Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (17,010)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,584)
- Segunda Turma Ordinária d (15,503)
- Primeira Turma Ordinária (15,386)
- Primeira Turma Ordinária (15,341)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,850)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,185)
- Quarta Câmara (82,979)
- Terceira Câmara (64,622)
- Segunda Câmara (53,154)
- Primeira Câmara (17,741)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,185)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,866)
- Segunda Seção de Julgamen (111,244)
- Primeira Seção de Julgame (73,725)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,428)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,074)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,341)
- HELCIO LAFETA REIS (3,252)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,820)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,597)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,394)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,949)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2025 (16,560)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 10880.914050/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção.
Numero da decisão: 1201-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.914050/2010-41
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646844
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.480
nome_arquivo_s : Decisao_10880914050201041.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880914050201041_5646844.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6525694
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692106199040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914050/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.480 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria Compensação Recorrente PROCOMP INDUSTRIA ELETRONICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. RETENÇÃO NA FONTE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante hábil de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A dedução do IR retido na fonte por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 40 50 /2 01 0- 41 Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 3 2 Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): Trata o presente processo do Despacho Decisório de fl. 37 proferido pela DERAT/SÃO PAULO, o qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 24185.11781.310805.1.7.030838 no qual a interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente de saldo negativo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, CSLL, relativa ao anocalendário 2004. A homologação parcial da compensação teve como fundamento a falta de comprovação de parcelas de composição do crédito, informadas no PER/DCOMP relativas às estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior. Parcela de composição do crédito informada no PER/DCOMP, Estimativas compensadas anteriormente, R$ 544.966,01, parcelas confirmadas, R$ 325.017,86, conforme demonstrado no Despacho Decisório. Assim, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 48/51), alegando, em síntese: a diferença de CSLL apurada não foi considerada pela Receita Federal em virtude da não apresentação dos comprovantes de retenção da CSLL, os valores de maior relevância são relativos a órgãos públicos como a CEF, SUS e Banco do Brasil S/A que não entregaram os respectivos informes de retenção; os demais tomadores forneceram os informes de retenção, doc. 04; a falta dos informes de retenção não invalida a retenção nem atinge o direito ao crédito porque a Receita Federal possui meios de verificar as retenções efetuadas; protesta pela futura juntada dos referidos informes de retenção; pede reconhecimento do crédito e extinção definitiva do crédito tributário cobrado. Em sessão de 30 de março de 2015 a 3a Turma da Delegacia de Julgamento de Recife, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como preliminar, aduz a Recorrente que já teria decaído o direito de verificar a base de cálculo negativa da CSLL de 2004, por força do disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, pois o Despacho Decisório, de 09 de março de 2010, não poderia mais questionar a base negativa da contribuição ao final do exercício de 2004. Teria ocorrido, em seu entendimento, a homologação tácita das compensações promovidas. Não assiste razão à Recorrente. É forte neste Conselho o entendimento de que a fiscalização pode examinar documentos relativos a períodos superiores a cinco anos, especialmente nas hipóteses de pedido de compensação, até porque não se confunde o pleito da Recorrente com a possibilidade de lançamento pela Receita Federal. O lançamento de ofício é ato administrativo vinculado, cuja atividade encontrase limitada, quanto ao critério temporal, pelos artigos 150, § 4º e 173 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. e Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 5 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Ocorre que os prazos previstos pelo Código dizem respeito à possibilidade de a fiscalização efetuar novos lançamentos ou se pronunciar acerca do pagamento efetuado pelo contribuinte, sem qualquer relação com a hipótese em que este alega crédito líquido e certo, passível de compensação ou restituição. A retenção na fonte não se confunde com o conceito de "pagamento antecipado" veiculado pelo CTN, da mesma forma como ocorre com as estimativas, até porque o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro devidos no período sujeitamse aos ajustes apurados de acordo com a sistemática do lucro real. No caso das compensações, não temos o "fato gerador" mencionado pelo artigo 150, mas o interesse do contribuinte em compensar créditos que reputa líquidos e certos e que, por decorrência lógica, só podem ser apurados ao final do exercício, quando da constatação de bases negativas de CSLL. Convém destacar que a compensação não tem como pressuposto a simples retenção na fonte, mas a existência de base negativa ao final do período. Nesse sentido, o prazo para o Fisco homologar as compensações apresentadas pelo contribuinte é o previsto no artigo 74 da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 6 5 § 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6oA declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7oNão homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) (grifamos) As compensações objeto deste processo foram transmitidas em 26 de março de 2007 e 31 de agosto de 2005, e como o Despacho Decisório é de 09 de março de 2010, não há qualquer obstáculo temporal à sua validade nem se trata de prazo decadencial como alega a Recorrente, pois todos os requisitos previstos em lei foram devidamente atendidos. Não se cuida, pois, de lançamento, mas da necessidade de o contribuinte comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, o crédito que pretende ver integralmente compensado. Afasto, portanto, a preliminar de decadência suscitada. Quanto ao mérito, aduz a Recorrente que, tão logo soube do resultado do Despacho Decisório pagou as estimativas relativas aos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2004: Sob essa perspectiva, a Recorrente salienta, em oposição ao raciocínio que orientou o despacho decisório n° 858251171, que, tão logo tomou conhecimento do despacho decisório que não homologou as DCOMPs n° 38995.48922.250804.1.7.037039, 00357.65107.250804.1.7.033321 e 33750.47651.300604.1.3.03 274 (Doc. 07), efetuou o pagamento dos respectivos débitos (isto é, as estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2004), conforme comprovam os DARFs anexos (Docs. 08, 09 e 10). Deste modo, ainda que, num primeiro momento, tais DCOMPs não tenham sido homologadas, é evidente que, em face da comprovação do pagamento de tais estimativas, os respectivos valores merecem ser computados nas parcelas de crédito que resultaram no saldo negativo de CSLL em discussão no presente processo administrativo. O argumento acima apresentado é absolutamente novo, dado que não foi formulado na manifestação de inconformidade (fls. 49 e 50), de sorte que sequer foi apreciado pela decisão de primeira instância. Naquela peça de defesa, a Recorrente discorreu, em duas páginas, acerca da não apresentação dos comprovantes de retenção pelos responsáveis tributários, conforme reprodução integral a seguir: Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 7 6 A Requerente foi notificada sobre a homologação parcial do valor do crédito original de R$ 2.579.367,18, oriundo de saldo negativo de CSLL informado na DIPJ/2004, procedendo às compensações mediante PER/DCOMP inicial n° 13136.49735.260307.1.7.039607 e final n° 24185.11781.310805.1.7.030838, sendo, esta última, objeto da homologação parcial do crédito, gerando valor principal compensado indevidamente de R$ 231.231,51. Referido saldo credor da DIPJ R$ 2.579.367,18 que originou os processos de compensação realizados pela empresa, é composto por retenções realizadas pelas fontes pagadoras (Clientes), dentre as quais as retenções de maior relevância foram praticadas, por órgãos da administração pública, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco do Brasil S/A. A Requerente não tem dúvida acerca do valor do saldo credor da CSLL suficiente para a compensação integral dos débitos informados nas Declarações de Compensação, como passa a demonstrar e comprovar documentalmente na presente manifestação. A diferença apurada pela Receita Federal do Brasil de R$ 231.231,51 se caracteriza em virtude da não apresentação de comprovantes de retenção da CSLL pelos responsáveis tributários, notadamente os de maior relevância, são órgãos da administração pública, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco do Brasil S/A, tendo em vista que os demais tomadores (doc. 04), forneceram os respectivos informes das retenções praticadas. Apesar das diversas e reiteradas solicitações até o momento não foram recebidos os informes de retenção dos órgãos da administração pública. Todavia, é de se considerar que a falta de apresentação do informe de retenção, por parte da requerente, não invalida a retenção em si, tampouco o direito ao crédito daí decorrente. Isto significa dizer que, muito embora não tenham sido fornecidos os comprovantes pelas fontes pagadoras (clientes), a Receita Federal possui meios d e averiguar as retenções praticadas pelo responsável tributário, que deverá comproválas caso assim requerido pela Administração Tributária. Compete a Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde SUS, Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Banco do Brasil S/A, responsáveis tributários, a comprovação dos recolhimentos dos impostos para a Receita Federal do Brasil, uma vez que os valores foram retidos e deduzidos das notas fiscais da requerente. Adicionalmente, a Requerente protesta pela futura juntada, dos respectivos informes de retenção, que solicitamos aos Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 8 7 tomadores, mas não foram recebidos a tempo de protocolar a presente Manifestação de Inconformidade. Portanto, toda a argumentação relativa a esse suposto crédito decorrente de saldo negativo de estimativas mensais da CSLL não foi objeto da manifestação de inconformidade, vale dizer, não foi dada oportunidade para que o julgador de primeira instância se manifestasse, em clara supressão de grau, conforme prova a análise feita na decisão de primeira instância: Conforme consta no despacho decisório, a compensação foi homologada parcialmente porque o crédito reconhecido foi insuficiente para compensação integral dos débitos declarados pelo sujeito passivo em razão da não confirmação de parte do valor relativo às estimativas compensadas com saldo negativo apurado em períodos anteriores. Alega a defesa que a maior parte do que não foi confirmado se refere a retenções efetuadas por órgãos púbicos que não entregaram os informes de retenção. Entende, a manifestante, não haver impedimento ao reconhecimento do direito creditório. Que a Receita Federal tem como averiguar os valores retidos através de seus próprios controles. As alegações da defesa são alheias à razão da homologação parcial da compensação declarada em DCOMP. conforme se observa na Análise das Parcelas de Crédito pelo demonstrativo de Estimativas Compensadas com Saldo Negativo de Períodos Anteriores, DCOMP Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, fl.46: A parcela do crédito não reconhecida no Despacho Decisório se refere às estimativas declaradas na DCOMP como extintas, através de compensação com saldo negativo de períodos anteriores, cuja compensação foi considerada homologada parcialmente ou não homologada. Não se referindo ao imposto retido na fonte, IRRF, o qual foi integralmente confirmado conforme consta do Despacho Decisório, fl. 37. A despeito do exposto, o inusitado argumento da Recorrente, trazido apenas no Recurso Voluntário, de que tão logo soube que o Despacho Decisório não confirmou as parcelas das estimativas relativas a janeiro, fevereiro e maio de 2004 promoveu os respectivos pagamentos, não merece qualquer guarida. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 9 8 Em primeiro lugar, destaquese, como demonstrado no quadro acima, que as parcelas não confirmadas ou confirmadas parcialmente dizem respeito aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 2004, sendo esta última a de maior valor, como se pode observar. A Recorrente apresentou, apenas junto com o Recurso Voluntário, documentos que comprovariam suas alegações (fls. 605 e seguintes). Assim, conduzo meu voto no sentido de não conhecer os argumentos formulados pela Recorrente quanto à composição de estimativas, nem tampouco aceitar os documentos anexados ao processo quando da interposição do voluntário ou posteriormente, com esteio nas disposições veiculadas pelos artigos 16, § 4º e 17 do Decreto n. 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, portanto, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. e Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ressaltese, ainda, que a Recorrente juntou com o Voluntário outras DCOMP, estranhas ao processo, posto que transmitidas em 2004, antes daquelas apreciadas pelo Despacho Decisório combatido. Entendo que não compete a este Conselho manifestarse sobre tais documentos, da forma como apresentados, pois devem ser considerados intempestivos, nos termos da legislação de regência. Isso porque a preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, eventualmente, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. Conquanto a aceitação de provas posteriores possa ser aceita, em razão do dispositivo legal e em homenagem ao princípio da verdade material, tal medida deve ser adotada com parcimônia, de sorte que esta Turma e Relator já decidiram, por diversas vezes, Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 10 9 pela possibilidade de juntada de documentos quando estes constituem prova cabal e inequívoca do direito da Recorrente. Todavia, no caso em análise, constatase que a documentação intempestivamente juntada não tem o condão, no entender deste Relator, de subsidiar as alegações da Recorrente. Apreciar, neste momento, argumentos e documentos que não foram formulados ou apresentados às autoridades precedentes configura claro descompasso com os princípios que regem o processo administrativo e nem o fundamental preceito da verdade material socorre a interessada na hipótese, até porque as DCOMP apresentadas são, como visto, de 2004, e não estão relacionadas ao Despacho Decisório que originou os autos, razão pela qual devem ser consideradas impertinentes ao processo, assim como os fundamentos dela decorrentes. E mais: os DARF com os pagamentos relativos às estimativas da CSLL (fls. 627, 628 e 629 dos autos) indicam que os valores foram recolhidos em 02 de julho de 2009, entre dois e quatro anos depois da transmissão das respectivas DCOMP (que são de 31 de agosto de 2005 e 26 de março de 2007). E o Despacho Decisório a que faz menção a Recorrente sequer é aquele discutido no processo, mas outro, trazido também com o Recurso Voluntário, datado de 18 de fevereiro de 2009. Assim, considero a discussão promovida pela Recorrente intempestiva, pois não havia qualquer óbice para a apresentação dos documentos quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, que foi protocolizada em 14 de abril de 2010, quase um ano depois do suposto pagamento das estimativas. Destaquese, ainda, que os respectivos pagamentos não foram acusados pelos sistemas da Receita, conforme demonstra a consulta anexa ao Despacho Decisório, datada de 10 de junho de 2010 (fls. 39 a 46), que apresentam, inclusive, o quadro reproduzido pela decisão da DRJ. Isso significa que o despacho decisório fundamentou seu entendimento justamente a partir dos elementos contidos nas DCOMP, DIPJ e demais declarações entregues pela contribuinte (inclusive pagamentos), além de ter verificado os dados sobre o IRRF das fontes pagadoras constantes dos sistemas da Receita Federal, conforme extratos presentes nos autos. Ademais, o suposto pagamento feito pela Recorrente, vários anos depois da entrega das compensações, não contempla juros e multas, conforme fixados pelo Despacho Decisório. Ressaltese que o ônus para a comprovação documental de direito creditório pertence ao interessado, dados os requisitos de liquidez e certeza para os valores pleiteados, conforme determina o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 11 10 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. e Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, na qual se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). A legislação estabelece, ainda, dois critérios adicionais para o reconhecimento do direito creditório: a) a comprovação da efetiva retenção em nome do beneficiário; Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.914050/201041 Acórdão n.º 1201001.480 S1C2T1 Fl. 12 11 b) a demonstração de que os rendimentos foram oferecidos à tributação. Ora, se no caso dos autos a própria Recorrente afirma que somente efetuou o recolhimento das estimativas depois da ciência do Despacho Decisório (outro, de 2009, e não o que discute no processo), isso já seria suficiente para demonstrar, ainda que se aceitasse a documentação acostada junto com o Voluntário (circunstância já afastada neste voto), a improcedência de sua pretensão, pois no momento da entrega das declarações de compensação o crédito não teria qualquer liquidez e certeza, posto que as estimativas que comporiam a base negativa do saldo de 2004 sequer tinham sido recolhidas, o que também afastaria o argumento de decadência formulado em preliminar. Concluise, portanto, que não assiste razão à Recorrente. Por derradeiro, descabe, neste passo, qualquer alegação de prejudicialidade em relação a outros processos ou DCOMP, por força do que restou decidido neste voto, sendo certo que caberá à autoridade de jurisdição do contribuinte, quando de eventual execução da decisão na esfera administrativa, adotar as providências necessárias para evitar duplas cobranças ou incidências. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000118/99-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
Numero da decisão: 9101-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Nathalia Correia Pompeu - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: NATHALIA CORREIA POMPEU
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13808.000118/99-25
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5625788
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.353
nome_arquivo_s : Decisao_138080001189925.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : NATHALIA CORREIA POMPEU
nome_arquivo_pdf_s : 138080001189925_5625788.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Nathalia Correia Pompeu - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6474228
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692116684800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 755 1 754 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.000118/9925 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.353 – 1ª Turma Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria CSLL COISA JULGADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995, 1996, 1997 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Nathalia Correia Pompeu (relatora), Ronaldo Aplebaum (suplente convocado), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 01 18 /9 9- 25 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 756 2 (assinado digitalmente) Nathalia Correia Pompeu Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo advindo de Auto de Infração por não recolhimento de Contribuições Sociais sobre o Lucro Líquido – CSLL sob a alegação de que o contribuinte efetuou no período de 1995 a 1997 diversas exclusões nas Bases de Cálculo da CSLL as quais foram realizadas em desacordo com a Lei n° 7.689/88 e legislação complementar aplicável (fls. 146/149): Petição com informações iniciais do contribuinte (fl. 6) alegando: a) Quanto aos débitos elencados, de responsabilidade da incorporada Imobiliária Santos Diniz Ltda., C.G.C. 49.740.129/000125, continuam pendentes de recolhimento, não havendo qualquer depósito ou ação judiciais a respeito, razão pela qual providenciouse o recolhimento integral dos valores devidos à Receita Federal; b) Com relação às ações judiciais relativas à CSLL, existe Medida liminar – processo n° 95.55123 1ª Vara Federal de São Paulo (apresenta cópia às fls. 7/211) – perpetrada pela incorporada Mentha Empreendimentos Comerciais S/A, o que garantiria a exclusão integral dos saldos negativos anteriores, sem a limitação de 30% imposta pela Lei nº 8.981/95 (anos calendários 1996 e 1997); c) Obtevese liminar no processo nº 95.00289750 a respeito da compensação de bases negativas anteriores, conforme Lei n° 8.891/95 (apresenta cópia às fls. 22/43); 1 Às fls. 126/127, esclarecese que, embora conste na decisão o nº do processo como sendo 95.00540886, tratase, em verdade, do proc. nº 95.55123. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 757 3 d) Anexa cópia de Ação Ordinária Declaratória Negativa de Débito Fiscal requerendo seja declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre as partes2 no que concerne à aplicação do artigo 42 da Lei n° 8981/95, para a utilização do prejuízo fiscal verificado no anobase de 1994 e seguintes, a fim de que este possa ser deduzido integralmente do lucro do exercício de 1995 e subsequentes (fls. 45/63) Contestação da União às fls. 64/70. Em atenção ao termo de intimação do auditor fiscal à fl. 109, o contribuinte anexa planilhas de bases de cálculo da CSSL nos períodos requisitados (fls. 110/123). O contribuinte apresenta Ata da Assembleia Geral Extraordinária e laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil, constando a incorporação do patrimônio total da Mentha Empreendimentos Comerciais S/A à Companhia Brasileira de Distribuição às fls. 128/137. Impugnação do contribuinte alegando (fls. 150/168): a) Suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) Inaplicabilidade da MP 812/94, Lei nº 8.981/95 quanto à limitação da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada em 1995 – inconstitucionalidades; c) Inexigibilidade da multa e dos juros de mora; d) Da coisa julgada: a impugnante e a inexigibilidade da CSLL. Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, considerando: a) a partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o lucro líquido do exercício ajustado poderá ser reduzido em, no máximo 30%. A parcela das bases de cálculo negativas apuradas até 31 de dezembro de 1994, não compensadas em virtude desse limite, poderá ser utilizada nos anoscalendário subsequentes; b) A instância administrativa não é foro apropriado para discussões de inconstitucionalidade; c) Não incidência de multa de ofício. Colacionase ementa (fls. 193/211): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1996,1997. Ementa: COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o lucro líquido do exercício ajustado poderá ser reduzido em, no máximo 30%. A parcela das bases de cálculo negativas apuradas até 31 de 2 Ação ajuizada por PENÍNSULA PARTICIPAÇÕES S/A, COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, PÃO DE AÇUCAR S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, SUPERCRED ASSESSORIA E SERVIÇOS LTDA., TRANSPORTADORA JUMBO LTDA., PÃO DE AÇUCAR PARTICIPAÇÕES LTDA., FAZENDA DA TOCA LTDA., PÃO DE AÇUCAR S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, PÃO DE AÇUCAR PUBLICIDADE LTDA., WELLCOME INTERSUL VIAGENS E TURISMO LTDA e AND1 S/A LTDA. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 758 4 dezembro de 1994, não compensadas em virtude desse limite, poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS — A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO — CABIMENTO ESTANDO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não cabe exigir multa de oficio na constituição do crédito tributário em que o tributo ou contribuição cuja exigibilidade haja sido suspensa na forma do inciso IV do artigo 151 do CTN. Lançamento Procedente em Parte Tendo em vista que o Acórdão DRJ determinou a exoneração da multa de oficio em função da exigibilidade do crédito tributário, constituído por auto de infração, suspensa por força de medida liminar em mandado de segurança, remetaramse os autos à DERAT/SPO/EQAMJ para verificação da situação da referida medida judicial antes de prosseguir com a ciência do interessado e com o recurso de ofício (fl. 214). Informação do TRF: provimento à apelação e remessa oficial – no sentido de afirmar a legitimidade das limitações impostas pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95 à dedução dos prejuízos fiscais na apuração das bases de cálculo do IRPJ para os períodos de janeiro de 1995 (fls. 218/223) – e rejeição dos embargos de declaração (fls. 224/227). Segue ementa da análise da apelação: TRIBUTÁRIO. IRPJ. PREJUÍZOS FISCAIS. DEDUÇÃO. LIMITAÇÕES PERCENTUAIS. LEIS NºS 8.981195 E 9.065/95. LEGITIMIDADE. PRECEDENTES DO STF. 1 A lei n°8.981195, Medida Provisória n° 812/94, foi �regularmente publicada em 31.12.94. Precedentes do STF. 2 São legitimas as limitações impostas pelo art 42 da Lei n° 8.981/95 à dedução dos prejuizos fiscais na apuração das bases de cálculo do IRPJ para os periodos de janeiro de 1995 e seguintes. Precedentes do STF. 3 De maneira análoga, são legitimas as limitações mantidas pelo art. 15 da Lei n°9.065/95. 4 Apelação e remessa oficial provida Recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, apontando a inexistência de relação jurídica para a cobrança da CSLL e a ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa Selic (fls. 238/261). Acostase cópia de petição de Ação ordinária declaratória da inexistência de relação jurídicotributária com pedido de depósito em juízo –Processo nº 90.00049326, da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 307/337) e cópia de sentença procedente, no sentido Fl. 758DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 759 5 de reconhecer a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, declarando a inexistência da relação jurídica entre o contribuinte e a União Federal (fls. 339/356): Isto posto, julgo procedente a presente ação e declaro a inexistência de relação jurídica entre as autoras e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a contribuição social, instituída pela Lei n 2 7.689/88, por sua manifesta inconstitucionalidade. Acórdão improvido da Remessa de ofício do processo acima apontado – Remessa ex officio nº 91.01.064703 DF, proc. nº 90.00049326 – por considerar que somente por meio de lei complementar pode ser instituída contribuição social (fls. 358/361). Trânsito em julgado à fl. 363. Segue ementa do Acórdão: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, "A", da CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. . 1. É inaplicável.às contribuições sociais no disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6 2, do art. 195, da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3. Decisão do Plenário na AMS n2 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. Decisão do CARF 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária anulando a decisão de 1ª instância, por unanimidade, por considerar que a decisão de primeiro grau, ao excluir a multa de ofício aplicada sem tecer qualquer consideração sobre o fundamento utilizado pela Fiscalização para não considerar a medida judicial indicada pelo contribuinte em sua defesa como justificadora da improcedência da exigência, e, ao deixar de apreciar o argumento do contribuinte de que estaria desobrigado de proceder o recolhimento da contribuição lançada por força de decisão judicial transitada em julgado, revelase violadora dos princípios de princípios constitucionais, sendo nula. Colacionase a ementa a seguir (fls. 370/378): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997, 1998 Ementa: FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. TESE DE DEFESA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NECESSIDADE. Revelase violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão que deixa de examinar os fundamentos do lançamento tributário relacionados diretamente com a defesa apresentada pelo contribuinte Fl. 759DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 760 6 fiscalizado, bem como argumento de contestação trazido por meio de peça instauradora do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Diante da anulação de sua primeira decisão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu novo julgamento. Pronunciouse pela procedência da impugnação, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, conforme seguinte ementa (fls. 422/440): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996, 1997 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em virtude da procedência da impugnação, ensejou o recurso de ofício, que teve como decisão do CARF na 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, negar provimento, por maioria, por considerar que não cabe mais discussão da matéria por força da coisa julgada, nos seguintes termos (fls. 444/504): Fl. 760DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 761 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996, 1997 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. INCONSTITUCOINALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA. A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória. PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha. Recurso especial interposto pela Fazenda Nacional alegando: a) Os limites objetivos da decisão transitada em julgado, o que lhe favoreceria, porque não alcança se reveste da imutabilidade da coisa julgada; b) A análise jurídica que deve ser realizada do Resp 1.118893 MG, sujeito ao art. 543C do Código de Processo Civil então em voga c) A afirmação do STJ, em julgados posteriores ao mencionado Resp, que a coisa julgada tem sua eficácia limitada até a decisão na ADI 15, que declarou a constitucionalidade da CSLL; d) O Parecer PGFN/CRJ 492/2011. Requer seja reconhecido como procedente o lançamento de CSLL (fls. 506/538): Realizado Exame de Admissibilidade de Recurso Especial dando seguimento (fls. 540/544). Contrarrazões do contribuinte, apontando (fls. 551/573): Fl. 761DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 762 8 a) CSLL/coisa julgada: legislação posterior a 1992 e entendimento do STJ. Aplicação ao caso concreto debatido nos autos do presente processo; b) Da inocorrência da relação jurídica “continuativa” e a impossibilidade de aplicação do art. 471, I, do CPC; c) Do julgamento da ADI 15: impossibilidade de alteração das relações jurídicas estabilizadas pela coisa julgada; d) Da aplicação do parecer 492/2011 e seus limites: direito de lançamento exclusivamente em relação a fatos geradores ocorridos após 2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nathalia Correia Pompeu Pressupostos Preliminares Não obstante a análise da admissibilidade do presente recurso às fls. 540/544, cabe aqui uma reavaliação: 1. Tempestividade Reconhecese a tempestividade do presente recurso. De fato, os autos foram encaminhados à Fazenda Nacional em 03/09/2014 (fl. 505) para ciência do acórdão, configurandose sua intimação em 02/10/2014, nos termos do art. 23, §9º do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: § 8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. § 9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. O recurso foi apresentando em 10/10/2014 (fl. 506), portanto, de acordo com o art. 68 do Anexo II do RICARF. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 763 9 2. Demonstração da legislação tributária com diversidade de interpretação O RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343 de 2015, assim estabelece no art. 67, do Anexo II: "Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.”. No caso em análise, houve a devida demonstração da legislação tributária que supostamente está sendo interpretada de forma diversa pelo acórdão atacado e os paradigmas apontados. É nesse sentido sua indicação das legislações supostamente atacadas (fls.510/511): Ou seja, consoante o STJ, se as leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91 não alteraram em substância a lei 7.689/88, então o tributo continuaria a ser exigido ao contribuinte com base na própria lei 7.689/88, a qual foi declarada inconstitucional com decisão transitada em julgado. (…) Ocorre que a partir do ano de 1995 é notório que a base de cálculo da CSSL sofreu profunda alteração por meio de edição de várias leis, que reproduziram e adaptaram regras aplicáveis ao IRPJ, de modo a aproximar a base de cálculo da CSSL ao lucro real. Podem ser citadas as leis n° 8.981, de 1995; 9.065, de 1995; 9.249, de 1995; 9.316, de 1996; 9.430, de 1996, arts. 28 a 30; 9.532, de 1997, art. 60; 9.779, de 1999; 9.959, de 2000; 10.426, de 2002, art. 5º; 10.637, de 2002, art. 35; 10.931, de 2004, arts. 3º e 4º; 11.051, de 2004, art. 1º; 11.196, de 2005, arts. 17 a 26, 36 e 37; 11.487, de 2007; 11.452, de 2007, art. 14; MP nº 2.15835, de 2001, arts. 6º, 7º, 21, 30, 34, 41, 74, e 83. (grifos no original) Portanto, a discussão paira na análise dos efeitos da Lei nº 7.689/88, assim como também de leis posteriores que tratam igual matéria. Matéria: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Coisa julgada. Extensão de seus efeitos pela superveniência de leis posteriores. 3. Indicação de paradigmas O RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 2015 e já se considerando a redaçaõ dada pela Portaria MF 152 de 2016, assim estabelece no art. 67, do Anexo II: § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergen̂cia arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por mateŕia. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 764 10 § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicacã̧o em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentacã̧o de cópia de publicacã̧o de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) [grifos nossos] O recorrente devidamente apontou um acórdãoparadigma, proferido pela 2º Turma da 4º Câmara da Primeira Seção. Incluise a íntegra de sua ementa, extraída a seguir (fl. 512): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 LIMITES DA COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/1988. APTIDÃO DAS LEIS Nº 8.981/1995, 9.430/1996 E ALTERAÇÕES POSTERIORES, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja de novo exigível com base em normas legais supervenientes. As Leis nº 8.981/1995 e 9430/1996, além das alterações posteriores, constituem fundamento legal apto para exigir a CSLL de todos os contribuintes. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 765 11 Recurso Voluntário Negado.. (destaque no original) Confrontandose as disposições expressas na ementa do acórdão acima e seu correspondente voto condutor, evidenciase o alegado dissenso jurisprudencial, eis que houve aplicação de entendimentos diferentes para casos semelhantes. Neste sentido foi a análise da admissibilidade do recurso (fl. 543): Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verificase que o mesmo traz o entendimento que o quanto restou decidido no Resp nº 1.118.893/MG não se aplica para a exigência de CSLL de períodos subsequentes, que foram fundamentadas em legislações que não foram examinadas no referido julgado do STJ. De outra parte, o acórdão recorrido diverge da interpretação do acórdão trazido como paradigma, ao entender, em caso similar, que o entendimento do Resp nº 1.118.893/MG deve ser se aplicado a exigência de CSLL de períodos subsequentes, ao fundamento de que a existência de coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão posterior do STF em controle difuso e, ainda, inexistente ação rescisória. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Esbarrase aqui, contudo, na impossibilidade de prosseguimento da análise do presente recurso por expressa proibição legal do Regimento Interno deste órgão administrativo, conforme destacado na legislação colacionada acima – Julgamento de Recursos Extraordinário e Especial Repetitivos. Por certo, assim estabelece o art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil de 2015 – redação correspondente aos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973: Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. De fato houve a análise da questão no Superio Tribunal de Justiça em sede de recursos repetitivos (tema 340), conforme se extrai abaixo3: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO 3http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?tipo_visualizacao=RESUMO&livre=%28111 8893%29+e+REPETITIVOS.NOTA.&b=ACOR&p=true&t=JURIDICO&l=10&i=1 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 766 12 JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 767 13 não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (REsp 1118893/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/03/2011, DJe 06/04/2011). (g/n) A matéria já fora vastamente discutida quanto à existência de decisão definitiva em sede de Recurso Repetitivo no STJ, questão esta incontroversa, mencionada, inclusive, pela própria recorrente em suas razões recursais, não obstante querer discutir os efeitos e extensões à existência da coisa julgada, incabível nesta seara. Sendo assim, resta prejudicada a análise do mérito deste recurso, não devendo ser conhecido. Conclusão e dispositivo do voto Diante de todo o exposto, voto, portanto, no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Como fui vencida no conhecimento, passo a análise do mérito. Mérito A questão em disputa consiste em saber os efeitos da extensão da coisa julgada de declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, diante da superveniência de leis posteriores que teriam alterado a base de cálculo da CSLL, transformando a situação fática e jurídica que contextualizou a referida decisão (cláusula rebus sic stantibus), e em se considerando posterior decisão do STF que reconheceu sua constitucionalidade. A recorrente afirma inexistir os efeitos da coisa julgada ao caso, eis que várias leis posteriores alteraram a Lei nº 7.689/88, fato que permitiria então a exigência do tributo não mais com base nesta, mas sim em legislações posteriores. Em contrapartida, a recorrida argumenta em contrarrazões que a matéria encontrase pacificada pela jurisprudência do STJ, em sistemática de recursos repetitivos, vinculando este Conselho. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 768 14 Hão de serem analisados, primeiramente, as concepções e efeitos da coisa julgada e seus reflexos jurídicos diante de casos de rediscussão da matéria. O Acórdão ora atacado decidiu a questão nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996, 1997 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA. A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória. PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos. Note que a tese fazendária disposta no Parecer PGFN 492/20114 não subsiste, como já enfrentado pela decisão acima colacionada. Por certo, independentemente de se perquirir quanto à comparação das datas de trânsito em julgado dos controles difuso e concentrado de inconstitucionalidade e dos lançamentos tributários, há de se ater, em verdade, à decisão que de fato os considerou inexigíveis, portanto, à decisão judicial que reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade; esta é o marco que reveste a discussão da matéria como incontroversa, imutável. E foi nesse sentido a decisão apontada acima, que considerou em seus fundamentos: Neste momento, buscase definir se é possível exigir o crédito tributário em questão (período de apuração de 1995 a 1997), considerando que a Recorrente possui coisa julgada firmada em 20/02/1992 reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL. Segundo a DRJ, isto não seria possível, pois a constitucionalidade da CSLL foi reconhecida apenas em 31/08/2007 (data de publicação da ADI 151). Todavia, destaco antecipadamente que essa afirmação parte de interpretação equivocada do Parecer PGFN 492/2011. 4 http://www.pgfn.fazenda.gov.br/revistapgfn/anoinumeroii2011/015.pdf Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 769 15 De toda forma, a DRJ entendeu pela necessidade de respeitar a coisa julgada, o que, sob minha ótica, representa acertada a inteligência, tendo em vista que prestigia a correta e justa interpretação do sistema normativo nacional. De início, recordo que a coisa julgada tem status constitucional (art. 5º, XXXVI, CRF/88) e é definida pela legislação como “decisão judicial de que já não caiba recurso”, nos termos do art. 6º, §3º, do Dec.Lei n. 4.657/42 (LINDB). Ao seu turno, o Código de Processo Civil esclarece que “denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.” (art. 467, caput, CPC). O mesmo Código esclarece que nenhum juiz julgará questões já decididas, salvo em se tratando de relação jurídica continuativa nas quais sobrevenha modificação no estado de fato ou de direito (art. 471, caput e inciso I, CPC). Outra hipótese de modificação da coisa julgada é a ajuizamento de ação rescisória, que deve ser interposta no prazo de 2 anos da decisão que se pretende rescindir, e desde que presentes as situações autorizadoras. (...) O tema foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 1118893/MG por meio do rito do art. 543C do CPC. Sobre este ponto, verificase que o STJ entendeu que não tem lugar a súmula n. 239 do STF, uma vez que foi reconhecida a própria inconstitucionalidade da contribuição (direito material), razão pela qual o vício transborda os limites de um período de apuração. (...) A decisão acima adotou como paradigma o entendimento apresentado pela Min. Eliana Calmon no REsp 731250/PE, no sentido de que a súmula 239 do STF “aplicase tãosomente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídicotributária”. Portanto, por força do art. 62A do RICARF, doume por vinculado quanto a ausência de modificação pelas lei supervenientes e afastando a aplicação da súmula 239 do STF. A decisão acima reafirmou o quanto decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento a respeito da inalterabilidade da coisa julgada, rechaçando, contudo, o ponto da interpretação equivocada do mencionado Parecer da Fazenda Nacional. Segue ementa desta decisão de 1ª instância, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996, 1997 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 770 16 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Assim dispõe a Constituição Federal Brasileira quanto ao tema: Art. 5º (…) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Temse, ainda, a disposição da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro nos seguintes termos: Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § 1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição pré estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. § 3º Chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 771 17 Em similar teor é o Novo Código de Processo Civil sobre o instituto da coisa julgada (equivalência ao art. 467 do CPC/73): Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Notemse as lições de Marcus Vinícius Rios Gonçalves5: A coisa julgada é mencionada na Constituição Federal como um dos direitos e garantias fundamentais. O art. 5º, XXXVI, estabelece que a lei não poderá retroagir, em prejuízo dela. Essa garantia decorre da necessidade de que as decisões judiciais não possam mais ser alteradas, a partir de um determinado ponto. Do contrário, a segurança jurídica sofreria grave ameaça. É função do Poder Judiciário solucionar os conflitos de interesse, buscando a pacificação social. Ora, se a solução pudesse ser eternamente questionada e revisada, a paz ficaria definitivamente prejudicada. A função da coisa julgada é assegurar que os efeitos decorrentes das decisões judiciais não possam mais ser modificados, se tornem definitivos. É fenômeno diretamente associado à segurança jurídica, quando o conflito ou a controvérsia é definitivamente solucionado. (…) Ora, a coisa julgada não é um dos efeitos da sentença, mas uma qualidade deles: a sua imutabilidade e indiscutibilidade. Foi a partir dos estudos de Liebman que se delineou com maior clareza a distinção entre a eficácia da sentença e a imutabilidade de seus efeitos. (…) É comum que se diga que há duas espécies de coisa julgada: a formal e a material. Mas isso não é tecnicamente exato, porque ela é um fenômeno único. A material e a formal não são 5 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito processual civil esquematizado/ Marcus Vinicius Rios Gonçalves; coordenador Pedro Lenza [versão ebook]. 6. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016, p. 16221627. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 772 18 propriamente dois tipos, espécies de coisa julgada, mas duas formas de manifestação do mesmo fenômeno. A formal é a imutabilidade dos efeitos da sentença no próprio processo em que foi proferida; e a material, a imutabilidade dos efeitos da decisão de mérito em qualquer outro processo. (…) A coisa julgada pode ainda manifestarse por um outro aspecto, que a doutrina denomina coisa julgada material. Consiste não mais na impossibilidade de modificação da decisão no processo em que foi proferida, mas na projeção externa dos seus efeitos, que impede que a mesma ação, já decidida em caráter definitivo, volte a ser discutida em outro processo. É, sobretudo, essa manifestação da coisa julgada que se presta a trazer segurança jurídica aos litigantes, aos quais não basta apenas que o processo se encerre, mas que a questão litigiosa seja definitivamente dirimida, não podendo mais ser discutida, em nenhum outro processo, assegurada a pacificação do conflito. De outro modo, a todo o momento os litigantes poderiam tornar à questão, e as decisões judiciais pouco valor teriam. (grifos nossos). A Lei nº 7.689/88, que institui a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, foi declarada inconstitucional em processo judicial ajuizado pelo ora recorrido, já tendo sido transitada em julgado e, assim, revestida da segurança jurídica dos efeitos da coisa julgada. Declarada a inconstitucionalidade da relação jurídica que obriga o sujeito passivo ao recolhimento da CSLL, não há que se perquirir sobre a possibilidade de seu recolhimento por via transversa, isto é, por qualquer outro meio jurídico que supostamente legalizasse tal cobrança, ainda mais por superveniência de legislação posterior ao fato e sua análise judicial. Seria um ataque direto à segurança jurídica desse instituto, devendo tal manobra ser de todo ser rechaçada. Sobrevindo declaração de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal6, não há que se afirmar que todos os processos já julgados e todos os casos anteriores já alcançados pela coisa julgada devam ser remodulados de acordo com a nova orientação, por nítida incongruência procedimental e afronta direta aos ditames constitucionais garantidores da segurança jurídica reinantes no ordenamento jurídico brasileiro. Em matéria tributária, essa garantia deve ser ainda mais cautelosa. Ése lógica a instabilidade que o aceite de tamanha ingerência causaria no mundo jurídico, desvirtuandose a estabilidade das relações jurídicas já resolvidas de forma definitiva. Em análise da decisão de ação ordinária ajuizada pelo aqui recorrido, não resta dúvida a sua desobrigação quanto ao pagamento da CSLL ao crédito ora cobrado. Em sede de remessa ex officio, também é patente a declaração de inexistência dessa relação jurídicotributária. 6 ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 773 19 Essas foram as razões do voto na referida ação ordinária que proferiu incidentalmente a inconstitucionalidade da mencionada lei, após considerar vários pontos a ela atinentes e fincando sua análise em apontamentos doutrinários da época (fl. 345): No mérito, a ação procede, in totum. A questão relativa à inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 15.12.88, que instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, foi analisada, com inegável acerto, pelo renomado tributarista Ives Gandra da Silva Martins, nestas letras: "Tem o artigo 146, inciso III, letra "a", a seguinte dicção (…) Como se vê, os comentários autorizados supratranscritos, dispensamnos de considerações outras, no pon to, face à manifesta inconstitucionalidade da. Lei nº 7.689, de 15.12.89, em diversos ângulos. (…) Isto posto, julgo procedente a presente ação e declaro a inexistência de relação jurídica entre as autoras e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a con tribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88, por sua mani festa inconstitucionalidade. Por conseguinte, esse posicionamento foi ratificado em última análise por remessa ex officio da decisão acima, ratificandoa com a seguinte ementa (fl. 358): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, "A", da CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. . 1. É inaplicável às contribuições sociais no disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6 2 , do art. 195, da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3. Decisão do Plenário na AMS n2 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. A declaração da inexistência dessa relação jurídicotributária restou de igual forma patente em julgado do STJ em sede de recursos repetitivos (tema 340), como extensivamente examinado e apontado nos presentes autos. Colacionase a ementa7: 7 STJ REsp: 1118893 MG 2009/00111359, Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 23/03/2011, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 06/04/2011. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 774 20 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a"Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 775 21 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.(g/n) Sendo assim, a matéria não há de ser reavaliada por este órgão, por reconhecer que se reveste do manto da coisa julgada. Conclusão e dispositivo do voto Diante da configuração de coisa julgada, que proíbe a rediscussão da matéria e reavaliação do lançamento do crédito tributário aqui percorrido, correta foi a decisão que negou provimento ao recurso de ofício. Voto, portanto, no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso seja vencida na admissibilidade, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Nathalia Correia Pompeu Relatora Voto Vencedor Conselheiro André Mendes Mora, Redator Designado Não obstante as considerações da I. Relatora, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir sobre a apreciação (1) da admissibilidade e (2) do mérito do recurso de PGFN, ao tratar da matéria "coisa julgada da CSLL". 1. Admissibilidade do Recurso da PGFN. Votou a I. Relatora no sentido de não conhecer o Recurso da PGFN. Na realidade, entendeu o voto vencido que o recurso era tempestivo, que houve a devida demonstração da legislação tributária objeto da controvérsia e que o paradigma apresentado, acórdão nº 1402000.920, de 16/03/2012, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, serve para demonstrar a divergência. Até o momento, concordo plenamente com a I. Relatora. A divergência surge porque entende o voto vencido que o RESP 1.118.893/MG, do STJ, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, aplicar seia ao caso tratado nos autos. Assim, restaria caracterizada situação tratada pelo art. 1036, do novo Código de Processo Civil, e pelo art. 67, § 12, do Anexo II do RICARF: Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 776 22 § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Entendo de maneira diferente. Isso porque a decisão do STJ apreciou a CSLL sob a perspectiva das Leis nº 7.856, de 1989, 8.034, de 1990 e 8.212, de 1991, e as LC nº 70, de 1991, 8,383, de 1991 e 8.541, de 1992, limitandose os efeitos para tais diplomas legais. A autuação fiscal em debate abrange os anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, já com a CSLL sob a égide das Leis nº 8.981, de 20/01/1995, 9.065, de 1995, 9.249, de 1995, 9.430, de 1996 e posteriores. Tratase precisamente da situação tratada no paradigma, como se pode observar na ementa. LIMITES DA COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/1988. APTIDÃO DAS LEIS Nº 8.981/1995, 9.430/1996 E ALTERAÇÕES POSTERIORES, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja de novo exigível com base em normas legais supervenientes. As Leis nº 8.981/1995 e 9430/1996, alem das alterações posteriores, constituem fundamento legal apto para exigir a CSLL de todos os contribuintes. Referese à aplicação da CSLL a partir da normatização prevista pela Lei nº 8.981, de 1.995, exatamente como no caso em análise. Não há conflito, portanto, entre a decisão do STJ e a situação tratada nos autos, razão pela qual não há que se falar na aplicação do art. 67, § 12 do Anexo II do RICARF. Nesse sentido, presentes os requisitos de admissibilidade, voto no sentido de conhecer o recurso da PGFN. 2. Mérito. Coisa Julgada CSLL. Sobre a extensão dos efeitos da coisa julgada da CSLL, especialmente sob a perspectiva do RESP 1.118.893/MG, do STJ, tratase de assunto debatido e apreciado recentemente por este Colegiado. O Acórdão nº 9101002.288, proferido na sessão de 05/04/2016, tratou de autuação relativa aos anoscalendário de 1998 e 2000, ou seja, com a CSLL normatizada sob a Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 777 23 égide de diplomas não apreciados pela decisão do STJ, da mesma maneira que nos presentes autos (que trata dos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997). Por ter sido assunto amplamente discutido na sessão de julgamento, adoto os fundamentos apresentados pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, objetivos e concisos, reproduzidos na sequência, com base no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 8, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. Primeiramente destaco que, em casos deste tipo, volto meu olhar com muita atenção ao que foi decidido judicialmente, pois o que deve ser cumprido é o que se contém na decisão que transitou em julgado para o contribuinte, para que não se confunda a aplicação dos aspectos materiais do caso específico à subsunção da decisão do STJ em que se sustenta a fundamentação do contribuinte, pois se estendem apenas os seus efeitos processuais em relação aos limites decididos no repetitivo, no caso o REsp. nº 1.118.893/MG, especificamente no que diz respeito à extensão e limites da coisa julgada. Para o caso presente, esta metodologia, este cuidado específico, nos remete ao teor da decisão em que se baseia o contribuinte para deixar de recolher a CSLL e, também, aos seus fundamentos. Conforme se extrai dos autos, a decisão transitada em julgado foi proferida em 18 de novembro de 1991, com trânsito em julgado em 20 de fevereiro de 1992, sendo que os anoscalendário em que se questionam a cobrança da CSLL são 1998 e 2000. O teor da ementa da decisão do TRF da 1ª Região é o seguinte (grifouse): EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, “A”, DA CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. É inaplicável às contribuições sociais o disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6º do art. 195 da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 8 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 778 24 3. Decisão do Plenário na AMS nº 89.01.136147 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas: Decide a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Custas, como de lei. Brasília, 18 de novembro de 1991. (data do julgamento) A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG, por força do art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. No caso em questão temos dois aspectos, analisados a seguir. 1) A decisão em favor do contribuinte, exarada em 18 de novembro de 1991, inquinou de inconstitucionalidade a Lei nº 7.689/1988 e teve como fundamento único (ver julgado acima transcrito) o fato de que a Lei nº 7.689/1988 só poderia instituir contribuição social caso fosse editada como lei complementar e, assim, não considerou a LC nº 70/1991, publicada cerca de quarenta dias depois da decisão, em 30 de dezembro de 1991, aspecto que, conforme o entendimento, poderia ter sido superado, considerando o que dispõe o art. 11 da referida LC nº 70/1991 (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”). Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 779 25 Vejase que a coisa julgada só alberga as normas que foram afastadas, e não projeta para o futuro seus efeitos, de maneira genérica, mormente quando a superveniência legislativa atingiu o âmago do argumento, no caso, a ausência da lei complementar a tratar da exação – o que teria sido superado pela edição da LC nº 70/1991 (ainda que controverso). Assim, por este fundamento, a coisa julgada alegada pelo contribuinte não mais subsistiria, ainda que o REsp. 1.118.893/MG tenha considerado a LC nº 70/1991. Isto porque, como já foi dito, o que se aplica são os efeitos da decisão, e a decisão contida no REsp não considerou este aspecto específico – a inconstitucionalidade formal da Lei nº 7.689/1988 e sua posterior reafirmação pela LC nº 70/1991, no que diz respeito à decisão prolatada no caso proposto pelo contribuinte. É que não se pode utilizar uma decisão, ainda que em sede de recurso repetitivo, para integrar a interpretação de uma decisão anterior, pois há que existir coincidência normativa no embasamento das decisões – o que não há. Nessa esteira, há ainda, um argumento incontornável pela não aplicação do REsp. 1.118.893/MG ao presente caso. Vejase que o próprio REsp. 1.118.893/MG restringe seus efeitos àqueles casos em que a coisa julgada favorável ao contribuinte decorreu de afastamento por inconstitucionalidade material da Lei nº 7.689/1988. Porém, no caso, a coisa julgada que pretensamente poderia socorrer o contribuinte afastou a referida Lei por inconstitucionalidade formal (não é lei complementar, conforme transcrição acima do decisão do TRF da 1ª Região), assim, confirase o item 5 da Ementa do REsp. 1.118.893/MG: 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). (negritouse e sublinhouse). Há que se ressaltar, ainda, que foi essa Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994, quanto também em 1996 — anos anteriores aos anoscalendário em referência (1998, 2000) — reafirmada constitucionalmente pelas Emendas Constitucionais nºs 1, de 1994, e 10, de 1996, (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”), o que, por si só, convalidaria qualquer outra possível pecha de inconstitucionalidade que, até então, se lhe pudesse impingir (v.g., mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do imposto de renda, administração e fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, criação antes da entrada em vigor do sistema tributário, entre outras). 2) Após prolatada a decisão em que se estriba o contribuinte, diversas normas que vieram tratar da CSLL foram editadas antes de 1998 (primeiro anocalendário do lançamento em questão), e.g.: LC nº 70/1991 (art. 11), 8.383/1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95), 8.541/1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (arts. 19 e 20) e 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei). Dessas normas, apenas as LC nºs 70/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (além das Leis 7.856/1989, 8.034/1990 e 8.212/1991) estão cotejadas no REsp. 1.118.893/MG. Ou seja, não se pode aplicar o referido REsp. 1.118.893/MG sob os aspectos materiais do caso presente em virtude de que ele não tratou de diversas alterações legislativas que aqui se aplicam e que afetaram a materialidade e os aspectos de Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 780 26 contorno do fato gerador da CSLL – o que, evidentemente, não teria mesmo o condão de fazer, ainda que fosse uma lei. Aceitarse isso configuraria uma extensão indevida, uma legiferação abusiva por via de decisão judicial, com efeitos prospectivos no ordenamento que só são possíveis de existir em texto constitucional. Vejase que o lançamento, consubstanciado no Auto de Infração, além da Lei nº 7.689/1988, remete expressamente à Lei nº 9.249/1995 (arts. 19 e 24), à Lei nº 9.316/1996 (art. 1º) e à Lei nº 9.430/1996 (art. 28) – leis que não foram objeto de análise no REsp. 1.118.893/MG. De lembrar que, quando a Lei 9.430/1996 foi publicada, já era pacífico que a CSLL poderia ser regulada por lei ordinária, fundamento único do acórdão que transitou em julgado a favor do contribuinte, quando afastou a incidência da CSLL com base na Lei nº 7.689/1988. Assim, por estes dois motivos, afasto a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, porém, necessário destacar, sem descumprir o art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II – é que o REsp. 1.118.893/MG não se aplica aqui. Por fim foi trazido à baila em memoriais, pelo contribuinte, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, que sendo de seguimento obrigatório, imporia o acolhimento da coisa julgado no presente caso. Ocorre que tal Parecer, não se aplica ao presente caso, ou pelo menos, não há contrariedade na ação fiscal e neste processo, ao que se contém no referido Parecer, por mais de uma razão. Primeiramente que conforme o §§ 18, 51 e 52 do Parecer os precedentes anteriores a 3 de maio de 2007, quando também são aplicáveis para cessar a existência, ou aplicação, da coisa julgada, leiase: 19. Mas a alteração legislativa não é a única mudança no suporte jurídico existente ao tempo da prolação da decisão tributária passada em julgado que, por fazer surgir uma relação jurídica tributária diversa da nela apreciada, mostrase capaz de fazer cessar a sua eficácia vinculante, para o futuro: conforme restará demonstrado no tópico a seguir, a consolidação da jurisprudência do STF em sentido diverso daquele sufragado na decisão tributária transitada em julgado também representa, em determinadas hipóteses, significativa alteração do suporte jurídico sob o qual o juízo de certeza nela contido se formou, e, assim, revelase capaz de fazer cessar a eficácia vinculante dele emanada. b) O advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido diverso do sufragado em anterior decisão tributária transitada em julgado representa circunstância jurídica nova e faz cessar a sua eficácia vinculante b.1 – A jurisprudência do Plenário do STF, em controle concentrado ou, em algumas hipóteses, difuso de constitucionalidade, possui força para impactar ou alterar o sistema jurídico vigente (negritos e sublinhado no original) E adiante em seus §§ 51 e 52: 51. Assim, as razões expostas ao longo deste tópico indicam que, por serem objetivas e definitivas, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 781 27 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (negritos e sublinhado no original) ... 52. Uma vez fixado que os precedentes da Suprema Corte elencados no tópico anterior deste Parecer (mais especificamente no parágrafo 51), por serem objetivos e definitivos, possuem força para alterar o sistema jurídico vigente, já se pode concluir que o advento de qualquer um deles representa circunstância jurídica nova, capaz de fazer cessar a eficácia vinculante de anterior decisão tributária transitada em julgado que lhe seja contrária. (negritos no original) E mais adiante no § 98: ... 98. Num segundo momento, as considerações de ordem práticas são voltadas àquele AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil que, eventualmente, em suas atividades fiscalizatórias, verificar que determinada pessoa física ou jurídica não está recolhendo determinado tributo sob a justificativa de que tal conduta se encontra respaldada em coisa julgada tributária, na qual se reconheceu, por exemplo, a inexistência da correspondente relação jurídica tributária de trato sucessivo face à inconstitucionalidade da respectiva lei de incidência. Nessa hipótese, caso constate que tal lei já foi reconhecida como constitucional por precedente objetivo e definitivo da Suprema Corte (ver parágrafo 51 deste Parecer), o AuditorFiscal deverá adotar as seguintes providências: 1ª – iniciar os procedimentos administrativos tendentes a constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor após o advento do precedente do STF, ou após publicação deste Parecer, conforme o caso. (negritos e sublinhados no original, exceto o terceiro) Ora, nos anoscalendários a que se referem os lançamentos dos presentes autos (1998, 2000) já existia uma plêiade de decisões no STF de forma a se amoldar ao item (iii), assim a autuação teria sido correta sob o ângulo de entendimento do Parecer. Porém o lançamento precede o Parecer e também por isto ele não se aplica ao presente caso. Isso porque, segundo o Parecer (em seu § 99, v): (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 782 28 coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. (Negritos e sublinhados acrescentados) Vejase que, conforme o Parecer o direito conferido ao Fisco de voltar a exigir do contribuinteautor tributo antes tido por inconstitucional se baseará na publicação do Parecer apenas na hipótese em que tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança. O que, em absoluta, ocorre no caso presente, pois o lançamento é anterior ao Parecer, o que descaracteriza a inércia, e bem assim o lançamento fiscal traz entre seus fundamentos justamente as alterações legislativas posteriores à decisão transitada em julgado em favor da Contribuinte; devendose considerar também as diversas decisões pela constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988 antes da efetivação do lançamento. Por fim, no que diz respeito à incidência, na espécie, do art. 146 do CTN, reportome ao que diz o Parecer PGFN/CRJ n° 492, de 2011, em seu § 79: 79.Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado " novo" , o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. (negritos no original). Também não se aplica ao caso o RE 730.462/SP pelo simples motivo de que a decisão, como ela própria ressalva, e, ao contrário do que entende o recorrente, independente de ação rescisória “a questão de feitos futuros da sentença proferida em caso concreto sobre relações jurídicas de trato continuado”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da PGFN. 4. Conclusão Pelas razões expostas, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da PGFN. (Assinado digitalmente) André Mendes Moura Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 9101002.353 CSRFT1 Fl. 783 29 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por NATHALIA CORREIA POMPEU
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720475/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO.
Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanando-se a decisão administrativa.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2201-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher parcialmente os embargos para, sanando o erro material apontado, retificar a decisão do Acórdão 2201-002.476, de 12 /08/ 2014, que passa a ter a seguinte redação: "por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.742,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido".
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanando-se a decisão administrativa. Embargos Acolhidos em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10073.720475/2013-49
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644521
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.291
nome_arquivo_s : Decisao_10073720475201349.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
nome_arquivo_pdf_s : 10073720475201349_5644521.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher parcialmente os embargos para, sanando o erro material apontado, retificar a decisão do Acórdão 2201-002.476, de 12 /08/ 2014, que passa a ter a seguinte redação: "por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.742,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido". Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6515908
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692133462016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 776 1 775 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720475/201349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.291 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria ITR Recorrente LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanandose a decisão administrativa. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher parcialmente os embargos para, sanando o erro material apontado, retificar a decisão do Acórdão 2201002.476, de 12 /08/ 2014, que passa a ter a seguinte redação: "por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.742,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido". Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 75 /2 01 3- 49 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201003.291 S2C2T1 Fl. 777 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2201002.476 (fls. 697/717 deste processo digital), no qual, negouse provimento ao recurso. Insurgese o embargante, argumentando que no acórdão embargado que a 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara de Segunda Seção de Julgamento, alegou que houve erro material. Alega que pelo existe erro material pelo fato de o voto vencedor ter considerado como área alagada apenas 2.269ha, quando seria de 2.742ha, como afirmado no voto vencido. Aduz que, os 2.269ha corresponderiam, conforme laudo técnico, a área total alagada menos a área de sobreposição de 473ha de área de interesse ecológico, cuja sobreposição foi excluída apenas para não contabilizar a mesma área mais de uma vez. Conforme despacho de fls. 772/774, os embargos foram acolhidos parcialmente, em relação à contradição no total dos hectares de áreas alagadas, entre o voto proferido e a decisão. É o relatório. Voto Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Ainda que o parágrafo terceiro, do artigo 65 do regimento do CARF, disponha que a rejeição do embargo se dá em caráter definitivo, esclareço que concordo com o despacho de admissibilidade, no sentido de admitir os embargos somente em virtude dos erros materiais. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201003.291 S2C2T1 Fl. 778 3 § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Aponta a Embargante que existe erro material no fato de na decisão do acórdão ter sido dado provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.269,0 hectares a título de Áreas Alagadas, quando no corpo do voto a conselheira relatora indica a área alagada de 2.742ha. No tocante a este aspecto, entendo que assiste razão a Embargante; realmente, a conselheira relatora assim se manifestou em seu voto: "Compulsando os autos, verifico que o Contribuinte não declarou no ADA áreas alagadas, mas reportou a totalidade da área do imóvel como área de preservação permanente. Porém, o mesmo apresentou Laudo Técnico apontando a área de 2.742 ha como área alagada. Considerando a divergência entre as declarações do Contribuinte, ou seja, no ADA reporta a área total do imóvel como APP e, posteriormente, em Laudo Técnico apresenta parte da área como alagada, entendo que resta comprovada a área alagada. Logo, entendo que deve ser aplicada a Súmula nº 45 do CARF, afastando de tributação da área alagada de 2.742 ha." (Fls.710 dos autos) Observando os autos, verifico que mencionado laudo informa a área alagada de 2.742ha. (fls.583 dos autos). Entendo, por esta razão, que deve ser alterada a decisão para constar área alagada de 2.742ha em vez dos 2.269,0 hectares indicados. Por oportuno, embora a matéria não esteja sendo apreciada neste momento, percebo que a contribuinte anexou o documento de folhas 765 dos autos, que, em rasa análise, comprovariam que a área de 4.390ha estariam inseridas dentro do Parque Estadual Cunhambebe. Neste contexto, sugiro a autoridade da DRFB de origem a análise do mencionado documento, para que, se for o caso, reveja de ofício o presente lançamento. Conclusão Pelo exposto e com base nos fundamentos apontados, voto por conhecer dos embargos propostos pela Contribuinte, e por acolhêlo, parcialmente, para, sanando o erro material apontado, retificar a decisão do Acórdão 2201002.476, proferido em 12 de agosto de 2014, que passa a ter a seguinte redação: "por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Fl. 778DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10073.720475/201349 Acórdão n.º 2201003.291 S2C2T1 Fl. 779 4 NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que acolheram a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente às áreas de domínio útil. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 2.742,0 hectares a título de Áreas Alagadas e restabelecer o VTN declarado. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pela Contribuinte o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035." Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 779DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 09/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007235/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso.
Não configurada a contradição e/ou obscuridade no Acórdão recorrido, rejeita-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência dos vícios apontados, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela Embargante durante o julgamento, Dr. Altair Santanna da Silva, OAB nº 025.795 (PR).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Não configurada a contradição e/ou obscuridade no Acórdão recorrido, rejeita-se os embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.007235/2003-41
anomes_publicacao_s : 201612
conteudo_id_s : 5668021
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.467
nome_arquivo_s : Decisao_10980007235200341.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980007235200341_5668021.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência dos vícios apontados, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela Embargante durante o julgamento, Dr. Altair Santanna da Silva, OAB nº 025.795 (PR).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6599806
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692147093504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 436 1 435 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007235/200341 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402003.467 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2016 Matéria Embargos de Declaração Embargante ÓTIMA INDÚSTRIA, COM., IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Não configurada a contradição e/ou obscuridade no Acórdão recorrido, rejeitase os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração em razão da inexistência dos vícios apontados, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 72 35 /2 00 3- 41 Fl. 436DF CARF MF 2 Efetuou sustentação oral pela Embargante durante o julgamento, Dr. Altair Santanna da Silva, OAB nº 025.795 (PR). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 410/420) opostos, tempestivamente, pela empresa ÓTIMA INDÚSTRIA, COM., IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., em 15/12/2014 (fl. 410), ao amparo do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da ciência, em 08/12/2014 (AR Correios à fl. 408), do teor do Acórdão nº 3801004.419, de 15/10/2014, que negou provimento ao recurso voluntário interposto pela Embargante, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 RETIFICAÇÃO DE DCTF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não sendo comprovada a compensação efetivada em pedido de retificação de DCTF, e sendo este pedido deferido em parte, por ausência de comprovação das bases alteradas pelo contribuinte, não há que se falar em homologação tácita da suposta compensação. Recurso Voluntário Negado Os presentes autos referemse a Auto de Infração, decorrente de auditoria interna na DCTF do 3º e 4º trimestres de 1998, em que, consoante descrição dos fatos e anexos, são exigidos R$ 21.881,13 de COFINS, referente aos períodos de apuração de 07/1998, 08/1998 e 09/1998, além dos valores devidos a título de multa de ofício e juros de mora. Consta da decisão de 1ª instância que de acordo com o “DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS” e “RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF”, os valores informados em DCTF, a título de “VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO”, cujos créditos vinculados, informados como “Comp c/DARF s/Processo” ou “Comp s/DARF Outros PAF”, não foram confirmados, sob a ocorrência: “Comp c/ pagto não Localizado” ou “Proc inexist no Profisc”. A embargante não se conformando com o resultado do Acórdão, apresentou o seu Recurso Voluntário, no qual alegou a decadência do direito de analisar as compensações apresentadas, o que ensejou na homologação tácita destas. No acórdão embargado, o Colegiado entendeu, em síntese, que não sendo comprovada a compensação efetivada em pedido de retificação de DCTF, e sendo este pedido deferido em parte, por ausência de comprovação das bases alteradas pelo contribuinte, não há que se falar em homologação tácita da suposta compensação. Negando, portanto, provimento ao recurso apresentado. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10980.007235/200341 Acórdão n.º 3402003.467 S3C4T2 Fl. 437 3 Cientificado do referido Acórdão, a Embargante apresentou os Embargos de Declaração apontando que houve contradição e/ou obscuridade no referido julgado, alegando, em síntese, que: a) fundamentase a decisão recorrida, que intimada a comprovar suas razões, a Recorrente não o fez, tendo dado causa ao indeferimento dos pedidos de retificação (DCTF) e/ou de compensação, o que teria acarretado o desprovimento dos recursos; b) o Fisco recusou a prorrogação do prazo de 5 dias e, inclusive, em receber o requerimento, obrigando a protocolar o pedido diretamente no gabinete do Sr. Delegado. O protocolo foi finalmente efetuado em 18/08/2005. O Contribuinte expõe as razões, sugere que a fiscalização seja efetuada na sede da empresa (volume de documentos) e nada aconteceu; c) que não houve resposta, mesmo que negativa e, muito pior, o requerimento sequer foi juntado nos PAF's em tela e que o "documento SUMIU"; d) que a Relatora do Acórdão embargado, esqueceu que o PAF foi protocolizado em 06/04/1999 e somente em 30/06/2005 foi exigido do contribuinte documentação adicional, quando já havia ocorrido a prescrição intercorrente; e) que o arquivamento do processo decorreu de interpretação do Fisco de que o assunto já estava sendo tratado em outros PAF, também já com o prazo prescricional; f) que o PAF 10.980.018334/9965, foi protocolizado em 14/12/1999 e somente foi exigido do contribuinte documentos e/ou informações, pela primeira vez, em 14/07/2005 (fl. 33 daquele PAF, já anexa) e o PAF 10.980.018335/9928, foi protocolizado em 14/12/1999 e somente foi exigido do Contribuinte documentos e/ou informações, pela primeira vez, em 19/07/2005 (fl. 41 daquele PAF, já anexa); g) com base na Lei n° 9.430/1996, não estava obrigado a efetuar qualquer comprovação depois de decorrido o lapso temporal de mais de cinco anos do protocolo do pedido. Assim, justificar o não provimento do Recurso ao CARF, neste PAF (10980.007235/200341), sob fundamento ILEGAL, é totalmente CONTRADITÓRIO. h) afirma que houve inércia do Fisco ao não exercer a sua obrigação que PODIA e DEVIA, dentro do prazo previsto na legislação (cinco anos), ocorrendo a PRESCRIÇÃO. Neste contexto, diante da demonstração da propalada contradição e/ou obscuridade, requereu o acolhimento dos Embargos de Declaração, sem prejuízo da aplicação do princípio da fungibilidade, pede pela sustentação oral perante este Colegiado, para o que deverá ser expressamente intimado, no endereço profissional declinado. É o relatório. Voto Fl. 438DF CARF MF 4 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a Decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Ressaltase que, quando da análise dos referidos arestos, o Presidente da extinta 1ª Turma Especial, conforme o Despacho nº 3801016 (3ª Seção de julgamento), às fls. 426/427, admitiu os aclaratórios interpostos e deles se toma conhecimento. Pois bem. Como é consabido, entendese por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. A contradição que autoriza o cabimento de embargos de declaração é aquela existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Já a obscuridade consiste na falta de clareza, inteligibilidade e da pouca compreensibilidade da redação elaborada pelos julgadores. Alega a Embargante que, no caso dos presentes autos, a decisão é contraditória e/ou obscura em algumas questões e requer que seja aplicado ao presente o princípio da fungibilidade recursal. Preliminarmente argumenta que houve o cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que fundamentase a decisão recorrida, que intimada a comprovar suas razões, a Recorrente não o fez, tendo dado causa ao indeferimento dos pedidos de retificação (DCTF) e/ou de compensação, o que teria acarretado o não provimento dos recursos; que o Fisco recusou a prorrogação do prazo de 05 dias para apresentação de documentos. O protocolo deste pedido foi efetuado em 18/08/2005, expondo suas razões e não recebeu resposta da fiscalização. Nesse contexto, verificase no Relatório do Acórdão embargado (fls. 398/399), tratando exatamente destes fatos. Vejase trechos abaixo destacados (grifei): "(...) O presente processo foi baixado em diligência, para que a unidade de origem averiguasse a legitimidade das compensações declaradas, que foram objetos de glosa no lançamento, e que a interessada sustenta terem sido declaradas em DCTF, bem como fosse verificado o pagamento indevido, na importância de R$ 168,28, declarada para efeito de compensação, efetuado por meio de Darf juntado ao processo. A DRF devolveu o processo a esta Delegacia de Julgamento, registrando que a contribuinte não apresentou os documentos solicitados, que serviriam de subsídio para o atendimento da diligência requisitada". "(...) Em recurso ao então 2º Conselho de Contribuintes, a contribuinte suscita nulidade do auto de infração, ou ao menos da decisão recorrida, argumentando que a exigência de apresentação de documentos constante da diligência jamais poderia ser cumprida, pois, diante de seus termos, além de ser ilegal, acarretaria excessiva onerosidade, em evidente cerceamento ao contraditório, referindose à solicitação de cópias autenticadas de Livros e documentos que serviram de base de cálculo das contribuições ao PIS; que do resultado da diligência não foi dado conhecimento e concedido prazo adicional para razões de defesa; e que não houve qualquer referência ao Darf juntado ao processo. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10980.007235/200341 Acórdão n.º 3402003.467 S3C4T2 Fl. 438 5 A Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 340200.634, de 25/05/2010, por unanimidade de votos, negou provimento, mantendo os termos da decisão recorrida. A interessada ingressou com recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou seguimento ao recurso especial, no Acórdão nº 340000.504 da 4ª Câmara, em razão de falta de pressuposto de admissibilidade". Portanto, ao meu sentir, a Embargante, teve oportunidade de fazer sua defesa e apresentar documentos quando da Impugnação e depois, novamente quando da diligência, e não o fez. Desta forma, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio do contraditório neste processo. Quanto ao argumento de que o Acórdão embargado, se desapercebeu que o PAF nº 10980.012067/9968 (compensações declaradas), protocolizado em 06/04/1999 e somente em 30/06/2005 foi exigido documentação adicional, quando já havia ocorrido a prescrição intercorrente, e que o arquivamento do PAF decorreu de interpretação do Fisco de que o assunto já estava sendo tratado em outros PAF (retificação de DCTF), também já com o prazo prescricional PAF nº 10.980.018334/9965 e PAF nº 10.980.018335/9928, e que com base na Lei n° 9.430/1996, não estava mais obrigado a efetuar qualquer comprovação depois de decorrido o lapso temporal de mais de cinco anos do protocolo do pedido, por ter ocorrido a homologação tácita das compensações não analisadas dentro do prazo de 05 anos. Houve inércia por parte do Fisco. Aduz a embargante que, com os fatos acima resumidos, justificou o não provimento do Recurso Voluntário, o que estaria sob fundamento ILEGAL, e portanto, totalmente CONTRADITÓRIO. Também não assiste razão a Embargante. Vejase o trecho do Acórdão: "...) Como se observa das colocações acima, os pedidos de retificação da DCTF formulados pelo Recorrente foram atendidos de acordo com as comprovações levantadas pela fiscalização. Não houve, assim, inércia da fiscalização na análise dos pedidos administrativos. Ficou consignado no Acórdão embargado que não restou comprovado que aqueles PAF’s (n° 10980.018335/9928 e nº 10980.018334/9965) se consubstanciavam em pedido de compensação. Pelo contrário, restou demonstrado nos autos que se tratavam sim de pedido de retificação de DCTF. Pedidos que poderiam gerar um direito creditório. Contudo, como bem explanado no Acórdão, no ponto de discussão deste processo não houve o deferimento do pleito do Recorrente. Por isso, não há contradição no acórdão, simplesmente porque não restou comprovado que nos respectivos processos tratavase de pedidos de compensação. E, diante disso, desta forma se posicionou a Relatora: "(...)Neste sentido, em que pese o entendimento desta julgadora pela homologação tácita das compensações não analisadas dentro do prazo de 05 anos, como bem colocado no Recurso Voluntário, não se vislumbra a ocorrência desta situação no presente processo. Não restou demonstrado que houve pedido de compensação naqueles procedimentos administrativos". Portanto, não sendo comprovada a compensação efetivada em pedido de retificação de DCTF, e sendo este pedido deferido em parte, por ausência de comprovação das Fl. 440DF CARF MF 6 bases alteradas pelo contribuinte, não há que se falar em homologação tácita da suposta compensação. No que se refere a prescrição intercorrente, por ter ficado o processo paralisado injustificadamente por mais de 5 (cinco) anos, não há como acolher a sua pretensão, posto que se trata de matéria objeto da Súmula CARF nº 11, que dispõe: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”, que nos termos do caput do artigo 72, do RICARF, são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto a solicitação de sustentação oral, tal procedimento se encontra previsto nos itens II e III do art. 58, do RICARF, o que garante este direito. Das intimações serem efetuadas no endereço do patrono da causa administrativa, o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, II, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Entendo desproposital querer em sede de embargos discutir excertos do acórdão quando este articula a questão das provas que não se encontra bem demonstrada nos autos quanto ao direito pleiteado (homologação tácita). O que a embargante pretende, equivocadamente, agitando recurso impróprio, é fazer valer sua pretensão a qualquer custo. A contradição que autoriza o cabimento de embargos de declaração é aquela existente entre a fundamentação e a conclusão do acórdão. Estando o fundamento do acórdão em perfeita harmonia com a sua conclusão, não há se falar na existência de vício que enseja a interposição de embargos de declaração para sanálo. CONCLUSÃO Assim, por ter enfrentado o argumento subsidiário da Recorrente, ainda que de forma sintética, entendo que o acórdão recorrido não possui o vício de contradição e/ou obscuridade apontado pela Embargante, não merecendo reparo por meio de aclaratórios na forma do art. 65 do RICARF. O que busca a Embargante é a efetiva rediscussão da matéria já julgada, passível de ser realizada na via recursal própria e não por meio de Embargos. Diante do exposto, conheço dos Embargos de declaração opostos, por serem tempestivos, mas os REJEITO por não vislumbrar os vícios apontados. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.902737/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/01/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/01/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18470.902737/2012-30
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5652053
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.395
nome_arquivo_s : Decisao_18470902737201230.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 18470902737201230_5652053.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6550431
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692150239232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.902737/201230 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.395 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria IPI. Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/01/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 27 37 /2 01 2- 30 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 18470.902737/201230 Acórdão n.º 3402003.395 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.334), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18470.902737/201230 Acórdão n.º 3402003.395 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18470.902737/201230 Acórdão n.º 3402003.395 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18470.902737/201230 Acórdão n.º 3402003.395 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 439DF CARF MF Processo nº 18470.902737/201230 Acórdão n.º 3402003.395 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721825/2010-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-004.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, dando provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 183,2ha.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.721825/2010-93
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673197
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.868
nome_arquivo_s : Decisao_10680721825201093.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 10680721825201093_5673197.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, dando provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 183,2ha. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6618110
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692177502208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 192 1 191 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721825/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.868 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, dando provimento para restabelecer a Área de Reserva Legal de 183,2ha. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 18 25 /2 01 0- 93 Fl. 192DF CARF MF 2 Tratase de notificação de lançamento nº 06101/00087/2010 resultante de lançamento suplementar do ITR/2006, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Campestre” (NIRF 4.609.4946), com área total declarada de 327 ha, localizado no município de Itabirito/MG, tendo a autoridade fiscal glosado integralmente a área de reserva legal informada 183,2 ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 170.069,54 (R$ 1.182,68/ha), arbitrandoo em R$ 654.000,00 (R$ 2.000,00/ha), conforme demonstrativo de e fl. 05. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese que: a) discorda do procedimento fiscal, por glosar as áreas declaradas de reserva legal, devidamente averbadas em 2003, e arbitrar o VTN com base no SIPT, discricionário e inacessível à contribuinte, em evidente cerceamento ao seu direito de defesa; b) é desnecessária a apresentação do ADA ou qualquer outra prova da área ambiental declarada, para fins de sua isenção do ITR; para contestar o VTN arbitrado anexa laudo de avaliação, que indica o valor de mercado da terra nua; c) transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do TRF1ª R e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, além de ensinamentos doutrinários, para referendar seus argumentos. d) requer seja julgada procedente sua impugnação e declarada a total insubsistência da autuação fiscal, ou seja conhecido o laudo técnico apresentado, para determinação do VTN. Em 05/12/2012, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, para acatar o Valor da Terra Nua conforme laudo técnico, mantendo a glosa da área de reserva legal declarada, nos termos do Acórdão nº 0349.956 (efls. 113/121): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando à contribuinte o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade requerida. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Para fins de isenção do ITR/2006, exigese que a área de reserva legal declarada, além de estar averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser revisto o VTN arbitrado para o ITR/2006, com base em laudo técnico de avaliação, emitido por profissionais Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10680.721825/201093 Acórdão n.º 2301004.868 S2C3T1 Fl. 193 3 habilitados e com ART/CREA, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como suas peculiaridades desfavoráveis. Impugnação Procedente em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 128/136) alegando que é desnecessária a apresentação do ADA ou qualquer outra prova da área ambiental declarada como reserva legal, para fins de sua isenção do ITR. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. A questão cingese à glosa da área de reserva legal declarada de 183,2 ha, uma vez que não foi apresentado ADA tempestivamente. Alega o recorrente que a declaração da referida área na DITR, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, goza de presunção relativa, com fundamento no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: ... II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; ... § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, Fl. 194DF CARF MF 4 não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Com relação a este argumento, cumpre salientar que referido parágrafo visava, essencialmente, permitir que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA fosse realizado em momento posterior ao da entrega da DITR, sem que com isso, o contribuinte fosse prejudicado em eventual isenção a que fizesse jus, com relação às áreas de reserva legal e de preservação permanente. Por sua vez, a necessidade de apresentação do ADA para fins de isenção do ITR encontra respaldo no art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, conforme a seguir. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural –ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Conforme o art. 111 da Lei nº 5172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O recorrente não apresentou ADA tempestivamente requerido ao IBAMA, entretanto apresentou a Matrícula do Imóvel nº 9.054 (efls. 38/40), "Fazenda Campestre" na qual constam as averbações (AV4 e AV5), efetuadas em 08/07/2003, de áreas de reserva legal de 65,90ha e 117,30ha, totalizando 183,2ha, conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 18/06/2003, portanto, antes da data da ocorrência do fato gerador. Apresenta laudos técnicos e Termos de Responsabilidade de Preservação de Floresta, às efls. 137/178. Nesse sentido o Acórdão nº 9202003.437, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 22/10/2014, entendeu que averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10680.721825/201093 Acórdão n.º 2301004.868 S2C3T1 Fl. 194 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. (grifamos) Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento, restabelecendo a Área de Reserva Legal de 183,2ha. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722629/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011, 2012
AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. EXCLUSÕES INDEVIDAS. PARTES RELACIONADAS. OPERAÇÕES SEQUENCIAIS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Correto o acórdão recorrido que manteve crédito tributário apurado com base nas exclusões indevidas ao lucro líquido, a título de amortização de ágio gerado artificialmente entre empresas ligadas, mediante operações estruturadas em sequência, nas quais restou comprovada a simulação.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - Aplica-se à CSLL a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Os diretores respondem, solidariamente, pelo crédito tributário nos casos em que as obrigações tributárias resultem de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, mormente quando participaram diretamente de todos atos simulados.
CERCEAMENTO DE DEFESA. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA
O procedimento fiscal é de cunho inquisitorial, ou seja, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja obrigada a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa.
MULTA QUALIFICADA.
A prática de atos simulados, com o evidente intuito de fraudar o Fisco justifica a imputação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1301-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram pelo provimento parcial, afastando a multa qualificada e a responsabilidade solidária.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. EXCLUSÕES INDEVIDAS. PARTES RELACIONADAS. OPERAÇÕES SEQUENCIAIS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o acórdão recorrido que manteve crédito tributário apurado com base nas exclusões indevidas ao lucro líquido, a título de amortização de ágio gerado artificialmente entre empresas ligadas, mediante operações estruturadas em sequência, nas quais restou comprovada a simulação. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - Aplica-se à CSLL a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores respondem, solidariamente, pelo crédito tributário nos casos em que as obrigações tributárias resultem de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, mormente quando participaram diretamente de todos atos simulados. CERCEAMENTO DE DEFESA. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA O procedimento fiscal é de cunho inquisitorial, ou seja, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja obrigada a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. MULTA QUALIFICADA. A prática de atos simulados, com o evidente intuito de fraudar o Fisco justifica a imputação da multa qualificada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11065.722629/2013-07
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5631259
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.110
nome_arquivo_s : Decisao_11065722629201307.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MILENE DE ARAUJO MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 11065722629201307_5631259.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram pelo provimento parcial, afastando a multa qualificada e a responsabilidade solidária. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6485758
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692217348096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.868 1 1.867 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722629/201307 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.110 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Amortização de Ágio Recorrente CAIMI & LIAISON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COURO E SINTÉTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO. EXCLUSÕES INDEVIDAS. PARTES RELACIONADAS. OPERAÇÕES SEQUENCIAIS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correto o acórdão recorrido que manteve crédito tributário apurado com base nas exclusões indevidas ao lucro líquido, a título de amortização de ágio gerado artificialmente entre empresas ligadas, mediante operações estruturadas em sequência, nas quais restou comprovada a simulação. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplicase à CSLL a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores respondem, solidariamente, pelo crédito tributário nos casos em que as obrigações tributárias resultem de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, mormente quando participaram diretamente de todos atos simulados. CERCEAMENTO DE DEFESA. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA O procedimento fiscal é de cunho inquisitorial, ou seja, transcorre sem que a autoridade fiscal esteja obrigada a reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. MULTA QUALIFICADA. A prática de atos simulados, com o evidente intuito de fraudar o Fisco justifica a imputação da multa qualificada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 26 29 /2 01 3- 07 Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.869 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, que votaram pelo provimento parcial, afastando a multa qualificada e a responsabilidade solidária. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL , relativos aos anoscalendário de 2009 a 2011, que deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte em razão da exclusão indevida ao lucro líquido das amortizações de ágio, com aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, multas isoladas sobre estimativas desses tributos, bem assim, da compensação indevida dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. O lançamento relativo à compensação indevida dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL foi efetuado em virtude de ação fiscal anterior, sobre os mesmos fatos objeto do presente processo, porém, referentes aos anoscalendário de 2005 a 2008. Essa autuação invalidou o saldo de prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa de CSLL existentes em 31/12/2008, compensada pelo contribuinte nos anoscalendário de 2009 a 2011. O processo administrativo nº 11065.002149/200931, contendo os autos de infração da ação fiscal anterior, teve seu recurso voluntário analisado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho, em 12/04/2012, que manteve integralmente o lançamento, nos termos do acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.870 3 MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Contra a decisão, o contribuinte apresentou recurso especial que, após juízo de admissibilidade ao qual foi dado seguimento parcial, encontrase pendente de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 1408 a 1434), a fiscalização identificou a prática de diversos eventos societários simulados que tinham como objetivo a criação de ágio amortizável e a consequente redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme a seguir, transcrito: "4 SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL DA FISCALIZADA Em conformidade com o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Empresária Limitada (fls. 451 a 459), com data de 29 de dezembro de 2004, registrado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 26 de abril de 2005, sob o n° 43205494264, a fiscalizada foi constituída com capital social de R$ 28.000.000,00. Este capital social foi subscrito pelas sócias CAIMI SAC, empresa com sede no Chile, doravante denominada CAIMI CHILE, e Jofecred Fomento Mercantil Ltda, empresa com sede na Av. Pedro Adams Filho, 2727 sala A Novo Hamburgo/RS, doravante denominada JOFECRED, na proporção de 50% do capital social para cada sócia (R$ 14.000.000,00 para cada sócia). A CAIMI CHILE integralizou o capital social subscrito, em 29/12/2004, mediante a cessão e transferência da quota de capital social, com valor nominal de R$ 3.000.000,00, na sociedade empresária limitada CAIMI DO BRASIL LTDA.., doravante denominada CAIMI BRASIL, pelo valor de R$ 14.000.000,00. A JOFECRED integralizou o capital social subscrito, em 29/12/2004, mediante a cessão e transferência da quota do capital social, com valor nominal de R$ 110.000,00, na sociedade empresária limitada LIAISON COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA., doravante denominada LIAISON, pelo valor de R$ 14.000.000,00. Em ambos os casos, o valor do capital social integralizado é bastante superior ao valor patrimonial das participações societárias recebidas pela fiscalizada, gerando ágio na aquisição de investimentos. O fundamento econômico do ágio foi a expectativa de rentabilidade futura, conforme Laudos de Avaliação datados de 29/12/2004, (fls.482 a 484 e 491 e 492) Em conformidade com a escrituração contábil da fiscalizada (fls.505 a 511), em relação à participação societária na LIAISON, o ágio foi de R$ 13.448.044,50 e, relativamente à CAIMI BRASIL, o ágio foi de R$ 11.453.726,02. Portanto, por ocasião da sua constituição, em 29 de dezembro de 2004, a fiscalizada recebeu dos seus sócios, a título de integralização do capital social subscrito, participações Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.871 4 societárias em CAIMI BRASIL e LIAISON, com expressivos ágios, cujo fundamento é a expectativa de rentabilidade futura destas empresas. 5 INCORPORAÇÃO DA CAIMI BRASIL E DA LIAISON PELA FISCALIZADA Em 30 de julho de 2005, em conformidade com a primeira alteração do contrato social, arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 25 de agosto de 2005, sob o n° 2619005 (fls .fls. 465 a 475), a fiscalizada incorporou as empresas CAIMI BRASIL e LIAISON. Em conformidade com o Protocolo e Justificativa de Incorporação de Sociedade (fls. 487 a 490), datado de 04 de julho de 2005, a incorporação da LIAISON foi realizada em função das "significativas vantagens do ponto de vista operacional, com a redução de custos e despesas administrativas, diante da racionalização dos serviços de controladoria, finanças e contabilidade, eliminando a duplicidade e superposição de atividades ". O acervo líquido da incorporada (LIAISON), em conformidade com Laudo de Avaliação (fls. fls. 491 e 492) elaborado por ML Pagini e Associados Consultoria Tributária e Empresarial Ltda., em 30 de junho de 2005, era de R$ 664.488,86. A incorporação da CAIMI BRASIL, em conformidade com o Protocolo Justificativa de Incorporação de Sociedade (fls. 487 a 490), datado de 04 de julho de 2005, também foi realizada em função das "significativas vantagens do ponto de vista operacional, com a redução de custos e despesas administrativas, diante da racionalização dos serviços de controladoria, finanças e contabilidade, eliminando a duplicidade e superposição de atividades". O acervo líquido da incorporada (CAIMI BRASIL), em conformidade com o Laudo de Avaliação (fls. fls. 491 e 492) elaborado por ML Pagini e Associados Consultoria Tributária e Empresarial Ltda., em 30 de junho de 2005, era de R$ 3.167.980,46. Portanto, as participações societárias nas empresas LIAISON e CAIMI BRASIL, que haviam sido recebidas pela fiscalizada em 29/12/2004 a título de integralização do capital social, foram incorporadas em 30 de julho de 2005. 6 AS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS QUE GERARAM O ÁGIO AMORTIZADO PELA FISCALIZADA 6.1 CONSTITUIÇÃO E ALTERAÇÕES DE CONTRATO SOCIAL DA CAIMI DO BRASIL LTDA. A empresa CAIMI DO BRASIL LTDA., doravante denominada CAIMI BRASIL, CNPJ 04.516.775/000175, foi constituída em 14 de maio de 2001, com capital social de R$ 1.000.000,00, com o seguinte quadro social (fls.622 a 627): CAIMI SAC (Chile) com 90% do capital social (R$ 900.000,00) Liaison Comercial Exportadora e Importadora Ltda. com 10% do capital social (R$ 100.000,00) Em 28/07/2003, houve aumento do capital social para R$ 3.000.000,00, permanecendo os sócios com a mesma participação percentual no capital social: CAIMI CHILE com 90% e LIAISON com 10% (fls. 502 a 723). Em 15/01/2005, conforme alteração de contrato social (fls. 634 a 637) arquivado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 26/04/2005, a sócia LIAISON cedeu para CAIMI CHILE a totalidade das suas quotas. Com isto, a partir de 15/01/2005, a CAIMI CHILE passa a ser a única sócia da CAIMI BRASIL. Finalmente, em 30/07/2005, conforme alteração de contrato social (fls.638 a 640) arquivado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 25/08/2005, a CAIMI CHILE retirase da sociedade cedendo as suas quotas para CAIMI & LIAISON que passa a ser a única sócia de CAIMI Brasil. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.872 5 Na mesma data (30/07/2005), a CAIMI BRASIL é extinta em função de sua incorporação pela CAIMI & LIAISON. Com a incorporação foi vertido para a CAIMI & LIAISON o acervo líquido de R$ 3.167.980,46, conforme laudo de avaliação elaborado por ML Pagini & Associados Consultoria Tributária e Empresarial Ltda. 6.2 CONSTITUIÇÃO E ALTERAÇÕES DE CONTRATO SOCIAL DE LIAISON COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. A empresa Liaison Comercial Exportadora e Importadora Ltda., doravante denominada LIAISON, CNPJ 90.140.831/000151, teve os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 05/11/1984. O sócio Severino Adolfo Oppelt passa a fazer parte do quadro social da LIAISON em 30/10/1990, conforme alteração de Contrato Social, com participação de 50% no capital social da LIAISON (fls.657 a 660). Em 27/04/1999, conforme Alteração, Atualização e Consolidação Contratual (fls. 661 a 666), é admitida a sócia Eliane de Fátima da Silva Oppelt, que passa a participar com 1% do capital social da LIAISON. Na mesma data, o sócio Severino Adolfo Oppelt aumenta a sua participação para 99% do capital social da LIAISON. Em 11/12/2003, a LIAISON aumenta o seu capital social (fls. 670 a 673) para R$ 110.000,00, permanecendo como sócios Severino Adolfo Oppelt (99% do capital) e sua esposa Eliane de Fátima da Silva Oppelt (1% do capital social). Em 28/12/2004, conforme Alteração e Consolidação de Contrato Social (fls. 674 a 677), arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 11/02/2005, ocorre o aumento do capital social para R$ 115.000,00 e é admitida como sócia da LIAISON a empresa JOFECRED Fomento Mercantil Ltda. A composição societária passa a ser a seguinte: JOFECRED Fomento Mercantil Ltda 95,65% do capital social (R$ 110.000,00) Severino Adolfo Oppelt 4,35% do capital social (R$ 5.000,00). Finalmente, em 30/07/2005, conforme 6aalteração de contrato social (fls. 678 a 681) arquivado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 25/08/2005, os sócios Severino Adolfo Oppelt e JOFECRED retiramse da sociedade cedendo as suas quotas para CAIMI & LIAISON que passa a ser a única sócia da LIAISON. Na mesma data (30/07/2005), a LIAISON é extinta em função de sua incorporação pela CAIMI & LIAISON. Com a incorporação foi vertido para a CAIMI & LIAISON o acervo liquido de R$ 664.488,86, conforme laudo de avaliação elaborado por ML Pagini & Associados Consultoria Tributária e Empresarial Ltda. 6.3 CONSTITUIÇÃO E ALTERAÇÕES DE CONTRATO SOCIAL DE JOFECRED FOMENTO MERCANTIL LTDA. A empresa JOFECRED Fomento Mercantil Ltda., doravante denominada JOFECRED, CNPJ 05.323.425/000155, foi constituida em 01/10/2002, com capital social de R$ 50.000,00 (fls.690 a 692), e tendo o seguinte quadro societário: Severino Adolfo Oppelt 80% do capital social (R$ 40.000,00) Carlos Ernesto Wazlowsky 10 % do capital social (R$ 5.000,00) João Alberto Rockstroh 10% do capital social (R$ 5.000,00) Em 19/02/2004, foi aumentado o capital social (fls.700) para R$ 175.000,00 e retirase da sociedade o sócio Carlos Ernesto Wazlowsky. O sócio Severino Adolfo Oppelt continua com 80% (R$ 140.000,000) do capital social e o sócio João Alberto Rockstroh aumenta a sua participação para 20% (R$ 35.000,00). Em 27/12/2004 em conformidade com a 3ª Alteração Contratual (fls. 701 a 705), arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 11/02/2005, o capital social é aumentado para Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.873 6 R$ 285.000,00. O sócio João Alberto Rockstroh retirase da sociedade e é admitida como sócia Eliane Fátima da Silva Oppelt. O quadro societário da JOFECRED passa a ser o seguinte: Severino Adolfo Oppelt 99,5% do capital social (R$ 283.500,00) Eliane Fátima da Silva Oppelt 0,5% do capital social (R$ 1.450,00) Cabe destacar que o aumento do capital social (passou de R$ 175.000,00 para R$ 285.000,00) foi integralizado pelos sócios Severino e Eliane pela cessão das quotas do capital social da empresa LIAISON no valor de R$ 110.000,00. Finalmente, em 12/06/2006, é alterada a denominação social da JOFECRED para JASE Participações Societárias Ltda., conforme 4ª Alteração Contratual (fls.706 a 711). 7 ANÁLISE DOS DIVERSOS EVENTOS SOCIETÁRIOS Num curto período de pouco mais de sete meses, (27 de dezembro de 2004 a 30 de julho de 2005), ocorreram diversos eventos societários (alterações de quadro societário, aumento de capital social, constituição de nova empresa, incorporações) envolvendo a fiscalizada e as empresas referenciadas no item anterior desse Relatório. Passemos a apresentação de inconsistências detectadas na análise destes eventos societários. 7.1 Aumento do Capital Social na LIAISON e Alteração do seu Quadro Societário Analisando os eventos societários na LIAISON, constatamos que, em 28 de dezembro de 2004, houve aumento do capital social e alteração do quadro societário da empresa (fls.674 a 677). Nesta data, o sócio Severino Adolfo Oppelt subscreve novas quotas do capital social da LIAISON, no valor de R$ 5.000,00. O aumento de capital social, no valor de R$ 5.000,00, referenciado na alteração do contrato social datada de 28 de dezembro de 2004 e arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 14 de fevereiro de 2005, somente foi contabilizado pela LIAISON em 11 de março de 2005 (fls.685). Ainda de acordo com a alteração do contrato social, a integralização das novas quotas do capital social subscritas pelo sócio Severino Adolfo Oppelt, no valor de R$ 5.000,00, se deu "neste ato, em moeda corrente nacional". Ou seja, de acordo com este documento a integralização do capital social ocorreu no dia 28 de dezembro de 2004. Todavia, o Sr. Severino informa que esta integralização se deu somente no dia 11 de março de 2005 (fls. 744 a 746). Existe, portanto, uma incoerência entre as datas em que teria havido a subscrição e integralização do aumento de capital social: de acordo com a alteração do contrato social tal aumento ocorreu em 28 de dezembro de 2004, mas de acordo com a Contabilidade da LIAISON e com a documentação apresentada pelo Sr. Severino ocorreu somente em 11 de março de 2005. A JOFECRED, que recebeu quotas do capital social da LIAISON, apresentou alteração de contrato social (fls.701 a 711), datada de 27de dezembro de 2004 e arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 11 de fevereiro de 2005, com aumento do seu capital social no valor de R$ 110.000,00. Este aumento de capital social foi integralizado pelos sócios Severino e sua esposa Eliane mediante a cessão e transferência das quotas que estes detinham na LIAISON, no valor de R$ 110.000,00. Todavia, a JOFECRED somente registrou na sua contabilidade (fls. 727 a 731) o aumento do capital social em 01 de março de 2005. Posteriormente, em abril de 2005, a JOFECRED providenciou a "reabertura" da Contabilidade do ano de 2004, para registrar o aumento do capital social com a data de 27 de dezembro de 2004 e estornar o lançamento que havia sido feito em 01 de março de 2005 (fls. 502 a 723). Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.874 7 Portanto, o aumento do capital social da JOFECRED, que teria ocorrido em dezembro de 2004, somente foi contabilizado em abril de 2005. 7.2 Utilização das Quotas da LIAISON para Integralização do Capital Social em CAIMI & LIAISON Em 29 de dezembro de 2004, a JOFECRED subscreve capital social na CAIMI & LIAISON, no valor de R$ 14.000.000,00. A integralização do capital social subscrito se dá pela cessão e transferência das quotas na LIAISON (fls.506). As quotas do capital social da LIAISON, que haviam sido recebidas pela JOFECRED em 27 de dezembro de 2004 por R$ 110.000,00, são transferidas dois dias depois (29 de dezembro de 2004) para a CAIMI & LIAISON a título de integralização do capital social. O aspecto que chama a atenção é a expressiva valorização destas quotas num espaço de tempo tão exíguo. Em dois dias, as quotas de capital que haviam sido recebidas por R$ 110.000,00 são cedidas por R$ 14.000.000,00. Uma espetacular valorização superior a 12.000% em apenas dois dias. Esta expressiva diferença constitui um ganho de capital para a JOFECRED, em tese, sujeito à tributação para fins de IRPJ e CSLL. Todavia, o art. 36 da Lei n° 10.637/02 autoriza o diferimento da tributação deste ganho de capital, na medida em que estabelece: Art. 36 Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrada na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. 0 Parágrafo 1o do art. 36 da Lei n° 10.637/02 estabelece o momento futuro em que se dará a tributação deste ganho de capital. § 1° O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: 1 na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Assim, quotas do capital social da LIAISON, com valor nominal de R$ 110.000,00, correspondentes a 95,65% do capital social desta empresa, foram transferidos para a CAIMI & LIAISON por R$ 14.000.000,00, tendo a adquirente contabilizado um ágio (diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das quotas adquiridas) de R$ 13.448.044,50. O restante das quotas do capital social da LIAISON, com valor nominal de R$ 5.000,00, correspondentes a 4,35% do capital, foram vendidas pelo sócio Severino a CAIMI & LIAISON em 30/07/2005, por R$ 5.000,00 (fls.678 a 681). O vendedor recebeu este valor mais de um ano após a venda, em 07/08/2006 (fls.508). A CAIMI & LIAISON escriturou tal aquisição com deságio de R$ 25.204,04. Portanto, constatamos mais uma flagrante incoerência: a aquisição das quotas da JOFECRED se deu com o "pagamento" de ágio bastante expressivo, mas a aquisição das quotas do sócio Severino se deu com deságio! Cabe destacar que o "ágio" recebido pela JOFECRED, que gerou um ganho de capital, teve a sua tributação diferida em função do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/02. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.875 8 7.3 Utilização das quotas da CAIMI BRASIL para integralização de Capital Social na CAIMI & LIAISON Até 15/01/2005, o quadro societário da CAIMI BRASIL estava assim constituído: LIAISON R$ 300.000,00 correspondente a 10% do capital social; CAIMI CHILE R$ 2.700.000,00 correspondente a 90% do capital social. Em conformidade com alteração do contrato social datada de 15 de janeiro de 2005, arquivada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 26/04/2005, a LIAISON cede a CAIMI CHILE as quotas do capital social da CAIMI BRASIL (fls.634 a 637). A LIAISON contabilizou esta operação somente em 30 de abril de 2005, sendo que as quotas, com valor nominal de R$ 300.000,00, foram "vendidas" por R$ 1,00! As quotas do capital social da CAIMI BRASIL são transferidas pela CAIMI CHILE, em 29 de dezembro de 2004, para a CAIMI & LIAISON a título de integralização do capital social, por R$ 14.000.000,00 (fls. 451 a 459). Analisando estas operações verificamse duas inconsistências. A primeira delas está relacionada com o aspecto temporal. A CAIMI CHILE transfere quotas de capital da CAIMI BRASIL, com valor nominal de R$ 300.000,00, em 29/12/2004. Todavia, tais quotas somente foram adquiridas pela CAIMI CHILE em 15/01/2005 (fls.634 a 637). Ou seja, a CAIMI CHILE "vende" quotas de capital da CAIMI BRASIL antes mesmo de adquirilas! Tanto isto é incoerente que a Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul somente arquivou o contrato social da CAIMI & LIAISON em 26/04/2005, quase três meses após ter sido protocolizado (foi protocolizado em 28/01/2005) o pedido de arquivamento do referido contrato. E nem poderia ser diferente, tendo em vista que somente em 26/04/2005 foi arquivada a alteração de contrato social por meio da qual a CAIMI CHILE "adquiriu" as quotas da CAIMI BRASIL. Outro aspecto é o fato de que a CAIMI CHILE adquiriu estas quotas da LIAISON por R$ 1,00 e as cedeu para a CAIMI & LIAISON por R$ 1.400.000,00 (10% do total "recebido"), indicando uma inacreditável valorização de quase 140.000.000%! Ainda que não seja relevante para a presente fiscalização, cabe observar que, por ocasião da cessão das quotas do capital social da CAIMI BRASIL, a CAIMI CHILE apura ganho de capital, tendo em vista que foram "alienadas", por R$ 14.000.000,00, quotas com valor nominal de R$ 3.000.000,00 e valor patrimonial de R$ 3.167.980,46. Tal ganho de capital, auferido por pessoa jurídica contribuinte de IRPJ e de CSLL, em função do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/02, teve a sua tributação diferida. Todavia, a CAIMI CHILE não é contribuinte de IRPJ e de CSLL, mas sim de Imposto de Renda na Fonte, por ser pessoa jurídica sediada no Chile que auferiu rendimentos no Brasil (no caso, o ganho de capital na alienação das quotas do capital social). Nesta situação, o art. 685 do RIR/99 estabelece que há a incidência de Imposto de Renda na Fonte. Todavia, verificouse que não houve, de parte da CAIMI CHILE, o recolhimento desse tributo. 7.4 Constituição e Início das Atividades da CAIMI & LIAISON De acordo com o contrato social apresentado (fls.451 a 459) a CAIMI & LIAISON foi constituída em 29 de dezembro de 2004, sendo os seus atos constitutivos arquivados na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 26 de abril de 2005. Ainda em conformidade com os atos constitutivos da CAIMI & LIAISON, o objeto social da empresa é a fabricação, importação, distribuição, comercialização e desenvolvimento de toda espécie de couro e couro sintético, tecidos, nãotecidos e produtos afins e derivados. O desenvolvimento destas atividades por parte da fiscalizada iniciou somente em agosto de 2005, após a incorporação da CAIMI DO BRASIL e da LIAISON, conforme comprova a sua Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.876 9 Contabilidade e as informações prestadas pela própria fiscalizada (fls.429 a 450 e fls.763 a 767). E nem poderia ser diferente, tendo em vista que o endereço da fiscalizada é a Rodovia RS 239, Km 06, n° 5966, Zona Industrial, no município de Campo Bom (RS). Em 29 de dezembro de 2004, data do contrato social, funcionava neste endereço a empresa CAIMI BRASIL. Portanto, fica evidenciado que a fiscalizada somente iniciou as suas atividades operacionais em agosto de 2005. 7.5 A Presença do Sr. Renzo Caimi Solari no Brasil Em diversos documentos apresentados pela fiscalizada, consta como representante da CAIMI CHILE, o Sr. Renzo Caimi Solari, cidadão chileno, residente e domiciliado na Avenida Matta, n° 134, Vina Del Mar, Chile, portador do passaporte da República do Chile n° 8.803.1865. Passemos a análise de alguns destes documentos. De acordo com o Instrumento Particular de Cessão de Quotas de Capital de Sociedade por meio do qual a LIAISON "vende" quotas no capital social da CAIMI BRASIL para a CAIMI CHILE (fls. 701 a 705), datado de 27 de dezembro de 2004, o Sr. Renzo estava de passagem no Brasil em 27/12/2004. Do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Empresária Limitada CAIMI & LIAISON (fls.451 a 459), datado de 29 de dezembro de 2004, consta que o Sr. Renzo, em 29/12/2004, estava de passagem no Brasil. Conforme a Ata de Reunião de Sócios da CAIMI BRASIL (fls.300 a 501 datada de 30 de julho de 2005, o Sr. Renzo, de passagem no Brasil, esteve presente na reunião realizada no dia 30/07/2005, as 7:30 horas, na Rodovia RS 239, Km 06, n°5966, em Campo Bom (RS). De acordo com a Ata de Reunião de Sócios da CAIMI & LIAISON (fls.460 a 464), datada de 30 de julho de 2005, o Sr. Renzo, de passagem no Brasil, estava presente na reunião realizada no dia 30/07/2005, as 8:00 horas, na Rodovia RS 239, Km 06, n° 5966, em Campo Bom (RS). Por tratarse de cidadão estrangeiro (chileno), encaminhamos o ofício n° 060/09/DRF/NHO/Sefis (fls.835) ao Delegado de Migração da Policia Federal em Porto Alegre, solicitando informações a respeito dos registros da passagem do Sr. Renzo pelo Brasil. Em atendimento a nossa solicitação, a Polícia Federal, por intermédio do ofício n° 3089/2009/DELEMIG/DREX/SR/DPF/RS (fls.836 a 838), encaminhou as datas de registros de entradas e saídas do Sr. Renzo no Brasil. Em conformidade com este documento, nos dias 27/12/2004, 29/12/2004 e 30/07/2005, o Sr. Renzo não estava no Brasil. Em atendimento ao item 4 do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 02 (fls.796 a 797), a fiscalizada, na qualidade de sucessora de CAIMI BRASIL, havia confirmado que a reunião das 7:30 horas do dia 30/07/2005 foi realizada em Campo Bom (RS) e que o Sr. Renzo participou desta reunião (fls.798 a 800). Todavia, de acordo com a Polícia Federal, consta a saída do Sr. Renzo do Brasil no dia anterior (29/07/2005), com destino a Argentina, no vôo 8610 que saiu de Porto Alegre (RS). Posteriormente, em atendimento aos Termos de Solicitação de Informações e Documentos n° 04, a fiscalizada, na qualidade de sucessora da CAIMI BRASIL, informa que o Sr. Renzo "tem dúvidas se, não obstante constar dos documentos que ele os teria assinado no Brasil, se não o fez no Chile" (fls.868 a 869). Após, em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 05, informa que "não é possível comprovar se o Sr. Renzo esteve ou não no Brasil no dia 30 de julho de 2005". Informa, ainda, que "é certo, entretanto, que ele esteve no Brasil no dia 25 de julho de 2005, data provável da assinatura do documento que já se encontrava definitivamente preparado para a coleta das assinaturas" (fls.873 a 878). Também a própria fiscalizada, em atendimento aos itens 02 e 03 do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 05, informou que, em relação às passagens do Sr. Renzo pelo Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.877 10 Brasil nos dias 29/12/2004 e 30/06/2005, "tem dúvidas se, não obstante constar dos documentos que ele os teria assinado no Brasil, se não o fez no Chile". Posteriormente, em atendimento ao item 5 do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 06, informou que o Sr. Renzo, "não encontrando informações em seus documentos pessoais, por sua conta houve por bem consultar o departamento de polícia própria no Chile" (fls.882 a 885). Todavia, no documento fornecido pela polícia do Chile "nada consta sobre suas viagens no período de 07 de novembro de 2004 a 26 de janeiro de 2005" (fls.886 a 888). O único documento apresentado pela fiscalizada é um "Certificado de Viajes", fornecido pela Policia de Investigaciones de Chile. Deste documento consta que: a) Em 07/11/2004. o Sr. Renzo saiu do Chile com destino ao Brasil, sendo que não foi registrada a data do seu retorno ao Chile; b) Em 25/07/2005, o Sr. Renzo saiu do Chile com destino ao Brasil, tendo retornado no dia 29/07/2005, proveniente da Argentina. Portanto, o documento apresentado pela fiscalizada permite concluir que no dia 30/07/2005 o Sr. Renzo não estava no Brasil. Já em relação aos dias 27/12/2004 e 29/12/2004, o documento não permite nenhuma conclusão, tendo em vista que não consta a data do retorno da viagem do dia 07/11/2004 ao Brasil. Entretanto, em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 02, o Sr. Severino Adolfo Oppelt apresentou cópia de procuração que lhe foi outorgada para representar a CAIMI SAC (fls.827 a 834). Referida procuração foi outorgada no Chile, em 20 de dezembro de 2004, pelo Sr. Renzo Caimi Solari. Portanto, podese concluir que o Sr. Renzo voltou da viagem ao Brasil (viagem de 07/11/2004) em data anterior a 27/12/2004. Finalmente, em 26/08/2009, fornecemos a fiscalizada cópia do documento que recebemos da Policia Federal brasileira. Em atendimento à intimação que acompanhou a entrega do documento, a fiscalizada limitouse a informar que não considerou necessário manifestarse a respeito deste documento . Portanto, com base nos documentos examinados e nas informações prestadas pela fiscalizada, pela Polícia Federal brasileira e pela Polícia chilena, concluímos que o Sr. Renzo não estava no Brasil nos dias 27/12/2004, 29/12/2004 e 30/06/2005. 8 OS LAUDOS DE AVALIAÇÃO QUE JUSTIFICAM O ÁGIO "PAGO" PELA FISCALIZADA Em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 02, a fiscalizada informou que o fundamento econômico do ágio "pago" na aquisição dos investimentos em CAIMI DO BRASIL e LIAISON foi "o valor de rentabilidade desta com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros" (fls.763 a 767). Anexou, ainda, Laudos de Avaliação, datados de 29 de dezembro de 2004, elaborados pelos contadores Lauro Angelo Cerutti, Jessé Souto Amaral e Evaldo Luiz Baldino (fls.768 a 795). Os Laudos são endereçados aos administradores da CAIMI BRASIL e LIAISON, respectivamente. Posteriormente, em atendimento ao item 7 do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 03, a fiscalizada informou (fls.842 a 850) que os profissionais que elaboraram os Laudos de Avaliação foram contratados pela CAIMI BRASIL e pela LIAISON. Todavia, o pagamento relativo aos serviços prestados por estes profissionais, no valor total de R$ 7.000,00, foi efetuado pela fiscalizada em 20 de outubro de 2005 e 18 de novembro de 2005. A fiscalizada anexou documentação comprobatória destes pagamentos (fls.848 a 850). A fiscalizada informou, ainda, em atendimento ao item 1 do Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 05, que os serviços foram prestados em "novembro e dezembro de 2004" e que os laudos foram recebidos em 29/12/2004. Mesmo em se tratando de serviços prestados em 2004 para a CAIMI BRASIL e para a LIAISON, a fiscalizada pagou pelos Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.878 11 serviços e os contabilizou como despesa em 18/11/2005 (um ano após os serviços terem sido prestados). De acordo com a fiscalizada, o pagamento foi por ela efetuado "por ser a final interessada no processo de fusão e incorporação" (fls.873 a 878). Analisando as informações e documentos apresentados pela fiscalizada, o primeiro aspecto que merece destaque é a grande defasagem de tempo quase um ano entre a época da elaboração dos Laudos (dezembro de 2004) e o pagamento dos honorários correspondentes (outubro e novembro de 2005). Além disso, apesar da fiscalizada alegar que os serviços foram contratados pelas incorporadas (CAIMI BRASIL e LIAISON), quem efetua o pagamento é a própria fiscalizada. Até poderia ser aventado que tal situação resulta da responsabilidade da fiscalizada pelas dívidas das duas empresas em função da incorporação em 30 de julho de 2005. Todavia, tais "dívidas" não constavam do passivo das incorporadas. Ao contrário, somente foram reconhecidas, mediante lançamento a débito de conta de resultado e a crédito de conta do passivo, pela fiscalizada, em 18/11/2005. Especificamente em relação ao Laudo de avaliação da LIAISON (fls.768 a 795), datado de 29 de dezembro de 2004, constatamos que: a) Foi tomado como base Balanço Patrimonial levantado em 29/12/2004; b) O Balanço Patrimonial e o Laudo de avaliação têm a mesma data (29 de dezembro de 2004) o que indica que o Laudo teria sido elaborado em um dia; c) A fiscalizada informou que para quantificação do ágio "pago" na aquisição do investimento utilizou o valor do Patrimônio Liquido da LIAISON em 29/12/2004 e que, nesta data, o total do Patrimônio Liquido era de R$ 577.044,39. De acordo com o Laudo de Avaliação, o Patrimônio Liquido da LIAISON, em 29/12/2004 é de R$ 578.239,00. d) Em 28/12/2004, conforme Alteração e Consolidação de Contrato Social (fls.674 a 677), a LIAISON aumentou o seu capital para R$ 115.000,00. Os peritos que elaboram o Laudo desconheciam tal fato, pois na projeção do Patrimônio Liquido da LIAISON para cinco anos (2005 a 2009) utilizaram o capital social de R$ 110.000,00; e) Para projeção da lucratividade da LIAISON os elaboradores do Laudo consideraram um incremento de 300%, de 2004 para 2005, na receita com a prestação de serviços sob a alegação de que haveria um crescimento nas comissões por vendas de produtos de terceiros em função da "colocação de novas mercadorias no mercado". Todavia, não é especificado quais são estas mercadorias, quem pagaria estas comissões, se já existia contrato para representação destes novos produtos, etc. Em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 04, o contribuinte informou que estas novas operações se referem à intermediação nas vendas de produtos fabricados pela CAIMI SAC e apresentou cópia de contrato de representação datado de 01 de agosto de 2005, firmado pela CAIMI & LIAISON e não pela LIAISON (fls.864 a 869) Ou seja, os autores do laudo, já em 29/12/2004, tinham conhecimento de um novo contrato de representação que somente foi firmado em 01/08/2005; f) Em conformidade com o Laudo apresentado, a projeção da lucratividade da LIAISON para o período de cinco anos (2005 a 2009), trazido a valor presente para 29/12/2004, corresponde a R$ 6.408.215,00. Todavia, além dessa parcela, os elaboradores do Laudo consideraram, também, a titulo de "perpetuidade", o valor de R$ 9.186.252,00. Apesar de não ficar explicitado como foi obtido tal valor, o Laudo referencia que se trata do reconhecimento de que "após o período de projeção dos resultados (no presente caso 5 anos), a empresa continuará em funcionamento, gerando resultados, sendo este periodo posterior denominado perpetuidade". Considerando que a fiscalizada está amortizando o ágio considerando um prazo de cinco anos, não faz sentido justificar parcela expressiva do ágio "pago" por uma lucratividade projetada para um periodo após estes cinco anos a titulo de "perpetuidade". Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.879 12 Especificamente em relação ao Laudo de Avaliação (fls.768 a 795) da CAIMI BRASIL, datado de 29 de dezembro de 2004, constatamos que: a) Foi tomado como base Balanço Patrimonial "especial" levantado em 29/12/2004; b) O Balanço Patrimonial "especial" e o Laudo de avaliação têm a mesma data (29 de dezembro de 2004) o que indica que o Laudo foi elaborado em um dia; c) A fiscalizada informou que para quantificação do ágio "pago" na aquisição do investimento utilizou o valor do Patrimônio Liquido da CAIMI BRASIL em 29/12/2004 e que, nesta data, o total do Patrimônio Liquido era de R$ 2.546.273,98. De acordo com o Laudo de Avaliação, o Patrimônio Liquido da CAIMI BRASIL, em 29/12/2004 é de R$ 2.559.718,00. d) Para projeção da lucratividade da CAIMI BRASIL para o período de cinco anos (2005 a 2009), os elaboradores do Laudo consideraram um incremento de 70%, de 2004 para 2005, nas receitas com a venda de produção própria, sem apresentar nenhuma explicação a respeito deste tão significativo incremento. Em atendimento ao Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 04, o contribuinte informa que este crescimento foi projetado em função de "sinergia decorrente da associação com a Liaison, melhoria no parque fabril, aumento do mix de produtos e ampliação da participação no mercado" fls. 864 a 869). Não especifica, todavia, de que forma o conjunto destes fatores resultou numa projeção de um crescimento nas vendas de 70% para 2005; e) Em conformidade com o Laudo apresentado, a projeção da lucratividade da CAIMI BRASIL para o período de cinco anos (2005 a 2009), trazido a valor presente para 29/12/2004, corresponde a R$ 6.750.649,00. Todavia, além dessa parcela, os elaboradores do Laudo consideraram, também, a título de "perpetuidade", o valor de R$ 9.315.030,00. Apesar de não ficar explicitado como foi obtido tal valor, o Laudo referenciase que se trata do reconhecimento de que "após o período de projeção dos resultados (no presente caso 5 anos), a empresa continuará em funcionamento, gerando resultados, sendo este período posterior denominado perpetuidade". Considerando que a fiscalizada está amortizando o ágio considerando um prazo de cinco anos, não faz sentido justificar parcela expressiva do ágio "pago" por uma lucratividade projetada para um período após estes cinco anos a título de "perpetuidade". Portanto, os laudos apresentados pela fiscalizada para justificar o expressivo ágio "pago" por ocasião da "aquisição" das participações societárias na LIAISON e na CAIMI BRASIL correspondem a uma expectativa de rentabilidade em prazo superior a cinco anos. Além disto, os documentos examinados indicam que referidos laudos foram feitos em um único dia (29/12/2004), sendo os profissionais que os elaboraram remunerados pela própria fiscalizada (e não por quem os contratou) quase um ano após a execução do trabalho. 9 "ACTA de INTENCIONES" APRESENTADA PELA PRÓPRIA FISCALIZADA Por ocasião da impugnação ao Auto de Infração que integra o Processo n° 11.065.002149/200931, a fiscalizada apresentou documento denominado "Acta de Intenciones" (fls.1042 a 1045). Tanto o relator do processo na DRJ como a relatora no CARF, destacaram esse documento por entender que se trata de prova direta da irregularidade fiscal praticada pela fiscalizada. Diante disso, transcrevemos, a seguir parte do voto do relator "in verbis": "Como muito bem esclarecido por Francisco Ferrara, a simulação escapa a uma prova direta em função de consistir em divergência entre o querer (a intenção) e o declarar (a formalização). É por isso que a prova da simulação, de regra, se dá por meio de indícios. Esse foi o meio utilizado no presente caso para alicerçar o ato da Fiscalização (Auto de Infração) e o presente voto até aqui. Ocorre, entretanto, que o contribuinte, junto com a sua impugnação, apresentou documento emitido em 29 de abril de 2004, anterior portanto ao início das operações simuladas, que é prova direta e cabal das conclusões acima expendidas. Tratase de um pacto de intenções Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.880 13 firmado pela CAIMI SA (Chile) e pela LIAISON, referente a uma aliança entre aquelas sociedades (fls. 715 a 718). Nesse documento resta clara a intenção das duas de se unirem, sendo que isso poderia se dar através de uma fusão, de uma incorporação ou outra operação (fl. 717). Saliento, por fundamental, que o documento faz referência apenas às sociedades contratantes (CAIMI SA e LIAISON), ou seja, não havia sido aventada a possibilidade da participação da JOFECRED, que, àquele tempo, trabalhava exclusivamente com fomento mercantil e contava com terceiros em seu quadro social. Outro elemento fundamental é a indicação de que a propriedade da nova sociedade seria dividida em partes iguais (50% para cada uma fl. 717). Diante disso, forçoso concluir que, antes da realização das avaliações, os futuros sócios já tinham a precisa noção de que os laudos indicariam valores bastante próximos para as duas sociedades em processo de união (fls. 450 e 467), mesmo tendo presente que os valores patrimoniais eram bem diferentes (patrimônio líquido de R$ 1.456.616 da CAIMI DO BRASIL e de R$ 134.749 negativo da LIAISON em 31/12/2003 fls. 451 e 463), caso contrário estaríamos diante de uma coincidência amazônica. Minha conclusão com base nos indícios restou, diante da prova direta, colossalmente reforçada." Mais adiante, em seu voto, o relator volta a tecer comentários a respeito da "Acta de Intenciones": "O documento denominado "Acta de Intenciones", juntado pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação (fls. 715 a 718), demonstrou, claramente, a intenção que havia entre as parte signatárias do contrato (CAIMI SA, chilena, e LIAISON, representadas por Renzo Caimi e Severino Oppelt, respectivamente) de melhor direcionarem os seus negócios no Brasil. O Grupo Caimi já operava no Brasil por meio da sociedade CAIMI DO BRASIL, cujo capital social (R$ 3.000.000) pertencia 90% à CAIMI SA (chilena) e 10% à LIAISON. No documento há referência de que havia a expectativa de um aumento da demanda que permitiria vendas a médio e longo prazo da ordem de 35 a 50 milhões de dólares por ano. Por tal motivo, as partes acordaram que a propriedade do negócio seria dividida em partes iguais. Certamente essa divisão de propriedade não estava relacionada com as operações mundiais do Grupo Caimi, que tem por matriz o Chile (CAIMI SA) e atua, também, na Argentina, no Brasil, no Peru, na Colômbia, no México e na China ( http://www.caimi.cl), mas sim às atividades desenvolvidas no Brasil, atividades essas operacionalizadas grandemente por meio de Severino Oppelt. Lembro, por oportuno, que foi Severino Oppelt quem representou a CAIMI SA (chilena) quando da constituição da CAIMI DO BRASIL em 14/5/2001 (fls. 299 a 304). As operações que se sucederam, com a criação da CAIMI & LIAISON, confirmam que o pacto referiase à operação desenvolvida no território nacional. Além disso, o documento em questão faz referência ao estudo da melhor alternativa para a união dos empreendimentos, se uma fusão, uma incorporação ou outra modalidade. Tal disposição, diante do contexto do negócio, referese à CAIMI DO BRASIL e à LIAISON, ou seja, a fusão de ambas ou a incorporação de uma pela outra. Nessa segunda hipótese, o mais provável seria a incorporação da LIAISON pela CAIMI DO BRASIL, tendo em vista que a segunda era maior (o patrimônio líquido da LIAISON foi negativo em 31/12/2003 fl. 463), detinha o parque industrial e estava localizada no mesmo endereço onde hoje está sediada a impugnante. O gerente dos negócios da do Grupo Caimi no Brasil foi, desde o início, Severino Oppelt (fl. 301), seria ele o gerente geral dos negócios reajustados segundo a "Acta de Intenciones" (fl. 717) e, mais adiante, ele foi eleito Diretor Geral da impugnante, representante maior da sociedade (fls. 152 e 153). Assim, diante dessa prova irrefutável, sou forçado a concordar com o lançador, complementando, apenas, que o objetivo era a fusão das duas contratantes ou a incorporação de uma pela outra. A complexa e anômala operação engendrada teve o objetivo de chegar ao mesmo ponto que seria obtido com a fusão ou a Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.881 14 incorporação diretamente entre CAIMI DO BRASIL e LIAISON, colhendo, adicionalmente, a redução de encargos tributários. O vasto acervo indiciário colhido nesse sentido é prova que restou reforçada pela prova direta oferecida pelo impugnante ("Acta de Intenciones")." Portanto, a "Acta de Intenciones" revela que a real intenção das partes sempre foi a fusão (ou a incorporação de uma pela outra) das duas empresas (LIAISON e CAIMI DO BRASIL). Todavia, por vislumbrar a possibilidade de alcançar vantagem fiscal, por meio da amortização do "ágio", foram utilizadas as formas jurídicas desconexas detalhadas no presente Relatório. 10 O "PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO" INTENTADO PELA FISCALIZADA E A IRREGULARIDADE FISCAL DETECTADA PELA FISCALIZAÇÃO A partir dos documentos analisados, formamos convicção de que a LIAISON e a CAIMI BRASIL pretenderam como de fato o fizeram a fusão das duas empresas (ou a incorporação de uma empresa pela outra). Para a sua implementação, utilizaramse de "planejamento tributário" constituído por diversos eventos societários, descritos nos itens anteriores deste Relatório, gerando, internamente, ágio superior a R$ 24.000.000,00, sem que houvesse qualquer fluxo financeiro associado a estas "operações". Posteriormente, a amortização deste ágio, reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa fiscalizada (CAIMI & LIAISON). Todo o "planejamento tributário" adotado está baseado no disposto no art. 7° da Lei n° 9.532/97 e no art. 36 da Lei n° 10.637/02. O primeiro destes dispositivos (art. 7° da Lei n° 9.532/97) estabelece que a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detinha participação societária, em virtude de incorporação, poderá deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a amortização de ágio pago na aquisição do investimento, desde que decorrente da expectativa de rentabilidade futura. Para isso, quando da sua constituição, a CAIMI & LIAISON recebeu, a título de integralização do capital social, participações societárias nas empresas LIAISON e CAIMI BRASIL. Tais participações societárias foram "adquiridas" pela CAIMI & LIAISON por um montante superior a nove vezes o valor patrimonial dos investimentos "adquiridos", gerando um "ágio" superior a R$ 24.000.000,00, ou seja, superior a 700% do valor patrimonial dos investimentos adquiridos. Para completar o "planejamento tributário", antes mesmo de iniciar suas atividades operacionais, a CAIMI & LIAISON "incorpora" as duas empresas (LIAISON e CAIMI BRASIL), passando a amortizar o "ágio" para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O outro dispositivo legal em que se baseou o "planejamento tributário" é o art. 36 da Lei n° 10.637/02 que autoriza o diferimento da tributação, para fins de IRPJ e da CSLL, do ganho de capital na cessão de participações societárias a título de integralização do capital social. Com base neste dispositivo, a JOFECRED e a CAIMI CHILE, sócias das empresas LIAISON e CAIMI BRASIL, respectivamente, deixam de tributar (IRPJ e CSLL) o expressivo ganho de capital obtido na cessão destas participações societárias para a CAIMI & LIAISON. Tal ganho de capital somente se sujeitaria à tributação no momento em que a JOFECRED e a CAIMI CHILE alienassem a participação que passaram a ter na CAIMI & LIAISON. Todavia, na análise dos documentos apresentados no curso da ação fiscal, constatamos a existência de indícios que permitem formar convicção de que os eventos societários não ocorreram nas datas e na forma referenciada nos contratos sociais e alterações de contratos sociais apresentados pela fiscalizada. Destacamos os fatos que nos levaram a tal conclusão: a) A JOFECRED "adquire", em 27/12/2004, 95,65% do capital social da LIAISON por R$ 110.000,00; Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.882 15 b) Dois dias após, em 29/12/2004, esta participação societária é "vendida"por R$ 14.000.000,00 para CAIMI & LIAISON. Portanto, em dois dias, a participação societária valorizou mais de 12.000%; c) O restante do capital social da LIAISON (4,35%) é "adquirido"pela CAIMI & LIAISON do sócio Severino por R$ 1,00. Nesta operação, a CAIMI & LIAISON escriturou deságio de R$ 25.204,04. d) A Contabilidade das empresas envolvidas demonstra que as operações não aconteceram nas datas que constam dos instrumentos societários, tendo em vista que: A LIAISON somente escriturou o aumento de capital social de R$ 5.000,00, que teria ocorrido em 28/12/2004, em 11 de março de 2005; A LIAISON somente escriturou a alienação de participação societária que detinha junto a CAIMI BRASIL, que teria ocorrido em 15/01/2005, em 30 de abril de 2005; A JOFECRED somente contabiliza o aumento do seu capital e a "aquisição" do investimento em LIAISON, que teriam ocorrido em 28/12/2004, em abril de 2005, tendo inclusive, providenciado "a reabertura dos saldos contábeis do ano de 2004", para registrar tais operações. e) A constituição da CAIMI & LIAISON e a "aquisição" das participações societárias na LIAISON e na CAIMI BRASIL se deu em 29/12/2004, um dia antes da edição da MP n° 232, de 30/12/2004, que revogava o art. 36 da Lei n° 10.637/02, no qual se baseia parte do "planejamento tributário". f) A CAIMI CHILE "adquire" de LIAISON, em 15/01/2005, 10% do capital social de CAIMI BRASIL. O valor pago pela "adquirente" foi de R$ 1,00, quando o valor nominal da participação societária "vendida" era de R$ 300.000,00. g) Em 29/12/2004, a CAIMI CHILE "vende" a participação societária na CAIMI BRASIL, por R$ 14.000.000,00, para CAIMI & LIAISON. Destaquese que parte da participação societária (os 10% adquiridos de LIAISON) foi "vendida" antes da sua aquisição (foi "adquirida" em 15/01/2005) e com uma valorização de quase 140.000.000%, tendo em vista que foi "adquirida" por R$ 1,00 e "vendida" por R$ 1.400.000,00. h) Antes de iniciar sua atividade operacional, a CAIMI & LIAISON "incorpora" a CAIMI BRASIL e a LIAISON, passando a desenvolver as atividades que anteriormente eram desenvolvidas por estas, evidenciado que o resultado pretendido sempre foi a fusão destas duas empresas. i) Do Contrato Social da CAIMI & LIAISON consta que o Sr. Renzo Caimi Solari, cidadão chileno, representante da CAIMI SAC, estava de passagem no Brasil na data de constituição da empresa (29/12/2004). Todavia, a Policia Federal informa que, de acordo com registros de entradas e saídas de estrangeiros no Brasil, o Sr. Renzo não estava no Brasil nesta data, indicando que o evento societário não aconteceu em 29/12/2004; j) Do Instrumento Particular de Cessão de Quotas de Capital de Sociedade, com data de 27/12/2004, mediante o qual a LIAISON "vende"para a CAIMI CHILE quotas do capital social da CAIMI BRASIL, consta que o Sr. Renzo Caimi Solari estava de passagem pelo Brasil em 27/12/2004. Todavia, a Policia Federal informa que, de acordo com registros de entradas e saídas de estrangeiros no Brasil, o Sr. Renzo não estava no Brasil nesta data, indicando que a "venda" das quotas não aconteceu em 27/12/2004; k) Também no dia 30/07/2005 o Sr. Renzo não estava no Brasil. Considerando que documentos apresentados pela fiscalizada para comprovar eventos societários (incorporação da CAIMI BRASIL pela CAIMI & LIAISON e extinção da CAIMI BRASIL) indicam a presença do Sr. Renzo no Brasil nesta data, tais documentos não podem ter sido firmados em 30/07/2005; Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.883 16 l) Os laudos para justificar o ágio "pago" pela fiscalizada na "aquisição" das participações societárias em CAIMI BRASIL e LIAISON se basearam em Balanço Patrimonial levantado em 29/12/2004 e teriam sido apresentados pelos peritos nesta mesma data (29/12/2004), indicando terem sido elaborados em um único dia; Todos estes fatos reforçam a nossa convicção de que a vontade real das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON sempre foi a fusão das duas empresas (ou a incorporação de uma delas pela outra), o que poderia ter sido efetivado por meio de um único evento societário. Todavia, por vislumbrar a possibilidade de "gerar" internamente ágio e, posteriormente, utilizar a amortização deste "ágio" para reduzir o seu resultado fiscal (Lucro Real e BC da CSLL), a forma jurídica utilizada foi outra, criandose diversos eventos societários distintos: a) Constituição de uma nova empresa (CAIMI & LIAISON); b) Alteração do quadro societário da LIAISON com o ingresso de sócia pessoa jurídica (JOFECRED); c) "Aquisição" de investimentos em CAIMI BRASIL e LIAISON com "ágio"pela CAIMI & LIAISON; d) Incorporação das empresas CAIMI BRASIL e LIAISON pela CAIMI & LIAISON; e) Extinção de CAIMI BRASIL e LIAISON em função de sua incorporação. Esta foi, portanto, a vontade aparente, materializada por intermédio dos eventos societários acima explicitados. Economicamente existiu uma única operação: a fusão das duas empresas (ou a incorporação de uma empresa pela outra). Mas, por vislumbrar vantagem fiscal, foram utilizadas formas jurídicas desconexas da realidade econômica com o propósito de alcançar a vantagem fiscal pretendida: a amortização do "ágio"." Regularmente cientificados dos autos de infração em 24/09/2013, o contribuinte (fls. 1.477) e o responsável solidário, Sr. Severino Adolfo Oppelt CPF: 266.630.15087, (fls. 1.468, 1.469) apresentaram impugnação em 22/10/13, respectivamente, ao Termo de Sujeição Passiva e aos Autos de Infração. Na análise dos autos, o relator do processo na instância a quo, utilizandose de planilha elaborada pela DRJ/POA por ocasião do julgamento do processo nº 11065.002149/2009 31, contendo relação das alterações societárias engendradas (fls. 1.083) , suas datas, históricos e pessoas que os operacionalizaram, teceu, dentre outras, as seguintes considerações: "a) CAIMI DO BRASIL LTDA, LIAISON COMERCIAL EXPORTADORA EIMPORTADORA LTDA e JOFECRED FOMENTO MERCANTIL LTDA desenvolviam atividades e possuíam quadros societários distintos até dezembro de 2004 (fls. 631, 671 e 697/698); b) Em dezembro de 2004 é iniciada uma complexa reorganização societária que irá culminar na extinção das três sociedades referidas acima e na criação da CAIMI & LIAISON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COURO E SINTÉTICOS LTDA, bem como a geração do ágio contestado; c) Os atos da referida reorganização societária foram operacionalizados pelo mesmo profissional, exceto os relativos à JOFECRED, sendo que esse profissional (Zulmar Neves) iniciou sua atuação justamente quando iniciou a reorganização (antes eram outros profissionais que atuavam); d) No início do processo (27/12/2004), a JOFECRED sofreu radical alteração no seu quadro societário e no seu objeto social, de sorte que seus únicos sócios passaram a ser Severino e Eliane Oppelt e que seu objeto social passou a incluir participações societárias Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.884 17 (antes a sociedade somente se dedicava ao fomento mercantil), bem como foi integralizado aumento de capital por meio da cessão de quotas da LIAISON no valor de R$ 110.000,00 (95,65% do total), por esse mesmo valor; e) A empresa JOFECRED integralizou o capital social da CAIMI & LIAISON no valor de R$ 14.000.000,00 mediante transferência da quota de R$ 110.000,00 da LIAISON (fls. 452/453), sendo que, mais adiante, Severino Oppelt cedeu sua quota de R$ 5.000,00 no capital da LIAISON para a CAIMI & LIAISON por esse mesmo valor de R$ 5.000,00 (fl. 756). A CAIMI & LIAISON, então, passou a ser a única detentora de quotas de capital da LIAISON; f) A empresa LIAISON cedeu sua quota de R$ 300.000,00 no capital da CAIMI DO BRASIL para a CAIMI SAC (Chile) pelo valor de R$ 1,00 (fls. 822/823). CAIMI SAC (Chile) passou a ser a única detentora de quotas de capital da CAIMI DO BRASIL; g) A pessoa jurídica CAIMI SAC (Chile) integralizou o capital social da CAIMI & LIAISON no valor de R$ 14.000.000,00 mediante transferência da quota de R$ 3.000.000,00 da CAIMI DO BRASIL (fl. 452), sendo que a CAIMI SAC (Chile), então, passou a ser a única detentora de quotas de capital da CAIMI DO BRASIL;" Ao fim, o relator do acórdão recorrido concluiu que houve a prática de atos simulados objetivando a redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, nos seguintes termos: "57. Dos elementos acima indicados salta aos olhos que a transferência das quotas do capital social da LIAISON e da CAIMI DO BRASIL para, respectivamente, JOFECRED e CAIMI SAC (Chile) se deram por valores completamente díspares daqueles que foram praticados quando da integralização do capital da CAIMI & LIAISON. Tais operações ocorreram em momentos distintos, mas muito próximos. Isso não encontra justificativa plausível. Por qual motivo JOFECRED e CAIMI SAC (Chile) foram aquinhoadas com valores expressivamente maiores pelas quotas da LIAISON e da CAIMI DO BRASIL do que, respectivamente, Severino Oppelt e LIAISON em momentos contíguos? 58. Indubitavelmente temos aqui um forte indício de que ou os valores lançados nos documentos são irreais, ou o objetivo das operações é outro que não a simples integralização de capital ou cessão de quotas. Tenho aqui, portanto, um indício de que os documentos contenham declarações não verdadeiras, nos termos do inciso II do § 1° do art. 167 do Código Civil. 59. Não bastasse isso, chama atenção a radical alteração de rumo na atuação da JOFECRED, que prestouse, na operação societária como um todo, como veículo da transferência das quotas da LIAISON para a CAIMI & LIAISON. Cabível salientar, nesse passo, que sem a participação da JOFECRED como intermediária das quotas da LIAISON para a CAIMI & LIAISON não seria possível a transferência das quotas da LIAISON para a CAIMI & LIAISON sem que houvesse o pagamento de imposto de renda pelas pessoas físicas que anteriormente detinham aquelas quotas. 60. Cabível esclarecer que, tivessem os originais sócios da LIAISON (Severino e Eliane Oppelt) lançado mão de suas quotas para integralizar capital na CAIMI & LIAISON pelo valor de R$ 14.000.000,00, teria havido a exigência de imposto de renda a título de ganho de capital, tendo em vista o disposto no art. 3°, §§ 2° e 3°, da Lei n° 7.713, de 1988. Como tais quotas foram transferidas pela JOFECRED para a CAIMI & LIAISON a título de integralização de capital, não houve a incidência de IRPJ e CSLL em função da exceção prevista no art. 36 da Lei n° 10.637, de 2002. Esse o motivo pelo qual as pessoas físicas Severino e Eliane Oppelt cederam as quotas da LIAISON para a JOFECRED pelo valor de custo (R$ 110.000,00) em 27/12/2004, enquanto a transferência das mesmas quotas da Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.885 18 JOFECRED para a CAIMI & LIAISON, em 29/12/2004, se deu pelo valor de R$ 14.000.000,00. 61. O tempo de permanência das quotas sob a titularidade da JOFECRED é fantasticamente exíguo (dois dias). Tenho aqui, portanto, um indício de que os negócios (transferência de quotas da LIAISON para JOFECRED) aparentaram conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas (JOFECRED) daquelas às quais realmente se conferem (CAIMI & LIAISON), nos termos do inciso I do § 1° do art. 167 do Código Civil. 62. Quanto ao previsto no inciso III do § 1° do art. 167 do Código Civil ("os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados"), diversos são os indícios de que isso tenha ocorrido. 63. A Fiscalização buscou elementos perante a Polícia Federal Brasileira e a Policia de Investigaciones de Chile que não acusam a presença do Sr. Renzo Caimi Solari nos dias 27/12/2004, 29/12/2004 e 30/07/2005. Nesses dias o Sr. Renzo Caimi Solari teria participado de atos societários realizados no Brasil e fundamentais na conjuntura da reorganização societária. Segundo a Polícia Federal Brasileira, o representante da CAIMI SAC (Chile) esteve no Brasil até 22/10/2004 e somente retornou em 26/01/2005, não estando no Brasil nos dias 27/12/2004 e 29/12/2004 (fl. 838). Relativamente a 30/07/2005, ocorre o mesmo, pois o Sr. Renzo Caimi Solari havia saído do Brasil em 29/07/2005 e somente retornou em 02/10/2005 (fl. 838). A informação policial chilena é lacunosa, informando saída do Chile para o Brasil em 07/11/2004, sem informar o retorno (fl. 886). 64. Constatase, entretanto, que as viagens do Sr. Renzo Caimi Solari ao Brasil eram rápidas, de tal forma que a presença dele até os dias 27/12/2004 e 29/12/2004 seria algo inusitado. Relativamente ao dia 30/07/2005, a informação chilena corrobora a informação brasileira (fl. 886). Dessa forma, é possível concluir, pelos fortes indícios colhidos, que o Sr. Renzo Caimi Solari não estava no Brasil quando LIAISON cedeu suas quotas na CAIMI DO BRASIL para a CAIMI SAC (Chile) (fls 747/748), quando da constituição da CAIMI & LIAISON (fls 451 a 459) e quando da incorporação da CAIMI DO BRASIL pela CAIMI & LIAISON (fls 476 a 478). Tenho aqui, portanto, um indício de que os instrumentos particulares foram antedatados, ou pósdatados, nos termos do inciso III do § 1° do art. 167 do Código Civil. 65. Além disso, os elementos reunidos nos autos demonstram que a contabilidade da JOFECRED foi reaberta relativamente ao ano de 2004 com a finalidade de registrar aumento de capital social através do qual foi adquirida a participação na LIAISON e o controvertido ágio verificado quando da constituição da CAIMI & LIAISON (fls 731 a 739). Isso também é um indício de que os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados, nos termos do inciso III do § 1° do art. 167 do Código Civil. 66. Na mesma linha, o pagamento relativo aos honorários dos profissionais que prepararam os laudos de avaliação que sustentam os ágios verificados quando da constituição da CAIMI & LIAISON foi efetuado quase um ano após a referida constituição. Isso, em que pese possível, é, no mínimo, incomum e não habitual, importando um indício nos termos do inciso III do § 1° do art. 167 do Código Civil. [...] 70. Além de todos os indícios acima referidos, consta dos autos um documento denominado de "Acta de intenciones" (fls 1042 a 1045), ou pacto de intenções, firmado em 29 de abril de 2004 (anterior ao início das operações simuladas), pela CAIMI SAC (Chile) e pela Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.886 19 LIAISON, através do qual se verifica a intenção de se unirem em nova sociedade que seria dividida em partes iguais, o que poderia se dar através de uma fusão, de uma incorporação ou outra operação (fl. 1044). 71. Cabe ressaltar que no referido documento não consta a possibilidade da participação da JOFECRED, que, àquele tempo, trabalhava exclusivamente com fomento mercantil e contava com terceiros em seu quadro social. Ademais, a indicação de que a propriedade da nova sociedade seria dividida em parte iguais (50% para cada uma fl. 1044) é outro elemento fundamental. Desse modo, concluise que antes da realização das avaliações, os futuros sócios já tinham a precisa noção de que os laudos indicariam valores bastante próximos para as duas sociedades em processo de união (fls. 774 e 786). 72. Assim, entendo que esse documento configura prova direta e cabal das conclusões expendidas, pois justamente caracteriza a clara intenção de união das empresas CAIMI SAC (Chile) e LIAISON, reforçando a conclusão baseada nos indícios já comentados." Em julgamento realizado em 14/03/2014, a 1ª Turma da DRJ/CTA prolatou o acórdão 06045.579, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 SIMULAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO E AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário, bem como prova direta da intenção do agente, cabível a desconsideração dos efeitos dos atos viciados e a conseqüente exigência dos tributos faltantes. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de as obrigações tributárias que resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, porquanto participaram diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CONTRADITÓRIO DURANTE A AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O contraditório e a ampla defesa podem ser exercidos após a ciência da autuação, mas não antes dela. A fase investigativa é de cunho inquisitorial. Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.887 20 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Como os fatos retratados não deixam dúvida da intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe manter a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante.Impugnação Procedente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificados, o responsável em 03/04/2014 (fls. 1.799) e o contribuinte em 10/04/2014 (fls. 1.794), do resultado do julgamento, apresentaram em 30/04/2014, o recurso voluntário de fls. 1801 a 1850 alegando, em princípio: Inadequada análise dos fatos e do direito deduzidos nos autos, além de atribuição do cometimento de ilícitos tendo por fundamento unicamente indícios; que os ditos planejamentos tributários merecem uma análise particular dentro de seu contexto específico; que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e o Poder Judiciário, em inúmeros casos, qualificados como de "planejamento tributário", têm, reiteradamente, assentado que a utilização de meios lícitos e legítimos que resultem em menor incidência de tributos, qualificada como planejamento tributário, apresentase lícito, cabendo unicamente ao Fisco glosar ou impugnar a operação, caso confirmado o abuso de forma; que o julgador de primeiro grau se amparou unicamente em indícios para concluir pela ocorrência da simulação. Em sequencia, tece os seguintes comentários sobre as conclusões do relator da decisão recorrida, a partir dos eventos descritos na planilha de fl.1083: Evento a): LIAISON, JOFECRED e CAIMI DO BRASIL efetivamente possuíam atividades operacionais diferentes, mas, diferentemente do que afirma o Julgador, exceto a CAIMI DO BRASIL, que tinha a CAIMI SA (Chile) como sócia majoritária, as demais (JOFECRED e LIAISON) pertenciam ao mesmo sócio majoritário, qual seja o Sr. Severino Oppelt; Evento b): Não é verdade que as três sociedades (LIAISON, CAIMI DO BRASIL e JOFECRED) foram extintas ao final do processo de reorganização societária, para subsistir apenas a nova sociedade CAIMI & LIAISON, visto que a JOFECRED não foi extinta; Evento c): As alterações societárias anteriores a dezembro de 2004 foram, sim, promovidas por outros profissionais (empresa de contabilidade, advogados, etc), mas aquelas relacionadas exclusivamente à reorganização societária, pela sua relevância e importância, requereu a participação de um único profissional, eis que não faria sentido algum utilizar os antigos profissionais em tal mister , muitos dos quais nem mais prestavam serviços às empresas objeto da reorganização societária; Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.888 21 Evento d): O fato de ter havido mudança no objeto social da JOFECRED não merece qualquer censura ou estranheza, posto que a JOFECRED foi eleita pelo Sr. Severino (sócio majoritário da JOFECRED) para concentrar seus investimentos societários e, dessa forma, abrigar a participação majoritária que o Sr. Severino possuía no capital social da LIAISON. Destacou ainda que não houve, como afirma o Julgador, radical alteração no quadro societário da JOFECRED; Eventos e), f) e g): Nada há a censurar, já que os atos societários foram praticados em consonância com as normas legais aplicáveis. Defende que, nas operações de transferência e cessão de quotas não ocorreu nenhuma espetacular valorização da LIAISON, apenas foram adotados parâmetros de avaliação diferentes em cada uma das integralizações. Quando da cessão das quotas da LIAISON à JOFECRED em integralização de capital desta, as quotas foram cedidas pelo valor de custo, haja vista que à época, os sócios da LIAISON e JOFECRED eram os mesmos. Diferentemente, quando a JOFECRED cedeu as quotas da LIAISON à CAIMI & LIAISON, as quotas foram cedidas pelo valor de mercado, com base em laudo de avaliação econômicofinanceira, porque na sociedade que se constituiu (CAIMI & LIAISON), a JOFECRED integralizou 50% do capital social e a CAIMI CHILE os outros 50%. Reitera seu inconformismo de que meros indícios, sem maior investigação e muito menos comprovação, não satisfazem o comando contido no inciso II do §1° do artigo 167 do Código Civil, e aduz que não foram questionados os resultados apurados pelo laudo de avaliação que fundamentou o ágio. Alega que se tivesse havido a efetiva ação fiscal restariam comprovadas seus resultados e cairiam por terra os fundamentos que sustentam a autuação. Relativamente às afirmações constantes do Relatório Fiscal, de que na transferência de quotas da LIAISON para a JOFECRED , teria afastado a incidência do imposto de renda a título de ganho de capital nas pessoas físicas dos sócios, registrou que: A JOFECRED não foi utilizada como veículo para elidir a tributação nas pessoas físicas (Severino, sócio majoritário, e Eliane Opelt, sócia minoritária), pois a utilização da JOFECRED se deu em face de uma verdadeira organização societária das participações societárias das pessoas físicas, como providência prévia à associação que foi levada a efeito com a CAIMI SAC (Grupo chileno); O verdadeiro objetivo societário e empresarial seria a concentração das participações societárias das pessoas físicas em uma única sociedade, a JOFECRED; Equivoca também o julgador ao afirmar que não houve incidência de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital apurado pela JOFECRED, já que o tributo sobre o referido ganho de capital ficou diferido para ser pago no futuro, conforme autoriza o art. 36 da Lei n° 10.637/2002. Opõese às conclusões do julgador de que o curto período de permanência das quotas da LIAISON no ativo da JOFECRED não se presta como prova de que o Sr. Severino Oppelt teria transferido as quotas da LIAISON à CAIMI & LIAISON ao invés de têlas feito à JOFECRED, em face da inexistência de previsão legal que defina a ocorrência ou não de simulação com base no tempo decorrido entre duas transações. Prossegue, defendendose nos seguintes termos: Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.889 22 A informação da polícia chilena, que serviria de prova de que o Sr. Renzo não estaria no Brasil nas datas indicadas, é falha e lacunosa; A "Acta de Intenciones" previa que a gestão da nova sociedade a ser formada seria dividida em partes iguais e, portanto, as operações posteriormente realizadas, simplesmente a corroboraram; Nega que os futuros sócios tinham a precisa noção de que os laudos indicariam valores bastante próximos, tanto que, foi apurada uma diferença de R$ 2.231.750,00 entre as duas avaliações; Quanto às inconsistência de datas dos eventos societários e registros contábeis, defende que os registros contábeis, naquilo que se refutou importante, refletiram os eventos e alterações societárias ocorridas; Refuta os questionamentos da fiscalização acerca utilização tanto de valores de custo quanto de mercado nas transferências de quotas, afirmando que nas participações minoritárias as partes elegeram o valor de custo, estando legalmente amparadas. Já na integralização de quotas da CAIMI & LIAISON utilizaram o valor de mercado, por ser este o critério que melhor reflete o valor dos bens; Os instrumentos particulares têm presunção de legitimidade, descabendo a sua desconsideração, a menos que se prove o contrário, o que não fez o fiscal nem o julgador. Incabível também questionar a validade contra terceiros somente após a chancela dada pelo Registro de Comércio (JUCERGS); Sobre a controvertida alienação da participação da LIAISON no capital social da CAIMI DO BRASIL, equivalente a 10% e com valor de R$ 300.000,00, para a CAIMI CHILE ter se dado por R$ 1,00, com posterior integralização dessa mesma parcela por R$ 1.400.000,00 no capital social da CAIMI & LIASON, entende ser irrelevante e totalmente sem sentido a ilação levantada pelo fiscal; Dizer que os autores do laudo, já em 29/12/2004, tinham conhecimento de um novo contrato de representação que somente foi firmado em 01/08/2005 é desconhecer a técnica de elaboração de laudos de avaliação do valor de mercado de uma empresa pelo Método do Fluxo de Caixa Descontado MFCD (avaliação econômicofinanceira); A apuração do valor de uma determinada empresa, na "perpetuidade", é uma das formas utilizadas para a apuração do valor residual da empresa objeto da avaliação econômico financeira, o qual se soma posteriormente ao valor dos fluxos de caixa futuros e, eventualmente, ao valor de liquidação, para que se possa definir o valor econômicofinanceiro da empresa avaliada. Esperase que uma empresa, diferentemente de seus projetos, tenha vida indeterminada ou infinita; O valor de mercado das empresas apontado nos laudos de avaliação foram razoáveis e se confirmaram na prática, tendo em vista que os lucros projetados nos laudos se mostraram muito próximos daqueles que de fato se verificaram na prática. Para comprovação apresenta quadro comparativo entre o resultado realizado e o projetado nos laudos; Seguindo à risca as disposições do art. 14, § 2º, alínea "a", da Instrução CVM 247/96, amortizou o ágio no prazo de 5 (cinco) anos, na extensão e proporção dos resultados projetados e revisados. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.890 23 A discussão quanto ao período de vigência do art. 36 da Lei n° 10.637, de 2002, perde o sentido à vista de que nenhuma simulação ou ilegalidade foi cometida, não tendo o agente fiscal ou o julgador, em todo o procedimento, demonstrado ou provado algo nesse sentido. Repisa a falta de comprovação dos fatos tidos como simulados e alega que o lançamento e a decisão fundamentaramse unicamente em indícios sem investigação e comprovação. Cita doutrina para sustentar a imprescindibilidade da investigação dos indícios, os quais não se bastam em si, não se constituindo como meio prova, mas mero ponto de partida da indispensável averiguação de sua veracidade. Rechaça a imputação da responsabilidade solidária ao sócio Sr. Severino Oppelt afirmando que, tanto o relatório da fiscalização quanto a decisão recorrida não identificaram elementos capazes de demonstrar a suposta participação do sócio no ato que supostamente deu causa à alegada prática do ilícito. Acrescenta que constituise clara violação de direitos fundamentais do cidadão, previstos no art. 5º, incisos LIV, LV e LVII da Constituição Federal, a manutenção da atribuição de responsabilidade solidária por débito tributário, na medida em que foi a ele vedado o contraditório e a ampla defesa e, por fim, mas não menos relevante, foi considerado culpado, de forma liminar, sem que houvesse contra ele qualquer prova ou sequer indício de participação no ato tido por ilícito. Contesta a aplicação da multa qualificada de 150% sob o pressuposto da existência de simulação, porém, em nenhum momento há qualquer passagem demonstrando ou identificando tal simulação. Assim, pelo fato da fiscalização e da decisão recorrida não terem sequer indicado o ato ou ação que possibilitaram concluir pela simulação, não foi possível apresentar defesa adequada. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente ressalto que, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário ora apreciado, o contribuinte e o responsável solidário não contestaram os cálculos da apuração do IRPJ e da CSLL efetuados pela fiscalização, inclusive a multa isolada de 50% e a compensação indevida de prejuízos fiscais e saldo negativo de CSLL. Ambos os recorrentes limitaramse a defender a regularidade das operações societárias efetuadas pela empresa. Assim, referidas matérias foram consideradas incontroversas. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO A autoridade fiscal, após análise dos documentos obtidos no curso da ação fiscal, formou a convicção de que a LIAISON e a CAIMI BRASIL, pretendiam, como de fato fizeram, a fusão das duas empresas ou a incorporação de uma empresa pela outra. Afirma que poderiam ter feito um único evento societário, entretanto, vislumbrando a possibilidade de criar internamente um ágio e, posteriormente, amortizálo, efetuaram diversos eventos societários. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.891 24 O juízo a quo, ao analisar os atos societários que documentavam a reorganização societária, o vasto acervo indiciário trazido aos autos pela fiscalização, bem assim, a prova direta da intenção do agente, concluiu pela existência de simulação mediante o enquadramento artificial dos negócios jurídicos do contribuinte aos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Para o deslinde da questão, passo a analisar o direito à amortização do ágio estabelecido pelo art. 7ª da Lei nº 9.532/92. O art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, ao tratar das aquisições de participações societárias em coligadas e controladas avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, assim dispôs: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Verificase, portanto, que o ágio deve ser motivado e ter como fundamento econômico uma das hipóteses acima estabelecidas: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. No caso dos autos, o ágio teve como fundamento a expectativa de rentabilidade futura. Este tipo de ágio ocorre nos casos em que o adquirente se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao patrimônio líquido contabilizado pela investida, em razão dos lucros esperados a serem por ela auferidos. Regra geral, este tipo de ágio contabilizado na investidora, para fins fiscais, não é dedutível na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL. Isto ocorre porque o ágio decorre de lucros a serem auferidos pela investida e que serão nela tributados. A investidora deve registrar a repercussão de tais lucros em sua contabilidade pelo método de equivalência patrimonial, cujos Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.892 25 ajustes não são computados na apuração do lucro real, nos termos dos art. 21, 22 e 23 do Decreto Lei nº 1.598/77: Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: [...] Art 22 O valor do investimento na data do balanço (art. 20, I), depois de registrada a correção monetária do exercício (art. 39), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo 21, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. [...] Art. 23 A contrapartida do ajuste de que trata o artigo 22, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). O investimento adquirido com ágio pode ser alienado ou liquidado e, nesses casos, as amortizações de ágio devem ser computadas na apuração do lucro . Para tanto, as amortizações de ágio e deságio que, regra geral, devem ser excluídas ou adicionadas na apuração do lucro real e controladas na parte B do LALUR , serão acrescidas ao custo de aquisição para apuração do ganho de capital. Assim dispõe os art. 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77: Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decreto lei nº 1.730, 1979)(Vigência) [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) III ágio ou deságio na aquisição do investimento com fundamento nas letras b e c do § 2º do artigo 20, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; (Revogado pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.893 26 IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) Já nos casos de reorganização societária, em que a investidora absorve o patrimônio da investidora ou viceversa, adquirido com ágio/deságio, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, o art. 7º da Lei nº 9.532/97, assim disciplina o tratamento fiscal do ágio: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.894 27 ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Desta forma, o direito à amortização surge após a confusão patrimonial entre investidora e investida, em que uma absorve o patrimônio da outra, e o lucro e o investimento que lhe deu causa se concentram na mesma pessoa jurídica. Assim, a pessoa jurídica que adquiriu o investimento com ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros obtidos nesse investimento, e, em contrapartida, adquire o direito à amortização do ágio. Analisando o ágio decorrente da subscrição de capital na recorrente pela JOFECRED e CAIMI CHILE , mediante a transferência de ações da CAIMI BRASIL e LIAISON, de propriedade das subscritoras, verifiquei que o ágio foi gerado sem que houvesse o dispêndio de qualquer recurso, ou seja, não houve a circulação de nenhuma espécie de riqueza que justificasse a sua existência. Tal assertiva decorre do fato de que ao final dos eventos de reorganização, os investimentos na CAIMI BRASIL e na LIAISON foram incorporados pela recorrente, pessoa jurídica controlada conjuntamente pelo Sr. Severino Adolfo Oppelt (controle indireto através da JOFECRED) e pela CAIMI CHILE, ou seja, exatamente as mesmas pessoas que controlavam a CAIMI BRASIL e a LIAISON antes da subscrição, porém sem o ágio . O direito à amortização surge nos casos de reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio e não naquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o objetivo de criar despesas dedutíveis. Outro ponto a se destacar é a falta de independência entre as partes envolvidas, requisito a ser analisado nos casos de ágios decorrentes de reorganizações societárias. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu Pronunciamento Técnico CPC 05, ao tratar da divulgação sobres partes relacionadas demonstrações contábeis, assim definiu o que seriam partes relacionadas: Parte relacionada é a pessoa ou a entidade que está relacionada com a entidade que está elaborando suas demonstrações contábeis (neste Pronunciamento Técnico, tratada como “entidade que reporta a informação”). (a) Uma pessoa, ou um membro próximo de sua família, está relacionada com a entidade que reporta a informação se: (i) tiver o controle pleno ou compartilhado da entidade que reporta a informação; Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.895 28 (ii) tiver influência significativa sobre a entidade que reporta a informação; (iii) for membro do pessoal chave da administração da entidade que reporta a informação ou da controladora da entidade que reporta a informação. (b) Uma entidade está relacionada com a entidade que reporta a informação se qualquer das condições abaixo for observada: (i) a entidade e a entidade que reporta a informação são membros do mesmo grupo econômico (o que significa dizer que a controladora e cada controlada são interrelacionadas,bem como as entidades sob controle comum são relacionadas entre si); (ii) a entidade é coligada ou controlada em conjunto (joint venture) de outra entidade (ou coligada ou controlada em conjunto de entidade membro de grupo econômico do qual a outra entidade é membro); (iii) ambas as entidades estão sob o controle conjunto (joint ventures) de uma terceira entidade; (iv) uma entidade está sob o controle conjunto (joint venture) de uma terceira entidade e a outra entidade for coligada dessa terceira entidade; (v) a entidade é um plano de benefício pósemprego cujos beneficiários são os empregados de ambas as entidades, a que reporta a informação e a que está relacionada com a que reporta a informação. Se a entidade que reporta a informação for ela própria um plano de benefício pósemprego, os empregados que contribuem com a mesma serão também considerados partes relacionadas com a entidade que reporta a informação; (vi) a entidade é controlada, de modo pleno ou sob controle conjunto, por uma pessoa identificada na letra (a); (vii) uma pessoa identificada na letra (a)(i) tem influência significativa sobre a entidade, ou for membro do pessoal chave da administração da entidade (ou de controladora da entidade); (viii) a entidade, ou qualquer membro de grupo do qual ela faz parte, fornece serviços de pessoalchave da administração da entidade que reporta ou à controladora da entidade que reporta. A cronologia das operações demonstra o grau de relacionamento entre as envolvidas: (i) em 14/05/2001 foi constituída a empresa CAIMI DO BRASIL LTDA., tendo como únicas sócias: CAIMI CHILE com 90% do capital social (R$ 900.000,00) e Liaison Comercial Exportadora e Importadora Ltda. com 10% do capital social (R$ 100.000,00); (ii) em 29/12/2004 foi constituída a empresa recorrente, tendo como únicas sócias CAIMI CHILE e JOFRECRED; Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.896 29 (iii) em 29/12/2004 foi integralizado capital da recorrente através de participações societárias em CAIMI BRASIL e LIAISON, com expressivos ágios, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura; (iv) em 15/01/2005, a sócia LIAISON cede para CAIMI CHILE a totalidade das suas quotas na CAIMI BRASIL; (v) em 30/07/2005, a CAIMI CHILE retirase da sociedade CAIMI BRASIL cedendo as suas quotas para CAIMI & LIAISON (recorrente) que passa a ser a única sócia; (vi) em 30/07/2005, a CAIMI BRASIL é extinta em função de sua incorporação pela CAIMI & LIAISON (recorrente). Por outro lado, a recorrente também adquiriu participações da empresa LIAISON constituída, majoritariamente, pelo capital de sua outra sócia JOFECRED. A cronologia das operações demonstra o grau de relacionamento entre as envolvidas: (i) em 30/10/90 na empresa LIAISON ingressa o sócio Sr. Severino Adolfo Oppelt, com 50% de participação no capital social; (ii) em 27/04/99, o Sr. Severino Adolfo Oppelt (99% do capital) e sua esposa Eliane de Fátima da Silva Oppelt (1% do capital social) passam a ser detentores de 100% do capital social da LIAISON. (iii) em 28/12/2004, ocorre alteração contratual para ingresso de JOFECRED Fomento Mercantil Ltda, com 95,65% do capital social (R$ 110.000,00) e Sr. Severino Adolfo Oppelt 4,35% (R$ 5.000,00); (iv) em 30/07/2005, os sócios Severino Adolfo Oppelt e JOFECRED retiram se da sociedade cedendo as suas quotas para CAIMI & LIAISON (Recorrente) que passa a ser a única sócia da LIASON; (v) em 30/07/2005, a LIASON é extinta em função de sua incorporação pela CAIMI & LIAISON (Recorrente). Além da participação indireta na CAIMI BRASIL, por meio LIAISON, o Sr. Severino Adolfo Oppelt, desde o início da CAIMI BRASIL era também o responsável pela administração com poderes para praticar todos os atos necessárias à consecução dos objetivos sociais da empresa Ademais, o mesmo Sr. Severino Adolfo Oppelt representava a CAIMI CHILE e a LIAISON nos instrumentos de alteração contratual da CAIMI BRASIL, o que vem a reforçar o vínculo entre as envolvidas nas operações de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio indevidamente amortizado. Feitas estas considerações, passo para a questão principal da lide e que reside na ocorrência ou não de simulação, nos termos do art. 167 da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil), que assim dispõe: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.897 30 § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2° Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." O recorrente alega na peça recursal que o lançamento e a decisão fundamentaram se unicamente em indícios sem investigação e comprovação. Analisando as provas trazidas aos autos, firmei convicção de que não assiste razão à recorrente. Ao contrário do que sustenta, os indícios possuem alta relevância na formação da convicção daquele que aprecia casos de simulação, e têm como origem a investigação dos fatos ocorridos pela fiscalização. De início, mister se faz comentar sobre a força probatória dos indícios. Sabese que os indícios e presunções têm naturezas jurídicas de provas. O indícios são substratos fáticos para construção das presunções, as quais, de acordo como o art. 212 do Código Civil, são meios de prova. Darci Guimarães Ribeiro ( Provas Atípicas, Porto Alegre. Livraria do Advogado , 1998, p. 103), mestre em Direito Processual Civil, ensina : Nas presumptiones hominis, também conhecidas por simples, comuns ou de homem, e que, para os criminalistas, chamamse indícios e, para os ingleses, denominamse circunstâncias, o raciocínio dedutivo é feito pelo homem. Aqui, o legislador não quis legalmente presumir o fato desconhecido, deixando, em especial, ao juiz fazer o raciocínio necessário, a fim de chegar à descoberta do fato desconhecido, utilizando a experiência comum ou técnica, a fim de obter o convencimento necessário. [... ] Enquanto as presunções legais servem para dar segurança a certas situações de ordem social, política, familiar e patrimonial, as presunções feitas pelo homemjuiz cumprem uma função exclusivamente processual, porque estão diretamente ligadas ao princípio da persuasão racional da prova, contido no art. 131 do CPC. [... ] Seu campo de atuação é vastíssimo, tanto no processo civil quanto no processo penal, máxime para apreender os conceitos de simulação, dolo, fraude, máfé, boafé, intenção de doar, pessoa honesta, etc. Paulo Celso B. Bonilha (Da prova no Processo Administrativo Tributário, Dialética, São Paulo, 1997, p. 92) assim se manifesta sobre as provas: Sob o critério do objeto, nós vimos que as provas dividemse em diretas e indiretas. As primeiras fornecem ao julgador a idéia objetiva do fato probando. As indiretas ou críticas, como as denomina CARNELUTTI, referemse a outro fato que não o probando e que com este se relaciona, chegandose ao conhecimento do fato por provar através de trabalho de raciocínio que toma por base o fato conhecido. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.898 31 Tratase, assim, de conhecimento indireto, baseado no conhecimento objetivo do fato base, "factum probatum", que leva à percepção do fato por provar ("factum probandum"), por obra do raciocínio e da experiência do julgador. Dessa forma, verificase que os indícios são os fatos conhecidos que embasam a construção da prova. No caso concreto, o relatório da fiscalização demonstrou de forma inequívoca uma série de fatos que caracterizam as hipóteses de simulação previstas em lei. Peço vênia para reproduzir trecho do voto condutor do acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/1ª Seção deste Colegiado, por ocasião do julgamento do processo 11065.002149/200931, haja vista a identidade fática dos autos, bem assim, a precisa identificação e adequação dos indícios às hipóteses de simulação previstas na lei: Do exame dos elementos dos autos, verificase uma gama de indícios a caracterizar as hipóteses de simulação previstas na lei, corroborando a conclusão do relator a quo, como se demonstrará a seguir: (i) indícios de que os negócios aparentaram conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, nos termos do inciso I do § 1° do art. 167 do Código Civil: a JOFECRED prestouse, na operação societária como um todo, como veículo da transferência das quotas da LIAISON para a CAIMI & LIAISON, pois sem essa participação, os sócios pessoas físicas anteriores deveriam pagar IRPJ sobre o ganho de capital, tendo em vista o disposto no art. 3°, §§ 2° e 3°, da Lei n° 7.713, de 1988; As quotas da LIAISON foram transferidas pela JOFECRED para a CAIMI & LIAISON a título de integralização de capital, sem a incidência de IRPJ e CSLL em função da exceção prevista no art. 36 da Lei n° 10.637, de 2002. Tempo de permanência das quotas sob a titularidade da JOFECRED é muito exíguo (dois dias). (ii) indícios de que os documentos contenham declarações não verdadeiras, nos termos do inciso II do § 1° do art. 167 do Código Civil: a simples integralização de capital ou cessão de quotas, como alega a recorrente ter sido o objetivo das operações embargadas, não precisariam passar pela transferência das quotas do capital social da LIAISON e da CAIMI DO BRASIL para, respectivamente, JOFECRED e CAIMI SA (Chile) em valores muito superiores aos que foram praticados quando da integralização do capital da CAIMI & LIAISON, sendo certo, ainda, que as operações ocorreram em momentos muito próximos, sem qualquer justificativa plausível, enquanto os demais sócios foram remunerados por valores muito inferiores. (iii) indícios de que os instrumentos particulares foram antedatados, ou pósdatados, nos termos do inciso III do § 1° do art. 167 do Código Civil: informações oficiais, buscadas junto à Polícia Federal Brasileira e à Policia de Investigaciones de Chile não acusam a presença do Sr. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.899 32 Renzo Caimi Solari nos dias 27/12/2004, 29/12/2004 e 30/7/2005, e a recorrente não logrou comprovar que esteve presente, como atestavam os instrumentos de integralização e cessão de quotas utilizados na reorganização societária. reabertura da contabilidade da JOFECRED, relativamente ao ano de 2004, com a finalidade de registrar aumento de capital de social através do qual foi adquirida a participação na LIAISON e o controvertido ágio verificado quando da constituição da CAIMI & LIAISON (fls. 407 a 415); pagamento relativo aos honorários dos profissionais que prepararam os laudos de avaliação que sustentam os ágios verificados quando da constituição da CAIMI & LIAISON efetuado quase um ano após a referida constituição. Oportuna ainda a lição de Maria Rita Ferragut, citada no acórdão recorrido, sobre o tema presunções abordado no trabalho "Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 67 , Dialética, São Paulo, 2001, págs. 119 e 120), in verbis: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Corroborando essas teses, a jurisprudência administrativa segue a mesma direção: ÁGIO. SIMULAÇÃO.DEDUTIBILIDADE. Constatada a simulação na criação de ágio, é cabível a glosa da sua dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. (Acórdão nº 1302 000.991, Sessão de 03/10/12) Relevante também observar se a reorganização societária foi implementada ou não com operações estruturadas em sequência. Marco Aurélio Greco, em sua obra Planejamento Tributário (Dialética, São Paulo, 2011, p.462), tratou da importância de se examinálas nos planejamentos tributários: Operação Estruturadas em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.900 33 Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No presente caso, a cronologia dos fatos trazidos aos autos pela fiscalização demonstra, claramente, que a complexa reorganização societária implementada foi estruturada em sequência, e teve o objetivo final de chegar ao mesmo ponto que seria obtido com a fusão ou a incorporação diretamente entre CAIMI DO BRASIL e LIAISON, obtendo, adicionalmente, a diminuição da carga tributária. Além de todas as provas indiretas acima referidas, consta dos autos uma "Acta de Intenciones" (fls. 1042 a 1045), ou pacto de intenções, firmado em 29 de abril de 2004, pela CAIMI CHILE e pela LIAISON, através do qual se verifica a intenção de se unirem em nova sociedade que seria dividida em partes iguais, o que poderia se dar através de uma fusão, de uma incorporação ou outra operação. Como bem observou a fiscalização, ao reproduzir o voto do relator da decisão de primeira instância no processo 11065.002149/200931, o documento configura prova direta e cabal das conclusões da fiscalização, ou seja, neste documento CAIMI CHILE e LIAISON declaram sua intenção de se unirem. A seguir reproduzo parte do relatório da fiscalização que transcreveu referido voto: Diante disso, transcrevemos, a seguir parte do voto do relator "in verbis": "Como muito bem esclarecido por Francisco Ferrara, a simulação escapa a uma prova direta em função de consistir em divergência entre o querer (a intenção) e o declarar (a formalização). É por isso que a prova da simulação, de regra, se dá por meio de indícios. Esse foi o meio utilizado no presente caso para alicerçar o ato da Fiscalização (Auto de Infração) e o presente voto até aqui. Ocorre, entretanto, que o contribuinte, junto com a sua impugnação, apresentou documento emitido em 29 de abril de 2004, anterior portanto ao início das operações simuladas, que é prova direta e cabal das conclusões acima expendidas. Tratase de um pacto de intenções firmado pela CAIMI SA (Chile) e pela LIAISON, referente a uma aliança entre aquelas sociedades (fls. 715 a 718). Nesse documento resta clara a intenção das duas de se unirem, sendo que isso poderia se dar através de uma fusão, de uma incorporação ou outra operação (fl. 717). Saliento, por fundamental, que o documento faz referência apenas às sociedades contratantes (CAIMI SA e LIAISON), ou seja, não havia sido aventada a possibilidade da participação da JOFECRED, que, àquele tempo, trabalhava exclusivamente com fomento mercantil e contava com terceiros em seu quadro social. Outro elemento fundamental é a indicação de que a propriedade da nova sociedade seria dividida em partes iguais (50% para cada uma fl. 717). Diante disso, forçoso concluir que, antes da realização das avaliações, os futuros sócios já tinham a precisa noção de que os laudos indicariam valores bastante próximos para as duas sociedades em processo de união (fls. 450 e 467), mesmo tendo Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.901 34 presente que os valores patrimoniais eram bem diferentes (patrimônio líquido de R$ 1.456.616 da CAIMI DO BRASIL e de R$ 134.749 negativo da LIAISON em 31/12/2003 fls. 451 e 463), caso contrário estaríamos diante de uma coincidência amazônica. Minha conclusão com base nos indícios restou, diante da prova direta, colossalmente reforçada." Mais adiante, em seu voto, o relator volta a tecer comentários a respeito da "Acta de Intenciones" : "O documento denominado "Acta de Intenciones", juntado pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação (fls. 715 a 718), demonstrou, claramente, a intenção que havia entre as parte signatárias do contrato (CAIMI SA, chilena, e LIAISON, representadas por Renzo Caimi e Severino Oppelt, respectivamente) de melhor direcionarem os seus negócios no Brasil. O Grupo Caimi já operava no Brasil por meio da sociedade CAIMI DO BRASIL, cujo capital social (R$ 3.000.000) pertencia 90% à CAIMI SA (chilena) e 10% à LIAISON. No documento há referência de que havia a expectativa de um aumento da demanda que permitiria vendas a médio e longo prazo da ordem de 35 a 50 milhões de dólares por ano. Por tal motivo, as partes acordaram que a propriedade do negócio seria dividida em partes iguais. Certamente essa divisão de propriedade não estava relacionada com as operações mundiais do Grupo Caimi, que tem por matriz o Chile (CAIMI SA) e atua, também, na Argentina, no Brasil, no Peru, na Colômbia, no México e na China ( http://www.caimi.cl ), mas sim às atividades desenvolvidas no Brasil, atividades essas operacionalizadas grandemente por meio de Severino Oppelt. Lembro, por oportuno, que foi Severino Oppelt quem representou a CAIMI SA (chilena) quando da constituição da CAIMI DO BRASIL em 14/5/2001 (fls. 299 a 304). As operações que se sucederam, com a criação da CAIMI & LIAISON, confirmam que o pacto referiase à operação desenvolvida no território nacional. Além disso, o documento em questão faz referência ao estudo da melhor alternativa para a união dos empreendimentos, se uma fusão, uma incorporação ou outra modalidade. Tal disposição, diante do contexto do negócio, referese à CAIMI DO BRASIL e à LIAISON, ou seja, a fusão de ambas ou a incorporação de uma pela outra. Nessa segunda hipótese, o mais provável seria a incorporação da LIAISON pela CAIMI DO BRASIL, tendo em vista que a segunda era maior (o patrimônio líquido da LIAISON foi negativo em 31/12/2003 fl. 463), detinha o parque industrial e estava localizada no mesmo endereço onde hoje está sediada a impugnante. O gerente dos negócios da do Grupo Caimi no Brasil foi, desde o início, Severino Oppelt (fl. 301), seria ele o gerente geral dos negócios reajustados segundo a "Acta de Intenciones" (fl. 717) e, mais adiante, ele foi eleito Diretor Geral da impugnante, representante maior da sociedade (fls. 152 e 153). Assim, diante dessa prova irrefutável, sou forçado a concordar com o lançador, complementando, apenas, que o objetivo era a fusão das duas contratantes ou a incorporação de uma pela outra. A complexa e anômala operação engendrada teve o objetivo de chegar ao mesmo ponto que seria obtido com a fusão ou a incorporação diretamente entre CAIMI DO BRASIL e LIAISON, colhendo, adicionalmente, a redução de encargos tributários. O vasto acervo indiciário colhido Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.902 35 nesse sentido é prova que restou reforçada pela prova direta oferecida pelo impugnante ("Acta de Intenciones")" No recurso ora apreciado a recorrente se limita a alegar que a "Carta de Intenções" simplesmente foi corroborada pelas operações posteriormente realizadas, na tentativa de desqualificar a prova. Diferentemente do alegado, em face de todas provas carreadas aos autos, firmei a convicção de que a sequência de operações posteriores implementadas, não por coincidência, corroboram as intenções manifestadas na ata, mas comprovam que as mesmas foram realizadas artificialmente e com o objetivo de materializar as reais intenções, expressamente manifestadas na Carta de Intenções, ou seja, a fusão ou incorporação da CAIMI e LIAISON. Diante de todo o exposto, e considerando que: Os argumentos apresentados no recurso voluntário não foram capazes de afastar os indícios, bem assim, de desqualificar a prova material carreadas aos autos pela fiscalização; A sequência de atos baseados numa aparente regularidade, porém com o objetivo real diverso comprovam a ocorrência de simulação; O art. 149, inciso VII do CTN prevê o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados; Correto o acórdão recorrido que manteve crédito tributário apurado com base nas exclusões indevidas ao lucro líquido a título de amortização de ágio. Quanto à exigência de CSLL, adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA No recurso voluntário a recorrente não traz absolutamente qualquer novo argumento que possa alterar a o acórdão a quo. A fiscalização, com fulcro no disposto no art. 135, da Lei nº 5.172/66 (CTN), atribuiu ao diretorgeral da recorrida, Sr. Severino Adolfo Oppelt, a condição de responsável solidário, tendo em vista que os créditos tributários foram constituídos por conta de atos por ele praticados com infração à lei: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (Grifouse) Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.903 36 Conforme demonstrado nos autos do processo, a infração à lei restou caracterizada pelo procedimento doloso adotado pela fiscalizada que, valendose de operações estruturadas em sequência com o objetivo conferir aparência de legalidade à reorganização, criou ágio artificialmente, em desacordo com os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, utilizado na redução das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. O Sr. Severino Adolfo Oppelt, além de possuir participação societária em todas as empresas envolvidas, exceção feita à CAIMI CHILE, sempre ocupou posição de comando em todas elas: CAIMI do BRASIL Ltda Exercia o cargo de gerentedelegado, desde 14/05/2001, com poderes para praticar todos os atos necessários à consecução dos objetivos sociais da empresa (fls. 622 a 637); CAIMI CHILE Possuía procuração desde 14/05/2001 para representar a empresa chilena no Brasil (fls. 622 a 637); LIAISON Comercial Exportadora e Importadora Ltda Era sócio administrador da empresa desde 27/04/1999 (fls. 661 a 681); JOFECRED Fomento Mercantil Ltda Era sóciogerente da empresa desde 01/10/2002 (fls. 690 a 715). Ademais, a recorrente sempre foi administrada isoladamente pelo diretorgeral eleito, o Sr. Severino Adolfo Oppelt, conforme contrato social e suas alterações registradas na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul (fls. 451 a 475). Ainda de acordo com o contrato, compete ao diretorgeral " a representação da sociedade, ativa e passiva, em juízo ou fora dele, assim como a gestão ordinária dos negócios sociais em geral e a prática de todos os atos de administração ordinária e disposições necessárias ou convenientes à consecução do objeto social." Dessa forma, resta comprovada a responsabilidade solidária do Sr. Severino Adolfo Oppelt pelos débitos da fiscalizada. No recurso voluntário o recorrente alega também a inobservância aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Não lhe assiste razão, isto porque não há que se falar em cerceamento de direito de defesa na fase inquisitória do procedimento fiscal. A fase litigiosa somente se inicia com a apresentação da impugnação, momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser amplamente observados. É o disposto no art. 14 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim tem sido a jurisprudência administrativa deste órgão julgador: FASE PROCEDIMENTAL. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO e AMPLA DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INICIO FASE LITIGIOSA. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. (Acórdão nº 1402001.773, Sessão de 26/08/14). Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.904 37 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. (Acórdão nº 140002.044, Sessão de 18/01/16) DA MULTA QUALIFICADA Em face do vasto acervo indiciário e da prova direta acostada aos autos, a fiscalização concluiu que os negócios jurídicos foram praticados de forma simulada com o objetivo a reduzir a carga tributária. Essa conduta dolosa ensejou a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 4.502/64. O resultado final das operações foi a fusão (ou incorporação de uma empresa pela outra), entretanto, as várias etapas intermediárias utilizadas tiveram como objetivo único a redução de tributos. A transferência de ações da LIAISON, de titularidade das pessoas físicas, Sr. Severino Adolfo Oppelt e Eliane de Fátima da Silva Oppelt, para a JOFECRED pelo preço patrimonial, seguida da constituição da nova empresa (CAIMI & LIAISON), cujo capital social foi integralizado mediante a transferência de participações societárias na CAIMI BRASIL e na LIAISON, com ágio bastante expressivo, assim como, a posterior incorporação destas empresas para possibilitar a amortização desse ágio, evidenciam a intenção dos recorrentes em reduzir os tributos devidos. Assim, correta a aplicação da multa qualificada, eis que caracterizada situação fraudulenta prevista no art. 72, da Lei nº 4.602/64. Nesse sentido, a jurisprudência do CARF; MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco. (Acórdão 1402002.113, Sessão de 01/03/16) MULTA QUALIFICADA. Constatado o dolo na prática de fraude e conluio que resultaram na geração de ágio artificial, criado de forma consciente e deliberada, é cabível qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. (Acórdão 1302000.991, Sessão de 03/10/2012) Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 11065.722629/201307 Acórdão n.º 1301002.110 S1C3T1 Fl. 1.905 38 Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10469.904169/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.261
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10469.904169/2009-33
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5651976
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.261
nome_arquivo_s : Decisao_10469904169200933.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10469904169200933_5651976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6550241
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692247756800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.904169/200933 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.261 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente G J DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 41 69 /2 00 9- 33 Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 10469.904169/200933 Acórdão n.º 3402003.261 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.031, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 10469.904169/200933 Acórdão n.º 3402003.261 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2645DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003499/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E CONTRADIÇÃO.
Os embargos de declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Necessário sanar o erro material da ementa e a contradição no resultado do julgamento para indicar, em conformidade a fundamentação do voto vencedor, que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do Auto de Infração os valores que não correspondem ao faturamento da Recorrente, relativos às contribuições dos beneficiários dos planos por ela administrado e às receitas financeiras (rentabilidade auferida em aplicações financeiras).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram acolhidos, sem efeito modificativo, para sanar os vícios apontados pela Embargante. Esteve presente ao julgamento a Dra. Izabella Alves, OAB/DF 39.755.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Necessário sanar o erro material da ementa e a contradição no resultado do julgamento para indicar, em conformidade a fundamentação do voto vencedor, que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do Auto de Infração os valores que não correspondem ao faturamento da Recorrente, relativos às contribuições dos beneficiários dos planos por ela administrado e às receitas financeiras (rentabilidade auferida em aplicações financeiras). Embargos Acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.003499/2004-18
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5669386
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.469
nome_arquivo_s : Decisao_10166003499200418.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 10166003499200418_5669386.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram acolhidos, sem efeito modificativo, para sanar os vícios apontados pela Embargante. Esteve presente ao julgamento a Dra. Izabella Alves, OAB/DF 39.755. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6600772
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692249853952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 10.541 1 10.540 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.003499/200418 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402003.469 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SARAH PREVIDENCIA FUNDO DE PENSAO DOS EMPREGADOS DA ASSOCIACAO DAS PIONEIRAS SOCIAIS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL E CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão. Necessário sanar o erro material da ementa e a contradição no resultado do julgamento para indicar, em conformidade a fundamentação do voto vencedor, que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do Auto de Infração os valores que não correspondem ao faturamento da Recorrente, relativos às contribuições dos beneficiários dos planos por ela administrado e às receitas financeiras (rentabilidade auferida em aplicações financeiras). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, os Embargos de Declaração foram acolhidos, sem efeito modificativo, para sanar os vícios apontados pela Embargante. Esteve presente ao julgamento a Dra. Izabella Alves, OAB/DF 39.755. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 34 99 /2 00 4- 18 Fl. 10546DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília de fl. 10.448 no qual foram apontadas inconformidades do Acórdão n.º 340200.613, de 25/05/2010, em seu texto, na ementa e na conclusão do voto vencedor. Referida manifestação, sintética, foi proferida nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe para exigir a contribuição PIS referente aos meses dos anos de 1998 a 2001. No âmbito de recurso voluntário, o CARF exarou o acórdão de fls. 141 encerrando a contenda administrativa. O setor de cobrança desta DICAT, responsável pela execução do aresto, remeteu o processo a este SERDE solicitando os cálculos do tributo conforme a referida decisão (fls. 3491). O atendimento à solicitação, todavia, não se mostra, neste momento, possível. Isso porque o texto do acórdão apresenta aparentes inconstâncias que prejudicam a sua inequívoca interpretação. Pois, vejase: a) na ementa, sugerese ter sido o recurso negado; b) no acórdão, decidese dar provimento parcial ao recurso para “excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999”; e c) na conclusão do voto vencedor, decidese dar provimento parcial ao recurso para “ser excluídas da base de cálculo da PIS todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento [...]” Com efeito, pela leitura dos trechos da ementa e da conclusão do julgamento, em especial aqueles em negrito abaixo, vislumbrase a necessidade de sanar o vício material da ementa e as contradições entre o resultado da decisão e a conclusão do voto vencedor, redigido pelo Relator "ad hoc" Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da PIS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.ºs 7/70, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE’s n.ºs 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1º do Decreto 2.346/97. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 10547DF CARF MF Processo nº 10166.003499/200418 Acórdão n.º 3402003.469 S3C4T2 Fl. 10.542 3 A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para excluir a tributação da entidade referente aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 1999. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor." (fls. 972/973 grifei) Trecho do voto do Relator "ad hoc" do voto vencedor "Em razão desses fundamentos, s.m.j., a d. Maioria deu provimento parcial ao recurso para ser excluídas da base de cálculo da PIS todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, conforme entendimento firmado pelo STF, que, no caso em tela, correspondem às contribuições dos beneficiários do plano administrado pelo SARAH PREVIDÊNCIA e a rentabilidade auferida em aplicações financeiras, estas últimas por constituírem receitas financeiras." (fl. 1.011 grifei) Às fls. 10.506/10.535 foi apresentada petição e documentos para a substituição do polo passivo do presente processo da SARAH PREVIDÊNCIA para a BB PREVIDÊNCIA. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Como se depreende do relatório, o acórdão precisa ser devidamente ajustado para refletir o julgamento trazido no voto vencedor redigido pelo Relator "ad hoc" Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça. Como consignado na conclusão do voto vencedor, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo do PIS autuado as parcelas que não correspondem ao faturamento da empresa, em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Vejamos novamente os exatos termos da conclusão do voto relator: "Em razão desses fundamentos, s.m.j., a d. Maioria deu provimento parcial ao recurso para ser excluídas da base de cálculo da PIS todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, conforme entendimento firmado pelo Fl. 10548DF CARF MF 4 STF, que, no caso em tela, correspondem às contribuições dos beneficiários do plano administrado pelo SARAH PREVIDÊNCIA e a rentabilidade auferida em aplicações financeiras, estas últimas por constituírem receitas financeiras." (fl. 1.011 grifei) Por sua vez, a ementa e a conclusão do julgamento trazidas no acórdão, às fls. 972/973 não correspondem com essa conclusão, devendo ser devidamente ajustados. Para melhor visualização, os ajustes necessários para sanar o erro material na ementa e a contradição com o voto vencedor são trazidos abaixo, em negrito: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da PIS corresponde à totalidade do faturamento, nos termos fixados pelas Leis Complementares n.ºs 7/70, devendo ser excluídas todas as outras receitas que não correspondam ao faturamento da empresa. A aplicação do entendimento inequívoco do e. Supremo Tribunal Federal manifestado nos RE’s n.ºs 357950, 390840, 358273 e 346084 é medida de rigor, nos termos do que dispõe o art. 1º do Decreto 2.346/97. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para excluir do Auto de Infração os valores que não correspondem ao faturamento da Recorrente, relativos às contribuições dos beneficiários dos planos por ela administrado e às receitas financeiras (rentabilidade auferida em aplicações financeiras). Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Julio César Alves Ramos que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Siade Manzan para redigir o voto vencedor." (grifei) Por fim, insta mencionar que o CARF não possui competência para apreciar o pedido de substituição do polo passivo apresentado pela empresa interessada, que deverá ser analisado pela Delegacia da Receita Federal responsável. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de Declaração para sanar os equívocos materiais e contradições do Acórdão, ajustado em conformidade com o voto vencedor proferido. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 10549DF CARF MF Processo nº 10166.003499/200418 Acórdão n.º 3402003.469 S3C4T2 Fl. 10.543 5 Fl. 10550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901385/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.320
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.901385/2014-41
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647589
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.320
nome_arquivo_s : Decisao_13888901385201441.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888901385201441_5647589.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6544058
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692257193984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901385/201441 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.320 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 85 /2 01 4- 41 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901385/201441 Acórdão n.º 3402003.320 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901385/201441 Acórdão n.º 3402003.320 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901385/201441 Acórdão n.º 3402003.320 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901385/201441 Acórdão n.º 3402003.320 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
