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Numero do processo: 10860.004484/2002-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/2001
FALTA DE RECOLHIMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS INSUFICIENTES.
A insuficiência do crédito vinculado pelo contribuinte aos pedidos de compensação, rende ensejo ao lançamento de ofício para cobrança dos débitos em aberto.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A conversão automática dos pedidos de compensação em declarações de compensação, prevista no art. 49 da MP nº 66/2002, só alcançou os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação da autoridade administrativa na data da publicação da referida medida provisória. Não se aplica o novo regime a pedidos de compensação indeferidos no ano de 2001.
VALORES APURADOS DE OFÍCIO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO POSTERIOR DAS DCTF.
A transmissão de declarações retificadoras após o início do procedimento fiscal, não opera nenhuma alteração em relação à magnitude dos valores apurados de ofício pela fiscalização.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela dos débitos extintos pela compensação com os créditos apurados no processo 10860.002378/2002-41, homologando-se o resultado da diligência de fls. 1329/1330, e para que sejam imputadas as vinculações efetuadas pelo contribuinte após a perda da espontaneidade, nos termos do despacho de fls. 1569/1573.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/2001 FALTA DE RECOLHIMENTO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS INSUFICIENTES. A insuficiência do crédito vinculado pelo contribuinte aos pedidos de compensação, rende ensejo ao lançamento de ofício para cobrança dos débitos em aberto. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A conversão automática dos pedidos de compensação em declarações de compensação, prevista no art. 49 da MP nº 66/2002, só alcançou os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação da autoridade administrativa na data da publicação da referida medida provisória. Não se aplica o novo regime a pedidos de compensação indeferidos no ano de 2001. VALORES APURADOS DE OFÍCIO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO POSTERIOR DAS DCTF. A transmissão de declarações retificadoras após o início do procedimento fiscal, não opera nenhuma alteração em relação à magnitude dos valores apurados de ofício pela fiscalização. Recurso voluntário provido em parte.
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PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS INSUFICIENTES. A insuficiência do crédito vinculado pelo contribuinte aos pedidos de compensação, rende ensejo ao lançamento de ofício para cobrança dos débitos em aberto. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A conversão automática dos pedidos de compensação em declarações de compensação, prevista no art. 49 da MP nº 66/2002, só alcançou os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação da autoridade administrativa na data da publicação da referida medida provisória. Não se aplica o novo regime a pedidos de compensação indeferidos no ano de 2001. VALORES APURADOS DE OFÍCIO. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO POSTERIOR DAS DCTF. A transmissão de declarações retificadoras após o início do procedimento fiscal, não opera nenhuma alteração em relação à magnitude dos valores apurados de ofício pela fiscalização. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 44 84 /2 00 2- 60 Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela dos débitos extintos pela compensação com os créditos apurados no processo 10860.002378/200241, homologandose o resultado da diligência de fls. 1329/1330, e para que sejam imputadas as vinculações efetuadas pelo contribuinte após a perda da espontaneidade, nos termos do despacho de fls. 1569/1573. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 18/07/2002 para exigir o crédito tributário relativo à Cofins, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração compreendidos entre abril de 1997 e dezembro de 2001. As referências aos números das folhas se referem ao processo digitalizado, ou seja, às folhas dos arquivos PDF, que se encontram no eprocesso. Segundo a descrição dos fatos de fls. 04 e 08, em relação aos períodos de apuração de julho e agosto de 2000 e de janeiro e fevereiro de 2001 houve glosa de compensação, pois o contribuinte teve indeferido três pedidos de ressarcimento de IPI que foram formulados com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99, nos quais pleiteara os créditos que foram utilizados na compensação. Quanto aos demais períodos de apuração, houve diferença entre os valores apurados e os declarados, conforme informações prestadas pelo contribuinte às fls. 85/110 e demonstrativo de diferenças elaborado pelo fisco à fl. 112/118. Regularmente notificado do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 121/137, alegando, em síntese que: 1) por circunstancias procedimentais teve indeferidos três pedidos de ressarcimento de IPI referentes aos saldos credores de 30/06/2001, 30/09/2001 e 31/12/2001; 2) por meio do processo nº 10860.002378/200241, de 22/04/2002, buscou regularizar a situação, pois já havia feito a compensação que foi glosada e resultou neste auto de infração; 3) afirmou que seu direito de efetuar compensação decorre do art. 66 da Lei 8383/91 e do art. 11 da Lei 9.779/99; 4) em verificações obrigatórias o fiscal identificou várias divergências entre os valores declarados e aqueles escriturados onde foram relacionados apenas aqueles nos quais o recolhimento teria sido efetuado a menor, ignorando todos os que foram recolhidos a maior; 5) efetuou o recolhimento dos valores que entendeu devidos, com todos os encargos, no último dia do mês de julho de 2002, conforme comprovantes anexados impugnação (fls. 134/139); 6) insurgiuse contra a multa imposta no patamar de 75% do valor da contribuição. Requereu a revisão do lançamento para que sejam consideradas as compensações e os recolhimentos efetuados. Requereu a suspensão do feito até a regularização da compensação solicitada em 22/04/2002 no processo nº 10860.002378/200241. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.004484/200260 Acórdão n.º 3403003.191 S3C4T3 Fl. 4 3 Requereu o afastamento da multa de ofício, a fim de que seja reclassificada para aquela destinada à inobservância de procedimentos, as quais são menos onerosas. Por meio do Acórdão nº 2.649, de 05/11/2002 a 5ª Turma da DRJ em Campinas– SP julgou procedente o lançamento. A DRJ entendeu que a recorrente não poderia ter feito a compensação, em face do indeferimento dos três pedidos de ressarcimento e que a regularização pretendida no processo nº 10680.002378/200241 não beneficia a recorrente, pois foi protocolado após o início da fiscalização. No que tange às diferenças entre os valores apurados e os declarados, entendeu a turma de julgamento que a alegação acerca da não consideração dos valores recolhidos a maior equivale a um pedido de compensação que não pode ser apreciado pela DRJ por falta de competência legal. Decidiu também que a fiscalização não pode fazer tal compensação espontaneamente. Quanto aos DARF de recolhimentos efetuados após a ciência do auto de infração, entendeu a DRJ que não houve impugnação dos valores lançados a título de diferenças, pois a defesa se restringiu à alegação de que tem direito aos créditos de IPI. A recorrente também não esclareceu como chegou aos valores recolhidos. Foi mantida a multa de 75%, sob o argumento de que a responsabilidade por infrações é objetiva. Houve determinação para que a repartição fiscal de origem imputasse aos valores lançados de ofício os pagamentos efetuados às fls. 134/139 quando da liquidação dos débitos. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 09/12/2002, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 360/400 em 07/01/2003. Alegou em preliminar a nulidade do auto de infração pelos seguintes motivos: 1) em razão do advento do art. 49 da Lei nº 10.637/02, que instituiu a declaração de compensação; 2) por violação dos princípios da imparcialidade, da razoabilidade e da eficiência; e 3) por falta de clareza e objetividade do relatório fiscal. No mérito, alegou que a fiscalização não motivou o lançamento e que tem direito de utilizar o saldo credor da escrita do IPI, que foi gerado por créditos legítimos, para compensação com outros tributos federais, conforme autoriza o art. 66 da Lei nº 8.383/91 e o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por meio da Resolução nº 20300.353 (fls. 443/448) o julgamento foi convertido em diligência a fim de que fosse aguardado o desfecho do processo nº 10860.002378/200241. Após a conclusão daquele feito, se fosse o caso, deveria a autoridade administrativa elaborar demonstrativos de imputação com observância das normas de regência, dandose ciência ao contribuinte para que, querendo, se manifestasse sobre as conclusões da diligência Por meio do despacho de fls. 451 e do termo de juntada de fls. 453 este processo foi juntado ao processo nº 10860.002378/200241. No termo de constatação fiscal e encerramento de ação fiscal de fl. 455 o AuditorFiscal incumbido da diligência informou que procedeu à diligência determinada, tendo proposto no processo nº 10860.002378/200241 a glosa parcial de créditos de IPI de R$ 5.678,45 e deferido um saldo passível de ressarcimento no valor de R$ 919.624,41. Nas fls. 469/527 o contribuinte apresentou a petição protocolada em 18/09/2009, alegando que o crédito tributário exigido neste processo está extinto por Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 compensação, explicando em relação a cada um dos períodos de apuração lançados de ofício, a forma como se deu a extinção do crédito tributário. Nas fls. 1281/1287 consta o Acórdão nº 31.551, de 16/11/2010 da 8ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, que decidiu o processo nº 10860.002378/200241. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DE DÉBITOS VENCIDOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. DATA DA VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo e posteriormente retificada, a data a ser considerada na valoração dos débitos vencidos é a data da entrega da Declaração de Compensação original. COMPENSAÇÃO. PARCELA SEM COBERTURA DE CRÉDITOS. COBRANÇA. No procedimento de valoração e consolidação dos débitos compensados, um a um, em face do direito creditório reconhecido, a parcela restante; ao final do confronto, sem cobertura do direito creditório, é reputada como compensação indevida, sujeita a cobrança. RESSARCIMENTO DO IPI. JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Efetuados os cálculos da compensação pleiteada no processo nº 10860.002378/200241 (fls. 1293/1327), restaram em aberto os débitos lançados no auto de infração relativos aos fatos geradores de julho de 2000 e janeiro de 2001, conforme parecer de fls. 1329/1330. Regularmente notificada da Resolução nº 20300.353 e do resultado da diligência em 18/04/2011 (fl. 1333), o contribuinte apresentou manifestação de fls. 1335/1399, onde concordou com os cálculos e com as compensações efetuadas no âmbito do processo nº 10860.002378/200241. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.004484/200260 Acórdão n.º 3403003.191 S3C4T3 Fl. 5 5 Acrescentou que tanto os débitos remanescentes relativos à insuficiência do crédito na compensação, quanto os relativos às diferenças das verificações obrigatórias estão compensados ou pagos, reprisando as alegações da petição de fls. 469/527 e reportandose aos documentos trazidos aos autos com a petição protocolada em 18/09/2009 (fls. 469/527). Em face da alegação contida na petição protocolada em 18/09/2009 (fls. 469/527) e também na manifestação de fls. 1335/1399), no sentido de que a repartição fiscal teria aceitado retificações de DCTF após os valores terem sido lançados de ofício, o colegiado mais uma vez baixou o processo em diligência (Resolução 3403000.327, a fim de que a autoridade administrativa se manifestasse sobre essa alegação. Os autos retornaram com o despacho de diligência de fls. 1569/1573 no qual a autoridade administrativa prestou os esclarecimentos solicitados. O contribuinte foi notificado deste despacho às fls. 1579 e não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A defesa alegou em preliminar a nulidade do auto de infração, em razão do art. 49 da Lei nº 10.637/02 ter instituído a declaração de compensação. Não tem razão o contribuinte. A uma porque os pedidos de ressarcimento cumulados com compensação, formulados nos processos 10860.001359/0029, 10860.002096/0057 e 10860.000045/200105, não mais estavam pendentes de apreciação por parte da autoridade administrativa na data da publicação da Medida Provisória nº 66, de 30/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. Conforme se pode constatar nas fls. 35/36, 44/45 e 51/52 aqueles pedidos de compensação já haviam sido analisados e indeferidos por despachos da Delegacia da Receita Federal em Taubaté datados de 19/10/2001. E a duas, porque o pedido de compensação formulado no processo 10860.002378/200241, foi formalizado em 23/04/2002 (fl. 203), data em que o contribuinte não mais se encontrava em situação de espontaneidade, tendo em vista que a fiscalização já tinha sido iniciada em 22/03/2002 (fl. 81). No que concerne à suposta violação dos princípios que norteiam o processo administrativo, ainda que tivesse ocorrido no caso concreto, não há amparo legal para a decretação da nulidade do procedimento, pois o Decreto nº 70.235/72 não estabelece a aplicação dessa consequência jurídica em relação à violação dos aludidos princípios. Por fim, não existiu a alegada deficiência na motivação, pois a narração da fiscalização é de clareza vítrea: a compensação efetuada não foi aceita porque os pedidos de ressarcimento haviam sido indeferidos e em relação ao demais períodos de apuração houve diferenças entres os valores escriturados e os declarados pelo contribuinte. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Portanto, rejeitase a preliminar de nulidade. No mérito, verificase que os valores exigidos no auto de infração resultaram de dois fatos: 1) glosa de compensação; e 2) diferenças apuradas em verificações obrigatórias entre os valores apurados pelo contribuinte e os declarados ao fisco. A questão da glosa da compensação foi parcialmente resolvida com o desfecho do processo 10680.002378/200241. A fiscalização reconheceu que o contribuinte tinha direito a um crédito de R$ 919.m parte o direito de crédito do contribuinte e O contribuinte acatou a compensação efetuada, mas contestou os valores que remanesceram no auto de infração, tanto em relação ao saldo não coberto pelas compensações, quanto em relação às diferenças apuradas nas verificações obrigatórias. Em relação aos débitos remanescentes, alegou nas manifestações de fls. 469/527 e fls. 1335/1399 que retificou as DCTF utilizadas pela fiscalização e que tais retificações foram aceitas pela autoridade administrativa. Assim, os débitos remanescentes no auto de infração estão extintos, parte por pagamento e parte por compensação, conforme retificadoras apresentadas. Tendo em vista que essas retificadoras foram apresentadas após o contribuinte ter sido cientificado do auto de infração, o processo foi baixado em diligência à repartição de origem para que a autoridade se manifestasse sobre a aceitação de retificação de DCTFs após os respectivos valores terem sido lançados de ofício. No despacho e fls. 1569/1573, a autoridade administrativa da DRF Taubaté esclareceu, em síntese, que as retificações das declarações ocorreram posteriormente à lavratura do auto de infração e que a transmissão das retificadoras independe de autorização ou despacho decisório de deferimento ou de aceitação. Entretanto, à luz do art. 7º do Decreto nº 70.235/72 as retificações foram feitas quando o contribuinte já havia perdido a espontaneidade. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, não houve aceitação por parte da autoridade administrativa dos valores retificados após a ciência do contribuinte do auto de infração. O que houve foi aceitação das vinculações, que é coisa completamente diversa de reconhecer a correção da magnitude dos valores. Sendo assim, para fins de exigência do crédito tributário, devem prevalecer os valores lançados de ofício e não os retificados pelo contribuinte, pois a teor do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. Em outras palavras: o contribuinte não pode unilateralmente retificar as declarações para alterar valores que foram apurados de ofício pela fiscalização, ainda que o sistema da Receita Federal não tenha bloqueado a transmissão das retificadoras. No despacho de fls. 1569/1573 a autoridade administrativa esclarece que embora sem a espontaneidade, as vinculações de créditos efetuadas pelo contribuinte nas retificadoras foram aceitas pela Administração, conforme tabelas 1 e 2 contidas no corpo daquele despacho. Sendo assim, as vinculações efetuadas pelo contribuinte após a ciência do auto de infração, já aceitas pela autoridade administrativa, deverão ser consideradas no abatimento dos débitos lançados de ofício, a fim de que se evite a exigência em duplicidade. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.004484/200260 Acórdão n.º 3403003.191 S3C4T3 Fl. 6 7 Ressalto que a imputação das vinculações efetuadas pelo contribuinte, deverão ocorrer em relação aos valores lançados com a multa de ofício de 75%, pois o contribuinte não mais estava em situação de espontaneidade quando apresentou as retificadoras. Com essas considerações, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a parcela dos débitos extintos pela compensação com os créditos apurados no processo 10860.002378/200241, homologandose o resultado da diligência de fls. 1329/1330, e para que sejam imputadas as vinculações efetuadas pelo contribuinte após a perda da espontaneidade, nos termos do despacho de fls. 1569/1573. Antonio Carlos Atulim Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001593/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002,2003,2004,2005,2006
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - SUMULA CARF - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 15 93 /2 00 8- 40 Fl. 6900DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para cobrança de PIS (fls. 03/18) e de COFINS (fls. 19/35), no período de 05/2002 a 12/2006. A ciência do lançamento foi dada ao contribuinte somente em 14/05/2006, conforme AR juntado aos autos (fls. 3385) Segundo consta dos Autos de Infração e do Relatório de Fiscalização (fls. 38/41) o lançamento tem por base diferenças apuradas entre as notas fiscais emitidas e o valor das bases indicadas nas respectivas DCTF’s. Foram juntados aos autos centenas de documentos, em especial planilhas demonstrativas da apuração da base de cálculo dos tributos lançados, cópias de notas fiscais, cópias de GIA’s de ICMS, dentre outros. Intimada do lançamento a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 3.394/3.407) na qual alegou preliminarmente a nulidade do auto de infração por não constar do autos o Termo de Início de Fiscalização. No mérito alega que as diferenças na base de cálculo do PIS e da COFINS, apuradas entre os valores que foram submetidos à tributação pela Recorrente, e aqueles apurados pela Fiscalização, referemse aos valores devidos a título de ICMS (sobre cada operação de venda). A Recorrente excluiu tais valores da base de cálculo das contribuições por entender que não integram o faturamento, tributável pelo PIS e pela COFINS. Alega, ainda, a impossibilidade de cobrança de juros e multa sem prévia e exclusiva notificação, bem como a ilegalidade da multa por entendêla confiscatória. A DRJ manifestouse pela manutenção integral do lançamento, em decisão assim ementada (fls. 3.440/3.446): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não invalida o lançamento uma eventual irregularidade na emissão do termo de inicio de fiscalização, quando os objetivos visados pelo ato administrativo tenham sido alcançados. O Mandado de Procedimento Fiscal substitui o termo de inicio de fiscalização. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. Fl. 6901DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10183.001593/200840 Acórdão n.º 3302002.704 S3C3T2 Fl. 11 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, entendido como tal o resultado da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Do faturamento só podem ser excluídos os valores expressamente previstos em lei, entre os quais não se inclui o ICMS, salvo se cobrado na modalidade substituição tributária. MULTA E JUROS. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E NÃO CONFISCO. LANÇAMENTO AUTÔNOMO. A multa está sujeita ao principio da proporcionalidade entre a infração e a pena, no se lhe aplicando o principio da capacidade contrihutiva e da vedação ao confisco, que são direcionaj1os aos tributos. O lançamento da multa e dos juros, que são acessórios, deve ser realizado no mesmo auto de infração em que for lançado o tributo, que é o principal. Lançamento Procedente.” A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 3.464/3.478), reiterando as alegações apresentadas em sua Impugnação. Vieramme, então, os autos para decidir. Em 20/03/2012, este Colegiado expediu a Resolução nº 330200.196 para o fim de suspender o julgamento do presente processo em virtude do então disposto no artigo 62A do RICARF e da matéria referente à discussão de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS estar em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal por meio do Recurso Extraordinário no 574.706, sujeito à repercussão geral. Afastado o dispositivo regimental que determinava a suspensão das matérias em Repercussão Geral, os autos foram distribuídos novamente a esta Relatora para Julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado as matéria em discussão nos presentes autos referemse à (i) nulidade do auto de infração em razão da inexistência do Termo de Início de Fiscalização; (ii) indevida inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS e COFINS e (iii) ilegalidade e inconstitucionalidade da multa de ofício e da aplicação da Taxa SELIC. No que se refere à inexistência do Termo de Início à Fiscalização, com razão a decisão recorrida. A ausência do Termo não representa necessariamente a nulidade do Fl. 6902DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 procedimento de fiscalização e menos ainda do auto de infração. A contribuinte atendeu a fiscalização e apresentou todos os documentos que entendeu pertinentes para a defesa do seu direito. Mais do que isso, in casu a fiscalização utilizouse de Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento que substituiu o Termo de Início de Fiscalização. Não há qualquer vício ou nulidade a ser sanada. Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, rendome à conclusão do entendimento de primeira instância administrativa. É que a lei expressamente define as exclusões possíveis da Base de Cálculo das Contribuições, sendo que está expressamente definida a exclusão do valor referente ao IPI e ao ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário (Lei nº 9.718/98, artigo 3º, §2º, inciso I). A exclusão do ICMS de forma genérica da BC das contribuições, nos termos pretendidos pela Recorrente, significaria legislar positivamente, já que não há permissão legal para este procedimento. Ocorre que aos julgadores administrativos tal providencia é defesa. Outra opção seria julgar o aspecto constitucional da mencionada lei, posto que as contribuições incidem sobre o faturamento, o que impediria a incidência das contribuições sobre valor diverso, como o ICMS. Todavia, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Tal decisão resultou na Súmula no 2, abaixo reproduzida: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRECEDENTES: Súmulas 2 do 1º e 2º CC a acórdãos: 101 94.876, 10321568, 10514586, 10806035, 10246146, 203 09298, 20177691, 20215674, 20178180, 20400115.” Desta forma, impossível afastar a incidência do PIS e COFINS sobre o valor referente ao ICMS. Por derradeiro, cumpre analisar a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC. O art. 13 da Lei nº 9.065/1995, dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). No caso, a Lei dispôs de modo diverso, estando, também, em consonância com o CTN. Necessário registrar que esta questão já está sumulada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no entendimento de que a Taxa Selic deve ser aplicada para atualização dos débitos federais, a saber: “Súmula nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 6903DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10183.001593/200840 Acórdão n.º 3302002.704 S3C3T2 Fl. 12 5 Fica claro, portanto, que não há qualquer ilegalidade no cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC. Por fim, no tocante ao aspecto confiscatório da multa de 75%, da afronta ao princípio da capacidade contributiva e todos os demais aspectos constitucionais, consubstanciamse discussões para serem travadas no poder judiciário, órgão competente para a análise requerida, posto a já mencionada impossibilidade de análise, por este tribunal, da constitucionalidade das normas. Ante o exposto, é o presente para conhecer do Recurso apresentado e NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Sala de Sessões, 21 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 6904DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915922/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 22 /2 00 8- 74 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 30/04/2002). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 5.733,77 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915922/200874 Acórdão n.º 3801003.852 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.909293/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 02041.25225.121104.1.3.026440 em 12.11.2004, fls. 4458, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$28.055,93 referente ao segundo trimestre do anocalendário de 2003, apurado pelo lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 38, e a Planilha de fls. 3943, cientificado a Recorrente em 22.08.2008, fl. 39, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 09 29 3/ 20 08 -1 5 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 444 2 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP: PARC. CRÉDITO RETENÇÕES NA FONTE SOMA PARC. CRÉDITO PER/DCOMP 28.083,12 28.083,12 CONFIRMADAS 20.503,79 20.503,79 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 28.083,12 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 28.083,12 IRPJ devido: R$0,00 Valor do saldo negativo disponível» (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$20.503,79 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: acima identificado [...] Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Per/DComp Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.000.000/231088 1708 6,35 0,00 6,35 Retenção na fonte não comprovada 00.000.000/353272 1708 47,18 0,00 47,18 Retenção na fonte não comprovada 00.000.000/391956 1708 20,82 0,00 20,82 Retenção na fonte não comprovada 00.348.003/008952 1708 156,30 0,00 156,30 Retenção na fonte não comprovada 00.394.494/011332 6147 725,63 0,00 725,63 Retenção na fonte não comprovada 00.581.891/000117 1708 77,62 77,61 0,01 Retenção comprovada em DIRF 01.701.201/000189 1708 4.185,78 3.672,09 513,69 Retenção comprovada em DIRF 02.096.806/000150 1708 347,04 237,51 109,53 Retenção comprovada em DIRF 02.377.474/000182 1708 11,48 0,00 11,48 Retenção na fonte não comprovada 03.368.739/000149 1708 264,64 0,00 264,64 Retenção na fonte não comprovada 03.659.166/001699 1708 49,77 0,00 49,77 Retenção na fonte não comprovada 03.776.284/001920 1708 33,81 0,00 33,81 Retenção na fonte não comprovada 03.802.018/001681 1708 88,81 0,00 88,81 Retenção na fonte não comprovada 03.802.018/001762 1708 88,81 0,00 88,81 Retenção na fonte não comprovada 03.944.724/000262 1708 81,07 81,06 0,01 Retenção comprovada em DIRF 04.368.943/000122 1708 488,52 474,64 13,88 Retenção na fonte comprovada por documentos apresentados pelo contribuinte 04.719.822/000188 1708 85,35 0,00 85,35 Retenção na fonte não comprovada 07.450.604/001665 1708 84,62 0,00 84,62 Retenção na fonte não comprovada 17.298.092/000130 1708 187,13 0,00 187,13 Retenção na fonte não comprovada Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 445 3 30.464.614/000195 1708 73,04 73,02 0,02 Retenção na fonte comprovada por documentos apresentados pelo contribuinte 33.055.146/007872 1708 34,02 34,02 Retenção na fonte não comprovada 33.066.408/000115 1708 1.902,49 1.902,44 0,05 Retenção na fonte comprovada por documentos apresentados pelo contribuinte 33.530.486/009428 1708 94,48 0,00 94,48 Retenção na fonte não comprovada 33.641.358/040103 1708 88,81 0,00 88,81 Retenção na fonte não comprovada 33.641.358/078690 1708 59,20 0,00 59,20 Retenção na fonte não comprovada 33.641.358/148303 1708 177,61 0,00 177,61 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/000104 1708 52,26 0,00 52,26 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/019700 1708 35,67 0,00 35,67 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/035234 1708 38,64 0,00 38,64 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/050381 1708 51,97 0,00 51,97 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/067276 1708 41,61 0,00 41,61 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/086572 1708 106,64 0,00 106,64 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/095210 1708 51,97 0,00 51,97 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/100230 1708 41,61 0,00 41,61 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/101121 1708 74,31 0,00 74,31 Retenção na fonte não comprovada 61.082.822/018010 1708 69,15 0,00 69,15 Retenção na fonte não comprovada 75.315.333/004104 1708 76,18 0,00 76,18 Retenção na fonte não comprovada 76.492.172/000191 1708 496,38 0,00 496,38 Retenção na fonte não comprovada 76.538.446/000136 1708 36,37 0,00 36,37 Retenção na fonte não comprovada 76.669.324/000189 1708 131,91 0,00 131,91 Retenção na fonte não comprovada 78.128.030/000175 1708 32,90 0,00 32,90 Retenção na fonte não comprovada 78.586.070/000160 1708 76,54 76,53 0,01 Retenção comprovada em DIRF 79.345.583/000142 1708 32,57 32,57 0,01 Retenção comprovada em DIRF 81.905.176/000194 1708 347,92 231,94 115,98 Retenção comprovada em DIRF 89.637.490/013395 1708 3.183,75 0,00 3.183,75 Retenção na fonte não comprovada Total 14.438,73 6.859,40 7.579,33 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 5960, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que: DOS FATOS Compensação do contribuinte, dos tributos e contribuições administrados pela [RFB], inclusive em processo de restituição. Para tributos e contribuições de espécie diferentes, mediante prévio requerimento do contribuinte e aceite da Fazenda ("Pedido de Compensação'). DO DIREITO DA PRELIMINAR A compensação constitui modalidade de extinção de obrigação tributária, sendo norma individual e concreta introduzida no ordenamento jurídico capaz de satisfazer o direito creditório da Fazenda, por intermédio da utilização de direito creditório do Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 446 4 contribuinte, em montante equivalente. Art. 74 da Lei n°. 9.430/96 IN n °. 21/97, alterada pela IN n° 73/97 e IN n° 41/00. Para fins do direito tributário, a compensação se dá nas condições e sob as garantias que estipular a lei. Fundamento legal:Artigos 156, inciso II, 170 e l70A do Código Tributário Nacional. São requisitos da compensação tributária: A reciprocidade de obrigações; Liquidez das dívidas; Exigibilidade das prestações; e Fungibilidade das coisas devidas. DO MÉRITO COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a compensação, verificandose a definitiva liquidação do tributo. " (1° Conselho de Contribuintes – 8ª Câmara Recurso 142.328). Tendo como parâmetro, a data da entrega da COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE em 31/08/2004, temo que a forma utilizada para análise de crédito, mediante consulta aos sistemas da [RFB], não reconhecendo alguns créditos informados na Declaração de Compensação, preocupouse em não ultrapassar os cinco anos do pedido de compensação. As retenções na Fonte não efetuadas ou não declaradas pelas fontes pagadoras aos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, resultaram na hOmologação parcial da compensação declarada no Per/DComp acima identificado. Sendo que a empresa fez as devidas retenções em suas Notas Fiscais, e totalizou as mesmas deduzindo do Valor dos Serviços as retenções efetuadas. Desta forma entende o sujeito passivo, que além de ter auferido pelos serviços prestados valores deduzidos. da devida retenção, não pode ser prejudicado pelo fato do não recolhimento pelas Fontes Pagadoras destes valores. Cabendo à própria Receita Federal buscar estas receitas, e se preciso for intimai as Fontes Pagadoras a regularizar as informações junto aos Sistemas de Informação em prol desta empresa. DOCUMENTOS Em tempo hábil, apresentaremos copias das Notas Fiscais emitidas, comprovando a retenção do IRRF. Conclui que: A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) do Despacho Decisório, requer que seja dado provimento a presente Manifestação. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 27.303, de 08.07.2010, fls. 253257: Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 447 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A compensação do crédito relativo à retenção sofrida sujeitase apresentação de comprovantes idôneos emitidos pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada, de acordo com o carimbo dos correios, em 21.07.2010, sem que fosse indicada expressamente a data de recebimento, fl. 259 (inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.08.2010, fls. 260265, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: I – DOS ARGUMENTOS PRELIMINARES 1. A empresa contribuinte, ora recorrente tem suas instalações em prédios históricos tombados pelo patrimônio público que, embora, bem conservados, apresentam corriqueiramente problemas estruturais. 2. Nos anos de 2006 e 2008 foi necessário efetuar algumas reformas no prédio onde funcionava o arquivo de guarda da documentação contábil e fiscal da empresa e, em razão disso, parte das notas fiscais de serviço relativamente aos anos de 2001 e 2002 foram realocados, perdendose o seu controle. 3. Por esta razão, com fundamento no Decreto 70.235/72 em seu artigo 16, inciso IV requer o prazo de 15 dias úteis, a contar da data do protocolo, para apresentar demais documentos que comprovem as retenções por parte das fontes pagadoras constantes dos valores incluídos no PER/DCOMP em questão. 4. Ademais, considerando que as planilhas de valores retidos confirmados parcialmente ou não confirmados, anexadas ao despacho rescisório e ao acórdão, não informam os números das Notas Fiscais vem requerer, com base no mesmo Decreto em seu artigo 16, V, diligências e perícias nas respectivas Notas Fiscais e extratos bancários que vão confirmar as efetivas retenções pelas fontes pagadoras dos IRPJ na fonte. a) DA HOMOLOGAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO 5. Em 31 de agosto de 2004 a contribuinte apresentou, na forma do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, a PER/DCOMP com demonstrativo de crédito compensado, relativos às retenções efetuadas por fontes pagadoras nos anos de 2001 a 2003. 6. Em 08 de julho de [2010], passados seis anos, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por meio do Acórdão nº 0627.303, homologou parcialmente o referido PER/DCOMP. [...]. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 448 6 9. Importante observar que a referida Lei, nas redações dadas pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, não prevê condições de suspensão ou de interrupção da fluência do prazo estabelecido nos §§ 4º e 5º de seu art. 74. 10. Por esta razão, é totalmente ilegal a homologação parcial proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba da Receita Federal do Brasil, via Acórdão nº 0627.303 proferido em 08 de julho de 2010. 11. Por esta razão, a Empresa Auxiliar de Serviços Gerais do Paraná Ltda. requer a esse d. Conselho Fiscal de Recursos Administrativos a homologação dos valores declarados no PER/DCOMP nº 02041.25225.121104.1.3.026440, por decurso de prazo. II DOS FATOS 12. A contribuinte recorrente é uma empresa que atua no ramo de prestações de serviços profissionais de limpeza, conservação, higiene, telefonia, telegrafia, radio, comunicação, assessoria, datilografia, portaria, recepção, copa, recados, pinturas de painéis e paredes, jardinagem, manutenção predial, transportes, etc. Presta serviços a diversas empresas. 13. No período do segundo trimestre do ano de 2003 (meses de abril a junho), com os fundamentos na Lei nº 9.430/1996 e redações, a empresa contribuinte teve retido pela sua clientela — diversas empresas e órgãos públicos , a parcela relativa ao imposto de renda na fonte sobre o valor bruto de notas fiscais que correspondem aos serviços por ela prestados. 14. Conforme o processo administrativo nº 10980.909293/200815, a ora Recorrente procedeu à compensação das obrigações posteriores, tendo sido comunicada a Receita Federal do Brasil através da Declaração de Compensação, via Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e, da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 15. No Despacho Decisório e sob a alegação da não confirmação das retenções, a contribuinte teve indeferida a parte da compensação efetuada, e foi notificada para, se quisesse, recorrer do indeferimento parcial, por meio do presente Oficio SEORT nº 468/2010 datado de 16 de julho de 2010, cientificandoa dos termos do Acórdão nº. 06 27.303 de 08/07/2010, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentado pela empresa recorrente. III DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO 16. Como se vê, a 1ª. Turma da Delegacia da RFB de Julgamento, por unanimidade, julgou "improcedente a manifestação de inconformidade" no pedido de compensação de imposto de renda retido na fonte. [...] 19. Devese, portanto, observar que a obrigação acessória prevista no RIR/99 em seu artigo 942 e, parágrafo único, aplicase à fonte pagadora que seu descumprimento não deve prejudicar o prestador, no presente caso, a contribuinte recorrente. 20. Dentre as declarações faltantes estão as da Procuradoria da República no Paraná e Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná, conforme mostram as notas fiscais e demonstrativos, todos anexados. 21. Sendo assim, os extratos bancários juntados nos autos devem ser aceitos como prova cabal das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 449 7 IV DO MÉRITO 22. Em seu parecer o relator esclarece que, ".... resta evidente que simples notas fiscais emitidas pelo próprio beneficiário do rendimento não substituem, para fins de comprovação da retenção, os comprovantes que, a teor do artigo 942 do mencionado RIR99, obrigatoriamente são fornecidos pelas fontes pagadores." 23. A respeito do parecer do relator de que a documentação trazida aos autos, os documentos apresentados não se prestam como prova da efetiva retenção pelo tomador, pois simples notas fiscais emitidas pelo próprio beneficiário do rendimento não substituem, para os fins de comprovação da retenção. Veja que a contribuinte juntou cópias das notas fiscais e dos extratos bancários que comprovam o pagamento dos valores das referidas notas fiscais com os descontos efetuados, a titulo de retenção do INSS (Lei nº 8.212/91, art. 31) e do IRPJ, de forma que está comprovada a retenção dos valores indeferidos. 24. Os extratos bancários juntados, s.m.j devem ser tomados como substitutos dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, como prova inequívoca da retenção por parte da fonte pagadora, referentemente do imposto de renda demonstrado em tabela anexa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 25. Isto posto, levandose em conta os argumentos expostos e os demais pontos considerados, entre outros que serão supridos, requer a este d. Conselho: a) — a revisão do Acórdão recorrido; b) — a homologação dos valores declarados no referido PER/DCOMP por decurso de prazo; c) — as diligências e perícias nas respectivas Notas Fiscais e extratos bancários que vão confirmar as efetivas retenções pelas fontes pagadoras dos IRPJ na fonte e, d) — o deferimento das compensações comunicadas por meio do PER/DCOMP nº 02041.25225.121104.1.3.026440. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 450 8 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar e ainda que a autoridade julgadora pode determinar de ofício a realização de diligência porque é necessária ao deslinde da questão litigiosa1. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 451 9 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial4. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O IRPJ a ser pago será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em relação à dedução de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 452 10 correspondente7. Para tanto, as pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período8. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80. A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido: o código de arrecadação nº 1708 a título de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); e o código de arrecadação nº 6147 a título de aplicações financeiras em renda fixa (art. 64 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 02 de março de 2001, que regulamenta no anocalendário de 1999 o art. 64 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, consigna que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 5,85%, do qual 1,2% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. A partir de 29.12.2004 essa matéria passou a ser regida pela Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e a partir de 12.01.2012 pela Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Os autos estão instruídos com: (a) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços; (b) os Demonstrativos de Faturamento; e (c) os extratos das contas bancárias. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909293/200815 Resolução nº 1803000.108 S1TE03 Fl. 453 11 Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que: (a) a Recorrente deve apresentar para cada fonte pagadora indicada às fls. 3843: planilha com a relação individualizada coincidente em datas e valores das Notas Fiscais de Serviços, dos depósitos em conta bancária e a escrituração no Livro Caixa e no Livro Razão dos valores correspondentes com clareza e precisão, como forma de comprovar a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80; e documentos contábeis e fiscais pertinentes; (b) a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente deve cotejar as informações fornecidas pela Recorrente e com os registros internos da RFB, tais como Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os pagamentos efetuados para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente ao crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$28.055,93 referente ao segundo trimestre do anocalendário de 2003. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes9 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722187/2011-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/07/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA
Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.492
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/07/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 87 /2 01 1- 73 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722187/201173 Acórdão n.º 2803003.492 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722187/201173 Acórdão n.º 2803003.492 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. 1. O presente processo administrativo é constituído por três Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativos a contribuições sociais devidas no período de 01/01/2009 a 31/07/2011: • DEBCAD nº 51.004.8242 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências 01/2009 a 07/2011. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 125.675,63 (cento e vinte e cinco mil, seiscentos e setenta e cinco reais e sessenta e três centavos), consolidado em 03/11/2011. • DEBCAD nº 51.004.8269 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, e INCRA)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados, nas competências 01/2009 a 07/2011. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 9.332,23 (nove mil, trezentos e trinta e dois reais e vinte e três centavos) , consolidado em 03/11/2011. • DEBCAD nº 51.004.8250 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais não descontados pela empresa das remunerações pagas aos mesmos, nas competências 01/2009 a 07/2011. O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 20.783,06(vinte mil, setecentos e oitenta e três reais e seis centavos), consolidado em 03/11/2011. O r. acórdão – fls 201 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Embora tenhase discutido nos processos administrativos a legalidade da cobrança ou não dos tributos, a multa imposta, o lucro arbitrado, cumpre ressaltar que, o cerne da questão é a exclusão da empresa do regime do Simples Nacional por Inadimplência. Fato este que Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722187/201173 Acórdão n.º 2803003.492 S2TE03 Fl. 5 4 acarretou nas medidas administrativas realizadas pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis. · A exclusão do SIMPLES, configurase uma coação ao contribuinte de boafé, sendo esta, na prática, uma forma de cobrança indireta e arbitrária, substituindo disfarçadamente a execução fiscal. · O Poder Judiciário tem entendido, ser ilegal o Ato da Receita Federal que exclui ou não mantém o contribuinte no programa do Simples por inadimplência, uma vez que o referido ato afronta diretamente a Constituição Federal, que assegura o tratamento diferenciado e favorecido às micros e pequenas empresas, não observando os princípios do parcelamento, da proporcionalidade, da livre concorrência e da função social da propriedade, (Artigos 170 e 179 da CF), bem como o direito à liberdade de exercício da profissão e da Atividade Econômica (Artigo 5o, XIII, da CF). · É sabido que a Receita Federal tem outras medidas alternativas para promover a cobrança de seus débitos, inclusive com mais intensidade, por meio de processos administrativos e de execuções fiscais, sendo desnecessário e desproporcional proibir o acesso das pessoas jurídicas inadimplentes ao regime do Simples Nacional, justamente pela existência de meios específicos e legalmente previstos para esse mesmo fim. · Requer o direito da empresa em ser reincluída no Simples Nacional, inclusive de forma retroativa, para que possa cumprir com suas obrigações tributárias, conforme sua capacidade, devendo assim serem desconsiderados os débitos tributários em aberto, retroagindo os efeitos da inclusão no SIMPLES, para que a empresa possa retomar as atividades normalmente.. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722187/201173 Acórdão n.º 2803003.492 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os autos se referem ao período de 01/2009 a 07/2011. Observase assim que abrange período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado, em razão de sua exclusão através dos Atos Declaratórios Executivos ADE n° 068 e 069, de 2011 processo n° 11516.720738/201164, com efeitos a partir de 01/01/2007. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Nesse sentido, temos a súmula 77 do CARF: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões da exclusão do SIMPLES – o que já esta sendo feito em processo próprio – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11516.722187/201173 Acórdão n.º 2803003.492 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907896/2012-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 96 /2 01 2- 66 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 3801003.803 S3TE01 Fl. 96 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/10/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 3801003.803 S3TE01 Fl. 97 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 3801003.803 S3TE01 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 3801003.803 S3TE01 Fl. 99 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907896/201266 Acórdão n.º 3801003.803 S3TE01 Fl. 100 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720148/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro no lugar da Conselheira Nanci Gama, que se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Álvares da Silva Campos Junior, OAB/ES 9.374, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro no lugar da Conselheira Nanci Gama, que se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Álvares da Silva Campos Junior, OAB/ES 9.374, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro no lugar da Conselheira Nanci Gama, que se declarou impedida. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Álvares da Silva Campos Junior, OAB/ES 9.374, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Demes Brito e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório, integrante do acórdão de primeira instância, que segue transcrito: Trata o presente processo de pedido de Ressarcimento e Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo à COFINS não cumulativa – exportação, referente ao 3o trimestre de 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 14 8/ 20 11 -6 9 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 101 2 A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 243, com base no Parecer SEFIS nº 169/2011 (fls. 231/242), decidindo reconhecer em parte o direito creditório, no valor de R$ 6.291.626,20 e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. No referido parecer consta consignado, em resumo, que: Em trabalho anterior desenvolvido na empresa, foram solicitados documentos e informações, os quais foram atendidos no prazo estipulado. O exame realizado focalizou a apuração do débito da contribuição, sendo efetuado o lançamento tributário por meio de auto de infração no processo nº 15586.001586/201043. O presente trabalho fiscal analisa o crédito a descontar. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer documentação adicional, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, servirão de análise para o presente trabalho, os documentos e informações obtidos na ação fiscal anterior; As informações constantes dos sistemas da RFB, assim como aquelas colhidas em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a NIBRASCO atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro, com sua planta industrial situada no complexo CVRD – Ponta de Tubarão, em Vitória/ES. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas à Companhia Vale do Rio Doce – CVRD (atualmente denominada Vale S/A), CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo; O exame da escrita contábil e fiscal, dos demonstrativos de apuração da Cofins nãocumulativa e dos demais elementos apresentados pela NIBRASCO revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados, bem como revelou pontos de divergências entre a interpretação dada pela empresa e a concebida pela fiscalização quanto à inclusão de créditos provenientes da aquisição de determinados bens e serviços. Em face disto, procedeuse às glosas de créditos, bem como a reversão de créditos passíveis de ressarcimento/compensação para créditos sujeitos simplesmente ao desconto de débitos da contribuição; Foram afastados da composição das bases de cálculo dos créditos a descontar os valores relativos a serviços que não são, direta e efetivamente, aplicados ou consumidos na fabricação de seu produto. Os serviços estão estampados no “Demonstrativo de Glosa de Créditos de PIS e Cofins”; O contribuinte também aproveitou créditos sobre serviços prestados pela CVRD, atualmente denominada Vale S/A, identificados em seus demonstrativos como Fator C, Fator K e Fator Y. De acordo com o contrato apresentado, tratase da prestação de serviços necessários e dos serviços correlatos por parte da CVRD, para o funcionamento da usina de pelotização da NIBRASCO. Nos termos do item VI do contrato, os fatores apontados referemse à compensação monetária pela operação normal da usina; Observase da análise dos componentes da compensação pela operação da usina que vários deles não são aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro e, por conseguinte, não se subsumem ao conceito de insumo para Fl. 817DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 102 3 aproveitamento de crédito da Cofins. Nesta condição estão os serviços voltados à administração regular da NIBRASCO abarcados pelo Fator K. No tocante ao Fator Y, a legislação somente estabeleceu o aproveitamento de créditos sobre os valores das aquisições de bens para a industrialização, não integrando o cálculo as aquisições de bens de consumo e o custo financeiro atinente à manutenção de estoque. Desta forma, procedeuse à glosa dos valores compensados à CVRD referentes a gastos não aplicados ou consumidos diretamente na produção de pelotas de minério de ferro, quais sejam, as despesas gerais representadas pelos Fatores K e Y; O contribuinte não considerou os ajustes a serem procedidos nos casos de devolução de compras que devem ser feitos via ajustes negativos de créditos. Procedeuse então aos ajustes dos créditos a descontar estornando os créditos que incidiram anteriormente sobre as compras devolvidas, conforme “Demonstrativo de Devolução de Compras Cofins 3º Trimestre/2007”. Os valores apurados estão contidos no “Demonstrativo de Glosa de Créditos de PIS e Cofins”; A fiscalização, em procedimento de auditoria efetuada, verificou que algumas vendas que o contribuinte havia considerado como vendas no mercado interno para empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação, na verdade não atendiam aos requisitos para tal; Além da lavratura do citado auto de infração no processo nº 15586.001586/201043, a reversão da receita do mercado externo em receita do mercado interno influencia os valores passíveis de ressarcimento e/ou compensação, pois somente são passíveis de ressarcimento e/ou compensação os créditos vinculados à receita de exportação; Em razão da pessoa jurídica ter efetuado, concomitantemente, operações de vendas no mercado interno e exportação para o exterior, o valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base na proporção da receita bruta auferida com vendas de pelotas de minério de ferro, único bem produzido pela interessada; Foi elaborado o “Demonstrativos dos Créditos de Cofins Passíveis de Ressarcimento/Compensação”, no qual estão discriminados todos os componentes dos débitos da contribuição e todos os ajustes procedidos nas bases de cálculo dos créditos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 05/10/2011 (fl. 248) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 03/11/2011 (fls. 252/370), alegando, em síntese que: Por força do contrato de fornecimento anexo, cabe à Requerente vender à Vale S/A uma quantidade anual de tonelagem de pelotas de minério de ferro, com o fim específico de exportação (contrato de compra e venda das pelotas de minério de ferro); De acordo com o contrato, cabe à Requerente produzir as pelotas de minério de ferro e as remeter diretamente do estabelecimento industrial Fl. 818DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 103 4 para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da Vale S/A; O item 4.2 do contrato determina que as faturas finais de venda serão emitidas até 45 dias após a data de saída do navio. A Requerente só está autorizada a emitir fatura final das pelotas negociadas com a Vale S/A após o devido embarque da mercadoria para exportação, o que só é comprovado mediante a emissão de conhecimento de embarque pelo transportador; A operação contida no contrato se sucede em duas fases: 1o – as pelotas deixam a área de produção e são estocadas nos pátios da própria Requerente; e, 2o – as pelotas deixam os pátios por meio de esteiras e são destinadas para os pátios da Vale S/A, considerados área alfandegada, e dali para embarque em navios com destino ao exterior, ou diretamente para embarque em navios com destino ao exterior; O item 4.2 do contrato de compra e venda de pelotas entre a Nibrasco e a CVRD define o momento da tradição jurídica das pelotas da Requerente à Vale quando das pelotas de minério de ferro; As operações de venda com fim específico de exportação estão retratadas nos memorandos de exportação anexos, confeccionados de acordo com o que determina o RICMS do Estado do Espírito Santo e os convênios interestaduais que regulamentam a matéria; Foi anexado também o Relatório Mensal de Controle de Estoque de Pelotas da Vale S/A no complexo industrial de Tubarão. Tais relatórios demonstram que toda a produção de pelotas adquirida pela Vale S/A foi destinada ao mercado externo, o que também é comprovado pela declaração da Vale (doc. 09); O trajeto das pelotas exportadas encontrase descrito no modelo esquemático acostado, que pode ser conferido e atestado por perícia fiscal, cuja realização, caso se entenda necessária, desde já se requer; Toda a produção de pelotas de minério de ferro da Requerente é destinada ao exterior, quer seja pela exportação direta, quer pela exportação indireta realizada pela comercial exportadora Vale S/A; Toda exportação de pelotas de minério de ferro passa pelas áreas alfandegadas da Vale S/A; Faz mister registrar que praticamente toda a narrativa fática articulada na peça impugnatória no auto de infração no processo nº 15586.001586/201043 foi acolhida pela DRJ/Rio de Janeiro, restando comprovado que as vendas que a fiscalização sustentava terem sido efetuadas no mercado interno tiveram, em verdade, fim específico de exportação, o que afasta a incidência do PIS e Cofins sobre tais operações; A remessa de pelotas para o pátio da própria requerente não configura saída jurídica de seu estabelecimento e tampouco transferência jurídica para a Vale S.A.; O equívoco no preenchimento do CFOP das notas fiscais que acobertam as vendas com fim específico de exportação, já sanado Fl. 819DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 104 5 mediante emissão de cartas de correção acostadas à impugnação, não é suficiente para descaracterizar a real natureza das operações, à luz dos princípios da verdade material e da prevalência da substância sobre a forma; O modo sob o qual os bens ou serviços são consumidos no processo produtivo não é relevante para a ocorrência ou não do crédito; Os serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção são diretamente utilizados na produção do produto, sendo descabida a glosa das montas creditadas sobre a rubrica classificada como insumos e aquelas oriundas como Fator C, Fator K e Fator Y; A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2o, inciso I da CF). O art. 5o da Lei 10.637/2002 e art. 6o da lei 10.833/2003 repetem expressamente a determinação Constitucional; As disposições legais citadas remetemse diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, devem ser interpretadas extensivamente; Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que exportou, diretamente ou por meio de comerciais exportadoras e que suas receitas decorrem de tais operações; As vendas realizadas pela requerente para a Vale S/A foram destinadas exclusivamente ao mercado externo, o que não foi contestado pela fiscalização; O TRF 3a Região reconheceu que a imunidade prevista no art. 149 § 2o da CF abrange tanto as vendas efetuadas diretamente ao exterior quanto as vendas realizadas a comercial exportadora ou trading company com fim específico de exportação; A IN RFB 1.094/2010 prescreve que sobre as operações de aquisição de mercadoria com fim específico de exportação ocorre o fenômeno da não incidência tributária; Tratandose de hipótese de não incidência do PIS e da Cofins, não há que se sustentar que essa nãoincidência demandaria a obediência de certos requisitos para ser reconhecida; É inconteste que a produção da requerente, após deixar o seu próprio pátio, foi remetida diretamente para embarque ou para pátio alfandegado pertencente à Vale S/A; Somente por ocasião do embarque nos navios destinados à exportação ocorre realmente a remessa ou circulação de pelotas para fora do estabelecimento da impugnante, já que o mero deslocamento interno das pelotas da área de produção para o pátio de um mesmo estabelecimento industrial não configura a ocorrência de circulação ou saída desse estabelecimento; Fl. 820DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 105 6 Restou comprovado no Acórdão 1334.003 proferido pela d. 5ª Turma da DRJ/RJ2 (transcrito na íntegra) que as vendas que a fiscalização sustentava terem sido efetuadas no mercado interno, tiveram, em verdade, fim específico de exportação; Uma vez comprovado por meio dos documentos anexos que ao deixarem seu pátio de armazenagem as pelotas que a requerente produz são encaminhadas diretamente para embarque ou para área alfandegada da Vale S.A., não se vislumbra nas irregularidades verificadas no preenchimento do CFOP das notas fiscais, qualquer óbice ao usufruto das isenções do PIS e Cofins previstas na legislação pátria; Segue anexa declaração da Vale S/A na qual se afirma que a mesma adquiriu pelotas com o fim específico de exportação da impugnante e que não se creditou ou credita de PIS ou Cofins sobre as aquisições de pelotas objeto da presente autuação (doc. 08); Caso pairem dúvidas sobre a remessa direta a recinto alfandegado com o fim específico de exportação, requer seja realizada perícia para averiguação do efetivo caminho das pelotas de minério de ferro e da natureza das operações realizadas; O modo sob o qual os bens ou serviços são consumidos no processo produtivo não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3o, inciso II, da Lei 10.637/2002; O conceito de insumo é muito mais amplo que o conceito de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Os serviços glosados são todos decorrentes da operação da indústria da Requerente e oneram a atividade empresarial; Especificamente sobre os serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção, vale destacar a Solução de Consulta nº 30 de 26/01/2010; Assim, é descabida a glosa das montas creditadas sobre a rubrica classificada como insumos; Também não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente a Cofins relativo à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização; Os fatores C, K e Y somente são destacados no contrato e nas notas fiscais de prestação de serviço para controle interno das duas sociedades contratantes, pois, em verdade, referemse ao preço global para a prestação do serviço de administração da planta industrial. Portanto, tratamse de serviços decorrentes da operação da própria planta industrial que oneram a atividade empresarial; É irregular o ajuste efetuado pela fiscalização acerca das devoluções de compras; Por fim requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, com a finalidade de se reformar in totum o despacho decisório, se aplicando ao caso a mesma solução dada ao processo nº Fl. 821DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 106 7 15586.001586/201043; sejam reconhecidos todos os créditos passíveis de ressarcimento, conforme PER/DCOMP requerida. Requer, ainda, a realização de perícia para que restem comprovados os caminhos que percorrem as pelotas produzidas pela impugnante e seu destino para exportação e, para tanto, nomeia peritos e formula quesitos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 508/513), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para a COFINS, fazse necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Em 26/11/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 730). Inconformada, em 12/12/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 732/760, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese aos seguintes ajustes, realizados pela fiscalização, na apuração dos créditos compensados pela recorrente: a) reversão dos créditos vinculados às receitas de exportação (passíveis de desconto, ressarcimento e compensação), para créditos vinculados às receitas de vendas no mercado interno (passíveis apenas de dedução dos débitos da Cofins); b) glosa dos créditos calculados sobre os valores da prestação dos serviços não caracterizados como insumos; c) glosa dos créditos calculados sobre os valores da prestação dos serviços de operação da usina, não caracterizados como insumos; d) ajuste dos créditos a Fl. 822DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 107 8 descontar, referente a devoluções de compras não computadas no demonstrativo de cálculo do contribuinte. Da reclassificação dos créditos vinculados ao mercado externo para o mercado interno. No tange à reclassificação dos créditos vinculados ao mercado externo para créditos vinculados ao mercado interno, fazse necessário destacar a conexão que existe entre a questão de mérito objeto do presente processo com a do processo nº 15586.001586/201043, que trata do auto de infração formalizado para cobrança dos débitos da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins dos meses de janeiro de 2006 a abril de 2008 e junho e outubro de 2008. Com efeito, noticiam os autos que o crédito compensado pela recorrente refere se ao período de apuração da ação fiscal que resultou na lavratura de auto de infração que deu origem ao citado processo. Além disso, a fiscalização utilizou os mesmos documentos e informações apresentados pela recorrente no correspondente procedimento de fiscal, inclusive adotou o mesmo entendimento e as mesmas conclusões que serviram de fundamento para a autuação. De acordo com o relatório encartado no Parecer de fls. 231/242, que serviu de base para o questionado Despacho Decisório de fl. 241, foram formalizados dois processos. O processo nº 15586.001586/201043, para exigência dos débitos (crédito tributário), e este processo, para análise do procedimento compensatório em questão. Para que não reste nenhuma dúvida a respeito do asseverado, seguem transcritos os pertinentes trechos extraídos do relatório integrante do citado Parecer: No desenvolvimento dos trabalhos iniciados em 26/04/2010 e concluídos em 02/12/2010, objeto da ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) n° 07.2.01.002010008470, solicitamos diversos documentos e informações, os quais foram atendidos no prazo estipulado. Quanto aos exames fiscais, estes consistiram no cotejo dos registros contábeis e fiscais, demonstrativos de apuração da contribuição, planilhas de apuração de créditos a descontar, arquivos magnéticos com registros de entradas e saídas, notas fiscais de vendas, contratos de prestações de serviços (insumos), e, por amostragem, notas fiscais comprobatórias das aquisições dos insumos e dos serviços. Parte da referida documentação, obtida neste trabalho fiscal, será anexa ao presente processo (fls.99/186). Tais exames focalizaram a apuração do débito da contribuição, sendo efetuado o lançamento do crédito tributário por meio do auto de infração formalizado pelo processo nº 15586.001586/201043, cujo crédito tributário encontrase em fase de julgamento. Quanto à apuração do crédito a descontar, os valores analisados são objetos do presente trabalho fiscal, com base no MPFF n° 07.2.01.00 2011007079, cujo Termo de Início de Procedimento Fiscal foi cientificado em 28/07/2011 (fls. 95/98). É pertinente ainda destacar que, na referida ação fiscal, a fiscalização constatou que a recorrente havia excluído da base de cálculo das referidas contribuições valores Fl. 823DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 108 9 decorrentes de vendas efetuadas à Vale S/A. e as considerado como operações de venda com fim específico de exportação. Porém, segundo a fiscalização as referidas operações de venda não atendiam os requisitos para serem equiparada à receita de exportação. Em decorrência, reclassificouas como vendas realizadas no mercado interno e as respectivas receitas como sujeitas à incidência das citadas contribuições, e apurou as contribuições devidas e não pagas, constituindo o crédito tributário por meio do auto de infração que integra o processo nº 15586.001586/201043. No caso, em face da vinculação entre a natureza da receita e do tipo de crédito a ela vincula, a reclassificação das receitas de venda no mercado externo para receitas de vendas no mercado interno, necessariamente, tem reflexo direto e imediato no direito creditório em análise no presente processo, na medida em que altera os percentuais de rateio e, por conseguinte, os valores dos créditos do mercado externo passíveis de ressarcimento e/ou compensação. Portanto, é evidente que a decisão definitiva a ser proferida no âmbito daquele processo tem implicação direta no desfecho do julgamento deste processo, pois, se ficar decidido naquele que as receitas são de exportação, certamente, os créditos a elas vinculadas serão também qualificados como créditos de exportação e, portanto, passíveis de utilização no procedimento compensatório objeto do litígio suscitado neste processo. Caso contrário, os crédito utilizados no presente procedimento compensatórios serão qualificados como créditos do mercado interno, não passível de utilização nas compensações em questão. Além disso, a autuação objeto do referido processo foi contestada pela recorrente e que na sessão de 29/3/2011, por meio do acórdão nº 34.003, a 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2, julgou a impugnação parcialmente procedente e manteve, em parte, o crédito tributário exigido. Em relação a essa decisão, foram interpostos recurso de ofício e voluntário perante este Conselho. Em 24/7/2013, por intermédio o acórdão nº 3302002.228 (fls. 684/702), a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção julgou os referidos recursos e deu provimento integral ao recurso de ofício e provimento parcial ao recurso voluntário. Acontece que em 11/2/2014, contra o referido acórdão foram interpostos embargados de declaração, que se encontra pendente de julgamento, conforme consulta realizado no sítio deste Conselho na internet1. Dessa forma, uma vez demonstrada a conexão entre a questão de fundo tratada no referido processo com a que é objeto do contencioso instaurado no presente processo, para evitar decisões contraditórias no âmbito deste Conselho, fazse necessário, em relação a esse ponto da controvérsia, aguardar a decisão definitiva a ser proferida no âmbito do processo nº 15586.001586/201043. Das demais questões controvertidas. As demais questões controvertidas são: a) glosa dos créditos calculados sobre os valores da prestação dos serviços não caracterizados como insumos; b) glosa dos créditos calculados sobre os valores da prestação dos serviços de operação da usina, não caracterizados 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em 22 ago. 2014. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.720148/201169 Resolução nº 3102000.315 S3C1T2 Fl. 109 10 como insumos; e c) ajuste dos créditos a descontar, referente a devoluções de compras não computadas no demonstrativo de cálculo do contribuinte. Embora tais questões não tenham conexão com a questão de mérito a ser dirimida no âmbito do processo nº 15586.001586/201043, por falta de previsão legal e regimental de julgamento em separado de parte da lide e para evitar tumulto processual, tais questões serão apreciadas juntamente com a questão de mérito dependente da mencionada decisão definitiva. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornar a unidade da Receita Federal de origem, para aguardar a decisão definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto nº 70.232, de 6 de março de 1972, a ser proferida no âmbito do julgamento do processo nº 15586.001586/201043. Após, providenciar a juntada aos autos da futura decisão definitiva e a devolução deste processo a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 825DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10909.005882/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES - PRATICA REITERADA DE INFRAÇÕES.A não escrituração de livro caixa com toda a movimentação financeira e bancária de forma reiterada justifica a exclusão do simples, principalmente quando intimada não explica a origem dos créditos bancários. Excluída do Simples os lucros devem ser arbitrados e os impostos e contribuições sociais apurados, deduzindo-se os valores já recolhidos. A ciência dos lançamentos juntamente com o ato de exclusão podem se dar na mesma data sem se caracterizar cerceamento de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. O fato de o sujeito passivo não ter sido cientificado da prorrogação do MPF não tem capacidade de anular o lançamento, cujas regras essenciais para a sua constituição são a lavratura por pessoa competente.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário.
INCONSTITUCIONALIDADES. Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não se pode negar a aplicação da multa qualificada, quando o contribuinte demonstra conduta dolosa com objetivo claro de impedir o fisco do conhecimento do fato gerador.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. O lançamento de IRPJ se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, porém aplicada a multa agravada, este prazo passa a ser regido pelo art. 173 do mesmo diploma legal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos, o decidido para o IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A Pessoa Jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou o recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitar-se-ão à incidência do imposto exclusivamente na fonte.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A conduta reiterada em não escriturar a correta movimentação financeira no Livro Caixa e de não identificar os beneficiários dos saques e pagamentos evidencia o intuito doloso e a fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%.
DECADÊNCIA. O lançamento de IRF se reveste da modalidade de lançamento por homologação e como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, porém constatado o dolo e a fraude este prazo migra para o art. 173 do CTN.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coincidentes em datas e valores.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CANCELAMENTO. A falta de documentação acerca das origens dos depósitos bancários não justifica o agravamento de 75% da multa de ofício de 150% lançada. Porém constatada a conduta dolosa do contribuinte, mostra-se aplicável a multa de 150%.
DECADÊNCIA. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se para as regras estabelecidas no art, 173 do CTN. Quanto ao auto de infração IRPJ e Contribuições apurados pelas regras do simples para o mês de janeiro de 2003, pela contagem do mencionado artigo não há que se falar em decadência.
Numero da decisão: 1302-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior- Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea dos conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo e Helio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Excluída do Simples os lucros devem ser arbitrados e os impostos e contribuições sociais apurados, deduzindose os valores já recolhidos. A ciência dos lançamentos juntamente com o ato de exclusão podem se dar na mesma data sem se caracterizar cerceamento de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. O fato de o sujeito passivo não ter sido cientificado da prorrogação do MPF não tem capacidade de anular o lançamento, cujas regras essenciais para a sua constituição são a lavratura por pessoa competente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADES. Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não se pode negar a aplicação da multa qualificada, quando o contribuinte demonstra conduta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 58 82 /2 00 7- 12 Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 dolosa com objetivo claro de impedir o fisco do conhecimento do fato gerador. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. O lançamento de IRPJ se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, porém aplicada a multa agravada, este prazo passa a ser regido pelo art. 173 do mesmo diploma legal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o IRPJ alcança as tributações reflexas dele decorrentes, assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos, o decidido para o IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A Pessoa Jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou o recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarse ão à incidência do imposto exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A conduta reiterada em não escriturar a correta movimentação financeira no Livro Caixa e de não identificar os beneficiários dos saques e pagamentos evidencia o intuito doloso e a fraude, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA. O lançamento de IRF se reveste da modalidade de lançamento por homologação e como tal, sujeito ao prazo decadencial do art.150 do CTN, porém constatado o dolo e a fraude este prazo migra para o art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coincidentes em datas e valores. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CANCELAMENTO. A falta de documentação acerca das origens dos depósitos bancários não justifica o agravamento de 75% da multa de ofício de 150% lançada. Porém constatada a conduta dolosa do contribuinte, mostrase aplicável a multa de 150%. DECADÊNCIA. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase para as regras estabelecidas no art, 173 do CTN. Quanto ao auto de infração IRPJ e Contribuições apurados pelas regras do simples para o mês de janeiro de 2003, pela contagem do mencionado artigo não há que se falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.725 3 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausência momentânea dos conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Relatório A ação fiscal teve inicio para verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao SIMPLES nos anos calendários de 2003 à 2006. Inicialmente foi requisitada a apresentação dos livros diários, razão, registros de entradas e saídas de ICMS, registro de inventário, prestação de serviços, extratos bancários, contrato social e alterações e relação de ações tributárias judiciais. Da documentação apresentada, a fiscalização apurou infrações que culminaram com a exclusão de ofício da empresa do Simples pelo de Ato Declaratório n0 DRJ/ITJ nº 07/2008 a partir do mês de fevereiro de 2003. Destaco parte do relatório fiscal que justifica a exclusão de ofício: “Conforme descrito anteriormente (subitens 2.10 e 2.11), a Fiscalizada, após ter sido regularmente intimada por duas vezes, não comprovou mediante a apresentação de documentos, a origem dos recursos dos valores creditados nas contas de depósitos bancários mantidas em seu nome junto aos bancos Bradesco e Itaú anos de 2003, 2004, 2005 e 2006, e, nem as causas ou as operações que deram origem aos pagamentos efetuados através de saques em tais contas, naqueles mesmos anos. Em razão disto, ficaram caracterizadas as infrações de omissão de receitas decorrentes de depósitos de origem não comprovada (subitem 3.1), e, de pagamentos sem causa ou sem comprovação das operações que lhes deram origem sem o devido recolhimento do imposto de renda incidente na fonte (sub item 3.5), conforme definido no RIR199, arts. 287 e 674, e, por tais infrações terem sido praticadas reiteradamente pela Fiscalizada, implicaram na sua exclusão, de ofício, do Sistema Simples. A exclusão de ofício da Fiscalizada do Simples se deu através do Ato Declaratório Executivo ADE nº 07/2008 (fls.1027), publicado no Diário Oficial da União no dia 26/02/2008, cuja ciência foi dada à Fiscalizada no dia do encerramento da ação fiscal, juntamente com a ciência dos autos de infração do Simples,IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e do Termo de Encerramento de Fiscalização. Ressaltase que, foi mantida a tributação pela Sistemática do Simples para o período de apuração referente ao mês de janeiro de 2003, pelas seguintes razões: • A Lei n° 9.317/96, com suas alterações posteriores, não prevê a exclusão, de ofício, da pessoa jurídica do Simples, em razão do arbitramento do lucro com fundamento na desclassificação da sua escrita comercial ou fiscal; em outras palavras: não se configura como uma das hipóteses de exclusão do Simples, o arbitramento do lucro da pessoa jurídica; todavia, este poderá ou não vir a ocorrer, como conseqüência da própria exclusão. • A Lei n° 9.317/96, com suas alterações posteriores, prevê que efeito da exclusão, de ofício, da pessoa jurídica do Simples, na hipótese de prática reiterada de infração à legislação tributária, possa retroagir a partir do mês de Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.726 5 ocorrência do fato expressamente mencionado: "a prática reiterada de infração à legislação tributária"; então, é necessário determinar o momento em que o fato que infringiu a legislação tributária, foi considerado como praticado de modo reiterado.” Como a escrituração fiscal da fiscalizada dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 apresentou indício de fraude que a tornou imprestável e não identificava a efetiva movimentação financeira foi descartada a tributação pelo lucro presumido. Intimada por duas vezes à apresentar Livros Diários e Razão e demonstrativo de resultados dos períodos fiscalizados à fiscalizada não o fez, o que impediu a adoção do lucro real trimestral. Diante da impossibilidade da aplicação daqueles dois regimes de tributação, a fiscalização arbitrou o lucro nos termos do art. 530, II “a”, e III do RIR/99, com base na receita bruta conhecida através dos livros de Registros de Entradas e Saídas de Apuração de ICMS e dos livros de prestação de serviços. Os valores recolhidos pelo Simples e os valores de IRRF incidentes sobre aplicações financeiras foram compensados de ofício pela fiscalização com os valores dos tributos e contribuições sociais apurados na ação fiscal. Por meio de Auto de Infração foi exigida da contribuinte acima qualificada os valores constantes do quadro abaixo: Tributo Principal Juros Multa Total IRPJ R$ 97.106,72 R$40.790,00 R$122.373,40 R$260.270,12 PIS R$30.402,52 R$13.851,37 R$64.778,76 R$109.032,65 CSLL R$84.557,03 R$32.907,03 R$109.484,17 R$226.948,23 COFINS R$140.320,82 R$63.931,57 R$298.982,45 R$503.234,84 IRFF R$1.690.527,54 R$613.843,02 R$3.715.768,45 R$6.020.157,01 COFINS R$25.119,93 R$9.242,59 R$18.839,74 R$53.202,26 PIS R$7.133,44 R$3.061,20 R$5.349,87 R$15.544,51 IRPJ/Simples R$5,05 R$3,89 R$11,36 R$20,30 PIS/Simples R$5,05 R$3,89 R$11,36 R$20,30 CSLL/Simples R$38,85 R$29,98 R$87,41 R$156,24 COFINS/Simples R$77,71 R$59,96 R$174,84 R$312,51 INSS/Simples R$83,15 R$64,16 R$187,08 R$334,39 IRPJ. 01 Depósito Bancário de Origem Não Comprovada (item 3, subitem 3.1 do RF) Arbitramento. Multa de 225%; 02 Receitas Operacionais com Revenda de Mercadorias (item 3, subitem 3.2 do RF). Multa regulamentar de 75%; 03 – Receitas Operacionais com Prestação de Serviços Gerais (item 3, sub item 3.3 do RF). Multa regulamentar de 75%; 04 – Rendimentos de Aplicação Financeira de Renda Fixa – (item 3, sub item 3.4 do RF). Multa de 75%; PIS Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 01 – Falta/Insuficiência de Recolhimento (item 3, subitem 3.4 do RF) Multa de 75%; 02 – PIS Sobre Omissão de Receita (item 3, subitem 3.1 do RF). Multa de 225%; CSLL. 01 – CSLL Sobre o Lucro Arbitrado (item 3, subitem 3.2 do RF) Multa de 75%; 02 CSLL Sobre Omissão de Receita (item 3, subitem 3.1 do RF). Multa de 225%; 03 – CSLL Sobre Receitas Não Operacionais (item 3, subitem 3.4 do RF). Multa de 75%; COFINS 01 – Falta/Insuficiência de Recolhimento (item 3, subitem 3.4 do RF) Multa de 75%; 02 – COFINS Sobre Omissão de Receita (item 3, subitem 3.1 do RF). Multa de 225%; IRRF 01 – Pagamentos Sem Causa (item 3, subitem 3.5 do RF) Multa de 225%; 02 – COFINS Sobre Omissão de Receita (item 3, subitem 3.1 do RF). Multa de 225%; PIS/COFINS 01 – Falta/Insuficiência de Recolhimento (item 3, subitem 3.2 e 3.3 do RF) Multa de 75%; IRPJ/PIS/CSLL/COFINS/INSS/Simples 01 Depósito Bancário de Origem Não Comprovada (item 3, subitem 3.1 do RF) – Fato Gerador 31/01/2003 R$ 3.885,49. Multa de 225%; Intimada, à contribuinte impugnou o lançamento e sua exclusão do simples, sustentando, em síntese, o seguinte: que o lançamento se embasou em depósitos bancários que é mera presunção de omissão. foi utilizada a mesma base de cálculo para os lançamentos de IRPJ e reflexos, para o IRRF e para a multa. o ato de exclusão do simples não foi precedido das formalidades legais exigidas, não assegurando o direito de ampla defesa, garantido pela Constituição e pelo PAF. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.727 7 – que não tem qualquer base fática ou legal o agravamento da multa, pois não está tipificado nenhum dos ilícitos elencados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.506/04 e muito menos do direito de lançar pseudos ilícitos fiscais anteriores a março de 2.003. não há nexo causal da descrição e a aplicação da multa sugerida. retroatividade benigna em relação a multa. que ocorreu a decadência dos fatos geradores anteriores à março de 2003 uma vez que deve ser adotado o §4º do art. 150 do CTN. repete os argumentos de decadência para os tributos reflexos. que o auto é nulo uma vez que tanto a movimentação bancária quanto os pagamentos efetuados à pessoas não identificadas não são renda e foram amparados em presunções de omissões. A 3ª Turma da DRJ/FNS, pelo Acórdão nº 0714.026, de 12/09/2008, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. EXCLUSÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Os fatos que motivaram a exclusão da empresa do Simples encontramse descritos na Representação Fiscal para Fins de Exclusão de Oficio do Simples e no Relatório de Fiscalização, peças fiscais que constam nos autos do presente processo, mencionado no ato declaratório de exclusão. As empresas optantes do Simples estão dispensadas de escrituração comercial, mas devem, dentre outras condições, manter Livro Caixa com toda a movimentação financeira e bancária (entradas e saídas). Se a empresa, por quatro anos seguidos, não escritura seu Livro Caixa desta forma, além de ignorar explicar a origem dos créditos bancários em montantes superiores às receitas declaradas, cabível a sua exclusão de oficio. Excluída do Simples, os lucros foram arbitrados e os impostos e contribuições sociais foram apurados sob esta forma de tributação, deduzindose os valores recolhidos pelo Simples. A ciência destes lançamentos e do ato de exclusão do Simples podem se dar na mesma data, não havendo assim qualquer preterição de direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFICIO. SOLICITAÇÃO IRREGULAR. Havendo procedimento de oficio instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. A prática reiterada de não trazer para seus registros no Livro Caixa a correta movimentação financeira/bancária (entradas e saídas), registro que dispensa as empresas de pequeno porte de escrituração contábil, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito dolos tendente à fraude. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE Constatado que, à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude, é aplicável a multa de oficio qualificada de 150%. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. CANCELAMENTO. A falta de apresentação de documentos/explicações acerca das origens de depósitos bancários e de pagamentos, não justifica o agravamento (em 75%) da multa de oficio lançada. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. ART.173 DO CTN. IRPJ.CSLL.PIS.COFINS.IRPJCONTRIBUIÇÕESSIMPLES. Nos casos em que comprovada a ocorrência de/dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que não ocorreu a decadência para os fatos geradores objeto dos lançamentos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titula, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PIS. COFINS. CSLL. LANÇAMENTOS DECORRENTES. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas, àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.728 9 recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. Excluise de tributação os pagamentos que tiveram sua causa/operação identificada. Acordaram os membros da Turma, por unanimidade de votos (itens, i, ii, iv, v e vi) e por maioria de votos (item iii), vencido neste item o Julgador José Aparecido da Conceição, que mantinha a multa de 225%, em: (i) Rejeitar as preliminares de nulidades dos lançamentos; (ii) Manter a exclusão da Interessada do Simples; (iii) Cancelar o agravamento de 75% da multa de oficio duplicada, passando, então, de 225% para 150%; (iv) Julgar procedente a multa de oficio duplicada (150%); (v) Julgar procedente os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e dos Autos de Infração relativos ao Simples, e (vi) Julgar procedente em parte o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte. O Presidente da Turma recorreu de ofício nos termos dos art. 25, §1º e 34, I do Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF nº 375/2001. Cientificada da decisão da DRJ em 08/12/2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo em 07/01/09 onde reitera os motivos alegados em sede de impugnação acrescentando em síntese o seguinte: preliminar de nulidade de lançamento por vicio em formalidades legais e na prorrogação do MPF e por ter sido emitido por autoridade incompetente. nulidade da exclusão do Simples que se deu de forma ilegal na mesma data do recebimento do auto de infração, acarretando claro cerceamento do direito de defesa. nulidade por quebra do sigilo bancário e ilicitude de provas. inaplicabilidade da presunção prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, violação ao art. 43 do CTN. que foi lançado ainda IRRF sobre os cheques e transferências bancárias efetuadas a partir das contas da Recorrente como pagamento sem causa fosse, afrontando os princípios da legalidade e tipicidade. inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. alega que a fiscalização não respeitou o principio da legalidade. foi configurada a decadência uma vez que inexistiu fraude. a sumula Carf nº 14 não autoriza a qualificação da multa baseada em depósito bancário quando não provado o intuito de fraude, como no caso em tela. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 incompatibilidade da multa duplicada com lançamento baseado em presunção legal. É o Relatório. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.729 11 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Os recursos de ofício e voluntário, preenchem os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque deles conheço. Primeiramente voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis que cancelou do IRRF os valores tributáveis que tiveram suas causas e origens identificadas nas planilhas de fls. 1.627/1.628 e o desagravamento da multa de ofício de 225% para 150%. No caso do IRRF, a DRJ analisou os documentos de fls.1.429 a 1.596, anexados pela Impugnante, correspondentes a vários pagamentos indicados pela Fiscalização no Anexo D como não identificados. Para estes, entendeu corretamente a DRJ que não se aplicaria a presunção de tributação de IRRF. Como os demais documentos apresentados revelaramse incapazes de comprovar a operação (simples recibos, declarações unilaterais, etc), a DRJ procedeu o cancelamento do IRRF de R$ 207.830,81. Como bem ressaltou a DRJ, em relação ao agravamento da multa de 150% para 225%, não há nos autos, além do enquadramento legal, qualquer posição tomada pelo autuante no sentido de justificar o agravamento da multa. O simples fato da Recorrente não ter apresentado esclarecimentos ou documentos solicitados, não justifica, por si só, o agravamento de multa. Pelo TVF de fls. observase que a Contribuinte, respondeu ainda que parcialmente aos termos de intimação fiscal senão vejamos: “No dia 24/08/2007, a Fiscalizada apresentou e entregou os livros Caixa (fls.626/796), de Registro de Entradas, de Saídas e de Apuração do ICMS (fls.101/294), e os livros de Registro de Prestação de Serviços (fls.295/336), dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006, o Contrato Social com as suas Alterações Contratuais (fls.88), acompanhados dos seguintes esclarecimentos escritos (fls.85): "Venho por meio deste, efetuar a entrega dos documentos requeridos pela fiscalização, quais sejam: Livro caixa com movimento bancário dos anos 2003 a 2006 Livro de registro de entradas do ICMS dos anos 2003 a 2006 Livro de registro de saídas do ICMS dos anos 2003 a 2006 Livro de registro do ICMS dos anos 2003 a 2006 Livro de registro de prestação de serviços dos anos 2003 a 2006 Cópia do contrato social e alterações Obs. Quanto ao livro diário, fica impedido de apresentálo, porquanto tratase de empresa com lucro presumido." .......... Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Posteriormente, no dia 16/10/2007 (fls.526), ou seja, seis dias após ter sido intimada, a Fiscalizada compareceu, espontaneamente, à Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Itajaí, e, através de expediente, apresentou e entregou os seguintes elementos: "A empresa SO NÁUTICA LTDA (.) efetua a entrega dos documentos solicitados de caixa de 2.003 a 2006, conforme segue: NOTAS FISCAIS DE ENTRADA DE 2003 A 2006 NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS DE 2003 A 2006 RESUMO DA FOLHA DE PAGAMENTO DE 2003 A 2006 TAXAS DE AGUA/LUZ/TELEFONE DE 2003 A 2006 • ICMS REFERENTE AO PERÍODO DE 2003 A 2006 DARF SIMPLES DE 2003 A 2006 FGTS DE 2003 A 2006 INSS DE 2003 A 2006" Devido ao volume de documentos, e, em razão de não terem sido apresentados e entregues em boa ordem, não foi realizada a conferência analítica de tais documentos no momento da sua recepção.” Notese que a própria fiscalização reconhece que foram entregues os documentos fiscais da Contribuinte. Além do mais, como bem ressaltou a DRJ a conseqüência de tal ato já está estabelecida no próprio art. 42 da Lei nº 9430/96, que determina que os depósitos bancários sem origem comprovada caracterizamse como omissão de receita, assim como em relação ao disposto no art. 61,§1º, 2º e 3º da Lei 8981/95 é a exigência do IRRF de 35% Também não vejo como prosperar o agravamento da multa de oficio, devendo ser restabelecida ao percentual de 150%, utilizado tanto para o lançamento de IRPJ e decorrentes, Simples, como para o de IRRF. Em relação ao recurso voluntário diante da pluralidade de argumentos e para facilitar o raciocínio, mantenho a numeração utilizada pela DRJ no acórdão proferido: (i) Rejeitar as preliminares de nulidades dos lançamentos; (ii) Manter a exclusão da Interessada do Simples; (iii) Cancelar o agravamento de 75% da multa de oficio duplicada, passando, então, de 225% para 150%; (iv) Julgar procedente a multa de oficio duplicada (150%); (v) Julgar procedente os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e dos Autos de Infração relativos ao Simples, e (vi) Julgar procedente em parte o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte. (i) Preliminares de Nulidade: Rejeito, todas as preliminares suscitadas – vícios prorrogação de MPF, exclusão ilegal do Simples, quebra de sigilo bancário pelas razões constantes da decisão da DRJ que acompanho “in totum”, uma vez que seguiu a mesma linha adotada por este E. Conselho. Em relação as preliminares de nulidade do lançamento, o Decreto n° 70.235/1972, por seu artigo 59, estabelece todas as situações em que os atos administrativos possam ser considerados nulos, quais sejam: "Art. 59. São nulos: Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.730 13 I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II. os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Assim, somente estes vícios são capazes de determinar a nulidade de um ato administrativo, como nenhum deles veio efetivamente a ocorrer, descarto as pretensões de nulidade levantadas. Além do mais depreendese da leitura da impugnação e do recurso que a Recorrente conhece plenamente todas as acusações que lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa, o que demonstra que não houve cerceamento a seu direito de defesa. Em relação as alegações de inconstitucionalidades e ilegalidades levantadas, é pacífico o entendimento de que a apreciação dessas matérias encontrase reservada ao Poder Judiciário, razão pela qual qualquer discussão nesse sentido deve ser submetida ao crivo daquele Poder, tanto é que a matéria se encontra sumulada, senão vejamos: "Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Quanto à nulidade do processo por alegada quebra de sigilo bancário, à matéria ainda se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Vêse portanto que o STF ainda não se decidiu sobre a matéria, razão porque nós julgadores, vínhamos sobrestando o julgamento de processos que tais em razão do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Porém, com a posterior edição da Portaria nº 545, de 18/11/13, foi alterado o Regimento Interno do CARF, e revogados os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o sobrestamento, e portanto este processo que estava sobrestado voltou para julgamento. A Carta Magna assegura no art. 5 0, inciso X, ao versar sobre direitos e garantias individuais, a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 das pessoas, da mesma forma que no inciso XII do mesmo artigo garante o direito à inviolabilidade do sigilo da correspondência, das comunicações telegráficas, de dados, e das comunicações telefônicas. Todavia, no capítulo concernente ao Sistema Tributário Nacional, no seu artigo 145 consagra os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva, facultando, por conseqüência óbvia, à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais, e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Ressaltese ainda, que o Código Tributário Nacional, recepcionado pela CF, e por isso mesmo elevado ao slatus de lei complementar, disciplinou, em seu art. 197, abaixo transcrito, as formas de acesso da Administração Tributária aos bancos de dados dos agentes econômicos: "Art. 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com • relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) 11 os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; No art. 198 do CTN ficou salvaguardada a inviolabilidade da informação fornecida ao Fisco, ao consagrar a obrigação do sigilo fiscal, pelo qual é vedada a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação obtida em razão do oficio, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. Também o repasse dos dados à Receita Federal por instituições financeiras não infringe este dever, configurandose apenas transferência de sigilo. Em procedimento administrativofiscal instaurado, somente têm acesso às informações auditadas, os agentes do Fisco e o próprio contribuinte ou pessoas por ele autorizadas. Assim, da mesma forma que os funcionários dos estabelecimentos bancários, os agentes fazendários estão sujeitos ao dever de resguardar as informações apuradas, em função do sigilo fiscal previsto no art. 198 do Código Tributário Nacional (CTN). Este é o entendimento majoritário do CARF em seus julgados, inclusive julgados de minha relatoria, conforme pode se extrair das seguintes ementas: Processo nº 10950.001739/200819 Acórdão nº 1302001.374 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há possibilidade de nulidade de lançamento quando lavrado por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa do sujeito passivo. SIGILO BANCÁRIO Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.731 15 É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. Processo nº 19515.000049/201151 Acórdão nº 1302001.389 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SIGILO BANCÁRIO É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. Por isso, deve ser afastada a pretensão da Recorrente neste sentido. Ficou evidenciado que a fiscalização agiu rigorosamente dentro da lei para obtenção das informações bancárias, sendo improcedente a alegação de serem ilícitas as provas colhidas pelos autuantes e portanto, concluo ser improcedente a argüição de nulidade por quebra de sigilo bancário no presente caso. (ii) Do ato de exclusão do SIMPLES/Questão Preliminar: Em relação a outra preliminar de nulidade do ato de exclusão do Simples, baseado nos fatos de que a notificação do ato declaratório de exclusão e os Autos de infração terem ocorrido na mesma data e que o ato de exclusão não aponta os motivos de sua emissão, são totalmente descabidas. A ciência do ato de exclusão do Simples e dos autos de infração na mesma data, não trouxe qualquer prejuízo à defesa da Recorrente que a está exercendo plenamente. Os atos fiscais estão sendo apreciados em conjunto, em um único processo, conforme, inclusive, previsto na Portaria RFB n° 666, de 24/04/2008. Ao contrário do afirmado a Fiscalização apontou sim as irregularidades tributárias que deram causa aos lançamentos de oficio e ensejaram a exclusão da contribuinte do Simples. Estas irregularidades estão minudentemente expostas no Relatório de Fiscalização, acostado às fls.1.208 a 1.304, do qual a contribuinte tomou ciência e recebeu uma via. A Fiscalização constatou a prática reiterada de infração à legislação tributária e encaminho à autoridade competente a Representação Fiscal para fins de exclusão de oficio do Simples (fls.1.018 a 1.024), que a acatou e procedeu à emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ em 26/02/2008 (fl.1.027). O ato de exclusão foi assinado por autoridade competente, da jurisdição da Recorrente com a devida motivação, foi assegurado o contraditório e portanto não há que se falar em vícios formais na sua emissão, não existindo qualquer tipo de nulidade daquele Ato. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 (iii) Cancelar o agravamento de 75% da multa de oficio, passando, então, de 225% para 150%: (respondido no recurso de ofício) (iv) Julgar procedente a multa de oficio duplicada (150%): Contra a multa qualificada, a Recorrente alega que está se tributando com base em presunções (lançamento de IRPJ e de IRRF) e que, portanto, não caberia a aplicação da penalidade duplicada, pois não verificados os ilícitos tipificados nos arts.71 a 73 da Lei 4.506/64. As justificativas elencadas pelo autuante para a aplicação da multa, estão no ítem 4 do Relatório Fiscal do qual extraio as seguintes passagens: “4. Evidente intuito de fraude no comentimento das infrações: O evidente intuito de fraude por parte da Fiscalizada em sonegar tributos e contribuições sociais, mediante fraude, ficou comprovado em todos os momentos: quando da corrência dos fatos geradores, quando do inicio da ação fiscal, durante toda a ação fiscal, e através da escrituração fiscal, conforme será demonstrado a seguir. 4.1 Evidente intuito de fraude da Fiscalizada quando da ocorrência dos fatos geradores: O evidente intuito de fraude da Fiscalizada em sonegar tributos e contribuições sociais, quando da ocorrência dos próprios fatos geradores, ficou comprovado pela sua intenção em deixar materializado através dos seus livros fiscais do ICMS e de Prestação de Serviços, e, também, momento de prestar informações à Secretaria da Receita Federal, através das declarações simplificadas, QUANDO, ENTÃO, ESCRITUROU E DECLAROU SOMENTE UMA PEQUENA PARCELA DAS RECEITAS AUFERIDAS COM A REVENDAÇOS. 4.2 Evidente intuito de fraude da Fiscalizada quando do inicio da ação fiscal: 4.3 Evidente intuito de fraude da Fiscalizada durante toda a ação fiscal Por exemplo, se negar a informar as causas ou as operações que deram origem A PAGAMENTOS DE VALORES EXPRESSIVOS E EXATOS, EFETUADOS, COMPROVADAMENTE, PELA FISCALIZADA, MEDIANTE SAQUES EM SUAS CONTAS DE DEPÓSITO, conforme descrito, detalhadamente, no subitem 3.5.1, a saber: Pagamento Mediante Saque Valor Transferência Bancária TED 35.000,00 Transferência Bancária TED 42.500,00 Transferência Bancária TED 48.000,00 Cheque Caixa 60.000,00 Cheque Compe 40.000,00 Transferência Bancária TED 165.000,00 Transferência Bancária TED 90.000,00 Transferência Bancária TED 45.000,00 Cheque Caixa 34.000,00 Cheque Compe 75.000,00 Transferência Bancária TED 61.000,00 Cheque Compe 30.000,00 Cheque Compe 40.000,00 Cheque Compe 67.000,00 Cheque Compe 30.000,00 Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.732 17 Cheque Compe 34.000,00 Transferência Bancária TED 400.000,00 Cheque Caixa 45.000,00 Cheque Caixa 36.000,00 4.1.1 Comprovação do Evidente Intuito de fraude através da escrituração fiscal da Fiscalizada: Nos exames fiscais realizados nos livros Caixa, nos documentos de caixa, e nos extratos bancários das contas de depósito mantidas nos bancos Itaú e Bradesco, verificouse que escrituração fiscal da Fiscalizada, no que se referiu à contabilização da sua movimentação financeira e das vendas de mercadorias e serviços que realizou, apresentou evidentes indícios de fraude que a tornou imprestável, para fins de apuração dos fatos e de identificação da sua efetiva movimentação financeira, incluindo a movimentação bancária, conforme será descrito, detalhadamente, a seguir. 4.1.1.1 Vendas de Mercadorias e de Prestação de Serviços registradas como realizadas e recebidas somente à Vista: Este critério vicioso e fraudulento da Fiscalizada, de registrar vendas de mercadorias e de serviços, como vendas realizadas e recebidas somente à vista, teve como objetivo a manipulação do saldo de caixa, e, conseqüentemente, do fluxo financeiro efetivo de pagamentos e recebimentos. 4.1.1.2 Suprimentos de Caixa Fictícios: Os suprimentos de caixa fictícios apurados na análise fiscal dos livros Caixa, dos extratos bancários e dos documentos de caixa, estão descritos, detalhadamente, no subitem 3.5.1, e, como ressaltado, tiveram a finalidade de propiciar ao caixa, saldos disponíveis para justificarem a movimentação financeira bancária, uma vez que não tinha a Fiscalizada, a intenção de apresentar e entregar os seus extratos bancários à Fiscalização, para fins de conferência dos respectivos valores escriturados. 4.1.1.3 Saldos Diários de Caixa Fictícios: Como conseqüência dos fatos descritos nos subitens 4.1.1.1 e 4.1.1.2, a escrituração fiscal efetuada pela Fiscalizada em seus livros Caixa dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006, revelou fortes indícios de que os saldos diários de caixa, eram saldos de caixa fictícios.” Entendo que no que concerne à escrituração do Livro Caixa já seria suficiente para fins de aplicação da multa de ofício duplicada (150%), além da desproporção verificada entre as receitas declaradas e os montantes dos depósitos bancários de origem não identificada nos quatro anos calendários. Mas o autuante constatou ainda, em análise nos Livros Caixa da Recorrente, que, invariavelmente, os valores debitados, pagos ou compensados, verificados nos extratos bancários, constavam escriturados a título de entrada no Livro Caixa, mas não havia o registro da correspondente saída do recurso do Caixa. Em minuciosa análise, restou comprovado que 94 (noventa e quatro) pagamentos, não havia a contrapartida de saída no Livro Caixa, além de registrar receitas antes da emissão da nota fiscal, o que contribuía para a manipulação do efetivo fluxo financeiro, propiciando ao caixa da empresa disponibilidades fictícias de recursos. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 18 O fato de a empresa ter identificado as operações de alguns pagamentos, como anteriormente já comentado, não lhe exime da responsabilidade da Recorrente pela emissão de cheques, não escrituradas no Livro Caixa. E não se está tratando de pequenas importâncias ou de pequenos descuidos contábeis e de eventuais falta de registro de receitas e/ou de depósitos bancários. Está lá, exposto, que ao longo dos anos de 2003 a 2006, houve reiteramento de conduta e expressividade de valores a evidenciar a existência não de meros e localizados erros materiais ou de impossibilidade de explicação por falta de elementos contábeis ou declaração inexata, mas de comportamento consistente no tempo destinado a não levar à tributação grande parte dos valores tributáveis. Caracterizada, portanto, na conduta deliberada (dolosa) da fiscalizada em impedir à Administração Tributária o conhecimento de suas reais receitas tributáveis, passível, assim, da duplicação da multa de oficio, com base no art.44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art.14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 (conversão da Medida Provisória n. 351, de 22 de janeiro de 2007): Art.14. O art.44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 11996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; §1°. O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Destaquese que o fato de estar citado no enquadramento legal da multa de oficio duplicada, o inciso II do art.44 da Lei 9.430/96 e não o §1º do mesmo artigo, não significa dizer que não houve a capitulação legal adequada e nem que tal dispositivo teria sido revogado, como afirmou a Recorrente. Ante o exposto, considero plenamente justificável a multa de 150%. (v) Dos lançamentos baseados em depósitos bancários de origem não comprovada de IRPJ e IRPJ e Contribuições/Simples: Em relação a presunção legal de receita, baseada em depósitos bancários, este entendimento já foi pacificado por este E. Conselho que entende que com o instituto do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 à presunção de omissão de receita passou a ser legal, e com isso os depósitos bancários cuja origem não forem comprovadas caracterizam omissão de receita, independentemente da existência ou não de acréscimo patrimonial, e por isso devem ser tributados. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos remanescentes, é de se concluir, por força da presunção legal do art.42 da Lei 9.430/96, que tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto é de se manter o lançamento de IRPJ e de IRPJSimples. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.733 19 Os lançamentos de Contribuição para o PIS, CSLL e COFINS relativos aos anos calendário de 2003 a 2006, são reflexos da mesma irregularidade apurada no IRPJ. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Vejamos a jurisprudência mais recente, neste sentido: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplicamse aos lançamentos decorrentes o resultado do julgamento proferido em relação à exigência tida como principal, dado o liame fático que os une. (Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323640, sessão de 17.12.2008) OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. BASE DE CÁLCULO PARA PIS E COFINS. O artigo 24, parágrafo 2º, da Lei nº 9.249/95, determina que os valores apurados de ofício, como omissão de receitas, serão utilizados para base de cálculo para o Pis e a Cofins, não distinguindo, a norma, entre as omissões presumidas ou efetivamente apuradas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. (Acórdão nº 19100046, sessão de 11.12.2008). DEPÓSITO BANCÁRIO, EMPRÉSTIMO DE SÓCIOS E AUMENTO DE CAPITAL SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita, suprimentos de numerários à conta/banco e aumento de capital, quando não comprovada a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. (Acórdão nº 1301000.491, sessão de 27.01.2011). Das Preliminares de Decadência: Como a apreciação da preliminar de decadência fica condicionada ao exame do mérito dos lançamentos correspondente aos fatos geradores que são trimestrais em relação ao IRPJ e CSLL, mensais em relação ao PIS e COFINS e do pagamento do IRRF ocorridos em 2003, uma vez que os lançamentos se fazem acompanhados da multa qualificada de oficio de 150%, a contagem do prazo decadencial se faz segundo as regras do artigo 173 do CTN. Durante muitos anos, a jurisprudência predominante no CARF, foi no sentido de que, em se tratando de lançamento por homologação, o que definia se o termo inicial para a Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 20 contagem da decadência era a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), ou, no caso de ser constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN). Na presença desses vícios, o termo inicial, sem voz dissonante, era fixado pelo art. 173, I do CTN. A divergência que havia era apenas para os casos em que, não presente dolo, fraude ou simulação, não tivesse havido o pagamento antecipado. Nesses casos, havia uma corrente que afastava a aplicação do art. 150, § 4º, deslocando o termo inicial para o art. 173, I. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.333SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir desse julgamento, dando comprimento ao art. 62A do Regimento, o termo inicial para a contagem do prazo fatal para a Fazenda promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos que, por sua legislação específica, estejam sujeitos a lançamento por homologação, pode assim ser resumida: Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.734 21 a) Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN); b) Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação: b.1) Tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), b.2) Não tendo havido pagamento (ou confissão em DCTF): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN). Como demonstrado em se tratando de exigência de tributo submetido ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser deslocada para o parágrafo I do art. 173 do CTN, devendo ser assim totalmente afastada a alegada hipótese de decadência do presente lançamento. Com relação ao lançamento de IRPJ e da CSLL, naquilo que se relaciona com a decadência, já demonstramos que não houve, e, com relação às contribuições sociais, também não houve decadência. De se explicar. Tomandose o fato gerador mensal mais antigo, em 31 de janeiro de 2003, o lançamento poderia ser efetuado já no ano de 2003, então, contandose cinco anos após o primeiro dia do exercício seguinte, em 01 de janeiro de 2004, temse como data limite para constituição do crédito tributário, a data de 31 de dezembro de 2008 e como do Auto de Infração a Recorrente foi cientificada em 11 de março de 2008, não ocorreu a decadência. Relativamente à COFINSSimples e INSSSimples, também não ocorreu a decadência. Para os demais meses de 2003 e dos demais anos, conseqüentemente, não houve a decadência para nenhum fato gerador de PIS ou COFINS e das ContribuiçõesSimples. O lançamento de IRRF também se reveste da modalidade de lançamento por homologação e, como tal, ocorre na data de cada pagamento. Como o lançamento foi cientificado à contribuinte em 11 de março de 2008, o IRRF correspondente ao pagamento mais antigo é , no caso, de 17 de janeiro de 2003, razão porque a DRJ corretamente reconheceu a sua decadência. Como o lançamento foi cientificado à Interessada antes de 31/12/2008, não houve a decadência alegada para nenhum fato gerador a partir de fevereiro de 2003 e, conseqüentemente, para nenhum dos demais meses dos anos seguintes. Do Arbiramento: Diante da impossibilidade da aplicação do lucro presumido e do lucro real corretamente foi aplicado pela fiscalização o arbitramento previsto no art. 530, II, alínea A e, III do RIR/99 com base na receita bruta conhecida com as deduções devidas. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Entendo também que a fiscalização agiu conforme a legislação de regência ao lançar o IRPJ – Simples e Reflexos por conta da omissão de receita pelo depósito bancário de origem não comprovada identificada relativamente ao mês de janeiro de 2003. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, coincidentes em datas e valores. Portanto procedentes os lançamentos de IRPJ (AI fls. 1033 a 1062) e IRPJSimples (AI fls. 1184 a 1199). Os lançamentos de contribuições para o PIS (AI fls. 1063 a 1083 e 1169 a 1183) de CSLL (AI fls. 1084 a 1111) e de COFINS (AI fls. 1112 a 1132 e 1154 a 1168) e relativos aos AC de 2003 à 2006, são reflexos da mesma irregularidade apurada no IRPJ, assim sendo possuem os mesmos fundamentos fatídicos tendo em vista a íntima relação de causa e efeito. Do Imposto de Renda de Fonte A fiscalização corretamente subtraiu dos lançamentos de IRPJ e reflexos os valores já recolhidos e informados nos livros fiscais. A pessoa jurídica que efetua pagamento a beneficiário não identificado ou não comprova a operação ou causa do pagamento entregue a terceiros, sujeitarseá a incidência do imposto exclusivamente na fonte. Portanto foi devidamente tributada a contribuinte no IRRF uma vez que está plenamente comprovado nos autos os pagamentos sem causa, uma vez que a contribuinte devidamente intimada não identifica as causas ou as operações que lhe deram origem, como determina o art. 674 1o, 2o e 3o do RIR/99. A análise fiscal apurou a existência de expressivos valores de cheques e ted´s emitidos pela contribuinte sacados/compensados, onde foi escriturada a entrada no Livro Caixa, mas sem o registro contábil correspondente da saída, como o comprova 94 (noventa e quatro) pagamentos feitos por meio de cheque s emitidos pela contribuinte, sem contra partida de saída no Livro Caixa, além de receitas registradas antes da emissão das notas fiscais, o que demonstra a manipulação de fluxo financeiro, disponibilizando recursos fictícios. Está plenamente demonstrado que ao longo de 4 exercícios, houve reiterada movimentação de expressivos valores que evidenciam a existência, não de meros erros materiais ou de impossibilidade de explicações por falta de elementos contábeis, ou declarações inexatas, mas de comportamento consistente no tempo destinado a não levar a tributação grande parte dos valores tributáveis. Ficou plenamente demonstrado pela análise dos Livros Caixa que invariavelmente os valores debitados, pagos ou compensados, verificados nos extratos bancários, constavam escriturados a título de entrada no Livro Caixa da empresa sem o registro da correspondente saída do recurso do Caixa. Por tais razões, voto no sentido de conhecer as preliminares suscitadas e rejeitá las e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10909.005882/200712 Acórdão n.º 1302001.473 S1C3T2 Fl. 1.735 23 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.907586/2011-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 75 86 /2 01 1- 87 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907586/201187 Acórdão n.º 3802002.934 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000089/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
Numero da decisão: 3401-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
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PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 00 89 /2 00 6- 55 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 07/06/2004 (fls.14/21), pelo qual o Contribuinte pretende compensar débitos do PIS de setembro a novembro de 2002 com créditos oriundos de suposto pagamento indevido ou a maior do PIS de fevereiro de 2001. A delegacia de origem indeferiu o crédito e negou a homologação da compensação por entender que faltava liquidez e certeza no crédito pleiteado, haja vista as muitas divergências encontradas nas planilhas apresentadas pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou impugnação, mas a DRJ em Campo Grande/MS manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. NULIDADE. A legislação que trata da forma de cálculo dos valores de crédito e débito, para fins de compensação, não se submete ao principio da anterioridade tributária, mormente se a legislação superveniente em nada inova. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ QUANTO AO CRÉDITO. Para haver a compensação tributária há a necessidade de certeza e liquidez quanto ao crédito do contribuinte. Compensação não Homologada”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ e interpôs recurso voluntário com as alegações resumidas abaixo: 1 Existem questões prejudiciais que impedem o prosseguimento do processo. Uma delas é o fato de o crédito compensado ser decorrente do pedido de revisão e restituição do PIS, que consta no processo administrativo nº 10140.003653/200199; 2 Outro fato impeditivo do prosseguimento do feito é que a base de cálculo de apuração do crédito compensado, Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000089/200655 Acórdão n.º 3401002.651 S3C4T1 Fl. 256 3 03/2001, é indeterminada, pois foi objeto de lançamento de ofício, o qual foi impugnado, formando o processo 14120.0000018/200734, e está pendente de julgamento; 3 A planilha apresentada pelo Parecerista da SAORT, parte integrante do Despacho Decisório, referente à base de cálculo do período de 03/2001, é incoerente com a apuração efetivada pela fiscalização, o que demonstra erro de fato; 4 A autoridade fiscal fundamentou que a partir do ano de 2002 a autocompensação não era permitida, como foi feito no processo 10140.003653/200199. Todavia, o 10140.003653/200199 foi protocolado no ano de 2001; 5 O crédito tem origem em pagamento efetuado em 03/2001. Quando foi iniciada a fiscalização para a apuração do crédito, março de 2007, que culminou no processo 14120.000018/200734, o prazo quinquenal para a Fazenda constituir o crédito tributário já estava decaído, razão pela qual não cabia mais discutir a liquidez e certeza do crédito; 6 O resultado deste processo é dependente do julgamento dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/200734, motivo pelo qual o julgamento deste processo deve ser sobrestado até a decisão definitiva dos processo citados. Ao fim, a Recorrente pediu a homologação das compensação ou o sobrestamento do julgamento deste processo. O recurso voluntário foi analisado pela primeira vez pela Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara, da Terceira Seção de julgamento do CARF, sob relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta. Na oportunidade, entendeuse que o julgamento deste processo depende dos resultados dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/2007 34. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: “Desta forma, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: a) Informar qual a situação dos processo nº 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199. (se houve interposição de recurso, e, se houve, anexar cópia das decisões finais); b) Verificar, diante das decisões finais proferidas naqueles processos, se efetivamente havia credito relativo ao período de Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 janeiro/2001 capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação; c) Elaborar demonstrativo de calculo; d) Elaborar parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão”. Em cumprimento à diligência foi elaborada a informação fiscal, na qual está exposto o resumo do que aconteceu nos processos 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199 e a conclusão de inexistência de crédito a ser compensado. Em resposta ao resultado da diligência, a Recorrente manifestouse alegando o seguinte: 1 A resposta à diligência não cumpriu o seu papel, pois não foi conclusiva, vez que afirma que “ao que tudo indica já ocorreu decisão definitiva”, mas não esclarece qual foi a decisão; 2 A resposta à diligência informa que houve pagamento a maior, mas a Recorrente, desde o início, não alega pagamento a maior, mas sim pagamento indevido, e isso não nunca foi analisado e julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende compensar débitos do PIS de diversos meses de 2002 com crédito de suposto pagamento indevido também do PIS de fevereiro de 2001. O crédito tem origem no pedido de revisão que compôs o processo nº 10140.003653/200199. Sobre o mesmo mês que supostamente originou o crédito, ocorreu lançamento de ofício do qual surgiu o processo nº 14120.0000018/200734. No recurso voluntário, a Recorrente foi clara ao afirmar que a decisão de homologação da compensação é dependente dos processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734. Na primeira análise, o julgamento foi convertido em diligência e da informação fiscal que apresenta o resultado de diligência extraise o seguinte no que concerne ao processo nº 10140.003653/200199: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000089/200655 Acórdão n.º 3401002.651 S3C4T1 Fl. 257 5 “5.1 Em 20/12/2001, a interessada apresentou pedido de restituição dos valores recolhidos a titulo de PIS no valor total de R$ 388.376,44. Foi anexada aos autos planilha de cálculo, quantificando os valores de PIS, nos códigos 3885 (Receita Operacional), 8002 (Dedução), 8205 (Repique) e 8109 (Faturamento), que teriam sido recolhidos indevidamente durante o período de 03/02/92 a 15/01/99 (fls.09/15). 5.2 Por meio do Despacho Decisório, que teve por fundamento o Parecer 063/2006 (fls. 446/450), houve o indeferimento do pedido de restituição em razão de todos os pagamentos, efetuados até a data de 20/12/96, já se encontrarem abrangidos pela decadência quando do protocolo do pedido de restituição, e pelo fato incontroverso da vigência da Lei n° 9.715/98, a partir de 10 de março de 1996, pois ela somente convalidou a MP n° 1212/95 e suas reedições; e, por consequência a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas pela própria interessada. 5.3 Inconformado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande — MS (fls. 460/498). Por meio do Acórdão 0410051 (fls. 517/530), aquela delegacia manteve a decisão da DRF. 5.4 Desta feita, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (fls. 538/549). Em Acórdão 3403 — 00217, a Terceira Seção de Julgamento da 4ª Câmara do CARF (fls. 571/579), proveu em parte o recurso, assim decidindo: 5.4.1 Manteve indeferimento por decadência para possíveis créditos decorrentes dos Decretos/Leis de res 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 5.4.2 Foi afastada a decadência para o período (fato gerador) de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, porém no mérito decidiu pela restituição apenas dos pagamentos efetuados em relação ao período de outubro de 95 a fevereiro de 96, observado o critério da semestralidade. 5.5 O Procurador da Fazenda Nacional, após ser cientificado do Acórdão no 3.403 00217 (fl. 580), apresentou recurso especial por divergência ao Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção do CARF (fls. 582/616), com o seguinte pedido: "reconhecimento da prescrição dos pagamentos efetuados no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996". O recurso especial passou pelo juízo de admissibilidade (fl. 618). 5.6 O contribuinte apresentou contrarazões ao recurso especial apresentado pela PGFN (fls. 673/675), como também apresentou recurso especial contra a decisão proferida no Acórdão 3403 00217 (fls. 628/638). Em exame de admissibilidade, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão 340300217 (fls. 711/712). Foi mantido o despacho denegatório da Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte (fl. 713), após pedido de reexame feito pelo contribuinte. 5.7 Em 16/08/2011, o processo foi encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais para análise do recurso especial interposto pela PGFN (fl. 714). Foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional”. Quanto ao processo nº 14120.0000018/200734, o relatório fiscal apresenta o que segue: “5.11 Como resultado do trabalho da fiscalização desta DRF, foram lavrados dois autos de infração, um de Pis e um de Cofins (fls. 503/530). As fls. 543/564, consta extrato com os débitos apurados no auto de infração. Em 13/10/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 565/1387). Em 11/05/07, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS, para análise da impugnação (fls. 1388). 5.12 Por meio do Acórdão 0419101, (fls. 1392/1402), a DRJ julgou procedente em parte a impugnação. Transcrevese trecho do referido Acórdão: ‘Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer da impugnação, acolher parcialmente a preliminar de decadência, exonerando os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de 28 de fevereiro de 2001 a 28 de fevereiro de 2002. No mérito, a impugnação é improcedente, permanecendo inalterados os demais valores dos períodos não alcançados pela decadência’. 5.13 Houve recurso de oficio interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais, motivado pela exoneração de débitos acima do limite de alçada. Ao mesmo tempo, o contribuinte —apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 1422/1429). 5.14 O recurso de oficio e voluntário de n° 898288 foi objeto do Acórdão n° 3302 00904 – 3ª Câmara/2' Turma Ordinária (fls. 1432/1438) e teve por resultado: "Recurso de Oficio e Voluntário Negados". Foi dada ciência do referido Acórdão ao Procurador da Fazenda Nacional (fl. 1439), e não houve, por parte do procurador, interposição de recurso a Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1440). 5.15 O processo foi encaminhado à DRF de origem para ciência a interessada do teor do Acórdão n° 330200904 (fl. 1443). As fls. 1444/1448, consta extrato do processo após a decisão do CARF. Foi o contribuinte intimado do referido Acórdão, na data de 09/11/01 (fls. 1449/1452).Contribuinte não apresentou recurso especial, porém apresentou embargos de declaração quanto ao Acórdão 330200904 (CARF) (fls. 1459/1462). Em 19/12/2011, processo retornou ao CARF para apreciação dos Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000089/200655 Acórdão n.º 3401002.651 S3C4T1 Fl. 258 7 embargos de declaração apresentado pelo contribuinte (fls. 1477/1478). Os embargos de declaração foram não conhecidos/rejeitados (fls. 1480/1481)”. Nas conclusões do relatório de diligência, é informado o seguinte: “6.3 Observando o teor das decisões finais proferidas nos processos 10140.003653/200199 (parágrafos 5.4 e 5.8) e 14120.000018/200734 (parágrafos 5.12 e 5.16), pode se afirmar que não há nenhum crédito de contribuição para o Pis, relativo ao tperiodo de apuração de março de 2001. (...) 6.5 A Seção de Fiscalização desta DRF, após conferir a base de cálculo do PIS, relativa ao período de apuração de março de 2001, apurou um valor de débito de Pis bem maior que o valor declarado pelo contribuinte na DCTF. Apenas a diferença apurada (R$ 24.844,77) é que foi objeto de cancelamento no auto de infração motivada por decadência. Resta claro que a decadência declarada no auto de infração, quando da apreciação em 1ª instância de julgamento, em nada afeta o valor declarado pelo próprio contribuinte na DCTF. Ressaltase, mais uma vez, que não ha erro em relação ao valor declarado na DCTF, pois este foi objeto de conferencia quando do procedimento fiscal realizado pela Seção de Fiscalização desta DRF. O que resta agora verificar é se houve pagamento a maior para o débito de PIS, declarado na DCTF, relativo ao período de apuração de março de 2001. É o que veremos a seguir. 6.5.1 Confrontandose os valores apurados no auto de infração (incluindo ai apenas o valor declarado na DCTF: R$ 16.152,10) e o pagamento efetuado pelo contribuinte, concluise que não houve nenhum pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração de março de 2001, pois o pagamento realizado para tal período de apuração corresponde exatamente ao valor declarado na DCTF, conforme consta de consulta realizada no sistema SIEF/FISCEL (fl.298). (...) 6.6 Diante das exposições e considerações acima transcritas, não há nenhum crédito de contribuição do PIS, relativo ao período de apuração de março de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. (grifo nosso) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Diante dos fatos narrados, a conclusão a que se chega é a de que pelo julgamento dos outros dois processos (processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734), não existe crédito a ser compensado. A alegação da Recorrente no sentido de que a diligência não cumpriu o seu papel não prospera. Em primeiro lugar, porque, ao contrário da alegação da Recorrente, o relatório fiscal da diligência foi conclusiva, resumindo o andamento de cada processo e demonstrando qual foi a conclusão de cada um. Em segundo lugar, porque o relatório de diligência informou que a parte do auto de infração mantida tem valor maior que o crédito pleiteado. Isto é, além de não existir crédito a restituir, a Recorrente ainda devia à Fazenda. Se o pagamento fosse indevido, não haveria crédito a ser lançado de ofício e o auto de infração teria sido cancelado no julgamento do processo nº 14120.0000018/200734. Por fim, a conclusão é bem clara no sentido de que “não há nenhum crédito de contribuição do PIS, relativo ao período de apuração de fevereiro de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. Por tudo isso, deve ser indeferido o crédito e a homologação pleiteada. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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