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Numero do processo: 10320.720735/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Declarouse impedido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório O presente processos trata de Despacho Decisório (Eletrônico) DDE, do Delegado da DRF em São Luís/MA, que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pela Recorrente através do PER/DCOMP nº 31173.89412.200608.1.1.017864, transmitido em 20/06/2008, no valor de R$ 1.366.199,69, o qual, todavia, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 04899.81009.200608.1.3.010763. A Recorrente apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade, em que esclarece inicialmente que sua atividade principal consiste na indústria e comércio de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 73 5/ 20 12 -3 6 Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Resolução nº 3402001.036 S3C4T2 Fl. 3.136 2 bebidas, principalmente refrigerantes e produtos conexos e que procedeu em atraso à apuração de diferenças do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do período de março de 2007, efetivando a sua quitação por meio de DARF e compensação com créditos de IPI, antes de qualquer procedimento da fiscalização e da retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF correspondente ao período. Por essa razão, recolheu apenas os juros de mora, não computando em seu cálculo a multa moratória, entendendo tratarse de denúncia espontânea a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), fato que gerou a diferença apontada no Despacho Decisório, ocasionando a homologação parcial das compensações declaradas. Citou argumentos da doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, no sentido de que não caberia a exigência de multa moratória nos casos de denúncia espontânea. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, mantendose o Despacho Decisório, conforme ementa do Acórdão nº 10.42.828, de 14/03/2013, da 3ª Turma da DRJ/POA, abaixo transcrito (fls. 3.101/3.105): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados A empresa COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES, tomou ciência do Acórdão DRJ nº 10.42.828, em 15/04/2013, conforme consta do aviso CorreiosAR de fl. 3.108. Verificase apensado aos autos que em, 05/05/2012 (fl. 3.111), protocolou documento datado de 03 de maio de 2012, de fls. 3.111/3.115, repisando as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, que desta forma pode ser resumida: (i) pelas razões expostas, recolheu apenas os juros de mora, não computando em seu cálculo a multa moratória, entendendo tratarse de denúncia espontânea a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), fato que gerou a diferença apontada no Despacho Decisório (DD), ocasionando a homologação parcial das compensações declaradas. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, no sentido de que não caberia a exigência de multa moratória nos casos de denúncia espontânea. Finaliza solicitando a reforma do DD, para que seja integralmente homologada a compensação declarada, bem como a suspensão do procedimento de cobrança do saldo devedor discriminado naquele DD por força da apresentação desta Manifestação de Inconformidade. Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Resolução nº 3402001.036 S3C4T2 Fl. 3.137 3 O processo, então, foi encaminhado ao CARF e distribuído para este Conselheiro proceder a análise do recurso. É o relatório Voto Não é possível ainda o conhecimento do mérito do presente processo pelo órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca da tempestividade do recurso voluntário, que demanda que o caso sub judice seja convertido em diligência para apresentação de informações que não restam claros nos autos. Explico. Verificase à fls. 3.108/3.109 dos autos, que consta o comprovante do AR Correios, remetido pela DRF em São Luis (MA), no endereço tributário da Recorrente, referente Intimação do Acórdão DRJ nº 1042.828, PAF nº 10320.720735/201236. Consta que em 15 de abril de 2013, a empresa foi cientificada, conforme assinatura no documento, recebido pela da Sra. Nayra Ferreira Ozorio, CPF nº 040.909.39376 (fl. 3108). Conforme relatado, consta apensado aos autos, documento datado de 03 de maio de 2012, e com datas de protocolo de 04/05/2012 (fl. 3.110) e que em 05/05/2012 (fl. 3.111), foi protocolado no Sistema de Comunicações do Protocolo Formador de Processos (MF), da DRF em São Luis (MA). Há que se ressaltar ainda, o que do Despacho da DRF/São Luis (MA), restou consignado que (fl. 3.134): "Tratase de recurso voluntário ao Acórdão nº 1042.828 da 3ª Turma da DRJ/POA, que julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Considerando a tempestividade do recurso, propõese encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, nos termos do art. 25, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972" (Grifei). No entanto, há que se observar que o referido documento protocolado em 2012 e considerado como recurso voluntário tempestivo pela Unidade preparadora, apresenta as seguintes características: (i) quanto a cronologia dos fatos: o documento (recurso) foi assinado em 03/05/2012 e protocolado em 05/05/2012; o Acórdão DRJ foi prolatado em 14/03/2013 e a ciência da decisão foi dada em 15/04/2013, ou seja, o recurso foi apresentado aproximadamente 1 anos antes da decisão; e (ii) observase na parte introdutória da peça recursal em que a Recorrente alega: "(...) vem a presença de V. Sª., face ao recebimento, em 02 de abril de 2012 (segundafeira), da Comunicação nº 12/2012 (Documento 01), acompanhada de carta de cobrança (Documento 02), expor e requerer o quanto segue". E prossegue aduzindo que "(...) Nesse contexto, independente de qualquer outra questão, a exigibilidade do saldo apontado como "devedor" nos sistemas dessa Receita Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Resolução nº 3402001.036 S3C4T2 Fl. 3.138 4 Federal do Brasil está suspensa, não havendo que se falar na possibilidade de exigência de tal valor até que seja proferida decisão definitiva na esfera administrativa acerca da manifestação de inconformidade apresentada. "(...) Termos em que Pede deferimento. São Luiz, 03 de maio de 2012". (Grifei) Neste diapasão, pela data do recurso e seu protocolo, poderiase concluir que este documento anexado pela DRF/São Luís (MA), não se trata do recurso voluntário apresentado pela Recorrente. E mais. Quando se analisa o conteúdo de referido documento, observase que referese a Manifestação de Inconformidade apresentada que, pelos argumentos, foi elaborada quando do recebimento (intimação) do Despacho Decisório Eletrônico, e por obvio antes de ser prolatado o Acórdão da DRJ. Pois bem. Como é cediço, cabe ao Conselheiro do CARF aferir a tempestividade do recurso: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998)(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I. (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Já os artigos 2º, 3º e 4º do Anexo II do RICARF definem as competências das Seções do CARF para processar e julgar recursos de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, de acordo com a legislação tributária aplicável. Nesse contexto, o primeiro ponto a ser abordado é o conhecimento do recurso, ou seja, a confirmação de que estão presentes os pressupostos de admissibilidade, especialmente no que diz respeito à tempestividade e à representação processual. Dessarte, impossível a verificação de qual é efetivamente a data em que foi protocolado o presente Recurso Voluntário. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não do recurso voluntário apresentado pelo Contribuinte. Portanto, considerando que a data do protocolo do recurso voluntário interposto é de 05/05/2012 (fl. 3.111), ou seja, antes do julgamento efetuado pela DRJ, cuja ciência se deu em 14/03/2013 fl. 3.108, e considerando o Despacho da DRF/São Luis/MA à fl. 3.134 que considera o Recurso tempestivo, solicito, em face do acima exposto e visando esclarecimento Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Resolução nº 3402001.036 S3C4T2 Fl. 3.139 5 dos fatos, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/São Luis/MA, tome as seguintes providências: (i) indique conclusivamente a data em que a Contribuinte efetivamente protocolou o seu Recurso Voluntário de fls. 3.111/3.115; (ii) a autoridade fiscal deverá elaborar Relatório conclusivo das averiguações e juntar aos autos, caso haja, os documentos comprobatórios de todos os fatos que forem constatados; e (iii) por fim, a autoridade administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, dando ciência à Contribuinte do termo e dos demais documentos mencionados no Relatório, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3139DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.722426/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.266
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Autos de Infração referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, lavrados em virtude da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/2007. A exclusão em questão se deu em virtude da emissão do Termo de Exclusão nº 006/2012, contido em fl. 1822, que foi objeto do contencioso administrativo instaurado nos autos do processo 10935.722.496/201221. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 22 42 6/ 20 12 -7 2 Fl. 2293DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.294 2 Do procedimento fiscal, resultaram os seguintes DEBCADs: 51.003.3024 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 01/2009 a 12/2011, no montante consolidado de R$ 3.204.102,39, controlado no presente processo; Debcad nº 51.003.3040 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada no período de 01/2009 a 12/2011, no montante de R$ 850.161,31, controlado no presente processo; 37.388.4940 – relativo à contribuição patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), apurada no período de 08/2007 a 12/2008, no montante consolidado de R$ 606.303,84, controlado no processo 10935.722425/201228; Debcad nº 37.388.4958 – relativa à contribuição destinada a terceiros, apurada no período de 08/2007 a 12/2008, no montante de R$ 132.605,07, controlado no processo 10935.722425/201228. Inconformado com os lançamentos, o contribuinte formalizou impugnação administrativa em ambos os processos, as quais foram julgadas improcedentes pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância. Ciente dos Acórdãos da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte formalizou Recursos Voluntários, também em ambos os processos em que, dentre outras questões, requer a suspensão do presente julgamento até que se torne definitiva a discussão objeto do processo em que se discute a procedência sua exclusão do Simples Nacional, 10935.722496/201221. Submetido o presente ao Colegiado de 2ª Instância, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento resolveu converter o presente em diligência. Contudo, o objeto da diligência não foi acostado aos autos, já que o Redator designado não teve acesso aos registros elaborados pelo então Conselheiro Relator. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Como bem evidente no relatório acima, a autuação ora em discussão decorre da exclusão do contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/2007. Não mais abrigado pelas benesses legais para as micro e pequenas empresas, o contribuinte estaria sujeito, a partir do período em que se processarem os efeitos de sua Fl. 2294DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.295 3 exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, tudo nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2007. Ocorre que os motivos que levaram à exclusão do requerente de tal regime diferenciado de tributação estão em discussão nos autos do processo 10935.722496/201221, o qual aguarda julgamento em 2ª Instância no âmbito deste Conselho, sendo matéria de competência da 1ª Seção de Julgamento. Caso o pleito do contribuinte relativo à exclusão regime simplificado seja julgado procedente, sua opção pelo Simples Nacional será restabelecida para o período de apuração e discussão, não havendo que se falar em cobrança de tributos apurados sob sistemática de tributação diversa. Por outro lado, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal contido em fl. 1883 evidencia que, além dos dois DEBCAD controlados no presente processo, outros dois resultaram do mesmo procedimento fiscal, os quais estão sob o controle do processo nº 10935.722425/201228, que aguarda distribuição neste CARF. Dispõe o art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que 26 entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Desta forma, no caso em questão, há duas espécies de vínculo processual, um por conexão e outro por decorrência. Portanto, considerando oportuno o julgamento do presente apenas quando as conclusões sobre a procedência ou não do procedimento de exclusão se tornarem definitivas, voto pela conversão do julgamento em diligência para determinar: Fl. 2295DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.722426/201272 Resolução nº 2201000.266 S2C2T1 Fl. 2.296 4 a juntada do presente, na condição de processo principal, por conexão, ao processo nº 10935.722425/201228, já que os créditos controlados por ambos decorrem do mesmo procedimento fiscal; a vinculação nos sistemas do presente processo ao de número 10935.722496/201221 e o sobrestamento do julgamento no âmbito da própria Câmara, até que haja decisão definitiva em 2ª instância relativa à exclusão do Simples Nacional. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 2296DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.1017.14211.3KS2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017 14:49:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Documento assinado digitalmente por: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA em 23/06/2017 e CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO em 23/06/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 11/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.1017.14211.3KS2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: C0D0F7D66E6A204E4CFD993F735E1DE804DD0CBBA2D280E23CAAF9DDB39CD16F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.722426/2012-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10865.900991/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
DIREITO AO CREDITO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos créditos derivados de pagamentos indevidos, cujas liquidez e certeza não foram comprovadas pelo contribuinte.
DIREITO AO CREDITO. BENS DO ATIVO PERMANENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Geram direito ao crédito do IPI, além das matérias-primas, produtos intermediários stricto-sensu e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos que se consumam por decorrência de contato fisico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente.
DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
O inciso I do art. 164 do RIPI/02 autoriza o registro de créditos de IPI derivados de compras de produtos intermediários. Contudo, seria necessário que o contribuinte tivesse comprovado ser aquela a natureza das mercadorias adquiridas e sua efetiva utilização no processo produtivo.
DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. DECISÃO DO STF EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL
O STF, no Recurso Extraordinário (RE) 398.365/RS, em sede de repercussão geral, considerou indevido o creditamento em aquisições de insumos isentos, "NT" e tributados à alíquota zero.
Em relação aos insumos imunes, também não há que se admitir os créditos, com fulcro no caput do art. 163 do RIPI/02.
SALDO CREDOR E CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ACRÉSCIMO DE JUROS SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Incabível a atualização monetária de créditos de IPI, por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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PAGAMENTOS INDEVIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos créditos derivados de pagamentos indevidos, cujas liquidez e certeza não foram comprovadas pelo contribuinte. DIREITO AO CREDITO. BENS DO ATIVO PERMANENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos que se consumam por decorrência de contato fisico, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO O inciso I do art. 164 do RIPI/02 autoriza o registro de créditos de IPI derivados de compras de produtos intermediários. Contudo, seria necessário que o contribuinte tivesse comprovado ser aquela a natureza das mercadorias adquiridas e sua efetiva utilização no processo produtivo. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. DECISÃO DO STF EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL O STF, no Recurso Extraordinário (RE) 398.365/RS, em sede de repercussão geral, considerou indevido o creditamento em aquisições de insumos isentos, "NT" e tributados à alíquota zero. Em relação aos insumos imunes, também não há que se admitir os créditos, com fulcro no caput do art. 163 do RIPI/02. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 91 /2 00 6- 18 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 455 2 SALDO CREDOR E CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ACRÉSCIMO DE JUROS SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Incabível a atualização monetária de créditos de IPI, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 456 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Limeira, que não homologou as compensações declaradas e anexas ao processo. O pleito foi indeferido pela autoridade administrativa, fundamentada no fato de o valor solicitado se referir a créditos relativos a aquisição de bens integrantes do Ativo Imobilizado e de materiais de consumo, além de energia elétrica e créditos calculados sobre aquisições não oneradas pelo IPI, inclusive lançadas extemporaneamente com correção monetária. Também foram glosados créditos escriturados como advindo de recolhimentos a maior ou indevidos, escriturados sem petição de restituição e esclarecimento da origem. Regularmente cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: Reitera que escriturou corretamente, inclusive com a devida correção monetária, como demonstrado em planilha. É legítimo o crédito de lPl incidente sobre aquisições de bens para o ativo imobilizado e sobre itens para a respectiva manutenção, sendo defeso à lei ordinária ou a qualquer dispositivo regulamentar vedar, diminuir ou alterar um direito garantido pela Constituição Federal (art. l 153, § 3°, ll princípio da não cumulatividade); Tratase de materiais intermediários, e não de materiais para uso e consumo, pois são consumidos no processo de manufatura da empresa, apesar de não integrar fisicamente o produto final, de tal maneira que não se prestam mais à finalidade intrínseca; o regulamento de 1972 condicionava o crédito de IPI aos insumos “imediata e integralmente consumidos no processo industrial”, mas a partir do regulamento de 1979, tais expressões não estão mais presentes e sim a referência ao consumo no processo de industrialização; isso ocorre com o ferramental utilizado no processo industrial, de acordo com os Pareceres Normativos 65/79 e 18/80, baixados pela CST da Receita Federal; O crédito de IPI referente a insumos imunes, isentos, não tributados e com alíquota zero têm garantia constitucional, havendo precedente do STF (RE 350.446/PR) sobre insumos isentos e com alíquota zero e especificamente sobre insumos NT (RE 344.6665/SC); os produtos industrializados constantes da TIPI como NT são, na verdade, produtos isentos, já que, sendo produtos industrializados, se encontram no campo de incidência, tendo sido retirados por uma norma legal de isenção; a energia elétrica, resultante de uma transformação em usina hidroelétriça, etc., se enquadra nessa hipótese e, de qualquer forma, por ter imunidade a energia elétrica (CF, art. 155, § 3°), o respectivo crédito é um direito; A correção monetária de crédito do IPI está assegurada por lei, no caso, a Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, § 3°, conforme julgado do Conselho de Contribuintes, que equipara o não aproveitamento de créditos legítimos na época própria a pagamento indevido de imposto; Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 457 4 Encerrou solicitando que lhe seja concedido os créditos pleiteados, corrigidos monetariamente pela Selic e homologadas as compensações. É o relatório." Ao relatório acima reproduzido, acrescento que o contribuinte aduziu que parte dos créditos pleiteados referiamse a pagamentos indevidos e que totalizavam R$ 1.408.945,95. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade e assim ementou o Acórdão n° 1426.855 (fls. 271 a 285): " Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CREDITO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem, que se integram ao produto final, quaisquer outros bens/produtos desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente que se consumam por decorrência de contato fisico. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IIPI. É inadmissível' a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. OBRIGATORIEDADE PARA FAZER JUS A CRÉDITOS. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, geram créditos do imposto passíveis de registro na escrita fiscal. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC Incabível a atualização monetária de créditos extemporâneos do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa e incompetente para se manifestar acerca de suscitada inconstitucionalidade de atos normativos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 458 5 Direito Creditório Não Reconhecido" Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 296 a 337), em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, acima sumarizados. Antes da apreciação do recurso voluntário, o contribuinte encaminhou pedido de "desistência parcial do recurso voluntário" (fl. 349). Dois débitos liquidados com os créditos pleiteados foram incluídos em parcelamento. Como não desistiram de contestar as glosas dos créditos, tal desistência não afeta o presente julgamento, porém tão somente a execução do acórdão pela unidade de origem. O processo chegou ao CARF para julgamento. Em 18/05/05, a turma decidiu converter o julgamento em diligência. No voto condutor, o relator consignou que as matérias relacionadas ao creditamento de IPI derivado de compras de bens para o imobilizado, material de uso e consumo e de matériasprimas não tributadas pelo IPI já haviam sido decididas pelo Supremo Tribunal Federal, cujos posicionamentos eram desfavoráveis à recorrente. Restava, contudo, necessidade de esclarecimentos adicionais para julgamento da legitimidade de créditos relativos a compras de produtos intermediários, tributados pelo IPI. Determinouse, então, que a unidade preparadora intimasse o contribuinte a fornecer os seguintes elementos: a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente – elaborar laudo se necessário , a fim de que possa ser constatado se as aquisições de bens tributados pelo IPI, vinculadas a saídas tributadas pelo IPI, isentas ou alíquota zero, são enquadráveis ou não no conceito de produtos intermediários para fins de apuração de créditos de IPI, indicando, especialmente se compõem o ativo imobilizado ou não e se os referidos bens sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização; b) explicar o motivo – de fato ou de direito pelo qual considera indevido o pagamento de IPI dos valores que totalizam R$ 1.408.945,95, com base em origens efetivas nos recolhimentos de 08 (oito) DARFs, juntados nestes autos, sob pena de indeferimento por falta de provas; c) trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. A diligência foi realizada. Foi elaborado o Termo de Diligência Fiscal, datado de 29/04/16 (fls. 429 a 432). Houve manifestação do contribuinte (fls. 437 a 441) e um segundo Termo de Diligência Fiscal foi emitido, com data de 02/06/16 (fls. 445 a 447). Em síntese, nenhum elemento relacionado à comprovação da legitimidade dos créditos de IPI derivados de compras de produtos intermediários foi adicionado pela recorrente. Esta tão somente apresentou DARF de pagamento de parte dos débitos liquidados com os créditos em discussão. E, em sua manifestação acerca do primeiro Termo de Diligência Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 459 6 Fiscal, apenas questionou o recálculo dos débitos em aberto, após o cômputo dos valores pagos e dos incluídos no parcelamento. O agente fiscal reconheceu ter se equivocado e refez os cálculos, o que foi consignado no segundo Termo de Diligência Fiscal. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 460 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Tratase de Declarações de Compensação parcialmente não homologadas, por meio das quais o contribuinte pretendia liquidar débitos tributários federais com créditos de IPI relativos ao 3° trimestre de 2003. De um montante total de créditos utilizados para compensação de R$ 2.424.152,09, a DRF em Santo André/SP acatou apenas R$ 27.025,61, glosando um total de R$ 2.415.336,78. Em resposta a termo de intimação fiscal, a recorrente informou que os créditos não autorizados tinham as seguintes naturezas: R$ 1.408.945,95: pagamentos indevidos; R$ 426.422,56: atualização pela taxa Selic de valores originais de insumos não tributados; e R$ 579.968,27: créditos extemporâneos diversos, incidentes sobre aquisições de materiais intermediários, ativo fixo e insumos com alíquota zero ou não tributados. Da leitura do Termo de Conclusão Fiscal (fls. 191 a 194), verificase que os créditos foram glosados, porque o contribuinte não apresentou documentos e fundamentos legais que legitimassem os correspondentes registros. E, no curso do litígio, também não o fez, limitandose a discutir as questões no plano conceitual. A meu ver, tal constatação já seria suficiente para negar provimento ao recurso voluntário. Não obstante, de forma muito breve, contestarei os argumentos técnicos consignados nas peças de defesa, que foram divididos em cinco tópicos: a) "Do crédito referente ao pagamento indevido realizado por DARF"; b) "Do direito ao crédito do IPI referente a aquisições do ativo imobilizado"; c)"Do direito ao crédito do IPI referente a aquisições de produtos intermediários"; d) "Do direito ao crédito do IPI referente aos insumos isentos, imunes, não tributados ou tributados à alíquota zero";e e) "Do direito à correção monetária do crédito extemporâneo e do saldo credor do IPI". Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 461 8 Quanto à compensação de pagamentos indevidos (letra "a"), não há controvérsia jurídica alguma. O direito `a utilização está positivado (art. 170 do CTN e Leis n° 8.383/91 e 9.430/96). Porém, as compensações pleiteadas não devem ser permitidas, uma vez que não se fez prova da certeza e liquidez dos créditos, por meio de comparações entre os valores realmente devidos, escriturados e declarados, e os pagos. Sobre os créditos oriundos de compras para o ativo imobilizado (letra "b"), há expressa vedação no inciso I do art. 164 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), em vigor no período de apuração dos créditos: "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (. . .)" (g.n.) Não apreciarei as considerações da recorrente acerca da possível inconstitucionalidade de dispositivos legais que proíbem a tomada de créditos sobre compras para o imobilizado, por estarem fora do escopo deste colegiado (Súmula CARF n° 2). Créditos derivados de aquisições de produtos intermediários (letra "c) são autorizados, nos termos do dispositivo legal acima reproduzido. Contudo, o contribuinte não trouxe lista dos produtos, conciliada com notas fiscais e livros contábeis e fiscais, e descrição do processo produtivo, com identificação clara da etapa em que foram aplicados. Salientese que o colegiado do CARF que primeiro analisou o presente processo requereu uma diligência também para este fim, cuja correspondente solicitação não foi atendida pela recorrente. Também afasto os créditos relativos compras de insumos imunes, isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados "NT" (letra "d"), aplicados em produtos tributados. O Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) 398.365/RS, em sede de repercussão geral, considerou indevido o creditamento em aquisições de insumos isentos, "NT" e tributados à alíquota zero. Esta decisão vincula este colegiado, nos termos da alínea "b" do inciso II do § 1° do art. 62 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF). Vale ainda mencionar que, no âmbito do CARF, a vedação ao aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero foi consolidada pela Súmula CARF nº 18, também com efeito vinculante: "Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10865.900991/200618 Acórdão n.º 3301003.955 S3C3T1 Fl. 462 9 Em relação aos insumos imunes, também não há que se admitir os créditos, com fulcro no caput do art. 163 do RIPI/02, que deixa claro que somente podem gerar créditos as entradas oneradas pelo IPI, como segue: "Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49)." Também não acato o acréscimo de juros Selic a saldo credor ou a créditos escriturados extemporaneamente (letra "e"), por ausência de respaldo legal. Por fim, registro que foi proferida decisão desfavorável à recorrente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em contenda da mesma natureza (Acórdão n° 9303004.902, de 16/05/17). Com base no acima exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. Na execução do julgado, a unidade de origem deverá considerar os débitos incluídos em parcelamento e os quitados no curso do processo. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000426/89-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ADUANEIRO "DRAWBACK" INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA
1 Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX
2. Multas dos art 524 e 526-11 do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial.
PROVIDO O RECURSO DE DIVERGÊNCIA.
DESPROVIDO O RECURSO DA FAZENDA NACIONAL.
Numero da decisão: CSRF/03-03.024
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de Divergência e NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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ASBER1T LIDA e FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE . 12 DE ABRIL DE 1999 ACÓRDÃO N° . CSRF/03-03.024 ADUANEIRO "DRAWBACK" INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA 1 Mercadoria divergente quanto à forma de apresentação mas coincidente como matéria prima para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX 2. Multas dos art 524 e 526-11 do RA. Inexistência de fundamento para sua cobrança, uma vez reconhecido o adimplemento do regime especial. PROVIDO O RECURSO DE DIVERGÊNCIA. DESPROVIDO O RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de Divergência e NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado I SON P Ik r• • GUES PRESIDENTE '27) JOÃO 140LANDA COSTA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 fd Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros . CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUENS, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, 111-NRIQUE PRADO MEGDA, UBALDO CAMPELLO NETO e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente justificadamente o Conselheiro FAUSTO — DE FREITAS E CAS IRO NETO. PROCESSO N° . 10711.000426/89-14 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.024 RECURSO N°. :RP/301-0.374 e RD/301-302 RECORRENTE :FAZENDA NACIONAL e ASBERIT LTDA. RELATÓRIO Com o Acórdão 301-26.958 de 30 de abril 1 992, re-ratificado pelo Acórdão 301- 27 956, de 16 02 96, a douta Primeira Câmara do 3° Conselho de Contribuintes deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por ASBERIT LTDA para o fim de: I) negar provimento ao recurso quanto ao direito ao "drawback"- Suspensão, exigindo os tributos incidentes na importação dos insumos; 2) ter por descabida a cobrança das multas dos art. 524 e 526, II do Regulamento Aduaneiro. Entendeu a Câmara que o insumo importado (flocos de fibra têxtil de poliamida aromática) sendo diferente daquele licenciado pela CACEX e descrito no Ato Concessório do "drawback" (fibras sintéticas de poliamida aromática - ARAMADA - conforme oficio CACEX/DEMAP 5 C-89/ 16619, de 13.12.89 ), não se referindo a comprovação em causa à mercadoria efetivamente importada, não era possível considerar tal importação como amparada pelo regime especial Entendeu ainda a Câmara, por maioria de votos serem indevidas as multas dado que se verificou apenas erro de classificação tarifária Existindo no processo pedido de esclarecimento do acórdão, apresentado pelo contribuinte, retornaram os autos à Câmara para a devida correção, uma vez que enquanto na decisão fora anotado o provimento parcial para exclusão das duas penalidades, o Relator, no final do Voto, anotara o desprovimento integral do recurso voluntário. A contradição foi eliminada com o Acórdão 301.- 27.956, de 16 de fevereiro de 1.996. Inconformada com a mudança da classificação tarifária da sua mercadoria e com a denegação da dispensa do pagamento dos impostos, a empresa vem a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, com recurso de divergência, apresentando com paradigmas os Acórdãos 303- 2 PROCESSO N° : 10711000426/89-14 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.024 26 820 e 303 - 26.825 da douta Terceira Câmara que, de maneira totalmente diferente, decidira que, conquanto incorreta a classificação dada pelo fisco à mercadoria, não havia, no entanto, corno desconsiderar o adimplemento do "drawback" Com efeito, o insumo foi empregado integralmente no produto exportado, tendo sido obtido o resultado objeto do compromisso da empresa Pela mesma razão, a Terceira Câmara entendeu descabida a multa do art. 524 do RA, havendo mantido apenas a multa do art. 526 -II - do RA A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou seu Recurso Especial contra a dispensa das multas dos art. 524 e 526, II do RA, sem no entanto desenvolver quaisquer argumentos. Conclui pleiteando a reforma da decisão da Câmara Posteriormente, retorna ao processo a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para apresentar contra-razões ao Recurso de divergência, mas o faz como se também fosse um recurso de divergência previsto pelo art. 30 do Regimento Interno, com relação às multas dos ar. 524 e 526-11 do Regulamento Aduaneiro É o Relatório. À 3 PROCESSO N°. 10711.000426/89-14 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 024 VOTO Conselheiro Relator JOÃO HOLANDA COSTA Em julgamento o Recurso de Divergência apresentado pelo contribuinte e o Recurso da Fazenda Nacional. I - Recurso de Divergência. Nesta questão, tem razão o contribuinte dado que a matéria prima importada conquanto identificada como sendo outra tarifariamente, em vista de certas características que levam à reclassificação na TAB, no entanto correspondeu ao que era necessário e tal como importada serviu para a composição do produto exportado, objeto da comprovação do "drawback" junto à CACEX. Cabe, portanto, considerar que o insumo importado entrou no país sob o regime especial, foi normalmente desembaraçado sem qualquer contestação quanto à natureza A autuação inicial não acusou a importadora de desvio de aplicação do insumo beneficiado nem se pôs em questão de aquele insumo que entrou no país foi aplicado no produto final exportado conforme o compromisso assumido. Não está sendo objeto do recurso de divergência a classificação tarifária do insumo Por outro lado, na espécie, a reclassificação decorre de a mercadoria importada não ser exatamente a que fora declarada na DI e GI nem no Ato Concessório do "drawback". Não vejo como não dar acolhida ao pleito do recorrente, de ser reconhecido o "drawback" já consumado, sabendo-se que o insumo efetivamente importado foi integralmente exportado. Sobreleva notar que a autuação teve início em ato de revisão do despacho após a ocorrência dos fatos narrados no presente processo, isto é, após mesmo a comprovação do 4 PROCESSO N° . 10711000426/89-14 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 024 cumprimento do "drawback" quando o produto consumido fora exportado, e pelo simples fato de ter vindo sob a forma de "flocos de fibra" e não de "fibras descontinuas etc". Entretanto, a essência do insumo, em função do produto final a exportas - PAPELÃO- estava ali presente e foi integralmente exportado como era o compromisso. Voto, por conseguinte, para dar provimento ao recurso de divergência II - Recurso da Fazenda Nacional Reconhecido o direito à suspensão de tributo em face da regularidade do "drawback", não há como fazer incidir a multa proporcional ao imposto indevido. Quanto à multa administrativa, tenho-a igualmente como descabida, também pelo fato de o "drawback" se ter cumprido. Com efeito, a matéria prima, conquanto sob a aparência e forma de apresentação diferentes do que fora licenciada, verificou-se que correspondeu à que era necessária para a elaboração do produto exportado como bem demonstrado no Parecer do INT A rigor, não se poderá afirmar que, no caso, o insumo não estivesse acobertado pela GI, tendo havido mais especificamente urna descrição inexata do material. Voto, assim, para acolher o recurso de divergência e para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional Sala das Sessões, em 12 de abril de 1999. , JOÃO HOLANDA COSTA 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13116.901613/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.962
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.901613/201252 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.962 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 13 /2 01 2- 52 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.594, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901613/201252 Acórdão n.º 3201002.962 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905779/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 79 /2 01 2- 56 Fl. 287DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 30.609,34. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.490, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13603.905779/201256 Acórdão n.º 3401003.938 S3C4T1 Fl. 276 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 289DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13603.905779/201256 Acórdão n.º 3401003.938 S3C4T1 Fl. 277 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 291DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13603.905779/201256 Acórdão n.º 3401003.938 S3C4T1 Fl. 278 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910765/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.523
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 07 65 /2 01 1- 88 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.103. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.910765/201188 Acórdão n.º 3302004.523 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 11831.002884/2001-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
Numero da decisão: 9101-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
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SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 28 84 /2 00 1- 60 Fl. 847DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de Pedido de Compensação de crédito de prejuízo de CSLL do ano de 1995 (fls. 2 e 276), apresentado em 13/11/2001, com débitos nos códigos 8109 e 2172. A Delegacia da Receita Federal não homologou as compensações, pelas razões seguintes (fls. 546/549 volume 2): O contribuinte acima identificado, por seu representante legal, através do requerimento de fls. 01, de 13/11/2001, solicita Pedido de Restituição de Contribuição Social sobre Lucro Líquido recolhida por estimativa decorrente dos anoscalendário de 1992 a 2001, conjugandoo com Pedidos de Compensação de fls. 02. (...) Tendo em vista que o saldos credores de CSLL objeto da presente solicitação foram apurados nos anoscalendário de 1992 a 1995, e que o presente processo foi protocolado em 13/11/2001, a referida solicitação ficou prejudicada (ocorrência de decadência do direito A restituição do indébito para os pagamentos efetuados anteriormente a 14/11/1996). (...) No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n.° 54, de 10/10/2001, INDEFIRO o Pedido de Restituição AIL de fls. 01 e, em consequência, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas às fls. 02, bem como outras porventura vinculadas ao presente processo. Após a apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 554/569), a Delegacia da Receita Federal de julgamento em São Paulo manteve a decisão da DRF (fls. 573 volume 3). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992, 1993, 1994, 1995 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Constituem crédito a restituir ou compensar os pagamentos a maior ou indevidos desde que ainda não tenham sido utilizados. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear o reconhecimento do direito ao indébito, extinguese no decurso de 5 anos contados da data da extinção Fl. 848DF CARF MF Processo nº 11831.002884/200160 Acórdão n.º 9101002.980 CSRFT1 Fl. 848 3 do crédito tributário, em conformidade com o art.165 c/c o art.168 do Código PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 581), que foi acolhido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, em acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995 Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. Recurso Voluntário Provido Destaco trecho do voto condutor do acórdão recorrido, do exConselheiro Antônio José Praga do Souza: Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório da CSLL apurado no encerramento do ano calendário de 1995, apresentado em 05/12/2001, que segundo a decisão recorrida foi fulminado pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN. O recurso especial da contribuinte está calcado na tese dos “5 + 5” (cinco anos para homologar o lançamento mais cinco anos para pleitear a restituição do indébito). A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1993 a 1997, a 1a. Turma da CSRF vem decidindo que o inicio da contagem prazo desloca se para a data da entrega da declaração Nesse sentido citese o seguinte julgado. (...) Todavia, desde a sessão da CSRF de agosto/2010, revisitei a matéria adotando os fundamentos a seguir, transcritos do Acórdão 91000.347. (...) Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Fl. 849DF CARF MF 4 Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para afastar o decurso de prazo para pleitear o crédito, determinando o retorno do autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte. A Procuradoria foi intimada em 04/02/2011 (622), apresentando recurso especial em 07/02/2011 (fls. 625), por divergência na interpretação da lei tributária a respeito do prazo para repetição de indébito na forma do artigo 168, do Código Tributário Nacional. Indica como paradigma o acórdão nº 10516.976, no qual se decidiu: "Em relação aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em 31.12.1997, poderia a empresa compensálos com débitos vencíveis a partir de abril de 1.998 até março de 2003." O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, conforme despacho às fls. 643/644, do qual se extrai: Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada no seguinte julgado: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano até 1.999 e em janeiro a partir 2.000 (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR/99 ART. 858 § I° INCISO II — AD SRE 03/2000). O prazo para retificar a D1PJ é o mesmo que o fisco dispõe para rever o lançamento. No caso de lançamento por homologação é de cinco anos a contar dos fatos geradores. (Lei n° 5.172/66 art. 150 § 4º AC CSRF/0103.692 de 10.12.01). (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10516.976, de 17/04/08) Da simples leitura da ementa de tal acórdão paradigma, percebese que, ao contrário da interpretação fixada no acórdão recorrido, definiuse um prazo para se pleitear a restituição de saldos negativos. (...) Com fundamento nas razões expostas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, ADMITO o recurso especial interposto. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 11831.002884/200160 Acórdão n.º 9101002.980 CSRFT1 Fl. 849 5 O contribuinte apresentou contrarrazões em 16/11/2011 (fls. 707). Sustenta a impossibilidade de conhecimento do recurso especial, pela falta de confronto analítico exigido pelo artigo 67, §4º e §6º, do RICARF vigente (Portaria MF 256/2009). No mérito, sustenta que inexiste limite de prazo para aproveitamento de saldo negativo e, além disso, que seria aplicável o prazo de 10 anos para restituição. Diante disso, pede seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. De toda forma, não conheço do recurso especial, conforme razões a seguir. A Procuradoria sustenta a contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Para julgamento da matéria, sobreleva considerar a previsão dos artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescrevem: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ao assim dispor, o citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 851DF CARF MF 6 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Fl. 852DF CARF MF Processo nº 11831.002884/200160 Acórdão n.º 9101002.980 CSRFT1 Fl. 850 7 Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543 B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ressaltese, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 853DF CARF MF 8 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos (contados do fato gerador), para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para assegurar o direito à compensação de saldo negativo de 1995 quanto às compensações realizadas em 2001. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido: Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório da CSLL apurado no encerramento do ano calendário de 1995, apresentado em 05/12/2001, que segundo a decisão recorrida foi fulminado pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN. O recurso especial da contribuinte está calcado na tese dos “5 + 5” (cinco anos para homologar o lançamento mais cinco anos para pleitear a restituição do indébito). (...) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para afastar o decurso de prazo para pleitear o crédito, determinando o retorno do autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte. O recurso especial da Procuradoria não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria, nos termos do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015): Fl. 854DF CARF MF Processo nº 11831.002884/200160 Acórdão n.º 9101002.980 CSRFT1 Fl. 851 9 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Por tais razões, não conheço o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 855DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001261/2007-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador, exceto se verificada a inexistência do pagamento antecipado ou comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. DESPESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. As despesas de prestação de serviços devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de CSLL e de IRRF, sendo decorrentes das mesmas
infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador, exceto se verificada a inexistência do pagamento antecipado ou comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. DESPESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. As despesas de prestação de serviços devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 305 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de CSLL e de IRRF, sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 162165, com a exigência do crédito tributário no valor de R$51.876,70 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 4º trimestre do anocalendário de 2002. O lançamento se fundamenta na glosa de despesa constatada em razão não comprovação do desembolso e da efetividade da prestação de serviços de assessoria jurídica, auditoria e consultoria com base nas informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0598, no Livro Razão, fls. 109123 e 160, nas notas fiscais de prestação de serviços, fls. 127, 132, 151, 156 e 161, bem como no Relatório Fiscal, fls. 102106, em relação as seguintes pessoas jurídicas contratadas: Tabela 1 – Glosa de Despesa da Passos e Martins Marketing e Serviços Ltda, CNPJ 04.461.124/000125, em 2002 Fl. 340DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 306 3 Descrições Mês (A) Valor R$ (B) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (C) Setembro 20.000,00 63 (11.09.2002) Setembro 65.000,00 67 (19.09.2002) Setembro 46.000,00 74 (30.09.2002) Outubro 19.000,00 86 (25.10.2002) Total 150.000,00 Tabela 2 – Glosa de Despesa da Acord Assessoria Planejamento e Serviços Ltda, CNPJ 01.510.776/000114, em 2002 Descrições Mês (A) Valor R$ (B) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (C) Outubro 95.750,00 2160 (30.10.2002) Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 248, inciso I do art. 249, parágrafo único do art. 251, art. 300 e art. 304 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 166169 com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.050,93 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. III – O Auto de Infração às fls. 172175 com a exigência do crédito tributário no valor de R$336.255,91 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), juros de mora e multa de ofício proporcional fundamentado no pagamento sem causa nos valores de R$130.769,23 em 04.10.2002 e R$247.307,69 em 31.10.12002, a saber: Tabela 3 – Valores que compõem o cálculo do IRRF em 2002 Descrições Valor Tributável R$ Alíquota (C) Valor do Imposto R$ Valor do Pagamento sem Causa – R$ Fl. 341DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 307 4 Fato Gerador (A) (B) D=(BxC) E=(BD) 04/10/2002 130.769,23 35% 45.769,23 85.000,00 31/10/2002 247.307,69 35% 86.557,69 160.750,00 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 1º do art. 647 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 21.09.2007, fls. 162, 166 e 172, a Recorrente apresentou as impugnações em 23.10.2007, fls. 189195, 211217 e 231239, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que os lançamentos são nulos, uma vez que os Autos de Infração são carecedores de motivação. Esclarece que concomitantemente se defende contra os procedimentos instaurados pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais. Diz que os lançamentos foram alcançados pela decadência, uma vez que os fatos geradores dos tributos são mensais (§ 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional). Argúi que justificou os pagamentos com a comprovação da efetiva prestação de serviços, mediante instrução dos autos com as cópias da notas fiscais e dos contratos correspondentes nos seguintes termos: Vale dizer, todos os documentos fornecidos para a fiscalização provam firmemente que houve prestação de serviços e de que esta teve causa e justificativa, diante dos problemas jurídicos fiscais apresentados pela impugnante, fazendo injustificável o lançamento atacado, que deve ser cancelado porque injusto e desprovido de base legal ou com base legal mal aplicada pelo Ilustre agente fiscal. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Preliminarmente, espera a impugnante seja cancelada a exigência reflexa de IRPJ por ter ocorrido a decadência com relação ao direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento que tenha como base todo o período compreendido na autuação, ou seja, os fatos geradores de janeiro a dezembro de 2002, por ter transcorrido o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, do C.T.N. e, quanto ao mérito, caso ultrapassada a argüição preliminar, espera seja decretada a insubsistência do lançamento por ter sido efetuado sem observância das regras que comandam o pagamento a beneficiário identificado e o pagamento justificável ou com motivo legal, já que pagamentos a assessoria jurídica são comuns e, diante da situação da empresa impugnante com o ICMS do Estado de Minas Gerais, mostram se mais do que razoáveis, não havendo razão para classificálos como "sem causa", requerendo, se necessário, a realização de diligência fiscal de esclarecimento dos serviços prestados, protestando ainda, caso indeferido, o pedido de diligência, a realização de perícia contábil, ocasião em que ficará demonstrado e provado o Fl. 342DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 308 5 perfeito cabimento dos serviços e dos seus pagamentos no caso concreto, ato que se revestirá da mais ampla e salutar JUSTIÇA! Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1225.225, de 24.07.2009, fls. 279288: “Lançamento Procedente”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DILIGÊNCIA/PERÍCIA Indeferese o pedido de diligência (e/ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. O lançamento se operou antes do fluxo do prazo de cinco anos qualquer que seja o marco inicial considerado, conforme art. 150, § 4 ° e 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PAGAMENTOS SEM CAUSA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Sem a comprovação da efetiva prestação dos serviços, a dedução das despesas a eles referentes deve ser glosada, ainda mais quando a prestadoras dos serviços sequer declarou a receita correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 PAGAMENTOS SEM CAUSA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Incide o IRRF quando inexistir a comprovação da operação ou da causa dos pagamentos efetuados a terceiros, ainda mais quando a prestadoras dos serviços sequer declarou a receita correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Fl. 343DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 309 6 LANÇAMENTOS DECORRENTES DO DE IRPJ: CSLL. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhe deu origem, na medida em que não ha fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Notificada em 24.08.2009, fl. 289verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.09.2009, fls. 291298, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui nos mesmos termos constantes nas impugnações em 23.10.2007, fls. 189195, 211217 e 231239. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe ressaltar que as questões referentes aos procedimentos instaurados pela Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais não podem ser examinadas nesta instância de julgamento por serem afetas a outra esfera constitucional de competência tributária1. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 1 Fundamento legal: art. 155 da Constituição Federal. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 20001 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 310 7 A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 3. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública, que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.20094 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. No presente caso, a intimação das exigências de IRPJ e de CSLL relativas o 4º trimestre de 2002, e de IRRF atinente aos dias 04 e 31 de outubro de 2002 foi feita em 21.09.2007, fls. 162, 166 e 172, de modo que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da glosa de despesas argumentando que comprova a efetividade da prestação de serviços de assessoria jurídica, auditoria e consultoria. Os registros contábeis devem ser realizados com observância aos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 5 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 311 8 auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que somente faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali registrados. Por esta razão, as despesas decorrentes da prestação de serviços para serem dedutíveis é indispensável a comprovação que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Ainda, no comprovante devem estar com identificação do beneficiário e da operação ou a causa que deu origem ao rendimento6. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. Vale ressaltar que, salvo disposição legal em contrário, a Recorrente não pode ser apenada por alguma irregularidade porventura existente no cumprimento de obrigações tributárias de outras pessoas jurídicas, em conformidade com o princípio de que a sanção não pode passar da pessoa do infrator (inciso XLV do art. 5º da Constituição Federal). Neste sentido, as informações constantes nas DIPJ das pessoas jurídicas Passos e Martins Marketing e Serviços, CNPJ 04.461.124/000125 e Acord Assessoria Planejamento e Serviços Ltda, CNPJ 01.510.776/000114, fls. 276278, não podem ser consideradas para o presente lançamento. O Livro Razão do período de 02.01.2002 a 31.12.2002 referente à conta nº 4.1.2.02.03 – Assessoria Jurídica e à conta nº 4.1.2.02.05 – Auditoria e Consultoria constam às fls. 109123 e 160. I) Passos e Martins Marketing e Serviços Ltda, CNPJ 04.461.124/000125 Em relação à prestadora de serviços temse que: o Contrato de Prestação de Serviços, fls. 124126, pactuado entre a Recorrente/Contratante e a Passos e Martins Marketing e Serviços/Contratada tem como objeto a prestação de serviços administrativos para levantamento e revisão dos valores de ICMSST de Minas Gerais referente aos processos: AI 01.00011838203, fls. 128131, AI 01.000118345 77, fls. 133150, AI 01.00011831764, fls. 152155 e AI 01.00011836065, fls. 157158 e para os quais a Recorrente pagou os valores respectivos de R$20.000,00, R$65.000,00, R$46.000,00 e R$19.000,00 respectivamente; houve emissão das notas fiscais emitidas pela Contratada no período de 01.09.2002 a 31.10.2002 (colunas B e C da Tabela 4), fls. 127, 132, 151 e 156; 6 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 312 9 houve escrituração das notas fiscais no Livro Razão do período de 02.01.2002 a 31.12.2002 referente à conta nº 4.1.2.02.03 – Assessoria Jurídica (coluna D da Tabela 3), fls. 109123 e 160. Tabela 4 – Situação Fática da Glosa de Despesa da Passos e Martins Marketing e Serviços em 2002 Descrições Mês (A) Nota Fiscal Número e Data de Emissão (B) Valor Constante na Nota Fiscal R$ (C) Comprovação do Registro no Livro Razão – Fls. (D) Valor Exonerado R$ (E) Setembro 63 (11.09.2002) 20.000,00 120 20.000,00 Setembro 67 (19.09.2002) 65.000,00 119 65.000,00 Setembro 74 (30.09.2002) 46.000,00 120 46.000,00 Outubro 86 (25.10.2002) 19.000,00 121 19.000,00 Total 150.000,00 150.000,00 Assim, cabe esclarecer que os valores lançados devem ser exonerados, porque houve as comprovações da efetividade da prestação de serviços e do desembolso realizado coincidentes em datas e valores, em conformidade com o contrato, as notas fiscais de serviços e o Livro Razão. II) Acord Assessoria Planejamento e Serviços Ltda, CNPJ 01.510.776/000114 Em relação à prestadora de serviços temse a nota fiscal emitida pela Contratada no período de 01.10.2002 a 31.10.2002 consta à fl. 161, no valor de R$95.750,00. Assim, cabe esclarecer que o valor lançado deve ser mantido, haja vista que nos autos não contêm o contrato que é a comprovação da efetividade da prestação de serviços coincidente em datas e valores, embora esteja instruído com a nota fiscal de serviços e o Livro Razão. Por todo exposto, Tem cabimento, portanto, excluir o valor total de R$150.000,00 da base tributável do IRPJ referente ao fato gerador ocorrido no 4º trimestre do anocalendário de 2002, referente a Passos e Martins Marketing e Serviços Ltda. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 313 10 inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo9. Os lançamentos de CSLL e de IRRF sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vale esclarecer que, em relação ao IRRF, a pessoa jurídica que efetuar um pagamento deve demonstrar o nexo de causalidade com uma contraprestação ou operação que seja inerente à sua atividade econômica, sob pena de ficar sujeita à incidência de IRRF à alíquota de 35% sobre o valor recolhido (art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Ressaltese que o valor do pagamento sem causa será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto, de modo que do procedimento devese excluir o valor de R$230.769,23 da sua base tributável referente ao fato gerador ocorrido em 31.10.2002: Tabela 5 – Valores que compõem o cálculo do IRRF em 2002 Descrições Fato Gerador (A) Valor Tributável R$ (B) Alíquota (C) Valor do Imposto R$ D=(BxC) Valor do Pagamento sem Causa – R$ E=(BD) 31.10.2002 230.769,23 35% 80.769,23 150.000,00 Da mesma forma, devese excluir o valor de R$150.000,00 da base tributável da CSLL referente ao fato gerador ocorrido no 4º trimestre do anocalendário de 2002. Em face do exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.001261/200741 Acórdão n.º 180100.683 S1TE01 Fl. 314 11 Fl. 349DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15521.720048/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracteriza-se como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, obrigações registradas no passivo cuja exigibilidade não seja comprovada.
PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF.
Sujeita-se ao IRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa, cabendo o reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.
IRPJ. CSLL. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO.
É ônus do contribuinte provar a legitimidade dos custos ou despesas relativos a encargos de depreciação. Se não apresentados documentos comprobatórios de seu alegado direito, correta a glosa levada a efeito pela fiscalização.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. VERDADE MATERIAL.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral contida no Processo Administrativo Fiscal Federal.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 1301-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos, para excluir da base de cálculo: (i) da infração relativa ao passivo fictício os valores de R$329.796,52 e R$1.460.000,00; (ii) relativa ao IRRF incidente sobre pagamentos sem causa o valor de R$279.201,60; (iii) relativa ao pagamento de juros, o valor de R$7.574.000,00; II) Por maioria de votos, excluir da base de cálculo relativa ao IRRF incidente sobre pagamentos sem causa o valor de R$ 164.000,00, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento em relação a esse item. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Flávio Franco Corrêa para redigir o voto vencedor em relação a esse ponto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, obrigações registradas no passivo cuja exigibilidade não seja comprovada. PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. Sujeitase ao IRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa, cabendo o reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. IRPJ. CSLL. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É ônus do contribuinte provar a legitimidade dos custos ou despesas relativos a encargos de depreciação. Se não apresentados documentos comprobatórios de seu alegado direito, correta a glosa levada a efeito pela fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. VERDADE MATERIAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral contida no Processo Administrativo Fiscal Federal. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 72 00 48 /2 01 5- 11 Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.047 2 As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos, para excluir da base de cálculo: (i) da infração relativa ao passivo fictício os valores de R$329.796,52 e R$1.460.000,00; (ii) relativa ao IRRF incidente sobre pagamentos sem causa o valor de R$279.201,60; (iii) relativa ao pagamento de juros, o valor de R$7.574.000,00; II) Por maioria de votos, excluir da base de cálculo relativa ao IRRF incidente sobre pagamentos sem causa o valor de R$ 164.000,00, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento em relação a esse item. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Flávio Franco Corrêa para redigir o voto vencedor em relação a esse ponto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.048 3 Relatório MYLAN LABORATÓRIOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para: • EXONERAR o contribuinte do pagamento do IRPJ e da CSLL. • REDUZIR a COFINS de R$ 3.810.394,03 para R$ 425.354,03, acrescida dos juros de mora e multa de ofício correspondentes, conforme detalhamento do item 82 do voto. • REDUZIR o PIS de R$ 827.256,58 para R$ 92.346,60, acrescida dos juros de mora e multa de ofício correspondentes, conforme detalhamento do item 83 do voto. • REDUZIR o IRRF de R$ 11.366.914,24 para R$ 3.303.582,15, acrescido dos juros de mora e multa de ofício correspondentes, conforme item 84 do voto. • INDEFERIR a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 1059/1.100), cumulados de juros e multa de ofício, lavrado contra MYLAN LABORATÓRIOS LTDA, em razão de omissão de receitas na glosa de custos e despesas e nos pagamentos sem causa no anocalendário de 2012, nos termos dos arts. 264, 276, 281, III do RIR/99 e art. 61 da Lei nº 8.981/95, totalizando R$52.303.423,56. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 1.101/1.139), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: 3. IRPJ – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA 3.1 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (TVF) em anexo. 3.2 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas não comprovadas apuradas conforme TVF em anexo. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.049 4 3.3 CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS INFRAÇÃO: CUSTOS NÃO COMPROVADOS 4. CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 4.1 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS. Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme TVF em anexo. 4.2 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO COMPROVADOS Despesas não comprovadas apuradas conforme TVF em anexo. 5. COFINS – CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 5.1 INCIDËNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA Ä COFINS Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme TVF em anexo. 6. PIS – CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 6.1 INCIDËNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA Ä CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme TVF em anexo. 7. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 7.1 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – APURAÇÃO REFLEXA INFRAÇÃO: IRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA. Valor do IRF, incidente sobre pagamento a beneficiário não identificado, pagamento sem causa ou de operação não comprovada, contabilizadas ou não. Dos empréstimos/mútuos 10.1. MÚTUO ASPEN PHARMA Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.050 5 10.1.1. Foram identificados lançamentos a crédito na conta MÚTUO ASPEN PHARMA, tendo como contrapartida a conta STRIDES EMPRÉSTIMOS, totalizando R$329.796,52, conforme tabela apresentada. A fiscalizada foi intimada a apresentar os contratos de empréstimos que originaram os lançamentos; nenhum documento foi apresentado a respaldar a dívida. 10.1.2. Verificouse que a fiscalizada apresenta prejuízos constantes e mantém as suas atividades por intermédios de empréstimos e mútuos entre pessoas jurídicas ligadas. 10.2. Também foram identificados lançamentos cuja contrapartida foi uma conta de ativo PATENTE DE REGISTRO DE PRODUTOS. Da análise destes lançamentos constatouse o reconhecimento de um passivo de R$46.000.000,00, tendo como justificativa a concessão do direito de utilização de patentes. Também neste caso, embora intimada e reintimada, a fiscalizada não apresentou qualquer contrato a amparar estes lançamentos. 10.2.1 A fiscalizada não apresentou qualquer pagamento relativo à CIDE relativo às remessas ao exterior, nos termos do art. 2º da lei 10.168, de 2000, embora intimada reiteradamente a apresentálos. 10.3. STRIDES EMPRÉSTIMOS 10.3.1. Foram identificados lançamentos a crédito na conta STRIDES EMPRÉSTIMOS, tendo como contrapartida contas de ativo, totalizando R$3.806.967,00, conforme tabela apresentada. A fiscalizada também não comprovou tais empréstimos. 10.4 A consolidação do passivo sem comprovação, com base nos empréstimos não comprovados acima descritos conta da tabela à fl. 1116 e alcança a soma de R$50.136.763,52. Dos pagamentos da conta bancos 10.5. Os empréstimos/mútuos não comprovados serviram de fundamento para diversos pagamentos efetuados no período, tais pagamentos totalizaram R$21.109.983,78 e constam da tabela à fl. 1116. Dos custos/despesas 10.6. DOS JUROS PASSIVOS 10.6.1. A fiscalizada foi reiteradamente intimada a apresentar a "memória de cálculos" dos juros referentes aos contratos de empréstimos/mútuos, e mais uma vez, nada apresentou. 10.6.1.1. Foram localizadas duas contas de juros, a JUROS LAKEROSE, com uma despesa no importe de R$7.574.000,00 (referemse ao mútuo de ASPEN PHARM), e a conta JUROS EMP NAC LONGO PRAZO, com uma despesa de R$457.220,59. Tais despesas foram levadas ao Resultado do Exercício. 10.6.2. As despesas acima referemse aos empréstimos não comprovados; como consequência, tais despesas também restaram prejudicadas. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.051 6 10.7 DESPESA COM DEPRECIAÇÃO 10.7.1. A fiscalizada foi reiteradamente intimada a apresentar a "memória de cálculos" das depreciações, com a apresentação dos documentos hábeis a comproválos. Nada foi apresentado, de modo que, não há como reconhecer tais despesas na apuração do lucro da fiscalizada. O valor não comprovado a este título importa em R$4.767.332,55. Das infrações e incidências tributárias Omissão de receitas passivo fictício 11. Os valores constantes do passivo cuja exigibilidade não foi comprovada caracterizam Passivos Fictícios, presumindose Omissão de Receitas, nos termos do art. 281, III do RIR de 1999. 11.1. Ressalta que as receitas omitidas, além de fatos geradores do IRPJ e da CSLL, também refletem na apuração da COFINS e do PIS. IR sobre pagamento sem causa 12. Diversos pagamentos foram efetuados tendo como causa os empréstimos/mútuos não comprovados. Assim, a interessada não logrou comprovar as causas de tais pagamentos, caracterizando a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Glosa de despesas não comprovadas 13. As despesas de juros e depreciação constantes das tabelas apresentadas não foram comprovadas, ensejando a glosa na apuração do Resultado do Exercício. Esclarece que a pessoa jurídica deve manter em boa guarda toda a documentação que embasou sua escrituração contábil. Glosa de custos não comprovados 14. Os valores referentes a conta "Depreciação"transferidos para a conta de "custos" não foram comprovados, ensejando a glosa na apuração do Resultado do Exercício. Da multa de ofício 15. Foi aplicada a multa de ofício de 75% nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Apuração do Crédito Tributário 16. Tendo em vista as constatações acima, foi apurado crédito tributário referente ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF. 16.1. Foi efetuada a compensação de prejuízos acumulados de exercícios anteriores no montante de R$11.996.572,72, conforme consta do SAPLI, respeitando o limite de 30% previsto na legislação vigente. Também foi efetuada a compensação da base de cálculo negativa de CSLL, respeitando o mesmo limite de 30%. Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.052 7 16.2. Foi apurada a COFINS na modalidade nãocumulativa, aplicandose a alíquota de 7,6%, conforme tabela apresentada. Também apurada a contribuição para o PIS na modalidade nãocumulativa, aplicandose a alíquota de 1,65%, conforme tabela apresentada. 16.3. Para apuração do IRRF foi efetuado o reajustamento da base de cálculo nos termos do art. 725 do RIR, de 1999 e no art. 20 da IN SRF nº 15, de 2001, conforme planilha anexa. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 1.149/1.187: 24.1. No presente caso, a impugnante prova que seus passivos decorrem de: Contrato de aquisição de marca/patente em junho/2011. Reembolso pelo pagamento de contribuição previdenciária originada em cisão. Mútuo realizado com sua controladora. A impugnante apresentou uma série de documentação, bem como razões contábeis, justificando suas razões de impugnação, esclarecendo que não atendeu na íntegra as intimações do Fisco por equívocos acerca da ciência eletrônica, mas que, no exercício do seu direito de defesa apresenta tais documentações. Pugnando, ao final, pela improcedência do lançamento e consequente extinção do crédito tributário, subsidiariamente requereu a retificação do lançamento do IRRF considerando lançamentos estornados na conta bancos. 24.1.1.5. O montante de R$329.796,52, creditado na conta "MÚTUO ASPEN PHARMA" não pode ser computado como "passivo cuja exigibilidade não foi comprovada", pois, além da comprovação da origem, destino e finalidade, essa divida sequer foi mantida no passivo, sendo baixada imediatamente. Em julgamento realizado em 15 de junho de 2016, a 3ª Turma da DRJ/BHE, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 02 68.910, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, obrigações registradas no passivo cuja exigibilidade não seja comprovada. PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. Sujeitase ao IRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.053 8 sua causa, cabendo o reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. IRPJ. CSLL. GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É ônus do contribuinte provar a legitimidade dos custos ou despesas relativos a encargos de depreciação. Se não apresentados documentos comprobatórios de seu alegado direito, correta a glosa levada a efeito pela fiscalização. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 1.744/1.775), onde pugna pela improcedência dos lançamentos que remanesceram, quais sejam COFINS de R$425.354,03, PIS de R$92.346,60 e IRRF de R$3.303.582,15. Recebi, por sorteio, o presente auto em 23/03/2017. É o relatório. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.054 9 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, no IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF em razão da omissão de receitas, no anocalendário de 2012, no valor de R$52.303.423,56, incluindo imposto, contribuição, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 11/2015. A DRJ/BHE julgou a impugnação Procedente em Parte, exonerou os autos de infração de IRPJ e CSLL e ajustou os valores de PIS, COFINS e IRRF para R$92.346,60, R$425.354,03 e R$3.303.582,15, respectivamente, acrescidos de juros e multa. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, os quais passo a analisar. RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, diante da exoneração de diversas glosas, exonerando, após a compensação de prejuízo, as glosas de IRPJ e CSLL, bem como reduzindo os lançamentos de PIS, COFINS e IRRF, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BHE e intimada ao recolhimento dos débitos de PIS, COFINS e IRRF em 27/06/2016 (fl. 1.741), e apresentou em 27/07/2016, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 1.744/2.028. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, conheço do Recurso Voluntário. Lançamentos efetuados: 1) OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: PASSIVO FICTÍCIO Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.055 10 Omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL em anexo. 2) CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas não comprovadas apuradas conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL em anexo. 3) CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS INFRAÇÃO: CUSTOS NÃO COMPROVADOS Custos não comprovados, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL em anexo. Importante destacar que o lançamento aqui efetuado muito se deu em decorrência da falta de respostas por parte da recorrente às intimações efetuadas, o que para o órgão fiscalizador bem caracterizou a não comprovação de despesas, e origens. Para tanto, a Recorrente justificouse em equívocos ocorridos na identificação e controle das intimações eletrônicas, o que a levou ao não atendimento correto das fiscalizações. E assim, apresentou diversas documentações juntamente com sua impugnação, razão pela qual, muitos dos lançamentos foram exonerados pela DRJ. De outra forma, alguns contratos que serviriam de base para a comprovação de outras alegações, que estavam redigidas em língua estrangeira, foram apresentados sem as devidas traduções e formalidades necessárias. E dessa forma, outras glosas foram mantidas. Desta feita, em sede recursal, a Recorrente junta às fls. 1.776/1.949 e 1.950/2.028, demais documentos e contratos com a devida tradução. Assim disse a decisão a quo: DOC 2 – ACORDO VINCULANTE 36. O “Acordo Vinculante” é citado frequentemente no transcorrer da argumentação apresentada pelo impugnante. Verificando o documento apresentado, anexado às fls. 1224 a 1243, constatase: O documento apresentado foi emitido em língua estrangeira. Tal documento, pretensamente emitido em fevereiro/2010. Somente contém a assinatura das empresas ASPEN GLOBAL INCORPORATED, da PHARMALATINA HOLDINGS LIMITED e STARSMORE LIMITED, a CELLOFARM LTDA não assinou o documento. Encontrase anexada uma “Assinatura Versão”, sem indicação do tradutor e sem a assinatura de qualquer dos envolvidos. DOC 10 – CONTRATO DE AQUISIÇÃO DE MARCAS, PATENTES E LICENÇAS 37. O documento em comento, identificado na listagem apresentada juntamente com a impugnação, anexado às fls. 1396 a 1439: Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.056 11 Documento emitido em língua estrangeira. Documento assinado pela ASPEN PHARMA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA e AGILA ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS. Acompanhado de tradução efetuada por “Tradutor Público Juramentado e Intérprete Comercial” DOC 23 – ACORDO COMERCIAL DE TRANSIÇÃO COM ASPEN PHARMA 38. O documento acima mencionado, anexado às fls. 1588 a 1635, também identificado na listagem apresentada junto com a impugnação: Documento emitido em língua estrangeira. Documento assinado pela ASPEN PHARMA – INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA e AGILA ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS LTDA. O art. 16 do Decreto nº 70.235/72 determina que as provas deverão ser apresentadas com a impugnação ao auto de infração, justamente para que possam ser analisadas pela DRJ. Afirma, ainda, estar precluso o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual, exceto nas hipóteses que menciona. Assim: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Com efeito, a Recorrente justifica que não teve tempo hábil para obter a tradução juramentada a tempo de ser juntada com a Impugnação, pugnando desta forma a sua juntada em sede de recurso voluntário. Assim, entendo que o dispositivo acima deve ser flexibilizado para atender ao princípio da verdade material, neste caso, não para anular o acórdão proferido pela DRJ, mas para que referidos documentos sejam analisados em sede de julgamento do recurso voluntário. Neste sentido, também entendeu a CSRF no seguinte julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.057 12 Ementa PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integral aos autos, analisando a, ou convertendo o feito em diligência, motivo da negativa do provimento do recurso da nobre Procuradoria.(...)Recursos Especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados. “(Segunda Turma da CSRF – Acórdão n° 9202003.099, Sessão de 25/03/2014) Assim, entendo passíveis de serem aceitos tais documentos. Dessa forma, passo à análise de cada uma das infrações, identificando o que no meu entendimento pode ou não ser mantido no que tange ao recurso de ofício e voluntário. Importante também aqui, trazer o contexto fático, como explicou a recorrente e o TVF: A sociedade foi constituída em 12/02/2010, sob a denominação CELLOFARM NEWCO INDUSTRIA FARMACEUTICA LTDA (atual Mylan), tendo como sócias a PHARMALATINA HOLDINGS LIMITED, com sede no exterior, representada por Evandro Borges Paiva, e o próprio como sócioadministrador. 18. Em fevereiro de 2010, a Aspen Global Incorporated, a Cellofarm Ltda. (posteriormente denominada Aspen Pharma – Indústria Farmacêutica Ltda. – “Aspen Pharma”), a Pharmalatina Holdings Limited (“Pharmalatina”), a Starsmore Limited e a Strides Arcolab Limited (“Strides Arcolab”) celebraram o instrumento denominado “Acordo Vinculante” (Binding Heads – fls. 1223/1281), através do qual a Strides Arcolab formalizou discussões relativas à aquisição da planta Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.058 13 fabril denominada “Fábrica de Campos”, situada no Estado do Rio de Janeiro e de propriedade da Cellofarm Ltda. (na época da aquisição, esta empresa já se chamava Aspen Pharma). 19. Para realizar essa operação comercial, a Pharmalatina se comprometeu a adquirir uma nova empresa no Brasil, que receberia os ativos a serem transferidos para a Strides Arcolab – Fábrica de Campos (cláusula nº 6.2.1 do “Acordo Vinculante”). 21. No mesmo Acordo Vinculante (fls. 1.223/1.281), a Strides Arcolab se comprometeu a constituir uma nova sociedade, no Brasil, que receberia as ações da então denominada Cellofarm Newco Indústria Farmacêutica Ltda. Ou seja, a Strides Arcolab constituiria uma sociedade, no Brasil, para a aquisição da Recorrente, sociedade constituída sob a denominação de Strides Especialidades Farmacêuticas Ltda. (“Strides Especialidades”). 22. Em abril/2010, a Pharmalatina alterou a denominação da Cellofarm Newco Indústria Farmacêutica Ltda. (i.e., da Recorrente) para Strides Especialidades Farmacêuticas Ltda., pois entendeu que essa sociedade seria adquirida pela Strides Arcolab. Como outra sociedade com o nome de Strides Especialidades Farmacêuticas Ltda. havia sido constituída pela própria Strides Arcolab, em maio/2010, a denominação da Cellofarm foi alterada para Ágila Especialidades Farmacêuticas Ltda. (Recorrente). 23. Em outubro/2010, a Aspen Pharma (antiga Cellofarm Ltda. –Acordo Vinculante – fls. 1.223/1.281) sofreu uma cisão parcial e o patrimônio cindido – a Fábrica de Campos – foi incorporado pela Recorrente. 24. A avaliação do acervo cindido foi feita por laudo de avaliação de empresa especializada (fls. 1.282/1.314), com indicação do acervo no valor de R$ 75.046.452,15. Em contrapartida, foram emitidas novas quotas de capital social em nome da então sócia Pharmalatina Holdings Limited (cf. 4ª alteração do contrato social fls. 1315/1326). 25. Finalmente, em dezembro de 2011, a Pharmalatina transferiu suas quotas no capital social da Recorrente para a Strides Especialidades e o sócio Evandro Borges Paiva transferiu a sua cota para Elcemar de Almeida, concluindo a etapa principal da aquisição da Fábrica de Campos pela Strides Arcolab: 1) Recálculo das bases de cálculo de IRPJ e CSLL: Em decorrência da exoneração de alguns lançamentos pela DRJ, a base de cálculo de IRPJ e CSLL restou desta forma: Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.059 14 Assim, passemos à análise de cada um dos itens que ensejaram os recursos voluntário e de ofício. 2) Quanto ao Passivo Fictício: Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.060 15 Da análise da conta "22030103 Mútuo Aspen Pharma", de R$329.796,52, em contrapartida a lançamentos na conta de passivo "Strides Empréstimos" (conta 220301041): Durante a fiscalização, a Recorrente foi intimada a apresentar a documentação que comprovasse tais dívidas, porém nada apresentou. Na impugnação, a Recorrente argumentou que assumiu dívida previdenciária da Aspen Pharma (Proc. Adm. 13770.001037/200761), fls. 1.327/1.331, naquele valor, por Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.061 16 conta e ordem de sua controladora (Strides Especialidades), e segundo a DRJ o documento que comprova tal despesa estava em inglês, restando não comprovada. O débito previdenciário foi incluído em programa de parcelamento, a Recorrente realizava o pagamento da guia mensalmente enviada pela Aspen Pharma (fls. 1.332/1.345), e emitia nota de débito contra sua controladora (fls 1.346/1.359). E esse valor, era baixado, logo em seguida, em contrapartida da conta Bancos (Banco do Brasil) 550/907. Verificando agora, as cláusulas 6.3.2.5 e 8.4.3 do Acordo Vinculante entre as quatro partes acima mencionadas, as fls. 1.786 e fls.1.789, atribui como responsabilidade da Cellofarm Newco: responsabilidades relacionadas ao seguro social dos funcionários que devem ser transferidas para a Cellofarm Newco, em conformidade com a legislação aplicável. Que a Strides Newco indenizará por quaisquer responsabilidades relativas aos funcionários, ativos e negócios. Nos termos do art. 281 do RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Dessa forma, verificase que restou comprovada a origem, bem como de não se tratar se passivo fictício, conforme documentos acostados e agora também com o contrato devidamente traduzido e juramentado, merecendo ser cancelado o lançamento deste passivo fictício de R$329.796,52. Marcas e Patentes Segundo ponto, ainda neste item, referese a lançamentos relacionados com a patente de registro de produtos (conta 13305), um passivo de R$46.000.000,00, justificado como concessão de direito de utilização de patentes. A recorrente argumentou que a dívida era relacionada com a aquisição de marcas e patentes dos medicamentos ZYLPEN e HPTRON. Durante a fiscalização não houve a apresentação de nenhum contrato para embasar tais lançamentos, nem mesmo pagamento relativo à CIDE sobre remessas ao exterior. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.062 17 A DRJ reconheceu o montante de R$44.540.000,00, lançamentos efetuados naquela conta e devidamente comprovados através dos contratos apresentados pela recorrente na impugnação, devidamente traduzidos: CONTRATO DE TRANSAÇÃO DE LICENÇA DE UMA MARCA REGISTRADA CEDENTE: ASPEN PHARMA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ 02.433.631/000120, sediada no Espírito Santo, Brasil. CESSIONÁRIA AGILA ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS LTDA, CNPJ 11.643.096/000122, sediada no Rio de Janeiro, Brasil TAXA DE LICENÇA R$ 44.540.000,00 OPÇÃO DE VENDA: entre 31 de março de 2015 e 31 de maio de 2015 6.1 Até o término da licença concedida..., em relação às marcas registradas, a taxa de licença é devida nas seguintes parcelas: 6.1.1 Em ou antes de 31/12/2012, R$ 13.100.000,00 6.1.2 Em ou antes de 31/03/2013: R$ 3.930.000,00 6.1.3 Em ou antes de 30/06/2013: R$ 3.930.000,00 6.1.4 Em ou antes de 30/09/2013: R$ 3.930.000,00 6.1.5 Em ou antes de 31/12/2013: R$ 3.930.000,00 6.1.6 Em ou antes de 31/03/2014: R$ 3.930.000,00 6.1.7 Em ou antes de 30/06/2014: R$ 3.930.000,00 6.1.8 Em ou antes de 30/09/2014: R$ 3.930.000,00 6.1.9 Em ou antes de 31/12/2014: R$ 3.930.000,00 [...] 14.2 Juros devem se acumular na alíquota de 10,6% ao ano, compostos mensalmente, sobre qualquer valor devido nos termos deste contrato que não pagos na data de vencimento. Assinado em 30/06/2011 48.1 O documento apresentado pelo impugnante corresponde ao contrato de cessão de licença para comercialização de medicamentos, firmado em 30/06/2011, cujo valor pactuado importa em R$ 44.540.000,00, a ser pago conforme descrito nas cláusulas 6.1.1 a 6.1.9. 49. Os lançamentos efetuados pela fiscalizada na conta MÚTUO ASPEN PHARMA em contrapartida a conta de ativo PATENTE DE REGISTRO DE PRODUTOS têm os seguintes valores/descrição: R$ 12.000.000,00 em 01/07/2012 – ASPEN COMPRA CONTRATO PATENTE HEPTRON R$ 32.540.000,00 em 31/12/2012 2ª PARTE DA COMPRA DAS MARCAS E PATENTES ZYLPEN E HPETRON CF CONTRATO C/ ASPEN PHARMA R$ 1.460.000,00 em 31/12/2012 – ADICIONAL CONTRATO MARCA HEPTRON ASPEN Porém, no que tange ao lançamento de R$1.460.000,00, em 31/12/2012 ADICIONAL CONTRATO MARCA HEPTRON ASPEN, considerou não ter amparo nos documentos apresentados, motivo pelo qual manteve a glosa nesse montante. A Recorrente por sua vez, reitera que o contrato para aquisição dessas marcas foi no montante de R$46.000.000,00, conforme Anexo D do contrato, e que ele previa dois tipos distintos de prestação: (i) licença de uso de marca por prazo determinado ou (ii) opção de compra e venda. Tratase de contrato de uso de licença com opção de compra, sobre a qual incidiram juros até o momento do exercício da opção. Segue explicando que para efeitos de licença, a taxa total estipulada foi de R$ 44.540.000,00, conforme estabelece a cláusula nº 2.1.22 do contrato, fls. 1.395 e ss. (fls. 31 do Doc 10 da Impugnação) Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.063 18 Contudo, o preço de compra é disposto na cláusula 2.1.27 nos seguintes termos: “Preço de Compra significa aqueles valores estabelecidos na Coluna D do Anexo “C” que são determinados com referência à data em que qualquer uma das partes exerce a Opção Cruzada”. A “Opção Cruzada” a que se refere a cláusula nº 2.1.27 está descrita nas cláusulas 9.1, 9.1.1, 9.1.2 e 9.2, transcritas a seguir: E que a Recorrente optou por adquirir tais direitos no início do contrato, nos termos do Anexo C (fls. 1.438): Esse quadro continua até abril de 2015, sendo que o fluxo de pagamentos da Taxa de Licença e do Preço de Compra mostra que o total pago ao final do contrato foi de R$59.580.000,00: Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.064 19 Esse quadro também continua até abril de 2015. Dessa forma, considerando que a diferença referente aos R$1.460.000,00 referese à opção de compra exercida pela Recorrente e estão embasados em contratos, de se cancelar este lançamento. Strides Empréstimos O Fisco também identificou lançamentos a crédito na conta STRIDES EMPRÉSTIMOS, tendo como contrapartida contas de ativo, totalizando R$ 3.806.967,00. Embora categorizados como empréstimos, tais lançamentos não têm como contrapartida a conta bancos. Durante a fiscalização a recorrente não comprovou a origem do passivo, empréstimos, razão da autuação. A Recorrente argumentou que celebrou contrato de mútuo com sua controladora STRIDES ESPECIALIDADES com a abertura de crédito rotativo de até R$ 40.000.000,00 mensais, conforme DOC 13. Argumentou, ainda, que os valores registrados nesta conta de passivo são dívidas de mútuo da impugnante com sua controladora. Esclareceu que os lançamentos no importe R$ 1.396.737,79 e R$ 2.378.229,21 tiveram como contrapartida Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.065 20 contas do ativo por mero erro contábil. Informa que se referem a despesas atribuídas à impugnante, quitadas diretamente por sua controladora. Acrescenta que o emprego dos valores mutuados em benefício da impugnante é suficiente para caracterização da disponibilização dos recursos. A recorrente informou que reclassificou as contrapartidas para despesas no ano de 2013 e adicionou os valores na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL desse período. Apresenta planilha de controle do saldo devedor do mútuo. Para esclarecimento descreve as dívidas pagas pela STRIDES ESPECIALIDADES, informando que decorrem do “Acordo Vinculante” já mencionado anteriormente. Porém em razão dela estar em língua inglesa, a DRJ não o considerou. A DRJ também entendeu que não foi apresentado qualquer comprovação que determine o pagamento de obrigações da fiscalizada e sua vinculação a tal contrato. Que a cláusula apontada apenas prevê a transferência de numerário de uma empresa a outra, inexistindo qualquer menção acerca de pagamento de obrigações da devedora pela credora. Assim como o valor de R$32.000,00, que a recorrente informou ser mero estorno de lançamento feito indevidamente. A DRJ manteve a autuação já que não logrou comprovar que o contrato de mútuo entre a recorrente a EPHOS PRODUTOS HOSPITALARES LTDA contivesse o valor mencionado, não a relacionando com ele. Dessa forma, manteve a glosa dos 3 valores, que totalizam R$3.806.967,00. A Recorrente em sede de recurso trouxe o mencionado contrato, desta feita traduzido e juramentado. Porém não trouxe outros contratos que demonstrassem a efetiva obrigação de pagamento dos valores. Baseiase em cláusulas do Acordo Vinculante, que são abrangentes. A descrição dos pagamentos remetem a encargos financeiros por atraso no repasse de recursos, reembolsos de despesa para contratação de carta de fiança e reembolso de encargos tributários sobre indenizações. Porém a documentação acostada referemse a simples documentos internos, notas de débito, sem o devido respaldo em comprovantes e/ou contratos. Não servindo para o afastamento da glosa nos termos da lei. Assim, de se manter a glosa de R$3.806.967,00. Quanto à parte afastada, comprovado valor de R$44.540.000,00 através do contrato devidamente traduzido e juramentado, de se manter o cancelamento da glosa. 3) Quanto ao Pagamento sem causa: Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.066 21 O Fisco identificou diversos pagamentos saindo da conta bancos cuja contrapartida eram as contas de passivo já identificadas anteriormente como Passivo Não Comprovado. A somatória dos pagamentos efetuados importou em R$21.109.983,78, identificados em tabela elaborada pelo fisco e foram computados como pagamentos sem causa, sujeitos ao IRRF à alíquota de 35%, sobre a base de cálculo reajustada. Conforme o art. 61 da Lei 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Com relação aos pagamentos feitos à Strides Especialidades, de R$7.076.400,00, a DRJ considerou os argumentos do contribuinte e excluiu os lançamentos de R$1.800.000,00 (abril/2012), R$ 20.700,00(abril/2012) e R$ 3.000,00(outubro/2012) pois não foram objeto de efetivos pagamentos e não existiram na realidade, pois foram estornados. Mantendose R$5.252.700,00, que a Recorrente alega estar amparado pelo Contrato de mútuo. Porém não traz outros documentos que suportem e comprovem o pagamento além dos documentos internos já mencionados. E com relação aos pagamentos feitos à Aspen, a DRJ também considerou como comprovados os valores de R$13.100.000,00 (parcela da aquisição das marcas e patentes), R$25.934,83 e R$25.124,79 lançados em duplicidade e estornados em seguida. A DRJ manteve os R$279.201,66, que se refere, segundo a recorrente e aos reembolsos dos débitos previdenciários relacionados no Acordo Vinculante. Este, conforme item anterior, cuja glosa entendo deva ser cancelada, assim também neste tópico, em razão da documentação trazida aos autos. No que se refere ao valor de R$164.000,00, a recorrente alegou tratarse de prestação de serviços à Aspem Pharma e juntou a nota fiscal de serviços (fls. 1.583/1.586), cuja descrição dos serviços remete à "serviços administrativos". A DRJ manteve, por entender que não basta a Nota Fiscal. Neste tópico, entendo que a glosa deve ser cancelada, já que o item aqui remete a pagamento sem causa, não é este o caso, existe uma nota fiscal de serviços. Diferentemente dos demais itens remanescentes, que se referem a reembolsos de diversas Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.067 22 despesas, mas que não possuem nenhum outro embasamento além das notas de débitos internas sem outros documentos fiscais, ainda que recibos de amparo. Assim, no que tange à glosa exonerada pela DRJ, de se manter a decisão. No que tange ao recurso voluntário, cancelo também a de R$279.201,66 e R$164.000,00, mantendose as restantes de R$36.313,50 e R$403.009,00. Pagamentos de juros O fisco glosou as despesas com “pagamentos de juros” computadas pelo fiscalizada na apuração do lucro real, considerando que não foram comprovados quando intimada. A recorrente esclareceu que: Os juros no valor de R$ 7.574.000,00 referemse ao contrato de aquisição das marcas, licenças e patentes dos medicamentos ZYLPEN E HEPTRON, na forma da cláusula 14.2 do contrato. _ Os juros de R$ 457.220,59 decorrem do contrato de mútuo celebrado com a STRIDES ESPECIALIDADES, conforme contrato anexo. A DRJ entendeu por bem manter ambas as glosas, os juros do mencionado contrato somente seriam devidos se não pagos na data de vencimento, o que não ocorreu, já que o contrato foi quitado antes do prazo previsto em contrato. Da mesma forma com relação ao segundo juros, decorrentes do contrato de mútuo Nos termos da cláusula 14.2 do contrato: 14.2 Juros devem se acumular na alíquota de 10,6% ao ano, compostos mensalmente, sobre qualquer valor devido nos termos deste contrato que não pagos na data de vencimento. A recorrente explica que o contrato de marcas e patentes foi assinado em junho/2011, e até a quitação da primeira parcela, no valor de R$13.100.000,00, que ocorreu em dezembro/2012 houve a incidência de juros nos termos daquela cláusula: Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.068 23 Assim, entendo que o posicionamento da DRJ foi equivocado, já que houve a incidência da mora neste caso, cabendo o cancelamento neste tópico. Com relação ao segundo item, seriam os juros relativos ao contrato de mútuo, nesse sentido, em razão da manutenção do principal, assim, devem seguir os juros. 4) Quanto à glosa de despesas/custos com depreciação: Alterouse o valor de R$4.767.332,55 para R$4.767.254,55, em razão de erros de cálculo na identificação do valor computado a título de depreciação. O fisco glosou despesa e custo com depreciação no importe de R$ 4.767.332,55, uma vez que não comprovados pela fiscalizada. Intimada a apresentar a memória de cálculo das depreciações constantes em demonstrativo, com a apresentação dos documentos hábeis a comprovar os cálculos efetuados. Durante a fase da auditoria, nenhum documento foi apresentado. Juntamente com a impugnação, foram apresentadas planilha de cálculos, argumentando que a depreciação efetuada seguiu todos os limites e requisitos legais previstos. Conforme a DRJ, como apontado pelo fisco no TVF, “as despesas com depreciação são aceitas, para efeito da apuração do lucro real, nos limites estabelecidos pela legislação. Assim, tais despesas para serem reconhecidas devem seguir os limites estabelecidos pela legislação, levandose em conta o tempo de vida útil de cada bem”. A depreciação apontada pelo impugnante tem origem em bens como “edificações, equipamentos para escritório, benfeitorias, máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, e veículos”. Para aferição da legitimidade dos dados constantes da planilha apresentada é necessária a documentação que deu suporte aos lançamentos, especialmente quanto à aquisição do bem depreciado e sua utilização na produção. Baseouse ainda, nos termos do art. 264 do RIR, de 1999, assim dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.069 24 ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). [...] § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Nesse sentido, também entendo que a glosa deve ser mantida. As planilhas apresentadas pela recorrente além de se encontrarem por vezes ilegíveis, não individualizam os bens, não sendo possível identificar a que se refere cada item e conseqüentemente, a fim de se verificar se o cálculo da depreciação estão efetivamente corretos, não se prestaram para tal comprovação. 5) Da exigência de Juros sobre multa A recorrente pugna pelo reconhecimento da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício calculada na forma do art. 44 da Lei n° 9.430/96, já que as multas possuem caráter punitivo e sancionatório diante do inadimplemento da obrigação e sua aplicação serviria apenas para punir a inexecução da obrigação e não o de repor ou indenizar o capital alheio. Entendo que assiste razão à recorrente. Nos termo do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ou seja, na forma do §3º do art. 61, incidem os juros moratórios sobre os débitos de que trata o caput, tributos e contribuições, mas não sobre as multas de ofício. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.070 25 Não há essa previsão legal, pois se assim fosse, o legislador teria assim previsto. O que se prevê aqui é a multa de mora prevista no §2º, sobre os débitos indicados. Da mesma forma, temos no Código Tributário Nacional, em seu art. 161: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A norma determina a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não pago, sem prejuízo das penalidades cabíveis. O crédito tributário é o tributo ou obrigação tributária, e assim, não se constitui em sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º do CTN, e sobre ele incide os juros e as penalidades e não se incluindo neles. Dessa forma, neste item dou provimento ao Recurso Voluntário CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Quanto ao passivo fictício reconhecer como comprovados R$329.796,52 e R$1.460.000,00. Quanto ao pagamento sem causa reconhecer como comprovados R$279.201,60 e R$164.000,00. Quanto ao pagamento de juros reconhecer como comprovados R$7.574.000,00. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.071 26 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa Redator Designado Tenho a incumbência do voto vencedor, em relação à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Considero que o ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.072 27 Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, sou da opinião de que a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1 º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.073 28 a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.074 29 "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.075 30 A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Ac. CSRF/04 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 15521.720048/201511 Acórdão n.º 1301002.494 S1C3T1 Fl. 2.076 31 multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Diante disso, nego provimento em relação ao pleito referente à incidência dos juros sobre a multa aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 2076DF CARF MF
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