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Numero do processo: 13971.901155/2006-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE
A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 11 55 /2 00 6- 23 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 75 a 113) interposto contra o Acórdão nº 0721.013, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 65 a 69), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/06/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Por meio do Despacho Decisório de f. 35, foi declarada a não homologação da Declaração de Compensação de no 11712.08328.230703.1.7.045901, transmitida em 23/07/2003, com crédito analisado no importe de R$ 16.145.06. a titulo de "pagamento indevido ou a maior". Na fundamentação da decisão, consta que a "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 1 a 4, na qual alega que: O contribuinte optou no anocalendário de 2002 pela sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real Trimestral, lendo no 1º trimestre de 2002cpurado um montante devido de 1RPJ (após as deduções legalmente permitidas) de RS 106.692,25, conforme demonstrado no DIPJ anocalendário 2002 exercício 2003 cuja cópia segue como anexo IV. Sobre o débito de IRPJ em comento de RS 106.692,25 foram vinculados os créditos abaixo demonstrado resultando em um saldo a pagar em quotas no montante de RS 75.190,65, conforme consignado na DCTF retificadora referente ao 1º Trimestre de 2002, cuja cópia segue como anexo V. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 4 3 Em 30 de abril de 2002 o contribuinte efetuou o recolhimento de DARF da lª quota do IRPJ no valor RS 36.916,54 ocasionando um recolhimento a maior 1" quota em RS 11.852,99. Em 31 de maio de 2002 o contribuinte efetuou o recolhimento em DARF da 2" quota do IRPJ no valor original RS 36.916,54 (total do DARF R$ 37.285,70) ocasionando novamente em recolhimento a maior, agora da 2" quota no montante de de RS 11.852.99. Em junho de 2002 o contribuinte liquidou parte da 3" quota, através de compensação na firma no art. 14 da IN/SRF 21/97 com os créditos decorrentes dos recolhimentos a maior da 1º e 2ª quotas, resultando em um saldo ainda a pagar da 3" quota de RS 1.357,57, o qual foi liquidado em 30 de junho de 2002 através de recolhimento em DARF no valor principal de RS 36.916,54 (total do DARF R$ 37.806,22) o qual novamente ocasionou em recolhimento a maior de RS 35.558,97. O contribuinte almejando compensar o crédito decorrente de pagamento a maior descrito no parágrafo precedente, encaminhou eletronicamente em 23/07/2003 Declaração de Compensação por intermédio do programa PER/DCOMP, com vistas compensar o débito de CSLL do 1° trimestre de 2003 no valor original de R$ 8.484,50. Fato que ocasionou a não homologado do crédito Examinandose as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF referente ao 1º e 2° trimestres de 2002 podese observar que as informações anteriormente relatadas não se encontram perfeitamente prestadas dando a entender que no caso em questão o crédito já havia sido integralmente utilizado, não obstante tal fato não é verdadeiro haja vista que decorre de falha no preenchimento da DCTF. Neste contexto o contribuinte no intuito de corrigir as imperfeições encaminhou em 08 de março de 2008 as respectivas DCTF's retificadoras conforme cópias que se encontram no anexo V. [...] DO DIREITO Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 5 4 Face as considerações de fato relatadas anteriormente, bem conto os documentos que se encontram em anexo, mister se faz trazer a tona um dos princípios que regem o processo administrativo fiscal, o da VERDADE MATERIAL, e neste contexto assim nos ensina a lição de Alberto Xavier [...] Mesmo que a DCTF (documento que induziu a não homologação) não estivesse perfeitamente preenchida, a requerente assevera que no processo administrativo, o princípio da "Verdade Material", deve prevalecer na busca daquilo que certo, daquilo que é justo e daquilo que atenda ao interesse pub fico, assim entendido conto o cumprimento da legislação." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que a retificação da DCTF posterior à apresentação da DCOMP não enseja óbice ao reconhecimento do crédito e tornando a asseverar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em seu Recurso, a Contribuinte combate a decisão de primeira instância alegando que o momento em que ocorre a retificação da DCTF seria irrelevante vez que em virtude do princípio da verdade material o seu direito creditório deveria ser reconhecido independente dos equívocos formais. Neste ponto, fazse oportuno trazer que a administração fazendária já se debruçou sobre a matéria e tratou de analisar pormenorizadamente as diferentes questões concernentes aos procedimentos adotados para compensações efetuadas com pagamento decorrente de crédito indevidamente declarado em DCTF. As conclusões havidas pela autoridade fazendária neste esforço foram explicitadas por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, de onde extraio as conclusões que entendo de maior relevância para o presente caso: 22. Por todo o exposto, concluise: (...) b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 6 5 retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; (...) e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; (grifouse) Notese que o supracitado Parecer Normativo, em suas conclusões, não só permite a retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação, como vai além e permite até mesmo que, na impossibilidade de retificação por restrições da instrução normativa que regula a DCTF, o crédito informado na DCOMP seja comprovado por outros meios. Outrossim, ainda que se discorde desse entendimento, em respeito a preponderância do dever de se buscar a realidade material da existência do crédito tempestivamente pleiteado em compensação, bem como em respeito ao próprio "item e" das conclusões do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015supracitado, é inegável que deve ser permitido à Recorrente comprovar seu direito por outros meios idôneos. Nesta linha, citase recente julgado deste Conselho: AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. PROVA INEQUÍVOCA. Apesar de não haver retificação da DCTF por parte do sujeito passivo, há prova inequívoca da existência do crédito, que deve ser reconhecido em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (Processo: 13896.001840/200355. Julgamento: 30/01/2018) Diante dessas conclusões, com as quais alinho meu entendimento, resta claro que, de forma oposta a considerada pela decisão de piso, não há qualquer óbice para se Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 7 6 reconhecer direito creditório em qualquer fase processual, mesmo que a retificação da DCTF ocorra em momento posterior ao despacho decisório. Ou, não sendo mais possível a retificação, é passível de reconhecimento do crédito desde que o Contribuinte comprove seu direito por outros meios. Contudo, seguindo nesta senda, devese dizer que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar o seu direito creditório. Na verdade, em sede de Recurso Voluntário, não trouxe qualquer elemento fático ou probatório novo, além dos já constantes nos autos. Outrossim, em que pese a DRJ de origem entendesse que a mera retificação posterior ao despacho decisório já seria suficiente para negar o direito da Recorrente, a turma a quo, de forma muito diligência, se prestou ainda a analisar a documentação apresentada. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) Mesmo que essas retificações tivessem sido feitas tempestivamente, constata se que a maior parte das compensações indicadas na DCTF retificadora do 10 trimestre de 2002 não foram regulares. Assim, em relação ao montante de R$ 19.884.26, objeto de pedido de compensação (f. 50), e cujo crédito é discutido no processo n° 13962.000172/200146, foi proferido o Acórdão n° 0917.242 pela la Turma de Julgamento da DRJ/JFA, em 20/09/2007, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Anocalendário. 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o clecurso do pra:o de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Deste modo, não se pode dizer que exista crédito liquido e certo em relação a esta parcela. Por fim cabe salientar que a recorrente nem mesmo demonstrou como apurou o crédito de R$ 16.145,06. Portanto, não comprovou, de forma alguma, a existência de crédito. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. (...)" Conforme apontando, mesmo que se afaste as argumentações quanto a necessidade de retificação prévia da DCTF, ainda falta nos autos elementos que permitam asseverar, sem dúvidas, o direito creditório ora pleiteado. Desta forma, não há como acolher as pretensões da Recorrente. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13971.901155/200623 Acórdão n.º 1001000.656 S1C0T1 Fl. 8 7 É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001468/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 238 1 237 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001468/200591 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.384 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de junho de 2018 Assunto ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE CRÉDITO Recorrente COOPERATIVA DE E C M DOS F DA ABRIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência da Contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS devido pela cooperativa ora Recorrente, relativa ao período de 31/01/2002 e 30/11/2003. Entende a fiscalização que todas as receitas aferidas pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 46 8/ 20 05 -9 1 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.001468/200591 Resolução nº 3402001.384 S3C4T2 Fl. 239 2 cooperativa, independentemente de sua denominação, devem ser tributadas pela referida contribuição. Como sinteticamente indicado no Termo de Verificação Fiscal: "No exercício das funções de Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, em procedimento fiscal em nome do contribuinte acima, no que se refere à verificação quanto ao pagamento do PIS Faturamento, no período de 01/2002 a 12/2003, onde verificamos que: 1. a obrigação tributária da empresa surgiu com a ocorrência do fato gerador, cuja situação está definida em lei como necessária e suficiente, tendo em vista aECR n° 1/94, onde diz que a contribuição para o PIS das pessoas jurídicas de que trata o parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, dentre as quais as cooperativas de crédito, passou a incidir sobre a receita operacional bruta, assim como, diz a Lei 9.718/98, artigos 2°, 30 §, 5° e 6° e IN n° 145/99 — artigo 6°,que, a contribuição para o PIS das cooperativas de crédito passou a incidir sobre o faturamento, correspondente a receita bruta, entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 2. em observância a Lei 10.676/03, art. 1°(MP n° 101/02) —podese excluir as sobras antes da constituição dos Fundos de Reserva e Fundo de Assist. Téc. Educ. Soc.;" (efl. 5 grifei) A fiscalização elaborou as planilhas com a composição da base de cálculo autuada (todas as planilhas relativas às competências autuadas foram acostadas às efls. 56/59), que identificam as contas COSIF de receitas aferidas e a exclusão apenas dos valores declarados pela empresa na conta COSIF 7.1.9.20.009 (Recup. de Cred. Baixados como Prejuízo). Inconformada, a cooperativa apresentou Impugnação Administrativa, julgada parcialmente procedente para proceder com a exclusão da base de cálculo de outra parcela na forma da lei (conta COSIF 7.1.8.20.006 rendas de ajustes em investimentos em coligadas e controladas). O acórdão foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LEI N°9.718/98. A partir da edição da Lei n° 9.718/98 é irrelevante a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos no que concerne à tributação de PIS referente às sociedades cooperativas de crédito. Exonerase parte da exigência em face de exclusão prevista em lei na base de cálculo. MULTA DE OFICIO. VALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre os valores apurados pela fiscalização decorre de lei e não há previsão para sua redução na fase impugnatória. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora são devidos qualquer que seja o motivo determinante mesmo no período em que a exigibilidade esteja suspensa, sendo válida a aplicação da Taxa Selic por determinação legal. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte" (efl. 121) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.001468/200591 Resolução nº 3402001.384 S3C4T2 Fl. 240 3 Intimada dessa decisão em 19/08/2008 (efl. 135), a cooperativa apresentou Recurso Voluntário em 18/09/2008 (efls. 204/229) reiterando suas alegações de Impugnação, sustentando em síntese: (i) a não incidência do PIS sobre os atos cooperativos praticados pela Cooperativa, afirmando a Recorrente que a autuação se refere única e exclusivamente a atos cooperativos, sendo que as Cooperativas de crédito não podem realizar atos não cooperativos em conformidade com as disciplinas da Resolução CVM n.º 2.788/2000, Parecer PGFN/CPA n.º 1.088/99, Resolução BACEN n.º 3.106/2003 e Circular BACEN n.º 3.238/2004; (ii) a ilegitimidade do alargamento da base de cálculo pela Lei n.º 9.718/98 sobre todas as receitas aferidas em conformidade com o julgamento do Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084; (iii) a manutenção de erros na apuração da base de cálculo, reiterando a alegação quanto a parcela já excluída pela decisão recorrida (rendas de ajustes em investimentos em coligadas e controladas) e pleiteando ainda a exclusão de recuperação de encargos e despesas dentre outras receitas operacionais; (iv) o caráter confiscatório da multa aplicada; e (v) a não incidência de juros moratórios enquanto pendente a apreciação dos recursos administrativos por se tratar de hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN) e a impossibilidade de incidência da taxa SELIC sobre os créditos. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como relatado, a autuação fiscal exige a cobrança do PIS da cooperativa sob o pretexto que todas as receitas por ela aferidas devem ser tributadas por essa contribuição. Contudo, em conformidade com o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, em acórdão que deve ser devidamente aplicado por este Conselho à luz do art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF1, não cabe a incidência do PIS sobre os atos 1 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.001468/200591 Resolução nº 3402001.384 S3C4T2 Fl. 241 4 cooperativos típicos praticados pela Recorrente, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados nos exatos termos identificados no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, recepcionada pelo art. 146, III, 'c' da Constituição Federal com o status de lei complementar, nos seguintes termos: "SEÇÃO I Do Ato Cooperativo Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." (grifei) Tratase do julgamento do Recurso Especial n.º 1.164.716, que abordou apenas os atos cooperativos típicos como aqueles envolvidos nos presentes autos, cujo acórdão transitou em julgado em 22/06/20162. Este julgado foi ementado nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas." (STJ, REsp 1164716/MG, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016 grifei) 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" (grifei) 2 Cumpre mencionar que nessa mesma oportunidade, o STJ julgou o Recurso Especial n.º 1.141.667, que se encontra sobrestado até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 672.215. Esta mesma providência não foi tomada quanto ao Resp n.º 1.164.716, acima transcrito, que transitou em julgado em 24/06/2016, conforme extrato de andamentos disponível em https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=200902107185 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.001468/200591 Resolução nº 3402001.384 S3C4T2 Fl. 242 5 Entretanto, ao contrário do que categoricamente afirmado pela Recorrente, é possível que cooperativas de crédito afiram rendimento na realização de atos não cooperativos, em especial quando da realização de atos com terceiros não associados (art. 86 da Lei n.º 5.764/1971) ou com sociedades não cooperativas (art. 88 da mesma lei), atos esses que são passíveis de tributação como firmado em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 598.085 e 599.3623. Vejamos o teor dos referidos dispositivos legais: "Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. (...) Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (redação decorrente da MP nº1.96123). Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” (FATES)." E, atentandose para as planilhas de base de cálculo identificada pela fiscalização e considerando que não consta qualquer documentação contábil ou fiscal da cooperativa acostada aos autos, não é possível confirmar se os valores autuados se referem exclusivamente a atos cooperativos ou se igualmente envolvem atos não cooperativos eventualmente praticados à época. Acrescese, ainda, que há uma dúvida quanto à apuração realizada pela fiscalização da base de cálculo. Isso porque não é possível identificar a razão pela qual a fiscalização não procedeu com a exclusão na base de cálculo autuada dos valores identificados em duas subcontas COSIF (7.1.9.30.006 Recup. de encargos e despesas e 7.1.9.90.008 outras receitas operacionais), que estão identificadas juntamente com a subconta 7.1.9.20.009 (Recup. de Cred. Baixados como Prejuízo) que foi admitida pela fiscalização como dedução. As três subcontas estão agrupadas na conta 7.1.9.00.005 (Outras receitas operacionais) e não consta do relato fiscal o porque somente uma subconta foi considerada, vez que a fiscalização justificou apenas a exclusão dos valores relativos às sobras ("2. em observância a Lei 10.676/03, art. 1°(MP n° 101/02) —podese excluir as sobras antes da constituição dos Fundos de Reserva e Fundo de Assist. Téc. Educ. Soc." efl. 05) 3 As receitas decorrentes de atos realizados entre a cooperativa e terceiros foram considerados como sujeitos à incidência do PIS e da COFINS pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários com Repercussão geral n.º RE 598.085 e RE 599.362, ambos já transitados em julgado. Neste último foi firmada a tese segundo a qual "A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep." (RE 599362 ED, Relator Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 18/08/2016, Acórdão eletrônico DJe237 Divulg. 07/11/2016 Public. 08/11/2016). No mesmo sentido, no primeiro RE, foi igualmente tratada a incidência sobre atos entre as cooperativas e terceiros: "11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta." (RE 598085, Relator Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, Acórdão eletrônico Repercussão Geral Mérito DJe027 Divulg. 09/02/2015 Public. 10/02/2015 grifei) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.001468/200591 Resolução nº 3402001.384 S3C4T2 Fl. 243 6 Diante destas circunstâncias, para avaliar a extensão do provimento do presente Recurso e confirmar as parcelas que foram autuadas pela fiscalização, proponho sua conversão em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia especial das instituições financeiras DEINF SP): (i) segregar, em conformidade com as informações prestadas pela Recorrente e pela documentação fiscal e contábil pertinente, as receitas correspondente aos atos cooperativos praticados pela Recorrente e aos atos não cooperativos objeto da autuação, por competência e identificando as contas COSIF correspondentes em conformidade com a planilha que respaldou o Auto de Infração (efls. 56/59). Considerar as regulamentações das cooperativas de crédito vigentes à época dos fatos geradores para identificar o que se classificou como atos cooperativos (por exemplo, os valores de empréstimos realizados a associados) e como atos não cooperativos (por exemplo, os valores recebidos pela prestação de serviços a não associados); (ii) informar a que se refere os valores identificados nas subcontas COSIF 7.1.9.30.006 (Recup. de encargos e despesas) e 7.1.9.90.008 (outras receitas operacionais), informando as razões e os fundamentos legais que justifiquem a razão pelas quais os referidos valores podem, ou não, ser excluídos da base de cálculo do PIS da cooperativa. Em seguida, antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.902336/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 33 6/ 20 12 -8 4 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 230 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 24/28) em face do Acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (efls. 17/20) que, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta do autos: que, em 20/01/2012, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 24091.97549.200112.1.3.048030 (efls.02/06), informando compensação tributária: a) débitos informados (confessados): IRPJ, código de receita 2089, período de apuração 4º trimestre 2011, data de vencimento 31/01/2012, R$ 102.772,00; CSLL, código de receita 2372, PA 4º trimestre/2011, vencimento 31/01/2012, R$ 93.221,30. b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 183.160,60: que o direito creditório R$ 183.160,60 decorreu de pagamento, em parte, indevido ou a maior do IRPJ Lucro Presumido, do PA 3º trimestre/2010 (30/09/2010), código de receita 2089, data de arrecadação 29/10/2010, valor do recolhimento R$ 1.640.119,72. Extrato do pagamento (efl. 175). Em 05/11/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Taubaté (efl. 07), denegando o direito creditório pleiteado, pois o valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débito da contribuinte confessado em DCTF do próprio PA. Não restando crédito disponível. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório de 05/11/2012 (efl. 07), in verbis: (...) 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 183.160,60. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 231 3 . (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente desse despacho decisório em 28/11/2012 (efl. 14), a contribuinte, em 21/12/2012 apresentou Manifestação de Inconformidade (efl. 08), pedindo sua reforma, in verbis: (...) HYDROSTEC TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS LTDA., estabelecida no Município de Taubaté, Estado de São Paulo, na Avenida do Pinhão nº 2.220, Bairro do Barranco, inscrita no CNPJ sob ne 08.874.534/000159, vem respeitosamente apresentar a presente Manifestação de Inconformidade pelos fatos e razões a seguir expostos: O contribuinte apurou e recolheu valor a maior do IRPJ relativo ao período de apuração set/2010. Constatado isso, procedeu ao PER/DCOMP, que, de acordo com o Despacho Decisório em questão, considerou inexistente o crédito para essa finalidade. De fato, a constatação da inexistência de crédito apurada deveuse a que a DCTF do período correspondente ao recolhimento efetuado a maior continha erro no seu preenchimento, de sorte que foi agora devidamente retificada (cópia anexa), pelo que se pode verificar a existência do crédito postulado na PER/DCOMP, decorrente da diferença apurada entre a DCTF original e a retificada. Diante do exposto, requer seja homologado o PER/DCOMP, como medida de Direito e de Justiça. (...) A contribuinte juntou o Recibo da DCTF Retificadora, transmitida em 03/12/2012, débito do IRPJ do PA setembro 2010 R$ 1.456.959,12 (efl. 09). A DRJ/Juiz de Fora, em 21/11/2013, conforme Acórdão de efls. 17/20, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa e dispositivo transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/10/2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 232 4 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Voto (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data da entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. (...) Com efeito, elucido ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 233 5 (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC (atual art. 373, I, do novo CPC). E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora (ainda mais quando enviada após a expedição do Despacho Decisório que não homologa a compensação). É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. (...) Ciente dessa decisão em 13/12/2013 sextafeira (efl. 22), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/01/2014 (efls.24/28), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, por erro de fato no preenchimento da DCTF original, foi declarado um valor de Imposto de Renda e Contribuição sobre o Lucro Líquido a pagar incorretamente; que a retificadora da DCTF foi entregue após a transmissão do PER/DCOMP: que foi recolhido valor a maior do que o devido: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 1.456.959,12 1.640.119,72 que juntou aos autos demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis para suportar esse demonstrativo, ou seja: cópia do Livro de Saídas com seu resumo por CFOP ao final de cada mês, o Razão das contas do período envolvido, a DIPJ do anocalendário de 2010, o DARF do recolhimento do valor a maior que o devido e DIPJ retiticadora (efls. 37/140); que quanto à DCTF a Súmula 436 STJ tem como verbete: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco"; que requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação informada na DCOMP objeto dos autos. Na sessão de 07/04/2016, esta Turma do CARF, com outra composição, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.329– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 147/150), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 234 6 (...) Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados – memória de cálculo da CSLL devida, Livros de Saídas, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. Pois bem. Apesar do minucioso exame do caso já realizado pelas autoridades fiscais, que reconheceram o que se podia reconhecer, no tocante a créditos da Recorrente para serem compensados, há que se buscar sempre a verdade material. O contribuinte recorrente, em seu recurso – efls. 25, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 24091.97594.2001.12.1.3.048030, processo administrativo n. 10860.902336/201284 (devido R$ 1.456.959,12 e recolhido R$ 1.640.119,72). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior. (...) Na sequência, os autos retornaram com Relatório de diligência incompleta (e fls. 177/178). Então, o CARF esta Turma novamente converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.461– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 21/09/2017 (efls. 186/190), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Importante observar que a Resolução havia determinado à autoridade fiscal que examinasse, "à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito". Todavia, no relatório da diligência realizada, a autoridade fiscal não faz qualquer referência à análise dos documentos anexados ao recurso voluntário, quais sejam: (i) demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido, (ii) Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, (iii) Razão das contas do período Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 235 7 envolvido, (iv) DIPJ do exercício base de 2010. Ao contrário, conclui a fiscalização que, de acordo com as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, houve recolhimento a maior, o que consubstancia crédito passível de restituição ou compensação ao valor original de R$ 183.160,60 (cento e oitenta e três mil, cento e sessenta reais, sessenta centavos). Dessa forma, proponho, a conversão do julgamento, novamente, em nova diligência, para que, após a análise dos documentos acostados aos autos às fls. 37 a 140, bem assim, a outros que entenda necessário, a autoridade fiscal elabore relatório fiscal conclusivo sobre da existência ou não de valor recolhido a maior e informe o valor disponível para compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência . (...) Realizada a diligência, cujo resultado consta do Relatório de Diligência quanto ao IRPJ (efls. 198/199). Intimada a contribuinte para se manifestar do resultado da diligência em 16/03/2018 (efl . 203), apresentou contrarrazões e juntou documentos em 17/04/2018 (efls. 205/218). É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 236 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A tempestividade do Recurso Voluntário já foi analisada, na sessão de 07/04/2016, quando do conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.329– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 147/150) que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/12/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 13/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento (...) Objeto da lide: crédito do IRPJ pago a maior do PA 3º trimestre/2010: A contribuinte protocolizou, em 20/01/2012, PER/DCOMP informando compensação tributária: a) débitos: IRPJ, relativos ao PA dezembro/2011, vencimento 31/01/2012, no valor de R$ 102.772,00; e, CSLL PA dezembro/2011, vencimento 31/01/2012, no valor de R$ 93.221,30; b) crédito: utilização do crédito do IRPJ pago a maior ou indevidamente de R$ 183.160,60 (saldo original) do PA 3º trimestre/2010 (apuração setembro/2010), relativo ao DARF pago em 29/10/2010, no valor de R$ 1.640.119,72, no regime do Lucro Presumido. Que o crédito, sua origem, seria a diferença R$ 183.160,60 = pagamento do IRPJ do 3º trimestre/2010 R$ 1.640.119,72 () débito do IRPJ do PA 3º trimestre/2010 R$ 1.456.959,12 conforme DCTF retificadora (efl. 152). O despacho decisório indeferiu o crédito pleiteado, sob o fundamento de que não havia crédito disponível, pois o valor fora utilizado, integralmente, para pagamento do débito do IRPJ do próprio PA 3º trimestre/2010 de R$ 1.640.119,72, débito confessado na DCTF (original). Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 237 9 A DRJ/Juiz de Fora, também, não reconheceu o crédito pleiteado; julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deveria existir já na data da transmissão da DCOMP, porém a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram juntados aos autos quaisquer elementos comprobatórios do direito creditório. Não houve a comprovação do erro de fato que justificaria a apresentação da DCTF retificadora (redução do débito confessado na DCTF inicial) e revisão do despacho decisório. Não houve a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao mérito: Nesta instância recursal ordinária, a contribuinte pediu a revisão da decisão a quo, juntou elementos probatórios (efls. 37/140); porém, essas provas não seriam suficientes para comprovação do alegado erro de fato (reduzir tributo confessado na DCTF inicial) e para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por isso, na sessão de 07/04/2016, o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.329– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 147/150). A diligência fiscal foi realizada de forma incompleta. Logo, na sessão de 21/09/2017 novamente o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.461– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 186/190). Efetuada a diligência fiscal (a mais recente), os autos retornaram para julgamento da lide. A diligência fiscal, outra vez, é insuficiente para formar convicção do julgador. Inclusive, a contribuinte contesta o resultado da diligência. Vejamos. O resultado da diligência fiscal, conforme Relatório (efls. 198/199), apurou direito creditório de R$ 161.986,77, valor menor do que o pleiteado no PER/DCOMP. Na declaração de compensação tributária a contribuinte pleiteou/utilizou crédito do IRPJ (3º trimestre/2010) no valor de R$ 183.160,60. Nas razões do Recurso Voluntário a contribuinte informou a origem do crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 24091.97549.200112.1.3.048030 como sendo pagamento indevido ou a maior: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 1.456.959,12 1.640.119,72 Como dito, no relatório de diligência fiscal consta que, relativo ao 3º trimestre/2010, o valor do direito creditório do IRPJ seria R$ 161.986,77 (valor original), nos seguintes termos (efls. 198/199), in verbis: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 238 10 (...) Os documentos acostados aos autos a que faz referência a Resolução são: demonstrativo do cálculo do IR devido do 3º trimestre de 2010 (fl. 37); Livro Registro de Saídas (fls. 38/97); Livro Razão (fls. 98/109); DIPJ retificadora de 2011, anocalendário 2010 (fls. 110/139) e; DARF, período de apuração 30/09/2010, código de receita 2089, valor total de R$ 1.640.119,72 (fl. 140). O demonstrativo do cálculo indica os saldos mensais das contas contábeis que compõem o total das receitas de vendas do período, conforme dados do Livro Razão. A base de cálculo do imposto, o lucro presumido calculado e a apuração do Imposto de Renda devido correspondem aos valores declarados na DIPJ retificadora. Por fim, o DARF apresentado possui os mesmos dados do extrato de pagamento registrado no sistema de arrecadação (fl. 175). Foram coletados do Sistema SPED NFe os arquivos relativos às notas fiscais eletrônicas emitidas no período. Após análise, constatouse que sua contabilização está consistente com o Livro Registro de Saídas e o Demonstrativo, exceto quanto ao item 2 da Nota Fiscal nº 502, valor de R$ 91.500,00, que foi tratado como receita de vendas de bens, mas sua descrição remete a serviços prestados (vide fls. 192 a 195). Também foi cotejado o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) informado pelo interessado (DIPJ e Demonstrativo) e o montante declarado pelas fontes pagadoras em DIRF (fls. 196 e 197). Verificouse divergência, a qual foi considerada para efeito de cálculo do Imposto de Renda. Os valores declarados estão dispostos na Tabela I a seguir: Destarte, efetuouse nova apuração de imposto devido com as citadas modificações (Receita Bruta de Serviços e IRRF). O comparativo entre as duas apurações está demonstrado à Tabela II. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 239 11 Portanto, de acordo com: os documentos apresentados pelo sujeito passivo às fls. 37 a 140; os arquivos SPED de notas fiscais do período; e as DIRF transmitidas pelas fontes pagadoras do contribuinte; houve recolhimento a maior com crédito passível de compensação ao valor original de R$ 161.986,77 (cento e sessenta e um mil, novecentos e oitenta e seis reais, e setenta e sete centavos). (...) Entretanto, intimada do resultado da diligência fiscal, a recorrente apresentou contrarrazões que assim sintetizo: que o Auditor constatou uma diferença de R$ 91.150,00 nos valores de receita de atividade geral (venda de mercadorias) e receita de prestação de serviços em geral, base de cálculo da CSLL (valor registrado, classificado, de forma errada, equivocada, quanto à natureza da receita): Descrição do Item Sujeito Passivo Apurado DIFERENÇA APONTADA Receitas Atividades em Geral (12%) 14.962.717,61 14.871.567,61 (91.150,00) Receitas Serviços em Geral (32%) 441420,70 532.570,70 91.150,00 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 240 12 que, em 29/07/2010, a contribuinte emitiu erroneamente a NF eletrônica nº 502, contra a empresa Petróleo Brasileiro PETROBRÁS, para formalização de retorno de mercadoria recebida para conserto, utilizando CFOP 6916 retorno devolução de mercadoria recebida para conserto ou reparo R$ 70.000,00, e prestação de serviço de industrialização CFOP 6124, valor R$ 91.150,00. Total da Nota Fiscal eletrônica R$ 161.150,00 (efls 212); que, referente à prestação do serviço industrialização, o valor deveria constar de nota fiscal específica de prestação de serviço, e não de movimentação de mercadoria; que fez acordo com a Petrobrás: para corrigir esse erro, a Petróleo Brasileiro PETROBRÁS emitiu a Nota Fiscal eletrônica nº 17006, de 20/09/2010, devolução parcial, valor da devolução R$ 91.150,00 (efl. 213) (fez constar tal observação no rodapé da nota fiscal que se refere a devolução parcial referente à NF 502); que o valor da devolução de R$ 91.150,00 então foi excluído da receita de venda de mercadorias, juntamente com a devolução de vendas da NF 022, de 27/09/2010, valor 2.500,00 (efl.217). Assim, conforme Tabela II (acima), foi excluído do valor das receitas de vendas o valor de R$ 93.650,00; que relativo ao valor da prestação de serviço de industrialização R$ 91.150,00 foi emitida a Nota Fiscal de Serviços nº 0017, de 08/10/2010, contra a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS (efl. 214), e que a operação foi devidamente tributada, receita oferecida à tributação no 4º trimestre/2010; que, portanto, o ajuste efetuado pelo Auditor na receia bruta de vendas de mercadoria e na receita de prestação de serviços seria incorreto (não haveria ajuste a fazer). Identificado o citado ponto controvertido, cabe observar que a insuficiência da Diligência não se resume apenas essa questão. Primeiro, essa irresignação da contribuinte, em relação aos resultado da diligência, remete a várias questões outras que o procedimento de diligência fiscal não resolveu: 1) desde o início a contribuinte alega nos autos que cometeu erro de fato na apuração do IRPJ do 3º trimestre/2010: Entretanto, a fiscalização não intimou a contribuinte a demonstrar, comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Razão, Diário e Lalur) onde estaria o alegado erro de fato na apuração do imposto do 3º trimestre/2010. A contribuinte frisa que: a) entregou DIPJ com IRPJ apurado a maior; b) pagamento a maior do IRPJ; e c) confissão a maior do IRPJ (DCTF). Ora, tornase necessário a contribuinte comprovar com sua escrituração contábil (livros Razão e Diário), e fiscal (livro LALUR), e documentos de suporte dos registros contábeis o alegado erro de fato na escrituração contábil para justificar a retificação da Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 241 13 DCTF original (efls. 152), da DIPJ (efls. 110/139 e 153/174) e comprovar a origem do crédito pleiteado e sua liquidez e certeza. Não basta apenas verificar, pontualmente, o somatório de notas fiscais. E necessário analisar a escrituração contábil anterior (contendo o alegado erro de fato) e a escrituração contábil posterior (sem o erro), para conhecer, buscar a origem do alegado erro, sua plausibilidade, sua comprovação, de forma cabal, para que possa justificar a redução de débito confessado na DCTF original. Ou seja: o que gerou o alegado erro de fato na apuração dos resultados tributáveis do 3º trimestre/2010? Estabelece o art. 147, § 1º, CT, in verbis: Art. 147. (...). § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) O Art. 170 do CTN estatui que a contribuinte comprove a liquidez e certeza do crédito pleiteado em processo de compensação tributária: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) O art. 373, I, do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário, estabelece que a contribuinte como autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional tem o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu alegado direito creditório, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) O momento para comprovação é por ocasião da manifestação de inconformidade (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). 2) Qual o regime de escrituração das receitas da contribuinte: competência ou caixa?. Escrituração de notas fiscais sem observância do regime de competência? A contribuinte argumentou nas contrarrazões da diligencia fiscal que em relação à apuração do IRPJ do 3º trimestre/2010: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 242 14 que, em 29/07/2010, a contribuinte emitiu erroneamente a NF eletrônica nº 502, contra a empresa Petróleo Brasileiro PETROBRÁS, para formalização de retorno de mercadoria recebida para conserto, utilizando CFOP 6916 retorno devolução de mercadoria recebida para conserto ou reparo R$ 70.000,00, e prestação de serviço de industrialização CFOP 6124, valor R$ 91.150,00. Total da Nota Fiscal eletrônica R$ 161.150,00 (efls 212); que, referente à prestação do serviço industrialização, o valor deveria constar de nota fiscal específica de prestação de serviço e não de movimentação de mercadoria; que fez acordo com a Petrobrás: que, para corrigir esse erro, a Petróleo Brasileiro PETROBRÁS emitiu a Nota Fiscal eletrônica nº 17006, de 20/09/2010, devolução parcial, o Valor de R$ 91.150,00 (efl. 213) (fez constar tal observação no rodapé da nota fiscal que se refere a devolução parcial referente à NF 502); que o valor da devolução de R$ 91.150,00 foi excluído da receita de venda de mercadorias, juntamente com a devolução de vendas da NF 022, de 27/09/2010, valor 2.500,00 (efl.217). Assim, conforme Tabela II (acima), foi excluído do valor das receitas de vendas o valor de R$ 93.650,00; que relativo ao valor da prestação de serviço de industrialização R$ 91.150,00 foi emitida a Nota Fiscal de Serviços nº 0017, de 08/10/2010, contra a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS (efl. 214), e que a operação foi devidamente tributada, receita oferecida à tributação no 4º trimestre/2010; que, portanto, o ajuste efetuado pelo Auditor Fiscal na receia bruta de vendas de mercadoria e na receita de prestação de serviços seria incorreto (não haveria ajuste a fazer). Ora, ajuste, acordo entre particulares, não podem ser objetados contra o fisco federal, conforme art. 123 do CTN, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Neste caso, se a prestação do serviço ocorreu em 27/07/2010, conforme NFe 502, PA 3º trimestre/2010, a recorrente não pode oferecer à tributação apenas no 4º trimestre/2010). Além disso, não juntou aos autos cópia do livro Razão e Diário de que o valor foi oferecido à tributação no 4º trimestre/2010. Em face dessas questões, tornase necessário, mais uma vez, converter o julgamento em diligência fiscal, para retorno dos autos à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Taubaté para: a) intimar a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato na escrituração contábil e fiscal (Livros Razão, Diário e Lalur) do 3º trimestre/2010 (cotejar os dados da escrituração anterior e posterior). Existe, está identificado e comprovado o alegado erro de fato? e, se existe/comprovado o erro de fato, o que o gerou? b) quanto às notas fiscais 502, 17006 e 0017 (efls. 212, 213 e 214): Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.612 S1C3T1 Fl. 243 15 a receita de prestação de serviço de conserto, reparo, industrialização, de R$ 91.150,00 ocorreu em que data e foi oferecida à tributação em que PA? Qual o regime de escrituração das receitas da contribuinte: competência ou caixa?. c) o crédito pleiteado do IRPJ do 3º trimestre/2010 na DCOMP objeto dos autos existe? Se existe, qual o valor? Está disponível? d) realizada a diligência fiscal, a fiscalização da DRF deverá fazer relatório circunstanciado, conclusivo, demonstrando os resultados e do qual dará ciência à contribuinte, abrindo prazo de trinta dias para, se quiser, apresentar manifestação nos autos. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, devolver os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme determinado acima. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000963/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1994 a 30/09/1994, 01/10/1994 a 31/10/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos.
Numero da decisão: 2301-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias, NFLD Debcad nº 37.132.1700, relativo aos períodos de 2/1994 a 9/1994, 10/1996 e 12/1996, devidas por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 63 /2 00 7- 98 Fl. 270DF CARF MF 2 responsabilidade solidária em razão de cessão de mãodeobra, cuja ciência se deu em 12/11/2007 (efl. 86). Consta do processo (efls. 230 e 231) que o lançamento em questão substituiu a NFLD Debcad nº 35.781.9861, de 20/09/2005, que foi anulada por vício formal e que, por sua vez, também substituía a NFLD nº 35.781.7834, de 21/12/2004, também anulada. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 90 a 102) em que alegou a decadência quinquenal. A DRJ de origem, por meio do Acórdão nº 14.24.667 (efls. 226 a 236), de 18/06/2009, entendeu que não se aplicaria, ao caso o disposto na Súmula Vinculante nº 8 e, portanto, a decadência seguiria a regra do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. No recurso voluntário (efls. 247 a 258), a Recorrente reafirmou estarem decaídos os períodos lançados. É o suficiente relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A única questão sob litígio é decadência. Alega a Recorrente que os períodos lançados já haviam sido atingidos pela decadência quinquenal. A decisão a quo apreciou a matéria e assim se pronunciou (efls. 235 e 237): Portanto, não restaram alcançados pela decadência os lançamentos anteriormente efetuados posto realizados em conformidade respectivamente com os incisos I e II do artigo 45 da Lei 8.212/91, submetendose a presente NFLD em decorrência da alteração no dispositivo legal aplicável advinda da publicação da Súmula Vinculante 08 do STF ao prazo decadencial cominado no artigo 173, II do CTN o qual foi regularmente observado pela autoridade lançadora. O entendimento do colegiado recorrido é que, por ter havido três lançamentos, sendo que os dois primeiros foram anulados, o prazo decadencial passaria a contar da anulação do ato administrativo, nos termos do in. II do art. 173 do CTN1. No entendimento da decisão de origem, se o lançamento original se aperfeiçoou antes do advento da Súmula Vinculante nº 8, a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria correta, porquanto era a norma vigente ao tempo do lançamento. Entenderam, os julgadores de primeira instância, que a alteração no dispositivo legal aplicável promovida pela decisão do STF não alcançaria os lançamentos perfeitamente constituídos. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16004.000963/200798 Acórdão n.º 2301005.480 S2C3T1 Fl. 271 3 Ainda que seja respeitável o entendimento do colegiado precedente, com ele não posso concordar. Eis que a declaração de inconstitucionalidade não implica na simples alteração do dispositivo legal tido por inconstitucional, mas em extirpálo do mundo jurídico desde o seu surgimento, pelo menos enquanto regra geral. A Súmula Vinculante nº 8 deve ser interpretada para além do seu enunciado, sendo importante conhecer seus fundamentos. O STF foi chamado a dirimir a controvérsia a partir de reiteradas decisões quanto à prevalência das regras decadenciais do CTN sobre as que constavam dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça assim havia decidido na Arguição de Inconstitucionalidade em Recurso Especial nº. 616.348/MG: Nos termos do art. 146, III da Constituição Federal, a Lei Complementar deve estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Dentre esses temas de normas gerais estão a decadência e a prescrição, que somente podem ser veiculadas por instrumentos normativos próprios. Daí se conclui, ao menos nesses exame preliminar, que o art. 45 da Lei 8.212, que instituiu o plano de custeio da Previdência Social, padece de vício de inconstitucionalidade ao dispor de prazo de 10 anos para que o INSS lance os tributos sob sua administração. Ora, sendo o CTN materialmente lei complementar e considerando que decadência é norma geral de direito tributário, cuja regulação somente pode se dar por lei complementar2, não poderia o legislador, em 1991, instituir a decadência por lei ordinária. Este é o fundamento da Súmula Vinculante nº 83. É certo que os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 foram modulados, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868, de 19994, para aplicar efeitos ex nunc à decisão apenas às repetições de indébitos ajuizadas após 11/06/2008. Para qualquer outra circunstância, a decisão vinculante retroage ao advento da norma atingida, como se ela sequer houvesse existido. Portanto, ao contrário do que sustentou a decisão recorrida, Súmula Vinculante nº 8 é de aplicação obrigatória no presente caso. Nos autos consta que o lançamento contempla contribuições de 1994 e de 1996 e se completou, originariamente, em 21/12/2004 com a NFLD nº Debcad 35.781.7834, que foi anulada por vício insanável e substituída pela NFLD Debcad 35.781.9861, de 20/09/2005, também anulada e substituída pela NFLD Debcad 37.132.1700, que é a matéria deste litígio. Ora, o primeiro lançamento, a despeito de ter sido anulado, já estava atingido pela decadência; tanto pela aplicação do art. 173, I, quanto do art. 159, § 4º do CTN. Assim, os fatos 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: ................................................................................ III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ................................................................................ b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 3 Precedentes representativos do STF: RE 556.664 e RE 559.943. 4 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Fl. 272DF CARF MF 4 subsequentes não poderiam ter o condão de restabelecer o crédito tributário que já se encontrava extinto. Conclusão Voto por conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721722/2016-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
PRELIMINAR. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação.
As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontram-se consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário.
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA
O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN).
INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO
A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2401-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 PRELIMINAR. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontram-se consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional.
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NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INSUBSISTÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório Fiscal. A demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontramse consignados nos autos do processo, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. MULTA ABUSIVA. NÃO OCORRÊNCIA O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sendo dever da Autoridade Lançadora proceder ao lançamento e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). INTENÇÃO DO AGENTE. DOLO A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 22 /2 01 6- 16 Fl. 484DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0738.767 (fls. 416/423): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO I, DA LEI Nº 8.212/1991. Constitui infringência ao artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 3 3 SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições sociais previdenciárias dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. NATUREZA FORMAL. ARTIGO 136 DO CTN. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os órgãos julgadores de primeira instância do processo administrativo fiscal federal (Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento) não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de três Autos de Infração, lavrados em 22/08/2016, relativos ao período de 01/2013 a 12/2014, inclusive 13º salário, tendo como fato gerador os pagamentos a segurados empregados, a segurados contratados e a contribuintes individuais não informadas em GFIP, e os valores pagos ou creditados a segurados empregados não considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os Autos de Infração lançados correspondem ao seguinte: · Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador (fls. 10/24): Valor total de R$ 13.511.280,81, já incluso multa e juros, referentes às contribuições relativas à parte patronal que incidem Fl. 486DF CARF MF 4 sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais e às contribuições para os Riscos Ambientais do Trabalho – RAT. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Valores Pagos ou Creditados a Contribuintes Individuais Não Oferecidos à Tributação; b) Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; c) Rubricas a Segurados Empregados Não Oferecidos à Tributação; d) GILRAT Sobre Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; e) GILRAT Sobre Rubricas de Empregados Não Oferecidos à Tributação. · Contribuição Previdenciária dos Segurados (fls. 25/33): Valor total de R$ 4.235.667,92, já incluso multa e juros, referentes às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que incidem sobre as remunerações recebidas por eles, não declaradas em GFIP e nem descontadas ou descontadas, mas não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Valores Pagos ou Creditados a Contribuintes Individuais Não Oferecidos à Tributação; b) Salários, Ordenados, Vencimentos e Subsídios a Empregados Não Oferecidos à Tributação; c) Rubricas a Segurados Empregados Não Oferecidas à Tributação. · Multas Previdenciárias (fls. 34/37): Valor total de R$ 4.286,08, referentes às multas por descumprimento de obrigações acessórias. Foram constatadas as seguintes infrações: a) Não Lançamento em Títulos Próprios de Sua Contabilidade, de Forma Discriminada, os Fatos Geradores de Todas as Contribuições, o Montante das Quantias Descontadas, as Contribuições da Empresa e os Totais Recolhidos; b) Falta de Arrecadação Pela Empresa das Contribuições dos Segurados Empregados e Trabalhadores Avulsos e do Contribuinte Individual a Seu Serviço. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 02/08): 1. Os créditos apurados referemse às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e/ou segurados contribuintes individuais, Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 4 5 incidentes sobre as remunerações constantes em folhas de pagamento ou em recibos de pagamentos; 2. As contribuições foram arrecadadas, mediante descontos incidentes sobre as remunerações desses segurados e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social; 3. Para grande parte dos segurados contratados e contribuintes individuais, a Prefeitura Municipal não os declarou em GFIP, nem efetivou os descontos das suas contribuições previdenciárias devidas, conforme dispõe, desde 04/2003, a Medida Provisória nº 83/2002, convertida na Lei nº 10.666/2003 (alíquota de 11% sobre a remuneração, respeitado o teto para cada competência); 4. O Auditor Fiscal confeccionou planilhas que discriminam a origem e os valores das remunerações apuradas como base de cálculo dos Autos de Infração; 5. Foi emitido Representação Fiscal para Fins Penais; 6. Foram aplicadas Multas por descumprimento de obrigações acessórias. Em 27/04/2016 o Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (AR fl. 388) e, em 27/05/2016, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 389 a 401, instruída com os documentos de fls. 402 a 413. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0738.767, em 28/07/2016 a 6ª Turma, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO mantendo os créditos tributários exigidos nos Autos de Infração. Em 20/09/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acordão (AR – fl. 429) e, em 20/10/2016, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 430 a 442, onde faz um breve relato dos fatos para, em seguida: 1. Preliminarmente, argumenta sobre o Princípio Constitucional da Vedação do Confisco para rebater as multas aplicadas que, por serem maiores que 50% do lançamento, perdem seu caráter punitivo e passa a ter um caráter confiscatório; 2. No Mérito: a. Afirma que as GFIPs foram enviadas, como se encontravam, dentro do prazo estabelecido por lei para evitar prejuízo à municipalidade; b. Assevera que as GFIPs seriam retificadas, procedimento este previsto em lei, mas antes de poder fazer tais retificações se iniciou o procedimento fiscal; Fl. 488DF CARF MF 6 c. Argumenta que a fiscalização poderia ter dado um prazo para que as GFIPs fossem retificadas evitando o Auto de Infração de R$ 17.751.234,81, uma vez que a fiscalização não é apenas punitiva, mas de orientação; d. Diz que não houve dolo, houve imprudência, negligencia e imperícia da Municipalidade, mas algo que não resulte em um crédito tributário de R$ 17.751.234,81; e. Assevera que a aplicação de multa em patamar superior a 50% do valor da contribuição previdenciária devida é desarrazoada e que vai em desencontro aos preceitos constitucionais. Cita jurisprudência do STF nesse sentido; f. Argumenta que a prática adotada no processo de fiscalização e arrecadação descrito na segunda parte do art. 7º, do CTN, não foi observado; g. Afirma que a ampla defesa e o contraditório foram afrontados porque os valores de multa e juros moratórios nas fls. 20 a 24 e 31 a 33 não estão expressamente individualizados. Conclui seu RV requerendo que seja reconhecida a improcedência da autuação, com o cancelamento integral da exigência fiscal, por haver infringência aos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório, infringência aos Princípios da Vedação de Confisco e da Razoabilidade, infringência ao Princípio da BoaFé Objetiva. No dia 21/10/2016 o Contribuinte apresentou um segundo Recurso Voluntário de fls. 457 a 468, de forma intempestiva, subscrito por outro advogado, no qual se insurge contra os lançamentos efetuados e a decisão de primeira instância (Acórdão nº 07 38.767). A PGFN foi informada através do dossiê 10040.000014/101622 e não apresentou contrarrazões. É o relatório Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10320.721722/201616 Acórdão n.º 2401005.543 S2C4T1 Fl. 5 7 Preliminar O Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento alegando falta de motivação e ofensa aos princípios da ampla defesa e contraditório. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Com efeito, em face do procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar documentação e prestar esclarecimentos quanto às diferenças de folhas de pagamento e GFIP´s (fls. 39/ 44). Com base nas informações prestadas e cruzamento de dados, foi efetuado o levantamento fiscal ora combatido, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. As razões do lançamento estão claramente expostas no Relatório do Processo fiscal às fls. 2/9, e a demonstração de apuração do crédito tributário e o demonstrativo de multa e juros encontramse consignados às fls. 14/22, 28/32, tendo sido assegurado ao contribuinte a ampla oportunidade de defesa, com apresentação de impugnação e Recurso Voluntário. Verificase que não existem quaisquer vícios insanáveis previstos no Processo Administrativo Fiscal que possam acarretar nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, CTN. Com base no exposto, afasto a nulidade pretendida pelo contribuinte. Mérito A insurgência do Município se restringe à alegação de afronta ao princípio da razoabilidade e do não confisco. Aduz que não lhe foi concedida a oportunidade para retificações nas GFIPs, que desconhece todos os valores lançados e que não houve dolo e nem qualquer interesse em sonegar. Assevera abusiva a aplicação da multa. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Consoante se percebe da leitura da peça recursal acostada às fls. 457/468, o Município se opõe de maneira genérica ao ato administrativo de lançamento, deixando de contestar, de forma pormenorizada, a sua insurgência contra o levantamento tributário, ou mesmo a comprovação da sua insubsistência. O Recorrente não apresenta justificativas e/ou documentos relevantes objetivando contraporse à acusação fiscal. Assevera na peça recursal que a multa ultrapassa o limite da razoabilidade, por ser exorbitante e ilegítima. Fl. 490DF CARF MF 8 No entanto, é cediço que o lançamento configura uma atividade vinculada e obrigatória, motivo porque é dever de a Autoridade Lançadora constituir o crédito tributário e aplicar as penalidades estabelecidas em Lei. A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). Destaquese ainda que a aplicação da multa e juros se encontra devidamente descrita no Relatório Fiscal com a adequada previsão nos dispositivos da legislação tributária, explicitada nos fundamentos legais do auto de infração. Cabe ainda registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, a análise da existência de intenção do agente é totalmente inócua para fins tributários, visto que a configuração das infrações tributárias apuradas nas autuações segue a regra geral do artigo 136 CTN. Dessa forma, deve ser mantida a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720005/2016-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando-o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado.
SALDO CREDOR DE CAIXA.
A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa.
CUSTOS INDEDUTÍVEIS.
A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1401-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro e Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2012 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando-o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. SALDO CREDOR DE CAIXA. A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA. O artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis, não configurando, assim, o seu indeferimento em cerceamento ao direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. OMISSÃO DE RECEITAS. Na legislação fiscal, as presunções legais relativas de omissão de receitas, como todas, têm um efeito próprio: elas invertem o ônus da prova, deixando o sob responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. SALDO CREDOR DE CAIXA. A lei autoriza a presunção de omissão de receitas, quando verificado o saldo credor de caixa. CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 05 /2 01 6- 98 Fl. 3230DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro e Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de processo formalizado para tratamento dos Autos de Infração (AI) resultantes de procedimento fiscal realizado junto à DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. O referido procedimento foi amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0910200.2014.006090 e teve início em 11/06/2014. As autuações tiveram por base a verificação das obrigações pertinentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2012, tendo sido apuradas infrações referentes a (i) omissão de receitas / saldo credor de caixa e (ii) despesas não necessárias / indedutíveis. Além do AI de IRPJ, três outros autos de infração foram lavrados como reflexos: AI da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), AI da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e AI da Contribuição para o PIS/Pasep (PIS). Os valores lançados encontramse fundamentados e detalhados nos Autos de Infração de fls. 2/34 e no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 35/55, acrescidos das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais. O TVF veio acompanhado dos documentos e planilhas contábeis de fls. 56/2349. Também foram juntados aos autos, às fls. 2350/2976, outros documentos comprobatórios tais como: termos entregues, comprovantes de movimentação bancária, notas fiscais, recibos de pagamento e contratos. Reproduzo, do TVF, os seguintes trechos: I – DOS PROCEDIMENTOS Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.231 3 A empresa foi intimada a apresentar, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal datado de 11/06/2014, fotocópia dos atos constitutivos e alterações posteriores (últimos cinco anos) e; extratos bancários de todas as contascorrentes movimentadas pela empresa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012. Em 30/06/2014, a empresa solicitou prorrogação de prazo (vinte dias) para atendimento ao Termo de Início. Em 25/07/2014, a empresa foi reintimada a apresentar os documentos relacionados no referido Termo. Tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários, em 13/08/2014, a empresa foi reintimada a apresentálos, sendo alertada de sua imprescindibilidade na fiscalização em curso e, que caso não apresentassem, os extratos bancários seriam requisitados por este órgão diretamente às instituições financeiras (Lei Complementar nº 105/2001). [...] Os extratos foram encaminhados pelas instituições financeiras. Em 05/02/2015, a empresa foi intimada a apresentar: documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ) relacionados no Anexo I, bem como apresentar os respectivos comprovantes de pagamentos e; documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 10000010000000005 – CAIXA) relacionados no Anexo II (comprovantes de saques e respectivos pagamentos). Em 27/02/2015, a empresa solicitou prorrogação de prazo (trinta dias) para atendimento à intimação. Em 31/03/2015, a empresa apresentou parte da documentação solicitada. Em 13/04/2015, a empresa foi intimada a apresentar: documentos fiscais (notas fiscais) que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ) relacionados no Anexo I da intimação de 05/02/2015, bem como comprovar/informar a natureza jurídica dos serviços prestados (contratos). A empresa já havia apresentado essa documentação em 31/03/2015. Tendo em vista o atendimento parcial à intimação de 05/02/2015, em 08/05/2015, a empresa foi reintimada a apresentar demais documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 10000010000000005 – CAIXA) relacionados no Anexo II da referida intimação. Fl. 3232DF CARF MF 4 Em 01/06/2015, a empresa atendeu parcialmente à intimação. Informou ainda, que aquele era o atendimento final da mesma. [...] II – DAS INFRAÇÕES APURADAS II.1 OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA ... a administração da sociedade cabe ao sócio ADELINO FAVORETO JÚNIOR CPF: 659.127.80953. A empresa, no anocalendário de 2012, optou pela forma de tributação sobre o Lucro Real Anual (IRPJ e CSLL), estando dessa forma, obrigada a entrega da escrituração contábil digital (SPED Contábil). Da análise efetuada, por amostragem, na escrituração contábil digital da empresa (extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED) no anocalendário de 2012, verificouse a prática de efetuar os lançamentos relativos aos pagamentos realizados, mediante a utilização da Conta 10000010000000005 – CAIXA, não obstante efetuar os referidos pagamentos por meio de instituição financeira. Em diversos lançamentos contábeis efetuados, constatouse que, embora a empresa faça pagamentos por intermédio da rede bancária, adota o critério de computar a transferência dos recursos das instituições financeiras para a Conta Caixa, para então lançar os pagamentos via Conta Caixa. No entanto, constatouse também, que muitos pagamentos/transferências efetuados (via rede bancária) não são contabilizados a crédito da conta Caixa, não dando, assim, a devida saída do recurso transferido da instituição financeira. Como os valores debitados e creditados não acompanharam necessariamente a realidade dos fatos, o saldo da Conta Caixa foi, indevidamente, aumentando com o passar dos meses, conforme demonstrado na escrituração da referida conta efetuada pela empresa. É fato que, o critério de escrituração contábil a ser utilizado é de livre escolha da pessoa jurídica, todavia não é demais lembrar que deve ser feito com observância das leis comerciais e fiscais e conservação em boa ordem dos livros, documentos e papéis relativos a sua atividade e que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal (artigos 251 e 264 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26.03.1999). Os recursos transferidos das instituições financeiras lançados a débito da Conta Caixa, devem ter seu correspondente registro a crédito dessa conta, ou seja, devem ser contabilizadas as saídas de recursos do Caixa para pagamentos de gastos na mesma data. Não foi o que ocorreu com a empresa fiscalizada. No decorrer da análise, constatouse lançamentos contábeis (Razão contábil da conta Caixa) que não espelharam de fato a movimentação do Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.232 5 Caixa da empresa, conforme exemplos a seguir, corroborados pelos documentos apresentados pela empresa: [Seguem mais de 6 páginas contendo exemplos desses lançamentos contábeis, todos com valores expressivos variando de R$ 11.000,00 a R$ 249.000,00 aproximadamente.] Como pode se verificar (documentos juntados ao presente), muitos lançamentos efetuados a débito da Conta Caixa tiveram outras finalidades, gerando assim, um saldo devedor fictício. Diante disso, todos os lançamentos efetuados na Conta Caixa no anocalendário de 2012 foram ordenados diariamente (primeiro os débitos, depois créditos) para refletir os fatos ocorridos (Planilha Conta Caixa Fiscalização). Os valores debitados a Conta Caixa Histórico Saque/Saque para Caixa, que na realidade foram pagos via rede bancária e não contabilizados na Conta Caixa, resultando em um saldo devedor indevido foram excluídos . Os valores debitados a Conta Caixa – Histórico Saque/Saque para Caixa, que foram objeto de intimação e que não ficaram comprovadas as saídas dos recursos da Conta Caixa também foram excluídos. Após essa reconstituição da Conta Caixa (baseada na documentação apresentada pela empresa), resultou em Saldo Credor de Caixa em vários períodos do anocalendário de 2012 conforme Planilha Anexa (Conta Caixa BC IRPJ/CSLL). A legislação do Imposto de Renda (artigo 281, I do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999) dispõe que se caracteriza como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência de saldo credor de caixa em sua escrituração. [...] Haja vista as alterações já mencionadas, resultou na apuração do maior saldo credor (omissão de receitas) no último dia do anocalendário de 2012 no valor de R$ 9.869.718,80 (nove milhões, oitocentos e sessenta e nove mil, setecentos e dezoito reais e oitenta centavos). Desta forma, face ao exposto, o valor omitido será acrescentado à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. [...] Do mesmo modo, a constatação de omissão de receitas ensejará o acréscimo às bases de cálculo das Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, conforme determina o artigo 24, § 2º da Lei 9.249/95 e as diferenças Fl. 3234DF CARF MF 6 apuradas neste procedimento, serão cobradas de ofício, acrescidas de multa, também de ofício e juros de mora, conforme enquadramentos legais constantes dos autos de infração e seus demonstrativos, observando que em relação àquelas contribuições foram considerados os saldos credores mensais, tendo em vista os fatos geradores ocorrerem mês a mês. Na reconstituição da conta Caixa, no anocalendário de 2012, nos meses em que foram verificados saldos credores, os saldos iniciais de cada mês foram zerados, para não serem tributados novamente em períodos subsequentes os saldos credores apurados em períodos anteriores (Planilha Conta Caixa BC PIS/COFINS). [...] Cumpre esclarecer que, os saldos de prejuízos fiscais/bases negativas da CSLL apurados em anos anteriores, foram totalmente compensados neste procedimento, não restando assim saldo a compensar nos anoscalendário posteriores ao ano calendário de 2012. II.2 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (INDEDUTÍVEIS) Da análise efetuada, por amostragem, na escrituração contábil digital da empresa (extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED) no anocalendário de 2012, verificouse lançamentos relativos a pagamentos efetuados para as empresas FAVORETO & SAMPAIO LTDA – CNPJ: 12.452.879/000191, FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA – CNPJ: 13.193.561/000104 e FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA – CNPJ: 09.129.815/000140 mediante a utilização da Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ. Esses dispêndios foram contabilizados pela empresa como despesas administrativas e, assim deduzidos do lucro bruto da empresa, conforme Demonstração do Resultado do Exercício (extraído do Sistema Público de Escrituração Digital SPED). Intimada a apresentar os documentos que embasaram os lançamentos contábeis efetuados pela empresa no Livro Razão (Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ), bem como apresentar os respectivos comprovantes de pagamentos, a empresa apresentou três documentos denominados “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA COMERCIAL” (um para cada empresa prestadora do serviço). Apresentou também as notas fiscais das empresas relativas aos referidos serviços prestados (PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE APOIO ADM E LOGÍSTICA COMERCIAL). A empresa FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 02/01/2008, é representada pelo Sr. ADRIANO FAVORETO– CPF: 792.951.93920 (irmão do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). Hoje seu sócioadministrador é o Sr. MARCELO DE CASTRO LUZ – CPF: 040.041.68910 (contador da empresa Dialli). Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.233 7 A empresa FAVORETO & SAMPAIO LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 01/09/2010, é representada pelo SR. ADRIANO FAVORETO – CPF: 792.951.93920 (irmão do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). A empresa FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA, no Contrato de Prestação de Serviços de 01/03/2011, é representada pela SRA. MONICA ELID ORTENZI DE CARVALHO FAVORETO (esposa do Sr. Adelino sócio da empresa Dialli). [...] De acordo com o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda/99, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas necessárias são as pagas ou incorridas e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso prestação de serviços. No caso de serviços tem que haver a informação da natureza dos mesmos, além da essencialidade, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. Com o objetivo de verificar a efetividade dos serviços prestados, as empresas FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA (TDPF Diligência 09102002015 005713), FAVORETO & SAMPAIO LTDA (TDPFDiligência 09102002015005721) e FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA (TDPFDiligência 0910200 2015005730), foram intimadas a informar, por escrito e assinado pelo representante legal da empresa, a descrição pormenorizada dos serviços prestados para a empresa DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ: 02.611.870/000122 no anocalendário de 2012, bem como informar o(s) nome(s) da(s) profissionais/funcionários que executaram os referidos serviços e; apresentar todos os documentos comprobatórios referentes as despesas/custos envolvidos na execução dos referidos serviços prestados. Em 11/05/2015, as empresas solicitaram prorrogação do prazo para atendimento à intimação por mais trinta dias. Em 03/06/2015, novamente, as empresas solicitaram prorrogação de prazo para atendimento à intimação, dessa vez de vinte dias. Entretanto, as empresas não atenderam à intimação de 08/05/2015, ou seja, não informaram a descrição pormenorizada dos serviços prestados para a empresa DIALLI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ: 02.611.870/000122 no anocalendário de 2012; não informaram o(s) nome(s) da(s) profissionais/funcionários que executaram os referidos serviços e; também não apresentaram os documentos comprobatórios referentes as despesas/custos envolvidos na execução dos referidos serviços prestados. Fl. 3236DF CARF MF 8 Em 02/09/2015, as empresas foram informadas, via postal em seus endereços cadastrais, de tal fato. Ora, as empresas prestadoras de serviços, pertencentes a membros da família do sócio da empresa fiscalizada, confeccionam um “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA COMERCIAL”, em que contratam entre si “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE APOIO ADM E LOGÍSTICA COMERCIAL” (notas fiscais apresentadas), e pronto, está comprovada a despesa operacional. A legislação tributária dispõe que as despesas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Como já dito, deve ser comprovada também, a sua essencialidade. Sempre, com documentos hábeis e usuais, que não restem dúvidas quanto a sua efetividade. Contudo, nenhuma das referidas disposições foram comprovadas na presente fiscalização. Isto posto, as despesas contabilizadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ e deduzidas do Lucro Real pela empresa no anocalendário de 2012, não tiveram a sua necessidade e a sua essencialidade, devidamente comprovadas. Diante disso, os valores a seguir relacionados serão glosadas e, serão acrescentados à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL. [...] III CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, procedi ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (PIS, COFINS e CSLL), do anocalendário de 2012, lavrandose o respectivo Auto de Infração, nos termos do artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, juntamente a multa de ofício de que trata o artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 e juros de mora, conforme artigo 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96. O presente Termo faz parte integrante do Auto de Infração – IRPJ e Reflexos, Processo Administrativo Fiscal nº 11634.720.005/201698. Neste procedimento fiscal foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 9.540.933,77 (nove milhões, quinhentos e quarenta mil, novecentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos). [...] Regularmente cientificada do resultado, a Interessada protocolou sua Impugnação de fls. 2999/3046, que veio acompanhada de procuração e da sua Décima Segunda Alteração Contratual (fls. 3047/3058). Em sua peça de defesa, a DIALLI alega em síntese que : I DAS PRELIMINARES Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.234 9 I.I Pedido de Apresentação de Relatório Pericial, Art. 16, IV, Decreto nº 70.235/72 Tendo vista a ausência a fiscalização do exercício de 2012, requerse a concessão para apresentação de relatório pericial, cujo dados e quesitos oportunamente apresentados; Conforme preceito normativo esculpido no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a apresentação do relatório pericial elaborado por perito contador é indispensável à real e correta apuração dos fatos, in verbis: [...] Partindo da premissa de que o contribuinte apresentou respostas as solicitações da Auditoria Fiscal, de que teve sua documentação (contabilidade) apreendida pela Receita Federal, conforme já informado durante os procedimentos fiscalizatórios; A análise dos relatórios periciais fazse indispensável tendo em vista que não houve aceitação da prestação de serviços, bem como não aceitaram as comprovações e documentos apresentados, prejudicando a verdade real, sendo que não ocorreu o aumento do lucro, com majoração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS; [...] Conforme preceito do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72, apresenta os quesitos que serão adotados para elaboração dos relatórios pericias, juntamente com a identificação do perito contador, conforme abaixo: [...] II DOS FATOS O contribuinte fiscalizado exerce uma gama de atividades afins e toda documentação foi apresentada ao fisco. Houve desconsideração de muitos documentos, o que não procede, especialmente porque as empresas contratadas para prestação de serviço, de vínculo familiar, possuía confiança absoluta para exigência de outros comprovante desnecessários. De modo que houve rigor excessivo na exigência de documentação pelo fisco, não acatando justificativas e documentos, sequer orientando para sanar eventuais incoerências. [...] Com o extraise do Auto de Infração, os trabalhos da Auditoria Fiscal fundamentaramse tão somente, e nada mais que isso, em apurar tributos com base em movimentação bancária do contribuinte, partindo da premissa de que todo ingresso de numerário corresponde à receita não declarada, abrindo mão do dever de realmente apurar os fatos e ao final, se for o caso, lançar o tributo ... [...] Fl. 3238DF CARF MF 10 Tudo isso presumido, eis que não se acatou documentos e informações dadas pelo contribuinte, majorando a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, sequer analisando exclusões e compensações. Quanto as despesas alegadas como não necessárias ou indedutíveis, se contrapõe a tese do fisco, eis que os contratos de prestação de serviços de transporte e logística são suficientes para demonstrar a necessidade do transporte pra recebimento e entrega de mercadorias. [...] No caso destes dispêndios com a prestação de serviços por terceiros que estão embasadas através de contratos entre as partes, sendo perfeitamente lógico e razoável a sua necessidade. [...] Todos os valores pretendidos pelo fisco estão fundamentados simplesmente em movimentações bancárias, não somente contrariando todo ordenamento legal, a sólida jurisprudência, assim como as súmulas 14, 25 e 67 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e sobre os indevidos valores, aplicouse a multa de ofício de 75% (Setenta e Cinco Por Cento) como seguem: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. [...] Conforme se demonstrará, tal exação pretendida pelo fisco no Auto de Infração não pode prosperar, pois se assim for, estará o fisco legislando sobre norma de tributação, alterando a verdade dos fatos e criando fato gerador de tributos, além de afrontar direito constituições, tais como, da ampla defesa, do contraditório e da capacidade contributiva. [...] III DO DIREITO DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O ordenamento jurídico pátrio, elenca os casos de nulidade e de ato nulo de pleno direito. Contudo o fisco que julga seus Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.235 11 próprios atos o faz com interesse. Geralmente o interesse de arrecadar e suprir a falta de numerários do cofre público, motivo pelo qual se faz necessário relembrar a norma legal. [...] Diante da interpretação e aplicação de todos estes princípios constitucionais, verificase que não há respaldo legal suficiente para penalizar a Autora, eis que não se pode olvidar os princípios constitucionais e a interpretação favorável a mesma. [...] Flagrante, portanto, a irregularidade constante dos autos de infrações dos quais se pretendem a sua invalidade. Estamos diante de um ato administrativo que, como já dissemos, não observa preceitos legais, devendo ser declarado nulo pelo judiciário. O ato administrativo deve ser revestido das características perfeição, validade e eficácia para fazer surtir seus efeitos no ordenamento jurídico de forma consistente. [...] Com base no disposto acima, verificase claramente que o ato ora impugnado padece de vício profundo, estando o ato de lançamento visceralmente comprometido, como já dissemos alhures. Assim, requerse a invalidação/nulidade do ato viciado, gerando tal nulidade efeitos ex tunc, conforme manda nosso sistema positivo. DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL [...] Por qualquer ângulo que se analise a questão, portanto, resta absolutamente indene de dúvidas que não houve oportunidade de defesa e, via de consequência, não se observou o devido processo legal na lavratura dos autos aqui versada. Eis aí mais um vício insanável que torna a sanção aplicada nula de pleno direito. III.I Da Indispensabilidade da Apresentação de Perícia Contábil em Respeito à Ampla Defesa e ao Contraditório Conforme os fatos apresentados e comprovados, os trabalhos da Auditoria Fiscal fundamentamse simplesmente em considerar que os valores ingressados em contas bancárias do contribuinte são receitas omitidas, não fazendo prova de suas alegações, por mais simples que sejam. Para elaboração da defesa do contribuinte, a apresentação de relatório contábil por perito contador mostrase indispensável, pois nada mais justo que mostrar a verdade dos fatos, buscandose a verdade real, sem Fl. 3240DF CARF MF 12 ainda lembrar de em caso dúvida, aplicase "o prócontribuinte". Em resumo, é o fisco quem deve provar suas alegações!... [...] III.II Do Respeito à Ampla Defesa e ao Contraditório sob pena de Cerceamento de Defesa Verificouse a ocorrência de várias solicitações ou mesmo procedimentos que não condizem com a matéria pertinente. Não há consonância alguma em nosso ordenamento positivista, em que o fisco solicita o que quer, da forma que lhe convir... [...] Ao ter sua documentação contábil apreendida pela Receita Federal prejudicou a defesa, e mesmo assim, prefere não conceder prazo minimamente razoável para que proceda a devida e requerida recontabilização, lançando mão de medida de arbitramento, medida esta que não é forma de tributação, é claramente desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. Este princípio está diretamente ligado ao direito de defesa, que o contribuinte tem de manifestarse contra atos da administração. De regra, para cada ato da Fazenda Pública, caberá um por iniciativa do particular: [...] III.III O Ônus da Prova Cabe ao Fisco A Auditoria Fiscal partiu da premissa de que todo numerário que ingressou em contas bancárias da empresa no período de 01/01/2012 a 31/12/2012 é receita omitida, exorbitando no seu direito de presunção de legitimidade, ao presumir que tais ingressos são receitas e sobre estas apurouse tributos e com a improcedente aplicação da multa de ofício. [...] ...O fisco deve provar suas alegações no sentido de ter ocorrido omissão de receita: Súmula CARF nº 67: [já reproduzida na peça de defesa]... Súmula CARF nº 25: [idem]... Súmula CARF nº 14: [idem]... [...] A fiscalização deve apresentar provas robustas sobre a natureza da eventual receita omitida. Assim, se os indivíduos indicarem que houve omissão de receitas decorrentes da venda de bens ou serviços, cabe à autoridade fiscalizadora provar quem teria sido o adquirente dos bens ou tomador dos serviços eventualmente prestados... [...] Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.236 13 Qualquer circunstância que autorize a exasperação de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. [...] Falta de Anexação de Provas e Nulidade do Auto de Infração ou Notificação de Lançamento não só a ausência dos requisitos previstos no art. 10 são causas de nulidade do auto de infração ou da notificação de lançamento. A norma do art. 9º, que prevê a anexação de todos os documentos, no caput referidos, é impositiva, e a desobediência a esse mandamento (...deverão estar instruídos com todos os...) implica a nulidade do auto de infração... [...] Por fim, se o processo fiscal homenageia o princípio da verdade material, qual seja, de dar as provas aqui contidas na impugnação o peso e a veracidade comprobatória dos fatos alegados e se necessário abrir a prova pericial. III.IV Da Capacidade Contributiva do Contribuinte [...] A capacidade contributiva é ter o contribuinte auferido renda, e este ato de auferir, está previsto em norma e por consequência a previsão da exação tributária, e não a simples presunção de que auferiu renda. [...] No caso em debate, não há previsão legal de que a movimentação bancária (créditos em conta) por si só, o contribuinte passou a ter a capacidade contributiva e portanto deve sofrer a tributação sobre tais valores (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). A capacidade contributiva deve ser em primeiro lugar, fato previsto em lei e que seja tributável, assim como, os adiantamentos recebidos em contratos que não foram realizados, pois em ambas situações, não há norma que permita tais exações pretendidas pela Auditoria Fiscal, mesmo tendo o contribuinte provado a origem de todos os valores. III.V Do Fato Gerador Toda obrigação tributária decorre de ato ou fato que ocorre ou ocorreu, e sobre o ato/fato existe a previsão legal da tributação. Na ausência de previsão legal, não pode o fisco ao seu bel prazer tributar movimentação bancária... [...] 1. Ressaltandose novamente que o impugnante apresentou contratos de prestação de serviços que foram realizados e eram necessários, portanto não havendo ocorrência do fato gerador, os contratantes realizaram a prestação de serviços. Fl. 3242DF CARF MF 14 Os contratos de prestação de serviços que foram apresentados tempestivamente à Auditoria Fiscal e que o valor que supera em muitas vezes o apontado pelo fisco. III.VI Dos Regimes de Tributação Adotados, Fato Gerador do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS III.VI.I Dos Regimes de Tributação Adotado no Ano Calendários 2012 Para elucidação do caso em apreço, fazse imprescindível apresentação das bases de cálculos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, sendo indispensável ressaltar que as DIPJs entregues pelo contribuinte referentes aos anos calendários fiscalizados, 2012, respectivamente adotouse os regimes de tributação, Lucro Real. Da regra inicial e irrefutável, de que os regimes de tributação adotados nos anos calendários de 2011 e 2012 foram respectivamente o Lucro Real e o Lucro Presumido, a Auditoria Fiscal, deveria, em caso de que se tivesse havido receita, tais regimes deveriam obrigatoriamente ser acatados... [...] III.VI.II Fato Gerador do IRPJ, Base de Cálculo e Alíquota [...] ...Para análise do caso em apreciação, em se tivesse havido receita/faturamento, para o ano calendário de 2011 o regime de tributação seria o Presumido e para o calendário de 2012 seria o Real. Seriam, pois em nenhum exercício ocorrera tais bases. III.VI.III Fato Gerador da CSLL, Base de Cálculo e Alíquota [...] Conforme exaustivamente já explanado, o contribuinte nos anos calendários não auferiu receita/faturamento, e consequentemente é impossível obterse lucro e portanto não houve base a ser tributada. III.VI.IV Fato Gerador do PIS e Alíquota Para tal contribuição, o fato gerador será a receita auferida, é o que prevê o art. 1º da Lei 10.637/2002... [...] Ressaltandose que no caso da nãocumulatividade (Lucro Real) o contribuinte apropriase de créditos sobre as despesas realizadas inerentes à atividade no mesmo percentual indicado no art. 2º da Lei nº 10.637/2002. III.VI.V Fato Gerador da COFINS e Alíquota O fato gerador da COFINS é o mesmo indicado ao PIS, tanto no regime cumulativo como no nãocumulativo... III.VII Do Indevido Arbitramento Por Ausência de Requisitos Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.237 15 O arbitramento não é modalidade de lançamento. Constitui, isso sim, técnica auxiliar do lançamento de ofício, utilizável para a avaliação contraditória de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, quando os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos e não mereçam fé. Mostrase a medida do arbitramento mais que "arbitrária", demonstrase por total desrespeito aos direitos constitucionais do contribuinte, além da falta de cuidado no labor por parte da Auditoria Fiscal em desconsiderar todas as informações prestadas e documentos apresentados, e frontalmente ignorando os preceitos do art. 142 do CTN. Bem por isso, a jurisprudência administrativa e judicial já firmou o entendimento de que não justificam o arbitramento o atraso ou a falta de escrituração de livros e documentos obrigatórios, quando suprível por outros livros ou por documentos idôneos, e a existência de irregularidades formais que não impeçam a apuração do lucro real, devendose, num e noutro caso, conceder ao contribuinte prazo para a regularização dos defeitos... [...] ...Veja ilustríssimo julgador, o Auto de Infração deve ser obrigatoriamente fundamentado, pois se assim não for, e conforme se apresenta, o contribuinte esta sofrendo cerceamento de defesa, por total ausência de fundamentação, no quesito majoração da multa de ofício. A falta de fundamentação ao tentar majorar a multa de ofício em 50%, acaba por derradeiramente à conclusão, de que se fosse possível a aplicação da multa, a sua majoração esta impossibilitada, por não haver base legal indicada [...] A Auditoria Fiscal ao não fazer a fundamentação da majoração, acaba desrespeitando a ampla defesa e ao contraditório, pois é impossível defenderse de acusação que não há a indicação precisa da infração, restando se a total improcedência. DO PRINCÍPIO DA NÃO CONFISCATORIEDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA [...] No entanto, o valor cobrado apresenta nitidamente efeito confiscatório. Devese levar em conta que os princípios traçados em nosso ordenamento jurídico servem como garantia constitucional ao cidadão contribuinte, que não pode ser compelido a arcar com uma carga tributária que esgote sua fonte de riqueza tributável, que destrua seu patrimônio. Caso o argumento da ré fosse aceito, estaria se admitindo que cobranças abusivas pudessem permanecer no sistema, sem sequer observar se estaria ou não prejudicando o contribuinte e, em contraposição, acarretando em enriquecimento sem causa da Administração Pública. Fl. 3244DF CARF MF 16 [...] Concordar com todo o exposto nessa peça é aplicar os fundamentos da dignidade da pessoa humana, não submetendo qualquer cidadão brasileiro a humilhações e constrangimentos materiais e morais; é dar valor social ao trabalho, pois a cobrança de tamanho vulto financeiro, digase de passagem no mínimo demasiadamente desmensurado, impedirá a continuação da atividade empresarial, gerando várias demissões e aumentará o caos social. [...] Nada disso ocorrerá se a Administração Pública pautarse dentro dos princípios, fundamentos e objetivos da Constituição Federal. O que se quer, portanto, é a atuação correta do setor administrativo público, ou seja, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários aqui guerrilhados com a reforma da decisão. DA INCOERÊNCIA [...] Desta forma, pela arbitrariedade cometida na cobrança do tributo, provocando um bis in idem, ferindo princípios de toda a ordem jurídica, a mesma deve ser desconsiderada, seguindo a mesma sorte a multa e juros lançados, pois nulo de pleno direito o auto de infração aqui impugnado. Não pretende a autuada esquivarse de suas obrigações tributárias perante o fisco, eis que sempre se manteve em dia com seus compromissos fiscais. No entanto, não pode aceitar pacificamente uma cobrança advinda de meios que não obedecem as garantias constitucionais do cidadão contribuinte. [...] O auto de infração deve, assim, ser declarado nulo de pleno direito, por não observar princípios informativos de nosso ordenamento jurídico e ser totalmente agressor da esfera jurídica do cidadão/contribuinte. DA AUSÊNCIA DE DOLO [...] Não havendo dolo, não poderia arbitrar multa, como fora estipulado 75% sobre o valor dos impostos. IV DO PEDIDO Anulação total de todos os valores apurados e consequentemente dos autos de infrações lavrados, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa, pelo fato que a Auditoria Fiscal embora tendo recebido todos os documentos e esclarecimentos para a real análise do ano calendário 2012 e mesmo assim não procedeu/acatou; Ocorrendo o flagrante equívoco em não acatar o pedido anterior, solicita os seguintes procedimentos: Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.238 17 Em não sendo anulado totalmente o Auto de Infração, que seja recebido e acatado o pedido de apresentação de relatório pericial... Que seja de imediato retirada a inaptidão lançada indevidamente no CNPJ do contribuinte, ou que seja concedido o prazo de 30 (Trinta) dias previsto no § 1º do art. 24 da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011 para que promova a alteração cadastral; [...] Após apreciação do relatório pericial, ou não, e entendo Vossa Senhoria, que houve receita/faturamento nos anos calendários de 2011 e 2012, que seja desconstituído o arbitramento... Em caso de não apreciação do laudo pericial, que seja concedido o prazo mínimo de 30 (Trinta) dias para que o contribuinte refaça sua contabilidade, tendo em vista que tivera a mesma apreendida pela Receita Federal; Que seja declarada a inaplicabilidade do lucro arbitrado, tendo em vista que o contribuinte apresentou todos os esclarecimentos e documentos [...] e se em remota possibilidade, Vossa Senhoria entender possível, os regimes que deveriam ser adotados seriam respectivamente o Lucro Real e o Presumido; Que enquanto pendente de total análise, em cumprimento aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, que todo e qualquer débito apurado no combatido Auto de Infração, permaneça sob efeito suspensivo, conforme determina o art. 151, inciso III do CTN; Que toda e qualquer manifestação referente à presente impugnação seja enviada ao procurador. Por fim, sejam atendidas todas as solicitações com fito de que possa produzir a devida JUSTIÇA. Quando do julgamento pela DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão no registro de receita a ocorrência de saldo credor de caixa na escrituração, ressalvada à contribuinte a prova da improcedência da presunção. Conforme previsão legal, o valor omitido será acrescentado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como ensejará acréscimo às bases de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 3246DF CARF MF 18 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS OU INDEDUTÍVEIS. LUCRO REAL. GLOSA. Para que sejam dedutíveis na apuração do lucro real, as despesas administrativas devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, cabendo à contribuinte comprovar, com elementos convincentes e incontestáveis, que o serviço foi realmente prestado. Caso não atendidos os requisitos legais, as despesas serão glosadas e acrescentadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. Os percentuais da multa de ofício exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por pessoa competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE MOTIVOS E PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à impugnação, a qual deve mencionar os pontos de discordância e os motivos de fato e de direito em que se fundamentam esses pontos, além das razões e provas que possuir. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser não conhecida a manifestação de inconformidade quanto aos argumentos expendidos acerca de créditos e compensações discutidos em processos específicos, nos quais é facultado ao interessado o exercício do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de alguma das hipóteses excepcionadas pela legislação. Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.239 19 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas as normas legais e regulamentares, assim como o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. INTIMAÇÃO E CIÊNCIA. ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação e a ciência de despachos, termos e decisões obedecem a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Quando da interposição do Recurso, foram repisados praticamente os mesmos argumentos da impugnação que são em síntese: I Preliminar cerceamento de defesa em pedido de apresentação de relatório pericial art. 16, Decreto nº 70.235/76 II Mérito 2.1 Saldo credor. Presunção legal. Omissão de receitas 2.2 Despesas não necessárias ou indedutíveis. Lucro real. Glosa 2.3 Multa de ofício, percentual. Inconstitucionalidade 2.4 AI, nulidade e cerceamento de defesa. Inocorrência III Dos fatos Citação novamente das súmulas CARF nº 67, 25 e 14 3.1 Do direito Cita vasta legislação Fl. 3248DF CARF MF 20 3.2 Nulidade do Auto de Infração 3.3 Do princípio da legalidade 3.4 Do devido processo legal. Indispensabilidade da apresentação de perícia contábil em respeito à ampla defesa e ao contraditório 4 Ônus da prova cabe ao fisco 5 Dos regimes de tributação adotados, fato gerador do IRPJ, da CSL, do PIS e da COFINS. Dos regimes de tributação adotados no anocalendário de 2012. 06 Fato gerador da COFINS e alíquota Do indevido arbitramento por ausência de requisitos 07 Do caráter confiscatório da multa 08 Da ilegalidade do juros selic 09 Do princípio não confiscatório e da capacidade contributiva 10 Da ausência de dolo Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se percebe do relatório supra, a Recorrente não se insurgiu especificamente contra nenhum ponto da decisão da DRJ/CTA, repetindo basicamente os termos da impugnação e contestando apenas o procedimento de fiscalização. Por tal motivo, em alguns trechos deste voto farei referência literal aos fundamentos da decisão recorrida, conforme autoriza o artigo 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização intimou o contribuinte por diversas vezes a apresentar documentos e esclarecimentos, atendendo aos diversos pedidos de prorrogação de prazo. Contudo a recorrente apenas alega princípios genéricos de direito tributário sem atacar especificamente nenhuma ponto ou apresentar qualquer prova capaz de ilidir a pretensão fiscal. I Preliminar cerceamento de defesa Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.240 21 Quanto à preliminar arguida sobre a falta de apresentação de relatório pericial, não cabe qualquer razão à recorrida. Isso porque quando da sua impugnação não demonstrou a contribuinte o que se pretende comprovar com a perícia. A Recorrente expõe que postulou pela produção de prova pericial, atendendo aos requisitos legais com a indicação de quesitos e perito. Pleiteia pelo cerceamento de defesa, pois entende que a prova pericial é imprescindível e que sem ela o direito ao contraditório estaria prejudicado. Em relação ao deferimento da perícia, este não se mostra obrigatório em todos os casos que são pleiteados pelos contribuintes. Importante analisar o que a legislação prevê em relação à perícia: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Ora, o próprio texto legal deixa à faculdade da autoridade julgadora a determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. Ademais, não há qualquer documentação hábil a comprovar os fatos por ela alegados, sendo, portanto desnecessária a realização de perícia. Nesse sentido, ao analisar os autos, observase que não há necessidade de realização de perícia, vez que os próprios elementos contidos nos autos são suficientes para o julgamento da lide, portanto, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada. II Mérito Quanto ao mérito, a recorrente confunde várias matérias e não rebate diretamente os pontos que são essenciais à decisão. Tratase de presunção legal de omissão de receitas oriunda de saldo credor de caixa. Eis a legislação de regência: RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º e Lei n* 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa: II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.(grifei) Fl. 3250DF CARF MF 22 Tratase, por óbvio, de presunção relativa que pode ser desfeita por prova em contrário, mas que a Recorrente não logrou êxito em fazêlo. Por oportuno, cabe observar que o direito pátrio adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, mas também ao réu a comprovação da sua versão no que tange à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É o que se depreende do transcrito do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. As alegações trazidas pela Recorrente em relação a esses itens são vazias e estéreis e, ao meu ver, foram bem refutadas pelas primeira instância, não trazendo em fase recursal nenhuma tréplica que enfraquecesse os argumentos da DRJ, pelo contrário, a recorrente cingiuse a tecer as mesmas considerações já tecidas na peça impugnatória ignorando o arrazoado da DRJ. Vejase a decisão: Em outras palavras, desde que os documentos e demais fatos e informações coletados na auditoriafiscal sejam suficientes e indispensáveis para comprovação do ilícito, não é necessário instruir o processo com todos os documentos (apenas todos os indispensáveis). Por outro lado, a autuada pode se contrapor aos lançamentos, desde que o faça dentro dos prazos e regras do processo administrativo fiscal. Caberia à Interessada a apresentação de prova em contrário, o que não aconteceu até o presente momento, em que pesem as muitas oportunidades que teve. Dessa forma, confirmase que as autuações se encontram revestidas de suas formalidades essenciais e em estrita observância aos ditames legais, e, como já se disse, falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas tributárias. DA INFRAÇÃO REFERENTE ÀS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS / INDEDUTÍVEIS A autuação com base na glosa de despesas não necessárias/indedutíveis baseouse na escrituração contábil da DIALLI, extraída do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, e nos demais documentos obtidos. As irregularidades foram observadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ e se referem aos pagamentos efetuados para as empresas FAVORETO & SAMPAIO LTDA, FORÇA LOGÍSTICA COMERCIAL LTDA e FLEX LOGÍSTICA COMERCIAL Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11634.720005/201698 Acórdão n.º 1401002.686 S1C4T1 Fl. 3.241 23 LTDA, contabilizados como despesas administrativas e deduzidos do lucro bruto da empresa. Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. Merece registro o fato de que os valores pagos nestas prestações de serviço são relevantes. Conforme Anexo I do Termo de Intimação entregue em 05/02/2015 (fls. 2390/2392), os valores pagos pela DIALLI às três empresas mencionadas somam mais de R$ 3,8 milhões em 2012. Os contratos particulares de prestação de serviço e as notas fiscais apresentadas pela Interessada não são suficientes, por si sós, para comprovar a necessidade e a essencialidade dos serviços. Ademais, as três empresas prestadoras de serviços em tela (administradas por parentes próximos do sócio administrador da DIALLI ou por pessoas a ele ligadas), mesmo intimadas e reintimadas, não apresentaram a descrição pormenorizada dos serviços prestados à DIALLI no ano de 2012 nem informaram os nomes dos profissionais/funcionários que os executaram. O que se observa, mais uma vez, é que a DIALLI, ao apresentar alegações a respeito da improcedência das autuações, não fornece prova da alegada inconsistência dos valores lançados com base na glosa de despesas não necessárias ou indedutíveis, a despeito das prorrogações concedidas, das oportunidades de defesa que teve e do prazo de 1 (um) ano entre o recebimento da intimação referente às despesas em questão e a ciência dos autos de infração. Portanto, mostrase correta a autuação com base na infração apurada a partir da glosa de despesas contabilizadas na Conta 94100330000000006 SERVIÇOS TERCEIROS PJ, que foram acrescentadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Das demais alegações Com relação às demais alegações da peça recursal, elas não guardam relação com a defesa e repetem a impugnação. Da SELIC Quanto à incidência de juros selic sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, a matéria já se encontra sumulada nesse Conselho conforme exposto abaixo: JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SUMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 3252DF CARF MF 24 Conclusão Pelo acima exposto conduzo meu voto no sentido de julgar improcedente tanto a preliminar quanto recurso voluntário. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 3253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.922999/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.400
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de PIS/Pasep (cód. 8109) do período de apuração 02/2012 no valor de R$ 607,49 com crédito de COFINS por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 31/01/2012, arrecadado na data de 24/02/2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 22 99 9/ 20 12 -3 3 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 3 2 Do Despacho Decisório A DRF de Belo Horizonte em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 05/12/2012, pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de COFINS da competência 01/2012. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando o ocorrido da seguinte forma: a) que efetuou o recolhimento via DARF da COFINS de 01/2012 no valor de R$ 61.201,30 na data de 24/02/2012, quando o correto seria R$ 59.619,54; b) que a diferença no valor de R$ 1.581,76 pelo pagamento a maior que o devido foi objeto de regular pedido de compensação, PER/DCOMP 06878.68333.210312.1.3.040706 e PER/DCOMP 07224.62880.210312.1.3.040516; c) constatou ausência de DCTF retificadora, mas que tão logo tomado conhecimento desse fato providenciou o envio dessa declaração na data de 28/12/2012, informando os dados corretos e juntando cópia nos autos; d) tendo em vista às correções adotas, requer a acolhida da presente manifestação; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sintetizando entendimento de que não se admite compensação com crédito que não se comprova existência. A apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório não produz efeitos para reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e juntando, além de todos os documentos anteriormente citados, a DACON retificadora. Diante da evidência de inexistência de débitos para o CNPJ da recorrente, espera acolhimento de seu recurso voluntário. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute nestes autos apresentase da seguinte forma: (i) Houve a declaração de compensação de tributo federal via PER/COMP cujo crédito pleiteado, pelo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 4 3 pagamento indevido ou a maior via DARF, não foi reconhecido por ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte; (ii) Cientificado dessa situação, a interessada procedeu a análise dos fatos e constatou que havia erro na DCTF ativa para o período e tratou de imediatamente corrigila, com o envio de DCTF retificadora indicando o valor correto da COFINS para o mês de janeiro/2012, resultando numa diferença a seu favor, que confere com o valor do crédito utilizado na compensação praticada; (iii) A decisão de piso traz em seu voto condutor, como premissa para o não reconhecimento do direito creditório, a perda da espontaneidade do sujeito passivo quanto a correção pretendida do débito declarado através de DCTF retificadora após ser cientificado do despacho decisório. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 5 4 inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ e DACON, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Merece aqui ser reproduzido, por oportuno, parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.922999/201233 Resolução nº 3401001.400 S3C4T1 Fl. 6 5 Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A DCTF retificadora nada mais representa, conforme argumentado nos autos, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise da DCTF retificadora, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores dos débitos de COFINS constantes da DCTF Retificadora referente à Janeiro/2012, entregue em 28/12/2012, recibo número 03.08.87.31.44 24 correspondem aos efetivos valores de COFINS devidos nesta competência. Confrontar os débitos de COFINS confirmados no item 1 com os pagamentos efetuados em DARF na competência Janeiro/2012 referente a COFINS. Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 07224.62880.210312.1.3.040516. Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002156/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO.
A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitando-se a alegação não comprovada.
Numero da decisão: 2402-006.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO. A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitandose a alegação não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 56 /2 00 9- 32 Fl. 279DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 266/272, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 254/258, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4752. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal (fls. 74/78), tratase de crédito no valor R$ 1.497.562,12 (um milhão, quatrocentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e dois reais e doze centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre remunerações a servidores, subsídios e diárias a prefeito e viceprefeito, remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos. Notificado da autuação em 18/11/2009, o município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando, em resumo, nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; bem como inexistência de qualquer irregularidade, tendo em vista que o Município impugnante procedeu ao respectivo desconto da contribuição devida incidente sobre a remuneração de seus servidores, subsídios e diárias do prefeito e videprefeito, atendendo a legislação em vigor." No apelo, aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura." Afia, às fls. 270: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, alega que teria procedido aos devidos descontos questionados no Relatório Fiscal e reitera o que alegado em sua Impugnação (fls. 238/244), no sentido de que houve total respeito ao que posto na legislação em vigor Fl. 281DF CARF MF 4 Requer, portanto, que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade ou, alternativamente, que seja tornado insubsistente o presente auto, eis que totalmente improcedente o débito reclamado. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 281 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4752 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic).(fls. 240) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." e que "resta indubitável que o exprefeito, admitiu para si, ora, a responsabilidade pessoal da infração imputada ao Município, agindo de maneira ímproba" (fls. 268/270) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 283DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAT, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Desse modo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto votamos por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. Tratase de Recurso Voluntário lançado contra a constituição de crédito no valor de R$ 1.497.562,12 (hum milhão, quatrocentos e noventa e sete mil, quinhentos e sessenta e dois reais e doze centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias, parte dos segurados, remunerações a contribuintes individuais, inclusive a transportadores autônomos no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. No mérito, a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10670.002156/200932 Acórdão n.º 2402006.283 S2C4T2 Fl. 282 7 Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato, limitase a negar a ocorrência das situações geradoras das obrigações tributárias objeto de lançamento sem apresentar qualquer elemento probatório ou articulação lógica capaz de abalar, ainda que de modo ínfimo, aquilo que consta dos autos de infração. Como bem asseverou o Relator da Decisão objurgada: O Relatório Fiscal de fls. 74/78 descreve de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias dos segurados lançadas nestes autos, que incidiram, em síntese, sobre remunerações a servidores segurados empregados, subsídios e diárias a prefeito e vice prefeito e remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos. Os mencionados pagamentos são fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias nos termos da legislação minuciosamente descrita nos autos, no anexo "Fundamentos Legais do Débito" (fls. 30/31) e no já citado Relatório Fiscal de fls. 74/78. Quanto ao argumento inexistência da irregularidade apontada pela fiscalização, o sujeito passivo não trouxe aos autos documentos capazes fazer prova de sua alegação. Isto posto e considerando que, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, o argumento da defendente não pode ser acolhido. O lançamento e decisão recorrida, por sua vez, estão lastrados em fundamentos adequados e provas da materialidade dos fatos geradores das obrigações previdenciárias minuciosamente identificadas e regularmente quantificadas. Logo, não há como acolher os inconformismos da Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911771/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.
Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 17 71 /2 00 9- 16 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Florianópolis que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao deixar de homologar a compensação tributária informada na DCOMP objeto dos autos. Primeiro, o Despacho Decisório da unidade local da RFB denegou o direito creditório pleiteado pela contribuinte com fundamento no art. 10 da IN SRF 600, de 2005. Vale dizer, o direito creditório utilizado no PER/DCOMP não foi reconhecido, por se tratar de mera antecipação de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, caso em que o recolhimento a maior ou indevido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devidos no final do anocalendário ou para compor respectivo saldo negativo. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, nas suas razões: que tem direito à restituição e compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal, à luz da legislação de regência; que o pagamento a maior ou indevido do IRPJ ou CSLL decorreu de erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores da: a) Conta Consumo de Combustível — CCC; e, b) Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE têm como objetivo subsidiar a energia elétrica gerada nas usinas termoelétricas, de forma que a tarifa da energia elétrica fosse equalizada com a dos consumidores servidos por geração hidráulica, sobretudo nos instantes de baixa "hidraulicidade" dos sistemas interligados (em que a energia produzida pelas hidroelétricas estavam com capacidade baixa); que a inclusão de valores dessas Contas pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL no cálculo da conta dos consumidores situados nas regiões Sul, Sudeste, CentroOeste e Nordeste , mediante incremento nas tarifas das concessionárias distribuidoras, e repassados à Eletrobrás que administra esses recursos , não configura receita da impugnante; que muito embora a cobrança da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE possam, em tese, caracterizar como receitas das empresas distribuidoras de energia, de forma peculiar, para impugnante, que é Geradora de Energia Elétrica interligada ao sistema, tais rubricas não são receitas. Isto porque a geradora está impossibilitada de auferir qualquer recurso dessas fontes como "receita" própria ou como "faturamento", conforme as prescrições da ANEEL. Ou seja, por meio da Nota Técnica n° 116, de 24 de março de 2006, e Despacho n° 657/2006, a ANEEL Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 4 3 orientou as alterações introduzidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica, para equacionar a distorção decorrente da inadequada contabilização dos valores da CCC/CDE como "Receitas de Subvenção" pelas concessionárias geradoras como a impugnante; que a ANEEL esclareceu que os valores, outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção CCC/CDE", deveriam ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois jamais integraram a receita de concessionárias geradoras, como a impugnante; que os valores da Conta Consumo de Combustível — CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não representam propriedade e, conseqüentemente, incremento patrimonial da impugnante, já que somente são repassados para que se propicie o pleno funcionamento do Sistema Elétrico Nacional, tendo, inclusive, a sua aplicação passível de auditoria pelo Tribunal de Contas da União. Por último, a DRJ, assim como ocorrera no Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, também denegou o direito creditório pelo mesmo fundamento declinado no referido Despacho Decisório, ou seja, que o valor pago indevidamente ou a maior de IRPJ ou de CSLL, a título de estimativa mensal, no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, não pode ser objeto de compensação, pois esse valor só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou o pagamento a maior ou indevido do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e da contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal, por erro de fato; que efetuou imediata compensação tributária, utilizando como crédito os valores pagos indevidamente do imposto e contribuição federais através de declaração de compensação, via sistema PER/DCOMP; que, tanto o Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, quanto o Acórdão recorrido, com mesmo fundamento, denegaram o crédito pleiteado, conforme já mencionado anteriormente; que o pagamento indevido é feito à margem da lei e, portanto, não se subsume a qualquer regime de repetição que não aquele previsto no art. 165, do CTN, ou seja, o direito a repetição surge de forma imediata; que o pagamento por regime de estimativa é previsto em lei, na forma dos §§ 2° e 3°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e, deste modo, qualquer pagamento a maior do que o fixado no dispositivo legal é considerado indevido, e não adiantamento; que o disposto no art. 10 da Instrução Normativa n.° 600, de 2005, na parte atinente ao pagamento a maior, tão somente objetiva protelar o pagamento dos juros devidos a partir da ocorrência do pagamento indevido, e, assim prevendo, colide com o disposto no §4°, do art. 39, da Lei nº 9.250/95, de modo a tornálo inaplicável, pois cediça a regra de que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 5 4 conteúdo e o alcance dos decretos restringese aos das leis em função das quais sejam expedidos (CTN, art. 99), ou seja, para fiel cumprimento da lei (CF, art. 84, IV); que citou precedente do CARF pelo afastamento, inaplicabilidade, do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, que vedava a compensação de pagamento à maior das estimativas mensais do IRPJ ou da CSL, antes de findo o período de apuração; que o direito a repetição do pagamento indevido ou a maior de tributo surge no momento de sua efetivação à margem da lei, e evidente, pois, a possibilidade de compensação imediata do pagamento indevido da estimativa mensal. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.049, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.911762/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.049): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito. Direito de repetição do indébito tributário ou de compensálo com outro débito vencido ou vincendo. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 6 5 Nacional, ou seja, encontro de contas informado na declaração de compensação informada. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal (processo de compensação tributária), compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional, utilizado para encontro de contas com débito próprio vencido ou vincendo objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento da apresentação das provas, sua produção, está previsto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois ainda dependente de ulterior verificação para efeito de homologação ou não, no prazo legal de até cinco anos. Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação. No caso, a recorrente alegou nos autos: que efetuara pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL por erro de fato na base de cálculo, pela inclusão indevida na receita bruta de valores relativos a Conta Consumo de Combustível — CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético — CDE; que valores cobrados dos clientes consumidores a título dessas rubricas não seriam receitas, mais sim mera "Recuperação de Custos", conta retificadora dos custos; que, nesse sentido, invocou esclarecimento da ANEEL, conforme atos normativos citados no relatório, que os valores outrora contabilizados como "Receitas de Subvenção para Custeio CCC/CDE", devem ser contabilizados como "Recuperação de Custos", em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos, pois valores repassados a título dessas rubricas não seriam receitas. Ocorre que a questão do erro de fato alegado, se existente ou não, na apuração da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, por conta dos registros contábeis dos valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE remete a outra questão não resolvida nos autos, ou seja: os valores auferidos a título das referidas rubricas são tributáveis ou não? Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 7 6 A contribuinte alega, invocando a ANEEL, que seriam meros repasses a título de "Recuperação de Custos" para registro em conta retificadora dos custos com matériaprima e insumos. Esses pontos controvertidos, portanto, não foram enfrentados, no mérito, pela decisões anteriores nestes autos, pois se limitaram a denegar o direito creditório com base no óbice do art. 10 da IN SRF 460/04, reiterado pela IN SRF nº 460/05. Ocorre que o óbice do art. 10 da Instrução Normativa n° 460/04, reiterado na IN nº 600/05, ficou superado a partir da edição da IN SRF 900/2008 que suprimiu a vedação do da repetição imediata, aproveitamento ou utilização em compensação tributária de pagamento a maior ou indevido de estimativas mensais do IRPJ ou da CSLL antes de findo o período de apuração, desde que reste comprovado, de forma cabal, o erro de fato na apuração da base de cálculo ou pagamento totalmente desvinculado da base de cálculo que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 84, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a comprovação do erro de fato é condição sine qua non para configuração do pagamento indevido das estimativas mensais e repetição imediata. Caso contrário, tratase mero antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL na forma da legislação de regência, podendo somente ser utilizada na declaração de ajuste anual, para dedução do débito apurado ou para formação do saldo negativo. No caso, não há como prosseguir na análise de mérito nesta instância de julgamento para evitar prejuízo à defesa, ou seja evitar supressão de instância de julgamento, pois as questões do alegado erro de fato e da natureza das receitas, valores repassados à recorrente nas rubricas Conta Consumo de Combustível — CCC e Conta de Desenvolvimento Energético — CDE não foram enfrentadas, no mérito, pelas decisões anteriores nestes autos. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84; e, b) para evitar prejuízo à defesa, ou seja, supressão de instância de julgamento, devolver os autos à unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Florianópolis para que proceda análise Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.911771/200916 Acórdão n.º 1301003.058 S1C3T1 Fl. 8 7 de mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 460/04 e reiterado pela IN SRF 600/05, pela aplicação da Súmula CARF nº 84, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907217/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 72 17 /2 00 8- 65 Fl. 80DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 28/31), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 11/02/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23/11/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 35). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 21/12/2012 (fls. 37/42), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 13/18 (PER/DCOMP nº 36490.49912.170105.1.7.04 5628), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 07/02/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.907217/200865 Acórdão n.º 3802003.425 S3TE02 Fl. 81 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 07/02/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 82DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 83DF CARF MF
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