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Numero do processo: 10670.720245/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
PEDIDO DE DILIGENCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível o pedido de diligência ou perícia.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SUMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 110.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR
E cabível a responsabilização pelo crédito tributário do sujeito passivo à terceiros, quando praticados atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária.
JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação/recurso, não podendo o contribuinte apresentá-la em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
Numero da decisão: 2202-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. PEDIDO DE DILIGENCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível o pedido de diligência ou perícia. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SUMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF nº 110. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 02 45 /2 01 1- 89 Fl. 2229DF CARF MF 2 E cabível a responsabilização pelo crédito tributário do sujeito passivo à terceiros, quando praticados atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação/recurso, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0233.831, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE, efls. 1336/1355) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 28 a 36, referese à contribuição destinada à Seguridade Social, incidente sobre remuneração paga a empregados, no período de 05/2006 a 13/2007, sendo: Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 1.995 3 DEBCAD 37.297.3019 – (consolidado em 14/02/2011, no valor de R$ 806.314,92) parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como, glosa de salário família; As GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, competências 05/2006 a 08/07, foram apresentadas à Seguridade Social com a informação de que a empresa era optante pelo SIMPLES, sendo confessadas, assim, apenas as contribuições descontadas dos segurados empregados. Foram constituídas as contribuições patronais incidentes sobre as remunerações declaradas em GFIP, período 05/06 a 08/07, bem como as devidas sobre remunerações não declaradas em GFIP. DEBCAD 37.297.3035 – (consolidado em 14/02/2011, no valor de R$ 1.123,75) parte dos segurados, descontada de suas remunerações, mas, não repassadas aos cofres públicos. As contribuições não foram declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Esclarece a fiscalização no item 5 do Relatório Fiscal, fls. 29, que após emissão de representações fiscais (cópias às fls. 150/155 – para período abrangido pela Lei 9317/96, e fls. 156/161 – para período da LC 123/2006), a autuada foi excluída do Simples – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, com efeitos a partir de 01/02/2006, através do Ato Declaratório Executivo DRF/MCR de nº 003/2011, fls. 162, bem como, do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, a partir de 01/07/2007, conforme Termo de Exclusão do SIMPLES NACIONAL de nº 001/2011, fls. 163. Verificouse durante a ação fiscal, ser a Destak prestadora de serviços de cessão de mãodeobra, e que a mesma resultou de desmembramento da empresa RGE – Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 41.697.186/000167 (item 4, fls. 28). Em virtude dos fatos apurados pelo auditor fiscal, narrados no item 9, subitens 9.1 a 9.13, foi atribuída à RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 41.697.186/000167, a responsabilidade solidária pelas contribuições lançadas, sendo emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 511/513, com fundamento nos artigos 124, I e II, do Código Tributário Nacional, 30, IX, da Lei 8.212, de 1991, e 222 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Entre tais fatos destacamos: A Destak explora a atividade de transporte terrestre de cargas, como mesas, cadeiras, geladeiras, garrafeiras, vasilhames e bebidas, atividade essa, antes de sua criação exercida pela RGE que se dedica a comercialização de bebidas. Fl. 2231DF CARF MF 4 Todos os conhecimentos de transportes rodoviários de carga emitidos pela Destak têm como remetente das mercadorias a RGE. Os empregados da Destak são colocados à disposição da RGE, para executar atividade que até a constituição da transportadora era executada pela própria RGE. A RGE transferiu para a Destak a maioria de seus empregados. A data de admissão da quase totalidade dos empregados da Destak é anterior a sua constituição em 05/2006. A Destak possui como sede apenas uma sala situada no centro da cidade de Montes Claros/MG. Em várias tentativas de visita, o local estava fechado; os dois telefones disponíveis para contato com a Destak, um é do contador e o outro do sócio da RGE. Não há bem registrado no ativo permanente da Destak, nem há registro de pagamento de despesas necessárias ao funcionamento de qualquer empresa, quais sejam: de energia, água, telefone e material de expediente. Não possui veículo escriturado na contabilidade da empresa de transporte no ativo permanente ou em qualquer outra conta, assim como, não há, também, registro de pagamento de aluguel, de conserto ou aquisição de peças. Os veículos utilizados pela Destak para o transporte de mercadorias eram da RGE. As duas sócias da Destak são filhas do sócio administrador da RGE. No livro diário da Destak, nas datas de 10/09/07 e 10/11/07, há dois lançamentos com débito na conta caixa a crédito na conta de empréstimo denominada RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, registrando suposto empréstimo nos valores, respectivos, de R$400.000,00 e R$520.000,00. O Capital social da Destak, por sua vez, é de apenas R$100.000,00. Cientificadas do lançamento, as empresas envolvidas apresentam impugnações ao lançamento. A RGE – Distribuidora de Bebida Ltda às fls. 528 a 591 e a Destak Transportes e Logística LTDA, às fls. 659 a 721. As impugnações apresentadas por ambas apresentam os mesmos teor e questionamentos. Apenas divergem em alguns itens, como Terceirização e Empréstimos. No capítulo Terceirização, a RGE fala nos itens 13 a 22 (fls. 546/549) de seu propósito negocial, narra sua trajetória e justifica a contratação da Destak para enxugamento de custos, conclui dizendo que é lícita tal prática. Preenchendo a lacuna surgida, a Destak fala nos itens 15 a 20 (fls. 679/681) da validade, legalidade e nulidade dos atos administrativos, assunto este que a RGE trata no capítulo referente ao Auto de Infração 37.297.301 9 (itens 16 a 19 – fls. 575 a 577). Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 1.996 5 Na parte atinente a Empréstimos, a Destak acrescenta exposição de Alfredo Augusto Becker (item 14 , fls. 686/687). Em síntese, as impugnantes alegam: É ilegal a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional da empresa Destak que embasou a lavratura dos autos, uma vez que os tributos foram recolhidos sob os citados regimes. As irregularidades ocorridas no procedimento fiscal não legitimam o lançamento por vício de ilegalidade ou afronta ao artigo 2º da Lei 9.784/99. Não há diferença de tributos a ser lançada/cobrada. Apresentam julgados administrativos e judiciais pertinentes à matéria e requerem diligências e perícias, fundamentados nas leis reguladoras do processo administrativo fiscal, com nomeação de perito assistente, conforme artigo 5º, LV, da Constituição Federal, bem como já pronunciou o STF na Súmula Vinculante 5. Requererem também, sustentação oral, bem como, a análise a partir dos enunciados descritivos constitucionais. MOTIVOS DA DISCORDÂNCIA E AS RAZÕES Foi apresentada pela Destak, Manifestação de Inconformidade em face do ADE 003/20011, que aguarda julgamento. As impugnantes possuem contrato de prestação de serviços, registrado em cartório, fruto de objeto jurídico lícito, incluindo o de locação de veículo, em anexo, documentos suficientes para provar o alegado, nos termos dos artigos 212, caput e incisos II, III, IV, e V c/c 219 e seguintes do Código Civil. A Destak Transporte e Logística Ltda foi legalmente constituída, como permite o artigo 170 da CR/88 c/c artigo 1º, III e IV e 5º e Código Civil, art. 972. A Destak pode ser enquadrada no Simples, não desenvolve atividade incompatível nem ilícita e não pode ser desconsiderada de sua validade. Não há irregularidade na emissão dos conhecimentos de transporte. Não é crime contratar ex empregados de empresa que sequer é coligada. O auditor agiu com pessoalidade no desenquadramento da empresa Destak, o que é vedado pelo artigo 37 da CR/88. A administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, Fl. 2233DF CARF MF 6 segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2º da Lei 9.784/99). TERCEIRIZAÇÃO O ordenamento jurídico permite que uma empresa, mediante contrato entregue a outra certa tarefa, não incluída em seu fim social. A RGE por planejamento e não sonegação terceirizou o transporte de suas mercadorias. Em momento algum houve fraude/dolo/simulação e/ou crime na terceirização, todos os tributos foram recolhidos. O TRT reconheceu a possibilidade de terceirização de quase todas as atividades da Light. A forma como se procedeu a autuação da Destak, assim como a inclusão da RGE como solidária demonstram a ânsia do fisco, em sua neurose fiscal, autuando por suposição, sem demonstrar sonegação ou simulação. EMPRÉSTIMOS Os empréstimos a que se refere o auditor foram contabilizados e não se tratam de atividade ilícita. Foi arbitrária a exclusão da Destak do Simples, o dispositivo do artigo 116, parágrafo único, do CTN não pode ser aplicado ao caso, pois carece de regulamentação. A autoridade administrativa deve buscar a verdade material. PROVAS ILÍCITAS É praxe do Erário presumir fatos, visando facilitar a prova do ilícito, presunção essa relativa. Assim, requerem a realização de perícia contábil para que se comprove a regularidade fiscal do contribuinte, bem como diligências no sentido de verificar que a empresa encontrase devidamente em atividade regular perante os órgãos da Administração Pública. Conceituam prova ilícita e prova obtida por meio ilícito para concluirem que as provas que fundamentaram o convencimento da administração pública são ilícitas, por afrontarem princípios constitucionais, como ampla defesa, contraditório e legalidade. PLANEJAMENTO FISCAL Citando a Lei Complementar 104/2001, o artigo 150, IV, da CR/88, deduzem que não pode haver a desconsideração dos atos e negócios jurídicos realizados entre as duas empresas, Destak e RGE, devendo ser julgado improcedente o ato de exclusão retroativa do Simples, por ausência de justa causa. ELISÃO Improcede a determinação de desenquadramento do regime do Simples. Qualquer lançamento realizado em virtude da exclusão dos Simples Federal e Nacional deve ficar suspenso aguardando Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 1.997 7 o deslinde dos processos administrativos 10670.720242/201145 e 10670.720244/201134. CONSELHO DE CONTRIBUINTES E CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. JURISPRUDÊNCIA. A assertiva de que houve cessão de mão de obra não poderia ser base para o ato de exclusão, pois não houve diligência do auditor fiscal para verificar se havia subordinação das tarefas, apenas presumiu. Citam julgados. CABIMENTO DA IMPUGNAÇÃO Visando assegurar o direito à ampla defesa, contraditório e acesso a justiça, concretizando o art. 5º, XXXIV, “a”, da CR/88, ingressam com a presente impugnação para que anulem os lançamentos, objeto da presente. PRINCIPIO DA JUSTIÇA TRIBUTÁRIA Definem ética fiscal pública e privada. Dizem que a ética fiscal pública é informada pelos valores da liberdade, igualdade, segurança e solidariedade. AUTO DE INFRAÇÃO 37.297.3019 Depreendese do Discriminativo de Débito, em anexo, que foi realizado o lançamento SAT com a aplicação de 3%. Porém, muito se discute a respeito da ilegalidade da cobrança do SAT (Decretos 2.172/97 e 3.048/99), tendo a questão sido pacificada pelo STJ (Cita julgados). Amparado em atos normativos, o INSS não contabiliza a integralidade dos empregados da empresa (exclui os administrativos, embora sem base legal) para fins de verificação da preponderância do grau de risco e apuração do SAT devido. Tal prática do INSS é ilegal, face a ausência de previsão legal. A exclusão dos trabalhadores administrativos do cômputo dos empregados para fins de determinar o grau de risco/SAT, fere o princípio da isonomia. Não houve diligência para que fosse aplicada a alíquota de 3%, por isso impugnase os valores lançados a título de SAT. Com relação a glosa de salário família, esse já foi objeto de lançamento no DEBCAD 37.297.3000, ou seja, está ocorrendo “bis in idem”. Não resta, portanto, outra medida, senão a nulidade do presente lançamento, posto que já foi objeto de outro AI também, em discussão. MULTAS Fl. 2235DF CARF MF 8 A cumulação da multas de mora e de ofício é ilegal e foi diversas vezes declinada pelo CARF. Com a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 303/06, com a edição da Lei 11.941/09 e por força do art. 106 do CTN, devese aplicar a mais benéfica. Os supostos débitos já estão sendo corrigidos pela taxa SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO 37.297.3035 Com relação a este lançamento, confessam o débito e requerem autorização para o seu pagamento. REQUERIMENTO DE PROVAS Requerem seja realizada perícia e diligência para que seja constatada a regularidade das impugnantes. Requerem a juntada de documentos novos, bem como, que sejam prestadas informações pelo fiscal ou sua oitiva, para correta formação de juízo da autoridade julgadora. Requerem a produção de sustentação oral. PEDIDOS Requerem, ainda: o recebimento, processamento e apreciação das impugnações. Seja deferida, preliminarmente, a sustentação oral, às impugnantes no julgamento de 2ª instância, bem como o requerimento de diligências, no sentido de verificar a plausabilidade da legislação tributária, compreendida entre leis, tratados, decretos e as normas complementares, ao final declarando a procedência dos créditos existentes. Diligências imediatas no sentido de se apurar e validar os recolhimentos realizados, bem como os valores declarados em GFIP. Indicam como perito o Dr. Paschoal Rizzi Nadeo, CRC 1SP40389/01 – APEJESP 1.055, com endereço à R. Riachuelo – 326, 20º, cjs 202 e 203 São Paulo – SP. Diligência em prestígio ao direito de ampla defesa e contraditório provar o que se está alegando. A suspensão no julgamento do referido processo administrativo, haja vista que é imprescindível que se decida sobre o ADE 003/11. Que as intimações do processo administrativo sejam encaminhadas aos procuradores que subscrevem as defesas. A improcedência dos lançamentos realizados. Apresentam quesitos preliminares para realização de perícia. A impugnação foi julgada improcedente DRJ/BHE, mantendo o crédito tributário exigido. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 1.998 9 Período de apuração: 01/05/2006 a 30/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFETUADO COM BASE NO REGIME NORMAL DE TRIBUTAÇÃO. Uma vez promovida a exclusão do Simples, estabelecida em procedimento próprio, são devidas as contribuições patronais previdenciárias. a contar da data em que surtiram os efeitos desta exclusão, sendo imprópria a discussão relativa à matéria em lançamento de crédito previdenciário A discussão acerca da exclusão do contribuinte do SIMPLES se dá em processo administrativo próprio, apartado do Auto de Infração. A exclusão do Simples não implica desconsideração da pessoa jurídica, de atos ou negócios jurídicos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR E cabível a responsabilização pelo crédito tributário do sujeito passivo à terceiros, quando praticados atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. PRODUÇÃO DE PROVAS. O Processo Administrativo Fiscal não oferece oportunidade para sustentação oral e as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. IMPERTINÊNCIA INDEFERIMENTO A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Será indeferido o pedido de perícia quando constarem do processo todos os elementos necessários á formação da convicção do julgador para a solução do litígio. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O DOMICÍLIO tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte á Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Fl. 2237DF CARF MF 10 Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1362/1431), repisando em grande parte os termos da impugnação, em apertada síntese: alega serem improcedentes sua exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, pelas razões de fato e direito constantes nos seguintes tópicos de seu recurso voluntário: DOS FATOS, DA TERCEIRIZAÇÃO, DO DIREITO (A PRINCÍPIO DA LEGALIDADE) de seu recurso voluntário (efls. 1369/1397); solicita a suspensão do presente ProcessoAdministrativo Fiscal, aguardando o deslinde dos processos administrativos ns. 10670.720242/201145 e 10670.720244/201134, os quais tratam da exclusão da contribuinte do Simples Federal e Nacional; teve seu direito de prova cerceado no momento em que ocorreu indeferimento do seu pedido de que fosse nomeado perito assistente, assim como a sustentação oral, não podendo exercer seu direito a ampla defesa bem como foram desrespeitados princípios constitucionais explícitos e implícitos, que regem o processo administrativo; requer a realização de perícia contábil para que se comprove a regularidade fiscal da contribuinte, bem como sejam realizadas diligências no sentido de verificar que empresa encontrase devidamente em atividade e regular perante aos órgãos da Administração Pública; requer novamente o pedido de perícia, para que seja respeitado os princípios da ampla defesa e do contraditório ; requer a juntada de documentos novos e que sejam prestadas informações pelo fiscal ou sua oitiva, para correta formação do juízo da autoridade julgadora; requer a produção de sustentação oral; fazse necessária a exclusão da empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda do pólo passivo da demanda, por ser empresa autônoma e distinta da empresa Destak Transportes e Logística Ltda, não servindo para esse indevido ingresso, apenas alegações sem provas como fez a fiscalização; da ilegalidade de cobrança de créditos retroativos resultante do desequadramento da empresa do Simples Federal e do Simples Nacional, em respeito a princípio da irretroatividade da lei tributária; apresenta os quesitos formulados para perícia contábil e protesta pela juntada de quesitos suplementares e elucidativos; por fim, requer que seja intimado, por meio de seu procurador. Em 10 de setembro 2014, os membros da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, por unanimidade de votos, resolveram converter o processo em diligência (efls. 1449/1464), com a seguinte conclusão, in verbis: Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 1.999 11 CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) intime o sujeito passivo solidário RGE Distribuidora de Bebida Ltda em relação ao Acórdão da decisão de primeira instancia, com a observação dos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório; (ii) informe o resultado final do julgamento de exclusão do SIMPLES Federal (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720242/201145) e do SIMPLES Nacional. (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720244/201134); (iii) colacione nos autos cópia das Manifestações de Inconformidade que a empresa DESTACK TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA impetrou no Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720242/201145 e no Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720244/201134; (iv) bem como, também informe se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. Em 27 de setembro de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros em atendimento ao contido na Resolução da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, emitiu as seguintes conclusões (efls. 1698/1699), in verbis: Item (i): Com relação ao sujeito passivo solidário RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, o mesmo foi intimado em 25/08/2017, através da Intimação n° 239/2017, junto com a qual, foi encaminhado, além da cópia da Resolução, objeto da referia intimação, cópia do acórdão da decisão da primeira instância, tendo dado ciência em 30/08/2017, conforme Aviso de Recebimento (AR), documento juntado às fls. 2205. Em atendimento ao Intimação n° 239/2017, a empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, apresentou os documentos que foram juntados às fls. 2207 a 2222. Item(ii): Processo n° 10670.720.242/201145; o contribuinte teve ciência da exclusão do Simples Federal em 19/03/2011 e apresentou manifestação de inconformidade em 20/04/ 2011. A DRFMCR MG/ Saort, negou seguimento a manifestação de inconformidade por ser intempestiva, e cientificou o contribuinte da decisão por meio da carta DRF/MCR/Saort n° 017/2011, cópia do documento às fls. 2017. Assim, a exclusão do Simples Federal foi confirmada e o processo encontrase arquivado atualmente. Processo n° 10670.720.244/201134; o contribuinte teve ciência da exclusão do Simples Federal em 19/03/2011 e apresentou manifestação de inconformidade em 20/04/ 2011. A DRFMCR Fl. 2239DF CARF MF 12 MG/ Saort, negou seguimento a manifestação de inconformidade por ser intempestiva, e cientificou o contribuinte da decisão por meio da carta DRF/MCR/Saort n° 018/2011, cópia do documento às fls. 2020. Assim, a exclusão do Simples Federal foi confirmada e o processo encontrase arquivado atualmente. Item (iii): Processo n° 10670.720.242/201145 • Manifestação de inconformidade juntada às fls. 2026 a 2101 Processo n° 10670.720.244/201134 • Manifestação de inconformidade juntada às fls. 2102 a 2175 Item (iv): Quanto a existência de processos judiciais que contenham o mesmo objeto do presente processo administrativo, informo que realizamos pesquisa no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região e localizamos o processo judicial 808549.2011.4.01.3807, em que foi solicitada a nulidade do processo administrativo 10670.720.242/201145, que determinou a exclusão do Simples Nacional, bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes dessa exclusão e também, o processo judicial 808634.2011.4.01.3807, que determinou a exclusão do Simples Nacional, bem como, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes dessa exclusão. Adicionalmente, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a existência de outros processos judiciais com o mesmo objeto, através da intimação DRFMCRSacat n° 174/2017, documento de fls. 2015, com ciência em 05/06/2017, tendo atendido a referida intimação conforme documentos juntados às fls. 2179 a 2203. Diante do exposto e, considerando que compete a DRF/MCR/Sacat o controle dos processos administrativos de contencioso fiscal a serem encaminhados às instâncias de julgamento e o acompanhamento do crédito tributário sob discussão judicial, conforme os incisos XXI e XXVI do art. 4o da Portaria de Delegação de competências n° 51, de 117 de outubro de 2014, encaminho o presente processo ao CARFMF DF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente. DA ATUAÇÃO FISCAL Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.000 13 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente DESTACK TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA contra Acórdão n° 0233.831 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP n°. 37.297.3019 (parte empresa), com valor consolidado de R$ 806.314.92, e AIOP no 37.297.3035 (parte segurados). O Relatório Fiscal informa que, após emissão de representações fiscais, foram emitidos Ato Declaratório Executivo DRF/MCR de n° 003/2011 e Termo de Exclusão do SIMPLES NACIONAL de n° 001/2011, excluindo a empresa DESTACK TRANSPORTES E LOGÍSTICA LTDA de ofício da Sistemática de Pagamento de Tributos de Forma Simplificada o SIMPLES Federal (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720242.2011 45) e SIMPLES Nacional. (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720244/201134) em 25/02/2011, com efeitos a partir de 01/02/2006 e 01/07/07, respectivamente. A exigibilidade das contribuições providenciarias patronais previstas no art. 22 da Lei 8.212, de 1991 (AI 37.297.3019), é decorrente da exclusão da Destak Transportes e Logística Ltda do Simples Federal (ADE 003/2011 a partir de 01/02/2006) e do Simples Nacional (Termo de Exclusão 001/2011 a partir de 01/07/2007). O Relatório Fiscal elenca os fundamentos que evidenciam a solidariedade passiva, com a emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária da Sociedade Empresarial RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ: 41 697.186 000167. Conforme diligência solicitada pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção (efls. 1449/1464), verificouse que não havia sido intimado da decisão de origem a devedora solidária Sociedade Empresarial RGE, sendo ela intimada, então, em 30/08/2017, por meio da Intimação n. 239/2017 (efls. 1680/1681). Na resposta apresentada pela empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda (efls. 1682/1683), não foi apresentado Recurso Voluntário, por parte da empresa solidária, apenas informa que não possui ação judicial em trâmite que verse sobre os DEBCADs n. 37.297.3019 e 37.297.3035. DAS PRELIMINARES Supressão de Instância Compulsando os autos, constatase que não foi objeto das impugnações do contribuinte (efls. 659/721) e nem do sujeito passivo solidário (efls. 528/591), a alegação de ilegalidade de cobrança de créditos retroativos resultante do desequadramento da empresa do Simples Federal e do Simples Nacional. No que se refere ao AIOP no 37.297.3035 (parte segurados), tanto na impugnação do contribuinte (efls. 659/721) bem como do sujeito passivo solidário (efls. 528/591), ambos concordaram com essa infração, portanto, correta a decisão de origem de considerála matéria não impugnada. Necessário destacar que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. Fl. 2241DF CARF MF 14 Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, os argumentos relativos à ilegalidade de cobrança de créditos retroativos resultante do desequadramento da empresa do Simples Federal e do Simples Nacional e ao AIOP no 37.297.3035, à míngua de amparo normativo para tanto. Suspensão do Crédito Tributário/Improcedência da Exclusão do Simples Federal e Nacional Registrese que a Recorrente apresentou tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, dentre outros argumentos, o de que os processos administrativos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional ainda aguardam julgamento em instância administrativa. Segundo bem explicitado na Resolução emitida pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção (efls. 1.449/1.464), considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento de exclusão do Simples Federal (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720242/201145) e do Simples Nacional, (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720244/201134), posto que tais processos produziriam efeitos diretamente no presente processo. Ocorre que, ambos os Processos AdministrativosFiscais ns. 10670.720242/201145 e 10670.720244/201134, já transitaram em julgado administrativamente, sendo que tanto a exclusão do Simples Federal bem como do Simples Nacional foram confirmadas (efls. 1.698/1.699). Todavia, a ora Recorrente adentrou com os processos judiciais nº 8085 49.2011.4.01.3807 e nº 808634.2011.4.01.3807, junto ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região, onde a empresa Destak Transportes e Logísticas solicitava a nulidade dos PAFs n. 10.670.720242/201145 e n. 10670.720244/20113, que determinou sua exclusão do Simples Nacional bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes dessa exclusão, conforme informação prestada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Montes Claros (efls. 1.698/1.699). Passemos, então, a analisar como se encontram os processos judiciais ns. 808549.2011.4.01.3807 e 808634.2011.4.01.3807 impetrados pelo ora Recorrente no Tribunal Regional Federal da Primeira Região. Em consulta ao sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal, verificase que o juízo da 1º Vara Federal de Montes Claros, em ambos os processos judiciais, supracitados, REJEITA O PEDIDO da empresa Destak Transportes e Logística LTDA, que solicitava a nulidade dos PAFs n. 10.670.720242/201145 e n. 10670.720244/20113, os quais determinaram sua exclusão do Simples Nacional bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes dessa exclusão. Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.001 15 Continuando a pesquisa no no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, constatase que ambos os processos, ns. 808549.2011.4.01.3807 e 8086 34.2011.4.01.3807, já foram julgados extintos, com resolução do mérito, onde foram homologados os pedidos de desistência da ação, com renúncia ao direito que se funda, sendo tal decisão terminativa publicada em 18 de dezembro de 2018, in verbis: Vêse, pois, que tanto na esfera administrativa bem como na esfera judicial já estão consolidadas a exclusão da empresa Destak Transportes e Logística LTDA do Simples Federal (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720242/201145) e do Simples Nacional, (Processo AdministrativoFiscal n° 10670.720244/201134). Por isso, qualquer alegação da defesa, no que se refere a sua exclusão do Simples Federal e Simples Nacional não serão enfrentadas por esta decisão, uma vez que já estão consolidadas a exclusão da Recorrente de tais programas. Fl. 2243DF CARF MF 16 Ex positis, rejeito a preliminar de suspender o presente Processo Administrativo Tributário ora em questão até o deslinde dos processos administrativos ns. 10670.720242/201145 e 10670.720244/201134, suscitada pela Recorrente. Cerceamento do Direito de Defesa Alega a Recorrente que teve seu direito de prova cerceado no momento em que ocorreu indeferimento do seu pedido de que fosse nomeado perito assistente, assim como a sustentação oral, não podendo exercer seu direito a ampla defesa bem como foram desrespeitados princípios constitucionais explícitos e implícitos, que regem o processo administrativo. Ocorre que a decisão de origem demonstrou os motivos de fato e de direito que o levaram a indeferir o pedido de sustentação oral (efls. 1.351/1.352) bem como da realização da perícia (efls. 1353/1355, vejamos: Sustentação Oral em Primeira Instância Relativamente ao pedido de sustentação oral na sessão de julgamento, o Decreto n° 70.235. de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal, não traz previsão de sustentação oral em primeira instância, mas apenas intimação do acórdão com abertura de prazo para recurso (vide artigos 25, 27 e seguintes, em especial, artigo 33). Assim, é indeferido o pedido de sustentação oral, por ausência de previsão legal. (...) Perícia Para a realização de perícia que requerem, os impugnantes indicam o perito Sr. Paschoal Rizzio Nadeo e apresentam os quesitos. Entre estes, os impugnantes pedem para que seja verificado se ha regularidade e compatibilidade entre os valores declarados como receita e os recolhimentos dos tributos; se os fatos contábeis que originaram a exclusão do Simples são suficientes; se existe algum ato ilícito que coadune com a exclusão do Simples; se os fatos geradores foram simulados; se os tributos foram devidamente escriturados e recolhidos comprovando a improcedência da exclusão do Simples; Destak e RGE são empresas independentes; a Destak superou o limite de faturamento para fins de enquadramento no Simples; a Destak é resultado de processo de Cisão; a procedência na glosa de salário família. Os quesitos relativos a exclusão do Simples, como já tratado nesta decisão, deverão ser discutidos no processo de exclusão, sendo imprópria a discussão relativa à matéria em lançamento de crédito previdenciário. Depreendese do relatório fiscal, que os lançamentos fiscais (AI 37.297.3019 e 37.297.3035) que compõem o processo em pauta, encontramse baseados em documentos de emissão e posse do contribuinte, como folhas de pagamento. Guias de Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.002 17 Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. guias de recolhimento e documentos de salário família. Quanto ao salário família informa a fiscalização no item 14. fls. 32, que foi constatado pagamento em valor superior ao definido pela legislação, bem como não foram apresentados comprovantes de freqüência escolar, ano de 2006. para os filhos menores dos trabalhadores com direito ao recebimento do mencionado benefício previdenciário, descumprindo. assim, o preceito legal estatuído na Lei 8.213. de 1991. art. 67. Acrescentese que todos os valores lançados pela fiscalização estão demonstrados nos anexos de fls. 45 a 125. assim identificados: Folha de Pagamento e valores declarados em GFIP; Remunerações e contribuições de segurados não decl em GFIP; Sal Fam com diferenças; Sal Fam indev (falta de freq escolar); totais pagos inde,. sendo que nenhum nome ou valor fosse impugnado pelos contribuintes. Também, não consta dos autos nenhum elemento apresentado pelo contribuinte que colocasse em dúvida os valores lançados na autuação fiscal, ainda mais, quando se considera que os mesmos foram extraídos de documentos de sua própria emissão, pelo que cabe a este apresentar seus supostos equívocos e comproválos para, posteriormente, solicitar perícia sobre toda a contabilidade. Além disso, não houve arbitramento no cálculo do tributo. Outrossim, questões como base de cálculo, alíquota utilizada no cálculo da contribuição devida, cálculo de juros e multa são verificáveis pela leitura dos autos de infração emitidos Desse modo. a perícia contábil solicitada pelo impugnante é prescindível, pois o contribuinte não apresentou motivos de fato que fundamentassem tal pedido. Este é o comando insculpido no § 1o do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: (...) Ademais, em complemento, o § 1o do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, é taxativo ao estabelecer que é prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos seus Auditores Fiscais, o exame da contabilidade das empresas, ficando as mesmas obrigadas a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados. Indefiro, então, o pedido de perícia, na forma do artigo 18 do Decreto 70235, de 1972. Ressaltese que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, conforme disposto no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Fl. 2245DF CARF MF 18 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Sendo assim, o colegiado de primeiro grau na apreciação da matéria, apenas fez uso de seu direito legal, trazendo, inclusive, os fundamentos necessários para rechaçar seu pedido. Ante o exposto, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. DO MÉRITO No recurso apresentado, a Recorrente reserva diversos itens para discussão dos fatos e razões que motivaram a sua exclusão do Simples, assim identificados: DOS FATOS, DA TERCEIRIZAÇÃO, DO DIREITO (A PRINCÍPIO DA LEGALIDADE), os quais não serão enfrentados por esta decisão, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples já está consolidada, conforme bem detalhado nas questões preliminares suscitadas. Da Exclusão da Empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda do Pólo Passivo da Demanda Aduz a Recorrente que somente a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, segundo preceitua o art. 128 do CTN. Assim, pode a lei nomear um terceiro, vinculado ao fato gerador, para atribuirlhe a responsabilidade de maneira exclusiva (substituto tributário), ou meramente supletiva. Alega que mesmo tendo sido devidamente comprovado nos autos que as empresas Destak Transportes e Logística Ltda e RGE Distribuidora de Bebidas Ltda são empresas distintas, esta última foi condenada com a mesma impropriedade nos créditos tributários no momento da errônea exclusão da empresa Destak. Afirma então que se faz necessária a exclusão da empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda do pólo passivo da demanda, por ser empresa autônoma e distinta da empresa Destak Transportes e Logística Ltda, não servindo para esse indevido ingresso, apenas alegações sem provas como fez a fiscalização. Entendo que os argumentos da Impugnante não devem ser acolhidos, pois a responsabilidade solidária imputada pelo Fisco encontra amparo normativo no inciso I do art. 124 do CTN. Vejamos os dispositivos legais, a doutrina e depois as questões fáticas constantes dos autos. O CTN disciplina a responsabilização solidária pelos tributos no seu art. 124, que prevê duas espécies de responsabilidade tributária, quais sejam: (i) a responsabilidade solidária de fato (inciso I); e (ii) a de direito (inciso II). Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (g.n.) Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.003 19 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Na seara tributária, segundo ensina Misabel Derzi, a solidariedade não é “forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo”. Assim, a solidariedade tributária seria um alargamento (ampliação) da sujeição passiva, imputando mais de um sujeito passivo para responder pelo pagamento do tributo. Esse ensinamento de MISABEL ABREU MACHADO DERZI, em nota de atualização à obra do Ministro ALIOMAR BALEEIRO, está expresso da seguinte maneira: “4. A solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no polo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis) o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo” (In: Direito tributário brasileiro. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 729). (g.n.) Especificamente no tocante ao inciso I do art. 124 do CTN, em sede ainda doutrinária, Gilberto Etchaluz Vilella aborda com clareza a questão da seguinte maneira: “A situação configurada na lei (art. 124, I, do CTN) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico tornado fato gerador pela lei tributária; aquela em que todos os envolvidos estão do mesmo lado, pretendendo o maior benefício possível do referido fato econômico” (Livro: Teoria da Exigibilidade da Obrigação Tributária; Editora: Síntese; Ano: 1999). O Relatório Fiscal (efls. 610/11), que materializa a sujeição passiva imputada à empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, traz a descrição do contexto que resultou na responsabilização solidária da seguinte forma: · A empresa DESTAK, consoante contrato social registrado na Junta Comercial, do Estado de Minas Gerais sob o n° 31207452488 de 15/12/2005, explora a atividade de transporte terrestre de cargas, como mesas, cadeiras, geladeiras, garrafeiras, vasilhames, bebidas. A referida atividade era exercida até a criação da DESTAK pela RGE; que, como a própria identificação mostra, explora a comercialização de bebidas. Essas atividades, até a criação da DESTAK, era exercida pela RGE, com os empregados que foram transferidos da RGE para DESTAK; Fl. 2247DF CARF MF 20 · Todos os conhecimentos de transporte rodoviário de carga da DESTAK forma emitidos para a empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda. Sem exceção, em todos documentos fiscais consta cmo remetente das mercadorias a citada empresa; · Todos os empregados DESTAK são colocados à disposição da empresa RGE, para executar atividade que até a constituição da DESTAK era executada pela própria RGE; · O primeiro conhecimento de transporte rodoviário foi emitido pela DESTAK em 02/05/06, conforme documentos apresentados e registros contábeis, data em que a empresa de fato iniciou as atividades. Para tal, foram transferidos da RGE para a DESTAK a grande maioria dos seus empregados. A RGE em 04/2006, consoante pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, contava com 141 empregados, desses 87 foram, em maio do mesmo ano, transferidos para a DESTAK ; · A data de admissão, constante do cadastro da folha de pagamento da DESTAK, da quase totalidade dos trabalhadores que estavam à disposição dessa sociedade no início das suas atividades, maio de 2006, é anterior à constituição da empresa, o que demonstra o liame das empresas. A escrituração fiscal da própria empresa considera como se as duas sociedades fosse apenas uma; · A empresa DESTAK possui como sede, conforme contrato social, apenas uma sala situada no centro desta cidade de Montes Claros, não havendo nenhuma outra filial, o que demonstra de forma inequívoca que os seus mais de cem empregados ficam totalmente à disposição da RGE; · Em duas tentativas de visita à suposta sede da DESTAK, o local encontravase fechado, havendo uma placa com dois telefones para contato, um do contador e outro do sóciogerente da RGE.Segue cópia da foto da placa citada; · Não há sequer um bem registrado no ativo permanente da sociedade DESTAK, da mesma forma, não há registro de pagamento de despesas imprescindíveis ao funcionamento de qualquer empresa, quais sejam: de energia, água, telefone e material de expediente; · Da análise contábil, observouse ainda que não há sequer um veículo escriturado em contabilidade, seja no ativo permanente ou em qualquer outro grupo de contas, o que impossibilitaria a empresa de transporte de cargas que, em tese, estaria plena atividade, com emissão diária de diversos conhecimentos de transportes, realizar a atividade para qual foi criada; · Não há na contabilidade registro de pagamento de aluguel, de conserto ou aquisição de peças, aliás, não há sequer uma mercadoria ou bem registrado, em todo período, no estoque; Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.004 21 · Todos os veículos utilizados pela DESTAK para o transporte de mercadorias eram da RGE,. conforme cópias de conhecimentos rodoviários de transporte e dados constantes da resposta dessa última empresa à Intimação Fiscal, que solicitou a identificação dos veículos de propriedade/posse da empresa; · A nova empresa possui, de acordo com o contrato social, como sócias: Paula Santana Costa Gomes, 000.528.51192 e Patrícia Santana Costa Gomes, CPF: 090.049.33646. A RGE, por sua vez, tem no quadro societário: José da Costa Gomes Júnior, CPF: 244.016.09115 e Paula Santana Gomes Costa, CPF: 000.528.51192. Importante relevar que as duas sócias da DESTAK são filhas de José da Costa Gomes Júnior, que é o sócio administrador da RGE; · No livro diário da sociedade DESTAK, com registros datados de 10/09/07 e 10/11/07, há dois lançamentos com débito na conta caixa a crédito na de empréstimo denominada RGE Distribuidora de Bebidas Ltda, registrando suposto empréstimo nos valores, respectivos, de R$400.000,00 e R$520.000,00. O Capital social da DESTAK, por sua vez, é de apenas R$100.000,00. Neste ponto, a decisão de piso traz importantes considerações e conclusão sobre o assunto, com as quais me alinho plenamente. Confirase: Não se vislumbra nos autos que a fiscalização tenha desconsiderado a personalidade jurídica da Destak, tampouco desconsiderado ato ou negócio jurídico realizado por ela. O que a fiscalização fez, a partir do ato de exclusão da Destak do Simples, processada através do Ato Declaratório Executivo 003/2011 e do Termo de Exclusão do Simples Nacional 001/2011, ambos assinados pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Montes Claros, foi constituir os créditos previdenciários devidos. A Lei 9.317, de 1996, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, bem como, a Lei Complementar 123, de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, autorizam em capítulos próprios, a exclusão de empresas do Simples que venham a descumprir normas estabelecidas para suas permanências nesse regime de tributação, não havendo que se falar em desconsideração de personalidade jurídica. (grifos nosso) Portanto, o que ficou demonstrado nos autos foi que tanto a empresa Destak Transportes e Logística Ltda bem como RGE Distribuidora de Bebidas Ltda tinham interesse comum na situação na situação que constitua fato gerador das contribuições previdenciárias devidas, uma vez que os fatos narrados no relatório fiscal, acima colacionado, demonstram de forma clara que a empresa RGE foi a verdadeira beneficiada da prestação de Fl. 2249DF CARF MF 22 serviços dos empregados, cujas as remunerações foram consideradas como base de cálculo das contribuições objeto dos Autos de Infração levantados pela fiscalização. Desse modo, fatos narrados pelo auditor, tais como: da emissão dos conhecimentos de transporte, todos tendo como remetente a RGE; a transferência da maioria dos empregados da RGE para a Destak; a colocação dos empregados da Destak à disposição da RGE; a propriedade dos veículos utilizados no transporte; o empréstimo realizado entre ambas ou o parentesco dos sócios tiveram como único objetivo provar o interesse comum das empresas envolvidas, jamais, descaracterizar qualquer negócio jurídico entre elas realizado. Diante do exposto, concluo que está devidamente demonstrado nos autos a responsabilidade solidária da empresa RGE Distribuidora de Bebidas Ltda pelos créditos tributários constituídos. Do Novo Pedido de Perícia/Diligência A perícia e as diligencias requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto u° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Portanto, improcedente tal pedido. No mesmo sentido indefiro a oitiva da autoridade fiscal autuante. Um, por não haver nenhum esclarecimento a ser prestado por ele, no deslinde das questões levantadas pelo Recorrente. Dois, por falta de previsão normativa no Decreto n. 70.235/72. Posterior Juntada de Documentos O Impugnante requer a juntada posterior de novos documentos. A este respeito, assim dispõe o Decreto 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: Art.16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico, sendo que deve ser obedecido também na esfera administrativa. Assim, incumbe ao impugnante apresentar tempestivamente, ou seja, junto com a impugnação/recurso, as provas em direito admitidas, pois o ônus da prova cabe a quem alega, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10670.720245/201189 Acórdão n.º 2202004.968 S2C2T2 Fl. 2.005 23 direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assim, concluise pela preclusão do direito de apresentação de novos documentos, salvo nas hipóteses previstas na legislação. Além disso, o pedido de juntada de novos documentos aos autos, para ser viável, deve vir acompanhado dos documentos cuja juntada pretendese seja realizada, fato que não se verificou no caso em análise. Em face do exposto, indefiro o pedido de juntada de novos documentos. Da Sustentação Oral em Segunda Instância O recorrente, em seu petitório, protesta que seja resguardado o direito de realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso. Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Da Intimação do Procurador Em relação ao pedido para que as intimações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao representante legal do Contribuinte, ressaltese que o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina que a ciência dos atos praticados no curso do processo administrativo fiscal seja efetivada no domicílio eleito pelo sujeito passivo, correspondente ao endereço fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo nosso) Fl. 2251DF CARF MF 24 Nesse sentido, o Decreto nº 70.235/1972 não contempla a intimação no endereço do advogado do contribuinte, tema que já é objeto de súmula por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n°110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Deste modo, deve ser indeferido o pleito do Contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 2252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000919/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também deve ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3301-005.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também deve ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado.
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UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos de Cofins porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Também deve ser considerada insumo a depreciação dos bens do ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 19 /2 00 9- 56 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 533 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 0725.795 4a Turma da DRJ/FNS (fls. 269/281): Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, que remanesceram no terceiro trimestre de 2006, após a dedução do valor da contribuição a recolher. Termo de Verificação Fiscal e Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento, na apuração de créditos, de vários produtos e serviços que entende não se enquadrarem no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, arrolados na planilha juntada As fls. 164 a 168 dos autos. A Autoridade Fiscal destaca que os valores não considerados na apuração do crédito reconhecido referemse "a produtos e serviços que não estão ligados diretamente A produção (cartuchos para impressora, conservação e limpeza, semente de plantas, meio ambiente, vigilância, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (consultoria, impressão gráfica e encadernações, etc)". Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte insurgese, inicialmente, contra o entendimento firmado pela Autoridade Fiscal de que os atos administrativos editados pela Receita Federal do Brasil teriam legalidade assegurada pelo disposto no artigo 100, I do CTN e defende que os atos previstos em tal dispositivo somente podem Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 534 3 complementar e assim ratificar os dispositivos e conteúdo das leis, sendo este principio da estrita legalidade garantia fundamental do cidadão brasileiro e contribuintes. Assevera, ainda, que a atividade fiscal por ser vinculada à. lei, a teor do artigo 142 e parágrafo único do CTN, deve a Fiscalização, de forma obrigatória, obedecer os estritos ditames legais. Aduz que para fins de determinação e apuração dos créditos da Cofins nãocumulatividade são cogentes exclusivamente as normas e disposições contidas na Lei 10.833/2003, razão pela qual seria ilegal qualquer restrição ou ressalva ao conceito de insumo introduzida pela IN SRF 247/2002, nesta lei não prevista. Partindo deste pressuposto, defende, então, que geram crédito todas as aquisições de bens e serviços aplicados na "produção de carvão mineral", "indispensáveis e obrigatórios" para "manter a mina em pleno funcionamento e operação", listando todos os gastos glosados que entende serem geradores de crédito, como segue. 1. Gastos decorrentes de imposições postas por órgãos reguladores da atividade de mineração — gastos listados nos itens 11 e 18 da manifestação de inconformidade Inicialmente, a interessada aponta os vários itens a serem "observados e realizados tanto no interior como no exterior das respectivas minas", de "presença obrigatória para se produzir carvão mineral de forma regular e em estrita e perfeita observância as normas impositivas que se aplicam a este tipo de exploração econômica", os quais, ante as exigências de conservação e recuperação ambiental, devem "ser obrigatoriamente custeados e efetivamente realizados pela empresa mineradora, junto e concomitantemente à mineração do carvão propriamente dita, inclusive para que os órgãos estatais permitam que as minas permaneçam "abertas" e em funcionamento/operação". 2. Despesas decorrentes da aquisição e depreciação de bens do ativo imobilizado listadas no item 23 Em relação aos bens do ativo imobilizado, a interessada alega que muitos consistem, em verdade, de bens de reposição constante ao longo de um ano, devido à sua "duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta o "regular creditamento integral quando de sua aquisição ou construção". Indica como tal os seguintes bens: correias transportadoras, cabos elétricos e mangueiras utilizados no interior das minas na movimentação e o trânsito dos materiais e pessoas; a iluminação/energização e a ligação com as máquinas e equipamentos, o suprimento da água em alta pressão para funcionamento do maquindrio que a utiliza na escavação inerente ao progresso/expansão da mina. Ainda em relação a esses bens, a contribuinte reclama que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes, e sim ter apurado os créditos Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 535 4 decorrentes da depreciação ou amortização, considerandoos no calculo do crédito reconhecido; assevera ser "obrigação inarreddvel dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face a expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". 3. Gastos com mãodeobra — itens 29 e 30 Em relação As despesas com mãodeobra, aduz que o que se encontra vedado em lei é exclusivamente a remuneração paga a pessoa fisica em contrapartida ao serviço prestado, não, havendo, portanto, vedação em relação a todo e qualquer outro custo pago a pessoas jurídicas, contribuintes do PIS, que esteja obrigada a fazer para manter esta mãodeobra trabalhando regularmente e assim produzindo. Nesse sentido, argumenta como segue: 29. Silo itens assim obrigatórios, no que não restrito apenas remuneração/salário dos empregados (doc 03): transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche/marmitas, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, etc 30. 0 assim impositivo e completo transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos especificos, além dos vales transporte (doc. 04). (...) 4. Gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas Defende o direito de creditarse de gastos com serviços os quais alega serem indispensáveis à manutenção de sua atividade produtiva, quais sejam: de retifica de motores e de conservação e manutenção de equipamentos, notadamente ocorridos periodicamente e com frequência devido ao "desgaste permanente e constante na atividade de mineração"; de "meros consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc."; de "manutenção e conservação dos estabelecimentos das minas da empresa contribuinte"; de portaria e vigilância nas minas. Além destes, lista (no item 34 de sua manifestação) uma série de outros serviços destinados a cumprir exigências de controle e manutenção ambiental postas por órgão reguladores, tais como: estudos hidrológicos e hidrogeológicos; certificações e avaliações de qualidade exigidas pelos órgãos públicos atinentes; coleta e transporte de resíduos; diagnósticos ambientais; aterros e terraplenagem segundo exigências ambientais de recuperação do solo; tratamento de efluentes; monitoramentos de qualidade do ar; engenharia ambiental e obrigatória recuperação de passivos ambientais; auditorias ambientais em recursos hídricos, efluentes Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 536 5 bombeados, piezõmetros, monitoramento permanente, etc. (doc. 16). Lista, ainda, outros tantos serviços exigidos legalmente e necessários para manter a segurança das minas, tais como: cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; recarga de extintores; projeto e reavaliações constantes de pilares de sustentação; auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISO; serviços técnicos de geologia da mineração; reposição frequente e reiterada de pino e bucha do britador; consertos no maquindrio; soldas permanentes em escoramentos no interior da mina. Em relação aos serviços prestados pela empresa GR Terraplanagem Ltda., defende que estes consistem de insumos indispensáveis à produção (que diz tratarse de "uma espécie de mineração de superficie") dos rejeitos carbonosos finos depositados nas bacias de decantação (depósitos de carvão mineral já na superficie depositados, portanto, já anteriormente minerados e ali deixados), as quais adquiriu da Companhia Siderúrgica Nacional CSN, para adequada entrega e fornecimento à sua cliente Tractebel. E explica: 41. 0 carvão recuperado/retirado desta área com depósitos já de superficie, como é de conhecimento notório, sendo, após suae xploração e recuperação das respectivas bacias de decantação, também comercializado pela empresa contribuinte aqui Recorrente com a própria Tractebel, misturado ao carvão oriundo e produzido em suas minas no entorno de Criciúma/SC. Tratase, pois, de carvão coletado e produzido a partir destas respectivas bacias de decantação, com somatório destes custos de produção inerentes a esta sua recuperação e processamento/beneficiamento já na superfície e não advindo do subsolo neste preciso momento. 42. Neste preciso contexto, os serviços prestados pela GR Terraplenagem Ltda., empresa contratada e responsável pela recuperação/exploração, manuseio e transporte na produção e comercialização deste carvão de rejeitos carbonosos finos pela empresa aqui Recorrente it Tractebel: vide respectivo contrato de prestação de serviços acostado it presente (doe. 09) neste figurando as duas empresas contratantes e parceiras nesta aquisição e exploração (doe. 08 A). 43. Nestes serviços, destacamse escavações, carga, transporte, empilhamento, blendagem dos rejeitos carbonosos lá existentes, com ainda final transporte e entrega à Tractebel (respectiva cláusula quinta doe. 09), pelo que todos estes evidentes custos inerentes à produção e et recuperação dessas mesmas quantidades de carvão Id existentes (uma espécie de mineração de superficie). Na sequência, alega ainda que geram créditos os demais custos relacionados e indissociáveis à prestação deste serviço, no caso: os custos dos "serviços e os insumos de e para obrigatória recuperação ambiental assumida"; custos de pessoal, materiais, Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 537 6 vigilância, etc. desta GR Terraplenagem Ltda. como integrantes do prep de venda dos serviços cobrados por essa mesma empresa contratada. Ainda no item 34, a interessada traz alguns materiais cujos custos de aquisição entende darem direito a crédito, quais sejam: caixas de papelão e sacos BIG BAG são embalagens exigidas para acondicionamento, transporte e assim comercialização do carvão produzido; como não ensejadores de créditos da contribuição em questão?; "ETIQUETAS" são exigência da legislação correspondente, em especial no transporte de produtos 'perigosos", para assim obrigatória identificação do carvão, respectivo tipo e propriedades; mensalmente são adquiridos metros e metros das correias de transporte, de assim constante reposição no desenvolvimento e na exploração da mina, custo de produção absolutamente indispensável e sempre reiterado; copos plásticos são exigência obrigatória da e na convenção coletiva de trabalho no fornecimento de água, leite e alimentação aos trabalhadores; gastos com explosivos e cursos técnicos relativos ri opera cão dos mesmos constituem custos de produção indispensáveis it regular e produtiva operação da mina, inclusive consoante normas de segurança de obrigatória obediência; Ante as razões expendidas, a contribuinte pugna pelo acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade, reconhecimento dos créditos pretendidos e homologação integral da compensação. A impugnação foi jullgada pelo Acórdão no. 0725.795 4a Turma da DRJ/FNS (f. 269): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 538 7 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à sua obrigatoriedade ou à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Esta turma do CARF, por meio da Resolução n.º 3301000.383 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária(fl 345/348), determinou diligência para que a unidade de origem intimasse a contribuinte a juntar laudo técnico e outras informações. A Recorrente apresentou informações às fls. 353/520. Por sua vez, a Resolução no. 3301000.289 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária determinou a juntada dos Processos no. 11516.000919/200956, 13963000564200529, 13963.000565/200573 e 13963.000566/200518, razão de conexão. (fl. 917). Nesta sessão de julgamento serão julgados todos esses processos conexos e também o Processo n.º 13963.000567/200562. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre consignar inicialmente que se trata de contenda nos mesmos termos da constante do Processo nº 11516.000935/200949, cuja decisão de seu por meio do Acórdão nº. 3803004.509 3ª Turma Especial. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 539 8 A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Controversia em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 540 9 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 541 10 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 542 11 Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 543 12 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 544 13 Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 545 14 de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenta a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes dois últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Apelação Improvida. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 546 15 A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11516.000919/200956 Acórdão n.º 3301005.602 S3C3T1 Fl. 547 16 Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente e também em relação aos bens do ativo imobilizado em razão da depreciação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003961/00-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÃO JUDICIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível, na execução administrativa de decisão judicial, a aplicação de correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos ditames legais, utilizados inclusive quando da cobrança de tributos em atraso, ausente da sentença qualquer comando no sentido de reconhecimento de expurgos inflacionários.
Numero da decisão: 9202-007.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já decidida pelo colegiado na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 01/2019.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÃO JUDICIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível, na execução administrativa de decisão judicial, a aplicação de correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos ditames legais, utilizados inclusive quando da cobrança de tributos em atraso, ausente da sentença qualquer comando no sentido de reconhecimento de expurgos inflacionários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já decidida pelo colegiado na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 01/2019. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÃO JUDICIAL. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS NÃO FIXADOS NA DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível, na execução administrativa de decisão judicial, a aplicação de correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos ditames legais, utilizados inclusive quando da cobrança de tributos em atraso, ausente da sentença qualquer comando no sentido de reconhecimento de expurgos inflacionários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já decidida pelo colegiado na reunião anterior. Julgamento iniciado na reunião de 01/2019. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 39 61 /0 0- 15 Fl. 623DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201001.990 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 21 de novembro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 560: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993 PROCESSO CIVIL. PEDIDO. ABRANGÊNCIA. A decisão judicial proferida no sentido de determinar a devolução das importâncias indevidamente recolhidas à Fazenda Nacional não pode se referir a outros recolhimentos que não os relacionados na petição inicial da Autora, sob pena de abarcar importâncias estranhas à lide. Na hipótese, a interessada não formulou, em Juízo, pedido de compensação do recolhimento correspondente ao período de apuração de abril a setembro de 1989. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pedir a restituição/compensação do imposto sobre a renda na fonte sobre o lucro líquido extinguese com o decurso do prazo de dez anos contados da data do indébito nos casos em que o pedido tenha sido feito até 9 de junho de 2005. Na hipótese, mesmo considerandose que o pedido de restituição/compensação do recolhimento correspondente ao período de apuração de abril a setembro de 1989 estivesse incluído no pedido formulado em 2.6.2000, já haviam decorrido mais de dez anos contados da data da ocorrência do “fato gerador” do tributo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Tendo em vista que o Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, de 2008, foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do despacho publicado no DOU de Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10980.003961/0015 Acórdão n.º 9202007.583 CSRFT2 Fl. 3 3 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008), vinculando toda a Administração Pública, é de se reconhecer o direito à aplicação dos denominados “expurgos inflacionários”, procedendo ao cálculo da atualização monetária conforme item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal. RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP Não se conhece de pedido de retificação de PER/DComp formulado em sede de recurso voluntário, mormente quando tal pedido enseja, de todo, um novo pleito, que não está inserido no presente processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Interposto o Recurso Especial pelo Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 581a 587, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 589 a 591, para rediscutir a decisão recorrida no tocante possibilidade de aplicação dos expurgos inflacionários na esfera administrativa, quando não há determinação judicial. Cabe destacar o paradigma considerado apto à demonstração da divergência suscitada: Acórdão n.º 320100.632. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) a questão controvertida se resume em saber se é possível à Administração Fiscal conceder expurgos inflacionários não contemplados no provimento jurisdicional que reconheceu o indébito fiscal; b) não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do título judicial; c) o fundamento de que se vale o voto condutor do acórdão alvejado não deve subsistir, pois trata de questão outra que não a discutida nestes autos; d) uma coisa é reconhecer o direito à repetição/compensação, outra, bem diferente, é estabelecer as balizas nas quais a repetição/compensação deva realizarse; e) não pode a Administração Pública alterar a decisão transitada em julgado, incluindo índices de correção monetária que não foram objeto de discussão na seara judicial, ou seja, que não foram reconhecidos como sendo direito do contribuinte; f) se o contribuinte não pleiteou os expurgos inflacionários no âmbito da ação judicial que reconheceu seu direito à repetição Fl. 625DF CARF MF 4 de indébito, forçoso reconhecer que está prescrita esta parcela de sua pretensão; g) contribuinte não pode, agora, tentar obter administrativamente um direito após todo o percurso do processo judicial – no qual permaneceu inerte quanto aos expurgos inflacionários, pois isso afronta o ordenamento jurídico. Intimado, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 614 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) para o cálculo do indébito tributário deve ser utilizada a Tabela de Correção Monetária anexa ao Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal válida para 04/2000; b) conforme determinação judicial, estabelecida pelo Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, para o cálculo da repetição de indébito tributário, devem ser utilizados os índices do IPC (IBGE_ de 03/1990 a 02/1991); c) o Fisco Federal deve seguir os indexadores estabelecidos pela Justiça Federal (Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos Tabela de Correção Monetária válida para 04/2000) sob pena de violação à coisa julgada; d) o Tribunal Regional Federal da 4ª Região estabelece os seguintes índices: 30,46%, 44,80% e 2,36% para, sucessivamente, março, abril e maio de 1990 e 21,87% para fevereiro de 1991; e) correto o v. acórdão que acatou a aplicação dos expurgos inflacionários no presente caso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A fim de melhor demonstrar os limites da controvérsia, cabe esclarecer que o presente processo cuida de pedido de restituição de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), no valor de R$ 385.726,80, protocolado em 2 de junho de 2000. Segundo consta do referido pedido, tratase de constituição de crédito conforme processo 95.00163055, protocolado em 29.11.1995, transitado em julgado conforme certidão de 11.05.2000, recebida em 30.05.2000. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10980.003961/0015 Acórdão n.º 9202007.583 CSRFT2 Fl. 4 5 O Serviço de Orientação Tributária – Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, por meio do Despacho Decisório às fls. 144 e 145, deferiu o pedido, reconhecendo o direito ao crédito no montante de R$ 299.840,72, acrescido de juros SELIC. Assim, observase que foi parcialmente atendido o pleito do Contribuinte, restando apenas vencido quanto à aplicação dos expurgos inflacionários no cálculo do valor devido a título de restituição. O acórdão de segunda instância, ao analisar os argumentos do Contribuinte, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à aplicação dos expurgos inflacionários na atualização dos valores recolhidos indevidamente. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em dissonância com o decidido, interpôs Recurso Especial com o fito de rediscutir a possibilidade de a Administração Fiscal conceder expurgos inflacionários não contemplados no provimento jurisdicional que reconheceu o indébito fiscal. Desse modo, a matéria em discussão se resume à possibilidade de aplicação dos expurgos inflacionários, mesmo quando não há expressa determinação da decisão judicial no sentido de tal inclusão no cálculo da correção monetária. No meu entender, a correção monetária é mecanismo por meio do qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o objetivo de se preservar o poder aquisitivo original, caracterizando matéria de ordem pública, que integra a decisão de forma implícita, razão por que sua aplicação na seara administrativa não extrapola os limites da decisão judicial. Corroborando o exposto, cabe elucidar que se encontra pacífico, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o entendimento de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02/07/2007. Entende o STJ que a incidência da correção monetária decorre de lei (Lei n.º 6.988/81), sendo, assim, desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo. Nesse sentido, foram as decisões proferidas nos Recursos Especiais n.ºs 1.112.524/DF e 1..012.903/RJ submetidos ao ritos dos recursos repetitivos, os quais vinculam os julgadores deste Colegiado, conforme o Regimento Interno desse Conselho. Segue a transcrição da ementa do REsp 1.112.524DF: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. Fl. 627DF CARF MF 6 ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a) substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51); cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio juridico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10980.003961/0015 Acórdão n.º 9202007.583 CSRFT2 Fl. 5 7 recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário Fl. 629DF CARF MF 8 desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, mantenho o Acórdão recorrido, pois, embora não conste, de forma expressa, a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária, tal matéria é de ordem pública e encontrase implicitamente abrangida pela decisão judicial, razão pela qual a Administração Tributária deve considerála. Diante do exposto, tendo em vista que não há controvérsia sobre a utilização da Tabela Única da Justiça Federal na aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos governamentais, inclusive havendo disposição convergente no Parecer PGFN/CRJ n.º 2601/2008, bem como no Ato Declaratório do Procurador da Fazenda Nacional n.º 10, de 1º de dezembro de 2008, deve ser procedido o cálculo a teor do constante do Acórdão proferido pela 1º Turma. No mesmo sentido, menciono Acórdãos desse Conselho (todos por unanimidade de votos): n.º 9303007.462; 2402006.770; 3301004.775; e 1201001.990. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Conforme relatado em sessão, o apelo visa rediscutir a possibilidade de aplicação de expurgos inflacionários na esfera administrativa, quando não há determinação judicial nesse sentido. De plano, esclareçase que a pretensão da Contribuinte, ao pleitear a aplicação de ditos expurgos, ultrapassa os limites impostos ao julgamento administrativo pelo principio da legalidade, não podendo ser acolhida por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com efeito, não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos ditames legais. O principio da legalidade impede a administração pública de reconhecer aos particulares direitos que a lei não concedeu. Destarte, não é o CARF que determina qual índice de correção monetária deve ou não ser aplicado, mas sim a lei, exclusivamente. Considerando que os índices de correção monetária aplicados na restituição de pagamento indevido são os mesmos utilizados pela Receita Federal na cobrança dos créditos tributários em atraso, constatase que é incabível, administrativamente, o pleito de expurgos Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10980.003961/0015 Acórdão n.º 9202007.583 CSRFT2 Fl. 6 9 inflacionários, exceto se houvesse expressa previsão legal, ou se por meio de sentença judicial própria fossem reconhecidos tais índices. Como se pode constatar pelos documentos acostados aos autos, tratase de restituição/compensação de créditos tributários reconhecidos nos autos da ação judicial nº 95.00163055, já transitada em julgado. Ainda com observância aos documentos e alegações apresentados, não foi realizado judicialmente o procedimento de execução do título judicial, optando o Contribuinte pela compensação administrativa do crédito. Todavia, em se tratando de procedimento administrativo em que se está dando cumprimento a decisão judicial transitada em julgado, a atualização monetária deve ser levada a cabo de acordo com os índices determinados na norma individual e concreta emitida pelo Poder Judiciário (sentença), ante a prevalência desse Poder sobre o âmbito administrativo. E compulsandose a decisão de efls. 217 a 223, não se verifica a determinação de incidência dos chamados expurgos inflacionários sobre o Pedido de Restituição. Em face da citada decisão judicial, se o Contribuinte pretendia a atualização de seu crédito com índices superiores àqueles admitidos pela Receita Federal à época do trânsito em julgado, cumprialhe manejar os instrumentos processuais judiciais disponíveis para tanto. Ao manterse inerte e permitir o trânsito em julgado da decisão nos termos acima expostos, o Contribuinte submeteuse a eles, portanto não lhe assiste o direito de, por meio de recursos administrativos, reverter os efeitos de sua inércia. Constatase, assim, que o sujeito passivo pretende, de fato, que sejam aplicados expurgos inflacionários além dos índices estabelecidos na Norma de Execução n° 08, de 1997, estabelecida pela Receita Federal para atualização dos créditos dos Contribuintes. Entretanto, ressalvado comando judicial em contrário, a correção monetária dos indébitos deve obedecer ao que dispõe a referida Norma de Execução. Com efeito, na decisão judicial a que se deve cumprimento no presente caso, o Poder Judiciário não determinou a aplicação dos pretendidos expurgos na correção dos créditos a serem ressarcidos ao demandante, de sorte que não há como reconhecêlos administrativamente. Ademais, se a Receita Federal não aplica os referidos expurgos inflacionários na atualização de seus próprios créditos, tampouco esses expurgos devem ser aplicados na atualização dos créditos dos Contribuintes. Esclareçase que a questão levada a julgamento no REsp nº 1.112.524/DF, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, era referente à possibilidade ou não de inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos da correção monetária, quando não expressamente postulados pelo autor da demanda judicial na fase de conhecimento. Nesse diapasão, a tese firmada foi a seguinte: "A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial." Destarte, é possível concluir, de forma clara, que a referida decisão apenas permitiu ao juiz ou tribunal a concessão ex officio da aplicação dos expurgos inflacionários, considerando que a correção monetária seria matéria de ordem pública. Todavia, em momento Fl. 631DF CARF MF 10 algum o acórdão do STJ permite a aplicação automática dos referidos expurgos, independentemente de decisão judicial nesse sentido, muito menos quando da execução administrativa de decisão judicial que não reconheceu ditos expurgos. Irrelevante, portanto, se a correção monetária é matéria de ordem pública e se a aplicação dos expurgos inflacionários é tema pacificado no âmbito do STJ, estando a Procuradoria da Fazenda Nacional, inclusive, dispensada de recorrer em processos judiciais que tratam da matéria. Nessa senda, imprescindível colacionar o Ato Declaratório PGFN nº 10, de 01/122008, que assim dispõe: "O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." JURISPRUDÊNCIA: AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007)." (grifei) Com efeito, não consta que a ação judicial n° 95.00163055 tenha visado a declaração de aplicação dos expurgos inflacionários, o que tampouco foi concedido de ofício pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de sorte que é inadmissível o reconhecimento dessa aplicação, na esfera administrativa, sem respaldo judicial. Ademais, ressaltase que o CARF não detém competência para decidir acerca da execução das suas próprias decisões, que obviamente são administrativas. Confirase o RICARF, Anexo II: "Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos." (grifei) Ora, se o CARF não detém a competência para julgar atos de execução de suas próprias decisões, muito menos a deteria para decidir acerca de execução de decisão judicial, aplicando índices inflacionários que não integraram o comando judicial. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10980.003961/0015 Acórdão n.º 9202007.583 CSRFT2 Fl. 7 11 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 633DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002932/2007-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
GASTOS COM EMBALAGEM. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
As embalagens de transporte de maçãs, pelas suas próprias peculiaridades, necessitam de um acondicionamento especial para fins de transporte de modo que os produtos não sofram nenhum perecimento no percurso entre a unidade produtiva e o seu destino. Tendo em vista esta essencialidade, os créditos relacionados a tais embalagens são passíveis de creditamento na sistemática da não-cumulatividade da Contribuição ao PIS.
Nas embalagens de apresentação foram encontradas evidências entre o nome constante da descrição da mercadoria e as fotos das caixas juntadas aos autos que demonstraram da apropriação dos créditos a ele relacionados na apuração da Contribuição ao PIS.
CRÉDITO. ÁCIDO ASCÓRBICO. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE.
Ausentes quaisquer argumentos e provas que demonstrassem o emprego do ácido ascórbico no processo produtivo, fica impossibilitado o aproveitamento do crédito a ele relacionado.
CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Possibilidade de reversão parcial da glosa de crédito derivada dos encargos de depreciação de máquinas e equipamentos quando demonstrado seu emprego no processo produtivo.
Numero da decisão: 3001-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso, bem como o pedido de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento para reverter as glosas de créditos relacionadas com os gastos com embalagens e com pallets em aço galvanizado. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que deu provimento parcial em menor extensão por entender que os custos de aquisição de embalagens de transporte, por não se tratar de insumo essencial, não dá direito a crédito.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As embalagens de transporte de maçãs, pelas suas próprias peculiaridades, necessitam de um acondicionamento especial para fins de transporte de modo que os produtos não sofram nenhum perecimento no percurso entre a unidade produtiva e o seu destino. Tendo em vista esta essencialidade, os créditos relacionados a tais embalagens são passíveis de creditamento na sistemática da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS. Nas embalagens de apresentação foram encontradas evidências entre o nome constante da “descrição da mercadoria” e as fotos das caixas juntadas aos autos que demonstraram da apropriação dos créditos a ele relacionados na apuração da Contribuição ao PIS. CRÉDITO. ÁCIDO ASCÓRBICO. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. Ausentes quaisquer argumentos e provas que demonstrassem o emprego do ácido ascórbico no processo produtivo, fica impossibilitado o aproveitamento do crédito a ele relacionado. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Possibilidade de reversão parcial da glosa de crédito derivada dos encargos de depreciação de máquinas e equipamentos quando demonstrado seu emprego no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 32 /2 00 7- 01 Fl. 718DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso, bem como o pedido de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento para reverter as glosas de créditos relacionadas com os gastos com embalagens e com pallets em aço galvanizado. Vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que deu provimento parcial em menor extensão por entender que os custos de aquisição de embalagens de transporte, por não se tratar de insumo essencial, não dá direito a crédito. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social PIS, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 — Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei n° 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maça; Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 326 3 Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos as aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maça. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maça frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo e tre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destina o à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8. a Regido Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4°) e como embalagem de transporte (art. 6°); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa do crédito vinculado a aquisição de ACIDO ASCCRBICO, defendendo que tal produto consiste de insumo consumido durante o processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são Fl. 720DF CARF MF 4 empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e "packinghouse". Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d'agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de ago que ficam dentro das câmaras frigorificas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de "prateleira gigante" (Conjunto porta pallets em ago galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 1611212004), bem como as pegas utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitarios e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No "packinghouse" ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. Sao lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso "na Lei n.° 10.833/2003, no seu art. 3°, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de Produtos destinados A venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa". A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta n° 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS não cumulativo os valores contestados. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 327 5 A DRJ de Florianópolis/SC julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório conforme Acórdão no 0720.004 a seguir transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 722DF CARF MF 6 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados na impugnação. Preliminarmente alega a desconsideração indevida das provas apresentadas e indevido indeferimento de realização de diligência, ocasionando cerceamento de defesa. No mérito em relação às glosas dos créditos relacionados com: (i) as embalagens de apresentação dos produtos industrializados e as destinadas ao seu transporte; (ii) o insumo ácido ascórbico; (iii) aos encargos de depreciação do ativo imobilizado. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Em sede preliminar a Recorrente alega que o acórdão recorrido desconsidera as provas carreadas nos autos, afirma ainda que a realização de diligências visa dirimir possíveis dúvidas quanto aos documentos juntados por ocasião da impugnação. Com isso afirma com a realização da a autoridade julgadora poderia decidir a questão e comprovar a existência dos créditos indeferidos. Inicialmente cabe aqui reproduzir o que dispõe a norma de regência que trata do pedido de diligência, quais sejam, os art. 18 e 28 do Decreto n° 70.235/72: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 328 7 impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/93)” No presente caso a autoridade julgadora de primeira instância entendeu desnecessária a diligência proposta pelo impugnante, por entendela dispensável para o deslinde do presente julgamento. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Outro ponto suscitado pela recorrente versa sobre a desconsideração das provas juntadas nos autos. Novamente não posso concordar com tais argumentos. Primeiro que não há nenhum apontamento específico indicado em sua preliminar, apenas uma reprodução de parte do acórdão onde o relator apresenta um posicionamento relacionado ao ônus da prova que, dentre outras informações, direciona para qual critério será utilizado ao longo de seu voto para fins de aferição do direito ao crédito pleiteado. Segundo que, ao longo do extenso voto, o relator se utiliza de informações e documentos acostados aos autos como elemento de prova para sustentar a sua convicção, seja no sentido de negar o pleito da então manifestante, seja para acolher, tal qual ocorreu em relação à reversão das glosas de créditos de depreciação de máquinas e equipamentos. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pelos argumentos expostos. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a glosa de créditos de Contribuição para o PIS efetuada na análise de Declaração de Compensação cujo crédito teve origem em operações no mercado interno. Os créditos glosados e mantidos pela decisão de piso referemse às seguintes rubricas: (i) as embalagens de apresentação dos produtos industrializados e as destinadas ao seu transporte; (ii) o insumo ácido ascórbico; (iii) aos encargos de depreciação do ativo imobilizado. Das embalagens de apresentação dos produtos industrializados e as destinadas ao seu transporte A DRF entendeu, e a DRJ corroborou seu entendimento, que as aquisições de embalagens de transporte aplicadas no acondicionamento dos produtos elaborados pela Recorrente não compõem o processo de industrialização e, por conseguinte, não podem ser utilizados como créditos da Contribuição para o PIS tendo em vista que não possuem o fim especifico de apresentação e também por não agregarem valor ao produto. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que, mesmo sendo as embalagens de transportes, elas constituem custo de aquisição de insumos consumidos no Fl. 724DF CARF MF 8 processo produtivo. Alega ainda que tais embalagens não retornam à empresa e, portanto, não são passíveis de utilização. Afirma por fim que não há na norma quaisquer diferenciações entre embalagem de apresentação e a de transporte, visto que a norma cita como insumo o material de embalagem em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Antes de adentrarmos na discussão propriamente dita da presente controvérsia, importante tecer alguns comentários a respeito da conceituação de insumos que vem prevalecendo na jurisprudência deste Conselho. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). O art. 3º, inciso II de ambas as leis autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A Emenda Constitucional nº 42/2003 estabeleceu no §12º, do art. 195 da Constituição Federal o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais, consignando a sua definição por lei dos setores de atividade econômica. Portanto, a constituição deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. A Secretaria da Receita Federal apresentou nas Instruções Normativas nos 247/02 e 404/04 uma interpretação sobre o conceito de insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS um tanto restritiva, semelhante ao conceito de insumos empregado para a utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, previsto no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). Este entendimento extrapola as disposições previstas nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, contrariando o fim a que se propõe a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições. Nesta mesma linha de entendimento, igualmente incorre em erro quando se utiliza a conceituação de insumos conforme estabelecido na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, visto que esta seria demasiadamente ampla. Segundo o RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica, ou seja, seria insumo na sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais todos os bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Portanto, é entendimento deste Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Reproduzo a seguir um conceito de insumo consignado no Acórdão nº 9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de base para os julgamentos dos processos deste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 329 9 Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. O Superior Tribunal de Justiça adota o mesmo entendimento conforme pode ser observado no julgamento do recurso especial nº 1.246.317MG, cuja ementa segue abaixo reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os Fl. 726DF CARF MF 10 alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Portanto, após o relato do entendimento predominante a respeito da conceituação de insumos na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e para a COFINS, adentremos nas circunstâncias que regem o caso concreto. Tratase no presente caso de embalagens de transporte de maçãs que, pelas suas próprias peculiaridades necessitam de um acondicionamento especial para fins de transporte de modo que os produtos não sofram nenhum perecimento no percurso entre a unidade produtiva da Recorrente e o seu destino. Destaquese que o ponto central para que determinado bem ou serviço, inclusive o material de embalagem, possa ser inserido no conceito de insumos acima explicitado, necessária a confirmação de que, no caso a embalagem, mesmo que de transporte, seja essencial para que se alcance o fim a que se propõe. Portanto, no entendimento deste relator a embalagem de transporte dos produtos gerados pela Recorrente devem ser inseridos como insumos na apuração das contribuições para o PIS. Ainda sobre o tema embalagens, não foram aceitos como insumos, e glosados os seus créditos correspondentes, as embalagens denominadas de “Embalagem de Apresentação” tendo em vista que, segundo a decisão de piso, não foi possível identificar a destinação específica de parte destes produtos. Os materiais estavam assim identificados: “rótulos e etiquetas”, “caixas, badejas, diversos”, plástico bolha, caixas diversas (TAMPA REFRAI, FUNDO MERCADO INTERNO, TAMPA RENAR EXPORTAÇÃO, FUNDO RENAR, TAMPA NATURA), fita adesiva, selos, sacolas, bandejas, fita pet, etc. A Recorrente alega ser equivocada a afirmação da autoridade julgadora tendo em vista que apresentou às fls. 253 e 254 (efls 508 e 510) duas planilhas onde indicam cada qual as notas relacionadas com cada tipo de embalagem. Afirma também que as fotos anexadas às fls. 194 a 197 (efls. 388 a 394) demonstram que as citadas embalagens de apresentação são utilizadas no “Packinghouse”. Fica evidente para este relator que a controvérsia presente neste ponto versa sobre a convicção de que a lista de material de embalagem constante da planilha de efl 508 possui ou não material de embalagem de apresentação. Tendo em vista que já houve um posicionamento acima sobre as embalagens de transporte de maçãs que, pelas suas próprias peculiaridades necessitam de um acondicionamento especial para fins de transporte a fim de que seus produtos não sofram nenhum perecimento no percurso entre a unidade produtiva da Recorrente e o seu destino, e que por esta essencialidade das embalagens, a meu ver já seria suficiente para que houvesse a concessão dos créditos relacionados com tais despesas. Todavia, considerando o exposto pela Recorrente em contraposição ao decidido pela decisão de piso, entendo que existe uma grande correlação entre os nomes constantes da “descrição da mercadoria” e as fotos das caixas constantes das efls 388 a 394. Portanto, também por este viés, entendo ser possível o creditamento das despesas relacionadas com as mercadorias (embalagens de apresentação) na apuração da Contribuição para o PIS. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 330 11 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Do insumo ácido ascórbico A fiscalização glosou o crédito relacionado com o produto “ácido ascórbico” fornecido pela empresa “DOCE AROMA COMERCIAL LTDA” em virtude de não haver comprovação de que foi empregado como insumo. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente de forma sucinta, sem demonstrar qualquer evidência de sua aplicação no processo produtivo, assim alega: O produto glosado é insumo consumido durante processo produtivo e, por isso, integrante do produto vendido. O crédito sobre o insumo supracitado está definido na Lei 10.637/2002 em ser art. 3°, II, sendo que o conceito de insumo presente na lei encontrase na IN SRF no 247/2002, com alterações dadas pela IN SRF n° 358/2003. Portanto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Dos encargos de depreciação do ativo imobilizado O Acórdão da DRJ de Florianópolis manteve a glosa de parte dos créditos de PIS relativos aos encargos de depreciação tendo em vista que a Recorrente não vinculou cada bem do ativo imobilizado à atividade específica do seu processo produtivo. Segue atachado recorte da planilha que contém os bens que tiveram suas glosas mantidas pela DRJ: Novamente a Recorrente não se esforça em explicar e demonstrar que os equipamentos listados acima foram empregados no processo produtivo da empresa que, como bem explicado na manifestação de inconformidade, ocorrem basicamente em dois locais: Pomares e “Packinghouse”. Limitase a assim descrever os bens utilizados: Fl. 728DF CARF MF 12 a) Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte; na adubação do solo e na aplicação de defensivos usados para controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais bens são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigorificas para armazenagem de Bins com fruta, sendo uma espécie de "prateleira gigante" (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. Em relação aos bens utilizados nos pomares, a Recorrente indica de forma generalizada o emprego de tratores e implementos agrícolas, sem ao menos indicar qual item cuja a glosa foi mantida pela DRJ de modo a podermos fazer quaisquer correlações de seu emprego no processo produtivo. Já em relação aos bens utilizados no “Packinghouse”, a Recorrente apenas destaca a utilização das estruturas de aço (pallets em aço galvanizado – drivein) nos quais seriam os únicos que poderiam ser identificados na lista. Portanto, na análise dos itens glosados e reivindicados pela Recorrente, entendo ser possível de reversão apenas a glosa de crédito derivado da depreciação de máquinas e equipamentos relacionada com o bem cuja descrição assim dispõe: “01 CONJ. PORTAPALLETS EM AÇO GALVANIZADO A FOGO (DRIVEIN)” e “MATS INSTALAÇÃO PORTA PALLETES EM AÇO (DRIVEIN)”. Considerando que os autos estão prontos para ser julgado, com os elementos probatórios suficientes para formar convicção sobre os pontos objeto da análise, rejeito o pedido de diligência suscitado pela Recorrente com fundamento no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10925.002932/200701 Acórdão n.º 3001000.754 S3C0T1 Fl. 331 13 Fl. 730DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901263/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem intimar a Recorrente a apresentar a apuração do crédito com a documentação pertinente.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Relatório
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a Unidade de Origem intimar a Recorrente a apresentar a apuração do crédito com a documentação pertinente. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de declaração de compensação realizada pela contribuinte no PER/DCOMP 17729.49366.211211.1.3.042289 (fls. 201205) transmitida em 21/12/2011, informando um recolhimento a maior à título de COFINS na monta de R$ 661.486,31 (R$ 835.324,91 atualizado com SELIC na data da compensação) correspondente ao período de apuração 31/03/2009, quitado por meio de DARF de fls. 5556. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando este crédito original na data da transmissão para compensar um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 01 26 3/ 20 13 -5 9 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 407 2 débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de novembro de 2011 vencimento 23/12/2011, no montante total de R$ 835.324,91 (oitocentos e trinta e cinco mil, trezentos e vinte e quatro reais e noventa e um centavos). Em 03/05/2013 (fl. 208), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório com nº de Rastreamento: 050912518, para não homologar a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando saldo disponível paro o crédito pretendido. Intimada do despacho eletrônico, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 0219) para impugnar a r. decisão e argumentar que seu crédito decorre de revisão de sua apuração fiscal e que realizou as respectivas retificações do DACON e da DCTF muito antes do despacho decisório: No período e apuração março/2009 apurou e declarou em DCTF o valor devido de Cofins de R$ 9.904.296,66; Ao revisar a escrita fiscal, constatou um equívoco na apuração do valor devido, verificando que o valor devido da contribuição era de R$ 9.242.801,35, o que resultou em um pagamento a maior de R$ 661.486,31; a apuração, o valor a pagar e o conseqüente crédito do pagamento a maior estão refletidos nas declarações retificadoras enviadas (DCTF e DACON), bastando um exame de tais declarações para verificar a legitimidade do procedimento realizado; apesar da exatidão da compensação, o procedimento não foi homologado com a justificativa de inexistência de crédito, pois o DARF discriminado estava alocado para um ou mais pagamentos, não restando saldo de crédito; a fiscalização se limitou a confrontar dados eletrônicos, considerando apenas as declarações DCTF e DACON originais, ignorando as declarações retificadoras; ressalta que as retificações foram feitas antes da emissão do despacho decisório, mais precisamente enviadas em 28/12/2011 (DACON fls. 5781) e 21/12/2011 (DCTF fls. 104151), sendo que o despacho decisório foi emitido em 03/05/2013; acredita que com o envio das retificadoras a tempo tenha comprovado o crédito decorrente do pagamento a maior; estas informações já estavam à disposição da fiscalização quando da análise do pedido de compensação, portanto, o despacho decisório é nulo, pois emitido sem a análise destes documentos; não houve qualquer investigação adicional ou análise das declarações retificadoras, nem intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos; não existiu o necessário cuidado na análise dos documentos apresentados pela Recorrente, que efetivamente demonstram a correção dos procedimentos de compensação adotados, restando caracterizada a precariedade da Fiscalização que antecedeu a emissão do despacho decisório; Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 408 3 cita as instruções normativas 1.1015/2010 e 1.110/2010, que trata das retificações do DACON e DCTF e, no caso concreto, nenhuma das situações indicadas nestas INs para que as declarações retificadoras fossem desconsideradas foram constatadas; menciona decisão do CARF que anulou despacho decisório proferido sem a análise das declarações retificadoras, ordenando a prolação de nova decisão; ressalta que a causa do pagamento a maior é um equívoco da apuração do valor devido no mês, sendo que o motivo do pagamento indevido é irrelevante para fins de reconhecimento do direito ao crédito do contribuinte, já que a legislação autoriza que os contribuintes utilizem um crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior para restituir na modalidade da compensação; entende que a documentação apresentada (DARF pago, DACON e DCTF) torna inquestionável o crédito decorrente de pagamento indevido, devendo ser reconhecido o crédito e homologada a compensação, de modo que o não reconhecimento do crédito representa uma resistência injustificada; argumenta que, em nome da verdade material, eventuais inconsistências decorrentes do cumprimento da obrigação formal não podem prevalecer sobre a efetiva existência do crédito do contribuinte. Tivesse o Fisco realizado análise detalhada das informações que lhe foram disponibilizadas quando do envio das declarações retificadoras, não haveria outra conclusão senão a de homologar a compensação. Em 23/02/2015 a 11ª Turma da DRJ/RPO, em razão da constatação do envio com antecedência das declarações retificadoras, proferiu o Acórdão 1456.864 (fls. 219222) para cancelar o despacho decisório e ordenar que a unidade de origem procedesse à intimação da Recorrente para apresentação de documentos para apuração da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, pela análise dos registros contábeis e fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Comprovada a existência de DCTF retificadora anterior ao despacho decisório e afastado o motivo que impediu o correto exame de mérito do direito creditório em questão, os autos devem retornar à unidade de origem para análise da declaração de compensação controversa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Aguardando Nova Decisão afastou a nulidade do despacho decisório em razão do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 prever que são nulos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; reconheceu o equívoco da decisão sem considerar as declarações retificadora, mas justificou o erro em razão do não processamento da retificadora, pois havia um tratamento manual no sistema a ser investigado; Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 409 4 reconheceu que o despacho decisório deveria levar em conta os dados informados nas retificadoras e que o débito nelas informado referente ao período de apuração é menor do que o pagamento nele alocado; salientou que para a homologação da compensação, necessário se faz a verificação da existência do crédito que alega possuir e o seu efetivo montante, investigando a exatidão do procedimento que reduziu o valor devido da contribuição; o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; para tanto, afirmou que é necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado; afirmou caber ao contribuinte fornecer registros contábeis e fiscais que comprovem a exatidão dos valores por ele declarados. Com estes argumentos a DRJ ordenou o retorno dos autos à DRF de origem, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar a documentação contábil e fiscal aptas a comprovar o direito creditório, e, após, fosse feita a análise do mérito da declaração de compensação, considerando a DCTF retificadora apresentada. Os autos, então, retornaram à unidade de origem, que procedeu a intimação da contribuinte para (fl. 229): a) Justificar a redução do tributo (código 5856) apurado em março de 2009, de R$ 9.904.296,66 para R$ 9.242.810,36 (conforme informado em DCTF de 21/12/2011). b) Apresentar a apuração da base de cálculo que determinou o valor a ser pago, apontando os ajustes realizados para a obtenção da importância retificada e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando ainda os documentos contábeis e fiscais que serviram de base para o procedimento. (grifos do original) A contribuinte apresentou sua resposta à intimação em fls. 250251 para dizer: que identificou a inclusão de créditos presumidos de ICMS na base de cálculo da COFINS no período de março de 2009. Ao perceber o erro, refez a apuração com a exclusão destes valores, enviando as retificadoras e a declaração de compensação; que os créditos presumidos não são receita, mas sim recuperação de custos auferidos na forma de renúncia fiscal do ente tributante; juntou ainda planilha de cálculo para identificar o montante de crédito presumido de ICMS excluído da base de cálculo (fl. 252). Com estas informações a Secretaria da Receita Federal prolatou novo despacho decisório (fls. 254257), não reconhecendo o direito de crédito e, consequentemente, não homologou a compensação: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 410 5 Assunto: Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins referente a pagamento efetuado a maior Período de apuração: março de 2009 Sendo devida a retificação de ofício por erro de fato no preenchimento da DCTF, aguardase nova decisão, conforme Acórdão da DRJ. Para as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no regime de apuração não cumulativa, com base na Lei nº 10.833, de 2003, que estabelece como fato gerador o faturamento mensal, entendido como sendo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o valor do crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo da referida contribuição. Para fundamentar sua decisão, apresentou os seguintes argumentos: a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social é o faturamento mensal, não havendo previsão para a exclusão do crédito presumido do ICMS da referida base de cálculo, podendo apenas ser excluído da base de cálculo no regime cumulativo, por não ser faturamento, mas somente após maio de 2009, quando publicada a Lei nº 11.941/2009, o que não é o caso. Intimada do novo despacho decisório, a contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 263267) sustentando, em síntese: a ausência de previsão de exclusão dos créditos presumidos de ICMS no art. 1º, § 3º da Lei nº 10.833/2003 não tem como consequência a conclusão de que estes créditos são receitas, já que não se pode falar de exclusão de algo que não está nem submetido à incidência do tributo; traz julgados do STJ no sentido de que créditos presumidos de ICMS não são receita ou faturamento, mas recuperação de custos na forma de incentivos fiscais, razão pela qual não integram a base de cálculo da COFINS; Em 08/04/2016 a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1459.912 (fls. 287292) assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Estando a pessoa jurídica enquadrada no regime de apuração não cumulativa, o crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal integra a base de cálculo da contribuição à Cofins, por ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade por ela exercida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para esta conclusão, os nobres julgadores apresentaram a seguinte fundamentação: a COFINS não cumulativa incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação; Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 411 6 por não haver exclusão desta receita da base de cálculo da contribuição no art. 1º, § 3º da Lei 10.883/2003, esta parcela deve ser oferecida à tributação; cita solução de divergência nº 13/2001 para afirmar que as subvenções, mesmo as para investimento, têm natureza de receitas, classificadas pela legislação do imposto de renda como "outras receitas operacionais"; afirmou que a Lei nº 10.833/2003 não modificou o conceito de receita, mas simplesmente definiu a base de cálculo da Cofins, elencando as receitas que a comporiam e aquelas que estariam excluídas. Intimada do v. acórdão em 12/05/2016 (fl. 296), a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 299317) para repisar o que afirmou em sua manifestação de inconformidade, acrescentando o que segue: o crédito presumido de ICMS em discussão foi concedido pelo Estado de Santa Catarina; o beneficio concedido é um crédito calculado sobre o valor da operação de transferência de Santa Catarina e é utilizado para abater o valor do ICMSST devido ao mesmo Estado quando de operações sujeitas ao regime de substituição tributária; o lançamento do valor dos incentivos reflete mero ajuste em conta gráfica, tendo em vista que os créditos presumidos são apurados em cada operação de circulação de mercadoria e escriturado como crédito para compor a apuração mensal, e tem como único intuito refletir detalhadamente a operação; estes benefícios fiscais são registrados em momento anterior à quantificação do ICMS devido; traz uma discussão acerca do conceito de receita e a evolução jurisprudencial sobre o tema, incluindo a discussão sobre a extensão do conceito de faturamento realizada pela Lei nº 9.718/1998; colaciona doutrina para argumentar que receita é um fator de aumento do patrimônio da pessoa jurídica, decorrente de sua atividade, não podendo ser confundido com o mero ingresso de recursos; as meras deduções de custos, como o crédito presumido de ICMS, não importam em valorações positivas e definitivas do patrimônio, não podendo serem tratadas como receitas; afirma que esta concepção de receita, como ingressos que acrescem o patrimônio líquido da empresa, também foi exposta pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC nº 30; este conceito extrajurídico de receita sofreu ajustes para fins de incidência do PIS e da COFINS em razão do § 3º do art. 1º da Lei nº 10833/03, que prevê a exclusão de determinadas receitas da base de cálculo do PIS, porém, continua sendo o ponto de partida para o conceito jurídico de receita; Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 412 7 os créditos presumidos de ICMS, tipos de subvenção, claramente não se enquadram nesse conceito de receita. Tais subvenções objetivam incentivar algumas atividades ou empreendimentos vinculados ao interesse público; incluir os créditos presumidos de ICMS na base de cálculo da COFINS é permitir a tributação pela União de algo que o Estado concedeu beneficio fiscal, interferindo diretamente na políticaeconômica de outros entes; crédito presumido não é receita porque não há alteração em seu patrimônio, mas apenas e tão somente registros, meramente escriturais, que embasaram a redução da medida do ICMS a pagar; cita jurisprudência do CARF e do STJ com o entendimento de que créditos presumidos de ICMS não são receita; a Recorrente recolhe a contribuição da COFINS sobre o valor de sua receita bruta, que inclui o valor cheio do ICMS destacado em suas notas fiscais de vendas, portanto, sem dedução do valor dos incentivos fiscais; em termos práticos, os créditos presumidos de ICMS mais se parecem com reversões de provisão, na medida em que reduzem o montante de uma obrigação inicialmente constituída. E as reversões de provisões não são tributáveis, confofine determinação expressa do art. 1, $ 3o, V da Lei no 10.833/2003; assim como os créditos presumidos de ICMS, reversão de provisão não é receita, e como tal, não está sujeito à tributação pela COFINS. Não se trata de hipótese de exclusão e sim de não tributação. Este é o breve relato. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos da legislação, apto a ser analisado em seu mérito. Depreendese do breve relato acima que a Recorrente apresentou declaração de compensação informando um crédito original R$ 661.486,31 (R$ 835.324,91 atualizado com SELIC na data da compensação) decorrente de um suposto pagamento indevido de COFINS para o período de apuração de março/2009. Para tanto, a Recorrente fez retificações da DCTF e do DACON em dezembro/2011, mesmo mês de transmissão da declaração de compensação. O despacho decisório veio mais de um ano depois, 03/05/2013, negando a homologação porque no sistema da Receita Federal o DARF indicado estava integralmente alocado para o pagamento de um ou mais débitos e não havia crédito para compensação. Assim, constatase que o despacho decisório foi proferido sem a análise das declarações retificadoras. Em sua primeira manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou seu direito de crédito em razão de uma revisão de sua apuração de PIS e COFINS, constatandose Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 413 8 que realizou o pagamento a maior do que o devido no período de apuração de março/2009, porém, não esclarece qual foi o erro na apuração formalizada nas declarações originais, tampouco traz à colação prova de seu crédito, como escrita contábil e livros de apuração, para demonstrar a origem do erro da primeira apuração, a liquidez e a certeza de seu crédito. Muito ao contrário, afirmou que o motivo do pagamento indevido é irrelevante para fins de reconhecimento do direito ao crédito do contribuinte, pois o crédito resta comprovado pelas declarações retificadoras e o comprovante do DARF pago, evidenciando o crédito decorrente de pagamento indevido. Este argumento, importante frisar, é totalmente descabido. A Recorrente fundase, tão somente, nas alegações de erro na apuração e que, por ter enviado as retificadoras antes do despacho decisório, este deveria ser cancelado e a compensação homologada pelo inafastável reconhecimento do crédito. A DRJ proferiu um acórdão informando que a falta de análise das declarações retificadoras se deu por um bloqueio no sistema que as suspendeu, já que havia um tratamento manual de um outro pagamento por compensação do mesmo débito de COFINS informado na própria DCTF. Assim, o despacho decisório deveria ser cancelado por não ter considerado as declarações retificadoras, porém, o reconhecimento do crédito dependeria da demonstração de liquidez e certeza a ser realizada perante à unidade de origem, apresentando a apuração e documentos contábeis e fiscais, para que então fosse proferido novo despacho decisório. A Recorrente então foi intimada para apresentar a justificação da redução do valor devido no período de apuração em referência, apontando os ajustes realizados para a obtenção da importância retificada e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando ainda os documentos contábeis e fiscais que serviram de base para o procedimento. Em atendimento da intimação, a Recorrente não apresentou nenhum documento contábil, nem demais documentos fiscais, nem mesmo a composição de sua apuração. Trouxe apenas uma planilha (fl 252), de uma página, com quadro comparativo da apuração original, onde foi incluída como "outras receitas" os créditos presumido de ICMS, e a revisão desta apuração, excluindo estes créditos presumidos da apuração, apontando o valor que seria devido à título de COFINS, valor este que corresponderia ao valor informado na DCTF retificadora (fl. 57) e no DACON retificador (fl. 80). Novo despacho decisório foi proferido, não homologando a compensação, sob o fundamento de que não há previsão legal para exclusão de crédito presumido de ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS não cumulativos. Com nova manifestação de inconformidade, a DRJ julgou improcedente pelas mesmas razões, inexistência de hipótese legal do crédito presumido de ICMS da base de cálculo das contribuições. Assim, o Recurso Voluntário tem como mérito o conceito de receita, defendendose que estes créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina não são considerados receita para fins de PIS e COFINS. Todavia, não há nenhum tipo de comprovação de estes valores se referem ao crédito presumido, nem mesmo informações sobre a lei que instituiu o benefício fiscal, se deliberado no âmbito do CONFAZ, nem mesmo demonstração da apuração de tais créditos presumidos para trazer a certeza do crédito a compensar. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 414 9 Afirma a Recorrente que o crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina era calculado sobre o valor da operação em suas saídas interestaduais, compondo o montante de crédito para abater de seus débitos em cada período mensal de apuração do ICMS. Quanto à natureza de receita ou não das subvenções para investimentos, relacionadas ao crédito presumido de ICMS, assiste razão à Recorrente. Tratase de subvenção tida como transferência de capital do governo estadual para a pessoa jurídica para que esta aplique na sua atividade. Não se enquadra na hipótese de incidência nem do PIS, nem da COFINS, justamente por não ser receita, sendo desnecessária a existência de um dispositivo excluindo este numerário da base de cálculo das contribuições, ainda mais no caso de créditos presumidos, que são créditos escriturados no livro de apuração do ICMS e não subsumem ao critério material das contribuições (receita). Assim, tem decido, inclusive, esta colenda terceira turma ordinária deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão 3301005.533, bem como o próprio Superior Tribunal de Justiça TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. O crédito presumido de ICMS não pode ser caracterizado como receita ou faturamento, não podendo compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1.413.034/SC, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 29/5/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (...) II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). E mais recentemente: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS COMO RECEITA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 1.022, II. DO CPC. FALTA PARCIAL DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. (...) 3. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que o crédito presumido referente ao ICMS não tem natureza de receita ou Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 415 10 faturamento, razão pela qual não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins. 4. Em recente julgamento, a Primeira Seção do STJ, ao apreciar o EREsp 1.517.492/PR, relatora para o acórdão Ministra Regina Helena Costa, ratificou o entendimento "segundo o qual o valor de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, constituindo mero ingresso de caixa, cujo destino final são os cofres públicos." (STJ, REsp 1.664.791/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 14/11/2018). Cabe ressaltar que este entendimento não é apenas jurisprudencial, mas decorre de lei. É que a Lei Complementar nº 160/2017 prevê que os incentivos fiscais e financeiros fiscais de ICMS, tais como os créditos presumidos, representam subvenção para investimento: Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (grifei) Note ainda que o § 5º representa norma interpretativa, retroagindo seus efeitos para atingir fatos do passado, nos termos do art. 106, I do CTN. Perceba, entretanto, que incentivo fiscal de ICMS só pode ser concedido se houver deliberação dos Estados autorizando a concessão, o que se faz por meio de um convênio aprovado no Confaz, nos termos do art. 155, § 2º, XII, "g" e art. 1º da Lei Complementar nº 24/1975. O convênio é fundamento de validade do incentivo fiscal de ICMS, devendo respeitar todos os contornos e limites deliberados e aprovados pelos Estados. Caso contrário, o incentivo fiscal concedido é um ilícito e se for um crédito presumido, não poderá ser considerado subvenção para investimento. Tanto é assim que a própria Lei Complementar nº 160/2017, em seu art. 10, estabelece que todos os incentivos fiscais de ICMS são considerados subvenção para investimento, inclusive aqueles concedidos sem convênio, desde que enquadrados no contexto desta lei complementar 160, pois serão considerados benefícios fiscais validados: Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. (grifei) Esta Lei Complementar nº 160/2017 foi publicada para validar todos os incentivos fiscais ilícitos, isto é, concedidos sem convênioConfaz autorizativo, como forma de regularizar a situação fiscal dos Estados e reduzir a guerra fiscal de ICMS, mas desde que o Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10805.901263/201359 Resolução nº 3301001.064 S3C3T1 Fl. 416 11 incentivo tenha sido concedido antes desta lei complementar e desde que atenda todos os seus requisitos para a validação destes incentivos. In casu, a Recorrente juntou aos autos petição (fls. 325405), protocolizada no dia desta sessão, com informações sobre qual é este incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, no contexto de cumprimento dos requisitos de validação do incentivo previsto na lei complementar nº 160/2017, publicando o benefício no Diário Oficial do Estado, registrando e depositando o texto legal no Confaz. Reconhecido o direito, é preciso analisar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente junta uma simples planilha (fl. 252), com um quadro comparativo e valores absolutos dos supostos créditos presumidos de ICMS, que nada comprovam, pois não há nem indícios de que tais valores são realmente decorrentes de um incentivo fiscal de ICMS. Inapta, portanto, a comprovar a origem do crédito decorrente de pagamento indevido. Cabe ressaltar que o caso em análise decorre de uma declaração de compensação, na qual a Recorrente alega possuir um crédito decorrente de um pagamento indevido. É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e declaração de compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, isso porque o art. 170 do CTN admite a compensação quando existir créditos e débitos recíprocos, líquidos e certos, não tendo a Recorrente se desincumbido da tarefa de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito. Desta feita, não basta ter o direito, é preciso demonstrar os fatos. Diante disso, para análise da liquidez e certeza do crédito, propõese a realização de diligência para que a Recorrente apresente, em 30 dias da publicação desta Resolução: a) livros contábeis e fiscais, incluindose o livro de apuração do ICMS, e demais documentos que entender necessários, para fins de identificação das operações; b) demonstrativo a operações e valores de crédito presumido de ICMS, a partir dos livros apresentados no item "a", conciliandoos com o montante reduzido no DACON retificador; c) identificar as folhas do processo onde constam tais valores no DACON original, bem como no DACON retificador, elaborando quadro comparativo; Cumprida esta obrigação, a unidade de origem elaborará relatório circunstanciado e conclusivo acerca das operações e cálculos apresentados pela Recorrente; Após, nova oportunidade deve ser concedida à Recorrente para se manifestar sobre o relatório no prazo de 30 dias. Retorne os autos para julgamento no CARF. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720280/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2
É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DAS PRESTAÇÕES DECORRENTES DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.
São devidas pelo produtor rural pessoa física as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária, estando a empresa adquirente de produtos rurais sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento das referidas contribuições.
A alíquota do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) é de 0,1% sobre a comercialização da produção rural do segurado especial, sendo o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) um fator que não incide sobre a referida contribuição rural.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus do sujeito passivo provar que o lançamento de ofício é equivocado, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não comprovadas as alegações, mantém-se incólume a decisão hostilizada.
Numero da decisão: 2202-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DAS PRESTAÇÕES DECORRENTES DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. São devidas pelo produtor rural pessoa física as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária, estando a empresa adquirente de produtos rurais sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento das referidas contribuições. A alíquota do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) é de 0,1% sobre a comercialização da produção rural do segurado especial, sendo o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) um fator que não incide sobre a referida contribuição rural. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus do sujeito passivo provar que o lançamento de ofício é equivocado, valendo-se de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não comprovadas as alegações, mantém-se incólume a decisão hostilizada.
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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro do seu âmbito revisional da decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, não havendo permissão para declarar ilegalidade de Lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário o controle de constitucionalidade e de legalidade das leis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF N.º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DAS PRESTAÇÕES DECORRENTES DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 02 80 /2 01 4- 89 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 328 2 São devidas pelo produtor rural pessoa física as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária, estando a empresa adquirente de produtos rurais subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento das referidas contribuições. A alíquota do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) é de 0,1% sobre a comercialização da produção rural do segurado especial, sendo o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) um fator que não incide sobre a referida contribuição rural. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua tese, sendo ônus do sujeito passivo provar que o lançamento de ofício é equivocado, valendose de todos os meios de prova permitidos em direito para tanto. Incumbe a quem alega, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a ocorrência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não comprovadas as alegações, mantémse incólume a decisão hostilizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 315/319), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 289/309), proferida em sessão de 10/09/2014, consubstanciada no Acórdão n.º 0436.590, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 329 3 Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte à impugnação (efls. 188/205 e 245/249), mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, cujo acórdão de impugnação restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA Cabível o lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência do crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa em razão de depósitos judiciais. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO NÃO COMPROVADA O interesse comum é identificado quando há participação dos sujeitos da relação jurídica na ocorrência do fato gerador da obrigação. As hipóteses fáticas configuradoras da formação de grupo econômico, deve ser claramente comprovada pela fisco. Somente são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP A contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social para o financiamento do SAT, poderá ser majorada ou reduzida em função da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção. O FAP incide somente sobre as alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 da Lei n.º 8.212. JUROS DE MORA São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ÔNUS DE PROVAR É ônus do sujeito passivo provar que os documentos e os lançamentos contábeis considerados são imprestáveis para caracterizar a análise fiscal consubstanciada na decisão denegatória parcial do pedido de restituição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento fiscal, no Procedimento Fiscal n.º 0140200.2013.00097, com auto de infração efetivado em 26/06/2014 e em 03/07/2014 (e Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 330 4 fls. 50/71 e 166/181), notificado o primeiro em 30/06/2014 (efl. 163) e o segundo apresentado impugnação voluntariamente em 30/07/2014 (efl. 245), DEBCAD's 51.057.8357 e 51.057.8390 (substituindo o DEBCAD 51.057.8381, efl. 165), com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 a 31/12/2013, cujo crédito tributário total constituído foi de R$ 857.085,88 (efl. 42), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Tratase de processo de Impugnação em face da obrigação tributária relativa a Contribuições Sociais Previdenciárias apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no lançamento de crédito fiscal lavrado na data de 30/06/2014, referente ao período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2013 dos seguintes documentos de créditos: Debcad Fl. Valor Principal Valor Total Período Débito Lançamento Rubricas Base de Cálculo 51.057.8357 50 426.503,61 813.336,38 10/2011 a 12/2013 SAT, Rural 05 BC Produção Rural 51.057.8390 166 23.058,82 43.749,50 10/2011 a 12/2013 Terceiros 05 BC Produção Rural Em resumo, segundo o Relatório Fiscal (fl. 8899), e demais relatórios integrantes e complementares, foram consignados os seguintes pontos acerca do lançamento: I. INTRODUÇÃO I.b O contribuinte sob ação fiscal desenvolve atividades de comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados. I.c Conforme demonstramos a seguir, no item VII, a fiscalizada integra grupo econômico DE FATO e respondem entre si solidariamente pelos créditos tributários previdenciários, conforme previsto no inciso IX, artigo 30, Lei n.º 8.212, de 24/07/1991. II. DO PROCEDIMENTO FISCAL II.5 Relativamente ao processo, em 08/06/2011 foi prolatada sentença resolutória do mérito, com procedência, em parte, do pedido. Transcrevemos a parte dispositiva: "III DISPOSITIVO Diante do exposto, julgo PROCEDENTE EM PARTE o pedido, para o fim de, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992 e art. 1.º da Lei 9.528/97, na parte em que conferiram nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, DECLARAR o direito dos autores à repetição das contribuições recolhidas de acordo com a aplicação de alíquota incidente sobre o produto da comercialização da produção rural no período de 08 de junho de 2000 e 10 de julho de 2001, limitado, em relação à autora MMSG COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS, aos produtores que concederam autorização, e observadas as outras determinações contidas na fundamentação acerca do exercício do direito." II.5.1 A certidão dá a informação de que, tanto a autora quanto a ré, apelaram da decisão e o processo remetido ao TRF 3.ª Região em 25/06/2012. ... II.5.3 Também nesse mesmo sítio eletrônico, consta interposição de Agravo Legal e de Recurso Especial e Recurso Extraordinário ao acórdão prolatado no Agravo Legal. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 331 5 IV. FATO GERADOR: O fato gerador das contribuições apuradas neste Auto de Infração é a aquisição de produção rural de produtores rurais pessoa física, na condição de subrogada nas obrigações destes, consoante o art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 10.256/2001. Os valores foram apurados após análise da escrituração fiscal e da contabilidade. A planilha Anexo I, informa os produtores rurais pessoa física e respectivos valores de base de cálculo, servindo como auxiliar deste relatório fiscal. IMPERIOSO ESCLARECER QUE OS VALORES DEPOSITADOS EM CONTA JUDICIAL N.º 4171280 000016520 ESTÃO SENDO LANÇADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N.º 51.057.8349, PROCESSO COMPROT N.º 13161.720.677/201471, COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA, PARA PREVENÇÃO DA OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA. IV.1 AI AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD n.º 51.057.8357 Neste Auto de Infração estão sendo apurados os valores devidos à Seguridade Social e ao RAT, acrescido do FAP, incidentes sobre o valor da aquisição da matéria prima, decorrentes da DIFERENÇA ENTRE O VALOR DEVIDO E O VALOR DO DEPÓSITO JUDICIAL. Período de 11/2011 a 12/2013. Para que esse batimento fosse efetuado, os depósitos judiciais foram lançados como crédito, CRED no relatório RADA (subitem VI.4). Alíquotas aplicadas: 2,0% de contribuição rural e 0,1% de RAT, acrescido do índice de 1,5170 em 2012 e 1,3451 em 2013. RAT Riscos Ambientais do Trabalho FAP Fator Acidentário de Prevenção. IV.2 AI AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD n° 51.057.8381 Contribuição devida a OUTRAS ENTIDADES na competência 08/2012 que são as devidas pelos produtores rurais pessoa física, incidentes sobre o valor da aquisição de matéria prima. Nesta competência a empresa recolheu GPS no código de recolhimento 2615, porém com valor no campo INSS, o que ocasionou a apropriação pelo campo Alíquota aplicada: 0,2% para o SENAR. VI.4 O RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados demonstra como os seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte ou apurados em procedimento fiscal, foram apropriados pela fiscalização: GPS, LDC, CRED (depósito judicial). VII GRUPO ECONÔMICO DE FATO A conclusão abaixo decorreu da análise das informações prestadas pelo Cartório de Registro de Imóveis desta cidade e comarca, requisitadas pela autoridade fiscal, visando, inicialmente, ao arrolamento de bens, providência não Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 332 6 levada a efeito, pelo fato do Auto de Infração n.º 51.057.8349 ser decorrente de depósito judicial (IN RFB 1171/2011, art. 2.º, § 1.º). Os sócios da empresa fiscalizada são sócios também das empresas GTSA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 11.094.633/000122, GALES PARK HOTEL LTDA, CNPJ 13.749.779/000194 e GAMA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA, CNPJ 07.704.092/000130, sendo que o sócio GILMAR TONIOLLI é sócio majoritário em todas, detendo 99,00% das cotas Da MMSG, 99,74% Da GTSA, 99,80% da GALES e 99,00% da GAMA. Essas empresas formam grupo econômico de fato, face ao que demonstram os Registros dos Imóveis abaixo, analisados. Senão vejamos: VII.1 Em 13/08/2008 o sócio GILMAR TONIOLLI, proprietário do imóvel, objeto da Matrícula n.º 39771 do Cartório de Registro de Imóveis desta cidade e comarca de Dourados, deuo em garantia hipotecária à COOPERATIVA DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS DO CENTRO SUL MS, como interveniente garantidor do crédito bancário n.º A802309534 no valor de R$ 1.300.000,00, assumido pela empresa fiscalizada MMSG. VII.2 Em 20.11.2009 foi efetuado o registro n.º 35, à margem da matrícula desse imóvel, que o mesmo foi integralizado ao patrimônio da empresa GTSA Empreendimentos Imobiliários Ltda. Houve posteriores averbações de rerratificações, com prorrogação de prazo do vencimento da dívida. Portanto, a partir da data da integralização ao patrimônio este imóvel pertence à empresa GTSA Empreendimentos Imobiliários Ltda. VII.3 Em 24/10/2011, foi efetuado o registro n.º 38 de hipoteca, para garantia do Crédito Bancário n.º B10232170 0, no valor de R$500.000,00, assumido pela empresa fiscalizada MMSG. Houve posteriores averbações de reratificações, com prorrogação de prazo do vencimento da dívida. Portanto, a empresa GTSA é garantidora de dívidas bancárias da empresa MMSG. VII.4 Quanto à empresa GALES PARK HOTEL LTDA, possui endereço na Rua Quintino Bocaiúva n° 1760, Bairro Jardim América, DouradosMS, que é o imóvel da Matrícula n.º 11.439, de propriedade da GTSA Empreendimentos Imobiliários Ltda, inclusive fazendo parte do capital social. VII.5 Diante desses fatos, ficou evidente de que as empresas têm conexões entre si, que a empresa GTSA é controladora e administradora dessas empresas, dispondo dos bens destas conforme as necessidades das mesmas. VII.5.1 Esta conclusão incorre em que essas empresas formam um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com todas os direitos e obrigações que disso decorre, como assumir empréstimo por uma empresa e prestação de garantia hipotecária por outra, como ocorreu neste fato concreto. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 333 7 VII.5.2 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente pelos créditos tributários previdenciários, conforme previsto no inciso IX, artigo 30, Lei n.º 8.212, de 24/07/1991. VII.5.3 Em face ao que dispõe o artigo 495 da Instrução Normativa RFB n.º 971, de 13/11/2009, todas as empresas e pessoas físicas componentes do grupo econômico de fato serão cientificadas da lavratura do presente Auto de Infração. Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a cientificação do sujeito passivo, realizada por meio postal, com Aviso de Recebimento (AR) em 30/06/2014 (fl. 163164). Da Impugnação O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 30/07/2014 (efls. 188/205 e 245/249), a qual delimitou os contornos da lide. Conforme consta no relatório da decisão vergastada, em suma, o ora recorrente, naquela ocasião impugnante, controverteu no seguinte sentido ao apresentar seu inconformismo: O sujeito passivo apresentou Impugnação ..., na data de 30/07/2014, com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: DEBCAD 51.057.8357 OBJETO DA IMPUGNAÇÃO Instada pelos termos de intimação desta Delegacia Federal, a empresa disponibilizou a documentação comprobatória de sua regularidade fiscal nos anos de 2011, 2012 e 2013, informando que ajuizou no ano de 2010 a Ação Ordinária n.º 0002679 38.2010.4.03.6002 contra a União, passando a depositar em juízo o valor mensal das contribuições sociais devidas, cuja exigibilidade permanece em discussão (Funrural art. 25, Lei n.º 8.212/91), pleiteando a desoneração do tributo, dada a ilegitimidade e inconstitucionalidade da exação. Nada obstante a pretensão tenha sido denegada em primeira e segunda instâncias jurisdicionais, a empresa interpôs recursos para o Superior Tribunal de Justiça e para o Supremo Tribunal FederaL que está sob análise de admissibilidade no TRF 3.º Região que dará a última palavra sobre o tema. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO A impossibilidade de serem sopesados aspectos de conveniência e oportunidade em relação ao lançamento tributário decorre do princípio constitucional da estrita legalidade que norteia a atividade da administração pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal). Na atividade administrativa do lançamento, deve a administração fazendária aplicara lei objetivamente, isto é, através de uma ação administrativa imparcial e livre de subjetivismos. No caso da presente autuação, falta subsídio a justificála. Isso porque, o STF, no RE 363.852 (MG), em decisão proferida pelo plenário em 03/02/2010, declarou inconstitucional o artigo 1.º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 334 8 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97, tendo como beneficiário apenas o então recorrente, Frigorífico Mata Boi Ltda. ... É inegável, destarte, que a contribuição social incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção, criada pela Lei n.º 8.870, de 1994, e legislação posterior, é manifestamente incompatível com o texto constitucional vigente, mesmo após a entrada em vigor da EC n.º 20. ... Por tudo que se expôs e foi decidido jurisprudencialmente, assim, a autuação não se sustenta, afigurandose totalmente ilegítima a exação. EQUIVOCIDADE DA AUTUAÇÃO. RAT/FAP. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. CORREÇÃO Nessa parte, debalde ser ilegítima a cobrança, dada a inconstitucionalidade da exigência fiscal, a autuação parte de premissas equivocadas, que majoraram indevidamente o valor que seria devido pela empresa. O quadro abaixo retrata o erro e o montante correto: (a) Não há ajuste da alíquota de 0,1% da contribuição de Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) em decorrência do Fator Acidentário Previdenciário (FAP), considerando que não estão sujeitos as alíquotas de 1,2 ou 3% de RAT incidentes sobre a folha de salários, mas de 0,1% sobre a comercialização da produção rural. O art. 10 da Lei n.º 10.666/2003 estabelece que a majoração ou a redução do FAP será aplicada sobre as alíquotas de contribuição de 1, 2 ou 3%, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. No mesmo sentido, o art. 202A do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, com redação do Decreto n.º 6.042/2007, estabelece que o FAP será aplicado sobre as alíquotas previstas nos incisos I a III do art. 202 do RPS , ou seja, sobre as alíquotas de 1, 2 ou 3% e não sobre a alíquota aplicada à produção rural. As contribuições do RAT (0,1%) dos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, inclusive agroindústria, estão previstas, respectivamente, nos arts. 200, II, 202, § 8.º, e 201A, II, todos do RPS. (b) Ajuste de base de cálculo, considerando que na elaboração do Auto de Infração não foram consideradas as aquisições de lenha, que totalizaram no período compreendido entre 10/2011 a dez/2013 a importância de R$ 86.196,46 (oitenta e seis mil cento e noventa e seis reais e quarenta e seis centavos), ajustando, desta forma, a base para incidência das alíquotas devidas para R$ 108.461.653,56 (cento e oito milhões quatrocentos e sessenta e um mil seiscentos e cinquenta e três reais e cinquenta e seis centavos); Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 335 9 (c) Amortização do valor de depósito judicial realizado em 31/10/2011 no valor de R$ 142.658,00 (cento e quarenta e dois mil seiscentos e cinquenta e oito reais), referente aos saldos de contribuição a pagar de: Mês Líquido a Pagar Depósito Judicial Diferença 10/2011 59.271,59 201,51 59.070,09 11/2011 108.336,71 24.950,31 83.386,40 10/2011 Recolhido em duplicidade 201,51 Total Depositado em 31/10/2011 142.658,00 Podese constatar que o depósito no valor de R$ 201,51 (duzentos e um reais e cinquenta e um centavos) foi realizado em duplicidade, observando a coluna "Saldo Acumulado a Recolher" da planilha apresentada abaixo, entre as competências 11/2011 e 07/2012. (e) Ajuste do valor do depósito realizado em 20/09/2012. Na elaboração do Auto de Infração foi considerado o valor de depósito judicial a importância de R$ 65.265,26 (sessenta e cinco mil duzentos e sessenta e cinco reais e vinte e seis centavos) sendo R$ 42.198,73 + 23.066,55 referente ao valor da contribuição ao SENAR considerada no Item 1, por este motivo, o valor correto a ser considerado, conforme listagem de depósitos é de R$ 42.198,73 (quarenta e dois mil cento e noventa e oito reais e setenta e três centavos). Apurandose o levantamento correto dos valores devidos, efetivado com o cotejo dos documentos fiscais e comprovantes de depósitos fornecidos pela impugnante, constantes do auto de infração, obtémse o seguinte diagnóstico: (...) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. DESCARACTERIZAÇÃO: Aduz a fiscal autuante, mediante "análise das informações prestadas pelo Cartório de Registro de Imóveis", que os sócios da empresa fiscalizada integram as empresas GTSA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 11.094.633/000122, GALES PARK HOTEL LTDA, CNPJ 13.749.799/000194 e GAMA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA, CNPJ 07.704.092/0001 30, sendo Gilmar Toniolli sócio majoritário em todas, detendo 99,06% das cotas da MMSG, 99,74% da GTSA, 99,80% da GALES e 99% da GAMA. Em virtude dessa condição, as empresas prestariam garantias entre si e formariam um grupo econômico de fato, "com todos os direitos e obrigações que disso decorre, como assumir empréstimo por uma empresa e prestação de garantia hipotecária por outra, como ocorreu neste fato concreto". A ilação não encontra amparo legal. Isso porque, as empresas exercem atividades autônomas e independentes entre si, não havendo impeditivo legal para que o sócio de uma não possa ser sócio, majoritário ou não, de qualquer outra, de qualquer ramo. DOS EFEITOS DA MORA. INEXISTÊNCIA: Ao fim e ao cabo, mesmo que possam ser admitidos por legítimos os lançamentos do tributo exigido, o que se faz por apego ao argumento, não há amparo legal para impor a sanção pelo atraso, eis que a multa e os juros não são devidos, pois, como consta da própria autuação, as contribuições Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 336 10 supostamente devidas foram depositadas em juízo, no prazo legal, perante a subseção judiciária de DouradosMS, proc. 000267938.2010.4.03.6002, 2.ª Vara Federal. Nesse particular, a disposição do artigo 151, II, do CTN, seguidamente referendada por decisões judiciais, foi objeto da Súmula 112/STJ: "O DEPÓSITO SOMENTE SUSPENDE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE FOR INTEGRAL E EM DINHEIRO." Portanto, comprovados nos autos a regularidade dos depósitos integrais, a exigibilidade foi suspensa, sem nenhum dos efeitos da mora. A diferença apurada, da mesma forma, será depositada na conta Judicial. PEDIDO Diante do exposto, requer o recebimento da impugnação, a fim de elidir os lançamentos constantes do auto de infração, afastando a cobrança e, se mantidos, o que se admite para argumentar, que a impugnação seja acolhida para afastar a cobrança dos encargos moratórios (multas/juros), bem assim para descaracterizar a formação de grupo econômico, inexistente no caso. Requer, se necessária, a feitura de perícia técnica para apurar os valores corretos, visando manter a regularidade dos depósitos. DEBCAD 51.057.8381 [substituído pelo 51.057.8390] OBJETO DA IMPUGNAÇÃO Instada pelos termos de intimação desta Delegacia Federal, a empresa disponibilizou a documentação comprobatória de sua regularidade fiscal nos anos de 2011, 2012 e 2013, mas foi autuada porque teria deixado de recolher a contribuição sobre a comercialização da produção rural de terceiros SENAR, na competência 08/2012 R$ 23.058,82 sujeitandose à multa de ofício no valor de R$ 17.294,12 e juros de mora de R$ 3.396,56 total de R$ 43.749,50. Tratase, porém, de rematado equívoco, pois a impugnante recolheu corretamente os valores à Receita, conforme se demonstrará. O quadro simplificado retrata a disparidade: Compra de Produção Rural Alíquota SENAR Valor Devido 08/2012 R$ 11.529.410,58 0,2% R$ 23.058,82 08/2012 R$ 11.533.272,78 0,2% R$ 23.066,55 Houve, portanto, o recolhimento correto do valor devido. O montante que deveria ser carreado aos cofres da Receita foi integralizado. Desta forma, não há débito da impugnante da competência 08/2012, revelandose indevida a cobrança e a autuação fiscal, que deve ser convertida em diligência, a fim de propiciar a Retificação da GPS junto à RFB, exonerandose a impugnante, de toda sorte, de qualquer sanção pecuniária. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. DESCARACTERIZAÇÃO: Aduz a fiscal autuante, mediante "análise das informações prestadas pelo Cartório de Registro de Imóveis", que os sócios da empresa fiscalizada integram as empresas GTS A EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 11.094.633/000122, GALES PARK HOTEL LTDA, CNPJ 13.749.799/000194 e GAMA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 337 11 EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA, CNPJ 07.704.092/0001 30, sendo Gilmar Toniolli sócio majoritário em todas, detendo 99,06% das cotas da MMSG, 99,74%, da GTSA, 99,80% da GALES e 99% da GAMA. Em virtude dessa condição, as empresas prestariam garantias entre si e formariam um grupo econômico de fato, "com todos os direitos e obrigações que disso decorre, como assumir empréstimo por uma empresa e prestação de garantia hipotecária por outra, como ocorreu neste fato concreto". A ilação não encontra amparo legal. Isso porque, as empresas exercem atividades autônomas e independentes entre si, não havendo impeditivo legal para que o sócio de uma não possa ser sócio, majoritário ou não, de qualquer outra, de qualquer ramo. DO PEDIDO Diante do exposto, requer o recebimento da impugnação, a fim de constatar a regularidade fiscal e exonerar a empresa de penalidades, com a retificação da GPS; em relação ao grupo econômico de fato, em vista da inexistência de amparo legal, que seja acolhida a impugnação para o descaracterizar. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso fiscal, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: PRELIMINAR CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTORES RURAIS PESSOA FÍSICA De acordo com o Relatório Fiscal e o conteúdo da impugnação, o sujeito passivo impetrou ação judicial questionando a legalidade da exigência de tributo com o mesmo fundamento jurídico do presente lançamento. A decisão judicial deu provimento parcial ao pleito do sujeito passivo, cujo recurso da Fazenda Pública está ainda pendente de julgamento pela instância revisora. Há uma parcela do crédito tributário lançado no Processo 13161.720677/201471 que está garantido por depósito integral e uma parte suplementar que foi lavrado no presente processo, que não está garantido por depósito judicial e será analisado quanto aos questionamentos da defesa. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO (...) Desta feita, a discussão judicial deflagrada pela autuada obsta a apreciação no âmbito administrativo, acerca das objeções à exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produção rural de produtores rurais pessoa física, cuja parte da impugnação não será conhecida. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. EFEITOS Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 338 12 E tendo sido suspensa a exigibilidade do crédito lançado, na hipótese prevista no artigo 151, IV, do CTN, decorrem as seguintes implicações, todas elas amparadas na jurisprudência administrativa sedimentada em súmulas do CARF. A suspensão da exigibilidade não impede o lançamento fiscal: Súmula CARF n.º 48 – A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Não deve ser aplicada a multa de ofício quando verificada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Súmula CARF n.º 17 – Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF n.º 50 – É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Os juros de mora incidem sobre o crédito com exigibilidade suspensa: Súmula CARF nº 5 – São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vale destacar que a Súmula CARF n.º 17 retro transcrita, tem amparo no artigo 63 da Lei n.º 9.430/96: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001) Assim, resta pacificado no âmbito administrativo, a correção do lançamento de crédito tributário com exigibilidade suspensa com a finalidade de prevenir a decadência. MÉRITO CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO (...) Consta nos autos do lançamento fiscal que várias empresas foram cientificadas como sujeitos passivos solidários, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), pela configuração de grupo econômico, cujo motivo determinante para a autuação da empresa, está fundamentado na Lei n.º 8.212/91 em seu art. 30 c/c Regulamento da Previdência Social (RPS), art. 222: (...) Esse interesse comum a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, mas tratase de interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. A mera atuação do centro decisório como delineador de objetivos e diretrizes a serem alcançados e seguidos pelas Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 339 13 demais sociedades integrantes do grupo não o vincula ao fato gerador, sendo nessa hipótese impossível que a responsabilidade tributária transborde da sociedade contribuinte, ou seja, da sociedade que realizou o fato gerador. (...) Da análise detida dos argumentos fiscais para o lançamento, concluise que não restou demonstrado elementos para a formação de grupo econômico pelas empresas envolvidas, pois como exposto, a doutrina e a jurisprudência trabalhista e do STJ, são uníssonas no sentido de caracterizálo, quando restar inequivocamente comprovado o interesse comum no fato gerador, mediante condutas, tais como, compartilhamento de instalações e de funcionários entre as empresas, ou quando houver confusão patrimonial, administrativa e contábil entre as empresas, o que denota a ligação e o interesse comum dos contribuintes, entre outros aspectos. No relatório fiscal dos autos não ficou claro – tampouco se preocupou em especificar – quais foram os motivos de fato ponderados pela autoridade fiscal que o levou a considerar as empresas autuadas como grupo econômico de fato. A simples relação de atos societários acima mencionados, não balizam a realidade fática de grupo econômico entre as empresas, tampouco evidenciam documentalmente a existência dos requisitos de confusão jurídica, contábil ou sequer o compartilhamento de quadro de funcionários entre as pessoas jurídicas, cuja ausência de elementos robustos não dão margem à subordinação e unicidade empresarial. Assim, por não terem sido juntados aos autos elementos suficientes e capazes de corroborar o lançamento realizado, tampouco a explanação clara e precisa no relatório fiscal quanto aos elementos caracterizadores do grupo econômico de fato, votase para afastar a responsabilidade solidária dessas pessoas jurídicas. EQUIVOCIDADE DA BASE DE CÁLCULO A discordância da defesa referese a pontos específicos do aspecto quantitativo do procedimento fiscal que serão analisados a seguir. A) FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO (FAP) Deflui da Constituição Federal os comandos normativos que estabelecem a contribuição destinada ao Seguro Acidente do Trabalho. A partir desse poderdever estabelecido na Carta Magna, o referido assunto foi tratado em sua totalidade pela Lei n.º 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.º 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 9.732, de 11/12/98, porém já estava em vigor desde a edição da MP n.º 1.729, de 2/12/98). Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 340 14 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave; E nem se pode dizer que a Lei 8.212/1991 alargou o conceito de folha de salários, eis que a interpretação dessa expressão à luz da Constituição Federal é a de que a folha de salários ou folha de pagamentos compreende todas as parcelas pagas ou creditadas como contraprestação do trabalho dos empregados, ou seja, a remuneração a eles devida, conforme pacificado entendimento jurisprudencial. Os decretos que se seguiram à edição da lei, nada modificaram, nada tocaram quanto aos elementos essenciais à hipótese de incidência, base de cálculo e alíquota. Limitaramse a conceituar atividade preponderante da empresa e grau de risco, indo ao encontro da lei em função da qual foram expedidos, o que os legitima, não ferindo os princípios da legalidade genérica, da estrita legalidade nem da tipicidade. Após a decisão proferida em 20.03.2003 (DJ de 04/04/2003), pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 343.446 2/SC, a constitucionalidade dessa exigência restou sacramentada. Finalmente na área rural, esta exigência foi substituída segundo os dispositivos legais da Lei n.º 8.212/1991, Art. 25 com a redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, editada já na vigência da Emenda Constitucional n.º 20/1998 e, portanto, em consonância com as disposições constitucionais: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A partir de janeiro de 2010, por razão extrafiscal que visa incentivar a prevenção de acidentes trabalhistas, instituiuse o Fator Acidentário de Prevenção FAP, pelo qual o contribuinte referenciado pelo seu grupo de atividades econômicas, possibilitandolhe a redução das alíquotas em até 50% ou sua majoração em até 100%, conforme o seu desempenho. A possibilidade de majoração ou redução das alíquotas de contribuição ao GILRAT foi prevista na Lei n.º 10.666/03, abaixo transcrito, em função do desempenho da empresa na respectiva atividade econômica, apurada em função de índices de frequência, gravidade e custo, segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional da Previdência Social. Lei n.º 10.666, de 08 de maio de 2003. Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 341 15 razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinquenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Foi, então, editado o Decreto n.º 6.042/2007, posteriormente alterado pelo Decreto n.º 6.957/2009, o qual acrescentou o artigo 202A ao Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, regulamentando efetivamente o FAP, como segue: Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP. (Incluído pelo Decreto n.º 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) (Vide inciso III do art. 5.º do Decreto n.º 6.042, de 2007, alterado pelo art. 1.º do Decreto n.º 6.257, de 19 de novembro de 2007). § 1.º O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto n.º 6.957, de 9 de setembro de 2009). § 2.º Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n.º 6.957, de 9 de setembro de 2009). Denotase do exposto que o FAP é aplicável sobre as alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 da Lei, e não consta nenhuma referência à substituição da contribuição rural. A auditoria consignou o seguinte fundamento para lançamento da contribuição no Relatório Fiscal (fl. 96): Alíquotas aplicadas: 2,0% de contribuição rural e 0,1% de RAT, acrescido do índice de 1,5170 em 2012 e 1,3451 em 2013. RAT – Riscos Ambientais do Trabalho FAP – Fator Acidentário de Prevenção Assim, verificase nos fundamentos jurídicos e nos aspectos quantitativos que assiste razão à defesa neste tópico, pois o FAP é um fator que incide somente sobre a contribuição constantes nos incisos I a III do art. 202 da Lei, e não implica na substituição da contribuição rural lançada neste processo, cuja parcela excedente será excluída e demonstrada no tópico de revisão do lançamento. B) AQUISIÇÕES DE LENHA Destaquese que os documentos do sujeito passivo devem guardar coerência com outros documentos relacionados e com os registros contábeis visto que podem fazer prova, a favor ou Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 342 16 contra, nos exatos termos do Código Civil Brasileiro, Lei n.º 10.406, 10/01/2002: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. É no mesmo sentido a disciplina estabelecida no Código de Processo Civil: Art. 378 Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Portanto, a alegação será aferida com a ressalva já fundamentada no ordenamento jurídico, que os documentos com efeitos fiscais que subsidiaram o lançamento fiscal fazem prova, a favor ou contra os interesses do sujeito passivo, ao qual cabe comprovar a veracidade das informações ou os valores controvertidos nos termos da Lei n.º 9.784/99: Art. 36 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. No caso em exame, a simples alegação de fato relacionado à aquisição de lenha, sem, no entanto, apresentar os documentos comprobatórios correspondentes, não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. Assim, concluise que o sujeito passivo não juntou provas capazes de infirmar o lançamento fiscal, e a defesa ficou limitada à apresentação de argumentos que não são suficientes para conferir verossimilhança à alegação do sujeito passivo, ou seja, não fez prova eficaz e contrária à verdade constante nos autos, e alegar sem provar é o mesmo que não alegar ou, no máximo, alegar sem efeitos. C) AMORTIZAÇÃO DO VALOR DE DEPÓSITO JUDICIAL Uma parcela do crédito tributário lançado no Processo 13161.720677/201471 que está garantido por depósito integral, foi apurado com base no Ofício da Caixa Econômica Federal n.º OF 291/2014 PAB J. F. DOURADOS. Conforme já expendido no tópico acerca dos efeitos da concomitância do processo judicial que regula o lançamento para prevenção da decadência, a resolução na instância judiciária implica na submissão na esfera administrativa pelo encontro de parcelas devedoras e credoras com quitação, segundo as disposições mandamentais, sem prejuízo para o sujeito passivo. Assim, eventual diferença de base de cálculo, além de fatos extintivos ou excludentes de crédito tributário, será oportuna e regularmente conferido no procedimento de encontro de contas, após a decisão judicial, o que torna o presente argumento despiciendo. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEBCAD 51.057.8381 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 343 17 Foi pesquisado no Sistema de Arrecadação e confirmado a Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS) cujo excerto foi colado a seguir: (...) Dos dados identificadores da guia de recolhimento, verificase que se refere a “Valor do INSS” e que também foi considerada e aproveitada pela autoridade lançadora, sob a rubrica denominada CRED conforme excertos dos demonstrativos do lançamento fiscal: (...) O valor questionado pela defesa referese a rubrica “15 Terceiros” e para a qual não houve recolhimento que pudesse extinguir o crédito tributário, conforme os seguintes demonstrativos: (...) Assim, deve ser julgado improcedente este tópico da impugnação. MORA. ACRÉSCIMOS LEGAIS Conforme alegado pelo defendente e em consonância com a jurisprudência administrativa, os juros de mora incidem sobre o crédito com exigibilidade suspensa, salvo se garantidos por depósito integral: Súmula CARF n.º 5 – São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Conforme já exposto, este processo configura crédito suplementar que não tem depósito judicial, e portanto, não há óbice para que seja exigido os acréscimos legais. REVISÃO DO LANÇAMENTO Pelos motivos expostos, deve ser procedida a exclusão do fator referente ao FAP, de parcela do presente crédito referentes às competências conforme a seguinte tabela demonstrativa: (...) CONCLUSÃO À luz dos autos e da razão demonstrada, VOTASE por julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE e MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO no valor principal de R$ 383.866,20 com os acréscimos legais cabíveis. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 13/11/2014 (efls. 315/319), o sujeito passivo postula o provimento para elidir a autuação, cancelandose o débito fiscal, mormente em vista do depósito judicial do valor, insiste que seja determinada diligência/perícia técnica para apurar corretos os valores devidos/depositados. Para tanto, objetivando a devolução da matéria para esse Egrégio Colegiado, em síntese, o recorrente alega em suas razões recursais que: a) É inconstitucional e ilegítima a contribuição do FUNRURAL encartada no art. 25, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001, inclusive afirma que ajuizou a ação judicial processo n.º 000267938.2010.4.03.6002. Pondera que o lançamento é sujeito a estrita legalidade (CF, art. 37, caput), pelo que não pode ser compelida, Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 344 18 por subrogação, a descontar e recolher tributo indevido, sendo insubsistente o auto de infração. Sustenta que do lançamento efetivado, com a procedência parcial da impugnação, remanesce o crédito relativo ao valor principal na ordem de R$ 383.866,20 contrapondoo por conta da desconsideração de depósitos judiciais e por causa de critérios concernentes à base de cálculo; b) É equivocada a autuação, considerando o RAT/FAP, base de cálculo e alíquota, exigindo correção, pois é ilegítima a cobrança, dada a inconstitucionalidade. A autuação parte de premissa equivocada. Sustenta que não há ajuste da alíquota de 0,1% da contribuição de Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) em decorrência do Fator Acidentário Previdenciário (FAP), considerando que não estão sujeitos as alíquotas de 1, 2 ou 3% de RAT incidentes sobre a folha de salários. A contribuição RAT dos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, inclusive agroindústrias, é de 0,1% sobre a comercialização da sua produção; c) É necessário a revisão do lançamento, com ajuste da base de cálculo, considerando que não foram consideradas as aquisições de lenha, as quais totalizam no período 10/2011 a 12/2013 a importância de R$ 86.196,46 devendo ajustar a base para incidência das alíquotas devidas para R$ 108.461.653,56; d) É necessário a revisão do lançamento, com ajuste da base de cálculo, considerando a amortização do valor de depósito judicial realizado em 31/10/2011 no valor de R$ 142.658,00 referente aos saldos de contribuição a pagar de: Mês Líquido a Pagar Depósito Judicial Diferença 10/2011 R$ 59.271,59 R$ 201,51 R$ 59.070,09 11/2011 R$ 108.336,71 R$ 24.950,31 R$ 83.386,40 10/2011 Recolhimento em Duplicidade R$ 201,51 Total Depositado em 31/10/2011 R$ 142.658,00 e) É necessário a revisão do lançamento, pois é possível constatar que o depósito judicial no valor de R$ 201,51 foi realizado em duplicidade, observando a coluna "Saldo Acumulado a Recolher" de planilha apresentada no recurso voluntário, entre as competências 11/2011 e 07/2012; f) É necessário a revisão do lançamento, pois é exigível o ajuste do valor do depósito judicial realizado em 20/09/2012, uma vez que na elaboração do Auto de Infração foi considerado o valor de depósito judicial na importância de R$ 65.265,26 sendo R$ 42.198,73 + 23.066,55 referente ao valor da contribuição ao SENAR considerada, por este motivo, o valor correto a ser considerado, conforme listagem de depósitos judiciais, é de R$ 42.198,73; g) Apurandose o levantamento correto dos valores tributados, efetivado com o cotejo de documentos fiscais e comprovantes de depósitos judiciais, obtémse diagnóstico no qual o valor da contribuição pendente de recolhimento "diferença a recolher" é de R$ 265.538,02 (duzentos e sessenta e cinco mil e quinhentos e trinta e oito reais e dois centavos). Esse valor foi depositado na mesma conta judicial, impõese o reconhecimento do erro de cálculo, cujo valor devido está depositado judicialmente; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 345 19 h) não há amparo legal para impor a sanção pelo atraso, eis que a multa e os juros não são devidos, pois, como consta da própria autuação, as contribuições supostamente devidas foram depositadas em juízo. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade De início, afirmo que o Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, sendo caso de conhecimento parcial, de toda sorte, antes de analisálos, antecipo a verificação dos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício do direito de recorrer. Pois bem. Neste ponto, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 17/10/2014, efl. 312, e protocolo recursal em 13/11/2014, efl. 315, além do despacho de encaminhamento, efl. 322), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Inexiste necessidade de preparo, sendo inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo (Súmula Vinculante n.º 21, do STF), demais disto a interposição do recurso voluntário resulta na automática suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, III, do Código Tributário Nacional ― CTN, e estes efeitos se propagam até que se tenha uma decisão administrativa final irrecorrível. De mais a mais, constato o atendimento da regularidade formal, havendo impugnação específica em relação ao conteúdo decisório, bem como existindo formulação do pedido de reforma da decisão vergastada e encontrandose adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente constituído, de toda sorte, registrese que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Porém, quanto aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, inerentes ao direito de recorrer, observo que o recurso é cabível, verifico o interesse recursal com a observância de sucumbência do recorrente e adequação no manejo recursal, constato que a recorrente detém legitimidade, mas reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso, o que enseja o conhecimento apenas parcial do Recurso Voluntário. Explico. Desde logo, pontuo que temos duas problemáticas em foco a ensejar fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer, a saber: a) Requerimento para Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 346 20 reconhecimento de inconstitucionalidade e declaração de ilegalidade de lei; e b) Concomitância com ação judicial. Abordo a seguir cada um dos itens. a) Requerimento para reconhecimento de inconstitucionalidade A pretensão recursal quanto ao reconhecimento de inconstitucionalidade de lei enseja o não conhecimento do recurso voluntário neste particular, haja vista que este Egrégio Conselho não pode adentrar no controle de constitucionalidade das leis, somente outorgada esta competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das leis, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, o controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidades, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ocasião em que apenas dará aplicação a norma jurídica constituída em linguagem competente pela autoridade judicial, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, ou súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n.º 73, de 1993. Não há situação excepcional nestes autos. Ora, o requerente pretende o reconhecimento de inconstitucionalidade, sendo que no relatório restou claro as temáticas e pretensões postas para o embate recursal. Pasmem, o assunto é sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2, sendo pacificado o entendimento de que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Outrossim, o art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei e/ou de inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observandose a matéria devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar ilegalidade de lei e/ou a sua inconstitucionalidade, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário este controle. Por tais razões, reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer e declaro que não compete a este Colegiado se pronunciar sobre inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de lei, pontuo que os efeitos desta declaração se Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 347 21 estendem sobre a discussão envolvendo: (i) a pretensa declaração de inconstitucionalidade da contribuição do FUNRURAL encartada no art. 25, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001. Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer da matéria que pretende o reconhecimento de inconstitucionalidade e/ou de ilegalidade de lei (Súmula CARF n.º 2). b) Concomitância com ação judicial Consta nos autos prova de que o recorrente judicializou significativamente a matéria controvertida neste caderno processual eletrônico (efls. 269/285), conforme ação judicial distribuída à 2.ª Vara Federal da Subseção de Dourados da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, Processo n.º 000267938.2010.4.03.6002, ajuizada em 08/06/2010, cuja pretensão objetiva reconhecimento de que a contribuição debatida é inconstitucional, aduzindo, inclusive, que o Plenário do STF declarou referida exação inconstitucional, isto é, pretende não ser obrigado a descontar a contribuição devida à Seguridade Social a cargo da empresa por subrogação sobre as operações de aquisição ou consignação de produção rural, comercializadas por pessoas físicas, declarandose que a Lei n.º 10.256, de 2001, não sanou o vício de inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n.º 8.540, de 1992, declarada inconstitucional no RE n.º 596.177. Ora, o objeto de litígio nestes autos são fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 a 31/12/2013 relativos a crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa por subrogação pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, tendo a Lei n.º 10.256, de 2001, servido de fundamento para a autuação. Temos aqui identidade de objetos, havendo concomitância na esfera judicial e administrativa! De toda sorte, também, temse, nestes autos, discussão quanto as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), bem como Contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Registro, para fins de aclaramento, que no Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região consta decisão judicial de segunda instância para o processo judicial mencionado (Agravo Legal em Apelação/Reexame Necessário n.º 0002679 38.2010.4.03.6002/MS) na qual se conclui o seguinte acerca da referida temática: Ocorre que com a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20/98 veio alterar esta situação, uma vez que o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, passou a prever a "receita", ao lado do faturamento, como base de cálculo para contribuições destinadas ao custeio da previdência social, considerando que atualmente a contribuição previdenciária objeto da controvérsia encontrase prevista pela Lei n.º 10.256 de 09/07/2001 (posterior à EC n.º 20/98) que deu nova redação ao "caput" do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, substituindo aquela contribuição prevista no artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, não há falarse em vício de constitucionalidade na Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 348 22 exigência ulterior ao primeiro e mais recente dispositivo legal. Registro que a Suprema Corte tratou apenas da constitucionalidade do chamado FUNRURAL enquanto veiculado pela Lei n.º 8.540/92, especialmente no RE n.º 596.177/RS, julgado sob a égide do artigo 543/B, do Código de Processo Civil. A Lei n.º 10.256/01, editada após a Emenda Constitucional n.º 20/1998, tem sido a responsável pela validação do tributo, já que surgiu no mundo jurídico após a alteração do artigo 195 que acrescentou a "receita" como base de cálculo das contribuições sociais. A Lei n.º 10.256/01 alterou apenas a redação do caput do artigo 25, que passou a ter o seguinte texto: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: Com efeito, a jurisprudência desta E. Corte Regional é amplamente majoritária em favor dos argumentos defendidos pela parte ré [Fazenda Nacional], ou seja, a exegese predominante é no sentido de que os vícios de inconstitucionalidade reconhecidos pela Suprema Corte no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 363.852/MG foram sanados com a edição da Lei n.º 10.256/01, com o que a contribuição do empregador rural pessoa física substituiu a contribuição tratada nos incisos I e II do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, cuja base de cálculo era a folha de salários, passando a incidir apenas sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, disciplina compatível com as alterações constitucionais levadas a efeito pela EC n.º 20/98. Portanto, a jurisprudência dominante desta E. Corte Regional entende que, com a promulgação da EC n.º 20/98 e a edição da Lei n.º 10.256/01, não se pode mais alegar vício formal pela ausência de lei complementar, afastandose a necessidade de aplicação do disposto no parágrafo 4.º do artigo 195 para a exação em exame. Pelas mesmas razões, não se pode mais pensar em bitributação ou ônus desproporcional em relação ao segurado especial e ao empregador urbano pessoa física, sendo certo que atualmente a única contribuição social devida pelo empregador rural pessoa física é aquela incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção. Também restou sedimentado que não há vício na utilização das alíquotas e da base de cálculo previstas nos incisos I e II do caput do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, com redação trazida pela Lei n.º 9.528/97, tratandose de questão de técnica legislativa, estando os respectivos incisos abrangidos pelo espírito legislativo que motivou a edição da Lei n.º 10.256/01. O mesmo raciocínio serve para se concluir pela plena vigência do regramento disposto no inciso IV do artigo 30 da Lei n.º 8.212/91. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 349 23 Consigno, outrossim, que efetivei a consulta no mês 03/2019, no portal da internet da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul e no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/2815600). Ao ensejo, não é demais destacar o que dispõe o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que, dentre outras temáticas, regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União, e de outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consolidando normas do Processo Administrativo Fiscal regulado no Decreto n.º 70.235, de 1972, in verbis: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n.o 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Como se vê a regra está encartada no parágrafo único do art. 38 da Lei n.º 6.830, de 1981, que deixa evidenciado o fato da propositura, pelo sujeito passivo, de ação discutindo o crédito tributário lançado importar em renúncia, tácita, ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência, tácita, do recurso interposto. De igual modo, temse o art. 126, § 3.º, da Lei n.º 8.213, de 1991, nestes termos: "A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." No mesmo sentido, também, o art. 78, § 2.º, do Anexo II, do RICARF, e a Súmula CARF (vinculante) n.º 1 dispõem, respectivamente, verbo ad verbum: Art. 78, § 2.º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF n.º 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De mais a mais, mister apresentar a conclusão do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) n.º 7, de 2014, que trata da concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto, ipsis litteris: Conclusão Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 350 24 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 351 25 em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n.º 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n.º 27, de 13 de fevereiro de 1996, e o ADN Cosit n.º 3, de 14 de fevereiro de 1996. Sendo assim, resta evidente que a invocação do Poder Judiciário para a apreciação judicialjurisdicional da matéria tributária controvertida no lançamento destes autos ceifa a competência deste Egrégio Conselho para a solução estatal nãojurisdicional de conflitos tributários deliberada por este Colendo tribunal administrativo. Importante registrar que toda a discussão envolvendo depósitos judiciais, também, deixam de serem conhecidas face a demanda judicial, cabendo ao Poder Judiciário dar os contornos finais quanto aos depósitos judiciais e seus efeitos. Neste ponto, vale transcrever as razões de decidir da DRJ, haja vista minha concordância com os fundamentos, logo peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.° do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.° 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF ― RICARF, expor os trechos a seguir, verbo ad verbum: Conforme já expendido no tópico acerca dos efeitos da concomitância do processo judicial que regula o lançamento para prevenção da decadência, a resolução na instância judiciária implica na submissão na esfera administrativa pelo encontro de parcelas devedoras e credoras com quitação, segundo as disposições mandamentais, sem prejuízo para o sujeito passivo. Assim, eventual diferença de base de cálculo, além de fatos extintivos ou excludentes de crédito tributário, será oportuna e regularmente conferido no procedimento de encontro de contas, após a decisão judicial, o que torna o presente argumento despiciendo. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 352 26 Por tais razões, considerando a exposição, bem como tendo o recorrente mencionado a matéria submetida à apreciação judicial, na forma que lhe competia por força do inciso V do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer e declaro a concomitância de instâncias, judicial e administrativa, o que enseja o não conhecimento do recurso voluntário em relação a matéria concomitante, pontuo que os efeitos da concomitância se estendem sobre a discussão quanto as contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa por sub rogação pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, incluindo discussões quanto a Lei n.º 10.256, de 2001, bem como se estendem sobre os depósitos judiciais. Conclusão quanto a Admissibilidade do Recurso Voluntário Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer do requerimento para reconhecimento de inconstitucionalidade (Súmula CARF n.º 2), conforme item "a" acima, bem como da matéria em concomitância com ação Judicial (Súmula CARF n.º 1), na forma do item "b" constante em linhas pretéritas. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Requerimento de diligência para realização de perícia Antes de adentrar no mérito analiso o requerimento de diligência para realização de perícia, formulado na conclusão do recurso voluntário. Pois bem. Entendo que não pode ser acolhido o requerimento de perícia. Explico. O contribuinte pleiteia prova técnica para apurar corretos os valores devidos/depositados, mas não apresenta quesitação para orientar os exames que seriam efetivados, tampouco apresenta o nome de seu expert, o qual acompanharia eventual prova pericial postulada. Ora, importante consignar que o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no não acolhimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação, enquanto instrumento de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Vejase: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1.º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Sendo assim, com fulcro no § 1.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, deixo de acolher o requerimento de diligência para realização de perícia, pois o considero não formulado, por ter deixado o contribuinte de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do mesmo diploma legal. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 353 27 Mérito Quanto ao juízo de mérito, para as matérias que são conhecidas, não assiste razão ao recorrente. Passo a expor. Trata o presente caso de lançamento de ofício, decorrente de procedimento administrativofiscal, tendo o procedimento de autuação sido instruído com Relatório Fiscal (efls. 88/99), robustecendo o relato das constatações da fiscalização, resultando ao final na lavratura de auto de infração (efls. 50/71 e 166/181) e na notificação do recorrente quanto a constituição de crédito tributário. O lançamento foi efetivado para evitar a decadência, considerando que o contribuinte controverteu em juízo (Processo n.º 000267938.2010.4.03.6002, originário da 2.ª Vara Federal da Subseção de Dourados da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul) quanto a emblemática principal envolvendo crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa por sub rogação pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, tendo a Lei n.º 10.256, de 2001, servido de fundamento para a autuação. O auto de infração foi lavrado com exigências de: (i) contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa por subrogação pela aquisição de produtos rurais de produtor rural pessoa física, na forma do art. 30, IV, combinado com o art. 25, I, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 10.256, de 2001; (ii) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), na forma do art. 30, IV, combinado com o art. 25, II, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 10.256, de 2001; (iii) contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), conforme previsto no art. 6.º da Lei n.º 9.528, de 1997, com redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001, combinado com o art. 30, IV, combinado com os arts. 25, I, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 10.256, de 2001; e (iv) juros de mora e multa de 75% na forma do art. 35 e 35A, da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação da Lei n.º 11.941, de 2009, combinado com o art. 44, I, da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação da Lei n.º 11.488, de 2007. Como já apontado, o recorrente pretende discutir o reconhecimento da constitucionalidade da Lei n.º 10.256, de 2001, envolvendo o art. 25, da Lei n.º 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n.º 10.256, de 2001, para fatos geradores entre 01/01/2011 a 31/12/2013, tudo com fim de desconstituir o auto de infração, que diz ser insubsistente, seja por fundamento constitucional e/ou de ilegitimidade, bem como, por várias vezes, pretende a revisão do lançamento, com ajuste da base de cálculo, considerando a amortização do valor por força de depósitos judiciais, por deverem serem reconhecidos erros de cálculos, cujo valor devido está depositado judicialmente, por inexistência de amparo legal para as sanções, posto que as contribuições supostamente devidas foram depositadas em juízo, isto é, por pretender efeitos quanto aos depósitos judiciais efetivados, inclusive quanto a depósito em duplicidade, no entanto estas temáticas, como abordado na admissibilidade, não serão conhecidas, face a demanda judicial que afasta a discussão administrativa, devendo os efeitos serem pretendidos na ação judicial. Sendo assim, remanesce analisar os argumentos de que: (a) A alíquota do RAT é de 0,1% sobre a comercialização da produção rural, não sofrendo a variação do FAP de 1, 2 ou 3%; e (b) houve aquisições de lenha, no período de 10/2011 a 12/2013, que devem ser consideradas. Passo a analisálos: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 354 28 a) Alíquota RAT O recorrente alega que a alíquota RAT é de 0,1% sobre a comercialização da produção. Advoga que não há ajuste da alíquota de 0,1% da contribuição de Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) em decorrência do Fator Acidentário Previdenciário (FAP), considerando que não estão sujeitos as alíquotas de 1, 2 ou 3% de RAT incidentes sobre a folha de salários. A contribuição RAT dos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, inclusive agroindústrias, é de 0,1% sobre a comercialização da sua produção. Nesta alegação o recorrente tem razão, entretanto a decisão recorrida já reconheceu este aspecto, tanto que reduziu o crédito tributário exatamente neste ponto, aliás falta, até mesmo, interesse de agir, neste aspecto, por pretender questão já julgada em seu favor. De toda sorte, quanto aos cálculos a que chegou a decisão hostilizada ao aplicar a alíquota de 0,1% sobre a comercialização da produção, revisando o lançamento sem a influência do FAP, não vejo reparos na decisão de piso, além do mais não se conhece dos argumentos pertinentes aos depósitos judiciais e, demais disto, não existem outros pontos a serem enfrentados. Por conseguinte, sem razão o recorrente neste capítulo. b) Aquisições de lenha O recorrente alega ser necessário a revisão do lançamento, com ajuste da base de cálculo, considerando que não foram consideradas as aquisições de lenha, as quais totalizam, no período 10/2011 a 12/2013, a importância de R$ 86.196,46 devendose ajustar a base para incidência das alíquotas devidas para R$ 108.461.653,56. Entretanto, sem razão o recorrente, haja vista que não comprova sua alegação de forma documental. Neste mister, replico as razões de decidir da decisão hostilizada, por concordância com os fundamentos, pelo que peço vênia para, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.° do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.° 343, de 2015, que instituiu o RICARF, apresentar os trechos que ora destaco, litteris: Destaquese que os documentos do sujeito passivo devem guardar coerência com outros documentos relacionados e com os registros contábeis visto que podem fazer prova, a favor ou contra, nos exatos termos do Código Civil Brasileiro, Lei n.º 10.406, 10/01/2002: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. É no mesmo sentido a disciplina estabelecida no Código de Processo Civil: Art. 378 Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 355 29 demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Portanto, a alegação será aferida com a ressalva já fundamentada no ordenamento jurídico, que os documentos com efeitos fiscais que subsidiaram o lançamento fiscal fazem prova, a favor ou contra os interesses do sujeito passivo, ao qual cabe comprovar a veracidade das informações ou os valores controvertidos nos termos da Lei n.º 9.784/99: Art. 36 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. No caso em exame, a simples alegação de fato relacionado à aquisição de lenha, sem no entanto, apresentar os documentos comprobatórios correspondentes, não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. Assim, concluise que o sujeito passivo não juntou provas capazes de infirmar o lançamento fiscal, e a defesa ficou limitada à apresentação de argumentos que não são suficientes para conferir verossimilhança à alegação do sujeito passivo, ou seja, não fez prova eficaz e contrária à verdade constante nos autos, e alegar sem provar é o mesmo que não alegar ou, no máximo, alegar sem efeitos. Deveras, não observo nos autos nenhuma comprovação quanto as alegadas aquisições de lenha que iriam interferir na base de cálculo comentada. Sendo assim, igualmente, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao mérito do Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. A própria imposição da sanção pelo atraso, relativo a multa e aos juros, são relacionados ao lançamento de ofício, sendo dever da autoridade da administração tributária efetuar o lançamento, como consta da própria autuação, sendo vedada a análise, sob argumento de depósitos efetivados em juízo. Anotese, ainda, que o Plenário do STF, no RE n.º 718.874 (Repercussão Geral, Tema 669), entendeu pela validade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural, pessoa física, sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 1.º da Lei 10.256, de 2001, o que válida igualmente as contribuições para o RAT e para o SENAR, bem como a norma de subrogação. Eis a ementa: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I, DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 356 30 PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1. A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2. A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001, alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção." (RE 718.874, Relator Min. Edson Fachin, Relator p/ Acórdão Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 30/03/2017) Pelo relato acima, o Supremo declarou a constitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, a partir da edição da Lei n.º 10.256, de 2001, que alterou o art. 25 da Lei n.º 8.212, de 1991. Aliás, para o caso em análise, destaco precedente do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, que bem delimita e explica didaticamente o assunto em testilha, pelo que peço vênia para replicar, verbis: PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO. ARTS. 12, V, e VII, 25, I e II, e 30, IV, da LEI 8.212/91. LEI N.º 10.256/2001. EXIGIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Com a edição das Leis ns.º 8.212/91 PCPS Plano de Custeio da Previdência Social e Lei n.º 8.213/91 PBPS Plano de Benefícios da Previdência Social, a contribuição sobre a comercialização de produtos rurais teve incidência prevista apenas para os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar (Lei n.º 8.212/91, Art. 12, VII, e CF/88, Art. 195, § 8.º), à alíquota de 3%. O empregador rural pessoa física contribuía sobre a folha de salários, consoante a previsão do art. 22. 2. O art. 1.º da Lei 8.540/92 deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, cuidando da tributação da pessoa física e do segurado especial. A contribuição do empregador rural, antes sobre a folha de salários, foi substituída pelo percentual de 2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural para o pagamento dos benefícios gerais da Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 357 31 Previdência Social, acrescido de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. 3. Quanto aos segurados especiais, a Lei n.º 8.540/92 reduziu a sua contribuição de 3% para 2% incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento da complementação dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho, além de possibilitar a sua contribuição facultativa na forma dos segurados autônomos e equiparados de então. 4. O art. 30 impôs ao adquirente/consignatário/cooperativas o dever de proceder à retenção do tributo. 5. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciarem o RE 363.852, em 03/02/2010, decidiram que a alteração introduzida pelo art. 1.º da Lei n.º 8.540/92 infringiu o § 4.º do art. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda 20/98, pois constituiu nova fonte de custeio da Previdência Social, sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 6. A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis ns.º 8.540/92 e 9.528/97 e aborda somente as obrigações subrogadas da empresa adquirente, consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente da produção do empregador rural pessoa física (no caso específico o "Frigorífico Mataboi S/A"). 7. O STF não tratou das legislações posteriores relativas à matéria, até porque o referido Recurso Extraordinário foi interposto na Ação Ordinária n.º 1999.01.00.111.3782, o que delimitou a análise da constitucionalidade da norma no controle difuso ali exarado. 8. O RE 363.852 não afetou a contribuição devida pelo segurado especial, quanto à redução de contribuição prevista pelos mesmos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 8.540/92, como retro mencionado. Portanto, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada. 9. A Emenda Constitucional n.º 20/98 deu nova redação ao artigo 195 da CF/88 e permitiu a cobrança também sobre a receita de contribuição do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada: 10. Em face do permissivo constitucional (EC n.º 20/98), a "receita" passou a fazer parte do rol de fontes de custeio da Seguridade Social. A consequência direta dessa alteração é que, a partir de então, foi admitida a edição de lei ordinária para dispor acerca da exação em debate nesta lide, afastando definitivamente a exigência de lei complementar como previsto no disposto do artigo 195, § 4.º, com a observância da técnica da competência legislativa residual (art. 154, I). Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 358 32 11. Editada após a Emenda Constitucional n.º 20/98, a Lei n.º 10.256/2001 deu nova redação ao artigo 25 da Lei n.º 8.212/91 e alcançou validamente as diversas receitas da pessoa física, ao contrário das antecessoras, Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, surgidas na redação original do art. 195, I, da CF/88, e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica vigente. 12. Não cabe o argumento de que os incisos I e II foram declarados inconstitucionais e, portanto, inexiste a fixação de alíquota, o que tornaria a previsão do Caput "letra morta". Na hipótese, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada quanto ao segurado especial. 13. Com a modificação do Caput pela Lei n.º 10.256/2001, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física. 14. O empregador rural pessoa física não se enquadra como sujeito passivo da COFINS, por não ser equiparado à pessoa jurídica pela legislação do imposto de renda (Nota Cosit n.º 243, de 04/10/2010), não se podendo falar, assim, em "bis in idem", mas apenas a tributação de uma das bases econômicas previstas no art. 195, I, da CF, sem qualquer sobreposição. 15. A contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, nos moldes do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, vem em substituição à contribuição incidente sobre a folha de salários, a cujo pagamento estaria obrigado na condição de empregador, mas foi dispensado pela Lei n.º 10.256/2001. 16. Nos termos do artigo 30, III, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.933/2009, cabe à empresa adquirente, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n.º 8.212/91 até o dia 20 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção. 17. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, a partir da entrada em vigor da Lei n.º 10.256/01. 18. O RE n.º 596.177, julgado pelo Supremo Tribunal Federal no regime do artigo 543B, não tratou da constitucionalidade da Lei n.º 10.256/2001. No caso, apenas o Ministro Marco Aurélio externou posição quanto ao tema que não foi posto em análise no julgamento ocorrido naquela Corte Suprema. 19. Não corresponde à realidade a afirmação de que os Ministros do Supremo Tribunal Federal têm posição firmada pela inexigibilidade da contribuição, mesmo após a edição da Lei n.º 10.256/2001, como é possível verificar no seguinte decisão monocrática proferida pelo Ministro Joaquim Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.720280/201489 Acórdão n.º 2202005.061 S2C2T2 Fl. 359 33 Barbosa, em 25/02/2011, no RE 585.684, a qual afastou a contribuição sobre produção rural somente até a edição da Lei n.º 10.256/2001. 20. Quanto ao prazo prescricional para a repetição, vinha se adotando o posicionamento pacificado no âmbito do Colendo Superior Tribunal de Justiça, adotado por sua Primeira Seção, a qual decidiu no regime de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), por unanimidade, (Recurso Especial Repetitivo n.º 1.002.932/SP), que, na hipótese de pagamentos indevidos realizados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09/06/2005), aplicase a tese que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 21. Todavia, em 11/10/2011, o Supremo Tribunal Federal disponibilizou no Diário de Justiça Eletrônico, o V. Acórdão do RE 566.621, apreciado pelo Pleno da Suprema Corte, que entendeu pela aplicabilidade da Lei Complementar n.º 118/2005 ÀS AÇÕES AJUIZADAS após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. A partir da publicação do supracitado Acórdão não há mais como prevalecer o entendimento então sufragado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista que o RE 566.621 foi proferido no regime previsto no artigo 543B, § 3.º, do CPC. 22. Aqueles que AJUIZARAM AÇÕES ANTES da entrada em vigor da LC 118/05 (09/06/2005) têm direito à repetição das contribuições recolhidas no período de DEZ ANOS anteriores ao ajuizamento da ação, limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei (art. 2.028 do Código Civil). No tocante ÀS AÇÕES AJUIZADAS APÓS a vigência da LC 118/05, o prazo prescricional é de CINCO ANOS. 23. Não é possível a pretensão de compensação, pois prescritas as parcelas recolhidas no período anterior à Lei n.º 10.256/2001. 24. Apelação da parte autora a que se nega provimento. (TRF 3.ª Região, Décima Primeira Turma, Ap Apelação Cível 1.945.225 000289742.2010.4.03.6107, Rel. Des. Federal Cecília Mello, julgado em 04/08/2015, eDJF3 Judicial 1 datado de 21/08/2015) Dispositivo Ante o exposto, conheço em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000277/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se, sem efeitos infringentes, os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão embargado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Mantém-se a atribuição de responsabilidade tributária quando embasada em múltiplos elementos constantes dos autos.
Numero da decisão: 1201-002.760
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em acolher os Embargos, sem efeitos infringentes, mantendo a responsabilidade tributária da Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, por maioria de votos. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que acolhia os Embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Efigênio de Freitas Júnior.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
(assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Acolhem-se, sem efeitos infringentes, os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão embargado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Mantém-se a atribuição de responsabilidade tributária quando embasada em múltiplos elementos constantes dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em acolher os Embargos, sem efeitos infringentes, mantendo a responsabilidade tributária da Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, por maioria de votos. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que acolhia os Embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Efigênio de Freitas Júnior. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator (assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Redator Designado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Acolhemse, sem efeitos infringentes, os Embargos de Declaração para sanar omissão no acórdão embargado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Mantémse a atribuição de responsabilidade tributária quando embasada em múltiplos elementos constantes dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em acolher os Embargos, sem efeitos infringentes, mantendo a responsabilidade tributária da Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, por maioria de votos. Vencido o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, que acolhia os Embargos, com efeitos infringentes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Efigênio de Freitas Júnior. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator (assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Redator Designado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 77 /2 00 6- 70 Fl. 32030DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.031 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo corresponsável tributário NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A contra o acórdão nº 1201001.765, referente a lançamento que tem por sujeito passivo principal TAMEX MERCANTIL LTDA, de seguinte ementa e parte dispositiva: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceitua a legislação, nem tampouco a decisão na qual foi analisado todos os fatos e o direito questionado. DECADÊNCIA. Quando não ocorre pagamento antecipado ou diante de dolo, fraude, ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. A responsabilidade tributária decorre de lei e há solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2000, 2001 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Fl. 32031DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.032 3 Não há que se falar em quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, uma vez que os lançamentos estão baseados em documentos fiscais fornecidos pela própria autuada. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros e documentos durante o procedimento fiscal justifica o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS. Diante de receitas de vendas não oferecidas à tributação, é devido lançamento. MULTA QUALIFICADA. Justificase a aplicação da multa qualificada quando o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas de venda. JUROS. TAXA SELIC. É procedente a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: a) conhecer do recurso de ofício para NEGARLHE provimento; b) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por José Carlos Vassuler, Silvério José Vassuler, Rodrigo Ramos Ribeiro e Agnaldo da Silva Batista, por estranhos à presente lide, assim como o segundo recurso apresentado pelo arrolado Márcio Alexandre Sarnaglia, por intempestivo; c) conhecer dos recursos voluntários interpostos por Wanderley Stuhr, Márcio Alexandre Sarnaglia, José Antônio Binda, Custódio Forzza Comércio e Exportação Ltda., Itacocal Armazéns Gerais Ltda., Nicchio Sobrinho Café S/A, Giucafé Exportação e Importação Ltda., Silvino Faria Júnior, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon e Josildo Schwambach Machado, para: c.1) DAR provimento aos interpostos por Wanderley Stuhr, Zuccon Armazéns Gerais Ltda., Antenor Peris Zuccon, para excluir as respectivas responsabilidades solidárias; c.2) NEGAR provimento aos demais recursos. Fl. 32032DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.033 4 Em síntese, questiona a Embargante os fundamentos da decisão que manteve a sua condição de corresponsável tributário no lançamento alegando a existência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão. Os Embargos opostos foram objeto de análise em Despacho de Admissibilidade (fls. 32.016 a 32.017) pela Ilma. Sra. Presidente, tendo sido o recurso reputado tempestivo e apto a exame quanto ao mérito. A questão admitida para julgamento dos Embargos diz respeito à falta de enfrentamento, pela Turma, da impugnação feita no Recurso Voluntário do depoimento de Adivalter Antonio Dalla Bernardina, que serviu de base para a atribuição de correponsabilidade tributária da Embargante. As demais questões suscitadas nos Embargos foram reputadas manifestamente improcedentes pelo Despacho de Admissibilidade É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Trata a controvérsia de alegação de omissão, contradição e obscuridade no acórdão embargado que não enfrentou, em seus fundamentos, a alegação da ora Embargante, quando em sede recursal, de que depoimentos servidos de prova para a sua atribuição de corresponsabilidade teriam sido retificados em interpelação judicial, conforme respostas de fls. 30.436 a 30.452 e fls. 19.453 a 19.484. O depoimento central foi impugnado em ambas as instâncias, sem ter havido pronunciamento quanto a isto nas decisões proferidas. A responsabilidade tributária de que trata a decisão embargada é a decorrente da aplicação do art. 121, I (interesse comum) do CTN. Concluiuse que a ora Embargante movimentava de fato contas bancárias da TAMEX, sendo tal conclusão a razão de decidir da atribuição de responsabilidade. Alega a Embargante em síntese que, excluído o depoimento impugnado, os demais fatos contra ela narrados tornam a sua situação ao final semelhante à dos recorrentes que tiveram suas responsabilidades excluídas pelo acórdão; que os fundamentos apontados para manter a corresponsabilidade dos demais arrolados são substancialmente diversos do seu caso; logo, o acórdão embargado padeceria de contradição. Compulsando os autos, verifiquei tratarse de autuação fiscal na qual se constatou ter a empresa TAMEX MERCANTIL SA funcionado como pessoa jurídica interposta com o fim de reduzir fraudulentamente a tributação de atacadistas de café no Estado do Espírito Santo. Fl. 32033DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.034 5 Os autos possuíam mais 30 (trinta) mil páginas digitalizadas, já à época de julgamento dos Recursos Voluntários. A autuação fiscal nomeou 15 corresponsáveis tributários. Os Recursos Voluntários analisados pelo CARF que, somados, perfazem quase mil páginas foram providos apenas para a excluir a responsabilidade de 3 (três), tendo sido mantidas as dos demais 12 (doze), entre estes, a da ora Embargante. Sem embargo, constatase ter havido um lapso ao ter sido tomado como prova incontroversa o depoimento tomado pela fiscalização de Adivalter Antonio Dalla Bernardina como razão de decidir para a manutenção da responsabilidade da Embargante. A seguir, transcrevo na íntegra os fundamentos da decisão embargada, donde se extrai tal conclusão: Nicchio Sobrinho Café S/A Alega a recorrente que: · a fiscalização se baseou em depoimentos pessoais; · não foi provada sua responsabilidade; · não pode ser atribuída a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN, por falta de interesse comum. De fato, no Termo de Verificação de Infração, constam alguns depoimentos pessoais que indicam a participação da recorrente na representação da Tamex: 14.12. Eder José Libardi — BB Colatina • Em 03/10/2006, EDER JOSÉ LIBARDI, que exerce a função de gerente de pessoa jurídica, desde dezembro/1996, na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou dentre outras, as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 121/2006 (fls. 10.408 a 10.413): 1. Que não conheceu a sede da empresa TAMEX, que não conheceu e nem conhece Antônio Tadeu Calmon e Moises Itacir da Silva; 2. Que não conheceu e nem sabe identificar a pessoa da empresa TAMEX que mantinha contato com o Banco, pois a empresa TAMEX não fazia parte de sua carteira de clientes; 3. Que apresentado aos manuscritos "confirmado Brunella" e número "37232600" contidos no verso do cheque n° 000272, emitido em 18/07/01, no valor de R$ 11.000,00, reconheceu como sendo número do telefone do armazém da empresa NICCHIO SOBRINHO (do grupo NICCHIO) e sabe haver uma funcionária de nome Brunella no departamento financeiro da NICCHIO SOBRINHO; Fl. 32034DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.035 6 [...] 14.13. Adivalter Antonio Dalla Bernardina — BB Colatina Em 11/10/2006, ADILVATER ANTONIO DALLA BERNARDINA, que no período de 2000 a 2001, exercia a função de Caixa e eventualmente de Gerente de Expediente na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.414 a 10.417): • Que era procedimento normal, no caso de pagamento de cheques de valor elevado, ligar para o cliente, no número constante do cartão de autógrafos, para confirmação antes de efetuar o pagamento; • Que no caso da conta corrente n° 7.4179, em nome da empresa TAMEX MERCANTIL, o número utilizado para o contato, para a confirmação e liberação do pagamento de cheques, era o número da NICCHIO SOBRINHO; • Que, na maioria das vezes, falava com uma funcionária de nome BRUNELA, do setor financeiro; • Que, até onde sabe, tratase de BRUNELA NICCHIO, mas que não a conhece pessoalmente; • Que, mesmo sendo os cheques emitidos pela empresa TAMEX, a rotina, no caso dessa conta, era fazer o contato com o setor financeiro da empresa NICCHIO; • Que tinha conhecimento de que os pagamentos dos cheques da TAMEX eram autorizados por funcionários da NICCHIO; • Que existia uma autorização informal para esse procedimento, qual seja, ligar para o setor financeiro da empresa NICCHIO, para autorizar pagamentos de cheques da empresa TAMEX; • Que não sabe informar quem estabeleceu ou autorizou esse procedimento; • Que, para todos os efeitos, sempre achou que a TAMEX e a NICCHIO faziam parte de um mesmo grupo; • Que a NICCHIO era um dos principais correntistas, gerando uma das melhores rentabilidades para o Banco; [...] 14.14. Jose Antônio Marino — BB Colatina Em 04/10/2006, JOSE ANTONIO MARINO, que no período de 1999 a 2000, trabalhou na função de Caixa na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.418 a 10.423): Fl. 32035DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.036 7 1. Que se lembra de uma empresa chamada TAMEX, porém não conheceu sua sede e não sabe quem são seus sócios; 2. Que ao lhe ser apresentado o cartão de autógrafo da TAMEX, reconheceu o número 7213322, número manuscrito no cartão, como sendo o telefone da empresa NICCHIO SOBRINHO; 3. Que, ao ler o manuscrito Brunella, lembrouse que existe uma pessoa de nome BRUNELLA ou MARIA BRUNELLA que trabalhou e talvez, ainda trabalhe na NICCHIO SOBRINHO, departamento financeiro; 4. Que sabe ser BRUNELLA da família NICCHIO; [...] 21.6. Maria Brunela Nicchio [...] · Que não há outra funcionaria de nome Brunella na Nicchio Sobrinho; · Que conhece o telefone 7213322, pois o mesmo era da empresa Nicchio Sobrinho, único telefone da empresa na época; · Que quem sempre efetuou compras de café para a Nicchio Sobrinho são seus irmãos e acionistas da empresa Antonio Sérgio Nicchio e Jorge Luis Nicchio. · Que todo o café de propriedade da Nicchio Sobrinho é armazenado na ARCA Armazéns Gerais Ltda que também tem como acionistas os irmãos Antonio Sérgio e Jorge Luis Nicchio. Contudo, tais depoimentos são muito contundentes no sentido de comprovar a movimentação de uma das contas de titularidade da Tamex pela recorrente, mesmo sem procuração formal, fato que indica, no mínimo, uma irregularidade grave. Na realidade, essa movimentação irregular da conta bancária da Tamex pela funcionária da recorrente comprova a representação em que se baseou o autuante para a imputação da responsabilidade tributária. Cumpre salientar que, além dos depoimentos pessoais, houve diligências em que se colheram provas documentais, a saber: 5.2. Nicchio Sobrinho Café S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 14/2004 (fls. 145). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 146 a 232). • Faturas emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANIL LTDA, sem a data do aceite e sem a assinatura do sacado (fls. 233 a Fl. 32036DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.037 8 308). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 309 a 378). > Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria as empresas ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO Ltda, Av. Brasil, 112 — Lace — Colatina ES e ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA, Rod. Carlos Germano Naumam, Colatina/ES. [...] 5.7. Esteve S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 19/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.075 a 1.090). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ Armazéns Gerais Ltda e Armazéns Gerais Nicchio Ltda (fls. 1.091 a 1.256). • Cópias de formulários de autorização de pagamento e Recibos de Depósito " (fls. 1.257 a 1.425). [...] 5.9. Coimbra S/A. • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 21/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.714). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO LTDA (fls. 1.715 a 1.994). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU CALMON (fls. 1.995 a 3.047). Muito embora as empresas de armazenagem do grupo da recorrente tenham fornecido os documentos relativos aos serviços prestados, a forma como se dava a movimentação financeira da conta bancária referida supra comprova a representação para os fins da atribuição da responsabilidade tributária. A transcrição acima condensa todos os fundamentos da manutenção da responsabilidade tributária da embargante do acórdão. Fl. 32037DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.038 9 Como se observa sobretudo no último trecho da fundamentação, acima grifado , a conclusão de que a Embargante movimentaria de fato as contas da TAMEX conclusão esta tirada exclusivamente de depoimentos tomados pela fiscalização é o pilar de sustentação da solidariedade tributária da Embargante no processo. As demais responsáveis solidários possuíam sócios ou funcionários cujos controles sobre as contas bancárias da TAMEX foram comprovados documentalmente pela detecção de procurações passadas com esta finalidade. O fato ainda de ser o café retirado, conforme a acusação fiscal, de armazéns por vezes de titularidade ou controle da própria Embargante, chega a ser mencionado no Voto, mas tal indício é afastado na construção do próprio raciocínio que concluiu pela responsabilidade tributária em questão. Ou seja, o interesse comum foi fundamentado na conclusão de que a Embargante movimentava de fato contas bancárias da TAMEX. Quanto ao fato de a Embargante adquirir café da TAMEX, este, por si só, foi dado por insuficiente na análise que resultou na exclusão da responsabilidade tributária de 3 (três) dos arrolados na autuação fiscal. Além disso, a inexistência de procuração para estes mesmos arrolados também serviu de razão de decidir para a exclusão de suas corresponsabilidades. Tais observações acabam por atrair o caso da Embargante para esta mesma conclusão, tirada em relação aos Recursos Voluntários providos mencionados. Tenho a acrescentar que depoimentos ou declarações tomadas no curso da fiscalização, embora sejam admissíveis como prova no processo administrativo fiscal, possuem força probante questionável. Isto porque não há fase instrutória no processo administrativo fiscal em que se possam repetir tais depoimentos de modo a ratificálos sob o crivo do contraditório, como, por exemplo, existe no processo penal ou no administrativo disciplinar. Tal repetição, a ser feita de forma isenta pelo julgador, é o meio pelo qual se depura o natural viés colocado por quem investiga e interroga durante a fase inquisitória. Por fim, se afastadas as declarações colhidas de Adivalter Antonio Dalla Bernardina pela autoridade autuante neste caso, resta sutil, no contexto do acórdão embargado, a diferença entre a situação da Embargante e a dos demais arrolados que tiveram suas responsabilidades tributárias excluídas pela mesma decisão, de modo a ser prudente, portanto, o nivelamento da decisão nos 4 (quatro) casos. Embora, como regra, não seja admitida a pretensão de efeitos infringentes com o oferecimento dos Embargos de Declaração, de forma excepcional a jurisprudência do CARF tem atribuído efeitos modificativos em seus julgamentos, como indico a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a Fl. 32038DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.039 10 modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão nº 1301162 desta mesma Turma Ordinária), razão pela qual retificase o referido Acórdão. (Acórdão nº 1301001.416 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 13.02.2014) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. (Acórdão nº 2301005.240 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 04.04.2018). Por fim, em sede de Embargos de Declaração, entendo não ser possível voltar ao Termo de Verificação Fiscal e revalorar provas já examinadas pelo acórdão embargado, porém não referidas nos fundamentos de sua decisão ou até mesmo expressamente afastadas , para manter corresponsabilidade tributária atribuída. Isto porque um mesmo órgão julgador não pode, sobretudo de modo a sustentar uma decisão com tal conteúdo, rever suas próprios julgados. Dito de outra forma: se outros fatos narrados e outros indícios coligidos não serviram para formar o convencimento do órgão julgador por ocasião da decisão proferida, estranho seria se, em sede de Embargos, isso passasse a ser possível. Assim, na análise de Embargos contra decisão que atribui responsabilidade tributária, acaso constatado vício no acórdão embargado que atribuiu a sujeição passiva, o máximo que cabe ser feito é aferir se a decisão questionada se sustenta pelos seus próprios fundamentos apesar de seu defeito. E, no caso dos autos, a decisão embargada não se sustenta pelos seus fundamentos. Assim, em respeito ao contraditório (ter a decisão embargada ignorado que estavam impugnados os depoimentos tomados de base), ao devido processo legal (impossibilidade de rejulgar o Recurso Voluntário em sede de Embargos) e em homenagem à coerência, a exclusão da responsabilidade tributária é a medida que se impõe. Por todo o exposto, voto por dar provimento aos Embargos com efeitos infringentes, afastando a responsabilidade tributária da Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ SA. Fl. 32039DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.040 11 É como voto (assinado digitalmente) Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Voto Vencedor Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Redator Designado. O presente voto expressa o entendimento majoritário deste Colegiado no sentido de acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, mas sem efeitos infringentes. Assim, mantem a decisão embargada que confirmou a responsabilidade tributária da Embargante NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S.A. Alega a embargante que a manutenção da responsabilidade se deu exclusivamente em virtude dos depoimentos de dois prepostos do Banco do Brasil, Sr. EDER JOSÉ LIBARPI e Sr. ADIVALTER ANTONIO DALLA BERNARDINA. Aduziu ainda que as declarações dos Srs. ADIVALTER ANTÔNIO e GERALDO PASSON foram RETIFICADAS na via judicial (efls. 31.827 – 31.830): II.2. Da obscuridade e da omissão. [...] Depoimentos empregados como razão para decidir que foram RETIFICADOS pelos depoentes. [...] Inferese da r. decisão que a manutenção da responsabilidade da Embargante se deu exclusivamente em virtude dos depoimentos de dois prepostos do Banco do Brasil, Sr. EDER JOSÉ LIBARDI e Sr. ADIVALTER ANTONIO DALLA BERNARDINA. Tais pessoas alegaram que, quando recebiam cheque da TAMEX em Colatina ES, entravam em contato com a funcionária de nome Brunella para liberar pagamentos de cheques da TAMEX. Contudo, a própria investigação verificou (e o r. acórdão reproduziu estes trechos) que a Embargante NÃO possuía registro de assinatura em nenhuma das contas da TAMEX e também não detinha procuração para agir em nome da mesma. Logo, os depoimentos adotados como fundamento da decisão não se coadunam com o conjunto probatório extraído da investigação fiscal e também destacado no voto. Justamente por isso, a Embargante interpelou o Banco do Brasil judicialmente, com o objetivo de que a instituição informasse quem teria autorizado este procedimento para o pagamento dos cheques da TAMEX. Ademais, a Embargante notificou judicialmente os depoentes, sendo que as declarações dos Srs. ADIVALTER ANTÔNIO e GERALDO PASSON foram RETIFICADAS na via judicial. Portanto, as declarações destacadas às fls. 3165331656 como únicos fundamentos para decidir não são verdadeiras, tanto que os próprios depoentes alteraram, na esfera judicial, as declarações antes prestadas. Fl. 32040DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.041 12 Desse modo, há obscuridade no r. acórdão, pois adotou como fundamento para decidir depoimentos inexistentes. Há, ainda, omissão, pois deixou de analisar a alegação da Embargante de que os depoimentos foram retificados. [...] Considerando que o depoimento do Sr. ADIVALTER foi retificado e que o próprio depoente esclareceu que as informações reduzidas a termo na investigação não condizem com a realidade, a fundamentação apresentada no r. acórdão é omissa. [...] Considerando a necessidade de prevalência do depoimento colhido na esfera judicial sobre aquele tomado na via administrativa, é obscura a r. decisão. Ademais, é omissa, pois não se atentou ao fato de que os depoimentos (ratiodecincidendi) foram retificados. É imperiosa uma manifestação colegiada sobre a razão para afastar os depoimentos retificados. O Despacho de Admissibilidade admitiu parcialmente os embargos somente para “submeter à apreciação da Turma a alegação de omissão referente à retificação de informações prestadas por depoentes [...] ” (efls. 32.027). Conforme elencado no Termo de Verificação de Infração (efls.15.160 – 15.250) e demonstrado a seguir, ao imputar responsabilidade tributária à contribuinte Nicchio, a Fiscalização pautouse em várias informações apuradas ao longo do procedimento fiscal, e não somente nos depoimentos do Srs. Advalter Antonio Dalla Bernadina e Eder José Libardi, Portanto,a retificação de tais depoimentos não altera a responsabilidade tributária imputada à embargante. Vejamos. Diligência perante instituições financeiras Mediante diligência perante instituições financeiras, a Fiscalização constatou as seguintes contas correntes em nome da Tamex Mercantil nos anos 2000 e 2001 (efls. 15.188): 6. SOLICITAÇÃO E EXAME DA DOCUMENTAÇÃO BANCÁRIA [...] CONSTATAÇÕES A empresa TAMEX MERCANTIL manteve, nos anos de 2000 e 2001, 13 (treze) contas correntes em 5 (cinco) instituições financeiras, em 7 (sete) diferentes municípios e com 9 (nove) procuradores distintos, conforme quadro seguinte: BANCO AGENCIA CONTA REPRESENTANTE/PROCURADOR CPF/CNPJ BB 00213 VITORIA PAB PCAFE 51993 ROBERTO DO BONFIM 035.841.47760 BB 37907 SHOPPING VITORIA 505199 1 CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JÚNIOR 086.802.34770 BB 04782 LINHARES 81116 MARLENE GIUBERTTI MARGON 930.204.57734 BB 04782 LINHARES 76929 Não identificado BB 1120 COLATINA 74179 Não identificado BB 0166X GOV. VALADARES 173517 THIAGO ABDENOR LOPES 077.122.23785 BRADESCO 05541 COLATINA 226068 EDSON DA SILVA BATISTA 652.859.80704 BRADESCO 14931 LINHARES 121401 SERGIO AFONSO POLTRUNIERI MARLENE GIUBERTTI MARGON 656.801.20763 930.204.57734 BRADESCO 21970 PALACIO DO CAFÉ 89095 ROBERTO DO BONFIM CARLOS ANTONIO PINTO DA SILVA JÚNIOR PATRÍCIA PEREIRA DA SILVA 035.841.47760 086.802.34770 011.764.50794 SICOOB RIO BANANAL 9687 SERGIO VALANl 031.557.50774 SICOOB SANTA MARIA DE JETIBA 71072 MÁRCIO ALEXANDRE SARNAGLIA 008.228.85778 SICOOB SANTA MARIA DE JETIBA 67091 WANDERLEY STUHR SICOOB 3010 VENDA NOVA DO IMIGRANTE 6386 Não identificado Fl. 32041DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.042 13 Verificação da existência do estabelecimento da Tamex Mercantil Ltda Em 21.02.2005, a Fiscalização compareceu ao endereço informado pela Tamex no cadastro CNPJ e constatou, dentre outros pontos, que não havia estabelecimento do contribuinte no endereço que especifica e que o sócio da Tamex Mercantil Ltda, Antônio Tadeu Calmon, utilizava o endereço para receber correspondências das empresas Tamex e Norvix(efls. 15.189, grifo do original): 7. REINTIMAÇÃO E DILIGÊNCIA NO ESTABELECIMENTO DA TAMEX [...] Com a finalidade de darmos ciência pessoal ao contribuinte do Termo de Reintimação Fiscal e verificarmos a existência do estabelecimento da pessoa jurídica TAMEX MERCANTIL, comparecemos no endereço constante no cadastro CNPJ e constatamos os seguintes fatos relatados no Termo de Constatação Fiscal lavrado em 21/02/2005 (fls. 9.935 e 9.936): 1. Não há estabelecimento do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA na avenida Brigadeiro Eduardo Gomes n° 364, São Geraldo, Serra/ES. 2. No local há um prédio de dois andares, cujos proprietários são ANTÔNIO ZANOL BIS e sua esposa ARLINDA CATARINA SIRTULI. No andar inferior do imóvel funciona o BAR E MERCEARIA SANTISTA cujo titular é ANTÔNIO ZANOL BIS. 3. A sra. ARLINDA CATARINA SIRTULI informou que alugou a sala n° 102 para Antônio Tadeu Calmon pelo valor de R$ 100,00 (cem reais), e que este permaneceu no local por 3 anos, saindo no ano de 2002. 4. A sala n° 102 ficava fechada a maior parte do tempo fechada, esporadicamente era utilizada como escritório das empresas TAMEX MERCANTIL LTDA e NORVIX. 5. ANTÔNIO TADEU CALMON utilizava o endereço para receber correspondências das empresas TAMEX MERCANTIL e NORVIX. 6. As correspondências da empresa TAMEX MERCANTIL e NORVIX eram recebidas pela Sra. ARLINDA CATARINA SIRTULI, e posteriormente entregues ao Sr. ANTÔNIO TADEU CALMON. 7. Para ilustração segue abaixo a foto do endereço fornecido pelo contribuinte do estabelecimento da empresa TAMEX MERCANTIL [...]. Diligências – clientes da Tamex Mercantil A Fiscalização apurou, mediante circularização perante clientes da Tamex, – Nicchio Sobrinho Café S/A, ora embargante; Esteves S/A e Coimbra S/A – notas fiscais emitidas pela Tamexem que constava como local de retirada da mercadoria a empresas ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO Ltda.(efls. 15.169, 15.172, 15.173 e 15.177, grifo nosso): 5. DILIGÊNCIAS – CLIENTES DA TAMEX MERCANTIL [...] 5.2. Nicchio Sobrinho Café S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 14/2004 (fls. 145). • Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 146 a 232). • Faturas emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, sem a data do aceite e sem a assinatura do sacado (fls. 233 a 308). Fl. 32042DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.043 14 • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno (fls. 309 a 378). Nas referidas notas fiscais consta como local de retirada da mercadoria as empresas ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO Ltda, Av. Brasil, 112 Lace Colatina ES e ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA, Rod. Carlos Germano Naumam, Colatina/ES. [...] 5.7. Esteve S/A • Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 19/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.075 a 1.090). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ Armazéns Gerais Ltda e Armazéns Gerais NicchioLtda (fls. 1.091 a 1.256). • Cópias de formulários de autorização de pagamento e Recibos de Depósito (fls. 1.257 a 1.425). [...] 5.9. Coimbra S/A. Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 21/2004 encaminhando a documentação das compras efetuadas do contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA (fls. 1.714). • Cópias das Notas fiscais emitidas pelo contribuinte TAMEX MERCANTIL LTDA, dentre as quais consta como local de retirada da mercadoria GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO LTDA (fls. 1.71 5 a 1.994). • Cópias de cheques nominais ao fornecedor em formulário de controle interno, Recibos de pagamento assinados por ROBERTO DO BONFIM, CARLOS ANTÔNIO PINTO DA SILVA JÚNIOR e ANTÔNIO TADEU A CALMON (fls. 1.995 a 3.047). CONSTATAÇÕES [...] •O café destinado à empresa TAMEX MERCANTIL era armazenado nas empresas ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS, GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS LTDA, ARCA ARMAZÉNS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA e ARMAZÉNS GERAIS NICCHIO. Depoimentos – Funcionários das agências bancárias do Banco do Brasil Constam do Termo de Verificação fiscal depoimentos de funcionários do Banco do Brasil em Colatina/ES em que os depoentes afirmam que a Tamex utilizava a conta corrente n. 74179, elencada anteriormente, para efetuar pagamentos a produtores de café em nome da pessoa jurídica Nicchio. Dentre esses, verificase que os depoimentos dos Srs. Adivalter Antônio e Geraldo Passon foram retificados judicialmente, o que, no entendimento da embargante, seria suficiente para excluir sua responsabilidade. Entretanto, além dos depoimentos retificados judicialmente, foram apuradas pela Fiscalização outras informações que têm força suficiente para manter a responsabilidade tributária da embargante. Para melhor entendimento, elencamos os depoimentos na esfera administrativa e em seguida os retificados na esfera judicial, conforme alegado. Vejamos (grifo nosso): Fl. 32043DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.044 15 14. DEPOIMENTO FUNCIONÁRIOS AGÊNCIAS BANCÁRIAS [...] 14.11. Geraldo Passon BB Colatina Em 25/09/2006, GERALDO PASSON, que no período de fevereiro/1997 a outubro/2002, exerceu a função de gerente de expediente na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou, dentre outras, as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 103/2006 (fls. 10.403 a 10.407): 1.Que tem lembrança de que a conta da TAMEX era abastecida por meio de transferências bancárias e que a empresa TAMEX utilizava esta conta bancária para efetuar pagamento a produtores de café em nome das pessoas jurídicas NICCHIO e FORZA; 2.Que o funcionário de apelido "monstrinho" era quem levava os malotes da empresa NICCHIO até o banco e que neste malote habitualmente havia cheques da empresa TAMEX, também destinados a pagamento de cafeicultores; 3.Que na região de Colatina se recorda apenas dos Nicchio e Forza como principais empresas atuantes no ramo de café.[depoimento na esfera administrativa, efls. 15.216] Geraldo Passon BB Colatina (a) A conta 74179 foi aberta no Banco do Brasil S/A Agência de Colatina, ES, em nome da TAMEX, única e exclusivamente pelo Sr. Antônio Tadeu Calmon. (b) Em razão do exposto na letra "a" anterior, fica prejudicada a resposta a indagação contida na letra "b" da referida notificação. (c) O Notificado não tem conhecimento se o Banco do Brasil chegou a ter cópia de qualquer procuração que teria sido outorgada pela empresa TAMEX em favor de qualquer preposto e/ou pessoa indicada pela firma NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, com poderes para movimentar a conta 74179, junto à Agência 1120, de Colatina, ES, Quem poderá informar tal ocorrência é o próprio Banco do Brasil S/A, uma vez que já não mais trabalha nesse Banco. (d) Em razão do exposto na letra "c" anterior, fica prejudicada a resposta à indagação constante da letra "d" da referida notificação. (e) O signatário não tem conhecimento de nenhuma vinculação da empresa TAMEX com NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, pois em todos os cheques apresentados ao Notificado pela Receita Federal consta tão somente como emitente dos mesmos a própria TAMEX representada pelo Sr. Antônio Tadeu Calmon. (f) Também no mesmo período, a agência do Banco do Brasil em Colatina, ES, não dispunha de documento que pudesse comprovar que o setor financeiro de Nicchio Sobrinho Café S/A autorizou pagamentos de cheques da empresa TAMEX. (g) Quanto ao cidadão conhecido por "Monstrinho" ele surgiu porque havia escrito no verso de uma das cópias de documentos em poder das Auditoras da Receita Federal. Na ocasião foi perguntado ao declarante se conhecia tal pessoa, foi respondido que havia um rapaz com esse apelido que trabalhava para um dos comerciantes de café da cidade, porém não sabia para qual deles, (h) Já respondida na letra "g" anterior.[depoimento na esfera judicial, efls. 18.829 ] [...] 14.12. Eder Jose Libardi BB Colatina Em 03/10/2006, EDER JOSE LIBARDI, que exerce a função de gerente de pessoa jurídica, desde dezembro/1996, na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou dentre outras, as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 121/2006 (fls. 10.408 a 10.413): Fl. 32044DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.045 16 1. Que não conheceu a sede da empresa TAMEX, que não conheceu e nem conhece Antônio Tadeu Calmon e Moises Itacir da Silva; 2. Que não conheceu e nem sabe identificar a pessoa da empresa TAMEX que mantinha contato com o Banco, pois a empresa TAMEX não fazia parte de sua carteira de clientes; 3. Que apresentado aos manuscritos "confirmado Brunella" e número "37232600" contidos no verso do cheque n° 000272, emitido em 18/07/01, no valor de R$ 11.000,00, reconheceu como sendo número do telefone do armazém da empresa NICCHIO SOBRINHO (do grupo NICCHIO) e que sabe haver uma funcionária de nome Brunella no departamento financeiro da NICCHIO SOBRINHO;[depoimento na esfera administrativa, efls. 15.216] [...] 14.13. AdivalterAntonio Dalla Bernardina BB Colatina Em 11/10/2006, ADILVATER ANTONIO DALLA BERNARDINA, que no período de 2000 a 2001, exercia a função de Caixa e eventualmente de Gerente de Expediente na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.414 a 10.417): Que trabalha no Banco do Brasil desde 1976, sendo que, na Agência de Colatina, de N° 01120, desde o ano de 1981; Que no período de 2000 a 2001, exercia a função de Caixa e eventualmente de Gerente de Expediente; Que era procedimento normal, no caso de pagamento de cheques de valor elevado, ligar para o cliente, no número constante do cartão de autógrafos, para confirmação antes de efetuar o pagamento; Que no caso da conta corrente n° 7.4179, em nome da empresa TAMEX MERCANTIL, o número utilizado para o contato, para a confirmação e liberação do pagamento de cheques, era o número da NICCHIO SOBRINHO; Que, na maioria das vezes, falava com uma funcionária de nome BRUNELA, do setor financeiro; Que, até onde sabe, tratase de BRUNELA NICCHIO, mas que não a conhece pessoalmente; Que, mesmo sendo os cheques emitidos pela empresa TAMEX, a rotina, no caso dessa conta, era fazer o contato com o setor financeiro da empresa NICCHIO; Que tinha conhecimento de que os pagamentos dos cheques da TAMEX eram autorizados por funcionários da NICCHIO; Que existia uma autorização informal para esse procedimento, qual seja, ligar para o setor financeiro da empresa NICCHIO, para autorizar pagamentos de cheques da empresa TAMEX; Que não sabe informar quem estabeleceu ou autorizou esse procedimento; Que, para todos os efeitos, sempre achou que a TAMEX e a NICCHIO faziam parte de um mesmo grupo; Que a NICCHIO era um dos principais correntistas, gerando uma das melhores rentabilidades para o Banco; Que a responsabilidade pelos contatos com empresas era dos gerentes de negócios, responsáveis pela negociação com pessoas jurídicas. [depoimento na esfera administrativa, efls. 15.217] [...] AdivalterAntonio Dalla Bernardina BB Colatina 1. Foi o Sr. ANTONIO TADEU CALMON quem solicitou a abertura da conta bancária numero 74179 na agência do Banco do Brasil S/A de Colatina em nome da TAMEX, não constando que a firma NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A tenha participado da abertura da referida conta bancária. Fl. 32045DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.046 17 2 Em razão do exposto no item anterior, o NOTIFICADO não tem como responder a letra "b" da notificação. 3 Durante o tempo que o NOTIFICADO trabalhou na Agência do Banco do Brasil S/A de Colatina, nunca teve conhecimento de que a TAMEX teria outorgado procuração em favor de preposto ou pessoa indicada pela empresa NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, com poderes para movimentar a conta 74179 junto à referida Agência. 4 A resposta à letra "d" da notificação não tem como ser respondida, uma vez que, como já afirmou, o NOTIFICADO nunca teve conhecimento de que TAMEX teria outorgado procuração em favor de preposto ou pessoa indicada pela empresa NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A, com poderes para movimentar a conta 74179 junto à referida Agência. 5 O mesmo ocorre com as respostas às letras "e" e T da notificação recebida. 6 a firma NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A fazia depósitos na conta que a TAMEX tinha na Agência do Banco do Brasil S/A, uma vez que adquiria café da mesma. As vezes, era apresentado cheque da TAMEX que ainda dependia de depósito para que pudesse ser liberado. Como em Colatina existe um estreito relacionamento com os clientes, para evitar que o cheque fosse recusado, o NOTIFICADO chegou a entrar em contado com a Sra. BrunelaNicchio para saber se a firma NICCHIO SOBRINHO CAFÉ teria ou não qualquer pagamento a fazer à TAMEX mediante depósito, no Banco do Brasil S/A. Quando a resposta era positiva, o cheque da TAMEX era acatado. 7 Nunca foi permitido, no Banco do Brasil S/A, que pessoas estranhas ao titular da conta autorizassem pagamento ou confirmassem cheques de emissão do titular. 8 O NOTIFICADO não confirma que entendia que a TAMEX e NICCHIO CAFÉ SOBRINHO S/A fossem do mesmo Grupo. Se assinou qualquer documento neste sentido junto à Receita Federal, foi por equívoco, até porque, quem digitava as respostas era o próprio funcionário daquele órgão e, numa leitura rápida, não chegou a observar que o mesmo tivesse feito constar tal informação dos esclarecimentos prestados, eis que a mesma não procede. [depoimento na esfera judicial, efls. 19.039] [...] 14.14. Jose Antônio Marino BB Colatina Em 04/10/2006, JOSE ANTONIO MARINO, que no período de 1999 a 2000, trabalhou na função de Caixa na agência de Colatina do Banco do Brasil, prestou as seguintes informações sobre a conta corrente n° 74179, conforme Termo de Depoimento n° 122/2006 (fls. 10.418 a 10.423): 1.Que se lembra de uma empresa chamada TAMEX, porém não conheceu sua sede e não sabe quem são seus sócios; 2. Que ao lhe ser apresentado o cartão de autógrafo da TAMEX, reconheceu o número 7213322, número manuscrito no cartão, como sendo o telefone da empresa NICCHIO SOBRINHO; 3. Que, ao ler o manuscrito Brunella, lembrouse que existe uma pessoa de nome BRUNELLA ou MARIA BRUNELLA que trabalhou e talvez ainda trabalhe na NICCHIO SOBRINHO, departamento financeiro; 4. Que sabe ser BRUNELLA da família NICCHIO;[depoimento na esfera administrativa, efls. 15.218] Colhidos os depoimentos dos funcionários das agências bancárias, a Fiscalização constatou que a conta corrente 74179, Agência Colatina/ES era administrada por Maria Brunellaa Nicchio, funcionária da empresa Nicchio, ora embargante (efls. 15.219) CONSTATAÇÕES As seguintes contas correntes da empresa TAMEX foram administradas por terceiros, sem que estes tivessem poderes outorgados através de procuração: Fl. 32046DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.047 18 BANCO AGENCIA CONTA REPRESENTANTE/PROCURADOR CPF/CNPJ BB 1120 COLATINA 74179 MARIA BRUNELLA NICCHIO 978.554.30725 SICOOB SANTA MARIA DE J ETI BA 67091 WANDERLEY STUHR 841.208.86700 Depoimento de terceiros Intimada a comparecer à Delegacia da Receita Federal para fins de prestar informações sobre movimentação financeira da Tamex, assim se manifestou em seu depoimento (efls. 15.231): 21. DEPOIMENTO DE TERCEIROS [...] 21.6. Maria BrunelaNicchio Em 30/10/2006, MARIA BRUNELA NICCHIO prestou as seguintes declarações, conforme Termo de Depoimento n° 215/2006 (fls. 10.593 a 10.599): Que trabalha na empresa Nicchio Sobrinho Café S.A há aproximadamente 20 anos; Que possui aproximadamente 1% das ações da empresa acima; Que possui carteira de trabalho assinada com as funções de Auxiliar de Escritório, Que, desde o ano de aproximadamente 2000, possui procuração da empresa para assinar cheques destinados a pagamentos de fornecedores da empresa; Que não se recorda do nome da empresa Tamex Mercantil como fornecedora da Nicchio Sobrinho; Que nunca pagou a fornecedores da Nicchio Sobrinho com cheques de outras empresas; Que nunca autorizou a funcionários de qualquer banco o pagamento de cheques de emissão da Tamex Mercantil; Que nunca esteve de posse ou viu qualquer cheque de emissão da empresa Tamex Mercantil; Que conhece, por contato telefônico, um funcionário do Banco do Brasil de nome Djalma; Que confirmava com essa pessoa a emissão de cheques de titularidade da Nicchio Sobrinho; Que não se recorda do nome Antonio Tadeu Calmon; Que não há outra funcionaria de nome Brunella na Nicchio Sobrinho; Que conhece o telefone 7213322, pois o mesmo era da empresa Nicchio Sobrinho, único telefone da empresa na época; Que quem sempre efetuou compras de café para a Nicchio Sobrinho são seus irmãos e acionistas da empresa Antonio Sergio Nicchio e Jorge LuisNicchio. Que todo o café de propriedade da Nicchio Sobrinho é armazenado na ARCA Armazéns Gerais Ltda que também tem como acionista os irmãos Antonio Sergio e Jorge LuisNicchio. Depoimento de produtores rurais Mediante depoimento de produtores rurais que constavam como fornecedores nas notas fiscais de entradas da Tamex, a Fiscalização apurou que a armazenagem, otransporte, o preenchimento de nota fiscal e a compra do café dos produtores rurais eram realizados, dentre outros, por Nicchio Sobrinho (efls. 15.233, grifo nosso): Os produtores rurais que prestaram informações nunca ouviram falar nem da empresa TAMEX MERCANTIL nem de seus sócios ANTONIO TADEU CALMON e MOISÉS ITACIR DA SILVA, apesar de terem em seus blocos, notas fiscais cujo destinatário da mercadoria era a empresa TAMEX MERCANTIL. Fl. 32047DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.048 19 A armazenagem, o transporte. o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais eram realizados por ANTENOR ZUCCON, MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA (ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), WANDERLEI STHUR, GIUCAFÉ ARMAZÉNS GERAIS, SÉRGIO VALANI (PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS), CUSTODIO FORZZA e NICCHIO SOBRINHO, conforme declarações dos produtores rurais, que foram tomadas a termo (fls. 10.752 a 10.914). Ao encerrar ao Termo de Verificação de Infração, a Fiscalização apontou as seguintes constatações (efls. 15.236, 15.237, 15.239, 15.241, grifo nosso): 26. CONSTATAÇÕES A partir das informações e documentos fornecidos pelos clientes, sócios, contadores e procuradores da empresa TAMEX MERCANTIL, instituições financeiras, gerentes das agências bancárias, CARTÓRIO ANTÔNIO MARIA, PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS, sócios e funcionários da empresa JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA, produtores rurais, empresas de armazéns gerais e sistemas de informações da SRF, constatamos os seguintes fatos referentes a empresa TAMEX MERCANTIL LTDA: [...] 10. Identificamos as seguintes pessoas físicas e jurídicas que participaram do esquema de sonegação montado por SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), SÉRGIO VALANI e ADEMAR VALANI (PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS), NERIO PERES ZUCCON e ANTENOR PERES ZUCCON (ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS), WANDERLEY STHUR, GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA, CUSTÓDIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA, NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café dos produtores rurais, o transporte e a armazenagem, todas estas operações ocultandose sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. [...] 23.As instituições financeiras não encaminharam procurações referentes às contas correntes n° 76929, 74179, 67091 e 6386, portanto aparentemente eram administradas por ANTÔNIO TADEU CALMON. No entanto, verificamos as contas correntes n° 74179 e 67091, também, eram administradas e movimentadas por empregados e sócios das pessoas participantes do esquema de sonegação, sem que estes tivessem poderes outorgados através de procuração: BANCO AGENCIA CONTA TERCEIROS BB 1120 COLATINA 74179 MARIA BRUNELLA NICCHIO SICOOB SANTA MARIA DE JETIBÁ 67091 WANDERLEY STUHR [...] 26. ANTONIO TADEU CALMON [sócio da Nicchio] desconhecia a existência de algumas das contas correntes da TAMEX MERCANTIL, apesar de assinar como representa da TAMEX na outorga das procurações que foram utilizadas na abertura destas. [conferir 1º, 2º e 3º depoimentos de Antônio Tadeu Calmon às efls. 15.19015.191, 15.205 – 15.210] 35.A armazenagem, o transporte, o preenchimento da nota fiscal e compra do café dos produtores rurais em nome da TAMEX eram realizados pelas seguintes pessoas físicas e jurídicas: MÁRCIO ALEXANDRE SARNÁGLIA e JOSÉ ANTÔNIO BINDA (ITAGUAÇU COMÉRCIO DE CAFÉ E ITACOCAL ARMAZÉNS GERAIS), SÉRGIO VALANI e ADEMAR VALANI (PRIMAVERA ARMAZÉNS GERAIS), ANTENOR PERES ZUCCON (ZUCCON ARMAZÉNS GERAIS), WANDERLEY STHUR, GIUCAFÉ EXP. IMP. LTDA, CUSTÓDIO FORZZA COMERCIO EXPORTAÇÃO LTDA, NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A. Eram estas pessoas, que de fato, realizavam a compra de café Fl. 32048DF CARF MF Processo nº 15586.000277/200670 Acórdão n.º 1201002.760 S1C2T1 Fl. 32.049 20 dos produtores rurais, o transporte e a armazenagem, todas estas operações ocultando se sob o manto da empresa TAMEX MERCANTIL LTDA. Oportuno destacar que a decisão que admitiu parcialmente os embargos, além de reconhecer a omissão apontada, também reconheceu que a imputação da responsabilidade tributária não se pautou somente nas informações retificadas judicialmente. Vejase: “embora o acórdão embargado não tenha assentado a responsabilidade da ora embargante somente nas informações prestadas pelos depoentes, entendo, neste exame preliminar, que não é manifestamente improcedente a alegação de omissão ora sob exame” (efls. 32.021). Verificase, pois, conforme demonstrado acima, que a Fiscalização não se apoiou somente nos depoimentos retificados judicialmente para imputar responsabilidade tributária à embargante e que as demais evidências contidas nos autos são suficientes para demonstrar a relação irregular entre a embargante e a contribuinte, fato que deu ensejo à responsabilização ora combatida. Ante o exposto, acolho os embargos de declaração apenas para sanar a omissão apontada, sem atribuição de efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior Redator do Voto Vencedor Fl. 32049DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.729328/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
Tributam-se, como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. As despesas escrituradas em livro caixa, somente são acatadas quando comprovadas por meio de documentação idônea.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTRATO DE MUTUO. CONDIÇÕES DE VALIDADE.
Para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que esse contrato esteja amparado em determinadas condições que atestem a sua efetividade, dentre elas a existência de contrato escrito com definição do valor mutuado e da data da sua disponibilidade, previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento do mútuo e prova do pagamento dos juros e da quitação do valor do empréstimo, pelo mutuário, ao final do contrato. Contratos meramente verbais desprovidos de elementos probatórios não possuem validade frente à administração tributária.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO.
Depois do início do procedimento fiscal, não é mais possível a retificação da declaração, quando vise a reduzir ou excluir tributo.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
PEDIDO DE DILIGENCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível o pedido de diligência.
Numero da decisão: 2202-004.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: em negar provimento ao recurso de ofício; e em conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir, da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os montantes referidos nos subitens '2a', '2b' e '2c' do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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Tributamse, como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. As despesas escrituradas em livro caixa, somente são acatadas quando comprovadas por meio de documentação idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRATO DE MUTUO. CONDIÇÕES DE VALIDADE. Para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que esse contrato esteja amparado em determinadas condições que atestem a sua efetividade, dentre elas a existência de contrato escrito com definição do valor mutuado e da data da sua disponibilidade, previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento do mútuo e prova do pagamento dos juros e da quitação do valor do empréstimo, pelo mutuário, ao final do contrato. Contratos meramente verbais desprovidos de elementos probatórios não possuem validade frente à administração tributária. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Depois do início do procedimento fiscal, não é mais possível a retificação da declaração, quando vise a reduzir ou excluir tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 93 28 /2 01 2- 41 Fl. 1666DF CARF MF 2 SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. PEDIDO DE DILIGENCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível o pedido de diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: em negar provimento ao recurso de ofício; e em conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir, da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os montantes referidos nos subitens '2a', '2b' e '2c' do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0351.568, proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB) que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção que assim os relatou (efls. 1322/1343): Foi lavrado Auto de Infração em desfavor do Contribuinte ANTONIO LUCENA BARROS, referente ao imposto sobre a renda de pessoa física do exercício 2009 (anocalendário 2008). O crédito tributário apurado foi assim constituído: Imposto R$8.971.904,10 Juros de Mora (calculados até 31/08/2012) R$ 2.880.878,40 Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.667 3 Multa (passível de redução) R$ 6.728.928,07 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 18.581.710,57 O lançamento foi decorrente das seguintes infrações, segundo a Fiscalização: 1) Omissão de rendimentos da atividade rural: tributação de R$17.272.209,00, que corresponde a vinte por cento do somatório da receita bruta declarada com a receita omitida. A receita omitida (R$2.412.763,06) equivale à soma das seguintes parcelas: a) R$90.569551: compra de bovinos feita à Bertin S.A., não escriturada no Livro Caixa da Atividade Rural e não declarada; b) R$392.693,55: referese à diferença entre o valor recebido pela venda da "Fazenda Bandeira" à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara e o valor declarado. Essa diferença não foi escriturada no Livro Caixa e nem declarada (R$419.693,55 R$90.000,00). c) R$1.929.500,00: corresponde a dois pagamentos, no valor de R$964.750,00 cada um, referente à venda da "Fazenda Tiraximim", não escriturados no Livro Caixa e nem declarados. Também foi efetuada uma glosa de R$17.488.715,92, relativo a uma compra de gado à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, que não foi comprovada. Como o somatório das receitas menos o total de despesas de custeio/investimento é superior a 20% da receita bruta, a tributação foi efetuada pelo percentual da receita bruta, por ser a alternativa menos gravosa para o Contribuinte. Valor tributável = (83.948.282,00 + 2.412.763,06) x 20% = 17.272.209,00. 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A Fiscalização elaborou a planilha "RELAÇÃO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA" (fls. 955 a 958), onde constam todos os valores considerados como omissão de rendimentos, por não terem a origem justificada. Na descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a autoridade fiscal relata o motivo por que não acatou as alegações do Contribuinte em relação a esses depósitos/créditos tributados. O montante tributável, relativo a essa infração, foi de R$15.352.896,83. Cientificado do lançamento, o Contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, apresentou impugnação às fls. 1.032 a 1.132, com as seguintes alegações, as quais transcrevo do relatório do acórdão da decisão de primeira instância: Fl. 1668DF CARF MF 4 DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresenta impugnação em 15/10/2012, com as seguintes alegações: Sustenta que sua atividade econômica é a exploração da atividade rural realizada em dezoito imóveis situados nos estados do Pará e Maranhão, conforme informado na Declaração de Ajuste do exercício de 2009. Atividade Rural. Considera correta a tributação de dois valores lançados no Auto de Infração e errada para os demais, nos seguintes termos: a) R$90.569,51 Afirma ter oferecido a tributação o valor acima, conforme nota fiscal 205/01, emitida em 11/01/2008, e respectiva nota promissória rural com vencimento em 10/02/2008, sendo que a nota fiscal teria sido corretamente informada no livro caixa na data de vencimento da nota promissória rural (página 12 do Livro Caixa, fl.27 dos autos). b) R$419.693,55 Concorda que parte desse valor deixou de ser tributado como receita da atividade rural uma vez que somente a parte referente à terra nua foi tributada (R$90,000,00), entretanto o autuante se equivocou ao lançar como tributável a importância de R$392.693,55, pois o valor correto seria R$329.693,55. c) R$1.929.500,00 Reconhece que os dois depósitos nos montantes de R$964.750,00 cada um deixaram de ser oferecidos a tributação em razão de lapso causado pelo grande movimento financeiro. d) R$17.488.715,92 Afirma tratarse de aquisição de gado da empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, conforme contrato de compra e venda, ocorrida sem que houvesse transferência de recursos financeiros, uma vez que, houve alienação de imóvel rural a essa empresa e o montante de R$17.488.715,92, que seria parte da venda da propriedade foi utilizado para pagar o gado adquirido. Sustenta que a venda do imóvel rural foi oferecida a tributação como receita da atividade rural e ganho de capital conforme documentos anexos que já teriam sido conferidos pelo autuante e considerados como corretos. Explica ter adquirido, por meio de instrumento particular de compra e venda de bovinos, assinado em 01/11/2008, a quantidade de 30.303 reses pelo valor total de R$23.587.410,00, a ser pago em duas parcelas, a primeira, no valor de R$17.488.715,92, com vencimento em 30/11/2008 e a outra, com valor de R$6.098.694,08, até 28/02/2009. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.668 5 Em razão da venda a prazo e da previsão contratual (item 4.1) a vendedora somente emitiria notas fiscais referente à venda após a quitação do preço total, o que somente ocorreria em fevereiro/2009, de modo que estaria impedido de juntar a nota fiscal em 2008, motivo pelo qual teria escriturado o livro caixa com a expressão: "Aquisição de bovinos Santa Bárbara Xinguara para acerto final em fevereiro/2009". Acrescenta ter declarado a compra dos semoventes na movimentação do rebanho de 2008, cujo montante está inserido em um total de 64.066 reses adquiridas em todo o ano calendário de 2008. Conclusão. Tendo em vista que o valor considerado correto para as omissões, de R$2.259.193,55, é inferior ao valor tributado de oficio (R$17.272.209,00) que corresponde a 20% de toda a receita bruta da atividade rural apurada e declarada no ano calendário, entende que o valor correto a ser tributado corresponde a 20% das omissões, que somam R$2.259.193,55, e montaria a R$451.838,7L Depósitos Bancários. Considera que vários valores teriam sido indevidamente tributados, uma vez que seriam decorrentes de ressarcimentos de empresas do impugnante, decorrentes de empréstimos ou corresponderiam a valores já oferecidos a tributação. a) Recebimentos da Frigol Diversos valores decorrentes de venda de gado para o Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira, CPF 792.686.17820, que utiliza o nome fantasia de Frigol, todos devidamente escriturados no Livro Caixa teriam sido tributados novamente no auto de infração, Esses depósitos totalizariam R$4.301.891,60, estão listados na impugnação e, à exceção de R$11.000,00, teriam sido oferecidos a tributação. b) Vendas a Djalma Gonzaga de Oliveira (Frigol) Acrescenta que as operações teriam sido escrituradas como realizadas com a Cooperativa Agropecuária e Industrial de Agua Azul do Norte, CNPJ 07.639.043/000160, que tinha como presidente o Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira, conforme ata do Conselho de Administração de 02/12/2005, registrada na Junta Comercial do Pará. Por solicitação da administração do Frigol, o gado alienado devia ser guiado e vendido para a pessoa física do diretor presidente, Sr. Djalma, o qual realizava os pagamentos referentes à venda. Fl. 1670DF CARF MF 6 Transcreve na impugnação tabela representando contas correntes existente entre ele e Djalma (Frigol), que comprovaria adiantamentos para entrega futura de bovinos, que teriam sido integralmente liquidados. Estas tabelas demonstrariam ter havido o adiantamento e a entrega dos bovinos em seguida. Acrescenta que a venda para entrega futura é ato normal na atividade rural e reconhecida pelo Conselho de Contribuintes. A defesa passa a questionar as explicações dadas pelo autuante, constantes do Auto de Infração, remetendo aos itens constante do lançamento. c) Itens a), e b.1) a b.3) do Auto de Infração. Com o objetivo de justificar os depósitos nos valores de R$200.000,00, em 11/03; R$91.050,23; R$98.979,50 e R$609.970,27, esses últimos em 18/03, o contribuinte elenca, em tabela (fl.1049), diversas notas fiscais, totalizando R$1.589.050,00, em favor do Sr. Djalma (Frigol), discriminando suas datas de emissão e datas de lançamento no livro caixa. Acrescenta que as notas fiscais elencadas teriam sido lançadas no livro caixa em fevereiro e em abril, admitindo ter se equivoca ao escriturar as notas fiscais na data de entrega do produto e não na data do efetivo recebimento dos valores, mas que teria cumprido a obrigação mais importante, que é oferecer as receitas a tributação. d) Itens c) d1) a d5) e e.1) a e.4), do Auto de Infração. Explica que os valores constantes dos itens c) e d1) a d.5), do Auto de Infração, também teriam sido pagos pela venda de bovinos e recebidos antecipadamente. Apesar de ter entregado planilha informando os valores recebidos do Sr. Djalma (Frigol) ao auditor, o autuante considerou esses valores como de origem não comprovada sob o argumento de que não teriam sido declarados no mês de abril como receitas da atividade rural. Ocorre que estas receitas teriam sido oferecidas a tributação na data da efetiva entrega do produto, que teria ocorrido em setembro e outubro de 2008. Inclui na impugnação planilha em que lista as notas fiscais que seriam referentes aos créditos tributados, pretendendo demonstrar que estas totalizam R$2.474.600,00, enquanto os depósitos tributados nos itens c) e d.1) a d.5), do Auto de Infração, montam a R$2.277.648,20. Quanto aos itens e.1) a e.4), do Auto de Infração, estes referir seiam ao pagamento de parte de venda de 4.594 bovinos, ocorrida no dia 22/10/2008, no valor total de R$3.661.188,30, nota fiscal n° 208114 (fls.935 dos autos), que teria, equivocadamente, sido lançada no livro caixa, no dia 22/11/08 (fl.158). Esta operação teria sido quitada por meio de vários cheques, incluindo quatro que teriam sido repassados a "São Roberto" e Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.669 7 "Jorge Paulo", conforme informado ao final da planilha de fl.916. Conclui listando todos os valores que estariam sendo bitributados pelo fato de terem sido escriturados na data da entrega dos bovinos e, ainda que os argumentos não sejam acatados, os depósitos devem ser tributados, no máximo à razão de 20%, uma vez que o contribuinte somente exerce a atividade rural. Vendas de Gado a Eduardo Carvalho Pereira para Entrega Futura. O valor de R$625.000,00, creditado em sua conta corrente, corresponderia a depósito realizado por Eduardo de Carvalho Pereira, por conta de venda de gado para entrega futura, entretanto a Fiscalização teria efetuado a tributação desses valores sob o argumento de que o contrato de compra e venda apresentado, assinado em 06 de maio, teria data posterior à data do crédito (04/04/08), além de não ter sido escriturado no livro caixa. A defesa entende que o fato de o contrato ter sido assinado em data posterior não invalida o acordo, uma vez que já havia contrato verbal, tanto é que o depósito foi feito em pagamento, o rebanho foi entregue conforme acordado (notas fiscais emitidas em 29/01/2010; 28/04/2011 e 31/01/2012) e resgatou nota promissória dada em garantia. Com relação ao fato de não ter lançado a operação no livro caixa, explica que informou na Declaração de Ajuste Anual (fl.970), no resultado não tributável no valor de R$11.800.000,00, com nota explicativa nas Dívidas da Atividade Rural (fl.978), no item "Lembrança: Eduardo Carvalho Pereira..." que explicaria sobre os demais contratos semelhantes. Por fim, entende que o auditor teria deixado de atender a importantíssimo principio constitucional, que seria o princípio da legalidade, uma vez que não teria observado os artigos 104 e 107, do Código Civil Brasileiro. Venda de Gado para Agropecuária Santa Bárbara Xinguara. O autuante teria desclassificado depósitos que somam R$896.000,00, que já teriam sido tributados e lançados no livro caixa à fl. 145, no dia 28/11/2008 (fl.160 dos autos) e devem ser considerados como já oferecidos a tributação. Acrescenta que o Fiscal teria acatado como justificado depósito no valor de R$80.000,00, em 10/10/2008, e não entende por que motivo não teria aceitado os demais. Acredita que deve ser aplicado a esse lançamento os artigos 104 e 107, do Código Civil Brasileiro, o artigo 24, do Decreto 7.574/2011 e o artigo 10, IV, do Decreto 70.235/72, anulando Fl. 1672DF CARF MF 8 esse lançamento e excluindo o valor de R$896.000,00, da base de cálculo. Alternativamente, acredita que somente 20% dos depósitos bancários seriam tributáveis uma vez que exerce somente a atividade rural. Tributação Indevida de Estornos. Aponta que o depósito de R$37.800,00, referente a negócio realizado com o Sr. Claudionor Vicente Kehrnvald, ocorrido em 06/08/2008, foi estornado no mesmo dia e não seria tributável. Empréstimo de Alan Ribeiro. Os dois depósitos no valor de R$50.000,00 cada uma, em 29/10/2008, seriam decorrentes de empréstimo tomado com um amigo, Sr. Alan Rodrigues Ribeiro, para se socorrer por ter tido dois cheques devolvidos, um de R$116.733,00 e outro de R$38.276,00. Estranha o fato de o auditor ter optado por tributar tão somente um dos depósitos de R$50.000,00, sem qualquer explicação, o que caracterizaria arbitrariedade. Afirma ter provado que pagou ao Sr. Alan o montante recebido apenas um dia após o empréstimo recebido para evitar que tivesse o cheque devolvido pela segunda vez. Pagamentos de Mútuos concedidos a Thal Construtora. O depósito de R$150.000,00, em 05/11/2008, referese a pagamento de empréstimo do cheque número 968033, sacado contra a conta 9060000590, Ag. 0906, do HSBC, emitido em 06/10 e pósdatado para 06/11 (fl.911), que foi dado em garantia para empréstimo levantado pela Thal Construtora, empresa que pertence a seu filho Leandro Vilarinho Lucena Barros e seu sócio Tharley Helvécio Alves. No dia 05/11/08, a empresa pagou o empréstimo por meio de TED, e o cheque foi compensado no dia 06/11 (fl.556). Os créditos nos valores de R$15.000,00; R$30.000,00 e R$55.000,00, ocorridos em 08/12/08, teriam sido efetuados para cobrir o cheque de número 968032, da conta 9060000590. agência 0906, do HSBC, emitido em 06/10/08 e pósdatado para 06/12/08 (fl.914), no valor de R$100.000,00, emprestado para o sócio do filho, Tharley. Nas duas operações, teria sido provado que os créditos listados foram efetuados para cobrir os cheques emprestados pelo contribuinte para lastrear empréstimos do filho e de seu sócio na Thal Construtora, sem que o contribuinte tivesse levado qualquer vantagem. Mútuos feitos à Empresa da qual é Sócio. Entende ter demonstrado, conforme documentos de fls.650 a 680, o recebimento do montante de R$7.294.636,00, a título de Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.670 9 devolução de capital emprestado à Agropecuária São Roberto Ltda., CNPJ 46.991.295/000106. Acrescenta que o autuante, ao fazer o relatório do auto de infração teria exposto que tributa valores "...os que não constam da planilha RELAÇÃO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS PARA SER COMPROVADA A ORIGEM, estão sendo considerados como de origem não justificada/comprovada (no montante de R$3.417.320,00)". Pondera que não teriam sido discriminados os valores e datas dos depósitos que totalizariam R$3.417.320,00, impedindo sua ampla defesa, o que anularia o lançamento. Ainda que a nulidade não seja acatada, explica que a empresa não teria mais imóveis rurais ou bens de capital para se sustentar e estaria sendo bancada pelo contribuinte, não tendo como repassar a ele os valores mencionados pelo autuante, uma vez que faturou apenas R$42.308,27 ao longo do anocalendãrio de 2008, com despesa de R$1.064.247,96, no mesmo período. Da análise dos livros diário (registrado na Junta Comercial do Pará em 09/02/2010) e razão, é possível verificar que o trânsito de valores entre o contribuinte e a empresa monta a R$19.327.249,81, de créditos e R$17.122.717,62 de débitos, ficando claro que, ao final, o impugnante transferiu à empresa o valor líquido de R$2.204.532,19, valor este que teria sido informado na Declaração de Ajuste Anual no item "Saldo em Conta Corrente de acionista da empresa Agropecuária São Roberto..." (fl.964). Valor Tributado da Atividade Rural e Ganho de Capital Postula que o montante de R$4.475.585,23 se refere á parcela recebida da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, pela venda de vários imóveis rurais que o auditor analisou e reconheceu como corretos. Essa importância teria vencido no dia 31/03, entretanto, o Banco Bradesco somente teria disponibilizado o valor após a compensação bancária que teria ocorrido no dia seguinte, em 01/04/08. A operação já teria sido explicada ao autuante (fl.341), no sentido de que R$469.137,24 corresponde à terra nua e R$4.006.447,99, referese aos bens da atividade rural, importância lançada no livro caixa em 01/04/08 (fl.45) como receita da atividade rural na venda de bens. A parcela restante teria sido oferecida a tributação nos anexos de ganho de capital (fls.979/988), nos valores constantes de tabela integrante da impugnação (fls. 1065/1066). Venda de Gado para Entrega Futura. Os depósitos nos valores de R$126.800,00, em 03/01 e R$300.000,00, em 04/01/2008, teriam sido considerados como Fl. 1674DF CARF MF 10 não justificados pelo auditor pelo fato de que o contrato que daria respaldo aos depósitos teria sido assinado com o Sr. Claudiomar Vicente Kehrnvald, no dia 15/01/2008. Registra o impugnante, que teria recebido do Sr. Claudionor, no anocalendário de 2008, um total de R$7.200.000,00, dos quais somente esses dois depósitos não teriam sido reconhecidos pelo autuante. Enfatiza que o fato de o contrato ter sido assinado onze dias depois dos primeiros depósitos não o invalida. Além disso, não foi ato contrário à legislação e não teve como objetivo lesar ou reduzir o valor do tributo devido, mesmo porque, a receita decorrente de venda para entrega futura somente deve ser oferecida a tributação na data em que ocorrer a entrega do produto alienado. Anexa, com a impugnação, cópia autenticada do contrato e as notas fiscais demonstrando a entrega de 5.400 novilhas ao Sr. Claudiomar, conforme notas fiscais emitidas em 31/03/10, 27/04/11 e 31/03/12. Empréstimo recebido de Agropecuária Umuarama Ltda. O auditor teria tributado valores, totalizando R$872.000,00, que não apresentaram correlação com os apresentados às fls.887 a 890 dos autos, sob o argumento de que não coincidiriam com a cotação do dólar indicada no contrato anexado. Os depósitos seriam de R$562.000,00, em 28/03; R$50.000,00, em 18/04; R$90.000,00, em 29/05; R$130.000,00, em 10/06 e R$40.000,00, em 16/06. Explica que a segunda parcela, correspondente a U$395.200,00, venceu em 31/03/08, no entanto, teria sido paga em atraso e valores distintos. Considerando que o valor de R$562.000,00 foi pago com a cotação do dólar a R$1,7360, esta parcela equivaleria a U$323.732,72 e deve ser reconhecia como pagamento do contrato ora anexado, excluindoa da base de cálculo. Dos Pedidos. Repete, resumidamente, os pedidos já expostos nesta Decisão, e acrescenta algumas novas solicitações adicionais, que seriam: a) Que, caso este órgão julgador entenda necessário, seja efetuada diligência para solicitar ao Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira que confirme as operações e depósitos mencionados na impugnação. b) Que o valor recebido pela Camioneta seja tributado como receita da atividade rural à base de 20%, pois se relaciona à atividade. c) Que todos os depósitos bancários mantidos como não justificados sejam tributados à razão de 20%, tendo em vista a atividade rural exercida pelo impugnante. Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.671 11 d) Seja retificada a Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2008, após o trânsito em julgado da decisão que julgar o presente recurso. e) Sejam utilizadas as provas constantes dos autos e todas as demais admitidas em direito. A seguir, enumera os aspectos que deveriam nortear eventual diligência para que o Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira confirmasse a aquisição de gado do contribuinte, bem como identificasse/confirmasse os depósitos efetuados e as notas fiscais correspondentes às transações comerciais realizadas. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir receitas da atividade rural no montante de RS 153.569,51, reduzindo a base de cálculo para R$17.241.495,11, e considerar como justificados depósitos bancários que totalizam R$4.775.585,23, o que resulta na manutenção de imposto devido no valor de R$7.650.171,84, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. A realização de diligências/perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Ainda que solicitada pela defesa, não existe motivo para nulidade do procedimento fiscal caso a autoridade fiscal entenda não ser necessária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. Tributamse, como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. As despesas escrituradas em livro caixa, somente são acatadas quando comprovadas por meio de documentação idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de Fl. 1676DF CARF MF 12 rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF n° 03/2008, foi submetido à apreciação do CARF o recurso de ofício. O contribuinte foi cientificado da decisão em 09/05/2013 (fl. 1.171) e, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 10/06/2013 (fls. 1.179 a 1.299), no qual faz as seguintes alegações, em resumo: apresentou o recurso de impugnação em primeira instância, deixando de impugnar valores da atividade rural: i) R$1.929.500,00 e ii) R$329.693,55, sendo que esse último apenas para demonstrar inversão nos dígitos, tendo constado R$392.693,55; existem erros de cálculo na base de cálculo do IRPF na decisão de primeira instância; a decisão não analisou as provas apresentadas pelo Recorrente, mantendo de forma parcial e ilegal a cobrança irregular de tributo em razão de: (i) ter mantido a glosa de valores utilizados na compra de semoventes, efetivamente pagos e comprovados nos autos, cuja glosa alterou a base de cálculo do imposto da atividade rural; (ii) ter desconsiderado a prova de que vários depósitos bancários foram realizados por pessoas indicadas e com negócios jurídicos devidamente formalizados, os quais foram efetivamente declarados na Declaração de IRPF e comprovados nos autos, mantendo esses depósitos como "de origem não comprovada" por presunção e contrariando a jurisprudência do CARF; (iii) não ter realizado a diligência necessária e indispensável para provar que a importância recebida por vários depósitos que montam R$4.301.891,62 referese a pagamento parcial de gado vendido em favor do Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira (Frigol), fato arbitrário que manteve a tributação de valores considerados como "de origem não comprovada" e tributados como rendimentos na declaração de ajuste, quando também haviam sido oferecidos como receitas da atividade rural; (iv) ter tributado como "de origem não comprovada" o valor total de R$3.417.320,00 enviados pela empresa Agropecuária São Roberto S/A, em devolução de mútuos realizados pelo Contribuinte em favor da empresa da qual detém, juntamente com sua companheira, 100% do capital social, cujos depósitos também foram comprovados nos autos e declarados na DIRPF e na contabilidade da empresa citada. Atividade Rural Compra de Semoventes no valor de R$17.488.715,92, glosado na despesa da atividade rural: apresentou juntamente com a impugnação de primeira instância, um contrato denominado "Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio" assinado no dia 01 de novembro de 2008, pelo qual prometeu adquirir a quantidade de 30.303 Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.672 13 (trinta mil, trezentos e três) reses bovinas pelo valor total de R$23.587.410,00, equivalentes, na época, a 326.963@; O gado foi adquirido para ser pago em 02 (duas) parcelas, uma de 217.976®, igual a R$17.488.715,92, até 30 de Novembro de 2008 e outra de 108.987®, igual a R$6.098.694,08, até 28 de Fevereiro de 2009; diferentemente do alegado pelo relator, a defesa não caiu em nenhuma contradição, pois todos os contratos de venda dos imóveis foram feitos com pagamentos a longo prazo. Dessa forma, o Recorrente não vendeu imóveis à vista para receber em gado, quitado, como citado pelo relator; a primeira venda de imóveis ocorreu em 30 de Setembro de 2007 (caso do maior contrato, que teve por objeto o conjunto de Fazendas São Roberto, fls. 751/776) e a compra do gado ocorreu em 01 de novembro de 2008, portanto, mais de 01 (um) ano após a promessa de venda dos imóveis; quanto a "alegado encontro de contas", o Recorrente não anexou o contrato firmado entre ele e a Santa Bárbara que fez o "encontro de contas" porque tal documento não tinha necessidade de ser anexado, haja vista que foi juntado: a) Contrato de Venda e Compra do Gado que prova a venda a prazo com a reserva de domínio; b) as Notas Fiscais de venda e entrega do gado, com preço quitado, emitidas em Fevereiro de 2009, após a conferência e pagamento integral do preço; também não anexou documento que faz prova de que houve tal compensação de valores, tendo em vista que provou, pelos documentos acima, o pagamento do gado; quanto à argumentação de que a despesa deve ser lançada no dia do pagamento, o Recorrente fez exatamente o que determina a legislação e que foi afirmado pelo Relator da decisão de primeira instância; o Recorrente lançou o valor da despesa da atividade rural na data do efetivo pagamento, ainda sem receber o documento (notas fiscais e quitação), digase de passagem apenas ato formal, que efetivou a transmissão da propriedade do gado, o que ocorreu somente em fevereiro de 2009; os valores foram lançados conforme pagos e não conforme o gado foi entregue, pois o Recorrente seguiu à risca o que determina o artigo 62 do Regulamento do Imposto de Renda (artigo 4o da Lei 8.023/90), efetuando o lançamento da aquisição dos bovinos, os quais são indispensáveis à percepção dos rendimentos da atividade pecuária e, portanto, devem ser lançados como despesas/investimentos na data do pagamento; não é pelo fato de que a nota fiscal e a quitação tenha ocorrido em fevereiro de 2009 que a despesa não tenha ocorrido em novembro de 2008, razão que levou o Recorrente a proceder ao lançamento da despesa; Fl. 1678DF CARF MF 14 não procede a alegação do relator de que a venda do gado não consta da escritura pública, pois essa não é a forma de se vender e comprar gado; o Recorrente vendeu seus imóveis por dinheiro, cuja escritura até o momento não foi outorgada, o que ocorrerá somente após o pagamento do preço dos imóveis; o fato de o Recorrente, depois de mais de 01 (um) ano após a venda dos imóveis, ter resolvido comprar um gado da própria compradora de suas fazendas não é proibido, ilegal, imoral ou impossível até porque parte do preço do gado já estaria pago pelo instituto da compensação, que é legal e previsto no artigo 368 e 369 do Código Civil Brasileiro; o fato do relator presumir de que a data da transferência do rebanho (data das NFs) ter ocorrido em pouco mais de 90 (noventa) dias após a assinatura do contrato de compra do rebanho (contrato assinado em novembro/2008 e a quitação e emissão das notas fiscais ocorreu em 13 e 16 de fevereiro de 2009) é justificado pelo fato de que se tratava de grande quantidade de gado, cujos animais foram destacados de uma quantidade maior, de 31.000 (trinta e um mil) reses, a fim de retirar os doentes e os aleijados e se chegar na quantidade negociada, 30.303 cabeças; o contrato constou que a venda foi feita com "Reserva de Domínio" e como se trata de semoventes, cuja posse e domínio se transfere com a tradição (entrega da posse), a vendedora do gado se reservou no direito de aguardar o restante do pagamento para só depois emitir as respectivas notas fiscais e entregar o rebanho. Nesse ínterim, de pouco mais de 60 (sessenta) dias, o Recorrente faria a conferência do peso, idade, exclusão dos doentes e aleijados e marcação do gado; o Recorrente lançou as receitas decorrentes das vendas dos imóveis (VTN nos anexos de Ganhos de Capital e bens da atividade rural como receitas da atividade rural), oferecendoas à tributação. O simples fato de não constar explícito no contrato de compra de gado que parte do preço se daria mediante a compensação não pode anular ou tornar nulo o negócio havido entre eles, ou anular o contrato e as notas fiscais emitidas; o Recorrente apresenta nesse ato outras provas que não foram juntadas à época, pois entendia desnecessárias. Entretanto, por força das alegações de que o negócio não existiu, anexa: a) Cópia autenticada do Termo de Quitação assinado em 17/06/2009, pelo qual a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A afirma ter recebido ".... o preço dos 30.303 bovinos de acordo com os valores e vencimentos do contrato...", conforme item 1.5, com firma do Recorrente reconhecida no cartório Pau D'Arco, comarca de RedençãoPA (cidade próxima às fazendas do Recorrente) na data de 30/06/2009, através do selo do TJPA n° 001404875, Série C; b) Extrato da conta corrente do Recorrente, Antônio Lucena Barros, de número 4.7988, agência 3139 (Setor Sul, Goiânia), Banco Bradesco, emitido em 05/06/2013 às 11:45, que prova o débito de duas transferências identificadas, nos valores de R$ 1.500.000,00 cada uma, efetuadas para pagamento do gado; Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.673 15 c) Extrato da conta corrente da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, de número 8.7386, agência 2729 (Mineirão, Belo Horizonte), Banco Bradesco, emitido em 05/06/2013 às 11:54, que prova o débito das duas transferências que identificam o Recorrente como depositante, nos valores de RS 1.500.000,00 cada uma, recebidas em pagamento do gado; as provas ora anexadas comprovam o pagamento de R$3.000.000,00 em transferências bancárias e de R$14.488.715,92 em "encontro de contas" realizado com a vendedora do rebanho; essas provas são válidas e podem ser juntadas nesse momento processual tendo em vista as alegações afirmadas na decisão de primeira instância, pelo que já requer. Cita julgados do CARF; o gado foi realmente pago pelo Recorrente em duas prestações, uma de R$17.488.715,92 até 30 de Novembro de 2008 e outra em fevereiro de 2009, no valor de R$6.098.694,08; a despesa efetivamente paga no mês de Novembro de 2008 deve ser restabelecida e computada como despesas da atividade rural; como a segunda parcela do rebanho seria paga em 2009, a vendedora reservou o domínio do gado e a emissão das respectivas Notas Fiscais somente para após a quitação do preço do mesmo, o que ocorreria somente em Fevereiro de 2009, tal como está previsto na clausula 4.1 do contrato ora anexado; em razão da venda a prazo e pelo fato de que a vendedora não emitiria a Nota Fiscal antes de quitado o preço, pois o gado foi vendido com "Reserva de Domínio", o Contribuinte não teria como juntar a Nota Fiscal em 2008, por essa razão é que escriturou no Livro Caixa da Atividade Rural a seguinte expressão: "Aquisição de bovinos Santa Bárbara Xinguara para acerto final em Fev/2009"; após a conferência do gado, pesagem e marcação a ferro, efetuou o pagamento da última parcela e quitou o preço do rebanho, em fevereiro de 2009, quando a vendedora do gado emitiu 04 (quatro) notas fiscais com os seguintes valores e quantidades: NF. Data Quantidade Valor Nome Emitente CNPJ I.E. 001264 13/02/09 14.000 RS 10.500.000,00 Fazenda Espírito Santo 07.336.695/000398 15.249.7340 001265 13/02/09 9.465 R$6.625.500,00 Fazenda Espírito Santo 07.336.695/000398 15.249.7340 001322 16/02/09 4.000 R$3.780.000,00 Fazenda Espírito Santo 07.336.695/000398 15.249.7340 000143 16/02/09 2.838 R$2.681.910,00 Fazenda Vale Sereno 07.336.695/001106 15.266.9680 Fl. 1680DF CARF MF 16 Totais 30.303 RS23.587.410,00 o Contribuinte declarou a compra dos semoventes na movimentação do rebanho de 2008, cujo montante está inserido em um total de 64.066 reses adquiridas em todo o Ano Calendário de 2008; mantida a despesa, o resultado da atividade rural passa a ser o seguinte: Receitas Totais (DIRPF): R$83.948.282,00 Despesas Totais (DIRPF): R$83.803.631,00 Resultado (DIRPF): R$ 144.651,55 o valor correto a ser tributado é o menor resultado e não o de 20%, que não foi opção do Contribuinte; a base de cálculo do Imposto sobre a Renda relativa à Atividade Rural é a diferença entre as receitas e despesas, que foi de R$144.651,55, a qual deve ser somada aos 20% (vinte por cento) sobre as receitas da atividade rural já reconhecidas como não declaradas, R$2.259.193,55, cujos 20% é igual a R$451.838,71, totalizando uma base de cálculo de R$596.490,26 (144.651,55 + (2.259.193,55 x 20%) = R$596.490,26). Depósitos bancários de origem não comprovada a decisão manteve a tributação sobre R$10.577.311,62 como omissão de rendimentos relativa a depósitos com origem não identificada, distribuídos conforme abaixo: Origem do Depósito Valor Djalma Gonzaga de Oliveira Frigorifico Agua Azul R$4.290.891,62 Eduardo Carvalho Pereira — Venda Entrega Futura R$625.000,00 Venda Gado Santa Bárbara — Compra de Gado R$896.000,00 Estorno mantido R$37.800,00 Agropecuária São Roberto S/A Devolução Mútuos R$3.417.320,00 Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.674 17 Claudiomar Vicente Kehmvald — Venda Entrega Futura R$426.800,00 Agropecuária Umuarama Ltda. — Empréstimo venda aeronave PTWVI R$872.000,00 Venda de uma camionete S10 (06/11/2008) R$11.500,00 Total "Origem Não Identificada" R$10.577.311,62 A tributação de depósitos bancários em consonância com o artigo 42 da Lei 9.430/1996 somente pode ocorrer se os valores não forem comprovados; o relator da decisão combatida faz insinuações contra o Recorrente, em desrespeito ao princípio da legalidade, da impessoalidade e da imparcialidade; O CARF, considerando que o fisco deve se aprofundar na determinação da fonte pagadora e do tipo do rendimento, entende que o depósito bancário somente pode ser considerado como omissão de rendimento se o fisco conseguir provar que o depósito não foi declarado pelo Contribuinte. Cita doutrina e julgados; os argumentos de mera presunção não podem ser aplicados sem critérios e razoabilidade e as provas apresentadas pelo Contribuinte são suficientes para descaracterizar o lançamento realizado com fundamento na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96; apresentou todas as provas nos autos e a única informação necessária para complementar a informação de que a fonte pagadora tem origem na venda de bois abatidos (receita da atividade rural) foi o pedido de diligência que consta às fls. 1072/1073 dos autos, a qual foi negada; as provas refutadas pelo relator são reiteradas e complementadas no ato desse recurso, autorizadas conforme § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/72 para afastar, definitivamente, a presunção do relator de que o Contribuinte "fraudou o fisco" ou que pretende "lavar dinheiro; Direito à Diligência O relator da decisão de primeira instância negou o pedido de diligência para elucidar a resposta de apenas três quesitos, Fl. 1682DF CARF MF 18 "fundamentando a sua negativa nos seguintes dispositivos legais: artigo 16; inciso IV do art. 16; § 1o do art do artigo 18, todos do Decreto 70.235/1972; o Recorrente solicitou a diligência no momento processual correto, ou seja, no pedido da impugnação de primeira instância, cujo pedido foi fundamentado por fatos e direitos; fazse necessária a realização da diligência requerida na Impugnação para que se comprove que os bois vendidos ao Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira (Frigol/Água Azul) foram pagos através dos depósitos e lastreados nas notas fiscais. a) Dos valores declarados e recebidos do Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira/Frigol Agua Azul: apresentou um "Contas Correntes" existente entre ele e Djalma (Frigol), que comprovando ter havido "Adiantamentos para entrega futura" de bovinos ocorridos durante o ano calendário de 2008, os quais foram todos liquidados, o qual consta às fls. 916 e transcrita na peça de impugnação às fls. 1045 e 1046; conseguiu perante o Banco Bradesco S/A cópias de cheques emitidos pela Cooperativa Agropecuária e Industrial de Agua Azul do Norte, sacados contra a agência de Xinguara (09059), conta corrente n° 0226009, que provam que alguns dos depósitos tributados como "Omissão de Receitas" são realmente decorrentes da venda de bovinos para a referida empresa; conforme provado pelos depósitos e pelo oferecimento das receitas das notas fiscais em favor de Djalma Gonzaga de Oliveira, que seja excluído da base de cálculo da "Omissão de Receitas", o montante de R$3.465.408,91 efetivamente provados como depósitos realizados por Cooperativa Agropecuária e Indústria de Água Azul; conseguiu provar apenas parte dos depósitos feitos por Djalma Gonzaga de Oliveira. Assim é imprescindível a realização da diligência, tal como requerida, para confirmar perante o Sr. Djalma que o restante dos depósitos alegados foram pagos pela empresa Cooperativa Agropecuária e Indústria de Água Azul, por conta e ordem dele. b) Tributação Indevida de Venda de Gado para entrega futura com Eduardo Carvalho Pereira: apresentou cópias das 03 (três) Notas Fiscais de Produtor Rural emitidas em 29/01/2010, 28/04/2011 e 31/01/2012 (fls. 1095 a 1097), comprovando ter entregado 1050 bezerros em 2010, 1050 bezerros em 2011 e 1045 bezerros em 2012; como o relator entendeu que as provas juntadas não foram suficientes, porque a TED não apresentava o nome de Eduardo Carvalho Pereira, o Recorrente, mais uma vez por força do § 4o do artigo 16 do Decreto 70.235/72, anexa o comprovante da TED conseguido junto ao banco creditado no dia 29/05/2013, às 17:09:47, cujo documento prova que a TED foi feita pelo Sr. Eduardo Carvalho Pereira no dia 04 de Abril de 2008, a crédito do Banco do Brasil, conta 4.6558, agencia 2517; Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.675 19 c) Tributação Indevida de Venda de Gado para Agropecuária Santa Bárbara Xinguara: apesar de provado nos autos às fls. 1078/1079 que uma série de depósitos que somam R$896.000,00 (oitocentos e noventa e seis mil reais) referemse à venda de bovinos para a empresa citada, o relator manteve a tributação do valor como "Omissão de Receita" por presunção em depósitos não identificados; anexa, nesse momento processual, informações prestadas pelos bancos transmissores das TEDs e comprovantes emitidos pela Agropecuária Santa Bárbara que provam que os valores foram remetidos pela citada empresa; assim, o valor de R$896.000,00 já foi tributado juntamente com a Nota Fiscal juntada às fls. 838 dos autos e tributar esse valor como omissão de receitas é praticar bis in idem; d) Tributação indevida de Empréstimos recebidos em pagamento de mútuo feito à empresa da qual é sócio quotista: o relator de primeira instância manteve a tributação do valor total de R$3.417.320,00 recebidos da empresa da qual o Recorrente é o principal e majoritário acionista, Agropecuária São Roberto Ltda, CNPJ n° 46.991.295/000106; a prova de que as remessas (TEDs e transferências) foram feitas pela Agropecuária São Roberto estão nos autos, conforme tabela abaixo com valores e respectivos documentos, indicando as folhas dos autos para consulta do auditor fiscal e do relator de primeira instância: DIA BANCO CONTA VALOR HISTÓRICO FLS. AUTOS 15/01/2008 BASA 00029 R$20.000,00 TRANSFERÊNCIA 650 16/01/2008 RASA 00029 R$28.100,00 TRANSFERÊNCIA 650 10/10/2008 HSBC 09060000590 R$1.000.000,00 TRANSFERÊNCIA 668 14/10/2008 HSBC 09060000590 R$200.000,00 TRANSFERÊNCIA 669 20/10/2008 HSBC 09060000590 R$325.220,00 TRANSFERÊNCIA 671 21/10/2008 HSBC 09060000590 R$100.000,00 TRANSFERÊNCIA 672 24/10/2008 HSBC 09060000590 R$77.000,00 TRANSFERÊNCIA 673 27/10/2008 HSBC 09060000590 R$100.000,00 TRANSFERÊNCIA 674 30/10/2008 HSBC 09060000590 R$500.000,00 TRANSFERÊNCIA 679 SUB TOTAL TRANSFERÊNCIAS R$2.350.320,00 os depósitos, cujos documentos (cópias de cheques originais, canhotos originais, comprovantes de depósitos originais e cópias dos extratos da conta da empresa) provam que os valores depositados nas contas do Recorrente são oriundos da devolução de empréstimos feito à São Roberto foram os seguintes: DIA BANCO CONTA VALOR HISTÓRICO Fl. 1684DF CARF MF 20 15/01/2008 HSBC 09060000590 R$50.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 18/01/2008 HSBC 09060000590 R$50.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 21/01/2008 HSBC 09060000590 R$50.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 24/01/2008 HSBC 09060000590 R$50.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 01/02/2008 HSBC 09060000590 R$20.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 05/09/2008 HSBC 09060000590 R$350.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 11/09/2008 HSBC 09060000590 R$100.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 17/09/2008 HSBC 09060000590 R$50.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 23/09/2008 HSBC 09060000590 R$100.000,00 DEPÓSITO DINHEIRO 06/02/2008 HSBC 09060000590 R$47.000,00 DEPÓSITO EM CHEQUE 03/09/2008 HSBC 09060000590 R$200.000,00 DEPÓSITO EM CHEQUE SUB TOTAL DEPÓSITOS R$1.067.000,00 Os valores aparecem como dinheiro, o que é justificado pelo fato do cheque da São Roberto ter sido sacado no caixa do banco e depositado no mesmo banco, como dinheiro; o Contribuinte declarou em sua Declaração Anual de Ajuste do anocalendário de 2008 que tem um crédito com a citada empresa no valor de R$2.204.532,19 em 31/12/2008 (fl. 964), item "Saldo em Conta corrente de acionista na empresa Agropecuária São Roberto.."; a argumentação de que a inexistência de contrato de mútuo é o fundamento para desclassificar o ato é insegura e frágil. O Livro Diário e Razão da companhia registrados na Junta Comercial ainda em 2009 são provas suficientes e com efeitos perante terceiros de que os valores foram adiantados para a empresa como Créditos de Acionistas. Se o Contribuinte fosse dissimular, poderia entregar um "Contrato de Mútuo" elaborado tão somente para atender à vontade do auditor, pois é ele o mutuante e é ele quem assina pela mutuária; não há a exigência de que o mútuo seja válido somente por contrato, o qual está disciplinado nos artigos 586 a 592 do Código Civil Brasileiro; devem ser considerados idôneos e com origem comprovada todos os depósitos que somam o valor de R$3.417.320,00 remetidos pela empresa Agropecuária São Roberto Ltda., a título de devolução de mútuo. e) Tributação de valor isento e não tributável pela venda de gado para entrega futura em favor de Claudiomar Vicente Kehrnvald Foram mantidos como tributáveis, por presunção, os seguintes valores: R$126.800,00 em 03/01/2008 e R$300.000,00 em 04/01/2008; o lançamento se fundamenta no argumento de que a assinatura de contrato ocorreu 11 (onze) dias posterior ao primeiro pagamento em razão de viagem de férias de final/início do ano; Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.676 21 anexou cópias das notas fiscais que comprovam já ter entregado 5.400 novilhas ao Sr. Claudiomar, conforme notas fiscais emitidas em 31/03/2010, 27/04/2011 e 31/03/2012, cujos valores foram tributados quando da entrega do produto rural Assim, os valores de R$126.800,00 e R$300.000,00 devem ser excluídos da base de cálculo do imposto de renda apurado no auto de infração. f) Tributação de empréstimo recebido de Agropecuária Umuarama Ltda o relator manteve tributação dos seguintes valores: R$562.000,00 em 28/03/2008; R$ 50.000,00 em 18/04/2008; R$ 90.000,00 em 29/05/2008; R$130.000,00 em 10/06/2008; R$ 40.000,00 em 16/06/2008; totalizando R$872.000,00, sob o argumento de que os valores recebidos não coincidem com a cotação do dólar indicada no contrato anexado; a segunda parcela, de U$395.200,00, venceu em 31/03/2008, no entanto, foi paga em atraso e valores distintos. Considerando que o valor de R$562.000,00 foi pago com a cotação do dólar de U$1,00=R$ 1,7360, essa parcela equivaleu a U$323.732,72, portanto, deve ser reconhecida como pagamento do contrato ora anexado, excluindoa da base de cálculo do imposto de renda. Dos pedidos a) Seja o presente recurso recebido e processado por ser tempestivo e cumprir todos os requisitos legais de admissibilidade; b) que o crédito tributário continue suspenso nos termos do art. 151, III, do CTN; c) seja suspenso o julgamento do presente Recurso Voluntário até que se realize a diligência requerida na peça de impugnação, às fls. 1.072/1.073 dos autos, haja vista que, por se tratar de presunção fundamentada no artigo 42 da Lei 9.430/1996, compete à autoridade se aprofundar na questão para confirmar qual a tributação do recurso financeiro referente ao depósito considerado, por presunção, como de origem não identificada; d) sejam recebidos, com base no artigo 16, § 4o, alínea "c" do Decreto 70.235/1972 e outros fundamentos de direito acima descritos, todos os documentos e provas acostados aos autos juntamente com o presente recurso voluntário para contrapor os argumentos e fatos trazidos aos autos em conformidade com a decisão de primeira instancia. ora guerreada; e) seja reconhecido como despesa/investimentos da atividade rural o valor de R$17.488.715,92 referente à compra de 30.303 bovinos da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, com pagamento em Novembro de 2008, conforme contrato de compra e notas fiscais anexados, de acordo com o item 2.3.1, letra "d)"; Fl. 1686DF CARF MF 22 f) que o valor de R$11.500,00 constante da letra "f" referente à venda de uma S10 seja tributado a base de 20%, pois também relacionado à venda de bens vinculados à atividade rural; g) que seja reconhecido o contrato firmado entre o Recorrente e Eduardo Carvalho Pereira desde a data de 04/04/2008 e não apenas da data da assinatura, excluindo da base de cálculo do imposto de renda o valor de R$625.000,00 recebido de Eduardo Carvalho Pereira a título de adiantamento para entrega futura, pois tratase de rendimento isento e não tributável e que posteriormente foi tributado com a entrega do produto; h) seja reconhecida a venda diferida de rebanho bovino para a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, conforme NF 840538, tratado no item 2.3.4 dessa Impugnação, excluindo o valor de R$896.000,00 da base de cálculo do imposto de renda apurado no Auto de Infração, tendo em vista a prova de que todos os depósitos foram realizados por citada empresa e para pagamento do mencionado rebanho; i) seja reconhecido como estorno o valor de R$37.800,00, excluindoo da base de cálculo do auto de infração nos termos e fundamentos tratados no item 2.3.5 da peça de impugnação; j) sejam reconhecidos os mútuos realizados para a Agropecuária São Roberto e excluído da base de cálculo do IRPF do Auto de Infração, o valor de R$3.417.320,00, seja pela nulidade ou pelo mérito fundamentados no item 2.3.7 da impugnação e "d)" do presente Recurso Voluntário; k) seja reconhecido o negócio jurídico realizado entre Claudiomar Vicente Kehrnvald e o Contribuinte a partir do dia 03/01/2008 e não da data de assinatura do contrato, reconhecendo como isentos e não tributáveis os valores de R$126.800,00 em 03/01/2008 e R$300.000,00 em 04/01/2008, tratados no item 2.3.9. da peça de impugnação; l) seja o valor de R$562.000,00 de 28/03/2008 reconhecido como empréstimo da Umuarama Agropecuária Ltda., conforme descrição dos fatos no item 2.3.10 acima; m) sejam reconhecidos como receitas da atividade rural, os valores provados pelo Recorrente como depósitos realizados por Coop Agrop Ind de Agua Azul, por conta e ordem de Djalma Gonzaga de Oliveira, os quais já foram oferecidos à tributação no Livro Caixa da Atividade Rural; n) alternativamente, caso entenda que os valores recebidos de Djalma Gonzaga de Oliveira não estejam lastreados pelas notas fiscais lançadas no Livro Caixa da Atividade Rural, porque provados como recebimento de venda de bens da atividade rural, sejam tributados à razão de 20% tendo em vista a atividade do Contribuinte ser vinculada à Atividade Rural, em atendimento ao § único do artigo 5° da Lei 8.023/1990; o) seja retificada a Declaração Anual de Ajuste do Ano Calendário de 2008 após o trânsito em julgado da decisão que julgar o presente recurso; Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.677 23 p) que seja aplicado à base de cálculo o valor das deduções reconhecidas como válidas na DIRPF do anocalendário 2008, no montante de R$48.730,36, a qual não foi observada pelo relator da decisão de primeira instância e nem tampouco deduzida da base de cálculo do imposto; q) sejam conhecidas como válidas as provas constantes dos autos que o impugnante apresentou no procedimento de fiscalização, na impugnação e todas as demais admitidas em direito, em especial aquelas anexadas no presente Recurso Voluntário; r) seja concedido ao advogado do requerente o direito à sustentação oral no dia de julgamento do presente Recurso Voluntário, conforme autorizado no artigo 58, I do Regimento Interno do CARF, pelo que requer seja intimado regularmente para ciência da data de julgamento desse recurso. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção decisão decidiu (efls. 1322/1343, por maioria dos votos converter o julgamento, em diligência, para: 1 — analise toda a documentação apresentada pelo Recorrente em seu recurso voluntário e elabore um relatório circunstanciado e conclusivo sobre a validade das alegações e das provas apresentadas no recurso, podendo a autoridade fiscal realizar intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 2 seja concedida vista do relatório ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. Em 10/04/2017, foi emitido Relatório Fiscal de Diligência (efls. 1350/1356) conforme passamos a expor, no essencial: (...) Esclareceu ainda, no item 2.1 Atividade Rural Compra de semoventes, que o valor de RS 17.488.715,92 (fls. 1185 Recurso ao CARF) se refere a compra de rebanho adquirido para ser recebido em uma, apenas uma, das dezenas de parcelas que compõem o preço e a correção monetária incidentes sobre a venda de vários imóveis, além de créditos e débitos vinculados a vários negócios, os quais foram lastreados em contratos particulares e respectivos documentos os quais foram devidamente declarados no Imposto de renda. Para provar o alegado o contribuinte apresentou os documentos abaixo descritos: (i) Promessa de Compra e Venda das Fazendas Matao, Serra Azul, São Marcos, São Pedro do Pará, Flávia(Querência), Mato Dentro I e Mato Dentro II, Santa Délia, Santa Alice, São Roberto I e São Roberto II ao preço total de R$ 128.800,00, para ser paga em 15 parcelas semestrais (fls. 751 e 776). Fl. 1688DF CARF MF 24 (ii) Promessa de Compra e Venda da Fazenda Piquiá (fls. 682 a 713), cujo preço foi de R$ 8.004.131,00 a ser pago em 04 parcelas anuais. (iii) Promessa de Compra e Venda da Fazenda Bandeira (fls. 714 a 730) no valor de R$ 2.079.693,56, cujo preço será pago em 15 parcelas semestrais. (iv)Compra e Venda da Fazenda Cristalino (fls. 777 a 903), cujo preço será pago em 11 parcelas semestrais (carência de 03 anos) e com parcelas de correção monetária durante o período de carência; (v) Cessão de Direitos de Opção de Compra e Venda e Termo de Obrigação de Fazer da Fazenda Cristalino (fls. 731 a 734) nos preços de R$ 34.092.011,40 e R$ 11.239.651,50; (vi) Promessa de Compra e Venda de Lote e casa residencial no Setor Alto Paraná em RedençãoPA vendida por R$ 415.938,71 a ser pago em 15 parcelas mensais; (vii) Instrumento Particular de Venda e Compra de 30.303 bovinos, pactuado em 01/11/2008, pelo qual Sr. Antônio como comprador e a Santa Barbara como vendedora, firmaram a compra e venda de bovinos existentes nas Fazendas Espirito Santo e Vale Sereno (fls. 1.080). Analisando os documentos listados acima, em relação aos preços e formas de pagamento, constatamos que o rebanho (30.303 reses) não poderia ser pago com a permuta dos citados imóveis porque : 1 O contrato de compra do rebanho (fls. 1080) foi assinado em 01/11/2008 e nele não constam cláusulas de compensação/permuta com os referidos imóveis e nem nos contratos de Promessa de Compra e Venda/Cessão de Direitos de Opção de Compra e Venda/Instrumento Particular de Compra e Venda disponibilizados pelo contribuinte constam referências a recebimentos com a permuta com gado; 2 Os pagamentos dos imóveis do grupo (i) das fls. 751 a 776 (Fazendas Matão, Serra Azul, Sao Marcos, São Pedro do Pará, Flávia (Querência), Mato Dentro I e Mato Dentro II, Santa Délia, Santa Alice, São Roberto I e São Roberto II ), no valor aproximado de R$ 128.800,00 ( fls, 760 Clausula 3^ 3.2) foram realizados i 2.1 Arras no valor de R$ 21.896.000,00, de acordo com a Cláusula 3 item 3.5 (fls. 764) dividida conforme abaixo: 2.1.1 RS 4.000.000,00 assunção; 2.1.2 R$ 17.896.000,00 por sua vez formalizado conforme segue; 2.1.2.1 Contrato de Mútuo; 2.1.2.2 Contrato de Penhor de Ações Ordinárias; 2.1.2.3 Notas Promissórias no valor de RS 8.948.000,00. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.678 25 2.2 Remanescente no valor de R$ 106.904,00 dividido em 10 parcelas semestrais e sucessivas vencendo a primeira parcela em 30/03/10 e a última em 30/06/04. Na Cláusula 3 item 3.11 (fls. 766) ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados através de depósito bancários na conta corrente n" 27723 agência 06203 Banco Bradesco S/A pertencente a Antônio Lucena Barros. Portanto, no contrato ficou estabelecido que os pagamentos seriam por meio de depósitos bancários na conta corrente de Antônio Lucena Barros e inclusive no contrato não há previsão de recebimento do imóvel com a permuta por gado. 3 Os pagamentos da Fazenda Piquiá (preço RS 8.004.131,00) do grupo (ii) das fls. 682 a 713, foram realizados: 3.1 Arras no valor de R$ 2.097.591,50 em 01/09/08, conforme valor do depósito constante no extrato bancário do Banco Bradesco S/A nas folhas 453; 3.2 Remanescente no valor de RS 5.906.539,50 dividido em 3(três) parcelas, sendo a primeira parcela de R$ 1.968.846,50 em 15/05/09, a segunda de RS 1.968.846,50 em 15/05/10 e a terceira de RS 1.968.846,50 em 15/05/11 ; 3.3 Consta na Clausula 3^ item 3.7 folhas 698 que os valores deveriam ser depositados no Banco Bradesco S/A, conta 27723 agencia 06203 RedençãoPA, na conta corrente de Antonio Lucena Barros. Concluímos que não houve espaço em 2008 para o recebimento do valor do referido imóvel com bovinos, pois o arras foi pago em 01/09/08, em dinheiro depositado na conta corrente de Antônio Lucena Barros e as parcelas restantes só seriam pagas a partir de 2009 e na forma de depósito em conta corrente, conforme consta no contrato de Promessa de Compra e Venda. 4 Os pagamentos da Fazenda Bandeira (preço R$ 2.079.693,56) do grupo (iii) das fls, 714 a 710 foram realizados: 4.1 Arras no valor de R$ 419.693,56, conforme contrato nas folhas 719 item 3.5, já recebido na data da assinatura do contrato que foi em 15/02/2008; 4.2 Remanescente no valor de R$ 1.666.000,00 em dividido em 10(dez) parcelas semestrais, sendo a primeira parcela em 30/03/10 e a décima parcela em 30/09/14. As parcelas seriam depositadas na conta corrente de Antônio Lucena Barros, Banco Bradesco S/A, conta n° 27723, agência 0620 3 RedençãoPA, conforme consta no contrato de Compra e Venda nas fls. 920, item 3.9.2; 4.3 Consta nas folhas 720 Cláusula 3ª item 3.9.2 que os depósitos deverão ser realizados na conta de António Lucena Barros, Banco Bradesco S/A, conta 27733, agência 06203 Redenção PA. Fl. 1690DF CARF MF 26 Assim, também no caso desse imóvel, não houve espaço em 2008 para o recebimento do valor do imóvel com bovinos, pois o arras foi recebido anteriormente a 15/02/2008 e as parcelas restantes só seriam recebidas a partir de 30/03/2010 e na forma de depósito em conta corrente, conforme consta no contrato de Promessa de Compra e Venda. 5 Os pagamentos da Compra e Venda da Fazenda Cristalino (preço estimado R$ 39,266.935,70) do grupo iv das fls. 777 a 803 foram realizados: 5.1 O pagamento de R$ 39.266.935,70 (Clausula 3.1 folhas 781) foi dividido em 11(onze) parcelas semestrais sendo concedido 03(três) anos de carência, com o vencimento da primeira parcela em 10/04/11 e da última em 10/04/16, conforme Cláusula 3.2 nas fls. 782 e quadro explicativo nas fls. 782 e 783. Consta também na cláusula 3.10 nas folhas 785 que os pagamentos deveriam ser efetuados com depósitos na conta corrente de Antonio Lucena Barros no Banco Bradesco S/A, conta 27723, agência 06203 RedençãoPA; 5.2 Nas folhas 782 e 783 consta um quadro demonstrativo esclarecendo que o pagamento seria efetuado com 03 anos de carência, sendo que a primeira parcela venceria dia 10/04/2011 e a última parcela no dia 10/04/2016. As parcelas seriam iguais e sucessivas no valor de R$ 3.569.721,44. Assim, o contrato estabeleceu que os pagamentos deveriam ser efetuados em conta corrente de António Lucena Barros, com vencimentos após 10/04/11, todos depositados em conta corrente, e nenhum pagamento deveria ser efetuado em 2008, portanto não caberia o recebimento do valor do imóvel em gado no ano de 2008. 6 Os pagamentos da Cessão de Direitos de Opção de Compra e Termo de Compromisso de Fazer da Fazenda Cristalino (Termo de Quitação Parcial do Primeiro Aditivo a "Cessão de Direitos de Opção de Compra e Venda de Imóveis e Compromisso de Compra e Venda e Outras Avenças" da Fazenda Cristalino fls. 731 e 732 e Termo de Quitação Parcial e Declaração de Cumprimento Parcial das Obrigações constantes no "Termo de Compromisso de Obrigação de Fazer e Outras Avenças fls. 733 e 734) no preço estimado R$ 34.092.011,40 e R$ 11.239.651,50 do grupo (v) foram realizados: 6.1 O pagamento do Primeiro Aditivo no valor de RS 34.092.011,40 (Clausula II fls. 731) referente a benfeitorias, construções, acessões e melhoramentos realizados para Antônio Lucena Barros foi parcelado em: 6.1.1) Arras no valor de R$13.374.928,66 com pagamento de R$ 1,000.000,00 em 21/11/2007 e R$ 12.374.928,66 mediante depósito no Banco Bradesco S/A, agência 06023 conta 27723 realizado em 17/04/2008 (fls. 731 item II). Na folha 733 item IV do contrato, consta que em 13/06/2008 a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A realizou um depósito no valor de RS 12.374.928,66 na conta corrente de Antônio Lucena Barros , Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.679 27 Banco Bradesco S/A , conta 27732, agência 06203 Redenção PA. Ressaltamos que confirmamos no extrato bancário do Banco Bradesco S/A que os depósitos foram efetuados nos dias 12/06/08 e 13/06/08 nos valores de R$ 1.600.000,00 e R$ 9.639.651,50, somando R$ 12.374.928,66, conforme extrato bancário constante nas fls. 447. 6.1.2) O saldo remanescente (fls. 731 item IV) somente seria exigível e pago quando Antônio Lucena Barros cumprisse todas as condições suspensivas definidas no Primeiro Aditivo e Termo de Compromisso de Obrigação a Fazer assinado em 10/04/08; 6.2) O pagamento do valor de RS 11.239.651,50 foi realizado mediante depósito na conta corrente de Antônio Lucena Barros, no banco Bradesco S/A. agência 06203, conta corrente n° 2772 3 conforme fls. 733 item IV; Portanto, os valores referentes aos contratos acima descritos foram depositados na conta corrente de Antônio Lucena Barros e inclusive ressaltamos que nesses mesmos contratos não existe previsão de recebimento dos imóveis com permuta por gado. 7 Os pagamentos do imóvel constante na Promessa de Compra e Venda de Lote e casa residencial no Setor Alto Paraná em RedençãoPA (fls. 735 a 748), sendo o preço R$ 415.938,71 (fls. 736 item 2.1) do grupo (vi) das fls. 1186, foram realizados: 7.1 Arras no valor de R$ 83.938,71, conforme contrato nas folhas 736 item 2.15, já recebido na data da assinatura do contrato que foi em 15/02/2008 (depósito confirmado conforme extrato bancário Banco Bradesco S/A) nas folhas 442); 7.2 Remanescente no valor de R$ 332.000,00 em 10(dez) parcelas semestrais, sendo a primeira parcela paga em 30/03/10, e a décima parcela paga em 30/09/14 (fls. 736, item 2.1.1). As parcelas seriam depositadas na conta corrente de Antônio Lucena Barros, Banco Bradesco S/A, conta n" 27723, agência 06203 RedençãoPA, conforme consta no contrato de Promessa de Compra e Venda nas fls.739 item 2.7; 7.3 Assim, também no caso desse imóvel, não houve espaço em 2008 para o recebimento da venda do imóvel com a permuta por bovinos, pois o arras foi recebido anteriormente a 15/02/2008 e as parcelas restantes só seriam recebidas a partir de 30/03/2010 e na forma de depósito em conta corrente, conforme consta no contrato de Promessa de Compra e Venda. Assim, da análise de todos os contratos fornecidos pelo contribuinte para justificar o pagamento da aquisição de 30.300 reses no anocalendário 2008 no valor de R$ 17.488.715,92, esta fiscalização constatou que em nenhum dos contratos havia previsão para o recebimento dos imóveis com a permuta de gado, além do mais, em relação a forma de recebimento dos imóveis, constatamos que os arras e as parcelas remanescentes foram pagas em depósitos na conta corrente de Antônio Lucena Fl. 1692DF CARF MF 28 Barros, do Banco Bradesco, agência 06203, conta corrente n° 27732 , praça de RedençãoPA. Ressaltamos ainda que para quase todos os contratos analisados, havia previsão para recebimento das parcelas somente após o anocalendário 2008. Outro fato a se observar é que em seu Recurso ao CARF nas fls. 1.193 o contribuinte afirma que o gado foi realmente pago pelo recorrente em (02) prestações, uma de RS 17.488.715,2 até 30 de novembro de 2008 e outra em fevereiro de 2009 no valor de R$ RS 6.098.694,08. O art. 61 do RIR 99 parágrafo 2" estabelece que os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda dos produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. As notas fiscais de venda de gado citadas pelo contribuinte e emitidas pelo vendedor Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A correspondentes aos números 001264, 001265, 001322 e 000143 foram emitidas em fevereiro de 2009, para acobertar a venda da quantidade de 14.000, 9.465, 4.000 e 2.838 reses respectivamente. O Código Tributário do Estado de Goiás determina no artigo 173 que "O estabelecimento de produtor agropecuário e o extrator de substância mineral ou fóssil, pessoa física ou jurídica, emitem, por intermédio da AGENFA em cuja circunscrição se localizar o seu estabelecimento, a Nota Fiscal de Produtos, modelo 4 : I sempre que promoverem a saída de mercadoria;" No parágrafo V, do mesmo artigo, determina que o contribuinte produtor agropecuário e o extrator de substância mineral ou fóssil, podem ser autorizados a emitir, em substituição a Nota Fiscal de Produtor, modelo 4, a sua própria Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, desde que solicite o seu credenciamento à delegacia fiscal em cuja circunscrição se localizar o seu estabelecimento e sejam atendidas as demais exigências prevista na legislação tributária. De acordo com o descrito pelo contribuinte, o valor de R$ 17.488.715,92 foi pago até 30 de novembro de 2008, e nas fls. 1193 também foi demonstrado pelo contribuinte que a emissão das notas fiscais (notas fiscais nas fls. 1084,1085,1086 e 1087) só foram ocorrer após a quitação do preço, isto é, em fevereiro de 2009. O Código Tributário do Estado de Goiás estabelece que a cada saída de mercadoria deve ser emitida uma nota fiscal, e o contribuinte não apresentou a esta fiscalização nenhuma nota fiscal do ano calendário 2008 relativa a transação dos 30.300 bois adquiridos da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A. Na afirmação do contribuinte os pagamentos foram realizados em 2008 e as notas fiscais demonstram que o recebimento da mercadoria foi em fevereiro de 2009, caracterizando a operação como compra de produtos agrícolas para entrega futura, portanto, as despesas deveriam ser computados como despesas no mês da efetiva entrega do produto que é o mês de fevereiro de 2009. Portanto, de acordo com as informações do contribuinte, a legislação estabelece que só se poderia lançar a compra como despesas de investimento em fevereiro de 2009. Quanto ao documento "Termo de Quitação ao Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio" constante nas fls. 1229 a 1239 e os Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.680 29 documentos "Extratos Bancários Banco Bradesco 5/A" constantes nas fls. 1234 a 1236, não comprovam que o gado foi entregue para Antônio Lucena Barros no anocalendário 2008, operação necessária para que o contribuinte pudesse lançar a despesa como investimento nesse ano de 2008. Portanto, esta fiscalização corrobora a decisão da delegacia de julgamento constante nas folhas 1147f em relação ao ano calendário 2008, onde é relatado que em uma aquisição de gado em que no ano não houve transferência do produto, nem o pagamento do preço, não pode ser escriturada como despesa da atividade rural. PARTE 2 Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada A análise foi realizada conforme consta nas planilhas anexas a este relatório fiscal e listadas a seguir: a) Planilha 01 Atividade Rural Omissão Rendimento Atividade Rural; b) Planilha 02 Recebimentos do Frigorífico Agua Azul; c) Planilha 04 Venda de Gado Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A; d) Planilha 05 Empréstimos a Alan Ribeiro; e) Planilha 06Agrop. São Roberto S/A Transf. Recebidas Empresa da Qual é Sócio/Acionista; f) Planilha 07 Recebimento Parcela Venda de Fazendas para Agrop. Santa Bárbara Xinguara; g) Planilha 08 Contrato Venda Gado Entrega Futura Claudiomar V Kekhrvald; h) Planilha 09 Contrato Venda Aeronave WVI. As planilhas elaborada no Relatório Fiscal da Diligência, as quais analisam os Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, foram juntadas às efls. 1604/1636. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal, tendo apresentado as seguintes alegações em sua defesa (efls. 1583/1596): 1) Depósito Bancários de Origem Não Comprovada Recebimentos do Frigorífico Água Azul conforme consta na Planilha 02 do Relatório de Diligência Fiscal (folhas 2 e 3), não teriam sido apresentados comprovantes bancários (TED, comprovante de depósitos, extratos etc.), para comprovar a efetiva transferência de recurso do Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira/Cooperativa Agropecuária e Indústria de Agua Azul para o Contribuinte, anexa cópias autenticadas das referidas transferências eletrônicas, restando comprovado os créditos recebidos no valor total de R$ 800.000,00. Fl. 1694DF CARF MF 30 esclarece que os valores foram oferecidos à tributação no mês de fevereiro de 2008, conforme comprova os lançamentos no Livro Caixa da Atividade Rural, e por tal motivo, devem ser excluídos da tributação; 2) Depósito Bancários de Origem Não Comprovada Transferência para empresa São Roberto, da qual é sócio/acionista Conforme consta na Planilha 06 do Relatório de Diligência Fiscal (folhas 2 a 7), não teria sido comprovado a transferência de recursos do Contribuinte para a Agropecuária São Roberto S/A, condição essencial para a comprovação de mútuo, consoante fora informado pelo Fiscalizado. O resultado da diligência da fiscalização, portanto, foi: Não justificada a origem dos depósitos. Anexa Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28/09/2007, onde comprova a existência de negócio jurídico entre o contribuinte e a Agropecuária São Roberto em conta corrente do contribuinte; O contribuinte apresentou os Livros Contábeis da companhia, comprovando o seu crédito, todavia não foram acatados como prova, tendo sido apurado na diligência a necessidade de comprovação do envio de recursos do contribuinte para a companhia que justificasse a devolução de tais valores. Com efeito, em virtude do Fiscalizado ser o detentor de mais de 95% do capital social daquela companhia, o Contribuinte realizou várias transferências de recursos em favor da Agropecuária São Roberto durante o ano de 2008, tendo declarado que, naquele ano calendário, ainda ficou com um saldo de R$2.204.532,19 (fls. 964 dos autos). O contribuinte insiste que os valores foram recebidos da citada companhia a título de ressarcimento dos créditos que ele encaminhou para a mesma e, conforme cópias anexas dos comprovantes de transferências, todas autenticadas, comprova a motivação das origens dos depósitos elencados na Planilha 06, demonstrando ainda a existência do negócio de mútuo entre o Contribuinte e a Agropecuária São Roberto. Lista descrição dos depósitos realizados pelo contribuinte para Agropecuária São Roberto em 2008, cujo o montante é bem superior ao que efetivamente foi devolvido na contacorrente do contribuinte, sendo que tais valores foram efetivamente contabilizados pela companhia e declarados pelo contribuinte na Ficha de Bens e Direitos de 2008 na DIRPF; Resta comprovado, documentalmente, que o contribuinte, Antônio Lucena Barros, acionista majoritário, efetuou vários empréstimos à companhia Agropecuária São Roberto, a qual fez a devolução de parte dos valores durante o Ano Calendário de 2008, através de várias formas, inclusive transferências bancárias (as quais foram motivos de tributação indevida) e tudo de conformidade com a contabilidade da referida companhia. Assim, requer a exclusão do montante de R$3.417.320,00 da base de cálculo do Auto de Infração com a respectiva exclusão do tributo, multa de oficio e juros legais. 3) Contrato Venda de Gado para Entrega Futura Claudiomar Vicente Kehrnvald Valor Vinculado à Atividade Rural Os valores de R$126.800,00 de 03/01/2008 e R$300.000,00 de 04/01/2008 realmente foram recebidos do Sr. Claudiomar Vicente Kehrnvald. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.681 31 O referido senhor, Claudiomar Vicente Kehrnvald, também foi fiscalizado pela equipe de fiscalização da Receita Federal do Brasil da cidade de Marabá, PA, cujo processo foi formalizado pelos autos de número 10218.720896/201388. O relendo processo foi julgado em Segunda Instância no Acórdão n° 2201 003.345 2a Câmara/1ª Turma Ordinária datado de 21 de setembro de 2016. A decisão naquele acórdão foi a de que o valor de R$7.200.000,00 (sete milhões e duzentos mil reais) realmente foi utilizada para comprar o gado do Sr. Antônio Lucena Barros, ora contribuinte. Ora, diante de tal reconhecimento, não resta outra alternativa à autoridade tributária senão a de tributar apenas e tão somente 20% (vinte por cento) dos valores, com base no artigo 5o da Lei 8.023/1990, artigo 71 do Decreto 3.000/99 e jurisprudência do CARF. 4) Atividade Rural Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. Da Efetiva Entrega do Gado no Ano de 2008, Configurando Despesa Que Deve Ser Computada Em 2008: Informa que o contribuinte explora inúmeros imóveis rurais, tendo sido declarado no anocalendário 2008, um total de 18 fazendas, destacando duas fazendas: Fazenda Vale do Paraíso e Fazenda Pampulha; Foi realizado Contrato Particular de Arrendamento de Pastagens por Prazo Certo, entre a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, como Arrendatária, e Antônio Lucena, como Arrendante. Conforme se verifica no referido Contrato, em síntese, a Arrendatária, necessitando apascentar uma quantidade de até 30.000 reses até o final de outubro de 2008, arrendou os determinados imóveis rurais do Contribuinte: Fazenda Vale do Paraíso; Fazenda Pampulha e; Fazenda Tibórnia. Assim, restou compactuado que o prazo de utilização dos imóveis seria do dia 01 de junho de 2008 até 31 de outubro de 2008. Anexa as Fichas da Agência de Defesa Agropecuária do ParáADEPARÁ, que comprovam a utilização destes imóveis, por parte da empresa durante aquele período. Ato contínuo ao fim do referido contrato de arrendamento, foi realizado entre as mesmas partes um Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte Com Reserva de Domínio, em 01 de novembro de 2008, conforme cópia já anexa aos autos. De um lado, Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, como Vendedora. De outro, Antônio Lucena Barros, como Comprador. Pelo mencionado contrato de compra e venda, ficou pactuado a venda de 30.303 bovinos machos, cujo preço ficou ajustado no equivalente, em moeda corrente nacional, a 326.963@ (trezentos e vinte e seis mil, novecentos e sessenta e três arrobas) de boi gordo, totalizando o valor de RS23.587.410,00 (vinte e três milhões, quinhentos e oitenta e sete mil, quatrocentos e dez reais), com vencimento da seguinte forma: · Parcela 01 de 217.976@ (duzentos e dezessete mil, novecentos e setenta e seis arrobas), no valor de R$17.488.715,92 (dezessete milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, setecentos e quinze reais e noventa e dois centavos), para o mês de novembro de 2008, e; Fl. 1696DF CARF MF 32 · Parcela 02 de 108.987® (cento e oito mil, novecentos e oitenta e sete arrobas), no valor de R$6.098.694,08 (seis milhões, noventa e oito mil, seiscentos e noventa e quatro reais e oito centavos), para o mês de fevereiro de 2009. Quanto à entrega do rebanho bovino, havia sido pactuado que seria da forma estabelecida na Cláusula 3.3, a seguir descrita: "3.3) A entrega do rebanho será feita após o efetivo pagamento da última, conforme consta neste contrato, o qual irá retirar o gado das fazendas descritas na cláusula 1.1, sendo de responsabilidade e risco de Antônio, a partir desta data, todo e qualquer custo e despesas para fazer a retirada e transporte do gado, seja por transporte motorizado ou por "comitivas" boiadeiras;" Ocorre que, logo após o pagamento da primeira parcela (que se trata da maior parte do negócio), as partes acharam por bem modificar o local e data de entrega, considerando que a Vendedora já possuía rebanho em imóveis rurais do Comprador, quais sejam, Fazenda Vale do Paraíso e Fazenda Pampulha, por ocasião do contrato de arrendamento, conforme já mencionado anteriormente. A mudança do local de entrega do gado e, consequentemente, do próprio rebanho que foi entregue, se justificou por conta da grande economia que foi gerada em razão do que deixou de ser gasto, por exemplo, com transportes para o gado, mão de obra e etc, haja vista se tratar de uma grande quantidade de rebanho, a qual levaria vários dias para transporte, conferência, marcação a ferro... Assim, foi realizado Aditivo ao Instrumento Particular de Venda de Bovinos Tipo Corte Com Reserva de Domínio, em 30 de novembro de 2008, conforme cópia anexa, pelo qual ficou estabelecido o seguinte: 3.3) A entrega do rebanho será feita da seguinte forma: 20.183 (vinte mil c cento c oitenta c três) bovinos até 30/11/2008 c 10.120 (dez mil e cento e vinte) bovinos até fevereiro de 2009. O rebanho será retirado nas fazendas Vale do Paraíso e Pampulha, localizadas em Cumaru do Norte, Estado do Pará, sendo de responsabilidade e risco de Antônio, a partir desta data, todo e qualquer custo e despesas para fazer a retirada e transporte do gado, seja por transporte motorizado ou por "comitivas" boiadeiras; Diante de todo o exposto, Nobre autoridade fiscal, podese perceber que o Contribuinte recebeu, efetivamente, toda a mercadoria (rebanho) referente às despesas de R$17.488.715,92 (dezessete milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, setecentos e quinze reais e noventa e dois centavos) no ano de 2008 (em dezembro). Em 2009, até o mês de fevereiro, a vendedora do gado promoveu à entrega do remanescente do gado, 10.120 reses. O contribuinte, para provar que pagou por uma parte do gado em 2008, diligenciouse até a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do ParáADEPARÁ e tirou cópia das "Fichas de Movimentação de Rebanho" para os anos calendários de 2008 e 2009, ficando comprovado a seguinte movimentação: Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.682 33 Nome Imóvel Ano 2008 Ano 2009 Total Data Qtde Data Qtde Faz Santa Cruz 30/11/2008 3.183 28/02/2009 5.000 8.183 FazPampulha 30/11/2008 3.000 28/02/2009 2.500 5.500 Faz Vale Paraiso 30/11/2008 14.000 28/02/2009 2.620 16.620 Totais 20.183 10.120 30.303 Para cada transferência, a ADEPARÁ também emitiu, à época, Declarações de Comercialização ou transferências de animais emitida pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Estado do Pará ADEPARÁ, as quais ficam também anexadas. Verificase dos registros da ADEPARÁ que a vendedora entregou a quantidade de 20.183 reses em 2008, haja vista ter recebido o preço relativo a esta parcela do gado vendido. O rebanho foi transferido na data de 30/11/2008 tão somente perante a fiscalização sanitária, sendo que a nota fiscal foi emitida em Fevereiro de 2009. Resta provado, (i) pelo recibo emitido pela vendedora do gado de que recebeu a parcela 01 de compra do gado no ano calendário de 2008, juntado às fls dos autos; (ii) pelo aditivo ao contrato que alterou a localização e forma de entrega do gado e; (iii) pelas Fichas da ADEPARÁ (órgão responsável pelo controle zoosanitário daquele estado) que provam que o gado foi entregue, parcialmente, em 2008. O agente que providenciou a diligência faz uma confusão com a entrega futura de mercadoria e compra de mercadoria Veja, o contribuinte, no presente caso, adquiriu mercadoria (gado) para pagamento em 02 (duas) parcelas: 01 em Novembro/2008 e 01 em Fevereiro/2009, todavia, a vendedora da mercadoria (gado) fez a venda com Reserva de Domínio, ou seja, exigiu que somente faria a transferência se o Comprador efetuasse o pagamento do saldo que faltaria para 2009. Pois bem, o Regulamento do Imposto de Renda estabelece em seu artigo 61 que a receita pela venda de produtos deve ser oferecida a tributação quando da entrega da mercadoria e no artigo 62 que a despesas serão consideradas no mês do pagamento. Ora, o que o contribuinte fez foi adquirir bovinos e não vender para entregar no futuro! Se ele pagou uma parte do gado em 2008 e a vendedora admite ter recebido esta parcela em 2008, a simples exigência de emitir a nota fiscal para transferir a propriedade do gado para 2009 não pode excluir o direito de o contribuinte lançar a despesa tão somente datmelanarte aue ele naeou. aue foi RS17.488.715.92 no ano de 2008. A tese do agente que providenciou a diligência de que o valor do gado deve ser lançado quando da entrega da mercadoria somente caberia se o Contribuinte tivesse vendido o gado em 2008 para entregar em 2009, todavia ele comprou o gado em 2008 e pagou grande parte neste ano calendário, remanescendo uma parte para o ano calendário de 2009. Como ele comprou e não vendeu, o mesmo sequer poderia fazer o lançamento de todo o gado para 2009, já que, nos termos do Art. 62 do RIR/2009, estaria impedido de lançar esta despesa em 2009 porque é obrigado a lançála quando do desembolso. Vide que o contribuinte não Fl. 1698DF CARF MF 34 lançou a despesa em 2009 porque ela ocorreu em 2008 e a mesma seria "desclassificada" ou "glosada" naquele ano calendário se ele tivesse feito conforme orientação de quem procedeu à diligência. Assim, é totalmente inócua e perdida, quanto a este item, a fundamentação do responsável pela diligenciai Tanto é alheia à realidade do negócio efetivamente realizado que o mesmo traz à baila argumentos do RICMS do Estado de Goiás, enquanto que a operação do gado ocorreu no Estado do Pará, o que demonstra que a diligência, para este item, não deve ser considerada porque não atende aos princípios do devido processo legal. A verdade dos fatos é que o contribuinte ofereceu à tributação todos os valores pagos pela empresa que vendeu o gado, Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, e recebidos por ele, contribuinte, a titulo de venda de imóveis rurais, cujos valores foram lançados no Livro Caixa da Atividade Rural para os bens vinculados à Atividade Rural e no Anexo de Ganhos de Capital para a parte referente a terra nua (VTN). Então, como o contribuinte gastou o valor de RS17.488.715,92 se não houve "estouro de caixa" em sua Declaração de Ajuste Anual de Rendimentos Ano Calendário 2008? Esse dinheiro sumiu, foi perdido? Não, absolutamente não! O mesmo foi utilizado para pagar o gado em 2007 e a justificativa segue abaixo. Realmente os contratos que formalizaram os negócios não previam o pagamento com semoventes, todavia, em razão daquela companhia, Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, ser controlada pelo Banco Opportunity (Daniel Dantas) e ter sido alvo da Operação Satiagraha, autos 2008.61.81.0090028, inquéritos 2007.61.81.0102087 e 2007.61.81.0114193 da Justiça Federal de SP. A prova de que a empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A é controlada pelo Grupo Opportunity está no site da referida instituição e pode ser constatada com uma simples consulta à rede internacional de computadores no seguinte endereço eletrônico: https://www.Crt3portu^ O fato é que no Ano Calendário de 2008, o Juiz Fausto de Sanctis bloqueou os valores em dinheiro das empresas do Grupo Opportunity. A baixa total do sequestro somente veio a ser cancelada em 20/01/2012 conforme decisão que o contribuinte anexa aos autos. Por força de tal procedimento judicial, o contribuinte foi obrigado a receber gado como pagamento de parte das parcelas da venda dos imóveis para aquele ano de 2008. O recebimento dos valores relativos aos imóveis se deu através de compensação de créditos das partes, o que é perfeitamente válido e admitido em nosso Direito Civil, de forma que a pessoa jurídica que vendeu o gado deu quitação da parcela de 2008 e o contribuinte, que vendeu os imóveis, deu quitação dos valores que lhe eram devidos pela venda de imóveis para aquele ano, 2008. Além do mais, o contribuinte tem a certeza de que ofereceu à tributação todos os valores efetivamente recebidos, em gado e dinheiro, o que foi verificado e apurado pela equipe de fiscalização que procedeu à elaboração do Auto de Infração e analisou documentos por mais de 07 (sete) meses, de 02/fevereiro/2012 a Setembro/2012. Certamente, a empresa que vendeu o gado também ofereceu à tributação os valores recebidos em função da venda, o que este contribuinte não sabe informar. A prova de que os valores decorrentes de venda de imóveis recebidos pelo contribuinte em 2008 se deu em parte com os bovinos comprados naquele ano está exatamente nos fatos de que: Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.683 35 (i) a quitação do gado somente poderia ser dada após a autorização do Juiz, Fausto de Sanctis, o que obrigou a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A a emitir as notas fiscais somente em 2009 e por isso exigiu tal condição do contribuinte, que foi obrigado a aceitar tal imposição; (ii) todos, digase, todos os valores financeiros que transitaram nas contas correntes bancárias do contribuinte foram verificados pela fiscalização, um a um, os quais tiveram devidamente comprovada a origem, à exceção dos que perduraram na diligência requerida; (iii) o gado adquirido pelo Contribuinte foi exatamente o gado que a empresa possuía nas fazendas que foram alugadas por ela, Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/À, deste contribuinte, qual seja, a quantidade de 30.000 reses que estavam empastadas na Fazenda Pampulha, Santa Cruz e Vale Paraíso demonstra que o mesmo somente adquiriu o gado por "força maior" (sequestro judicial) e não porque gostaria de comprálo; (iv) o contribuinte não ficou com o "Caixa Estourado" em sua Declaração de Ajuste Anual Ano Calendário 2008, o que significa que, então, tinha recursos "de feto" e "fiscais" para pagar a monta de R$17.488.715,92 por parte do rebanho adquirido; nem tampouco, deixou este valor disponível para pagar o rebanho no ano calendário seguinte (o que seria errado porque contrario ao definido no artigo 62 do RIR); (v) o contribuinte somente lançou o valor de R$17.488.715,92 como pagamento de parte do rebanho adquirido em 2008 porque também lançou, em contrapartida e como receita, todos os valores referentes à venda dos imóveis (VTN e bens da atividade rural) no mesmo ano calendário, tanto é que reconheceu e pagou o Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital de uma base de cálculo de R$2.289.821,40. o fato é que tudo isso ocorreu há 09 (nove) anos atrás e muito difícil ao contribuinte exigir da mencionada empresa outras provas, que não as já apresentadas, (i) Contrato de Compra do Gado; (ii) Aditivo ao contrato; (iii) Recibo de Quitação da Parcela 01 em 2008; (iv) Fichas da ADEPARÁ de Controle de Movimentação do Rebanho e, por fim, (v) decisão judicial que comprova o sequestro judicial desde 2008, o qual somente foi levantado em 2012. Destarte, diante dos fatos, provas e argumentos levantados, não se pode desclassificar a despesa de compra de gado no valor de RS 17.488.715,92 no mês de Novembro de 2008 porque estaria se cometendo uma verdadeira injustiça, já que os valores recebidos da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, a título de venda de imóveis, não poderiam, simplesmente, ter desaparecido, já que se trata de uma enorme quantia. Assim, requer que o valor de RS 17.488.715,92 seja mantido como despesa de custeio/investimento na Atividade Rural do contribuinte e recalculada a base de cálculo do Imposto de Renda relativa à atividade rural para fins de adequação do Auto de Infração. Dos Pedidos: a) Que os valores de RS91.050,23, RS98.979,50 e RS609.970,27 sejam excluídos da base de cálculo do Auto de Infração, haja vista que apresentada a prova de que tiveram a sua origem da empresa Coop Agro e Ind de Água Azul do Norte (Djalma) e que Fl. 1700DF CARF MF 36 também foram oferecidos à tributação no Livro Caixa da Atividade Rural em Fevereiro de 2008; b) Que os valores recebidos da Agropecuária São Roberto, em um total de R$3.417.320,00, sejam excluídos da base de cálculo do Auto de Infração pelo fato do contribuinte ter comprovado a remessa de valores para a referida companhia e ainda de que os seus créditos vinham desde longa data, conforme prova os comprovantes de TED e depósitos bancários que tiveram como remetente o contribuinte e ata de AGE registrada na JUCEPA pelo qual os acionistas da companhia reconheciam que o mesmo procedia ao pagamento de obrigações daquela companhia; c) Que os valores de R$126.800,00 e R$300.000,00 recebidos de Claudiomar Vicente Kehrnvald seja excluído da tributação, haja vista a prova emprestada do processo administrativo n° 10218.720896/201388 que reconhecei como despesa o montante total pago por aquele senhor em lavor do autuado, Antônio Lucena Barros, como compra para entrega futura, a qual foi totalmente cumprida por este contribuinte, ou, alternativamente, que os referidos valores sejam tributados como receita da atividade rural a base de cálculo de 20%; d) Que o montante de RS 17.488.715,92 pago no ano calendário de 2008 a título de pagamento de parte de gado não seja desclassificado, haja vista que a despesa efetivamente ocorreu e o montante pago conforme novas provas e argumentações lançadas no item 4 acima. Os anexos dos argumentos do Recorrente constam das efls. 1500/1578. É o relatório Voto Marcelo de Sousa Sátels Conselheiro Relator Do Recurso de Oficio Em 09/02/17 foi publicada a Portaria MF n° 63, que aumentou o limite de alçada para recurso de ofício, que antes era de um milhão de reais, para RS 2.500.000.00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A Súmula CARF n° 103 dispõe que: Para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Da análise dos autos vêse que o saldo do imposto a pagar foi alterado de R$ 8.971.904,10 para R$ 7.650.171,84, conforme decisão de origem (efls. 1.156/1.157). Sendo assim, por não superar o novo limite estabelecido na Portaria MF n° 63/17, não conheço do recurso de ofício. Do Recurso Voluntário Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.684 37 O recurso voluntário foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da Glosa da Despesa Custeio/Investimento Lançada no Livro Caixa da Atividade Rural no valor de R$ 17.488.715,92 A Fiscalização glosou despesas da atividade rural relativas a aquisição de gado, no montante de R$17.488.715,92, registrada no livro caixa à fl.162 dos autos, com o histórico “compra de gado de Agrop Santa Bárbara Xinguara para acerto final em fevereiro/2009”. Conforme consta no Auto de Infração, o que motivou a glosa de tal despesa foi: a) embora regularmente intimado, o contribuinte não apresentou nenhum dos documentos hábeis para acobertar a operação, no caso: Nota Fiscal de Produtor ou Nota promissória Rural ou Nota Fiscal de Entrada, emitida pela pessoa jurídica supostamente vendedora. b) os extratos de todas as contas bancárias do fiscalizado não consta nenhum débito em valor compatível com a cifra em epígrafe, nos meses de novembro e dezembro de 2008. A Lei 8.023, de 1990 trata da apuração do imposto de renda sobre o resultado da atividade rural, assunto que também é previsto na Lei nº 9.250, de 1995. A matéria está regulamentada pelo Decreto 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda. Art.57.São tributáveis os resultados positivos provenientes da atividade rural exercida pelas pessoas físicas, apurados conforme o disposto nesta Seção (Lei nº9.250, de 1995, art. 9º). (...); Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei n º 9.250, de 1995, art. 18). § 1 º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei n º 9.250, de 1995, art. 18, § 1 º ). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei n º 9.250, de 1995, art. 18, § 2 º ). Art. 61 (...); Fl. 1702DF CARF MF 38 § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. (...); Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei n º 8.023, de 1990, art. 4 º , e Lei n º 8.383, de 1991, art. 14). (...); Art.67.Constitui resultado tributável da atividade rural o apurado na forma do art. 63, observado o disposto nos arts. 61, 62 e 65 (Lei nº8.023, de 1990, art. 7º). (...); Art.71.À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado o disposto no art. 66 (Lei nº8.023, de 1990, art. 5º). §1ºEssa opção não dispensa o contribuinte da comprovação das receitas e despesas, qualquer que seja a forma de apuração do resultado. (...); Da leitura dos dispositivos transcritos extraise que o contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante a apresentação de documentação idônea. Vale dizer, não basta escriturar as receitas e despesas, porque sempre será preciso demonstrar documentalmente as receitas apuradas e os gastos incorridos no exercício da atividade rural. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega e, querendo o contribuinte o aproveitamento de investimentos e despesas escriturados no Livro Caixa, deve fazer prova, porque tais itens são redutores do resultado tributável. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Alega o Recorrente ter adquirido, por meio de instrumento particular de compra e venda de bovinos, assinado em 01/11/2008, a quantidade de 30.303 reses pelo valor total de R$23.587.410,00, a ser pago em duas parcelas, a primeira, no valor de R$17.488.715,92, com vencimento em 30/11/2008 e a outra, com valor de R$6.098.694,08, até 28/02/2009. O contribuinte afirma que a aquisição do gado foi efetuada sem que houvesse transferência de recursos financeiros, uma vez que, houve alienação de imóvel rural a empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguar, e o montante de R$17.488.715,92, que seria parte da venda da propriedade foi utilizado para pagar o gado adquirido. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.685 39 Como bem detalhado Relatório Fiscal de Diligência (efls. ), tanto o contrato de compra do rebanho não constam cláusulas de compensação/permuta por imóveis e nem nos contratos de Promessa de Compra e Venda/Cessão de Direitos de Opção de Compra e Venda/Instrumento Particular de Compra e Venda de imóveis disponibilizados pelo contribuinte constam referências a recebimentos com a permuta com gado. Esclarece ainda o Relatório Fiscal de Diligência que da análise de todos os contratos fornecidos pelo contribuinte para justificar o pagamento da aquisição de 30.300 reses, no anocalendário 2008, no valor de R$ 17.488.715,92, constatouse que tanto as arras e como as parcelas remanescentes foram pagas em depósitos na conta corrente de Antônio Lucena Barros, do Banco Bradesco, agência 06203, conta corrente n° 27732 , praça de RedençãoPA. Verificouse ainda que para quase todos os contratos analisados, havia previsão para recebimento das parcelas somente após o anocalendário 2008. Portanto, não consta dos autos prova da suposta despesa na aquisição de 30.303 reses, no montante de R$ 17.488.715,92, com vencimento em 30/11/2008, quer seja por meio de compensação/permuta por imóveis, segundo alegação do Recorrente, quer seja pela movimentação bancária do mesmo. Constatase ainda que tanto o Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio (efls. 1078/1080) e o Termo de Quitação do "Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio"(efls. 1226/1228), não foram objeto de registro público. Cabe esclarecer que o instrumento de Reconhecimento de Firma por Semelhança acostado no Termo de Quitação (efls. 1228), datado de 30 de junho de 2009, não se confunde com o instrumento de registro público. Portanto, tais documentos faz prova somente perante as partes, pois para que seja oposto ao fisco e considerado como elemento de prova deve necessariamente ser levado a registro público, à época devida, nos termos do artigo 221 do Código Civil Brasileiro. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. O Código Civil também disciplina o limite da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. As cautelas adotadas pela lei justificamse por razões de variada ordem, estando entre elas, por certo, as intenções de dar publicidade a determinados atos e a de evitar que terceiros sejam prejudicados. Afinal, fácil seria a produção de instrumentos nos quais os Fl. 1704DF CARF MF 40 elementos da transação data, valores, atribuição de responsabilidades, etc. , ou mesmo o conteúdo precípuo da própria transação, fossem, a qualquer tempo, modificados pelos contratantes. Fazendo uma análise mais detalhada do próprio Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio (efls. 1078/1080) juntado pelo Recorrente em sua defesa está divergente do mesmo documento juntado posteriormente (efls. 1.550/1.556), como passamos a explicar: Vejamos a última página onde consta a assinatura das testemunhas, colacionado abaixo: Primeiro Contrato Apresentado (efls. 1.081) Segundo Contrato Apresentado (efls. 1.556) Constatase então que não se trata do mesmo documento, é possível verificar que ao lado da RG da primeira testemunha do primeiro contrato apresentado, consta a seguinte identificação SSP/GO, já no segundo contrato apresentado não consta essa informação. Observase então que a própria documentação apresentada pelo Recorrente, utilizado por ele, para demonstrar a compra do gado, segundo o Instrumento Particular de Venda e Compra de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio, foi modificado pelo contribuinte no decorrer da instrução processual. As próprias alegações do Recorrente em relação a quando o gado objeto da transação foi entregue a ele são contraditórias nelas mesmos, em seu recurso afirma que o gado foi entregue somente em fevereiro, uma vez que a venda foi feita com "Reserva de Domínio": Recurso Será que o relator de primeira instância, bem como os senhores, eméritos julgadores desse conselho, têm noção de quanto tempo Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.686 41 leva para campear, pesar, conferir e marcar essa quantidade de gado? E se considerar que os meses de novembro a fevereiro, data em que o negócio se realizou, estão exatamente no período de chuvas mais abundantes na região amazônica, onde se situam as fazendas que empastava o gado? Por último, o contrato constou que a venda foi feita com "Reserva de Domínio" e como se trata de semoventes, cuja posse e domínio se transfere com a tradição (entrega da posse), a vendedora do gado se reservou no direito de aguardar o restante do pagamento para só depois emitir as respectivas notas fiscais e entregar o rebanho. Nesse ínterim, de pouco mais de 60 (sessenta) dias, o recorrente faria a conferência do peso, idade, exclusão dos doentes e aleijados e marcação do gado. (grifos nosso) Já em uma fase posterior (efls. 1.588/1.595), o contribuinte traz uma tese totalmente nova de defesa, de que, na verdade, o gado adquirido pelo Contribuinte foi exatamente o gado que a empresa possuía nas fazendas que foram alugadas por ela, Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/À, deste contribuinte, qual seja, a quantidade de 30.000 reses que estavam empastadas na Fazenda Pampulha, Santa Cruz e Vale Paraíso. E para dar suporte, a essa nova alegação, que parecia ser de total desconhecimento do Recorrente, quer seja na sua impugnação (efls. 1.030/1.069), quer seja no seu recurso apresentado inicialmente (efls. 1.178/1.220), o Recorrente anexa em sua defesa: · Contrato Particular de Arrendamento de Pastagens por Prazo Certo (efls. 1546/1547), sem registro público, não tendo inclusive a assinatura das testemunhas. · Aditivo ao Instrumento Particular de Venda de Bovinos Tipo Corte com Reserva de Domínio (efls. 1558/1559), sem registro público, o que consta é uma autenticação de cópia realizada em maio de 2017, bem posterior a lavratura do auto de infração. · Ficha de Controle de Propriedade (efls. 1563/1568) da Fazenda Santa Cruz, em nada esclarece os fatos, é notório nos autos que o contribuinte é um grande pecuarista da região, logo não há como vincular tais controles ao caso em questão; · Declaração de Comercialização ou Transferência de Animais (efls. 1569/1574), sendo tal documento apenas declarativo, sem nenhum elemento de fiscalização por parte da ADEPARÁ Colaciona parte de um processo judicial (efls. 1.575/1577), para justificar que, no anocalendário em questão, a empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A estava com os seus valores em dinheiro bloqueados, por determinação da Justiça Federal, por isso, teria sido obrigado a receber gado como pagamento de parte das parcelas da venda dos imóveis para aquele ano. Fl. 1706DF CARF MF 42 Totalmente infundada tal alegação, pois, no anocalendário 2008, o contribuinte recebeu em espécie da empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A como parte do pagamento dos imóveis vendidos para empresa, um valor total de R$ 12.299.573,83, sendo R$ 4.475.585,23, em 31/03/2008; R$ 6.313.988,60, em 08/10/2008 e R$ 1.510.000,00, em 16/12/2008. Ressaltese inclusive que a decisão de origem (efls. 1.153/1.154) aceitou como comprovada a origem do depósito no valor de R$ 4.475.585,23, depositado na conta corrente do contribuinte em 31/03/2008. Portanto, o que se verifica nos autos é que todas as arras e parcelas de pagamentos dos imóveis vendidos pelo Recorrente para a empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A foram feitas em espécie em sua conta corrente. Diante do exposto, concluo que o Recorrente não comprovou nos autos que a suposta despesa na aquisição de 30.303 reses, no montante de R$ 17.488.715,92, com vencimento em 30/11/2008, tenha ocorrido por meio de compensação/permuta por imóveis de sua propriedade com a empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguar, devendo, então ser mantida a glosa da despesa do Livro Caixa. 2. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Primeiramente, cabe esclarecer que já foram aceitas pela decisão de piso a comprovação dos seguintes depósitos bancários abaixo, totalizando R$ 4.775.585,23: 29/10/2008 R$ 50.000,00 (caracterizado o pagamento do empréstimo Alan) 05/11/2008 R$ 150.000,00 (pagamento empréstimo Leandro Thal Const.) 08/12/2008 R$ 15.000,00 (pagamento empréstimo Leandro Thal Const.) 08/12/2008 R$ 30.000,00 (pagamento empréstimo Leandro Thal Const.) 08/12/2008 R$ 55.000,00(pagamento empréstimo Leandro Thal Const.) 31/03/2008 R$ 4.475.585,23 (venda de imóveis para Santa Bárbara Xinguara S/A) Considerando que os autos tratam da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, é importante fazer um breve histórico da legislação que trata do assunto, antes de passar à análise da lide. A lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.687 43 pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos utilizandose depósitos bancários injustificados desde que demonstrados os sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e desde que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebese claramente que, na vigência da Lei nº 8.021, de 1990, o fator que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, que deviam ser comprovados pela fiscalização, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 1708DF CARF MF 44 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Art. 88. Revogamse: (...) XVIII o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990; Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Como regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Porém, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, a produção de tais provas é dispensada. Sobre a questão, estabelece o Código de Processo Civil, nos seus artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é presunção relativa (juris tantum), a qual admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte, a sua produção. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos valores movimentados nas contas do contribuinte mantidas junto às instituições financeiras, intimouo a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.688 45 Por comprovação de origem, entendese a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Portanto, infundada a alegação do Recorrente de que o depósito bancário somente pode ser considerado como omissão de rendimento se o fisco conseguir provar que o depósito não foi declarado pelo Contribuinte. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente fiscal tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Feitos os esclarecimentos pertinente à infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, passamos a analisar os argumentos da defesa em seu recurso voluntário, com as provas anexadas aos autos. a) Dos Valores Declarados e Recebidos do Sr. Djalma Gonzaga de Oliveira/Frigol Agua Azul O contribuinte logrou êxito em comprovar a origem dos seguintes depósitos em sua contacorrente listados abaixo. Tiveram a sua origem da empresa Coop Agro e Ind de Água Azul do Norte (Djalma), tratandose de venda de gado do contribuinte para Cooperativa. 11/03/2008 R$ 200.000,00 (efls. 1606/1616) 18/03/2008 R$ 91.050,23 (efls. 1503/1505) 19/03/2008 R$ 98. 979,50 (efls. 1503/1505) 20/03/2008 R$ 609.970,29 (efls. 1503/1505) 25/03/2008 R$ 900.000,00 (efls. 1606/1616) 01/04/2008 R$ 290.687,52 (efls. 1606/1616) Fl. 1710DF CARF MF 46 01/04/2008 R$ 397.202,00 (efls. 1606/1616) 02/04/2008 R$ 228.732,14 (efls. 1606/1616) 15/04/2008 R$ 157.657,14 (efls. 1606/1616) 18/04/2008 R$ 303.369,40 (efls. 1606/1616) 30/10/2008 R$ 538.246,44 (efls. 1606/1616) 30/10/2008 R$ 449.514,27 (efls. 1606/1616) b) Venda de Gado para Entrega Futura com Eduardo Carvalho Pereira O contribuinte logrou êxito em demonstrar que o depósito em sua conta corrente, em 04/04/2008, no valor de R$ 625.000,00, tratase de venda de gado para Eduardo Carvalho Pereira. 04/04/2008 R$ 625.000,00 (efls. 1.617) c)Venda de Gado para Agropecuária Santa Bárbara Xinguara O contribuinte logrou êxito em comprovar a origem dos seguintes depósitos em sua contacorrente listados abaixo. Tiveram a sua origem da empresa Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, tratandose de venda de gado do contribuinte para empresa. 01/04/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1618) 30/04/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1619) 02/06/2008 R$ 168.000,00 (efls. 1620) 02/06/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1620) 30/06/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1621) 01/07/2008 R$ 56.000,00 (efls. 1621) 31/07/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1622) 01/08/2008 R$ 56.000,00 (efls. 1622) 01/09/2008 R$ 56.000,00 (efls. 1623) 01/09/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1623) 31/10/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1624) d) Empréstimos Recebidos em Pagamento de Mútuo Feito à Empresa da qual é Sócio Quotista A fiscalização esclarece que o contribuinte apresenta planilha no intuito de comprovar que diversos depósitos feitos em sua contacorrente, totalizando R$ 3.417.320,00, Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.689 47 seriam transferências recebidas da empresa Agropecuária São Roberto S/A, da qual o sujeito passivo é sócio. Acompanham essa planilha comprovantes de depósitos/créditos bancários; alguns deles identificam o remetente dos recursos, como a Agropecuária São Roberto S/A, da qual o sujeito passivo é sócio; outros não identificam o depositante. Alguns são relativos a depósitos em dinheiro; outros foram viabilizados por créditos de outras formas, como transferências, etc. Enfatiza a fiscalização que em todos os casos de depósitos ou transferências, feitos pelo próprio contribuinte ou por terceiros, os comprovantes bancários, por si sós, não fazem comprovação do negócio que, realizado, dera ao creditado o direito à pecúnia, ou seja do ato negociai que garantiu ao sujeito passivo auferir o crédito. Se identificado o depositante, indica apenas quem realizou a operação bancária. Conclui o auditor responsável que os depósitos/créditos nessa planilha de autoria do sujeito passivo foram considerados como de origem não justificada/comprovada, no montante de R$ 3.417.320,00. A decisão de origem (efls. 1152/1153) manteve a autuação, concordando com a fiscalização, e concluiu que não estava demonstrada a motivação para os depósitos em conta corrente do contribuinte pela empresa Agropecuária São Roberto S/A, tendo em vista que o Recorrente não demonstrou ter transferido os recursos para a empresa, condição essencial para comprovação do alegado mútuo. Em seu recurso apresentado, o contribuinte conseguiu demonstrar por meio de provas documentais que todos os valores depositados em suas contascorrentes, objeto da autuação, no valor total de R$ 3.417.320,00, tiveram origem da Agropecuária São Roberto S/A, vide planilha 06 (efls. 1628/1633), conforme valores abaixo: 15/01/2008 R$ 20.000,00 16/01/2008 R$ 28.100,00 10/10/2008 R$ 1.000.000,00 14/10/2008 R$ 200.000,00 20/10/2008 R$ 325.000,00 21/10/2008 R$ 100.000,00 24/10/2008 R$ 77.000,00 27/10/2008 R$ 100.000,00 30/10/2008 R$ 500.000,00 15/01/2008 R$ 50.000,00 18/01/2008 R$ 50.000,00 21/01/2008 R$ 50.000,00 Fl. 1712DF CARF MF 48 24/01/2008 R$ 50.000,00 01/02/2008 R$ 20.000,00 05/09/2008 R$ 350.000,00 11/09/2008 R$ 100.000,00 17/09/2008 R$ 50.000,00 23/09/2008 R$ 100.000,00 06/02/2008 R$ 47.000,00 03/09/2008 R$ 200.000,00 Apresenta também vários comprovantes de depósitos feitos pelo Recorrente em favor da empresa Agropecuária São Roberto S/A, conforme valores abaixo: 11/01/2008 R$ 600.000,00 (efls. 1515) 29/01/2008 R$ 96.700,00 (efls. 1517) 27/03/2008 R$ 750.000,00 (efls. 1519) 05/06/2008 R$ 84.500,00 (efls. 1521) 02/07/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1523) 01/08/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1525) 03/09/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1527) 03/09/2009 R$ 7.996.372,00 (efls. 1529) 06/10/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1531) 08/10/2008 R$ 200.000,00 (efls. 1533) 03/11/2008 R$ 80.000,00 (efls. 1535) 03/11/2008 R$ 300.000,00 (efls. 1537) 12/11/2008 R$ 50.000,00 (efls. 1539) 23/12/2008 152.000,00 (efls.1541) Constatase então que os valores movimentado entre o Recorrente e a empresa Agropecuária São Roberto S/A são de expressiva monta. Devese esclarecer que a empresa Agropecuária São Roberto S/A e ora Recorrente, ainda que este seja acionista/sócio majoritário daquela, não se confundem juridicamente; ambas são tratadas pela legislação tributária como entidades distintas. Portanto, em havendo transferência de recursos de uma para a outra, terá que ser por força de negócio devidamente demonstrado. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.690 49 Como bem ressaltado pela fiscalização " é muito usual aporte de numerário da pessoa física para a jurídica em integralização de capital; no sentido inverso, na distribuição de lucros; em qualquer dos sentidos, em operações de mútuo. Em todos os casos, a operação teria que estar documentada da mesma forma que teria sido feito se o negócio tivesse sido realizado com uma pessoa jurídica da qual a pessoa física não fosse sócio/acionista". No caso da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por comprovação de origem, entendese a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Para que os contratos de empréstimos/mútuo sejam oponíveis a terceiros, mormente quando este terceiro é a Fazenda Pública e a finalidade é a comprovação de operação sobre a qual não incide tributos, os contratos de empréstimos/mútuo devem ser escritos e registrados. É o que dispõe o 221 do Código Civil Brasileiro( Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. A Recorrente alega que inexistência de contrato de mútuo celebrado por escrito, não é suficiente para descaracterizar o Livro Diário e Razão da companhia registrados na junta comercial, de que os valores foram adiantados para a empresa como Créditos de Acionistas. Ressalta ainda que a contabilidade da empresa Agropecuária São Roberto confirma a transferência dos recursos entre a Recorrente/Companhia e Companhia/Recorrente, bem como a DIRPF do contribuinte. Cumpre destacar que somente por meio do contrato escrito é possível verificar: · o prazo do contrato; · os valores envolvidos no empréstimo/mútuo; · as datas que serão disponibilizados os valores emprestados ao Mutuário; · expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo; · os juros envolvidos no contrato e seu devido pagamento. Desta feita, somente a contabilidade da pessoa jurídica Agropecuária São Roberto e a DIRPF do contribuinte são insuficientes para comprovação da operação de mútuo, uma vez que não existe o contrato de mútuo/empréstimo por escrito, sendo que por meio dele que é possível fazer a conferência dos lançamentos contábeis envolvidos e dos valores Fl. 1714DF CARF MF 50 declarados pelo contribuinte em sua DIRPF, como por exemplo: datas e valores da disponibilização/devolução dos recursos envolvidos no empréstimo/mútuo. Sobre este aspecto, já está consolidado administrativamente neste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a necessidade de que os contratos de mútuos devem ser escritos e registrados. Confirase: Acórdão n. 2201000.781 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 (...) OPERAÇÃO DE MÚTUO REQUISITOS DE PROVA Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas aceitadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. (...) (Acórdão n. 2201000.781, 2a Câmara / 1a Turma Ordinária/2aSeção, Sessão de 08 de novembro de 2018) Acórdão n. 2201004.529 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004. 2005. 2006 (...) EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. Para a comprovação do mútuo, é necessário, além da indicação na declaração de rendimentos, da capacidade financeira do mutuante e da comprovação da efetiva entrega do numerário à pessoa física, a existência de contrato de mútuo que. por ser instrumento particular, para que possa valer como elemento de prova oponível a terceiros, é imperativo que seja esteja registrado no Registro de Títulos e Documentos. (...) (Acórdão n. 2201004.529, 2a Câmara / 1a Turma Ordinária/2aSeção, Sessão de 10 de maio de 2018) Em verdade, sem a existência de um contrato de mútuo entre o Recorrente e a empresa Agropecuária São Roberto S/A não é possível concluir que os valores depositados nas contascorrentes do contribuinte, sejam oriundo de mútuo/empréstimo. Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.691 51 Concluo então pela manutenção da infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada dos valores acima listados, totalizando R$ 3.417.320,00, objeto da infração. e) Venda de Gado para Entrega Futura em Favor de Claudiomar Vicente Kehrnvald O contribuinte alega que os depósitos em sua contacorrente, no valores de R$ 126.800,00 (03/01/2008) e R$ 300.000,00 (04/01/2008), são referentes adiantamento de venda de gado para entrega futura à Claudiomar Vicente Kehrnvaldo, anexou cópia autenticada de contrato, referente a venda de 5.400 novilhas, no valor total de R$ 7.200.000,00. A decisão de origem esclareceu que o citado contrato prevê pagamentos dos adiantamentos nos valores de R$ 2.400.000,00 (20/02/2008), R$ 1.500.000,00 (30/04/2008), 1.500.000,00 (30/06/2008), R$ 1.000.000,00 (30/08/2008), e R$ 800.000,00 (31/10/2008), totalizando o valor de R$ 7.200.000,00, previstos no contrato. Conclui então a decisão de piso que os valores de R$ 126.800,00 (03/01/2008) e R$ 300.000,00 (04/01/2008) não estavam previstos no contrato, não foram encontrados lançamentos no Livro Caixa nas datas dos depósito e o contrato não dá margem para o recebimento de tais valores, portanto, não estão comprovadas a origem dos depósitos. Alega o Recorrente, em sua defesa, que Claudiomar Vicente Kehrnvald, também foi fiscalizado pela equipe de fiscalização da Receita Federal do Brasil da cidade de Marabá, PA, tendo sido decidido no Acórdão n° 2201003.345 que o valor de R$ 7.200.000,00 realmente foi utilizado para comprar o gado do Recorrente (Processo n. 10218.720896/2013 88). Afirma que diante de tal reconhecimento, não resta outra alternativa à autoridade tributária senão a de tributar apenas e tão somente 20% (vinte por cento) dos valores, com base no artigo 5o da Lei 8.023/1990, artigo 71 do Decreto 3.000/99 e jurisprudência do CARF. Não merece prosperar a tese de defesa do Recorrente. Acertada a decisão de origem, uma vez que o contrato da venda de gado não previu o adiantamento dos valores R$ 126.800,00 (03/01/2008) e R$ 300.000,00 (04/01/2008), assim como ficou demonstrado que todos os adiantamentos previstos contratualmente foram feitos à época devida: R$ 2.400.000,00 (20/02/2008), R$ 1.500.000,00 (30/04/2008), 1.500.000,00 (30/06/2008), R$ 1.000.000,00 (30/08/2008), e R$ 800.000,00 (31/10/2008), tendo sido integralmente quitado o valor contratual estipulado entre as partes, não havendo margem para depósito anteriores. No caso do depósito de R$ 300.000, 00, ficou explicitado no auto de infração, pelo autuante, que esse depósito teria sido efetuado pela pessoa jurídica Imobiliária Ceita Ltda, sendo que o Recorrente em nenhum momento esclarece o motivo do depósito ser realizada pela imobiliária. Ressaltese ainda que todos os valores objeto do negócio, 2.400.000,00 (20/02/2008), R$ 1.500.000,00 (30/04/2008), 1.500.000,00 (30/06/2008), R$ 1.000.000,00 (30/08/2008), e R$ 800.000,00 (31/10/2008), já foram escriturados no Livro Caixa da Atividade Rural. Fl. 1716DF CARF MF 52 Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente, conforme legislação tributária apresentada inicialmente no tópico Deposito Bancário de Origem não Comprovada (item 2). f) Empréstimo Recebido de Agropecuária Umuarama Ltda Contrato de Venda Aeronave Solicita o Recorrente que o valor de R$562.000,00, de 28/03/2008, seja reconhecido como empréstimo da Umuarama Agropecuária Ltda. Neste ponto, o julgador a quo ressalta o acerto da fiscalização nos seguintes trechos, que adoto como razões de decidir: Os depósitos nos valores de R$562.000,00, em 28/03; R$50.000,00, em 18/04; R$90.000,00, em 29/05; R$130.000,00, em 10/06 e R$40.000,00, em 16/06, seriam decorrentes de alienação de avião, com parcelas indexadas ao dólar, conforme contrato de fls.888. A fiscalização não teria acatado os argumentos da defesa sob a alegação de que os valores dos depósitos não guardavam correlação com os valores contratados tendo em vista as cotações do dólar nas datas dos depósitos. Tem razão a fiscalização, uma vez que, transformados em dólar nas datas dos depósitos, os valores superam o montante de U$500.000,00, enquanto o contrato (fl.888) prevê pagamento de U$395.200,00, em 31/03/2008. Apesar do argumento no sentido de que deveria ser acatado pelo menos o pagamento de R$562.000,00, correspondente a U$323.732,72, em 28/03, data próxima da prevista no contrato, há que se destacar o fato de que, como os valores não batem com o contrato, nem a data. Entendo que os indícios são insuficientes uma vez que a identidade da pessoa que efetuou o depósito/transferência não foi esclarecida nos autos. Assim, mantémse o lançamento neste particular. Sendo assim, não há reparo a ser feito na decisão de origem. g) Valor Referente à Venda de uma Caminhonete Alega o Recorrente que o valor de R$ 11.500,00, 06/11/2008, se refere à venda de uma S10, devendo ser tributada a base de 20%, pois também relacionado à venda de bens vinculados à atividade rural. A fiscalização considerou não comprovada a origem do depósito, uma vez que não foi apresentado documento de transferência do veiculo bem como a operação não foi registrada no Livro Caixa. Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.692 53 O Recorrente não junta aos autos, o documento de transferência do veiculo, logo não está comprovada a origem do recurso, devendo, então ser mantida infração de omissão de rendimentos. h) Reconhecimento do Estorno Alega o Recorrente que deve ser reconhecido o estorno em sua contacorrente no valor de R$ 37.800,00, em 06/08/2008. No caso concreto, valhome mais uma vez das considerações e conclusão promovidas pela decisão guerreada, adotandoas como razão de decidir. Da analise dos extratos bancários do Banco do Brasil (11.404), constatase que, no dia 06/08, houve dois créditos no valor de R$37.800,00 cada um e um estorno no mesmo valor, de modo que houve um crédito neste valor que não foi estornado e é tributável caso não seja justificado. Na listagem de depósitos a justificar inicialmente apresentados ao contribuinte (fls.636/637), foram listados os dois depósitos de R$37.800,00, ocorridos no mesmo dia e, após as explicações do contribuinte, um deles foi considerado como justificado, uma vez que havia um estorno no mesmo valor e data. A prova de que houve um dos depósitos é que o saldo ao final do dia foi acrescido no valor correspondente, ou seja, R$37.800,00. Concluise então que deve ser mantida a infração. 3. Suspensão do Julgamento/Solicitação de Diligência Enseja o Recorrente, ainda, a suspensão do julgamento do presente Recurso Voluntário até que se realize a diligência requerida na peça de impugnação, às fls. 1.072/1.073 dos autos, haja vista que, por se tratar de presunção fundamentada no artigo 42 da Lei 9.430/1996, compete à autoridade se aprofundar na questão para confirmar. Não acolho a solicitação. Um, que no caso da infração de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, compete ao contribuinte demonstrar a origem dos depósitos em sua contas bancárias. Segundo, que na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, segundo o art. 29 do Decreto 70.235/1972. No caso em tela, a decisão de piso decidiu como desnecessária a diligência junto a empresa Frigol Agua Azul/ Djalma Gonzaga de Oliveira, pois caberia ao contribuinte obter as provas para sua defesa, sendo que compartilho do mesmo posicionamento. Denego também o pedido de diligência, no mesmo sentido da decisão de origem. Ademais, acredito que o próprio pedido de suspensão/diligência do Recorrente, perdeu seu objeto, uma vez que após diligência solicitada por esta Turma de Julgamento, quase a totalidade dos depósitos bancários que tiveram origem junto a empresa Frigol Agua Azul/ Djalma Gonzaga de Oliveira estão sendo excluídos por esta decisão. Fl. 1718DF CARF MF 54 4. Das Deduções Válidas na DIRPF Solicita o Recorrente que seja aplicado à base de cálculo, o valor das deduções reconhecidas como válidas na DIRPF do anocalendário 2008, no montante de R$48.730,36, a qual não foi observada pelo relator da decisão de primeira instância e nem tampouco deduzida da base de cálculo do imposto. Ao contrário do que alega o Recorrente, consta um valor dedutível dos cálculos elaborados pela fiscalização no valor total de R$ 125.379,57 (efls. 1011), que foi exatamente o cálculo do imposto devido pelo contribuinte em sua DIRPF 2009, anocalendário 2008 (efls. 968), tendo sido abatido nesse cálculo todas as deduções informadas, no valor de R$ 48.730,36. 5. Da Retificação da Declaração de Anual de Ajuste No que se refere à retificação da declaração de rendimentos, devese registrar que depois do início do procedimento fiscal, assim entendido o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente (art. 7º, inc. I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), não é mais possível a sua realização, quando vise a reduzir ou excluir tributo. A retificação da declaração é admitida somente mediante a comprovação de erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, conforme disposto no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Da Sustentação Oral em Segunda Instância O recorrente, em seu petitório, protesta que seja resguardado o direito de realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso. Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). 7. Da Intimação do Procurador Em relação ao pedido para que as intimações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao representante legal do Contribuinte, ressaltese que o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina que a ciência dos atos praticados no curso do processo administrativo fiscal seja efetivada no domicílio eleito pelo sujeito passivo, correspondente ao endereço fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 10120.729328/201241 Acórdão n.º 2202004.945 S2C2T2 Fl. 1.693 55 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo nosso) Nesse sentido, o Decreto nº 70.235/1972 não contempla a intimação no endereço do advogado do contribuinte, tema que já é objeto de súmula por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n°110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Deste modo, deve ser indeferido o pleito do Contribuinte. 8. Da Suspensão do Crédito Tributário Ressaltese que a apresentação de impugnação ou recurso no processo administrativo de exigência de ofício de crédito tributário suspende a exigibilidade desse crédito, conforme preceitua o inciso III, do art. 151, do CTN. Conclusão Diante do exposto, voto: em negar provimento ao recurso de ofício; e em conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir, da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os montantes referidos nos subitens '2a', '2b' e '2c' do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 1720DF CARF MF
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Numero do processo: 12267.000065/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O contratante de serviços de limpeza e conservação executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias decorrentes do contrato.
Numero da decisão: 2401-006.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Recorrente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CONTRATANTE DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O contratante de serviços de limpeza e conservação executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias decorrentes do contrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal e Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 65 /2 00 8- 79 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 419 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1248.516, de 26/07/2012, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 265/275): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços, constatado que houve recolhimentos compatíveis com as RAIS, apenas em parte do período lançado, deve ser mantido em parte o crédito tributário. TERCEIROS De acordo com o Parecer CJ/MPA n.º 1.710/99, não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros para nenhuma empresa. Impugnação Procedente em Parte O lançamento fiscal deuse originalmente em nome de Esso Brasileira de Petróleo Ltda, CNPJ nº 33.000.092/000169, posteriormente alterada a razão social para Cosan Lubrificantes e Especialidades S/A. Extraise do Relatório Fiscal que, na origem, o processo administrativo é composto da Notificação de Lançamento de Débito Fiscal (NFLD) nº 32.593.6412, abrangendo as competências de 10/1995 a 02/1996 e 04/1996 a 12/1996, relativa à exigência das contribuições devidas à seguridade social e a terceiros, decorrentes da responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra (fls. 03/07 e 17/21). Fl. 419DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 420 3 A prestadora de serviços é a empresa Primos Conservação e Serviços Ltda, CNPJ 00.678.806/000133. Cientificado da notificação fiscal, em 05/06/1997, o tomador dos serviços impugnou o lançamento tributário, tendo decidido a instância administrativa julgadora inicial pela manutenção do crédito lançado, por meio da emissão da DecisãoNotificação nº 181/97 (fls. 26/49 e 111/115). Apresentado recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social proferiu acórdão para negar provimento ao apelo recursal (fls. 119/141 e 150/157). Na sequência, a empresa autuada protocolou recurso com pedido de avocatória ministerial para anulação do débito fiscal, o qual foi negado seguimento (Processo nº 35301.012015/9805). Após a inscrição do crédito tributário em dívida ativa, foi comunicada a prolatação de acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, posteriormente com trânsito em julgado, no qual anulouse o processo administrativo, a partir da lavratura da notificação fiscal, determinando ao Fisco a prévia verificação da existência de pagamentos efetuados pelo prestador dos serviços no que tange às obrigações tributárias exigidas (fls. 164/172). Com o retorno à fase administrativa, os autos foram baixados em diligência, com o objetivo de atender à decisão do Poder Judiciário. Quanto ao resultado da verificação fiscal, a empresa contratante tomou ciência, assim como a prestadora dos serviços, porém apenas a primeira apresentou manifestação escrita (fls. 181/182, 185/191 e 200/204). Ao reabrir o prazo de defesa através de intimação específica, recebida por ambas as empresas, novamente apenas a tomadora dos serviços se pronunciou sobre o lançamento fiscal (fls. 209/210, 230/233 e 236/241). Realizado outra vez o julgamento em primeira instância, dessa feita a impugnação foi considerada parcialmente procedente, excluindose da notificação fiscal o período de 10/1995 a 12/1995 e as contribuições devidas a terceiros, remanescendo parte do lançamento (fls. 265/275). Intimada dessa decisão de primeira instância em 06/11/2012, por via postal, a empresa contratante dos serviços apresentou recurso voluntário no dia 30/11/2012, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 278, 299/300, 303/307 e 324/325): (i) não foi cumprida a decisão judicial no mandado de segurança, visto que houve exclusivamente verificação dos pagamentos com base nos dados constantes do sistema de informática da administração tributária, quando o correto é a fiscalização direta do prestador do serviço, através do exame de contabilidade, folhas de pagamento e guias de recolhimento; (ii) o prestador de serviços é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, obrigação que apenas transferese ao tomador, pela responsabilidade Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 421 4 solidária, quando apurada e certificada a efetiva existência de inadimplemento; (iii) fazse também necessário verificar a eventual cobrança do crédito tributário junto à própria prestadora de serviços, dado que poderia caracterizar a exigência em duplicidade; e (iv) além disso, quando não resta configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviços, considerando a atividade desenvolvida pela contratada, o lançamento resulta improcedente; e (v) as guias de recolhimento juntadas ao processo comprovam a correta quitação dos valores no que se refere à prestação dos serviços, incluso com respeito às competências que permanecem em cobrança. A pessoa jurídica executora dos serviços, Primos Conservação e Serviços Ltda, foi intimada via postal, em 07/11/2012, porém não foi localizada impugnação/recurso no processo administrativo (fls. 279 e 326/327). Em face da emissão de diversas notificações fiscais em nome da empresa autuada, lavradas no curso do mesmo procedimento e envolvendo a mesma matéria de atribuição da responsabilidade tributária solidária ao contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, foi deferido o pedido de conexão para julgamento em conjunto dos recursos voluntários (fls. 330/331). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Com respeito ao lançamento original, permanece em litígio tão somente as competências 01/1996 a 02/1996 e 04/1996 a 12/1996, relativamente às contribuições previdenciárias. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 422 5 Antes da implantação do mecanismo de retenção do percentual de 11% na contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecia a responsabilidade tributária solidária, inclusive sob o regime de trabalho temporário. Tal dispositivo de lei sofreu evolução ao longo do tempo. A seguir, levando em consideração o texto original e as modificações promovidas pela Lei nº 9.032, de 28 de abril de 1995, e Lei nº 9.129, de 20 de novembro de 1995, reproduzo o conteúdo do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991: De 25/07/1991 até 28/04/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação. De 29/04/1995 a 20/11/1995 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 423 6 § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. De 21/11/1995 a 29/04/1997 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento Independentemente do período do fato gerador, a responsabilidade solidária do contratante está vinculada, necessariamente, à prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a qual pressupõe a colocação dos trabalhadores à disposição da empresa contratante. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 424 7 De acordo com o agente lançador, no período do lançamento ficou constatado que a empresa ora recorrente contratou a prestação de serviços de limpeza, mediante cessão de mão de obra (fls. 20/21). Por ocasião da contestação ao lançamento de ofício, a impugnante juntou aos autos uma declaração da empresa Primos Conservação e Serviços Ltda, datada de 17/06/1997, na qual explica que os serviços não foram prestados ao contratante de forma contínua, mas sim em caráter de eventualidade, na maioria das vezes executados pelos sócios sem o auxílio de terceiros, não havendo contrato escrito entre as partes (fls. 70/71). Não há óbice na existência de contrato verbal para execução dos serviços de limpeza, considerando sobretudo, no caso em apreço, o baixo valor das notas fiscais identificadas no procedimento de fiscalização. Entretanto, a consequência da alegada ausência de um contrato escrito é mais dificuldade para a comprovação dos fatos que a recorrente pretende fazer prevalecer no processo administrativo. Embora a defesa argumente que os serviços de limpeza foram executados pelos sócios, ressalvada a colaboração eventual de segurados empregados, os dados constantes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) revelam a existência de vínculos e massa salarial durante todos os meses do ano de 1996, o que põe em dúvida, segundo minha avaliação de julgador, a rotina de execução de tal natureza de atividade pelos próprios empresários (fls. 226). Quando da impugnação, o sujeito passivo reconheceu que os serviços de limpeza e conservação estavam vinculados com a atividademeio da empresa tomadora. Todavia, desde logo ponderou a falta da característica de continuidade, porque não realizados diariamente, durante toda a jornada de trabalho, alguns uma ou duas vezes por semana, outros duas vezes por mês (fls. 47/49). Acontece que os serviços contínuos estão relacionados a uma necessidade permanente do contratante, que se repete ao longo do tempo, ainda que realizados de forma intermitente, em alguns dias da semana e/ou horas por dia, antes, durante ou depois do expediente normal da empresa, não havendo exigência do cumprimento pelo trabalhador de uma jornada laboral de 8 horas. A exclusividade não é inerente à cessão de mão de obra, na medida em que é possível a prestação de serviços pelo mesmo segurado simultaneamente a mais de uma empresa, quando permitirem as características dos contratos. Tampouco a pessoalidade é um dos elementos caracterizadores da cessão de mão de obra, podendo o trabalhador se fazer substituir por outro indicado livremente pela empresa cedente, mantidas as condições pactuadas para a realização dos serviços. À vista de tais considerações, entendo que a recorrente não conseguiu desincumbirse do ônus probatório, de maneira tal que continua prevalecendo os fatos trazidos pela autoridade fiscal quanto à contratação de serviços executados mediante cessão de mão obra, com responsabilidade solidária do contratante pelas obrigações previdenciárias decorrentes da pactuação. Em outra de suas alegações a recorrente assevera que a solidariedade tributária prevista em lei ocorre quando a cessão de mão de obra resulta em subordinação jurídica com o tomador de serviços. Equivocase, entretanto, porque caso configurada a subordinação jurídica Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 425 8 do trabalhador o vínculo empregatício se institui diretamente com o tomador, na condição de contribuinte. O vínculo de solidariedade na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, é atribuído pela lei ao contratante na condição de responsável tributário pelo pagamento dos tributos, cuja terceira pessoa, ainda que não realizando o fato gerador da obrigação, encontrase vinculada em decorrência do elo negocial. A garantia a que alude o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é denominada "solidariedade de direito", pois decorre de previsão expressa em lei específica tributária. Eis o que dispõe, nesse sentido, o art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (GRIFOUSE) O parágrafo único do art. 124 do CTN revela que na solidariedade passiva tributária não existe devedor principal e secundário, podendo, já no lançamento fiscal, ser chamado a saldar a totalidade da dívida um, alguns ou todos os obrigados pela lei. Em outros dizeres, a solidariedade tributária independe de prévia constituição do crédito em face do devedor originário e não comporta benefício de ordem. Tal linha de raciocínio, inclusive, já era adotada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), o qual por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31 de janeiro de 2007, decidiu que: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” É verdade que o TRF/2ª Região, no julgamento do Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889, sentenciou que a autoridade fiscal deveria verificar, para fins de manutenção do lançamento do crédito tributário em nome da contratante, se a prestadora de serviços já não havia recolhido as contribuições previdenciárias, de modo a evitar o recebimento em duplicidade pela administração tributária. Em momento algum, porém, sobreveio ordem judicial com determinação para a averiguação direta na prestadora, através de procedimento de auditoria "in loco" na escrita fiscal e/ou contábil. Nada obstante, efetivada a busca no sistema fazendário eletrônico, constatouse a inexistência de procedimento de fiscalização junto à empresa prestadora dos serviços no Fl. 425DF CARF MF Processo nº 12267.000065/200879 Acórdão n.º 2401006.025 S2C4T1 Fl. 426 9 período do lançamento fiscal, nem qualquer pagamento de contribuição previdenciária nas competências relativas ao ano de 1996. Tendo havido a prestação de serviços, tais dados reforçam a inadimplência do executor (fls. 184 e 222). Com base nos documentos que instruem os autos, também não se cogita da existência de duplicidade do débito fiscal no período de 01/1996 a 12/1996, em relação às contribuições previdenciárias vinculadas às notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, não havendo indicação de cobrança pelo Fisco da prestadora de serviços, inclusive na modalidade de parcelamento. Eventual pagamento não registrado no sistema de informática, por razões de erros de preenchimento, extravio de guias e/ou inconsistências, como pondera a recorrente, revestese de excepcionalidade e, como tal, assim deve ser considerado no exame das alegações de cobrança em duplicidade. Segundo as fls. dos autos, não há qualquer indício documental que tenha ocorrido algum recolhimento espontâneo pela prestadora de serviços no que tange ao período de 01/1996 a 12/1996, apenas conjecturas lançadas pela pessoa jurídica autuada. Para fins de efetivação da responsabilidade tributária da tomadora dos serviços executados mediante cessão de mão de obra, a recorrente afirma que é fundamental a garantia de apresentação de defesa por parte da prestadora, evitandose o recebimento de valores em duplicidade pelo Fisco. Como antes relatado, em mais de uma oportunidade a Primos Conservação e Serviços Ltda foi intimada para manifestarse nos autos sobre o lançamento fiscal, oportunizandolhe apresentação de contestação. Contudo, permaneceu inerte, deixando de comprovar, em que pese os vínculos empregatícios, a regularidade das contribuições previdenciárias (fls. 279 e 326/327). Em resumo, os elementos apontam para a responsabilidade tributária da recorrente, considerando a falta de elisão, na forma dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, e a ausência de comprovação de pagamento das contribuições previdenciárias por parte do cedente da mão de obra. Logo, a decisão de piso não merece reforma, cabendo a manutenção da exigência do crédito tributário relativo às competências remanescentes, no que tange às contribuições previdenciárias. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920617/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2006
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.265
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 06 17 /2 01 2- 52 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02065.556, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920617/201252 Acórdão n.º 3402006.265 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 101DF CARF MF
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