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Numero do processo: 11065.002861/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ESTABELECIMENTO COMERCIAL DE BENS DE PRODUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.
Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
AMOSTRAGEM. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS.
Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de 07/2005 a 09/2005, restabelecer o saldo credor original, acumulado até 09/2005, em R$63.984,21, cancelando-se, integralmente, as cobranças dos PA de 10/2005 (R$6.037,84); 11/2005 (R$24.336,75); 12/2005 (R$21.819,06); e, parcialmente, a cobrança do PA de 01/2006 (de R$17.859,61, para R$6.069,05); além do cancelamento integral da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, no PA de 12/2006 (R$2.116,28), vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado, que davam provimento em maior extensão no que se refere à não incidência do IPI sobre a revenda.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ESTABELECIMENTO COMERCIAL DE BENS DE PRODUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 AMOSTRAGEM. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte
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IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ESTABELECIMENTO COMERCIAL DE BENS DE PRODUÇÃO. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 AMOSTRAGEM. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 28 61 /2 01 0- 74 Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 613 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de 07/2005 a 09/2005, restabelecer o saldo credor original, acumulado até 09/2005, em R$63.984,21, cancelandose, integralmente, as cobranças dos PA de 10/2005 (R$6.037,84); 11/2005 (R$24.336,75); 12/2005 (R$21.819,06); e, parcialmente, a cobrança do PA de 01/2006 (de R$17.859,61, para R$6.069,05); além do cancelamento integral da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, no PA de 12/2006 (R$2.116,28), vencidos os conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado, que davam provimento em maior extensão no que se refere à não incidência do IPI sobre a revenda. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls.1 179/195), lavrado em 19/10/2010 e cientificado pessoalmente em 20/10/2010, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$333.331,82, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, além de multa por IPI não lançado com cobertura de crédito, em razão de infração em operações com erro de aplicação de alíquota na saída (arts. 15, 16, 17 e 18, inc. IV e §3º, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002, com fulcro nos art. 10, da Lei nº 4.502/64; e art. 3º, do Decretolei nº 1.154/71), no período de 01/07/2005 a 31/12/2006, segundo Relatório da Ação Fiscal RAF, às fls. 207/229. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 614 3 No RAF e na descrição dos fatos de fls. 181/182, restou consignado que houve falta de lançamento do IPI, no período de julho/2005 a dezembro/2006, nas saídas de produtos tributados, havendo incorreta interpretação quanto à imunidade dos derivados de petróleo, que não alcança os derivados indiretos, tais como asfaltos em emulsão, asfaltos modificados por polímero e asfaltos oxidados, os quais, classificamse no código 2715.00.00 da TIPI, à alíquota de 5%, sendo necessário efetuar a reconstituição da escrita fiscal, referente ao IPI do período em análise (fls. 196/201), resultando no lançamento dos saldos devedores apurados, acrescidos de multa proporcional e, para os períodos em que houve cobertura de crédito, foi lançada multa isolada, não havendo respaldo para o procedimento adotado de não lançar o IPI nas saídas dos produtos, tendo em vista o indeferimento do seu pedido de tutela antecipada na ação ordinária, de 23/06/2006, que tramita perante a 2ª Vara Federal – DF, na qual, como litisconsorte, discute a sujeição de determinados produtos asfálticos ao IPI. Cientificada do Auto de Infração, em 20/10/2010, apresentou Impugnação, em 18/11/2010 (fls. 232/278), alegando, em síntese emprestada da decisão recorrida: "1. O agente fiscal, quando da lavratura do AI incorreu em distintos equívocos que contaminam de nulidade a autuação. A fiscalização apurou se em realizar a verificação “por amostragem”, não realizando a detida e completa análise de todo o período abrangido pela autuação. Este fato demonstra que o próprio Fisco não tem certeza da ocorrência do fato gerador do IPI, infringindo o princípio da segurança jurídica/confiança. 2. O procedimento seguido pelo fisco para cobrança da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito é totalmente confuso, uma vez que a suposta multa, a despeito de se referir ao IPI não cobrado por força da cobertura de crédito verificada ao longo das competências autuadas, somente foi alocada na competência de 12/2006. 3. Na data da ciência do auto de infração (20/10/2010) encontravase o direito da Receita Federal de constituir o crédito tributário parcialmente decaído, por força do decurso do prazo previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. Decaiu o período de julho a setembro de 2005. 4. Restou confirmado pelo DNC e pelo Ministério da Fazenda que as empresas voltadas para a produção de emulsão asfáltica e asfalto modificado, produtos abrangidos pelo presente Auto de Infração, estariam abrangidas pela imunidade incidente sobre os derivados de petróleo. Fato comprovado pela Nota Técnica DNC/COPLAN, de 30/06/93 e pelo Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 854 – Processo nº 10168.002400/96 09. 5. O conceito de derivado restringese aos subprodutos obtidos do refino do petróleo ajustados para consumo, sendo exatamente este o caso da emulsão asfáltica e do asfalto modificado. Segundo a ANP, considerase asfalto a “mistura de hidrocarbonetos obtida como resíduo da destilação de óleo bruto, conhecido como betume asfáltico ou asfalto do petróleo, dividido em cimento asfáltico (asfalto para pavimentação) e asfalto diluído em petróleo (asfalto industrial)”. 6. Partindose do pressuposto da inexistência de imunidade, o que não se admite, o Fisco teria o dever de considerar, quando do cálculo do suposto débito tributário, todas as entradas de CAP (cimento asfáltico de Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 615 4 petróleo), face ao princípio da nãocumulatividade o qual o IPI está sujeito, conforme dispõe o artigo 153, §3º, II, da CF/88, pois este consta na TIPI como tributado a 4%. 7. Os produtos em questão não podem ser classificado na posição 2715.00.00 (alíquota 5%), como quer o Fisco, e sim, na posição 2713.20.00 (alíquota 4%), pois a base dos produtos comercializados pela impugnante é o CAP (94%); 8. Nas saídas de CAP o produto foi negociado como mercadoria (revenda) e não como produto industrializado, fato que não permite a equiparação da empresa como se industrial fosse. Nas citadas operações, o CAP não foi submetido a nenhum processo de industrialização, somente posto em circulação como produto final, já destinado ao consumo, provando que a atuação da impugnante foi de empresa comercial, não havendo a incidência de IPI. Para melhor ilustrar a situação, juntou uma pequena amostragem de notas fiscais (nº 46182, 45779, 46159, 46162, 47058, 47060, 47168, 47299, 48030) de saídas de CAP. 9. Após análise de suas operações, a Impugnante constatou que algumas delas se referem a devolução de mercadorias, sendo que tais créditos devem ser observados pelo Fisco para anulação da tributação decorrente de saída tida como tributável do produto que fora devolvido. Como exemplo as notas fiscais de entrada nº 46179, 11303, 186461, 192137, 216569. Frisese que as informações contidas nas notas fiscais estão de acordo com o art. 169 do Decreto nº 4.544/02, fazendo jus aos créditos das devoluções. 10. A empresa vem realizando depósitos judiciais em relação à ação judicial impetrada, a partir de janeiro/2007. A escrita fiscal foi reconstituída até dezembro/2007 sem considerar os depósitos realizados. Se dos débitos apurados pela contribuinte passaram a ser depositados, razão não existe para haver débitos lançados a partir de janeiro/2007, como por exemplo o valor de R$ 1.152,98 lançado em 02/2007. Esses valores devem ser excluídos do auto de infração. 11. A fiscalização está a exigir uma multa de 75% sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. O efeito, no entanto, é que o crédito efetivamente aproveitado se reduz a 25%, em franca ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade. Ademais, a multa pretendida não possui previsão legal. 12. A multa aplicada possui caráter fundamentalmente confiscatório e não pode ser aplicada com o expediente técnico de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. 13. Impossibilidade de aplicação da taxa Selic, já que esta é inaplicável aos créditos de natureza tributária, pois resultante do empréstimo de capital monetário e tem natureza remuneratória. Por fim, requer a realização de perícia técnica para que sejam ratificados os vícios do auto de infração." A decisão de primeira instância, proferida em 27/11/2013 (fls. 495/513), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 616 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NULIDADE. É incabível a argüição de nulidade do auto de infração, por suposta falta de elementos que possibilitem a defesa, quando o lançamento contém a descrição dos fatos que o originaram e os dispositivos legais infringidos, e quando não ocorreram hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, que prejudique o contribuinte. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte destaca o IPI na nota fiscal de saída, apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de destaque de IPI e de pagamento não há que se falar em lançamento por homologação, regendo se o instituto da decadência pelos ditames do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial, por qualquer modalidade e a qualquer tempo, importa renúncia às instâncias administrativas quanto às matérias discutidas, as quais ficam vinculadas ao teor do provimento judicial. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. Em prestígio ao princípio da hierarquia e da vinculação, não cabe aos órgãos administrativos negar aplicação aos atos normativos expedidos regularmente. A imunidade relativa aos derivados de petróleo restringese aos hidrocarbonetos decorrentes do refino. A indicação de uma alíquota aplicável de 5% e 4% aos produtos em análise demonstra absoluta e inequivocamente de que o Decreto que regulamenta o IPI entendeu ser o produto tributável. REVENDA. EQUIPARAÇÃO OBRIGATÓRIA A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Os estabelecimentos industriais quando derem saídas de matériasprimas, nelas compreendidas os bens passíveis de serem empregados na industrialização de seus produtos, adquiridas de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. CRÉDITOS DE IPI. DEVOLUÇÃO E RETORNO DE PRODUTOS. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 617 6 É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR às fl. 519/520), em 19/12/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 522/563, em 20/01/2013, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche o requisito formal de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Alegase vicio do auto de infração, eis que todo o procedimento de fiscalização para apuração das infrações, na auditoria, nos atos de fiscalização e na autuação, teria se dado por amostragem. Como bem concluiu a decisão recorrida, não restou evidenciado nos autos que o lançamento está fundamentado em dados incompletos ou em “uma fiscalização feita por amostragem”. A autuação se deu fundamentada em todas as notas fiscais de entrada e saída, nos livros fiscais (fls. 49/149) e nos arquivos digitais, apresentados pela empresa com relação ao período, suficientes para a demonstração do ilícito tributário. Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, de que não foi a autuação que foi feita por amostragem e sim a auditoria. A amostragem é a utilização de um processo para obtenção de dados aplicáveis a um conjunto, por meio do exame de uma parte deste conjunto denominada amostra. A auditoria fiscal pode ser feita sobre todo o conjunto de documentos da empresa ou sobre uma amostra representativa destes, a critério da autoridade fiscal, desde que suficientes para a demonstração do ilícito tributário. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 618 7 Corroborando esse entendimento, precedente desta 1ª Turma Ordinária, no Acórdão nº 3401002.341, de 25/07/2013, ementa, abaixo reproduzida, na parte de interesse: Ementa:AMOSTRAGEM. A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora. Não há nulidade quando suficientemente demonstrado e fundamentado os motivos pelos quais lavrouse o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas nas peças impugnativa e recursal. Além disso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A leitura do artigo supracitado leva ao entendimento de que, no caso de auto de infração, ato administrativo formalizado por termo próprio e resultante do conjunto de outros atos e termos fiscais, só há nulidade se for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), falandose em defesa cerceada somente quanto aos despachos e decisões (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60). Como ato administrativo, o auto de infração deve respeitar os requisitos mínimos de formação válida do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 619 8 Estando o auto de infração revestido de suas formalidades essenciais, no que tange ao seu conteúdo necessário e respectivas provas, serão analisados junto com o mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Portanto, não acolho a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Tendo sido o presente lançamento de ofício cientificado em 20/10/2010, alega a recorrente que o prazo decadencial do § 4º, do artigo 150, do CTN, deve ser aplicado ao caso, no período de julho a setembro de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação. Sobre a matéria, a decisão recorrida concluiu que, no caso concreto, devese observar que a empresa não destacou IPI nas notas fiscais de venda, não incluiu estes valores no livro de apuração de IPI, não informou os valores devidos em DIPJ e DCTF, nem mesmo com suspensão de exigibilidade, nem existe depósito judicial quanto aos valores devidos a este título, não havendo que se falar em homologação tácita ou expressa, sendo que e a análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN, abaixo transcrito. Quanto à controvérsia estabelecida, sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial, aplicase a regra hermenêutica do Código Tributário Nacional CTN, dependente da existência (150, § 4º) ou inexistência (173, I) de pagamento antecipado, consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 620 9 lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sendo incontroversa a inexistência de pagamento antecipado, deverseia, portanto, ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN, afastandose, assim, a decadência argüida, visto que, a ciência ocorreu em 20/10/2010, dentro do prazo decadencial para lançamento de ofício referente a janeiro de 2005, que se encerraria em 31/12/2010. Porém, dentre os diversos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, especificamente para o IPI, importante destacar que, existe dispositivo normativo equiparando dedução de créditos à pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/20022, aprovado pelo Decreto 4.544/02, com fulcro no art. 150, caput e §1º, na Lei nº 5.172/66; reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212/10. Compulsando os autos, constatase às fls. 49/149, o Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, cujos DEMONSTRATIVO DE IPI, reproduzem a apuração do imposto, com a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, considerandose pagamentos, nos termos da legislação supracitada. 2 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ... Parágrafo único. Considerase pagamento: ... III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 621 10 Portanto, assiste razão à recorrente ao alegar que o prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN deve ser aplicado ao caso, para os meses de julho, agosto e setembro de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, ainda mais, apurados saldos credores nesses três meses, mesmo depois da reconstituição da escrita (fl. 197). Assim, acolho o recurso voluntário, nesse ponto, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de julho a setembro de 2005, cancelandose o efeito do lançamento efetuado, sobre a recomposição do saldo da escrita reconstituída, visto, nesse período, inexistir cobrança de tributos ou multas, mesmo isoladas, mantendose o saldo credor, acumulado até 09/2005, em R$ 63.984,21, conforme valor escriturado antes da reconstituição (fl. 199). Assim, tomandose o saldo credor acumulado, até setembro de 2005, no valor original de R$ 63.984,21, temse, como efeito reflexo, o cancelamento integral das cobranças dos PA de 10/2005 (R$ 6.037,84); 11/2005 (R$ 24.336,75); 12/2005 (R$ 21.819,06); e, parcial, da cobrança do PA de 01/2006 (de R$ 17.859,61, para R$ 6.069,05). DA IMUNIDADE E DO CONCEITO DO DERIVADO DE PETRÓLEO E O ASFALTO Às fls. 150/160 dos autos, consta o acompanhamento processual e peças da Ação Declaratória nº 2006.34.00.0192504, junto à 2ª Vara Federal de Brasília, tendo a recorrente como litisconsorte, ajuizada com o intuito de obter o reconhecimento da imunidade para os produtos industrializados pela empresa, asfalto em emulsão, asfaltos modificados e asfaltos oxidados, requerendo a suspensão e a declaração da nãoexigência do IPI para os produtos em discussão. A tutela antecipada foi negada pelo juízo de primeira instância e também no Agravo de Instrumento nº 2006.01.00.0280499, interposto perante o TRF da 1ª Região. Segundo o Relatório da Ação Fiscal, às fls. 223/226, a ação possui sentença de primeiro grau em desfavor da recorrente, tendo sido interposto o recurso de apelação. A concomitância, nessas matérias, são indiscutíveis, tendo em vista que o objeto da Ação Declaratória nº 2006.34.00.0192504, envolve o objeto do presente Auto de Infração, pois, pleiteiase provimento jurisdicional que reconheça a imunidade tributária aos produtos industrializados pela empresa, asfalto em emulsão, asfaltos modificados e asfaltos oxidados, os quais alega ser derivados de petróleo, podendose extrair a identidade de objetos, das peças processuais constantes dos autos, v.g., a manifestação no Agravo de Instrumento nº 2006.01.00.0280499, a qual expressamente decidiu o seguinte: "Em interpretação sistemática da Constituição Federal e até para corroborar a razão da imunidade preceituada no art. 155, § 3°, quando o art. 177, III e IV, fazem referência aos derivados de petróleo, é enfático ao referenciar aos derivados básicos, corroborando a compreensão de que não têm significância maior para o Estado, quaisquer outros derivados daquele precioso e estratégico mineral, não obstante, reiterese, sejam de considerável amplitude e importância. Postas estas premissas, forçoso concluir que, além de restrito, o conceito constitucional de derivados de petróleo para fins da imunidade referenciada, somente admite a consideração dos derivados básicos ou diretos podendo citar: GLP, NAFTA, querozene, diesel e óleo combustível, ou outro que exista como fonte Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 622 11 de energia que por sua essencialidade ao Estado (e não a outros fins de natureza privatistica) mereceram do Legislador Constitucional especial tratamento acerca de sua desoneração tributária, quando do processo de industrialização." Mais evidente mostrase a concomitância de objetos, no voto condutor do Acórdão nº 3403003.661, de 18/03/2015, precedente envolvendo a mesma ação judicial, cotejada com a autuação sobre a mesma matéria, formalizada (10675.002281/200498) junto à outro estabelecimento da mesma empresa recorrente, no seguinte sentido: "A concomitância é indiscutível, pois o objeto da Ação Declaratória abrange e afeta o presente Auto de Infração, pois na Ação Judicial a Recorrente pleiteia provimento jurisdicional que reconheça a imunidade tributária aos produtos asfálticos fabricados/distribuídos pela Recorrente. Aliás, às fls. 1164, na Sentença, o Magistrado expressamente decidiu o seguinte: "Com se pode observar, os produtos asfálticos fabricados/distribuídos pelas autoras são obtidos através dos processos de destinação, diluição, modificação por polímeros etc., todos incidentes sobre os derivados de petróleo, caracterizando, portanto, produtos outros que não derivados diretamente do petróleo, não sendo, portanto, alcançados pela imunidade tributária. DISPOSITIVO..." Ora, esse é exatamente o conteúdo da discussão que Recorrente trava no presente processo administrativo, ao resistir à pretensão da Administração Fazendária pelo lançamento, pois o não recolhimento por parte da Recorrente que levou à autuação, decorre do fato dela entender que o produto por ela fabricado/distribuído seria imune ao Imposto sobre Produtos Industrializados." Assim, aplicase ao presente caso a Súmula CARF nº 1: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário, quanto a matéria que discute o conceito de derivado de petróleo e o alcance da imunidade tributária sobre os produtos fabricados/distribuídos pela recorrente, em razão da concomitância de objetos, entre as discussões administrativa e judicial. DA NECESSIDADE DE CONSIDERAR OS CRÉDITOS DAS ENTRADAS DE CAP CIMENTO ASFÁLTICO DE PETRÓLEO Contra o argumento, da ora recorrente, de que o Fisco teria o dever de considerar, quando do cálculo do débito tributário, todas as entradas de CAP (cimento asfáltico de petróleo), alegando constar na TIPI como tributado a 4%, face ao princípio da nãocumulatividade, esclareceu a decisão recorrida que estes produtos foram adquiridos sem o destaque de IPI e que o imposto não destacado nas notas fiscais de entrada não pode ser utilizado como crédito pela empresa. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 623 12 Insurgese a recorrente, contra esse entendimento, resumindo sua contrariedade, in verbis: Confundese a recorrente, ao afirmar que a decisão contestada fundouse na ausência de recolhimento de quantia devida a título de imposto na operação antecedente. Não questionase o não recolhimento do imposto na operação antecedente. Questionase o não lançamento e destaque em nota fiscal, independente de pagamento. Constatouse que os produtos foram adquiridos sem o destaque de IPI, em notas fiscais que não respaldam lançamentos de créditos escriturais nos livros fiscais ou reconhecimento de direito recuperável na escrita contábil, portanto, inexistente ou ficto o crédito pleiteado. Dentre os requisitos da legislação que rege a matéria, os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade (art. 190, do RIPI/2002 e art. 251, do RIPI/2010), não conferindo legitimidade aos créditos defendidos, notas fiscais de entrada sem imposto lançado destacado. Assim, entendo incabível o direito ao creditamento, sobre aquisições sem o devido destaque do imposto, não lançado destacado na nota fiscal que dá suporte à operação. DO ENQUADRAMENTO DO ASFALTO MODIFICADO A empresa questiona a classificação na posição 2715.00.00 (alíquota 5%) de parte de seus produtos, alegando ser a classificação correta a da posição 2713.2000 (alíquota 4%), pois, a base dos seus produtos comercializados é o CAP, que seria tributado a 4%. Entendeu a decisão recorrida, inicialmente, que não houve qualquer reclassificação fiscal dos produtos industrializados, pelo Fisco, adotandose no lançamento exatamente aquela constante das notas fiscais de saídas do estabelecimento industrial, concluindo não existir litígio quanto a matéria aventada. Em complemento, argumentou correta as classificações fiscais utilizadas nos autos para os produtos emulsão asfáltica e asfaltos modificados classificados na posição 2715. Em seu recurso, a contribuinte retoma a discussão sobre a imunidade e o conceito de derivado de petróleo e o asfalto, matéria à qual aplicase a Súmula CARF nº 1, em razão da identidade de objeto com a Ação Declaratória nº 2006.34.00.0192504. Portanto, razão à decisão recorrida quando entendeu não existir litígio quanto a matéria aventada, seja por ter sido adotado no lançamento exatamente a classificação fiscal constante das notas fiscais, seja por que a matéria que pretendese discutir, reclamando por classificação diferente da autuada, passa pelo objeto do processo judicial concomitante. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 624 13 DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A REVENDA Novo questionamento da empresa, agora, quanto à sua equiparação a estabelecimento industrial, alegando que o CAP foi negociado como mercadoria (revenda) e não como produto industrializado, fato que não permitiria essa equiparação, já que nas citadas operações, o CAP não foi submetido a nenhum processo de industrialização, somente posto em circulação como produto final. Entendeu a decisão recorrida, não ser obrigatória a equiparação nestas operações, somente em casos de revenda para consumidor final, nos termos do §4º, do art. 9º, do RIPI/2002, não restando comprovadas operações dessa natureza, visto, não juntadas aos autos provas de suas alegações, não tendo nenhum poder probatório os documentos de fls. 379/390, denominados “CÓPIA DA NOTA”, ainda assim, informando vendas para construtoras, que não podem ser caracterizados como consumidores finais. Desde as argüições na impugnação (fl. 260), apenas, 'pequena amostragem' das denominadas “CÓPIA DA NOTA” (fls. 379/390), como provas das alegações, ainda assim, informando vendas para pessoas jurídicas (Saibrita Mineração e Construção Ltda, Concresul Britagem Ltda, Mac Engenharia Ltda, Iccila Indústria Comércio e Construções Ibage, Serveng Civilsan, Consorcio Univias, Ribas Construtora Ltda, Torc Terraplenagem, Obras Rodoviárias e Construções Ltda, Coviplan Concessionaria Rodoviaria do Planalto S/A) sem características evidenciadas de consumidores finais, não desincumbindose, a ora recorrente, do ônus de provar os fatos que alega impeditivos do direito do autor da acusação fiscal, a respeito de que suas operações seriam (todas) de vendas para consumidores finais e não estaria equiparada a estabelecimento industrial, submetendose à regra original de distribuição do ônus probatório, nos termos do CPC/20153, subsidiário ao PAF4, restandolhe apresentar documentos, suficientes à provar os fatos contestados sobre a acusação fiscal. Em nada conflitua o entendimento, acima exposto, com o precedente indicado, no Acórdão nº 1435.279 8ª Turma da DRJ/RPO, de 20/09/2011, o qual reconheceu a impossibilidade de incidência do IPI sobre algumas revendas, de unidade fabril distinta da do presente caso, entendendo suficientes as provas de notas fiscais acostadas e evidentes as vendas para pessoas jurídicas consumidores finais, digase, também, distintas das do presente caso, ao teor do livre convencimento motivado, do art. 29, do Decreto nº 70.235/72 PAF5 Desse modo, no mesmo sentido da decisão recorrida, entendo correto o procedimento da fiscalização de efetuar o lançamento do IPI nas operações de revenda de CAP, não restando comprovadas vendas para consumidores finais e a não equiparação à estabelecimento industrial nessas operações. 3 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 625 14 DAS OPERAÇÕES COM DEVOLUÇÃO Alega a recorrente que, no presente caso, se não for considerado o crédito, decorrente das operações com devolução, estará sendolhe negado o direito previsto no art. 167 do RIPI/2002, apontando, como exemplo, números de notas fiscais (46179, 11303, 186461, 192137, 216569), identificada nos autos, apenas, a já mencionada “CÓPIA DE NOTA”, de nº 46179 (fl. 388), como prova das alegações Novamente, não desincumbiuse o interessado do ônus de provar o que alega, apresentando argumentos desacompanhados de provas, desde a peça impugnatória (fl. 261), apenas, apontando fotocópia da denominada “CÓPIA DA NOTA”, como prova. Assim, pelas mesmas razões da decisão recorrida, não tendo a recorrente juntado aos autos, prova dos documentos fiscais e respectivo Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente (art. 1726, do RIPI/2002, com fulcro no art. 56, da Lei nº 4.502/64), que comprovariam a operação de devolução ou retorno, não há crédito a ser reclamado. DA MULTAS APLICADAS Recorre a contribuinte contra as multas de ofício aplicadas: (i) multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito; e (ii) multa vinculada, ao IPI lançado de ofício; ambas no percentual de 75%. Quanto a multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, consistente em uma única cobrança de R$2.116,28, na competência 12/2006, insurgese, veementemente a recorrente, alegando ofensa ao seu direito constitucional à não cumulatividade, caso tenha limitado o seu direito de ver abatido créditos das operações anteriores. A multa lançada, tem previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no antigo, inciso I, atual, caput, do art. 80, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Alega a contribuinte que o procedimento seguido pelo fisco para cobrança da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito é totalmente confuso. De fato, não é tão claro o cálculo e quantificação dos valores, quanto o fundamento jurídico da imputação. 6 Art. 172. Na hipótese de retomo de produtos, deverá o remetente, para creditarse do imposto, escriturálo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 626 15 Pela simplicidade e clareza, transcrevo, na parcela pertinente ao caso, as razões de decidir, do Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, no voto condutor do Acórdão nº 3302002.675, 19/08/2014: "No caso, sobre o mesmo fato gerador, não deve ser aplicada a mesma multa, ou seja, se o imposto não lançado na nota tiver créditos suficientes para sua cobertura, não há imposto a ser lançado, mas apenas a multa isolada sobre a falta de destaque na nota. Por outro lado, se o imposto, ou parte, não possuir cobertura de créditos, então o saldo devedor é lançado com multa de ofício vinculada, e, neste caso, não há lançamento de multa isolada." (grifei) Pois bem, ainda seguindo o raciocínio do precedente supracitado, em 31/12/2006 – valor de IPI não lançado = R$ 17.710,48 (fl. 184); – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$ 91.662,09 (fl. 189). Conclusão: o IPI não lançado está contido na autuação de IPI devido e, portanto, não houve cobertura de crédito, não havendo a multa isolada sobre este valor. De fato, só faz sentido existir imputação de multa de oficio isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, existindo créditos suficiente à cobrir, ainda que parcialmente, os débitos, não restando, portanto, saldo devedor (R$ 91.662,09), superior ao IPI não lançado (R$ 17.710,48), à ser constituído juntamente com multa de ofício vinculada. Portanto, a reconstituição da escrita (fls. 196/201) permite uma clara visualização dos PA passíveis de incidência da multa isolada, quais sejam, todos com débitos de IPI não lançado apurados e com saldos credores ou com saldos devedores inferiores ao IPI não lançado, pois, no primeiro caso, houve cobertura de crédito integral, restando saldo credor; e, no segundo caso, houve cobertura de crédito parcial, restando a própria parcela não coberta do IPI não lançado, como saldo devedor à lançar. Assim, acolho o recurso voluntário, nesse subitem, cancelandose o lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, no PA de 12/2006 (R$ 2.116,28). Quanto a multa vinculada, reiterados os argumentos de que o percentual de multa aplicada seria inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório e de não respeitar a capacidade contributiva. Não merece acolhida tais argumentos, pois, além da previsão legal expressa, fixada no percentual exigido (75%), do artigo 80, da Lei nº 4.502/64, como de conhecimento : "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Logo, deve ser mantida a multa de ofício vinculada proporcional (75%), lançada no percentual previsto no art. 80, inciso I, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 45, da Lei n° 9.430/96, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11065.002861/201074 Acórdão n.º 3401003.840 S3C4T1 Fl. 627 16 DO REQUERIMENTO DE PERÍCIA Renova a recorrente o requerimento de perícia, elaborado na peça impugnatória (fl. 276), na qual. no sentido de atender os requisitos da legislação de regência (inc. IV e §1º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 PAF), indicou assistente técnico e quesitos a serem respondidos. No caso em exame, notase que os quesitos elaborados não demandam conhecimento técnico específico, seja porque, em grande parte, contesta a própria lavratura da autuação fiscal, não dizendo respeito aos aspectos técnicos conceituais dos produtos tributados, seja por que, no que se referir a matéria envolvendo a imunidade e o conceito de derivado de petróleo e o asfalto, passa pelo objeto do processo judicial concomitante, aplicandose a Súmula CARF nº 1. Ainda, analisado adequadamente o conjunto probatório existente e concluindo pela improcedência das alegações, é prerrogativa do julgador demandar por novas provas, e se este entende que constam dos autos as informações suficientes para prolatar a decisão, diligências e perícias não são necessárias, ao teor do livre convencimento motivado, do art. 29, do Decreto nº 70.235/72 PAF. Deste modo, no mesmo sentido da decisão recorrida, em conformidade com os arts. 18, caput, e 29, do PAF, mantêmse o indeferimento do pedido de perícia, nos termos em que foi elaborado, por considerála prescindível para a solução do litígio administrativo. Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de 07/2005 a 09/2005, restabelecer o saldo credor original, acumulado até 09/2005, em R$63.984,21, cancelandose, integralmente, as cobranças dos PA de 10/2005 (R$6.037,84); 11/2005 (R$24.336,75); 12/2005 (R$21.819,06); e, parcialmente, a cobrança do PA de 01/2006 (de R$17.859,61, para R$6.069,05); além do cancelamento integral da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, no PA de 12/2006 (R$2.116,28). Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901076/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 76 /2 01 3- 56 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901076/201356 Acórdão n.º 1302002.230 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901076/201356 Acórdão n.º 1302002.230 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901076/201356 Acórdão n.º 1302002.230 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720023/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.196/2005.
COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE
BENIGNA.
Aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratar-se de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.196/2005. COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratar-se de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício aplicada sobre os créditos constantes em Declaração de Compensação considerada não declarada esta prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.196/2005. COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a retroatividade benigna e cancelase a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratarse de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 23 /2 01 0- 12 Fl. 455DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo do Auto de Infração no valor de R$ 2.688.833,54, referente à aplicação de multa isolada pela compensação indevida apresentada em diversas Declarações de Compensação (DCOMP) indicando créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado, lavrado pela DRF/Recife (PE). 2. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração referenciado, e o Termo de Encerramento e Verificação Fiscal (fls. 153158) informam que o interessado apresentou diversas DCOMP indicando crédito decorrente de ação judicial nº 2004.83.00.0105198 (AMS nº 93.752/PE). A autoridade fiscal indicou que apresentação de créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado é vedado desde a edição da Lei Complementar nº 104, de 2001, que inseriu o art. 170A no Código Tributário Nacional. 2.1. Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, bem assim pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, posteriormente alterado pelas Leis nº 11.051, de 2004; 11.196, de 2005; e pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488; além da Medida Provisória nº 472, as indigitadas compensações foram consideradas não declaradas e em decorrência aplicada a multa isolada de 75%. 3. Consta ainda, no presente processo, o Parecer SAORT nº 174/2008, exarado em abril de 2008 pela DRF/João Pessoa (PB)1, dando conta que as DCOMP apresentadas pelo sujeito passivo indicando crédito referente ao Pedido de Ressarcimento de IPI vinculado ao processo nº 19647.003860/200460, apoiavase em uma ação judicial não transitada em julgado. 3.1. A mencionada unidade paraibana esclareceu também que outra empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da interessada, no caso a UNA AÇUCAR E ENERGIA LTDA, amparada em um contrato de mútuo firmado, também apresentou diversas DCOMP indicando o já citado pedido de ressarcimento do IPI do processo nº 19647.003860/200460, mas Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10480.720023/201012 Acórdão n.º 3201002.757 S3C2T1 Fl. 456 3 que a transferência de crédito de terceiros é vedada pela legislação tributária, além do que, também se apoiava na mesma decisão não transitada em julgado. 3.2. Em função disso, o Despacho Decisório de fls. 3032, também exarado em abril de 2008, acolheu o teor do Parecer elaborado pela SAORT da DRF/João Pessoa: (i) indeferiu o Pedido de Ressarcimento de crédito do IPI da pessoa jurídica interessada; (ii) não homologou diversas DCOMP, que relaciona, determinando a cobrança dos débitos indevidamente compensados; e (iii) considerou não declaradas outras diversas DCOMP, determinando a multa prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. 4. Após ser regularmente intimado da atuação em 15/01/2010, o sujeito passivo apresentou tempestivamente em 17/02/2010 a sua impugnação de fls. 177195, para alegar, em síntese, que: 4.1. Após fazer um breve histórico da autuação, inicia a sua defesa sustentando que sobre o mesmo fato imponível houve a imposição, concomitante, de duas penalidades, já que em face da compensação não homologada está sendo exigida uma multa em duplicidade (de ofício e isolada), tendo ambas a mesma base de cálculo, o que caracterizaria o bis in idem. Fez referências ao princípio da proporcionalidade e seus subprincípios para amparar suas alegações, bem assim a decisões administrativas do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (recursos números 158596 e 152115). 4.2. Em pedido sucessivo, apenas para argumentar, informou ter aderido ao parcelamento previsto na Medida Provisória nº 470, de 2009, e que, em função disso, faria jus a uma redução de 90% da multa aplicada, prevista no §1º do art. 3º da norma invocada. 4.3. Afirma que, de acordo com o quadro demonstrativo do Termo de Verificação, em relação às compensações consideradas nãohomologadas, o agente fiscal aferiu um montante de R$ 3.585.111,35. Alega que este valor está incorreto e que o referido Auto de Infração estaria eivado de nulidade, face a ausência e precisão do valor exigido. Tomou como exemplo os PER/DCOMP nº 28346.71474.050606.1.7.01 1850 e 08255.16647.050606.1.7.010236, conforme esquema abaixo: 1 Em virtude de as DCOMP terem sido transmitidas pela filial 02 da pessoa jurídica interessada, localizada na jurisdição da DRF/João Pessoa (PB). 4.4. Assevera que o valor, não só do tributo, como da presente multa, relativa ao PER/DCOMP nº 14686.07512.181006.1.3.01 0606, não pode ser exigida da impugnante, uma vez que foi transmitido pela empresa UNA AÇÚCAR E ENERGIA LTDA. Justifica que não é parte legítima para responder, seja pela compensação não homologada, seja pela multa isolada, no que tange aos valores exigidos neste PER/DCOMP e sustenta, novamente, vício suscetível de anular o Auto de Infração, ora impugnado. 4.5. Ademais, argúi, apenas pelo amor ao debate, que a referida DCOMP apenas foi transmitida em 14/01/2005 e que em tal data não havia previsão legal para imposição de multa isolada em face de compensação não homologada. Prossegue asseverando Fl. 457DF CARF MF 4 que a previsão legal para a exigência da multa isolada sobre a compensação não homologada, considerada não declarada, só passou a ter previsão legal a partir de 2006, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005. E, como a lei tributária não retroage (segundo art. 150, inc. III, alínea "a", da Constituição Federal) não há como exigir a multa isolada em relação a DCOMP transmitida em 2005. 4.6. Requer a procedência da presente impugnação, para tornar nulo ou insubsistente o Auto de Infração atacado, tornando sem efeito a multa imputada. Em pedido sucessivo, requer a redução da multa em 90% em razão da adesão ao parcelamento da MP nº 470, de 2009.". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CRÉDITO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, será considerada não declarada a compensação em que o crédito informado seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Relativamente às Declarações de Compensação apresentadas entre janeiro/2005 a março/2007, a compensação indevida, considerada não declarada pela utilização de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, é cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sobre o valor do tributo compensado indevidamente. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Na hipótese de compensação não declarada, devese constituir, por meio de auto de infração, o crédito tributário correspondente ao débito ainda não constituído/confessado, com exigência da multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e por meio de outro auto de infração a multa isolada a que se refere o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, tendo como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 470/2009. PARCELAMENTO ESPECIAL. EXTINÇÃO DE DÉBITO. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA. REQUISITOS. A remissão parcial da multa isolada, prevista no §1º do art. 3º da Medida Provisória nº 470, de 2009, exigida em razão do aproveitamento indevido de incentivo fiscal (CréditoPrêmio do IPI ou oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários com incidência de alíquota zero ou como não tributados), constitui procedimento atrelado à extinção do débito, em função da qual é exigida, no parcelamento especial previsto na citada norma. O referido benefício tributário não guarda nenhuma relação com o mérito do lançamento da multa isolada, uma vez que a sua eventual redução se dá por aplicação de anistia, a qual Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10480.720023/201012 Acórdão n.º 3201002.757 S3C2T1 Fl. 457 5 pressupõe a adesão àquele parcelamento e a extinção do débito (principal). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, alegando que a multa isolada por pedido de compensação considerado não declarado não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pois configura flagrante bis in idem, visto que sobre um mesmo fato punível exigese dupla penalidade. Pede ainda a Recorrente, que caso seja decidido pela manutenção da exigência, que somente seja aplicada em relação às DCOMP transmitidas após 14/10/2005. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Observando o auto de infração verificase que a exigência decorre de despacho decisório que considerou não declarada as Dcomps arroladas ao despacho decisório de fls. 30 a 32. A Recorrente que a multa não poderia ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Entendo, não assistir razão ao recurso. A exigência dos tributos compensados, com ou sem a exigência de multa de ofício, em nada interfere na exigência da multa por compensação considerada não declarada. A legislação é cristalina ao determinar a aplicação da multa, bastando somente para sua configuração, a existência do despacho considerando a compensação não declarada, não fazendo nenhuma vinculação a exigência dos tributos. A multa foi lançada tendo como base legal o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. “ Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Fl. 459DF CARF MF 6 § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) Iprevisto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1o, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Conforme consta dos autos, a exigência está prevista em lei e de aplicação obrigatória pela Autoridade Tributária. Quanto a alegação de bis in idem, estando a legislação em plena vigência, este colegiado não pode se manifestar sobre alegações de ofensa a princípios constitucionais presentes na exigência fiscal. A vedação foi consolidada na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10480.720023/201012 Acórdão n.º 3201002.757 S3C2T1 Fl. 458 7 Por fim, pede a Recorrente que a exigência seja mantida apenas para as DCOMP transmitidas após 14/10/2005, em razão das alterações na legislação promovidas pela Lei nº 11.051/2004, que teria determinado a multa por Dcomp não declarada somente poderia ser exigida nas situações que restasse caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Entendo assistir razão ao pleito da Recorrente, o art. 25 da Lei nº 11.051/2004 alterou o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que passou a determinar a aplicação da multa prevista por Dcomp não declarada somente nas situações nas hipóteses de fraude, sonegação ou conluio (art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/61), o mesmo artigo incluiu o § 2º e o § 4º, em que determinava a aplicação da penalidade do caput às situações em que a Dcomp fosse considerada não declara no percentual de 150% previsto no art. 44, II da Lei nº 9.430/96. verbis. " Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: ... "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Com a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, restou configurada que a penalidade somente seria aplicada nas hipóteses do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 no percentual de 150%. A redação do art. 18 da Lei nº 10.833/ foi novamente alterada pelo art. 117 da Lei nº11.196, de 21 de novembro de 2005, que alterou o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que ao incluir dentre as penalidades possíveis o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, passou a permitir o lançamento da multa no percentual de 75%, ou seja, nos pedidos de compensação considerados não declarados, a multa seria exigida, mesmo que não restasse configurada as hipóteses previstas no arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. O art. 117 da Lei nº 11.196/2005 foi assim redigido. Fl. 461DF CARF MF 8 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." O art. 132 da Lei nº 11.196/2005 definiu a data de 14/10/2005, como data em que passou a produzir efeito no mundo jurídico as alterações promovidas na penalidade por Dcomp não declarada. Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: ... II desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto: a) no art. 33 desta Lei, relativamente ao art. 15 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; b) no art. 43 desta Lei, relativamente ao inciso XXVI do art. 10 e ao art. 15, ambos da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; c) no art. 44 desta Lei, relativamente ao art. 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; d) nos arts. 38 a 40, 41, 111, 116 e 117 desta Lei; Diante das alterações normativas, a penalidade por Dcomp considerada não declarada, quando não restasse configurada as hipóteses dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502//64, passou a ser novamente exigível a partir de 14/10/2005. Considerando que os percentuais exigidos para a multa isolada no presente processo são de 75%, não estando comprovado nos autos as hipóteses previstas nos arts. 71 a Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10480.720023/201012 Acórdão n.º 3201002.757 S3C2T1 Fl. 459 9 73 da Lei nº 4.502//64, entendo, que as penalidades referentes as Dcomp transmitidas até esta data, não podem ser exigidas, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II do CTN). Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para cancelar as exigências fiscais referentes a Dcomp transmitidas antes da data de 14/10/2005. Winderley Morais Pereira Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000667/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000, 31/10/2002, 28/02/2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO INEXISTENTE. EMBARGOS REJEITADOS
Ementa:
Inexistindo a omissão alegada os Embargos deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.923
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela PGFN, em face do Acórdão nº 202-18.527, de 22/11/2007
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela PGFN, em face do Acórdão nº 202-18.527, de 22/11/2007 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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OMISSÃO INEXISTENTE. EMBARGOS REJEITADOS Ementa: Inexistindo a omissão alegada os Embargos deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento. Embargos Rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 06 67 /2 00 6- 34 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 14041.000667/200634 Acórdão n.º 3301003.923 S3C3T1 Fl. 396 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pela PGFN, em face do Acórdão nº 20218.527, de 22/11/2007 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 14041.000667/200634 Acórdão n.º 3301003.923 S3C3T1 Fl. 397 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela Procurqadoria Geral da Fazenda Nacional, fls. 376/379, em razão de pretensa omissão existente no Acórdão nº 20218.527, de 22 de novembro de 2007, da extinta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte para a constituição de crédito tributário relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativos a fatos geradores ocorridos em 31/7/2000, 31/10/2000 e 28/2/2003. A DRJ em Brasília/DF, ao apreciar impugnação, expediu o Acórdão nº 03 20.234 decidindo pela improcedênica da autuação, emergindo o vinculado Recurso de Ofício. Em sede de Recurso de Ofício, a extinta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes expediu o Acórdão nº 20218.527, de 22 de novembro de 2007, ora embargado, assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/2000, 31/10/2002, 28/02/2003 Ementa: INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO. ERROS FORMAIS NA DCTF. Comprovado que as diferenças constatadas no procedimento fiscal de verificações obrigatórias decorrem de inconsistências nas DCTF, cancelase o lançamento de oficio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2000, 31/10/2002, 28/02/2003 INSUFICIÊNCIAS DE RECOLHIMENTO. ERROS FORMAIS NA DCTF. Tendo a exigência sido formalizada a partir dos mesmos elementos fáticos que embasaram o lançamento da Cofins, cancelase igualmente o auto de infração. Recurso de oficio negado. Segundo a embargante, há omissão no Acórdão embargado em relação ao seguinte: 1. os documentos indicados como comprobatórios de que a DCTF complementar foi apresentada pela empresa autuada antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, fls. 356/358, não contêm nenhuma indicação de data de recebimento. 2. quanto aos períodos de apuração outubro/2002 e fevereiro/2003, é de se ressaltar a omissão em se examinar e proferir decisão no Fl. 398DF CARF MF Processo nº 14041.000667/200634 Acórdão n.º 3301003.923 S3C3T1 Fl. 398 4 tocante a já terem sido anteriormente aproveitadas as retenções feitas por órgãos públicos nos exercícios de 1998 a 2001. Em outras palavras, emitiuse pronunciamento no sentido de que foram acostadas aos autos provas de que houve retenções de órgãos públicos, como alegado pela empresa autuada, contudo, não há manifestação deste colegiado declarando se os valores correspondentes a tais retenções não já haviam sido deduzidos em outra oportunidade. Os Embargos foram parcialmente admitidos, unicamente quanto ao item 2 acima, fls. 384/385. Tendo ciência dos Embargos admitidos, a autuada apresentou contrarazões de fl. 394 (arquivo não paginável), onde sustenta a regularidade do Acórdão Embargado, bem assim a inexistência de omissões. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Os Embargos foram parcialmente admitidos por Despacho do Presidente da 3ª Câmara à fl. 385. Assim, conheçoos unicamente em relação à parte admitida. Alega a Embargante que o colegiado não se manifestou a respeito dos períodos de apuração de outubro/2002 e fevereiro/2003, relativamente às retenções feitas por órgãos públicos, quanto a eventual utilização ou dedução dos valores em outra oportunidade: "quanto aos períodos de apuração outubro/2002 e fevereiro/2003, é de se ressaltar a omissão em se examinar e proferir decisão no tocante a já terem sido anteriormente aproveitadas as retenções feitas por órgãos públicos nos exercícios de 1998 a 2001. Em outras palavras, emitiuse pronunciamento no sentido de que foram acostadas aos autos provas de que houve retenções de órgãos públicos, como alegado pela empresa autuada, contudo, não há manifestação deste colegiado declarando se os valores correspondentes a tais retenções não já haviam sido deduzidos em outra oportunidade." Ao proceder o exame de admissibilidade, o Presidente da câmara entendeu que o colegiado, nesse ponto, não cuidou de fazer uma ligação de forma contundente, entre as provas constantes dos autos e os fundamentos utilizados para a decisão, merecendo assim manifestação do colegiado. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 14041.000667/200634 Acórdão n.º 3301003.923 S3C3T1 Fl. 399 5 Antes de adentrar no Acórdão Embargado, referente ao Recurso de Ofício, reportome primeiramente à decisão de primeiro grau, para melhor compreensão dos fatos embargados. O Colegiado de primeira instância decidiu por reconhecer a dedução dos valores retidos na fonte de PIS/Pasep e Cofins efetuadas em outubro de 2002 e fevereiro de 2003 (valores originariamente autuados) e determinar a desconstituição do Auto de Infração. Para tanto, o voto condutor daquela decisão fundamentouse na conclusão de que a fiscalização, ao analisar as retenções efetuadas nesses anos (2002 e 2003), deixou de verificar a existência de valores retidos, informados em DIRF, nos anos de 1998 a 2001, o que teria causado a ausência dos referidos créditos, posto que encontravamse em períodos não abarcados pelo procedimento fiscal. Tal conclusão deuse após exame, por parte daquele colegiado, de vasta documentação anexada pela então impugnante, fls. 265/357, quando da apresentação do recurso primário, fls 233/245, onde constam documentos fiscais e contábeis (DCTF e DIPJ, dentre outros) desde 1998. Assim, naquela oportunidade, entenderam os julgadores que os documentos apresentados formaram um conjunto probatório suficiente para concluir pela improcedência do lançamento. O voto precursor daquela decisão foi consolidado nos seguintes termos: Quanto aos fatos geradores ocorridos em 31/10/2002 e 28/02/2003, o exame do acervo probatório trazido na impugnação comprova realmente que houve retenções por órgãos públicos efetuadas nos anos de 1998 a 2002 informadas nas respectivas DIPJ, cujos valores a instituição contabilizou em conta ativa, e, quando da apuração das contribuições a pagar relativas aos períodos de apuração mencionados, deduziu contabilmente os créditos desta natureza dos valores devidos, informando em DCTF apenas os valores líquidos dos débitos apurados, que foram recolhidos via DARF. Naturalmente que tais valores retidos não foram confirmados pelo exame das DIRF dos períodos correntes porque ocorreram em anos calendário anteriores, em razão do que cabe, igualmente, cancelar as parcelas exigidas de oficio em decorrência destas divergências. [Destaquei] Embora sintético, do texto que consolida aquela decisão, suso transcrito, transbordam informações intrínsecas, permitindo inclusive depreender que as DCTF, DIPJ e Darf apresentados demonstram a disponibilidade dos créditos questionados, seja pelo histórico dos lançamentos declarados ou pela coerência lógica que se verifica entre esses documentos e as alegações constantes da peça recursal. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 14041.000667/200634 Acórdão n.º 3301003.923 S3C3T1 Fl. 400 6 Posteriormente, quando da apreciação em segunda instância, em sede de Recurso de Ofício, o colegiado deliberou, sumariamente, por concordar integralmente com a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: "Não há reparos a fazer na decisão recorrida. Como bem analisou a instância a quo, à vista das informações da peça impugnatória e dos documentos acostados aos autos, constatouse que: [...]" [.... reproduz a decisão da DRJ, já transcrita acima] [Destaquei] Portanto resta cristalino que o Acórdão Embargado, ao fim, homologou a decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ), em sua plenitude. Diante dos fatos, é verossímil afirmar que a decisão da DRJ e, conseqüentemente, a Decisão Embargada, tenham considerado a existência dos valores retidos e que os mesmos estavam efetivamente disponíveis por ocasião da apuração das referidas contribuições, isso porque o conjunto dos documentos acostados aos autos permitiram tal conclusão. Pelo exposto, não vislumbro configurada a alegada omissão. Dispositivo Com esses fundamentos, voto pela Rejeição dos Embargos Declaratórios interpostos pela PGFN, em face do Acórdão nº 20218.527. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900338/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/03/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 38 /2 01 4- 81 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900338/201481 Acórdão n.º 3401003.712 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900338/201481 Acórdão n.º 3401003.712 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900338/201481 Acórdão n.º 3401003.712 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000127/00-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-002.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 01 27 /0 0- 08 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação à parte do acórdão recorrido que (I) reconheceu efeitos próprios da DCOMP a pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; e que (II) entendeu como termo inicial da contagem do prazo de 5 (cinco) anos, para homologação da compensação pleiteada, previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a data do protocolo do pedido. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 180101.031, de 13/06/2012, por meio do qual a 1a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte para fins de reconhecer a homologação tácita da compensação. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1995 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, privilegiandose o princípio processual da dupla jurisdição. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. Não é admissível que ao pedido da contribuinte, de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros, apresentado antes do advento da MP n º 66, de 2002, sejam atribuídos parte dos efeitos próprios da Dcomp e parte dos efeitos próprios dos antigos pedidos de compensação. Ou o pedido se submete inteiramente às novas disposições do artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, por se tratar de pedido convertido em DCOMP, ou nunca poderia ter sido considerado como compensação declarada e, nessas condições, jamais poderia ter sido submetido à homologação das compensações nem ao contencioso administrativo fiscal, efeitos somente atribuíveis à DCOMP ou a pedidos que foram convertidos em DCOMP. Tendo a própria RFB Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 4 3 atribuído parcialmente efeitos de DCOMP ao pedido, deve este se submeter a todos os demais efeitos próprios da Declaração de Compensação, inclusive a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Carmen Ferreira Saraiva, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL – DO COTEJO ANALÍTICO DA DIVERGÊNCIA na hipótese dos autos, o acórdão ora recorrido entendeu por conferir efeitos próprios da DCOMP a pedidos de compensação de débitos próprios com créditos de terceiro. Entendeu que, tendo a RFB atribuído alguns efeitos da DCOPM aos pedidos, também deve ser aplicada a previsão de homologação tácita aos mesmos; em relação à questão nuclear em discussão, qual seja, compensação com créditos de terceiros, em sentido diametralmente oposto do proferido pelo órgão a quo, colhe se como paradigma a ementa do Acórdão nº 10516.343, que julgou improcedente o pedido de compensação feito para compensar créditos de um contribuinte com débito de terceiros, declarando a impossibilidade de conversão destes pedidos em DCOMP, inadmitindo o reconhecimento de homologação tácita nos termos da Lei 10.637/2002. Vejamos: Acórdão nº 10516.343 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INOCORRÊNCIA O §4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do §1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação. IRPJ PREJUÍZO FISCAL SALDO NEGATIVO APROVEITAMENTO NECESSIDADE DE ADIÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA AO LUCRO REAL Os artigos 34 e 37, § 3º, ʺcʺ, da Lei n. 8.981/95, condicionam o aproveitamento do IRRF ao cômputo da receita respectiva na determinação do lucro real, inocorrente no caso concreto. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 5 4 Recurso negado.” da simples leitura das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma, percebese que enquanto o acórdão recorrido entendeu pela concessão de efeitos próprios da DCOMP aos pedidos, a exemplo da homologação tácita, o acórdão paradigma 10516.343 aduz vedação do ordenamento jurídico de compensação de créditos tributários próprios (débitos) com créditos de terceiros, decidindo pela impossibilidade de conversão dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro em DCOMP e, portanto, inadmitindo a homologação tácita; é claramente evidenciado que o cerne da questão é a impossibilidade de conversão dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro em DCOMP e, portanto, não se falando em homologação tácita, resta caracterizada a divergência; verificase que a decisão proferida no acórdão paradigma, no sentido da impossibilidade de compensação de créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos, com créditos de terceiros, reflete o melhor direito a ser aplicado ao caso, razão pela qual deve ser modificado a decisão ora recorrida; por seu turno, há que se registrar que caso esta Colenda CSRF entenda pela manutenção da r. decisão recorrida neste quesito, há que se arguir a inocorrência da referida homologação, no caso em exame. Isso porque, a Turma a quo manifestouse no sentido de estabelecer como termo inicial da contagem do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, a data do protocolo do pedido, entendimento este que não merece prosperar; ocorre que a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pela e. câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003. eis a ementa do acórdão paradigma: Acórdão nº 20311.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. apresentase, portanto, clara a divergência entre a e. câmara a quo e a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao âmbito de aplicação do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, visto que, com base em situação fática similar em ambos os Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 6 5 feitos pedidos de compensação efetuados anteriormente a 30 de outubro de 2003 há interpretações jurídicas díspares; com efeito, se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre o pedido e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; dessa forma, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e a ementa paradigma colacionada, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 67 e seguintes do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO da leitura do artigo 74 da Lei 9.430/1996 temse claro que a Compensação somente pode versar acerca da compensação de débitos próprios, não havendo que se falar, pois, em possibilidade de compensação de créditos com débitos de terceiro; o nosso ordenamento jurídico não permite a compensação de crédito de um contribuinte com débitos de outro, nos termos do disposto no art. 170 do CTN; analisandose os referidos dispositivos temse claro que para que se ultime a compensação pretendida pelo sujeito passivo há de existir identidade de partes entre credor e devedor; assim, a despeito do que dispunha o art. 15 da IN/SRF n.º 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor; a IN 21/97 é uma norma complementar, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu. As instruções normativas não podem inovar a ordem jurídica servindo apenas para detalhar o conteúdo da Lei, sem nunca ultrapassála; desta forma, havendo um confronto entre o disposto na instrução normativa 21/97 e o que dispõe o art. 170 do CTN e §1º e caput do art. 74 da lei 9.430/96, há de prevalecer o disposto nas leis, por carecer a IN editada contra legem de fundamento de validade, sob pena de assim procedendo ferir a hierarquia das normas e em última instância, o Estado Democrático de Direito; já com relação à impossibilidade de conversão dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiro em declarações de compensação, imperioso colacionar o entendimento firmado no parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005, do qual se infere a impossibilidade de compensação de créditos tributários do contribuinte com créditos de terceiros, o qual não merece qualquer retoque: “(...) Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 7 6 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43. E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. (...)” ad argumentandum tantum, na remota hipótese de se admitir a compensação de créditos da contribuinte com créditos de terceiros, há que se constatar que não ocorreu, na hipótese, a homologação tácita pleiteada pelo contribuinte; antes da Medida Provisória nº 135/2003, não havia que se cogitar de qualquer prazo para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 8 7 em outras palavras, quando do pedido de compensação formulado nos presentes autos, em 19/09/2003 e 24/09/2003, não estava a Administração, por lei, obrigada a cumprir qualquer lapso findo o qual estaria caracterizada a homologação do referido pleito. De fato, como visto, a obrigação de cumprimento de prazo somente surgiu com a edição da Medida Provisória nº 135/2003, de 30 de outubro de 2003. Entendimento diverso do aqui esposado conduziria à situação esdrúxula de ser a administração tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, sequer existia; a correta exegese, de fato, exige que o prazo para homologação (5 anos) apliquese tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela Administração fiscal; no caso vertente, não se verifica qualquer das hipóteses elencadas no art. 106 do CTN, não sendo autorizada a retroatividade da lei para alcançar fatos pretéritos; cumpre registrar as lúcidas ponderações encartadas no voto condutor do acórdão paradigma (Acórdão n.º 20311.648) e na declaração de voto constante no processo nº 10768.000149/200160, da lavra do conselheiro Antônio Bezerra Neto (transcrições contidas nas contrarrazões); tendo em vista a regra de que o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), concluise ser imperiosa a reforma do julgado pelos seguintes motivos: a) os pedidos de compensação foram protocolados nas seguintes datas: 27/01/2000, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alterou a redação do art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação; b) considerando o disposto no item "a", não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito, marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação. face ao exposto, requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja reformado o r. acórdão recorrido, mantendose a integralidade do decidido em primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 136/2012, de 19/10/2012, deu seguimento ao recurso especial com base na seguinte análise sobre as divergências suscitadas: [...] Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 9 8 Examinando o primeiro acórdão paradigma em seu inteiro teor verifica se que o mesmo traz o entendimento de que a lei veda a conversão dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros em DCOMP, enquanto que o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao reconhecer os efeitos próprios dessa conversão, inclusive a homologação tácita. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente em relação ao primeiro aspecto. Com relação ao segundo aspecto do recurso, também ficou caracterizada a divergência jurisprudencial, na medida em que o acórdão recorrido reconheceu os efeitos da homologação tácita ao pedido de compensação, convertido em Dcomp, considerando como início da contagem do prazo a data de protocolo do pedido, enquanto que o acórdão trazido como paradigma reconhece que, no caso de pedidos de compensação convertidos em DCOMP, o prazo de homologação se inicia somente a partir de 30/10/2003. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. Em 04/12/2012, a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e, tempestivamente, em 19/12/2012, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: MOTIVOS DETERMINANTES PARA A MANUTENÇÃO DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Nº 11831.000778/0016 EM DCOMP desde a edição da Medida Provisória n° 66, de 30.8.2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30.12.2002, o contribuinte foi dispensado de requerer previamente a compensação de tributos federais. Com a MP, o contribuinte foi autorizado a efetuar a compensação independentemente de qualquer requisição ao Fisco, sob a condição resolutória de posterior homologação, a ocorrer em até 5 anos a contar da entrega da DCOMP; o Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016, na época em que foi apresentado (17.4.2000), estava em plena conformidade com a Lei 9.430/96, que traz as normas gerais sobre a compensação de tributos federais. Apenas a partir de 1°.10.2002, data em que entraram em vigor as alterações no artigo 74 da Lei 9.430/96, promovidas pelo artigo 49 da Lei 10.637/02, é que a compensação de débitos próprios com crédito de terceiros passou a ser legalmente vedada; é evidente que essa vedação não é aplicável, sob pena de retroatividade indevida, aos Pedidos de Compensação de débitos próprios com créditos de terceiros que foram apresentados antes de 1°.10.2002, data em que entrou em vigor a vedação para esse tipo de compensação, trazida pelo artigo 49 da Lei 10.637/02, que alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96, Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 10 9 caso da Recorrida. As compensações de débitos próprios com créditos de terceiros requeridas até essa data estavam em pleno acordo com a legislação aplicável; ademais, quando o artigo 49 da Lei 10.637/02 alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96, estabeleceu expressamente que "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo"; com isso, quando houve a conversão dos Pedidos de Compensação em DCOMP's, o Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016 converteuse também em DCOMP, para fins da nova sistemática de compensação trazida pela Lei 10.637/02, uma vez que formulado em conformidade com a lei vigente na época em que foi apresentado; a Lei n° 11.051, de 29.12.2004, por sua vez, ao alterar o artigo 74 da Lei 9.430/96, passou a prever que as compensações de débitos próprios com créditos de terceiros passariam a ser consideradas como não declaradas (artigo 74, §12, inciso II, alínea "a") e não estariam sujeitas ao trâmite regular das DCOMP's; assim, somente a partir da Lei 11.051/04 é que os pedidos de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros passaram a ser considerados como não declarados e, portanto, não seriam convertidos em DCOMP's. Antes disso, não havia qualquer vedação legal que impedisse que esses pedidos de compensação fossem convertidos em DCOMP's. Mais do que isso, a Lei 10.637/02 previu expressamente que todos os pedidos pendentes de apreciação seriam convertidos em DCOMP's; diante do exposto, é possível concluir que, na época em que foi apresentado, o Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016 estava em conformidade com as normas aplicáveis às compensações em geral, e, por consequência, foi convertido em DCOMP. A regra trazida pelo §12, inciso II, alínea "a", do artigo 74 da Lei 9.430/96 somente deve ser observada para as compensações de débitos próprios com créditos de terceiros requeridas a partir de 30.12.2004, isto é, após a publicação da Lei 11.051/04, o que não é o caso deste Pedido de Compensação, apresentado em 17.4.2000; ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 41, DE 7.4.2000 em 7.4.2000, a RFB expediu a Instrução Normativa n° 41, pela qual pretendeu vedar a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Essa IN, contudo, não tinha base legal, uma vez que o artigo 74 da Lei 9.430/96, com a redação vigente naquela época, não previa essa vedação. Ou seja, por meio da aludida IN, a RFB quis impedir que os contribuintes efetuassem a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, sem que tal limitação fosse prevista em lei; há que se lembrar que a Lei 9.430/96 passou a vedar a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros apenas em 1º.10.2002, quando passou a viger a nova redação do seu artigo 74, dada pela Lei 10.637/02. Ou seja, se a lei passou a impedir a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, é evidente que a IN 41/00 não tinha base legal e, por isso, a regra nela contida é ilegal. A RFB somente poderia disciplinar a vedação à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros depois de 1º.10.2002, quando a legislação federal passou a prevêla de forma expressa; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 11 10 aplicar a IN 41/00 neste caso seria admitir que o Poder Executivo, por melo de atos administrativos, é apto a legislar em matéria tributária. Uma mera Instrução Normativa não é instrumento adequado para criar direitos e obrigações, sendolhe possível apenas regulamentálos. Cabe à lei estabelecêlos. No caso da Recorrida, caberia apenas à lei vedar o direito do contribuinte de compensar seus débitos com créditos de terceiros; assim, a vedação trazida pela IN 41/00 é totalmente ilegal, motivo pelo qual não poderia atingir os Pedidos de Compensação de débitos próprios com créditos de terceiros apresentados entre 10.4.2000 (data em que a IN foi publicada no Diário Oficial da União) e 1º. 10.2002 (data em que entrou em vigor o dispositivo da Lei 10.637/02 que veda esse tipo de compensação). Assim, mesmo o Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016 apresentado em 17.4.2000 é legítimo, uma vez que encontrava amparo em lei. A aplicação da IN 41/00 para esse Pedido é indevida, por ser ilegal.; o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou expressamente a favor da tese defendida pela Recorrida, ao rechaçar outras IN's da RFB que estabeleciam regras não previstas em lei (STJ, 2ª Turma, Recurso Especial n° 170.234/SP, Relator Ministro Franciulli Netto, julgado em 12.3.2002, publicado no DJU em 24.6.2002); o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já se manifestou expressamente sobre a ilegalidade da IN 41/00, confirmando o exposto pela Recorrida (TRF 4ª Região, 2ª Turma, Apelação em Mandado de Segurança n° 2002.70.05.0035525/RS, Rel. Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares, DJU 12.8.2003); além disso, ao deferir parcialmente o Pedido de Restituição n° 11831.000127/0008, a RFB expressamente homologou, até o limite do crédito reconhecido, a compensação pleiteada nos autos do Processo Administrativo n° 11831.000778/0016. Consta expressamente da decisão que deferiu parcialmente o Pedido de Restituição que a compensação requerida no Processo Administrativo n° 11831.000778/0016 foi homologada até o limite do crédito reconhecido, mesmo o pedido de compensação tendo sido apresentado após a entrada em vigor da ilegal IN 41/00; essa homologação deixa evidente que a própria RFB reconheceu que a norma contida na IN 41/00 não deveria ser aplicada neste caso. Assim, comprovada a legitimidade do crédito pleiteado no Pedido de Restituição, não há motivos para que a compensação pleiteada não seja integralmente homologada; O RECONHECIMENTO PELA RFB DA CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DCOMP: VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL AO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO além disso, o v. Acórdão deve ser integralmente mantido sob pena de violação ao princípio constitucional da vedação ao comportamento contraditório; como dito, a própria RFB atribuiu os efeitos da DCOMP ao Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016. Prova disso é que a RFB homologou parcialmente a compensação declarada e reconheceu o direito da Recorrida ao contencioso administrativo fiscal ao conceder prazo para apresentação de manifestação de inconformidade; assim, é evidente que a própria União Federal, por meio da RFB, reconheceu a conversão em DCOMP do referido Pedido de Compensação tendo atribuído os Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 12 11 efeitos próprios daquela à compensação pleiteada pela Recorrida. Esse fato foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido; o v. Acórdão recorrido reconheceu, de maneira irretocável, que foi a própria RFB quem atribuiu os efeitos próprios da DCOMP ao Pedido de Compensação apresentado pela Recorrida. De fato, como mencionado pelo V. Acórdão, a RFB não só homologou parcialmente a compensação pretendida como reconheceu o direito da Recorrida ao contencioso administrativo fiscal ao conceder prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, ambos efeitos próprios decorrentes da apresentação da DCOMP; portanto, se a própria União Federal, por meio da RFB, atribuiu ao Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016 os efeitos próprios da DCOMP, não pode agora querer negar que a parte remanescente da referida compensação seja tratada de forma diversa, apenas para tentar viabilizar a cobrança de um débito que está extinto. A adoção de posturas diametralmente opostas é inaceitável e acarreta violação aos princípios da segurança jurídica e da vedação ao comportamento contraditório; HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO: ARTIGO 74, §5°, DA LEI 9.430/96 conforme foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido, ocorreu a homologação tácita da compensação objeto do Processo n° 11831.000778/0016, nos termos do que dispõe o artigo 74 da Lei 9.430/96; o Pedido de Restituição n° 11831.000127/0008 foi apresentado em 27.1.2000 e julgado apenas em 28.9.2005, enquanto que o Pedido de Compensação n° 11831.000778/0016 foi apresentado em 17.4.2000. Ou seja, entre as datas em que foram apresentados os Pedidos (27.1.2000 e 17.4.2000) e a data em que foi julgado (e parcialmente deferido) o Pedido de Restituição (28.9.2005), transcorreram mais de 5 anos; esse Egrégio Conselho teve a oportunidade de analisar situações como esta por diversas vezes, sempre expressando o mesmo entendimento da Recorrida (Acórdãos n°s 10809165, 10615829 e 10808645); é evidente que houve a homologação tácita da compensação em questão, conforme reconhecido pelo V. Acórdão recorrido, de modo que o direito do Fisco de cobrar o suposto débito remanescente foi atingido pela decadência, nos termos do que dispõe o artigo 74, § 5°, da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto Pedido de Restituição apresentado em 27/01/2000, cumulado com Pedido de Compensação de crédito próprio com débito de terceiro, apresentado em 01/03/2000. Após ser protocolado, o Pedido de Compensação gerou o processo nº 11831.000778/0016 (formalizado em 17/04/2000), mas as questões que surgiram em relação a esse pedido estão sendo tratadas nos presentes autos, desde o início. Por meio do Pedido de Restituição, a contribuinte reivindicou um excedente de IRPJ no anocalendário de 1995, no valor de R$ 315.624,86, decorrente de IR/Fonte referente àquele período. A Delegacia de origem reconheceu em parte o direito creditório (dos R$ 315.624,86, foram reconhecidos R$ 190.745,38), e a compensação foi homologada até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte, detentora do direito creditório, ingressou com manifestação de inconformidade, alegando que os pedidos de restituição e de compensação tinham sido tacitamente homologados, nos termos do art. 74, §5°, da Lei 9.430/1996. A decisão de primeira instância administrativa indeferiu essa manifestação, manifestando entendimento no sentido de que os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros não foram convertidos em DCOMP, e que, em razão disso, não cabia sua apreciação na forma prevista no Decreto nº 70.235/1972; que o prazo previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (homologação tácita) não se aplicava à compensação de crédito com débitos de terceiros; e que a homologação tácita não tinha como objeto o direito creditório pleiteado. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, entendeu que a DERAT/SP, ao homologar parcialmente as compensações e reconhecer o direito ao contencioso administrativo fiscal PAF (porque concedeu prazo para apresentação de manifestação de inconformidade), acabou atribuindo ao pedido da recorrente, de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros, os efeitos próprios da Declaração de Compensação – DCOMP. Assim, considerando que a própria SRF, por meio de seus agentes, havia atribuído ao pedido da recorrente os efeitos próprios de Declaração de Compensação, o acórdão recorrido reconheceu a homologação tácita das compensações, nos termos do artigo 74, §5º, da Lei n º 9.430/1996. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito a essa questão, ou seja, à aplicação da regra de homologação tácita (Lei 9.430/1996, art. 74, §5º) para Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 14 13 Pedidos de Compensação em que estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de crédito com débito de terceiros). Para reverter o acórdão recorrido, a PGFN contesta dois aspectos dessa decisão: (I) o reconhecimento de efeitos próprios de DCOMP a pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; e (II) a adoção da data do protocolo do pedido como sendo o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para a homologação tácita da compensação pleiteada. Em relação à primeira divergência, a PGFN trouxe paradigma que, tratando também de Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação de crédito com débito de terceiros, onde também houve reconhecimento parcial do direito creditório e instauração de contencioso administrativo pelas regras do PAF, decidiu de forma contrária em relação à homologação tácita do pedido de compensação. Diferentemente do acórdão recorrido, o paradigma, diante das mesmas circunstâncias, não considerou que o Pedido de Compensação havia sido convertido em DCOMP. Essa questão sobre a conversão do Pedido de Compensação em DCOMP está diretamente relacionada à aplicação da regra de homologação tácita, porque ela só é aplicável às Declarações de Compensação apresentadas a partir de 01/01/2002, e aos Pedidos de Compensação que foram convertidos em DCOMP, nos termos do §4º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (introduzido pela MP nº 66/2002). Para a análise da primeira divergência, cabe de início esclarecer que não esteve e nem está em questão a possibilidade de deferimento desse tipo de compensação, cujo condicionante foi apenas o montante do crédito reconhecido. Não está em questão a aplicação retroativa da regra que passou a vedar compensações envolvendo créditos e débitos de pessoas distintas. Fosse esse o caso, a compensação seria totalmente indeferida, em razão de sua própria impossibilidade. Entretanto, houve reconhecimento parcial do direito creditório, com a consequente homologação parcial da compensação, no limite do crédito reconhecido. E não tendo havido o reconhecimento total do direito creditório constante do Pedido de Restituição, foram devidamente abertas as portas do PAF, para a instauração do contencioso administrativo. Esse foi o contexto tanto do caso do acórdão recorrido, quanto do paradigma. Entretanto, no curso do contencioso, diferentemente do acórdão recorrido, o paradigma não considerou que o Pedido de Compensação havia sido convertido em DCOMP, e, por isso, não reconheceu a homologação tácita da parcela em aberto dos débitos objeto da compensação, que haviam excedido os créditos reconhecidos inicialmente. O que a contribuinte trata como aplicação retroativa da regra que passou a vedar compensações envolvendo créditos e débitos de pessoas distintas, abrange na verdade a verificação do alcance da regra contida no §4º do art. 74 da Lei 9.430/1996 (dispositivo introduzido pela MP nº 66/2002), que é o cerne da primeira divergência. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 15 14 Sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sua atual composição, manifestou recentemente o seguinte entendimento: Acórdão nº 9101002.540 Sessão de 20 de janeiro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir no mérito. Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. Isso porque os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declarações de compensação. E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 16 15 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) (grifei) Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no §5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 17 16 inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS.DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002c/c IN SRF 21/97 art. 15 §1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11831.000127/0008 Acórdão n.º 9101002.848 CSRFT1 Fl. 18 17 Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o §4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a regra de homologação tácita não deve ser aplicada ao Pedido de Compensação contido nestes autos, por configurar compensação de crédito próprio com débito de terceiro. Com efeito, os Pedidos de Compensação abrangendo créditos e débitos de pessoas distintas realmente não foram convertidos em DCOMP. Afastada a regra de homologação tácita, fica prejudicado o exame da segunda divergência, que trata da definição do termo inicial para a contagem do prazo de homologação. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer o que foi decidido na primeira instância administrativa, reafirmando o entendimento de que o prazo previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (homologação tácita) não se aplica ao Pedido de Compensação contido nestes autos, por configurar compensação de crédito próprio com débito de terceiro. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 426DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000585/2010-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência,
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 e 2007 despesas de juros nos anos de 2001 a 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados. Isso não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade.
Contribuição Social sobre o lucro líquido - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Processo Administrativo Fiscal
MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO.
Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio, faz-se necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-002.694
Decisão: 0Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação a respeito da postergação. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que solicitou apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 e 2007 despesas de juros nos anos de 2001 a 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados. Isso não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. Contribuição Social sobre o lucro líquido - CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Processo Administrativo Fiscal MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio, faz-se necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido.
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decisao_txt : 0Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação a respeito da postergação. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIBANCO HOLDINGS S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 85 /2 01 0- 03 Fl. 613DF CARF MF 2 sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5 O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 e 2007 despesas de juros nos anos de 2001 a 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados. Isso não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO À TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais relativas às glosas das despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. 0Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação a respeito da postergação. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro suplente Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, que solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 614 3 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, quanto ao anos de 2006 e 2007, tendo sido apurada "excesso de despesa de JCP relativa a limites de exercícios anteriores", com imposição de multa de 75% (setenta e cinco por cento) (fls. 90/99). Consta do Termo de Constatação (fls. 85/86) como descrição dos eventos que originaram a autuação fiscal: Regularmente intimado sobre o procedimento, o contribuinte apresentou memórias de cálculo relativas aos anos de 2002 a 2007 e, bem assim, Demonstrativo do valor do JCP apropriado no A/C de 2007 em cuja composição constatouse incluídas parcelas correspondentes a Juros s/ Capital Próprio não pagos nos anoscalendários de 2002 a 2005, a saber: (...) Não obstante, a dedutibilidade de valores de JCP pertinentes a exercícios anteriores não encontra respaldo no vigente ordenamento jurídico tributário, especificamente a IN/SRF nº. 11, de 21/02/1996, que complementando as disposições trazidas pela Lei nº 9.249/95, assim dispôs a respeito da influência dos juros sobre capital próprio com vistas à apuração do lucro real: (...) Nesse sentido, observado o regime de competência, constatamos pertinente a dedutibilidade do valor de R$ 374.900.741,47 correspondente à despesa de JCP calculada de acordo com os parâmetros previstos para o anocalendário de 2007 (...) E o valor excedente, aproveitado de períodos anteriores, no importe de R$ 277.637.40 e cuja dedutibilidade não encontra amparo legal, deverá ser adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do A/C de 2007. Restou constatado também, do cotejo entre a planilha de cálculo relativa a Juros sobre o Capital Próprio do A/C de 2006 e a respectiva DIPJ, que o valor da despesa de JCP dedutível excedeu em R$ 35.346.365,39 ao limite permissível para esse Fl. 615DF CARF MF 4 mesmo ano. Conforme esclareceu o contribuinte, referido excesso decorreu do aproveitamento de JCP correspondente ao A/C de 2001. (...) Outrossim, em vista do quanto foi acima apurado e relatado, procederseá à constituição dos créditos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anoscalendários de 2006 e 2007, respectivamente incidentes sobre os valores de R$ 35.346.365,39 e R$ 277.637.405,18, os quais corresponderam a despesas indevidas e que oneraram as bases de cálculo dessas exações. Procedimento de ofício e mediante a lavratura dos respectivos Autos de Infração, dos quais o presente 'Termo" fará parte integrante e indissociável. A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo pela manutenção integral dos lançamentos, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 322/339): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO OU EXERCÍCIO PARCIAL. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. A faculdade para pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio JsCP a acionista ou sócio deve ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros sobre o Patrimônio Líquido incidentes durante o ano da referida apuração, não incluindo juros incidentes sobre o Patrimônio Líquido de anos anteriores, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. O exercício parcial da mencionada faculdade configura renúncia à parcela não usufruída do benefício concedido pela lei. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. FALTA DE ISONOMIA NO TRATAMENTO FISCAL ENTRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E JUROS SOBRE CAPITAL DE TERCEIROS. INOCORRÊNCIA. Existe duplicidade de tributação quando havendo previsão legal para a incidência de um único tributo sobre determinado valor, sobre este valor ocorre dupla incidência do mesmo tributo, ou há a incidência cumulativa de outro tributo, o que não é a hipótese dos autos. A isonomia no tratamento fiscal das despesas de JsCP em relação às despesas de Juros sobre Capital de Terceiros foi conferida pela lei ao conceder ao contribuinte a faculdade para deduzir também as despesas de JsCP na apuração do lucro real Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 615 5 do ano, sendo que o não exercício ou o exercício parcial dessa faculdade, como o caso dos autos, retiralhe razão para alegar tratamento fiscal não isonômico. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA NÃO CONSTANTE DO LANÇAMENTO. Descabe a arguição de cobrança indevida de juros de mora sobre a multa de ofício, quando tal exigência não consta do lançamento fiscal litigiado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignação formulada contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode ser apreciada pelas instâncias julgadoras administrativas, às quais cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. A contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi acolhido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP,desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou sua distribuição. Fl. 617DF CARF MF 6 Recurso Voluntário Provido. Diante de intimação pelo envio de processo à Procuradoria em 07/01/2013, A Procuradoria apresentou embargos de declaração em 05/02/2013, sustentando omissão no acórdão sobre a incidência de juros sobre a multa. Os embargos não foram admitidos pelo Presidente da Turma Ordinária, pois "em virtude do provimento total do recurso voluntário do contribuinte e afastada a aplicação da multa, por acessória, mostravase desnecessário analisar o tema relacionado à incidência de juros de mora sobre multa de ofício". (trecho da decisão) Em 22/04/2014, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao acórdão (fls. 462), interpondo recurso especial em 05/05/2014, alegandose divergência na interpretação da lei tributária, quanto à dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, indicando como paradigmas os acórdãos: (i) 130200044 (processo nº16327.001588/200751), constando desta decisão que "Nos ternos do art. 9° da Lei n° 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado." e (ii) 120100.348 (processo nº 19515.001145/200498), constando desta decisão que "Os juros sobre o capital próprio, como de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem" O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas da decisão do Presidente da 4ª Câmara deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura): Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. A divergência é patente: no acórdão recorrido entendeuse que a lei nº 9.249/95 condicionou a dedutibilidade da despesa referente aos juros sobre o capital próprio ao efetivo pagamento ou crédito, mesmo tratandose de despesa relativa a períodos passados. Por seu turno, nos paradigmas colacionados, a decisão foi no sentido de considerar a extemporaneidade da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio, em face da inobservância ao regime de competência, como também, dos requisitos legais concebidos para fins de dedução. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitada. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ADMITO o recurso especial interposto. A contribuinte foi intimada em 16/06/2015 (fls. 497), apresentando contrarrazões em 30/06/2015, nas quais sustenta: (i) legalidade do procedimento da contribuinte, amparado pelo artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995; (ii) por força de deliberações tomadas entre 2003 e 2007, "o Recorrido efetuou em 2006 pagamento de juros sobre capital tomando por base o patrimônio líquido em 2001 e 2006 e. e, 2007, pagamento de juros sobre capital tomando base o patrimônio líquido em 2002, 2003, 2004 e 2005, deduzindo, quando do efetivo pagamento / crédito, os valores pagos / creditados a tal título da base de cálculo do IRPJ e da CSL e recolhendo o IRF devido", o que estaria de acordo com o artigo 9º referido; Fl. 618DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 616 7 (iii) o procedimento da contribuinte não teria ofendido o regime de competência; (iv) a inexistência de preclusão do direito de pagar JCP em período posterior; (b) o artigo 73, da Lei nº 12.973/2014 publicada posteriormente confirmaria as razões da contribuinte. Diante disso, a contribuinte requer seja negado provimento ao recurso especial. Caso vencida, pleitea, subsidiariamente, retornem os autos à Turma Ordinária para julgamento de matérias não julgadas (juros sobre a multa de ofício). É o relatório. Fl. 619DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa Conheço do recurso especial, eis que tempestivo e demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Passo a analisar seu mérito. A Lei nº 9.249/1995, dispõe sobre os juros sobre capital próprio, tendo a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão nestes autos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (...) § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. (ver se vigente ao tempo dos fatos) Segundo a Lei nº 9.249/1995, portanto, os juros sobre capital próprio ("JsCP") serão dedutíveis no momento em que pagos ou creditados ao acionista (art. 9º, caput). O mesmo dispositivo legal estabeleceu que estes JsCP seriam calculados sobre contas do patrimônio líquido, limitados à variação pro rata dia da TJLP (art. 9º, caput, in fine). E ainda limitou os juros ao valor de 50% de lucros acumulados ou das reservas de lucros (art. 9º, §1º). Pois bem. A remuneração de capital dos sócios, por meio de JsCP, é faculdade decorrente da liberdade do exercício da atividade econômica. E apenas com o pagamento ou crédito aos sócios após assembleia que delibere a esse respeito surge a despesa correspondente a estes JsCP. A inexistência de norma tributária ou mesmo de outro ramo do Direito que restrinja o pagamento de juros sobre capital próprio com base em patrimônio líquido de anos anteriores reafirma a liberdade das pessoas jurídicas de deliberar a esse respeito, com a dedução de tais valores na forma autorizada pelo artigo 9º, acima colacionado. Assim, só quando os JCP forem deliberados e pagos (ou creditados) aos acionistas será possível a dedutibilidade, na forma expressa pelo artigo 9º, acima reproduzido. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 617 9 No caso destes autos, houve efetiva deliberação e pagamento aos acionistas em 2006 e 2007, reputandose, em tal momento, a possibilidade de sua dedução. O Superior Tribunal de Justiça decidiu de forma similar, legitimando a dedução dos juros sobre capital próprio em anocalendário futuro: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (Superior Tribunal de Justiça, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, Resp 1086752, DJe 11/03/2009) O julgamento realizado pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça não foi submetido à sistemática do então vigente art. 543C, do CPC/1973. Assim, não se trata de decisão de reprodução obrigatória pelos membros deste Colegiado. De toda forma, reforça o entendimento ora manifestado no presente voto. Por fim, afasto a alegação de renúncia do direito pela ausência de deliberação de pagamento dos JsCP nos anos anteriores, por força do artigo 192, da Lei nº 6.404/1976. Até porque "os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente", como prevê o artigo 114, do Código Civil. A eventual renúncia do direito pela contribuinte só poderia ocorrer de forma expressa, não se admitindo sua presunção pela mera omissão de manifestação do acionista em assembleias realizadas em anos anteriores. Acrescento que o artigo 132, da Lei nº 6.404/1976 não estabelece obrigação de deliberação a respeito do pagamento de JsCP nas assembleias gerais ordinárias, o que Fl. 621DF CARF MF 10 corrobora a impropriedade em se tratar a omissão dos acionistas como renúncia ao direito de pagamento destes JsCP. Destaco trecho de voto de lavra do exConselheiro Alexandre Antonio Alkimin, adotandoo como fundamento do presente voto, a respeito da inaplicabilidade da "preclusão temporal" quanto aos JsCP de anos anteriores: Portanto, tendo em vista ser a preclusão relacionada à perda de direitos, faculdades ou poderes processuais, logicamente, não será aplicada à hipótese de ausência de deliberação de JCP. Mesmo na eventualidade de considerar que a ausência de deliberação do JCP em exercícios anteriores conduziria à caducidade do direito à dedução do valor do lucro real (direito material), o argumento não prosperaria em virtude da ausência de fundamento legal que ampare esse raciocínio. Isso porque, como bem salientou a DRJ, a deliberação do pagamento de JCP é uma faculdade dos acionistas. Lado outro, a caducidade extingue o direito pelo fato de seu titilar quedarse inerte e não exercer seu direito dentro do prazo legal ou convencional. Ora, se a lei não define prazo para que seja exercida a faculdade atribuída ao contribuinte, não há que se falar em perda do direito por decurso de prazo que não foi limitado ou fixado por ato legal. Deste modo, não merece prosperar o argumento de preclusão temporal, vez que esse instituto não é aplicável à perda de direito material e tampouco existe previsão legal de prazo para deliberação de pagamento de JCP. (Acórdão nº 1401000.901, processo administrativo nº 16327.001409/201081) No mesmo sentido, orientouse o acórdão recorrido, destacandose trecho do voto do Relator Antonio José Praga de Souza, que adoto como razões de decidir: Ao contrário do que afirma a fiscalização, o procedimento adotado pela Recorrente não ofendeu o regime de competência. Com efeito, o regime de competência está umbilicalmente ligado ao conceito de “despesa incorrida” e a despesa só se torna incorrida no momento em que “se forma a relação jurídica incondicional pela qual a pessoa jurídica tornase devedora dos juros” e “o beneficiário possa vir a exigir o pagamento como direito seu”, como ensina Edmar Oliveira Andrade Filho (in Perfil Jurídico do Juro sobre o Capital Próprio, MP Editora, 2006 p. 55). E como bem ressalta o autor referido, somente a partir desse momento é que se cogita a aplicação do regime de competência. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência, no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros, no caso, 2006 e 2007. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 618 11 Com efeito, para efeitos de IRPJ e CSL, o pagamento de juros sobre capital próprio recebe tratamento fiscal de despesa financeira idêntico ao tratamento dos juros sobre capital de terceiros, tanto que a própria administração ao regulamentar a aplicação do artigo 9º da Lei 9.249/95 determinou a sua contabilização como despesa financeira da empresa pagadora (portanto, dedutível) e receita financeira da empresa beneficiária (portanto, tributável exclusivamente na fonte, ou como antecipação do devido na declaração, no caso de empresas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado) (IN 11/96, artigo 29). Se o pagamento de juros sobre o capital próprio tem tratamento fiscal de despesa financeira para a empresa pagadora, tal despesa, em observância ao regime de competência, só deve ser imputada aos seus resultados no momento em que a sociedade se obrigar a pagar os juros. Como se observa, antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida, não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência posto que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros. No caso concreto, como já ressaltado, o Recorrente deliberou efetuar o pagamento de juros sobre capital próprio em 2006 tomando por base o patrimônio líquido de 2001 e 2006, e em 2007 tomando por base o patrimônio líquido de 2002 a 2005, atendidas as condições e limites previstos na Lei nº 9.249/95. A despesa correspondente ao pagamento desses juros, portanto, somente surgiu para o Recorrente em 2006 e 2007, respectivamente. (...) Dessa forma, é inconteste o direito do Recorrente de, na apuração do IRPJ e da CSL dos anos de 2006 e 2007, deduzir a despesa oriunda do pagamento de juros sobre o capital próprio realizado naqueles anos, ainda que tomando por base as contas de patrimônio líquido de períodos pretéritos, posto que se trata de despesa que diz respeito aos próprios anos de 2006 e 2007, e não a anos anteriores, nos termos do artigo 9º, “caput” da Lei nº 9.249/95, da doutrina supra citada e como no mesmo sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça. Portanto, pelas razões acima expostas, não tem amparo legal estabelecer como condição para a dedução dos juros sobre o capital próprio que o pagamento desses mesmos juros seja efetuado em cada anocalendário, cujo valor das contas do patrimônio líquido foi tomado como base para seu cálculo, como entendeu a r. decisão recorrida. Fl. 623DF CARF MF 12 Diante de tais razões, notadamente considerando que o art. 9º da Lei 9.249/95 define que o "pagamento ou crédito" é definidor do momento da ocorrência do fato gerador dos JsCP, entendo que apenas neste momento é possível a dedutibilidade destes "juros". Em que pese o entendimento desta Relatora, esclareço que esta Turma da CSRF firmou entendimento em sentido contrário, com composição similar à presente, como se observa do acórdão nº 9101002180, proferido em sessão de julgamento de 19/01/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício Fl. 624DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 619 13 proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Em referido julgamento, foram vencidos esta Relatora, além dos Conselheiros Luis Flávio Neto, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Ronaldo Apelbaum (suplente convocado) e Maria Tereza Martinez Lopes. O entendimento desta Relatora não se alterou desde aquele julgamento. Diante de tais razões, com a devida vênia ao entendimento majoritário desta Turma, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Ademais, voto por não conhecer das alegações da recorrida a respeito da possível postergação, que não consta da impugnação administrativa e do recurso voluntário, a despeito da sua menção em contrarrazões de recurso especial. Por fim, caso vencida no mérito, voto pela baixa dos autos à Turma Ordinária para julgamento de matéria tratada em recurso voluntário e não analisadas pela Turma Ordinária (incidência de juros de mora sobre a multa de ofício). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 625DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Conheço do recurso especial, porque ele preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL apurados em relação ao ajuste anual dos anoscalendário de 2006 e 2007 (Lucro Real). As exigências decorreram da glosa de despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCPs) referentes a períodos anteriores (anoscalendário de 2001 a 2005). O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), entendeu que era indevida a glosa de despesas com pagamento de JCPs referentes a períodos anteriores e cancelou as exigências de IRPJ e CSLL. Nesta fase de recurso especial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aponta divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido acerca da glosa das despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio referente a períodos anteriores. Ao final do recurso, a Fazenda Nacional pede que seja negada a possibilidade de dedução dos JCPs registrados nos anoscalendário de 2006 e 2007, calculados mediante a aplicação da TJLP sobre contas de patrimônio líquido de anos anteriores. O dispositivo legal que dá ensejo à referida divergência jurisprudencial é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo integralmente com a redação vigente à época dos fatos objeto da lide: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; Fl. 626DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 620 15 II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Entendo que assiste razão à recorrente, pelos motivos que passo a expor. DA NATUREZA JURÍDICA DOS JCPS Primeiramente, é importante apontar algumas características dos JCPs. Cito inicialmente duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualifica). Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem a título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. Portanto, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como permitir o Fl. 627DF CARF MF 16 enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO (...) SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como o de autonomia patrimonial e o de diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/1994, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/1993, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: "2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a Fl. 628DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 621 17 uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação Fl. 629DF CARF MF 18 de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial." Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. Deste raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação1 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato de os Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipos de juros sempre são despesas para quem os deve. Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: "Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que a legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o 1 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 622 19 capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente." Ainda que não seja causa do fato de os JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. Tudo isso apenas confirma o acerto na consideração dos JCPs como despesas, despesas financeiras, despesas com pagamento de juros. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haver juros, há de haver empréstimo ou financiamento de algo. E esse algo, no caso dos JCPs, é o capital dos sócios, ou seja, há de ocorrer "empréstimo" do capital dos sócios. Digo isso porque é comum as abordagens sobre esse tema fazerem analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pagos aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCPs também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de dedução na apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa, ou cinco por cento ao ano (o que for menor). Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que tanto essa taxa quanto os cinco por cento ao ano devem ser aplicados "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. Fl. 631DF CARF MF 20 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um certo ano e seu rateio proporcional ao número de dias pelos quais o capital dos sócios ficou em poder da empresa configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é a matéria examinada adiante. DO TRATAMENTO SOCIETÁRIO DAS DESPESAS (DE JCPS) Pois bem, uma vez sedimentado que os JCPs transitam pelo resultado como despesas, há que perquirir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que elas entram nas regras gerais de tratamento de despesas. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, estas são encerradas e as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais têm influência de um ano para outro. As contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes. É um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 623 21 § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (grifouse) Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A.. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionados no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados. É o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. DO REGIME DE COMPETÊNCIA A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (...) (grifouse) Desta imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não Fl. 633DF CARF MF 22 foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção à aplicação do regime de competência, concluise que elas estão submetidas a esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (tratado no tópico anterior). Assim, regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste. Em outras palavras, mudou se o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. Ademais, regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) (grifouse) O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no seu reconhecimento no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) a recebimentos ou pagamentos. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI2, em seu Manual3: "3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos 2 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 3 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 624 23 (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente préoperacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Fl. 635DF CARF MF 24 Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período préoperacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas." Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuadose os casos de despesas préoperacionais (aqui inaplicável); e c) somente situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra a encontrada no presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. Bem fixadas essas premissas, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, têm que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período em que se deu a utilização do capital dos sócios, isto é, no período pelo qual esse capital permaneceu investido na sociedade. Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: "(...) a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração." Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro, de 10/09/2013: "(...) a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades." Daí então se conclui que o incorrimento das despesas deve se dar no exercício do auferimento das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício, que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido do período. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior ou de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. De fato, as despesas de JCPs só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, de lucro). Portanto, a eventual realização de assembléia que determine pagamento de JCPs não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembléia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 625 25 Não é correto entender que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social; seja o deliberado em assembléia, seja o decidido pela administração, no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. Sabendose que o incorrimento das despesas se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionistas na sociedade (período durante qual a empresa usufrui do capital), ou, ainda, no exercício em que há correlação com as receitas correspondentes, é elementar ver que a data de assembleia geral que delibere sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCPs de um exercício, relativamente ao capital disponibilizado naquele período, e não efetuar pagamento algum (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência. Dessa forma, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no exercício em que houver o pagamento. Esses fatos serão relevantes mais à frente, para a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/1995. DA EXISTÊNCIA, OU NÃO, DO DIREITO DE FAZER INCORRER EM EXERCÍCIOS SUBSEQÜENTES DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO INCORRIDAS Analiso agora se as despesas de JCPs que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, deixando de ir ao respectivo resultado, podem ser incorridas em períodos posteriores. Ou, ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). Como visto no tópico anterior, as despesas de JCPs, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente daquele durante o qual o capital a ela vinculado esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao Fl. 637DF CARF MF 26 capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. A lei societária delimita temporalmente o direito de fazer incorrer despesas: o exercício social definido no art. 175 da Lei das S.A.. Não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1º, "b" da Lei nº 6.404/1976), assim como não há, por observância do regime de competência, direito de postergação de despesas para exercícios seguintes. Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá sofrido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros também por força do disposto no art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. (...) (...) § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. (...) Observese que o caso concreto não pode ser enquadrado como uma das hipóteses que permitem ajustes referentes a exercícios anteriores, uma vez que não houve mudança de critério contábil ou retificação de erro imputável a determinado exercício anterior. Pelo exposto, concluo que não há direito algum4 a fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCPs que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1º, "b", todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. A destinação do lucro é uma decisão submetida, ao final de cada exercício, à assembléia de sócios/acionistas. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzir seus lucros. Talvez daí tenha vindo a forma tão restrita como a Lei das S.A. tratou a questão da possibilidade de despesas de um exercícios afetarem o resultado de outro: a apuração do lucro líquido, com a consequente destinação dos lucros e impactos em todos os exercícios futuros, afeta direitos de todos os sócios/acionistas. 4 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 626 27 Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. Esta consideração apenas não seria válida se a estrutura societária se mantivesse intacta durante os cinco anos ou mais, o que é muito improvável em se tratando de sociedade de capital aberto, ainda mais se considerarmos que a norma em debate é aplicável aos mais diferentes setores da economia. Tal fato representa mais um problema para a tese de que "despesas" que poderiam/deveriam ter reduzido o lucro dos anoscalendário de 2001 e 2005 (se tivessem efetivamente existido naquela época) podem ser computadas como tal nos anoscalendário de 2006 e 2007. DA INTERPRETAÇÃO DO ART. 9º DA LEI Nº 9.429/1995 O art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária. Pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real para as despesas incorridas5 e pagas, não incluindo nesse tratamento as despesas pagas e não incorridas. Este último caso seria o das despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior (poderiam, à época, ser despesas), mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas. Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, registrese que a empresa não sofre limitação de valor na dedução, do lucro líquido do exercício, de despesas de JCPs. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de valor, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCPs do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/1995 e o excesso dessas despesas deve ser estornado, em obediência ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. Conforme visto nos parágrafos anteriores, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa e devidamente constituída e escriturada (no passivo) a corresponde dívida/obrigação de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", mas apenas "juros pagos ou creditados". Assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e 5 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. Fl. 639DF CARF MF 28 pagas no mesmo exercício. Os "juros" podem ser entendidos como "despesa de juros" ou como "obrigações/dívidas6 de juros". Assim, podese falar em direito à dedução dos juros pagos, seja por conta do pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja pelo pagamento de dívida relativa a JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Essa segunda hipótese não impossibilita a dedução da despesa. Observese que o art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não traz, propriamente, restrição temporal, mas apenas uma restrição material. Explico: para que os JCPs sejam pagos, é necessário que os JCPs a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCPs (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). Ou, ainda, hão de existir as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou a obrigação de pagar JCPs constituída em razão de as despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução, do lucro real, dos valores pagos para extinguir a dívida relativas a JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/1995. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, do qual as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. No caso dos autos, não havia dívidas/obrigações da sociedade de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores (ausência de passivo). Estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência ao art. 177 (regime de competência) e ao art. 186, §1º, da Lei das S.A. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCPs, nem tampouco despesas de JCPs já que estas são somente as incorridas no exercício). A Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 21/02/1996, ao tratar dos Juros sobre Capital Próprio, trouxe o caput do art. 29 com a seguinte redação: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (grifouse) 6 Ou juros a pagar. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 627 29 Comparandose o texto do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996 com o caput do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, observase que foi incluída a expressão "observado o regime de competência". Surgiram questionamentos a respeito da legalidade do caput do citado art. 29, em razão da presença desta expressão em sua redação. O próprio contribuinte recorrido sugere, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial da PGFN, que a IN seria ilegal por ter extrapolado o conteúdo da lei que visava regulamentar. A legalidade da inclusão da expressão me parece tão obvia que, para defendê la, entendo que a leitura do dispositivo sem a expressão atacada é suficiente para verificar que não haverá nenhuma modificação de aplicação do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996, ou seja, com ou sem a expressão incluída o artigo tem a mesma efetividade. É fato que não é a expressão guerreada que impõe a observância do regime de competência, nem para a legislação societária, tampouco para a legislação fiscal. Como ficou cristalino na análise do art. 177 da Lei das S.A., o regime de competência é dever legal, é regra geral, sem exceção para a legislação societária e com poucas e expressas exceções para a legislação fiscal (entre as quais os JCP não se encontram). As exceções não podem ser presumidas e a regra geral não tem que ser expressamente repetida em todos os dispositivos específicos. Assim, não há qualquer ilegalidade no caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996. Finalmente, registro que não entendo ser adequado tratar a questão sob a perspectiva de que houve renúncia ou decadência de direito pelo contribuinte. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito (esta por implicar na caducidade do direito por perda do prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo), entendo por bem tratálas em conjunto. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCPs para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa, já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de sua conversão em obrigação de pagar JCPs). Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCPs e a conseqüente constituição da obrigação de pagálos, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento no benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago, embora tenha sido denominado de "a título de JCP" não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCPs. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário. Se não são atendidos os requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que houve renúncia ao mesmo, mas apenas que sequer existe a capacidade de renunciálo. Mesmo que haja a renúncia, esta não produz efeito algum, já que o direito não poderia ser usufruído caso a renúncia não tivesse existido. Fl. 641DF CARF MF 30 Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, esta se daria no âmbito societário e não no âmbito fiscal. Seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCPs na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e da decadência é haver a existência de algum direito. O problema é que não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação, de fazêlos incorrer. A simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCPs. A mera permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. Caso se aceitasse a existência do "direito" de fazer incorrer, em exercícios subseqüentes, despesas de exercícios anteriores não incorridas, aí sim a discussão teria algum sentido, já que não houve renúncia (não existiu manifestação de vontade em não fazer) ou decadência (não há prazo que fulmine tal direito). Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não houvesse aplicação de nenhuma das suas vedações. Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados. A sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como não teve sua conduta enquadrada entre as possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas não incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução desde que esse direito não tenha sido renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite7 a dedução do lucro líquido de despesas não incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Como esse assunto já foi suficientemente explorado em tópicos anteriores, entendo não ser preciso dizer mais. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCPs que deveriam ter sido incorridas em anos anteriores, simplesmente não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. Na esteira de tudo o que já foi dito, também é importante registrar que não se aplicam aqui as regras que tratam dos casos em que o "cômputo" de uma receita ou de uma despesa se dá em período distinto daquele em que esses eventos efetivamente ocorreram. Não procedem os argumentos que o contribuinte trouxe à discussão em suas contrarrazões ao recurso especial fazendário, no sentido de que, ainda que se acatasse a 7 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16327.000585/201003 Acórdão n.º 9101002.694 CSRFT1 Fl. 628 31 alegação da PGFN de que as despesas atinentes a JCPs relativos aos anoscalendário de 2001 a 2005 deveriam ter sido incorridas naqueles anos, ainda assim estarseia diante de mera postergação de despesas, com antecipação de imposto, que jamais poderia provocar lançamento tributário, uma vez que não teria provocado qualquer prejuízo ao Fisco. Só se poderia aceitar a ideia de simples postergação de despesa se os pressupostos para sua existência estivessem presentes nos anos anteriores, o que, como visto, não ocorreu. Se a despesa nem chegou a existir no passado, não há como defender que o que está ocorrendo é apenas o seu cômputo em período de apuração posterior. O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 e 2007 despesas de juros nos anos de 2001 a 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naqueles períodos passados e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daqueles anos já devidamente encerrados. Isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembléia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCPs. Certamente dessa deliberação nasce um direito, para os sócios, de receber os valores a eles creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditá los. Mas como esses valores não podem corresponder à conversão de obrigações anteriores de JCPs, já que não houve incorrimento de despesas de JCPs nos anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCPs, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, como distribuição de dividendos, etc. Diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em conformidade com o pedido formulado pelo contribuinte em suas contrarrazões e também com o entendimento exposto no voto vencido da i. Conselheira Relatora, fazse necessária, diante do restabelecimento das obrigações relativas às glosas das despesas com pagamentos de Juros sobre Capital Próprio, a devolução dos autos à Turma a quo para apreciação da questão relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, suscitada no recurso voluntário e que deixou de ser analisada no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 643DF CARF MF 32 Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900785/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 15/02/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.275
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 15/02/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 85 /2 01 2- 51 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900785/201251 Acórdão n.º 3301003.275 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.580, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 15/02/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900785/201251 Acórdão n.º 3301003.275 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900785/201251 Acórdão n.º 3301003.275 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900785/201251 Acórdão n.º 3301003.275 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900785/201251 Acórdão n.º 3301003.275 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727214/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103)
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a sua realização um direito subjetivo do interessado.
LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA CONVERTIDA EM PECÚNIA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA.
A licença-prêmio não gozada convertida em pecúnia por opção do empregado na vigência do contrato do trabalho, segundo previsto em acordo coletivo, não integra a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros.
SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO.
À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, as despesas relativas a reembolso de educação superior em nível de graduação e pós-graduação aos segurados empregados, quando relacionados a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não integram a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros.
SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. DISPÊNDIOS COM DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS.
À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, os valores destinados a custear a educação de dependentes dos segurados empregados assumem a feição de remuneração e fazem parte da base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de preparar a folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação tributária federal. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação.
Numero da decisão: 2401-004.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir dos lançamentos os valores relativos à licença-prêmio não gozada e ao custeio de graduação e pós-graduação (levantamentos 'LP', 'LI', 'RG' e 'BP'). Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini que dava provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, excluindo dos lançamentos apenas os valores relativos à licença-prêmio não gozada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a sua realização um direito subjetivo do interessado. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA CONVERTIDA EM PECÚNIA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. A licença-prêmio não gozada convertida em pecúnia por opção do empregado na vigência do contrato do trabalho, segundo previsto em acordo coletivo, não integra a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, as despesas relativas a reembolso de educação superior em nível de graduação e pós-graduação aos segurados empregados, quando relacionados a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não integram a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. DISPÊNDIOS COM DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, os valores destinados a custear a educação de dependentes dos segurados empregados assumem a feição de remuneração e fazem parte da base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de preparar a folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação tributária federal. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir dos lançamentos os valores relativos à licença-prêmio não gozada e ao custeio de graduação e pós-graduação (levantamentos 'LP', 'LI', 'RG' e 'BP'). Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini que dava provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, excluindo dos lançamentos apenas os valores relativos à licença-prêmio não gozada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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SALÁRIO INDIRETO: EDUCAÇÃO. LICENÇAPRÊMIO CONVERTIDA EM PECÚNIA Recorrentes EMPRESA DE TECNOLOGIA E INFORMAÇÕES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL DATAPREV FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da diligência, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade da sua determinação para o esclarecimento de ponto controvertido ao deslinde do julgamento, não constituindo a sua realização um direito subjetivo do interessado. LICENÇAPRÊMIO NÃO GOZADA CONVERTIDA EM PECÚNIA. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. A licençaprêmio não gozada convertida em pecúnia por opção do empregado na vigência do contrato do trabalho, segundo previsto em acordo coletivo, não integra a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO. À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, as despesas relativas a reembolso de educação superior em nível de graduação e pósgraduação aos segurados empregados, quando relacionados a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não integram a base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 72 14 /2 01 3- 11 Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.830 2 SALÁRIO INDIRETO. EDUCAÇÃO. DISPÊNDIOS COM DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. À luz da legislação aplicável aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, os valores destinados a custear a educação de dependentes dos segurados empregados assumem a feição de remuneração e fazem parte da base de cálculo previdenciária e das contribuições reflexas devidas a terceiros. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de preparar a folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação tributária federal. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e conhecer do recurso voluntário. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir dos lançamentos os valores relativos à licençaprêmio não gozada e ao custeio de graduação e pós graduação (levantamentos 'LP', 'LI', 'RG' e 'BP'). Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini que dava provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, excluindo dos lançamentos apenas os valores relativos à licençaprêmio não gozada. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.831 3 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) e de recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 0650.125, cujo dispositivo julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 1.642/1.660): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010 REEMBOLSO DE DESPESAS DOS EMPREGADOS COM EDUCAÇÃO. REGRA GERAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos feitos pela empresa aos seus empregados a título de reembolso de despesas com educação integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a não ser que se trate de valores relativos a plano educacional que vise à educação básica dos empregados e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e ainda, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo (Lei 8.212/91, art. 28, I, § 9º, alínea “t”, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98). LICENÇA PRÊMIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos termos do art. 28, I, § 9º, alínea “e”, item 8, da Lei 8.212/91, não incidem contribuições previdenciárias sobre a licençaprêmio indenizada. Contudo, não tem caráter indenizatório o valor relativo à licença não gozada e convertida em pecúnia por opção do empregado. VALORES APURADOS EM DIRF. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos informados pela empresa em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF com os códigos 0561 e 0588 não correspondem necessariamente a fatos geradores de contribuições previdenciárias e devem ser excluídos do lançamento quando resta demonstrado que efetivamente não se referem a remunerações pagas a segurados empregados ou contribuintes individuais. VALORES RECOLHIDOS EM MONTANTE SUPERIOR AO DECLARADO EM GFIP. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO. A existência de recolhimentos feitos mediante Guia da Previdência Social GPS em valor superior ao declarado em GFIP, por si só, não caracteriza infração à legislação tributária. Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.832 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Mantido Parcialmente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 361/379, que o processo administrativo é composto por 7 (sete) autos de infração (AI), a saber: (i) AI nº 51.034.0067 (obrigação principal), relativo às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais apuradas mediante cruzamento entre os dados da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01 a 13/2010 (fls. 3/9); (ii) AI nº 51.034.0075 (obrigação principal), referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontadas e arrecadadas pela empresa, incidentes sobre a mesma base de cálculo do AI nº 51.034.0067, no período de 01 a 13/2010 (fls. 10/16); (iii) AI nº 51.038.3971 (obrigação principal), relativo às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de educação e licençaprêmio convertida em pecúnia, nas competências 01 a 12/2010 (fls. 17/193); (iv) AI nº 51.038.3980 (obrigação principal), referente às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados utilizadas como base de cálculo para os AI nº 51.034.0067 e nº 51.038.3971, no período de 01 a 13/2010 (fls. 194/355); (v) AI nº 51.038.3998 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de elaborar a folha de pagamento na forma exigida na legislação tributária federal Código de Fundamentação Legal CFL 30 (fls. 356); (vi) AI nº 51.038.4005 (obrigação acessória), por ter a empresa deixado de descontar a contribuição previdenciária do segurado empregado e contribuinte individual a seu serviço CFL 59 (fls. 357). e (vii) AI nº 51.038.4013 (obrigação acessória), referente à multa pela apresentação da GFIP como incorreções e/ou omissões CFL 78, nas competências 01 a 04 e 07 a 12/2010 (fls. 358). Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.833 5 2.1 Em breve síntese, transcrevo as razões apontadas pela fiscalização para efetuar a constituição de ofício do crédito tributário: (i) Por meio da análise da Dirf, foram identificados pagamentos a beneficiários com código de retenção nº 0561 e 0588, sem que os respectivos valores estivessem incluídos em folha de pagamento e/ou GFIP. As remunerações estão detalhadas no Anexo I, às fls. 545/580, Levantamento Fiscal "DF"; (ii) Ao examinar folhas de pagamento, escrituração contábil e Acordo Coletivo de Trabalho 2009/2011, foram identificados pagamentos a título de licençaprêmio na vigência do contrato de trabalho, sob as rubricas código "10284 Licença Prêmio Férias" e "10118 Licença Prêmio Indenizada", os quais caracterizam remuneração, segundo a legislação previdenciária. Os valores estão discriminados no Anexo II, às fls. 581/594, e compõem os Levantamentos Fiscais "LP" e "LI"; (iii) Por intermédio da análise de folhas de pagamento, escrituração contábil, Acordo Coletivo de Trabalho 2009/2011 e Normas Internas da Empresa, foram identificados pagamentos destinados a custear despesas com educação e capacitação, sob as rubricas "10294 Reembolso Escolar 12 G Dependentes", "10436 Reembolso Primeira Graduação" e "10536 Reembolso Primeira Graduação Superior", os quais possuem natureza salarial. Os valores são referentes a dispêndios com educação dos dependentes dos empregados, assim como a gastos com custeio de cursos de graduação e pósgraduação realizados pelo segurados empregados, discriminados de forma mensal e por estabelecimento no Anexo IIIa, Anexo IIIb e Anexo IIIc, respectivamente, às fls. 595/801, 802/848 e 849/862. A fiscalização utilizou os Levantamentos Fiscais "RE", "RG" e "BP"; (iv) No caso do auto de infração CFL 30, a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, nas competências 01 a 12/2010, os segurados empregados e contribuintes individuais relacionados no Anexo I e os valores das remunerações correspondentes às rubricas dos Anexos II e III ("a", "b" e "c"); (v) Em relação ao auto de infração CFL 59, a empresa deixou de arrecadar as contribuições dos segurados empregados Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.834 6 incidentes sobre os valores considerados como remuneração detalhados nos Anexos I, II e III; e (vi) Para o auto de infração CFL 78, a empresa declarou em GFIP, antes do início do procedimento fiscal, valores das contribuições previdenciárias superiores àqueles que foram recolhidos via Guia da Previdência Social (GPS). Intimada para apresentar GFIPs retificadoras para as competências, o sujeito passivo informou que "após verificação, chegamos à conclusão que (...) a apresentação da GFIP retificadora (...) não se faz necessária". A multa foi aplicada no seu valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência em que houve omissão e/ou incorreção. 3. O contribuinte foi cientificado da autuação em 29/8/2013, por meio de procurador, conforme fls. 3, 10, 17, 194 e 356 a 358, e impugnou a exigência fiscal separadamente por auto de infração lavrado (fls. 898/906, 950/953, 988/992, 1.036/1.040, 1.077/1.085, 1.129/1.149 e 1.346/1.359). 4. Antes de proferir decisão, a instância julgadora "a quo "determinou a realização de diligência quanto ao crédito tributário constituído com base nas informações constantes da Dirf apresentada pela empresa autuada, relacionada ao anocalendário de 2010. 4.1 Tendo em vista o confronto entre as orientações do Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte (Mafon) e as razões consignadas no Termo de Verificação Fiscal, o julgador de primeira instância verificou que nem todos os pagamentos que dão ensejo à aplicação do código de recolhimento nº 0561 dizem respeito a parcelas com incidência de contribuição previdenciária. 4.2 Desse modo, com a finalidade de dirimir dúvidas sobre ponto controvertido instaurado com a impugnação do sujeito passivo, foi solicitado à autoridade lançadora que verificasse a natureza dos pagamentos informados em Dirf e relacionados no Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, confirmando a incidência ou não da tributação previdenciária sobre tais valores. 5. A diligência foi cumprida, consoante Informação Fiscal elaborada pelo agente fiscal às fls. 1.625/1.626. 5.1 Após análise da documentação apresentada pela empresa, a autoridade lançadora constatou, em relação ao período fiscalizado, que os pagamentos foram efetuados a estagiários, aposentados e pensionistas, vinculados a verbas de benefícios de auxílioacidente e auxílio doença, a processos trabalhistas e a parcelas submetidas à incidência exclusiva do imposto sobre a renda. 5.2 Concluiu, desse modo, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores discriminados no Anexo I, relativos ao Levantamento "DF", incluídos nos AIs nº 51.034.0067, 51.034.0075 e 51.038.3980. Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.835 7 6. Intimado do resultado da diligência em 29/8/2013, conforme fls. 1.627/1.628, o fiscalizado não se pronunciou (fls. 1.640). 7. Quando da apreciação do litígio, a decisão de piso acatou a retificação do crédito tributário de obrigação principal, nos termos propostos pelo Fisco. 7.1 Além disso, cancelou o AI nº 51.038.4005 (CFL 59), por não restar caracterizada a infração. No caso, havia notícias nos autos a respeito de apuração de contribuições dos segurados tão somente em relação aos valores apurados em Dirf, que se mostraram integralmente indevidos. 7.2 A decisão de piso também declarou improcedente o AI nº 51.038.4013 (CFL 78), uma vez que o só fato da existência de valores recolhidos em montante superior ao declarado em GFIP é insuficiente para configurar o descumprimento da obrigação tributária acessória do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com aplicação da penalidade prevista no art. 32A da mesma Lei. 8. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 9. Intimada por via postal, em 13/1/2015, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 1.666/1.667, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/2/2015 (fls. 1.670/1.687, 1.726/1.743 e 1.781/1.788). 9.1 Em resumo, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve parcialmente a pretensão fiscal: (i) há necessidade de realização de diligência, com o propósito de constatar a exatidão dos recolhimentos previdenciários e a inexistência de qualquer valor apurado a menor pela empresa no período fiscalizado; (ii) mesmo que pagas na vigência do contrato de trabalho, as rubricas apuradas pela fiscalização se referem à licença prêmio não gozada e convertida em pecúnia, a qual possui caráter indenizatório e não compõe o saláriodecontribuição do segurado empregado. Em defesa do seu ponto de vista, transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); (iii) os valores despendidos pelo empregador com educação não compõem o salário do trabalhador nem sofrem a incidência da contribuição previdenciária. O reembolso de cursos de graduação e pósgraduação aos segurados empregados, bem como os valores que visem à educação básica de seus dependentes, enquadramse como incentivo à educação e não podem ser desestimulados pela incidência da tributação. Colaciona, igualmente, julgados proferidos pelo STJ e Carf; e Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.836 8 (iv) a empresa não incidiu em qualquer infração pelo descumprimento de dever instrumental de preparação da folha de pagamento, porquanto se não há incidência da obrigação tributária principal não merece sobrevida a acessória. Além do mais, a empresa possui escrituração contábil, comercial e fiscal regular. É o relatório. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.837 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade a) Recurso de Ofício 10. Quanto ao recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 11. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/2/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 11.1 O recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 12. Sobre a aplicação do limite de alçada no tempo, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) que, por tratarse de norma processual, sua aplicação aos processos em curso é imediata, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 13. Como visto, a desoneração em primeira instância abrangeu, integralmente, os AI´s nº 51.034.0067 e 51.034.0075 e, na parte correspondente às contribuições devidas a terceiros sobre os mesmos fatos geradores vinculados ao Levantamento "DF Valores Apurados em Dirf", o crédito tributário lançado no AI nº 51.038.3980. Além disso, foram excluídas as penalidades exigidas por intermédio dos AI´s nº 51.038.4005 e 51.038.4013 (fls. 1.657/1.660). 13.1 Segundo minha avaliação, tendo em vista os dados dos Discriminativos dos Débitos, às fls. 4/17, 194/355 e 357/358, os valores desonerados pela decisão de piso, considerando o montante principal e a multa de ofício, totalizam a importância de R$ 1.947,288,54 (um milhão, novecentos e quarenta e sete mil, duzentos e oitenta e oito reais, cinquenta e quatro centavos). Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.838 10 14. De verse que o valor desonerado pela decisão de primeira instância é inferior ao patamar mínimo de R$ 2.500.000,00. 15. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. b) Recurso Voluntário 16. No que tange ao apelo do contribuinte, uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar Requisição de diligência fiscal 17. A recorrente solicita a realização de diligência fiscal para verificar a exatidão dos recolhimentos previdenciários e a correção dos pagamentos efetuados no período dos fatos geradores uma vez que sempre atuou na estrita legalidade e nunca deixou de registrar qualquer valor a menor. 17.1 Na sua ótica, a coleta de provas por meio de diligência demonstrará a verdade material. Entretanto, a negativa da diligência implicará em prejuízo ao direito de defesa, acarretando na nulidade de todo o processo administrativo. 18. Pois bem. O inciso IV do art. 16 c/c art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, estabelecem que o pedido de diligência deve ser motivado, cabendo a autoridade julgadora determinála quando necessária para o esclarecimento de ponto controvertido específico ao deslinde do julgamento, com vistas a permitir uma melhor apuração da verdade material. Dessa feita, a realização da diligência não configura um direito subjetivo do interessado. 19. Nesse contexto normativo, não verifico a necessidade da diligência pleiteada pela recorrente, porque a comprovação do direito a seu favor prescinde da verificação dos recolhimentos que efetuou. 19.1 Com efeito, as matérias em debate no recurso voluntário são estritamente de direito, relacionadas à incidência ou não das contribuições previdenciárias e das contribuições reflexas devidas a terceiros sobre parcelas pagas/reembolsadas pelo sujeito passivo aos seus empregados a título de educação e licençaprêmio. 19.2 Em relação a tais verbas, não há dúvidas sobre a falta de qualquer recolhimento tempestivo pela empresa, visto que a recorrente entende pela não incidência da tributação. 20. Logo, por desnecessário ao deslinde do julgamento, cabe manter o indeferimento do pedido de diligência. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.839 11 Mérito a) Licençaprêmio 21. No que tange à incidência da contribuição previdenciária sobre a prestação de serviços por parte dos segurados empregados, os incisos I do art. 22 e do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estabelecem: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) (GRIFOUSE) 22. Para que a parcela paga, creditada ou devida integre a remuneração do trabalhador para fins previdenciários é requisito a sua natureza contraprestativa, destinada a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. 23. A licençaprêmio objeto do processo administrativo deriva de negociação coletiva trabalhista, consoante previsão na cláusula 26ª do Acordo Coletivo de Trabalho 2009/2011 (fls. 450/484). 23.1 A cláusula 26ª do Acordo Coletivo de Trabalho válido para o biênio 2009/2011, firmado pela recorrente, em 8/12/2009, com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e similares, está assim redigida (fls. 461/462): Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.840 12 Cláusula 26ª LICENÇAPRÊMIO A DATAPREV concederá a seus empregados, a cada cinco anos de trabalho, licençaprêmio de 30 (trinta) dias corridos, de acordo com o abaixo estipulado. (...) Parágrafo Segundo: A licençaprêmio será remunerada com a incidência de todas as rubricas que componham a remuneração habitual do empregado por ocasião da data do gozo da mesma, incluindose a gratificação de função de confiança/gratificada exercida à época da concessão do benefício. (...) Parágrafo Quarto: Mediante opção expressa do empregado, será admitida a conversão da licençaprêmio em pecúnia nos seguintes casos: a) doença grave de empregado ou de dependente de empregado, desde que haja parecer favorável do Serviço Médico/Social da Empresa; b) falecimento de dependente de empregado; c) para pagamento total ou parcial do preço de aquisição, ou para construção, de imóvel residencial próprio; d) situações de natureza social, avaliadas pelo Serviço Social da Empresa; e) por ocasião do gozo das férias, poderá ser convertida em pecúnia a parcela correspondente a 20% (vinte por cento) de uma licençaprêmio, desde que o empregado conte, na data de início das férias, com pelo menos 5 (cinco) anos de efetivo exercício de atividades laborais na Empresa, contados conforme disposto no parágrafo primeiro desta cláusula. (...) Parágrafo Sexto: Em caso de rescisão de contrato de trabalho, independentemente do caráter da mesma, será devido ao empregado que contar com 5 (cinco) anos ou mais de trabalho na Empresa, considerandose os critérios de contagem de tempo estabelecidos no parágrafo primeiro desta cláusula, indenização proporcional correspondente à licençaprêmio não gozada e não convertida em pecúnia. 24. Tratase de uma vantagem oferecida pela empresa com evidente natureza contraprestacional, haja vista que o trabalhador disponibiliza sua força de trabalho por um período de 5 (cinco) anos e, em contrapartida, o empregador lhe concede ao final desse lapso de tempo o direito de afastarse das atividades laborais por até 30 (trinta) dias corridos, sem prejuízo do recebimento da remuneração integral. Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.841 13 25. Tornase incontroverso, desse modo, que a licençaprêmio gozada integra a remuneração e o saláriodecontribuição do trabalhador. Tal contexto, porém, não compõe o crédito tributário lançado de ofício. 26. De fato, o ponto de discórdia entre autoridade lançadora e fiscalizada reside na incidência da tributação sobre a licençaprêmio não gozada pelo segurado empregado, convertida em pecúnia. 27. Registra a fiscalização duas situações, identificadas nas rubricas "10284 Licença Prêmio Férias" (Levantamento "LP") e "10118 Licença Prêmio Indenizada" (Levantamento "LI"). 28. Para ambas as hipóteses, a recorrente defende que a conversão de licença prêmio não gozada em pecúnia, ainda que por opção expressa do empregado e durante a vigência do contrato do trabalho, não integra o saláriodecontribuição nem a remuneração do trabalhador, uma vez que se trata de um direito potestativo que, se tolhido, dá ensejo à indenização. 29. No primeiro caso, o Levantamento Fiscal "LP", que corresponde à rubrica código "10284 Licença Prêmio Férias", abatidos os valores da rubrica "20284 Reposição Licença Prêmio Férias", referese à licençaprêmio convertida em pecúnia por opção expressa do empregado quando do gozo das suas férias (itens 22 a 25 do Relatório Fiscal, às fls. 365/366). 29.1 Segundo a fiscalização, o montante da vantagem concedida na vigência do contrato de trabalho possui natureza remuneratória, nos termos da legislação tributária. A decisão de piso justificou a manutenção do lançamento fiscal pelo fato de a conversão em pecúnia da licençaprêmio em virtude da opção do empregado afastar o caráter indenizatório da parcela. 30. Pois bem. Entendo que a razão está com a recorrente. A conversão em pecúnia da licençaprêmio não gozada escapa ao conceito de remuneração pelos serviços prestados, não tendo natureza salarial. Tratase de um pagamento substitutivo do direito conquistado de ausentarse do trabalho, o qual integra o patrimônio jurídico do segurado empregado e não foi usufruído. 31. Tal pagamento da licençaprêmio em pecúnia não é fruto do trabalho, pois representa a compensação devida ao empregado prejudicado no seu direito de gozo. Destarte, possui uma finalidade distinta da hipótese descrita na lei previdenciária para o núcleo da base imponível da norma de incidência da contribuição previdenciária, que deve corresponder ao total dos rendimentos pagos, creditados ou devidos destinados a retribuir o trabalho prestado pelo segurado. 31.1 Se o direito do segurado empregado não é satisfeito na forma, modo e tempo estabelecidos, a conversão da licença prêmio não gozada em pecúnia tem por função reparar o dever jurídico do empregador garantido pelo ato normativo e obrigacional originado do acordo trabalhista. 32. Daí porque a opção do trabalhador pela conversão da licençaprêmio em pecúnia não tem a relevação que a isso se pretende dar, porquanto não afasta a reparação do prejuízo ao trabalhador. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.842 14 33. Em que pese o ato de adesão voluntário do trabalhador, a conversão em dinheiro pressupõe, antes de tudo, também o interesse da empresa na permanência do empregado no trabalho, tanto que o pagamento da parcela é decorrente de um acordo prévio de vontade mediante negociação coletiva que enumera de maneira taxativa as hipóteses e condições de conversão do benefício em espécie. 34. Por sua vez, não vislumbro que a conversão em pecúnia segundo as regras estabelecidas no acordo coletivo tenha o propósito subjacente de complementar ou substituir a remuneração devida ao segurado empregado, o que reforça a natureza não contraprestativa da parcela. 35. Certamente, à vista da impossibilidade material de o empregado gozar ordinariamente da licençaprêmio, como nas hipóteses de rescisão contratual, aposentadoria ou falecimento, o caráter não salarial da parcela paga em pecúnia ao trabalhador manifestarseia como mais evidência aos olhos do operador do direito, realçando, assim, a sua natureza indenizatória. 36. Nada obstante, a natureza jurídica não transmuda pelo só fato do pagamento na vigência do contrato de trabalho. Tanto na vigência do contrato de trabalho quanto nas hipóteses de perda do vínculo empregatício, a retribuição em pecúnia não é destinada à remuneração do trabalho, mantendo a sua finalidade de reparar o prejuízo ao trabalhador que deixou de usufruir do bônus a que fazia jus pelo acordo coletivo. 37. O Levantamento "LI", equivalente a valores identificados na rubrica "10118 Licença Prêmio Indenizada", igualmente não deve integrar a base de cálculo da remuneração dos segurados empregados, dado que o caráter indenizatório da parcela paga em pecúnia não se resume à circunstância da rescisão do contrato de trabalho, único fundamento no qual se escora a autoridade fiscal para realizar o lançamento de ofício do crédito tributário (itens 26 e 27 do Relatório Fiscal, às fls. 365/366). 38. Em vista do exposto, a licençaprêmio não gozada convertida em pecúnia prevista no acordo coletivo, ainda que na vigência do contrato do trabalho e mediante opção expressa do segurado empregado, não integra a base de cálculo previdenciária, tampouco das contribuições reflexas devidas a terceiros, por não constituir remuneração pelos serviços prestados, não compondo, também, o saláriodecontribuição do trabalhador. 39. Logo, cabe decotar do lançamento fiscal o crédito tributário vinculado aos Levantamentos "LP" e "LI" (Anexo II, às fls. 581/594). b) Educação e Capacitação 40. Nessa parte, compõe o lançamento fiscal valores a título de despesas com custeio pela empresa de cursos de graduação (Levantamento "RG") e pósgraduação (Levantamento "BP") concedidos aos segurados empregados, além da educação de dependentes dos segurados empregados (Levantamento "RE). 40.1 De acordo com a fiscalização, correspondem a salários indiretos destinados a recompensar o trabalho e, portanto, com natureza remuneratória (itens 30 a 37 do Relatório Fiscal, às fls. 367/370). Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.843 15 41. Em contraponto, a empresa fiscalizada sustenta a natureza indenizatória dos reembolsos referentes à educação e capacitação em nível de graduação e pósgraduação dos empregados, assim como do benefício educacional proporcionado aos dependentes dos segurados empregados. 42. Pois bem. Para melhor desenvolvimento do raciocínio, dividese a análise da matéria controvertida conforme a seguir estruturado. b.1) Graduação e Pósgraduação 43. As utilidades concedidas pelo empregador relativamente à educação do trabalhador, quando pagas de forma habitual, estão no campo de incidência da contribuição previdenciária (art. 22, inciso I, e art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, antes reproduzidos). 44. Por outro lado, estão excluídas da base de cálculo das contribuições das empresas e dos segurados empregados as parcelas indenizatórias, ressarcitórias e aquelas isentas por força do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estas últimas nos limites e condições ali referidos.1 45. Nesse disciplinamento normativo, o legislador ordinário institui isenção tributária da parcela paga a título de educação, condicionando a sua concessão ao preenchimento de alguns requisitos, conforme disposto na alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir transcrita, com a redação vigente à época dos fatos geradores da autuação fiscal (anocalendário 2010): Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (...) (GRIFEI) 46. Ressalto que o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN)2, manda interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre isenção. 1 De acordo com o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, "não integram a remuneração [base de cálculo da empresa] as parcelas de que trata o § 9º do art. 28". 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção (...) Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.844 16 46.1 Contudo, ao afirmar a exegese literal, não quis dizer o legislador impedir o hermeneuta de utilizar dos demais critérios de interpretação, tais como o teleológico, histórico e sistemático. 46.2 Não obstante a terminologia adotada pelo Código, pretendeu o legislador que a interpretação dos dispositivos legais, quanto aos efeitos, opere resultados declaratórios, isto é, é vedada a ampliação do seu alcance normativo, assim como não cabe ao intérprete restringir o seu conteúdo. 46.3 Por esse motivo, a ideia que as normas de exceção que conferem isenção tributária devem ser interpretadas com viés eminentemente restritivo configura uma nítida distorção da aplicação do conteúdo jurídico preconizado pelo art. 111 do CTN. 47. Para a autoridade fiscal, como também para o colegiado de primeira instância, o benefício disponibilizado aos segurados empregados concernente ao custeio de cursos de graduação e pósgraduação, uma vez que relacionado à educação superior, estaria fora do escopo isentivo da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. 48. Assim não me parece. Desde que os cursos de ensino superior custeados estejam relacionados às atividades desenvolvidas pela empresa, como instrumento de agregação de valor ao desempenho profissional do empregado contratado, estará atendido o requisito destacado na alínea "t", na redação copiada acima. 49. O regulamento interno da recorrente que disciplina o reembolso a título de educação aos segurados empregados que não possuam formação superior completa prevê que os cursos deverão ter relação com as áreas e atividades desenvolvidas na empresa (fls. 503/510); (...) 3. CONCEITUAÇÃO 3.1 Reembolso à graduação É o valor reembolsado ao empregado ou requisitado em relação ao próprio, matriculado em curso de nível 3º grau, reconhecido pelo MEC, em instituição de ensino de rede privada, em cursos que tenham relação com as áreas e atividades desenvolvidas na Empresa como um todo. (...) (GRIFEI) 50. No mesmo sentido, a documentação relacionada ao programa de incentivo à pósgraduação "lato sensu" ou "stricto sensu" (fls. 523/544): (...) 4.4 Requisitos para participação no Programa (...) j Haver compatibilidade entre o curso solicitado e o cargo/atividade do empregado. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.845 17 (...) 4.7 Modalidade turma aberta (...) 4.7.1 Seleção dos candidatos Eliminatória e classificatória (...) Cabe ao órgão responsável pela gestão nacional do Programa aprovar a inclusão do empregado no Programa de Incentivo á PósGraduação após: • avaliar a coerência entre o conteúdo do curso e as atividades desenvolvidas pelo empregado e sua compatibilidade com as atribuições da área em que estiver lotado; (...) 4.9 Realização de cursos de Pósgraduação na modalidade turma fechada (...) Em caso de realização de curso de Pósgraduação na modalidade turma fechada,cabe ao órgão responsável pela gestão nacional do Programa de Incentivo à Pós Graduação selecionar a Instituição de Ensino a ser contratada pela DATAPREV para ministrar o curso de acordo as necessidades da Empresa e de acordo com a legislação em vigor. (...) (GRIFEI) 51. É verdade que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ressarcimento de despesas com custeio de cursos de graduação e pósgraduação equivalem, via de regra, a vantagens salariais indiretas de caráter remuneratório, passíveis de incidência da contribuição previdenciária. Todavia, a legislação tributária afasta a exação quando os cursos estão associados à qualificação profissional dos empregados em áreas do conhecimento compatíveis com as atividades econômica da empresa, por exprimir uma retribuição "para o trabalho", e não "pelo trabalho" a título de parcela salarial. 52. Adiciono que a fiscalização nada mencionou a respeito que o acesso ao plano educacional implementado pela empresa não estaria disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa, em contrariedade à norma isentiva. 53. Portanto, uma vez cumpridos cumulativamente os requisitos da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores, assiste razão à recorrente, devendo ser afastada a tributação sobre os valores que constam dos Levantamentos "RG" e "BP" (Anexos IIIb e IIIc, às fls. 802/848 e 849/862). Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.846 18 b.2) Reembolso escolar aos dependentes dos segurados empregados 54. O Levantamento "RE" abrange valores identificados pela fiscalização à titulo de educação em nível de ensino fundamental e ensino médio para os dependentes dos segurados empregados, hipótese que integra, na visão da fiscalização, a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de sua exclusão. 54.1 De acordo com a autoridade lançadora, o benefício de reembolso escolar ao estudante dependente do empregado está previsto no cláusula 28ª do Acordo Coletivo de Trabalho 2009/2011, assim como em ato normativo interno (fls. 450/484 e 515/521, respectivamente). 55. Pois bem. Em que pese à autonomia do direito previdenciário, há forte vinculação com outros ramos do direito e, com isso, sofre diversas influências. 56. A concepção de remuneração utilizado para definir a base de cálculo da contribuição previdenciária das empresas relativamente aos segurados empregados tem sua viga mestre de compreensão a partir dos preceitos contidos na área trabalhista (art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991). 57. Em contrapartida, a quantificação da base de cálculo da contribuição previdenciária dos segurados empregados é realizada com fundamento em um conceito exclusivo previdenciário, qual seja o denominado saláriodecontribuição. Nada obstante, a delimitação do saláriodecontribuição equivale, essencialmente, à remuneração do trabalhador (art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991) 58. No que tange ao direito laboral, o art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, define a remuneração como gênero, em que o salário é espécie. 58.1 Já o art. 458 da CLT autoriza, além do salário em espécie, o seu pagamento na forma de utilidades. É o denominado salárioutilidade, mediante fornecimento de bens ou serviços. 59. Nem toda utilidade assume a natureza salarial. Para fins da inclusão no conceito de salário e, por conseguinte, no âmbito da remuneração do trabalhador, é fundamental examinar se o fornecimento da utilidade tem por objetivo a retribuição pelo trabalho. Vale dizer, se há um caráter contraprestativo no fornecimento da utilidade. 60 Nessa linha de pensamento, pareceme oportuno transcrever as palavras de Maurício Godinho Delgado: 3 "(...) É preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Se as causas e objetivos contemplados com o fornecimento forem diferentes da ideia de retribuição pelo contrato (contraprestação, portanto), desaparece o caráter salarial da utilidade ofertada." 3 Curso de Direito do Trabalho. Editora LTr : São Paulo, 4ª ed., 2005, página 719. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.847 19 61. Consequência desse raciocínio, distinguemse as utilidades fornecidas “para o trabalho” e as utilidades fornecidas “pelo trabalho”. As primeiras, “para o trabalho”, seriam funcionais, instrumentais, verdadeiros equipamentos de trabalho e, portanto, sem natureza salarial; as segundas, “pelo trabalho”, seriam contraprestativas e com natureza salarial. 62. Ainda que contenha inegável valor econômico, a capacitação do trabalhador constitui um evidente investimento na qualificação deste, fornecendolhe meios para exercer a atividade profissional e a cidadania, cuja formação educacional revertese em favor da empresa e da sociedade. Ao não se destinar a retribuir o trabalho efetivo, é uma verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho. 63 Porém, a bolsa escolar concedida ao dependente do segurado empregado ou diretor, sob a forma de reembolso de matrícula e mensalidades, revela uma situação bem distinta. 64. Com efeito, esse tipo de concessão advém apenas da relação de trabalho e tem por finalidade precípua acrescer vantagem contraprestativa ao trabalhador, com ou sem vínculo empregatício, configurando clara remuneração indireta, na medida em que a utilidade é fornecida "pelo trabalho", e não "para o trabalho". 65. A meu sentir, a Lei nº 10.243, de 19 de junho de 2001, ao proporcionar nova redação ao § 2º do art. 458 da CLT, pretendeu excluir da remuneração, sob o prisma trabalhista, tão somente os valores despendidos com educação dos empregados, e não indistintamente os dispêndios com empregados e seus dependentes. Art. 458 (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (...) 66. Ainda que o conceito de remuneração, retirado da legislação trabalhista, influencie sobremaneira a seara previdenciária, os princípios basilares tributários, tais como legalidade e tipicidade, cuja aplicação é obrigatória ao custeio das prestações securitárias, impõem observar nas relações entre Fisco e contribuintes, entre outros, as regras matrizes de incidência e as hipóteses de exclusão tributária. 67. Nesse contexto, o legislador elegeu como base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária as parcelas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho, conforme expressam os incisos I dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991, já reproduzidos neste voto. 68. Como visto, este mesmo legislador achou por bem explicitar no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, parcelas que estão fora do campo de incidência, seja pela ausência Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.848 20 intrínseca da natureza remuneratória, sejam verbas que, mesmo destinadas a retribuir o trabalho, devem ser excluídas da tributação por opção legislativa. 69. A redação para a alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, afasta a tributação tão somente em relação à educação e capacitação do próprio trabalhador. Copio, novamente, a sua redação: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; 70. Os dispêndios com a educação e capacitação do trabalhador, em harmonia com o conceito de remuneração "para o trabalho", escapam à tributação, ainda que o legislador tenha limitado e condicionado a não integração à base de cálculo ao atendimento de certas condições. 71. Por outro lado, a extensão da não incidência a qualquer gasto com a educação de familiares depende da expressa previsão em lei, dado o seu caráter de remuneração "pelo trabalho". 72. É certo que a redação da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, foi alterada pela Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011, estendendo a isenção tributária à educação básica dos dependentes dos segurados empregados: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.849 21 (...) 73. Acontece que, segundo nosso ordenamento jurídico, a lei tributária tem efeitos prospectivos (arts. 105 e 144 do CTN), embora, excepcionalmente, seja admitida a retroatividade, nas hipóteses de lei expressamente interpretativa e lei tributária penal mais benéfica (art. 106 do CTN). 74. Em vista disso, a atual redação não é aplicável ao presente lançamento, posto que posterior à ocorrência dos fatos geradores. 75. Quanto às contribuições apuradas pela fiscalização e devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, decorrente do lançamento reflexo em relação às contribuições previdenciárias, o seu destino não é diferente, pois a base é a mesma sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias, calculada, no caso dos segurados empregados, sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada. 76. Assim, entendo que a incidência sobre o reembolso de educação aos dependentes dos segurados empregados, conforme Levantamento "RE", deve ser mantida no lançamento (Anexo IIIa, às fls. 595/801). c) AI nº 51.038.3998 (CFL 30) 77. A fiscalização aplicou multa pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à elaboração da folha de pagamento em desacordo com a forma exigida na legislação tributária (CFL 30). 77.1. Tal penalidade pecuniária possui valorbase único e indivisível, o qual independe do período do fato gerador ou do número de infrações verificadas. Em outras palavras, basta para a caracterização e imputação da multa a ocorrência de uma só infração à obrigação tributária violada. 77.2 Além disso, a multa independe de a empresa manter escrituração contábil regular, pois é distinta e autônoma a obrigação tributária de elaborar corretamente a folha de pagamento. 78. De acordo com a fiscalização, a empresa não incluiu em folha de pagamento, nas competências de 01 a 12/2010, os valores referentes ao reembolso com educação dos dependentes dos segurados empregados (item 59 do Relatório Fiscal, às fls. 373). 78.1 Cuidase de fato reconhecido pela recorrente, na medida em que a empresa defende, como visto, que tais parcelas não compõem a base imponível da contribuição previdenciária. 79. Logo, mantida a inclusão das parcelas na base de cálculo da contribuição previdenciária, como antes exposto, cabe também a manutenção integral do valor da penalidade aplicada pelo agente fiscal, não havendo elementos nos autos que afastem a infração verificada. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10166.727214/201311 Acórdão n.º 2401004.745 S2C4T1 Fl. 1.850 22 Conclusão Ante o exposto, voto por: a) NÃO CONHECER do recurso de ofício, dado o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017; e b) CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a tributação sobre: (i) a licençaprêmio não gozada convertida em pecúnia (Levantamentos "LP" e "LI") e (ii) os valores destinados ao custeio de cursos de graduação e pósgraduação aos segurados empregados (Levantamentos "RG" e "BP"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1850DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720061/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas e efetuar as retificações que entender convenientes, enquanto sob o gozo da espontaneidade. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Iniciado o procedimento fiscal e aceito o método utilizado pelo sujeito passivo, a perda da espontaneidade impede alterações para adoção de outros métodos.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas e efetuar as retificações que entender convenientes, enquanto sob o gozo da espontaneidade. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Iniciado o procedimento fiscal e aceito o método utilizado pelo sujeito passivo, a perda da espontaneidade impede alterações para adoção de outros métodos. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência apurada através do PRL-60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas e efetuar as retificações que entender convenientes, enquanto sob o gozo da espontaneidade. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Iniciado o procedimento fiscal e aceito o método utilizado pelo sujeito passivo, a perda da espontaneidade impede alterações para adoção de outros métodos. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 61 /2 01 2- 13 Fl. 916DF CARF MF 2 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência apurada através do PRL60, em função da ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 907 3 Relatório Tratamse de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2006 nos montantes de R$ 7.464.708,54 e R$ 2.687.295,06 aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. A autuação foi decorrente de ajustes de preços de transferência. Foi constatado que a interessada utilizou, para apuração do preço parâmetro para efeito de ajuste de preços de transferência nas operações de importação com pessoas vinculadas, o método PRL 60 e não apurou qualquer ajuste. Na apuração pelo método PRL60, a fiscalizada não seguiu a IN/SRF nº 243/2010 o que implicou na apuração de diferenças tributáveis. Em impugnação a interessada tece as considerações abaixo sintetizadas: Faz considerações sobre a forma correta de aplicação do método PRL60 e o princípio da estrita legalidade que teria sido ofendido pela IN SRF nº 243/2010 ao estabelecer metodologia em desacordo com a Lei nº 9.430/96, implicando em ilegítima majoração da base tributável; A exposição de motivos das MPs 478/09 e 563/2012 ratificam a ilegalidade da IN SRF 243/2010; Caberia a aplicação subsidiária dos métodos PIC e CPL; O agente fiscal realizou os cálculos do preço praticado utilizando o valor CIF, com inclusão de fretes e seguros, e não pelo valor FOB que foi o efetivamente pago; e: Não caberia a imputação de multa de ofício e juros de mora inclusive sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo prolatou o Acórdão 1645.985 considerando a impugnação totalmente improcedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Fl. 918DF CARF MF 4 MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Indeferese, portanto, pedido de diligência para a contribuinte apresentar cálculos dos preços de transferência utilizando outros métodos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário a esta Corte, ratificando em essência as razões de defesa expostas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 908 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. 1) O método PRL 60, a Lei nº 9.430/96 e a IN/SRF nº 243/2010: Quanto ao método PRL60, a IN/SRF nº 243/2010 regulamentou o art. 18, da Lei nº 9.430/96 de forma a evitar distorções na apuração tendo como parâmetro principal o fato de que a operação a ser objeto de avaliação é a importação do insumo. Sob esse prisma, a sistemática de apuração deve ter como base uma fórmula com escopo na apuração do preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Registrese que, mesmo desconsiderandose a existência da IN/SRF nº 243/2010, a interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18, da Lei nº 9.430/96 mostrase equivocada. Isso porque, na visão do sujeito passivo, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Esse entendimento parte de uma leitura equivocada do inciso II do mencionado art. 18 abaixo transcrito (destaques acrescidos): II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Na redação do item 1, a utilização da contração gramatical da preposição ("de") com o artigo ("o") implica dizer que o valor agregado deve ser diminuído na apuração do preço parâmetro da mesma forma que os descontos, impostos e comissões; e não da margem de lucro como quer ver o sujeito passivo. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente sobre o preço de revenda após deduzidos os valores mencionados Fl. 920DF CARF MF 6 Admitese que a redação do dispositivo não foi das mais felizes. Nesse sentido, vale transcrever as observações da PGFN com base em voto pelo I. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 [...] Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” . (grifos nossos) 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 909 7 Assim, antes mesmo de se adentrar na proporcionalidade trazida pela IN/SRF 243/2010 já se pode definir como equivocada a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, na ótica até aqui exposta o ajuste obtido ainda merece aprimoramento. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Daí porque se justifica a aplicação da proporcionalidade regulamentada na IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12 que, além de deixar claro que não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No que se refere à ilegalidade da IN SRF 243/2010, o estudo da PGFN traz um comparativo com a revogada IN SRF nº 32/2001 para concluir que as opções interpretativas do art. 18 da Lei nº 9.430/96 conduzem à necessidade de regulamentação interpretativa mais específica sem que isso possa implicar em violação ao texto legal: [...] Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, Fl. 922DF CARF MF 8 não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. [...] Alega a recorrente que o posterior advento da Medida Provisória nº 478/2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715/2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243/2002, demonstram a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243/2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478/2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715/2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa. O legislador pode muito bem reformular o texto legal apenas para não deixar dúvidas sobre a interpretação mais adequada de uma dada norma. Isso, de maneira nenhuma, significa que se deva interpretar o texto pretérito em sentido contrário. Quanto à jurisprudência, no âmbito administrativo a CSRF tem reformado todas as decisões proferidas pela ilegalidade da IN/SRF nº 243/2010 como pode ser exemplificado pelos Acórdãos 9101002.507, 9101002.513, 9101002.514 e 9101002.517; todos em julgamentos recentes. Na esfera judicial, não há ainda uma consolidação jurisprudencial determinada por Tribunal superior (Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral). Para corroborar os argumentos de que a IN SRF 243/2002 não traz qualquer ilegalidade ou aumento de carga tributária, trago, pelo caráter didático, os exemplos contidos em forma de Anexos ao Acórdão 9101002.514: Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 910 9 VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação "Correta" (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: Fl. 924DF CARF MF 10 PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430/96, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%* VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%* VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLV) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 911 11 Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação "correta" da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430/96 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação "Correta" O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (5A), e a interpretação "correta" sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430/96 Interp. do Contrib. Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Fl. 926DF CARF MF 12 ML = 60%*(PLVVA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLVML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430/96 Interp. Correta Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV) 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLVMLVA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243/2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 (1C) PParam = PartBI → PP – ML, conforme art. 12, § 11, V, da IN SRF 243/2002. (2C) ML = 60%* PartBI → PP, conforme art. 12, § 11, IV, da IN SRF 243/2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI → PP 60%* PartBI → PP (3C) PParam = 40%* PartBI → PP, onde: PartBI → PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, III, da IN SRF 243/2002, ou seja: (4C) PartBI → PP = %PartBI> PP*PLV, onde: %PartBI> PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 11, II, da IN SRF 243/2002, ou seja: (5C) %PartBI> PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 912 13 Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243/2002 vs. "Correta" Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da "correta" interpretação do 18 da Lei nº 9.430/96 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430/96. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat –40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243/2002 (7C) resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação "correta" da Lei nº 9.430/96 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. Fl. 928DF CARF MF 14 No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243/2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430/96 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243/2002, e a aplicação do mesmo método segundo a "correta" interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243/2002 Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI> PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 913 15 Lei 9.430/96 Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = Pprat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 2) Exclusão dos valores referentes a frete e seguro no preço praticado: No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete e seguro na apuração do preço praticado, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada no § 4º, do art. 4º, da IN/SRF 242/2002, com a redação vigente na época dos fatos geradores. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, Fl. 930DF CARF MF 16 seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) Diferentemente do suscitado na peça de defesa, a jurisprudência administrativa recente consolidase na linha do entendimento aqui esposado, como se vê nos julgamentos recentes da CSRF: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.317, sessão de 03/06/2016 ) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.Segundo o disposto no art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96, o preço praticado é o preço de aquisição da mercadoria (FOB), acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. A inclusão desses valores no cálculo do preço praticado em nada prejudica o direito do sujeito passivo em deduzilos como despesa no levantamento do lucro líquido do exercício. Por outro lado, a não inclusão daqueles valores no cálculo do preço praticado prejudicaria a sua comparabilidade com o preçoparâmetro levantado segundo o método PRL, uma vez que neste estão necessariamente incluídos os valores de frete, seguro e tributos incidentes sobre a importação. (Acórdão 9101002.524, sessão de 12/12/2016) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. (Acórdão 9101002.512, sessão de 12/12/2016) 3) Escolha do método: Esclareçase de imediato que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização dos métodos adotados pela recorrente. A apuração feita pelo PRL não foi questionada pelo Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201213 Acórdão n.º 1402002.505 S1C4T2 Fl. 914 17 Fisco A divergência dirigiuse à sistemática de apuração e também, em casos específicos, a utilização do PRL20 quando se entendeu pela ocorrência de agregação de valor cabendo então o PRL60. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Mesmo que se pudesse suscitar da desconsideração de algum método o que, ratificase, não ocorreu, somente por abuso de interpretação se poderia extrair do texto legal, o corolário de que a fiscalização, ao desconsiderar um método adotado pelo sujeito passivo por descumprimento das normas, teria o dever de buscar o método mais favorável Em relação à possibilidade de utilização de outros métodos, esclareçase de que não houve qualquer desprezo pela Fiscalização do método adotado pela recorrente. A apuração feita pelo PRL não foi questionada pelo Fisco A divergência dirigiuse à sistemática de apuração. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida, o que foi feito. Nesse aspecto, iniciado o procedimento fiscal e aceito o método utilizado pelo sujeito passivo, a perda da espontaneidade impede alterações para adoção de outros métodos. Incabível, portanto, a arguição de diligência para que seja demonstrado por outros métodos a suposta regularidade dos preços praticados. 4) Imputação da multa de ofício: Em relação à inaplicabilidade da multa de ofício, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da penalidade. 5) Juros de mora sobre a multa de ofício: Por sua vez, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício também é matéria amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo Fl. 932DF CARF MF 18 vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). De todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, o que se aplica também à CSLL pela relação de causa e efeito que une as duas exigências. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 933DF CARF MF
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