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Numero do processo: 10983.722369/2011-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 28/05/2007 a 20/06/2007
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 9303-006.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) na sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 12/2017, teve continuidade na reunião de 01/2018 e foi concluído em 21/02/2018 no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Jorge Olmiro Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) na sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 12/2017, teve continuidade na reunião de 01/2018 e foi concluído em 21/02/2018 no período da tarde. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 23 69 /2 01 1- 75 Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Jorge Olmiro Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3402003.214, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/05/2007 a 20/06/2007 INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 4 3 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ” Insatisfeita, a First S/A interpôs Recurso Especial, requerendo o recebimento e conhecimento do presente recurso e que seja dado total provimento ao recurso especial, reformandose o acórdão recorrido mediante o reconhecimento da inexistência da prática de ocultação do real adquirente mediante simulação e, por consequência, anulando o Auto de Infração e cancelandose a multa equivalente ao valor aduaneiro, substitutiva de perna de perdimento capitulada no art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76. Traz a First S/A, em síntese, que: · A discussão diz respeito à infração de ocultação do real adquirente e responsável pelas operações de importação mediante simulação, o que ensejou a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, substitutiva da pena de perdimento; · Para a aplicação da legislação sobre infrações baseadas no ilícito da ocultação do real adquirente ou importadora de mercadorias, assim como na interposição fraudulenta de terceiros, devese encontrar respaldo em provas inequívocas da sua ocorrência, cuja demonstração incumbe às autoridades fiscais; · No caso, o próprio acórdão recorrido reconhece que, tanto a ocultação mediante fraude ou simulação, quanto à interposição fraudulenta precisam ser comprovadas pelo Fisco, para ensejar a pena de perdimento. · A autuação desqualificou as operações de importação próprias de “preformas” PET para posterior revenda no mercado interno. Entendeu a fiscalização que a recorrente teria simulado importações por conta própria que, em verdade, seriam importações por encomenda/conta e ordem de terceiros. O que, para verificação da Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 5 4 simulação, não seria exigível a comprovação da intenção do agente de obter uma exoneração tributária; · No entanto, é necessária estar lastreada, para tanto, em provas do efetivo dolo do agente na conduta simulada, comprovação esta que incumbe às Autoridades Fiscais; · Na medida em não existem provas nos autos da intenção dolosa de simular uma operação por conta própria, com o intuito de ocultar o real adquirente das mercadorias – se denota do próprio acórdão recorrido, temse que o pressuposto inerente à simulação se queda ausente; · Ou seja, não haverá infração sem ocultação e não haverá infração sem prova do intuito de fraude ou de simulação, não se preenchendo a hipótese legal descrita no art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76; · Nessa senda, restando evidenciado na espécie a boafé da recorrente e a inocorrência de dano ao erário mediante fraude, simulação ou ocultação de terceiros, impõese a anulação do lançamento. Insatisfeita também com o acórdão, a Companhia Maranhense de Refrigerantes, sucessora por incorporação de Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão proferido pela turma a quo para cancelar integralmente o crédito tributário formalizado nos presentes autos, reconhecendo a legalidade e licitude das operações realizadas na medida em que não houve a prática de nenhum ato simulado ou fraudulento por parte da recorrente, bem como o ato tido por dissimulado pelo lançamento não se coaduna com a hipótese dos autos, não tendo havido qualquer dano ao erário Federal, o que seria necessário para a aplicação da penalidade contida no art. 23, inciso V, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, em linha com o decidido no acórdão 3402002.277. Em Despacho às fls. 3002 a 3006, em relação ao recurso: Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 6 5 · Da First S/A – quanto ao cabimento da penalidade prevista no art. 23, inciso V, §§1º e 3º, do DecretoLei 1.455/76, foi negado seguimento ao recurso; · Da Companhia Maranhense de Refrigerantes, sucessora por incorporação de Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, quanto à interpretação do art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76, face a existência ou não de simulação, foi dado seguimento ao recurso. A First S/A, assim, apresentou Agravo contra o Despacho proferido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF que negou seguimento ao Recurso Especial. Em Despacho às fls. 3021 a 3025, o Presidente da Câmara Superior rejeitou o agravo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que alegou, entre outros, que: · É incontroverso que as mercadorias tinham os seus destinatários predeterminados desde antes de seu embarque no exterior; · A interessada admite expressamente o préconhecimento dos destinatários das mercadorias; · Os emails colacionados nos termos de verificação fiscal deixam claro que cada processo de importação era atribuído, pela FIRST, a um destinatário específico previamente conhecido. Da mesma forma, a prática de emitir simultaneamente notas fiscais de entrada e saída das mercadorias, às vezes até antes do desembaraço, bem como a inexistência de estoques na FIRST, não deixam dúvidas quanto à existência de destinatário predeterminado para as importações; · Por sua vez, a RFB, valendose da competência delineada no art. 11, §1º, inciso I, da Lei 11.281/061, estabeleceu a obrigatoriedade de vinculação prévia no Siscomex do importador ao encomendante, Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 7 6 bem como de que o primeiro informe o CNPJ do segundo em campo próprio de cada DI registrada (arts. 2º e 3º da IN 634/2006); · Assim, ao suprimir a informação de que as mercadorias importadas se destinavam a pessoa previamente conhecida (encomendante predeterminado), ocultouse da fiscalização um dos sujeitos passivos e um dos responsáveis pela operação de importação; · Caracterizado, portanto, o prejuízo ao controle aduaneiro, tendo em vista a ocultação de sujeito passivo da operação; · Muito embora seja desnecessário indicar o proveito econômico para a caracterização da infração em tela, não é difícil perceber o móvel que encorajou a contribuinte a ocultar, das autoridades fiscais, o real destinatário das mercadorias importadas; · Com efeito, como bem observado pela fiscalização, as adquirentes são empresas domiciliadas fora do estado de Santa Catarina. Se fossem apontadas nos controles aduaneiros como encomendantes/destinatárias das importações, o ICMS seria devido aos estados de seus domicílios (art. 155, II, §2º, IX, da Constituição), não sendo possível o aproveitamento do vantajoso benefício fiscal catarinense. Isto certamente causaria impacto nos preços das mercadorias importadas; · Ainda que a fiscalização tenha qualificado a importação como por conta e ordem de terceiro, mesmo se a considere por encomenda, o fato determinante é a ocultação do real adquirente, situação amplamente demonstrada nos autos, tendo em vista a simulação praticada pela contribuinte quando declara a importação como direta, operação diversa da efetivamente realizada. · Eventual divergência quanto à classificação das importações como por conta e ordem ou por encomenda é absolutamente irrelevante para a configuração da infração. Seja qual for a qualificação jurídica que se dê aos fatos descritos, a inexistência de indicação do real destinatário da importação na respectiva DI materializa a hipótese de ocultação do sujeito passivo, punível com a pena de perdimento, nos termos da lei. Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 8 7 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Companhia Maranhense de Refrigerantes, sucessora por incorporação de Renosa Indústria Brasileira de Bebidas, entendo que devo conhecêlo, eis que tempestivo e comprovada a divergência suscitada entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho de Admissibilidade às fls. 3002 a 3006. Eis parte do despacho: “[...] Do Recurso Especial da COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES. (Sucessora por incorporação de RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A) Regularmente cientificado do resultado da decisão em 29/09/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 2740, a recorrente apresentou seu recurso especial, tempestivamente, em 14/10/2016, conforme carimbo de postagem dos correios acostado à fl. 2895. No Recurso Especial suscita divergência em relação a interpretação do art. 23, V do DL 1455/76, face a existência (ou não) de simulação. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no votocondutor do acórdão recorrido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/07/2007 a 07/12/2007 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NÃO CARACTERIZADA. IMPORTAÇÃO POR Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 9 8 ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA DE ATO DISSIMULADO E DE SIMULAÇÃO. CANCELAMENTO. A caracterização da interposição fraudulenta se justifica pela ocorrência de fraude ou simulação no ato de importar ou exportar, não bastado, para fins da capitulação de dano ao erário contida no art. 23, V do DL 1.455/76 a acusação de ocultação pura e simples. Restou verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importação por encomenda, de modo que por não haver ato dissimulado não há simulação, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Recurso Voluntário Provido. Assiste razão à recorrente. O acórdão trazido como paradigma pela irresignada trata de situação fática muito similar a apreciada no recorrido, envolvendo as mesmas partes e similar conjunto probatório. Entendeu o colegiado, no paradigma, inexistir simulação, mas apenas "ocultação pura e simples",o que não seria suficiente para atrair a sanção do art. 23, V do DL nº 1.455/76. Em sentido oposto, face a situação fática efetivamente muito similar, entendeu o recorrido haver ocultação por simulação, sendo hígida a autuação então lavrada. Divergência comprovada. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada em relação ao recurso interposto pela recorrente COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES e não foi comprovada em relação a recorrente FIRST S/A. [...]” Entendo que o caso fático tratado no acórdão indicado como paradigma é idêntico ao caso vertente, eis que a autoridade fiscal aponta da mesma forma indício de que haveria ocorrido a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas – PREFORMAS PET. Além disso, o que restou discutido foi Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 10 9 justamente o cerne da lide trazida nos autos – ocorrência ou não de simulação para a aplicação da penalidade imputada no auto de infração. O que, resta, portanto, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, conhecer o Recurso interposto, eis que comprovada a divergência de entendimento. Passadas tais considerações, passo a analisar a lide posta em recurso especial interposto pela Companhia Maranhense de Refrigerantes – qual seja, aplicação ou não do art. 23, inciso V do DecretoLei 1455/76, face a existência ou não de simulação. Para melhor elucidar o caso, importante recordar breve histórico do caso vertente: 1. Tratase de auto de infração lavrada contra a First S/A exigindo multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias no percentual de 100% em substituição à pena de perdimento; 2. A autoridade fiscal trouxe que a First teria registrado a importação de produtos denominados “Preformas PET” na modalidade de importação por conta própria, resultando na ocultação das reais destinatárias das mercadorias, supostamente com o propósito de se utilizar de um benefício fiscal relativo ao ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; 3. As impugnações apresentadas foram consideradas improcedentes; 4. Interpostos recursos voluntários, a Turma a quo negou provimento aos recursos por voto de qualidade, entendendo que a simulação seria inerente à mera ocultação do real adquirente das mercadorias. Continuando, também é interessante trazer o entendimento manifestado pelo nobre Conselheiro Diego Diniz Ribeiro ao analisar o caso: “[...] Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 11 10 1. Conforme já mencionado pelo preciso relatório desenvolvido no presente voto, se está diante de Auto de Infração com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, ou seja, que imputou à empresa FIRST S/A pena de perdimento, convertida em multa, em razão de ocultação por simulação do real importador que, no presente caso, seria a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A. 2. Desde já é importante registrar a existência de uma diferença entre a ocultação presumida, (art. 23, inciso V, § 2º do DecretoLei nº 1.455/76), daquela considerada como provada. 3. Na hipótese de ocultação presumida que, digase de passagem, não é a realidade dos autos a responsabilidade é objetiva, bastando, para a sua incidência, a demonstração de que o real destinatário do bem importado arcou financeiramente com a operação de importação. 4. Por sua vez, em se tratando de ocultação provada, o trabalho fiscal é, como o próprio nome denota, de prova, em especial para demonstrar a qualificação da ocultação, qual seja, a figura da "simulação" ou "fraude", nos termos do que dispõe os artigos 71, 72 e 73 da lei n. 4.502/641. Há, pois, necessidade de provar dolo, ou seja, intenção de fraudar o fisco federal seja para se furtar do ou minorar o pagamento de tributo seja para impedir ou dificultar o controle aduaneiro. 5. No presente caso, todavia, não é isso que ocorre. Aqui, a intenção que motiva a RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A. ao comprar as mercadorias da empresa FIRST S/A é econômico financeiro, uma vez que, conforme constatado pela própria fiscalização, esta última empresa goza de benefícios fiscais de ICMS no Estado de Santa Catarina, benefício este que é conhecido como PRÓ EMPREGO, capitulado, à época, pela Medida Provisória estadual n. 1302. 6. Referido dispositivo legal prevê o diferimento do ICMS para as Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 12 11 importadoras que comercializam os produtos importados no mercado interno, o que traz uma vantagem econômica para a FIRST que, notoriamente (art. 374, inciso I do NCPC3), é repassada para a empresa RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A. Esta última, por sua vez, é duplamente beneficiada economicamente com tal operação, já que além do ganho financeiro na aquisição do produto, acaba por também se creditar do ICMS integralmente destacado na correlata nota fiscal. 7. Referida questão, legitimidade ou não do benefício fiscal em comento, é um problema dos Estados membros da Federação e que, no presente caso, não serve para prejudicar as Recorrentes, mas sim para beneficiálas, já que demonstra a real intenção das partes envolvidas nesta operação, que apresenta notória índole econômica e não fraudulenta. 8. Logo, com a devida vênia ao entendimento esposado pelo douto Relator em seu r. voto, tenho para mim que as questões aqui postas afastam a intenção dolosa na prática de pretensa ocultação de real importador, o que me motiva, no presente caso, a dar integral provimento aos Recursos Voluntários interpostos e aqui analisados. [...]” A autoridade fazendária traz que a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Sendo assim, vêse que a aquisição das mercadorias foi considerada ato dissimulado, sob a justificativa de que estaria frente a uma operação por conta e ordem de terceiro. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 13 12 No que tange à conceituação de simulação, importante recordar os dizeres do Prof. Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro – 20ª Edição – Editora Saraiva): “[...] Já a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam. As partes querem, por exemplo, realizar uma compra e venda, mas formalizam (simulam) uma doação, ocultando o pagamento do preço. Ou, ao contrário, querem este contrato, e formalizam o de compra e venda, devolvendose (de modo oculto) o preço formalmente pago. [...] 10. A DISSIMULAÇÃO DO FATO GERADOR A Lei Complementar n. 104/2001 acrescentou parágrafo único ao art. 116 do Código Tributário Nacional, para dar à autoridade administrativa a faculdade de “desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. A disposição foi inserida no artigo que define o aperfeiçoamento do fato gerador da obrigação tributária, que estudaremos no capítulo dedicado a esse tema. Quando o fato gerador da obrigação se traduzir numa situação jurídica, ele se considera ocorrido (gerando, por conseguinte, a obrigação tributária) desde o momento em que tal situação estiver definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável (art. 116, II). Vale dizer, é preciso identificar se, concretamente, foi aperfeiçoada determinada situação jurídica (apta a realizar o fato gerador) para que surja a obrigação tributária. Pode ocorrer que o indivíduo, para fugir ao cumprimento do dever tributário, atue no sentido de dissimular a ocorrência do fato gerador (ou a natureza de seus elementos), usando, para lograr Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 14 13 esse intento, de roupagem jurídicoformal que esconda, disfarce, oculte, enfim dissimule o fato realmente ocorrido. Prevê o parágrafo transcrito que, observados os procedimentos a serem definidos em lei ordinária (portanto, lei do ente político competente para instituir o tributo cujo fato gerador possa ser dissimulado), a autoridade fiscal pode desconsiderar os atos ou negócios aparentes, que serviram de disfarce para ocultar a ocorrência do fato gerador. Essa disposição, obviamente, deve ser interpretada no sistema jurídico em que ela se insere, ou seja, em harmonia com as disposições do próprio Código e da Constituição. Não nos parece que procedam críticas fundadas em que a disposição teria dado à autoridade o poder de criar tributo sem lei. A autoridade, efetivamente, não tem esse poder. O questionado parágrafo não revoga o princípio da reserva legal, não autoriza a tributação por analogia, não introduz a consideração econômica no lugar da consideração jurídica. Em suma, não inova no capítulo da interpretação da lei tributária. O que se permite à autoridade fiscal nada mais é do que, ao identificar a desconformidade entre os atos ou negócios efetivamente praticados (situação jurídica real) e os atos ou negócios retratados formalmente (situação jurídica aparente), desconsiderar a aparência em prol da realidade. Com efeito, o preceito legal parte do pressuposto de que o fato gerador tenha efetivamente ocorrido, dado que, só nessa hipótese, podese cogitar da possibilidade de ele ter sido objeto de práticas dissimulatórias. Assim, a demonstração concreta da dissimulação (com a consequente possibilidade de o ato dissimulador ser desconsiderado) pressupõe que o fato gerador tenha ocorrido. É preciso ser demonstrado que a forma aparente dada à operação não condiz com o fato efetivamente ocorrido. Se a forma (aparência) retratar o que efetivamente foi querido, buscado pelo indivíduo (realidade), nenhuma desconformidade existe que Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 15 14 autorize a desconsideração dos atos formalizados, dado que eles nada terão dissimulado; pelo contrário, terão refletido no papel aquilo que o indivíduo realmente objetivou na realidade. Noutras palavras, nada mais fez o legislador do que explicitar o poder da autoridade fiscal de identificar situações em que, para fugir do pagamento do tributo, o indivíduo apela para a simulação de uma situação jurídica (não tributável ou com tributação menos onerosa), ocultando (dissimulando) a verdadeira situação jurídica (tributável ou com tributação mais onerosa). Não se argumente que dissimulação é diferente de simulação; e, por isso, o legislador talvez tenha querido dizer algo mais. Quando se fala em simulação, referese, como objeto dessa ação (de dissimular), uma situação de não incidência. Já ao falar em dissimulação, ao contrário, a referência objetiva é a uma situação de incidência. Dissimulase o positivo (ocorrência do fato gerador), simulandose o negativo (não ocorrência do fato gerador). Como o legislador se referiu ao objeto fato gerador, o verbo para designar a ação desenvolvida sobre esse objeto só poderia ser dissimular. Seria um dislate supor que alguém fosse simular a ocorrência do fato gerador... O dispositivo inserese em antiga discussão sobre se a autoridade fiscal poderia, ao identificar uma situação de simulação, ignorar o negócio aparente sem antes demandar sua nulidade ou sua inoponibilidade ao Fisco. O que a lei complementar diz é que a autoridade tem a prerrogativa de desconsiderar os atos simulados (mediante os quais se dissimulou o fato gerador), obedecidos os procedimentos a serem definidos por lei ordinária58.. Os procedimentos previstos no art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, a serem seguidos pela autoridade administrativa na aplicação da norma ali contida, foram objeto dos arts. 15 a 19 da Medida Provisória n. 66/2002, em cujo processo de conversão (na Lei n. 10.637/2002) se suprimiram referidos Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 16 15 artigos. A mesma medida, que, no art. 13, repetia o preceito do Código, ultrapassava, no art. 14, os limites ínsitos às normas procedimentais, ao pretender inovar a definição de hipóteses a que se aplicariam os procedimentos por ela disciplinados, com um rol exemplificativo de situações que, “entre outras”, estariam sujeitas a essa disciplina adjetiva. O dispositivo, em poucas palavras, atropelava a Constituição e o Código Tributário Nacional.” Não obstante ter sido o ato considerado dissimulado, vêse que, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a recorrente é adquirente de boafé. Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Vêse que ainda que não houve nenhuma intenção de a recorrente se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. É de se trazer ainda que os recursos utilizados pela importadora eram próprios. O que restaria afastar a caracterização da operação como importação por conta e ordem – afirmativa concluída pela turma a quo. Cabe trazer que ainda que a First não tenha declarado as operações de importação de forma irregular, considerando que tinha de antemão conhecimento de que as mercadorias importadas seriam vendidas à recorrente não confere a caracterização de fraude – mas apenas atesta que que descumpriu a obrigação de se declarar as operações como importação por encomenda, nos termos do art. 11 da Lei 11.281/06 e da IN SRF nº 634/06: “Lei 11.281/06 Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 17 16 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” “IN 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 18 17 I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 19 18 Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” In casu, resta, assim, claro estarmos diante de uma operação por encomenda. Eis que na operação por conta e ordem há antecipação de recurso, e não utilização de recursos próprios da importadora, tampouco há operação de venda no mercado interno. No que tange às operações alegadamente simuladas pela autoridade fazendária vendas realizadas entre a First e a Bandeirantes, temse que não devem ser consideradas simuladas, eis que as vendas declaradas inequivocamente foram realizadas. Sendo assim, depreendendose da análise dos fatos, não há como caracterizar a operação ora em discussão como fraude e simulação – considerando ainda que não há nos autos demonstração concreta da dissimulação. Ora, é preciso, tal como ensina o Prof. Luciano Amaro, que é preciso ser demonstrado que a forma aparente dada à operação não condiz com o fato efetivamente ocorrido. O que, por conseguinte, é de se afastar a imputação da multa pecuniária prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 20 19 b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 21 20 e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Considerando ainda que não há nos autos demonstração concreta da dissimulação, resta dar razão ao sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 22 21 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como de ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Importa fazer uma breve digressão histórica sobre o assunto. Antes mesmo que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.15835/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 23 22 (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 24 23 promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 25 24 Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 26 25 E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadoria importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada com tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 27 26 verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 28 27 VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 29 28 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 30 29 Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Isto posto, temse que, no caso concreto, as evidências descritas no acórdão recorrido não deixam margem para dúvidas de que a empresa First importava mercadorias previamente destinadas à empresa Renosa. Observese (efolhas 2.712 e segs). (...) 1) O Fisco identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para a Renosa. Vejase trechos do RAF (fl. 21/22): "(...) Conforme demonstrado na Tabela 2.1, verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados das citadas tabelas revelam que as notas de saída (venda) para as quatro empresas acima relacionadas eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada. Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 2.2, tinha como destinatários predeterminados a empresa Renosa. 2) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculando as importações ao transporte e a Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 31 30 emissão de documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do RAF (fl. 24): "(...) O transporte das mercadorias era fracionado. A mercadoria era liberada em partes. Cada parte completava a carga de uma carreta e para cada parte era emitida uma nota fiscal de entrada e uma nota fiscal de saída. Cada nota fiscal de entrada emitida tem sua correspondente nota fiscal de saída, o que comprova o fato, relatado no item 5.2.6 abaixo, de que as notas fiscais de entrada e saída eram apenas trocadas, quando do transporte destas mercadorias até o destinatário final. Então, a cada nota fiscal de entrada corresponde uma nota fiscal de saída de mesma data de emissão que relaciona exatamente as mesmas mercadorias (mesma descrição e mesma quantidade). Isso pode ser constatado na Tabela 2.2 que relaciona, para cada processo de importação, o número das notas fiscais de entrada lado a lado com o número da correspondente nota de saída. Tais notas podem ser conferidas no arquivo DOCSRENOSA, que contém os documentos emitidos para cada processo de importação, separados por processo (ou seja, DI, fatura comercial, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída). Para cada processo de importação foi feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da fatura comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota fiscal de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador no exterior". 3) O Fisco demonstra com detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada à Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, confirmando que as importações foram realizadas para serem entregues a Renosa (fls. 25/26 do RAF): "(...) Da análise das informações contidas nas DI sob análise e nas notas fiscais de saída, observamos que há uma vinculação qualitativa e quantitativa entre as Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 32 31 mercadorias de uma DI e mercadorias das notas fiscais de saída respectivas, ou seja, uma DI que importou um número determinado de preformas PET terá toda essa quantidade de preformas vendida para um único destinatário por meio de uma ou mais notas fiscais de saída. A Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3 mostra as 16 operações realizadas pela FIRST no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 como importador direto de garrafas PET, onde as mercadorias importadas foram destinadas à Renosa. Vimos então que cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa (Renosa) em sua totalidade. Este fato é verificado comparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. Esta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI e suas notas fiscais de saída pode ser verificada na tabela 3, onde a vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes (que deram saída às mercadorias importadas por meio desta DI) foi feita pelo número de controle interno da empresa FIRST (vide explicação do item 5.2.1), uma vez que esse número é sempre mencionado nas notas fiscais de entrada global e nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas por uma DI. Cada DI possui um código do tipo “IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre quantidade de mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída, observando que TODAS as mercadorias de uma DI são sempre destinadas a uma única empresa, no presente caso, Renosa Industria Brasileira de Bebidas S/A. O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas, muitas vezes em sequência às notas fiscais de entrada (item 5.2.1) e na mesma quantidade e tipo (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário prédeterminado. Além disso, a análise dos lançamentos contábeis da empresa, além do confronto desses lançamentos com Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 33 32 as informações referentes às importações extraídas das DI e das Notas Fiscais emitidas, mostram claramente a simulação realizada para ocultar os reais adquirentes das importações realizadas, e que a FIRST é apenas uma prestadora de serviços, um anteparo entre o exportador e o real adquirente". 4) O Fisco apurou durante o procedimento que a empresa não apresentava estoques de "preformas PET" importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal à fl. 29: "(...) Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. O gráfico Série Temporal de Saldos mostra a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIAS IMPORTADAS GARRAFAS PET) no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, período de registro das importações analisadas. Verificamos que o saldo apresenta picos lançamentos das notas fiscais de entrada para liberação das importações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída. Como as notas fiscais de saída são muitas vezes emitidas ou contabilizadas antes das de entrada, o saldo da conta de estoque é em vários momentos credor, o que significa que o estoque seria negativo". 5) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First S/A, detalhados no RAF às fls. 30/31: "(...) O primeiro ponto a destacar é que, diferente do que acontece em vendas reais, os valores e prazos dos pagamentos realizados pelos reais importadores à FIRST não tem relação com as notas fiscais de saída emitidas, e sim com datas e valores das importações. Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 34 33 sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em raros casos muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/00084120, vemos que a data de seu registro foi 03/01/2007 e os impostos recolhidos totalizaram R$ 42.622,14. Na seção da tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 7 dias após o registro da DI. A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio. Usando ainda a mesma DI como exemplo verificamos que o terceiro pagamento ocorreu em 05/03/2007, três dias antes da liquidação do contrato de câmbio e um dia antes da contratação do câmbio, sendo o valor praticamente o mesmo da liquidação do contrato de câmbio. Esse terceiro pagamento ocorre aproximadamente 60 dias após o registro da DI, e sempre antes da liquidação do contrato de câmbio. O segundo pagamento ocorre aproximadamente 30 dias após o registro da DI e seu valor equivale a aproximadamente 25% do valor CIF das mercadorias. No exemplo que estamos utilizando e registrado na Tabela 3, acontece um quarto pagamento que, conforme mencionamos anteriormente, representa um ajuste nos valores anteriores. Os pagamentos informados pelo fiscalizado foram confirmados ao serem confrontados com os lançamentos contábeis no período. Análise da contabilidade da empresa FIRST revela que havia disponibilidade de recursos para o recolhimento dos tributos federais. 6) Consta dos autos que a empresa First S/A foi intimada a apresentar mensagens (EMAILS) trocadas com seu transportador a empresa TORA. Em procedimento posterior, a Fiscalização realizou diligência na empresa TORA transportadora, que franqueou o acesso à correspondência eletrônica trocada entre a transportadora, a First e as empresas fabricantes de bebidas e a Cristalpet (Uruguai) empresa exportadora das preformas PET. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 35 34 Quanto a isso, acolho in totum as conclusões a que chegou o i. Relator do processo na instância recorrida, com base nas evidências demonstradas pela Fiscalização Federal. (...) Como pode ser visto, estas mensagens revelam que as empresas Renosa e outras se comunicavam diretamente com o exportador, empresa Cristalpet (UY), repassando seus cronogramas mensais de pedidos, pedidos extras, definindo as características, quantidade e gramatura das preformas PET; que a Cristalpet, no momento da emissão da fatura que instruía as DI, já sabia para quem se destinavam as preformas PET; que a FIRST, no máximo, repassava os pedidos dos clientes à Cristalpet, não sendo responsável em nenhum momento por definir as características das preformas PET a serem importadas; que a operação de transporte das preformas PET é considerada uma operação única, desde a liberação na fronteira até a entrega da mercadoria aos destinatários finais, reais adquirentes. Essas constatações, aliadas às declarações do transportador que esclarecem que o transporte das mercadorias era realizado diretamente do exterior até a destinatária final, DF CARF MF Fl. 2716 24 apenas realizando a troca das notas fiscais depois de transposta a fronteira, corroboram a conclusão de que houve a ocultação das reais destinatárias das mercadorias. Confrontandose todos os elementos acima exposto, restou caracterizado, após a leitura das mensagens eletrônicas, de que houve SIMULAÇÃO nas operações de importação das mercadorias "preformas PET" pela First S/A, onde os reais adquirentes foram deliberadamente ocultados, ao registrar as DI como importação por conta própria da First. (...) Restou inequívoco que as operações foram realizadas por ordem de terceiros. A First S/A, sabia antes de iniciar a operação de importação quais os produtos seriam remetidos a que empresas, realizando um serviço simples de intermediação de operação. O procedimento correto a ser adotado, nos termos previstos na legislação aduaneira seria a declaração ao fisco que a operação seria por ordem de terceiro, informando no Sistema SISCOMEX, nos termos definidos na IN SRF nº 225/2002. Outrossim, em consonância com tudo o que até aqui foi exposto, também comungo da mesma opinião do i. Relator da instância a quo quando aborda a questão da origem dos recursos aplicados nas operações de importação, conforme a seguir se lê. (...) Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 36 35 A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada, presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225, de 2002. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela RFB, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. (...)) Finalmente, andou bem a decisão recorrida ao refutar a alegação de mudança de critério jurídico. Adoto os fundamentos que seguem, como se meus fossem. (...) Como se vê, alega a recorrente, mudança de critério jurídico, lastreado no fato da autoridade de primeira instância reconhecer que os recursos pertenciam a First S/A, mas manter o lançamento, justificando a exigência no fato que as operações ocorreram na modalidade "para revenda a encomendante predeterminado", onde é de conhecimento prévio da importadora o destinatário final das mercadorias que serão importadas. Os argumentos da Recorrente em seu recurso não podem prosperar. A motivação da Fiscalização Aduaneira foi a ocultação da operação por ordem de terceiros por meio de simulação e não a existência de interposição fraudulenta, nos termos descritos no Relatório de Ação Fiscal (RAF) de fls. 14 a 54. Vejase trechos abaixo reproduzido: (...) Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude. Assim, resta claro que conforme asseverado no RAF e da decisão da primeira instância, o fundamento em que foi baseado a exigência fiscal, foi a ocultação do real adquirente da mercadoria, não existindo, portanto, nenhuma mudança de critério jurídico na decisão da primeira instância. (...) Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10983.722369/201175 Acórdão n.º 9303006.343 CSRFT3 Fl. 37 36 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000045/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/11/2008, 24/01/2009
OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
CEFACLOR MONOIDRATADO E CLORIDRATO DE AMILORIDA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS-IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO.
Os produtos Cefaclor Monoidratado, Cloridrato de Amilorida Diidratada não foram elencados no Anexo I do Decreto n. 5.821, de 29 de junho de 2006 e do Decreto n. 6.426, de 7 de abril de 2008, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins-Importação e Pis/Pasep- Importação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-005.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que dava provimento ao recurso. O Conselheiro Raphael M. Abad não participou do julgamento, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira R. Prado na sessão de outubro/2017. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalização do voto da relatora.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Lenisa Prado - Relatora
(assinatura digital)
Walker Araújo - Redator "ad hoc".
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/11/2008, 24/01/2009 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. CEFACLOR MONOIDRATADO E CLORIDRATO DE AMILORIDA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINSIMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. Os produtos Cefaclor Monoidratado, Cloridrato de Amilorida Diidratada não foram elencados no Anexo I do Decreto n. 5.821, de 29 de junho de 2006 e do Decreto n. 6.426, de 7 de abril de 2008, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/Pasep Importação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud que dava provimento ao recurso. O Conselheiro Raphael M. Abad não participou do julgamento, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira R. Prado na sessão de outubro/2017. Designado o Conselheiro Walker Araújo como redator "ad hoc" para formalização do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 00 45 /2 00 9- 27 Fl. 202DF CARF MF 2 (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado Relatora (assinatura digital) Walker Araújo Redator "ad hoc". Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Lenisa Rodrigues Prado. "Por muito bem retratar os fatos e o direito objeto do recurso, adoto o relatório apresentado no julgamento da impugnação: "Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/40 constituídos para cobrança de PIS/Pasep Importação e da COFINSImportação, da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 94.285,02 (Noventa e quatro mil, duzentos e oitenta e cinco reais e dois centavos). Informa o relatório fiscal, fls. 04/06, que o importador, por meio das declarações de importação de número 08/18801616, de 24/11/2008, e 09/00542645, de 14/01/2009, procedeu a importação, respectivamente, dos produtos identificados como Cefaclor Monoidratada, classificada sob o código NCM 2941.90.33 e Cloridrato de Amilorida Diidratada, classificada pelo NCM 2933.99.12. Nos dois despachos realizados o importador utilizouse da redução das alíquotas de contribuição para o PIS/PASEP Importação e COFINSImportação, com base no artigo 1o, inciso I, do decreto 6.426/2008, que reduz a zero as alíquotas dos tributos citados, em relação aos produtos pertencentes ao Capitulo 29 da NCM listados no Anexo I da referida norma. Prossegue o relatório fiscal, com o entendimento de que os produtos importados não poderiam usufruir do beneficio Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10111.000045/200927 Acórdão n.º 3302005.263 S3C3T2 Fl. 202 3 fiscal, uma vez que este contemplaria tão somente esses produtos na forma anidra, ou seja, os produtos Cefaclor e Cloridrato de Amilorida, correspondente aos itens de número 338 e 501 do citado anexo. Acrescenta que Cefaclor e Cefaclor Monoidratada são produtos distintos, assim como o são os produtos Cloridrato de Amilorida e Cloridrato de Amilorida Diidratada, "uma vez que possuem número CAS, fórmula geral e peso molecular diferentes". Para reforçar o conceito, observa que a hidratação é um detalhamento considerado pelo legislador no Decreto 6.426/2008, como se pode verificar no caso da Amoxicilina, da Amplicilina e da Cefalexina, que figuram na lista tanto na forma anidra quanto em formas sódicas, monoidratada e triidratada. Conclui considerando que se o legislador tivesse a intenção de estender o beneficio à Azitromicina Diidratada, a teria relacionado no Anexo I do Decreto 6.426/2008, como o fez com os demais produtos citados. Cientificado do Auto de Infração em 04/02/2009, o sujeito passivo interpôs impugnação em 04/03/2009, na qual alega que: há a necessidade de realização de perícia para a elucidação dos pontos duvidosos cuja solução requer conhecimentos especializados, solicitando inclusão de quesitos (mas sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito). o Cefaclor é considerado gênero, que comporta as seguintes espécies: cefaclor monoidratado e cefaclor anidro. O Cefaclor não comporta Chemical Abstracts Service CAS, o que é corroborado pela Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE que, regida inicialmente pela IN SRF 80/1996, o especificou como o subitem 2941.90.33, onde figura, junto a outras substâncias, como o Cefaclor monoidratado. o Decreto 6.426/2008 referese às substâncias do Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, devese entender que o beneficio foi oferecido a todas as suas espécies. Em relação ao Cloridrato de Amilorida, sustenta que a Tarifa Externa Comum TEC, não reserva classificação especifica para cada subespécie da substância, mas que a NVE referese ao CAS do Cloridrato de Amilorida, tão Fl. 204DF CARF MF 4 somente, pois tratase do gênero, do qual é espécie o Cloridrato de Amilorida Diidratado, produto objeto da importação. Não podendo subsistir o entendimento da fiscalização de que Cloridrato de Amilorida e Cloridrato de Amilorida Diidratado sejam completamente diferentes. acosta doutrina acerca de conceitos de gênero e espécie. requer a anulação da autuação ou, ao menos, a relevação da penalidade aplicada, vez que o fato gerador não foi eivado de dolo, fraude ou simulação. solicita a conversão do julgamento em diligência". A 5ª Turma de Julgamentos da Delegacia Regional de Julgamentos de Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte autuada, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 24/11/2008, 14/01/2009 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do Fato Gerador: 24/11/2008, 14/01/2009 CEFACLOR MONOIDRATADO E CLORIDRATO DE AMILORIDA DIIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. Os produtos Cefaclor Monoidratado, Cloridrato de Amilorida Diidratada não foram elencados no Anexo I do Decreto n. 5.821, de 29 de junho de 2006 e do Decreto n. 6.426, de 7 de abril de 2008, por isso não fazem jus à redução a zero das alíquotas das contribuições CofinsImportação e Pis/Pasep Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a impugnante apresentou petição de recurso voluntário, o que ensejou a subida desses autos a este Conselho. Em 26/10/2017, por meio da petição fls. 143/144, a recorrente noticiou o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937, sob o regime de repercussão geral, em que declarada a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, bem como dos valores das próprias Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, no valor aduaneiro e na base de cálculo das referidas contribuições. Em Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10111.000045/200927 Acórdão n.º 3302005.263 S3C3T2 Fl. 203 5 face desse fato superveniente, pediu que fosse promovido a exclusão do valor do ICMS e das próprias contribuições da composição da base de cálculo das citadas contribuições. Em 5/12/2017, por meio da petição fls. 175/179, para confirmar o acerto da sua tese de que “se o benefício fiscal for concedido a um produto químico na sua forma genérica, ele alcança todas as suas espécies conhecidas, quando o legislador não houver promovido restrição às espécies derivadas”, a recorrente noticiou a edição e trouxe a colação dos autos (fls. 180/198) a Solução de Consulta Cosit nº 75/2015, cujo enunciado da ementa segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Beneficio fiscal concedido a um produto químico especificado na forma genérica, pelo ato concedente, aproveita a suas espécies se não houver restrição as espécies derivadas. Nesse sentido, o beneficio fiscal concedido ao produto “Cefadroxila” abrange as espécies “Cefadroxila Anidro”, “Cefadroxila Hemidrato” e “Cefadroxila Monohidrato”, caso inexista restrição a qualquer espécie derivada. Dispositivos Legais: Decreto no 5.821, de 2006, art. 1o, inciso I, Anexo I, item 339; e Decreto no 6.426, de 2008, art. 1o, inciso I, Anexo I, item 339. É o relatório." Voto Conselheiro Walker Araújo, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto da Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. "A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da impugnação em 04/01/2013, sextafeira (Aviso de Recebimento postal acostado à folha 112 dos autos eletrônicos) e apresentou, tempestivamente, o seu recurso voluntário em 06/02/2013, quartafeira (carimbos à fl. 113). Presentes os pressupostos extrínsecos de conhecimento do recurso, submeto seus argumentos para a apreciação deste Colegiado. 1. PRELIMINAR. SOBRE A PROVA EMPRESTADA DO MPF 0817700.2009.001503. A recorrente requer que as provas obtidas durante o procedimento de fiscalização inaugurado pelo MPF n.0817700.2009.001503 sejam utilizadas por este Conselho, já que naquela investigação concluiuse que o Anexo I do Decreto n. 5.821/2006 "especifica os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA e AZITROMICINA sem determinar as suas espécies" e que tais "produtos estão especificados como gênero (nome genérico das substâncias farmacêuticas) que comporta as espécies anidra, monohidratada e dihidratada (derivados)" (fl. 115). Fl. 206DF CARF MF 6 Porém não compete a este Conselho examinar novas provas, que ainda não tenham sido objeto de análise pela instância de origem, sob pena de supressão de instância. Ademais, esse pedido é verdadeira inovação recursal, já que não foi apresentado em nenhuma outra oportunidade processual. Por esses motivos, deixo de conhecer da preliminar suscitada. 2. MÉRITO. No mérito, o recorrente repisa todos os argumentos já apresentados e julgados em sede de impugnação. São eles: Sobre o CEFACLOR: * descrição de sua estrutura molecular; * descrição da finalidade desse produto; * que a NVE (Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística)1 inseriu o CEFACLOR dentro do registro CAS2 n. 70356035, que corresponde ao CEFACLOR MONOHIDRATADO. Por sua vez, a alínea b do inciso II do art.1º do Decreto n. 5.821/2006 remete ao seu Anexo I, que inseriu o produto na posição n. 338, a mais genérica, sem especificar suas espécies conhecidas. Que, por esse motivo, há se concluir que o legislador reduziu a zero todas as contribuições devidas na importação de todas as espécies de CEFACLOR, a saber, o cefadroxil anidro, hemidratado e monohidratado. Sobre o CLORIDRATO DE AMILORIDA: * descrição de sua estrutura molecular; * descrição da finalidade desse produto; * que a NVE, que é um detalhamento da NCM3, adota o registro CAS desse produto o de número 2016888, que não é previsto na legislação pátria, que se refere apenas ao CAS 17440834; * que o "CEFACLOR e CLORIDRATO DE AMILORIDA são gêneros, que comportam subespécies, e tendo o legislador eleito estes como passíveis de redução das alíquotas das contribuições ao PIS/PASEP Importação e COFINS Importação, não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, da autoridade fiscalizadora) entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas" (fl. 121); Sobre o artigo 110 do CTN e aplicabilidade da redução das alíquotas das contribuições incidentes na importação previstas nos Decretos n. 5.127/2004 e 5.821/2006; 1 Regido inicialmente pela Instrução Normativa SRF n. 80, de 27/12/1996, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF n. 657, de 26/06/2006 e, por último, modificada pela Instrução Normativa SRF n. 701, de 27/12/2006. 2 É um banco de dados utilizado internacionalmente denominado Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society. O número do CAS em que o produto está classificado é uma espécie de identidade química universal. 3 "Com o intuito de explicitar ainda mais a classificação fiscal, de forma a identificar a mercadoria submetida a despacho aduaneiro de importação para fins de valoração aduaneira e servir de fonte para aprimorar as estatísticas de comércio exterior através de um maior detalhamento do produto, foi criada a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro" (...) "Assim, na NVE, temos os atributos que identificam as características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria, relevantes para formação de seu preço; as especificações que servem para fornecer o detalhamento de cada atributo, que individualiza a mercadoria importada". Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10111.000045/200927 Acórdão n.º 3302005.263 S3C3T2 Fl. 204 7 Da necessidade de relevação da penalidade imposta, já que a importação foi feita dentro dos limites da lei vigente. Sobre a necessidade da conversão do julgamento em diligência, com a execução da perícia técnica, para que seja possível o exercício do direito de defesa. No entanto, a recorrente não apresentou argumentos capazes de infirmar o raciocínio e a conclusão a que chegou o colegiado na origem, ao julgar a impugnação. Por esse motivo, e por que reconheço que não merece reparos a lógica perfilhada no acórdão recorrido, valhome de alguns dos seus excertos para manter in totum a decisão combatida: "O Anexo I do Decreto 6.426/2008 traz a relação de substâncias que mereceram a concessão de redução a zero das alíquotas de PlS/PasepImportação e Cofins Importação. Tais medidas, assim como as relacionadas a isenção e imunidade, visam o incentivo estatal a determinados ramos de produção e atividade econômica cuja função social e relevância estratégica superam a arrecadação imediata que a tributação proporcionaria. Observe que a regra é a tributação. A isenção de tributos, ou a redução de suas alíquotas a zero a qual, para efeitos finalísticos podemos associar, é exceção a esta regra que, conforme estabelece o Código Tributário Nacional no seu art. 111, devem ser interpretadas literalmente. (...) A fiscalização, acorde descrito no Relatório Fiscal, apóia se em indicações retiradas do próprio Anexo I do Decreto 6.426/2008 que, irrefutavelmente, emprestam ao processo de hidratação importância suficiente para a distinção dentre itens que mereceram a redução de alíquota a zero tanto para formas que sofreram tal processo quanto para formas que não a sofreram e itens que não mereceram tal redução para suas formas hidratadas, assim como os que figuram como objeto da autuação em comento. E é aqui que encontramos a ferramenta de onde compreender a adequação entre o pensamento do legislador e a linguagem utilizada para viabilizálo. É dizer que o legislador manifestou a preocupação de indicar, em casos positivamente e em outros com o silêncio, para quais produtos pretendia estender o beneficio também para a forma hidratada e para os casos em que não tinha esta pretensão. O que nos permite interpretar que, ao contrário do que supõe o impugnante, ao omitir a hidratação para alguns casos e a expressar em outros, o legislador deixa claro que, para aqueles produtos aos quais Fl. 208DF CARF MF 8 não especifica hidratação, referese a forma anidra, e não à gênero ou grupo. (...) O impugnante alega que os produtos relacionados no Anexo I do Decreto 6.426/2008 referemse a e devem ser interpretados como gêneros, uma vez que a própria NCM assim os agrupa. No entanto tal argumento não pode prosperar. Observemos o que diz o art. 1o do referido Decreto: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; (...) O legislador, como se vê, teve o cuidado de informar que os produtos químicos tocados pela redução a zero das alíquotas estavam sim classificados no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, mas desde que relacionados no Anexo I correspondente. Fosse direcionado a todos os produtos da NCM, dispensável seria a elaboração de um anexo especificando a quais produtos se referia o seu teor. Bem assim, não é defeso ao legislador conceder reduções de alíquotas a determinados produtos e não a outros, ainda que estejam classificados na mesma NCM ou Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatístico NVE, quando sob um mesmo código estiverem dois ou mais produtos, sob o titulo de 'outros'. Repisese, a redução das alíquotas foi concedida à produtos, conforme especificado no Anexo I do Decreto 6.426/2008, e não a códigos de NCM ou NVE, como roga o impugnante. Estes servem sobretudo para identificar aqueles nos procedimentos de comércio exterior, não significando que dois ou mais produtos serem identificados pelo mesmo código implica dizer que merecem o mesmo tratamento nos diversos aspectos relativos a legislação, como a concessão de benefícios. Concluise, portanto, que quisera o legislador reduzir a zero as alíquotas de PIS/PasepImportação e Cofins Importação das substâncias objeto das importações que ensejaram o auto de infração em discussão, nas suas formas hidratadas, as teria apresentado no Anexo I do Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10111.000045/200927 Acórdão n.º 3302005.263 S3C3T2 Fl. 205 9 Decreto, assim como o fez com determinadas outras, como as que foram utilizadas pela fiscalização para fundamentar o seu lançamento". Diante do exposto, conheço do recurso voluntário mas nego provimento” Lenisa Prado Relatora (assinatura digital) Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.954139/2009-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Em 14.09.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação DCOMP, objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de contribuição ao PIS não cumulativo referente ao mês de março/2005, com débito da mesma contribuição relativo ao mês de agosto/2006. (fls. 03 a 06) Em 24.08.2009 foi emitido Despacho Decisório informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 13 9/ 20 09 -4 1 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15374.954139/200941 Resolução nº 3002000.005 S3C0T2 Fl. 95 2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. (fl. 08) Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 01.09.2009, o contribuinte apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse ao preencher a DCTF do 1º semestre de 2005, informando débito de PIS (código 6912) no valor de R$2.040,04, quando o correto seria não informar nenhum valor, pois o valor do tributo devido nessa competência foi compensado integralmente com créditos de insumos, conforme informações constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração; b) Constatado o equívoco, entregou, em 17.09.2009, DCTF retificadora com exclusão do débito de PIS da competência 03/2005, evidenciando dessa forma, aos sistemas da RFB, a existência do crédito decorrente do pagamento indevido; c) O pagamento indevido de PIS, relativo a competência 03/2005 deve ser considerado para a quitação do débito de PIS referente ao mês de agosto/2006, nos termos da DCOMP apresentada. d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das fichas 07 (março/2005) e 11B da DACON do 1º trimestre de 2005, e de documentos de identificação e legitimidade; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR, em sessão de 28.04.2014, por meio do Acórdão nº 0829.483, considerou improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15374.954139/200941 Resolução nº 3002000.005 S3C0T2 Fl. 96 3 "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por isso dispensam inclusive lançamento de ofício, para fins de inscrição na Dívida Ativa, quando necessário." "...prevalece o que foi confessado pela DCTF Ativa na data do Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência do Despacho Decisório." "...o Interessado... não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado." Nos termos da decisão proferida pela DRJ/FOR, o contribuinte não logrou comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário utilizado na compensação, vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado. Alegaram também os representantes do fisco, que a ciência do conteúdo do Despacho Decisório instaurou procedimento fiscal para a cobrança do referido débito, excluindo a espontaneidade do Sujeito Passivo em relação aos atos envolvidos com as infrações verificadas. O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito alegado, nos termos do art. 16, §4º do DeL 70.235/72, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Aduz ainda a DRJ/FOR que embora a DACON tenha sido instituída, pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Por fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade por não ter sido demonstrada a certeza e liquidez do direito creditório do manifestante, requisito indispensável para que o seu pleito fosse acatado. O contribuinte tomou ciência dessa decisão em 22.10.2014 por meio de correspondência registrada, (fl. 51), tendo protocolado o presente Recurso Voluntário em 19.11.2014. Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de inconformidade, invocando em sua defesa o princípio da verdade material, segundo o qual devem prevalecer, no presente caso, as informações prestadas na DACON, enquanto instrumento hábil para a demonstração e controle de todas as operações que influenciam na apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS. Em fase recursal, o contribuinte anexou documentos de identificação e legitimidade dos recorrentes, razão contábil da conta PIS a recuperar, bem como nova cópia da mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade.. É o relatório. Voto Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.954139/200941 Resolução nº 3002000.005 S3C0T2 Fl. 97 4 Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. No caso em análise, o contribuinte confessou, em sua Manifestação de Inconformidade, ter cometido equívoco no preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2005 enviada originalmente, onde informou como valor devido a título de contribuição ao PIS referente ao mês de março/2005 o montante de R$2.040,04, quando o correto seria não ter informado saldo devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período foram totalmente compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos. Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, cópia das fichas 07 e 11B da DACON relativa ao mesmo período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela. A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores. A autoridade julgadora de primeira instância não determinou análise da veracidade dos dados constantes da DACON, limitandose apenas a informar, na única passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Ao afirmar que a DACON foi instituída para fins de que o sujeito passivo mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, poderia a DRJ, consoante ao disposto no art. 29 do DEL 70.235/72, ter determinado diligências a fim de certificar a exatidão dos dados constantes de tal demonstrativo, em especial a existência do saldo credor de meses anteriores, utilizado pelo contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos. A recorrente, por seu turno, já em fase recursal, anexou ao PAF: a) cópias do razão contábil das contas "Pis a Recuperar Não Cumulativo", "Pis a Recuperar (Pg. a maior)" e "Pis Cód. 6912 Não Cumulativo"; b) nova cópia da mesma DACON apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, evidenciando que tal demonstrativo permaneceu sem alterações durante todo o período da lide. Assim, tendo em vista: a) a falta de verificação, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância, dos créditos de períodos anteriores constantes da DACON apresentada como prova pelo contribuinte em momento oportuno; b) os documentos apresentados pelo recorrente em seu último ato neste processo, que reforçam o contido na DACON em comento, mas ainda não são suficientes, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do julgador administrativo no sentido buscar a decisão que melhor se coaduna à realidade dos fatos, não merece prosperar a alegação de que deve prevalecer o conceito de confissão de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15374.954139/200941 Resolução nº 3002000.005 S3C0T2 Fl. 98 5 dívida exclusivo da DCTF original, em detrimento da apuração detalhada e controlada pela DACON e dos outros elementos constantes dos autos. Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem: a) Intime o contribuinte à apresentação de documentos hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS, declarado nas DACONs apresentadas nestes autos, inclusive no que diz respeito ao crédito remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b) Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento. Diego Weis Junior Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904141/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 41 /2 00 9- 35 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.904141/200935 Acórdão n.º 3302005.062 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu COFINS não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de COFINS não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de COFINS não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 16032.746. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.904141/200935 Acórdão n.º 3302005.062 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.904141/200935 Acórdão n.º 3302005.062 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904141/200935 Acórdão n.º 3302005.062 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904141/200935 Acórdão n.º 3302005.062 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900061/2008-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2000
SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA
PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O
prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo
encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009.
Numero da decisão: 1402-000.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Fl. 230DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório SUPREV SERVICOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA EM PREVIDENCIA S/S LTDA., com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou improcedente seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): A contribuinte qualificada em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação declarada, objeto do presente processo. A Autoridade Administrativa proferiu o Despacho Decisório à fl. 09, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 6.828,31 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (...) Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Cientificada do Despacho Decisório (fls. 11 e 12), a interessada apresentou, por intermédio de seus procuradores (fls. 21 a 30, 35 e 36), a manifestação de inconformidade acostada às fls. 13 a 20, em 14/04/2008, aduzindo em sua defesa, em síntese: o crédito referese a um saldo negativo acumulado apontado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de períodos anteriores ao pedido de compensação, conforme tabela anexa (doc. 02); Fl. 231DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 3 como se depreende das DIPJ já encaminhadas, desde o ano fiscal de 1997 vem acumulando e compensando crédito tributário; a apresentação da manifestação de inconformidade acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requer seja concedido efeito suspensivo à manifestação de inconformidade, acolhendoa para o fim de homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 03538.89676.311003.1.3.023263. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. Inexistindo saldo negativo apurado na DIPJ e não tendo sido comprovado no processo a existência de crédito líquido e certo passível de compensação, fica mantido o decidido pela Autoridade Administrativa, que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório do IRPJ apurado no encerramento do 4o. trimestre anocalendário de 2000, que segundo a decisão recorrida é inexistente.. O recurso voluntário da contribuinte está calcado na tese de que o pleito referese ao saldo negativo de recolhimentos acumulado em 2000 e que a decisão restringiuse apenas ao valor apurado no 3o. trimestre de 2000. A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados d operíodo que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 5 {...] Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; Fl. 234DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 6 II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de Fl. 235DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 7 dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Fl. 236DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 8 Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10880.900061/200820 Acórdão n.º 140200607 S1C4T2 Fl. 0 9 O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, qual seja apurar o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ acumulado em 30/09/2000, passível de compensação. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 238DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O
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Numero do processo: 13888.916060/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 60 /2 01 1- 11 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13888.916060/201111 Acórdão n.º 9303006.164 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.830, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.916060/201111 Acórdão n.º 9303006.164 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916060/201111 Acórdão n.º 9303006.164 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916060/201111 Acórdão n.º 9303006.164 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916060/201111 Acórdão n.º 9303006.164 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.000903/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/03/2006 a 25/03/2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
Numero da decisão: 3401-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada, de acordo com o teor da Súmula CARF no 103.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada, de acordo com o teor da Súmula CARF no 103. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada, de acordo com o teor da Súmula CARF no 103. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 09 03 /2 00 8- 49 Fl. 737DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 81, exigindo multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 2.175.839,30, da empresa “VIGOROSA Distribuidora de Alimentos e Bebidas LTDA” (doravante “VIGOROSA”), substitutiva do perdimento, por exportação mediante uso de documentos falsificados. São arrolados como responsáveis solidários/conjuntos (artigo 95 do DecretoLei no 37/1966 e artigo 124 do Código Tributário Nacional): a Companhia Docas do Pará, e a Maersk Brasil Brasmar LTDA, havendo diversos processos vinculados, relacionados à fl. 40. No Relatório de Ação Fiscal de fls. 9 a 41, narrouse que: (a) a fiscalização decorre de Relatório da Alfândega do Porto de Belém/PA (ALF/Belém), que verificou discrepâncias entre os dados constantes das Declarações de Exportação no 20603390420 e no 20603364209 da empresa e as informações inseridas nos sistemas pelas pessoas intervenientes nos despachos aduaneiros, e teve por objetivo verificar as exportações da empresa efetuadas em 2006, em tal porto, e a origem dos recursos empregados em tais operações; (b) a empresa “VIGOROSA” foi constituída em 29/10/1999, com sede em São João Batista/SC, por sócios com modesta condição econômica (que não tiveram movimentação bancária desde 2001) e capital social de R$ 50.000,00, tendo a empresa, a partir de 2002, alterado endereço e criado filial, aumentado capital para R$ 80.000,00, e alterado quadro societário; (c) em diligência ao local da empresa “VIGOROSA”, a fiscalização encontrou residência, desocupada há meses, segundo a vizinhança, sendo frustrada também a tentativa de localizar a empresa (filial e sócio) pelos correios, havendo intimação por edital; (d) intimado o contador da empresa, este respondeu que não tinha mais contato com a empresa, que havia retirado toda a documentação em 2006; (e) com base nos documentos e registros à disposição da Aduana, enviados pela ALF/Belém, verificouse que a empresa efetuou as exportações relacionadas às fls. 15/16; (f) o despachante Ivair Dias de Freitas, que não está cadastrado no SISCOMEX como representante da empresa, atuou nos despachos em Belém, apesar de ser empregado de uma empresa no Rio de Janeiro, como provam os documentos recebidos da ALF/Belém, e o recibo de fl. 17, e, intimado, respondeu que nunca foi contratado pela empresa nem participou de fato dos despachos, mas que houve “troca de favores”, nas citadas exportações, sem maiores esclarecimentos (a fiscalização destaca aumento atípico na movimentação financeira do despachante, justamente no período em análise); (g) a presença de carga (atestado de que a carga estava, fisicamente, no recinto alfandegado), nos despachos, foi registrada pelo Sr. Paulo Ronaldo da Conceição Telles, preposto da depositária (Companhia Docas do Pará), sendo que não consta nos registros de tal recinto nem entrada nem saída de tal carga pelos portões de acesso; (h) os dados de embarque (registro de que a carga efetivamente embarcou) e respectivas alterações foram inseridos no SISCOMEX pela Sra. Ione Massarella Melo Tristão (preposta da Maersk Brasil Brasimar LTDA, em Macaé/RJ); (i) as declarações de exportação em análise foram averbadas automaticamente no SISCOMEX, em 30/03/2006, autorizando a saída da mercadoria do país, embora haja vários indícios de que a operação seja, de fato, uma simulação; (j) verificouse que entre os despachos de exportação da empresa, três (recepcionados em Belém em março/2006 e selecionados para os canais vermelho ou laranja de conferência) foram cancelados, por motivo de divergência na mercadoria e erro de classificação; (k) foram ainda registradas outras três declarações de exportação selecionadas para o canal verde (sem verificação fiscal), uma delas em relação às mesmas notas fiscais de um despacho cancelado, todas com inconsistências entre registros, inclusive impossibilidade física de transporte em um contêiner do volume exportado (fls. 20/21); (l) analisando os 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12719.000903/200849 Acórdão n.º 3401004.392 S3C4T1 Fl. 738 3 conhecimento de carga, várias inconsistências (como falta de assinatura, número de viagem, sigla e portos não usuais, ausência de informação sobre cubagem, e falta d informação sobre baldeação) demandaram intimação aos emissores, que informaram que os conhecimentos não pertencem a elas, nem forma por elas emitidos, respondendo ainda a Maersk que a Sra. Ione Massarella Melo Tristão sempre trabalhou no setor de documentação da empresa e nunca foi preposta perante o SISCOMEX, desconhecendo os referidos despachos; (m) a fiscalização recorda que a Sra. Ione era preposta da empresa, à época, mas que o SISCOMEX permite a prepostos de qualquer agência marítima informar os dados de embarque de determinada carga, desde que se saiba o número das declarações de exportação, e que a Sra. Ione provavelmente não estava diante dos conhecimentos forjados, pois informou no SISCOMEX numeração divergente da que neles constava; (n) a falsidade dos conhecimentos é comprovada pelos manifestos de carga dos navios; (o) a logística da operação de exportação também aponta para a simulação (aquisição de mercadorias no interior de São Paulo, entregues em Santa Catarina e no Paraná e – matriz e filial da empresa – sendo de lá transportadas até Belém, para exportação, com destino à Índia); (p) uma das duas empresas fornecedoras nacionais das mercadorias, intimada, respondeu que negociava com o Sr. Jair Rubim de Toledo, sendo as notas fiscais de remessa a empresa comercial exportadora, sem recolhimento de IPI e ICMS (e não de venda); (q) a empresa “VIGOROSA”, que não é comercial exportadora, declarou movimentação financeira de R$ 31.202,88, quando a venda a ela perfez R$ 1.191.396,40, o que leva à conclusão de que a empresa autuada não tem como comprovar a origem de recursos para a compra (e consequente exportação) efetuada; (r) tal fornecedora nacional informou os conhecimentos de carga que foram a ela enviados como comprovantes da exportação, e estes diferem dos apresentados à fiscalização, nos despachos (fls. 27/28), pela “VIGOROSA”; (s) a segunda empresa fornecedora nacional das mercadorias, intimada, respondeu tratou as operações com o Sr. Ramiro Alves Costa, que as notas emitidas também eram com fim específico de exportação, sem recolhimento de IPI e ICMS, e, pelos valores, a autuada também não tem como comprovar a origem de recursos para a compra (e consequente exportação) efetuada; (t) Jairo Rubim de Toledo, responsável pela empresa “VIGOROSA” desde 2004, adquiriu as cotas pelo valor de R$ 49.000,00, como consta na declaração de IRPF, e integralizaria R$ 30.000,00 em dez parcelas mensais, de março a dezembro de 2004, e apresenta situação financeira modesta (movimentação bancária apenas em 2000), e não declarou IRPF de 1999 a 2001, mas, em 2005, apresentou declarações relativas aos exercícios 2002, 2003 e 2004, nas quais constou dívida de R$ 49.000,00 relativa à “transferência de cotas” da empresa, e bens (móveis e veículos) em valor de R$ 100.000,00 – em consulta ao RENAVAM, tais veículos constam como de propriedade de terceiros, e não há nenhuma DIMOB relativa ao imóvel; (u) os rendimentos indicados por Jair Rubim de Toledo eram insuficientes para aquisição das cotas e os rendimentos informados para 2002 eram de fonte inativa naquele ano; (v) a empresa “VIGOROSA” declarouse inativa em 2001 e 2002, em DIPJ, e, em 2005, na mesma época em que foram retificadas as DIRPF de Jair Rubim de Toledo, a “VIGOROSA” retificou as IRPJ para 2003 e 2004, que passaram a ter valores expressivos (fl. 31), não confirmados pelos recolhimentos de tributos; (w) em 06/12/2006, a empresa “VIGOROSA” foi comunicada de que havia sido extrapolado seu limite de operações habilitado, não havendo resposta à intimação, e tendo sido suspensa a habilitação da empresa no SISCOMEX; e (x) diante do exposto, fica evidenciado que a empresa “VIGOROSA” não consegue comprovar sua capacidade econômica e financeira para suportar as operações de comércio exterior que realizou, com participação de Ramiro Alves Costa e Adelino Fernandes Valente (fls. 33 a 35), e utilizou documentos falsos na exportação, conduta apenada com o perdimento ou a multa que o substitui, no valor das notas fiscais de exportação, conforme disciplinado no artigo 618, VI e § 1o do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto no 4.543/2002). Fl. 739DF CARF MF 4 A empresa “VIGOROSA” foi cientificada da autuação por edital, em 15/06/2008 (fl. 528), não tendo apresentado contrarrazões. A empresa Maersk Brasil Brasmar LTDA, teve ciência da autuação em 14/08/2008 (AR à fl. 531), e interpôs impugnação em 15/09/2008 (fls. 554 a 567), alegando, em síntese, que: (a) à época dos fatos, a empresa sequer atuava no Porto de Belém/PA (local do suposto embarque das mercadorias para o exterior), e não agenciou cargas embarcadas nesse porto em navios da CMA/CGM, nem tem nenhuma relação comercial com a empresa “VIGOROSA”, sendo vítima dos fatos narrados; (b) como esclareceu quando intimada, houve uso indevido de CPF e senha da Sra. Ione Massarella Melo Tristão, que é funcionária da empresa desde 2001, não tem poderes para representar a CMA/CGM; (c) os conhecimentos de carga de que trata a fiscalização não existem, de acordo com os controles internos da empresa; (d) tendo em vista as flagrantes irregularidades (presença de carga incorreta, contêineres em número incompatível com a quantidade de carga, entre outros), deveria a autoridade aduaneira ter interrompido o despacho, conforme legislação de regência; (e) ainda que se cogite a responsabilização da funcionária, estaria a empresa isenta de responsabilidade pois a conduta teria sido de iniciativa e motivação pessoais; (f) não há conexão entre os fatos narrados (simulação de exportação, sem embarque) e a multa aplicada (substitutiva do perdimento), nem se pode dar presunção de veracidade às declarações da empresa “VIGOROSA”; (g) a aplicação da multa se dá em desconformidade com as regras de valoração aduaneira, já que não s pode, no caso, utilizar o primeiro método (valor de transação); (h) houve capitulação equivocada ada infração, visto que não havendo exportação, não há que s falar em exportação com uso de documento falso; e () não houve dano ao Erário – falta de pagamento de tributo. A Companhia Docas do Pará, por seu turno, foi notificada da autuação em 18/08/2008 (AR à fl. 533), e, em sua impugnação, apresentada em 19/09/2008 (fls. 599 a 605), sustentou, basicamente, que: (a) conforme relatado pelo Sr. Ronaldo da Conceição Telles, preposto da depositária, a carga em análise nunca foi verificada, tendo sido a aposição de presença efetuada por agente externo (hacker ou cracker), que teve acesso ao SISCOMEX de forma ilícita; (b) é possível identificar imprecisões nos relatórios do SISCOMEX não observadas pela auditoria da RFB, como os horários simultâneos de inclusão das duas presenças de carga, os horários de seleção/liberação; (c) pelos flagrantes indícios de violação do SISCOMEX, recomendase seja a questão tratada pela Polícia Federal, demandandose perícia especializada; (d) a liberação das mercadorias depende de expressa manifestação da Aduana, sendo esta, então, também solidária na responsabilidade, pois agiu com “culpa in elegendo” ou “culpa in vigilando”; e (e) há incongruência no cálculo da multa, que adotou valor “fictício” das exportações sabidamente não realizadas. Em 10/12/2013, a DRJ unanimemente converte o julgamento em diligência, para esclarecimentos por parte da unidade preparadora da RFB, tendo em vista as defesas no mesmo sentido de que houve irregular acesso ao SISCOMEX com senha de seus funcionários por agentes externos, e de que havia incongruências nos dados registrados, tomando em conta ainda que a fiscalização aponta no relatório a participação de outras pessoas nos fatos irregulares, e que não foram expressamente arroladas no polo passivo. Buscando atender a diligência, a unidade da RFB informa (fl. 666) que adotou apenas os dados do SISCOMEX, tomando os registros como efetuados pelas pessoas detentoras das senhas de acesso correspondentes, que o relatório apresentado pela impugnação não foi usado no curso da ação fiscal, e que a unidade entende não haver responsabilidade de outras pessoas. O julgamento de primeira instância ocorreu em 27/11/2015 (fls. 690 a 715), no qual se decidiu unanimemente por não se conhecer da impugnação apresentada pela Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12719.000903/200849 Acórdão n.º 3401004.392 S3C4T1 Fl. 739 5 Companhia Docas do Pará, intempestiva, e pela nulidade formal da autuação, por incongruência entre a descrição dos fatos e o rol de sujeitos arrolados no polo passivo da autuação, essencialmente pelos seguintes fundamentos: (a) “embora a lei disponha que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, as normas que regulam a formalização do lançamento determinam que todos devem ser incluídos na autuação, não cabendo à autoridade lançadora optar por não incluílos” (sic); (b) que “ao apresentar, na descrição dos fatos, diversos comprovados partícipes, sem incluílos na autuação, o auto de infração mostrouse incongruente...”, “...o que denota a ocorrência de vício formal”, pois “...a motivação correspondente à sujeição passiva, apresentada pela fiscalização na descrição dos fatos do auto de infração, está incongruente com a conclusão contida na peça fiscal, uma vez que nem todas as pessoas apontadas pelos autuantes foram incluídas no polo passivo”. Em função do valor exonerado, recorreuse de ofício. Em dezembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por sorteio. O processo foi indicado para a pauta desde junho de 2017, mas não havia pautado até outubro de 2017, em função do excesso de número de processos a julgar. Em novembro e dezembro de 2017 não houve sessões de julgamento. Em janeiro de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Como bem destacou a DRJ, a empresa “VIGOROSA”, sequer localizada, foi revel, e a peça recursal inaugural apresentada por Companhia Docas do Pará, notificada da autuação em 18/08/2008 (uma segundafeira), foi apresentada apenas em 19/09/2008, depois de esgotado o prazo recursal. Conheceu o julgador de piso, então, acertadamente, apenas da impugnação apresentada pela empresa Maersk Brasil Brasmar LTDA. E, declarando a nulidade formal do lançamento, em valor superior à alçada então aplicável, interpôs recurso de ofício a este CARF. O valor original da multa lançada é de R$ 2.175.839,30. Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: Fl. 741DF CARF MF 6 I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) À época em que foi proferida a decisão de piso (2015), o Ministro da Fazenda fixava, para efeitos do disposto no artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972, o valor de R$ 1.000.000,00, na Portaria MF no 3/2008. Legítima, assim, em primeira análise, a interposição de recurso de ofício. No entanto, dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, já vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00. Assim, não deve se conhecer do recurso de ofício, em função do que determinam o artigo 34, I, do Decreto no 70.235/1972 e a referida súmula. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada, de acordo com o teor da Súmula CARF no 103. Rosaldo Trevisan Fl. 742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721533/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/01/2009 a 09/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA PELO COLEGIADO. REJEIÇÃO.
Evidenciando-se que o colegiado objetivamente se manifestou sobre o tema tido como omisso, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes.
Numero da decisão: 3401-004.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que entendiam pela acolhida dos embargos, interpretando que deveria constar no resultado do julgamento a razão externada pelos vencidos.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/01/2009 a 09/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA PELO COLEGIADO. REJEIÇÃO. Evidenciando-se que o colegiado objetivamente se manifestou sobre o tema tido como omisso, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que entendiam pela acolhida dos embargos, interpretando que deveria constar no resultado do julgamento a razão externada pelos vencidos. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA EFETIVAMENTE TRATADA PELO COLEGIADO. REJEIÇÃO. Evidenciandose que o colegiado objetivamente se manifestou sobre o tema tido como omisso, devem ser rejeitados os embargos de declaração correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que entendiam pela acolhida dos embargos, interpretando que deveria constar no resultado do julgamento a razão externada pelos vencidos. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 15 33 /2 01 3- 86 Fl. 6901DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fl. 6886 a 6890)1 opostos por Conselheiro do CARF (Augusto Fiel Jorge D’Oliveira) em relação ao Acórdão nº 3401 003.793 (fls. 6862 a 6878), sob minha relatoria, no qual, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar o lançamento em relação a internações decorrentes de aquisições das empresas Honda Componentes da Amazônia LTDA, Honda Lock do Brasil LTDA, Keihin Tecnologia do Brasil LTDA, Musashi da Amazônia, LTDA, FCC do Brasil LTDA, e Nissin Brake do Brasil LTDA, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, no que se refere a aquisições da empresa Honda Componentes da Amazônia LTDA. Alega o embargante que houve omissão em relação a ponto sobre o qual deveria a turma se pronunciar de ofício sobre o sentido de coligada externado no artigo 7o, § 5o do DecretoLei no 288/1967. Externa ainda o Conselheiro seu posicionamento a respeito de tal matéria (no sentido de ser a relação de coligação um “piso”), o que faria com que a autuação devesse ser mantida também para as aquisições da empresa Honda Componentes da Amazônia LTDA. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 6892 a 6895, datado de 31/10/2017, identificandose que restou apontada objetivamente omissão em relação a tema não ventilado pelas partes, mas decorrente da discussão travada pelos julgadores, e do conceito adotado no voto condutor, e que deveria ter sido tomado em conta por ocasião das deliberações do colegiado, de ofício. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 6892 a 6895, passase diretamente à análise da omissão objetivamente apontada. Alega o embargante ter havido omissão sobre tema sequer suscitado pela defesa, mas que surgiu dos debates no seio do colegiado, em função da definição de coligada adotada no voto do relator. Após reconhecer que o acórdão embargado corretamente afastou o conceito alargado do artigo 1097 do Código Civil, adotando o conceito que se extrai do artigo 1099 da mesma codificação, afirma o embargante (fl. 6889): Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 10283.721533/201386 Acórdão n.º 3401004.453 S3C4T1 Fl. 6.902 3 Tal questão, no entanto, foi objeto de debate no colegiado, sendo o ponto de partida da discussão externada no voto condutor (fl. 6870): Apesar de prevalecer o entendimento externado no voto do relator, é importante destacar que o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (vencido) defendeu exatamente o posicionamento que o embargante entendeu como não discutido no colegiado, defendendo a manutenção do lançamento em relação às aquisições da empresa Honda Componentes da Amazônia LTDA. Assim, parece que o que se deseja nos embargos é retomar discussão já empreendida durante o julgamento, da qual o embargante participou, no entanto sem atentar para o posicionamento externado pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida (vencido), idêntico àquele sobre o qual teria se omitido o colegiado. O feito prático seria unicamente a mudança do voto do embargante, que aderiria à tese defendida pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. No entanto, depois de proferido o resultado do julgamento, com votos externados por todos os conselheiros presentes nos debates, entendo não mais ser possível, salvo em caso de erro justificado, alterar o teor do voto, ainda que tal alteração não afete o resultado geral do julgamento. Tal possibilidade de alteração, se existente, traria insegurança jurídica aos julgamentos, permitindo a reabertura de discussão em relação a temas votados no seio do colegiado. Entendo, assim, não haver propriamente omissão na decisum do tribunal administrativo, que enfrentou os temas trazidos pelas partes e, inclusive, o tema aventado de ofício referido nos embargos, como se verifica da própria dissonância de entendimento externada pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Diante do exposto, devem ser rejeitados os embargos de declaração apresentados. Fl. 6903DF CARF MF 4 Rosaldo Trevisan Fl. 6904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000150/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas (Súmula nº 1 do CARF). SOBRESTAMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O curso do processo administrativo não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-000.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão de concomitância na esfera judicial.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas (Súmula nº 1 do CARF). SOBRESTAMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O curso do processo administrativo não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas (Súmula nº 1 do CARF). SOBRESTAMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. O curso do processo administrativo não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão de concomitância na esfera judicial. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1447DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.094 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1448DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.095 3 Relatório TI Brasil Indústria e Comércio Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 510 a 520, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatouse o seguinte: DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL A contribuinte impetrou Ação de Mandado de Segurança (nº 2005.61.00.0285947), sobre matéria de preços de transferência, visando obter liminar para afastar a obrigatoriedade da elaboração do cálculo na importação de componentes utilizados no processo de produção de produto destinado a venda, pelo método PRL60% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 60%), a partir do anocalendário de 2003, utilizando a IN SRF nº 243/2002, por considerála contrária às determinações previstas na Lei nº 9.430/96. Em 15/12/2005, a Juíza Federal Rosana Ferri Vidor concedeu a liminar pleiteada, determinando que fosse “suspensa a exigibilidade dos créditos decorrentes da aplicação da Lei 9.430/96 sem a Instrução Normativa 243/02, mas sua antecessora, a IN 32/01, até o final da demanda” (fl. 15). A contribuinte apresentou Certidão de Objeto e Pé, datada de 02/10/2008, que certifica que os autos encontramse conclusos para sentença desde 17/02/2006 (fl. 12). DO PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO Face à liminar concedida, e visando à garantia da constituição do crédito tributário, sob pena da ocorrência do instituto da decadência por ocasião do julgamento final da demanda, foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal para a apuração de matéria pertinente ao preço de transferência pela IN SRF nº 243/2002. O encerramento será parcial, relativo ao anocalendário de 2003. A constituição do crédito tributário foi feita em 2 processos distintos: a) neste processo (nº 16561.000150/200863) estão constituídos os créditos “sub judice” (com exigibilidade suspensa), sem a aplicação da multa de ofício de 75%, que ficarão aguardando a decisão final do julgamento de mérito do Mandado de Segurança; b) no outro processo (nº 16561.000166/200876), os créditos tributários que não estão amparados por medida liminar (com multa de ofício de 75% e juros de mora). A fiscalização adotou o seguinte procedimento: Fl. 1449DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.096 4 Na apuração do preço de transferência relativo à importação de componentes consumidos no processo de produção, em que a contribuinte adotou o método PRL 60%, a diferença entre o ajuste apurado pela fiscalização (aplicando o artigo 12, inciso IV, alínea “b”, da IN SRF nº 243/2002) e o apurado pela contribuinte (aplicando a IN SRF nº 32/2001, declarado na DIPJ/2004 anocalendário 2003), estão constituídos de forma “sub judice” (com exigibilidade suspensa), sem a aplicação da multa de ofício de 75%, e ficará aguardando nessa situação até o julgamento de mérito definitivo do Mandado de Segurança; Na apuração do preço de transferência na importação pelo método PRL20% (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) e na exportação pelo método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro), as diferenças apuradas pela fiscalização estão constituídas com a cobrança de multa de ofício de 75% e de juros de mora. DOS COMPONENTES IMPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte atua no segmento de autopeças e acessórios para veículos automotores de alta tecnologia e com poucos concorrentes no mercado nacional. No período fiscalizado fabricou, basicamente, produtos da linha de Bomba de Combustível e Sistemas de Freios e de Refrigeração (ar condicionado), e diversos componentes da sua linha de produção, como tubos do sistema de freios, tubos do sistema de combustível, tubos do sistema de refrigeração, etc. A contribuinte, durante do 2 anos fiscalizados (2003 e 2004), importou, também, insumos diversos, para a fabricação de tubos de freios, de combustível e de refrigeração. DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELA CONTRIBUINTE A contribuinte exportou, basicamente, produtos por ela fabricados, destacandose, entre outros: módulo de combustível, tubo de aço eletrosoldado (diversos) e tubo de freio (diversos). DA ESTATÍSTICA DO COMÉRCIO EXTERIOR DA CONTRIBUINTE Nos anoscalendário de 2003 e 2004, a contribuinte realizou importação e exportação de/para pessoas vinculadas (sujeitas a ajuste de preço de transferência) e não vinculadas, conforme resumo à fl. 513. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – ANOCALENDÁRIO 2003 Da importação – método PRL60% Da análise da DIPJ/2004 (anocalendário de 2003), foi constatado que a contribuinte adotou e calculou os valores de ajuste em suas importações pelo método PRL60%,aplicando o disposto na alínea “b” do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 32/2001, obtendo ajuste total de R$ 328.886,56, conforme Tabela nº 02 (fls. 514 a 517). A fiscalização, por sua vez, adotou, para os componentes importados que foram aplicados, pela contribuinte, na produção de outro bem, o método PRL60%, em conformidade com o disposto na alínea “b” do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 32/2001. Fl. 1450DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.097 5 Os preços praticados foram calculados de acordo com os documentos de importação. Foram considerados os valores de fretes e seguros internacionais e o imposto de importação (conforme artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002) e os estoques iniciais existentes no início do período de apuração (conforme artigo 12, §§ 2º e 3º, da IN SRF nº 243/2002). Vide Anexo nº 11. Os preçosparâmetro foram calculados segundo o disposto no artigo 12, inciso IV, alínea “b”, e § 11, da IN SRF nº 243/2002. Vide Anexo nº 12. A fiscalização (utilizando a IN SRF nº 243/2002) apurou divergências de ajustes (para maior), em relação aos cálculos efetuados pela contribuinte (utilizando a IN SRF nº 32/2001), para 14 itens, conforme Tabela 03 (fl. 518). Para esses itens, a fiscalização apurou ajuste total de R$ 8.704.292,20, e a contribuinte R$ 42.704,81. A diferença (R$ 8.661.587,39) deve ser lançada, na forma “sub judice”, até o julgamento definitivo de mérito do Mandado de Segurança. Os demonstrativos da apuração efetuada pela fiscalização constam dos Anexos nºs 10 (Resumo Geral do Valor de Ajuste – PRL60% IN SRF nº 243/2002); 11 (Demonstrativo do Preço Praticado – Importação); e 11 (Demonstrativo do Preçoparâmetro – Método PRL60% IN SRF nº 243/2002); e 12 (Demonstrativo de Apuração do Preço Líquido de Venda – PLV). DA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Devido à existência de liminar em mandado de segurança, os lançamentos do crédito tributário para o anocalendário de 2003 estão constituídos em 2 processos apartados: No processo nº 16561.000150/200863, a matéria relativa aos preços de transferência – método PRL60%, com exigibilidade suspensa; e No processo nº 16561.000166/200876, as demais matérias, com constituição normal (com multa de ofício de 75% e juros de mora). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados, no presente processo (nº 16561.000150/200863), os seguintes lançamentos (com exigibilidade suspensa), relativos ao anocalendário de 2003: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 496 a 500 Fundamento legal artigo 241 do RIR/99 Crédito Tributário 1.515.777,79 Imposto (em reais) 1.023.301,58 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 2.539.079,37 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fl. 1451DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.098 6 Auto de Infração fls. 501 a 505 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 545.680,00 Contribuição (em reais) 368.388,56 Juros de mora (cálculo até 28/11/2008) 914.068,56 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 2.539.079,37 IRPJ 28/11/2008 914.068,56 CSLL 3.453.147,93 TOTAL Obs. Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 993/994, os quais, no entanto, não alimentaram o SAPLI, conforme pesquisa de fls. 1050/1051). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 22/12/2008 (fls. 497 e 502), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fls. 1024/1025), apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 998 a 1022, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE O presente lançamento foi lavrado com o objetivo de exigir valores a título de IRPJ e CSLL, cuja exigibilidade está sendo discutida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285947. Em outras palavras, o lançamento foi realizado de forma totalmente vinculada ao processo judicial em referência,, já que a obrigação tributária só terá sua existência confirmada em caso de eventual decisão judicial desfavorável à impugnante. Por tal motivo, resta clara a necessidade do imediato sobrestamento deste processo, nos termos do artigo 265, inciso IV, “a”, do Código de Processo Civil (CPC). Assim, requerse o sobrestamento do presente processo administrativo, até o julgamento final do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285947. DO DIREITO O cerne da discussão ao lançamento ora atacado é a (1) ilegalidade e (2) inaplicabilidade do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 em relação aos fatos geradores do presente Auto de Infração, o qual distorce as regras previstas no artigo 18, inciso II, “d”, “1”, da Lei nº 9.430/96, para a apuração do preçoparâmetro do método PRL60% e operações com pessoas vinculadas. Fl. 1452DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.099 7 Às fls. 1002 a 1022, a impugnante apresenta suas razões de mérito, visando demonstrar a ilegalidade do citado artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. DO PEDIDO Por todo o exposto, a impugnante requer, preliminarmente, o sobrestamento do presente processo administrativo, até a decisão final do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285947. Caso assim não se entenda, a impugnante requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, em virtude da comprovada ilegalidade do cálculo do método PRL60% proposto pelo artigo 12 da IN SRF nº 243/2002, diante dos termos da Lei nº 9.430/96.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 21.619 (fls. 1.0541.061) de 01/06/2009, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MÉTODO PRL60%. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA E SOBRESTAMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. O curso do processo administrativo não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 12/06/2009 (A.R. de fl. 1.064), a interessada interpôs recurso voluntário em 06/07/2009 (fls. 1.0651.091) onde repisa os argumentos já apresentados. É o relatório. Fl. 1453DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.100 8 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Destaquese, de início, que, pela íntima relação de causa e efeito entre a autuação do IRPJ e da CSLL, e por dependerem dos mesmos elementos de prova, a presente decisão se estende a ambos os tributos. DO SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO Aduz a recorrente, em face da aplicação do Código de Processo Civil (CPC), ser de direito o sobrestamento do presente julgamento até a decisão final do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285947. Descabe razão à recorrente nesse sentido. O parágrafo único do artigo 62 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios”. Dessa forma, tendo em vista a existência de norma específica aplicável, não há que se falar em aplicação subsidiária do Código de Processo Civil (CPC). Por outro lado, quanto aos atos executórios, há que se reconhecer sua suspensão enquanto vigentes as medidas judiciais que determinem a suspensão da cobrança do tributo objeto do presente processo fiscal, nos termos do já citado parágrafo único do artigo 62 do Decreto nº 70.235/72. DA ANÁLISE DE MÉRITO Quanto ao mérito, há que se esclarecer que a contribuinte contesta judicialmente (Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0285947) o mesmo objeto do presente lançamento. Nesse sentido, conforme dispõem o artigo 1º, §2º, do Decretolei nº 1.737/79, e o artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Com base nas normas acima, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3/96, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. Na mesma linha, a Súmula Nº 1 do CARF estabelece: Fl. 1454DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000150/200863 Acórdão n.º 140200.723 S1C4T2 Fl. 1.101 9 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, tendo em vista ser o objeto do lançamento o mesmo da ação judicial, deixo de tomar conhecimento das razões de mérito alegadas pela impugnante no presente processo administrativo. Por outro lado, quanto aos atos executórios, nos termos do parágrafo único do artigo 62 do Decreto nº 70.235/72, há que se reconhecer sua suspensão enquanto vigentes as medidas judiciais que determinem a suspensão da cobrança do tributo objeto do presente processo fiscal. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1455DF CARF MF Emitido em 15/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13847.000926/2008-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
Numero da decisão: 1002-000.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrente GRUPO AMIZADE DE TERCEIRA IDADE JUNQUEIROPOLIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 7. 00 09 26 /2 00 8- 51 Fl. 35DF CARF MF 2 Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 11/03/2010, consubstanciada no Acórdão n.º 1428.017, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º Trimestre do Ano Calendário 2006, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DISPENSA DE EMENTA MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de falta de entrega da declaração no prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração em espécie foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 113, § 3.º, 115 e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 7.º, I e II, § 3.º, I, da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: 1.º Trimestre/2006, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, requereu a reforma, sob o argumento de que não haveria legitimação de apresentação de declaração de débitos e créditos, sob pena de multa, uma vez que a entidade não tem por finalidade lucro, bem como não gera débitos de qualquer âmbito fiscal e apresenta a RAIS e DIPJ. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13847.000926/200851 Acórdão n.º 1002000.097 S1C0T2 Fl. 32 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, argumentar que a obrigação instrumental não existiria por ser entidade sem fins lucrativos e por não gerar receitas e por apresentar a RAIS e DIPJ regularmente. No entanto, está equivocada. Deveras, observo que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelecia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Deveras, constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 37DF CARF MF 4 Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13847.000926/200851 Acórdão n.º 1002000.097 S1C0T2 Fl. 33 5 Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo Fl. 39DF CARF MF 6 DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13847.000926/200851 Acórdão n.º 1002000.097 S1C0T2 Fl. 34 7 tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 41DF CARF MF
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