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Numero do processo: 10835.721908/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA.
O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2201-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CORRESPONDÊNCIA COM O INFORME DE RENDIMENTOS E COM A DIRF DA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 19 08 /2 01 2- 33 Fl. 140DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 97 a 98, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 5.622,31, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “Foram pagos à Sra. Margarida e Sra. Laurinda, a título de aluguéis: rendimentos brutos no total de R$ 138.265,17; IRRFonte total R$ 24.851,12 e Desps. com Condomínio (total) R$ 40.889,44. Posto que cabe a cada contribuinte 50% dos rendimentos, apuramos: Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56. Condomínio (50%) R$ 20.444,72 e Rend. Líquido Tributável (50%) R$ 48.687,86.” Tal notificação é resultante da apreciação de Solicitação de Retificação de Lançamento apresentada pela contribuinte (fl. 25), em face da notificação original de fls. 27 a 28, que foi deferida parcialmente (fl. 96). Cientificada do lançamento em 21/11/2012 (fl. 101), a interessada apresentou a impugnação de fls. 02 e 05/08, em 06/12/2012, por intermédio de procurador (procuração a fl. 03) , alegando que: em todos os exercícios, a receita informada na declaração confere com os valores informados nos informes de rendimentos da Sra. Margarida e Laurinda, bem como o IR retido na fonte; conforme cópia da matrícula e contrato de locação, os rendimentos de alugueis correspondem a 50% para cada uma; em relação às despesas do condomínio, que foram incluídas pela Caixa Econômica Federal junto com a receita de aluguéis no informe de rendimentos, os valores são diferentes, isto porque como o prédio é usufruto de ambas (Margarida e Laurinda), e não há um condomínio pessoa jurídica, os valores foram reembolsados de acordo com que efetuou os pagamentos das despesas; como dona Margarida é quem arcava com a maior parte das despesas, o reembolso do valor das despesas com condomínio para ela foi maior, basta ver no exercício 2009 que o valor Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.721908/201233 Acórdão n.º 2201003.843 S2C2T1 Fl. 3 3 recebido para dona Margarida foi de R$ 89.577,33 e para dona Laurinda R$ 48.687,84; os valores declarados por cada uma das declarantes estão corretos de acordo com os extratos fornecidos pela C.E.F; a impugnante reconheceu que houve um ajuste dos rendimentos, no valor de R$ 5.902,98, como apurado no demonstrativo de apuração de imposto devido. Contudo, impugna a glosa de imposto pago, no valor de R$ 5.622,31; como já dito, os informes de rendimentos fornecidos pela C.E.F., apontam que a dona Margarida teve o rendimento bruto de R$ 89.577,33 e o imposto retido na fonte de R$ 18.047,87 enquanto o da dona Laurinda teve o rendimento bruto de R$ 48.687,84 e o imposto de renda retido na fonte de R$ 6.803,25, tendo estes valores sido lançados em suas declarações; a C.E.F. emitiu informes de rendimentos em separado (individuais), de acordo com os valores recebidos dos aluguéis, que é de 50% para cada uma, mas o reembolso das despesas do condomínio, no caso dona Margarida é quem pagava as despesas maiores do condomínio e por isso o total recebido por ela foi maior do que de sua mãe; a C.E.F. cometeu um erro, pois ela não deveria ter retido o IR sobre o reembolso das despesas de condomínio, mas sim, somente do valor dos alugueis recebidos; não é possível admitir o feito pelo Sr. Fiscal autuante, que é somar os valores da retenção de ambas e dividir ao meio, pois aí ocorreu uma injustiça devido aos fatos narrado; não há uma explicação razoável para o imposto ser glosado, principalmente se os valores brutos recebidos por cada uma foram diferentes, e pago a cada uma o valor que arcou individualmente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, com as seguintes considerações: Quanto ao fato de os informes de rendimentos espelharem valores diferentes dos apurados pela fiscalização, cumpre esclarecer que à fonte pagadora cabe efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, podendo ser penalizada por informação incorreta prestada, mas isso não elide a responsabilidade da contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IRPF. A interessada, como contribuinte direto, conforme definição de contribuinte e responsável dada pelo artigo 121 do CTN, cumpre oferecer à tributação na declaração anual o total dos rendimentos recebidos e compensar o IRRF correspondente, independentemente de informação da fonte pagadora e, portanto, a responsabilidade pelas informações prestadas na Fl. 142DF CARF MF 4 declaração de rendimentos da pessoa física é do próprio declarante. Quanto ao não aproveitamento do IRRF por parte da Sra. Laurinda, caberia ter sido providenciada por ela uma declaração de ajuste anual retificadora, majorando a compensação do IRRF que a ela cabia. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte dispôs, em síntese, que a recorrente compensou, em sua declaração, o valor retido de R$ 18.047,87 e a condômino Laurinda declarou corretamente, na sua declaração, o valor recebido de R$ 6.803,25. Além disso, salientou a recorrente que os rendimentos dos alugueres são metade para cada uma, contudo, ficou demasiadamente comprovado nos autos, que as despesas de condomínio foram custeadas pela recorrente, por isso que o rendimento bruto da recorrente é de R$ 89.577,33 e o da condômino Laurinda de R$ 53.427,39,, correspondendo justamente essa diferença de rendimento ao reembolso das despesas do condomínio. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 97 a 98, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 5.622,31, referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Consta ainda da descrição dos fatos: “Foram pagos à Sra. Margarida e Sra. Laurinda, a título de aluguéis: rendimentos brutos no total de R$ 138.265,17; IRRFonte total R$ 24.851,12 e Desps. com Condomínio (total) R$ 40.889,44. Posto que cabe a cada contribuinte 50% dos rendimentos, apuramos: Rend. Bruto (50%) R$ 69.132,59; IRRFonte (50%) R$ 12.425,56. Condomínio (50%) R$ 20.444,72 e Rend. Líquido Tributável (50%) R$ 48.687,86.” Dispõe a decisão recorrida da seguinte forma: Nos casos de aluguéis pagos por pessoa jurídica a mais de um locador, é dever da fonte pagadora (locatário) efetuar a retenção na fonte aplicando a tabela mensal em relação ao valor Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.721908/201233 Acórdão n.º 2201003.843 S2C2T1 Fl. 4 5 pago, apresentar DIRF individualizada e fornecer comprovante de rendimentos que couber a cada um e o IRRF correspondente. O art. 15 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), assim regulamenta a questão de rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio: Quanto ao ônus de manutenção de imóvel possuído em condomínio, o art. 1.315 do Código Civil Brasileiro é cristalino e não deixa quaisquer dúvidas a respeito da matéria: Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita. Parágrafo único. Presumemse iguais as partes ideais dos condôminos. “Art. 15 Os rendimentos decorrentes de bens possuídos em condomínio serão tributados proporcionalmente à parcela que cada condômino detiver. Parágrafo único. Os bens em condomínio deverão ser mencionados nas respectivas declarações de bens, relativamente à parte que couber a cada condômino (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66) Compulsandose os autos, verificase que a declaração da contribuinte foi feita de acordo com o Informe da Caixa Econômica. fls 45, sendo que a DIRF, fls. 121, retrata os mesmos valores. Portanto, correta a compensação realizada pela recorrente. Notase que a diferença apontada pela fiscalização decorre do entendimento de que os valores dos alugueres deveriam constar, na proporção de 50%, das declarações da recorrente e de sua condômina. Contudo, comprovase nos autos que as retenções ocorreram em valores distintos, tendo em vista o pagamento das despesas de condomínio pela recorrente. Ao meu ver, o equívoco teve como causa o Informe e a DIRF, provavelmente, incorretos elaborados pela fonte pagadora, tendo em vista que os valores relativos ao condomínio não deveriam ter constado da retenção, conforme se extrai dos artigos 631 e 632 do regulamento do Decreto 3.000/1999: Art. 631. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoas jurídicas a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso II). Aluguel de Imóveis Art. 632. Não integrarão a base de cálculo para incidência do imposto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; Fl. 144DF CARF MF 6 II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Ao tratar da compensação referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, assim dispõe o art. 87, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999, aplicável ao lançamento em questão: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 12): I (...) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Assim, apesar do provável erro da fonte pagadora quanto da realização da retenção do valor relativo às despesas com o condomínio, houve, comprovadamente, a retenção do valor, consoante declarado pela recorrente (R$ 18.047,87 retenção na fonte). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000383/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PRAZO DECADENCIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO.
Correta a apuração do resultado pela sistemática do lucro arbitrado quando não apresentados os elementos da escrituração concernentes à apropriação das receitas tributadas.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Mostra-se pertinente a imputação da multa qualificada quando demonstrada nos autos a ocorrência de situações enquadradas no art. 71, da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1402-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a decadência para o IRPJ e a CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2002. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os coobrigados da relação jurídico-tributária. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por manter a responsabilização dos coobrigados.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PRAZO DECADENCIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. Correta a apuração do resultado pela sistemática do lucro arbitrado quando não apresentados os elementos da escrituração concernentes à apropriação das receitas tributadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mostra-se pertinente a imputação da multa qualificada quando demonstrada nos autos a ocorrência de situações enquadradas no art. 71, da Lei nº 4.502/64.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a decadência para o IRPJ e a CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2002. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os coobrigados da relação jurídico-tributária. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por manter a responsabilização dos coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PRAZO DECADENCIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. Correta a apuração do resultado pela sistemática do lucro arbitrado quando não apresentados os elementos da escrituração concernentes à apropriação das receitas tributadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mostrase pertinente a imputação da multa qualificada quando demonstrada nos autos a ocorrência de situações enquadradas no art. 71, da Lei nº 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 83 /2 00 8- 81 Fl. 3668DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a decadência para o IRPJ e a CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2002. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os coobrigados da relação jurídicotributária. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por manter a responsabilização dos coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto– Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 16004.000383/200881 Acórdão n.º 1402002.679 S1C4T2 Fl. 3.669 3 Relatório Frigosul – Frigorífico Sul Ltda., pessoa jurídica acima qualificada, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI e demonstrativos às f. 07 a 30) relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) de todos os trimestres dos anos calendário 2002 a 2006, em virtude de omissão de receitas, da seguinte forma: a) arbitramento do lucro relativo a receitas de vendas de produtos de fabricação própria – suas e de interpostas pessoas; b) mudança de tratamento tributário (arbitramento) relativo às receitas de prestação de serviços recebidas de pessoa jurídica. O lançamento resultou em R$ 3.525.328,29 de imposto, R$ 5.055.541,74 de multa proporcional de ofício (75% e 150%) e R$ 1.846.163,47 de juros de mora calculados até 30 de abril de 2008. Foram também lavrados os Autos de Infração reflexos (CSLL, contribuição para o PIS/PASEP e COFINS – f. 31 a 88), totalizando o valor de R$ 21.701.503,11 (incluídos as multas e os juros moratórios). Atendendo a requisição da Justiça Federal, as fiscalizações foram iniciadas, primeiramente na empresa Sebo Jales e, posteriormente, no dia 21/06/2006, na empresa PANTANEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA, CNPJ 05.111.062/000194, doravante denominada apenas por PANTANEIRA. De acordo com a Fiscalização, no decorrer dos trabalhos fiscais foram aparecendo evidências de que a PANTANEIRA era uma interposta pessoa, a denominada "EMPRESA LARANJA", em nome da qual era feita toda a movimentação de abate do gado e venda da carne feita pela FRIGOSUL FRIGORíFICO SUL LTDA, doravante denominado apenas por FRIGOSUL. Também teriam sido encontradas evidências de antes da PANTANEIRA, a FRIGOSUL usou, com a mesma finalidade, outra interposta pessoa, denominada M. S. ALIANÇA CARNES E DERIVADOS LTDA, CNPJ 03.384.181/000195, doravante denominada apenas por M. S. ALIANÇA. Durante o procedimento fiscal junto à PANTANEIRA, a empresa foi intimada diversas vezes a apresentar seus livros contábeis e fiscais e não atendeu às solicitações. Também foi intimada a apresentar documentos que identificassem as operações comerciais que deram origem às movimentações bancárias efetuadas com as empresas FRIGOSUL e SEBO JALES bem como outras movimentações com terceiros. Também aqui não houve atendimento. Esses terceiros foram objeto de circularização para indicar que tipo de operação comercial teriam praticado com a PANTANEIRA. Alguns não responderam, outros responderam de forma evasiva e outros afirmaram que negociaram com o Grupo Fuga e não especificamente com a PANTANEIRA. Não foi apresentado nenhum documento Fl. 3670DF CARF MF 4 A FRIGOSUL foi intimada a identificar e comprovar documentalmente as operações comerciais que deram origem às movimentações bancárias efetuadas com a empresa PANTANEIRA. Não houve atendimento. As receitas originalmente contabilizadas na PANTANEIRA e na M. S. ALIANÇA. foram alocadas pelo Fisco no resultado da FRIGOSUL. Foi lavrado Termo de Responsabilidade Tributária das pessoas jurídicas SEBO JALES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ANIMAIS LTDA. E FUGA COUROS S.A A autuada apresentou impugnação alegando em síntese: a) o sujeito passivo de cada relação jurídicotributária é aquele eleito pela lei que esteja diretamente vinculado ao fato que gerou o crédito tributário e, assim, somente poderá ser sujeito passivo da obrigação tributária aquele que realize a materialidade do respectivo fato gerador, auferindo de fato e de direito seus benefícios econômicos; b) o lançamento é nulo pois contém o vício do erro na identificação do sujeito passivo. Todos os valores sobre os quais são exigidos os tributos nos Autos de Infração são decorrentes de fatos geradores (supostas omissões de receita) praticados por duas outras empresas que não a autuada, cujas existências jurídicas não podem ser, simplesmente, desconsideradas; c) a simulação não se presume. Deve ser provada com certeza e precisão, pois a regra é a validade dos atos praticados pelo contribuinte; sua desconsideração, a exceção; d) ainda que superada a nulidade e admitindose que as infrações houvessem sido cometidas pela Frigosul, a forma de apuração de todos os tributos lançados se apresenta nula, porque o Fisco deve determinar o valor do Imposto de Renda e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão; e) não havia nenhuma razão para desconsiderar a escrita da Frigosul; f) se a tributação das supostas receitas omitidas teria de ser efetivada com base no “lucro real”, deveria ser admitido o “custo das receitas omitidas”; g) no pertinente às contribuições PIS e COFINS, o arbitramento também distorceu o cálculo dos valores devidos e provocou a modificação no regime de apuração das contribuições, impedindo o aproveitamento de créditos, uma vez que no “lucro real” a apuração dessas contribuições é efetuada com base no regime nãocumulativo; h) devem ser cancelados os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro de 2002 e 7 de maio de 2003, porque o Fisco decaiu de seu direito de lançar relativamente a tais meses, a teor do art. 150, § 4°, do CTN, considerada a apuração trimestral (lucro arbitrado) e que a lavratura do Auto de Infração somente aconteceu em 8 de maio de 2008; i) ainda que se argumente ser aplicável, no caso em pauta, a regra do art. 173, I, do CTN, o que deslocaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda assim, o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos nos quatro trimestres do ano de 2002 estaria fulminado pela decadência; Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 16004.000383/200881 Acórdão n.º 1402002.679 S1C4T2 Fl. 3.670 5 j) o fato gerador do PIS e da COFINS ocorre a cada mês, sem nenhuma dependência de "ajuste" anual de qualquer modalidade, o que também torna nulos os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro de 2002 e 7 de maio de 2003; k) uma vez declarada a improcedência do arbitramento de lucro, o item 002 do Auto de Infração (arbitramento do lucro relativo a receitas de prestação de serviços) também estará, por conseqüência, fulminado pela nulidade; l) ainda que algum valor fosse devido pela impugnante, jamais poderia ser aplicada, sobre tal montante, a multa agravada de 150%, o que também revela ser descabida a abertura do processo de Representação Fiscal para Fins Penais; m) não tendo a impugnante acesso aos livros fiscais das empresas apontadas como laranjas, e desconhecendo os extratos bancários delas, só pode enfrentar as acusações por negação geral; n) encontrase cerceada a defesa da impugnante, pois não teve acesso aos documentos base da acusação, não podendo exercer o seu direito de defesa em sua ampla extensão. Ainda, rechaça a impugnante todas as ilações do Fisco, negando peremptoriamente ser responsável ou ter se beneficiado das operações das empresas apontadas como “laranjas”; o) basta a leitura das hipóteses inseridas no artigo 135 do CTN eleito pelo Fisco, para se concluir faltar sustentação legal para eleição da impugnante como responsável. Ao final, requer sejam declarados nulos os autos de infração. As impugnações apresentadas pelos apontados como responsáveis tributários Sebo Jales e Fuga Couros limitamse a transcrever todo o teor daquela protocolada pela autuada, acrescentandose (em ambas) o seguinte: a) a rigor não poderia ser questionado de forma diferente das razões da autuada; b) negamse todas as acusações que são impingidas, adotandose, no que couber, o texto da impugnação da autuada; c) devem ser os lançamentos declarados nulos, não cabendo o ato de extensão adotado pelo Fisco e, d) com relação ao mérito, faltam conhecimentos imprescindíveis sobre os fatos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS prolatou o Acórdão 0415.970 dando provimento parcial às impugnações apenas para acolher a arguição de decadência em relação ao PIS e à Cofins para os fatos geradores de janeiro a novembro /2002, inclusive. Dessa decisão, foi interposto recurso de ofício. Em relação à parte da decisão mantida, a interessada e os coobrigados apresentaram recurso voluntário ratificando em essência as razões expedidas nas peças Fl. 3672DF CARF MF 6 impugnatórias. Trouxe junto com o recurso o que seria o Livro Diário da empresa PANTANEIRA. Posteriormente, aditou o recurso trazendo novos documentos. Em primeira apreciação, este colegiado prolatou a Resolução 1402000.175 a fim de que fossem examinados os documentos trazidos no aditamento. Cumprida a solicitação, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 16004.000383/200881 Acórdão n.º 1402002.679 S1C4T2 Fl. 3.671 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Cabe, preliminarmente, uma análise referente à diligência determinada por este colegiado. Na Resolução 1402000.175 foi estabelecido o encaminhamento do processo à Unidade Local para que fossem examinados os documentos trazidos aos autos em complementação à peça recursal. Tais documentos correspondem à Declarações retificadoras (DIPJ/DCTF/DACON) referentes aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 da empresa PANTANEIRA, entregues após o término do procedimento fiscal; e cópia de alguns elementos do processo de execução fiscal referente aos débitos informados nessas Declarações. Hoje, melhor refletindo, entendo que não caberia a Resolução nos termos formulados. As Declarações apresentadas não são elementos hábeis a servirem de contraponto à autuação. Em primeiro lugar porque não vieram acompanhadas da documentação comprobatória. Simplesmente foram preenchidas justamente com o registro dos valores de que tratam as presentes autuações sem a apresentação de qualquer elemento de prova que demonstrasse a efetiva existência da empresa e, mais importante, que esclarecesse as operações mercantis que teria realizado para auferir tais receitas. Foi justamente a ausência de comprovação da realização de qualquer atividade, bem como o fluxo financeiro direcionado pela PANTANEIRA à FRIGOSUL (recorrente), que gerou o entendimento fiscal no sentido de que as receitas registradas naquela pertenciam na verdade a essa última. Assim, as conclusões fiscais não podem ser elididas pela simples apresentação das Declarações. Em segundo lugar, pesa contra a defesa o fato de as Declarações terem sido apresentadas após o término do procedimento fiscal. É jurisprudência pacífica nesta Corte que nessa hipótese os dados nelas informados não têm o condão de afetar o lançamento de ofício. A Súmula CARF nº 33 é cristalina; A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No que se refere ao processo de execução fiscal, o procedimento de registrar os valores em DCTF para provocar a execução contra a PANTANEIRA só agrava a situação dos envolvidos, pois demonstra uma tentativa de desviar a atenção das autoridades tributárias em relação aos fatos apurados e desonerar a autuada a qualquer custo. Fl. 3674DF CARF MF 8 Sob esse aspecto, o ônus perante a execução fiscal de assumir dívidas tributárias que no entendimento do Fisco pertencem a terceiros devem ser assumidos integramente pela PANTANEIRA, e não tem qualquer impacto no presente julgamento. Corroboro, destarte, as alegações do Relatório de diligência. Não procede a arguição de cerceamento do direito de defesa pela não disponibilização dos documentos embasadores do lançamento, pela razão principal de que o representante da autuada também se identificou como representante das empresas PANTANEIRA e M.S. ALIANÇA. Não haveria como não ter acesso à documentação, que na verdade se resume ao Livro de Saída. Em relação aos extratos bancários não foram a base da exigência tributária. Serviram apenas para fortalecer a convicção de que as empresas PANTANEIRA e M.S. ALIANÇA seriam interpostas pessoas e, nesse ponto, com base em movimentações que foram disponibilizadas à recorrente para que sobre elas se manifestasse. Quanto ao mérito específico da autuação, ou seja, em relação ao fato imputado à interessada de que teria utilizado pessoas jurídicas interpostas para registrar receitas próprias, não foram apresentadas razões de defesa corroboradas por documentos, apenas manifestações genéricas no sentido de "rechaçar as ilações do Fisco, negando peremptoriamente ser responsável ou ter se beneficiado das operações das empresas apontadas". Em relação às razões de defesa apresentadas, a alegação de erro na identificação do sujeito passivo só teria procedência se a defesa demonstrasse, apesar do suporte probatório trazido pela Fiscalização, que as receitas tributadas na FRIGOSUL tivessem efetivamente sido auferidas pela PANTANEIRA e pela M. S. ALIANÇA. Não foi apresentado qualquer elemento de prova nesse sentido. Cabe registrar que, diferentemente do suscitado pela defesa, as empresas PANTANEIRA e M. S. ALIANÇA não foram "simplesmente desconsideradas" pela Fiscalização. Houve procedimento de diligência para constatar que não existiam nos endereços indicados exceto uma filial da PANTANEIRA registrada no mesmo endereço da autuada mas sem existência de fato além de não terem demonstrado a realização de qualquer operação mercantil. No que se refere à apuração pelo lucro arbitrado, não se pode olvidar que a apuração fiscal teve como base dados originalmente informados pela PANTANEIRA e, em menor escala, pela M. S. ALIANÇA. Em termos simplistas, a inexistência de fato da PANTANEIRA implicou em "jogar" todas as informações a ela referentes dentro da FRIGOSUL. Citando como exemplo o anocalendário de 2004 para uma receita declarada pela recorrente em cada trimestre nos valores de R$ 218.038,10; R$ 127.394,72; R$ 345.432,49 e R$ 45.845,32 os valores trazidos da PANTANEIRA foram respectivamente R$ 10.645.925,43; R$ 13.545.550,83; R$ 15.375.490,84 e R$ 6.303.173,36. Assim, pela significância dos valores originalmente informados pela PANTANEIRA em relação à receita declarada pela FRIGOSUL, a necessidade ou não do arbitramento deve ser auferida pela análise da escrituração daquela, e não desta última. Nesse ponto, durante o procedimento fiscal, apesar de várias intimações não foram apresentados os Livros Fiscais e a escrituração das empresas PANTANEIRA e M. S. ALIANÇA; exceto o Livro de Saídas. Não se trata apenas, como alega a reclamante, de arbitrar Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 16004.000383/200881 Acórdão n.º 1402002.679 S1C4T2 Fl. 3.672 9 o lucro por causa da omissão de receita mas sim da ausência de elementos que permitam a apuração do lucro real. Correto, portanto, o arbitramento conforme justificativa apresentada pela Fiscalização: [...] Tornase necessário o uso do arbitramento do lucro tributável porque as empresas M S ALIANÇA e PANTANEIRA, das quais decorre a matéria tributável, não apresentaram, apesar das diversas intimações, os LIVROS CONTÁBEIS, nem mesmo o LIVRO CAIXA, contendo a escrituração da movimentação financeira, por serem referentes aos anos que optou pelo regime de tributação do Lucro Presumido, conforme determinado no artigo 527 do RIR99 acima transcrito. [...] A apuração do resultado por arbitramento envolve todas as receitas auferidas e não apenas aquelas tidas como omitidas. Essa sistemática de apuração traz ainda duas consequências: uma delas é que a aplicação do percentual supre a questão dos custos suscitados pela defesa. A outra consiste, por definição legal, na apuração do PIS e da Cofins no regime cumulativo. Ressaltese ainda que a apresentação em sede de recurso voluntário do Livro Diário da empresa PANTANEIRA não elide o arbitramento efetuado, conforme Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Com relação à imputação da multa qualificada, pareceme correta por duas razões principais. Uma delas é a utilização de interposta pessoa para registrar as receitas auferidas, de forma a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte, nos termos do inciso II, do art. 71, da Lei nº 4.502/64. A outra é a omissão dolosa de receitas eis que conscientemente declaradas em montante muito inferior àquele informado no Livro Registro de Saídas voltado à apuração de créditos de ICMS o que impediu o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, nos termos do inciso I, do art. 71, da Lei nº 4.502/64. Dirimida a questão da multa com manutenção da qualificadora, a contagem do prazo decadencial deve ser feita pela regra do inciso I, do art, 173, do CTN, nos termos da remansosa jurisprudência desta Corte. Em relação ao IRPJ e à CSLL com prazo trimestral de apuração, para os três primeiros trimestres do anocalendário de 2002, o termo inicial de contagem do prazo decadencial é 02/01/2003 e o termo final 02/01/2008. Com ciência da autuação em data Fl. 3676DF CARF MF 10 ´posterior (15/05/2008) ocorreu a caducidade. Para o 4º trimestre de 2002 o termo inicial foi 02/01/2004 e o termo final 02/01/2009. Nesse caso, não ocorreu a decadência. Para o PIS e a Cofins, ainda que com fato gerador mensal, o raciocínio é semelhante. Com relação aos meses de janeiro a novembro de 2002 o termo inicial é 02/01/2003 e o termo final 02/01/2008. Com ciência da autuação em data posterior (15/05/2008) ocorreu a caducidade. Para o mês de dezembro de 2002 o termo inicial foi 02/01/2004 e o termo final 02/01/2009. Nesse caso, não ocorreu a decadência Em relação à sujeição passiva solidária, o Termo de Verificação assim se manifestou: [...] Temos ainda outros responsáveis que se beneficiaram da fraude, pois noventa e cinco por cento do capital social do FRIGOSUL pertence ao SEBO JALES, e noventa e oito por cento do capital social da SEBO JALES pertence ao FUGA COUROS SIA (os dois por cento restantes pertencem a FUGA PARTICIPAÇÕES). Concluise, portanto, que as empresas Sebo Jales Industria e Comércio de , Produtos Animais Ltda e Fuga Couros S/A, ambas integrantes do que denominamos GRUPO FUGA, tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, pois todas foram beneficiadas, direta ou indiretamente, pelas fraudes, sendo, portanto, solidariamente obrigadas ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos121 e 124, inciso I, do CTN. [...] Vêse que o interesse comum foi definido pelo Fisco com base na participação societária o que implicaria, ainda de acordo com a autoridade lançadora, em beneficiarse da fraude. Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 16004.000383/200881 Acórdão n.º 1402002.679 S1C4T2 Fl. 3.673 11 Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 3 Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame das coobrigadas pessoas jurídicas com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. A meu ver, o procedimento correto deveria ter como base a individualização da conduta em relação àqueles que exerceram EFETIVAMENTE, e não apenas de direito, cargos de gerência e direção na FRIGOSUL. Sendo assim, dou provimento ao recurso nessa parte para excluir os coobrigados do pólo passivo da relação jurídicotributária. Em relação ao recurso de ofício , tratou da decadência parcial referente ao PIS e à Cofins, confirmada em momento anterior deste voto. Negase, portanto, provimento ao recurso de ofício. 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 3 idem Fl. 3678DF CARF MF 12 Em resumo do meu posicionamento, conduzo meu voto no sentido de acolher a decadência do IRPJ e da CSLL para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2002 e excluir os coobrigados da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 3679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.936495/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.936495/201135 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.567 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 64 95 /2 01 1- 35 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02057.486. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.936495/201135 Acórdão n.º 3302004.567 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 17460.000597/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.142
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja este processo apensado ao de nº 17460.000565/2007-57, que trata de obrigação principal, pendente de julgamento de recurso voluntário, para distribuição a este conselheiro para julgamento em conjunto, por conexão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja este processo apensado ao de nº 17460.000565/2007-57, que trata de obrigação principal, pendente de julgamento de recurso voluntário, para distribuição a este conselheiro para julgamento em conjunto, por conexão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MEDINA CIA LTDA Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja este processo apensado ao de nº 17460.000565/200757, que trata de obrigação principal, pendente de julgamento de recurso voluntário, para distribuição a este conselheiro para julgamento em conjunto, por conexão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 60 .0 00 59 7/ 20 07 -5 2 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 17460.000597/200752 Resolução nº 9202000.142 CSRFT2 Fl. 137 2 Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD nº 37.075.2309, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 15/03/2007, com relatório fiscal da infração e da multa aplicada às efls. 05 e 06. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 17.768,37. De acordo com o relatório fiscal, a empresa... apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, onde informou incorretamente o campo relacionado a Opção do Simples no período 06/2003 a 12/2006, tendo informado "2" (optante) ao invés de "1" (não optante), face desenquadramento ocorrido em 01/01/2002. Ainda, no período 01/2002 a 02/2003 deixa de informar a remuneração paga a seus sócios a título de Pro Labore. Assim, informa incorretamente campo que altera o valor da contribuição devida. Desta forma, foi infringido dispositivo legal: art. 32, inc. IV, parágrafo 50. da Lei no. 8212/91. O AI foi impugnado, às efls. 25 a 35, em 11/04/2007. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0217.121, prolatado em 13/02/2008, às efls. 51 a 55, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Inconformada, em 24/09/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 67 a 76, arguindo apenas a decadência,com base n Constituição Federal definir a necessidade de lei complementar para disciplinar a matéria. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/04/2012, resultando no acórdão 240301.237, às efls. 86 a 102, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL Fl. 137DF CARF MF Processo nº 17460.000597/200752 Resolução nº 9202000.142 CSRFT2 Fl. 138 3 APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte confirmados pelo RDA Relatório de Documentos Apresentados na conexa NFLD nº 37.075.2546. A Recorrente teve ciência do auto de infração de obrigação acessória no dia 15.03.2007, o período objeto do auto de infração é de 01/2002 a 12/2006. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a Fl. 138DF CARF MF Processo nº 17460.000597/200752 Resolução nº 9202000.142 CSRFT2 Fl. 139 4 norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências até 02/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão em 23/05/2012 (efl. 103) e interpôs recurso especial de divergência, em 06/07/2012, às efls. 104 a 119, dele divergindo com relação a duas matérias: a) decadência do direito de constituição do crédito tributário, e b) aplicação da retroatividade benigna à multa. Relativamente à matéria de a), em situação fática similar, os acórdãos paradigmas nº 920200.472 e 240200.182, afirmam que, para contagem do prazo decadencial para multa por descumprimento de obrigação acessória, não se tratando de lançamento por homologação, se faz com fulcro no art. 173, inc. I, do CTN. Já no tocante à b), o acórdão recorrido aplica a retroatividade benigna à penalidade invocando que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício; já o paradigma nº 240100.127, considera ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Ao final, a Procuradora requer o conhecimento de seu recurso, para que seja aplicada a regra do art. 173, I, do CTN para contagem da decadência, tendo em vista tratarse de auto de infração lavrado para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, bem como seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400855/2012, às efls. 122 a 125, datado de 22/11/2012, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o RE cumprir os demais requisitos regimentais. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 17460.000597/200752 Resolução nº 9202000.142 CSRFT2 Fl. 140 5 Após ser frustrada a ciência postal da intimação (efl. 127) do acórdão nº 2403 01.237, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade nº 2400855/2012, houve afixação de edital (efl. 133) em 15/04/2013, com retirada em 30/04/2013, sem que contribuinte retornasse aos autos. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Verifico que a infração que deu azo ao descumprimento da obrigação acessória em testilha no presente processo é a mesma que levou à exigência do tributo, como obrigação principal, no processo nº 17460.000565/200757, ainda pendente do julgamento do seu recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que versa sobre as mesmas matérias aqui controvertidas e já admitido para esta 2ª Turma. Dessa forma, a decisão naquele processo pode ter consequência direta sobre o presente e, por essa razão, devem ambos serem apreciados em conjunto. Dessarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja este processo apensado ao de nº 17460.000565/200757, que trata de obrigação principal pendente de julgamento de recurso voluntário, para distribuição a este conselheiro, para julgamento em conjunto, por conexão, conforme inciso I, do art. 6º do § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, caso aplicável. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000114/2001-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/08/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 01 14 /2 00 1- 52 Fl. 610DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380300.157, de 19 de outubro de 2009 (fls. 437 a 443 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido do contribuinte requerendo a recuperação em espécie dos processos de ressarcimento de IPI, com devida variação da taxa Selic, desde o momento do protocolo do pedido até a data do efetivo pagamento, bem como que a diferença apurada nas planilhas colacionadas nos autos, sejam ressarcidas com a variação da taxa Selic até o dia que ocorrer o pagamento, no período de apuração das datas de 01.02.1996 a 31.08.1998. Em despacho decisório o pleito do contribuinte foi indeferido por falta de amparo legal, como por descaber aplicação da analogia ou equidade no caso. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade reiterando seu pedido, baseado na jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13888.000114/200152 Acórdão n.º 9303005.258 CSRFT3 Fl. 610 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte interpôs recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, negou provimento ao recurso , conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/1996 a 31/08/1998 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre os montantes pleiteados. Recurso Voluntário negado O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 449 a 468) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à possibilidade de atualização monetária dos créditos objeto de pedido de ressarcimento de IPI pela taxa Selic. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos nº 3403002.807, nº 3202001.246 e nº 9303 001.720. Entretanto, apenas foram passíveis de análise os dois primeiros indicados, em vista do disposto no §5º do artigo 67 do Anexo II do RICARF. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos acima citados, conforme documentos de fls. 540 a 568. O recurso especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 571 a 573, sob o argumento que pela simples confrontação entre as ementas, comprovouse a divergência, pois enquanto o acórdão recorrido negou a possibilidade de atualização monetária dos créditos objeto de pedido de ressarcimento por falta de previsão legal, o paradigma entendeu pelo oposto, mediante a aplicação de julgado proferido pelo STJ, sob a sistemática do artigo 543C do CPC. Fl. 612DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 575 a 577, manifestando pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Recorrente pleiteia a atualização, pela Taxa Selic, em relação ao período decorrido entre o protocolo dos seus pedidos de ressarcimento de IPI e o seu efetivo pagamento. Na medida em que a questão da atualização não foi apreciada nas decisões que reconheceram o direito de crédito, a questão pode ser analisada mediante pedido subseqüente, feito em razão da verificação pelo contribuinte de que o ressarcimento não incluiu a atualização. Verificase nos autos que o Contribuinte por diversas vezes pleiteou o ressarcimento em espécie do IPI, conforme autorizava a legislação fiscal, tendo inclusive a Empresa do Contribuinte obtido o direito ao ressarcimento desses pedidos, conforme comprovam os documentos juntados. No entanto, para esses pedidos até a data do efetivo pagamento do tributo que foi ressarcido, não foi efetuado pela Delegacia da Receita Federal qualquer atualização do montante a ser ressarcido. Considerando que por várias vezes o período de espera foi bastante elástico, entendo que houve mora da autoridade fazendária em analisar a veracidade do crédito objeto de pedido de ressarcimento. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13888.000114/200152 Acórdão n.º 9303005.258 CSRFT3 Fl. 611 5 O Acordão recorrido entendeu que descabe à atualização do crédito presumido pela taxa Selic, sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou seja, que diante da falta de autorização expressa, não poderia ser aplicada a taxa Selic na atualização do ressarcimento do IPI. O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento no caso de ICMS, entendeu que é cabível o correção monetária, quando o direito do contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adotou o mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere nos seguintes precedentes, REsp 1.150.188 – SP, REsp nº 1.035.847/RS , REsp 468926/SC e REsp 993164/MG: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS¬PRIMAS ISENTOS – INCIDÊNCIA – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. 2. É qüinqüenal a prescrição da ação que pretende reconhecer o direito ao creditamento escritural do IPI. 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (REsp 1.150.188 ¬ SP, Rel. Ministro ELIANA CALMON, julgado em 20/04/2010)” PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE Fl. 614DF CARF MF 6 CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13888.000114/200152 Acórdão n.º 9303005.258 CSRFT3 Fl. 612 7 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. 2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da não cumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF. 3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice. (EREsp 468926/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) Fl. 616DF CARF MF 8 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito/crédito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito o sujeito passivo. E tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos do Contribuinte devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13888.000114/200152 Acórdão n.º 9303005.258 CSRFT3 Fl. 613 9 Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/200937, pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 (...) CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Por fim, a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso negado. (Recurso do Procurador n° 202113793, acórdão CSRF/0201.690, Relator Rogério Gustavo Dreyer, j. 11.05.2004) Fl. 618DF CARF MF 10 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos acolhidos para reratificar o Acórdão nº 20173.987, passando a ementa a ter a seguinte redação: "IPI. INCENTIVO FISCAL. LEI Nº 8.387/91. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. OMISSÃO. Incide a correção monetária sobre o ressarcimento de créditos do IPI mediante a aplicação da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97 desde a data do protocolo do pedido até o efetivo pagamento. Recurso provido." Embargos acolhidos. (Recurso Voluntário 110.734, acórdão 20178670, Relator Conselheiro Sérgio Gomes Velloso, j. 12.09.2005) NORMAS PROCESSUAIS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 131.034, acórdão 20400818, Relator Flávio de Sá Munhoz, j. 05.12.2005) Assim, meu entendimento é pelo provimento do recurso do Contribuinte para, reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao Contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a dat: (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13888.000114/200152 Acórdão n.º 9303005.258 CSRFT3 Fl. 614 11 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Discordamos da il. Relatora. Como é de todos conhecido, alteramos o nosso entendimento para adotar o que admite a incidência da taxa Selic somente quando há a oposição por ato estatal, administrativo ou normativo, obstando a fruição do crédito presumido de IPI. No caso em exame, conforme ressaltado no próprio Relatório, todos os valores objeto dos pedidos de ressarcimento foram integralmente deferidos à contribuinte, de forma que, sendo esse o contexto, nada mais há o que lhe reconhecer. A atualização monetária pela taxa Selic, cumpre ressaltar, não advém de expressa disposição legal, mas de construção pretoriana, que somente a prevê quando há efetiva oposição ao aproveitamento do crédito, o que, no caso, como vimos, inexistiu. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000753/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
GANHO DE CAPITAL
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição.
Numero da decisão: 2402-005.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 53 /2 00 5- 78 Fl. 339DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10665.000753/200578 Acórdão n.º 2402005.922 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte precitado foi formalizada a exigência às fls. 2 a 9 e 20 a 23, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2003, anoscalendário 2000 a 2002„ consubstanciando imposto suplementar no valor de R$ 12.067,46, com multa de oficio e juros de mora calculados até maio de 2005, totalizando crédito tributário no montante de R$ 26.996,79. O lançamento decorre de: I omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos (Ex. 2001 a 2003) e II — falta de recolhimento de imposto sobre ganhos de capital (Ex. 2002 e 2003). Às fls. 10 a 19 consta relatório da ação fiscal e demonstração da exigência formalizada. Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos:arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 10 e 2° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990 e arts. 70 e 21 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Cientificada em 05/07/2005, fl. 146, a contribuinte apresenta, em 04/08/2005, a impugnação às fls. 147 a 152, acompanhada dos documentos às fls. 153 a 247, na qual alega, em síntese, o seguinte: • Os imóveis de que trata a autuação foram integralizados ao capital de Tangran Empreendimentos e Participações Ltda., consoante registrado na Jucemg em 10/07/1996, contudo não foi feita a averbação no registro de imóveis, o que motivou a inclusão dos referidos bens no inventário de Jaime Martins do Espírito Santo, de cujo espólio o contribuinte é herdeiro. As alienações foram efetuadas em datas posteriores, tendo como transmitente o de cujus, quando na verdade se tratavam de vendas realizadas pela Tangran Empreendimentos e Participações Ltda.; • Não houve insuficiência de recolhimento do imposto sobre ganho de capital,uma vez que os impostos foram calculados e quitados em conformidade com. as metragens e valores existentes nas escrituras dos imóveis. A inconsistência decorre de erro de digitação presente nas escrituras de alguns lotes, havendo apenas erro material quando da apresentação da Fl. 341DF CARF MF 4 Declaração de Ajuste Anual do espólio, erro esse que pode ser sanado a qualquer tempo; • Não foi efetuada a redução de 15% sobre o ganho de capital no caso do imóvel adquirido em 1986, o que viola o art. 18 da Lei n° 7.713, de 1988; • Nos documentos anexados, escrituras públicas de compra e venda, constam valores fiscais (utilizados para cálculo do ITBI) e valores reais (valores reais das operações) sendo que a base utilizada está incorreta; • Descabe a incidência de penalidades sobre os valores lançados. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou em 17/07/2009 procedente em parte a impugnação da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 503 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Lançamento Procedente em Parte A decisão mencionada reformou o lançamento de forma a reduzir o ganho de capital e a falta de recolhimento por ter a fiscalização utilizado base de calculo incorreta (valores fiscais ITBI x valores reais): "Acrescenta a interessada que nos documentos anexados, escrituras públicas de compra e venda, constam valores fiscais (utilizados para cálculo do ITBI) e valores reais (valores reais das operações) sendo que a base utilizada está incorreta. Pelo exame das escrituras às fls. 222 a 247, formase a convicção de que assiste razão à interessada quanto aos valores reais das operações de compra e venda dos imóveis cujas escrituras se encontram às fls. 224 a 230, 233 a 236 e 238 a 247. Como resultado, o imposto correspondente ao período de agosto de 2002 foi reduzido de R$ 10.946,33 para R$ 9.008,34." Ainda, a decisão acima mencionada excluiu da autuação os valores lançados nos meses de dezembro de 2000 (R$ 62,76), outubro de 2001 (R$ 130,28), dezembro de 2001 (R$ 151,77) e outubro de 2002 (R$ 100,77), por se enquadrem na isenção de que trata o artigo 18 da Instrução Normativa nº 118/00 (alienações com valor inferior a R$ 20 mil). 1 1 IN 118/00 Art. 18. Observado o disposto no artigo anterior, na determinação do ganho de capital sujeito à incidência do imposto, a isenção dos ganhos de capital decorrentes de operações de valor igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais): I no caso de operações financeiras, será considerada em relação ao total das liquidações ou resgates realizados no mês; Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10665.000753/200578 Acórdão n.º 2402005.922 S2C4T2 Fl. 4 5 Em resumo, o crédito tributário passou a ser o seguinte: Ademais, foi exonerada a multa de ofício incidente sobre o tributo alegadamente não pago, tendo como fundamentação o seguinte excerto: "Quanto à aplicação da multa de oficio, entendo que assiste razão à requerente, eis que a responsabilidade de sucessores restringese ao tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação." (fl. 510) Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/09/2009, conforme comprovante às fls. 519, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 527 e segs., em 02/10/2009, o recurso voluntário repisando, em linhas gerais, os argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 10/09/2009, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 02/10/2009. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A insurgência recursal cingese a discussão sobre se a alienação por incorporação ao capital da pessoa jurídica Tangran, naquela época efetuada pelo Sr. Jaime Martins do Espírito Santo, é válida em termos fiscais, com o instrumento de Alteração de Contrato Social devidamente registrado na Junta Comercial, ou somente a "validade fiscal" se dá apenas com a averbação no Cartório de Registro de Imóveis. Argumenta o recorrente que não pode apenas uma simples ausência de registro público de um documento ocultar e fazer desaparecer o Fato Gerador da obrigação tributária, uma vez que está devidamente provada a ocorrência anterior da alienação por documento societário e público (Registro na Junta Comercial), devidamente contabilizado no livro Diário da pessoa jurídica à época. Preliminarmente, vale analisar o pedido da recorrente de cancelamento dos valores residuais do auto de infração por suposto de erro de identificação do sujeito passivo, assim como erro na base de calculo e na identificação de datas. Em relação ao erro na identificação os valores e datas, vale destacar que o acórdão recorrido foi bastante claro no sentido de retificar o lançamento por ter reconhecido que a fiscalização incorrido em erro ao lançar ganhos de capital oriundos de operações cujo valor é inferior a R$ 20 mil, nos termos do art. 18 da Lei 7.813/98 e, ainda, retificar a base de cálculo quando identificou que os valores utilizados foram valores fiscais em detrimento do valor realmente praticado. Desta forma, carece de razão o recorrente. Ademais, quanto a erro na identificação do sujeito passivo, também carece de razão o recorrente, tendo em vista que todas as escrituras de compra e venda dos imóveis (fls. 355 e segs) constavam como vendedor o espolio do Sr. Jaime Martins do Espirito Santo e respectivos Darfs recolhidos também. Em referencia às matérias alegadamente não apreciadas pelo acórdão recorrido, quais sejam: ausência de recolhimento insuficiente de tributos e falta de redução de 15% sobre o Ganho de Capital, por tratarse de imóveis adquiridos em 1986, temos que novamente carece de razão a recorrente, tendo em vista que os anexos do próprio auto de infração, mais precisamente os de numero 1 e 2 constam expressamente que o ganho de capital foi deduzido em 15% por trataremse de imóveis adquiridos em 1986 e a imputação dos valores já pagos na planilha de cálculos. Desta forma, o pedido de redução dos valores dos ganhos pelas isenções, pagamentos a maior, e pelos valores das vendas informadas nas Escrituras já foi atendido pelo acórdão recorrido. Caso houvesse alguma outra isenção, pagamento a maior ou valor de venda inferior ao utilizado não considerado, deveria a recorrente têlos apontado individualmente, posto que a alegação genérica não lhe recorre neste momento. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10665.000753/200578 Acórdão n.º 2402005.922 S2C4T2 Fl. 5 7 No que diz respeito ao argumento apresentado pela recorrente de que a ausência e registro de imóveis não tem o condão de afastar a imputação do sujeito passivo como sendo da empresa cujos imóveis foram integralizados, entendo que andou bem a decisão de primeira instancia nos seus argumentos abaixo mencionados (fl. 510): Para combater o lançamento sustenta a interessada que os imóveis de que trata a autuação foram integralizados ao capital de Tangran Empreendimentos e Participações Ltda., consoante registrado na Jucemg em 10/07/1996, contudo não foi feita a averbação no registro de imóveis, o que motivou a inclusão dos referidos bens no inventário de Jaime Martins do Espírito Santo, de cujo espólio a contribuinte é herdeira. Aduz que as alienações foram efetuadas em datas posteriores, sendo que das escrituras consta como transmitente o de cujus, quando na verdade se tratavam de vendas realizadas pela Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. Todavia, para que a transferência de propriedade dos imóveis para Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. pudesse valer como elemento de prova oponível a terceiros, seria necessário que fosse lavrado o correspondente ato de averbação no Registro. de Imóveis. Isso, entretanto, conforme admite a requerente, não foi feito. Destarte, para todos os efeitos fiscais, o alienante foi o espólio de Jaime Martins do Espírito Santo, conforme consta das escrituras públicas de compra e venda colacionadas, e não a empresa Tangran Empreendimentos e Participações Ltda. Assim sendo, correto o lançamento neste particular. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.000006/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 23/04/2004 a 30/12/2004
RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES.
As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decreto-lei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF.
Recurso voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima declarou-se suspeito e foi substituído pelo Conselheiro Cássio Shappo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Silvio Luiz de Toledo César. OAB/SP nº 114.703 e pela Fazenda Nacional, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Shappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 23/04/2004 a 30/12/2004 RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES. As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decretolei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF. Recurso voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima declarouse suspeito e foi substituído pelo Conselheiro Cássio Shappo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Silvio Luiz de Toledo César. OAB/SP nº 114.703 e pela Fazenda Nacional, o Procurador Frederico Souza Barroso. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Shappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 00 00 06 /2 00 9- 14 Fl. 1353DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 6.164.968,96 (seis milhões, cento e sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e seis centavos). Tabela à fl. 942 Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a efeito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), constatouse, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2004, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) à empresa comercial exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam a exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento "permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno". Entende o contribuinte que: "Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda a comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF". Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (e das demais instruções normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do 'RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalizaç'ão do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, \ para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II): 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa Comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a Fl. 1355DF CARF MF 4 extensão e os efeitos pretendidos bom essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 06/03/2009 (ciência pessoal fls. 03 45 83 e 117), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 212/221. Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 01) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante dá incorporação das mercadorias nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo a finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que , em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora Uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que , nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 4 5 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria Com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo qu pleiteia o cancelamento da autuação." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve parcialmente a exigência fiscal, exonerando o crédito tributário referente às exportações efetuadas pela empresa comercial exportadora SIMM Soluções Inteligentes para Mercado Móvel Brasil Ltda. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/04/2004 a 30/12/2004 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Fl. 1357DF CARF MF 6 Instrução Normativa.SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado RECOF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara ao analisar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem realizase a verificação da efetiva exportação, relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, foi elaborado relatório fiscal de diligência, concluindo pela impossibilidade da realização da diligência, nos termos determinados pela resolução (efls. 1174 a 1214). Cientificadas da diligência, a Recorrente se manifestou às efls. 1217 a 1264 e a Procuradoria da Fazenda Nacional veio aos autos e apresentou contrarrazões (efls. 1275 a 1277). O conselheiro Relator original do Processo deixou este Conselho, sendo realizado novo sorteio, o processo foi a mim distribuído para prosseguimento do julgamento. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu novamente converter o julgamento em diligência, elaborando quesitos a serem respondidos pela autoridade fiscal, os questionamentos e as respostas da diligência estão relacionados a seguir: a) a partir das notas fiscais de venda da Recorrente para a comercial exportadora com o fim específico de exportação e com base na documentação de exportação da comercial exportadora (documentação apresentada nos autos do processo administrativo pela Recorrente), adotandose as rotinas especificadas a partir do número 3 do item II.2 do Relatório de Diligência, podese constatar que houve a efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora? Tendo em vista metodologia adotada para checagem dos dados das operações e as conclusões das análises descritas no relatório elaborado pelo servidor da RFB designado, salvo 100 (cem) unidades do produto modelo E816, para as quais não se identificou a correspondente exportação, concluiuse que “as empresas exportadoras realmente exportaram todas as mercadorias adquiridas da Motorola dentro do período analisado”. Com relação às referidas 100 unidades, o detalhamento encontrase na aba “Detalhe E816” da planilha “resultado análises” e envolvem saídas realizadas para a pessoa jurídica SIMM – SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 5 7 MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA, CNPJ nº 06.964.587/0001 35, no mês de setembro de 2006 (PAF nº 10830.720227/2009 01). Os valores dos tributos federais correspondentes às 100 unidades não exportadas, bem como outros dados, tendo por referência a NF 105835 emitida pela MOTOROLA, encontram se discriminados na planilha “resultado análises”, aba “Detalhe tributos suspensos”. Transcrevemos a seguir somente os valores dos tributos relacionados b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, ou seja, caso tenham os bens sido efetivamente exportados pela Comercial Exportadora, fazendo uma comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração e a data da averbação da exportação constante do Registro de Exportação (transposição de fronteira) com exceção dos casos ressalvados no anexo ao Laudo da Auditoria Independente (em que houve prazo superior) essas exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF? A partir da comparação entre a data de admissão da mercadoria no RECOF (data do desembaraço aduaneiro de importação) e a data de exportação indireta realizada pelas empresas comerciais exportadoras (data da averbação do despacho de exportação), foram identificados os prazos excedentes a 1 (um) ano nas operações relacionadas na planilha “resultado análises”, aba “Prazo exportação”. O valor total das operações identificadas coincide com aqueles apontados nos laudos elaborados pela empresa de auditoria independente, contratada pela RECORRENTE. Os dados são os seguintes, consolidados por DI: ANO 2007/2008 PAF 10830.720246/200929 Não foram identificados casos de exportação após um ano para declarações de admissão no RECOF registradas no período abrangido pelo PAF acima indicado. c) Desconsiderando os casos identificados no Laudo da Auditoria de Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum outro caso em que as exportações foram realizadas pela SIMM após o decurso do prazo de um ano das datas das DIs? Não. Todas as exportações com prazo superior a um ano da admissão da mercadoria no RECOF foram apontadas nos laudos elaborados pela empresa de auditoria independente contratada pela RECORRENTE. Cientificada da diligência a Recorrente, apresentou manifestação concordando com o resultado da diligência, reafirmando as suas razões de defesa e pedindo o Fl. 1359DF CARF MF 8 afastamento da exigência fiscal, tendo em vista que para o presente processo, 100% das exportações indiretas foram realizadas dentro do prazo de 1 (um) ano para conclusão do regime. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente é necessário esclarecer que o presente processo faz parte de um grupo de processos que nasceram a partir do mesmo procedimento fiscal de auditoria de RECOF. A diligência determinada pelo colegiado, foi cumprida de forma ampla, abrangendo o conjunto de todos os processos. Assim, é possível verificar que em para um determinado processo parte das importações foram realizadas no período superior a 1 (um ) ano da entrada no regime. Entretanto, esta situação não se verificou no presente processo, onde todas as operações de importação ocorreram em período inferior a 1 (um) ano da entrada no regime. A discussão de fundo do presente processo trata de definir se somente as exportações realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72 podem ser utilizadas para comprovação das exigências do RECOF, ou se conforme, pede a Recorrente também poderiam ser utilizadas para comprovação do regime, as operações de exportação realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras habilitadas no sistema Siscomex. Para enfrentar a questão é necessário aclarar o modelo de empresa comercial exportadoras habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72 e aqueles habilitadas no Sistema Siscomex. De há muito existe discussões neste conselho sobre o conceito de empresa comercial exportadora e sua interferência nas operações de comércio exterior. Em resumo, existem dois grupos sobre os quais discutemse a definição de comercial exportadora. o primeiro grupo é formado por aquelas empresas habilitadas nos termos previstos no Decreto Lei nº 1.248/72. O segundo grupo é formado por empresas que atuam no comércio exterior habilitadas nos termos do Sistema integrado de Comércio Exterior Siscomex. Em que pese a vigência do Decreto, é fato inequÍvoco que a sistemática de operações de comércio exterior sofreram uma grande mudança desde a edição do Decreto. Em particular o surgimento do Siscomex Sistema Integrado de Comércio Exterior, com atuações de diversos órgãos públicos, com alterações substanciais em todo o funcionamento do comércio exterior. Atualmente, para que uma empresa possa operar no comércio exterior, realizado operações de importação e exportação, existe a exigência de uma habilitação prévia e um Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 6 9 cadastro no Siscomex que envolve uma série de procedimentos e exigências. Junto com o Siscomex surge o segundo grupo de empresas consideradas comerciais exportadoras. Os órgão atuantes no comércio exterior não ficaram inertes quanto a classificação de empresas que podem ser consideradas comerciais exportadoras e neste ponto ressalto o trecho abaixo, que consta do sitio do Ministério da Industria Comércio e Desenvolvimento MDIC na internet (http://www.mdic.gov.br/comercioexterior/empresa comercialexportadoratradingcompany) que explica o entendimento daquele Ministério sobre o conceito de empresa comercial exportadora Primeiramente, cumpre enfatizar que empresas comerciais são empresas que têm por objeto social a comercialização de mercadorias, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, bem como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico. Ou seja, exercem atividades típicas de uma empresa comercial. A expressão “trading company” não é utilizada na legislação brasileira, e na doutrina há confusão entre as definições de “empresa comercial exportadora” e “trading company”. A distinção se faz entre as empresas comerciais exportadoras (ECE) que possuem o Certificado de Registro Especial e as que não o possuem. As empresas comerciais exportadoras são reconhecidas no Brasil pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, que dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico de exportação. Essa norma assegura, tanto ao produtor vendedor quanto à ECE, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação. Pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, apenas as empresas comerciais exportadoras que obtivessem o Certificado de Registro Especial seriam beneficiadas com os incentivos fiscais à exportação. Contudo, a legislação atual não faz essa distinção. De acordo com a legislação tributária atual, existem duas espécies de Empresas Comerciais Exportadoras (ECE): i) as que possuem o Certificado de Registro Especial e ii) as que não o possuem. Entretanto, os benefícios fiscais quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às Contribuições Sociais (PIS/PASEP e COFINS) e ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aplicamse, atualmente, às duas espécies, sem distinção alguma. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expressa esse entendimento, por meio da Solução de Consulta nº 40, de 4 de maio de 2012, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 7 de maio de 2012: A Receita Federal, órgão responsável pela fiscalização de comércio exterior, também já se manifestou sobre a matéria, conforme pode ser visto nos trechos abaixo, extraídos das Soluções de Consulta nº 26, de 2005, da Disit da 10ª Região Fiscal, nº 40, de 2012, da 6ª Região Fiscal; e, mais recentemente, na Nota CositE nº 7, de 2017. (retirados da Solução de Divergência nº 7 Cosit de 23 de janeiro de 2017 Fl. 1361DF CARF MF 10 Solução de Consulta nº 26, de 2005 – Disit 10ª Região Fiscal Desde que esteja caracterizado o fim específico de exportação, a Cofins nãocumulativa não incide sobre as receitas decorrentes das operações de vendas tanto para empresas comerciais exportadoras reguladas pelo DecretoLei nº 1.248, de 1972, como para as empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Solução de Consulta nº 40, de 2012, – Disit 6ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A não incidência da Cofins de que trata o art. 6º, III, da Lei nº 10.833, de 2003, se aplica a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação. Duas são as espécies de empresas comerciais exportadoras: a constituída nos termos do Decreto Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e a simplesmente registrada na Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Considerase fim específico de exportação a emessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Se a venda for feita a comercial exportadora constituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, também se considera fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos ao recinto de uso privativo de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 241, de 2002. Nota CositE nº 7, de 6 de janeiro de 2017. No que diz respeito ao tratamento tributário, na remessa para trading companies de mercadorias vendidas com fim específico de exportação, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação são assegurados ao produtorvendedor desde a saída da mercadoria de seu estabelecimento. Quanto às demais, o produto vendido sai do estabelecimento industrial com suspensão dos tributos quando são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nessa hipótese, não há possibilidade de remessa para local não alfandegado. (Citações retiradas da Solução de Divergência nº 7 Cosit de 23 de janeiro de 2017) Como é possível inferir da leitura das manifestação dos órgãos. E inequívoco o reconhecimento das empresas habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72 e das empresas comerciais habilitadas no Siscomex, como empresas comerciais exportadoras. Em diversos momentos da legislação é possível identificar a exigência para que determinados benefícios fiscais somente sejam concedidos a empresas comerciais exportadoras, que estejam habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72, em outros momentos, a legislação é silente quanto a esta exigência, permitindo a utilização de benefícios fiscais com a utilização de empresas comerciais exportadoras de forma ampla, nas exportações realizadas por estas empresas em que as mercadorias são remetidas diretamente para embarque ou áreas alfandegadas. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 7 11 Trazendo os conceitos discutidos acima para a solução da lide posta nos autos, fazse necessário relembrar o escopo normativo que instituiu o RECOF: Inicialmente o art. 89 a 91 do DecretoLei nº 37/66, traz as definições do regime de entreposto industrial. Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. § 2º Findo o prazo do regime de entreposto industrial, serão cobrados os tributos devidos por mercadoria ainda depositada. § 3º O regulamento disporá sobre as medidas de controle fiscal a serem adotadas pelo Departamento de Rendas Aduaneiras. § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Art.91 No caso de despacho para consumo dos produtos resultantes de transformação ou elaboração, o imposto será cobrado segundo a espécie e quantidade das matériasprimas e componentes utilizados naqueles produtos.(grifo nosso) O RECOF também é disciplinado no art. 420 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 6.759, de 5/02/2009. Art. 420. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado RECOF é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 89). § 1o Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 89). Fl. 1363DF CARF MF 12 § 2o A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. .(grifo nosso) A Receita Federal editou Instruções Normativas que também trouxeram definições e critérios de funcionamento a serem aplicados ao RECOF. IN SRF nº 417/2004 Art. 6º Para a habilitação ao regime, a empresa industrial interessada deverá, ainda, assumir os compromissos de: I exportar produtos industrializados, com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, no valor mínimo anual equivalente a: ... § 1º Para atendimento dos compromissos referidos no caput, serão computadas as operações realizadas a partir da data do desembaraço aduaneiro da primeira declaração de importação (DI) de mercadorias para admissão no regime. ... § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: I de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas no regime, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. IN SRF nº 1291/2012 Art. 6º A manutenção da habilitação ao regime fica condicionada ao cumprimento pela empresa habilitada das seguintes obrigações: ... § 4º Para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações de exportação, poderão ser computados os valores: I das transferências a qualquer título de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 11829.000006/200914 Acórdão n.º 3201003.004 S3C2T1 Fl. 8 13 II das vendas realizadas a Empresa Comercial Exportadora, instituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. .(grifo nosso) Conforme verificase na leitura da legislação, a exigência para que as comprovações possam ser realizadas por comerciais exportadoras habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72, consta das Instruções Normativas da RFB, mas, não existe tal menção a esta exigência no DecretoLei nº 37/66 ou no Regulamento Aduaneiro. A Fiscalização da RFB ao auditar o regime, entendeu por aplicar uma interpretação restritiva, baseadas nas instruções normativas, considerando, que somente operações realizadas por empresas comerciais exportadoras habilitadas nos termos do Decreto Lei nº 1.248/72 poderiam ser utilizadas para comprovar as exportações do RECOF. Conforme já detalhado neste voto, é sabidamente reconhecido que empresas comerciais que se dediquem a operações de comércio exterior podem também ser reconhecidas como comerciais exportadoras, mesmo não estando habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72. O RECOF possui como pressuposto da sua existência, que as mercadorias tenham como destino final a exportação, sendo um regime de incentivo as operações industriais no Pais. A legislação que fez nascer o regime deixa evidente que os produtos industrializados para usufruir do benefício fiscal necessitam ser exportados. No caso em tela, a diligência muito bem realizada pela Unidade de Origem, deixou claro a realização das exportações dos produtos industrializados utilizando empresas comerciais exportadoras habilitada a realizar operações de comércio exterior no Siscomex. Ao meu sentir, aplicar o entendimento que somente empresas comerciais exportadoras habilitadas no termos do DecretoLei nº 1.248/72 poderiam ser utilizadas, nos termos das instruções normativas, cria limites que não constam dos diplomas legais e regulamentares que criaram o regime. A consulta a legislação deixa evidente a exigência das exportação dos produtos submetidos ao regime, não existindo no DecretoLei nº 37/66 ou no Regulamento Aduaneiro uma restrição quanto a utilização única de empresas comerciais exportadoras habilitadas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72. A matéria já foi objeto de discussão neste Conselho, no Acórdão nº 3401 002.720, onde a turma julgadora decidiu que as exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras estão aptas a serem utilizadas para a comprovação de exportação do RECOF, mesmo que sejam instituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248/72. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 Ementa: RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES. Fl. 1365DF CARF MF 14 As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decretolei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF. DECADÊNCIA. RECOF. O pagamento da apuração mensal dos tributos decorrentes das operações dos bens Recofiados não é antecipação de pagamento dos lançamentos representados pelas declarações de admissão no regime. Eles correspondem ao atendimento de clausulas ínsitas nas obrigações do regime aplicado. Por isso, no caso de inadimplemento do regime, a regra decadencial deve ser a prevista no artigo 173, I, do CTN, que dita que o termo inicial deve ser do exercício seguinte em que ele poderia ser lançado. A a determinação do termo inicial do prazo decadencial para obrigação tributária referente a bem Recofiado que foi destinado a mercado interno deve ter como indicador a data em que passam a ser exigíveis os tributos suspensos e as obrigações acessórias, e não o prazo de encerramento do regime RECOF desse bem. Tendo se dado o fato que define a obrigação do contribuinte, e tendo ocorrido o descumprimento dessa clausula ou a inadimplência da regra, o exercício a partir de quando se poderia lançar não pode depender da finalização do prazo do regime desse bem Recofiado. Recurso voluntário provido.(Acórdão nº 3401002.720, Sessão de 17/09/2014, Relator Eloy Eros da Silva Nogueira) Considerando que as exportações foram comprovadas e ocorreram dentro do prazo de 1 (um) ano previsto para conclusão do regime, entendo confirmada as exigências necessárias ao seu adimplemento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900320/2012-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecer-se a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.221
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. Recorrente APC DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecerse a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 20 /2 01 2- 35 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.325 proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, que negou provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3302002.226 e 3102001.790. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 4 3 (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015, proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.213, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10925.900311/201244, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.213): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Para elucidar a assertiva, segue a transcrição de trechos do voto proferido pelo Colegiado a quo para manter o indeferimento do pedido de compensação, in verbis: [...] Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem do erro, que como já frisado, seria a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS no anocalendário de 2006. Porém não demonstra a sua existência, ou seja, a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante no DACON retificador transmitido em 2009 (fls. 32/51) do respectivo período e não junta cópia de documentos aos autos atestando com isso comprovar o pagamento a maior, a não ser a cópia do despacho decisório, do DARF pago, do Dacon retificador e a DCTF. (fls. 30/94). Afirma em seu recurso que “ (...) pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior” pois com isso considera ser suficientes elementos para demonstrar os créditos apurados. O DACON trazido aos autos é retificador e verificase que foi entregue antes da ciência do despacho decisório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 6 5 Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase, ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 48). Ressaltamos que à época vigorava a IN RFB no 1.110/2010, cujo artigo 9, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “(...) mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, não produziria qualquer efeito (art. 9, § 2º, I, “c”). A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON (este efetivado) do período, conforme artigo 9, § 6º, da citada Instrução Normativa. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Visando verificar o seu direito, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente, à época de sua manifestação de inconformidade, não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora. Embora tenha juntado naquela Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 7 6 oportunidade documentos intitulados “Cópia do Despacho Decisório, DARF pago, Dacon Retificador e DCTF (retificadora não processada)”. Todavia, neste recurso nenhum novo documento foi juntado ao processo, ou seja, não foi anexado aos autos documentos comprobatórios, tais como demonstrativos de cálculos, a DIPJ retificada, cópia de Livros Fiscais, notas fiscais e dos documentos contábeis como os Livros Diário e Razão, balancete, etc). Ora, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF (retificadora) como prova no presente processo. Insta salientar que a simples tentativa de transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor do PIS e da COFINS era efetivamente devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – às vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Salientamos que o ônus da prova do direito é da Recorrente, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarado na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF que a recorrente pretende retificar. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 8 7 Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. [...] (grifouse) Depreendese da análise do julgado, portanto, que o indeferimento do pedido de compensação não se embasou exclusivamente na ausência de transmissão de DCTF retificadora, mas também por não ter o Contribuinte provado a certeza e liquidez do indébito tributário pretendido restituir. Inclusive, destacou o Colegiado a quo ser possível a aceitação da compensação independente da retificação da DCTF, em hipóteses excepcionais, quando devidamente comprovado o crédito alegado, em vista do princípio da verdade material. Nessa esteira, o confronto do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas revela a inexistência de dissenso interpretativo, requisito indispensável à interposição do recurso especial de divergência. Verificase existir, entre os julgados, convergência de entendimentos, na medida em que os paradigmas apresentados compartilham do entendimento explicitado na decisão recorrida no sentido de ser imprescindível, para ser deferido o pedido de compensação, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo ser apreciadas as provas trazidas aos autos e, se necessário, solicitadas outras. Além disso, em todos os julgados, paradigmas e recorrido, foi consignado que a DCTF e a DACON, retificadoras ou originais, embora sejam fontes de informação válida para o Fisco, não são documentos hábeis para comprovar por si só a certeza e liquidez do indébito pretendido ressarcir. Para elucidar a assertiva, seguem transcritas as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão nº 3302002.226 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 3102001.790 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/11/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL INDEPENDENTE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Caso exista a apresentação de documentos que possam comprovar o direito creditório, estes Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 9 8 deverão ser analisados pelas instâncias julgadoras, independente da existência de retificação da DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Inexistente, portanto, a divergência jurisprudencial a justificar a interposição e o prosseguimento do recurso especial. Além disso, conforme se verifica dos acórdãos paradigmas, naqueles autos houve a juntada de documentação comprobatória da certeza e liquidez do crédito tributário pelo contribuinte, a qual, entretanto, não foi analisada pela DRJ no julgamento das manifestações de inconformidade, tendo se embasado unicamente nos dados constantes em DCTF. Também por esta razão é que no acórdão paradigma nº 3302002.226 foi consignado competir ao julgador analisar a prova trazida aos autos pelo Sujeito Passivo e, se entender necessário outros elementos para o seu convencimento, intimálo a apresentar no processo. Seguem excertos dos acórdãos paradigmas para ilustrar a assertiva: Acórdão nº 3302002.226 [...] Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Ao final, requer: a) Caso não haja satisfeita com as provas juntadas a esta, solicitar procedimento fiscalizatório para confirmalas, voltando a vosso crivo com o objetivo de confirmar as compensações e cassando o despacho decisório; b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as compensações cassando o despacho decisório. [...] Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF ou na DACON, em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON, de instrumentos de controle da própria Receita Federal. [...] Acórdão nº 3102001.790 [...] Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando que não utilizou o seu direito de crédito quando da apuração do PIS, estando correto os valores informados na declaração de compensação, anexando ao recurso, cópias do livro Razão, Livro Diário e planilha de cálculo. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.900320/201235 Acórdão n.º 9303005.221 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. [...] Diante do exposto, entendo que o mérito do direito creditório deva ser analisado e tendo em vista que a autoridade de piso não se manifestou sobre esta matéria, voto no sentido de determinar o retorno dos autos a autoridade a quo para que seja realizado novo julgamento apreciando o mérito do direito creditório pleiteado pela Recorrente a luz dos documentos apresentados. No caso dos autos, por sua vez, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar, mediante a devida produção de provas nas oportunidades que teve para se manifestar no processo, a certeza e liquidez do indébito tributário, o que resultou no indeferimento de sua pretensão pelos julgadores. Portanto, não foi apenas o fato de não ter apresentado a DCTF retificadora que fulminou a sua pretensão, mas também não ter se desincumbido da apresentação de provas, as quais seriam consideradas à luz do princípio da verdade material, norteadora do processo administrativo fiscal. Assim, não merece ter prosseguimento o recurso especial da Contribuinte, tendo em vista: a ausência de divergência jurisprudencial e a inexistência de similitude fática entre os julgados paradigmas e o acórdão recorrido. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720084/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO Recorrente ITAMAR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 03042.948 de 9 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. O Termo de Verificação Fiscal (fl. 1458), pode ser resumido nos termos a seguir. A autuação referese período de 01/02/2007 a 31/03/2010. A Recorrente explora suas atividades, por intermédio de três filiais, em Samambaia, Santa Maria e Recanto da Emas, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 20 08 4/ 20 11 -2 3 Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 3 2 todas no Distrito Federal. Apresentou DIPJ zeradas, em 2007 (lucro presumido) e 2008 (lucro real). Apresentou DCTF, somente em 01/2009, 02/2009, 04/2009, 05/2009, 08/2009 e 03/2010. Débito algum foi informado nessas declarações. Apesar de não informar em suas declarações nenhum tributo a pagar, o supermercado movimentou, a débito de suas contas bancárias, R$ 10.416.274,80 no anobase 2007, R$255.327.205,98 no anobase 2008 e R$ 131.699.557,68 no anobase 2009, conforme informação extraída das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, fundamentada nas declarações DCPMF (ano 2007) e DIMOF (anos 2008 c 2009) fornecidas pelas instituições financeiras. Conforme pode ser observado, a despeito de estar operando normalmente, a empresa fiscalizada está à margem da tributação, não declarando corretamente as suas receitas e os seus débitos, e nem tampouco recolhendo os tributos federais devidos cm virtude da sua atividade comercial. Houve intimações, porém a Recorrente não apresentou todos os extratos bancários requisitados. Formalizouse Requisição de Movimentação Financeira (RMF) art. 33. Lei nº 9.430/96; inc. VII do art. 3º do Dec. nº 3.724/2001. De posse dos extratos, a Fiscalização intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos e créditos verificados em conta. Em resposta, o contribuinte informou que: "todos os valores são importâncias creditados em conta corrente bancária decorrente das vendas com cartões de crédito/débito, depósitos de cheques recebidos de clientes e antecipação de valores de cartões de crédito/débito, todos decorrentes das atividades de venda de mercadorias no varejo que a empresa fiscalizada exerce em conformidade com seus objetivos sociais." Em 31/08/2010, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal n° 07, reiterando os Livros Diário e Razão e os respectivos arquivos magnéticos da contabilidade. Nesta mesma intimação, foi também requerido que o contribuinte fornecesse os seus Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais para o período de fevereiro/2007 a março/2010, conforme modelo apresentado no curso de outro procedimento fiscal. Em 27/09/2010, o contribuinte apresentou as Demonstrações Financeiras de Vendas Mensais do período de Março/2007 a Março/2010 e requereu dilação de prazo de 30 (trinta) dias para apresentar os arquivos magnéticos referente a seus registros contábeis e os Livros Diário e Razão do período de 07/2007 a 03/2010. Considerando a data de início da fiscalização, quando o contribuinte foi intimando a apresentar estes elementos, decorreram mais de 6 (seis) meses de prazo e foram emitidos 7 (sete) Termos de Intimação Fiscal solicitando os referidos elementos, motivo pelo qual a dilação de prazo não foi concedida. No entanto, por a fiscalização ainda estar em curso, recebemos documentos do contribuinte em duas opor unidades posteriormente: Em 05/10/2010, o contribuinte juntou cópias impressas dos Livros Eletrônicos de Apuração do ICMS referentes ao período fiscalizado. Em 30/11/2010, o contribuinte apresentou arquivos magnéticos referentes às Notas Fiscais emitidas no ano base de 2007, apesar de informar no relatório de entrega que tratavamse dos arquivos contábeis. Ressaltese que durante o curso da fiscalização, as informações contábeis apresentadas pelo contribuinte limitaramse aos Livros Diário (papel) e Razão (meio magnético), ambos referentes ao primeiro Semestre de 2007. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 4 3 Da Sujeição Passiva Tributária Concluiuse que, a empresa Itálico Comércio de Alimentos Ltda. possui interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; nesse caso, as receitas auferidas pela venda de mercadorias realizadas pela Itamar Comercial de Alimentos Ltda. Nesse sentido, atribuise Responsabilidade Passiva Solidária à empresa Itatico Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ 37.136.959/000169, referente ao total do crédito tributário apurado no Auto de Infração, lavrandose Termo de Sujeição Passiva Solidária, assinado pelo representante legal da empresa, Sr. Abelardo de Lima Ferreira, CPF 789.577.88620, também representante legal da Recorrente, Itamar Comercial de Alimentos Ltda. Irregularidades (Infrações Apuradas) Lucro Presumido Receitas da Atividade Conforme consta na DIPJ 2008, a empresa optou pelo lucro presumido durante o anobase 2007. No entanto, somente apresentou o Livro Diário e Razão do primeiro semestre de 2007. Dessa forma, como não houve a tributação das receitas de vendas de mercadorias escrituradas no primeiro semestre de 2007, houve o lançamento de créditos tributários referentes às receitas da atividade lançadas na conta n. 4.1.1.01.000018 (venda de mercadorias), conforme valores abaixo retirados do livro Razão da empresa. Cabe ressaltar que a Itamar Comercial de Alimentos Ltda. começou suas atividades em Março de 2007. Data Descrição da Conta Valor (R$) Março/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 2.169.762,78 Abril/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.454.759,83 Maio/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.431.818,53 Junho/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.582.992,74 Aplicouse sobre a receita bruta a alíquota de 8% para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme dispõe o art. 518 do Decreto n° 3.000/99 (RIR). Lucro Arbitrado Receita Operacional Revenda De Mercadorias Registrouse que a Recorrente está obrigada a efetuar a escrituração do Livro Caixa ou dos Livros Diário e Razão, respectivamente, obedecendo aos critérios próprios de cada um dos dois regimes (Lucro Presumido ou Lucro Real). Tanto por intermédio do Termo de Início de Fiscalização quanto dos outros que a ele se seguiram, a empresa foi intimada a apresentar os seus livros contábeis e fiscais (Diário, Razão e Lalur) relativos ao período de fevereiro/2007 a março/2010. Computado o tempo passado desde da ciência do Termo de Início de Fiscalização, verificase que o sujeito passivo dispôs de mais de dez meses para providenciar a apresentação de todos os livros solicitados. Até o encerramento da fiscalização, contudo, só foram apresentados os livros referentes ao primeiro semestre de 2007, conforme já relatado anteriormente. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 5 4 Pelo fato de não ter apresentado à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, a Recorrente se sujeitou ao arbitramento do lucro, conforme preceitua o inciso III do artigo 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Dessa maneira, para se apurar a base de cálculo do imposto no período de Julho/2007 a março/2010, foi efetuado o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, ou seja, no valor do faturamento líquido mensal especificado nos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, os quais foram disponibilizados pela própria Recorrente. O percentual aplicado sobre a receita bruta para se determinar o lucro arbitrado foi o de 9,6%, de acordo com os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, visto que o objeto social da empresa, constante de seus atos constitutivos, é o de "Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com predominância de gêneros alimentícios (Supermercado) CNAE 47.11302". Das Multas de Ofício Sobre os tributos lançados de ofício aplicouse multa duplicada de 150%, com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, por ter se concluído que teria havido sonegação, como definido no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, tendo em vista a conduta reiterada da contribuinte em omitir, em suas DIPJs relativas aos anosbase 2007 e 2008, as receitas auferidas durante esse período. Também deixou de apresentar diversas DCTFs, sendo que naquelas apresentadas não houve a declaração de nenhum débito. Considerouse que os representantes da Recorrente tiveram por objetivo, entre outros, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais (auferimento de receitas). Da Autuação Com base em tais fatos e fundamentos, lavrouse Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), relativos ao período de março/2007 a março/2010. Em relação ao primeiro semestre do anobase 2007, em virtude da apresentação dos livros Diário e Razão, o lançamento de ofício foi efetuado de acordo com as normas do lucro presumido, opção feita pela contribuinte em sua D1PJ 2008. Já para os demais períodos, como não houve a apresentação da escrituração contábil e fiscal, o lançamento foi elaborado conforme as normas do lucro arbitrado. Recurso Recorrido À vista do Termo de Verificação Fiscal e da Impugnação apresentada pela Recorrente, a DRJ manteve os valores autuados (IRPJ: R$21.045.690,03; CSLL: R$9.630.836,81; PIS: R$5.814.556,19; COFINS: R$26.836.415,84) e consignou o acórdão recorrido, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Mantémse a empresa citada como responsável solidária no pólo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 6 5 desempenhadas pelas empresas envolvidas, em virtude de atuação complementar e existência de vinculação gerencial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. COMPETÊNCIA. Reputase válido o auto de infração quando constatada a inexistência de norma legal dispondo sobre a necessidade de autorização superior para o arbitramento do lucro. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. RFFP. ENCAMINHAMENTO AO MP. Processo de representação fiscal para fins penais somente é encaminhado ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a taxa de juros Selic sobre os valores de tributos devidos e não pagos no vencimento, em conformidade com a legislação vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal, sendo válida a utilização das informações constantes dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais para obtenção dos valores da receita bruta conhecida. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 7 6 MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de apresentar ao fisco federal declarações inverídicas, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PIS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo da contribuição, apurada no regime da cumulatividade, é obtida a partir dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, fornecidos pelo próprio contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à contribuição para o PIS quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 COFINS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo da contribuição, apurada no regime da cumulatividade, é obtida a partir dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, fornecidos pelo próprio contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98. Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 8 7 Reputase correto o lançamento relativo à Cofins quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário A Recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011 (fl. 1635), via Postal. Interpôs recurso voluntário, em 04/08/2011 (fl. 1636). Em 01/08/2013. Em suas razões de recurso (fls. 1636/1683), em relação aos seguintes itens do Acórdão recorrido: a) nulidade do auto de infração por descumprimento de regras procedimentais; b) inexistência de autorização da autoridade superior para o arbitramento do lucro; c) inexistência de autorização judicial para quebra de sigilo bancário da recorrente aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Carf; d) nulidade dos lançamento de Pis e Cofins; e) IRPJ e CSLL Arbitramento do Lucro nos AnosCalendário 2006/2010; f) penalidades lançadas de ofício; g) juros de mora É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Verificase que, a empresa devedora solidária, assim mantida no acórdão recorrido, conforme a seguir transcrito, interpôs tempestivamente Impugnação ao Auto de Infração e ao Termo de Verificação Fiscal, todavia, não foi intimada do Acórdão recorrido: "Destarte, há que se concluir que a empresa Itatico Comércio de Alimento Ltda. tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal devendo ser mantida no pólo passivo da obrigação tributária ora constituída. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Resolução nº 1302000.502 S1C3T2 Fl. 9 8 Considerando que houve a instauração do litígio, em relação à referida devedora solidária, e diante das disposições do Dec. 70.235/72, art. 56, de que cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que retornem os autos à DRF para que designese a intimação da devedora solidária, Itatico Comércio de Alimento Ltda., dandolhe ciência do Acórdão recorrido, para interpor recurso voluntário em 30 dias, devolvendose os autos a este CARF, independentemente de recurso para julgamento. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1731DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721824/2011-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-005.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 24 /2 01 1- 92 Fl. 1461DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 02) relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, formalizando crédito tributário no valor de R$ 4.513.088,78, correspondente a multa isolada e juros de mora isolados, em decorrência da constatação de falta de retenção ou recolhimento de IRRF no anocalendário de 2008. Os valores exigidos foram apurados nas planilhas de fls. 533/552 que integram o Auto de Infração, e as disposições legais que fundamentam a exigência foram identificadas da seguinte forma no AI: Multa: art. 9º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 16 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e Juros: art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. As circunstâncias que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 495/532, no qual a Fiscalização se reporta à autuação relativa a Contribuições Previdenciárias, abrangendo o período de 01/208 a 12/2008 formalizada no processo 13896.721090/201141, no qual a empresa foi autuada, dentre outras, pela prática de contratar e remunerar seus empregados, através de Pessoas Jurídicas, bem como pagar para alguns de seus empregados, valores a título de UTILIDADES/COTA UTILIDADE. Expõe, então, a Fiscalização, que as verificações constantes no presente processo decorreram, em sua maior parte, da descaracterização de valores pagos a Pessoas Jurídicas, mas, na verdade, tratavase de trabalhadores empregados, fatos estes amplamente relatados no Relatório Fiscal relativo às Contribuições Previdenciárias, que, no que interessa ao presente Auto de Infração, foi transcrito na íntegra. Em consequência, foram utilizados os mesmos elementos de prova constantes no Auto de Infração Digital Previdenciário – AI nº 13896.721090/201141. Dada ciência pessoal do Auto de Infração em 19/08/2011, a autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por voto de qualidade, afastou as preliminares e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso, PARA EXCLUIR FATOS GERADORES conforme processo principal. Portanto, em sessão plenária de 10/05/2016, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2401004.326, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008 MULTA ISOLADA. IRRF. A multa pela não retenção de imposto de renda na fonte decorre do art. 9º da Lei 10426/2002, ainda vigente no sistema jurídico Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 3 3 brasileiro. Referese a uma obrigação acessória transformada em principal, tendo em vista que o contribuinte não efetuou a retenção e nem o recolhimento da parcela do imposto de renda relativo aos valores pagos a terceiros. IRRF. MULTA E JUROS ISOLADOS. PROCESSO REFLEXO. Tendo em vista o art. 6 da Portaria 343/2015 e, pelo princípio da economia processual, a decisão definitiva relativa ao processo principal que também originou o lançamento de IRRF deve ser considerada no processo vinculado. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 06/07/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, porém não houve interposição de Recurso Especial pela PGFN, que apenas tomou ciência do julgamento em 10/08/2016. O contribuinte, então, foi cientificado do acórdão em 16/02/2017 e interpôs, tempestivamente, em 03/03/2017, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido para afastar definitivamente a imposição da multa isolada à Recorrente no percentual de 150%, seja porque tal previsão de multa isolada no percentual de 75%/150% inexiste no ordenamento jurídico, ou porque a multa isolada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 não é mais aplicável nos casos de não retenção na fonte, tendo em vista a alteração da redação do artigo 9º da Lei nº 10.426/02. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 13/04/2017. Em seu Recurso Especial, a Recorrente alega: · que, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, o fundamento legal no qual se amparou o AI ora combatido não se encontra em vigência em nosso ordenamento jurídico, haja vista que sua revogação tácita se operou com a edição da Lei nº 11.488/2007, cujos artigos 14 e 16 alteraram a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 e do artigo 9º da Lei nº 10.426/02, respectivamente, alterando o artigo 44 e incisos da Lei nº 9.430/96 e retirando do texto do artigo 9º da Lei nº 10.426/02 a menção ao inciso II da Lei nº 9.430/96. · que é importante ver como ficou a comparação entre o texto original do artigo 44 e a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, verbis: · que é também interessante ressaltar a diferença entre o texto original do artigo 9º da Lei nº 10.426/02 e a alteração promovida pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/07, verbis: · que a partir da alteração do texto do artigo 9º da Lei nº 10.426/02, levada a efeito pelo artigo 16 da Lei nº 11.488/07, a fonte pagadora, responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda, passou a sujeitarse somente à hipótese de multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, porquanto extinta do ordenamento jurídico a hipótese do inciso II da referida lei, qual seja, a aplicação de multa isolada; e assim, concluise que a única hipótese de multa oponível à fonte pagadora que não procede à retenção e recolhimento Fl. 1463DF CARF MF 4 do Imposto de Renda na fonte é aquela prevista no inciso I, na qual a multa é cobrada concomitantemente ao tributo, o que não é o caso da Recorrente, pois o Acórdão recorrido manteve a multa isolada lançada pela Fiscalização. · que afiguramse duas hipóteses: ou se verifica a não retenção do imposto e tampouco o recolhimento posterior, procedendose ao lançamento de ofício, em que serão cobrados tributo e multa do inciso I, simultaneamente; ou se verifica que, embora não retido na fonte, houve o recolhimento posterior (extemporâneo) do tributo, fato ocorrido, porém, antes do lançamento de ofício, e nessa hipótese, em que outrora incidiria a multa isolada do inciso II, não há mais imposição de multa, porquanto sua previsão desapareceu do ordenamento jurídico, · que, neste ponto, se faz necessário cotejar o Princípio da Retroatividade Benigna da Lei Tributária, positivado nos artigos 106 e 112 do CTN, os quais prelecionam que superveniência de lei mais benéfica ao contribuinte a ele se aplica, não importando a lei vigente na data dos fatos geradores; e que o raciocínio é o mesmo em relação à obrigações acessórias e sanções pecuniárias. · que, no presente caso, foi aplicada a multa de forma isolada, cuja previsão legal não está mais vigente em nosso ordenamento jurídico como forma de punição à fonte pagadora que deixar de reter e recolher o tributo na fonte; e, como se não bastasse, a cobrança da multa isolada estaria em absoluta dissonância com a legislação aplicável, uma vez que a redação do próprio artigo em exame é clara: ou se trata de hipótese de exigência simultânea de imposto e multa, no percentual de 75% ou 150% se agravada; ou se trata de hipótese de incidência de multa isolada no percentual de 50% ou 100% se agravada; não cabendo à autoridade fiscal a faculdade de mesclar as hipóteses conforme lhe convém. · que a Fiscalização, a seu belprazer, utilizouse de modalidade revogada da multa (inciso II) e aplicou, de maneira qualificada, o percentual mais gravoso (inciso I), mesclando as hipóteses e onerando a Recorrente de forma absolutamente ilegal e arbitrária, à margem da legislação tributária em vigência no ordenamento jurídico pátrio. O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional tomar conhecimento do Recurso Especial do contribuinte e do Despacho de Admissibilidade que o admitiu em 02/05/2017. A Fazenda Nacional apresentou em 08/05/2017, portanto, tempestivamente, suas contrarrazões, onde alega o seguinte: · a imposição da multa isolada a ser aplicada na fonte pagadora pela falta de retenção e recolhimento do imposto de renda está prevista no art. 9º da Lei nº 10.426/2002, que assim dispõe: · a partir da leitura do citado dispositivo legal extraise que mera falta de retenção já é expressamente caracterizada como o tipo legal ensejador da multa, sendo irrelevante, dado o caráter de obrigatoriedade e estrita vinculação do lançamento previsto no art. 142 do CTN, que a beneficiária do pagamento tenha ou não oferecido os rendimentos à tributação. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 4 5 · a matéria foi objeto de pronunciamentos administrativos, que interpretaram e normatizaram a aplicação da multa, sendo o mais relevante, pela profundidade da abordagem, o Parecer Normativo nº 1/2002 da Receita Federal, cujos excertos ora se transcreve: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo se do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. · sendo incontroverso que a autuada não efetuou a retenção do IRRF relativo às contribuições previdenciárias pagamentos efetuados às pessoas jurídicas que supostamente seriam empregados da empresa e, de cota utilidade aos seus empregados (auxílio educação, vale supermercado, propriedade intelectual, diárias de viagem e reembolso de quilometragem), indiscutível o cabimento da multa isolada. É o relatório. Fl. 1465DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1445. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com o despacho proferido para a apreciar o mérito da questão Do Mérito Quanto ao mérito ressaltese que a situação em questão, já foi enfrentada em diversas outras oportunidades por esta CSRF, razão pela qual, alinhome aos que entendem, no âmbito deste CARF, não se confundir a penalidade estabelecida pelo art. 9o da Lei no. 10.426, de 2002, base legal do presente lançamento e aplicável à fonte pagadora dos rendimentos, com eventual sanção decorrente do não recolhimento do Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos recebidos, este último de responsabilidade do beneficiário dos rendimentos e sujeito à eventual multa de ofício aplicável quando não houver recolhimento do principal, previamente ao início da ação fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 24 de dezembro de 1996. Compartilho do posicionamento de que a única ligação existente entre os citados dois dispositivos é a remissão, pelo dispositivo da mencionada Lei no. 10.426, de 2002, ao percentual de 75%, estabelecido pela Lei no. 9.430, de 1996, para fins de determinação do quantum devido a título de sanção. A matéria foi brilhantemente enfrentada no voto vencedor proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.582, de 03 de março de 2015, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, o qual adoto para delinde da controvérsia, assim, como razões de decidir quanto a este item guerreado pelo recorrente, verbis: " (...) A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 5 7 outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I. juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, Fl. 1467DF CARF MF 8 nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. (...)" Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 6 9 Dos esclarecimentos transcritos no trecho acima, resta evidenciado que se tratam de obrigações distintas. A primeira resultante da obrigação de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora à título de antecipação. A segunda decorrente do oferecimento à tributação, após o encerramento do período de apuração, pelo beneficiário dos rendimentos. Logo, o único ponto em comum em relação as duas obrigações é a referência ao dispositivo legal, cujo objetivo foi a utilização do percentual para fins de cálculo de sanção por descumprimento da obrigação de reter. Quanto a alegação de que a multa isolada fora revogada tacitamente pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007 a questão foi suficientemente enfrentada no citado acórdão 9202003.582, de 03 de março de 2015, ao qual novamente transcrevo na parte pertinente por entender acertada a interpretação ali apresentada, senão vejamos: Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido Fl. 1469DF CARF MF 10 por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007 (g.n.): “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. (...) Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 7 11 Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação –retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. (...) Considerando os pontos acima, não assiste razão ao recorrente quanto a tese de revogação da referida multa isolada pela nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 9o. da Lei nº 10.426, de 2002. Face o exposto, concluise que a multa isolada aplicada no caso sob análise tem previsão legal própria, no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com sua base de cálculo definida em seu parágrafo único, e somente se vincula ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quanto ao percentual a ser aplicado. Em mesmo sentido encaminhou este colegiado turma em relação ao Processo 12571000133/201151, Acórdão nº 9202005.326 de relatoria do conselheiro Heitor de Sousa Lima Junior,senão vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007, 2008, 2009 OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. Fl. 1471DF CARF MF 12 O débito para com a União (aqui abrangida a multa isolada decorrente de não retenção de IRRF) é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, a fundamentação do presente auto de infração encontrase em perfeita consonância com o normativo vigente, sendo certo que, não prosperar qualquer alegação de violação aos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Importante ressaltar que não se encontra na competência da autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de violação ao princípio da legalidade. Aliás essa diretriz encontrase devidamente registrada em súmula deste Conselho, senão vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 13896.721824/201192 Acórdão n.º 9202005.624 CSRFT2 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da relatora peço vênia para discordar do encaminhamento dado a questão, seguindo no encaminhamento dado por mim em processo semelhante, autos n. 10580.729581/201104, no que se refere a multa isolada. O Contribuinte alega que houve revogação da hipótese de incidência do cabimento da multa isolada pelo não recolhimento do IRRF após o prazo fixado. Aduz em sua defesa que com a publicação da MP 351/2007 foi alterada a redação do artigo 9 da Lei 10.426/02 que deixou de tratar das hipóteses de recolhimento após o prazo e simplesmente fora suprimido o segmento de linguagem que fazia referência a esta hipótese: “Com a nova redação, o artigo 9 simplesmente foi suprimido o segmento de linguagem que previa a conduta de oferecimento a tributação após o prazo fixado”. Assim, segundo o contribuinte, o artigo em questão deixou de tratar da situação de recolhimento fora do prazo, não podendo ser utilizado para fundamentar o lançamento da multa de ofício lançada isoladamente. Ressalta ainda que o item 8 da exposição de motivos da MP 351/2007 que expressamente afirma que a alteração perpetrada no artigo 44 da Lei 9430/96 retirou a hipótese de incidência de multa no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo. Em outra oportunidade tive acesso ao parecer do jurista Humberto Ávila, o qual conclui que a hipótese de incidência da multa isolada foi de fato suprimida na nova redação legal, em virtude da não retenção do imposto de renda retido na fonte. Assiste razão ao Contribuinte, desse modo, adoto o posicionamento segundo o qual não há mais previsão legal para a hipótese de cobrança de multa no caso de pagamento após o vencimento, portanto, na forma isolada, tratou a MP 531/2007 de alterar a redação integral do artigo 44, da Lei 9430/96 e suprimiu para esta hipótese, todas as referências, a exigência de multa na modalidade isolada. Observo que este não é um posicionamento isolado dentro deste Tribunal, uma vez que a jurisprudência deste Conselho (na anterior composição deste colegiado) em algumas oportunidades em que se manifestou defendeu que houve a revogação expressa da hipótese de incidência da multa isolada nos casos de tributos pagos em atraso sem o recolhimento da multa de mora. E diante disso, suprimida a hipótese do lançamento de multa quando o tributo já tenha sido recolhido pelo beneficiário, não há motivo para se manter a referência de multa na modalidade isolada, conforme se depreende da leitura do texto legal. Diante do exposto, conheço do Recurso da Contribuinte para no mérito dar lhe provimento. É como voto. Ana Paula Fernandes. Fl. 1473DF CARF MF
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