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Numero do processo: 35067.001856/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Carolina Wanderley Landim Redatora designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Relator Carolina Wanderley Landim – Redatora designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 50 67 .0 01 85 6/ 20 04 -4 4 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 454 2 Relatório Consoante o relatório fiscal, fls. 44/45 (processo papel), o crédito referese a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n. 32.811.4065, em que são apuradas as contribuições dos segurados e as contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos. Os fatos geradores contemplados na lavratura foram: a) remunerações de empregados, conforme folhas de pagamento, rescisões e recibos de férias; b) contribuições da empresa relativos a seguro de vida em benefício dos empregados; c) prólabore, obtido na contabilidade; e d) remunerações pagas a trabalhadores autônomos constantes em recibos. A empresa ofertou impugnação, fls. 66/81, na qual alegou que a NFLD deve ser cancelada, posto que o agente fiscal não considerou que as contribuições lançadas foram objeto de compensação com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores, as quais foram autorizados judicialmente no bojo da Ação Ordinária n. 99.00039874, em tramitação na 2.ª Vara Federal em Vitória (ES). Na peça defensória foram lançados argumentos também contra a aplicação da taxa Selic, incidência de contribuição sobre o 13.º salário e contribuições para terceiros. Afirma ainda que são inconstitucionais as contribuições devidas aos terceiros e para aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho . Consta, fl. 134, pronunciamento do fisco no sentido de que a empresa não apresentou durante a ação fiscal qualquer documento relacionado à compensação judicial de contribuições previdenciárias. Às fls. 145/146, consta parecer da Procuradoria do INSS, que atendendo a consulta formulada pela autoridade lançadora, orientou que os créditos decorrentes da ação judicial fossem compensados com os valores apurados nas NFLD 32.811.4073; 32.211.4120 e 32.811.4065. Continuando sugere que, ao ser alcançado o montante de créditos do sujeito passivo, os valores remanescentes deveriam ser desmembrados da NFLD n. 32.811.4065, para prosseguimento do contencioso em relação as outras matérias impugnadas. O fisco juntou à fl. 148 informação fiscal em que menciona que parte do crédito da NFLD iria ser usado no encontro de contas, caso a empresa viesse a obter êxito na ação judicial. O saldo remanescente seria desmembrado da presente NFLD para que o seu valor prosseguisse em cobrança. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 455 3 A empresa foi cientificada do desmembramento, em que parte do crédito seria alocado na NFLD n. 35.491.3654. Foi então exarada a DecisãoNotificação (DN) n. 07.401.4/0272/2004, fls. 177/186. O órgão de julgamento entendeu que não caberia enfrentar as alegações relativas à compensação, posto que a questão se encontrava sob o crivo do Poder Judiciário. A seguir, foram afastados todos os outros argumentos constantes da defesa. A empresa interpôs recurso tempestivo de fls. 193/198, no qual afirma que a decisão administrativa contrariou determinação judicial constante da Apelação Civil n. 2000.02.01.0259528/ES proferida pela 3.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, que determinou a compensação integral dos valores indevidamente recolhidos pela recorrente a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores instituída pelas Leis n. 7.787/1989 e n. 8.212/1991. Sustenta que não é possível que o INSS, devedor da recorrente, desrespeite decisão judicial transitada em julgado para exigir os valores constantes da NFLD guerreada. Afirma que a apuração dos valores que lhe são devidos está sendo efetuada pelo próprio INSS desde o ano de 2003, conforme se observa do MPFDiligência n. 09049831, de 03/06/2003, com prazo para encerramento dos trabalhos em 02/08/2004. Ao final, requereu o cancelamento da lavratura. A 1.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da Segunda Seção do CARF, mediante o Acórdão n. 2301000.270, anulou a decisão de primeira instância, em razão da falta de ciência pelo sujeito passivo de pronunciamento do fisco efetuado após a apresentação da defesa. Instada a se pronunciar, a empresa compareceu aos autos às fls. 272/281, para mais uma vez afirmar que a NFLD é improcedente em razão da existência de créditos em seu favor de mais de oito milhões de reais, decorrentes de recolhimentos indevidos da contribuição de avulsos, autônomos e administradores. O processo seguiu para a DRJ no Rio de Janeiro I, que exarou o Acórdão n. 12 34.268, fls. 366/375. Entendeu o órgão a quo que na data da lavratura não havia qualquer decisão judicial impedindo o lançamento, além de que o contencioso administrativo não é o meio próprio para se buscar a compensação de tributos devidos com créditos do sujeito passivo. Quanto à incidência de contribuições sobre o seguro de vida, a DRJ manteve a cobrança sob o argumento de que quando da ocorrência dos fatos geradores não havia norma excluindo a parcela do saláriodecontribuição. Por fim, deixou de apreciar as matérias de índole constitucional, afirmando que não teria competência para afastar a aplicação de normas vigentes e eficazes ainda não declaradas inconstitucionais pelo STF. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso de fls. 418/425, para afirmar que: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 456 4 a) mais uma vez o órgão de julgamento de primeira instância desconsiderou a compensação que a recorrente vinha efetuando mediante a utilização de créditos relativos aos recolhimentos indevidos da contribuição incidente sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores; b) o art. 63 da Lei n. 8.383/1991 autoriza que o contribuinte que tenha efetuado pagamentos indevidos ou a maior, proceda à compensação desses valores, sem a necessidade de autorização judicial; c) teve contra si lavradas no ano de 1997 várias NFLD, as quais foram questionadas administrativamente para demonstrar a ocorrência das compensações, todavia, o fisco de forma intransigente não reconheceu os seus direitos creditórios; d) diante desses fatos, recorreu ao judiciário e obteve liminar reconhecendo o seu direito à compensação, suspendendo inclusive os efeitos dos lançamentos fiscais; e) o INSS ignorou esta determinação judicial e efetuou novo lançamento consignado na NFLD guerreada; f) obteve decisão em segunda instância com trânsito em julgado declarando legítima a compensação efetuada, além de que na fase executória foi reconhecida a existência de um crédito de R$ 8.526.469,12; g) desconsiderando o direito subjetivo da recorrente, a DRJ passou por cima das decisões judiciais e manteve a lavratura na integralidade, olvidando que o Judiciário impediu o INSS de proceder ao andamento de qualquer procedimento administrativo que tivesse por finalidade a cobrança das contribuições previdenciárias que foram ou seriam utilizadas para fins de compensação; h) além disso, a existência de uma decisão judicial transitada em julgado, determinando o encontro de contas, representa obstáculo intransponível da pretensão do INSS de levar adiante a cobrança da referida NFLD; i) lembra que o acórdão do TRF de fls. 576/579 foi igualmente expresso ao determinar que o lançamento de eventuais diferenças por parte do INSS somente poderia se aperfeiçoar após a averiguação do quantum representativo dos créditos da empresa; j) a própria Procuradoria Estadual e também a Divisão de Arrecadação tiveram entendimento convergente com o da recorrente, no sentido de que havendo crédito da empresa, ainda não integralmente apurado por exclusiva culpa do INSS, não há como se admitir a imputação de qualquer débito ao sujeito passivo; k) a existência de um crédito da empresa em data anterior ao surgimento da obrigação tributária enseja a compensação com base nos valores originários da obrigação, sem a possibilidade de incidência de acréscimos legais; m) o INSS foi intimado da decisão judicial em 01/04/2002, portanto, quando da decisão administrativa de primeira instância, a autoridade julgadora não poderia alegar o desconhecimento do provimento judicial em favor do sujeito passivo; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 457 5 n) a apuração dos créditos da recorrente está sendo efetuada pelo INSS desde o ano de 2003. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, com consequente cancelamento da NFLD. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 458 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Compensação A única questão trazida ao debate no recurso diz respeito à compensação das contribuições lançadas com créditos que a recorrente afirma possuir. Uma primeira observação de relevo para a solução desta contenda é que o lançamento não decorreu de glosas de compensação, mas de verificação pelo fisco de fatos geradores que o sujeito passivo não reconhecia. A obrigação tributária que deu ensejo ao lançamento foi decorrente dos seguintes fatos geradores: a) remunerações de empregados, conforme folhas de pagamento, rescisões e recibos de férias; b) contribuições da empresa relativas a seguro de vida em benefício dos empregados; c) prólabore, obtido na contabilidade; e d) remunerações pagas a trabalhadores autônomos constantes em recibos. Assim, a NFLD, além de valores constantes em folhas de pagamento, parcelas que sequer a empresa entendia como sujeitas à incidência de contribuições. O que soa, no mínimo estranho, o pedido para encontro de contas no transcurso do processo administrativo. Por outro lado, temos que levar em conta que para as contribuições previdenciárias o sujeito passivo não necessita solicitar autorização para compensar as quantias devidas com créditos de que disponha. Ocorre que este procedimento compensatório fica sujeito à homologação do fisco, a qual é efetuada, via de regra, mediante ação fiscal. Consequência disto é que se durante a auditoria a empresa sequer apresenta demonstrativo da compensação, para que o fisco possa fazer a homologação do encontro de contas, não, podemos, smj, admitir que esta venha a se realizar no curso do processo administrativo fiscal. É com esta situação que agora nos deparamos, visto que a recorrente tenta trazer para o processo administrativo fiscal matéria que lhe é estranha: pedido para compensação de tributos. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 459 7 O requerimento para quitação das contribuições devidas com supostos créditos que a empresa teria com a Fazenda Nacional não pode ser reconhecido nesse momento. Aqui tem lugar tão somente a verificação da legalidade do procedimento do fisco, não sendo o foro próprio para decisão acerca de processo compensatório ou de restituição. Caso o objeto do lançamento fosse a glosa pelo fisco de compensações efetuadas pelo contribuinte, aí sim caberia ponderação sobre a operação de encontro de contas, mas não é o caso, posto que aqui o que deve ser decido é se efetivamente ocorreram os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento. Além do mais, a compensação somente pode ser deferida quando o crédito fiscal estiver definitivamente constituído, o que não é o caso do lançamento sob discussão, posto que ainda não transitado em julgado na seara administrativa. Por outro lado, como bem se afirmou na decisão recorrida, a decisão judicial que reconheceu os créditos do sujeito passivo não trouxe qualquer empecilho à constituição dos créditos tributários, obstaculizando tão somente às etapas de cobrança das contribuições. Vêse que o fisco sequer sabia da existência de decisão judicial em favor do sujeito passivo no momento do lançamento, ver fls. 134. Mas, mesmo que soubesse, não poderia aguardar o transcurso do processo judicial para efetuar o lançamento, posto que as contribuições poderiam ser fulminadas pela decadência. Tem razão o sujeito passivo quando afirma que há pronunciamentos da Procuradoria do INSS e da então Divisão de Arrecadação favoráveis à compensação das contribuições até o limite dos créditos que o sujeito passivo fosse detentor. Todavia, não concordo com esse entendimento. A menos que a origem do lançamento seja glosas de compensação, o PAF não é a seara própria para se pleitear o encontro de contas, principalmente porque no curso da apreciação pelos órgãos de julgamento podese até decidir pelo cancelamento da lavratura. Assim, neste caso, somente após o trânsito em julgado do feito administrativo é que pode o sujeito passivo requerer a compensação. Reforço que para efetuar a compensação dos tributos, mesmo com créditos decorrentes de decisões judiciais, o sujeito passivo deve pautarse pelos atos administrativos da Administração Tributária, jamais buscar esse encontro de contas no bojo do processo administrativo fiscal. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 459DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 460 8 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim Redatora Designada Com a devida venia do i. Relator, ouso divergir do seu Voto no tocante ao não provimento do Recurso Voluntário, por entender que é necessária a realização de diligência no caso concreto a fim de esclarecer alguns fatos ainda não elucidados e essenciais ao deslinde do feito. A fiscalização que resultou na lavratura da presente NFLD iniciouse em 11/05/99 e teve como objeto o período de 04/1997 a 04/1999. Conforme consta do Relatório integrante do presente acórdão, no caso em tela a Recorrente alega que os débitos objeto da presente NFLD, lavrada em 28/06/99, foram previamente compensados com créditos decorrentes de decisões judiciais proferidas em seu favor que garantiram o direito à repetição/compensação de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente a título de contribuições incidentes sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos e autônomos, e administradores, a título de prólabore. Aduz o Recorrente em sua Impugnação (fls.76) que a inconstitucionalidade dos dispositivos que embasam a cobrança das referidas contribuições foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade, tendo sido objeto, ainda, da Resolução Senatorial n.º 14. Ademais, sustenta que obteve, em seu favor, decisão liminar proferida pela 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Espírito Santo nos autos do Processo n.º 99.00039874, cuja cópia da inicial consta dos autos às fls. 93/119, garantindolhe o direito de compensar o que recolheu indevidamente, no período de janeiro/93 a janeiro/95, a título de contribuição sobre a remuneração de avulsos, autônomos e administradores. Na inicial da referida ação, a Recorrente relata que, após a declaração de inconstitucionalidade das referidas contribuições, realizou levantamento contábil que apurou um crédito em seu favor de R$ 1.469.102,80 UFIRs e que, respaldada na Lei n.º 8.383/91, passou a fazer desde o ano de 1993, por conta própria e independentemente de autorização judicial, como ali previsto, as compensações do referido crédito com contribuições previdenciárias vincendas. O Fisco, entretanto, discordando das referidas compensações, lavrou contra a Recorrente diversas NFLD no ano de 1997 – dentre as quais não se inclui a ora analisada , as quais foram mantidas após o regular trâmite do processo administrativo. Afirmou, ainda, que mesmo após a lavratura das referidas NFLD, continuou a compensar os créditos a que teria direito, razão pela qual, com receio de que viesse a sofrer novas autuações além daquelas indicadas na inicial, ajuizou a referida ação para requerer, liminarmente, a suspensão dos efeitos das NFLD já lavradas (32.350.0382, 32.350.0390, 32.350.040.4, 32.350.0412, 32.350.0420, 32.350.0439, 32.350.0471, 32.350.0480 e 32.350.0498), bem como a suspensão de quaisquer medidas restritivas por parte do Fisco, tais como lançamentos e efeitos de inscrições em dívida ativa, que tenham por finalidade a cobrança de contribuições sociais da Recorrente, até o limite do crédito que ela possui junto ao INSS, por serem tais valores objeto da compensação cuja declaração de mérito se pretende. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 461 9 No mérito, por sua vez, requereu que, diante da cabal existência de créditos da Autora em valores muito superiores à quantia reclamada pelo Réu, que se proceda o “acertamento” da relação jurídica de créditos e débitos existente entre Autora e o Réu, com a realização de prova pericial para apuração do montante total do crédito que a Autora possui, além daquele já comprovado através das Guias de Recolhimento em anexo [...]. A liminar foi deferida em parte mediante decisão proferida em 25/06/99 (fls. 120/125) para determinar que a Ré se abstivesse de impor qualquer medida restritiva à Autora que tenha por finalidade a cobrança de contribuições sociais patronais sobre a folha de salários ou a prevista na Lei Complementar n.º 84/96, não recolhidas pela Autora, a partir de janeiro/1993, cujos valores foram ou estão sendo utilizados para fim de compensação com o montante indevidamente recolhido pela mesma, dentre os meses de janeiro de 1993 a janeiro de 1995, a título de contribuição sobre a remuneração dos avulsos, autônomos e administradores, até o limite do crédito autoral. A cópia do Livro Razão da Recorrente juntada às fls. 126/130 demonstra o registro das compensações realizadas nas competências 06/97 a 04/99. No primeiro Recurso Voluntário interposto pela Recorrente nos presentes autos, ela dá notícia acerca do trânsito em julgado, em 30/08/2002, de acórdão proferido nos autos da Apelação Cível n.º 2000.02.01.0259528ES, pela 3ª Turma do TRF2ª Região, no qual se determinou a compensação integral dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos avulsos, autônomos e administradores instituída pelas Leis 7.787/89 e 8.212/91. Analisandose a “resposta à consulta processual” juntada aos autos às fls. 246/249, constatase que a referida Apelação foi interposta nos autos do Processo n.º 95.00006537. O referido acórdão foi juntado às fls. 240/245 dos presentes autos e, da sua análise, verificase que foi acolhida a pretensão autoral para: 1) Declarar o direito à compensação da Contribuição de Autônomo com a Contribuição sobre a Folha de Salário [...]; 2) condenar o INSS na obrigação negativa para absterse de lançar ou inscrever na dívida ativa crédito tributário decorrente da Contribuição de Autônomo instituída pelas Leis nº s 7.787/89 e 8.212/91, enquanto não vigente a Lei Complemenar n.º 84/96; [...]. Em sua manifestação de fls. 303, a Recorrente afirma que, após o trânsito em julgado da referida decisão, foi realizada a liquidação judicial da sentença e apurado um crédito em seu favor de R$ 8.526.469,12. No Recurso Voluntário ora apreciado, por sua vez, a Recorrente afirma que as duas decisões judiciais, quais sejam, aquela que concedeu em parte a antecipação da tutela nos da ação n.º 99.00039874 e aquela outra, transitada em julgado em 2002 em decorrência do julgamento da Apelação Cível n.º 2002.02.01.0259528 (ação n.º 95.00006537) garantem o direito à compensação dos créditos ali reconhecidos com os débitos que resultaram na NFLD em tela, razão pela qual pugnou pela declaração de extinção da obrigação tributária e a nulidade da autuação fiscal em tela, porquanto promovida em desrespeito às decisões judiciais acima mencionadas. Como visto do presente relato, em que pese tenha a Recorrente afirmado a obtenção de decisão liminar em seu favor nos autos do processo n.º 99.00039874, a qual obstaria o Fisco de promover qualquer medida restritiva que tenha por finalidade a cobrança de contribuições sociais patronais sobre a folha de salários ou a prevista na Lei Complementar Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 462 10 n.º 84/96, não recolhidas pela Autora, a partir de janeiro/1993, cujos valores foram ou estão sendo utilizados para fim de compensação com o montante indevidamente recolhido pela mesma, dentre os meses de janeiro de 1993 a janeiro de 1995, a título de contribuição sobre a remuneração dos avulsos, autônomos e administradores, até o limite do crédito autoral, não há notícias nos autos acerca do desfecho daquela ação, o que é essencial para o deslinde do feito. Isto porque, a par de ter requerido a concessão da medida liminar em tela com efeitos restritivos, a Recorrente requereu, no mérito, tutela jurisdicional que fosse procedido “acertamento” da relação jurídica de créditos e débitos existente entre Autora e o Réu, com a realização de prova pericial para apuração do montante total do crédito que a Autora possui, além daquele já comprovado através das Guias de Recolhimento juntadas àquela ação. Neste contexto, é preciso que este Conselho tenha acesso aos desdobramentos daquele feito a fim de averiguar o que ficou ali decidido, ou seja, se a ação, ao final, foi julgada procedente e, ainda, se foi realizado o encontro de contas entre os créditos e os débitos na forma ali requerida. Como afirma a própria Recorrente ao longo dos presentes autos, aquela ação tem relação direta com o lançamento em foco, de modo que é imprescindível analisar a fase atual e o resultado daquela demanda a fim de se decidir acerca da regularidade do lançamento, bem como da existência, ou não, de renúncia à discussão na esfera administrativa a respeito da compensação em tela, em face do pedido de “acertamento” da relação jurídica de créditos e débitos formulado perante o Poder Judiciário. CONCLUSÃO De todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar que a autoridade fiscal diligente traga aos autos as seguintes informações quanto aos processos judiciais de n.º 99.00039874 e 95.00006537, na forma abaixo indicada: a. Quanto ao processo de n.º 99.00039874: a.1. Informar se foi realizada perícia para apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte. Em caso positivo, informar se o referido crédito é suficiente para compensar os débitos lançados no presente processo administrativo; a.2. Informar todos as decisões proferidas no bojo do processo (sentença, acórdãos proferidos pelo TRF, STJ ou STF); a.3. Informar o status do processo. b. Quanto ao processo de n. 95.00006537: b.1. Informar se foi realizada perícia para apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte, seja no curso da ação de conhecimento, seja na fase de liquidação ou execução do julgado; b.2. Informar se o crédito apurado foi objeto de execução e se foi expedido precatório para repetição do indébito pelo contribuinte; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 35067.001856/200444 Resolução nº 2401000.431 S2C4T1 Fl. 463 11 b.3. Informar se as compensações realizadas pelo contribuinte foram abatidas do crédito reconhecido judicialmente, em qualquer fase do processo; b.4. Informar a data do trânsito em julgado e o teor da decisão definitiva proferida nos autos. c. Elaborar relatório com a resposta aos quesitos acima, bem como com todas as informações adicionais que forem relevantes para o resultado deste processo administrativo. d. Anexar ao relatório cópia integral das duas ações acima referidas. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720056/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Restando verificado nos autos a existência de contradição, os Embargos de Declaração devem ser providos para esclarecer o resultado final do julgamento.
No presente caso, o Recurso Voluntário foi provido em parte, para considerar como VTN o montante constante do laudo apresentado, de R$ 34.497.276,00.
Numero da decisão: 2101-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que, o Recurso Voluntário, cujo acórdão foi embargado, havia sido provido em parte para considerar como VTN o montante constante do laudo apresentado (R$ 34.497.276,00).
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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CONTRADIÇÃO. Restando verificado nos autos a existência de contradição, os Embargos de Declaração devem ser providos para esclarecer o resultado final do julgamento. No presente caso, o Recurso Voluntário foi provido em parte, para considerar como VTN o montante constante do laudo apresentado, de R$ 34.497.276,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que, o Recurso Voluntário, cujo acórdão foi embargado, havia sido provido em parte para considerar como VTN o montante constante do laudo apresentado (R$ 34.497.276,00). LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 56 /2 00 7- 11 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO 2 COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 205 a 207), oposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2.10102.357, da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 167 a 178), julgado na sessão plenária de 20 de novembro de 2013, o qual restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). LAUDO. COMPROVAÇÃO. A utilização do SIPT para fundamentar o VTN arbitrado no lançamento pode ser contraditada por Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços da Secretaria da Receita Federal SIPT. No caso concreto o contribuinte logrou êxito na comprovação. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA A partir da Lei n.º 10.165, de 2000, para a exclusão da área de preservação permanente da área total do imóvel rural, no cômputo do ITR, exigese Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao Ibama. Havendo ADA tempestivo, no qual se tenha declarado área de preservação permanente inferior à pleiteada, impõese a confirmação da área excedente pelo órgão ambiental, o que, na hipótese, não se verificou. Recurso Voluntário Provido em Parte” (efl. 167) Aduz a embargante que a decisão atacada incorreu em omissão, no âmbito da conclusão do voto vencedor, uma vez que, embora ali se tenha estabelecido que o Valor de Terra Nua (VTN) a ser considerado para fins de tributação era de R$ 34.497.276,00, o voto vencido teria estabelecido o mesmo VTN em R$ 36.025,998,00, devendose notar, ainda, que o referido voto vencedor teria tecido considerações tão somente acerca da área de preservação permanente (e não sobre quaisquer aspectos do VTN). Propugna, assim, a Fazenda Nacional que seja sanada a omissão constatada, mantendose, todavia, o VTN da autuação. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO Processo nº 10183.720056/200711 Acórdão n.º 2101002.718 S2C1T1 Fl. 219 3 DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Analisando o acórdão recorrido, verifico a ocorrência de contradição. Ora, da fundamentação do voto do Ilustre Conselheiro Relator Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa denotase a intenção clara de considerar como VTN o valor que constava do Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte: “princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo na análise das provas, especialmente quando não se encontra nos dispositivos legais, ações a serem adotadas pelo contribuinte, se traduzem em prejuízo ao bom desenvolvimento do deslinde processual. Não me parece razoável o refugo do Laudo apresentado, posto que não foi objeto de desqualificação pelo julgador à quo, conforme se lê no seguinte trecho do acórdão nº 0422.876” Assim, fica claro que o recurso foi provido em parte para considerar o Valor da Terra Nua – VTN o montante constante do laudo apresentado pela contribuinte (R$ 34.497.276,00) (laudo de efls 27/29). O voto vencedor somente divergiu do voto vencido em relação ao reconhecimento da área de preservação permanente e, portanto, não expôs argumentação em relação ao Valor da Terra Nua, até porque concordava com o entendimento do I. Conselheiro Relator. Dessa forma, argumentação exposta no acórdão recorrido, ficou claro tanto pelo voto vencido, quanto pelo voto vencedor respeitaram o valor apurado no laudo apresentado pelo contribuinte (efls 27/29), qual seja no qual consta o VTN de R$ 34.497.276,00 no ano de 2004. Dessa forma, vislumbro contradição na conclusão do voto vencido, o qual deve ser sanado, a fim de evitar questionamentos posteriores. O voto vencido utilizou, em verdade, o valor total do imóvel constante do laudo de R$ 36.025.998,00 (efl. 28), quando, em verdade, deveria ter utilizado o Valor de Terra Nua de R$ 34.497.276,00, composto pelo valor total do imóvel subtraído do valor de benfeitorias, pastagens e florestas. Assim, onde se lê, no voto vencido, à fl. 197: “Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 5.646,5 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO 4 hectares e o VTN de R$ 36.025.998,00”, devese ler “Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 5.646,5 hectares e o VTN de R$ 34.497.276,00”. Nesse sentido também foi o entendimento do Ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior ao analisar a admissibilidade dos presentes Embargos de Declaração: “A propósito, verifico assistir razão à embargante, sendo certa a existência de lapso no teor do voto vencido, gerador de contradição com o voto vencedor. Notase que o voto vencido utilizou, em verdade, o valor total do imóvel constante do laudo de R$ 36.025.998,00 (fl. 26), quando, em verdade, deveria ter utilizado o Valor de Terra Nua de R$ 34.497.276,00, agora composto pelo valor total do imóvel subtraído do valor de benfeitorias, pastagens e florestas. Assim, onde se lê, no voto vencido, às fls. 158v: “Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 5.646,5 hectares e o VTN de R$ 36.025.998,00”, devese ler “Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 5.646,5 hectares e o VTN de R$ 34.497.276,00”. Dessa forma, voto em acolher e prover os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que, o Recurso Voluntário, cujo acórdão foi embargado, havia sido provido em parte para considerar como VTN o montante constante do laudo apresentado (R$ 34.497.276,00). É o meu voto. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO
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Numero do processo: 10283.909638/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 38 /2 00 9- 89 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909638/200989 Acórdão n.º 3202001.519 S3C2T2 Fl. 396 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 397DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003380/2005-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Demes Brito.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de canadeaçúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 33 80 /2 00 5- 19 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Demes Brito. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição do PIS, do mês de outubro de 2005, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 41.077,47. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls.55/67), procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; constatou créditos indevidos de óleo diesel que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; inclusão da receita financeira na receita do mercado interno e das notas fiscais de complemento de preço (variação cambial); créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física e créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária. Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 11.282,69, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 68/69, que deferiu parcialmemente o direito creditório e homologou parcialmente as Dcomp apresentas, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 84/97. Preliminarmente, disserta sobre as informações do processo e as intimações encaminhadas. Inicialmente, defende que o óleo diesel foi utilizado “para abastecer as máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 5 4 que a transportam do campo até a esteira” lhe dá direito ao crédito destas aquisições no período. Alega que a receita financeira do mercado interno “faz parte da receita de vendas no mercado interno” e quanto às “notas fiscais de complemento de preço”, serlheia permitido se creditar nos termos do artigo 149, da Constituição Federal. Afirma inaplicabilidade da IN/SRF nº 660/2006, por não ser possível a sua retroatividade e que a restrição seria ilegal e inconstitucional, pois “acarreta em uma verdadeira afronta à hierarquia das leis” e fere “o princípio da irretroatividade da lei”. Ao final, alega, no plano geral, inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004, vez que “não pode limitar o crédito da contribuição a determinado percentual sobre o insumo adquirido (35%).” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 6 5 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 8 7 Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 9 8 contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 10 9 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 11 10 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 12 11 Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 13 12 Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Sobre o rateio É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 14 13 I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale para o PIS/Pasep e para a Cofins. Receitas financeiras Do exposto na seção anterior, concluise que as receitas financeiras incluem se na receita bruta total, ou seja, no denominador do rateio. Uma vez que se está diante de pedido de ressarcimento “mercado externo”, a relação percentual a ser aplicada aos custos, encargos e despesas comuns que dão direito a crédito obtémse da divisão da receita com as exportações pela receita bruta total, não se incluindo nas receitas de exportações as decorrentes de vendas de produtos que, nas vendas internas, submetemse à tributação pelo regime cumulativo. As receitas financeiras, nelas não se incluindo as variações cambiais originadas de exportações, tratadas abaixo, não se incluem entre as receitas de exportação, pois são receitas do “mercado interno”. A exclusão destas receitas do total das receitas internas sujeitas ao regime não cumulativo, tendo em vista não integrarem a base de cálculo da contribuição não cumulativa1, causa impacto no cálculo da razão entre receita interna tributada e a receita bruta total, mas não afeta a razão entre receita de exportação e receita bruta total. 1 Salvo no caso de instituições financeiras, as receitas financeiras não caracterizam receitas de vendas de mercadorias ou serviços. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 15 14 Concluise que as receitas financeiras não integram as receitas de exportação (numerador do rateio) e integram a receita bruta total (denominador do rateio). Gastos com combustíveis e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda.. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito. Devem ser canceladas as glosas efetuados pela fiscalização no cálculo dos créditos da contribuição, apuração não cumulativa, referentes às aquisições de óleo diesel, utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canade açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, tendo em vista o disposto no art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 16 15 administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação. O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 17 16 cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004: A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 18 17 II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E a Lei nº 10.637, de 2002, determinou: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 19 18 Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003380/200519 Acórdão n.º 3801004.718 S3TE01 Fl. 20 19 A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). Nas demais questões, voto por manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.723090/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/2006 a 31/10/2009
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Sendo prescindível a realização de perícia para elucidar os fatos sob julgamento, revela-se correto o seu indeferimento pela DRJ. Inexistência de cerceamento de defesa.
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO.
O acórdão recorrido está razoavelmente fundamentado sobre os pontos articulados pela contribuinte, não havendo que se falar em nulidade.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. DETALHAMENTO DA GLOSA. DOCUMENTAÇÃO.
O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos constituem fundamento razoável da autuação e representam detalhamento a glosa dos créditos. É desnecessário a juntada, no auto de infração, de toda a documentação da empresa autuada, uma vez que pertence à própria contribuinte e a fiscalização a identificou nas planilhas. Inexistência de nulidade do auto de infração.
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Precedentes.
GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Precedentes.
ALUGUEL DE IMÓVEIS E BENFEITORIAS.EM IMÓVEIS.
Não procede o auto de infração que glosou o desconto de créditos de despesas com aluguéis e com edificações ou benfeitorias, em imóveis, com base no inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O referido creditamento possui outros pressupostos, que estão previstos nos incisos IV e VII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS. SERVIÇO QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE INSUMOS. INADEQUAÇÃO DO RACIOCÍNIO DE QUE O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL. O REGIME DE CRÉDITO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE NÃO É O MESMO DA MERCADORIA TRANSPORTADA.
Os créditos de frete de insumos, contratados pela recorrente perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser apurados com as alíquotas básicas previstas no art. 3º, § 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, independente do regime a que se submetem os insumos transportados.
CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS.
AQUISIÇÃO DE MILHO. NECESSIDADE DE CONSTAR NA NOTA FISCAL EXPRESSAMENTE QUE A OPERAÇÃO É SUSPENSA. PROVA.
É ônus da recorrente infirmar os fundamentos do acórdão, de que as notas fiscais continham expressamente que a operação é suspensa.
INSUMO.BOI VIVO E LENHA. FRIGORÍFICO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 12.865/2013. ART. 106, I, DO CTN. APLICAÇÃO RETROATIVA.
A aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01), utilizados como insumos de mercadoria classificada no Capítulo 2, se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I, art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN.
SÚMULA CARF Nº 2: MULTA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Por voto de qualidade, esta Turma entende que são cabíveis a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Preliminares suscitadas rejeitadas. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e da decisão da DRJ suscitadas no recurso voluntário. No mérito, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) quanto ao item III-B-5- "Gastos relacionados à graxaria", negou-se provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro; b) quanto ao item III-B-33- "Despesas com softwares (controle de estoque e gerenciador da câmara de resfriamento)", deu-se provimento, por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira; c) quanto ao item III-B-40- "Aluguel de imóveis", deu-se provimento, por unanimidade de votos; d) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às despesas com fretes no transporte de produtos industrializados entre estabelecimentos. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; e) Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial quanto às aquisições de milho das empresas Atlas Agroindustrial Ltda e Goiás Verde Alimentos Ltda; f) Por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto ao cálculo dos juros de mora à taxa SELIC; g) Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso voluntário quanto à alegação de inconstitucionalidade, referente ao alegado caráter confiscatório da multa de ofício; h) Por maioria de votos, negou-se provimento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda; i) Deu-se provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, quanto às demais questões suscitadas no recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator.
Charles Mayer de Castro Souza - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e da decisão da DRJ suscitadas no recurso voluntário. No mérito, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) quanto ao item III-B-5- "Gastos relacionados à graxaria", negou-se provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro; b) quanto ao item III-B-33- "Despesas com softwares (controle de estoque e gerenciador da câmara de resfriamento)", deu-se provimento, por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira; c) quanto ao item III-B-40- "Aluguel de imóveis", deu-se provimento, por unanimidade de votos; d) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às despesas com fretes no transporte de produtos industrializados entre estabelecimentos. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; e) Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial quanto às aquisições de milho das empresas Atlas Agroindustrial Ltda e Goiás Verde Alimentos Ltda; f) Por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto ao cálculo dos juros de mora à taxa SELIC; g) Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso voluntário quanto à alegação de inconstitucionalidade, referente ao alegado caráter confiscatório da multa de ofício; h) Por maioria de votos, negou-se provimento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda; i) Deu-se provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, quanto às demais questões suscitadas no recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. Charles Mayer de Castro Souza - Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/12/2006 a 31/10/2009 NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Sendo prescindível a realização de perícia para elucidar os fatos sob julgamento, revela-se correto o seu indeferimento pela DRJ. Inexistência de cerceamento de defesa. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. O acórdão recorrido está razoavelmente fundamentado sobre os pontos articulados pela contribuinte, não havendo que se falar em nulidade. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. DETALHAMENTO DA GLOSA. DOCUMENTAÇÃO. O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos constituem fundamento razoável da autuação e representam detalhamento a glosa dos créditos. É desnecessário a juntada, no auto de infração, de toda a documentação da empresa autuada, uma vez que pertence à própria contribuinte e a fiscalização a identificou nas planilhas. Inexistência de nulidade do auto de infração. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Precedentes. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Precedentes. ALUGUEL DE IMÓVEIS E BENFEITORIAS.EM IMÓVEIS. Não procede o auto de infração que glosou o desconto de créditos de despesas com aluguéis e com edificações ou benfeitorias, em imóveis, com base no inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O referido creditamento possui outros pressupostos, que estão previstos nos incisos IV e VII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS. SERVIÇO QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE INSUMOS. INADEQUAÇÃO DO RACIOCÍNIO DE QUE O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL. O REGIME DE CRÉDITO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE NÃO É O MESMO DA MERCADORIA TRANSPORTADA. Os créditos de frete de insumos, contratados pela recorrente perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser apurados com as alíquotas básicas previstas no art. 3º, § 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, independente do regime a que se submetem os insumos transportados. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS. AQUISIÇÃO DE MILHO. NECESSIDADE DE CONSTAR NA NOTA FISCAL EXPRESSAMENTE QUE A OPERAÇÃO É SUSPENSA. PROVA. É ônus da recorrente infirmar os fundamentos do acórdão, de que as notas fiscais continham expressamente que a operação é suspensa. INSUMO.BOI VIVO E LENHA. FRIGORÍFICO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 12.865/2013. ART. 106, I, DO CTN. APLICAÇÃO RETROATIVA. A aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01), utilizados como insumos de mercadoria classificada no Capítulo 2, se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I, art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN. SÚMULA CARF Nº 2: MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por voto de qualidade, esta Turma entende que são cabíveis a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Preliminares suscitadas rejeitadas. Recurso voluntário provido em parte.
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NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Recorrente MATABOI ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/2006 a 31/10/2009 NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Sendo prescindível a realização de perícia para elucidar os fatos sob julgamento, revelase correto o seu indeferimento pela DRJ. Inexistência de cerceamento de defesa. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. O acórdão recorrido está razoavelmente fundamentado sobre os pontos articulados pela contribuinte, não havendo que se falar em nulidade. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. DETALHAMENTO DA GLOSA. DOCUMENTAÇÃO. O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos constituem fundamento razoável da autuação e representam detalhamento a glosa dos créditos. É desnecessário a juntada, no auto de infração, de toda a documentação da empresa autuada, uma vez que pertence à própria contribuinte e a fiscalização a identificou nas planilhas. Inexistência de nulidade do auto de infração. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 30 90 /2 01 1- 92 Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 2 aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Precedentes. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Precedentes. ALUGUEL DE IMÓVEIS E BENFEITORIAS.EM IMÓVEIS. Não procede o auto de infração que glosou o desconto de créditos de despesas com aluguéis e com edificações ou benfeitorias, em imóveis, com base no inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O referido creditamento possui outros pressupostos, que estão previstos nos incisos IV e VII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS. SERVIÇO QUE SE ENQUADRA NO CONCEITO DE INSUMOS. INADEQUAÇÃO DO RACIOCÍNIO DE QUE O ACESSÓRIO SEGUE O PRINCIPAL. O REGIME DE CRÉDITO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE NÃO É O MESMO DA MERCADORIA TRANSPORTADA. Os créditos de frete de insumos, contratados pela recorrente perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser apurados com as alíquotas básicas previstas no art. 3º, § 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, independente do regime a que se submetem os insumos transportados. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS. AQUISIÇÃO DE MILHO. NECESSIDADE DE CONSTAR NA NOTA FISCAL EXPRESSAMENTE QUE A OPERAÇÃO É SUSPENSA. PROVA. É ônus da recorrente infirmar os fundamentos do acórdão, de que as notas fiscais continham expressamente que a operação é suspensa. INSUMO.BOI VIVO E LENHA. FRIGORÍFICO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 12.865/2013. ART. 106, I, DO CTN. APLICAÇÃO RETROATIVA. A aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01), utilizados como insumos de mercadoria classificada no Capítulo 2, se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I, art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN. Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.489 3 SÚMULA CARF Nº 2: MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por voto de qualidade, esta Turma entende que são cabíveis a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Preliminares suscitadas rejeitadas. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e da decisão da DRJ suscitadas no recurso voluntário. No mérito, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) quanto ao item IIIB5 "Gastos relacionados à graxaria", negouse provimento por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro; b) quanto ao item IIIB33 "Despesas com softwares (controle de estoque e gerenciador da câmara de resfriamento)", deuse provimento, por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira; c) quanto ao item IIIB40 "Aluguel de imóveis", deuse provimento, por unanimidade de votos; d) por voto de qualidade, negouse provimento quanto às despesas com fretes no transporte de produtos industrializados entre estabelecimentos. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; e) Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial quanto às aquisições de milho das empresas Atlas Agroindustrial Ltda e Goiás Verde Alimentos Ltda; f) Por unanimidade de votos, negouse provimento quanto ao cálculo dos juros de mora à taxa SELIC; g) Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso voluntário quanto à alegação de inconstitucionalidade, referente ao alegado caráter confiscatório da multa de ofício; h) Por maioria de votos, negouse provimento quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda; i) Deuse provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, quanto às demais questões suscitadas no recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator. Charles Mayer de Castro Souza Redator. Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase o presente processo de insuficiência de recolhimento de Cofins/PIS referente aos fatos geradores ocorridos entre 31/12/2006 e 31/10/2009, decorrente da glosa de créditos dessas contribuições, no regime nãocumulativos, vinculados a exportações, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/05 e 14/18), Termo de Verificação Fiscal de fls. 27/35 e Anexos I e II de fls. 36/16, totalizando montante de R$ 16.353.654,82 de PIS/PASEP e R$ 75.325.925,11 de COFINS, incluindo juros de mora e multa proporcional. O contribuinte apresentou impugnação no sentido de manter o crédito tributário em sua totalidade, na qual, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito (fls. 4074 e ss.) Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4108e ss.), no qual pede a nulidade do acórdão da DRJ, além de reproduzir as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Constam Contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 4220 e ss. Por conseguinte, o acórdão 3201000.438, converteu o julgamento em diligência para verificação e esclarecimentos perante a fiscalização, bem como a própria recorrente para comprovar o alegado, nos seguintes termos: a) Comprovar e explicar o uso nas etapas do processo produtivo dos produtos de limpeza cujos créditos de aquisição foram glosados pela fiscalização. De acordo com a diligenciada tais produtos se enquadrariam no conceito de insumo mesmo se adotado o entendimento normatizado das IN´s 247/2002 e 404/2004, citando como exemplos o Nutradox e Saltract. b) Descrever as etapas do processo produtivo. c) Determinar a forma de escrituração da aquisição de produtos relacionados a uniformes e vestimentas para os funcionários. d) Comprovar a forma de contratação dos fretes na aquisição de bois vivos/lenhas, que foram direcionados pela fiscalização para o aproveitamento no percentual admitido para os créditos presumidos por estarem associados ao custo do insumo cujo aproveitamento do crédito é da mesma natureza. Sobre este tema a recorrente reconhece o frete de aquisição como um serviço a ser qualificado como insumo utilizado no processo produtivo, totalmente dissociado do custo de aquisição do produto. e) Comprovar em qual etapa de produção se enquadraria a utilização dos créditos com a aquisição de carimbos que são postos na carne ou nas embalagens dos produtos. Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.490 5 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento de defesa O primeiro argumento, levantado pela Recorrente, diz respeito à nulidade do acórdão recorrido, por ter indeferido seu pedido de perícia, que tinha por objetivo demonstrar a adequação do desconto de créditos de PIS/COFINS nãocumulativo, relativamente a inexistência de suspensão desses tributos nas notas fiscais de aquisição de milho e à contratação específica de fretes para o transporte de animais da sede do produtor rural até o estabelecimento da empresa autuada. Contudo, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade do acórdão recorrido, uma vez que a matéria a ser objeto de perícia ou pode ser visualizada através da documentação existente nos autos ou foram devidamente explicitadas depois da realização de diligência, determinada pelo CARF. Nulidade do acórdão da DRJ por falta de fundamentação A recorrente suscita, ainda, a nulidade do acórdão da DRJ por falta de fundamentação, quanto aos argumento da empresa, relativamente i) às alíquotas equivocadas utilizadas no cálculo do crédito presumido do item 6.2.4. do auto de infração; ii) à apreciação genérica do processo produtivo; iii) à fiscalização não ter apresentado o valor dos combustíveis glosados. Todavia, o acórdão recorrido apreciou o recálculo do crédito presumido, em decorrência da reclassificação dos insumos efetuada pela fiscalização. Leiase: No que tange às alíquotas aplicáveis à base de cálculo de cálculo do crédito presumido, verificasse que o autuante as determinou como 2,66% e 0,5775% (35% de 7,6% e 1,65%), para a COFINS e o PIS, respectivamente, se baseando, para tanto, no inciso III do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A autuada se insurgiu contra os referidos percentuais acentuando que os mesmos deveriam ser os previstos no inciso I do mesmo parágrafo, ou seja, 4,56% e 0,99% para a COFINS e o PIS (60% de 7,6% e 1,65%), respectivamente. Para a análise da questão, cumpre primeiramente evidenciar que a empresa adquire como insumos sem a incidência das contribuições bovinos vivos e lenha, classificados nos capítulos 1 e 44 da NCM, respectivamente, para produção de mercadorias classificadas no capítulo 2. Fl. 4492DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 6 As dúvidas da empresa acerca do enquadramento das alíquotas no inciso I ou III do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foram objeto de inúmeras consultas formuladas por outras empresas à RFB. Contudo, a partir do entendimento adotado pela administração tributária, temse que o enquadramento do caso concreto no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, conforme adotado pela impugnante parte de uma premissa equivocada. A empresa erroneamente interpreta que o produto a ser enquadrado no dispositivo legal, para obtenção da alíquota aplicável, é a mercadoria produzida pela empresa e não o insumo adquirido, ou seja, ela alega: “sempre que os insumos forem adquiridos para produção de mercadorias classificadas no capítulo 2 a alíquota aplicável para COFINS será de 4,56% e de PIS será de 0,99%”. [...] Tanto a lei como a instrução normativa transcritas não deixam margem a dúvidas: adquirindo insumos de origem animal (capítulos 2 a 4 e 16, etc. da NCM), o crédito presumido será calculado pela aplicação dos percentuais de 0,99% para o PIS e 4,56% para a Cofins (ou seja, 60% das alíquotas básicas); adquirindo outros insumos, aplicarseá sobre o valor dos insumos adquiridos o percentual de 0,5775% para o PIS e 2,66% para a Cofins (isto é, 35% das alíquotas básicas). Não poderia, aliás, ser de outra forma, pois, o objetivo do crédito presumido é desonerar o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos. Fixar as alíquotas de acordo com a atividade da agroindústria adquirente, conforme pretende a autuada fugiria ao objetivo de desoneração do crédito presumido em questão, pois a atividade de cada empresa não guarda qualquer relação com a carga de contribuições incidente sobre os insumos adquiridos. Dito de outra maneira, é descabido que um mesmo insumo possibilite creditamento por alíquotas distintas se adquirido por esta ou por aquela pessoa jurídica. A DRJ, por igual, apreciou as glosas à luz do processo produtivo da ora Recorrente. Observese: Assim, outras definições de insumos, trazidas pela impugnante não são passíveis de serem aceitas. No caso concreto, verificase, através do Anexo I que os custos, despesas e encargos ali discriminados não atendem à definição de insumo conforme definido pela legislação tributária, motivo pelo qual as glosas a eles relativas devem ser mantidas. E mais, aos itens especificamente apontados pela autuada, quais sejam: vestimentas de funcionários, serviços de inspeção, de limpeza e de sanitização, análises laboratoriais e gastos com licenças de Fl. 4493DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.491 7 software, impõemse os mesmos conceitos e entendimentos já explanados, ou seja, o requisito indispensável para serem considerados como insumos é que os bens ou serviços sejam aplicados ou consumidos no processo produtivo e, os itens acima citados, tanto quanto os demais do Anexo I, se referem a bens/serviços que apesar de necessários à atividade empresarial, não são aplicados ou consumidos diretamente no processo produtivo. Relativamente aos produtos Nutradox e Saltract, a empresa alegou se tratarem de aditivos, conservantes e antioxidantes, não cabendo a glosa de tais produtos, dentre outros. Porém, constam dos autos, expressamente que ambos os produtos são materiais de limpeza, sendo que a impugnante não passou do campo das alegações e não trazendo ao processo quaisquer documentos ou provas que viessem a infirmar a utilização dos referidos produtos como material de limpeza, conforme descrição contida no Anexo I. No que tange aos serviços de manutenção e peças de reposição empregados tanto nas empilhadeiras, como nos veículos pertencentes à frota própria que transportam produtos em elaboração ou acabados entre os estabelecimentos da pessoa jurídica,temse que somente podem ser considerados como insumos, conforme já visto, os dispêndios com os serviços de manutenção das máquinas e equipamentos diretamente empregados na fabricação de seus produtos e com as partes e peças de reposição adquiridas para serem usadas nesses serviços. E mais, para fazer jus ao crédito, os bens e serviços devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda e devem sofrer alterações (tais como desgaste, dano ou perda de propriedades) em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Por se tratar de um frigorífico, as empilhadeiras e os veículos utilizados na atividade de transporte de produtos em elaboração ou acabados, nas dependências da empresa ou entre seus estabelecimentos não se encaixam na definição de bens e serviços passiveis de gerarem créditos das contribuições. **** No caso do transporte de produtos em elaboração entre estabelecimentos da mesma empresa, não há que se falar em insumos para tal atividade, a menos que se trate de empresa do ramo de transporte. Outrossim, o acórdão recorrido é específico quanto às razões da glosa dos créditos vinculados a despesas com combustíveis, consoante se verifica do trecho abaixo: No que se refere à argumentação sobre a “falta de demonstração, pormenorizada, do cálculo efetuado ... após a glosa dos créditos ... que tenha, supostamente, gerado a insuficiência de recolhimento”, cumpre trazer à lembrança as planilhas de fls. 36 e seguintes, onde constam não só todos os Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 8 cálculos, como também, listados mensalmente os itens objeto de glosa. As citadas planilhas (fls. 36/39) indicam com clareza quais os valores considerados, sendo que as suas seis primeiras linhas foram retiradas das DACON’s ou dos PER’s preenchidos pela própria empresa. As demais linhas das planilhas foram retiradas do Anexo I, do Anexo II deste processo ou do Anexo II dos processos referentes aos Pedidos de Ressarcimento (caso da linha: “Glosa de combustível”). E, finalmente, os valores relativos às contribuições não recolhidas (planilhas de fls. 36/39) e objeto de cobrança nos Autos de Infração, nada mais são do que a subtração entre as linhas “Cofins ou Pis devida no mês” e “Crédito Presumido Cofins ou Pis”. [....] Quanto aos combustíveis e lubrificantes utilizados nas empilhadeiras e nos veículos pertencentes à frota própria, não podem ser aceitos, pois, somente poderão ser considerados se o seu consumo se deu em bens e serviços considerados como insumos, conforme previsto no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003, regulamentados pelo inciso I do art. 8º da IN SRF nº 404, de 2004 e pelo inciso I do art. 66 da IN SRF nº 247, de 2002. Assim, REJEITO A PRELIMINAR de nulidade do acórdão da DRJ, pois este está devidamente fundamentado. Nulidade do auto de infração por falta de fundamentação e detalhamento das glosas dos créditos de PIS/COFINS Também não procede a preliminar de nulidade do auto de infração, alegada pela empresa, sob a alegação de que o lançamento padece de falta de fundamentação e falta de detalhamento das glosas de créditos. Isso porque o Termo de Verificação Fiscal de fls. 27/35 e as planilhas anexas constituem fundamentação e detalhamento adequado à ação fiscal e à defesa da Recorrente. Assim, REJEITO essa preliminar. Nulidade do auto de infração por falta de documentação que ampare o lançamento Segundo a Recorrente, a fiscalização trouxe os Anexos I e II, onde constam os valores glosados, mas não acostou ao processo os respectivos documentos, o que provocaria a nulidade da autuação. Entretanto, tal assertiva não procede, como bem demonstrou o acórdão recorrido: Quanto à alegada falta de documentação trazida ao processo, pelo autuante, temse que todos os documentos nos quais se respaldaram os atos administrativos pertencem à empresa, sendo que dos mesmos ela tem amplo e geral acesso, por óbvio. Os documentos que não pertencem à impugnante e obtidos pela fiscalização, caso das fornecedoras de milho, se encontram Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.492 9 anexados aos autos (fls. 2383 e seguintes). E mais, os processos referentes aos créditos tem a empresa como interessa, sendo que o seu acesso a todos eles é irrestrito. Acolhendo as razões acima transcritas, REJEITO a citada preliminar de nulidade do auto de infração. Do conceito de insumos para fins de PIS/COFINS nãocumulativos Antes de analisar cada item da glosa de créditos de insumos de PIS/COFINS nãocumulativos, antecipo que adoto o entendimento do STJ, firmado no Resp nº 1.246.317 MG, segundo o qual “são ‘insumos’, para efeitos do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.8332003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Nessa mesma orientação, seguida pela STJ, nossa Turma tem se pronunciado: Processonº 11686.000186/200817 Acórdão nº 3202001.023 –2ªCâmara/2ªTurmaOrdinária Sessão de 27 de novembro de 2013 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os gastos gerais de fabricação são Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 10 necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Destaco, inclusive, que o colega de turma, Conselheiro CHARLES MAYER, tem ressalvado seu entendimento pessoal, de que o conceito de insumos do PIS/COFINS é o mesmo do IPI adicionado da possibilidade de creditamento de serviços, acostandose ao entendimento majoritário da nossa Turma. Desse modo, utilizando tal definição (o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes), passo a esmiuçar cada grupo de produtos ou serviços, cujos créditos foram glosados pela autoridade fiscal e discriminados no Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40), de acordo com a fase de utilização dos mesmos na atividade da empresa, a saber: IIIB2 – Equipamento de proteção individual IIIB4 – Gastos com aquisição de carimbos IIIB5 – Gastos relacionados à graxaria IIIB6 Produtos químicos utilizados na limpeza da caldeira IIIB12 – Reforma e manutenção de empilhadeira IIIB14 – Material de limpeza utilizado na indústria e na lavanderia IIIB15 – Gastos com lavanderia IIIB23 – Luvas de aço IIIB27 – Despesas e manutenção relacionadas à água utilizada no processo produtivo, como bomba para poço artesiano e o encanamento especial construído para busca água no terreno vizinho IIIB28 – Contratação de serviços de pessoa jurídica, como de resfriamento e os serviços contratados do governo e de particulares para análise de qualidade da água e da carne IIIB31 Manutenção de veículos e empilhadeiras IIIB33 Softwares utilizados no processo produtivo, como programa para o controle de estoque, gerenciador da câmara de resfriamento IIIB40 – Aluguel de imóveis como aluguéis de adaime Produtos químicos utilizados na limpeza da caldeira, Material de limpeza utilizado na indústria e na lavanderia, Gastos com lavanderia (Itens da autuação: IIIB6, IIIB14, IIIB15) Nesse item de glosa de créditos, a empresa contextualizou a utilização dos citados produtos no seu processo produtivo, nas fls. 4.415/4.421.: Em relação ao material de limpeza glosado, depois de esclarecimentos da empresa sobre o seu processo produtivo, produziuse o seguinte Relatório de Diligência fiscal quanto a esse tema: Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.493 11 4) Transcrevese adiante o item “1” do Termo de DILIGÊNCIA/SOLICITAÇÃO de Documentos: “Foi alegado pela empresa autuada, em fase de impugnação e recurso voluntário, que muitos produtos de limpeza constantes do Anexo I do Auto de Infração são insumos, mesmo quando adotado o entendimento contido nas IN´s 404/2004 e 247/2002, citando como exemplos os produtos “Nutradox” e “Saltract”, os quais seriam aplicados no processo produtivo com perda de suas propriedades físicas e seriam consumidos durante o processo produtivo. O citado Anexo I, que relaciona as glosas referentes a insumos não aceitos pela fiscalização nos meses de Abril/2007 a Outubro/2009, foi elaborado com base nas informações fornecidas pelo próprio fiscalizado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 001/2011, lavrado em 13/07/2011, cujos itens utilizados no creditamento do PIS e COFINS foram apresentados sob o título “Creditamento do PIS e COFINS – Possibilidade de Tomada de Créditos – Relatório do escritório Ippolito Riviti e Dias”, sendo os produtos de limpeza classificados de acordo com a seguinte estrutura: Item do Relatório Tese IIIB6 Produtos químicos utilizados na limpeza de caldeira IIIB14 Material de limpeza utilizado na indústria e lavanderia IIIB15 Gastos com lavanderia Assim, fica o diligenciado intimado a comprovar, dentre os produtos de limpeza constantes do Anexo I, quais são aplicados e consumidos no processo produtivo com perda de suas propriedades físicas, explicando e comprovando mediante documentação hábil (laudos, relatórios, etc) o uso nas etapas do processo produtivo. Elaborar planilha discriminando para estes itens, a “descrição”, “Item do Relatório” a qual pertence, valor utilizado como crédito, número de nota fiscal de aquisição e data de emissão da nota fiscal.” 5) Em sua resposta a este item o contribuinte descreve o momento em que os produtos químicos e de limpeza são utilizados em cada uma das etapas do processo produtivo, concluindo que todos eles geram o direito ao crédito de PIS e COFINS. Verificase, então, que o diligenciado adota o critério da essencialidade para enquadrar os produtos de limpeza no conceito de insumo, ampliando o espectro definido pelas IN´s 247/2002 e 404/2004. Esta fiscalização não questiona a essencialidade de tais produtos, mas tão somente utiliza o conceito de insumo extraído das IN´s retrocitadas; e neste contexto é essencial que o insumo além de ser utilizado no processo produtivo seja consumido ou sofra desgaste com a perda de suas propriedades físicas ou químicas em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Desta forma, sob à luz das IN´s 247/2002 e 404/2004, não se comprovou que os produtos de limpeza glosados possam ser admitidos como passíveis de creditamento. Não foram Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 12 apresentados provas ou elementos que comprovassem as perdas das propriedades físicas dos produtos de limpeza em função da utilização no processo produtivo, assim como a empresa reconheceu a impossibilidade em discriminar os produtos por “descrição”, “Item do Relatório”, “valor”,“número da nota fiscal” e “data de emissão da nota fiscal”, propondo inclusive a inversão do ônus da prova na verificação dos créditos ao Fisco, e não aos contribuintes que os pleiteiam. Como se lê da diligência acima transcrita, a “fiscalização não contesta a essencialidade de tais produtos” no processo produtivo da Recorrente. A autoridade fiscal diverge de tal creditamento, porque, na sua ótica, “é essencial que o insumo além de ser utilizado no processo produtivo seja consumido ou sofra desgaste com a perda de suas propriedades físicas ou químicas em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação”. Entretanto, como assentei linhas atrás, adoto o posicionamento do STJ, de que o conceito de insumos do PIS/COFINS nãocumulativos adota o critério da pertinência com o processo produtivo, e não do contato físico. Por essa razão, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao creditamento dos itens IIIB6, IIIB14 e IIIB15 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). Equipamento de proteção individual (Itens da autuação: IIIB2, IIIB23) No que se refere à indumentária (equipamento de proteção individual) de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes, entendo que é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. No mesmo sentido, colhase o seguinte precedente do CARF: CARF Acórdão nº 3102000.781–1ªCâmara/2ªTurma Ordinária Julgado em 1º de outubro de 2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/10/2005a31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE.CRÉDITO.INDÚSTRIA AVÍCOLA. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. Os serviços contratados de pessoa jurídica contribuinte do PIS/COFINS, aplicados no processo produtivo,geram direito ao crédito de que trata o art.3ºdas Leis n.º10.637/02e10.833/03. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal específica, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins outros custos que não se enquadrem no conceito de insumos de produção e/ou serviços utilizados no processo produtivo. Despesas com a atividade Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.494 13 comercial, salvo aquelas específicas referenciadas na legislação de regência, não geram direito ao crédito de que se cuida. Recurso Voluntário Provido em Parte Luis Marcelo Guerra de CastroPresidente e Redator.Ad Hoc Decisão unânime. Notese que, de acordo com o Relatório de Diligência, tais itens não constam do ativo imobilizado da empresa: (fl. 4.456) 10) Em relação ao item “5” do Termo de Diligência o contribuinte esclareceu a forma de lançamento dos itens, em contas de consumo e estoque, não sendo contabilizados em contas do ativo permanente. Comprovase também, no exame dos documentos constantes do processo administrativo fiscal, que não há qualquer solicitação de crédito sobre ativo imobilizado referente a itens associados a vestimentas, uniformes, agasalhos, EPI´s e assemelhados. Assim DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer a improcedência da glosa de EPI equipamento de proteção individual, agrupados nos itens III B2 e IIIB23 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss).. Item IIIB5 – Gastos relacionados à graxaria Conforme explicado no Laudo do processo produtivo de fl.4.418, a graxaria é o setor do frigorífico onde é processado os subprodutos, decorrente do abate, (recebido da bílis, cascos e chifres e as crinas). As glosas efetuadas pela autoridade fiscal, nesse item, abrangem material de higienização, material de conservação do produto, equipamento de proteção individual, materiais de escritório (v.g., caneta bic) e despesas com cesta básica/refeição destinadas aos empregados, ao teor do que consta à fl. 45 dos autos. Assim, pelos mesmos motivos explicitados nos tópicos antecedentes da presente decisão, entendo que devem ser acolhidos os créditos relacionados no item IIIB5 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss), excetuado materiais de escritório (v.g., caneta bic) e despesas com cesta básica/refeição destinadas aos empregados. Carimbo (Item da autuação: IIIB4) O Relatório da diligência constatou que “a utilização dos carimbos é associada à identificação e classificação das carcaças realizadas na etapa 3 denominada “Linha de Abate”. Também destacou que “da análise das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, que não somente a aquisição de carimbos foi contabilizada como crédito, mas também a aquisição de blocos e papeletas diversas, e a confecção e encadernação de livros”. Nesse contexto, entendo que “a utilização dos carimbos é associada à identificação e classificação das carcaças realizadas na etapa 3 denominada “Linha de Abate” possui grau de pertinência e essencialidade no processo produtivo, o que não ocorre no caso da aquisição de blocos e papeletas diversas, e a confecção e encadernação de livros”. Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 14 Dessa maneira, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente a glosa de créditos vinculados aos carimbos associados à identificação e classificação das carcaças, relacionados no item IIIB4 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). Despesas com softwares utilizados no processo produtivo, como programa para o controle de estoque, gerenciador da câmara de resfriamento (Item da autuação: III B33) Em seu recurso voluntário, a empresa critica a glosa de despesas com software utilizados para o controle do processo produtivo, especialmente programa para gerenciamento de estoques e das câmaras de resfriamento, pois afirma que não é possível fazer o controle, qualitativo e quantitativo, do processo produtivo sem essa tecnologia. Correto a recorrente também nesse ponto, tendo em vista que tais despesas com software são essenciais e pertinentes ao controle do processo produtivo, merecendo provimento o recurso voluntário, para acolher o creditamento dos valores indicados no item III B33 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). IIIB12 – Reforma e manutenção de empilhadeira e IIIB31 Manutenção de caminhões e empilhadeiras No frigorífico, a empilhadeira é utilizada para movimentação das mercadorias por ele processadas e os veículos que transportam os animais das fazendas dos produtores rurais para os centros de confinamento e, daí, para linha de abate. As atividades da empilhadeira e dos caminhões, portanto, são necessárias, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente. Conseqüentemente, também é necessária, essencial e pertinente ao processo produtivo da recorrente os serviços de reforma e manutenção da empilhadeira e dos caminhões. Nesse sentido, colhase a seguinte Solução de Consulta nº 101, de 22 de Outubro de 2010, da 6ª Região Fiscal: As despesas com aquisição de partes e peças e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos, bem como as despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que as partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Assim, acolho o recurso voluntário para manter os créditos, alusivos aos itens IIIB12 e IIIB31 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). IIIB27 – Despesas e manutenção relacionadas à água utilizada no processo produtivo, como bomba para poço artesiano e o encanamento especial construído para busca água no terreno vizinho No item IIIB27, a própria fiscalização assenta que se tratam de despesas e manutenção relacionadas à água “utilizada no processo produtivo”, como análise da qualidade da água, bomba (inclusive combustível) para poço artesiano e o encanamento especial construído para busca água no terreno vizinho. Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.495 15 Dessa forma, entendo ser, praticamente, incontroverso que tais gastos são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente, e que o motivo da glosa pela autoridade fiscal foi a adoção inadequada do conceito de insumo do IPI, razão pelo qual acolho o recurso voluntário para manter os créditos, alusivos ao item IIIB27 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). IIIB28 – Contratação de serviços de pessoa jurídica, como de resfriamento e os serviços contratados do governo e de particulares para análise de qualidade da água e da carne No item IIIB28, foram glosados serviços de análise microbiológica de carne análise de água, análise de matériaprima, e serviços de certificação/auditoria exigida pela Governo. É intuitivo que tais serviços decorrem das altas exigências sanitárias governamentais, a que são submetidos os Frigoríficos e todas as empresas de processamento de alimentos, sendo inequívoco que tais gastos são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente. Verdadeiramente a glosa pela autoridade fiscal nesse caso só se justifica pela adoção inadequada do conceito de insumo do IPI para o âmbito do PIS/COFINS, razão pelo qual acolho o recurso voluntário para manter os créditos, alusivos ao item IIIB28 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). IIIB40 – Aluguel de imóveis como aluguéis de andaime O inciso IV do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza o desconto de créditos dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Já o inciso VII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 permite o desconto de créditos nas edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, de modo que é justificado o creditamento de aluguel de andaimes. Dessa maneira, ao contrário do que assentou a fiscalização, o desconto de tais créditos não dependem de seu enquadramento, no inciso II, do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Deveras, o desconto de créditos nessa hipótese depende do enquadramento ou não dessas despesas, nos incisos IV e VII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse diapasão, confirase o seguinte julgado do CARF: Processo nº 13502.720021/201105 Relator: Ricardo Rosa Sessão de 15/10/2014 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 16 PEDIDO DILIGÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. PROVA DOCUMENTAL EM PODER DA RECORRENTE. PRECINDIBILIDADE DA PRODUÇÃO. CABIMENTO. Não é passível de deferimento pedido de diligência que não atende os requisitos legais, especialmente, quando se revela prescindível, por se tratar de prova documental referente à escrituração contábil e fiscal da recorrente, que, se existente, seria de fácil colação aos autos nas fases de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Os dispêndios com aluguéis de equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, geram direito de créditos da Cofins independentemente do tipo de atividade em que utilizados. Não tendo a autoridade fiscal glosado os créditos na perspectiva dos incisos IV e VII – mas sim na perspectiva equivocada do inciso II , julgo que os mesmos são legítimos. DOU PROVIMENTO o recurso voluntário para manter os créditos, vinculados ao item IIIB40 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.). Despesas com fretes no transporte de insumos sujeitos à suspensão das contribuições ou ao crédito presumido Sobre as despesas com frete, o Relatório de Diligência Fiscal constatou o seguinte: 6) Os itens “2”, “3” e “4” do Termo de DILIGÊNCIA/SOLICITAÇÃO de Documentos, formulados para fins de elucidação da forma de contratação dos fretes na aquisição de bois vivos/lenhas, são transcritos a seguir: “2) Relação dos fretes vinculados às aquisições de bovinos vivos, no período de 12/2006 a 10/2009, junto às pessoas físicas, em planilha eletrônica que contenha pelo menos o número do CTRC (ou número da nota fiscal de serviço), CNPJ e nome do transportador, data da emissão do documento, produto transportado e valor do serviço. Apresentar cópias de pelo menos um CTRC (ou NF de serviço) para cada mês do período solicitado. 3) Relação dos fretes vinculados às aquisições de bovinos vivos, no período de 12/2006 a 10/2009, junto às pessoas jurídicas, em planilha eletrônica que contenha pelo menos o número do CTRC (ou número da nota fiscal de serviço), CNPJ e nome do transportador, data da emissão do documento, produto transportado e valor do serviço. Apresentar cópias de pelo menos um CTRC (ou NF de serviço) para cada mês do período solicitado. 4) Relação dos fretes vinculados às aquisições de lenha, no período de 12/2006 a 10/2009, junto às pessoas físicas, em planilha eletrônica que contenha pelo menos o número do CTRC (ou número da nota fiscal de serviço), CNPJ e nome do transportador, data da emissão do documento, produto transportado e valor do serviço. Apresentar cópias de pelo menos um CTRC (ou NF de serviço) para cada mês do período solicitado.” 7) A diligenciada apresentou planilha eletrônica com a relação de fretes contratados e cópias, por amostragem, dos Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.496 17 documentos fiscais correlatos. Embora a planilha demonstre detalhadamente os fretes contratados, indicando datas, valores, números dos documentos fiscais e identificação dos transportadores, não há indicação dos produtos transportados, pois na coluna denominada “PRODUTO” as descrições são genéricas tais como “Fretes s/ compras” ou “Fretes s/ transferências”, dentre outros. Em resposta datada de 18/10/2011, no curso do procedimento fiscal realizado, o contribuinte já afirmava não possuir a segregação dos fretes de aquisição de matérias primas vinculadas a aquisições de pessoas físicas e pessoas jurídicas. Justamente por esta impossibilidade de segregar os fretes vinculados a produtos com ou sem suspensão a fiscalização utilizou critério de rateio para determinar os fretes de aquisição sujeitos à suspensão, com base na relação entre as aquisições de insumos adquiridos com suspensão e o total de aquisições dos insumos. Vêse, portanto, que a fiscalização fez um rateio dos fretes relacionados a insumos com suspensão do PIS/COFINS nãocumulativo daqueles relacionados a insumos sem suspensão do PIS/COFINS nãocumulativo, glosando os créditos relativos aos primeiros. A autoridade fiscal apurou, ainda, os créditos de frete de acordo com o regime submetido aos insumos transportados (créditos básicos ou créditos presumidos, conforme o caso). Desse modo, resta decidir se o serviço de frete, tributado pelo PIS/COFINS, segue ou não o mesmo regime do insumo transportado. Na minha ótica, o serviço de frete no transporte de insumo, tributado pelo PIS/COFINS, é creditável independente do fato de o material transportado não o ser, pois tal serviço se enquadra no conceito de serviço utilizado no processo produtivo, de que trata o inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que é tributado pelas contribuições e foram prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Pelas mesmas razões, concordo com a Recorrente, quando sustenta que os créditos do serviços de fretes não devem seguir o regime do crédito presumido do insumo transportado. Os fretes de insumos são insumos e geram créditos “básicos” (art.3º, II) sempre que forem contratados pela contribuinte perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Portanto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam recalculados todos créditos de frete de insumos (contratados pela recorrente perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil), com as alíquotas previstas no art. 3º, § 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, independente do regime a que se submete o insumo transportado. Despesas com fretes no transporte de produtos industrializados entre estabelecimentos. Venda ou armazenagem. Quanto às despesas com frete, entre estabelecimentos da mesma empresa, para o transporte de mercadorias já industrializadas, discordo, com a devida vênia, do entendimento que tem prevalecido na nossa Turma (pelo Voto de qualidade), de que o inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não autoriza o desconto de créditos nessa hipótese: Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 18 Nesse contexto, acolho o recurso voluntário, mantendo os créditos relacionados às despesas com frete, entre estabelecimentos da mesma empresa, para o transporte de mercadorias já industrializadas, pois tal operação configura operação de venda, ainda que, por razões logísticas e pela natureza perecível, o frete tenha que ocorrer por etapas. Destaco, ainda, um argumento alternativo da recorrente, é o de que, mesmo não sendo admitido o crédito, por não se enquadrar tal despesa no conceito de “operação de venda”, fosse considerado a questão sob outra perspectiva, qual seja: a de tratar o frete do produto acabado entre estabelecimentos da mesma empresa, como componente do custo de armazenagem para posterior venda. Para a recorrente, não sendo destinado à venda, os produtos perecíveis processados pela recorrente se destinam à armazenagem em outro estabelecimento da empresa, para posterior venda. E o inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza o desconto de créditos nas despesas com armazenagem de mercadorias. Resta saber, partindo dessa premissa, se o frete compõe o custo da armazenagem. É certo que custo do frete não se confunde com despesas com armazenagem e, portanto, não dá direito ao crédito com base no inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Sob esse ângulo, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o desconto de créditos no frete do produto acabado entre estabelecimentos da mesma empresa, por se enquadra como operação de venda, nos termos do inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Aquisições de milho das empresas Atlas e Goiás Verde. Exigência que a suspensão conste na Nota Fiscal. Outro ponto de divergência entre a fiscalização e a contribuinte diz respeito a glosa parcial de créditos das aquisições de milho das empresas ATLAS AGROINDUSTRIAL LTDA e GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA, transferindoos do crédito básico para o crédito presumido. A recorrente repetiu seu argumento, constante da impugnação, de que as notas fiscais não continham a ressalva de que se tratavam de operações sujeitas à suspensão do PIS/COFINS, como exige o art. 2º, § 2º, da IN 660/2006, e, assim sendo, seria improcedente a glosa parcial dos créditos básicos. Sobre esse ponto, o acórdão recorrido indeferiu a impugnação, sob os seguintes argumentos: A fiscalização realizou a transferência dos valores referentes às aquisições de milho das empresas ATLAS AGROINDUSTRIAL LTDA e GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA do crédito básico para o crédito presumido, tendo em vista que em resposta à intimação, ambas as empresas apresentaram os documentos de fls. 2383 e seguintes, onde restou perfeitamente evidenciado que as aquisições foram procedidas com suspensão das contribuições (COFINS e PIS). As fornecedoras apresentaram, em resposta, uma listagem onde são identificadas cada uma das operações no período e respondido afirmativamente em todas as notas fiscais ali enumeradas que houve a suspensão das contribuições. Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.497 19 Ao contrário, a autuada não trouxe ao processo qualquer elemento que infirmasse as declarações apresentadas pelas duas empresas e que atestassem a inexistência de tributação. A defesa se limitou apenas a alegar que sobre as operações houve a incidência da COFINS e do PIS, já que não havia qualquer menção à suspensão das contribuições nas notas fiscais em seu poder. Porém, a impugnante apresentou, inclusive, o documento de fls. 2.384 à empresa GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA, que foi trazido pela terceira ao processo em resposta à intimação, cujo fragmento abaixo se transcreve: DECLARA à GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA, para fins de suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), na forma do art. 9º e do § 3º do art. 15 da Lei 10.925, de 23 de julho de 2001, que apura o imposto com base no lucro real. DECLARA, ainda, que os produtos adquiridos destinamse à fabricação dos produtos: I – Relacionados no caput do art. 8º da Lei 10.925, de 2004. Consignese, a propósito que, de 04/04/2006 até 30/10/2009, aplicavase a suspensão da Cofins, nos termos no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, às vendas de milho classificados no capítulo 10 feitas por pessoa jurídica que exercesse atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária à pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real que exercesse a atividade de frigorífico, dedicandose à preparação (industrialização) de carnes bovinas classificadas no capítulo 2 da NCM, para consumo humano ou animal, atividade essa que se caracteriza como agroindustrial e em relação à qual o milho é considerado insumo. Em assim sendo, concluise ter sido correto o procedimento de transferência das aquisições de milho para a base de cálculo do crédito presumido. À luz do acórdão recorrido, julgouse que “as fornecedoras apresentaram, em resposta, uma listagem onde são identificadas cada uma das operações no período e respondido afirmativamente em todas as notas fiscais ali enumeradas que houve a suspensão das contribuições”. Entretanto, observo que, em algumas notas fiscais, foi destacado que houve suspensão do PIS/COFINS (p. ex., fls. 2394/2.395), mas, em outras notas fiscais, inexiste tal ressalva (p. ex., fls. 2385/2393), como exigido pelo art. 2, § 2º, da IN nº 660/2006. Quando não há menção à suspensão do PIS/COFINS nas notas fiscais de aquisição de milho, entendo que é cabível o desconto integral de créditos básicos do PIS/COFINS, porquanto a suspensão é condicionada ao cumprimento dessa formalidade, ao teor do art. 2, § 2º, da IN nº 660/2006. Fl. 4506DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 20 Nesse contexto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para o direito ao desconto dos créditos básicos, relativamente às aquisições de milho das empresas ATLAS AGROINDUSTRIAL LTDA. e GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA., quando as respectivas notas fiscais não indicaram a suspensão do PIS/COFINS. Aquisições de animais vivos e lenha. Alíquota do crédito presumido. Em seu recurso voluntário, a empresa defende, ainda, que a aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01) se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I, e não, como quer o Fisco, no inciso III do art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004. Para a DRJ, a tese da recorrente seria improcedente, pelos seguintes fundamentos: A autuada se insurgiu contra os referidos percentuais acentuando que os mesmos deveriam ser os previstos no inciso I do mesmo parágrafo, ou seja, 4,56% e 0,99% para a COFINS e o PIS (60% de 7,6% e 1,65%), respectivamente. Para a análise da questão, cumpre primeiramente evidenciar que a empresa adquire como insumos sem a incidência das contribuições bovinos vivos e lenha, classificados nos capítulos 1 e 44 da NCM, respectivamente, para produção de mercadorias classificadas no capítulo 2. As dúvidas da empresa acerca do enquadramento das alíquotas no inciso I ou III do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foram objeto de inúmeras consultas formuladas por outras empresas à RFB. Contudo, a partir do entendimento adotado pela administração tributária, temse que o enquadramento do caso concreto no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, conforme adotado pela impugnante parte de uma premissa equivocada. A empresa erroneamente interpreta que o produto a ser enquadrado no dispositivo legal, para obtenção da alíquota aplicável, é a mercadoria produzida pela empresa e não o insumo adquirido, ou seja, ela alega: “sempre que os insumos forem adquiridos para produção de mercadorias classificadas no capítulo 2 a alíquota aplicável para COFINS será de 4,56% e de PIS será de 0,99%.”. [...] Tanto a lei como a instrução normativa transcritas não deixam margem a dúvidas: adquirindo insumos de origem animal (capítulos 2 a 4 e 16, etc. da NCM), o crédito presumido será calculado pela aplicação dos percentuais de 0,99% para o PIS e 4,56% para a Cofins (ou seja, 60% das alíquotas básicas); adquirindo outros insumos, aplicarseá sobre o valor dos insumos adquiridos o percentual de 0,5775% para o PIS e 2,66% para a Cofins (isto é, 35% das alíquotas básicas). Não poderia, aliás, ser de outra forma, pois, o objetivo do crédito presumido é desonerar o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos. Fl. 4507DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.498 21 Fixar as alíquotas de acordo com a atividade da agroindústria adquirente, conforme pretende a autuada fugiria ao objetivo de desoneração do crédito presumido em questão, pois a atividade de cada empresa não guarda qualquer relação com a carga de contribuições incidente sobre os insumos adquiridos. Dito de outra maneira, é descabido que um mesmo insumo possibilite creditamento por alíquotas distintas se adquirido por esta ou por aquela pessoa jurídica. As mesmas argumentações e dispositivos da legislação até então citados se aplicam às aquisições de lenha. No entanto, as razões do acórdão recorrido têm que ser confrontadas com o superveniente § 10, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013. In verbis: Art. 8oAs pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos [...]. Fl. 4508DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 22 § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. O § 10 acrescido pela Lei nº 12.865/2013 explicitamente adotou a interpretação defendida pela Recorrente, de que os insumos adquiridos pela empresa recorrente, para produzir mercadoria classificada no Capítulo 2, se sujeitam a alíquota do crédito presumido desta última. Por ser expressamente interpretativo, o § 10 criado pela Lei nº 12.865/2013 deve ser aplicado retroativamente ao presente caso, nos termos do art. 106, I, do CTN. Nesse novo cenário, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo que a aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01) se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN, devendo ser refeito o lançamento nessa parte. Súmula CARF nº 2: Inconstitucionalidade. Multa. Confisco. Na forma consolidada da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, razão pela qual não conheço as teses da empresa que pressupõem o reconhecimento da inconstitucionalidade das normas infraconstitucionais. Súmula CARF nº 4: Taxa SELIC Conforme assentado na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, não procedendo, dessa forma, o recurso voluntário quando defende a impossibilidade jurídica de sua aplicação. Juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Embora este relator possua entendimento diverso sobre a matéria, prevalece em nossa Turma a exegese de que os juros de mora incidem sobre a multa de ofício. Nesse contexto, nego provimento ao recurso voluntário também nessa parte. Forte nesses argumentos, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário. Na parte conhecida, REJEITO as preliminares suscitadas e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para: a) manter os créditos, alusivos aos itens IIIB2, IIIB4, IIIB5 (excetuado materiais de escritório e despesas com cesta básica/refeição destinadas aos empregados), IIIB 6, IIIB12, IIIB14, IIIB15, IIIB27, IIIB28, IIIB31, IIIB33 e IIIB40 do Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (fls. 40/ss.); b) que sejam recalculados todos créditos de frete de insumos (contratados pela recorrente perante pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil), com as alíquotas previstas no art. 3º, § 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, independente do regime a que se submetem os insumos transportados; Fl. 4509DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.499 23 c) reconhecer o desconto de créditos no frete do produto acabado entre estabelecimentos da mesma empresa, como componente do custo de armazenagem, nos termos do inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; d) reconhecer o direito ao desconto dos créditos básicos, relativamente às aquisições de milho das empresas ATLAS AGROINDUSTRIAL LTDA e GOIÁS VERDE ALIMENTOS LTDA, quando as respectivas notas fiscais não indicaram a suspensão do PIS/COFINS; e) reconhecer que a aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01) se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN. Com base nesses pontos, acolhidos pelo acórdão ora lavrado, deve ser refeito o lançamento. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 4510DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES 24 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia, discordo do il. Relator quanto ao creditamento sobre fretes pagos na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, tema que, como cediço, não é novo nesta mesma Turma de Julgamento. Temos entendido que, como a lei fala em “frete na operação de venda”, não se justificaria o crédito na circunstância de a operação reportarse a uma mera transferência (CARF/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). Esse também é o entendimento de outras Turmas de Julgamento. Exemplificativamente: CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros. (CARF/4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.373, de 22/8/2013). CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (CARF/3ª Câmara /2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3302002.027, de 23/4/2013). FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. (CARF/4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.681, de 28/1/2014). Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Processo nº 10675.723090/201192 Acórdão n.º 3202001.451 S3C2T2 Fl. 4.500 25 Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Numero do processo: 13896.003600/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono da contribuinte, advogado Pedro Henrique Andrade Souza, OAB 30.347/DF.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida União (Fazenda Nacional) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o patrono da contribuinte, advogado Pedro Henrique Andrade Souza, OAB 30.347/DF. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator e presidente-substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente-substituto e relator) Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia Matos Moura, Alice Grecchi e Lívia Vilas Boas e Silva. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário, em face do Acórdão 16-32.980, de 27/07/2011, exarado pela 2ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 96 a 98). Na ação fiscal foi apurada falta de recolhimentos do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativos ao terceiro trimestre de 1997 e declarados em DCTF, cujos pagamentos não foram localizados. O auto de infração (fls. 05 e 06) apura crédito tributário (tributo, multa proporcional e juros de mora) no total de R$ 649.697,31. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01 e 02) em 11/07/2002, alegando ser a exigência improcedente em razão dos comprovantes de pagamentos colacionados às fls. 27/54. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 2 2 A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, tendo o referido acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO - REDARF ALTERANDO CNPJ - NÃO QUITAÇÃO DO DÉBITO LANÇADO. Após REDARF alterando o CNPJ para 57.029.431/0001-06, não ocorre a quitação do débito lançado no Auto de Infração com CNPJ 57.029.431/0002-89. MULTA DE OFÍCIO - RETRO ATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003.Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuando- se os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõe-se o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ciência dessa decisão ocorreu em 1º/12/2011, por termo de vista em processo (fl. 105). Em 09/12/2011, foi apresentado recurso voluntário (fls. 149 a 156), sendo afirmado que: (a) tendo apresentado as DCTFs, ocorreu a constituição dos créditos tributários em 1997, e ocorreu a sua prescrição, em face da Súmula Vinculante do STF nº 8; (b) o procedimento de Redarf não decorreu de equivoco, mas de centralização da apuração e recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) da filial (CNPJ n° 57.029.431/0002-89) na matriz (CNPJ n° 57.029.431/0001-06) – faculdade prevista na IN SRF 128, de 1992, vigente à época dos fatos geradores –, solicitado no processo administrativo 10880.001321/99-49, o qual foi arquivado sem que fosse apreciado o seu pedido; o Redarf foi apresentado em 1999, quando vigia a Medida Provisória 1.788, de 1998, que originou a Lei 9.779, de 1999, a qual tornou obrigatória a referida centralização; (c) os débitos pagos e juntados aos autos com a impugnação dizem respeito aos valores apurados na filial, os quais foram objeto de Redarf em decorrência da centralização indicada, como demonstram as capas das DCTFs da matriz, relativas ao 3º e 4º trimestres de 1997, que, em relação ao IRRF, apontam débitos (e correlativos créditos), respectivamente, de R$348.145,86 e de R$466.390,35. Já as DCTFs da filial, alusivas aos mesmo períodos, indicam débitos (e correlativos créditos) nos valores de, respectivamente, R$88.185,91 e R$160.022,78. (d) em um pior cenário, teria havido pagamento a maior na matriz nos exatos valores da autuação, como demonstra a DCTF, com o que haveria o direito à compensação do pagamento a maior da matriz, nos termos da IN SRF 21, de 1997. É o relatório. VOTO Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 3 3 QUESTÃO PREJUDICIAL DE MÉRITO – PRESCRIÇÃO Não se sustentam as alegações da ocorrência de prescrição, a qual prescinde da constituição definitiva do crédito tributário. Porém, na data de ocorrência dos fatos geradores, em 1997, a DCTF sequer constituía confissão de dívida, o que somente ocorreu a partir da edição da Instrução Normativa SRF 126, de 30/10/1998, que instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) (a qual substituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais, também abreviada DCTF), pela qual “Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF” (IN SRF 126/98, art. 7º, I). A esse respeito, também se pronunciou o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, citado pelo Parecer PGFN/CAT/Nº 1372, de 2012: 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF n° 126, de 1998, que a criou, mantendo-se vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8°, § 1°, da IN RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8°. (...)§ 1°. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. Ademais, conforme determina o artigo 151, III, do CTN, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Desse modo, estando os créditos tributários em fase de constituição definitiva, não há falar em prescrição, cujo termo inicial só ocorre após decisão final no processo administrativo. Nesse sentido, a Súmula CARF 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. QUESTÃO DE MÉRITO – COMPROVAÇÃO DOS RECOLHIMENTOS DO IRRF Nesta questão, a decisão recorrida entendeu por dar parcial provimento à impugnação. Quinze débitos foram cancelados em face de revisão de lançamento efetivada pela unidade preparadora (fls. 80 a 85); nesse procedimento, um débito de IRRF, código 1708, com vencimento em 22/10/1997, teve o valor reajustado de R$49,38 para R$13,44, em razão de seu recolhimento parcial (fl. 34). Quanto aos demais débitos, restaram mantidos, pelo motivo de a contribuinte ter realizado Redarfs, a fim de alocar tais recolhimentos para sua matriz, CNPJ 57.029.431/0001-06. Eis os argumentos do acórdão DRJ: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 4 4 Alega o impugnante que "Os valores principais reclamados encontram- se pagos, conforme fazem prova as cópias das guias darfs ora anexadas." Ocorre que vários pagamentos apontados pelo impugnante foram objetos de REDARF a favor da matriz (CNPJ 57.029.431/0001-06) em 19/11/1999, conforme mostram os extratos do Sinal08, cujos relatórios constam em fls. 78 a 87. Assim, os referidos DARF não extinguem os débitos do CNPJ n° 57.029.431/0002-89 lançados no presente Auto de Infração ANEXO III-DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR (fl. 22/23), tanto é que a pesquisa aos sistemas de controle da RFB não mostra nenhum pagamento para o CNPJ 57.029.431/0002-89, para o período. A isto se acrescente que, em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora juntou os elementos de fls. 78/73 para evidenciar que o recolhimento de 22/10/1997, cód. 1708, PA 03-10/1998, valor declarado R$ 49,38, foi parcial, restando a parcela do pagamento no valor de R$ 13,44. Resta, então, procedente o lançamento no Auto de Infração. Por ocasião da apresentação de seu recurso voluntário, a recorrente trouxe aos autos cópia do processo administrativo 10880.001321/99-49 (fls. 182 a 193), pelo qual solicitou a retificação das DCTFs do 1º ao 4º trimestres de 1997 e 1º do trimestre de 1998, uma vez que, segundo alegou naquele processo administrativo, os IRRF códigos 0561, 8109 e 2172 teriam sido erroneamente declarados em nome da filial, em vez da matriz, que possuía autorização para efetuar o recolhimento centralizado desses tributos. Afora o citado recolhimento a menor do débito do IRRF código 1708, a razão para o indeferimento da impugnação foi a existência dos Redarfs, os quais foram feitos, segundo a recorrente, para corrigir o erro de ter declarado em DCTFs da filial os IRRF objeto da centralização de recolhimento. Assim, embora o referido processo administrativo tenha sido juntado aos autos somente por ocasião da interposição do recurso voluntário, penso que tais provas devem ser conhecidas, por se enquadrarem na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, que permite a apresentação de prova documental após a interposição da impugnação, quando se destine a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos (no caso, a motivação do acórdão DRJ) : Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 641DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 5 5 b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifou-se.) São objeto deste recurso voluntário os seguintes débitos de IRRF código 0561 (rendimento do trabalho assalariado), referentes ao 3º e 4º trimestres de 1997 (tabela obtida da comparação entre o auto de infração, fls. 13 e 14 e extrato de processo, fls. 86 a 88). CÓDIGO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO VALOR DO PRINCIPAL 0561 01-07/1997 09/07/1997 26.384,44 0561 02-07/1997 16/07/1997 214,29 0561 03-07/1997 23/07/1997 57,69 0561 01-08/1997 06/08/1997 25.420,62 0561 05-08/1997 03/09/1997 26.757,35 0561 03-09/1997 24/09/1997 1.901.83 0561 01-10/1997 08/10/1997 28.924,33 1708 03-10/1997 22/10/1997 13,44 0561 01-11/1997 05/11/1997 29.389,08 0561 03-11/1997 19/11/1997 464,06 0561 05-11/1997 03/12/1997 26.213,03 0561 01-12/1997 10/12/1997 570,29 0561 03-12/1997 24/12/1997 69.467,74 A contribuinte alega que possuía autorização para efetuar o recolhimento centralizado do IRRF códigos 0561, 8109 e 2172 e que, no processo administrativo 10880.001321/99-49 (fls. 182 a 193), solicitou a retificação das DCTFs do 1º ao 4º trimestres de 1997 e 1º do trimestre de 1998, uma vez que tais tributos teriam sido erroneamente declarados em nome da filial, em vez de o serem em nome da matriz. Em relação ao 3º trimestre de 1997, o somatório dos Darfs desse período (fls. 573 a 596) corresponde ao total declarado na correspondente DCTF pela filial (recorrente), CNPJ 57.029.431/0002-89 (fl. 571). Por outro lado, os valores exigidos no auto de infração e ainda em julgamento neste recurso voluntário correspondem em datas e valores ao montante de IRRF recolhido pelos DARFs objeto de Redarf. Concernente ao 4º trimestre de 1997 não existe essa coincidência em face de dois débitos: (a) há a indicação de Redarf de Darf, no valor de R$43,50, código 1708, que não está sendo exigido neste processo, nem foi juntado aos autos, e (b) o valor do débito do código 0561, período 03-12/1997, no valor de R$69.467,74, lançado no auto de infração, não foi declarado como débito da filial (em consequência, o pedido de retificação das DCTFs, efetivado pelo citado processo administrativo 10880.001321/99-49, não o abrange) e o respectivo DARF não foi juntado aos autos (ver auto de infração, fl. 14 e capa da DCTF do 4º trimestre, fl. 597, a qual totaliza o montante de IRRF, comparando-a com a relação contendo a composição dos débitos, fl. 598 e relação dos Darfs às fls. 599 a 628). A seu turno, a IN SRF 126, de 1998, aplicável à época da interposição do pedido de retificação das DCTFs (27/01/1999, fl. 182), determinava, em seu art. 8º, que os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF, já entregues, deveriam ser formalizados em processo administrativo, quando, após encerrado o prazo para a entrega tempestiva da DCTF original, o pedido fosse outro que não a inclusão de novos débitos ou acréscimo de valores já declarados: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 6 6 Art. 8º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF, já entregue, serão formalizados por meio de: I - DCTF retificadora, até a data prevista para a entrega tempestiva da respectiva declaração original, mediante a apresentação de nova DCTF, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada; II - DCTF complementar, para declarar novos débitos ou acréscimos aos valores de débitos já informados, após encerrado o prazo para a entrega da respectiva declaração original; III - solicitação, em processo administrativo, nos demais casos. A centralização dos recolhimentos do IRRF tornou-se regra com a edição da Lei 9779, de 1999, art. 15, I: Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I-o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; A IN SRF 255,de11 de dezembro de 2002, a seu turno, determinou, em seu art. 2º, que “As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz”. Por sua, vez, o art. 10 mandou arquivar os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, sendo que, a teor de seu § 2º, aqueles referentes aos anos-calendário de 1997 e 1998, como o que está em julgamento, somente deveria ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança: Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicando-se, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anos-calendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. (...) § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Aparentemente, o processo administrativo 10880.001321/99-49 foi arquivado sem que tenha sido observada a determinação do § 2º do art. 10 do IN SRF 255, de 2002, e não há informação, no processo, do motivo pelo qual ocorreu o arquivamento. Assim, considerando a necessidade de esclarecer a situação de fato, e que os débitos veiculados no auto de infração, objeto de Redarf, coincidem, em datas e valores com os débitos declarados em DCTF pela filial (salvo ao referido valor do débito do código 0561, período 03-12/1997, no valor de R$69.467,74), objeto de pedido de retificação, para que fossem computados como sendo da matriz, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13896.003600/2002-12 Resolução nº 2102-000.197 S2-C1T2 Fl. 7 7 a) informe: (a.1) qual o motivo do arquivamento do processo administrativo 10880.001321/99-49 e (a.2) se foi observado, quanto ao referido processo, o disposto no § 2º do art. 10 do IN SRF 255, de 2002. Em caso positivo, apresente demonstrativo que relacione a alocação de cada crédito ao seu respectivo débito. Em caso negativo, devem ser feitos “os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança”, na forma do citado § 2º do art. 10 do IN SRF 255, de 2002, elaborando-se demonstrativo que relacione a alocação de cada crédito ao seu respectivo débito; b) após os devidos ajustes, informe se ainda há, em relação aos IRRFs em questão neste processo, débitos não quitados. Caso existam, informe se os Darfs objeto de Redarfs em favor da matriz, CNPJ 57.029.431/0001-06, anteriormente vinculados aos débitos que se relacionam ao presente processo, estão disponíveis nos sistemas; c) intime a contribuinte do resultado da diligência, abrindo prazo para a sua manifestação. Após, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901084/2010-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Saldo Negativo. Estimativas Compensadas e não Homologadas.
Estimativas quitadas por meio de declaração de compensação devem compor o saldo negativo do período a que se referem ainda que tenham sido objeto de despacho decisório que deixa de homologá-las.
Numero da decisão: 1801-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez (Relatora), que negava provimento ao recurso, e Neudson Cavalcante Albuquerque, que votou para converter o julgamento na realização de diligência. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha a divergência pelas conclusões. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. Estimativas quitadas por meio de declaração de compensação devem compor o saldo negativo do período a que se referem ainda que tenham sido objeto de despacho decisório que deixa de homologálas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez (Relatora), que negava provimento ao recurso, e Neudson Cavalcante Albuquerque, que votou para converter o julgamento na realização de diligência. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha a divergência pelas conclusões. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 10 84 /2 01 0- 74 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório reivindicado e não homologou as compensações declaradas a ele vinculadas. A interessada apresentou PERCOMP com objetivo de compensar débitos próprios de sua responsabilidade com direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 200.955,69. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 200.955,69, é composto por retenções na fonte e estimativas, e o sistema eletrônico de análise da compensação confirmou todo o IRRF, mas apenas parte das estimativas indicadas na DIPJ. Por tal razão foi emitido o Despacho Decisório Eletrônico nº 863077793 (fls.40) que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações. Em Manifestação de Inconformidade tempestivamente apresentada alegou a interessada, preliminarmente, que em obediência aos princípios constitucionais do devido processo legal e da razoabilidade, e sob pena de ser demasiadamente prejudicada, este processo deveria ser apensado aos processos que versam sobre créditos de Pis/Cofins exportação utilizados na compensação das estimativas que integram o saldo negativo em exame, “todos em fase de análise de recurso na DRJ/II, conforme comprovam cópias das Manifestações de Inconformidades anexas” e assinalou que haverá duplicidade de cobrança, caso não sejam homologadas as compensações das estimativas. Afirmou que o seu objeto social é a compra e a venda no mercado externo e interno de café em grão cru, e que, a partir da publicação das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, as empresas brasileiras têm grande dificuldade de adaptação ao “emaranhado de normas que tanto modificaram a regulamentação da contribuição do Pis e da Cofins: a sistemática de recolhimento desses tributos passou de cumulativo para não cumulativo”, e, de cuja observância resultou a utilização de créditos de Pis e Cofins na quitação das estimativas mensais de IRPJ do anocalendário de 2004. Sustentou que, apesar de o relatório “Análise do Crédito” confirmar os processos administrativos, a RFB, “de forma desfavorável e prejudicial à Recorrente, não considera os Recursos interpostos, ou seja, considera os valores não confirmados sem o resultado final do julgamento dos recursos Asseverou que o relatório “Análise de Crédito” sequer menciona o processo 11543.004363/200354, no qual foi emitido o Parecer DRFVIT Seort 069/2009 (e apresentada Manifestação de Inconformidade em 12.12.2008), que “está eivado de vício insanável, defeito grave que contamina os demais emitidos, tornandoos nulos de pleno direito (...), porque o autor do Parecer transportou saldo de crédito de Pis pertencente ao CNPJ 28.130.052/000100 (...), e todas as análises e os respectivos pareceres subseqüentes terão de ser revistos, uma vez que todos os saldos anteriores usados pelo parecerista estão incorretos” e que o crédito de Pis e Cofins “é legal, correto e está devidamente contabilizado e certificado pela autoridade Fl. 285DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.901084/201074 Acórdão n.º 1801002.020 S1TE01 Fl. 3 3 fazendária”, e, que “o motivo das glosas é infundado visto que a recorrente não pode fiscalizar se o seu fornecedor recolheu as suas contribuições de Pis e Cofins”. Aduziu que “toda a sistemática da nãocumulatividade do Pis e da Cofins está assentada na permissão de que compras e prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins, geram créditos, (...) que os créditos se originam de pessoas jurídicas e de documentos idôneos, devidamente contabilizados na forma da lei, cujas mercadorias deram entrada no estoque da recorrente (...) e, que as compensações estão corretas e o saldo negativo de IR informado na DIPJ, no valor de R$ 200.955,69, preenche todos os requisitos de legalidade”. Afirmou que houve cerceamento de seu direito de defesa porque “o Despacho Decisório não possui fundamentações exatas e nítidas, que possam embasar a defesa, e não relata profundamente os motivos que levaram à não homologação”. Observou, finalmente, que todos os processos que tratam de compensação das estimativas com créditos de PIS e COFINS, os quais relaciona, estão em discussão na esfera administrativa. A Turma Julgadora de 1a. Instância afastou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, consignou que não haveria, no indébito reivindicado, os atributos de certeza e liquidez, razão pela qual indeferiu o pedido. Notificada da decisão, em 16/08/2013, pelo “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” emitido eletronicamente (fl. 267 do p.d.) e em 30/08/2013 a interessada apresentou recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, inicialmente, que o resultado do presente processo deve aguardar o resultado final dos processos que discutem as compensações das estimativas aqui glosadas, pois, havendo a homologação, naqueles autos, automaticamente haveria o saldo negativo reivindicado neste. Assinala que, a Portaria RFB n º 666, de 2008, determina que devem ser anexados os processos que tenham por base os mesmos fatos e elementos de prova e os pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Reforça o entendimento de que o desfecho neste processo depende do resultado dos processos que tratam das compensações das estimativas e que devese aguardar o julgamento dos demais processos para a solução desta lide. Reproduz os demais argumentos de defesa atinentes a legalidade dos créditos de PIS e de COFINS e, ao final, pede pela nulidade do acórdão recorrido ou, que referido julgado seja reformado para reconhecer integralmente as compensações declaradas nos autos. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Alexandre Melo Soares, OABDF 37.786. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que respeita à invocada nulidade da decisão recorrida, verificase que aquele ato revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que a decisão foi proferida por órgão e agente competentes, assegurandose, ao recorrente, o direito ao contraditório e à ampla defesa. É certo que as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e a não homologação das compensações, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI, faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, nessas circunstâncias, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos elementos constantes dos autos, que a recorrente não faz jus ao crédito. E tal fato, repitase, se insere no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. Afastase, portanto, a preliminar suscitada. Não há previsão legal que admita o sobrestamento do presente processo até que sejam definitivamente julgados os processos que tratam das compensações das estimativas. Também deve ser indeferido o pedido de juntada/anexação deste processo àqueles que tratam da compensação das estimativas pois não se referem a um mesmo direito creditório. O direito creditório aqui tratado é oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004 e os processos mencionados pela recorrente tratam de direito creditório relativo a créditos de PIS e de COFINS. No mérito verificase que a recorrente pretende se utilizar de direito creditório que tem, em sua composição, estimativas objeto de compensações não homologadas ou homologadas parcialmente, em valores que, ainda que deduzidos do imposto apurado, não geram saldo negativo no anocalendário 2004. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.901084/201074 Acórdão n.º 1801002.020 S1TE01 Fl. 4 5 A análise do andamento dos processos que tratam das compensações de estimativas do anocalendário 2004 não modificou a situação descrita pela Turma Julgadora de 1a. Instância. É admissível, no preenchimento da DIPJ, o cômputo, na formação do saldo negativo, de estimativas compensadas por meio de DCOMP, sendo desnecessária a prévia homologação dessas compensações. Todavia, uma vez não homologadas referidas compensações, é afastada a certeza necessária para que uma antecipação possa integrar o direito creditório representado pelo saldo negativo a partir dali formado, mormente tendo em conta que este direito creditório será pretendido, na forma do art. 170 do CTN, para extinção de créditos tributários. Razoável, portanto, que ausente a homologação expressa ou tácita da compensação que tem por objeto o débito de estimativa, seja glosado seu cômputo na apuração do saldo negativo do correspondente anocalendário. A recorrente argumenta que a glosa das antecipações, no presente caso, representaria dupla cobrança, pois desta não homologação também resultará a cobrança do débito então compensado. Ocorre que, caso homologada a compensação da estimativa que compõe o presente saldo negativo, a parcela correspondente estará aqui convalidada, impedindo a cobrança de débitos compensados até o limite do crédito comprovado. Já em se tornando definitiva a não homologação da compensação desta estimativa, somente o pagamento decorrente de sua cobrança lhe conferirá novamente a certeza retirada pelo anterior ato de nãohomologação. E, uma vez restabelecida esta certeza acerca da antecipação que a interessada pretende aqui ver computada no saldo negativo em debate, este direito creditório será reconstituído para imputação aos débitos compensados, impedindo sua cobrança. Logo, seria exigível somente o pagamento das estimativas compensadas, vinculadas aos créditos de PIS e COFINS tratados nos demais processos administrativos, não se verificando qualquer duplicidade em relação a exigência decorrente dos débitos aqui compensados. Já se o sujeito passivo optar não pagar o débito que venha a se tornar exigível naqueles outros autos, o crédito aqui utilizado não será confirmado e então apenas os débitos com ele compensados serão exigíveis. Por certo não poderá a autoridade administrativa proceder a ambas as cobranças concomitantemente, mas apenas sucessivamente, caso se mostre inviável prosseguir na primeira cobrança. Como exposto, as estimativas objeto de compensações não homologadas não se revestem da certeza necessária para integrar direito creditório utilizado em compensação extintiva do crédito tributário. Sua glosa, assim, subsiste enquanto não se verificar a homologação de sua compensação ou o seu pagamento, salvo se a contribuinte desistir da utilização do direito creditório a ela correspondente, e assim optar pelo pagamento do débito indevidamente compensado com o saldo negativo no qual ela foi computado. Assim, a compensação pleiteada nos presentes autos deve ser não homologada, em virtude da inexistência do direito creditório, pela ausência de certeza e liquidez do crédito invocado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca – Redator Designado A questão deduzida nos autos diz respeito à possibilidade (ou não) de que um determinado saldo negativo seja reduzido em razão da não homologação de compensações transmitidas para a quitação de estimativas mensais. Peço vênia para discordar do voto da E. Relatora, Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. De acordo com o art. 156, II, do CTN, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que as estimativas mensais compensadas devem ser consideradas efetivamente pagas até que sobrevenha decisão administrativa definitiva que não homologue a compensação. Com efeito, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, o crédito tributário exigido em razão da não homologação da compensação tem a sua exigibilidade suspensa até decisão final na esfera administrativa, nos termos da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.901084/201074 Acórdão n.º 1801002.020 S1TE01 Fl. 5 7 que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” Em assim sendo, por haver possibilidade de homologação das compensações, o pagamento da estimativa mensal deve ser considerado na apuração do saldo negativo. A desconsideração dos valores que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de recurso administrativo contra a não homologação de compensação afigurase ilegítima, e por uma singela razão: se o débito está com a exigibilidade suspensa, o mesmo não pode ser cobrado do contribuinte. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL compensado tem a sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo formado ao final do período de apuração. De todo modo, mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda sim esta parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo. É que, em caso de não homologação da compensação, o respectivo crédito tributário será regularmente exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga (voluntária ou forçadamente), irá impor a recomposição do saldo negativo. Em qualquer hipótese, portanto, o débito de estimativa objeto de compensação não homologada deverá ser considerado na formação do saldo negativo, como bem observado por José Henrique Longo1: “(...) atingese o momento de responder a questão posta: há algum impedimento na utilização do saldo negativo de IRPJ apurado em anocalendário em cuja extinção das estimativas tenha sido promovida compensação não homologada? Há apenas uma resposta: não existe impedimento. Com efeito, a eventual nãohomologação de compensação em razão da imprestabilidade do crédito já gera, por si só, uma cobrança do débito confessado pelo contribuinte, acrescido de multa de mora e juros Selic. (...) 1 LONGO, José Henrique. “Saldo Negativo de IRPJ Decorrente de Estimativa Quitada por Compensação não Homologada” in Compensação Tributária, DIAS, Karem Jureidini e PEIXOTO, Marcelo Magalhães, coord. São Paulo: 2008, MP Editora, p. 236/237. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Assim, nessa linha de raciocínio, também não pode ser indeferida a homologação da compensação ou restituição solicitada com o crédito do saldo negativo, ainda que seja decorrente de extinção da estimativa por compensação não homologada ulteriormente. Caso contrário, o contribuinte seria devedor em duplicidade de um único débito, tendo em vista que esse sistema de compensação nada mais é do que uma conta corrente, e um eventual crédito indevido somente pode ser cobrado uma vez (de acordo com a legislação atual, apenas o débito confessado no pedido de compensação)”. A conclusão acima é irretocável, já que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – caracteriza dupla cobrança do mesmo crédito tributário, uma vez que: (i) de um lado, o Fisco estará desconsiderando o pagamento da estimativa mensal e reduzindo o saldo negativo pleiteado no PER/DCOMP, o que acarretará a não homologação das compensações que aproveitaram tal crédito; (ii) de outro lado, o Fisco também irá exigir do contribuinte a estimativa mensal quitada através da compensação não homologada pela via da execução fiscal. Em outras palavras o contribuinte terminará quitando duas vezes o mesmo débito: (i) mediante a redução do saldo negativo e (ii) pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada). Corroborando esse posicionamento, a CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal também declarou seu entendimento sobre o assunto, através da Solução de Consulta Interna (Cosit) nº 18: “Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União. Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” São oportunas as conclusões contidas na referida Solução de Consulta: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.901084/201074 Acórdão n.º 1801002.020 S1TE01 Fl. 6 9 “(...) 10. A questão em pauta diz respeito aos casos em que o sujeito passivo efetua a compensação das estimativas no decorrer do anocalendário e, após o exame da autoridade competente, essa compensação é considerada não homologada ou não declarada. (...) 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração de compensação, nos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas, importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida)(...) 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do Imposto a Pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada. (...)” Esse é também o entendimento de diversas Delegacias Regionais de Julgamento. Vale conferir: “Saldo Negativo. Estimativas. Compensação Sem Processo. Até 30/09/2002, apenas as compensações das estimativas, efetuadas sem processo, nos termos da legislação à época vigente, passíveis de validação, podem integrar o saldo negativo. Saldo Negativo. Estimativas. Compensação em DCOMP. A partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja nãohomologada. (...).” (DRJ/São Paulo, 2ª Turma, ACÓRDÃO Nº 0525533 de 29 de Abril de 2009) “COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL, condicionase à demonstração da existência e disponibilidade do direito, o que inclui certeza e a liquidez das demais compensações e recolhimento efetuados, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 ANTECIPAÇÕES DA CSLL. COMPENSAÇÕES. Apresentada/transmitida Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que consta débito de estimativa mensal da CSLL, considerada extinta sob condição resolutória, o valor dessa estimativa compensada deve compor o resultado final do período de apuração, como dedução do valor da imposto devido, considerandose que as DCOMP constituem confissão de dívida, passível de cobrança imediata, em caso de nãohomologação da compensação pleiteada. (...)” (SRF, DRJ/Campinas, 4ª Turma, ACÓRDÃO Nº 0531429 de 18 de Novembro de 2010) A jurisprudência deste Conselho também não discrepa: “IRPJ. PERD/COMP. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE DE CÔMPUTO NO SALDO NEGATIVO Comprovadas compensações através de PER/DCOMP’s – declaração com caráter de confissão de dívida – as estimativas compensadas devem ser utilizadas para o cômputo do saldo negativo de IRPJ.” (1ª Seção, 1ª Câm, 2ª TO, AC 1102000.375, Rel. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, julgado em 27/01/2011) O VALOR DA COMPENSAÇÃO DECLARADA PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE PER/DCOMP IMPORTA EM CONFISSÃO DE DÍVIDA CASO NÃO SEJA HOMOLOGADA PELO ÓRGÃO COMPETENTE NOS TERMOS DO ARTIGO 74, §§ 6° E 70 DA LEI N° 9.430/96. A SRF não exige que a PER/DCOMP tenha sido homologada, bastando que a compensação tenha sido solicitada para fins de confissão de divida caso o Fisco não homologue a compensação. Assim, o valor declarado como compensado passa a ser imediatamente exigível, visto que a declaração PER/DCOMP tem natureza de confissão de divida. A PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADA CONSTITUI INSTRUMENTO HÁBIL DE CONFISSÃO DE DÍVIDA PARA O CONTRIBUINTE E OS VALORES ALI INFORMADOS COMPÕEM O SALDO DA BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 18 DE 13 DE OUTUBRO DE 2006 ‘Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DComp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ’.” (1ª Seção, 1ª Câm., 2ª TO, Acórdão nº 110200.373, Rel. João Carlos de Lima Junior, sessão de 26.01.2011) É sabido que a PGFN já se manifestou no sentido de que as estimativas objeto de compensações não homologadas não seriam objeto de inscrição em dívida ativa e posterior execução fiscal. Todavia, o recente Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 afasta qualquer dúvida a esse respeito. A ementa abaixo transcrita é suficientemente clara: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.901084/201074 Acórdão n.º 1801002.020 S1TE01 Fl. 7 11 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Portanto, as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação devem ser consideradas como pagas em qualquer hipótese, até porque, caso ao final não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco, que poderá exigir o débito decorrente da não homologação através de execução fiscal. O que não se pode admitir, a toda evidência, é a dupla cobrança da estimativa mensal paga por compensação que venha a ser futuramente não homologada, pela dedução na composição do saldo negativo, e a posterior execução do débito compensado cujo crédito não foi reconhecido. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque A presente Turma de Julgamento decidiu por dar provimento ao recurso voluntário em análise. Manifesto meu respeito pelo entendimento dos ilustres Conselheiros, mas peço vênia para discordar e utilizo a presente declaração para registrar minhas razões de divergência. Conforme já foi muito bem relatado, o presente processo trata de DCOMP em que o interessado utiliza saldo negativo de IRPJ relativo a 2004. O referido saldo negativo é composto por antecipações do IRPJ (estimativas) declaradas e quitadas também por compensações. Todavia, estas últimas foram não homologadas pela Administração Tributária e seu destino depende do resultado de outros processos administrativos tributários. Por tal razão, o recorrente pede que o julgamento do presente processo aguarde o resultado das referidas lides. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Entendo que o pedido do recorrente deve ser atendido, no sentido de que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora informe o resultado final das lides que tratam das estimativas que compõem o saldo negativo em tela. O artigo 170 do Código Tributário Nacional exige dos créditos passíveis de compensação a qualidade de serem líquidos e certos e esse requisito não é atendido nas estimativas oferecidas pelo contribuinte, uma vez que estão sob discussão administrativa. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É bem verdade que o contribuinte confessou a sua dívida relativa às estimativas. Todavia, o que se aproveita no saldo negativo não é a dívida, mas sim a sua quitação, ou seja, a riqueza entregue ao erário para a quitação do imposto devido no final do exercício. O contribuinte afirma, em suas DCOMP, que essa riqueza foi entregue quando, no passado, pagou PIS e Cofins acima do devido. Por seu turno, a Administração Tributária afirma que tais pagamentos atenderam apenas aos valores devidos. Enquanto essa questão estiver carente de solução, não se sabe se o erário acolheu, ou não, riqueza indevida do contribuinte. Não se sabe se o contribuinte possui o crédito e, mesmo o possuindo, não se sabe quando ele será reconhecido. Assim, dar ao contribuinte, hoje, o crédito pleiteado corresponde, no mínimo, a antecipar os efeitos do resultado daquelas lides, por meio de uma estratégia processual colateral, ou seja, não prevista na legislação tributária. Aguardar o resultado daquelas lides é medida necessária para a determinação do bom direito, não trazendo prejuízo para qualquer parte e eliminando o risco de dano ao erário, que será certo no caso de as estimativas não serem confirmadas. Por tais razões, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade preparadora informe o resultado do julgamento das estimativas, tão logo estas tenham sido concluídas. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmen te em 05/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 14337.000216/2010-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007
PREVIDENCIÁRIO.VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo.
Intimado a cumprir prazos assentado em legislação previdenciária, não se vislumbra provimento de autuação por descumprimento com base em fundamentação legal diversa.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra maculado por vício material em razão do crédito dele decorrente ser duvidoso.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2403-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a nulidade do lançamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. Intimado a cumprir prazos assentado em legislação previdenciária, não se vislumbra provimento de autuação por descumprimento com base em fundamentação legal diversa. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra maculado por vício material em razão do crédito dele decorrente ser duvidoso. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a nulidade do lançamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 16 /2 01 0- 68 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório O Relatório Fiscal de fls. 06 registra que tratase de Auto de Infração, lavrado em razão da empresa ter apresentado os arquivos digitais fora do prazo estabelecido pela fiscalização, haja vista que a remessa completa desses arquivos ocorreu em 18/06/2010 enquanto o prazo estabelecido no termo fiscal foi 18 de abril 2010: “Em ação fiscal realizada no contribuinte, foram solicitados, através do termo de início de procedimento fiscal e termos de intimação fiscal, os elementos necessários aos serviços de auditoria. A empresa apresentou os arquivos digitais fora do prazo estabelecido pela fiscalização, haja vista que a remessa completa desses arquivos ocorreu em 18/06/2010, conforme observase na correspondência da empresa (anexo 11). O prazo estabelecido no termo fiscal foi 18 de abril 2010.” Li o Relatório a quo, às fls. 565, compulsei com os autos e por corroborar o relatado o aproveito.Com grifos de minha autoria , abaixo transcrevo o sobredito documento: Foi atribuída responsabilidade solidária a MAFRINORTE MATADOURO E FRIGORIFICO DO NORTE LTDA, CNPJ 05.047.121/000102, e a PAULO AFONSO COSTA, 055.085.84668. Tudo, conforme Relatório Fiscal de fl.6. DA IMPUGNAÇÃO Foram intimados do lançamento efetuado o contribuinte e os responsáveis solidários acima identificados. Inconformados, apresentaram impugnação o contribuinte e o responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA. O Contribuinte, ATIV0 ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA, apresentou sua impugnação em 26/08/2010, conforme fls.852/878, alegando, em síntese, que: 1 – foi lançado em seu detrimento uma multa no valor de R$572.295,51, por pretensamente deixar de cumprir o prazo estabelecido pela Receita Federal para apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros; 2 a imposição da multa é indevida; 3 a Secretaria da Receita Federal tem a incumbência de expedir atos fixando forma e prazo para apresentação dos arquivos digitais e sistemas; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4 não foi citado no Auto de Infração qual legislação consubstancia a forma e o prazo para tal apresentação; 5 os únicos dispositivos citados no AI são os arts. 11 e 12 da Lei n°. 8.218/91, que não estabelecem qualquer regra acerca dos prazos e formas de apresentação dos arquivos digitais, fixando tão somente a multa imposta no caso da não apresentação; 6 não poderia ser omisso o AI quanto a estas formas e prazos, porquanto tal informação é de suma importância para a apresentação da defesa administrativa, até porque neste AI foi imposta tão somente a multa pelo pretenso atraso na entrega de arquivos digitais; 7 a omissão citada infringe as regras do processo administrativo, fixadas pelo Decreto n°. 70.235/72; 8 o inciso IV do art. 10 da Lei do Processo Administrativo Fiscal é clara: um Auto de Infração deve indicar necessariamente a penalidade aplicada, bem como os dispositivos legais que a consubstanciam; 9 o Auto de Infração que não preencheu o requisito legal previsto no inciso IV do art. 10 do Decreto n°. 70.235/72, é nulo, porquanto a ausência dos requisitos mínimos previstos no referido dispositivo legal ocasionam a sua nulidade, invalidando o lançamento efetuado e o processo fiscal; 10 o Auto de Infração possui um formato padrão que deve ser seguido, sob pena de viciálo, fazendo com que se perca a força para a exigência do cumprimento da penalidade; 11 o Auto de Infração sem a indicação específica e correta dos dispositivos aplicáveis ao caso certamente o macula de nulidade sua lavratura, por violação a requisito formal que propicia a ampla defesa constitucional, sendo este o entendimento pacífico dos Conselhos de Contribuintes; 12 é nítida a omissão dos dispositivos legais que determinam a cominação forma e prazo da apresentação dos arquivos digitais, porquanto tal omissão infringe até mesmo direitos fundamentais do Impugnante: 0 legalidade (art. 5S. II da CF/88); ii) contraditório e ampla defesa (art. 56, LV da CF/88); (iii) devido processo legal (art. 57, IV da CF/88).; 13 antes mesmo do vencimento do referido prazo, a Impugnante entrou em contato com o Auditor Fiscal, oportunidade na qual o mesmo informoulhe que seria 14 a Impugnante reuniu toda sua contabilidade para buscar toda esta documentação requerida por parte do Auditor Fiscal, sendo apresentados praticamente todos no dia 19/04/2010, sendo pedida a dilação do prazo para apresentação dos remanescentes; 15 foi lavrado, assim, o 'Termo de Intimação Fiscal 01', no dia 06/05/2010, no qual foi dilatado à Impugnante o prazo em 10 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 4 5 (dez) dias, para não só complementar os documentos antes exigidos, mas também para apresentar outros mais, como: relação de veículos no ativo imobilizado da empresa, relação de imóveis, contratos celebrados com terceiros referentes a arrendamentos de unidades frigoríficas e de abate de bovinos, etc.; 16 a Impugnante prontamente apresentou sua resposta no dia 19/05/2010, com os arquivos digitais do ano de 2007 o que foi recebido e utilizado pela fiscalização, digase , requerendo novamente a dilação do prazo e esclarecendo que nos anos de 2005/2006, a contabilidade foi elaborada pela empresa GS Contadores Associados S/S Ltda, CNPJ n°. 63.807.515/000118, cujo contador responsável é o Sr. George Santiago, CRCPA 2603/03, que dificultou o acesso à documentação da empresa, notadamente aos arquivos digitais; 17 no mesmo dia 06/05/2010, o Sr. Auditor Fiscal lavrou os termos de intimação fiscal de n°s. 02 e 03, na qual o mesmo também concedeu expressamente à Impugnante o prazo de 10 (dez) dias e 20 (vinte) dias, respectivamente, para apresentação de documentos; 18 respostas e pedidos de dilação apresentados pela Impugnante, foi lavrado outro termo de intimação fiscal, denominado como "final", no qual foi concedido 07 (sete) dias para apresentação de documentos; 19 – sempre sendo respondido, o Sr. Auditor Fiscal ainda lavrou um último termo de intimação, denominado como "Termo de Intimação Fiscal n°. Final Complementar", concedendo o prazo de 07 (sete) dias para apresentação de outros documentos e justificativas. Este termo foi entregue à Impugnante no dia 04/06/2010 (sextafeira), ou seja, diante do último termo de intimação, no qual o Sr. Auditor concedeu expressamente o prazo de 07 (sete) dias, que iniciouse no dia 07/06/2010 (segundafeira), findarseia no dia 14/06/2010.; 20 concedida uma dilação do prazo, para que fossem apresentados os documentos faltantes. Apenas exigiu da Impugnante a formalização do pedido, o que foi realizado em 11/06/2010 (cfr. anexo 30). 21 como se pode verificar nas correspondências e respostas protocolizadas na administração fazendária, apesar de nem todos os arquivos digitais da Impugnada solicitados pela fiscalização terem sido apresentadas no inicio da fiscalização, a mesma efetuouos; 22 foi apresentado o pedido de dilação do prazo no dia 11/06/2010, para o dia 18/06/2010. porquanto somente nesta data o seu antigo contador liberaria os arquivos digitais, sendo que, neste citado dia, foram apresentados, os arquivos relativos aos anos de 2005/2006, arquivos estes que foram utilizados pelo Sr. Auditor para promover os lançamentos decorrentes do MPF; Fl. 638DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 23 do início da fiscalização até o dia 14/06/2010, período este no qual o Sr. Auditor Fiscal dilatou expressamente os prazos à Impugnante, para que esta apresentasse a documentação, não há de se falar em inércia por parte da mesma ou descumprimento ao prazo concedido para a entrega dos arquivos digitais, para fins de aplicação da penalidade cominada no inciso III do art. 12 da Lei n". 8.218/91; 24 o próprio Auditor Fiscal concedeu prazo para a Impugnante apresentar os arquivos digitais, durante o prazo concedido não houve qualquer inércia por parte da mesma; 25 após o dia 14/06/2010, o prazo foi prorrogado tacitamente, porquanto o Sr. Auditor Fiscal comprometeuse a deferir mais prazo à Impugnante que, cumprindo seu dever de colaborar com o trabalho fiscal, apresentou os arquivos digitais relativos aos anos de 2005/2006 no prazo combinado, ou seja, em 18/06/2010. Não se poderia ignorar o fato que o Sr. Auditor Fiscal recebeu os arquivos, antes do final da fiscalização, e os utilizou plenamente no seu trabalho fiscal, inclusive descrevendo a correspondência entregue em 18/06/2010 como "anexo 11". 26 dentro do prazo concedido, que durou do início da fiscalização até o dia 18/06/2010, simplesmente não podem ser contados dias de atraso, principalmente da forma pela qual absurdamente fez o Sr. Auditor Fiscal, que impôs a multa calculada por 61 (sessenta e um) dias, desconsiderando até mesmo a primeira dilação de prazo concedida à Impugnante. Não poderia o Sr. Auditor autuar a Impugnante como se os arquivos digitais não tivessem sido entregues e utilizados no trabalho fiscal, o que permitiu o completo acesso aos dados da empresa; 27 – competentes pedidos de dilação e, antes do fechamento da fiscalização, com a Iavratura do 'Termo de Encerramento da Fiscalização', apresentou, em total boafé, todos os arquivos à Receita Federal; 28 olvidou todos os esforços para apresentar a documentação solicitada por parte do Sr. Auditor Fiscal, pessoa quem, inclusive, manteve em contato constante com a fiscalizada e esteve ciente acerca das dificuldades em conseguir a documentação mantida na posse da antiga contabilidade; 29 dilatados os prazos, como fez o Sr. Auditor, não poderia o mesmo impor uma sanção por um pretenso atraso na entrega de arquivos digitais, que foi realizada no dia 18/06/2010; 30 é importante ressaltar que o CARF, ao analisar um caso análogo, entendeu que sendo entregues os arquivos digitais, mesmo com dificuldades de acessibilidade 'aos sistemas, sendo realizada a entrega efetiva, a'multa prevista no art. 12 da Lei n°. 8.218/91 deve ser afastada; Portanto, ante o acima aduzido, descabe a multa, devendo ser julgado insubsistente o presente Auto de Infração. 30 é importante ressaltar que o CARF, ao analisar um caso análogo, entendeu que sendo entregues os arquivos digitais, mesmo com dificuldades de acessibilidade 'aos sistemas, sendo Fl. 639DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 5 7 realizada a entrega efetiva, a'multa prevista no art. 12 da Lei n°. 8.218/91 deve ser afastada; Portanto, ante o acima aduzido, descabe a multa, devendo ser julgado insubsistente o presente Auto de Infração. 31 Sabese que o artigo 150, IV , da CF/88 veda ao Fisco utilizar o tributo com efeito de confisco; 32 sem querer trespassar pela seara da discussão se tal princípio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser ceifadas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5, XXII , CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidades e equidade; 33 observese que o ato da Impugnante que é sancionado pela pretensaentrega extemporânea de documentos digitais, que foram devidamente apresentados à fiscalização, antes do término dos prazos concedidos pelo Sr. Fiscal, não causando qualquer prejuízo à fiscalização realizada; 34 foi imposta uma multa de absurdos R$572.295,51, valor este incompatível com a capacidade contributiva da Impugnante; 35 é flagrante a infração ao princípio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe à Impugnante o pagamento de mais do que MEIO MILHÃO DE REAIS, por algo que não causou qualquer prejuízo ao fisco; 36 requer a não aplicação da multa prevista no inciso III do artigo III e §único da Lei n°. 8.218/91; 37 nos cálculos do Sr. Auditor Fiscal, o mesmo apurou a Receita Bruta da Impugnante, com base na DIPJ dos anos calendário 2005, 2006 e 2007, e realizou o lançamento do percentual de 1 % (hum por cento) sobre a soma das referidas receitas; 38 o Auditor Fiscal expôs que o "prazo estabelecido no termo fiscal" foi 18 de abril de 2010, ou seja, num domingo; 39 seria impossível que a Impugnada efetuasse a entrega de documentos à Fiscalização nesta data, porquanto, como cediço, os órgãos públicos não funcionam nos fins de semana; 40 houve claro equívoco nos cálculos realizados pelo Sr. Fiscal, já que não teriam transcorridos os absurdos 61 (sessenta e um) dias como exposto no AI.; 41 o próprio Auditor Fiscal, ao emitir os termos de intimação, deferiu prazo à Impugnante para dar cumprimento às suas solicitações. Por isso, mesmo que não se entenda descabida a multa, não há que se falar de atraso por parte da Impugnante durante os dias nos quais havia prazo, expressamente deferido pelo Sr. Auditor Fiscal, para apresentação dos documentos; Fl. 640DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 42 o último termo de intimação fiscal lavrado, denominado "Termo de Intimação Fiscal n°. Final Complementar", foi entregue à Impugnante no dia 04/06/2010, no qual foi concedido o prazo de 07 (sete) dias à mesma para entregar a documentação faltante. Considerando que o dia 04/06/2010 foi uma sextafeira, o prazo iniciouse na segundafeira, dia 07/06/2010, e findouse no dia 14/06/2010. 43 portanto, o prazo durou até o dia 14/06/2010 e, assim, não poderia o Sr. Auditor Fiscal, pelo fato da entrega ter ocorrido em 18/06/2010, realizar os cálculos da multa com base no período de absurdos 61 (sessenta e um) dias de atraso; 44 do dia 14/06/2010, último dia do prazo concedido pelo próprio Sr. Auditor Fiscal, até o dia 18/06/2010, contarseiam somente 03 (três) dias, já que no dia 18/06/2010 os arquivos foram entregues, não podendo ser computado como dia de atraso; 45 o pretenso atraso considerado pelo Sr. Auditor, que justificou a imposição da multa, referiuse tão somente aos anos de 2005 e 2006. apresentados ao Fisco no dia 18/06/2010; 46 a escrituração contábil digital relativo ao ano de 2007 foi entregue no dia 19/05/2010, dentro do prazo expressamente concedido pelo Sr. Auditor Fiscal pelo "Termo de Intimação Fiscal n°. 03"; 47 assim, não poderia o Fisco tomar por base na aplicação da multa ora impugnada a receita declaração em DIPJ do ano de 2007, devendo retirála da base de cálculo;. 48 não incorreu a fiscalização em erro somente na contagem do tempo de atraso da entrega da documentação e no período pretensamente não entregue; 49 consoante se pode observar nos lançamentos realizados pelo Sr. Fiscal com base nos MPFs de n°s. 0210100.2010.00238 e 02.1.01.002010002377, os períodos fiscalizados foram de 03/2005 a 12/2007; 50 como previsto no inciso II do art. 12(da Lei n°. 8.218/91, a multa de 0,02 ao dia de atraso deveria ser calculada sobre a receita bruta do da Impugnante no período, ou seja, de 03/2005 a 12/2007, e não tomando por base todo o anocalendário de 2005. 51 o cálculo da multa, caso subsistente, deve ser refeito, com o decote da receita bruta da Impugnante relativa ao período de 01/2005 a 03/2005 e 2007, bem como o cálculo da multa somente por 03 (nove) dias, sendo decotado o valor imposto a maior; 52 é sedimentado o entendimento de que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 6 9 Dos Pedidos Requer a impugnante: a) a insubsistência do Auto de Infração, sendo cancelada a multa; b) o decote dos valores calculados a maior; c) seja afastada a incidência da TAXA SELIC. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA, apresentou sua impugnação em 10/09/2010, conforme fls.824/830.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da então Impugnante, na forma do registro de fls.563, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) DRJ/CGE em 28/06/2012 exarou o Acórdão n° 0429.189 MANTENDO O CRÉDITO LANÇADO. DO RECURSO Irresignados, a Recorrente e o solidário Paulo Afonso Costa, interpuseram Recursos Voluntários de fls.583 e 605, respectivamente, onde reiteraram as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. DA RESOLUÇÃO Em razão da RESOLUÇÃO n° 2403000.168 determinar a DILIGÊNCIA para o processo principal n 14337.000211/201035 que a este vincula por conexão, também o julgamento deste foi convertido em DILIGÊNCIA, na forma da RESOLUÇÃO n° 2403000.169. Na oportunidade não foi requerido conhecer aspectos do auto em comento tendo seguido junto ao principal não houve resposta da diligência posto que fora requerida próforma. É o Relatório. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Relatório Fiscal de fls. 06 registra que tratase de Auto de Infração, lavrado em razão da empresa ter apresentado os arquivos digitais fora do prazo estabelecido pela fiscalização, haja vista que a remessa completa desses arquivos ocorreu em 18/06/2010 enquanto o prazo estabelecido no termo fiscal foi 18 de abril 2010: “Em ação fiscal realizada no contribuinte, foram solicitados, através do termo de início de procedimento fiscal e termos de intimação fiscal, os elementos necessários aos serviços de auditoria. A empresa apresentou os arquivos digitais fora do prazo estabelecido pela fiscalização, haja vista que a remessa completa desses arquivos ocorreu em 18/06/2010, conforme observase na correspondência da empresa (anexo 11). O prazo estabelecido no termo fiscal foi 18 de abril 2010.” Às fls. 001, no Relatório da DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, consta que em razão de a empresa não atender o prazo estabelecido pela fiscalização infringiu o previsto no art. 11, parágrafos 3. e 4 da Lei n.° 8.218, de 29.08.91, com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01 : “Deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para apresentação de arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n.° 8.218, de 29.08.91, art.11, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01.” A Recorrente argüiu nulidade desde em sede de impugnação. Reiterou em grau de Recurso que : “ a Secretaria da Receita Federal tem a incumbência de expedir atos fixando forma e prazo para apresentação dos arquivos digitais e sistemas; Fl. 643DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 7 11 não foi citado no Auto de Infração qual legislação consubstancia a forma e o prazo para tal apresentação; os únicos dispositivos citados no AI são os arts. 11 e 12 da Lei n°. 8.218/91, que não estabelecem qualquer regra acerca dos prazos e formas de apresentação dos arquivos digitais, fixando tão somente a multa imposta no caso da não apresentação; não poderia ser omisso o AI quanto a estas formas e prazos, porquanto tal informação é de suma importância para a apresentação da defesa administrativa, até porque neste AI foi imposta tão somente a multa pelo pretenso atraso na entrega de arquivos digitais; a omissão citada infringe as regras do processo administrativo, fixadas pelo Decreto n°. 70.235/72; o inciso IV do art. 10 da Lei do Processo Administrativo Fiscal é clara: um Auto de Infração deve indicar necessariamente a penalidade aplicada, bem como os dispositivos legais que a consubstanciam; o Auto de Infração que não preencheu o requisito legal previsto no inciso IV do art. 10 do Decreto n°. 70.235/72, é nulo, porquanto a ausência dos requisitos mínimos previstos no referido dispositivo legal ocasionam a sua nulidade, invalidando o lançamento efetuado e o processo fiscal; o Auto de Infração possui um formato padrão que deve ser seguido, sob pena de viciálo, fazendo com que se perca a força para a exigência do cumprimento da penalidade; o Auto de Infração sem a indicação específica e correta dos dispositivos aplicáveis ao caso certamente o macula de nulidade sua lavratura, por violação a requisito formal que propicia a ampla defesa constitucional, sendo este o entendimento pacífico dos Conselhos de Contribuintes; é nítida a omissão dos dispositivos legais que determinam a cominação forma e prazo da apresentação dos arquivos digitais, porquanto tal omissão infringe até mesmo direitos fundamentais do Impugnante: 0 legalidade (art. 5S. II da CF/88); ii) contraditório e ampla defesa (art. 56, LV da CF/88); (iii) devido processo legal (art. 57, IV da CF/88).” Cumpre notar que os fatos geradores ocorreram nas competências 07/2005 a 09/2007 quando o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF tinham legislações diferenciadas para exigir tais informações. O INSS não cobrava a exação na forma do art. 11 da Lei 8.218/91 praticada pelo então Departamento da Receita FederalDRF. Lavrada a autuação para as competências 07/2005 a 09/2007, à luz do preceituado no art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento reportarseia à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regerseia pela lei então vigente, verbis: Fl. 644DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” O sobredito destaque faz ver que a exigência do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD, à época dos fatos geradores, obedecia ao comando da Portaria MPS/SRP N° 58, de 28 de janeiro de 2005 e não do art. 11 da Lei 8.218/91.. Naquele documento o § 1º do art.1º aduz que o Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD definiria a forma de cumprimento da obrigação acessória: “ PORTARIA MPS/SRP N° 58, DE 28 DE JANEIRO DE 2005 DOU DE 31/01/2005 Estabelece procedimentos para apresentação dos arquivos digitais e aprova o Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD aplicado à Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária SRP. Art. 1º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, quando intimada por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverá apresentar documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas, observadas as orientações; e especificações contidas no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD aplicado à Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária SRP. § 1º O Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD definirá a forma de cumprimento da obrigação acessória, criada pelo art. 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003, discriminando sua aplicabilidade nas empresas sob o regime de direito privado e as pessoas jurídicas de direito público cujas obrigações orçamentárias, financeiras, contábeis e patrimoniais estão elencadas na Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964 e na Lei Complementar nº 101 de 04 de maio de 2000. § 2º A especificação dos arquivos digitais, referente às obrigações fiscais, contábeis e patrimoniais das empresas sob o regime de direito privado, quando não definida de forma diversa pela Secretaria da Receita Previdenciária, obedecerá aos padrões definidos: I. pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, em ato próprio; II. pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, em ato próprio; III. por atos de convênio firmados entre a Secretaria da Receita Previdenciária e os órgãos de administração tributária dos Estados e Municípios. ” Tal Portaria não foi revogada mas sim alterada pela Instrução Normativa SRP 12/2006 que aprovou nova versão do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 8 13 DA LEI N 11.457/2007 E DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS O art. 27 da Lei 11.457, de 16 de março de 2007, determina que “ observado o disposto no art. 25 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais referentes às contribuições sociais de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei permanecem regidos pela legislação precedente ”. Não obstante isso, o art. 25 ressalta que os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei somente serão observados à luz do Decreto 70.235/72 a partir da edição da Lei em comento. Em face ao supra expressado, dois pontos se destacam : não se vislumbra revogada a Portaria MPS/SRP n° 58, de 28 de janeiro de 2005 ; e somente a partir da edição da Lei n° 11.457/2007 é que os procedimentos fiscais, incluase o MANAD, e os processos administrativofiscais passaram a ser observados sob o comando do Decreto 70.235/72.Tal determinação esta expressa na própria lei. ART. 25 DA LEI 11.457, DE 16 DE MARÇO DE 2007 : “Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2o desta Lei. § 1o O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. § 2o O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. § 3o Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2o desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. ” Lei específica n ° 8.212/91, no inciso III do art. 32 alterado mais tarde pela MP 449/2008, determinava que a empresa era também obrigada a prestar informações na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF : “ Art. 32. A empresa é também obrigada a: III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. ” III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” Resta claro que por ocasião dos fatos geradores, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF tinham formas diferenciadas de exigir tais informações. O INSS não o fazia na forma do art. 11 da Lei 8.218/91 praticada pelo então ao Departamento da Receita FederalDRF. DA VIGÊNCIA DAS NORMAS Como visto alhures, o art. 27 da Lei 11.457, de 16 de março de 2007, determina que : “ observado o disposto no art. 25 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais referentes às contribuições sociais de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei permanecem regidos pela legislação precedente.” Assim, não vejo conflitos de normas cabendo às contribuições sociais, em razão de legislação precedente e específica, aplicarse o preceituado na lei n° 8.212/91. Reiterese que em face do que dispõe o art. 27 da Lei nº 11.457, de 2007 determinando observar mantida a vigência dos atos normativos editados pelo MPS, INSS e a SRP, enquanto não modificados pela RFB, descabe interpretar as normas ainda em vigor exortandose forma sistemática e outros quaisquer argumentos. Tratandose de autuação de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores ocorreram nas competências 007/2005 a 09/2007, e , ainda, que a intimação ocorreu com fulcro no inciso III do art. 32 e nos § § 1° e 2° do art. 33, ambos da Lei n° 8.212/1991, a fundamentação legal com esteio na Lei 8.218 de 29/08/91 foi indevida e maculou de Fl. 647DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000216/201068 Acórdão n.º 2403002.745 S2C4T3 Fl. 9 15 nulidade a constituição do crédito. Assim, se a Recorrente fora intimada para cumprir prazos assentado em legislação previdenciária, não se vislumbra provimento de autuação por descumprimento com base em fundamentação legal diversa. A recorrente argüiu nulidade. Ainda que não o fizesse, a nulidade é matéria de ordem pública. É cediço que , a teor dos arts. 267 , § 3º , e 301 , § 4º , do CPC , as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 define que se diretamente dependente do ato anterior, se prejudicado o posterior, a nulidade se aperfeiçoa: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.” Vício instalado na produção do auto, em sua dinâmica, é defeito de composição insanável que prejudica atos posteriores. Em acontecendo a nulidade tal como descrita, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito em razão de sua motivação legal . Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN , Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” DA ECONOMIA PROCESSUAL De tudo que foi exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações bem como recurso interposto pelo contribuinte solidário. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 CONCLUSÃO Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE DO LANÇAMENTO em razão de inquinado de VÍCIO MATERIAL. É como voto, Ivacir Julio de Souza Relator Fl. 649DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18336.000180/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/02/1998
Ementa:
CERTIFICADO DE ORIGEM - PAÍS NÃO MEMBRO DA ALADI. A contrariedade às normas que regem o acordo impede o aproveitamento do incentivo. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto).
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A contrariedade às normas que regem o acordo impede o aproveitamento do incentivo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 01 80 /2 00 3- 54 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 254/268, admitido pelo Despacho nº 3100362 – 1ª Câmara / 3ª Seção (fl. 298/299), datado de 21.08.2012, insurge a contribuinte contra o Acórdão 30134.544 (fls. 243/247), que negou provimento ao Recurso Voluntário por unanimidade de votos. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/02/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PTR4. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. POSSIBILIDADE Não restando nos autos identificados documentalmente todos os elementos da triangulação comercial realizada, não há que se manter o benefício tarifário pretendido. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Após fazer um apanhado do que trata a controvérsia recursal e dos precedentes favoráveis à sua pretensão, a recorrente passa a refutar os argumentos que deram origem ao Acórdão retro mencionado, expondo, em apertada síntese, que: a) O Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria e demais faturas que o acompanharam suprem as informações que deveriam constar na declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9º, da Resolução 78 da ALADI; b) O Certificado de Origem também atesta que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil, países signatários do acordo internacional em apreço. Só não foi registrada a primeira compra, e a revenda subseqüente, porque o SISCOMEX impede tais registros; c) O descumprimento de simples obrigação acessória não poderia, em hipótese alguma, fazer nascer a obrigação principal ligada a ela, nem tampouco penalizar a recorrente com a perda do benefício fiscal por erros meramente formais, no máximo, deveria a fiscalização ter lavrado o Auto para a imposição de eventuais penalidades inscritas em lei, mas jamais, para exigir a obrigação principal correspondente; d) Não existe qualquer dispositivo legal na legislação em vigor que implique na perda de redução tarifária, de modo que o enquadramento legal do Auto de Infração não se coaduna com a penalidade imputada e infringe o inciso II do art. 5º da Constituição Federal, o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72 e o inciso I do art. 112 do Código Tributário Nacional. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18336.000180/200354 Acórdão n.º 9303003.164 CSRFT3 Fl. 367 3 Por fim, requer o acolhimento dos fundamentos do Recurso Especial com o conseqüente cancelamento do auto de infração de fls. 14/23 e a juntada da fatura comercial da PETROBRAS nº SB030/98 de 03/02/1998. Contrarrazões fls. 302/327. Pretende a Fazenda Nacional a manutenção do Acórdão recorrido alegando discrepância entre as informações prestadas no Certificado de Origem e na fatura comercial quanto ao país exportador da mercadoria, o que por si só já invalidaria o pleito de regime benéfico de tributação do Imposto de Importação. Alega, ainda, violação ao art. 434, parágrafo único, do RA, Decreto 91.030/95, e aos arts. 4º e 7º da Resolução 78 da ALADI. Aduz que se o benefício acordado entre os países signatários do acordo de que tratam os autos está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do certificado de origem tornase pressuposto de validade para que o benefício pactuado seja reconhecido pelo país importador. Segue discorrendo que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem deve coincidir com o correspondente produto negociado e vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura. Como, no presente caso, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não seria país signatário do ACE 39, por pertencer às Ilhas Cayman, não poderia a recorrida fazer jus ao benefício fiscal pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação. Defende que a indicação da INVOICE nº 91E005461, em um campo da INVOICE nº BSLSB054/98 (fls. 16), não é suficiente para sanar o vício de divergência documental apontado. Contrapõe os argumentos da recorrente explanando que o art. 10 da Resolução nº 78 evidencia uma faculdade que tem o país de destino em comunicar ao país exportador eventuais distorções constatadas na expedição do Certificado de Origem, entretanto, não impede que o país de destino adote as medidas que considere necessárias para garantir o interesse fiscal. Alega, ainda, que ao contrário do que fez parecer a defesa, o cotejo dos arts. 499, “ex vi” do art. 136 do CTN com o art. 455 do RA e com as regras que estabelecem o Regime Geral de Origem constituem o supedâneo legal para a exigência, portanto, correta a autuação. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Do mesmo modo, como as condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência não foram integral e estritamente atendidos pela PETROBRAS para fruição do benefício, não há como conceder o tratamento tarifário pretendido. O pleito é de manutenção do Acórdão proferido pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Este processo contém Auto de Infração de fls.02/07 que reverbera imperfeição quanto ao certificado de origem emitido na Colômbia, em 29.01.98 indicando esse País como o de origem da mercadoria importada sendo a empresa exportadora a Empresa Colombina de Petróleos – ECOPETROL tendo sido emitida fatura comercial em 03.02.98 pela Braspetro Oil Service Co. – BRASOIL situada na cidade de Gran Cayman, nas Ilhas Cayman tudo na conformidade do declarado pelo importador no SISCOMEX (fl. 22), não sendo esse País signatário do Proocolo Adicional ao Acordo de Alcance Regional de Preferências Tarifárias Regionais nº 4, PTR4. Sem dúvidas a mercadoria foi embarcada na Colômbia e recepcionada no Brasil pela Petróleo Brasileiro S. A. –PETROBRAS como importadora e também por conta do endosso que lhe foi conferido pela BRASOIL no verso do conhecimento de embarque. O auto de infração também registra que a Resolução nº 78 que estabelece o regime geral de origem, entre o Brasil e ALADI, determina que os documentos de exportação deveriam ser acompanhados de uma declaração que acreditasse o cumprimento dos requisitos de origem, para que a mercadoria objeto de intercâmbio fosse beneficiada com qualquer preferência pactuada entre os países membros e conclui na conformidade do Acordo 91 da ALADI que os certificados de origem não poderão ser emitidos com antecipação à data de emissão da fatura comercial correspondente à operação. Como exposto, a emissão do Certificado de Origem foi realizada cinco dias antes da fatura comercial, e nesse documento o numero da fatura comercial 19E 005461 difere Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18336.000180/200354 Acórdão n.º 9303003.164 CSRFT3 Fl. 368 5 do número da fatura que instruiu a DI – BSLSBO54/98 da BRASOIL (fl. 16), apresentada pelo importador para amparar o despacho. (fl. 306) De todos sabido que a finalidade do Certificado de Origem é caracterizar indisfarçavelmente o manuseio das mercadorias alcançadas pelo intercâmbio com tratamento preferencial desde que cumpridos os requisitos fixados pelas partes envolvidas dentre os quais a vinculação expressa da mercadoria ao emissor da fatura, o que, como já mencionado, não ocorreu no caso presente já que o mesmo não é País signatário do acordo, isto contrariando o conceito maior do acordo que foi o de isolar os países envolvidos de outros não signatários. Como já me posicionei em processos com as mesmas características, entendo indispensável o cumprimento de formalidades exigidas para a obtenção do direito ao incentivo o que não ocorre no caso dos autos uma vez que o Certificado de Origem apresentado, por ausência de requisito exigido pelo acordo, invalida o tratamento preferencial pleiteado, não se compatibilizando com a operação de importação objeto do despacho aduaneiro, materializada entre a Petrobrás e a ECOPETROL. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Sala das Sessões, 25 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003975/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz Da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz Da Gama Lobo DEça.
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz Da Gama Lobo D’Eça. Relatório KXYZ Tecnologia da Informação teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 444 a 448 (Termo de Verificação Fiscal, fls. 439 a 442), para formalizar a determinação e a exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, incidente sobre operações de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 75 /2 00 7- 01 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 mútuo realizadas com Hidroservice Engenharia Ltda, HM Hotéis e Turismo S/A e HMKY Empreendimentos Participações Administração S/A. nos anos de 2002 a 2006. A exação montou a R$ 1.646.592,68. Em impugnação (fls. 452 a 460), argüiuse decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2002 e 30/11/2002 e ilegitimidade passiva. Nada obstante, o lançamento foi integralmente mantido pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0532.739, de 21 de julho de 2011 (fls. 488 a 493), teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valore Mobiliários IOF Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Mútuo. Responsabilidade Tributária. Sujeição Passiva. Verificado o não cumprimento da obrigação de retenção e recolhimento por parte do responsável tributário correta a constituição do crédito tributário tendo o contribuinte, tomador dos recursos, como pólo passivo da relação jurídica tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 505 a 519, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repete suas razões de defesa. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É a síntese necessária. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Verifico, liminarmente, que a petição de fls. 505 a 519 foi protocolada fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 500, a ciência ocorreu em 13/10/2011, quinta feira. Assim, o prazo para recorrer findou em 14/11/2011, segundafeira. Todavia, a petição foi postada somente em 16/11/2011, conforme carimbo de recepção do CACPaulista, aposto no expediente de encaminhamento do recurso, fl. 505. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.003975/200701 Acórdão n.º 3402002.630 S3C4T2 Fl. 534 3 Diante do exposto, em face de sua intempestividade, não há como conhecer a referida petição como recurso voluntário. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
