914009200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10980914009200911_6044694.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Dezembro de 2001; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 1074 efetivamente se refere a esta parcela; e (iii) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7849138
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301846904832
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T16:18:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T16:18:33Z; Last-Modified: 2019-07-30T16:18:33Z; dcterms:modified: 2019-07-30T16:18:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T16:18:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T16:18:33Z; meta:save-date: 2019-07-30T16:18:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T16:18:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T16:18:33Z; created: 2019-07-30T16:18:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-30T16:18:33Z; pdf:charsPerPage: 2163; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T16:18:33Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.914009/2009-11 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401-001.845 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Assunto IPI - DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Dezembro de 2001; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. 1074 efetivamente se refere a esta parcela; e (iii) após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica nº 00164.39208.120406.1.3.04-3087, transmitida em 12/04/2006, por meio da qual o contribuinte solicita compensação de débito de IRPJ no valor de R$128.092,27 com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IPI no valor original de R$72.565,30, atualizado até a data da compensação para R$128.092,27. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 14 00 9/ 20 09 -1 1 Fl. 110DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3401-001.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914009/2009-11 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (DRF-CTA) decidiu pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório emitido em 11/05/2009, à folha 02, com base na constatação da inexistência do crédito pleiteado, tendo em vista que foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) um pagamento com o DARF indicado na DCOMP integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Regularmente cientificada, a empresa apresentou, em 16/06/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/16, nos seguintes termos: 0 v. entendimento decorre de um pagamento de DARF de IPI referente ao período de apuração 20/12/2001 no valor de R$413.063,12 (anexo 4), após novas apurações de IPI, identificamos um pagamento a maior no valor de R$72.565,30 declarado em DCTF retificadora nº 23.51.35.39.62 entregue no dia 29/06/2006 (anexo 5) e o crédito foi atualizado até a data da entrega e também demonstrado em PER/DCOMP em 12/04/2006 sob nº 00164.39208.120406.1.3.04-3087 no valor de R$128.092,27 (anexo 6) e para os débitos apresentamos PER/DCOMP compensando com débitos de IRPJ código 2362-01 no valor de R$128.092,27 entregue com PER/DCOMP nº 00164.39208.120406.1.3.04-3087 entregue no dia 12/04/2006 (anexo 6), todos os débitos estão declarados em DCTF retificadora entregue no dia 23/11/2006 sob nº 02.90.05.79.77-03 (anexo 7). A DRJ - Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão de 29/10/2014, proferiu o Acórdão nº 14-54.292, às fls. 46/49, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 05/10/2015, conforme “Aviso de Recebimento” (AR) à fl. 52. Irresignado com a decisão da DRJ-RPO, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/11/2015, às fls. 65/74 , in verbis: Em sua MI, a Recorrente explicitou que a retificação se mostrou necessária porque, após novas apurações do IPI, foi observado que o imposto originalmente declarado para o período era superior ao efetivamente devido, o que gerou um crédito oriundo do referido DARF, no valor de R$ 72.565,30 (R$ 453.346,52 — R$ 380.781,22 = R$72.565,30), devidamente corrigido e justificado pela Contribuinte na retificadora entregue em 29.06.2006. (...) In casu, contudo, em vez de diligenciar nesse sentido, averiguando a real composição do IPI em apreço, a autoridade administrativa acabou optando pela solução mais simplista e rigorosa (formal), a não homologação do pedido. De todo modo, nesta oportunidade, em complementação aos documentos já apresentados com a sua manifestação de inconformidade, a Recorrente anexa fotocópia Fl. 111DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3401-001.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914009/2009-11 do livro de apuração do IPI do período, no qual constam os registros de entradas/saídas e o demonstrativo de apuração do imposto, atestando que o tributo efetivamente devido no segundo decêndio de 12/2001 era da ordem de R$380.781,22. (...) Alternativamente, acaso V. Sas. entendam por bem em não anular a decisão de primeira instância administrativa, por economia processual, de qualquer modo, o presente feito deve ser baixado em diligência, como forma de propiciar os elementos necessários à verificação da verdade material no caso concreto. Ou seja, ainda que não se anule o acórdão recorrido, a diligência fiscal é medida que se impõe para a correta solução da controvérsia, o que deverá ser determinado por esse Conselho. (...) Consoante já destacado, a Recorrente informou no PER/DCOMP que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$413.063,12, referente ao código de receita 1097, vencimento 28/12/2001. Tal recolhimento, na realidade, representava parte do IPI do período de apuração do 2° decêndio de 12/2001, o qual, originalmente, era composto pelo DARF acima indicado e por recolhimento via depósito judicial, no valor de R$40.283,40, conforma comprovante anexo e informação contida na DCTF. A soma dos dois recolhimentos, portanto, totaliza o valor declarado na DCTF original (R$ 413.063,12 + R$ 40.283,40 = R$ 453.346,52), posteriormente retificado para R$ 340.497,82, dando origem ao crédito compensado. Portanto, após recalcular o tributo devido, a Recorrente constatou que o valor a ser utilizado do mencionado recolhimento de R$ 413.063,12 corresponderia a R$340.497,82, alocando em DCTF o respectivo pagamento, como se infere do teor da DCTF retificadora entregue em 29.06.2006 (teor anexo à MI). Conforme se constata da documentação que acompanha a MI, houve, de fato, um excesso de pagamento do IPI da ordem de R$72.565,30 (montante originário, sem considerar a atualização monetária de direito), integralmente utilizado no PER/DCOMP objeto do presente processo administrativo-fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe destacar que o contribuinte realmente efetuou, antes da emissão do Despacho Decisório que analisou sua DCOMP, a retificação da DCTF, diminuindo o valor do débito de IPI no 2º decêndio de Dezembro de 2001 de R$453.346,52 para R$340.497,82. Segundo consta na DCTF retificadora, à fl. 36, parte deste valor, R$ 40.283,40, estava com exigibilidade suspensa. O valor restante, R$ 340.497,82, teria sido extinto através de pagamento: Fl. 112DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3401-001.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914009/2009-11 O contribuinte anexou, à fl. 34, Comprovante de Arrecadação para o referido pagamento de IPI no valor de R$ 413.063,12. Assim, à princípio, teria efetuado um pagamento a maior. Ocorre que, à fl. 36, constata-se que o contribuinte cometeu um erro no preenchimento da DCTF retificadora, pois informou que o “Valor do Principal”, que é o valor do débito, é de R$413.063,12, enquanto que o “Valor Pago do Débito”, que é o valor efetivamente pago pelo contribuinte, foi de R$340.497,82: Fácil compreender que os valores foram trocados: o valor do principal (valor do débito de IPI sem multas nem juros) deveria ser R$340.497,82, enquanto o valor pago deveria ser R$413.063,12. Assim, com base nessas informações, verifica-se que foi correta a decisão contida do Despacho Decisório, pois teve por fundamento as informações prestadas pelo próprio contribuinte, ainda que de forma equivocada. Há, portanto, indícios de haver um erro material de preenchimento da declaração, que pode ser esclarecido através da apresentação de documentos comprobatórios. Vale destacar, no entanto, que tal comprovação documental poderia ser exigida mesmo que o preenchimento da DCTF (original ou retificadora) tivesse sido correto, pois a competência fiscalizatória das Autoridades Tributárias é inafastável. Em sua Manifestação de Inconformidade, o recorrente alega unicamente que procedeu à retificação da DCTF antes do Despacho Decisório, reduzindo o valor do tributo para aquele que entende ser o correto, sem ao menos explicitar qual o motivo para esta redução no valor do tributo devido, muito menos apresentar provas documentais. Logo, pelo quanto exposto, verifico também que, com base nas informações e documentos que constavam nos autos, à época, a DRJ-RPO analisou corretamente a lide, como se verifica do seguinte excerto do seu Acórdão: Fl. 113DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3401-001.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914009/2009-11 Por conseguinte, não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma eventual DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9.784/99. Realmente, quando o contribuinte apresenta DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de não homologação, ou mesmo antes deste, só se admite a redução do débito mediante comprovação do erro incorrido na DCTF original, demonstrado pelo contribuinte, com base em escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte, como notas fiscais. Esta é a regra estabelecida pelo art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E nos processos em que o contribuinte reivindica um direito de crédito contra a Fazenda Nacional, tem-se que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; A decisão da DRJ negou provimento ao pedido do recorrente, sob o fundamento de que, apesar de lhe caber a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF retificadora e que o valor efetivamente devido é menor que o débito confessado, nada trouxe aos autos como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. À vista do que constava nos autos, a decisão da DRJ é irretocável. O recorrente, então, apresentou Recurso Voluntário, anexando, às fls. 102/105, cópia do seu livro “Registro de Apuração do IPI”, pelo qual constata-se, à fl. 105, que o saldo devedor do IPI registrado pelo contribuinte foi, efetivamente, no montante de R$380.781,22, existindo, assim, indícios do direito pleiteado, a serem confirmados pelo exame da documentação fiscal que lhe dá suporte, como, por exemplo, as notas fiscais de aquisições e as de saída de produtos, a fim de verificar o correto valor dos débitos pelas saídas, bem como dos créditos pelas aquisições. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), à vista dos documentos apresentados e de outros que julgar necessários, se manifeste conclusivamente, mediante relatório circunstanciado, acerca: (i) de qual o valor efetivamente devido de IPI no período de apuração do 2º decêndio de Dezembro de 2001; (ii) da existência de medida judicial ainda vigente que garanta a suspensão da exigibilidade de parcela do débito, conforme informado na DCTF retificadora, bem como se o Comprovante de Arrecadação anexado à fl. Fl. 114DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3401-001.845 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.914009/2009-11 1074 efetivamente se refere a esta parcela. Após, cientifique o Recorrente para, querendo, manifestar-se em trinta dias, retornando-se os autos a este CARF após esgotado esse prazo. (assinado digitalmente) Lazaro Antônio Souza Soares - Relator Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002443/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL.
É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal.
REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA.
Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintitivos do lançamento.
BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento.
DECADÊNCIA. FRAUDE.
Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 2202-004.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela correspondente aos depósitos bancários efetuados nas contas dos Bancos Banerj (3419-19809-2) e Itaú (0417-26107-0), e para exonerar a cobrança da multa isolada do carnê-leão, a qual não poderia ser cobrada em concomitância com a multa de oficio no período sob exame, vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, que deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto (Relatora), Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ANDREA DE MORAES CHIEREGATTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintitivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.002443/2003-13
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6061471
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.856
nome_arquivo_s : Decisao_18471002443200313.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANDREA DE MORAES CHIEREGATTO
nome_arquivo_pdf_s : 18471002443200313_6061471.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela correspondente aos depósitos bancários efetuados nas contas dos Bancos Banerj (3419-19809-2) e Itaú (0417-26107-0), e para exonerar a cobrança da multa isolada do carnê-leão, a qual não poderia ser cobrada em concomitância com a multa de oficio no período sob exame, vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto (Relatora), Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7898777
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301871022080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 942 1 941 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002443/200313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.856 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Recorrente FRANCISCO XAVIER DE VASCONCELOS BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintitivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela correspondente aos depósitos bancários efetuados nas contas dos Bancos Banerj (3419198092) e Itaú (0417261070), e para exonerar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 43 /2 00 3- 13 Fl. 942DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 943 2 cobrança da multa isolada do carnêleão, a qual não poderia ser cobrada em concomitância com a multa de oficio no período sob exame, vencido o conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Andréa de Moraes Chieregatto (Relatora), Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pela Relator no repositório oficial do CARF: Por bem descrever os fatos, adoto na integralidade, o relatório da então Conselheira Relatora constante da Resolução nº 2202000.794 desta Turma Ordinária: “Trata se de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 1998, no valor total de R$ 168.884,74 compreendendo imposto, multa de ofício e juros de mora, em razão das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; c) falta de recolhimento do IRPF devido à título de CarnêLeão; O contribuinte tomou ciência do auto de infração por via postal em 13/11/03 (fls. 582/583 numeração do eprocesso) e apresentou a impugnação de fls. 585/609, na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista que não recebeu cópias dos documentos e que a fiscalização não teria feito as diligências necessárias o que teria impossibilitado uma defesa ampla e irrestrita; c) os depósitos na conta do Itaú nº 0417261070, nos valores de R$ 250,00, R$ 150,00 e R$ 250,00, nos dias 09/07, 23/11 e 25/11/98, respectivamente, seriam provenientes da conta 0406304782 de sua esposa. No mesmo sentido, o depósito de R$ 25,00 na conta 0417420544 do Itaú foi classificado como não comprovado; d) independente de comprovação, o lançamento nº 482 da conta 0417420544 se trataria de resgate de plano de previdência regido pela própria instituição informante, em nome de Sergio Dias Gaspar; Fl. 943DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 944 3 f) o sigilo bancário teria sido quebrado por determinação de um funcionário de nível intermediário da Receita Federal. Contesta a emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira; g) alega que para todo crédito realizado no Banco Itaú haveria uma saída correspondente, assim estaria comprovado que a conta era utilizada para seu trabalho como advogado, administrando imóveis. h) ilegalidade da quebra do seu sigilo bancário e que a fiscalização teria aplicado equivocadamente a Lei nº 10.174/01 que modificou o §3º da Lei nº 9.311/96, havendo desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a impugnação (fls. 436/456) em decisão cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário 1998. NULIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235. de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de fiscalização ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das atividades administrativas. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). NOVA REDAÇÃO DO §3º DO ART. 11 DA LEI Nº 9.311, DE 1996, DADA PELA LEI Nº10.174, DE 2001. A Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, permitindo cruzamento de informações relativas à CPMF para constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Receita Federal, é norma disciplinadora do procedimento de fiscalização em si, e não dos fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 945 4 Diante dos fatos que demonstram que o autuado recebeu rendimentos considerados omitidos, há que ser mantida a infração tributária imputada ao contribuinte. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa esta reservada ao Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a prova documental será apresentada na impugnação. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para formação de convicção pela autoridade julgadora. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. Será exigida multa isolada de que trata o inciso I ou II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 1º, inciso II, da IN SRF nº 46/97, tendo como base de cálculo o imposto de renda devido pelas pessoas físicas sob a forma de recolhimento mensal (carnêleão) não pago. Cientificado da referida decisão (AR fls. 715) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 716/778, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação.” Em sessão de 09/08/2017, esta Turma Ordinária decidiu, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência através da Resolução nº 2202000.794 (fls. (782/786 eprocesso), nos termos do voto da então Conselheira Relatora, abaixo transcrito: “O Recorrente alega, desde a sua impugnação, que as contas correntes de nº 19809 do Banerj e de nº 0417264070 do Banco Itaú eram contas conjuntas com sua esposa e que esta não foi intimada, bem como os valores dos depósitos não comprovados não foram divididos em 50% como determina a lei. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 946 5 A decisão recorrida, no entanto, negou provimento à mencionada alegação sob os seguintes fundamentos: “O autuado aduz que as contas correntes de nº 19809 do Banerj e nº 04172610 do Banco Itaú também seriam conjuntas. Entretanto, o contribuinte equivocouse ao fazer tal afirmação. Analisandose o extrato bancário da referida conta nº 19808, do Banerj (fls. 57, entre outras), não há nele qualquer menção de que essa conta seria conjunta, em 1998. Inclusive, o documento juntado aos autos pelo contribuinte (fls. 419) não comprova que no ano de 1998 tal conta seria conjunta. Ademais, nesse mesmo documento de fls. 419 consta que a conta corrente foi recadastrada e a data da última alteração foi 19/11/03. Em relação à conta corrente nº 0417267070 do Banco Itaú, o impugnante também não tem razão. Pode ser observado, na ficha cadastral da supracitada conta à fls. 53, que não existe nenhuma informação de que a referida conta poderia ser conjunta. Até mesmo, o documento juntado ao processo pelo Impugnante (fls. 418) não demonstra que no ano de 1998 essa conta corrente seria conjunta. Além disso, nesse mesmo documento de fl. 418 está escrito que a conta corrente foi recadastrada e a data da última alteração foi 05/12/03. Portanto, não há que se falar em dividir os valores dos depósitos para efeito de lançamento, muito menos em diminuição do imposto apurado. Todavia, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, ao analisar os extratos de fls. 680 e 681 (numeração do eprocesso) verificase que ambas as contas são conjuntas. Consta dos referidos documentos que as mencionadas contas foram recadastradas em 05/12/2003 e 19/11/2003. Tais fatos, todavia, não levam a conclusão, como fez a decisão recorrida, de que tais contas não eram conjuntas à época da ocorrência do fato gerador. Ademais, o contribuinte alega que sua esposa, cotitular das mencionadas contas, não foi intimada do mencionado trabalho fiscal. A decisão recorrida não se manifestou sobre esse fato, uma vez que partiu do pressuposto que o fato das referidas contas teriam sofrido alteração (sem mencionar que alteração seria essa) fato que desqualificaria a prova juntada pelo Impugnante, ora Recorrente. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade fiscal informe se as contas correntes de nº Ag: 0417 conta: 261070 (Banco Itaú) e Ag 3419 conta: 198092 (Banerj) eram conjuntas no ano de 1998, podendo, para tanto, fazer as intimações que se fizerem necessárias; b) havendo cotitulares no exercício de 1998, informe e comprove a DRF de origem se Helena Cristina D. de Oliveira, CPF 766.802.90791 foi intimada a justificar, individualizadamente, a origem dos depósitos nelas efetuados; c) Após, dêse vista ao contribuinte para manifestarse no prazo de 30 dias." Fl. 946DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 947 6 Em 21/02/2018 foi proferido despacho de encaminhamento dos autos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (fls. 795), a qual, em cumprimento à Resolução nº 2202000.794, intimou o contribuinte a apresentar os seguintes esclarecimentos e documentos no prazo de 10 dias (Termo de Diligência Fiscal nº 07.1.09.00 2018000528 – fls. 797/799): 1. Apresentar documentação comprobatória hábil e idônea de que suas contas correntes abaixo discriminadas eram conjuntas durante os meses de JAN/1998 a DEZ/1998, bem como identificação (nome e CPF) de quem era(m) o(s) cotitular(es); CORRENTISTA: FRANCISCO XAVIER DE VASCONCELOS BARBOSA Banco Agência Contacorrente BANERJ 3419 198092 ITAÚ S/A 0417 261070 2. Caso deseje autorizar que este Fisco Federal solicite também tais informações às Instituições Financeiras, o contribuinte deverá apresentar o “Termo de autorização para acesso às informações bancárias” em anexo, devidamente preenchido. A resposta deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. Cabe ressaltar que, sempre que possível, os elementos solicitados acima deverão ser apresentados à RFB em meio digital no formato PDF (Portable Document Format), sendo autenticados pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponibilizado na página da RFB na internet, e vir acompanhados do “Recibo de entrega de Arquivos Digitais” emitidos pelo SVA. Os arquivos deverão ser, preferencialmente, gravados em CD não regravável, padrão de gravação ISO9660 ou DVD não regravável, padrão de gravação UDF, com a identificação externa do seu conteúdo.” Posteriormente foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal (fls. 804/806), entregue ao Recorrente em 09/04/2018 (Comprovante do AR às fls. 810). Em resposta aos referidos termos, o Recorrente apresentou petição (fls. 811/813), acompanhada dos seguintes documentos (fls. 816/826): • Cópia de consulta de dados pessoais do titular da conta nº 261070, agência 0417, Banco Itaú (Francisco Xavier V. Barbosa, CPF: 661.188.407 68) e da cotitular (Helena Cristina Dias de Oliveira Barbosa, CPF: 766.802.90791), com data de abertura em 09/04/1990 e datas de últimas alterações em 06/12/2005 e 08/12/1994, respectivamente; Fl. 947DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 948 7 • Cópia de consulta de dados pessoais do titular da conta nº 129682, agência 6124, Banco Itaú (Francisco Xavier V. Barbosa, CPF: 661.188.407 68), na qual consta referência à conta do Banco BANERJ nº 198092, agência 3419, e da cotitular (Helena Cristina Dias de Oliveira Barbosa, CPF: 766.802.90791), com data de abertura em 02/12/1987 e datas de últimas alterações em 26/02/2018 e 17/09/2004, respectivamente; • Cópia de folha de cheque da conta nº 3419198092 do Banco BANERJ S.A, onde constam os nomes de Francisco e Helena, bem como o texto “cliente desde 12/1987”; • Cópia de recibo de entrega de talões de cheques com os nomes de Francisco e Helena; e • Termo de autorização para acesso às informações bancárias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ, Divisão de Fiscalização, expediu, ainda o Ofício nº 036/2018, datado de 02/05/2018, endereçado ao Banco Itaú (fls. 827/829) requerendo que o Banco informasse se as contas correntes do Banerj (nº 198092) e do Itaú (nº 261070) eram conjuntas nos meses de janeiro a dezembro de 1998 e, no caso de serem conjuntas, informasse os nomes e CPFs dos titulares, apresentando documentação comprobatória. Em 07/06/2018, a DRF/RJII/Difis expediu novo Ofício ao Banco Itaú (Ofício nº 050/2018 fls. 830/831), reintimando o Banco a apresentar as referidas informações e documentos. O Banco Itaú, em resposta, expediu o Ofício nº 036/2018 (fls. 832/872), no qual informa que localizou cópia das propostas de abertura das contas correntes de titularidade do Recorrente mantidas no Banerj (nº 198092) e no Banco Itaú (nº 261070), as quais apontavam a cotitularidade da esposa do Recorrente, Sra. Helena Cristina Dias de Oliveira CPF: 766.802.90791. Considerando que a resposta do Banco Itaú não respondeu integralmente os Ofícios nºs 036/2018 e 050/2018, a DRF/RJII/Difis expediu novo Ofício ao Itaú (Ofício nº 053/2018 – fls. 873/875), requerendo fossem respondido, de forma objetiva (sim ou não), se as contas do Banerj (nº 198092) e do Banco Itaú (nº 261070) eram conjuntas durante os meses de janeiro/1998 a dezembro/1998. Às fls. 876/919 consta nova resposta ao Banco Itaú, que informa que as referidas contas correntes têm como titular o Recorrente e como cotitular a sua esposa. Foram apresentas, ainda, cópia de abertura das contas correntes nº 198092 (Banerj) e nº 261070 (Banco Itaú). Nos termos do Relatório de diligência fiscal (fls. 920/926), a DRF/RJII/Difis, informou que: “Com intuito de realizarmos o procedimento fiscal de diligência para fins de coleta de informações e instrução processual, consoante o disposto no art. 2º do Decreto nº 3.724/2001 e art. 3º, inciso II da Portaria RFB nº 6.478/2017, efetuamos as seguintes providências: Fl. 948DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 949 8 Quanto ao item “a” da Resolução do CARF, acima mencionada: Em 07/03/2018 e 22/03/2018 (fls. 797/810), lavramos Termos de Diligências Fiscais, intimando e reintimando, respectivamente, o contribuinte Francisco para apresentar os seguintes elementos: Apresentar documentação comprobatória hábil e idônea de que suas contas correntes abaixo discriminadas eram conjuntas durante os meses de JAN/1998 a DEZ/1998, bem como identificação (nome e CPF) de quem era(m) o(s) cotitular(es). (...) Em sua resposta, datada de 04/06/2018 (fls. 832/872), o Banco Itaú apresenta cópia da proposta de abertura das contascorrentes, que mantém como titular o Sr. Francisco Xavier de Vasconcelos Barbosa e como co titular a Sra. Helena Cristina Dias de Oliveira, CPF nº 766.802.90791, com data de abertura da contacorrente no Banco BANERJ em 02/12/87 (3419 198092) e no Banco ITAU em 09/04/90 (0417261070), sem afirmar se no período em tela (anobase 1998) as contascorrentes eram conjuntas. Dessa forma, não tendo sido atendida integralmente à solicitação Fiscal, encaminhamos Ofício nº 053/2018/DRF/RJII/Difis (fls. 873/875), reiterando solicitação para que a instituição financeira informasse objetivamente (sim ou não) se as citadas contascorrentes do correntista Francisco Xavier Vasconcelos Barbosa, CPF: 661.188.40768, eram conjuntas ou individuais nos meses de JAN/1998 a DEZ/1998. Posteriormente, o Banco Itaú apresenta resposta, datada de 11/07/2018 (fls. 876/919), fornecendo praticamente as mesmas informações da resposta anterior. Informa que, após pesquisas aos setores competentes da Instituição, verificou que as contas têm como titular o Sr. Francisco Xavier de Vasconcelos Barbosa e como cotitular a Sra. Helena Cristina Dias de Oliveira, CPF nº 766.802.90791, e anexa novamente cópia das propostas de abertura das contascorrentes do Itaú e do Banerj. Aduz ainda que o ofício anterior fora respondido integralmente. Relativamente ao item “b” da Resolução do CARF: Informamos que, do exame dos autos do processo administrativo fiscal nº 18471.002443/200313, não foi localizada intimação para que a contribuinte Helena Cristina D. de Oliveira, CPF 766.802.90791, justificasse, individualizadamente, a origem dos depósitos nelas efetuados. Pertinente ressaltar que no eprocesso nº 18471.002443/200313 (digital) não foram localizadas as folhas de números 01 a 199 do processo físico, haja vista que nos volumes 01 e 02 do processo digital (fls. 01/250 e 458/707, respectivamente), foram digitalizadas as folhas de nº 200 a 445 do processo físico.” Intimado do resultado da diligência, o Recorrente apresentou a manifestação (fls. 935/937). Após os autos retornaram ao CARF e foram encaminhados para novo sorteio (fls. 940), tendo em vista que a então Conselheira Relatora não mais compunha o colegiado. É o relatório. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 950 9 Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pela Relatora no repositório oficial do CARF: Como já analisado no r. despacho a quo, o recurso voluntário é tempestivo, devendo prosseguir com a sua análise e julgamento. Cerceamento do Direito de Defesa Primeiramente, destacase que o lançamento observou os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como que não foi identificada violação das disposições contidas no artigo 59 do referido Decreto. Conforme se constata dos autos, as rejeições de documentos como prova da origem e natureza dos ingressos nas contas bancárias do recorrente, tidos como “não comprovados”, foram devidamente fundamentadas nas Notas Explicativas que acompanharam o Auto de Infração (fls. 301/319), bem como no Acórdão recorrido (fls. 646/649), deixando claro a insuficiência da documentação probante trazida em relação às infrações combatidas. A satisfação probatória da Autoridade Fiscal é uma de suas prerrogativas, podendo e devendo investigar os fatos até que se convença da existência ou não de infração. Verificase que durante a ação fiscal foi solicitada e reiterada inúmeras vezes, por Termos de Intimação, a apresentação de documentos hábeis para esclarecer os questionamentos da autoridade, textualmente especificando aquilo que era almejado. Ainda, devese frisar que o presente caso versa sobre infração de omissão de rendimentos, sendo expressamente aplicado o art. 42 da Lei nº 9.430/96, instruído com planilhas que apontam clara e individualmente todos os créditos questionados. Desse modo, mesmo que no momento fiscalizatório determinada documentação tenha sido rejeitada como prova, o recorrente teve todo o direito de apresenta los novamente, em sede de impugnação, dentro de ambiente contencioso, efetivamente carreando aos autos provas que julga serem bastantes, sendo tal conjunto submetido à dupla análise jurisdicional administrativa. Isto posto, não se vislumbra a ocorrência de cerceamento de defesa ou violência ao contraditório. Tanto assim é que o contribuinte trouxe longas defesas e acostou diversos documentos aos autos, os quais foram devidamente submetidos à análise pela DRJ a quo. Assim, afastase a alegação preliminar de nulidade do lançamento. Irretroatividade da legislação tributária Fl. 950DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 951 10 O recorrente alega que a Lei nº 10.174/2001 e a Lei Complementar nº 105/2001 não poderiam retroagir para alcançar fatos geradores anteriores. Entretanto, não lhe assiste razão. A Lei Complementar nº 105/2001 assim dispõem em seu art. 6º: “Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” Por sua vez, o art. 144 do CTN estabelece que: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Ora, enquanto o caput do art. 144 do CTN impõe regra de direito material, o parágrafo 1º se refere aos aspectos formais do lançamento, ou seja, aos procedimentos. Assim, a Lei Complementar nº 105/2001 se aplica imediatamente ao tempo do lançamento, tendo em vista que apenas ampliou os poderes investigativos das autoridades fiscais. Neste sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no julgamento, sob a sistemática dos recursos repetitivos, do Recurso Especial nº 1.134.655/SP (Dje de 15/10/2009). No mesmo sentido, dispõe a Súmula CARF nº 35, vinculante conforme a Portaria MF nº 383/2010, que “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. Quebra do Sigilo Bancário / Lançamento com base em dados da CPMF Nos casos de procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas contas bancárias contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Arguição de Inconstitucionalidade – Súmula CARF Fl. 951DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 952 11 Nos termos da Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Decisões administrativas Conforme bem decidiu a DRJ, as decisões administrativas citadas pelo recorrente não são normas complementares, de que trata o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das instâncias julgadoras. Presunção Omissão de Rendimentos No caso dos autos, os depósitos bancários identificados como não comprovados podem ser divididos em três grupos, a saber: a) Depósitos realizados por cotitulares: Nos termos do Relatório de diligência fiscal (fls. 920/926), a DRF/RJII/Difis informou que intimou e reintimou o Banco Itaú para que este informasse se as contas correntes do Banerj (nº 198092) e do Itaú (nº 261070), de titularidade do recorrente, eram ou não contas conjuntas nos meses de janeiro a dezembro de 1998 e, no caso de serem conjuntas, para informasse os nomes e CPFs dos titulares, apresentando documentação comprobatória. Informa referido relatório também que, apesar do Banco Itaú ter apresentado resposta ao Ofício nº 036/2018 e ao Ofício nº 050/2018 e ter acostado cópia das propostas de abertura das contascorrentes do Banco BANERJ (3419198092) e do Banco ITAU (0417 261070) nas quais constavam que a esposa do recorrente, Helena Cristina Dias de Oliveira, CPF nº 766.802.90791, era cotitular das mesmas , o Banco não teria afirmado objetivamente se, no referido período, referidas contascorrentes eram conjuntas ou não. Entretanto, analisando os documentos juntados aos autos, entendo que existem elementos para afirmar que as referidas contas eram conjuntas. Nesse sentido, apesar de o Banco Itaú não ter esclarecimento se nos meses de janeiro a dezembro de 1998 as contas nº 3419198092 e nº 0417261070 eram de titularidade do recorrente e de sua esposa, verifico, da consulta de dados pessoais de titular da conta nº 0417261070 (fls. 820/821 processo físico), que a referida conta foi aberta em 09/04/1990 e que tinha como cotitular a esposa do recorrente. Também verifico que, às fls. 824 (processo físico), consta de cópia de cheque relativo à conta nº 3419198092 o nome de Helena Cristina Dias de Oliveira. Adicionalmente, destaco que a Resolução nº 2202000.794 (fls. 782/786 eprocesso), que converteu o julgamento em diligência, determinou que a DRF de origem informasse, no caso da existência de cotitulares no exercício de 1998, se a esposa do recorrente teria sido intimada a justificar, individualizadamente, a origem dos depósitos nelas efetuados. A esse respeito, o relatório de diligência fiscal informou que no eprocesso nº 18471.002443/200313 (digital) não foram localizadas as folhas de números 01 a 199 do processo físico, haja vista que nos volumes 01 e 02 do processo digital (fls. 01/250 e 458/707, respectivamente), foram digitalizadas as folhas de nº 200 a 445 do processo físico. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 953 12 Ora, não constando nos autos provas de que a esposa do recorrente tenha sido regularmente intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, bem como existindo elementos que permitem afirmar que as contas correntes dos Bancos Banerj e Itaú eram conjuntas, entendo que devem ser excluídos, da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os valores lançados referentes aos créditos das contas correntes conjuntas dos Bancos Banerj (3419 198092) e ITAU (0417261070). Nesse sentido, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 29: “Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares.” (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). b) Rendimento do trabalho com vínculo empregatício No que concerne à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, concordo com a decisão da DRJ de que o recorrente deixou de apresentar prova que pudesse se refutar a referida infração tributária. Independente das alegações do recurso voluntário, entendo que a disponibilidade do rendimento auferido foi dezembro de 1998, quando do depósito efetuado pela pessoa jurídica, mesmo que o mesmo só se refira ao mês de janeiro de 1999. c) Depósitos Bancários de Origem não comprovada Alega o recorrente que os valores creditados em suas contas bancárias não se identificam necessariamente com o conceito de renda, tendo em vista que podem não se traduzir em acréscimo patrimonial ou não caracterizar consumo relacionados ao contribuinte titular da conta corrente. Entendo mais uma vez que não lhe assiste razão, tendo em vista o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 954 13 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Assim, uma vez que a exigência fiscal discutida nos presentes autos decorre de expressa previsão legal de presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar sinais exteriores de riqueza ou o consumo da renda incompatíveis com os rendimentos declarados, cabe ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. No caso dos autos, não tendo o recorrente comprovado, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos efetuados por pessoas físicas e/ou jurídicas, na qualidade de clientes, há que se aceitar as Notas Explicativas (fls. 301/319), que acompanharam o Auto de Infração, bem como a fundamentação da decisão da DRJ, a qual reproduzo parcialmente a seguir: “Sobre o argumento do contribuinte de que a conta corrente no Banco Itaú seria utilizada para o seu trabalho de administração de imóveis, vale esclarecer que não há nos autos como se afirmar que tal conta somente serviria exclusivamente para recebimento de depósitos relativos à atividade profissional do interessado. Ainda que tal situação fosse levada em consideração, em nada mudaria o fato de que o contribuinte precisa justificar a origem de cada depósito em sua conta, ou seja, o autuado continuaria na responsabilidade legal de demonstrar de forma cabal a natureza de cada operação e também a sua procedência. (...) O autuado trouxe ao processo o comprovante da rescisão do contrato de locação, no valor de R$ 4.174,89, entre Reed Exhibitions Brasil Ltda e Francisco Pedro Vasconcellos do Valle, docs 01 e 02. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 955 14 Todavia, os referidos documentos em nada concorre para elucidar qualquer depósito de origem não comprovada, não havendo qualquer nexo de causalidade entre tais elementos e os referidos depósitos. Da mesma forma, a argüição do sujeito passivo de que o lançamento n° 482 na conta n° 0417420544 se trataria de resgate de plano de previdência, não merece ser acatada, tendo em vista que a natureza da operação também não foi comprovada, não havendo como se afirmar o motivo de tal depósito, mas somente a sua procedência. O contribuinte às fls. 336 a 341 procura justificar a origem de diversos depósitos (numerados de 01 a 17) cuja documentação foi anexada ao presente processo junto com a sua peça defensória. Importa mais uma vez destacar que para que seja provada a origem dos depósitos, devem ser comprovados de onde vieram os valores que foram depositados nas contas correntes, bem como justificada, por meio de documentação hábil e idônea, a razão de tais créditos. Frisese que os comprovantes dos depósitos devem coincidir em data e valor para que possam ser considerados como instrumentos hábeis e idôneos para justificar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias do contribuinte. Passase a analisar a origem dos depósitos/créditos de n° 01 a 17, apontados nas fls. 336 a 341, cujos alegados comprovantes foram anexados às fls. 403 a 622. Os documentos juntados aos autos com a impugnação, no intuito de justificar os supracitados depósitos/créditos, não possuem qualquer nexo de causalidade que os vinculem aos referidos depósitos de origem não comprovada. Cabe salientar que diversos comprovantes, ainda que com valores equivalentes, não possuem sequer autenticação bancária para que possam ser considerados hábeis e conseqüentemente válidos para serem acatados. Vários elementos, com o objetivo probatório, não contém datas e valores coincidentes com os depósitos que se pretende justificar. Importa ressaltar que ainda que se admitisse que algum depósito pudesse ser fruto dos supostos valores de alugueis administrados pelo contribuinte, tal fato não bastaria para a comprovação da origem, tendo em vista que restaria a necessidade de que o impugnante provasse o repasse de cada deposito, vinculando o repasse ao seu respectivo depósito. Contudo, esses esclarecimentos não foram levados a efeito no caso ora analisado. Além disso, não constam nos autos os supostos contratos de locação dos alegados clientes do contribuinte listados em sua peça defensória. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 956 15 É mister deixar transparente que a informalidade dos negócios entre o contribuinte e seus hipotéticos clientes diz respeito a garantias mútuas que por convenção não são exigidas em razão da confiança entre as partes, todavia não se aplica à relação fisco contribuinte que é formal e vinculada à lei. Conseqüentemente, o defendente não fica eximido de apresentar as provas do efetivo repasse dos mencionados aluguéis e tal relação entre o autuado e seus clientes não pode ser oposta à Fazenda Pública. Diante do exposto, a apresentação dos documentos intitulados como "Prestação de Contas", por si só não bastam para elucidar a origem dos créditos nas contas bancárias, haja vista que tais documentos foram emitidos pelo próprio sujeito passivo. O interessado não logrou apresentar documentos hábeis que viessem a demonstrar a procedência de cada crédito e a sua natureza. Concluise que os documentos trazidos ao processo às fls. 403 a 622 não lograram êxito em criar um vínculo com os depósitos que o impugnante pretendia comprovar a origem, tendo em vista que justificar a origem de uni determinado crédito significa necessariamente que haja a comprovação de forma inequívoca de onde veio o valor depositado e a que título ele ocorreu. Assim, não tendo sido esclarecida a origem dos depósitos/créditos objeto do presente lançamento, não há como excluílos do montante sujeito à tributação. Dessa forma, há que se manter a tributação sobre os créditos cuja origem não foi justificada, conforme apontado no auto de infração em questão.” Multa Isolada – Carnê Leão No ano calendário de 1998, ou seja, até o advento da Lei nº 11.488/2007, a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 era clara no sentido de que a multa de ofício (cobrada juntamente com o imposto apurado no ajuste) e a multa isolada (cobrada mês a mês) decorriam da mesma infração (omissão de rendimentos). Deste modo, e conforme jurisprudência deste Colegiado (Acórdãos nsº 2202004.745, de 07/08/2018, 2401005.738, de 12/09/2018), entendo que não procede o lançamento de multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez que possuem bases de cálculo idênticas. Isto posto, voto por exonerar o sujeito passivo da cobrança da multa isolada do carnêleão, por entender que, com relação ao ano calendário de 1998, a mesma não poderia ser cobrada concomitantemente com a multa de oficio. Sumula 105 CARF. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 18471.002443/200313 Acórdão n.º 2202004.856 S2C2T2 Fl. 957 16 Conclusão Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do crédito tributário exigido (i) a parcela correspondente aos depósitos efetuados pela cônjuge cotitular, uma vez que a mesma não foi intimada concomitantemente ao contribuinte da ação fiscal e (ii) para exonerar o sujeito passivo da cobrança da multa isolada do carnêleão, nos termos da Súmula 105 por entender que não poderia ser cobrada concomitantemente com a multa de oficio. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora ad hoc Fl. 957DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900268/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Data do fato gerador: 31/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.968
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, ii) negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições). Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Data do fato gerador: 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.900268/2009-51
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6060805
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.968
nome_arquivo_s : Decisao_10840900268200951.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840900268200951_6060805.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, ii) negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições). Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7896591
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:52:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301885702144
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-28T00:19:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-28T00:19:26Z; Last-Modified: 2019-08-28T00:19:26Z; dcterms:modified: 2019-08-28T00:19:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-28T00:19:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-28T00:19:26Z; meta:save-date: 2019-08-28T00:19:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-28T00:19:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-28T00:19:26Z; created: 2019-08-28T00:19:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2019-08-28T00:19:26Z; pdf:charsPerPage: 1259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-28T00:19:26Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.900268/2009-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-003.968 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2019 Recorrente NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Data do fato gerador: 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência e, no mérito, ii) negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 02 68 /2 00 9- 51 Fl. 144DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições). Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) substituído pela Conselheira Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada). Relatório Do Despacho Decisório Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL (código de receita: 2484) e de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não-homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Da Manifestação De Inconformidade Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.11/15, acompanhada dos documentos de fls. 16/60, na qual alega, em apertada síntese, que: a) no exercício de suas atribuições, a Fiscalização procedeu a análise das informações prestadas na Declaração de Compensação n° 8861.88347.200906.1.7.04-9593, que extingue o crédito tributário da CSLL (código de receita: 2484); b) contudo, não obstante a extinção de suas obrigações tributárias, a Impugnante acusou o recebimento de intimação não reconhecendo o direito creditório, no valor de R$ 115.809,61 (cento e quinze mil, oitocentos e nove reais e sessenta e um centavos), proveniente do pagamento indevido ou a maior da CSLL (código de receita: 2484), apurado em 30/09/2004, com vencimento em 29/10/2004, o qual foi informado e utilizado na Declaração de Compensação supramencionada; c) a Fiscalização fundamenta a intimação a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, informando que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; Fl. 145DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 d) a Fiscalização não homologou a referida Declaração de Compensação e, consequentemente, exigiu-se um débito a ser recolhido, no montante de R$ 213.937,16 (duzentos e treze mil novecentos e trinta e sete reais e dezesseis centavos), alegando a compensação indevida correspondente ao valor do IRPJ (código de receita: 2362) e da CSLL (código de receita: 2484), apurado nos meses de março do ano-calendário de 2005; e) em que pese o trabalho desenvolvido pela autoridade fiscal, não é cabível a exigência do crédito tributário, nos termos em que inicialmente apontado; f) na descrição dos fatos que originaram a presente intimação, a Auditoria Interna da Receita Federal do Brasil dispõe ter constatado irregularidades no crédito vinculado à Declaração de Compensação, qual seja o crédito do pagamento indevido ou a maior da CSLL (código: 2484), referente ao período de apuração de 30/09/2004; g) analisando a DCTF referente ao período de apuração do crédito supra, verifica- se que a suposta irregularidade se deu em face da inadvertida retificação da DCTF, onde ainda constam os antigos valores declarados, referente ao período de apuração de 30/09/2004, constituindo-se, portanto, em evidente erro material (Anexo I); h) essa divergência ensejou a intimação, mas, no entanto, poderia ser facilmente sanada pela simples retificação da DCTF do 3° trimestre de 2004 e também pela verificação da DIPJ/2005 (Anexo II); i) contudo, ressalte-se ainda, que a Impugnante fora fiscalizada nos anos- calendário de 2001 a 2004, exercícios 2002 a 2005, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal n° 01 – MPF 0810700/2005/00084-2, encerrada em 06/07/2005; j) a conclusão que se chega é que, diferentemente do apurado na intimação em referência, a Impugnante nada deve ao erário público, devendo por isso mesmo ser homologado o crédito de R$ 115.809,61 (cento e quinze mil oitocentos e nove reais e sessenta e um centavos) postulado; k) a Impugnante possui o crédito de R$ 115.809,61 (cento e quinze mil oitocentos e nove reais e sessenta e um centavos), referente ao pagamento indevido ou a maior da CSLL (código: 2484), valor este que fora utilizado para extinguir os débitos do IRPJ (código: 2362) e da CSLL (código: 2484) apurados no mês de março do ano-calendário de 2005, através do mecanismo da compensação; l) o inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional dispõe que o crédito tributário extingue-se através da compensação; m) a Impugnante compensou ao crivo da legislação, devida e tempestivamente, o valor integral do débito ora reclamado; Fl. 146DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 n) a intimação supra decorre da não retificação da DCTF do 3° trimestre de 2004; e sendo o objeto da intimação a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado e tendo a Impugnante, demonstrado a existência de tais créditos, é extreme de dúvidas que a intimação não deve prosseguir, por não existir mais o objeto da cobrança, devendo a exigência ser declarada insubsistente por improcedente; o) requer a desconstituição “in totum” do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, considerando-se extinto o suposto crédito tributário e determinando-se, por consequência, o arquivamento do processo administrativo dele originário e, ainda, se necessário permita a retificação das informações declaradas na DCTF para que se possa respeitar a realidade dos fatos; p) requer, ainda, que o inteiro teor da decisão colegiada seja comunicada à requerente, no endereço noticiado no preâmbulo desta manifestação, como corolário do seu direito de petição (art. 5°, XXXIV, "a" da CF/88); q) por derradeiro, a suplicante deixa requerido seja-lhe assegurada a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, inclusive, a juntada de novos documentos. Do Acórdão de Impugnação A 6ª Turma da DRJ/RPO, por meio do Acórdão de Impugnação nº 14-38.788, julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 30/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional Observa-se que a decisão do órgão julgador a quo teve como seguintes fundamentos: 1. O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), código de receita: 2484, no valor de R$ 115.809,61, relativo ao mês de setembro de 2004. Fl. 147DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 2. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, informada como origem do crédito na PER/Dcomp de nº 8861.88347.200906.1.7.04-9593, observo que a contribuinte declarou, em sua DCTF do 3º trimestre de 2004, como débito apurado de CSLL (código de receita: 2484), o valor de R$ 218.263,66, que foi extinto por dois DARF, nos valores respectivos de: R$ 115.809,61 (valor do principal: R$ 94.887,03, valor da multa: 18.787,63 e valor dos juros: R$ 2.134,95) e R$ 123.376,63, ou seja, o indébito fiscal objeto de compensação no presente processo, no valor de R$ 115.809,61, foi utilizado integralmente para pagamento parcial do débito de CSLL do mês de setembro de 2004 (fl. 20 dos autos). 3. Dessa forma, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (fl. 07) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (período de apuração: 30/09/2004), não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de nº 8861.88347.200906.1.7.04-9593. 4. Portanto, no que atine aos autos, não há correção a ser feita no despacho decisório, tendo em conta a inobservância de requisito básico para formalização da compensação sob exame, qual seja, a existência de um indébito tributário junto à Fazenda Nacional. 5. A contribuinte, por sua vez, alega que tem direito à compensação dos crédito proveniente do recolhimento indevido, pois a declaração (DCTF) original apresentada, relativamente ao 3º trimestre de 2004, informou para o débito de CSLL, relativo ao mês de setembro/2004, o antigo valor declarado, constituindo evidente erro material, o que poderia ser sanado pela simples retificação da DCTF do 3º trimestre de 2004 e pela verificação da DIPJ/2005, protestando provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, incluindo a juntada de novos documentos a qualquer tempo. 6. Malgrado o intento da contribuinte, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. 7. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano-calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida - a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1o, a DIPJ – Fl. 148DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. 8. Por sua vez, a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129/1986, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, é confissão de dívida, tem o condão de constituir o crédito tributário, materializando-o, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. 9. Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF – 3º trimestre de 2004, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, defronte a caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restar configurado sua vinculação integral em débito confessado na DCTF, não sendo suficiente para desnaturá-la a simples alegação em contrário, pois este documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decreto-lei nº 2.124, de 1984, artigo 5º, § 1º). 10. Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbia-lhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. 11. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. 12. Assim, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de setembro de 2004. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. 13. Dentre essas provas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. 14. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitando-se a tão-somente apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2005), objetivando retificação dos valores confessados em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 3º trimestre de 2004. 15. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados Fl. 149DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999. 16. No que tange ao pedido final, na peça impugnatória, de “produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção, inclusive, a juntada de novos documentos”, cumpre-nos assinalar o contido nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997. 17. Nota-se que a contribuinte não manifestou a impossibilidade de apresentação de qualquer documento no prazo previsto para manifestação, seja por motivo de força maior ou por qualquer outro motivo elencado no § 4º do artigo 16 do PAF. 18. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Do Recurso Voluntário A recorrente, inconformada com o Acórdão de 1ª Instância, apresenta recurso voluntário, com as seguintes razões para a reforma da decisão a quo: 1. O acórdão recorrido deixou de examinar relevantes pontos trazidos pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, dentre eles e em especial, o fato de que a DIPJ/2005, cujo teor apurou o equívoco contido na DCTF do 3o trimestre de 2004 - tendo constado o recolhimento de CSLL a maior - fora objeto de fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - já que a recorrente fora fiscalizada nos anos calendários de 2001 a 2004, exercícios de 2002 a 2005, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2, encerrada em 06/07/2005. 2. Sobre esse relevante fundamento, expressamente invocado em sede de manifestação de inconformidade, o acórdão ora guerreado não se disponibilizou a registrar uma só linha - omissão que importa na nulidade do julgado -, tendo em vista a não apreciação dos elementos invocados pela recorrente. 3. Ainda que se admitisse, para efeito de mera argumentação, que a ausência de exame de matéria expressamente invocada em sede de impugnação não importasse em nulidade do julgamento guerreado, mesmo nesta hipótese o acórdão deveria ser reformado. Fl. 150DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 4. Resulta indiscutível, no caso ora em tela, que a recorrente promoveu apuração equivocada em sua DCTF do 3o trimestre de 2004, circunstância que a levou a promover recolhimento a maior no que se refere à CSLL. 5. Com efeito, ao promover a apuração da CSLL referente ao mês de setembro de 2004 e declarada em DCTF do 3o trimestre de 2004, a recorrente deixou de deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de R$ 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. 6. De fato, é igualmente indiscutível que, tendo apurado, na elaboração de sua DIPJ/2005, o ERRO MATERIAL contido na sua DCTF do 3o trimestre de 2004 - erro esse que a fez recolher tributo a maior, a título de CSLL, dada a não dedução dos valores já pagos a título de estimativa em meses anteriores - a recorrente tratou de corrigi-lo, na DIPJ/2005, correção da qual resultou o crédito tributário utilizado na PER/DECOMP n° 08861.88347.200906.1.7.04-9593. 7. Ora, a correção do erro material contido na DCTF do 3o trimestre de 2004, promovida pela recorrente através da DIPJ/2005, fora expressamente EXAMINADA E CHANCELADA pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, através da fiscalização levada a efeito nos anos calendários de 2001 a 2004, exercícios de 2002 a 2005 - conforme Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2, fiscalização que, obviamente, tratou de CONTRASTAR a DIPJ/2005, bem como a DCTF do 3o trimestre de 2004, com os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, tendo ainda examinado e conferido a expressão deste direito em balanços e balancetes, os Livros Diários e Razão. 8. Forçoso resulta reconhecer, diante disso, a impropriedade do acórdão ora guerreado, no que tange à alegação segundo a qual "a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços e balancetes, os Livros Diários e Razão, etc, tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado", porquanto tais documentos já foram, há tempos, examinados e validados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que os CONTRASTOU com as declarações prestadas pela recorrente, em especial a DIPJ/2005 - cujo teor declara o desacerto da DCTF do 3" trimestre de 2004, apontado, a partir deste erro material, o crédito objeto deste processo -, validando-a, numa demonstração de que o CRÉDITO, AOS OLHOS DA FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, conforme Termo de Constatação Fiscal supracitado, efetivamente existe, sendo líquido certo e exigível. 9. Ressalta-se que a recorrente cumpriu todos os requisitos dispostos no artigo 170, do Código Tributário Nacional, necessários para realizar a compensação do crédito tributário, quais sejam: créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos e do sujeito passivo conta a Fazenda Pública. No presente caso, a recorrente compensou débito tributário da CSLL (código de receita: 2484) Fl. 151DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 com créditos da CSLL e IRPJ, mediante entrega da declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados. 10. Nesse ínterim, importante trazer a lume, ementa de recente acórdão da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL EMENTA: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a restituição e compensação do alegado pagamento indevido ou a maior, se presentes a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado. DECLARAÇÕES ELETRÔNICAS. ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. Os erros materiais no preenchimento das declarações eletrônicas, por si só, não possuem força suficiente para afetar o direito creditório dos contribuintes. Ano-calendário: 01/01/1999 a 31/12/1999 (Acórdão n° 15-27592, de 30 de junho de 2011)". 11. Assim, colocado frente ao fundamento em relação ao qual deixou de se manifestar - o de que a DIPJ/2005, cujo teor retificou a DCTF do 3o trimestre de 2004, tendo apurado crédito decorrente desta retificação, em virtude de recolhimento de tributo a maior, fora expressamente examinada e validada por fiscalização levada a efeito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - o acórdão objeto deste recurso revela toda a sua fragilidade, deixando aflorar, irretorquível, a necessidade de sua reforma. 12. De fato, ao examinar, EM FISCALIZAÇÃO - Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2 -, a DIPJ/2005 da recorrente, a auditoria da Receita Federal do Brasil validou referido documento, acatando as declarações nela contidas, em especial aquelas cujos teores importavam na retificação de informações equivocadamente assinaladas na DCTF do 3o trimestre de 2004. 13. E nem poderia ser diferente, porquanto o erro material contido na DCTF do 3º trimestre de 2004, corrigido pela DIPJ/2005, e de cuja correção exsurge o crédito objeto deste processo, decorre, reafirme-se, do fato da recorrente deixar de deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de RS 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. 14. Na apuração de sua DIPJ/2005, com efeito, a recorrente, atentando-se para o erro cometido, promoveu as retificações necessárias, com vistas a deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de R$ 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução, circunstância que gerou o crédito objeto deste processo, decorrente do recolhimento indevido promovido na DCTF do 3º trimestre de 2004, exatamente porque naquela DCTF. deixou de considerar, equivocadamente, para efeito de apuração da CSLL, a dedução das estimativas já pagas em meses anteriores no valor de RS 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. Fl. 152DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 15. Ao examinar a DIPJ/2005, retificadora das informações lançadas na DCTF do 3o trimestre de 2004, a fiscalização da Receita Federal nenhum óbice formulou, inclusive no que tange ao crédito apurado, exatamente porque a encontrou em consonância com as regras e documentos supra especificados. 16. Estas, pois, as razões que tornam incontestáveis o caráter líquido e certo do crédito tributário objeto deste processo, razões que tornam totalmente despropositadas as exigências referendadas pelo acórdão recorrido, expostas a partir do olvido dessa decisão ao fato de que toda a documentação contábil da recorrente, inclusive aquela apuradora do crédito, fora examinada e validada por fiscalização da própria Receita Federal do Brasil. 17. Cabe à recorrente consignar, por fim, que, ainda que a argumentação acima pudesse ser rejeitada, mesmo nesta hipótese esse recurso deveria ser provido, com vistas a decretar a anulação do acórdão, bem como a conversão do julgamento em diligência, para que a documentação ratificadora do crédito apurado possa ser novamente examinada - já o fora uma vez, por ocasião de fiscalização - e ratificada pela autoridade fiscal, validando-se o crédito objeto deste processo. Nesse sentido: "PROCESSO ADMINISTRATIVO - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - RESULTADO DE DILIGÊNCIA - ERROS DE CONTABILIZAÇÃO (1.° Conselho de Contribuintes - 8.a Câmara)Processo n.º 11080.001748/2002-73, Recurso n.º 139.927 Voluntário, Matéria: IRPJ e Outro - Ex. 1.999, Recorrente: Mega Turismo Ltda. Recorrida: 1.a Turma/DRJ - Porto Alegre/RS. Sessão de: 23 de janeiro de 2.008. Acórdão n.º: 108.09.532. Resultado de Diligência. Comprovação de Despesas - Erros de Contabilização - Recomposição de Bases. Apurados erros de contabilização, comprovados pelo contribuinte, a diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado Princípio da Verdade material, constituindo-se em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com os ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir as bases de cálculo de acordo com o relatório de diligência. Mário Sérgio Fernandes Barroso - Presidente -Karem Jureidini Dias- Relatora (DOU 1 de 20.5.2008, p. 40)" (Revista Dialética de Direito Tributário, volume 155, pág. 235) 18. Acerca do princípio da Verdade Material, AURÉLIO PITANGA SEIXAS FILHO, in Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário - A Função Fiscal, Rio, Forense, 1996, p. 46 e 47, ensina que: "Contrariamente à dinâmica de aplicação das leis pelas autoridades jurisdicionais, onde vigora o princípio da verdade formal, em que as formas dos atos, prazos e a sistematização dos procedimentos são rigorosamente definidos e obedecidos, nos procedimentos administrativos em geral, as formas dos atos e os prazos previstos anteriormente, (pois, afinal, não se pode prescindir de alguma sistematização para se ordenar o comportamento da administração pública), podem ser, eventualmente, desobedecidos, para dar cumprimento ao princípio mais relevante da verdade material. A dinâmica da administração pública não está sujeita a formalidades rígidas ou a obediência a formas sacramentais, pois a natureza da ação administrativa exige que a aplicação da lei se faça da forma mais expedita possível. O dever investigatório dirigido pela discricionariedade da autoridade fiscal não pode ficar amarrado por formalismos, sob pena de não se descobrir corretamente a verdade dos fatos, ou de ficar cerceado o direito de defesa do contribuinte ". Fl. 153DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 19. E, perfilhando esse mesmo entendimento, a lição de LEANDRO PAULSEN e RENÊ BERGMANN ÁVILA, para os quais: "Juntada de documentos e preclusão (§ 2o). A regra do § 2" que veda a juntada de provas e documentos após a impugnação merece atenção. A jurisprudência do Conselho de Contribuinte, com acerto, tem abrandado o aparente rigor da regra, que viola frontalmente o princípio da ampla defesa e impede que se alcance a verdade material, sob o pretexto de acelerar a tramitação do processo. Tem relevância o inciso III do art. 3" da Lei 9784/99, editada posteriormente ao § 4" do presente artigo, introduzido pela Lei n" 9.532/97. Dispõe o mais recente artigo que é direito do administrado a apresentação de alegações e juntada de documentos a qualquer tempo, antes da decisão. Temos, por isso, que a disposição do Decreto não subsiste perante a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, ambos reiterados como garantia do contribuinte no art. 2" da Lei 9.789/99, que apenas positivou o que antes era vedado inconstitucionalmente pelo Decreto 70.235/72, em violação direta à garantia prevista na Carta da República. O disposto no inciso III agora permite ao contribuinte formular alegações e apresentar documentos antes da decisão. Em síntese: a restrição que antes era inconstitucional (embora com base legal), agora deixou de existir em todas as esferas da administração federal, segundo nosso entendimento". PAULSEN, Leandro; AVILA, René Bergmann. Direito Processual tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005, p. 47. 20. O entendimento do Conselho de Contribuintes, aliás, tem se alinhado com esse pensamento, ratificando a ideia de que deve ser seguido o princípio da verdade material, isto é: "Número do Recurso: 301-120.475 TERCEIRA TURMA Número do Processo: 10320.001705/98-35 RECURSO DE DIVERGÊNCIA. Data da Sessão:09/11/2004 09:30:00 CSRF/03-04.194 Decisão: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO - PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. - A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103-18789 - 3a Câmara – 1º. C.C.). Recurso negado." "Número do Recurso: 120785 PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10480.025193/99-03 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: II/IPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrida/Interessado: DRJ- RECIFE/PE Data da Sessão: 12/09/2000 14:00:00 Acórdão 301-29305 Resultado: API - ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE Ia INSTÂNCIA Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, anulou-se o processo a partir da decisão de Ia instância. Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA PROVA NÃO EXAMINADA. Nula a decisão que deixa de apreciar a prova material 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF Fl. Processo n°: 13896.000730/00-99 Recurso no : 132.865 Acórdão n: 203-12.338 trazida pelo contribuinte e nega a produção de prova pericial que contribui com o esclarecimento da verdade material. ANULADO O PROCESSO A PARTIR DA DECISÃO SINGULAR." 21. Ou seja, na busca do princípio da Verdade Material, se o Julgador de primeiro grau julgou insuficiente, para a validação do crédito apurado em DIPJ/2005, o fato de aludida DIPJ haver sido fiscalizada pela própria Receita Federal, Fl. 154DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 deveria, no mínimo, ter convertido o julgamento em diligência, solicitando junto à recorrente a documentação que, sob sua ótica, ratificaria o erro material contido na DCTF do 3o trimestre de 2004, qual seja, a não dedução das estimativas já pagas em meses anteriores no valor de R$ 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. 22. Como assim não o fez, padece o acórdão recorrido de vício insanável, a recomendar a sua anulação, convertendo-se, caso necessário, o julgamento em diligência, para o fim de ser examinada a documentação que escora o crédito tributário objeto deste processo. 23. Assim, resta à recorrente requerer seja decretada a anulação do acórdão, por manifesto cerceamento de defesa, convertendo-se o julgamento em diligência, para o fim de ser examinada a documentação complementar cujo teor valida o crédito tributário objeto deste processo. Do Pedido A recorrente vem requerer a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o conhecimento e o provimento do recurso voluntário, para o fim de decretar: i) a desconstituição "in totum" do lançamento efetuado, antes da análise do mérito, considerando-se extinto o suposto crédito tributário; ii) alternativamente, caso se considere possível a lavratura, acolha-se a matéria deduzida no recurso para anular o Acórdão n° 14-38.787 - 6a Turma da DRJ/POR, e tornar insubsistente o lançamento fiscal; iii) ainda, caso não seja esse o entendimento deste Colendo Conselho, a anulação do acórdão recorrido, convertendo o julgamento em diligência, para que os documentos que validam a compensação possam ser examinados, ratificando- se a compensação objeto desse processo, e arquivado, consequentemente, o processo administrativo dele originário. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 155DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 Das Preliminares Da alegação de nulidade do acórdão recorrido por ausência de exame de matéria A recorrente alega a nulidade do acórdão recorrido por ausência de exame de matéria expressamente invocada em sede impugnação, nos seguintes termos: O acórdão recorrido deixou de examinar relevantes pontos trazidos pela recorrente em sua manifestação de inconformidade, dentre eles e em especial, o fato de que a DIPJ/2005, cujo teor apurou o equívoco contido na DCTF do 3o trimestre de 2004 - tendo constado o recolhimento de CSLL a maior - fora objeto de fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - já que a recorrente fora fiscalizada nos anos calendários de 2001 a 2004, exercícios de 2002 a 2005, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2, encerrada em 06/07/2005. Sobre esse relevante fundamento, expressamente invocado em sede de manifestação de inconformidade, o acórdão ora guerreado não se disponibilizou a registrar uma só linha - omissão que importa na nulidade do julgado -, tendo em vista a não apreciação dos elementos invocados pela recorrente. Destaca-se o que foi trazido pelo contribuinte em sua manifestação de Inconformidade: “Contudo, ressalte-se ainda, que a Impugnante fora fiscalizada nos anos-calendários de 2001 a 2004, exercícios 2002 a 2005, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal n° 01 – MPF 0810700/2005/00084-2, encerrada em 06/07/2005.” Percebe-se que há apenas o relato de que a Impugnante fora fiscalizada nos anos- calendários de 2001 a 2004, não foram trazidos argumentos de que essa fiscalização teria o condão de comprovar o alegado crédito junto à Fazenda Nacional. Observa-se que esses argumentos foram trazidos somente no recurso voluntário. Pelo exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação de matéria. Da alegação de nulidade do acórdão recorrido pela não conversão em diligência do julgamento A recorrente alega a nulidade do acórdão pela não conversão em diligência do julgamento em 1ª instância. Afirma que, na busca da verdade material, se o Julgador de primeiro grau julgou insuficiente, para a validação do crédito apurado em DIPJ/2005, o fato de aludida DIPJ haver sido fiscalizada pela própria Receita Federal, deveria, no mínimo, ter convertido o julgamento em diligência. Repisa-se que, na manifestação de inconformidade, não foram trazidos nem argumentos nem a documentação de que a referida fiscalização teria o condão de comprovar o alegado crédito junto à Fazenda Nacional. Fl. 156DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 Observa-se que, na manifestação de inconformidade, há um requerimento genérico de apresentação de provas e juntadas de novos documentos, contudo esse não atende aos requisitos para formulação do pedido de diligência nos termos do art. 16, inciso IV, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Pelas razões expostas, voto por rejeitar a alegação de nulidade do acórdão recorrido pela não conversão do julgamento em diligência. Do Mérito Da alegação de erro material A recorrente alega que o crédito utilizado na PER/DCOMP resulta de erro material na elaboração da sua DCTF do 3º Trimestre de 2004: Resulta indiscutível, no caso ora em tela, que a recorrente promoveu apuração equivocada em sua DCTF do 3o trimestre de 2004, circunstância que a levou a promover recolhimento a maior no que se refere à CSLL. Com efeito, ao promover a apuração da CSLL referente ao mês de setembro de 2004 e declarada em DCTF do 3o trimestre de 2004, a recorrente deixou de deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de R$ 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. De fato, é igualmente indiscutível que, tendo apurado, na elaboração de sua DIPJ/2005, o ERRO MATERIAL contido na sua DCTF do 3o trimestre de 2004 - erro esse que a fez recolher tributo a maior, a título de CSLL, dada a não dedução dos valores já pagos a título de estimativa em meses anteriores - a recorrente tratou de corrigi-lo, na DIPJ/2005, correção da qual resultou o crédito tributário utilizado na PER/DCOMP n° 08861.88347.200906.1.7.04-9593. Fl. 157DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 Argumenta que a correção do erro material contido na DCTF do 3º trimestre de 2004, promovida pela recorrente através da DIPJ/2005, fora expressamente EXAMINADA E CHANCELADA pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, através da fiscalização levada a efeito nos anos calendários de 2001 a 2004, exercícios de 2002 a 2005 - conforme Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2: Forçoso resulta reconhecer, diante disso, a impropriedade do acórdão ora guerreado, no que tange à alegação segundo a qual "a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços e balancetes, os Livros Diários e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado", porquanto tais documentos já foram, há tempos, examinados e validados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que os CONTRASTOU com as declarações prestadas pela recorrente, em especial a DIPJ/2005 - cujo teor declara o desacerto da DCTF do 3º trimestre de 2004, apontado, a partir deste erro material, o crédito objeto deste processo -, validando-a, numa demonstração de que o CRÉDITO, AOS OLHOS DA FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, conforme Termo de Constatação Fiscal supracitado, efetivamente existe, sendo líquido certo e exigível. Ressalta-se que a recorrente cumpriu todos os requisitos dispostos no artigo 170, do Código Tributário Nacional, necessários para realizar a compensação do crédito tributário, quais sejam: créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos e do sujeito passivo conta a Fazenda Pública. No presente caso, a recorrente compensou débito tributário da CSLL (código de receita: 2484) com créditos da CSLL e IRPJ, mediante entrega da declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados. Nesse ínterim, importante trazer a lume, ementa de recente acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL EMENTA: RESTITUIÇÃO”. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a restituição e compensação do alegado pagamento indevido ou a maior, se presentes a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado. DECLARAÇÕES ELETRÔNICAS. ERRO MATERIAL. DIREITO CREDITÓRIO. Os erros materiais no preenchimento das declarações eletrônicas, por si só, não possuem força suficiente para afetar o direito creditório dos contribuintes. Ano-calendário: 01/01/1999 a 31/12/1999 (“Acórdão n° 15-27592, de 30 de junho de 2011)”. Assim, colocado frente ao fundamento em relação ao qual deixou de se manifestar - o de que a DIPJ/2005, cujo teor retificou a DCTF do 3o trimestre de 2004, tendo apurado crédito decorrente desta retificação, em virtude de recolhimento de tributo a maior, fora expressamente examinada e validada por fiscalização levada a efeito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - o acórdão objeto deste recurso revela toda a sua fragilidade, deixando aflorar, irretorquível, a necessidade de sua reforma. De fato, ao examinar, EM FISCALIZAÇÃO - Termo de Constatação Fiscal n° 01 - MPF 0810700/2005/00084-2 -, a DIPJ/2005 da recorrente, a auditoria da Receita Federal do Brasil validou referido documento, acatando as declarações nela contidas, em especial aquelas cujos teores importavam na retificação de informações equivocadamente assinaladas na DCTF do 3o trimestre de 2004. Fl. 158DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 E nem poderia ser diferente, porquanto o erro material contido na DCTF do 3º trimestre de 2004, corrigido pela DIPJ/2005, e de cuja correção exsurge o crédito objeto deste processo, decorre, reafirme-se, do fato da recorrente deixar de deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de RS 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. Na apuração de sua DIPJ/2005, com efeito, a recorrente, atentando-se para o erro cometido, promoveu as retificações necessárias, com vistas a deduzir as estimativas já pagas em meses anteriores no valor de R$ 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução, circunstância que gerou o crédito objeto deste processo, decorrente do recolhimento indevido promovido na DCTF do 3º trimestre de 2004, exatamente porque naquela DCTF deixou de considerar, equivocadamente, para efeito de apuração da CSLL, a dedução das estimativas já pagas em meses anteriores no valor de RS 499.615,20 da apuração da CSLL do mês de setembro de 2004, com base em balancete de suspensão ou redução. Ao examinar a DIPJ/2005, retificadora das informações lançadas na DCTF do 3o trimestre de 2004, a fiscalização da Receita Federal nenhum óbice formulou, inclusive no que tange ao crédito apurado, exatamente porque a encontrou em consonância com as regras e documentos supra especificados. Estas, pois, as razões que tornam incontestáveis o caráter líquido e certo do crédito tributário objeto deste processo, razões que tornam totalmente despropositadas as exigências referendadas pelo acórdão recorrido, expostas a partir do olvido dessa decisão ao fato de que toda a documentação contábil da recorrente, inclusive aquela apuradora do crédito, fora examinada e validada por fiscalização da própria Receita Federal do Brasil. A fiscalização realizada no contribuinte não tem a faculdade de tornar incontestável o caráter líquido e certo do crédito alegado, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, conforme ressaltado no acórdão recorrido: Malgrado o intento da contribuinte, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará- lo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano-calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida - a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1o, a DIPJ – Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129/1986, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, é confissão de dívida, tem o condão de constituir o crédito tributário, materializando-o, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF – 3º trimestre de 2004, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, defronte a caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restar Fl. 159DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 configurado sua vinculação integral em débito confessado na DCTF, não sendo suficiente para desnaturá-la a simples alegação em contrário, pois este documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decreto-lei nº 2.124, de 1984, artigo 5º, § 1º). Conforme também registrou acertadamente a decisão de 1ª instância, a DIPJ, desde o ano-calendário de 199, tem caráter meramente informativo, ou seja não tem a capacidade de comprovar o direito creditório contra a fazenda nacional. Pelo exposto, rejeita-se todos os argumentos trazidas pela recorrente no sentido de que a fiscalização realizada teria o condão de tornam incontestáveis o caráter líquido e certo do crédito tributário objeto deste processo. Consequentemente mostram-se devidas as exigências referendadas pelo acórdão recorrido, de que incumbia-lhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior: Assim, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de setembro de 2004. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Dentre essas provas, destacam-se: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitando-se a tão-somente apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2005), objetivando retificação dos valores confessados em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 3º trimestre de 2004. Apesar de destacado pela acórdão de 1ª instância, a recorrente também não apresentou, em recurso voluntário, os documentos que comprovassem a liquidez e certeza do crédito que afirma possuir, requisitos exigidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Destarte, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Do requerimento de diligência A requerente requer a conversão do julgamento em diligência, para que os documentos que validam a compensação possam ser examinados, ratificando-se a compensação objeto desse processo, e arquivado, consequentemente, o processo administrativo dele originário. Como já exposto caberia à recorrente ter apresentado a documentação que comprovasse a liquidez e certeza do alegado crédito com a Fazenda Nacional. Houve duas Fl. 160DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-003.968 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.900268/2009-51 oportunidades para que o fizesse, em sua manifestação e no recurso voluntário, contudo optou por não apresentar a referida documentação. Considerando que, em tese, os documentos que validariam a compensação não foram trazidos aos autos, entende-se que não cabe converter o julgamento em diligência para trazer aos autos os documentos comprobatórios que a recorrente deveria ter trazido aos autos. Portanto, rejeita-se a conversão do julgamento em diligência. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e o pedido de diligência , no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000046/2005-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso especial do contribuinte, quanto à suscitada falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado, por falta de similitude fática entre a matéria decidida nos paradigmas apresentados e a impugnada naquele ao recurso.
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO INDEVIDO. EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE.
É possível ao Fisco exigir a devolução de benefício fiscal indevidamente pago ao sujeito passivo, mediante a lavratura de auto de infração.
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99.
Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela.
Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.
Numero da decisão: 9303-008.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à (i) imprestabilidade do veículo "auto de infração" à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente e à (ii) impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso especial do contribuinte, quanto à suscitada falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado, por falta de similitude fática entre a matéria decidida nos paradigmas apresentados e a impugnada naquele ao recurso. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO INDEVIDO. EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível ao Fisco exigir a devolução de benefício fiscal indevidamente pago ao sujeito passivo, mediante a lavratura de auto de infração. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13027.000046/2005-95
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6048794
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.798
nome_arquivo_s : Decisao_13027000046200595.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 13027000046200595_6048794.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à (i) imprestabilidade do veículo "auto de infração" à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente e à (ii) impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7860642
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301891993600
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-02T20:46:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-02T20:46:27Z; Last-Modified: 2019-08-02T20:46:27Z; dcterms:modified: 2019-08-02T20:46:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-02T20:46:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-02T20:46:27Z; meta:save-date: 2019-08-02T20:46:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-02T20:46:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-02T20:46:27Z; created: 2019-08-02T20:46:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2019-08-02T20:46:27Z; pdf:charsPerPage: 2316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-02T20:46:27Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13027.000046/2005-95 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-008.798 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2019 Recorrente COMIL ÔNIBUS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso especial do contribuinte, quanto à suscitada falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado, por falta de similitude fática entre a matéria decidida nos paradigmas apresentados e a impugnada naquele ao recurso. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO INDEVIDO. EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível ao Fisco exigir a devolução de benefício fiscal indevidamente pago ao sujeito passivo, mediante a lavratura de auto de infração. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à (i) imprestabilidade do veículo "auto de infração" à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente e à (ii) impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 00 46 /2 00 5- 95 Fl. 756DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3101-00.850, de 10 de agosto de 2011 (fls. 517 a 529 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento protocolado pelo Contribuinte referente à Cofins, nos períodos de apuração compreendidos entre o primeiro e o quarto trimestres do ano de 2004, com fundamento no §1º do art. 5º da Lei n.º 10.637/2003, que foi parcialmente homologado nos termos do despacho decisório exarado, resultando a glosa de R$ 42.761,87. Essa glosa teve como fundamento o fato de que a Recorrente não tem direito à manutenção do crédito da Cofins não-cumulativa referente aos períodos anteriores a maio de 2004, quando optou pelo apuração não-cumulativa da contribuição. O fundamento da fiscalização foi o art. 42, §1º da Lei n.º 10.856/2004. O contribuinte concordou com a glosa realizada, de modo que, ao final, a DRF de Passo Fundo/RS autorizou o depósito do crédito em sua conta corrente. Contudo, ainda em 06/04/2006, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo/RS se manifestou nos autos aduzindo a necessidade de realização de revisão dos atos que autorizaram a restituição do crédito à Recorrente. Ao término desse novo procedimento fiscal, em sede de revisão, a Fiscalização glosou parte do crédito anteriormente concedido à Recorrente, concluindo pela necessidade de Fl. 757DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 devolução dessa quantia aos cofres públicos, haja vista terem sido depositados em favor da Recorrente. O fundamento jurídico desse posicionamento está no sentido de que as reduções da base de cálculo previstas pela Lei nº 10.485/2002 não têm natureza de isenção e, por conta disso, não autorizam a manutenção do crédito segundo o disposto pelo art. 17 da Lei nº 10.033/2003 e pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Com base nisso, a Fiscalização lavrou auto de infração para constituir o crédito decorrente da referida glosa, acrescida de juros de mora pela SELIC e multa pelo art. 44, I da Lei nº 9.430/96, à luz do que determina seu respectivo §4º. Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação. A DRJ em Santa Maria/RS julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, no sentido de manter os despachos decisórios e o lançamento da Cofins, bem como cancelar a exigência da multa de ofício. Irresignado com a decisão parcialmente contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO. A redução da base de cálculo do PIS e da COFINS, conferida pelo art. 1° da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada uma isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos têm assento constitucional distintos (§ 6° do art. 150 da Constituição da República de 1988). A redução da base de cálculo não está elencada no art. 17 da Lei n° 11.033/04, e portanto não pode ser alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05. O Contribuinte, opôs embargos de declaração às fls. 533 a 547, sendo que o julgamento destes foi convertido em diligência, conforme despacho de fls. 580 a 582. Após a diligência, foi exarado o acórdão nº 3101-001.752 (fls. 603 a 612), de 15 de outubro de 2014, que deu provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 633 a 665) em face do acórdão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte dizem respeito às seguintes matérias: 1) falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado; 2) imprestabilidade do veículo "Auto de Infração" à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente; e 3) impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN. Fl. 758DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 740 a 746, sob o argumento que pelo confronto dos acórdãos paradigmas com as decisões recorridas (acórdão do recurso voluntário e acórdão dos embargos), restaram comprovadas as divergências jurisprudenciais suscitadas pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 748 a 754, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora. Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, senão vejamos: a) Falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado; Acórdão nº 3403-003.267- paradigma 1: Ementa: "AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos Fundamentos jurídicos quando impõe ou agrave dever, encargo ou sanção. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, não dando margem a dúvidas. A inobservância desta norma dá causa para declaração da Nulidade do lançamento. Recurso de Ofício Negado Excertos do voto Fl. 759DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Logo, ante as considerações acima, conclui-se que o fiscal deve, obrigatoriamente, fundamentar, de forma completa, explícita e congruente, todas as conclusões as quais ele chegou no decorrer do procedimento fiscal, requisito que, caso ausente, inevitavelmente, viciará o lançamento.” Verifica-se, pois, que a decisão em foco anulou o lançamento diante da falta de motivação das razões que permitiram, em tese, a constituição do crédito tributário, colidindo com o que dispõem os arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99, 37 da CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 88 e 142 do CTN; mesmíssimos fundamentos jurídicos que alicerçaram o Recurso Voluntário da ora Recorrente e, agora, seu apelo especial. Acórdão nº 1102-003.959- paradigma 2 (grifei): Ementa: "FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento que não motiva a não admissão dos métodos de apuração de preços de transferência utilizados pelo contribuinte, nem esclarece os critérios de cálculo adotados. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve ser motivado de forma explícita, clara e congruente, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o embasam, sob pena de nulidade. Excertos do voto Nesse contexto, também está incluída a fundamentação do lançamento,importante elemento de controle da conduta do agente no exercício de sua competência legal. Tem-se que, portanto, justificar o ato, apontando os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação Fl. 760DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 lógica entre eles. A motivação do lançamento deve ser objetiva e específica, devendo o Auditor Fiscal juntar as provas que o convenceram de praticar o ato. Já no ACÓRDÃO PARADIGMA acima, definiu-se pela nulidade do ato administrativo face à falta de motivação, em que pese tratar-se de auto de infração que não determinou corretamente os critérios de apuração de preços de transferência. Do voto vencedor. Verifica-se que todos acórdãos paradigmas questionam a falta de motivação do ato administrativo. E é o que se quer mostrar no acórdão recorrido O que de decidiu é a nulidade do ato administrativo pela falta de motivação, pouco importando a espécie de tributos, técnica de lançamento ou mesmo seu veículo formal. Afinal, todos os atos administrativos devem ser fundamentados e claramente motivados. Em não o sendo, são nulos, e é esta a matéria recursal que deve ser enfrentada por esta CORTE SUPERIOR. b) Imprestabilidade do veículo "Auto de Infração" à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente; Quanto à matéria argui o Recorrente que "o ressarcimento indevido" na visão do fisco fez nascer para a União Federal um crédito de natureza financeira, e não de natureza tributária, ressaltando que se os créditos de PIS e COFINS são meramente escriturais, portanto de natureza patrimonial e não tributária, descabido portanto a lavratura de Auto de Infração para materializar a cobrança, acrescida de juros de mora pela SELIC e multa pelo art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. Acórdão nº 203-11.644- paradigma 1 (grifei): Ementa: IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DE VALOR INDEVIDAMENTE PAGO AO CONTRIBUINTE A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DE IPI. AUSÊNCIA DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. Fl. 761DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 INIDONEIDADE DO EXPEDIENTE ADMINISTRATIVO (AUTO DE INFRAÇÃO) UTILIZADO. FALHAS FUNDAMENTAÇÕES FÁTICA E NORMATIVA. O crédito de IPI ressarcível ao contribuinte não tem natureza tributária, e sim financeira, submetendo-se aos termos do Decreto n° 20.910/32, não lhe sendo oponível exceção baseada no artigo 166 do CTN. A cobrança de IPI que toma por fundamento fático o ressarcimento indevido feito ao contribuinte, e por fundamento normativo preceitos legais incondizentes à incidência do tributo, é totalmente despida de validade. O auto de infração, assim estruturado, indispõe de legitimidade. O auto de infração é expediente exclusivamente voltado à exigência de tributo. Inteligência do artigo 90 do Decreto n° 70.235/72. Excertos do voto O auto de infração faz referência a um imposto, precisamente ao IPI, como se esta exação pudesse vir a substituir, ou propriamente encarnar, uma cobrança da União direcionada à contribuinte que em nada se identifica com um tributo, pois diz respeito a valor indevidamente pago à Recorrente a titulo de ressarcimento pautado no acúmulo de crédito de IPI (de natureza financeira).(grifei). Acórdão nº 201-78.341- paradigma 2 (grifei): Ementa: IPI. RESSARCIMENTO INDEVIDO. DEVOLUÇÃO POR AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se tratando de crédito tributário, a lavratura de auto de infração, com imposição de multa de oficio e juros de mora (Selic), não é meio adequado para exigir a devolução da quantia supostamente ressarcida de forma indevida. Fl. 762DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 RESSARCIMENTO COMPENSADO COM DÉBITOS DO SUJEITO PASSIVO. POSTERIOR APURAÇÃO DE SUPOSTA VEDAÇÃO LEGAL À COMPENSAÇÃO. A posterior apuração de suposta vedação legal à compensação realizada, pela autoridade fiscal, entre créditos legítimos de ressarcimento do sujeito passivo e débitos de IPI não caracteriza o ressarcimento como indevido. Excertos do voto Inicialmente, não é possível exigir a devolução de ressarcimento por meio de auto de infração, como se tratasse de imposto não lançado. O ressarcimento indevidamente efetuado implicaria o surgimento de um crédito de natureza financeira para a União e não de natureza tributária. Conforme definição do CTN, a obrigação tributária decorre do fato gerador de tributo ou de conversão de descumprimento de obrigação acessória. Portanto, embora o crédito fosse decorrente da legislação tributária, a natureza do crédito não é de obrigação tributária, não cabendo, na hipótese, lavratura de auto de infração, nem aplicação de multa por falta de declaração ou de recolhimento de tributo, nem de juros de mora decorrentes de pagamento de tributo com atraso. Decisão recorrida (Acórdãos nºs 3101-00.850; 3101-00.851; 3101-00.852; 3101- 00.853; (grifei): Excertos do voto Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que não assiste razão a ambos no que diz com a interpretação da legislação referente à sistemática de ressarcimento de créditos de PIS e suas respectivas normas legais (art. 1º da Lei nº 10.485/2002, art. 17 da Lei nº 10.033/2003 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005) e portanto o Auto de Infração é absolutamente legal, atendendo Fl. 763DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 expressamente o art. 142, parágrafo único do CTN, que atribui ao lançamento a natureza de atividade vinculada.(grifei). c) Impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN. Acórdão nº 1402-001.572- paradigma 1 (grifei): Ementa: LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO REGULARMENTE NOTIFICADO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Somente o erro de fato, desconhecido quando da autuação, autoriza a revisão do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, o que revela-se inadmissível. Excertos do voto Ademais, não se deve confundir motivo com motivação. A motivação faz parte da forma do ato, isto é, ela integra a sua essência e não o elemento motivo. Se o ato deve ser motivado para ser válido, uma vez motivado, não pode a autoridade administrativa, em momento subseqüente, alterar a motivação, sob pena de nulidade. Ou os motivos determinantes do ato administrativo existiam quando de sua prática e ele é válido, ou inexistiam e o ato, neste caso, é inapto a produzir efeitos no mundo jurídico2.(grifei). Acórdão nº 3101-001.752 (Acórdão de Embargos) Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 764DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Excertos do voto O dever revisional de ato administrativo ilegal decorre, logicamente, do princípio da legalidade e da igualdade. O procedimento de revisão é a forma utilizada pela autoridade fiscal para aferição da conformação do ato às prescrições legais, na forma de O dever revisional de ato administrativo ilegal decorre, logicamente, do princípio da legalidade e da igualdade. O procedimento de revisão é a forma utilizada pela autoridade fiscal para aferição da conformação do ato às prescrições legais, na forma de controle interno, para atestar a sua adequação ao ordenamento jurídico. A doutrina não diverge desse entendimento. Para Hugo de Brito Machado, a “administração pode e deve corrigir seus atos ilegais” (MACHADO, 2009, p.85). Também o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho defende a observância obrigatória do princípio da legalidade na revisão administrativa para a adequação dos atos viciados aos seus parâmetros normativos obrigatórios (NUNES FILHO, 1999, p.55). Para Mary Elbe Queiroz, o controle administrativo deve buscar “a perfectibilidade dos atos e das ações dos agentes públicos no tocante às exações tributárias” (QUEIROZ, 2002, p.119). Fl. 765DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Apurada a irregularidade no deferimento do direito creditório, a autoridade fiscal não apenas pode, mas deve rever seu ato, com foi o caso apurado nos presentes autos. Defender a impossibilidade da autoridade fiscal proceder à formalização de novo ato quando constatada inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável, sob o argumento de proteção da segurança jurídica, ao invés de proteger o ordenamento e os direitos individuais, leva a uma desordem sistêmica, reproduzida não afronta à isonomia para aqueles contribuintes que estavam na mesma situação de fato e de direito e não tiveram o mesmo tratamento do lançamento ilegal. Também não é aplicável o artigo 146 do CTN ao caso em discussão nos presentes autos, visto que não ficou configurada a mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.(grifei). Com as considerações acima, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial quanto à matéria nuclear suscitada como divergente no entendimento dos respectivos colegiados quanto às três matérias suscitadas. Diante do exposto conheço do Recurso Especial do Contribuinte. Do Mérito Impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN O Contribuinte em agosto de 2005 teve seus pedidos de ressarcimento certificados, homologados e ressarcidos, senão vejamos: Fl. 766DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 No entanto, em 11/07/2006, foi lavrado o Auto de Infração pela DRF-PFO, através do qual exigiu créditos de PIS e/ou COFINS não-cumulativos, apurados entre março e dezembro/2004, pago a maior. Ou seja, depois de meses, os mesmos Agentes Fiscais designados para atuarem na verificação dos créditos ressarcidos em 2005, foram novamente destacados, desta vez, para revisionar os respectivos Termos de Verificação e Despacho Decisório e lavrar auto de infração com o objetivo de cobrar créditos supostamente devolvidos "à maior", isto é, apurados nas vendas no "mercado interno" (cujo aproveitamento estaria restrito à dedução escriturai direta). No relatório de fls. 237, foi consignado o seguinte: "O contribuinte solicitou restituição dos créditos totais da Cofins Não- Cumulativa, solicitados nas fls. 1, 17, 82 e 99, referente do segundo ao quarto trimestre de 2004, que foi devolvida em espécie, com base no Termo de Verificação Fiscal das fls. 124/127 e que posteriormente se verificou que a mesma havia recebido valor maior que o devido, por solicitar créditos do mercado interno não passíveis de compensação e restituição, conforme amplamente descrito no TERMO DE REVISÃO DE VERIFICAÇÃO DE CRÉDITOS DA COFINS, fls. 220/229 e DESPACHO DECISÓRIO das fls. 231/232, que fazem parte deste processo n. 13027.000046/2005-95, bem deste Auto de Infração Fiscal". (Os grifos meus) Fl. 767DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Quando do termo de revisão em 2006, os ficais entenderam que os créditos mantidos em razão de vendas no mercado interno não seriam passíveis de ressarcimento. Isso porque, segundo a Fiscalização, da conjugação dos mesmos arts. 16 e 17 das Leis n°s 11.116/05 e 11.033/04, respectivamente, extrai-se entendimento diverso daquele fixado quando da lavratura do Termo originário, alterando, pois, a interpretação anterior para lhe emprestar novo sentido, senão vejamos: (...)Continuando Fl. 768DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Verifica-se que dois procedimentos fiscalizatórios distintos (o "originário" e o "revisional"), recaídos sobre os mesmos fatos, concluíram pela aplicação da mesma norma (art. 16 da Lei n° 11.116/05) - em ambos lançada como "fundamento legal, chegando à decisões colidentes entre si: (i) no primeiro, definiram pela restituição integral, "independente da origem dos mesmos, se do mercado interno ou da exportação"; ao passo que (ii) no segundo, renovam o juízo e obstaculizam o ressarcimento dos créditos oriundos de operações para com o "mercado interno", segregando-os dos obtidos com o "externo" para autorizar, quanto aqueles, seja procedida somente a "dedução" com débitos próprios da mesma espécie tributária Antes, a interpretação da lei permitia o "ressarcimento"; já agora, passados mais meses da efetiva restituição só é lícito, de acordo com a nova "leitura" do mesmo comando legal, fosse feita a "compensação reduzida" daqueles créditos (mercado interno). Fl. 769DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Após estes fatos entendo que houve revisão do ressarcimento autorizado, em violação aos Art.146 do CTN, e uma modificação do critério jurídico do ato anterior. Sem imprestável o autos de infração. O ato administrativo deve atender aos requisitos de validade, em especial, deve conter os fundamentos jurídicos de sua expedição e os motivos circunstanciais que levaram a autoridade a expedi-lo. Inexistentes esses requisitos, o ato não detém suporte bastante e suficiente e uma superficial conferência de validade. Verifica-se no presente caso que as fls 255 a 264 houve o Termo de Revisão de Verificação de Créditos da COFINS, e as fls.266, teve o despacho decisório do Delegado de Passo Fundo que autorizou a revisão: E após fls. 268, foi determinado a lavratura do auto de infração, senão vejamos: Fl. 770DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Assim, verifica-se que pela simples leitura do ato que foi homologado. conferindo autorização para revisão do ressarcimento, não está presentes os requisitos formais mínimos para ato de revisão do ato administrativo que deferiu o ressarcimento. Como diz o voto vencido do ilustre Relator Luiz Roberto Domingo: “O ato administrativo, e com mais razão o que propõe revisão dos atos da administração, não pode calar-se diante de um “porque”. Deve de antemão estar lastreado em fatos, em motivos, em fundamentos legais que lhe propiciem segurança jurídica e aferição em face do sistema jurídico vigente no Estado Democrático de Direito, uma vez que a vontade da administração não é a vontade do administrador, mas sim a vontade da lei. No caso em apreço, o ato que determina a revisão do ressarcimento efetivado não responde aos requisitos mínimos de validade. Evidentemente, no curso da revisão perpetrada contra o contribuinte Verificou-se que a motivação da administração era apenas uma: mudança de critério jurídico na expedição do ato que deferiu o ressarcimento. Para a autoridade da repartição de origem, isso configurou erro bastante e suficiente para reverter o ressarcimento por meio de lançamento tributário agravado pelo aplicação de penalidade, correção monetária e juros embutidos na aplicação da Taxa Selic. Mas a lógica do lançamento não funciona, como veremos adiante pois a autoridade administrativa entendeu que “errou”, mas foi o contribuinte chamado a pagar a multa. Fl. 771DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Note-se que a Lei n° 9.784/99, art. 53, prevê: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Ora, a hipótese de incidência prevê que “quando eivados de vício de legalidade” a administração deve anular seus próprios atos. Ocorre que o ato que defere a revisão e o ato revisor não identifica no ato revisado os elementos do vício de legalidade. Não foi apontada nenhum vício de legalidade, de modo que não é possível uma ilegalidade inominada ou genérica, pois configurasse uma acusação em branco, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa. Não houve a exata subsunção do fato à norma, por isso indevida a revisão. A revisão dos atos da administração, não há dúvida, pode ser feita a qualquer momento, tendo como limites o lapso decadencial e as garantias constitucionais que alicerçam a segurança jurídica, e por isso mesmo consagradas pelas cláusulas pétreas contidas na Constituição Federal. O Art. 5o da Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada Fl. 772DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 A Constituição Federal ao trazer o termo “lei”, o fez de forma genérica, ou seja, nenhuma norma jurídica prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A “lei”, portanto, congrega outras formas de normas tais como decretos, ato normativos e atos individuais e concretos, inclusive que conferem direitos às pessoas. Desta forma, a revisão, assim entendida como ato normativo individual e concreto (“lei nova”), não prejudicaria direito adquirido do contribuinte porque o mero ressarcimento não exclui a revisão portanto não lhe confere direito adquirido. Da mesma forma não prejudica a coisa julgada por que não decorre de ato praticado no âmbito da jurisdição. O ato jurídico perfeito, assim entendido aquele praticado, publicado e acabado segundo as normas vigentes ao tempo em que foi exarado, satisfazendo todos os requisitos formais para gerar os efeitos que objetivou. Desta forma, o ato administrativo válido, que confere ressarcimento ao contribuinte, somente será passível de revisão se e quando não puder ser considerado ato jurídico perfeito. Para tanto é necessário que o ato que pretenda a revisão seja explícito em declarar os elementos jurídicos que destituem o ato administrativo de sua perfeição. Nem o ato que autoriza procedimento de revisão nem o Despacho Decisório DRF/RFO, de 10 de julho de 2006, contempla os motivos cumprem os requisitos mínimos de justificativa e fundamentação para revisão do ato jurídico perfeito.” (....) Cabe ressaltar que o art. 149 do CTN prevê em números clausus as circunstâncias em que a administração pode rever de ofício o lançamento, se é que se pode atribuir ao despacho decisório as características do ato administrativo de lançamento. Fl. 773DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Mas mesmo que considerássemos possível, os casos enumerados no referido artigo devem ser tomados segundo os pressupostos gerais da administração em prestígio aos princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e da segurança jurídica. De modo que não se vislumbra qualquer motivo para a administração rever a homologação / deferimento da restituição senão uma mudança de interpretação da norma jurídica que concedeu o benefício que no momento do deferimento e ressarcimento era uma e depois passou a ser outra interpretação. No caso em pauta, o despacho decisório em ressarcimento tem a mesma natureza jurídica que a resposta à Consulta da autoridade administrativa. Na consulta, a resposta favorável tem o efeito de conferir ao contribuinte um direito acerca da interpretação da legislação tributária, de modo que o contribuinte fica protegido em relação à interpretação prolatada até que a “administração altere o entendimento nela expresso”, sendo certo que a lei garante que “a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial”, não sendo possível que a administração exija do contribuinte o pagamento de tributos que deixaram de ser recolhidos por conta dos critérios jurídicos contidos na Consulta ou dos efeito jurídico-tributários que dela decorram. Nesse diapasão é que a interpretação da lei tributária explicitada no Despacho Decisório que culminou no ressarcimento, ato jurídico perfeito, não pode ser objeto de revisão operando efeitos retroativos, para rever o entendimento explicitado no ato administrativo. Em prestígio ao princípio da segurança jurídica a administração não pode frustrar o direito adquirido pelo administrado por haver no caso ato jurídico perfeito, emanado por autoridade competente que detinha a atribuição e capacidade de conferir à norma aquela interpretação. Fl. 774DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Ademais, trata-se de questão análoga à coisa julgada. Digo isso porque o processo administrativo fiscal em que se dá o ressarcimento e a restituição, quando deferido são definitivas as respectivas decisões, não cabendo, aliás, recurso de ofício por parte da autoridade. Esse é o supedâneo do art. 146 do CTN e do art. 48 da Lei nº 9.430/96, cujo fundamento de direito e o valor jurídico protegido são a segurança jurídica dos atos administrativos. Cabe relembrar o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Há de ressalta que a atividade administrativa, no presente caso não é discricionária, mas vinculada, bem por isso goza de presunção de legalidade. É, de resto, o que dispõe o art. 53 acima citado, faz a necessária ressalva de que “A administração deve anular seus próprios atos, respeitados os direitos adquiridos”. E o artigo 2º dispõe que “Administração Pública obedecerá”, “nos processos administrativos...entre outros, os critérios...” (§ único.) de “Interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação” (inc. XIII). Assim, não há se falar em suposta autorização ampla e irrestrita do art. 53 da Lei nº 9.784/99, seja porque a próprio dispositivo invocado e o art. 2º da mesma Lei fixam balizas para proteger o contribuinte, seja porque diploma hierarquicamente superior (CTN) estipula hipóteses taxativas para as quais seria possível a revisão, e em nenhuma delas está contemplada o erro de direito cometido pelas Autoridades Fiscais executoras das duas fiscalizações. Fl. 775DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Desta maneira é lícito afirmar, no presente caso que não haver se falar em “erro de fato” – no mais, sequer aventado como justificativa da refiscalização pelos Agentes Fiscais -, única hipótese autorizativa da revisão do ato decisório originário, tanto pela decisão ulterior quanto pelo lançamento ora fustigados. Isto se deve, substancialmente, porque inalterada a situação fático-jurídica de a Contribuinte que é uma empresa exportadora e revende suas mercadorias (ônibus), também, no mercado interno; circunstância esta, aliás, objeto de comentários contextuais em ambos os “Termos de Verificação Fiscal” (original e revisional). Assim, violado está, portanto, o art. 146 do CTN, segundo o qual: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequencia de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. (grifou-se) Sobre o assunto, assim sentencia GILBERTO DE ULHÔA CANTO: “[...] ao apreciar o erro como um dos motivos que justificam o desfazimento ou a revisão do lançamento, distingue a melhor doutrina, e já hoje, também a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, as duas espécies o mesmo pode se revestir – erro de fato e erro de direito -, para só autorizar a revisão nos casos em que a autoridade lançadora tenha incorrido no primeiro (erro material de cálculo, por exemplo), mas não quando se trate de erro de direito. Tal entendimento está absolutamente conforme o sistema jurídico que nos rege, que não admite defesa baseada em erro de direito, pois a ignorância à lei não escusa ninguém. Se é assim para os particulares, com maior soma de razões sê-lo-á para a própria administração, que não poderá alegar nulidade de ato seu por haver mal interpretado o Direito, fazendo errônea aplicação Fl. 776DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 sua ao fato”. (in Estudos e Pareceres de Direito Tributário. RT: São Paulo, 1975, p. 47) – (Grifou-se) Assim, entendo na impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN, conforme acima explicado. Imprestabilidade do veículo "Auto de Infração" para a glosa de créditos de PIS/COFINS. Como dou provimento ao Recurso do Contribuinte anulando o auto, fica prejudicada a meteria referente a Imprestabilidade do veículo "Auto de Infração" para a glosa de créditos de PIS/COFINS, Conclusão: Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto (documento assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre Relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao conhecimento integral do recurso especial do contribuinte e também em relação ao mérito. Não conheço da primeira matéria (i) falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado pelo fato de os acórdãos paradigmas apresentados não comprovarem a divergência suscitada. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) assim dispõe, quanto ao recurso especial: Fl. 777DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...). § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...). § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...)." A questão é que, da simples leitura do exame de admissibilidade o que se observa é que os paradigmas, analisando elementos de prova diferentes, entendeu que não houve motivação suficiente. Ou seja, tanto o acórdão recorrido quanto os paradigmas tiveram decisões convergentes, quanto à necessidade de motivação dos atos administrativos. Porém, em situações fáticas diferentes, decidiram em sentido contrário. Assim, demonstrada e comprovada a falta de similitude entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido, quanto matéria "Falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado", conforme dispõe o art. 67 do RICARF. Quanto ao mérito, as matérias admitidas nesta fase recursal foram "impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico em franca violação ao art. 146 do CTN" e a "Imprestabilidade do veículo 'Auto de Infração' à exigência de créditos financeiros tidos por ressarcidos indevidamente". Como são matérias que se interligam no seu conteúdo, analisaremos as duas de forma conjunta. Ao contrário do entendimento da ilustre relatora do voto vencido, entendo que a Autoridade Administrativa não só pode revisar seus atos, mas tem o dever de revisá-los/retificá- los, quando comprovados erros e não transcorridos o prazo revisional de 5 anos. A utilização do auto de infração para a exigência de ressarcimento de tributo efetuada indevidamente e/ ou a maior para o contribuinte, mediante lançamento de ofício, está muito bem fundamentada, no voto vencedor do acórdão recorrido, pelo Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Como tenho o mesmo entendimento daquele Conselheiro, adoto os fundamentos expendidos por ele, em seu voto, reproduzidos a seguir: Inobstante os relevantes argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso descordar de suas conclusões quanto à alegada falta de motivação para a revisão e a alegada mudança de critério jurídico da autoridade fiscal. Fl. 778DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, desde que obedecido o prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé, de acordo com o previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Esse princípio está consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Importante destacar que a súmula 473 do STF menciona que a anulação de atos ilegais praticados pela administração pública, não gera direitos por parte do particular. O dever revisional de ato administrativo ilegal decorre, logicamente, do princípio da legalidade e da igualdade. O procedimento de revisão é a forma utilizada pela autoridade fiscal para aferição da conformação do ato às prescrições legais, na forma de controle interno, para atestar a sua adequação ao ordenamento jurídico. A doutrina não diverge desse entendimento. Para Hugo de Brito Machado, a “administração pode e deve corrigir seus atos ilegais” (MACHADO, 2009, p.85). Também o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho defende a observância obrigatória do princípio da legalidade na revisão administrativa para a adequação dos atos viciados aos seus parâmetros normativos obrigatórios (NUNES FILHO, 1999, p.55). Para Mary Elbe Queiroz, o controle administrativo deve buscar “a perfectibilidade dos atos e das ações dos agentes públicos no tocante às exações tributárias” (QUEIROZ, 2002, p.119). Apurada a irregularidade no deferimento do direito creditório, a autoridade fiscal não apenas pode, mas deve rever seu ato, com foi o caso apurado nos presentes autos. Defender a impossibilidade da autoridade fiscal proceder à formalização de novo ato quando constatada inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável, sob o argumento de proteção da segurança jurídica, ao invés de proteger o ordenamento e os direitos individuais, leva a uma desordem sistêmica, reproduzida na afronta à isonomia para aqueles contribuintes que estavam na mesma situação de fato e de direito e não tiveram o mesmo tratamento do lançamento ilegal. Também divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à impossibilidade de revisão do ato administrativo por alegada ofensa ao ato jurídico perfeito e direito adquirido pelo administrado, em prestígio ao princípio da segurança jurídica. A aplicação do princípio da proteção da confiança legítima condiciona-se à sua conjugação com a legalidade e com a igualdade. Nos casos de ilicitudes, a concretização da proteção da confiança no sistema tributário brasileiro deve estar prevista no Código Tributário Nacional (CTN), como exceção à regra da legalidade, e como exceção às distorções porventura existentes em relação à igualdade. Trata-se de Fl. 779DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 exceção que o legislador instituiu no sistema tributário nacional, e que o aplicador deverá obedecer. O CTN prestigia o princípio da proteção da confiança legítima em seus artigos 100, parágrafo único, e 146. O artigo 100 do CTN trata dos atos infralegais, complementares, regulamentares, ou interpretativos, bem como das práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Seu parágrafo único impossibilita o lançamento de multas e acréscimos moratórios no caso de observância das referidas normas complementares, mesmo em caso de ilicitude. Trata-se do maior exemplo de aplicação do princípio da proteção da confiança em nosso sistema tributário: se o contribuinte atendeu às normas complementares editadas pela Administração Tributária, não poderá ser penalizado pela falta de base legal das referidas normas, logicamente se agiu de boa-fé e sem conluio com o agente público responsável pelo ato. Note-se que apenas a penalidade não será lançada, sendo perfeitamente devido o tributo porventura não recolhido, em atendimento ao princípio da legalidade. A norma aplica-se a todos os contribuintes que observaram os atos complementares genéricos. Não se trata de modificações de interpretações da lei, mas de extrapolação das previsões legais na edição do ato, caracterizando ilegalidade do ato normativo complementar. O princípio da proteção da confiança será aplicado de forma conjugada com o princípio da legalidade, de forma a restaurar a situação prevista em lei, sem penalizar o contribuinte que agiu de boa-fé, com a exclusão das multas e juros previstas nas normas sancionatórias. A Administração Tributária agiu de forma irregular na edição do ato viciado, com excesso de poder, que não pode prevalecer por falta de competência constitucional para tanto. Sua margem de atuação encontra-se delimitada pela Constituição e seus atos normativos não podem exceder a previsão legal. No caso de práticas reiteradas pelas autoridades fiscais, o direito do contribuinte não afasta o seu dever de pagar o tributo devido, visto que apenas a aplicação de penalidades e juros é excluída por esse dispositivo do CTN. A aplicação do artigo 100 do CTN não se aplica ao caso em questão pela inexistência de ato infralegal, complementar, regulamentar, ou interpretativo questionado, bem como a inexistência de práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Enquanto o artigo 100 do CTN versa sobre uma situação de ilegalidade, o artigo 146 trata de mudanças entre interpretações, mas dentro da legalidade. O ponto fundamental para a aplicação dos dispositivos é a legalidade: enquanto a norma do artigo 100 prevê a proteção da confiança para atos ilegais, a norma do artigo 146 do CTN prevê a impossibilidade de modificação dos critérios interpretativos dentro das hipóteses legais, considerando que ambas as soluções adotadas pela autoridade fiscal são contempladas pela interpretação razoável da lei. O artigo 146 do CTN refere-se à irretroatividade dos efeitos de uma mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal, no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, para fatos geradores posteriormente à sua introdução. Numa interpretação literal, extrai-se que se trata de uma regra individual, determinando a irretroatividade para um mesmo sujeito passivo objeto de ato anterior. Também que se trata de uma regra de irretroatividade aplicável apenas ao ato administrativo do lançamento tributário, para fatos geradores posteriores à mudança introduzida, inaplicável a qualquer outro ato administrativo, como as soluções de consulta. Fl. 780DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 9303-008.798 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13027.000046/2005-95 Também não é aplicável o artigo 146 do CTN ao caso em discussão nos presentes autos, visto que não ficou configurada a mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte, quanto à matéria "Falta de motivação do ato administrativo que autorizou a revisão/reabertura do procedimento fiscal anteriormente realizado" e, na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 781DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007915/2005-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/06/2004
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste previsão legal que exija a utilização de laudo técnico pericial para fins de classificação fiscal. Destaque-se ainda que o §1º do art. 30 do Decreto no 70.235/72 não considera como aspecto técnico a classificação fiscal de mercadorias atribuída pela autoridade aduaneira.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 15/06/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO.
Não comprovadas as características do equipamento com a descrição prevista para o enquadramento no EX Tarifário requerido tendo em vista que o equipamento não possui o movimento do tipo Caranguejo.
Numero da decisão: 3001-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada bem como o pedido de diligência requerido pela Recorrente e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste previsão legal que exija a utilização de laudo técnico pericial para fins de classificação fiscal. Destaque-se ainda que o §1º do art. 30 do Decreto no 70.235/72 não considera como aspecto técnico a classificação fiscal de mercadorias atribuída pela autoridade aduaneira. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 15/06/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO. Não comprovadas as características do equipamento com a descrição prevista para o enquadramento no EX Tarifário requerido tendo em vista que o equipamento não possui o movimento do tipo Caranguejo.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.007915/2005-49
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6053375
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.905
nome_arquivo_s : Decisao_11128007915200549.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ROBERTO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11128007915200549_6053375.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada bem como o pedido de diligência requerido pela Recorrente e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7874385
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301899333632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007915/200549 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.905 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2019 Matéria COMÉRCIO EXTERIOR CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente TOMÉ ENG. E TRANSP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste previsão legal que exija a utilização de laudo técnico pericial para fins de classificação fiscal. Destaquese ainda que o §1º do art. 30 do Decreto no 70.235/72 não considera como aspecto técnico a classificação fiscal de mercadorias atribuída pela autoridade aduaneira. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/06/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “EX” TARIFÁRIO. Não comprovadas as características do equipamento com a descrição prevista para o enquadramento no “EX” Tarifário requerido tendo em vista que o equipamento não possui o movimento do tipo “Caranguejo”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada bem como o pedido de diligência requerido pela Recorrente e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 79 15 /2 00 5- 49 Fl. 217DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo à Declaração de Importação de n° 04/05696455, registrada pelo importador em 15/06/04, oportunidade em que alega ter recolhido tributos a maior (no caso, contribuição PIS/PASEP), no montante de R$ 552,73 (quinhentos e cinqüenta e dois reais e setenta e três centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 15/06/04 o interessado registrou DI n° 04/05696455 (Fls. 10/13), parametrizada pelo Siscomex para o canal VERDE de conferência, com uma única adição, com II recolhido à alíquota de 14%, sem pleito quanto a qualquer EXtarifário. Classificou a mercadoria no código NCM 8426.41.00 — (Máquinas e aparelhos autopropulsores, de pneumáticos), e, no campo "Descrição detalhada", assim a descreveu: Descrição detalhada da mercadoria — Na DI, originalmente: "GUINDASTE, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, PRÓPRIO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINERS DE 20 E 40 PÉS (REACH STACKER), MODELO FERRARI BELOTTI 45.31, COMPLETO PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE (CHASSIS NR. 5225)." Em 29/11/05 — (fls. 1) — apresentou Formulário: Pedido de Cancelamento ou de retificação de declaração de importação e reconhecimento de direito creditório, pedindo restituição de R$ 552,733 (contribuição PIS/PASEP). Alegou que o reconhecimento de direito creditório pleiteado decorria de retificação de DI n° 04/05696455, registrada em 15/06/04, onde teria recolhido a maior a receita código 5602 (PIS/PASEP), tudo conforme tabela abaixo. Isto porque, se tivesse pleiteado oportunamente o EX tarifário a que acreditava fazer jus, a alíquota do II seria reduzida, de 14% para 2%, com reflexos no cálculo do PIS/PASEP. TRIBUTO CÓDIGO RECOLHIDO DEVIDO A RESTITUIR PIS/PASEP 5602 19.537,73 18.985,00 552,73 Posteriormente, em 22/06/06 (fls. 21), apresentou Pedido de Retificação de DI, aditamento, para alteração do o Imposto de Importação devido, de 14% para 2%, tendo em vista o enquadramento da mercadoria em EX tarifário amparado pelo disposto na Resolução n° 16, de 10 de junho de 2003, retificada pela Resolução n° 05, de 01 de março de 2004, ambas da CAMEX. Tal EX não fora pleiteado na ocasião, por motivos não esclarecidos. Para fins de adequar a descrição da mercadoria ao texto do EX tarifário pleiteado, solicitou retificação da mesma, que passaria De: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11128.007915/200549 Acórdão n.º 3001000.905 S3C0T1 Fl. 3 3 "GUINDASTE, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, PRÓPRIO PARA o MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINERS DE 20 E 40 PÉS (REACH STACKER), MODELO FERRARI BELOTTI 45.31, COMPLETO PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE (CHASSIS NR. 5225)" Para: Guindaste, autopropulsor sobre pneus, computadorizados, com capacidade de movimento tipo "caranguejo' e capacidade máxima de carga igual ou superior a 23 t, modelo Ferrari Belotti 45.3 1, completo, porém parcialmente desmontado para transporte, chassi n° 5225. Eis o texto do EX tarifário ora pleiteado pelo importador: 8426.41.00 (BK) EX 005 Guindastes autopropulsores sobre pneus, computadorizados, com capacidade de movimento tipo "caranguejo" e capacidade máxima de carga igual ou suaerior a 23 t. Em diligência objetivando verificação das reais características da máquina importada, foi relatado (pela autoridade administrativa) o seguinte (fls. 112/112); "No local, fui informado que as empilhadeiras já não estavam mais operando naquele terminal, porém havia outras similares àquelas importadas pela Tomé Engenharia, ou seja, com as mesmas características técnicas e operacionais. Assim, por meio desta inspeção, concluiuse que a mercadoria analisada não possui a característica de movimentação tipo "caranguejo", já que no eixo frontal do bem não há possibilidade de direcionar as rodas para os lados direito nem esquerdo (v. fotos fls. 107/108), impedindo, dessa forma, o movimento na diagonal, o que é popularmente conhecido como movimento tipo "caranguejo". Portanto, diante desse contexto, não foram identificados todos os elementos necessários para a caracterização do bem como o extarifário proposto pelo importador." Às fls. 126/127 consta Parecer sobre o pedido, que serviu de base para o DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito, de fls. 129/130, exarado em 09/06/08. O motivo do indeferimento foi a ausência de características exigidas do texto do EX para tal mercadoria, mais especificamente a falta de capacidade de movimento tipo "caranguejo". A base para a negativa foi assim relatada: "Conforme a Informação COSIT (DINOM) n° 05, de 12/01/1995, "um EX constante da NBM/SH (TIPI/TAB) é uma exceção tarifária atribuída a um produto com características precisas e determinadas, sendo destinado exclusivamente para a mercadoria que preencha as características citadas, não podendo em nada se diferenciar da descrição nele efetuada". A seguir, relatase o resultado da análise dos catálogos e das fotos anexadas aos autos, resultando na constatação de que o guindaste em comento tem o eixo frontal fixo, o que não permitiria à máquina a capacidade de movimento tipo “caranguejo” (onde todas as rodas são articuladas, permitindo seu movimento em todas as direções). Ciente do teor do despacho decisório de indeferimento, e inconformado com o mesmo, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 132/134, onde alega, basicamente, que: Fl. 219DF CARF MF 4 1 Não contesta a alegação de que o eixo frontal do guindaste é fixo e as pontas do eixo traseiro articuladas, mas alega que a definição do movimento tipo "caranguejo' é diferente da acatada pela fiscalização, conforme Laudo do IPI elaborado para equipamento diferente do ora discutido, segundo o qual para ter tal movimento bastaria que um dos eixos traseiros fosse articulado; 2 Protesta pela realização de perícia, para comprovação de que o guindaste é computadorizado e tem o movimento tipo "caranguejo". A DRJ de São Paulo II julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o indeferimento do despacho decisório conforme Acórdão no 17 30.050 a seguir transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/06/2004 ALÍQUOTA REDUZIDA. "EX" TARIFÁRIO. A aplicação de alíquota reduzida somente se efetiva quando comprovada a perfeita correlação entre a mercadoria importada e a descrição do respectivo "ex" tarifário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente solução do litígio. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância alegando preliminarmente nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de ampla defesa, do contraditório e por falta de Laudo que ampare tecnicamente a afirmação do AFRF. No mérito, reafirma os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação e rebatendo o que foi decidido pelo Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11128.007915/200549 Acórdão n.º 3001000.905 S3C0T1 Fl. 4 5 aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Preliminarmente a Recorrente alega nulidade do Despacho Decisório tendo em vista que a decisão deveria ter sido fundamentada com base em Laudo Técnico efetuado por Engenheiro devidamente credenciado junto a Autoridade Administrativa para fins de avaliação se o equipamento em lide possui ou não movimento tipo “caranguejo”. Incialmente cabe destacar que não existe previsão legal que exija a utilização de laudo técnico pericial para fins de classificação fiscal. Outro sim, o §1º do art. 30 do Decreto no 70.235/72 não considera como aspecto técnico a classificação fiscal de mercadorias atribuída pela autoridade aduaneira. Cabe ainda atentar que, conforme previsto no art. 29 do mesmo Decreto no 70.235/72, o julgador é livre para formar sua convicção na apreciação das provas, observando, no entanto, que suas decisões devem ser sempre motivadas. Diante destas previsões legais, verificase que não assiste razão à Recorrente quando afirma ser nula a decisão atribuída pela autoridade tributária emissora do despacho decisório, na qual motivou sua decisão de não conceder o crédito pretendido pela recorrente com base nos documentos acostados e nas diligências realizadas. Também não assiste razão à Recorrente quando afirma ter havido cerceamento do direito de defesa e do contraditório. Isto porque os fatos e fundamentos da decisão que negou o pleito da Recorrente foram devidamente formalizados e apresentados ao contribuinte, respeitando o devido processo legalmente estabelecido. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre pedido de reconhecimento de direito creditório derivado de suposto erro na classificação fiscal atribuída pela Recorrente por ocasião da informação do produto na Declaração de Importação acima identificada. Incialmente a Recorrente informou que o produto importado foi o seguinte: Fl. 221DF CARF MF 6 "GUINDASTE, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, PRÓPRIO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINERS DE 20 E 40 PÉS (REACH STACKER), MODELO FERRARI BELOTTI 45.31, COMPLETO PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE (CHASSIS NR. 5225)." Em sua retificação, afirma que o guindaste teria a seguinte descrição: “GUINDASTE, AUTOPROPULSOR SOBRE PNEUS, COMPUTADORIZADOS, COM CAPACIDADE DE MOVIMENTO TIPO "CARANGUEJO' E CAPACIDADE MÁXIMA DE CARGA IGUAL OU SUPERIOR A 23 T, MODELO FERRARI BELOTTI 45.3 1, COMPLETO, PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE, CHASSI N° 5225.” Percebese que em ambos os casos não há discussão sobre a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) adotada, qual seja: 8426.41.00 (Máquina e Aparelhos Autopropulsores de Pneumáticos). A questão objeto da demanda referese tão exclusivamente sobre o enquadramento ou não no “EX” Tarifário 005 conforme estabelecido pela Resolução no 16 de 10/06/2003 e retificada pela Resolução no 05 de 01/03/2004, ambas da Câmara de Comércio Exterior. A mudança pleiteada pela Recorrente, indeferida pela unidade de origem e mantido o indeferimento pela decisão de piso referese aos seguintes termos do “EX” Tarifário: Guindastes autopropulsores sobre pneus, computadorizados, com capacidade de movimento tipo "caranguejo" e capacidade máxima de carga igual ou suaerior a 23 t. O enquadramento no referido “EX” Tarifário implica uma redução da alíquota do Imposto de Importação de 14% para 2%. Vejamos o que a decisão de piso afirma para indeferir a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte: Contudo, diligências levadas ao termo pela fiscalização, visando constatar se a mercadoria importada (modelo Ferrari Belotti 45.31) possuía todas as características exigidas para enquadramento no EX tarifário, levaram à seguinte conclusão: não restou comprovado que o guindaste seja computadorizado, mas ficou comprovado que o mesmo não possui capacidade de movimento tipo "caranguejo', que implica na existência de articulação em todas as rodas, de forma a permitir o direcionamento em todas as direções (longitudinal, diagonal e transversal), conforme consta na TEC e na TIPI (v. fls. 74 e 78). No guindaste objeto desta discussão, o eixo frontal é fixo, e somente o eixo traseiro tem pontas articuladas. Eis o motivo do indeferimento do pleito (quanto à retificação da DI e também quanto ao reconhecimento do direito creditório) — Parecer de fls. 127/129: "Conforme a Informação COSIT (DINOM n' 05, de 1210111995, "um EX constante da NBAFSH (TIPI/TAB) é uma exceção tarifária atribuída a um produto com características precisas e determinadas, sendo destinado exclusivamente para a mercadoria que preencha as características citadas, não podendo em nada se diferenciar da descrição nele efetuada. Passemos, assim, a analisar cada uma das características determinantes do equipamento descritas no "ex". O equipamento em questão é um GUINDASTE AUTOPROPULSOR, conforme, aliás, está descrito na DI. O catálogo e a fatura não Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11128.007915/200549 Acórdão n.º 3001000.905 S3C0T1 Fl. 5 7 fazem nenhuma referência ao fato do equipamento ser computadorizado. Caso essa fosse a única dúvida, poderia a mesma ser dirimida através de conferência física. A característica seguinte CAPACIDADE DE MOVIMENTO TIPO "CARANGUEJO" — não está presente nos equipamentos desta DI. Senão vejamos: As informações e especificações técnicas contidas no catálogo de fls. 43 e 44 informam que o eixo dianteiro dos equipamentos não é articulado, portanto são fixos; As pontas (direita e esquerda) do eixo frontal são totalmente diferentes das pontas (direita e esquerda) do eixo traseiro, que são articuladas e controladas através de pistões hidráulicos, tudo conforme as fotografias das fls. 107 a 111. Isto quer dizer que este produto pode deslocarse para frente ou para trás em linhas retas ou em arcos, eventualmente completando uma circunferência. Ele não consegue deslocarse na transversal ou nas diagonais, movimentos necessários para que seja possível descrevêlo e enquadrálo como tendo a capacidade de movimento tipo caranguejo; conforme esclarecer o Ato Declaratório Executivo n° 63, de 28 de dezembro de 2004, fls. 78, onde podemos ler: "Com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo)". O movimento tipo "caranguejo" exige, conforme fls. 74, a capacidade de direcionar todas as rodas para o mesmo lado, em outras palavras, o equipamento deveria apresentar os dois eixos (dianteiro e traseiro) articulados, o que não é o caso do guindaste FERRARI BELOTTI 4531, objeto deste processo. Considerando que os equipamentos despachados nesta DI não apresentam uma das características, (movimento tipo "caranguejo" requeridas na descrição do EX 005, concluímos que não é possível retificar a descrição detalhada da mercadoria, conforme solicitado, e que estes produtos não podem ser enquadrados no "ex " tarifário proposto. " No caso em análise, no mínimo uma das características exigidas pelo EX está ausente da mercadoria importada. Em sua impugnação, o interessado não contesta a alegação de que o eixo frontal do guindaste é fixo e as pontas do eixo traseiro articuladas, mas alega que a definição do movimento tipo "caranguejo" é diferente da acatada pela fiscalização, conforme Laudo do IPI elaborado para equipamento diferente do ora discutido, segundo o qual para ter tal movimento bastaria que um dos eixos traseiros fosse articulado; como o movimento tipo "caranguejo' é claramente definido na TEC e na TIPI, não cabe acatar a definição constante do laudo anexado, que inclusive referese a mercadoria diversa da ora discutida. Protesta pela realização de perícia, para comprovação de que o guindaste é computadorizado e tem o movimento tipo "caranguejo". Verificase, ao longo deste acórdão que há nos autos informações suficientes para a correta classificação fiscal da mercadoria, de tal forma que uma nova perícia nada acrescentaria para a solução do presente litígio, razão pela qual indefiro o pedido requerido pela impugnante, nos termos do art. 28, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, e do art. 29 do Decreto n° 70.235/72. A análise dos fatos leva à conclusão de que o importador não faz jus ao EX tarifário pleiteado, pois que para tanto a mercadoria teria que preencher todas as Fl. 223DF CARF MF 8 características citadas no texto do mesmo, não podendo em nada se diferenciar da descrição nesse texto efetuada. Não é o que ocorre no caso concreto. Conseqüentemente, também não faz jus à redução de alíquota do Imposto de Importação (com reflexos no IPI vinculado, COFINS e PIS), que, ao amparo do EX 005, passaria de 14% para 2%. Para a mercadoria que importou, o Imposto de Importação à alíquota de 14% mostrouse apropriada. Quanto ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo importador (reflexo da redução do Imposto de Importação no cálculo do PIS/PASEP), transcrevo abaixo o art. 165 do CTN (Lei. N° 5.172): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Do exame dos autos, não resta comprovado que os tributos recolhidos pelo recorrente por ocasião do despacho aduaneiro (Declaração de Importação n° 04/05696455) foram indevidos ou a maior que o devido. A Recorrente afirma que o indeferimento baseiase única e exclusivamente no fato de o equipamento ter ou não o movimento do tipo “caranguejo”. Para isso, apresenta o Parecer no 7.996 do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo que, em seu item 4.2.6 apresenta a seguinte pergunta/resposta a seguir: “4.2.6 O equipamento em análise possui capacidade de movimentação do tipo "caranguejo "? Sim, a movimentação do tipo " caranguejo " é caracterizada pela direcionalidade de UM (01) ou dois eixos traseiros que podem ser direcionados independentemente do dianteiro (eixo 1).......” Por fim, afirma ainda o seguinte: “Isto posto, cai por terra toda à base técnica que serviu para o DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO, pois o mesmo baseouse única e exclusivamente no fato de quem efetuou a verificação do equipamento SIMILAR e não o equipamento em lide, por analogia, concluiu que o nosso equipamento não possuía o movimento do tipo "caranguejo", o que não reflete a realidade conforme Laudo que ora aproveitamos a oportunidade para ANEXAR, ressaltando mais uma vez que o mesmo encontrase anexo a inicial, e nem assim ensejou a solicitação de Assistente Técnico para dirimir a dúvida.” Portanto, o ponto chave da análise da presente lide centralizase na característica do equipamento autopropulsor adquirido e informado na DI 04/05696455 de possuir ou não a movimentação do tipo “caranguejo”. Inicialmente cabe destacar o já foi mencionado o fundamento, apresentado na análise das preliminares, de que não existe previsão legal que exija a utilização de laudo técnico pericial para fins de classificação fiscal, e que o §1º do art. 30 do Decreto no 70.235/72 não considera como aspecto técnico a classificação fiscal de mercadorias atribuída pela autoridade aduaneira. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11128.007915/200549 Acórdão n.º 3001000.905 S3C0T1 Fl. 6 9 Entretanto, este relator efetuou a análise dos documentos que serviram de base para o indeferimento do pedido de enquadramento no “EX” Tarifário acima descrito bem como do Parecer no 7.996 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo apresentado pela Recorrente. Inicialmente insta reproduzir uma foto do Guindaste Ferrari Beloti Reach Stacker modelo 45/31 constante da efl. 57 a qual foi apresentada em resposta à intimação apresentada pela Recorrente em 06/09/2006. Desta foto é notório que o modelo do equipamento adquirido possui dois eixos, um traseiro e um dianteiro. Para que não haja dúvidas desta afirmação, tendo em vista a pouca nitidez da imagem, segue abaixo outra reprodução extraída da efl. 58. Fl. 225DF CARF MF 10 Conforme relatório de efl. 144, a autoridade fiscal afirma que as informações e especificações técnicas contidas no catálogo de fls. 43 e 44 (efls. 58 e 59) registra que o eixo dianteiro do equipamento contém não é articulado, portanto é fixo. Afirma ainda que as pontas (direita e esquerda) do eixo frontal são totalmente diferentes das pontas (direita e esquerda) do eixo traseiro, que são articuladas e controladas através de pistões pneumáticos, tudo conforme as fotografias das fls. 106 a 110 (efls. 123 a 127), concluindo que o equipamento pode movimentarse para frente ou para trás em linha reta ou em arcos, eventualmente completando uma circunferência, mas sem poder deslocarse na diagonal ou transversal, movimento necessário para ser enquadrado com capacidade de realizar movimento tipo “caranguejo”. Concordo com as informações e elementos apresentados. Apesar de a recorrente reforçar os seus argumentos de que tais informações além de terem sido retiradas de um equipamento similar, em verdade a base destes dados (eixo dianteiro não articulado) foram extraídas do próprio catálogo do equipamento apresentado por ela mesma por ocasião da resposta ao termo de intimação. Por derradeiro, cabe destacar que o Parecer no 7.996 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo apresentado pela Recorrente por duas ocasiões, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, em nada pode ser aproveitado neste processo. Primeiro porque o equipamento objeto de análise pelos pareceristas é um Guindaste da Marca DEMAG tipo AC100, com pneus, controle computadorizado, lança telescópica e capacidade de carga de 100tf, ou seja, totalmente diferente do Guindaste Autopropulsor para movimentação de containers de 20 e 40 pés (Reach Stacker) da Ferrari Belotti modelo 4531. Relevante informar que o Guindaste DEMAG possui seis eixos e o Ferrari Belotti dois eixos. Segundo que, no próprio Parecer (efl. 213) consta a seguinte informação: “Este parecer aplica se somente ao equipamento em questão: guindaste hidráulico DEMAG AC100, número de série 77017, chassi número WMG520560YZ000017 referente à DI 01/03784823.” Contudo, a DI objeto da presente lide é a de número 04/05696455. Cabe ainda atentar que, conforme previsto no art. 29 do mesmo Decreto no 70.235/72, o julgador é livre para formar sua convicção na apreciação das provas, observando, no entanto, que suas decisões devem ser sempre motivadas. Portanto, desnecessária a execução de nova diligência solicitada pela Recorrente tendo em vista que os documentos constantes dos autos são suficientes para solução da lide. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter na íntegra a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11128.007915/200549 Acórdão n.º 3001000.905 S3C0T1 Fl. 7 11 Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000614/2007-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
Mantém-se o lançamento quando comprovado nos autos que o benefício da isenção para rendimentos recebidos por pessoa com 65 anos ou mais pleiteado pela contribuinte já foi por ela utilizado.
PRESCRIÇÃO.
O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário.
A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso.
Numero da decisão: 2002-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Mantém-se o lançamento quando comprovado nos autos que o benefício da isenção para rendimentos recebidos por pessoa com 65 anos ou mais pleiteado pela contribuinte já foi por ela utilizado. PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.000614/2007-33
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6047869
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.279
nome_arquivo_s : Decisao_10980000614200733.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10980000614200733_6047869.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7857389
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301915062272
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-08T23:45:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-08T23:45:10Z; Last-Modified: 2019-08-08T23:45:10Z; dcterms:modified: 2019-08-08T23:45:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-08T23:45:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-08T23:45:10Z; meta:save-date: 2019-08-08T23:45:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-08T23:45:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-08T23:45:10Z; created: 2019-08-08T23:45:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-08T23:45:10Z; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-08T23:45:10Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.000614/2007-33 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002-001.279 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Recorrente CIRLEI MARCON GARMENDIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. Mantém-se o lançamento quando comprovado nos autos que o benefício da isenção para rendimentos recebidos por pessoa com 65 anos ou mais pleiteado pela contribuinte já foi por ela utilizado. PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 06 14 /2 00 7- 33 Fl. 38DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.279 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.000614/2007-33 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$156,88 para saldo de imposto a pagar de R$3.145,04. A notificação noticia a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, auferidos junto ao Instituto de Previdência do Rio Grande do Sul, no montante de R$31.305,98 e IRRF correspondente de R$3.173,45. Impugnação Cientificada à contribuinte em 28/12/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 17/1/2007, às fls. 3/11 dos autos, na qual a contribuinte contestou parcialmente a autuação, aduzindo que faria jus à parcela isenta dos rendimentos em razão de ter completado 65 anos em agosto de 2003. Alegou ainda que não teria sido computado no lançamento o desconto simplificado a que teria direito, citando o artigo 2º da Lei nº10.451, de 2002. A defesa foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, considerou parte do crédito não impugnado e, quanto à parte impugnada, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls. 20/25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO-TRIBUTÁVEIS. APOSENTADORIA E PENSÃO. UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE DO LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES MAIORES DE 65 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. No caso de a pessoa física receber proventos de aposentadoria e/ou pensão de mais de um órgão público ou previdenciário, apenas uma das parcelas pode ser declarada como rendimentos isentos e não-tributáveis; as demais devem ser oferecidas à tributação na declaração anual de ajuste. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. DESCONTO SIMPLIFICADO. ALTERAÇÃO DE MODELO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo a contribuinte apresentado Declaração de Ajuste Anual de pessoa física em modelo completo, não é possível utilizar o desconto de 20%, disponível para os contribuintes que utilizaram o modelo simplificado e que substitui todas as deduções do modelo completo. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/7/2009 (fl. 28), a contribuinte, em 26/8/2009 (fl. 30), apresentou recurso voluntário, às fls. 30/36, alegando, em síntese: - faria jus à isenção de R$1.058,00 mensais a partir do mês que completar 65 anos. Fl. 39DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.279 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.000614/2007-33 - teria utilizado apenas o desconto referente aos meses de agosto a dezembro de 2003 e não o ano inteiro. - teria declarado como isenta a parcela de R$6.490,00, que corresponde à R$5.290,00 da pensão recebida do IPE/RS e ao 13º salário da pensão. - haveria equívoco quanto ao ano da autuação na decisão recorrida, que teria apontado 2004, quando se trata aqui do ano 2003. - a decisão recorrida teria se equivocado também ao fazer alusão ao desconto simplificado, visto que ela não teria feito essa opção. - não seria devida a imposição de multa, tendo em vista que teria havido a devida declaração dos rendimentos com base nas informações prestadas pelas fontes pagadoras. - ao final, requer o cancelamento do débito e que seja reconhecida a prescrição de eventual débito apurado tendo em vista o decurso de mais de cinco anos do lançamento por homologação. Fl. 40DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.279 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.000614/2007-33 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Antes de adentrar na análise do mérito, cabe registrar que não procedem as alegações de equívocos da decisão recorrida. Primeiro, quanto ao ano objeto da autuação, vejo que a decisão consigna corretamente o exercício 2004, que corresponde ao ano-calendário ou ano-base 2003. Segundo, no tocante à menção ao desconto simplificado, vejo que a decisão recorrida abordou tal matéria, porque, em sua impugnação, a contribuinte reclamou que "...não foram computados no lançamento o desconto simplificado, que é direito da declarante conforme disposto no artigo 2º da Lei 10.451/02, que deu nova redação ao artigo 10 da Lei 9.250/95". O colegiado de primeira instância esclareceu que, tendo optado pela apresentação no modelo completo, a contribuinte não faria jus ao desconto simplificado. Omissão de rendimentos - parcela isenta A recorrente alega que a decisão recorrida não teria observado que a contribuinte utilizou apenas o desconto referente aos meses de agosto a dezembro de 2003 e não o ano inteiro. Mais uma vez equivoca-se a recorrente. A decisão recorrida apontou corretamente que a contribuinte faria jus à parcela isenta de R$1.058,00 mensais de agosto a dezembro de 2003, totalizando R$5.290,00, e que ela se utilizou da isenção prevista para rendimentos de aposentadoria pagos a maiores de 65 anos em valor maior que o limite legal, o que se confirma com o comprovante de rendimento por ela juntado à fl.33, consignando a parcela isenta de R$5.290,00, enquanto a contribuinte informou R$6.490,00. O colegiado de primeira instância explica ainda que, tendo se utilizado do limite legal de isenção para a fonte pagadora declarada (Governo do Estado do Rio Grande do Sul), a contribuinte não pode se utilizar desse limite para a fonte pagadora omitida (Instituto de Previdência do RS). Sem reparos a se fazer à decisão de piso. Isto porque são isentos os rendimentos de aposentadoria ou pensão recebidos por maior de 65 anos até o limite de R$1.058,00 por mês. No caso de recebimento de mais de uma aposentadoria/pensão, a parcela isenta não se altera, ou seja, ainda que sejam duas pensões/aposentadorias, o limite mensal é de R$1.058,00. Portanto, correta a manutenção integral dos rendimentos omitidos. Multa de ofício A recorrente requer o cancelamento da exigência da multa de ofício, alegando que se baseou nas informações prestadas pelas fontes pagadoras. A aplicação da multa de ofício não foi objeto da impugnação. A matéria ventilada em recurso deve limitar-se àquela abordada pelo recorrente em sua impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, por violação ao Fl. 41DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.279 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.000614/2007-33 princípio do contraditório e da ampla defesa e pela supressão de instância. Dessa feita, trata-se de matéria preclusa, a teor dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, não cabendo sua análise por este colegiado. Prescrição No tocante a essa alegação, é certo que, nos termos do caput do art. 174 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir, do devedor, a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Assim, havendo impugnação e recurso voluntário (como no caso em tela), fica postergado o começo da fruição do prazo prescricional até a decisão do último recurso administrativo interposto pela contribuinte. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000950/00-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1999
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente no momento oportuno previsto em lei (apresentação do Recurso Voluntário em face da primeira decisão da DRJ). Precluso o direito de defesa trazido somente no segundo Recurso Voluntário interposto após a reforma parcial da primeira decisão da DRJ proferida nos autos.
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ART. 170-A, CTN. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS.
No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inaplicabilidade do art. 170-A, do CTN na hipótese, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na parte conhecida, provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-006.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que, afastado o fundamento do art. 170-A, do CTN, seja proferido novo despacho decisório com a análise da liquidez e certeza do crédito de PIS relacionado à ação judicial n.º 99.3000255-3.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1999 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não recorrida a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente no momento oportuno previsto em lei (apresentação do Recurso Voluntário em face da primeira decisão da DRJ). Precluso o direito de defesa trazido somente no segundo Recurso Voluntário interposto após a reforma parcial da primeira decisão da DRJ proferida nos autos. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ART. 170-A, CTN. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inaplicabilidade do art. 170-A, do CTN na hipótese, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na parte conhecida, provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10909.000950/00-65
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057352
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.775
nome_arquivo_s : Decisao_109090009500065.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 109090009500065_6057352.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que, afastado o fundamento do art. 170-A, do CTN, seja proferido novo despacho decisório com a análise da liquidez e certeza do crédito de PIS relacionado à ação judicial n.º 99.3000255-3. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7883724
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301930790912
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-27T13:03:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-27T13:03:15Z; Last-Modified: 2019-08-27T13:03:15Z; dcterms:modified: 2019-08-27T13:03:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-27T13:03:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-27T13:03:15Z; meta:save-date: 2019-08-27T13:03:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-27T13:03:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-27T13:03:15Z; created: 2019-08-27T13:03:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-08-27T13:03:15Z; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-27T13:03:15Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10909.000950/00-65 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.775 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2019 Recorrente DALQUIM INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1999 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não recorrida a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente no momento oportuno previsto em lei (apresentação do Recurso Voluntário em face da primeira decisão da DRJ). Precluso o direito de defesa trazido somente no segundo Recurso Voluntário interposto após a reforma parcial da primeira decisão da DRJ proferida nos autos. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ART. 170-A, CTN. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inaplicabilidade do art. 170-A, do CTN na hipótese, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na parte conhecida, provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para que, afastado o fundamento do art. 170-A, do CTN, seja proferido novo despacho decisório com a análise da liquidez e certeza do crédito de PIS relacionado à ação judicial n.º 99.3000255-3. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 09 50 /0 0- 65 Fl. 1507DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em face da decisão da DRJ que foi parcialmente anulada pelo CARF para reconhecer que a compensação pleiteada pelo sujeito passivo no presente processo foi formulada antes da vedação imposta pelo art. 170-A, do Código Tributário Nacional - CTN. Por fazer uma síntese dos acontecimentos que envolvem o presente processo até sua prolação, peço vênia para me valer do relatório da r. decisão recorrida: "Visto e analisado o presente processo, aproveito-me, em breve síntese, do texto do relator anterior desta DRJ, cujo voto veio a ser acompanhado pelos demais julgadores, por unanimidade, que indeferiram a Manifestação de Inconformidade da interessada, em julgamento realizado na data de 27/10/2006, e que deu origem ao Acórdão nº 08-9.366, anulado pelo CARF através do Acórdão 3201-001.535, de 28/01/2014, fls. 680 a 685, e com ordem determinante de novo julgamento, para ser analisado o mérito da pretensão da recorrente. Trata-se originalmente de pleito dirigido ao Delegado da Receita Federal em Itajaí/SC (fls. 01 a 03), visando à restituição de créditos decorrentes de alegados recolhimentos a maior que o devido, nos anos calendários de 1995 a 1999, de empresas fusionadas que deram origem à requerente. Os pedidos em tela tinham como objetivo a utilização de tais créditos na compensação de débitos da sucessora (DALQUIM INDÚSTRIA. E COMÉRCIO LTDA) vencidos em 2000. Apreciando os pedidos de restituição e compensação formulados pelo contribuinte, a repartição de origem, através do Parecer SAORT/DRF/ITJ n° 139/2004 (fls. 1191/1216), propôs o deferimento parcial da solicitação. A autoridade competente, por meio do Despacho Decisório de fls. 1217/1218, acatou o referido parecer e reconheceu o direito creditório do contribuinte no valor originário de R$ 202.748,06, relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL e deferiu o valor de R$ 19.010,12 à título de ILL, reconhecido judicialmente no processo n° 1999.72.06.0023663/SC, devendo este último somente ser compensado com débitos do IRPJ, nos termos da mencionada decisão judicial. O indeferimento do montante de R$ 207.466,75, relativo a crédito decorrente do processo judicial da empresa Sulfato Catarinense S/A (processo judicial n° 99.30002553/ SC), deu-se em razão da inexistência de crédito líquido e certo, pelo fato de a ação não ter transitado em julgado. Inconformada com a decisão da DRF jurisdicionante, a interessada manifestou tempestivamente sua inconformidade através do arrazoado de fls. 1232/1243, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Em relação à compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, alega que tal exigência somente foi introduzida no Código Tributário Nacional pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o art. 170-A ao referido código. Assim, tal dispositivo somente se aplica aos casos posteriores a sua entrada em vigor, em função do princípio Fl. 1508DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 da irretroatividade da lei. Portanto, como os recolhimentos indevidos efetuaram-se na vigência das Leis n° 8.383/91 e 9.430/96, e estas não exigiam o trânsito em julgado da ação, não existe nenhum óbice para que lhe seja reconhecido o direito à compensação do referido direito creditório com quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, conforme admitido pela Lei 9.430/96, art. 74, com redação dada pela MP n° 66/2002. Cita jurisprudência judicial que corroboraria a sua tese 2) No que se refere ao entendimento da DRF/Itajaí/SC de que a compensação do crédito de ILL somente poderia ser feita com débitos do IRPJ, em função da decisão judicial, argumenta, noutros termos, que em razão de nova legislação que rege a matéria, a requerente tem direito à compensação com quaisquer tributos e contribuições administradas pela SRF, nos termos da Lei n°. 10.637/2002. Colaciona entendimento do Superior Tribunal de Justiça que vai ao encontro de sua tese. A contribuinte requeria, ao final: a) que fosse anulado o despacho decisório e acolhida integralmente a compensação pleiteada, extinguindo-se as cartas de cobrança referentes a este processo; b) a compensação de parte dos débitos constantes das cartas cobranças referentes a este processo com DARF em anexo, relativo ao período de apuração maio/1999, no montante de R$ 20.713,33 (débito que já se encontra inscrito em Dívida Ativa da União), tendo em vista que tal pagamento foi efetuado antes do despacho decisório; c) o retorno do processo n° 10920.500502/2004-40 da PFN para que seja analisado pela DRF/Itajaí, já que a compensação atendeu ao disposto na legislação específica; d) que sejam extintas as inscrições em Dívida Ativa da União referentes a débitos cujos créditos ainda estavam pendentes de apreciação neste processo e, e) que as intimações sejam encaminhadas ao endereço do advogado da empresa, conforme por ela indicado. Indeferida a manifestação de inconformidade, a interessada interpôs recurso voluntário ao CARF, propondo a reforma da decisão de 1ª instância, sob o fundamento de que a base para o indeferimento da inconformidade havia sido o art. 170-A do CTN, inexistente ao tempo da formalização do pedido de compensação (15/05/2000), haja vista que referido artigo veio à luz no ordenamento jurídico através da Lei Complementar 104/2001, não podendo sua aplicação ser retroativa, por ser o procedimento de compensação regido pela lei vigente no momento de seu pedido. O voto do I. conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes foi acompanhado pelos seus pares, que deram parcial provimento ao recurso e determinando a reforma da decisão. É o relatório." (e-fls. 1.454/1.455 - grifei) Cumpre apontar que no primeiro Recurso Voluntário apresentado nos presentes autos, não foi objeto de discussão pela empresa o ponto (2) da manifestação de inconformidade identificado acima, qual seja, a restrição da compensação do crédito de ILL com débitos de IRPJ. De fato, a leitura do Recurso Voluntário apresentado em 29/12/2006, às e-fls. 1.416/1.423 evidencia que a única discussão instaurada pela empresa foi a desnecessidade do Fl. 1509DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 trânsito em julgado da ação judicial n.º 99.300255-3 para a compensação, não podendo ser imposta a restrição do art. 170-A do CTN para fatos ainda não vigentes à data de sua publicação. Essa restrição da discussão travada naquele Recurso Voluntário foi mencionada pela DRJ no acórdão acima transcrito, mas pode ser facilmente identificada pela transcrição do pedido formulado naquela oportunidade: "DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer o recebimento e o provimento do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o efeito de afastar a exigência do trânsito em julgado da ação judicial no 99.300255-3 para legitimar a compensação, reconhecendo a existência de crédito em favor da recorrente e homologando integralmente a compensação do crédito oriundo da ação judicial supramencionada. Ao final, em face da legalidade da compensação implementada e da inexistência de saldo remanescente a ser cobrado pelo Fisco, requer a anulação das cartas cobrança que seguem anexas ao processo administrativo n° 10909.000950/00 -65." (e-fls. 1.422/1.423 - grifei) Após a provação do acórdão 3201-001.535 por este CARF (e-fls. 1.435/1.440), afastando o fundamento do art. 170-A do CTN, foi proferido o r. acórdão recorrido quanto ao crédito da ação judicial. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. As unidades da Secretaria da Receita Federal devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor, que disponham sobre a compensação de débitos do contribuinte para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo citado Órgão, em seus exatos termos. Há que ser respeitada a interpretação dada à lei pelo juízo. SENTENÇA JUDICIAL. INTERPRETAÇÃO. Mesmo a chamada “lei nova” não poderá alterar a relação jurídica continuativa tutelada pela coisa julgada material, quando as disposições contidas no decisum forem claras e não derem margem a interpretações extensivas. No labor de interpretação da sentença deve buscar-se a sua vontade, o conteúdo de seu comando ou preceito, o que deve ser obtido por meio da identificação do ponto de relevância hermenêutica de cada item e dela mesma, consistente na essência de sua vontade, ou seja, o que a sentença quer hoje, porque hoje é que está sendo cumprida, respeitada a coerência com a estabilidade da coisa julgada. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. Tratando-se de sentença judicial transitada em julgado acerca de restituição de indébitos, o pedido de compensação somente poderá ser deferido administrativamente se a contribuinte comprovar a desistência da execução do título judicial, homologada pelo Juízo, e de ter assumido todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 CARTA COBRANÇA. A carta cobrança, expedida em decorrência de insuficiência de créditos para quitar débitos confessados, não comporta manifestação de inconformidade perante Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto." (e-fl. 1.452) Fl. 1510DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 Observa-se que, nesta r. decisão, a DRJ reiterou os termos do julgamento proferido anteriormente quanto à compensação ILL somente com IRPJ (e-fls. 1.458/1.463). Intimado desta decisão em 30/12/2014 (e-fl. 1.473), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 23/01/2015 (e-fls. 1.475/1.485) alegando, em síntese: (i) a inexistência de fundamento para a não homologação das compensações de PIS, devendo ser reconhecido como correto o procedimento adotado e homologar as compensações correlatas, extinguindo as cartas de cobrança; (ii) a possibilidade legal superveniente de compensação do ILL com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, devendo a compensação ser homologada e extintas as cartas de cobrança correspondentes. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo, mas cabe ser conhecido apenas em parte. Como relatado, o presente processo já tinha sido objeto de Recurso Voluntário anterior apresentado pelo sujeito passivo em 29/12/2006 (e-fls. 1.416/1.423). Não obstante a manifestação de inconformidade tenha enfrentado todas as razões para a não homologação das compensações trazidas no despacho decisório, enfrentadas pela r. decisão da DRJ, o primeiro Recurso Voluntário apresentado naquela oportunidade somente enfrentou um ponto específico do despacho: a não homologação das compensações com créditos objeto do processo judicial n° 99.30002553 face a ausência de trânsito em julgado. Aquele recurso não trouxe qualquer discussão quanto à restrição da compensação do ILL somente com créditos de IRPJ. Vejamos novamente os exatos termos do pedido formulado naquele Recurso Voluntário: “DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer o recebimento e o provimento do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o efeito de afastar a exigência do trânsito em julgado da ação judicial no 99.300255-3 para legitimar a compensação, reconhecendo a existência de crédito em favor da recorrente e homologando integralmente a compensação do crédito oriundo da ação judicial supramencionada. Ao final, em face da legalidade da compensação implementada e da inexistência de saldo remanescente a ser cobrado pelo Fisco, requer a anulação das cartas cobrança que seguem anexas ao processo administrativo n° 10909.000950/00-65.” (e-fls. 1.422/1.423 - grifei) Com isso, a única discussão que permaneceu em debate nos presentes autos foi o crédito de PIS objeto da ação judicial n.º 99.30002553, restando preclusa a discussão quanto à compensação do ILL com outros débitos que não o IRPJ. Em outras palavras, no primeiro Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente não devolveu ao CARF o conhecimento da Fl. 1511DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 matéria da compensação do ILL com outros tributos que não o IRPJ, restando preclusa esta discussão. Desta forma, esta matéria, trazida no presente Recurso Voluntário, por não ter sido trazida no momento oportuno (apresentação do Recurso Voluntário em dezembro/2006), restou preclusa na forma do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 1 . E, não se tratando de matéria passível de ser conhecida de ofício por este colegiado, por não constar do rol do art. 342 do CPC/2015 2 , aplicável de forma subsidiária ao presente processo, dela não tomo conhecimento sob pena de ferir o devido processo legal. E nem se cogite afirmar que o fato da r. decisão ora recorrida ter reiterado essa matéria teria renovado a discussão, viabilizando a análise da matéria no presente Recurso Voluntário. A r. decisão recorrida somente transcreveu as razões para negar provimento às compensação do ILL indicadas na primeira decisão, não trazendo qualquer consideração nova, sendo certo que esta matéria deveria ter sido objeto de recurso no momento próprio (diga-se novamente, quando da apresentação do primeiro Recurso Voluntário). Nesse sentido, entendo por conhecer em parte do Recurso Voluntário para não conhecer da discussão quanto a possibilidade legal superveniente de compensação do ILL com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Diante disso, a discussão que permanece pendente de análise no presente processo se restringe à compensação do PIS reconhecido na ação judicial n.º 99.300255-3. Quanto a essa questão, a Recorrente anexou aos autos documentos demonstrando que a execução de sentença naquele processo se restringiu aos honorários advocatícios (e-fls. 1.488/1.494). Sustenta, ainda, que o despacho decisório originariamente não analisou qualquer questão quanto à outros limites à compensação além do art. 170-A, do CTN, sendo que a negativa do crédito pela DRJ foi uma modificação do critério jurídico. Neste ponto, cabe parcial provimento ao Recurso da empresa. O único fundamento para a fiscalização negar o direito ao crédito do PIS no despacho decisório foi, somente, a aplicação do art. 170-A, do CTN. Senão vejamos pela transcrição do trecho do Parecer SAORT/DRF/ITJ n.º 139/2004 no qual este crédito foi analisado (íntegra às e-fls. 1.293/1.317): "SULFATO CATARINENSE Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS Processo judicial n° 99.3000255-3 (fls. 828/991) 71. Crédito 5/8. A empresa em epígrafe ajuizou "ação ordinária declaratória de existência de crédito com pedido de compensação', em face da Fazenda Nacional, 1 "Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" 2 "Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I - relativas a direito ou a fato superveniente; II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição." Fl. 1512DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 processo autuado em 17 de fevereiro de 1999, objetivando, conforme sintetizado na Sentença (fl. 911): "compensação ou a restituição de valores referentes ao PIS — Programa de Integração Social, que reputa indevidamente recolhidos pelo Fisco, face à declaração de insconstitucionalidade dos Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.449188, no Recurso Extraordinário n°. 148.754-2/210-RJ-STF, inconstitucionalidade esta formalmente reconhecida pelo Senado Federal através da Resolução n° 49, de 09.10.95, que determinou a suspensão da exigibilidade dos mencionados diplomas legais." 72. A sentença foi favorável (parcialmente) à autora, conforme dispositivo, constante dos presentes autos à fl. 918. A autora, em apelação, manifestou-se quanto ao fato de aquele provimento judicial não ter resolvido o "ponto central da lide", que vem a ser o da incidência ou não da "correção monetária da base de cálculo da exação', conforme exposto às fls. 921/922 e seguintes. Ou seja, do cabimento ou não da correção dos valores da contribuição ao PIS de que trata o § 1º do art. 6° da Lei Complementar-n° 7, de 07.09.1970, que instituiu essa contribuição (questão conhecida como "PIS Semestralidade"). 73. Houve apelação ao Tribunal Regional Federal da 4' Região (TRF4), também por parte da Fazenda Nacional (fls. 936/944). 74. A decisão da lª Turma do TRF4 deu parcial provimento à apelação do autor e negou provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial, conforme cópia do Acórdão à fl. 968. Cabe destacar, da Ementa desse acórdão: "A questão da semestralidade do PIS restou uniformizada pela 1ª Seção do STJ por ocasião do julgamento do Resp 144.708, rel. a Min. Eliana Calmon, em maio deste ano de 2001, em sentido favorável ao contribuinte. " 75. Presentemente, a ação encontra-se em Recurso Especial, conforme resultado de consulta ao sítio do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na rede Internet (fl. 1183), não tendo transitado em julgado. 76. Os arts. 170, caput, e 170-A, da Lei n° 5172, de 25.10.1966 — Código Tributário Nacional (CTN) dispõem sobre a compensação tributária (com destaques nossos): "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líauidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC n° 104, de 10.1.2001)" (destacamos) 76.1 No mesmo sentido, a vedação expressa da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30.09.2002, constante do seu art. 37: "DISCUSSÃO JUDICML DO CRÉDITO Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo." Fl. 1513DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 77. Assim, não tendo a ação da empresa fusionada Sulfato Catarinense Ltda., relativa ao "PIS Semestralidade", transitado em julgado (e em favor da autora), não há, portanto, nesse caso, crédito passível de reconhecimento (ou de ser acatado) e que seja passível de restituição ou • utilização na compensação de débitos, próprios ou da empresa sucedida, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." (e-fls. 1.309/1.310 - grifei) Como relatado, com a prolação do acórdão 3201-001.535, às e-fls. 1.435/1.440, foi expressamente indicada a inaplicabilidade do art. 170-A do CTN no presente caso. Vejamos o exato teor daquela decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/05/1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Na medida em que a compensação se rege pela lei vigente à época do pedido, é inaplicável o art. 170-A do CTN ao caso em concreto, devendo ser anulada a decisão recorrida. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. (...) Como bem se verifica do processo, a recorrente discutiu judicialmente questão relativa ao pagamento a maior de PIS. Em face de decisões favoráveis naquele processo, e antes do trânsito em julgado, ingressou com pedido de restituição/compensação, em 15/05/2000. Ao analisar o pedido, em 2004, a RFB o negou sob alegação de que somente apões o trânsito em julgado seria possível utilizar o referido crédito. Entendo deva ser reformada a decisão. Isso porque é assente na doutrina e jurisprudência que a compensação se rege pela lei vigente no momento do pedido, ou seja, ano de 2000. Assim decide o STJ: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO (RESTITUIÇÃO) COM DÉBITOS OBJETO DE PARCELAMENTO ESPECIAL (PAES). INADMISSIBILIDADE. ART. 74, § 3o., IV DA LEI 9.430/96 COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.051/04. PRECEDENTES DO STJ. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (...) 3. Na compensação tributária deve ser observada a Lei de vigência no momento da propositura da ação, ressalvado o direito do contribuinte de compensar o crédito tributário por normas posteriores na via administrativa. (...) 6. Recurso Especial provido. (REsp 1218891/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 13/09/2011, DJe 16/09/2011) Como a exigência da LC n.° 104/2001, para admitir a compensação apenas após trânsito em julgado, somente surgiu um ano depois, não pode ser aplicada neste processo. O STJ assim também entende: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. PIS. ART. 170-A DO CTN. IRRETROATIVIDADE. 1. A Fl. 1514DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 Primeira Seção desta Corte , no julgamento dos EREsp 488.992/MG, firmou entendimento no sentido da não aplicação retroativa dos sucessivos regimes legais de compensação tributária . Na mesma ocasião , fixou-se a data da propositura da ação para se estabelecer o regime de compensação aplicável em cada caso. 2. Diante desse contexto , firmou se a orientação deste Tribunal Superior no sentido de que o art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar 104/2001 , somente é aplicável aos pedidos de compensação formulados após a sua vigência. 3. É inviável, portanto, exigir se o novo requisito previsto no art . 170A do CTN para as ações ajuizadas em data anterior à vigência da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001. 4.Agravo regimental desprovido. (STJ, AgRg no Edcl no REsp 702.703/PR, Primeira Turma, Min. Rel. Denise Arruda, DJ 19.10.2006, p. 243) Em resumo, é de ser dado provimento ao recurso interposto, para anular a decisão recorrida, para que esta analise o mérito da discussão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida em face da inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao caso em concreto, para que outra decisão seja proferida, analisando o mérito da pretensão da recorrente.” (e-fls. 1.435/1.440 – sem destaques no original) Assim, afastado o único fundamento jurídico apresentado no despacho decisório para a negativa à compensação do crédito, necessário que seja realizado um novo trabalho fiscal para a confirmação da validade e liquidez do crédito, e não simplesmente a sua análise pela DRJ, com a identificação de apenas um argumento que vedaria o aproveitamento do crédito ou a realização de uma diligência para a verificação de sua validade nesta segunda instância administrativa. Ora, no presente caso, a DRJ identificou com base nos extratos na internet do processo judicial que haveria execução de sentença no processo que aparentemente seria referente ao crédito aqui pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou documentos afirmando que a execução de sentença se restringe aos honorários. Entretanto, uma vez que não houve uma prévia fiscalização, a empresa não apresentou estes documentos antes da prolação da decisão, sendo certo que se tratam de documentos relevantes que não foram apreciados pela instância a quo. Como já entendido por esta relatora em outras oportunidades (vide acórdão 3402-004.896, de fevereiro/2018) o presente processo não pode ser objeto de análise por este colegiado sob pena de supressão de instância. Nesse sentido: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DENEGAÇÃO DO PEDIDO SOB. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA INEXISTENTE. NULIDADE DO PROCESSO A PARTIR DO DESPACHO DECISÓRIO. Deve ser anulado o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive, quando se verifica que o indeferimento do pedido formulado pela contribuinte deu-se sob fundamento fático inexistente, sendo defeso ao CARF inovar a fundamentação da denegação do pedido, sob pena de supressão de instância. Fl. 1515DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.775 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.000950/00-65 Recurso Voluntário provido em parte." (Número do Processo 10940.900089/2006-43 Data da Sessão 18/03/2015 Relatora Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Acórdão 3202-001.608 - grifei) "Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nulo é o ato administrativo maculado com vício dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do despacho decisório viciado, inclusive." (Número do Processo 16327.002874/99-71 Data da Sessão 05/12/2006 Relator Tarásio Campelo Borges Nº Acórdão 303-33.805 - grifei) Diante do exposto, deve ser conhecido em parte o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, ser-lhe dado parcial provimento para que, afastado o fundamento do art. 170-A, do CTN (conforme razões trazidas no acórdão 3201-001.535, às e-fls. 1.435/1.440), seja proferido novo despacho decisório com a análise da liquidez e certeza do crédito de PIS relacionado à ação judicial n.º 99.3000255-3. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 1516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722919/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013
REGIME CUMULATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS. INVESTIMENTOS COMPULSÓRIOS. RESERVAS TÉCNICAS. INCIDÊNCIA.
Integram a base de cálculo de PIS/Cofins no regime cumulativo as receitas auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, nos termos do Decreto-Lei nº 73/66.
A realização desses investimentos compulsórios, tipificada como inerente ao desenvolvimento do objeto social das seguradoras, inclui-se no conceito de faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial da pessoa jurídica.
ART. 146, CTN. ART. 100, III, CTN. INAPLICABILIDADE.
Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ativos garantidores, necessária para atrair a aplicação do art. 146, do CTN, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação.
Os atos dotados de generalidade e abstração referenciados pela empresa não orientaram sua conduta especificamente quanto aos ativos garantidores, inexistindo no caso uma prática reiterada da administração suscetível à atrair a aplicação do art. 100, III, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS. DEPÓSITO JUDICIAL.
Considerando os documentos e informações que constam dos autos, prevalece a informação indicada na r. decisão recorrida no sentido de que os créditos tributários lançados de ofício não estão abrangidos pelos depósitos judiciais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013
MULTA DE OFÍCIO. DECISÃO LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA.
Pelos documentos e informações acostados aos autos pela Recorrente, a ação judicial interposta não possui qualquer reflexo no Auto de Infração de PIS lavrado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INCORPORADORA. MULTA DE OFÍCIO.
Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (Súmula 554 do STJ)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto às receitas decorrentes das aplicações financeiras de reservas técnicas obrigatórias (ativos garantidores). Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Nonato Cavalcanti Silva(suplente convocado). Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto aos demais argumentos do Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora
(documento assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201908
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 REGIME CUMULATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS. INVESTIMENTOS COMPULSÓRIOS. RESERVAS TÉCNICAS. INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo de PIS/Cofins no regime cumulativo as receitas auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, nos termos do Decreto-Lei nº 73/66. A realização desses investimentos compulsórios, tipificada como inerente ao desenvolvimento do objeto social das seguradoras, inclui-se no conceito de faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial da pessoa jurídica. ART. 146, CTN. ART. 100, III, CTN. INAPLICABILIDADE. Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ativos garantidores, necessária para atrair a aplicação do art. 146, do CTN, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação. Os atos dotados de generalidade e abstração referenciados pela empresa não orientaram sua conduta especificamente quanto aos ativos garantidores, inexistindo no caso uma prática reiterada da administração suscetível à atrair a aplicação do art. 100, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. DEPÓSITO JUDICIAL. Considerando os documentos e informações que constam dos autos, prevalece a informação indicada na r. decisão recorrida no sentido de que os créditos tributários lançados de ofício não estão abrangidos pelos depósitos judiciais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 MULTA DE OFÍCIO. DECISÃO LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. Pelos documentos e informações acostados aos autos pela Recorrente, a ação judicial interposta não possui qualquer reflexo no Auto de Infração de PIS lavrado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INCORPORADORA. MULTA DE OFÍCIO. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (Súmula 554 do STJ) Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.722919/2016-31
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057356
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.805
nome_arquivo_s : Decisao_16682722919201631.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 16682722919201631_6057356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto às receitas decorrentes das aplicações financeiras de reservas técnicas obrigatórias (ativos garantidores). Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Nonato Cavalcanti Silva(suplente convocado). Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto aos demais argumentos do Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7883732
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301937082368
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-29T11:43:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-29T11:43:13Z; Last-Modified: 2019-08-29T11:43:13Z; dcterms:modified: 2019-08-29T11:43:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-29T11:43:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-29T11:43:13Z; meta:save-date: 2019-08-29T11:43:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-29T11:43:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-29T11:43:13Z; created: 2019-08-29T11:43:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2019-08-29T11:43:13Z; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-29T11:43:13Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.722919/2016-31 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-006.805 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2019 Recorrente SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGURO SAUDE Interessado FAZENDA NACJONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 REGIME CUMULATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS. INVESTIMENTOS COMPULSÓRIOS. RESERVAS TÉCNICAS. INCIDÊNCIA. Integram a base de cálculo de PIS/Cofins no regime cumulativo as receitas auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, nos termos do Decreto-Lei nº 73/66. A realização desses investimentos compulsórios, tipificada como inerente ao desenvolvimento do objeto social das seguradoras, inclui-se no conceito de faturamento, assim entendido como a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial da pessoa jurídica. ART. 146, CTN. ART. 100, III, CTN. INAPLICABILIDADE. Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ativos garantidores, necessária para atrair a aplicação do art. 146, do CTN, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação. Os atos dotados de generalidade e abstração referenciados pela empresa não orientaram sua conduta especificamente quanto aos ativos garantidores, inexistindo no caso uma prática reiterada da administração suscetível à atrair a aplicação do art. 100, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. DEPÓSITO JUDICIAL. Considerando os documentos e informações que constam dos autos, prevalece a informação indicada na r. decisão recorrida no sentido de que os créditos tributários lançados de ofício não estão abrangidos pelos depósitos judiciais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 29 19 /2 01 6- 31 Fl. 1249DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 MULTA DE OFÍCIO. DECISÃO LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. Pelos documentos e informações acostados aos autos pela Recorrente, a ação judicial interposta não possui qualquer reflexo no Auto de Infração de PIS lavrado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/2012 a 24/04/2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INCORPORADORA. MULTA DE OFÍCIO. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão (Súmula 554 do STJ) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto às receitas decorrentes das aplicações financeiras de reservas técnicas obrigatórias (ativos garantidores). Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Nonato Cavalcanti Silva(suplente convocado). Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Quanto aos demais argumentos do Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne – Relatora (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Muller Cavalcanti (suplente convocado). Relatório Tratam-se de Autos de Infração para a cobrança das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS incidentes sobre os rendimentos financeiros oriundos dos ativos garantidores Fl. 1250DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 das provisões técnicas da SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, incorporada pela empresa seguradora em epígrafe em abril/2013, referente às competências de maio/2012 a abril/2013. Como indicado no Termo de Verificação Fiscal anexado às autuações: A partir da análise efetuada nos demonstrativos de apuração de PIS e COFINS, com auxílio dos balancetes mensais apresentados, verifica-se que o contribuinte deixou de incluir na apuração da base de cálculo das contribuições os rendimentos financeiros oriundos dos ativos garantidores das provisões técnicas, tendo em vista que, de acordo com entendimento desta Fiscalização, baseado no PARECER SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09 (fls. 1.744 a 1.746), de 23 de julho de 2009, as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividade-fim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) Todavia, não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta. Trata-se aqui de receita advinda de investimentos que são operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 – SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012, de onde foi extraído o seguinte trecho: “O Decreto-Lei nº 73, de 1966, determina que as sociedades seguradoras devem compulsoriamente constituir ‘reservas técnicas, fundos especiais e provisões’, ‘além das reservas e fundos determinados em leis especiais’, ‘para garantia de todas as suas obrigações’. Constituem uma atividade empresarial típica das sociedades seguradoras, portanto, a efetivação dos investimentos legalmente compulsórios e a cotidiana administração da alocação desses recursos dentre as opções de aplicação expressamente relacionadas pela legislação, as quais envolvem de certificados de direitos creditórios do agronegócio a títulos de emissão do Tesouro Nacional; de ações e debêntures a imóveis urbanos.” “A efetivação e a administração dos referidos investimentos, para garantia das obrigações assumidas, são operações empresariais compulsórias, integradas ao negócio das sociedades seguradoras, constituindo, assim, atividade inserida em seu objeto social. Isto é, tal atividade compõe parcela legalmente tipificada do objeto social dessas sociedades, tratando-se, assim, de receitas brutas típicas do negócio as receitas resultantes de seu exercício. Descabe cogitar, pois, de as receitas, financeiras ou não, decorrentes dessa atividade empresarial compulsória não integrarem o faturamento dessas sociedades, conhecido o conceito irredutível deste, repetidamente reafirmado pelo STF em exames tocantes à Lei nº 9.718, de 1998. Portanto, tais receitas compõem as bases de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep das sociedades seguradoras. ” Desta forma, chega-se à conclusão que os valores relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas deverão ser adicionados à base de cálculo do PIS e da COFINS e ser lançados de ofício. (e-fl. 887/889 - grifei) Os valores dos tributos foram acrescidos de multa de ofício e juros de mora. A mesma ação fiscal originou as autuações de PIS/COFINS objeto do processo 16682.722918/2016-97, igualmente incluído para julgamento nesta sessão. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento em acórdão assim ementado: Fl. 1251DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/2012 a 24/04/2013 REGIME CUMULATIVO. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS RELATIVAS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS VINCULADAS A PROVISÕES TÉCNICAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73/66, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2012 a 24/04/2013 REGIME CUMULATIVO. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS RELATIVAS A APLICAÇÕES FINANCEIRAS VINCULADAS A PROVISÕES TÉCNICAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição ao Pis, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73/66, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2012 a 24/04/2013 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Entretanto, é cabível a exigência da multa de ofício quando o auto de infração se refere a parcela da contribuição não abrangida pela decisão judicial ou não contemplada por depósito judicial do montante integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (e-fl. 1.109/1.110) Fl. 1252DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Intimada desta decisão em 09/11/2017 (e-fl. 1.130), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 11/12/2017 (e-fl. 1.132/1.191) 1 alegando, em síntese: (i) que os valores referentes às receitas financeiras relativas às provisões técnicas obrigatórias não integram o conceito de faturamento para fins de incidência do art. 3º, da Lei n.º 9.718/98 firmado pelo Supremo Tribunal Federal, por se tratarem de receitas financeiras, devendo ser cancelada a autuação. A autuação contrariaria o art. 146 e o art. 100, III do CTN vez que está em sentido contrário à Nota técnica COSIT n.º 21/2006, o Parecer PGFN/CAT n.º 2.773/2007, decisões deste CARF e Parecer exarado no Processo Administrativo n.º 10768-013845/99-14 pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – DEINF/RJO em interesse da Sul América Companhia Nacional de Seguros, sociedade seguradora igualmente integra do Conglomerado Sul América. (ii) A empresa sucedida referente à presente autuação (SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A) impetrou mandados de segurança n.º 2003.61.00027075-3 (PIS) e 2003.61.00019934-7 (COFINS) sendo que especificamente para a COFINS foram realizados depósito judiciais considerando “como incidentes sobre receitas financeiras auferidas com as aplicações financeiras vinculadas às suas provisões técnicas, o que abrange os períodos vencidos de maio de 2012 a abril de 2013” (e-fl. 1.165). Com isso, pleiteia a exclusão da multa de ofício exigida sobre o PIS em razão da existência de decisão judicial favorável proferida no mandado de segurança que estava vigente à época da lavratura da autuação e a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores da COFINS em razão dos depósitos judiciais realizados; (iii) A não aplicação da multa de ofício na hipótese por não ser aplicável para a Incorporadora na forma do art. 132, do CTN. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho, para julgamento. É o relatório. 1 Prazo de 30 (trinta) dias para interposição do Recurso Voluntário encerrou-se em 09/12/2017 (sábado) prorrogando-se para o primeiro dia útil seguinda, segunda-feira, 11/12/2017. Voto Vencido Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, a questão de mérito posta em debate nestes autos se refere à natureza das receitas aferidas pela empresa, como seguradora, em decorrência das aplicações financeiras de reservas técnicas obrigatórias (ativos garantidores), se financeiras ou operacionais, avaliando, por conseguinte, se estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS na sistemática Fl. 1253DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 cumulativa (art. 3º, Lei n.º 9.718/98). Como pessoas jurídicas indicadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, as sociedades seguradoras permaneceram sujeitas à sistemática cumulativa de apuração das contribuições (art. 8º, I, Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, I, Lei n.º 10.833/2003). Outras turmas deste CARF, ao se debruçarem sobre esta discussão, entenderam que estas receitas financeiras são não operacionais, fora do objeto social das pessoas jurídicas seguradoras e, portanto, não sujeitas à incidência do PIS e da COFINS por não se enquadrarem no conceito de faturamento firmado pelo Supremo Tribunal Federal. 2 É o que se depreende do voto da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro no Acórdão nº 3301-005.183, no qual é evidenciado com clareza a natureza de receita financeira dos investimentos compulsórios feitos pelas sociedades seguradoras que estão fora, portanto, do escopo de incidência do PIS e da COFINS cumulativo a que estas sociedades se sujeitam. 3 Pela clareza, adoto as razões de decidir delineadas pela Conselheira especificamente nesta questão, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99 4 : A atividade desempenhada pelas seguradoras volta-se a estimar, mediante cálculos atuariais, a probabilidade da ocorrência de certo evento, normalmente de consequências danosas. Cabe à seguradora a cobertura dos riscos mediante o pagamento do prêmio. O art. 73 do Decreto-Lei no 73/66 veda às sociedades seguradoras a exploração de qualquer outro ramo de atividade, além dos seguros, ao dispor: “Art 73. As Sociedades Seguradoras não poderão explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria.” (...) O Decreto-Lei nº 73/66 prescreve, nos art. 28, 29 e 84, que é obrigatório o investimento do capital para a formação das reservas obrigatórias, compostas de reservas técnicas, fundos especiais e provisões, nesses termos: Art 1º Tôdas as operações de seguros privados realizados no País ficarão subordinadas às disposições do presente Decreto-lei. 2 Em sentido diverso posição anterior desta turma nos Acórdãos 3402-005.224, 3402-005.225 e 3402-005.226 da sessão de 19/04/2018 de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. 3 Acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS E RESSEGURADORAS. As reservas ou provisões destinam-se a investimento em ativos garantidores, como forma de proteção e resguardo do cumprimento das obrigações assumidas pela seguradora em relação aos segurados. Ainda que o investimento em ativos garantidores decorra de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita operacional, e, por conseguinte, sujeitas à incidência de COFINS. No caso das seguradoras e resseguradoras, as receitas financeiras decorrentes dos investimentos legalmente compulsórios não estão abrangidas no conceito de faturamento. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. A base de cálculo da Cofins para as seguradoras e resseguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim. As receitas financeiras não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras e resseguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998.” 4 “Art. 50. (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” Fl. 1254DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Art 2º O contrôle do Estado se exercerá pelos órgãos instituídos neste Decreto-lei, no interêsse dos segurados e beneficiários dos contratos de seguro. Art 3º Consideram-se operações de seguros privados os seguros de coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, direitos e garantias. Parágrafo único. Ficam excluídos das disposições dêste Decreto-lei os seguros do âmbito da Previdência Social, regidos pela legislação especial pertinente. [...] Art 28. A partir da vigência dêste Decreto-Lei, a aplicação das reservas técnicas das Sociedades Seguradoras será feita conforme as diretrizes do Conselho Monetário Nacional. Art 29. Os investimentos compulsórios das Sociedades Seguradoras obedecerão a critérios que garantam remuneração adequada, segurança e liquidez. [...] Art 84. Para garantia de tôdas as suas obrigações, as Sociedades Seguradoras constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões, de conformidade com os critérios fixados pelo CNSP, além das reservas e fundos determinados em leis especiais. Art 85. Os bens garantidores das reservas técnicas, fundos e previsões serão registrados na SUSEP e não poderão ser alienados, prometidos alienar ou de qualquer forma gravados em sua previa e expressa autorização, sendo nulas de pleno direito, as alienações realizadas ou os gravames constituídos com violação dêste artigo. Parágrafo único. Quando a garantia recair em bem imóvel, será obrigatoriamente inscrita no competente Cartório do Registro Geral de Imóveis, mediante simples requerimento firmado pela Sociedade Seguradora e pela SUSEP. Art. 86. Os segurados e beneficiários que sejam credores por indenização ajustada ou por ajustar têm privilégio especial sobre reservas técnicas, fundos especiais ou provisões garantidoras das operações de seguro, de resseguro e de retrocessão. Parágrafo único. Após o pagamento aos segurados e beneficiários mencionados no caput deste artigo, o privilégio citado será conferido, relativamente aos fundos especiais, reservas técnicas ou provisões garantidoras das operações de resseguro e de retrocessão, às sociedades seguradoras e, posteriormente, aos resseguradores. Art 87. As Sociedades Seguradoras não poderão distribuir lucros ou quaisquer fundos correspondentes às reservas patrimoniais, desde que essa distribuição possa prejudicar o investimento obrigatório do capital e reserva, de conformidade com os critérios estabelecidos neste Decreto-lei. Art. 88. As sociedades seguradoras e os resseguradores obedecerão às normas e instruções dos órgãos regulador e fiscalizador de seguros sobre operações de seguro, co-seguro, resseguro e retrocessão, bem como lhes fornecerão dados e informações atinentes a quaisquer aspectos de suas atividades. Assim, o Decreto-Lei no 73/66, ao dispor sobre as peculiaridades da atividade de seguros e resseguros, regulando-a, obriga as seguradoras a constituírem reservas técnicas, fundos especiais e provisões técnicas, como garantias das operações de Fl. 1255DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 seguro. A constituição dessas reservas ou provisões é feita por destinação de bens registrados na SUSEP, que não podem ser alienados ou onerados sem autorização. As reservas ou provisões destinam-se a investimento em ativos garantidores, como forma de proteção e resguardo do cumprimento das obrigações assumidas pela seguradora em relação aos segurados. Tendo em vista que o investimento em ativos garantidores decorre de imposição legal, as receitas financeiras auferidas pelo IRB foram considerados pela autoridade fiscal como receita operacional, e, por conseguinte, sujeitas à incidência de PIS e COFINS. Dito de outra forma, para a fiscalização, no caso das seguradoras, as receitas financeiras decorrentes dos investimentos legalmente compulsórios estariam abrangidas no conceito de faturamento. Por isso, a fiscalização defende que as receitas financeiras do IRB são receitas típicas. Já para a Recorrente, seriam atípicas. (...) Não comungo com o entendimento da fiscalização, o fato de as receitas financeiras estarem relacionadas a investimentos legalmente obrigatórios, não faz com que sejam receitas típicas. As receitas auferidas pela Recorrente (e autuadas) decorreram de aplicações compulsórias, previstas em lei, não se pode transformá-las em atividade empresarial típica. Verificou-se, através de análise contábil no procedimento fiscal, a existência de formação de reserva técnica, fundos especiais e provisões que visam tão somente assegurar a boa prática de seu único objeto social, qual seja, a contratação de seguros. A seguradora não desenvolve e não pode desenvolver outra atividade por determinação legal, portanto, não opera carteira de empréstimo ou financiamento e nem efetua operações próprias de créditos. Sobre a composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, é certo que o STF já fixou entendimento de que, para fins de definição da base de cálculo, “faturamento” e “receita bruta” são termos sinônimos e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, ou seja, é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades operacionais. Assim, entendese por “faturamento” e “receita bruta”, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, qual seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. A partir das decisões do STF, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 abordou o conceito de serviços para as instituições financeiras e seguradoras, concluindo pela incidência de PIS e COFINS sobre as receitas oriundas do recebimento de prêmios. Transcreve-se o excerto: 9. Com efeito o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firma do durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. [...] Fl. 1256DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 32. Dessa forma, fica claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o “contexto sistemático da Constituição”, que “leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo”. Foi Alfredo Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigilos em fatos jurídicos”. Ainda, segundo Aires Barreto, “serviço tributável é o desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração”. [...] 45. Especificamente sobre as seguradoras a fundamentação é a mesma, elas foram incluídas como “serviços de seguro” na alínea “a” do item 5 do anexo do GATS, que ao contemplar as definições adotadas naquele Tratado, afirma que “os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros”, passando nos subsequentes subitens “i” a “iv” a discriminá-los. [...] 52. Relativamente às seguradoras, o item 10.101 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 1993, como antes já constava no item 45 da lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 56, de 1987, contempla como tal o “agenciamento, corretagem ou intermediação de seguros”, não vigorante, para este tema sequer a não incidência ex lege dos serviços financeiros, como ocorre com relação às instituições financeiras. [...] 66. Em face dos argumentos acima expendidos, conclui-se que: [...] f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) 66. Têm-se, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao ‘plus’ contido no §1º do art.3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada. Fl. 1257DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Então, as receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, desde que não incluídas no objeto social da pessoa jurídica. Ressalte-se que o objeto social da seguradora não contempla a intermediação financeira, nos termos da Lei nº 4.595/64: Lei nº 4.595/64 Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Já tive a oportunidade de expressar o posicionamento de que, no caso das instituições financeiras, as receitas financeiras compõem sim o faturamento, pois são receitas inerentes à atividade de intermediação ou aplicação de recursos de terceiros, estando, nesses casos, sujeitas à incidência das contribuições, p.ex. acórdãos n° 3301-002.884 e 3301-002.885. Assim, indubitavelmente, são os prêmios de seguros que constituem receita bruta típica de uma empresa de seguros, pois decorrem do exercício de seu objeto social. (...) Diante da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF, a RFB, na Nota Técnica Cosit nº 21, de 28 de agosto de 2006, assentou o entendimento de que as receitas oriundas das atividades empresariais que devem compor a base de cálculo das contribuições das seguradoras, são as receitas vinculadas à carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, especialmente os prêmios diretos. Eis o teor da Nota: 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. No sentido aqui consignado de que as receitas financeiras decorrentes de investimentos obrigatórios não compõem a base de cálculo das contribuições das empresas de seguros e resseguros, cito julgado do CARF sobre essa específica temática: Acórdão n° 3401-002.708 SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS E PATRIMONIAIS. COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas componentes dos resultados financeiros, registradas no Grupo 36, do plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002 e consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, e dos resultados patrimoniais, registradas no Grupo 37, não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento. E ainda, os seguintes acórdãos, cujos recursos foram do próprio IRB Brasil: Acórdão n° 3302002.071 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VARIAÇÃO CAMBIAL. Não integra a base de cálculo da Cofins o valor da variação cambial ativa contabilizada como receita financeira. Lei 9.718/98. Acórdão n° 3302002.841 Fl. 1258DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA. A base de cálculo do PIS/Pasep para as seguradoras corresponde à receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, entendida como a receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim. Em suma, não há que se diferenciar receitas financeiras de investimentos obrigatórios das demais receitas financeiras da seguradora, logo não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. (Processo nº 16682.722920/2016-66 Acórdão nº 3301-005.183 Sessão de 26 de setembro de 2018 Relatora Semíramis de Oliveira Duro) Além dos julgados referenciados acima, acresce-se que em 26/02/2019 foi proferido o Acórdão 3302-006.551 no mesmo sentido, para o qual foi designado o Conselheiro Jose Renato Pereira de Deus para redigir o voto vencedor: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. As reservas ou provisões destinam-se a investimento em ativos garantidores, como forma de proteção e resguardo do cumprimento das obrigações assumidas pela seguradora em relação aos segurados. Ainda que o investimento em ativos garantidores decorra de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita típica decorrente do objeto social, e, por conseguinte, sujeitas à incidência de COFINS. No caso das seguradoras, as receitas financeiras decorrentes dos investimentos legalmente compulsórios não estão abrangidas no conceito de faturamento. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. A base de cálculo da Cofins para as seguradoras e resseguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade-fim. As receitas financeiras não devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins das empresas seguradoras e resseguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. (Processo 16682.721224/2017-13 Acórdão 3302-006.551. Data da Sessão 26/02/2019 Relator Corintho Oliveira Machado. Redator Designado Jose Renato Pereira de Deus - grifei) Assim, ainda que seja uma obrigação legal das seguradoras, o investimento decorrente das reservas obrigatórias previstas no Decreto-Lei nº 73/66 não integra o objeto social da Recorrente, remuneradas pelo prêmio do seguro. Com isso, as receitas advindas desse investimento são financeiras, não integrando o conceito de faturamento e, por conseguinte, não se sujeitando à incidência do PIS e da COFINS na forma da Lei n.º 9.718/98. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal. Fl. 1259DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Uma vez que sai vencida do argumento acima passo a analisar os demais argumentos do Recurso Voluntário. Sustenta a Recorrente que a autuação contrariaria o art. 146 e o art. 100, III do CTN vez que está em sentido contrário à Nota técnica COSIT n.º 21/2006, o Parecer PGFN/CAT n.º 2.773/2007, decisões deste CARF e Parecer exarado no Processo Administrativo n.º 10768- 013845/99-14 pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – DEINF/RJO em interesse da Sul América Companhia Nacional de Seguros, sociedade seguradora igualmente integra do Conglomerado Sul América. Especificamente quanto ao art. 146, do CTN, é importante frisar que, quando dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal direcionada para o sujeito passivo que reconhecia expressamente que os ativos garantidores não deveriam ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS. Com efeito, inexiste no presente caso uma clara base da confiança 5 , necessária para atrair a aplicação deste dispositivo, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Os atos administrativos aos quais a Recorrente faz referência em seu Recurso Voluntário igualmente não podem ser admitidos como uma prática reiterada da administração passível de atrair a incidência do art. 100, III, do CTN. Neste aspecto, cumpre esclarecer que o art. 100 do CTN é passível de ser aplicado quanto aos atos dotados de generalidade e abstração, para orientar as condutas não apenas de um sujeito individual, mas de toda a coletividade de contribuintes. 6 Contudo, no presente caso, os atos referenciados pela empresa não orientaram sua conduta especificamente quanto aos ativos garantidores. Com efeito, observe-se primeiramente, pelo próprio fundamento do presente voto, que a Nota técnica COSIT n.º 21/2006 e o Parecer PGFN/CAT n.º 2.773/2007 não tratam diretamente dos ativos garantidores. Tratam, de uma forma geral, das receitas aferidas pelas seguradoras e das aplicações financeiras de recursos próprios, não se referindo de forma específica aos ativos garantidores. Essas parcelas específicas são dotadas de uma peculiaridade: são decorrentes de exigência legal. Ainda que para esta relatora, como visto, esta questão não seja relevante para definir essa parcela, o fato de decorrer de previsão legal qualificaria essa parcela como uma receita operacional, no entender de outros conselheiros. Nesse sentido, tanto a nota técnica como o parecer PGFN não identificaram expressamente que as parcelas relacionadas aos ativos garantidores não se sujeitariam à incidência do PIS e da COFINS. Da mesma forma, o parecer exarado no Processo Administrativo n.º 10768- 013845/99-14 em interesse de outra empresa seguradora igualmente não faz uma referência específica aos ativos garantidores, se referindo, de forma geral, a impossibilidade de incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras. Como se depreende do teor do despacho transcrito pela empresa em seu Recurso: 5 ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica. 4ª ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 476-477 6 TROIANELLI, Gabriel Lacerda. Interpretação da lei tributária: lei interpretativa, observância de normas complementares e mudança de critério jurídico. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 176, p. 81, mai. 2010. Fl. 1260DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 “Conforme informado no despacho de fls. 1546, o Gabinete desta Delegacia se posicionou com relação à interpretação da matéria do julgado em tela, tendo-se decidido pelo entendimento descrito às fls. 1545, onde em breve síntese a base de cálculo da contribuição litigada deve ser composta pelas atividades empresariais típicas, excluindo-se na espécie as receitas financeiras.” (e-fl. 1.160 - grifei) Novamente: o entendimento fazendário é no sentido de que os ativos garantidores não devem ser admitidos como receitas financeiras, mas como receitas decorrentes das atividades empresariais típicas da seguradora, por exigência legal. Em nenhum momento o referido parecer indica expressamente que os ativos garantidores devem ser admitidos como receitas financeiras. Por fim, as decisões do CARF não são uníssonas no sentido de admitir a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ativos garantidores. Como mencionado, há decisões em sentido contrário, inclusive já proferidas pela presente turma, entendendo pela incidência do PIS e da COFINS sobre essas parcelas. Não se qualificam, portanto, como uma jurisprudência uniforme ou como uma prática reiterada suscetível à atrair a incidência do art. 100, III, do CTN. Nesse sentido, cabe ser negado provimento ao recurso quanto às alegações relativas aos artigos 146 e 100, III, do CTN. Cumpre ainda analisar os argumentos subsidiários trazidos pela empresa quanto à multa de ofício e os juros. Primeiramente, atentando-se para a ação judicial referente ao PIS (Mandado de Segurança n.º 2003.61.00.027075-3), observa-se que a empresa pleiteou o recolhimento do PIS em conformidade com a Lei Complementar n. 7/70, não se referindo à discussão travada nos presentes autos (não incidência do PIS e da COFINS sobre parcelas com base na Lei n.º 9.718/98). Assim, eventual decisão favorável proferida naqueles autos não reflete diretamente na presente autuação. Consta do pedido à e-fl. 1001: Ademais, a decisão judicial anexada aos autos pela empresa confirma que a ação judicial não repercutirá efeitos sobre o período autuado (maio/2012 a abril/2013), vez que como Fl. 1261DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 consignado pela r. decisão judicial proferida em sede de Agravo legal em apelação cível: “inexiste relação jurídica que obrigue o recolhimento do PIS de acordo com a base de cálculo da L. 9.718/98 até 30.11.02 (MP 66/02 e L. 10.637/02)” (e-fls. 1.004/1.007 - grifei). Assim, pelos documentos e informações acostados aos autos pela Recorrente, a referida ação judicial não possui qualquer reflexo no Auto de Infração de PIS lavrado. Quanto à Ação Judicial da COFINS (Mandado de Segurança n.º 2003.61.00.019934), observa-se pelo pedido da ação judicial que a discussão travada nos presentes autos (não incidência de COFINS sobre receitas decorrentes de investimento das provisões técnicas) não está sendo travado naqueles autos, sendo o pedido geral para não aplicar artigos da Lei n.º 9.718/98 para a empresa, dentre os quais o art. 3º: Ademais, pelos documentos constantes dos presentes autos, não é possível confirmar que parte das parcelas que estão aqui em discussão foram depositadas pela empresa. Com efeito, a Recorrente anexou aos autos uma planilha buscando demonstrar que os valores autuados estariam abrangidos nos depósitos na ação judicial (e-fl. 1.192/1.193). Contudo, observa-se que o valor do depósito indicado na planilha não coincide com os valores dos depósitos judiciais acostados aos autos às e-fls. 1.050/1.061. Por exemplo, na competência de maio/2012, o depósito judicial foi realizado no montante de R$ 811.056,05 (e-fl. 1.050), enquanto na planilha acostada indica um depósito judicial naquela competência de R$ 304.776,55 (e-fl. 1.192). Nenhum documento apresentado nos autos é capaz de evidenciar que o montante indicado na planilha está abrangido dentro do montante depositado, não constando dos autos uma memória de cálculo dos depósitos judiciais realizados. Ademais, confirma-se que os valores depositados na ação judicial foram considerados pela fiscalização quando indicou o valor de COFINS devida no período. A planilha de composição de valores autuados à e-fl. 881, abaixo reproduzida, indica o valor apurado como devido pela fiscalização (acrescido as receitas relacionadas às provisões técnicas) e deduz os Fl. 1262DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 valores declarados em DCTF, montante esse que considera tanto os valores admitidos como devido pela empresa, aqueles que foram objeto de depósito judicial (conforme telas da DCTF às ef-ls. 1.107/1.108): Assim, pelos documentos que constam dos autos, prevalece a informação indicada na r. decisão recorrida no sentido de que “os créditos tributários lançados de ofício não estão abrangidos pelos depósitos judiciais” (e-fl. 1.123). Nesse sentido, inexistem quaisquer razões fáticas ou jurídicas para afastar a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com fulcro nas ações judiciais interpostas pela empresa incorporada. Por fim, sustenta a Recorrente a possibilidade de afastar a multa de ofício aplicada na condição de incorporadora da empresa cujos fatos se referem o presente Auto de Infração. Essa questão já foi sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo de controvérsia, no Recurso Especial n.º 923.012, em sentido desfavorável à pretensão da Recorrente, em julgado de reprodução obrigatória neste CARF conforme art. 62 do RICARF. Como indicado no referido julgado, integrado por meio de Embargos de Declaração, as multas punitivas referentes aos fatos geradores tributários ocorridos até o momento da incorporação podem ser imputados à incorporadora. O referido julgado foi ementado nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. (...). 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do Fl. 1263DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformando-se em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coelho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 923.012/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010 – grifei) O acórdão foi integrado por meio de Embargos de Declaração, no qual foi indicado expressamente que “o que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa.” O voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho foi enfático nesse sentido: 4. Quanto à responsabilidade do sucessor pelas multas (moratórias ou punitivas), observe-se que o ordenamento jurídico tributário admite o chamamento de terceiros para arcar com o pagamento do crédito tributário, na forma dos arts. 128 e seguintes do CTN, sendo expresso o art. 132 do CTN ao dispor: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 5. Ora, a incorporação, nos termos da legislação pátria (art. 227 da Lei 6.404⁄76 e art. 1.116 do CC⁄02) é a absorção de uma ou várias sociedades por outra ou outras, com a extinção da sociedade incorporada, que transfere integralmente todos os seus direitos e obrigações para a incorporadora. 6. Entende-se que tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio do contribuinte incorporado que se transfere ao incorporador, de que modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 7. Por fim, o art. 129 do CTN estabelece que a transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Fl. 1264DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 8. O que importa, portanto, é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. (EDcl no REsp 923.012/MG, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 10/04/2013, DJe 24/04/2013 - grifei) Assim, ainda que inexistente a autuação no momento da incorporação, cabível a incidência da multa punitiva em se tratando de fatos ocorridos antes da incorporação, incorrida em abril/2013. Esse entendimento, frise-se, ensejou a edição da Súmula 554 pelo STJ em 2015, no sentido de que “na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.” (grifei) Assim, cabe ser negado provimento ao recurso neste ponto. Desta forma, na hipótese de sair vencida no mérito, cabe ser negado provimento às demais alegações recursais. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, divergi parcialmente do Voto da Ilustre Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir quanto à legitimidade da incidência do PIS/Cofins nas receitas advindas do investimento das reservas obrigatórias previstas no Decreto- Lei nº 73/66. Como consta no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização entendeu que “as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividade-fim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS”. Em face da alegação da contribuinte em resposta à intimação, no sentido de que não haveria base legal para o recolhimento da contribuição com base de cálculo constituída a Fl. 1265DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 partir de receitas que não fossem oriundas das vendas de mercadorias e serviços, assim se pronunciou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal: Todavia, não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta. Trata-se aqui de receita advinda de investimentos que são operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 –SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012, de onde foi extraído o seguinte trecho: (...) “A efetivação e a administração dos referidos investimentos, para garantia das obrigações assumidas, são operações empresariais compulsórias, integradas ao negócio das sociedades seguradoras, constituindo, assim, atividade inserida em seu objeto social. Isto é, tal atividade compõe parcela legalmente tipificada do objeto social dessas sociedades, tratando-se, assim, de receitas brutas típicas do negócio as receitas resultantes de seu exercício. Descabe cogitar, pois, de as receitas, financeiras ou não, decorrentes dessa atividade empresarial compulsória não integrarem o faturamento dessas sociedades, conhecido o conceito irredutível deste, repetidamente reafirmado pelo STF em exames tocantes à Lei nº 9.718, de 1998. Portanto, tais receitas compõem as bases de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep das sociedades seguradoras. ” Desta forma, chega-se à conclusão que os valores relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas deverão ser adicionados à base de cálculo do PIS e da COFINS e ser lançados de ofício. Este Colegiado já decidiu questão idêntica no Acórdão nº 3402-005.225, 19 de abril de 2018, sob Voto condutor desta Redatora, do qual extraio a fundamentação para o presente Voto: (...) Dessa forma, conclui a fiscalização que, "para a apuração da base de cálculo, no regime cumulativo, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devem ser consideradas as receitas decorrentes do exercício do objeto social da pessoa jurídica, assim como aquelas decorrentes das atividades verificadas no cotidiano da empresa, mesmo quando estas se afastam dos objetivos expressos em seu ato constitutivo, ou quando os ampliam. Ou seja, devem ser consideradas, todas as receitas resultantes das cotidianas atividades empresariais do sujeito passivo, em consonância com o consagrado princípio da habitualidade". Esse raciocínio baseia-se no fato de que o conceito de "receita bruta" para as referidas contribuições deve ser buscado na legislação do imposto de renda, como esclarecido na Solução de Consulta nº 91 - SRRF08/Disit, de 2 de abril de 2012: (...) 19 Ressalte-se que o art. 3° da Lei n° 9.715, de 1998, remete expressamente à legislação do imposto de renda a busca da definição de receita bruta; ao passo que a LC n° 70, de 1991, embora não o faça de forma expressa, traz, em seu art. 10, parágrafo único, comando segundo o qual aplica-se à Cofins “subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao imposto de renda”. Da leitura conjunta dos arts. 278 a 280 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), conclui-se que compreendem a receita bruta da empresa todas as receitas de venda de bens ou serviços que constituam objeto da pessoa jurídica. Para melhor clareza, reproduzem-se os dispositivos pertinentes: Fl. 1266DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 “Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos - Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º).” 20 Convém esclarecer que por objeto da pessoa jurídica entende-se aquele constante de seu contrato social ou o que na prática seja verificado, pelas atividades habitualmente por ela exercidas, quando estas se afastam do objeto presente no contrato social ou estatuto da companhia. (...) Assim, para a apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime cumulativo, devem ser consideradas as receitas decorrentes do exercício do objeto social da pessoa jurídica, ou seja, todas as receitas resultantes das cotidianas atividades empresariais do sujeito passivo. Esse entendimento também não destoa da acepção do termo "faturamento" dada Ministro Cezar Peluso, no RE nº 346.084/PR, nos seguintes termos: (...) A fatura, emitida pelo vendedor, sempre representou a compra e venda mercantil, que, no contexto da legislação comercial então vigente, era a expressão genérica das vendas inerentes ao exercício da atividade do comerciante. Com a deslocação histórica do foco sobre a importância econômica e a tipificação dogmática da atividade negocial, do conceito de comerciante para o de empresa, justificava-se rever a noção de faturamento para que passasse a denotar agora as vendas realizadas pela empresa e relacionadas à sua ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços’, como consta hoje do art. 966 do Código Civil. Essa interpretação já era preconizada por GERALDO ATALIBA e CLEBER GIARDINO, em artigo publicado em 1986: (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (...) Fl. 1267DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Nessa linha, também decidiu o STF 7 , sob a relatoria do Ministro Peluso, que "O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". Assim, a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da lei 9.718/98, com a posterior revogação expressa do dispositivo, não implica que as receitas financeiras, as rendas de operações de crédito com empréstimos e financiamentos e de aplicação de depósitos interfinanceiros, das instituições financeiras ou equiparadas, não estão sujeitas ao PIS e Cofins quando estejam compreendidas no conceito de faturamento. O faturamento corresponde, dessa forma, à receita bruta da pessoa jurídica, assim considerada como a soma das receitas decorrentes da atividade típica da empresa, correspondente ao seu objeto social ou rotineiramente efetuada, quando esta não corresponda aos objetivos expressos em seu ato constitutivo O entendimento acima é independente do fato de que a Medida Provisória nº 627, convertida na Lei nº 12.973/2014, alterou o art. 3º da Lei nº 9.718/98, para fazer constar expressamente que o faturamento compreenderia também a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei nº 7.598/77. Pode-se dizer que o dispositivo teve sua redação aperfeiçoada, mas nada impede que a redação original do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ("O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica"), seja interpretada na forma efetuada pela fiscalização. A determinação do significado e alcance do termo "faturamento" constante na lei, no contexto da realidade social vigente, é legítima atividade de interpretação da norma pelo agente administrativo que não se enquadra na conduta vedada ao legislador ordinário pelo art. 110 do CTN. Diante da identidade entre a receita bruta e a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica, dentro da acepção adotada para o termo "faturamento", há de ser rejeitada a tese da recorrente de que a atividade empresarial deveria ter, "necessariamente, o propósito de entregar utilidade, conveniência, valores e benefícios a terceiros". O faturamento não pressupõe a relação contraprestacional. As receitas auferidas pela pessoa jurídica, ainda que não decorram da ação de "faturar", quando tenham origem em atividade relacionada ao seu objeto social, integram o seu faturamento. No caso, tratando a recorrente de uma empresa de seguros, não existe controvérsia acerca da obrigatoriedade de investimento de capital para a formação de reservas obrigatórias, compostas de reservas técnicas, fundos especiais e provisões, nos termos do Decreto-lei nº 73/66. De forma que, em consonância com o conceito de faturamento acima delineado, afigura-se correto o seguinte entendimento da fiscalização: Cumpre ressaltar, neste ponto, que, diante das peculiaridades e implicações da atuação das instituições financeiras e equiparadas, dentre as quais se encontram as sociedades seguradoras, expressas disposições legais estabelecem certas atividades a serem por elas exercidas, caracterizando-se, assim, a existência de um objeto social legalmente tipificado. Ou seja, as atividades exercidas por essas instituições em razão de mandamentos legais integram o rol de suas atividades próprias, portanto, típicas. 7 RE 371258 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 03/10/2006, DJ 27-10-2006 PP- 00059 EMENT VOL-02253-04 PP-00722. Fl. 1268DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Sendo assim, tem-se que as receitas decorrentes de tais atividades legalmente compulsórias integram o faturamento dessas instituições. O objeto social legalmente tipificado trata-se de algumas atividades empresariais, relacionadas à atividade a ser diretamente explorada pela pessoa jurídica, a cujos exercícios deve ela, por disposição legal, dedicar-se de forma compulsória. Verifica-se sua ocorrência especialmente no que toca à atuação de sociedades em áreas de extrema relevância para a estabilidade e higidez da economia do País. O Tribunal Regional da 3ª Região já decidiu nesse mesmo sentido acerca das receitas financeiras oriundas de reservas técnicas, conforme ementas abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEI Nº 9.718/98. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RESSEGURADORA. PRÊMIO E RECEITAS FINANCEIRAS. 1 - Resseguradoras são empresas que cobrem parte dos riscos de uma empresa de seguros através de tratados de resseguro, nos quais o ressegurador assume o compromisso de indenizar a companhia seguradora pelos danos que possam vir a acontecer em decorrência de suas apólices de seguro. 2 - Como bem consignado na r. sentença, "as atividades típicas das seguradoras e resseguradoras não compreendem somente a prestação de serviço de seguro ou resseguro", mas também a operação no mercado financeiro, "inclusive por força de norma expressa no artigo 84 do Decreto-lei n.º 73/66, que estabelece a obrigatoriedade de constituição de reservas técnicas, fundos especiais e provisões, para a garantia de todas as suas obrigações". 3 - Cumpre observar que o "Agenciamento, corretagem ou intermediação de (...) de seguros (...)" já constava do item 45 da lista de serviços anexa à LC nº 56/87, bem como consta do item 10.01 da LC nº 116/2003, que a revogou. 4 - Ademais, os "serviços de seguros e os relacionados com seguros" - tais como seguros diretos (incluindo cosseguros), resseguros e retrocessão, atividades de intermediação de seguro (corretagem, agência), serviços auxiliares aos seguros (consultoria, atuária, avaliação de riscos e indenização de sinistros) - estão inclusos no serviço financeiro, nos termos do item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, caracterizando-se como serviços típicos das instituições financeiras, de modo que as receitas financeiras e as receitas de prêmio devem integrar a noção de faturamento ou de receita bruta da Lei nº 9.718/98. 5 - Por se tratar de pessoa jurídica a que se refere o § 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a impetrante não se beneficiou da declaração de inconstitucionalidade da base de cálculo da contribuição ao PIS proferida nos Recursos Extraordinários 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. 6 - Com efeito, por se sujeitarem a regramento próprio, para as seguradoras a base de cálculo do PIS e da COFINS continuou sendo o faturamento (art. 2º), assim entendido como "a receita bruta da pessoa jurídica" (caput, art. 3º), com as exclusões contidas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. 7 - Ressalte-se que o critério definidor da base de incidência do PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais não foi alterado com a declaração de inconstitucionalidade supracitada. 8 - Quanto ao tema, o Ministro Cezar Peluso, no julgamento do RE 400.479-AgR/RJ, de sua relatoria, assim se manifestou: "Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, (...), o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". 9 - Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.950), em relação à base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS no que tange às instituições financeiras e seguradoras também foi objeto do Parecer PGFN/CAT Nº 2773/2007, datado de 28 de março de 2007, que concluiu: "(...) que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode Fl. 1269DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao "plus" contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.950-9/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada". 10 - Não há que se falar, pois, no caso vertente, em exclusão das receitas financeiras (oriundas de reservas técnicas e aplicações livres de recursos), tampouco das receitas de prêmio, da base de cálculo do PIS e da COFINS. 11 - Apelação não provida.(AMS 00083437120154036100, DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, TRF3 - TERCEIRA TURMA, e-DJF3 Judicial DATA:24/03/2017) [negritei] TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. LEI Nº 9.718/98. SEGURADORA. ART. 22, § 1º, LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. ATIVOS GARANTIDORES DE RESERVA TÉCNICA. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INCIDÊNCIA. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 91 DA SRF EM SÃO PAULO. 1.Em relação à aplicação da Lei nº 9.718/98 às empresas de seguros privados, como é o caso da impetrante, o C. STF manteve incólume o caput do art. 3º, nos termos do RE 357.950. 2.Em suma, as seguradoras não são beneficiadas pela declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, por se sujeitarem a regramento próprio (arts. 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º, da Lei 9.718/98). 3.Especificamente no caso de empresas de seguros privados, cumpre ressaltar, que a própria Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 6º, II, prevê quais são as deduções e exclusões possíveis na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a saber: o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. 4.na hipótese dos autos, a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre as receitas financeiras oriundas dos Ativos Garantidores de Reservas Técnicas é medida que se impõe, pois tais valores resultam da atividade empresarial típica da seguradora, resultantes de parte dos prêmios captados de seus clientes e investidos no mercado financeiro, integrando, desta feita, o seu faturamento. 5.Tal entendimento restou consignado na Solução de Consulta nº 91, publicada pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo, segundo a qual as receitas de seguradoras geradas com a aplicação de valores reservados ao pagamento de sinistros são tributadas pelo PIS e pela Cofins. 6.Segundo interpretação dada pela Receita Federal, o rendimento proveniente das reservas técnicas é resultado de uma obrigação inerente ao negócio das seguradoras e, portanto, faz parte das receitas operacionais, sobre as quais incide PIS e Cofins. 7.Resta, portanto, prejudicado o pedido de restituição/compensação, face à inexistência do indébito. 8.Apelação improvida.(AMS 00195390920134036100, DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, TRF3 - SEXTA TURMA, e-DJF3 Judicial DATA:06/03/2015) [negritei] A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou recentemente sobre a matéria de forma desfavorável à tese da recorrente, conforme Voto do Conselheiro Relator Charles Mayer de Castro Souza abaixo transcrito: Acórdão nº 9303-006.236 – 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2018 (...) VOTO (...) A solução do litígio passa pela determinação do conceito de faturamento, que o Supremo Tribunal Federal STF, como se sabe, tem entendido, atualmente, como o que decorre da realização das atividades que compõem o objeto social do contribuinte, ou seja, a sua receita operacional. Note-se que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos Fl. 1270DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgo-o constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decreto-lei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art. 22 [...]§ 1º [...]a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Pois bem. No caso das seguradoras, as receitas provenientes da aplicação dos bens garantidores de provisões técnicas integram, a nosso juízo, a receita operacional da seguradora. As razões do nosso convencimento estão delineadas, em poucas linhas, no voto condutor do Acórdão nº 9303-003.863, de 18/05/2016, proferido por esta mesma Turma de CSRF, relatado pelo il. Conselheiro Valcir Gassen, que assim discorreu sobre a matéria: Fl. 1271DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-006.805 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722919/2016-31 Em que pese o disposto no art. 73 do Decreto-Lei n° 73, de 21 de novembro de 1966, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, que as Sociedades Seguradoras não poderão explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria, e que é típico e da essência das instituições financeiras a “coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros” (art. 17 da Lei 4.595/1964), resta claro que as receitas financeiras advindas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas devem ser computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS das sociedades seguradoras, pois essas receitas são oriundas do exercício das atividades empresariais das seguradoras. Senão vejamos, no mesmo diploma legal, Decreto-Lei n° 73, nos arts. 28, 29 e 84, dispõe-se sobre a obrigatoriedade do investimento de capital para a formação das reservas técnicas, fundos especiais e provisões, desta forma: (...) Entende-se assim que as receitas financeiras decorrentes de investimentos compulsórios relativamente às reservas técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos para garantia de todas as obrigações das empresas de seguro, não são receitas estranhas ao faturamento dessas empresas no desenvolvimento de suas atividades empresariais, pelo contrário, essas receitas legalmente integram as atividades típicas das sociedades seguradoras. (...) Assim, nos termos da fundamentação acima exposta, em face da legitimidade da incidência de PIS/Cofins sobre as receitas auferidas pelas seguradoras em investimentos compulsórios dos recursos das reservas técnicas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário quanto a esse aspecto. (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001433/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Diante do conceito dado à expressão empresa comercial exportadora em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. A inovação trazida em pela DRJ quanto a eventuais ausência de documento não se presta a afastar o direito reconhecido.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI.
CORREÇÃO TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS
Nos termos dos Recursos Especiais julgados sob a sistemática repetitiva (RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS), o crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de Pessoas Físicas e Cooperativas deverá ser corrigido pela Taxa Selic desde a data do seu pedido, uma vez que se tem como ato estatal normativo impeditivo à utilização do direito de crédito de IPI, a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997.
Numero da decisão: 3201-005.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos, (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, cuja exportação foi comprovada em sede de diligência. Os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis e Charles Mayer de Castro Souza acompanharam, no ponto, a relatora pelas conclusões; e (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; II - Por maioria de votos, (iii) autorizar a correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Hélcio Lafetá Reis, que entendiam que a correção monetária deveria incidir a partir de 360 dias do protocolo do pedido.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão empresa comercial exportadora em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. A inovação trazida em pela DRJ quanto a eventuais ausência de documento não se presta a afastar o direito reconhecido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CORREÇÃO TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS Nos termos dos Recursos Especiais julgados sob a sistemática repetitiva (RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS), o crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de Pessoas Físicas e Cooperativas deverá ser corrigido pela Taxa Selic desde a data do seu pedido, uma vez que se tem como ato estatal normativo impeditivo à utilização do direito de crédito de IPI, a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10840.001433/2003-03
anomes_publicacao_s : 201909
conteudo_id_s : 6057220
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.506
nome_arquivo_s : Decisao_10840001433200303.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10840001433200303_6057220.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos, (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, cuja exportação foi comprovada em sede de diligência. Os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis e Charles Mayer de Castro Souza acompanharam, no ponto, a relatora pelas conclusões; e (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; II - Por maioria de votos, (iii) autorizar a correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Hélcio Lafetá Reis, que entendiam que a correção monetária deveria incidir a partir de 360 dias do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7882971
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:51:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052301960151040
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-29T14:22:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-29T14:22:14Z; Last-Modified: 2019-08-29T14:22:14Z; dcterms:modified: 2019-08-29T14:22:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-29T14:22:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-29T14:22:14Z; meta:save-date: 2019-08-29T14:22:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-29T14:22:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-29T14:22:14Z; created: 2019-08-29T14:22:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2019-08-29T14:22:14Z; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-29T14:22:14Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.001433/2003-03 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-005.506 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Recorrente VIRALCOOL AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. A inovação trazida em pela DRJ quanto a eventuais ausência de documento não se presta a afastar o direito reconhecido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CORREÇÃO TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS Nos termos dos Recursos Especiais julgados sob a sistemática repetitiva (RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS), o crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de Pessoas Físicas e Cooperativas deverá ser corrigido pela Taxa Selic desde a data do seu pedido, uma vez que se tem como ato estatal normativo impeditivo à utilização do direito de crédito de IPI, a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos, (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, cuja exportação foi comprovada em sede de diligência. Os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis e Charles Mayer de Castro Souza acompanharam, no ponto, a relatora pelas conclusões; e (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 14 33 /2 00 3- 03 Fl. 2794DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; II - Por maioria de votos, (iii) autorizar a correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Hélcio Lafetá Reis, que entendiam que a correção monetária deveria incidir a partir de 360 dias do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de acórdão proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: O processo administrativo, posteriormente ao seu protocolo, foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos irão pautar-se na numeração estabelecida no processo eletrônico. O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido do IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96, referente ao 2º trimestre de 2002 e no valor de R$ 329.970,93, a ser utilizado nas compensações dos débitos vinculados ao presente processo. O Despacho Decisório de fls. 185/186, com base na Informação Fiscal de fls. 178/183, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 9.824,21, e, conseqüentemente, homologou as compensações declaradas até o limite do crédito ora reconhecido. Em síntese, os motivos expostos para o deferimento parcial do pedido de ressarcimento foram os seguintes: 1. Quanto ao custo das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, foram incluídos indevidamente pela contribuinte, no montante das aquisições de insumos, os seguintes valores: a) custo de cana-deaçúcar adquirida de Produtores Rurais (Pessoas Físicas), não contribuintes de PIS/PASEP e COFINS; b) IPI incidente sobre as Notas Fiscais de compras; c) custo de insumos adquiridos de Cooperativas de Produtores; Fl. 2795DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 d) aquisições de serviços aplicados na produção, porém não incluídos nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem; e) RS 111.980,24 que corresponderia ao valor do estoque final de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados, mas não vendidos, que teria sido excluído na apuração do benefício relativo ao ano de 2001. A contribuinte cometeu o mesmo erro quanto ao valor excluído na apuração relativa ao quarto trimestre de 2002 (R$ 732.259,30), pois excluiu da base de cálculo do benefício o valor dos insumos em estoque em 31/12/2002 e não o valor das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos; f) apuração incorreta da quantidade de matérias matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (insumos) utilizados na produção, pois não considerou os estoques iniciais e finais do período; apenas computou os valores das aquisições, em desacordo com o disposto no parágrafo 7° do artigo 3o da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997; 2. Quanto ao valor da Receita de Exportação: a) a empresa não efetuou exportações diretas no ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas Cargill Agrícola S/A, CNPJ 60.498.706/0009-04, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/0002-90, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/0001-08, Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/0002-06, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/0001- 60, e as filias da empresa E D & F Man Brasil S/A, CNPJ 35.829.068/0006-77 e 35.829.068/0002-43, não enquadradas como Empresas Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decreto-lei nº 1.248/72, mas sim uma empresa comercial exportadora comum. A legislação em vigor do benefício no referido período contemplou as exportações diretas e as efetuadas por empresa comercial exportadora, definida no Decreto-lei n° 1.248/72. Foram admitidas na apuração do benefício as exportações efetuadas através das empresas Sab Trading Comercial Exportadora S/A, CNPJ 42.354.274/0001-29, Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/0002-50, e Nova América S/A – Trading, CNPJ 02.992.296/0001-08; b) foram incluídos, indevidamente, no valor das exportações, os acréscimos decorrentes de Variação Cambial, que não podem ser considerados na apuração do benefício, pois são contabilizados como Receitas Operacionais; 3. Quanto à Receita Operacional Bruta: o montante da receita foi ajustado tendo em vista que os valores das Exportações sofreram modificações; 4. Quanto à atualização monetária dos valores solicitados com a utilização dos juros Selic, não há qualquer previsão legal para a atualização monetária dos valores a serem ressarcidos; 5. Com base nos valores da receitas, estoques, custos, etc, calculados nos demonstrativos de fls. 122/175, procede-se à apuração do benefício acumulado no 2o trimestre do ano 2002 através do "DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO ANO DE 2002", de fl. 176, onde se pode verificar que o valor apurado do crédito presumido no 2º trimestre de 2002 é igual a R$ 9.824,21. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 209/225, instruída com os documentos de fls. 226/2.147, alegando, em resumo, o que segue: a) Por mais que a autoridade administrativa por seu despacho decisório insista na exclusão dos valores de matérias primas, produtos intermediários e materiais de Fl. 2796DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 embalagem adquiridos de pessoas físicas bem como adquiridos de cooperativas, na base de cálculo do beneficio do crédito presumido, tem-se que a legislação é clara quanto possibilidade da sua inclusão, não cabendo ao interprete restringir onde o legislador o fez. Aliás, não é demais rememorar que a IN SRF nº 23/97, mais especificamente seu artigo 2º, parágrafo 2º, nunca veio a regulamentar o art. 1º da Lei 9.363/96, haja visto que inexiste na referida norma última citada qualquer restrição ao benefício do crédito presumido. É importante ainda destacar que é entendimento pacífico da possibilidade do benefício do crédito presumido, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é o que se verifica em diversas ementas do 2a Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; b) O valor de R$ 111.980,24 que corresponderia ao valor de matérias primas, produtos intermediários e de materiais de embalagens, valor esse glosado pelos fundamentos da informação fiscal, não reflete em nada sobre o resultado do crédito de ressarcimento do benefício fiscal, posto que mesmo excluindo esse valor da base de cálculo do crédito presumido de IPI, verificar-se-á que o valor do crédito presumido resta inalterado. Por outro lado, ao inverso dos fundamentos apresentado pela informação fiscal, a impugnante provou e demonstrou à fiscalização que o valor de R$ 111.980,24, permaneceu em estoques na data de 31/12/2001, conforme se verifica da memória de cálculo juntada (doc. I); c) Inversamente do que fundamenta a informação fiscal, a impugnante atendeu a legislação quando excluiu do valor do benefício o valor de R$ 111.980,24. Aliás, tal informação resta comprovada conforme se verifica de resposta apresentada à fiscalização em 15/01/2008, sendo, inclusive, citado à época o amparo legal, mais especificamente a IN SRF n° 490/2004. Assim, não há em que se falar em comprometimento de toda apuração do crédito presumido; d) No que se refere à impossibilidade da inclusão na base de cálculo do benefício os valores dos produtos exportados pelas empresas Cargill Agrícola S.A, CNPJ 60.498.706/0009-04, SUCDEN do Brasil Ltda, CNPJ 00.308.337/0001-60, Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/0002-90, Candura do Brasil comércio Importação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/0001-08, e Usati S/A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/0002-06, comercializados pela impugnante, em que pese fundamentação apresentada pela informação fiscal, é de ser visto que outras empresas que não estejam especificamente dentro dos requisitos previstos pelo art. 2o do Decreto n° 1.248/72, de fato, podem realizar operações de exportação equiparadas as Trading Company, bastando que realizem operações mercantis de exportação e que estejam inscritas no SISCOMEX, até porque se assim não fosse não haveria necessidade da Lei Complementar 87/96, mais especificamente em seu art. 3º, parágrafo único, inciso I, prever que equiparam operações de exportação as comercializações de mercadorias destinadas ao exterior por empresas comerciais exportadoras, inclusive Trading; e) Não há em que se falar em exclusão dos valores relativos à variação cambial, porquanto como propriamente dito pela informação fiscal, a impugnante emitiu Nota Fiscal de complemento de vendas para o mercado externo, tratam-se, assim, de venda a comercial exportadora, não deixando tais valores de serem complementos dos valores das mercadorias exportadas; f) Quanto à correção monetária dos valores relativos ao beneficio fiscal, não há que discordar quanto à reposição de seu valor, haja visto que tal entendimento já se encontra sedimentado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, como pode ser verificado nos seguintes acórdãos: CSRF 02-02.212, CSRF 02- 01.626 e CSRF 02-01.688; g) Ao final, conclui que inexiste qualquer justificativa jurídica para manutenção do Despacho Decisório, sendo imperiosa a declaração de homologação dos valores compensados, mormente pelas provas dos autos pelas quais demonstram as exportações Fl. 2797DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 dos produtos pelas empresas exportadoras e ser remansosa a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda quanto inclusão de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas bem como cooperativas no cálculo do benefício. Em 28/08/2012, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu a Resolução nº 1.640, de fls. 2154/2157, baixando o processo em diligência fiscal para que a Delegacia de origem verificasse se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97 (“Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”). Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, revisasse o cálculo do crédito presumido do 2º trimestre do ano de 2002, acatando como receita de exportação os valores comprovados. A autoridade fiscal realizou a diligência requerida e elaborou Informação Fiscal de fls. 2679/2683, concluindo que a empresa Viralcool “não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo.” Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou os documentos anexados ao arquivo não paginável de fl. 2687, encaminhando relatórios de notas fiscais de exportação emitidas no 2º trimestre de 2002 e cópia das notas fiscais que comprovariam que os produtos vendidos foram realmente remetidos diretamente para as empresas comerciais exportadoras. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Fl. 2798DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Sendo o julgamento administrativo coarctado pelos balizamentos postos por atos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, deve-se adotar o disposto no Ato Declaratório nº 14, de 2011, da PGFN, que dispensa a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN SRF nº 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n° 9.363/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido A procedência parcial do pedido foi no sentido de acatar a possibilidade do cômputo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas na base do crédito presumido do IPI, no entanto, negar o direito ao benefício, pois o valor das exportações no período com direito ao beneficio é igual a zero. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Argumenta que finalizadas as diligências e informações fiscais, apresentou relatórios de controles de estoque e notas fiscais para comprovar que as mercadorias foram remetidas diretamente para as empresas comerciais exportadoras. Afirma que a comprovação das exportações foi feita pela apresentação de diversos documentos. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora optou por converter o feito em diligência nos seguintes termos (Resolução nº 3201-000.623, de 26 de janeiro de 2016): Diante desses fatos relatados acima, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para a unidade de origem: informar se o documento de efl. 2687 (arquivo magnético) já foi analisado, bem como considerado na informação fiscal; em caso negativo, e se diante de toda a documentação apresentada pela empresa comprovase, de fato, as exportações no caso; tendo em vista argumento da recorrente,ao Fl. 2799DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 afirmarem que pese a fundamentação da decisão recorrida, a exigência de apresentação do conhecimento de transporte para chancelar o crédito presumido do IPI sobre as operações com as comerciais exportadoras é ignóbil, contrariando o direito líquido e certo do contribuinte; logo a questão reside na ocorrência ou não das exportações, se os produtos foram ou não foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, o que a mesma afirma que fez por meio de notas fiscais apresentadas; enfim, que sejam observadas essas notas fiscais;e prestar os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. Após a efetivação da diligência, cientifique o contribuinte dos fatos da mesma, se quiser se manifestar, no prazo de 30 dias e retornem os autos para prosseguimento no julgamento. Em resposta ao Relatório, a Recorrente insiste na desnecessidade de apresentação de conhecimentos de transporte para se comprovar a efetiva exportação das mercadorias, aduzindo que a diligência solicitada não foi realizada nos exatos termos em que requerido por este CARF. Em novo exame do feito, esta Turma Julgadora entendeu que a diligência realizada não se mostrou suficiente para a elucidação dos pontos controvertidos. Desse modo, a Resolução nº 3201-001.325, de 23 de maio de 2018, reiterou a solicitação anterior, acrescentando: Ademais, esclareço que o levantamento fiscal deve se dar com base nas Notas Fiscais e demais documentos existentes nos autos (planilhas; contratos de venda para exportação firmados com as empresas comerciais exportadoras; relação das Notas Fiscais de venda para entrega futura contendo as informações solicitadas e cópia dos memorandos de exportação e Bill of Lading (BL)), independentemente da inexistência dos respectivos Conhecimentos de Transporte, especialmente confrontando as datas das operações e a vinculação dos memorandos de exportação com as vendas realizadas e desconsideradas pela Fiscalização. A Informação Fiscal de fls. 2.785 e seguintes, trouxe os seguintes esclarecimentos: 4. Respondendo à solicitação contida na Resolução apresentada pelo CARF podemos afirmar que: 4.1. Existe compatibilidade entre as notas fiscais de venda para entrega futura de exportação emitidas e as notas fiscais de remessa apresentadas pela contribuinte. Ou seja, não há divergências de dados entre estas; 4.2. Os Memorandos de Exportação inseridos no processo estão compatíveis com as notas fiscais emitidas. Ou seja, constam destes documentos os dados dos produtos exportados vinculados às notas fiscais de exportação emitidas pela contribuinte; 4.3. Sob o ponto de vista documental e não factual, as exportações estariam comprovadas; 4.4. A contribuinte não apresentou quaisquer documentos que comprovem que os produtos que constam nas notas fiscais efetivamente saíram de seu estabelecimento e que de fato entraram diretamente no(s) estabelecimento(s) da(s) empresa(s) destinatária(s). Assim sendo, não há como a fiscalização atestar que os referidos produtos realmente saíram de seu estabelecimento, muito menos que foram remetidos diretamente de seu estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 2800DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Intimada, a Recorrente não apresentou qualquer manifestação. Os autos, então, retornaram a este CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Vendas com fim específico de exportação Conforme relatado, a discussão nos presentes autos centra-se primordialmente no direito ao ressarcimento de crédito prêmio do IPI previsto na Lei nº 9.363/96, utilizado para a compensação dos débitos vinculados ao presente processo (compensação). Dispõe o art. 1º da citada Lei nº 9.363/96: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A Delegacia da Receita Federal entendeu que não foi devidamente comprovado a realização das exportações Portanto, ainda que fosse possível apropriar crédito de IPI sobre despesas incorridas (como no caso das aquisições de Pessoas Físicas e Cooperativas), uma vez não comprovadas as exportações, não haveria crédito passível de ressarcimento. Assim, o primeiro questionamento a ser solucionado diz respeito à comprovação de que a Recorrente vendeu a empresas exportadoras e da necessária comprovação das exportações realizadas no período fiscalizado. Na Informação Fiscal de fl. 178 e seguintes (e-processo), o lançamento foi assim fundamentado: 2.1 - A empresa não efetuou exportações diretas até o segundo trimestre do ano calendário de 2002, tendo realizado suas exportações por intermédio das empresas: a) Cargill Agricola S/A, CNPJ 60.498.706/0009-04, b) Alcotra do Brasil Exportação e Importação Ltda, CNPJ 01.313.834/0002-09, c) Candura do Brasil Comércio Importação e Exportação e Exportação Ltda, CNPJ 03.852.434/0001-08, d) Usati S.A Refinadora de Açúcar, CNPJ 04.399.600/0002-06, e) Sucden do Brasil Ltda, CNPJ n° Fl. 2801DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 00.308.337/0001-60, f) as filiais da empresa E D & F Man Brasil S/A, de CNPJ 35.829.068/0006-77 e 35.829.068/0002-43, g) Sab Trading Comercial Exportadora S A, CNPJ 42.354.274/0001-29, h) Satco Trading S/A, CNPJ 01.811.229/0002-50 e I) Nova América S.A. - Trading, CNPJ 02.992.296/0001-08. 0 Fisco intimou as referidas empresas (documentos de fls. 54/113) a comprovar que se encontravam enquadradas como Empresa Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decreto-lei n° 1.248 de 29/11/1972, apresentando documentação comprobatória de tal condição. Em resposta As intimações fiscais, as empresas informaram o quanto segue: as empresas mencionadas nos itens "a, b e c" informaram que não se encontravam enquadradas, como Empresa Comercial Exportadora (Trading Company), constituída na forma preconizada pelo Decreto-lei n° 1.248 de 29/11/1972; apesar de regularmente intimada, a empresa mencionada no item "d" deixou de apresentar qualquer manifestação, não comprovando, conseqüentemente, a condição de comercial exportadora nos termos do Decreto-lei no 1.248 de 29/11/1972; a empresa citada no item "e" informou que se encontrava inscrita apenas no REI (Registro de Exportadores e Importadores), não atendendo, portanto, aos preceitos do Decreto-lei n° 1.248 de 29/11/1972; as empresas descritas no item "f" comprovaram o enquadramento como Trading Company a partir da data de 28/12/2006, ou seja, não estavam enquadradas no ano de 2002. Apenas o estabelecimento Matriz, de CNPJ 35.829.068/0006-77, estava enquadrado como Trading Company a partir de 01/01/2002; as empresas Sab Trading Comercial Exportadora S A, Satco Trading S/A e Nova América S.A. - • Trading encontravam-se enquadradas como Trading Company. A legislação em vigor do beneficio no referido período contemplou as exportações diretas e as efetuadas por empresa comercial exportadora, definida no Decreto-lei n° 1.248 de 29/11/1972. Segundo o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.363/96, combinado com o seu parágrafo Calico, a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior (grifamos). O parágrafo 15, do artigo 3 0 da Portaria MF no 38/97, bem como o artigo 8° da Instrução Normativa SRF no 23/97, conceituaram "receita bruta de exportação" como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, de mercadorias nacionais (grifamos). O conceito de empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação foi estabelecido através do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, que, em seu artigo 2°, relacionou os requisitos mínimos que devem ser satisfeitos para que uma empresa seja considerada empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, quais sejam: I - Registro especial na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II - Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as NO- es com direito a voto; III - Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. • Assim, sendo, somente as exportações efetuadas através das empresas Sab Trading Comercial Exportadora S A, Satco Trading S/A e Nova América S.A. - Trading podem ser incluídas na base de cálculo do beneficio, conforme o "DEMONSTRATIVO DAS EXPORTAÇÕES EFETUADAS ATRAVÉS DE TRADING COMPANY", anexado às fls. 163. Fl. 2802DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Os valores das exportações efetuadas através de empresas comerciais exportadoras não caracterizadas como "Trading Company" estão relacionados no "DEMONSTRATIVO DAS EXPORTAÇÕES EFETUADAS POR COMERCIAL EXPORTADORA", anexado as fls. 164/165. BASE LEGAL: Artigos 10 e seu parágrafo único e 3° da Lei n°. 9.363, de 13/12/1996; artigos 1 0, 2° e 3° da Portaria MF n° 38, de 27/02/1997 e artigos 1°, 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997; Logo, a inexistência de exportações pela Recorrente decorreu da conclusão de que as duas empresas adquirentes das mercadorias com o fim específico de exportação não podem ser consideradas como trading company por não cumprirem os requisitos do art. 2º do Decreto- lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. É possível observar que a necessidade de cumprimento dos requisitos do art. 2º do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 foi o único critério utilizado pela Fiscalização para considerar inexistência de receitas de exportação. Tanto é assim que, para as demais empresas, que a Fiscalização entendeu estarem enquadradas no conceito de trading company, ou seja, que cumpriam o requisitos do art. 2º do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 as vendas foram chanceladas, sem qualquer questionamento adicional. Ou seja, para aquelas empresas que a Fiscalização reconheceu a natureza de trading company, não foi solicitada qualquer documentação adicional. O simples fato de as empresas comprovarem tal condição foi suficiente para que a Fiscalização considerasse as vendas correspondentes como receita de exportação. Esse fato é de suma importância para a verificação do direito, conforme se passa a expor. Pois bem. A DRJ, ao analisar o feito, afastou o argumento de direito utilizado pela Fiscalização (necessidade de as empresas comerciais exportadoras cumprirem os requisitos do art. 2º do Decreto-lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972) e, portanto, determinou que a Delegacia de origem verificasse se as vendas realizadas "cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97", transcrevendo o citado dispositivo: § 2° Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Do Relatório Fiscal elaborado por ocasião da diligência solicitada pela DRJ (fls. 2.680 e ss) se extraem os seguintes trechos : 5. Em atendimento à intimação fiscal, a empresa entregou à fiscalização os documentos de fls. 2162 e 2166, encaminhando ao Fisco um relatório de notas fiscais de exportação (inserido às fls. 2163/2165) e documentos (notas fiscais mãe e de remessa, memorandos de exportação, BL e RE) que comprovariam as exportações efetivadas nos períodos de apuração do segundo e terceiro trimestres do ano de 2002 (cópias parciais anexadas às fls. 2167/2661). 6. O relatório de notas fiscais de exportação apresentado pela VIRALCOOL contém os valores das receitas de exportação inseridas no cálculo do crédito presumido de IPI. Verificamos que os montantes utilizados na apuração da contribuinte foram extraídos Fl. 2803DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 das Notas Fiscais emitidas de Venda Para Entrega Futura, cujos dados estão transcritos abaixo. (...) 7. As notas fiscais de faturamento, assim como as notas fiscais de remessas correspondentes (inseridas, parcialmente, às fls. 2167/2661) contêm em seu corpo a indicação de onde os produtos vendidos pela empresa deveriam ter sido entregues. 8. A VIRALCOOL, no entanto, não apresentou quaisquer conhecimentos de transporte ou outro tipo de prova para comprovar que as mercadorias foram realmente remetidas diretamente para os estabelecimentos constantes das observações contidas nos documentos fiscais e nas planilhas de exportação entregue ao Fisco. Por este motivo, entendemos que não há que se modificar a apuração fiscal, tendo em vista que a diligenciada não apresentou documentos fiscais hábeis e idôneos para comprovar o efetivo ingresso dos produtos nos estabelecimentos relacionados em seu demonstrativo. O acórdão proferido pela DRJ, após realização da diligência, chegou à seguinte conclusão: Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. (...) Tal circunstância não restou comprovada no processo, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos a empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. (...) Portanto, nas vendas para empresas comerciais exportadoras que houve a perda da característica legal do que é considerado “fim específico de exportação”, as mesmas não podem ser consideradas como receita de exportação utilizada na determinação do cálculo do crédito presumido de IPI. Logo, com base no Relatório Fiscal de diligência e no acórdão recorrido, tem-se que a razão de parte das vendas com fim específico de exportação terem sido tidas por não comprovadas é a ausência de apresentação dos conhecimentos de transporte que confirmem a remessa física das mercadorias para recinto alfandegado. Nesse aspecto, defende a Recorrente que o Acórdão proferido pela DRJ, ao assim decidir, teria inovado, uma vez que as razões de decidir do despacho decisório são apenas de direito: Fl. 2804DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Com efeito, entendo assistir razão à Recorrente quanto à justificativa fiscal das glosas relativas à receita de exportação. Consoante trecho do Relatório Fiscal da autuação, anteriormente transcrito, se verifica que necessidade de comprovação da remessa direta para embarque para o exterior ou para recinto anfandegado não foi fundamento para o lançamento. O único fundamento era a ausência de comprovação de que as empresas compradoras se enquadrariam no conceito de trading company, o que já foi superado pela DRJ. E, repita-se, durante o trabalho fiscal, as vendas realizadas para empresas trading company foram validadas sem qualquer verificação acerca do trânsito físico das mercadorias. Logo, a questão relativa à necessidade de comprovação da remessa física direta a recinto alfandegado apenas surgiu no momento em que a DRJ deliberou pela realização de diligência, por meio da Resolução nº 1.637 de 28 de agosto de 2012: Assim, para que se possa analisar a manifestação de inconformidade e confrontar o cálculo efetuado pelo fisco com o apresentado pela empresa e, para que sejam eliminados óbices à formação da convicção deste julgador administrativo, com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, proponho baixar o processo em diligência juntamente com a solicitação para que a Delegacia de origem verifique se as vendas para as empresas comercias exportadoras cumpriram os requisitos do artigo 2º, § 1º, II, da IN nº 23/97, ou seja, se foi cumprido o fim específico de exportação, cuja definição está no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532/97, verbis: § 2° Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em caso de comprovação do fim específico de exportação das vendas para a empresa comercial exportadora, deverá ser revisado o cálculo do crédito presumido do 3º trimestre do ano de 2000, acatando como receita de exportação os valores comprovados. Ou seja, durante o trabalho fiscal inicial que culminou com a prolação do despacho decisório, a contribuinte não foi intimada a apresentar documentação comprobatória da remessa direta a recinto alfandegado, uma vez que esta comprovação não foi tida por necessária para o agente lançador. Tal solicitação apenas surgiu por ocasião da Resolução proferida pela DRJ. Trata-se, sem dúvida, de adoção de novo critério jurídico por ocasião do julgamento em primeira instância. Pois bem. Fl. 2805DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Estabelece o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Logo, a modificação de critério jurídico não poderia impactar na alteração de um lançamento já constituído. Além disso, nos termos do art. 145 do CTN, o lançamento tributário pode ser revisto de ofício apenas nas hipóteses taxativamente estabelecidas pelo art. 149 do CTN, Transcrevo os dispositivos: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 2806DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Não se nega, a rigor, que a Administração Pública tem o poder-dever de rever seus próprios atos. Em absoluto. Trata-se da preservação do interesse público e da legalidade. Ocorre que, na seara da atividade administrativa de lançamento tributário, esse poder-dever encontra-se limitado ao art. 149 do CTN. Nada mais é do que a preservação do princípio da segurança jurídica, que deve ser ponderado em face de todos os demais princípios constitucionais que regem a atividade tributária. Na hipótese dos autos, observa-se não existir a possibilidade de aplicação de qualquer um dos incisos previstos no citado art. 149. Ou seja, não há justificativa legal que autorize a revisão do lançamento mediante a adoção, de ofício, de novo critério jurídico. E mais, ainda que existisse, não se pode olvidar o disposto no parágrafo único do art. 149 do CTN: Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nesse aspecto, reputo necessário tecer o seguinte histórico: 13/05/2003 – Transmissão do Pedido de Ressarcimento 13/04/2004 – Transmissão da Declaração de Compensação 05/03/2008 – Emissão do despacho decisório 10/04/2008 – Manifestação de Inconformidade 28/08/2012 – Resolução DRJ determinando a análise da comprovação da entrega em recinto alfandegado 09/05/2014 – Intimação do contribuinte para apresentar documentos comprobatórios das remessas efetuadas diretamente a recinto alfandegado. 14/05/2014 – Apresentação de documentos pelo contribuinte 10/07/2014 – Novo Relatório Fiscal aduzindo a não comprovação da remessa direta 17/07/2014 – Intimação do contribuinte do novo Relatório Fiscal 18/11/2014 – Acórdão DRJ Das datas relatadas, observa-se que entre a data de transmissão da Declaração de Compensação e a intimação do contribuinte para comprovar as remessas diretamente para recinto alfandegado, transcorreram mais de 10 anos. E, entre a intimação do primeiro Despacho Decisório, exclusivamente com razões de direito e do segundo relatório fiscal, com razões adicionais, transcorreu mais de 6 anos. Com efeito, entendo que a inovação trazida pela DRJ, inserindo fundamento novo ao lançamento e, mais do que isso, exigindo documentos que jamais haviam sido exigidos Fl. 2807DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 anteriormente, extrapolou tanto o prazo decadencial estabelecido pelo parágrafo único do art. 149 do CTN, como o prazo legal de guarda dos documentos: entre a transmissão do Pedido de Compensação e a intimação para apresentar documentos que não haviam sido solicitados quando da prolação do despacho decisório, transcorreram mais de 5 anos. Com efeito, estabelece a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.37.Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Pelo exposto, reforço que a fundamentação exposta não se limita à inovação de fundamentos em sede de acórdão da DRJ, mas, especificamente, ao fato de que a negativa se pautou na suposta insuficiência de documentos que só foram solicitados ao contribuinte mais de 5 anos após a transmissão do Pedido de Compensação. Destaco, ainda, que a questão já foi objeto de exame por esta Turma Julgadora em acórdão de minha relatoria, conforme acórdão nº 3201-004.787, de 30 de janeiro de 2019, de cuja ementa transcrevo o trecho pertinente: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 30/06/2003 (...) VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. A inovação trazida em pela DRJ quanto a eventuais ausência de documento não se presta a afastar o direito reconhecido. (...) Não obstante ao exposto, cuja fundamentação já é suficiente para a improcedência da alteração de critério jurídico adotada pela decisão recorrida, não se pode olvidar que a questão probatória foi objeto de diligência realizada por solicitação desta mesma Turma Julgadora. A Informação Fiscal concluiu, de modo objetivo: 4. Respondendo à solicitação contida na Resolução apresentada pelo CARF podemos afirmar que: 4.1. Existe compatibilidade entre as notas fiscais de venda para entrega futura de exportação emitidas e as notas fiscais de remessa apresentadas pela contribuinte. Ou seja, não há divergências de dados entre estas; 4.2. Os Memorandos de Exportação inseridos no processo estão compatíveis com as notas fiscais emitidas. Ou seja, constam destes documentos os dados dos produtos exportados vinculados às notas fiscais de exportação emitidas pela contribuinte; Fl. 2808DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 4.3. Sob o ponto de vista documental e não factual, as exportações estariam comprovadas; 4.4. A contribuinte não apresentou quaisquer documentos que comprovem que os produtos que constam nas notas fiscais efetivamente saíram de seu estabelecimento e que de fato entraram diretamente no(s) estabelecimento(s) da(s) empresa(s) destinatária(s). Assim sendo, não há como a fiscalização atestar que os referidos produtos realmente saíram de seu estabelecimento, muito menos que foram remetidos diretamente de seu estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Logo, em que pese, de fato, inexistir os conhecimentos de transporte solicitados de forma extemporânea pela Fiscalização, a Recorrente logrou demonstrar, por sua documentação contábil, que as exportações foram efetivamente realizadas. O fundamento que sustenta a presente autuação é, exclusivamente, o fato de que a Recorrente não teria comprovado a remessa física direta das mercadorias para exportação ou para recinto alfandegado. E, a se ver, tal comprovação apenas seria possível pela apresentação dos conhecimentos de transporte. Ocorre que, como demonstrado, as diligências realizadas atestaram, de forma inquestionável, que as vendas com fim específico de exportação foram juridicamente comprovadas. E, sendo assim, não existe qualquer fundamento normativo capaz de exigir comprovação diversa. Ou seja, não existe qualquer disposição legal que possa dar azo à interpretação de que a venda com fim específico de exportação só pode ser comprovada mediante a apresentação dos conhecimentos de transporte. Consoante jurisprudência desta Corte, especificamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, compete ao vendedor apenas a comprovação de que a venda foi realizada com o fim específico de exportação – que é exatamente a hipótese dos autos. Confira-se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a exportação de remessa direta para embarque ou para recinto alfandegado, apenas se faz em operações realizadas por conta e ordem da comercial exportadora, sendo ônus dessa pessoa jurídica, que não guarda relação com a Contribuinte industrial, que lhe vendeu os produtos e os entregou diretamente no estabelecimento da comercial exportadora. (Acórdão 9303005.055, julgado em 15 de maio de 2017, Rel. Demes Brito, votação unânime) Importante trazer o seguinte trecho do voto condutor: Como se observa, foi comprovado por meio da diligência fiscal que a Contribuinte realizou todas as exportações, contudo, a turma a quo desconsiderou tais exportações, partindo da premissa que se faz necessário a remessa da mercadoria por um estabelecimento alfandegado. Sem embargo, para fins de comprovação do direito ao crédito presumido de IPI, considerase para venda com fim específico de exportação a saída dos produtos do Fl. 2809DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 estabelecimento do produtorvendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente, conforme dispõe o inciso III do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997: “Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente”). Nesta linha, é a empresa comercial exportadora tem o dever de comprovar a efetivação da exportação das mercadorias para o exterior, dentro do prazo máximo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora vendedora, conforme determina o § 4º do art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996. Vejamos: “Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) § 4º A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora” (grifamos). Nesta direção, hipoteticamente falando, caso houvesse o descumprimento da obrigação de exportar não implicaria perda do benefício fiscal usufruído pela Contribuinte (vendedora), considerando tal hipótese, quem seria responsável pelo não atendimento do regime, seria a empresa comercial exportadora, sendo inclusive obrigada a pagar a parcela correspondente do crédito presumido atribuído à empresa produtora-vendedora- Contribuinte. Por outro lado, a própria Autoridade Fiscal reconhece (fls. 507/508), que de fato houve as exportações pelas empresas intermediárias, as quais exportaram os produtos da Contribuinte, e que os produtos não foram utilizados no processo produtivo. Portanto, quanto ao fato da área ser alfandegada ou não, não altera minha convicção de que esta operação foi destinada ao mercado externo, até porque, o relatório da unidade preparadora de origem decorre da diligência solicitada pela turma a quo, a qual, foi conclusiva no sentido de que as empresas para as quais a Contribuinte deu saída em sua mercadoria “efetuaram todas as exportações relacionadas no 3º trimestre de 2002, relativas ao processo em referência” (fl. 507). Deste modo, não resta dúvida quanto ao direito da Contribuinte apurar o crédito presumido de IPI nas exportações indiretas. Ademais, diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. Diante do que foi exposto, dou provimento ao Recurso da Contribuinte. Fl. 2810DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Pelos trechos destacados, portanto, percebe-se a similitude com a situação fática ora examinada. Uma vez que o relatório fiscal de diligência comprovou que as mercadorias foram vendidas com fim específico de exportação e que as exportações efetivamente ocorreram, é desnecessário exigir da vendedora (que não é a exportadora) a comprovação de que a mercadoria foi remetida diretamente para recinto alfandegado. Nos termos da legislação que estabelece o benefício fiscal o que se deve comprovar para fazer jus ao crédito presumido é a venda a comercial exportadora com o fim específico de exportação. Em nenhum momento se exige a tal comprovação do trânsito físico da mercadoria, como pretende a Fiscalização. Por fim, tendo em vista discussões trazidas em sessão de julgamento, importante elucidar como se comprovou a remessa para a exportação na hipótese dos autos. Na diligência realizada por solicitação da DRJ foram identificadas as operações de venda direta para exportação objeto do presente feito (fl. 2.680 /2.681): Fl. 2811DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Nos termos da própria diligência realizada, as mercadorias foram destinadas a recintos alfandegados à época dos fatos: 11. Por outro lado, independentemente da comprovação do efetivo ingresso nos estabelecimentos elencados pela VIRALCOOL em seus demonstrativos, efetuamos pesquisas e coletas de informações junto à DIANA da Superintendência da 8ª Região Fl. 2812DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Fiscal (SP) (vide os documentos inseridos às folhas 2662/2678), para se constatar se os estabelecimentos identificados nas notas fiscais de remessas de produtos (descritos na planilha inserida no item 6) eram, à época das respectivas exportações, recintos alfandegados. 12. Constatamos que os estabelecimentos Cosan Operadora Portuária, de CNPJ 71.550.388/0002-23, Teaçu Armazens Gerais S/A, de CNPJ 01.865.099/0001-57, Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, de CNPJ 61.145.488/0003-00 e União Terminais e Armazéns Gerais, de CNPJ 50.280.387/0004-06, se caracterizavam como recintos alfandegados à época dos fatos geradores contemplados neste processo. Alguns dos estabelecimentos, contudo, não eram recintos alfandegados, mas eram cadastrados como REDEX (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação) e outros, ainda, não eram estabelecimentos controlados: 13. Entretanto, não foram encontradas nas relações de recintos alfandegados as empresas Transporte Rodoviário Internacional (Uruguai), Armazéns Gerais Fassina S/A, de CNPJ 44.611.234/0006-55, ETL Engenharia Transp. E Logística Ltda, de CNPJ 71.877.674/0001-17 HIPERCON Terminais de Cargas Ltda, de CNPJ 57.246.266/0001- 36, Transportes Lisot Ltda, de CNPJ 62.859.525/0005-68, ENAR Emp. Nação de Arm. Gerais Ltda, de CNPJ 80.575.459/0023-68. Os estabelecimentos HIPERCON Terminais de Cargas Ltda e Armazéns Gerais Fassina S/A eram cadastrados na Receita Federal como REDEX Permanente (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação), caracterizado como recinto não-alfandegado, conforme o disposto na Instrução Normativa SRF 114, de 31 de dezembro de 2001. Os demais não tinham qualquer tipo de controle por parte da Receita Federal do Brasil. (grifamos) Ocorre que, como já demonstrado anteriormente, a remessa a recinto alfandegado sequer é condição para que o contribuinte possa se valer do benefício fiscal: basta que reste comprovada que a venda foi realizada com o fim específico de exportação, que é a hipótese dos autos. E, não obstante a isso, nos termos da própria Instrução Normativa SRF 114, de 31 de dezembro de 2001, o REDEX (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação) é local onde se realizam, exatamente, despachos de exportação e até mesmo fiscalização aduaneira. Nos termos, ainda da Instrução Normativa RFB nº 1.152, de 10 de maio de 2011, as exportações realizadas via REDEX equivalem àquelas realizadas via recinto alfandegado para fins de comprovação do fim específico de exportação, confira-se: Art. 2º Os produtos destinados à exportação poderão sair, com suspensão do IPI, do estabelecimento industrial da pessoa jurídica produtora quando: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1462, de 15 de abril de 2014) I - adquiridos por Empresa Comercial Exportadora (ECE), com o fim específico de exportação; e II - remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. Art. 3º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; e Fl. 2813DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Art. 5º Somente será permitido o transbordo, a baldeação, o descarregamento ou o armazenamento dos produtos: (...) II - em recintos alfandegados ou em outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação, inclusive em Recintos Especiais para Despacho Aduaneiro de Exportação (Redex), na hipótese das operações de que tratam o inciso II do art. 2º e o inciso I do art. 3º; e (...) Logo, tem-se que a exigência fiscal no sentido “de a VIRALCOOL apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso no estabelecimento” alfandegado é despropositada e desnecessária. Tendo sido comprovada juridicamente e documentalmente a venda com fim específico de exportação, assim como a efetiva exportação, deve ser reconhecido o direito ao benefício decorrente. Na hipótese dos autos, a venda com fim específico de exportação está juridicamente comprovada. A exigência adicional dos “Conhecimentos de Transporte” que, supostamente, comprovariam o trânsito físico direto das mercadorias, não se justifica diante de todo o conjunto probatório existente nos autos, além de não estar suportada em qualquer ato normativo. Desse modo, concluo pela necessidade de provimento do Recurso Voluntário nesse aspecto. Variações cambiais Nesse tópico a Recorrente questiona o fato de a Fiscalização, ao apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI sobre as receitas de exportação, deixou de considerar o valor das notas fiscais complementares, que correspondem à variação cambial ocorrida entre a emissão da Nota Fiscal inicial e o efetivo embarque das mercadorias. Afirma que, devendo o acréscimo patrimonial ser apurado de acordo com o regime de competência, ele deve representar a receita obtida no momento da tradição da mercadoria importada, assim considerado o embarque destas para o exterior. A matéria em exame também foi objeto do citado Acórdão nº 3302-004.437, proferido no processo nº 13854.000086/99-01, examinado de modo muito bem fundamentado pela Relatora. Desse modo, faço minhas as razões de decidir utilizadas: 2.3.2. Notas fiscais de exportação A fiscalização glosou as notas fiscais complementares, emitidas pela Recorrente, por entender que tais valores seriam decorrentes de variação cambial e, como tal, eles devem ser reconhecidos como receitas financeiras, não podendo ser computados na apuração do crédito presumido do IPI. A Recorrente alega que o entendimento da fiscalização está equivocado, pois a Lei nº 9.718/1998 não se aplica na situação em análise, pois, em seu caso, as notas complementares por ela emitidas decorrem da variação cambial ocorrida entre a data da Fl. 2814DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 venda e a do efetivo embarque das mercadorias, isto é, antes de a Recorrente adquirir o direito ao preço das operações realizadas. Fundamenta que a jurisprudência reconhece que oscilações dessa natureza compõem a receita de exportação, não se confundido com meras variações cambiais do direito de preço. E expressa, in verbis, fls. 424: Ou seja, se a receita de exportação deve ser convertida com base na cotação da moeda estrangeira vigente na data de embarque das mercadorias ao exterior, e se este é o momento em que os respectivos valores devem ser registrados na contabilidade, não faz qualquer sentido lógico jurídico o argumento de que as variações de preço, decorrentes de flutuações no câmbio anteriores ao embarque não representam receita de exportação, mas sim receitas financeiras . O Supremo Tribunal Federal no RE 627.815/PR, recebido sobre o regime de repercussão geral, assim decidiu: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supra-legal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideram-se receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. (grifos não constam no original) No caso em análise, não se trata, portanto, de variação cambial "financeira", pois não se encontra no "contas a receber", mas sim de variação cambial da "receita de vendas", já que é contabilizada como receita de vendas, portanto, faz jus a Recorrente ao crédito presumido de IPI sobre as receitas de exportação acrescidas (ou reduzidas) da variação Fl. 2815DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 cambial anteriores à data de fechamento do câmbio. Conforme expressou, o Supremo Tribunal Federal: "O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços". Nesse sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 A 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS, COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA Nº12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. (CARF; 2ª Seção de Julgamento; 1ª Câmara; 2º Turma Ordinária; Acórdão nº 210200.157; Data do julgamento: 04/06/2009) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUT0S INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 A 30/09/2001 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INSUMOS. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CREDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE MERCADORIAS NÃO CONSUMIDAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. INCABÍVEL O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES EXVI DA SUMULA N° 12 DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, BASE DE CÁLCULO, VARIAÇÃO CAMBIAL. AS VARIAÇÕES CAMBIAIS COMPLEMENTARES OBJETO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL CONFORME DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA INTEGRAM A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.VISTOS RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR MOVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (CARF; 3ª Seção de Julgamento; 3ª Câmara; 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 3302- 00348; Data do julgamento: 18/03/2010) Fl. 2816DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 Portanto, reforma-se a decisão da DRJ/Ribeirão Preto no que concerne a tal ponto para considerar a variação cambial como receitas de vendas, especificadas nas notas complementares, fls. 57 a 64. Mais recentemente, também assim decidiu a CSRF, em processo do próprio contribuinte ora Recorrente: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas exportações de produtos é considerada receita decorrente destas exportações, devendo ser incluídas na receita de exportação e na receita operacional bruta para efeito da apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação-RE, quanto da Receita Operacional Bruta-ROB. Ou seja, incluem-se nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. (Acórdão nº 9303-006.963, Rel. Andrada Marcio Canuto Natal, julgado em 13/06/2018 Desse modo, deve ser acolhido o pleito do contribuinte quanto ao direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais Fl. 2817DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias. Aquisições de Pessoas Físicas e cooperativas Embora a Recorrente tenha dedicado um tópico em seu Recurso ao direito ao crédito presumido do IPI relativo a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, ele mesmo reconhece que esse pleito já foi deferido pela DRJ. Desse modo, nada a examinar. Apuração de insumos com base nos estoques iniciais e finais Também nesse tópico recursal, não há pleito do contribuinte a ser examinado, posto que restou reconhecido, pela DRJ, que o valor apontado pela Fiscalização como indevidamente excluído, em nada altera o valor do crédito presumido ora em exame. Portanto, nada a examinar. Taxa SELIC Por fim, quanto à correção monetária do crédito postulado, a questão foi objeto de julgamento, pelo STJ, em sede de recurso representativo de controvérsia (REsp 993.164/MG) que o STJ, naquela assentada, reforçou seu entendimento quanto à incidência da Taxa Selic sobre os valores de IPI a serem ressarcidos ao contribuinte, quando existente de ato estatal, administrativo ou normativo, que tenha impedindo a utilização do direito de crédito de IPI. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 2818DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplica-se inclusive: I - Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II - nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria- prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar-se-ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 2819DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI -, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciou-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Saliente-se, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 2820DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) A decisão proferida no citado REsp nº 993.164/MG é vinculante em todos os seus termos, inclusive no que se refere ao direito de correção dos valores. Não obstante, necessário remeter, ainda, ao que restou decidido no REsp 1.035.847/RS, também submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC. Cito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não- cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007;EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Pelo exposto, é imperativo o reconhecimento do direito do contribuinte a ter ressarcido os valores do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, relativo ao 4º trimestre de 1997, decorrente das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC desde a data do pedido, uma vez que se considera Fl. 2821DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3201-005.506 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.001433/2003-03 como "ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI" a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997. Assim, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, CUJA EXPORTAÇÃO FOI COMPROVADA EM SEDE DE DILIGÊNCIA; (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; e (iii) autorizar a correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 2822DF CARF MF
score : 1.0
