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Numero do processo: 10120.004311/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO CONTUMAZ DE DECLARAÇÕES OBRIGATÓRIAS. EXPRESSIVA RECEITA DA ATIVIDADE OCULTADA DO FISCO. SONEGAÇÃO. A omissão total de expressivo volume de receita da atividade, reconhecida nos livros fiscais estaduais, associada à conduta de nada declarar ao Fisco Federal, evidencia sonegação e autoriza a qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 1101-000.816
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, vencidos o Conselheiro relator
Benedicto Celso Benício Júnior e o Conselheiro Manoel Mota Fonseca, que davam parcial provimento ao recurso. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadasmente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota Fonseca, e o
Conselheiro José Ricardo Silva, substituído pelo Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO CONTUMAZ DE DECLARAÇÕES OBRIGATÓRIAS. EXPRESSIVA RECEITA DA ATIVIDADE OCULTADA DO FISCO. SONEGAÇÃO. A omissão total de expressivo volume de receita da atividade, reconhecida nos livros fiscais estaduais, associada à conduta de nada declarar ao Fisco Federal, evidencia sonegação e autoriza a qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, vencidos o Conselheirorelator Benedicto Celso Benício Júnior e o Conselheiro Manoel Mota Fonseca, que davam parcial provimento ao recurso. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausentes, justificadasmente, a Conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 43 11 /2 00 8- 09 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 2 Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Manoel Mota Fonseca, e o Conselheiro José Ricardo Silva, substituído pelo Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foram lavrados os autos de infração de fls. 17/33, tendentes a formalizar o crédito tributário adiante discriminado, relativo ao anocalendário de 2005, incluindo juros de mora calculados até 29.02.2008 e multa proporcional qualificada, à taxa de 150% (cento e cinquenta por cento), no total de R$ 2.672.120,97 (dois milhões, seiscentos e setenta e dois mil, cento e vinte reais e noventa e sete centavos): Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) R$ 1.821.813,70 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) R$ 850.307,27 Segundo a descrição dos fatos contida nos autos de infração, complementada pelo termo lavrado às fls. 20/22, os lançamentos decorreram de procedimento fiscal que efetuou o arbitramento do lucro do sujeito passivo, com Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10120.004311/200809 Acórdão n.º 1101000.816 S1C1T1 Fl. 3 3 fundamento no artigo 530, inciso III, do RIR/1999, a partir da receita bruta conhecida, coligida dos Livros de Apuração do ICMS. Diante do fato de a sociedade, apesar de em atividade, não ter efetuado nenhum recolhimento, no curso do anocalendário, nem apresentado qualquer declaração à RFB (DIPJ, DACON ou DCTF), foi averiguada a prática de infração de sonegação, tal como definida pelo artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Por isso, foi aplicada multa punitiva qualificada, prevista no artigo 957, inciso II, do RIR/1999. Em virtude de configurar a conduta do sujeito passivo, em tese, crime contra a ordem tributária, definido pelo artigo 1° da Lei nº 8.137/1990, foi formalizada representação fiscal para fins penais, autuada no processo etiquetado sob o nº 10120.004310/200856, em apenso. Cientificado das exigências por via postal, em 07.04.2008 (AR colado à fl. 68), o contribuinte postou, em 07.05.2008 (fl. 211), as petições impugnativas acostadas às fls. 74/113 (IRPJ) e 153/192 (CSLL), controvertendo o feito fiscal, por via dos argumentos a seguir sumariados: i) há nulidade dos autos de infração, por não observância dos requisitos mínimos da legislação que regra o processo administrativo, bem como por desrespeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; ii) é impossível o ajuizamento de ação criminal, antes do exaurimento da via administrativa; iii) é ilegal a multa cominada, por confiscatória; iv) é também ilegal a aplicação da taxa Selic a título de juros de mora; e v) por fim, é ilídima a cobrança simultânea de multa moratória e de juros moratórios. As petições iniciais foram aditadas (fls. 214 e ss.), com a finalidade de se apresentar instrumento de procuração, instrumento contratual e alterações e, ainda, retificação quanto à identificação da então impugnante. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, ao analisar as impugnações protocolizadas, houve por bem indeferilas, forte em considerações assim ementadas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 4 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. Reputase válido o auto de infração que contem todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, descrevendo os fatos de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não são detentores de competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Ao lançamento da CSLL aplicase ao decidido em relação ao IRPJ, formalizado a partir da mesma matéria fática. Lançamento Procedente” Cientificado desse aresto em 01.09.2008 (fl. 251), o contribuinte, inconformado com os lançamentos, interpôs, em 17.09.2008, o Recurso Voluntário de fls. 252/260, mediante o qual se aduziram ilações similares àquelas erigidas na seara impugnatória, concernentes à inconstitucionalidade da penalidade oficiosa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de autos de infração lavrados mediante arbitramento do lucro exacionável, a teor do artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000/1999, frente à não Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10120.004311/200809 Acórdão n.º 1101000.816 S1C1T1 Fl. 4 5 apresentação, pelo sujeito passivo, depois de sucessivas intimações, dos livros contábilfiscais obrigatórios. Na seara recursal, o interessado se limitou, basicamente, a tecer argumentos voltados a caracterizar a multa de ofício aplicada, equivalente a 150% (cento e cinquenta por cento) do principal, como confiscatória. Não há motivos, obviamente, para se acolher tal demanda. Como bem sabem os que operam na seara administrativa fiscal, este colegiado não é competente para analisar a constitucionalidade da legislação. A penalidade cominada tem arrimo no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, de maneira a se fazer plenamente cabível, à espécie, o disposto pela Súmula CARF nº 02, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Isso não significa, entretanto, que não possamos, ex officio, analisar a pertinência da qualificação da sanção impingida, mediante estudo da real subsunção do cenário fático ao tipo impositivo. A esse respeito, parecenos que as conclusões fazendárias, embora suficientes a determinar o arbitramento do lucro e a formalização das exigências em cobro, não são aptas a fazer crer pela ocorrência de sonegação – tipo penal essencial à majoração comentada, delineado pelo artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Com efeito, a leitura da motivação apresentada pela Fiscalização, declinada na “Descrição dos Fatos” (fl. 21), deixa evidente que a qualificação da penalidade derivou, exclusivamente, da constatação da omissão de receitas, cumulada com a reiterada não entrega de quaisquer livros ou declarações obrigatórias: “No curso desta Ação Fiscal, ficou demonstrado fato que, em tese, configuram Crime contra a Ordem Tributária definido pelo art. 1° da Lei 8.137/90, a seguir transcrito, pois apesar da empresa estar em atividade, auferindo receitas, conforme registrado em seus livros fiscais, não apresentou para RFB sua DIPJ, DACON e nem mesmo DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). (...) Será a multa qualificada nos casos previstos no art. 957 do RIR/2005, abaixo transcrito: (...)” (g.n.) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 6 Não houve, como é fácil concluir, levantamento de qualquer outra circunstância que demonstrasse, efetivamente, comportamento sonegatório gravoso. Apenas se apurou a contumaz omissão de receitas. Ora, é cediço, nesse conselho, que a mera omissão de receitas não autoriza, por si só, a dobra da multa de ofício, sendo imperioso, para tal desiderato, a comprovação cabal e indubitável de evidente intuito de fraude. Isso é o que dispõe, aliás, outra das Súmulas do CARF, a de nº 14, tamanha a certeza que temos sobre o assunto: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, a fim de reduzir a multa de ofício imposta, de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75 % (setenta e cinco por cento) do principal constituído. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa o entendimento majoritário desta Turma de Julgamento, contrário ao afastamento da multa qualificada. Disse o I. Relator que as conclusões fazendárias não são aptas a fazer crer pela ocorrência de sonegação – tipo penal essencial à majoração comentada, delineado pelo artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, por derivar, exclusivamente, da constatação da omissão de receitas, cumulada com a reiterada não entrega de quaisquer livros ou declarações obrigatórias. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10120.004311/200809 Acórdão n.º 1101000.816 S1C1T1 Fl. 5 7 Todavia, a omissão de receitas está provada por informações obtidas junto à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás, reproduzidas em Livros de Registro de Apuração do ICMS, que atestam vendas no período fiscalizado no expressivo montante de R$ 27.614.448,00. Ou seja, como dito pela Fiscalização, apesar da empresa estar em atividade, auferindo receitas, conforme registrado em seus livros fiscais, não apresentou qualquer declaração à Receita Federal, bem como não recolheu os tributos devidos, ensejando o presente lançamento. Diante deste contexto, não há outra conclusão possível, mormente ante a ausência de qualquer justificativa nas defesas apresentadas, de que a contribuinte praticou reiteradamente fatos jurídicos tributáveis, mas optou por ocultar sua existência, deixando de apresentar declarações ao Fisco e de recolher os tributos que sabia devidos. Daí o evidente intuito de fraude definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, no sentido de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, para que o agente não seja compelido, assim, a recolher os tributos devidos em razão da atividade econômica por ele exercida. A aplicação da Súmula CARF nº 14 tem lugar frente a contribuintes que se portam regularmente e, eventualmente, omitem receitas ou rendimentos. Em tais condições, a possibilidade de erro ou a divergência de interpretação não permitem concluir, como aqui, que a autuada tinha a intenção de deixar de recolher tributos. Não se trata, pois, de exigir necessariamente uma conduta complementar para qualificação da penalidade, mas sim definir os contornos da situação na qual a omissão de receitas é constatada. Ante o volume de receitas omitidas, e considerando a conduta completamente omissiva da contribuinte, associandose falta de recolhimento de tributos a falta de apresentação de declarações, correto afirmar que houve sonegação. Por estas razões, e acompanhando no mais o que exposto pelo I. Relator, este voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZE S, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729375/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 93 75 /2 01 4- 39 Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10580.729375/201439 Acórdão n.º 2402007.011 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10580.729375/201439 Acórdão n.º 2402007.011 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10580.729375/201439 Acórdão n.º 2402007.011 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.011928/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/08/2005, 12/09/2005, 18/10/2005, 03/02/2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA
A existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade.
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
A ausência de motivação enseja a nulidade do auto de infração por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado. Isso porque, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do fato tributário, configurando-se como vício de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
Numero da decisão: 9303-008.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/08/2005, 12/09/2005, 18/10/2005, 03/02/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA A existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência de motivação enseja a nulidade do auto de infração por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado. Isso porque, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do fato tributário, configurando-se como vício de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA A existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência de motivação enseja a nulidade do auto de infração por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado. Isso porque, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do fato tributário, configurandose como vício de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 19 28 /2 00 9- 86 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 694 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3402003.657, que possui a seguinte ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/08/2005, 12/09/2005, 18/10/2005, 03/02/2006 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O Auto de Infração é nulo por faltar informações essenciais à verificação da legitimidade das provas trazidas aos presentes autos que respaldaram a autuação, em preterimento ao direito de defesa (art. 5º,LV, da Constituição Federal, art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/99 e art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72). Esta nulidade material macula integralmente o presente processo administrativo, vez que existente desde sua origem. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DA FORMALIDADE PRÉVIA PARA A CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É necessária a prévia verificação pela fiscalização da impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo ou transferência a terceiros, para a aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento (art. 73 da Lei nº 10.833/2003 e art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/1976). É nulo o Auto de Infração lavrado em dissonância com a legislação aplicável, sem a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (art. 2º, parágrafo único, VIII e art. 53 da Lei nº 9.784/99). Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, visando ao esclarecimento sobre a natureza do vício, material ou formal, que motivou a decisão pela nulidade do auto de infração, mas não foram admitidos. No recurso especial, a Recorrente aduz divergência de interpretação da legislação tributária no tocante a três matérias: 1 – cerceamento do direito de defesa; 2 – natureza do vício; e 3 – vedação ao CARF para definir a natureza do vício. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 695 3 O juízo de admissibilidade, ás efls. 660665, deu seguimento parcial ao recurso em relação as seguintes matérias: 1 – cerceamento do direito de defesa; e 2 – natureza do vício. A Contribuinte apresentou minuta de Contrarrazões, ás efls. 677685, requer a improcedência do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, devendo o acórdão recorrido ser mantido na intergra. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de auto de infração para a exigência de tributos de comércio exterior, relativos a importações realizadas nos anos de 2005 e 2006, com fundamento no recolhimento insuficiente de tributos e na apresentação de documentos falsos para amparar o desembaraço dos bens. O auto de infração foi lavrado a partir de representação realizada pela Alfândega de Santos, após fiscalização realizada em uma comissária de despachos que prestou o serviço de desembaraço aduaneiro para a empresa autuada. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário, para anular o lançamento por vício material. Cerceamento do Direito de Defesa Com efeito, para a recorrente, a jurisprudência tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Contudo, entendo que assiste razão a Recorrente, ao analisar na integra os presentes autos, repitase todas as laudas, observase que a Contribuinte foi cientificada de todas as acusações imputadas pela Autoridade Fiscal, tais como: descrição dos fatos, infração imputada, bases legais do tributo, correção monetária, da multa de ofício, dos juros de mora, ás efls. Confirase: "LOXON COMERCIAL LTDA é empresa situada na rua Solon, n° 251 — bairroBom Retiro, cidade de São Paulo/SP, inscrita no CNPJ/MF sob no Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 696 4 04.243.918/000112, tendo como atividade cadastrada "comércio atacadista de equipamentos eartigos..." — CNAE 4649401. Conforme consulta no Sistema da RFB, a sociedade é composta, na proporção de 1,00%, pelo sócio Aurélio Vieira de Gouveia, inscrito no CPF/MF sobno 011.627.76889, residente na Rua Mário dos Anjos n° 45, Bairro Imirim, Cep:02467062, Município de São Paulo, Estado de sac) Paulo e na proporção de 99% pela sócia Derrywest Sociedad Anonima, qualificado como pessoa jurídica do exterior. Em 10/08/2009 o Dossiê N° 110/2009, foi distribuído para mim. Em 12/08/2009 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal N° 08155002009 022600, conforme fl. 02. A fim de obter informações acerca da documentação retromencionada foram enviadas A Empresa e ao SócioAdministrador o Termo de Inicio de Ação Fiscal e Termo de Intimação solicitando as faturas das Declarações de Importações fruto da Representação. O termo de inicio de ação fiscal e a intimação fiscal foram somente recebidas, quando enviadas ao SócioAdministrador, a empresa retornaramse como mudouse. (fls. 03 a 06) A empresa apresentou a documentação solicitada em 14/09/2009, sendo que foram extraídas cópias e as originais foram anexadas A Representação para Fins Penais (fls. 293 a 389). A entrega a esta fiscalização, através da "Operação Pinóquio", de mais de uma fatura comercial com o mesmo número, e a documentação entregue pelo próprio contribuinte, contendo alterações nas descrições e/ou valores constituem provas materiais de que ocorreu a construção das faturas no Brasil. Com isso, constato nesta fiscalização a falsidade formal e material das faturas comerciais, oportunizada, dentre outras irregularidades apontadas, por meio de ajustes maléficos ao Erário, oportunizando não só a declaração de prego adjeto para as mercadorias importadas, como também a errônea discriminação destas. Concluímos então, que os pregos constantes na faturas comerciais, utilizadas como documentos, não representam o valor de negociação estabelecido entre as partes, importador e exportador, o que caracteriza a falsidade ideológica deste documento. Ao inserir valores aviltados em documento necessário ao despacho aduaneiro o importador cometeu fraude de valor alterando a base de cálculo dos tributos incidentes na importação. Temse, portanto, falsidade ideológica documento necessário ao despacho aduaneiro, infração punível com pena de perdimento das mercadorias Regulamento Aduaneiro, Decreto n°4.543, de 26/12/2002, Art. 618, Inciso VI. (...) VI — Penalidades e Enquadramentos Legais Por todo o exposto, propõese aplicação da PENA DE PERDIMENTO DAS Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 697 5 MERCADORIAS, por uso de documento falso necessário ao desembaraço , mediante fraude ou simulação, conforme previsto no Regulamento Aduaneiro art. 618, incisos VI. Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei n P 37, de 1966, art. 105, e Decretolei ri2 1.455, de 1976, art. 23 e § .1 2, com a redação dada pela Medida Provisória n P 66, de 2002, art. 59): VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado;" ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 23, inciso IV, e parágrafo 10, do Decreto Lei no 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02, regulamentado pelo art. 604, inciso ll e 618, incisos inciso VI, do Decreto no 4.543/02, arts. 94, 95, 96, inciso II, 111 e 113 do DecretoLei n° 37/66; art.23, 25 e 27 do DecretoLei n° 1.455/76, regulamentados pelos arts. 602, 603, 604, inciso II, 615, 616, 627 e 690 do Decreto n° 4.543/02. Art. 71, 72 e 73 da Lei N° 4.502, de 1964 e art. 84 da Medida Provisória N° 2.15835, de 2001. Art. 1° inciso Ill § 4° do Decreto Lei N° 37/66. (...). Esses fatos, seriam suficientes para afastar a nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que como mencionado foram identificadas supostas práticas de falsificação de documentos com o escopo de subfaturar o valores de bens importados pela Contribuinte. Ademais, não bastasse o fato acima, a Contribuinte apresentou impugnação demonstrando total conhecimento das acusações imputadas pela Autoridade Fiscal, em que pese o trabalho fiscal não fundamentar no Auto de Infração como obteve a prova dos documentos indiciários do suposto ilícito. Ressalto que a Contribuinte, em sua peça impugnatória, não reclamou de ter seu direito de defesa cerceado (Impugnação efls 455469), por sua vez, a decisão recorrida, em seu decisum, desorganizado e confuso, redige a seguinte ementa: NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. O Auto de Infração é nulo por faltar informações essenciais à verificação da legitimidade das provas trazidas aos presentes autos que respaldaram a autuação, em preterimento ao direito de defesa (art. 5º, LV, da Constituição Federal, art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/99 e art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72). Esta nulidade material macula integralmente o presente processo administrativo, vez que existente desde sua origem. Em suas razões de decidir fundamenta o seguinte: Com isso, com razão a Recorrente ao pleitear a nulidade do Auto de Infração, por ter sido claramente prejudicada no exercício do contraditório e da ampla defesa, em contrariedade ao art. 5º, LV, da Constituição Federal1 e art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/99. Não se está aqui afastando a possibilidade de utilização de prova emprestada,cuja utilização é perfeitamente válida no processo administrativo fiscal, Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 698 6 em especial à luz do art. 24 do Decreto 7.574/2011, que admite "todos os meios de prova admitidos em direito" para comprovar a verdade dos fatos. Entretanto, a validade quanto ao uso da prova emprestada no processo administrativo deve observar o contraditório, à luz do art. 372 do Código de Processo Civil/2015, aplicado aqui subsidiariamente na forma do art. 15 daquele mesmo diploma legal No presente caso, não tendo sido oportunizado à Recorrente verificar a origem da coleta dos documentos que foram considerados essenciais pela fiscalização para a lavratura do auto de infração, vez que sem qualquer referência ao número de processo administrativo ou criminal onde teriam sido obtidas, ela foi tolhida do seu direito ao contraditório e à ampla defesa no presente processo, em especial quanto à verificação da licitude da prova aqui apresentada, na forma exigida no já mencionado art. 24 do Decreto n.º 7.574/2011. Desta forma, por faltar informações essenciais à verificação da legitimidade das provas trazidas aos presentes autos que respaldaram a autuação, entendo que o Auto de Infração é nulo3, na forma do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/724, por ter preterido o direito de defesa da Recorrente. Esta nulidade material macula integralmente o presente processo administrativo, vez que existente desde sua origem. Além deste vício na documentação/informações suporte do Auto de Infração, vislumbrase ainda outro vício que macula integralmente a autuação: o descumprimento da formalidade prévia para a conversão da pena de perdimento em multa, vez que não confirmado originariamente pela fiscalização a impossibilidade de apreensão da mercadoria". Sem embargo, a redação da decisão recorrida na busca insana de anular o auto de infração, se equivoca quanto as razões de decidir, emergindose em uma discussão entre nulidade quanto ao cerceamento do direito de defesa e o vício contido na fundamentação do Auto de Infração, por sua vez, o trabalho fiscal também não fez seu trabalho de modo correto, deveria fundamentar e instruir ação fiscal com todos os elementos contidos na acusação. Nesta E. Câmara Superior julgamos questões de direito, esperase que a instrução processual seja adequada, para que se obtenha uma decisão correta e imparcial. Na espécie, nos dizeres do Ilustre ex Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, "tratase de aplicação do princípio da instrumentalidade das formas, que afirma que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes não se declara sua nulidade1". Como o direito a ampla defesa da Contribuinte não foi prejudicado, era ciente das acusações, se defendeu da maneira em que foi instruída a ação fiscal, repitase carente de motivação, não vislumbro cerceamento do direito de defesa. 1 Acórdão nº 9303003.371, julgado em 11/12/2015 Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 699 7 Qualificação do vício do lançamento Observase que os fatos analisados no acórdão recorrido, nas conclusões do voto condutor, que se dá provimento ao recurso voluntário em razão da nulidade do lançamento e do processo administrativo pelos vícios materiais encontrados – falta de informações essenciais à verificação da legitimidade das provas e falta de prévia intimação para apresentação das mercadorias sujeitas à perdimento. Esses vícios relacionamse, na primeira situação, com a descrição/comprovação do fato gerador e, na segunda situação, com um problema em procedimento prévio ao lançamento. Quanto aos paradigmas, apontam para um lançamento no qual se utilizou fundamentação legal incorreta, de tributo diverso, configurando erro na motivação do ato. A falta de motivação do ato administrativo é entendida, conforme consta da ementa, descrição imprecisa dos fatos. O acórdão paradigma nº 20309.332, trata de vício que se relaciona com a caracterização do fato gerador e que gerou nulidade por vício formal. Com efeito, o lançamento carente de motivação válida é nulo por vício material. A doutrina bem elucida a questão referente aos pressupostos de motivação do lançamento, merecendo a transcrição dos seguintes excertos: A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...). De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez, sustentam que: (...) a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação 2 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 700 8 do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 3. Como visto, para se formalizar o Auto de Infração, se faz necessário obedecer os seguintes requisitos: (i) necessária subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, à hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; (ii) a descrição dos fatos é elemento fundamental do material probatório; (iii) as conclusões do auto de infração devem estar juridicamente validadas. Tais requisitos, vão ao encontro do que dispõe o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sem embargo, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de PROVAS e, por conseguinte, desprovido de motivo/motivação. Recorrendo à literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 4. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa. Celso Antônio Bandeira de Mello5, leciona que o motivo “é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. Dessa forma, não se está diante de mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas 3 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. 4 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 5 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 701 9 de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Leandro Paulsen, aborda a matéria no mesmo sentido, in verbis: Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei. 6 Aqui, também, se discriminam os requisitos configuradores dos vícios formal e material; aquele atinente ao procedimento e ao documento e este relativo à validade da aplicação da norma tributária (que pressupõe a sustentação em provas). Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 do CTN abarcam os elementos essenciais à sua constituição, cuja ausência, ainda que apenas de um deles, acarreta a invalidade da autuação e não a mera anulação por vício formal. No sentido de que a ausência de motivação acarreta a nulidade do auto de infração por vício material, há vários precedentes do CARF: Acórdão n° 9303004.583, Relator Rodrigo da Costa Pôssas AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão n° 3301004.178, Relatora Semíramis de Oliveira Duro AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência da descrição completa dos motivos que levaram a autoridade fiscal a lavrar o lançamento constitui causa de nulidade, caracterizandose como vício material. Portanto, a ausência de motivação e de provas alcança a própria substância do fato tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal do lançamento. 6 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10314.011928/200986 Acórdão n.º 9303008.380 CSRFT3 Fl. 702 10 Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.005194/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA
Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69.
Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo".
Numero da decisão: 2401-006.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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NULIDADE INEXISTÊNCIA Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. SÚMULA CARF Nº 69. Matéria objeto da Súmula CARF nº 69: "a falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 51 94 /2 00 8- 13 Fl. 170DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA) que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento formalizado pelo Auto de Infração, mantendo a multa regulamentar exigida, conforme ementa do Acórdão nº 0922.714 (fls. 73/76): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE. MOTIVOS. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes o instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIRPF. A falta de apresentação da declaração de rendimentos sujeita a pessoa física à multa de mora de um por cento ao mês, ou fração, calculada sobre o imposto de renda devido, limitada a vinte por cento. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 03/07), lavrado contra a Contribuinte em 25/11/2008, relativo ao exercício 2006, decorrente da falta de entrega da DIRPF, referente ao anocalendário de 2005, no qual é exigido o recolhimento da Multa Regulamentar no valor de R$ 51.836,36, não passível de redução. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 08/20): 1. A Ação Fiscal foi motivada pelo fato da Contribuinte ter mantido conta corrente conjunta, no anocalendário de 2005, com seu esposo, João Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10640.005194/200813 Acórdão n.º 2401006.124 S2C4T1 Fl. 3 3 Batista Pires, alvo de fiscalização, em virtude de ter sido omisso na entrega da DIRPF/2006, enquanto dados provenientes da DCPMF Declarações da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira apontavam movimentação bancária no montante de R$ 2.760.382,92; 2. A Contribuinte também foi omissa na entrega da DIRPF/2006 e, mesmo regularmente intimada em duas oportunidades, não prestou quaisquer esclarecimentos, razão pela qual, foi lavrado Auto de Infração, objeto do Processo nº 10640.005047/200843, relativo ao Anocalendário 2005, Exercício 2006, exigindo R$ 259.181,91 de imposto, R$ 583.159,29 de multa proporcional, passível de redução, e R$ 77.702,73 de juros de mora calculados até 31/10/2008, tomandose por base 50% dos depósitos de origem não comprovada na contaconjunta com seu esposo no Banco Bradesco S/A; 3. Também foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais em razão da não entrega da DIRPF/2006, configurando sonegação, nos termos do art. 71, I, da Lei 4.502/64, ensejando a aplicação da multa qualificada de 150%, agravada em 50%, em virtude da inércia da contribuinte frente as intimações da fiscalização; 4. A Multa Regulamentar aplicada, objeto deste processo, resultou da aplicação do percentual de 20% sobre o valor do imposto devido apurado na ação fiscal. A Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração, via Correio, em 11/12/2008 (AR fl. 25) e, em 09/01/2009, apresentou sua Impugnação de fls. 30/44, instruída com os documentos nas fls. 45 a 57. Em 20/02/2009 foi juntado ao Processo cópia do Acórdão nº 0922.713 da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 59/71), que instruiu o Processo nº 10640.005047/200843. O Processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0922.714, em 20/02/2009 a 4ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento formalizado pelo Auto de Infração para exigir do Contribuinte do recolhimento da multa regulamentar no valor de R$ 51.836,38 não passível de redução. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio (AR fl. 79), em 18/03/2009 e, inconformado com a decisão prolatada, em 08/04/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 80/92, instruído com os documentos nas fls. 93 a 120, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade do Auto de Infração lavrado em razão da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário (Item 2.1 fls. 82/84); 2. Que nos Processos Administrativos Fiscais deve ser aplicado o Princípio da Verdade Real ou Material (Item 3.1 fls. 84/85); Fl. 172DF CARF MF 4 3. Sobre a forma de apuração do Imposto de Renda devido feita pela a Fiscalização, que não levou em conta que as despesas apontadas no seu extrato se referem a atividade rural e, portanto, dedutíveis do Imposto de Renda (Item 3.2 fls. 85/85); 4. Que, sendo o Contribuinte produtor rural, o procedimento a ser aplicado na apuração do imposto devido deveria ser o previsto pelo § 2° do artigo 60 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, no lugar do arbitramento preconizado pelo artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000 de 1990 (Item 3.3 fls. 88/91); 5. Que a Base de Cálculo da Multa Regulamentar aplicada não está correta em razão dos argumentos expostos nos tópicos apresentados e que, portanto, ela deve ser reduzida (Item 3.4 fl. 91). Finaliza seu RV requerendo a revisão da Multa Regulamentar aplicada, nos termos da nova Base de Cálculo apurada. Em 12/02/2010 o Contribuinte protocolou um Aditamento à sua defesa de fls. 122/132, instruído com os documentos nas fls. 133 a 166. Neste Aditamento solicita desistência PARCIAL do Recurso Voluntário interposto no presente processo, de forma a possibilitar o parcelamento de que tratam os artigos 1º a 13 da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, da parcela do crédito tributário em discussão considerada incontroversa, pelos motivos de fato e de direito, igualmente aplicados ao Processo Administrativo nº 10640.005048/200898, do qual o presente processo é decorrente, conforme segue abaixo: 1. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL: Solicita o exame dos fatos trazidos pelo Aditamento à luz do que preconiza os Princípios do Informalismo e da Verdade Material, que constituem a base do contencioso administrativo, determinandose as diligências que entendam necessárias ao restabelecimento da verdade; 2. DA ATIVIDADE RURAL: Entende que exerce uma única atividade, qual seja de produtor rural, e que o nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%, e o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual; 3. Considerando que o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural fosse, o IRPF efetivamente devido, compondo a parcela incontroversa a ser apartada para parcelamento, deve ser calculado sobre o valor tributável demonstrado abaixo, com incidência da multa de 112,50% decidida pela autoridade administrativa de 1ª Instância. 4. Da mesma forma, a multa apurada neste Processo, correspondente a 20% do imposto devido, deve ser reduzida para R$ 9.473,80. Finaliza solicitando que seja dado provimento ao Recurso Voluntário na forma do Aditamento e, depois de desmembradas as parcelas não controversas para efeito de parcelamento, seja cancelado o Crédito Tributário recorrido. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10640.005194/200813 Acórdão n.º 2401006.124 S2C4T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Pleiteia a contribuinte a nulidade do auto de infração por inexistência de justa causa para a sua lavratura, tendo em vista a inocorrência de qualquer ilicitude. Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular nos moldes insculpidos na legislação tributária. Não cabe ao CARF o pronunciamento sobre questões relativas à inconstitucionalidade, conforme verbete da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não procede as alegações de nulidade do auto de infração. Fl. 174DF CARF MF 6 Mérito O presente lançamento trata de multa por falta de entrega da DIRPF, correspondente a 20% do imposto devido apurado na ação fiscal. Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte se insurge contra diversos aspectos relacionados ao Processo n° 10640.005048/200898, decorrente de ação fiscal relativa à movimentação financeira incompatível, alega que ocorreu erro na base de cálculo, sem trazer razões especificas contra o lançamento da multa regulamentar por falta de entrega da declaração. Em nenhum momento a contribuinte nega que deixou de entregar a declaração de rendimento correspondente ao anocalendário 2005. Pois bem. A previsão legal para a imposição da penalidade tem sede no art. 88, I da Lei nº 8.981/1995 e do art. 27 da Lei nº 9.532/1997, a seguir transcritos: Lei n.º 8.981/1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º. O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. Lei n.º 9.532/1997 Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Destaquese ainda os termos estabelecidos na Súmula CARF nº 69: A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. Assim, não há reparos a serem feitos no lançamento, devendo ser mantida a exigência fiscal. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10640.005194/200813 Acórdão n.º 2401006.124 S2C4T1 Fl. 5 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares apontadas e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907903/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.910
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 90 3/ 20 16 -0 1 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13896.907903/201601 Resolução nº 3201001.910 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 457DF CARF MF
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Numero do processo: 11817.000164/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008
PROCESSO DE CONSULTA. EFEITOS SOMENTE ENTRE AS PARTES.
Até a edição da IN RFB nº 1396/2013, o processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produzia efeitos exclusivamente entre as partes, consulente e Fisco.
Numero da decisão: 9303-008.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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EFEITOS SOMENTE ENTRE AS PARTES. Até a edição da IN RFB nº 1396/2013, o processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produzia efeitos exclusivamente entre as partes, consulente e Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 64 /2 00 8- 14 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3402 004.892, de 1° de fevereiro de 2018, fls. 335 a 348 ,que possui a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 22/12/2005 a 03/03/2008 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificamse no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n° 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n°s 1 e 6 e Regra Geral Complementar n° 1 da NCM, na medida em que não se amoldam ao conceito de próteses articulares. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO SOB CANAL VERDE. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias quando o seu desembaraço foi submetido ao canal verde de conferência, não constituindo necessariamente tal ato "mudança de critério jurídico". ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 12/97. MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DE OUTRAS PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/97 dispõe sobre a exclusão da penalidade, em determinadas circunstâncias, para a multa administrativa ao controle das importações tipificada no art. 169,1, "b" do Decretolei n° 37/66 (art. 633, II, "a" do Regulamento Aduaneiro/2002) não podendo, à míngua de qualquer norma legal ou infralegal nesse sentido, ser estendido a outras infrações. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO QUALIFICADA. DESCRIÇÃO CORRETA DO PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de ofício não qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, não exige que a conduta da autuada seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja a falta de pagamento do tributo, falta de declaração ou declaração inexata, de forma que a eventual boafé da recorrente ou a Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 4 3 descrição correta do produto na Declaração de Importação não a exime da penalidade. A partir da vigência do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13/2002, publicado em 11.09.2002, não é mais cabível a exclusão da multa de oficio para a "classificação tarifária errônea" nas circunstâncias especificadas no referido Ato Declaratório, que não traz em sua redação essa hipótese, remanescendo a desoneração apenas para as hipóteses de solicitação indevida de benefícios fiscais (imunidade, isenção, redução, preferência tarifária ou ex tarifário) nas mesmas circunstâncias. Recurso voluntário negado Crédito tributário mantido Em seu Recurso, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Para comprovar a divergência jurisprudencial, indica os acórdãos paradigmas nºs 30133.872 e 3301002.653. Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 4º Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, ás (efls. 393397). A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, ás (efls. 399411), requer a inadmissibilidade do Recurso interposto, caso conhecido, seja negado provimento ao apelo, mantendose incólume o acórdão recorrido. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 5 4 Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, em procedimento fiscal de Revisão Aduaneira tendo por objeto importações efetuadas pela Contribuinte apurouse infração relacionada à classificação incorreta de mercadorias na NCM/TEC, então importadas por intermédio das Declarações de Importação DI(s) mencionadas à fl. 40 do Relatório Fiscal. Conseqüentemente, foi lavrado, no dia 06/06/2008, pela fiscalização da Alfândega de Brasília. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, não havia sido formulada pelo Contribuinte, mas para outra pessoa jurídica, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. Por sua vez, a Contribuinte desafia o acórdão recorrido no sentido de divergência referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas o acórdãos nºs 301 33.872 e 3301002.653. Acórdão paradigma nº 30133.872 Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados –IPI Data do fato gerador: 10/01/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TIPI. Temse dos autos que a. "graxa lubrificante" deve ser tipificada na posição 2710.00 "óleo de petróleo ou de minerais betuminosos, excetos óleos brutos, preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, em peso, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento de base", conforme Laudo Técnico e processo de consulta n° 10768.002339/98 46 anexados aos autos. CONSULTA. PROVA EMPRESTADA. É plenamente possível o acolhimento de consulta formulada por terceiro quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de classificação tributária. Considerase, para tanto, o efeito vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação do princípio da isonomia aos contribuintes –Lei nº 4502/64. artigo 76» inciso II, alínea "a". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A decisão paradigmática entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. Acórdão paradigma nº 3301002.653 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 6 5 Já o acórdão paradigma nº 3301002.653, no voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Vejamos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI N° 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o inicio da produção de efeitos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF n° 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9o da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. No tocante à classificação fiscal de mercadorias, esta E. Câmara Superior, no julgamento do acórdão nº 9303007.871, de 21 de janeiro de 2019, de minha relatoria, o Colegiado por unanimidade do votos, firmou entendimento de que se tratando de matéria referente a classificação fiscal, a identidade de mercadorias devem ser idênticas, em que pese a divergência dos acórdãos paradigmas incidirem em uma solução no sentido de que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, o paradigma nº 30133.872, versa sobre classificação fiscal de graxa e consulta fiscal referente a prova emprestada , enquanto que o paradigma nº 3301002.653, trata de retificação de DACON e DCTF, queda evidente a impossibilidade de estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Como se vê, não haverá, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos recorrido e paradigma não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Diante disso, afastase, de imediato, a possibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de entendimentos entre os acórdãos confrontados. Isto porque, na realidade, o dissídio só poderia ser comprovado mediante o paradigma trazido à colação, se o aresto recorrido houvesse apreciado a questão da classificação fiscal de "Próteses mamárias, testiculares e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano" . Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 7 6 Ainda sim, quanto aos efeitos da Consulta fiscal, o acórdão paradigma nº 30133.872, fora julgado em 22 de maio de 2007, sob outros fundamentos, não havia sido editada a IN RFB 1.396/2013. Como visto, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, entendo que o Recurso não atende os pressupostos de admissibilidade. Passo ao exame de mérito. Em que pese ter sido vencido quanto ao Conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a matéria aceita como divergente diz respeito aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Com efeito, quanto aos efeitos da Consulta fiscal, o acórdão paradigma nº 30133.872, fora julgado em 22 de maio de 2007, sob outros fundamentos, não havia sido editada a IN RFB 1.396/2013. Sem embargo, restou consignado em sessão de julgamento, caso vencido negaria provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte pelos fundamentos da decisão recorrida para manter a multa de 1% por cento sobre o valor aduaneiro. Contudo a um óbice a ser vencido: A decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, não havia sido formulada pelo Contribuinte, mas para outra pessoa jurídica, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. Por sua vez, a Contribuinte desafia o acórdão recorrido no sentido de divergência referente aos efeitos da Solução de Consulta formulada antes da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013 admissibilidade aceita pela Colegiado. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 8 7 Compulsando detidamente o voto da decisão recorrida, o relator vencido decidiu quanto "Da classificação das mercadorias em análise e os efeitos da solução de consulta n. 604/2004": 13. O efeito erga omnes pretendido pelo recorrente só passou a ser previsto com o advento da IN RFB n. 1.396/2013, cuja eficácia está limitada as consultas formuladas após o advento de tal instrução normativa, exatamente como estabelecem os artigos 9o e 32 do citado diploma normativo: 14. Nesse sentido, não há que se falar em aplicação do teor da solução de consulta n. 604/2004 para o caso em julgamento Como se vê, a discussão referente aos efeitos da Solução de Consulta nº 604/2004, o relator vencido entendeu que não há o que se falar em sua aplicação. matéria fora de litígio. Contudo, exonerou a multa de 1% sobre o valor aduaneiro por incorreção na classificação fiscal, sendo vencido pela Conselheira designada, que negou provimento ao Recurso Voluntário, para manter a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Por sua vez, o exame de admissibilidade, tratou exclusivamente sobre os efeitos da Solução de Consulta nº 604/2004. Vejamos: decisão recorrida rechaçou a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, porque tal solução não havia sido formulada pelo recorrente, mas para outra pessoa jurídica. Destacou que, à época em que veiculada a sobredita solução de consulta, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. A decisão entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeitovinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. O voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 9 8 seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeito vinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. Como visto, o voto vencedor não tratou sobre os efeitos da solução de consulta, fundamentou o decisão exclusivamente quanto aplicação da multa de 1% por cento, por outro lado, o exame de admissibilidade tratou apenas sobre os efeitos da solução de consulta. Com máxima vênia, encaminho meu voto pelo não conhecimento do Recurso, em razão do exame de admissibilidade estar viciado por erro material, como fui vencido, nego provimento ao Recurso da Contribuinte nos termos do voto vencedor da decisão recorrida, para manter a multa de 1% por cento sobre o valor aduaneiro. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com o devido respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. Com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99, adoto as razões expressadas por mim mesmo no exame de admissibilidade do recurso especial do contribuinte. Transcrevo abaixo dois trechos do despacho, que atestam a minha tese de que houve a comprovação de divergência, pois enquanto o acórdão recorrido negou efeitos à uma solução de consulta, que tratava da mesma situação dos presentes autos, os acórdãos paradigmas reconheceu validade das soluções de consultas dadas a outros contribuintes. (...) A decisão recorrida rechaçou a alegada vinculação da Administração à classificação fiscal emanada da solução de consulta nº 604/2004, porque tal solução não havia sido formulada pelo recorrente, mas para outra pessoa jurídica. Destacou que, à época em que veiculada a sobredita solução de consulta, seus efeitos estavam restritos às partes envolvidas. O Acórdão indicado como paradigma n° 30133.872 está assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 10/01/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TIPI. Temse dos autos que a. "graxa lubrificante" deve ser tipificada na posição 2710.00 "óleo de petróleo ou de minerais betuminosos, excetos óleos brutos, preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, em peso, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, os quais devem constituir o seu elemento de base", conforme Laudo Técnico e processo de consulta n° 10768.002339/9846 anexados aos autos. CONSULTA. PROVA EMPRESTADA. É plenamente possível o acolhimento de consulta formulada por terceiro quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de classificação tributária. Considerase, para tanto, o efeito vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação do princípio da isonomia aos contribuintes –Lei nº 4502/64. artigo 76» inciso II, alínea "a". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11817.000164/200814 Acórdão n.º 9303008.406 CSRFT3 Fl. 11 10 A decisão entendeu que a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível, ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. Aplicou ainda o princípio da isonomia para acolher a referida prova emprestada de consulta. O Acórdão indicado como paradigma n° 3301002.653 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI N° 10.925/2004. ARTIGOS 8o E 9o. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o inicio da produção de efeitos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF n° 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9o da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. O voto condutor da decisão afirmou não ignorar o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados, filiandose ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o consulente, seja pelo princípio da isonomia,como também porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Como se vê, os acórdãos indicados como paradigma vislumbraram efeito vinculante mesmo às respostas em solução de consulta formuladas antes da INRFB nº 1.396, de 2013, caracterizando o dissídio jurisprudencial. (...) Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 423DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.923035/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/11/2005
JUROS. REMESSA. BRASIL. FINLÂNDIA. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. CONDIÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A remessa de juros do Brasil para a Finlândia é isenta de imposto de renda se a beneficiária dos juros for qualquer agência de propriedade exclusiva do governo finlandês ou uma pessoa jurídica de direito público ou um poder local seu, devendo tal condição ser devidamente comprovada por meio de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2402-006.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Julgamento iniciado na sessão de 16/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/11/2005 JUROS. REMESSA. BRASIL. FINLÂNDIA. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. CONDIÇÃO. COMPROVAÇÃO. A remessa de juros do Brasil para a Finlândia é isenta de imposto de renda se a beneficiária dos juros for qualquer agência de propriedade exclusiva do governo finlandês ou uma pessoa jurídica de direito público ou um poder local seu, devendo tal condição ser devidamente comprovada por meio de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Julgamento iniciado na sessão de 16/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 30 35 /2 00 9- 94 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 199 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1234.003, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 140 a 143: A Telemar Norte Leste S/A apresentou o pedido de restituição e declaração de compensação (Per/dcomp) n° 08289.40759. 120106.1.3.044002 em 12.01.2006, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório de R$ 465.981,12, oriundo de pagamento indevido de imposto de renda retido na fonte IRRF em 14.11.2005 e de compensálo com débito de Cofins de dezembro de 2005 (fls. 02/06). Em 20.04.2009, por meio de análise eletrônica, foi emitido o Despacho Decisório de fl. 09 pela Derat Rio de Janeiro RJ, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, porque o pagamento informado no Per/dcomp já fora integralmente utilizado para quitar o débito de IRRF, código 0481, relativo ao período de apuração 14.11.2005. Cientificado do Despacho Decisório em 29.04.2009 (fl. 08), o interessado apresentou, em 29.05.2009, a manifestação de inconformidade de fls. 11/15, com as seguintes alegações, em síntese: a) A simples análise da DCTF realmente não era capaz de demonstrar o crédito pleiteado, pois, por erro no preenchimento, informou o débito total de IRRF de R$ 1.200.951,59 e, como forma de pagamento, vinculou, dentre outros, o darf aqui discutido; b) Inicialmente, efetuou retenções de imposto de renda, à alíquota de 15%, sobre pagamentos de contratos internacionais, e recolheu o correspondente débito por meio de uma série de darf; c) Depois, verificou que vários desses contratos referiamse a operações isentas, por força de tratado para evitar a dupla tributação celebrado entre o Brasil e a Finlândia, conforme consta do registro de operação financeira ROF (juntado), registrado no Banco Central, a quem compete fiscalizar as remessas para o exterior e suas respectivas incidências tributárias; e d) O valor de IRRF recolhido por força do contrato (R$ 465.981,12) possui valor idêntico ao informado na DCTF e utilizado na presente compensação. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que “não é vedado ao Governo do Brasil cobrar 15% de imposto de renda na fonte sobre juros pago por empresa sediada no Brasil a empresa sediada na Finlândia” e que, nos autos, não Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 200 3 haveria nada que indicasse que o beneficiário seria “o Estado da Finlândia, o Banco da Finlândia, uma agência de propriedade do Governo da Finlândia ou uma pessoa jurídica de direito público”. Esse julgado também esclarece que “o que o Acordo garante, para afastar a dupla tributação, é o direito de a empresa beneficiária na Finlândia deduzir lá o Imposto que foi pago no Brasil”, e que, no caso em tela, “quem arcou com o imposto foi o beneficiário do rendimento de juros, que recebeu apenas o valor líquido”. Cientificada da decisão de primeira instância, em 31/3/11, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 90, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 104 a 108), interpôs o recurso voluntário de fls. 91 a 99, em 2/5/11, alegando, em síntese, que: Posteriormente, revendo suas apurações, a Requerente identificou ter havido retenção de IRRF sobre remessas de valores à Finlândia, com base em contratos abarcados pela isenção do imposto de renda. A isenção decorre de tratado para evitar a bitributação celebrado entre o Brasil e a Finlândia. Tal informação consta expressamente do ROF (Registro de Operações Financeiras) registrado no Banco Central do Brasil (doc. n° 07 ROF). Verificase que o número de identificação referenciado no ROF coincide com o número do contrato de câmbio (doc. n° 08 Contrato de Câmbio), o que demonstra a expressa vinculação entre o contrato de câmbio e o ROF. Da diferença entre o valor apurado (levandose em consideração a isenção prevista em Tratado) e o recolhido, surge saldo de pagamento a maior no montante de R$ 465.981,12, para o Darf em questão, idêntico ao utilizado na declaração de compensação em questão. Entretanto, a DRJ manteve o despacho decisório que não homologou a compensação sustentando que a remessa ao exterior em questão não seria isenta, por se referir a juros. [...] Ou seja, sem qualquer justificativa, a DRJ inferiu que a remessa de valores ao exterior se referiria a juros, e, via de consequência, poderia ser tributada no Brasil, nos termos do art. 11 do Decreto 2.465/1998, que internalizou a Convenção Brasil Finlândia contra a bitributação [...]. Todavia, essa não é a melhor análise da questão. Ora, os valores remetidos à Finlândia não têm a natureza de juros.' Na verdade, referemse a uma taxa cobrada pela instituição financeira para a renovação do contrato de empréstimo (um novo contrato), mas que não se confundem com juros. [...] Em regra, os contratos de mútuo preveem uma taxa de contratação a cargo do tomador do empréstimo. Entretanto, essa taxa não se confunde com os juros devidos pela duração do empréstimo como forma de remunerar o capital. Foi exatamente o que o ocorreu no caso dos autos: a Recorrente celebrou contrato de empréstimo com instituição na Finlândia e vinha Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 201 4 pagando a contraprestação (juros) regularmente. Ao final do prazo estipulado a Recorrente resolveu renovar o empréstimo e celebrou novo contrato com a mesma instituição financeira. Para a renovação do contrato é exigida uma taxa, que, entretanto, não se enquadra na definição de juros, como visto acima. Na verdade, tratase de uma contraprestação pelo serviço de financiamento, definido no item 15 da LC 116/2003. [...] Nesse contexto, a taxa pela renovação do empréstimo (verdadeira contraprestação por serviço prestado) deve ser enquadrada no art. 7º da Convenção, qual seja, lucro das empresas, que gozam de isenção no Brasil [...]. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Segundo a Recorrente, os valores remetidos à Finlândia não seriam juros, conforme entendeu a DRJ, mas sim uma taxa cobrada pela instituição financeira para a renovação do contrato de empréstimo. A Recorrente aduz, ainda, que tal taxa não se enquadra na definição de juros e que deve ser enquadrada no art. 7º da Convenção, como lucro das empresas, o qual goza de isenção no Brasil. Todavia, examinando o conjunto dos autos, não encontramos abrigo para tal alegação. Todos os Registros de Operações Financeiras (ROFs) carreados aos autos (fls. 148 a 154), informam tratarse de remessa de juros: OPERAÇÃO: TA349358 DE: 08/08/2005 01. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 202 5 SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINNISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AO ROFS TA300517 OPERAÇÃO: TA349371 DE: 08/08/2005 02. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINNISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AO ROFS TA300517 OPERAÇÃO: TA349372 DE: 08/03/2005 03. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES: RENEG. DE NOTAS EM MOEDA (NPFA) P/ FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPTOS. PARA INSTALAÇÃO DE REDE DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSA DE JUJROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇAÕ ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O NORDIC INVEST BANK SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. VINCULADO AOS ROFS TA300753 O Contrato de Câmbio de fls. 156 a 159 também descreve a natureza da operação como “JUROS DE TIT MOBIL BRASILEIROS – EURO NOTES”. Ademais, em que pese a Recorrente dizer, no presente recurso voluntário, datado de 29/4/11, que não se trata de juros, em seu recurso voluntário, que segue no processo 15374.923033/200903, datado de 2/5/11, e que trata da mesma remessa de valores para a Finlândia, tais valores foram considerados, pela Recorrente, como juros, nos seguintes termos: 19. Assim, o registro especifico da operação internacional objeto da controvérsia, (fls. 62/63), contém em suas características gerais o mesmo número de operação que o Contrato de Câmbio, indicando o elo entre eles, qual seja: TA349371. 20. O Registro de Operação Financeira mencionado indica a remessa dos ditos juros ao exterior, para "FINANCIAR A COMPRA DE EQUIPAMENTOS PARA INSTALAÇÃO DE REDES DE SERVIÇO MÓVEL PESSOAL. ISENTO DE IR S/ REMESSSA DE JUROS NOS TERMOS DO TRATADO P/ EVITAR BITRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E FINLÂNDIA. O FINISH EXPORT CREDIT SERÁ O BENEFICIÁRIO DESTA NOTA. (sic) [...] 37. Logo, concluise que não poderia a Autoridade Fiscal ter deixado de homologar a compensação ora debatida Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 203 6 simplesmente por ignorar as informações prestadas no "Registro de Operação Financeira" apresentado pela Recorrente, uma vez que efetivamente demonstra, de forma incontestável, a realidade da operação de remessa de juros ao exterior para entidade oficial do Governo da Finlândia, aplicandose a regra da isenção do artigo 11 do Acordo celebrado entre Brasil e Finlândia para evitar bitributação – Decreto nº 2.645/1998. Pois bem, diante desse quadro, mantemos o entendimento do órgão julgador a quo, reconhecendo os valores remetidos à Finlândia como, efetivamente, juros. Dessa forma, vejamos o que dispõe o Decreto nº 2.465/98, a respeito: ARTIGO11 Juros 1. Os juros provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses juros também são tributáveis no Estado Contratante de que provêm e de acordo com a legislação desse Estado, mas se quem os receber for o beneficiário efetivo dos juros o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% (quinze por cento) de seu montante bruto. 3. Não obstante o disposto no parágrafo 2: a) os juros provenientes do Brasil serão isentos do imposto brasileiro se forem pagos: I) ao Estado da Finlândia ou a um seu poder local; II) ao Banco da Finlândia; III) a qualquer agência (inclusive uma instituição financeira) de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia ou a uma entidade legal (pessoa jurídica de direito público) ou a um seu poder local; (Grifo nosso) Conforme se observa na transcrição a cima, os juros provenientes do Brasil serão isentos de imposto de renda se forem pagos a qualquer agência de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia ou a uma pessoa jurídica de direito público ou a um seu poder local. Nesse particular, devemos observar o comando do art. 111, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, que determina a interpretação literal da legislação que disponha sobre outorga de isenção. Sendo nessa mesma linha a Solução de Consulta nº 521, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de 28/11/17, que trata especificamente do acordo entre Brasil e Finlândia: ACORDO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 204 7 SOBRE A RENDA, CELEBRADO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E O GOVERNO DA REPÚBLICA DA FINLÂNDIA. JUROS PAGOS A AGÊNCIA DE PROPRIEDADE EXCLUSIVA DO GOVERNO DA FINLÂNDIA. ISENÇÃO. CONDIÇÕES DE APLICABILIDADE. A isenção de que trata o parágrafo 3, alínea a, inciso III do artigo 11 do Acordo BrasilFinlândia deve ser interpretada de forma literal. Assim, são isentos de IRRF os juros provenientes do Brasil se forem pagos a qualquer agência de propriedade exclusiva do Governo da Finlândia. Logo, a isenção somente é aplicável se ambas condições forem satisfeitas. (Grifo nosso) Vejamos, agora, o que restou consignado no voto condutor da decisão recorrida, fls. 84 a 87: A competência para verificar o cabimento de isenção do imposto de renda não é do Banco Central do Brasil, mas sim da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme artigo 14 do Anexo I do Decreto n° 7.301/2010. Pelo que consta da defesa bem como do registro de operação financeira e do contrato de câmbio a ela juntados (fls. 62/68), tratase de imposto de renda retido na fonte pelo interessado, à alíquota de 15%, sobre pagamento que fez, relativo a juros devidos pela renovação de empréstimo obtido de empresa sediada na Finlândia. O Acordo para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em matéria de impostos sobre a renda, celebrado entre os Governos do Brasil e da Finlândia, promulgado pelo Decreto n° 2.465/98, assim dispõe, no que concerne a juros provenientes do Brasil: [...] Da análise do disposto no Acordo, fica claro que não é vedado ao Governo do Brasil cobrar 15% de imposto de renda na fonte sobre juros pagos por empresa sediada no Brasil a empresa sediada na Finlândia, já que nada nos autos indica que o beneficiário seja o Estado da Finlândia, o Banco da Finlândia, uma agência de propriedade do Governo da Finlândia ou uma pessoa jurídica de direito público. O que o Acordo garante, para afastar a dupla tributação, é o direito de a pessoa beneficiária na Finlândia deduzir lá o imposto que foi pago no Brasil. Ademais, ainda que fosse indevida a retenção e o recolhimento feito pelo interessado, quem arcou com o imposto foi o beneficiário do rendimento de juros, que recebeu apenas o valor líquido. Por esse motivo, o interessado só poderia pedir a restituição se tivesse devolvido a quantia retida ao beneficiário. Nesse sentido, dispõem o artigo 7º da Instrução Normativa SRF 600/2005 e o artigo 8º da IN RFB 900/2008. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 205 8 Desta forma, VOTO por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação. Como se vê, a decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório e manteve a não homologação da compensação por falta de comprovação de que a empresa beneficiária da remessa de juros estaria enquadrada na regra isentiva do Acordo firmado entre Brasil e Finlândia e, também, pelo fato da Recorrente não ter arcado com o imposto, uma vez que a beneficiária dos juros recebeu o valor líquido. Nesse contexto, ao compulsarmos os autos, não localizamos qualquer documento capaz de demonstrar que a empresa beneficiária dos juros seja de propriedade exclusiva do Governo Finlandês. Sendo assim, à luz do princípio da verdade material, temse que a isenção arguida não está encontrando amparo no parágrafo 3, alínea “a”, inciso III do artigo 11 do Acordo BrasilFinlândia. Ponderese que a não homologação da compensação goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não ocorreu. Cabe acrescentar, ainda, que a Recorrente também não arcou com o imposto recolhido, segundo apontado pela decisão de primeira instância, tendo repassando à empresa beneficiária dos juros apenas o valor líquido (descontando o imposto), sem ter feito prova de que devolveu o valor do imposto retido. Logo, não possui legitimidade para pleitear o direito creditório. Nesse sentido são as Instruções Normativas SRF 600/05 e RFB 900/08: Instrução Normativa SRF 600/05 Art. 7º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Instrução Normativa RFB 900/08 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Insta destacar que nada foi dito pela Recorrente em relação a essa segunda razão de decidir do órgão julgador de primeiro grau. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15374.923035/200994 Acórdão n.º 2402006.917 S2C4T2 Fl. 206 9 Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903525/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2004
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.715
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 25 /2 01 2- 75 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de PIS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.575. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.903525/201275 Acórdão n.º 3302006.715 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722329/2010-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontra-se em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontra-se em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não há que se falar em demonstração de divergência jurisprudencial, quando o paradigma indicado encontrase em sintonia com o acórdão recorrido. Tampouco pode ser conhecido Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 29 /2 01 0- 68 Fl. 1303DF CARF MF 2 Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13603.722323/201091 37.261.6526 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722325/201080 37.261.6534 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722326/201024 37.261.6542 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13603.722327/201079 37.261.6550 (AI38) Obrig. Acessória Recurso Especial 13603.722328/201013 37.261.6569 (AI93) Obrig. Acessória Exonerado 13603.722329/201068 37.261.6577 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Debcad 37.261.6577 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 19 a 22. Em sessão plenária de 15/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.672 (fls. 1.129 a 1.152), assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. GFIP APRESENTADA COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em infração quando os valores apurados pela fiscalização não se coadunam com a base de incidência tributária. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.304 3 caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO. Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 05/04/2017 e, em 04/05/2017, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 1.153 a 1.159, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2401005.392, de 03/04/2018 (fls. 1.167 a 1.171) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado." Essa decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração." Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 25/05/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.622 do processo principal) e, em 05/07/2018, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.172 a 1.205 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.657 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias; e caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal. Fl. 1305DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 08/08/2018 (fls. 1.206 a 1.214). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Do contrato de rateio quanto ao Contrato de Rateio de Despesas, celebrado entre as empresas Minas Logística Ouro Fino Ltda e Logística Ouro Fino Ltda, registrese que o assunto não encontra respaldo na legislação previdenciária, porém, na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica, encontrase fundamento no artigo 299, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 2009 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1991; considerando que a Fiscalização apurou na contabilidade do Contribuinte autuado, verbas contabilizadas que de acordo com a legislação constituem base de cálculo de incidência de Contribuições Previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados terceiros, tais como, salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro salário e serviços contratados com cessão de mãodeobra, não resta dúvida de que a empresa autuada é responsável pelo encargo previdenciário decorrente de tais hipóteses de incidência; o fato do registro contábil das verbas salariais decorrer de rateio entre empresas do grupo econômico, não retira a responsabilidade do Contribuinte autuado pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre referidas verbas, assim como a obrigação da retenção e recolhimento da contribuição de 11% incidente sobre as notas fiscais/faturas de serviços contratados com cessão de mãodeobra; mesmo que o referido Contrato de Rateio de Despesas, tenha estabelecido a quem compete a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, o mesmo não pode ser oposto à Fazenda Pública, conforme determinação contida no artigo 123, do CTN; conforme concluiu a DRJ de origem, os documentos juntados ao feito pelo autuado que segundo ele, comprovam que os recolhimentos de todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados foram recolhidos regularmente, não devem ser acolhidos, pois, não há como saber se os recolhimentos referemse de fato aos valores correspondentes àqueles apurados pela Fiscalização, já que foram efetuados de forma global pela Logística Ouro Fino Ltda, ou seja, não constam folhas de pagamento/discriminativos com os valores do rateio e Guia da Previdência Social – GPS, que correspondem aos valores registrados na contabilidade e os apurados pela fiscalização; também, em nenhum momento o Contribuinte demonstrou quais são os trabalhadores e as atividades que exerceram e que deram origem à escrituração contábil. Da caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT na hipótese em apreço, a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador, (incluída aqui a juntada de documentos considerados essenciais à sua comprovação aos autos), vício apontado pelo colegiado como causa de improcedência do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.305 5 uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos; na verdade, sequer se poderia cogitar que houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, tendo em vista que o próprio afirma que foi submetido à ampla ação fiscal redundando inclusive na lavratura de AI; a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma; concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a ausência de uma descrição mais pormenorizada dos fatos geradores e/ou a ausência nos autos dos documentos que embasaram o lançamento constitui vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; deve ser mantido integralmente o acórdão de primeira instância. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso. Cientificada dos acórdãos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 30/08/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.242), a Contribuinte ofereceu, em 12/09/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.247), as Contrarrazões de fls. 1.249 a 1.281, contendo os seguintes argumentos: Da inadmissibilidade do Recurso Especial o Recurso Especial interposto pela União não preenche os requisitos de admissibilidade, quer seja porque omite a juntada do inteiro teor dos paradigmas e os replica no corpo recurso com a supressão de trechos que lhes alteram a interpretação, quer seja porque, quando inteiramente cotejadas as decisões recorridas e os tais paradigmas, salta aos olhos que não guardam qualquer similitude fática ou jurídica entre si; com efeito, a integral leitura do paradigma nº 2803002.475 faz saltar aos olhos que o que efetivamente lá se discutiu foi a solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico pelo inadimplemento por uma delas; naquele processo, como se nota, a questão da existência ou não de grupo econômico só foi tornada controvertida porque as empresas não se reconheciam como tal; o Fisco constatou que operavam com nítida confusão patrimonial, inclusive com o pagamento direto de despesas de uma empresa por outra, além de associação informal, objetivando omitir sucessão negocial e a identidade operacional; objetivase, com isso, apenas justificar o cerne daquela controvérsia: a responsabilização solidária prevista no inciso IX, do art. 30, da Lei n. 8.212, de 1991; Fl. 1307DF CARF MF 6 enquanto a decisão recorrida tratou da inexistência de feição remuneratória de despesa de reembolso advindo de rateio de despesas de empresas de um mesmo grupo (que se reconhece como tal), o paradigma tratou da validade da solidariedade passiva entre empresas de um mesmo grupo econômico (que não se reconhecia como tal) pelo inadimplemento parcial por uma delas; e isso se evidencia ainda mais quando se constata que o ponto central do recurso paradigmático é o inciso IX, do art. 30, da Lei n. 8.212, de 1991, e a solidariedade passiva frente às contribuições previdenciárias não foi nem mesmo abordado en passant na decisão recorrida, tampouco apontado expressamente como controvérsia nas razões do Recurso Especial manejado pela União; o Recurso Especial fundado no Acórdão paradigma nº 230200.308 pretende, de uma só vez, repelir a anulação do lançamento relativo à revisão da alíquota RAT e repelir a anulação da pretensão de obrigar a Contribuinte a promover a retenção e recolhimento dos 11% sobre o valor de NF correspondentes a serviços prestados sem cessão de mãodeobra; há evidente erro grosseiro no recurso já que, para ambas as questões, a discussão acerca da natureza dos vícios encontrados em lançamentos é totalmente alheia ao que foi efetivamente julgado; a decisão recorrida assinalou não haver cessão de mãodeobra e, portanto, não ser legítima a exigência da retenção da contribuição previdenciária (11%); a bem da verdade, a União pretende rediscutir os fatos e a valoração dada às provas, o que não se admite nessa hipótese recursal; da mesma forma, a leitura do voto esclarece que o crédito tributário, em relação à majoração da alíquota RAT, foi desconstituído porque o Fiscal aplicou norma nova a fatos que lhe eram anteriores, em afronta ao princípio da irretroatividade; isso porque, considerando que as competências objeto de autuação eram as compreendidas entre 01/2006 a 05/2007, a majoração da alíquota de 2% para 3% amparouse unicamente na aplicação das regras contidas no Decreto nº 6.042, de 2007, cuja vigência iniciouse somente em julho de 2007; a decisão apontou ainda erro fiscal ao dizer que mesmo à luz do anexo V, do tal Decreto nº 6.042, de 2007, a alíquota aplicável não seria de 3%, mas 1%, em razão da classificação das atividades da empresa no CNAE 46443/02; Da não incidência de Contribuição Previdenciária sobre despesas incorridas para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos compartilhados por empresas em um mesmo grupo econômico despesas incorridas por quaisquer contribuintes para adimplemento de contrato de rateio de despesas de serviços administrativos que compartilha com outras empresas que compõe seu grupo econômico tem natureza indenizatória; a decisão recorrida é irretocável porque reconhece que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldam ao conceito de remuneração e, portanto, não configuram fato gerador de Contribuição Previdenciária porque tem natureza de reembolso (portanto indenizatória) à empresa que suporta integralmente os ônus do recolhimento; Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.306 7 a decisão recorrida tratou de perquirir e deparouse com inexistência de feição remuneratória nas despesas de reembolso advindo de rateio de serviços administrativos entre as empresas de um mesmo grupo econômico; o contrato de rateio de despesas de serviços administrativos, ainda que contrato não expressamente previsto e regulamentado no ordenamento jurídico civil, é perfeitamente aceitável conquanto entabulado com respeito à lei, aos bons costumes e os princípios gerais de direito, na forma do art. 425, do Código Civil; todos os encargos e contribuições decorrentes da relação de emprego entre a autuada e seus empregados sempre foram recolhidos regularmente, assim como também eram os decorrentes das relações e Logística Ouro Fino Ltda. e os colaboradores que prestaram os serviços administrativos comuns ao Grupo; Da impossibilidade de se exigir a retenção de Contribuição Previdenciária à razão de 11% sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços quando não há cessão de mãodeobra a 4ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária, em votação unânime, observou que a execução dos serviços de armazenagem tomados pela Minas Logística Ouro Fino Ltda. era feita sob a administração exclusiva da contratada Armazém Gerais Vinhedo Ltda., ou seja, que não havia cessão de mãodeobra: a contratada (Armazéns Gerais Vinhedo), por si ou por subcontratados seus, transportava e distribuía os produtos da contratante; a armazenagem era realizada em dependências da própria contratada; serviços foram contratados para ser executados em um único turno e eventuais acréscimos seria cobrados a parte pela contratada; os serviços eram prestados por profissionais supervisionados e gerenciados pela contratada; os procedimentos de coleta, recebimento e faturamento eram definidos pela contratada, assim como os horários operacionais, sendo que qualquer exceção deveria ser previamente comunicada e negociada entre as partes contratantes; convém destacar, de qualquer modo, que a decisão recorrida amparouse inteiramente nas premissas do art. 219, do RGPS (Decreto n. 3.048, de 1999), isto é, para verificar a configuração da cessão de mãodeobra, percutiu se havia a sua efetiva colocação à disposição da contratante; a decisão efetivamente fez a Lei tributária ser obedecida: sem cessão de mãodeobra não exigiu a retenção do tributo; Da afronta ao princípio da irretroatividade cumulada com o incorreto enquadramento de atividades para a exigência de diferenças de recolhimento de Contribuição Previdenciária em razão de Risco Ambiental de Trabalho (RAT) com efeito, basta observar que a decisão recorrida repeliu a exigência de diferenças de recolhimento de contribuição ao RAT por dois motivos: a violação ao princípio constitucional da irretroatividade, previsto na alínea “a”, do inciso III, do art. 150, da CF/88, e o incorreto enquadramento de fato das atividades econômicas preponderantes da empresa autuada; como cada uma dessas duas distintas razões de decidir é, por si só, suficiente, salta aos olhos que não se trata de anulação em decorrência de vício formal, como alega a recorrente, mas da efetiva desconstituição de um lançamento tributário por conta de Fl. 1309DF CARF MF 8 grave violação constitucional acrescida do incorreto enquadramento das normas que se pretendia aplicar, tudo à revelia de qualquer motivação. Ao final, a Contribuinte pede que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase do Debcad 37.261.6577 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, nos períodos de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal de fls. 19 a 22. grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias; e caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando violação aos §§ 8º e 11, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, e que não teria sido demonstrada divergência, uma vez que os acórdãos paradigmas não analisaram as mesmas questões discutidas no acórdão recorrido. Relativamente à alegação de violação ao disposto no art. 67, §§ 8º e 11, esclareçase que a Fazenda Nacional utilizouse da prerrogativa do §11, que lhe confere respaldo, no que tange à dispensa de juntada de inteiro teor do paradigma: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindose ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido." (grifei) Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.307 9 Destarte, o cumprimento dos requisitos formais previstos no § 9º, do art. 67, do RICARF, pode ser suprido pela reprodução da integralidade da ementa do acórdão paradigma no corpo do recurso, conforme o § 11 do mesmo dispositivo regimental, o que foi feito pela Fazenda Nacional. Quanto à alegação de falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. Em relação à primeira matéria grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias verificase que a situação fática do acórdão recorrido efetivamente não se assemelha à do paradigma, de sorte que a divergência jurisprudencial não restou comprovada, conforme será demonstrado. No caso do acórdão recorrido, em relação à matéria ora analisada, o voto assim registra: "Consoante se observa dos autos do processo administrativo, para a comprovação do pagamento de salários de contribuição a segurados empregados, a fiscalização tomou como base de suporte do lançamento o registro de valores constantes na contabilidade da empresa, escriturados como débito, relativos às despesas com pagamentos de salários/ordenados, horas extras, adicional noturno, férias e décimo terceiro. Segundo o ilustre Auditor Fiscal, o valor contábil não é um dado arbitrário porque foi oferecido pelo próprio sujeito passivo. De acordo com o Relatório Fiscal, instado a apresentar a relação nominal dos segurados empregados beneficiados por tais pagamentos, o sujeito passivo informou que não realizou referidos pagamentos a empregados e justificou os lançamentos em sua contabilidade como sendo de restituição de despesas à empresa Logística Ouro Fino LTDA, apresentando para tanto contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo a recorrente, a empresa Logística Ouro Fino, na condição de empregadora dos recursos humanos alocados nos serviços administrativos prestados, apurou, reteve e recolheu regularmente todas as contribuições previdenciárias sob sua responsabilidade, cujas despesas foram posteriormente rateadas com a recorrente, na forma do contrato. Tratase, assim, de questão que envolve o rateio de custos/despesas entre empresas do mesmo grupo econômico, mais especificamente, as despesas concernentes aos serviços administrativos indicados no Anexo I do contrato de rateio de despesas (fls. 103/109). Segundo o contrato de rateio de despesas, considerando que as partes integram o mesmo grupo econômico, e que a Logística Ouro Fino Ltda detém infra estrutura administrativa e operacional para atuar em benefício da Minas Logística Ltda nas atividades referentes aos serviços administrativos que esta última necessita para o desenvolvimento das referidas Fl. 1311DF CARF MF 10 atividades, resolvem ratear as despesas incorridas pela Logística Ouro Fino. Para o reembolso das despesas, a Logística Ouro Fino envia mensalmente à Minas Logística um relatório contendo (i) os valores a serem reembolsados e os critérios de rateio utilizados; (ii) demonstrativo das atividades desenvolvidas e despesas totais incorridas; (iii) a correspondente nota de débito. (...) Com efeito, o compartilhamento de custos e despesas entre empresas com interesses comuns, não deve ter o intuito de lucro, mas tão somente a finalidade de ratear ou alocar custos ou despesas de acordo com a proporção dos benefícios auferidos com o ressarcimento respectivo dos custos incorridos para a realização das atividades. A despeito do rateio de despesas, no âmbito administrativo, foi publicada a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de Setembro de 2013, em que assevera ser perfeitamente possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. (...) Pelo exame dos documentos constantes às fls. 629/765 (extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), verifico a existência dos pagamentos efetuados pela recorrente Minas Logística Ouro Fino LTDA para a empresa Logística Ouro Fino LTDA, correspondentes aos reembolsos relativos às despesas constantes nos históricos das respectivas Notas de Débito, no mesmo período correspondente ao lançamento. Não vislumbro que o caso tratarseia de oposição à fazenda pública de convenção particular visando a modificação de sujeito passivo ou das obrigações tributárias correspondentes, com relação à responsabilidade para o pagamento de tributos (art. 123 do CTN), conforme destacado na acusação fiscal. Constato sim, a existência de ressarcimentos em virtude de rateio pactuado entre empresas no mesmo grupo, que é corroborado pela própria administração fazendária (SD Cosit nº 23/2013) e regulado pelo art. 299 do Decreto nº 3.000/1999. Nesse ponto, verifico a existência de contrato hígido que tem como objetivo ratear despesas incorridas pela empresa Logística Ouro Fino LTDA no desenvolvimento dos serviços administrativos descritos no Anexo I do contrato, estabelecendo para tanto os critérios previamente definidos para a verificação dos controles necessários. Dessa forma, entendo que o contrato de rateio de despesas cumpre o objetivo ao qual se destina e, juntamente com as notas fiscais de débito emitidas e as transferências bancárias efetivadas, comprovadas através dos documentos adunados aos autos, demonstram que os valores registrados na contabilidade Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.308 11 referemse às despesas incorridas pela empresa decorrentes do referido contrato de rateio, tendo assim natureza de reembolso. (...) Nesse aspecto, verificase que as divergências apuradas surgiram do cruzamento entre os registros contábeis e as informações contidas nas GFIPs, sendo que não foram encontradas nenhuma divergência entre os valores constantes nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP, conforme planilha 2 (fls 98), em que o batimento confere nos centavos. A diferença que serviu de base para a lavratura do Auto de Infração ora em debate, foi constatada apenas e tão somente nos registros relacionados aos ressarcimentos de rateios, embora as despesas estejam devidamente comprovadas através dos pagamentos dos valores informados na prestação de contas (fls. 629/765 extratos bancários, comprovantes de transferência bancária, notas de débito com histórico dos reembolsos), já demonstrado no item anterior. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. Por outro lado, os pagamentos perfectibilizados pela Minas Logística Ouro Fino LTDA à empresa Logística Ouro Fino LTDA, nos exatos valores correspondentes ao histórico das despesas administrativas demonstrada (629/765), ratificam o entendimento de que os registros contábeis se referiam aos ressarcimentos estabelecidos no contrato de rateio, não configurando a existência do fato gerador conforme a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (Art. 114 do CTN). (...) Não obstante a falta de intimação dos sujeitos passivos solidários para a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, a empresa recorrente, objetivando demonstrar que não ocorreu prejuízo ao erário, trouxe aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados pela Logística Ouro Fino à título de contribuição previdenciária, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos funcionários e pagamentos correspondentes às contribuições devidas em relação a todos os empregados, nos termos do § 1º, do art. 225 do Decreto nº 3.048/99 (fls. 833/1.309)." (grifei) Assim, no caso do acórdão recorrido, concluiuse que o ressarcimento da parte devida em rateio formal e previamente contratado de despesas de serviços administrativos comuns a grupo econômico não se amoldaria ao conceito de remuneração e, portanto, não configuraria fato gerador de Contribuição Previdenciária, visto que teria natureza de reembolso à empresa que suportaria integralmente o ônus do recolhimento, considerandose que teriam restado comprovados os pagamentos a título de Contribuições Previdenciárias devidas em relação a todos os empregados. Fl. 1313DF CARF MF 12 Por outro lado, analisandose o inteiro teor do paradigma Acórdão 2803 002.475 verificase que o julgado não trata de situação semelhante à do acórdão recorrido. Longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o paradigma encontrase em harmonia com o recorrido, já que ambos os julgados aplicam a mesma lógica. Confirase: Relatório "Irresignado o contribuinte principal impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 478 a 497, recebida, em 04/06/2010, acompanhado dos documentos, de fls. 498 a 502, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. · que inexiste grupo econômico, pois o direito empresarial o caracteriza quando há participação direta de capital de no mínimo 1/3, ou que haja sócios comuns, ou no caso de participação mínimo de 20% do capital e com presença dominante ou direção única; · que pela eventualidade a responsabilidade tributária solidária não se forma pelo simples fato da existência de grupo econômico ou a existência de objetivo comum, não gerando a responsabilidade objetiva, assim pensa nossos tribunais e a lei, pois o campo tributário regula se pela legalidade tributária, cita o STJ e Rubens Gomes de Souza; · que não havendo interesse comum e não participando a pessoa da formação do fato gerado não pode haver a sua responsabilização de forma solidária, citando Aliomar Baleeiro e Paulo de Barros Carvalho; · que a solidariedade não se aplica a todos os casos em que haja interesse comum meramente de fato, pois permitiria ao fisco ampliar por demais as pessoas alheias ao fato jurídico tributário a condição de devedor solidário, sendo isto uma subversão da ordem constitucional, transcreve ementas de diversas decisões judiciais de vários tribunais; · que a responsabilidade tributária só pode ser imputada por meio de Lei Complementar, não podendo fazêlo o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, falando o artigo 146, III, “b”, da CF/88 que a cabe a LC dispor sobre obrigação, lançamento, crédito prescrição e decadência, sendo que o artigo 124, do CTN disciplina o assunto, pelo qual não há responsabilidade pelo simples fato de existir um grupo econômico, cita decisão do STJ, devendose interpretar o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 em consonância com o artigo 124, I, do CTN; · que não sendo acolhida a tese da inexistência de grupo econômico pela eventualidade, deveriase avaliar a possibilidade de rateio de despesas, cita decisões do Conselho de Contribuintes, sendo que todo a pagamento aos empregados foi feito pela DIBAL, não havendo recebimento de outros valores pelos empregados, a exigência desta notificação configura bis in idem, uma Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.309 13 vez que se está tributando o mesmo fato gerador duas vezes, sendo que a contribuição está paga e o crédito extinto;" Voto "A caracterização de grupo econômico no âmbito previdenciário é muito menos exigente do que na seara empresarial/comercial e isto o agente lançador esclareceu de forma clara e objetiva, pois aqui buscase a proteção ao contribuinte trabalhador. O agente fiscal assim esclareceu a questão. Durante o desenvolvimento da ação fiscal 09397024F00 na empresa Cerealista Castro Ltda, foi constatado que vários pagamentos desta empresa foram efetuados pela Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, nome fantasia Dibal, ferindo o princípio contábil da "Entidade", levando à confusão patrimonial; 1.3. No decorrer do ano de 1999, todos os empregados da Cerealista Castro Ltda, estabelecimento matriz, foram dispensados e readmitidos na Dibal. Além do que posto acima o agente asseverou, nos itens 3.3 a 3.7, do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, fls. 111 a 136, o que a seguir transcrevo. (...) 3.6. Em processo de reclamatória trabalhista no. 66.01.01.025601, ajuizada pelo empregado Valter Ferreira Santos, contra a empresa Cerealista Castro Ltda e Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, o referido empregado, através de seu advogado, declara: '3 O Reclamante trabalhou para as reclamadas aos domingos e feriados, no horário das 6:00 hs às 18:00 hs, não tendo folgas semanais, só quando carregava as mercadorias em Barreiras, cumpria expediente normal de trabalho, que era das 8:00 hs às 12:00 hs e das 14:00 às 18:00 hs na sede da empresa em Barreiras. 4 O Reclamante sempre trabalhou para a mesma empresa, só mudou o nome de fantasia, que antes se chamava Cerealista Castro Ltda, e após Distribuidora Barreiras de Alimentos Ltda, conforme se comprova com Declaração em anexo e circular no. 001/98, datada de 28 de abril de 1998, e circular nº 001/99, datada de 1 0. De abril de 1999, todas assinadas pelo Gerente das mesmas, que é a mesma pessoa . (...) Nosso grifo 5 O Reclamante em realidade foi transferido da primeira Reclamada para a segunda, sem sofrer interstício, tendo apenas assinado termo de rescisão de contrato próforma, documento incluso, havendo recebido, inclusive declaração relativa ao período trabalhado, documento igualmente incluso, sendo que o contrato de trabalho do mesmo não era por prazo Fl. 1315DF CARF MF 14 determinado, o serviço que prestava não era de natureza ou transitoriedade que justificasse a determinação de prazos, mesmo porque, a atividade que exercia não poderia ser descontínua e não se tratava de contrato de experiência" Nosso grifo. (...) A própria jurisprudência transcrita pela recorrente não nega vigência ao artigo 30, VI, da Lei 8.212/91 e muito menos afirma que este viola o texto constitucional, veja a transcrição. (...) No caso de contribuição previdenciária não há rateio de despesas, quem paga a contraprestação ao trabalhador é quem deve se responsabilizar pela contribuição, pois há uma relação jurídica prestacional entre a empresa e o trabalhador. Assim, caso o trabalhador receba contraprestação de mais de uma empresa todas estão obrigadas por estas a efetivar a sua parte da contribuição. Nos grupos econômicos como é o caso dos autos qualquer uma das componentes deste pode ser responsabilizada pelo crédito todo. As jurisprudências do CARF citadas não se aplicam, pois referentes a rateio de despesas para redução do lucro real, ou seja, IRPJ e da CSLL entre instituições financeiras do mesmo grupo e com convênio para o rateio – Acórdão 101.96367, versando o segundo, também, sobre IRPJ e CSLL, onde as empresas do campo industrial detinham acordo operacional para rateio das despesas de negócio comum – Acórdão 107 06780. Segundo consta do relatório fiscal, fls.127, item 4.3 o crédito referese a diferenças entre o valor declarado em GFIP e o constante da contabilidade com o efetivamente recolhido, bem como de glosa de saláriofamília ante a não comprovação das exigências legais. Desta forma, não há configuração de bis in idem, pois não houve pagamento para as parcelas exigidas. O agente lançador afirma no item 4.5, de seu REFISC, que abateu todos os pagamentos efetuados pela empresa a título de contribuição previdenciária." (grifei) Assim, no paradigma o cerne da discussão era a comprovação da existência de grupo econômico e, por consequência, da responsabilidade solidária entre seus membros. A questão do rateio foi analisada sob a óptica de divisão dos valores das contribuições entre os responsáveis solidários, tanto é assim que se reconhece expressamente que qualquer um dos membros do grupo econômico pode ser responsabilizado pela integralidade do crédito. Ressaltase ainda que, neste julgado, não há qualquer menção a contrato formal de rateio, e o lançamento em momento algum trata da hipótese de rateio de despesas entre as empresas que constituíam o grupo, o que ratifica a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Acrescentese que, no paradigma, a questão do rateio foi trazida em sede de Recurso Voluntário, no qual a autuada, que também era a responsável pela contratação e pagamento dos empregados que prestavam serviços ao grupo econômico de fato, pugnava pela realização de rateio das contribuições objeto de autuação entre as empresas do grupo econômico, caso a tese de sua inexistência não fosse acolhida. O Colegiado, contudo, entendeu Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.310 15 pela impossibilidade do rateio, considerando que o pagamento das Contribuições Previdenciárias seria de responsabilidade de quem remunera o trabalhador. Além disso, entendeuse que somente quando o obreiro recebe contraprestação de mais de uma empresa é que todas elas ficam obrigadas a efetivar o recolhimento de sua parte na Contribuição. Ademais, em relação à solidariedade entre os membros do grupo econômico, em ambos os julgados foram adotadas as seguintes premissas: as obrigações previdenciárias devem ser adimplidas originariamente pela empresa responsável pela contratação e remuneração dos segurados; e o crédito tributário pode ser cobrado de qualquer um dos responsáveis solidários. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, constatouse que as Contribuições Previdenciárias foram recolhidas pelo próprio empregador, que era a Logística Ouro Fino, o que não se verificou no caso do paradigma. Destarte, a leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim da situação fática específica de cada processo. Com efeito, não se pode afirmar que o Colegiado paradigmático adotaria a mesma conclusão diante de caso em que existem comprovantes dos recolhimentos efetuados a título de Contribuições Previdenciárias, conforme GFIP´s apresentadas com a relação dos empregados e pagamentos correspondentes aos valores devidos referentes a todos os empregados. Ressaltese que no acórdão recorrido foi aplicado, como fundamento para concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos, para posterior rateio dos custos e despesas administrativas comuns, a Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013, que sequer existia quando o acórdão paradigma foi proferido, mais precisamente em 20/06/2013. Assim, ausente a similitude fática entre o julgado guerreado e o paradigma, não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, razão pela qual o recurso não pode ser conhecido, no que tange à matéria "grupo econômico contrato de rateio de despesas com Contribuições Previdenciárias". Quanto à segunda matéria caracterização da cessão de mão de obra e das diferenças apuradas a título de RAT nulidade do lançamento por vício formal antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que no acórdão recorrido não há qualquer menção a declaração de nulidade, já que as incidências foram consideradas indevidas. Com efeito, no caso do acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, considerandose a comprovação, por parte da Contribuinte, de que não ocorrera a cessão de mão de obra alegada pela Fiscalização. Quanto às diferenças apuradas a título de RAT, foi afastada a exigência, considerandose que a Fiscalização fundamentara o lançamento em dispositivo legal que não existia à época dos fatos e que o enquadramento no grau de risco efetuado pela Contribuinte estava correto. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: Ementa Fl. 1317DF CARF MF 16 "RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP." Voto "Das Contribuições referentes à retenção e ao recolhimento dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços de armazenamento, com cessão de mão de obra, emitidas pela empresa Armazéns Gerais Vinhedo (...) Compulsando os autos, em especial o contrato de prestação de serviços de operador logístico, armazenagem, transporte e outras avenças (fls. 185 a 215), percebese de forma clara que não há a caracterização da cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência. Explico. Toda a execução do serviço é feita sob a administração da contratada. A AGV efetua o transporte dos produtos da Minas Logística, por conta própria ou por empresas subcontratadas sob sua exclusiva responsabilidade, e efetua a distribuição dos produtos. Os serviços de armazenagem são prestados pela AGV nas suas dependências, no CD Contagem (armazém da AGV – definição à fls. 187), local onde recebe produtos originados de transferências, e, a partir dele, providencia a distribuição aos destinatários finais indicados pela contratante. Verifico ainda, no contrato de prestação de serviços, que os serviços são executados em um único turno de trabalho e no caso de acréscimo de horas, as horas extras trabalhadas serão cobradas pela AGV. Na execução do serviço pela contratada estão incluídas a mão de obra profissional, inclusive os motoristas, treinados e habilitados, necessários à execução dos serviços objeto do contrato, se obrigando a contratada a executar as operações e serviços por meio de pessoal registrado em carteira de trabalho, nos termos da legislação vigente, e mantêlos supervisionados e direcionados pela Gerência da AGV. Observo ainda que os procedimentos de coleta, recebimento, faturamento são todos administrados e com determinação de horários pela contratada, sendo que qualquer solicitação de forma diversa tem que ser previamente negociado com a AGV. Diante dos fatos acima expostos, entendo que não restou configurada a prestação de serviços mediante cessão de mão de Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.311 17 obra, razão porque indevida a incidência da tributação sobre as notas fiscais. Das diferenças a título de RAT O Auditor Fiscal procedeu ao lançamento da diferença das contribuições para o RAT, por haver o sujeito passivo declarado e recolhido com aplicações de alíquotas inferiores aos 3% (três por cento) devido em todo o período. A base de incidência foram os valores declarados em GFIP pelo contribuinte, conforme Planilha 7 (fl. 224). Em Recurso Voluntário a empresa alega que a fiscalização utilizou como fundamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados, e que a aplicação do Decreto para fatos ocorridos em período anterior à sua vigência afronta o princípio da irretroatividade. Entendo que assiste razão à Recorrente. (...) Aqui a fiscalização cometeu dois erros. Primeiro, porque fundamentou o lançamento em dispositivo legal que passou a vigorar somente após o período fiscalizado; segundo, porque o Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, estabelece em seu Anexo V que a atividade classificada no CNAE 46443/ 02 – Comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso veterinário se sujeita a alíquota de 1%. Em face da falta de motivação, não entendo como suficiente as razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Assim, assiste razão à recorrente, razão porque afasto a exigência contida no lançamento." (grifei)) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar comprovação de que não ocorreu a cessão de mão de obra aventada pela Fiscalização, bem como de autuação de diferenças a título de RAT, fundamentada em dispositivo que não existia à época dos fatos geradores ao invés de considerarse indevida a exigência, se concluísse que teria ocorrido nulidade por vício formal, e consequentemente o lançamento pudesse ser refeito. Obviamente que, se isso fosse possível, estarseia admitindo que a Fiscalização poderia aportar novos argumentos em contraposição à valoração das provas quanto à ausência de cessão de mão de obra; e quanto ao RAT, não se vislumbra a forma de retificação do lançamento, já que tratouse de aplicação de legislação que não estava vigente à época do fato gerador, e a que vigia previa a alíquota aplicada pela Contribuinte. Ainda assim, será efetuada a verificação acerca de eventual similitude fática entre recorrido e paradigma. Para esta segunda matéria, a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 310200.577 e 230200.308, porém o primeiro deles não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.660 a Fl. 1319DF CARF MF 18 1.668. No que tange ao segundo paradigma, a Fazenda Nacional reproduziu os seguintes trechos: Ementa "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2006 CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO, VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado." Voto "Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como empregados. O relatório fiscal está incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fl. 37. (...) CONCLUSÃO: Assim, voto por ANULAR o lançamento por vício formal." (Destaques da Fazenda Nacional) Recapitulando, o caso tratado no acórdão recorrido não é de falha na descrição dos fatos, mas sim de comprovação da não ocorrência do fato gerador quanto à cessão de mão de obra, bem como de aplicação de dispositivo legal com vigência posterior à ocorrência dos fatos geradores, ou seja, situações em que não há como o lançamento ser refeito, daí o resultado do julgamento não mencionar nulidade e sim considerar as incidências indevidas. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 13603.722329/201068 Acórdão n.º 9202007.671 CSRFT2 Fl. 1.312 19 Assim, a leitura da ementa já permite concluir que o caso tratado no paradigma em nada se assemelha ao do acórdão recorrido, tendo em vista tratarse de relatório fiscal incompleto, de descrição insuficiente dos fatos geradores, o que se confirma pela colação de trechos do respectivo voto: "A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n 70235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal, Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juizo. (...) Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235." (grifei) O trecho acima bem resume a situação do paradigma, que trata de falha na descrição dos fatos geradores, o que não se pode comparar com a situação do acórdão recorrido, que, repitase, não trata de erros formais e sim da comprovação da não ocorrência do fato gerador, no caso da cessão de mão de obra, bem como de ausência de motivos para alterar o enquadramento no grau de risco efetuado pela Contribuinte. Com efeito, no caso do paradigma não se faz menção a provas que teriam conduzido à conclusão de que não ocorreu o fato gerador mas sim o relato de que a descrição do fato gerador careceria de complemento, o que de resto seria impossível no caso do acórdão recorrido. Por isso mesmo nesse julgado não se faz menção a nulidade, ou a natureza de vício. Ausente a similitude fática entre o julgado guerreado e o paradigma, não restou demonstrado o alegado dissídio interpretativo, de sorte que o apelo não pode ser conhecido. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1321DF CARF MF 20 Fl. 1322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735701/2017-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 98 1 97 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.735701/201793 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.781 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Recorrente RENI ELSSO TOSCHI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 57 01 /2 01 7- 93 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 99 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 06/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 (efls. 51/65), onde se apurou a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 4.662,26 referente à fonte pagadora Santos e Pellin Comércio de Móveis Ltda ME. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/05), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 71/72): que o valor contestado referese ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora; que os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. que apresenta as informações relativas ao contrato de aluguel e afirma que contratou a Guarida Imóveis para administração do aluguel, sendo esta responsável pelas retenções do imposto de renda; que informa 50% dos rendimentos recebidos de aluguéis e sua esposa Leda Dalberto Toschi os outros 50%, de modo que a totalidade dos rendimentos são tributados; que foi efetuada a retenção do imposto de renda, conforme mencionado no informe de rendimentos; que comprovado que recebeu o valor líquido do aluguel é incabível a glosa do imposto de renda na Declaração de Ajuste Anual; que uma vez retida pelo locatário o valor do imposto de renda retido, não há que se falar em responsabilidade do locador; que os valores informados na Declaração de Ajuste Anual estão em conformidade com a legislação em vigor, não havendo, portanto, as divergências apuradas pela fiscalização; Traz à colação jurisprudência a seu favor. Solicita a prioridade do Estatuto do Idoso. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB por falta de comprovação do IRRF declarado (efls. 70/74). Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/04/2018 (efls. 78), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 16/05/2018 (efls. 81/84) com os argumentos a seguir sintetizados. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 100 3 Apresenta breve descrição das fases processuais. Insurgese contra a o reconhecimento da solidariedade entre as partes da relação jurídica de locação no tocante ao adimplemento de obrigação tributária não cumprida pela empresa que efetuava o pagamento do aluguel à pessoa física após a retenção da quantia correspondente ao Imposto de Renda. Expõe que, conforme se verifica nos documentos de retenção, está comprovado que o valor referente ao Imposto de Renda foi devidamente retido pela empresa locatária, sendo incabível a glosa na sua declaração de ajuste anual. Defende que, uma vez retida pelo locatário a quantia devida a título de Imposto de Renda, não há que se falar em responsabilidade do locador para recolhêla aos Cofres Públicos. Apresenta jurisprudência sobre o assunto. Destaca que, além dos comprovantes de retenção enviados pela imobiliária administradora das locações anexados à impugnação, juntou ao recurso os comprovantes de depósito bancário dos valores líquidos. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No caso em tela a decisão recorrida manteve a compensação indevida de IRRF apurada no lançamento por considerar insuficientes os documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, conforme se extrai dos excertos a seguir reproduzidos (efls. 73): No presente caso, o contribuinte juntou aos autos a documentação da administradora do imóvel. Contudo, tais documentos são insuficientes para comprovar o imposto de renda retido na fonte. Não consta dos autos o comprovante de rendimentos da fonte pagadora Santos e Pellin Comércio de Móveis Ltda, apesar de mencionado pelo contribuinte. Além disso, a fonte pagadora não apresentou a Dirf. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte reitera que os documentos fornecidos pela administradora de Imóveis Guarida são suficientes para a comprovação do IRRF pleiteado e apresenta extratos bancários com o intuito de demonstrar o recebimento do aluguel líquido em alguns meses. Devese esclarecer, contudo, que a compensação de IRRF somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual e se o contribuinte possuir comprovante da retenção Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.735701/201793 Acórdão n.º 2002000.781 S2C0T2 Fl. 101 4 emitido em seu nome pela fonte pagadora, nos termos do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, o que não se verifica no presente caso. Ressaltese que a responsabilidade pela retenção do imposto de renda pertence à fonte pagadora e não à administradora de imóveis, cabendo a ela fornecer o respectivo comprovante. Os documentos acostados aos autos não são hábeis a demonstrar, de maneira inequívoca, que os rendimentos declarados para a Santos e Pellin Comércio de Móveis correspondem ao valor bruto recebido a titulo de aluguel e que este, de fato, sofreu a retenção de imposto de renda informada. Importa salientar que o que está sendo analisado neste processo é a comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora e não o recolhimento do mesmo após a sua retenção, ao contrário do que parece entender o recorrente. Assim, diante da ausência de comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora e de DIRF apresentada pela mesma, e tendo em vista que a empresa foi baixada em 2016 conforme consulta ao sítio da RFB, não sendo possível a realização de diligência para confirmar as informações fornecidas pela administradora de imóveis, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 101DF CARF MF
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