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Numero do processo: 13819.721408/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado
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A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 14 08 /2 01 4- 50 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.721408/201450, em face do acórdão nº 0648.739, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), na sessão de julgamento de 02 de setembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 05/08, lavrada em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, que exige R$ 4.163,20 de IRPF (cód. 0211), acrescido de multa e juros de mora, em face compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 4.163,20. Inconformado, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 27/05/2014, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os documentos de fls. 04 e 09/10, onde informa que fez sua Declaração de Ajuste Anual com base no Informe de Rendimentos que lhe foi fornecido pela fonte pagadora a qual não fez a devida separação de valores de rendimentos tributáveis e não tributáveis, induzindoo ao erro. Solicita o cancelamento da Notificação e a reabertura de prazo para apresentação de nova Declaração de Ajuste Retificadora. Requer, ainda, prioridade no julgamento, com base no Estatuto do Idoso. A 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.721408/201450 Acórdão n.º 2202003.190 S2C2T2 Fl. 67 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 26/27, reiterando os argumentos já lançados na impugnação e juntando, em anexo ao recurso voluntário, novos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, o contribuinte alega que realizou sua declaração de ajuste anual conforme Informe de Rendimentos recebido pela fonte pagadora. Todavia, diante do cruzamento de informações da fonte pagadora e o informado pelo contribuinte, realizouse a glosa do valor do IRRF a maior do que foi informado como recolhido pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Assim, foi realizado lançamento suplementar de imposto de renda, acrescido de multa de mora e juros. Não há lançamento de multa de ofício, frisase. Antes de adentrar no mérito do recurso, verifico que há uma preliminar suscitada pelo contribuinte que está sendo imposta penalidade a ele, e não a sua fonte pagadora, que teria por duas vezes encaminhado informe de rendimentos incorretos. Todavia, verificase que não está sendo imposta penalidade ao contribuinte (multa de ofício), mas tão somente está sendo lhe cobrado o imposto suplementar devido, acrescido de multa de mora e juros. Saliento que se fosse lançado multa de ofício, esta inclusive deveria ser afastada, em razão da Súmula nº 73 do CARF: "Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.", todavia não é o presente caso. Diante disso, rejeito a preliminar. Em relação ao mérito, embora o contribuinte não apresente razões de mérito de forma escrita nas razões recursais, limitandose a referir "provas em anexo" e a requerer que seja realizada a revisão de ofício do lançamento para alterar os rendimentos tributados do contribuinte, de modo a cancelar a cobrança que lhe está sendo imputada. Consoante se verifica, a apuração do imposto devido de fl. 7 realizada pela fiscalização promove alteração na Declaração de Ajuste Anual anteriormente apresentada pelo contribuinte, ocasionando assim um lançamento suplementar do imposto de renda em valor de R$ 4.163,20. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Diante desses fundamentos, entendo que não merece reparos o acórdão da Delegacia da Receita Federal de origem, cujo trecho do voto ora colaciono: "(...) em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender às exigências da lei por máfé, por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido, desconhecimento ou culpa de terceiros. A infração é do tipo objetiva, na forma do artigo 136 do C.T.N. (Lei 5.172, de 1966), isto é: “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”." Ainda, resta demonstrado que a contribuinte deixou de apresentar documentos comprobatórios suficientes para ocasionar a reforma do acórdão da DRJ/CTA, verifico que não há elementos para afastar a glosa imputada ao contribuinte pela notificação de lançamento e, por consequência, deve ser mantido o lançamento do imposto de renda suplementar. Desse modo, não prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser mantida glosa consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004323/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE.
É obrigatória a averbação da área de reserva legal. Inexistindo a averbação, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente (Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ).
RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. MOMENTO.
Se no momento do exame pela Autoridade competente (ou no momento em que deveria ter sido feito o exame) o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, descabe a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada.
VTN. ALTERAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA NA NORMA TÉCNICA REGULAMENTADORA. OBRIGATORIEDADE.
A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23). Hipótese em que o Laudo de Avaliação não atende aos requisitos mínimos estipulados pelas NBR 8.799/1985, revelando-se destituído do rigor científico necessário ao fim colimado.
CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS CNA/CONTAG E CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E COBRAR APÓS 31/12/1996.
A partir de janeiro de 1997 a competência para arrecadar as Contribuições Sindicais Rurais (patronal e do trabalhador) e a Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural passou a ser das respectivas Confederações e do SENAR, tendo como base o cadastro fornecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 5.234,00 hectares e para cancelar as contribuições sindicais rurais e a contribuição ao SENAR. Vencido o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que dava provimento em menor extensão.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1995 ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. É obrigatória a averbação da área de reserva legal. Inexistindo a averbação, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente (Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ). RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. MOMENTO. Se no momento do exame pela Autoridade competente (ou no momento em que deveria ter sido feito o exame) o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, descabe a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada. VTN. ALTERAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA NA NORMA TÉCNICA REGULAMENTADORA. OBRIGATORIEDADE. A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23). Hipótese em que o Laudo de Avaliação não atende aos requisitos mínimos estipulados pelas NBR 8.799/1985, revelando-se destituído do rigor científico necessário ao fim colimado. CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS CNA/CONTAG E CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E COBRAR APÓS 31/12/1996. A partir de janeiro de 1997 a competência para arrecadar as Contribuições Sindicais Rurais (patronal e do trabalhador) e a Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural passou a ser das respectivas Confederações e do SENAR, tendo como base o cadastro fornecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Recurso Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 174 1 173 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004323/200629 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.835 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2016 Matéria ITR Recorrente IBICABA AGROPASTORIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. É obrigatória a averbação da área de reserva legal. Inexistindo a averbação, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente (Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ). RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. MOMENTO. Se no momento do exame pela Autoridade competente (ou no momento em que deveria ter sido feito o exame) o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, descabe a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada. VTN. ALTERAÇÃO MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA NA NORMA TÉCNICA REGULAMENTADORA. OBRIGATORIEDADE. A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23). Hipótese em que o Laudo de Avaliação não atende aos requisitos mínimos estipulados pelas NBR 8.799/1985, revelandose destituído do rigor científico necessário ao fim colimado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 43 23 /2 00 6- 29 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 175 2 CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS CNA/CONTAG E CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMPETÊNCIA PARA LANÇAR E COBRAR APÓS 31/12/1996. A partir de janeiro de 1997 a competência para arrecadar as Contribuições Sindicais Rurais (patronal e do trabalhador) e a Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural passou a ser das respectivas Confederações e do SENAR, tendo como base o cadastro fornecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 5.234,00 hectares e para cancelar as contribuições sindicais rurais e a contribuição ao SENAR. Vencido o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que dava provimento em menor extensão. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, Contribuições Sindicais Rurais e Contribuição ao SENAR, cujo crédito tributário importa, originalmente, o valor total de R$ 101.263,14. O crédito tributário foi constituído em decorrência da declaração de nulidade, por vício formal, de Notificação de Lançamento anteriormente emitida, que não continha a identificação da Autoridade que a expediu. A Interessada apresentou a impugnação de fls. 6/14 deste processo digital. A 1ª Turma da DRJ/CGE julgou o lançamento procedente por intermédio do acórdão de fls. 111/114. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 176 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 21/12/2007 (fl. 121), a Interessada interpôs, em 18/01/2008, o recurso de fls. 123/137. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Para comprovar que o Valor da Terra Nua VTN estimado pela Autoridade lançadora destoa da realidade dos fatos, à época do lançamento, faz juntada dos seguintes documentos: a) Laudo de Avaliação da Empresa J. C. ASSESSORIA RURAL LTDA., firmado pelo Engenheiro Agrônomo Luiz Roberto Raymond Auf der Maur CEA/MT nº 6577/D IBAPE 071, ARTCREA/MT nº 100077, elaborado conforme as normas vigentes à época, comprovando que a área de Reserva Legal da propriedade, em 31/12/1994, era de 6.533,9 hectares, ou seja, de 50% da área total propriedade, e que o VTN médio era de R$ 19,80, ou seja, o produto da multiplicação de 29,26 UFIR/ha por R$ 0,6767 (valor da UFIR em jan/95). b) Declaração circunstanciada emitida pela Prefeitura Municipal de Marcelândia MT, datada de 06/10/1998, na qual o Secretário de Finanças daquele Município, “declara para os devidos fins e direitos a quem interessar possa que a média de valores imobiliários (VTN) praticados a título de avaliação neste Município é de 32,35 UFIR por hectare a dezembro de 1994”, que está inserida no próprio Laudo. c) Declaração firmada em 08/10/1998, pelo Engenheiro Florestal LEVY L. DA CUNHA CREA/MT 5532/D., NECTANDRA ENGENHARIA FLORESTAL – Sinop MT., declarando “para os devidos fins e legais efeitos que, de acordo com a Secretaria Estadual de Agricultura e Assuntos Fundiários, órgão de coordenação e gerenciamento da política fundiária no Estado de Mato Grosso, através do OF/SAAF/GS/NO 309/95, o VTN (Valor da Terra Nua) praticado em dezembro de 1994 para propriedades similares às denominadas Fazenda Huaiá Missú Lotes 71 e 72, Lote 47 Fazenda Santa Maria e Gleba Xingu I, de propriedade de Ibicaba Agropastoril Ltda., localizada no Município de Marcelândia, a 150 Km de sua sede, era de 26,17 UFIR/ha”, também inserida no Laudo. d) Relação anexa ao OF/GS/CP/nº 161/94 datado de 16 de março de 1994, do Secretário de Agricultura e Assuntos Fundiários do Governo do Estado de Mato Grosso Engenheiro Agrônomo ARÉSSIO JOSÉ PAQUER, encaminhandoa à FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (RJ), informando o VALOR MÍNIMO POR HECTARE DA TERRA NUA DOS MUNICÍPIOS LOCALIZADOS NO ESTADO DE MATO GROSSO, RELATIVO AO MÊS DE DEZEMBRO DE 1993 na qual se vê, na segunda página, que o preço por hectare, no Município de MARCELÂNDIA, era de CR$ 4.913,49, que divididos por R$ 2.750,00 (coeficiente de atualização para ao Real), equivaleria a R$ 1,78 (Ver Laudo). e) Cópias das Matrículas com as averbações de áreas de Reserva Legal, mesmo em datas posteriores ao fato gerador, vez que, à época do lançamento, tais processos de regularização ambiental tramitavam na Superintendência do IBAMA/MT. Na peça impugnatória a ora Recorrente discutiu o valor absurdo de R$ 1.486.830,82 atribuídos pela Administração Tributária, a título de Valor da Terra Nua Tributável, ao preço médio de R$ 113,77 por hectare, levandose em consideração área total da propriedade de 13.067,9 hectares, sem descontar a área de reserva legal devidamente comprovada, de 6.533,95 hectares, que não pode ser objeto de tributação. Restando apenas Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 177 4 6.533,95 hectares de terra nua tributável, ao preço médio real de R$ 19,80 por hectare, a base de cálculo para apurarse o ITR/95 devido é de R$ 129.372,21. Em face desse procedimento, mister se faz corrigir a alíquota aplicada de 3,40% para 3,90%, conforme preceituava a Tabela I, anexa à Lei n° 8.847, de 28/01/1994. Ocorre, porém, que considerando a redução da área de reserva legal, o Grau de Utilização também será aumentado para 50%, razão pela qual, com base na mesma Tabela, a alíquota cai para 2,75% e o ITR/95 devido passa a ser de R$ 3.557,74. Em suma, ao considerar procedente o lançamento, a DRJ/CGE não acatou os argumentos nem as provas acostadas à peça impugnatória. Sobre os valores consignados na declaração do ITR que motivou o Auto de Infração teve basicamente os seguintes pontos de discordância: a) DESCONSIDERAÇÃO DA RESERVA LEGAL DE 6.533,9 HECTARES, DEVIDAMENTE AVERBADA Mesmo que não tivesse averbado a sua área de Reserva Legal, à margem da Matrícula do Registro Imobiliário, não poderia essa área sofrer a tributação do ITR, conforme múltiplas decisões desse Conselho. b) TRIBUTAÇÃO DA ÁREA INTEGRAL DA PROPRIEDADE, EM 13.067,90 HECTARES, COMO TERRA NUA TRIBUTÁVEL Na rubrica tributária questionada a Recorrente consignou o valor de R$ 129.372,32, oriundos da multiplicação dos 6.533,95 hectares de área de terra nua tributável pelo valor de R$ 19,80, correspondentes ao preço real da terra nua, conforme restou comprovado. Por sua vez, o acórdão ora atacado manteve o preço da terra nua tributável do imóvel em R$ 1.486.830,82, ou seja, a resultante de 13.067,90 hectares de terra nua multiplicado pelo valor de R$ 113,77 por hectare. Não se sabe de onde saiu o valor utilizado. Mesmo considerando o exorbitante valor de R$ 113,77 a título de VTN/hectare, o valor da terra nua tributável jamais poderia ser superior a R$ 743.367,50, isto é, esse preço multiplicado pelo quantitativo de 6.533,95 hectares, que corresponde à metade da propriedade, vez que sobre a outra metade, por ser reserva legal, não o incide a tributação do ITR. Pugna pela manutenção da reserva legal informada (50% da área total do imóvel) que estabelece o grau de utilização de 50%, resultando na alíquota de 2,75%, que aplicada sobre o valor da terra nua tributável de R$ 129.372,21, resultará no imposto devido de R$ 3.557,74. c) DESQUALIFICAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇÃO A Recorrente juntou, tempestiva e corretamente, o Laudo de Avaliação elaborado por profissional legal e comprovadamente habilitado, atendendo às normas técnicas, acompanhado de cópia da ART/CREA/MT, em consonância com a ABNT, para comprovar o valor da terra nua, um dos elementos indispensáveis na constituição do crédito tributário. d) GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 178 5 Se a área de reserva legal comprovada é exatamente de 50% da área total do imóvel, o grau de utilização informado pela Interessada em sua DITR/1995 deverá ser corrigido para 50% (cinquenta por cento) e a alíquota ser aplicada em conformidade com a Tabela inserida no Anexo I, da Lei nº 8.847/94. e) ALÍQUOTA APLICÁVEL PARA O CÁLCULO DO IMPOSTO Tendo em vista que a Autoridade Administrativa desconsiderou o Grau de Utilização apresentado pela Recorrente, deverá esta rubrica também ser revista, pois a aplicação da alíquota deve ser compatível com o grau de utilização. Para propriedades entre 10.000 e 15.000 hectares, com grau de utilização de 30 a 50, a alíquota aplicável é de 2,75% (Tabela 1 Anexo I, da Lei nº 8.847/94). f) REVISÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO O crédito tributário declarado procedente deve ser revisto, porque já é pacífico o entendimento desse Conselho “de que não há previsão legal para exigência da averbação de área de reserva legal com data anterior ao fato gerador” como requisito de exclusão da referida área da tributação do ITR. Pedido Ao final, requer seja recebido e provido integralmente o recurso voluntário. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração do processo físico. Tratase de controvérsia relacionada ao imposto sobre a propriedade territorial rural, às contribuições sindicais rurais e à contribuição ao SENAR, referentes ao exercício de 1995. A Recorrente pleiteia, inicialmente, que dos 13.067,90 ha de área total do imóvel sejam excluídos 6.533,90 ha de área de reserva legal. De conseguinte, o grau de utilização deveria ser, na visão da Interessada, corrigido para 50%, com a aplicação da alíquota respectiva. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro competente, sempre foi, em meu entendimento, requisito formal necessário para que uma área de reserva legal ARL fosse excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e §§ 2º e 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 179 6 (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) §2oA vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3odeste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (...) § 8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre o tema fosse vacilante até pouco tempo atrás, a imprescindibilidade da averbação da ARL, para fins de fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996, foi confirmada nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013. O STJ, no referido julgamento, pacificou o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. O resultado do julgamento encontrase consubstanciado na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 180 7 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação “da reserva legal” (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos. Importante assinalar que nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 27/11/2013, foi arguida a questão relativa ao momento de averbação da área de reserva legal para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Nada obstante, a arguição da embargante foi rechaçada sob os seguintes argumentos: “A par disso, registro que no julgamento dos embargos de declaração opostos contra o acórdão que julgou o recurso especial, o então relator, eminente Ministro Mauro Campbell Marques, assentou que "[e]sta Corte posicionou de forma clara, adequada e suficiente acerca da tese que lhe foi submetida: a necessidade de averbação da reserva legal para que a parte usufrua da isenção prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei nº 9.393/96. Tudo quanto a embargante procura discutir nos embargos de declaração constitui matéria que não foi apreciada pela Corte regional porque a tese jurídica ora analisada nesta instância especial foi prejudicial às demais questões levantadas na apelação. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 181 8 Ora, se as demais questões suscitadas pela embargante não foram apreciadas no julgamento do recurso especial, também não é possível delas conhecer em sede de embargos de divergência. Constatase, portanto, que a insurgência da embargante não diz respeito a eventual vício de integração do acórdão impugnado, mas à interpretação que lhe foi desfavorável, motivação essa que não se enquadra nas hipóteses de cabimento dos aclaratórios”. Verificase, assim, que a questão relativa ao momento da averbação para fins de exclusão da reserva legal da base de cálculo do ITR não foi objeto de apreciação pelo STJ, tampouco é definida pelas legislações tributária/ambiental, pelo que esta Turma de julgamento deve se debruçar sobre o tema, de forma a decidir o caso concreto e, quiçá, a servir de subsídio à uniformização da jurisprudência deste Conselho. Nesse contexto, suponha as seguintes situações hipotéticas: a) Contribuinte declara área de reserva legal inexistente (área tributável declarada a menor). Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal, o tributo será lançado sobre a área total do imóvel (admitindose a inexistência de outras deduções legais); b) Contribuinte declara área de reserva legal existente, sem proceder a averbação. Posteriormente, antes do início do procedimento fiscal, resolve averbar a referida área na matrícula do imóvel. Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, havendo a averbação da reserva legal e abstraindose da questão do ADA, que não foi objeto deste lançamento, o tributo será lançado com exclusão da área de reserva legal, porquanto preenchidos os requisitos substancial (existência da área de reserva legal) e formal (averbação da área na matrícula do imóvel). c) Contribuinte declara área de reserva legal existente, sem proceder a averbação. Na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização. Nessa hipótese, o que será examinado pela Fiscalização. Obviamente que será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal, o tributo será lançado sobre a área total do imóvel (admitindose a inexistência de outras deduções legais). Após o lançamento o contribuinte promove a averbação da reserva legal. O lançamento é anulado por vício formal. Reabrese o prazo de 5 anos para constituição de novo crédito tributário (CTN, art. 173, II). Nessa hipótese, o que deveria ser examinado pela Fiscalização. Obviamente que seria o registro do imóvel, de modo que, havendo a averbação da reserva legal e abstraindose da questão do ADA, que não foi objeto deste lançamento, o tributo será lançado com exclusão da área de reserva legal, porquanto preenchidos os requisitos substancial (existência da área de reserva legal) e formal (averbação da área na matrícula do imóvel). Assim, se no momento do exame pela Autoridade competente (ou no momento em que deveria ter sido feito o exame) o registro do imóvel já evidencia a averbação da área de reserva legal, não me parece razoável a glosa da referida área, haja vista que, com a averbação, se atinge o escopo fundamental de preservação da área averbada. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 182 9 No caso concreto a área de reserva legal do imóvel foi averbada às margens das matrículas respectivas em 28/11/1996 (fls. 38/50), vale dizer, após a lavratura da primeira Notificação de Lançamento (19/07/1996), declarada nula por vício formal pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em 04/11/2003, e antes da lavratura da presente Notificação de Lançamento (18/09/2006). De conseguinte, a Autoridade lançadora, ao invés de simplesmente reemitir a Notificação de Lançamento, deveria ter intimado o Interessado, ou mesmo o Cartório de Registro de Imóveis, para se certificar da existência ou não de área de reserva legal averbada, o que não foi feito. Nesse cenário, entendo que deve ser excluída da área total do imóvel à área de reserva legal averbada pelo Recorrente antes do procedimento fiscal relativo à lavratura da presente Notificação de Lançamento (situação hipotética da letra “c”). O Interessado juntou aos autos as matrículas de fls. 38/50, nas quais constam as averbações das seguintes áreas de reserva legal: Matrícula 9.693 (fls. 38/39) – área total de 234,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 117,00 hectares (50%). Matrícula 9.694 (fls. 40/41) – área total de 2.048,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 1.024,00 hectares (50%). Matrícula 9.695 (fls. 42/43) – área total de 3.000,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 1.500,00 hectares (50%). Matrícula 9.696 (fls. 44/45) – área total de 2.000,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 1.000,00 hectares (50%). Matrícula 9.697 (fls. 46/47) – área total de 1.000,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 500,00 hectares (50%). Matrícula 9.700 (fls. 48/50) – área total de 2.186,00 hectares – área gravada como de utilização limitada 1.093,00 hectares (50%). A área de todas as matrículas apresentadas corresponde a 10.468,00 ha e a área total de reserva legal averbada corresponde a 5.234,00 ha. Assim, embora a Recorrente pleiteie a exclusão de 6.533,90 ha a título de área de reserva legal, que correspondem a 50% da área total do imóvel lançada na Declaração do ITR, entendo que só existe prova nos autos de averbação de uma área de reserva legal de 5.234,00 ha, área esta que, em meu entendimento, deve ser excluída da base de cálculo do lançamento, promovendose os ajustes porventura cabíveis no grau de utilização do imóvel e na alíquota aplicável. No tocante ao valor da terra nua considerado pela Autoridade Lançadora, registro que a base de cálculo do ITR, nos termos da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, vigente à época do fato gerador, correspondia ao Valor da Terra Nua apurado até 31 de dezembro do exercício anterior. Referida lei autorizou que o Valor da Terra Nua mínimo por hectare fosse fixado pela então Secretaria da Receita Federal SRF, nos seguintes termos: Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 183 10 § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo VTNm por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. O órgão fazendário, no exercício da competência legal que lhe fora atribuída, editou a Instrução Normativa SRF nº 42/1996, que fixou, para o exercício de 1995, o VTN mínimo por hectare, valor este utilizado pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento. Anoto, por importante, que a própria Lei nº 8.847/1994, no § 4º do art. 3º, criou um mecanismo para que o contribuinte impugnasse o VTN mínimo fixado pela SRF, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado. Na mesma linha do dispositivo legal foi editada a Súmula CARF nº 23, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. Assim, o VTN mínimo estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal poderia ser questionado e revisado mediante a apresentação de Laudo Técnico que atendesse aos requisitos mínimos estipulados na NBR nº 8.799/1985, norma técnica regulamentadora vigente à época do fato gerador. A NBR nº 8.799/1985 prescrevia que em uma pesquisa de valores, mesmo em se utilizando uma avaliação de precisão normal, a confiabilidade do conjunto de elementos deveria ser assegurada por homogeneidade dos elementos entre si e número de dados de mesma natureza, efetivamente utilizados, maior ou igual a cinco. Na espécie, o Laudo de Avaliação de fls. 26/30 não atende aos requisitos mínimos estipulados pelas NBR 8.799/1985. O Laudo apresentado não contém, no mínimo, cinco elementos amostrais para a fixação do valor da terra nua do imóvel. O requisito não foi atendido, conforme consta expressamente do próprio Laudo, que se fundamentou em apenas Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 184 11 duas declarações. A obtenção dos valores deuse por opiniões e não por pesquisa de mercado. Tratase, portanto, de levantamento expedito, que se encontra destituído do rigor científico necessário ao fim colimado. Nesse panorama, o Laudo apresentado não é servil à alteração do VTN utilizado pela Autoridade lançadora. Anoto, por fim, que a partir de janeiro de 1997 a competência para arrecadar as Contribuições Sindicais Rurais (patronal e do trabalhador) e a Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural passou a ser das respectivas Confederações e do SENAR, tendo como base o cadastro fornecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, e não mais em conjunto com o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, nos termos do que dispõe o art. 24 da Lei nº 8.847/1994 e o art. 17 da Lei nº 9.393/1996, assim descritos: Lei nº 8.847/1994 Art. 24 A competência de administração das seguintes receitas, atualmente arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal por força do art. 1º, da Lei 8022, de 12 de abril de 1990, cessará em 31 de dezembro de 1996: I Contribuição Sindical Rural, devido à Confederação Nacional da Agricultura CNA e à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG, de acordo com o art. 4D do Dec.lei 1.166, de 15 de abril de 1971, e art. 580 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT: II Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), prevista no item VII do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991. Lei nº 9.393/1996 Art. 17. A Secretaria da Receita Federal poderá, também, celebrar convênios com: (...) II a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG, com a finalidade de fornecer dados cadastrais de imóveis rurais que possibilitem a cobrança das contribuições sindicais devidas àquelas entidades. Desta forma, não poderia o Fisco federal, no ano de 2006, constituir o crédito tributário relativo às referidas contribuições, mesmo se tratando de lançamento substitutivo de lançamento anterior declarado nulo por vício formal, por falta de competência legal para tanto. Afinal, “não é competente quem quer, mas quem pode, segundo a norma de Direito” (Caio Tácito, O Abuso de Poder Administrativo no Brasil, p. 27), Logo, devem ser canceladas as exigências fiscais relativas às Contribuições Sindicais Rurais (patronal e do trabalhador) e à Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10183.004323/200629 Acórdão n.º 2201002.835 S2C2T1 Fl. 185 12 Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer área de reserva legal de 5.234,00 hectares e para cancelar as contribuições sindicais rurais e a contribuição ao SENAR. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10480.722486/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário:2008
PRELIMINAR DE NULIDADE. REJEIÇÃO
Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida.
OMISSÃO DE RECEITA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO
A ausência de comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos referentes à integralização de capital da empresa, por seus sócios ou administradores, autoriza presumir que eles sejam originários de receita omitida.
Apenas a comprovação cumulativa da efetividade da entrega e da origem dos recursos supridos por pessoas ligadas afasta a caracterização de omissão de receitas. A prova da transferência bancária dos recursos para a pessoa jurídica, ainda que se considerasse apta a comprovar somente a efetiva entrega, não atesta que suprimentos foram percebidos de fonte estranha à sociedade ou, se da empresa, submetidos a regular contabilização.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL
A tributação reflexa deve, em relação aos respectivos Autos de Infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados.
Numero da decisão: 1401-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade, vencidos os Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Relator à época do Julgamento MAURICIO PEREIRA FARO não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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REJEIÇÃO Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida. OMISSÃO DE RECEITA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO A ausência de comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos referentes à integralização de capital da empresa, por seus sócios ou administradores, autoriza presumir que eles sejam originários de receita omitida. Apenas a comprovação cumulativa da efetividade da entrega e da origem dos recursos supridos por pessoas ligadas afasta a caracterização de omissão de receitas. A prova da transferência bancária dos recursos para a pessoa jurídica, ainda que se considerasse apta a comprovar somente a efetiva entrega, não atesta que suprimentos foram percebidos de fonte estranha à sociedade ou, se da empresa, submetidos a regular contabilização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL A tributação reflexa deve, em relação aos respectivos Autos de Infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 86 /2 00 9- 85 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade, vencidos os Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator), Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Relator à época do Julgamento MAURICIO PEREIRA FARO não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Carlos Mozart Barreto Vianna, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra acórdão que, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo in totum o crédito tributário. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo parte do relatório anterior elaborado pela 3º Turma da DRJ/REC RecifePE, bem como parte do termo de Verificação Fiscal TVF: Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 4 a 6), da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 9 a 11), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 14 a 16) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 19 a 21), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 520.787,62 (valores principais, multas e juros).(DRJ) Consoante o termo de verificação fiscal (fls. 24 a 35), caracterizouse omissão de receita em face da não comprovação do aumento do capital, em dinheiro, no montante de R$ 4.000.000,00, consubstanciado na 21ª alteração contratual da empresa, datada de 26 de novembro de 2008; não se acataram as justificativas apresentadas pela interessada à conta de as datas dos aportes de caixa efetuados pelos sócios, registrados como adiantamento para aumento de capital R$ 451.000,00 (08/08/2008, fl. 721), R$ 500.000,00 (19/08/2008, fl. 722), R$ 49.000,00 (22/08/2008, fls. 722/733) e R$ 500.000,00 (30/12/2008, fls. 723/724) não coincidirem com a data da alteração contratual.(TVF) Apresentouse impugnação (fls. 714 e 727) contrapondose, em síntese, que: a) o lançamento seria nulo, pois que estaria eivado de incorreções que teriam acarretado cerceamento do direito de defesa, e b) os documentos acostados à impugnação (anexos) demonstrariam que não teria havido falta de comprovação da origem e da efetividade da entrega dos suprimentos de numerários havidos no ano de 2008. (DRJ) É o relatório. Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo, por maioria de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008 NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, Fl. 868DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 5 4 contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2008 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO: A ausência de comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos referentes à integralização de capital da empresa, por seus sócios ou administradores, autoriza presumir que eles sejam originários de receita omitida. Apenas a comprovação cumulativa da efetividade da entrega e da origem dos recursos supridos por pessoas ligadas afasta a caracterização de omissão de receitas. A prova da transferência bancária dos recursos para a pessoa jurídica, ainda que se considerasse apta a comprovar somente a efetiva entrega, não atesta que suprimentos foram percebidos de fonte estranha à sociedade ou, se da empresa, submetidos a regular contabilização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL: A tributação reflexa deve, em relação aos respectivos Autos de Infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, a ATP ENGENHARIA LTDA interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço nos termos da lei. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para cobrança do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 4 a 6), da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 9 a 11), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 14 a 16) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 19 a 21), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 520.787,62 (valores principais, multas e juros). Em seu Recurso Voluntário a Recorrente suscita preliminar de nulidade pelo erro no enquadramento legal e incorreções no que tange ao lançamento, motivo pelo qual gerou cerceamento de defesa e nulidade do lançamento. No mérito tentou demonstrar através de farta jurisprudência a origem do capital que foi utilizado para o aporte de capital da AFAC. Assim, analisaremos os pontos em separado. Da Preliminar – erro no lançamento Primeiramente é importante consignar o procedimento utilizado pela fiscalização para efetuar o lançamento ora em questão. Consoante termo de verificação fiscal, caracterizouse omissão de receita em face da não comprovação do aumento do capital, em dinheiro, no montante de R$ 4.000.000,00, consubstanciado na 21ª alteração contratual da empresa, datada de 26 de novembro de 2008; não se acataram as justificativas apresentadas pela interessada à conta de as datas dos aportes de caixa efetuados pelos sócios, registrados como adiantamento para aumento de capital R$ 451.000,00 (08/08/2008, fl. 721), R$ 500.000,00 (19/08/2008, fl. 722), R$ Fl. 870DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 7 6 49.000,00 (22/08/2008, fls. 722/733) e R$ 500.000,00 (30/12/2008, fls. 723/724) não coincidirem com a data da alteração contratual. No inteiro teor do Auto de Infração lavrado, houve a discrição da ocorrência de “omissão de receitas da atividade, pela falta de comprovação da origem e fetividade de entrega referente a integralização de capital em moeda corrente conforme descrito no termo de verificação fiscal”, o qual teve o enquadramento legal unicamente o artigo 528 do RIR/99: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). A disposição expressa no artigo supra apenas autoriza a inclusão de receitas omitidas, verificadas pelo Fisco, na base de calculo do imposto devido. Não foi mencionado nenhum outro dispositivo legal no Auto de Infração que indicasse a existência de receita omitida a integralização de capital pelos sócios. O lançamento não pode prosperar da maneira que fora realizado. A não comprovação de aumento de capital, consubstanciado em alteração contratual, fato o qual partiu a autuação, não caracteriza omissão de receita. Ou seja, a na comprovação da origem e da efetividade da entrega dos recursos utilizados em aumento de capital, por si só, não constitui omissão de receitas, pois é necessário que haja a presunção legal que assim a considere. Não existe previsão legal nesse sentido – o auto de infração inclusive padece de fundamentação legal! Nesse passo, sem propósito afigurase o cotejo que se efetuou entre a data da alteração contratual adotada como data do fato gerador e as datas dos supostos suprimentos de caixa. Percebese, nitidamente, o equívoco da autuação: aplicou se o art. 282 do RIR99, regra presuntiva (juris tantum) de omissão de receita, a fato que não é subsumido por ele, conforme se depreende da leitura do artigo abaixo transcrito: Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Fl. 871DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 8 7 Melhor explicando. O fato indiciário do dispositivo constatado o fato indiciário, temse como certa a presunção diz respeito à falta da comprovação da origem e da efetividade de entrega de recursos de caixa pelas pessoas ali elencadas, o que efetivamente não foi objeto de pesquisa. Não houve, com efeito, intimação no sentido de que fosse comprovado qualquer suprimento de caixa registrado no livro caixa. Aliado ao ponto aqui levantando, é de se destacar o voto da DRJ quando julgou o processo que assim dispôs: No presente caso, apesar da falha no enquadramento legal, a descrição dos fatos realizada através do termo de verificação fiscal de fls 24/35, bem como dos Termos de Intimação lavrados no curso da ação fiscal (fls. 73/76, 138/142 e 154/157 todos cientificados à contribuinte) foi detalhada e completa tendo trazido ao conhecimento da contribuinte todas as informações necessárias para que a mesma exercesse a sua defesa, respeitandose, assim o devido processo legal, não deixando dúvidas acerca da imputação. Ademais, a pessoa jurídica revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em detalhada defesa. Ora, na leitura do voto condutor da DRJ, percebese aquela própria turma entendeu que houve falha no lançamento. E nesse momento é importante fazer uma distinção: Uma coisa é falta citar algum dispositivo legal no enquadramento do Auto de Infração, e o contribuinte conseguir se defender, outra coisa, é como no presente caso o Fisco lançar errado, com fundamento jurídico diverso do que seria o lançamento triburtario. O argumento puro e simples de ter apresentado defesa – Impugnação – não significa que o contribuinte “entendeu” o lançamento e por isto estaria ultrapassada a falha no lançamento, pois afinal se não é apresentada a defesa fica constituído de maneira definitiva o crédito tributário. Ou seja, o Fisco aqui não pode se beneficiar da própria torpeza ao errar no lançamento e esperar que o contribuinte apresente defesa e “sane” o seu erro. Assim, percebese claramente que a decisão da DRJ pretendeu “salvar” o lançamento ao utilizar o argumento do artigo 282 do RIR, que inclusive não se encaixa no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar e anular o lançamento por vicio material tendo em vista o erro no enquadramento legal. Do Mérito Quanto ao mérito, o lançamento se refere à omissão de receitas decorrente de suprimento de numerário utilizado na integralização de aumento de capital em moeda corrente, cuja efetividade da entrega dos recursos à contribuinte e origem não foram comprovadas através de documentos hábeis e idôneos, no valor de R$2.000.000,00. Conforme se verifica do exame das peças que integram os autos, a fiscalização durante ação fiscal realizada junto à contribuinte verificou que no ano calendário de 2008 foi efetuado um aumento no seu capital social na ordem de R$2.100.000,00, sendo Fl. 872DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 9 8 R$100.000,00 provenientes de lucros acumulados e R$2.000.000,00 provenientes de recursos próprios, conforme 21ª Alteração Contratual de fls. 740/748, datado de 25 de novembro de 2008 e registrado na Junta Comercial de Pernambuco em 13/01/2009. Intimada pela fiscalização, através dos Termos de Intimação Fiscal n° 02(fls. 73/76) e n° 04 (fls. 138/142), a comprovar através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a contribuinte entregou recibos por ela emitidos (e assinados pelo sr. José Theodozio Netto), fls. 37/41, todos datados de 30 de dezembro de 2008, nos quais consta que os senhores José Theodozio Netto e Antonio Carlos Perruci Loureiro Alves realizaram, cada um, o aporte do valor de R$970.000,00, mediante depósito em conta corrente bancária da empresa, e que os demais sócios realizaram aportes de R$20.000,00 cada um, também mediante depósitos em conta corrente bancária da empresa. Também foi entregue cópia da movimentação bancária relativa aos dias 30/12/2008 (dois depósitos em cheque de R$500.000,00 cada), 19/08/2008 (depósito em dinheiro de R$500.000,00) e 22/08/2008 (depósito em dinheiro de R$49.000,00) às fls. 89/90, e cópia do Razão Analítico, fl. 87, relativo à conta caixa geral, onde consta lançamento a débito do valor de R$451.000.000,00 a título de adiantamento de aporte de capital do sócio José Theodózio Netto, em 08/08/2008. Analisando os documentos entregues, a autoridade fiscal verificou que as datas dos suprimentos feitos pelos sócios constantes dos referidos recibos e os registrados nos documentos apresentados divergiam dos registros da sua movimentação financeira. Foi esclarecido à contribuinte acerca da necessidade da comprovação da origem dos recursos creditados bem como da efetividade da entrega dos recursos relativos à integralização do aumento de capital em dinheiro, através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, com a finalidade de comprovar a origem externa dos recursos e a transferência dos mesmos para a conta da empresa (fls. 74, 140 e 154/155). Porém, a contribuinte não apresentou a documentação comprobatória solicitada conforme Termo de Verificação Fiscal, fl. 33, onde é informado que os únicos documentos entregues foram aqueles acima mencionados (recibos, cópia de página do livro Razão Analítico e cópia de extrato bancários), não comprovando a origem externa dos referidos recursos, constando explicitamente do item do citado Termo denominado “Omissão de receita falta de comprovação do aumento de capital”, fl. 34, que estava sendo efetuado lançamento referente à omissão de receita caracterizada por falta de comprovação dos recursos relativos à integralização em dinheiro do aumento de capital efetuado em 25 de novembro de 2008. A Recorrente alega que o aumento de capital correspondeu a parte transferida de conta passiva que registrava adiantamento para aumento de capital feito pelos sócios e parte integralizada em dezembro de 2008 através de cheques, com recursos auferidos pelos sócios a título de lucros de outra pessoa jurídica da qual seriam sócios. De igual forma, também foi alegado a comprovação por documentos da origem e efetividade da entrega de recursos pelos sócios nas datas dos respectivos adiantamentos para futuro aumento de capital e pela complementação ocorrida em 30/12/2008, afastando “a hipótese da previsão legal prevista no artigo 282 do RIR/99”. Afirma a Recorrente que seus sócios majoritários Antonio Carlos Perrucci Loureiro Alves e José Theodozio Netto são também sócios da ATP Gerenciamento Ltda, Fl. 873DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 10 9 conforme Sexta Alteração Contratual, datada de 29 de outubro de 2008 e registrada na JUCEPE em 18 de dezembro daquele ano (fls. 749/755) e que no curso do ano calendário de 2008 haviam auferido lucros distribuídos por ATP Gerenciamento e com eles haviam efetuado aportes de recursos para futuro aumento de capital da impugnante, alegando que a DIPJ apresentada tempestivamente indicaria a distribuição de lucros aos dois sócios no valor individual de R$3.448.301,36. Aduz que todas as transferências de numerário da distribuidora dos lucros para os beneficiários haviam ocorrido por meio de movimentação bancária comprovada pelos correspondentes extratos e por cópias de cheques, recibos devidamente assinados e pela contabilidade das duas pessoas jurídicas envolvidas. Que os ingressos de recursos na ATP Engenharia teriam sido devidamente contabilizados e coincidiriam em datas e valores com a contabilização da saída dos recursos da pessoa jurídica ATP Gerenciamento, tendo juntado cópias das folhas dos Livros Diários das duas pessoas jurídicas, nas quais teriam sido registradas as movimentações financeiras bem como cópia das folhas referentes aos Termos de Início e de Encerramento daqueles livros. Em seguida faz um relato dos aportes que teriam ocorrido, em ordem cronológica, todos referentes aos sócios José Theodozio Netto e Antonio Carlos Perrucci, os quais teriam efetuado, cada um, suprimentos no montante de R$1.000.000,00, totalizando R$2.000.000,00. Foi anexado como prova às fls.740/790 cópias de folhas do razão da conta “caixa geral” da ATP Engenharia Ltda; das fls. 922, 962, 971 e 1.625 do Diário n° 18 de ATP Engenharia; das fls. 36, 38, 41 e 77 do Diário n° 02 da ATP Gerenciamento; dos extratos bancários da c/c 097709, agência 4861, Banco Itaú de titularidade da ATP Gerenciamento referentes aos meses de agosto e dezembro de 2008, e da c/c 299137, agência 0814 do Banco Itaú, de titularidade de ATP Engenharia relativos ao mesmo período; dos cheques emitidos por ATP Gerenciamento n° 000089 datado de 19/08/2008 no valor de R$500.000,00, n° 00090 datado de 18/08/2008, no valor de R$49.000,00, n° 000207, datado de 26/12/2008, no valor de R$500.000,00 e n° 000206, datado de 26/12/2008 no valor de R$500.000,00; cópias dos depósitos dos cheques 000206 e 000207 datados de 30/12/2008 e recibos assinados pelos referidos sócios relativamente aos pretensos lucros distribuídos. Finaliza requerendo seja afastada a presunção de omissão de receitas imputada pois estaria comprovada a origem dos recursos bem como a efetividade de sua entrega e que sejam estendidas as alegações apresentadas aos lançamentos decorrentes do PIS, COFINS e CSLL. Diante do exposto, vejamos o conceito aqui discutido. Na omissão de receita originada de presunção legal – falta de comprovação da efetiva entrega e origem de numerário pelos sócios à empresa –, transferese o ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação tributária. São consideradas operações autênticas de suprimento de numerário, quando se comprova, de forma cabal, que os recursos provieram de fontes externas à empresa e lhe foram efetivamente entregues. Nessa hipótese, remanescem provas da passagem ou da entrega dos recursos financeiros das fontes externas para a empresa. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 11 10 Quando a pessoa jurídica não comprova, através de documentação hábil e idônea, o efetivo ingresso e a origem de recursos, o suprimento é indício de omissão de receita, configurandose a presunção juris tantun, no sentido de que o suprimento de numerário foi efetivado mediante utilização de recursos provenientes de receitas omitidas na escrituração da empresa, legitimandose, assim, a tributação de tais parcelas com lucros subtraídos à tributação. O Parecer Normativo CST n° 242/71, ao tratar da comprovação de suprimentos de caixa, dispôs que a comprovação deve ser feita através de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores que comprove a proveniência do numerário respectivo, a origem dos saldos bancários do supridor ou do dinheiro em cofre, e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. O Fisco, não encontrando prova positiva, pedea. A Recorrente não trouxe qualquer documento hábil comprobatório aos autos a comprovar a origem dos suprimentos efetuados pelos sócios, senão vejamos: Inicialmente, ainda durante a ação fiscal, após ser intimada a comprovar os suprimentos relativos à integralização em dinheiro do aumento de capital, através do documento de fls. 71/72, a contribuinte afirmou que os sócios majoritários haviam integralizado R$970.000,00, cada um, em dinheiro, enquanto que os outros três outros sócios minoritários haviam integralizado R$20.000,00 cada um, apresentando como prova recibos emitidos por ela(contribuinte) e assinados pelo sócio majoritário José Theodozio Netto, sócioadministrador conforme clausula 6.1 da 21ª alteração contratual de fl. 744,conforme fls. 77/81 e fls 87/90. A par disso, consta da clausula segunda da 21ª Alteração Contratual, fl. 741, a discriminação da participação de cada sócio o que corresponderia ao aporte conforme os valores constantes dos recibos acima mencionados. No entanto, conforme já relatado neste voto, os documentos apresentados pela contribuinte continham informações conflitantes com as acima mencionadas, a saber: cópia de extrato bancário da conta 299137 do Banco Itau referentes aos meses de agosto e dezembro onde constam depósitos de R$500.000,00 e R$49.000,00 em agosto e dois depósitos de R$500.000,00 em dezembro, além de cópia do Razão onde conta adiantamento efetuado pelo sócio José Theodozio Netto em agosto no valor de R$451.000,00. Portanto, a documentação apresentada além de não corresponder em datas e valores não se encontrava lastreada em documentos que permitissem comprovar a efetividade da entrega e origem dos recursos. Contraditoriamente, em sua peça de defesa, apresenta novos argumentos e recibos. Desta feita, alega que apenas os dois sócios majoritários efetuaram suprimentos para o aumento de capital, informando que ambos haviam integralizado R$2.000.000,00 cada um. Alega a contribuinte, em sua impugnação, que os sócios majoritários Antonio Carlos Perrucci Loureiro Alves e José Theodozio Netto eram também sócios da ATP Gerenciamento Ltda e que no curso do ano de 2008 “auferiram lucros distribuídos por ATP Gerenciamento Ltda e com eles fizeram aportes de recursos para futuro aumento de capital da impugnante.” Aduz que a DIPJ tempestivamente apresentada pela ATP Gerenciamento reportaria a distribuição de lucros aos dois sócios no valor individual de R$3.448.301,36. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 12 11 Que todas as transferências de numerário da distribuidora de lucros para os beneficiários haviam ocorrido “através de movimentação bancária, comprovada não só pelos extratos correspondentes, mas também pelas cópias de cheques, por recibos devidamente assinados e pela contabilidade das duas pessoas jurídicas envolvidas. Tendo a contribuinte registrado em sua contabilidade suprimentos de numerário, cabia a ela comprovar que os recursos foram efetivamente entregues pelos seus sócios e deram entrada na empresa e a origem desses recursos, o que deve ser feito com documentos legalmente adequados à finalidade a que se destinam. Não foi o que ocorreu no presente caso. No que diz respeito à DIPJ, temse que além de não constituir documento hábil, visto seu caráter declaratório, a mesma foi entregue em 30 de junho de 2009, quando a contribuinte se encontrava sob procedimento fiscal conforme Termo de Início cuja ciência ocorreu em 08 de abril de 2009, conforme AR de fl. 60 dos autos. No que se refere à apresentação de cópias de folhas do Diário n° 18 e Razão da ATP Engenharia e do Diário n° 02 da ATP Gerenciamento, temse que a presunção de veracidade da contabilidade, sem a concomitante apresentação dos documentos, papéis, registros, e outras peças que apóiam ou suportam aqueles lançamentos, não é suficiente para corroborálos, haja vista o disposto no art. 923 do RIR/99. Em relação ao valor de R$451.000,00 constante do livro Razão da ATP Engenharia anteriormente citado, como “adiantamento de aporte de capital do sócio José Theodozio Netto” e do lançamento constante do Livro Diário Geral da ATP Gerenciamento, fl. 766 como “valor referente a distribuição de lucro – José Theodozio Netto”, foram trazidos como prova, extrato da conta da empresa ATP Gerenciamento (fls. 773/775) onde há um débito no referido valor relativo a “autorização de pagamento” e recibo assinado pelo próprio José Theodozio Netto (fl. 776) declarando ter recebido o valor de R$451.000,00 a título de “antecipação do pagamento de distribuição de lucros do ano de 2008”. Constatase que os documentos apresentados não são hábeis a comprovar quer a efetividade da entrega quer a origem externa desses recursos posto que o único documento a correlacionar a “ordem de pagamento” constante do extrato bancário da ATP Gerenciamento com o valor lançado na contabilidade da ATP Engenharia é recibo emitido pelo próprio sócio José Theodozio Netto (sócio das duas empresas). Relativamente ao valor de R$500.000,00 constante do Extrato da ATP Engenharia, fl. 777, como “depósito em dinheiro” em 19/08/2008 e lançado no seu Livro Diário, fl. 760, como “adiantamento para aumento de capital social pelo sócio Perrucci”, a contribuinte trouxe como prova cópia do cheque n° 000089, fl. 779, no valor de R$500.000,00 de emissão da ATP Gerenciamento e nominal a ATP Engenharia, no verso qual consta a indicação da Sra. Sumere Araújo S.Pinheiro como gerente financeira das duas empresas e, à fl. 780, recibo assinado pelo sócio Antonio Carlos Perruci Loureiro Alves, declarando haver recebido a referida quantia a título de antecipação do pagamento de distribuição de lucros do ano de 2008. No que se refere ao valor de R$49.000,00 constante do Livro Diário n° 18 da ATP Engenharia Ltda, fl. 761, como “integralização de capital”, novamente temse recibo, fl. 782, assinado pelo sócio José Theodozio Netto afirmando ter recebido a ATG Gerenciamento o Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 13 12 referido valor a título de antecipação do pagamento de distribuição de lucros do ano de 2008 e à fl. 782, cópia de cheque emitido pela ATP Gerenciamento nominal à própria no referido valor. Novamente não há prova cumulativa da origem e entrega do recurso efetuado pelo sócio à contribuinte. Mesma sorte seguiu a tentativa de comprovação da origem do aporte realizado pelo sócio José Theodozio Netto escriturado como tendo sido efetuado em 30/12/2008 no valor de R$500.000,00, conforme depósito efetuado na conta corrente da contribuinte, conforme extrato de fl. 778 e Diário de fl. 762, quando foi apresentado como comprovação recibo (fl. 788) afirmando ter recebido a ATG Gerenciamento o referido valor a título de antecipação do pagamento de distribuição de lucros do ano de 2008 e cópia de cheque (fl. 786) de cheque emitido pela ATP Gerenciamento e nominal à mesma datado de 26 dezembro de 2008, constando no verso assinatura do Sr. José Theodozio Netto como diretor. É necessário ser salientado que o Sr. José Theodozio Netto havia se retirado da ATP Gerenciamento conforme 6ª Alteração Contratual de fls. 749/755, em sua clausula terceira, mediante venda da totalidade de suas quotas pelo valor total de R$200.000,00. Por fim, quanto ao aporte de R$500.000,00 escriturado como realizado pelo sócio Antonio Carlos Perruci Loureiro Alves em 30/12/2008, conforme registrado no Diário n° 18 da ATP Engenharia, fl. 762, e constante do seu extrato de conta bancária depósito em cheque no dia 30/12/2008 do valor de R$500.000,00, foi apresentada cópia do cheque de fl. 789 de emissão da ATP Gerenciamento nominal à ATP Gerenciamento e mais uma vez trazido como comprovação da origem dos recursos, o recibo de fl. 791 emitido pelo próprio sócio declarando ter recebido tal valor a título de antecipação do pagamento de distribuição de lucros do ano de 2008. Da mesma forma, considero não comprovada a origem dos recursos conforme anteriormente explanado. Por todo o exposto, correta a autuação uma vez que a contribuinte não conseguiu demonstrar, cumulativamente, a origem e a efetiva entrega dos recursos, nem conseguiu comprometer com seus argumentos a imputação fiscal. Assim, voto no sentido de, acolher a preliminar para cancelar o auto de infração e, vencido nessa parte, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado O ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, onde analisou a arguição de nulidade do lançamento concluindo que teria havido falha insanável no presente lançamento. Por esta razão, o ilustre Relator votou no sentido de acolher a preliminar e anular o lançamento por vicio material tendo em vista o erro no enquadramento legal. Após prolongados debates, foram colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, tendo o ilustre Relator restado parcialmente vencido, pelo voto de qualidade, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, este colegiado negou provimento ao recurso voluntário. Fui designado pelo conselheiro Presidente para redigir o voto vencedor, exclusivamente em relação à preliminar de nulidade. É o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Preliminar de nulidade A recorrente, repetindo o que fizera na fase impugnatória, apresentou preliminar de nulidade por considerar que o presente lançamento contém diversas incorreções que acarretariam o cerceamento ao seu direito de defesa. Alegou, precipuamente, que houve falha no enquadramento legal constante dos Autos de Infração, o qual fez referência apenas ao art. 528 do RIR/99 (o qual autoriza a inclusão de receitas omitidas), abstendose porém de fazer menção a qualquer dispositivo legal que indicasse ser receita omitida a integralização de capital pelos sócios. Arguiu, outrossim, a ocorrência de defeito na descrição dos fatos, apontando pretensas contradições no relatório efetuado pela autoridade fiscal. Forte nestes argumentos, requereu a declaração da nulidade do lançamento, posto que o devido enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos constituem elementos essenciais do auto de infração, conmforme art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Não assiste razão à recorrente. Conforme bem apontado pela decisão de piso, o relato das infrações constatadas pelo Fisco deve ser completo de modo a não restringir o pleno conhecimento, pelo autuado, dos fatos que motivaram a ação fiscal, para que este, tomando conhecimento do que lhe está sendo exigido, possa se defender adequadamente. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 15 14 Eventuais vícios ou defeitos contidos no lançamento podem ser superados, desde que não causem prejuízo aos direitos do contribuiinte, em especial o direito à ampla defesa. No presente caso, apesar de o enquadramento legal estar incompleto, a Descrição dos Fatos (Termo de Verificação Fiscal, fls 24/35) e os Termos de Intimação lavrados no curso da ação fiscal (fls. 73/76, 138/142 e 154/157, todos devidamente cientificados à contribuinte) permitiram o integral conhecimento, pela contribuinte, de todas as condutas que lhe foram imputadas. Assim, os presentes lançamentos, na forma como foram constituídos, propiciaram à contribuinte o pleno exercício do seu direito de defesa, respeitando se o devido processo legal. Conforme bem apontado pela decisão de piso, a pessoa jurídica autuada revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em detalhada defesa. Em resumo: não obstante a não inclusão do art. 282 do RIR/99 como fundamento legal da autuação, tal impropriedade não trouxe qualquer prejuízo à contribuinte, que claramente entendeu o teor da fiscalização, podendo apresentar impugnação alentada e coerente, inclusive fazendo referência ao retrocitado dispositivo legal. No que tange às pretensas contradições apontadas pelo recorrente, elas foram devidamente refutadas pela decisão de piso, verbis: A primeira pretensa contradição apontada referese a trecho do Termo de Verificação Fiscal, fl. 32, em que a contribuinte reproduz parte do texto na tentativa de induzir o julgador a entender que a autoridade administrativa havia afirmado que a contribuinte havia apresentado documentação hábil e idônea da efetividade da entrega dos recursos creditados referentes ao aumento de capital de que trata a 21ª alteração contratual. Na verdade, conforme se verifica pela leitura do referido Termo à fl. 32, a autoridade administrativa relata que tendo verificado aumento de capital registrado em abril de 2004, havia solicitado a comprovação do aumento de capital efetuado pelos sócios conforme verificado através da 15ª alteração contratual no valor total de R$400.000,00 e, conforme 21ª alteração contratual, o valor de R$2.000.000,00, com a apresentação da documentação hábil e idônea os recursos creditados e a efetividade da entrega. Constatase, portanto, que ao contrário do que a contribuinte quis fazer crer, o que consta do texto do mencionado Termo de Verificação é que ao verificar os aumentos de capital integralizados, a fiscalização intimou a contribuinte a comprovar a efetividade da entrega e origem dos recursos creditados mediante documentação hábil e idônea. Em relação ao que seria a segunda contradição apontada, fl. 717, o que se constata da leitura do texto constante à fl. 32 é que o mesmo se refere a documentos entregues pela contribuinte em resposta a intimações realizadas pela fiscalização no sentido de Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 16 15 efetuar a comprovação acima mencionada, conforme Termos de Intimação de fls. 73/75 e 154/157 (AR fls. 76 e 157), especificamente trecho constante à fl. 74 e fl. 154. [...] Ou seja, mais uma vez não se constata qualquer contradição por parte da fiscalização, ao contrário, o que se verifica é o relato fidedigno feito pela fiscalização das intimações realizadas e dos documentos apresentados pela contribuinte em resposta àquelas no sentido da comprovação da origem dos recursos creditados e da efetividade da entrega das respectivas quantias. No que se refere à última pretensa contradição apontada pela contribuinte, verificase que foi reproduzida parte do texto constante do Termo de Verificação Fiscal, fl. 33, no qual a fiscalização relata como a contribuinte justificou a forma pela qual foi realizada a integralização do aumento de capital social constante da 21ª alteração contratual, o qual passou de R$4.000.000,00 para R$6.100.000,00. [...] Verificase, então, que a contradição ocorreu entre o alegado pela contribuinte em documento de fls. 71/72 e as informações constantes dos recibos de fls 77/81 e dos valores constantes do seu livro Razão Analítico (fl. 87) e extrato bancário (fls. 89/90), uma vez que enquanto dos recibos datados de 30 de dezembro de 2008 constava a informação de que os sócios haviam efetuado aportes mediante depósito efetuado perante o banco Itaú, agência 0814, conta corrente nº 299137, dos valores de R$970.000,00 (de cada um dos dois sócios majoritários) e de R$60.000,00 ( sendo R$20.000,00 de cada um dos outros três sócios), o razão analítico indicava aporte em 08/08 de R$451.000,00 efetuado em agosto como adiantamento de aporte de capital efetuado pelo sócio José Theodózio Netto e do extrato bancário constam depósitos em dinheiro(sem identificação do(s) depositante(s)) de R$500.000,00 em 19/08 e de R$49.000,00 em 22/08 e dois depósitos em cheque efetuados em 30/12 nos valores de R$500.000,00, totalizando o valor de R$2.000.000,00 (R$451.000,00 + R$49.000,00 +R$ 500.000,00 + R$500.000,00 + R$500.000,00 = R$2.000.000,00). Ou seja, apesar de em ambos os casos os valores totalizarem R$2.000.000,00 a forma e o valor de cada parcela foram informados pela contribuinte de forma diversa da constante no extrato bancário e dos recibos por ela mesma fornecidos. Resulta, pois, totalmente afastada a hipótese de cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Correto, pois, o entendimento do colegiado julgador a quo, no sentido de considerar que, não obstante a imperfeição do enquadramento legal, o lançamento é válido e eficaz. Neste sentido, também se manifrestou com muita propriedade o acórdão recorrido, fls. 802: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10480.722486/200985 Acórdão n.º 1401001.366 S1C4T1 Fl. 17 16 Corroborando com este entendimento, temse que um dos princípios regedores dos sistemas das formas e das nulidades processuais (sistema da instrumentalidade das formas e dos atos processuais), é o da finalidade da lei e do prejuízo, também contido no código de processo civil (C.P.C.), no qual "os atos são havidos como válidos ou inválidos, segundo tenham ou não, atingido a sua finalidade, inocorrendo, portanto, qualquer prejuízo, conforme acima se demonstrou. Também o Código de Processo Civil, em seus artigos 150, 244, 249 §§1º e 2º , 250 e §1º, trata, acerca da economia processual, do aproveitamento e renovação dos atos processuais, que: " Não sendo a forma um fim em si mesma, mas um meio tendente a um fim, não será de sacrificarse o processo por um vício, de forma que, sempre possa ser suprido, a forma corrigida ou o ato repetido". A jurisprudência administrativa, também, já se pronunciou sobre o assunto através do Acórdão da CSRF / 010607, de 12.12.85: " Uma vez que as formas e os atos processuais têm caráter instrumental, se a finalidade da lei for alcançada, embora a mediante forma imperfeita, há de se ter a forma e o ato como válidos". Conclusão Diante de todo o exposto, voto pela rejeição da preliminar de nulidade. No mérito, acompanho o voto do Conselheiro Relator, negando provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 19515.720550/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar o vínculo de responsabilidade enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõe a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1302-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Rogério Aparecido Gil. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar o vínculo de responsabilidade enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõe a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Rogério Aparecido Gil. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. O julgador administrativo não está obrigado a responder todos os argumentos da defesa se já expôs motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Todavia, a omissão acerca do exame de argumento apresentado como hábil a isoladamente afastar o vínculo de responsabilidade enseja cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e impõe a declaração de nulidade parcial da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR PARCIALMENTE a decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Rogério Aparecido Gil. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 50 /2 01 3- 08 Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório FRIGORÍFICO MARGEM EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL (sucessora de Margem S/A) e responsáveis tributários Total S/A, Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE que, por maioria de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 03/06/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 46.927.301,43. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação dos impostos e contribuições descritas em cada Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 445 a 466. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos Autos de Infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: a empresa Margen S/A foi incorporada pela empresa Frigorífico Margen Ltda, na data de 04/11/2009, razão pela qual este procedimento fiscal se originou na empresa incorporadora. A empresa Frigorífico Margen Ltda encontrase em processo de recuperação judicial, em decorrência deste plano de recuperação judicial, a empresa Frigorífico Margen Ltda cindiuse parcialmente, em 17/06/2010, vertendo parte de seu patrimônio para a empresa Total Administrações e Participações S/A, CNPJ 12.184.079/000137, hoje denominada Total S/A; a ação fiscal foi iniciada com a ciência do Termo de Início do procedimento Fiscal em 24/05/2011, por meio do qual foram solicitados à empresa sucessora Frigorífico Margen Ltda elementos/documentos referentes à empresa incorporada Margen S/A. Pela falta de apresentação de resposta, lavrouse Termo de Reintimação Fiscal em 15/07/2011. Apesar de intimada e reintimada, a empresa não logrou apresentar nenhum documento/elemento solicitado. Por este fato, a autoridade fiscal encaminhou Termo de Constatação, Ciência e Intimação Fiscal para o endereço de todos os responsáveis pela empresa Margen S/A e de sua sucessora Frigorífico Margen Ltda, conforme listados às fls. 448 e 449. Nas observações do Termo, constou que a não apresentação dos documentos/elementos exigidos pela empresa, acarretaria o arbitramento de seu IRPJ e reflexos; em resposta, a empresa Total Participações S/A alegou não possuir os documentos solicitados por não ser responsável pelas obrigações tributárias da empresa Margen S/A. (fls. 450), não anexando nenhum documento, sobretudo referente ao plano de recuperação judicial; os intimados Sebastião Douglas Sorge Xavier, Carlos José Rolim de Melo e Mauro Cezar Leschziner afirmaram não serem representantes legais da empresa Margen S/A e não apresentaram documentos, em razão de não pertencerem ao quadro societário da empresa; os intimados Frigorífico Margen Ltda, Marcelo Valles Bento, Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo não apresentaram resposta; Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 4 3 em continuidade ao procedimento fiscal, houve a emissão de outro Termo de Reintimação Fiscal em 21/08/2012 direcionado às pessoas jurídicas e físicas acima citadas, obtendose respostas semelhantes às já obtidas; a fiscalização emitiu ofícios às Secretarias de Fazenda dos Estados em que a empresa Margen S/A possuía estabelecimentos solicitando informações acerca do movimento de entradas e saídas de insumos/mercadorias/produtos, os quais foram respondidos e serviram de base para os lançamentos desses Autos de Infração. Com base nessas informações, a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos dos valores constantes nas planilhas “Receita de Revendas de Mercadorias e Receita de Venda de Produtos Fabricados” e “Aquisição de Produto Rural”, apurados a partir das Guias de Apuração e Informação do ICMS GIAs, sob pena de ter o IRPJ e reflexos arbitrados. Não foram apresentados documentos e esclarecimentos solicitados; de posse das GIAs, a fiscalização constatou que a empresa Margen S/A apurou receita de vendas de mercadorias e produtos maior que a receita informada na DIPJ/2009. Verificou que o único valor de Receita informado na DIPJ, qual seja, R$ 20.159.037,11, coincide com o valor informado na DACON do mês de 06/2008. Tanto na DIPJ quanto na DACON, não há valor de tributo a recolher (há prejuízo fiscal de IRPJ, base de cálculo negativa de CSLL e saldo credor de PIS e de COFINS), razão pela qual a empresa não declarou em DCTF valor de tributo a recolher. Dessa forma, a base de cálculo declarada, R$ 20.159.037,11, foi lançada sem qualificação da multa em outro Auto de Infração; em relação aos valores apurados com base nas GIAs que ultrapassaram o montante de R$ 20.159.037,11, a fiscalização concluiu que a empresa Margen S/A apresentou a DCTF com omissão de receitas. Além disso, a empresa apresentou as DIPJs com informação falsa quanto à data do evento da incorporação (DIPJ original – 31/08/2008 e DIPJ retificadora– 30/09/2008), uma vez que a empresa apresentou as GIAs até o mês 10/2009. Por essas razões, o lançamento neste Auto de Infração foi efetuado com multa qualificada, nos termos do art. 44, § 1º, da lei 9.430/96; DO LANÇAMENTO DO DÉBITO pela falta de apresentação dos documentos/esclarecimentos solicitados até a presente data, principalmente em relação aos livros contábeis (diário e razão), a Autoridade Fiscal arbitrou os valores do IRPJ e reflexos. Para tanto, utilizouse os valores informados nos CFOPs de venda de mercadorias e produtos, constantes das GIAs, declaradas pela empresa às Fazendas Estaduais, e deduziuse os valores informados nos CFOPs de devolução de mercadorias e produtos; para alcançar o valor da base de cálculo dos tributos aqui lançados, a Autoridade Fiscal preparou a seguinte planilha abaixo: Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 5 4 a Autoridade esclareceu que segregou os valores acima em duas bases de cálculo distintas pelo seguinte: 4.4.1. Os valores constantes na coluna (C) tratam de venda de mercadorias e produtos cujos CFOPs indicam incidência dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme se pode observar nas planilhas anexas "GIA Receita de Revenda de Mercadorias com incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS" e "GIA Receita de Produtos Fabricados com incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS". 4.4.2. Os valores constantes na coluna (F) tratam de venda de mercadorias e produtos cujos CFOPs indicam apenas incidência dos tributos IRPJ e CSLL, conforme se pode observar nas planilhas anexas "GIA Receita de Revenda de Mercadorias com incidência de IRPJ e CSLL" e "GIA Receita de Produtos Fabricados com incidência de IRPJ e CSLL". Isto porque se trata CFOP de mercadorias e produtos vendidos à Zona Franca de Manaus ou destinados à exportação, sobre os quais não incidem a contribuição para o PIS e a COFINS. 4.4.2.1. Observamos que, na planilha "GIA Receita de Produtos Fabricados com incidência de IRPJ e CSLL", apesar da devolução de vendas de R$ 70.231,41 ter ocorrido no mês de 08/2008, apropriamos tal devolução no mês 07/2008, em razão de não ter havido esse tipo de venda no mês 08/2008. No entanto, tal apropriação não prejudica o contribuinte, apenas o beneficia. Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 6 5 4.5. Importante observar que o lançamento dos valores da competência 06/2008 foi tratado em auto de infração distinto deste, constante no processo administrativo fiscal nº 19515.720549/201375. DAS CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES E QUALIFICADORAS para todo o período coberto pelo Auto de Infração, a Autoridade Fiscal agravou a multa de ofício em 50%, com base no art. 44, § 2º, inc. I e II, da Lei 9.430/96, tendo em vista o não atendimento pelo sujeito passivo dos esclarecimentos solicitados pela fiscalização, assim como pela não apresentação de seus arquivos digitais fiscais, nos termos da IN 86/2001 c/c ADE 15/2001; quanto à qualificação da multa que resultou na duplicação da multa de ofício, a Autoridade Fiscal ressaltou que a empresa atribuiu tratamento diverso daquele exigido pelo dispositivo da Lei 4.502/64, ao deixar de declarar em DCTF o valor do IRPJ e reflexos, apurados a partir das receitas informadas nas GIAs, insurgindo, em tese, em crimes previstos na Lei 4.502/64 e na Lei 8.137/90; DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA não obstante a constatação de irregularidades fiscais na empresa Margen S/A, a responsabilidade pelos tributos lançados foi atribuída à empresa Frigorífico Margen ltda, em razão de ser responsável por sucessão (incorporação) da empresa Margen S/A, conforme disposto no art. 132 do CTN; também a empresa Total S/A, CNPJ 12.184.079/000137, é solidariamente responsável, pois esta empresa foi criada por cisão parcial decorrente do processo de recuperação judicial promovido pelo Frigorífico Margen Ltda e seus credores. Logo, inferese que a empresa Total S/A é sucessora por cisão parcial da empresa Frigorífico Margen Ltda e exerce atividade similar à de sua sucedida (exploração de atividades frigoríficas etc). Aplicase na cisão parcial a responsabilidade solidária pelas obrigações da empresa cindida, anteriormente à cisão, conforme disposto nos arts. 124 e 132 do CTN e no art. 233 da lei 6.404/76. Observese que os débitos lançados remetemse a fatos geradores ocorridos anteriormente à cisão, afastando a alegação da empresa Total S/A de que “Qualquer passivo oculto será de exclusiva responsabilidade do Frigorífico Margen Ltda”. Ademais, o art. 123 do CTN é muito claro ao dispor que qualquer disposição entre particulares é inoponível ao fisco. Corroborando a estrita legalidade da responsabilidade solidária aqui cominada, têmse o art. 128 do CTN e o art. 5º do Decreto nº 1.598/77, que veio a regulamentar, em relação à Lei das SA, a questão da responsabilidade em matéria federal, atribuindo responsabilidade solidária à empresa cindida e à empresa cindenda; por fim, em virtude da subsunção da conduta praticada pelos administradores da empresa Margen S/A à previsão legal contida no art. 135 do CTN, em razão da infração da Lei 4.502/64 e Lei 8.137/90, restou evidenciada a responsabilidade solidária de tais administradores, conforme art. 124, inc. II, c/c art. 121, ambos do CTN; assim, a Autoridade Fiscal encaminhou Termo de Sujeição Passiva Solidária aos seguintes responsáveis solidários: a) Empresa Total S/A; b) Mauro Suaiden; c) Geraldo Antônio Prearo. Foi realizada Representação Fiscal para fins penais. A sucessora Frigorífico Margen Ltda impugnou a exigência arguindo a nulidade do lançamento por violação à ampla defesa, arguindo força maior para não Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 7 6 apresentação da documentação exigida, dado o recolhimento e remessa dos documentos à Comarca de Rio Verde/GO em razão do processo de recuperação judicial. Afirmou a ilegitimidade e impropriedade da imputação de responsabilidade solidária a Total S/A e às pessoas físicas Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, e, no mérito, opôsse ao arbitramento em razão da força maior antes referida e do cerceamento à sua defesa pela impossibilidade de conferência dos valores consignados no lançamento. Discordou também do agravamento da penalidade, e afirmou a inocorrência de sonegação, conluio, fraude ou omissão dolosa, bem como requereu diligência para aferir a veracidade de suas alegações. A responsável tributária Total Administrações e Participações S/A relata sua criação no âmbito do processo de recuperação judicial e observa que a Lei nº 11.101/2005 afasta a sucessão, não sendo aplicáveis as disposições do CTN, da Lei das S/A ou do Decreto lei nº 1.598/77. A atuação da Receita Federal prejudicaria credores e terceiros de boafé, além de inviabilizar a recuperação judicial. Os responsáveis tributários Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden apresentaram impugnação com argumentos semelhantes aos de Frigorífico Margen Ltda. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não se tratando das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, incabível falar em nulidade do lançamento fiscal. CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. Havendo no lançamento informações e justificativas que permitam ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, também não se caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real trimestral implica no arbitramento do lucro. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MULTA QUALIFICADA. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. MULTA AGRAVADA. O sujeito passivo deixou de atender a algumas intimações. Devido o agravamento. Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 8 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. É do Poder Judiciário a prerrogativa de determinar as obrigações a serem cumpridas pela contribuinte em processo de recuperação judicial, quando da possível execução da dívida. No julgamento administrativo, o foco é a regular constituição do crédito tributário e a responsabilidade solidária. A responsabilização solidária, no caso de recuperação judicial, é aspecto inerente à execução do débito. Divergiu o Julgador Giovanni Christian Nunes Campos, que votou pela exclusão da multa agravada. Frigorífico Margen Ltda foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/05/2014 (fl. 2571), e os responsáveis tributários Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden em 23/05/2014 (fls. 2573/2574), todos apresentando recurso voluntário em conjunto com Verena Maria Bannwart Suaiden em 24/06/2014. Preliminarmente os recorrentes argúem a tempestividade do recurso, vez que cientificada a pessoa jurídica em 22/05/2014 e as pessoas físicas em 23/05/2014, o termo inicial da contagem do prazo seria 26/05/2014, dado que 24/05/2014 foi sábado. Observam, também, a inconstitucionalidade de depósito ou arrolamento prévios para admissibilidade do recurso administrativo. Na sequência, reafirmam a nulidade do lançamento por prejuízo à ampla defesa, vez que desconsiderada a força maior a que os recorrentes estavam e estão submetidos, da qual decorre a impossibilidade de se cumprir os prazo consignados pela recorrida. Ressaltam que a Fiscalização reconheceu que a pessoa jurídica está sob regime de recuperação judicial, circunstância em que afirmam notório que toda a documentação pertinente à impetrante (Matriz e Filiais) é recolhida, por força do Juízo Universal da Recuperação, sendo que no presente caso os documentos foram remetidos à Comarca de Rio Verde/GO, para análise da admissibilidade do pedido de recuperação. Acrescentam ser inconteste que os recorrentes jamais negaram a exibição ou entrega dos documentos, dizem que o prazo concedido foi exíguo e observam que seriam milhares de documentos referentes ao período fiscalizado 2008/2009, além da documentação pertencente às empresas coligadas, também remetidos ao juízo. Destacam que não havia risco de prescrição ou decadência, que o MPF havia sido prorrogado e estava válido, evidenciandose a desnecessária e manifesta "sanha de exação" com que a recorrida lançouse sobre os recorrentes, impedindo o atendimento às exigências, os esclarecimentos e a defesa. Invocam o art. 16, §4º, alínea "a" do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 57, inciso V, §5º do Decreto nº 7.574/2011, mas ressalvam que estão impedidos de se valer da faculdade prevista no §7º do inciso III do §4º do referido art. 57 do Fl. 2721DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 9 8 Decreto nº 7.574/2011 porque os documentos solicitados pela recorrida ainda continuam "sub judice". No mérito, observam que o lançamento decorre da falta de atendimento às intimações, e ainda se vale de dados unilaterais, obtidos junto às Secretarias de Fazenda Estaduais, com prejuízo à defesa porque tolhido dos recorrentes o direito de conferir e comprovar as origens e exatidão dos valores indicados, os quais, ainda conforme consta expressamente no "Termo de Verificação Fiscal", foram deduzidos pela recorrida. Entendem que os dados assim obtidos não podem se prestar como base para as autuações, mormente tendo em conta que a multa aplicada foi agravada e qualificada. Asseveram que nada nos autos evidencia que os recorrentes se enquadram nos dispositivos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, inexistindo sonegação, omissão, fraude ou dolo, mas apenas impedimento decorrente de força maior. Citam julgados administrativos que teriam decidido ser inaplicável a Multa de Ofício Qualificada, bem como, inaplicável concomitantemente a Multa Agravada, tendo ambas a mesma base de cálculo, quando não ocorre fraude ou evidente intuito desta, omissão ou dolo, e invocam a Súmula CARF nº 14, além de se reportarem às decisões do Supremo Tribunal Federal contra multas com feições confiscatórias. Concluem que o Auto de Infração que deu origem à decisão ora recorrida, foi lavrado com base em "deduções" da recorrida, ilegítimas e equivocadas, obtidas unilateralmente; portanto, "data máxima venia", é inevitável sua anulação. Mencionam a aferição de eventual crédito tributário por meio de nova diligência mas observam que requereram perícia na documentação indicada pela recorrida, elencada no MPF nº 08190002011008759, que originou a autuação, isto para o exame da "dedução" formulada pela recorrida no Auto de Infração, e mesmo demonstrando sua imprescindibilidade e indicando perito, formulando quesito inicial e protestando pela apresentação de novos quesitos, tal pedido foi indeferido por não restar dúvidas acerca dos elementos presentes no processo. Aduzem que não tiveram oportunidade de apresentar ou examinar os documentos, e só houve produção de provas pela Fiscalização. Na sequência, classificam de ilegítima e imprópria a atribuição de responsabilidade tributária a Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden, e asseveram que o relator da decisão recorrida não teria examinado suas impugnações ao afirmar que não houve uma impugnação específica do vínculo de solidariedade. Afirmam que ofertaram tal defesa tanto no bojo da impugnação da pessoa jurídica, como também nas impugnações individualmente apresentadas pelas pessoas físicas, e tais defesas, simplesmente, deixaram de ser apreciadas na decisão ora recorrida. Reportamse ao art. 135 do CTN e asseveram que as pessoas físicas não praticaram qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, e estavam, e estão, impossibilitados de atender a fiscalização. Apontam, ainda, omissão do acórdão recorrido quanto ao pedido de Verena Maria Bannwart Suaindem quanto ao pedido de exclusão de seus bens particulares, indevidamente arrolados pela recorrida, tendo em conta ser casada sob regime de separação total de bens, como demonstrado em impugnação. Fl. 2722DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 10 9 Total S/A foi cientificada do lançamento em 26/05/2014 (fl. 2572) e apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 18/06/2014 (fls. 2576/2586). Relata que o Grupo Margen adentrou com pedido de recuperação judicial em 30/10/2008, o qual tramita na Comarca de Rio Verde/GO, tendo sido realizada Assembleia Geral de Credores que aprovaram o plano de recuperação judicial, objeto de decisão publicada em 05/10/2009. Referido plano atendendo ao disposto no art. 50, II da Lei nº 11.101/2005, contemplou a criação de uma nova empresa, inicialmente denominada de "NewM S/A" (nome provisório), mediante a reversão de parte do patrimônio das empresas em recuperação judicial que compõe o Grupo Margem, para pagamento aos credores mediante emissão de ações e/ou debentures desta nova empresa. Esta a empresa que, criada em 17/05/2010, passou a se denominar Total S/A, mediante cisão que se destinou a satisfazer o crédito de milhares de fornecedores do Grupo Margen. Argumenta que o art. 60, § único da Lei nº 11.101/2005 prevê que, havendo no plano de recuperação judicial aprovando a previsão de alienação de bens para cumprimento do Plano, não haverá sucessão para os adquirentes, inclusive de natureza tributária, de modo que tal lei específica afasta a aplicação do CTN, da Lei das S/A e do Decretolei nº 1.598/77. Aduz que o arrolamento de seus bens pela Receita Federal representa intervenção no plano de recuperação judicial do "Grupo Margen", prejudicando os credores, terceiros de boafé, e o próprio cumprimento do plano de recuperação judicial, podendo inviabilizála. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça que teria afastado procedimento fiscal, quando este é capaz de interferir no êxito da recuperação judicial de uma empresa. Ressalta que os privilégios a empregados e à Fazenda Pública só estão previstos em caso de falência, e não se aplicam em sede de recuperação judicial. Pede, assim, que seja afastada a solidariedade que lhe foi imputada, determinandose o levantamento do arrolamento que recaiu sobre seus bens, de forma a não prejudicar o cumprimento do Plano de Recuperação Judicial já aprovado e homologado de conformidade com os trâmites legais. Fl. 2723DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre, preliminarmente, apreciar a alegação dos responsáveis tributários Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden de que os julgadores de 1ª instância não apreciaram a impugnação oferecida contra o vínculo de solidariedade, dado que desta alegação poderia resultar a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância. Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden apresentaram impugnação em separado (fls. 2410/2439 e 2477/2505), mas de teor praticamente idêntico, distinguindose apenas na referência, por Mauro Suaiden, à existência de arrolamento de bens. Depois de relatarem a acusação fiscal, os impugnantes arguíram a nulidade do lançamento por violação ao direito de defesa, dada a impossibilidade de acesso à escrituração comercial sob guarda do juízo da recuperação judicial, e, na sequência, questionaram a atribuição de responsabilidade solidária por inexistência de qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei. A autoridade julgadora de 1ª instância, por sua vez, relatou que as peças de defesa dos representantes legais da pessoa jurídica autuada Sr. GERALDO ANTÔNIO PREARO e Sr. MAURO SUAIDEN são similares aos termos da impugnação apresentada pela empresa FRIGORÍFICO MARGEN LTDA (fls. 2016/2040), mas isto porque aquela pessoa jurídica também impugnou a imputação de responsabilidade tributária nos termos assim resumidos na decisão recorrida: Como segunda preliminar, verificase a absoluta ilegitimidade e impropriedade da atribuição de responsabilidade passiva solidária à pessoa jurídica Total S/A e às pessoas físicas Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, sendo forçoso concluir que o Auto de Infração deve ser anulado. [...] Quanto às pessoas físicas Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, o art. 135 do CTN dispõe que a responsabilidade solidária se atribui ao sócio ou gerente que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, o que não ocorreu no caso em tela. Repisando que a Impugnante e seus representantes legais estavam e estão impossibilitados de atender à fiscalização por absoluta força maior. Contudo, no voto condutor da decisão recorrida, tais alegações foram assim tratadas: PRELIMINAR Inicialmente, a preliminar de nulidade do auto de infração, levantada pela interessada em sua impugnação, não merece acolhida. [...] Como segunda preliminar, a Impugnante alegou a absoluta ilegitimidade e impropriedade da atribuição de responsabilidade passiva solidária à pessoa jurídica Total S/A e às pessoas físicas Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, sendo forçoso concluir que o Auto de Infração deve ser anulado. Fl. 2724DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 12 11 Devese esclarecer que atribuição de responsabilidade passiva solidária não se enquadra dentre as hipóteses de nulidade do Auto de Infração. Quanto à pertinência ou não da responsabilização solidária da pessoa jurídica Total S/A e das pessoas físicas Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo, tratase de matéria a ser apreciada no mérito. Rejeito as preliminares. [...] DA SOLIDARIEDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA A empresa Total S/A, CNPJ 12.184.079/000137, imputada como responsável solidária, foi criada por cisão parcial decorrente do processo de recuperação judicial promovido pelo Frigorífico Margen Ltda. [...] Quanto aos contribuintes Sr. GERALDO ANTÔNIO PREARO e Sr. MAURO SUAIDEN, representantes legais da pessoa jurídica autuada, eles apresentaram impugnações nos mesmos termos da defesa apresentada pela empresa FRIGORÍFICO MARGEN LTDA. Verificase, então, que não houve uma impugnação específica do vínculo de solidariedade. Dessa forma, considero apreciadas todas as alegações por eles levantadas em conformidade com as decisões já fundamentadas quando da apreciação da impugnação apresentada pelo FRIGORÍFICO MARGEN LTDA e mantenho a responsabilidade passiva solidária imputada ao Sr. GERALDO ANTÔNIO PREARO e ao Sr. MAURO SUAIDEN. Resta claro, assim, que não foram apreciadas as alegações de Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden acerca da inaplicabilidade do art. 135 do CTN por inocorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. A autoridade julgadora de 1ª instância não atentou para o fato de que os argumentos dos mencionados responsáveis foram relatados como idênticos aos apresentados por Frigorífico Margen Ltda porque esta também veiculara, em sua impugnação, a arguição de inaplicabilidade do art. 135 do CTN. O Decreto nº 70.235/72 orientase pelo princípio do livre convencimento motivado, como se verifica nos artigos abaixo reproduzidos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. [...] Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Significa dizer que, ao identificar motivo suficiente para fundamentar sua decisão, o julgador administrativo está dispensado de responder a todos os argumentos apresentados na defesa. Neste sentido, aliás, é a orientação do Superior Tribunal de Justiça: COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 13 12 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento. não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um. todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. [...] (Recurso Especial nº 361.026/PI – Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento: 02/02/2006, data da publicação no DJ: 20/02/2006) TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. “CEGONNHEIROS'. INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vicio in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. [...] (Recurso Especial nº 677.585/RS – Relator Ministro Luiz Fux, data do julgamento: 06/12/2005, data da publicação no DJ: 13/02/2006) Todavia, apresentado argumento que, no entender das responsáveis, seria suficiente para desvinculálos da presente exigência, e não se manifestando a autoridade julgadora de 1a instância a este respeito, a apreciação por este Colegiado desse tópico, renovado no recurso voluntário, representaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo que, a teor do Decreto nº 70.235/72, tem assegurada a possibilidade de ver seu argumento apreciado ao menos por duas instâncias administrativas de julgamento, antes de se tornar definitiva a acusação fiscal. Em tais condições, o Decreto nº 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (negrejou se) Esclareçase não ser possível a aplicação do §3o acima transcrito. Isto porque eventual decisão de mérito proferida nesta instância administrativa de julgamento não reúne condições para, por si só, ser classificada como favorável ao sujeito passivo, na medida em que à Fazenda Nacional está assegurado o direito de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais se caracterizada a divergência de entendimento em relação a julgado proferido por outro Colegiado desta Casa. Assim, por economia processual, é desnecessário prosseguir na análise dos demais argumentos dos recorrentes e aferir o posicionamento de todos os membros do Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19515.720550/201308 Acórdão n.º 1302001.815 S1C3T2 Fl. 14 13 Colegiado para determinar se os sujeito passivos seriam, eventualmente, favorecidos com o cancelamento integral das exigências. Frente ao exposto, o presente voto é no sentido de ANULAR PARCIALMENTE a decisão 1ª instância, para que um segundo acórdão seja produzido acerca da matéria omitida, disto cientificandose novamente os responsáveis tributários Geraldo Antônio Prearo e Mauro Suaiden com reabertura do prazo para apresentação de novos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10845.000253/2002-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU SUBSTANCIAL INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO DIRETO DE DEFESA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE NULIDADE MATERIAL.
Cabe reconhecer de ofício a nulidade material de Auto de Infração no qual se encontra ausente ou substancialmente insuficiente a descrição dos fatos, prejudicando a verificação de sua subsunção às normas que suportaram o lançamento, em evidente prejuízo ao exercício do direto de defesa do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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AUSÊNCIA OU SUBSTANCIAL INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO DIRETO DE DEFESA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE NULIDADE MATERIAL. Cabe reconhecer de ofício a nulidade material de Auto de Infração no qual se encontra ausente ou substancialmente insuficiente a descrição dos fatos, prejudicando a verificação de sua subsunção às normas que suportaram o lançamento, em evidente prejuízo ao exercício do direto de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do lançamento por vício material. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 02 53 /2 00 2- 75 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria (RS) DRJ/STM, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.152,56 relativo ao anocalendário 1992, face à glosa de deduções de despesas médicas e de LivroCaixa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, mediante a prolação da Decisão DRJ/SPO/SP Nº 11.484/9712.6410, de 22/7/1997 (fls. 61/62), declarou nulo o lançamento originalmente efetuado em desfavor da contribuinte no bojo do processo administrativo nº 10845.002581/9435 na data de 12/4/1994 (fl. 18), tendo em vista a falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em sede de revisão de lançamento, foi lavrado em 15/1/2002 o Auto de Infração ora contestado (fls. 1/9), mantendo as glosas realizadas pela Notificação anulada. A contribuinte impugnou o lançamento (fls. 101/103), pleiteando fossem acolhidas as despesas declaradas, e arguindo ser profissional médica que seguiu, no que tange ao LivroCaixa, as instruções para preenchimento da Declaração de Ajuste disponibilizadas à época dos fatos pela Receita Federal. A instância de primeiro grau restabeleceu as deduções de despesas médicas glosadas, mantendo o lançamento quanto às despesas de LivroCaixa, dada a não apresentação de prova material das despesas escrituradas (fls. 106/111). Irresignada, a autuada interpôs recurso voluntário em 9/12/2005 (fls. 117/118), aduzindo, em síntese, que: quando do lançamento original, apresentou com a respectiva impugnação documentos demandados, dentre os quais o LivroCaixa do exercício, não os documentos que o lastreavam, por não haver sido solicitado; importa ressaltar que "os referidos documentos comprobatórios não foram apresentados com originais e xerox por não haver sido feita a solicitação dos mesmos, conforme poderá ser verificado no processo em questão dandose por atendido o Sr. funcionário"; está sendo notificada pela glosa de seu LivroCaixa, mas possui os indigitados documentos que o consubstanciam, os quais junta ao recurso (fls. 122/334); e, ao final, demanda o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.000253/200275 Acórdão n.º 2402004.934 S2C4T2 Fl. 873 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Examinando o Auto de Infração em comento, vejase que na parte relativa à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", consta consignado (fl. 7): Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas e de Livro Caixa não autorizadas pela legislação do I.R. conforme Termo de Verificação anexo ao presente auto. Esse Termo de Verificação, por seu turno, após narrar que a autuação a que se reporta estava sendo realizada em virtude de anulação de lançamento anterior, assevera que (fl. 13): Tendo em vista as determinações verificadas no citado processo bem como a necessidade de efetuarse lançamento reparador da nulidade declarada, foi lavrado Auto de Infração, mantendose todos os elementos do lançamento anulado. Segue anexo, cópia do processo nº. 10845.002581/9435, como suporte do lançamento efetuado. Nessa cópia consta a Notificação de Lançamento anulada, da qual se extrai a seguinte descrição da infração sob julgamento (fls. 18): Foram alterados os valores das seguintes linhas de sua declaração: (...) * Deduções de Livro Caixa para 0,00 UFIR. (F) Fica claro da leitura das transcrições supra que em nenhum desses documentos constitutivos de crédito tributário há sequer menção aos fatos que deram ensejo à constatação da infração ali relatadas. Ou seja, não há referência à eventual: falta de apresentação do LivroCaixa à fiscalização; falta de apresentação dos documentos comprobatórios dos lançamentos naquele registrados à fiscalização; inconsistência entre as deduções declaradas a título de despesas de Livro Caixa e as demais informações constantes na Declaração de Ajuste apresentada, ou mesmo relativamente a dados obtidos pelo Fisco junto a outras fontes. Inexiste, de fato, qualquer descrição dos fatos realizada pela autoridade lançadora a amparar a autuação. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A par disso, temse que a única intimação que consta nos autos como recebida pela autuada, a qual poderia comprovar ter sido realizada demanda de documentos comprobatórios acerca da matéria a ser esclarecida, resta à fl. 20, na qual se verifica o sucinto pleito veiculado: ...damos início à fiscalização do contribuinte acima identificado, intimandoo a apresentar os elementos especificados abaixo (...) Exercício de 1993 Ano Base de 1992: 1 Prestar esclarecimentos necessários ao procedimento de revisão do lançamento da declaração de rendimentos IRPF do exercício acima. Ora, quais seriam, em que consistiriam, esses "esclarecimentos necessários"? Fica evidente a obscuridade e a imprecisão de tal intimação, a cercear a possibilidade de a contribuinte coligir as provas que considerasse aptas a defender seus direitos. Vale anotar que não há notícia de que o "Termo de Intimação Fiscal" constante à fl. 12 tenha sido cientificado à contribuinte, sendo que nele não há, outrossim, qualquer solicitação de documentos mais específica. Todas essas transcrições ora carreadas visam destacar a ausência de cumprimento do requisito regrado no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (...) CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Por sua vez, a DRJ/STM manteve a autuação, por considerar que não foram apresentados os documentos que amparavam o LivroCaixa de fls. 67/91. Dissinto desse entendimento. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.000253/200275 Acórdão n.º 2402004.934 S2C4T2 Fl. 874 5 Como visto à saciedade, o Auto de Infração não descreveu os fatos que o suportaram, veiculando apenas texto padrão com o nome da infração supostamente apurada, bem como disposição legal infringida genérica, não permitindo à recorrente a adequada compreensão dos motivos que embasaram a glosa realizada. Nesse contexto, cabe notar que a recorrente trouxe a seu alvitre, quando da impugnação do lançamento original visto que não fora até então demandada para tanto o Livro Caixa do anocalendário 1992. Não há registro, porém, de que a autoridade fiscal responsável pelo Auto de Infração ulterior o tenha examinado sob qualquer ótica. Não por acaso, no recurso voluntário a contribuinte destaca sua surpresa com os termos da decisão a quo, pois em nenhum momento do procedimento lhe fora requerida a apresentação dos documentos que respaldavam dito Livro Caixa. Tanto que, cientificada daquele aresto, se prontificou a trazêlos. Sequer se pode falar em inovação por parte daquela instância julgadora, pois inovação na fundamentação pressupõe a existência de uma outra prévia sobre a qual se inove, o que não ocorreu na espécie. Assim sendo, é de rigor declarar de ofício a nulidade do lançamento vergastado, por lhe faltar requisito essencial como ato administrativo, a sua motivação, consubstanciada na descrição do fato que deu suporte à constituição de ofício do crédito tributário. Tragase à baila os seguintes precedentes do contencioso administrativo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável. Recurso especial negado.(2ª Turma da CSRF, Acórdão 9202002670, Sessão de 25/4/2013, unânime) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar,comol he outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por set ratar de vício de natureza material.Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN. (2ª Câmara do 1º Conselho,Recurso nº138.595 –Acórdãonº 10247201,Sessão de10/11/2005) Fl. 884DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Registrese que a possibilidade de reconhecimento de ofício da nulidade pela administração já matéria pacífica na doutrina e jurisprudência pátria, devendo ser lembrados, a propósito, os enunciado sumulares nos 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal: Súmula nº 346 STF. A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula nº 473 STF. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Quanto à natureza do vício constatado, ainda que seja tema que suscite justificada controvérsia, tratarse de nulidade material. Isso porque, apesar de a inexistência ou insuficiência na descrição dos fatos remeta à ausência de motivação do ato administrativo, o que poderia caracterizar vício formal, no lançamento tributário é essa descrição que permite a verificação da subsunção desses fatos à norma jurídica que respalda a autuação. Em outros termos, apenas com tal descrição é possibilitada a aferição da ocorrência do aspecto material, da situação definida em lei como fato a ensejar o lançamento efetuado. Nesse sentido, temse, dentre outros, os acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nos 9202.002375 (j. 6/11/2012) e 9202.000431 (j. 7/11/2012), sendo que deste último colaciono a respectiva ementa: DESCONSIDERAÇÃO DE VINCULO. SEGURADO EMPREGADO. VÍCIO MATERIAL. É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade poro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.” Somente quando o Fisco constatar e demonstrar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação,preenche todas as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deve desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar se correto enquadramento.(grifei) Nesse contexto, a ausência de atendimento ao disposto no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 levantase como óbice intransponível ao pleno exercício do direito de defesa, pois prejudica a realização desse na sua essência. No caso vertente, a contribuinte não tinha conhecimento das razões que motivaram o lançamento, como explicado. Trouxe, quando da impugnação do lançamento anulado, o LivroCaixa, por sua própria iniciativa, e o posterior Auto de Infração nenhuma referência fez com relação a Fl. 885DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10845.000253/200275 Acórdão n.º 2402004.934 S2C4T2 Fl. 875 7 eventuais máculas desse documento. Somente quando do julgamento de segunda instância foi levantada a sua suposta insuficiência para comprovação dos fatos a que se reporta. Em outras palavras, verificase que a autoridade lançadora glosou sua dedução de despesas de Livro Caixa, sem apresentar quaisquer razões para tanto, e sem ao menos lhe pedir documentação que atestasse os dispêndios declarados. E, à evidência, é recorrente o prejuízo à defesa da contribuinte, por não lhe restar esclarecido contra quais fundamentos deveria manifestar sua inconformidade. Em resumo, constatada a existência de vício material na autuação, dada ausência de descrição dos fatos em prejuízo ao exercício de direito de defesa da recorrente, impõese seja declarada de ofício a nulidade do Auto de Infração, cancelandose a exigência, forte no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, voto no sentido de reconhecer a NULIDADE por vício material do lançamento contestado. Ronnie Soares Anderson. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001528/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
MULTA DE OFÍCIO. PAGAMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMDO DE MULTA MORATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Aplica-se a fatos pretéritos, desde que ainda não definitivamente julgados, a legislação que deixar de definir como infração o ato praticado pelo contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PAGAMENTO DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. COMPROVAÇÃO. EXTINÇÃO DA DÍVIDA. Uma vez que o contribuinte comprove que efetuou o pagamento do crédito tributário constituído em auto de infração, que somente não foi identificado pelos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal em face da incorporação da empresa autuada, deve ser cancelado o lançamento correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 MULTA DE OFÍCIO. PAGAMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMDO DE MULTA MORATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Aplicase a fatos pretéritos, desde que ainda não definitivamente julgados, a legislação que deixar de definir como infração o ato praticado pelo contribuinte. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 15 28 /2 00 3- 31 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em vários decêndios entre abril e junho de 1998, exigindoselhe imposto de R$ 741.363,73, multa de ofício de R$ 556.022,80 e juros de mora de R$ 724.262,67. Também foi lançada multa isolada pelo fato de a contribuinte haver recolhido o débito do IPI, referente ao primeiro decêndio de abril de 1998, em atraso sem incidência da multa de mora. O enquadramento legal encontrase à fl. 31. O lançamento do imposto deveuse à constatação de que os pagamentos informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no período acima, foram desvinculados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que os valores lançados já haviam sido recolhidos, conforme Darf `s anexados. Quanto à multa isolada, alega, que recolheu o imposto com atraso, mas acrescido da multa moratória, que a fiscalização considerou erradamente como juros. Assim, a multa seria indevida. Como a empresa originalmente lançada, Axios Produtos de Elastômeros Ltda, CNPJ nº 43.646.256/000183, foi incorporada em 31/12/1997, pela Tenneco Automotive Brasil Ltda, CNPJ nº 44.023.471/000190, a empresa havia solicitado a retificação dos Darf's referentes aos pagamentos dos débitos ora lançados, para que neles constassem o CNPJ da incorporadora, no que foi atendida. Posteriormente, após o presente lançamento, foi solicitado que voltasse a constar o CNPJ da incorporada nos Darf's. Conforme despacho de fl. 84, os Darf's foram novamente retificados, passando novamente a neles constar o CNPJ original, ou seja, da incorporada. Como o lançamento foi feito originalmente contra a empresa incorporada, de acordo com despacho de fl. 100, o presente teria sido revisto de ofício para cancelar o imposto lançado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13899.001528/200331 Acórdão n.º 3102003.055 S3C1T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Cancelase o lançamento do IPI por falta de comprovação de pagamento indicado em DCTF quando o contribuinte comprova, na fase impugnatória, que os débitos já haviam sido extintos. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a ato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento. Tendo exonerado valor de crédito tributário superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão proferida. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso de ofício. Importante transcrever, desde logo, a informação prestada no voto condutor da decisão recorrida de ofício, conforme segue. Apesar de o despacho de fl. 100 informar que o lançamento foi revisto de ofício, não há nos autos formalização de tal ato administrativo. Desta forma, o presente julgamento levará em consideração o lançamento original. A matéria em litígio é tão óbvia, que não vejo razão para fazer mais do que reproduzir a decisão de piso, cujos fundamentos adoto in totum. De acordo com os autos, o lançamento do imposto foi devido à mudança do CNPJ constante nos Darf `s, passando a constar o da incorporadora no lugar do da incorporada, o que impossibilitou a alocação dos pagamentos aos débitos lançados. Como o auto de infração foi lavrado originalmente em nome da incorporada e, conforme documento de fl. 83, os débitos lançados foram por ela informados em DCTF e, de acordo com despacho de fl. 84, os Darf`s foram retificados, constando novamente o CNPJ da empresa incorporada, o lançamento correspondente a tais débitos deve ser cancelado. Quanto à multa isolada, a autuada alega que recolheu o imposto referente ao primeiro decêndio de abril de 1998 em atraso, mas acompanhado da multa de mora. Apesar de constar nos sistemas informatizados da RFB que a autuada teria recolhido juros em vez de multa, de acordo com cópia autenticada do Darf, de fl. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 27, o pagamento referente a esse decêndio foi feito acompanhado da multa de mora. Assim, o lançamento da multa isolada deve ser cancelado. Ainda mais, a hipótese de lançamento de multa isolada em face do pagamento do tributo em atraso sem multa de mora foi revogada, aplicandose a fatos pretéritos por força do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Por uma ou por outra razão, incabível também a exigência correspondente à penalidade imposta. Destaco, por fim, que as circunstâncias descritas nos fundamentos do voto acima transcritos (pedido de retificação de DARFs, incorporação etc) podem ser facilmente comprovadas às folhas 58 e seguintes do processo. VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000505/2002-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
FALTA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Lei que não serviu de supedâneo para decisão combatida, não presta para fundamentar recurso especial baseado no inciso I do art. 7 do antigo Regimento Interno da CSRF. A admissibilidade negativa obsta que o recurso seja apreciado no seu mérito.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (vice-presidente em exercício).
Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (vice-presidente em exercício). Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CERTEL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 FALTA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Lei que não serviu de supedâneo para decisão combatida, não presta para fundamentar recurso especial baseado no inciso I do art. 7 do antigo Regimento Interno da CSRF. A admissibilidade negativa obsta que o recurso seja apreciado no seu mérito. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann (vicepresidente em exercício). Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 05 05 /2 00 2- 81 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13052.000505/200281 Acórdão n.º 9303001.288 CSRFT3 Fl. 212 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 169/179, contra decisão do acórdão nº 20179808, da Primeira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Contribuição para o l'IS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1.997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. O lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF, cuja motivação da autuação tenha sido processo judicial não comprovado, ocorrendo sua comprovação, não há que ser mantido sob outra alegação. Recurso provido. A Fazenda Pública em sua peça recursal alega que a decisão contrariou o art. 170A do CTN e o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 ao cancelar o auto de infração. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 201443/07 de fls. 182/183. O Sujeito Passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso é tempestivo. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a análise. Como bem definiu o acórdão combatido, o processo versa sobre auto de infração eletrônico oriundo de auditoria interna de DCTF, cujo fundamento foi a falta de comprovação do processo judicial que suportava a compensação declarada em DCTF. A Delegacia de Julgamento de Santa Maria manteve o auto de infração sob a tese de que à época das compensações o crédito utilizado não era líquido e certo, posto que não havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos judiciais. A Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho deu provimento ao recurso para cancelar o auto de infração tendo como suporte a comprovação de que o sujeito passivo era autor de uma ação de repetição de indébito que suportava a compensação. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 13052.000505/200281 Acórdão n.º 9303001.288 CSRFT3 Fl. 213 3 Não podemos esquecer que o auto de infração teve como fundamento jurídico a falta de identificação da ação judicial que subsidiava a compensação e a base para o provimento do recurso voluntário foi exatamente a apresentação da referida ação judicial Como dito alhures, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial com fundamento no art. 7, I, do antigo regimento interno da CSRF, alegando que o acórdão nº 201 79808 contrariou o art. 170A do CTN e o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Após esse breve relato dos fatos constantes nos autos, entendo que não devo conhecer do recurso de contrariedade a lei, pois o fundamento jurídico e legal que induziu o provimento do recurso não diz respeito a aplicação dos artigos sugeridos pelo recorrente. O art. 170A diz respeito a impossibilidade de efetuar compensação sem o trânsito e julgado da ação judicial e o art. 44 da Lei . 9.430/96 referese a aplicação da multa em lançamento de ofício. A decisão alvo de recurso não se baseia na interpretação destes artigos para formar sua parte dispositiva. Cancela o auto de infração pelo simples motivo de ter sido comprovada a existência de ação judicial própria. Portanto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional por falta de congruência entre os artigos apontados como afrontados e os fundamentos jurídicos e legais que suportaram a decisão vergastada. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por ROSEMEIRE SENNA, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 10783.720364/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 64 /2 01 2- 45 Fl. 17437DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.404 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborada na decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de Cofins do 3° trimestre de 2009, no valor de R$1.101.826,53 (um milhão, cento e um mil, oitocentos e vinte e seis reais e cinqüenta e três centavos), oriundo do sistema de nãocumulatividade (fls. 2/31). A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 37, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 11/2012, às fls. 32/36, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 17438DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.405 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 53), a interessada apresentou, às fls. 59 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 17439DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.406 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 17440DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.407 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1255228, de 25/04/2013, com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 17441DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.408 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 17.180 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 17442DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.409 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 17443DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.410 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de Cofins realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 17444DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.411 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 17445DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.412 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 17446DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.413 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 17447DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.414 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 17448DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.415 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 17449DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.416 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 17450DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.417 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 17451DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.418 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 17452DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.419 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 17453DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.420 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 17454DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.421 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 17455DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.422 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 17456DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.423 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 17457DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.424 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 17458DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.425 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 17459DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.426 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 17460DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.427 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 17461DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.428 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 17462DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.429 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 17463DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.430 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 17464DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.431 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 17465DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.432 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 17466DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.433 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 17467DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.434 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 17468DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.435 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 17469DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.436 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 17470DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.437 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 17471DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.438 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 17472DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.439 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 17473DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.440 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 17474DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720364/201245 Acórdão n.º 3301002.784 S3C3T1 Fl. 17.441 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 17475DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 12196.000842/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/12/2005
Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL É devida pela empresa a contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
Numero da decisão: 2301-002.059
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto(a) do Relator(a).
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOBRE REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL É devida pela empresa a contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto(a) do Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12196.000842/200785 Acórdão n.º 2301002.059 S2C3T1 Fl. 273 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurado contribuinte individual e à empresa. Conforme Relatório Fiscal (fls. 131), constitui fato gerador da contribuição lançada as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente, não declaradas em GFIP, e apuradas com base nos valores brutos dos recibos de pagamento. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por intermédio da DecisãoNotificação de nº 06.401.4/140/2006 (fls. 175), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 214 ), alegando, em síntese, inexigibilidade do depósito recursal e nulidade da NFLD tendo em vista a ocorrência da extinção de parte do crédito por decadência. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a notificada alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio.Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito, com a aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN. A recorrente alega, ainda, nulidade do lançamento tendo em vista que, na NFLD, foram apurados débitos previdenciários compreendidos em períodos prescritos. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12196.000842/200785 Acórdão n.º 2301002.059 S2C3T1 Fl. 274 5 Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Conforme se verifica dos relatórios RDA e RADA, houve recolhimento de contribuição para todo o período notificado, tendo havido, inclusive, apropriação de parte do valor recolhido na NFLD em discussão, configurando a antecipação do pagamento. A NFLD foi consolidada em 10/08/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 24/08/2006, conforme AR de fl. 02, do processo. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados até a competência 07/2001, inclusive. Observase que a recorrente não negou que tenha deixado de recolher a contribuição devida, e nem contestou as bases de cálculo apuradas pela fiscalização. Ela apenas alega nulidade do lançamento por contemplar valores atingidos pela decadência. Contudo, a constatação de que parte do débito foi alcançado pela decadência não invalida o trabalho fiscal, mas apenas enseja a retificação do valor lançado. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12196.000842/200785 Acórdão n.º 2301002.059 S2C3T1 Fl. 275 7 Voto no sentido de CONHECER do recurso, e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/2001 a 07/2001, inclusive. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/11/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004355/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
ARROLAMENTO DE BENS.
O CARF é não é competente para analisar o procedimento administrativo de arrolamento de bens.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001, LEI 10.174, DE 2001. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa.
PRELIMINAR DE NULIDADE. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente (Súmula Vinculante CARF nº 35).
PRELIMINAR DE NULIDADE. EXTRATO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Lei complementar 105, de 2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtê-las, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Não configura nulidade a obtenção de informações bancárias amparadas na referida lei complementar.
DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ NA SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARTIGO 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. De acordo com o entendimento consignado no Recurso Especial 973.733/SC, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DO ESTORNO.
Provado que o depósito bancário foi estornado e que o respectivo crédito não foi recebido no período apontado pelo lançamento, exclui-se da base de cálculo da infração os respectivos valores.
MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO BENIGNA.
A aplicação retroativa da legislação aplicável à multa isolada não pode ser estendia à multa a vinculada à falta de pagamento ou recolhimento de tributo.
UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Súmula CARF 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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O CARF é não é competente para analisar o procedimento administrativo de arrolamento de bens. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001, LEI 10.174, DE 2001. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF. “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente” (Súmula Vinculante CARF nº 35). PRELIMINAR DE NULIDADE. EXTRATO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Lei complementar 105, de 2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtêlas, quando houver processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 55 /2 00 7- 81 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Não configura nulidade a obtenção de informações bancárias amparadas na referida lei complementar. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STJ NA SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARTIGO 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. De acordo com o entendimento consignado no Recurso Especial 973.733/SC, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DO ESTORNO. Provado que o depósito bancário foi estornado e que o respectivo crédito não foi recebido no período apontado pelo lançamento, excluise da base de cálculo da infração os respectivos valores. MULTA ISOLADA. RETROAÇÃO BENIGNA. A aplicação retroativa da legislação aplicável à multa isolada não pode ser estendia à multa a vinculada à falta de pagamento ou recolhimento de tributo. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Súmula CARF 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 505 3 Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1726.996, exarado pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 424 a 441). O auto de infração (fls. 318 a 343 – numeração dos autos eletrônicos), é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, correspondentes aos anoscalendário 2002 a 2005, por intermédio do qual lhe exigido crédito tributário de R$1.008.299,62, dos quais R$454.640,95 correspondem a imposto, R$340.980,70 à multa proporcional e R$212.677,97 a juros de mora, calculados até 29/02/2008. O termo de verificação fiscal descreve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal originouse do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização (MPFF) 08.1.90.002007016440, emitido pela Delegacia de Fiscalização (Defis) em SP, em atenção às informações recebidas da CoordenaçãoGeral de Fiscalização, com a recomendação de avaliação de interesse fiscal na identificação do contribuinte com situação potencial de omissão de receita, em decorrência da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) das ambulâncias. No curso da fiscalização, o contribuinte asseverou ter operado com os bancos Itaú, Bradesco, Sudameris e BBV, mas apresentou documentação incompleta, sem comprovação dos depósitos e deixou de apresentar todos os extratos, ensejando as requisições de movimentação financeira (RMFs) junto às instituições financeiras com respaldo legal no Decreto 3.724/2001 e Lei Complementar 105/2001. A fiscalização, de posse dos extratos bancários, reuniu os depósitos de interesse nas tabelas das fls. 255 a 282, intimando o contribuinte a comprovar a regular origem dos mesmos obtendo como resposta ausência de novas informações. Os valores que compuseram a base de cálculo foram organizados nas tabelas das fls. 290 a 217 e no item 4.8.1.2 do Termo de Verificação Fiscal à fl. 330, discriminandose os valores de depósitos inferiores dos de valores superiores a R$12.000,00, nos termos do art. 42, § 3º, II, com as alterações da Lei 9.481/97. Na impugnação (355 a 400), em 22/04/2008, foi alegado, em síntese: (a) a decadência do crédito tributário nos meses de janeiro de 2002 a fevereiro de 2003; (b) a nulidade do auto de infração: (b.1) por vício procedimental da fiscalização uma vez que as informações foram obtidas sem o devido processo legal, tendo em vista que, ao intimar o contribuinte, o agente fiscal já estava munido de informações fornecidas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 de forma ilegal, oriunda de processo que desconhece, contrariando o art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal; não há referência expressa à situação contida no anexo único ao Memo Cofis/Gab 2006/1552, de 18/12/2006; (b.2) em razão do cerceamento de defesa, na medida em que é impossível realizar defesa hábil, em face de o relatório fiscal apresentado não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos; (c) ilegalidade da quebra do sigilo bancário antes e durante a fiscalização, por ausência de nexo causal para arbitramento do suposto imposto devido, eis que a aferição indireta é ausente de fundamentação, posto não serem somente os depósitos bancários suficientes para arbitrar o imposto devido e por ser ilegal a norma que estabelece a quebra do sigilo bancário e fiscal, a despeito do art. 144 do CTN, não aplicável ao caso quando se está diante de princípio constitucional erigido como garantia fundamental; a Lei 9.311/96 somente autorizou a SRF a utilização de informações acobertadas pelo sigilo bancário para promover a fiscalização e arrecadação da própria CPMF, proibindo a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; não obstante a edição da Lei 10.174/2001 e da Lei Complementar 105/2001, permanece a nulidade, uma vez que o sigilo bancário foi quebrado antes do início da fiscalização conforme documento datado de 18/12/2006, e durante a fiscalização, mediante decisão administrativa que contraria o princípio da independência e separação orgânica dos Poderes e o princípio da indelegabilidade de atribuições; o sigilo bancário somente poderia ser quebrado mediante ordem judicial, no curso do devido processo legal, sendo ilegais as disposições veiculadas pela lei Complementar 105/2001, especialmente porque no ato da quebra do sigilo sequer havia procedimento instaurado, uma vez que somente após constatar a movimentação financeira cedida pelas instituições financeiras é que o contribuinte foi intimado pela fiscalização; (d) erro de tipificação, ao não identificar a natureza dos pagamentos feitos, se estes se enquadravam como rendimentos indiretos ou meramente pagamento sem causa; (e) a ausência de nexo causal que estabeleça que os depósitos bancários correspondem a efetiva omissão de receita e não consta da apuração identificação de gastos incompatíveis com as despesas praticadas; (f) que meros valores identificados através de depósitos em conta corrente não se prestam a subsidiar o lançamento, havendo necessidade de se identificar fatores exteriores que denotem que o contribuinte de fato tenha omitido receita, mediante a demonstração de fatos exteriores de riqueza; (g) ilegalidade da multa de ofício de 75%, por força da MP 303/2006 e da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, mais benéfica ao contribuinte, operandose a retroatividade, tornando ilegal a manutenção da imputação de 75% de multa isolada; (h) caso não se reconheça a ilegalidade da aplicação da multa, o percentual praticado é indevido por transgredir dispositivo constitucional que trata dos princípios da capacidade contributiva e não confisco, merecendo ser declarado inconstitucional o art. 44,1, da Lei 9.430/96; (i) ilegalidade da taxa Selic por inaplicabilidade da Lei 9.065/95 frente ao art. 161, do CTN; (j) que o arrolamento de bens está eivado de abuso, de ilegalidade e fere os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e do direito de propriedade, devendo ser reconhecida a ilegalidade do art. 64 da lei 9.532/97, suspendendo os Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 506 5 efeitos do termo de arrolamento de bens; assevera ainda que os bens arrolados não são de sua propriedade, devendo ser excluídos os bens que relaciona. Pediu diligência, em face do volume de documentos, para comprovação de que os rendimentos tributados são de origem de sua atividade empresarial; Caso não seja cancelada a autuação pela ausência de nexo causal, requereu que sejam excluídos todos os depósitos citados na planilha anexa planilha; Requer ainda seja declarada a falta de justa causa para a representação criminal, conforme determina a Portaria SRF 326/2005 e a Lei 8.137/90; a análise da documentação na sua residência e a anulação do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: Omissão de Rendimento. Lançamento com base em Depósitos Bancários. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Depósitos Bancários. Presunção. Ao deixar de comprovar a origem dos recursos oriundos dos depósitos bancários, o contribuinte sujeitase à apuração por presunção da disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada. Decadência. Constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal em face de aplicarse a regra geral prevista no art. 173, 1 do CTN, nos casos de lançamentos de ofício. Nulidade do Ato Procedimental. Não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há que se cogitar de nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. Sigilo Bancário. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF, Prova Documental. Diligência A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Desnecessária diligência quando o contribuinte não apresenta os documentos suficientes no prazo para impugnação constituindose em ônus probatório exclusivo do contribuinte, a comprovação de origem dos depósitos bancários. Representação Fiscal para fins Penais. Correta a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais quando se constatar fatos que, em tese configuram Crime Contra a Ordem Tributária, sendo encaminhada ao Ministério Público, após proferida decisão final na esfera administrativa. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal Arrolamento de Bens. O arrolamento de bens não constitui forma de constrição de bens, uma vez que tem como escopo o acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo. Refoge à competência desta Delegacia de Julgamento, em consonância com seu Regimento, a apreciação de matéria atinente a processo^ de arrolamento de bens. Acréscimos Legais. Muita de ofício. Taxa Selic. Tendo em vista a inexistência de recolhimento do respectivo tributo, não há como a autoridade administrativa, no curso de atividade plenamente vinculada à orientação legal, deixar de lançar, para a diferença de rendimentos apurada, os acréscimos legais relativos a multa proporcional à alíquota de 75% e juros de mora. Os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de 01/04/1995, sofrem a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sendo cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. Decisões Administrativas e Judiciais. Efeitos. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 507 7 dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Doutrina. Efeitos. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inconstitucionalidade de Lei. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre constitucionalidade de lei. A ciência dessa decisão ocorreu em 20/03/2009 (aviso de recebimento EBCT, fl. 443). Em 20/04/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 451 a 493), reiterando os termos da impugnação e requerendo a anulação do auto de infração. Como pedidos alternativos foi solicitado: a) o reconhecimento da decadência dos fatos geradores do anobase 2002 e dos meses de janeiro e fevereiro de 2003; b)a exclusão do depósito de R$31.460,00, realizado em 21/09/2005 junto ao Banco Bradesco, Agencia 2424, c/c 015172, que trata de prestação de serviços, conforme se comprova pela devolução contraordem constante do extrato e da execução que está em andamento referente a cobrança do serviço prestado e não recebido, eis que efetivamente trata se de origem de seu trabalho, mas que não pode ser considerado receita face a contraordem inserida no extrato bancário fls. 59 e a documentação das fls. 165/166; c) a exclusão do valor da venda do imóvel de sua propriedade de R$190.000,00, fls. 165/169, referente a parcela da venda do imóvel realizado em 22/09/2004 que deveria ter sido pago em 12/11/2004 e que somente foi pago através dos depósitos feitos em 2005; d) que seja realizada diligência para a devida retificação e alteração da classificação eis que ficou provado que as contas bancárias eram utilizadas exclusivamente para uso de sua profissão de serviços de terraplanagem conforme documentos de fls.158/166; e) a exclusão da multa de 75%; f) a exclusão dos juros de mora, fixandoos nos moldes do art. 161, §1, do CTN; g) a exclusão do arrolamento de bens dos móveis vendidos a terceiros, bem como seja apreciada a referente defesa pela DRJ, sob pena de evidente cerceamento de defesa.; O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 503) É o relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO ARROLAMENTO DE BENS Refere o recorrente que o arrolamento de bens está eivado de abuso, de ilegalidade e fere os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e do direito de propriedade, devendo ser reconhecida a ilegalidade do art. 64 da Lei 9.532, de 1997, suspendendo os efeitos do termo de arrolamento de bens; assevera ainda que os bens arrolados não são de sua propriedade, devendo ser excluídos os bens que relaciona. Inicialmente, cumpre destacar que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) não possui competência para analisar questão do arrolamento de bens, uma vez que tal procedimento legal não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários, de acordo com o art. 3º do Anexo II da Portaria MF 256, de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 ; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. QUESTÃO PRELIMINAR – DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO De acordo com o contribuinte, nulidade do procedimento seria devida a: (a) vício procedimental da fiscalização, uma vez que as informações foram obtidas sem o devido processo legal, tendo em vista que, ao intimar o contribuinte, o agente fiscal já estava munido de informações fornecidas de forma ilegal, oriunda de processo que o recorrente desconhece, contrariando o art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal; não há referência expressa à situação contida no anexo único ao Memo Cofis/Gab 2006/1552, de 18/12/2006; (b) cerceamento de defesa, por ser impossível realizar defesa hábil, em face de o relatório fiscal não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 508 9 (c) quebra do sigilo bancário antes e depois do inicio da fiscalização. Não lhe assiste razão. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 09.12.1993) Não estão apontadas quaisquer atos ou termos lavrados por pessoa incompetente nem algum despacho ou decisão proferidos por autoridade incompetente. Também não há falar em cerceamento de defesa por impossibilidade de apresentação de defesa hábil, em face de o relatório fiscal não identificar nem individualizar as receitas e lucros derivados dos depósitos. O termo de verificação fiscal (fls. 318 a 332), bem como os demonstrativos que acompanham o auto de infração, objeto de intimação do contribuinte (fls. 253 a 317), identificam todos os depósitos não comprovados por: banco, agência, conta, dia, mês, ano, histórico, n° doc. e valor. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, não ocorre nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. Nesse sentido, a pacífica jurisprudência consolidada desde os tempos do 1o Conselho de Contribuintes: PRELIMINAR DE NULIDADE – Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, não se pode admitir pedido de nulidade, mormente quando fica demonstrado à saciedade que a recorrente teve oportunidade e exerceu o mais amplo direito de defesa. (1º CC – Ac. 10193.381 – 1ª C. – Rel. Kazuki Shiobara – DOU 29.06.2001 – p. 103) NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade do processo administrativo estão elencadas no art. 59, incs. I e II do Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Decreto nº 70.235/72. (1º CC – Ac. 10319.982 – 3ª C. – Rel. Neicyr de Almeida – DOU 22.06.1999 – p. 6) NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO – As causas de nulidade no processo administrativo fiscal estão elencadas no art. 59, incisos I e II, do Decreto n.° 70.235/72. Não pode ser inquinado de nulo o lançamento efetuado em acordo com as disposições legais de regência. (1º CC – Ac. 10512.292 – 5ªC – DOU 05.05.1998 – p. 14) NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). (1º CC – Ac. 10609.632 – 6ª C – Rel. Adonias dos Reis Santiago – DOU 17.12.1998) NULIDADE – Não é nulo o Auto de Infração que contém todos os elementos necessários à compreensão inequívoca pelo contribuinte das exigências e dos fatos que o motivaram. Somente serão nulos os atos e termos processuais se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (Art. 59 do Decreto nº 70.235/72). (1º CC – Proc. 10245.000092/9912 – Rec. 133570 – (Ac. 10707028) – 2ª C. – Rel. Natanael Martins – DOU 07.07.2003 – p. 31) PAF – NULIDADE DO LANÇAMENTO – As causas de nulidade no processo administrativo estão elencadas no art. 59, incisos I e II do Decreto nº 70.235/72 (Ac. 10806.897) – 3ª C. – Relª Marcia Maria Loria Meira – DOU 07.06.2002 – p. 47) NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. (processo 11075.900013/200899, Acórdão 1801001.499, Relator(a) Carmen Ferreira Saraiva) Mais recentemente, tal jurisprudência vem sendo confirmada pelas Turmas que integram a 2ª Seção do CARF: NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. (processo: 11634.000552/200681, Acórdão: 2202002.892, relator: Antonio Lopo Martinez) Preliminar. Nulidade. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. (processo: 10680.015093/200531, Acórdão: 280100.790, Redatoradesignada Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) Mesmo não sendo causa de nulidade, avalio as demais razões do contribuinte, para verificar a possível existência de irregularidade que possa comprometer o lançamento. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 509 11 O Memorando Cofis/Gab 2006/1552, mencionado pelo contendor (fls. 06 e 07), comunica ao Superintendente da 8ª Região Fiscal, para fins de avaliação do interesse fiscal, a identificação de indícios de irregularidade tributária em relação ao contribuinte, em face de resultados parciais decorrentes de Relatório da CPMI das Ambulâncias de agosto de 2006. O anexo único desse documento, transcrito em parte pelo recorrente à fl. 465, contém uma tabela com a diferença entre o que foi declarado pelo contribuinte como rendimento e a sua movimentação financeira, nos anos de 2002 a 2005. Tratase de documento produzido pela Equipe Especial de Seleção e Preparo, regularmente instituída pela Portaria 02, de 03 de fevereiro de 2006, que visa a identificar situação potencial de omissão de receitas. A movimentação financeira de 2002 a 2005 é facilmente obtida com os dados de recolhimento da CPMF, então vigente, cujas informações eram obrigatoriamente repassadas pelas instituições financeiras ao Fisco. A vinculação entre a CPMF e a movimentação bancária resta cristalina à vista do termo de início de fiscalização, cujo título das tabelas é: “Resumo da Movimentação Bancária e CPMF”(fl. 27). O art. 11, § 3º, da Lei 9.311, de 1996, com a redação dada pela Lei 10.174, de 2001, autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, sendo essa autorização (e sua retroação) objeto da Súmula CARF 35, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 35 (VINCULANTE) O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. A ação fiscal que apurou a matéria tributada iniciouse com o Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002007016440, em 11/06/2007 (fl. 07) e Termo de Início de Ação Fiscal, em 22/06/2007 (fls. 26 a 29), intimando o contribuinte, entre outras coisas, a apresentar e a comprovar sua movimentação financeira, com fundamentação legal nos arts. 904, 911, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999. Respondendo à intimação, o contendendor apresentou apenas cópias dos extratos do banco Sudameris, sem qualquer menção a comprovação de depósitos (fls. 32 a 40). Em 03/08/2007, o contribuinte foi novamente intimado à entrega dos extratos e a devida comprovação dos depósitos (fls. 41 a 44). Em resposta, apresentou extratos parciais do Bradesco (fls. 5066). Nova intimação foi realizada em 15/08/2007 (fls. 46 a 48), com atendimento parcial (fls. 66 a 163). Em 31/08/2007, o recorrente apresentou declarações que trabalha com serviços de terraplenagem e demolição e que apenas operou com os bancos Itaú, Bradesco, Sudameris e BBV nos períodos fiscalizados (fls. 165 a 194). Também apresentou contratos e documentos referentes a operações de compra e venda, que alega justificar parcialmente os depósitos, porém sem individualizar os depósitos referentes às operações. Uma vez que a documentação permanecia incompleta, mais uma vez foi intimado a comprovar os depósitos e a apresentar os extratos faltantes. (fls. 163 a 164). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Em 18/09/2007, o contribuinte aditou as informações, apresentando recibo de venda de trator e histórico de pagamentos (fls. 196 a 198). Foi novamente intimado à apresentar os extratos e as comprovações faltantes. Uma vez que restaram infrutíferas as tentativas de reunir a integralidade dos os depósitos bancários, com base nos arts. 2º, § 5º, e 3º, X, do Decreto 3.724, de 2001, transcritos a seguir, que o AuditorFiscal da Receita Federal, foram lavradas as Requisições de Movimentação Financeira 08.1.90.002007009622 e 08.1.90.002007009614, encaminhadas aos Bancos Unibanco e Bradesco, que apresentaram os documentos faltantes (fls. 204 a 252). DECRETO 3.724, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 2007). (...) X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; Frisese que tais normas encontram respaldo no art. 6º da Lei Complementar 105, de 2001, cujo texto reproduzo: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 510 13 Registro que não há sentido lógico em afirmarse a ilegalidade da Lei Complementar 105, de 2001. A lei existe ou não. Se existe, é legal. Os conflitos com outras normas existentes se resolvem, no plano legal, pelos princípios expostos no art. 2º do Decreto lei 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro); no plano constitucional, pelo controle repressivo de constitucionalidade, ao qual o CARF não possui competência (Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária) O contribuinte foi então intimado a comprovar a regular origem dos depósitos (fls. 253 a 284), nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 1996. A legalidade do lançamento baseado na presunção de omissão de receitas de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, será analisada em tópico específico. Assim, não há qualquer vício do procedimento fiscal a macular o lançamento. MÉRITO QUESTÃO PREJUDICIAL – DECADÊNCIA É requerido o reconhecimento da decadência dos fatos geradores do anobase 2002 e dos meses de janeiro e fevereiro de 2003, em face do art. 150, § 4º, do CTN. No que tange ao fato gerador do IRPF relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF) editou a Súmula 38, que firma o entendimento de que seu fato gerador ocorre no dia 31 de dezembro de cada anocalendário: Súmula CARF n° 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Assim, no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no art. 62A do RICARF, devese adotar as conclusões exaradas pelo STJ no Recurso Especial 973.733/SC, o qual foi submetido ao regime do art. 543C do CPC, cuja ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos no original.) Assim, na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplicase o art. 173, I, do CTN, e o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 511 15 A data da ciência, pelo contribuinte, do auto de infração ocorreu em 20/03/2008 (termo de encerramento do auto de infração, fl. 434). Embora não haja a imputação de dolo ou fraude nas infrações, não houve antecipação do pagamento do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) nos anoscalendários de 2002 e de 2003, uma vez que nada lhe foi retido na fonte e não há imposto devido nas respectivas declarações de ajuste anual (fls. 08 e 12). Dessa forma, a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do CTN, pela qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. No que se refere aos períodos do anocalendário de 2002, o fato gerador, em conformidade com a Súmula CARF 38, ocorreu em 31/12/2002. O lançamento poderia ter sido efetuado a partir do dia seguinte, 1º/01/2003. O primeiro dia do exercício seguinte, termo inicial da decadência do poderdever de efetuar o lançamento do crédito tributário, é 1º/01/2004, sendo 31/12/2008 o termo final. Não ocorreu, portanto, a decadência do lançamento relativo a 2002; por conseguinte, também não decaíram os períodos do ano calendário 2003. DO ERRO DE TIPIFICAÇÃO AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL QUE ESTABELEÇA EFETIVA OMISSÃO DE RECEITA NECESSIDADE DE SE DEMONSTRAR FATOS EXTERIORES DE RIQUEZA É alegado existir erro de tipificação, ao não ser identificada a natureza dos pagamentos feitos – se esses se enquadravam como rendimentos indiretos ou meramente pagamento sem causa; segundo o contribuinte “tratase de movimentação bancária fruto da única atividade que possui e que se assim considerasse deveria como deve, ser tributada de forma diversa”; alega que “foi informado ao Agente conforme documentos acostados aos autos que a movimentação financeira – na realidade – tratase de conta em nome do contribuinte pessoa física que exerce a atividade de autônomo especialista em terraplanagem – assim sendo – tratase de conta utilizada no exercício da profissão que possui e única fonte de renda”. É asseverado, ainda, que há ausência de nexo causal que estabeleça que os depósitos bancários correspondem a efetiva omissão de receita e não consta da apuração identificação de gastos incompatíveis com as despesas praticadas e que meros valores identificados através de depósitos em conta corrente não se prestam a subsidiar o lançamento, havendo necessidade de se identificar fatores exteriores que denotem que o contribuinte de fato tenha omitido receita, mediante a demonstração de fatos exteriores de riqueza. Não assiste razão ao contribuinte. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A intimação para a comprovação dos recursos encontrase, como visto, à fls. 253 a 282, cuja resposta, à fl. 289 limitase a afirmar que “não há nada a acrescentar quanto ao levantamento feito pela autoridade fiscal”. O referido dispositivo legal instituiu uma presunção legal relativa que "dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada" (Súmula CARF 26). Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Entretanto, dado o caráter relativo, a presunção qual pode ser desconstituída caso o Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 512 17 contribuinte comprove que os montantes depositados não poderiam ser caracterizados como renda auferida ou que os valores não pertencem a ele. Tal prova não foi realizada no presente caso. Assim, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é presumida a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Não é possível obrigar à Fazenda a substituir o recorrente no fornecimento de provas que lhe cabe para ilidir a presunção legal de omissão de receitas, pois, como já exposto, essa presunção tem o poder de inverter o ônus da prova. Nessa conformidade, rejeitase o pedido de diligência formulado pelo contribuinte. Os documentos juntados aos autos pelo contribuinte dão conta que: (a) ele exerce a profissão de autônomo, no ramo de prestação de serviços de terraplanagem (fl. 165); (b) prestou serviços a determinadas pessoas jurídicas (fls. 167 a 170); (c) o cheque de R$31.460,00, depositado em 21/09/2005, foi devolvido e que moveu ação de execução para recebêlo (fls. 171 a 173); (d) vendeu um imóvel (fls. 174 a 179); (e) vendeu dois automóveis (fls. 180 a 186); (f) comprou um imóvel (fls. 187 a 194); (g) realizou a venda de um trator (fls. 196 a 198). Quanto ao valor de R$31.460,00, depositado em 21/09/2005, o contribuinte alega que o cheque foi devolvido e que moveu ação de execução para recebêlo. De fato, tal valor compôs a base tributável (fl. 281) e há provas que o cheque foi devolvido e protestado (fl. 171), sendo o seu crédito cobrado judicialmente a partir de 28/11/2005. Tal valor deve ser retirado da base de cálculo da infração. Quanto às demais operações, não há qualquer vinculação entre os valores das operações e os depósitos bancários, pelo que resta incólume a presunção de omissão de receitas. Em relação à exclusão do valor de R$190.000,00, referente à venda de imóvel de sua propriedade, que deveria ter sido pago em 12/11/2004 e que somente foi pago através dos depósitos feitos em 2005, também não é feita a identificação dos depósitos correspondentes, a fim de possibilitar o seu exame. Registro que na discriminação dos valores superiores a R$12.000,00 entre novembro de 2004 e dezembro de 2005, realizada pela fiscalização (doc. 302/2007, fl. 290) não há qualquer depósito de R$190.000,00. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% RETROATIVIDADE DA MULTA ISOLADA , POR FORÇA DO ART. 18 DA LEI 11.488/2007 É asseverada a ilegalidade da multa de ofício de 75%, por força da Medida Provisória 303, de 2006 e da Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei 11.488, de 2007, mais benéfica ao contribuinte, operandose a retroatividade, tornando ilegal a manutenção da imputação de 75% de multa isolada; caso não se reconheça a ilegalidade da aplicação da multa, o percentual praticado é indevido por transgredir dispositivo constitucional que trata dos princípios da capacidade contributiva e não confisco, merecendo ser declarado inconstitucional o art. 44, I, da Lei 9.430/96. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Ocorre que a multa exigida neste processo é a multa vinculada (e não isolada) de 75%, incidente sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Um vez que restou provado que o tributo não foi recolhido, é devida a multa aplicada, que é a esse vinculada. Quanto à retroação benigna estabelecida pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007, nada tem a ver com multa vinculada à falta de pagamento, tratandose de outra hipótese, a da multa isolada, que não é o caso destes autos, pois como o próprio npme revela, é aplicada isoladamente, sem se relacionar com o caso dos autos, de falta de pagamento de tributo. Pela retroatividade benigna aplicase uma multa mais benéfica aos lançamentos não definitivamente constituídos; porém, a multa a ser aplicada é a que se subsume ao caso concreto, e não as incidentes em outras hipóteses. No caso do referido art. 18, tratase de multa isolada, qual é aplicada, como revela seu nome, sem que haja vinculação ao não pagamento do tributo. O art. 18 da 10.833, de 2003, que teve sua redação alterada pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007, trata do lançamento de multa (isolada) nos casos do art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, o qual restou limitado à imposição de multa (isolada) em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo: Art. 18. Os arts. 3º e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.004355/200781 Acórdão n.º 2301004.437 S2C3T1 Fl. 513 19 o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo." (NR) DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 44, I, DA LEI 9.430, DE 1996 O contribuinte afirma que o percentual da multa de ofício é confiscatório e fere gravemente os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Ocorre que os o CARF não é competente para exercer o controle repressivo de constitucionalidade, conforme Súmula Carf 02, a seguir transcrita, de modo que neste voto não será apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. È alegada a ilegalidade da taxa Selic por inaplicabilidade da Lei 9.065, de 1995 frente ao art. 161, do CTN. Em relação à utilização da taxa SELIC para atualização do crédito tributário lançado, o CARF já pacificou a sua jurisprudência no sentido de que a mesma é aplicável. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o recurso voluntário, para não conhecer das questões acerca do arrolamento de bens e das inconstitucionalidades de lei, negar o pedido de diligência, afastar as preliminares, e no mérito, não reconhecer a decadência e dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada o valor de R$31.460,00, no anocalendário 2005. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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