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Numero do processo: 14041.000193/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
NORMAS PROCESSUAIS.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício.
PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO
No que concerne a determinados fatos geradores do imposto, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém -se o principal da exação fiscal e afasta-se a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, com o crédito disponível.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante do voto condutor para quitação de débitos em litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 NORMAS PROCESSUAIS.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No que concerne a determinados fatos geradores do imposto, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém -se o principal da exação fiscal e afasta-se a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, com o crédito disponível. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No que concerne a determinados fatos geradores do imposto, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém se o principal da exação fiscal e afastase a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, com o crédito disponível. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 93 /2 00 8- 92 Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.615 2 pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante do voto condutor para quitação de débitos em litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/BSA (Fls. 1077), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em: 12/02/2008, encerrado o procedimento de fiscalização (verificações obrigatórias); foi lavrado o Auto de Infração, do IRRF, quanto a fatos geradores dó ano calendário 2003, cujo credito tributário perfaz o montante de RS 1,093.509,85, assim discriminado (fl. 224): EXAÇÃO FISCAL ANO CAL PRINCIPAL (R$) JUROS DE MORA (calculados até 31/01/2008) MULTA DE OFÍCIO 75% TOTAL IRRF (fls.224/257) 2003 455.112,58 297.063,11 341.334,16 1.093.509,85 Infração imputada: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ~ APURAÇÃO SEMANAL DIFERENÇA APURADA. ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. DCTF RETIFICADORAS APRESENTADAS SEM DÉBITO DO IMPOSTO, COM VALORES ZERADOS. Quanto à descrição dos fatos, consta do Auto de Infração na fl. 225, verbis: Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.616 3 (...) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declaradas e os valores escriturados conforme Verificação fiscal... A propósito, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a seguinte descrição dos fatos (fls. 258/259), verbis:. (...) No dia 20/08/2007 o fiscalizado compareceu à Receita Federal, apresentou os recibos de entrega de Dctf original (fls. 077 a 82) e afirmou que durante os anos de 2003 2005 a empresa enfrentou embates societários e que não tinha conhecimento das retificadoras transmitidas. Menciona ter solicitado à Receita cópia das mesmas em 30 dias receberia as declarações (...). Em relação à DCTF o contribuinte afirma (fls. 089 a 166) não ter efetuado as retificações datadas de 29/11/2005 (...) Observasse que o documento apresentado em 22/08/2007 (fls. 082 a 084) o contribuinte menciona: "Reitera que não sabe dizer a razão da divergência indicada no termo de intimação acredita deva decorrer do embate societário que viveu a empresa a partir falecimento do Sr. António Venâncio da Silva. Este embate se delineou nos autos do processo de inventário e também nós corredores da empresa, com contadores funcionários trabalhando para grupos de pessoas que divergiam, entre si, .o que ocasionou . grandes perdas financeiras para a empresa, além de inequívocas conturbações no plano contábil e fiscal " Em 01/11/2007 como resposta a uma intimação o contribuinte declara (fls. 173 a "Como não houvesse consenso entre os herdeiros, as contendas diárias t, funcionários e estes è até mesmo com os clientes eram constantes, com ausência completo de direcionamento da empresa, e vários tumultos relacionados a pagamentos, registros: documentos, dados, que levaram a empresa a sua quase derrocada, o acordo ultimado em idos de 2005, também já entregue a esta fiscalização " (...) Como não há débitos declaradas em DCTF e as justificativas não foram convincentes lavramos o auto considerando os valores apurados na escrituração contábil (fls. 209 e 217 a 221). As contas contábeis (passivo) utilizadas como base para o auto foram as seguintes: IRRF Salários, • 1RRF Pessoa Física, IRRF Juros Remuneratórios, IRRF Pessoa Jurídica e IRRFs/Rendimentos. Abaixo a relação dos lançamentos (...). Fundamentos legais: CTN Lei n° 5.172, art. 149; RIR/99, arts. 841, 717, 726 e 865. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.617 4 O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração (fls. 224/257) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 258/267), por via postal, em 18/02/2008, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR na fl. 268, e apresentou impugnação fiscal em 19/03/2008 nas fls. 270/284, juntando, ainda, os documentos nas fls. 285/500. Regularização da representação processual nas fls. 502/532. Consta, em síntese, da impugnação fiscal: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF autorizou, apenas, a fiscalização do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não abarcando o IRRF que os autos do processo em comento referemse a auto de infração do IRRF, o que denuncia exacerbação da fiscalização, ou seja, violação dos princípios da legalidade e da vinculação ao MPF; que o AuditorFiscal que lavrou o auto de infração do IRRF não tinha competência para isso, pois extrapolou o disposto no MPF, o qual não autorizou a extensão da fiscalização para o IRRF; que o AuditorFiscal para exercitar sua competência depende de ordem específica de seu superior (Delegado) e da emissão do MPF (Portaria MF 95/2007 e Portaria RFB nº 11.371/2007); que, em suma, estaria caracterizado flagrante vício insanável de nulidade do lançamento fiscal, por falta de competência da autoridade lançadora, nos termos do inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 2) Decadência parcial: que ex vi do art. 150, § 4º, do CTN, o crédito tributário relativo aos fatos geradores do IRRF de 01/01/2003 a 17/02/2003 já estaria decaído, quando tomou ciência do lançamento fiscal em 18/02/2008; invoca e transcreve, ainda em relação à caducidade suscitada, ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 3) Pagamentos não considerados; que a fiscalização formalizou o auto de infração sem as competentes investigações preliminares; que a fiscalização deixou de considerar pagamentos do IRRF efetuados antes do início do procedimento fiscal relativo ao anocalendário 2003 conforme cópias dos DARF nas fls. 294/482; que esses pagamentos/recolhimentos demonstram que o lançamento fiscal do IRRF formalizado está inadequado, na medida que apresenta base de cálculo distorcida desse imposto. O sujeito passivo pede que — se não for reconhecida a nulidade que se proceda a adequação dá base de cálculo aos limites legais. 4) Juros sobre o capital próprio: que relativo à conta contábil 2.1.1.02.021 IRRF Juros Remuneratórios , urge os seguintes esclarecimentos: a) que a conta contábil indica retenção do IRRF sobre juros sobre o capital próprio; Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.618 5 b) que no caso não teria havido o pagamento de juros sobre o capital próprio aos quotistas da empresa, pois a empresa na época estaria vivendo um embate societário em decorrência do inventário do Sr. Antônio Venâncio da Silva (fls. 484/488) e que, em decorrência disso, todas as decisões do Grupo Venâncio que se subordinam a Assembléia Geral foram relegadas para o término do processo, ante a incerteza da destinação do capital. Juntou, ainda, cópia do Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social da Antonio Venâncio da Silva & Cia Ltda, de 16/12/2003 (fls. 490/500); que embora o parágrafo único da Cláusula Vigésima Primeira dessa alteração contratual possibilite o pagamento de juros sobre o capital próprio, é certo, também, que condiciona a aprovação desse pagamento pela maioria dos votos dos quotistas; que deliberação nesse sentido inexistiu; que sendo assim — o registro em conta contábil de "Juros sobre o capital próprio" ou "IRRF Juros Remuneratórios" é indevido, pois inexistiu pagamento dessa remuneração, nem autorização societária para tanto; que, por conseguinte, houve erro contábil, devendose cancelar os valores constantes da conta contábil IRRF Juros sobre Capital Próprio; que se não houve pagamento de juros, não há IRRF a ser pago ou exigido. 5) Multa de Ofício Inaplicabilidade: que consta do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento tomou por base os valores apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência de declaração de débitos nas DCTF retificadoras, que foram apresentadas com os campos zerados (fls. 180 a 209 c 217 a 221); que tal afirmativa da fiscalização não corresponde a realidade dos fatos; que a empresa formalizou a entrega das DCTF do anocalendário 2003 com valores, débitos declarados; que entretanto – em 29/11/2005 surgiram, foram transmitidas eletronicamente, DCTF retificadoras com valores zerados; que tais DCTF retificadoras não possuem valor jurídico, uma vez que o responsável por tal preenchimento é pessoa desconhecida, alheia ao quadro de funcionários da empresa, fato que ensejou, inclusive, a formalização de abertura de inquérito policial, conforme informação prestada à RFB, correspondência protocolada em 20/09/2007 (fls. 290/293); que os valores exigidos do IRRF não correspondem apenas aos valores escriturados mas também aos valores informados nas DCTF primitivas; que* por isso, caberia à fiscalização nessa parte verificar a existência de pagamentos dos débitos do ano calendário 2003, antes do lançamento de ofício; que, de fato* se os débitos exigidos foram objeto das DCTF primitivas do ano calendário 2003, inaplicável a multa de ofício; que, no caso, no máximo é possível falar em falta de recolhimento de tributo devidamente apurado e declarado* o que enseja apenas e tão somente a aplicação dê multa moratória no percentual de 20%. Há ainda invocação e transcrição de ementas1 de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do MF; que, por conseguntge, pediu a redução da multa para o patamar de 20%. Por fim, o sujeito passivo pedido: Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.619 6 a) que :seja apreciada a presente impugnação, afastando o lançamento fiscal em sua integralidade, seja em razão da nulidade suscitada ou pelos pagamentos demonstrados; b) que caso assim não se entenda requer seja declarada a decadência do direito de lançamento quanto aos fatos geradores até 17/02/2003, e para os demais fatos geradores que seja ajustada a base de cálculo, e cancelamento do 1RRF atinentes à conta contábil [RRF Juros Remuneratórios, e redução da multa para o patamar de 20%. Ainda, protesta pela juntada de outras provas documentais, caso eventualmente sejam obtidas ou encontradas (Lei 9.784/99, arts. 37 e 38). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Ementa: PRELIMINAR PROCESSUAL DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. PRELIMINAR REJEITADA. Para exações fiscais lançadas em procedimento de verificações obrigatórias, não há necessidade de especificar1 ou mencionar tio MPFF os tributos e contribuições objeto de fiscalização, pois a emissão do MPFF abarca, por si só, automaticamente, todos os tributos e contribuições administrados pela RFB, no lapso temporal dos último.s cinco anos e mais o período de execução do MPF. PRELIMINAR DE MÉRITO. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CADUCIDADE NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART. 173,1, CTN Não realizadas pela contribuinte as atividades de que trata o art. 150 do CTN, mormente inexistindo pagamento qualquer para o respectivo fato gerador, o termo de início do prazo decadencial de cinco anos para lançamento do débito em aberto do respectivo fato gerador é o primeiro dia.do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Em relação a determinados fatos geradores do imposto ocorridos até 17/02/2003 objeto do lançamento de ofício, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, afastase nessa parte o lançamento fiscal, para evitar duplicidade de exigência, pois o crédito tributário respectivo já fora extinto pelo pagamento, antes do início do procedimento de fiscalização. No que concerne a determinados fatos geradores do imposto ocorridos após 17/02/2003 objeto dos autos, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém se o principal da exação fiscal e Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.620 7 afastase a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, caso haja crédito disponível. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF NÃO RECOLHIDO. DEBITO MANTIDO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM CONTA DO PASSIVO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO EM ABERTO. Não restando comprovado nos autos que os juros sobre o capital próprio não foram pagos aos quotistas, ou que a despesa a esse título inexistiu, procede a exigência do tributo, pois os fatos econômicos de relevância jurídicotributária registrados na escrituração contábil fazem prova tanto a favor, quanto contra, o contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. A falta de pagamento do tributo ou contribuição constatada cm procedimento de fiscalização impõe a exigência do principal da exação fiscal com aplicação da multa de ofício. A multa moratória aplicase apenas para pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento, e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. PROTESTO PELA JUNTADA DE OUTRAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO ' DA FACULDADE PROCESSUAL. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação fiscal, sob pena de preclusão dessa faculdade processual. Não restando comprovado nos autos motivo de força maior de que trata o art. 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97 , rejeitase o pedido de juntada de novos documentos nessa fase processual. Em 24 de setembro de 2009, o SECOJ/DRJ/BSB exarou o despacho n° 487/2009 (Fls. 1113), onde se verifica: Não foi possível atualizar o resultado do julgamento do Acórdão DRJ/BSB n° 0332.233 de 17/07/2009 no SIEF, do Relator NELSON K1CHEL, CPF 423.66283920, tendo em vista verificar a necessidade de alocação de pagamento feito pelo contribuinte, conforme cita o acórdão às fls. 552. Diante disto, proponho encaminhar o processo à DRF/Brasília para que sejam tomadas as providências necessárias e informar o resultado do julgamento no sistema. Cientificado em 03/11/2009 (Fls. 1441), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2009 ( Fls. 1451 a 1475), reforçando os argumentos apresentados quando da Impugnação. Em 30/11/2009 (Fls. 1477), ocorreu o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.621 8 Em 01/03/2010, o Recorrente anexou petição (Fls. 1479 a 1481), informando e requerendo: .... sejam apartados do referido processo os débitos abaixo declinados, com as multas de ofício correspondentes , em relação aos quais o contribuinte promoveu adesão ao parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009 . São eles: (...) Esclarece, a contribuinte , que tais débitos não foram objeto de recurso administrativo, pelo que já estão definitivamente constituídos , razão de sua inclusão no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 . Relativamente aos demais débitos constituídos no referido processo, ou já foram excluídos por decisão da 2ª Turma da DRJ / BSA (acórdão 0332.233, de 17/07/2009) ou são Objeto de recurso voluntário ainda não apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por fim, promovida a referida separação, requer, nos termos do disposto no art. 1º da Lei n° 11.941/2009, seja de pronto homologado o pedido de parcelamento formalizado. Às Fls. 1535, verificase ainda que o Recorrente anexou novo documento ao processo, informando: ... vem elucidar à V. Sa., para os fins do disposto na Lei n° 11.941/2009, que os débitos imputados nestes autos, especificamse em 3 (três), distintas circunstâncias, as quais serão explanadas a seguir: 1. Débitos que já foram excluídos por decisão d a 2 a Turma da DRJ/BSA (acórdão 0332.233, de 17/07/2009) , e que, portanto, devem ser baixados nos sistemas da Receita e da Fazenda; 2. Demais débitos que são objeto de recurso voluntário, que ainda não foram apreciados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do CTN; 3. E, os débitos que não foram objeto de recurso administrativo, restando assim definitivamente constituídos, razão pela qual há o pedido de adesão e inclusão no parcelamento previsto na forma da Lei supracitada. No rosto do mesmo documento o Sr. Caio Marcos Candido, Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF despachou indicando: De acordo. Remetase os autos à DRF em Brasília para providências, tendo em vista desistência parcial. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.622 9 Em 28/06/2011 (Fls. 1585) a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, encaminhou o processo ao Conselho Administrativo Recursos Fiscais para apreciação. Informa ainda o despacho: Informo que o contribuinte fez opção pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e os débitos transferidos para o processo n° 11853.000554/201153. Em 16/04/2013 o processo foi encaminhado para novo sorteio na 1ª TE, tendo em vista o encerramento do mandato do Conselheiro Sandro Machado dos Reis, ex Relator do processo (Fls.1587). Desta forma o processo foi distribuído a este Conselheiro. Em sessão realizada no dia 21 de janeiro de 2014, esta Turma Julgadora determinou o retorno dos autos para a DRFB para a elucidação de alguns quesitos. Cumprida a diligência, o processo retornou para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o lançamento trata de falta de recolhimento do IRRF. A contribuinte, em seu recurso, alega a nulidade do lançamento em razão de limitações do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, decadência do lançamento relativo a fatos geradores anteriores a fevereiro de 2003, e, no mérito, após o reconhecimento de parte do débito via parcelamento, que alguns pagamentos não foram alocados pela DRJ e a redução da multa de ofício para a multa de mora. Quanto a nulidade do lançamento em razão da delimitação de fiscalização do MPF, curvome ao entendimento unânime do CARF, no sentido de que o MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do Auditor Fiscal de efetuar o lançamento de ofício. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo, da delimitação de tributos a serem fiscalizados, e das prorrogações, ainda que comprovadas devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.623 10 Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). Razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Ainda em sede preliminar, a contribuinte alega a decadência do lançamento relativo a fatos geradores anteriores a fevereiro de 2003. Deixo de apreciar tal preliminar, posto que a mesma se encontra prejudicada em razão de ausência de litígio sobre fatos geradores de tal período. É que, com a decisão da DRJ e com a adesão ao parcelamento, não resta em litígio lançamento com fato gerador anterior a março de 2003. Rejeito, portanto, tal preliminar de decadência. Passo a análise do mérito. Para comprovar que o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora, a recorrente junta aos autos cópia de DARF’S ou REDARF’S relativo a recolhimento de IRRF. Em seu recurso a contribuinte afirma que alguns pagamentos de IRRF não foram levados em conta pela decisão recorrida. Contudo, como não se podia afirmar com certeza que houve o recolhimento alegado pela contribuinte, foi requerida diligência para que a DRFB verificasse se os pagamentos constantes dos autos e não levados em conta pela decisão recorrida, por não coincidirem com os dados dos débitos em litígio, estão disponíveis nos sistema, bem como se há a possibilidade de serem utilizados neste processo. Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.624 11 Em resposta a diligência, a DRF informou que os DARF’S foram pagos e que alguns não foram utilizados, encontrandose à disposição; são os seguintes os DARF’S não utilizados: Dt. Arrecadação Dt. Vencimento Cod. De Receita Valor total Alocado/Utilizado? Disponível página DIGITAL página PAPEL 17/01/06 11/06/03 0561 6578,00 NÃO UTILIZADO SIM 621 308 02/09/03 10/09/03 0561 10576,92 NÃO UTILIZADO SIM 615 305 10/09/03 17/09/03 0561 1720,37 NÃO UTILIZADO SIM 613 304 31/01/06 10/12/03 0561 4970,09 NÃO UTILIZADO SIM 625 310 22/08/03 13/08/03 0561 3152,18 NÃO UTILIZADO SIM 627 311 31/01/06 18/06/03 0561 621,19 NÃO UTILIZADO SIM 629 312 10/07/03 09/07/03 0561 1090,97 NÃO UTILIZADO SIM 631 313 31/01/06 18/06/03 0561 621,19 NÃO UTILIZADO SIM 633 314 06/01/06 25/06/06 0561 2914,83 NÃO UTILIZADO SIM 635 315 17/01/06 11/06/03 0561 2357,47 NÃO UTILIZADO SIM 637 316 22/08/03 20/08/03 0561 1731,72 NÃO UTILIZADO SIM 641 318 10/07/03 09/07/03 0561 753,63 NÃO UTILIZADO SIM 649 322 12/08/03 13/08/03 0561 142,77 NÃO UTILIZADO SIM 653 324 13/02/03 05/02/03 0561 39,34 NÃO UTILIZADO SIM 659 327 14/05/03 15/01/03 0561 22,23 NÃO UTILIZADO SIM 671 333 12/02/03 29/01/03 0561 33,75 NÃO UTILIZADO SIM 673 334 12/02/03 2 /01/03 0561 26,42 NÃO UTILIZADO SIM 675 335 13/0"03 J5/02/03 0561 3694,87 NÃO UTILIZADO SIM 677 336 1 5/04/03 23/04/03 0561 132,85 NÃO UTILIZADO SIM 687 341 07/05/03 07/05/03 0561 129,42 NÃO UTILIZADO SIM 695 345 17/09/03 17/09/03 0954 416,54 NÃO UTILIZADO SIM 737 366 17/09/03 17/09/03 0954 416,54 NÃO UTILIZADO SIM 739 367 17/09/03 17/09/03 0954 608,01 NÃO UTILIZADO SIM 741 368 17/09/03 17/09/03 0954 684,50 NÃO UTILIZADO SIM 743 369 10/07/03 09/07/03 1708 42,75 NÃO UTILIZADO SIM 883 438 10/07/03 09/07/03 1708 109,74 NÃO UTILIZADO SIM 889 441 12/08/03 23/07/03 1708 92,48 NÃO UTILIZADO SIM 893 443 17/09/03 27082003 1708 583,38 NÃO UTILIZADO SIM 923 458 Por lógico, se as DCTF’S retificadoras foram entregues sem o lançamento de qualquer débito, os DARF’S, todos com códigos de IRRF e pagos antes do início do procedimento fiscal, devem ser alocados para os pagamentos do lançamento; sob pena de enriquecimento ilícito do fisco. Portanto, para os pagamentos identificados na Tabela ou Demonstrativo acima, deve ser feita a alocação ou imputação dos respectivos DARF’S, ficando exonerada multa de ofício proporcional ao principal do IRRF a ser extinto pela alocação/imputação. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.625 12 Quanto ao valores que restam no lançamento, pede a contribuinte que lhe seja aplicada apenas a multa de mora de 20%; posto que entende que a retificadora não deve possuir validade. Nos autos, verificase que o lançamento tomou por base os valores apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência de declaração de débitos nas DCTF’S retificadoras, que foram apresentadas com os campos zerados. Ocorre que, como já esclarecido pela DRJ, as DCTF’S retificadoras substituem as originais para todos os efeitos. Neste contexto, apesar das alegações da recorrente, não há provas concretas apresentadas, ou decisão judicial, que permitam a este Conselheiro desconsiderar as DCTF’S retificadoras. Assim, não há como ser acatado o pedido da recorrente, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a falta de pagamento de IRRF, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmado parte do lançamento, é cabível a aplicação da multa de ofício no lançamento que restou procedente Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante neste voto para quitação de débitos em litígio. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.626 13 Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13839.902593/2008-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 112 1 111 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.902593/200803 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.057 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS NATURA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 25 93 /2 00 8- 03 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através do qual requer a restituição e compensação de R$ 39.582,45 pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, em relação a pagamento em atraso de IPI realizado em 09/01/2004, relativo à diferença de IPI devido do 3º decêndio de abril/2000. A DRF de origem prolatou despacho decisório eletrônico de fl. 44, indeferindo o pedido e não homologando a compensação por entender que o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02/15, na qual defende que o recolhimento efetuado por ela em 09/01/2004, com principal e juros (DARF às fls. 39), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 29/01/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 40) seria indevido. Fundamenta suas alegações no art. 138 do CTN e em jurisprudência do STJ. Conclui requerendo a homologação da compensação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1437.104, de 28/03/2012, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. A multa de mora é aplicável naqueles casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê apenas após a data de vencimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 113 3 Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata –se de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 39.582,45. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 114 5 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 115 7 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente defende que o recolhimento efetuado por ela em 09/01/2004, com principal e juros (DARF às fls. 39), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 29/01/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 40) seria indevido. Em 23/11/2004 a recorrente recolheu a multa moratória no valor de R$ 39.582,45, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea. Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10805.904366/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 18 1 17 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.904366/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.385 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria Compensação Recorrente FIXOPAR COMERCIO DE PARAFUSOS E FERRAMENTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 43 66 /2 01 1- 17 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 3ª Turma da DRJ Curitiba, na sessão de julgamento de 11 de setembro de 2013, por meio do acórdão 0643.545 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETENCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar incoformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinçao de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 19 3 mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 13/03/2014 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 02/04/2014, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 20 5 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 21 7 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 22 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 23 11 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 24 13 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 25 15 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.904366/201117 Acórdão n.º 3803006.385 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13830.000499/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
CURSOS LIVRES. PROFESSOR. No regime da Lei n. 9.317/96, o exercício de atividades semelhantes às de professor (cursos livres) impede a opção pelo SIMPLES.
LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo SIMPLES não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1101-001.238
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 CURSOS LIVRES. PROFESSOR. No regime da Lei n. 9.317/96, o exercício de atividades semelhantes às de professor (cursos livres) impede a opção pelo SIMPLES. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo SIMPLES não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto que segue em anexo. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 04 99 /2 00 5- 47 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari. Relatório Cuidase, na origem, de pedido formulado por SHIMADA & CIA LTDA em 24 de março de 2005 (fls. 04/05) buscando inclusão, de forma retroativa a partir de 01° de janeiro de 1999 , no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em 22 de junho de 2007, foi exarado despacho decisório (fls. 62/64), por meio do qual houve o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no sistema Simples, sob o fundamento de que “o ramo de atividade constante no contrato social da requerente é de ‘cursos profissionalizantes livres e comércio de produtos de informática’”, de modo que, “ainda que em regra a atividade comercial seja compatível com a opção, a de realização de cursos profissionalizantes é nitidamente vedada, não sendo possível a opção pelas empresas que exerçam atividade híbrida”. Inconformado com a proibição que lhe foi imposta quanto à inclusão no SIMPLES, o contribuinte apresentou tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 66/68), defendendo, em síntese, que, por se tratar de sociedade voltada à exploração de cursos livres, “não há exigência de habilitação profissional legal para o exercício da atividade, não dependendo de autorização ou fiscalização por parte do Poder Público”, razão pela qual, “tendo em vista a natureza desta empresa, estamos em igualdade de condições com aquelas não vedadas à inscrição no SIMPLES”. Em sessão de julgamento realizada pela DRF de Ribeirão Preto/SP em 16 de março de 2009, o Relator votou no sentido de que, embora a atividade desenvolvida fosse vedada pelo artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, o caso concreto deveria ser analisado sob a ótica do § 2º do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/2006, que passou a permitir no SIMPLES NACIONAL a inserção de empresas que atuam dentro do mercado de ensino profissionalizante, explorando atividades de educação através de cursos técnicos. Nesse sentido, afirmou que, “não tendo havido o julgamento definitivo do presente processo, a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, e mesmo que assim não o fosse, o artigo 106, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) estipula que: / Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração”. Contudo, os demais julgadores vislumbraram solução diversa e mantiveram o indeferimento da solicitação, em acórdão (fls. 72/79) assim ementado, in verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 1999 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.000499/200547 Acórdão n.º 1101001.238 S1C1T1 Fl. 3 3 As autoridades administrativas são incompetentes para decidir sobre inconstitucionalidade de leis, por ser competência do Poder Judiciário. INCLUSÃO RETROATIVA. A atividade de cursos livres é impeditiva à opção ao Simples. Solicitação Indeferida. ” Na ocasião, o voto vencedor foi no sentido de que (i) “a atividade desenvolvida pela contribuinte é privativa de professor ou de qualquer outra profissão legalmente regulamentada”, de modo que, a partir da previsão do inciso XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96, “depreendese que empresas que prestem serviços de professor ou assemelhados, ou seja, qualquer tipo de atividade que de alguma forma ministre cursos ou ensine alguma técnica, não podem optar pelo Simples” (em reforço de fundamentação, citou o Acórdão 30330781 do então Conselho de Contribuintes). Além disso, (ii) afastou a alegação de inconstitucionalidade da Lei 9.317/96 por suposta violação ao princípio da isonomia por entender que tal questão “não pode ser apreciada na via administrativa” e (iii) rechaçou a possibilidade de aplicação retroativa das normas da Lei Complementar n. 123/2006 por entender que “o eventual indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL não caracteriza penalidade” e “tampouco é possível qualificar a Lei Complementar 123/2006 como lei interpretativa. Portanto, não há que se falar em aplicação do art. 106 do CTN”. Cientificado da r. decisão em 03 de julho de 2009, o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário em 03 de agosto de 2009 (fls. 83/88), no qual asseverou, em síntese, que: (i) “Analisando a fundo a atividade exercida pelo recorrente, podese ver que a mesma não se encontra dentre as impeditivas, vide o §2º do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, que, a partir de 01/07/2007, revogou a Lei do Simples (Lei nº 9.317/1996). (...) Portanto, o que deve ser levado em consideração em relação à legislação acima transcrita é que a opção pelo Simples Nacional pode ser requerida por aqueles que exploram atividades educacionais que se assemelham aos cursos profissionais a qualquer tempo, inclusive pelo recorrente” (fls. 84/85); (ii) “Cabe destacar ainda o previsto no §4º do artigo 16 da Lei Complementar supramencionada. O referido dispositivo assegura que todas as microempresas e as empresas de pequeno porte serão inscritas no Simples Nacional se fizerem a optação em seu regime tributário, salvo se existir vedação expressa em lei. Exatamente o que ocorre no presente caso, a empresa recorrente se enquadra perfeitamente nos moldes da lei, fez a opção pelo Simples com base nos dispositivos legais e agora está sendo restringida a se utilizar de tais direitos de forma errônea e arbitrária, pois, conforme já exposto, não existem dispositivos que vedam a inclusão da presente empresa no sistema tributário optado por ela” (fl. 86); e (iii) “Por fim, vale ressaltar a legalidade do pedido referente à retroatividade para inscrição em tal sistemática tributária. De acordo com a lei complementar supracitada (Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006) e com o artigo 106 e incisos, do CTN, a retroatividade da inscrição também é legal. Tais efeitos são válidos nos casos em que não exista julgamento definitivo nos procedimentos administrativos, exatamente o que ocorre no presente caso, aqui não existe ainda a imposição de nenhum fato infracional, portanto, não há que se falar em irregularidade. (...) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Diante de tal sistemática e com base na legislação vigente, podese concluir que o recorrente não praticou nenhum ato ilegal, e mais, teve seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido de forma arbitrária pelos nobres julgadores, que tomaram por base uma legislação que, se verificada a fundo, não veda a inclusão da empresa recorrente em tal sistema” (fls. 86/87). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR (Relator): O recurso voluntário é tempestivo – ciência do r. acórdão recorrido no dia 03 de julho de 2009, uma sextafeira (fl. 81), e interposição do recurso no dia 03 de agosto de 2009 (fl. 100) – e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Como visto, cingese a controvérsia a saber se o contribuinte pode ter deferida sua solicitação de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES a partir do anocalendário de 1999, tendo em vista que desenvolvia as seguintes atividades: “cursos profissionalizantes livres e comércio de produtos de informática”, sendo certo que, por ocasião de seu pedido, estava em vigor a Lei n. 9.317/96. A argumentação desenvolvida pelo contribuinte buscando prevalência de voto vencido adotado pelo d. Relator do processo na instância a qua é no sentido de que “analisando a fundo a atividade exercida pelo recorrente, podese ver que a mesma não se encontra dentre as impeditivas, vide o §2°, do artigo 17 da Lei Complementar n.° 123, de 14/12/2006, que a partir de 01/07/2007, revogou a Lei do Simples (Lei n.° 9.317/1996)”. É dizer, o contribuinte busca fazer com que a novel Lei Complementar n. 123/2006 a partir da qual a atividade desenvolvida pela empresa não se encontra mais dentre as vedadas à opção pelo SIMPLES NACIONAL repercuta em seu caso que pende de julgamento. Nesse quadro, penso que não tenha razão o contribuinte. Essa questão, a propósito, já foi trazida a este I. Tribunal Administrativo em inúmeras ocasiões, sendo certo que, inicialmente, o Conselho de Contribuintes afastava a inclusão no SIMPLES de empresas que tinham em seu objeto social a atividade de cursos livres de informática, cf. se lê no Acórdão n. 30330.781 (3ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes sessão de 12/06/2003), cuja ementa segue transcrita, litteris: “SIMPLES. EXCLUSÃO. CURSO LIVRE. O controle da constitucionalidade das leis é da competência exclusiva do Poder Judiciário, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo dele tomar conhecimento. Cursos livres de informática implica o exercício de atividade de ensino ou treinamento estando vedados de optar pelo SIMPLES, por assemelhados à atividade de professor. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.000499/200547 Acórdão n.º 1101001.238 S1C1T1 Fl. 4 5 RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. ” (P.A. 13898.000032/200199 Acórdão n. 30330.781 Sessão de 12/06/2003 Rel. Cons. João Holanda Costa) Após a entrada em vigor da Lei Complementar n. 123/2006, a jurisprudência do Conselho passou a vacilar, tendo aceitado, em determinados julgados, o efeito retroativo da novel Lei, conforme se lê no Acórdão n. 30134.575 (1ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes sessão de 20/06/2008), cuja ementa segue abaixo, litteris: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. DESENQUADRAMENTO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADES DE ENSINO LIVRE. A legislação vigente excetua da vedação à opção pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de ensino livre (in casu, curso na área de informática). SIMPLES. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA. JULGAMENTOS PENDENTES. EFEITOS. A lei nova tem repercussão pretérita aos casos pendentes de julgamento, por força do caráter interpretativo da norma jurídica impeditiva anterior, revogada pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem à regra do artigo 106 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ” (P.A. 10830.009109/0058 Acórdão n. 30134.575 Sessão de 20/06/2008 Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres) No entanto, essa questão foi submetida ao crivo da Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, analisando caso em que o objeto social era “a exploração do ramo de ensino, instrução e treinamento em informática”, pacificou o entendimento de que “o direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96”, cf. se denota do acórdão n. 9101001.219 assim ementado, verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. REDUÇÃO DO ROL DE ATIVIDADES VEDADAS AO SIMPLES. IRRETROATIVIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO DE NENHUMA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NO ARTIGO 106 DO CTN. Não retroage a lei complementar n° 123, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 previstas no artigo 106 do CTN. Primeiro porque não se constitui em lei interpretativa; segundo porque não pertence, a matéria, à seara das infrações tributárias. ” (P.A. 10830.009109/0058 Acórdão unânime n. 9101001.219 Sessão de 18/10/2011 Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann) Tecidas tais considerações e curvandome ao entendimento externado de forma unânime pela Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF , concluise que o contribuinte estava impedido de optar pelo SIMPLES até a edição da Lei Complementar nº 123/2006, não se vislumbrando qualquer possibilidade de retroação a situações ou atos concretizados em momento anterior à sua vigência. Analisando questão semelhante irretroatividade da Lei n. 10.034/2000, que alterava a Lei n. 9.317/1996, de modo a permitir que pessoas jurídicas que se dedicassem a outras atividades antes vedadas pudessem ingressar na sistemática do SIMPLES , o Col. Superior Tribunal de Justiça externou entendimento no seguinte sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. (...) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental." (...) 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, (...)” (REsp 1021263/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Esse entendimento, a propósito, foi sumulado pelo Eg. STJ, litteris: “A opção pelo Simples de estabelecimentos dedicados às atividades de creche, préescola e ensino fundamental é admitida somente a partir de 24/10/2000, data de vigência da Lei n. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13830.000499/200547 Acórdão n.º 1101001.238 S1C1T1 Fl. 5 7 10.034/2000. ” (Súmula 448, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 13/05/2010) Com efeito, não se vislumbra in casu hipótese cabível de retroatividade da Lei Complementar n. 123/2006, razão pela qual encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos da argumentação supra, mantendo in totum o quanto decidido pela d. DRJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10650.720873/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:
CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o termo de Verificação Fiscal indica claramente a origem do valor correspondente à infração apurada, não procede invocar cerceamento de defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA.
Na recomposição da conta, devem ser restituídos ao Caixa os valores nela creditados com contrapartida (débito) em conta transitória Bancos C/Movimento, baixados desta contra débito de Contas a Pagar, com o histórico Pagamento conf. Comprovante, quando a fiscalização comprova, pelos extratos bancários, a inexistência dos pagamentos.
RECEITA DIFERIDA NÃO LEVADA AO RESULTADO.
Consideram-se omitidos da tributação os valores de receita baixados da conta Receitas Diferidas sem transitar pelo resultado e sem a respectiva adição ao lucro líquido.
LUCRO REAL - DESPESAS INDEDUTÍVEIS - ADIÇÃO.
As despesas não comprovadas, mesmo após intimações para tanto, devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO.
O serviço correspondente ao licenciamento de uso de software se consuma com sua implantação (obviamente, observadas às adequações as necessidades do cliente). Na falta de elementos que possam precisar, em cada caso concreto, em que momento foram os softwares implantados, deve ser tomada como momento da efetivação da operação a data emissão da nota fiscal, em consonância com o que dispõe o art. 1º da Lei nº 8.846, de 21/01/1994.
A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, constitui fundamento para o lançamento de ofício quando dela resultar: postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração.
RETENÇÕES NA FONTE - DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO.
Não cabe ao julgador analisar pleito do contribuinte, formulado em fase de impugnação ou recurso, para que sejam deduzidos dos valores lançados de ofício os tributos retidos por seus clientes e que deixaram de ser informados na DIPJ (pleito que, de fato, corresponde a uma retificação da DIPJ), se o pedido não foi instruído com a juntada de documentos devidamente contextualizados e articulados no sentido da comprovação do direito pretendido.
MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO.
Não estando suficientemente demonstrada a conduta dolosa do contribuinte, deve a multa ser reduzida ao seu percentual ordinário.
MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA -
Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real ao final do ano-calendário, e, dessa forma, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de tributo por estimativa.
LANÇAMENTOS DECORRENTES - INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes quanto à mesma matéria fática.
IRRF - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA - PRESSUPOSTO MATERIAL.
A ocorrência do pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, devendo ser cancelada a parcela do lançamento correspondente aos valores cuja efetivação do pagamento não ocorreu.
Numero da decisão: 1301-001.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, com relação ao 1) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. 2) Recurso Voluntário: Por maioria de votos, dado provimento parcial ao recurso. Vencido quanto a multa isolada os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Uma vez que o termo de Verificação Fiscal indica claramente a origem do valor correspondente à infração apurada, não procede invocar cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA. Na recomposição da conta, devem ser restituídos ao Caixa os valores nela creditados com contrapartida (débito) em conta transitória Bancos C/Movimento, baixados desta contra débito de Contas a Pagar, com o histórico Pagamento conf. Comprovante, quando a fiscalização comprova, pelos extratos bancários, a inexistência dos pagamentos. RECEITA DIFERIDA NÃO LEVADA AO RESULTADO. Consideram-se omitidos da tributação os valores de receita baixados da conta Receitas Diferidas sem transitar pelo resultado e sem a respectiva adição ao lucro líquido. LUCRO REAL - DESPESAS INDEDUTÍVEIS - ADIÇÃO. As despesas não comprovadas, mesmo após intimações para tanto, devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. O serviço correspondente ao licenciamento de uso de software se consuma com sua implantação (obviamente, observadas às adequações as necessidades do cliente). Na falta de elementos que possam precisar, em cada caso concreto, em que momento foram os softwares implantados, deve ser tomada como momento da efetivação da operação a data emissão da nota fiscal, em consonância com o que dispõe o art. 1º da Lei nº 8.846, de 21/01/1994. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, constitui fundamento para o lançamento de ofício quando dela resultar: postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. RETENÇÕES NA FONTE - DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. Não cabe ao julgador analisar pleito do contribuinte, formulado em fase de impugnação ou recurso, para que sejam deduzidos dos valores lançados de ofício os tributos retidos por seus clientes e que deixaram de ser informados na DIPJ (pleito que, de fato, corresponde a uma retificação da DIPJ), se o pedido não foi instruído com a juntada de documentos devidamente contextualizados e articulados no sentido da comprovação do direito pretendido. MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO. Não estando suficientemente demonstrada a conduta dolosa do contribuinte, deve a multa ser reduzida ao seu percentual ordinário. MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real ao final do ano-calendário, e, dessa forma, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de tributo por estimativa. LANÇAMENTOS DECORRENTES - INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes quanto à mesma matéria fática. IRRF - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA - PRESSUPOSTO MATERIAL. A ocorrência do pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, devendo ser cancelada a parcela do lançamento correspondente aos valores cuja efetivação do pagamento não ocorreu.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, com relação ao 1) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. 2) Recurso Voluntário: Por maioria de votos, dado provimento parcial ao recurso. Vencido quanto a multa isolada os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Uma vez que o termo de Verificação Fiscal indica claramente a origem do valor correspondente à infração apurada, não procede invocar cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA. Na recomposição da conta, devem ser restituídos ao Caixa os valores nela creditados com contrapartida (débito) em conta transitória Bancos C/Movimento, baixados desta contra débito de Contas a Pagar, com o histórico “Pagamento conf. Comprovante”, quando a fiscalização comprova, pelos extratos bancários, a inexistência dos pagamentos. RECEITA DIFERIDA NÃO LEVADA AO RESULTADO. Consideramse omitidos da tributação os valores de receita baixados da conta “Receitas Diferidas” sem transitar pelo resultado e sem a respectiva adição ao lucro líquido. LUCRO REAL DESPESAS INDEDUTÍVEIS ADIÇÃO. As despesas não comprovadas, mesmo após intimações para tanto, devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. O serviço correspondente ao licenciamento de uso de software se consuma com sua implantação (obviamente, observadas às adequações as necessidades do cliente). Na falta de elementos que possam precisar, em cada caso concreto, em que momento foram os softwares implantados, deve ser tomada como momento da efetivação da operação a data emissão da nota fiscal, em consonância com o que dispõe o art. 1º da Lei nº 8.846, de 21/01/1994. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 08 73 /2 01 2- 83 Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 3 2 A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, constitui fundamento para o lançamento de ofício quando dela resultar: postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. RETENÇÕES NA FONTE DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. Não cabe ao julgador analisar pleito do contribuinte, formulado em fase de impugnação ou recurso, para que sejam deduzidos dos valores lançados de ofício os tributos retidos por seus clientes e que deixaram de ser informados na DIPJ (pleito que, de fato, corresponde a uma retificação da DIPJ), se o pedido não foi instruído com a juntada de documentos devidamente contextualizados e articulados no sentido da comprovação do direito pretendido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. Não estando suficientemente demonstrada a conduta dolosa do contribuinte, deve a multa ser reduzida ao seu percentual ordinário. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real ao final do ano calendário, e, dessa forma, não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício por falta de recolhimento de tributo por estimativa. LANÇAMENTOS DECORRENTES INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes quanto à mesma matéria fática. IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA PRESSUPOSTO MATERIAL. A ocorrência do pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, devendo ser cancelada a parcela do lançamento correspondente aos valores cuja efetivação do pagamento não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, com relação ao 1) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. 2) Recurso Voluntário: Por maioria de votos, dado provimento parcial ao recurso. Vencido quanto a multa isolada os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 4 3 Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em análise recursos, de ofício e voluntário, em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, que julgou procedente em parte a impugnação interposta por Consist Software Ltda. O litígio estabeleceuse em torno de cinco autos de infração lavrados relativos aos tributos Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), cientificados ao contribuinte em 01/10/2012 e alcançando fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008. Para o lançamento do IRRF, a autoridade fiscal aponta três situações que redundaram na infração capitulada no art. 61 da Lei nº 8.981/91, qual seja, pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, e os fatos geradores teriam ocorrido entre 12/01/2007 e 18/09/2008. A multa imposta foi de 150% para duas das situações apontadas. Os lançamentos de CSLL, PIS/Pasep (não cumulativo) e Cofins (não cumulativa) são decorrentes das mesmas infrações apontadas no lançamento de IRPJ, assim descritas no auto de infração deste tributo: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de receitas decorrente de Receitas Diferidas não levadas a resultado, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/12/2007 19.282.034,76 150% 0002 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. SALDO CREDOR DE CAIXA Omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 5 4 31/08/2007 2.188.101,59 225% 28/09/2007 1.538.577,23 225% 30/09/2007 410.353,92 225% 01/10/2007 233.434,68 225% 02/10/2007 242.785,48 225% 31/10/2007 531.456,98 225% 03/12/2007 387.846,02 225% 10/12/2007 6.784,00 225% 31/12/2007 346.228,22 225% 04/01/2008 177.574,49 225% 0003 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas de Direitos Autorais não comprovadas apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/12/2007 41.680.139,45 150% 0004 INOBSERVÂNCIAS DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO POSTERGAÇÃO DE RECEITAS Em determinado período de apuração, o contribuinte apurou e declarou/recolheu o IRPJ em valor menor que o devido, pois deixou de reconhecer receitas tributáveis auferidas, vindo a reconhecêlas apenas em período(s) seguinte(s), conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/12/2007 3.213.548,78 75% 0005 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE RECEITAS O contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de postergação no reconhecimento de receitas tributáveis, resultando no não recolhimento (ou recolhimento a menor) do IRPJ, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/12/2007 23.729.026,21 75% Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 6 5 0006 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS O contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real em virtude de postergação no reconhecimento de custos ou despesas dedutíveis, resultando no não recolhimento do IRPJ no(s) período(s) em que reconheceu o custo ou despesa postergada, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/12/2008 14.083.000,851 75% 0007 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL. Valor não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor apurado Multa 31/07/2007 2.907.409,48 150% 31/08/2007 3.540.097,19 150% 28/09/2007 2.465.628,34 150% 0008 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Fato Gerador Multa 31/07/2007 363.426,19 31/08/2007 716.024,84 20/09/2007 551.819,94 31/10/2007 125.959,65 30/11/2007 3.919.512,36 31/12/2007 8.300.496,94 31/01/2008 598.665,16 28/02/2008 61.319,46 31/03/2008 197.764,40 Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 7 6 30/04/2008 202.268,74 30/06/2008 3.867,24 31/07/2008 24.486,98 31/08/2008 41.966,03 30/09/2008 39.249,59 31/10/2008 5.992,47 30/11/2008 16.773,76 31/12/2008 73.595,74 Em impugnação tempestiva o contribuinte, em preliminares, suscitou: i) A decadência relativamente às multas isoladas incidentes sobre o IRPJ e CSLL, para os períodos anteriores a 30/09/2007; ii) A nulidade do lançamento no tocante à postergação de despesa relativamente ao fato gerador 2008, no valor de R$ 14.083.000,85, alegando que em momento algum ficou consignando no auto de infração ou no Termo de Verificação Fiscal quais foram as bases do valor dos custos levados do exercício 2008 para 2007 no total de R$ 30.258.236,66, segundo o anexo IV ao dito Termo; iii) A nulidade do lançamento de IRRF no tocante aos valores que, embora tenham sido creditados na conta corrente bancária da impugnante, foram considerados pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Alega que para a infração relativa a pagamento sem causa deve ser comprovada a existência, pelo menos, de pagamento, constituindo erro material fazer incidir o imposto de renda na fonte sobre valor por ela recebido. Quanto ao mérito, suas razões de defesa podem ser assim sintetizadas: SALDO CREDOR DE CAIXA Alegou ser equivocada a interpretação da autoridade fiscal, particularmente em razão de ter adotado critério diverso para débitos e créditos efetuados a título de ajuste quando da reconstituição da conta caixa, como será demonstrado a seguir. Disse ter esclarecido a razão do saldo credor de caixa, e que, ao longo da fiscalização esclareceu quase todos os lançamentos que foram lançados à crédito de caixa como recurso para vincular os registros contábeis à realidade. Reportouse ao documento de fl. 181, como de fundamental importância para compreender a razão pela qual foi necessária a recomposição da conta 11101 Caixa. Transcreveu a resposta dada à fiscalização, na qual esclarece que, conforme razão analítico anexo, os lançamentos questionados são decorrentes do recebimento de duplicatas, e foram efetuados na conta Caixa por falta de identificação do cliente, pelo banco, na data do recebimento. Por isso, optouse por fazer o lançamento a débito do Banco e a Crédito do Caixa, sendo que, posteriormente, foram feitos lançamentos a débito de Caixa e a crédito de Duplicatas a Receber. Informou ter recomposto o saldo da conta Caixa excluindo esses Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 8 7 lançamentos "temporários" feitos para reconhecer a entrada real dos recursos na conta corrente bancária. Esclareceu que tal procedimento implicou distorção nos saldos da conta Caixa e da conta Duplicatas a Receber, tendo sido efetuados lançamentos de ajuste para reparar os efeitos do lançamento temporário, os quais eram feitos entre Caixa e Duplicatas a Receber, sendo que a primeira conta recebia o 'ESTORNO' do lançamento e a segunda a baixa das duplicatas pagas. Disse que, após nova intimação voltou a comprovar 100% dos valores de pagamento de duplicatas que deveriam ser creditados na conta DUPLICATAS A RECEBER, o fiscal aceitou mais de 97% dos valores, refez os cálculos da recomposição do saldo da conta Caixa, consignando, ainda, que nessa recomposição considerou a conta 11202 BANCOS C/ MOVIMENTO, que teria recebido recursos apenas da conta Caixa. Ressaltou que nessa recomposição foram acolhidas as explicações de recebimento/pagamentos de empréstimos, que justificou em parte (97%) os valores que teriam suprido o caixa. Por se tratar de valores que não entraram efetivamente na empresa, conforme reconheceu a própria autoridade fiscal, os valores lançados a débitos de caixa (no total de R$ 47.295.290,00) foram ajustados a crédito da conta Caixa. Sendo assim, os ajustes a débito de Caixa decorrentes dos "lançamentos temporários" comprovados foram anulados pelos ajustes a crédito decorrente dos empréstimos, apurandose novo saldo credor de caixa. Nesse passo, disse que o saldo credor de caixa apontado pela fiscalização não tem origem nos lançamentos a crédito decorrentes da baixa de duplicatas, mas sim em ajustes decorrentes da baixa dos créditos, por empréstimos, que a empresa tinha frente a empresa ligada. Mencionou que a fiscalização adota critérios diferentes para débitos e créditos lançados na conta Banco C/Movimento recomposta juntamente com a conta Caixa. Como a fiscalização não encontrou nos extratos bancários os créditos pelo pagamento dos empréstimos, reconheceu que os valores não poderiam ter sido transferidos para o caixa da empresa e, por essa razão, deveriam ser retirados do caixa (ajuste a crédito). Por outro lado, os ajustes realizados na conta Duplicatas a Pagar e na Conta Bancos C/ Movimento, igualmente inexistente nos extratos bancários, foram consideradas saídas efetivas. Alegou que a autoridade fiscal simplesmente 'declara' que houve a saída do recurso como se pudesse, e que essa saída, negada pela impugnante, não pode ser presumida, cabendo ao Fisco provála. Ponderou que, ainda que se admitisse a tese da fiscalização de adulteração da contabilidade para encobrir o saldo credor de caixa, é relevante notar que essa medida jamais poderia se enquadrar no caput do artigo 1° da Lei n° 8.137/90, pois essa alteração se houvesse ocorrido, não visaria reduzir tributo, pois dela decorre apenas presunção legal de omissão de receita, que não se confunde com omissão de receita. Aduziu que o artigo 44 da Lei n° 9.430, editada em 1996 (portanto, posterior à Lei n° 8.137, de 1990) não determina o qualificação da multa pela ocorrência de crime contra a ordem tributária, mas sim se restar caracterizado crime de sonegação, fraude ou conluio (artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964). Disse ser descabido o agravamento da multa pela falta de apresentação de Registros Contábeis Auxiliares. Primeiramente, porque esse livro é obrigatório para quem efetua lançamentos globalizados, o que não é a regra para a impugnante. Argumentou que se a fiscalização entende que a escrita contábil é inservível, ela teria o poder de, após caracterizar tal situação, arbitrar o resultado, mas não poderia exigir documento ao qual o contribuinte não está obrigado. Poderia pedir esclarecimentos sobre os lançamentos que entendeu pouco claros Fl. 5353DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 9 8 em razão da repetição do histórico, poderia até mesmo desqualificar a escrita, mas não poderia exigir que o contribuinte escriturasse um livro apenas para atender a uma fiscalização específica. Disse que o absurdo é ainda maior quando se nota que a própria fiscalização assevera, no Termo lavrado em 27/08/2012, que foram apresentados demonstrativos que compõem lançamentos na conta caixa (fl. 3055). Afirmou que atendeu a fiscalização esclarecendo a composição e origem dos lançamentos contábeis, prestou todos os esclarecimentos pedidos, apresentou os arquivos previstos nos artigos 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 1991 e, no tocante a documentação técnica sobre o sistema de processamento de dados prevista no artigo 38 da Lei n° 9.430/96 não foi solicitada, não existindo motivo para qualificar a multa nos termos do artigo 44, parágrafo 2º, da Lei n° 9.430/96, pois nenhuma das hipóteses prevista em lei para qualificação da multa ocorreu. RECEITAS DIFERIDAS NÃO LEVADAS A RESULTADO Alegou que na resposta apresentada em 01/08/2012 (fl. 3380/3383) é possível observar que o contribuinte demonstrou os lançamentos que foram feitos na conta 23101 Receitas Diferidas. No resumo é possível observar que foram feitos dois lançamentos a crédito na indigitada conta que somaram R$ 17.062.638,92 cuja contrapartida a débito foi feita na conta 113051 Duplicatas a Receber. Esses lançamentos possuem como histórico a expressão "Transferência", sendo um lançamento efetuado em 31/01/2007 e outro em 31/0/2007. Posteriormente, em 30/06/2007, consta o lançamento à débito de R$ 19.282.034,76 cuja contrapartida a crédito foi a mesma conta 113051 Duplicatas a Receber, ou seja, os lançamentos entre as contas Duplicada a Receber e Receitas Diferidas quase se anulam. Informou que esses lançamentos com históricos de "Transferência" tiveram evidente intuito de reverter o saldo da conta Receita Diferida, contudo, não resolveram a questão relativa à antecipação das receitas inicialmente diferidas em maio, junho e dezembro de 2006 e a receita de janeiro de 2007, que se pretendia diferir, conforme demonstrado às fls. 3381/3383. Acrescentou que quando esclareceu à fiscalização que o lançamento no valor de R$ 19.282.034,76 correspondia a estorno de valores tributados antecipadamente, na verdade estava tratando não de estorno do saldo da conta Receita Diferidas (que por ser conta de receita, evidentemente, possui saldo credor e somente teria seu saldo recomposto com lançamento a crédito), mas sim a redução do saldo da conta Duplicatas a Receber, que acabou com saldo indevidamente aumentado através dos lançamentos feitos na tentativa de reverter os efeitos da antecipação das receitas. Disse ter demonstrado que os lançamentos de R$ 14.563.839,50 e R$ 2.498.799,42 feitos a débito de Duplicatas a Receber e a crédito de Receitas Diferidas foram totalmente revertidos, retirando da conta de Duplicatas a Receber o valor que acabou sendo indevidamente registrado nela (doc. 2). Sendo assim, mesmo que o raciocínio utilizado pela autoridade fiscal fosse procedente o que admitia apenas por hipótese – o valor da redução da conta Receitas Diferidas não levada a resultado seria de R$ 2.219.395,84. E mais, esse valor não poderia jamais ser considerado receita omitida, uma vez que devidamente escriturado. Alegou que a omissão de receita, se não estiver baseada em presunção legal, se caracteriza pela comprovação pela fiscalização da efetiva omissão, e que se houvesse infração no caso em tela, ela seria de postergação de receitas, ou seja, a mesma lógica empregada pela fiscalização em Fl. 5354DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 10 9 relação aos contratos com o Banco ABN e Telefônica e que resultaram na infração 005 do auto de infração. PAGAMENTO SEM CAUSA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Destacou que a infração apontada pela fiscalização tem origem nos lançamentos contábeis e que a conclusão é de existência de pagamento sem causa. Disse que por se tratar de valores relativos a receitas, não há como demonstrar pagamentos, na medida em que se trata de recebimentos. Além disso, em momento algum a fiscalização comprovou o pagamento, a saída do recurso da empresa, porque ela jamais aconteceu. Ressaltou já ter apresentado a relação das duplicatas recebidas que compõem os valores, as quais não foram aceitas como prova devido a pequenas diferenças, decorrentes de juros ou descontos. Sobre os pagamentos identificados pela fiscalização a partir de extratos bancários, disse que apresentou cópias de cheques, contratos e outros documentos que comprovam quem seriam os respectivos beneficiários, e que, mesmo identificados os beneficiários através dos cheques, foi constituído o crédito pelo pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Afirmou ser incompreensível que um pagamento em que a empresa demonstra a quem pagou pode ser considerado como entrega de recurso a beneficiário não identificado. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DESPESAS DE DIREITOS AUTORAIS NÃO COMPROVADAS Sobre os valores referentes a baixa de obrigações que, segundo o Termo de Verificação Fiscal, se caracterizam como pagamento sem causa de valores de direitos autorais que deveriam ser remetidos ao exterior, alegou que desde o princípio tentou esclarecer que parte dos valores lançados em Contas a Pagar são relativos a Provisões para pagamentos de direitos autorais e, como provisão, não possuem documentos que os suporte. Disse ser correto que essas provisões deveriam ser adicionadas ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real, mas não porque são despesas não comprovadas ou porque foram pagos a terceiros não identificados. Reconheceu que, de fato, as provisões que afetaram o resultado do exercício deveriam ter sido adicionadas e se houve erro na apuração do IRPJ e da CSLL, o erro foi justamente deixar de fazer as adições relativas às provisões. Contudo, a fiscalização jamais quis aceitar que os valores baixados de Contas a Pagar não dizem a respeito a pagamentos, mas a estorno de provisão. Alegou ser evidente que a fiscalização preferiu adotar um raciocínio tortuoso, sem base legal e sem amparo em elementos de prova, para constituir créditos tributários muito maiores que os devidos em razão do erro de deixar de somar as provisões ao resultado fiscal. Afirmou que a técnica contábil utilizada representou apenas um ajuste contábil, e que não caberia ajuste tributário, tendo em vista que as despesas realmente eram dedutíveis, pois incorridas nas datas dos lançamentos. A respeito do contrato entre a Consist International Inc. e a SAGA, invocado pela autoridade fiscal para fundamentar o auto de infração, disse tratarse de prova ilícita. Fl. 5355DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 11 10 Alegou que a Consist Software, empresa brasileira com personalidade jurídica distinta, não é parte dele, não estando vinculada às cláusulas e condições contempladas no seu bojo. Afirmou que o lançamento do crédito tributário relativo a despesas de direitos autorais não comprovadas incidiu em erro material, sendo causa da nulidade do lançamento. Isso porque, mesmo identificando todos os lançamentos feitos a título de provisão (portanto não passíveis de comprovação das despesas), o fisco optou por tributar parte dos valores como despesas não comprovadas. Mencionou que, mesmo havendo erro material, os enquadramentos legais citados no auto de infração parecem relacionados às despesas indedutíveis que devem ser adicionadas ao lucro líquido na apuração do lucro real, alegando “descolamento” do enquadramento. Disse parecer claro que a fiscalização, em algum momento, reconheceu que os ajustes feitos tiveram por origem as provisões (não passíveis de comprovação através de documentos, pois não são despesas efetivas, mas meras estimativas), mas resolveu mudar seu entendimento, caracterizando erro de fato do lançamento. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS Sobre a acusação de inobservância de regime de competência relacionada com o diferimento de receitas relativas às notas fiscais 1369 e 1525, repudiou o raciocínio da autoridade fiscal, de que a entrega dos meios físicos contendo os softwares e os manuais técnicos comprova a efetiva prestação de serviços. Argumentou que não se trata de comercialização de coisa móvel, que seus contratos são contratos de licença em que os valores são considerados receita de prestação de serviços (por não corresponderem a venda de software de prateleira), e que a licença obriga o usuário a pagar o preço antecipado e lhe garante a eficiência do produto por um prazo. Essa garantia de eficiência gera despesas que, necessariamente, devem ser imputadas ao produto comercializado (no caso, um serviço), conforme prevê o art. 8º da lei dos Softwares (Lei nº 9.606/98). Alegou que a comercialização dos programas licenciados pela Consist implica diversas fases e, ligadas a elas, diversas obrigações1, e que a entrega da versão do programa não esgota suas obrigações contratuais, como supõe a fiscalização. Que a fase mais importante do licenciamento é a chamada fase de implementação, que pode durar meses e que pode demandar diversos ajustes e adaptações para tornar o produto compatível com o uso que o cliente pretende fazer do programa. E que somente ao final da fase de implementação é que se dá por concluída a prestação do serviço correspondente ao licenciamento do software. Ponderou que, tendo em vista a dificuldade de caracterizar em que momento está concluído um “serviço” de licenciamento (aparentemente, o serviço deveria durar todo o período da licença), a melhor opção é a data de emissão do documento fiscal para receber o valor devido. E que, demais disso, a empresa sempre negocia com o cliente a data mais próxima da assinatura do contrato para a emissão do documento fiscal, pois somente a partir daí é que o valor passa a lhe ser devido, ainda que a implementação não esteja concluída. Especificamente sobre o contrato entre a Consist e a Telefônica (nota fiscal 1369), disse que ele contempla a venda de upgrade, de licença de uso de novas aquisições e de 1 Reportase às fls. 1939 dos autos e Docs 3 e 5) Fl. 5356DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 12 11 garantia de atualização técnica, com diferentes condições para cada produto. E que a proposta comercial na qual se baseou a fiscalização para estabelecer o prazo de 30 dias da assinatura do contrato, que foi anexada ao contrato, em momento algum teve suas condições confirmadas ou informadas pelas partes, e que o documento válido é o acordo firmado entre as partes, cuja cláusula terceira estabelece que o valor correspondente à aquisição de novos softwares deveria ser faturado em janeiro de 2008. Assim, somente a partir daquela data é que o valor passaria a lhe ser devido, independentemente da instalação ou da conclusão da implementação estar concluída. Aduziu que o próprio contrato afirma que a prestação de serviço (upgrade) somente se concretizaria em 2008, e assim, a receita de R$ 4.700.943,00, relativa a essa nota fiscal, pertence comprovadamente ao ano de 2008. Sobre o contrato com o Banco ABN Amro Real (nota fiscal 1525), disse que a proposta estabelece que seu objeto é a contratação de licenças de uso de upgrade para o período de 01/11/2007 a 31/10/2010, e que o upgrade de 6000 MSU’s não se deu de uma única vez, mas, de acordo com o cronograma previsto no anexo I, e que seria realizado mês a mês, e somente em outubro de 2010 a respectiva aquisição se completaria. Afirmou que o autuante relegou a segundo plano o fato de as novas licenças contemplarem mais 6000 MSU’s, e que do total das licenças contratadas por R$ 60.000.000,00 ainda restariam 3.404 MSU’s a serem instaladas. Argumentou que, a prevalecer o raciocínio que norteou a fiscalização, o tributo a ser exigido seria só do que estava instalado, e não do valor total do contrato. Argumentou que as premissas estabelecidas pela autoridade fiscal são inconsistentes, pois: (i) deixa de considerar a data da lavratura do contrato (21/12/2007) de licença de uso perpétuo; (ii) desconsidera que o licenciamento de software é processo que não ocorre instantaneamente; (iii) ignora o fato de as licenças comercializadas não terem sido totalmente instaladas, o que denota que o “serviço” não estava prestado; ignora que ficou acordado o pagamento das licenças até 31/12/2008, momento que sequer estava concluída a prestação dos serviços, ou seja, o faturamento ocorreu antes do previsto na legislação. Disse que, por se tratar de serviço, o licenciamento do software só se considera prestado ao final do processo de implementação de todas as licenças contratadas. Ponderou que, se prosperar a tese do autuante, que leva em conta a data do contrato para incluir no resultado do anocalendário de 2007 o valor de R$ 60.000.000,00 (NF 1525, datada de 15/01/2008) e R$ 4.700.943,00 (NF 1369, datada de 03/01/2008), igualmente deveria ser excluídos deste ano os valores referentes a todos os contratos firmados antes de 2007, o que resultaria em imposto pago a maior para os anos–calendário de 2007 e 2008. MULTA OU JUROS ISOLADOS DE IRPJ E CSLL Alegou que a norma prescreve a aplicação de multa sobre estimativa cujo pagamento deixar de ser efetuado. Essa estimativa, portanto, deve ser aquela apurada pelo contribuinte e não paga. Não se aplica aos casos de apuração de infrações lançadas de ofício. DOS RECOLHIMENTOS DE IRRF NÃO CONSIDERADOS Ponderou que se a fiscalização pretende apurar tributos deveria considerar não só os valores das infrações que identificou, mas também todos os valores de tributos pagos pela impugnante. Alegou se a autoridade tivesse se preocupado em demonstrar os valores das retenções na fonte iria constatar que dentre os valores de IRPJ considerados na DIPJ 2008 valores consideráveis deixara de ser aproveitados. Fl. 5357DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 13 12 Como exemplo, mencionou a nota fiscal 6633 do Banco do Brasil, no valor de R$ 50.000.000,00, cujo pagamento feito em 16/01/2007 somou R$ 45.274.000,00, e a retenção de 9,45% deve ser considerada na apuração dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que não compõe os valores informados da DIPS 2008, uma vez que a informação somente foi colocada na DIRF pelo Banco do Brasil em setembro de 2012. Juntou a conciliação entre DIRF e DIPJ com o objetivo de demonstrar outros valores que foram desconsiderados na apuração do lançamento de ofício, e postulou que sejam apropriados aos valores lançados de ofício os tributos retidos pelos seus clientes que deixaram de ser informados na DIPJ destes exercícios. DO DIFERIMENTO DE RECEITAS Argumentou que o diferimento de receitas é um direito seu, pois os custos incorridos na venda das licenças, inclusive de direitos autorais, podem ser apropriados ao resultado na medida em que acontecem, devendo ser observado o princípio de que as receitas devem ser apropriadas aos resultados no mesmo período em que os custos e despesas necessários a sua obtenção. Disse ser legítimo o procedimento de diferimento de receitas por parte de fornecedores de licenças de software, da mesma forma que as empresas que adquirem licenças de softwares promovem o diferimento de valores pagos a esse título (conforme dispõe o artigo 325, inciso I, alínea " a " , do RIR/99), por um período de alguns anos em função da obsolescência do produto. PEDIDO Requereu, afinal, pela ordem: a) que seja reconhecida a nulidade do auto de infração por conter vícios que impedem a sua subsistência, determinando o seu arquivamento; b) a decadência da multa exigida isoladamente das exações fiscais do período de 01/01/2007 a 30/09/2007; c) que sejam exonerados os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF; d) que seja declarada a inexistência de omissão de receita na apuração do saldo credor de caixa; e) que seja utilizado critério único para compor a base de cálculo dos impostos, apurando os novos débitos e créditos para efeito de lançamento; f) que as multas sejam recalculadas, se devidas forem, na sua graduação mínima, pois inexiste qualquer fato que possa justificar a sua aplicação em percentual maior. A Turma de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, exonerando apenas parte do IRRF lançado, com os respectivos acessórios, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 5358DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 14 13 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o valor apurado pela autoridade lançadora advém de somatório de quantias informadas pelo próprio contribuinte, consoante se infere do relato fiscal e das intimações realizadas. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A escrituração de saldo credor de caixa caracteriza a omissão de receita, quando o contribuinte não prova a improcedência dessa presunção. RECEITA DIFERIDA NÃO LEVADA AO RESULTADO. Tratandose a conta “Receitas Diferidas” de uma obrigação com terceiros, em face de recebimentos antecipados de serviços a serem prestados, esta tem natureza de conta do passivo. Assim, consideramse omitidos da tributação os valores de receita baixados dessa conta sem transitar pelo resultado e sem a respectiva adição ao lucro líquido. LUCRO REAL. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. ADIÇÃO. As despesas não comprovadas, mesmo após intimações para tanto, devem ser adicionadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, constitui fundamento para o lançamento de ofício quando dela resultar: postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. RETENÇÕES NA FONTE. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS LANÇADOS DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a dedução, dos tributos lançados de ofício, de valores retidos na fonte que não guardam correlação com as infrações apontadas no lançamento, mormente quando a análise desse pleito se consubstancia em nova auditoria fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Verificada a ocorrência do dolo, próprio dos casos previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que inclusive pode se dar por meio de artifícios contábeis, deve ser duplicado o percentual de 75% da multa de ofício. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. DECADÊNCIA. Constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do imposto sobre a base estimada, sem demonstrar Fl. 5359DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 15 14 que este não era devido, é cabível o lançamento da multa de ofício isolada. Tratandose de hipótese de lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial regese pela regra estabelecida no art. 173, I, do CTN. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes quanto à mesma matéria fática. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.. PRESSUPOSTO MATERIAL. Em face de presunção legal, sujeitamse à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, aqueles pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. A ocorrência do pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, devendo ser cancelada a parcela do lançamento correspondente aos valores cuja efetivação do pagamento não ocorreu. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi interposto recurso de ofício. Ciente da decisão em 28/05/2013 (fls. 5279), o contribuinte ingressou com recurso em 27 de junho seguinte, articulando as seguintes razões: 1 Preliminar de nulidade do julgamento Preliminarmente, afirma ser nulo o julgamento quanto ao item 6 do auto de infração (redução indevida do lucro real causada por postergação de custos e despesas) . Diz ser imperioso que o fato imponível e a determinação da matéria tributável estejam claramente indicados no auto de infração, e que a Turma de Julgamento, não obstante tenha identificado que a autoridade lançadora deixou de descrever precisamente os fatos que resultaram no lançamento de Postergação de Custo, tentou remediar a situação, indo buscar nos demais documentos dos autos a origem para o valor de R$ 30.258.236,66, que corresponderia, segundo os julgadores, á soma das parcelas indicadas às fls. 1664/1666 e 2214. Diz que o voto faz inserções no texto original para conferirlhe clareza. 2 Preliminares de nulidade do lançamento. Ainda em sede de preliminares, invoca a nulidade do lançamento por decadência e por cerceamento de defesa. 2.1 Decadência: Fl. 5360DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 16 15 Afirma que o sujeito passivo efetuou recolhimentos de estimativas relativamente ao período de julho a outubro, e assim, a estimativa apurada e paga pelo sujeito passivo se subsume ao critério de lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN. Ademais, o art. 112 do CTN dispõe que as normas sobre penalidade devem ser interpretadas restritivamente, e de maneira mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida quanto á punibilidade. Requer seja reconhecida a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 30/09/2007 2.2 Cerceamento de defesa Para embasar a nulidade por cerceamento de defesa, alega, em síntese, o seguinte: Ao apontar os valores que teriam sido indicados pela própria recorrente em resposta a um dos termos de intimação, a decisão somente confirmou que, de fato, a origem do montante postergado foi omitida no auto de infração. Ademais, os valores apontados pela fiscalização e pela autoridade julgadora são contas de passivo e não conta de resultado. Assim, como poderia inferir sobre custos relativos à nota fiscal supostamente postergada se sequer foram examinadas as contas de resultado? Como pode haver conclusão sobre CUSTOS se a fiscalização abordou apenas os direitos autorais, que representam apenas parte dos custos? No cabeçalho das fls. 1664/1667 consta, em letras garrafais “COMPOSIÇÃO DOS SALDOS CONTAS A PAGAR 2008” – “RELATÓRIO 1” Às fls. 1646 foi acostada folha do Razão Analítico da conta 215188 – CONTAS A PAGAR (ou seja, passivo) e à fl. 1640 a Recorrente trata da Constituição de Provisões – Relatório 1”, vindo, ao final, dizer: Sendo assim, as provisões contabilizadas em Contas a Pagar foram decorrentes do total das Notas Fiscais relacionadas nos contratos de câmbio, conforme relatório 01 anexo. Como se pode notar, não existe menção a custos nos documentos citados. A resposta da impugnante trata tão somente as remessas relativas a direitos de propriedade intelectual. Ademais, ainda que as despesas com direito autorais possam compor o custo do serviço, evidentemente não são os únicos. Se a fiscalização pretendia deslocar os custos relativos à nota fiscal 1525, deveria ter intimado a Recorrente a apresentar custos correspondentes à nota fiscal, não simplesmente inferir o montante deles e escamoteálo sob um valor numérico obscuro inserido num anexo do termo de Verificação Fiscal. Afirma, afinal que o procedimento fiscal é ilegítimo e limitou o exercício da ampla defesa. 3 Mérito: 3.1 Omissão de Receitas de Vendas de Serviços. Reedita as razões declinadas na impugnação. Diz que o Relator demonstrou ter compreendido que o valor lançado a débito (portanto uma baixa) na conta Receitas Diferidas foi um estorno, e que o valor estornado fora levado a resultado em 31/01/2007, compondo o montante de R$ 25.538.738,00 (esse Fl. 5361DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 17 16 lançamento foi entre a conta Receitas Diferidas e a conta de resultado 62113 Serv.Efet. Exerc.). Acrescenta que o julgador parece questionar o próprio procedimento da fiscalização, colocando em dúvida os argumentos apresentados pela contribuinte no curso da ação fiscal, ao assentar que o fato de a nota fiscal 7608 PAO ter sido apropriada em parte lança dúvida quanto ao argumento de que os R$ 19.282.034,76 teriam sido levados antecipadamente ao resultado. E indaga: “Será que o D. Julgador verificou que TODAS AS NOTAS FISCAIS citadas foram apropriadas em parte? Basta examinar os documentos de fls. 3381/3383. Em seguida, menciona que o julgador faz referência às fls. 3381/3383, mas questiona a falta de esclarecimentos sobre a NF 7608 PAO. E argumenta que se o Julgador entende que a fiscalização não elucidou o caso completo, deixando de exigir esclarecimentos sobre a dita Nota Fiscal, não é correto imputar a ocorrência de omissão de receitas. Da mesma forma, se o Julgador entendeu que os fatos não estavam claros e havia dúvidas sobre o valor tributado antecipadamente, deveria requerer a realização de diligência. Diz que a Turma de Julgamento tomou o caminho mais curto, e repisou o argumento equivocado da Fiscalização a respeito do Estorno. Diz que a Turma de Julgamento não se pronunciou sobre o fato de a autoridade lançadora ter se baseado em elementos da contabilidade para concluir sobre a suposta omissão de receitas, pois não se trata de presunção (saldo credor de caixa, passivo fictício, depósito de origem não comprovada) e tampouco de omissão de receita efetiva. Alega que não se pode simplesmente dar tratamento de omissão de receitas a um valor devidamente escriturado para, com isso, tornar irrelevante o momento em que se verifica o fato que permite presumir a suposta omissão de rendimento. Diz que não há previsão legal para considerar omissão de receita a falta de tributação de receita diferida, particularmente porque sempre estiveram escrituradas e se não foram levadas a resultado, há que se determinar o período em que deveria ter sido tributada de acordo com a época do faturamento. Reportase a voto proferido no Acórdão 1402.00753, que trata de omissão de receita. Resume o caso dizendo existirem duas situações: 1. A primeira é a redução de conta do passivo (Receitas Diferidas) contra conta de ativo (Duplicatas a Receber), cujo motivo foi o estorno de lançamento no total de R$ 17.062.638,92, que havia aumentado ambas as contas como tentativa de recompor o saldo de Receitas Diferidas, que fora, segundo o critério da Recorrente, apropriadas antecipadamente; 2. Do total de R$ 19.282.034,76 baixado da conta Receitas Diferida, restaria R$ 2.219.395,84 que competiria ao fisco demonstrar que se tratou de receita não escriturada (portanto, omissão de receita). Para tanto, bastaria examinar as notas fiscais do sujeito passivo emitidas em 2007 e verificar se se tratava de receitas d período não levada a resultado. O que não se pode admitir é presumir a ocorrência de omissão de receitas sem base fática ou legal ! Fl. 5362DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 18 17 Diz que na impugnação se insurgiu exatamente sobre a falta de comprovação da suposta omissão de receitas e da ausência de base legal que autorize a presunção de omissão de receitas, e que esses aspectos foram ignorados pela Turma de Julgamento. Aduz que a fiscalização não se aprofundou, como deveria, na apreciação da suposta omissão, se houve ou não recolhimento do PIS e da COFINS em relação aos valores devidamente escriturados para o regular e necessário efeito de compensação, uma vez que houve recolhimento desses tributos em regime de retenção na fonte pagadora. Afirma que, tendo restado demonstrado que não houve manipulação contábil da conta Duplicatas a Receber para suportar a baixa de Receitas Diferidas, não cabe a qualificação de multa. Outrossim, se sequer restou demonstrada a ocorrência de omissão de receitas, não se pode vislumbrar a ocorrência de crime ou do aspecto volitivo que caracteriza o dolo. 3.2 Omissão de Receitas de Vendas de Serviços – Saldo Credor de Caixa. Alega que o principal argumento apresentado na impugnação foi a falta de homogeneidade no critério de recomposição da conta Caixa promovido pela Fiscalização, e o reedita. Afirma que o julgador não tratou da ambiguidade do critério na reconstituição da conta. Diz que os valores questionados não foram lançados a débito de Caixa, como afirma o Relator, mas sim a crédito de Bancos, como constou no quadro apresentado na Impugnação. Ressalta que não se trata de comprovar a entrada de recursos, como entendeu o julgador, mas de entender que o recurso não saiu da empresa. Afirma que a prova requerida (de inexistência da saída de recursos) seria prova impossível, mas o julgador inverteu a lógica para dizer que a prova seria do ingresso do recurso. Aduz ser descabido o agravamento da multa pela falta de apresentação de Registros Contábeis Auxiliares. Pondera que esse livro só é obrigatório para quem faz lançamentos globalizados, o que não é o seu caso. Se a fiscalização entende que a escrita contábil é inservível ela poderia arbitrar o lucro, mas não exigir documento ao qual o contribuinte não está obrigado. Poderia, também pedir esclarecimentos sobre lançamentos que entendeu pouco claros em razão do histórico. Ressalta que a própria fiscalização assevera, no Termo lavrado em 27/08/2012, que foram apresentados os demonstrativos que compõem lançamentos na conta caixa (fl.3055). Afirma ter prestado todos os esclarecimentos pedidos, bem como os arquivos previstos nos artigos 11 a 13 da Lei nº 8218/91 e, no tocante à documentação técnica sobre o sistema de processamento de dados prevista no art. 38 da Lei nº 9.430/96, essa não foi solicitada. Requer a nulidade do acórdão recorrido em relação à infração saldo credor de caixa, por não terem sido examinados todos os argumentos da defesa. Pugna pela adoção de critério equânime para a recomposição da conta Caixa, e afirma que se a conta Bancos c/Movimento foi considerada na apuração na reconstituição da conta Caixa, deveriam ser considerados todos os lançamentos dessa conta, não apenas aqueles que interessam à Autoridade. Diz que se fossem considerados todos os lançamentos, seguindo o mesmo critério adotado na conta Caixa, o valor de R$ 8.913.135,01 – que não saiu da empresa, conforme comprovam os extratos bancários – deveria ser restituído ao Caixa, fazendo desaparecer o saldo credor. Fl. 5363DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 19 18 Ressalta que nos argumentos de impugnação ( fls. 3375/3376) demonstrou que, dos valores questionados pela fiscalização como saídas na conta 11102 – Bancos c/Movimento, no total de R$ 19.580.532,56, foram considerados na recomposição do Caixa R$ 20.667.215,55 (valor devolvido ao Caixa, uma vez que não constavam dos extratos bancários). Contudo, os valores que totalizavam R$ 8.913.135,01 – igualmente lançados a título de ajuste, e, portanto não constante dos extratos bancários, não foram devolvidos ao caixa quando da recomposição do seu saldo. Diz que a Fiscalização reconheceu dois fatos importantes: (i) que a recorrente adotava por critério o recebimento de pagamentos através de bancos; (ii) constatou que os recursos tratados não constam dos débitos lançados nos extratos bancários. Então questiona como os recursos saíram da empresa, se não saíram de suas contas bancárias. Destaca que as maiores despesas pagas pela empresa eram a título de direitos autorais, cujo detentor é domiciliado no exterior e, portanto, pagamentos feitos por remessa cambial. A fiscalização reconheceu que os valores não foram remetidos. Assim, se a empresa não tinha receitas recebidas, a não ser aquelas creditadas em suas contas bancárias apresentadas ao fisco, e se as contas bancárias não indicam saídas dos recursos, que prova é preciso produzir da “não saída de recursos”? Repisa que o lançamento contábil que a fiscalização considerou saída de caixa apenas ajustou as contas patrimoniais pela baixa das obrigações (direitos autorais) que não eram efetivamente devidos em razão de inadimplência do cliente, conforme ficou consignado à fl. 3373/3375. Destaca que os três lançamentos a crédito de Bancos c/Movimento e a débito de Contas a Pagar, que totalizaram R$ 8.913.135,01 estão citados na pag. 22 do TVF (Tabela I) como pagamento sem causa e a despesa indedutível, implicando duplicidade de autuação sobre a mesma base. Sobre a qualificação da multa, diz que autoridade lançadora não caracterizou as infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, e a Turma Julgadora inovou utilizando o mesmo argumento de manipulação contábil que resultou no lançamento da omissão de receita diferida, afirmando que a conta Duplicatas a Receber teria sido mantida com saldo elevado para receber baixas da conta de Receitas Diferidas. Argumenta que se ambas as infrações são a mesma, ou têm origem no mesmo fato, por que razão o contribuinte foi autuado pelas duas? Diz ser evidente que não ocorreu nem uma nem outra situação. Apenas as “baixas” das receitas diferidas foram feitas como forma de estornar o lançamento inverso, não havendo relação com o saldo credor de caixa, que resultou de reconstituição da conta Caixa, na qual não foram devolvidos a ela os lançamentos correspondentes a ajustes contábeis. Diz que não compete ao julgador, mas sim à autoridade lançadora, caracterizar a razão pela qual qualificou a multa. Insiste em que o saldo credor de caixa apurado decorre de presunção d e omissão de receita, não havendo que se falar em dolo. Reedita as razões da impugnação sobre o agravamento da multa, e contesta a afirmativa da decisão, de que a Recorrente se contradiz na impugnação, pois no curso da ação fiscal teria dito que “o pedido de documentos referese a controles e livros auxiliares que precisam ser extraídos dos arquivos gerais,..”. Diz que em momento algum foi dito que existiam livros auxiliares, mas sim, que “O PEDIDO REFERESE A CONTROLES E LIVROS AUXILIARES”. Reafirma que os livros auxiliares nunca existiram e que os controles, sim, existiam e foram apresentados à fiscalização. Diz que o Julgador se arvorou na Fl. 5364DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 20 19 posição de autoridade lançadora, ao ir além do que consta nos autos e declarar que o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 18/04/2012 contém intimação não prevista naquele termo. Requer, inicialmente, seja utilizado critério uniforme na recomposição da conta Caixa, devolvendo a ela todos os valores lançados a crédito de Bancos c/Movimento que não corresponderam saída de recursos, tal qual se fez em relação a outros valores demonstrados, que seja exonerada a multa qualificada em razão de não estar caracterizada nenhuma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64 e seja exonerada a multa agravada pela falta de apresentação de arquivos digitais, aos quais não estava obrigada a Recorrente. 3.3 Inobservância do regime de escrituração – Postergação de receitas. 3.5 Inobservância do regime de escrituração Redução indevida do lucro real por postergação de receitas. 3.5 Inobservância do regime de escrituração Redução indevida do lucro real causada por postergação de custos ou despesas. Aborda em conjunto as três infrações apontadas no Auto de Infração sob a justificativa de decorrerem de um mesmo fato: a imputação de receitas faturadas em janeiro de 2008 ao resultado apurado em 31/12/2007 e a redução do custo apurado em 31/12/2008, igualmente levado para 2007. Ambas as situações estão relacionadas às notas fiscais 1369, de 03/01/2008 e 1525, de 15/01/2008, que a fiscalização entendeu tratarse de receitas auferidas em 2007. Diz que na impugnação se esforçou para demonstrar que os contratos de vendas de software – considerados por lei como prestação de serviços – não podem ter o mesmo critério utilizado na venda de software de prateleira, considerados como venda de mercadoria, mas o julgador parece não ter compreendido os aspectos jurídicos que envolvem a questão. Transcreve artigo publicado pela Fiscosoft, no qual o articulista comenta o voto do Ministro Sepúlveda Pertence a respeito da distinção entre os dois tipos e, afinal, conclui (o articulista) que uma empresa que desenvolve um software segundo as necessidades e orientações do cliente, ainda que adapte software padrão às necessidades da empresa, presta um serviço (obrigação de fazer). Discorre sobre o momento de emissão da nota fiscal para dar cobertura à operação de software de prestação de serviço. Diz que, conforme Lei nº 8.846/94, a emissão é no momento da efetivação da operação, e que a efetivação do serviço é quando ele se torna efetivo. Assim, o momento da efetivação do serviço é o instante a partir do qual se produz seu efeito ou atinge seu objetivo. Faz referência à Solução de Consulta nº 14, de 2008, da 1ª Região Fiscal, a qual, tratando de empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, registra que a emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à prestação de serviços, deverá ser efetuada no momento da efetivação da operação, após o término dos serviços ou durante a execução. Afirma que, no caso de prestação de serviços, a partir do momento do início da operação, a nota fiscal pode ser emitida, sendo que esse prazo iria até a conclusão dos trabalhos, e o mais razoável é aceitar o que foi acordado pelas partes, como soe acontecer no Fl. 5365DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 21 20 caso de serviços de segurança e limpeza, em que a operação é efetivada a cada instante em que o contrato está vigente, mas o faturamento ocorre, via de regra, em períodos de tempo pré determinados. Menciona que, em outros casos, como serviços de manutenção e reparos, o momento deve ser aquele em que o bem é reparado. Nos casos de serviços de software sob encomenda ou adaptado, a efetivação da operação é quando o software estiver operando, portanto, após o período de implantação do programa na máquina do licenciado. E quando a licença envolve obrigação do licenciante pela higidez do produto ao longo do contrato ou por disposição legal, é certo que esse momento há que ser razoável, pois o recebimento do preço é elemento essencial na atividade mercantil, e ela somente ocorre, como regra, após a emissão da fatura. Assevera que, no caso em particular, suas obrigações não se exauriram com a simples assinatura do contrato de licença de uso de software, como entendeu o autuante, o que apenas inaugurou suas obrigações, todas imprescindíveis para a validade do negócio jurídico, sendo uma delas a de manter, por força legal e durante o prazo de validade da versão comercializada, a responsabilidade pelo adequado funcionamento do programa, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 9.609/98. Menciona que, considerando o prazo fixado no inciso II do art. 26 do Código do Consumidor para bens de consumo duráveis, fica claro que a execução dos indigitados contratos avançou durante o ano de 2008 e, portanto, a exação não poderia ser cobrada em 2007. Aduz que, após a entrega e ou licenciamento das mídias, o direito de uso software somente se aperfeiçoa após sua instalação no novo ambiente para o qual foi contratado e com a migração de todas as aplicações e dados na versão antiga, o que pode levar meses, dependendo da quantidade e complexidade dos dados existentes. Assim a responsabilidade da licenciante somente se encerra com a aprovação dos testes finais, e não somente com a assinatura do contrato, como entendeu a fiscalização. Reproduz os esclarecimentos prestados na impugnação e diz que, efetivamente, elas não foram examinadas pelo julgador. Aponta que a Turma Julgadora diz que o princípio segundo o qual os custos devem ser aplicados às receitas não é aplicável ao caso, uma vez que a “recomendação para apropriação de despesas e receitas no mesmo período referese a uma mesma pessoa jurídica e não aos dois agentes da relação contratual ”. Explica que adotou, por critério, o diferimento das receitas e também dos custos porque a venda dos softwares implica na responsabilidade do vendedor de garantir seu funcionamento. Assevera que, se essa interpretação estiver errada, maior foi o erro da Fiscalização ao apropriar ao fato gerador do IR de 2007 os valores faturados em 2008 apenas com base em informações dos contratos, os quais previam a emissão da fatura em 2008, ou seja, não foram vistos em sua inteireza, mas apenas no que interessava ao Fisco. Alega que não poderia apropriar ao seu resultado receitas que não foram faturadas nem recebidas, e que o entendimento do fisco implica ver no contrato de aquisição da licença conluio entre as partes para separar o faturamento da ocorrência do fato gerador, Transcreve o trecho do voto a seguir, que analisa a NF 1369: Dessa forma, segundo o esclarecimento reproduzido acima, a parte contratual referente à licença de uso se encerra com “o fornecimento do software em mídia, sua instalação, prestação de serviços de implantação e de eventuais adequações”. A partir daí, a vigência do contrato prendese à Fl. 5366DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 22 21 garantia de atualização técnica e suporte, cujo valor correspondente não integra a NF 1369. Corrobora essa conclusão, o fato de a contribuinte, para a NF 1369, não ter apropriado receitas e despesas ao longo do ano de 2008, mesmo havendo cláusula contratual prevendo a possibilidade de realização de upgrades até 30/04/2008. Pelo contrário, a receita foi apropriada em janeiro de 2008 e a despesa de direitos autorais em dezembro de 2007, ambas integralmente. Comenta que aqui parece que o Julgador questiona um aspecto levantado na impugnação, qual seja, que houve uma antecipação de receitas em relação à nota 1369, o que não é vedado. Continuando a análise do voto condutor, reproduz o trecho seguinte: Como, independentemente da data em que os pagamentos são realizados, as despesas necessárias à obtenção da receita devem ser apropriadas juntamente com esta, resta saber, então, em qual período a receita e a despesa relativas à NF 1369 devem ser apropriadas. Se em dezembro de 2007, estaríamos diante de postergação de receita, conforme apontado no feito fiscal; se em janeiro de 2008, estaríamos diante de uma antecipação de despesa. E a conclusão do voto sobre esse tópico: Em suma, o que se extrai dos autos sobre a infração ora sob exame é que a contribuinte foi intimada por diversas vezes a justificar o diferimento de receitas. Todavia, após diversas alegações, tais como a existência de contrato de longo prazo e o emprego da analogia, não logrou fazêlo, tentando, na impugnação, desqualificar o critério fiscal que considerou seus próprios esclarecimentos. Não se trata simplesmente de, como regra, desconsiderar a data da emissão da nota fiscal em detrimento da data do contrato, mas sim de se analisar, de acordo com as informações constantes dessas notas e dos contratos realizados, bem como dos demais elementos dos autos, o regime de escrituração correto, consoante o critério da competência. É isto o que foi feito em relação às NFs 1369 e 1525 e aos respectivos contratos, conforme demonstrado acima. Os ajustes procedidos de ofício, em razão da inobservância do regime de escrituração, geraram, em relação ao IRPJ e à CSLL, exigências de para os anos calendário de 2007 e 2008 e pagamentos indevidos para os anos calendário de 2009 a 2011. Nos demais casos não apontados na autuação não houve discordância quanto ao procedimento adotado pela contribuinte. Diz discordar do julgador, pois durante todo o procedimento foi esclarecido o motivo do diferimento das receitas, que a Recorrente entende correto, e jamais se tratou do critério de considerar o faturamento na data de emissão das notas fiscais, até porque ESSA É A REGRA. Esse critério surgiu apenas no auto de infração. Fl. 5367DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 23 22 Assevera não ser correto afirmar que a Recorrente tenta desqualificar o critério fiscal que considerou apenas seus esclarecimentos, pois esses trataram APENAS do DIFERIMENTO DAS RECEITAS. Ressalta que nunca escondeu que apropriou em 2007 despesas de notas fiscais emitidas em 2008, porque nunca viu nisso um procedimento incorreto. E que se a Fiscalização enxergou a apropriação de custos antes da emissão da nota fiscal como procedimento indevido, deveria ter apurado antecipação de custo em 2007, e não simplesmente ignorar a emissão da nota fiscal e a especificidade das operações do sujeito passivo, para considerar toda a receita no período em que se alocaram os custos. E que tivesse feito isso, chegaria à conclusão de que em 2008 teria havido pagamento a maior de tributo, pois levaria para 2008 custos de mais de R$ 18 milhões, o que demonstraria, quando muito, que o critério do contribuinte teria resultado, no máximo, em postergação de impostos. Afirma que o único critério fiscal questionado na impugnação diz respeito ao fato de se examinar apenas os contratos faturados em 2008, ignorando que sempre adotou esse critério de faturamento, e assim, o Fisco deveria, igualmente, excluir as receitas apuradas em janeiro de 2007, cujos contratos foram firmados em 2006. Contesta a afirmativa da decisão de que, nos demais casos, não houve discordância quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte, pois, uma vez que ele foi exatamente o mesmo, se diretamente foi questionado em relação a dezembro de 2007, indiretamente foi questionado em relação a janeiro do mesmo ano. Em relação à nota fiscal 1369, diz que o julgador sustenta sua conclusão de que as receitas deveriam ser apropriadas em dezembro de 2007 em dois pontos: a disposição contratual de que trata da data de entrega dos meios físicos dos softwares e dos manuais, e o fato de as despesas de direito autoral terem sido apropriadas em 2007. Alega que o fisco incidiu em erro ao tomar a entrega do meio físico como momento da prestação dos serviços, ignorando as peculiaridades da comercialização de programas de computador, e que o embasamento na apropriação das despesas torna o raciocínio circular, ou tautológico, em que a premissa justifica a conclusão e a conclusão confirma a premissa. Na sequência, passa a analisar o exame feito a respeito da nota fiscal 1525. Alega ser despropositada a ideia de que a entrega da coisa (mídia de software) é o mesmo que prestar o serviço, e que, em relação às máquinas existentes no parque da ABN, houve, após a disponibilização dos softwares, a fase de implementação, que durou até o final de outubro de 2010. Acrescentou que, em relação à GAT devida em novembro, os programas e contratos de GAT incluem uma espécie de seguro em que o adquirente garante a versão nova (upgrade) sem ter que pagar o preço integral da licença de uso. Assim, o preço é devido pelo período de vigência do contrato, e o que se garantiu foi que, se houvesse surgido uma versão mais avançada di programa em novembro ou dezembro de 2997, o cliente teria direito de recebêla sem pagar nada por isso. Requer seja reconhecida a improcedência das exigências fiscais decorrentes da imputação das receitas das notas fiscais 1369 e 1525, emitidas em janeiro de 2008, ao resultado de 2007. Fl. 5368DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 24 23 3.6 Custos, despesas operacionais em encargos Despesas não comprovadas 3.7 Adições não computadas na apuração do lucro real Custo/despesa indedutível. Novamente esclarece que tratará dos dois itens conjuntamente, por decorrerem do mesmo fato, procedimento também adotado na decisão recorrida. Esclarece que as infrações imputadas tiveram origem em lançamentos contábeis através dos quais foram levados a resultado as contrapartidas de provisões escrituradas na conta 21512 Contas a Pagar. Diz ter demonstrado que se tratou de escrituração de provisões, que não são passíveis de prova, por serem estimativas, e que a própria fiscalização reconheceu que não houve saída de recursos, ou seja não são despesas efetivas. Transcreve os argumentos da decisão recorrida: Quanto à provisão mencionada pela impugnante, por conta de final contrato, para pagamento de valores, que viriam a ser desembolsados no futuro, a título de direitos autorais, era de se esperar que tal provisão fosse feita em conta própria, demonstrando a sua finalidade e os valores provisionados e, por fim, que a respectiva despesa fosse adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Porém, nada disso aconteceu. Na análise feita sobre os pagamentos sem causa também ficou demonstrado que a tese dos ajustes contábeis, bem como do alto índice de inadimplência, também não tem sustentação no campo fático. Embora a impugnante tenha vislumbrado a possibilidade de inadimplência de mais de R$ 30 milhões, até o fim do ano de 2008, a inadimplência no ano de 2007 ficou em cerca de apenas R$ 3milhões, segundo sua própria escrituração. Alega que, de fato, as provisões, em regra, são feitas em conta própria, mas se não foram feitas, não deixam de ser provisão por essa razão. Quanto ao aspecto fiscal das provisões, diz que na impugnação informou que desde o princípio esclareceu que parte dos valores lançados em Contas a Pagar se referem a provisões, e assim, não há documentos que os suporte, e que é correto dizer que elas deveriam ter sido adicionadas ao lucro líquido, mas não como despesas não comprovadas ou porque foram pagas a terceiros não identificados. Alega que o julgador repete os argumentos do TVF, não tendo apreciado efetivamente os argumentos de defesa, requerendo a nulidade da decisão. Caso assim não se entenda, reedita os argumentos da impugnação. Esclarece que o grande número de “inadimplentes” era uma visão da época em que foram feitas as provisões em razão da perspectiva, baseada em informações de sua assessoria contábil, do fim do contrato para comercialização dos produtos Software AG América. Diz que essa perspectiva não se concretizou, mas isso não afeta o momento em que foram escrituradas as provisões. Fl. 5369DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 25 24 Sobre as considerações do voto condutor no que tange aos contratos entre a Consist International Inc. e a SAGA (dos quais não é parte), diz que (i) não é porque não toma parte de um contrato que não poderia apresentar cálculos em relação a outro do qual é parte; (ii) se o relatório apresentado à fiscalização parecia inconsistente em algum aspecto, caberia à autoridade fiscal pedir que fosse esclarecido, e não inferir que se tratava de embaraço à fiscalização; (iii) ainda que o documento não houvesse sido apresentado, ele não seria suficiente para demonstrar a provisão, que é mera expectativa de gasto, não havendo relação com contratos ou notas fiscais; (iv) o que foi demonstrado, certo ou errado na ótica da fiscalização, que, inclusive, foram as bases da provisão, valores que a própria fiscalização reconheceu não haverem sido pagos, e em relação aos quais não existem documentos comprobatórios. Critica o trecho do voto condutor no qual o relator aponta que o montante considerado como despesas não comprovadas, referente a cinco lançamentos a débito de CONTAS A PAGAR, e contrapartida a crédito na conta BCO DO BRASIL, com histórico PAGTO. CONF. COMPROVANTE, foi apropriado a crédito de DUPLICATAS A RECEBER, por meio de novos lançamentos com contrapartida a débitos na conta BCO DO BRASIL. Anota o relator que não há registro em extrato bancário dessas operações e assim, foram baixados valores indevidamente referente a obrigações a pagar com origem em direitos autorias, as quais não foram comprovadas, mesmo após várias intimações. Diz ser ilógica essa argumentação, pois a baixa sem pagamento só seria explicável se a dívida não existisse de fato, e se não existe de fato, como poderia ser provada? Faz referência ao Pronunciamento Técnico CPC nº 25/2009 para justificar tratarse de provisão. Discorda da justificativa do julgador quanto se trata de enquadramento legal, alegando que o art. 249. I trata de adições a serem feitas ao lucro líquido para determinação do lucro real, e as “despesas não comprovadas” não são, efetivamente, parcelas a serem adicionadas. Diz ser incompreensível a mudança de critério para os lançamentos de saldo credor de caixa e pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, no valor de R$ 8.913.135,01. Aponta que (i) os lançamentos a débito de Contas a Pagar e a crédito de Banco do Brasil com histórico “Pgto. Conf. Comprovante” foram considerados despesas baixadas indevidamente sem pagamento; (ii) os lançamentos a débito de Contas a Pagar e a crédito de Duplicatas a Receber foram igualmente baixadas sem pagamento (inclusive, nesse caso, a diferença estaria no fato de os recursos não transitarem pela conta Banco do Brasil); (iii) nos lançamentos a débito de Contas a Paga e a crédito de banco c/ movimento foram considerados liquidadas e as supostas saídas de recursos ainda foram tratadas como pagamentos sem causa. Afirma ser impossível compreender o critério, pois os históricos dos lançamentos e a natureza das contas são precisamente os mesmos, e um foi considerado pago e outro não. Pondera que o montante de R$ 8.913.135,01 foi considerado saída efetiva da conta Caixa para pagar despesas indedutíveis, mas o Caixa não tinha esse recurso, por isso acabou com saldo credor. O saldo credor foi considerado omissão de receita (receita mantida fora da contabilidade). A Turma entende que a contabilidade prova o pagamento, mas se o pagamento foi feito com recursos do Caixa e esse não tinha saldo, como pode a fiscalização comprovar o pagamento? Como se comprovou a saída dos recursos? Diz ser evidente tratarse Fl. 5370DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 26 25 de situação idêntica (valores provisionados) sendo impossível comprovar a correspondente despesa. Sobre a qualificação da multa, alega que o autuante caracterizou crime contra a ordem tributária vinculando os lançamentos inconsistentes de baixa de obrigação à redução da base de cálculo do imposto de renda. Destaca, em primeiro lugar, que os lançamentos questionados, entre contas patrimoniais (Duplicatas a Receber e Contas a Pagar) não afetaram o resultado e, portanto, não podem ser causa de redução da base de cálculo do imposto, não existindo relação entre causa e consequência. Aduz que em momento algum caracterizou quais os fatos que permitiriam a qualificação da multa. Rejeita o argumento do Julgador, segundo o qual basta o dispositivo legal da prática dolosa estar mencionado no enquadramento da multa qualificada para caracterizar o tipo descrito nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ressalta que a prática imputada à recorrente pela Fiscalização foi a do Inciso II doa RT. 1º da Lei nº 8.137/90 e, em relação a ela, não há previsão de qualificação da penalidade. Transcreve os argumentos da impugnação que diz não terem sido apreciados pela DRJ, reclamando a nulidade da decisão por supressão de instância. 3.8Multa isolada sobre estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor. Reafirma a impossibilidade de incidência de multa isolada pela falta/insuficiência dos recolhimentos mensais sobre bases estimadas. Repele a afirmativa do Julgador, no que se refere à não consideração da retenção na fonte referente à Nota fiscal 6633, ao argumento de não poder examinála por não estar relacionada ao lançamento de ofício. Diz que: (i) a fiscalização recompôs toda a apuração do período, considerando na autuação todas as receitas declaradas e as imputadas em virtude de infração; (ii) existe o dever da fiscalização de reconhecer o direito ao crédito valor legítimo; (iii) não seria necessário refazer toda a contabilidade para identificar as retenções na fonte (que foram consideradas no Anexo VI do TVF e, se foram, deveriam ter sido conferidas); (iv) é irrelevante o fato de a nota fiscal 6633 ter sido emitida em janeiro e as infrações apuradas a partir de 30/06/2007, pois a Recorrente apura o IRPJ pelo sistema anual 3.9 Retenções na fonte não consideradas. Reitera a argumentação trazida com a impugnação e alega que, diferentemente do que afirma a decisão recorrida, não seria necessário refazer a contabilidade para identificar as retenções na fonte. Acrescenta que o fato de a nota fiscal 6633 ter sido emitida em janeiro e as infrações apuradas a partir de 30/06/2007 é irrelevante, pois sua apuração do IRPJ é feita pelo período anual. 3.10 Exigências reflexas (CSLL, PIS e COFINS) Postula que, reconhecida a improcedência dos lançamentos em relação ao IRPJ, seja pela inexistência da infração, seja por erro de cálculo, sejam exoneradas as exigências dos lançamentos decorrentes. 3.11 IRRF Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 27 26 Argumenta, quanto à parcela mantida, que a contabilidade não serve de prova do pagamento, que os recursos não saíram da empresa, que a interessada disponibilizou para a fiscalização todos os seus extratos e a autoridade lançadora constatou que os pagamentos não existiram, que se a fiscalização houvesse recomposto o Caixa, como requerido na impugnação, teria constatado que não houve saldo credor de Caixa e também que não houve pagamento sem causa. Diz ser incompreensível a lógica que norteou as autoridades em relação a essa exigência. Primeiro, considera pagamento sem causa a existência de um registro contábil; em seguida, agrava (qualifica) a multa com base no art. 1º da Lei nº 8.137/90; depois, no julgamento, diz que a prática de manipulação contábil e causa para esse agravamento. Indaga qual seria a prática relacionada ao fato gerador do imposto de renda na fonte que se enquadra no conceito de sonegação, fraude ou conluio. Diz que o dolo é a intenção, a vontade de praticar um ato e nesse caso, o ato deve ser UM DETERMINADO ATO. Acrescenta que a “manipulação contábil” que teria justificado a qualificação da penalidade diz respeito á apuração do imposto devido em decorrência da contabilidade, e o pagamento sem causa, se houvesse, seria decorrente do pagamento, e não da contabilidade. Colaciona jurisprudência Requer, afinal a) Acolhimento das preliminares para anular o Auto de Infração no seu todo em razão das irregularidades apontadas e, caso ultrapassado esse pedido. b) Seja declarada a nulidade do julgamento no que tange à infração de redução indevida do lucro causada por postergação de custo ou despesa; c) Seja reconhecida a decadência em relação à multa isolada das exações fiscais do período de 01/01/2007 a 30/09/2007; d) Seja reconhecida a nulidade do lançamento em relação á postergação de despesas de 2007 para 2008, cuja base não restou demonstrada no auto de infração, cerceando a defesa; e) Seja utilizado critério único para compor a base de cálculo dos impostos, apurando os novos débitos e créditos para efeito de lançamento, particularmente em relação às receitas de 2008 apropriadas em 2007 ou se reconheça por incorreta a apropriação de receitas de 2008 no ano de 2007; f) Seja declarada a inexistência de omissão de receita decorrente da apuração de saldo credor de caixa em razão de reconstituição da conta Caixa feita por critério duplo; g) Sejam recalculadas as multas na sua graduação mínima, pois inexiste fato que possa justificar a qualificação; h) Sejam exoneradas as multas isoladas de IRPJ e CSLL, por representarem dupla penalidade sobre o mesmo fato; i) Seja considerado o imposto retido na fonte que deixou de ser informado na DIPJ e cuja correspondente receita foi decididamente oferecida à tributação; Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 28 27 j) seja julgada improcedente a exigência de IRRF sobre pagamento que o fisco não comprovou ter ocorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Ambos os recursos atendem os requisitos legais que os condicionam. Deles conheço. O recurso de ofício alcança parte da exigência a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa. Como parte da exigência a esse título é também objeto de recurso voluntário, a análise do recurso de ofício será feita em conjunto com o voluntário sobre a matéria. Preliminar de nulidade do julgamento. Na impugnação, o contribuinte levantou preliminar de nulidade do lançamento no tocante à postergação de despesa relativamente ao fato gerador ocorrido em 2008, no valor de R$ 14.083.000,85, alegando cerceamento de defesa, porque nem o auto de infração, nem o Termo de Verificação Fiscal consignariam quais foram as bases do valor dos custos levados do exercício 2008 para 2007 no total de R$ 30.258.236,66 segundo o anexo IV do TVF. A decisão recorrida não acolheu a preliminar, assentando que o valor advém das informações prestadas pelo contribuinte, conforme relatado pela autoridade autuante no TVF. E aponta precisamente onde estão as informações. No recurso, a interessada suscita nulidade do julgamento quanto a esse item, alegando que a Turma de Julgamento, não obstante tenha identificado que a autoridade lançadora deixou de descrever precisamente os fatos que resultaram no lançamento de postergação de Custo, tentou remediar a situação, indo buscar nos demais documentos dos autos a origem para o valor de R$ 30.258.236,66, que corresponderia, segundo os julgadores, à soma das parcelas indicadas às fls. 1664/1666 e 2214. Diz que o voto faz inserções no texto original para conferirlhe clareza. Vejamos, agora, se há clareza no TVF, no que respeita a essa infração. Registra o TVF: “IRPJ INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO – REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR POSTERGAÇÃO DE RECEITAS. O Contribuinte foi intimado a justificar e comprovar o diferimento de receitas em 01/2008 no valor de R$ 64.700.943,00, consoante item “2.3” do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 11/02/2012 (fls. 1710 a 1712). Fl. 5373DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 29 28 Apresentou resposta em 20/06/2012 acompanhada das notas fiscais e contratos a elas relativos, alegando tratarse de Contratos a Longo Prazo (fls. 1767 a 1768 e 1769 a 1779). A resposta foi analisada, consoante Termo de Constatação e intimação de 04/07/2012 (fls. 2209 a 2217), mediante o qual concluímos que não existiam motivos para o diferimento das receitas. No mesmo Termo o Contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos, demonstrar o saldo final em 31/12/2008 de Receitas Diferidas, no valor de R$ 48.521.113,40, por nota fiscal, e demonstrar mensalmente, como foram levadas a resultado no anocalendário de 2009 (ou subsequentes), esse saldo final. Em 01/08/2012 o Contribuinte protocolou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 04/07/2012, apresentando documentos e esclarecimentos sobre as receitas diferidas referentes a duas notas fiscais a 1369 no valor de R$ 4.700.943,00 e 1525 no valor de R$ 60.000.000,00 (fls. 2884 a 2908). A resposta foi analisada, consoante Termo de Constatação e Intimação de 24/08/2012 (fls.3030 a 3054(mediante o qual entendemos que os novos esclarecimentos não modificam a conclusão da inexistência de motivos para o diferimento das receitas. Consoante resposta do Contribuinte de 01/08/2012, as receitas diferidas relativas à nota fiscal 1369 no valor de R$ 4.700.943,00 foram levadas a resultado em janeiro/2008 e a relativa a nota fiscal 1525 no decorrer do anocalendário de 2009 a 2011. Resta, então, definir em que competências tais receitas devem ser tributadas. NOTA FISCAL Nº 1369 no valor de R$ 4.700.943,00, cujo contratante é a TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A – TELESP: (....) No demonstrativo dos valores apropriados a título de Despesas de Direitos Autorais (fls. 1640 a 1708) apresentado pelo Contribuinte, o valor integral dessa nota foi apropriado como despesa em 12/2007. Isto posto, e tudo o mais que consta do Termo de Aditamento, entendemos que a efetiva prestação do serviço ocorreu em 12/2007. NOTA FISCAL Nº 1525 no valor de R$ 60.000.000,00, cujo contratante é o Banco ABN AMRO REAL S.A.. (...) Fl. 5374DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 30 29 No demonstrativo dos valores apropriados a título de Despesas de Direitos Autorais (fls. 1640 a 1708) apresentado pelo Contribuinte, as despesas relativas a essa nota fiscal foram apropriadas parte em dez/2007 e parte de jan a dez/2008.. (...) Assim sendo, entendemos que a efetiva prestação do serviço ocorreu em 11/2007. RECOMPOSIÇÃO DOS AJUSTES DOS ANOSCALENDÁRIO DE 2007 a 2011 (...) Demonstramos no Anexo IV ao presente Termo a recomposição dos ajustes relativos aos anoscalendário de 2007 a 2011, alocando as receitas e despesas postergadas aos respectivos anoscalendário, consoante já demonstrado pelo Contribuinte. (...)” (destaques não constantes do original). Portanto, não é preciso recorrer à decisão de primeira instância para saber que a autoridade fiscal considerou que: (i) a receita relativa à nota fiscal 1369 é da competência de dezembro de 2007, e a receita relativa à nota fiscal 1525 é da competência de novembro de 2007; (ii) Não houve postergação de despesa em relação à nota fiscal 1369, pois, de acordo com o demonstrativo de fls. 1640/1708 apresentado pelo contribuinte, o valor das Despesas de Direitos Autorais relativo a essa nota foi integralmente apropriado em dezembro de 2007, mês de competência da receita; (iii) Em relação à nota fiscal 1525 houve postergação de despesas, pois, de acordo com o demonstrativo de fls. 1640/1708 apresentado pelo contribuinte, o valor das Despesas de Direitos Autorais relativo a essa nota foi apropriado parte em dezembro de 2007 e parte no curso dos meses de janeiro a dezembro de 2008. Assim, o Termo de Verificação Fiscal indica claramente quais foram as “bases do valor dos custos levados do exercício 2008 para 2007 no total de R$ 30.258.236,66”. Correspondem ao somatório dos valores das Despesas de Direitos Autorais relativas à nota fiscal nº 1525 apropriados nos meses de janeiro a dezembro de 2008, conforme informado pelo Contribuinte no demonstrativo de Fls. 1640/1708. Portanto, não tem procedência a alegação de que o voto faz inserções no texto original para conferirlhe clareza. A simples leitura do TVF indica claramente a origem das despesas postergadas. Rejeito a preliminar de nulidade do julgamento relativo ao não acolhimento da preliminar e confirmo a inocorrência de cerceamento de defesa sobre o ponto específico. Preliminar de decadência Fl. 5375DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 31 30 A decisão recorrida rejeitou a preliminar de decadência do direito de a Fazenda de lançar a multa isolada em relação aos fatos geradores anteriores a 30/09/2007, ao argumento de que o lançamento da multa é regido pelo art. 173, I, do CTN. No recurso, o contribuinte discorda desse posicionamento, e desenvolve longo arrazoado para defender a incidência do art. 150, § 4º, do CTN, e não do 173. Conclui dizendo que: “No caso, é relevante notar que sujeito passivo efetuou recolhimentos de estimativas relativamente ao período de julho a outubro, conforme comprova pelo exame do Anexo VI ao Termo de Verificação Fiscal, que considerou esses recolhimentos. Desse modo, a estimativa apurada pelo sujeito passivo e paga se subsume ao critério do lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN, não se podendo cogitar de exigência de multa isolada sobre lançamento homologado pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ademais, o artigo 112 do CTN dispõe que as normas de aplicação de penalidade devem ser interpretadas restritivamente e de maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida quanto à punibilidade (art. 112, inciso III), portanto, havendo uma interpretação possível e plausível para se exigir multa com prazo decadencial menor, se estará favorecendo o contribuinte em relação à punibilidade.” Destaco que, neste momento, estou analisando exclusivamente a norma relativa à decadência, independentemente da análise do mérito quanto à aplicação da multa. E o faço porque, quanto ao mérito, não obstante meu posicionamento, não há uniformidade de entendimento neste Colegiado. O fato de a estimativa apurada e paga pelo sujeito passivo subsumirse ao critério do lançamento por homologação não implica que também a multa a esse critério se subsuma. Quando o CTN, no art. 150, trata de lançamento por homologação, ele está se referindo exclusivamente a tributo, e não a multa. A decadência quanto ao direito de lançar a multa seguirá a regra de decadência do tributo, no caso de multa lançada junto com o tributo e como seu acessório. Nos demais casos, a decadência se rege pelo art. 173 do CTN. Sobre esse tema, em trabalho denominado “A Redução do períodobase de Incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e a nova sistemática de pagamento, nos casos de tributação com base no lucro real: reflexos no lançamento de ofício” 2, assim se manifestou a exconselheira desta Casa, Sandra Faroni: “ Por derradeiro, quanto ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência, é de se observar que a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN referese a lançamento de tributo. Ocorre que no art. 149, inciso VI, o Código trata de hipótese de lançamento de ofício de penalidade pecuniária. Nesse caso, em 2 Trabalho publicado na obra coletiva intitulada “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicado” – coordenação de Heleno Taveira Tôrres, Mary Elbe Queiroz e Raymundo Juliano Feitosa Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005; Fl. 5376DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 32 31 se tratando de multa proporcional ao valor do tributo, e com ele lançada , o termo inicial será único ( o acessório, que segue o principal), e o dies a quo regerseá pelas regras previstas para o tributo, conforme se trate de lançamento por declaração ou lançamento por homologação. Todavia, em se tratando de multa lançada isoladamente, a decadência segue a regra geral do art. 173 do CTN (dia em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Esse o entendimento da CSRF, a exemplo dos acórdãos a seguir: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DECADÊNCIA. A multa de oficio isolada, aplicada pelo não recolhimento de estimativas de CSLL, por ser lançada exclusivamente de oficio, rege se pela regra normal de decadência prevista no art. 173, I do CTN. (Ac. 9101001.801) MULTA ISOLADA DECADÊNCIA TERMO INICIAL As multas lançadas isoladamente, quer se trate de multas administrativas, quer se trate de multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento das estimativas, não se conformam com a modalidade de “lançamento por homologação”, não se lhes aplicando a regra do § 4º do art. 150 do CTN. (Ac. 0101 001.546) Preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa Reportandose novamente ao valor de R$ 30.258.236,66, que a fiscalização considerou custos/despesas de 2007 postergados para 2008, alega a Recorrente que os valores apontados pela fiscalização e pelo julgador são contas de passivo e não de resultado, e indaga como se poderia inferir sobre custos relativos à nota fiscal supostamente postergada se sequer foram examinadas as contas de resultado. Destaca que o cabeçalho das fls. 1664/1667 consta em letras garrafais “COMPOSIÇÃO DOS SALDOS CONTAS A PAGAR 2008 – RELATÓRIO 1”, e observa que não há menção a custos nesses documentos. Diz que a fiscalização deveria ter intimado a empresa a apresentar os custos correspondentes à nota fiscal, e não simplesmente inferir o montante deles e escamoteálos sob um valor numérico obscuro inserido num anexo ao TVF. Assim, conclui que o procedimento limitou o direito de defesa do contribuinte. Conforme já abordei neste voto, o Termo identifica perfeitamente como foi levantado o montante de R$ 30.258.236,66, e de onde foram obtidas as parcelas que o totalizam, descabendo alegar restrição de defesa. Quanto a não terem aqueles valores interferidos em conta de resultado, é matéria de mérito, a ser apreciada a partir dos elementos trazidos pela contribuinte para desconstituir a acusação. Ante o acima exposto, rejeito todas as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito Fl. 5377DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 33 32 Por conter matéria sujeita a recursos de ofício e voluntário, inicio analisando a exigência a título de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. IRRF Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado (multa 150%). O Termo de Verificação Fiscal descreve três situações que levaram a autoridade lançadora a concluir pela ocorrência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A primeira se refere a três pagamentos registrados em 31/02/2007, 31/08/2007 e 28/09/2007 na conta 21512 (Contas a Pagar), totalizando R$ 8.913.135,01, cuja contrapartida foi a conta 11102 (Bancos Conta Movimento) e que não compuseram a base de cálculo do IRRF sobre remessas ao exterior. A fiscalização entendeu que o registro contábil de saída de recursos que deveriam ter sido remetidos ao exterior, sem documentos que lastreie os lançamentos e sem confessar em DCTF e recolher o IRRF configura, em tese, crime contra a ordem tributária que se insere na descrição prevista no inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90, e aplicou multa qualificada. A segunda situação referese a valores lançados a crédito da conta Banco C/ Movimento listados na Tabela II do TCIF de 04/07/2012, para os quais a fiscalização entendeu não ter a contribuinte apresentado documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, que lastrearam a contabilização. A terceira situação diz respeito a valores contabilizados a título de suprimento de caixa, correspondentes a cheques (nominais a terceiros, endossados a terceiros, depositados em outros bancos e/ou outra conta bancária e/ou utilizados para pagamentos de despesas), para os quais a contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar as respectivas operações (relação às fls. 3084/3086, totalizando R$ 1.050.903,71). Também neste caso a fiscalização entendeu configurado, em tese, crime contra a ordem tributária. As duas primeiras situações descritas resultaram de investigação de valores contabilizados a crédito da conta Bancos C/Movimento, que é uma conta transitória, alimentada com recursos saídos da conta Caixa (ou seja, a conta creditada, em última análise, é a conta Caixa). Em relação à segunda situação acima referida, a fiscalização, pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 04/07/2012, intimou a contribuinte a apresentar documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, que lastrearam a contabilização, a crédito da conta Bancos C/Movimento, dos valores listados na Tabela II anexa ao termo. A contribuinte esclareceu que os lançamentos são relativos a recebimento de duplicatas, demonstrando a relação das duplicatas que os representam. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 24/08, a fiscalização assenta ter verificado que o somatório das duplicatas apontadas é igual ao valor creditado nas contas bancárias ou ao somatório dos valores creditados na conta bancária na mesma data, se as duplicatas relacionadas constam no Livro de Recebimento de Duplicatas e se estão em consonância com estas. Quando ocorreu igualdade, considerou procedentes os esclarecimentos e comprovado o erro no lançamento, e considerou não comprovados os valores cujas duplicatas Fl. 5378DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 34 33 apontadas como a eles relativas foram recebidas em datas divergentes, consoante o Livro de Recebimento de Duplicatas, e têm seu registro isolado no extrato bancário do mesmo valor, em data coincidente com a do Livro. Em conclusão, considerou como pagamentos sem causa os valores lançados a crédito da conta Bancos C/ Movimento para os quais não foram apresentados esclarecimentos ou documentos, ou restaram não comprovados na análise feita, totalizando, conforme relação de fls. 4869, no valor de R$ 813.409,77. A decisão de primeira instância cancelou o lançamento, considerando que a fiscalização não demonstrou ter ocorrido o pagamento, pressuposto material da incidência. Nesse aspecto, que é objeto de recurso de ofício, deve ser confirmada a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos. De fato, dispõe o art. 61 da Lei nº 8.981/95: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.”(destaquei) Conforme destaquei na transcrição supra, a efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, o que é reforçado pelo disposto no § 2º, ao determinar que a incidência do imposto ocorre no dia do pagamento. Nessa ordem de ideias, a aplicação do dispositivo tem como pressuposto a inexistência de dúvida quanto à efetividade do pagamento (saída de numerário da empresa), cuja prova é ônus do fisco, que deve individualizar com clareza os valores e as datas em que estes ocorreram. De se observar que a contabilização de despesas em contrapartida da conta caixa indica “pagamento”, ou seja, presumese que tenham sido efetuados os pagamentos. Contudo, o que está efetivamente provada é a contabilização, não porém o fato (pagamento de despesas), e a convicção quanto à ocorrência do fato gerador do imposto exigido, qual seja, pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, há de vir do conjunto probatório constante dos autos. A decisão recorrida analisou cuidadosamente os assentamentos da fiscalização e destacou que: (i) o TCIF de 04/07/2012 registra que na contabilidade do contribuinte todos os lançamentos a débito da conta 11102 (Bancos C/Movimento) tiveram Fl. 5379DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 35 34 como contrapartida a conta 11101 (caixa); (ii) a contribuinte afirmou que a conta 11101 (Bancos C/Movimento) é uma conta transitória, e que os lançamentos questionados são relativos a recebimentos de duplicatas conforme discriminado; (iii) a fiscalização se concentrou na análise da conta 11102 (Bancos C/Movimento), mas esqueceu que os valores ali ingressados, como contrapartida dos lançamentos a crédito na conta 11101 (Caixa), foram depositados em conta bancária da contribuinte, conforme comprova a coincidência de datas e valores constantes dos extratos verificados, e conforme atestou a própria fiscalização; (iv) assim, quanto aos valores que comprovadamente foram depositados em contas bancárias de titularidade da contribuinte, não há prova nos autos de que foram utilizados para pagamentos. No que tange à primeira situação a contribuinte, intimada, esclareceu que os três pagamentos registrados em 31/07/2007, 31/08/2007 e 28/09/2007 na conta 21512 (Contas a Pagar), totalizando R$ 8.913.135,01, cuja contrapartida foi a conta 11102 (Bancos Conta Movimento), não correspondem a saída de recursos, tratandose de ajustes. Segundo os esclarecimentos prestados pela contribuinte na fase procedimental, tais ajustes decorreram da necessidade de apresentar um balanço mais condizente com a realidade, pois a empresa possui alto índice de inadimplência, gerando um passivo muito elevado, mal visto por credores e Órgãos Públicos nas licitações, e um saldo muito grande de Duplicatas a Receber. Alegou, também, que a conta 211528 Contas a Pagar não registrava apenas valores a serem remetidos ao exterior, tendo recebido também lançamentos de provisões para remessas de direitos autorais. E que a provisão na conta de resultado 512180 Direitos Autorais é legítima, constituída com base nas notas fiscais de 2006 contabilizadas em receitas e tributadas naquele exercício, sendo que parte deveria ter sido remetida a título de Direitos do Autor, constituindo despesa incorrida. Explicou que a solução encontrada para a situação teria sido fazer estornos a débito de 215128 – Contas a Pagar e a crédito de 113051 Duplicatas a Receber, equilibrando Ativo e Passivo na mesma proporção, sem alterar o resultado. E que, em alguns meses foram feitos lançamentos a débito de Contas a Pagar e a crédito de Bancos e, na mesma proporção, débitos de Bancos e crédito de Duplicatas a Receber. A explicação não satisfez à Fiscalização, que concluiu: “A saída de recursos da empresa no montante de R$ 8.913.135,01 existiu e está contabilizada, portanto os pagamentos foram efetuados. A mera alegação de tratarse de ajuste contábil desacompanhada dos documentos que lastreiam referidos lançamentos não comprova referidas operações. Ocorre que os pagamentos deveriam ter sido remetidos ao exterior, pois a integralidade dos valores constantes da conta 215128 Contas a pagar advieram de provisão para despesas de Direitos Autorais. (...) De todo o exposto, entendemos que o registro contábil das saídas de recursos nos montantes efetuados, para pagamentos de despesas que deveriam ter sido remetidas ao exterior, pois advieram da apropriação de despesas de direitos autorais em decorrência do Contrato de Cessão de Direitos de Comercialização apresentado, sem qualquer documento que Fl. 5380DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 36 35 lastreie os lançamentos, sem confessar o débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e recolher o imposto de renda incidente caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária e inserese na descrição prevista no inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90”. Por sua vez, a decisão recorrida manteve a exigência. Observou que o TVF demonstrou que o alegado alto índice de inadimplência não resistiu ao cruzamento de dados entre os Livros de Recebimentos de Duplicatas, de 2007 e 2008, com os arquivos magnéticos de notas fiscais. E aduziu as seguintes considerações: (a) Os lançamentos a crédito de Caixa (contrapartida a débito de Banco) no lugar de crédito em Duplicatas a Receber fez com que o saldo devedor da conta Duplicatas a Receber, propositalmente, ficasse acrescido; (b) Não há previsão legal nas normas comerciais e fiscais para a realização do alegado ajuste contábil, especialmente quando envolvem contas do ativo disponível (Bancos); (c) A contrario sensu do disposto nos arts. 923 e 924 do RIR/99, o ônus da prova recai sobre o contribuinte quando sua escrituração está em desacordo com as normas legais ou desamparada de documentação hábil segundo o tipo de transação; (d) Os históricos dos lançamentos não mencionam ajustes, mas sim “PAGTO. CONF. COMPROVANTE; (e) Se o recurso efetivamente não saiu da conta 11102 BANCO C/ MOVIMENTO, por se tratar de mero ajuste contábil, para onde foi o recurso que saiu do Caixa e foi para BANCO C/ MOVIMENTO, tendo em vista que esta última conta é de natureza transitória e possuía saldos inicial e final igual a zero?; (f) Não foi demonstrada a ocorrência de erro nos lançamentos a crédito de CAIXA e a débito de BANCO C/ MOVIMENTO para justificar os estornos das saídas do Caixa, bem como não há qualquer conexão temporal e lógica entre um pretenso erro nos lançamentos a crédito de CAIXA e os alegados ajustes contábeis feitos em Contas a Pagar, Banco c/ Movimento e Duplicatas a Receber; (g) Consta a escrituração de recursos saídos da conta CAIXA que, transitando pela conta temporária BANCO C/ MOVIMENTO, foram debitados na conta 21512 CONTAS A PAGAR, sob o histórico de “PAGTO. CONF. COMPROVANTE”, não cabendo à fiscalização fazer nova prova da existência do pagamento, mormente no caso em que os recursos têm origem na conta CAIXA; (h) O pagamento está escriturado, só que, pelo registro contábil, não se sabe quem são os beneficiários, bem como as operações ou suas causas. No recurso, a interessada argumenta que a contabilidade não serve de prova do pagamento, que os recursos não saíram da empresa, que a interessada disponibilizou para a fiscalização todos os seus extratos e a autoridade lançadora constatou que os pagamentos não existiram, que se a fiscalização houvesse recomposto o Caixa, como requerido na impugnação, teria constatado que não houve saldo credor de Caixa e também que não houve pagamento sem causa. A interessada não alega que o ajuste, mediante estornos, tenha sido procedido para corrigir erros, mas sim, para ostentar outra situação no balanço (a seu dizer, mais condizente com a realidade). É óbvio, como assentou a decisão recorrida, que o procedimento adotado pela contribuinte está em desacordo com as normas contábeis e fiscais, bem como é certo ser seu o ônus de demonstrar que o registro com o histórico “Pagto. Conf. Comprovante” decorreu de erro. Porém, não obstante os pertinentes questionamentos feitos pelo ilustre relator da decisão recorrida quanto ao destino dos recursos registrados como saídos do Caixa para a conta transitória bancos C/Movimento, não tem, nos autos, elementos suficientes para formar minha convicção quanto à efetividade dos pagamentos. Observese que, afinal, foi registrado saldo credor de Caixa. Não seria, isso, indício de que não houve a saída de Caixa e a Fl. 5381DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 37 36 efetividade do pagamento, mas mera contabilização indevida? Pareceme não haver certeza da ocorrência de pagamentos. Vejase que a autoridade fiscal, no Termo de Verificação que integra os autos de infração, afirma que “os pagamentos deveriam ter sido remetidos ao exterior, pois a integralidade dos valores constantes da conta 215128 Contas a Pagar advieram de provisão para despesas de Direitos Autorais”. Ao atestar que referidos valores (apenas três), no seu entender, correspondem a despesas com Direitos Autorais que deveriam ter sido remetidas para o exterior, a autoridade fiscal, que analisou todos os extratos bancários da contribuinte, afirma que não houve a remessa (fl. 22 do TVF). Aliás, no Termo de Constatação de 04/07/2012 às fls. 2209/2210, a autoridade fiscal afirma que nos extratos bancários não constam os registros de saída de recursos relativos a esses pagamentos. Portanto, qual a certeza do pagamento? Poderseia argumentar que, sendo a conta Banco C/Movimento contra transitória, tais valores corresponderiam a outros pagamentos, feitos em espécie, com recursos do Caixa. Contudo, tenho que aqui deve prevalecer o princípio do direito probatório de que “o ordinário se presume, o extraordinário se prova”. De fato, tratase de pagamentos em valores expressivos (R$ 2.907.409,47 em 31/07/2007, R$ 3.540.097,19 em 31/08/2007 e R$ 2.465.628,34 em 30/09/2007), que ordinariamente não são pagos em espécie, mas mediante transação bancária. Se não há registro em todos os extratos bancários de saídas nesses valores, é de presumir que não ocorreram os pagamentos. Esse mesmo princípio do direito probatório é utilizado em situação inversa, quando o contribuinte, intimado a comprovar documentalmente a efetividade da entrega de recursos contabilizados como suprimento de caixa, alega terem sido feitos em espécie. Dentro do mesmo princípio, como de ordinário, valores elevados não são transacionados em moeda corrente, e a não apresentação do documento bancário é tida como ausência de prova do suprimento. Assim, com todas as incertezas que permeiam a contabilização, também quanto a esses valores, considero não ter restado comprovada a efetividade do pagamento, e dou provimento ao recurso. A terceira situação diz respeito a valores contabilizados a título de suprimento de caixa, correspondentes a cheques (nominais a terceiros, endossados a terceiros, depositados em outros bancos e/ou outra conta bancária e/ou utilizados para pagamentos de despesas), para os quais a contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar as respectivas operações (relação às fls. 3084/3086, totalizando R$1.050.903,71). A fiscalização entendeu representarem pagamento sem causa, bem como que o fato caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária e inserese na descrição prevista no inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90. Aqui não se discute a ocorrência do pagamento, mas exclusivamente a comprovação da operação, a fim de se identificar a causa e o beneficiário. A questão é exclusivamente de prova, que não foi apresentada, devendo ser mantido o lançamento. A multa aplicada foi a do art. 44, inciso I, c.c. § 1º, da Lei nº 9.430/96, e a motivação da qualificação não está indicada com precisão no TVF, que se reporta à Lei nº Fl. 5382DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 38 37 8.137/90 (crimes contra a ordem tributária), que trata de penalidade na esfera criminal, e não na esfera administrativa. Consta do Termo: “De todo o exposto, entendemos que as saídas de recursos relativos à emissão de cheques indevidamente contabilizados como suprimentos de caixa, para os quais não foram apresentados documentos que justificassem e comprovassem tais operações, ou para as quais os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar as operações que se pretendia, sem confessar na Declaração de Débitos e Créditos tributários – DCTF e recolher o imposto de renda na fonte incidente, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista no inciso I do art. 1º e inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137/90. A qualificação da multa tributária administrativa, conforme dispõe o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, aplicase aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, a saber: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A exacerbação da multa, no caso, pressupõe a ocorrência de sonegação ou fraude, nos termos dos arts. 71 ou 72 acima transcritos. Pela descrição da autoridade fiscal, vêse que a atitude descrita como ensejadora da qualificação foi a contabilização indevida, como suprimento de caixa, de valores saídos de Caixa mediante a emissão de cheques (nominais a terceiros, endossados a terceiros, depositados em outro banco e/ou outra conta bancária e/ou utilizados para pagamento de despesas). Esse fato, a meu ver, carece da efetiva comprovação de ocorrência de sonegação ou fraude, que a jurisprudência tem entendido como indispensável para a qualificação da penalidade, a exemplo dos julgados a seguir: Fl. 5383DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 39 38 MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração com valor inferior ao apurado pela fiscalização não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. A hipótese prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. Para aplicar a multa qualificada de 150%, a fiscalização deve instruir com documentos que comprovem tal acusação. (Ac. 910100.724) INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Ac. 910101.402) MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se inexiste prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. (Ac. 1101 00.622). MULTA QUALIFICADA REDUÇÃO DE 150% PARA 75% AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE OU DOLO ESPECÍFICO A mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas fraudulentas ou gravosas, deve ser apenada com a multa de 75%, sendo a aplicação da multa agravada apenas para as hipóteses em que se identificar o dolo específico do contribuinte. (Ac. 10517.193). A decisão recorrida manteve a qualificação ao argumento de que a contribuinte “ tinha total controle de sua contabilidade, a ponto de por vezes manipulála, e de suas operações bancárias e comerciais, não havendo como admitir que inúmeros cheques (nominais a terceiros, endossados a terceiros, depositados em outro banco e/ou outra conta bancária e/ou utilizados para pagamentos de despesas), de valores substanciais, tenham sido, por mero erro, indevidamente contabilizados como suprimento de caixa.” De fato, há considerável probabilidade de que a contabilização indevida dos cheques como suprimentos de caixa não tenha decorrido de erro. Contudo, essa inferência não é suficiente para qualificar a multa, que exige comprovação do dolo, e sendo assim, voto pela desqualificação da multa. Em conclusão parcial, quanto ao IRRF, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da matéria tributável as Fl. 5384DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 40 39 importâncias de R$ 2.907.409,47 em 31/07/2007, R$ 3.540.097,19 em 31/08/2007 e R$ 2.465.628,34 em 30/09/2007, e afastar a qualificação da multa. Analiso, a seguir, as infrações identificadas no auto de infração do IRPJ, cuja decisão aplicarseá, no que couber, às exigências reflexas (CSLL, PIS e COFINS). IRPJ Infração 001 Omissão de receitas – Receitas diferidas não levadas a resultado. Fato gerador: 31/12/2007; Valor apurado: R$ 19.282.034,76; Multa: 150% Esta infração está relatada às fls. 13/15 do Termo de Verificação Fiscal, e tem origem num lançamento a débito de Receitas Diferidas e a crédito de Duplicatas a receber, no valor de R$ 19.282.034,76, efetuado pela contribuinte em 30/06/2007. Intimada a justificar a contabilização, uma vez que os lançamentos a débito de Receitas Diferidas devem ter como contrapartida crédito na conta 6213 (Serviços Prestado), e não conta 11305 (Duplicatas a Receber), a contribuinte respondeu tratarse de lançamento de estorno de valores tributados antecipadamente em janeiro de 2007 e depois mês a mês (fls. 2904), assim demonstrando: Valor correto para baixa em 31/01/2007 6.547.269,38. Valor levado a resultado em 31/10/2007: Sub Total 6.547.269,38 NF 5238 de 2006 FINASA 651.034,73 NF 5449 de 2006 CITIBANK 559.683,92 NF 6632 CELEPAR 2.498.830,21 NF 5088 de 2006 HSBC 6.000.000,00 NF 6820 de 2007 TELEMAR 7.281.919,76 VALOR CORRIGIDO EM 20/JUN/07 (*) 16.991.468,62 VALOR TOTAL DO LANÇAMENTO 23.538.738,00 Em junho de 2007 foi efetuado um estorno, referente ao valor indevido lançado em janeiro, mais parte da NF 7608 no total de 2.489.799,42 provisionada em maio, sendo que uma parcela de 208.233,28 foi levada a resultado em junho (*) 16.991.468,82 2.290.566,19 19.282.034,81 Após analisar os esclarecimentos prestados, a fiscalização lavrou Termo de Constatação afirmando que os considerou inconsistentes (fls. 3045), pois se o intuito da contribuinte era efetuar estorno, a contrapartida deveria ser a débito da conta 23101 – SERVIÇOS EFET. NO EXERCÍCIO, de forma que a conta Receitas Diferidas ficaria acrescida dos R$ 19.282.034.76, a serem tributados no período correto, e o resultado apurado em 30/06/2007 ficaria afetado pelo lançamento, mas isso não aconteceu. Fl. 5385DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 41 40 Apontou o Auditor que o lançamento não é de estorno, e que, de fato, a Contribuinte reduziu o saldo da conta 23101 Receitas Diferidas em mais R$ 19.282.034,76, sem que tal valor fosse oferecido à tributação, bem como alterou indevidamente o saldo da conta Duplicatas a Receber. Registra o TVF: Embora matematicamente o valor demonstrado seja equivalente ao lançamento inconsistente (R$ 19.282.034,76) não podem se referir às mesmas notas fiscais, pois o valor a elas relativo já fora levado a tributação em 01/2007, e, portanto, excluído do saldo da conta Receitas Diferidas, como esclareceu o Contribuinte. Ademais, se o Contribuinte tem o efetivo controle das receitas diferidas, de modo a identificar que valores foram levados a resultado indevidamente em 01/2007, perceberia facilmente nos meses seguintes que o saldo final da conta 23101 Receitas Diferidas estava distorcido e teria promovido a correção. Ainda, admitindose o efetivo controle das receitas diferidas, é de se esperar que os valores relativos às notas fiscais demonstradas pelo Contribuinte tenham sido levados a resultado nos períodos competentes, ou no mês a mês como explicou. Desse modo, o Contribuinte não comprovou a quais notas fiscais se refere o valor de R$ 19.282.034,76 reduzido da conta 23101 Receitas Diferidas em 30/06/2007, tampouco comprovou que referido valor tenha sido tributado. Na resposta apresentada em 01/08/2008, o contribuinte informou que o saldo final da conta 23101 Receitas Diferidas em 31/01/2007, no valor de R$ 9.510.658,69, foi levado a resultado nos meses de janeiro a abril de 2008. Concluímos, pois, que todas as receitas diferidas (exceto o valor de R$ 19.282.034,76) relativas aos anos de 2006 e 2007 foram levadas a resultado, e o contribuinte tem condições de comprovar a quais notas e qual período correto deve ser o valor de R$ 19.282.034,76 tributado, mas não o fez. Entendemos, pois, restar caracterizada a omissão de receitas no valor de R$ 19.282.034,76 (...) Deixamos de analisar as notas fiscais e contratos a elas relativos, apresentados em complemento a resposta, via emails em 14/08 e 17/08, haja vista que não existiu o lançamento de estorno.” Em sua defesa, a contribuinte afirma tratarse de estorno, que devolveu à conta Duplicatas a Receber saldo que fora incorretamente dela retirado. Asseverou que a origem do saldo da conta Receitas Diferidas não levadas a resultado foi a própria conta Duplicatas a Receber, e a redução de saldo na conta Receitas Diferidas constatada pela fiscalização foi apenas um estorno de lançamento. Fl. 5386DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 42 41 Contudo, não logrou a interessada comprovar o alegado estorno, como bem analisou a decisão recorrida, in verbis: Por sua vez, a contribuinte alegou que tal lançamento referese a estorno de valores tributados antecipadamente, tratandose da “redução do saldo da conta Duplicatas a Receber, que acabou com saldo indevidamente aumentado através dos lançamentos feitos na tentativa de reverter os efeitos da antecipação das receitas” (fl. 4.941). Do valor de R$ 19.282.034,76, R$ 16.991.468,62 estariam embutidos no valor de R$ 23.538.738,00 levados ao resultado em 31/01/2007, conforme notas fiscais e contratos juntados pela impugnante. A parcela restante, no montante de R$ 2.290.566,19, teria sido “provisionada em maio” de 2007 e referese a parte da NF 7608 PAO. Assim, ainda segundo a impugnante, em junho de 2007 foi estornado todo o valor de R$ 19.282.034,76, que teria sido levado ao resultado antecipadamente. Friso que ao demonstrar os valores que teriam sido levados ao resultado antecipadamente, a contribuinte utilizou apenas parte da importância relativa a NF 7608 PAO para alcançar o valor de R$ 19.282.034,81. Às fls. 3381/3383, a contribuinte aduziu planilhas referentes às NFs que compõem o valor de R$ 23.538.738,00, entretanto, nada esclareceu quanto ao valor de R$ 2.290.566,19, que integraria o montante total da NF 7608 PAO, de R$ 2.948.799,42. Os 8º e 9º Aditivos ao contrato realizado com a Companhia Brasileira de Distribuição – Pão de Açúcar (fls. 2058/2076) também em nada esclarecem a apropriação das receitas alegadas pela impugnante. Pelo contrário, os períodos e os valores correspondentes aos serviços aditados não guardam congruência com a apropriação das receitas relativas à NF 7608 PAO. Tal circunstância, por si só, já lança dúvida quanto ao argumento de que os R$ 19.282.034,76 teriam sido levados antecipadamente ao resultado. Passando, então, à análise dos lançamentos contábeis envolvidos, verifico que assiste razão à fiscalização neste item. Com efeito, se o valor de R$ 19.282.034,76 foi antecipadamente baixado da conta 23101 Receitas Diferidas (lançamento a débito) e levado ao resultado (conta 62113 – Serv. Efet. Exercício – lançamento a crédito), o estorno a ser realizado se daria por meio de lançamento a débito de Serv. Efet. Exercício e a crédito de Receitas Diferidas. O lançamento de estorno alegado pela contribuinte (débito em Receitas Diferidas e crédito em 11305 Duplicatas a Receber, no valor de R$ 19.282.034,76) reduziu ainda mais o saldo devedor da conta Duplicatas a Receber e o saldo credor da conta Receitas Diferidas. Portanto, não houve qualquer estorno em relação à conta Receitas Diferidas, tampouco em relação ao resultado. Fl. 5387DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 43 42 O lançamento supracitado também não pode se caracterizar como lançamento de estorno da conta Duplicatas a Receber, pois a tributação antecipada alegada pela contribuinte não envolveu lançamentos contábeis nessa conta, mas tão somente lançamentos nas contas 23101 Receitas Diferidas (débito) e 62113 – Serv. Efet. Exercício (crédito). Ademais, se houve antecipação de receitas, como defendido pela impugnante, o que se esperaria é o estorno dessas receitas do resultado e não de contas do ativo. A falta de estorno na conta de resultado 62113 – Serv. Efet. Exercício, de valores que teriam sido antecipadamente oferecidos à tributação, implicaria a majoração das bases de cálculo de tributos e antecipações pagos mensalmente. Em sua impugnação, a contribuinte aponta dois lançamentos contábeis a débito da conta 11305 Duplicatas a Receber e a crédito da conta 23101 Receitas Diferidas, que perfazem a quantia de R$ 17.062.638,92. Segundo a impugnante tais lançamentos “tiveram EVIDENTE INTUITO de reverter o saldo da conta Receita Diferida” (impugnação – fl. 4941). Ora, causa estranheza o fato de a contribuinte na fase investigatória afirmar que o valor de R$ 19.282.034,76 “refere se à estorno de valores, já levados ao resultado [...]” (fl. 3380), depois, na impugnação, afirmar que “na verdade estava tratando não de ESTORNO DO SALDO da conta Receita Diferida (...) mas sim a redução do saldo da conta Duplicatas a Receber” e, por fim, afirmar que o valor de R$ 17.062.638,92 tinha como objetivo justamente “reverter o saldo da conta Receita Diferida”. (...) Por fim, repiso que a conta “Receitas Diferidas” retrata uma obrigação com terceiros, em face de recebimentos antecipados de serviços a serem prestados, e, sendo assim, tem natureza de conta do passivo. Por conseguinte, se valores são baixados dessa conta sem transitar por contas de resultado, o auferimento da receita deixa de ser contabilizado, caracterizando a omissão de receita e autorizando os lançamentos de ofício do IRPJ e das contribuições daí advindos. No recurso a interessada rebate as considerações expendidas pelo relator de primeira instância, aduzindo que “se o Julgador entende que a fiscalização não elucidou o caso completo, deixando de exigir esclarecimentos sobre a dita Nota Fiscal, não é correto imputar a ocorrência de omissão de receitas. Da mesma forma, se o Julgador entendeu que os fatos não estavam claros e havia dúvidas sobre o valor tributado antecipadamente, deveria requerer a realização de diligência.” De se registrar que incorre em equívoco a Recorrente, pois o Julgador não entendeu que a Fiscalização não elucidou o caso completo. A fiscalização intimou a contribuinte a justificar o lançamento, em 30/06/2007, do valor de R$ 19.282.034.76 a débito de Receitas Diferidas e a crédito de Duplicatas a Receber (Termo de fls. 2209 a 2217), acompanhados de todos os elementos de prova, e formou sua convicção a partir dos elementos Fl. 5388DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 44 43 trazidos pela contribuinte. Descabida também a alegação de que o Julgador deveria requerer a realização de diligência, pois cabia a contribuinte trazer todos elementos de prova que dessem consistência à sua justificativa para o lançamento questionado, o que não logrou alcançar. Argumenta a contribuinte que o lançamento referente a esse item não tem base legal, pois não se trata de presunção nem de omissão de receita efetiva, “aquela em que se demonstra a ocorrência do fato gerador e se constata que os valores das receitas não foram registrados na escrita contábil”. Contudo, a acusação não é de receita não registrada na escrita contábil, mas sim, da não apropriação, ao resultado, de receita diferida. Logo, voto no sentido de manter a tributação sobre a receita não apropriada. Infração 002 Omissão de receitas por presunção legal Saldo Credor de Caixa. Multa: (225%) Conforme TVF, durante o procedimento fiscal foi constatada a ocorrência de saldo credor de caixa escriturado. Por isso, a contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos detalhados, acompanhados dos elementos de prova, o arquivo magnético relativo a Registros Auxiliares (tendo em vista que os lançamentos na conta caixa foram feitos de forma genérica, “Aviso de Crédito” e “Aviso de Débito”, não representando o registro individualizado das operações), e os extratos bancários das operações envolvidas na apuração do saldo credor de caixa. Após sucessivos termos de intimação e correspondentes prestações de esclarecimento, a fiscalização recompôs a conta Caixa, mediante ajustes a débito e a crédito, evidenciando a ocorrência de saldo credor de caixa, caracterizando presunção legal de omissão de receitas. Os ajustes a débito (listados no Anexo I do TVF) são valores que a fiscalização considerou comprovados (débito de Bancos e crédito de Caixa que foram demonstrados pela contribuinte, com indicação das notas fiscais que lhes deram origem, passíveis de identificação nos extratos bancários e no Livro de Recebimento de Duplicatas). Os ajustes a crédito correspondem a valores que a autoridade fiscal entendeu tratarse de aumento fictício do saldo da conta Caixa, por corresponderem a valores destinados a terceiros (cheques nominais a terceiros, endossados a terceiros, depositados em outro banco e/ou outra conta bancária ou utilizados para pagamento de despesas, que foram compensados nas contas bancárias e debitados na conta “Caixa”, a título de suprimento de caixa, sem nenhuma saída posterior da referida conta contábil e TED), e valores de operações inexistentes (débito de caixa e a crédito de bancos, para os quais não existia registro das operações nos extratos bancários). No Anexo II ao TVF estão consolidados os ajustes, com recomposição da conta Caixa, evidenciando a ocorrência de saldo credor. O Anexo III do TVF indica os saldos credores diário objeto de lançamento, excluindo da ocorrência seguinte os valores lançados nas anteriores, dentro do mesmo ano calendário. Fl. 5389DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 45 44 Registra a autoridade fiscal que a conta 11202 Bancos Conta Movimento foi objeto de recomposição junto com a conta Caixa, por ser uma conta transitória de disponibilidades, que recebeu recursos apenas da conta Caixa, existindo apenas saldos devedores finais nela disponíveis. A decisão recorrida manteve a omissão de receita correspondente a esse item. Como visto no Relatório, a Recorrente invoca a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a ambiguidade de critério na recomposição da conta Caixa foi o principal argumento da impugnação, e que esse argumento não foi tratado pelo julgador. Essa ambiguidade, nos termos da impugnação, consistiu na adoção de critérios diferentes para débitos e créditos lançados na conta BANCO C/MOVIMENTO recomposta juntamente com a conta Caixa. Explicou que quando a fiscalização não encontrou nos extratos bancários os créditos pelo pagamento dos empréstimos, reconheceu que os valores não poderiam ter sido transferidos para o caixa da empresa e, por essa razão, deveriam ser retirados do caixa (ajuste a crédito). Por outro lado, os ajustes realizados na conta DUPLICATAS A PAGAR e na conta BANCOS C/ MOVIMENTO igualmente inexistente nos extratos bancários foram consideradas saídas efetivas. Fez referência ao montante de R$ 8.913.135,01, correspondente a valores contabilizados a débito de contas a pagar e a crédito de Bancos C/Movimento, que seriam oriundos de meros ajustes contábeis, e não de saída efetiva de recursos, e que a fiscalização simplesmente “declara” que houve a saída de recursos pela inexistência de prova das operações, e pondera que se o extrato bancário é suficiente para provar a inexistência do suprimento de caixa (gerando ajuste de crédito no Caixa), o extrato bancário que prova a inexistência das remessas deveria servir para demonstrar que os recursos não saíram da empresa, o que exigiria que o Auditor devolvesse à conta Bancos C/Movimento os recursos que dela não saíram. Esses argumentos foram enfrentados pela decisão recorrida. Ao apreciar o lançamento de IRRF sobre o montante de R$ 8.913.135, 01, assentou o voto condutor que: (i) Os históricos dos lançamentos não mencionam ajustes, mas sim “PAGTO. CONF. COMPROVANTE; (ii) Se o recurso efetivamente não saiu da conta 11102 BANCO C/ MOVIMENTO, por se tratar de mero ajuste contábil, para onde foi o recurso que saiu do Caixa e foi para BANCO C/ MOVIMENTO, tendo em vista que esta última conta é de natureza transitória e possuía saldos inicial e final igual a zero?; (iii) Não foi demonstrada a ocorrência de erro de lançamentos a crédito de CAIXA e a débito de BANCO C/ MOVIMENTO, bem como não há qualquer conexão temporal e lógica entre um pretenso erro nos lançamentos a crédito de CAIXA e os alegados ajustes contábeis feitos em Contas a Pagar, Banco c/ Movimento e Duplicatas a Receber; (iv) Consta a escrituração de recursos saídos da conta CAIXA que, transitando pela conta temporária BANCO C/ MOVIMENTO, foram debitados na conta 21512 CONTAS A PAGAR, sob o histórico de “PAGTO. CONF. COMPROVANTE”, não cabendo à fiscalização fazer nova prova da existência do pagamento, mormente no caso em que os recursos têm origem na conta CAIXA. Depois, na apreciação da matéria relativa a saldo credor de caixa, após manifestarse motivadamente pela coerência dos critérios de ajuste adotados pela fiscalização, o Relator fez constar do voto: “(...) Fl. 5390DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 46 45 Melhor sorte também não assiste à contribuinte quanto aos valores debitados na conta Caixa em que não foram encontrados registros nos extratos bancários. A própria impugnante alegou que tais valores decorrem de empréstimos que não lhe foram pagos em razão de perdão de dívida. Ou seja, não se deu de fato o ingresso do recurso no Caixa da empresa. Quisesse a contribuinte comprovar o ingresso dos recursos na conta Caixa, teria que apresentar os documentos que respaldaram os respectivos lançamentos contábeis. (...). Por conseguinte, não há incoerência no procedimento fiscal quando da apuração do saldo credor de caixa e do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado / sem causa, nem prospera o retorno, pretendido pela contribuinte, do valor de R$ 8.913.135,01 à conta CAIXA, conforme análise já feita acerca da exigência do IRRF. “(destaquei) Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão. Quanto ao mérito, entendo assistir razão a contribuinte, quando postula que os três valores (R$ 2.907.409,47 em 31/07/2007, R$ 3.540.097,19 em 31/08/2007 e R$ 2.465.628,34 em 30/09/2007), totalizando R$ 8.913.135,01, deveriam ser restituídos ao Caixa. Conforme aponta a decisão recorrida, consta a escrituração de recursos saídos da conta CAIXA que, transitando pela conta temporária BANCO C/ MOVIMENTO, foram debitados na conta 215128 CONTAS A PAGAR. Portanto, para cada um desses valores há dois lançamentos: o primeiro a crédito de Caixa e a débito de Bancos C/Movimento e o segundo a crédito de Bancos C/Movimento e débito de Contas a Pagar. Segundo a contribuinte, tratase de registros contábeis de mero ajuste, não correspondendo a efetivas saídas. Esse fato já foi objeto de apreciação no lançamento de IRRF. A Fiscalização registra que a integralidade dos valores constantes da conta 215128 Contas a Pagar advieram de provisão para despesas de Direitos Autorais e, portanto, os valores debitados nesta conta deveriam ter sido remetidos ao exterior, afirmando, outrossim, que, analisando todos os extratos bancários da contribuinte, constatou que não houve a remessa. Se não foram feitos os pagamentos, os recursos não saíram da conta Bancos C/Movimento e, consequentemente, por ser essa conta meramente transitória, não saíram da conta Caixa. Dessa forma, dou provimento ao recurso quanto a este item, no sentido de devolver à conta Caixa os três valores aqui tratados (R$ 2.907.409,47 em 31/07/2007, R$ 3.540.097,19 em 31/08/2007 e R$ 2.465.628,34 em 30/09/2007, o que faz com que desapareçam os saldos credores apurados no Anexo II do TVF (fls. 4900 a 4901). Infração 003 Despesas Não Comprovadas. Fato gerador: 31/12/2007 Valor Apurado: R$ 41.680.139,45 Multa 150%. Fl. 5391DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 47 46 Auditando a conta “21512 Contas a Pagar” no ano de 2007 a fiscalização, após esclarecer que todos os valores lançados nessa conta em 2007 advieram exclusivamente da conta 51218 Direitos Autorais, apurou que havia uma diferença a menor no seu saldo final, no montante de R$ 50.593.274,46, que não correspondia a remessas de direitos autorais. Identificou os lançamentos inconsistentes, a débito de duplicatas a pagar, que correspondiam a esse montante, e intimou a contribuinte a esclarecêlos. Tais lançamentos compreendem os três que totalizam R$ 8.913.135,01, cuja contrapartida foi a crédito de Bancos C/Movimento (que foram objeto de IRRF como pagamento sem causa) e R$ 41.680.139,45, cuja contrapartida foi a crédito ou de Banco do Brasil, ou de Duplicatas a Receber: data Cód. Conta D/C Valor Cód.Contra Contrapartida Histórico 31/07/2007 21512 D 2.907.409,48 11102 Banco c/Mov Pgto. Conf. comprov. 31/08/2007 21512 D 3.540.097,19 11002 Banco c/Mov Pgto. Conf. comprov. 28/09/2007 21512 D 2.465.628,34 11102 Banco c/Mov Pgto. Conf. comprov. TOTAL 8.913.135,01 data Cód. Conta D/C Valor Cód.Contra Contrapartida Histórico 31/01/2007 21512 D 3.960.547,29 11206 Banco Brasil Pgto. Conf. comprov. 26/02/2007 21512 D 4.164.745,31 11206 Banco Brasil Pgto. Conf. comprov. 27/03/2007 21512 D 5.901.329,42 11206 Banco Brasil Pgto. Conf. comprov. 25/05/2007 21512 D 2.174.302,48 11206 Banco Brasil Pgto. Conf. comprov. 22/06/2007 21512 D 4,201.863,12 11206 Banco Brasil Pgto. Conf. comprov. 30/09/2007 21512 D 6.671.316,84 11305 Duplic a Receb. Transferência 30/10/2007 21512 D 5.650.118,87 11305 Duplic a Receb Transferência 310/11/2007 21512 D 8.300.036,62 11305 Duplic a Receb Transferência 31/12/2007 21512 D 1.055.879,50 11305 Duplic a Receb Transferência TOTAL 41.680.139,45 Intimado a esclarecer esses lançamentos, a contribuinte alegou que não são decorrentes de pagamentos de remessas ao exterior, mas de ajustes. Quanto aos valores lançados a crédito de Banco do Brasil, informou que foram debitados na mesma proporção a crédito de Duplicatas a Receber, indicando os lançamentos. A fiscalização verificou na contabilidade da contribuinte e identificou os lançamentos apontados pela contribuinte, com divergência de datas. Ilustrando com o primeiro dos valores questionados da tabela acima: No dia 05/01/2007 a conta 11206 – Banco do Brasil recebeu um lançamento a débito no valor de R$ 3.977.552,74 cuja contrapartida foi a conta 11.305 Duplicatas a Receber, com o histórico Recebimento de Duplicatas. Segundo a contribuinte, esse valor é o somatório de R$ 17.005,45, pago pelo cliente Daycoval, com o valor de R$ 3.960.547,29 a título de Baixa de Contas a Pagar. Na contabilidade da contribuinte, na conta 11206 Banco do Brasil, a autoridade fiscal identificou os seguintes lançamentos: data Cód. Conta D/C Valor Cód.Contra Contrapartida Histórico Fl. 5392DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 48 47 05/01/2007 11206 D 3.977.552,74 11305 Duplicatas a Receber Recebimento de duplicatas. 30/01/2007 11206 C 3.960.547,29 21512 Contas a pagar Pgto. Conf. comprov. Situação análoga ocorreu com todos os lançamentos relacionados na tabela que compõe o valor de R$ 41.690.139, 45 cuja contrapartida foi Banco do Brasil. Concluiu a autoridade fiscal que a contribuinte efetuou lançamentos a débito inconsistentes na conta 1206 Banco do Brasil (sem registro nos extratos bancários apresentados), e posteriormente os anulou com lançamentos a crédito inconsistentes. E que todos os valores que compõem o montante de R$ 41.690.139,45 lançado como despesas de direitos autorais não comprovadas, referemse a lançamentos que alteraram de forma inconsistente os saldos das contas “Duplicatas a Receber” e “Contas a Pagar”. Em síntese, quanto a este item, temse que a autoridade constatou que: (i) os lançamentos em contrapartida a Banco da Brasil com o histórico “Pgto. conf. comprovante são inconsistentes, pois, nos extratos bancários da contacorrente 54135, Agência 32212 do Banco do Brasil, não constam os registros de saídas de recursos relativos aos pagamentos (Termo de Constatação de 04/07/2012, fls. 2210); (ii) o destino final de tais valores foi a crédito da conta 11305 Duplicatas a Receber (Termo de Constatação de 24/08/2012, fls. 3039 a 3042). E concluiu, afinal, que “Destarte, temos R$ 41.680.139,45 de despesas de direitos autorais que não foram remetidos ao exterior, ou seja, não foram pagas, e foram baixadas pela inserção de lançamentos inconsistentes na contabilidade.” Na impugnação a contribuinte alegou que em 2007 a conta 21512 Contas a Pagar recebeu, também, provisões, e não apenas despesas incorridas. Constou da peça impugnatória que “a conta 21512 Contas a Pagar não registrava apenas valores a serem remetidos para o exterior. Por conta de razões de ordem prática circunstancial (particularmente a iminente rescisão do contrato com a empresa americana que detinha o direito sobre os produtos comercializados pela impugnante), em 2007 essa conta recebeu lançamento de PROVISÕES de remessas de direitos autorais.” Esclareceu que durante o ano de 2006 tomou conhecimento de que poderia vir a perder o direito de comercializar os softwares da SAGA, seu principal produto. Como diferia as receitas dos contratos ao longo do período das licenças, alocava os custos relativos a essas receitas na medida em que incorriam. Disse que a iminente rescisão do contrato obrigou a a provisionar os valores dos direitos autorais ainda não remetidos, que seriam os valores já faturados nos anos anteriores, conforme documentos de fls. 1640 a 1708 (alguns já efetivamente recebidos), mas que poderiam exigir algum tipo de prestação de serviço pela impugnante, como eram as atualizações ou ajustes pontuais em razão de troca de equipamento, etc. Explicou que os valores que sabia que viriam a ser desembolsados no futuro a título de direitos autorais por conta do final do contrato de distribuição tinham que ser provisionados. Aduziu que o procedimento contábil em relação a essa provisão revelouse prejudicial aos negócios da empresa, pois o panorama, que já era ruim com a iminente perda da principal fonte de receitas, ficou ainda pior com a eventual desconfiança dos clientes pela existência de passivo tão significativo. Ademais alguns valores provisionados diziam respeito a valores que a impugnante não tinha certeza do recebimento em face da inadimplência de alguns clientes. Fl. 5393DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 49 48 Assim, a defesa da contribuinte centrase em afirmar a impossibilidade de comprovar os valores glosados, por não representarem despesa, mas sim, provisão, para as quais não existe prova documental. A alegação da contribuinte de que é impossível provar as provisões, que são meras expectativas, e não gastos, não milita em seu favor. Provisões (no caso) representam estimativas de valores a desembolsar. Apesar de financeiramente ainda não efetivadas, dizem respeito a prováveis valores a desembolsar originados de fatos já conhecidos. À medida que as obrigações se tornam totalmente definidas, devem deixar de ser consideradas provisões. Inobstante tratarse de passivo de prazo ou valor incerto, o reconhecimento de uma provisão pressupõe uma estimativa confiável da obrigação, fundada num conjunto de desfechos possíveis. Na impugnação, a contribuinte afirmou que constituiu a provisão de direitos autorais ainda não remetidos, que seriam valores já faturados nos anos anteriores, conforme documentos de fls. 1640 a 1708. Asseverou (e reafirmou no recurso) ser “correto dizer que essas provisões deveriam ser adicionadas ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real, mas não porque são despesas não comprovadas ou porque foram pagos a terceiros não identificados. De fato as provisões que afetaram o resultado do exercício deveriam ter sido adicionadas e se houve erro na apuração do IRPJ e da CSLL da impugnante, o erro foi justamente deixar de fazer as adições relativas às provisões.” Ou seja, a contribuinte admite expressamente ser correta a adição ao lucro líquido promovida pela fiscalização, embora alegue que não são despesas incorridas, e sim, provisões. Os “documentos de fls. 1640 a 1708” são RELATÓRIOS CONTAS A PAGAR apresentados em atendimento a intimação para comprovar os valores de despesas de direitos autorais registrados na conta 51228 em 2007 e 2008. Da análise desses relatórios a autoridade fiscal constatou que as notas fiscais foram integralmente apropriadas como despesas de direitos autorais, o que não estaria em consonância com o Contrato de Direitos Autorais e tampouco com as regras adotadas pela empresa para o cálculo de tais direitos. Por isso, intimou a contribuinte a apresentar o demonstrativo de apuração, por nota fiscal, totalizado mensalmente, em papel e em meio magnético, da apuração das despesas de direitos autorais, segundo as regras de cálculo adotadas pela empresa, contabilizadas nas contas Direitos Autorias em 2007 e 2008. A autoridade fiscal anota que os novos relatórios apresentados (fls. 3373 a 3703), não apontam o período de competência de apropriação das despesas de direitos autorais e não foram totalizados mensalmente, e que não foi apresentado nenhum documento comprovando que a forma de cálculo das despesas de direitos autorais está em consonância com o contrato. 3 Não é suficiente alegar que os valores podem ser estimados e calculados com base nos contratos de licenciamento e no contrato de distribuição do software. Se no ano de 2007 a contribuinte misturou, em uma mesma conta (Direitos Autorais), “despesas incorridas” e “provisões”, como alega, tem o ônus de provar esse fato, demonstrando, com elementos devidamente articulados, os valores que representam estimativas. E os relatórios de Contas a 3 Observese que a autoridade fiscal lançou as despesas não comprovadas em 31/12/2007 por não dispor “ de nenhum critério de apropriação mensal das despesas de direitos autorais, devidamente suportado pelos Contratos de Direitos apresentados, que permitissem apontar mês a mês as despesas indevidamente apropriadas, e por serem questionávies os demonstrativos apresentados pelo Contribuinte, sendo essa forma a mais benéfica ao mesmo”. Fl. 5394DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 50 49 Pagar apresentados em 04/06/2012 (fls. 1640/1708) e em 19/09/2012 (fls. 3373/3403) não se prestaram a isso. Não tendo se desincumbido da prova cujo ônus lhe cabia, não produz efeito a alegação da contribuinte de que parte dos valores lançados na conta “Direitos Autorais” não representam despesa, e sim provisão (que, de qualquer forma, seriam indedutíveis e constituiriam adição ao lucro líquido). Em suma, a Recorrente não logrou comprovar a natureza da operação registrada, não procedendo invocar nulidade do lançamento por erro material, por ter tributado como despesas não comprovadas lançamentos a título de provisão. Igualmente sem razão alegar impropriedade na indicação do art. 249, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 na capitulação legal. A fiscalização detectou valores que afetaram o lucro líquido do exercício de 2007, registrados a débito de “Direitos Autorais” e a crédito de “Contas a Pagar”. A contribuinte não comprovou que os valores debitados em conta de resultado estavam em consonância com o contrato, o que é suficiente para a glosa. O fato de a obrigação correspondente ter sido baixada sem que tenha havido o pagamento representou, para a autoridade fiscal, a confirmação da inexistência da despesa e da correspondente obrigação. Prevê o art. 249, I, do RIR/99 que na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com o Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. Apenas são dedutíveis na determinação do lucro real as despesas comprovadas e necessárias. Portanto, as despesas contabilizadas que afetaram a apuração do lucro líquido, para que afetem também a apuração do lucro real, têm que atender cumulativamente aos dois requisitos: comprovação e necessidade. Não atendido qualquer deles, a autoridade fiscal não interfere na apuração do lucro líquido procedida pelo contribuinte, mas o ajusta, para fins fiscais, mediante adição da despesa indedutível (por não comprovada ou por desnecessária). Quanto à qualificação da multa, é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, que deve estar demonstrado inequivocamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. É incontroverso que a fraude não se presume, não bastando suspeitas de que a conduta do contribuinte foi dirigida pela intenção de subtrair tributo. A aplicação da multa qualificada pressupõe dolo específico no sentido de deixar de pagar tributo que sabe devido, pela utilização de meios fraudulentos. Para justificar a qualificação da multa, nos termos do inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal manifesta o entendimento de que: “Entendemos que a conduta do contribuinte, ao apropriar despesas de direitos autorias não comprovadas, não pagas, cuja exigibilidade não restou comprovada e/ou inexistentes, relativamente a inúmeras notas fiscais, utilizar lançamentos inconsistentes para dar baixa na obrigação indevida decorrente, acarretando a redução da base de cálculo do imposto de renda, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137/90.” Fl. 5395DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 51 50 Como visto, a qualificação está fundada na interpretação (subjetiva) da autoridade fiscal, de que a contribuinte utilizouse de lançamentos inconsistentes para reduzir a base de cálculo do tributo, não estando suficientemente demonstrada a conduta dolosa da contribuinte, razão pela qual reduzo a multa ao seu percentual ordinário. Infrações 4, 5 e 6 Inobservância do regime de escrituração: Fato Gerador: 31/12/2007 – Multa: 75% (4) Postergação de receitas Valor apurado: R$ 3.213.548,78 (5) Redução indevida do lucro real causada por postergação de receitas Valor apurado: R$ 23.729.026,21 (6) Redução indevida do lucro real causada por postergação de custos ou despesas Valor apurado: R$ 14.083.000,85. As infrações apontadas nesses itens estão relacionadas com as notas fiscais 1369, no valor de R$ 4.700.943,00 (contratante Telecomunicações de São Paulo S.A. TELESP) e 1525, no valor de R$ 60.000.000,00 (contratante Banco ABN AMRO Real S.A.), apresentadas pela contribuinte como referentes às receitas diferidas, cujo saldo, em 31/12/2008, importava em R$ 48.521.113,40. Quanto à nota 1369, o Termo de Verificação Fiscal aponta que, de acordo com o Quinto Aditamento ao Cotrato nº 99/0450.01 formado em 23/11/2007 (fls. 1917 a 1926), a nota, emitida em 03/01/2008, referese a aquisições de novas licenças, e foi recebida em 28/01/2008, consoante registro no Livro Registro de Duplicatas. E ainda, que de acordo com o item 4 da proposta comercial anexa ao Termo de Aditamento, foi estabelecido o prazo de 30 dias da assinatura do contrato para entrega dos meios físicos contendo os software e os manuais técnicos. Uma vez que o demonstrativo dos valores apropriados a título de Direitos Autorais apresentado pela contribuinte (fls. 1640 a 1708) indica que o valor integral foi apropriado como despesa em 12/2007, e considerando o que consta do Termo de Aditamento, concluiu a autoridade fiscal que a efetiva prestação dos serviços ocorreu em 12/2007. Sobre a nota 1525, o Termo assenta que, conforme item “l” do 4º Aditivo ao Contrato de Licenciamento de Programas – Produto e Prestação de Serviços Complementares (fls. 1927 a 1942), ela se refere à contratação de 6.000 MSU’s (million service units) adicionais aos 1.236 anteriormente contratados, utilizados pelo ABN. Consta ainda do TVF que: (i) o item 2 do Aditivo descreve as especificações da instalação em 01/11/2007, totalizando 3.832 MSU’s; (ii) pelos itens 3 a 5 o prazo de Garantia de Atualização Técnica é de 01/11/2007 a 31/10/2007, no valor de R$ 772.226,00 mensais, sendo devida desde novembro de 2007, devendo o valor de R$ 2.316.678,00 referentes aos meses de novembro/2007, dezembro/2007 e janeiro/2007 ser pago à vista até 31/01/2008; (iii) o item 2 da proposta comercial anexa ao Contrato estabelece que a contratação da licença de uso independe do uso dos softwares por seus mainframes localizados no território brasileiro. No demonstrativo dos valores apropriados apresentado pela contribuinte (fls. 1640/1708), as despesas relativas a essa nota fiscal foram apropriadas parte em dezembro de 2007 e parte de janeiro a dezembro de 2008. A autoridade fiscal entendeu que a efetiva prestação do serviço ocorreu em 11/2007, uma vez que os softwares objeto da contratação da licença de uso perpétua já estavam disponíveis e sendo utilizados pelo ABN em seu ambiente Fl. 5396DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 52 51 de 3.832 MSU’s desde 01/11/2007, tanto assim que foi cobrada a Garantia de Atualização Técnica referente a esse ambiente relativamente a novembro/dezembro/2007, e que, conforme resposta da Contribuinte (fls. 1848/1888), a prestação do serviço se encerra com o fornecimento do software em sua mídia, sua instalação, implantação e eventuais adequações ao cliente. A partir dessas constatações, a autoridade fiscal recompôs os ajustes ao lucro líquido (adições e exclusões) dos anos calendário de 2007 a 2011, alocando as receitas e despesas postergadas aos respectivos anoscalendário (Anexo IV do TVF). Em relação ao ano calendário de 2007 identificou postergação de IR para os anoscalendário de 2009 a 2011, e redução indevida do lucro decorrente de postergação de receitas, e para o anocalendário de 2008 identificou redução indevida do lucro decorrente de postergação de despesas, uma vez que as despesas do anocalendário de 2007 apropriadas em 2008 foram superiores às receitas de 2007 apropriadas em 2008. O argumento básico da autoridade fiscal para acusar a Recorrente de inobservância do regime de competência é de que, na contratação de licença de uso, a receita correspondente deve ser reconhecida quando da disponibilização dos meios magnéticos contendo os softwares. Portanto, cabe definir: (i) quando se consuma a prestação do serviço correspondente ao licenciamento; (ii) se a fiscalização comprovou a ocorrência do fato que caracteriza a consumação. Insta, de plano, definir a natureza do contrato de licença de uso e software e as obrigações das partes contratantes. Artigo publicado no site http:// egov.ufsc.br 4assim analisou o tema: 8 OBRIGAÇÃO DAS PARTES NO CONTRATO DE LICENÇA DE SOFTWARE Inicialmente cabe esclarecer que o contrato de licença de software não deve ser visto como um simples contrato, pois como se verá adiante, muitas das vezes o contrato de licença é cumulado de um ou mesmo vários contratos anexos que tratam da manutenção e do suporte do software. Nesse sentido, as obrigações das partes advindas dessa espécie contratual estarão ora em um contrato principal, o de licença do software, ora em um contrato anexo o qual tratará da manutenção e suporte, portanto, deve se ter sempre em mente essa divisão para que não se caia em erro. Logo de inicio trataremos das obrigações do licenciante e do licenciado no que se refere ao contrato de licença de software, destacando de maneira geral as obrigações advindas dessa espécie contratual. As obrigações do licenciante no contrato de licença são advindas da transferência do uso de determinado software, sendo assim o que se transfere inter partes nessa espécie contratual não é o direito relativo à propriedade intelectual e industrial e sim o direito de uso, ou seja, não se transfere aqui os direitos autorais do software, a partir daí podese traçar 4 IZIDORO, Wellington: Contrato de licença de uso de software transferência de tecnlogia. Acessado em 03 de julho de 2014. Fl. 5397DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 53 52 algumas obrigações do licenciante, as quais, tratarseão a seguir. Primeiramente devese destacar como obrigação primordial para o adimplemento do contrato, a entrega da cópia do software em sua versão standard, ou seja, em sua versão padrão, pelo licenciante ao licenciado em prazo estipulado pelo contrato firmado entre as partes. Posteriormente a essa entrega, que poderá ser feita através de via magnética, deverá o licenciante adaptar tal software às exigências do licenciado por um procedimento denominado de implantação de software o qual é feito diretamente no sistema operacional, ou seja, no hardware do licenciante para que assim se atenda exigências do usuário final. Essa implantação, quando se tratar de softwares de uso padrão, os quais não necessitam de especificidades para seu funcionamento, pode ser realizada através de programas autoexecutáveis que automatizam sua instalação, possibilitando que o próprio licenciado faça a instalação do software contratado. No entanto quando se tratar de software de alta complexidade como os de administração empresarial, será necessário que o licenciante adapte a versão standard às necessidades do licenciado e posteriormente faça a instalação do software no sistema operacional do usuário final, pois do contrario o software não terá serventia alguma para seu adquirente. (...) A partir de desse momento passarseá a elencar algumas obrigações que deverão ser observadas pelo licenciado no uso do software contratado, (...) (...) Como última obrigação geral do licenciado citase a obrigação de instalar o software dentro dos limites e características do ambiente operacional escolhido no momento da contratação, pois o software é desenvolvido pelo licenciante baseandose em determinado banco de dados e em determinado hardware; sendo que se for feita alteração nesse banco dados ou mesmo no hardware poderá haver incompatibilidade entre o objeto do contrato de licença e o equipamento do licenciado, ocorrendo assim graves erros ou mesmo o congelamento total do sistema operacional. Portanto para que haja qualquer espécie de alteração deverá haver a prévia homologação do licenciante, o qual se responsabilizará pelo funcionamento do software, caso isso não o corra a responsabilidade pela utilização recairá, in totum, sobre a figura do licenciado. 9. CONTRATO DE MANUTENÇÃO E SUPORTE DE SOFTWARE (...) Destarte cabe observar que nessa espécie de contrato, quais sejam os contratos de serviço de manutenção e suporte de Fl. 5398DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 54 53 software, os anexos não devem ser observados como meros coadjuvantes na celebração do contrato, mas sim como verdadeiros acessórios de cunho obrigatório do contrato de licença de uso do mesmo software. Isso devese pelo fato de que o contrato principal não lograria êxito sem a devida assistência e manutenção técnica do objeto contratual, caso em que se perderia a finalidade óbvia do contrato, pois seu objeto se tornaria obsoleto em um curto espaço de tempo. (...) (...) Tratarseá de manutenção quando o contrato de licença de software preveja hipótese de atualização do aplicativo padrão contratado, nesse caso haverá a possibilidade dos chamados patches que nada mais são que atualizações do software primário que visam manter o desempenho e a funcionalidade do software contratado evitando assim a obsolência do mesmo. A manutenção pode visar também a distribuição de uma nova versão do software que em período posterior à data de instalação do aplicativo no sistema operacional do licenciado, venha a ser criado pelo proprietário do software. Ressaltase que o contrato principal aqui tratado concede tão somente a licença do uso de determinado programa e não sua propriedade. (...)” Os esclarecimentos prestados pela contribuinte sobre o funcionamento do processo de comercialização de software, quando para isso intimada, coadunamse com a análise contida na doutrina transcrita. Informou ela que a licença para uso perpétuo é comercializada para determinada especificação de computador ou da sua capacidade de processamento, medida em MSU’s. Se o cliente que adquiriu o licenciamento, em algum momento, alterar a especificação da máquina, ele contrata nova licença de uso para o novo ambiente computacional. Nesse caso, o preço dessa nova licença é calculado pela diferença do preço da licença de uso que ele já possuía e o preço da licença para a nova especificação do computador, o que é comumente chamado de upgrade. Esclareceu ainda que o contrato de licença de uso de software tem, normalmente, dois objetos: (a) a licença de uso do software em um determinado computador, com a especificação de sua capacidade de processamento expresso na sua configuração técnica ou na sua capacidade de processamento medida em MSU’s (million services units), item necessário para o cálculo do preço da licença de uso para aquele computador; (b) serviços de garantia de atualização técnica aos usuários, cujo valor também é calculado de acordo com a capacidade de processamento onde o software é instalado, serviço esse que permite ao cliente receber versões atualizadas do software sem necessidade de contratar uma nova licença para aquele computador. Assinado o contrato, seguese o fornecimento do software em mídia, sua instalação, prestação de serviço de implantação e de eventuais adequações às necessidades do cliente. A partir desse ponto, seguese a vigência do contrato de prestação de serviços de garantia de atualização técnica e suporte durante o período contratado. Assim, temse que o serviço correspondente ao licenciamento de uso se consuma com a implantação dos softwares (obviamente, observadas as adequações as Fl. 5399DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 55 54 necessidade do cliente). Na falta de elementos que possam precisar, em cada caso concreto, em que momento foram os softwares implantados, deve ser tomada como momento da efetivação da operação a data emissão da nota fiscal, em consonância com o que dispõe o art. 1º da Lei nº 8.846, de 21/01/1994: Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. § 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; b) quaisquer outras transações realizadas com bens e serviços, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas. (grifos acrescentados). Portanto, para desconsiderar a data da emissão da nota fiscal correspondente à prestação do serviço como da sua efetividade, a autoridade fiscal deve apresentar elementos concretos que comprovem que ela se deu em momento anterior. A adequação (upgrade) para a utilização dos softwares em ambiente operacional de capacidade superior à inicialmente contratada, de ordinário pode ser realizada através de programas autoexecutáveis, que automatizam sua instalação. Contudo, não se pode afirmar, inquestionavelmente, que assim ocorra. Assim, razoável aplicar o mesmo raciocínio acima, ou seja, na falta de elementos que possam precisar em que momento foi efetivado o upgrade, deve ser tomada como momento da efetivação da operação a data da emissão da nota fiscal. Analiso, inicialmente, a receita correspondente à nota fiscal 1369, emitida em 03/01/2008, no valor de R$ 4.700.943,00, com vencimento para 12/01/2008, e apropriada como receita em janeiro de 2008. O documento fiscal (notafiscal fatura) traz a seguinte discriminação dos serviços: “Licença de Uso Ref: 01/01/2008 a 31/01/2008 Produtos: NATURAL FOR DB2, NATURAL SECURITY, NATURAL, NATURAL VSAM CONTRATO 990450.01 QUINTO TERMO DE ADITAMENTO CONTRATUAL” Em 19 de setembro de 2007, a Consist apresentou à Telefônica Proposta Comercial para regularização do Upgrade e Novas Contratações da Licença de Uso e das Garantias de Atualização Técnica dos softwares nela especificados, para o período de 01/05/2007 a 30/04/2008 (item 1.1), bem como para novas contratações (item 1.2). Para upgrade de licença de uso, o preço do serviço proposto totalizava R$ 8.629.643,00, e para as novas contratações R$ 4.700.943,00. Fl. 5400DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 56 55 Em relação à licença de uso, o item 4.1.1 da proposta estabelecia prazo de 30 dias da data da assinatura do contrato para entrega dos meios magnéticos contendo os Softwares, bem como dos manuais técnicos. O item 5.1 da proposta estabelecia que o valor de R$ 4.700.943,00, correspondente à aquisição dos softwares novos, seria faturado em janeiro de 2008. O contrato (Quinto Termo de Aditamento) foi assinado em 23 de novembro de 2007. Sua Cláusula Primeira especifica seu objeto como “Upgrade relativo ao crescimento de máquina, renovação da Garantia de Atualização Técnica e Suporte dos softwares abaixo descritos e aquisição de software de Mainframe. O item 2.2 da Cláusula Segunda estabelece que o preço a licença de uso para novas aquisições é de R$ 4.700.943,00, o item 3.1 da Cláusula Terceira estabelece que esse valor será faturado em janeiro de 2008. A autoridade fiscal considerou que, não obstante a nota fiscal tenha sido emitida em janeiro de 2008, a receita deveria ter sido apropriada em dezembro de 2007. Justificou seu entendimento no fato de a proposta comercial para novas contratações de Licença de Uso prever que o prazo para fornecimento dos meios magnéticos contendo os softwares é de 30 dias contados da assinatura do contrato. Considerando que o contrato foi assinado em 23 de novembro de 2007, entendeu que em 23 de dezembro de 2007 o serviço já estaria prestado (os software fornecidos) e, independentemente do pagamento, a correspondente receita deveria ser apropriada. Quanto a esse ponto específico, não vejo como manter a autuação, que se baseia numa presunção da autoridade fiscal. O fato de a proposta comercial, ou mesmo o contrato, estabelecer um prazo para a entrega das mídias não é suficiente para provar a consumação da prestação do serviço. Primeiro, porque a consumação dos serviços não se materializa com a entrega das mídias, demandando, conforme doutrina acima transcrita, “que o licenciante adapte a versão standard às necessidades do licenciado e posteriormente faça a instalação do software no sistema operacional do usuário final”. Depois, mesmo que não fosse necessária qualquer adaptação, tese, se não há qualquer elemento que comprove que os meios magnéticos contendo os softwares foram entregues até 23 de dezembro de 2007, impossível afirmar que o serviço foi prestado em 2007, e não em janeiro de 2008, quando foi emitida a nota fiscal. Não havendo prova de que a prestação do serviço se consumou em dezembro de 2007, e não em janeiro de 2008, quando emitida a notafiscal fatura, a apropriação, em dezembro de 2008, de despesas a ela relacionadas, como registra a autoridade fiscal, corresponderia a antecipação de despesas, que, contudo, não foi o critério adotado no lançamento. A nota fiscal 1525 (cliente Banco ABN AMRO REAL) foi emitida em 15/01/2008, no valor de R$ 60.000.000,00, com vencimento para 31/01/2008, com a seguinte discriminação dos serviços: LICENÇA DE USO PERPÉTUA REF: PARCELA ÚNICA. PRODUTOS ADABAS, NATURAL, ENTIRE NETWORK, ENTEIRE NETWORK CACA OPTIO, PREDICT, ADABAS ONLINE SYSTEM, ADABAS NATIVE SOL, ADABA CLUSTER SERVICES Fl. 5401DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 57 56 ADITIVO DE 21/12/2007 4. PROPOSTA COMERCIAL SPSP/471ª/2007 A receita correspondente a essa nota fiscal foi apropriada mensalmente, a partir de janeiro de 2008 (R$ 690.802,25 em janeiro de 2008 em 44 parcelas R$ 1.347.936,32 mensais a partir de fevereiro de 2008). Às fls. 28 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 4881 dos autos), o autuante registra que “No demonstrativo dos valores apropriados a título de Direitos Autorais (fls. 1640 a 1708) apresentado pelo Contribuinte, as despesas relativas a essa nota fiscal foram apropriadas parte em dez/2007 e parte de jan a dez/2008)”. Às fls. 1663 consta que, para essa nota fiscal, em 31/12/2007 estava provisionada despesa no valor de R$ 13.574.775,03. Da leitura do contrato (4º Aditivo ao contrato celebrado em 30/10/2000) se depreende o seguinte: Quando de sua assinatura, o Banco ABN AMRO Real já era detentor de Licenças de Uso Perpétuas de softwares (ADA, NAT, WCP, WCC, PRD, AOS, SQL e ALS) para computadores de capacidade de processamento de 1.236 MSU’s, contratadas conforme 2º Aditivo de 05/12/2003. Em 01/11/2007 os equipamentos instalados no Banco somavam a capacidade de processamento de 3.832 MSU’s, superior à licença de uso já contratada (1.236 MSU’s), demandando a contratação de unidades adicionais. Em 21/12/2007 as partes contrataram a aquisição de 6000 MSU’s adicionais, totalizando a Licença de Uso Perpétua em 7.236 MSU’s. O preço acordado para essas 6000 unidades adicionais foi de R$ 60.000.000,00 (R$ 10.000,00 por MSU adicional), a ser pago à vista, até 31/01/2008, e o preço foi fixado em função da estimativa de crescimento do ambiente operacional do ABN. Essa contratação alcança as alterações de ambiente operacional com aumento da capacidade de processamento (upgrade) que viessem a ocorrer, até a quantidade de 7.236 MSU’s. Conforme Anexo I da Proposta (fls. 1939 a 1942), a estimativa para alcançar essa performance demandaria mais de três anos (outubro de 2010, 6.683 MSU’s). No valor de R$ 60.000.000,00 não está compreendido o preço a ser pago pela garantia de atualização técnica, devida mensalmente, conforme item 3.2.1 da Proposta. Conforme elementos dos autos têmse que: (i) por contrato celebrado em 30/10/2000 e aditivos 1º a 3º, a Consist disponibilizara para o ABN licença de uso dos softwares para um ambiente operacional de capacidade de processamento de 1.236 MSU’s; (ii) em 21 de dezembro de 2007 celebrou o 4º aditivo, mediante o qual licenciou o uso dos referidos softwares para ambiente operacional de capacidade de processamento até 7236 MSU’s (upgrade), pelo preço de R$ 60.000.000,00, a ser pago a vista, até 31/08/2008; (iii) a nota fiscal correspondente foi emitida em 15 de janeiro de 2008. Assim, se não houvesse elementos que permitissem precisar que o upgrade efetivouse antes da emissão da nota fiscal, essa seria a data a ser tomada como de efetivação do serviço. Contudo, o contrato deixa claro que o upgrade foi efetivado antes dessa data, pois registra que em 01/11/2007 os softwares estavam instalados em ambiente operacional de 3.832 MSU’s, e que desde essa data, são devidos os valores correspondentes à garantia de atualização técnica (GAT). Nessa ordem de ideias, andou bem a decisão recorrida quando assentou que: Fl. 5402DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 58 57 “ (...) a licença de uso já estava disponível em novembro/2007, independentemente de ser utilizada pela “somatória da capacidade individual de processamento de todos ‘mainframes’ do ABN” (Proposta Comercial – fl. 1931). Isso implica dizer que a prestação de serviço relativa à Licença de Uso Perpétua contratada, a que se refere o 4º Aditivo e a Proposta Comercial SPSP/471/2007, ocorreu em novembro de 2007, restando a partir daí somente o serviço relativo à GAT, o qual seria pago em parcelas.” A responsabilidade do vendedor dos softwares de garantir seu funcionamento não é justificativa para o diferimento das receitas, como pretende a contribuinte. O dever de garantia pelo produto/serviço existe para qualquer fornecedor, decorre de lei, e não interfere na definição do período de competência da receita. Improcedente também a alegação da Recorrente, de que não poderia apropriar ao seu resultado receitas que não foram faturadas nem recebidas, pois o regime de reconhecimento é de competência, e não de caixa. E o procedimento da autoridade autuante não significa ver no contrato conluio entre as partes, pois se assim fosse teria aplicado a multa qualificada. Não há como acolher a postulação de que o Fisco deveria excluir as receitas apuradas em janeiro de 2007, cujos contratos foram firmados em 2006, uma vez que o critério adotado para reconhecimento da receita sempre foi o do faturamento. O anocalendário de 2006 não foi objeto do procedimento fiscal. Quanto aos períodos fiscalizados, não cabe excluir receitas postergadas de períodos anteriores, se essas não foram tributadas. Descabido o pleito de nulidade dos lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL do anocalendário relativamente às duas notas fiscais em questão, por ferir o princípio da uniformidade inserida na Resolução CFC nº 530, de 23/19/1981. A fiscalização não interfere na escrituração contábil do contribuinte, limitandose a exigir, para os períodos fiscalizados, os tributos decorrentes da não observância dos preceitos da legislação comercial e fiscal aplicáveis. Infração 007 Adições não computadas no lucro real Fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007. 28/08/2007 Valor apurado: R$ 2.907.409,48, R$ 3.540.097,19 e R$ 2.465,658,30, respectivamente (total R$ 8.913.135,01) Multa: 150%. Essa infração, assim como a Infração 3, resultou da auditoria da conta “21512 Contas a Pagar” no ano de 2007 (que recebeu apenas valores advindos da conta 51218 Direitos Autorais), quando a fiscalização apurou que havia uma diferença a menor no seu saldo final, no montante de R$ 50.593.274,46, que não correspondia a remessas de direitos autorais (três lançamentos que totalizam R$ 8.913.135,01, cuja contrapartida foi a crédito de Bancos C/Movimento, e R$ 41.680.139,45, cuja contrapartida foi a crédito, ou de Banco do Brasil, ou de Duplicatas a Receber). Os três lançamentos contábeis a débito de Contas a Pagar e a crédito de Bancos C/Movimento foram objeto, também, de IRRF como pagamento sem causa. Não obstante a tributação na fonte tenha sido afastada, por não ter sido comprovado o pagamento, pressuposto da tributação, em relação ao IRPJ e à CSLL o lançamento deve ser confirmado, Fl. 5403DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 59 58 pois, tal como analisado no item correspondente à infração 3, os valores afetaram indevidamente o lucro líquido do exercício e, consequentemente, o lucro real. Contudo, também como na Infração 3 (Despesas não Comprovadas), a autoridade fiscal não comprovou o dolo específico, tendo qualificado a multa por entender que o registro contábil das saídas de recursos para pagamento de despesas que deveriam ter sido remetidas ao exterior sem documento que lastreie os lançamentos, sem adicionar ao lucro líquido as despesas indedutíveis e deixando de confessar e recolher o imposto de renda de fonte incidente, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária. Isto posto, voto no sentido de reduzir tão somente a multa ao seu percentual normal (75%). Multa isolada por falta de recolhimento das estimativas. Sobre esse tema tenho reiteradamente me manifestado no sentido de que a aplicação da multa pela falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas só se justifica quando exigida dentro do próprio período de apuração das antecipações que deixaram de ser recolhidas, vez que, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência apurada com base no balanço patrimonial encerrado ao final do anocalendário. Por conseguinte, desaparece o bem jurídico tutelado pela norma sancionadora, no caso, as antecipações que deveriam ter sido recolhidas por estimativas, não havendo, portanto, base para sua exigência. Na verdade, o dispositivo legal que veicula a penalidade tem como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano calendário. Assim, sendo inerente ao dever de antecipar a exigência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, a penalidade só poderá ser aplicada durante o anocalendário, de vez que, com encerramento do anocalendário e a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário, desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), restando ausente a necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí nasce uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim a hipótese da aplicação tão somente da multa de 75% revista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex officio, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista no inciso II, alínea “b” do mesmo art. 44. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c./c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente por descumprimento de obrigação acessória. Logo, voto no sentido de afastar a penalidade. Das retenções na fonte não consideradas pela Fiscalização. Fl. 5404DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 60 59 Em sua impugnação a contribuinte requereu fossem deduzidos dos valores lançados de ofício os tributos retidos por seus clientes que deixaram de ser informados em DIPJ. A decisão de primeira instância não acolheu a pretensão. Assentou que os comprovantes juntados à impugnação não guardam correlação com as omissões de receitas lançadas de ofício, que decorreram de receitas diferidas não levadas a resultado e da apuração de saldo credor de caixa. Constou do voto condutor: “Tomo o próprio exemplo trazido na impugnação, qual seja, a retenção informada pelo Banco do Brasil (código 6190 SERVIÇOS RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO), constante das informações do sistema DIRF e relativa à NF nº 6633, de serviço no valor de R$ 50.000.000,00. Tal NF tem vencimento em 16/01/2007, enquanto o primeiro saldo credor de caixa foi apurado em 31/08/2007 e as receitas diferidas não levadas a resultados referemse a lançamento contábil de 30/06/2007. Portanto, as retenções pleiteadas não se inserem no escopo do litígio em julgamento, tampouco no contexto da fiscalização realizada, que não teve por fim refazer toda a contabilidade fiscal e comercial da contribuinte. Na verdade, o pleito de retenções, não informadas em DIPJ, se consubstancia em verdadeiro pedido de retificação dessa Declaração e a aferição da procedência desse pedido ensejaria nova auditoria fiscal, a fim de verificar, ao menos, se as receitas atinentes às mais de sessenta fontes pagadoras citadas na impugnação foram oferecidas à tributação. Sendo assim, não prospera o requerimento da interessada. Em grau de recurso a interessada diz ser absurda essa decisão, alegando que a fiscalização recompôs toda a apuração do período, como prescreve a legislação, considerando todas as receitas declaradas e as imputadas em virtude de infração apurada. Disse ser dever da fiscalização reconhecer o direito ao crédito, na medida em que a contribuinte não poderia alterar a apuração após a ação fiscal, e tal decisão impede a contribuinte de considerar em seu resultado valor legítimo e exige tributo além do devido. Acrescenta que não seria necessário refazer a contabilidade para identificar as retenções na fonte, e que o fato de a nota fiscal 6633 ter sido emitida em janeiro e as infrações apuradas a partir de 30/06/2007 é irrelevante, pois sua apuração do IRPJ é feita pelo período anual. Em princípio, ao efetuar lançamento de ofício, a autoridade fiscal só está obrigada a considerar o imposto retido na fonte quando aponta notas fiscais não contabilizadas como receita, e que consignam retenção de imposto. Nessa hipótese, ao incluir a receita para fins de tributação, a autoridade fiscal deve, ao mesmo tempo, considerar o imposto retido. Este não é, contudo, o caso dos autos, pois as omissões de receita apuradas na ação fiscal decorreram de presunção legal em razão de saldo credor de caixa (que, aliás, afastei neste voto) e de valor correspondente a lançamento a débito de receitas diferidas sem transitar por conta de Fl. 5405DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 61 60 resultado (crédito de duplicatas a receber). Quanto a este último, embora a interessada tenha alegado que o lançamento correspondia a mero ajuste para estornar valores escriturados e tributados antecipadamente, não logrou comprovar suas alegações. De qualquer forma, para pleitear, em fase de impugnação ou recurso, que o julgador analise a possibilidade de apropriar aos valores lançados de ofício os tributos retidos por seus clientes que deixaram de ser informados na DIPJ (pleito que, de fato, corresponde a uma retificação da DIPJ), deve a contribuinte demonstrar o direito postulado, o que exige a juntada de documentos relevantes para tanto, devidamente contextualizados e articulados no sentido da comprovação do direito pretendido. O Doc. 6 juntado à impugnação (conciliação entre DIRF e DIPJ) não é suficiente para analisar a procedência do pleito, sendo indispensável a juntada de cópia das notas fiscais demonstrando as retenções e prova de que a receita respectiva foi levada a resultado do período. Especificamente sobre a nota fiscal 6633, emitida em janeiro de 2007 (Serviço prestado ao Banco do Brasil no valor de R$ 50.000.000,00), a contribuinte juntou a nota fiscal consignando a sujeição a retenção (fl. 5213) e a comprovação de que esta efetivamente ocorreu (extrato da conta do Banco do Brasil em que foi creditado o valor líquido – Fls. 5176 e 5212 – e relatório do Sistema DIRF indicando a retenção, fls. 5177). Contudo, não está demonstrando que o valor de R$ 50.000.000,00 integrou o montante das receitas oferecidas à tributação (cópia do Diário com o registro do lançamento da referida nota fiscal). Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e, quanto ao voluntário, rejeito as preliminares e, no mérito, doulhe provimento parcial para: 1 Excluir da exigência de IRRF as importâncias de R$ 2.907.409,47 em 31/07/2007, R$ 3.540.097,19 em 31/08/2007 e R$ 2.465.628,34 em 30/09/2007; 2 Cancelar a tributação a título de omissão de receita por saldo credor de caixa; 3 Considerar improcedente a acusação de infração por inobservância do regime de competência em relação à notafiscal, emitida em 03/01/2008, no valor de R$ 4.700.943,00, com vencimento para 12/01/2008, e apropriada como receita em janeiro de 2008; 4 Afastar a qualificação da multa, reduzindoa ao percentual de 75%; 5 Cancelar a multa isolada sobre os tributos apurados sobre bases de cálculo estimadas. É como voto. Sala das sessões, em 23 de setembro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 5406DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10650.720873/201283 Acórdão n.º 1301001.641 S1C3T1 Fl. 62 61 Fl. 5407DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10925.000012/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3201-000.712
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1ª Seção.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do SIMPLES. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1 Seção. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a empresa epigrafada foi lavrado os auto de infração de fls. 1 a 21, relativo ao 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2007, que se prestaram a exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de 2.431,91 (fl. 2), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 6.380,57 (fl. 2). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme descrição dos fatos de fl. 4 e Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 9/21, o presente processo decorre de exclusão do Simples Nacional (processo 10925.002252/200861), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como, que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado a COFINS relativa a falta de recolhimento/declaração. Juntamente com o presente procedimento, também foi constituído processo de exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizado sob os números 10925.002073/200823 e 10925.002252/200861, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000011/200968, 10925.000013/200957, 10925.000014/200900, 10925.000015/200946, 10925.000016/200991, 10925.000017/200935, 10925.000018/200980, 10925.000019/200924, 10925.000020/200959, 10925.000021/200901, 10925.000022/200948, 10925.000023/200992, 10925.000024/200937, 10925.000025/200981, 10925.000026/200926, 10925.000027/200971, 10925.000028/200915, 10925.000029/200960, 10925.000031/200939. Conforme relatório fiscal a empresa em epígrafe faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. O pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda, desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 200 3 Os sócios da J.S. e KF possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa KF Montagens Industriais Ltda ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. A empresa J.S. Máquinas Ltda, na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos anos 2005, 2006 e 2007, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004”, situação esta, juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fls. 16/17. Em relação à contabilidade das empresas, constatouse a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. A empresa também efetuou pagamentos “extrafolha” aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos “a prazo”, considerando tais operações como se fossem realizadas “a vista”, ferindo o princípio da competência. “Esses fatos também levam à conclusão de que o ‘Grupo’ é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil.” Do Tributo Apurado Para apuração da Cofins devida, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fl. 19. Da Aplicação da Multa Qualificada de 150% Aplicou multa qualificada, por entender caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, pela análise dos fatos relatados até aqui e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Cientificada do lançamento em 28/01/2009, através de ciência pessoal da procuradora administradora, Silvana Marques Schazmann, conforme auto de infração, a interessada, por seu advogado e procurador, ingressou, em 11/02/2008, com peça impugnatória de fls. 24/70 e documentação anexa de fls.71/120, sendo esta referente à cópia alteração contrato social e CNPJ , cópias documentação pessoal Elita Schmidtz Schazmann , cópia contrato de empreitada , copia contrato de serviço de vigilância eletrônica , cópias certidão de alvará de funcionamento, alvará sanitário da Prefeitura de Joaçaba , cópia consulta ementa de acórdão Conselho de Contribuintes , cópia petição mandado de segurança, respectiva procuração, consulta processo Comprot, termos de intimação fiscal, protocolo Justiça Federal, petições judiciais, petições administrativas de cancelamento de intimações, cópia documentação pessoal advogado , alegando, em suma: Preâmbulo Que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes com base no regime de tributação normal. Foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, entretanto, apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. 1 Da Exclusão do Simples Dos Fatos Que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comercial e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. A empresa Idugel “é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a KF Montagens e JS Máquinas)”. “JS: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); KF: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, JS e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 201 5 A legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas pelas empresas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. Delimitação Temporal da Exclusão. Ilegalidade do Ato Manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. Do Cerceamento ao Direito de Defesa Entende que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Da Incompatibilidade das Excludentes. São incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, como leva a crer na fundamentação. “Ou seja, ou elas existem e daí há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mãodeobra no relacionamento, ou inexiste a empresa JS, por vício de formação, que, repitase não é o caso em tela.” Entende, desta forma, caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da requerente, na forma do art. 59 do Decreto 70.235/72. Prazo para Anular Constituição Empresarial. Decadência. A empresa JS é constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20.02.1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade em uma década. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 O art. 45, parágrafo único, do Código Civil prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas. Portanto, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo se considerado o prazo do diploma civil anterior. Prova de Fato. Efeitos. Ilegalidade na Retroatividade. As situações fáticas apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há como se alterar posteriormente. O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fático probatória. Tributação Retroativa com Efeito Confiscatório A cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos benefícios e incentivos fiscais positivados na Lei nº 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. A Autoridade é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Impossibilidade de Aplicação de Sanção Administrativa ao Contribuinte Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 202 7 Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Falta de Amparo Legal à Autuação Fiscal A atuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. Inexistência de Locação de Mão de Obra. No conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. “Portanto, apesar do serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso Idugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante.” Assim, não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Inexistência de Interpostas Pessoas. Sócios Verdadeiros. Não há qualquer demonstração de não serem as sócias Elita e Cláudia as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Falta de Amparo Legal à Exclusão do Simples “Não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação.” Prova. Período Incompatível. A autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/03 a 30/06/07 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, sendo inservíveis para tal. Endereço. Imóvel Dividido. O local utilizado pelas empresas JS e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente, conforme pode ser verificado em planta anexa, instalação de alarmes distintos e ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Faturamento. Legalidade. KnowHow. A empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a “pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil”. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa JS. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Daí o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, “em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional”. “Também há casos que as empresas IDUGEL e JS fornecem mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a JS pelo fornecimento de acessórios”. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Contabilidade. Regularidade. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 203 9 A existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da JS perante a IDUGEL. Assim, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos.De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. Jurisprudência Acerca do Caso. Apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Considerações Finais Que a manutenção da interpretação dada pelo agente fiscal inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. 2 – Cerceamento de Defesa Argumenta o cerceamento de defesa pois a intimações fiscais foram objetos de impugnações administrativas não decididas, bem como por conter no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. 3 – Nulidade do Processo Administrativo Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. 4 – Inexistência de Fraude Entende não caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 10 Ainda, que é necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. 5 – In Dúbio Pro Reo O Auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela impugnante, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dúbio pro reo. 6 – Da Ilegalidade da Aferição Indireta (Lucro Presumido) A aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. “A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da autoridade Fiscal.” “Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária”. Conclui que “há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real”. 6.1 – Idoneidade da Contabilidade Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na contabilidade da impugnante, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP´s foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da impugnante para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. 7 – Nulidade do Auto de Infração. Desconsideração do Valor Recolhido. Entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. 8 Pedido. Diante de todo exposto requer ser julgada totalmente procedente a presente impugnação, reconhecendo as nulidades argüidas e no mérito, reconhecida a improcedência do auto de infração em epígrafe. Requer a produção de todos os meios de provas admitidos por lei, em especial a oitiva de testemunhas, bem como a apresentação de documentos durante a fase de instrução. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 204 11 Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 25.365, de 23/07/2009, fls. 128/150: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Impugnação Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 153 e interpõe recurso voluntário de fls. 154/195. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 12 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O presente processo discute o lançamento de COFINS em face da exclusão da recorrente do SIMPLES, que tomou o n.º 10.925.002073/200823 e 10925.002252/200861. Entendo que a competência para julgamento é da agora 1º Seção do Conselho de Contribuintes, já que a presente discussão não se enquadra nas hipóteses previstas no atual Regimento Interno, conforme Portaria n.º 256/2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Como entendo que no presente caso a competência é da 1º Sessão do Conselho de Contribuintes, devem os autos ser para lá remetidos para julgamento, já que não vislumbro possibilidade de análise por esta Seção da discussão em debate. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos e endereçálos à competente 1º Sessão do Conselho de Contribuintes para julgamento. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 3201000.712 S3C2T1 Fl. 205 13 Sala das Sessões, em 02/06/2011junho de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10935.000241/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
TAXA SELIC. Aplica-se a taxa SELIC para a atualização dos créditos tributários devidos. Súmula CARF n. 4.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. O lançamento fiscal conforme art. 42 da Lei 9.430/96 decorre de presunção juris tantun e cabe ao contribuinte justificar com documentação hábil e idônea a origem dos valores depositados.
OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO. A apresentação de documentação comprobatória de recebimento de receita não declarada ao fisco para a justificação de depósitos bancários, sem demonstrar coincidências de valores e datas entre o recebimento da receita omitida e o depósito bancário, não pode ser aceita como justificativa dos depósitos, mas sim como confissão de omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS DECLARADOS. Presume-se que os rendimentos declarados ao fisco federal transitaram pela conta do contribuinte e, portanto, devem ser deduzidos da base de cálculo dos valores lançados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 10174/2001. RETROATIVIDADE. É legal o lançamento tributário baseado em depósitos bancários anteriormente à Lei 10.174/2001, conforme Súmula CARF n. 35.
DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O fato gerador do IRPF, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF n. 38.
Numero da decisão: 2101-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, prover parcialmente o recurso, para retirar da base de cálculo do tributo os rendimentos já constantes da DIRPF do contribuinte para o período analisado e também os valores dos recibos cujas datas e valores coincidem com os depósitos bancários integrantes da base de cálculo do lançamento tributário relativo a depósitos bancários não comprovados.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Aplicase a taxa SELIC para a atualização dos créditos tributários devidos. Súmula CARF n. 4. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. O lançamento fiscal conforme art. 42 da Lei 9.430/96 decorre de presunção juris tantun e cabe ao contribuinte justificar com documentação hábil e idônea a origem dos valores depositados. OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO. A apresentação de documentação comprobatória de recebimento de receita não declarada ao fisco para a justificação de depósitos bancários, sem demonstrar coincidências de valores e datas entre o recebimento da receita omitida e o depósito bancário, não pode ser aceita como justificativa dos depósitos, mas sim como confissão de omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS DECLARADOS. Presumese que os rendimentos declarados ao fisco federal transitaram pela conta do contribuinte e, portanto, devem ser deduzidos da base de cálculo dos valores lançados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 10174/2001. RETROATIVIDADE. É legal o lançamento tributário baseado em depósitos bancários anteriormente à Lei 10.174/2001, conforme Súmula CARF n. 35. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O fato gerador do IRPF, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF n. 38. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 02 41 /2 00 5- 84 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, prover parcialmente o recurso, para retirar da base de cálculo do tributo os rendimentos já constantes da DIRPF do contribuinte para o período analisado e também os valores dos recibos cujas datas e valores coincidem com os depósitos bancários integrantes da base de cálculo do lançamento tributário relativo a depósitos bancários não comprovados. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão 06 18.392 da 2a. Turma da DRJ/CTA, que considerou procedente o lançamento fiscal de ofício motivo deste processo administrativo fiscal. O Acórdão de Impugnação ficou assim ementado: PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCARIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 10.174/2.001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. 0 contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração e exerceu plenamente seu direito de defesa por meio de impugnação, dentro do prazo assegurado pela legislação, inexistindo, portanto, cerceamento do direito de defesa; assim, o fato de a ação fiscal ter tido inicio a partir de solicitação da Justiça Federal, não constitui ofensa Aquele principio, posto que o sujeito passivo já havia sido chamado a se manifestar no referido órgão, como ele próprio admite. Por outro lado, inexiste cerceamento de defesa, quando todo o procedimento fiscal que enseja a lavratura do auto de infração, na forma do art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26/03/1999, é realizado de acordo com as norms legais pertinentes à matéria, concedendose, ainda, ao contribuinte ampla oportunidade de carrear aos autos no prazo de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.000241/200584 Acórdão n.º 2101002.716 S2C1T1 Fl. 3 3 impugnação os documentos, informações e esclarecimentos para tentar elidir a tributação contestada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM: FALTA—DE — COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A alegação de rendimentos de atividade rural no exterior, para justificar origem de depósitos bancários realizados no Brasil, deve vir acompanhada de prova do ingresso dos valores no Pais em conformidade com a legislação e da prova inequívoca da efetiva transferência dos numerários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ONUS DA PROVA. Uma vez constituído o crédito tributário, cabe ao contribuinte demonstrar, mediante provas contrárias, a improcedência do lançamento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência que tenha por objetivo produzir provas que compete ao contribuinte trazer aos autos.. VALORES AUFERIDOS COM A VENDA DE GADO NO EXTERIOR. Tributase como omissão de receitas da atividade rural o montante auferido com a venda de gado no exterior, comprovada por recibos apresentados durante a ação fiscal, mesmo que o numerário não tenhasido transferido para o Brasil; uma vez que o contribuinte reconhece ter omitido tais valores nas declarações de ajuste apresentadas. DEPÓSITO RECURSAL. A garantia de instância para admissibilidade do Recurso Voluntário, prevista no § 2° do art. 33 do Decreto n°. 70.235/1972, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n°. 1976, não sendo mais exigível o depósito recursal para seguimento do Recurso. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 DO PREJUÍZO À IMAGEM. Independente da forma como se origina a ação fiscal, seja por solicitação da Justiça, seja por indícios de irregularidades nas informações prestadas nas declarações de ajuste, não existe nenhum impulso de ordem pessoal, por parte da autoridade fiscal que possa arranhar a imagem do sujeito passivo sendo seus próprios atos, perante suas obrigações tributárias. A ciência da decisão contida no Acórdão de Impugnação ocorreu em 09/07/2008. O recurso voluntário foi interposto em 08/08/2008. No recurso voluntário o contribuinte salienta que as infrações referemse a omissão de receitas decorrentes de presunção sobre depósitos bancários, e também da atividade rural. Apresenta as razões de recorrer, repetindo, em alguns pontos, o que já havia sido objeto na Impugnação, como segue. 1. A autoridade fiscal deixou de considerar os documentos relativos à venda de gado apresentados pelo contribuinte como justificativa para os depósitos bancários não identificados. Além disso, considerou tais documentos relativos à venda de gado como prova de omissão de rendimentos da atividade rural. 2. Parte do crédito tributário não pode ser exigido devido à decadência. Depósitos bancários relativos ao mês de janeiro 2000 (R$ 23.419,00) fl.236 compuseram a base de incidência tributária, fazendo menção ainda ao valor de R$ 24.820,26, decorrente da venda de gado para Adolfo G. Roa, em 8/1/2000, sendo que a desta importância, 20% (R$ 4.964,05) também compôs a base de cálculo. O valor de R$ 4.964,05 estaria englobado nos R$ 31.079,61 (fls. 245). Desta forma, do montante total relativo à base de incidência tributária, R$ 28.282,05 são decorrentes de operações bancárias realizadas no mês de janeiro de 2000. Esses valores (R$ 28.282,05) já estariam alcançados pela decadência, tendo em vista o parágrafo 4 do art. 42 da Lei 9.430/96. 3. Observa que a legislação define o fato gerador no mês do recebimento da importância passível de tributação. Nesse momento nasce o direito do fisco de constituir o crédito tributário. Considerando o prazo decadencial de 5 anos concluise que os casos antes analisados estão atingidos pela decadência. O termo final para a constituição do crédito seria o mês janeiro/2005 e o lançamento ocorreu em 11/02/2005 (ciência do recorrente fl. 255). Cita decisões deste Conselho sobre o assunto. 4.Os créditos lançados relativos a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei 10.174/2001 não podem ser exigidos. Entende que os valores lançados decorreram de informações da movimentação bancária do contribuinte, ao que a lei impedia o uso para fins de constituição de crédito tributário. Assim, só podem ser objeto de lançamento os valores lançados a partir da vigência da lei, ou seja, 09/01/2001. Colaciona decisão do STJ de 1999. 5. Visando comprovar os depósitos bancários questionados, apresentou documentação relativa ás receitas da atividade rural desenvolvida no exterior (Paraguai). O somatório dos depósitos bancários em contraposição com os recibos de venda de gado para os anos questionados estão na tabela a seguir. ANO==> 2000 2001 2002 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.000241/200584 Acórdão n.º 2101002.716 S2C1T1 Fl. 4 5 Depósitos bancários 156.307,00 226.245,95 148.701,26 Recibos venda gado 153.398,03 306.805,95 170.149,04 6. A autoridade a quo desconsiderou os valores tendo em vista os recibos apresentados não serem coincidentes em datas e valores com os depósitos bancários, fato que não foi confirmado nos autos. (fl. 329). 7. Não entende como os recibos apresentados para comprovar os depósitos bancários não puderam ser aceitos para tal fim porque não havia prova da introdução dos valores no país e, no entanto foram aceitos para lançamento de omissão de receitas. 8. Afirma que não existe a duplicidade de infrações mencionadas pela autoridade fiscal. Os fatos que alega são notórios, sobretudo na negociação de gado na zona de fronteira, ocorrida nos limites entre as cidades de Coronel Sapucaia (MS/BR) e a zona rural de Capitão Bado (Paraguai). Tendo em vista a divisa seca, há livre trânsito para entrada e saída em ambos os países. 9. A não ocorrência de transferência bancária é devido à inexistência de agências bancárias em ambos os locais de fronteira. 10. Como a venda de gado na região é feita através de intermediários que ganham sob comissão, os valores recebidos efetivamente diferem um pouco dos constantes nos recibos. 11. O fato de não haver nenhum documento representativo da transferência/introdução dos valores decorrentes da venda de gado para o Brasil não desnatura a atividade praticada. 12. Os valores declarados pelo recorrente devem ser deduzidos da base de cálculo do tributo, o que não acorreu. Os rendimentos declarados pelo recorrente transitaram pelas contas bancárias e devem ser desconsiderados da autuação. Colaciona jurisprudência deste Conselho. 13. Alega a ilegalidade da taxa SELIC como indexador para a correção dos valores devidos, pois não se aplica às obrigações tributárias. Cita julgado do STJ de 2002. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 O recorrente informa que os valores dos depósitos bancários são oriundos da atividade rural fora do Brasil. A autoridade fiscal não aceitou a comprovação porque os comprovantes apresentados não coincidem com as datas e respectivos valores de depósitos. Por outro lado, o contribuinte apresentou documentação comprobatória de que teria auferido receita sem, contudo, oferecêla a tributação. Assim, os motivos dos dois lançamentos tributários são válidos. Assim, passo a analisar os argumentos apresentados pelo recorrente no recurso voluntário. Não pode ser acolhido o pedido relativo à decadência porque, conforme entendimento do STJ O imposto de renda é um tributo complexivo e a compleição do fato gerador ocorre em 31 de dezembro. TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no Ag 1395402/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2013, DJe 24/10/2013) O entendimento deste Conselho, em consonância com o daquele Egrégio Tribunal, está expresso na Súmula CARF n.38, a seguir transcrita. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Também não tem guarida a pretensão do contribuinte de que as informações bancárias que subsidiaram parte do lançamento cujos depósitos lançados ocorreram antes da vigência da Lei 10.174/2001. No caso, a própria Lei estabelece que a partir da sua vigência Fl. 371DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.000241/200584 Acórdão n.º 2101002.716 S2C1T1 Fl. 5 7 podem ser abertos procedimentos administrativos fiscais para analisar informações oriundas da CPMF. A instauração de um procedimento fiscal, entretanto, pode abarcar fatos geradores nos cinco anos anteriores à abertura do procedimento e, neste caso, poderão ser constituídos créditos tributários relativos à períodos anteriores à vigência da lei autorizativa. Assim acontece porque a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados da data do fato gerador (que no caso do Imposto de Renda é dia 31 de dezembro). Ressalvase a hipótese de ocorrência de dolo, quando o prazo decadencial obedece outro dispositivo legal e que não importa neste processo. Lei 10.174/2001 Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) Neste sentido, também a Súmula CARF n. 35, a seguir transcrita. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Neste sentido, também a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC nº 105/2001, art. 6º, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC nº 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei nº 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.000241/200584 Acórdão n.º 2101002.716 S2C1T1 Fl. 6 9 inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) Muito embora exista alguma proximidade de valores entre os depósitos bancários e os recibos apresentados pelo contribuinte, não se pode afirmar que os recibos de venda de gado, cuja receita não fora declarada ao fisco, teria sido a origem dos depósitos. Contudo, mesmo com a não declaração da entrada dos valores no Brasil através de agência bancária, entendo que os valores dos depósitos bancários coincidentes em datas e valores devem ser deduzidos da base tributável. Considero que, se isso não for feito, estarseia tributando duas vezes o mesmo fato gerador, um como receita omitida da atividade rural e outro como depósito sem comprovação de origem. Entendo que, como os valores se originaram de venda de gado, devem ser tributados como receita da atividade rural não oferecida a tributação. Desta forma, devem ser considerados como depósitos bancários cuja origem foi comprovada e, então, exonerados desta infração fiscal (depósitos bancários não comprovados). Também entendo que a renda já declarada pelo contribuinte deve ser diminuída da base de cálculo do tributo porquanto tais valores possivelmente transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. O entendimento deste Conselho quanto à utilização da taxa SELIC para a atualização dos créditos tributários devidos está expresso na Súmula Carf n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a seguir transcrita, no caso de execução de sentença judicial. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. TAXA DE JUROS. NOVO CÓDIGO CIVIL. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 INEXISTÊNCIA. ART. 406 DO NOVO CÓDIGO CIVIL. TAXA SELIC. 1. Não há violação à coisa julgada e à norma do art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado, determinase a incidência de juros previstos nos termos da lei nova. 2. Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido dispositivo [art. 406 do CC/2002 ] é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por ser ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei 9.250/95, 61, § 3º, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02)' (EREsp 727.842, DJ de 20/11/08)" (REsp 1.102.552/CE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543C do CPC, pendente de publicação). Todavia, não houve recurso da parte interessada para prevalecer tal entendimento. 3. Recurso Especial não provido (REsp 1.111.117/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Relator para acórdão o Exmo. Senhor Min. Mauro Campbell Marques, Corte Especial, DJe de 02.09.10 sem destaques no original). (grifei) Voto no sentido de afastar as preliminares e, no mérito, por prover parcialmente o recurso para retirar da base de cálculo do tributo os rendimentos já constantes das DIRPFs do contribuinte para os períodos analisados, e também os valores dos recibos cujas datas e valores coincidem com os depósitos bancários integrantes da base de cálculo do lançamento tributário relativo a depósitos bancários não comprovados. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15983.000888/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 27/10/2009
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. MULTAS. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. COMPARAÇÃO. PENALIDADES.
O CTN - Art. 106, II, c - determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que para a correta aplicação da determinação deve-se comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - definiu por penalidade que não é aplicada atualmente, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no I, Art. 173 do CTN, devido à ausência de recolhimento parcial, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Natanael Vieira dos Santos, que votaram pelo provimento parcial do recurso, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais arguemntos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Readtor: Marcelo Oliveira.
MARCELO OLIVEIRA Presidente e Redator.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no I, Art. 173 do CTN, devido à ausência de recolhimento parcial, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Natanael Vieira dos Santos, que votaram pelo provimento parcial do recurso, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais arguemntos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Readtor: Marcelo Oliveira. MARCELO OLIVEIRA Presidente e Redator. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2009 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. MULTAS. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). FORMA DE APLICAÇÃO. COMPARAÇÃO. PENALIDADES. O CTN Art. 106, II, c determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que para a correta aplicação da determinação devese comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente definiu por penalidade que não é aplicada atualmente, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, pela aplicação da regra determinada no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 88 /2 00 9- 88 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 I, Art. 173 do CTN, devido à ausência de recolhimento parcial, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Natanael Vieira dos Santos, que votaram pelo provimento parcial do recurso, pela aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar ao cálculo da multa por obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento aos demais arguemntos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Readtor: Marcelo Oliveira. MARCELO OLIVEIRA – Presidente e Redator. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 98 3 Relatório Tratase de Auto de Infração emitido por força de a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que efetuou a declaração com código 02, empresa optante pelo Simples, quando o correto teria sido a declaração no código 0, empresa não optante, o que implicou na alteração das contribuições previdenciárias devidas, pois as empresas optantes têm as contribuições patronais substituídas. Neste sentido, entendeu a fiscalização que houve violação ao art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/91. O contribuinte impugnou a autuação [fls. 37/51] tendo alegado, em síntese: (i) vício do auto de infração, pois está ausente requisito formal; (ii) decadência dos débitos anteriores a 27/10/2004; (iii) no mérito, manifesta que as contribuições de terceiros não possuem natureza tributária, portanto apenas a União tem competência para arrecadála e repassálas ao respectivo órgão do sistema “S”; (iv) requer aplicação da multa disposta no art. 32A, da Lei n. 8.212/91 Em 19 de janeiro de 2011, foi prolatado Acórdão n. 0532.196, pela 8ª Turma da DRJ/CPS [fls. 68 e ss] que, em resumo, julgou procedente a autuação. O Contribuinte foi intimado do decisum em 06/07/2011, tendo interposto o Recurso Voluntário, em 05/08/2011, que reitera, em síntese, os argumentos dispostos na impugnação. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Preenchidos todos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de voluntário. DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 99 5 súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Assim, a partir da publicação, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 100 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Ademais, o enunciado da Súmula CARF n. 99 assevera que para as contribuições previdenciárias considerarseá pagamento o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso, a ciência do contribuinte ocorreu em 27/10/2009 e tendo ocorrido recolhimento, mesmo que indevido [apurou e recolheu por meio da sistemática do SIMPLES], considerando o disposto no enunciado da Súmula CARF n. 761, considero ter ocorrido recolhimento parcial e aplico o §4º, do art. 150, do CTN, declarando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as contribuições até 09/2004. MÉRITO Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária violada. O Sujeito Passivo foi devidamente cientificado de todos os atos processuais e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, conforme assinaturas apostas no Auto de Infração, nos Termos de fiscalização e nos avisos de recebimento – AR, dentre outros, restandolhe garantido destarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento, conforme inclusive o disposto no enunciado na Súmula CARF n. 72. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao 1 Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 2 Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 101 9 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No presente feito, o Auto de Infração encontrase perfeitamente instruído com a qualificação do autuado, nele constando o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato típico punível, a respectiva disposição legal infringida e a penalidade aplicável, bem como a assinatura da Autoridade Fiscal responsável pela autuação, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório “Instruções para o Contribuinte” contém a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O Relatório Fiscal acima citado tem por meta, igualmente, instruir o sujeito passivo quanto ao oferecimento de impugnação ao lançamento então operado, discorrendo sobre o Direito de Defesa do Autuado, bem como o prazo, a forma e locais para a sua apresentação, além dos elementos essenciais à instrução da defesa, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Multa No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para, reconhecer a decadência até a competência 09/2004 e a multa, para a obrigação principal, deverá ser calculada nos termos do artigo 32A caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 102 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à regra decadencial e à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. DECADÊNCIA: Quanto á decadência, discordamos do nobre relator e negamos provimento ao recurso na questão. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 103 13 A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2009, nenhum valor da autuação deve ser afetado pela decadência, pois todos os fatos que ensejaram à aplicação da multa são posteriores a 11/2003. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nesta questão. MULTA: Quanto a multa, também discordamos do nobre relator. Quanto à forma de cálculo da retroatividade benigna na autuação em questão, temos a informar que houve alteração nas autuações por descumprimento da obrigação acessória em questão, com o surgimento da Medida Provisória (MP) 449/2009. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Para o cálculo da multa em questão (em síntese, preenchimento de GFIP com erros nos dados relacionados aos fatos geradores) foi editada a Medida Provisória (MP) 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4º, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em Lei. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.000888/200988 Acórdão n.º 2301004.166 S2C3T1 Fl. 104 15 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio de lançamento. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa, deve prevalecer o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação correlata. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto às questões da multa, em que em dou provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.721542/2013-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Verificada a apresentação de impugnação intempestiva pelo contribuinte, torna-se impossível a admissão de seu recurso voluntário por força dos art. 17 e 21, ambos do Dec. 70.235/72.
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. SÓCIOS.
Quando os sócios não apresentam impugnação ao lançamento tributário, ao serem responsabilizados solidariamente, estes se tornam revéis quanto à matéria de mérito discutida nos autos, sendo inadmissível o conhecimento de recurso voluntário apresentado pessoalmente por eles.
Numero da decisão: 1302-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Verificada a apresentação de impugnação intempestiva pelo contribuinte, torna-se impossível a admissão de seu recurso voluntário por força dos art. 17 e 21, ambos do Dec. 70.235/72. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. SÓCIOS. Quando os sócios não apresentam impugnação ao lançamento tributário, ao serem responsabilizados solidariamente, estes se tornam revéis quanto à matéria de mérito discutida nos autos, sendo inadmissível o conhecimento de recurso voluntário apresentado pessoalmente por eles.
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PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Verificada a apresentação de impugnação intempestiva pelo contribuinte, tornase impossível a admissão de seu recurso voluntário por força dos art. 17 e 21, ambos do Dec. 70.235/72. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ADMISSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. SÓCIOS. Quando os sócios não apresentam impugnação ao lançamento tributário, ao serem responsabilizados solidariamente, estes se tornam revéis quanto à matéria de mérito discutida nos autos, sendo inadmissível o conhecimento de recurso voluntário apresentado pessoalmente por eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 15 42 /2 01 3- 56 Fl. 966DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.721542/201356 Acórdão n.º 1302001.648 S1C3T2 Fl. 967 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito (fls. 755/769): Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 1.213.376,35, incluindo multa de ofício (150%) e juros de mora calculados até 05/2013, em razão de falta da declaração de receitas escrituradas, nos anoscalendário 2010 e 2011, na determinação do Lucro Presumido, conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 57/68), parte integrante dos autos de infração. Nos cálculos efetuados pela fiscalização foi deduzido o montante do imposto já declarado pela contribuinte mediante utilização do coeficiente de determinação do lucro de 8% (valores inscritos na Procuradoria da Fazenda Nacional e/ou pagos antes do início da ação fiscal). Os sócios administradores, MÔNICA CRISTIANI TORETI (CPF: 251.468.73810) e MATHEUS JOSÉ TORETI (CPF: 219.994.05862), foram arrolados como Responsáveis Solidários pelo crédito tributário constituído, com fundamento no art. 135, III, do CTN (fls. 679/681 e 682/684). Ainda, foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de nº 13888.721543/201309. (grifos originais). A empresa recorrente tomou ciência dos lançamentos em 20/05/2013 (fls. 68 – Termo de Constatação Fiscal, fls. 98, 118, 126 – Auto de Infração e fl. 137 – Termo de Encerramento). Os sócios da empresa autuada foram cientificados de seu arrolamento passivo na presente autuação pelo Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 679/681 (em 25/05/2013 – Monica Cristina Toreti) e fls. 682/684 (em 23/05/2013 – Matheus José Toreti). Inconformada, apenas a empresa contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 689/692 e documentos de fls. 693/700), postada nos correios em 20/06/2014 (conforme fls. 688 e 701, bem como fls. 728/729), tendo suas alegações sintetizadas nos seguintes termos: (i) Que as receitas apresentadas no período fiscalizado atenderam todos os requisitos, bem como as notas fiscais de saída foram emitidas de acordo com as vendas realizadas pela empresa; (ii) Que o IRPJ, Constribuição Social, PIS/COFINS constantes no auto de infração devem ser mais aprofundadamente explanados; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 (iii) Que, pelos equívocos da fiscalização, decorreu da interpretação imediata, generalizando a antecipação de julgamentos jurisprudenciais, ferindo a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; (iv) Que a empresa contribuinte contesta a revelia conforme contemplam os autos no que diz respeito ao arbitramento de lucro presumido ou documentos ali acostados que serviram de base à fiscalização; (v) Que os autos de infrações foram gerados equivocadamente, sem análise de documentação alguma, com o simples arbitramento de lucro; (vi) Que lucro significa resultados positivos, concentuandose das receitas, menos despesas, provisões, amortizações e prejuízos dentro do limite, tão logo obtemse o lucro líquido; (vii) Ao final requereu o reconhecimento da insubsistência dos autos de infrações do processo administrativo em comento, anulando os mesmos, conforme demonstraram todos os pagamentos pertencentes ao PIS e à COFINS, ali acostados e que, se tratando da contribuição social e do IRPJ, que se cumprissem os arquivamentos e anulações; (viii) Juntou documentos às fls. 693/700. A 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/POR, na sessão de 29/10/2013, manteve integralmente os lançamentos, não conhecendo da impugnação apresentada pela contribuinte por ser intempestiva, proferindo o Acórdão n°. 1445.802 (fls. 755/769), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não configura o litígio, relativamente ao lançamento questionado, não comportando qualquer análise acerca do direito invocado. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido A empresa recorrente foi intimada do referido acórdão em 25/11/2013, conforme AR de fls. 795, interpondo recurso voluntário em 16/12/2013 (fls. 797/828), no qual ventilou as seguintes razões, em resumo: (i) Que deve ser afastada a multa qualificada de 150% no caso, por não ter sido comprovada a fraude ou dolo da contribuinte durante a fiscalização; (ii) Que as normas de Direito Tributário devem ser interpretadas em consonância com os direitos fundamentais do cidadão, sendo vedada a utilização de tributos que tenham natureza confiscatória, devendo ser anulado o auto de infração no caso por ter natureza de tributo confiscatório; Fl. 969DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.721542/201356 Acórdão n.º 1302001.648 S1C3T2 Fl. 968 5 (iii) Ao final requereu a realização de diligências para a plena elucidação das questões suscitadas, inclusive a realização de perícias, inclusive bancárias para que restasse comprovada a ausência de fundamentação legal do auto de infração. Os sócios da empresa, Sra. Mônica Cristiani Toreti e Matheus José Toreti, foram intimados do Acórdão de Impugnação em 18/02/2014 (fls. fls. 865/866) e 13/02/2014 (fls. 867/868), respectivamente, interpondo recursos voluntários respectivamente em 28/02/2014 e 27/02/2014 (fls. 871/908 e 915/953), conforme despacho de encaminhamento de fls. 965, ambos alegando a impossibilidade de redirecionamento dos sócios ao procedimento administrativo fiscal, bem como as mesmas razões de direito lançadas no recurso voluntário da empresa contribuinte, consoante se transcreveu acima. É o Relatório. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Antes de mais nada, fazse necessário apreciar a questão do cumprimento dos requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários interpostos perante este Conselho, nos termos que se seguem. Depreendese claramente do presente processo que a empresa contribuinte foi intimada do conteúdo da autuação pessoalmente em seu domicílio fiscal, na pessoa de Valéria Cristina de Oliveira, constando sua assinatura no Auto de Infração, Termo de Constatação Fiscal e no Termo de Encerramento, em data de 20/05/2013, conforme fls. 68 (termo de constatação fiscal), fls. 98/118 e 126 (auto de infração) e fls. 137 (termo de encerramento). Além disso, os sócios da empresa autuada, que foram incluídos pela origem no polo passivo dos autos, nos termos do art. 135, do CTN, tomaram ciência da autuação e fiscalização via intimação por correios, bem como de seu arrolamento passivo, pelo Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 25/05/2013 (fls. 679/681 Monica Cristina Toreti) e em 23/05/2013 (fls. 682/684 – Matheus José Toreti). Dessa forma, nos termos do art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, tanto a empresa como seus sócios tinham o prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data em que receberam a intimação da exigência fiscal, para apresentar as respectivas impugnações, em cumprimento aos preceitos constitucionais do contraditório e ampla defesa. Vejamos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Nesta esteira, considerando que pelo art. 5º do referido decreto os prazos administrativos são contínuos, excluindose o dia do início do prazo (dia da intimação) e incluindose o dia do seu vencimento, os prazos finais para apresentação de impugnação neste caso era os dias 19/06/2013 para a empresa, 25/06/2013 para a sócia Maria Cristina Toreti e 22/06/2013 para o sócio Matheus José Toreti. In casu, somente a empresa autuada apresentou impugnação ao lançamento tributário (fls. 689/692 e documentos de fls. 693/700), por postagem nos correios, em data de 20/06/2013 (conforme carimbo de fls. 688 e extrato de fls. 701, bem como prova o Aviso de Recebimento de fls. 728/729). Neste ponto merece destaque o argumentado pelo Acórdão de origem, quanto ao envio de impugnação via postal à RFB (fls. 764/765): (...) o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, ao consolidar as normas processuais no âmbito Tributário Federal, esclarece que a impugnação remetida por via postal deve observar o prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, considerandose como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, ou, na falta deste, a data da apresentação da Fl. 971DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.721542/201356 Acórdão n.º 1302001.648 S1C3T2 Fl. 969 7 impugnação constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. Ainda, esclarece que eventual petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar (art. 56). Confirase: Decreto nº 7.574/2011: Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). §1° Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput . §2° Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (...). §5° Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. §6° Na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da apresentação da impugnação a constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope que contiver a remessa, quando da postagem da correspondência. (grifos originais). Portanto, de acordo com o § 5º, do art. 56, do Decreto retro mencionado, deve se considerar neste caso como data de apresentação de impugnação pela parte recorrente a da sua postagem nos correios, cujo aviso de recebimento foi juntado aos autos às fls. 728/729. Assim, segundo as datas já apresentadas acima, a impugnação protocolada pela empresa recorrente foi intempestiva, por um dia, como se verifica nos autos de maneira incontestável. Quanto ao argumento lançado pela empresa recorrente em sua petição de fls. 704/705 de que houve uma prorrogação de prazo para a ampla defesa, assinada pela representante legal da empresa e vistoriada pela AFRFB de origem, esta não prospera, visto que, além de não haver nos autos qualquer prova da referida prorrogação, mesmo que houvesse, aplicase no caso o disposto no já mencionado art. 15, do Decreto nº 70.235/72 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 quanto à contagem de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação, a partir da intimação do sujeito passivo, não havendo que se falar em sua prorrogação. Nesse sentido se encontra a jurisprudência deste Conselho, como se destaca abaixo algumas ementas: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DECRETO Nº 70.235/72. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias da ciência da decisão. NORMAS PROCESSUAIS. ART. 15 DECRETO Nº 70.235/72. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Comprovado nos autos que a Impugnação foi apresentada após o prazo de trinta dias contados da data da intimação da Notificação de Lançamento, realizada no domicílio fiscal do contribuinte constante do cadastro da Receita Federal, conforme previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que reconhece a intempestividade da manifestação. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. (CARF, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº. 2101002.604, Con. Relator Eduardo de Souza Leão, Sessão de 04/11/2014). TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA DATA DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Considerase intempestiva a impugnação apresentada depois de transcorrido o prazo de Trinta (30) dias a contar da data da ciência do lançamento, dela não se tomando conhecimento. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº. 3302002.760, Con. Relatora Maria da Conceição Arnaldo Jacó, sessão de 11/11/2014). Destarte, o prazo final para apresentação de impugnação da empresa neste caso era de 19/06/2013, contudo ela foi apresentada em 20/06/2013, consoante comprova o Aviso de Recebimento de fls. 728/729, o carimbo de postagem nos correios de fl. 688, bem como o extrato dos correios de fl. 701. Assim, ao apresentar a impugnação intempestivamente, é como se a empresa autuada não tivesse impugnado o lançamento tributário, tornandose revel no processo administrativo, nos termos dos art. 17 e 21, ambos do Dec. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. Logo, não há como conhecer o recurso voluntário da empresa pois não apresentada tempestivamente a devida impugnação em primeira instância, ou seja, a contribuinte já é revel nos termos da legislação e não há a instauração da fase litigiosa do processo, nos termos do art. 14, também do 70.235/72. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13888.721542/201356 Acórdão n.º 1302001.648 S1C3T2 Fl. 970 9 Quanto aos sócios, aplicase este mesmo entendimento para os recursos voluntários apresentados pelos recorrentes pessoas físicas, pois sequer apresentaram suas impugnações quando intimados da sujeição passiva e do lançamento tributário, pelo que se tornaram revéis e perderam o direito de se insurgir contra o lançamento tributário, ou seja, perderam o seu direito de recorrer. Ante o exposto, voto por não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos recorrentes, pois todos eles, empresa e seus sócios, são revéis no presente processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 974DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10183.002980/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002
BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE.
O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada.
Em cumprimento ao disposto no Regimento Interno do CARF, reproduzse o fundamento do referido julgado, que se adota como razão de decidir, para afastar a aplicação da norma cuja inconstitucionalidade foi reconhecida.
BASE DE CÁLCULO. REEMBOLSO DE DESPESAS. EXCLUSÃO.
O reembolso de despesas não configura faturamento, razão pela qual não compõem a base de cálculo da Contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.688
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor das receitas financeiras, da variação cambial e do reembolso de despesas da base de cálculo do lançamento. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à tributação do reembolso de despesas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Júnior Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VINCENDOS COM CRÉDITOS DA MESMA ESPÉCIE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos de tributos não confessados, nem pagos, que emergem inadimplidos de compensação pretensamente realizada nos moldes da Lei nº 8.383, de 1991, mas que não foram declarados em DCTF, são lançados de ofício, para formalização de sua constituição e exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 31/07/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA AMPLIADO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. OBRIGATORIEDADE. O STF, em decisão plenária definitiva, no julgamento do RE 585.235/RG, processado no regime de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 29 80 /2 00 7- 12 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, para incluir na definição de receita bruta, além da receita da venda de mercadorias, serviços ou de mercadorias e serviços, as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da atividade por ela desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em cumprimento ao disposto no Regimento Interno do CARF, reproduzse o fundamento do referido julgado, que se adota como razão de decidir, para afastar a aplicação da norma cuja inconstitucionalidade foi reconhecida. BASE DE CÁLCULO. REEMBOLSO DE DESPESAS. EXCLUSÃO. O “reembolso de despesas” não configura faturamento, razão pela qual não compõem a base de cálculo da Contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o valor das receitas financeiras, da variação cambial e do reembolso de despesas da base de cálculo do lançamento. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à tributação do reembolso de despesas. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório EPE EMPRESA PRODUTORA DE ENERGIA LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração de fls. 133 a 136, para formalização da exigência e da determinação de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor total de R$ 3.643.072,59, decorrente da constatação de apuração equivocada da base de cálculo da Contribuição. De acordo com o Termo de Descrição do Fatos e Enquadramento Legal, anexo ao AI, o autuado excluiu da base de cálculo reembolso de despesas pago por Fumas e receitas financeiras e decorrentes de variação cambial. Em impugnação, fls, 223 a 232, o autuado argúi nulidade por cerceamento de defesa, decadência e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição. Especificamente quanto às receitas referentes a março, explica que já teriam sido tributadas em janeiro, uma vez que a observara o regime de competência para o reconhecimento da receita, enquanto que a Fiscalização adotou o regime de caixa. Quanto ao reembolso de despesas pago por Fumas, afirma que não compõe a base de cálculo da Cofins porque não representa Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10183.002980/200712 Acórdão n.º 3402002.688 S3C4T2 Fl. 346 3 acréscimo patrimonial. Alega ainda que, para os meses de julho, outubro, novembro e dezembro, as receitas tributadas no auto de infração e compensação da Cofins do mês com valores pagos indevidamente em períodos anteriores.Tachou de inconstitucional a multa aplicada. A 2ª Turma da DRJ/CGE julgou a impugnação parcialmente procedente, apenas para extirpar do lançamento os períodos de apuração alcançados pelos efeitos da decadência. O Acórdão nº 0419.776, de 5 de março de 2010, fls. 254 a 260, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS A FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O auto de infração deve conter descrição clara e sucinta dos fatos imputados ao contribuinte e o correto enquadramento legal, sendo desnecessária a entrega ao autuado de cópia de todos os elementos de prova constantes dos autos. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. EFICÁCIA RESTRITA AS PARTES. A declaração de inconstitucionalidade de lei pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso de constitucionalidade, tem eficácia restrita às partes. DECADÊNCIA._ TRIBUTO. _ LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. A decadência do direito de constituir o crédito tributário ocorre em cinco contados do fato gerador, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que tenha havido antecipação do pagamento, na forma do caput do art. 150 do CTN. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/CGE. O arrazoado de fls. 267 a 285, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as argüições de nulidade e de inconstitucionalidade da base de cálculo da Cofins, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 promovida pelo § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1998. Requer que sejam excluídos do Auto de Infração os montantes de : R§ 405.129.13 do fato gerador de 31/07/2002 e R$ 35.415,66 do fato gerador de 31/12/2002, vez que tais valores consubstanciam receitas financeiras, estranhas ao fato gerador da Cofins, não passíveis de tributação. Quanto aos valores recebidos de FURNAS, devidamente contabilizados na escrita fiscal da Recorrente, afirma que não são alcançados pela norma de incidência da Contribuição porque consubstanciam reembolsos da Cofins relativa à majoração da alíquota de 2% para 3% e à incidência de 0,38% de CPMF, que não estavam originalmente incluídos na tarifa pactuada quando da composição do preço da energia a ser comercializada. Sendo assim, tais valores constituíramse em meras recomposições patrimoniais. Requer que sejam excluídos do auto de infração os seguintes valores: R$ 21.412,28 fato gerador 31/10/2002 e R$ 1.271,53 fato gerador 30/11/2002. Insiste também na validade da compensação efetuada, em 15/08/2002, com créditos próprios, devidamente escriturada e demonstrada na conta 112.412.101012 COFINS A COMPENSAR e consentânea com a legislação então vigente. Conclui, repetindo a arguição de inconstitucionalidade da multa aplicada. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 267 a 285 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCGE2ª Turma nº 0419.776, de 5 de março de 2010. Preliminar de nulidade A arguição referese à insuficiência descritiva dos fatos e dos valores relacionados com a autuação, que teria obstruído a defesa. Não vislumbrei qualquer prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa. Se ele ocorreu, o recurso não o demonstrou. Ao contrário, as razões opostas ao lançamento demonstram que o recorrente tem amplo e profundo conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Ademais, o Auto de Infração preencheu todos os requisitos formais elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Rejeito a preliminar. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10183.002980/200712 Acórdão n.º 3402002.688 S3C4T2 Fl. 347 5 Mérito – inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições sociais O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das Contribuições Sociais, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nºº 9.718, de 1998. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: Recurso. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteração introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 Além do mais, em consonância com o entendimento do STF, a Lei nº 11.941, de 2009 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em conseqüência, excluamse da base de cálculo da Contribuição o valor das receitas financeiras (nelas incluídas as variação cambiais, ex vi o art. 13 do Regulamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, aprovado pelo Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002). Mérito – tributação do reembolso de despesas Conforme recém exposto, o § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1998, foi declarado inconstitucional. Remanescem vigentes as disposições dos arts. 2° e 3°: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10183.002980/200712 Acórdão n.º 3402002.688 S3C4T2 Fl. 348 7 A Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, a seu turno, definiu que as devoluções de despesas compõem a receita operacional bruto (art. 40): Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Nesse contexto normativo, não há como admitir a possibilidade de exclusão da base de cálculo da Contribuição do valor dos reembolsos de Cofins e de CPMF alegadamente pagos por Furnas já que a natureza jurídica dos valores reembolsados pela contratante dos serviços é efetivamente de receita da recorrente. A Cofins incide sobre o total do faturamento, não havendo nas leis que regulam a exigência dessa Contribuição norma que excepcione o chamado “reembolso de despesas”. No caso, o faturamento da contribuinte é o valor pelo qual foi contratado o fornecimento de energia. Nesse valor, por óbvio, estão presentes todos os custos e despesas incorridos pela ora recorrente, inclusive com tributos. Tal prática não difere, por exemplo, da compra e venda de mercadoria, onde o custo da aquisição e demais despesas estão incluídos no preço de venda. Mérito – exceção de compensação da Cofins lançada para os meses de julho, outubro, novembro e dezembro A alegação de compensação dos valores lançados, por via oblíqua, acaba por reconhecer a existência dos débitos. É conveniente lembrar que, à época, ainda não vigia a sistemática declaratória atual para as compensações. A compensação, como forma de extinção de crédito tributário, regiase pelo art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 2001, que assim dispunha (redação dada pela Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995): Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em sendo assim, a compensação realizada pelo contribuinte estaria apenas sujeita à posterior homologação pelo Fisco. De acordo com a Primeira Seção do STJ1: "Ao invés de antecipar o pagamento do tributo, o contribuinte registra na escrita fiscal o credito oponível à Fazenda Pública, recolhendo apenas o saldo eventualmente devido. A homologação subseqüente, se for o caso, correspondente à constituição do crédito tributário que, nessa modalidade de lançamento fiscal, se extingue concomitantemente pelo efeito de pagamento que isso implica." (STJ, 1a Seção, Embargos de Divergência no REsp n° 78.301/BA, j. em 11.12.1997, RSTJ 96/46) Sob a autorização do § 4º, recém transcrito, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, que assim regulamentou a compensação entre tributos de mesma espécie: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. § 1º A parcela do débito excedente ao crédito utilizado na compensação, que não for paga até o vencimento do prazo estabelecido na legislação para o seu pagamento, ficará sujeita à incidência de juros e multa. § 2º Os créditos relativos a imposto de renda de pessoa física, apurado em declaração de rendimentos, sujeita à restituição automática, não poderão ser utilizados para compensação. § 3º Se a pessoa jurídica pretender compensar créditos em relação aos quais houver ingressado com pedido de restituição, pendente de decisão administrativa, deverá, previamente, manifestar, por escrito, desistência do pedido formulado. § 4º As receitas classificadas sob os códigos 1800 (IRPJ FINOR), 1825 (IRPJ FINAM) e 1838 (IRPJ FUNRES) 1 Neste precedente, o STJ reconheceu a compensabilidade da COFINS com o FINSOCIAL indevidamente pago até 01.04.1992, dies a quo da eficácia da Lei Complementar n° 70/91, instituidora da COFINS (os indébitos são referentes à inconstitucional majoração da alíquota originária da extinta exação, que era de 0,5%, nos termos do declarado pelo STF no RE n° 150.7641/PE). Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10183.002980/200712 Acórdão n.º 3402002.688 S3C4T2 Fl. 349 9 poderão ser compensadas com o imposto de renda classificado sob os códigos 0220, 1599 ou 3373. § 5º O crédito referente ao código 2160 (IPI RESSARCIMENTO DE SELOS DE CIGARROS) ou ao código 4028 (IOF OURO), somente admitirá ser compensado, cada um, com débito do mesmo código. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Em síntese, a compensação de tributos da mesma espécie, na sistemática da INSRF nº 21, de 1997, independia de prévio requerimento do contribuinte à autoridade administrativa. As exceções contidas na referida instrução normativa são (a) utilização de crédito decorrente de sentença judicial, que deveria atender ao disposto no art. 17 da INSRF nº 21, de 1997, e (b) compensação com débitos de tributos anteriores aos do crédito, em que, nos termos do art. 14, §7°, deveria ser formalizado pedido de restituição, acompanhado do pedido de compensação. Inobstante a desnecessidade de qualquer procedimento prévio à compensação, o contribuinte deveria noticiála ao Fisco informandoa na DCTF respectiva. No caso concreto, o contribuinte, ora recorrente, não tomou essa iniciativa, razão pela qual a compensação não pode ser oposta ao lançamento. Mérito – inconstitucionalidade da multa de lançamento de ofício Quanto às alegações de que a multa teria caráter confiscatório e afrontaria o princípio da razoabilidade, enfrentálos implicaria a possibilidade de reconhecimento da inconstitucionalidade da exação, o que, em sede de julgamento administrativo, não se admite. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusões Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir as receitas financeiras e de variação cambial da base de cálculo do lançamento. Sala de sessões, em 26 de fevereiro de 2015 Voto Vencedor Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, redator designado Apensar de ter acompanhado o Ilustre Relator em praticamente todos os pontos deste julgamento, na parte relativa aos reembolsos de valores recebidos pela Recorrente de FURNAS, não pude concordar, razão pela qual me foi destacada a honrosa tarefa de expressar a vontade da maioria deste Colegiado no caso em questão. Para melhor visualizar a situação, transcrevo parte do Relatório elaborado neste Acórdão: Quanto aos valores recebidos de FURNAS, devidamente contabilizados na escrita fiscal da Recorrente, afirma que não são alcançados pela norma de incidência da Contribuição porque consubstanciam reembolsos da Cofins relativa à majoração da alíquota de 2% para 3% e à incidência de 0,38% de CPMF, que não estavam originalmente incluídos na tarifa pactuada quando da composição do preço da energia a ser comercializada. Sendo assim, tais valores constituíramse em meras recomposições patrimoniais. Requer que sejam excluídos do auto de infração os seguintes valores: R$ 21.412,28 fato gerador 31/10/2002 e R$ 1.271,53 fato gerador 30/11/2002. Com efeito, restou claro para a maioria do Colegiado, que os valores acima não revestemse da natureza de faturamento, embora possa ser caracterizado como uma receita, para uns, ou como recomposição de custos, para outros (dentre os quais me afilio). De todo modo, não sendo faturamento, não se amolda à permissibilidade de tributação que restou decidida após julgamento do Plenário do STF sobre o “alargamento da base de cálculo” das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, no âmbito da Lei nº 9.718/98, já transcrita pelo I. Relator, neste mesmo voto. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso em maior extensão, para determinar também a exclusão do lançamento, dos valores atinentes aos reembolsos de valores egressos de Furnas. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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